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Numero do processo: 12266.721968/2012-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 10/01/2007, 09/12/2010
REVISÃO ADUANEIRA. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 146 DO CTN. ARTIGO 54 DO DECRETO-LEI 37/1966. INOCORRÊNCIA QUANDO NÃO HÁ LANÇAMENTO NO DESPACHO ADUANEIRO.
A revisão aduaneira, procedimento que faz parte do despacho aduaneiro (artigo 44 e seguintes do Decreto-Lei nº 37/1966), é distinta da revisão de ofício, que pressupõe a existência de um lançamento anterior e será realizada nas hipóteses previstas no artigo 149 do CTN.
Apenas nos despachos aduaneiros em que houve lançamento, é possível se cogitar da aplicação da vedação de alteração de critério jurídico, prevista no artigo 146, do CTN.
REVISÃO ADUANEIRA. PRAZO PARA CONCLUSÃO E LANÇAMENTO DE TRIBUTOS.
Nos lançamentos decorrentes de revisão aduaneira, o prazo para conclusão da revisão aduaneira e lançamento de tributos é de 5 (cinco) anos, contados da data de registro da declaração de importação, conforme disposto no artigo 54 do Decreto-Lei nº 37/1966.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DISPLAY DE CRISTAL LÍQUIDO (LCD). CÓDIGO NCM 8529.9020.
Está correta a classificação fiscal para a importação de Display de Cristal Líquido (LCD) adotada no lançamento, no código NCM 8529.9020 (Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28. / De aparelhos das posições 85.27 ou 85.28), quando os produtos importados se destinam exclusiva ou principalmente aos aparelhos da posição 85.28.
PENALIDADES. JUROS DE MORA. CORREÇÃO. ARTIGO 100 DO CTN. AFASTAMENTO.
A existência de ato normativo de caráter geral emitido pela administração pública contemplando apenas o código NCM adotado pelo contribuinte, soluções de consulta da Receita Federal, indicando como correto o código NCM adotado pelo contribuinte e decisão administrativa em contencioso fiscal da própria Recorrente no mesmo sentido concorrem para que se reconheça a aplicação do artigo 100, inciso I, parágrafo único, do CTN, devendo ser excluídos do lançamento as penalidades e os juros de mora.
Numero da decisão: 3401-003.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar o lançamento relativo às importações anteriores a 13/07/2007, às multas aplicadas e aos juros moratórios, nos termos do art. 100, I do CTN. Vencidos os conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, que declarava a nulidade do lançamento, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que afastava o lançamento pela impossibilidade de revisão aduaneira e por acolher a classificação adotada pela Recorrente.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/01/2007, 09/12/2010 REVISÃO ADUANEIRA. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 146 DO CTN. ARTIGO 54 DO DECRETOLEI 37/1966. INOCORRÊNCIA QUANDO NÃO HÁ LANÇAMENTO NO DESPACHO ADUANEIRO. A revisão aduaneira, procedimento que faz parte do despacho aduaneiro (artigo 44 e seguintes do DecretoLei nº 37/1966), é distinta da revisão de ofício, que pressupõe a existência de um lançamento anterior e será realizada nas hipóteses previstas no artigo 149 do CTN. Apenas nos despachos aduaneiros em que houve lançamento, é possível se cogitar da aplicação da vedação de alteração de critério jurídico, prevista no artigo 146, do CTN. REVISÃO ADUANEIRA. PRAZO PARA CONCLUSÃO E LANÇAMENTO DE TRIBUTOS. Nos lançamentos decorrentes de revisão aduaneira, o prazo para conclusão da revisão aduaneira e lançamento de tributos é de 5 (cinco) anos, contados da data de registro da declaração de importação, conforme disposto no artigo 54 do DecretoLei nº 37/1966. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DISPLAY DE CRISTAL LÍQUIDO (LCD). CÓDIGO NCM 8529.9020. Está correta a classificação fiscal para a importação de Display de Cristal Líquido (LCD) adotada no lançamento, no código NCM 8529.9020 (“Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28. / De aparelhos das posições 85.27 ou 85.28”), quando os produtos importados se destinam exclusiva ou principalmente aos aparelhos da posição 85.28. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 19 68 /2 01 2- 83 Fl. 3846DF CARF MF 2 PENALIDADES. JUROS DE MORA. CORREÇÃO. ARTIGO 100 DO CTN. AFASTAMENTO. A existência de ato normativo de caráter geral emitido pela administração pública contemplando apenas o código NCM adotado pelo contribuinte, soluções de consulta da Receita Federal, indicando como correto o código NCM adotado pelo contribuinte e decisão administrativa em contencioso fiscal da própria Recorrente no mesmo sentido concorrem para que se reconheça a aplicação do artigo 100, inciso I, parágrafo único, do CTN, devendo ser excluídos do lançamento as penalidades e os juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar o lançamento relativo às importações anteriores a 13/07/2007, às multas aplicadas e aos juros moratórios, nos termos do art. 100, I do CTN. Vencidos os conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, que declarava a nulidade do lançamento, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que afastava o lançamento pela impossibilidade de revisão aduaneira e por acolher a classificação adotada pela Recorrente. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Inicialmente, adoto parte do relatório apresentado na decisão recorrida, transcrito a seguir: “Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 12/07/2012, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação acrescido de juros de mora e multa proporcional, além de multa isolada do Imposto de Importação, no valor de R$ 11.970.558,42 em virtude dos fatos a seguir descritos. O procedimento fiscal de revisão aduaneira que deu origem a esse auto de Infração baseiase no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) número 08108002012001783, e abrange as importações de “Painéis (display) de Cristal Líquido (LCD)” realizadas pela empresa LG ELETRONICS DA AMAZÔNIA LTDA, CNPJ 00.801.450/000183, nos anos de 2007 a 2010. Foi apurado que: (...) • A correta classificação fiscal do insumo “Displays (painéis) de Cristal Líquido (LCD)” é no código NCM 8529.90.20; Fl. 3847DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.846 3 • A reclassificação fiscal de insumos importados na Zona Franca de Manaus impacta no total de imposto de importação devido quando a alíquota do novo código NCM for diferente da originalmente utilizada, ocasionando falta de recolhimento nos casos de alíquota superior à original, na forma do Art. 7º do DecretoLei nº 288/67; Estando incorreta a classificação do código NCM 9013.80.10 para os “Displays de Cristal Líquido (LCD)” importados pela empresa, conduta tipificada como infração, nos termos dos inciso I do artigo 711 do Regulamento Aduaneiro – Decreto 6759/2009, aplicouse multa de 1% do valor aduaneiro das mercadorias, conforme estipulado pelo caput do mesmo artigo, totalizando R$ 1.284.650,75. Sendo a alíquota da posição 8529.90.20 (12%), considerada a correta, maior do que a da posição 9013.80.10 (0%), efetuouse lançamento complementar às internações da empresa que utilizavam incorretamente “Displays de Cristal Líquido (LCD)” no código 9013.80.10 nos anos de 2007 a 2010, a fim de formalizar a diferença do Imposto de Importação não recolhido, com os devidos acréscimos legais, totalizando R$ 4.987.965,33 referentes ao Imposto de Importação, R$ 3.740.973,87 referentes à multa de ofício e 1.956.968,47 referente aos juros de mora”. Após tomar ciência do lançamento no dia 28/07/2012, a contribuinte, ora Recorrente, apresentou Impugnação, sendo os autos remetidos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (“DRJ/SP”). Na sessão de 19/02/2013, a 23ª Turma da DRJ/SP julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo integralmente o crédito tributário exigido, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/01/2007 Internação de “Painéis (display) de Cristal Líquido (LCD)”, com classificação fiscal no código NCM 9013.80.10. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado determinam expressamente a classificação fiscal do produto em questão na posição 8529. Por serem partes da posição 85.28, o código NCM adequado é o 8529.90.20 por aplicação direta da Regra 1 c/c Regra 6 das Regras Gerais para interpretação do Sistema Harmonizado. O lançamento não está eivado pela decadência. Em momento algum a fiscalização procedeu com a modificação de critérios jurídicos, nem tampouco com os aspectos de direito da importação. Pelo contrário, toda a ação fiscal se baseia em erro de fato atribuído ao importador que elegeu uma classificação fiscal indevida”. Fl. 3848DF CARF MF 4 A Recorrente foi intimada dessa decisão em 21/03/2013, conforme “Termo de Ciência por Decurso de Prazo” de fls 3.517, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 05/04/2013, pelo qual expôs os seguintes argumentos para requerer a declaração de nulidade da decisão recorrida, ou, assim não se entendendo, a sua reforma: (a) A decisão recorrida seria nula, por falta de motivação; (b) O auto de infração seria nulo, pois, segundo a Recorrente, pretende “aplicar Solução de Consulta exarada com base na análise de determinado produto sem que seja confirmado tratarse do exato mesmo produto ou de produto equivalente, o que só poderia ser realizado após análise técnica, que não foi realizada ou solicitada no curso da fiscalização”; (c) Haveria decadência de parte dos créditos tributários lançados; (d) As mercadorias importadas se caracterizariam como dispositivos de cristal líquido, como dispositivos ópticos e teriam múltiplas aplicações; assim, deveriam ser classificadas no código NCM 9013.80.10 (“Dispositivos de cristais líquidos”), pela aplicação da Regra Geral Interpretativa (“RGI”) nº 01, da Nota Explicativa 1, “m”, da Seção XVI, e RGI nº 03, Notas IV.a e IV.b; (e) O auto de infração violaria o artigo 146, do CTN, por “pretender aplicar retroativamente novo critério jurídico a lançamentos realizados com base em critério antes praticado pela Administração”. (f) Haveria duplicidade de penalidades impostas à Recorrente, em razão da cominação de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e de multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro das mercadorias importadas, por erro na classificação fiscal; (g) As penalidades aplicadas deveriam ser canceladas, por força do artigo 100 do CTN; (h) A cumulação de multas resultaria em efeito confiscatório; e (i) Não poderia incidir a taxa SELIC sobre a multa de ofício, pois tal conduta representaria descumprimento do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”), para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Fl. 3849DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.847 5 Da nulidade da decisão recorrida Segundo a Recorrente, a decisão recorrida seria nula, pois “(a) não motivou assertivas centrais de sua parte dispositiva, (b) deixou de analisar fundamentos essenciais ao deslinde da controvérsia, e (c) deixou de apreciar o vasto conjunto probatória trazido na Impugnação que comprova a correção da NCM 9013.80.10 para os dispositivos de cristal líquido sob análise”. Para justificar esse entendimento, a Recorrente alega que a decisão recorrida teria sido omissa ou não apreciado de forma suficiente algumas matérias de defesa por ela apresentadas em sua Impugnação. Nesse sentido, dentre outras supostas falhas apontadas na decisão recorrida, a Recorrente afirma que a decisão recorrida não teria fundamentado de forma suficiente a não aplicação da nota “1.m” ao caso; não teria apreciado a questão relativa à aplicação do artigo 100 do CTN, que trata do afastamento de multa e juros quando o contribuinte segue práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; e não teria examinado o laudo técnico elaborado pelo Prof. Moschim, da UNICAMP. Conforme entendimento dos Tribunais, "não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução"1. Ao analisar a questão principal que se discute nesses autos, classificação fiscal dos produtos importados pela Recorrente, a decisão recorrida realmente deixou de se manifestar expressamente sobre alguns dos argumentos trazidos pela Recorrente e sobre o laudo acima mencionado, porém, enfrentou as questões relevantes e apresentou fundamentação, a meu entender, suficiente, para defender o seu posicionamento de que a classificação fiscal adotada no lançamento era a correta. Com relação à ausência de manifestação da aplicação do artigo 100, do CTN, está correta a Recorrente, pois a decisão recorrida foi omissa. Apesar disso, deixo de acolher a nulidade da decisão recorrida nesse ponto, levando em consideração o disposto no artigo 59, parágrafo 3º, do Decreto nº 70.235/19722, tendo em vista que a matéria em que a decisão recorrida foi omissa é julgada de maneira favorável à Recorrente nesse voto, não havendo, com isso, prejuízo à Recorrente na sua não apreciação pela instância de piso. Pelo exposto, entendo que a manutenção do lançamento pela decisão recorrida se deu dentro das prescrições legais, sem ofensa ao direito da Recorrente ao contraditório, à defesa e ao devido processo legal, motivo pelo qual voto pelo não acolhimento desta preliminar de nulidade. Da nulidade do Auto de Infração A Recorrente argumenta que o auto de infração seria nulo, por falta de motivação, tendo em conta que “pretende aplicar Solução de Consulta exarada com base na análise de um determinado produto sem que seja confirmado tratarse do exato mesmo 1 AgRg no AREsp 659.116/SP, Rel. Ministro OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/11/2015, DJe 03/12/2015. 2 Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Fl. 3850DF CARF MF 6 produto ou de produto equivalente, o que só poderia ser realizado após análise técnica, que não foi realizada ou solicitada no curso da fiscalização”. Da análise do auto de infração e do Relatório Fiscal dele integrante, verifica se que o lançamento se baseia no entendimento exposto na Solução de Consulta nº 4 – Coana, de 24/12/2010, que analisou produtos identificados como: “Tela de visualização, constituída de um painel de cristal líquido com matriz ativa de transistores de filme fino (Thin Film Transistor), circuitos eletrônicos de controle e acionamento dos transistores, dispositivo de retroiluminação (“backlight”) e tampas frontal e traseira, comercialmente denominada ‘módulo LCDTFT”, que, daqui por diante, serão denominados simplesmente “Displays de Cristal Líquido (LCD)”. Constam ainda na Solução de Consulta nº 4 – Coana, de 24/12/2010, as seguintes informações sobre os produtos lá analisados: nome vulgar; nome comercial; nome científico e técnico; marca registrada, modelo, tipo e fabricante; função; princípio e descrição do funcionamento; aplicação, uso ou emprego; forma de acoplamento ou ligação a motores, outras máquinas ou aparelhos, sistemas ou outras peças; matéria ou materiais de que é constituída a mercadoria e suas percentagens em peso ou em volume ou a configuração de fornecimento (componentes), no caso de máquinas, instrumentos ou aparelhos e processo industrial detalhado de obtenção. Portanto, da leitura da Solução de Consulta nº 4 – Coana, de 24/12/2010, ficaram perfeitamente identificados os produtos que foram objeto de análise e em relação aos quais a Coana manifestou entendimento pela classificação fiscal no código 8529.90.20 (“De aparelhos das posições 8527 ou 8528”). Já os produtos importados pela Recorrente estão identificados no Demonstrativo denominado “Itens de Adição Classificados Incorretamente na NCM” (fls. 146 164), que apresenta número de “declaração de importação”, “adição”, “item”, “NCM utilizada” e a “descrição do produto importado”. Dessa maneira, o cotejo das informações dos produtos analisados na Solução de Consulta com a descrição dos produtos importados pela Recorrente, a meu ver, são suficientes para se aferir que são os mesmos produtos ou produtos equivalentes aos que foram objeto da Solução de Consulta, sendo desnecessária a realização de uma análise técnica para enquadramento de cada produto importado pela Recorrente, para fins de fundamentação do auto de infração. Além disso, caso entendesse de forma diversa, a Recorrente poderia, a partir da comparação entre a solução de consulta e os demonstrativos mencionados, impugnar especificamente um ou outro produto por ela importado que porventura pudessem não se qualificar como aqueles que foram objeto da solução de consulta, sendo certo que, nesse caso, haveria que se reconhecer que o lançamento não poderia prosperar em relação a eles, por falta de motivação. Porém, apresentando a fiscalização o fundamento para o lançamento e documentos e informações que enquadram os produtos importados pela Recorrente na hipótese, não há que se falar em nulidade. Pelo exposto, entendo que o Auto de Infração atende ao artigo 142 do CTN e aos requisitos do artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, motivo pelo qual não merece prosperar a alegação de sua nulidade. Fl. 3851DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.848 7 Da violação ao artigo 146, do CTN A Recorrente alega que o auto de infração teria violado o artigo 146, do CTN, “por pretender aplicar retroativamente novo critério jurídico a lançamentos realizados com base em critério antes praticados pela Administração”. Para defender seu entendimento, a Recorrente expõe que “as importações realizadas pela Recorrente (inclusive aquelas em que houve conferência física e documental) foram expressamente homologadas, seguindose o regular desembaraço das mercadorias, denotandose a reiterada aceitação da classificação fiscal adotada”. A Recorrente, para demonstrar que as autoridades fiscais adotavam o critério de classificação dos dispositivos de cristal líquido sob o código 9013.80.10, ainda cita a existência de soluções de consulta apresentadas por outros contribuintes, decisão administrativa em contencioso fiscal que tem com parte a própria Recorrente e no qual esse entendimento foi manifestado, e o Decreto nº 6.233/2007, que previa ser essa a classificação para os dispositivos de cristal líquido (LCD). Dispõe o artigo 146, do CTN: “Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução”. (grifos nossos) Ao comentar esse dispositivo, a doutrina afirma: “(...) há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas pela lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado” 3. (grifos nossos) Quanto à extensão do dispositivo, uma importante observação é feita pela doutrina: “O dispositivo acima, inserido no capítulo concernente ao lançamento, gera questionamentos quanto a sua extensão: se é claro que ele impede a revisão de um lançamento já efetuado, pode surgir alguma dúvida quanto a qual entendimento a ser aplicado aos fatos ocorridos posteriormente a um lançamento e ainda não atingidos por outra fiscalização. Ou seja: se em lançamentos anteriores a autoridade administrativa adotou determinada interpretação da lei tributária, pode o contribuinte, fiandose no artigo 146 acima transcrito, seguir o mesmo entendimento, até que ele seja informado diretamente ou por meio de ato administrativo público, de que diverso será o entendimento da fiscalização? A resposta deve ser afirmativa.” 4 (grifos nossos) Portanto, a divergência doutrinária existente é se a vedação à alteração do critério jurídico está limitada a uma alteração dentro de um mesmo lançamento ou se a fixação de um critério jurídico em um lançamento anterior também surtiria efeitos em lançamentos futuros. 3 Hugo de Brito Machado. Curso de Direito Tributário. Editora Malheiros. 35ª Edição. p. 180. 4 Schoueri, Luís Eduardo. Direito Tributário. Editora Saraiva. 4ª Edição. 2014. p.620. Fl. 3852DF CARF MF 8 Para ilustrar, no primeiro caso, estaria o Fisco vedado de efetuar um lançamento aplicando a classificação fiscal “A” para uma mercadoria e, nesse mesmo lançamento, revisar o critério adotado, para cobrar tributos com base em uma classificação fiscal “B”. Já no segundo caso, em um primeiro momento, o Fisco realiza um lançamento contra determinado contribuinte sob o entendimento que a classificação fiscal correta é “C”, o que motiva o contribuinte a se curvar ao entendimento do Fisco e passar a adotar a classificação fiscal “C” para as operações futuras. Em um segundo momento, o Fisco muda seu entendimento, digamos, para a classificação fiscal “D”. Para os que defendem uma maior extensão do comando previsto no artigo 146, do CTN, o Fisco só poderia realizar novos lançamentos em razão de o contribuinte ter adotado a classificação fiscal “C” para fatos geradores ocorridos após o contribuinte ter tomado conhecimento da mudança de entendimento do Fisco, de “C” para “D”. De um jeito ou de outro, é essencial que exista um lançamento para que o artigo 146, do CTN, seja aplicado. No presente caso, não houve qualquer lançamento contra a Recorrente definindo como critério jurídico para a classificação fiscal dos “Displays de Cristal Líquido (LCD)” o código 9013.80.10. O processo em que a Recorrente foi parte, citado em suas defesas, não teve como critério jurídico do lançamento a adoção do código 9013.80.10, nem pode ser afirmado que o desembaraço aduaneiro das mercadorias constitui um lançamento, adotando esse critério jurídico. Isso porque, a revisão aduaneira não se confunde com a revisão de ofício. Enquanto a revisão aduaneira prevista no artigo 54 do DecretoLei nº 37/1966 é um procedimento que faz parte do despacho aduaneiro (artigo 44 e seguintes do DecretoLei nº 37/1966), procedimento aduaneiro que, em regra, não há lançamento, a revisão de ofício pressupõe a existência de um lançamento anterior e será realizada nas hipóteses previstas no artigo 149 do CTN. No curso do despacho aduaneiro, são realizadas atividades no âmbito da conferência aduaneira (artigos 564 a 570 do Regulamento Aduaneiro de 2009) e do desembaraço aduaneiro (artigos 571 a 576 do Regulamento Aduaneiro de 2009), de cunho fiscal e extrafiscal, não havendo necessariamente em todas as conferências/desembaraços aduaneiros uma atividade de lançamento. Há uma atividade de controle administrativo e fiscalizatória que pode ensejar um lançamento tributário ou não. A respeito das atividades exercidas no curso do despacho aduaneiro, explica a doutrina: “O despacho aduaneiro iniciase pelo registro da declaração de importação prestada pelo interessado. Baseandose em critérios de amostragem e seleção para conferência puramente objetivos, verificase a consistência entre as informações prestadas, os documentos apresentados e a mercadoria efetivamente importada, no que tange à quantidade, descrição, qualidade e preço, com o objetivo de aplicação da legislação tributária e administrativo aduaneira vigente. Esse procedimento possibilita à autoridade aduaneira desenvolver as atividades tendentes a verificar a correção do que foi declarado e a legalidade da importação. As exigências fiscais, nessa fase, têm como objetivo retificar Fl. 3853DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.849 9 as incorreções apresentadas, resolver as incompatibilidades com o que prevê a legislação e permitir o desembaraço conclusivo” 5. (grifos nossos) De acordo com o artigo 54 do DecretoLei nº 37/1966, no procedimento de revisão aduaneira ou, na redação da reforma que esse diploma sofreu em 1988, no procedimento de conclusão do despacho aduaneiro , que deverá ocorrer dentro do prazo de 5 (cinco) anos do registro da declaração de importação, poderá ser realizado o lançamento de tributos porventura não pagos e penalidades devidas. Assim, é possível que a autoridade fiscal realize um lançamento em qualquer uma das fases do despacho aduaneiro (conferência, desembaraço ou conclusão), porém, o mais comum, é que o lançamento, se for efetivado, se dê na fase de revisão aduaneira ou de conclusão do despacho aduaneiro, quando as mercadorias já foram desembaraçadas, pois, nessa fase, já não entrarão em confronto, de um lado, o maior período de tempo para a fiscalização detalhada que é necessária à realização de um lançamento e, de outro, a celeridade exigida no trâmite aduaneiro para o regular andamento das operações de comércio exterior nos portos e aeroportos nacionais. Na hipótese de lançamento durante o despacho de importação, o despacho terá seu curso interrompido, abrindose duas possibilidades ao importador. Como observa a doutrina: “(...) o ato que determina a interrupção do despacho aduaneiro deve ser fundamentado pela autoridade aduaneira, pois é preciso assegurar o exercício do direito de defesa do importador, mediante conhecimento das razões que motivaram a interrupção. Tratandose de exigência referente a crédito tributário o importador poderá efetuar o pagamento correspondente, em caso de concordância (...). Discordando, o AuditorFiscal deverá efetuar o respectivo lançamento, na forma prevista no Decreto nº 70.235/1972; ou seja, será lavrado Auto de Infração e terá início o processo administrativo fiscal, no qual deve ser assegurada ampla defesa. No entanto, (...) não será desembaraçada a mercadoria cuja exigência de crédito tributário, no curso da conferência aduaneira, esteja pendente de recolhimento, salvo mediante a prestação de garantia (depósito em dinheiro, caução ou fiança bancária) equivalente ao valor aduaneiro” 6. De qualquer modo, se ocorrer lançamento no despacho aduaneiro em fase anterior à revisão aduaneira (ou conclusão de despacho aduaneiro), certamente haverá que ser fixado determinado critério jurídico e não poderá o Fisco, depois, na fase de revisão aduaneira pretender alterar esse lançamento, com um novo critério jurídico. Mas não foi o que ocorreu nos autos, em que as mercadorias foram desembaraçadas, sem que tenha sido realizado contra a Recorrente qualquer lançamento. Na 5 Vera Lúcia Feil Ponciano. “Sanção aplicável ao subfaturamento na importação: pena de perdimento ou pena de multa?”