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Numero do processo: 10860.901782/2009-76
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2002
COFINS. VENDAS A ESTABELECIMENTO SITUADO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. TRATAMENTO EQUIVALENTE AO DISPENSADO ÀS EXPORTAÇÕES. DECRETO-LEI 288/67 E MP 2.037-25/00, ARTIGO 14.
O artigo 4o do Decreto-lei no. 288/67 equiparou as vendas de mercadorias nacionais à Zona Franca de Manaus às exportações, no que se refere ao regime tributário aplicável, equiparação esta válida, inclusive, para benefícios e incentivos instituídos posteriormente à edição do próprio Decreto-lei no. 288/67.
A Medida Provisória no. 2.037-25/00 e as demais que se lhe seguiram suprimiram a referência à Zona Franca de Manaus constante do artigo 14, nas primeiras edições do diploma e, desta maneira, evidenciaram a fruição do regime isencional, quanto à COFINS, às receitas de vendas a empresas ali estabelecidas, a partir de 21.12.2000.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-001.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2002 COFINS. VENDAS A ESTABELECIMENTO SITUADO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. TRATAMENTO EQUIVALENTE AO DISPENSADO ÀS EXPORTAÇÕES. DECRETOLEI 288/67 E MP 2.037 25/00, ARTIGO 14. O artigo 4o do Decretolei no. 288/67 equiparou as vendas de mercadorias nacionais à Zona Franca de Manaus às exportações, no que se refere ao regime tributário aplicável, equiparação esta válida, inclusive, para benefícios e incentivos instituídos posteriormente à edição do próprio Decretolei no. 288/67. A Medida Provisória no. 2.03725/00 e as demais que se lhe seguiram suprimiram a referência à Zona Franca de Manaus constante do artigo 14, nas primeiras edições do diploma e, desta maneira, evidenciaram a fruição do regime isencional, quanto à COFINS, às receitas de vendas a empresas ali estabelecidas, a partir de 21.12.2000. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 17 82 /2 00 9- 76 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Em 24.02.2005, a ora recorrente transmitiu DComp (fls. 1/3) objetivando extinguir obrigação tributária federal por meio de supostos créditos da COFINS, apurados em relação ao P.A. 07/2002. A DRF de origem, então, prolatou despacho decisório eletrônico (fls. 4) recusando a homologação da compensação com fundamento na alegada inexistência do direito creditório, eis que o pagamento efetuado pelo sujeito passivo se mantinha integralmente alocado para satisfação de obrigação confessada por ele próprio em DCTF nãoretificada. Tempestivamente, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade (fls. 6/10). Expôs que o crédito resultaria de pagamentos efetuados supostamente a maior no período de apuração, como decorrência da espontânea inclusão, na base de cálculo da exação, das receitas auferidas com a comercialização de mercadorias nacionais a adquirentes estabelecidos na Zona Franca de Manaus. Nesse sentido, sustentou, primeiro, a isenção do negócio ao tributo, em virtude do disposto nos artigos 4o, do Decretolei nº 288/67 e 40, do ADCT; depois, sustentou que, desde o advento da Emenda Constitucional nº 33/01, por obra da qual modificouse o artigo 149 da CF/88, as operações estariam albergadas por imunidade. Em primeira instância, a pretensão do sujeito passivo acabou desprovida. Os principais fundamentos da decisão foram construídos com base na Solução de Divergência COSIT nº 7/06. De acordo com o primeiro deles, o Decretolei nº 288/67 somente teria equiparado as vendas à Zona Franca de Manaus às exportações, no que respeitasse ao regime tributário em vigor à época em que promulgado referido diploma. Apenas os incentivos fiscais já fruíveis pelas exportações em fevereiro de 1967 seriam, nesta perspectiva, extensíveis às vendas que tivessem a Zona Franca de Manaus por destino. Como a própria instituição da COFINS somente se deu em 1991, por força da LC nº 70, o tratamento previsto pelo artigo 4o do mencionado Decretolei nº 288 seria inaplicável à isenção conferida, nesta espécie impositiva, para as receitas de exportação. O segundo argumento vem em consideração às hipóteses isencionais previstas, para a COFINS, na MP nº 18586/09, artigo 14. Por meio do dispositivo, o Executivo federal outorgou, a partir de 1o de fevereiro de 1999, isenção a uma série de ocorrências ali listadas, entre as quais às receitas de “exportação de mercadorias para o exterior”. E no §2o do mesmo artigo 14, previu expressamente que o tratamento favorecido ali instituído não Fl. 209DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10860.901782/200976 Acórdão n.º 3403001.929 S3C4T3 Fl. 10 3 alcançaria as vendas realizadas “a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio.” A desequiparação – consistente em sujeitar ao tributo as vendas à ZFM quando as exportações são desoneradas – foi objeto de impugnação via ação direta de inconstitucionalidade movida pelo Governador do Amazonas, constituindo fundamento do pedido o disposto no artigo 40, do ADCT, de acordo com o qual a Zona Franca de Manaus se manteria, até o ano de 2013, como área de livre comércio e de incentivos fiscais (ADI no. 2.348). Tendo o Plenário do Supremo Tribunal Federal deferido a liminar requerida com efeitos prospectivos em 18.12.2000, entendeu a COSIT que, a partir de então, as vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus fruiriam da isenção desde que caracterizada uma das hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do próprio artigo 14, da MP nº 1.8586/09, quais sejam: (a) receitas no fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; (b) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro – REB; (c) receitas de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei no. 1.248/72, destinadas ao fim específico de exportação; e (d) receitas de vendas efetuadas com fim específico de exportação para o exterior, às empresas comerciais exportadoras registradas na SECEX. Entendeu, ainda, a DRJ recorrida que, não fossem tais obstáculos normativos, a manifestação de inconformidade igualmente haveria de ser rejeitada em razão da prova insuficiente do alegado direito creditório. Sobreveio o recurso voluntário (fls. 76/105), cujos fundamentos repetem os da própria irresignação de origem. Em 8 de julho de 2011, este Colegiado determinou a conversão do julgamento em diligência para que a DRF de origem se manifestasse sobre documentos comprobatórios do crédito trazidos pela recorrente, bem como examinasse se as receitas supostamente auferidas com vendas à ZFM já não teriam sido prévia e espontaneamente excluídas da base de cálculo da contribuição. Cumprida a diligência, e dada ciência à recorrente, a DRF de origem elaborou relatório fiscal, por meio do qual chancelou o direito creditório pleiteado. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 210DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 O recurso é tempestivo e obedece às formalidades aplicáveis, de forma que dele se conhece. Foi o Decretolei no. 288, de 1967, que estabeleceu a equivalência de tratamento jurídico tributário entre as exportações e as vendas de mercadorias a estabelecimentos sediados na Zona Franca de Manaus. De acordo com seu artigo 4o: “Art. 4o. A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” Não há dúvida de que o preceptivo em questão tenha instituído verdadeira equivalência, em termos fiscais, entre as operações comerciais que destinassem bens à Zona Franca de Manaus e as exportações de mercadorias, de tal sorte que as desonerações válidas para a segunda espécie se aplicassem, também, para a primeira. O questionamento, quanto ao dispositivo, diz respeito à abrangência do seu significado, em termos temporais. Invocando a Solução de Consulta COSIT no. 7/06, a DRJ recorrida lê, na expressão “constantes da legislação em vigor” uma limitação da equiparação aos favores fiscais já existentes quando da edição do Decretolei no. 288/67. E por assim entender, conclui que isenções outorgadas às exportações por normatização posterior, entre as quais as relativas à COFINS, não seriam extensíveis às vendas internas, com destino à ZFM. O entendimento não me convence. Não me convence porque a fórmula legislativa, segundo penso, é indicativa do oposto, quer dizer, de que por seu intermédio se tenha pretendido colher, com a equiparação, também os incentivos fiscais que viessem a ser concedidos às exportações – e não apenas aqueles existentes em fevereiro de 1967. Fosse este o propósito da regra, e bastaria ao Executivo de então têla redigido de maneira a relacionar em lista as respectivas hipóteses. Realmente, circunscrevendose a equiparação a benefícios já existentes, seria perfeitamente possível têlo feito. Penso que a escolha da expressão “constantes da legislação em vigor” teve em mira efeito diverso. Justamente porque a equivalência recairia sobre os incentivos fiscais já existentes e, também, sobre outros que, no futuro, as exportações porventura usufruíssem, a solução foi o emprego da fórmula generalizante. Todo o tratamento fiscal, tal como dispensado pela legislação em vigor às exportações, seria extensível às vendas de mercadorias para a ZFM. Mais do que isso, a expressão “constantes da legislação em vigor” está a indicar que as remessas de mercadorias à Zona Franca de Manaus terão tratamento jurídico tributário equivalente àquele definido para as exportações concomitantemente praticadas. O regime jurídico das vendas à ZFM é, em suma, aquele definido pela legislação aplicável às vendas para o exterior. O debate não é novo, de modo que doutrina e jurisprudência já se debruçaram sobre a proposta exegética reproduzida pelo acórdão a quo. Refutamna, entre outros, Geraldo Ataliba e Cléber Giardino: “Resulta claro que a intentio legislatoris, aí, foi a de atribuir absoluta igualdade entre os regimes jurídicos das exportações para o exterior e das exportações para a Zona Franca de Manaus. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10860.901782/200976 Acórdão n.º 3403001.929 S3C4T3 Fl. 11 5 Tratase de conhecida técnica legislativa, estabelecendo presunção absoluta (praesumptio iuris et de iute), que não consente contrariedade pelo aplicador administrativo ou judicial, mesmo diante de todas as evidências em contrário. As normas que manifestam as chamadas presunções iuris et de iure não se distinguem de quaisquer outras normas jurídicas. In casu, a presunção estabelecida, como visto acima, tem conteúdo nítido: exportar para Manaus, para todos os fins fiscais, é o mesmo (ou seja, produz os mesmos efeitos) que exportar para o exterior. (...). Por outro lado, in casu, a intentio legislatoris coincide com a intentio legis. A esta, também, importou igualar, para efeitos fiscais – isto é, considerar como se fossem uma só e mesma situação – esses dois tipos de exportação” (Revista de Direito Tributário, no. 41, p. 206220). Assim também tem se pronunciado de longa data o E. STJ, entre cujos julgados o seguinte me pareceu revelador: “(...) o votocondutor do acórdão vergastado observou que, ao equiparar a exportação para o exterior à venda para a Zona Franca o legislador fez a seguinte ressalva: ‘para todos os efeitos fiscais constantes da legislação em vigor’. Isto significa, nos termos do voto, que seria imperioso que a legislação posterior reiterasse esse regime sempre que pretendesse mantê lo. Ocorre que, esta não é a interpretação mais adequada para se atribuir à referida norma legal. (...) Percebese com clareza absoluta que a expressão ‘constantes da legislação em vigor’ significa que a equiparação das operações relativas à exportação com as da Zona Franca de Manaus, é universal, abrangendo toda e qualquer espécie de tributo” (REsp no. 144.785, j. 21.11.2002, relator o Min. Paulo Medina). Sintomático disso é que a Corte Superior vem reconhecendo às vendas para a ZFM a aplicabilidade de regras dispensadas às exportações relativamente a espécies tributárias cuja própria instituição é posterior ao Decretolei no. 288/67, entre as quais a COFINS e ao PIS. Entre muitos precedentes, vejase somente o seguinte: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIVALÊNCIA. DL NO. 288/67. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. SÚMULA 83/STJ. PRECEDENTES. (...) Esta Corte possui entendimento assente no sentido de que as operações envolvendo mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação, para efeitos fiscais, Fl. 212DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 conforme disposições do Decretolei no. 288/67”.(REsp no. 802.474, j. 05.11.2009, relator o Min. Mauro Campbell Marques) Isso significa que a comunicação do regime jurídicotributário das exportações às vendas para a ZFM é, desde o advento do Decretolei no. 288/67, automática. Não é preciso que, a cada nova imposição fiscal às exportações ou a cada nova desoneração que as favoreça disposições análogas sejam editadas para contemplar os negócios envolvendo a Zona Franca de Manaus. Uma vez definidas, para qualquer espécie impositiva, as regras regentes das exportações, o tratamento é imediatamente extensivo às operações com mercadorias nacionais destinadas à ZFM. Ao contrário do que propagado no aresto recorrido é a desequiparação – e não a equiparação – que estaria a requerer a edição de norma excepcional. E, ainda assim, apartar as duas realidades, no que se refere ao tratamento fiscal aplicável a cada qual, pode significar violação ao artigo 40, do ADCT. Vejamos. Quando da instituição da COFINS, a LC no. 70/91 conferiu disciplina diferenciada às exportações por meio de seu artigo 7o: “Art. 7o São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I – de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; (...) III – de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei no. 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV – de vendas, com fim específico de exportação, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; (...) VI – das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Este contexto legislativo sobreviveu inalterado à promulgação da Lei no. 9.718/98 que, predisposta a disciplinar amplamente a COFINS, veiculou em seu artigo 2o regra que assegurava a coexistência das novas disposições com aquelas anteriores, com as quais não contrastassem: “As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observada a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta lei.” A próxima modificação veio somente em junho de 1999, quando da edição da Medida Provisória no. 1.8586, cujos artigos 14 e 23 respectivamente prescreveram: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) II – da exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 213DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10860.901782/200976 Acórdão n.º 3403001.929 S3C4T3 Fl. 12 7 §2o As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio.” “Art. 23. Ficam revogados: (...) II – a partir de 30 de junho de 1999: (...) b) o art. 7o da Lei Complementar no. 70, de 1991, e a Lei Complementar no. 85, de 15 de fevereiro de 1996;” Revogando o tratamento dado à matéria pela LC no. 70/91, a MP no. 1.858 6/99 manteve a desoneração conferida às exportações propriamente ditas mas, em contrapartida, ressalvou expressamente do regime as vendas a estabelecimentos sediados na ZFM, submetendo ao tributo, portanto, as receitas daí advindas. Sucede que o Poder Judiciário repreendeu a iniciativa. Provocado via ação direta de inconstitucionalidade proposta pelo Governador do Amazonas, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em decisão liminar, vislumbrou ofensa ao artigo 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, de acordo com o qual a Zona Franca de Manaus subsistiria incentivada por regimes fiscais diferenciados até o ano de 2013 (ADI 2.348). Eis o texto em questão: “Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais pelo prazo de vinte e cinco anos a partir da promulgação da Constituição.” Fato é que, por força da liminar, a expressão “a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus” constante do citado artigo 14, da MP n. 1.8586/99 – a esta altura reeditado na MP no. 203724 – foi suspensa com efeitos prospectivos. E aí vem o acontecimento decisivo: nas edições subseqüentes da mesma medida provisória, a começar pela MP no. 2.037 25, publicada em 21.12.2000, e em todas as demais, inclusive na MP no. 2.15835/01, cuja vigência tornouse definitiva com o artigo 2o, da EC no. 32/01, o Executivo removeu a referência à Zona Franca de Manaus da cláusula restritiva aos limites da isenção. Quer dizer, o artigo 14, reproduzido na MP no. 2.03725 e em todas as reedições do mesmo veículo, deixou de conter, no §2o, a menção à Zona Franca de Manaus. Vejase: “Art. 14. §2o As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio;” Fl. 214DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 Percebase que, não mais excepcionando da regra isencional as vendas para a ZFM, as receitas resultantes da operação acabaram favorecidas pela exoneração, dado que, como exposto, estão equiparadas às exportações por obra do Decretolei no. 288/67. Bastou que as novas edições da MP 2.037 removessem a norma distintiva para a equivalência de regimes imediatamente se estabelecer já em nível legal, sem que, para reconhecêla, seja preciso evocar o artigo 40, do ADCT. Foi possivelmente por este motivo – a omissão dos estabelecimentos da ZFM no §2o do artigo 14, da MP no. 2.037 – que o autor da ADI no. 2.348 deixou de aditar a petição inicial à medida que novas edições se superpunham. Nenhum sentido haveria em fazêlo, afinal, se a inconstitucionalidade apontada nas primeiras versões da medida provisória não fora cometida naquelas publicadas após o deferimento da liminar. E foi esta a razão pela qual o Supremo Tribunal Federal entendeu, anos depois, que a ADI perdera o objeto. A equiparação, todavia, vem sendo positivamente assegurada pelo artigo 14 da MP no. 2.03725, desde 21.12.2000, pouco importando, para estas considerações, que a liminar deferida na ADI no. 2.348 tenha perecido ante a extinção daquele processo. Neste sentido tem se posicionado parcela significativa dos julgadores deste Colegiado, entre os quais: “Ainda de acordo com este raciocínio, entendo que, a partir de dezembro de 2000, devese reconhecer a existência do benefício pretendido, sendo indiscutível a equiparação das remessas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus à exportação.” (Acórdão no. 20179.407, Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas) Como o fato gerador objeto da DCOMP em questão é posterior a este marco temporal – 21.12.2000 – é de se admitir, ao menos em tese, o recolhimento a maior. Pois bem. Para documentar seu alegado direito, a recorrente produziu os seguintes elementos de prova: (a) planilha extracontábil, objetivando ilustrar o cálculo de apuração da COFINS no período de apuração e o montante das receitas auferidas com vendas à ZFM; (b) cópia da guia DARF com que efetuou o pagamento supostamente a maior do tributo; (c) relatório de auditoria fiscal contratada para a apuração do indébito; (d) cópia da primeira página da DCTF retificadora do débito de COFINS inicialmente confessado; (e) extrato de consulta à página da SUFRAMA na internet, onde consta relação de notas fiscais emitidas pela recorrente e internadas na ZFM no período de apuração; e, enfim, (f) cópia das próprias notas fiscais relacionadas no extrato acima, indicativas de operações comerciais alegadamente abrigadas pela regra isencional. Os documentos em questão, todavia, não chegaram a ser examinados pelas instâncias de origem – não por inteiro, ao menos – seja porque as decisões recorridas recusaram a pretensão sob argumentos que prescindiam da análise, seja porque parte da prova apenas foi trazida aos autos por ocasião da interposição do recurso voluntário. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10860.901782/200976 Acórdão n.º 3403001.929 S3C4T3 Fl. 13 9 E foi em razão da insuficiente análise a que haviam sido submetidas as provas produzidas pela parte que este Colegiado entendeu por bem converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, por meio da Resolução no. 3403000.239. Objetivavase que o órgão preparador identificasse a existência do suposto indébito e o mensurasse, sem objetar lhe os motivos em que se fundamentara a recusa da homologação. Particularmente, interessava a esse órgão julgador confirmar que a ora recorrente houvera, de fato, espontaneamente exposto à tributação as receitas obtidas com as vendas a adquirentes estabelecidos na ZFM, no período considerado. Ao cabo da diligência, a fiscalização elaborou relatório ao ensejo do qual reconstruiu a base de cálculo da COFINS para o período de apuração em cogitação, fazendoo a partir de dados extraídos da escrituração fiscal da recorrente, em especial, do LRAIPI e do LAICMS. No cálculo que efetuou, a autoridade encarregada da diligência identificou nos livros fiscais mencionados as categorias de receitas tributáveis pela exação por referência aos CFOPs das respectivas operações mercantis, incluindo, dentre eles, aqueles utilizados pela recorrente nas notas fiscais sacadas para documentar as vendas a estabelecimentos da ZFM. E o relevante é que, assim procedendo, a autoridade de origem determinou a base imponível do tributo em valor coincidente com aquele que a recorrente oferecera à incidência, a confirmar que a pessoa jurídica realmente recolheu a exação sobre as receitas auferidas com as vendas à ZFM no período. Sendo assim, comprovado o indébito e a sua origem, voto pelo provimento do recurso voluntário, a fim de que seja homologada a compensação declarada. É como voto. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 216DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 11128.007048/2006-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 14/11/2002 MATÉRIA IMPUGNADA E NÃO APRECIADA NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Comprovado que existiu matéria impugnada que não foi objeto de manifestação no julgamento de primeira instância, deve-se anular o julgamento para que a autoridade a quo realize novo julgamento, apreciando todas as matérias que foram objeto da manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-001.421
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 14/11/2002 MATÉRIA IMPUGNADA E NÃO APRECIADA NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Comprovado que existiu matéria impugnada que não foi objeto de manifestação no julgamento de primeira instância, devese anular o julgamento para que a autoridade a quo realize novo julgamento, apreciando todas as matérias que foram objeto da manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, Winderley Morais Pereira, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório A Recorrente qualificada acima, realizou importações do produto “CARBADOX 98% MIN NOMENCLATURA: CARBOMETOXIHIDRAZONE DE 2 FORMIL NI N4 APLICACAO: ADITIVO PROMOTOR DE CRESCIMENTO RARA ALIMENTACAO ANIMAI ASPECTO: PO AMARELO A CREME", classificando no código NCM 2933.99.39. Em trabalho de auditoria, a Fiscalização Aduaneira retirou amostra do produto importado, determinando a realização de laudo técnico. A partir do resultado do laudo decidiu por reclassificar a mercadoria para o código NCM 2933.99.99, lavrando o competente auto de infração com a exigência da diferença do Imposto de Importação II, multa de 75% sobre o imposto devido, juros moratórios e as multas administrativas previstas na alínea “b” do inciso I, do art. 169 do DecretoLei nº 37/66, com redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78 (multa por falta de Licença de Importação) e multa por classificação incorreta da mercadoria, prevista no inciso I, do art. 84, da MP nº 2.15835/01. Irresignada com o lançamento, a empresa protocolou manifestação de inconformidade (fls. 29 a 33) alegando que por descrever corretamente a mercadoria não deveriam ser cobradas as multas administrativas. A Delegacia de Julgamento ao apreciar a impugnação, decidiu pela sua procedência parcial, excluindo a multa por falta de LI, acolhendo a tese que a mercadoria foi corretamente descrita, e, quanto ao restante do lançamento, não se manifestou, por entender que tais matérias, não foram objeto de impugnação. A decisão da DRJ foi assim ementada. "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 14/11/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Mercadoria identificada como N1, N4Dióxido3(2 QuinoxalinilMetileno) Carbazato de Metila (Carbadox) classificase no código NCM 2933.99.99. A classificação fiscal da mercadoria foi considerada não impugnada por não ter sido contestada pelo impugnante. MULTAS NÃO IMPUGNADAS. A multa de oficio, de 75% sobre a diferença apurada de imposto de importação, capitulada no inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, e a multa por classificação incorreta da mercadoria na Fl. 114DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 11128.007048/200622 Acórdão n.º 310201.421 S3C1T2 Fl. 2 3 Nomenclatura Comum do Mercosul, preceituada no inciso I do artigo 84 da MP n° 2.15835, de 24/08/2001, foram consideradas não impugnadas por não terem sido expressamente contestadas pelo impugnante (art. 17 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532/97). MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES Descabe a aplicação da multa do controle administrativo das Importações, capitulada na alínea "h" do inciso I do art. 169 do DecretoLei n° 37/66,com a redação dada pela pelo art. 2° da Lei n° 6.562/78, se a mercadoria foi corretamente descrita na declaração de importação, conforme orientação expressa no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 12/97. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, alegando que questionou na manifestação de inconformidade, todas as multas aplicadas, sob o argumento que não seriam exigíveis, em razão da mercadoria estar corretamente descrita e a decisão de primeira instância deveria ser reformada parcialmente para exclusão das multas exigidas no Auto de Infração. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Inicialmente por tratarse de questão preliminar, aprecio a alegação traga no Recurso, da falta de julgamento pela autoridade de primeira instância, de matérias que foram impugnadas. Transcrevo abaixo, trecho extraído do acórdão da DRJ, que analisou a impugnação, descrevendo as matérias que no seu entendimento não foram impugnadas. "O impugnante não contestou a classificação fiscal adotada pela autoridade aduaneira, a aplicação da multa de ofício, capitulada no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, nem a aplicação da multa por erro da classificação da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/01. Assim, por não terem sido referidas matérias expressamente contestadas, foram consideradas não impugnadas, conforme prevê o artigo 17 do Fl. 115DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 9.532/97, "in verbis" "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n°9.532, de 10.12.1997)." A autoridade a quo não considerou como constante da peça impugnatória, questões acerca da reclassificação da mercadoria, da multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 e da multa por erro de classificação, prevista no art. 84, inciso I, da MP 2.15835/01. Analisando a impugnação, constatase que foram contestadas todas as multas administrativas, conforme trechos abaixo, extraídos da manifestação de inconformidade. " A Requerente cumpriu todas as determinações que lhe foram impostas, contudo, de maneira alguma, pode acatar a exigência do recolhimento de tais penalidades, consubstanciadas nas multas previstas no inciso II, do artigo 526. do Regulamento Aduaneiro e no artigo 84, da Medida Provisória n° 2.158/3501. ... Ora, se a Requerente descreveu devidamente na Declaração de Importação a mercadoria por ela importada, tal fato demonstra inquestionavelmente a sua boa fé acerca das informações prestadas à Requerida, não havendo, portanto, nenhuma imprecisão que prejudicasse sua identificação. Nesse contexto, é totalmente descabida a aplicação de qualquer penalidade por infração administrativa ao controle das importações tendente a punila." Ao fim, pede a autuada, o afastamento da multa por falta de LI, conforme trecho abaixo, também extraído da impugnação. " III DO PEDIDO Ante ao acima exposto, espera a Requerente que seja a presente Defesa Administrativa regularmente processada e acolhida, e ao final seja declarada a nulidade parcial do Auto de Infração n° 11128.007048/0622, de maneira a afastar a indevida aplicação da multa prevista no artigo 633, do Decreto 4.543 de 2002." Se for considerado, unicamente o constante do pedido ao fim da impugnação, somente a multa por falta de LI deveria ser considerada no julgamento da primeira instância, posição que foi adotada pela autoridade a quo. Entretanto, entendo que o principio da verdade material e da ampla defesa, são intrínsecos ao Processo Administrativo Fiscal e em que pese o fato, do seu informalismo contido, estes corolários não podem ser afastados, devendo pelo contrário, ser privilegiados, visto que, qualquer discussão administrativa que seja maculada, por procedimentos processuais questionáveis, pode vir no futuro a ser objeto de novas discussões, o que sem dúvida, afasta um dos grandes benefícios do processo administrativo, que busca abreviar a solução do litígios a contento das partes, portanto, mais uma vez, Fl. 116DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 11128.007048/200622 Acórdão n.º 310201.421 S3C1T2 Fl. 3 5 considerando a manutenção da ampla defesa, entendo que devese analisar a impugnação de forma lógica e dentro do contexto em que se apresenta. No caso em estudo, foram apresentadas na impugnação argumentos contra a cobrança das multas administrativas, sendo assim, entendo que todas as multas administrativas, contidas no Auto de Infração sofreram questionamento. Destarte, por tratarse de multa administrativa, entendo que a multa por erro da classificação da mercadoria, prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.15835/01 também foi objeto de impugnação, da mesma forma que a multa por falta de LI. Quanto à multa de ofício de 75% prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, entendo não constar nenhuma alegação quanto a sua exigência na impugnação, pois, não é multa administrativa, já que é vinculada a falta de recolhimento de tributos e não sendo de nenhuma outra forma contestada, não há reparo ha fazer na decisão da autoridade a quo, quanto a não julgamento desta exação. Diante do exposto, voto no sentido de anular a decisão da primeira instância para que seja realizado novo julgamento daquela autoridade, para também apreciar a multa por erro de classificação prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.15835/01. Winderley Morais Pereira Fl. 117DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 10530.002327/2007-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ERRO DE PROCEDIMENTO.
INCOMPETÊNCIA DO COLEGIADO. NULIDADE DA RESOLUÇÃO.
O Colegiado não é competente para apreciar processo que não tenha sido distribuído de acordo com os procedimentos previstos no Regimento Interno do CARF. Nula, portanto, a Resolução exarada.
Numero da decisão: 2101-001.673
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos e a eles dar provimento, para declarar incompetente o Colegiado para apreciar o Recurso Voluntário, reconhecendo a nulidade da Resolução n.º 2101-000.058, de 12.3.2012 e determinando o retorno do processo à Secretaria de Câmara, para distribuição nos termos do Regimento Interno do CARF.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ERRO DE PROCEDIMENTO. INCOMPETÊNCIA DO COLEGIADO. NULIDADE DA RESOLUÇÃO. O Colegiado não é competente para apreciar processo que não tenha sido distribuído de acordo com os procedimentos previstos no Regimento Interno do CARF. Nula, portanto, a Resolução exarada.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos e a eles dar provimento, para declarar incompetente o Colegiado para apreciar o Recurso Voluntário, reconhecendo a nulidade da Resolução n.º 2101-000.058, de 12.3.2012 e determinando o retorno do processo à Secretaria de Câmara, para distribuição nos termos do Regimento Interno do CARF.
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ERRO DE PROCEDIMENTO. INCOMPETÊNCIA DO COLEGIADO. NULIDADE DA RESOLUÇÃO. O Colegiado não é competente para apreciar processo que não tenha sido distribuído de acordo com os procedimentos previstos no Regimento Interno do CARF. Nula, portanto, a Resolução exarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos e a eles dar provimento, para declarar incompetente o Colegiado para apreciar o Recurso Voluntário, reconhecendo a nulidade da Resolução n.º 2101000.058, de 12.3.2012 e determinando o retorno do processo à Secretaria de Câmara, para distribuição nos termos do Regimento Interno do CARF. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, José Evande Fl. 91DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Carvalho Araujo, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento, na qual foi lançado imposto sobre a renda de pessoa física suplementar, em virtude da omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva. O processo foi distribuído a esta Relatora, colocado em pauta em março de 2012 e apreciado pelo Colegiado que, por meio da Resolução n.º 2101000.058, decidiu, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ocorre que, em data posterior à da emissão da referida Resolução, esta Conselheira constatou que este processo não havia sido inserido em lote sorteado em sessão pública de julgamento, tal como determina o Regimento Interno deste Conselho. Verificada a irregularidade, esta Relatora opôs Embargos Inominados, que foram submetidos à apreciação do Sr. Presidente da 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento. Foi determinado o retorno do processo à Relatora, a fim de submeter a questão à apreciação do Colegiado, para que se pronuncie acerca de sua competência para apreciar o Recurso Voluntário. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O caput do artigo 37 do Decreto n.° 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, determina que o julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. E o Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n.° 256, de 2009, assim preceitua, em seu Anexo II: Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...] § 2° Os processos que compõem os lotes a serem sorteados constarão de relação numerada, da qual se dará prévio conhecimento aos participantes. § 3° O sorteio dos lotes de processos a conselheiros ocorrerá em sessão pública de julgamento do colegiado que integrarem, podendo, excepcionalmente, ser realizado em sessão de outro colegiado. [...] Fl. 92DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.002327/200766 Acórdão n.º 210101.673 S2C1T1 Fl. 92 3 A distribuição do presente processo não seguiu o procedimento previsto no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF. O processo não integrou lote e não foi sorteado para esta Relatora em sessão pública de julgamento, tal como previsto. Foi disponibilizado para relatar por um equívoco, equívoco este que acabou por provocar o fato de ter sido relatado e apreciado por este Colegiado. Entendo que, nessas circunstâncias, o Colegiado não é competente para apreciar o Recurso Voluntário, e a decisão exarada no presente processo padece de vício insanável, ensejando a sua nulidade. Conclusão Sendo assim, voto pelo acolhimento e provimento dos Embargos para declarar incompetente o Colegiado para apreciar o Recurso Voluntário, reconhecendo a nulidade da Resolução n.º 2101000.058, de 12.3.2012 e determinando o retorno do processo à Secretaria de Câmara, para distribuição nos termos do Regimento Interno do CARF. (assinado digitalmente) __________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 93DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13896.005202/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/12/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CORREÇÃO DA FALTA BENEFÍCIO DE RELEVAÇÃO.
Em relação à aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o CTN impõe a retroatividade da lei mais benéfica em matéria de penalidade tributária, assim a correção da falta no curso do processo administrativo fiscal impõe a concessão do benefício de relevação parcial da multa (art. 291 do RGS).
