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Numero do processo: 19396.720021/2011-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PERCENTUAL APLICÁVEL PARA O LUCRO PRESUMIDO PARA A CONSTRUÇÃO CIVIL E DE SERVIÇOS AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO CIVIL.
Aplica-se o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida do IRPJ em caso de contratação de prestação de serviços em geral.
CSLL. PERCENTUAL APLICÁVEL PARA O LUCRO PRESUMIDO PARA A CONSTRUÇÃO CIVIL E DE SERVIÇOS AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO CIVIL.
Aplica-se o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação da
base de cálculo presumida da CSLL em caso de contratação de prestação de serviços em geral.
Numero da decisão: 1302-001.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida do IRPJ em caso de contratação de prestação de serviços em geral. CSLL. PERCENTUAL APLICÁVEL PARA O LUCRO PRESUMIDO PARA A CONSTRUÇÃO CIVIL E DE SERVIÇOS AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida da CSLL em caso de contratação de prestação de serviços em geral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 6. 72 00 21 /2 01 1- 38 Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração de IRPJ e CSLL, acrescidos da multa de 75% e dos juros de mora, lançados pelo fato da Interessada ter aplicado incorretamente os coeficientes de 8% e 12% respectivamente, ao invés dos 32% previstos na legislação para a determinação do Lucro Presumido. Cientificada do Auto de Infração em 15/12/2011, a Interessada apresentou Impugnação tempestiva em 13/01/2012, com os anexos de fls. 1059/1166, com alegações que podem assim ser resumidas: que seu objetivo é “comércio varejista de peças e equipamentos elétricos, hidráulicos, comercio varejista de peças para mototres, serviços de engenharia, montagem e manutenção de instrumentação industrial, mecânica, elétrica e calderaria, serviçoes de construção civil e manitenção de plataformas”, cujos serviços incluem o fornecimento de materiais. que desde 97 o ADN nº 6, já definia o percentual de 8% para a construção por empreitada, quando houvesse emprego de materiais em qualquer quantidade e de 32% quando aplicado unicamente mão de obra. que a Solução de Consulta nº 278 de 08/11/2004 da 8ª RF, decidiu que “para efeito de determinação na base de cálculo do IR pelo lucro presumido, aplicase o percentual de 8% sobre a receita bruta auferida em decorrência de prestação de serviços de instalação elétrica, com fornecimento de material. A decisão considerou a ADN nº 6. que todas as notas juntadas contem referências aos pedidos, propostas, ordens de serviço, contratos e detalham os serviços, sempre incluindo o fornecimento de material e o fato de por equivoco não constar nas notas especificamente o fornecimento de materiais não pode ser óbice a busca da verdade operacional. protesta por todos os meios de prova A 9ª Turma da DRJ/RJ1, através do acórdão 1258.876, decidiu por unanimidade de votos, negar provimento às impugnações, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: IRPJ Anocalendário: 2008 PERCENTUAL APLICÁVEL PARA OBTENÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO NO CASO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL E DE SERVIÇOS AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida do IRPJ em caso de contratação de prestação Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.432 3 de serviços em geral. No caso específico de contratação de prestação de serviços da construção civil ou de serviços auxiliares da construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, aplicase o percentual de 8% em vez de 32%. ASSUNTO: CSLL Anocalendário: 2008 PERCENTUAL APLICÁVEL PARA OBTENÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO NO CASO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL E DE SERVIÇOS AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida da CSLL em caso de contratação de prestação de serviços em geral. No caso específico de contratação de prestação de serviços da construção civil ou de serviços auxiliares da construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, aplicase o percentual de 12% em vez de 32%. Cientificado da decisão em 20/09/13, apresentou recurso voluntário, tempestivamente, em 17/10/13, reiterando os termos das impugnações e aduzindo em síntese o seguinte: ‐ que não obstante a revogação do ADN nº 6/1997, a própria decisão recorrida informa que, após a publicação da IN SRF nº 539/2005, a Solução de Consulta nº 225/2008, assim decidiu a questão: "As receitas decorrentes da construção civil por empreitada com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à consecução da atividade contratada, os quais serão incorporados à obra, estão sujeitas à aplicação do percentual de oito por cento na determinação da base de cálculo dq Imposto de Renda, no Lucro Presumido. No caso de empreitada com fornecimento parcial de materiais pelo empreiteiro ou de empreitada unicamente de mão de obra, o percentual aplicável é de 32%". Grifos nossos. ‐ que a Recorrente, conforme comprovam o seu contrato social e os demais documentos juntados, não é prestadora de serviços em geral, mas sim, de serviços auxiliares e de construção, sempre com emprego total de materiais, enquadrando‐se, no caput do art. 15, da Lei 9.249/95. ‐ não obstante todo o elenco de documentos solicitados e obtidos, fundamentou a lavratura do Auto de Infração, tão somente, no fato de a impugnante "descrever em sua razão social exercer Manutenções Técnicas" (fls. 1348), sem que, pelo menos, cotejasse os serviços descritos nas notas fiscais, com as suas respectivas propostas, ordens de compra etc. ‐ que em obediência aos princípios da legalidade, da proporcionalidade e da razoabilidade, bem como à isonomta tributária, preceitos aos quais a Administração se encontra vinculada, resta a declaração de enquadramento do sujeito passivo Recorrente nos percentuais de 8% e de 12%, respectivamente para a tributação do IRPJ e da CSLL. Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 ‐ que decisões do finado Conselho de Contribuintes deixam antever que as execuções de obras hidráulicas, elétricas, de construção e assemelhados, se classificam como serviços auxiliares da construção civil e a ela devem se equiparar para efeito de tributação. ‐ que tem a fiscalização o exclusivo ônus de provar que os coeficientes utilizados pela Recorrente são inadequados. que os serviços executados se referem a instalação e reparos de válvulas; abertura e reteste em permutador de gás; reparo em válvula de controle; remoção e instalação de válvula de bloqueio; revisão em vasos de óleo de selagem; retirada e reinstalação de válvulas etc. ‐ que todos os serviços das NF´s de fls. 1382/1386, foram executados com emprego total de material e se enquadram, inegavelmente, como de instalações hidráulicas, elétricas ou de montagem industrial. ‐ que todos os serviços das NF´s de fls. 1387/1389, são de deslocamento e pintura interna da curva de admissão; manutenção em turbo geradores e compressores, com emprego total de material e, indubitavelmente, se enquadram como de instalações hidráulicas, elétricas ou de montagem industrial. ‐ que todos os serviços das NF´s de fls. 1390, são de caldeiraria e pintura; instalação de transmissores de vazão, pressão e temperatura, painel, pedestais e cabos em P‐31, com emprego total de material, os quais, sem dúvida, são serviços hidráulicos. ‐ que todos estes serviços estão previstos como auxiliares da construção no anexo XIII da IN SRP 03 de 2005, utilizada como parâmetro pelos fundamentos do próprio v. Acórdão. É o Relatório. Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.433 5 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. O recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e assim sendo, dele conheço. Pela legislação mencionada verificase que a regra geral, para a determinação da base de cálculo presumida do IRPJ, foi a da aplicação do percentual de 8% para as atividades de comércio e indústria e de 32% para a de prestação de serviços em geral. No que concerne à atividade de prestação de serviços de construção por empreitada, a Receita Federal houve por bem expedir o Ato Declaratório Cosit nº 06, de 13 de janeiro de 1997, aqui reproduzido (grifos meus): “I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais.” II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra 'a', deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido." É preciso esclarecer que o item II do referido ADN, o qual, com base no art. 36, IV, da Lei nº 8.981/1995, não permitia que optassem pela tributação com base no lucro presumido as pessoas jurídicas que se dedicassem à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis e à execução de obras da construção civil, com emprego de materiais em qualquer quantidade, foi tacitamente revogado, em função da derrogação expressa do aludido dispositivo legal pelo artigo 14 da Lei nº 9.718/1998. Em 29/12/2004, foi publicada a IN SRF nº 480, de 15/12/2004, que tratava da retenção, na fonte, de IRPJ, CSLL, Cofins e Pis/Pasep, determinando em seu art. 2º o seguinte (Grifei): Art. 2º A retenção será efetuada aplicandose, sobre o valor a ser pago, o percentual constante da coluna 06 da Tabela de Retenção ( Anexo I ), que corresponde à soma das alíquotas das contribuições devidas e da alíquota do imposto de renda, determinada mediante a aplicação de quinze por cento sobre a base de cálculo estabelecida no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, conforme a natureza do bem fornecido ou do serviço prestado. No referido Anexo I – Tabela de Retenções, temse para o serviço de construção civil por empreitada com emprego de materiais a alíquota de 1,2% para a retenção Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 6 do IRPJ, a qual foi obtida mediante a aplicação de 15% sobre a base de cálculo de 8% da receita bruta. Porém, em seu artigo 32, a referida IN SRF nº 480, determinava que as disposições constantes dos artigos 1º a 20 alcançavam somente as retenções na fonte do IRPJ, da CSLL, da Cofins e do PIS/Pasep, não alterando a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que estão sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos no art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995. Em 27 de abril de 2005, foi publicada a IN SRF nº 539, de 25 de abril de 2005, a qual assim alterou a IN SRF nº 480 (grifos meus): “Art. 1 º Os arts. 1 º , 3 º , 18, 19, 20, 21, 22. 26, 27 e 32 da Instrução Normativa SRF n º 480, de 15 de dezembro de 2004 , passam a vigorar com a seguinte redação: "Art.1 º ................................................................................................. § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considerase: I serviços prestados com emprego de materiais, os serviços contratados com previsão de fornecimento de material, cujo fornecimento de material esteja segregado da prestação de serviço no contrato, e desde que discriminados separadamente no documento fiscal de prestação de serviços; II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. (...) "Art. 32. As disposições constantes nesta Instrução Normativa: (..) II não alteram a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que estão sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos no art. 15 da Lei n º 9.249, de 1995, exceto quanto aos serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, de que trata o inciso II do art 1 º , e aos serviços hospitalares, de que trata o art. 27."(NR)” Assim sendo, em 27 de abril de 2005 o ADN Cosit nº 06, de 13 de janeiro de 1997, foi derrogado pela IN SRF nº 480, de 15/12/2004, com as alterações introduzidas pela IN SRF nº 539, de 25/04/2005, publicada em 27/04/2005, só podendo a partir daí, para o caso de prestação de serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, aplicar o percentual de 8% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida do IRPJ, se (i) a contratação for de prestação de serviços de construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, e (ii) o fornecimento do material estiver segregado da prestação de serviço no contrato, e desde que discriminados separadamente no documento fiscal de prestação de serviços. Não atendida qualquer condição, aplicase o percentual de 32% de prestação de serviços em geral. No que concerne à CSLL, o artigo 29 da Lei nº 9.430/1996, assim dispõe (grifos meus): Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.434 7 “Art. 29. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado e pelas demais empresas dispensadas de escrituração contábil, corresponderá à soma dos valores: I de que trata o art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período.” Por sua vez, o art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, com redação determinada pela Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, estabelece o seguinte (grifos meus): “Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento.” O referido art. 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249, de 1995, assim dispõe (grifos meus): “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005) III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;( Vide art.29 e art. 41 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade.” Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Da leitura dos referidos artigos, verificase que a regra geral estabelecida para a determinação da base de cálculo presumida da CSLL, foi a da aplicação do percentual de 12% para as atividades de comércio e indústria (como também se observa dos referidos artigos, para as atividades de comércio e indústria a base de cálculo presumida do IRPJ é igual a 8% da receita bruta) e de 32% para a de prestação de serviços em geral (como também se observa dos referidos artigos para a atividade de prestação de serviços em geral a base de cálculo presumida do IRPJ é igual a 32% da receita bruta). Como já visto, em 27 de abril de 2005 o ADN Cosit nº 06, de 13 de janeiro de 1997, foi derrogado pela IN SRF nº 480, de 15/12/2004, com as alterações introduzidas pela IN SRF nº 539, de 25/04/2005, publicada em 27/04/2005, só podendo a partir daí, para o caso de prestação de serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, aplicar o percentual de 12% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida da CSLL, se (i) a contratação for de prestação de serviços de construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, e (ii) o fornecimento do material estiver segregado da prestação de serviço no contrato, e desde que discriminados separadamente no documento fiscal de prestação de serviços. Não atendida qualquer condição, aplicase o percentual de 32% de prestação de serviços em geral. Em suma, a partir de 27/04/2005, para o caso de prestação de serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, aplicar, respectivamente, o percentual de 8% e de 12% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida do IRPJ e da CSLL, se (i) a contratação for de prestação de serviços de construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, e (ii) o fornecimento do material estiver segregado da prestação de serviço no contrato, e desde que discriminados separadamente no documento fiscal de prestação de serviços. Não atendida qualquer condição, aplicase o percentual de 32% de prestação de serviços em geral. Da Jurisprudência Administrativa Nesse mesmo sentido, trago à colação ementas de soluções de consulta e de decisões administrativas que bem distinguem a legislação aplicável à espécie antes e após a publicação, em 27/04/2005, da IN SRF nº 539, de 25/04/2005: Antes da Publicação em 27/04/2005 da IN SRF nº 539, de 25/04/2005 Solução de Consulta SRRF/5ª RF/DISIT nº 8, de 20/01/2004 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ementa: LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CONSTRUÇÃO. O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção por empreitada é de 32% quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou de 8% quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade, incorporados à obra. Dispositivos Legais: art. 15 da Lei n° 9.249, de 1995; IN SRF n° 93, de 1997; ADN Cosit nº 6, de 1997 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.435 9 Ementa: LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CONSTRUÇÃO. O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção por empreitada é de 32% quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou de 12% quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade, incorporados à obra. Dispositivos Legais: art. 20 da Lei n° 9.249, de 1995, com a redação dada pelo art. 22 da Lei nº 10.684, de 2003; art. 56 da IN SRF n° 93, de 1997; ADN Cosit nº 6, de 1997. Acórdão DRJ/CTA nº 117210, de 21/08/2004 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: LUCRO PRESUMIDO. CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTRATOS DE EMPREITADA. As receitas decorrentes de contratos de empreitada de construção civil que abranjam tanto a mãodeobra quanto o fornecimento de materiais estão sujeitas, no total, ao percentual de 8% de determinação da base de cálculo do imposto de renda pelo lucro presumido. Acórdão DRJ/REC nº 1111867, de 08/04/2005 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003 Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. As receitas relativas a contratos de empreitada que abrangem tanto a mãodeobra quanto o fornecimento de materiais, estão sujeitas ao percentual de 12% na determinação da base de cálculo da CSLL no lucro presumido, enquanto que aquelas decorrentes de construção por administração ou empreitada unicamente de mãodeobra, ou a prestação de serviços em geral, estão sujeitas ao percentual de 32%. Após a Publicação em 27/04/2005 da IN SRF nº 539, de 25/04/2005 Solução de Consulta nº 225 SRRF/8ª RF/Disit, de 11/07/2008 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL POR EMPREITADA. As receitas decorrentes da construção civil por empreitada com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à consecução da atividade contratada, os quais serão incorporados à obra, estão sujeitas à aplicação do percentual de oito por cento na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda, no Lucro Presumido. No caso de empreitada com fornecimento parcial de materiais pelo empreiteiro ou de empreitada unicamente de mão de obra, o percentual aplicável é de 32%. Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Dispositivos Legais: Lei n.° 9.249, de 1995, artigo 15, caput e § 1.º, inciso III; Ato Declaratório Normativo Cosit n.º 06, de 1997; Instrução Normativa SRF n.º 93, de 1997, artigo 3.º, § 2.º, IV, “d”; Instrução Normativa SRF n.º 480, de 2004, artigo 1.º, § 7.º, II c/c artigo 32, II; Instrução Normativa SRF n.º 539, de 2005, artigo 1.º; Instrução Normativa RFB nº 829, de 18 de março de 2008, Anexo I. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL POR EMPREITADA. As receitas decorrentes da construção civil por empreitada com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à consecução da atividade contratada, os quais serão incorporados à obra, estão sujeitas à aplicação do percentual de doze por cento na determinação da base de cálculo da CSLL, no Lucro Presumido. No caso de empreitada com fornecimento parcial de materiais pelo empreiteiro ou de empreitada unicamente de mão de obra, o percentual aplicável é de 32%. Dispositivos Legais: Lei n.º 8.981, de 1995, artigo 57; Lei n.º 10.684, de 2003, artigo 22; Lei n.º 9.249, de 1995, artigo 15, § 1.º, inciso III e artigo 20; Ato Declaratório Normativo Cosit n.º 06, de 1997; Instrução Normativa SRF n.º 390, de 2004, artigos 88, inciso I e 89, inciso I; Instrução Normativa SRF nº. 480, de 2004, artigo 1.º, § 7.º, II c/c artigo 32, II; Instrução Normativa SRF n.º 539, de 2005, artigo 1.º; Instrução Normativa RFB nº 829, de 18 de março de 2008, Anexo I. Acórdão DRJ/POA nº 1041.164, de 08/11/2012 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. NÃO COMPROVAÇÃO DESTA ATIVIDADE. As atividades de montagem e manutenção industrial, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, não caracterizam obras de construção civil, sujeitando as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo do IRPJ sob o regime de tributação com base no lucro presumido. COMPROVAÇÃO DO EMPREGO DE TODOS OS MATERIAIS INDISPENSÁVEIS. Mesmo na atividade de prestação de serviços de construção civil sob o regime de empreitada, o percentual de presunção do lucro é de 32% quando não houver comprovação do fornecimento de todos os materiais indispensáveis à execução da obra. Acórdão DRJ/POA nº 1041.168, de 08/11/2012 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/12/2007, 31/03/2008, 30/09/2008, 31/12/2008 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. NÃO COMPROVAÇÃO DESTA ATIVIDADE. Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.436 11 As atividades de montagem e manutenção industrial, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, não caracterizam obras de construção civil, sujeitando as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo da CSLL sob o regime de tributação com base no lucro presumido. COMPROVAÇÃO DO EMPREGO DE TODOS OS MATERIAIS INDISPENSÁVEIS. Mesmo na atividade de prestação de serviços de construção civil sob o regime de empreitada, o percentual de presunção do lucro é de 32%, quando não houver comprovação do fornecimento de todos os materiais indispensáveis à execução da obra. Acórdão DRJ/POA nº 1041.169, de 08/11/2012 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. COMPROVAÇÃO DESTA ATIVIDADE. Comprovada a contratação e prestação de fato de serviços de construção civil, no regime de empreitada total, com o fornecimento de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, é correta a utilização do percentual de 12% para presunção da base de cálculo da CSLL. Do Conceito de Contratação de Prestação de Serviços de Construção Civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, são materiais incorporados à obra. Como já visto, em 27 de abril de 2005 o ADN Cosit nº 06, de 13 de janeiro de 1997, foi derrogado pela IN SRF nº 480, de 15/12/2004, com as alterações introduzidas pela IN SRF nº 539, de 25/04/2005, publicada em 27/04/2005, só podendo a partir daí, para o caso de prestação de serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, aplicar o percentual de 8% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida do IRPJ, se a contratação for de prestação de serviços de construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Nas demais, o percentual aplicável é de 32%. A IN SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, vigente no anocalendário de 2006, assim dispunha em seu Título V, Normas e Procedimentos Aplicáveis à Atividade de Construção Civil, Capítulo I, Disposições Preliminares, Seção Única, Conceitos: Art. 413. Considerase: I – obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo, conforme discriminação no Anexo XIII; (...) X – serviço de construção civil, aquele prestado no ramo da construção civil, tais como os discriminados no Anexo XIII; (...) Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 12 XXVIII – contrato de construção civil ou contrato de empreitada (também conhecido como contrato de execução de obra, contrato de obra ou contrato de edificação), aquele celebrado entre o proprietário do imóvel, o incorporador, o dono da obra ou o condômino e uma empresa, para a execução de obra ou serviço de construção civil, no todo ou em parte, podendo ser: a) total, quando celebrado exclusivamente com empresa construtora, definida no inciso XX, que assuma a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material; b) parcial, quando celebrado com empresa construtora ou prestadora de serviços na área de construção civil, para execução de parte da obra, com ou sem fornecimento de material; (...) § 1º Será também considerada empreitada total: I o repasse integral do contrato, na forma do inciso XXXIX do caput; (...) III – a empreitada por preço unitário e a tarefa, cuja contratação atenda aos requisitos previstos no art. 1851 § 2º Receberá tratamento de empreitada parcial: I – a contratação de empresa não registrada no CREA ou de empresa registrada naquele conselho com habilitação apenas para a realização de serviços específicos, como os de instalação hidráulica, elétrica e similares, ainda que essas empresas assumam a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários á realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, observado o disposto no inciso III do art. 27 (...) III – a reforma de pequeno valor, definida no inciso V do caput deste artigo; IV – aquela realizada por empresa construtora em que tenha ocorrido faturamento de subempreiteira diretamente para o proprietário, dono da obra ou incorporador, ainda que a subempreiteira tenha sido contratada pela construtora. (...) Da leitura do art. 413 da IN SRP nº 3, de 2005, verificase que a Discriminação de Obras e Serviços de Construção Civil encontrase no seu Anexo XIII, cujo conteúdo está em conformidade com a CNAE – Classificação Nacional de Atividades Econômicas. No referido Anexo XIII, temse discriminadas as obras e serviços de construção civil. Concluo que à condição necessária para aplicação dos percentuais em foco de 8% (IRPJ) e de 12% (CSLL) aos contratos de prestação de serviços por empreitada no anocalendário de 2008, a qual é a de que a contratação seja de prestação de serviços de construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.437 13 Sendo assim temos que: Considerase obra de construção civil a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo conforme discriminação no Anexo XIII da IN SRP nº 3, de 2005. Considerase serviço de construção civil aquele prestado no ramo da construção civil, tais como os discriminados no Anexo XIII da IN SRP nº 3, de 2005. Considerase contrato de construção civil ou contrato de empreitada aquele celebrado entre o dono da obra e uma empresa para a execução da obra ou serviço de construção civil. O contrato de construção civil ou contrato de empreitada pode ser na modalidade total ou parcial. Será total, quando celebrado exclusivamente com empresa construtora, definida no inciso XX do art. 413 da IN SRP nº 3/2005, que assuma a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material. Será parcial, quando celebrado com empresa construtora ou prestadora de serviços na área de construção civil, para execução de parte da obra, com ou sem fornecimento de material. Da Metodologia de Análise do Percentual a Aplicar à Cada uma das Notas Fiscais Tendo em vista que a Recorrente teve atividades diversificadas de prestação de serviços durante o anocalendário de 2008, entende que para cada uma delas deveria ter aplicado o percentual correspondente a cada atividade, nos termos do que determina a Lei nº 9.249, de 1995, art. 15. § 2º (§ 3º do art. 519 do RIR/1999). É evidente que compete a Recorrente a comprovação, mediante documentos hábeis e idôneos, dos serviços por ela prestados que entende ser aplicado o percentual de 8% (IRPJ) e de 12% (CSLL) e não o de 32% aplicável a prestação de serviços em geral. Assim sendo, passo a analisar os documentos apresentados pela Recorrente e chego à seguinte conclusão: Cliente Man Turbo do Brasil Ltda. (CNPJ 04.838.010/000151) NF Eletrônica nº 00000015, emitida em 02/01/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 140/07, cujo assunto é “Proposta Comercial para Prestação de Serviços de Retirada e Instalação de Válvulas Esfera e Borboleta na Parada de Produção de PPM1”. NF Eletrônica nº 00000019, emitida em 02/01/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 255/07, cujo assunto é “Proposta Comercial para Serviços de Intervenção nos Permutadores de Gás do TCB (PC0020101/ 02B1/ B2)”. Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 14 NF Eletrônica nº 00000128, emitida em 14/05/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 066/08, cujo assunto é “Proposta Comercial para Prestação de Serviços de Reparo em Válvula de Controle VAPP2 Balanceada de 3” x 600”# PGP1 – RP508”. NF Eletrônica nº 00000160, emitida em 30/06/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 095/08, cujo assunto é “Proposta Comercial de Serviços Substituição das Válvulas a Montante e a Jusante das PSV’S 221101 e 221102ª do TCA de PPM1”. Às fls. 1.238 juntou a Ordem de Compra nº 002362, sendo a especificação técnica de “Serviço de Remoção e Instalação de Válvulas de Bloqueio das PSV`S” OBS: Atende ao Projeto O&M – PPM1”. NF Eletrônica nº 00000218, emitida em 25/08/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 154/08, cujo assunto está ilegível, sendo o Preço Global dos Serviços (Permutador de Gás 02) de R$ 124.776,50. Às fl. 1.126 juntou a Ordem de Compra nº 002650, emitida em 25/08/2008, no valor total de R$ 124.776,50 referente à Proposta da Interessada 154/08, sendo a especificação técnica de “Serviço de Inspeção Periódica NR 13 do Permutador de Gás 02 do TCA OBS: Atende Projeto O&M – PCH2”. NF Eletrônica nº 00000244, emitida em 24/09/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 173/08, cujo assunto é “Proposta Comercial para serviços de raqueteamento da planta, remoção dos spool’s e teto hood do compressor / TCA da plataforma de PCH2”. À fl. 1.133 juntou a Ordem de Compra nº 002829, referente à Proposta da Interessada 173/08, sendo a especificação técnica de “Serviço de Raqueteamento e Desraqueteamento Atende Projeto O&M – PCH2 TCA”. NF Eletrônica nº 00000289, emitida em 25/11/2008, acompnhada da Proposta Comercial nº 230/08, cujo assunto é “Proposta Comercial para execução dos serviços de reparos em válvula de controle 6” x 600# RP 520 da plataforma de PCH2”. Às fl. 1.137 juntou a Ordem de Compra nº 003094, referente à Proposta Comercial da Interessada 230/08, sendo a especificação técnica de “Serviço de Reparo em Válvula de Controle FV Anti Surge 1º Estágio – Globo Não balanceada 6” x 600# OBS: Atende Projeto O&M – PCH2 RP 520”. NF Eletrônica nº 00000310, emitida em 10/12/2008, acompanhada da Proposta Comercial para serviços de Inspeção Periódica NR13 em equipamento do TCA da plataforma de PPM1”. Às fl. 1.141 juntou a Ordem de Compra nº 003220, referente à Proposta Comercial da Interessada 227/08 Revisão A de 26/11/2008, sendo a especificação técnica de “Serviço de Inspeção Periódica NR13 em vasos Elevados de Óleo de Selagem 9VC0021001/ 02A OBS: Atende Projeto O&M – PPM1”. Com base em todos estes contratos, entendio que os mesmos não tem natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil, o que, afasta a possibilidade de utilização dos percentuais em questão de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL para estes serviços, devendo ser utilizado para todos o percentual de 32%. Cliente Turbomeca do Brasil Indústria e Comércio Ltda. do Brasil Ltda. (CNPJ 48.090.120/000153) NF Eletrônica nº 00000039, emitida em 28/01/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 206/07 Rev. C, cujo assunto é “Proposta Comercial para Execução de Serviços de Deslocamento e Pintura Interna da Curva de Admissão do TGC de PGP1”. Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.438 15 NF Eletrônica nº 00000109, emitida em 18/04/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 034/08, datada de 19/02/2008, cujo assunto é “Proposta Comercial para Aplicação na Pintura do Circuito de CO2 dos TC´S e TG´S de PPM1”. NF Eletrônica nº 00000111, emitida em 18/04/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 228/07 Rev. A (no topo da proposta está manuscrito que dela se originaram as faturas 37/111), datada de 30/11/2007, cujo assunto é “Proposta Comercial para Execução de Serviços de Saneamento de Pendências das RTI’s e dos TC’s de PPM1”. Com base nos conceitos definidos na IN SRP nº 3, de 2005, os serviços ora em análise de aplicação de pintura nos Turbo Geradores e Turbo Compressores da Palaforma de Pampo(PPM1) e nos Turbo Compressores A, B e C da Plataforma de Pampo (PPM1) não têm natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil, o que, por si só, já é suficiente para afastar a possibilidade de utilização dos percentuais em questão de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL para estes serviços, devendo ser utilizado para ambos o percentual de 32%. NF Eletrônica nº 00000335, emitida em 29/12/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 131/08 Revisão A (no topo da proposta está manuscrito que dela decorreram as notas fiscais 335/445/565, datada de 18/05/2009, cujo assunto é “Proposta Comercial para Execução de Serviços de Saneamento de Pendências das RTI’s dos TC’s e TG’s de PGP1”. Com base nos conceitos definidos na IN SRP nº 3, de 2005, os serviços ora em análise de saneamento de pendências dos Turbo Compressores e dos Turbo Geradores da Plataforma de Garoupa (PGP1) não têm natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil, o que, já é suficiente para afastar a possibilidade de utilização dos percentuais em questão de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL para estes serviços Cliente Caterpillar Brasil Ltda.(CNPJ 61.064.911/000258) NF Eletrônica nº 00000045, emitida em 01/02/2008, cuja discriminação dos serviços é a seguinte: “Serviço de Reparo em Atuadores da SDV01 / SDV02/ SDV 03/ BDV 02 Conforme nossa proposta 223/07 – Atividades 1, 2 e 3. Conforme sua OS 50283 e OSI 16865”. Às fls. 1.215 a 1.220, juntou a Proposta Comercial nº 264/07, é “Proposta Comercial para Prestação de Serviços de Reparo de Atuadores Pneumáticos”, sendo o Preço Total dos Serviços de R$ 9.190,00. Com base nos conceitos definidos na IN SRP nº 3, de 2005, o serviço ora em análise de reparo em atuadores pneumáticos não tem natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil, já afasta a possibilidade de utilização dos percentuais em questão de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL para estes serviços. Cliente Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás.(CNPJ 33.000.167/100750) NF Eletrônica nº 00000044, emitida em 01/02/2008, acompanhada da Proposta pa Contratação de Pequenos Serviços nº 20070341, cujo objeto é o de “Delineamento e Reparo no Casulo do TCA” da plataforma Petrobrás XXVII (P27). Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 16 Com base nos conceitos definidos na IN SRP nº 3, de 2005, o serviço ora em análise no Turbo Compressor A da Plataforma P27 não tem natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil, o que, por si só, já é suficiente para afastar a possibilidade de utilização dos percentuais em questão de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL para estes serviços, devendo ser utilizado para ambos o percentual de 32%. NF Eletrônica nº 00000253, emitida em 07/10/2008, no valor de R$ 47.135,03 (fls.1239), cuja discriminação dos serviços é a seguinte: “Serviço de Instalação de Transmissores de Vazão, Pressão e Temperatura, Painel, Pedestais e Cabos com Materiais de Aplicação em P31 Conforme Contrato Nº 1003536148 Conforme sua Autorização de Serviço – AS 20082698”. Às fls. 1.240 a 1.247, juntou a Solicitação de Proposta para Contratação de Pequenos Serviços nº 20082698, emitida 25/06/2008, cujo objeto é o de “Serviço de instalação de transmissores de vazão, pressão e temperatura, painel pedestais e cabos, conforme descrito nos desenhos anexos, pertencentes ao sistema de detecção de vazamentos” da plataforma P31 offshore. Com base nos conceitos definidos na IN SRP nº 3, de 2005, o serviço ora em análise no Turbo Compressor A da Plataforma P27 não tem natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil e no sistema de detecção de vazamentos da Plataforma P31 não tem natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil, o que, afasta a possibilidade de utilização dos percentuais em questão de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL para estes serviços Portanto, após analisar a legislação que rege a matéria e todas as Notas Fiscais acarreadas aos autos, as quais dariam suporte ao uso que fez dos percentuais em questão de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, cheguei à conclusão de que o percentual utilizado pela fiscalização no presente caso é o correto. Sendo assim, todas as Notas Fiscais anexadas pela Recorrente, inclusive as que não foram combatidas diretamente neste voto, têm o mesmo padrão, uma vez que a discriminação dos serviços nelas é similar e não se enquadram nos conceitos definidos na IN SRP nº 3, de 2005. Não tendo a natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil, devendo, por isso, ser utilizado para todas elas o percentual de 32% que é a regra geral. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter integralmente os lançamentos do IRPJ e da CSLL. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.439 17 Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10218.000015/2007-61
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF. DIRF CENTRALIZADA PELA MATRIZ. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRPF COM RENDIMENTOS PAGOS PELA FILIAL E INFORMADOS PELA MATRIZ. REDUÇÃO DO VALOR LANÇADO COMO OMISSÃO.
Comprovado que o lançamento computou como rendimentos omitidos os valores informados pela fonte pagadora de forma centralizada sem reduzir o quanto foi declarado tempestivamente pelo contribuinte como pagos pela filial, deve-se excluir da base de cálculo do lançamento esse último valor.
LANÇAMENTO NOTIFICADO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO.
A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reduzir a base de cálculo da omissão de rendimentos para R$12.700,00 (doze mil e setecentos reais), nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 10/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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DIRF CENTRALIZADA PELA MATRIZ. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRPF COM RENDIMENTOS PAGOS PELA FILIAL E INFORMADOS PELA MATRIZ. REDUÇÃO DO VALOR LANÇADO COMO OMISSÃO. Comprovado que o lançamento computou como rendimentos omitidos os valores informados pela fonte pagadora de forma centralizada sem reduzir o quanto foi declarado tempestivamente pelo contribuinte como pagos pela filial, devese excluir da base de cálculo do lançamento esse último valor. LANÇAMENTO NOTIFICADO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reduzir a base de cálculo da omissão de rendimentos para R$12.700,00 (doze mil e setecentos reais), nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 00 15 /2 00 7- 61 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM: 10/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fl. 6 a 12, relativo a Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, exercício 2002, anocalendário 2001, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, em razão da apuração de omissão de rendimentos recebidos da Companhia Vale do Rio Doce, no valor de R$43.130,51 e do aumento do desconto simplificado para R$8.000,00 e do Imposto de Renda Retido na Fonte para R$7.929,75, em razão da inclusão do IRRF sobre os rendimentos omitidos. Na impugnação alegouse que houve dupla incidência sobre fato gerador idêntico, pois os rendimentos apontados no auto de infração, em parte, são os mesmos especificados na Declaração de Ajuste Anual. A impugnação foi indeferida por acórdão que, em síntese, teve por fundamento a não comprovação pelo sujeito passivo de que não houve a omissão de rendimentos. Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 04/11/2009, o contribuinte apresentou, em 04/12/2009, recurso voluntário de fls. 25 a 28, acompanhado dos documentos de fls. 29 a 37. As razões recursais, em resumo são: 1. A fiscalização apurou omissão de rendimentos tomando por base a DIRF entregue pela Companhia Vale do Rio Doce, CNPJ 33.592.510/000154, na qual consta o pagamento feito ao contribuinte, no montante de R$43.130,51, sem observar que na Declaração de Ajuste Anual foi informado R$30.430,31, de rendimentos recebidos da Companhia Vale do Rio Doce, CNPJ 33.592.510/037074, no entanto, deixou de observar se a fonte pagadora Companhia Vale do Rio Doce, CNPJ 33.592.510/037074, entregou DIRF, no valor de R$30.430,31, ou ainda, a possibilidade de erro na Declaração de Ajuste apresenta pelo contribuinte. 2. a fonte pagadora, Companhia Vale do Rio Doce, havia centralizado todas as atividades financeiras na sua Matriz, com sede na cidade de Rio de Janeiro, enviando as informações fiscais no CNPJ 33.592.510/000154, da Matriz e informando o valor dos pagamentos e rendimentos de todos os seus prestadores de serviço, no anocalendário 2001. 3. Como não havia recebido o comprovante de rendimentos da Matriz, na ocasião, e já havia entregue a Declaração de Ajuste Anual, deixou de apresentar retificadora, alterando o valor dos rendimentos declarados de R$30.430,51 para R$43.130,51, e o CNPJ 33.592.510/037074 para CNPJ 33.592.510/000154. 4. afirma ter anexado os seguintes documentos: (a) Procuração; (b) Declaração de ajuste Anual Simplificada, referente ao anocalendário 2001, retificando os Fl. 99DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10218.000015/200761 Acórdão n.º 2802003.262 S2TE02 Fl. 99 3 valores e CNPJ da fonte pagadora; (c) extrato emitido pela Companhia Vale do Rio Doce, informando a existência do pagamento pelo CNPJ 33.592.510/000154, no valor de R$43.130,51, no ano calendário de 2001; e (d) extrato do Bradesco, Agência 13889, conta corrente nº 80063, única conta bancária do contribuinte, onde recebe os valores pagos pelos serviços prestados à Companhia Vale do Rio Doce, referente ao período de 01/01/2001 a 31/12/2001, comprovando a existência do valor acima creditado; e 5. requereu que fosse aceita a retificadora e refeitos os cálculos da restituição, considerando os valores retidos à época. O processo foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária desta Segunda Câmara que converteu o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 2202000.494, de 18/06/2013, a fim de que a autoridade preparadora: 1. juntasse cópia da Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2001 que serviu de base para o lançamento e de todas as DIRF em que o contribuinte aparece como beneficiário, no mesmo ano; 2. intimação da Companhia Vale do Rio Doce para informar o total dos rendimentos tributáveis pagos ao contribuinte e o respectivo imposto de renda retido na fonte, esclarecendo se houve ou não a centralização dos pagamentos na matriz; e 3. cientificação do recorrente do relatório elaborado pela fiscalização para se manifestar, se assim o desejar, no prazo de 30 dias. As declarações solicitadas e cópia do comprovante de rendimentos apresentados pela fonte pagadora foram juntadas (fls. 60/70 e fls. 72/79). No relatório fiscal foi registrado que consta no documento apresentado pela fonte pagadora que, no anocalendário 2001, o recorrente auferiu rendimentos tributáveis no valor total de R$ 43.130,51, tendo sido retido na fonte o valor de R$ 4.052,05; e que houve a centralização dos pagamentos na matriz da empresa (CNPJ 33.592.510/000154). O recorrente foi cientificado em 25/10/2013, porém não se manifestou. Em razão de a Relatora original não mais integrar o CARF, o processo foi distribuídos a este Relator, por sorteio, durante a sessão de abril de 2014. Verificado que a DRF anexou a DIRPF do exercício 2001 e não do ano calendário 2001, o processo foi devolvido para saneamento (fls. 86), do que resultou juntada da Declaração de Ajuste Anual às fls. 88/95. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Fl. 100DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Os documentos juntados, notadamente às fls. 72/74 demonstram que o recorrente recebeu rendimentos da Companhia Vale do Rio Doce no valor de R$43.130,51 com IRRF de R$4.052,05, o que foi informado pela fonte pagadora de forma centralizada no CNPJ da matriz. Por outro lado, o contribuinte informou R$30.430,31 de rendimentos tributáveis recebidos da mesma empresa porém no CNPJ da filial (fls. 89), valores estes que não foram levados em conta por ocasião do lançamento. Dessa forma, somente se admite como omissão de rendimentos a diferença entre os R$43.130,51 informado pela fonte pagadora de forma centralizada – e não contestado pelo recorrente – e os R$30.430,31 que foi declarado tempestivamente. Indeferese o pedido de aceitação da declaração retificadora posto ser vedado retificar a Declaração de Ajuste Anual após a notificação do lançamento (§1º do art. 147 do CTN). Não obstante, registrase que o pedido para aumentar o valor do desconto simplificado e do IRRF é inócuo pois a autoridade lançadora já adotou esses procedimentos. Portanto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário tão só para reduzir a omissão de rendimentos para R$12.700,00 (doze mil e setecentos reais). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 101DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.008352/2004-19
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. CONCEITO QUE NÃO ABRANGE SERVIÇO MÉDICO DE EMPRESA PÚBLICA.
Serviço médico oficial é o que integra órgão público federal, estadual, distrital ou municipal, na qualidade de pessoa jurídica de direito público interno, autarquia e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público. Nesse conceito não se incluem Empresas Públicas.
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. CONCEITO QUE NÃO ABRANGE ATESTADO MÉDICO SEM INDICAÇÃO DO SIGNATÁRIO E SEU CRM.
Atestado cujo signatário não identificou seu CRM nem seu nome não atende ao conceito legal de laudo pericial.
IRPF. RECLASSIFICAÇÃO DE RENDIMENTOS. APRESENTAÇÃO DE LAUDO EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO MENCIONADO DE FORMA EXEMPLIFICATIVA COMO HÁBIL PARA FINS DE ISENÇÃO EM ORIENTAÇÃO DO CENTRO DE ATENDIMENTO AO CONTRIBUINTE - CAC. EXIGÊNCIA DE NOVO LAUDO QUANDO A CONTRIBUINTE JÁ ESTAVA FALECIDA. PECULIARIDADE DO CASO CONCRETO. PRÁTICA REITERADA DE AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. EXCLUSÃO DE MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA.
