Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10980.006081/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme preceitua o Decreto nº 70.235, de 1972.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2202-003.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Marcio Henrique Sales Parada
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme preceitua o Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10980.006081/2009-65
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5559582
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.040
nome_arquivo_s : Decisao_10980006081200965.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : Marcio Henrique Sales Parada
nome_arquivo_pdf_s : 10980006081200965_5559582.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
id : 6255729
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124769959936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 136 1 135 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.006081/200965 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.040 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de dezembro de 2015 Matéria IRPF Recorrente ADÃO RENATO KOVALSKI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme preceitua o Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 60 81 /2 00 9- 65 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006081/200965 Acórdão n.º 2202003.040 S2C2T2 Fl. 137 2 Adoto como relatório aquele elaborado pelo Julgador de 1ª instância, que bem descreve e resume os fatos (fl. 41), complementandoo ao final: Por meio da Notificação de Lançamento de fls. 05 e 06, ajustou se para R$ 5.955,97 o saldo de imposto a restituir apurado pelo contribuinte, relativo ao exercício 2007, anocalendário 2006. A autuação, originada da revisão da declaração de ajuste anual (fls. 11 a 13), constatou, de acordo com a documentação apresentada, omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, R$ 109.045,20, conforme segue:... (...) Cientificado do lançamento postado em 15/05/2009 (fl. 15), o contribuinte apresentou, em 18/06/2009, a impugnação de fls. 01 a 03, acatada como tempestiva pelo órgão de origem (fl. 17), alegando que persistem algumas inconsistências na Notificação de Lançamento gerada pela apreciação da Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL). Argumenta que os valores auferidos se referem à demanda trabalhista contra o Banco Banestado (atual Banco Itaú). Esclarece que os rendimentos tributáveis, conforme informação em Dirf expedida pela fonte pagadora e comprovante anual de rendimentos (fl. 10), totalizaram R$ 373.442,89, dos quais caberia descontar os honorários advocatícios de R$ 144.537,00 (Nota Fiscal, fl. 08). Acrescenta que os documentos que instruem a petição foram apresentados para análise da SRL e ressalta, ainda, o recebimento de rendimentos isentos e não tributáveis da ordem de R$ 78.340,81, também informados nesses documentos. Entende que o valor referente à demanda trabalhista a ser tributado no ajuste anual totalizaria R$ 228.905,89, não havendo, assim, que se falar em omissão de rendimentos, (...) Ao analisar os autos, assim dispôs o Julgador de Primeira Instância, para ao final concluir pela procedência PARCIAL da Impugnação: Cabe salientar que, ao elaborar, na impugnação, demonstrativo apurando R$ 35.943,40 de saldo de imposto a restituir (fl. 03), o impugnante deixou de incluir no total dos rendimentos auferidos na RT. o valor do imposto de renda retido na fonte, que somente poderá ser compensado se submetido ao ajuste anual, juntamente com os demais rendimentos tributáveis. Contudo, a descrição das parcelas, no Resumo das verbas trabalhistas de fl. 29, evidencia o pagamento de verba não tributável sob a rubrica "DIFERENÇA DA MULTA 40% DO FGTS", R$ 10.054,75 (...) Quanto à parcela de R$ 78.340,81, embora informada no campo dos rendimentos isentos e não tributáveis, no comprovante anual de rendimentos de fl. 10, essa condição não restou comprovada Fl. 137DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006081/200965 Acórdão n.º 2202003.040 S2C2T2 Fl. 138 3 nos autos, sendo, assim, incabível pretender sua exclusão da base de cálculo do imposto. Isso posto, voto no sentido de parcialmente procedente o lançamento, alterando para R$ 9.560,77 o saldo de imposto a restituir, observados eventuais regates efetuados. Dessa decisão de 1ª instância o contribuinte foi cientificado em 22/03/2011, conforme AR na fl. 47, e apresentou recurso voluntário em 09/05/2011, conforme protocolo ao pé da folha 49. Em sede de recurso, reconhecendo que o valor efetivamente levantado fora maior que o declarado, pondera que existiriam valores relativos a rendimentos isentos e não tributáveis, conforme discrimina, e desconto a ser feito em relação à parcela paga a título de honorários advocatícios. Apresenta uma planilha de cálculos, para concluir e pleitear uma restituição de R$ 20.672,25, superior, portanto, àquela que fora deferida no Julgamento de 1ª instância. Anexa documentos. Assim, REQUER que seja dado provimento ao recurso para revisão do cálculo do imposto a restituir. A Unidade de origem providenciou a restituição da diferença entre o valor apurado na Notificação de Lançamento e o valor alterado no julgamento da Impugnação e propôs o encaminhamento ao CARF para julgamento do recurso voluntário. O recurso foi apreciado em Sessão de 14 de agosto de 2012, deste Conselho, decidindose pelo sobrestamento do julgamento, considerando que a matéria envolve a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, em virtude de sentença judicial trabalhista; ter o STF, então, reconhecido a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento do julgamento de outros recursos atinentes, na origem, e determinação regimental interna, nesse sentido, então em vigor. Superadas as razões do sobrestamento, o recurso volta a ser distribuído para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. PRELIMINAR. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Na folha 46 consta que a Intimação SECAT n° 272/2011 foi emitida em 10/03/2011 pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba/PR, com a finalidade de dar ciência ao interessado do Acórdão 0630.334 e, considerando a decisão da Turma de Julgamento, foramlhe facultados vista do processo e a possibilidade de recurso administrativo, no prazo de trinta dias contados a partir do recebimento do expediente. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006081/200965 Acórdão n.º 2202003.040 S2C2T2 Fl. 139 4 Na folha 47, consta a cópia do Aviso de Recebimento, entregue em 22/03/2011, que, observamos, tratouse de um dia de terçafeira, onde não consta feriado, conforme o carimbo dos Correios e com essa data e assinatura de Dalton Kovalski. O expediente foi entregue no endereço Rua Manoel Eufrásio Correia, 1216, Vila Fatty, CEP: 83.900000, o mesmo que consta da Impugnação, da Declaração e do Recurso. Vale então transcrever a Súmula CARF nº 9: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. O art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do prazo da interposição de recurso contra decisão de primeira instância, assim dispõe: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão” Por sua vez, o art. 5º do mesmo Decreto disciplina como deve ser feita a contagem dos prazos. “Art. 5o. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato”. Dessa feita, considerando a ciência no dia 22 de março de 2011 (terça feira) e o início da contagem no dia 23 de março (quarta feira), o trigésimo dia posterior deuse em 21 de abril de 2011 (feriado Tiradentes, sendo o dia 22 também feriado Paixão de Cristo, sexta feira). Portanto, o término do prazo ocorreu no dia 25 de abril de 2011, segunda feira, e o recurso que foi apresentado somente em 09 de maio de 2011 é extemporâneo. Observo que essa data de protocolo é a mesma da assinatura do recurso e também do reconhecimento de firma, em Cartório, não podendo mesmo ter sido entregue antes. O magistério de HUMBERTO THEODORO JUNIOR traz que todos os atos processuais são preclusivos. Portanto, decorrido o prazo, extinguese o direito de praticar o ato. Opera, para o que se manteve inerte, aquele fenômeno que se denomina preclusão processual, que, nesse caso, vem a ser a perda da faculdade ou direito processual, que se extingue pelo não exercício em tempo útil . A preclusão existe no processo moderno erigida à classe de um princípio básico ou fundamental do procedimento. Com esse método, evitase o desenvolvimento arbitrário do processo. O Código de Processo Civil até permite que após a extinção do prazo, em caráter excepcional, possa a parte provar que o ato não foi praticado em tempo útil por “justa causa” (art. 183). Entretanto, para o Código, “reputase justa causa o evento imprevisível, Fl. 139DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006081/200965 Acórdão n.º 2202003.040 S2C2T2 Fl. 140 5 alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário” (art. 183, § 1º). (THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed. Rio de Janeiro, Forense : 2004, p. 229/230) Ressalto que o contribuinte nada alegou sobre a (in)tempestividade em seu recurso. Por essa razão, VOTO por não conhecer do recurso e não se adentra no mérito da controvérsia. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 140DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000184/2007-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário:
2002
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÃO.
As receitas auferidas nas operações de exportação efetuadas com pessoa
vinculada ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos
bens, serviços ou direitos, for inferior a noventa por cento do preço médio
praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado
brasileiro. Lançamento exonerado em parte por falta de comprovação da
necessidade do arbitramento.
MÉTODOS DE APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA.
Não sendo indicado o método de apuração dos preços de transferência, os
Auditores Fiscais encarregados da verificação poderão determinálos
com
base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos
previstos na legislação.
OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. MÉTODO CAP.
Não logrando a contribuinte comprovar estar dispensada da apuração dos
preços de transferência, mantémse
a exigência, calculada nos termos da
legislação vigente.
MULTA. LANÇAMENTO DE OFICIO.
O percentual da multa aplicada sobre os impostos e as contribuições apurados
em lançamento de ofício é de 75% do valor do tributo.
JUROS DE MORA. SELIC.
A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência
de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, tendo
previsão legal sua cobrança com base na taxa SELIC, sendo que à esfera administrativa não compete a análise da constitucionalidade de normas
jurídicas.
LANÇAMENTO REFLEXO.
O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase
à
tributação dele decorrente.
Numero da decisão: 1301-000.485
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva LUcas
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201101
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÃO. As receitas auferidas nas operações de exportação efetuadas com pessoa vinculada ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro. Lançamento exonerado em parte por falta de comprovação da necessidade do arbitramento. MÉTODOS DE APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. Não sendo indicado o método de apuração dos preços de transferência, os Auditores Fiscais encarregados da verificação poderão determinálos com base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos previstos na legislação. OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. MÉTODO CAP. Não logrando a contribuinte comprovar estar dispensada da apuração dos preços de transferência, mantémse a exigência, calculada nos termos da legislação vigente. MULTA. LANÇAMENTO DE OFICIO. O percentual da multa aplicada sobre os impostos e as contribuições apurados em lançamento de ofício é de 75% do valor do tributo. JUROS DE MORA. SELIC. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, tendo previsão legal sua cobrança com base na taxa SELIC, sendo que à esfera administrativa não compete a análise da constitucionalidade de normas jurídicas. LANÇAMENTO REFLEXO. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 16561.000184/2007-77
conteudo_id_s : 5550660
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 01 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-000.485
nome_arquivo_s : Decisao_16561000184200777.pdf
nome_relator_s : Paulo Jakson da Silva LUcas
nome_arquivo_pdf_s : 16561000184200777_5550660.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
id : 6201375
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124774154240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2069; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000184/200777 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1301000.485 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de Janeiro de 2011 Matéria IRPJ/PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA Recorrentes DRJ SÃO PAULO I e LOUIS DREYFUS COMMODITIES BRASIL S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÃO. As receitas auferidas nas operações de exportação efetuadas com pessoa vinculada ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro. Lançamento exonerado em parte por falta de comprovação da necessidade do arbitramento. MÉTODOS DE APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. Não sendo indicado o método de apuração dos preços de transferência, os Auditores Fiscais encarregados da verificação poderão determinálos com base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos previstos na legislação. OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. MÉTODO CAP. Não logrando a contribuinte comprovar estar dispensada da apuração dos preços de transferência, mantémse a exigência, calculada nos termos da legislação vigente. MULTA. LANÇAMENTO DE OFICIO. O percentual da multa aplicada sobre os impostos e as contribuições apurados em lançamento de ofício é de 75% do valor do tributo. JUROS DE MORA. SELIC. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, tendo previsão legal sua cobrança com base na taxa SELIC, sendo que à esfera Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 administrativa não compete a análise da constitucionalidade de normas jurídicas. LANÇAMENTO REFLEXO. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Leonardo de Andrade Couto Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva LUcas Relator. (documento assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000184/200777 Acórdão n.º 1301000.485 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório do acórdão recorrido. Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima qualificada foi autuada e notificada, em 21/12/2007, a recolher crédito tributário no valor de R$ 17.505.367,82, relativo ao IRPJ, e CSLL referente a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2002. Conforme Termo de Constatação Fiscal — Parcial de fls. 516 a 527, a fiscalização teve por finalidade verificar a correta apuração dos preços de transferência nas operações de exportação com pessoas vinculadas nos anoscalendário de 2002 a 2005. Conforme relatado pelo autuante, no curso do procedimento de fiscalização o contribuinte foi intimado a apresentar diversos documentos bem como os demonstrativos utilizados para a apuração dos cálculos dos preços praticados e valores dos ajustes realizados, assim como o método para a determinação dos preços parâmetros, para todos os períodos sob análise. Em 03/08/2007, o contribuinte encaminhou CDROM contendo os demonstrativos solicitados e ao mesmo tempo informa ao autuante "que as operações de exportação realizadas para pessoa considerada vinculada, no anocalendário de 2002, não estão sujeitas ao arbitramento previsto no art. 14 da 1N SRF n' 293, de 2002, conforme indicam as anexas cópias da ficha 32 da DIPJ 2003,. (fl. 354). Ao final do documento encaminhado solicita prazo para apresentar informações que demonstrem a não sujeição das receitas de exportações realizadas no anocalendário de 2002 ao arbitramento disposto no art. 14 da IN SRF n°243/2002. O autuante prossegue na análise dos documentos enviados pelo contribuinte. Solicita em 06/11/2007, por meio do Termo de Intimação n° 3 cópia simples de Notas Fiscais, aleatoriamente selecionados, relativas aos anos de 2002 e 2003, com o objetivo de realizar mediante confrontação por amostragem, a verificação dos dados previamente entregues por meio óptico. A análise das Notas Fiscais apresentadas pelo contribuinte em 12/11/2007 e a solução das pendências verificadas só foram solucionadas em relação ao anocalendário de 2002 em 13/12/2007. Com base nos dados fornecidos pelo contribuinte, a fiscalização apurou preços parâmetros de todos os itens não dispensados pelo critério da margem de 90% (Artigo 14 da IN SRF 243/2002) pelo método CAP, que leva em consideração o custo das aquisições e da produção, acrescidos da margem de 15%, conforme disposto no artigo 26 da referida Instrução Normativa. A Fiscalização apurou, de acordo com os dados fornecidos e pelo método CAP, ao ajuste em relação aos produtos “Milho em Grão, Algodão Pluma, Poupa Laranja Pasteurizada Congelada, Álcool Etílico e Farelo Hipro 48, determinando os Preços Médio de Exportação, Preços Médio no Mercado Interno e 90% do Preço Médio Praticado no Mercado Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Interno, e com base nas quantidades totais adquiridas conclui os cálculos chegando a um total de AJUSTE APURADO PARA O ANO CALENDÁRIO DE 2002 de R$ 20.477.419,61, tudo demonstrado conforme tabelas de fls. 1683/1684. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9° do Decreto n ° 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: IRPJ (fls. 1215 a 1217), com base no artigo 19 da Lei n° 9.430/96 e artigo 240 do RIR/99, constituindo um crédito tributário no valor total R$ 12.871.594,02, referente ao imposto apurado, acrescido da multa de oficio de 75% e dos juros de mora calculados até 30/11/2007; CSLL (fls. 1220 a 1222), com base no artigo 2° e §§ da Lei n° 7.689/88; artigo 19 da Lei n° 9.249/95; artigo 1° da Lei n° 9.316/96; artigo 28 da Lei 9.430/96 e artigo 6° da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições, constituindo um credito tributário no valor total de R$ 4.633.733,80, referente à contribuição apurada, acrescida da multa de oficio de 75% e dos juros de mora calculados ate 30/11/2007. Cientificada do lançamento em 21/12/2007, a empresa interessada, por meio de seus procuradores regularmente constituídos (fls. 1255 e 1256), apresentou em 22/01/2008 a impugnação de fls. 1229 a 1252, acompanhada dos documentos às fls. 1253 a 1677, na qual alega, em síntese o seguinte: DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA O auto de Infração lavrado contra a Recorrente discorre sobre fatos ocorridos no períodobase de 2002, pretendendo realizar ajustes decorrentes da suposta aplicação dos métodos de preços de transferência. Contudo a Recorrente apura e recolhe o IRPJ e a CSLL de acordo com o regime do lucro real anual (com recolhimento mensal). Ou seja, os pagamentos são efetuados em bases mensais. Partindose desta premissa, temse que a presente autuação somente poderia se referir a fatos geradores ocorridos a partir de 21/12/2002(cinco anos antes da lavratura do auto de infração), não podendo atingir as operações realizadas antes deste período. O IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e por não ter havido falta de pagamento dos referidos tributos, a contagem do prazo, decadencial no presente caso devese pautar pelo disposto no artigo 150, § 4o., do CTN, e não pelo artigo 173, inciso I, do mesmo diploma. DO MÉRITO Não há qualquer irregularidade nos preços praticados pela Recorrente em suas transações realizadas com partes relacionadas no exterior, de forma que o presente Auto de Infração deve ser integralmente cancelado. As normas de preços de transferência devem ser aplicadas com parcimônia, em respeito ao contexto específico do mercado de atuação da empresa analisada e com extrema exatidão na análise das operações e dos valores que comporão o cálculo do "preço parâmetro". Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000184/200777 Acórdão n.º 1301000.485 S1C3T1 Fl. 3 5 O cálculo do "preço parâmetro" pode sofrer enormes distorções por um simples desvio de unidade de medida adotada ou pela consideração equivocada dos produtos "equivalentes" àquele analisado. O que se demonstra na presente impugnação é que os preços praticados pela Requerente observam de forma estrita à legislação de preços de transferência. De fato, pequenos ajustes nas planilhas encaminhadas pelas D. Autoridades Fiscais são capazes de demonstrar que não houve qualquer transferência de lucros nas transações realizadas pela Requerente com empresas relacionadas no exterior. Pelo contrário, as operações foram realizadas a valor de mercado, sem qualquer infração à legislação fiscal. Em resumo, esta autuação fiscal deve ser cancelada pelos seguintes motivos: (i) no que diz respeito ao Milho em Grãos e ao Algodão Pluma, a aplicação do Método do Preço de Venda por Atacado no País de Destino Diminuído do Lucro ("PVA") demonstra que os preços praticados pela Requerente encontramse dentro da margem admitida pela legislação de preços de transferência; (ii) para o caso do álcool etílico, o cálculo do preço parâmetro foi distorcido pela inclusão de transação complementar realizada no anocalendário de 2001; (iii) no caso do "Farelo Hipro 48", a D. Fiscalização considerou no custo de produção somente determinadas transações praticadas com o "Farelo Hipro", desconsiderando as demais transações com farelo de soja sem qualquer fundamento técnico; e (iv) por fim no caso da "Polpa de Laranja", não pode a D. Fiscalização arbitrar um preço de exportação para produto derivado de commodity negociada no mercado internacional, que sofre interferência de inúmeros outros fatores. DA MULTA E OS JUROS Muito embora a Requerente já tenha demonstrado de forma incontestável a inconsistência do crédito tributário exigido nestes autos, convém ressaltar que houve excesso na exigência de uma multa de oficio de 75% sobre o pretenso débito em questão, a qual deve ser reduzida a um percentual razoável. Não é justo que a Requerente seja apenada com tão excessiva multa de 75% do principal, cujo valor praticamente se equipara ao valor do tributo considerado devido pela Fiscalização. Na forma como foi aplicada, a multa configura urna situação abusiva, extorsiva, expropriatória, além de confiscatória e em total confronto com o artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. No que se refere aos juros de mora, cabe lembrar que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que aquela taxa não foi criada por lei para fins tributários. É o relatório. A seguir, por pertinente, transcrevo a ementa inserida no acórdão recorrido (DRJ/SPOI 1617.739): Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PRELIMINAR. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. RECOLHIMENTOS POR ESTIMATIVA. Em caso de apuração anual do imposto, considerase ocorrido o fato gerador no encerramento do ano calendário, em 31 de dezembro. A partir dessa data, e não da data dos recolhimentos antecipados, tem início a contagem do prazo para homologação do lançamento. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÃO. As receitas auferidas nas operações de exportação efetuadas com pessoa vinculada ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro. Lançamento exonerado em parte por falta de comprovação da necessidade do arbitramento. MÉTODOS DE APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. Não sendo indicado o método de apuração dos preços de transferência, os Auditores Fiscais encarregados da verificação poderão determiná los com base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos previstos na legislação. OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. MÉTODO CAP. Não logrando a contribuinte comprovar estar dispensada da apuração dos preços de transferência, mantémse a exigência, calculada nos termos da legislação vigente. MULTA. LANÇAMENTO DE OFICIO. O percentual da multa aplicada sobre os impostos e as contribuições apurados em lançamento de ofício é de 75% do valor do tributo. JUROS DE MORA. SELIC. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, tendo previsão legal sua cobrança com base na taxa SELIC, sendo que à esfera administrativa não compete a análise da constitucionalidade de normas jurídicas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Lançamento Procedente em Parte” É o relatório. Passo ao voto. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000184/200777 Acórdão n.º 1301000.485 S1C3T1 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Recurso tempestivo e assente em lei. De início cumpre ressaltar que a autoridade de primeiro grau manteve parcialmente os lançamentos, exonerando, no caso, o arbitramento com relação as operações realizadas com os produtos Polpa de Laranja Pasteurizada, (R$ 45.871,70), Álcool Etílico (R$ 2.095.499,66) e Farelo Hipro 48 (R$ 2.950.499,23), visto que a fiscalização arbitrou o ajuste sem demonstrar sua necessidade, conforme comanda o artigo 19 da Lei 9.430/96, pelo que recorre de ofício. O valor do crédito exonerado supera o limite que sujeita a decisão à revisão necessária. Conheço de ambos os recursos. Em primeiro plano cabe analisar o Recurso de Ofício. Neste particular tomo de empréstimo a síntese constante da bem fundamentada decisão recorrida: Conforme Termo de Constatação fiscal — Parcial de fls. 516 a 527, a interessada foi autuada, em decorrência da constatação de que os produtos Milho em Grãos, Algodão Pluma, Polpa de Laranja Pasteurizada, álcool etílico e Farelo Hipro 48, objeto de operações de exportação com pessoas vinculadas, estão sujeitos aos ajustes previstos na legislação dos preços de transferência. A autuação está fundamentada no artigo 19 da Lei 9.430/1996, reproduzido a seguir: Art. 19. As receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. § 1° Caso a pessoa jurídica não efetue operações de venda no mercado interno, a determinação dos preços médios a que se refere o caput será efetuada com dados de outras empresas que pratiquem a venda de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no mercado brasileiro. § 2o.Para efeito de comparação, o preço de venda: I no mercado brasileiro, deverá ser considerado líquido dos descontos incondicionais concedidos, do imposto sobre a circulação de mercadorias e serviços, do imposto sobre serviços e das contribuições para a seguridade social COFINS e para o PIS/PASEP; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 II nas exportações, será tomado pelo valor depois de diminuído dos encargos de frete e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa exportadora. § 3° Verificado que o preço de venda nas exportações é inferior ao limite de que trata este artigo, as receitas das vendas nas exportações serão determinadas tomandose por base o valor apurado segundo um dos seguintes métodos: I Método do Preço de Venda nas Exportações PVEx: definido como a média aritmética dos preços de venda nas exportações efetuadas pela própria empresa, para outros clientes, ou por outra exportadora • nacional de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, durante o mesmo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda e em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Venda por Atacado no Pais de Destino, Diminuído do Lucro PVA: definido como a média aritmética dos preços de venda de bens, idênticos ou similares, praticados no mercado atacadista do pais de destino, em condições de pagamento semelhantes, diminuídos dos tributos incluídos no preço, cobrados no referido país, e de margem de lucro de quinze por cento sobre o preço de venda no atacado; III Método do Preço de Venda a Varejo no País de Destino, Diminuído do Lucro PVV: definido como a média aritmética dos preços de venda de bens, idênticos ou similares, praticados no mercado varejista do pais de destino, em condições de pagamento semelhantes, diminuídos dos tributos incluídos no preço, cobrados no referido pais, e de margem de lucro de trinta por cento sobre o preço de venda no varejo; IV Método do Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro CAP: definido como a média aritmética dos preços de venda de bens, serviços ou direitos, exportados, acrescidos dos impostos e contribuições cobrados no Brasil e de margem de lucro de quinze por cento sobre a soma dos custos mais impostos e contribuições. § 4o. As médias aritméticas de que trata o parágrafo anterior serão calculadas em relação ao período de apuração da respectiva base de cálculo do imposto de renda da empresa brasileira. § 5o. Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado o menor dos valores apurados, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 6° Se o valor apurado segundo os métodos mencionados no § 3° for inferior aos preços de venda constantes dos documentos de exportação, prevalecerá o montante da receita reconhecida conforme os referidos documentos. § 7° A parcela das receitas, apurada segundo o disposto neste artigo, que exceder ao valor já apropriado na escrituração da empresa deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real, bem como ser computada na determinação do lucro presumido e do lucro arbitrado. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000184/200777 Acórdão n.º 1301000.485 S1C3T1 Fl. 5 9 § 8° Para efeito do disposto no § 3° somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. No caso em tela, no curso do procedimento de fiscalização, a interessada informou ao autuante que as operações de exportação realizadas para pessoa considerada vinculada, no anocalendário de 2002, não estão sujeitas ao arbitramento previsto no artigo 19 da Lei n° 9430/1996 (negritei) Solicita prazo, para demonstrar que as operações realizadas estão dentro do limite estabelecido na norma em tela. Não consta dos autos que a interessada tenha apresentado os citados demonstrativos ou que o autuante os tenha solicitado. Pelo contrário, o que se percebe pelos fatos relatados no Termo de Constatação é que o autuante efetuou os cálculos de adequação das operações efetuadas com base nos dados disponibilizados pelo contribuinte. Dito de outra forma, o autuante assumiu o ônus de comprovar a necessidade de arbitramento nas operações realizadas. Nesse sentido cumpre observar que no caso dos produtos Polpa de Laranja Pasteurizada, álcool etílico e Farelo Hipro 48, a fiscalização arbitrou o ajuste sem demonstrar sua necessidade. Com efeito, o autuante informa que não houve, para o período, venda dos produtos em tela no mercado interno. No entanto, não aplica ao caso o disposto no § 1° do artigo 19 da Lei n° 9.430/1996 o qual determina que: "Caso a pessoa jurídica não efetue operações de venda no mercado interno, a determinação dos preços médios a que se refere o caput será efetuada com dados de outras empresas que pratiquem a venda de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no mercado brasileiro" (destaque nosso). Destarte os ajustes apurados pela fiscalização para os produtos Polpa de Laranja Pasteurizada no valor de R$ 45.871,70; Álcool Etílico no valor de R$ 2.095.499,66; e Farelo Hipro 48 no valor de R$ 2.950.499,23 devem ser exonerados, por falta de comprovação de sua necessidade. Assim, em relação as alegações postas pela interessada cabe apenas analisar a pertinente ao Milho em Grãos e ao Algodão Pluma. Neste tópico, concluo por negar provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Para que não alegue qualquer omissão nesse julgamento, esse Relator passa a examinar pontualmente as alegações recursais, conforme pedido, fls. 1737/1738, a saber: (i) o presente Recurso Voluntário é tempestivo, devendo ser conhecido e processado regularmente; (ii) as regras de preços de transferência visam evitar a transferência indevida de resultado ao exterior, estabelecendo quatro métodos que o contribuinte pode adotar para comprovar a sua adequação e determinando que o contribuinte pode utilizar, dentre tais métodos, o que lhe for mais conveniente; (iii) no caso do milho e do algodão, a Recorrente utilizou o método PVA, que efetivamente suporta os preços praticados em suas operações. Isso, por si só, demonstra a inadequação da utilização do CAP pela Fiscalização; Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 (iv) além disso, diferentemente do que entendeu a D. Autoridade Julgadora de Primeira Instância, a documentação e os cálculos apresentados pela Recorrente nestes autos devem ser obrigatoriamente analisados, em obediência ao princípio do contraditório e da ampla defesa; (v) no caso do farelo de soja, da polpa de laranja e do álcool etílico andou bem a D. Autoridade Julgadora ao cancelar a exigência fiscal decorrente dos ajustes nos preços realizados pela D. Fiscalização; (vi) ad argumentandum a multa de oficio no valor de 75% da exigência mantida, é excessiva e extrapola os limites razoabilidade e da proporcionalidade, devendo ser reduzida; e (vii) a taxa SELIC não pode ser aplicada aos créditos tributários, uma vez que não foi criada por lei para fins tributários. De início, a recorrente em longa exposição tece comentários a respeito da questão relativa a preços de transferência na tentativa de demonstrar que os preços praticados nas exportações de Milho em Grãos e Algodão em Pluma, bem como, dos produtos cujos ajustes foram exonerados pela autoridade julgadora de primeira grau, observaram de forma estrita à legislação, pois, tais operações foram realizadas a valor de mercado. Afirma a recorrente “no que diz respeito ao Milho em Grãos e ao Algodão Pluma, a aplicação do Método do Preço de Venda Por Atacado no País de Destino Diminuído do Lucro ("PVA") demonstra que os preços praticados pela Recorrente encontramse dentro da margem admitida pela legislação de preços de transferência.” Eis a questão, durante o transcorrer da ação fiscal o contribuinte alega que tais operações de exportações não se encontravam sujeitas ao arbitramento previsto no já citado artigo 19 da Lei 9.430/1996, sem contudo apresentar quaisquer demonstrativo probatório (doc. de fls. 354). Importante salientar que não há nenhum ajuste relativo a matéria na DIPJ/2003 apresentada. As autoridades fiscais com base nos dados fornecidos pela própria autuada e exercendo o poder/dever que a legislação impõe, demonstra, então, a necessidade do ajuste previsto em lei, adotando para tal o Método do Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro (CAP). Neste contexto a IN/SRF 243/2002, assim dispõe: “Art. 40. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos AuditoresFiscais da Receita Federal (AFRF), encarregados da verificação: 1 a indicação do método por ela adotado; II a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro e, inclusive, para as dispensas de comprovação, de que tratam os arts. 35 e 36. Parágrafo Único Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II ou se apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, os AFRF encarregados da verificação poderão determinálo com base em outros documentos de que dispuserem, aplicando um dos métodos referidos nesta Instrução Normativa”. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000184/200777 Acórdão n.º 1301000.485 S1C3T1 Fl. 6 11 A recorrente combate, neste tópico, no seu entender, o fundamento invocado pela D. Autoridade Julgadora de primeira instância com base na citada Instrução Normativa, alegando “De fato, o artigo 40 pretendeu apenas estabelecer que caso o contribuinte não demonstre com documentação consistente o cálculo do preço parâmetro, a D. Fiscalização tem a faculdade de determinálo com outros documentos de que dispuserem. Não se trata aqui, de uma presunção absoluta de veracidade e consistência quanto aos ajustes realizados pela D. Fiscalização. Pelo contrário, tratase de dispositivo que estabelece procedimentos à atuação das DD Autoridades Fiscais, que estarão sujeitos a revisão e julgamento em um processo administrativo. Caso a interpretação da D. Autoridade Julgadora seja mantida, haverá verdadeira afronta a direitos constitucionalmente garantidos à Recorrente. Por esse motivo, requerse que o presente Recurso Voluntário e os documentos acostados aos autos sejam integralmente analisados, de forma que seja apreciado o cálculo do preço parâmetro realizado para as operações com Milho em Grãos e Algodão em Pluma.” Enfim, a recorrente afirma “O que se pretende demonstrar no presente Recurso Voluntário é que a aplicação do método PVA para as exportações de milho afastam de imediato qualquer ajuste de preços de transferência no presente caso”. Para tanto junta aos autos planilhas de cálculos comparativos e informações gerais sobre as exportações em foco. Destarte, neste item, resta claro, que durante o procedimento de fiscalização o contribuinte afirma que não estava sujeito ao arbitramento ora contestado. Portanto, acompanho a conclusão da autoridade a quo em manter o ajuste apurado pela fiscalização para os produtos Milho em Grãos e ao Algodão Pluma, visto que atendeu aos ditames do artigo 19 da Lei 9.430/1996 e IN/SRF 243/2002. Por pertinente, a mesma matéria tratada para os ano calendários de 2003 e 2004 (Processo 16561.000179/200845) e com relação aos mesmos produtos (Milho em Grãos e Algodão Pluma), no curso da ação fiscal houve a devida prova dos elementos que serviram de base para o cálculo do preçoparâmetro onde a autuada adotou o método PVA e, neste caso, as autoridades fiscais acataram por ser mais benéfico que o método CAP adotado na fiscalização. LANÇAMENTOS REFLEXOS Quanto ao lançamento decorrente da CSLL, por possuir os mesmos fundamentos fáticos da presente exigência, a decisão aqui prolatada faz coisa julgada em relação ao decorrente, em vista da íntima relação de causa e efeito que os une. A MULTA E OS JUROS Assim, constatada a falta de recolhimento de tributos, não poderia a Autoridade Administrativa, no caso a Fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse do dever de realizar o lançamento com os devidos consectários legais, inclusive a referida Multa de Ofício de 75%, eis que a atividade de lançamento é vinculada (artigo 142, parágrafo único, do CTN), observandose que tal multa está prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação pelo artigo 18 da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006: Fl. 11DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 “Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: 1 de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Nesta parte, mantenho a Multa de Oficio de 75% (setenta e cinco por cento), conforme consta no Auto de Infração. Por fim, com relação a inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa Selic cumpre ressaltar que a matéria encontrase sumulada no âmbito deste Conselho, vejamos as Súmulas 02 e 04: “Súmula CARF n° 2: Inconstitucionalidade – Incompetência. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” “Súmula CARF n 4: A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência. á taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” LANÇAMENTOS REFLEXOS Quanto ao lançamento decorrente da CSLL, por possuir os mesmos fundamentos fáticos da presente exigência, a decisão aqui prolatada faz coisa julgada em relação ao decorrente, em vista da íntima relação de causa e efeito que os une. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO aos recursos de ofício e voluntário. Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator (documento assinado digitalmente) Fl. 12DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000184/200777 Acórdão n.º 1301000.485 S1C3T1 Fl. 7 13 Fl. 13DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 11131.000229/2006-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 06/01/2006
CERTIFICADO DE ORIGEM. MERCOSUL. EXIGÊNCIAS.
É vedada a aceitação de certificado de origem em substituição a outros que já haviam sido apresentados perante a autoridade aduaneira, tendo em vista inobservância das condições do regime de origem sob perda do direito à alíquota preferencial. No caso, o erro cometido é de natureza material, e não formal, o que implica na impossibilidade de substituição de certificado. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3201-002.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, relatora, Cassio Schappo e Tatiana Josefovicz Belisário, que acompanhou a relatora apenas nas conclusões. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano D'amorim- Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 06/01/2006 CERTIFICADO DE ORIGEM. MERCOSUL. EXIGÊNCIAS. É vedada a aceitação de certificado de origem em substituição a outros que já haviam sido apresentados perante a autoridade aduaneira, tendo em vista inobservância das condições do regime de origem sob perda do direito à alíquota preferencial. No caso, o erro cometido é de natureza material, e não formal, o que implica na impossibilidade de substituição de certificado. Recurso a que se nega provimento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11131.000229/2006-79
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5572404
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3201-002.064
nome_arquivo_s : Decisao_11131000229200679.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 11131000229200679_5572404.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, relatora, Cassio Schappo e Tatiana Josefovicz Belisário, que acompanhou a relatora apenas nas conclusões. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D'amorim- Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
id : 6300189
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124781494272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2146; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 93 1 92 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11131.000229/200679 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.064 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2016 Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Recorrente M DIAS BRANCO S A INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/01/2006 CERTIFICADO DE ORIGEM. MERCOSUL. EXIGÊNCIAS. É vedada a aceitação de certificado de origem em substituição a outros que já haviam sido apresentados perante a autoridade aduaneira, tendo em vista inobservância das condições do regime de origem sob perda do direito à alíquota preferencial. No caso, o erro cometido é de natureza material, e não formal, o que implica na impossibilidade de substituição de certificado. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, relatora, Cassio Schappo e Tatiana Josefovicz Belisário, que acompanhou a relatora apenas nas conclusões. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza– Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D'amorim Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 00 02 29 /2 00 6- 79 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Referese o presente processo a auto de infração para a exigência Cofins incidente sobre as importações, em virtude da não aceitação do Certificado de Origem, devido ao mesmo não ter sido emitido no modelo aprovado pelo Regime de Origem do Mercosul. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 02/03/2006, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação, acrescido de multa de ofício e juros de mora, no valor de R$ 1.456.562,55 em virtude dos fatos a seguir descritos. Exigência de recolhimento da diferença de Imposto de Importação, com os devidos acréscimos legais, relativamente à Declaração de Importação n° 06/00246170, decorrentes da não aceitação do Certificado de Origem n° 312655, devido ao mesmo não ter sido emitido no modelo aprovado pelo Regime de Origem do Mercosul, e não apresentar informações essenciais, tais como classificação fiscal, regra de origem, valor da mercadoria, data da emissão do certificado e observação no campo 14 de que se trata de operação por conta e ordem do operador, bem como pela impossibilidade de sua substituição pelo Certificado n° 176883, e o não cabimento de sua retificação, por não conter o mesmo um erro formal de preenchimento. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 08/03/2006 (fls. 2), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 07/04/2006, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 72 à 78, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: DOS FATOS Tratase de Impugnação ao Auto de Infração n° 0317600/24618/06, referente à insuficiência de recolhimento da COFINSIMPORTAÇÃO decorrente da não aceitação de Certificado de Origem de mercadoria importada, pela impugnante, da Argentina, classificada, segundo a Nomenclatura Comum do Mercosul (“NCM”), com o código n°1507.10.00 “óleo de soja, em bruto, mesmo degomado”. A impugnante registrou em 06 de janeiro deste ano Declaração de Importação (“Dl”) n° 06/00246170, na modalidade antecipada, referente à importação da mercadoria supracitada, tendo posteriormente retificadoa por três ocasiões. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11131.000229/200679 Acórdão n.º 3201002.064 S3C2T1 Fl. 94 3 Em 17/01/2006, foi registrada a retificação n°. 01 da mencionada Declaração de Importação com o fim de alterar dados, tais como transportador, valores e quantidade, permanecendo, no entanto, sem alterações os dados relativos a preferências tarifárias derivadas de acordos. A retificação de n° 2 da Declaração de Importação, datada de 24/01/2006, teve o condão de alterar o número do Certificado de Origem da mercadoria importada, tendose feito constar o de n° 312655. Naquela oportunidade, retificouse também o fundamento legal em que se basearia a preferência tarifária de 100% (cem por cento) da alíquota do imposto de importação «má ,l que inicialmente foi embasado no Acordo da ALADI constante do ACE n° 59 (Decreto n° 5.361/05) e, posteriormente passouse a pleitear o tratamento preferencial contido o Decreto n°. 550/92, que determinou a execução no território nacional do Acordo de Complementação Econômica (“ACE”) n° 18, cujas alterações realizadas pelo 44º protocolo adicional foram incorporadas ao direito brasileiro pelo Direto n°. 5.455/05. Ora, o número que se fez constar na segunda retificação não se referia ao Certificado de Origem do Mercosul ao qual deveria fazer referência, e sim a outro Certificado de Origem emitido pela mesma entidade certificadora, que tinha como base o ACE n°. 59. Por esta razão, o Certificado n° 312655 não estava nos padrões estipulados pelo ACE n° 18 e seu 44° protocolo adicional. Desta forma, quando mudouse o fundamento jurídico do tratamento preferencial, é que foi juntado o único. Certificado de Origem do Mercosul referente à mercadoria objeto da Dl em questão, que é o de n° 176883, apresentado à autoridade alfandegária por ocasião da Retificação n° 03, datada de 03/02/2006. Entretanto, o Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF) recusou a terceira retificação, sob o fundamento de que na legislação aplicável “não se admite a substituição do certificado de origem”, o que serviu de sucedâneo para a lavratura do Auto de Infração contra o qual ora se insurge. Contudo, tal entendimento não deve prevalecer, por várias razões que passamos a expor. Inicialmente, notese que os dois certificados foram elaborados pelo exportador no mesmo dia (30/12/2005), evidenciando que têm propósitos absolutamente distintos; portanto, não se trata o presente pleito de substituição de certificado, mas da efetiva apresentação do certificado devido, concomitantemente ao pedido de retificação de seu número. O próprio Termo de Retenção lavrado pelo auditorfiscal em 08/02/2006 (Doc. 09) corrobora esse entendimento quando, ao Fl. 334DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 descrever os documentos retidos, trataos distintamente da seguinte forma: 1) Via original do Certificado de Origem n° 312655” e 2) Via original do Certificado de Origem do Mercosul n° 176883”. É oportuno frisar que, quanto ao aspecto da tempestividade da apresentação, o artigo 3o da IN/SRF n° 149, de 27/03/2002 , determina que a apresentação do certificado deverá se dar “ a qualquer momento em que seja solicitada": ora, a requerente apresentou o certificado sem que houvesse sido notificada para tanto, portanto, tempestivamente. E mais, ainda que se considere a hipótese de substituição do certificado, não havia qualquer impedimento normativo para tanto, uma vez que o segundo foi emitido em 02 de janeiro de 2006, antes, portanto, da apresentação do primeiro à autoridade aduaneira brasileira, que se deu apenas em 06 de janeiro de 2006, quando do registro da Dl. Assim autoriza a alínea “i” do item “A" do Anexo III do “Regime de Origem Mercosul”, anexo à Decisão n° 01/04 do Conselho do Mercado Comum, incorporada ao Acordo de Complementação Econômica n° 18 pelo Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional, cuja execução no território nacional foi determinada pelo Decreto n° 5.455/2005. Transcreve a referida alínea. Entretanto, caso se entenda de forma diversa, o que se admite apenas pelo dever de argumentar, importa registrar que o primeiro certificado anexado à Declaração de Importação em questão, não se enquadra em nenhuma hipótese de desqualificação prevista no artigo 10 e respectivos incisos da já citada IN/SRF n° 149. Transcreve o artigo 10 da IN/SRF n° 149/02. Não se enquadrando o certificado nas hipóteses de desqualificação, a autoridade alfandegária deveria ter inaugurado a oportunidade de retificação do certificado, nos termos do artigo 8° da mesma norma fiscal. Neste sentido, a alínea “e” do item “A” do Anexo III do “Regime de Origem do Mercosul”. E mais, para que não haja dúvida sobre a possibilidade de retificação do primeiro certificado de origem, a alínea “e" do item “A" do Anexo IV do mesmo “Regime de Origem Mercosul” e o § 1o do artigo 8o da lN/SRF n° 149. Ora, é indubitável que no certificado anexado originalmente aos documentos que instruem a Dl referenciada alhures não há qualquer falha que modifique a origem da mercadoria, a qual, claramente, provém da República da Argentina, sendo, portanto, passível de retificação nos termos do Acordo Internacional em questão e da normal fiscal brasileira. Importa salientar, por oportuno, que os dois certificados foram emitidos pela Câmara Argentina de Comércio, entidade Fl. 335DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11131.000229/200679 Acórdão n.