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-002.534
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/12/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CORREÇÃO DA FALTA BENEFÍCIO DE RELEVAÇÃO. Em relação à aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o CTN impõe a retroatividade da lei mais benéfica em matéria de penalidade tributária, assim a correção da falta no curso do processo administrativo fiscal impõe a concessão do benefício de relevação parcial da multa (art. 291 do RGS). Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/12/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CORREÇÃO DA FALTA BENEFÍCIO DE RELEVAÇÃO. Em relação à aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o CTN impõe a retroatividade da lei mais benéfica em matéria de penalidade tributária, assim a correção da falta no curso do processo administrativo fiscal impõe a concessão do benefício de relevação parcial da multa (art. 291 do RGS). Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte TRIACOM LTDA, em face de Acórdão prolatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS SP), que julgou procedente o auto de infração. 2. De acordo com o relatório fiscal, a autuação se deu por descumprimento de obrigação acessória, uma vez que a recorrente teria deixado de exibir os documentos solicitados pela fiscalização, mormente os Livros Diários referentes a 2003 e 2004, em que teriam sido lançadas as notas fiscais emitidas pela Salles, Adan & Associados, Marketing de Incentivos Ltda.. 3. O relatório fiscal (ff. 28 a 31) informa ainda que a multa aplicada é a prevista no art. 92 e 102 da Lei n° 8.212/91, c/c o art. 283, II "j" e o art. 373 do RPS (Decreto n° 3.048/99, com o valor reajustado de acordo com a Portaria MPS/MF n° 77, DOU de 11/03/2008). 4. O acórdão recorrido, que julgou a impugnação (ff. 34 a 42), teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Data do fato gerador: 29/12/2008 DIREITO PREVIDENCIARIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DECADÊNCIA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. OCORRÊNCIA NA AUTUAÇÃO. RELEVAÇÃO DA MULTA. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. Constitui infração a não exibição de qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212/91, ou apresentar livro ou documento que não atenda As formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira, conforme o art. 33, §§ 2° e 3°, da referida Lei, com redação da MP no 449, convertida na Lei no 11.941/2009, c/c o art. 233, parágrafo único, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. O Auto de Infração foi lavrado de acordo com o prazo decadencial de cinco anos previsto no Código Tributário Nacional. Ao deixar de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis solicitadas pela fiscalização em razão de diligência requisitada pela DRJ para a resposta de quesitos formulados, a empresa enquadrou Fl. 92DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13896.005202/200818 Acórdão n.º 2301002.534 S2C3T1 Fl. 87 3 se na hipótese de incidência do art. 32, III, da Lei no 8.212/91 mencionada no Auto de Infração. O art. 65 da MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei no 11.941, de 27/05/2009, c/c o art. 1° do Decreto n° 6.727, de 12/01/2009, revogaram os dispositivos legais que tratavam do beneficio da relevação da multa em Auto de Infração. Lançamento Procedente" (f. 64). 4. Ante a prolação do Acórdão supracitado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário (ff. 71 a 79), alegando, em síntese: a) a decadência parcial da multa aplicada; b) o não cometimento da infração fiscal, uma vez que os Livros Diários de 2003 e 2004 teriam sido entregues durante o período fiscalizado; c) a relevação da multa com base no art. 291, § 1º do RPS combinado com o art. 106, inc. III do CTN. 5. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. MÉRITO DO RECURSO 2. No presente processo ocorreu a aplicação de uma multa única, assim, a menos que o período fiscalizado estivesse totalmente alcançado pela decadência, não há como aplicar o instituto no caso concreto. 3. Tem razão o acórdão recorrido quando destaca que: “Desta forma, considerandose que a infração no presente caso é única, pela não apresentação de documentos, não procede a alegação de não ter a fiscalização obedecido ao prazo decadencial de cinco anos” (f. 65). 4. Dessa forma, passo à análise das demais questões recursais. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 DA RELEVAÇÃO DA MULTA APLICADA 5. A questão trazida nos autos diz respeito à aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. 6. Conforme relatado acima, tratase de infração cometida pelo contribuinte por ter deixado de exibir os documentos solicitados pela fiscalização, mormente os Livros Diários referentes a 2003 e 2004. A multa aplicada foi a prevista no art. 92 e 102 da Lei n° 8.212/91, c/c o art. 283, II "j" e o art. 373 do RPS (valor reajustado de acordo com a Portaria MPS/MF n° 77, DOU de 11/03/2008). 7. A obrigação acessória está posta de forma clara na norma previdenciária, visto que toda empresa ou entidade equivalente é obrigada a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições (art. 33, § 2º Lei 8.212/91). 8. A conduta descrita no relatório fiscal, se amolda à multa por inobservância do dever instrumental prevista no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei n. 8.212/91 c/c arts. 232 e 233, p. ún., do RPS. Adequase, assim, a exação ao princípio da tipicidade das obrigações acessórias. 9. Cumpre verificar, entretanto, se a conduta do sujeito passivo pode ser beneficiada pela regra contida no art. 291, § 1º do RPS. Este dispositivo – vigente à época dos fatos imponíveis, da autuação, da impugnação e do recurso, vez que foi revogado pelo Decreto nº 6.727/2009 – trazia em seu texto a previsão da relevação da multa aplicada quando o contribuinte protocolasse o pedido dentro do prazo de defesa, fosse primário e tivesse corrigido a falta em tempo, verbis: “Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante.” 10. Conforme se extrai do relatório fiscal, não existem circunstâncias agravantes do recorrente (f. 29). 11. Outrossim, segundo o recorrente, houve a entrega da documentação exigida no curso do processo administrativo fiscal. Essa informação não foi contestada pelo fisco no relatório fiscal, nem no acórdão recorrido, nem tampouco em sede de contrarrazões ao presente recurso: “Assim, a fiscalização teve acesso a toda documentação para fins de análise, não cabendo prosperar a presente autuação. Tal afirmação é do próprio Auditor Fiscal quando da lavratura do AIIM n.° 37.093.0592, posto que o mesmo teve acesso a todos documentos que se referem quanto as emissões das Notas Fiscais da empresa Salles. Temos ainda que considerar que quando da lavratura do AIIM n.°37.093.0606, vimos que o próprio Auditor Fiscal também capitulou a infração no mesmo sentido, conforme podemos notar no item 4.do "Relatório Fiscal": Fl. 94DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13896.005202/200818 Acórdão n.º 2301002.534 S2C3T1 Fl. 88 5 "0 valor tributável foi apurado com base nos valores nominais das notas fiscais de serviços, emitidas pela empresa Sal/es, Adan & Associados, Marketing de Incentivos S/C Ltda". Portanto, se referidos AIIM's 37.093.0592 e 37.093.0606, originários da presente autuação que visa o pagamento pela defendente de multa por não ter apresentado os Livros Diários referentes a 2003 e 2004 que conteriam a relação das notas fiscais da empresa Salles, foram constituídos com base na apresentação das próprias notas fiscais, temos que há plena insubsistência da autuação, visto que não há hipótese de incidência que possa validar a cobrança da multa em questão” (ff. 39 e 40). 12. Verificase, portanto, que é incontroverso o fato de a empresa ter corrigido a falta cometida dentro do curso do processo de defesa, cumprindo, assim, a exigência do parágrafo 1º, do artigo 291, do Decreto 3.048/99. 13. Cumpre ainda destacar, data venia, o desacerto do acórdão recorrido, uma vez que deixou de aplicar a relevação da multa com base na revogação do dispositivo (art. 291, § 1º do RPS) pelo Decreto n. 6.727, de 12 de janeiro de 2009. (ff. 65 verso). 14. Ocorre que o art. 106, inc. II do CTN impõe a ultratividade (retroatividade) da lei mais benéfica em matéria de penalidade tributária (cf. STJ, REsp 950.143, Minª Eliana Calmon; e STJ, AgRgREsp 954.521, Min. José Delgado). Portanto a solução dada pelo acórdão não se adequa aos dispositivos do Código Tributário Nacional. 15. Dessa forma, levando em consideração os fatos descritos nos parágrafos anteriores, entendo que a multa deve ser relevada. CONCLUSÃO 16. Feitas tais considerações, voto por CONHECER do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para conceder a relevação da multa aplicada, nos termos acima alinhados. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 15540.000010/2011-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância; recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que a decisão já se tornou definitiva. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 1402-000.986
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância; recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que a decisão já se tornou definitiva. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000010/201176 Acórdão n.º 140200.986 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório AJA DE ICARAI COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA. recorreu a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 04/78, lavrados no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Niterói – DRF/NITERÓI/RJ, em 07/01/2011, por meio dos quais estão sendo exigidos da interessada acima identificada, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ/SIMPLES, no valor de R$ 24.380,17 (fls. 04/09 e 15/18); a Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/SIMPLES, no valor de R$ 17.866,91 (fls. 36/45); a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL/SIMPLES, no valor de R$ 25.624,36 (fls. 46/56); a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS/SIMPLES, no valor de R$ 75.656,59 (fls. 57/67) e a Contribuição para a Seguridade Social – INSS/SIMPLES, no valor de R$ 215.291,89 (fls. 68/78), todos acrescidos de multa de 75% e juros de mora calculados até 30/12/2010. (...) a auditoria fiscal foi determinada pelo Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Niterói por meio do Mandato de Procedimento Fiscal 07.1.02.00201000161 3, sendo determinada auditoria para verificação da movimentação financeira do contribuinte no ano calendário 2006; em abril de 2010 foi o contribuinte intimado por via postal, na pessoa de seus sócios, que receberam o Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 172/174); o mesmo Termo de Início de Procedimento Fiscal foi entregue ao procurador nomeado pela sócia Avanil Correa, Sr Paulo Conhasca, em 16 de junho de 2010, que na ocasião afirmou verbalmente a destruição de todo o acervo documental da empresa, tendo entregue na ocasião cópia do Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, datado de 08 de janeiro de 2008 (fl. 215), onde é comunicado o extravio, dentre outros, aos documentos fiscais do contribuinte; na mesma ocasião, no dia 16 de junho de 2010, como o prazo para a resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal já se havia expirado e diante da não apresentação dos documentos ali solicitados, foi emitido o Termo de Constatação Fiscal n° 1 (fls. 99/100), para registrar a omissão do contribuinte, bem como reintimálo a apresentar a documentação anteriormente solicitada, que foi assinado pelo procurador e remetido aos sócios (fls. 175/178); diante da ausência de documentação fiscal a examina foi solicitada em 05 de julho de 2.010 emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF – fls. 185/187) com base nos art. 2o e art. 3o. incisos VII, do Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001 e art. 33, da Lei n° 9.430, de 1996, pelo não fornecimento de informações sobre movimentação financeira quando intimado, tendo sido expedidas RMF pelo Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Fl. 588DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000010/201176 Acórdão n.º 140200.986 S1C4T2 Fl. 0 3 Niterói em 07/07/2010 para os bancos CEF, HSBC, SAFRA, SANTANDER e UNIBANCO (fls. 188/196); de posse das respostas dos bancos com os lançamentos efetuados nas contas correntes do contribuinte, iniciouse a análise dos extratos bancários, sendo emitido o Termo de Intimação Fiscal n°1 (fls. 101/132), onde foram listados lançamentos a crédito nas contas correntes do contribuinte para os quais foram solicitados esclarecimentos, tendo sido o recebido pelo procurador em 15/09/2010 e pelos sócios por via postal (fls. 179/182); uma vez que o procurador deixou de apresentar nova procuração dentro do previsto no artigo 7º da Portaria RFB n° 1.860, de 11 de outubro de 2010, a fiscalização deixou de considerar sua condição como representante da empresa e passou a intimar o contribuinte somente por via postal; em 07/02/2010 foi emitida a última intimação Termo de Intimação Fiscal n° 2 (fls. 133/171), onde foram novamente solicitados esclarecimentos acerca de lançamentos a crédito nas contas correntes do contribuinte, não havendo o contribuinte apresentado resposta; uma vez que o contribuinte regularmente intimado deixou de comprovar a origem dos depósitos bancários foi autuado com fundamento no artigo 42 da Lei 9.430/1996; os valores que não se referiam a receitas da empresa (resgate de aplicações financeiras, estorno, devoluções de cheques, etc..) não compuseram a base de cálculo objeto da autuação; do total da omissão apurada foram excluídos os valores declarados pelo contribuinte, conforme tabela a seguir: Mês/ano RECEITA EM REAIS R$ AUFERIDA DECLARADA OMITIDA jan/06 226.870,94 8.635,49 218.235,45 fev/06 189.274,48 8.636,53 180.637,95 mar/06 456.001,61 8.641,28 447.360,33 abr/06 328.388,16 8.637,77 319.750,39 mai/06 313.936,06 14.924,52 299.011,54 jun/06 219.155,82 15.615,23 203.540,59 jul/06 204.026,10 15.821,35 188.204,75 ago/06 463.433,53 15.851,26 447.582,27 set/06 159.041,97 16.183,50 142.858,47 out/06 220.628,06 16.618,70 204.009,36 nov/06 227.651,04 16.217,82 211.433,22 dez/06 325.646,00 17.842,64 307.803,36 TOTAL 3.334.053,77 163.626,09 3.170.427,68 com a inclusão das receitas não declaradas, verificaramse novos enquadramento nas alíquotas do SIMPLES, o que implica constatar que os valores anteriormente considerados como recolhimento se mostraram insuficientes em face às novas alíquotas aplicáveis a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contríbuição para o PIS/PASEP, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição para Fl. 589DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000010/201176 Acórdão n.º 140200.986 S1C4T2 Fl. 0 4 Financiamento da Seguridade Social e Contribuição para a Seguridade Social – INSS; tais valores foram lançados a título de insuficiência de recolhimento, conforme se encontra descrito no relatório DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DOS VALORES NÃO RECOLHIDOS (fls. 24/29); como a empresa teve receita total anocalendário 2006 de R$ 3.334.053,77, que ultrapassa o limite legal de RS 240.000,00 para microempresas, condição onde se declarou o contribuinte, e de R$ 2.400 000,00 para empresas de pequeno porte, violou o disposto no artigo 9º da Lei 9.317/96, informando a fiscalização que iria formalizar Representação Fiscal para fins de Exclusão da empresa do SIMPLES. Irresignada com a autuação a empresa apresentou, em 25/02/2011, a impugnação de fls. 386/388, instruída com os documentos de fls. 389/395, onde alega resumidamente que devem ser excluídos da autuação os valores a seguir discriminados. (...) A decisão recorrida está assim ementada: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. IRPJ/SIMPLES. A partir de 01/01/1997, com a edição da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários, cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de re ceita. Tal presunção acarretou a inversão do ônus da prova, cabendo ao su jeito passivo da relação jurídica provar que a prática do fato que lhe está sendo imputado não corresponde à realidade. Na ausência de provas que demonstrem a origem dos depósitos, a autuação deve ser mantida. CONTRIBUIÇÕES/SIMPLES PIS, COFINS, CSLL e INSS Na medida em que não haja fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas, os lançamentos reflexivos colhem a sorte daquele que lhes deu origem. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão em 10/08/2011 (fl. 477), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 3/10/2011 (fl. 489), no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. Mediante Despacho de fl. 585 a unidade de origem encaminhou os autos a este Conselho asseverando a intempestividade do Recurso. É o relatório. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000010/201176 Acórdão n.º 140200.986 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Inicio verificando os pressuposto de admissibilidade do recurso voluntário. O artigo 33 do Decreto 70.235 de 1972, estabelece que “Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Vejamos a transcrição do art. 5o. do Decreto n° 70.235, de 1972: “Art. 5°. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” A expressão “prazos contínuos” prevista no artigo 5° do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, quer dizer em dias corridos, sem interrupção pelos domingos e feriados. O prazo recursal de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 começa a fluir no primeiro dia útil subsequente a intimação do interessado, sendo que esta pode ser pessoal, via postal ou por meio eletrônico. No caso dos autos, a recorrente tomou ciência do Acórdão de primeira instancia em 5/9/2011, segundafeira (AR de fls. 923), a contagem do prazo iniciou dia 6/9/2011. Por sua vez, o recurso voluntário de fls. 925 foi protocolado em 7/10/2011 (sexta feira), ou seja, 2 dias após o termino do prazo, quando já havia precluído seu direito de recorrer, sem apresentar qualquer justificativa (art. 67 da Lei n° 9.784, de 2001). Verificase que na peça recursal está registrado que foi elaborada em 7/10/2011 (fl. 928), corroborando com o termo de recepção. Registrese também que a intempestividade foi constatada pela Unidade de Origem, consoante despacho de encaminhamento dos autos a este Conselho (fl. 951) . Por oportuno, registrese o teor da Súmula 9 do CARF: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Diante do exposto voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 591DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 11075.001140/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/03/2006
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS.
Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.
Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo.
Recurso voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, recurso negado.
Numero da decisão: 3202-000.530
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso; na parte conhecida, em negar provimento ao recurso voluntário.