Tendo o Centro de Atendimento ao Contribuinte - CAC fornecidos informativos orientando os contribuintes, de forma exemplificativa, quais Serviços Médicos poderiam fornecer laudos hábeis para fins da isenção, conjugado com a impossibilidade de fornecer novo laudo, quando exigido pela autoridade fiscal, em razão de falecimento, caracteriza-se a observância de prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas, que implica a exclusão de penalidade e cobrança de juros de mora.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício e os juros de mora, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON acompanhou o relator pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 10/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. CONCEITO QUE NÃO ABRANGE SERVIÇO MÉDICO DE EMPRESA PÚBLICA. Serviço médico oficial é o que integra órgão público federal, estadual, distrital ou municipal, na qualidade de pessoa jurídica de direito público interno, autarquia e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público. Nesse conceito não se incluem Empresas Públicas. IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. CONCEITO QUE NÃO ABRANGE ATESTADO MÉDICO SEM INDICAÇÃO DO SIGNATÁRIO E SEU CRM. Atestado cujo signatário não identificou seu CRM nem seu nome não atende ao conceito legal de laudo pericial. IRPF. RECLASSIFICAÇÃO DE RENDIMENTOS. APRESENTAÇÃO DE LAUDO EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO MENCIONADO DE FORMA EXEMPLIFICATIVA COMO HÁBIL PARA FINS DE ISENÇÃO EM ORIENTAÇÃO DO CENTRO DE ATENDIMENTO AO CONTRIBUINTE CAC. EXIGÊNCIA DE NOVO LAUDO QUANDO A CONTRIBUINTE JÁ ESTAVA FALECIDA. PECULIARIDADE DO CASO CONCRETO. 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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício e os juros de mora, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON acompanhou o relator pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 10/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório O processo retorna a esta turma Julgadora em razão de o acórdão 9202 003.160, de 07/05/2014, pelo voto de qualidade, ter afastado a nulidade que houvera sido declarada no Acórdão 280201.018, de 28 de setembro de 2011, determinando a apreciação das demais matérias. Ao cancelar o lançamento sob fundamento de erro na identificação do sujeito passivo, esta Turma Julgadora não apreciou outras alegações, relatadas às fls. 74/75, que podem ser resumidas como o reconhecimento de que os rendimentos objeto da autuação são isentos em razão de moléstia grave de que era acometido o de cujus. Extraise do relatório daquele acórdão as alegações do recorrente (espólio). Na peça recursal, o representante do de cujus informando inexistir dispositivo que esclareça o termo "Oficial", utilizado na legislação que exige a comprovação de ser portador de moléstia grave para se beneficiar da isenção do imposto de renda, através da apresentação de laudo pericial emitido por "serviço medico oficial" ligado a qualquer ente federativo ressalva: "O Hospital de Clinicas de Porto Alegre é uma Empresa Pública, criada pela Lei 5.604, de 2 de setembro de 1970. Integrante da rede de hospitais universitários do Ministério da Educação, e vinculado academicamente a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), o HCPA nasceu com a missão de oferecer serviços assistenciais à comunidade gaúcha, ser área de ensino para a Universidade e promover a realizações de pesquisas cientificas e tecnológicas. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.008352/200419 Acórdão n.º 2802003.263 S2TE02 Fl. 123 3 Em razão de sua natureza e vinculação ao Governo Federal, a referida instituição está sujeita aos ditames legais atinentes aos entes públicos: realiza licitações e concursos públicos quando da necessidade de contratação de serviços, produtos e ampliação ou renovação de seu quadro de funcionários. Nesta senda, impera a necessidade de reconhecer a instituição médica contatada pela contribuinte como sendo entidade oficial, inegavelmente vinculada à administração pública federal. A aptidão e idoneidade do referido hospital para servir como produtor de laudo médico pericial é indubitável, posto que o mesmo está diretamente ligado ao Governo Federal, revestindose dos adjetivos próprios daquilo que se entenda por "oficial". O recorrente também alegou ter recebido essa orientação em consulta à. central de atendimento (fl. 79) e que a causa mortis da excontribuinte tem relação direta com o diagnosticado no laudo, razão pelo que requereu a procedência do recurso. O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de setembro de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Foram reclassificados rendimentos declarados como isentos para rendimentos tributáveis e o litígio trata da aptidão ou não do laudo de fls. 18, emitido pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre, empresa pública, para fins de isenção de portadores de moléstia grave. Ponto relevante é a orientação divulgada pelo CAC de Porto Alegre juntada às fls. 19, o qual descreveu: “Providenciar laudo médico fornecido por serviço médico oficial prestado por órgãos da administração direta dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário da União, dos estados (por exemplo, postos de saúde),, do Distrito Federal e dos Municípios (por exemplo, postos de saúde), bem como por suas autarquias e fundações (por exemplo, Hospital de Clínicas de Porto Alegre). Não é necessária junta médica, basta um médico reconhecer a doença.” (fls. 19, grifos acrescentados) Notase que o documento básico que sustenta o recurso voluntário é um atestado emitido em papel timbrado do HCPA, que sequer contém indicação do seu signatário. Como questão central, discutese o conteúdo dos termos usados no art. 30 da Lei 9.250, de 1995: laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Seria o documento de fls. 18 um laudo pericial? A resposta é negativa. Não é um laudo pericial, é um atestado cujo signatário não se identificou, sequer o CRM foi mencionado. O documento de fls. 18 foi emitido por serviço médico oficial? O recorrente demonstrou que o HCPA é vinculado academicamente à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, isso não o torna um Serviço Médico Oficial daquele Estado. E ser integrante da rede de hospitais universitários do Ministério da Educação também não lhe assegura a qualificação de serviço médico oficial da União. O fato de o HCPA estar sujeito a normas de licitação típicas dos entes públicos não acarreta qualquer efeito em relação à isenção. A resposta também é negativa. O recorrente demonstra que o Hospital de Clínicas de Porto Alegre é uma empresa pública, pessoa jurídica de direito privado, a natureza de ente de direito privado faz com que não possa ser considerado um Serviço Médico Oficial do Estado do Rio Grande do Sul nem do Serviço Médico da União. Serviço médico oficial é o que integra órgão público federal, estadual, distrital ou municipal, na qualidade de pessoa jurídica de direito público interno, autarquia e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público. Nesse conceito não se incluem Empresas Públicas. A causa da morte da contribuinte não é fato que substitua o laudo previsto em lei, nesse ponto o aresto recorrido não merece reparo. Não foi, portanto, atendido o requisito legal para o reconhecimento da isenção. Todavia, não se pode ignorar que ao ser exigida a comprovação com laudo pericial emitido por serviço médico oficial, a contribuinte já havia falecido. Assim, tornase mais relevante ainda a existência da orientação do CAC que exemplificava o HCPA como um dos órgãos que poderia fornecerlhe o laudo médico, naquele informativo o CAC incluiu o HCPA no conceito de autarquia ou fundação. O fato de não haver data naquele informativo – anotado no acórdão recorrido – não é suficiente para desqualificar o Folheto como instrumento de divulgação de orientação de caráter abstrato a todos os contribuintes que buscassem orientação da Receita Federal. Observase que ao juntar aos autos orientação do CAC tida como a atual – a DRJ também se utiliza do mesmo meio que o contribuinte, qual seja, um informativo sem data. Não se trata de falha de instrução de um ou de outro, e sim o reconhecimento de que esse tipo de orientação prestada aos contribuintes indistintamente pelo CAC é feito sem o rigor de indicar a data de expedição ou período de validade. A assertiva do acórdão recorrido confirma que, ao buscar laudo do HCPA, agira em conformidade com a orientação do CAC. Não é correta a premissa – desacompanhada de prova de que a orientação do CAC decorreu de interpretação de Solução de Consulta restrita ao caso concreto daquele questionamento. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.008352/200419 Acórdão n.º 2802003.263 S2TE02 Fl. 124 5 A orientação dada pelos CAC ordinariamente são verbais, a confecção e divulgação de informativos impressos implica reconhecer que, no caso dos autos, a orientação de fls. 19, tem natureza de uma prática reiterada da autoridade administrativa no sentido de admitir o laudo do HCPA para comprovação da isenção. O fato de o CAC prestar orientação equivocada não autoriza o reconhecimento de uma isenção, contudo, está comprovado nos autos que a contribuinte observou uma prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas, que por força do parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional CTN implica a exclusão de penalidade e cobrança de juros de mora. Portanto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício e os juros de mora. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 126DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004857/2005-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000
OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. A configuração do passivo fictício não se dá com a data do efetivo recebimento da obrigação pelo credor, mas sim no encerramento do período de apuração, quando se constata que o resultado apresenta valores no passivo referentes a obrigações já quitadas. Inexistente obrigação registrada na contabilidade do contribuinte ao final do período de apuração ausente prova capaz de desconstituir a presunção da fiscalização, correto o lançamento.
IRRF. INCIDÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO A TERCEIRO E NÃO COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU DE SUA CAUSA. Nos casos em que a autuação tem como fundamento a utilização de documentação inidônea para comprovação de custos ou despesas, a não comprovação da efetiva prestação do serviço justifica o lançamento.
Numero da decisão: 9101-001.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recuso da Fazenda Nacional. Em relação a multa isolada, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - RELATOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, JOSÉ RICARDO DA SILVA, FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, VALMAR FONSECA DE MENEZES, VALMIR SANDRI, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), SUSY GOMES HOFFMANN (Vice-Presidente).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000 OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. A configuração do passivo fictício não se dá com a data do efetivo recebimento da obrigação pelo credor, mas sim no encerramento do período de apuração, quando se constata que o resultado apresenta valores no passivo referentes a obrigações já quitadas. Inexistente obrigação registrada na contabilidade do contribuinte ao final do período de apuração ausente prova capaz de desconstituir a presunção da fiscalização, correto o lançamento. IRRF. INCIDÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO A TERCEIRO E NÃO COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU DE SUA CAUSA. Nos casos em que a autuação tem como fundamento a utilização de documentação inidônea para comprovação de custos ou despesas, a não comprovação da efetiva prestação do serviço justifica o lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recuso da Fazenda Nacional. Em relação a multa isolada, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - RELATOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, JOSÉ RICARDO DA SILVA, FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, VALMAR FONSECA DE MENEZES, VALMIR SANDRI, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), SUSY GOMES HOFFMANN (Vice-Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-03-04T18:37:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-03-04T18:37:45Z; Last-Modified: 2015-03-04T18:37:45Z; dcterms:modified: 2015-03-04T18:37:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:424ff4a8-423c-4e4b-a571-02dbb8c64e9f; Last-Save-Date: 2015-03-04T18:37:45Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-03-04T18:37:45Z; meta:save-date: 2015-03-04T18:37:45Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-03-04T18:37:45Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-03-04T18:37:45Z; created: 2015-03-04T18:37:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2015-03-04T18:37:45Z; pdf:charsPerPage: 2002; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-03-04T18:37:45Z | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.992 1 1.991 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.004857/200501 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.805 – 1ª Turma Sessão de 19 de novembro de 2013 Matéria IRPJ e outros Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONSTRUTORA SIMOSOLTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000 OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. A configuração do passivo fictício não se dá com a data do efetivo recebimento da obrigação pelo credor, mas sim no encerramento do período de apuração, quando se constata que o resultado apresenta valores no passivo referentes a obrigações já quitadas. Inexistente obrigação registrada na contabilidade do contribuinte ao final do período de apuração ausente prova capaz de desconstituir a presunção da fiscalização, correto o lançamento. IRRF. INCIDÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO A TERCEIRO E NÃO COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU DE SUA CAUSA. Nos casos em que a autuação tem como fundamento a utilização de documentação inidônea para comprovação de custos ou despesas, a não comprovação da efetiva prestação do serviço justifica o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recuso da Fazenda Nacional. Em relação a multa isolada, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 48 57 /2 00 5- 01 Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, JOSÉ RICARDO DA SILVA, FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, VALMAR FONSECA DE MENEZES, VALMIR SANDRI, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), SUSY GOMES HOFFMANN (VicePresidente). Relatório Tratase de Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional (fls.1590/1608) e pelo Contribuinte (fls.1789/1819) contra o acórdão nº 10322.889 proferido pelos membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, acordaram em: (a) acolher a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário para os fatos geradores ocorridos até o 3º trimestre de 2000, inclusive, para os itens 001, 002 e 006 do auto de infração (art. 150, § 4º do CTN); (b) acolher a mesma preliminar para os fatos geradores até o 3º trimestre de 1999, inclusive, para os itens 004 e 005 do auto de infração (art. 173 do CTN), (c ) dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação as verbas autuadas a título de: 1) "juros", no item 002 do auto de infração; 2) "passivo fictício", item 003, do auto de infração, 3) reduzir a multa de lançamento "ex officio" majorada , de 150% (cento e cinqüenta por cento) ao seu percentual normal de 75% (setenta e cinco por cento), em relação aos itens 001, 002, 006 e 007 do auto de infração, 4) ajustar os prejuízos fiscais compensáveis, item 007 do auto de infração, em função do decidido neste acórdão, 5) ajustar as exigências reflexas da CSLL, PIS e COFINS em função do decidido em relação ao IRPJ e 6) excluir a exigência do IRF. O presente processo é decorrente de Auto de Infração lavrado em 06/10/2005 para constituição de crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativamente aos anos de 1999 a 2004, em razão da constatação das seguintes infrações, conforme fatos descritos no auto de infração às fls. 47/142: “(001) OMISSÃO DE RECEITAS PCM PLANO COMUNITÁRIO MUNICIPAL. (...) (002) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. Art. 42 LEI 9.430/96 (LUCRO REAL TRIMESTRAL 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004). (...) (003) — OMISSÃO DE RECEITAS — PASSIVO FICTÍCIO 003.1 DA MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÕES JA PAGAS. Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10830.004857/200501 Acórdão n.º 9101001.805 CSRFT1 Fl. 1.993 3 62. Constatamos a existência de registros contábeis indicando a manutenção de obrigações já pagas, identificadas nas PLANILHAS INFRAÇÃO 003. 63. Os fornecedores nessa situação são os seguintes: • DARK OIL do Brasil Ltda, CNPJ 00.479.759/000107; •CDC Central Distribuidora de Cimento Ltda., CNPJ 72.964.109/0001 50; • AUTO POSTO PIMENTA Ltda., CNPJ 53.668.398/000103; • AUTO POSTO MONTREAIME LTDA, CNPJ 03.877.613/000108; • RVM RETALHISTA DE COMBUSTÍVEIS S/A, CNPJ 69.193.530/000108; • ESCHER GALLO & CIA LTDA, CNPJ 03.602.639/000135; 64. Conforme apurado e relatado em Relatórios de diligências efetuadas nesses fornecedores, não foram encontradas irregularidades na efetividade das operações, porém trataramse de transações feitas à vista, com pagamento no ato, ou a prazo. 65. Embora na diligenciada as referidas Notas Fiscais tenham sido quitadas a vista ou dentro do prazo concedido, na Construtora Simoso a situação era a seguinte: • As compras à vista (PLANILHAS INFRAÇÃO 003) eram contabilizadas como se fossem compras a prazo, permanecendo em seu passivo exigível por longo prazo de tempo; • No caso das compras a prazo (RVM PLANILHAS INFRAÇÃO 003), estas permaneciam em aberto em seu passivo mesmo após a sua liquidação; 66. Como a Construtora Simoso Ltda. contabilizou estas compras como sendo (à prazo, mantendoas em aberto após o período de apuração do IRPJ e da CSLL em que foram pagas, podemos presumir, com respaldo no artigo 281, inciso III do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/1.999 (RIR/99), tratarse de compras pagas com recursos provenientes de omissão de receitas. 67. Em 29/06/2005, a fiscalizada foi intimada a comprovar o efetivo pagamento das referidas notas fiscais constantes das PLANILHAS INFRAÇÃO 003, não logrando êxito em efetuar essa comprovação dos pagamentos nas datas consignadas em sua contabilidade. 68. Considerando que os fornecedores contabilizaram as Notas Fiscais elencadas nas PLANILHAS INFRAÇÃO 003 e declararam tratarse de vendas à vista ou vendas a prazo com efetivo recebimento em data Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 4 bastante anterior ao contabilizado pela fiscalizada e que esta manteve tais obrigações no passivo exigível da empresa, após o encerramento dos respectivos períodos de apuração, ficando constatada a existência de "PASSIVO FICTÍCIO", caracterizandose como OMISSÃO DE RECEITAS, com fundamento no art. 281, inciso III do RIR/99. 003.2 DA MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÕES INEXISTENTES 69. Constatamos a existência de registros contábeis indicando a manutenção de obrigações cuja exigibilidade não foi comprovada, identificadas nas PLANILHAS INFRAÇÃO 003, para a empresa: • PAULITEC CONSTRUÇÕES LTDA., CNPJ 49.437.809/000174 70. Em diligência junto à empresa Paulitec Construções Ltda., esta negou a existência dos direitos creditórios junto à Construtora Simoso Ltda., fato este corroborado por sua escrituração contábil. 71. Intimada, em 29/06/2005, a fiscalizada não logrou êxito em esclarecer a real natureza das operações e tampouco comprovou a existência daquelas obrigações junto Paulitec Construções Ltda. 72. Como fato, temos a manutenção, no passivo da Construtora Simoso Ltda, dos débitos constantes das PLANILHAS INFRAÇÃO 003, pretensamente devidos à Paulitec Construções Ltda., cuja exigibilidade não foi comprovada, o que também autoriza a presunção legal de omissão de receitas, com fundamento no artigo 281, inciso III, do RIR/99. 73. Essa infração gerou autuações reflexas para as contribuições PIS, COFINS e CSLL. (...) (004) GLOSA DE DESPESAS – PAGAMENTO SEM CAUSA – “NOTAS FRIAS”. Falta de comprovação da operação, indedutibilidade. Pagamento a beneficiário não identificado. Despesas registradas com base em “notas fiscais frias”. 74. Dentre as notas fiscais que estavam registradas no já mencionado sistema "SIA", com vencimentos para 31/12/2000, encontramos Notas Fiscais emitidas pelas seguintes empresas: IPANEMA Representações e Serviços Ltda., LIDERANÇA JORNALÍSTICA Ltda., REPRESENTAÇÕES ARARY S/C Ltda., SCM Representações Ltda., /PLANALTO IMÓVEIS S/C LTDA. E INCORPAVI Incorporação e Pavimentação e Locação Ltda. 75. Das empresas arroladas, as cinco primeiras tinham seu endereço localizado na cidade de Araras SP, e tinham em comum o sócio proprietário, Sr. Sebastião Carlos Mazzon, CPF 148.118.20800, atualmente residindo naquela cidade. Cabe destacar que nos sistemas da Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10830.004857/200501 Acórdão n.º 9101001.805 CSRFT1 Fl. 1.994 5 Receita Federal do Brasil, o cadastro do CNPJ das empresas IPANEMA Representações e Serviços Ltda., REPRESENTAÇÕES ARARY S/C Ltda., SM Representações Ltda. e PLANALTO IMÓVEIS S/C LTDA. registra a situação de "INAPTAS" pelo motivo "OMISSAS NÃO LOCALIZADAS". No caso especifico da LIDERANÇA JORNALÍSTICA Ltda., esta sequer foi cadastrada no CNPJ (CNPJ INEXISTENTE). 76. A sexta empresa, INCORPAVI Incorporação e Pavimentação e Locação Ltda. tem como endereço cadastral a cidade de Bauru SP. 004.1 DAS EMITENTES DE NOTAS FISCAIS LOCALIZADAS NO MUNICÍPIO DE APARAS SP 77. Entre os anoscalendário 1999 e 2000, a fiscalizada se utilizou de Notas Fiscais emitidas pelas cinco empresas situadas em Araras SP, no montante total de R$ 2.762.464,45, com a finalidade de reduzir seus lucros e retirar recursos do caixa oficial da empresa. 78. Procurada pelos auditores fiscais da Receita Federal do Brasil, em seus respectivos endereços na cidade de Araras SP, foi constatado, através das diligências, que nenhuma delas chegou a operar nos endereços constantes nas Notas Fiscais e nos cadastros da Receita Federal, conforme Termos de Diligência lavrados especificamente para cada empresa diligenciada. 