º 3201002.064 S3C2T1 Fl. 95 5 autorizada a emitir e retificar tais certificados no âmbito do Mercosul, razão pela qual prestase o segundo documento como retificador daquele juntado anteriormente. Mas, caso se entenda que o segundo certificado não se presta a retificar o primeiro, a impugnante deverá, como era para ter ocorrido, ser notificada pela autoridade aduaneira para que tenha a oportunidade de retificar o certificado em questão, conforme estabelece a mesma a alínea “e" do item “A" do Anexo IV do “Regime de Origem Mercosul". Transcreve a referida alínea. A nota de retificação correspondente deverá ser apresentada perante a administração aduaneira pelo declarante no prazo de trinta (30) dias, contados a partir da data de sua notificação’. _Tal procedimento está expresso de forma ainda mais clara nos parágrafos do multicitado artigo 8° da IN/SRF 149. Transcreve o artigo 8º da IN/SRF n° 149/02. Somente em caso de não ser fornecida em tempo e forma a retificação requerida, “...será dispensado tratamento aduaneiro e tarifário que corresponda à mercadoria extrazona, sem prejuízo das sanções estabelecidas a legislação vigente em cada Estado Parte” (texto integrante da alínea “e" do item “A” do Anexo IV do “Regime de Origem Mercosul”, correspondente ao § 7o do artigo 8o da IN/SRF n° 149). Esse é o entendimento de diversas Delegacias da Receita Federal de Julgamento, a exemplo do Acórdão a seguir transcrito, proferido pela 1a Turma da Delegacia em Florianópolis—SC. Junta textos da jurisprudência administrativa e judicial. À vista de todo exposto, podemos concluir que a autoridade alfandegária deveria, ao invés de lavrar o auto de infração ora impugnado: 1. ter acatado a retificação do número do certificado de origem da mercadoria que se fez constar na Dl n° 06/00246170, aceitando o original p referido certificado n° 176883 para fins de comprovação da origem da mercadoria e, portanto, concedendo o tratamento tributário preferencial; 2. caso tivesse entendido de forma diversa, ainda assim deveria ter recebido o certificado n° 176883 em substituição ao que instruiu originalmente a Dl, nos termos da alínea “i” do item “A” do Anexo III do “Regime de Origem Mercosul”, anexo à Decisão n° 01/04 do Conselho do Mercado Comum, incorporada ao Acordo de Complementação Econômica n° 18 pelo Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional, cuja execução no Fl. 336DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 território A nacional foi determinado pelo Decreto n° 5.455/2005; 3. e mais, mesmo entendendo incabível a substituição pretendida, deveria autoridade ter recebido o certificado n° 176883 como retificação do que instruiu a DI, nos termos das alíneas “e" do item "A" dos Anexos III e IV do “Regime de Origem Mercosul” e no artigo 8o da IN/SRF n° 149; ou 4. e, mesmo na hipótese de entender incabíveis os procedimentos anteriormente sugeridos, o procedimento a ser observado pela autoridade, antes de lavrar o auto de infração, deveria ser o de emitir Termo de Constatação indicando os motivos pelos quais o certificado apresentado originalmente não resultava aceitável, para sua retificação, no prazo de trinta (30) dias, nos termos da alínea “e” do item “A" do Anexo IV do “Regime de Origem Mercosul” e dos §§ 2o a 7o do artigo 8o da IN/SRF n° 149. Desta forma, requerse que a presente impugnação seja conhecida e provida a fim de que seja julgado insubsistente o auto ora impugnado e reconhecido o direito da autuada ao tratamento tributário preferencial para o fim de, assim decidido, cancelarse o débito fiscal reclamado objeto da autuação. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 06/01/2006 Exigência de recolhimento da diferença da COFINS Importação* com os devidos acréscimos legais, decorrente da não aceitação do Certificado de Origem, devido ao mesmo não ter sido emitido no modelo aprovado pelo Regime de Origem do Mercosul, e não apresentar informações essenciais. É vedada a aceitação de certificado de origem em substituição a outros que já haviam sido apresentados perante a autoridade aduaneira. O erro cometido é de natureza material, o que implica também na impossibilidade de substituição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido *(sic) Na decisão recorrida, em síntese, entendeuse que: i. não ocorreu um erro de preenchimento do certificado, ou erro formal, e sim a apresentação do certificado de origem n° 312655, elaborado em modelo completamente distinto do previsto no Anexo II do Regime de Origem MERCOSUL; Fl. 337DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11131.000229/200679 Acórdão n.º 3201002.064 S3C2T1 Fl. 96 7 ii. os procedimentos previstos nas alíneas e), do item A, dos Anexos III e IV do Regime de Origem MERCOSUL implicam na emissão de uma nota de retificação por parte da entidade habilitada, e não a emissão de um novo certificado de origem; .. iii. a alínea e), do item A, do Anexo IV do Regime de Origem MERCOSUL, bem como do art. 8o da IN SRF n° 149/2002, prescrevem procedimentos para a retificação de erros formais no certificado de origem; iv. a apresentação do certificado n° 312655 atrelado à a Declaração de Importação n° 06/00246170, registrada em 06/01/2006, impede a sua posterior substituição pelo de número 176883, por força da alínea g), do item A, do anexo IV, anexo este que trata das instruções para o controle de certificados de origem do MERCOSUL por parte das administrações aduaneiras; v. o erro formal sempre diz respeito à formalidades inerentes ao próprio documento, jamais sua substituição por outro documento, ainda mais de especificidade distinta, pois o Certificado de Origem n° 312655 tem como base o ACE n°. 59 e o Certificado de Origem n° 176883 tem como base o ACE n° 18 e seu 44° protocolo adicional; vi. ocorreu, no caso em tela, erro de natureza material, o que implica na inaplicabilidade do art. 8o da IN SRF n° 149/2002. No recurso voluntário apresentado, foram reiterados os argumentos aduzidos na peça de impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o presente auto de infração veicula a exigência do imposto de importação, supostamente de origem argentina, em virtude da substituição do certificado de origem original. Nesse contexto, desamparada a operação de importação do respectivo certificado de origem, a Recorrente teria deixado de fazer us à preferência tarifária de 100% a título de imposto de importação, o que teria gerado as diferenças nas contribuições sociais. A Recorrente afirma que o caso dos autos é de erro formal e retificação de certificado de origem original, ao passo que a fiscalização afirma que houve substituição. A questão que se põe, é se deve se sobrepor a Verdade Material quanto à origem da mercadoria importada, uma vez que esta não foi questionada, tendo sido negado o Fl. 338DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 8 benefício da preferência tarifária sob o fundamento da impossibilidade de substituição de certificado de origem. Destarte, conforme se depreende dos autos, a fiscalização apega se,especialmente, no fato de que os certificados de origem (fls. 35 e 36), possuem numeração distintas, ambos emitidos na mesma data e possuindo distintos fundamentos jurídicos. Por conseguinte, o caso concreto enquadrarseia no na alínea ´g´, do item A , do Anexo IV do Regime de Origem Mercosul, segundo o qual: g) Não serão aceitos Certificados de Origem em substituição a outros que já hajam sido apresentados perante a autoridade aduaneira. No mesmo sentido, o art.11 da INSRF 149/2002. Não obstante, ao se analisar ambos os certificados de origem, 312655 e 176883, vêse que ambos se referem à mesma fatura comercial, à mesma descrição de mercadoria, sendo os dois emitidos pela Camara Argentina de Comercio. A circunstância de ambos os certificados referirems à mesma mercadoria, e a sua origem argentina, em nenhum momento foi questionado pelas autoridades competentes tendo sim, sido questionada a omissão quanto à observância do rito de retificação da certificação de origem. Ao se sopesar os vetores envolvidos no caso, quais sejam, a necessidade de observância da forma prescrita nas normas, uma vez que não existe o Direito sem a forma, ao lado da Verdade Material, princípio conformador do processo administrativo fiscal, optase pr este último, na busca de se alcançar a legalidade da tributação. Sobre o tema da Verdade Material aplicada ao tema da certificação de origem, aliás, a jurisprudência administrativa é remansosa, como se depreende: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 16/07/2001 CERTIFICADO DE ORIGEM. REDUÇÃO Apresentadas as razões de fato e de direito que justifiquem eventual erro formal na divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no Acordo do Mercosul. (Acórdão nº 9303001.812– 3ª Turma) Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Voto Vencedor Fl. 339DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11131.000229/200679 Acórdão n.º 3201002.064 S3C2T1 Fl. 97 9 Trata de importação através da Declaração de ImportaçãoDl de n° 06/00246170, registrada em 06.01.2006, referente à mercadoria classificada no código NCM 1507.10.00 óleo de soja, em bruto, mesmo degomado, com solicitação de pedido de tratamento tributário preferencial de 100% da alíquota do imposto de importaçãoII, nos termos do Decreto 5.361/05, com indicação na ficha "básicas" da DIo Certificado de Origem de n° 311116. A primeira instância listou as seguintes ocorrências extraídas do Auto de Infração: Foram adotadas as seguintes ações em relação à Declaração de Importação n° 06/00246170, registrada em 06/01/2006: 1. Na data de 17.01.2006, foi registrada a retificação n° 01 da DI, na qual não foram alterados dados relativos a preferências tarifárias derivadas de acordos comerciais e nem o n° do certificado de origem; 2. Na data de 24.01.2006, é registrada a retificação n° 02 da DI, em que foi alterado o n° do Certificado de Origem para 312655, conforme consta da ficha "Básicas" da DI. A ficha "Dados Complementares" passa a conter pedido de preferência de 100% da alíquota do imposto de importação nos termos do Decreto 550/92. Na ficha "Tributos" da adição 001 da referida DI, o Acordo da ALADI foi alterado do Acordo de Complementação Econômica (ACE) n° 59, para o ACE n° 18 – MERCOSUL; 3. Na data de 01.02.2006, o AFRF responsável pelo respectivo despacho aduaneiro efetua exigência no Siscomex, informando que o Certificado de Origem apresentado, de n° 312655, não deve ser aceito para fins de concessão de tratamento tarifário preferencial, devido ao mesmo não ter sido emitido no modelo aprovado pelo Regime de Origem do Mercosul, e não apresentar informações essenciais, tais como classificação fiscal, regra de origem, valor da mercadoria, data da emissão do certificado e observação no campo 14 de que se trata de operação por conta e ordem do operador; Na data de 03.02.2006, é registrada a retificação n° 03 da Dl, na qual é acrescentado à Ficha "Básicas" da DI, o Certificado de Origem n° 176883. Na ficha "Dados Complementares", é acrescentada a informação de que a retificação foi elaborada para apresentação do Certificado de Origem do Mercosul que conferiria à mercadoria a preferência de 100% sobre a alíquota do imposto de importação; 5. Na data de 06.02.2006, em vista da apresentação do novo Certificado de Origem, a fiscalização efetuou registro de exigência no Siscomex, informando que já havia sido apresentado o Certificado de Origem n° 312655, o qual não havia sido aceito, conforme a alinea g), do item A, do anexo IV, do Regime de Origem do MERCOSUL, onde não se admite a substituição de certificado de origem, pelo que o AFRF informou Fl. 340DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 10 permanecer mantida a exigência anterior de recolhimento de imposto de importação, e das diferenças de PIS e COFINS, com os respectivos acréscimos legais. O importador protocolou o processo 11131.000177/200631, em 16.02.2006, onde requereu: que fosse acatada a retificação do número do certificado de origem da mercadoria, aceitando o original do referido certificado n° 176883, para fins de tratamento tributário preferencial, ou; .......... Relatadas as fases acima, observase a ocorrência da apresentação de um novo certificado, em substituição ao anterior, o qual não havia sido aceito para fins de tratamento tributário preferencial. A alínea i), do item A, do Anexo III do Regime de Origem Mercosul dispõe: A Entidade habilitada poderá emitir um novo certificado em substituição ao anterior, no caso em que o mesmo tenha sido emitido mas não apresentado à Administração Aduaneira correspondente dentro dos prazo estipulados para efeito, isto é 60 dias consecutivos a partir da data de emissão da fatura comercial. Caso se proceda desta forma, a Entidade habilitada deverá deixar atestada esta substituição somente em seus respectivos registros. Assim como, os regramentos das alíneas e), do item A, dos Anexos III e IV do Regime de Origem MERCOSUL dispõem na emissão de uma nota de retificação por parte da entidade habilitada, e não a emissão de um novo Certificado de origem, como pretende o recorrente, uma vez que o mesmo solicita que o segundo certificado seja recebido como retificação do primeiro. O Anexo III do Regime de Origem MERCOSUL que trata das instruções das entidades habilitadas à emissão de certificados de origem, e não obstante o Anexo III permitir à entidade habilitada a emissão de novo certificado não se pode confrontar a regra da alínea g), do item, A do anexo IV, do Regime de Origem do MERCOSUL que veda a aceitação de certificado de origem em substituição a outros que já haviam sido apresentados perante à autoridade aduaneira, como é o caso. Então, houve a apresentação do certificado n° 312655 vinculado à a Declaração de ImportaçãoDI de n° 06/00246170, registrada em 06/01/2006. Logo, não se pode aceitar a sua posterior substituição pelo de número 176883, por força da alínea g), do item A, do anexo IV, anexo este que trata das instruções para o controle de certificados de origem do MERCOSUL por parte das administrações aduaneiras,; enfim, são regramentos que devem ser obedecidos. Não se pode simplesmente, aceitar argumentos, de mero erro formal na emissão do certificado de origem de n° 312655, tendo em vista a alínea e), do item A, do Anexo IV do Regime de Origem do MERCOSUL, bem como do art. 8° da IN SRF n° 149/2002, preverem procedimentos para a retificação de erros formais no certificado de origem. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11131.000229/200679 Acórdão n.º 3201002.064 S3C2T1 Fl. 98 11 O erro formal consiste em formalidades inerentes ao próprio documento em si e não, sua substituição por outro documento. Erros formais são aqueles relacionados ao preenchimento do formulário, desde que não modifiquem ou afetem a qualificação de origem da mercadoria. No caso, temse que o Certificado de Origem de n° 312655 tem como base o ACE n° 59; já o Certificado de Origem de n° 176883 tem como base o ACE n° 18 e seu 44° protocolo adicional. Concluindo, pois, o erro é de natureza material e não formal, provocando na inaplicabilidade do art. 8° da IN SRF n° 149/2002. Conclusão Destarte, a ação fiscal é motivada através da Declaração de Importação n° 06/00246170, instruída originalmente com o Certificado de Origem n° 312655 e o mesmo não apresenta informações essenciais tais como classificação fiscal, regra de origem, valor da mercadoria, data da emissão do certificado e observação no campo 14 de que se trata de operação por conta e ordem do operador – e a substituição deste certificado não é possível, por conta dos condicionantes previstos no Regime de Origem do Mercosul. A apresentação do certificado de origem n° 312655 foi elaborado em modelo completamente distinto do previsto no Anexo II do Regime de Origem Mercosul. Além disso, os procedimentos previstos nas alíneas "e" do item A dos Anexos III e IV do Regime de Origem Mercosul implicam na emissão de uma nota de retificação por parte da entidade habilitada, e não a emissão de um novo certificado de origem, como pretende o recorrente, uma vez que o mesmo solicita que o segundo certificado seja recebido como retificação do primeiro, o que não é aceitável, pelos motivos acima. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Declaração de Voto Fl. 342DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 12 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720851/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006
AUTO DE INFRAÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA EM EMPRESA DO PAÍS. CONTRIBUINTE DOMICILIADO NO EXTERIOR. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL SOMENTE EM MOEDA ESTRANGEIRA. INOBSERVÂNCIA DAS NORMAS DE REGÊNCIA PELO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO.
Correta a aplicação de duas formas de atualização do custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital de domiciliados no Exterior, quando, na alienação de participação societária, restar comprovado que somente parcela do investimento alienado foi adquirida em moeda estrangeira e está devidamente registrada no BACEN, sendo, assim, passível de correção cambial. À parcela adquirida em moeda nacional aplicável tão somente a correção monetária até 31/12/95.
CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. REINVESTIMENTO. ADIÇÃO DA CORREÇÃO MONETÁRIA DO CAPITAL REALIZADO. GLOSA.
De se rejeitar a inclusão, no custo do investimento, dos valores capitalizados por ocasião da incorporação da reserva de correção monetária do capital realizado, por constituírem estes últimos expressão de variação do poder de compra da moeda, já concedida ao alienante através da atualização monetária do custo de aquisição, na forma da legislação em vigor.
EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA. INOCORRÊNCIA.
Improcedente a insurgência contra a exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício, quando, no Auto de Infração, tais encargos incidem apenas sobre o tributo, não sobre a penalidade.
Numero da decisão: 2201-002.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: Alexandre Naoki Nishioka
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA EM EMPRESA DO PAÍS. CONTRIBUINTE DOMICILIADO NO EXTERIOR. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL SOMENTE EM MOEDA ESTRANGEIRA. INOBSERVÂNCIA DAS NORMAS DE REGÊNCIA PELO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. Correta a aplicação de duas formas de atualização do custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital de domiciliados no Exterior, quando, na alienação de participação societária, restar comprovado que somente parcela do investimento alienado foi adquirida em moeda estrangeira e está devidamente registrada no BACEN, sendo, assim, passível de correção cambial. À parcela adquirida em moeda nacional aplicável tão somente a correção monetária até 31/12/95. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. REINVESTIMENTO. ADIÇÃO DA CORREÇÃO MONETÁRIA DO CAPITAL REALIZADO. GLOSA. De se rejeitar a inclusão, no custo do investimento, dos valores capitalizados por ocasião da incorporação da reserva de correção monetária do capital realizado, por constituírem estes últimos expressão de variação do poder de compra da moeda, já concedida ao alienante através da atualização monetária do custo de aquisição, na forma da legislação em vigor. EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA. INOCORRÊNCIA. Improcedente a insurgência contra a exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício, quando, no Auto de Infração, tais encargos incidem apenas sobre o tributo, não sobre a penalidade.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16327.720851/2011-91
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5569975
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-002.765
nome_arquivo_s : Decisao_16327720851201191.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : Alexandre Naoki Nishioka
nome_arquivo_pdf_s : 16327720851201191_5569975.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6290800