. “Temas Atuais de Direito Aduaneiro”. Rosaldo Trevisan (organizador). São Paulo. Lex Editora. 2008. p. 252253. 6 Vera Lúcia Feil Ponciano. “Sanção aplicável ao subfaturamento na importação: pena de perdimento ou pena de multa?”. “Temas Atuais de Direito Aduaneiro”. Rosaldo Trevisan (organizador). São Paulo. Lex Editora. 2008. p. 255256. Fl. 3854DF CARF MF 10 realidade, o lançamento decorrente do procedimento de revisão fiscal foi o primeiro lançamento para as operações de importação em questão, de modo que não há que se falar em violação ao artigo 146, do CTN. Nesse sentido, em situações semelhantes, já decidiu o CARF, conforme julgados, cujas ementas transcrevo abaixo: “REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL. O art. 570 do Regulamento Aduaneiro/2002 define a revisão aduaneira como o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, verifica a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, em decorrência de revisão aduaneira, não configura mudança de critério jurídico”. (Acórdão nº 3202000.484, Rel. Cons. Irene Souza da Trindade Torres, Sessão de 25/04/2012) ***** “ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO ADUANEIRA QUANTO À CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REJEIÇÃO. A revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal, visando à correta determinação da matéria tributável e à apuração dos tributos devidos, é instituto previsto em lei e não constitui modificação do critério jurídico utilizado no fato gerador da obrigação tributária relativa à importação de mercadorias”. (Acórdão nº 3202000.407, Rel. Cons. Jose Luiz Novo Rossari, Sessão de 21/11/2011) ***** “REVISÃO ADUANEIRA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. Não constitui modificação de critério, o resultado do procedimento de revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal do produto na NCM, anteriormente adotada pelo importador, visando à apuração dos impostos incidentes na operação de importação, para fins de determinação da alíquota aplicável, fixadas na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela de Incidência do IPI (TIPI)”. (Acórdão nº 3102000.798, Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento, Sessão de 27/10/2010) ***** “REVISÃO ADUANEIRA. REVISÃO DE OFÍCIO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURADA. Não tendo sido efetuado nenhum lançamento de ofício no curso da conferência aduaneira, o lançamento efetuado em sede de revisão aduaneira não caracteriza revisão de ofício, nem tampouco se cogita a possibilidade de alteração de critério jurídico a que se refere o art. 146 do CTN. A revisão aduaneira é um procedimento fiscal, realizado dentro do prazo decadencial de tributos sujeitos ao "lançamento por homologação", e, portanto, compatível com este instituto, mediante o qual se verifica, entre outros aspectos, a regularidade da atividade prévia do importador na Fl. 3855DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.850 11 declaração de importação em relação à apuração e ao recolhimento dos tributos”. (Acórdão nº 3402002.943; Rel. Maria Aparecida Martins de Paula; Sessão de 25/02/2016) Pelo exposto, não existindo qualquer lançamento anterior, entendo que não houve a alegada violação ao artigo 146, do CTN, motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso nesse ponto. Da Decadência O lançamento se refere a fatos geradores ocorridos entre 10/01/2007 e 09/12/2010, tendo a Recorrente sido cientificada no dia 13/07/2012. Quanto a essa matéria, a decisão recorrida entendeu inexistir decadência, pela aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, em razão da ausência de pagamento, pelos fundamentos a seguir: “Assim temos que: Regra geral – prevista no artigo 173, inciso I do CTN que prevê que a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Regra especial – é retirada do artigo 150, parágrafo quarto e utilizada para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação e nos casos em que tenha ocorrido efetivamente a antecipação do pagamento. Determina que o início da contagem do prazo decadencial é a data do fato gerador. Ocorrendo dolo, fraude ou simulação nos casos de lançamento por homologação, aplicase a regra geral. (...) Para a situação em comento, lançamento de ofício, caracterizado pela lavratura do auto de infração, aplicase a regra geral. Destarte, o termo “a quo” para a contagem do prazo decadencial seria 01/01/2008, ou seja, cinco anos contados "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, uma vez que a Declaração de Importação mais antiga possui como data de registro 10/01/2007, sendo o termo “ad quem” a data de 31/12/2012. O lançamento ocorreu na data de 12/07/2012, portanto dentro do prazo regulamentar, não estando eivado pela decadência”. Por sua vez, a Recorrente defende a ocorrência da decadência, alegando ser aplicável, para fins de lançamento no caso ora em discussão, o artigo 54 do Decreto Lei nº 37/1966, que prevê um prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de importação, e, caso assim não se entenda, requer a aplicação do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, que prevê um prazo de 5 (cinco) anos, contado do fato gerador, sob o entendimento que a homologação é do lançamento e não do pagamento. Segundo o conceito de Câmara Leal7, a decadência é “a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu 7 “Da prescrição e decadência”, Ed. Forense. 1959, 2ª ed., p. 115. Fl. 3856DF CARF MF 12 exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício se tivesse verificado”. No direito tributário, a decadência se caracteriza pela extinção do direito de crédito da Fazenda Pública face ao contribuinte, motivado pela inércia e inatividade durante certo decurso de tempo. Caso o contribuinte não efetue o recolhimento de determinado tributo ou o efetue a menor, o fisco terá certo lapso de tempo para realizar o lançamento tributário, a fim de constituir definitivamente o crédito tributário e promover todos os procedimentos competentes para a sua cobrança. E, na hipótese de se manter inerte e não tomar nenhuma providência, deixando de fazer o lançamento no prazo previsto na Lei, dizse que se operou a decadência, com a conseqüente extinção do crédito tributário (artigo 156, inciso V, do CTN), pois não poderá o contribuinte ficar ad eternum sujeito às ações do fisco, sob pena de séria afronta ao princípio da segurança jurídica. Nos termos do artigo 146, inciso III, “b”, da Carta da República, cabe à lei complementar dispor a respeito de normas gerais de direito tributário, “especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários”. Com isso, o Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966), editado em 25/10/1966 e com vigência a partir de 01/01/1967, recepcionado com status de lei complementar, estabelece como regra geral que o início da contagem do prazo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, segundo dispõe o artigo 173, inciso I8. Porém, no que se refere aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, prevalece a regra especial esculpida no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN9, nos quais o prazo para a contagem da decadência tem início com a ocorrência do fato gerador. No caso de lançamentos referentes ao Imposto de Importação, importante ainda destacar o DecretoLei nº 37/1966, editado em data posterior à do CTN, em 18/11/1967, porém, com vigência a partir da mesma data, 01/01/1967, que traz as seguintes regras: “Art. 54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988)” ***** “Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) 8 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 9 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 3857DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.851 13 Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração”. Quanto ao instituto da revisão aduaneira, observase que o dispositivo legal que dele tratava, em sua redação original, anterior ao DecretoLei nº 2.472/1988, não previa, de forma expressa, qualquer prazo para a sua realização. Veja a seguir a redação anterior do artigo 54 do DecretoLei nº 37/1966: “Art 54. A revisão para apuração da regularidade do recolhimento de tributos e outros gravames devidos à Fazenda Nacional será realizada na forma que estabelecer o regulamento, cabendo ao funcionário revisor 5% (cinco por cento), das diferenças apuradas, revogado o art. 4º do Decretolei nº 8.663, de 14 de janeiro de 1946”. Por sua vez, o Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030/1985 (RA/1985), ao regulamentar esse dispositivo, assim dispôs: “Art. 455 Revisão aduaneira é o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, reexamina o despacho aduaneiro, com a finalidade de verificar a regularidade da importação ou exportação quanto aos aspectos fiscais, e outros, inclusive o cabimento de beneficio fiscal aplicado (DecretoLei n°37/66, art. 54). Art. 456 A revisão poderá ser realizada enquanto não decair o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário (Lei n° 1172/66, art. 149, parágrafo único)”. (grifos nossos) Como se percebe, como a revisão aduaneira é o ato pelo qual se verifica a regularidade fiscal da importação ou exportação quanto aos seus aspectos fiscais, deveria ser realizada no mesmo prazo de que dispõe o Fisco para realizar o lançamento de tributos porventura não pagos. Daí, a regulamentação ter deixado expresso a coincidência de prazos para a realização do procedimento e do respectivo lançamento. Posteriormente, com a edição do DecretoLei nº 2.472/1988, a redação do artigo 54 do DecretoLei nº 37/1966 foi alterada, para estabelecer expressamente uma limitação temporal à realização da revisão aduaneira, que deveria ser “processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei”. Como o fato gerador do Imposto de Importação “considerase ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44” (artigo 23 do DecretoLei nº 37/1966), o legislador pretendeu desde logo, entre a regra geral do artigo 173, inciso I, do CTN, e a regra especial do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, adotar um prazo para realização da revisão aduaneira e do lançamento dela decorrente alinhado com essa última, do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN. A regulamentação desse dispositivo permaneceu sem modificação até a edição do Regulamento Aduaneiro de 2002, que é seguida pelo Regulamento Aduaneiro de 2009, este último com a seguinte redação: Fl. 3858DF CARF MF 14 “Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o; e DecretoLei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: I do registro da declaração de importação correspondente (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o); e (...) § 3º Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado”. (grifos nossos) Pela análise da evolução legislativa e regulamentar do instituto da revisão aduaneira, verificase que a regulamentação mais recente parece querer dissociar prazos que até então andavam juntos e eram coincidentes, quais sejam, o prazo para a realização do procedimento e o prazo para lançamento dos tributos dele decorrente. Se antes a regulamentação indicava expressamente que o prazo de realização do procedimento deveria ser o mesmo do lançamento e que esse era de 5 (cinco) anos contados do registro da declaração, como prevê o artigo 54 do DecretoLei nº 37/1966, a atual regulamentação prevê no artigo 638, §1º, do RA de 2009, um prazo decadencial, e no artigo 638, §2º, do RA de 2009, um prazo para a conclusão do procedimento. Apesar disso, é o próprio Regulamento, no parágrafo seguinte (§ 3º, do artigo 638), que prevê, uma vez lançado o crédito tributário e cientificado o sujeito passivo, o procedimento de revisão aduaneira é encerrado, a indicar que a revisão aduaneira e o lançamento andam lado a lado. É ler: "considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado". A meu ver, o prazo estipulado para a realização do procedimento serve como limite de prazo para a própria constituição do crédito tributário. Isso porque, se o Fisco só poderá realizar a revisão de importações realizadas nos últimos cinco anos, contados do registro das declarações de importação, e a revisão aduaneira é condição, um ato antecedente ao próprio lançamento, a interpretação do artigo 54 do DecretoLei nº 37/1966 mais adequada, no meu sentir, é que tal prazo de realização do procedimento se traduz em um próprio prazo decadencial. Se o Fisco só pode examinar operações de importação realizadas dentro de um limite de tempo, como poderá lançar para além daquele limite? Os prazos poderiam até não ser coincidentes, mas, para tanto, o prazo decadencial haveria de ser mais curto que o prazo de revisão, o que não ocorre. Diante desse quadro normativo, para o caso ora analisado, lançamento decorrente de revisão aduaneira, entendo que deve ser aplicado o prazo de 5 (anos) contados do registro da declaração de importação do artigo 54 do DecretoLei nº 37/1966, por ser norma especial para o imposto de importação e para o instituto da revisão aduaneira, que prevalece frente às normas gerais de decadência previstas no CTN, repetidas no artigo 138, caput e parágrafo único, do DecretoLei nº 37/1966. Em decorrência, como a Recorrente teve ciência do lançamento em 13/07/2012, em relação a todas as declarações de importações registradas antes de 13/07/2007, Fl. 3859DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.852 15 a revisão aduaneira não foi concluída no prazo previsto no artigo 54 do DecretoLei n° 37/66, motivo pelo qual o crédito tributário relativo a esse período deve ser afastado. Da Classificação Fiscal das mercadorias importadas O lançamento decorre da divergência na classificação fiscal adotada para a importação do produto denominado “Display de Cristal Líquido (LCD)”. Enquanto a Recorrente entende como correto o código NCM 9013.80.10 da Tarifa Externa Comum (TEC) (“Dispositivos de cristais líquidos – LCD”), para o qual a alíquota do imposto de importação era, à época da importação, zero, a autoridade fiscal entende que a mercadoria deveria ter sido classificada no código NCM 8529.9020 (“Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28. / De aparelhos das posições 85.27 ou 85.28”), para o qual a alíquota do imposto de importação era de 12 % (doze por cento). Abaixo, coloco tabela com os códigos defendidos pela Recorrente e pelo Fisco e as respectivas alíquotas: Contribuinte/Recorrente Fisco Código Capítulo 90 Instrumentos e aparelhos de óptica, de fotografia, de cinematografia, de medida, de controle ou de precisão; instrumentos e aparelhos médicocirúrgicos; suas partes e acessórios. 90.13 – Dispositivos de cristais líquidos que não constituam artigos compreendidos mais especificamente noutras posições; lasers, exceto diodos laser; outros aparelhos e instrumentos de óptica, não especificados nem compreendidos noutras posições do presente Capítulo. 9013.80 – Outros dispositivos, aparelhos e instrumentos. 9013.80.10 Dispositivos de cristais líquidos – LCD Capítulo 85 Máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios. 85.29 Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28. 8529.90 Outras 8529.9020 De aparelhos das posições 85.27 ou 85.28 (Monitores e projetores, que não incorporem aparelho receptor de televisão; aparelhos receptores de televisão, mesmo que incorporem um aparelho receptor de radiodifusão ou um aparelho de gravação ou de reprodução de som ou de imagens) Alíquota do II 0% 12% Conforme relatório fiscal que é parte integrante do lançamento, o mesmo se fundamenta na Solução de Consulta nº 4 – Coana, de 24/12/2010, que entendeu que a correta Fl. 3860DF CARF MF 16 classificação fiscal do produto Display de Cristal Líquido (LCD)” é no código 8529.90.20 da NCM. Dessa maneira, importante, de início, conhecer as razões que levaram a Coana à classificação fiscal em que se funda o lançamento. Primeiro, destaco a identificação das características do produto: “Devido à sua alta complexidade, as telas de LCD do tipo TFT incorporam um conjunto de circuitos eletrônicos responsáveis por controlar o processo de exibição das imagens e proceder à ativação de cada um pixels da tela mediante o acionamento dos transistores correspondentes. Tanto estes circuitos quanto o sistema de retroiluminação, constituído de uma ou mais fontes luminosas (lâmpada fluorescente ou LED), difusores (e, por vezes, circuito inversor) também fazem parte do produto em estudo, comercialmente chamado de “módulo LCDTFT”. 19. As telas de LCD do tipo TFT são utilizadas, principalmente, para a fabricação de monitores de vídeo e televisores, mas podem ser utilizadas também como insumos para a fabricação de uma grande variedade de produtos, tais como monitores de vídeo, notebooks, aparelhos receptores de televisão, telefones celulares, máquinas fotográficas, consoles de vídeo game portáteis, aparelhos de GPS, aparelhos e instrumentos médicos, de automação industrial, etc. 20. Assim, conforme mencionado pelo Interessado em sua petição, é impossível definir com exatidão o produto no qual será montada, visto que a mesma pode ser acoplada a qualquer aparelho capaz de fornecer um sinal de vídeo através de uma conexão adequada – em que pese o fato de que, pelo tamanho, seja possível, por exemplo, presumir que uma certa tela deva servir para um aparelho receptor de TV, o que não impede, entretanto, que se utilize esta mesma tela para a fabricação de um equipamento médico, por exemplo”. Diante disso, a solução de consulta afasta a classificação na posição 90.13, por dois motivos. Primeiro, levando em consideração a Nota Explicativa do Sistema Harmonizado nº 1 da posição 90.13, a Coana entendeu que o produto em questão excederia o alcance da posição, pois, enquanto a posição se destina a “dispositivos de cristais líquidos, constituídos por uma camada de cristal líquido encerrada entre duas placas ou folhas de vidro ou de plástico, com ou sem condutores elétricos, em peça ou recortados em formas determinadas”, o produto em questão contém adicionalmente “dispositivos eletrônicos” e “um dispositivo de retro iluminação (backlight)”. É ler: “25. Portanto, se infere, da leitura destas Nesh, que o alcance da referida posição se estende apenas a dispositivos bastante limitados, e se constituem, conforme o próprio texto da posição, em artigos de ÓTICA. 26. Por outro lado, o produto em análise se configura como um dispositivo eletrônico, em vista de ter agregados uma matriz de transistores e circuitos integrados que acionam e controlam os mesmos, além de um dispositivo de retroiluminação (backlight). Desta forma, o artigo em tela excede o alcance da posição 90.13”. Fl. 3861DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.853 17 Segundo, por entender que os produtos em questão se destinariam exclusiva ou principalmente a uma máquina determinada, qual seja, monitores da posição 85.28, conforme as seguintes razões: “27. Outrossim, conforme mencionado anteriormente, é impossível definir com exatidão o produto final a que se destina a “tela LCDTFT”. Todavia, é inegável que a função deste produto é a exibição de imagens, e a função de exibir imagens é inerente aos monitores da posição 85.28: (...) 30. A posição 85.29, por sua vez, traz as partes “reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28”. 31. Por tudo que já foi dito, se infere que, de fato, as telas em estudo são reconhecidas como exclusiva ou principalmente destinados a monitores da posição 85.28, pelo fato de sua função ser intimamente ligada à de um monitor, ou seja, mostrar imagens. Certamente, tais telas podem ser utilizadas na produção de outros aparelhos, todavia tais aparelhos possuem uma função própria específica, sendo a tela empregada apenas de modo auxiliar com o intuito de possibilitar ou facilitar a sua utilização. Por exemplo, a função de um telefone celular é possibilitar a comunicação, e o uso de uma tela nesse aparelho destinase a facilitar o acesso e a navegação às funções do aparelho tais como agenda, discagem, etc. Um console de videogame portátil, por sua vez, é equivalente à junção de dois equipamentos, um monitor de vídeo e um console de videogame, sendo, neste caso, a tela LCDTFT parte desse “monitor”. Após adotar a posição 85.29, aplicando as regras de classificação, a Coana chegou à conclusão de que o código NCM correto seria o 8529.90.20. De acordo com o relatório fiscal, corroboraria essa conclusão a Resolução CAMEX nº 84 de 09/12/2010, que incluiu dois Extarifários para o código 8529.90.20 referindose justamente a Displays (telas) de Cristal Líquido (LCD), conforme abaixo: Além disso, a classificação fiscal adotada no lançamento foi motivada pela seguinte constatação: “Uma vez que todos os DCR´s listados se referem a aparelhos eletrônicos com monitores embutidos, não poderia a empresa ter utilizado o código 9013.80.10 na classificação desses insumos, mas 8529.90.20, por serem partes desses monitores, como exposto nos capítulos 1 e 2 desse relatório”. (fls. 31 dos autos) Fl. 3862DF CARF MF 18 A decisão recorrida encampa o entendimento firmado no lançamento, concluindo da seguinte maneira: “A posição 85.29, por sua vez, traz as partes “reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28”. Fundamentalmente, a polêmica da classificação da tela LCDTFT reside na definição do alcance que deve ser dado ao texto da posição 90.13, ao citar “DISPOSITIVOS DE CRISTAIS LÍQUIDOS QUE NÃO CONSTITUAM ARTIGOS COMPREENDIDOS MAIS ESPECIFICAMENTE EM OUTRAS POSIÇÕES.” A Notas Explicativas do Sistema Harmonizado determina expressamente a classificação fiscal do produto em questão na posição 8529. Por serem partes da posição 85.28, o código NCM adequado é o 8529.90.20 por aplicação direta da Regra 1 c/c Regra 6 das Regras Gerais para interpretação do Sistema Harmonizado. A aplicação direta da Regra 1, inibe a aplicação das demais regras”. Contra esse ponto da decisão, a Recorrente, com base nos 4 (quatro) laudos técnicos acostados no processo (Laudo Moschim/UNICAMP – fls. 3388 e seguintes; 1º Laudo Rangel/INTMCT – fls. 3602 e seguintes; 2º Laudo Rangel/INTMCT – fls. 3629 e seguintes; e Laudo MorimotoSeabra/POLIUSP – fls. 3677 e seguintes), defende a caracterização dos produtos importados como dispositivos de cristal líquido, como dispositivos ópticos, e que tais produtos importados não se destinariam exclusiva ou principalmente a monitores de televisores, eis que seriam múltiplas as aplicações dos dispositivos. Em seguida, alega a Recorrente que os produtos importados deveriam ser classificados no código 9013.80.10, pelos motivos abaixo, segundo ela, cada um autônomo e suficiente para realizar a classificação defendida: a) Aplicação da RGI nº 01 e texto da posição 9013 – A Recorrente afirma que a RGI nº I determina que a classificação fiscal seja feita primordialmente no texto das posições e a posição 9013 descreve exatamente “dispositivos de cristal líquido”; dessa forma, os produtos importados se enquadrariam perfeitamente nessa descrição, levando em consideração que são dispositivos de cristal líquido como atestado nos laudos e que “podem se destinar às mais diversas finalidades e equipamentos, não se podendo, no momento da importação classificálos sob uma finalidade específica”. b) Aplicação da RGI nº I e Nota “1.m”, da Seção XVI – A Recorrente expõe que a Seção XVI, que contempla a classificação 8529.90.20, exclui expressamente “os artefatos classificados no Capítulo 90”; com isso, entendendo a Recorrente que os produtos importados se qualificam como instrumento de óptica designados em uma das posições do Capítulo 90, não poderiam se classificar no código 8529.90.20. c) Aplicação da RGI nº 03 – A Recorrente invoca a RGI nº 03, pela qual, quando pareça que determinada mercadoria possa ser classificada em duas ou mais posições, prevalece a mais específica sobre a genérica; nesse sentido, defende a Recorrente que, como a posição 9013 identifica Fl. 3863DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.854 19 dispositivos de cristal líquido e a posição 85.29 remeteria de forma genérica a partes e peças destinados a aparelhos das posições 85.27 e 85.28, a primeira seria a mais específica. Como se verifica, os pontos controversos para a realização da classificação fiscal são a função dos produtos importados pela Recorrente e a possibilidade de se enquadrarem como produtos de óptica da posição 9013, pois, uma vez ultrapassados, maiores divergências não se encontrariam para a aplicação das regras de classificação, que apontariam para um ou outro código NCM. Quanto à função, o lançamento apontou que os Displays de Cristal Líquido (LCD) importados pela Recorrente seriam partes de monitores de televisão ou rádio, com base nas informações prestadas pela própria Recorrente. Como se observa no item “Descrição Produto DCR” dos “Demonstrativos de Coeficiente de Redução” acostados aos autos às fls. 134136, todos os produtos importados foram destinados a televisor ou rádio da posição 85.28. Reconhecese que a aplicação futura do produto ou o uso de determinado produto após a importação não tem qualquer influência em sua classificação fiscal, porém, diante de seguidas importações, ao