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6633564 #
Numero do processo: 10855.722833/2011-99
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF nº 105. ALCANCE. A Súmula CARF nº 105, que enuncia que a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício, tem aplicação em face de multas lançadas tendo por referência infrações cometidas antes da alteração promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007. Tal súmula se aplica inclusive nos casos em que a exigência tenha sido formalizada já com o percentual reduzido de 50%. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL.
Numero da decisão: 9101-002.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO

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Acórdão nº  9101­002.502  –  1ª Turma   Sessão de  12 de dezembro de 2016  Matéria  MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA.  Recorrente  NOVA TAMBORÉ SERVIÇOS DE ENGENHARIA LTDA   Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2006  MULTA  ISOLADA  POR  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DE  ESTIMATIVAS  MENSAIS.  CONCOMITÂNCIA  COM  A  MULTA  DE  OFÍCIO. SÚMULA CARF nº 105. ALCANCE.  A  Súmula  CARF  nº  105,  que  enuncia  que  a  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso  IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa  de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual,  devendo subsistir a multa de ofício, tem aplicação em face de multas lançadas  tendo por  referência  infrações  cometidas  antes da alteração promovida pela  Medida Provisória nº 351, de 2007. Tal súmula se aplica inclusive nos casos  em que a exigência tenha sido formalizada já com o percentual reduzido de  50%.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2006  LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES.  Pela  íntima  relação  de  causa  e  efeito,  aplica­se  o  decidido  ao  lançamento  principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de  CSLL.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar­lhe provimento.  (assinado digitalmente)  Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 28 33 /2 01 1- 99 Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 10855.722833/2011­99  Acórdão n.º 9101­002.502  CSRF­T1  Fl. 1.338          2   (assinado digitalmente)  Adriana Gomes Rêgo ­ Relatora    Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira  Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio  Neto, Rafael Vidal De Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à  Conselheira  Daniele  Souto  Rodrigues  Amadio)  e  Demetrius  Nichele  Macei  (suplente  convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.    Relatório  NOVA  TAMBORÉ  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO  DE  ALUMÍNIO  LTDA  recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de e­fls 1.274 e ss., contra o acórdão nº  1402­001.635, de 8 de abril de 2014 (e­fls. 1.247 e ss.), que, no mérito e por voto de qualidade,  negou provimento ao recurso voluntário.  O recurso foi admitido por meio do Despacho de e­fls. 1.317 e ss.  Na  matéria  objeto  da  presente  discussão,  o  acórdão  recorrido  recebeu  a  seguinte ementa:  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2006   (...)  INSUFICIÊNCIA  NO  RECOLHIMENTO  DE  ESTIMATIVAS.  MULTA ISOLADA.   Em função de expressa previsão legal, deve ser aplicada a multa  isolada  sobre  os  pagamentos  que  deixaram  de  ser  realizados  concernentes  ao  imposto  de  renda  a  título  de  estimativa,  seja  qual  for  o  resultado  apurado  no  ajuste  final  do  período  de  apuração e independentemente da imputação da multa de ofício  exigida em conjunto com o tributo.  A Recorrente aponta divergência  jurisprudencial  em  relação aos  acórdãos  a  seguir, cujas ementas estão assim redigidas na parte de interesse:  Acórdão nº 9101­001.782:   ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ   Ano­calendário: 2000, 2001   MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.  IMPOSSIBILIDADE.   É incabível a aplicação concomitante da multa isolada por falta  de recolhimento de tributo com base em estimativa e da multa de  ofício  exigido pela  constatação de omissão de  receitas,  quando  ambas recaem sobre a mesma receita.   Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 10855.722833/2011­99  Acórdão n.º 9101­002.502  CSRF­T1  Fl. 1.339          3 Acórdão nº 1103­000.934:   ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ   Ano­calendário: 2001, 2002, 2003, 2004   MULTAS  ISOLADAS  (ESTIMATIVAS  CSLL)  CONCOMITÂNCIA COM MULTAS PROPORCIONAIS   Apenado  o  continente,  desnecessário  e  incabível  apenar  o  conteúdo. Penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do  todo  seria  uma  contradição  de  termos  lógicos  e  axiológicos.  Princípio da consunção em matéria apenatória. A aplicação da  multa  de  ofício  de  75%  sobre  o  valor  não  pago  das  CSLL  efetivamente  devidas  exclui  a  aplicação  da  multa  de  ofício  de  50% sobre o valor não pago de CSLL mensal por estimativa dos  mesmos anos­calendário.  A  alegação  de  mérito  da  Recorrente  vai  no  sentido  de  que  a  aplicação  simultânea da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais com a multa de  ofício "representa um evidente bis in idem ou uma duplicidade punitiva já que as estimativas  representam mera antecipação do imposto e da contribuição devidas", sendo que "quando há  aplicação da multa de ofício, não cabe exigir da multa isolada prevista no art. 44, § 1º, inciso  IV, da Lei nº 9.430/96".  Peticiona a Recorrente que "seja conhecido e provido o presente RECURSO  ESPECIAL, para ver reformada a r. decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara  da 1ª Seção de Julgamento do CARF".  A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (e­fls. 1.321 e ss.), aduzindo,  em essência, o que segue:  a) em sede de preliminar, a Fazenda alegou que o recurso da Contribuinte não  pode ser conhecido por que "não trouxe nada além da alegada demonstração da divergência"  e "não apontou quais os fundamentos, as razões que demonstrariam a necessidade de reforma  da  decisão  recorrida".  E,  assim,  "feriu  o  princípio  da  dialeticidade,  segundo  o  qual  os  recursos  devem  ser  dialéticos  e  discursivos;  devem  expor  claramente  os  fundamentos  da  pretensão à reforma", acrescentando a Fazenda que "o princípio da dialeticidade consiste no  dever  do  recorrente  de  indicar  todas  as  razões  de  direito  e  de  fato  que  dão  base  ao  seu  recurso";  b)  ainda  em  preliminar,  asseverou  que  não  restou  demonstrado  o  dissenso  jurisprudencial porquanto "o voto condutor da decisão recorrida indica que houve mudança de  posicionamento quanto à matéria, em virtude do advento da Lei n. 11.488/2007", ao passo que  "os precedentes indicados quanto à matéria nada aduziram a esse respeito";  c)  quanto  ao  mérito,  a  Fazenda  alega  que  "a  Lei  nº  9.430/1996  prevê  claramente  que  a multa  decorrente  do  descumprimento  do  regime  de  estimativa  não  possui  nenhuma  relação  com  o  pagamento  ou  não  de  imposto  pelo  contribuinte  no  ajuste  anual",  acrescentando que a atual alínea "b" do  inciso  II do art. 44 da lei em questão estabelece que  "cabe a multa ainda que ao final do período não exista tributo a recolher";  Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 10855.722833/2011­99  Acórdão n.º 9101­002.502  CSRF­T1  Fl. 1.340          4 d)  aduz  também  que  "a multa  isolada  incide  sobre  o  valor  do  pagamento  mensal",  sendo  que  as  estimativas  "não  equivalem  ao  tributo  efetivamente  devido,  mas,  consoante  a  jurisprudência  pacificada  dos  Conselhos  de  Contribuintes  e  CARF,  são  meros  adiantamentos  do  tributo,  que  será  calculado  ao  final  do  ano".  E  acrescenta  que,  como  estabelecido no CTN, o  intérprete não poderá se valer do  juízo de eqüidade para dispensar a  exigência de crédito tributário.  Ao  final  pede  que  "seja  negado  seguimento  ao  recurso  especial  interposto  pelo  contribuinte",  ou,  caso  não  seja  este  o  entendimento  sufragado,  "que,  no  mérito,  seja  negado provimento ao citado recurso, mantendo­se o acórdão proferido pela eg. Turma a quo  por seus próprios fundamentos, bem como com fundamento nas razões expendidas".  É o relatório.  Voto             Conselheira Adriana Gomes Rêgo ­ Relatora  O recurso é tempestivo e, em que pese as alegações da Fazenda Nacional, a  seguir  enfrentadas,  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade,  motivo  pelo  qual  dele  tomo  conhecimento.  Preliminar de Não Conhecimento do Recurso  A  Fazenda  Nacional  alega  em  sede  de  preliminar  que  o  recurso  da  Contribuinte  não  pode  ser  conhecido  uma  vez  que,  ao  deixar  de  apontar  as  razões  que  demonstrariam  a  necessidade  de  reforma  da  decisão  recorrida,  feriu  o  princípio  da  dialeticidade.   Refere  a  Fazenda  Nacional  que  "de  acordo  com  o  art.  514,  inciso  II,  do  Código de Processo Civil, a apelação deverá conter os  fundamentos de  fato e de direito, ou  seja,  deverá  demonstrar  os  motivos  de  desacerto  da  decisão  recorrida"1.  Semelhante  disposição  consta  no  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  cujo  art.  16,  inciso  III,  estabelece  que  a  impugnação mencionará "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta".  Compulsando­se  a  peça  recursal,  no  entanto,  verifica­se  que,  embora  a  Recorrente  tenha  ali  mesclado  demonstração  da  divergência  com  exposição  de  razões  para  reforma  do  acórdão  recorrido  (no  item  "IV.  DA DIVERGÊNCIA"),  tornando mais  difícil  a  leitura e a compreensão do recurso, não se pode dizer que carente de fundamentação de fato e  de direito.   Como se vê nos trechos destacados a seguir, a Recorrente situa a controvérsia  remanescente para apreciação da CSRF no tema da aplicação conjunta das multas de ofício e  isolada,  argumenta  que  tal  proceder  "representa  um  evidente bis  in  idem"  e  pugna  pela  não  exigência  da  multa  isolada,  asseverando  também  que  "a  adoção  da  tese  veiculada  nos  paradigmas implicará no reconhecimento de que a exigência fiscal mantida no presente feito  não é devida, impondo seu afastamento". Confira­se:                                                              1 Aqui a referência é feita ao CPC vigente quando da interposição do recurso.  Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 10855.722833/2011­99  Acórdão n.º 9101­002.502  CSRF­T1  Fl. 1.341          5   (...)    (...)    É  dizer,  não  procede  a  alegação  da  Fazenda  de  falta  de  fundamentação  do  recurso a precipitar o seu não conhecimento.  Assevera  também  a  Fazenda  Nacional  que  o  recurso  da  Contribuinte  não  pode  ser  conhecido  uma  vez  que  o  voto  condutor  da  decisão  recorrida  indica  que  houve  mudança  de  posicionamento  quanto  à  matéria  em  virtude  do  advento  da  Lei  nº  11.488,  de  2007, ao passo que os paradigmas nada aduziram a esse respeito.  De fato, a  leitura do acórdão recorrido indica que a alteração na redação do  art.  44 da Lei nº 9.430,  de 1996,  trazida pela Lei nº 11.488, de 2007  (conversão da Medida  Provisória nº 351, de 2007), é destacada pelo Relator na construção de sua argumentação em  favor da possibilidade da aplicação simultânea da multa isolada por falta de recolhimento das  estimativas mensais com a multa de ofício.  Tal  fato,  no  entanto,  não  é  suficiente  para  descaracterizar  a  divergência  jurisprudencial.  Tanto no caso do acórdão recorrido, quanto nos paradigmas o período  autuado  é  anterior  à  edição  da Medida  Provisória  nº  351,  de  2007,  que,  como  se  viu,  alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Como as próprias ementas dos julgados  indicam, os fatos de que trata o acórdão recorrido ocorreram no ano­calendário 2006, ao passo  Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 10855.722833/2011­99  Acórdão n.º 9101­002.502  CSRF­T1  Fl. 1.342          6 que  os  dos  paradigmas  ocorreram  nos  anos­calendário  2001  e  2002  e  2001  a  2004,  respectivamente.   É bem verdade que, no caso do recorrido, o próprio auto de infração indica  no  enquadramento  legal  a  aplicação do art.  44 da Lei nº 9.430, de 1996,  já  "com a  redação  dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351, de 2007", combinando esse dispositivo "com o  art. 106, inciso II, alínea c do CTN" (que estabelece que a lei aplica­se a ato ou fato pretérito  "quando  lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao  tempo da sua  prática"), situação que inocorre no primeiro paradigma e não pode ser confirmada no segundo  paradigma. Mas, certo é que nos dois paradigmas se apreciou a questão da concomitância das  multas à luz da redação alterada do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.   Isso  resta  claro  quando  se  vê  que  no  primeiro  paradigma  (de  nº  9101­ 001.782, que  afastou  a  aplicação da multa  isolada por  inadmitir  a  concomitância),  o próprio  acórdão por ele reformado (de Turma Especial do CARF) já aplicara a nova redação do art. 44  para  reduzir  a  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas  de  75%  para  50%.  Confira­se trecho do relatório do paradigma:  O Recorrente  insurgiu­se contra  o  acórdão nº  1801­00.047,  no  qual a 1ª Turma, da 3ª Câmara Ordinária, da Primeira Seção de  Julgamento  deste  Conselho,  por  maioria  de  votos,  negou  provimento ao Recurso Voluntário. Cientificado, o  contribuinte  opôs  Embargos  de  Declaração  alegando  omissão  da  decisão  recorrida  quanto  à  aplicação  da  multa  isolada.  Os  Embargos  foram conhecidos e parcialmente acolhidos para reduzir a multa  isolada  de  75%  para  50%,  por  meio  do  acórdão  nº  1801­ 001.237, assim ementado:  “EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  OMISSÃO  DO  ACÓRDÃO  RECORRIDO.  Devem  ser  conhecidos  os  embargos  de  declaração  que  apontam,  no  acórdão  embargado, omissão de ponto sobre o qual devia pronunciar  se a turma julgadora.  MULTA  ISOLADA.  ESTIMATIVAS MENSAIS.  FALTA  DE DECLARAÇÃO EM DCTF/PAGAMENTO Nos casos  de lançamento de ofício, deve ser aplicada a multa de 50%  (cinquenta  por  cento),  exigida  isoladamente,  sobre  o  valor  da estimativa mensal de IRPJ e de CSLL que deixou de ser  declarada (DCTF)/paga, nos termos do que dispõe a Lei n º  9.430, de 1996, art. 44, II “b”.”  O mesmo se constata em relação ao segundo paradigma (de nº 1103­000.934,  que  também  afastou  a  aplicação  da  multa  isolada),  na  medida  em  que  nesse  julgado  há  reiteradas  referências  à  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  das  estimativas  mensais  no  percentual de 50%2. Confira­se:  Quanto à multa  isolada devida no percentual de  cinquenta por  cento  nos  casos  da  falta  de  recolhimento  da CSL  apurada  por  estimativa, a recorrente alegou que não poderiam ser cominadas  duas  multas  ao  mesmo  tempo  –  a  isolada  e  a  de  ofício.  No  entanto, o a Turma julgadora da DRJ explicitou que ocorreram                                                              2 Na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a multa isolada tinha era no percentual de 75%.  Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 10855.722833/2011­99  Acórdão n.º 9101­002.502  CSRF­T1  Fl. 1.343          7 dois  ilícitos:  a  falta  de  recolhimento  da  CSL  e  a  falta  de  pagamento  da  CSL  por  estimativa,  não  havendo,  então,  óbice  para a cobrança das multas.  (...)  Ora, com a aplicação da multa de ofício de 75% sobre o valor  das CSL efetivas e não pagas2, juntamente com a exigência desse  tributo, como se pretender aplicar, ao mesmo tempo, a multa de  50%  sobre  a  CSL  por  estimativa  não  paga  dos  mesmos  anos­ calendário?  Constitui,  a  meu  ver,  uma  incoerência  lógica,  teleológica  e  axiológica  a  aplicação  concomitante  dessas  multas,  à  vista  do  bem jurídico tutelado.  É de cartesiana nitidez, para mim, que a aplicação da multa de  ofício  de  75%  sobre  o  valor  não  pago  da  CSL  efetivamente  devida,  cobrável  juntamente  com  essa,  exclui  a  aplicação  da  multa de ofício de 50% (multa  isolada) sobre o valor não pago  da CSL mensal por estimativa, do mesmo ano­calendário.  Isso,  seja  por  interpretação  lógica  dos  preceitos  citados  (aliás,  para além disso, pode­se dizer que é corolário lógico), seja por  interpretação finalística do art. 44, I e II, da Lei 9.430/96.  Como penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo?  Isso seria uma contradição de termos  lógicos e axiológicos – e  mesmo finalísticos (teleológicos).  Apenado  o  continente,  desnecessário  e  incabível  apenar  o  conteúdo.  Se  já  se  penaliza  o  todo,  não  há  sentido  em  se  penalizar também a parte do todo. É a aplicação do princípio da  consunção em matéria apenatória.  Sob  essa  ordem  de  considerações  e  juízo,  dou  provimento  ao  recurso,  para  afastar  a  exigência  das multas  isoladas  sobre  as  estimativas de CSL dos anos­calendário de 2001 a 2004, para os  quais houve  lançamento de multas proporcionais  sobre as CSL  efetivas.  É  dizer,  a  divergência  restou  caracterizada  na  medida  em  que  os  julgados  confrontados trataram de fatos ocorridos em períodos anteriores à edição da Medida Provisória  nº 351, de 2007,  tendo­se, no entanto, aplicado o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996,  já com a  redação alterada pela MP em questão.   Rejeito, portanto, a preliminar de não conhecimento do  recurso apresentada  pela Fazenda Nacional.  Mérito  No mérito,  a  questão  a  ser  dirimida  diz  respeito  à  possibilidade  de  serem  aplicadas, simultaneamente, a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais,  e a multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo devido no ajuste anual.  Como  antes  destacado,  o  caso  do  presente  processo  apresenta  a  particular  situação  de  que  o  período  autuado  (ano­calendário  de  2006)  é  anterior  à  edição  da Medida  Provisória nº 351, de 22 de  janeiro de 2007  (posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de  2007),  tendo  o  lançamento  das  multas  isoladas  por  falta  de  recolhimento  das  estimativas  Fl. 1343DF CARF MF Processo nº 10855.722833/2011­99  Acórdão n.º 9101­002.502  CSRF­T1  Fl. 1.344          8 mensais,  no  entanto,  aplicado  o  percentual  de  50%  previsto  no  art.  44,  inciso  II,  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  na  redação  trazida  pela  medida  provisória  em  questão.  Como  se  vê  no  enquadramento legal  indicado no auto de infração (e­fls. 997 e ss), o art. 44 na redação dada  pela  MP  foi  utilizado  em  combinação  com  o  art.  106,  inciso  II,  alínea  "c"  do  CTN,  evidenciando que a novel redação foi aplicada para reduzir a multa de 75% para 50% por força  da retroatividade benigna insculpida no dispositivo do CTN em questão.  Vale destacar, também, que, como se vê no Relatório Fiscal (e­fls. 986/996) e  nas  planilhas  "RESUMO  DAS  INFRAÇÕES  ­  RECEITAS  OMITIDAS"  (e­fls.  983)  e  "DEMONSTRATIVO DAS MULTAS ISOLADAS DE IRPJ E CSLL ­ ANO­CALENDÁRIO  2006" (e­fls. 984), as receitas consideradas omitidas pela Fiscalização (decorrentes de compras  omitidas,  passivos  fictício  e  pagamentos  não  contabilizados)  estão  na  origem  tanto  das  antecipações mensais de IRPJ e CSLL não recolhidas e que deram ao lançamento das multas  isoladas, quanto nos montantes devidos desses tributos apurados no ajuste anual.  Tanto  a  DRJ,  quanto  a  Turma  do  CARF  ora  recorrida,  mantiveram  o  lançamento das multas  isoladas, cumprindo assinalar que o acórdão ora recorrido foi exarado  em  8  de  abril  de  2014,  anteriormente,  portanto,  à  edição  da  Súmula CARF  nº  1053,  a  qual  enuncia  que  "a  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas,  lançada  com  fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo  tempo da multa de ofício por  falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual,  devendo subsistir a multa de ofício".  Dito isso, tem­se que na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996,  a penalização da falta de recolhimento das estimativas mensais foi prevista nos mesmos termos  daquela  aplicável  ao  tributo  não  recolhido  no  ajuste  anual,  ou  seja,  calculadas  sobre  a  totalidade ou diferença de tributo ou contribuição,  inclusive no mesmo percentual de 75%, e  passível  de  agravamento  ou  qualificação  se  presentes  as  circunstâncias  indicadas  naquele  dispositivo legal. Confira­se a redação original do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996:  Art.  44. Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes multas,  calculadas  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  tributo ou contribuição:  I ­ de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento  ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do  inciso seguinte;  II ­ cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de  fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Vide  Lei  nº  10.892,  de  2004)  § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas:   I  ­  juntamente  com  o  tributo  ou  a  contribuição,  quando  não  houverem sido anteriormente pagos;  [...]                                                              3 Aprovada pelo Pleno do CARF em 8 de dezembro de 2014.  Fl. 1344DF CARF MF Processo nº 10855.722833/2011­99  Acórdão n.º 9101­002.502  CSRF­T1  Fl. 1.345          9 III ­ isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento  mensal  do  imposto  (carnê­leão)  na  forma  do  art.  8º  da  Lei  nº  7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê­lo, ainda  que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste;  IV  ­  isoladamente,  no  caso  de  pessoa  jurídica  sujeita  ao  pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o  lucro  líquido,  na  forma  do  art.  2º,  que  deixar  de  fazê­lo,  ainda  que  tenha  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­ calendário correspondente;  V  ­  isoladamente,  no  caso  de  tributo  ou  contribuição  social  lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (Revogado pela  Medida  Provisória  nº  1.725,  de  1998)  (Revogado  pela  Lei  nº  9.716, de 1998)   [...]   A  redação  original  do  dispositivo  legal  resultou,  assim,  em  punições  equivalentes para a falta de recolhimento de estimativas e do ajuste anual. E, decidindo sobre  este  conflito,  a  jurisprudência  administrativa  posicionou­se  majoritariamente  contra  a  subsistência da multa isolada, porque calculada a partir da mesma base de cálculo punida com  a multa proporcional, e ainda no mesmo percentual desta.  Frente a  tais circunstâncias, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996,  foi alterado  pela Medida Provisória nº 351, de 2007, para prever duas penalidades distintas: a primeira de  75% calculada sobre o  imposto ou contribuição que deixasse de ser  recolhido e declarado,  e  exigida  conjuntamente  com  o  principal  (inciso  I  do  art.  44),  e  a  segunda  de  50%  calculada  sobre o pagamento mensal que deixasse de ser efetuado, ainda que apurado prejuízo fiscal ou  base negativa ao  final do ano­calendário, e exigida  isoladamente (inciso  II do art. 44). Além  disso,  as  hipóteses  de  qualificação  (§1º  do  art.  44)  e  agravamento  (2º  do  art.  44)  ficaram  restritas à penalidade aplicável à falta de pagamento e declaração do imposto ou contribuição.  Observe­se:  Art.  44. Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal:  a)  na  forma  do  art.  8º  da  Lei  no  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física;  b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda  que  tenha  sido  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.  § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Fl. 1345DF CARF MF Processo nº 10855.722833/2011­99  Acórdão n.º 9101­002.502  CSRF­T1  Fl. 1.346          10 Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.   I ­ (revogado);   II ­ (revogado);   III ­ (revogado);   IV ­ (revogado);   V ­ (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998).   As  conseqüências  desta  alteração  foram  apropriadamente  expostas  pelo  Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão no voto condutor do Acórdão nº 9101­002.251:  Logo, tendo sido alterada a base de cálculo eleita pelo legislador  para  a  multa  isolada  de  totalidade  ou  diferença  de  tributo  ou  contribuição  para  valor  do  pagamento  mensal,  não  há  mais  qualquer  vínculo,  ou  dependência,  da  multa  isolada  com  a  apuração de tributo devido.  Perfilhando o entendimento de que não se confunde a totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  com  o  valor  do  pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do ano,  é  vasta  a  jurisprudência  desta  CSRF,  valendo  mencionar  dos  últimos cinco anos, entre outros, os acórdãos nºs 9101­00577, de  18 de maio de 2010, 9101­00.685, de 31 de agosto de 2010, 9101­ 00.879,  de  23  de  fevereiro  de  2011,  nº  9101­001.265,  de  23  de  novembro de 2011, nº 9101­001.336, de 26 de abril de 2012, nº  9101­001.547, de 22 de janeiro de 2013, nº 9101­001.771, de 16  de  outubro  de  2013,  e  nº  9101­002.126,  de  26  de  fevereiro  de  2015, todos assim ementados (destaquei):  O  artigo  44  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  preceitua  que  a  multa  de  ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto  ou  contribuição,  materialidade  que  não  se  confunde  com  o  valor  calculado sob base estimada ao longo do ano.   Daí  porque  despropositada  a  decisão  recorrida  que,  após  reconhecer  expressamente a modificação da  redação do  art.  44  da  Lei  nº  9.430,  de  1996  pela  Lei  nº  11.488,  de  2007,  e  transcrever  os  mesmos  dispositivos  legais  acima,  abruptamente  conclui no sentido de que (e­fls. 236):  Portanto,  cabe  excluir  a  exigência  da  multa  de  ofício  isolada  concomitante à multa proporcional.   Em despacho de admissibilidade de embargos de declaração por  omissão,  interpostos  pela  Fazenda  Nacional  contra  aquela  decisão, e rejeitados, foi dito o seguinte (e­fls. 247):  Por fim, reafirmo a impossibilidade da aplicação cumulativa dessas  multas.  Isso  porque  é  sabido  que  um  dos  fatores  que  levou  à  mudança da redação do citado art. 44 da Lei 9.430/1996 foram os  julgados  deste  Conselho,  sendo  que  à  época  da  edição  da  Lei  11.488/2007  já  predominava  esse  entendimento.  Vejamos  novamente  a  redação de parte  [das] disposições  do  art.  44  da Lei  9.430/1996 alteradas/incluídas pela Lei 11.488/2007:  [...].  Ora,  o  legislador  tinha  conhecimento  da  jurisprudência  deste  Conselho  quanto  à  impossibilidade  de  aplicação  cumulativa  da  Fl. 1346DF CARF MF Processo nº 10855.722833/2011­99  Acórdão n.º 9101­002.502  CSRF­T1  Fl. 1.347          11 multa isolada com a multa de oficio, além de outros entendimentos  no sentido de que não poderia ser exigida se apurado prejuízo fiscal  no  encerramento  do  ano­calendário,  ou  se  o  tributo  tivesse  sido  integralmente pago no ajuste anual.  Todavia, tratou apenas das duas últimas hipóteses na nova redação,  ou seja, deixou de prever a possibilidade de haver cumulatividade  dessas multas. E não se diga que seria esquecimento, pois,  logo a  seguir,  no  parágrafo  §  1º,  excetuou  a  cumulatividade  de  penalidades quando a ensejar a aplicação dos arts. 71, 72 e 73 da  Lei nº 4.502/1964.  Bastava  ter  acrescentado  mais  uma  alínea  no  inciso  II  da  nova  redação  do  art.  44  da  [Lei  nº]  9.430/1996,  estabelecendo  expressamente  essa  hipótese,  que  aliás  é  a  questão  de  maior  incidência.  Ao deixar  de  fazer  isso,  uma das  conclusões  factíveis  é  que  essa  cumulatividade é mesmo indevida.   Ora,  o  legislador,  no  caso,  fez  mais  do  que  faria  se  apenas  acrescentasse “mais uma alínea no inciso II da nova redação do  art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996”.  Na realidade, o que, na redação primeira, era apenas um inciso  subordinado a um parágrafo do artigo (art. 44, § 1º, inciso IV, da  Lei nº 9.430, de 1996), tornou­se um inciso vinculado ao próprio  caput do artigo (art. 44,  inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996), no  mesmo  patamar,  portanto,  do  inciso  então  preexistente,  que  previa a multa de ofício.  Veja­se a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dada pela  Lei nº 11.488, de 2007 (sublinhei):  Art.  44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  II  ­  de  50%  (cinquenta  por  cento),  exigida  isoladamente,  sobre  o  valor do pagamento mensal:  [...];  Dessa  forma,  a  norma  legal,  ao  estatuir  que  “nos  casos  de  lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas”, está  a  se  referir,  iniludivelmente,  às duas multas  em conjunto,  e não  mais  em  separado,  como  dava  a  entender  a  antiga  redação  do  dispositivo.  Nessas condições, não seria necessário que a norma previsse “a  possibilidade  de  haver  cumulatividade  dessas  multas”.  Pelo  contrário: seria necessário, sim se fosse esse o caso, que a norma  excetuasse  essa  possibilidade,  o  que  nela  não  foi  feito.  Por  conseguinte,  não  há  que  se  falar  como  pretendeu  o  sujeito  passivo,  por  ocasião  de  seu  recurso  voluntário  em  “identidade  quanto  ao  critério  pessoal  e  material  de  ambas  as  normas  sancionatórias”.  Se  é  verdade  que  as  duas  normas  sancionatórias,  pelo  critério  pessoal, alcançam o mesmo contribuinte (sujeito passivo), não é  Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 10855.722833/2011­99  Acórdão n.º 9101­002.502  CSRF­T1  Fl. 1.348          12 verdade que o critério material (verbo + complemento) de uma e  de outra  se centre “no descumprimento da  relação  jurídica que  determina o recolhimento integral do tributo devido”.  O complemento do critério material de ambas é, agora, distinto:  o  da multa  de  ofício  é  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição;  já  o  da  multa  isolada  é  o  valor  do  pagamento  mensal,  apurado  sob  base  estimada  ao  longo  do  ano,  cuja  materialidade,  como  visto  anteriormente,  não  se  confunde  com  aquela. (grifos do original)  Destaque­se,  ainda,  que  a penalidade  agora prevista no  art.  44,  inciso  II  da  Lei nº 9.430, de 1996, é exigida isoladamente e mesmo se não apurado lucro tributável ao final  do  ano­calendário.  A  conduta  reprimida,  portanto,  é  a  inobservância  do  dever  de  antecipar,  mora  que  prejudica  a  União  durante  o  período  verificado  entre  data  em  que  a  estimativa  deveria ser paga e o encerramento do ano­calendário. A falta de recolhimento do tributo em si,  que  se  perfaz  a  partir  da  ocorrência  do  fato  gerador  ao  final  do  ano­calendário,  sujeita­se  a  outra  penalidade  e  a  juros  de  mora  incorridos  apenas  a  partir  de  1º  de  fevereiro  do  ano  subseqüente4.   Diferentes,  portanto,  são  os  bens  jurídicos  tutelados,  e  limitar  a  penalidade  àquela  aplicada  em  razão  da  falta  de  recolhimento  do  ajuste  anual  é  um  incentivo  ao  descumprimento  do  dever  de  antecipação  ao  qual  o  sujeito  passivo  voluntariamente  se  vinculou, ao optar pelas vantagens decorrentes da apuração do lucro tributável apenas ao final  do ano­calendário.  E  foi,  justamente,  a  alteração  legislativa  acima  que  motivou  a  edição  da  referida Súmula CARF nº 105.   Explico.  O enunciado de súmula em referência foi aprovado pela 1ª Turma da CSRF  em 08 de dezembro de 2014. Antes, enunciado semelhante foi, por sucessivas vezes, rejeitado  pelo  Pleno  da  CSRF,  e  mesmo  pela  1ª  Turma  da  CSRF.  