79. Constatouse ainda, através das diligências efetuadas, que as Notas Fiscais emitidas pelas empresas IPANEMA Representações e Serviços Ltda., LIDERANÇA JORNALÍSTICA Ltda., REPRESENTAÇÕES APART S/C Ltda., SM Representações Ltda. e PLANALTO IMÓVEIS S/C LTDA. são ideologicamente falsas, pois referidas empresas: não existiam de fato; Não possuíam, portanto, capacidade técnica e material para fornecer os serviços nelas descritos; Conforme declarações prestadas pelo próprio sócio proprietário e responsável legal pelas empresas (Sr. Sebastião Carlos Mazzon, CPF 148.118.20800), tomadas a termo, nunca foram prestados tais serviços, seja como pessoa física, seja através de suas empresas, bem como os valores constantes das notas fiscais nunca foram pagos pela Simoso, e nunca recebidos pelas mesmas ou pelos seus sócios; Encontramse na situação "omissa não localizada", nos cadastros da Secretaria da Receita Federal do Brasil. 80. No Termo de Depoimento prestado pelo sócio proprietário e responsável pelas cinco empresas de Araras às 11:00 do dia 19/04/2005, assinado na presença dos Auditores Fiscais responsáveis pela diligência, este afirmou que: Fl. 2000DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 6 a Realmente era sócio proprietário e responsável pelas referidas empresas; b Tinha como sócia a esposa, falecida há cerca de dois anos; c A empresa Construtora Simoso prestava vários serviços à Prefeitura Municipal de Araras, SP, bem como realizou empreendimentos imobiliários do tipo loteamento na cidade; d Por trabalhar como corretor de imóveis na cidade de Araras e por ser conhecido e ter um bom relacionamento com os funcionários da Prefeitura local, iniciou contatos com funcionários da referida construtora; e Entregou, a pedido dos representantes da Construtora, várias Notas Fiscais em branco, de todas as empresas das quais participava na sociedade (IPANEMA Representações e Serviços Ltda., LIDERANÇA JORNALÍSTICA Ltda., REPRESENTAÇÕES ARARY S/C Ltda., SCM Representações Ltda. e PLANALTO IMÓVEIS S/C LTDA.); f Especificamente, com relação as referidas Notas Fiscais de prestação de serviços, afirmou que nunca realizou quaisquer serviços para a citada construtora, bem como nunca recebeu qualquer valor da mesma, sejam os valores nominais das Notas Fiscais ou mesmo parte deles; g Era contatado, frequentemente, por telefone, sempre em horário noturno (por volta das 22:30 horas), pelo Sr. Diamantino Antonio, que representava a Construtora Simoso; h 0 Sr. Diamantino comunicavao sempre no período noturno, que no dia seguinte um emissário da empresa iria procurálo para colher assinaturas em faturas e duplicatas, as quais vinham sempre em branco e, por confiar na tradição da referida construtora, assinava os documentos que eram trazidos e levados pelos emissários da Construtora Simoso; i Nunca esteve na sede da empresa Construtora Simoso desconhece seu endereço e que os contatos eram realizados sempre h noite, por telefone, pelo Sr. Diamantino Antonio, sabendo inclusive que este residia na cidade de Campinas SP, e por vezes por um tal de Jackson; j Na verdade foi usado por gente da Construtora Simoso, não tendo tirado nenhum proveito da situação; k Não ficou com nenhuma das vias das referidas Notas Fiscais que eram preenchidas no escritório da Construtora Simoso; 1 Não possui mais nenhum documento das empresas de que era responsável e sócio; m Afirmou não possuir livros contábeis e fiscais das referidas empresas e que não fazia escrita por ser prestador de serviços; Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10830.004857/200501 Acórdão n.º 9101001.805 CSRFT1 Fl. 1.995 7 n Em determinada ocasião recebeu a visita de um auditor da Simoso, do qual não se lembra o nome, que afirmou que os procedimentos adotados estavam corretos e que não teria nenhuma outra consequencia; o FINALIZANDO, reafirmou que os valores contidos nas citadas Notas Fiscais nunca foram recebidos por ele, nem por sua esposa, ou pelas empresas emitentes. As referidas empresas, de que era sócio, nunca prestaram nenhum serviço à Construtora Simoso. Nunca recebeu quaisquer valores em retribuição h emissão das mencionadas Notas Fiscais. Foi usado pela Construtora Simoso. 81. Cabe destacar que parte dos pretensos pagamentos das Notas Fiscais deram entrada no CAIXA EX da empresa, conforme pode ser verificado nas PLANILHAS INFRAÇÃO 004 e PLANILHA INFRAÇÃO 006. 004.2 DAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS PELA INCORPAVI INCORPORAÇÃO E PAVIMENTAÇÃO E LOCAÇAO LTDA (SEDE EM BAURUSP). 82. No período de 11/2003 a 03/2004, a fiscalizada se utilizou de Notas Fiscais emitidas pela INCORPAVI Incorporação e Pavimentação e Locação Ltda., no montante total de R$ 1.250.558,80, com a finalidade de reduzir seus lucros e retirar recursos do caixa oficial da empresa. 83. Através de 'Diligência efetuada na cidade de Bauru, com o objetivo de verificar a existência da empresa INCORPAVI Incorporação e Pavimentação e Locação Ltda., bem como a veracidade das transações comerciais de que tratam as Notas Fiscais relacionadas nas PLANILHAS INFRAÇÃO 004, constatouse: • No endereço descrito como sendo da empresa a existência de um imóvel do tipo residencial, de padrão "humilde", a exemplo de todo o bairro, que se encontrava fechado, sem ninguém para prestar informações. Perguntado ao vizinho, o mesmo informou tratarse de um residência onde morava uma senhora e sua filha e que nos últimos seis anos jamais houvera empresa estabelecida naquele endereço; • Após intensas buscas, conforme relato do Termo de Diligência Fiscal de 20/04/2005, foi encontrado o Sr. Anisio Ferraz (CPF 557.657.348 04), sócio da INCORPAVI, na Multi Service Vigilância Ltda., empresa de vigilância de Bauru na qual ele é funcionário; • Afirmou o Sr. Anisio ter exercido em anos anteriores a profissão de moto taxista quando ficou conhecendo um freguês de nome Paulo Roberto Soares, para quem efetuou o transporte pessoal com certa frequência e exclusividade, em várias datas e lugares, dentro da cidade de Bauru; . O freguês Paulo lhe propôs que participasse de um negócio que lhe adviria algum dinheiro, bastando que lhe fornecesse os documentos Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 8 pessoais e assinasse um documento, não sabendo exatamente do que se tratava; • 0 Sr. Anisio disse desconhecer a existência da empresa INCORPAVI e também não saber onde ficava o endereço da empresa, bem como quaisquer talonários ou livros fiscais; 84. Finalmente, através dos trabalhos de Diligência Fiscal promovidos pela Delegacia da Receita Federal de Bauru, verificouse que a INCORPAVI Incorporação e Pavimentação Locação Ltda. foi constituída exclusivamente com fins espúrios, concluindose que as notas fiscais emitidas em favor da fiscalizada não refletem as operações comerciais nelas descritas, configurandose no que se denominou chamar de "NOTAS FRIAS". 004.3 DAS JUSTIFICATIVAS APRESENTADAS PELA FISCALIZADA 85. Em 29/06/2005, foi lavrado Termo de Intimação, solicitandose a fiscalizada, em relação as Notas Fiscais emitidas pelas empresas com endereço em Araras SP e pela INCORPAVI: • Comprovar a necessidade e a efetiva prestação dos serviços descritos nas notas fiscais relacionadas em anexo; • Comprovar o efetivo pagamento dos fornecimentos constantes das notas fiscais acima mencionadas. Se o pagamento foi efetuado por cheque, apresentar microfilme dos cheques (frente e verso), utilizados para sua liquidação. 86. Em resposta datada de 26/08/2005, a fiscalizada, quanto as empresas situadas em Araras: • Afirma, através de seu representante legal, que todos os serviços constantes nas referidas Notas Fiscais foram prestados, porém, não apresentou documentação hábil e idônea que comprovasse tal afirmativa; • Alegou que teria feito o pagamento das Notas Fiscais através de saques da conta corrente 16343, mantida no Banco Banespa, feitos em nome dos sócios e da diretoria, porém, não apresentou comprovação quanto a essa alegação; 87. Assim sendo, quanto as empresas situadas em Araras, a fiscalizada não logrou comprovar a efetiva prestação dos serviços descritos nas citadas notas fiscais e nem tampouco comprovou o efetivo pagamento dos serviços pretensamente prestados. 88. Ainda na resposta datada de 26/08/2005, a fiscalizada informa, quanto à empresa INCORPAVI: "As despesas vinculavas a essa empresa, por ocasião da denúncia espontânea apresentada 06/10/2004, foram oferecidas à tributação Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10830.004857/200501 Acórdão n.º 9101001.805 CSRFT1 Fl. 1.996 9 conforme demonstra o quadro de apuração do PCM, no quarto trimestre de 2003 e no primeiro de 2004, já em poder desta fiscalização." 004.4 DA CONCLUSÃO 91. Constatamos a ocorrência de inúmeros registros contábeis, suportados por documentos inidôneos, fornecidos por empresas inexistentes de fato, o que se convencionou chamar de "notas frias", conforme relatórios de diligências anexos, que relatam a situação de cada uma das empresas emitentes dos referidos documentos. Os pagamentos dessas "Notas Frias" efetuadas com recursos escriturados na contabilidade oficial da fiscalizada configuramse como PAGAMENTOS SEM CAUSA e a BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. 92. Os documentos nesta situação são os dispostos nas PLANILHAS INFRAÇÃO 004. 93. A vista do exposto, estamos glosando as despesas acima e lançando, o IRPJ e a CSLL, sobre os valores glosados, juntamente com seus acréscimos legais, com a multa de oficio de 150%, prevista no artigo 957, inciso II, tendo em vista o evidente intuito de fraude. 94. Por se tratar de PAGAMENTO SEM CAUSA, farseá também o lançamento do IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte) à alíquota de 35% sobre a base de cálculo reajustada, conforme previsto no artigo 674, e 725 do RIR/99. (...) (005) GLOSA DE DESPESAS PAGAMENTO SEM CAUSA "NOTAS DE FAVOR". Falta de comprovação da operação, indedutibilidade. Pagamento a beneficiário não identificado. Despesas registradas com base em “notas fiscais de favor”. (...) (006) OMISSÃO DE RECEITAS "CAIXA 2". RECEITAS CONTROLADAS PARALELAMENTE A. CONTABILIDADE ATRAVÉS DE CAIXA 2. (...)” O contribuinte apresentou Recurso Especial de divergência com fundamento no artigo 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela MF 147 de junho de 2007, contra a parte do acórdão que: (i) não reconheceu a denúncia espontânea e (ii) manteve a qualificação da multa. Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 10 Primeiramente, apresentou argumento relativo à denúncia espontânea e afirmou que, no caso, não havia impedimento para o recolhimento dos tributos com os benefícios do art. 138 do CTN, razão pela qual inaplicável a multa de ofício. Trouxe como paradigma os acórdãos nº 10422.145 e 10806.937. Ademais, contestou a manutenção da multa aplicada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), afirmando que a aplicação da multa qualificada exige prova da existência da fraude produzida pelo Fisco, o que não é caso dos autos. Nesse ponto trouxe como paradigma os acórdãos nº 101 95.141 e 10192.454. Em sede de exame de admissibilidade (fls. 1935/1943), foi negado seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte, sob o fundamento de que os acórdãos apresentados como paradigmas não demonstraram a divergência de interpretação de lei tributária entre Câmaras do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial com fundamento no artigo 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela MF 147 de junho de 2007. Insurgiuse a Procuradoria da Fazenda Nacional contra a decisão que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso quanto: (i) redução da multa qualificada, (ii) passivo fictício e (iii) exclusão do IRRF. Primeiramente, quanto à multa qualificada afirmou que o acórdão recorrido contrariou o disposto no artigo 44, II, da Lei 9.430, de 1996, pois, no caso, o contribuinte, ao não informar seu faturamento ao Fisco, procurou impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador do tributo, agindo, portanto, com evidente intuito de fraude. Ademais, quanto a existência do passivo fictício decorrente da constatação de irregularidades da contabilidade da contribuinte, pois foram registradas operações com pagamento à prazo, enquanto em diligência apurouse que o pagamento de tais operações foi à vista, afirmou que o acórdão recorrido contrariou o disposto no art. 281 do RIR/99, bem como do art. 40 da Lei n° 9.430/96. Transcreveu trecho do voto que, nesse contexto, merece reforma: “Para que prospere a autuação a título de omissão de receita caracterizada pela manutenção no passivo da obrigação já paga, não basta que da nota fiscal conste que a compra foi à vista, sendo essencial a prova de que a obrigação foi liquidada antes da data do encerramento do período de apuração. Inexistindo, como inexiste no caso essa prova, não pode prosperar a exigência. De outra parte, não podem ser tidas como inexistentes obrigações decorrentes de contrato, ainda que esse contrato seja de sociedade em conta de participação, contraídas pela sócia oculta perante a sócia ostensiva.” Concluiu, desse modo, que no caso foi comprovada a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou com exigibilidade não comprovada, pois enquanto a contabilidade Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10830.004857/200501 Acórdão n.º 9101001.805 CSRFT1 Fl. 1.997 11 evidenciava operação a prazo, a contabilidade de seus fornecedores indicava pagamento à vista. Assim, afirmou que tendo em vista que a lei autoriza o Fisco a presumir a ocorrência de omissão de receitas a partir da não comprovação pelo contribuinte da existência de seu passivo na data do encerramento do período, no caso, foi correto o lançamento. Por fim, quanto ao IRRF, na parte em que o acórdão recorrido excluiu o lançamento relativo às aplicações em que houve identificação do terceiro beneficiado, a Procuradoria da Fazenda Nacional afirmou que o acórdão recorrido contrariou o artigo 61, § 1° da Lei 8.981, de 1995. Nesse ponto, trouxe trecho do voto que merece reforma: "A matriz 1egal da incidência em causa é o art. 61 d a Lei n° 8.981/95, que estabelece sobre todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado e sobre os pagamentos efetuados a terceiros ou sócios, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. No caso, todos os beneficiários estão identificados, tanto que são nomeados, um a um, pela autoridade fiscal. Para concluir pela não identificação dos beneficiários e possibilitar a incidência, o voto vencido desenvolve raciocínio de que não comprovada a realização das operações, os valores constante dos cheques emitidos supostamente para quitálos tiveram destinação diversa. Foram direcionados a beneficiários não identificados ou se constituíram em pagamento sem causa'. Vêse assim que, com base na não comprovação das operações, se rejeita a identificação dos beneficiários e se presume que os recursos tiveram destinação diversa, procedimentos não autorizados pela norma de incidência. Nessas condições, não pode prosperar a exigência." Nesse ponto, argumentou que embora o contribuinte tenha identificado o beneficiário, não houve comprovação da efetiva operação ou sua causa. Assim, concluiu que nos termos do artigo 61, § 1° da Lei 8.981, de 1995, basta a não comprovação da operação ou a sua causa quando existem pagamentos efetuados a terceiros, para que haja incidência do IRRF. Por fim, cumpre ressaltar que o contribuinte apresentou desistência ao direito de discutir determinadas matérias, pois optou pelo parcelamento especial instituído pela Lei n° 11.941/2009. As matérias alcançadas pela desistência referemse aos seguintes itens do auto de infração: item 001 – omissão de receita – PCM – Plano Comunitário Municipal (reconhecida a multa aplicada no percentual de 150%), item 002 – depósitos bancário de origem não comprovada, item 005 – glosa de despesas – pagamento sem causa “notas de favor”, item 006 – omissão de receitas – “caixa 2”. Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 12 Desse modo, as matérias que permanecem em debate referemse aos itens 03, 04 e 05 do auto de infração, ou seja, passivo fictício e IRRF. É o relatório. Voto O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Primeiramente, cumpre delimitar a matéria em debate em razão da desistência, apresentada pelo contribuinte, em relação à discussão de determinadas matérias em razão da adesão ao parcelamento especial instituído pela Lei 11.941/09. Desse modo, a matéria que permanece em discussão e deverá ser analisada referese ao lançamento relativo à omissão de receita em razão da existência de passivo fictício e imposto de renda retido na fonte decorrente de pagamento sem causa. No tocante ao passivo fictício, no caso dos autos, a fiscalização concluiu pela sua existência em razão da constatação de incongruência entre as informações das notas fiscais de determinadas operação (pagamento à vista) e as informações escrituradas pelo contribuinte (pagamento à prazo). Nesse contexto, em razão do exposto, a fiscalização entendeu que o contribuinte mantinha em seu passivo obrigações que já não existiam. Em havendo a figura do passivo fictício na contabilidade do contribuinte, o fiscal fica autorizado a presumir que o montante do passivo inexistente é consequência de uma omissão do registro de receita, devendo lavrar o respectivo auto de infração para constituir o crédito tributário e, passando ao contribuinte autuado, a prova da improcedência da presunção – artigo 281 do Decreto nº 3.000/99 (Lei nº 9.430/96). Dispõe o mencionado artigo: “Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): (…) III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.” A configuração do passivo fictício não se dá com a data do efetivo recebimento da obrigação pelo credor, mas sim no encerramento do período de apuração, quando se constata que o resultado apresenta valores no passivo referentes a obrigações já quitadas. No caso dos autos, em diligências realizadas junto aos fornecedores, a Fiscalização verificou que as obrigações de que trata o presente item foram em sua quase totalidade quitadas à vista. Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10830.004857/200501 Acórdão n.º 9101001.805 CSRFT1 Fl. 1.998 13 Assim, tendo em vista que a data de quitação (e de contabilização, portanto) ocorreu sempre antes do encerramento do período de apuração, não haveria, no caso, razão para sua manutenção no passivo. O acórdão recorrido entendeu que a Nota Fiscal paga com a informação paga à vista não seria prova suficiente de que o passivo realmente era inexistente; ocorre que, diante de tal forte indício, a fiscalização intimou a empresa a provar que os pagamentos realmente foram realizados nas datas contabilizadas, no entanto esta não logrou êxito em fazêla. Ora, a fiscalização não partiu de uma simples presunção do pagamento do passivo contabilizado, ao contrário, diligenciou junto aos fornecedores e encontrou lá uma prova de que estes pagamentos já tinham ocorrido, o que a levou a abrir a oportunidade ao contribuinte para que este descaracterizasse tal prova, através de intimação para que este demonstrasse os pagamentos feitos segundo sua contabilidade, e como consequência destruir completamente a informação constante nas notas Fiscais. Não o fez!!! Do exposto, diante da inexistência da obrigação registrada na contabilidade do contribuinte ao final do período de apuração e da ausência de prova capaz de desconstituir a presunção da fiscalização, correto o lançamento. Quanto ao Imposto de Renda Retido na Fonte, da mesma forma, é correto o lançamento. Dispõe o artigo 61 da lei 8981/95: “art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991.” Nesse ponto, a autuação teve como fundamento a utilização de documentação inidônea para comprovação de custos ou despesas. A interessada registrou despesas com prestação de serviços e apresentou como comprovantes notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato. Assim, em que pese a identificação dos beneficiários, restou comprovado que não houve a efetiva prestação dos serviços descritos nas notas fiscais. Além deste fato, que pela quantidade de provas trazidas pela fiscalização é indubitável, restou claro durante a fiscalização, seja pelos elementos de prova produzidos em diligências juntos aos fornecedores, seja pela ausência de contraprova do contribuinte, que os pagamentos contabilizados também não foram realizados aos emitentes das “Notas Frias”. Deste modo temos contabilizações de pagamentos realizados à beneficiários que não receberam tais pagamentos. Assim, se não são esses os reais beneficiários dos pagamentos contabilizados, nada mais lógico que concluir que outros os são, por causas Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 14 diversas das descritas nas notas frias e na contabilidade. Intimada a esclarecer os reais beneficiários destes pagamentos e a verdadeira causa, a fiscalizada nada demonstrou. Por essas razões, entendo que os fatos aqui descritos se subsumem perfeitamente à norma autorizadora do artigo 61, da lei 8981/95, e que é procedente o lançamento em relação ao IRRF. Por todo o exposto, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para manter o Auto de Infração em relação ao lançamento relativo ao passivo fictício e em relação ao IRRF objetos deste Recurso especial. (documento assinando digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – relator. Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO
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Numero do processo: 18088.720543/2012-31
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DEFESA GENÉRICA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. VÍCIOS INSANÁVEIS. AUSÊNCIA DE APONTAMENTOS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. OBSERVÃNCIA DA NORMA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUICIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DOS MEMBROS DO CARF. SÚMULA Nº 2.
Apesar das evidências suscitadas pela fiscalização, bem como aquelas constantes da decisão recorrida, o contribuinte continua se insurgindo, mas de forma genérica, requerendo a declaração de nulidade do lançamento, por supostas ocorrências de vícios insanáveis, o que, segundo ele, acarreta no cerceamento de defesa.