longo dos anos, de um mesmo produto, para a mesma destinação, há um indicativo que o produto foi concebido e fabricado para essa destinação, podendose concluir que o produto, no estado em que foi importado, tem como destinação exclusiva ou principal o uso em televisores e rádios. Contra essa conclusão, há apenas as alegações da Recorrente, baseada nos 4 (quatro) laudos juntados aos autos. Contudo, da leitura desses trabalhos técnicos, não se pode vislumbrar que os produtos importados tenham múltiplas aplicações. No “Laudo Moschim/UNICAMP”, fls. 3388 e seguintes, foram analisados diversos produtos do tipo Displays de Cristal Líquido (LCD), com as mais variadas dimensões de tela que, em decorrência, são destinados a aparelhos que vão desde televisores, passando por caixa eletrônico, esteira, microondas, geladeira, urna eletrônica, rádio de carro, até tablets e smartphones. Dessa maneira, quando o perito foi indagado na questão 03, para “esclarecer se os produtos, da forma como foram importados, poderiam ser de aplicação para mais de uma finalidade”, ele, levando em consideração a generalidade de produtos lá examinados, respondeu afirmativamente. Porém, quando, para exemplificar, respondeu em relação a um produto específico, deixou claro que o produto individualmente considerado não está sujeito a diversas aplicações, sem a necessidade de ajustes e intervenções humanas, após o processo de fabricação e à importação, o que fica evidenciado na resposta ao quesito seguinte. É ler: “3) Queira V. Sa. Esclarecer se os produtos, da forma como foram importados, poderiam ser de aplicação para mais de uma finalidade. Em caso afirmativo, exemplificar possíveis aplicações. Resposta. Sim. Todos os produtos em análise são dispositivos de cristal líquido de matrizes ativas que podem ser utilizados em diversas aplicações onde é necessária a visualização de imagens, dados gráficos ou textos, como veremos mais especificamente nos exemplos de uso do LCDTFT em Fl. 3864DF CARF MF 20 produtos comerciais. Destacamos que o funcionamento de um dispositivo de cristal líquido depende, independentemente da aplicação em que será utilizado, do circuito integrado endereçador e dos diversos componentes ativos e passivos dispostos em uma PCI (Placa de Circuito Impresso) ou no próprio substrato da célula do dispositivo, conforme já citado. Os diversos modelos de dispositivos de cristal líquido analisados diferemse entre si pela geometria (diagonal de tela de imagem), pelo tipo de circuito de endereçamento, pela fonte de iluminação traseira e pela proteção da célula de vidro. A mercadoria mostrador de cristal líquido LCDTFT colorido apresentase na configuração de dispositivo endereçável e pronto para uso, em aplicações que podem ser as mais diversas. Tomandose como exemplo o modelo LM171WX3 da amostra fornecida pela LG Electronics, o mesmo é otimizado para aplicações não portáteis. Porém, se o projeto permitir, poderá, por exemplo ser utilizado na fabricação de notebooks sem nenhuma restrição. Pelas características técnicas apresentadas na resposta ao quesito anterior, concluise que o dispositivo LCDTFT está preparado para receber comandos de endereçamento de pixels e reproduzir tais comandos no array de pontos de imagem, independentemente do equipamento que esteja enviando tais comandos. (...) Como podemos observar nos exemplos acima, inúmeras aplicações podem incorporar um dispositivo mostrador de cristal líquido LCDTFT. Ao longo do tempo a tecnologia teve seu custo significativamente reduzido, permitindo que novas funcionalidades pudessem ser incorporadas a produtos tradicionais e, com isso, a necessidade de exibição de informações tornouse essencial. Os dispositivos de cristal líquido de matrizes ativas são então desenvolvidos para serem passíveis de múltiplas aplicações, nos mais diversos produtos. 4) Considerando que a resposta ao terceiro quesito tenha sido afirmativa para o fato de que os produtos, da forma como são apresentados, têm aplicação para mais de uma finalidade, perguntase: é possível identificar um único tipo de equipamento do qual os produtos sejam “parte”? Não é possível. Na forma como é apresentado, os produtos permitem aplicações muito diversificadas, conforme pudemos mostrar na resposta ao terceiro quesito. Tratamse de produtos que podem ser utilizados em qualquer projeto de máquinas ou equipamentos que necessitem de um dispositivo de exibição de informações. Para sua utilização, basta que o projetista compatibilize a comunicação dos dados a serem exibidos com a forma que o dispositivo de cristal líquido “compreenda”. Desde que as especificações elétricas, mecânicas e ambientais sejam atendidas, o dispositivo irá operar satisfatoriamente em qualquer tipo de equipamento”. (grifos nossos) Do mesmo modo, o “Laudo MorimotoSeabra/POLIUSP”, às fls. 3677 e seguintes, não socorre a Recorrente. Vejam a resposta ao quesito 04: Fl. 3865DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.855 21 Para afastar a conclusão firmada no lançamento, é preciso saber se os produtos importados, no estado em que foram fabricados e importados possuem capacidade de se destinar a múltiplas aplicações. O fato de não ser “tecnicamente impossível” empregar um determinado produto em mais de um equipamento não quer dizer que o mesmo, como foi concebido, fabricado e importado, esteja pronto para se destinar a mais de uma aplicação ou que existam alternativas diversas de uso resultante da própria fabricação, sem uma ação humana após sua fabricação. Com relação à possibilidade dos produtos se enquadrarem na posição 9013, se podem se qualificar como aparelhos ou instrumento de óptica, a partir da análise dos textos das posições contidas naquele Capítulo, entendo como correta a afirmação feita pela Coana de que os produtos importados pela Recorrente excedem o previsto em tal posição, por possuírem dispositivos eletrônicos e de retroiluminação, indo além do alcance da posição 90.13. Feitas essas considerações, penso que, pela aplicação da RGI nº 1, a posição correta é a 85.29, que trata de “Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28”. Continuando, dentre as subposições, os produtos não se enquadram na subposição 8529.10 (“Antenas e refletores de antenas de qualquer tipo; partes reconhecíveis como de utilização conjunta com esses artefatos”), devendo se enquadrar na subposição 8529.90 (“Outras”), por aplicação da RGI nº 06. Seguindo, quanto ao item e subitem, por aplicação da RGC nº 01, acredito que a classificação correta seja no código NCM 8529.90.20 (“De aparelhos das posições 85.27 ou 85.28”). Pelo exposto, apesar do diligente trabalho realizado pela Recorrente em sua defesa, acredito que a prova produzida nos autos não lhe socorre, motivo pelo qual entendo como correta a classificação fiscal utilizada pela Fiscalização para fundamentar o lançamento e nego provimento ao Recurso nesse ponto. Das penalidades Além do valor relativo ao imposto de importação não recolhido em razão da divergência quanto à classificação fiscal, foram lançados contra a Recorrente as seguintes penalidades: (i) multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro dos produtos importados, com base no artigo 711, inciso I, do Decreto nº 6.759/2009 (“Regulamento Aduaneiro de 2009” ou “RA/2009”), que tem como fundamento legal o artigo 84 da Medida Provisória nº 2.157 35/2001; e (ii) multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), com base no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Abaixo, transcrevemse os dispositivos legais citados, que amparam a cobrança dessas penalidades. Fl. 3866DF CARF MF 22 Regulamento Aduaneiro de 2009: Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; (...) § 6º A aplicação da multa referida no caput não prejudica a exigência dos tributos, da multa por declaração inexata de que trata o art. 725, e de outras penalidades administrativas, bem como dos acréscimos legais cabíveis. (...) Art. 725. Nos casos de lançamentos de ofício, relativos a operações de importação ou de exportação, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou a diferença dos impostos ou contribuições de que trata este Decreto: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso II;” Medida Provisória nº 2.15735/2001: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria. I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou (...) § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Lei nº 9.430/1996: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” A Recorrente requer o cancelamento das penalidades contra ela lançadas, com base em três fundamentos distintos. Do cancelamento das penalidades por força do artigo 100, do CTN A Recorrente argumenta que “levando em consideração todo o histórico acima mencionado, em que as autoridades fiscais procederam à clara alteração do critério adotado para a classificação dos dispositivos de cristal líquido em questão, com base no disposto no artigo 100 do CTN, devem ser excluídas todas as penalidades (1% e 75%) e os juros ora impostos à Recorrente”. Dispõe o artigo 100, do CTN: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; Fl. 3867DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.856 23 II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo”. Segundo a doutrina, o conceito das normas complementares previstas nos incisos I, II e III, do artigo 100, do CTN, é o seguinte: “Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções interministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as instruções normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e os demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos. Decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa. As discussões promovidas pelo contribuinte na órbita dos processos administrativos (sejam contenciosas, sejam relativas a processos de consulta), conduzidos pelas Administrações Públicas federal, estadual ou municipal, são igualmente fontes secundárias do direito tributário, mas não fazem coisa julgada para o contribuinte, salvo se desfavoráveis aos respectivos fiscos. Práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas. Dizem respeito aos usos e costumes interpretativos por parte da autoridade pública, segundo o princípio maior da boafé, que deve conduzir as relações Fiscocontribuinte” 10. Com relação à norma complementar prevista no inciso II, do artigo 100, do CTN, importante observar que as decisões proferidas pelos órgãos colegiados no contencioso fiscal federal ali não se enquadram, por falta de eficácia normativa às suas decisões. Nesse sentido, a doutrina11 esclarece: “Devese atentar que meras decisões de órgãos julgadores administrativos não são as “normas complementares” a que se refere o Código. Apenas aquelas cuja eficácia normativa esteja assegurada por lei é que ali estariam. Assim, por faltar lei federal que dê eficácia normativa às decisões administrativas, não pode o contribuinte invocar, como razão para a adoção de determinado comportamento, o fato de um colegiado 10 Antônio Carlos Rodrigues do Amaral. “Comentários ao Código Tributário Nacional. Coordenador Ives Gandra Martins”. Volume 02. Editora Saraiva. 4ª Edição. 2006. p. 4849. 11 Schoueri, Luís Eduardo. Direito Tributário. Editora Saraiva. 4ª Edição. 2014. p.125126. Fl. 3868DF CARF MF 24 administrativo, em determinado caso, ter adotado tal entendimento. A tal contribuinte não virá em socorro o parágrafo único do artigo 100 do Código Tributário Nacional”. Entretanto, embora uma decisão administrativa em contencioso fiscal não se qualifique na norma complementar do inciso II, a depender do caso, poderá se qualificar como “prática reiterada” do inciso III, como se verifica pelos comentários da doutrina a respeito da norma complementar em referência: “(...) Sua adoção consistente [da decisão administrativa em determinado sentido], entretanto, poderá indicar “prática reiterada” (...). A comprovação do costume pode darse como se demonstram quaisquer fatos. Não é necessário que a prática seja publicada no Diário Oficial para que dela se conheça, embora, evidentemente, quando a autoridade cuida de tornar público o seu entendimento, numa Solução de Divergência, por exemplo, esta servirá de prova do costume administrativo. Também reiteradas “Decisões” publicadas no Diário Oficial, que refletem respostas das autoridades a consultas formuladas por contribuintes, servem de prova da prática administrativa. Do mesmo modo, se uma repartição seguidamente adota certo procedimento, tornase ele costumeiro, gerando a expectativa do contribuinte no sentido de que assim se faz” 12. Com relação à “prática reiterada” do inciso III, a dúvida que surge é a partir de quando determinado costume administrativo poderá ser considerado uma “prática reiterada”. Quantas vezes ou por quanto tempo determinado costume deverá ser praticado para que possa ser entendido como uma “prática reiterada” para fins de aplicação do parágrafo único do artigo 100 do CTN? Esse ponto é examinado por Hugo de Brito Machado, que afirma: “O Código Tributário Nacional não estabelece qualquer critério para se determinar quando uma prática deve ser considerada como adotada reiteradamente pela autoridade administrativa, devendo se, todavia, entender como tal uma prática repetida, renovada. Basta que tenha sido adotada duas vezes, pelo menos, para que se considere reiterada” 13. Realmente o CTN foi omisso na fixação de tal critério, porém a adoção do critério citado não resolve a generalidade dos casos, pois, no meu entender, nem sempre, será possível se afirmar que a adoção de determinada prática por, pelo menos, duas vezes, é suficiente para caracterizála como reiterada. Para compreensão do conteúdo e alcance dessa norma, oportunas as lições de Miguel Reale: “Tornase costume jurídico, porém, tãosomente quando confluem dois elementos fundamentais: um é a repetição habitual de um comportamento durante certo período de tempo; o outro é a consciência social da obrigatoriedade desse comportamento. O primeiro desses elementos é dito objetivo. Porquanto diz respeito à repetição de um comportamento de maneira habitual; o segundo elemento é chamado subjetivo, visto como está ligado à atitude espiritual dos homens, considerando tal conduta como necessária ou conveniente ao interesse social. (...) Não basta a repetição material do ato, porque é essencial que seja marcada pela convicção da juridicidade do comportamento. De maneira mais objetiva poderíamos dizer que um costume adquire a qualidade de costume jurídico quando passa a se referir intencionalmente a valores do Direito, tanto para realizar um valor positivo, considerado de interesse social, como para impedir a ocorrência de um valor negativo, um desvalor” 14. (grifos nossos) Portanto, a meu ver, uma prática será considerada reiterada, para fins do disposto no artigo 100, inciso III, do CTN, quando se configurar como uma repetição, de 12 Schoueri, Luís Eduardo. Direito Tributário. Editora Saraiva. 4ª Edição. 2014. p.125126. 13 Curso de Direito Tributário. Editora Malheiros. 35ª Edição. p.90. 14 Lições Preliminares de Direito. Editora Saraiva. 25ª Edição. 2001. p. 158. Fl. 3869DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.857 25 maneira habitual, durante certo período de tempo, de um comportamento observado pelas autoridades administrativas, sendo necessário ainda que esse comportamento repetido leve o contribuinte a crer que aquele é o entendimento das autoridades administrativas sobre a matéria. Por sua vez, o parágrafo único do artigo 100, do CTN, prevê a exclusão da “imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo”, quando o contribuinte tiver observado as normas complementares ali descritas. Segundo Ruy Barbosa Nogueira, a exclusão de agravações decorre do princípio nemo potest venire contra factum proprium, pois “se a própria administração baixa atos normativos, adota uma prática reiterada ou subscreve com outro fisco um convênio, não pode punir ou onerar alguém por ter seguido as instruções ou orientação, ainda que o Fisco as venha repudiar” 15. Nesse caso, “os contribuintes que observarem as normas complementares ali discriminadas estão a salvo da penalidade, bem assim da cobrança de juros e da correção monetária” 16. (grifos nossos) No presente caso, narra a Recorrente que as autoridades fiscais teriam reiteradamente desembaraçado os produtos importados por ela, validando tacitamente o critério de classificação fiscal que vinha sendo adotado pela contribuinte, que continuou a agir daquela forma, observando essa suposta “prática reiterada”, o que configuraria hipótese de exclusão das penalidades, nos termos do artigo 100, inciso III, e parágrafo único, do CTN. Apesar de não implicarem necessariamente um lançamento fiscal, atos praticados no despacho aduaneiro, nas fases de conferência e despacho aduaneiro, em tese, podem ser reconhecidos como uma “prática reiteradamente observada”, pois “não importa que a conferência aduaneira consista em exame sujeito à revisão. O certo é que nessa oportunidade se verifica a regularidade da importação ou exportação quanto aos aspectos fiscais, e outros, inclusive o cabimento de benefício fiscal aplicado. O fato de sujeitarse o despacho aduaneiro à revisão, não lhe retira a natureza de ato administrativo fiscal” 17. Ocorre que, no período do lançamento, de 2007 a 2010, as autoridades fiscais não apenas desembaraçaram produtos importados pela Recorrente no código 9013.80.10, como também desembaraçaram produtos importados pela Recorrente no código 8529.9020, aliás, em montante muito superior ao que é objeto do lançamento, como se verifica às fls. 25 dos autos, no relatório fiscal que faz parte do Auto de Infração: “Analisando as importações efetuadas pela empresa referentes ao insumo “Displays de Cristal Líquido (LCD)” no mesmo período da fiscalização, 2007 a 2010, verificamos que a maioria dessas importações (mais de 900 milhões de dólares) foi efetuada pela empresa utilizando a classificação correta no código NCM 8529.90.20. 15 Curso de Direito Tributário. Editora Saraiva. 14ª Edição. 1995. p. 60. 16 REsp 98.703/SP, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/06/1998, DJ 03/08/1998, p. 179. 17 Trecho de acórdão recorrido citado no julgamento do REsp 162.616/CE, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, Primeira Turma, julgado em 02/04/1998, em que “a prática reiteradamente observada” em questão vem do fato de as autoridades fiscais, por repetidas vezes, expedirem documentos de importações em nome do contribuinte, registrandolhe o direito à isenção de impostos, conforme restou demonstrado documentalmente, mesmo tendo conhecimento da expiração do prazo de isenção”. Fl. 3870DF CARF MF 26 A relação de declarações de importação que contêm Displays de Cristal Líquido (LCD) corretamente classificados no código 8529.9020 encontrase às folhas 171 a 193. As importações de Displays de Cristal Líquido (LCD) incorretamente classificados no código 9013.80.10, objeto desse auto de infração, totalizaram R$ 127.147.950,4613. Percebese que se trata de valor relativamente pequeno se comparado ao total de Displays de Cristal Líquido (LCD) importados pela empresa. Tal fato demonstra que a empresa conhecia e utilizava a classificação correta na maioria de suas importações de painéis de LCD”. Nesse cenário, entendo que o desembaraço, pelas autoridades aduaneiras, dos produtos importados pela Recorrente na posição questionada no lançamento não pode se qualificar como uma prática reiteradamente observada pela administração. Isso porque, a prática do ato do desembaraço para os mesmos produtos não foi uniforme, não se verificando a prática de um mesmo ato, de maneira habitual, ao longo de um período de tempo. Na realidade, duas práticas, contraditórias entre si para fins de gerar entendimento sobre alguma matéria, foram realizadas ao longo do tempo, pelo desembaraço tanto de produtos no código 9013.80.10, como no código 8529.9020. Além disso, essa prática, não sendo reiterada, não pôde gerar no contribuinte a crença de que aquele entendimento, classificação fiscal no código 9013.80.10, era o adotado pelas autoridades fiscais para o tema. Não poderia a Recorrente se pautar no ato de desembaraço aduaneiro dos produtos no código 9013.80.10, quando sabia que importações realizadas por ela sob o código 8529.9020 também era desembaraçadas, ainda mais, quando essas últimas se deram em montante muito superior. Portanto, no caso ora analisado, o desembaraço de produtos importados pela Recorrente no código 9013.80.10 não é capaz de atrair a aplicação do parágrafo único do artigo 100, do CTN, para afastar a penalidade imposta nas importações em referência. Entretanto, acredito que a análise não se encerre por aqui. Como noticiado pela Recorrente, ao defender a aplicação do artigo 146, do CTN, à hipótese aqui tratada, o histórico do tratamento fiscal aplicável às importações dos produtos denominados “Displays de Cristal Líquido (LCD)” é peculiar. Até o final do ano 2010, o cenário existente era o seguinte. Foram publicadas soluções de consulta apresentadas por outros contribuintes, nos quais a Receita Federal se manifestou pela adequação do código 9013.80.10 para classificação dos dispositivos de cristal líquido. Vejam abaixo: Fl. 3871DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.858 27 Além disso, em processo em que a própria Recorrente foi parte, proferiuse decisão administrativa, afastando o código 8473.30.99 adotado pelo Fisco no lançamento e afirmando que a posição 90.13 era a mais adequada. Abaixo, trecho do julgado: “Da leitura dessa nota, resta evidente que a solução da lide é um típico caso de sua aplicação, pois a mercadoria a ser classificada é um artefato da posição 90:13 ou da posição 84.73. Logo, é na posição específica que deve ser classificado, “quaisquer que sejam as máquinas, aparelhos ou instrumentos à que se destinem”. Ademais, a Regra Geral 3.a determina: "A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas”. Ora, entre, “partes e acessórios [...] destinados às máquinas e aparelhos [...]" e “dispositivos de cristais líquidos que não constituam artigos compreendidos mais especificamente em outras posições [..:]”, a segunda alternativa é a eleita tanto pela Nota 2.a do Capítulo 90 quanto pela Regra Geral 3.1, visto que é específica para a mercadoria, ao revés da primeira [partes e acessórios], explicitamente excluída pela Nota 2.a do Capítulo 90. Entendo, portanto; incorreta a classificação da mercadoria adotada pela Fazenda Nacional no código 8473.30.99 da Tarifa Externa Comum (TEC)”. (Processo nº 10860.000559/200586; Recurso n°: 133.011; Acórdão n° : 303 33.326; Sessão de 12/07/2006; Recorrente : LG ELECTRONICS DE SÃO PAULO LTDA. Recorrida : DRJSÃO PAULO/SP) Fl. 3872DF CARF MF 28 No ano de 2007, com a edição da Lei nº 11.484/2007, foi instituído o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (“PADIS”), que concede isenção e redução de alíquota para Imposto de Renda, PIS, COFINS, e IPI. Esse programa foi regulamentado pelo Decreto nº 6.233/2007, que em seu Anexo I elencava os produtos que seriam contemplados pelo benefício, indicando suas respectivas classificações fiscais, da seguinte forma: Contudo, esse cenário mudou, a partir do final do ano de 2010. Em 08/12/2010, foi editada a Resolução CAMEX nº 84/2010, criando exceção à Tarifa Externa Comum justamente no código 8529.9020, apontado pela Fiscalização, para os produtos que foram importados pela Recorrente e que são objeto do lançamento ora em análise, conforme a seguir. Na mesma época, em 24/12/2010, foi proferida a Solução de Consulta nº 4 – Coana, de 24/12/2010, que manifestou entendimento pela classificação dos produtos em questão também no código 8529.9020, como se verifica pela ementa abaixo: Fl. 3873DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.859 29 No ano seguinte, foi editado o Decreto nº 7.600/2011, que alterou o Anexo I do Decreto nº 6.233/2007, anteriormente citado, para contemplar também o código 8529.9020, ficando o Anexo da seguinte forma: A partir de 2010, portanto, com a edição da Solução de Consulta nº 4 – Coana, de 24/12/2010, ficou claro que o entendimento da Receita Federal é pela classificação da produto identificado como “Displays de Cristal Líquido (LCD)” no código 8529.9020. Porém, não se pode dizer o mesmo em relação ao período anterior, pois havia ato normativo de caráter geral emitido pela administração pública contemplando apenas o código 9013.80.10 para os dispositivos de cristais líquidos, soluções de consulta da Receita Federal, indicando como correto o código 9013.80.10 e decisão administrativa em contencioso fiscal da própria Recorrente no mesmo sentido. É de se observar ainda que o lançamento se baseia exclusivamente em decisão administrativa (Solução de Consulta da Coana) e ato normativo (Resolução CAMEX) do final de 2010 e início de 2011. Não há no lançamento notícia de decisões e/ou atos anteriores a essa época que já afastassem o entendimento adotado pela Recorrente nas importações objeto do lançamento. Dessa maneira, à luz dos elementos existentes no caso concreto, da evolução do tratamento fiscal empregado pelas autoridades administrativas, em especial, da redação do Anexo I, do Decreto nº 6.233/2007, até 2011, cuja observação foi reforçada pelos demais elementos presentes nos autos desse processo (soluções de consulta e decisão administrativa em contencioso fiscal em processo da própria Recorrente), penso que reste configurada hipótese que atrai a aplicação artigo 100, inciso I, combinado com o seu parágrafo único, do CTN. A impossibilidade de aplicação de penalidades à Recorrente ainda encontra fundamento na norma especial, relativa ao Imposto de Importação, contida no artigo 101, inciso I, do DecretoLei nº 37/1966 ("Art.101 Não será aplicada penalidade enquanto prevalecer o entendimento a quem proceder ou pagar o imposto: I de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal inclusive de consulta, seja o interessado parte ou não;")(grifos nossos), tendo em vista as decisões proferidas nos processos de soluções de consulta em que a Recorrente não foi parte e a decisão administrativa em contencioso fiscal em processo da própria Recorrente. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso nesse ponto, para afastar a imposição de penalidades (multa de 1% sobre o valor aduaneiro e multa de ofício de 75%) e juros de mora, nos termos do parágrafo único do artigo 100 do CTN. Fl. 3874DF CARF MF 30 Por fim, diante do afastamento das penalidades impostas à Recorrente ora examinado, deixo de apreciar as alegações da Recorrente relativas a duplicidade de penalidades, cumulação de multas e efeito confiscatório, assim como as alegações referentes à incidência de SELIC sobre multa de ofício. Conclusão Ante o exposto, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para, nos termos do voto: (i) afastar a alegação de nulidade da decisão recorrida e de nulidade do auto de infração; (ii) cancelar o lançamento em relação a todas as declarações de importações registradas antes de 13/07/2007, tendo em vista que a revisão aduaneira não foi concluída no prazo previsto no artigo 54 do DecretoLei n° 37/66; (iii) reconhecer como correta a classificação fiscal adotada no lançamento; (iv) não reconhecer a violação ao artigo 146, do CTN; e (v) cancelar as penalidades aplicadas e afastar a cobrança dos juros de mora, com base no artigo 100, inciso I, do CTN. É como voto. Augusto Fiel Jorge d'Oliveira Relator Fl. 3875DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.860 31 Declaração de Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Pedi permissão para apresentar declaração de voto de modo a, com objetividade, esclarecer e pontuar meu entendimento pela ocasião do julgamento deste processo. Data vênia do decidido pelo Colegiado e do proposto pelo ilustre Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira em seu extremamente alentado voto, divergi logo nas preliminares. Estamos a analisar um caso de revisão aduaneira que focou exclusivamente na verificação da classificação fiscal usadas nas importações feitas nos anos de 2007 a 2010. A autoridade fiscal cita exatamente a Solução de Consulta que classificou painéis ou displays de cristal líquido. "Termo Fiscal: O procedimento fiscal de revisão aduaneira1 que deu origem a esse auto de Infração baseiase no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) número 08108002012001783, e abrange as importações de "Painéis (display) de Cristal Líquido (LCD)" realizadas pela empresa LG ELETRONICS DA AMAZÔNIA LTDA, CNPJ 00.801.450/000183, nos anos de 2007 a 2010, dentre as quais verificouse a ocorrência das seguintes condutas: • Mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul NCM "Classificação Incorreta da Mercadoria", infração nos termos do inciso I do artigo 711 do Decreto 6759/2009 Regulamento Aduaneiro. • Falta de Recolhimento do Imposto de Importação (II) na internação de produtos industrializados na Zona Franca de Manaus (ZFM), devido à reclassificação fiscal de insumos estrangeiros importados com benefícios fiscais do DecretoLei n° 288/67" Devemos reconhecer o esforço e imenso trabalho fiscal que logrou resultar nas autuações em discussão, entretanto, creio que a extensão dessa revisão fiscal de tantas importações deixou muito reduzida a exposição e explicação das razões centrais do fato imputado: no caso,o erro de classificação fiscal e a correspondente análise dos bens importados. O Termo dedica poucas linhas para demonstrar os fatos e a análise: "Termo Fiscal: Atendendo a pedido consulta de classificação fiscal , nos termos do inciso II, art 10 da IN RFB 740/2007, a CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira da Receita Federal do Brasil elucidou que o insumo "Tela de visualização, constituída de um painel de cristal líquido com matriz ativa de transistores de filme fino (Thin Film Transistor), circuitos eletrônicos de controle e acionamento dos transistores, dispositivo de retroiluminação ("backlight") e tampas frontal e traseira, comercialmente denominada 'módulo LCDTFT'", nesse relatório chamado simplesmente de "Display de Cristal Líquido (LCD)", classificase no código 8529.90.20 da NCM. Toda a fundamentação referente a essa classificação fiscal encontrase na Solução de Consulta Coana n° 4/2010, folhas 116 a 127. A fim de não estender Fl. 3876DF CARF MF 32 desnecessariamente este Relatório Fiscal, considerase aqui escrita toda a fundamentação acerca dessa classificação fiscal contida na supracitada Solução de Consulta, que é parte integrante desse auto de infração. No mesmo sentido, a Câmara de Comércio Exterior (CAMEX), ligada à presidência da República, publicou Resolução CAMEX n° 84 de 09/12/2010, folhas 128 a 130, incluindo dois Extarifários para a posição 8529.90.20 referindose justamente a Displays (telas) de Cristal Líquido (LCD), corroborando a interpretação acerca de sua classificação, conforme tabela abaixo constante na referida resolução. ... Baseandose nas explanações contidas nos itens 1.1, 1.2 e 1.3 acima e considerando toda fundamentação contida na Solução de Consulta Coana n° 4/2010, folhas 116 a 127, concluise que: (b) A correta classificação fiscal do insumo "Displays (painéis) de Cristal Líquido (LCD) é 8529.90.20. .. 2. FATOS Nos anos de 2007 a 2010 a empresa LGAM realizou importações de insumos do tipo "Displays de Cristal Líquido (LCD)" utilizando incorretamente o código NCM 9013.80.10 para sua classificação, incorrendo em conduta capitulada como infração pelo inciso I do artigo 711 do Decreto 6759/2009, conforme exposto no capítulo 1 deste relatório. Tal erro de classificação fiscal, além de prejudicar os controles aduaneiros e de comércio exterior, teve impactos tributários, uma vez que a classificação desses "Displays de Cristal Líquido (LCD)" no subitem NCM 9013.80.10 ocasionou falta de recolhimento de Imposto de Importação18 devido na internação dos bens produzidos com essas mercadorias, conforme trecho extraído da Tarifa Externa Comum (TEC) abaixo. .. 2.1. Classificação Incorreta da Mercadoria Analisando as internações ZFM realizadas pela empresa nos anos de 2007 a 2010 referentes a bens industrializados que utilizaram como insumo "Displays de Cristal Líquido (LCD)" classificados no código 9013.80.10, verificouse que esses insumos foram utilizados na montagem de aparelhos eletrônicos que possuíam monitores embutidos. 9013.80.10 como insumo, como exposto nos Demonstrativos de Coeficiente de Redução Eletrônicos contidos no Demonstrativo de Apuração às folhas 134 a 136. Ainda, embora própria descrição da mercadoria remeta à classificação fiscal 8529.90.20, a autuada incorretamente classificou a mercadoria na posição 9013.80.10, como se pode verificar no Item da Adição 031 de sua Declaração de Importação 10/23136467, nos campos Classificação Tarifária e Descrição Detalhada da Mercadoria, transcritos abaixo: "Classificação Tarifária: 9013.80.10; e Descrição Detalhada da Mercadoria: DISPLAY DE CRISTAL LIQUIDO LCD. **SUFRAMA**GSSG24301 (38,2X52)MM, LCF800ON. EAJ60988301" Fl. 3877DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.861 33 Da mesma maneira procedeu em todos os itens constantes no "Demonstrativo de Itens de Adição classificados incorretamente na NCM", às folhas 146 a 164. Dessa forma, sendo 8529.90.20 a classificação correta para os insumos "Displays de Cristal Líquido (LCD)" e tendo incorretamente os classificado no código 9013.80.10, o sujeito passivo incorreu na infração capitulada no inciso I do artigo 711 do Decreto 6759/2009". (grifos acrescidos) Ao estudar os autos de infração e as informações fiscais que o instruem fui surpreendido com a variedade de tipos de produtos abrangidos pelo questionamento de que houve erro na classificação. No anexo do termo fiscal que lista os produtos importados podemos ver que as descrições constantes das declarações de importação trazem codificações e informações que evidenciam que, apesar de serem display de cristal líquido, não se poder ter certeza de que eles são idênticos entre si, e que foram projetados e produzidos para a mesma destinação ou uso. Por exemplo, entre esses produtos encontramos que uns têm tamanho de 15 polegadas, outros de 20 polegadas, outros de 30, e 35 e 40, e etc. Como podemos afirmar que essas diferenças de tamanhos não significam que eles foram planejados e produzidos para usos distintos? A informação sobre os tamanhos é possível analisarmos, mas há outras nos códigos descritivos que não foram analisadas em suas especificidades e significações. Vejamos alguns exemplos: DISPLAY DE CRISTAL LIQUIDO LCD. **SUFRAMA**GS43123 82.5X24.3MM 51X4 0CD MONO 0% LAC7800(CAR AUDIO) GENDA INTERNATIONAL L EAJ42994801 DISPLAY DE CRISTAL LIQUIDO LCD. **SUFRAMA**GS43047 80.0X20.5MM 5X8 0CD MONO 0% BLACK MASK, TM, 85*20.5 EAJ41004601 TELA DE CRISTAL LIQUIDO (LCD) COM SUAS RESPECTIVAS PLACAS INTERNAS DE CIRCUITO IMPRESSO MONTADAS COM COMPONENTES ELETROELETRONICOS. **SUFRAMA**DE CONTROLES (LC320WXN SAA1), LCD 32 POLEGADAS EAJ41825601 32" TELA DE CRISTAL LIQUIDO (LCD) COM SUAS RESPECTIVAS PLACAS INTERNAS DE CIRCUITO IMPRESSO MONTADAS COM COMPONENTES ELETROELETRONICOS. **SUFRAMA**DE CONTROLES (LC420WXN SAA1), LCD 42 POLEGADAS EAJ41862301 42" A meu ver, para que se possa questionar a classificação fiscal de cada um desses produtos há que se identificar suas características particulares, e não nos atermos apenas na denominação genérica de que são dispositivos de cristais líquidos. Esse meu entendimento é confirmado quando me debruço sobre as regras de interpretação do sistema harmonizado e constato que, para esse tipo de produto, pode haver mais uma classificação possível. E a determinação da que seria a correta passa pela análise de Fl. 3878DF CARF MF 34 suas peculiaridades, entre elas a destinação e uso do bem, conforme se pode conhecer a partir de seu projeto/concepção original e produção e este é um critério que tenho adotado nas apreciações dessa matéria/produto em outros julgamentos . Verifico, ademais, que os autos de infração não se aprofundam na verificação dessas peculiaridades e diferenças na descrição dos produtos, apoiandose principalmente no entendimento firmado em Solução de Consulta e na denominação geral de se tratar de dispositivos de cristal líquido. Respeitosamente, para se transpor a conclusão dessa Solução para os casos concretos como ocorre quando se realiza uma revisão aduaneira teria sido necessário demonstrar a perfeita correspondência entre seus objetos de classificação. E nesse ponto, há uma carência por parte da comprovação de que cada um dos produtos importados foi classificado incorretamente. Como expus nos parágrafos anteriores, as descrições dos produtos nas declarações de importação trazem informações que indicam que eles não são idênticos entre si, nem permite se ter certeza que possuem entre si o mesmo uso e destinação desde sua concepção e produção, quanto mais se ter certeza que correspondem ao caso decidido na Solução. A falta de comprovação do alegado alcança as bases da autuação e a compromete. Por isso propus que, logo nas preliminares, a autuação não poderia prosperar. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 3879DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.862 35 Declaração de Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Registro o voto divergente do conselheiro relator no concernente (i) à possibilidade de revisão do lançamento; e (ii) à classificação fiscal da mercadoria. Em primeiro lugar, (i) quanto à alegação de revisão fiscal, entendemos, coerentemente com posicionamento por anteriormente externado, ter havido, no presente caso, nulidade do auto de infração lavrado em decorrência de revisão de lançamento por erro de direito. Entendemos que o erro de direito seja justamente a aplicação incorreta da norma; neste caso, a autoridade fiscal que lavra o auto de infração discorda da fundamentação aceita pela autoridade aduaneira no momento do desembaraço, pois a reputa equivocada. Nada obsta quanto aos elementos fáticos, e prescinde de qualquer dilação probatória: diante da mercadoria importada, revisa o lançamento anteriormente efetuado. Em outras palavras, entende equivocado o lastro positivo utilizado pelo aplicador (autoridade competente) que o precedeu. Tratase o presente, portanto, de clássico caso de revisão fiscal por alteração de critério jurídico, o que a literatura especializada denomina de erro de direito. Já nos pronunciamos a respeito do tema em outras oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.117, do qual fui relator, julgado em sessão de 16 de março de 2016: "(...) há de se ter em conta quais os efeitos jurídicos da revisão do lançamento por conta da alteração dos critérios jurídicos adotados. Observese que o desembaraço de diversas mercadorias sob o mesmo fundamento jurídico, uma vez que a autoridade aduaneira tenha tido o acesso a todos os elementos fáticos para a formação de sua convicção, implica não apenas a mera homologação e lançamento, mas, sobretudo, a cristalização de um critério jurídico que servirá de baliza ou pólo magnético para orientar a relação fiscocontribuinte. Não se trata, de maneira nenhuma, de negar à recorrida a plena eficácia do art. 54 do DecretoLei no 37/1966 combinado com o art. 570 do Decreto no 4.543/2002, que prevêem a possibilidade da revisão aduaneira como ato por meio do qual, após o desembaraço, apurase a regularidade do pagamento dos impostos e demais gravames devidos, bem como a exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. Evidenciase que os erros de fato constatados serão revistos com base nos dispositivos em referência O que não se evidencia, e jamais se poderia evidenciar, é a contrariedade destes dispositivos infralegais ao art. 146 do Código Tributário Nacional: Lei no 5.172/1966 (Código Tributário Nacional) "Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão Fl. 3880DF CARF MF 36 administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Neste sentido, conforme estudo realizado por Francisco Secaf Alves Silveira, "(...) prestadas as informações na Declaração de Importação e ocorrido o despacho aduaneiro, o contribuinte passa a estar protegido pelo art. 146 do Código Tributário Nacional",19 o que, não obstante, implica em vedação à modificação do lançamento "(...) e, portanto, sua revisão, quando decorrente de erro de direito".20 A revisão aduaneira prevista pelo art. 570 do Decreto no 4.543/2002 permanece hígida no ordenamento, porém conhece a limitação imposta pelo Código Tributário Nacional, diploma recepcionado como lei complementar pela Constituição da República de 1988. Assim, prestase a revisar os erros de fato, mas jamais os erros de direito. Ao se propor a alterar os termos da relação que mantém com o contribuinte, o Estado deverá fazêlo apenas com relação aos fatos geradores ainda a serem praticados, sem alcançar aqueles já praticados, pois o passado prossegue resguardado: sob o crivo dos novos critérios, de uma nova política fiscal, decidirá o contribuinte se continuará ou não a realizar importações, resguardado o direito de organizar os seus negócios. O art. 146 do Código Tributário Nacional não pode ser ignorado pelo aplicador ao tratar da revisão do lançamento, pois atua como norma reguladora das limitações constitucionais ao poder de tributar e, neste sentido, resguarda o valor jurídico da segurança jurídica, de modo a deslindar previamente o conflito eventual entre legalidade e boafé do contribuinte: "(...) essa tensão é resolvida pela lei complementar, que dá prevalência à proteção à boafé".21 Assim, nas palavras de Luís Eduardo Schoueri, "(...) não se pode invocar a legalidade para a revisão de lançamento por erro de direito".22 Com base nos estudos de Heinrich Kruse, conclui que, ressalvado o caso em que uma característica do bem avaliado estivesse oculta do conhecimento do aplicador, "(...) a avaliação não é mera questão de fato, mas antes um resultado de conclusões acerca das propriedades valorativas do bem",23 ou, em outras palavras, uma questão de direito: "(...) na verdade, poucas são as questões que não constituem modificação de critério jurídico em matéria de lançamento". Colocada a questão sob tais premissas, utiliza o seguinte exemplo, em tudo consentâneo com o caso sobre o qual ora nos debruçamos: "(...) por exemplo, no caso do imposto sobre produtos industrializados, adota se classificação fiscal para a identificação da alíquota aplicável à luz da 19 SILVEIRA, Francisco Secaf Alves. "Aspectos controvertidos da tributação na importação imposto de importação, IPI e ICMS: do batismo da mercadoria à revisão fiscal". In: SANTI, Eurico Diniz de e CANADO, Vanessa Rahal. Tributação do setor industrial. São Paulo: Editora Saraiva Direito GV (Série "GVLaw"), 2013, p. 318. 20 Idem, p. 319. 21 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo: Editora Saraiva, 5ª edição, 2015, pp. 620622. 22 Ibidem. 23 Ibidem. Fl. 3881DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.863 37 seletividade. Se um mesmo produto recebia, antes, uma classificação e, posteriormente, outra classificação é adotada, não há dúvida de que se está sobre o mesmo fato o qual, entretanto, passa a ser apreciado de outro modo: o aplicador da lei vê, no mesmo fato, características que antes não eram tomadas em conta. Conquanto se trate de uma apreciação do fato, temse novo critério jurídico, i.e., nova valoração jurídica do fato. Uma mudança em tais critérios jurídicos dobrase à regra do art. 146".24 Assim, "(...) a mera divergência na interpretação da norma que culmina em classificação equivocada configura erro de direito",25 não havendo possibilidade de revisão do lançamento sob pena de se malferir norma complementar de limitação ao poder de tributar. Para Rubens Gomes de Sousa, não caberia ao Fisco a prerrogativa de invocar o "erro de direito" com a finalidade de revisar lançamento anterior,26 e muito menos adotar uma dada conceituação jurídica para, em um segundo momento, revêla, de forma a albergar outra, mais onerosa ao contribuinte. Esta era a posição jurisprudencial, aliás, que registrava ser pacífica já em sua época: o critério jurídico na apreciação do fato gerador, para o autor do anteprojeto do Código Tributário Nacional, deverá ser estável. 27 Entre os mais percucientes estudos sobre o tema da revisão fiscal deve ser trazido, sem qualquer espaço para dúvidas, aquele realizado por Ruy Barbosa Nogueira na sua clássica tese de cátedra "Teoria do lançamento tributário". Na época em que a escreveu, o CTN ainda era um projeto, mas já então, confirmando o apontamento realizado por Rubens Gomes de Sousa, relatava que "(...) a prática, a doutrina e a legislação, na proteção da certeza jurídica não admitem, em princípio, que seja feita revisão do lançamento pela superveniência de outros critérios jurídicos".28 Aduziu, ainda, que o Supremo Tribunal Federal já havia enfrentado a questão no Recurso Extraordinário no 37.141, cujo acórdão foi prolatado em 26/08/1958, no qual se decidiu que "(...) não é lícito ao fisco rever o lançamento fiscal com base em mudança de critério, mas só com fundamento em êrro de fato".29 Noticia Ruy Barbosa Nogueira que também no Código Tributário da Alemanha, de 1919, elaborado por Enno Becker, o lançamento retificativo ou a chamada "verificação retificativa" não pode ser pautada por uma alteração de critérios meramente jurídicos, o que impede que se aplique "(...) 24 Ibidem. 25 SILVEIRA, Francisco Secaf Alves. "Aspectos controvertidos da tributação na importação imposto de importação, IPI e ICMS: do batismo da mercadoria à revisão fiscal". In: SANTI, Eurico Diniz de e CANADO, Vanessa Rahal. Tributação do setor industrial. São Paulo: Editora Saraiva Direito GV (Série "GVLaw"), 2013, p. 320. 26 SOUSA, Rubens Gomes. Compêndio de legislação tributária. São Paulo: Editora Resenha Tributária, 3ª edição, 1975, p. 108. 27 Ibidem. 28 NOGUEIRA, Ruy Barbosa. Teoria do lançamento tributário.São Paulo: Editora Resenha Tributária, 1973, p. 133. O Capítulo VIII, "A revisão do lançamento", está compreendido entre as páginas 99138. 29 Ibidem. Fl. 3882DF CARF MF 38 retroativamente à realização do fato gerador um critério jurídico diferente do então adotado, e assim prevê para garantir a certeza do direito".30 O preceito, em seu entendimento, teria "(...) grande aplicação, protegendo a estabilidade jurídica".31 Na esteira do ensinamento de Tullio Ascarelli, preleciona ser absolutamente inadmissível que o fisco possa venire contra factum proprium de maneira a anular ex officio um lançamento, substituindoo por outro, "(...) ou ainda proceder a lançamento suplementar, baseandose na alegação de ter passado a adotar critérios jurídicos diferentes dos que aceitara por ocasião de um primeiro lançamento".32 Ainda sob a lição de Ascarelli, haveria "(...) uma falta de certeza jurídica se o fisco pudesse (...) voltar a lançar (...) em virtude de uma mudança de critérios jurídicos, não obstante todos os prazos e tôda a organização instituída para a revisão das declarações dos contribuintes".33 Assim, para Ruy Barbosa Nogueira, enquanto o fisco é detentor da direção do procedimento do lançamento, caberia a ele a fixação final dos seus elementos. Apenas caberia uma revisão quanto aos erros de fato, pois se admite que "(...) as relações fáticas da vida, das quais partem os fatos geradores tributários legais são (...) numerosas e multiformes".34 Não é diversa da quase sexagenária decisão do Supremo Tribunal Federal de 1958 a jurisprudência contemporânea ao momento da leitura pública deste voto: em igual sentido, o Acórdão no 3302002.444 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção deste Conselho, em sessão de 25/02/2014, em votação unânime: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/05/2005 a 31/12/2007 RECLASSIFICAÇÃO DE PRODUTO INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 149 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. REVISÃO DE ERRO DE DIREITO. Apenas é permitida a revisão do lançamento tributário quando houver erro de fato, entendendose este como aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. Não se admite a revisão quando configurado erro de direito consistente naquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. Seguese a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ, no sentido de que o contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito" (grifos nossos). Do acórdão ora referido se extrai o seguinte trecho: "(...) a fiscalização entendeu que os produtos importados pela Recorrente não poderiam seguir com a classificação fiscal indicada pela contribuinte no 30 Idem, p. 134. 31 Idem, p. 135. 32 Idem, p. 136. 33 Ibidem. 