Veja­se,  abaixo,  os  verbetes  submetidos a votação de 2009 a 2014:  PORTARIA Nº 97, DE 24 DE NOVEMBRO DE 20095  [...]  ANEXO I  I  ­ ENUNCIADOS A SEREM SUBMETIDOS À APROVAÇÃO  DO PLENO:  [...]  12. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA nº :  Até  a  vigência  da  Medida  Provisória  nº  351/2007,  a  multa  isolada  decorrente  da  falta  ou  insuficiência  de  antecipações  não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício  incidente sobre o tributo apurado no ajuste anual.  [...]                                                              4 Neste sentido é o disposto no art. 6º, §1º c/c §2º da Lei nº 9.430, de 1996.  5 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 112, em 27 de novembro de 2009.   Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 10855.722833/2011­99  Acórdão n.º 9101­002.502  CSRF­T1  Fl. 1.349          13 PORTARIA Nº 27, DE 19 DE NOVEMBRO DE 20126  [...]  ANEXO ÚNICO  [...]  II­ ENUNCIADOS A SEREM SUBMETIDOS À APROVAÇÃO  DA 1ª TURMA DA CSRF:  [...]  17. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA nº:  Até  21  de  janeiro  de  2007,  descabe  o  lançamento  de  multa  isolada  em  razão  do  não  recolhimento  do  imposto  de  renda  devido em carnê­leão aplicada em concomitância com a multa  de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96.  Acórdãos  precedentes:  104­22036,  de  09/06/2006;  3401­  00078, de 01/06/2009; 3401­00047, de 06/05/2009; 104­23338,  de  26/06/2008;  9202­00.699,  de  13/04/2010;  9202­01.833,  de  25/ 10/ 2011.  [...]  III­ ENUNCIADOS A SEREM SUBMETIDOS À APROVAÇÃO  DA 2ª TURMA DA CSRF:  [...]  22. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA nº:  Até  21  de  janeiro  de  2007,  descabe  o  lançamento  de  multa  isolada  em  razão  do  não  recolhimento  do  imposto  de  renda  devido em carnê­leão aplicada em concomitância com a multa  de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96.   Acórdãos  precedentes:  104­22036,  de  09/06/2006;  3401­  00078, de 01/06/2009; 3401­00047, de 06/05/2009; 104­23338,  de  26/06/2008;  9202­00.699,  de  13/04/2010;  9202­01.833,  de  25/ 10/ 2011.  [...]  PORTARIA Nº­ 18, DE 20 DE NOVEMBRO DE 20137  [...]  ANEXO I  I ­ Enunciados a serem submetidos ao Pleno da CSRF:  [...]  9ª. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA  Até a vigência da Medida Provisória nº 351, de 2007, incabível  a  aplicação  concomitante  de  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento de estimativas e de ofício pela falta de pagamento  de  tributo apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa  de ofício.   Acórdãos  Precedentes:  9101­001261,  de  22/11/11;  9101­ 001203, de 22/11/11; 9101­001238, de 21/11/11; 9101­001307,                                                              6 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 19, em 27 de novembro de 2012.  7 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 71, de 27 de novembro de 2013.  Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 10855.722833/2011­99  Acórdão n.º 9101­002.502  CSRF­T1  Fl. 1.350          14 de  24/04/12;  1402­001.217,  de  04/10/12;  1102­00748,  de  09/05/12; 1803­001263, de 10/04/12.  [...]  PORTARIA Nº 23, DE 21 DE NOVEMBRO DE 20148  [...]  ANEXO I  [...]  II ­ Enunciados a serem submetidos à 1ª Turma da CSRF:  [...]  13ª. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA  A  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas,  lançada  com  fundamento  no  art.  44  §  1º,  inciso  IV  da  Lei  nº  9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa  de ofício por  falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no  ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.  Acórdãos  Precedentes:  9101­001.261,  de  22/11/2011;  9101­ 001.203,  de  17/10/2011;  9101­001.238,  de  21/11/2011;  9101­ 001.307,  de  24/04/2012;  1402­001.217,  de  04/10/2012;  1102­ 00.748, de 09/05/2012; 1803­001.263, de 10/04/2012.  [...]  É de se destacar que os enunciados assim propostos de 2009 a 2013 exsurgem  da jurisprudência firme, contrária à aplicação concomitante das penalidades antes da alteração  promovida  no  art.  44  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  pela  Medida  Provisória  nº  351,  de  2007,  convertida na Lei nº 11.488, de 2007. Jurisprudência esta, aliás, que motivou a alteração  legislativa.   De outro lado, a discussão acerca dos lançamentos formalizados em razão de  infrações  cometidas  a  partir  do  novo  contexto  legislativo  ainda  não  apresentava  densidade  suficiente para indicar qual entendimento deveria ser sumulado.  Considerando tais circunstâncias, o Pleno da CSRF, e também a 1ª Turma da  CSRF,  rejeitou,  por  três  vezes,  nos  anos  de  2009,  2012  e  2013,  o  enunciado  contrário  à  concomitância  das  penalidades  até  a  vigência  da  Medida  Provisória  nº  351,  de  2007.  As  discussões  nestas  votações  motivaram  alterações  posteriores  com  o  objetivo  de  alcançar  redação que fosse acolhida pela maioria qualificada, na forma regimental.   Com  a  rejeição  do  enunciado  de  2009,  a  primeira  alteração  consistiu  na  supressão  da  vigência  da  Medida  Provisória  nº  351,  de  2007,  substituindo­a,  como  marco  temporal,  pela  referência  à  data  de  sua  publicação.  Também  foram  separadas  as  hipóteses  pertinentes  ao  IRPJ/CSLL  e  ao  IRPF,  submetendo­se  à 1ª  Turma  e  à 2ª  Turma da CSRF os  enunciados  correspondentes.  Seguindo­se  nova  rejeição  em  2012,  o  enunciado  de  2009  foi  reiterado em 2013 e, mais uma vez, rejeitado.   Este cenário deixou patente a imprestabilidade de enunciado distinguindo as  ocorrências alcançadas a partir da expressão "até a vigência da Medida Provisória nº 351", de  2007, ou até a data de sua publicação. E isto porque a partir da redação proposta havia o risco                                                              8 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 12, de 25 de novembro de 2014.  Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 10855.722833/2011­99  Acórdão n.º 9101­002.502  CSRF­T1  Fl. 1.351          15 de a súmula ser invocada para declarar o cabimento da exigência concomitante das penalidades  a  partir  das  alterações  promovidas  pela  Medida  Provisória  nº  351,  de  2007,  apesar  de  a  jurisprudência ainda não estar consolidada neste sentido.  Para afastar esta interpretação, o enunciado aprovado pela 1ª Turma da CSRF  em  2014  foi  redigido  de  forma  direta,  de  modo  a  abarcar,  apenas,  a  jurisprudência  firme  daquele  Colegiado:  a  impossibilidade  de  cumulação,  com  a  multa  de  ofício  proporcional  aplicada  sobre  os  tributos  devidos  no  ajuste  anual,  das  multas  isoladas  por  falta  de  recolhimento de estimativas exigidas com fundamento na legislação antes de sua alteração pela  Medida  Provisória  nº  351,  de  2007.  Omitiu­se,  intencionalmente,  qualquer  referência  às  situações verificadas depois da alteração legislativa em tela, em razão da qual a multa isolada  por falta de recolhimento de estimativas passou a estar prevista no art. 44, inciso II, alínea "b",  e não mais no art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, sempre com vistas a atribuir os  efeitos sumulares9 à parcela do litígio já pacificada.  Assim,  a  Súmula CARF  nº  105  tem  aplicação,  apenas,  em  face  de multas  lançadas  com  fundamento  na  redação  original  do  art.  44,  §1º,  inciso  IV  da Lei  nº  9.430,  de  1996, ou seja,  tendo por  referência  infrações cometidas antes da alteração promovida pela  Medida Provisória nº 351, de 2007, publicada em 22 de janeiro de 2007.   Isso  ainda  que  a  exigência  tenha  sido  formalizada  já  com  o  percentual  reduzido de 50%, dado que tal providência não decorre de nova fundamentação do lançamento,  mas sim da retroatividade benigna prevista pelo art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN. Foi o  que  ocorreu  no  presente  processo,  em  que,  como  se  viu,  no  lançamento  das  multas  isoladas pela falta de recolhimento das estimativas mensais  foi aplicado o percentual de  50%  previsto  na  redação  alterada  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  por  força  da  retroatividade benigna insculpida no dispositivo do CTN em questão.                                                              9 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e alterado pela Portaria MF nº 586, de  2010:  [...]  Anexo II  [...]    Art. 18. Aos presidentes de Câmara incumbe, ainda:  [...]  XXI ­ negar, de ofício ou por proposta do relator, seguimento ao recurso que contrarie enunciado de súmula ou de  resolução do Pleno da CSRF, em vigor, quando não houver outra matéria objeto do recurso;  [...]  Art. 53. A sessão de julgamento será pública, salvo decisão justificada da turma para exame de matéria sigilosa,  facultada a presença das partes ou de seus procuradores.  [...]  § 4° Serão julgados em sessões não presenciais os recursos em processos de valor inferior a R$ 1.000.000,00 (um  milhão de reais) ou, independentemente do valor, forem objeto de súmula ou resolução do CARF ou de decisões  do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça na sistemática dos artigos 543­B e 543­C da Lei  nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil.  [...]  Art.  67.  Compete  à  CSRF,  por  suas  turmas,  julgar  recurso  especial  interposto  contra  decisão  que  der  à  lei  tributária  interpretação  divergente  da  que  lhe  tenha  dado  outra  câmara,  turma  de  câmara,  turma  especial  ou  a  própria CSRF.   [...]  §  2°  Não  cabe  recurso  especial  de  decisão  de  qualquer  das  turmas  que  aplique  súmula  de  jurisprudência  dos  Conselhos  de  Contribuintes,  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  ou  do  CARF,  ou  que,  na  apreciação  de  matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância.  [...]  Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 10855.722833/2011­99  Acórdão n.º 9101­002.502  CSRF­T1  Fl. 1.352          16 Nesse sentido, vale observar que os precedentes indicados para aprovação da  Súmula CARF nº 105 reportam­se, todos, a infrações cometidas antes de 2007:  Acórdão nº 9101­001.261:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL  Ano­calendário: 2001  Ementa:  APLICAÇÃO  CONCOMITANTE  DE  MULTA  DE  OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a  aplicação  concomitante  de  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e  de  oficio  pela  falta  de  pagamento  de  tributo  apurado  no  balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa  mensal  caracteriza  etapa  preparatória  do  ato  de  reduzir  o  imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira  conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais  importante  é  sem  dúvida  a  efetivação  da  arrecadação  tributária,  atendida  pelo  recolhimento  do  tributo  apurado  ao  fim  do  ano­calendário,  e  o  bem  jurídico  de  relevância  secundária  é  a  antecipação  do  fluxo  de  caixa  do  governo,  representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação.  Acórdão nº 9101­001.203:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Exercício: 2000, 2001  Ementa: MULTA ISOLADA. ANOS­CALENDÁRIO DE 1999 e  2000.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  POR  ESTIMATIVA.  CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM  LANÇAMENTO  LAVRADO  PARA  A  COBRANÇA  DO  TRIBUTO.  Incabível  a  aplicação  concomitante  da  multa  por  falta  de  recolhimento  de  tributo  sobre  bases  estimadas  e  da  multa  de  oficio  exigida  no  lançamento  para  cobrança  de  tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor  das glosas efetivadas pela Fiscalização.  Acórdão nº 9101­001.238:  Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte ­ IRRF  Exercício: 2001  [...]  MULTA ISOLADA. ANO­CALENDÁRIO DE 2000. FALTA DE  RECOLHIMENTO  POR  ESTIMATIVA.  CONCOMITÂNCIA  COM  MULTA  DE  OFICIO  EXIGIDA  EM  LANÇAMENTO  LAVRADO  PARA  A  COBRANÇA  DO  TRIBUTO.  Incabível  a  aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de  tributo  sobre bases estimadas  e da multa de oficio  exigida no  lançamento  para  cobrança  de  tributo,  visto  que  ambas  penalidades  tiveram  como  base  o  valor  da  receita  omitida  apurado em procedimento fiscal.  Acórdão nº 9101­001.307:  Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 10855.722833/2011­99  Acórdão n.º 9101­002.502  CSRF­T1  Fl. 1.353          17 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ  Ano­calendário: 1998  [...]  MULTA  ISOLADA  APLICAÇÃO  CONCOMITANTE  COM  A  MULTA DE OFICIO — Incabível a aplicação concomitante de  multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso  do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de  tributo  apurado  no  balanço.  A  infração  relativa  ao  não  recolhimento  da  estimativa  mensal  caracteriza  etapa  preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo  critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução  da  segunda.  O  bem  jurídico mais  importante  é  sem  dúvida  a  efetivação  da  arrecadação  tributária,  atendida  pelo  recolhimento do tributo apurado ao fim do ano­calendário, e o  bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo  de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa  mesma arrecadação.  Acórdão nº 1402­001.217:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2003  [...]  MULTA  DE  OFICIO  ISOLADA  POR  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DE  ESTIMATIVAS  MENSAIS  CONCOMITANTE  COM  A  MULTA  DE  OFICIO.  INAPLICABILIDADE.  É  inaplicável  a  penalidade  quando  existir  concomitância  com  a  multa  de  oficio  sobre  o  ajuste  anual (mesma base).   [...]  Acórdão nº 1102­000.748:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário: 2000, 2001  Ementa:  [...]  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  PENALIDADE.  MULTA  ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.  Devem  ser  exoneradas  as  multas  isoladas  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas,  uma  vez  que,  cumulativamente  foram  exigidos  os  tributos  com  multa  de  ofício,  e  a  base  de  cálculo  das  multas  isoladas  está  inserida  na  base  de  cálculo  das  multas  de  ofício,  sendo  descabido,  nesse  caso,  o  lançamento concomitante de ambas.  [...]  Acórdão nº 1803­001.263:   Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 10855.722833/2011­99  Acórdão n.º 9101­002.502  CSRF­T1  Fl. 1.354          18 ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário: 2002   [...]  APLICAÇÃO  CONCOMITANTE  DE  MULTA  DE  OFÍCIO  E  MULTA  ISOLADA  NA  ESTIMATIVA  Incabível  a  aplicação  concomitante  de  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas no  curso do período de apuração e de ofício pela  falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração  relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza  etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano.  Pelo  critério  da  consunção,  a  primeira  conduta  é  meio  de  execução  da  segunda. O bem  jurídico mais  importante  é  sem  dúvida  a  efetivação  da  arrecadação  tributária,  atendida  pelo  recolhimento do tributo apurado ao fim do ano­calendário, e o  bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo  de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa  mesma arrecadação.  Sendo a Súmula CARF nº 105 aplicável ao caso presente, eis que as infrações  autuadas  foram  cometidas  antes  da  alteração  promovida  pela Medida  Provisória  nº  351,  de  2007, não se vislumbra nas circunstâncias do caso concreto aqui em apreço aspecto outro que  labore  para  afastar  a  aplicação  do  seu  enunciado.  Como  visto,  no  lançamento  guerreado  a  origem  das  bases  sobre  as  quais  as  multas  isoladas  e  a  multa  de  ofício  foram  aplicadas  é  comum, qual seja, a receita considerada omitida pela Fiscalização nos diversos meses do ano­ calendário 2006, não havendo falar em não coincidência de origem a mitigar a concomitância.   Deve,  portanto,  o  recurso  da  Contribuinte  ser  acolhido,  reformando­se  o  acórdão recorrido para afastar o lançamento das multas isoladas por falta de recolhimento das  estimativas mensais de IRPJ e CSLL, uma vez que a Súmula CARF nº 105, aplica­se mesmo  nos  casos  em que  a  exigência  tenha sido  formalizada  já  com o percentual  reduzido de 50%,  dado  que  tal  providência  não  decorre  de  nova  fundamentação  do  lançamento,  mas  sim  da  retroatividade benigna prevista pelo art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN.  Em  face  do  exposto,  conheço  do  recurso  e,  no  mérito,  DOU­LHE  PROVIMENTO.    (assinado digitalmente)  Adriana Gomes Rêgo                            Fl. 1354DF CARF MF

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Numero do processo: 10580.721269/2009-40
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência. Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.721269/2009­40  Acórdão n.º 9202­004.061  CSRF­T2  Fl. 23          2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer  a  preliminar  de  nulidade  por  vício  material  suscitada  de  ofício  pela  Conselheira  Ana  Paula  Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri,  Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de  votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade,  em dar­lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de  competência,  vencidos  os  conselheiros  Ana  Paula  Fernandes,  Rita  Eliza  Reis  da  Costa  Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe  deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa  Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.     (Assinado digitalmente)  Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente e Relator  EDITADO EM: 17/08/2016  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas  Barreto  (Presidente),  Maria  Teresa  Martinez  Lopez  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da  Silva, Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor  de Souza Lima  Junior, Gerson Macedo Guerra.  Relatório  O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º  e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o  relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/2009­64.  O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de  Divergência  motivado  pelo  Contribuinte,  em  face  de  Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário.  Trata­se  de  lançamento  de  Imposto  de  Renda  de  Pessoa  Física  dos  exercícios  2005,  2006  e  2007,  anos­calendário  2004,  2005,  e  2006,  em  razão  de  a  autoridade  fiscal  ter  classificado  como  rendimentos  tributáveis,  valores  declarados  como  isentos  ou  não  tributáveis  tal  como  informado  pela  Fonte  Pagadora  Tribunal  de  Justiça  do  Estado da Bahia.   Referidos  rendimentos  correspondem  a  diferença  entre  a  transformação  de  Cruzeiros  Reais  para  Unidade  Real  de  Valor  –  URV,  reconhecidas  e  pagas  em  36  meses,  de  janeiro  de  2004  a  dezembro  de  2006,  com  base  na  Lei  Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças  recebidas  teriam  natureza  eminentemente  salarial,  pois  decorreram  de  diferenças  de  remuneração  ocorridas  Fl. 270DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.721269/2009­40  Acórdão n.º 9202­004.061  CSRF­T2  Fl. 24          3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994,  consequentemente,  estariam  sujeitas  à  incidência  do  imposto  de  renda,  sendo  irrelevante  a  denominação  dada  ao rendimento.  Foi  interposta  impugnação  foi  indeferida  em  sede  de  julgamento de primeira instância.  O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual  foi dado parcial  provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de  ofício.   O  Contribuinte  apresentou  Recurso  Especial  ao  qual  foi  dado  parcial  seguimento,  para  reapreciação  apenas  da  matéria  questão  da  natureza  indenizatória,  ou  não.  Em  reexame,  o  exame  de  admissibilidade  foi  confirmado  pelo  Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais.  Apresentadas  contrarrazões  pela  Fazenda  Nacional,  vieram os autos conclusos.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Relator  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9202­004.026, de  21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/2009­64, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio  nos  termos  regimentais,  o  inteiro  teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202­004.026):  Em primeiro  lugar,  não  conheço  da  preliminar  de  nulidade  do  lançamento,  por  vício  material,  suscitada  de  ofício  pela  Sra.  Conselheira  relatora.  Com  efeito,  esta  matéria  não  tendo  sido  admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e,  portanto, dela não conheço.  Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registre­se que  não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi  realizado. Com efeito, o  lançamento  foi  realizado com base em  dispositivo  vigente,  cuja  interpretação  não  havia  sido  considerada ­ à época ­ inconstitucional. Portanto, não há que se  falar em nulidade.  Entrando,  agora,  no  mérito  propriamente  dito,  entendo  que  a  verba  recebida  tem  caráter  remuneratório  e,  assim,  deve  ser  tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015,  Fl. 271DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.721269/2009­40  Acórdão n.º 9202­004.061  CSRF­T2  Fl. 25          4 à 2ª  Turma desta Câmara Superior,  no  acórdão 9202­003.585.  Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki  Nishioka,  entendendo  tratar­se  de  verba  de  natureza  remuneratória,  e  por  isso  peço  vênia  para  adotar  aqui  os  mesmos  argumentos  como  razão  de  decidir,  assim  transcrevendo­os:  (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores  são  relativos  a  “diferenças  de  remuneração  ocorridas  quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real  de  Valor  –  URV”.  Da  leitura  do  artigo,  denota­se  que  o  pagamento  de  tais  valores  deveu­se  à  necessidade  de  manutenção  do  valor  real  do  salário,  de  forma  a  corrigir  erros  anteriores  no  cálculo  da  conversão  da  moeda  nacional.  A  lei  estadual  acima  citada  não  buscou,  por  meio  do  pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo,  ou  dano  material,  sofrido  pelo  contribuinte,  mas  a  compensação  em  razão  da  ausência  de  oportuna  correção  no valor nominal do salário, verificada quando da alteração  da moeda.  Portanto,  tais  valores  integram  a  remuneração  percebida  pelo  contribuinte,  constituindo  parte  integrante  de  seus  vencimentos.  Está­se  diante,  pois,  de  acréscimo  patrimonial  tributável  pelo  Imposto  de  Renda,  nos  termos  do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que  fora  inclusive  salientado  pelo  acórdão  proferido  pela  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em  Salvador (BA).  Buscando reforçar o argumento,  requereu o contribuinte a  aplicação  da  Resolução  n.º  245  do  STF,  assim  como  de  consulta  administrativa  realizada  pela  Presidente  do  Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam  acerca  da  remuneração  dos  magistrados.  No  entanto,  mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo  contribuinte,  ao  contrário  do  que  decidiu  o  acórdão  recorrido.  Inicialmente, cumpre  salientar que a dita  resolução dispôs  acerca  da  forma  de  cálculo  do  abono  salarial  variável  e  provisório  de  que  trata  o  art.  2º  e  parágrafos  da  Lei  n.º10.474/2002,  considerando­o  como  de  natureza  indenizatória. Neste  sentido,  o  inciso  I  do  art.  1º  trouxe  a  forma de cálculo deste abono: “I ­ apuração, mês a mês, de  janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos  resultantes  da  Lei  nº  10.474,  de  2002  (Resolução  STF  nº  235,  de  2002),  acrescidos  das  vantagens  pessoais,  e  a  remuneração  mensal  efetivamente  percebida  pelo  Magistrado,  a  qualquer  título,  o  que  inclui,  exemplificativamente,  as  verbas  referentes  a  diferenças  de  URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”.  A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante  do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde  Fl. 272DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.721269/2009­40  Acórdão n.º 9202­004.061  CSRF­T2  Fl. 26          5 se  interpreta que esta não  tem natureza  indenizatória, mas  de  recomposição  salarial.  Tal  tema  inclusive  já  foi  enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo  este  reconhecido  as  diferenças  entre  o  abono  salarial  tratado  pela  norma  e  a  diferença  da  URV,  conforme  se  verifica de voto da Ministra Eliana Calmon:  “Na  jurisprudência  desta Casa,  colho  os  seguintes  precedentes,  que  sempre  distinguiram  as  hipóteses  de  percepção  das  diferenças  remuneratórias  da  URV do abono identificado na Resolução 245/STF:  (...)”  (STJ,  Recurso  Especial  n.º  1.187.109/MA,  Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon,  julgado em 17/08/2010)  E  tal  também  foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli,  do  Supremo  Tribunal  Federal,  em  decisão  monocrática  proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115,  do qual se colaciona o seguinte excerto:  “Os  valores  assim  recebidos  pelo  recorrido  decorrem  de  compensação  pela  falta  de  oportuna  correção  no  valor  nominal  do  salário,  quando  da  implantação  da  URV  e,  assim,  constituem  parte  integrante de seus vencimentos.  As parcelas representativas do montante que deixou  de  ser  pago,  no  momento  oportuno,  são  dotadas  dessa  mesma  natureza  jurídica  e,  assim,  incide  imposto de renda quando de seu recebimento.  No  que  concerne  à  Resolução  no.  245/02,  deste  Supremo  Tribunal  Federal,  utilizada  na  fundamentação  do  acórdão  recorrido,  tem­se  que  suas  normas  a  tanto  não  se  aplicam,  para  o  fim  pretendido  pelo  recorrido  (...)”  (STF,  Recurso  Extraordinário  n.º  471.115,  Ministro  Relator  Dias  Toffoli, julgado em 03/02/2010)  Conclui­se,  portanto,  pelo  caráter  salarial  dos  valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente,  razão pela qual deverão compor a base de cálculo  do  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Física,  nos  termos do art. 43 do Código Tributário Nacional.  Assim,  com  base  na  argumentação  exposta,  sendo  verbas  remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas  incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre  verificar  o  quantum  devido.  Entendo  que  o  tributo  devido  deva  ser  calculado  de  acordo  com  as  tabelas  vigentes  à  época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre  o  tema,  cabe  referir  a  discussão  travada  no  processo  11040.001165/2005­91,  com  voto  vencedor  da  lavra  do  conselheiro  Heitor  de  Souza  Lima  Junior,  cujos  fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho.  Fl. 273DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.721269/2009­40  Acórdão n.º 9202­004.061  CSRF­T2  Fl. 27          6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada  recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto  de  trânsito  em  julgado  em  11/12/2014,  feito  que  teve  sua  repercussão  geral  previamente  reconhecida  (em  20  de  outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no  art.  543­B  do  Código  de  Processo  Civil  vigente.  Obrigatória,  assim,  a  observância,  por  parte  dos  Conselheiros  deste  CARF  dos  ditames  do  Acórdão  prolatado  por  aquela  Suprema  Corte  em  23/10/2014,  a  partir  de  previsão  regimental  contida  no  art.  62,  §2º  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  deste  Conselho,  aprovado  pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015.  Reportando­me  ao  julgado  vinculante,  noto  que,  ali,  se  acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso  do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no.  7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para  o  cálculo  do  imposto  de  renda  correspondente  à  tabela  progressiva  vigente  no  período mensal  em  que  apurado  o  rendimento percebido a menor regime de competência (...)",  afastando­se assim o regime de caixa.  Todavia,  inicialmente,  de  se  ressaltar  que  em  nenhum  momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento  integral  de  lançamentos  cuja  apuração  do  imposto  devido  tenha  sido  feita  obedecendo  o  art.  12  da  referida  Lei  nº  7.713,  de  1988,  note­se,  diploma  plenamente  vigente  na  época  em  que  efetuado  o  lançamento  sob  análise,  o  qual,  ainda,  em  meu  entendimento,  guarda,  assim,  plena  observância  ao  disposto  no  art.  142  do Código  Tributário  Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais  que  embasaram  o  lançamento  constantes  de  e­fl.  12,  em  nenhum  momento  foram  objeto  de  declaração  de  inconstitucionalidade  ou  de  decisão  em  sede  de  recurso  repetitivo  de  caráter  definitivo  que  pudesse  lhes  afastar  a  aplicação ao caso in concretu.  Deflui  daquela  decisão  da  Suprema  Corte,  em  meu  entendimento,  inclusive,  o  pleno  reconhecimento  do  surgimento  da  obrigação  tributária  que  aqui  se  discute,  ainda que em montante diverso daquele apurado quando do  lançamento, o qual, repita­se, obedeceu os estritos ditames  da  legalidade à época da ação  fiscal realizada. Da  leitura  do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que  se  tenha  rejeitado  o  surgimento  da  obrigação  tributária  somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa  física,  o  que  a  faria  mais  gravosa,  entende­se,  ali,  inequivocamente,  que  se  mantém  incólume  a  obrigação  tributária oriunda do recebimento dos  valores acumulados  pelo contribuinte pessoa  física, mas  agora a ser  calculada  em  momento  pretérito,  quando  o  contribuinte  fez  jus  à  percepção  dos  rendimentos,  de  forma,  assim,  a  restarem  respeitados  os  princípios  da  capacidade  contributiva  e  isonomia.  Fl. 274DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.721269/2009­40  Acórdão n.º 9202­004.061  CSRF­T2  Fl. 28          7 Assim,  com  a  devida  vênia  ao  posicionamento  do  relator,  entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento  de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive,  a  contrariar as  razões  de decidir que  embasam o  decisum  vinculante,  no qual,  reitero,  em nenhum momento,  note­se,  se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência  do  Imposto  sobre  a  Renda  decorrente  da  percepção  de  rendimentos tributáveis de forma acumulada.  Se,  por  um  lado,  manter­se  a  tributação  na  forma  do  referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido  de  forma  definitiva  pelo  STF,  violaria  a  isonomia  no  que  tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali  recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por  completo  a  esta  altura  significaria  estabelecer  tratamento  anti­isonômico  (também  em  relação  aos  que  também  receberam  em  dia  e  recolheram  devidamente  seus  impostos),  mas  em  favor  daqueles  que  foram  autuados  e  nada  recolheram  ou  recolheram  valores  muito  inferiores  aos  devidos,  ao  serem  agora  consideradas  as  tabelas/alíquotas  vigentes  à  época,  o  que  deve,  em  meu  entendimento, também se rechaçar.  Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte  na  matéria  admitida,  por  dar­lhe  provimento  em  parte,  para  determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando  o regime de competência.  Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de  nulidade por vício material  suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no  mérito,  dar­lhe  provimento  parcial,  para  determinar  o  cálculo  do  tributo  de  acordo  com  o  regime de competência.    (Assinado digitalmente)      Carlos Alberto Freitas Barreto                              Fl. 275DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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6600369 #