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124789882880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2265; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 970 1 969 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720851/201191 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.765 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria IRRF Recorrente ITAÚ UNIBANCO HOLDING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA EM EMPRESA DO PAÍS. CONTRIBUINTE DOMICILIADO NO EXTERIOR. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL SOMENTE EM MOEDA ESTRANGEIRA. INOBSERVÂNCIA DAS NORMAS DE REGÊNCIA PELO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. Correta a aplicação de duas formas de atualização do custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital de domiciliados no Exterior, quando, na alienação de participação societária, restar comprovado que somente parcela do investimento alienado foi adquirida em moeda estrangeira e está devidamente registrada no BACEN, sendo, assim, passível de correção cambial. À parcela adquirida em moeda nacional aplicável tão somente a correção monetária até 31/12/95. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. REINVESTIMENTO. ADIÇÃO DA CORREÇÃO MONETÁRIA DO CAPITAL REALIZADO. GLOSA. De se rejeitar a inclusão, no custo do investimento, dos valores capitalizados por ocasião da incorporação da reserva de correção monetária do capital realizado, por constituírem estes últimos expressão de variação do poder de compra da moeda, já concedida ao alienante através da atualização monetária do custo de aquisição, na forma da legislação em vigor. EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA. INOCORRÊNCIA. Improcedente a insurgência contra a exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício, quando, no Auto de Infração, tais encargos incidem apenas sobre o tributo, não sobre a penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 08 51 /2 01 1- 91 Fl. 974DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 971 2 ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Relatório Tratase de lançamento de Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 43.801.694,36, os quais, quando acrescidos de juros de mora e multa de ofício, perfaziam à época do lançamento, um valor devido de R$ 99.219.598,06. A constituição do crédito em questão se deu no âmbito de ação fiscal realizada posteriormente a procedimento de diligência (efls. 88 a 745), onde se buscou esclarecer os efeitos tributários oriundos da aquisição, pela recorrente, das operações do Bank Boston na América Latina. Verificada que, no Brasil, a aquisição, pela recorrente, das ações do BankBoston Banco Múltiplo S.A. (doravante “BKB”) e da Libero Trading S.A. (doravante “Libero), houvera se dado através da incorporação de ações prevista no art. 252 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e de posse do dossiê referente à aquisição, de efls. 103 a 678, atevese o termo de início de fiscalização (efls. 04 e 05), mais especificamente, aos demonstrativos constantes de efls. 57 e 242, detalhados pelo contribuinte através de elementos de efls. 58 a 63. Ali. se encontra discriminada a composição do custo de aquisição de USD 1.136.549.188,93, utilizado a fim de que, consoante art. 26 da Lei no. 10.833, de 29 de dezembro de 2003, fosse calculado o montante a ser retido e recolhido pelo recorrente, na condição de adquirenteresponsável, decorrente do ganho de capital apurado no país pelo alienante, acionistacontrolador domiciliado no exterior (Bank of America Corporation, atuando através de sua subsidiária Boston World Corporation), da seguinte forma: Fl. 975DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 972 3 DESCRIÇÃO VALOR EM USD (CUSTO CONFORME CONTRIBUINTE) Fls. 57 e 242 VALOR EM R$ (CUSTO CONFORME CONTRIBUINTE) Fls. 58 a 63 Total de aumentos de capital em dinheiro anteriores a 2004 424.336.604,41 584.278.584,03 Total dos aumentos de capital por incorporação de lucros acumulados 127.976,89 206.255,40 Total dos aumentos de capital por incorporação de juros sobre o capital próprio 40.957.781,98 110.500.000,00 Total dos aumentos de capital por incorporação da Boston Administração e Empreendimentos Ltda. 17.410.235,80 52.603.323,71 Total dos aumentos de capital por incorporação de reservas 442.532.642,49 1.151.688.908,97 Total de aumentos de capital em dinheiro posteriores a 2004 211.183.947,36 460.870.931,80 TOTAL DE CUSTO 1.136.549.188,93 2.360.148.003,91 Apurado o mencionado custo e considerando que as ações do adquirente entregues em contrapartida pelas ações adquiridas do BKB e da Libero foram avaliadas em R$ 4.581.120.000,00, o referido ganho foi calculado em USD 997.380.380,66, conforme claramente explicitado agora em demonstrativo de efl. 692, resultando no DARF de R$ 321.176.430,18 de efl. 693). Todavia, uma vez constatado, pela autoridade autuante, a partir dos elementos acima, que o custo de aquisição utilizado para fins de apuração do ganho de capital em questão havia sido determinado em Dólares dos Estados Unidos da América (e não em Reais), buscouse, na forma do item “2” da intimação de efls. 46/47, justificativa para tal fato, solicitandose, na mesma intimação, a memória de cálculo acerca do referido custo (item “1”). Ofertou, a propósito, a autuada os esclarecimentos de efls. 50 a 52, onde afirmou que havia adotado o cálculo do ganho de capital em moeda estrangeira pelo fato dos custos de aquisição (aqui inclusos investimentos e reinvestimentos) haverem “sido consolidados, originalmente, em moeda estrangeira, conforme disciplina o art. 3o. da Lei no. 4.131, de 03 de setembro de 1962, que dispõe sobre registro de capitais estrangeiros no Brasil”, afirmando, ainda, que “A moeda estrangeira é condição indispensável para os exercícios cambiais do investidor estrangeiro e para o retorno do capital ao exterior”. Informou, ainda, que, até 2004, ainda que os aumentos de capital ocorridos no BKB tivessem sido quase em sua totalidade subscritos pela empresa nacional Boston Administração e Empreendimentos Ltda., tal empresa interpunhase entre o investidor estrangeiro e o BKB, sendo que, quando da incorporação desta ultima investidora nacional pelo BKB em 2004, o procedimento adotado foi o de transferência dos valores em dólares registrados no Certificado de Registro de Investimento para a sociedade então incorporadora (BKB). Fl. 976DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 973 4 Finalmente, intimouse o contribuinte, na forma de termo de intimação de e fls. 55 e 56, para que confirmasse e comprovasse se as parcelas do custo de aquisição designadas como aumento de capital em dinheiro e aumentos de capital posteriores a 2004 haviam provindo do exterior e se haviam sido registradas no BACEN, tendo o contribuinte logrado êxito em demonstrar que se originavam do exterior, com o devido registro junto àquela autarquia, somente a última série de aumentos, mais especificamente realizados após 2004 (vide efls. 72 a 76 e 81). Já na forma de Termo de Verificação de efls. 753 a 775, verificou a autoridade autuante que, quando do cálculo do referido custo de aquisição na forma de demonstrativo de efls. 58 a 63, todas as parcelas oriundas de investimentos e reinvestimentos eram convertidas em dólares americanos, utilizandose da taxa BACEN PTAX 800 para a data em que ocorreu a incorporação ao capital social, sendo de se interpretar, assim, que o fiscalizado, ao mencionar que calculara o custo de aquisição em dólares americanos, por ser a moeda estrangeira “condição indispensável para os exercícios cambiais do investidor estrangeiro e para o retorno do capital ao exterior”, indicava que todos os investimentos e reinvestimentos que deram origem aos aumentos listados em demonstrativos de efl. 58 a 63, haviam se concretizado com recursos de fora do Brasil, o que “geraria o direito a uma correção cambial daqueles valores para efeitos do ganho de capital”. Rejeitou a autoridade fiscal a aceitação de tal tese, baseada nas seguintes evidências, a saber: a) Alguns dos recursos que deram origem aos aumentos de capital em questão, na forma do quadro anteriormente reproduzido, provieram de aumentos de capital de origem interna (incorporação de juros sobre o capital próprio, reservas e lucros acumulados), descartada assim sua origem no exterior; b) Para os demais recursos com possível origem no exterior, só restou devidamente comprovada a origem, através de Registro de Investimento no Banco Central no Brasil (prova que possibilitaria a utilização da parcela em moeda estrangeira para fins do cômputo do custo de aquisição, consoante Portaria MF no. 550, de 11 de março de 1994), de três aumentos de capital, respectivamente datados de 16/05/2006, 19/05/2006 e 01/06/2006, perfazendo estes três aumentos o montante de USD 211.183.947,36 (efls 71 a 76 e 646 a 678), que corresponderiam a R$ 460.870.931,80 do total de custo calculado pelo autuado, na forma também anteriormente demonstrada. Ainda, após ajustar o valor em reais referente ao aumento ocorrido em 28/04/1995 (para o qual a planilha de efl. 62, por um lapso, não utilizou o índice constante da IN 208/02 de 0,8521), de R$ 103.104.375,30 para R$ 121.000.323,08, a autoridade autuante segregou o montante proveniente de aumento de reservas (que com o ajuste passaria de R$ 1.151.688.908,97 para R$ 1.169.584.856,85) em dois grupos, da seguinte forma (efl. 760): a) Aumentos provenientes de Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado: R$ 222.462.409,24 b) Aumentos provenientes de outras Reservas : R$ 947.122.447,58 A propósito, após digressão acerca da função do instituto da correção monetária, sua aplicação em sede de demonstrações financeiras e à conta Capital Social e, ainda, acerca da devida classificação contábil da conta de Reserva de Correção Monetária do Fl. 977DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 974 5 Capital no próprio grupo Capital Social, (e não no grupo de Reservas de Capital), expressa a Fiscalização seu entendimento, no sentido de que não faria sentido considerar, no custo de aquisição, os aumentos de capital efetuados com a conta de Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado, uma vez que, ao considerar os mesmos, o fiscalizado estaria incorrendo em dupla correção dos montantes. Sustentou também que, consoante art. 18 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, arts. 682 e 685, inciso I do Decreto no.3.000, de 26 de março de 1999 e arts. 26 e 27 da IN RFB no 208, de 2002, há a aplicação, aos domiciliados no exterior, das mesmas regras aplicáveis ás pessoas físicas residentes no Brasil para fins de apuração e tributação de ganhos de capital auferidos, sendo claro, com fulcro no art. 26,§ 2o. da referida Instrução Normativa e cuja base legal é o art. 17 da mesma Lei no 9.249, de 1995, que a apuração do ganho de capital para domiciliado no exterior deva ser feita em reais, permitindose somente a atualização monetária pela UFIR para bens adquiridos até 31/12/95. Ressalva o autuante somente a hipótese do ganho de capital decorrente de bens ou direitos originalmente adquiridos em moeda estrangeira (§ 5o. do art. 24 da Medida Provisória no. 215835, de 2001), para os quais se permitiria a apuração em moeda estrangeira, mencionando, porém, que, para que isto seja possível, há que se provar que os recursos utilizados na aquisição vieram do exterior. Entende que, no caso em questão, consoante disposto pela Portaria MF no. 550, de 03 de novembro de 1994, em seu art. 2o., § 2o., tal prova seria realizada pelo Certificado de Registro de Investimento Estrangeiro no Banco Central do Brasil. Assim, entendeu que somente era de se admitir a correção cambial efetuada pelo adquirente, para fins de apuração do ganho de capital em questão, para os aumentos de capital em dinheiro posteriores a 2004, visto que devidamente documentados por Registros de Investimento, na forma de demonstrativos de fls. 72 a 76. Para os demais valores que compuseram o custo de aquisição, entendeu que era de se aplicar o critério do art. 26 § 2o. da IN SRF no. 208, de 2002, qual seja, correção pelos índices constantes da referida IN para aumentos ocorridos até 1995 e valores históricos para os demais, não considerando porém, na apuração do custo, os valores oriundos de aumentos de capital utilizando a reserva de correção monetária de capital nem o valor de Cr$ 1.000.000,00 referente ao aumento ocorrido em 25.07.1973, pela ausência de provas quanto a este último (e fls. 307312). Assim, o valor do custo de aquisição calculado pela autoridade autuante pode ser decomposto nas seguintes parcelas: a) Aumentos de capital em dinheiro anteriores a 2004: utilização dos valores em reais informados pelo contribuinte, expurgandose o aumento de 25.07.1973 = R$ 584.278.584,03 – R$ 147.805,83 = R$ 584.130.778,20; b) Aumentos de capital por incorporação de lucros acumulados: utilização dos valores em reais informados pelo contribuinte = R$ 206.255,40; c) Aumentos de capital por incorporação de juros sobre o capital próprio: utilização dos valores em reais informados pelo contribuinte = R$ 110.500.000,00; Fl. 978DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 975 6 d) Aumentos de capital por incorporação de Boston Adm. e Part. Ltda.: utilização dos valores em reais informados pelo contribuinte = R$ 52.603.323,71; e) Aumentos de capital por incorporação de reservas: utilização dos valores em reais informados pelo contribuinte, com ajuste para o aumento ocorrido em 28/04/1995, não se considerando, porém, aumentos oriundos da capitalização da Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado = R$ 1.169.584.856,85 (valor ajustado) – R$ 222.462.409,24 (efl. 760) = R$ 947.122.447,51; f) Aumentos de capital comprovados por RDE, cujo custo se aceitou computar em USD, com fulcro no § 5o. do art. 24 da Medida Provisória no 2.158, de 2001, combinado com o §2. do art. 2o. da Portaria MF no 550, de 1994 = USD 211.183.947,36 x 2,1468 (R$/USD na taxa da data da alienação) = R$ 453.369.698,19; Custo calculado pela autoridade autuante = a) + b) + c) + d) + e) + f) = R$ 2.147.932.503,01 (cf. efl. 773, a menos de erro imaterial nos cálculos de R$ 0,07) De posse deste custo, subtraindose o mesmo do valor de alienação de R$ 4.581.120.000,00, apurase um ganho de capital de R$ 2.433.187.496,99, o qual, quando objeto da tributação à 15%, resulta num valor devido de R$ 364.978.124,54. Ao se deduzir deste último o valor pago de R$ R$ 321.176.430,18 de efl. 693, atingese um montante de R$ 43.801.694,36, principal objeto de lançamento que compõe o litígio. Cientificado do lançamento em 02.08.11, o contribuinte apresentou impugnação de efls. 777 a 803, onde, em breve síntese, alegava que: a) Os valores registrados a título de correção monetária do capital realizado deveriam compor o custo de aquisição, ressaltando que, na forma do arts. 4o. . inciso II e 20 da Lei no. 7.799, de 10 de julho de 1989, o saldo credor de correção monetária era computado na determinação do lucro real, sendo que a contrapartida do lançamento da correção monetária do capital social compunha este saldo. Cita, ainda a propósito, o teor do art. 16, §3o. da Lei no. 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e o teor do § 1o. da Instrução Normativa SRF no. 25, de 2001, solução de consulta oriunda da RFB e julgado do Conselho de Contribuintes que suportariam sua tese. Ressalta a aplicação do art. 18 da Lei no. 9.249, de 1995 ao caso, bem como, por fim, o teor do art. 185 da Lei no.6.404, de 15 de dezembro de 1976 para concluir que, também sob a ótica da Lei das S/A, tais valores deveriam compor o custo; b) Aduz que a não consideração do saldo da reserva de correção monetária pela fiscalização contrariaria a obrigatoriedade de registro de capitais estrangeiros prevista no art. 5o. da Lei no. 11.371, de 28 de novembro de 2006 e art. 3o. da Lei no. 4.131, de 03 de setembro de 1962, demonstrando, através de excerto de certificado de registro de investimento estrangeiro emitido pelo BACEN, que os valores a título de correção monetária de capital eram naquele órgão registrados. Menciona, ainda, a propósito, o art. 1o da Circular BACEN 2997, de 15 de agosto de 2000 e o manual do declarante do novo registro declaratório eletrônico, para concluir que os valores registrados a título de reinvestimentos foram considerados como capitais estrangeiros e, ainda, que fazendo parte do registro no BACEN, não há dúvida que tais valores, incluindo a correção monetária do capital social, deveriam fazer parte do custo de aquisição da participação alienada; Fl. 979DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 976 7 c) Volta a citar o art. 3o. e, agora, o art. 4o. da Lei 4.131, de 1962, para alegar que o Banco Central dava igual tratamento aos valores ingressados e oriundos de capitalização, para concluir que o art. 2o., §2o. da MF no. 550, de 1994 estabelecia que seriam calculados em moeda estrangeira o custo e o ganho de capital de todos os investimentos e reinvestimentos passíveis de registro no BACEN como capital estrangeiro (aqui inclusos os valores a título de reserva de correção moentária do capital) e não só aqueles relativos a valores ingressados, o que demonstraria o acerto do impugnante ao aplicar a regra da MP no 2.158, de 2001 para cômputo do custo de aquisição e ganho de capital relativo a tais valores; d) Rechaça a tese da fiscalização de existência de dupla correção, ao se considerar (i) o saldo da correção monetária do capital realizado; (ii) a atualização prevista na IN SRF no 208, de 2002 e (iii) a conversão do dólar para reais. Entende se tratarem de institutos diversos, cada um com sua finalidade, sendo que os dois primeiros tratam do custo da aquisição, enquanto o terceiro trata da atualização deste custo, o que, por si, já demonstra a diferença e a cumulação destes índices. Cita que a correção monetária do capital realizado destinavase exclusivamente ás pessoas jurídicas, enquanto os índices da IN SRF no 208, de 2002 se destinavam às pessoas físicas, sendo que um não se contrapõe ao outro. Tenta alegar, através de exemplo numérico, que, caso se tratassem do mesmo instituto, deveriam levar a resultado idêntico, o que não se observa no exemplo numérico, citando ainda a diferença observada quando da comparação com o IGPM ou com a variação do dólar americano. Cita, ainda, que o art. 26 da referida IN estabelece faculdade que poderia ser suprida por documentação hábil e idônea, tal como o foi pelos registros contábeis e registros no caso em questão; e) Ainda, caso não sejam aceitos os argumentos acima, entende a autuada que a Fiscalização não poderia ter realizado a apuração do custo, para fins de posterior cômputo do ganho de capital, parte em moeda estrangeira e parte em moeda nacional, contrariando, em seu entendimento, o teor da MP no 2.158, de 2001. Entende que, quando se está diante de falta de comprovação integral do custo, há que se calcular o custo em reais baseado em documentação hábil e idônea, tendo a Fiscalização se utilizado de critério, para apuração do custo de aquisição, não previsto na legislação pátria, o que tornaria o auto ilíquido e incerto, trazendo extensa colação doutrinária, de forma a alegar que o auto é nulo, em face de tal iliquidez e incerteza; f) Finaliza a impugnação com a alegação de que, na forma estabelecida pelo art. 13 da Lei no. 9.065, de 20 de junho de 1995, combinado com o art. 113 do CTN e com obediência ao princípio da legalidade, multa não é tributo e, assim, não se pode cogitar da incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício lançada no auto, suportando seu entendimento, ainda, através de citações doutrinárias e jurisprudência oriunda deste CARF. Analisando tal impugnação a autoridade julgadora de 1a. instância julgou o lançamento integralmente procedente, na forma de Acórdão de efls. 856 a 881, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 01/09/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA EM EMPRESA DO PAÍS. CONTRIBUINTE DOMICILIADO NO EXTERIOR. APURAÇÃO DE GANHO DE Fl. 980DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 977 8 CAPITAL SOMENTE EM MOEDA ESTRANGEIRA. INOBSERVÂNCIA DAS NORMAS DE REGÊNCIA PELO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. A legislação fiscal prevê duas formas de atualização do custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital de domiciliados no Exterior, na alienação de bens e direitos: a correção cambial, para bens e direitos adquiridos em moeda estrangeira, registrados no BACEN, e, a correção monetária, aplicável até 31/12/95, para bens e direitos adquiridos em moeda nacional, que alcança, também, investimentos e reinvestimentos estrangeiros não registrados no BACEN, inexistindo correção monetária a partir daquela data. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. REINVESTIMENTO. ADIÇÃO DA CORREÇÃO MONETÁRIA DO CAPITAL REALIZADO. GLOSA. No custo de aquisição de participação societária no país, alienada por pessoa jurídica domiciliada no exterior, são computados os valores relativos aos aportes de capital e aos reinvestimentos, nestes incluídos as incorporações de lucros acumulados, de reservas de capital e de juros sobre o capital próprio. Contudo, é incabível a inclusão dos valores capitalizados por ocasião da incorporação da reserva de correção monetária do capital realizado, porquanto referidos valores não constituem efetivo reinvestimento, mas tão somente a atualização monetária do capital. Na apuração efetuada pela autoridade fiscal, todos os valores do investimento inicial, dos subsequentes aportes de capital e dos reinvestimentos já foram integralmente atualizados, seja pela variação cambial seja pela correção monetária em moeda nacional (no período em que referida correção se aplicava). EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA. INOCORRÊNCIA. Improcede a argüição de exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício, quando no Auto de Infração tais encargos incidem apenas sobre o tributo, não sobre a penalidade. Cientificada do Acórdão em 11/04/2012, a autuada ingressa, em 10 de maio de 2012 (efl. 885) , com Recurso Voluntário de efls. 887 a 925, onde, inicialmente, alega, agora, preliminar de preclusão do direito questionar a parcela do custo de aquisição decorrente de fatos (investimentos) ocorridos entre 1965 e 2004, uma vez já tendo decorrido cinco anos entre os referidos fatos e a lavratura do auto de infração, ocorrida em 2011. Agora, ressalta entender que haveria atribuição de tratamento diferenciado entre os investidores nacionais e estrangeiros, ao se permitir que os investidores nacionais computem em seu custo de aquisição a reserva de correção monetária do capital realizado capitalizada em investidas que hajam tributado o lucro inflacionário, vedandose tal aproveitamento aos estrangeiros. Ainda, ressalta que no caso de tal vedação, estaria caracterizada hipótese de bitributação, uma vez como lucro inflacionário e outra no ganho de capital. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 978 9 Ressalta, ainda, a diferença entre o momento do “acréscimo ao custo de aquisição pelo Lucro Inflacionário devidamente tributado pela empresa investida” (sic) e o investimento inicial. Reitera a necessidade de aplicação das normas BACEN ao caso, por interpretação sistemática. No mais, repisa as argumentações trazidas em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Faço notar que, ainda que me manifeste acerca de todas as argumentações trazidas pela recorrente, a presente análise não seguirá a ordem utilizada no recurso, agrupandose itens que se julgou oportuno tratar conjuntamente. Preliminarmente: · Quanto à ocorrência da decadência do direito do fisco questionar fatos pretéritos, uma vez decorrido o prazo de cinco anos a partir destes fatos (item 2.1 do pleito recursal) – item único. Quanto à matéria em questão, entendo que, no que tange ao IRPJ, tributo sujeito à lançamento por homologação, a hipótese levantada de “preclusão do direito de se auditar fatos pretéritos” se circunscreve a valores decorrentes de fatos geradores já decaídos ou seja, a fatos possuidores de repercussão fiscal em anoscalendário já abrangidos pela decadência, e, assim, vinculáveis à apuração e pagamento antecipado realizados pelo contribuinte no período a que se reporta o respectivo fato, em perfeito alinhamento com a previsão legal de homologação dos referidos pagamento e apuração quando decorridos cinco anos da ocorrência do respectivo fato gerador, decaído o direito da Fazenda revêlos a partir de então. Porém, perfeitamente passíveis de revisão e auditoria quaisquer fatos pretéritos cuja repercussão fiscal ocorra exclusivamente em momento futuro. Um dos Acórdãos mencionados pelo contribuinte (Acórdão CC 10706061) clarifica isto de maneira muito própria, in verbis Como já acenado, em todas as hipóteses acima consideradas há um elemento uniforme, qual seja, temse um fato pretérito que se integra aos resultados apurados nos exercícios seguintes. Vale dizer, a repercussão atual tem origem e representa a continuação dos fatos verificados no passado. Portanto, tais fatos devem ser examinados sob duas perspectivas: no passado, no tocante à formação; no futuro, no que tange às repercussões fiscais decorrentes da efetiva apropriação. O trabalho fiscal, nesses casos, pode examinar a formação pretérita do fato, mas não deve extrair e atribuir repercussão Fl. 982DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 979 10 fiscal aos exercícios já protegidos pela decadência. O possível ajuste na formação desse fato, neste contexto, deve repercutir no exercício subseqüente, vale dizer, no momento da sua efetiva apropriação. Há, assim, um perfeito equilíbrio, pois o lançamento de oficio não invade exercício já atingido pela preclusão administrativa, como também o fato não repercute no futuro com uma formação distorcida. (g.n.) (...) Na hipótese em questão, os respectivos fatos jurídicos em questão (investimentos, capitalização de reservas e lucros acumulados e de JCP e incorporação de investimentos anteriormente realizados por Boston Administrações e Participação) não possuem repercussão fiscal quanto ao IRPJ nos respectivos anos em que ocorreram, assim, não havendo que se falar de decadência do direito de auditoria ou de homologação dos mesmos. Devese notar que a análise de custo efetuada pela autoridade autuante em nenhum momento significou invadir anocalendário já atingido pela decadência (tal como ocorre, por exemplo, em situações onde se glosa indevidamente saldo de prejuízo fiscal originado em período de apuração já decaído). Os fatos formadores do custo em questão não possuem repercussão fiscal nos anos em que ocorreram, mas somente em momento futuro, mais especificamente, quando da alienação ocorrida no anocalendário de 2006 (01/09/2006), onde se busca que repercutam com sua formação adequada, sem qualquer violação ao instituto da preclusão administrativa (decadência). In casu, a repercussão fiscal da formação do custo de aquisição ocorreu