34 Idem, p. 137. Fl. 3883DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.864 39 momento do desembaraço. Não há, pelo que consta dos autos, divergência quanto à natureza do produto, que permanece sendo o mesmo, mas à forma como foi classificado. Tal diferença é primordial para se compreender que não houve “erro de fato”, o que ocorreria se a fiscalização tivesse indicado que a importação de produto diverso daquele declarado pela Recorrente" (grifos nossos). Esta também era a posição sumulada do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR) editada em 1986: Tribunal Federal de Recursos (TFR) Súmula no 227 de 24/11/1986 "A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento". O posicionamento sustentado pelo Tribunal Federal de Recursos, outrora já sumulado, foi reeditado e reiterado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), como, por exemplo, no Recurso Especial no 202.958/RJ, relatado pelo Ministro Franciulli Netto e cujo acórdão foi publicado em 22/03/2004: “RECURSO ESPECIAL ALÍNEAS "A" E "C" TRIBUTÁRIO "IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO RECLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA REVISÃO DO LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE AUSÊNCIA DE ERRO QUANTO À IDENTIFICAÇÃO FÍSICA DA MERCADORIA ART. 149 DO CTN. A impetrante importou da França 2.200 Kg do produto TESAL e recolheu o imposto de importação após regular conferência da mercadoria pela autoridade fiscal. Diante dessas circunstâncias, é de elementar inferência que não poderia o contribuinte, em momento posterior, ser notificado para novo recolhimento do imposto de importação, sob a alegação de que a classificação do produto deveria ser diversa, com incidência de alíquota maior. O art. 149 do CTN autoriza a revisão do lançamento, dentre outras hipóteses, "quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória", ou seja, quando há erro de direito. Se a autoridade fiscal teve acesso à mercadoria importada, examinando sua qualidade, quantidade, arca, modelo e outros atributos, ratificando os termos da declaração de importação preenchida pelo contribuinte, não lhe cabe ulterior impugnação do imposto pago por eventual equívoco na classificação do bem. Divergência jurisprudencial não configurada ante a ausência de similitude fática entre os acórdãos confrontados. Recurso especial improvido” (STJ REsp no 202.958/RJ, Min. Franciulli Netto, publicado em 22/03/2004) (grifos e destaques nossos). No Recurso Especial no 478.389/PR, de Relatoria do Ministro Humberto Martins, cujo acórdão foi publicado em 05/10/2007, constou em ementa que "(...) se a autoridade fiscal teve acesso à mercadoria importada, examinando sua qualidade, quantidade, marca, modelo e outros atributos, ratificando os termos da declaração de importação preenchida pelo contribuinte, não lhe cabe ulterior impugnação ou revisão". Este é justamente o caso ora em Fl. 3884DF CARF MF 40 análise em que, conforme se expôs, contou com mercadorias parametrizadas pelo canal vermelho. Em idêntico sentido o entendimento do Ministro Luiz Fux no Recurso Especial no 1.112.702/SP, cujo acórdão foi publicado em 06/11/2009 nos seguintes termos: "(...) a revisão de lançamento do imposto, diante de erro de classificação operada pelo Fisco aceitando as declarações do importador, quando do desembaraço aduaneiro, constituise em mudança de critério jurídico vedada pelo CTN". Assim, "(...) o lançamento suplementar resta, portanto, incabível quando motivado por erro de direito". A posição é também reiterada pela jurisprudência ainda mais recente do Superior Tribunal de Justiça, conforme se tem notícia a partir do acórdão a seguir transcrito, do Recurso Especial no 1.347.324/RS, de relatoria da Ministra Eliana Calmon, de 14/08/2013: “TRIBUTÁRIO IMPORTAÇÃO DESEMBARAÇO ADUANEIRO RECLASSIFICAÇÃO DA MERCADORIA REVISÃO DE LANÇAMENTO POR ERRO DE DIREITO IMPOSSIBILIDADE SÚMULA 227 DO EXTINTO TFR. É permitida a revisão do lançamento tributário, quando houver erro de fato, entendendose este como aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. Não se admite a revisão quando configurado erro de direito consistente naquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. A jurisprudência do STJ, acompanhando o entendimento do extinto TRF consolidado na Súmula 227, tem entendido que o contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito. Hipótese em que o contribuinte atribuiu às mercadorias classificação fiscal amparada em laudo técnico oficial confeccionado a pedido da auditoria fiscal, por profissional técnico credenciado junto à autoridade alfandegária e aceita por ocasião do desembaraço aduaneiro. 4. Agravo regimental não provido” (STJ AgRg no REsp no 1.347.324/RS – Agravo Regimental no Recurso Especial – Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, publicado em 14/08/13) (grifos e destaques nossos). Observese que, em nome da segurança e da previsibilidade das relações jurídicas, o Superior Tribunal de Justiça chega a adotar a postura extremada de afirmar que sequer o erro de classificação por parte do contribuinte permitiria a alteração do critério jurídico da classificação fiscal: “TRIBUTÁRIO – IMPORTAÇÃO – IPI – DESEMBARAÇO DUANEIRO ERRO A INTERPRETAÇÃO JURÍDICA DOS ATOS RECLASSIFICAÇÃO A MERCADORIA IMPOSSIBILIDADE. O contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito. O erro de direito cometido pelo contribuinte, mas não detectado pelo Fisco, é o mesmo que alteração de critério jurídico, vedado pelo CTN. Fl. 3885DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.865 41 Precedentes. 3. Recurso especial provido” (STJ REsp no 1079.383/SP – Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, publicado em 01/07/09) (grifos e destaques nossos). Sem qualquer pretensão de ingressar no mérito da decisão, há de se apontar para o fato de que, independentemente de quem incorreu em erro, seja Estado ou particular, o que se prestigia, na dicção da Corte Superior, é a estabilidade das relações e da aplicação do direito. A decisão que impede a modificação dos critérios jurídicos que regem o relacionamento entre o Estado e os particulares prestigia a segurança jurídica e, portanto, o próprio convívio social. Decidir de maneira diversa, acatandose a alteração da classificação fiscal da mercadoria seria agir em completo desprestígio ao trabalho da autoridade aduaneira que efetuou o desembaraço, homologando os dados constantes na declaração de importação. Luciano Amaro, ao tratar do art. 146 do Código Tributário Nacional, preconiza que o dispositivo torna defesa a aplicação de critério jurídico novo a fatos geradores anteriores à sua introdução, de maneira a atestar a sua irretroatividade: "(...) o dispositivo é severo com o Fisco",35 que "(...) deve primeiro divulgar o novo critério para depois poder aplicálos nos lançamentos futuros pertinentes a fatos geradores também futuros",36 ponto no qual diverge de Alberto Xavier, para quem a norma se destinaria aos fatos geradores já ocorridos, porém ainda não lançados. 37 E o que resta, ao nos voltarmos ao caso concreto da recorrente? De um lado, resta a sedimentação jurisprudencial em torno do tema por mais de meio século, desde a decisão do Supremo Tribunal Federal de 1958 até as decisões mais recentes, sejam aquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, sejam aquelas proferidas por este Conselho, o que aponta para o que José Maria Arruda de Andrade chama de amadurecimento institucional que cede lugar a regularidades comportamentais.38 De outro lado, resta um relacionamento que, a considerar apenas o período fiscalizado, remonta a cinco meses, período no qual se realizou a importação reiterada da mesma mercadoria por um mesmo critério, sem qualquer óbice ou dificuldade, conhecidos todos os pressupostos fáticos da operação. Assim, para onde quer que se olhe, o que há é estabilidade e uniformidade. Sob o escólio de Humberto Ávila, há de se sustentar que “(...) a segurança jurídica pode da mesma forma ter como objeto não a norma propriamente dita, mas a sua aplicação uniforme”39 e, bem poderíamos adicionar, sem qualquer prejuízo, a sua aplicação estável. Assim, seja por uma questão de uniformidade da aplicação do entendimento jurisprudencial, neste caso tanto judicial como administrativo, seja por um 35 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. São Paulo: Editora Saraiva, 16ª edição, 2010, pp. 380381. 36 Ibidem. 37 Ibidem. 38 ANDRADE, José Maria Arruda de. Interpretação da norma tributária. São Paulo: MP Editora/APET, 2006, p. 137. 39 ÁVILA, Humberto. Segurança jurídica – entre permanência, mudança e realização no direito tributário. São Paulo: Editora Malheiros, 2011, p. 142. Fl. 3886DF CARF MF 42 imperativo de estabilidade que deve pautar as relações, de maneira a não ser admissível a alteração de critérios para fatos pretéritos, acolhese o argumento de impossibilidade de revisão de lançamento já homologado com fundamento em alteração de critério jurídico, entendendose pelo provimento do recurso voluntário neste particular". Em segundo lugar, no mérito, (ii) quanto à classificação fiscal da mercadoria, aproveitamos a oportunidade para, depois de maior reflexão, alterar o nosso posicionamento acerca da matéria. Ao analisar as considerações acima tecidas acerca da existência da revisão fiscal, entendemos que o desembaraço é, no caso presente, uma modalidade de lançamento tributário. O lançamento, para ocorrer, de fato não pode prescindir de nenhum de seus elementos constitutivos, como se depreende do parecer de lavra de Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua obra acadêmica, que nos levou ao presente raciocínio, sob pena de se aceitar a possibilidade de um inexistente fato gerador pendente ou "complexivo" (sic) que parte substanciosa da doutrina, como Antonio Sampaio Dória ou Henry Tilbery já defendeu em oposição àqueles fatos geradores "instantâneos". Em outras palavras, ou se conhecem todos os elementos do fato gerador ou não é possível à autoridade competente proceder ao lançamento do tributo e, logo, diferente de nosso entendimento anterior, irrelevante o uso efetivo que se dará à mercadoria em momento posterior ao desembaraço aduaneiro. Este, ademais, é o sentido do art. 72 conjugado com dos artigos 73 e 94 do Regulamento Aduaneiro. A partir desta perspectiva, passa a fazer sentido o argumento trazido pela contribuinte no sentido de que os painéis LCD podem ter diferentes usos. Maior segurança seria conferida a este colegiado caso a contribuinte comprovasse que os materiais importados foram efetivamente utilizados para a destinação prevista pela classificação NCM, ou, no sentido de sua defesa, comprovar que não foram utilizados para aqueles aparelhos listados nas posições 85.27 ou 85.28 ("monitores e projetores, que não incorporem aparelho receptor de televisão; aparelhos receptores de televisão, mesmo que incorporem um aparelho receptor de radiodifusão ou um aparelho de gravação ou de reprodução de som ou de imagens"). Contudo, entendo agora com bastante clareza que tal comprovação não se faz necessária. O uso potencial dos painéis LCD tanto para aqueles aparelhos acima descritos como também para outros usos comerciais já é suficiente para descaracterizar a posição específica 8529.9020 reputada como correta pela autoridade fiscal. Isto porque a materialidade deve ser aferida, como foi, no momento do desembaraço conforme explicado acima. Conforme trecho da própria Solução de Consulta nº 4 – Coana, de 24/12/2010, que entendeu que a correta classificação fiscal do produto Display de Cristal Líquido (LCD)”, a incerteza se manifesta nos seguintes termos: "20. Assim, conforme mencionado pelo Interessado em sua petição, é impossível definir com exatidão o produto no qual será montada, visto que a mesma pode ser acoplada a qualquer aparelho capaz de fornecer um sinal de vídeo através de uma conexão adequada – em que pese o fato de que, pelo tamanho, seja possível, por exemplo, presumir que uma certa tela deva servir para um aparelho receptor de TV, o que não impede, entretanto, que se utilize esta mesma tela para a fabricação de um equipamento médico, por exemplo”. Fl. 3887DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.866 43 Assim, uma vez caracterizada a dúvida, a RGI nº I determina que a classificação fiscal seja feita primordialmente no texto das posições e a posição 9013 descreve exatamente “dispositivos de cristal líquido”; dessa forma, os produtos importados se enquadram perfeitamente nessa descrição, levando em consideração que são dispositivos de cristal líquidos como atestado nos laudos e que “podem se destinar às mais diversas finalidades e equipamentos, não se podendo, no momento da importação classificálos sob uma finalidade específica”. Não obstante a leitura do relatório fiscal já apontar para este sentido, observo que a contribuinte apresentou dois laudos do Instituto Nacional de Tecnologia (“INT”), do Ministério da Ciência e Tecnologia (“MCT”) – “Relatório Técnico nº 1370/2012” e “Relatório Técnico 741/2012”, laudo técnico subscrito por Nilton Morimoto e Antonio Seabra, professores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, e laudo técnico subscrito por Eduardo Moschim, professor titular da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Na medida em que a posição 9013 se refere a “dispositivos de cristal líquido", não vejo como negar que os produtos se enquadrem à perfeição nessa descrição, não sendo possível, e este é um ponto importante, atestarse o seu uso específico no momento da importação. Assim, quando a Nota “1.m”, da Seção XVI, exclui expressamente “os artefatos classificados no Capítulo 90", entendo que os produtos importados se qualificam como instrumento de óptica que, por decorrência lógica, não poderiam se classificar no código 8529.90.20. Esta a conclusão, não obstante, a que chegou o parecer de lavra de José Luiz Rossari nos seguintes termos: "(...) a Nota 1, letra “m”, da Seção XVI da NCM, por si só, confirma que sendo o display de LCD um artefato descrito na posição 9013 do Capitulo 90, não podia ele se classificar na posição 8525 a 8528, devido a essa imposição de cumprimento obrigatório estabelecida no Sistema Harmonizado (...) em vista do exposto, mormente inclusive das soluções de consulta emanadas da RFB, podese afirmar sem qualquer dúvida, que, à época das importações, a posição 9013 era a mais adequada para a classificação do produto”. Transcrevemos, ademais, neste sentido, a percuciente declaração de voto realizada pelo Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima no Acórdão CARF nº 3201 002.026, julgado em sessão de 28/01/2016 pela 1ª Turma da 2ª Câmara desta 3ª Seção: "Meu entendimento é convergente com julgamento anterior deste próprio Conselho, que reconheceu como correta a classificação da NCM 90.13.80.10 para os Dispositivos de Cristais Líquidos LCD, para o mesmo contribuinte ora parte no presente procedimento administrativo. O contribuinte classificou corretamente as mercadorias importadas na Nomenclatura Comum do Mercosul NCM Dispositivos de Cristais Líquidos LCD 9013.80.10 (Classificação nas Declarações de Importação de 20 de Maio de 2007 a 31 de Dezembro de 2011). O único fundamento do Auto de Infração é a suposição de erro na classificação fiscal. Consequentemente a fiscalização imputou a multa de 1% sobre o valor aduaneiro e lançou as Fl. 3888DF CARF MF 44 diferenças de alíquotas dos Impostos de Produtos Industrializados IPI, de Importação II, PIS e COFINS, correspondentes às NCM's que a fiscalização entendeu como corretas (NCM 8529.90.20, NCM 8517.70.99 e NCM 8531.20.00). Apesar da questão da suspensão do IPI não alterar a linha de motivação e nem a conclusão da presente declaração de voto, aqui é importante reproduzir a declaração de voto constante na Decisão da DRJ de São Paulo, que reconheceu a suspensão do IPI a partir de junho de 2009, conforme Art. 11, IN 948/2009. No estudo dos autos verificase que este fato pode ter atraído a atenção do agente fiscal, situação que pode ter motivado o início da fiscalização. Segue declaração mencionada: Declaração de Voto Salvo melhor juízo, tenho entendimento divergente ao do relator apenas em relação à exigibilidade dos créditos de IPI relativos a mercadorias importadas sob o regime de suspensão do art. 29, §1º, inciso I, “c” da Lei nº 10.637/02, regulamentado art. 11, inciso II da Instrução Normativa RFB nº 948/09. É fato incontroverso tanto para a fiscalização como para a impugnante que os bens importados em questão enquadravamse na hipótese de suspensão acima citada. Logo, não há que se cogitar da exigência tributária do IPI no momento da ocorrência do fato gerador na importação, qual seja, o registro da respectiva declaração de importação. A eventual resolução da suspensão do IPI depende da apuração individual de cada venda no mercado interno de bens contendo tais insumos importados, visto que é neste segundo momento que o tributo volta a ser exigível, apurandose concomitantemente o efetivo recolhimento porventura já realizado pela empresa em cada operação. A fiscalização não respeitou tal exigência, presumindo os recolhimentos nas vendas ao mercado interno e considerando o IPI exigível desde a data de registro das importações. Dessa forma, entendo incabível o lançamento realizado em relação a essas importações alcançadas pela suspensão do IPI." Ainda que não seja fato controverso a identificação da mercadoria, Dispositivos de Cristais Líquidos LCD, a fiscalização obrigou o contribuinte a identificar cada item importado de acordo com uma possível aplicação futura, de acordo com o P/N utilizado para os controles de produção e estoques. Apesar de haver múltiplas e simultâneas possibilidades de aplicações futuras dos produtos importados, o contribuinte teve de respeitar a intimação e respondeu de acordo com a planilha dos Anexos I e VIII da intimação 2012 000140, restringindo essas possíveis aplicações futuras. Foi de acordo com esta planilha que a fiscalização decidiu que a NCM utilizada pelo contribuinte não era suficiente para atender a todas as exigências regulamentares. Discordo de como procedeu a fiscalização e da conclusão desta, pois correta a classificação utilizada pelo contribuinte. É incontestável que a classificação da mercadoria, primeiro, deve ser baseada nas características do produto no momento do despacho aduaneiro, independentemente de sua futura possível utilização. Fisco encaixou em subitens de posições de NCM's, como se fossem mais específicas. Fl. 3889DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.867 45 Oneroso e burocrático auferir de forma clara, concisa e legal todas as possíveis futuras aplicações da mercadoria importada no momento do despacho aduaneiro. Logo, a fiscalização decidiu restringir e de forma arbitrária a classificação. Apesar de haver uma projeção do contribuinte em seu plano de negócios da aplicação futura das mercadorias importadas, os negócios industriais têm estruturas dinâmicas, "orgânicas" e devem acompanhar e atender a oferta e procura, o que pode alterar de imediato a projeção da utilização futura das mercadorias importadas. Entendo que a fiscalização deixou de considerar o Regulamento Aduaneiro nos seus Artigos 72, 73 e 94 que positivaram essa garantia jurídica, da classificação da mercadoria de acordo com suas características no momento do despacho aduaneiro. Com relação ao entendimento minucioso da aplicação ou não da NCM 9013.80.10, basta observar a Regra Geral nº 1 para interpretação do sistema harmonizado e concluir que esta NCM é a correta para a mercadoria importada. Regra 1: " Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legai, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas se seção e de capítulo [...]"Vejamos o texto da posição 90.13 "Dispositivo de Cristal Líquido LCD" na posição específica 80.10 "quaisquer que sejam as máquinas, aparelhos ou instrumentos a que se destinem". É evidente que a mercadoria é um artefato da posição 90.13, identificada logo pelo texto e de acordo com RG nº 1, para "quaisquer que sejam as máquinas, aparelhos ou instrumentos a que se destinem". Ainda que já solucionado pela RG1, uma vez que o texto é adequado em sua posição e não em subposições como nos casos das NCM 8529.90.20, NCM 8517.70.99 e NCM 8531.20.00, em que o texto da posição não está de acordo com a mercadoria importada. Não se observaria a Regra Geral n.º 1 do Sistema Harmonizado se classificarmos a mercadoria nos textos: NCM 8517 “Aparelhos Telefônicos, incluídos os telefones para redes celulares e para outras redes sem fio; outros aparelhos [...]”. NCM 8529 – “Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28”. NCM 8531 – Aparelhos elétricos de sinalização acústica ou visual (por exemplo, campainhas, sirenes [...]” (seleção e grifos nossos). O parecer de lavra de José Luiz Rossari aventa a hipótese de que, ainda que não fosse suficiente a RGI nº 1 para enquadrar as mercadorias na posição 90.13, também a aplicação da RGI nº 3, alínea 'a', conduzirá à mesma conclusão, uma vez que, por decorrência da aplicação da nota IV.a desta regra geral de interpretação ao determinar que "uma posição que designa nominalmente um artigo em particular é mais específica que uma posição que compreenda uma família de artigos". Fl. 3890DF CARF MF 46 Sobre este particular, aliás, há de se ter em conta que, enquanto a posição 90.13 designa os produtos um a um, nominalmente, a posição 85.29 se volta a uma família de artigos. Do parecer de José Luiz Rossari transcrevemos: “(...) na hipótese aventada, como as regras seguintes, RGI1, ‘a’ e RGI2, ‘b’ não oferecem resposta adequada para a classificação do produto, visto que permaneceria a dúvida entre duas ou mais posições, caberia, sim, ser considerada a Regra seguinte, no caso, a RGI3, ‘a’, a qual estabelece a diretriz de especificidade ao dispor que ‘a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas’. Seria adotado tal procedimento com base na quase identidade dos textos utilizados na posição 9013 (‘dispositivos de cristal líquido’) e item 9013.80.10 (‘dispositivos de cristal líquidos – LCD’) da NCM, em relação aos produtos ‘Dispositivos (Display) de Cristal Líquido’ importados à época, descrição esta que retrata adequadamente os dispositivos em questão, conforme atestam os laudos técnicos”. Em mesmo sentido, o declaração de voto realizada pelo Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima no Acórdão CARF nº 3201002.026, julgado em sessão de 28/01/2016: "Se observarmos a Regra Geral n.º 3, na remota hipótese da situação não ter solucionado com a Regra Geral n.º 1, essa também elege a posição 90.13 como a correta pois é mais específica tanto no item quanto no subitem, de acordo com a Nota 2.a, Capítulo 90 da Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH. É exatamente o que foi decidido no Acórdão definitivo deste Conselho, Acórdão de n.º 30333.326, de 12 de julho de 2006, com relação ao próprio contribuinte, que reconheceu o direito de aplicar aos Dispositivos de Cristal Líquido LCD a NCM 9013.80.10. Para reforçar o presente entendimento, a posição da NCM 9013 indica nominalmente um artigo em particular, enquanto que as outras NCM’s apontadas pela fiscalização designam uma família de artigos, o que torna estas classificações da fiscalização menos específicas uma vez que a Nota IV e IV, b, da R.G. n.º 3, expressamente vinculam que a especificidade deve ser analisada conforme a natureza do produto e não conforme sua futura utilização, além de delimitar ser a posição mais específica aquela que nominalmente descreve um artigo em particular e não aquela que aponta uma família de artigos. Não foi considerada na análise da fiscalização a Nota 1, m, da Seção XVI, que abrangem as classificações pretendidas pela autoridade fiscal. O caput da Nota 2 expressamente exclui das suas disposições os casos contemplados pela Nota 1 da Seção XVI. A análise desta Nota confirma a classificação adotada pelo contribuinte, pois exclui do seu alcance os “artefatos classificados no capítulo 90”. A fiscalização deixou de observar a vigência dos Ex Tarifários 001 e 002 da posição 8529.90.20 (Resolução CAMEX 84 de Dezembro de 2010). Deixou de observar que as mercadorias tem reconhecida importância no Brasil e por este motivo foram concedidas as exceções à Tarifa Externa Comum, para Fl. 3891DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 3401003.252 S3C4T1 Fl. 3.868 47 contemplar sem onerar e impedir o desenvolvimento do setor. Foi nesse sentido que se publicou a resolução CAMEX 84/2010 com os Ex Tarifários, acompanhados de coerência tarifária para os dispositivos de LCD e mantido o mesmo nível tarifário da NCM 9013.80.10. Assim, é temerário concluir que a CAMEX teria classificado os dispositivos somente no subitem 9013.80.10 se esta NCM fosse a correta para o produto. Não há lógica em determinada conclusão uma vez que a NCM 9013.80.10 é também expressa no Anexo I do Decreto e é razão do Ex Tarifário, além de ser prática reiterada no âmbito da administração pública. O texto "Displays de Cristal Líquido" apenas foi inserido na NCM 85.29.90.20, após a redação do Decreto 7.600/11. Anteriormente este texto estava presente somente na NCM 9013, o que configura mudança de critério jurídico, uma clara alteração do critério de classificação anteriormente adotado em múltiplos níveis da administração pública. Vejamos: Não houve reclassificações de outras DI’s da empresa parametrizadas em canal vermelho; Consultas de n.º 98/99 da 8.ª Região DIANA, 31/07 da 10.ª Região e 37/07 da 6.ª Região apontam a NCM 9013.80.10 como a correta classificação para a mercadoria; Decisão Administrativa definitiva que determina a NCM 9013.80.10 neste Conselho, P.A. 10860.000559/200586; IN RFB 740/2007, Art. 3.º, II, vigente à época. O Contribuinte ficou impedido de realizar nova consulta sobre tema já decidido, conforme Art. 52 do Decreto 70.235/72. E não só, ficou vinculado a classificar as mercadorias na NCM 9013.80.10. Declarações de Importação foram incluídas após a lavratura do Auto de infração (fato conhecido na DRJ), erros de cálculo não foram sanados, mas a divergência desta declaração de voto é no mérito e neste, o contribuinte acertou na classificação, inclusive Pareceres e Laudos Técnicos confirmam a natureza técnica do produto e sua direta relação com a NCM utilizada. O contribuinte preencheu as regras gerais e interpretativas, contribuiu para a manutenção das praticas reiteradas e observou as decisões de consulta e deste conselho. Está configurada a característica de normas complementares às práticas reiteradas das autoridades administrativas. Com fundamento em todo o exposto e principalmente nos Artigos 100, 146 e 149 do Código Tributário Nacional, que estabelecem a legalidade das práticas administrativas reiteradamente observadas e protegem o contribuinte das modificações de critério jurídico, não há legitimidade para o lançamento pois é "conditio sine qua non" que o Auto de Infração tenha elementos suficientes para a configuração do fato tributável. Por todo o exposto, por faltar objeto e não restar configurado o suposto "erro de classificação" da mercadoria, diante do vício material insanável que caracteriza o lançamento, voto pela improcedência do Auto de Infração, seu cancelamento integral e conseqüente cancelamento de todas as penalidades e demais encargos, e seja conhecido e provido o Recurso Voluntário em sua integralidade". Fl. 3892DF CARF MF 48 Assim, com base nos fundamentos acima expostos, voto por dar provimento ao recurso voluntário neste particular. Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 3893DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.720051/2014-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/01/2009 a 30/09/2012
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF N.º 1.