Numero do processo: 10880.955970/2008-03
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/01/2000 Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos. A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento, nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-003.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. assinado digitalmente RODRIGO DA COSTA PÔSSAS- Presidente. assinado digitalmente PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA - Redator ad hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Relator

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1367; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 148          1 147  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.955970/2008­03  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3802­003.058  –  2ª Turma Especial   Sessão de  24 de abril de 2014  Matéria  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Recorrente  MB OSTEOS COM E IMP DE MATERIAL MEDICO LTDA.   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 01/01/2000  Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos.  A  manifestação  de  inconformidade  apresentada  fora  do  prazo  legal  não  instaura  a  fase  litigiosa  do  procedimento,  nem  comporta  julgamento  de  primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.  assinado digitalmente  RODRIGO DA COSTA PÔSSAS­ Presidente.   assinado digitalmente  PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA ­ Redator ad hoc.  Participaram do presente julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano  Damorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio  Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 59 70 /2 00 8- 03 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.955970/2008­03  Acórdão n.º 3802­003.058  S3­TE02  Fl. 149          2 Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  decisão  da  13ª  Turma  da  DRJ/SPO  I,  a  qual,  por  unanimidade  de  votos  julgou  pelo  não  conhecimento  da  manifestação de  inconformidade apresentada,  tendo  em vista que  sua  protocolização  fora  feita  fora  do  prazo  legal.  Em  ato  contínuo,  o  processo  de Declaração  de Compensação  fora  realizado pelo contribuinte por meio eletrônico (PER/DCOMP nº 12021.60809.220904.1.3.04­ 9527),  na  data  de  22/09/2004,  no  qual  pretendia  quitar  os  débitos  declarados  no  referido  documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF,  na  data  de  01/01/2000,  no  valor  de  R$  766,691,  no  código  de  receita  8109,  nos  termos  do  Acórdão assim ementado:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Data do fato gerador: 01/01/2000   MANIFESTAÇÃO  DE  INCONFORMIDADE  INTEMPESTIVA.  EFEITOS   A  manifestação  de  inconformidade  apresentada  fora  do  prazo  legal  não  instaura  a  fase  litigiosa  do  procedimento  nem  comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações  de mérito, porque dela não se conhece.  Manifestação de Inconformidade Não Conhecida   Direito Creditório Não Reconhecimento.  Em  sede  de  impugnação  e  de  recurso,  o  contribuinte  apresenta  os mesmos  argumentos, que, em síntese, se referem à: (i) comprovação da existência do crédito para fins  de  compensação,  (ii)  existência  do  direito  constitucional  do  direito  de  petição,  (iii)  não  existência de natureza litigiosa no processo administrativo de compensação, e (iv) prevalência  do princípio da verdade material no processo administrativo.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, redator ad hoc  Por  intermédio  do  Despacho  de  fl.  147,  nos  termos  do  art.  17,  III,  do  Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela  Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015,  incumbiu­me o Presidente Substituto da Segunda  Câmara da Terceira Seção do CARF a formalizar o presente acórdão. Ressalte­se que o relator  original, por equívoco,  juntou aos autos decisão  relativa a outro processo,  julgado na mesma  sessão  que  o  presente.  Contudo,  em  virtude  de  sua  renúncia  ao  mandato,  não  foi  possível  concluir a formalização da decisão destes autos.  Desta  forma,  adota­se,  em  linhas  gerais,  o  voto  proferido  no  processo  10880.955968/2008­26  (fls.  140  a  142),  com  as  adaptações  necessárias  à  situação  deste  processo.  Admissibilidade do Recurso.  Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.955970/2008­03  Acórdão n.º 3802­003.058  S3­TE02  Fl. 150          3 Admito  o  presente  Recurso  Voluntário  em  virtude  do  preenchimento  dos  requisitos regulares para o seu desenvolvimento positivo.  O recorrente,  inconformado com a decisão de primeira  instância,  interpôs o  presente Recurso Ordinário para que este Órgão analisasse novamente suas pretensões. Porém,  razão  alguma  assiste  a  ele,  porquanto  o  processo  administrativo  está  morto  desde  sua  fase  inaugural de apresentação da manifestação de inconformidade. Explico!  Para minhas convicções como Julgador administrativo, o fato que determinou  sua não admissão está centrado na ocorrência da preclusão temporal, quando da apresentação  intempestiva da impugnação administrativa, alcunhada de manifestação de inconformidade.  Veja­se, a Lei nº 10.822/2003 incluiu o § 9º ao artigo 74 da Lei nº 9.430 de  27/12/1996 e,  assim,  facultou  ao  sujeito passivo, no prazo de 30 dias,  o  exercício do direito  subjetivo  de  apresentar  a  manifestação  de  inconformidade  contra  a  não­homologação  da  compensação requerida. Além disso, o § 7º da referida legislação determinou também que, em  casos  de  não  homologação  da  compensação,  a  autoridade  administrativa  deverá  cientificar o  sujeito passivo e intimá­lo a efetuar, no prazo de trinta dias, contado da ciência do ato que não  a homologou, ao pagamento dos débitos indevidamente compensados.  Portanto, integrando as normas extraídas do instrumento legal de regência, o  contribuinte  deveria  apresentar  sua  manifestação  de  inconformidade  no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  contado  da  intimação  do  ato  que  não  homologou  seu  pedido  de  compensação,  caso  quisesse discutir a decisão contrária aos seus interesses.  De modo que,  em  termos de prova  concreta  existente nos  autos, verifica­se  que  o  contribuinte  foi  notificado  do Despacho Decisório  em 02/12/2008,  e  vindo  somente  a  apresentar  sua  manifestação  de  inconformidade  no  dia  07/10/2009.  Ou  seja,  quase  um  ano  depois.  Portanto,  para  fundamentar  e noticiar os  termos  que me  levaram a concluir  pelo  não  conhecimento  do  presente  recurso,  trago  aqui  o  que  dispõe  o  Ato  Declaratório  Normativo COSIT nº 15, de 12 de julho de 1996: “a impugnação intempestiva não instaura a  fase  litigiosa  do  procedimento,  não  suspende  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  nem  comporta  julgamento  de  primeira  instância,  salvo  caracterizada  ou  suscitada  tempestividade,  como preliminar”.  Nesse sentido, tendo em vista o que dos autos consta e pelas razões por mim  aqui  expostas,  CONHEÇO  do  recurso  ora  interposto  e  NEGO­LHE  PROVIMENTO,  mantendo, assim, em sua integralidade, a decisão a quo que reconheceu a intempestividade da  manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte e, portanto, não foi instaurada a  fase litigiosa do processo administrativo.  Com  base  nesses  fundamentos,  o  relator  original  negou  provimento  ao  recurso voluntário, sendo acompanhado pelos demais integrantes do Colegiado.   assinado digitalmente  Paulo Roberto Duarte Moreira ­ redator ad hoc  Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.955970/2008­03  Acórdão n.º 3802­003.058  S3­TE02  Fl. 151          4                           Fl. 151DF CARF MF

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Numero do processo: 10711.006534/2010-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/10/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.400
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1886; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 2          1 1  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10711.006534/2010­67  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3302­003.400  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de setembro de 2016  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO  Recorrente  CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 16/10/2008  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  INOBSERVÂNCIA  AO  PRAZO  ESTABELECIDO  PREVISTO  EM  NORMA.  AUSÊNCIA  DE  PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.  É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de  carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº  800/2007, sob pena de sujeitar­se à aplicação da multa prevista no artigo 107,  inciso I, IV, alínea "e", do Decreto­Lei nº 37/66.  Recurso Voluntário Negado      Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a  preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa ­ Presidente e Relator  Participaram da  sessão de  julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa,  Paulo  Guilherme  Déroulède,  José  Fernandes  do  Nascimento,  Maria  do  Socorro  Ferreira  Aguiar, Domingos  de Sá  Filho,  Lenisa Rodrigues  Prado,  Sarah Maria Linhares  de Araújo  e  Walker Araujo.  Relatório  Por  bem  retratar  a  realidade  dos  fatos,  adoto  e  transcrevo,  no  que  for  relevante, o relatório da decisão de piso proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil  de Julgamento em Fortaleza:     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 65 34 /2 01 0- 67 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006534/2010­67  Acórdão n.º 3302­003.400  S3­C3T2  Fl. 3          2 O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da  obrigação  de  prestar  informação  sobre  veículo,  operação  realizada  ou  carga  transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal  do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi  contestado pela empresa autuada.  Da Autuação  Antes  de  adentrar  na  descrição  dos  fatos  que  ensejaram  a  autuação,  a  autoridade  lançadora  fez  longa  explanação  acerca  do  comércio  marítimo  internacional,  na  qual  esclarece  quem  são  os  intervenientes  nessa  atividade,  a  documentação  utilizada,  as  informações  a  serem  prestadas  e  seus  respectivos  prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos  sobre  a  obrigatoriedade  de  prestar  informação  pelo  transportador  e  sobre  a  importância,  para  o  controle  aduaneiro,  de  os  dados  exigidos  serem  prestados  correta  e  tempestivamente.  A  fiscalização  expôs  detalhadamente  quais  as  informações  que  devem  ser  prestadas  e  os  respectivos  prazos  estabelecidos  na  legislação regente.  Em  seguida  apresentou  dispositivo  legal  que  trata  da  denúncia  espontânea  esclarecendo  que,  depois  de  formalizada  a  entrada  do  veículo  procedente  do  exterior,  esse  instituto  não  é  mais  aplicável  para  infrações  imputadas  ao  transportador,  por  força  de  expressa  disposição  do  Regulamento  Aduaneiro  (art.  683, § 3°). Foi também comentado sobre os danos causados ao controle aduaneiro  pelo  descumprimento  das  normas  referentes  à  prestação  de  informações  pelos  intervenientes no transporte internacional de cargas.  Na  sequência,  a  fiscalização  discorreu  sobre  o  tipo  de  infração  verificada,  inclusive  no  tocante  a  sua  penalização.  Depois,  passou  a  demonstrar  a  irregularidade  apurada  que,  de  acordo  com  o  relatado  no  tópico  Dos  Fatos,  consistiu  na  prestação  de  informação  intempestiva  referente  ao  conhecimento  eletrônico (CE) ali identificado.  De  acordo  com  a  autoridade  fiscal,  a  autuada  deixou  de  atender  ao  prazo  estabelecido no parágrafo único, inciso II, do art. 50 da Instrução Normativa RFB  n°  800,  de  27/12/2007. Assim,  a  fiscalização  considerou  caracterizada a  infração  tipificada no art. 107, IV, "e", do Decreto­Lei n° 37/1966, com redação dada pela  Lei n° 10.833/2003,  e aplicou a multa ali  prescrita,  que entende  ser  cabível para  cada CE incluído ou retificado após o prazo para prestar informações.  Da Impugnação  O  sujeito  passivo  foi  cientificado  da  exação  e,  apresentou  impugnação  na  qual aduz os seguintes argumentos.  Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. Conforme disposto no caput  do  art.  50  da  IN RFB n° 800/2007,  os  prazos  de  antecedência para  prestação  de  informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009,  estando  a  impugnante  dispensada  de  tal  obrigação  por  ocasião  do  fato  que  deu  ensejo ao Auto de Infração. Tratando­se de dispensa do cumprimento de obrigação  acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art.  111 do Código Tributário Nacional.  Duplicidade de multa para o mesmo navio/viagem. O Auto de Infração tem  objeto  idêntico  ao  dos  processos  indicados,  em que  também  é  exigida multa  pelo  atraso  na  entrega  de  informação  referente  a  carga  transportada  na  mesma  Fl. 99DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006534/2010­67  Acórdão n.º 3302­003.400  S3­C3T2  Fl. 4          3 embarcação  a  que  se  refere  este  processo,  não  podendo  subsistir  mais  de  uma  penalidade  para  o  mesmo  fato,  conforme  estabelece  a  legislação  de  regência.  Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez,  consoante  já  decidiu  a  própria  Receita  Federal  na  Solução  de  Consulta  Interna  (SCI) n° 8, de 14/2/2008.  Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento.  A Turma Julgadora "a quo", por unanimidade de votos, julgou improcedente a  impugnação  apresentada  pela  Recorrente,  mantendo  integralmente  o  crédito  constituído.  Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso  Voluntário, reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3302­003.395, de  28  de  setembro  de  2016,  proferido  no  julgamento  do  processo  10711.006561/2010­30,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302­003.395):  1. Tempestividade  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade, dele tomo conhecimento.  2. Preliminar  2.1 Duplicidade: Cobrança de múltiplas multas decorrente do mesmo fato  gerador  Em síntese apartada, alega a Recorrente que" O Auto de Infração tem objeto  idêntico ao dos processos  indicados  em  seu  recurso voluntário,  em que  também é  exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada  na mesma embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de  uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência.  Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez,  consoante  já  decidiu  a  própria  Receita  Federal  na  Solução  de  Consulta  Interna  (SCI) n° 8, de 14/2/20081."                                                              1 Trecho destacada no voto: Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração  de  exportação  e  o  que  deixou  de  informar  os  dados  de  embarque  sobre  todas  as  declarações  de  exportação  cometeram  a  mesma  infração,  ou  seja,  deixaram  de  cumpri  a  obrigação  acessória  de  informar  os  dados  de  embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não  prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados.  Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006534/2010­67  Acórdão n.º 3302­003.400  S3­C3T2  Fl. 5          4 Em relação ao primeiro ponto suscitado pela Recorrente, na parte em que ela  afirma  ser  impossível  existir  mais  de  uma  penalidade  para  o  mesmo  fato,  a  Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu da seguinte forma:  "No  caso  sob  análise  não  houve  uma  infração.  Examinando­se  as  ocorrências  citadas  pela  fiscalização,  verifica­se que as multas aplicadas  foram decorrentes de  condutas  similares,  porém,  relativas  a  fatos  distintos.  Sendo assim, não se pode afirmar sequer que as infrações  são  idênticas,  uma  vez  que  são  diferente  seus  objetos  materiais."  Já  em  relação  ao  segundo  ponto  (aplicação  da  solução  de  consulta  interna  Cosit  nº 8/2008), a  fiscalização  justificou  seu  afastamento  com base nos  seguintes  argumentos.  "Todavia, esse entendimento não é aplicável ao caso sob  exame. As informações cujos atrasos na prestação deram  ensejo  ao  lançamento  são  referentes  a  importação  de  mercadorias,  enquanto  a  citada  decisão  soluciona  consulta  relativa  à  exportação. Cada um  desses  tipos  de  operações envolve peculiaridades próprias, especialmente  no tocante ao controle administrativo, as quais se refletem  na legislação regente e não podem ser desprezadas.  O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas  consolidadas, as quais são acobertadas por documentação  própria,  cujos  dados  devem  ser  informados  de  forma  individualizada  para  a  geração  dos  correspondentes  conhecimentos  eletrônicos  (CE).  Esses  registros  devem  representar  fielmente  as  correspondentes  mercadorias,  a  fim  de  possibilitar  à  Aduana  definir  previamente  o  tratamento  a  ser  adotado  a  cada  caso,  de  forma  a  racionalizar  procedimentos  e  agilizar  o  despacho  aduaneiro.  Nesses  casos,  não  é  viável  estender  a  conclusão  trazida  na  citada  SCI,  conforme  se  passa  a  demonstrar.  Pois bem.  Em  que  pese  os  argumentos  explicitados  pela  Recorrente,  fato  é  que  não  houve  comprovação  da  existência  de  duplicidade  de  cobrança  por  parte  da  fiscalização,  tampouco  argumentos  capazes  de  infirmar  o  lançamento  fiscal  ou  contradizer  os  argumentos  utilizados  pela  turma  de  origem  que  afirmou  "  que  as  multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas  a fatos distintos".  Sequer  um  demonstrativo  analítico,  com  os  registros  relativos  as  operações  tratadas em cada processo apontado no  recurso  foram produzidas pela Recorrente,  em  total  desrespeito  ao  artigo  16,  inciso  III  e  §4º,  do  inciso  V  ,  do  Decreto  nº  70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil.  Nestes  termos,  considerando  que  a  Recorrente  deixou  inexplicavelmente  de  comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento  suscitado  pela  contribuinte,  restando,  assim,  prejudicado  a  análise  dos  demais  argumentos por ela suscitado.  Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006534/2010­67  Acórdão n.º 3302­003.400  S3­C3T2  Fl. 6          5 3. Mérito  3.1. Ilegalidade do Auto de Infração  O  presente  processo  administrativo  diz  respeito  a  exigência  de  multa  regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada,  ou  sobre  operações  que  executar,  prevista  no  artigo  107,  inciso  IV,  alínea  "e",  do  Decreto­Lei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo  fato da Recorrente ter prestado  informações sobre a desconsolidação da carga fora  do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº  800/2007.  Em sede Recursal a Recorrente alegou que "Conforme disposto no caput do  art.  50  da  IN  RFB  n°  800/2007,  os  prazos  de  antecedência  para  prestação  de  informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009,  estando  a  impugnante  dispensada  de  tal  obrigação  por  ocasião  do  fato  que  deu  ensejo ao Auto de Infração. Tratando­se de dispensa do cumprimento de obrigação  acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art.  111 do Código Tributário Nacional".  Como se vê, a multa sob análise foi aplicada com fundamento no artigo 107,  inciso IV, alínea "e", do Decreto­Lei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da  Lei nº 10.833/2003, que assim disciplina:  Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas: (Redação  dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)  (...)  IV ­ de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela  Lei nº 10.833, de 29.12.2003)  (...)  e)  por  deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  nele  transportada,  ou  sobre  as  operações  que  execute,  na  forma  e  no  prazo  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  aplicada  à  empresa  de  transporte  internacional,  inclusive  a  prestadora  de  serviços  de  transporte  internacional  expresso  porta­a­ porta, ou ao agente de carga;  Do que se extrai do artigo 77 alhures, é que sua finalidade visa penalizar os  contribuintes  que  descumprirem  as  obrigações  acessórias,  na  forma  e  nos  prazos  instituídos pelo legislador e/ou pela Receita Federal, com aplicação de multa.   Além  disso,  a  obrigação  do  agente  de  carga  de  prestar  as  informações  à  Receita Federal do Brasil está prevista no artigo 37, §1º, do Decreto­Lei nº 37/66,  com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003, a saber:  Art.  37.  O  transportador  deve  prestar  à  Secretaria  da  Receita  Federal,  na  forma  e  no  prazo  por  ela  estabelecidos,  as  informações  sobre  as  cargas  transportadas,  bem  como  sobre  a  chegada  de  veículo  procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada  pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)  Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006534/2010­67  Acórdão n.º 3302­003.400  S3­C3T2  Fl. 7          6 §  1o  O  agente  de  carga,  assim  considerada  qualquer  pessoa  que,  em  nome  do  importador  ou  do  exportador,  contrate  o  transporte  de  mercadoria,  consolide  ou  desconsolide  cargas  e  preste  serviços  conexos,  e  o  operador  portuário,  também  devem  prestar  as  informações  sobre  as  operações  que  executem  e  respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de  29.12.2003)  Já no que tange ao prazo e forma para prestar informações à fiscalização, os  artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007, assim dispõem:  Art.  22.  São  os  seguintes  os  prazos  mínimos  para  a  prestação das informações à RFB:  I ­ as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes  da chegada da embarcação no porto; e  II ­ as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como  para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a  escala:  a) dezoito  horas  antes  da  saída  da  embarcação,  para  os  manifestos  de  cargas  estrangeiras  com  carregamento  em  porto  nacional,  exceto  quando  se  tratar  de  granel;  (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473,  de 02 de junho de 2014)   b)  cinco  horas  antes  da  saída  da  embarcação,  para  manifestos  de  cargas  estrangeiras  com  carregamento  em  porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação  dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de  junho de 2014)   c)  cinco  (Revogado(a)  pelo(a)  Instrução Normativa RFB  nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016)   d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação,  para  os  manifestos  de  cargas  estrangeiras  com  descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam  a  bordo;  e  (Redação  dada  pelo(a)  Instrução  Normativa  RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014)   III  ­  as  relativas  à  conclusão  da  desconsolidação,  quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no  porto de destino do conhecimento genérico.  §  1o  Os  prazos  estabelecidos  neste  artigo  poderão  ser  reduzidos para rotas e prazos de exceção.   § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para  a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas  serão registrados no Siscomex Carga pela Coordenação­ Geral de Administração Aduaneira  (Coana), a pedido da  unidade  da  RFB  com  jurisdição  sobre  o  porto  de  atracação,  de  forma  a  garantir  a  proporcionalidade  do  prazo em relação à proximidade do porto de procedência.  Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006534/2010­67  Acórdão n.º 3302­003.400  S3­C3T2  Fl. 8          7 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473,  de 02 de junho de 2014)   § 3o Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional  poderão ser consultados pelo transportador.  § 4º O prazo previsto no inciso I do caput reduz­se a cinco  horas,  no  caso  de  embarcação  que  não  esteja  transportando  mercadoria  sujeita  a  manifesto  ou  arribada.  (Redação  dada  pelo(a)  Instrução  Normativa  RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014)   §  5º  Os  CE  de  serviço  informados  até  a  atracação  ou  registro  do  passe  de  saída  serão dispensados dos  prazos  de  antecedência  previstos  nesta  Instrução  Normativa.  (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de  02 de junho de 2014)   §  6º  Para  os  manifestos  de  cargas  nacionais,  as  informações a que se refere o inciso II do caput devem ser  prestadas  antes  da  solicitação  do  passe  de  saída.  (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de  24 de fevereiro de 2016)   ***  Art.  50.  Os  prazos  de  antecedência  previstos  no  art.  22  desta  Instrução  Normativa  somente  serão  obrigatórios  a  partir  de  1º  de  abril  de  2009.  (Redação  dada  pelo(a)  Instrução Normativa RFB nº  899,  de  29  de  dezembro  de  2008)   Parágrafo  único.  O  disposto  no  caput  não  exime  o  transportador  da  obrigação  de  prestar  informações  sobre:  I  ­  a  escala,  com  antecedência mínima  de  cinco  horas,  ressalvados  prazos  menores  estabelecidos  em  rotas  de  exceção; e  II  ­  as  cargas  transportadas,  antes  da  atracação  ou  da  desatracação da embarcação em porto no País.  Com todo respeito aos argumentos tecidos pela Recorrente, entendo que razão  não lhe assiste.  Com efeito, os prazos mínimos de prestação de informações à Receita Federal  do  Brasil  (vide  artigo  22,  da  IN  800/2007  e  IN  899/2008),  passaram  a  ser  obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009, exceção feita as hipóteses dos incisos do  artigo  50,  a  saber:  (i)  sobre  a  escala;  e  (ii)  sobre  as  cargas  transportadas,  que  permaneceram válidas e vigentes, produzindo seus efeitos legais e jurídicos.  Ou seja, embora o prazo previsto no artigo 22 não se aplique a fatos ocorridos  em data anterior a 1º de abril de 2009, a Recorrente deveria ter observado as demais  obrigações  previstas  no  parágrafo  único  do  artigo  50,  sob  pena  de  ensejar  a  aplicação da multa em comento.  Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006534/2010­67  Acórdão n.º 3302­003.400  S3­C3T2  Fl. 9          8 Assim,  considerando  que  a  obrigação  do  agente  de  cargas  de  apresentar  as  informações  antes  da  atracação  da  embarcação  era  obrigatória,  entendo  legítima  a  penalidade imposto à Recorrente.  No  mais,  destaca­se  que  o  artigo  37,  §1º,  do  Decreto­Lei  nº  37/66,  com  a  redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003 define, igualmente ao previsto no  artigo 2º, da IN 800/20072, o agente de carga como sendo " qualquer pessoa que, em  nome  do  importador  ou  do  exportador,  contrate  o  transporte  de  mercadoria,  consolide  ou  desconsolide  cargas  e  preste  serviços  conexos".  Ou  seja,  referido  dispositivo  equipara  o  agente  de  carga  ao  transportar  para  efeitos  de  aplicação  da  multa em comento.  Este  destaque  se  faz  necessário  na medida  em  que  a  Recorrente  suscitou  a  aplicação do artigo 110, do Código Tributário Nacional, arguindo que a fiscalização  ao equiparar o agente de cargas ao transportador, para efeito da obrigação tributária  acessória  em  apreço  ­  que  no  seu  texto  normativo  prevê  a  obrigação  somente  ao  transportar  ­  distorce  conceitos de direito privado, o que  é expressamente vedado  pelo  referido  artigo.  Cita  a  definição  de  "transportar"  e  "agente  de  cargas"  do  Dicionário Aurélio como fonte de direito privado.  O artigo 110 do CTN prevê:  A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e  o  alcance  de  institutos,  conceitos  e  forma  de  direito  privado,  utilizados,  expressa  ou  implicitamente,  pela  Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou  pelas  Leis  Orgânicas  do  Distrito  Federal  ou  do  Municípios,  para  definir  ou  limitar  competências  tributária.  Ao  contrário  do  que  explicitou  a  Recorrente,  suas  razões  não  merecem  respaldo. A uma porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" extraída do  Dicionário Aurélio  não  é  fonte  de direito  privado  e,  a  duas  porque  a definição de  "transportar" e "agente de cargas" não estão previstas na Constituição Federal, nas  Constituições  dos  Estados,  ou  nas  Leis  Orgânicas  do  Distrito  Federal  ou  do  Municípios.  Portanto,  considerando que  o Decreto  37/66 e  a  IN  800/2007 não  alteraram  definição prevista nos diplomas legais citados no artigo 110, do CTN, fica afastada a  alegação da Recorrente neste ponto.  Por fim, não vejo que o artigo 150, inciso III, da Constituição Federal tenha  aplicabilidade ao presente caso, posto que referido dispositivo impede a cobrança de  tributo  antes  da  vigência  da  lei  que  os  instituiu,  ao  que  passo  que  no  presente  a  discussão corresponde a aplicação de multa administrativa por descumprimento de  obrigação acessória, institutos estes totalmente distintos e que não se confundem.  O  artigo  3º,  do  Código  Tributário Nacional  é  claro  ao  definir  tributo  como  sendo  "toda  prestação  pecuniária  compulsória,  em  moeda  ou  cujo  valor  nela  se  possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrada  mediante atividade administrativa plenamente vinculada."                                                              2 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa define­se como:  § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa:  IV ­ o transportador classifica­se em:  e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional;  Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006534/2010­67  Acórdão n.º 3302­003.400  S3­C3T2  Fl. 10          9 Como se vê, o  legislador ao estabelecer que  tributo não constitui sanção de  ato ilícito, faz a diferenciação fundamental entre tributo e multa, deixando cristalino  que um não se confunde com o outro. Isso porque, tributo somente pode ter, por fato  gerador, situação lícita, fato lícito, ao contrário da sanção, que por excelência tem o  fato gerador proveniente de ato ilícito.  Por todo exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto em negar  provimento ao recurso voluntário.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeita­se a preliminar de nulidade e,  no mérito, nega­se provimento ao recurso voluntário.  Ricardo Paulo Rosa                              Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA

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Numero do processo: 10166.724042/2013-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2009, 2010, 2011 PRELIMINAR. FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A multa pela falta de retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, prevista no art. 9º da Lei n° 10.426, de 2002, com redação data pela Lei n° 11.488, de 2007, não pode ser aplicada isoladamente nos casos em que o imposto não mais é exigível da fonte pagadora.