Declararam-se impedidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Junior.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente KRAFT FOODS BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/03/2006 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Recurso voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso; na parte conhecida, em negar provimento ao recurso voluntário. Declararamse impedidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Junior. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Conforme Auto de Infração das fls. 1 a 3 e anexos, o estabelecimento acima qualificado foi autuado para exigência de multa no valor de R$ 52.445,03, igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, pela emissão, fora dos casos permitidos no Decreto nº. 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, de nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, multa essa tratada no art. 490, II, do referido diploma regulamentar. No caso, em 12 de março de 2006, no Porto Seco de Uruguaiana, o interessado promoveu o despacho aduaneiro de exportação, protocolizado sob o nº. 2060227505/9, instruído, em especial, com as Notas Fiscais nºs. 164132, 164133 e 164134, série 7, emitidas em 20 de fevereiro de 2006. A documentação instrutiva do despacho aduaneiro indicava 3.839 caixas de chocolate "Milka Leger Branco", tendo sido apurada, na verificação física da mercadoria, a existência de 2.860 caixas, evidenciando a falta de 979 caixas, motivo pelo qual o fato foi enquadrado no dispositivo mencionado no item precedente. Menciona a fiscalização que, posteriormente, o despacho em questão foi cancelado, conforme Processo nº. 11075.000490/200691, tendo sido promovido novo despacho, sob nº. 2060289023/3, instruído com documentação compatível com a quantidade exportada. Cientificado da exigência em 30 de maio de 2006, segundo o Aviso de Recebimento (AR) da fl. 34, o interessado impugnou tempestivamente a exigência, por meio do arrazoado das fls. 37 a 39, postado em 29 de junho de 2006, conforme consta na fl. 36, arrazoado esse firmado por advogados habilitados pela procuração da fl. 40 e instruído com os documentos das fls. 41 a 62, alegando que a multa de 100% é confiscatória, por desapropriar o contribuinte de parte de seu patrimônio, de forma desproporcional, o que é expressamente vedado pelo art. 150, IV, da Constituição da República Federativa do Brasil, citando e transcrevendo jurisprudência e doutrina nesse sentido. À vista disso, pede a improcedência da autuação.” A DRJPorto Alegre/RS não conheceu da impugnação (fls. 68/69), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 01/03/2006 MULTA. PRELIMINAR DE INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, por expressa disposição legal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, proibição que torna esta Turma incompetente para apreciar pleito nesse sentido. Impugnação Não Conhecida Fl. 111DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11075.001140/200641 Acórdão n.º 3202000.530 S3C2T2 Fl. 2 3 Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (fls.91/101), alegando, em síntese: preliminarmente, a nulidade da decisão de primeira instância. Afirma que decisão deixou de conhecer da impugnação sob o fundamento de que seria vedado expressamente, aos órgãos de julgamento de processos administrativos fiscais, afastarem a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade. Para tanto, arrimouse a autoridade julgadora em legislação que não se encontrava em vigor à época em que foi apresentada a impugnação, qual seja, o art. 25 da Lei n°. 11.941, de 27 de maio de 2009, que alterou a redação do caput do art. 26A do Decreto n°. 70.235, de 06 de março de 1972. Aduz, ainda, que sempre foi possível que a autoridade administrativa, ao julgar qualquer controvérsia, analisasse e interpretasse todos os textos legais aplicáveis ao caso, incluindo os princípios basilares trazidos pela Constituição; no mérito, suscitou a inexistência de prova material capaz de fundamentar o lançamento e o não cabimento da aplicação da sanção em razão da ausência de lesividade da conduta. Ao final, requereu a nulidade da decisão de primeira instância e, sucessivamente, a improcedência do Auto de Infração. É o Relatório Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. A recorrente, em sede de impugnação, trouxe tãosomente a arguição de inconstitucionalidade da multa que lhe foi infligida, ao argumento de que esta teria caráter confiscatório, por desapropriar o contribuinte de parte de seu patrimônio de forma desproporcional, afrontando assim, o disposto no art. 150, IV, da Constituição da República Federativa do Brasil. As instâncias administrativas de julgamento não possuem competência legal para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis, atribuição reservada ao Poder Judiciário, conforme disposto pela Constituição Federal, em seu art. 102, incisos I, “a” e III, “b”, onde estão configuradas as duas formas de controle de constitucionalidade das leis: o controle por via de ação (ou concentrado) e o controle por via de exceção (ou difuso). No Direito brasileiro, o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade por este Poder seja com efeitos erga omnes (no controle concentrado de constitucionalidade), seja com efeito inter partes (no controle difuso) a lei gozará de Fl. 112DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 presunção de constitucionalidade, e, por conseguinte, será válida e terá aplicação cogente em todo o território nacional. É óbvio que a Administração tem o poder e até mesmo o dever de afastar a aplicação de lei inconstitucional, pois esta é ato nulo, não obriga, não vincula. Entretanto, não pode a Administração negarse à aplicação de lei que apenas entenda ser inconstitucional, pois não lhe compete realizar o controle difuso de constitucionalidade. Sem a declaração de inconstitucionalidade daquele que é competente para tanto, não há que se falar em lei inconstitucional. Não tendo a Constituição Federal dado competência aos órgãos da Administração para efetuarem o controle de constitucionalidade das leis, não podem seus órgãos judicantes afastar a aplicação de lei que julgarem inconstitucional. Desta feita, se o órgão administrativo deixa de aplicar lei vigente por considerála inconstitucional, não apenas invade a esfera de competência do Poder Judiciário, como também fere de morte um dos princípios norteadores da Administração Pública, qual seja, o princípio da hierarquia, pois se está discordando do Chefe do Poder Executivo que, ao não vetar a lei, está reconhecendo sua constitucionalidade. A propósito da controvérsia empreendida pela contribuinte, cito excerto do professor Hugo de Brito Machado (Temas de Direito Tributário, Vol. I, Editora Revista dos Tribunais: São Paulo, 1994, p. 134): “(...) Não pode a autoridade administrativa deixar de aplicar uma lei ante o argumento de ser ela inconstitucional. Se não cumprila sujeitase à pena de responsabilidade, artigo 142, parágrafo único, do CTN. Há o inconformado de provocar o Judiciário, ou pedir a repetição do indébito, tratandose de inconstitucionalidade já declarada.” Assim, afastada, portanto, a inconstitucionalidade apontada pela recorrente: primeiro, porque milita a favor de todas as leis a presunção de constitucionalidade; segundo, porque, mesmo sendo uma presunção juris tantum, só ao órgão legitimamente indicado pela Constituição Federal como competente para exercer o controle de constitucionalidade cabe desconstituir tal presunção. Desta forma, acertada a decisão de primeira instância, que não conheceu da impugnação por entender que a matéria fugia de sua competência, cabendo ao Poder Judiciário apreciar questões de inconstitucionalidade. É o que se se vê da leitura do voto condutor do Acórdão, ao afirmar o seguinte (fl. 69): Consequentemente, falece competência ao julgador administrativo para examinar a alegação de inconstitucionalidade da multa, que está devidamente prevista em lei, no caso, a Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 83, inciso II, e Decretolei nº. 400, de 30 de dezembro de 1968, art. 1º, alteração 2ª, sendo essa a base legal do art. 490, II, do RIPI, de 2002. O exame de argumento dessa natureza é prerrogativa do Poder Judiciário. Rejeito, assim, a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância suscitada pela recorrente. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11075.001140/200641 Acórdão n.º 3202000.530 S3C2T2 Fl. 3 5 No mérito, alegou a interessada a inexistência de prova material capaz de fundamentar o lançamento e o não cabimento da aplicação da sanção em razão da ausência de lesividade da conduta. Acontece, porém, que tais argumentos de defesa não foram suscitados na impugnação, de forma que a argumentação trazida pela querelante, em sede de recurso, não foi analisada pela DRJ, o que impede a apreciação da matéria por esta instância superior, a qual tem por objetivo a revisão das decisões da instância a quo. Utilizandose de novos argumentos, vêse, claramente, que pretende a recorrente alargar os limites do litígio, já instaurado por meio da impugnação. Entretanto, não é lícito ao querelante inovar na postulação recursal, incluindo questão diversa daquela que foi originariamente deduzida quando da apresentação da impugnação perante a instância julgadora a quo, pois o duplo grau de jurisdição assegura a devolução à autoridade ad quem apenas da matéria impugnada, vez que, nos termos do art. 14 do Decretolei nº. 70.235/1976, em relação à matéria não impugnada, não se tem por instaurado o litígio. Isto porque as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazêlo posteriormente, pois, nesta hipótese, operase o fenômeno denominado de preclusão, não se admitindo, em regra, ressuscitarse questões já ultrapassadas em fases anteriores. Daí que , não tendo sido deduzidas a tempo as razões apresentadas somente na fase recursal, delas não se pode conhecer. Pelo exposto, CONHEÇO EM PARTE do recurso voluntário e, na parte conhecida, NEGO PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 114DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 13688.000332/2006-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÓRGÃOS JUDICANTES. COMPETÊNCIA. Manifestação de inconformidade contra informação fiscal relacionada à execução de título judicial é tema subordinado ao rito do processo administrativo federal regulado pela Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999. A competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais resta delimitada pelas matérias do processo administrativo fiscal disciplinado pelo Decreto 70.235, de 1972.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ATO ADMINISTRATIVO. AUTORIDADE INCOMPETENTE. NULIDADE.
A competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento está definida no regimento interno da Receita Federal do Brasil. São nulos os despachos e as decisões proferidos por autoridade incompetente.
Numero da decisão: 3101-001.128
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por voto de qualidade: (1) em declarar a nulidade dos atos processuais a partir do acórdão recorrido (autoridade incompetente), inclusive; e (2) determinar o retorno dos autos à repartição de origem para seguir o rito da Lei 9.784, de 1999. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro (Relatora), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Designado redator para o acórdão o Conselheiro Tarásio Campelo Borges.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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Recorrida DRJ JUIZ DE FORA/MG ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÓRGÃOS JUDICANTES. COMPETÊNCIA. Manifestação de inconformidade contra informação fiscal relacionada à execução de título judicial é tema subordinado ao rito do processo administrativo federal regulado pela Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999. A competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais resta delimitada pelas matérias do processo administrativo fiscal disciplinado pelo Decreto 70.235, de 1972. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ATO ADMINISTRATIVO. AUTORIDADE INCOMPETENTE. NULIDADE. A competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento está definida no regimento interno da Receita Federal do Brasil. São nulos os despachos e as decisões proferidos por autoridade incompetente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por voto de qualidade: (1) em declarar a nulidade dos atos processuais a partir do acórdão recorrido (autoridade incompetente), inclusive; e (2) determinar o retorno dos autos à repartição de origem para seguir o rito da Lei 9.784, de 1999. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro (Relatora), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Designado redator para o acórdão o Conselheiro Tarásio Campelo Borges. Henrique Pinheiro Torres Presidente Fl. 271DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 15/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13688.000332/200658 Acórdão n.º 310101.128 S3C1T1 Fl. 2 2 Valdete Aparecida Marinheiro Relatora Tarásio Campelo Borges Redator Formalizado em: 15/06/2012 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. . Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls.214 dos autos emanados da decisão DRJ/JFA, por meio do voto do relator Robson Marcos Schreider, nos seguintes termos: “O interessado ajuizou Ação Ordinária nº 1998.38.03.0003133 distribuída à 3ª Vara da Subseção Judiciária de Uberlândia/MG, na qual requer o pagamento do PIS/Pasep nos termo da LC 07/70 e ainda a compensação dos valores pagos em excesso com parcelas vencidas e vincendas do próprio PIS/Pasep ou outra contribuição social.(fls. 02 a 36); A decisão transitada em julgado reconheceu à empresa o direito de recolher a contribuição como pedida, e de compensar os valores pagos a maior (fls. 53 a 75); O contribuinte efetuou em DCTF a compensação do suposto crédito com débitos de PIS/Pasep e COFINS dos anos 1997 a 2001, que foi analisada no processo 10675.000623/9853 e a compensação foi não homologada, por inexistência de crédito (fls. 138 e seguintes); Os débitos foram inscritos em DAU e este processo foi aberto para que a Manifestação de Inconformidade da empresa possa ser apreciada; Na Manifestação de Inconformidade (fls. 49 a 78), a empresa alega que os débitos estão prescritos e que ocorreu a homologação tácita;” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0921.400 de fls. 213 traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 PRESCRIÇÃO Com a edição da Súmula Vinculante n.º 8, a os débitos relativos a contribuições da seguridade social passa a observar as regras contidas no CTN. Compensação Homologada em Parte” Fl. 272DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 15/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13688.000332/200658 Acórdão n.º 310101.128 S3C1T1 Fl. 3 3 Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF (fls. 233 a 247) onde resumidamente, faz as seguintes alegações: I – Dos Fatos – A Recorrente ajuizou Ação Ordinária com Pedido de Tutela Antecipada – Processo 1998.38.03.0003133 objetivando a existência de créditos de PIS em razão dos recolhimentos indevidos realizados durante 10 anos nos termos dos Decretos n. 2.445/88 e 2.449/88 declarados inconstitucionais pelo STF, bem como o direito de compensá los com débitos fiscais vincendos, narrando até insurgir contra a R. decisão recorrida, requerendo o cancelamento dos pseudos débitos de COFINS, referente as compensações realizadas após 01/2001, forte na inexistência do competente lançamento de ofícios nos termos do art. 68 da IN/SRF nº 460/2004, no cerceamento do direito de defesa do Recorrente (Devido Processo Legal Administrativo) evidenciado na negativa de suspensão da exigibilidade do crédito, bem assim na propositura precoce e ilegal pela União da execução fiscais ( Processo n. 481.06.0629864 tramitando pela Vara de Execuções Fiscais de Patrocínio/MG), antes do encerramento da esfera administrativa (decisão administrativa definitiva); II – Do Cerceamento do Direito de Defesa – Devido Processo Legal Administrativo – Decreto 70.235/72 – Lei 9.430/96 – Art. 23 e 35 da IN/SRF nº 210/2002 e Art. 48,64 e 68 da IN/SRF nº 460/2004 – concluindo que o cancelamento dos débitos deve alcançar todas as competências relacionadas no processo administrativo, especialmente aquelas, realizadas após 01/2001, valendo destacar que a homologação tácita daqueles períodos, inquestionavelmente aconteceu, especialmente por inexistir, no caso, o competente lançamento de ofício pela Autoridade Administrativa, evidenciando a supressão arbitrária e ilegal pelo Fisco Federal do direito ao contraditório pela Contribuinte nos termos da Lei fiscal à época vigente (Devido Processo Legal Administrativo – art. 5º, LV, da Constituição Federal); III – DECADÊNCIA – Da Impossibilidade da homologação e do lançamento Fiscal – PRESCRIÇÃO – Impossibilidade de Cobrança da Totalidade do Débito Cobrado. Aqui a Recorrente cita vários ensinamentos doutrinários que entende lhe favorecer, destacando em conclusão: “Neste contexto, partindo das premissas acima, temos que, no caso dos tributos lançados por homologação, quando houver o pagamento do tributo reputado devido pelo contribuinte, a data de ocorrência do fato gerador define tanto o termo de início para contagem do prazo de homologação quanto o início de prazo decadencial para que seja constituído de ofício o crédito tributário, não sendo aplicável, via de regra, o prazo decadencial previsto no art. 173, I.” (...) Com a homologação tácita das compensações da Recorrente, instauradas por determinação judicial (Tutela Antecipada) temos um efeito imediato, qual seja, a extinção “definitiva” do crédito tributário, nos termos do parágrafo 4º do mesmo artigo 150, e um efeito mediato: a consequente impossibilidade de o Fisco lançar de ofício ou rever a matéria já homologada, configurando a decadência do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário ou cobrálo, inobstante o reconhecimento da prescrição pela DRJ/JFA Termina, afirmando que a decadência do direito de homologar as compensações realizadas (constituir ou não o crédito fiscal) sufoca qualquer tentativa de cobrança administrativa ou judicial pelo Fisco Federal, pois, inexistindo o direito de homologar (verificar as compensações) consecutivamente inexiste a possibilidade de cobrar qualquer Fl. 273DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 15/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13688.000332/200658 Acórdão n.