somente em 01/09/2006, não estando abrangido, assim, pela decadência o lançamento cientificado ao contribuinte em 02/08/2011. Rejeito, assim, a preliminar apresentada pelo recorrente. Quanto ao mérito a) Quanto ao cômputo da Reserva de Correção Monetária de Capital Realizado no custo de aquisição, por força da Legislação Fiscal e Societária (item 2.2, “b” do pleito recursal – duplicado – não há o item 2.2, “a” no recurso): Reproduzse a seguir os dispositivos inicialmente mencionados pelo contribuinte que suportariam sua pretensão. .Lei 7.799/89 Art. 20. O saldo credor da conta de correção monetária de que trata o item II do art. 4° será computado na determinação do lucro real, mas o contribuinte terá opção para diferir, com observância do disposto nesta Seção, a tributação do lucro inflacionário não realizado. Lei 7.713/88 Art. 16 (...) Fl. 983DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 980 11 § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. (...) Art. 36. Os lucros que forem tributados na forma do artigo anterior, quando distribuídos, não estarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte. Parágrafo único. Incide, entretanto, o imposto de renda na fonte; a) em relação aos lucros que não tenham sido tributados na forma do artigo anterior; b) no caso de pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de lucros, quando o beneficiário for residente ou domiciliado no exterior. Inicialmente, de se ressaltar que, ao contrário do que faz crer o contribuinte, nem o instituto do lucro inflacionário nem o saldo credor da conta de correção monetária se confundem com o valor registrado na conta Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado, uma vez que: a) O lucro inflacionário era definido, na forma do art. 21 da mencionada Lei no. 7.799, de 1989, pelo saldo credor da conta de correção monetária ajustado pela diminuição das variações monetárias e das receitas e despesas financeiras computadas no lucro líquido do períodobase; b) O mencionado saldo credor da conta de correção monetária, por sua vez, era oriundo da aplicação de índices que refletissem a efetiva modificação do poder de compra em todos os itens do balanço patrimonial constantes do item I do art. 4o. da mesma Lei, sendo que o item II mencionado no art. 20 da Lei citada referese, assim, a este saldo credor, apurado na conta especial de correção monetária (conta de resultado); c) Já o valor registrado na Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado é composto tão somente da contrapartida (patrimonial) de uma das parcelas registradas nesta conta especial, sendo que o efeito do seu registro, no resultado do período base, é devedor, ou seja, no sentido de reduzir o resultado do período, reduzindose o lucro inflacionário, não havendo hipótese possível em que o valor registrado naquela Reserva tenha sido objeto de tributação, se constituindo em “lucro ou reserva tributado”. Na verdade, está a se tratar aqui não de dois, mas de três diferentes momentos, quais sejam: Momento 1 Integralização dos recursos pelos acionistas, com a contrapartida dos recursos ingressados sensibilizando a rubrica de Capital Social; Momento 2 A correção monetária deste Capital Social, que, contrariamente às demais contas do PL se dá, não através de incremento na própria conta patrimonial, mas através de conta separada no referido PL (Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado), tendo como contrapartida devedora conta especial de Resultado, reduzindose assim, o resultado de correção monetária do períodobase e, por consequência, o lucro inflacionário e Momento 3 A capitalização desta conta de PL (Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado). Fl. 984DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 981 12 A partir do acima disposto, neste Momento 3, (que é o que se discute aqui quanto á referida Reserva), devese considerar como inteiramente inaplicável o teor do art. 16, §3o. da Lei no 7.713, de 1988, devendose notar, também, que a Solução de Consulta mencionada pela recorrente referese à incorporação (capitalização) de lucros e reserva de lucros, não havendo, ainda, qualquer tipo de vinculação deste Colegiado a julgamento anterior deste Conselho não sumulado ou a atos administrativos emanados da RFB que adotem posicionamento diferente do presente. Notese, por fim, que tal conclusão de impossibilidade de aplicação do art. 16, §3o . da Lei no 7.713, de 1988 no caso de capitalização de Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado é extensiva aos residentes no país, daí resultando inaproveitável, também, a argumentação de tratamento antiisonômico formulada pela recorrente, rejeitada, ainda, a partir dos mesmos argumentos já tecidos quanto à referida Reserva nos itens “a” a “c” supra, a alegação de dupla tributação sobre uma mesma renda, uma vez como lucro inflacionário e outra quando do ganho de capital. Por fim, devese esclarecer aqui que não há qualquer contrariedade em relação ao dispositivo de natureza societária citado pelo autuado (fiscalmente regrado no âmbito da mesma Lei 7.789, de 1989), devendose ressaltar que o art. 185 da Lei das S/A citado está a se referir dois institutos completamente distintos, na forma já anteriormente especificada: a) A rubrica patrimonial de Reserva de Correção Monetária do Capital Social Realizado a ser registrada em conta credora de reserva de capital (§2o. do dispositivo) e b) Sua contrapartida devedora no resultado do exercício (uma das contas abrangidas pelo §3o., que se refere ao registro em conta especial). Mais uma vez, repitase que o valor registrado na Reserva da Correção Monetária do Capital Realizado não corresponde ao saldo credor da correção monetária e, ainda, que este último não corresponde ao conceito de lucro inflacionário. Rejeitase assim que a capitalização da Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado deva necessariamente compor o custo de aquisição com fulcro na legislação fiscal e societária citada no âmbito dos itens 2.2, “b” do pleito recursal (item duplicado) b) Quanto à duplicidade de correção (item 2.2 “d” do pleito recursal): Continuando a análise do pleito recursal do contribuinte, antecipo a análise do item 2.2, “d” do mesmo pleito, por entender que a argumentação utilizada pela fiscalização no âmbito do lançamento constituise justamente no supedâneo de natureza teleológica à interpretação lógicoliteral levada a cabo no item “a” do presente voto, antecedente. Explico. Na forma já explicitada no item anterior, é cediço que buscou o legislador, através do §3o. do art. 16 da Lei no. 7.713, de 1988, excluir de nova tributação, quando da alienação de participação societária pelos acionistas, eventuais acréscimos patrimoniais já tributados na pessoa jurídica investida e posteriormente transferidos para rubricas de reservas (de lucros, por exemplo) concedendose, assim, incremento ao custo da participação societária pelo acionista quando da capitalização destas Reservas tributadas. Neste caso, porém, não se enquadra a Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado, a partir do disposto no dispositivo anteriormente analisado. Afastado assim o incremento de custo da participação societária por incorporação da Reserva de Correção Monetária de Capital Realizado, devese reportar agora ao que a legislação estabelece acerca da tributação para o ganho auferido por não residentes Fl. 985DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 982 13 (equiparados a pessoas físicas nesta apuração, por força do disposto no art. 18 da Lei no 9.249, de 1995), quando da alienação da participação societária. A propósito, verifico que, em linha com o entendimento já exposto no Termo de Verificação Fiscal, a legislação estabelece duas diferentes forma de cálculo, a saber: a) a primeira determinado pela Portaria MF no 550, de 1994, quando combinada com o § 5o., art. 24 da Medida Provisória no 2.158, de 2001, onde se determina que, para bens ou direitos adquiridos com rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira, o custo do bem ou direito será computado em moeda estrangeira, com o ganho de capital também sendo computado em moeda estrangeira e somente então se realizando a conversão para reais, utilizandose os valores do em moeda estrangeira constantes do Registro BACEN como prova; b) o segundo estabelecido pelo art. 17 da Lei no. 9.249, de 1995, onde o custo de aquisição é apurado em moeda nacional, admitida a correção em UFIR até 31/12/95. Tratamse de procedimentos notoriamente excludentes: ou se apura o custo de aquisição em moeda nacional, ou, alternativamente, se apura o mesmo em moeda estrangeira, restringindose este último procedimento aos bens ou direitos adquiridos com rendimentos originariamente auferidos em moeda estrangeira. Mencionei entender ser a argumentação utilizada pela fiscalização o suporte teleológicosistemático ao disposto no item “a” do presente por entender, agora adotando uma interpretação consonante com o ordenamento jurídicotributário como um todo, que a correção instituída pelo art. 17 da Lei no 9.249, de 1995 visa justamente, uma vez já definida a impossibilidade de acréscimo no custo de aquisição da participação societária quando da capitalização da Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado, evitar que fossem objeto de tributação, quando da alienação da participação, valores que não representassem ganho real, mas que correspondessem tão somente à variação no poder de compra da moeda nacional em que se exprime o investimento inicial (ganho nominal). Permitiuse, assim, a correção do custo para investimentos adquiridos em moeda nacional por índice inflacionário, solucionado tal problema para os investimentos originariamente adquiridos em moeda estrangeira ao se permitir o cômputo do custo em moeda estrangeira (a correção cambial nominal admitida já contemplaria a variação do poder de compra da moeda nacional). Corolário desta interpretação é o fato de que ao se tencionar computar no custo, além da correção estabelecida no art. 17 da Lei no 9.249, de 1995, um incremento na participação societária, decorrente da capitalização da Reserva de Correção Monetária do Capital Social Realizado da investida, além de se estar violando o art. 16, §3o. da Lei no. 7.713, de 1988, estaria a se gerar, ainda, uma duplo cômputo de valores de correção monetária no custo do adquirente calculável em moeda nacional, como se pode evidenciar supondose, por hipótese, não ter havido qualquer mutação patrimonial em uma investida subsidiária integral (além da correção monetária do balanço), durante determinado anobase inicial, após o aporte inicial de recursos. Nesta hipótese, haveria um valor registrado a título de reserva de correção monetária do capital realizado e, ainda, uma atualização do valor ingressado pelo contribuinte na forma do mencionado art. 17, ambos refletindo meramente a variação do poder de compra da moeda nacional. Aqui, a “cumulação dos índices” defendida pelo contribuinte levaria a que, caso se capitalizasse o valor da referida Reserva e, a seguir, se alienasse o investimento, agora computandose a atualização pelo índice previsto no art. 17 em questão, o custo fosse Fl. 986DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 983 14 aumentado duas vezes com o mesmo substrato fático, qual seja, de atualização do poder de compra da moeda nacional, levando a que se apurasse uma perda de capital caso o investimento fosse alienado pelo valor originário investido corrigido para fins de atualização do poder de compra da moeda nacional, o que viola qualquer interpretação lógicosistemática. Daí ter o legislador permitido ao investidor somente a atualização prevista na IN SRF 208, de 2002, e não o concomitante acréscimo ao custo da participação adquirida, quando da capitalização da Reserva de Correção Monetária realizada. A não coincidência entre os índices de correção monetária do balanço e aqueles previstos pela IN 208, de 2002, como perfeitamente observado pela autoridade da 1a. instância, não significa que os mesmos não possuam o mesmo substrato fático, qual seja, exprimir a variação do poder de compra da moeda nacional. Escorreita, assim, a argumentação da fiscalização, rejeitandose o pleiteado no item 2.2, “d” do Recurso. c) Quanto ao cômputo da Reserva de Correção Monetária de Capital Realizado no custo de aquisição, por força da Legislação BACEN (item 2.2c do pleito recursal) e quanto à utilização de moeda estrangeira na apuração do ganho de capital e na quantificação do custo (item 2.3 do pleito recursal) Ressalto, inicialmente, a propósito, entender como plenamente aplicável ao caso o teor do art. 2o, § 2o. da Portaria MF no. 550, de 1994, cuja aplicação resta incontroversa a esta altura do litígio, ainda que não haja consenso entre autuante e autuada acerca de sua devida interpretação. Reza o referido dispositivo: Art. 2o. O ganho de capital corresponderá à diferença positiva, apurada em moeda estrangeira, entre o valor da alienação, redução de capital ou liquidação e o custo de aquisição da participação societária. (...) §2o. Consideramse como custo de aquisição os valores em moeda estrangeira constantes dos itens Investimento e Reinvestimento do certificado de registro de capital estrangeiro emitido pelo Banco Central do Brasil, observado o disposto no art. 5o. desta Portaria.” A propósito, uma vez considerada a natureza tributária do dispositivo supra, com a devida vênia, entendo, contrariamente à autoridade julgadora de 1a. instância, que passam a ser de aplicação subsidiária para fins tributários no presente caso, ainda, todos os dispositivos emanados do BACEN que norteiem o mencionado Registro de Capitais Estrangeiros (aqui inclusos os art. 3o. da Lei n 4.131, de 1962 e art. 1o. da Circular BACEN no 2.997, de 15 de agosto de 2000 e art. 5o. da Lei no 11.371, de 2006, citados pela autuada), mas, notese, limitandose tal aplicação exclusivamente àquilo diga respeito ao correto registro dos valores em moeda estrangeira constantes do respectivo Certificado de Registro, único elemento do mencionado Registro possuidor de consequência tributária com base no arcabouço legal aplicável. Necessário, ainda, a partir do teor do art. 24, §5o. da MP no 2.158/35, de 2001, vigente à época da alienação, que reste comprovado que a aplicação originária tenha se Fl. 987DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 984 15 dado com rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira, a fim de que se possa computar o custo em moeda estrangeira, aceitandose, assim, sua correção cambial. Ou seja, contrariamente ao alegado pela recorrente, entendo que a melhor interpretação a ser dada ao dispositivo constante do §2o. do art. 2o. da MP no 550, de 1994 é no sentido de se limitar seu alcance, quanto à possibilidade de cômputo no custo de aquisição em moeda estrangeira (admitindose a correção cambial), aos aumentos de capital que possam ser vinculados aos valores registrados em moeda estrangeira constantes do Certificado de Registro BACEN e para os quais se comprove terem sido realizados com rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira. Incabível a interpretação de que valores registrados em moeda nacional no referido Certificado ou, ainda, que os aumentos de capital que não tenham, comprovadamente, se originado de rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira, tivessem que, por força da referida MF ou por força da aplicação subsidiária da legislação BACEN, compor o custo de aquisição do investimento para fins tributários, independentemente da “ótica do BACEN” acerca das parcelas que poderiam compor este custo de aquisição, esta última, completamente irrelevante para fins tributários. A aplicação subsidiária da legislação do BACEN se limita tão somente à correta realização do Registro e exclusivamente no que diz respeito aos valores em moeda estrangeira ali registrados, para os quais a legislação tributária (Portaria MF no. 550, de 1994) estabeleceu conseqüência tributária, no que tange ao cômputo no custo de aquisição quando da alienação pelo detentor do Certificado. Irrelevante para fins tributários que os valores sejam tratados de forma idêntica pelo BACEN como capitais estrangeiros, bem como que os valores sejam passiveis de registro (em moeda nacional ou, ainda, em moeda estrangeira), se efetivamente não constarem do montante em moeda estrangeira constante do registro, já que a Portaria MF no 550, de 1994, em nenhum momento se refere a “valores tratados como capitais estrangeiros” ou a “valores passíveis de registro” mas, sim, a valores em moeda estrangeira constantes do Registro. Ainda que tais valores sejam regulamentados pelas Leis e regulamentação administrativa de registro de capitais estrangeiros, tal fato não faz com que se possa, porém, com base nestas, realizar elastério hermenêutico capaz de transformar a norma tributária que se refere especificamente a “valores registrados em moeda estrangeira constantes de Certificado de Registro” em abarcadora de todos os “valores passíveis de registro” ou “valores tratados como capitais estrangeiros” pelo BACEN para fins de cômputo do custo de aquisição, como tenciona o recorrente. Aplicando as considerações acima ao caso prático, verifico que, destarte, nada há que estabeleça a necessidade de cômputo, no custo de aquisição, dos aumentos oriundos da Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado (registrados, notese, em moeda nacional junto ao BACEN, conforme exemplo de efl. 906), rejeitandose assim a argumentação da recorrente sintetizada naquele item. Ainda, de se notar que a autoridade autuante considerou, sim, em seu cálculo e em moeda estrangeira (ou seja, admitindo aqui a correção cambial), todos os aumentos de capital que puderam ser vinculados aos valores em moeda estrangeira constantes de Certificados de Registro apresentados pelo recorrente (efls. 72 a 76) e que restaram, ali, Fl. 988DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 985 16 devidamente comprovados como oriundos de rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira. Ou seja, a vinculação com o “ingresso” em moeda estrangeira que foi realizada pela fiscalização decorreu dos estritos ditames da já mencionada Portaria MF no. 550, de 1994 e da MP no 2.158/35, de 2001, uma vez que só restaram comprovados como registrados em moeda estrangeira e adquiridos com rendimentos originariamente auferidos em moeda estrangeira aqueles aumentos de capital para os quais também restou comprovado o ingresso, consoante elementos de fls. 72 a 76. Escorreito, assim, o procedimento adotado pela autoridade autuante, de limitar a tais valores (aumentos) a utilização de moeda estrangeira na quantificação do custo e cômputo do ganho. Assim, de se rejeitar também o cancelamento pleiteado no item 2.3 do recurso. e) Da impossibilidade de utilização de parte do custo em dólar e parte em real – liquidez e certeza do crédito tributário (item 2.4 do pleito recursal). Uma vez circunscrita a utilização do cômputo do custo em moeda estrangeira aos aumentos de capital de efls. 72 a 76, passase a analisar a argumentação da autuada no sentido de impossibilidade de utilização, no caso, de custo do bem adquirido com rendimentos somente parcialmente comprovados como auferidos originariamente em moeda estrangeira, do teor da MP 2.15835/2001. Argumenta a autuada que deveria, na hipótese, ter sido utilizado o cômputo de custo integralmente em reais, visto que, de outra forma, se estaria a utilizar critério não previsto pela legislação, o que o tornaria o crédito tributário ilíquido e incerto. Rejeito a argumentação da autuada. Entendo que a melhor interpretação a ser dada, no caso de participação parcialmente adquirida com rendimentos comprovadamente auferidos no exterior (com esta parcela constante em moeda estrangeira em Certificado de Registro), e parcialmente adquirida com outros rendimentos ou não registrada, é a de se realizar parte do cálculo do custo de aquisição em moeda estrangeira (consoante Portaria MF no. 550, de 1994 e MP no 2.158/35, de 2001) e parte em reais, seguindo esta última parcela a regra subsidiária constante do art. 17 da Lei no. 9.249, de 1995 e do §2o. do art. 26 na IN SRF 208, de 2002, a partir da incontroversa, a esta altura, aplicação do art. 18 da mesma Lei ao caso. Faço notar que, ao se computar o custo na forma acima disposta, os critérios adotados pela fiscalização para fins de determinação do montante devido permaneceram cristalinos e, ainda, plenamente respaldados pela legislação em vigor, sendo, ainda, de se ressaltar que, caso se interpretasse que a aplicação dos dispositivos deveria se dar de forma diversa, quando de custo de participação societária parcialmente a ser calculado em moeda estrangeira e parcialmente em moeda nacional, se chegaria à esdrúxula conclusão de se estabelecer tratamento diferenciado para fins do cálculo de custo entre: a) um contribuinte que possui duas diferentes participações societárias: uma devidamente comprovada como adquirida com rendimentos comprovadamente auferidos no exterior (exemplificativamente custo alegado de USD 500,000/R$ 1.000.000,00) e outra não comprovada (exemplificativamente, também USD 500,000/R$ 1.000.000,00) Fl. 989DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 986 17 b) Um contribuinte que possuísse uma participação societária, agora composta por um custo alegado de USD 1.000.000/R$ 2.000.000,00, para a qual tivesse restado comprovada como adquirida com rendimentos comprovadamente auferidos no exterior uma parcela de USD 500,000/R$ 1.000.000. Cediço que, neste exemplo singelo, ambas as realidades fáticojurídicas, inclusive no que tange à suficiência/insuficiência de comprovação, são idênticas, sendo hermeneuticamente ilógico e antiísonômico que se estabelecesse tratamento diferenciado, como sugere a contribuinte. Escorreito assim o procedimento fiscal, rejeitandose a argumentação do recorrente de falta de liquidez e certeza do crédito tributário. f) Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa (item 2.5 do pleito recursal). Entendo, a propósito, que, em linha com a autoridade julgadora de 1a. instância, não caberia a este Colegiado se manifestar acerca da incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício, uma vez que estes não constam do lançamento sob litígio, cujo controle de legalidade é a matéria a que se deve adstringir este Conselho. Todavia, ad argumentadum tantum, rejeito adicionalmente a argumentação do contribuinte adotando como razão de decidir aquelas adotadas pela ilustre conselheira Viviane Vidal Wagner, em seu voto vencedor na 1a. Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 910100.539, de 11 de março, de 2010, verbis: “ (...) Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese Fl. 990DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 987 18 comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. (...) Fl. 991DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 988 19 Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei no 9.430, de 1996, art. 61). §1o. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61,§ 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). Fl. 992DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 989 20 § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei no 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 990 21 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, com fulcro nas razões de decidir acima, também nego provimento ao Recurso nesta matéria, devendose manter a cobrança dos juros SELIC sobre a multa de ofício lançada. Conclusão: Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Fl. 994DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001142/2007-98
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002, 2003
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS.
Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003
ÁGIO. AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES.
Os gastos com ágio na aquisição de debêntures são indedutíveis no cálculo do lucro real.
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE - CSLL Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1401-000.947
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade votos, EM
REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Os Conselheiros Roberto Armond Ferreira da Silva, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias acompanharam a rejeição da preliminar pelas conclusões.