Numero da decisão: 2201-003.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher as preliminares arguidas e dar provimento ao recurso voluntário. Realizou sustentação oral, pelo Contribuinte, a Drª Anete Mair Maciel Medeiros, OAB/DF 15787. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 06/09/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE E ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1841; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2          1 1  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10166.724042/2013­23  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­003.289  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de agosto de 2016  Matéria  IRRF  Recorrente  CONSTRUTORA ARTEC S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Exercício: 2009, 2010, 2011  PRELIMINAR.  FALTA  DE  RETENÇÃO  E  DE  RECOLHIMENTO.  MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.  A multa pela falta de retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte,  prevista no art. 9º da Lei n° 10.426, de 2002, com redação data pela Lei n°  11.488,  de  2007,  não  pode  ser  aplicada  isoladamente  nos  casos  em  que  o  imposto não mais é exigível da fonte pagadora.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  acolher  as  preliminares arguidas e dar provimento ao recurso voluntário.  Realizou  sustentação  oral,  pelo  Contribuinte,  a  Drª  Anete  Mair  Maciel  Medeiros, OAB/DF 15787.  Assinado digitalmente.  CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA ­ Presidente.   Assinado digitalmente.  ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ ­ Relatora.  EDITADO EM: 06/09/2016  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  CARLOS  HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO,  JOSE  ALFREDO  DUARTE  FILHO  (Suplente  convocado),  MARIA  ANSELMA     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 40 42 /2 01 3- 23 Fl. 3138DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     2 COSCRATO DOS  SANTOS  (Suplente  convocada),  DENNY MEDEIROS DA  SILVEIRA  (Suplente  convocado),  DANIEL  MELO  MENDES  BEZERRA,  CARLOS  CESAR  QUADROS PIERRE E ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou  improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo.  Nesta oportunidade, utilizo­me do relatório produzido em assentada anterior,  eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes:  Trata­se  de  auto  de  infração  (fls.  02/09)  para  a  exigência  de  multa  isolada pela  falta de  retenção ou  recolhimento do  IRRF,  infrações  essas ocorridas nos anos­calendário de 2008, 2009 e  2010,  conforme  expõe  o  fisco  em  seu  Relatório  Fiscal  (fls.  03/04), conforme abaixo se segue:  a)  A  fiscalização  originou­se  em  decorrência  da  “Operação  Esperança”, doravante  intitulada de “Caixa de Pandora” e  foi  iniciada em 16/08/2012;  b)  Da  análise  dos  documentos  obtidos  pelo  fisco,  foi  possível  constatar  a  existência  de  indícios  de  fatos  geradores  não  declarados à RFB;  c)  Verificou­se  que  a  empresa  fiscalizada  não  declarou  nem  recolheu contribuições sociais  incidentes sobre remuneração de  trabalhadores que lhe prestaram serviços;  d)  Especificamente,  no  que  tange  às  contribuições  previdenciárias,  os  trabalhos  da  fiscalização  resultaram  na  cobrança de  contribuições  incidentes  sobre as  seguintes  verbas  no  período  de  2008  a  2010:  remunerações  indiretas  pagas  mediante  a  utilização  de  empresa  interposta  (FREECARD);  remunerações  indiretas  pagas  aos  sócios mediante  a  utilização  de  aumento  e  de  redução  do  capital  social  (retirada  ilegal  de  capital);  remunerações  indiretas  relacionadas  a  mútuos  simulados;  e)  Entretanto,  também  foi  verificado  que  o  contribuinte  não  declarou  em  DIRF  as  verbas  mencionadas  acima  e  tampouco  efetuou a retenção do Imposto de Renda incidente sobre elas;  f) Tais  fatos  ensejaram a  lavratura do  lançamento de ofício de  multa isolada pela não retenção do IRRF;  g)  Nesse  contexto,  as  verbas  e  sobre  as  quais  não  foram  efetuadas  as  retenções  do  IRRF  e  que  serviram  de  base  para  aplicação da multa isolada estão devidamente discriminadas nos  Anexos 31 e 32 e coincidem com as constantes na fiscalização de  contribuições previdenciárias;  Fl. 3139DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10166.724042/2013­23  Acórdão n.º 2201­003.289  S2­C2T1  Fl. 3          3 h) O cálculo das multas encontra­se detalhado nas planilhas dos  anexos  31  e  32,  assim  como  a  discriminação  dos  pagamentos  que deram origem à autuação;  i)  No  caso,  restou  nitidamente  comprovado  que,  de  forma  continuada,  o  contribuinte  em  questão  simulou  situações  e  utilizou  manobras  contábeis  para,  de  forma  fraudulenta,  mascarar  a  ocorrência  de  fatos  geradores  e  impedir  a  efetiva  cobrança de contribuições incidentes sobre remunerações pagas  a trabalhadores, notadamente, seus sócios;  j) Para isso, valeu­se de diversos artifícios fraudulentos, dentre  eles:  simulações  relacionadas  à  realidade  da  situação  da  empresa,  a  utilização  de  pessoa  jurídica  interposta  e  a  contabilização de lançamentos em desacordo com a legislação;  k)  Cumpre  mencionar,  conforme  descrito  no  decorrer  do  Relatório Fiscal (Anexo 30), que os sócios da ARTEC (empresa  fiscalizada), além de serem beneficiários diretos de pagamentos  descritos nesse relatório, consentiram com as práticas adotadas  para remunerá­los indiretamente;  l)  Nesse  contexto,  o  fisco  se  viu  obrigado  a  caracterizar  a  sujeição passiva solidária dos seguintes sócios/administradores:  Eugênio  Cesar  Alves  Lacerda;  Mauro  Desar  Alves  Lacerda  e  Paulo Cesar Nogueira Lacerda;  m)  Este  processo  é  decorrente  da  autuação  de  contribuições  previdenciárias  constante  no  processo  administrativo  nº  10166724040/2013­34.  Devidamente  cientificada  (fls.  )  em  //2013,  a  interessada,  em  01/07/2013, apresentou impugnação (fls. 905/943), cujas razões  de defesa, em resumo, abaixo transcrevo:  a)  Segundo  o  fisco,  a  interessada  teria  deixado  de  recolher  contribuições  previdenciárias  patronais,  de  segurados  e  incidentes  sobre  remunerações  pagas  a  segurados  que  lhe  prestaram  serviços,  bem  como  descumprido  obrigações  acessórias,  o  que  gerou  a  lavratura  de  diversos  autos  de  infração. Além desses débitos, foi apurada também a ausência de  retenção do IRRF;  b) Arrolou ainda o fisco os sócios como devedores solidários;  c) As  supostas  irregularidades  fiscais nas operações  realizadas  nos anos de 2008 a 2010 consistiram no seguinte:  i) existência de saldo credor de caixa;  ii) remuneração indireta através da FREECARD;  iii)  remuneração  indireta  mediante  aumento  e  redução  de  capital;  iv) Remuneração indireta por meio de simulação de mútuos.  Fl. 3140DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     4 d) Assevera  a  interessada que  os artigos  124 e  135 do Código  Tributário  Nacional  (que  devem  ser  interpretados  de  forma  conjunta)  só  autorizam  a  responsabilização  dos  sócios  nas  hipóteses  em  que  pratiquem  atos  com  excesso  de  poderes,  infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução  irregular da sociedade;  e) No entanto, no seu entender, o fisco não apontou um único ato  que  tivesse  sido  praticado  com  afronta  à  lei  ou  ao  contrato  social por parte dos sócios (nem sequer por parte da ARTEC);  f)  O  fisco  entendeu  que  a  impugnante  teria  utilizado  ‘pessoa  jurídica  interposta  para  remunerar  de  maneira  indireta  seus  trabalhadores, notadamente seus sócios, e burlar as legislações  trabalhistas, previdenciária e tributária;  g)  A  Impugnante  nega  que  os  pagamentos  questionados  pela  Auditoria Fiscal tenham a natureza de prêmios, ao contrário se  tratam de valores pagos como um estímulo ao trabalho e não em  decorrência da prestação dos  serviços pelos  sócios, razão pela  qual não consistem em remuneração do trabalho;  h)  Assevera  a  Impugnante  que,  de  acordo  com  os  termos  do  contrato de prestação dos serviços, a FREECARD é empresa que  desenvolve  e  administra  programas  de  marketing  de  produtividade, incentivo e qualidade dirigido ao público interno  e  de  relacionamento  comercial  das  empresas,  a  fim  de  incrementar as atividades desenvolvidas;  i) Com efeito,  os  valores pagos a  título  de FREECARD não  se  caracterizam  como  salário  ou  remuneração  por  serviço  prestado,  razão  pela  qual  se  torna  impossível  a  sua  tributação  pelas contribuições previdenciárias;  j)  Dessa  forma,  não  pode  a  autoridade  fiscal  dizer  que  determinado pagamento, que não possui a natureza de salário ou  que não é pago em razão da prestação de um serviço, deve ser  considerado como tal para  fins de  incidência das contribuições  devidas à previdência social;  k) Ressalta a Impugnante que as importâncias recebidas a título  de  ganhos  eventuais  não  estão  sujeitas  à  incidência  de  contribuições previdenciárias;  l) Questiona a Impugnante a caracterização como remuneração  dos  valores  pagos  à  mãe  dos  sócios,  que  jamais  integrou  os  quadros da Impugnante;  m)  O  montante  pago  aos  sócios  não  é  base  de  cálculo  das  contribuições previdenciárias, de modo que deve ser excluído da  autuação,  por  se  caracterizar  como  prêmio.  Caso  assim  não  entenda,  deve­se,  ao  menos,  reconhecer  que  o  valor  não  tem  natureza de pro­labore, mas sim de dividendo, não devendo ser  objeto de autuação;  n) Quanto ao suposto pagamento de remunerações indiretas aos  sócios mediante a utilização de aumento e de redução de capital  social, ressalta a interessada que a operação foi correta;  Fl. 3141DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10166.724042/2013­23  Acórdão n.º 2201­003.289  S2­C2T1  Fl. 4          5 o) O aumento de capital social foi efetuado em 17/01/2008, com  reserva  de  reavaliação  da  marca  ARTEC  reconhecida  na  contabilidade  em  01/11/2007  e  sua  posterior  redução,  em  01/09/2009,  fundado  em  excesso  de  capital  social,  conforme  preceitua o art. 1.082 do Código Civil;  p) Entende o fisco que a redução do capital social foi uma forma  de remuneração indireta;  q)  A  Autuada  entende  que  o  aumento  e  redução  do  capital  da  empresa  foram  realizados de  forma  correta,  não  padecendo de  qualquer vício ou  irregularidade. As  referidas operações  foram  assim descritas pela Autuada, nas fls. 936/942.  A  contribuinte  contratou,  em  meados  de  2007,  empresa  de  consultoria  renomada no mercado para  efetuar  a  avaliação  da  marca  ARTEC,  devidamente  registrada  no  INPI  sob  o  n.  900559918.  A  conclusão  dos  trabalhos  se  deu  em  1º  de  novembro  de  2007,  com  a  elaboração  do  respectivo  laudo  de  avaliação.  Nessa  data,  a  contribuinte  reconheceu  em  sua  contabilidade  o  valor correspondente à marca ARTEC, baseada na mensuração  obtida pelo laudo produzido por especialistas.  Em 12 de março de 2008, por meio da 54ª alteração do contrato  social  da  contribuinte,  elevou­se  o  capital  social  na  exata  medida  da  reserva  de  reavaliação,  distribuindo­se  ponderadamente de acordo com a participação de cada sócio no  capital.  O  aumento  do  capital  social  da  empresa  foi  motivado  principalmente pela expectativa de rentabilidade  futura,  reflexo  da  receita  líquida  projetada  pela  empresa  especialista  quando  contratada para a avaliação da marca. Como a contribuinte tem  como  principal  cliente  o  Estado,  seja  nas  esferas  federal,  estadual,  municipal  ou  distrital,  é  salutar  que,  à  vista  da  expectativa de aumento das receitas no futuro, tenha um capital  social  para  fazer  frente aos  investimentos necessários,  além do  que  é  comum  que  os  editais  de  licitação  requeiram  capital  expressivo para que a empresa possa participar dos certames.  Após  cerca  de  um  ano  e  meio  do  aumento  do  capital  social,  verificando a contribuinte não ser necessária, para a consecução  do  seu  objeto  social,  a  excessiva  quantia  de  capital,  resolve  diminui­los,  devolvendo  aos  sócios  parte  do  investimento,  não  através  de  pecúnia  ou  de  remunerações  de  qualquer  natureza,  mas sim por meio de compensação de títulos e crédito de conta­ corrente  dos  sócios.  Isso  foi  sacramentado  por  meio  da  57ª  alteração do contrato social.  Nesse ponto, cabe um destaque. Em 2002, houve um aumento do  capital social da empresa, da ordem de R$ 10.000.000,00 para  R$ 20.000.000,00, conforme pode ser observado na DIPJ 2003.  Esse  acréscimo  da  capital  subscrito  foi  registrado  na  DIPJ  erroneamente, contra o item 15 “clientes” da ficha 38A, quando  Fl. 3142DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     6 deveria  ter  sido  lançado  no  item  16  “créditos  com  pessoas  ligadas”. Esse erro é facilmente constatado quando se analisa a  DIPJ de 2002, cujo saldo final do item 16 “créditos com pessoas  ligadas”  é  exatamente  o  mesmo  saldo  inicial  do  item  15  “clientes” da DIPJ de 2003, ou seja, R$ 4.004.196,21.  O motivo dessa contrapartida está no fato de que o capital social  foi  integralizado  com  notas  promissórias  emitidas  pelos  sócios  da empresa. Dessa forma, na contabilidade da empresa, foi feito  um crédito a “capital social subscrito” e um débito a “títulos a  receber – LP”.  Embora  a  contribuinte  não  tenha  mais  disponível  a  contabilidade  anterior  ao  ano  de  2005,  no  balanço  deste  ano  (2005) é possível ver o saldo da conta “títulos a receber – LP”,  cujo  valor  contém  os  R$  10.000.000,00  referentes  à  contrapartida do aumento do capital social em 2002.  Por  outro  lado,  a  empresa  realizava  diversos  empréstimos  aos  sócios, que eram reconhecidos na conta contábil “conta corrente  financeira”, no ativo circulante.  Tais  empréstimos,  inclusive,  foram  objeto  de  autuação  neste  processo,  o  que  será  tratado,  especificamente,  em  momento  oportuno.  Então tem­se que a empresa detinha dois tipos de títulos contra  os sócios: as notas promissórias, registradas na conta ‘títulos a  receber – LP”, e os mútuos, lançados na conta “conta corrente  financeira”.  De posse dessas informações, quando em 1º de julho de 2009, a  contribuinte efetuou a já mencionada redução do capital social,  realizando lançamento a débito na conta “capital subscrito” e a  crédito  nas  contas  “títulos  a  receber  –  LP”  e  “conta  corrente  financeira”. Veja­se o lançamento:  Capital  Subscrito  a  diversos........................................R$  20.010.000,00  Títulos  a  Receber  –  LP.............................................R$  13.947.000,00  Conta  Corrente  Financeira.......................................R$  6.063.000,00  Esse  lançamento pode ser  facilmente verificado nos respectivos  razões,  que  estão  juntados  a  esta  impugnação,  reflexos  da  57ª  alteração contratual.  Portanto, a redução do capital social não resultou em saída de  numerário,  bens  do  imobilizado  ou  créditos  contra  terceiros,  mas recebíveis da empresa contra os sócios, compensando­se as  obrigações nos termos do art. 368 do Código Civil.  Com essas informações, ficam claras as razões de impugnação a  seguir  aduzidas,  suficientes  para  infirmar  as  conclusões  do  auditor fiscal.  Fl. 3143DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10166.724042/2013­23  Acórdão n.º 2201­003.289  S2­C2T1  Fl. 5          7 r) No entender da Autuada, não pode haver simulação se não há  qualquer verdade escondida, e as operações em comento foram  todas registradas na contabilidade;  s) Assevera a Autuada que  também a  fraude não está presente,  pois  não  houve  remuneração  física  dos  indicados  como  beneficiários  da  renda,  de  modo  que,  em  absoluto,  houve  pagamento de remuneração a ponto de gerar qualquer indício de  fraude pela redução do capital;  t)  Assinala  a  Autuada  que  entre  o  aumento  e  a  redução  do  capital  decorreu  um  período  de  um  ano  e  cinco  meses,  o  que  impede que sejam considerados atos seguidos;  u)  A  Autuada  tece  diversas  considerações  para  demonstrar  a  idoneidade do laudo de avaliação da marca;  v)  Argumenta  a  Autuada  que  cabe  aos  sócios  promover  o  aumento ou a redução do capital social a partir do crescimento  ou do encolhimento da empresa desenvolvida pela sociedade, tal  como  levado  a  efeito  pela  Impugnante  por  meio  da  54ª  alteração contratual, no ano de 2008, em que se aumentou  o capital  social da empresa de R$ 20.000.000,00 para R$  43.179.000,00;  w)  A  metodologia  de  avaliação  da  marca  ocorreu  mediante  a  aplicação do conceito de alívio de royalties, e a referida análise  não  depende  dos  fatores  que  a  Auditoria  afirmou  que  foram  ignorados  (existência  de  prejuízos  e  lucros,  grau  de  endividamento, índice de solvência, etc.);  x)  Trata­se  de método amplamente  utilizado,  sendo o  preferido  pelas  autoridades  tributárias  e  pela  Justiça,  porque  calcula  os  valores  da  marca  através  de  referência  a  transações  documentadas  de  terceiros,  sendo  baseada  em  informações  financeiras disponíveis publicamente;  y) A taxa de royalty será determinada em função do desempenho  da  marca  levando  em  consideração  o  período  histórico,  que  tomou por base o faturamento da empresa a partir do balanço de  1997 e o projetado até 2016;  z)  A  projeção  de  receita  líquida  levada  a  efeito  pelo  laudo  de  avaliação  perfilhou,  nos  anos  de  2008  e  2010,  por  exemplo,  números  bem  próximos  dos  alcançados  pela  ARTEC,  como  se  observa  nos  balanços  dessses  períodos,  no  primeiro  ano,  a  projeção  foi  de  43  milhões,  enquanto  a  Autuada  alcançou  a  marca  de  41  milhões,  já  no  segundo  ano  apontado,  o  laudo  previu 48 milhões, sendo que a empresa apurou 57 milhões;  aa) A valorização da marca levou em conta os seguintes fatores:  ­ aumento da receita líquida nos últimos 10 anos girou em torno  de 27,9% ao ano;  Fl. 3144DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     8 ­ a reestruturação organizacional e mercadológica assegurarão  os  níveis  de  crescimento,  faturamento  e  rentabilidade  compatíveis com o setor;  ­  há  previsão  de  lançamento  de  novos  serviços  e  aumento  de  participação de produtos existentes;  ­  a  empresa  é  líder  na  área  de  obras  públicas  no  Distrito  Federal;  ­  existem  novos  investimentos  previstos  a  curto  e médio  prazos  nos setores industrial e mercadológico;  ­ há novos contratos de obras a serem firmados e orçamento de  obras em análise.  bb)  Defende  a  Autuada,  em  contraposição  ao  alegado  pelo  Auditor Fiscal, a existência de capital excessivo em relação ao  objeto da sociedade;  cc)  Assinala  a  Autuada  que  somente  devem  ser  mantidos  na  companhia os ativos que estejam sendo úteis para as atividades  sociais, restituindo­se o excedente aos acionistas;  dd)  Entende  que,  em  verdade,  somente  o  desempenho  da  sociedade, após a redução do capital social, revelará se, de fato,  o capital social era excessivo ou não. Se o ritmo das operações,  mesmo com a devolução do  investimento aos sócios, estiver em  alta, ou mesmo em patamar equivalente ao que se tinha antes da  redução  do  capital,  então  ter­se­á  situação  em  que  o  capital  social transbordava a necessidade de financiamento da empresa;  ee)  Conclui  a  Autuada  que,  no  presente  caso,  a  redução  do  capital  social  foi medida de  estratégia  empresarial,  pois  os R$  43.179.000,00 ultrapassaram a conveniência e a necessidade de  capital. Essa percepção, de  cunho extremamente  subjetivo, não  pode ser ditada pelo  fisco, haja vista que o ente  tributante não  deve ter ingerência nos negócios dos particulares. Seu dever é de  fiscalizar a regularidade do recolhimento dos tributos;  ff) A Autuada apresenta dados relativos aos anos de 2005 a 2010  para demonstrar que o grau de endividamento e a participação  de capitais de terceiros não evoluíram após a redução do capital  social.  Sublinha  a  Autuada  que,  ao  promover  licitações,  a  Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil – Novacap,  exige um grau de endividamento igual ou menor que 0,50, sendo  que  em  2009  (ano  em  que  ocorreu  a  redução  do  capital)  a  Autuada apresentava um índice de 0,31;  gg)  O  ritmo  de  amortização  dos  empréstimos  foi  maior  que  o  índice de contratação de empréstimos, após a redução do capital  social;  hh) A Autuada apresentou lucros em 2008, 2009 e 2010;  ii)  Embora  a  nota  19.6.13  da  NBC  19.6  estabeleça  que  “a  reserva de reavaliação não pode ser utilizada para aumento de  capital ou amortização de prejuízo, enquanto não realizada”, a  legislação  fiscal  não  veda  essa  prática.  O  artigo  435  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda,  prevê  a  tributação  da  Fl. 3145DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10166.724042/2013­23  Acórdão n.º 2201­003.289  S2­C2T1  Fl. 6          9 reserva  de  reavaliação  quando  for  usada  para  aumentar  o  capital  social  ou  na  medida  em  que  for  realizada,  donde  se  conclui  que  o  referido  dispositivo  permite  ao  contribuinte  usar  da reserva para capitalizar a empresa ou simplesmente mantê­la  no  patrimônio  líquido,  hipótese  em  que  a  tributação  se  dará  paulatinamente, quando da realização;  ii) Posteriormente, a Lei 9.959/2000, em seu artigo 4º, encerrou  a  tributação  quando  do  aumento  de  capital  pela  utilização  de  reserva  de  reavaliação,  limitando­a  ao momento  da  realização  do  bem.Conclui­se,  portanto,  que  se  a  lei  somente  autoriza  a  tributação  da  reserva  de  reavaliação  capitalizada  quando  da  realização do bem, é porque admite que essa capitalização possa  se dar antes da realização;  jj)  A  NBC  T  19.6  foi  revogada  em  04  de  agosto  de  2009  pela  NBC  TG  27,  que  suprimiu  o  condicionamento  de  capitalização  da  reserva  de  reavaliação  à  realização  do  bem.  Portanto,  a  própria contabilidade já admite essa prática;  kk) Alega a Autuada:  O fiscal sustenta que se as Dirpf dos três sócios da Impugnante  “denunciam que o  capital  social” não havia  sido  integralizado  em  sua  totalidade,  uma  vez  que  nas  declarações  constavam  dados  referentes  a  “nota  promissória  de  capital  não  integralizado em moeda” na ARTEC. Aduz também que nem os  próprios sócios reconheceram o aumento do capital social, pois  nas Dirpf não constou essa informação.  (...)  O  preenchimento  das  Dirpf,  pelos  sócios,  foi  feito  de  maneira  incorreta, pois o capital social foi efetivamente integralizado por  meio de notas promissórias, não havendo que se falar em capital  social a integralizar. É muito cômodo ao auditor fiscal presumir  que  as  Dirpf  que  estariam  certas,  e  não  a  contabilidade  da  empresa, quando em momento algum se contestou a validade da  escrituração.  Por  outro  lado,  admitindo­se  que  havia  capital  social  a  integralizar,  ad  argumentandum,  ao  reduzir  o  capital  social,  haveria  uma  reversão  do  lançamento  da  subscrição,  de  modo  que o lançamento seria a débito de “capital subscrito” a crédito  de  “capital  a  integralizar”,  DENUNCIANDO,  PORTANTO,  QUE  NÃO  HAVERIA  A  SAÍDA  DE  QUALQUER  VALOR  DA  EMPRESA, O QUE DEMONSTRA A AUSÊNCIA DE BASE DE  CÁLCULO  PARA  A  COBRANÇA  DE  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  ll) Alega a Autuada que os valores referentes à devolução  do  capital  social  da  empresa  aos  sócios  foram  disponibilizados antes da própria redução, pelo que grande  parte está prescrita;  Fl. 3146DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     10 mm)  Transcrevemos  alguns  dos  argumentos  apresentados  para sustentar a tese da Autuada:  Conforme exposto  linhas acima, a contrapartida da diminuição  do capital social foi a redução de débitos dos sócios para com a  empresa,  compensando­se  as  obrigações.  Não  houve  saída  de  bens  ou  numerário  da  sociedade,  mas  a  diminuição  de  obrigações  não  operacionais  que  os  sócios  tinham  com  a  entidade.  Isso leva a crer que a disponibilização dos valores aos sócios se  deu  muito  antes  da  própria  redução  do  capital  social.  Essa  disponibilização  ocorreu  paulatinamente,  ao  longo  dos  anos,  como  se  observa  dos  razões  contábeis  das  contas  “títulos  a  receber – LP” e “conta corrente financeira”.  Não  há  dúvida  de  que  o  fato  gerador  de  contribuição  previdenciária  é  a  disponibilização  da  remuneração  pelo  trabalho.  Partindo­se  dessa  premissa,  o  fato  gerador  temporal  da contribuição previdenciária é exatamente o momento em que  houve  a  remuneração,  ou  seja,  sua  disponibilização  à  pessoa  física.  Ao reduzir o capital social, os sócios não foram “remunerados”,  mas  compensaram  débitos  que  tinham com  a  própria  empresa,  por meio de lançamento a crédito nas contas “títulos a receber –  LP”  e  “conta  corrente  financeira”,  baixando­se  as  obrigações  na exata quantia da participação no capital.  O  “pagamento”,  de  acordo  com  o  conceito  legal,  se  deu  em  diversos períodos anteriores à redução do capital. Esses seriam  os  fatos geradores. A  fiscalização deveria  tomar as  respectivas  datas de disponibilização, de acordo com os  razões das  contas  retromencionadas, como efetiva entrega das remunerações. Não  o fez; preferiu ignorar a operação no ponto que lhe é prejudicial  e tributar a cifra do capital retirado.  (...)  nn)  Com  relação  aos  contratos  de  mútuo  que  a  Auditoria  classificou  como  remunerações  indiretas  efetuadas  aos  sócios,  alega  a  Autuada  que  não  havia  necessidade  de  registrar  os  contratos no registro público. Ao contrário do entendimento da  Auditoria,  o  artigo  221  do  Código  Civil  não  impõe  o  registro  como  condição  de  comprovação  da  regularidade  dos  empréstimos  perante  terceiros,  tendo,  isso  sim,  o  escopo  de  vincular  terceiros,  o  que,  sem  sombra  de  dúvida,  não  é  o  caso  dos autos;  oo)  Os  contratos  celebrados  entre  a  Autuada  e  seus  sócios  (devidamente  registrados  na  contabilidade)  comprovam  a  realização  dos  empréstimos  perante  a  Fazenda  Nacional,  sem  necessidade de que sejam levados a registro público, já que não  se pretende impor qualquer obrigação à Fazenda Nacional;  pp) Para existência do contrato de mútuo não é imprescindível a  cobrança de  juros, sobretudo na hipótese dos autos, em que os  empréstimos  foram  celebrados  entre  a  sociedade  e  os  seus  sócios, sem que houvesse quaisquer interesses econômicos;  Fl. 3147DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10166.724042/2013­23  Acórdão n.º 2201­003.289  S2­C2T1  Fl. 7          11 qq)  A  ausência  de  recolhimento  do  IOF  não  pode  ensejar  a  desconsideração  dos  empréstimos,  mas,  sim,  ensejar  a  caracterização do fato gerador do mencionado tributo;  rr) A  perpetuação dos mútuos  por  um período  de  tempo não  é  suficiente  a  afastar  a  caracterização  dos  empréstimos,  pois,  como  se  vê  pelos  documentos  acostados  aos  autos,  as  partes  celebraram  os  contratos,  os  quais  foram  devidamente  contabilizados pela Impugnante e, diversamente do que sustenta  o  fiscal,  houve  quitação  de  parte  da  dívida  com  a  retirada  do  capital  da  empresa  pelos  sócios  (redução  do  capital),  como  alhures demonstrado;  ss) Impugna a Autuada a multa aplicada de 75%, sob o pretexto  de  aplicação  do  artigo  106,  inciso  II,  alínea  “c”  do  CTN.  Contesta  a  Autuada  os  critérios  utilizados  pela  Auditoria  para  apuração da penalidade mais favorável à Autuada: a prevista na  legislação  anterior  à  entrada  em  vigor  da  Medida  Provisória  449/2008  (convertida  na  Lei  11.941/2009)  ou  a  legislação  que  passou a vigorar a partir da referida Medida Provisória;  tt) Argumenta a Autuada:  Segundo a fiscalização, foram constatadas situações previstas no  §  1º,  do  art.  44,  da  Lei  n.  9.430/1996,  o  que  enseja  o  agravamento  das  multas  de  ofício.  Entretanto,  a  contribuinte  demonstrou,  linhas antes, a  lisura dos  lançamentos contábeis  e  de  seus  fundamentos,  tudo  com  propósito meramente  negocial,  sem qualquer intenção de incorrer em fraude ou de mascarar a  ocorrência  de  fatos  geradores  e  a  cobrança  de  tributos,  isto  é,  sem que houvesse qualquer simulação.  É o relatório.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de  Janeiro  julgou  improcedente  a  impugnação,  restando  mantida  parcialmente  a  notificação  de  lançamento, conforme a seguinte ementa:     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE  ­ IRRF  Ano­calendário: 2008, 2009, 2010  MULTA  DE  OFÍCIO  ISOLADA.  JUROS  DE  MORA  ISOLADOS.  Diante  de  indícios  acerca  da  veracidade  dos  fatos  que  ensejaram a autuação, cabível a exigência da multa isolada  de ofício a título de IRRF e dos respectivos juros de mora  isolados.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido   Fl. 3148DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     12 Posteriormente,  dentro  do  lapso  temporal  legal,  foi  interposto  recurso  voluntário no qual a contribuinte reitera as alegações dispostas na impugnação.  É o relatório.    Voto             Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz  Conheço  do  recurso,  posto  que  tempestivo  e  com  condições  de  admissibilidade.  