A teor da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF N.º 2
Em conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
ARROLAMENTO DE BENS. INCOMPETÊNCIA CARF.
Este CARF não possui competência para analisar questão relativa ao arrolamento de bens, devendo ser seguido o procedimento específico previsto na legislação (IN RFB n.º 1.565/2015 c/c arts. 56 a 65 da Lei n.º 9.784/99).
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-003.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, que negavam provimento na íntegra.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/01/2009 a 30/09/2012 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF N.º 1. A teor da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF N.º 2 Em conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ARROLAMENTO DE BENS. INCOMPETÊNCIA CARF. Este CARF não possui competência para analisar questão relativa ao arrolamento de bens, devendo ser seguido o procedimento específico previsto na legislação (IN RFB n.º 1.565/2015 c/c arts. 56 a 65 da Lei n.º 9.784/99). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2009 a 30/09/2012 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF N.º 1. A teor da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF N.º 2 Em conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ARROLAMENTO DE BENS. INCOMPETÊNCIA CARF. Este CARF não possui competência para analisar questão relativa ao arrolamento de bens, devendo ser seguido o procedimento específico previsto na legislação (IN RFB n.º 1.565/2015 c/c arts. 56 a 65 da Lei n.º 9.784/99). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado, nos termos do voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 00 51 /2 01 4- 79 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06 /09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DEL IGNE 2 Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, que negavam provimento na íntegra. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de Infração para a constituição de crédito tributário de IPI em razão da fiscalização ter considerado indevido o creditamento pela empresa de valores relativos à aquisição de insumos com suspensão do imposto. Referidos créditos, relativos ao período abrangido entre Janeiro/2009 a Setembro/2012 foram aproveitados como créditos extemporâneos, inseridos na rubrica "Outros Créditos" do livro RAIPI. Além do valor do imposto, a exigência fiscal abrange ainda o valor dos juros e da multa de ofício de 75%, sendo que, por se enquadrar na hipótese legal, foi realizado o arrolamento de bens (complementação do arrolamento já realizado no PTA 13888.002392/200900). Como indicado no Relatório Fiscal da autuação, o contribuinte ajuizou Ação Ordinária n.º 2005.61.09.0079163 (000791696.2005.4.03.6109) visando garantir o creditamento objeto da autuação (sobre insumos adquiridos com suspensão com fulcro na Lei n.º 10.637/2002). Contudo, o contribuinte não obteve provimento favorável naqueles autos, sendo que, à época da autuação, estava pendente de julgamento a Apelação interposta em face da sentença improcedente proferida. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação sustentando, em síntese, o direito ao crédito de IPI sobre as aquisições de insumos tributos com a suspensão do imposto; a desproporcionalidade e confiscatoriedade da multa aplicada; a não incidência da taxa SELIC sobre a multa de ofício e a desnecessidade de complementação do arrolamento de bens. Negando provimento integral a esta defesa, foi proferida a decisão recorrida, ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 299DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06 /09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DEL IGNE Processo nº 13888.720051/201479 Acórdão n.º 3402003.217 S3C4T2 Fl. 299 3 Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 ARROLAMENTO DE BENS EFETUADO PELA FISCALIZAÇÃO. APRECIAÇÃO PELAS DELEGACIAS DE JULGAMENTO DA RFB. INCOMPETÊNCIA. Descabe às Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil apreciar matéria relativa ao arrolamento de bens como garantia do crédito tributário lançado. IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO IPI. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. CONFISCO E PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. É vedado aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC. Incidem juros de mora com base na taxa Selic sobre a multa de ofício paga após o seu vencimento legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (fl. 229) Cientificada desta decisão em 03/03/2015 (fl. 244), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 31/03/2015 (fls. 247265) pleiteando a reforma da decisão de primeira instância em razão: (i) da possibilidade de coexistência entre processo administrativo e processo judicial tributário sustentando que o entendimento "sumulado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Súmula n.º 1) e adotado pelo Supremo Tribunal Federal no RE 234.277/RJ, é patentemente equivocado" (fl. 249); (ii) do direito ao crédito de IPI sobre as aquisições de insumos com suspensão do imposto, por estarem embasados no princípio constitucional da não cumulatividade e na legislação aplicável (Lei n.º 10.637/2002 e Regulamentos do IPI de 2002 e 2010); (iii) a desproporcionalidade e confiscatoriedade da multa aplicada (75% do valor do imposto devido); (iv) a não incidência da taxa SELIC sobre a multa de ofício por ausência de previsão legal; e (v) a desnecessidade de complementação do arrolamento de bens no PTA 13888.002392/200900 "vez que o saldo do débito relativo aos processos que resultaram no arrolamento de vens no valor de R$ 78.500.418,17, atualmente é de apenas R$ 22.384.781,59, em razão da inclusão no parcelamento previsto na lei nº 11.941/2009, não havendo, portanto, necessidade de complementação." (fl. 264). É o relatório. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06 /09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DEL IGNE 4 Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e merece análise. DO CRÉDITO DO IPI CONCOMITÂNCIA RENÚNCIA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA Como relatado, a discussão de mérito desse processo gira em torno do aproveitamento de créditos de IPI sobre insumos adquiridos com suspensão com fulcro na Lei n.º 10.637/2002. Esses créditos, negados pela fiscalização no presente Auto de Infração, estão sendo discutidos judicialmente pela Recorrente na Ação Ordinária n.º 2005.61.09.0079163 (000791696.2005.4.03.6109). O objeto daquela ação judicial pode ser depreendido do pedido constante das fls. 7879, abaixo reproduzido: "Pelo exposto requer, se digne VOSSA EXCELÊNCIA julgar PROCEDENTE a presente Ação, tendo em vista a manifesta ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE da vedação ao crédito do IPI incidente sobre as aquisições de INSUMOS adquiridos com SUSPENSÃO/ISENÇÃO (matérias primas, materiais de embalagem e produtos intermediários) aplicados na fabricação de produtos com SAÍDA TRIBUTADA, imposta inicialmente com a edição da Lei 10.637/2002, art. 29, §5º o qual, por afrontar disposições contidas na Constituição Federal de 1988, não fora por ela recepcionado, deixando de produzir efeitos a partir da data de sua promulgação e, posteriormente, através do Decreto nº 2.637/98, artigo 174, I, 'a' e Decreto nº 4.544/2002, artigos 190, §1º, 193, I, 'a', os quais são manifestamente INCONSTITUCIONAIS em virtude de alterarem disposições constitucionalmente previstas, ferindo dessa forma os princípios da hierarquia das leis e da nãocumulatividade, declarando via de consequencia o real direito de crédito do IPI em sua escrita fiscal no período prescricional." (fls. 7879 grifei) Por sua vez, a argumentação traçada no Recurso Voluntário se respalda nos mesmos diplomas legais objeto da ação judicial e na mesma alegação de inconstitucionalidade com fulcro no princípio da não cumulatividade. É o que se confirma pelo seguinte trecho do Recurso: "III DO DIREITO AO CRÉDITO DE IPI ORIUNDO DAS AQUISIÇÕES DE INSUMOS COM A SUSPENSÃO DO IMPOSTO A Recorrente demonstrará que os créditos originados das aquisições de insumos tributados, mas que são recebidos com a suspensão do imposto, são legítimos, uma vez que foram apropriados por força do princípio constitucional da não cumulatividade previsto pelo artigo 153, IV da Constituição Federal, c/c artigo 150, II, da CF e do artigo 49 do Código Tributário Nacional, em razão do disposto na Lei n.º 10.637/02, e artigos 163 e 164 do Decreto n.º 4.544/02 RIPI/2002 e art. 226, I, do Decreto 7.212 RIPI/2010 (...)" (fl. 250 grifei) Assim, vislumbrase que a discussão de mérito suscitada pela Recorrente (o direito ao crédito de IPI sobre as aquisições de insumos com suspensão do imposto) foi levada à apreciação do Judiciário na referida ação judicial, implicando na renúncia às instâncias administrativas, como bem consignado na decisão recorrida (fl. 235). Fl. 301DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06 /09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DEL IGNE Processo nº 13888.720051/201479 Acórdão n.º 3402003.217 S3C4T2 Fl. 300 5 E aqui frisese que a própria Recorrente reconhece a existência de concomitância no presente caso, sustentando apenas que seria possível a coexistência entre processo administrativo e processo judicial sob pena de violação ao princípio constitucional da ampla defesa. Entretanto, essa argumentação não merece prosperar nesta seara administrativa, vez que a impossibilidade da coexistência pleiteada pela Recorrente está amparada no parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, no art. 87 do Decreto n° 7.574/2011 e na Súmula 1 deste Conselho, abaixo transcritos: Lei n.º 6.830/80 "Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto." (grifei) Decreto 7.574/2011 "Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada." (grifei) Súmula CARF nº 1 "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (grifei) Assim, confirmada a concomitância pela própria Recorrente, com a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo antes do lançamento de ofício com o mesmo objeto do processo administrativo, irretocável neste ponto a decisão de primeira instância, que merece ser mantida. Desta forma, em razão da renúncia à instância administrativa, não merece ser conhecida a argumentação quanto ao crédito de IPI nos termos da Súmula CARF n.º 11. 1 Nesse sentido se manifestou recentemente essa turma, no Acórdão n.º 3402003.106 de relatoria da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula: "CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01. A teor da Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário não conhecido." (Processo 16366.720350/201318 Sessão 21/06/2016) Fl. 302DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06 /09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DEL IGNE 6 MULTA DE OFÍCIO CONFISCO E DESPROPORCIONALIDADE Quanto à confiscatoriedade da multa de 75% aplicada, pleiteia a Recorrente que ela seja afastada por violar princípios constitucionais, em especial da impossibilidade do confisco e da proporcionalidade. Entretanto, igualmente descabida a análise por este CARF desta argumentação, vez que este órgão não é competente para se manifestar acerca da constitucionalidade do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/96, que prevê a referida multa. Estando este dispositivo legal em plena vigência, descabe a este colegiado manifestarse acerca de sua constitucionalidade. Esta matéria se encontra igualmente sumulada por este CARF, na Súmula CARF n.º 2 que expressa que "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Assim, em razão da incompetência deste Conselho, igualmente não se conhece do argumento relativo à confiscatoriedade e desproporcionalidade da multa de ofício. NÃO INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Quanto à não incidência da Taxa SELIC sobre a multa de ofício, assiste razão à Recorrente, uma vez que inexiste no ordenamento jurídico pátrio dispositivo legal que fundamente tal exigência. Com efeito, a previsão legal do art. 61, da Lei n. 9.430/96 garante a inclusão dos juros de mora sobre os débitos "decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" que sejam pagos a destempo. Esta extensão do que se entende por débito para fins da inclusão dos juros de mora é depreendida do caput e do §3º deste dispositivo legalm que expressam: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Nesta toada, vislumbrase que a multa de ofício não foi incluída como "débitos para com a União" para fins de aplicação dos juros no art. 61 da Lei n.º 9.430/96. Consoante o raciocínio proposto pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, mostrase “ilógico interpretar que a expressão 'débitos' ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput” (Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013). Da mesma forma, não se entende que seria aplicável na espécie o art. 43, da Lei n.º 9.430/96. Isso porque o referido dispositivo traz a previsão de aplicação dos juros de mora quando da lavratura auto de infração que se refira, "exclusivamente, a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente", tratandose, portanto, de "Auto de Infração sem tributo" nos termos do título utilizado pela própria lei neste artigo: Fl. 303DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06 /09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DEL IGNE Processo nº 13888.720051/201479 Acórdão n.º 3402003.217 S3C4T2 Fl. 301 7 "Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Auto de Infração sem Tributo Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Ora, a hipótese trazida no dispositivo legal acima distinguese claramente daquela sob análise, no qual foi aplicada multa de 75% do valor do tributo não recolhido (IPI), esta sim sem previsão legal para a incidência de juros. A ausência de previsão legal para a incidência de juros sobre a multa de ofício vem sendo reconhecida pela jurisprudência deste CARF, ainda não consolidada (por exemplo, Acórdão 3403002.367, de 24/07/2013; Acórdão 3402002.862, de 26/01/2016 e Acórdão 3402002.929, de 24/02/2016). E aqui, frisese, que não se está afastando de qualquer forma a aplicação da Súmula CARF n.º 42, que determina a inclusão da SELIC sobre débitos tributários administrados pela Secretaria Receita Federal. Com efeito, devese entender por "débitos tributários" para fins de inclusão da SELIC os tributos administrados pela RFB, em conformidade com a expressão do art. 61 da Lei n.º 9.430/96, não podendo estender para as multas de ofício cobradas no mesmo lançamento. Nesse exato sentido: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" (Acórdão n.º 3403003.425. Processo n.º 19515.723091/201314 Sessão 13/11/2014 Relator Alexandre Kern e Redator designado Antonio Carlos Atulim especificamente quanto à parte da não incidência dos juros sobre a multa de ofício grifei) 2 Súmula CARF n° 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Fl. 304DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06 /09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DEL IGNE 8 Sem lei que estabeleça expressamente a aplicação de juros sobre a multa de ofício, incabível a cobrança pretendida pela Autoridade Fiscal nestes autos, devendo ser a mesma cancelada por este Colegiado. QUANTO AO ARROLAMENTO DE BENS Por fim, indica a Recorrente que seria desnecessária a complementação do arrolamento de bens no PTA 13888.002392/200900, determinada pelo fiscal no Auto de Infração, uma vez que "o saldo do débito relativo aos processos que resultaram no arrolamento de vens no valor de R$ 78.500.418,17, atualmente é de apenas R$ 22.384.781,59, em razão da inclusão no parcelamento previsto na lei nº 11.941/2009, não havendo, portanto, necessidade de complementação." (fl. 264) Entretanto, este CARF não possui competência para analisar questão do arrolamento de bens, conforme se depreende da Instrução Normativa RFB n.º 1.565/2015, que traz o procedimento específico a ser seguido pelo sujeito passivo para a discussão do arrolamento: "Art. 17. É facultado ao sujeito passivo apresentar recurso administrativo no processo de arrolamento de bens e direitos, no prazo de 10 (dez) dias contado da data da ciência da decisão recorrida, nos termos dos arts. 56 a 65 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. § 1º O recurso será apreciado pelo chefe da divisão, do serviço, da seção ou do núcleo competente para realizar as atividades de controle e cobrança do crédito tributário da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo que, se não o acatar, o encaminhará ao titular da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo. § 2º A decisão proferida pelo titular da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo será definitiva na esfera administrativa." Com efeito, por inexistir previsão legal específica para a defesa a ser apresentada pelo sujeito passivo quanto ao arrolamento de bens3, aplicase à espécie a disciplina geral do recurso administrativo (ordinariamente chamado de recurso hierárquico) trazida pelos arts. 56 a 65 da Lei n.º 9.784/19994. E a análise deste recurso, como se depreende da disciplina legal, não compete a este CARF. Esta conclusão é igualmente depreendida do 3 Conforme se extrai dos arts. 64 e 64A da Lei n.º 9.532/1997. 4 "Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito. § 1o O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar no prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior. (...) Art. 58. Têm legitimidade para interpor recurso administrativo: I os titulares de direitos e interesses que forem parte no processo; II aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão recorrida; III as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos; IV os cidadãos ou associações, quanto a direitos ou interesses difusos. Art. 59. Salvo disposição legal específica, é de dez dias o prazo para interposição de recurso administrativo, contado a partir da ciência ou divulgação oficial da decisão recorrida. § 1o Quando a lei não fixar prazo diferente, o recurso administrativo deverá ser decidido no prazo máximo de trinta dias, a partir do recebimento dos autos pelo órgão competente. § 2o O prazo mencionado no parágrafo anterior poderá ser prorrogado por igual período, ante justificativa explícita. Art. 60. O recurso interpõese por meio de requerimento no qual o recorrente deverá expor os fundamentos do pedido de reexame, podendo juntar os documentos que julgar convenientes. Art. 61. Salvo disposição legal em contrário, o recurso não tem efeito suspensivo. Parágrafo único. Havendo justo receio de prejuízo de difícil ou incerta reparação decorrente da execução, a autoridade recorrida ou a imediatamente superior poderá, de ofício ou a pedido, dar efeito suspensivo ao recurso.(...)" Fl. 305DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06 /09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DEL IGNE Processo nº 13888.720051/201479 Acórdão n.º 3402003.217 S3C4T2 Fl. 302 9 Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria n.º 343/2015, que não traz o arrolamento de bens dentre as matérias por ele apreciáveis. Assim, existindo procedimento administrativo próprio a ser seguido pelo sujeito passivo para a discussão quanto ao arrolamento de bens, tratandose de matéria que foge à competência deste CARF, não conheço da alegação quanto ao arrolamento de bens. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por: (i) não conhecer o Recurso quanto: (i.1) ao mérito da validade do crédito de IPI sobre insumos com suspensão, em razão da concomitância com a instância judicial e a correspondente renúncia na forma da Súmula CARF n.º 1; (i.2) à confiscatoriedade e desproporcionalidade da multa aplicada em razão da incompetência deste CARF para apreciar argumentos pautados apenas na inconstitucionalidade, na forma da Súmula CARF n.º 2; e (i.3) ao pedido de cancelamento da complementação do arrolamento de bens, por igualmente fugir à competência do CARF. (ii) dar provimento ao recurso quanto à não incidência da taxa SELIC sobre a multa de ofício aplicada, por ausência de previsão legal. Assim, dáse parcial provimento ao recurso para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 306DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06 /09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DEL IGNE
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Numero do processo: 10970.720122/2012-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 01 22 /2 01 2- 44 Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10970.720122/201244 Acórdão n.º 9202004.673 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10970.720122/201244 Acórdão n.º 9202004.673 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10970.720122/201244 Acórdão n.º 9202004.673 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10970.720122/201244 Acórdão n.º 9202004.673 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10970.720122/201244 Acórdão n.º 9202004.673 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10970.720122/201244 Acórdão n.º 9202004.673 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10970.720122/201244 Acórdão n.º 9202004.673 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10970.720122/201244 Acórdão n.º 9202004.673 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10970.720122/201244 Acórdão n.º 9202004.673 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13766.000634/99-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do relator.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - PRESIDENTE SUBSTITUTO.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do relator. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA PRESIDENTE SUBSTITUTO. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls 206 em face de decisão da DRJ/RJ de fls. 194 que decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade de fls 152, restando o direito creditório de Finsocial não reconhecido. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 66 .0 00 63 4/ 99 -0 1 Fl. 293DF CARF MF Processo nº 13766.000634/9901 Resolução nº 3201000.760 S3C2T1 Fl. 294 2 Como de costume, transcrevo o relatório e ementa do Acórdão da Delegacia de Julgamento de primeira instância: A Ementa do Acórdão da DRJ/RJ foi assim publicada: "Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de Apuração: 01/10/1989 a 31/08/191 Ementa: INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear restituição de indébito fiscal ocorre em cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento, inclusive, na hipótese de ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo tribunal Federal. Solicitação Indeferida." Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13766.000634/9901 Resolução nº 3201000.760 S3C2T1 Fl. 295 3 Após o protocolo do Recurso Voluntário, os autos foram distribuídos e pautados para julgamento nos moldes do regimento interno deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Conforme a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conheço do tempestivo Recurso Voluntário. PRELIMINAR Com relação à preliminar de alegação do efeito suspensivo do Recurso Voluntário e a não obrigatoriedade de arrolamento de bens, verificase nos autos em fls. 274 a 291 que os créditos foram suspensos e o arrolamento de bens não mais exigido. Dessa forma, conforme Art. 33 do Decreto 70.235/72 (PAF) e Súmula Vinculante n.º 21 do STF, é inegável o efeito suspensivo do Recurso Voluntário e é inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo. Contudo, é preciso considerar que a lide não está em condição de ser julgada, pelo exposto a seguir. DILIGÊNCIA Verificase que tanto as manifestações do contribuinte quanto as decisões administrativas presentes nos autos mencionam haver discussão judicial a respeito da inconstitucionalidade do Finsocial mas não há nos autos quaisquer peças judiciais ou informações a respeito. Em respeito ao devido processo legal, a ampla defesa e ao contraditório, reiteradamente este relator tem se manifestado a favor da diligência que instrua o processo para que ao contribuinte e ao Estado seja proferida decisão completa e satisfatória, fundamentada em informações verdadeiras e sólidas (vide Resolução 3201000.683). Também para evitar eventual descumprimento de decisão judicial transitada em julgado, no caso do prosseguimento deste procedimento administrativo, a diligência se faz necessária. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13766.000634/9901 Resolução nº 3201000.760 S3C2T1 Fl. 296 4 Desta feita, com fundamento no Art. 2.º da lei n. 9.784/99, Art. 165 e 170 do CTN, determinase que o contribuinte seja intimado para que junte aos autos os desdobramentos judiciais principais, com a juntada das decisões, certidões do trânsito em julgado, petições e movimentações da Ação Ordinária 9100036102 perante a Justiça Federal do Estado do Espírito Santo, Tribunal Regional Federal/ES. Tudo no prazo de 30 dias, prorrogável uma única vez por igual período. Após, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator – PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.971874/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/05/2003
PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL.