º 310101.128 S3C1T1 Fl. 4 4 crédito fiscal decorrente daquela, ressaltando o fato de inexistir o lançamento de ofícios dos créditos no caso sob análise. IV – EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA COMPENSAÇÃO POR HOMOLOGAÇÃO TÁCITA – Art. 156, Inciso II do Código Tributário Nacional – Art. 66 da Lei nº. 8.383/91 alterada pela Lei 9.069/95 e Art. 74 da Lei nº 9.430/96 com nova redação dada pelo Art. 49 da Lei 10.637/02; V – Dos Princípios da Legalidade e Segurança Jurídica do Contribuinte; VI – Da Ratificação Dos Termos Da Manifestação de Inconformidade; VII – Do Pedido – a) seja o RO recebido, tendo sua tempestividade e adequação legal; b) que se proceda com a imediata suspensão da exigibilidade da COBRANÇA do pseudodébito fiscal, bem ainda da retirada das informações da Recorrente referente ao presente feito do CADIM, até decisão final proferido pelo Conselho de Contribuintes; c) a procedência do presente recurso administrativo para que seja cancelada todas as cobranças administrativas, homologadas tacitamente nos autos administrativos (Processo Administrativo nº 10.688.000332/200658 apartado dos autos Processo Administrativo 10.675.000623/9853 – originário) e alcançadas pela prescrição (já reconhecida) e decadência (direito de constituir o crédito) com vencimento após 01/2001 (COFINS 01/2001 até11/2006) com par na Súmula Vinculante nº 8 editada pelo STF e publicada no DOU em 20/06/2008 observando as regras contidas no Código Tributário Nacional e os entendimentos pacíficos desse Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Pelo que se depreende dos autos a Recorrente ajuizou Ação Ordinária nº 1998.38.03.0003133 distribuída à 3ª Vara da Subseção Judiciária de Uberlândia/MG, na qual requer o pagamento do PIS/Pasep nos termo da LC 07/70 e ainda a compensação dos valores pagos em excesso com parcelas vencidas e vincendas do próprio PIS/Pasep ou outra contribuição social.(fls. 02 a 36); A decisão transitada em julgado reconheceu à empresa o direito de recolher a contribuição como pedido, e de compensar os valores pagos a maior (fls. 53 a 75); Fl. 274DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 15/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13688.000332/200658 Acórdão n.º 310101.128 S3C1T1 Fl. 5 5 O contribuinte efetuou em DCTF a compensação do suposto crédito com débitos de PIS/Pasep e COFINS dos anos 1997 a 2001, que foi analisada no processo 10675.000623/9853 e a compensação não foi homologada, por inexistência de crédito (fls. 138 e seguintes); Segundo o voto condutor da decisão recorrida a DRF/Uberlândia efetuou a apuração do crédito considerando o Parecer PGFN/CRJ nº 2.143/2006 e ainda assim restaram não homologados os débitos relacionados nas fls. 207/208. Os débitos foram inscritos em DAU e este processo foi aberto para que a Manifestação de Inconformidade da empresa pudesse ser apreciada; Considerando a edição da Súmula Vinculante nº 08, publicada no DOU de 20/06/2008 e a eficácia da mesma, a teor do disposto no art. 103A da CF, de forma imediata sobre a administração pública e por entender que a COFINS se molda ao chamado lançamento por homologação, entendeuse na decisão recorrida aplicarse a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. Em conclusão decidiram... ”Como a não homologação dos débitos se deu em 02/2006, com a ciência da Informação Fiscal DRF/UBE/EQAJ nº 006/2006, estão abrangidos pela prescrição os débitos relativos a fatos geradores ocorridos até 31/01/2001. Em consequência, devem ser canceladas as respectivas exigências.” Evidentemente, que aqui restam à cobrança dos demais débitos, que a Recorrente se insurge, ou seja, vencimentos da COFINS de 01/2001 até 11/2006, por não homologação das compensações objeto de outro processo o de nº 10.675.000623/9853, sem a formalização de um lançamento de ofício, com inscrição no DAU e o presente processo aberto para que a manifestação de Inconformidade da Recorrente pudesse ser apreciada, sem poder levar em conta que originalmente há uma decisão judicial transitada em julgado. E esse processo teve a seguinte decisão “Acordam os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordináriaª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, HOMOLOGAR EM PARTE A COMPENSAÇÃO nos termos do voto do relator.” Isto posto, conheço do Recurso Voluntário para anular os atos processuais desde o início do presente processo, por entender que o mesmo foi criado indevidamente, tendo em vista a existência do Processo nº 10.675.000623/9853. Esse é meu voto. Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 275DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 15/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13688.000332/200658 Acórdão n.º 310101.128 S3C1T1 Fl. 6 6 Voto Vencedor Conselheiro Tarásio Campelo Borges, Redator Conheço do recurso voluntário porque tempestivo e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Tratam os autos do presente processo de manifestação de inconformidade (folhas 148 a 168) contra cobrança de débitos do PIS identificados na informação fiscal de folhas 138 a 146 como indevidamente compensados em DCTF. A informação de folhas 138 a 146 analisa a situação fiscal da sociedade empresária em face de tutela jurisdicional por ela obtida nos autos de “Ação de procedimento Ordinário, com pedido de antecipação de tutela, objetivando ver declarada a existência do crédito da autora para com a ré, relativos aos pagamentos indevidos do PIS, com fulcro nos DecretosLeis 2445 e 2449 de 1988, nos últimos 10 (dez) anos e que seja assegurado à autora o direito de compensar os valores indevidamente recolhidos a título de PIS, corrigidos monetariamente nos termos da inicial, com parcelas vincendas do próprio PIS e da COFINS, face à Lei 9430/96” [1]. Preliminarmente, entendo que o ajuizamento de ação judicial implica em renúncia ao direito de questionar igual matéria na via administrativa bem como desistência de recurso eventualmente interposto, nos termos do parágrafo único do artigo 38 da Lei 6.830, de 22 de setembro de 1980 [2]. Ademais, na caracterização dessa renúncia, dada a prerrogativa constitucional do poder judiciário para o controle jurisdicional dos atos administrativos, entendo irrelevante distinguir se a ação judicial está em curso ou se transitou em julgado, porquanto a decisão lá proferida será sempre soberana. Essa é a regra geral. Nada obstante, se é desejo do contribuinte promover a execução administrativa de decisão judicial com trânsito em julgado, mediante compensação dos créditos tributários apurados com débitos próprios de igual natureza, essa pretensão tem amparo no artigo 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, mormente em seu § 14, parte integrante da seção que cuida da restituição e da compensação de tributos e contribuições, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na 1 Informação fiscal, folha 138, primeiro parágrafo. 2 Lei 6.830, de 1980, artigo 38: A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único – A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 15/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13688.000332/200658 Acórdão n.º 310101.128 S3C1T1 Fl. 7 7 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (redação dada pela Lei 10.637, de 2002) § 14. A Secretaria da Receita Federal – SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (parágrafo incluído pela Lei 11.051, de 2004) [3] Assim, para conciliar a tácita renúncia à via administrativa enunciada na Lei 6.830, de 1980, com a possibilidade de compensação administrativa de créditos tributários, inclusive os judiciais, a Receita Federal editou diversas instruções normativas para regular a matéria. Vale destacar que a extinção do crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento compensatório declarado pelo contribuinte é inovação introduzida no ordenamento jurídico pelo artigo 49 da Medida Provisória 66, de 29 de agosto de 2002 [4], quando deu nova redação ao artigo 74 da Lei 9.430, de 1996. Antes disso, na redação original do citado artigo 74, as compensações eram requeridas à então denominada Secretaria da Receita Federal e somente efetivadas mediante expresso deferimento do pedido. In casu, os fatos são anteriores à inovação provocada pelo artigo 49 da Medida Provisória 66, de 29 de agosto de 2002, e não existe, nos autos deste processo administrativo, nenhum pedido de compensação dirigido à então denominada Secretaria da Receita Federal, fatos suficientes para afastar o litígio objeto deste processo administrativo tanto da competências das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento quanto da competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Com efeito, manifestação de inconformidade contra informação fiscal prestada nos autos administrativos relacionados à execução de título judicial é tema subordinado ao rito do processo administrativo federal regulado pela Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999. A competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais resta delimitada pelas matérias do processo administrativo fiscal disciplinado pelo Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Por outro lado, malgrado o enfrentamento da matéria pela Segunda Turma da DRJ Juiz de Fora (MG), entendo privativa de outro órgão da administração pública federal a competência usurpada (a competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de 3 Antes de alteração introduzida pela Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o artigo 74, § 5o, então incluído pela Lei 10.637, de 2002, tinha o seguinte enunciado: “A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo”. Com a superveniência da Lei 10.833, de 2003, e antes de alteração consumada pela Lei 11.051, de 29 de dezembro de 2004, o artigo 74, § 12, da Lei 9.430, de 1996, estava assim redigido: “A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição”. 4 MP 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Na redação dada pelo artigo 49 dessa lei ao artigo 74 da Lei 9.430 consta outra inovação: agregada a expressão “inclusive os judiciais com trânsito em julgado” na referência aos créditos apurados pelo sujeito passivo. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 15/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13688.000332/200658 Acórdão n.º 310101.128 S3C1T1 Fl. 8 8 Julgamento está definida no regimento interno da Receita Federal do Brasil). Portanto, creio configurada a nulidade prevista no artigo 59, II, primeira parte, do Decreto 70.235, de 1972. Peço vênia à eminente relatora para discordar de suas conclusões acerca da declaração de nulidade dos atos processuais ab inítio, porquanto, por força do direito de petição assegurado a todos pelo artigo 5º, inciso XXXIV, alínea “a”, da Constituição da República (direito fundamental), é vedado aos órgãos da administração pública deixar sem resposta um pleito do administrado. Com essas considerações: (1) declaro a nulidade dos atos processuais a partir do acórdão recorrido (autoridade incompetente), inclusive; e (2) determino o retorno dos autos do processo à repartição de origem para seguir o rito da Lei 9.784, de 1999. Tarásio Campelo Borges Fl. 278DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 15/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13807.002243/00-95
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1994
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE AFASTADA.
O ponto controvertido é delimitado pelo pedido da Recorrente. O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes/RICARF, tem como requisito a demonstração da divergência entre o pedido do recorrente, análise da matéria, e os casos com identidade de situações fáticas, comprovado mediante confronto de acórdãos. Se não preenchido os pressupostos, o recurso, nesse aspecto não há de ser admitido.
Numero da decisão: 9900-000.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Julio Cesar Alves Ramos e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ - Relatora.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 07/03/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE AFASTADA. O ponto controvertido é delimitado pelo pedido da Recorrente. O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes/RICARF, tem como requisito a demonstração da divergência entre o pedido do recorrente, análise da matéria, e os casos com identidade de situações fáticas, comprovado mediante confronto de acórdãos. Se não preenchido os pressupostos, o recurso, nesse aspecto não há de ser admitido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Julio Cesar Alves Ramos e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 22 43 /0 0- 95 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/ 03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO 2 NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 07/03/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário de fls. 340/344, ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional, em face do Acórdão CSRF/0105.676, que por maioria de votos, afastou a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Traz como paradigma cópia da ementa do Acórdão CSRF/0201.722. Tratase de auto de infração da CSL (ciência em 24/03/2000) referente ao ano calendário de 1994. A matéria objeto do recurso especial referese ao prazo decadencial da CSLL, estando o julgado ora vergastado assim ementado: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA CSLL SUA NATUREZA TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 150 DO CTN: A Contribuição social sobre o lucro líquido, instituída pela Lei n° 7.689188, em conformidade com os arts. 149 e 195, §4° da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE n° 146.7339SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, §4°. Recurso especial negado." A decisão recorrida advindo da Primeira Turma da CSRF ao apreciar o tema, entendeu ser de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, operando pela modalidade de lançamento por homologação, prevalecendo a disposição ínsita no artigo 150, § 4°, do CTN. Fundamenta a Recorrente que no Acórdão CSRF/0201.722, decidiuse pela aplicação do prazo decadencial estabelecido no art. 45 da Lei n° 8.212/91 (dez anos), para as contribuições destinadas à seguridade social. Invoca divergência jurisprudencial na interpretação do comento. A ementa do acórdão paradigma possui a seguinte redação: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/ 03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 13807.002243/0095 Acórdão n.º 9900000.330 CSRFPL Fl. 8 3 "COFINS DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins é de dez anos, contado a partir do 1 ° dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído. " O julgado recorrido afasta a aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, adotando o prazo decadencial de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, previsto no CTN e, especificamente, o § 4 °, do artigo 150. O paradigma, por sua vez, entende que o prazo decadencial das contribuições para a seguridade social é de 10 anos, previsto no artigo 45, da Lei 8.212/91, tendo como termo de início o primeiro dia útil do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter ocorrido (art. 173). Consta do recurso da Fazenda Nacional: Portanto, a divergência jurisprudencial está na interpretação do artigo 45 da Lei 8.212191, o qual é aplicável à Contribuição Social Sobre o Lucro CSSL. Por todos esses fundamentos, requer a Fazenda Nacional seja reformado o r. acórdão recorrido, mantendose o lançamento referente à CSLL do anocalendário 1994, por ter sido lavrado dentro do prazo decadencial previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212191 (24/03/2000). Por meio do Despacho n° 322 (fls.985/986), sob o entendimento de ter sido comprovado o dissídio jurisprudencial, deuse seguimento o recurso interposto pela Fazenda Nacional no seguinte fundamento: Temse que, em relação à questão da aplicação da Lei 8.212/91, não há mais espaço para recebimento do recurso extraordinário. Com efeito, já existe súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucional idade dos prazos de 10 anos para prescrição e decadência das contribuições sociais previstos na Lei 8.212/91, senão vejamos: SÚMULA VINCULANTE N. 8 SÃO INCONSTITUCIONAIS 0 PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5. DO DECRETOLEI N° 1..169/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N°8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Observase, porém, que há divergência entre os julgados recorrido e o paradigma em relação à aplicação do §4°, artigo 150 do CTN ou do artigo 173, inciso I do CTN. Verificados os pressupostos de admissibilidade da peça recursal, tempestividade e devida fundamentação, acato a Informação supra e DOU seguimento ao Recurso Extraordinário. A contribuinte, pede nas contrarrazões para que o recurso não seja conhecido, e se conhecido negado: (SIC) Fl. 3DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/ 03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO 4 (...) Tanto é assim, aliás, que o acórdão CSRF/0201.722 apontado pela Fazenda Nacional no seu recurso extraordinário como paradigma foi reformado pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais por ocasião do julgamento ocorrido em 15/12/2008 (acórdão CSRF/100.082, ainda não formalizado), tendo sido dado provimento ao recurso extraordinário do contribuinte para "afastar a aplicação do art. 45 da Lei 8.21211991. (...) Ao assim decidir, porém, aparentemente não se apercebeu aquele Ilustre Presidente que no caso concreto a eventual aplicação do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional sequer invocada pela Fazenda Nacional, que delimita o seu recurso extraordinário apenas quanto ao disposto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91. (...) Ora, se a própria Fazenda Nacional não alega em seu recurso extraordinário qualquer divergência entre o v. acórdão recorrido e o v. acórdão apontado como paradigma a respeito de eventual aplicação do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional, não caberá ao órgão julgador fazêlo. De fato, a Fazenda Nacional em seu recurso extraordinário diz expressamente que no caso em discussão "a divergência jurisprudencial está na interpretação do artigo 45 da Lei 8.212191", não havendo espaço, portanto, para qualquer discussão a respeito do disposto no artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional. Como se não bastasse o acima exposto, a eventual aplicação ou não do artigo 173, inciso 1 do Código Tributário Nacional sequer foi ventilada por ocasião do julgamento na C. 1. Turma da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais e decidida pelo v. acórdão recorrido, que também não analisou se no caso houve ou não antecipação de pagamento, inexistindo portanto o devido prequestionamento de tal dispositivo legal, o que corrobora o entendimento da Recorrida de que o presente recurso extraordinário não deve ser conhecido seja por este motivo seja em face da impossibilidade de apreciação de questão de fato nesta fase processual. (...) É o relatório. Voto Conselheira Relatora MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Tratase de análise de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional cujo pedido, no entender desta Conselheira, está apenas na aplicabilidade do prazo de 10 anos. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/ 03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 13807.002243/0095 Acórdão n.