1. Da preliminar  1.1.  Da  inaplicabilidade  da multa  isolada  pela  ausência  de  retenção  e  recolhimento  do  IRF  Conforme narrado, o presente lançamento trata da exigência de multa isolada  pela falta de retenção ou recolhimento do IRRF, infrações essas ocorridas nos anos­calendário  de 2008, 2009 e 2010, consoante o exposto no Relatório Fiscal (fls. 03/04).  Sustenta  a  recorrente  que,  não  sendo  exigível  o  próprio  imposto  da  fonte  pagadora, inexiste a base de cálculo para a aplicação da multa isolada por falta de retenção na  fonte, quando devida somente antes da entrega da declaração de ajuste.   Acerca  do  tema,  aplico  o  entendimento  estampado  no  voto  do Conselheiro  Eduardo Tadeu Farah, em caso semelhante, nos termos seguintes:  A  multa  aplicada  foi  com  base  no  art.  9º  da  MP  16/2002,  convertida na Lei nº 10.426/2002, cuja redação determinava:  Art. 9º Sujeita­se à multa de que trata o inciso I do caput do art.  44  da Lei no  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  duplicada na  forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada  a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou  recolhimento,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº  11.488, de 2007)  Parágrafo  único.  As  multas  de  que  trata  este  artigo  serão  calculadas  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  tributo  ou  contribuição  que  deixar  de  ser  retida  ou  recolhida,  ou  que  for  recolhida após o prazo fixado. (grifei)  Por  sua  vez,  a  autoridade  recorrida  apoiou­se  no  Parecer  Normativo  nº  01,  de  24/09/2002,  expedido  pela  Coordenação  Geral  do  Sistema  de  Tributação  (COSIT),  da  Secretaria  da  Receita Federal, verbis:   Penalidades aplicáveis pela não retenção ou não pagamento do  imposto  15.  Verificada,  antes  do  prazo  para  entrega  da  declaração  de  ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista  Fl. 3149DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10166.724042/2013­23  Acórdão n.º 2201­003.289  S2­C2T1  Fl. 8          13 para  o  encerramento  do  período  de  apuração  em  que  o  rendimento  for  tributado,  seja  trimestral,  mensal  estimado  ou  anual,  no  caso  de  pessoa  jurídica,  a  não  retenção  ou  recolhimento  do  imposto,  ou  recolhimento  do  imposto  após  o  prazo sem o acréscimo devido, fica a fonte pagadora, conforme o  caso, sujeita ao pagamento do imposto, dos juros de mora e da  multa de ofício estabelecida nos incisos I e II do art. 44 da Lei nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996  (art.  957  do  RIR/1999),  conforme previsto no art. 9º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de  2002, verbis:  Lei nº 10.426, de 2002  "Art.  9º  Sujeita­se às multas de que  tratam os  incisos  I  e  II  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  a  fonte  pagadora  obrigada a  reter  tributo  ou  contribuição,  no  caso  de  falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo  fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente  de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  Parágrafo  único.  As  multas  de  que  trata  este  artigo  serão  calculadas  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  tributo  ou  contribuição  que  deixar  de  ser  retida  ou  recolhida,  ou  que  for  recolhida após o prazo fixado."  Pelo  que  se  vê,  a  penalidade  pela  falta  de  recolhimento  de  Imposto de Renda Retido na Fonte, só foi instituída a partir da  edição da Medida Provisória n° 16, de 23 de dezembro, de 2001,  convertida na Lei n° 10.426, de 2002.  (...).  Ademais,  a  Medida  Provisória  nº  351,  de  22/01/2007,  posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de  2007, excluiu a  imposição da multa  isolada prevista no  inciso  II,  do  artigo  44,  da  Lei  n°  9430/1996,  relativamente  à  fonte  pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de  falta  de  retenção  ou  recolhimento.  Confira­se  a  nova  redação  introduzida pela art. 14 da citada Medida Provisória, convertida  na Lei nº 11.488, de 2007:  Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996,  passa  a  vigorar  com  a  seguinte  redação,  transformando­se  as  alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  II de 50% (cinqüenta por cento), exigida  isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal:  Fl. 3150DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     14 a) na  forma do  art.  8º  da Lei  no  7.713,  de 22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física;  b)  na  forma  do  art.  2º  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.  § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  I ( revogado);  II ( revogado);  III( revogado);  IV (revogado);  V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998).  § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput  e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação para:  I prestar esclarecimentos;  II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a  13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991;  III  apresentar  a  documentação  técnica  de  que  trata  o  art.  38  desta Lei.  ................................................. ” (NR):  Portanto,  a  penalidade  não  é mais  aplicada  nas  situações  em  que  o  imposto  não  retido  não  é  exigível  da  fonte  pagadora.  Além do mais, não se pode perder de vista a regra estampada no  art. 106, inc. II, do Código Tributário Nacional, que dispõe que  a  lei nova se aplica a ato ou  fato não definitivamente  julgados,  quando  lhe  comine  penalidade menos  severa  que  a prevista  na  lei vigente ao tempo de sua prática. Esse entendimento encontra­ se  também  pacificado  neste  Conselho,  conforme  ementas  destacadas:  EXIGIDA  ISOLADAMENTE FALTA DE PREVISÃO LEGAL. A  multa  pela  falta  de  retenção  e  recolhimento  do  imposto  de  renda na  fonte,  prevista no art.  9º  da Lei  n° 10.426, de 2002,  com  redação  data  pela  Lei  n°  11.488,  de  2007,  não  pode  ser  aplicada isoladamente nos casos em que o imposto não mais é  exigível  da  fonte  pagadora  (CARF Acórdão  nº  280200.184,  2ª  Sessão / 2ª Turma Especial, sessão de 30 de novembro de 2009).  FALTA  DE  RETENÇÃO  E  RECOLHIMENTO  DO  IRRF  –  MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE – LEI Nº 11.488, DE 2007  Fl. 3151DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10166.724042/2013­23  Acórdão n.º 2201­003.289  S2­C2T1  Fl. 9          15 –  RETROATIVIDADE  BENIGNA  –  Aplica­se  ao  ato  ou  fato  pretérito, não definitivamente julgado, a legislação que deixe de  defini­lo  como  infração  ou  que  lhe  comine  penalidade  menos  severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática.  (CARF  Acórdão  nº  220101.349,  2ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária, sessão de 27 de outubro de 2011).  É  neste  mesmo  sentido  o  entendimento  da  CSRF,  cuja  ementa  transcrevo:   FONTE  PAGADORA.  AUSÊNCIA  DE  RETENÇÃO  E  RECOLHIMENTO.  SUPERVENIÊNCIA  DA  LEI  N°  11.488/2007.  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  EXCLUSÃO  DA  MULTA PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 44 DA LEI N°  9430/96.   A  multa  isolada  prevista  no  inciso  II,  do  artigo  44,  da  Lei  n°  9430/96,  foi  expressamente  excluída,  relativamente  à  fonte  pagadora obrigada a  reter  imposto ou contribuição no caso de  falta  de  retenção  ou  recolhimento,  com  fundamento  na  Lei  n°  11.488/2007. Aplicação do artigo 106, inciso II, “c”, do CTN.  FONTE  PAGADORA.  NÃO  EXIGIBILIDADE  DO  IMPOSTO.  PARECER NORMATIVO COSIT  n°  01/2002.  CONSEQUENTE  NÃO  INCIDÊNCIA  DA  MULTA  PREVISTA  NO  INCISO  44,  INCISO I, DA LEI N° 9.430/96.  Não  mais  sendo  exigível  da  fonte  pagadora  o  imposto  não  recolhido, não há respaldo para incidência, consequentemente,  da  respectiva  multa.  Recurso  especial  negado.(acórdão  nº  9202002.288 08 de agosto de 2012, da 2ª Turma)  Destarte,  com  as  presentes  considerações,  é  incabível  a  exigência da multa isolada. (...).  Para  melhor  compreensão  das  alterações  legislativas,  vejamos  as  tabelas  abaixo:  Fl. 3152DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     16     Verifica­se que a redação dada ao art. 44 da Lei 9.430/96 pelo art. 14 da Lei  11.488/2007 suprimiu todas as referências a “tributo ou a contribuição houver sido pago após o  vencimento  do  prazo  previsto,  mas  sem  o  acréscimo  de  multa  de  mora”  e,  especialmente,  revogou a previsão do inciso II do § 1º da redação anterior, que previa a possibilidade de  exigência isolada da multa de ofício nesta hipótese.  Na nova  redação conferida ao  artigo 9º da Lei n.  10.426, de 2002,  a multa  aplicável por falta de retenção é aquela prevista no artigo 44, I da Lei n. 9.430, de 1996, sendo  Fl. 3153DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10166.724042/2013­23  Acórdão n.º 2201­003.289  S2­C2T1  Fl. 10          17 esta exigível apenas em conjunto com tributo não recolhido ou declarado nas hipóteses em que  isto assim sucede. No caso da falta de retenção na fonte, na hipótese em que o  tributo ainda  pode ser exigido da fonte pagadora, em que a este se agregará multa de oficio.  A única previsão de multa exigida isoladamente é a do inciso II do artigo 44  da Lei n.  9.430, para os  casos de  falta de antecipação de  IRPJ ou  IRPF durante o  ano,  e  tal  inciso não é referido pelo artigo 9º da Lei n. 10.426, de 2002. O legislador quando refere ou  remete  algo  o  faz  com  sentido  e  intenção  próprias,  não  cabendo  a  construção  de  norma  individual e concreta que se utilize de enunciado prescritivo inexistente.  Ainda  que  pudesse  haver  dúvida  quanto  à melhor  capitulação  legal,  em  se  tratando de norma que prescreve penalidades (e apenas nesta hipótese) a dúvida se resolve em  favor da interpretação mais favorável ao apenado, por expressa direção do comando do artigo  112 do CTN.  Portanto, se não há imposto a ser exigido da recorrente, inaplicável é o artigo  9º da Lei n. 10.4226/2002, que prevê a aplicação da multa de 75% do inciso I do art. 44 da Lei  n.º 9.430/96.  Reitera­se que, como se vê, na sua nova redação, o art. 9° da Lei n° 10.426,  de 2002 prevê apenas a aplicação da multa a que se refere o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430,  de 1996, aplicada juntamente com o imposto. Portanto, não prevê a hipótese de incidência da  multa isolada de que trata o inciso II, isolada e no percentual de 50%.  Como  observou  a  própria  Delegacia  de  origem,  neste  caso,  com  base  no  Parecer  Normativo  COSIT  n°  1,  de  24/09/2002,  após  o  prazo  de  entrega  da  declaração  rendimentos pelo beneficiário dos rendimentos, não mais é exigível o imposto incidente sobre  rendimentos sujeitos ao ajuste anual, que deixou de ser retido.   Assim, se não é mais exigível o imposto à fonte pagadora, não é possível a  aplicação da multa de oficio isoladamente, pois o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 trata de  multa  exigida  juntamente  com  o  imposto,  ou  seja,  no  caso  de  falta  de  recolhimento  apenas  quando o imposto for exigível da fonte pagadora.  Nesse contexto, voto no sentido de ACOLHER A PRELIMINAR E DAR  PROVIMENTO ao recurso apresentado.  Assinado digitalmente.  Ana Cecília Lustosa da Cruz ­ Relatora                              Fl. 3154DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA     18   Fl. 3155DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA

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6598909 #
Numero do processo: 12965.000012/2007-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Dec 26 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA

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3402­000.857  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  15 de dezembro de 2016  Assunto  Diligência  Recorrente  BOURBON SPECIALTY COFFEES LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora.  (assinado digitalmente)  Antonio Carlos Atulim ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Maria Aparecida Martins de Paula ­ Relatora  Participaram  do  presente  julgamento  os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim,  Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula,  Thais  de  Laurentiis  Galkowicz,  Waldir  Navarro  Bezerra,  Diego  Diniz  Ribeiro  e  Carlos  Augusto Daniel Neto.  RELATÓRIO Trata­se de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em  Juiz  de  Fora,  que  julgou  parcialmente  procedente  a  manifestação  de  inconformidade  da  contribuinte, cuja ementa segue abaixo:  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA   Ano­calendário: 2006   CRÉDITO COFINS   No  pedido  de  ressarcimento  só  pode  ser  incluído  as  aquisições  e  demais insumos relativos ao próprio trimestre.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 29 65 .0 00 01 2/ 20 07 -0 8 Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 12965.000012/2007­08  Resolução nº  3402­000.857  S3­C4T2  Fl. 1.096          2 Constatado  que  a  aquisição  refere­se  a  insumos  como  definido  na  legislação de regência, o crédito a ela relativo, há que ser reconhecido.  Só gera crédito, o frete paga em relação a operação de venda.  Solicitação Deferida em Parte  A  contribuinte  transmitiu  Pedido  de  Ressarcimento  de  crédito  de  Cofins  não  cumulativa, no valor de R$ 179.643,64, sobre receitas de exportação, relativo ao 4º trimestre de  2006.  Posteriormente  transmitiu  outras  DCOMPs  visando  compensar  os  débitos  nelas  declarados, com o crédito acima citado. Essas declarações foram selecionadas para tratamento  manual por meio do presente processo.  A DRF­Poços de Caldas/MG emitiu Despacho Decisório n° 443/2008, mediante  o qual reconheceu o direito creditório no valor de R$ 161.830,73 e homologou parcialmente as  compensações pleiteadas, nesses termos:  (...)  18.  Desta  forma  intimamos  o  contribuinte  (intimação  198/2008)  a  apresentar  cópia  das  notas  de  compras  de  bens  utilizados  como  insumos nos meses de out, nov e dez/2006 bem como a confirmação de  pagamento de NF acima de R$ 1.000,00.  19.  Da  análise  da  documentação  apresentada  pela  contribuinte,  conforme planilhas de  folhas 712 a 729, constatamos notas  fiscais de  períodos de apuração ago/2006 e set/2006, e notas fiscais, constantes  das planilhas de excel apresentadas pelo contribuinte, cuja cópia não  foi apresentada am atendimento à intimação 198/2008, e notas fiscais  de produtos não insumo do bem de venda (café).  20. Com base nas planilhas de excel apresentadas pelo contribuinte, foi  elaborada  uma  nova  planilha,  pelo  Fisco  (fls  712  a  729),  onde  foi  acrescida  uma  coluna  a  estas  planilhas  (última  coluna  de  cada  planilha)  discriminando,  nota  fiscal  por  nota  fiscal,  o  valor  aproveitado destas como base de  cálculo para apuração dos  créditos  de COFINS, bem como aquelas em que não houve aproveitamento de  crédito pelos motivos descritos no item acima.  21.  Nestas  verificações  constamos  que  todas  as  aquisições  e  seus  respectivos pagamentos foram comprovados pelo contribuinte.  CONCLUSÃO   22. Da análise  feita  conforme acima,  proponho o  reconhecimento  do  seguinte valor, indicado na tabela 01 abaixo, para créditos de COFINS  não  cumulativo  exportação,  para  o  40  trim/2006  passível  de  ressarcimento e a homologação da declaração de compensação, até o  limite deste crédito, conforme tabela 02 abaixo:    Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 12965.000012/2007­08  Resolução nº  3402­000.857  S3­C4T2  Fl. 1.097          3 (...)  A  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade,  alegando,  em  síntese, conforme consta na decisão recorrida:  a) as notas fiscais de agosto e setembro de 2006 que foram glosadas,  deram entrada e foram registradas em outubro de 2006;  b) a nota fiscal n° 3.455, refere­se a compra de "caixas café premiado  spress  250g  mais  `hot  dourado",  que  abrigam  o  café  pronto  para  a  revenda, portanto geram crédito;  c)  a  nota  fiscal  11.621,  foi  glosada  por  falta  de  confirmação  de  pagamento. Porém tal pagamento consta da contabilidade da empresa;  d) as notas fiscais que, segundo o fisco não foram apresentadas, são as  de n°27015, 2414, 2413, 2412, 2411, 2407, 7867, 7909, 19806, 10395,  10402,  10403,  10404,  10405,  10415,  19823,  19822,  19821,  7955  e  10451,  que  referem­se  ao  transporte  de  bens  para  serem  utilizados  como  insumos  na  fabricação  de  produtos  destinados  a  venda,  e  encontram­se em anexo;  e)  os  conhecimentos  de  transportes  de  n°  2407,  2411,  2412,  2413  e  2414,  da  Empresa  de  Transportes  Ramos,  tratam­se  de  frete  de  café  pagos na condição de consignatária da mercadoria;  A Delegacia de Julgamento, após a diligência solicitada, acatou parcialmente os  argumentos da manifestante, sob os seguintes fundamentos:  ­ O pedido de ressarcimento do crédito deve se restringir ao trimestre, não podendo nele  serem incluídas aquisições de outros períodos. Assim, o crédito relativo às notas fiscais relacionadas na  planilha de fl. 875, que foram emitidas nos meses de agosto e  setembro de 2006 e deram entrada na  empresa no mês de setembro/2006, não pode ser reconhecido à manifestante.  ­  A  empresa  faz  jus  ao  crédito  relativo  à  nota  fiscal  n°  3455,  visto  que  refere­se  a  compra  de  "caixas  café  premiado  spress  250g mais  'hot  dourado";  que  abrigam o  café  pronto  para  a  revenda,  que  se  constituem  em  material  de  embalagem,  portanto  devem  ser  considerados  como  insumos.  ­  Em  função  da  informação  da  autoridade  administrativa  na  diligência,  o  crédito  referente à nota fiscal de n° 11.621, também deve ser reconhecido.  ­ Com relação aos conhecimentos de transporte  juntados, que foram glosados por não  terem  sido  apresentados  quando  solicitados,  a  contribuinte  não  faz  jus  ao  crédito,  pois,  ou  eles  se  encontram relacionados na planilha fl. 875, ou são relativos a frete em operação de compra, o que não é  contemplado pelo inciso IX do caput do artigo 3° da Lei 10.833/2003.  A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância por  via postal em 03/07/2009.  Em  22/07/2009,  a  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  ao  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), alegando, em síntese:  1. Sobre as notas fiscais do período de apuração de agosto e setembro de 2006  ­ O art. 21 da Instrução Normativa 600/2005 não veda o aproveitamento em trimestre  posterior de crédito apurado em período anterior. Muito antes pelo contrário, o que a Instrução veda é a  realização da compensação antes do encerramento do trimestre­calendário a que se refere o crédito (6°).  No presente caso, os meses  (agosto e setembro) em que foram emitidas as notas fiscais cujos valores  Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 12965.000012/2007­08  Resolução nº  3402­000.857  S3­C4T2  Fl. 1.098          4 foram glosados são imediatamente anterior (e não posterior) ao trimestre­calendário a que o crédito se  refere, pelo que não há óbice ao aproveitamento desses valores.  ­ E mesmo que assim não  fosse, as notas  fiscais que o Fisco alega ser de período de  apuração  de  agosto  e  setembro  de  2006  foram  registradas  no  mês  de  outubro,  dentro,  portanto,  do  período em que se deu o crédito pleiteado. Nesse contexto, ressalte­se que o parâmetro a ser usado para  dirimir eventual dúvida em relação à possibilidade de aproveitamento de crédito em mês subseqüente  deve ser a lei, e esta é clara: "Art. 3º (...) § 4° O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê­ lo nos meses subseqüentes." (Leis 10.637/02 e 10.833/03)  ­ Com efeito,  instrução normativa,  cuja  função é orientar  a  aplicação de determinada  lei, não pode inovar para restringir o que a lei não restringe, mormente para suprimir direito, sob pena  de incorrer em ilegalidade e ter prejudicada sua eficácia.  2. Dos créditos referentes a transporte em operação de compra  ­ Os fretes de compras compõem o "custo de aquisição". Por essa razão, é suscetível de  gerar o crédito, não pelo inciso IX do artigo 3° das Leis 10.833/2003 e 10.833/2003, mas pelo inciso II  desse mesmo artigo.  ­ Com efeito, de acordo com o art. 289 e 290 do RIR/99, compõe o custo de aquisição  de  mercadorias,  bem  como  o  custo  de  produção,  (i)  o  custo  das  matérias­prima;  (ii)  o  custo  do  transporte e do seguro até o estabelecimento do contribuinte; (iii) os  tributos devidos na aquisição ou  importação  quando  não  v  recuperáveis  e  (iv)  quaisquer  outros  bens  ou  serviços  aplicados  ou  consumidos na produção.  ­ Portanto, os gastos com fretes na aquisição compõem o preço de aquisição e podem,  nos  termos  do  inciso  II  do  art.  3º  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003,  gerar  créditos  de  PIS  e  de  COFINS  não  cumulativos.  A  própria  RECEITA  FEDERAL  DO  BRASIL  compartilha  desse  entendimento, conforme manifestado em inúmeras soluções de consulta.  É o relatório.  VOTO Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora  Atendidos também aos requisitos de admissibilidade, toma­se conhecimento do  recurso voluntário.  1. Sobre as notas  fiscais  do período de  apuração de  agosto  e  setembro de  2006  Consta nos autos que foram glosados, por se refererirem ao período de apuração  de agosto e setembro de 2006, os créditos relativos as seguintes notas fiscais:    Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 12965.000012/2007­08  Resolução nº  3402­000.857  S3­C4T2  Fl. 1.099          5   Não obstante a legitimidade do entendimento da autoridade fiscal e do julgador  de primeira instância de vedar o aproveitamento de créditos extemporâneos na forma pleitada  pela  contribuinte  em  face  do  disposto  em  Instrução  Normativa  da  Receita  Federal,  há  precedentes  neste  CARF  (Acordãos  nºs  3401­001.577,  3402­002.603  e  3403­002.717)  no  sentido  de  que  algumas  formalidades  exigidas  para  o  pedido  de  ressarcimento  desse  crédito  podem ser  relevadas quando  seja  cabalmente demonstrada  a  ausência de  seu  aproveitamento  em outros períodos.  Embora seja incumbência da própria contribuinte comprovar o direito creditório  alegado, no caso, também que não há o duplo aproveitamento dos créditos extemporâneos, há  que se ponderar que a fiscalização também não direcionou a fiscalização nesse sentido em face  da restrição disposta em Instrução Normativa. Assim, entendo que trará maior equilíbrio entre  as  partes  sob  litígio  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  que  seja  oferecida  oportunidade à recorrente para comprovar perante a fiscalização que as notas fiscais glosadas,  relativas  ao  período  de  agosto  e  setembro  de 2006,  não  foram objeto  de  creditamento  no  3º  trimestre de 2006.  2. Dos créditos referentes a transporte em operação de compra  Também  em  relação  ao  transporte,  há  também  entendimento  neste  CARF  no  sentido de se admitir a tomada de créditos sobre despesas com fretes pagos a pessoas jurídicas  quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de  um  bem  utilizado  como  insumo  ou  de  um  bem para  revenda. Assim,  resguardando  eventual  julgamento  futuro  deste  Colegiado  nesse  sentido,  há  de  ser  aproveitada  a  oportunidade  da  diligência para tal averiguação pela fiscalização.  Assim, pelo exposto, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, voto  no  sentido  de  converter  o  julgamento  em  diligência  para  solicitar  a  DRF­Poços  de  Caldas/MG que:  a)  Intime  a  recorrente  a  apresentar  os  documentos  fiscais,  declarações,  demonstrativos  e  lançamentos  contábeis  correspondentes  que  comprovem  que  não  houve  o  creditamento no 3º trimestre de 2006 relativo às notas fiscais do período de apuração de agosto  e  setembro  de  2006  glosadas  pela  fiscalização,  bem  como  que,  relevando  a  questão  da  extemporaneidade, tais aquisições dariam direito ao crédito da contribuição;  b)  Na  ocasião,  ofereça  oportunidade  à  recorrente  para  comprovar  que  as  despesas de transporte glosadas se enquadrariam como fretes pagos a pessoas jurídicas quando  o custo do serviço, suportado pela adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem  utilizado como insumo ou de um bem para revenda.  c) Analise a documentação acostada pela recorrente e emita parecer conclusivo  sobre a sua potencialidade para comprovar as hipóteses descritas nos itens a) e b) acima.  d) Cientifique  a  recorrente do  resultado da diligência,  concedendo­lhe o  prazo  de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011.  Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 12965.000012/2007­08  Resolução nº  3402­000.857  S3­C4T2  Fl. 1.100          6 e) Por  fim, após decorrido o prazo de manifestação da  interessada, devolva os  autos a este Colegiado para prosseguimento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Maria Aparecida Martins de Paula ­ Relatora Fl. 1100DF CARF MF

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6550423 #
Numero do processo: 15374.971878/2009-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 10/06/2003 PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL. A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.391