A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.390
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinando-se o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/05/2003 PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL. A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinando-se o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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Restituição. Prescrição. Recorrente FÁBRICA CARIOCA DE CATALISADORES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/05/2003 PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL. A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinandose o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida para compensação de débitos tributários federais com créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 18 74 /2 00 9- 19 Fl. 513DF CARF MF Processo nº 15374.971874/200919 Acórdão n.º 3402003.390 S3C4T2 Fl. 3 2 A compensação não foi homologada pela unidade de origem sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP, apesar de localizado, havia sido integralmente utilizado na compensação de débitos declarados pelo contribuinte, que esgotaram o crédito disponível. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega que recolheu indevidamente o IPI no período de outubro de 2002 a maio de 2003 (aplicou a alíquota de 10%), sobre saídas de produtos cuja alíquota fora reduzida a zero. Em face disso, considera fazer jus à restituição dos valores pagos, e que tais valores podem ser objeto de compensação, com base no art.74 da Lei nº 9.430/96. A manifestação foi julgada improcedente (Acórdão 14054.326), a despeito do reconhecimento da existência do crédito, em razão da verificação de ofício da prescrição do direito do contribuinte de pleitear a restituição. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual repisa a sua impugnação, acrescentando que o prazo prescricional do direito de pleitear a restituição foi interrompido por iniciativa da Recorrente, que ajuizou ação cautelar de protesto, com o fito de interromper o prazo de prescrição nos termos do art.174, parágrafo único, II do Código Tributário, em 05/09/2007, vindo a ser definitivamente efetivada em 21/01/2015. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.367, de 29 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 15374.971828/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.367): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. A questão inicial do processo dizia respeito à existência ou não do crédito de IPI decorrente do pagamento indevido, questão esta prima facie superada pelo próprio reconhecimento da decisão a quo da sua existência, com base nos documentos de fls. 111303, analiticamente examinados no "Relatório extrajudicial sobre utilização crédito IPI" de fls. 526661, verbis: Em princípio, observo que a manifestante, aparentemente, trouxe aos autos provas do indevido recolhimento, bem como, a autorização para pedir a restituição do adquirente. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 15374.971874/200919 Acórdão n.º 3402003.390 S3C4T2 Fl. 4 3 O seu exaurimento cognitivo restou prejudicado pela verificação ex officio da prescrição do direito do Recorrente de pleitear a restituição dos créditos, com fundamento no art.168, I c/c art.165, I, ambos do Código Tributário Nacional, concluindo nos seguintes termos: Pois bem, consta dos autos que este processo é o de crédito e que a PERDCOMP foi transmitida em 01/04/2008, sendo que o pagamento indevido foi efetuado em 10/03/2003, ou seja, já em 11/03/2008 o contribuinte tinha perdido o direito de pleitear a repetição do indébito, considerando o disposto no CTN: Pois bem, em seu Recurso Voluntário, o Recorrente apresentou certidão judicial da 17ª Vara Federal do Rio de Janeiro (fls.502503) certificando a propositura, por ela, de uma Ação de Protesto Judicial contra a Fazenda Nacional com o objetivo de interromper o prazo para restituição do IPI recolhido a partir de Outubro de 2002 até o último decêndio de Maio de 2003. Certificou também que a propositura da ação se deu em 05/09/2007, tendo o protesto interruptivo da prescrição sendo efetivado em 21/01/2015. Em primeiro lugar, há que se enfrentar a questão da preclusão acerca da apresentação de provas sobre o ajuizamento da ação cautelar de protesto pela Recorrente, haja vista tais provas terem sido juntadas apenas com seu Recurso Voluntário. Entendemos ser perfeitamente cabível tal juntada e manifestação específica acerca da questão da prescrição, por se tratar de questão fática e jurídica trazia posteriormente aos autos, ao ser conhecida de ofício na decisão recorrida e que portanto somente pôde ser atacada em seus fundamentos no âmbito do Recurso Voluntário. É a dicção expressa do art.16, §4, "c" do Decreto 70.235/72, verbis: Art.16. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Desse modo, é legítima a juntada de documentos após a decisão de 1ª instância com vistas a contrapor matéria conhecida de ofício pelo Colegiado a quo. Superado este ponto, podese enfrentar seguramente o mérito das alegações. De fato, a decisão recorrida está correta ao estabelecer que o dies a quo do prazo prescricional relativo ao direito do contribuinte de pleitear a restituição tem início com o pagamento feito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é essa a dicção clara do CTN: “Art. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: Fl. 515DF CARF MF Processo nº 15374.971874/200919 Acórdão n.º 3402003.390 S3C4T2 Fl. 5 4 I nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário ; “Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo do tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Desse modo, o art.150, §1º do mesmo Código é claro quanto a eficácia extintiva do pagamento antecipado, sendo a homologação posterior apenas condição resolutória, isto é, exercer seus efeitos desde o momento da sua realização, ficando sujeito a evento futuro e incerto que pode lhe tirar a eficácia: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos desta lei extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento.” Para afastar quaisquer dúvidas a respeito da identificação da data de início de contagem do prazo, a Lei Complementar nº 118/2005 trouxe em seu artigo 3º regra interpretativa a esse respeito, aplicandose retroativamente por força do art.106, I do CTN: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Até o presente ponto o raciocínio da decisão recorrida é irretocável. Todavia, olvidou o julgado da existência de causa de interrupção da prescrição do direito à repetição tributária, por não ter sido tal matéria informada desde o início na manifestação de inconformidade. De fato, as causas de interrupção da prescrição são as seguintes: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; II pelo protesto judicial; III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 15374.971874/200919 Acórdão n.º 3402003.390 S3C4T2 Fl. 6 5 Portanto, o ajuizamento da ação cautelar de protesto, se feito dentro do prazo prescricional, tem o condão de interrompêlo. Nesse sentido, inclusive, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, consolidado nos votos da lavra do Min. Demócrito Reinaldo, a exemplo do REsp 52.281/DF, julgado em 03/03/1997, no qual consignou o seguinte: Com efeito, o CTN, em seu artigo 174, parágrafo único, inciso II, expressamente elege o protesto judicial como causa interruptiva do prazo prescricional para propor a ação de cobrança do crédito tributário. Face ao princípio da "isonomia processual", idêntico tratamento deve ser dispensado ao contribuinte, nas ações em que postula repetição do indébito. Tal entendimento encontra eco também no REsp nº 82.553/DF, REsp nº 40.365/DF e no REsp 108.866/DF, com a ressalva que neste último se enfrenta especificamente a data em que se inicia a recontagem do prazo prescricional: PROCESSO CIVIL. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. SE A AÇÃO E PRECEDIDA DE PROTESTO JUDICIAL, A PRESCRIÇÃO SE INTERROMPE NA DATA DA CITAÇÃO DESTE (CC, ART. 172). RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO EM PARTE. (REsp 108.866/DF, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/02/1997, DJ 07/04/1997, p. 11098) Nesses termos, a citação da Fazenda Nacional marca o reinício do prazo prescricional, retroagindo a interrupção à data da propositura da ação cautelar de protesto, por força da regra da actio nata, consagrada de longa data pelo Superior Tribunal de Justiça e consentânea com a sistemática do exercício do direito de ação. Por fim, recentemente, cumpre apontar também a decisão do REsp 335942/RS, julgado em 01/10/2009, cuja ementa traz o seguinte: PROCESSUAL CIVIL, ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. INTERRUPÇÃO. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 1º, 8º E 9º DO DECRETO 20.910/1932. 1. O STJ possui entendimento no sentido de que o prazo prescricional referente ao aproveitamento do créditoprêmio de IPI é de cinco anos contados da aquisição do direito, nos termos do Decreto 20.910/1932. 2. Hipótese que se diferencia da restituição de tributo indevidamente recolhido (art. 168, I, do CTN), pois se trata de pedido relativo a benefício fiscal não reconhecido pelo Fisco a ser creditado pelo interessado. 3. O regime jurídico da prescrição deve ser analisado à luz do Decreto 20.910/1932, que prevê a possibilidade de interrupção por uma única vez, recomeçando o lapso temporal a correr pela metade. 4. Ajuizouse medida cautelar de protesto judicial interruptivo da prescrição (art. 867 do CPC; c/c o art. 202, II, do Código Civil), tendo sido citada a recorrente em 6.12.1984. A ação declaratória que originou o presente recurso foi ajuizada em 9.11.1987, isto é, Fl. 517DF CARF MF Processo nº 15374.971874/200919 Acórdão n.º 3402003.390 S3C4T2 Fl. 7 6 após o transcurso de mais de dois anos e meio do ato interruptivo. Prescrição reconhecida. 5. Recurso Especial provido. (REsp 335.942/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe 09/10/2009) A posição atual do STJ é pela aplicação dos arts. 8º e 9º do Decreto nº 20.910/32, que se encontra válido e vigente no ordenamento pátrio e assim prescreve: Art. 8º A prescrição somente poderá ser interrompida uma vez. Art. 9º A prescrição interrompida recomeça a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a interrompeu ou do último ato ou termo do respectivo processo. Considerando que a propositura da ação se deu em 05/09/2007 e portanto dentro do prazo prescricional e tendo o protesto interruptivo da prescrição sendo efetivado em 21/01/2015, possui ainda o Contribuinte dois anos e meio para pleitear sua restituição, contados desta data, isto é, até 21/07/2017. Portanto, não há que se considerar a prescrição apontada pela decisão a quo. Superado a preliminar referente à prescrição, verificase que a decisão recorrida pautouse exclusivamente por ela, deixando de analisar o mérito relativo ao crédito pleiteado, razão pela qual esse Colegiado não pode avaliála. Ante o exposto, voto por dar provimento à preliminar de inocorrência de prescrição do direito ao pedido de ressarcimento/compensação, remetendo os autos à DRJ responsável pela decisão a quo para, superada a questão prescricional, se manifeste sobre o mérito do crédito pleiteado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso voluntário, para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinandose o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 518DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.904941/2012-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.358
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP. Recorrente ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 41 /2 01 2- 40 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904941/201240 Acórdão n.º 3201002.358 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF LIMEIRA emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou, em síntese, que comercializa alguns produtos sujeitos à tributação monofásica (alíquota zero sobre as suas vendas), que foram indevidamente tributados, o que deu origem aos créditos informados no PER/Dcomp. Procurando demonstrar a existência do direito creditório junta ao processo cópia da DCTF retificadora. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08026.269. A DRJ fundamentou que a simples retificação da DCTF não é suficiente para comprovar o pagamento indevido ou a maior que o devido, e que a contribuinte não trouxe aos autos elementos comprobatórios do direito creditório utilizado na compensação declarada. Em seu recurso voluntário a Recorrente traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório decorre da inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição, de receitas oriundas da venda de produtos sujeitos à alíquota 0%, conforme anexo I da Lei nº 10.485/2002 (SILENCIOSO componente do sistema de escapamento NCM 87.08.92.00), que já teriam sofrido tributação obedecendo ao critério monofásico; b) afirma que procurou comprovar o direito creditório com a manifestação de inconformidade acompanhada da DCTF retificadora, mas que, agora, junta aos autos demonstrativo mais detalhado e minucioso (listagem de notas fiscais com indicação dos produtos vendidos com respectivas alíquotas aplicáveis, cópia do Registro de Saídas e da GIA correspondentes), servindo para o reconhecimento de seu direito de crédito ou, pelo menos, para justificar a realização de diligência (cita a Resolução nº 3803000.330 como precedente); c) caso o Colegiado decida pela realização de diligência, informa que todas as notas fiscais relacionadas nos demonstrativos estão sob sua guarda, à disposição do Fisco; Fl. 93DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904941/201240 Acórdão n.º 3201002.358 S3C2T1 Fl. 0 3 d) sustenta que a decisão recorrida negou seu direito atendose a aspecto meramente formal, sem observar o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.316, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.316): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 78 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Fortaleza/3ª Turma, nº 0826.232, de 20 de agosto de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Agora, já no recurso voluntário, o interessado aporta aos autos novos documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 94DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904941/201240 Acórdão n.º 3201002.358 S3C2T1 Fl. 0 4 [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...]Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.”. Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904941/201240 Acórdão n.º 3201002.358 S3C2T1 Fl. 0 5 Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904941/201240 Acórdão n.º 3201002.358 S3C2T1 Fl. 0 6 O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "a simples retificação da DCTF sem que o contribuinte tenha juntado aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovem as alterações efetuadas não pode servir como justificativa de eventual erro no preenchimento da DCTF" (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "a manifestação de inconformidade procura justificar o erro na declaração DCTF Original mediante retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório, sem apresentação de elementos comprobatórios do direito creditório pleiteado no citado PER/DCOMP. (grifei) A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (demonstrativos do faturamento mensal, do cálculo dos créditos de PIS e Cofins e das compensações, bem como cópia do registro de saídas e da apuração do ICMS), verificase que o contribuinte anexou uma relação de Notas Fiscais de 7 (sete) páginas de extensão, fls. 79 a 85, afirmando que tal providência o dispensaria da anexação de todas estas notas emitidas no período, em face de seu "grande volume". Quanto à esta alegação, deve ser contraposto que o presente processo já foi instaurado na forma digital, o que em muito facilitaria a juntada da totalidade das referidas notas fiscais. Embora ressalte que todas estas Notas estariam sob sua guarda e poderiam ser imediatamente disponibilizadas na hipótese de realização de diligência, o interessado sequer procurou juntar algumas Notas como amostragem, o que ao menos denotaria um mínimo esforço no sentido de comprovar o efetivo teor das mesmas. Ainda, também não se preocupou em demonstrar a origem das mercadorias que teria revendido, mediante a apresentação das Notas Ficais de aquisição das mesmas, no sentido de comprovar que de fato o fabricante/fornecedor operava sob o regime da tributação monofásica. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à supremacia da verdade material sobre a verdade formal, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de todas estas notas, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904941/201240 Acórdão n.º 3201002.358 S3C2T1 Fl. 0 7 Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem quaisquer provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Pelo exposto, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. Como se vê, a documentação juntada ao recurso voluntário não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, inclusive a citada Resolução nº 3803000.330, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904941/201240 Acórdão n.º 3201002.358 S3C2T1 Fl. 0 8 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 99DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13807.010008/2002-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1991
INCENTIVO FISCAL - FINAM. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. IRRETROATIVIDADE DA NORMA. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DE SUSPENSÃO POR MEDIDA JUDICIAL DE DÉBITOS.
A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos.
Salvo exceções expressas e principiológicas, as normas não podem retroagir, especialmente em matéria tributária, para gerar novo ônus ao Contribuinte.
Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo.
A suficiência de depósito judicial, em processo no qual há liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, não é matéria a ser apreciada e ponderada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil. O mesmo se aplica quando há declaração judicial de extinção do débito.
Numero da decisão: 1402-002.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
CAIO CESAR NADER QUINTELLA- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1991 INCENTIVO FISCAL - FINAM. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. IRRETROATIVIDADE DA NORMA. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DE SUSPENSÃO POR MEDIDA JUDICIAL DE DÉBITOS. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Salvo exceções expressas e principiológicas, as normas não podem retroagir, especialmente em matéria tributária, para gerar novo ônus ao Contribuinte. Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. A suficiência de depósito judicial, em processo no qual há liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, não é matéria a ser apreciada e ponderada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil. O mesmo se aplica quando há declaração judicial de extinção do débito.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2355; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 419 1 418 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13807.010008/200211 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.278 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2016 Matéria IRPJ Recorrente CIA. SUL PAULISTA DE ENERGIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1991 INCENTIVO FISCAL FINAM. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. IRRETROATIVIDADE DA NORMA. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DE SUSPENSÃO POR MEDIDA JUDICIAL DE DÉBITOS. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Salvo exceções expressas e principiológicas, as normas não podem retroagir, especialmente em matéria tributária, para gerar novo ônus ao Contribuinte. Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dandose a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. A suficiência de depósito judicial, em processo no qual há liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, não é matéria a ser apreciada e ponderada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil. O mesmo se aplica quando há declaração judicial de extinção do débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Demetrius Nichele Macei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 00 08 /2 00 2- 11 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 420 2 (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) CAIO CESAR NADER QUINTELLA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 397 a 415) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I (fls. 379 a 392) que manteve o Despacho Decisório de indeferimento (fl. 175) do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC (fl.5). A opção pelo incentivo ao FINAM foi feita pela ora Recorrente, Cia. Sul Paulista de Energia, na sua DIPJ 1992, entregue em 14 de maio de 1992, relativa ao ano calendário de 1991. Em face da denegação da emissão do incentivo pretendido, o PERC foi, em 22/09/1994, apresentado por procurador do contribuinte, trazendo o recibo de entrega e cópias das Fichas 10, 12, 14, Anexos A, 1, 2 e 4 da DIPJ 1992, bem como cópias das DIPJs 1993 e 1994. Também instrui o pedido com inúmeros comprovantes de recolhimento de imposto de renda dos anoscalendário de 1991, 1992 e 1993 (fls. 07 a 131). Devidamente processado o Pedido, após juntada de Consulta ao CADIN, Certidão Previdenciária e Extrato de Informação de Apoio a Emissão de Certidão em agosto e setembro de 2002, a Fiscalização regional emitiu Intimação inominada (fl. 171) solicitando DARF comprobatórios dos recolhimentos relativos ao IRPJ/1992, inclusive os referentes aos incentivos fiscais. A referida Solicitação não foi atendida pelo contribuinte (prazo de 30 dias), sendo exarado o r. Despacho Decisório (fls. 175) indeferindo PERC, na data de 26/03/2003. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 421 3 Tal decisão indefere o pedido com base na simples alegação de que não foram apresentados comprovantes de recolhimento do período da opção. Eis o trecho que fundamenta e decide pela rejeição do pedido: Diante de tal revés, a ora Recorrente apresentou "Recurso" (fazendo as vezes de Manifestação de Inconformidade fls. 191 a 273), alegando que a r. Decisão deveria ser reformada, vez que não teria sido anteriormente intimada a empresa para a apresentação da documentação solicitada e que o IRPJ de 1991 teria sido recolhido na sua integralidade, havendo na época da análise do pleito discussão judicial sobre a correção pela UFIR, sempre amparada por medida judicial suspensiva (liminar e depósitos), tendo sido já, àquela época, tais depósitos convertidos em renda União, satisfazendo qualquer diferença em aberto. O recurso foi instruído com vasta documentação, qual seja cópias da DIPJ de 1992, DARFs, cópia de Inicial de Mandado de Segurança, pedido de conversão do Mandado de Segurança em Medida Cautelar, cópias de depósitos judiciais, prints de andamentos processuais, inclusive determinação de conversão dos depósitos em renda da União. Em seguida, os autos foram instruídos por extratos do SINCOR e CONTACORPJ (fls. 289 a 313), sendo encaminhados para julgamento. Em razão das alegações de depósitos existente em relação a valores debatidos de IRPJ em 1992, em 10/10/2005, a DRJ paulista resolveu (fls. 315 a 317) que fosse procedida Fl. 421DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 422 4 diligência para a verificação se o contribuinte fazia jus ao beneficio fiscal conforme legislação vigente. Tendo em vista a mudança de jurisdição do contribuinte, os autos foram posteriormente redirecionados a SEORT de Campinas/SP, que iniciou procedimento para verificação se o débito de IRPJ1992 (anocalendário1991) encontrase quitado, considerando a informação do postulante de que teria havido o depósito em renda da União, considerando o Mandado de Segurança nº 92.0058299. Foram consultados andamentos processuais eletrônicos do processo judicial, consulta de inscrição da PGFN e produzida informação da SECAT sobre a situação daquele processo (fls. 325 a 339), sendo, ao final, proferido r. Despacho, nos seguintes termos: Após determinada a ciência da ora Recorrente de tal r. Despacho, que não se manifestou sobre tal posição, os autos foram encaminhados à DRJ de São Paulo I, que proferiu o v. Acórdão (fls. 379 a 391), ora recorrido, indeferindo o pedido contido na Manifestação de Inconformidade. De tal v. Acórdão, desatacamse a ementa e os seguintes trechos: Fl. 422DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 423 5 (...) (...) Fl. 423DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 424 6 Em face do v. Acórdão, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário (fls. 397 a 415), agora sob apreço, repisando os argumentos da Manifestação de Inconformidade, fazendo também alusão a todos os documentos que a instruem, sem acostar nova documentação probatória. Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 425 7 É o relatório. Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, é necessário frisar que se verifica nos autos a presença de atos eivados de nulidade material, configurando verdadeira matéria de ordem de pública, a qual o Julgador tem o dever e a prerrogativa de conhecer de plano, independentemente da invocação das partes, a qualquer tempo. In casu, notase, desde as folhas iniciais do presente feito, que a opção pelo incentivo de investimento no FINAM foi efetuada pela Recorrente na sua DIPJ de 1992, entregue regularmente em 14/05/1992. À época, a Lei nº 9.069/1995 não vigorava, posto que é fruto de conversão da Medida Provisória nº 1.027, de 20 de junho de 1995. Por sua vez, todas as análises e denegações do PERC, único objeto do presente processo, basearamse no artigo 60 da Lei nº 9.069/95. Ainda, o próprio Pedido (PERC) foi apresentado em 22/09/1994, também antes da edição e vigência do normativo que sustentou a sua denegação ao longo do presente processo. Dessa forma, estamos diante de uma clara violação do Princípio da Irretroatividade (Tempus Regit Actum), sendo tal princípio, na verdade, uma norma geral de Direito brasileiro, aplicável a toda atividade jurisdicional e administrativa da nação, imponível aos atos de todos os Poderes do Estado. Tal regra se materializa no artigo 6º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro1. 