º 9900000.330 CSRFPL Fl. 9 5 A Procuradoria da Fazenda Nacional, irresignada com a decisão prolatada no Acórdão CSRF/0105.605 (fls. 313/336) que, por maioria de votos negou provimento ao recurso especial de sua autoria, com amparo no art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147, de 25/06/2007, retorna aos autos, tempestivamente, com o recurso extraordinário de fls. 340/344, instruído com cópia do Acórdão CSRF/0201.722, apresentado ao dissídio, objetivando a reforma do acórdão recorrido em sede de Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A interessada, em suas contrarrazões pede pelo não conhecimento do recurso. Alega (SIC): “Além disso, "data máxima venia", verificase que sequer existe divergência entre o acórdão recorrido e o paradigma quanto à aplicação do artigo 150, §4° do CTN ou do artigo 173, inciso I do CTN, posto que enquanto o acórdão recorrido aplica ao caso o artigo 150, §4° do CTN, o paradigma limitase o Relator a estabelecer uma distinção teórica quanto casos em que há antecipação de pagamento e aplicase o artigo 150, § 4° do CTN e aqueles em que não ocorre tal antecipação e a seu ver aplicase o artigo 173 inciso I do CTN, mas naquele caso esta questão não foi objeto de decisão pela Câmara, que limitouse a concordar pela aplicação ao caso do artigo 45 da Lei n. 8.212/91. Tanto é assim, aliás, que o acórdão CSRF/0201.722 apontado pela Fazenda Nacional no seu recurso extraordinário como paradigma foi reformado pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais por ocasião do julgamento ocorrido em 15/12/2008 (acórdão CSRF/100.082, ainda não formalizado), tendo sido dado provimento ao recurso extraordinário do contribuinte para "afastar a aplicação do art. 45 da Lei 8.212/1991. Diante do exposto, e tendo em vista o disposto na Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal, o recurso extraordinário Fazenda Nacional não merece ser conhecido.” De fato, cada processo deve ser analisado independentemente, em virtude de suas características próprias de admissibilidade. ADMISSIBILIDADE Este exame preliminar sobre o cabimento do recurso denominase juízo de admissibilidade, transposto o qual, em sentido favorável ao recorrente, passará o órgão recursal ao juízo de mérito do recurso. Dispõe o Regimento Interno dos então Conselhos de Contribuintes, à época vigente, ser cabível recurso especial à CSRF de decisão que tenha dado à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha de outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou desta CSRF (Portaria MF nº 147/2007). Traz a recorrente (Fazenda Nacional) como paradigma, o Acórdão nº CSRF/0201.722 (integra), cuja ementa está assim redigida: "COFINS DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é de dez anos, contado a partir do 1 ° dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído. " O paradigma invocado pela Fazenda Nacional, entende que o prazo decadencial das contribuições para a seguridade social e de 10 anos, previsto no artigo 45, da Fl. 5DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/ 03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO 6 Lei 8.212/91, tendo como termo de início o primeiro dia útil do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter ocorrido (art. 173). Nesse sentido, consta do recurso da Fazenda Nacional: Portanto, a divergência jurisprudencial está na interpretação do artigo 45 da Lei 8.212191, o qual é aplicável à Contribuição Social Sobre o Lucro CSSL. Por todos esses fundamentos, requer a Fazenda Nacional seja reformado o r. acórdão recorrido, mantendose o lançamento referente à CSLL do anocalendário 1994, por ter sido lavrado dentro do prazo decadencial previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212191 (24/03/2000). No entanto, o recurso extraordinário ao Pleno da CSRF foi admitido nos seguintes termos: Temse que, em relação à questão da aplicação da Lei 8.212/91, não há mais espaço para recebimento do recurso extraordinário. Com efeito, já existe súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucional idade dos prazos de 10 anos para prescrição e decadência das contribuições sociais previstos na Lei 8.212/91, senão vejamos: SÚMULA VINCULANTE N. 8 SÃO INCONSTITUCIONAIS 0 PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5. DO DECRETOLEI N° 1..169/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N°8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Observase, porém, que há divergência entre os julgados recorrido e o paradigma em relação à aplicação do §4°, artigo 150 do CTN ou do artigo 173, inciso I do CTN. Verificados os pressupostos de admissibilidade da peça recursal, tempestividade e devida fundamentação, acato a Informação supra e DOU seguimento ao Recurso Extraordinário. Não me parece acertado a decisão exarada pelo então respeitável Presidente da CSRF em admitir o recurso extraordinário por outros fundamentos que sequer foi objeto do pedido da Fazenda Nacional. O pedido foi delimitado pela aplicabilidade do prazo de 10 anos estabelecido no famigerado no artigo 45 da Lei n° 8.212/91 1, trazendo para tanto paradigma que assim concluiu. Eventual aplicação do art. 173 do CTN deveria ter sido precedido de pedido da Recorrente e de paradigma próprio para posterior análise da suposta divergência jurisprudencial por esta E. Câmara superior. O ponto controvertido é delimitado pelo pedido do recorrente e a matéria recorrida, não pelo Despacho de admissibilidade. Em não tendo sido comprovada a divergência entre o confronto de acórdãos, com o pedido pela recorrente não há como se conhecer do recurso especial. 1 “Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Fl. 6DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/ 03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 13807.002243/0095 Acórdão n.º 9900000.330 CSRFPL Fl. 10 7 CONCLUSÃO Em razão do exposto voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 28 de agosto de 2012 MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Fl. 7DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/ 03/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
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Numero do processo: 10280.100042/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: EXCLUSÃO DO REGIME SIMPLES NACIONAL JUSTIFICADO NA MENÇÃO DE EXISTÊNCIA DE DÉBITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA NÃO SUSPENSA SEM ESPECIFICAÇÃO DAS MESMAS – NULIDADE – SÚMULA N° 22 DO CARF.
Conforme súmula nº 22 do CARF, “é nulo o ato declaratório de exclusão do simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a dívida ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa.” – recurso voluntário provido, por unanimidade de votos.
Numero da decisão: 1201-000.655
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Recorrente ARMARINHO O BEM AMADO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL EXCLUSÃO DO REGIME SIMPLES NACIONAL JUSTIFICADO NA MENÇÃO DE EXISTÊNCIA DE DÉBITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA NÃO SUSPENSA SEM ESPECIFICAÇÃO DAS MESMAS – NULIDADE – SÚMULA N° 22 DO CARF. Conforme súmula nº 22 do CARF, “é nulo o ato declaratório de exclusão do simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a dívida ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa.” – recurso voluntário provido, por unanimidade de votos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS – Presidente (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator EDITADO EM: Fl. 46DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 26 /04/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10280.100042/200941 Acórdão n.º 120100.655 S1‐C2T1 Fl. 2 2 Participaram, do presente julgado os Conselheiros Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, João Bellini Junior( Suplente Convocado), Regis Magalhães Soares de Queiroz, Claudemir Rodrigues Malaquias e João Carlos de Lima Junior. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 26 /04/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10280.100042/200941 Acórdão n.º 120100.655 S1‐C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de impugnação ao Termo de Indeferimento à solicitação de inclusão no regime do SIMPLES NACIONAL (12.01.2009), interposta pela empresa ARMARINHO O BEM AMADO, sob alegação de existência de débito inscrito em Divida Ativa da União. A empresa, ora Recorrente, solicita, por meio da mencionada impugnação (fl.01), a sua inclusão no regime do Simples Nacional alegando que: “(...) o fato em que se fundamentou o indeferimento não ocorreu, o referido débito aparece devido um desencontro de informações, que impossibilitaram a baixa do débito no banco de dados da Receita Federal, conforme demonstra o Processo de Revisão de Débitos Inscritos em Divida Ativa da União (28/01/2009) e as Certidões emitidas que demonstram o parecer favorável do mesmo em anexo. Ressaltando ainda que todos os procedimentos possíveis foram executados em tempo hábil conforme pode ser identificado nos processos, sendo impossibilitado de se manifestar anteriormente quanto ao caso, devido o aguardo do resultado do Processo de Revisão acima citado.” Cumpre destacar que a Recorrente anexou à sua impugnação os seguintes documentos: Acompanhamento do resultado da solicitação de opção (fl.09); Pedidos de revisão de débitos inscritos em Dívida Ativa da União sob os nºs: CDA 20 2 06 00149701 Código da receita 2089, data de pagamento: 31/07/2003, valor de R$1.023,65, período de apuração: 01.04.03 a 30.06.03 (fls.11 e 12); CDA 20 2 06 00149884 Código da receita: 05611, pagamentos: 03.05.2000, 05.06.2000 e 03.07.2000, todos no valor de R$ 270,00, período de apuração: meses 04, 05 e 06 de 2000 (fls. 13 e 14); CDA 20 6 06 00737408 Código da receita: 2372, pagamento: 31.07.2003, valor de R$ 921,29, período de apuração: 01.04.03 a 30.06.03 – (fls.15 e 16); Termo de Indeferimento da opção pelo Simples Nacional (fl.08); Certidão conjunta Negativa de Débitos relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União (fl. 10); Pareceres Secat/DRF/BEL: Parecer Secat/DRF/Bel 262/2009, que constata que o débito declarado na DCTF original é maior que o débito apurado pelos livros fiscais, razão pela qual determina a alteração do valor do débito da CDA 20 2 06 00149701, a ser realizado da seguinte maneira: código do tributo 2089, PA/EX 0104/2000, vencimento 31.07.2000, valor inscrito R$ 3,69, alterar para R$ 3,69 e código do tributo 2089, PA/EX 0104/2003, vencimento 31.07.2003, valor inscrito R$ 821,44, alterar para R$00,00 (fls. 17,18 e 19); Fl. 48DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 26 /04/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10280.100042/200941 Acórdão n.º 120100.655 S1‐C2T1 Fl. 4 4 Parecer Secat/DRF/Bel 263/2009, que constatou que o débito declarado na DCTF original é maior que o débito apurado nos livros fiscais, razão pela qual determina a alteração do valor do débito da CDA 20 2 06 00737408, a ser realizado da seguinte maneira: código do tributo 2372, PA/EX 0104/2000, vencimento 31.07.2000, valor inscrito R$ 2,97, alterar para R$ 2,97; código do tributo 2372, PA/EX 0104/2003, vencimento 31.07.2003, valor inscrito R$ 739,29, alterar para R$00,00 e código da receita 2372, PA/EX 0101/2004, vencimento 30.04.204, valor inscrito R$1,00, alterar para R$ 1,00 (fls. 22, 23, 24); Parecer Secat/DRF/Bel 265/2009, que constatou a ocorrência de erro no preenchimento da DCTF retificadora 2° Trimestre/2000 (Relação de DARF vinculados ao Débito), que por essa razão não foi vinculado aos respectivos débitos declarados ora inscritos. Assim sendo, tratandose de erro de fato, determina a alteração do valor do débito da CDA 20 2 0600149884, a ser realizado da seguinte maneira: código da receita 0561, PA 0504/2000, vencimento 04.05.2000, valor inscrito R$ 270,00, alterar para R$ 00,00; código da receita 0561, PA 0505/2000, vencimento 07.06.2000, valor inscrito R$ 270,00, alterar para R$ 00,00; código da receita 0561, PA 0506/2000, vencimento 05.07.2000, valor inscrito R$ 270,00, alterar para R$ 00,00; código da receita 0561, PA 0410/2004, vencimento 27.10.2004, valor inscrito R$ 111,30, alterar para R$ 00,00 (fls. 29, 30,31 e 32). Recebida a impugnação, a DRJ julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente (fls.35,36 e 37), nos seguintes termos: “A manifestação de inconformidade é tempestiva, dela se deve tomar conhecimento. (...) Inferese que referidos débitos foram extintos por pagamento após a data fixada para opção pelo Simples Nacional, último dia do mês de janeiro de 2009, razão pela qual devese indeferir o pleito. (...) Nesse sentido, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) dispôs que a forma de ingresso no regime especial deve se dar pela Internet, até o último dia útil do mês de janeiro, de acordo com o art. 70 da Resolução CGSN n° 4, de 30 de maio de 2007: Art. 72. A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º. A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. Desta forma, votou por julgar a manifestação de inconformidade, da ora Recorrente, improcedente.” Intimada da decisão, a Recorrente, ainda inconformada, apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário (fl.41), nos seguintes termos: “ Que o débito em Divida Ativa, deixa de existir, devido o mesmo ter sido pago em tempo hábil, sendo que só havia divergências de alocação do débito, o que foi feito. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 26 /04/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10280.100042/200941 Acórdão n.º 120100.655 S1‐C2T1 Fl. 5 5 E que o contribuinte não disponibilizou, numerários para a referida divida, pois o referido numerário já existia na arrecadação da Receita, só faltando alocação do mesmo com o referido acima.” É o relatório. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 26 /04/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10280.100042/200941 Acórdão n.º 120100.655 S1‐C2T1 Fl. 6 6 Voto Presentes as condições de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, o ato declaratório de exclusão do contribuinte do regime do Simples Nacional no presente processo é NULO, pois apresenta como fundamento para tanto a simples menção de existência de débito inscrito em dívida ativa da União, cuja exigibilidade não esteja suspensa, senão vejamos: “A pessoa jurídica acima identificada incorreu na(s) seguinte(s) situação(ões) que impediu(ram) a opção.pelo Simples Nacional: Estabelecimento CNPJ: 63.840.870/000199 Débito inscrita em Dívida Ativa da União (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional), cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar n°123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V.” A mencionada nulidade encontra fundamento na súmula nº 22 do CARF, que dispõe: “É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa.” Posição nesse mesmo sentido pode ser encontrada nos seguintes acórdãos julgados pelo CARF: nº 30331479, de 17/06/2004, nº 30331882, de 24/02/2005, nº 301 31763, de 14/04/2005, nº 30131917, de 17/06/2005, nº 30132.120, de 13/09/2005. Em que pese tratar a súmula mencionada de ato declaratório de exclusão do Simples e não de indeferimento da solicitação inicial de enquadramento no regime, temse que o fundamento é o mesmo em ambos os casos. Ou seja, no presente caso, também deve o contribuinte ter conhecimento de quais os débitos a ele imputados levaram ao indeferimento de sua solicitação de inclusão, gerando, dessa forma, a possibilidade de que o contribuinte desfavorecido possa regularizar a pendência e ele imputada, ou mesmo contestar o débito, tudo em tempo hábil para não arcar com o prejuízo do indeferimento de sua solicitação. Posteriormente, extraise da documentação acostada ao processo pela Recorrente que, houve erro de fato no preenchimento da DCTF por ela apresentada, bem como houve retificação da mesma antes de sua inscrição em dívida ativa. Resta evidente, dessa maneira, que a inscrição do contribuinte em dívida ativa foi erroneamente formalizada. Portanto, ainda que se argumente no sentido de que à época em que foi manifestada a opção pelo Regime do Simples o contribuinte possuía contra si inscrição em dívida ativa, (que foi excluída apenas nos primeiros dias do mês de julho de 2009, após decisão do Secat) a mesma se deu erroneamente, (já que o contribuinte havia retificado a DCTF anteriormente a sua inscrição na dívida ativa), razão pela qual não deve o contribuinte suportar seus prejuízos. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 26 /04/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10280.100042/200941 Acórdão n.º 120100.655 S1‐C2T1 Fl. 7 7 Ademais, cumpre destacar que o contribuinte não permaneceu inerte diante do mencionado equívoco, já que em 28 de janeiro de 2009 solicitou a Revisão de Débitos inscritos na dívida ativa da União. Sim, o pedido de revisão se deu posteriormente à solicitação de inclusão no regime do Simples Nacional, efetivada pelo contribuinte em 12 de janeiro de 2009, porém, ocorreu anteriormente à data limite para a devida solicitação de inclusão no Regime do Simples disposta pela legislação (LC 123/2006). Nesse passo, os despachos decisórios proferidos pelo Secat/DRF/Bel, todos determinando a alteração do crédito tributário inscrito erroneamente, foram emitidos em 29 de junho de 2009, quase seis meses após a data da solicitação. Após o julgamento da revisão solicitada, em 06 de julho de 2009, a Certidão Conjunta Negativa de débitos relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União, certificou que não constavam pendências em nome do contribuinte, relativas a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e a inscrições em Dívida Ativa da União junto à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). Assim, apenas em 07 de julho de 2009 foi registrado o Termo de Indeferimento da opção pelo Simples Nacional, sob o fundamento de existir contra o contribuinte débito inscrito em dívida ativa, cuja exigibilidade não estava suspensa. Notase, pelo exposto, que na data em que foi proferida a r. decisão da DRJ, o contribuinte já não possuía contra si inscrição em Dívida Ativa, sendo esta outra razão que torna equivocado o termo de indeferimento. Cumpre observar que, após os despachos decisórios do Secat determinando a alteração dos créditos tributários inscritos, restou ínfimo o valor remanescente relacionado à CDA nº 20 2 06 00149701 (valor remanescente R$3,69 acrescido de multa, totalizando R$ 4,42) e a CDA nº 20 2 06 00737408 (valor remanescente de R$ 2,97 acrescido de multa e R$ 1,00 acrescido de multa, totalizando R$ 4,76) que foi saldado mediante pagamento imediato após sua verificação e anterior ao termo de indeferimento de opção, conforme documentos eletrônicos de consulta a dívida ativa (fls. 19 a 21 e 28) que comprovam a extinção dos débitos inscritos nas mencionadas certidões, ambos na data de 05 de julho de 2009, demonstrando, assim, a boa fé do contribuinte. Assim, o contribuinte não deve arcar com os prejuízos decorrentes da inscrição indevida ou decorrentes da demora no julgamento de seu pleito revisional da inscrição indevida. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator Fl. 52DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 26 /04/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10280.100042/200941 Acórdão n.º 120100.655 S1‐C2T1 Fl. 8 8 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 26 /04/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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Numero do processo: 10580.721763/2008-23
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
ARBITRAMENTO. HIPÓTESES LEGAIS.