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinando-se o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1695; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 2          1  1  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15374.971878/2009­05  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3402­003.391  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de setembro de 2016  Matéria  IPI. Restituição. Prescrição.  Recorrente  FÁBRICA CARIOCA DE CATALISADORES S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 10/06/2003  PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL.  A  propositura  de  ação  cautelar  de  protesto  tem  o  condão  de  suspender  a  prescrição  do  direito  do  contribuinte  de  pleitear  a  compensação  de  crédito  que possui, face ao princípio da isonomia processual.  Recurso Voluntário Provido.      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso voluntário para  reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu  pela  prescrição  do  crédito,  determinando­se  o  retorno  do  processo  à  unidade  julgadora  de  origem  para  análise  das  demais  questões  de  mérito  ventiladas  na  manifestação  de  inconformidade.   (Assinado com certificado digital)  Antonio Carlos Atulim ­ Presidente e Relator.   Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim,  Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria  Aparecida Martins  de  Paula,  Diego Diniz  Ribeiro,  Thais  de  Laurentiis  Galkowicz  e Waldir  Navarro Bezerra.  Relatório  Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida para compensação de  débitos tributários federais com créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 18 78 /2 00 9- 05 Fl. 522DF CARF MF Processo nº 15374.971878/2009­05  Acórdão n.º 3402­003.391  S3­C4T2  Fl. 3          2  A  compensação  não  foi  homologada  pela  unidade  de  origem  sob  o  fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP, apesar de localizado, havia sido  integralmente  utilizado  na  compensação  de  débitos  declarados  pelo  contribuinte,  que  esgotaram o crédito disponível.   O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega que  recolheu  indevidamente  o  IPI  no  período  de  outubro  de  2002  a  maio  de  2003  (aplicou  a  alíquota de 10%), sobre saídas de produtos cuja alíquota fora reduzida a zero. Em face disso,  considera  fazer  jus  à  restituição  dos  valores  pagos,  e  que  tais  valores  podem  ser  objeto  de  compensação, com base no art.74 da Lei nº 9.430/96.  A manifestação  foi  julgada  improcedente  (Acórdão 14­054.327),  a despeito  do reconhecimento da existência do crédito, em razão da verificação de ofício da prescrição  do direito do contribuinte de pleitear a restituição.  O  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  no  qual  repisa  a  sua  impugnação,  acrescentando  que  o  prazo  prescricional  do  direito  de  pleitear  a  restituição  foi  interrompido por iniciativa da Recorrente, que ajuizou ação cautelar de protesto, com o fito  de  interromper  o  prazo  de  prescrição  nos  termos  do  art.174,  parágrafo  único,  II  do  Código  Tributário, em 05/09/2007, vindo a ser definitivamente efetivada em 21/01/2015.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3402­003.367, de  29  de  setembro  de  2016,  proferido  no  julgamento  do  processo  15374.971828/2009­10,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402­003.367):  "O Recurso Voluntário  é  tempestivo e atende aos demais  requisitos de  admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado.  A  questão  inicial  do  processo  dizia  respeito  à  existência  ou  não  do  crédito  de  IPI  decorrente  do  pagamento  indevido,  questão  esta  prima  facie  superada  pelo  próprio  reconhecimento  da  decisão  a  quo  da  sua  existência,  com  base  nos  documentos  de  fls.  111­303,  analiticamente  examinados no "Relatório extrajudicial sobre utilização crédito IPI" de  fls. 526­661, verbis:  Em  princípio,  observo  que  a  manifestante,  aparentemente,  trouxe  aos  autos  provas  do  indevido  recolhimento,  bem  como,  a  autorização para pedir a restituição do adquirente.  Fl. 523DF CARF MF Processo nº 15374.971878/2009­05  Acórdão n.º 3402­003.391  S3­C4T2  Fl. 4          3  O  seu  exaurimento  cognitivo  restou  prejudicado  pela  verificação  ex  officio  da prescrição do direito do Recorrente de pleitear a  restituição  dos  créditos,  com  fundamento  no  art.168,  I  c/c  art.165,  I,  ambos  do  Código Tributário Nacional, concluindo nos seguintes termos:  Pois bem, consta dos autos que este processo é o de crédito e que a  PERDCOMP  foi  transmitida  em  01/04/2008,  sendo  que  o  pagamento  indevido  foi  efetuado  em  10/03/2003,  ou  seja,  já  em  11/03/2008  o  contribuinte  tinha  perdido  o  direito  de  pleitear  a  repetição do indébito, considerando o disposto no CTN:  Pois bem, em seu Recurso Voluntário, o Recorrente apresentou certidão  judicial da 17ª Vara Federal do Rio de Janeiro (fls.502­503) certificando  a  propositura,  por  ela,  de  uma  Ação  de  Protesto  Judicial  contra  a  Fazenda  Nacional  com  o  objetivo  de  interromper  o  prazo  para  restituição  do  IPI  recolhido  a  partir  de Outubro  de  2002  até  o  último  decêndio de Maio de 2003.  Certificou  também  que  a  propositura  da  ação  se  deu  em  05/09/2007,  tendo  o  protesto  interruptivo  da  prescrição  sendo  efetivado  em  21/01/2015.  Em primeiro lugar, há que se enfrentar a questão da preclusão acerca da  apresentação  de  provas  sobre  o  ajuizamento  da  ação  cautelar  de  protesto  pela  Recorrente,  haja  vista  tais  provas  terem  sido  juntadas  apenas com seu Recurso Voluntário.  Entendemos  ser  perfeitamente  cabível  tal  juntada  e  manifestação  específica  acerca  da  questão  da  prescrição,  por  se  tratar  de  questão  fática  e  jurídica  trazia  posteriormente  aos  autos,  ao  ser  conhecida  de  ofício na decisão recorrida e que portanto somente pôde ser atacada em  seus fundamentos no âmbito do Recurso Voluntário. É a dicção expressa  do art.16, §4, "c" do Decreto 70.235/72, verbis:  Art.16. (...)  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  a  menos  que:  (Incluído  pela  Lei  nº  9.532,  de  1997)  (Produção de efeito)  c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas  aos autos.  Desse modo,  é  legítima  a  juntada de  documentos  após  a  decisão  de  1ª  instância  com  vistas  a  contrapor  matéria  conhecida  de  ofício  pelo  Colegiado a quo. Superado este ponto, pode­se enfrentar seguramente o  mérito das alegações.  De fato, a decisão recorrida está correta ao estabelecer que o dies a quo  do prazo prescricional  relativo ao direito do  contribuinte de pleitear a  restituição  tem  início  com  o  pagamento  feito  nos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação, é essa a dicção clara do CTN:  “Art.  168  ­  O  direito  de  pleitear  a  restituição  extingue­se  com  o  decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados:  Fl. 524DF CARF MF Processo nº 15374.971878/2009­05  Acórdão n.º 3402­003.391  S3­C4T2  Fl. 5          4  I ­ nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção  do crédito tributário ;   “Art.  165  ­  O  sujeito  passivo  tem  direito,  independentemente  de  prévio protesto,  à  restituição  total  ou parcial do  tributo,  seja qual  for a modalidade de pagamento,  ressalvado o disposto no § 4° do  art. 162, nos seguintes casos:  I  ­  cobrança  ou  pagamento  espontâneo  do  tributo  indevido  ou  maior que o devido em face da legislação  tributária aplicável, ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato  gerador  efetivamente ocorrido;  Desse modo, o art.150, §1º do mesmo Código é claro quanto a eficácia  extintiva  do  pagamento  antecipado,  sendo  a  homologação  posterior  apenas  condição  resolutória,  isto  é,  exercer  seus  efeitos  desde  o  momento da sua realização, ficando sujeito a evento futuro e incerto que  pode lhe tirar a eficácia:  “Art. 150 ­ O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos cuja legislação cuja legislação atribua ao sujeito passivo o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa,  opera­se  pelo  ato  em  que  a  referida  autoridade,  tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado,  expressamente a homologa.  §  1° O pagamento  antecipado pelo  obrigado nos  termos  desta  lei  extingue  o  crédito,  sob  condição  resolutória  da  ulterior  homologação do lançamento.”  Para  afastar  quaisquer  dúvidas  a  respeito  da  identificação  da  data  de  início de contagem do prazo, a Lei Complementar nº 118/2005 trouxe em  seu  artigo  3º  regra  interpretativa  a  esse  respeito,  aplicando­se  retroativamente por força do art.106, I do CTN:  Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no  5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional,  a  extinção  do  crédito  tributário  ocorre,  no  caso  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  no  momento  do  pagamento  antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei.  Até  o  presente  ponto  o  raciocínio  da  decisão  recorrida  é  irretocável.  Todavia,  olvidou  o  julgado  da  existência  de  causa  de  interrupção  da  prescrição do direito à repetição tributária, por não ter sido tal matéria  informada desde o início na manifestação de inconformidade.  De fato, as causas de interrupção da prescrição são as seguintes:  Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em  cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva.  Parágrafo único. A prescrição se interrompe:  I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal;  II ­ pelo protesto judicial;  III ­ por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;  IV  ­  por  qualquer  ato  inequívoco  ainda  que  extrajudicial,  que  importe em reconhecimento do débito pelo devedor.  Fl. 525DF CARF MF Processo nº 15374.971878/2009­05  Acórdão n.º 3402­003.391  S3­C4T2  Fl. 6          5  Portanto, o ajuizamento da ação cautelar de protesto, se feito dentro do  prazo  prescricional,  tem  o  condão  de  interrompê­lo.  Nesse  sentido,  inclusive, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, consolidado  nos  votos  da  lavra  do  Min.  Demócrito  Reinaldo,  a  exemplo  do  REsp  52.281/DF, julgado em 03/03/1997, no qual consignou o seguinte:  Com efeito,  o CTN, em  seu artigo 174, parágrafo único,  inciso  II,  expressamente elege o protesto judicial como causa interruptiva do  prazo  prescricional  para  propor  a  ação  de  cobrança  do  crédito  tributário.  Face  ao  princípio  da  "isonomia  processual",  idêntico  tratamento deve ser dispensado ao contribuinte, nas ações em que  postula repetição do indébito.  Tal entendimento encontra eco também no REsp nº 82.553/DF, REsp nº  40.365/DF e no REsp 108.866/DF,  com a  ressalva que neste último  se  enfrenta especificamente a data em que se inicia a recontagem do prazo  prescricional:  PROCESSO  CIVIL.  INTERRUPÇÃO  DA  PRESCRIÇÃO.  PROTESTO  JUDICIAL.  SE  A  AÇÃO  E  PRECEDIDA  DE  PROTESTO  JUDICIAL,  A  PRESCRIÇÃO  SE  INTERROMPE  NA  DATA  DA  CITAÇÃO  DESTE  (CC,  ART.  172).  RECURSO  ESPECIAL  CONHECIDO  E  PROVIDO  EM  PARTE.  (REsp  108.866/DF,  Rel.  Ministro  ARI  PARGENDLER,  SEGUNDA  TURMA, julgado em 24/02/1997, DJ 07/04/1997, p. 11098)  Nesses termos, a citação da Fazenda Nacional marca o reinício do prazo  prescricional, retroagindo a interrupção à data da propositura da ação  cautelar  de  protesto,  por  força  da  regra  da  actio  nata,  consagrada  de  longa  data  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  e  consentânea  com  a  sistemática do exercício do direito de ação.  Por  fim,  recentemente,  cumpre  apontar  também  a  decisão  do  REsp  335942/RS, julgado em 01/10/2009, cuja ementa traz o seguinte:  PROCESSUAL  CIVIL,  ADMINISTRATIVO  E  TRIBUTÁRIO.  CRÉDITO­PRÊMIO  DE  IPI.  PRESCRIÇÃO.  PROTESTO  JUDICIAL. INTERRUPÇÃO. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 1º, 8º E  9º DO DECRETO 20.910/1932.  1.  O  STJ  possui  entendimento  no  sentido  de  que  o  prazo  prescricional referente ao aproveitamento do crédito­prêmio de IPI  é  de  cinco  anos  contados  da  aquisição  do  direito,  nos  termos  do  Decreto 20.910/1932.  2.  Hipótese  que  se  diferencia  da  restituição  de  tributo  indevidamente  recolhido  (art.  168,  I,  do  CTN),  pois  se  trata  de  pedido relativo a benefício fiscal não reconhecido pelo Fisco a ser  creditado pelo interessado.  3.  O  regime  jurídico  da  prescrição  deve  ser  analisado  à  luz  do  Decreto 20.910/1932, que prevê a possibilidade de interrupção por  uma  única  vez,  recomeçando  o  lapso  temporal  a  correr  pela  metade.  4.  Ajuizou­se  medida  cautelar  de  protesto  judicial  interruptivo  da  prescrição  (art.  867  do CPC;  c/c o  art.  202,  II,  do Código Civil),  tendo  sido  citada  a  recorrente  em  6.12.1984.  A  ação  declaratória  que originou o presente  recurso  foi ajuizada em 9.11.1987,  isto é,  Fl. 526DF CARF MF Processo nº 15374.971878/2009­05  Acórdão n.º 3402­003.391  S3­C4T2  Fl. 7          6  após o transcurso de mais de dois anos e meio do ato interruptivo.  Prescrição reconhecida.  5.  Recurso  Especial  provido.  (REsp  335.942/RS,  Rel.  Ministro  HERMAN  BENJAMIN,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  01/10/2009, DJe 09/10/2009)  A posição atual do STJ é pela aplicação dos arts. 8º e 9º do Decreto nº  20.910/32,  que  se  encontra  válido  e  vigente  no  ordenamento  pátrio  e  assim prescreve:  Art. 8º A prescrição somente poderá ser interrompida uma vez.   Art. 9º A prescrição interrompida recomeça a correr, pela metade  do prazo, da data do ato que a  interrompeu ou do último ato ou  termo do respectivo processo.  Considerando  que  a  propositura  da  ação  se  deu  em  05/09/2007  ­  e  portanto dentro do prazo prescricional ­ e tendo o protesto interruptivo  da  prescrição  sendo  efetivado  em  21/01/2015,  possui  ainda  o  Contribuinte  dois  anos  e  meio  para  pleitear  sua  restituição,  contados  desta data, isto é, até 21/07/2017.  Portanto, não há que se considerar a prescrição apontada pela decisão a  quo.  Superado a preliminar referente à prescrição, verifica­se que a decisão  recorrida  pautou­se  exclusivamente  por  ela,  deixando  de  analisar  o  mérito relativo ao crédito pleiteado, razão pela qual esse Colegiado não  pode avaliá­la.  Ante o exposto, voto por dar provimento à preliminar de inocorrência de  prescrição  do  direito  ao  pedido  de  ressarcimento/compensação,  remetendo  os  autos  à  DRJ  responsável  pela  decisão  a  quo  para,  superada a questão prescricional, se manifeste sobre o mérito do crédito  pleiteado."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  dá­se  provimento  ao  recurso  voluntário,  para  reformar  o  acórdão  recorrido  na  parte  em  que  decidiu  pela  prescrição  do  crédito, determinando­se o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das  demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade    (Assinado com certificado digital)  Antonio Carlos Atulim                            Fl. 527DF CARF MF

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6547147 #
Numero do processo: 10840.901497/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3302-000.523
Decisão: Acordam os membros deste Colegiado, em decorrência da vinculação constatada, em suspender o julgamento desse processo até que seja proferida decisão final nos autos do Processo Administrativo n. 10840.720752/2009-07.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO

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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-10-13T21:50:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Cia Bebidas Ipiranga.pdf; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CARF; dcterms:created: 2016-10-13T21:50:12Z; Last-Modified: 2016-10-13T21:50:12Z; dcterms:modified: 2016-10-13T21:50:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Cia Bebidas Ipiranga.pdf; xmpMM:DocumentID: uuid:8606e7b2-93ea-11e6-0000-6650aff9781f; Last-Save-Date: 2016-10-13T21:50:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2016-10-13T21:50:12Z; meta:save-date: 2016-10-13T21:50:12Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Cia Bebidas Ipiranga.pdf; modified: 2016-10-13T21:50:12Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CARF; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CARF; meta:author: CARF; dc:subject: ; meta:creation-date: 2016-10-13T21:50:12Z; created: 2016-10-13T21:50:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2016-10-13T21:50:12Z; pdf:charsPerPage: 2463; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CARF; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-10-13T21:50:12Z | Conteúdo => S3-C3T2 Fl. 2.487 1 2.486 S3-C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.901497/2011-16 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302-000.523 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 18 de maio de 2016 Assunto Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Recorrente COMPANHIA DE BEBIDAS IPIRANGA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste Colegiado, em decorrência da vinculação constatada, em suspender o julgamento desse processo até que seja proferida decisão final nos autos do Processo Administrativo n. 10840.720752/2009-07. Ricardo Paulo Rosa - Presidente Lenisa Prado- Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Paulo Guilherme Dèrouledé, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares de Araújo, Walker Araújo e Lenisa Prado. RELATÓRIO A questão tem início em pedido de ressarcimento de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI - referentes ao 1º trimestre do ano de 2005, formulado nas PER/DCOMPs n. 15310.68829.311006.1.3.01-3996 e 14983.76935.301106.1.3.01-0451 . RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 01 49 7/ 20 11 -1 6 Fl. 2.487Fl. 2.487 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 01 49 7/ 20 11 -1 6 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI COMPANHIA DE BEBIDAS IPIRANGA COMPANHIA DE BEBIDAS IPIRANGA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. constatada, em suspender o julgamento desse processo até que seja proferida decisão final nos constatada, em suspender o julgamento desse processo até que seja proferida decisão final nos autos do Processo Administrativo n. 10840.720752/2009-07. autos do Processo Administrativo n. 10840.720752/2009-07. Fl. 2487DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 13/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10840.901497/2011-16 Resolução nº 3302-000.523 S3-C3T2 Fl. 2.488 2 A decisão que apreciou o pedido de ressarcimento foi proferida nos seguintes termos: "Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatou-se o seguinte: - valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 2.275.611,33 - valor do crédito reconhecido: R$ 587.961,51 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): - ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos - constatação que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. - constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação da PER/DCOMP. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 15310.68829.311006.1.3.01-3996. NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 14983.76935.301106.1.3.01-0451" Intimada sobre a decisão acima transcrita (Aviso de Recebimento Postal à folha 1956), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade1 (fls. 2028/2050). A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem (fls. 2055/2075), em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL NO TRIMESTRE INFERIOR AO MONTANTE SOLICITADO. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO. O saldo credor ressarcível do trimestre-calendário é resultante do confronto entre créditos e débitos do período na escrita fiscal; se há glosa de créditos em auto de infração, o montante do saldo credor ressarcível deve refletir a reconstituição da escrita fiscal resultante da autuação. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Ementa: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A matéria não especificamente impugnada é incontroversa, sendo insuscetível de invocação posterior no âmbito de órgão de julgamento administrativo ad quem. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 1 Após ter apresentado a primeira versão da manifestação de inconformidade, a contribuinte foi intimada a novamente apresentar suas razões, já que os autos do processo foram encaminhados pela SEORT a outro setor, já que não havia, até aquela data, ação fiscal em curso. Fl. 2488DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 13/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10840.901497/2011-16 Resolução nº 3302-000.523 S3-C3T2 Fl. 2.489 3 O voto condutor do acórdão recorrido adotou como razões de decidir aquelas traçadas no acórdão proferido no julgamento do Processo Administrativo n. 10.840.720752/2009-07, que resultou na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há que se falar em homologação, regendo-se o instituto da decadência pelos ditames do art. 173 do CTN. AMAZÔNIA OCIDENTAL. DIREITO AO CRÉDITO. Os estabelecimentos industriais poderão creditar-se do valor do imposto calculado, como se devido fosse, somente sobre os produtos adquiridos com a isenção concedida aos produtos elaborados com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais produzidos por estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa, e empregados como MP, PI e ME na industrialização de produtos sujeitos ao imposto. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivo a insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NO LANÇAMENTO. Em face da comprovação de erro no lançamento de ofício, cancela-se a exação para o período em questão. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 2081/2110). VOTO Em 23/04/2013 a 2ª Turma da 3ª Câmara desta 3ª Seção considerou que o direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI discutido nesses autos está intimamente relacionado a decisão proferida no Processo Administrativo n. 10840.720752/2009-072, pois naquele processo a Recorrente foi autuada para a cobrança de IPI decorrente da glosa dos créditos apurados no período de 10.01.2004 a 28.02.2005, em face da aquisição de insumos isentos da Zona Franca de Manaus. Chegaram a conclusão que os créditos objeto destes autos têm a mesma origem e foram apurados, em parte, no mesmo período que do processo administrativo correlato. 2 Recorrente: Companhia de Bebidas Ipiranga, Data de entrada no CARF: 03/06/2009. Sob a relatoria do Cons. Julio Cesar Alves Ramos, integrante da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção. Em 10/12/2015 o processo foi retirado de pauta por determinação do Presidente. Fl. 2489DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 13/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10840.901497/2011-16 Resolução nº 3302-000.523 S3-C3T2 Fl. 2.490 4 Determinou-se o julgamento do recurso em diligência para que as seguintes providências fossem tomadas pela Delegacia de origem: "(a) Elaboração de planilhas, a primeira indicando quais débitos estão vinculados ao Processo Administrativo n. 10.840.720752/2009-07 e a segunda demonstrando apenas os períodos relacionados apenas a este processo; (b) As planilhas deverão ser encaminhadas ao contribuinte para sua análise e manifestação, sendo que, em relação aos débitos discutidos apenas no caso em análise, o contribuinte deverá relacionar as respectivas notas fiscais (se estiverem já nos autos) ou apresentar as notas fiscais que não estiverem anexadas ao processo, para fim de comprovar que a compra do insumo ocorreu com base no artigo 82 do RIPI. (c) Ainda, a Recorrente deverá apresentar todos os documentos que entender necessários para comprovar que procedeu à compra de insumos incentivados; (d) A fiscalização deverá anexar aos autos a decisão final proferida por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos autos do Processo Administrativo n. 10.840.720752/2009-07; (e) Por fim, a autoridade administrativa competente deverá apresentar parecer conclusivo sobre as informações apresentadas pelo contribuinte, no sentido de estarem vinculadas ao artigo 82 do RIPI, bem como verificar o impacto da decisão proferida no referido Processo Administrativo sobre os créditos aqui pleiteados, se tais créditos (em que valor) encontram-se, ainda, disponíveis para a utilização pela Requerente, nestes autos". Em resposta a resolução acima transcrita, a autoridade fiscal acostou aos autos o Despacho de Diligência (fls. 2133/2137). A contribuinte tomou conhecimento do teor do Despacho de Diligência em 22/07/2013, pela abertura do documento no processo digital disponibilizado no Portal e-CAC (Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte), conforme atesta a certidão de folha 2139. Em 13/08/2013 a contribuinte apresentou sua manifestação (fls. 2142/2148). Os autos retornaram a este Conselho. A contribuinte foi cientificada sobre o teor do acórdão recorrido em 29/12/2011 (Aviso de Recebimento acostado à folha 2079) e interpôs tempestivamente o recurso voluntário sob julgamento em 25/01/2012, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. 1. SOBRESTAMENTO. MATÉRIA JÁ SOB DISCUSSÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO N. 10.840.720752/2009-07. IMPOSSIBILIDADE DE PREJUÍZO AO FISCO. PRECEDENTES. A recorrente afirma que existe relação direta entre a discussão travada nesses autos e aquela entabulada no Processo Administrativo n. 10.840.720752/2009-07, pois, em ambos, o objeto é a validade dos créditos de IPI apurados no 1º trimestre de 2005, relativos à aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus e elaborados com base em Fl. 2490DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 13/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10840.901497/2011-16 Resolução nº 3302-000.523 S3-C3T2 Fl. 2.491 5 matéria-prima agrícola de produtor situado na Amazônia Ocidental, utilizados na fabricação de produtos sobre os quais incide o IPI. Esclarece que ainda não foi proferida decisão final no outro processo administrativo que está sobrestado até o julgamento final do Recurso Extraordinário n. 592.891 pelo Supremo Tribunal Federal. Requer o sobrestamento dos autos sob exame até que seja proferida decisão final no Processo Administrativo n. 10.840.720752/2009-07, já que tal providência não ensejará nenhum prejuízo aos cofres públicos. Ao pesquisar o andamento do Processo Administrativo n. 10840720752200907 na página eletrônica deste Conselho constata-se que em 17/11/2009 foi proferido o Acórdão n. 3401-000459, que recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI . Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003. RESSARCIMENTO DO CRÉDITO DO IPI POR AQUISIÇÃO DE INSUMO ISENTO. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de insumos isentos não gera crédito do IPI, por falta de previsão legal. TAXA SELIC. ISONOMIA NA APLICAÇÃO ENTRE O FISCO E O CONTRIBUINTE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. O contribuinte, em razão do princípio da igualdade, deve ter o mesmo tratamento que a Fazenda na atualização de seus créditos tributários no pedido de ressarcimento. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. Nos produtos classificados como não-tributados não há ocorrência do fato gerador, por conseguinte, não existe tributação nem crédito a ser ressarcido. Embargos acolhidos. Uma leitura mais detalhada do acórdão acima indicado demonstra que o contribuinte recorrente daquele acórdão não é o que aqui se insurge3 e que lá foram julgados embargos de declaração opostos sobre o Acórdão n. 203-13.073, esses também de autoria do contribuinte Rosenberger Domex Telecomunicações Ltda. Apesar de guardar pertinência temática com a questão submetida nesses autos, o acórdão indicado como proferido nos autos do Processo Administrativo n. 10840720752200907 não é prestável para a finalidade proposta. Diante da impossibilidade de se apurar informações sobre o já mencionado Processo n. 10840720752200907, devem ser consideradas as alegações trazidas pela autoridade preparadora e as do contribuinte. 3 No Acórdão n. 3401-000.459 o contribuinte é Rosenberger Domex Telecom S.A. Fl. 2491DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 13/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10840.901497/2011-16 Resolução nº 3302-000.523 S3-C3T2 Fl. 2.492 6 Está consignado no Despacho de Diligência que no Processo Administrativo n. 10.840.720752/2009-07 não existe nenhuma glosa de créditos relativos à aquisição de insumos isentos da Zona Franca de Manaus referente ao 1º trimestre de 2005 e que o objeto daquele processo se refere ao período de janeiro a dezembro de 2004. A autoridade que subscreve o Despacho de Diligência esclarece que: "Contudo, correta está a relatora ao afirmar que as glosas efetuadas no processo administrativo n. 10840.720752/2009-07 poderiam estar intimamente ligadas ao crédito apurado no 1º trimestre de 2005, uma vez que a reconstituição da escrita fiscal realizada pela Fiscalização foi estendida até o 3º decêndio de abril de 2009, ou seja, incluído o primeiro trimestre de 2005. Porém, ressalte-se que a finalidade da reconstituição da escrita fiscal foi única e exclusivamente para fins de cobrança dos valores dos créditos glosados e não cobrados até 31/12/2004" (fl.2134 - grifos nossos). A recorrente alega que a autoridade incorreu em equívocos ao responder a diligência ordenada por este Conselho. Isso porque: "2.2.De fato, no final do 4º trimestre de 2004, a PETICIONÁRIA apurou saldo credor do IPI que foi transportado para o 1º trimestre de 2005, visto que ainda não tinha sido lavrado o AUTO que glosara os créditos de outubro a dezembro de 2004(...). 2.3. Ou seja, a PETICIONÁRIA apurou saldo credor no 4º trimestre de 2004 e transportou este saldo para o período de apuração subseqüente, o que contribuiu para a formação do saldo credor do 1º trimestre de 2005, objeto deste processo. 2.4. Portanto, o resultado do julgamento do processo n. 10840.720752/2009-07 tem relação direta com este processo porque parte do saldo credor aqui discutido teve origem no saldo credor apurado no período de outubro a dezembro de 2004" (fls. 2146/2147) Sustenta ainda que: "2.5. Além disso, o resultado da diligência afirma que a PETICIONÁRIA teria se aproveitado de crédito de IPI de forma indevida, já que não teria deduzido, de sua escrita fiscal, o montante de R$ 1.683.518,93, correspondente ao saldo credor do 4º trimestre de 2004, após a sua utilização na PER/DCOMP n. 36495.82173.290906.1.2.01-1837. 2.6. Ocorre que, ao contrário do afirmado pela diligência, a PETICIONÁRIA efetuou a referida dedução em 29.06.2006 quando foi transmitida a PER/DCOMP mencionada acima, conforme demonstrado na planilha em anexo (DOC. 04). 2.7. Ademais, a diligência não foi cumprida em sua totalidade, tendo em vista que não foram atendidas as exigências referidas nos itens 'b', 'd', e 'e' da decisão desta E. Turma que determinou a realização da diligência". (fl. 2147) Das informações reproduzidas, é assente que: Fl. 2492DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 13/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10840.901497/2011-16 Resolução nº 3302-000.523 S3-C3T2 Fl. 2.493 7 1. A autoridade preparadora reconhece que o objeto do Processo Administrativo n. 10840.720752/2009-07 pode estar relacionado aos autos sob análise, mas garante que a reconstituição da escrita fiscal foi estendida até o final de abril de 2009 para que pudessem ser cobrados os valores dos créditos glosados e não cobrados até 31/12/2004; 2. A contribuinte, nesse ponto, alega que como não existia auto de infração sobre as glosas feitas até 31/12/2004 ela transportou esses créditos para o 1º trimestre de 2005 (objeto do processo sob julgamento); 3. Há divergência sobre os fatos relevantes, já que o fiscal não reconhece a dedução feita pela contribuinte em 29/06/2006 no montante de R$ 1.683.518,93 Considerando o teor das informações prestadas pela autoridade preparadora e pelo contribuinte em decorrência da diligência ultimada, donde se extrai informações contrapostas, entendo que o processo sob análise deve aguardar a decisão final a ser proferida nos autos do Processo Administrativo n. 10840.720752/2009-07. É incontroverso que o processo correlato tem por objeto pedido de ressarcimento de créditos de IPI, matéria que é prejudicial ao julgamento deste (porque os períodos reclamados são coincidentes). Assim, a existência e o quantum do crédito pleiteado neste contencioso depende da solução daquele outro. Percebe-se, de tudo que foi dito, que tal medida se faz necessária, seja por cautela, seja por que promove menor onerosidade aos cofres públicos e ao contribuinte. O Regimento Interno deste Conselho dispõe, em seu art. 6º, § 1º, II, que os processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal são vinculados por decorrência. Em atenção a regra contida no § 5º do art. 6º entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento desse processo até que seja proferida decisão definitiva no Processo Administrativo n. 10840.720752/2009-07. Fl. 2493DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 13/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA

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6544356 #
Numero do processo: 13706.000219/90-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2801-000.056
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para julgamento do processo.