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto – Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002, 2003 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 ÁGIO. AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. Os gastos com ágio na aquisição de debêntures são indedutíveis no cálculo do lucro real. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE - CSLL Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 18471.001142/2007-98
conteudo_id_s : 5529912
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1401-000.947
nome_arquivo_s : Decisao_18471001142200798.pdf
nome_relator_s : Antonio Bezerra Neto – Relator
nome_arquivo_pdf_s : 18471001142200798_5529912.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade votos, EM REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Os Conselheiros Roberto Armond Ferreira da Silva, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias acompanharam a rejeição da preliminar pelas conclusões.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
id : 6146355
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124811902976
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-10-01T11:39:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-10-01T11:39:47Z; Last-Modified: 2015-10-01T11:39:47Z; dcterms:modified: 2015-10-01T11:39:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:be618bde-4c54-4c8d-9630-11f8c4926c6f; Last-Save-Date: 2015-10-01T11:39:47Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-10-01T11:39:47Z; meta:save-date: 2015-10-01T11:39:47Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-10-01T11:39:47Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-10-01T11:39:47Z; created: 2015-10-01T11:39:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2015-10-01T11:39:47Z; pdf:charsPerPage: 1602; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2015-10-01T11:39:47Z | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 600 1 599 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001142/200798 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1401000.947 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de março de 2013 Matéria IRPJ/CSLL Recorrente RIO TINTO BRASIL LTD A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 ÁGIO. AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. Os gastos com ágio na aquisição de debêntures são indedutíveis no cálculo do lucro real. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE CSLL Estendese ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade votos, EM REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Os Conselheiros Roberto Armond Ferreira da Silva, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias acompanharam a rejeição da preliminar pelas conclusões. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 11 42 /2 00 7- 98 Processo nº 18471.001142/200798 Acórdão n.º 1401000.947 S1C4T1 Fl. 601 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. Processo nº 18471.001142/200798 Acórdão n.º 1401000.947 S1C4T1 Fl. 602 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro IRJ. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Tratase dos Autos de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 9.025.197,93 (fls.301/315) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 3.291.366,50 (fls.316/326), lavrados em 28.08.2007 pela então Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro. 2 A exigência totaliza R$ 12.316.564,43, aí incluídos juros de mora, calculados até 31.07.2007, e multa de oficio (75%). A infração consta descrita assim (fls 303): BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO CUSTO OU DESPESA. (...) Custo (s) de aquisição de bens do ativo permanente deduzido como custo ou despesa operacional, na forma de lançamento indevido a título de amortização dos valores referentes a investimento em debêntures. 4 A base legal da autuação compreende os arts.249, inciso I, 251, parágrafo único, art. 301, ambos do Regulamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999). A fundamentação legal para a exigência de juros e multa consta às fls.315. 5 A Ação Fiscal, iniciada em 08.02.2007 (fls.202), compreende os documentos de fls. 1/378, tendo sido encerrada em 28.08.2007 (fls.378). 6 Irresignado, o interessado apresenta a impugnação às fls.380/397, pedindo a nulidade do feito. 7 Alega que falta clareza na descrição dos fatos, por "dizer, simplesmente, que determinados atos praticados pela Impugnante são indevidos, sem minuciar os motivos pelos quais são assim considerados, se constitui em cerceamento do direito de defesa, impossibilitando que o contraditório se instaure plenamente. ". 8 Aduz que há incorreção no enquadramento legal, ensejando nulidade por vício formal, dado que o art. 251, § único, e o art. 249, inciso I, do RIR/1999, não foram descumpridos, uma vez que a fiscalização não desclassificou a sua escrita fiscal. 9 Sustenta que, além das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, a doutrina e a jurisprudência também admitem como vícios de nulidade aqueles que caracterizam o cerceamento do direito de defesa. Processo nº 18471.001142/200798 Acórdão n.º 1401000.947 S1C4T1 Fl. 603 4 10 Diz que o Parecer Normativo CST 347, de 1970, dispõe sobre a livre escolha do contribuinte quanto à forma de escriturar suas operações, bem como, que o caput do art. 301 do RIR/1999, que trata de custos de aquisição de bens do ativo permanente, é inaplicável às debêntures, que "podem ser contabilmente apropriadas", nos termos dos arts. 324, § § Io e 2o e art. 325, inciso I, alínea "c" do RIR/1999. 11 No mérito, afirma que, em 14.12.2000, aplicou recursos financeiros na aquisição de 51 (cinqüenta e uma) debêntures subordinadas à participação nos lucros da empresa Rio Paracatu Mineração S/A, cada qual no valor nominal de R$ 10.000,00 (dez mil reais), no total de R$ 510.000,00 (quinhentos e dez mil reais), cada qual com prêmio de subscrição no valor de R$ 1.063.000,00 (hum milhão e sessenta e três mil reais), que, a princípio, resgatáveis em 31.12.2007, passaram, por deliberação regular da emitente, a ser resgatadas mensalmente, com início em 30.01.2001 e término em 31.12.2007, operação que englobou 84 (oitenta e quatro) meses, isto é, 84 prestações de R$ 645.392,86. 12 Diz que, de um modo geral, as debêntures devem compor conta específica do Ativo Realizável a Longo Prazo, destacando a subscrição e o prêmio, conforme Instrução CVM n° 132, de 04.09.1990, com apropriação dos deságios e amortização dos ágios ao longo dos prazos de vencimento ou de repactuação. 13 Alega que a própria Receita Federal, tal como disponibilizado em seu endereço eletrônico ("Perguntas e Respostas"), admite a apropriação dos custos de capital que contribuem para a formação do resultado de mais de um período de apuração", e que a contabilização do prêmio em conta de ativo, para amortização pro rata tempore até 31.12.2007 tem respaldo no art. 325, inciso I, alínea "c", c/c art.324, ambos do RIR/1999. 14 Aduz, textualmente: Apropriou regularmente os resultados auferidos como receitas tributáveis e, em contrapartida, deduziu as amortizações dos ágios pagos na subscrição, não havendo vedação a tal procedimento, porém, autorização legislativa para a recuperação contábil do capital aplicado na aquisição de direitos (...). Na determinação do lucro real, a Impugnante observou a legislação do imposto de renda, não deduzindo como despesa operacional o valor dos encargos da amortização do prêmio das debêntures (RS 7.744.714,32 + 7.099.321,46) do líquido do exercício de janeiro de 2002 a novembro de 2003, anoscalendários de 2002 e 2003, em cumprimento ao que dispõe o art.13 da Lei n° 9.249, de 1995. Em não procedendo a referida dedução nenhum ajuste foi necessário fazer na apuração do lucro Jiscal, como se comprova pela análise da DIPJ desses anoscalendário já em poder dessa r. Fiscalização. Tal fato pode ser comprovado através da análise da ficha Ficha 06A — Demonstração do Resultado Linhas 36 Outras Despesas Financeiras. 15 Pede que, se não acolhida a nulidade, em face de cerceamento do direito de defesa, "o lançamento seja tomado insubsistente, considerando que a legislação do Imposto de Renda não veda a amortização dos prêmios de debêntures, e, que nos anoscalendário de 2002 e 2003 fiscalizado, a Impugnante não deduziu referido encargo como despesa operacional". Pede, ainda, que a insubsistência seja comunicada ao lançamento da CSLL, cuja improcedência também requer. Processo nº 18471.001142/200798 Acórdão n.º 1401000.947 S1C4T1 Fl. 604 5 16 Nesta Turma, foram juntadas as consultas de fls.417/419. Relatados. A DRJ MANTEVE os lançamentos, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação às disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional, tampouco às dos artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 ÁGIO. AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. Os gastos com ágio na aquisição de debêntures são indedutíveis no cálculo do lucro real. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Inexistindo matéria específica, de fato ou de direito a ser examinada, aplica se à exigência reflexa o mesmo tratamento dispensado ao lançamento do IRPJ, por força da relação de causa e efeito que os vincula. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Processo nº 18471.001142/200798 Acórdão n.º 1401000.947 S1C4T1 Fl. 605 6 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Preliminar de nulidade Preliminarmente, a recorrente imputa o presente AI com o vício da nulidade, por conter enquadramento legal equivocado, bem assim falta de clareza na descrição dos fatos. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória acostada aos autos. Muito embora nem seja o caso, como se verá mais adiante no mérito, cabe salientar que mesmo que existisse erro no enquadramento legal, é pacífico o entendimento deste Colegiado no sentido de que o mero erro no enquadramento legal não é suficiente para inquinar o auto de infração quando os fatos estão suficientemente bem descritos, permitindo plenamente o livre exercício do direito de defesa, como efetivamente aconteceu. Acrescentese que, quando muito, em se admitindo o fato da autoridade lançadora ter cometido algum engano com relação à matéria de fato, enquadramento legal e a sua subsunção à norma, tratarseia então de questão de mérito e não de preliminar de nulidade. E como ficará bem demonstrado mais adiante, nem mesmo isso aconteceu. Assim, rejeito a preliminar de nulidade suscitada MÉRITO Os lançamentos de IRPJ/CSLL tiveram como causa a falta de previsão legal para a dedutibiliade de prêmios pagos na aquisição de determinados ativos, no caso, debêntures. Processo nº 18471.001142/200798 Acórdão n.º 1401000.947 S1C4T1 Fl. 606 7 Conforme consta do processo, o interessado adquiriu no anocalendário de 2000, 51 (cinqüenta e uma) debêntures, pelo valor nominal unitário de R$ 10.000,00 (dez mil reais), cada qual com prêmio de subscrição de R$ 1.063.000,00 (um milhão e sessenta e três mil reais). A operação de subscrição fechada, como se vê na Escritura de Emissão Particular de Debêntures emitidas pela pessoa jurídica ligada, Rio Paracatu Mineração S/A (fls.329/346), foi formalizada em 12.12.2000, totalizando R$ 54.723.000,00 (cinqüenta e quatro milhões, setecentos e vinte e três mil reais), sendo, a) R$ 510.000,00 em debêntures e b) R$ 54.213,000,00, em prêmio de subscrição. Conforme bem descrito pela DRJ, assim se deu a apropriação de despesas nos respectivos anos autuados (2002 e 2003): (...) No anocalendário de 2002 (fls.296 e 230), o interessado, de acordo com o Livro Razão, levou a débito da conta "Lucro Líquido do Exercício em Curso", quando do encerramento de contas de resultado, o valor de R$ 7.744.714,32 (12 parcelas de amortização, cada qual no valor de R$ 645.392,86). 34 O mesmo se deu com relação ao anocalendário 2003, quando o interessado levou a débito da citada conta de encerramento de resultado (fls.297) o valor de R$ 7.100.468,68 (segundo as folhas do Livro Razãofls.231/241, de janeiro a novembro de 2003 foram efetuados 11 (onze) lançamentos, cada qual no valor de R$ 645.392,86, a débito de Despesas e a crédito de "AmortizaçãoPrêmio Debentures", totalizando R$ 7.099.321,40). As Sociedades anônimas podem emitir debêntures. As debêntures são títulos geralmente de longo prazo emitidos pelas companhias e respaldados em determinadas garantias. São títulos negociáveis assemelhandose as ações, gerando para as empresas recursos de longo prazo, sendo esses liquidados em seu vencimento, havendo também a possibilidade de resgate antecipado. Essas sociedades também podem emitir tais debêntures pagando um ágio sobre o seu valor nominal, que se chama prêmio, como foi o caso. Porém, como bem ressaltado pela DRJ, não é a classificação contábil que determina os efeitos tributários de um determinado evento: Cabe observar, também, que não é a classificação ou o registro do fato contábil o que determina os efeitos tributários de um evento ou negócio. Assim, quer no Ativo Realizável a Longo Prazo, quer no Permanente (no qual o Ativo Diferido se inclui), o que define os efeitos tributários é a ocorrência do fato gerador previsto em lei, em cuja apuração, sublinhese, a essência sempre prevalecerá sobre a forma. 27 Desse modo, a indedutibilidade de gasto com prêmios na aquisição de debêntures não é definida pela classificação contábil do evento, mas, pela essência e conformidade deste às regras de dedutibilidade em vigor. Nos termos da legislação fiscal de regência não há previsão legal para essa dedução, pelo contrário, ela comanda que não serão computados na determinação do lucro real as importâncias creditadas a reservas de capital que o contribuinte, com a forma de companhia, receber dos subscritores de valores de sua emissão, a título de prêmio na emissão de debêntures. É o que reza o art. 442, III do RIR/99: Processo nº 18471.001142/200798 Acórdão n.º 1401000.947 S1C4T1 Fl. 607 8 Art. 442. Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38): I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; IV lucro na venda de ações em tesouraria. Parágrafo único. O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 1º). Dessa forma a indedutibilidade se comprova por várias vias: 1) por haver vedação não permitindo que custo de aquisição de bens do ativo permanente possa ser deduzido como custo ou despesa operacional (art. 301 do RIR/1999), mesmo que seja na forma de amortização. 2) Se a contrapartida de quem recebe o prêmio está fora da tributação (art. 442 do RIR/99), por óbvio que sua contrapartida na pessoa de quem paga não pode ser dedutível a não ser que haja uma previsão legal genérica ou específica para tanto, que não é o caso. 3) As debêntures configuram títulos de crédito, representativos de empréstimos a sociedades por ações, estando fora do campo da legislação invocada pelo interessado qual seja, que permite a dedutibilidade da recuperação do capital aplicado ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração (art. 324 do RIR/99). 1) Mesmo que o art. 324 do RIR/1999 invocado pela Recorrente se aplicasse à situação corrente, ele condiciona a dedutibilidade da amortização de bens e direitos à relação intrínseca destes com a produção de bens e serviços, o que não é o caso: § 4o Somente será permitida a amortização de bens e direitos intrinsecamente relacionados com a produção e a comercialização dos bens e serviços. Pelo exposto, nego provimento a este item. Processo nº 18471.001142/200798 Acórdão n.º 1401000.947 S1C4T1 Fl. 608 9 CSLL. Lançamento reflexo Por fim, tendo se em vista que, quanto ao Auto de Infração relativo à CSLL, fato motivador foi o mesmo relativo ao IRPJ, aplicase a esse assunto as razões esposadas no voto relativas ao IRPJ. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000511/2010-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
MULTA QUALIFICADA.
A conduta consciente e dirigida a impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco da ocorrência de fato gerador, por meio de declarações zeradas e escrituração inservível a comprovação da origem de recursos e identificação de seus reais beneficiários, visando unicamente afastar o pagamento de tributo devido, caracteriza fraude e autoriza a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%.
MULTA AGRAVADA.
Não é cabível a cominação da multa agrava quando, a despeito do comportamento do contribuinte, é possível realizar apurar o montante tributável sem prejuízo para a fiscalização.
INCONSTITUCIONALIDADE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA.
Sumula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributaria.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS.
Sendo as exigências reflexas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõe-se a adoção de igual orientação decisória.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade; 2) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário no que tange à qualificação da penalidade, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Junior e José Ricardo da Silva; 3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação ao agravamento da penalidade, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes; e, 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos demais temas abordados. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão.
Da mesma maneira, tendo em vista que na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado redator ad hoc responsável pela formalização do voto e do presente Acórdão, o que se deu na data de 15 de setembro de 2015.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente para formalização do acórdão
(documento assinado digitalmente)
PAULO MATEUS CICCONE
Redator "ad hoc" designado para formalização do voto e do acórdão
Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma).
Numero da decisão: 1101-000.783
Decisão:
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA TAGA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 MULTA QUALIFICADA. A conduta consciente e dirigida a impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco da ocorrência de fato gerador, por meio de declarações zeradas e escrituração inservível a comprovação da origem de recursos e identificação de seus reais beneficiários, visando unicamente afastar o pagamento de tributo devido, caracteriza fraude e autoriza a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%. MULTA AGRAVADA. Não é cabível a cominação da multa agrava quando, a despeito do comportamento do contribuinte, é possível realizar apurar o montante tributável sem prejuízo para a fiscalização. INCONSTITUCIONALIDADE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA. Sumula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributaria. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS. Sendo as exigências reflexas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõe-se a adoção de igual orientação decisória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade; 2) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário no que tange à qualificação da penalidade, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Junior e José Ricardo da Silva; 3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação ao agravamento da penalidade, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes; e, 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos demais temas abordados. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão. Da mesma maneira, tendo em vista que na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado redator ad hoc responsável pela formalização do voto e do presente Acórdão, o que se deu na data de 15 de setembro de 2015. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente para formalização do acórdão (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Redator "ad hoc" designado para formalização do voto e do acórdão Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10932.000511/2010-44
anomes_publicacao_s : 201509
conteudo_id_s : 5525405
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1101-000.783
nome_arquivo_s : Decisao_10932000511201044.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : NARA CRISTINA TAKEDA TAGA
nome_arquivo_pdf_s : 10932000511201044_5525405.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt :
dt_sessao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
id : 6133500
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124843360256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2180; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.000511/201044 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101000.783 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2012 Matéria IRPJ e Reflexos Recorrente REDIMPEX ARMAZENS EM GERAL LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A imputação dos valores pagos, referente a tributos objeto de ação fiscal em curso, do montante do crédito tributário lançado, não caracteriza novo lançamento ou sua revisão. Portanto, não há que se falar em reabertura do prazo para Impugnação. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. AÇÃO FISCAL EM CURSO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Iniciado o procedimento fiscal, afastase a espontaneidade do contribuinte, destarte, a apresentação de declarações retificadoras no curso da ação fiscal não afastam o arbitramento do lucro e o consequente lançamento. Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 MULTA QUALIFICADA. A conduta consciente e dirigida a impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco da ocorrência de fato gerador, por meio de declarações zeradas e escrituração inservível a comprovação da origem de recursos e identificação de seus reais beneficiários, visando unicamente afastar o pagamento de tributo devido, caracteriza fraude e autoriza a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%. MULTA AGRAVADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 05 11 /2 01 0- 44 Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 3 2 Não é cabível a cominação da multa agrava quando, a despeito do comportamento do contribuinte, é possível realizar apurar o montante tributável sem prejuízo para a fiscalização. INCONSTITUCIONALIDADE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA. Sumula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributaria. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS. Sendo as exigências reflexas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõese a adoção de igual orientação decisória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade; 2) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário no que tange à qualificação da penalidade, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Junior e José Ricardo da Silva; 3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação ao agravamento da penalidade, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes; e, 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos demais temas abordados. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão. Da mesma maneira, tendo em vista que na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado redator ad hoc responsável pela formalização do voto e do presente Acórdão, o que se deu na data de 15 de setembro de 2015. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente para formalização do acórdão (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Redator "ad hoc" designado para formalização do voto e do acórdão Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 4 3 Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vicepresidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 5 4 Relatório Versam estes autos sobre Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão exarado pela 5ª Turma da DRJ em Campinas, que, por unanimidade, manteve o lançamento do crédito tributário e aplicou penalidade no percentual de 225% (multa qualificada e agravada). A ação fiscal teve início em 15/06/2009 e a despeito das sucessivas intimações o contribuinte não esclareceu os lançamentos no Livro Diário ou apresentou documentação que lhe desse suporte. Desta feita, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL. Em 10/09/2009 e 14/10/2009, mesmo estando com sua espontaneidade suspensa, o contribuinte apresentou declarações retificadoras de DIPJ, DACON e DCTF. Segundo o Termo de Descrição dos Fatos, lavrado em 22/12/2010 (proc. fls. 355 a 362), a autoridade fazendária relatou que o contribuinte exerceu a opção de apurar o seu resultado em 2006 pela modalidade do lucro presumido, no entanto, não apresentou os requisitos necessários que lhe permitiriam a apuração por esta modalidade, pois além de não recolher nos prazos estabelecidos o IRPJ do primeiro período de apuração trimestral, apresentou a DIPJ original preenchendo os campos com "zero" em relação aos débitos apurados. Ademais, deixou de apresentar à fiscalização os elementos fiscais que embasam os lançamentos registrados nos Livros Diário e Razão, bem como não escriturou a movimentação financeira mantida junto às instituições financeiras. Ante as intimações realizadas, a autoridade fiscalizadora relatou que “o contribuinte apresentou em 16/09/2010 as notas fiscais de prestação de serviços de Armazém, uma para cada mês e todas para a tomadora RAGI Refrigerantes Ltda, CNPJ 02.286.974/000109, sendo a primeira de nº 08, emitida em 31/01/2006 até a de nº 14 emitida em 31/07/2006, com o cancelamento das de nº 15, 16, 17 e 18, e, prosseguindo sequencialmente até a de nº 23 emitida em 31/12/2006”. Ainda na resposta, em 16/09/2010, o interessado noticiou e apresentou cópias de protocolo de entrega e de recebimento de elementos fiscais pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Alegou que como tais documentos estão aos cuidados do Fisco Estadual, não poderia apresentar a fiscalização versada nestes autos. Contudo, a autoridade fiscalizadora asseverou que “não constam no rol de documentos em poder do fisco estadual a documentação comprobatória dos lançamentos contábeis requeridos”. Concluiu o auditor fiscal que “a escrituração do livro diário e do livro razão mantida pelo contribuinte revela evidentes indícios de fraude e contem vícios, que corroborados: pela falta de apresentação dos elementos fiscais que lhe deem sustentação; pela falta de escrituração de sua efetiva movimentação financeira; pela não apresentação de seus extratos bancários – medida que impede a convalidação dos registros escriturados de forma totalizada; pela não apresentação do detalhamento dos lançamentos resumidos e totalizados (no mês), contrariando as normas contábeis recomendadas, lhe submetem a ter seu resultado apurado pela modalidade do lucro arbitrado, em conformidade com as disposições dos artigos 527, 529 e 530, incisos II, letra "a", III, IV do Decreto n° 3.000/99”. Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 6 5 Desta forma, para fixação do percentual a ser utilizado no arbitramento do lucro, o agente fiscal verificou que somente parte da receita escriturada pelo contribuinte advém da atividade de transporte de carga, o complemento está relacionado à prestação de serviço de armazenagem, conforme consta das notas fiscais de serviços emitidas, dos registros no livro de saídas e dos registros contábeis escriturados. Em consequência, entendeu corretos os percentuais de 9,6% e 38,4%, respectivamente, referentes às atividades mencionadas. Ressaltou ainda que, além das receitas escrituradas, foi apurado omissão de receita, caracterizada pela insuficiência de recursos para cobrir dispêndios realizados em detrimento dos históricos dos lançamentos contábeis registrados nos Livros Diário e Razão. Frente a esta constatação, o contribuinte foi “devidamente intimado e reintimado a apresentar/justificar as insuficiências apuradas, concomitante com a entrega de documentação comprobatória que identificasse de forma individualizada a natureza de cada despesa e/ou dispêndio realizado, cujo pagamento se deu por meio dos cheques que emitiu, levados a efeito da escrituração de forma totalizada e a débito na conta caixa, sem que houvesse o subsequente lançamento contábil destes numerários envolvidos em contas representativas de dispêndios, liquidação de obrigações ou aquisição de direito, mas de forma extravagante, o saldo devedor da conta caixa incrementado por estes lançamentos, sofre reduções ao final de cada mês, justamente pelo lançamento levado a efeito junto a conta Banco Itaú, caracterizando o que denominamos de “ciranda” de recursos”. Como forma de exemplificar a escrituração realizada pelo contribuinte, a fiscalização relatou que “o livro diário geral de n° 02, que contem 119 folhas numeradas de 1 a 119, registrando seu movimento contábil do período compreendido entre 01/01/2006 e 31/12/2006, mantém a autenticação sob n° 41.625 do Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas do Distrito do Riacho Grande, São Bernardo do Campo/SP, datado de 10/09/2009, ou seja, após o inicio desta ação fiscal”. Concluiu que a omissão de receitas apurada pelo levantamento do fluxo financeiro da empresa deve ser levada a efeito exofficio na constituição do crédito tributário a lançar, sendo esta parcela da Receita Bruta submetida ao percentual de 38,4%, que é o percentual mais elevado entre as atividades desenvolvidas pela empresa, frente à impossibilidade de identificação de sua natureza, isto em decorrência da não entrega pela contribuinte da documentação comprobatória que dá lastro a sua escrituração contábil segundo dispõe o parágrafo único do art. 528 do RIR/99. Mencionou que a ação fiscal iniciouse em decorrência do “fluxo financeiro negativo”, ou seja, “os dados coletados nos Sistemas Internos da RFB corroborados com os dados informados pela própria contribuinte por meio de sua DIPJ entregue em 28/07/2007, cuja ficha 58 B Outras Informações (fls. 111) registrava valores próximos a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais), a titulo de pagamentos e encargos salariais, contribuições para o INSS e FGTS, enquanto que nada informou nos campos das demais fichas, inclusive a destinada a informar sua Receita Bruta, provocando por óbvio, o fluxo financeiro negativo indiciário, advindo das informações que prestou a RFB. O intuito de nada informar de Receita Bruta em sua DIPJ (fls. 105) se coaduna com o de nada declarar nas DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) e de nada recolher a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/Pasep) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), conforme já havíamos comunicado a empresa por meio dos Termos lavrados”. Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 7 6 Ante as retificações realizadas pelo contribuinte, o agente fiscal afirmou que foram convalidadas as informações retificadas por meio da DIPJ em relação aos campos das fichas que tratam da Receita Bruta. Desta forma, foram lançados em desfavor do contribuinte os débitos apurados para o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, lastreados na Receita Bruta conhecida pela fiscalização (“parte escriturada e parte clandestina à escrituração”). Promoveu ainda, por meio de processo próprio e independente (proc. nº 10932.000517/201011), a Representação Fiscal com a finalidade de excluir os débitos declarados por meio de retificação das DCTF entregues no curso da ação fiscal e sem lastro em recolhimentos espontâneos ocorridos antes do termo inicial da presente fiscalização. Concluiu que fica a critério do contribuinte carrear estes valores para abater os débitos que serão constituídos de ofício, por meio de manifestação expressa de sua vontade. No tocante à análise da conduta do contribuinte, a autoridade fiscalizadora entendeu que restou caracterizado o dolo. Baseou sua afirmação no fato de que o interessado, a despeito das diversas intimações realizadas, não apresentou as informações solicitadas em relação à documentação comprobatória que daria lastro aos cheques emitidos ou que identificasse a natureza individualizada da origem dos recursos transferidos da conta caixa para a conta Banco Itaú, o que impossibilitou a auditoria dos registros contábeis e a verificação dos reais beneficiários dos recursos extraídos do contribuinte, considerando o resultado escritural de elevado prejuízo líquido em contraposição com o valor do capital social integralizado. Ademais, o contribuinte voluntariamente apresentou DIPJ com os campos informativos de Receita Bruta zerados, e, no entanto, foi constatado a existência de receita bruta auferida, tanto a escriturada nos livros, como a clandestina às contas contábeis de receita. Outro motivo que justificou a caracterização da conduta do contribuinte como dolosa foi que, mesmo tributado pela modalidade do Lucro Presumido, as DCTF originais nada acusavam de débitos para tributos federias, o que não se coaduna com a sistemática de apuração do resultado, que exige a aplicação de um percentual sobre a receita. Logo, havendo receita bruta sempre ocorrerá apuração de débitos para os tributos cuja base é o resultado (IRPJ e CSLL), bem como para o PIS e a COFINS submetidos à sistemática de apuração cumulativa. Somase a isto, o fato de que a pessoa natural do Sr. Rogério Raucci, detentor do CRC constante da DIPJ, por ser o responsável pelo preenchimento da declaração, representante da pessoa jurídica, integrante do quadro societário do contribuinte, e administrador da empresa fiscalizada, revela a forma consciente da entrega da DIPJ com campos preenchidos com zero, de forma concomitante, com a entrega das DCTF sem declarar débitos dos tributos em questão. Concluiu que estas condutas caracterizam o intuito de fraude previsto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, combinado com a intenção de omitir informações a que está obrigado por lei a prestar. Relativo à aplicação das multas, foi imposto ao contribuinte a multa prevista no art. 44, II da Lei nº 9.430/96 pelo intuito de fraudar o Fisco, bem como a do art. 44, § 2º do mesmo normativo c/c o art. 70, I da Lei nº 9.532/97 e art. 959 do RIR/99 pelo fato de não prestar as informações requeridas pela fiscalização, o que perfez o percentual de 225%. Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 8 7 Por fim, o agente fiscal relatou que como o crédito tributário a ser constituído exofficio supera os R$ 500.000,00, retratado pela IN RFB 1.088/2010, bem como os 30% do patrimônio conhecido da empresa, motivou os procedimentos inaugurais do Arrolamento de Bens da Pessoa Jurídica para acompanhar a sua evolução patrimonial enquanto não satisfeitos os débitos perante a Fazenda Nacional (processo nº 10932.000510/201008). Contudo, o fato de não constar registros de bens de titularidade deste contribuinte nos registros da RFB, nos Informes de Rendimentos da Pessoa Jurídica e nos Sistema de Pesquisa do RENAVAN, aliados ao fato de que intimado a indicar bens conforme consta do Termo de Reintimação Fiscal lavrado em 03/11/2010, provocou a propositura de Instauração de Medida Cautelar Fiscal perante a PSFN/DRF/SBC em substituição ao procedimento do Arrolamento de Bens, conforme dispõe a IN RFB 1.088/2010. Em 28/01/2011, foi apresentada Impugnação (proc. fls. 416 a 441). De início a Postulante alegou a nulidade do Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa. Afirmou que no decorrer da fiscalização e muito antes da lavratura do Auto de Infração constatou que de fato havia erro em suas declarações e por este motivo realizou as retificações necessárias para que a Receita Federal pudesse aferir o valor real dos tributos federais devidos no período. Contudo, asseverou que embora a manifesta boafé, o auditor fiscal rejeitou as retificações e desconsiderou os pagamentos realizados, sob a justificativa de que os mesmos foram realizados após o início da ação fiscal, o que prejudicou sobremaneira o exercício da ampla defesa e violou o processo legal, acarretando, desta feita, em enriquecimento ilícito do Erário. No mérito, alegou que efetuou as retificações da DIPJ, DCTF e DACON muito antes da lavratura do Auto de Infração, o que demonstraria a sua boafé perante o Fisco. Desta forma, restou descabida a aplicação de arbitramento da suposta receita bruta, configurando o mesmo como ilegal posto que não foi pautado em critérios objetivos. Afirmou ainda que não se verificou qualquer das hipóteses arroladas no art. 530 do RIR/99 que justificam o arbitramento, já que antes da lavratura do presente Auto de Infração entregou os Livros Diário e Razão, Registros de Entrada e Saída de 2006, os registros de serviços prestados e notas de serviços, além de ter procedido a retificação da DIPJ, DCTF e DACON. No tocante à aplicação da multa, a Postulante asseverou que em nenhum momento agiu com dolo ou intenção de lesionar o Fisco, prova disso que retificou suas declarações e ainda recolheu os tributos apurados como devidos. Ademais, o não cumprimento das intimações efetuadas se deu por motivo justo e alheio à Impugnante, pois a documentação que comprovaria a movimentação financeira estava, “durante todo o período da fiscalização”, em posse da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Argumentou ainda que “a simples apresentação de declaração com dados inexatos, não é razão, por si só, para presumir a fraude e aplicar a multa qualificada”, bem como entendeu que a retificação de boafé afasta o dolo. Alternativamente alegou que ainda que a penalidade fosse devida, a sua fixação em 225% da tributação, tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição. Concluiu que, caso fosse admitida a regularidade do lançamento, de modo algum a multa exigida a título de penalidade poderia subsistir, pois seu valor não guarda qualquer respaldo do ponto de vista infraconstitucional, vez que as infrações apontadas pela autoridade fiscal jamais ocorreram. Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 9 8 Neste diapasão, afirmou que houve desrespeito ao Princípio da Verdade Material, pois era imprescindível o reconhecimento da existência da DIPJ retificadora, onde consta expressamente a receita auferida no período bem como o lucro negativo obtido, sendo impossível a aplicação do lucro arbitrado. Relatou ainda que “carece de validade o fundamento utilizado pelo D. Auditor Fiscal ao incluir o sócio da Impugnante como responsável solidário dos tributos considerados devidos, e pela multa exorbitante imposta, porquanto pretende ampliar a responsabilidade de pessoa física que não poderá responder pelos débitos decorrentes da atividade da empresa autuada”. Destarte, entendeu indevida a imputação de responsabilidade solidária do Sr. Rogério Raucci pois não foi comprovado quaisquer das condutas previstas no art. 135 do Código Tributário Nacional. Por fim, requereu a declaração de nulidade do Auto de Infração; a procedência da Impugnação e consequente anulação do lançamento; a exclusão ou redução da multa punitiva, a exclusão da responsabilidade solidária do sócio, e a não elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais. Requereu também a conversão do Auto de Infração em diligência para apreciação das declarações retificadoras. Em 16/06/2011, a DRJ em Campinas exarou Acórdão decidindo pela improcedência da Impugnação ao rejeitar as nulidades levantadas pela contribuinte, indeferir o pedido de diligência e perícia, bem como manter o crédito tributário lançado (proc. fls. 1374 a 1391). De início a Turma afirmou que na defesa apresentada pelo contribuinte não há qualquer oposição acerca dos valores das receitas apuradas como omitidas, portanto, inexiste litígio quanto a este aspecto. No tocante à alegação de reaquisição da espontaneidade, o órgão julgador alegou que no decorrer da ação fiscal não se vislumbrou lapso temporal superior a 60 dias entre as manifestações formais da fiscalização. Destarte, “não se pode cogitar que o contribuinte tivesse atuado de forma espontânea quando, em 10/09/2009 (fls. 112 e 581) e 14/10/2010 (fls. 120), entregou declarações retificadoras, nelas incluindo parte das receitas autuadas, e quando, em datas entre 30/09/2009 e 16/09/2010, efetuou recolhimento por meio de DARF que apresenta por cópia às fls. 673/688, sob códigos 2089 (IRPJ – lucro presumido) 2372 (CSLL), 8109 (PIS) e 2172 (COFINS) com datas de vencimento dos períodos autuados (entre 15/02/2006 e 31/01/2007), pagamentos estes encontrados no sistema SINAL – 08, conforme pesquisa juntada às fls. 1362/1373”. Concluiu que qualquer providência no sentido de retificar declarações ou proceder a recolhimentos após o início do procedimento fiscal, em nada afeta o lançamento de conformidade com o disposto no art. 7º do Decreto nº 70.235/72 e no art. 138, parágrafo único do CTN. O órgão julgador a quo ressaltou que frente aos recolhimentos efetuados no curso da ação fiscal, a autoridade preparadora deve promover a imputação proporcional de mencionados recolhimentos aos valores lançados com acréscimo de multa de ofício, para cobrança apenas dos débitos remanescentes. Atinente à alegação de nulidade do Auto de Infração por cerceamento de defesa, a DRJ, com base no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, asseverou que não se verificou quaisquer das hipóteses legais que ocasiona a nulidade do Auto de Infração, pois este foi lavrado por autoridade competente e foi franqueada a oportunidade de defesa à autuada. No Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 10 9 mais, afirmou que o procedimento fiscal é inquisitório, o que afasta a aplicação dos Princípios do contraditório e da ampla defesa. Além disso, a Turma alertou para o fato de que a retificação de declarações e o recolhimento de parte dos valores exigidos, não são motivos para a nulidade do Auto de Infração visto que em nada afetam o lançamento, mas apenas ensejam a redução do valor a ser cobrado quando da execução da decisão administrativa, mediante imputação dos pagamentos alegados aos débitos lançados com prevalência da multa de ofício. A DRJ ainda esclareceu que o arbitramento não foi motivado pela falta de informação das receitas nas declarações originalmente apresentadas, as quais vieram a ser retificadas no curso do procedimento, mas sim “pelo fato de a escrituração apresentada não contemplar a totalidade da movimentação financeira e porque não apresentados elementos fiscais que deem suporte aos lançamentos da conta que registra a movimentação financeira, lançamentos estes em número de apenas quatro por mês, sendo dois de despesas bancárias e outros dois totalizando os depósitos e os cheques emitidos no mês”. O órgão julgador também mencionou que embora reiteradamente intimada, a contribuinte não atendeu a solicitação de esclarecer os lançamentos no Livro Diário e apresentar a correspondente documentação de suporte. Quanto ao argumento de que a documentação estaria em poder do Fisco Estadual, a DRJ asseverou que conforme ofício encaminhado pela Secretaria da Fazenda do Estado (proc. fl. 91), a documentação foi devolvida à contribuinte em 10/11/2010. Ademais, segundo noticiou a autoridade fiscalizadora, a documentação em poder do Fisco Estadual não correspondia à documentação comprobatória dos lançamentos contábeis requeridos. Destarte, constatado que a escrituração não contemplava a integralidade da movimentação financeira e que não foram apresentados documentos de suporte dos registros contábeis questionados, a Turma entendeu que não restou outra alternativa à fiscalização a não ser o arbitramento do lucro com fundamento no art. 530 do RIR/99. O órgão julgador ainda ressalvou que, relativo ao arbitramento, nada foi oposto referente ao montante apurado a título de receita bruta e aos percentuais de determinação do lucro, portanto, manteve a exigência de IRPJ e reflexos. Já quanto à penalidade aplicada, o colegiado afirmou que as condutas da contribuinte evidenciaram o intuito de fraude previsto nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, combinado com a intenção de omitir informações a que estava obrigada a prestar conforme estabelecido nos art. 1º e 2º da Lei nº 8.137/90. A Turma justificou a qualificação da multa tendo em vista as seguintes constatações: 1) “intimada no curso da presente ação fiscal não apresentou as informações solicitadas em relação à documentação comprobatória que deem lastro aos cheques que emitiu ou que identifiquem a natureza individualizada da origem dos recursos transferidos da conta caixa para a conta Banco Itaú, conforme reiteradamente assinalada pela fiscalização nos diversos Termos lavrados em busca destes elementos, para permitir a auditoria dos registros contábeis e a verificação dos reais beneficiários dos recursos extraídos desta contribuinte, considerando o resultado escritural de elevado prejuízo líquido que apurou em seu balanço patrimonial (fls. 228) frente ao valor do capital social integralizado”; 2) “voluntariamente apresentou DIPJ, no entanto, preencheu os campos informativos e Receita bruta com valores iguais a “zero” na DIPJ, sendo que foi constatada Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 11 10 pela fiscalização a existência de receita bruta auferida, tanto a escriturada nos livros, como a clandestina às contas contábeis de receita, sendo que esta foi caracterizada e levantada por meio do confronto entre os recursos disponíveis e as aplicações que realizou, conforme anteriormente relatado”; 3) “as DCTF originais nada acusavam de débitos para os tributos federais – IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e COFINS, sendo que a modalidade do Lucro Presumido, manifestada por seu livre arbítrio, tem como sistemática a aplicação de um percentual sobre a receita, logo havendo receita bruta sempre ocorrerá apuração de débitos para os tributos cuja base é o resultado (IRPJ e CSLL), bem como para o PIS/Pasep e a COFINS submetidas à sistemática cumulativa (art. 2º, inciso I, alínea “a”, II e parágrafo único, arts. 3º, 10, 22 e 52 do Decreto nº 4.524/02)”; 4) “a circunstância de que a pessoa natural do Sr. Rogério Raucci ser detentor do CRC 1SP176285/O8, conforme consta da ficha 03 da DIPJ; ser o responsável pelo preenchimento da declaração; ser o representante da pessoa jurídica; integrar o quadro societário da contribuinte; ter a incumbência de ser o administrador da empresa, conforme cláusulas estipuladas no Instrumento de Constituição e nas alterações posteriores promovidas; revelam forma consciente da entrega das DCTF sem declarar débitos dos tributos em questão”. Relatou o órgão julgador que frente a estas constatações, a Impugnante limitouse a alegar ter retificado suas declarações para nela incluir parte da receita apurada como omitida, mesmo não tendo readquirido a espontaneidade como argumenta, e nada esclareceu quanto aos registros contábeis efetuados de forma totalizada inviabilizando a identificação da origem e a destinação dos recursos questionados. Ressaltou ainda que as retificações realizadas pela contribuinte só expressam a concordância com a ocorrência de omissão de receitas, pois que se estas estivessem escrituradas inexistiria motivo lógico para deixalas de incluir em suas declarações prestadas à Receita Federal, sobretudo tendo em conta a qualificação de contador de seu sócio e representante. Concluiu que a apresentação de receitas zeradas ocorreu de forma consciente. Destarte, entendeu a DRJ que “a conduta de adotar a forma de escrituração que inviabilize a identificação da origem de recursos transferidos da conta caixa para a conta bancos bem como que impeça a identificação dos reais beneficiários dos recursos e, ainda, de declarar sistematicamente ao Fisco valores zerados em dissonância com aqueles que seriam os verdadeiros, sem que nenhuma justificativa plausível para tanto seja apresentada, além de retardar o conhecimento do fato gerador por parte da autoridade administrativa, ainda faz essa supor, pelo princípio da boafé, que aquele contribuinte está cumprindo com suas obrigações, desviando seu foco para outros que nem mesmo apresentaram as devidas declarações”. Ademais, a Turma ainda mencionou que tais fatos não foram desconstituídos pela Postulante, o que imporia a manutenção da qualificação da penalidade. Quanto à majoração da multa em 50%, o colegiado alegou que se deu tendo em vista que a contribuinte não apresentou as informações que lhe foram solicitadas (art. 44, § 2º da Lei nº 9.430/96). Relativo às alegações de que a multa aplicada caracteriza confisco e enriquecimento ao erário, o órgão julgador asseverou que não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade ou não de leis tributárias em vigor. Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 12 11 A Impugnante se manifestou solicitando a não formulação de Representação Fiscal para Fins Penais, no entanto, a DRJ esclareceu que não é da competência dos órgãos administrativos o julgamento e apreciação de questões relacionadas a esta matéria. Citou ainda a súmula nº 28 do CARF que exclui da competência deste Conselho o pronunciamento sobre controvérsias relativas à Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Por fim, no tocante ao pedido de diligência e perícia, a Turma asseverou que ante o arbitramento dos lucros, inadmissível é a desconsideração do lançamento pela apresentação posterior da documentação anteriormente exigida, pois não existe arbitramento condicional. Além disso, os elementos constantes dos autos são suficientes para formação da convicção dos julgadores a respeito da matéria em litígio. O Recurso Voluntário foi interposto em 16/05/2011 (proc. fls. 1396 a 1423). O Recorrente alegou em preliminar a nulidade do Acórdão exarado em virtude do evidente cerceamento do direito de defesa e a supressão de instâncias administrativa. Afirmou que ao considerar os pagamentos realizados para abatêlos do montante exigido da infração, a DRJ deveria ter reaberto prazo para que a Postulante retificasse sua defesa quanto a tal redução, oportunidade em que seriam fixados os pontos controvertidos do Auto de Infração, haja vista que não é dado às partes inovar em suas razões de mérito em sede de recurso. No mais, se valeu dos mesmos argumentos levantados na Impugnação, quais sejam: a impossibilidade de arbitramento do lucro frente às retificações realizadas em suas declarações (DIPJ, DCTF e DACON); ausência de dolo e necessidade de redução da multa aplicada; o caráter confiscatório da penalidade; o desrespeito ao Princípio da Verdade Material; e, a indevida imputação de responsabilidade solidária do sócio Sr. Rogério Raucci. É o relatório. Voto Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 13 12 PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Considerando que a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, este Conselheiro, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado ad hoc para a formalização do presente Acórdão. Nesta condição de Redator designado, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pela Conselheira durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção daquela relatora na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado, no caso aqui tratado: i) ao relato dos fatos apresentado; ii) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e, iii) a quaisquer das conclusões da decisão, incluindose a parte dispositiva e a ementa, com as quais posso ou não concordar em situações concretas . Passo, a seguir, à transcrição do voto. Nara Cristina Takeda Taga, Conselheira Relatora O Recurso interposto é tempestivo, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa tendo em vista que em momento algum se impossibilitou a manifestação do contribuinte em face dos fatos alegados nestes autos. Ademais, sempre que lhe foi franqueada a oportunidade de pronunciamento o Postulante o fez de forma inequívoca por meio tanto de Impugnação como do Recurso Voluntário em análise. Não atende razão o argumento de que houve supressão de instância, caracterizando cerceamento do direito de defesa, a não reabertura do prazo para Impugnação da imputação do montante pago em face do crédito tributário lançado. O pagamento de parte do débito tributário no curso da ação fiscal e, seu consequente abatimento no valor do crédito exigido, não constitui novo lançamento ou sua revisão. Destarte, verificando que foi realizado o recolhimento de tais importâncias, outro não poderia ser o posicionamento do órgão julgador a quo senão o de reduzir tais valores, que foram calculados e pagos pelo contribuinte, do crédito tributário lançado, sob pena de se configurar enriquecimento sem causa ao erário. O contribuinte foi autuado tendo em vista que sua escrituração não contemplava toda a movimentação financeira verificada pela fiscalização, e, intimado para apresentar documentação que desse suporte aos lançamentos efetuados não obteve êxito, o que levou a autoridade fiscalizadora ao arbitramento do lucro. Vale mencionar que em nenhum momento a Recorrente se manifestou contra os valores das receitas apuradas como omitidas, o montante a título de receita bruta ou os percentuais de determinação do lucro, o que acarreta a preclusão quanto a estes temas. No caso concreto, o lucro foi arbitrado com fundamento no disposto no art. 530, II, alínea a do RIR/99, pois a escrituração apresentada não contemplava a totalidade da movimentação financeira, não sendo apresentados documentos fiscais hábeis a dar suporte aos lançamentos realizados pelo contribuinte, “lançamentos estes em número de apenas quatro por mês, sendo dois de despesas bancárias e outros dois totalizando os depósitos e os cheques emitidos no mês”. Destarte, afastase a afirmação de que o lançamento é improcedente ante o argumento de que não se verificou nenhuma das hipóteses legais para o arbitramento do lucro. Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 14 13 Superada estas questões, cingese a controvérsia dos presentes autos à possibilidade ou não de retificação das declarações de DIPJ, DCTF e DACON realizadas após o início da ação fiscal e quais os efeitos em relação ao lançamento realizado. O ordenamento normativo vigente estabelece que, iniciado o procedimento fiscal, afastase a espontaneidade do contribuinte. Vale mencionar que a possibilidade de reaquisição da espontaneidade no curso da fiscalização apenas se dá quando a autoridade fiscal deixa transcorrer o lapso de 60 dias sem que indique o prosseguimento da atividade fiscalizatória, o que não se verificou no caso em tela. Vide art. 7º, §§ 1º e 2º do Decreto nº 70.235/72: “Art. 7º. O procedimento fiscal tem início com: I – o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor ... § 1º. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º. Para os efeitos do disposto no § 1º, os referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos.” Verificase que a apresentação de declarações retificadoras no curso da ação fiscal não gera qualquer efeito ao procedimento fiscal em curso. Destarte, não merece guarida a alegação da Recorrente de que realizada a retificação de suas declarações, afastado o lançamento tributário realizado. Este é o entendimento consolidado inclusive por meio de súmula deste Conselho Administrativo: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. RETIFICAÇÃO DE DCTF QUANDO JÁ INSTAURADO O PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE Reputamse ineficazes, em face da perda da espontaneidade do sujeito passivo, as informações veiculadas em declarações originárias ou retificadoras apresentadas no curso de ação fiscal. (CARF, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, acórdão nº 110200.394, julgado em 21/02/2011). DECLARAÇÃO RETIFICADORA. INVIABILIDADE DA FRUIÇÃO DOS BENEFÍCIOS DA ESPONTANEIDADE SE APRESENTADA NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 15 14 O contribuinte somente pode retificar sua declaração de ajuste anual, fruindo dos benefícios da espontaneidade (pagamento da diferença do imposto com acréscimos moratórios minorados em face daqueles do procedimento de ofício), se não estiver com procedimento fiscal iniciado. Essa é a inteligência da Súmula CARF nº 33 (A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício), de aplicação obrigatória nos julgamentos desta instância, como determinado pelo art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF RICARF. (CARF, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, acórdão nº 210201.183, julgado em 18/03/2011) Afastada a possibilidade de que a retificação das declarações efetuada no curso da ação fiscal afetaria o lançamento realizado e, consequentemente, o arbitramento do lucro, passase à análise das demais questões levantadas pelo Recorrente. Foi cominada multa qualificada e agravada com base nos art. 44, II e §2º da Lei nº 9.430/96, redação vigente à época da realização dos fatos geradores. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: ... II – cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71,72 e73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ... § 2º. As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos caos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) Prestar esclarecimentos; b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. Vale mencionar, que em 2007 houve alteração legislativa, no entanto, mantevese a aplicação da multa agravada no percentual de 225% para as hipóteses descritas pela autoridade lançadora. Vide: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 16 15 ... § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º. Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. O Postulante limitase a afirmar que não se verificou conduta dolosa já que efetuou espontaneamente as retificações das declarações, o que demonstraria a sua boafé e afastaria o dolo. Não merece acolhimento esta afirmação. A uma, porque como já explanado a retificação de declarações no curso da ação fiscal não produz nenhum efeito sobre o lançamento realizado. A duas, porque a retificação ao invés de afastar o dolo da conduta do agente acaba por qualificala como dolosa, visto que se ante o conhecimento do início de ação fiscal o contribuinte prontamente retifica as declarações espontaneamente feitas, tal comportamento aponta para o fato de que o sujeito passivo tinha consciência de que apresentará declarações zeradas a par da existência de receita bruta auferida. E a três, porque a despeito de retificar suas declarações de DIPJ, DCTF e DACON, o contribuinte mantevese inerte quando das inúmeras requisições para apresentação dos documentos necessários a provar a movimentação financeira questionada. Outro argumento que reforça a afirmação de que o Postulante agiu de forma dolosa é o fato de o contador que subscreve a DIPJ é não apenas representante da pessoa jurídica, mas também administrador da mesma e integra o seu quadro societário. Destarte, não há que se dizer que o Sr. Rogério Raucci ao apresentar voluntariamente declarações zeradas de DIPJ, DCTF e DACON desconhecia a escrituração da empresa e suas receitas, tendo em vista que as retificou quando entendeu conveniente. Mostrase robustamente provado a consciência e vontade do sujeito passivo de que sua conduta consistia em forma de impedir ou retardar o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência de fato gerador e de suas circunstâncias materiais. Portanto, entendo cabível a multa qualificada prevista no art. 44 § 1º da Lei nº 9.430/96, frente ao evidente intuito de fraudar visando o não pagamento do tributo, como de fato ocorreria se não iniciado o procedimento de fiscalização. No entanto, afasto a aplicação da multa agravada imposta sob o argumento de que o contribuinte não prestou as informações que lhe foram solicitadas. Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 17 16 Segundo prescreve o § 2º, I da norma supracitada, a multa será agravada em 50% nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimento. Compulsando os autos, verificase que de fato o contribuinte deixou de responder a algumas intimações que lhe foram feitas, e apesar disso a fiscalização de posse das retificações e demais documentos acostados conseguiu realizar o lançamento. Segundo jurisprudência deste colegiado, nesta situação, a multa agravada pode ser afastada. Confirase: MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento de intimação. (CARF, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, acórdão nº 210201.331, julgado em 13/05/2011) Logo, afasto a aplicação da multa agravada. Quanto à alegação de que a penalidade aplicada possui caráter confiscatório e, portanto, inconstitucional, este colegiado não possui atribuição para se manifestar no tocante à inconstitucionalidade de lei vigente no ordenamento jurídico pátrio. Vide súmula deste Conselho: Sumula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributaria. Por fim, referente à alegação de que é indevida a imputação solidária do sócio Rogério Raucci, sob o argumento de que este não realizou nenhuma das condutas previstas no art. 135 do CTN, é preciso esclarecer que não consta destes autos tal imputação de sujeição passiva solidária. Destarte, infundados os questionamentos acerca da atribuição de tal responsabilidade. Ante o exposto, dou parcial provimento ao Recurso interposto, para rejeitar as preliminares de nulidade arguidas, manter o crédito tributário descontado destes os valores recolhidos quando da retificação da DCTF, aplicar a multa qualificada e afastar a imposição da multa agravada. Sala de Sessão, 08 de agosto de 2012. Nara Cristina Takeda Taga Relatora (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 18 17 Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Divirjo da I. Relatora quanto à exclusão do agravamento da penalidade, pois interpreto objetivamente as hipóteses do art. 44, §2º da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) prestar esclarecimentos; b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. E, no quadro elaborado pela autoridade julgadora de 1ª instância, abaixo transcrito, evidenciado está que a contribuinte deixou de atender intimações e/ou as atendeu fora do prazo marcado: Intimação Ciência Resposta Termo de Início (fls. 2), com intimação para apresentação de livros e documentos prazo 20 dias 15/06/09 (fls. 04) Em 16/07/09 (fls. 07) entrega de contrato social e solicitação de prazo adicional para entrega dos demais elementos solicitados (fls. 07) Termo de reintimação de 03/08/09 (fls. 05) – prazo 03 dias 06/08/09 (fls. 06) Em 16/09/09 (fls. 31) apresenta Livros Diário e Razão Termo de intimação de 21/09/09 (fls. 32) para apresentação de livros registros de saída, prestação de serviços e de entradas; talonário de notas fiscais, estratos de 06/10/09 (fls. 33) Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 19 18 movimentação financeira do Banco Itaú em decorrência de discrepâncias detectas nos valores de contas contábeis que aponta – prazo 05 dias úteis Termo de ciência e de continuação de procedimento fiscal 18/11/09 (fls. 34) 24/11/09 (fls. 35) Termo de ciência e de continuação de procedimento fiscal 14/01/10 (fls. 36) 18/01/10 (fls. 37) Reintimação p/ atendimento de solicitações anteriores no prazo de 5 dias e intimação p/ justificar diferenças constatadas em lançamentos contábeis que aponta no prazo de 20 dias 12/02/2010 (fls. 38) 25/02/10 (fls. 43) Termo de ciência de que decorridos mais de 30 dias não houve atendimento de solicitações anteriores que menciona – 30/03/10 08/04/10 (fls. 45) Em 30/04/10 solicitação de prazo de 30 dias (fls. 46) 31/05/10 Termo de ciência de que vencido o prazo pleiteado em 30/04/10 não foram atendidas solicitações anteriores (fls. 47) 04/06/10 (fls. 48) 28/07/10 – Termo de ciência e de continuação de procedimento fiscal (fls. 49) 30/07/10 (fls. 50) 01/09/10 – Termo de Verificação, Constatação e Intimação p/, entre outras solicitações, apresentar elementos hábeis e idôneos que comprovem e dêem lastro aos lançamentos escriturados no diário e razão (fls. 51/59) prazo 5 dias úteis 14/09/10 (fls. 83) Em 16/09/10 enviadas notas fiscais de serviços que menciona e livro de notas fiscais de serviços prestados (fls. 84) 03/11/10 – Termo de reintimação p/, entre outras solicitações, apresentar documentos hábeis a comprovar os lançamentos efetuados na escrituração do livro diário – prazo 5 dias (fls. 94) 05/11/10 (fls. 95) 16/11/10 solicitação de dilação de prazo por 20 dias (fls. 96) 03/12/10 apresentados livros registro de entradas e de saídas (fls. 98) 06/12/10 solicita prazo 10 dias p/ atender as demais solicitações (fls. 99/101) 07/12/10 apresenta livro de entrada (fls. 102) A desídia no atendimento às intimações fez o procedimento fiscal durar mais de 500 (quinhentos) dias, onerando o Estado com a dedicação de uma autoridade fiscal por todo este período para construir documentalmente fatos e presunções legais, o que evidencia a conduta protelatória da contribuinte, que como bem ressaltado pela I. Conselheira Relatora, Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10932.000511/201044 Acórdão n.º 1101000.783 S1C1T1 Fl. 20 19 embora conhecedora de que a realidade de suas operações não seria aquela originalmente declarada ao Fisco, buscou assegurar o não recolhimento dos tributos devidos por largo espaço de tempo, antes e durante o procedimento fiscal, e, porque não dizer, também agora durante o contencioso administrativo fiscal. Esta conduta é distinta daquela que enseja a aplicação da multa qualificada, cuja manutenção defendo na mesma linha da I. Relatora, e é apenada, nos termos da lei antes transcrita, com a majoração da penalidade, neste caso originalmente fixada em 150%, motivo pelo qual entendo que a exigência fiscal deve ser integralmente mantida. Por estas razões, concordo com a rejeição das preliminares de nulidade arguidas, mantenho o crédito tributário descontado dos valores recolhidos quando da retificação da DCTF, bem como a aplicação da multa no percentual exigido, motivo pelo qual NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 15277.000070/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Ronnie Soares Anderson.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 15277.000070/2008-51
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5557459
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-000.510
nome_arquivo_s : Decisao_15277000070200851.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RONALDO DE LIMA MACEDO
nome_arquivo_pdf_s : 15277000070200851_5557459.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Ronnie Soares Anderson. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
id : 6247757
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124875866112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1238; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15277.000070/200851 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.510 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 10 de dezembro de 2015 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente THEBA REFLORESTADORA E AGROPECUÁRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Ronnie Soares Anderson. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 52 77 .0 00 07 0/ 20 08 -5 1 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15277.000070/200851 Resolução nº 2402000.510 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a comercialização de produtos rurais, correspondentes à contribuição do produtor rural pessoa jurídica e a contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 05/1999, 07/1999, 11/1999, 12/1999, 01/2000, 06/2000, 08/2000 a 10/2001, 12/2001, 02/2002 a 05/2002, 07/2002, 08/2002, 11/2002 e 12/2002. O Relatório Fiscal (fls. 33/34) informa que o débito foi apurado com base nos valores lançados no livro Razão, conforme discriminado no Relatório de Lançamentos RL (fls. 16/18) e demonstrado no Discriminativo Analítico de Débito DAD (fls. 04/09). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 03/06/2008 (fls. 01 e 67), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 39/44), alegando, em síntese, que: 1. Em preliminar, argúi a tempestividade da impugnação assegurando que foi intimada pelo correio em 03/06/2008, portanto, a contagem do prazo para apresentação de defesa iniciouse em 04/06/2008 e encerrouse em 03/07/2008; 2. No mérito, alega a decadência do direito à constituição da obrigação tributária, em razão do transcurso do prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador e em face da publicação da Súmula Vinculante n° 8 do STF, que considerou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8212/1991. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora/MG – por meio do Acórdão 0920.749 da 6a Turma da DRJ/JFA (fls. 74/78) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de impugnação, acrescentando que seja observado o enunciado no 08 da Súmula Vinculante do STF. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15277.000070/200851 Resolução nº 2402000.510 S2C4T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Antes de analisarmos as questões do recurso, constatase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco) e sanadas. Isso porque, um dos argumentos suscitados nas razões de recurso do contribuinte diz respeito à matéria fática relacionada a intempestividade da peça de impugnação. Registrase que a DRJ, decisão de primeira instância, julgou intempestiva a impugnação da Recorrente, afirmando que o Auto de Infração impugnado foi recebido pela Recorrente em 02/06/2008, conforme Aviso de Recebimento (AR), e não levou em consideração o “Histórico do Objeto” obtido no “site” dos Correios que apontava a data de entrega em 03/06/2008 (fls. 67). Entretanto, a data do recebimento da intimação pelo sujeito passivo registrada na cópia do Aviso do Recebimento (AR) de fls. 36 não tem visibilidade nítida para a confirmação de que a data seria dia 02/06/2008 e, além disso, o ano registrado no AR (quadro da data de recebimento) encaminha para o ano de 2009, totalmente distinto dos demais documentos acostados aos autos que sinalizam para o ano de 2008. Desse modo, o fato constitutivo do lançamento fiscal ainda não está devidamente esclarecido qual seria a data de recebimento da intimação pelo sujeito passivo. Assim, pelo fato de que foram acostados cópias de documentos nos autos sobre a data de intimação do lançamento fiscal, já que esta data é relevante para o deslinde da controvérsia, resolvo converter o julgamento em diligência, a fim de que o Fisco verifique nos documentos originais ou em outros documentos dos Correios a data de intimação do lançamento fiscal e emita Parecer ou Informação Fiscal sobre os fatos constatados. Após a elaboração da Informação, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e do Parecer (Informação), com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10640.720113/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos.
LIDE. AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE QUESTIONAMENTO EXPRESSO.
É de ser mantida a glosa de despesas médicas relativas a pessoas não revestidas da condição de dependentes, para fins de tributação pelo imposto de renda, que não foi expressamente questionada pela Recorrente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro MARTIN DA SILVA GESTO, que dava provimento parcial para excluir da tributação os valores recebidos a título de aposentadoria.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008, 2009 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. LIDE. AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE QUESTIONAMENTO EXPRESSO. É de ser mantida a glosa de despesas médicas relativas a pessoas não revestidas da condição de dependentes, para fins de tributação pelo imposto de renda, que não foi expressamente questionada pela Recorrente. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10640.720113/2011-12
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5573985
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.145
nome_arquivo_s : Decisao_10640720113201112.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
nome_arquivo_pdf_s : 10640720113201112_5573985.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro MARTIN DA SILVA GESTO, que dava provimento parcial para excluir da tributação os valores recebidos a título de aposentadoria. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
id : 6308223
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124885303296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2065; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 91 1 90 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.720113/201112 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.145 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de fevereiro de 2016 Matéria IRPF Recorrente ELIZABETH DERZE COPPUS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. LIDE. AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE QUESTIONAMENTO EXPRESSO. É de ser mantida a glosa de despesas médicas relativas a pessoas não revestidas da condição de dependentes, para fins de tributação pelo imposto de renda, que não foi expressamente questionada pela Recorrente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro MARTIN DA SILVA GESTO, que dava provimento parcial para excluir da tributação os valores recebidos a título de aposentadoria. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 01 13 /2 01 1- 12 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10640.720113/201112 Acórdão n.º 2202003.145 S2C2T2 Fl. 92 2 Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, dos anos calendário de 2007 e 2008, exercícios de 2008 e 2009, respectivamente, onde foi exigido imposto no valor de R$ 4.216,49, acrescido de multa proporcional, no percentual de 75%, e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic. No Relatório da Ação Fiscal, narra a Autoridade autuante, em resumo, que constatou dedução indevida com despesas médicas, relativas ao plano de saúde Unimed Juiz de Fora/MG, tendo em vista que parte dessas despesas não se referiam à própria declarante, mas sim ao marido e dois filhos, que não constavam como seus dependentes, nas DIRPF em questão. Irresignada, a Contribuinte apresentou Impugnação que consta da folha 71, dizendo em suma que seus rendimentos são isentos do imposto de renda por serem decorrentes de aposentadoria e ser ela portadora de moléstia grave. Anexou Laudo Médico Oficial, disse que os declarara como tributáveis por "desconhecimento" e pediu nova análise para "apuração ou restituição que seria de direito." A DRJ/Juiz de Fora/MG analisou a manifestação de inconformidade, concluindo, em resumo, assim (fl. 78): A infração apontada pelo Fisco a título de dedução indevida de despesas médicas não foi questionada pela impugnante, ... Requer ela, de outro lado, que se considere como isentos os rendimentos espontaneamente declarados como tributáveis, ... Contudo, importa esclarecer que só é admissível a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante, para fins de reduzir ou excluir tributo, quando solicitada antes de notificado o lançamento de ofício. E assim decidiu o Acórdão recorrido pela improcedência da impugnação. Cientificada dessa decisão em 29/06/2012, dia de sextafeira (AR na folha 81), a contribuinte interessada apresentou Recurso voluntário em 31/07/2012 (protocolo na folha 83). Em sede de recurso, volta a afirmar que seus rendimentos são isentos nos termos do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 1988 e que faria jus à restituição do imposto. Que Fl. 92DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10640.720113/201112 Acórdão n.º 2202003.145 S2C2T2 Fl. 93 3 declarou erradamente por desconhecimento e que se julga no direito de "complementar o pedido". Anexa Laudo Médico Oficial e publicação de sua aposentadoria. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso. Discordo da DRJ, entretanto, que entendeu não poder analisar a questão relativa ao lançamento efetuado, tratando dos limites da lide. A dedução das despesas médicas reduz a base de cálculo do imposto. Uma vez efetuada a glosa, fazse nova apuração a partir de parcela dos rendimentos que haviam sido deduzidos. Se em sua defesa a contribuinte alega que aqueles rendimentos eram isentos, não vejo que esteja extrapolando os limites da lide. A alegação para a tributação ou não tributação daquela parte dos rendimentos é diversa da motivação apresentada pela Autoridade Fiscal no lançamento, mas o objeto do litígio é o mesmo. Por outro lado, quando diz que "complementa" seu pedido, no recurso, para que se considere todo o rendimento declarado como isento, em virtude do preenchimento das condições estabelecidas no artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, e se lhe defira restituição, aí sim a Recorrente está indo além daquilo que foi alterado pelo lançamento, a parcela dos rendimentos que havia sido indevidamente deduzida a título de despesas médicas, e pretendendo uma "revisão de ofício" em sua declaração. Não se pode transformar a lide tributária a ser julgada pelos órgãos administrativos competentes, em 1ª instância e grau recursal, em pedido de revisão de ofício para que seja retificada uma declaração que teria sido apresentada com erro pelo contribuinte, como a própria assinala e pretende em seu recurso. Ressalvadas algumas matérias de ordem pública, a competência do julgador para a revisão do lançamento restringese à hipótese prevista no art. 145 do CTN, sendo a revisão de ofício de iniciativa exclusiva da RFB (art. 149 do CTN). DA ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. Verificase que existem duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: uma é ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios e outra é os rendimentos serem provenientes de aposentadoria ou reforma. Lei nº 7.713/1988 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10640.720113/201112 Acórdão n.º 2202003.145 S2C2T2 Fl. 94 4 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(destaquei) É de ser observada também a Súmula CARF Nº 63, abaixo transcrita: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios”. A contribuinte apresentou o Laudo cuja cópia consta da folha 85, emitido por médico mastologista do Departamento de Saúde da Mulher da Secretaria da Saúde de Minas Gerais, dando conta de que era portadora de neoplasia maligna desde 07/2003 e cópia da publicação de sua aposentadoria pela Secretaria Estadual de Educação, no cargo de analista de educação, a partir de novembro de 1997. Porém, observo que a mesma possui nos exercícios em questão duas fontes de renda, como consta de suas declarações e dos comprovantes de rendimentos que constam dos autos: uma é a Secretaria de Estado do Governo de Minas Gerais e outra é a Prefeitura de Juiz de Fora, da qual recebia rendimentos em valor bastante superior. Em relação à Prefeitura, os rendimentos pagos não eram decorrentes de aposentadoria, mas de trabalho assalariado, como consta das folhas 44 e 59. Inclusive, a Contribuinte declarouse "servidora pública da administração direta municipal professor de ensino fundamental" como atividade principal, em suas DIRPF, evidenciando que na Prefeitura não estava aposentada, mas ativa, percebendo rendimentos do trabalho assalariado. Os rendimentos que são isentos são aqueles que satisfazem os requisitos da lei (decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão) e não todo e qualquer rendimento percebido pelo acometido por moléstia definida como grave e o fato de estar aposentada pela Secretaria Estadual não leva a abrangência da isenção para os rendimentos percebidos da Prefeitura, onde estava ativa e que tinham natureza de rendimento do trabalho assalariado. Se todo o rendimento da Contribuinte fosse isento, não haveria razão para se manter a autuação que efetuou a glosa das despesas mas, como explicado, não é o caso. CONCLUSÃO Fl. 94DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10640.720113/201112 Acórdão n.º 2202003.145 S2C2T2 Fl. 95 5 Não tendo a contribuinte questionado a glosa da dedução com despesas médicas relativas a pessoas não dependentes e pelo acima exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 95DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720349/2010-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. MULTA AGRAVADA.
O não atendimento às intimações da Fiscalização para prestar esclarecimentos enseja o agravamento da multa de ofício, independentemente da demonstração de prejuízo à formalização do lançamento.
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-003.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 18/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. MULTA AGRAVADA. O não atendimento às intimações da Fiscalização para prestar esclarecimentos enseja o agravamento da multa de ofício, independentemente da demonstração de prejuízo à formalização do lançamento. Recurso Especial do Procurador provido
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10166.720349/2010-11
anomes_publicacao_s : 201512
conteudo_id_s : 5555150
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9202-003.673
nome_arquivo_s : Decisao_10166720349201011.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 10166720349201011_5555150.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
id : 6238876
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124905226240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1859; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 189 1 188 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10166.720349/201011 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.673 – 2ª Turma Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Penalidade multa de ofício agravamento Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RAIMUNDO CESAR ATHAYDE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 PAF PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. MULTA AGRAVADA. O não atendimento às intimações da Fiscalização para prestar esclarecimentos enseja o agravamento da multa de ofício, independentemente da demonstração de prejuízo à formalização do lançamento. Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 03 49 /2 01 0- 11 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Relatório Em sessão plenária de 29/07/2011, foi julgado o Recurso Voluntário nº 905.742, relativo à exigência de Imposto de Renda Pessoa, exarandose o Acórdão nº 2801 01.760 (fls. 109 a 121), assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. Para que as despesas previstas na legislação como dedutíveis da base de cálculo do IRPF sejam acatadas, indispensável a existência de documentos hábeis e idôneos que comprovem a realização das respectivas despesas. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Incabível a alegação de nulidade do lançamento, com base na ocorrência de cerceamento ao direito de defesa, quando o recorrente não comprova a existência desse fato tampouco se encontram presentes nos autos quaisquer elementos que demonstrem ofensa àquele direito. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Comprovado o evidente intuito de fraude praticado pelo contribuinte, caracterizado pelo conjunto probatório contido nos autos, correta a qualificação da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. DESCABIMENTO. Se o não atendimento às intimações da fiscalização não acarretar prejuízo ao curso da ação fiscal, incabível o agravamento da multa de ofício. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma não lhe cabe apreciar alegações de violação a princípios constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 9202003.673 CSRFT2 Fl. 190 3 As decisões proferidas pelos órgãos do Poder Judiciário, que não possuem efeito vinculante, não constituem normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual somente produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Recurso parcialmente provido.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício de 225% para 150%, nos termos do voto do Relator.” O processo foi encaminhado à PGFN em 19/09/2011 (Despacho de Encaminhamento de fls. 166). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a data de intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu em 19/10/2011, portanto o Recurso Especial (fls. 167 a 174) teria como termo final 03/11/2012, tendo sido interposto em 26/10/2011 (Despacho de Encaminhamento de fls. 175). O recurso está fundamentado no art. 68 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir o desagravamento da multa de ofício. Ao recurso foi dado seguimento, conforme despacho de 27/04/2012 (fls. 176/177). No apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: é preciso mencionar, inicialmente, que a legislação põe à disposição da Fiscalização uma série de instrumentos para que se possa chegar à verdade dos fatos e, conseqüentemente, aferir o valor tributável; caso a fiscalização, por conta das circunstâncias do caso concreto, opte por buscálas diretamente com o contribuinte e, para tanto, expeça as intimações pertinentes, não pode o contribuinte furtarse em cumprilas, sob pena de sanção legal; no caso em tela, a sanção está expressamente prevista no § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, com a redação vigente à época, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) Fl. 191DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I – juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II – isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III – isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV – isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V – isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (Revogado pela Lei nº 9.716, de 1998) § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. a natureza punitiva dessa norma é flagrante, não constando em seu conteúdo qualquer consideração acerca do resultado provocado pelo descumprimento do dever do sujeito passivo de colaborar com a Administração Tributária; o antecedente da norma contempla apenas a hipótese de o contribuinte não atender, no prazo marcado, a intimação para prestar esclarecimento, fato este suficiente para autorizar o agravamento da sanção; desconsiderar o agravamento da multa, no presente caso, importa em violação ao art. 136 do CTN, segundo o qual a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato. a responsabilidade decorre do descumprimento do dever de prestar esclarecimentos, não importando, segundo o preceito do CTN, quais os efeitos desse ato; assim, não podemos concordar com o entendimento do ilustre Relator que, grosso modo, admite o descumprimento de intimações fiscais, sem o agravamento de multa; Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 9202003.673 CSRFT2 Fl. 191 5 como se observa, a prosperar tal entendimento, restaria aniquilado todo o trabalho da fiscalização tributária, uma vez que as intimações passariam a ser meras solicitações, de cumprimento facultativo pelos contribuintes; merece reforma, portanto, o acórdão a quo, por ofensa à legislação aplicável à matéria (Art. 44, § 2º da Lei nº 9.430/96), bem como por divergir do entendimento, que entendemos acertado, constante do Acórdão Paradigma nº 10808356. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja admitido e provido o Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido, mantendose a multa em seu percentual agravado. Cientificado em 21/02/2013 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 184), o Contribuinte quedouse silente (fls. 188). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase do desagravamento da multa de ofício qualificada, já que o Contribuinte não atendeu às intimações enviadas pela Fiscalização. Sobre o assunto, a Lei nº 9.430, de 1996 assim estabelecia: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) (...) § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze Fl. 193DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente.” Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 80, o Contribuinte não atendeu a nenhuma das intimações para apresentação de documentos e esclarecimentos, o que por si só já constitui descumprimento ao dispositivo legal acima, que em momento algum ressalva a necessidade de demonstração de prejuízo à autuação. Ademais, no presente caso obviamente houve prejuízo à ação fiscal, já que toda a documentação necessária à autuação teve de ser obtida mediante circularização, o que constitui ônus adicional ao trabalho fiscal. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, restabelecendo o agravamento da multa de ofício, que já restara qualificada, retornandoa ao percentual de 225%. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 194DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 13706.001456/2004-23
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário. SIMPLES. INCLUSÃO. DÉBITO.
Nos termos do art. 9, XV da lei n° 9.713/96, ao contribuinte que tenha débito inscrito em dívida ativa da União, que não esteja com a exigibilidade suspensa, é vedada a inclusão no regime do simples.
Numero da decisão: 1103-000.185
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Hugo Correia Sotero
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201004
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário. SIMPLES. INCLUSÃO. DÉBITO. Nos termos do art. 9, XV da lei n° 9.713/96, ao contribuinte que tenha débito inscrito em dívida ativa da União, que não esteja com a exigibilidade suspensa, é vedada a inclusão no regime do simples.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 13706.001456/2004-23
conteudo_id_s : 5525544
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1103-000.185
nome_arquivo_s : Decisao_13706001456200423.pdf
nome_relator_s : Hugo Correia Sotero
nome_arquivo_pdf_s : 13706001456200423_5525544.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
id : 6135099
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-09-16T14:43:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; xmp:CreatorTool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-09-15T16:31:02Z; Last-Modified: 2015-09-16T14:43:47Z; dcterms:modified: 2015-09-16T14:43:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:8cc0a349-262a-4bc5-84b9-5c3a1c3efa20; Last-Save-Date: 2015-09-16T14:43:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-09-16T14:43:47Z; meta:save-date: 2015-09-16T14:43:47Z; pdf:encrypted: false; modified: 2015-09-16T14:43:47Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-09-15T16:31:02Z; created: 2015-09-15T16:31:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2015-09-15T16:31:02Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Xerox WorkCentre 5755; pdf:docinfo:created: 2015-09-15T16:31:02Z | Conteúdo =>
_version_ : 1713048124911517696
score : 1.0