A não escrituração dos livros contábeis a que se sujeita o contribuinte, sequer
o Livro Caixa, espelhando toda a movimentação financeira, no caso de ser
optante pelo regime de apuração do IRPJ pelo lucro presumido, acarreta o
arbitramento consoante previsto no artigo 530 e incisos do Regulamento do
Imposto de Renda vigente - RIR/99 (Decreto nº 3.000/99).
COEFICIENTES APURAÇÃO DO LUCRO. SERVIÇOS
HOSPITALARES. SERVIÇOS MÉDICOS.
A prestação pessoal de serviços médicos, por si só, sem estar acompanhada
dos elementos que caracterizam a prestação do serviço efetivamente
hospitalar (internação etc), mormente quando praticada fora do hospital,
consiste em atividade de prestação de serviços gerais e não justifica a
aplicação do coeficiente de 8%, próprio para a prestação de serviços
hospitalares.
MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÕES FALSAS. CONDUTA
REITERADA DO SUJEITO PASSIVO.
A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da
constatação da fraude lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e
73 da Lei nº 4.502/65, por força legal (art. 44, II, Lei nº 9.430/96). O ato de
entregar declarações com valores ‘zerados’ ao fisco, de forma reiterada,
demonstra o dolo do contribuinte em impedir o conhecimento pelo fisco da
ocorrência dos fatos geradores dos tributos, conduta especificada no inciso I
do artigo 71 da citada norma.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações
reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
Numero da decisão: 1801-000.453
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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HIPÓTESES LEGAIS. A não escrituração dos livros contábeis a que se sujeita o contribuinte, sequer o Livro Caixa, espelhando toda a movimentação financeira, no caso de ser optante pelo regime de apuração do IRPJ pelo lucro presumido, acarreta o arbitramento consoante previsto no artigo 530 e incisos do Regulamento do Imposto de Renda vigente - RIR/99 (Decreto nº 3.000/99). COEFICIENTES APURAÇÃO DO LUCRO. SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS MÉDICOS. A prestação pessoal de serviços médicos, por si só, sem estar acompanhada dos elementos que caracterizam a prestação do serviço efetivamente hospitalar (internação etc), mormente quando praticada fora do hospital, consiste em atividade de prestação de serviços gerais e não justifica a aplicação do coeficiente de 8%, próprio para a prestação de serviços hospitalares. MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÕES FALSAS. CONDUTA REITERADA DO SUJEITO PASSIVO. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/65, por força legal (art. 44, II, Lei nº 9.430/96). O ato de entregar declarações com valores ‘zerados’ ao fisco, de forma reiterada, demonstra o dolo do contribuinte em impedir o conhecimento pelo fisco da ocorrência dos fatos geradores dos tributos, conduta especificada no inciso I do artigo 71 da citada norma. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/01/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora EDITADO EM: 27/01/2011 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Sandra Maria Dias Nunes e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa foi autuada a recolher IRPJ, CSLL, PIS e Cofins relativos aos quatro trimestres dos anos-calendários de 2003, 2004, 2005 e 2006, acrescidos da multa de ofício qualificada e juros moratórios, consoante Autos de Infrações e Termo de Verificação Fiscal lavrados às fls. 02 a 145, pelo cometimento das infrações tributárias a seguir relacionadas. Aproveito o relatório minucioso do acórdão ora vergastado, nº 15-19.894/09 (2ª Turma da DRJ em Salvador/Ba) – fls. 538 a 557: “De acordo com a descrição dos fatos constante dos Autos de Infração relativos ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas, de fls. 05 e 21, foi efetuado o arbitramento do lucro, referente aos períodos de apuração ocorridos nos anos- calendário de 2003 a 2006, com base no artigo 530, inciso III, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999), tendo em vista que a Contribuinte, embora tenha sido reiteradamente notificada a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, necessários à apuração do lucro pela forma de tributação pelo Lucro Presumido e alertado quanto à possibilidade de arbitramento, conforme Termos de Início de Fiscalização, de Constatação Fiscal n° 0001, 0002 e 0003, em anexo, declarou que não dispunha de contabilidade formalizada, sendo este o verdadeiro motivo pelo qual deixou de apresentá-los. Diante do exposto, foi efetuado o arbitramento do lucro com base na receita bruta de prestação de serviços hospitalares (Auto de Infração às fls. 03 a 18) e de prestação de serviços gerais (Auto de Infração às fls. 19 a 30) levantadas mediante confronto entre: dossiê integrado, circularizações e documentações apresentadas pela Contribuinte. [...] No Termo de Verificação Fiscal (fls. 118 a 129) foi informado que: no início do procedimento de fiscalização foi requerida, em 07/03/2008, mediante Termo de Início de Fiscalização, toda a documentação contábil e fiscal necessária à apuração das bases de cálculo do IRPJ, pelo regime do Lucro Presumido, e das Fl. 598DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/01/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.721763/2008-23 Acórdão n.º 1801-00.453 S1-TE01 Fl. 598 3 contribuições administradas pela RFB, relativas aos anos-calendário de 2003 a 2006. Concomitantemente, foram circularizadas as pessoas jurídicas que declararam, como beneficiário de retenções de Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF e de pagamentos registrados no SIAF, o sujeito passivo sob auditoria. Desta decisão, resultaram os Termos de Diligência Fiscal integralmente cientificados pelos destinatários: Fundo Nacional de Saúde; Fundo de Custeio do Plano de Saúde dos Servidores Públicos Estaduais; Liga Álvaro Bahia Contra a Mortalidade Infantil; Fundo Estadual de Saúde do Estado da Bahia; Bahia Secretaria de Saúde do Estado e Lauro de Freitas Prefeitura, nos quais foram requeridas as originais das notas fiscais de prestação de serviço e/ou venda de mercadorias, como também, cópia dos contratos que fundamentaram o pagamento das sobreditas notas; em 28/04/2008, o sujeito passivo tomou ciência do Termo de Constatação Fiscal n° 0001, no qual se consignou o não atendimento, nem a manifestação em resposta às demandas presentes no Termo de Início de Fiscalização, salientando que tal comportamento configurava embaraço à fiscalização e ensejaria o agravamento da multa de ofício, ambas as ressalvas fundamentadas nos art. 845, 919 e 959, do RIR/1999. Em resposta ao citado Termo de Constatação Fiscal foi requerida, em 13/05/2008, prorrogação de prazo, por mais 20 dias, a qual foi deferida; [...] em 12/05/2008, o fiscalizado tomou ciência do Termo de Constatação Fiscal n° 002, em que ficou caracterizada a sua inércia quanto ao atendimento dos requerimentos integrantes do Termo de Início de Fiscalização. Finalmente, em 17/06/2008, o contribuinte apresentou alguns documentos, atendendo, em parte, o demandado. Dentre as suas manifestações, no item 2, está a declaração de que, in verbis "não dispõe de contabilidade formalizada, razão pela qual deixa de apresentar o solicitado nos itens: 1, 2, 4 a 6, 9". Os itens mencionados e não atendidos referem-se aos livros contábeis e fiscais, inclusive o Livro Caixa, revelando, in concreto, a subsunção à positivação presente no art. 530, III, do RIR/1999, ou seja, o arbitramento do lucro devido à não apresentação à autoridade tributária dos aludidos livros. É clara a ilação que tal fato deu novo rumo à fiscalização, pois a apuração pelo regime do lucro presumido demanda manifestação do contribuinte quanto à sua opção, em virtude da regra geral ser a apuração pelo regime do lucro real, a qual se corporifica definitiva para determinado ano-calendário, por meio do pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano-calendário, consoante determinações dos parágrafos 1° e 4° do art. 516, do RIR/1999. Como não houve recolhimento, conforme acima afirmado, não houve opção, restando-lhe a apuração pelo regime do lucro real, porém, como não há livros, não há possibilidade de apurá-lo, restando apenas a alternativa do arbitramento. A presente verificação foi reduzida a termo consoante Termo de Constatação Fiscal n° 0004; de posse dos documentos emanados dos sistemas da RFB (dossiê integrado), das circularizações e da documentação apresentada pelo contribuinte, consignada em planilha, em que relacionou todas as faturas ocorridas de janeiro de 2003 a dezembro de 2006, lastreadas pela emissão de notas fiscais de prestação de serviço e pelos Discriminativos de Pagamentos de Serviços, fornecidos pela SESAB-BA, referentes ao Sistema Único de Saúde, relativo aos períodos ocorridos de janeiro de 2003 a fevereiro de 2006, cuja veracidade de pagamento foi confirmada pelo fiscalizado, mediante Termo de Constatação Fiscal n° 0003, foram elaboradas as seguintes planilhas, de fls. 127 a 136, em favor da apuração da efetiva receita bruta tributável: Fl. 599DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/01/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 PLANILHA DE APURAÇÃO DA RECEITA BRUTA TRIBUTÁVEL AC 2003/2006 -FONTE: DOSSIÊ INTEGRADO; PLANILHA DE APURAÇÃO DA RECEITA BRUTA TRIBUTÁVEL AC 2003/2006 -FONTE: CIRCULARIZAÇÃO; PLANILHA DE APURAÇÃO DA RECEITA BRUTA TRIBUTÁVEL AC 2003/2006 -FONTE: DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA [...]” A fiscalização explicitou as fontes pagadoras circularizadas, acusadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil e aquelas cujos documentos foram apresentados pela contribuinte, bem como em relação aos valores submetidos à tributação de ofício: 1) Fundo Nacional de Saúde – SUS; 2) Fundo de Custeio do Plano de Saúde dos Servidores Públicos Estaduais – PLANSERV; 3) Fundo Estadual de Saúde do estado da Bahia; 4) Bahia Secretaria de Saúde do Estado; 5) Lauro de Freitas prefeitura; 6) Liga Álvaro Bahia contra a Mortalidade Infantil. Esclareceu, ainda, que em relação às receitas advindas da fonte pagadora “Liga Álvaro Bahia”, cujos serviços foram prestados de forma pessoal pelo sócio da empresa, sr. Antônio Olavo, em exercício de atividade intelectual e de natureza científica fora do estabelecimento hospitalar da fiscalizada, aplicou-se o percentual próprio à prestação de serviços em geral – 38, 4% para a apuração do lucro arbitrado, enquanto sobre as outras receitas omitidas incidiu o percentual favorecido das empresas que prestam atividades hospitalares – 9,6%. No que respeita à qualificação da multa, explicou no Termo de Verificações, conforme relatado no acórdão de primeira instância: “a qualificação da multa de ofício aplicada sobre os valores do imposto e da contribuição lançados segue a determinação do art. 957, II, do RIR/1999, concomitante com o art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, pois houve evidente intuito de sonegação por parte do contribuinte, quando apresentou as suas declarações, DCTF e DIPJ, sem débitos apurados dos tributos objeto desta fiscalização e zeradas, respectivamente, embora tenha auferido rendimentos decorrentes da prestação de serviços, fato que só veio ao conhecimento da autoridade fazendária no momento em que foi submetido aos procedimentos de fiscalização. Isto, indubitavelmente objetivou impedir o conhecimento pela União da ocorrência dos fatos geradores do imposto e contribuições. Deste fato, culminou a Representação Fiscal para Fins Penais.” (grifos não pertencem ao original) A autuada impugnou os lançamentos tributários esclarecendo que: Fl. 600DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/01/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.721763/2008-23 Acórdão n.º 1801-00.453 S1-TE01 Fl. 599 5 a) é empresa mercantil cujo objetivo é a prestação de serviços médicos especializados, atendimento médico ambulatorial especializado, clinica médica ortopédica traumatológica e pediatra, clinica médica ambulatorial, pequenas cirurgias, consultório de especialidade médica, atividades afins e correlatas; b) apresentou à fiscalização os documentos de escrituração e registros da empresa: o Livro de Registro de ISS; Relação de Receitas e retenções dos anos de 2003 a 2006; discriminativo de pagamento de serviços fornecido pela SESAB-BA - SUS, de janeiro de 2003 a fevereiro de 2006; d) talonários de notas fiscais; entre outros; c) demonstrou que sofreu retenção de tributos pelas fontes pagadoras, sendo que tais valores não foram considerados nas autuações; d) os auditores fiscais entenderam que não obtiveram documentação suficiente para quantificar o “resultado do exercício”, não reconhecendo como válidos os documentos apresentados; e) todavia não explicitou devidamente quais os documentos que deveriam ter sido apresentados o que levou à fiscalizada a declarar que não dispunha de contabilidade formalizada e deixar de apresentar os livros contábeis, fiscais e Caixa; f) o arbitramento do lucro não pode ser aplicado à empresa porque é optante do lucro presumido, não incidindo os rigores da norma prescrita no artigo 530, inciso III, do RIR/99 e não cabendo o referido arbitramento; g) à empresa não pode ser negado permanecer no regime do lucro presumido apenas porque não realizou pagamentos das primeiras ou cotas únicas do imposto de renda devido, visto que entregou DCTF e DIPJ; h) a fiscalização não pode dar tratamento diferenciado às receitas obtidas da “Liga Álvaro Bahia”, cujos serviços, por acaso, foram prestados pelo sr. Antônio Olavo, quando poderiam ter sido prestados por qualquer outro funcionário/empregado; este procedimento é arbitrário e não encontra respaldo legal; i) as supostas sonegações decorrem de construção elaborada da fiscalização, que cometeu equívocos; j) a empresa não ultrapassou a receita bruta da ordem de R$850.000,00 nos anos fiscalizados, pelo que não está desobrigada a apresentar a escrituração contábil e está correta em ter apurado os impostos devidos pelo regime de apuração do lucro presumido; k) a fiscalização incorreu em três equívocos fundamentais: não reconhecer o direito da empresa em permanecer no lucro presumido; confundir sociedade empresária com sociedade de pessoas; na hipótese de ser considerada como obrigada ao lucro real não ter computado os valores dos impostos efetivamente retidos pelas fontes pagadoras. A empresa segue discorrendo sobre: a ilegalidade na aplicação do lucro arbitrado; a natureza jurídica das sociedades empresárias e de pessoas; a prestação dos serviços não é prestada única e exclusivamente por seus sócios e que estes não são todos profissionais da mesma categoria, no caso, médicos; descabe a aplicação do coeficiente diferenciado para as receitas advindas da “Liga Álvaro da Bahia”; não houve omissão de receitas por parte da empresa pois assiste ao SUS – Sistema Único de Saúde e, por conseguinte, sofre a retenção de imposto de renda devida sobre todas as receitas obtidas. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/01/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 A Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Salvador deu procedência parcial aos lançamentos tributários, determinando o expurgo dos valores retidos pelas fontes pagadoras consignados em DIRF, a título de imposto de renda, correspondentes aos valores tributados ex officio., mantendo a multa qualificada por não ter sido expressamente impugnada e entendendo ser cabível em face à demonstração dos atos previstos na legislação de regência para a as aplicação. Esclareceu à impugnante, a respeito do arbitramento do lucro, reproduzindo no texto decisório os preceitos legais inerentes à matéria debatida – artigos 258, 259, 516, 527e 530, todos do Regulamento do Imposto de Renda vigente – RIR/99 (Decreto nº 3.000/99): “No caso concreto, durante a ação fiscal, apesar de reiteradamente intimada, a Contribuinte deixou de apresentar os seus livros e documentos contábeis e fiscais, declarando textualmente que "não dispõe de contabilidade formalizada, razão pela qual deixa de apresentar o solicitado nos itens: 1, 2, 4 a 6, 9", sendo que referidos itens correspondem aos livros contábeis e fiscais, inclusive o Livro Caixa. Foram apresentados somente os Livros de Apuração do ISS. Relativamente aos anos-calendário autuados, verifica-se que a Contribuinte apresentou Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica no modelo destinado às pessoas jurídicas tributadas pelo Lucro Presumido, sem, contudo, ter manifestado a sua opção pelo Lucro Presumido na forma prevista no § 4° do art. 516, do RIR/1999, com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano- calendário. Todavia, independentemente da opção, ou não, pela tributação com base no Lucro Presumido, o que se depreende da leitura dos dispositivos legais supra mencionados, é que, tanto as pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no Lucro Real quanto aquelas optantes pela tributação com base no Lucro Presumido estão obrigadas a manter escrituração contábil nos termos da legislação comercial, não se aplicando tal obrigatoriedade apenas para as empresas submetidas ao Lucro Presumido que mantiverem Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária. E a consequência da não apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese de empresa optante pela tributação com base no Lucro Presumido é o cálculo do lucro tributável por arbitramento, também por textual determinação legal acima transcrita. A não apresentação dos livros contábeis Diário e Razão impossibilita a apuração do Lucro Líquido Contábil, a partir do qual se procede à apuração do Lucro Real, mediante a realização de ajustes e de eventuais compensações de prejuízos fiscais, que, por sua vez, devem estar escriturados no Lalur, livro fiscal também de manutenção obrigatória. A ausência dos livros contábeis Diário e Razão, ou do Livro Caixa, contendo a movimentação financeira, inclusive bancária, na forma prescrita na Lei, inviabiliza, também, a tributação com base no Lucro Presumido, pois não permite a devida verificação do fluxo de recursos na pessoa jurídica. Desse modo, há de se reconhecer o acerto da autoridade fiscal ao adotar como forma de apuração da base de cálculo do tributo o Lucro Arbitrado, pois assim está expressamente determinado no artigo 530, inciso III, do RIR/1999, para a situação fática em exame, não se constituindo, portanto, em um procedimento ilegal, nem arbitrário, mas simplesmente no cumprimento de disposições legais a que a autoridade fiscal está obrigada, por força do disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional.” Fl. 602DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/01/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.721763/2008-23 Acórdão n.º 1801-00.453 S1-TE01 Fl. 600 7 (grifos não pertencem ao original) No que respeita à aplicação do coeficiente de prestação de serviços em geral para as receitas obtidas da “Liga Álvaro da Bahia”, assim se posicionou: “Consoante descrição constante das notas fiscais emitidas pela SEMI Serviços Médicos de Itinga Ltda, anexadas aos autos, tais receitas referem-se a serviços médicos prestados no Hospital Martagão Gesteira pelo sócio titular Antonio Olavo Galvão CPF 168.432.585-49. O novo conceito de serviços hospitalares adotado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) é o definido no art. 1°da Instrução Normativa RFB n° 791, de 10 de dezembro de 2007, que deu nova redação ao art. 27 da IN SRF n° 480/2004, transcrito a seguir: [...] Observe-se que a nova conceituação para serviços hospitalares adotada pela RFB está adstrita à estrutura do estabelecimento prestador do serviço, que deve ser condizente com atividade econômica organizada para a produção dos serviços, sendo, portanto, relevante a definição de atividade empresarial, prevista no art. 966 do Código Civil, transcrito a seguir: Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Está demonstrado no processo que os serviços em questão foram formalmente prestados pela sociedade empresária SEMI, por intermédio de um médico de sua equipe, referente unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, nas instalações do Hospital Martagão Gesteira, caracterizando a prestação de serviços especializados. Logo, referidos serviços não estão abrangidos pelo conceito de serviços hospitalares e, por conseguinte, não podem ser submetidos ao coeficiente de arbitramento no percentual de 9,6%, como pretende a Impugnante, devendo ser mantido aquele coeficiente de 38,4%, utilizado no auto de infração.” (grifos não pertencem ao original) Irresignada, a empresa interpôs o Recurso Voluntário de fls. 570 a 587, reprisando os exatos termos da defesa exordial, inclusive no que refere-se ao cômputo dos valores de impostos retidos pelas fontes pagadoras, o que já foi efetuado pela decisão de primeiro grau. É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Fl. 603DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/01/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, relatora Conheço do recurso, por tempestivo. Primeiramente, cumpre esclarecer que em nenhum momento a recorrente confrontou os fundamentos do acórdão, ora genericamente vergastado, pelo que adoto integralmente as razões naquele expostas e acresço as seguintes. No que respeita o arbitramento do lucro realizado pela fiscalização em face à ausência da apresentação de escrituração contábil, ou pelo menos do Livro Caixa, com toda a movimentação financeira devidamente escriturada, vale repetir que esta exigência em nada é discricionária, ou mesmo leviana, ainda que para aquelas empresas que, efetivamente, exercem a sua opção pelo regime de apuração do lucro pela forma presumida. A exigência é legal e o preceito correspondente já foi reproduzido no acórdão atacado, pelo que deixo de transcrevê-lo – artigo 527 do RIR/99. De igual forma, foi também esclarecido e demonstrado o preceito legal que impõe àqueles que pretendem optar pelo lucro presumido o dever de manifestar a opção com o pagamento da primeira ou única quota do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano-calendário – artigo 516 do RIR/99. Ademais, embora a contribuinte reiteradamente se louve de ter efetuado as opções nas declarações entregues ao fisco – no caso DCTF e DIPJ – relativas aos quatro anos fiscalizados (de 2003 a 2006), daondo presume equivocadamente ter optado pelo lucro presumido de forma inequívoca, verifico pelas cópias destas acostadas aos autos às fls. 315 a 403 (DIPJ) e às fls.404 a 421 (DCTF) que não passam de documentos que comprovam apenas a falsidade praticada durante vários pela contribuinte pois estão totalmente ‘zeradas’, restando às DIPJ somente informações cadastrais, de ‘rosto’ e participação societária de cada sócio. Tanto as DCTF como as DIPJ foram entregues como se a empresa estivesse inoperante, inativa nestes anos todos, constituindo em verdadeiros instrumentos de falsidade ideológica. Também denoto que é outra falácia a empresa dizer que sempre atendeu prontamente a fiscalização, pois esta chegou a lavrar um termo explicando que o não atendimento aos termos anteriores configuraria embaraço à fiscalização. Assim restou constatado no referido Termo de fls. 471 e 472, reiterando as solicitações do Termo de Início de fiscalização lavrado em 07/03/08 (fls. 434 e 435): “CONSTATAMOS que o contribuinte acima identificado, embora as ressalvas constantes do Termo de Constatação Fiscal n° 0001, cuja ciência se efetivou em 28/04/2008, não atendeu e nem se manifestou em relação aos requerimentos presentes no Termo de Inicio de Fiscalização, do qual tomou ciência em 07/03/2008, quer dizer, há mais de noventa e três dias. Acrescenta-se que, em resposta ao Termo de Constatação supra, em 13/05/2008, requereu a prorrogação do prazo por mais 20 (vinte) dias, a qual findou em 0 3/06 /2008, mas, apesar de toda compreensão destes signatários, até a presente data qualquer documento foi apresentado. Face ao exposto, como há, entre os elementos solicitados, livros, cuja escrituração é obrigatória, hipótese em que a legislação estabelece o prazo de 5 (cinco) dias úteis para sua apresentação, e que o não atendimento às solicitações impossibilita a execução dos trabalhos de fiscalização determinados, certifico que tal descumprimento configura embaraço a fiscalização nos termos do parágrafo único do art. 919 do RIR 99 acima mencionado.” Fl. 604DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/01/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.721763/2008-23 Acórdão n.º 1801-00.453 S1-TE01 Fl. 601 9 (grifos não pertencem ao original) Mas, no que ainda concerne sobre o arbitramento, a real causa é o descaso da empresa em não manter a contabilidade em dia, ou, pelo menos, escriturar um Livro Caixa, que como já dito e reprisado é o mínimo que a legislação exige e, inconcebíveis as argumentações da empresa de que estaria dispensada de qualquer obrigação por ela chamada ‘acessória’ por haver entregue declarações falsas ao fisco nas quais disse ser optante por determinado regime de tributação, no caso, presumido. Por conseguinte, não há o que se reparar, neste tocante, nos lançamentos tributários objetos desta lide, nem tampouco no acórdão combatido. Certo e devido o arbitramento do lucro com base nas receitas inequivocamente omitidas ao fisco pela empresa. No que concerne à aplicação de coeficientes diferentes às receitas das atividades da empresa, observo que para aquelas prestadas no estabelecimento hospitalar da empresa a fiscalização aplicou o coeficiente previsto no caput do artigo 519 do RIR/99, majorado pelo arbitramento realizado, ou seja, 8% mais 20%, o que resulta em 9, 6% para apurar o lucro. Assim dispõe a norma tributária: Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7o do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, e Lei n o 9.430, de 1996, arts. 1 o e 25, e inciso I). Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera- se receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, § 1o): [...]. § 2º No caso de serviços hospitalares aplica-se o percentual previsto no caput. Já em relação aos serviços médicos prestados pelo sócio da empresa fora do estabelecimento hospitalar da empresa, situada em Lauro Freitas, em outro município – Salvador, para uma fundação - a “Liga Álvaro da Bahia contra a Mortalidade Infantil”- seja de natureza intelectual, científica, personalíssima ou não, o mesmo artigo, em seu parágrafo terceiro, permite que se aplique o percentual diferenciado, em nada isto sendo arbitrário ou equivocado: § 3 o No caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, § 2o). E não me restam dúvidas que os serviços prestados pela referida pessoa, uma vez por mês, desde janeiro de 2003 a julho de 2005, cujas Notas Fiscais emitidas pela empresa recorrente são de forma seqüencial – nº 011 a 049, definitivamente não são serviços hospitalares. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/01/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Isto porque como se pode constatar em pesquisa à internet 1 , a referida empresa contra quem as referidas notas fiscais são emitidas é uma fundação filantrópica não hospitalar: “LIGA BAHIANA CONTRA A MORTALIDADE INFANTIL FUNDADA EM 17 DE JUNHO DE 1923 MOTIVAÇÃO: PREOCUPAÇÃO DO PEDIATRA ÁLVARO PONTES BAHIA COM OS ALARMANTES ÍNDICES DA MORTALIDADE INFANTIL DE CADA 100 CRIANÇAS NASCIDAS, 40 MORRIAM ANTES DE COMPLETAR UM ANO DE VIDA IDEIA DE ÁLVARO BAHIA DE CRIAR UMA “LIGA QUE LUTASSE, ESPECIALMENTE, CONTRA O OBITUÁRIO INFANTIL NA BAHIA, CONTRIBUINDO, COM BASES CIENTÍFICAS, PARA ALIVIAR O PADECIMENTO DAS CRIANÇAS”, ACATADA PELO DR. MARTAGÃO GESTEIRA, DR. ÁLVARO PONTES BAHIA E DR. JOAQUIM MARTAGÃO GESTEIRA. [...] • INSTITUIÇÃO FILANTRÓPICA, SEM FINS LUCRATIVOS; DE UTILIDADE PÚBLICA, A NÍVEIS FEDERAL, ESTADUAL E MUNICIPAL; MANTENEDORA DA ESCOLA DE PUERICULTURA RAYMUNDO PEREIRA DE MAGALHÃES E DO HOSPITAL MARTAGÃO GESTEIRA. PRINCIPAIS REALIZAÇÕES DA LIGA: FUNDAÇÃO DA CRECHE FERNANDES FIGUEIRA (outubro de 1924) CRIAÇÃO DO INSTITUTO BATISTA MACHADO (29/04/1929) CRIAÇÃO DA REVISTA “PEDIATRIA E PUERICULTURA”, SOB A DIREÇÃO DE ÁLVARO BAHIA (DEZEMBRO DE 1931) CRIAÇÃO DA SOCIEDADE DE PEDIATRIA DA BAHIA FUNDAÇÃO DA ESCOLA DE PUERICULTURA RAYMUNDO PEREIRA DE MAGALHÃES / ASSISTÊNCIA EDUCATIVA (DOAÇÃO DA FAMÍLIA MAGALHÃES) (1937) [...] FUNDAÇÃO DO HOSPITAL MARTAGÃO GESTEIRA.” Enfim, o sócio da empresa autuada presta serviços em nome desta para a fundação ora referenciada, mas estes serviços não podem ser considerados como serviços hospitalares da recorrida. São serviços que consistem em outra atividade que não a de oferecer ou disponibilizar internação em seu estabelecimento, pelo que justa a aplicação do coeficiente de 32% (mais 20% devido ao arbitramento = 38,4%) para a apuração do lucro. Trata-se de mera prestação de serviços, em geral, não de natureza hospitalar, pois sequer na empresa é prestado. Assim dispõe o inciso III, alínea ‘a’ do artigo acima já transcrito – 519 do RIR/99: “[...] III - trinta e dois por cento, para as atividades de: 1 http://martagaogesteira.org.br/sobre Fl. 606DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/01/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.721763/2008-23 Acórdão n.º 1801-00.453 S1-TE01 Fl. 602 11 a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;” (grifos não pertencem ao original) Deixo de reprisar todas as normas infralegais editadas pela secretaria da receita Federal do Brasil que dispõem sobre os serviços de natureza hospitalar já citadas e explicitadas na decisão de primeiro grau, visto que sequer foram contraditadas. Colaciono ao presente voto para corroborar o entendimento ora esposado, a ementa do Acórdão nº 103-23.236, de 18/10/07, cuja lavra do voto-condutor é do conseleheiro Antonio Carlos Guidoni Fº: “SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO. A presunção de lucratividade reduzida prevista na Lei n. 9.249/95 está intimamente ligada à existência de custos relevantes com instalações, equipamentos e mão-de-obra qualificada inerente a um hospital, compreendendo tanto a parte médica especializada quanto os serviços de hotelaria e fornecimento de produtos. A prestação pessoal de serviços médicos, por si só, não corresponde ao conjunto de serviços e custos inerentes a um centro hospitalar, traduzindo-se meramente em um exercício de profissão regulamentada.” Transcrevo, por oportuno, trecho do voto: “A presunção de lucratividade reduzida prevista na Lei n. 9.249/95 (artigo 15, § 1°, III), está intimamente ligada à existência de custos relevantes com equipamentos e mão-de-obra qualificada inerente a um hospital, compreendendo tanto a parte médica especializada quanto os serviços de hotelaria e fornecimento de produtos. A aplicação do percentual de 8% apenas se justifica quando presentes fatores de custos relevantes, como os que ocorrem em um hospital. A prestação pessoal de serviços médicos, por si só, não corresponde ao conjunto de serviços e custos inerentes a um centro hospitalar, traduzindo-se meramente em um exercício de profissão regulamentada.” (grifos não pertencem ao original) Comungo com as colocações do r. conselheiro em todos os aspectos, precipuamente quando faz a distinção entre os serviços prestados por um médico (mera receita de prestação de serviços em geral – 32%) e aqueles prestados pela entidade hospitalar (receita de serviços hospitalares – 8%). O acertado, portanto, é a segregação das receitas advindas de atividades distintas e sujeitas à aplicação de distintos coeficientes. Tal como realizado no presente lançamento tributário. Nada a reparar neste tópico, igualmente. No que tange à aplicação da multa de ofício na forma qualificada, embora esta matéria não tenha sido especificamente contestada, faz-se suficiente para configurar o tipo descrito no artigo 71 da Lei nº 4.502/64 o ato de entregar declarações ao fisco, reiteradamente, repleta de falsidade, com todos os valores das receitas ‘zerados’. “Falsum quod est, nihil est” – o que é falso, nada vale. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/01/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 A percepção de receitas em diversos anos e a conduta da contribuinte denuncia a intenção desvelada de impedir ao fisco o conhecimento da ocorrência de fatos geradores de tributos, no caso, federais: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; A matéria objeto da peça recursal consistente no aproveitamento dos IRRF incidentes sobre os valores tributados ex officio já foi dirimida na decisão de primeiro grau, embora não percebido pela recorrente, pelo que não há mais litígio a ser apreciado por este órgão colegiado. Por derradeiro, a sorte dos lançamentos fiscais reflexos decorrentes das omissões de receitas que ensejaram a lavratura do Auto de Infração do IRPJ, a saber, para exigir os valores decorrentes e devidos a título de CSLL, PIS e Cofins devem seguir o decidido em relação àquele, e portanto serem mantidos. Pelo todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 608DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/01/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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