Nome do relator: Sandro Machado dos Reis

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1678; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 316          1 315  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13706.000219/90­98  Recurso nº  132397  Resolução nº  2801­000.056   –  Turma Especial / 1ª Turma Especial  Data  27 de julho de 2011  Assunto  IRRF  Recorrente  INÁCIO FRADIQUE MORETTI SANTANA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  declinar  da  competência para julgamento do processo.    Assinado digitalmente  Antonio de Pádua Athayde Magalhães ­ Presidente      Assinado digitalmente  Sandro Machado dos Reis ­ Relator    Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Antônio  de  Pádua  Athayde  Magalhães  (Presidente),  Eivanice  Canário  da  Silva,  Amarylles  Reinaldi  e  Henriques Resende, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Maria Paschoalin e Sandro Machado  dos Reis.   RELATÓRIO  Adoto  como  relatório  aquele  utilizado  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo:  “A  autuada  já  qualificada  nestes  autos  recorre  a  este  Colegiado,  através  da  petição  de  fls.  93/115,  protocolada  em  16­07­2001,  do  Decidido pela DRJ/RJO  fls.  8283 — cientificado em 22­06­2001, que  considerou  procedente  o  lançamento  consubstanciado  no  auto  de  infração relativo ao IRPF.  GARANTIA DE INSTÂNCIA     Fl. 304DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 13706.000219/90­98  Resolução n.º 2801­000.056   S2­TE01  Fl. 317            2 Depósito ­ fls. 143.  ILÍCITO DESCRITO NO AUTO DE INFRAÇÃO  1)  Lucro  em  operações  de  mercado  futuro  de  "OTN",  na  Bolsa  Mercantil.  Enquadramento Legal art. 20 e 39 do RIRI80.  EMENTA DO DECIDIDO  "DECORRÊNCIA.  IRPF.  Aplicam­se  aos  procedimentos  decorrentes  ou  reflexos  os  efeitos  da  decisão  sobre  o  lançamento  que  lhes  deu  origem.  •  Persistindo  a  exigência  fiscal,  objeto  do  processo  matriz,  persiste  igualmente a autuação efetivada por simples decorrência daquela".  Lançamento procedente.  RAZÕES DO APELO DO CONTRIBUINTE ­ SÍNTESE  Preliminarmente argüi:  •  a  DECADÊNCIA: O  Auto  de  Infração  atinge  o  ano  base  de  1.987  financeiro de 1.9 (8f8ls. 04), o contribuinte tomou ciência em 24­01­90  fls. 02.  •  (i)  A  nulidade  do  auto  de  infração  por  falta  de  indicação  do  dispositivo  legal  para  lavratura  das  autuações.  (ii)  inexistência  de  relação entre os termos do relatório e os dispositivos legais infringidos.  Mérito:  • sustenta que os rendimentos obtidos não são tributáveis;  • combate a acusação fiscal que deu a característica de ato simulado;  • que o auto de infração esta calcado em mera presunção;  • defende o princípio da economia do imposto.”  Passo  adiante,  a  DRJ  entendeu  por  bem  julgar  procedente  o  lançamento,  em  decisão que restou assim ementada:  “IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA ­ DECORRÊNCIA ­ Aplica­ se  por  igual,  aos  processos  formalizados  por  decorrência,  o  que  for  decidido  no  julgamento  do  processo  principal,  em  razão  da  intima  relação de causa e efeito.  Recurso provido.”  Contra esta decisão,  foi  interposto  recurso  especial  pela Fazenda Nacional,  no  sentido  de  reformar  integralmente  o  acórdão  recorrido,  notadamente  em  função  de  suposta  nulidade.    Fl. 305DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 13706.000219/90­98  Resolução n.º 2801­000.056   S2­TE01  Fl. 318            3 Quando do  recurso especial, por primeiro, entendeu por bem o órgão  julgador  baixar o  feito em diligência, de  forma a se apurar a correlação apontada pelo Recorrido  (fls.  234/244).  Com  o  resultado  da  diligência  (fls.  258/260),  restou  afastada  a  correlação  indicada,  o  que  sujeitou  o  acórdão  recorrido  à  eiva  de  nulidade  (fls.  274/279),  conforme  decisão proferida nos autos do referido recurso especial, razão pela qual o caso foi remetido a  esta Turma Especial para novo julgamento do recurso voluntário.  É o relatório.  VOTO  Trata­se  de  Auto  de  Infração  lavrado  contra  o  Recorrente  objetivando  a  cobrança  de  IR  incidente  sobre  o  lucro  obtido  em  operações  de mercado  futuro  de OTN na  Bolsa Mercantil & Futuro,  tendo  em  conta  que  essa mais  valia,  supostamente,  teria  se  dado  mediante artifício e em conluio para gerar prejuízos na empresa “ABS Distribuidora de Títulos  e Valores Mobiliários S.A.”, que negociou os valores mobiliários, de modo que tais fatos, por  si só, desautorizariam o contribuinte a considerar tais rendimentos como não tributáveis, como  o foram em sua declaração.  O  imbróglio  envolvendo  o  referido  processo  remonta  a  década  de  90,  sendo  certo que,  só por  esse E. Conselho de Contribuinte,  já passou outras duas vezes  anteriores  à  presente.  Na última, a Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais declarou a nulidade  de  acórdão  anteriormente  proferido  pela  antiga  7ª  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes, sob o seguinte fundamento:  “Considerando que a decisão da 7ª Câmara louvou­se na decorrência  que o presente processo  teria com o processo n° 10768.003268/90­60  —  Recurso  n°  127.560  —  City  Distribuidora  de  Títulos  e  Valores  Mobiliários Ltda e que agora se constata que com o presente processo  não  apresentou  qualquer  ligação,  tendo  se  estabelecido  correlação  com  o  processo  n°  10768.003283/90­71  —  ABS  Distribuidora  de  Títulos e Valores Mobiliários s.a., entendo que está a decisão recorrida  eivada de erro material e, nessa condição, deixo de relatar os demais  detalhes  do  processo,  limitando­me  a  ler  o  relatório  elaborado  na  sessão  em  que  se  decidiu  •  pela  conversão  do  julgamento  em  diligência.”  Denota­se, portanto, que já naquela decisão restou consignada a necessidade de  que  a  decisão  que  será  aqui  proferida  siga  os  fundamentos  firmados  no  processo  nº  10768.003283/90­71, cuja decisão final já se encontra transitada em julgado.  Naquele processo, que tinha por objetivo apurar se as operações realizadas pela  empresa ABS Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. com pessoas físicas – dentre  as  quais  o  Recorrente  –  foram  fraudulentas,  concluiu­se  por  sua  absoluta  legalidade,  acolhendo­se  a  tese  apresentada  pela  empresa.  Veja­se  a  ementa  daquele  julgamento  (fls.265/271):  Fl. 306DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 13706.000219/90­98  Resolução n.º 2801­000.056   S2­TE01  Fl. 319            4 “IRPJ  —  PRELIMINAR  DE  PRESCRIÇÃO  —  Este  Colegiado  vem  rechaçando a argüição de prescrição intercorrente por entender que a  interposição  da  peça  defensória  suspende  a  exigibilidade  do  crédito  tributário.  PREJUÍZO COM  TÍTULOS  PÚBLICOS — OTN — DAY  TRADE —  Cabível a dedução de prejuízos apurados nas operações lastreadas em  títulos  públicos,  no  ano  de  1987,  por  instituições  financeiras,  nas  transações  da  espécie  caracterizadas  corno  operacionais,  face  ao  ordenamento legal a essa época.”  Deve­se  ainda  levar  em  conta  que  naquele  processo  correlato,  em  decisão  definitiva, em tese seria o caso de inexistência de fraude nas operações realizadas pela empresa  ABS Distribuidora  de Títulos  e Valores Mobiliários S.A.,  enquanto  que  neste  o  fundamento  para a tributação é justamente essa possível fraude.  Entretanto, o que se vê é que a presente celeuma está vinculada reflexamente a  processo envolvendo Pessoa Jurídica (CITY DTVM LTDA E ASB DTBM S/A – fls. 04/05),  razão pela qual falece, nos termos do art. 2, inciso IV, do Regimento Interno deste Conselho,  competência a esta Segunda Seção de julgamento.  Em outras palavras, a hipótese está sujeita ao declínio de competência em favor  da Primeira Seção de  Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF,  nos termos regimentais.    Assinado digitalmente  Sandro Machado dos Reis  Fl. 307DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES

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6545848 #
Numero do processo: 13839.912962/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 02/05/2005 a 02/05/2005 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINS-IMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasep-importação e Cofins-importação. À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasep-importação e Cofins-importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiam-se nas vendas líquidas de produtos licenciados, referem-se, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-002.406
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2285; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 2          1 1  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13839.912962/2009­49  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3201­002.406  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de setembro de 2016  Matéria  PIS/Cofins. Incidência sobre remessas ao exterior para pagamento de royalties.  Recorrente  CONTINENTAL DO BRASIL PRODUTOS AUTOMOTIVOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 02/05/2005 a 02/05/2005  NULIDADE. INEXISTÊNCIA  Não  é  nulo  o  despacho  decisório  que  se  fundamenta  no  cotejo  entre  documentos  apontados  como  origem  do  crédito  (DARF)  e  nas  declarações  apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF).  APRESENTAÇÃO  DE  DCTF  RETIFICADORA.  POSSIBILIDADE.  DEMONSTRAÇÃO  DE  INDÍCIO  DE  PROVA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO  ANTERIORMENTE  AO  DESPACHO  DECISÓRIO.  VERDADE MATERIAL.  Indícios  de  provas  apresentadas  anteriormente  à  prolação  do  despacho  decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na  apresentação  de  DARF  de  pagamento  e  DCTF  retificadora,  ratificam  os  argumentos do contribuinte quanto ao seu direito creditório.  Inexiste norma  que  condiciona  a  apresentação  de  declaração  de  compensação  à  prévia  retificação  de  DCTF,  bem  como  ausente  comando  legal  impeditivo  de  sua  retificação enquanto não decidida a homologação da declaração.  ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA  E  TRANSFERÊNCIA  DE  TECNOLOGIA.  INEXISTÊNCIA  DE  SERVIÇOS  CONEXOS.  NÃO  INCIDÊNCIA  DE  PIS/COFINS­ IMPORTAÇÃO.  A  disponibilização  de  "informações  técnicas"  e  "assistência  técnica",  por  intermédio  de  entrega  de  dados  e  outros  documentos  pela  licenciadora  estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não  configura  prestação  de  serviços  conexos  ao  licenciamento  para  efeitos  de  incidência  de  Contribuições  para  o  PIS/Pasep­importação  e  Cofins­ importação.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 29 62 /2 00 9- 49 Fl. 568DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912962/2009­49  Acórdão n.º 3201­002.406  S3­C2T1  Fl. 3          2 À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao  exterior,  não  incidem  as  Contribuições  para  o  PIS/Pasep­importação  e  Cofins­importação,  pois  tais  pagamentos,  cujos  cálculos  baseiam­se  nas  vendas  líquidas  de  produtos  licenciados,  referem­se,  exclusivamente,  à  remuneração  contratual  pela  transferência  de  tecnologia,  com  natureza  jurídica de royalties.  Recurso Voluntário Provido.      ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  em dar  provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima votou pelas  conclusões.   (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente e Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Winderley  Morais  Pereira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz  Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana  Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.  Relatório  CONTINENTAL  DO  BRASIL  PRODUTOS  AUTOMOTIVOS  LTDA  transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep.  A DRF  Jundiaí  emitiu Despacho  Decisório  Eletrônico  não  homologando  a  compensação,  em  virtude  de  o  pagamento  informado  ter  sido  integralmente  utilizado  para  quitação  de  débitos  declarados  pelo  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  a  compensação declarada.  Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou, em síntese, que é  coligada de empresa localizada da Alemanha, com a qual possui contrato de licença de uso de  marca  e  fornecimento  de  tecnologia,  efetuando  remessas  ao  exterior  a  título  de  royalties.  Todavia, a contribuinte afirmou que, equivocadamente,  incluiu na base de cálculo da Cofins­ Importação e do PIS­Importação os valores pagos ao exterior a título de royalties. Procurando  demonstrar a existência do direito creditório juntou ao processo cópia da DCTF retificadora.  A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do  Acórdão  05­038.921.  A DRJ  afastou  a  preliminar  de  nulidade  do  despacho Decisório  e,  no  mérito,  não  reconheceu  o  direito  ao  crédito  alegado,  por  considerar  que  o  contribuinte  não  juntara aos autos provas suficientes para concluir que teria ocorrido tributação indevida sobre  remessas a título de royalties.  Inconformada, a  recorrente apresentou,  tempestivamente,  recurso voluntário  repisando os argumentos anteriormente apresentados.  Fl. 569DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912962/2009­49  Acórdão n.º 3201­002.406  S3­C2T1  Fl. 4          3 Submetido à julgamento na 1º Turma Especial da 3ª Seção, em preliminar, o  relator entendeu não configurada a suscitada nulidade do despacho decisório por ausência de  fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa. No mérito, o julgamento foi  convertido em diligência, nos termos da Resolução n° 3801­000.723, nos seguintes termos:  Ante  ao  exposto,  voto  no  sentido  de  converter  o  presente  julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem:  a) Em relação aos valores remetidos ao exterior que teriam dado  ensejo  ao  direito  creditório  pleiteado,  intime  a  recorrente  a  apresentar  cópia  dos  contratos  firmados  com  a  empresa  beneficiária das  remessas  (Continental  Teves AG & Co.  oHG),  devendo ser apresentada a tradução juramentada para o idioma  nacional, caso estejam em língua estrangeira; cópia das faturas  comerciais  (invoices)  ou  documentação  suplementar  que  embasaram as remessas e cópias digitalizadas dos registros, no  livro  Razão,  referentes  às  remessas  relacionadas  a  pagamento  de royalties;   b)  apure  a  legitimidade  do  crédito  pleiteado  decorrente  de  pagamento indevido ou a maior a título de Contribuição para o  PIS/PASEP­Importação  e  a  COFINS­Importação  sobre  as  importâncias  remetidas  ao  exterior  conforme  as  operações  apontadas,  com  base  nos  documentos  acostados  aos  autos,  na  escrituração  fiscal  e  contábil  e  demais  documentos  que  julgar  necessários;   c)  cientifique  a  interessada  quanto  ao  resultado  da  diligência  para, desejando, manifestar­se no prazo de 30(trinta) dias.  Após  a  conclusão  da  diligência,  retornar  o  processo  a  este  CARF para julgamento.  Retornou  o  processo  da  unidade  de  origem  com  Relatório  de  Diligência  Fiscal elaborado pela SAORT/DRF Camaçari/BA, cujas conclusões foram:  12. Como pode­se verificar, o royalty tem presença no contrato,  que  mostram  a  existência  de  uma  licença  para  uso  da  propriedade industrial e intelectual.  13.  No  entanto,  também  estão  presentes  no  contrato  outros  elementos,  que  configuram  serviços.  Por  exemplo,  o  contrato  prevê  o  fornecimento  de  informações  técnicas.  Conforme  item  1.4, nessas informações técnicas está incluída o fornecimento de  “desenhos,  especificações  incluindo  especificações  de  teste  e  qualidade,  outros  dados  de  know­how  e  outra  assistência  técnica”.  Ou  seja,  a  assistência  técnica,  que  configura  claramente uma obrigação de fazer, está incluída no contrato.  14.  No  item  4.2.2  está  prevista  outra  clara  obrigação  de  fazer  para a  licenciadora: “fornecer  informações, na medida em que  estiverem  à  disposição  da  LICENCIADORA,  em  resposta  a  consultas técnicas razoáveis recebidas”.  15. Estando presente  características  de  royalties  e  de  serviços,  resta  verificar  se  o  contrato  estabelece  a  sua  remuneração  de  cada  um  de  forma  individualizada.  O  item  5  do  contrato  Fl. 570DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912962/2009­49  Acórdão n.º 3201­002.406  S3­C2T1  Fl. 5          4 (Remuneração), não estabelece essa individualização. Ele prevê  uma forma única de remuneração (4% sobre o valor das vendas,  posteriormente  alterado  por  aditivo  para  3%),  sem  distinguir  royalties e serviços.  16. Portanto, pela aplicação da Solução de Divergência Cosit nº  11,  de  2011,  que  preconiza  a  necessidade  dessa  individualização,  não  deve  ser  reconhecido  o  direito  creditório  sobre os recolhimentos em questão.  A  interessada  foi  cientificada  do  Relatório  de  Diligência  e  apresentou  argumentos e contrapontos ao entendimento exarado pela autoridade fiscal, assim sintetizados:  a) o Auditor aponta cláusula contratual ("1.4 ­ Informações Técnicas") com previsão  de prestação de serviços, contudo, sem discriminá­los;  b) aduz que "informações técnicas" compreendem o fornecimento de dados atinentes  aos produtos licenciados e, portanto, tem por natureza uma obrigação de "dar", não  de "fazer", como asseverou a autoridade;   c)  explicita  que  "informações  técnicas"  são  orientações  de  uso  disponibilizadas  à  licenciada, sem intervenção física ou deslocamento com finalidade de prestação de  serviço;  d)  consigna  que  as  atividades  de  fornecimentos/disponibilizações  de  manuais  e  outras  informações  não  se  encontram  listados  no Anexo  da  Lei  Complementar  nº  116/03 para configurem a materialidade a que incide o ISS;  e) argumenta que a "Assistência Técnica", presente no Anexo da IN 116/03, impõe a  prestação de serviço por um profissional, o que não se verifica no caso;  f) o contrato celebrado tem por objeto licença para uso de marca e não compreende  qualquer  prestação  de  serviço. A  licenciadora  apenas  fornece  as  instruções  para  a  fabricação dos produtos licenciados em estabelecimento da licenciada;  g)  conclui  afirmando  que  os  documentos  acostados  apontam  para  um  contrato  de  transferência de uso de marca e  tecnologia no qual se obriga com o pagamento de  royalties.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3201­002.395, de  28/09/2016, proferido no julgamento do processo 13839.912959/2009­25, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201­002.395):  Fl. 571DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912962/2009­49  Acórdão n.º 3201­002.406  S3­C2T1  Fl. 6          5 "O recurso voluntário fora recebido como tempestivo, razão pela qual  o Colegiado que o apreciou em julgamento anterior dele tomou conhecimento.  Quanto  a  preliminar  de  nulidade,  pactuo  com  os  argumentos  e  conclusões do Relator, assentadas na sessão de 24/04/2014, por inexistirem razões para  sua decretação, as quais reproduzo:  Preliminarmente,  quanto  à  alegação  de  nulidade  no  despacho  decisório  por  ausência  de  fundamentação  e  o  conseqüente  cerceamento  ao  direito  de  defesa  entendo  que  não  assiste  razão  à  recorrente.  O  instituto  da  compensação  está  previsto  no  artigo  74  da  Lei  n°  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  com  redação  dada  pela  Lei  n°  10.637, de 30 de dezembro de 2002:  Art.  74. O  sujeito  passivo que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível  de  restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na compensação de  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições  administrados por aquele Órgão.  § 1° A compensação de que  trata o caput será efetuada mediante a  entrega,  pelo  sujeito  passivo,  de  declaração  na  qual  constarão  informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos  compensados.  §  2°  A  compensação  declarada  à  Secretaria  da  Receita  Federal  extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior  homologação.  In  casu,  o  contribuinte  apresentou  declaração  de  compensação  de  débitos  de  PIS,  e  apontou  o  documento  de  arrecadação  (DARF)  referente  a  PIS­Importação,  como  origem  do  crédito,  alegando  “pagamento  indevido  ou  a  maior”,  conforme  disposto  nas  normas  regulamentadoras.  O  direito  creditório  não  existiria,  segundo  o  despacho  decisório  inicial,  porque  os  pagamentos  constantes  do  pedido  estariam  integralmente vinculados a débitos já declarados.  A  fundamentação  da  não  homologação  da  compensação  pleiteada  reside  no  cotejo  entre  as  próprias  declarações  apresentadas  pelo  contribuinte  e  os  documentos  apontados  como  origem  do  direito  creditório.  Apesar  do  contribuinte  informar  ter  retificado  a  DCTF  posteriormente, a analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base  nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo.  Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar  um  juízo  de  certeza  da  inexistência  ou  insuficiência  do  crédito  do  contribuinte,  esse  fato  por  si  só  não  ensejaria  a  decretação  da  nulidade  do  despacho  por  cerceamento  de  defesa,  qual  seja,  a  impossibilidade  de  o  impugnante  defender­se  da  não  homologação,  por falta de compreensão do motivo da não homologação.  Fl. 572DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912962/2009­49  Acórdão n.º 3201­002.406  S3­C2T1  Fl. 7          6 Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus  da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar  extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é  o  contribuinte  que  toma  a  iniciativa  de  viabilizar  seu  direito  à  compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte  que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a  compensação,  incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor,  demonstrar seu direito.  Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento  indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento  informado  como  indevido  e  sua  situação  no  conta  corrente  –  disponível  ou não, não  se  está  analisando  efetivamente  o mérito  da  questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de  inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, espera­se, seja  descrita  a  origem  do  direito  creditório  pleiteado  e  sua  fundamentação legal.  Foi o que ocorreu no presente caso, em que a recorrente já na fase  litigiosa  informou  a  origem  do  indébito  e,  posteriormente,  juntou  a  documentação comprobatória que embasaria o seu direito. Não resta  caracterizada  a  nulidade  se  o  impugnante,  a  partir  do  despacho  decisório,  assimila  as  conseqüências  do  fato  que  deu  origem  à  rejeição  da  compensação,  que  lhe  possibilitem  saber  quais  pontos  devem  ser  esclarecidos  em  sua  defesa,  para  comprovação  de  seu  direito creditório.  Passemos à análise do mérito.  A  1ª  Turma  Especial  enfrentou  preliminarmente  questão  relativa  à  preclusão  consumativa  do  direito  à  apresentação  da  DCTF  retificadora  após  a  transmissão  do  PER/DCOMP  e  antes  da  prolação  do Despacho Decisório,  documento  este  informativo  do  direito  creditório  decorrente  do  pagamento  indevido  da  Contribuição.  Compartilho  do  entendimento  exarado  pelo  Relator  original,  o  qual  transcrevo como parte deste voto:  Apesar  da  complementação  das  alegações  da  recorrente  e  a  correspondente  documentação  comprobatória  terem  sido  apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese,  estaria  atingida  pela  preclusão  consumativa,  o  entendimento  predominante  deste  Colegiado  é  no  sentido  da  prevalência  da  verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16  do  PAF  (Decreto  nº  70.235/1972),  quando  a  juntada  de  provas  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidos  aos  autos,  mormente  quando  a  Turma  de  Julgamento  de  primeira  instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base  no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e  suficientes  à  comprovação  do  crédito  compensado,  quando  tal  questão  não  fora  abordada  no  âmbito  do  Despacho  Decisório  guerreado.  Fl. 573DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912962/2009­49  Acórdão n.º 3201­002.406  S3­C2T1  Fl. 8          7 Neste  sentido,  os  dados  da  DCTF  retificadora  e  os  documentos  colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam  os argumentos apresentados.  No  caso  em  tela,  não  existe  norma  procedimental  condicionando  a  apresentação  de  PER/DCOMP  à  prévia  retificação  de  DCTF,  embora  seja  este  um  procedimento  lógico.  O  comando  contido  no  inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 903/2008, vigente à época,  abaixo  reproduzido,  não  se  refere  a  decisão  em  pedido  do  contribuinte,  que  não  é  procedimento  fiscal,  em  sentido  estrito,  ou  seja, procedimento tendente a apurar débito do contribuinte.  Art.  11  .  A  alteração  das  informações  prestadas  em  DCTF  será  efetuada  mediante  apresentação  de  DCTF  retificadora,  elaborada  com  observância  das  mesmas  normas  estabelecidas  para  a  declaração retificada.  §  1º  A  DCTF  retificadora  terá  a  mesma  natureza  da  declaração  originariamente apresentada, substituindo­a integralmente, e servirá  para  declarar  novos  débitos,  aumentar  ou  reduzir  os  valores  de  débitos  já  informados  ou  efetivar  qualquer  alteração  nos  créditos  vinculados.  §  2º  A  retificação  não  produzirá  efeitos  quando  tiver  por  objeto  alterar os débitos relativos a impostos e contribuições:  I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria­Geral  da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em  que importe alteração desses saldos;   II  cujos  valores  apurados  em  procedimentos  de  auditoria  interna,  relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na  DCTF,  sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão  de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em  DAU; ou   III  em  relação  aos  quais  a  pessoa  jurídica  tenha  sido  intimada  de  início de procedimento fiscal. (grifei).  Portanto,  não  há  impedimento  legal  algum  para  a  retificação  da  DCTF, que considero tratar­se de prova indiciária, em qualquer fase  do pedido de restituição ou compensação, desde que anteriormente à  inscrição em dívida ativa, sendo que este somente pode ser deferido  após a comprovação do direito creditório  Considero,  também,  suplantada  a  questão  da  não  incidência  das  Contribuições de que trata a Lei nº 10.865/2004 em relação aos royalties, uma vez que  estes são remunerações da propriedade industrial ou intelectual em razão de sua cessão,  direito de uso ou transferência de tecnologia ­ uma obrigação de dar, não caracterizada  como prestação de serviço.   