In casu, não se vislumbra qualquer situação que possa se enquadrar nas hipóteses aventadas pelo contribuinte. O lançamento não contém os vícios apontados pela empresa. Nota-se, pois, que o crédito foi constituído em absoluta conformidade com a regra disposta no art. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Além de não ter havido o tal cerceamento de defesa, não há como sustentar que o inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991 é inconstitucional, como afirma a empresa.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme dispõe a Súmula CARF nº 2. As Súmulas são de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Decreto nº 70.235/72).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.209
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DEFESA GENÉRICA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. VÍCIOS INSANÁVEIS. AUSÊNCIA DE APONTAMENTOS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. OBSERVÃNCIA DA NORMA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUICIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DOS MEMBROS DO CARF. SÚMULA Nº 2. 1. Apesar das evidências suscitadas pela fiscalização, bem como aquelas constantes da decisão recorrida, o contribuinte continua se insurgindo, mas de forma genérica, requerendo a declaração de nulidade do lançamento, por supostas ocorrências de vícios insanáveis, o que, segundo ele, acarreta no cerceamento de defesa. 2. In casu, não se vislumbra qualquer situação que possa se enquadrar nas hipóteses aventadas pelo contribuinte. O lançamento não contém os vícios “apontados” pela empresa. Notase, pois, que o crédito foi constituído em absoluta conformidade com a regra disposta no art. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. 3. Além de não ter havido o tal cerceamento de defesa, não há como sustentar que o inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991 é inconstitucional, como afirma a empresa. 4. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme dispõe a Súmula CARF nº 2. As Súmulas são de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Decreto nº 70.235/72). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 05 43 /2 01 2- 31 Fl. 788DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.720543/201231 Acórdão n.º 2803004.209 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.720543/201231 Acórdão n.º 2803004.209 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições previdenciárias descontada da remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais nas competências 10 e 13/2008. Consta nos autos que a empresa declarou a ocorrência de fatos geradores em GFIP, deixando de realizar o recolhimento das contribuições respectivas, constando no sistema da RFB apenas recolhimentos com o código “2909 – Reclamatória Trabalhista”. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 17 de abril de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO DE VALORES DECLARADOS EM GFIP APRESENTADA POSTERIORMENTE AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE CAUSA DE NULIDADE DA AUTUAÇÃO. Presentes nos autos todos os elementos fáticos e legais que embasam a autuação, não há que se falar em nulidade em decorrência do cerceamento do direito de devesa. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGUIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A fiscalização utilizou como base para o lançamento apenas as diferenças provenientes do comparativo entre os valores declarados na GFIP com as informações da Folha de Pagamento de Salários, sem, contudo, demonstrar a metodologia dos cálculos apontados nas planilhas denominadas valores apurados pela fiscalização. Percebese claramente que a autuada, ora recorrente se vê prejudicada no exercício do seu pleno direito de defesa, vez que não consegue identificar a origem dos valores Fl. 790DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.720543/201231 Acórdão n.º 2803004.209 S2TE03 Fl. 5 4 considerados pela fiscalização para fins de determinação do quanto devido, não sendo possível impugnar o lançamento, que de forma geral, quer de forma pormenorizada. A autoridade fiscal não apontou no auto de infração, por meio de informações pormenorizadas e documentos comprobatórios, a origem dos valores considerados como devidos ou das diferenças lançadas. Nesse sentido, o auto de infração deveria ter sido estruturado de maneira que o autuado tivesse pleno e imediato conhecimento de seu conteúdo, para que pudesse exercer seu direito ao contraditório e à ampla defesa, previstos como cláusulas pétreas na Constituição da República, o que acarretou na incompreensão da imposição que lhe é imputada, prejudicando, portanto, sua defesa. Diante do exposto, verificase que o auto de infração sob apreço deve ser declarado nulo, por apresentar evidente vício insanável o que acarreta no cerceamento de defesa da recorrente. O art. 12, V, da Lei 8.212/91, que exige recolhimento da contribuição sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais é inconstitucional, motivo pelo qual deve ser anulada a cobrança em comento. A multa pretendida no presente caso é totalmente descabida, pois, ressalte se que a exigência das contribuições previdenciárias são ilegais e, sobretudo, inconstitucionais, pelos jurídicos fundamentos expostos acima, não havendo, portanto, descumprimento da obrigação principal tampouco das obrigações acessórias. Com relação à multa de ofício, calculada em 75% sobre o principal, também merece reforma a r. decisão. Face ao exposto, demonstrada de forma inequívoca a impropriedade da lavratura do auto de Infração, após o recebimento e processamento do presente Recurso Ordinário, requer seja dado provimento, ao mesmo, reformando o acórdão para: i) Preliminarmente, reforma da r. decisão recorrida, para que seja decretada a nulidade do auto de infração por vício material e, por consequência, sejam afastados todos os lançamentos realizados pela fiscalização, tendo em vista de que houve cerceamento de defesa e carência nos elementos probatórios produzidos pelo fiscal. ii) Caso não seja reconhecida a nulidade da r. decisão proferida, seja dado provimento ao mérito do presente recurso, para julgar improcedente o AI, em sua totalidade, anulandose o lançamento, por inconsistência de suas bases legais pelos motivos jurídicos acima declinados e, ao final, remetendose os autos ao arquivo. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.720543/201231 Acórdão n.º 2803004.209 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O Auto de Infração foi lavrado em virtude de o contribuinte ter, nas competências 10 e 12/2008, descontado da remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço as contribuições previdenciárias, tendo declarado tais fatos geradores em GFIP, sem, contudo, efetuar o recolhimento do devido. Tendo agido como agiu, não pairam dúvidas de que o contribuinte descumpriu suas obrigações com a Seguridade Social. Apesar das evidências suscitadas pela fiscalização, bem como aquelas constantes da decisão recorrida, o contribuinte continua se insurgindo, mas de forma genérica, requerendo a declaração de nulidade do lançamento, por supostas ocorrências de vícios insanáveis, o que, segundo ele, acarreta no cerceamento de defesa. In casu, não se vislumbra qualquer situação que possa se enquadrar nas hipóteses aventadas pelo contribuinte. O lançamento não contém os vícios “apontados” pela empresa. Notase, pois, que o crédito foi constituído em absoluta conformidade com a regra disposta no art. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Além de não ter havido o tal cerceamento de defesa, não há como sustentar que o inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991 é inconstitucional, como afirma a empresa. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme dispõe a Súmula CARF nº 2. As Súmulas são de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Decreto nº 70.235/72). No concernente à multa, sem razão o contribuinte, tendo em vista que a multa foi aplicada na forma da lei, situação que vincula a autoridade administrativa incumbida do lançamento. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.720543/201231 Acórdão n.º 2803004.209 S2TE03 Fl. 7 6 Fl. 793DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10980.007415/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
Ementa:
RECURSO DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO. DECADÊNCIA. Nas hipóteses em que reconhecida a ocorrência de fraude, dolo ou simulação, aplica-se o prazo decadencial na forma do disposto no art. 173, I do CTN.
RECURSO DE OFÍCIO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA EM RELAÇÃO A DÉBITOS CONFESSADOS. Considerando-se que, à época dos fatos, a compensação tida como “não declarada” não implicava confissão dos débitos respectivos, impõe-se a manutenção dos lançamentos nessa parte.
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. Não se conhece das razões de recurso voluntário que não versam sobre os lançamentos objeto do processo administrativo sob exame.
MATÉRIA DE FATO. Mantém-se os lançamentos quando não comprovadas as circunstâncias de fato alegadas pela Contribuinte que maculariam o lançamento.
Recurso de ofício provido em parte. Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1102-001.184
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (a) dar parcial provimento ao recurso de ofício, para o fim de restabelecer as exigências canceladas pelo acórdão recorrido sob o fundamento de prévia confissão de dívida pela Contribuinte, e (b) conhecer parcialmente o recurso voluntário para rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar-lhe provimento.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Omissão de receita Recorrentes CONSILUX CONSULTORIA E CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO. DECADÊNCIA. Nas hipóteses em que reconhecida a ocorrência de fraude, dolo ou simulação, aplica-se o prazo decadencial na forma do disposto no art. 173, I do CTN. RECURSO DE OFÍCIO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA EM RELAÇÃO A DÉBITOS CONFESSADOS. Considerando-se que, à época dos fatos, a compensação tida como “não declarada” não implicava confissão dos débitos respectivos, impõe-se a manutenção dos lançamentos nessa parte. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. Não se conhece das razões de recurso voluntário que não versam sobre os lançamentos objeto do processo administrativo sob exame. MATÉRIA DE FATO. Mantém-se os lançamentos quando não comprovadas as circunstâncias de fato alegadas pela Contribuinte que maculariam o lançamento. Recurso de ofício provido em parte. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (a) dar parcial provimento ao recurso de ofício, para o fim de restabelecer as exigências canceladas pelo acórdão recorrido sob o fundamento de prévia confissão de dívida pela Contribuinte, e (b) conhecer parcialmente o recurso voluntário para rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Fl. 762DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 2 JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ (Presidente), JOSÉ EVANDE CARVALHO ARAÚJO, FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, RICARDO MAROZZI GREGÓRIO, JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, e ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela Contribuinte e recurso de ofício contra acórdão proferido pela Primeira Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba (PR), assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A conduta de jamais em qualquer período, por anos a fio, declarar pelo menos a metade do valor efetivo das receitas, e também jamais escritura-las, constitui ação (declarar) e omissão (deixar de escriturar) dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, pela autoridade fiscal, da ocorrência do fato gerador das obrigações relativas aos valores omitidos, bem como suas circunstâncias materiais; mormente se a interessada, como consequência desse artificio, logrou furtar- se ao recolhimento de vultosos encargos tributários, colhidos pela decadência. DOLO. PRAZO DECADENCIAL. Na hipótese e não existirem pagamentos suscetíveis de homologação, e também quando pautada a conduta da contribuinte pelo dolo, a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra estipulada no art. 150 para a regra prevista no art. 173, ambos do Código Tributário Nacional. MULTAS SOBRE COMPENSAÇÃO NÃO-DECLARADA E OMISSÃO DE RECEITAS. INFRAÇÕES DISTINTAS. NÃO CONCOMITÂNCIA. O contribuinte que omite receitas sujeita-se à imposição da multa de oficio correspondente, que não se confunde com eventual multa imposta pela tentativa de compensação desse ou de outro débito com crédito inexistente, fato que, de per si, constitui infração autônoma, suscetível de aplicação de multa distinta. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.007415/2009-18 Acórdão n.º 1102-001.184 S1-C1T2 Fl. 2 3 VALORES QUE CONSTARAM EM PER/DCOMP CONSIDERADA NÃO DECLARADA, NA VIGÊNCIA DA MP N° 449/2008, ENVIADOS PGFN. Por constituírem débitos confessados, excluem-se do lançamento os valores que constaram em PER/DCOMP apresentada antes do inicio da ação fiscal e considerada, na vigência da MP n. 449/2008, compensação não declarada já enviados à PGFN para inscrição em divida ativa. LANÇAMENTOS REFLEXOS. DECORRÊNCIA Aplicam-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, o que restar decidido relativamente ao lançamento matriz. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte’ O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Este processo trata dos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 154-179), Contribuição para o P1S/PASEP (fls. 180-195), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (fls. 196-210), e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (fls. 211-135), mediante os quais se exige desta contribuinte o crédito tributário total de R$ 15.086.620,55, incluindo juros moratórios calculados até 30/06/2009, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, acostado às fls. 01. . Do mesmo procedimento fiscal resultaram, contra esta contribuinte, o lançamento aqui apreciado e outros dois autos de infração, objetos de processos distintos, relativos a Imposto de Renda Retido na Fonte (PAF no 10980.007420/2009-21) e a multa regulamentar (PAF no 10980.007421/2009-75). Também foram lavrados contra seus sócios autos de infração relativos a multa regulamentar, objetos de processos distintos. Os eventos e circunstâncias determinantes da autuação se encontram detalhados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 236-257 e se encontram sintetizados a seguir, em redação comum ao relatório dos três processos, no propósito de permitir a total compreensão dos pontos relevantes: - a ação fiscal dos anos de 2003, 2004 e 2005 foi programada em face de indícios de omissão de receitas, posto que as receitas declaradas em muito inferiores aos valores que a contribuinte recebeu da Prefeitura de Curitiba (URBS). Também é esclarecido que a ação fiscal foi instaurada por ter a Polícia Federal apontado como possível irregularidade a prática da empresa de sacar de suas contas bancárias, em dinheiro, importâncias vultosas; - o confronto das notas fiscais emitidas com as receitas declaradas evidencia a prática de omitir, em todos os períodos Fl. 764DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 4 de apuração, valores significativamente superiores aos declarados, conforme demonstrativo de fls. 238-239; - reiteradamente intimida a manifestar-se sobre as diferenças, apresentou esclarecimentos diversos e conflitantes, considerados insuficientes para justifica-las; - nos livros caixa relativos aos anos de 2003 e 2004, constatou- se a ausência de escrituração das receitas. Com relação aos anos-calendário de 2005 e 2006, no curso da ação fiscal foram apresentadas três versões de escrituração. No livro caixa apresentado em primeiro lugar, não havia registro de receitas. Em segundo lugar, a contribuinte apresentou livros razões onde se encontravam reconhecidas receitas nos montantes de R$ 2.403.077,99 e R$ 3.600.281,96, para os anos de 2005 e 2006, respectivamente. Por derradeiro, foi apresentada nova escrita em que a receita ascendeu para R$ 9.565.834,65 e R$ 27.059.151,96, para aqueles anos; - intimada a apresentar os seus extratos bancários, a contribuinte autorizou que o Fisco os solicitasse diretamente aos bancos. Posteriormente, foi autorizada pela 2ª. Vara Federal Criminal de Curitiba a quebra do sigilo bancário, o que permitiu o acesso aos documentos de débitos e créditos de valor igual ou superior a R$ 3.000,00, também fornecidos pelas instituições financeiras; - a fiscalização registra evidências de ser antiga e reiterada a prática de omissão de receitas; - é assinalada que, mesmo a contribuinte tendo reconhecido apenas uma pequena parcela de sua receita, parte significativa dos tributos respectivos deixou de ser recolhida, tendo a contribuinte intentado extingui-los por meio de compensação com crédito inexistentes; - são apontadas diversas irregularidades nos livros caixa dos anos-calendário de 2003 e 2004, como: a) falta de escrituração de parte da movimentação em conta bancária; b) cheque compensados contabilizados como os recursos tendo ingressado no caixa, mas sem o registro da saída respectiva; c) contabilização de depósitos sem a contabilização do respectivo recebimento; d) pagamento de financiamentos, funcionários, cobrança ou transferências bancárias, contabilizados como entrada de caixa, sem a respectiva contabilização da saída; e) falta de contabilização de recebimento das notas fiscais de prestação de serviços. É informado que, além da falta de registro contábil de grande parte das operações da empresa, também não foram apresentados dos documentos que embasaram a escrituração. As deficiências da escrituração determinaram a apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro arbitrado; - são apontadas múltiplas inconsistências na escrituração dos anos-calendário de 2005 e 2006, tendo a fiscalização concluído que as três versões da escrita apresentadas são completamente inverídicas nos registros realizados; que estão eivadas de inexatidões e apresentam inúmeras inconsistências, razão pela qual também foi arbitrado o lucro desse biênio; Fl. 765DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.007415/2009-18 Acórdão n.º 1102-001.184 S1-C1T2 Fl. 3 5 - é relatado que a contribuinte foi intimada a identificar os beneficiários de recursos sacados das contas bancárias, além de informar as operações respectivas e apresentar a documentação comprobatória. Após a resposta a todos os termos de intimação, a fiscalização procedeu à exclusão dos valores que foram sacados diretamente no caixa, os que a empresa demonstrou tratar-se de distribuição de lucros e referentes a despesas, e elaborou o demonstrativo de fls. 19-31, do qual constam todos os valores comprovadamente destinado a terceiros (cheques nominais, TED, transferências, pagamentos de funcionários, pagamentos de duplicatas, etc), cujos beneficiários não foram identificados e/ou não foram comprovadas as operações que causaram a retirada dos recursos dos bancos. A fiscalização esclarece que os valores sacados em dinheiro pela própria empresa, no total de R$ 5.714.421,04, nos quatro anos- calendário fiscalizados, foram excluídos, para fins de lavratura do auto de infração alusivo ao IRRF, em virtude da impossibilidade de se comprovar que os valores foram destinados a terceiros. Os recursos retirados da empresa sem identificação dos beneficiários ou com identificação, mas sem a comprovação da causa da operação, no total de R$ 9.930.637,50, foram objeto de lançamento do IRRF — em PAF especifico - à alíquota preestabelecida, com a base de calculo reajustada; - tendo em vista que, por 38 (trinta e oito) meses a empresa omitiu parte substancial de suas receitas, valendo-se do artificio de não escriturá-las contabilmente, além de omiti-la nas DIPJ, DACON e DCTF apresentadas, no lançamento relativo a omissão de receitas foi aplicada a multa de oficio qualificada, no percentual de 150%. - sobre os valores do IRPJ lançados como não recolhidos, bem como do IRRF decorrente da infração caracterizada como pagamentos a beneficiários não identificados/operações sem causa, foi aplicada a multa de oficio de 75%; - em PAF especifico, foi aplicada multa regulamentar por ter esta contribuinte efetuado nos anos-calendário de 2005 e 2006 distribuição de lucros, em momentos que possuiria débitos não garantidos com o Fisco Federal; Os enquadramentos legais das parcelas lançadas se encontram devidamente discriminados nos campos próprios de cada auto de infração. A contribuinte foi cientificada do lançamento em 29/07/2009 (fls. 172), e apresentou tempestivamente, em 31/08/2009, a impugnação de fls. 262-325, em teor comum aos três lançamentos distintos (IRPJ e reflexos, IRRF e Multa Regulamentar), esclarecendo que o pedido se restringia a questão especifica tratada em cada PAF. Em síntese, alegou: ALEGAÇÕES GERAIS APLICÁVEIS A TODOS OS PROCESSOS Fl. 766DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 6 - considerando que somente em 29/07/2009 a impugnante foi cientificada do lançamento, suscita a decadência do direito de lançar relativo a todos os fatos geradores ocorridos até o mês de julho de 2004; - assegura que não houve intuito de fraude e que, desde o inicio, procurou apresentar todas as informações e documentos solicitados. Atribui as irregularidades ao seu departamento contábil. aduz que, caso não tivesse emitido nota fiscal, adulterado o verdadeiro valor da nota ou falsificado documentos, ai sim teria agido visando a impedir ou retardar o conhecimento, pela autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias à sua mensuração; - alega que o Conselho de Contribuintes, por diversas vezes, já se posicionou no sentido de que a simples falta de escrituração contábil ou desclassificação desta não configura hipótese descrita nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, como sonegação fraude ou conluio. Afirma que a omissão da receita das DIPJ também não consubstancia aquelas figuras mencionadas. Faz longa digressão sobre a exegese dos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964; - ALEGAÇÕES EXCLUSIVAS DO AUTO DE INFRAÇÃO DO IRPJ (PAF Nº 10980.007415/2009-18) - assegura que os débitos declarados de 2003 a 2004 já foram integralmente quitados por meio de parcelamentos constantes dos PAF nº 10980.014545/2005-83, 10980.014546/2005-28 e 10980.0145472005-72, e estão sendo cobrados novamente; - alega que há processos administrativos de cobrança na Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos anos de 2005 e 2006, que também estariam lançados por meio do auto de infração. Elabora quadro demonstrando as incorreções que considera existentes; - aduz que foi considerado como omissão de receita, com imposição de multa de 150%, valores declarados em DCTF que, por mero erro, não foram declarados em DIPJ, e que também já se encontrariam em fase de cobrança no âmbito da PGFN. Aponta equívocos pontuais que teriam sido cometidos pela autoridade fiscal; - afirma que a DCTF, DIPJ e DACON são instrumentos necessários à apuração e conferência dos créditos tributários apurados pelos contribuintes, e que o Fisco deverá, em primeiro, buscar os valores declarados como base de cálculo e, na sequencia, a verdade dos fatos, o que não teria ocorrido. Argumenta que, no terceiro trimestre de 2006, informou em DACON a importância de R$ 14.418.850,00 decorrente de exportação de serviços, mas, por equívoco, deixou de informar tal importância na DIPJ. Aduz que tais documentos não foram considerados na apuração do montante lançado. Assevera que não pode o Fisco, sob pena de locupletamento ilícito, cobrar o que não lhe é devido, e que a análise da DCTF, DACON e da DIPJ, bem como dos relatórios da própria Receita Federal do Fl. 767DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.007415/2009-18 Acórdão n.º 1102-001.184 S1-C1T2 Fl. 4 7 Brasil e da PGFN, permitiria à autuante visualizar essa informação; - contesta a imposição de multa sobre valores declarados ou em cobrança, alegando que, nessas hipóteses, deverá ser cancelada a multa de ofício e cobrada apenas a multa moratória; - argumenta que, conforme informado pela própria autoridade fazendária, no item 6 do TVF, foi lavrado outro auto de infração lançando multa de ofício isolada sobre os valores que teriam sido compensado. Relata que o período a que se refere essa multa é o mesmo aqui lançado, compreendendo os anos de 2005 e 2006. Conclui que há imposição de multa isolada e de multa de ofício sobre a mesma base de cálculo, o que considera ilegal, ao argumento de não se poder penalizar o contribuinte duas vezes sobre a mesma base de cálculo; - assevera que foi aplicada multa de 150% considerando que houve sonegação, posto que a impugnante teria agido dolosamente buscando omitir suas receitas, utilizando-se do artifício de não escritura-las contabilmente. Entretanto, alega que todas as notas fiscais e ate o acesso direto à conta bancária foram por ela fornecidos. Adiciona que, como já sedimentado pela jurisprudência do CARF, a simples omissão não configura hipótese de multa qualificada. -ALEGAÇÕES EXCLUSIVAS DO AUTO DE INFRAÇÃO DO IRRF (PAP n° 10980.007420/2009-21) - aduz que os beneficiários foram identificados nas respostas aos Termos de Intimação n° 25 e 28, inclusive com a explicação da causa. Adiciona que, em face de outros motivos pessoais, o contribuinte, tendo direito à distribuição de lucro, pagou despesas pessoais e nesse ponto, além de se ver autuado, ainda foi invadido em sua intimidade e privacidade, sendo violado em seu direito garantido pela Constituição Federal; - afirma que o Fisco não comprovou que os pagamentos não foram identificados. Adiciona que o Fisco teve acesso às contas bancárias, e dessa forma identificou os beneficiários dos pagamentos realizados pela impugnante; - enfatizando a necessidade de identificar como a lei disciplina o caso do pagamento a beneficiário não identificado e/ou sem causa, transcreve o art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995. Argumenta que o capta abrange todas as pessoas jurídicas, sem exceção, mas restringe o alcance da hipótese quando impõe a tributação apenas quando o beneficiário não for identificado. Sustenta que o § 10, adiciona outra circunstância material não prescrita pelo caput. Assegura que também é devida a fonte, quando não comprovada a operação ou sua causa, mas o comando complementar impõe uma limitação, pois por ele só são alcançadas as empresas obrigatoriamente sujeitas à contabilização de seus atos negociais. Adiciona que, se a empresa estiver desobrigada de Fl. 768DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 8 escrituração contábil, deverá ser aplicado somente o caput, e que apenas estará tipificada a infração nas pessoas jurídicas que optarem pela apuração do imposto com base DO lucro presumido quando o beneficiário não for identificado. Enfatiza que a fonte somente será imputável às empresas optantes pelo lucro presumido quando estiver presente qualquer que seja a combinação de hipóteses, a figura do beneficiário não identificado, e que outra ocorrência que exclua a figura do beneficiário não identificado remeterá à imposição exclusivamente para a pessoa jurídica que apure o seu imposto com base no lucro real. Raciocina que, como está sujeita à tributação pelo lucro presumido, somente pode sofrer lançamento com relação a pagamentos a beneficiários não identificados, mas no caso concreto, os beneficiários teriam sido identificados pela própria fiscalização; - alega que, após o transcurso do prazo para entrega de declaração de ajuste anual, a responsabilidade pelo pagamento do IRRF se transfere para o beneficiário do rendimento; -ALEGAÇÕES EXCLUSIVAS DO AUTO DE INFRAÇÃO DA MULTA REGULAMENTAR (PAF N°10980.007421/2009-75) - afirma que, quando ocorreu a distribuição de lucros, não tinha débitos exigíveis com o Fisco, como demonstram as certidões que apresenta; - relata que sua escrita foi desconsiderada ao argumento de que as informações nela registradas eram ‘completamente inverídicas, eivadas de inexatidões e com inúmeras inconsistências’; que, até por conta da citada regularidade fiscal, a auditora jamais conseguiria fazer prova da existência de débitos impagos; e que incumbia A. autuante a prova de que existiam débitos vencidos e i1tão quitados nesse período, ônus do qual não se livrou. Para a autuação, limitou-se a utilizar d notas constantes do balancete da empresa, sem demonstrar que existiam efetivamente créditos constituídos e não pagos; - enfatiza que, para apurar a pretensa divida, o Fisco se baseou na contabilidade que havia desconsiderado, e concluiu que existiam débitos com a Receita quando distribuiu lucros. Adiciona, verbis: ‘É dizer, desconsidera a escrita contábil para arbitrar e cobrar tributo e utiliza os dados da contabilidade para impor multa pela distribuição de lucro'. - traz a colação jurisprudência e soluções de consulta que respaldam sua tese, e discorre sobre o sentido do art. 32 da Lei n°4.357, de 1964. Ê o relatório.” O acórdão recorrido (fls. 622 a 637) julgou procedente em parte a impugnação, no sentido de (i) considerar decaídos os débitos de IRPJ relativo aos períodos anteriores ao quarto trimestre do ano-calendário de 2003, em relação ao PIS e COFINS, quanto aos períodos de julho, agosto, setembro, outubro e novembro de 2003, com fundamento no art. 173, I do CTN; e (ii) excluir os débitos que constaram em PER/DComp apresentado antes do Fl. 769DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.007415/2009-18 Acórdão n.º 1102-001.184 S1-C1T2 Fl. 5 9 início da ação fiscal, cuja compensação foi, na vigência da MP nº 449/2008, considerada não declarada. Tendo em vista a exoneração parcial do crédito tributário acima do valor de alçada previsto na Portaria/MF n. 3/2008, o Colegiado a quo suscitou de ofício o reexame da matéria ao CARF. Em sede de recurso voluntário (fls. 656 a 707), a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere a (i) ausência de sonegação e fraude que permitiria a aplicação da multa de ofício em percentual majorado; (ii) aplicação da decadência conforme a regra esculpida no art. 150, § 4º; (iii) cobrança em duplicidade de crédito tributário; (iv) impossibilidade de cobrança de multa sobre valores que já haviam sido declarados; (v) impossibilidade de cobrança de multa isolada concomitantemente com a aplicação de multa de ofício; (vi) inexistência de pagamentos a beneficiários não identificados; e (vii) descabimento da aplicação de multa na distribuição de lucros quando há débitos tributários pendentes É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator Os recursos de ofício e voluntário atendem aos pressupostos de admissibilidade, pelo que deles se toma conhecimento. Como bem ressaltado pelo acórdão recorrido, “assim como a Fiscalização utilizou o mesmo Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal para instruir todos os lançamentos, também a contribuinte redigiu apenas uma impugnação, nela reunindo suas alegações contra os três autos de infração. Entretanto, os fundamentos do voto em cada processo se restringirá ás alegações pertinentes ao respectivo lançamento que, neste autos, diz respeito ao IRPJ e exações reflexas”. Assim também ocorreu no recurso voluntário se procederá nesse voto. Portanto, no caso, não serão objeto de análise os argumentos aduzidos pela Contribuinte contra os lançamentos de IRRF e de multa regulamentar, objetos de outros PAF´s. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 10 (i) Recurso de Ofício Conforme se depreende do relatório supra, o acórdão recorrido cancelou os lançamentos em parte por dois fundamentos, quais sejam: decadência e indevida constituição de crédito tributário já constituído por prévia confissão de dívida pela Contribuinte, consubstanciada em 2 PER/DCOMP´s objeto do PA n. 10980.720428/2009-86 (fls. 280 e seguintes do anexo IV – fls. 1795 do PDF). No tocante à decadência, considerados (i) a data de ciência dos lançamentos (29.07.2009, fls. 172); (b) o regime de apuração do lucro da Contribuinte nos anos-calendário de 2003 e 2004 (lucro presumido), que remete à apuração trimestral de IRPJ e CSLL; e (c) a acusação de dolo/fraude e a inexistência de pagamento de IRPJ nos anos-calendário de 2003, que impõem a aplicação do art. 173, I do CTN ao caso, o acórdão recorrido não merece reparos por ter reconhecido a extinção do direito do Fisco lançar débitos de (i) IRPJ e CSLL, relativos aos períodos fiscalizados até 3 o Trimestre de 2003, inclusive e (ii) PIS e COFINS, relativos aos períodos fiscalizados até o mês de novembro de 2003, inclusive. No tocante ao cancelamento da exigência fiscal por força de prévia confissão dos créditos tributários lançados, pede-se vênia para transcrever trecho do acórdão recorrido que bem sintentiza a controvérsia, verbis: “Reportando-se aos anos-calendário de 2005 e 2006, a contribuinte alega que a autoridade fiscal não teve a diligência de verificar qual o valor correto a ser lançado, nem fez a comparação com os valores declarados em DCTF e DACON, de maneira a conhecer o real valor apurado e declarado nos instrumentos corretos para isso, quais sejam, a DCTF e a DIPJ. No intuito de demonstrar os equívocos que teriam sido perpetrados pela fiscalização, elaborou o demonstrativo estampado As fls. 293-295, comparando, por trimestre, valores que já estariam em cobrança na Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, com valores lançados a titulo de IRPJ e de CSLL, apurando assim parcelas que estariam sendo exigidas em duplicidade. Com respeito a essa argumentação, cumpre registrar que os valores referidos pela impugnante são aqueles por ela declarados em três PER/DCOMP apreciados no PAF n° 10980.720428/2009-86 (fls. 280-292 do Anexo IV), cujos débitos foram efetivamente enviados à PGFN (fls. 489), ao entendimento de que constituíam confissão de divida. Trata-se dos PER/DCOMP n° 17732.54196.240307.1.7.04-4253 (fls. 466-475); n° 21982.75926.141107.1.3.04- 4189 (fls. 476-481); e n° 38100.47714.190209.1.3.04-6694 (fls. 482-488). Os dois primeiros, aqui referidos como PER/DCOMP n° 1 e n° 2; foram apresentados, respectivamente, nas datas de 24/03/2007 e 14/11/2007, ou seja, antes do inicio da ação fiscal, que ocorreu em 13/06/2008 (fls. 02). Significa portanto que, constituindo os débitos neles declarados confissão de dividas, é de se ter por espontânea a denúncia do crédito tributário respectivo. Logo, os débitos neles informados devem ser integralmente deduzidos dos valores lançados nestes autos, uma vez que a própria contribuinte os denunciou ao Fisco. O mesmo não ocorre, porem, com o terceiro PER/DCOMP, aqui referido como PER/DCOMP n° 3, uma vez que sua apresentação ocorreu apenas em 18/02/2009, ou seja, quando a impugnante já se encontrava com sua espontaneidade excluída, por força do inicio da ação fiscal. Assim, apesar de este derradeiro documento também constituir confissão de divida, os valores nele declarados não devem ser exonerados do lançamento. A propósito, é relevante ter em mente que o lançamento cuida apenas de débitos tributários que se tornaram devidos em decorrência do cometimento de infração. Logo, tendo a infração sido cometida, deve o crédito tributário respectivo ser exigido com imposição da multa de oficio prevista na legislação. Com respeito a Fl. 771DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.007415/2009-18 Acórdão n.º 1102-001.184 S1-C1T2 Fl. 6 11 esse terceiro PER/DCOMP, é relevante acrescentar que contém débitos informados em duplicidade, como adiante se verá. Contudo, tal circunstancia não demanda qualquer providencia no âmbito deste PAF. Com efeito, eventual credito que a impugnante tiver contra o Fisco, relativo a dupla inscrição em divida ativa por duplicidade de informação pelo contribuinte, deverá ser reclamado diretamente à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, a quem incumbe adotar as providências cabíveis.” (grifos nossos) Firmadas citadas premissas, o acórdão recorrido passou a analisar individualizadamente cada um dos créditos tributários em relação aos quais a Contribuinte alegou haver “exigência em duplicidade”. Os créditos tributários exonerados pelo acórdão recorrido estão abaixo relacionados, verbis: 1) Com relação ao IRPJ 1.2 — A impugnante reclama que não teria sido considerada no lançamento a importância de R$ 36.044,66, relativa ao 2° trimestre de 2005. Tem razão, em parte. Em verdade, o valor lançado nesse trimestre com multa de 150% (imposto + adicional) totaliza R$ 170.680,35. Desse valor, a fiscalização já deduzira R$ 35.427,62 (fls. 162). Contudo, o valor que deve ser deduzido, constante no PER/DCOMP n° 1 (fls. 474-verso) é aquele reclamado. Logo, a diferença, no importe de R$ 617,04, deve ser exonerada. (...) 1.5 - A impugnante reclama que não teriam sido consideradas no lançamento as importâncias de R$ 46.304,07 e R$ 52.876,30, relativas ao 1° trimestre de 2006. Com respeito a tais alegações, registro que os valores respectivos constaram dos PER/DCOMP n° 2 e 1, respectivamente, como se vê às fls. 478 e 475. Tendo em vista que a apresentação de ambos precedeu a ação fiscal, devem ser ambas deduzidas do valor lançado, e não apenas a importância de R$46.304,07, já considerada (fls. 166). Neste trimestre, o valor devido (Imposto + adicional) totaliza R$ 151.680,00. Assim, deduzidos os dois valores, o lançamento deve ser reduzido para R$ 52.499,63. (...) 1.7 — A impugnante reclama que a importância de R$1.195.176,05, relativa ao 3° trimestre de 2006, se encontra em duplicidade na PGFN, e não teria sido considerada no lançamento. Com respeito a essa alegação, cumpre esclarecer que realmente essa importância constou duas vezes em PER/DCOMP para esse mesmo trimestre. Constou a primeira vez no PER(DCOMP n° 2 (fls. 478), e constou pela segunda vez no PER/DCOMP n° 3 (fls. 487). Te do em vista que o documento de n° 2 foi apresentado antes do inicio da ação fiscal, impõe-se seja considerado aquele valor. Quanto ao valor declarado no PER/DCOMP n. 3, apresentada após o inicio da ação fiscal, trata-se de providencia a ser adotada no âmbito da PGFN. Tem-se assim que, no terceiro trimestre de 2006, o total do débito com multa de 150% atinge R$ 1.540.208,63. Deve ser mantida a importância de R$345.032,58, correspondente à diferença entre o débito e o valor já declarado (R$ 1.540.208,63 - R$ 1.195.176,05 = 345.032,58). O valor exonerado (RS 1.153.508,00) é inferior ao valor reclamado em razão de já ter sido compensada pela fiscalização a importância de R$ 41.668,05 (fls. 166). 2) COM RELAÇÃO À CSLL Fl. 772DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 12 2.2 — Referindo-se ao 2° trimestre de 2005, a impugnante reclama que o valor em cobrança na PGFN é de R$ 15.136,08, mas foi deduzido no lançamento apenas o montante de R$ 14.913,94. Tem razão. Conforme se vê às fls. 472, o valor que constou do PER/DCOMP n° 1 — apresentado antes do inicio da ação fiscal e já enviado à PGFN — é R$15.136,08, e foi deduzido no lançamento apenas R$ 14.913,94, como se ye às fls. 217. Logo, a parcela lançada com multa de 150% deve ser reduzida no valor da diferença (R$ 222,14). 2.4 — Referindo-se ao 1° trimestre de 2006, a impugnante aponta que foram enviados para a PGFN dois valores distintos (R$ 18.829,46 e R$ 21.195,47). Reconhece que o primeiro deles já foi considerado no lançamento, mas reclama que o segundo não o foi. Com respeito a essa alegação, cumpre registrar que o primeiro valor referido (R$ 18.829,46) constou do PER/DCOMP no 2 (fls. 478-verso) e já foi devidamente deduzido no lançamento (fls. 220). Quanto ao segundo valor (R$ 21.195,47), constou do PER/DCOMP n. 1 (fls. 472). Tendo em vista que este foi apresentado antes do inicio da ação fiscal, a alegação é procedente. Logo, esse valor deve ser exonerado da parcela do lançamento lançada commulta de 150%. 2.6 — A impugnante reclama que a importância de R$ 432.423,38, relativa ao 3° trimestre de 2006, se encontra em duplicidade na PGFN, e teria sido apenas parcialmente (R$ 17.160,78) considerada no lançamento. Com respeito a essa alegação, cumpre esclarecer que realmente essa importância constou duas vezes em PER/DCOMP para esse mesmo trimestre. Constou a primeira vez no PER/DCOMP n° 2 (fls. 479), e constou pela segunda vez no PER/DCOMP n° 3 (fls. 487-verso). Tendo em vista que o documento de n° 2 foi apresentado antes do inicio da ação fiscal, impõe-se seja considerado aquele valor. Quanto ao valor declarado no PER/DCOMP n° 3, apresentado depois do inicio da ação fiscal, trata-se de providencia a ser a adotada no âmbito da PGFN. Tem-se assim que, no terceiro trimestre de 2006, o total do debito com multa de 150% atinge R$ 463.862,59. Deve ser mantida a importância de R$ 31.439,21, correspondente a diferença entre o débito e o valor já declarado (R$ 463.862,59 - R$432.423,38 = 31.439,21). O valor exonerado (R$415.262,88) é inferior ao valor reclamado em razão de já ter sido compensada pela fiscalização a importância de R$ 17.160,50 (fls. 220).” O acórdão recorrido merece reforma nessa parte. Diferentemente da premissa adotada pelo acórdão recorrido para cancelamento parcial da exigência fiscal, as PER/DCOMP citadas não possuem efeito de confissão de dívida, pelo fato de terem sido tratadas, pela própria RFB, como “compensações não declaradas” (fls. 280 do Anexo IV, fls. 1795 do PDF), por força do disposto no art. 74, §3 o da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Lei n. 11.051, de 2004. Confira-se: Art. 74. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste Fl. 773DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art17 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art17 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4 Processo nº 10980.007415/2009-18 Acórdão n.º 1102-001.184 S1-C1T2 Fl. 7 13 artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifos nossos) Em que pese o art. 29 da MP449/2008 tenha determinado a aplicação do citado §6º às compensações não declaradas, note-se que o dispositivo em referência não é aplicável aos autos, pois as compensações foram apresentadas pela Contribuinte no ano de 2007. Assim, pelo fato de a “compensação não declarada” não possuir o efeito de confissão de dívida, ou, quando menos, haver séria controvérsia a respeito desse fato, os créditos tributários nela (“compensação não declarada”) informados devem ser constituídos por meio de lançamento de ofício dentro do respectivo prazo decadencial, tal como ocorreu no caso. O fato de ter sido dado tratamento de confissão de dívida pela RFB e PGFN aos créditos tributários informados pela Contribuinte em “compensações não declaradas”, o sequer é objeto desse PAF, não pode impor o cancelamento de lançamentos lavrados, na forma da lei, para constituição de créditos tributários ainda não constituídos. Se, de um lado, é certo que a Contribuinte não pode ser cobrada em duplicidade por um mesmo débito, por outro, não é legítimo extinguir crédito tributário regularmente constituído por força de (discutível) inscrição de débito em dívida ativa. Citada inscrição, inclusive, pode ser questionada e cancelada judicialmente por provocação da Contribuinte com base no próprio fundamento legal ora aduzido. Nesses termos, em que pese o restabelecimento parcial da exigência, recomenda-se às D. Autoridades da RFB e da PGFN adotar providências para que sejam expurgadas as cobranças em duplicidade alegadas pela Contribuinte e reconhecidas pelo próprio acórdão recorrido. Por tais fundamentos, orienta-se voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso de ofício, para que sejam restabelecias as exigências canceladas pelo acórdão recorrido sob alegação de prévia confissão de dívida pela Contribuinte. (ii) Recurso Voluntário O recurso voluntário não merece provimento. No que se refere à acusação de sonegação, dolo e fraude, cuja procedência traz reflexos diretos na aplicação da penalidade de ofício em percentual majorado e no exame da preliminar de decadência, filiei-me no passado à corrente jurisprudencial que assentava o entendimento de que a apresentação de declaração em montantes muito inferiores aos devidos pelo contribuinte, por si só, não seria suficiente para justificar a qualificação da multa de ofício aplicada no lançamento, independentemente do montante dos valores omitidos ou da quantidade de anos-calendário, em vista do fato de esta se caracterizar em mera “declaração inexata”. Contudo, refletindo melhor sobre a questão, parece-me que a prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir-se de seu Fl. 774DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4 14 pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. Citada conduta conduziu a Fiscalização a (acertadamente) lavrar a autuação com multa qualificada, nos termos do art. 44, II da Lei n. 9.430/96, lavrar a autuação com multa qualificada, nos termos do art. 44, II da Lei n. 9.430/96 c/c art. 71 da Lei n. 4.502/64. Esse entendimento encontra respaldo em precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE. - Os argumentos da autuada para sustentar nulidade dos lançamentos devem ser rejeitados, quando as provas dos autos mostrarem o contrário do alegado. Da mesma forma este Colegiado não acolhe alegações de nulidade, quando os argumentos destoam de pacífica e conhecida jurisprudência da casa. IRPJ - DECADÊNCIA - CONTAGEM DO PRAZO - Na existência de dolo, a regra de decadência do IRPJ, desloca-se do art. 150 do CTN para o art. 173 do CTN, hipótese em que o prazo tem início no 1º dia do exercício seguinte àquele em que o tributo era exigível. Para os fatos geradores trimestrais, entende-se por exercício, para fins de contagem do prazo de decadência a que se refere o art. 173 do CTN, o ano-calendário seguinte àquele em que ocorrido o fato gerador. Assim, as exigências relativas aos fatos geradores trimestrais ocorridos em 31.03.99; 30.06.99 e 31.10.99 devem ser canceladas. O tributo, cujo fato gerador ocorreu em 31.12.99, poderia ser exigido a partir de 1º de janeiro de 2000, logo o prazo decadencial inicia- se 1º de janeiro de 2001. CSLL - DECADÊNCIA - A Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4º, da Constituição Federal, têm natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE Nº 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4º. IRPJ/CSLL - ARBITRAMENTO DO LUCRO - RECEITA BRUTA CONHECIDA A PARTIR DE DOCUMENTOS DE EXPORTAÇÃO - VALIDADE - É válido lançamento fiscal para exigência dos tributos e contribuições tendo como base o lucro arbitrado a partir de receitas auferidas, provadas por regulares documentos de exportação (Notas Fiscais, Conhecimentos de Embarque e Registros no Siscomex), não tendo o contribuinte apresentado elementos materiais capazes de afastar a conclusão fiscal. MULTA QUALIFICADA - SONEGAÇÃO PATENTE - Auferir vultosas receitas de exportação sem declará-las à administração tributária e sem qualquer pagamento de tributos e contribuições, escondendo- as mediante apresentação de Declaração de Inatividade é conduta dolosa que se amolda Fl. 775DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.007415/2009-18 Acórdão n.º 1102-001.184 S1-C1T2 Fl. 8 15 perfeitamente à figura delituosa da sonegação, justificando a qualificação da penalidade. Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do IRPJ nos três primeiros trimestres de 1999. Pelo voto de qualidade, ACOLHER a preliminar de decadência da CSLL nos três primeiros trimestres de 1999, vencidos os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Luiz Martins Valero (Relator) e Jayme Juarez Grotto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Marcos Vinicius Neder de Lima - Presidente. A alegação da Contribuinte de que a multa de ofício aplicada teria natureza confiscatória foge aos limites de cognição dessa Corte, ante a expressa previsão legal e o teor da Súmula 2 do CARF, que impede sejam examinados questões relativas à constitucionalidade das leis (no caso, da Lei n. 9.430, art. 44, II). Mantida a qualificação da penalidade de ofício, rejeita-se, por decorrência, a preliminar de decadência suscitada pela Contribuinte, com base no disposto no art. 150, §4 o do CTN. No mérito, não procedem as alegações da Contribuinte no sentido de que teriam sido lançados créditos que já teriam sido constituídos e atualmente se encontram em fase de cobrança na Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Ressalvado o quanto mencionado quando da análise do recurso de ofício e a recomendação ali realizada às D. Autoridades da RFB e PGFN para que não sejam cobrados em duplicidade valores ora lançados e que foram objeto de compensações não declaradas tidas pela RFB e PGFN como instrumentos de confissão de dívida, cujos valores foram identificados pelo próprio acórdão recorrido, diga-se que, no mais, os valores alegados pela Contribuinte foram reconhecidos pela própria Fiscalização no ato de lavratura dos lançamentos. Pelo fato de o recurso representar reprodução das alegações de impugnação, e pelo fato de o acórdão recorrido ter examinado minuciosamente as alegações da Contribuinte nesse particular, pede-se vênia para transcrever trecho do acórdão recorrido que versa sobre a matéria, adotando-o como razão de decidir nesse voto, verbis: “Com relação ao IRPJ e CSLL, não procede a alegação de que os débitos de 2003 e 2004, já declarados, estão sendo cobrados novamente. Confrontem-se os valores constantes das DIPJ respectivas (fls. 61, 63, 94-97 e 98-99), com os autos de infração, nos campos "IMPOSTO APURADO EM R$ POR PERCENTUAL DE MULTA" e -CONTRIBUIÇÃO DEVIDA POR PERCENTUAL DE MULTA", estampados às fls. 155,157-159, 212 e 214. Constata-se que todos os valores declarados já foram deduzidos dos valores devidos, de sorte que o lançamento já contempla o valor liquido. Com relação às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, a alegação também não procede, uma vez que o lançamento do auto de infração incide apenas sobre as receitas omitidas. Sobre as receitas já tributadas espontaneamente nenhuma exigência foi formulada nos autos de infração. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 16 Reportando-se aos anos-calendário de 2005 e 2006, a contribuinte alega que a autoridade fiscal não teve a diligência de verificar qual o valor correto a ser lançado, nem fez a comparação com os valores declarados em DCTF e DACON, de maneira a conhecer o real valor apurado e declarado nos instrumentos corretos para isso, quais sejam, a DCTF e a DIPJ. No intuito de demonstrar os equívocos que teriam sido perpetrados pela fiscalização, elaborou o demonstrativo estampado As fls. 293- 295, comparando, por trimestre, valores que já estariam em cobrança na Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, com valores lançados a titulo de IRPJ e de CSLL, apurando assim parcelas que estariam sendo exigidas em duplicidade. Com respeito a essa argumentação, cumpre registrar que os valores referidos pela impugnante são aqueles por ela declarados em três PER/DCOMP apreciados no PAF n° 10980.720428/2009-86 (fls. 280-292 do Anexo IV), cujos débitos foram efetivamente enviados à PGFN (fls. 489), ao entendimento de que constituíam confissão de divida. Trata-se dos PER/DCOMP n° 17732.54196.240307.1.7.04- 4253 (fls. 466-475); n° 21982.75926.141107.1.3.04-4189 (fls. 476-481); e n° 38100.47714.190209.1.3.04-6694 (fls. 482-488). Os dois primeiros, aqui referidos como PER/DCOMP n° 1 e n° 2; foram apresentados, respectivamente, nas datas de 24/03/2007 e 14/11/2007, ou seja, antes do inicio da ação fiscal, que ocorreu em 13/06/2008 (fls. 02). (...) A propósito, é relevante ter em mente que o lançamento cuida apenas de débitos tributários que se tornaram devidos em decorrência do cometimento de infração. Logo, tendo a infração sido cometida, deve o crédito tributário respectivo ser exigido com imposição da multa de oficio prevista na legislação. Com respeito a esse terceiro PER/DCOMP, é relevante acrescentar que contém débitos informados em duplicidade, como adiante se verá. Contudo, tal circunstancia não demanda qualquer providencia no âmbito deste PAR Com efeito, eventual credito que a impugnante tiver contra o Fisco, relativo a dupla inscrição em divida ativa por duplicidade de informação pelo contribuinte, deverá ser reclamado diretamente à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, a quem incumbe adotar as providências cabíveis. A análise individual dos itens alegados pela impugnante é a seguinte: 1) COM RELAÇÃO AO IRPJ 1.1 - A impugnante reclama que não teria sido considerada no lançamento a importância de R$ 36.044,66, relativa ao 1° trimestre de 2005. Está equivocada. A importância foi deduzida do valor lançado com a multa de 150%, como se vê As fls. 161. O valor devido (Imposto + Adicional) corresponde a R$ 156.440,96. Contudo, desse importe foi deduzido o valor reclamado, tendo sido lançado apenas R$ 120.396,30 (R$ 97.464,58 + R$58.976,38 — 36.044,66 = 120.396,30). A alegação não procede. (...) 1.3 — A impugnante reclama que não teria sido considerada no lançamento a importância de R$ 35.427,62, relativa ao 3° trimestre de 2005. Não procede a alegação. Conforme se vê às fls. 162, do valor lançado nesse trimestre com multa de 150%, a fiscalização já deduzira a importância de R$ 43.912,30, que constara em sua DIPJ (fls. 130). 1.4 - A impugnante reclama que não teria sido considerada no lançamento a importância de R$ 43.913,12, relativa ao 4° trimestre de 2005. Não procede a alegação. Conforme se vê às fls. 163, do valor lançado nesse trimestre com multa Fl. 777DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.007415/2009-18 Acórdão n.º 1102-001.184 S1-C1T2 Fl. 9 17 de 150%, a fiscalização já deduzira a importância de R$ 5.876,30, que constara em sua DIPJ (fls. 130). (...) 1.6 - A impugnante reclama que não teria sido considerada no lançamento a importância de R$ 315.026,50, relativa ao 2° trimestre de 2006. Não procede a alegação. Conforme se vê às fls. 166, o débito desse trimestre relativo à multa de 150% (imposto + adicional) totaliza R$ 156.000,00(R$ 97.200,00 + 58.800,00). Contudo, nada foi exigido, por ter sido deduzida essa importância. Já o debito relativo à multa de 75% totaliza RS 392.437,78 (R$ 235.459,07 + R$ 156.972,71. Deste débito foi deduzida a importância de R$ 165.026,50. Assim, somando-se os valores compensados nos dois percentuais de multa, obtém-se o montante de R$ 321.026,50, que supera o valor reclamado. A alegação não procede. (...) 1.8 — A impugnante reclama que a importância de R$ 134.825,54, relativa ao 4° trimestre de 2006, se encontra em duplicidade na PGFN, e não teria sido considerada no lançamento. Com respeito a essa alegação, cumpre esclarecer que realmente essa importância constou duas vezes em PER/DCOMP para esse mesmo trimestre. Constou a primeira vez no PER/DCOMP n° 2 (fls. 478-v), e constou pela segunda vez no PER/DCOMP no 3 (fls. 487). Tendo em vista que o documento de n.2 foi apresentado antes do inicio da ação fiscal, impõe-se seja considerado aquele valor. Quanto ao valor declarado no PER/DCOMP n° 3, apresentada após o inicio da ação fiscal, trata-se de providencia a ser adotada no âmbito da PGFN. E de se registrar, contudo, que a importância que pode ser considerada (R$ 134.825,54) já o foi no lançamento (fls. 167), sendo parte (R$ 44.400,00) deduzida do valor lançado com multa de 150%, e o restante (R$ 90.425,55) deduzida do valor lançado com multa de 75%. Não procede, portanto, a alegação. 2) COM RELAÇÃO ÀCSLL 2.1 — Reportando-se ao primeiro trimestre de 2005, a impugnante não reclama lançamento em duplicidade. Pelo contrário, aponta que o valor em cobrança na PGFN é de apenas R$ 14.913,94, e já foi deduzido no lançamento a importância de R$ 15.136,04. Nenhum inconformismo a apreciar, portanto. (...) 2.3 — Referindo-se aos 3° e 4° trimestres de 2005, a impugnante reconhece que os respectivos valores enviados à PGFN já foram integralmente deduzidos no lançamento.Não exterioriza, portanto, inconformismo com relação àqueles trimestres. (...) 2.5 — Referindo-se ao 2° trimestre de 2006, a impugnante reclama que o montante enviado â PGFN é de R$ 117.729,54, mas que no lançamento foi deduzida apenas a importância de R$ 48.599,99. Não procede a alegação. Conforme se vê às fls. 220, o debito desse trimestre relativo à multa de 150% (imposto + adicional) totaliza R$ 48.600,00. Contudo, nada foi exigido, por ter sido deduzida essa importância. Já o débito relativo à multa de 75% totaliza R$ 117.729,53, do qual foi deduzida a importância de R$ 69.129,54. Assim, somando-se os valores Fl. 778DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 18 compensados nos dois percentuais de multa, obtem-se o montante de R$117.729,54, que corresponde ao valor reclamado. A alegação não procede. (...) 2.7 — A impugnante reclama que a importância de R$ 50.697,19, relativa ao 4° trimestre de 2006, se encontra em duplicidade na PGFN, e não teria sido considerada no lançamento. Com respeito a essa alegação, cumpre esclarecer que realmente essa importância constou duas vezes em PER/DCOMP para esse mesmo trimestre. Constou a primeira vez no PER/DCOMP n° 2 (fls. 479), e constou pela segunda vez no PER/DCOMP n° 3 (fls. 487-verso). Tendo em vista que o documento de n° 2 foi apresentado antes do inicio da ação fiscal,impõe-se seja considerado aquele valor. Quanto ao valor declarado no PER/DCOMP n° 3, apresentado após o inicio da ação fiscal, trata-se de providência a ser adotada no âmbito da PGFN. É de se registrar, contudo, que a importância que pode ser considerada (R$50.697,19) já o foi no lançamento (fls. 220), sendo parte (R$ 15.120,00) deduzida do valor lançado com multa de 150%, e o restante (R$ 35.577,20) deduzida do valor lançado com multa de 75%. Não procede, portanto, a alegação.” Os fundamentos acima aduzidos tornam prejudicada a alegação da Contribuinte sobre a suposta ilegalidade da aplicação de multa de ofício em relação aos valores tidos por ela como declarados ou em cobrança. Conforme já se disse e ora se reitera, o lançamento foi lavrado para constituição de créditos tributários ainda não constituídos, em relação aos quais há incidência de multa de ofício, na forma da lei (Lei n. 9.430/96). Também não procedem as alegações da Contribuinte de que haveria concomitância entre as multas isoladas lançadas e a de ofício que acompanham os lançamentos. Conforme bem ressaltado pelo acórdão recorrido, as multas isoladas exigidas no caso possuem previsão legal e referem-se ao indeferimento das compensações requeridas pela Contribuinte. Por sua vez, as multas de ofício que compõem os lançamentos de IRPJ e reflexos decorrem da infração de omissão de receitas e do não recolhimento dos tributos sobre elas (receitas) incidentes, inclusive pelo regime de apuração do arbitramento (para o IRPJ e CSLL). Os demais argumentos aduzidos pela Contribuinte no recurso voluntário não se referem aos lançamentos de IRPJ e reflexos, razão pela qual não serão tratados nesse voto. Por todo o exposto, orienta-se voto no sentido de: (a) conhecer e dar parcial provimento ao recurso de ofício, para o fim de restabelecer as exigências canceladas pelo acórdão recorrido sob o fundamento de prévia confissão de dívida pela Contribuinte e (b) conhecer parcialmente o recurso voluntário para rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - RELATOR Fl. 779DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10935.001090/2011-20
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2012
EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. CABIMENTO.
A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á, entre outras hipóteses, quando comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho (art. 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123, de 2006).
EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE.
Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado Simples. Discute-se se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. [...]. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõe-se que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitir-se que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque, em nosso ordenamento jurídico, não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. (STJ - Recurso Repetitivo)
Numero da decisão: 1803-002.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Exercício: 2012 EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. CABIMENTO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á, entre outras hipóteses, quando comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho (art. 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123, de 2006). EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado Simples. Discute-se se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. [...]. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõe-se que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitir-se que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque, em nosso ordenamento jurídico, não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. (STJ - Recurso Repetitivo)
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2012 EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. CABIMENTO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá, entre outras hipóteses, quando comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho (art. 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123, de 2006). EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado Simples. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. [...]. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque, em nosso ordenamento jurídico, não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. (STJ Recurso Repetitivo) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 10 90 /2 01 1- 20 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.001090/201120 Acórdão n.º 1803002.563 S1TE03 Fl. 137 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler e Arthur José André Neto. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.001090/201120 Acórdão n.º 1803002.563 S1TE03 Fl. 138 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 104 e 105 – numeração digital ND): Tratase de manifestação de inconformidade apresentada contra ato de exclusão do Simples Nacional (fl. 54), com efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2011, por haver o contribuinte comercializado mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, conforme apurado pela fiscalização (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 29, caput, VII, e § 1º). 2. Cuidavase de vários brinquedos e artigos de origem estrangeira, que, por haverem ingressado no País em situação irregular, foram apreendidos e perdidos em procedimento que tramitou no processo nº 10935.001088/201151 (fls. 6/53). 3. Cientificado da exclusão, em 08.06.2011 (fl. 55), o contribuinte apresentou reclamatória em 06.07.2011 (fls. 57/69), requerendo o cancelamento do ato de exclusão, à luz dos seguintes motivos: (i) Antes do ato de exclusão, lavrado que foi no mesmo dia do auto de infração e apreensão de mercadoria, não lhe foi franqueado o contraditório e a ampla defesa, de modo que a exclusão só poderia se dar após conclusão do processo de apreensão e perdimento, em cujo seio está suspensa, por reclamação, a medida administrativa expropriatória (art. 151, III, do Código Tributário Nacional); (ii) Ausência de proporcionalidade da exclusão, por não se haver sopesado, na exata medida, o faturamento do contribuinte; (iii) Ante o valor das mercadorias desencaminhadas (R$ 1.803,67), muito inferior ao mínimo exigido pela legislação para que possa ensejar eventual execução fiscal (art. 20 da Lei nº 10.522, de 2002), é aplicável ao caso o princípio da insignificância, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (HC nº 92.438/PR); (iv) Os efeitos da exclusão devem se produzir a partir do comunicado da exclusão, e não propriamente do fato da apreensão, sob pena de se configurar retroação ilícita. 4. Pede, subsidiariamente, o sobrestamento do processo de exclusão até o julgamento final do auto de infração e apreensão de mercadoria, a fim de evitar decisões conflitantes. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 103 ND): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRABANDO OU DESCAMINHO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. O auto de infração de apreensão e perdimento de mercadoria comercializada, oriunda de contrabando ou descaminho, não consubstancia pressuposto ou requisito Fl. 138DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.001090/201120 Acórdão n.º 1803002.563 S1TE03 Fl. 139 4 de validade do ato de exclusão do Simples, mas condição sua, interferindo apenas no plano de sua eficácia. Dessa forma, a edição do ato de exclusão não pressupõe a formalização do auto de infração ou conclusão do seu processo. Para deflagrar o processo de afastamento do Simples, é suficiente a representação da autoridade fiscal que detectar um dos motivos que possam ensejar a exclusão de ofício do contribuinte. Visando assegurarlhe o devido processo legal, devese condicionar a eficácia do ato de exclusão à constituição definitiva do crédito tributário. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. CONTRABANDO E DESCAMINHO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando restar configurada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio 3. Cientificada da referida decisão em 18/12/2013 (fls. 115 ND), a tempo, em 15/01/2014, apresenta a interessada Recurso de fls. 118 a 133 ND, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos (excetuado o pedido de sobrestamento do processo de exclusão até o julgamento final do auto de infração e apreensão de mercadoria, a fim de evitar decisões conflitantes). Em mesa para julgamento. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.001090/201120 Acórdão n.º 1803002.563 S1TE03 Fl. 140 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Conforme consta da Representação Fiscal de fls. 1 a 3, no processo nº 10935.001088/201151 foi lavrado, em data de 15/02/2011, Auto de Infração e Apreensão de Mercadoria (fls. 4 a 6), caracterizando a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. 5. Referido Auto de Infração está assim fundamentado (fls. 4): Mercadoria estrangeira encontrada na zona secundária, introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente; exposta à venda, depositada ou em circulação comercial, sem documentação comprobatória de sua regular importação. 6. Em resposta à impugnação a esse auto, naquele processo, foi elaborado o Parecer Técnico Conclusivo SAORT nº 069/2011, assim ementado (fls. 49): Aplicase a pena de perdimento às mercadorias estrangeiras que deram entrada no país sem comprovação de sua importação regular, conforme art. 689, X, e art. 690 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759 /2009. AUTO DE INFRAÇÃO PROCEDENTE. 7. Com base no referido Parecer Técnico Conclusivo, foi aplicada a pena de perdimento das mercadorias apreendidas, em data de 16/05/2011, em decisão da qual não mais é cabível qualquer recurso na esfera administrativa (fls. 50). 8. Reclama a Recorrente que, antes do ato de exclusão, não lhe foi franqueado o contraditório e a ampla defesa. 9. Porém, o próprio art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, por ela mesma citado, deixa claro que o contencioso administrativo é posterior – e não anterior – à exclusão procedida de ofício (grifouse): Art. 39. O contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional será de competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federativo que efetuar o lançamento, o indeferimento da opção ou a exclusão de ofício, observados os dispositivos legais atinentes aos processos administrativos fiscais desse ente. 10. Assim, inexistiu qualquer ofensa ao devido processo legal, eis que se tratou de procedimento devidamente assente em lei (complementar). Fl. 140DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.001090/201120 Acórdão n.º 1803002.563 S1TE03 Fl. 141 6 11. Reclama, ainda, a Recorrente que a exclusão só poderia se dar após conclusão do processo de apreensão e perdimento, em cujo seio estaria suspensa, por reclamação, a medida administrativa expropriatória (art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional). 12. Sucede que constou da própria Representação Fiscal – Exclusão do Simples Nacional, datada de 15/02/2011 (fls. 3): 3.2. Assim, proponho que, após a emissão de Termo de Revelia ou Parecer Técnico confirmando a aplicação da pena de perdimento das mercadorias de procedência estrangeira relacionadas no processo administrativo de perdimento de mercadorias nº 10935.001088/201151, cópia de tal documento seja anexada ao presente processo, e que este seja encaminhado à chefia da SAANA/DRF/CASCAVEL/PR, para emissão de Termo de Exclusão do SIMPLES NACIONAL do sujeito passivo aqui representado. 13. Por sua vez, o Termo de Exclusão do Simples Nacional – TESN nº 005/2011, apesar de também datado de 15/02/2011 (fls. 51) – mesma data do Auto de Infração e Apreensão de Mercadoria , somente foi cientificado à ora Recorrente em 08/06/2011 (fls. 52), ou seja, posteriormente à efetiva aplicação da pena de perdimento de mercadorias apreendidas, quando já não mais pendente de decisão a apreensão efetuada. 14. Com relação aos alegados princípios da proporcionalidade e da insignificância, tratase de vetores não agasalhados pela Lei Complementar nº 123, de 2006, a qual não faz qualquer distinção quanto ao faturamento da empresa excluída do Simples Nacional, quanto aos valores das mercadorias objeto de contrabando ou descaminho ou, ainda, quanto aos tributos supostamente devidos em face da irregular importação: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...]; VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; 15. Vejase, por pertinente, que a jurisprudência citada pela Recorrente (HC nº 92.438PR, do Supremo Tribunal Federal – STF) reportase, expressamente, aos princípios que regem o Direito Penal (“Princípios da subsidiariedade, da fragmentariedade, da necessidade e da intervenção mínima que regem o Direito Penal”), e não ao Direito Tributário, como é o presente caso (exclusão do Simples Nacional). 16. Analisase, na sequência, a alegação da Recorrente de que os efeitos da exclusão do Simples Nacional devem se produzir a partir do comunicado da exclusão, e não propriamente do fato da apreensão, sob pena de se configurar retroação ilícita. Recursos repetitivos (STJ) 17. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com Fl. 141DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.001090/201120 Acórdão n.º 1803002.563 S1TE03 Fl. 142 7 as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 18. Relativamente à questão dos efeitos da exclusão do Simples, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC) (válido também para o Simples Nacional): DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. LEI 9.317/96. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 15, INCISO II, DA LEI 9.317/96. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. [...]. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque, em nosso ordenamento jurídico, não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. 8. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. [...]. (REsp 1.124.507/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/04/2010, DJe 06/05/2010) Fl. 142DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.001090/201120 Acórdão n.º 1803002.563 S1TE03 Fl. 143 8 19. Não procede a alegação da Recorrente, estando correto, também neste ponto, o Termo de Exclusão do Simples Nacional – TESN nº 005/2011. 20. Menciono, por fim, os seguintes precedentes administrativos, todos unânimes: Acórdão nº 180101.052, de 14/07/2012 – 1ª Turma Especial: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. CONTRABANDO/DESCAMINHO. Apreendida no estabelecimento comercial mercadoria fruto de contrabando ou de descaminho, correta a exclusão da empresa do regime de tributação unificado, diferenciado e favorecido Simples Nacional, por força da norma que disciplina o favor fiscal. Acórdão nº 1802002.008, de 12/02/2014 – 2ª Turma Especial: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando constatada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. (Inteligência do artigo 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123/2006). Acórdão nº 1803001.932, de 10/10/2013 – 3ª Turma Especial: Assunto: Simples Nacional Exercício: 2009 EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. CABIMENTO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.001090/201120 Acórdão n.º 1803002.563 S1TE03 Fl. 144 9 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 144DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10830.007025/2007-08
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1988 a 31/01/1993
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO.
Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial desloca-se para a regra do art. 150, §4º, do CTN.
Hipótese em que não houve pagamento antecipado.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Alexandre Naoki Nishioka Relator
EDITADO EM: 17/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1988 a 31/01/1993 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial desloca-se para a regra do art. 150, §4º, do CTN. Hipótese em que não houve pagamento antecipado. Recurso especial provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2126; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 613 1 612 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.007025/200708 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.558 – 2ª Turma Sessão de 28 de janeiro de 2015 Matéria Contribuições sociais previdenciárias Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CARLOS JORGE MARTINS SIMÕES ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1988 a 31/01/1993 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial deslocase para a regra do art. 150, §4º, do CTN. Hipótese em que não houve pagamento antecipado. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 70 25 /2 00 7- 08 Fl. 613DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.007025/200708 Acórdão n.º 9202003.558 CSRFT2 Fl. 614 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka – Relator EDITADO EM: 17/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (efls. 575/580), em face do Acórdão n° 230101.810 (efls. 560/570), que teve a seguinte ementa: “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1997 a 31/01/2001; 01/12/2002 a 31/05/2005. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Somente se aplica o art. 150, §4º do CTN quando verificado que o lançamento referese a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. ...” (efl. 560). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso especial, apontando como paradigma o Acórdão 240101.759, que restou assim ementado: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2000 a 30/09/2003 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO Fl. 614DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.007025/200708 Acórdão n.º 9202003.558 CSRFT2 Fl. 615 3 REALIZADO. Não se verificando antecipação de pagamento das contribuições, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN. ...” O recurso foi admitido por meio da decisão de efls. 600/601, não tendo apresentado a Recorrida contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço, adotando como fundamento a decisão de efls. 600/601. Discutese, quanto a este aspecto, se, para efeitos de contagem da decadência com base no disposto no artigo 173, I, do CTN, deve ser observado o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou o primeiro dia seguinte ao do fato gerador. Em relação à matéria, vinha me manifestando no sentido de que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sempre seria aplicável o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º, do CTN, independentemente da existência ou não de princípio de pagamento, pois, à regra geral do artigo 173, I, o Código estabeleceu justamente a exceção contida no artigo 149, V. Homologase, na verdade, a atividade do contribuinte. Todavia, cumpre registrar que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia acerca do prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário, assim se manifestou: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp Fl. 615DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.007025/200708 Acórdão n.º 9202003.558 CSRFT2 Fl. 616 4 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (STJ, Primeira Seção, REsp 973733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). (Grifouse). Como é cediço, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 256, de 22 de junho de 2009, no artigo 62A de seu Anexo II, acrescentado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 586, de 21/12/2010, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática estabelecida nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros desse Conselho Administrativo no julgamento dos respectivos recursos. Vejase: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro Fl. 616DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.007025/200708 Acórdão n.º 9202003.558 CSRFT2 Fl. 617 5 de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Assim, muito embora já tenha me manifestado em diversas oportunidades, anteriormente ao julgamento do Recurso Especial n.º 973.733, acerca da aplicabilidade do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional àqueles casos relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, independentemente de haver início de pagamento, tratandose da exata hipótese apreciada sob a sistemática dos recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, passei a adotar, nos termos do aludido art. 62A do Anexo II do RICARF, o entendimento daquela Corte infraconstitucional. À luz de referido entendimento, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação no qual não houve princípio de pagamento, verificase que o prazo de lançamento é o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. No presente caso, tratase de crédito tributário constituído em 09 de março de 2005 relativamente a fatos geradores ocorridos 08/1997 a 01/2001 e 12/2002 a 01/2005, tendo o acórdão recorrido declarado a decadência em relação às competências 08/1997 a 12/1999. Alega a Fazenda que a competência 12/1999 não teria sido alcançada pela decadência, pois o lançamento poderia ter sido efetuado até 31 de dezembro de 2005. Considerandose o disposto no artigo 173, I, do CTN, entendo que o recurso deve ser provido para excluir a competência 12/1999, pois, no caso, como o lançamento poderia ser efetuado em 2000, o dies a quo do prazo decadencial seria 01 de janeiro de 2001, operandose a decadência em 31 de dezembro de 2005. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 617DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.007025/200708 Acórdão n.º 9202003.558 CSRFT2 Fl. 618 6 Fl. 618DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 15563.000691/2007-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2005
GANHOS EVENTUAIS. VALORES PAGOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Pela própria definição de contribuinte individual prevista no art. 12, V, g, da Lei n° 8.212/91, como aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, não há que se falar que sua remuneração, por mais que seja eventual, estaria isenta das contribuições, nos termos do art. 28, § 9°, e, 7, da Lei n° 8.212/91.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS - REPLEG. CARÁTER INFORMATIVO. A indicação de pessoas físicas no Relatório de Representantes Legais - REPLEG não representa ofensa ao art. 135 do CTN, por se tratar de peça de instrução do processo com função meramente indicativa daqueles que possuíam poder de direção à época dos fatos geradores, consoante Súmula nº 88 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 06 91 /2 00 7- 28 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15563.000691/200728 Acórdão n.º 2402004.583 S2C4T2 Fl. 690 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 16/11/2007 para exigência de multa por deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos contribuintes individuais (autônomos sem vínculo com a empresa), no período de 04/2003 a 04/2005, conforme descrito no Relatório Fiscal (fls. 47/51). O Recorrente apresentou Impugnação ao lançamento (fls. 93/197) requerendo o cancelamento o auto de infração ante a sua insubsistência. A DRJ do Rio de Janeiro II/RJ julgou o lançamento procedente (fls. 195/213), sob os argumentos de que: (i) inexiste irregularidade no Mandado de Procedimento Fiscal, pelo fato de ter sido expirado o seu prazo e não ter ocorrido a constituição de qualquer crédito, não havendo que se falar em violação ao art. 587, § 1°, da Instrução Normativa MPS/SRP 03/2005; (ii) a ausência de desconto da contribuição para a Previdência Social na remuneração dos contribuintes individuais enseja a aplicação da multa prevista no art. 92 e 102, da Lei n° 8.212/91, c/c art. 283, I, “g” e art. 373 do RPS; e (iii) a indicação de pessoas físicas como corresponsáveis pelo débito tem caráter meramente informativo, não tendo o condão de atribuir responsabilidade solidária nos termos do art. 135, do CTN. Intimado da decisão em 06/08/2008 (fl. 227), o Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 22/08/2008 (fls. 231/325) argumentando que: (i) a decisão de primeiro grau interpretou restritivamente o disposto no art. 28, § 9°, “e”, 7, da Lei n° 8.212/91, em violação ao princípio da legalidade; (ii) a impossibilidade de inclusão de pessoas físicas como corresponsáveis, ante a inobservância dos requisitos estabelecidos no art. 135 do CTN; e (iii) com a expedição de Mandado de Procedimento Fiscal sem a respectiva lavratura do Auto de Infração, considerase homologado o lançamento tributário efetivado pelo contribuinte, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, motivo pelo qual o crédito ora exigido estaria extinto conforme previsão do art. 156, V, do CTN. É o relatório. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme descrito no Relatório Fiscal (fls. 47/51), o Recorrente deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos contribuintes individuais (autônomos sem vínculo com a empresa), no período de 04/2003 a 04/2005. Assim, foi imposta multa com base nos arts. 92 e 102, da Lei n° 8.212/91, e art. 283, “caput” e § 3° e art. 373 do Regulamento da Previdência Social c/c Portaria MPS n° 142/07. O Recorrente defende em seu recurso que os valores pagos a contribuintes individuais representam ganhos eventuais e, portanto, isentos de contribuição previdenciária conforme disposição do art. 28, § 9°, “e”, 7, da Lei n° 8.212/91. Contudo, a tese apresentada em seu recurso vai de encontro com a própria definição de contribuinte individual, previsto no art. 12, V, “g”, da Lei n° 8.212/911, definido como aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego. Vejase que o disposto no art. 28, § 9°, “e”, 7, da Lei n° 8.212/91, tem como destinatário aqueles segurados cujas remunerações são pagas em caráter não eventual, o que, como visto, não é o caso dos contribuintes individuais, motivo pelo qual não procede a alegação que a Recorrente estaria desobrigada a efetuar o recolhimento das contribuições incidentes sobre tais valores, tampouco de que a decisão de primeira instância teria feito interpretação restritiva do dispositivo. Portanto, está correta a aplicação da multa no presente caso, com base no art. 92 e 102, da Lei n° 8.212/91, c/c art. 283, I, “g” e art. 373 do RPS. Ademais, quanto à indicação de pessoas físicas no Relatório de Representantes Legais – REPLEG, temse que isto não representa ofensa ao art. 135 do CTN, por se tratar de peça de instrução do processo com função meramente indicativa daqueles que possuíam poder de direção à época dos fatos geradores, mas que não tem o condão de atribuir a responsabilidade tributária de terceiros prevista no art. 135 do CTN. Nesse sentido, destacase a Súmula nº 88 do CARF: “Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa 1 “Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual: (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego;” Fl. 335DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15563.000691/200728 Acórdão n.º 2402004.583 S2C4T2 Fl. 691 5 jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” Não há, assim, que se falar na atribuição indevida de responsabilidade aos sócios e, consequentemente, na infração ao disposto no art. 135 do CTN. Por fim, sustenta a Recorrente que o lançamento foi realizado quando já se encontrava expirado o Mandado de Procedimento Fiscal, o que seria incabível, posto que a expedição de MPF sem a respectiva lavratura do Auto de Infração configura homologação do lançamento, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, motivo pelo qual o crédito ora exigido estaria extinto conforme previsão do art. 156, V, do CTN. Contudo, conforme se verifica à fl. 33, houve a prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal até o dia 30/12/07, abarcado assim a data de constituição do presente auto de infração, que ocorreu em 16/11/07. Ademais, não há qualquer lógica em se buscar o reconhecimento da homologação do lançamento pela expiração do prazo do MPF, mormente quando se está diante de um lançamento de ofício por descumprimento de obrigação acessória, que sequer se sujeita ao disposto no art. 150, § 4°, do CTN. Destarte, não há razão no argumento da Recorrente. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para NEGAR LHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 10183.900938/2008-40
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO.
No âmbito do processo administrativo fiscal, não há previsão de embargos de declaração destinados a aperfeiçoar a decisão de primeira instância, cabendo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a adoção da medida remediadora da omissão, mediante recurso voluntário.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. ECONOMIA PROCESSUAL. CELERIDADE.
Não havendo risco de supressão de instância, os princípios da economia processual e da celeridade autorizam que a omissão da decisão de primeira instância seja imediatamente remediada por decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao decidir sobre recurso voluntário.
Numero da decisão: 1801-002.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. No âmbito do processo administrativo fiscal, não há previsão de embargos de declaração destinados a aperfeiçoar a decisão de primeira instância, cabendo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a adoção da medida remediadora da omissão, mediante recurso voluntário. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. ECONOMIA PROCESSUAL. CELERIDADE. Não havendo risco de supressão de instância, os princípios da economia processual e da celeridade autorizam que a omissão da decisão de primeira instância seja imediatamente remediada por decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao decidir sobre recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 09 38 /2 00 8- 40 Fl. 838DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.900938/200840 Acórdão n.º 1801002.277 S1TE01 Fl. 839 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório BERALDI TRANSPORTES LTDA., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 0435.746 (fl. 802), pela DRJ Campo Grande, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação nº 02898.96154.070204.1.3.04,8137 (fl. 50), que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 3, com a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 7, cujos argumentos são assim resumidos: i) incorreu em erro de fato ao fazer constar como origem do crédito “Pagamento Indevido ou a Maior” ao invés de fazer constar “Saldo Negativo de CSLL”. ii) possui, de fato, crédito decorrente de “Saldo Negativo de CSLL”, conforme procura demonstrar com as DCTF e DIPJ dos exercícios de 2001, 2002 e 2003. iii) apresentou DCOMP retificadora por meio de formulário, na qual fez constar a origem do crédito como “Saldo Negativo de CSLL”. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fl. 454), com a fundamentação assim sintetizada: (i) as antecipações de pagamentos por estimativa só são passíveis de restituição após o final do anocalendário; (ii) os pedidos de compensação só podem ser retificados até a notificação do interessado acerca do indeferimento de seu pleito. A decisão adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.900938/200840 Acórdão n.º 1801002.277 S1TE01 Fl. 840 3 Conhecese parcialmente da manifestação de inconformidade no caso de parte das razões não serem pertinentes ao litígio instaurado. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. ANTECIPAÇÃO. Os recolhimentos de CSLL por estimativa são meras antecipações, não sendo passíveis de restituição, a não ser após a apuração de saldo negativo ao final do ano calendário. DCOMP. RETIFICAÇÃO. As declarações de compensação s6 podem ser retificadas até a notificação do interessado da decisão proferida pelo titular da unidade da Receita Federal que circunscriciona o contribuinte e se tiver ocorrido mero erro material. Cientificado dessa decisão, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fl. 471, reiterando os argumentos da impugnação, com a alegação de erro formal no preenchimento da DCOMP, a efetiva existência de seu crédito, conforme a documentação acostada e a retificação da DCOMP. Ao julgar a presente lide, pela primeira vez, esta egrégia Turma de Julgamento deu provimento em parte ao recurso voluntário, reconhecendo a possibilidade de compensar crédito de estimativa, reconhecendo o erro material no preenchimento da DCOMP e fazendo retornar os autos à autoridade julgadora de primeira instância para a verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Esta decisão consta do Acórdão nº 1801001.295 (fl. 502), de 5 de dezembro de 2012, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. ERRO FORMAL NO PREENCHIMENTO DA PERDCOMP. RETIFICAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Reconhecido mero erro de fato no preenchimento da declaração deve a verdade material prevalecer sobre a forma. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.900938/200840 Acórdão n.º 1801002.277 S1TE01 Fl. 841 4 Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto da relatora. Em cumprimento da decisão da autoridade julgadora de segunda instância e após a realização de competente diligência fiscal, a DRJ Campo Grande prolatou nova decisão, conforme o acórdão ora recorrido (fl. 802), em que reconheceu o direito de crédito apontado pelo contribuinte, conforme a conclusão do voto condutor, abaixo transcrita: Posto isso e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de por considerar procedente a manifestação de inconformidade, para reconhecer o crédito de R$ 4.171,87. A unidade de origem deverá promover os adequados controles com vistas à não utilização do crédito em duplicidade, tendo em vista a natureza do crédito declarado em Dcomp não ser a mesma daquele reconhecido nesta decisão. Cientificado dessa decisão em 14/08/2014 (fl. 810), por meio de remessa postal, o contribuinte apresentou novo recurso voluntário (fl. 812), em 12/09/2014. Desta feita, o recorrente não controverte a decisão a quo, mas a inquina de omissão, consubstanciada no fato desta não ter expressamente declarado a homologação da compensação em tela. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. Os fatos relativos à presente lide são incontroversos e o direito de crédito já foi integralmente reconhecido. A questão que remanesce diz respeito à necessidade de expressa declaração da homologação da compensação em tela. Compulsando os autos, verificase que o contribuinte pediu, em sua manifestação de inconformidade, que fosse determinada a homologação da compensação de sua autoria, conforme o seguinte excerto (fl. 20): Ante o exposto requer que seja recebido o presente recurso e que em seu mérito: Fl. 841DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.900938/200840 Acórdão n.º 1801002.277 S1TE01 Fl. 842 5 a) Seja reconhecido o crédito da recorrente, determinandose a homologação da compensação constante da PER/DCOMP e posterior Declaração de Compensação Retificadora, e corolário lógico, declarando esse Colendo Colegiado extinto definitivamente o débito tributário nos termos do artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional; O Código de Processo Civil pátrio determina que a autoridade julgadora manifestese sobre o pedido do autor, acolhendoo ou rejeitandoo, no todo ou em parte: Art. 459. O juiz proferirá a sentença, acolhendo ou rejeitando, no todo ou em parte, o pedido formulado pelo autor. Nos casos de extinção do processo sem julgamento do mérito, o juiz decidirá em forma concisa. Entendo que a decisão a quo não atendeu a esse mister, quando deixou de se manifestar sobre a homologação da compensação. No âmbito do processo judicial, essa omissão poderia ser resolvida mediante embargos de declaração (art. 463, II, do CPC). O contribuinte até ingressou com embargos de declaração dirigidos àquela autoridade (fl. 825). Todavia, no âmbito do processo administrativo fiscal, não há previsão de embargos de declaração destinados a aperfeiçoar a decisão de primeira instância. Em razão disso, entendo que cabe a este tribunal administrativo a adoção da medida remediadora da omissão. Nessa senda, esta Turma de Julgamento poderá anular a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos para que seja proferida nova decisão, agora sem a apontada omissão. Todavia, também é possível que a omissão seja aqui mesmo reparada, considerando que o recurso voluntário tem efeito devolutivo e considerando ainda que não há risco de supressão de instância, pois a declaração da homologação da compensação não irá infringir a decisão a quo. Diante dessas duas possibilidade, minha opção recaí pela decisão definitiva desse colegiado, em homenagem aos princípios da economia processual e da celeridade. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, ratificando o direito de crédito já reconhecido e declarando a homologação da compensação em tela até o limite do crédito disponível, a ser verificado pela unidade de jurisdição do contribuinte. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 842DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.900938/200840 Acórdão n.º 1801002.277 S1TE01 Fl. 843 6 Fl. 843DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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