A questão de mérito apresenta­se em concluir se o pagamento do PIS­ Importação (código 5434­1), no valor de R$ 70.896,74, referente ao 2º trimestre/2004, é  indevido em decorrência dos valores pagos a título de royalties compreender tão somente  parcela devida pela cessão, direito de uso e  transferência de  tecnologia à  licenciada na  fabricação de produtos, ou se tal parcela comporta igualmente remuneração advinda de  outra modalidade de prestação de serviço conexa ou acessória ao contrato de licença.  Fl. 574DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912962/2009­49  Acórdão n.º 3201­002.406  S3­C2T1  Fl. 9          8 Esta  foi  a  dúvida  suscitada  da  qual  decorreu  a  conversão  do  julgamento, de 24 de abril de 2014, em Diligência à unidade de origem.  Salienta­se que a Solução de Divergência nº 11/2011, da Coordenação­ Geral de Tributação (Cosit) ­ SD Cosit nº 11/2011, pacificou o entendimento de que não  há  incidência  das  contribuições  para  o  PIS/Pasep  e  Cofins,  vinculados  à  importação,  sobre  o  valor  pago  a  título  de  royalties,  se  o  contrato  discriminar  destes  os  valores  relativos  aos  pagamentos  dos  serviços  técnicos  e  da  assistência  técnica  de  forma  individualizada.  No  ponto  em  que  se  encontra  os  autos  e  realizada  a  Diligência  determinada  por  Colegiado  deste  CARF,  mister  se  faz  apreciar  os  documentos  e  manifestações  da  contribuinte  em  face  do  relatório  de  diligência  elaborado  pela  SAORT/DRF Camaçari/BA, bem como o teor deste (relatório).  Em  que  pese  a  constatação  de  que  os  documentos  coligidos  pela  Unidade de Origem apresentaram­se "SEM ATESTE", entendo superada a insuficiência  de  autenticidade  pois  que  no  retorno  da  Diligência  para  juntada  de  documentos  da  contribuinte e apuração da legitimidade do crédito pleiteado, com base nos documentos  acostados,  a autoridade  fiscal  atestou  a  correlação entre  invoices,  contratos  de câmbio,  pagamentos e certificado de averbação, assim consignado (fl. 620):   04. Com relação aos documentos, os invoices e contratos de câmbios  apresentados na manifestação de inconformidade demonstram que os  pagamentos  se  referem  ao  contrato  com  certificado  de  averbação  INPI NR. 991197/03.  Repisando,  a  Diligência  teve  por  escopo  (1)  obter  do  contribuinte  ­  licenciado cópias do contrato celebrado com a licenciadora, das faturas comerciais e dos  registros no Livro Razão,  relacionados  com o pagamento de  royalties que ensejaram o  direito creditório pleiteado, e (2) a apuração pela Delegacia de origem da legitimidade do  crédito pleiteado em face dos documentos coligidos.  De um  lado a outro, os argumentos cingiram­se em afirmar  (Auditor­ Fiscal) ou  infirmar  (contribuinte) a previsão de prestação de  serviços pela  licenciadora  em  razão  da  presença,  nas  cláusulas  do  contrato  de Licença,  dos  termos  "informações  técnicas" e "assistência técnica".   Assim,  defendeu  o  Auditor­Fiscal  a  impossibilidade  de  afastar  a  incidência  do  PIS/Pasep­Importação  sobre  os  pagamentos  de  royalties  em  razão  dos  valores  comportarem  também  pagamentos  decorrentes  da  prestação  de  serviços  pela  licenciadora. Em contrapartida, a contribuinte sustenta a não incidência da Contribuição  pois as remessas de valores tem fundamento exclusivo no pagamento pela cessão, direito  de uso e transferência de tecnologia, sem abarcar quaisquer serviços prestados.  Analiso  os  argumentos  suscitados  para  então  decidir  o  litígio,  iniciando­se com a manifestação da autoridade fiscal em seu Relatório de Diligência (fls.  620/624).  A autoridade fiscal preocupa­se em trazer a definição de royalties e seu  conteúdo  semântico  para  demonstrar  a  exclusão  de  "serviço  técnico"  e  "assistência  Fl. 575DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912962/2009­49  Acórdão n.º 3201­002.406  S3­C2T1  Fl. 10          9 técnica" da abrangência de seu conceito. Para isso, utilizou­se das definições contidas na  IN SRF nº 252/2002, que trata de royalties para fins da incidência do Imposto de Renda  Retido na Fonte.  Aduz que no contrato de licenciamento constam, além da licença para  uso da propriedade industrial e intelectual, "outros elementos, que configuram serviços".   Fundamenta  seus  argumentos  apontando  para  três  cláusulas  contratuais:   a.  O  subitem  "1.4"  cujo  título  é  "Informações  Técnicas"  no  qual  se  insere cláusula de fornecimento de materiais técnicos (desenhos, especificações e outros  dados) e de assistência técnica, concluindo, quanto a esta (assistência técnica), tratar­se  de uma obrigação de fazer, que vislumbra característica de prestação de serviço;  b. O subitem "4.2" que prescreve "Tarefa do Correspondente Técnico  da  Licenciadora"  dispõe  sobre  fornecimento  de  informações  à  licenciada  com  relação  "dispositivos  licenciados  e  informações  técnicas",  concluindo  também  tratar­se  de  obrigação  de  fazer  ­  prestação  de  serviço  ­  na  medida  em  que  tais  informações  são  disponibilizadas à licenciada;  c. No subitem "5. Remuneração" que estabelece a forma de cálculo da  remuneração e seu percentual a título de royalties não se verifica individualização quanto  à parcelas relativas à prestação de serviços.  Ao final de seu relatório, arremata pelo não reconhecimento do direito  creditório à luz da Solução de Divergência Cosit nº 11/2011 que exige a individualização  da remuneração ­ licença de uso e prestação de serviços ­ para efeitos de pagamento de  royalties e cálculo das contribuições.  Entendo não assistir razão à autoridade fiscal.  A  conceituação  de  royalties  na  IN SRF  nº  252/2002  está  prevista  no  inciso I, do § 1º do art. 17, in verbis:  Art.  17.  As  importâncias  pagas,  creditadas,  entregues,  empregadas  ou  remetidas  a  pessoa  jurídica  domiciliada  no  exterior  a  título  de  royalties de qualquer natureza e de remuneração de serviços técnicos  e  de  assistência  técnica,  administrativa  e  semelhantes  sujeitam­se  à  incidência do imposto na fonte à alíquota de quinze por cento.  § 1º Para fins do disposto no caput:  I ­ classificam­se como royalties os rendimentos de qualquer espécie  decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como:  a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais;  b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais;  c)  uso  ou  exploração  de  invenções,  processos  e  fórmulas  de  fabricação e de marcas de indústria e comércio;  d) exploração de direitos autorais, salvo quando recebidos pelo autor  ou criador do bem ou obra;  Fl. 576DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912962/2009­49  Acórdão n.º 3201­002.406  S3­C2T1  Fl. 11          10 Os termos "serviço técnicos" e "assistência técnica" estão definidos no  inciso II, do mesmo artigo:  II ­ considera­se:  a) serviço técnico o trabalho, obra ou empreendimento cuja execução  dependa  de  conhecimentos  técnicos  especializados,  prestados  por  profissionais liberais ou de artes e ofícios;  b) assistência técnica a assessoria permanente prestada pela cedente  de processo ou fórmula secreta à concessionária, mediante técnicos,  desenhos,  estudos,  instruções  enviadas  ao  País  e  outros  serviços  semelhantes, os quais possibilitem a efetiva utilização do processo ou  fórmula cedido.  Pois  bem,  fato  é  que  o  dispositivo  do  IRRF  distingue  royalties  de  serviço  técnicos  e  assistência  técnica  para  efeito  de  incidência  de  pagamentos  e  remunerações nessas rubricas.  Quanto  ao  serviço  técnico,  a  prestação  é  realizada  por  "profissionais  liberais  ou  de  artes  e  ofícios",  portanto,  é  trabalho  realizado  por  pessoa  física,  desenvolvendo  atividade  atinente  a  suas  habilidades  técnicas/artísticas  em  caráter  pessoal. Não se prevê o  trabalho  realizado em nome de uma pessoa  jurídica e no meu  entender não se amolda às cláusulas contratuais em análise.  "Assistência  técnica  a  assessoria  permanente"  diz  respeito  àquela  prestada  por  quem  cede  licença  de  processo  ou  fórmula  secreta  cujo  trabalho  (assistência) faz­se necessário de modo permanente a possibilitar a efetiva utilização do  processo ou fórmula cedida.   Não é  a  situação que  envolve  licenciada­licenciadora, pois o objeto é  transferência de tecnologia para  fabricação de peças automotivas, que não se confunde  com um "processo" ou fórmula secreta" ou "outros serviços" que possibilitem a efetiva  utilização do processo ou fórmula cedida.  A  utilização  dos  conceitos  inseridos  na  IN  SRF  nº  252/2002  para  estabelecer  diferenças  entre  pagamentos  de  royalties  e  de  serviço  técnico/assistência  técnica implica o ônus de se observar o conteúdo e aplicação desses termos na análise do  Contrato de licenciamento e o objeto da atividade da recorrente.  Dito de outra forma, a autoridade fiscal emprestou os as definições da  IN  tão  somente  para  segregar  pagamentos  ao  exterior  relativos  à  royalties,  serviços  técnicos e em assistência técnica; contudo, não utilizou seus significados na interpretação  das atividades previstas no contrato, que por certo, não se tratam de licenças relativas a  processos industriais ou à fórmula secreta, como conceituado na IN.   A  conclusão,  ainda  que  até  aqui  preliminar,  é  no  sentido  de  que  o  contrato  de  licenciamento  não  contempla  "serviço  técnico"  e  assistência  técnica"  tal  como  conceituados  na  IN  SRF  nº  252/2002  para  fins  de  segregação  e  apuração  dos  valores de royalties  remetidos ao exterior aos quais não  incidirão as Contribuições nos  termos da SD Cosit nº 11/2011.  Fl. 577DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912962/2009­49  Acórdão n.º 3201­002.406  S3­C2T1  Fl. 12          11 Serão,  também,  analisadas  as  cláusulas  contratuais  e  a  forma  de  apuração da remuneração dos royalties, que contêm expressões relativas a "informações  técnicas", "assistências técnicas" e outros termos abordados no relatório para demonstrar  a inexistência de prestação de serviços no contrato de licenciamento da contribuinte.  Antes,  passo  à  análise  da manifestação  da  contribuinte  (fls.  629/636)  que contrapõe os argumentos da autoridade fiscal no Relatório de Diligência.  Confronta a contribuinte os fundamentos do relatório da diligencia sob  o  argumento  de  que  não  houve  a  indicação  dos  serviços  contemplados  no  contrato  de  licenciamento que foram efetivamente prestados pela licenciadora.  Alega que as "informações técnicas" não se caracterizam prestações de  serviços, mas orientações disponibilizadas pela licenciadora por meio de manuais, guias  de orientação, sem intervenção de pessoa física.  Destaca  que  o  objeto  do  contrato  é  uma  licença  para  uso  de  marca  estrangeira  para  fabricar  produtos  e  realizar  vendas  na modalidade  "OEM",  "OES"  E  "AM" e tal licença inclui a utilização das informações técnicas acerca dos produtos.  Argúi que a licenciadora fornece as  instruções necessárias à execução  das atividades (fabricação de produtos automotivos) no País.  Entendo assistir razão à recorrente.  As  cláusulas  contratuais  são  claras  suficientes  para  apontar  não  somente  a  inexistência  de  prestação  de  serviços  como  um  de  seus  objetos,  ainda  que  secundário  ou  acessório,  impõe  também  concluir  que  o  cálculo  da  remuneração  dos  royalties  contempla exclusivamente  receitas de vendas dos produtos  licenciados, o que  exclui o pagamento pela prestação de serviços conexos ao licenciamento.  Primeiro, passo à análise do "Contrato de Licença" e do seu "Aditivo  ao  Contrato  de  Licença",  celebrado  entre  a  recorrente  e  a  empresa  estrangeira  Continental  Teves  AG &  CO.  OHG,  a  qual  será  realizada mediante  a  investigação  e  interpretação dos vocábulos e expressões utilizadas que permitem extrair o seu objeto e,  em especial, a previsão de (in)existência de serviços conexos à licença.  a.  "Dispositivos  Licenciados"  referem­se  aos  produtos  automotivos  (peças)  listados  na  "Tabela A"  (fls.  447/450)  licenciados  à  fabricação. Referida  tabela  compõe de peças veiculares de fabricação nacional. Portanto, não contemplam serviços.  b.  "Patentes  Licenciadas",  relacionadas  na  "Tabela  B"  (fl.  451),  referem­se a patentes possuídas pela  licenciadora que se  relacionam ou se aplicam aos  "dispositivos licenciados". Portanto, não se tratam de serviços.  c.  "Informações  Técnicas"  referem­se  à  disponibilização  de  informações  orais  ou  por  escrito  relativas  aos  "dispositivos  licenciados".  As  "informações" estão discriminadas na "Tabela C" (fls. 452/456) e compõem exatamente  da mesma relação de dispositivos da "Tabela A". Portanto, não se tratam de outro serviço  conexo, são mera prestações de informações, por intermédio de desenhos, especificações  e outros dados.  Fl. 578DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912962/2009­49  Acórdão n.º 3201­002.406  S3­C2T1  Fl. 13          12 d.  Os  termos  "OEM",  "OES"  e  "AM"  referem­se  à  fornecimento  de  peças e sobressalentes aos fabricantes de carros.   e. "Atividades de B&C" referem­se à produção e venda de sistemas de  freios e seus acessórios.  f. A cláusula "2.1 Licença Concedida" trata do objeto do contrato, que  se resume à licença para fabricar as peças automotivas relacionadas nas tabelas e vender  os  dispositivos  como  "OEM",  "OES  E  "AM",  incluindo­se  a  licença  para  usar  informações técnicas e as patentes licenciadas.  Tais  cláusulas  são  precisas  para  delas  depreender  a  inexistência  de  prestações de serviços no âmbito do contrato celebrado.  g.  O  tópico  "4.  Informações  técnicas"  trata  do  fornecimento  de  informações,  o  qual  dispõe  no  item  "4.1.1",  "A  LICENCIADA  receberá  da  LICENDIADORA as Informações técnicas abaixo descritas";  h.  Da  leitura  da  cláusula  "4.2"  infere­se  que  "dar  informação"  corresponde  a  colocar  à  disposição  da  licenciada  cópias  da  documentação  descrita  na  "Tabela C" e demais dados técnicos relativos e necessários à fabricação dos dispositivos  licenciados,  o  que  inclui  respostas  a  consultas  técnicas  formuladas  e  recebidas,  em  relação aos dispositivos licenciados.  Atente­se  que  a  atividade  objeto  do  contrato  de  licenciamento  é  o  fornecimento  de  licença  de  uso  ou  cessão  para  a  transferência  de  tecnologia  para  a  fabricação e venda de peças automotivas.  Não  há  previsão  de  quaisquer  prestações  de  serviços  conexos  ao  licenciamento, isto é, inexiste qualquer obrigação de fazer; restringe­se o contrato a uma  obrigação de dar.  A definição de prestação de serviço, construída pela doutrina jurídica, é  estabelecida nos termos em que há um esforço humano dirigido a terceiro, com conteúdo  econômico, em caráter negocial e profissional, realizada sob regime de direito privado,  cujo objeto é a realização de atividade da qual resulte um bem material ou imaterial.  Assim  dispõe  a  doutrina  de  Paulo  de  Barros  de  Carvalho1  em  seu  escólio acerca da prestação de serviço sujeita ao ISS:  A mais desse fator, é forçoso que a atividade realizada pelo prestador  apresente­se  sob  a  forma  de  "obrigação  de  fazer".  Eis  aí  outro  elemento caracterizador da prestação de serviços. Só será possível a  incidência  do  ISS  se  houver  negócio  jurídico mediante  o  qual  uma  das partes se obrigue a praticar certa atividade, de natureza física ou  intelectual,  recebendo, em  troca,  remuneração. Por outro ângulo,  a  incidência  do  ISS  pressupõe  atuação  decorrente  do  dever  de  fazer  algo  até  então  inexistente,  não  sendo  exigível  quando  se  tratar  de  obrigação que  imponha a mera entrega, permanente ou  temporária,  de algo que já existe.                                                              1 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário linguagem e método, 3. ed.. São Paulo: Noeses, 2009, p. 768  Fl. 579DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912962/2009­49  Acórdão n.º 3201­002.406  S3­C2T1  Fl. 14          13 Destarte,  a  previsão  contratual  de  disponibilização  de  "informações  técnicas"  e  "assistência  técnica",  por  intermédio  de  entrega  de  dados  e  outros  documentos  pela  licenciadora  estrangeira,  para  utilização  na  fabricação  de  produtos  licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para  efeitos  de  incidência  de  Contribuição  para  o  PIS/Pasep­importação  e  à  Cofins­ importação.   A  segunda  análise  recai  sobre  a  forma de  cálculo  e  a modalidade  do  pagamento dos royalties remetidos ao exterior em cumprimento às cláusulas estipuladas  no contrato de licença.  A  remuneração  do  contrato  de  licença  está  previsto  em  sua  cláusula  "5.1 Royalty reincidente" (fl. 439) a qual estipula a taxa de 4% (quatro por cento) sobre  "todos os Preços de Fábrica de vendas de Dispositivos Licenciados e quaisquer outras  peças  de  veículos  automotivos  fabricados  em  conformidade  com  as  Informações  Técnicas e/ou pela utilização das Patentes Licenciadas."   Referida  taxa  sofreu  alteração  por  meio  do  "Aditivo  ao  Contrato  de  Licença",  de  28/10/2004,  que  em  suas  folhas  2/4  e  3/4  (e­fls.  459/460)  dispôs  que  "A  LICENCIADA  pagará  à  LICENCIANTE  um  Royalty  Reincidente  não  restituível  que  remontará a 3% (três por cento) de todas as Vendas Líquidas."   Resta  claro  qual  deve  ser  a  composição  dos  valores  sobre  os  quais  incidirão os royalties: preços de venda (na fábrica) ou vendas líquidas, em determinado  período.   Desses  valores  estão  excluídos  quaisquer  parcelas  relativas  a  pagamentos por serviços conexos à licença tomados pela contribuinte­licenciada.  Isto  porque  há  previsão  expressão  na  cláusula  "5.2  Pagamento  de  royalty e Relatório de Royalty" de que o pagamento dos royalties será acompanhado de  relatório a ser prestado pela contribuinte à licencidadora contendo (i) relação dos artigos  e  números  dos  dispositivos  licenciados  vendidos  ou  utilizados;  (ii)  o  montante  de  "Preços  de  Fábrica  recebidos  por  Dispositivos  licenciados  e  suas  peças"  e  (iii)  a  discriminação  (origem  /  "derivação")  das  quantias  pagas  à  licenciadora,  conforme  as  informações prestadas.  Completada  a  análise  quanto  aos  valores  que  compõem o  cálculo  do  pagamento  dos  royalties  devidos  à  licenciadora,  cumpre  verificar  a  correspondência  desse com os demais documentos coligidos e a sua regularidade conforme exigências da  legislação. Os documentos em apreço são: invoice (fatura comercial), contrato de câmbio  e correspondente registro na escrituração contábil.  A  invoice  nº  nº  90343232  (fl.  591/594)  emitida  pela  licenciadora  informa pagamento relativo a "Taxas de Royalties referentes à Taxa de Licença Contrato  de 12 de novembro de 1999 (...)", com valor total de USD 1.300.811,16.  De  fato,  o  valor  consignado  não  é  o  efetivamente  remetido  pois,  conforme cláusula contratual, o pagamento deve ser líquido de impostos e taxas no país  do  licenciado.  Assim,  efetuada  a  retenção  legal  de  15%  relativo  ao  IRRF  (conforme  informado  no  campo  "outras  especificações"  do  contrato  de  câmbio  de  fl.  204  e  Fl. 580DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912962/2009­49  Acórdão n.º 3201­002.406  S3­C2T1  Fl. 15          14 lançamento no livro Razão à fl. 600), o valor a ser remetido é de USD 1.105.689,49 (R$  3.454.395,10),  exatamente  como  consignado  na  "Planilha  de  Cálculo"  (fl.  201)  e  Contrato de Câmbio nº 04/03489, de 23/06/200 (fls. 203/205), corroborado com extrato  emitido pelo UNIBANCO, que comprova sua liquidação.  Passo seguinte é verificar a regularidade da remessa cambial a título de  royalties.  A disciplina acerca das remessas de valores para o exterior a título de  royalties ou qualquer outro  título  (inclusive  "assistência  técnica")  foi  estabelecida pela  Lei  nº  4.131,  de  03/09/1962,  com  o  controle  pela  Superintendência  da  Moeda  e  do  Crédito ­SUMOC.  Atualmente regulamentada pelo Banco Central do Brasil pela Circular  nº 3.689/2013, que dispõe sobre o capital estrangeiro no País e sobre o capital brasileiro  no exterior.  De fato, em ambos diplomas não se verifica qualquer distinção quanto  ao pagamento a título de royalties ou de outros serviços para o exterior.   Não  obstante,  a  Circular  nº  3.689/2013,  na  Subseção  I,  que  trata  de  "Royalties,  serviços  técnicos  e  assemelhados",  do  capítulo  "Operações  financeiras",  dispõe  sobre  os  registros  das  operações  contratadas  e  discrimina  sus  espécies,  como  transcrito:  Subseção I  Royalties, serviços técnicos e assemelhados  Art. 101. Esta subseção dispõe sobre o registro, no módulo ROF do  RDE,  das  operações  contratadas  entre  pessoa  física  ou  jurídica  residente,  domiciliada  ou  com  sede  no  País,  e  pessoa  física  ou  jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior, relativas a:   I ­ licença de uso ou cessão de marca;   II ­ licença de exploração ou cessão de patente;   III ­ fornecimento de tecnologia;   IV ­ serviços de assistência técnica;   V ­ demais modalidades que vierem a ser averbadas pelo INPI; e   VI  ­  serviços  técnicos  complementares  e  as  despesas  vinculadas  às  operações  enunciadas  nos  incisos  I  a  V  deste  artigo  não  sujeitos  a  averbação pelo INPI.   Resta  evidente  que  o  regulamento  estabeleceu  diferenças  entre  royalties  e  serviços  nos  incisos  "I"  a  "III"  (royalties),  "IV"  (serviços  de  assistência  técnica) e "V" (serviços técnicos complementares).   Desde a edição da Carta­Circular nº 2803/98, vigente em 01/07/1998,  que  contempla  as  operações  da  recorrente  no  ano  de  2003/2004,  as  diferenças  entre  remessas  por pagamento  de  royalties  e  de outros  serviços  estão  especificadas  segundo  Tabela  com os  códigos  atribuídos  à natureza da operação, quando da prestação dessas  informações no preenchimento do contrato de câmbio.  Fl. 581DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912962/2009­49  Acórdão n.º 3201­002.406  S3­C2T1  Fl. 16          15 Conforme  a  transcrição  de  Tabela,  resta  caracterizada  a  natureza  do  pagamento ao exterior com a verificação do código informado no contrato de câmbio:    XIV ­ SERVIÇOS DIVERSOS           NATUREZA DA OPERAÇÃO  Nº CÓDIGO        1­ EXPORTAÇÃO/IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS 1/  PATENTES 2/  licença de exploração/cessão  45625  MARCAS 2/  licença de uso/cessão  45618     FORNECIMENTO DE 2/  ­tecnologia  45632  ­serviços de assistência técnica  45649  ­serviços e despesas complementares  45584     FRANQUIAS 2/  45591     IMPLANTAÇÃO OU INSTALAÇÃO DE PROJETO  ­técnico­econômico  45656  ­industrial  45663  ­de engenharia  45670     SERVIÇOS TÉCNICOS ESPECIALIZADOS 3/  ­projetos, desenhos e modelos industriais  45687  ­projetos, desenhos e modelos de engenharia  45694  ­montagem de equipamentos  45704   ­outros serviços técnicos­profissionais  45711     In casu, verificando a natureza da operação informada pela recorrente  no Contrato de Câmbio nº 04/03489 (fl. 203) constata­se tratar­se do código de prefixo  "45632",  que  conforme  inciso  III,  do  art.  101  da  Circular  do  BCB  nº  3.689/2013,  corresponde  ao  pagamento  ao  exterior  em  decorrência  do  fornecimento  de  tecnologia,  que evidencia pagamento de roylaties.  Na  hipótese  do  pagamento  corresponder  à  prestação  de  serviço  de  assistência técnica ou de serviços complementares, os códigos seriam, respectivamente,  45634 e 45584, o que não se verifica nos autos.  Assim,  os  documentos  coligidos  nos  autos,  relativos  à  apuração  e  ao  pagamento dos valores devidos e remetidos ao licenciador estrangeiro, com a utilização  de código cambial vinculado a pagamentos de royalties, comprovam tratar­se de remessa  a  título  de  royalties  previsto  em  contrato  para  a  transferência  de  tecnologia  para  fabricação de produtos licenciados.  Fl. 582DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912962/2009­49  Acórdão n.º 3201­002.406  S3­C2T1  Fl. 17          16 Finalizando,  concluo  que,  à  luz  do  contrato  de  licenciamento  e  os  efetivos  pagamentos  realizados  ao  exterior,  não  incide  as  Contribuições  para  o  PIS/Pasep­importação  e  Cofins­importação,  pois  tais  pagamentos,  cujos  cálculos  baseiam­se  nas  vendas  líquidas  de  produtos  licenciados,  referem­se  exclusivamente  à  remuneração  contratual  pela  transferência  de  tecnologia,  com  natureza  jurídica  de  royalties,  inexistindo  parcelas  relativas  à  serviços  conexos  à  licença  a  serem  individualizados no contrato.  Evidencia­se assim, pagamento indevido o recolhimento efetuado pela  recorrente,  para  o  qual  se  pleiteia  restituição  do  valor  recolhido,  por meio  do DARF,  código 5434 (fl. 202).  Diante do  exposto,  voto no  sentido de  reconhecer o direito  creditório  da recorrente e dar provimento ao recurso voluntário."  Retornando  ao  caso  deste  processo,  importante  ressaltar  que  todos  os  documentos  analisados  no  julgamento  do  paradigma  encontram  correspondência  com  os  documentos juntados ao presente, a saber:  a) "Contrato de Licença" e seu "Aditivo ao Contrato de Licença", celebrado  entre a Continental do Brasil e a empresa estrangeira Continental Teves AG & CO. OHG ­ (fls.  427 a 454 ­ mesmo contrato que o analisado no julgamento do paradigma);  b)  invoice  nº  90436029  (fls.  507)  emitida  pela  licenciadora  informando  pagamento  relativo  a  "Taxas  de  Royalties  referentes  à  Taxa  de  Licença  Contrato  de  12  de  novembro de 1999 (...)", no valor total de USD 1.703.052,72;  c)  contrato  de  cambio  nº  05/025953  e  05/028961,  no  valor  de  USD  1.447.594,81  (valor  total  ­  fls.  216  a  222),  que  comprova  a  remessa  ao  exterior  de  USD  1.447.594,81  (R$  3.656.624,49),  corroborado  com  extrato  emitido  pelo  UNIBANCO  que  comprova sua liquidação;  d)  o  valor  da  remessa,  conforme  cláusula  contratual,  corresponde  ao  valor  total da invoice menos o desconto do IRRF de 15%, conforme lançamentos no razão fl. 515) e  planilha de cálculo de fl. 214;  e) a natureza da operação no Contrato de Câmbio nº 05/025953 e 05/028961  foi  especificada  com  o  código  de  prefixo  "45632",  que,  conforme  inciso  III  do  art.  101  da  Circular  do  BCB  nº  3.689/2013,  corresponde  ao  pagamento  ao  exterior  em  decorrência  do  fornecimento de tecnologia, o que evidencia pagamento de royalties;  f) DARF de fl. 215.  Portanto,  constata­se  que  neste  processo  o  contribuinte  juntou  os  mesmos  documentos  que  foram  considerados  hábeis  à  comprovação  do  direito  creditório  no  caso  do  paradigma, variando apenas o número dos documentos e os valores envolvidos.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  dá­se  provimento  ao  recurso  voluntário, para reconhecer o direito creditório em litígio.     Winderley Morais Pereira  Fl. 583DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912962/2009­49  Acórdão n.º 3201­002.406  S3­C2T1  Fl. 18          17                             Fl. 584DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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