1 Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. § 1º Reputase ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 426 8 Dessa forma, temos que o ato praticado pelo contribuinte (opção pelo incentivo ao FINAM), foi praticado ANTES da vigência do artigo 60 da Lei nº 9.069/95, o qual inaugurou na esfera federal o óbice geral ao gozo de incentivo ou benefício por contribuinte que possui débitos tributários exigíveis. Anteriormente a tal norma que, digase, é plenamente razoável, não sendo o seu conteúdo objeto de discussão não havia dispositivo equivalente capaz de fundamentar a negativa feita à ora Recorrente em relação ao gozo do benefício eficazmente optado, como expresso em sua obrigação acessória. Nesse sentido, o Código Tributário Nacional CTN, especificamente na primeira parte do seu artigo 205 traz a seguinte previsão: Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidão negativa, expedida à vista de requerimento do interessado, que contenha todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de negócio ou atividade e indique o período a que se refere o pedido. Tal prescrição autoriza o Fisco exigir, em determinadas situações, a prova de quitação determinados tributos, como é o caso dos processos administrativos que analisam os PERCs. Nesse sentido, inclusive à luz da Súmula 37 do CARF/MF e sua pacifica jurisprudência, cabe à Administração Pública verificar e apontar ao contribuinte se haveria débito em aberto e este, por sua vez, proceder à prova de quitação, inexigibilidade ou suspensão daquele crédito tributário. Contudo, temos que tal exigência deve ser feita por lei, como resta claríssimo da leitura do dispositivo autorizador de tal exigência da Fiscalização. Como mencionado, antes da Lei nº 9.065/95, não havia um dispositivo geral que regulasse tal exigência para benefícios e incentivos no âmbito federal. § 2º Consideramse adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por êle, possa exercer, como aquêles cujo comêço do exercício tenha têrmo préfixo, ou condição préestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. § 3º Chamase coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 427 9 É certo que, até a edição de tal norma federal de máxima amplitude, muitas leis que instituíam benesses tributárias ou regulavam a sua fruição traziam, em seu próprio corpo, a mesma exigência, ou semelhante, como requisito para o seu proveito. Nessa esteira, o FINAM foi instituído pelo DecretoLei nº 1.376/74, sendo alterado, modificado e regulamentado posteriormente pela Lei nº 8.167/91 e pelo Decreto 101/91, apesar desse último normativo não possuir força de lei, propriamente dita. Analisando as referidas normas, inclusive o decreto regulamentador, não encontrase nenhuma disposição que exige do contribuinte a quitação de tributos e contribuições federais, ou mesmo a ausência de quaisquer outros débitos tributários, como condição para a destinação de parte do seu Imposto de Renda ao Fundo de desenvolvimento regional em questão. Posto isso, concluíse que, à época da opção e, mesmo da apresentação do PERC ora sob análise, não havia lei, fosse geral ou específica, que fundamentasse os atos e decisões de denegação do gozo do incentivo optado pela Recorrente. Nem se diga que as razões de indeferimento foram outras, diferentes da existência de débitos ativos em face do contribuinte, vez que essa foi a única explicação e exigência feita e comunicada ao contribuinte. Diante do exposto, o v. Acórdão "a quo" deve ser reformado diante de tamanha violação legal, para se deferir o Pedido de Revisão de Incentivo Fiscal em seus termos. A título de argumentação, em situação hipotética em que não houvesse tal nulidade material no presente processo, também fica claro que o v. Acórdão merece reforma, sendo o PERC procedente por outras razões. Isso pois, tal r. Decisório se fundamenta no argumento de que a SEORT regional concluiu que o depósito por ele efetuado foi em quantidade insuficiente para a suspensão total do depósito sub judice, não fazendo jus ao beneficio nos termos do art. 60 da Lei n° 9.069/95, bem como se poderia constatar que os valores dos depósitos judiciais efetuados foram imputados no sistema SICALC para verificação da sua suficiência, concluindose negativamente. E, por sua vez, supostamente ciente de tal conclusão, a Recorrente não se manifestou, justificando, então o indeferimento do PERC. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 428 10 A efetiva conclusão de insuficiência de depósito se deu através de informações e r. Despacho da SECAT, que analisou o processo judicial referente à correção pela UFIR e seus depósitos judiciais correspondentes a estas supostas pendências de correção monetária de tributos devidos pela Recorrente. Confirase tais despachos (fls. 335 a 339): Senhor chefe, As autoras perseguindo a declaração de inconstitucionalidadeda (SIC) Lei 8383/91, para afastar a exigência da aplicação da UFIR os tributos já apurados no exercício de 1992. Requerem na Medida Cautelar, Liminar para suspensão da exigibilidade do crédito tributário em montante equivalente ao impugnado acréscimo da UFIR sobre IRPJ apurado na DIRPJ/92, anocalendário 1991, além da autorização para depósito judicial no montante do valor em discussão para se resguardarem do pagamento da mora sobre o mesmo. Deferido o depósito. Suspensa a exigibilidade do crédito tributário. A Ação, no mérito, foi julgada improcedente. A apelação apresentada foi recebida nos seus regulares efeitos. No tribunal foi negado provimento à apelação. Houve interposição de Recurso Especial que não foi admitido. Houve interposição de Agravo de Instrumento de despacho denegatório em Recurso Especial. Negado seguimento no STF pelo Relator. Trânsito em julgado em 14/05/2001 Isto posto, passamos à verificação da suficiência dos depósitos judiciais efetuados. Utilizando o sistema Sicalc concluímos que os depósitos não são suficientes para quitar os saldos do IRPJ que restaram devedores no Ex./92, confome cc PJ. Extrato da conta de depósito obtida no SINALDEP (fI. ) mostra saldo. Propomos a regularização da cc da interessada com emissão de carta cobrança do saldo da parcela do IRPJ/92, cujo principal importa em R$ 1.798,02, e que restou devedor após vinculação dos depósitos judiciais efetuados transferência dos saldos quitados das demais parcelas para processo de representação para envio do mesmo à PSFN/CPS para providenciar a conversão da totalidade do depósito em renda da União Federal. Sr. Chefe, Fl. 428DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 429 11 Relativamente à ação acima foi verificada a suficiência dos depósitos e da conversão, tendo em vista que a União logrou êxito. No tocante aos depósitos, estes foram insuficientes (f. 227, 235 e 241), dando ensejo às cartas de cobrança às f. 245 a 247. A total convertido encontrase sem discrepâncias com os cálculos efetuados pelo DEPJUD (f. 217 a 219 e f.232, 238 e 244). Dessa forma, proponho o e via das cartas de cobrança acima. (...) Por meio de Manifestação de Inconformidade, o contribuinte objetiva ter deferido o "Pedido de Revisão de Ordem de Emissão Adicional de Incentivos ao FINAM", que foi indeferido em virtude do recolhimento incompleto do IRPJ devido no ano calendário de 1991, exercício 1992. A Administração Tributária denegou o benefício alegando violação ao art. 60 da Lei n º9.069/95. A empresa declara não ter procedência o recolhimento a menor alegado pelo Fisco, pois o valor estaria depositado judicialmente, com fundamento no MC nº O92.00.58299. O contribuinte informa, inclusive, que já fora solicitada a conversão em renda do total depositado. 0bs.: O recolhimento a menor corresponde aos valores referentes à correção monetária calculada pela UFIR no período. Através da AO n º 92.00.604331, o contribuinte discutiu a legalidade da aplicação da UFIR como critério de correção monetária. Como se verifica, os N. Agentes Fiscais analisaram o valor dos depósitos e cruzaram com os valores abertos no sistema da RFB e, utilizando o sofware "Sicalc", concluíram que seriam estes insuficientes. Contudo, tal postura parece extrapolar a competência do r. Órgão de Arrecadação, vez que os depósitos já tinham sido aceitos pelo Poder Judiciário, sendo inclusive determinada, por decisão judicial, a suspensão do débito garantido. Nessa esteira, na mesma data da prolatação de tal despacho (19/09/2007), foi feita consulta sobre o débito na "Consulta de Inscrição" da PGFN, e o débito ainda constava com a sua exigibilidade ainda suspensa: Fl. 429DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 430 12 Ainda na mesma data, foi juntado aos autos as seguintes telas de andamento processual eletrônico: Fl. 430DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 431 13 Diante disso, temos primeiramente o seguinte ponto: na mesma semana da entrega da DIPJ 1992 foi impetrado o Mandado de Segurança (posteriormente convertido em Medida Cautelar), levando a matéria para competência do Poder Judiciário, que diante dos depósitos suspendeu a exigibilidade das diferenças de atualização do Imposto pela UFIR, objeto daquele feito. Como se nota nas cópias da medida judicial e depósitos acostados aos autos, os depósitos foram efetuados logo após o ajuizamento da Ação, em 1992, sendo determinada a suspensão da exigibilidade do débito desde então. Frisese que, o suposto débito em questão apenas consta como pendência a partir de 2004, quando da sua inscrição em dívida ativa e, mais importe ainda, no Extrato de débitos mais antigo do contribuinte juntado aos autos (emitido em 2002) não constam débitos do IRPJ de 1991 abertos. Uma vez determinado pelo Poder Judiciário a suspensão da exigibilidade do débito, no caso específico pelo atendimento ao previsto no inciso II do art. 151 do CTN2, não caberia mais aos N. Servidores da RFB ponderarem, de forma paralela, sua suficiência ou não, vez que tais fatos já foram objetos de apreciação e ordem judicial expressa determinando sua suspensão. 2 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) II o depósito do seu montante integral; Fl. 431DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 432 14 Ainda, como se observa nas folhas 327 a 333, a própria SECAT quando elaborou o seu r. Despacho, concluindo pela insuficiência de depósito, juntou aos autos cópias eletrônicas da decisão judicial que determinava a conversão do depósito em renda da União e, especialmente, da decisão final, declarando objetiva e processualmente a extinção do débito debatido naquela Ação nos termos do art. 794, inciso I, do CPC/1973. Frisese que na consulta efetuada pela SECAT ao sistema da PGFN o débito ainda aparecia como suspenso por medida judicial. Dessa forma, estamos diante de um atropelo de competência e processamento de informações pelo Órgão da RFB, seja em relação à PGFN ou ao próprio Poder Judiciário, no sentido de que, apenas com base em cálculos próprios, através da Sicalc, ignorando as decisões do judiciário e a situação cadastral do débito na D. Procuradoria, concluiuse que o valor dos depósitos eram insuficientes, sendo tal conclusão o único fundamento do v. Acórdão para negar o PERC. A suficiência de depósito, sem dúvida, é matéria que deve ser verificada e apurada pelas Autoridades Tributárias, mas deve ser feito formalmente, na esfera de competência em que se debate o débito, dentro do momento processual adequado e perante o crivo jurisdicional do Juízo competente. Se em algum momento houve, então, tal insuficiência, tal fato deveria ser arguido, demonstrado e a sua correção perquirida pela PGFN, perante o Poder Judiciário. Não poderia a RFB rever os atos do Poder Judiciário, tendo em vista que foi concedida medida suspendendo a exigibilidade do débito mediante os depósitos e, inclusive, posteriormente, saldado tal débito, com expressa declaração de satisfação deste. Posto isso, considerando a documentação juntado pela Recorrente referente aos recolhimento do IRPJ do anocalendário de 1991, a medida judicial prontamente impetrada em 1992, seus depósitos e decisões judiciais, bem como as informações juntadas aos autos pela própria Fiscalização, concluíse que foi demonstrado no decorrer do Processo Administrativo, com sucesso, a suspensão da exigibilidade e posterior extinção da única e suposta pendência tributária do contribuinte que obstou o deferimento do PERC. Por mais essa razão, o v. Acórdão deve ser reformado, considerando o teor da Súmula 37 e a jurisprudência majoritária deste E. CARF/MF: Fl. 432DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 13807.010008/200211 Acórdão n.º 1402002.278 S1C4T2 Fl. 433 15 Súmula CARF nº. 37 "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72." O sentido dessa norma (artigo 60 da Lei nº 9069/95) não é tolher o direito do contribuinte ao usufruto dos benefícios os quais em questão, possuem, inclusive, intenção final de fomento econômico regional mas apenas, condicionar o seu gozo à quitação ou regularização de eventuais débitos e pendências fiscais em aberto. Assim, havendo provas no processo administrativo que o contribuinte não possuía débitos de tributos ou contribuições federais plenamente exigíveis, não há motivação legal para impedir a sua fruição. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reformar o v. Acórdão "a quo" e deferir o Pedido de Revisão de Incentivo Fiscal, em seus termos, concedendo ao contribuinte o benefício pretendido. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/0 8/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10860.904689/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
A Conselheira Lívia De Carli Germano declarou-se impedida de votar.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. A Conselheira Lívia De Carli Germano declarou-se impedida de votar.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. A Conselheira Lívia De Carli Germano declarouse impedida de votar. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .9 04 68 9/ 20 09 -1 3 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10860.904689/200913 Resolução nº 1401000.419 S1C4T1 Fl. 149 2 RELATÓRIO Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: THYSSENKRUPP AUTOMATA INDUSTRIA DE PECAS LTDA.(contribuinte requerente), com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), apresenta manifestação de inconformidade ao despacho que indeferiu o pleito consubstanciado no presente processo. Tratase pedido de reconhecimento de direito creditório, formalizado mediante “Pedido de Ressarcimento ou Restituição Eletrônicos – Declaração de Compensação” – PERDCOMP. A contribuinte registra que se trata de recolhimento indevido ou a maior, objeto de compensação, conforme PERDCOMP de fls. 12, transmitida em 30/06/2006 que se refere ao recolhimento do IRPJ relativo ao período de apuração de setembro/2005 no valor de R$ 15.580,39. Consoante despachos decisórios da DRF de Origem, fl. 3, proferido em 11/8/2009, o pleito foi deferido parcialmente em face da apuração da existência do crédito disponível de apenas 235,60, ou seja, o pagamento que se alega foi realizado a maior já se encontrava alocado a débito declarado e confessado pelo próprio contribuinte no valor de R$ 15.344,79. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, à fl. 5 alegando que: (...) A alegação do interessado para ter direito ao crédito pleiteado seria a de possuir o respectivo saldo em razão do valor do débito declarado em DCTF retificadora. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 88 a 92) negou provimento nos termos do seguinte voto: A contribuinte alega basicamente que se equivocou no preenchimento da DCTF, daí a inexistência de credito, afirma que tal DCTF foi retificada, alguns dias antes do despacho decisório, ao final requer seja reconhecido o erro de fato. Descabe razão ao impugnante, isso porque inexiste no Perdcomp qualquer registro da contribuinte de qual seria o motivo do alegado “recolhimento a maior”. O Recolhimento que apontou como realizado a maior já esta alocado a débito regularmente confessado pela contribuinte . Logo, ao apreciar o pleito a Autoridade Administrativa constatou a inexistência de crédito disponíveis para compensação e corretamente indeferiu o pleito por esse motivo. Por certo, a contribuinte apresentou os Perdcomp sem retificar a DCTF para aflorar o direito creditório que pleiteava. Se o pagamento Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10860.904689/200913 Resolução nº 1401000.419 S1C4T1 Fl. 150 3 estivesse disponível, ai sim a Autoridade Administrativa encarregada da análise do pleito deveria verificar/questionar sua origem na apreciação e, se fosse o caso de indeferimento, justificar a não homologação. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O interessado não apresentou expressamente um recurso voluntário, mas sim um pedido à DRJ para, em face dos documentos apresentados, analisar novamente o seu pleito. Como não há tal procedimento no PAF, a manifestação do requerente foi recebida como recurso voluntário (fls. 104105). É o relatório do essencial. DA DILIGÊNCIA Por meio da resolução nº 1401000.364, de 19 de janeiro de 2016, desta Turma, o feito foi baixado em diligência para que a autoridade local adotasse as seguintes providências: a) esclarecer se o direito creditório do interessado é objeto do presente feito ou se foi objeto de outro processo; b) no caso de não ter sido analisado neste feito, informar o número do PERDCOMP originário em que o direito de crédito foi analisado, o número do processo administrativo em que essa análise foi realizada e o valor deferido; c) por fim, informar, detalhadamente, como o valor de R$ 15.344,79 apontado no despacho decisório número de rastreamento 844679977 (fl. 3) foi utilizado. Encerrada a instrução processual, deverá ser intimada a interessada para manifestarse no prazo de dez dias, de acordo com o disposto no artigo 44 da Lei nº 9.784/1999. Em atenção à resolução de diligência, a autoridade local produziu o despacho de fls. 145146 com o seguinte teor: Ao analisar o débito de IRPJ (código 2089) do 3º trimestre de 2005, cuja extinção ocorreu por meio de pagamento em três cotas, e confrontando as informações da DCTF e as vinculações efetuadas no sistema da RFB, constatei erros nas mesmas. Havia pagamentos alocados para cotas distintas, ocasionando a utilização indevida de alguns e a “sobra” em outros. Após a correção das vinculações, do pagamento efetuado em 30/11/2005 comprovase um montante remanescente suficiente para o reconhecimento do saldo do crédito pleiteado (R$ 874,31). Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10860.904689/200913 Resolução nº 1401000.419 S1C4T1 Fl. 151 4 (...) [há uma tela de sistema neste intervalo] Tendo em vista que a diligência é favorável à contribuinte, e para agilizar o julgamento, deixo de dar ciência à mesma e proponho o retorno dos autos ao CARF para prosseguimento. É o relatório. VOTO A autoridade fiscal descumpriu integralmente o teor da resolução emanada por esta Turma de Julgamento e não o fez em favor do administrado. O contribuinte pleiteou o montante de R$ 15.580,39, sendolhe concedido apenas a quantia de R$ 235,60. O objeto da lide perfaz, pois, a diferença de R$ 15.344,79. É para obter informações com o fito de decidir acerca do direito a essa diferença que baixamos o feito em diligência com quesitos específicos a serem respondidos pela autoridade administrativa. Nada obstante, a autoridade devolveu o feito com a informação de que realmente havia erros em vinculações realizadas pelo sistema da Receita Federal e que, diante de tais erros, sem especificar quais, o particular teria um direito a "sobras" de R$ 874,31, no lugar de R$ 235,60. Ainda sob a justificativa de que o despacho seria favorável ao particular, não lhe franqueou o direito de se manifestar antes de encaminhar o processo ao CARF. Ora, desde quando o "reconhecimento" de R$ 874,31, no lugar de R$ 235,60, quando o pleito é de R$ 15.580,39 ou seja, quase 18 (dezoito) vezes maior é favorável ao interessado? Tendo em vista que a autoridade local não cumpriu, nem sequer em parte, o teor da resolução, proponho a devolução do feito para que a autoridade local cumpra integralmente a resolução nº 1401000.364, de 19 de janeiro de 2016 , advertindoa de que esta é a derradeira oportunidade, sob a sua omissão ser considerada para fins de decisão de mérito da lide. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006084/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
Ementa:
SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Sigilo bancário não pode ser oposto quando há decisão judicial que autorizou a sua quebra.
PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. SUJEITO PASSIVO.
O sujeito passivo da obrigação tributária no caso de pagamento sem causa e/ou a beneficiário não identificado (art. 61 da Lei 8.981/95) é o contribuinte que efetua o pagamento.
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação.
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
JUROS - TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 2202-003.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício; quanto ao Recurso Voluntário: (i) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à matéria "falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas"; (ii) na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Magnus Piber Maciel, OAB/SC nº 16.849.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Sigilo bancário não pode ser oposto quando há decisão judicial que autorizou a sua quebra. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo da obrigação tributária no caso de pagamento sem causa e/ou a beneficiário não identificado (art. 61 da Lei 8.981/95) é o contribuinte que efetua o pagamento. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). JUROS - TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício; quanto ao Recurso Voluntário: (i) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à matéria "falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas"; (ii) na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Magnus Piber Maciel, OAB/SC nº 16.849. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado).
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Sigilo bancário não pode ser oposto quando há decisão judicial que autorizou a sua quebra. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo da obrigação tributária no caso de pagamento sem causa e/ou a beneficiário não identificado (art. 61 da Lei 8.981/95) é o contribuinte que efetua o pagamento. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). JUROS TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 60 84 /2 00 9- 07 Fl. 4705DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício; quanto ao Recurso Voluntário: (i) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à matéria "falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas"; (ii) na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Magnus Piber Maciel, OAB/SC nº 16.849. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado). Relatório Reproduzo o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA , que descreve os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada foi lavrado o auto de infração de fls. 32/148, que exige o montante de R$ 7.093.239,01 de Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF, R$ 5.319.927,34 de multa de ofício prevista no artigo 44, I, da Lei n° 9.430/1996, além dos encargos legais. O lançamento decorreu da falta de retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e também sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas , conforme descrito no item 8 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 149/178, tendo como enquadramento legal o artigo 674 do RIR/1999 — Decreto n° 3.000/1999 e artigo 61, caput e parágrafos, da Lei n° 8.981/1995. Cientificada em 18/06/2009, a interessada apresentou tempestivamente as impugnações de fls. 181/207, instruída com Fl. 4706DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.706 3 os documentos de fls. 208/355, trazendo as alegações a seguir, em síntese. Em preliminar e com base no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional argui a decadência dos lançamentos relativos a fatos geradores ocorridos em 2003. Alega, que se falhas existem em sua contabilidade, se devem a problemas administrativas, mas que no entanto em momento algum deixou de submeter à tributação o total de suas receitas. Que quando constatou que tal fato havia ocorrido nos anos de 2004 e 2005, apresentou por sua livre e espontânea vontade denúncia de tal fato a Receita Federal do Brasil, recolhendo tais débitos e parcelando o restante. Aduz que efetuou diversos pagamentos regulares, não considerados pela fiscalização, para os fatos geradores de 2004, 2005 e 2006, no valor de R$ 401.070,74, além dos parcelamentos efetuados pelo Refis, no valor de R$ 325.972,56, e simplificado, no valor de R$ 539.762,65. Argumenta que não se furtou a apresentar a documentação solicitada pelo fisco. Que não ocorreram evidentes indícios de fraude e tampouco a documentação em questão é imprestável para fins de identificar a movimentação financeira. Que as notas fiscais de saída foram colocadas a disposição da fiscalização e assim continuam, conforme fazem prova alguns protocolos de entrega de documentos. Que valores foram apresentados à tributação por meio de denúncia espontânea cujos recolhimentos e valores parcelados não foram considerados. Diz que é empresa sujeita ao regime de lucro presumido, não estando sujeita ao recolhimento de tributos sobre o lucro real. Que a falta de escrituração, por si só, não configura que o imposto deixou de ser recolhido, pois a escrituração é obrigação acessória. Que não existe nexo causal direto entre a falta de escrituração e a falta de recolhimento do imposto. Contesta a autuação relativa a regularidade da escrituração das notas fiscais, já que não poderia ter vendido 86.576 metros estéreos de madeira sem a devida emissão de documento fiscal, omitindo desta foram receita, o que corresponde a 2.473 caminhões de mercadoria sem qualquer documento fiscal que acobertasse tal remessa, trafegando distâncias que variam de 20 a 600 quilômetros, sem que nenhum órgão de fiscalização municipal, estadual ou federal tivesse identificado e lavrado qualquer medida administrativa contra o mesmo por este motivo. No tocante a movimenta bancária alega que a partir dos extratos lhe foi solicitado a exata identificação de cada lançamento bancário e para os quais não conseguiu efetuar tal identificação, presumiu que a mesma se tratada de omissão de receitas. Mas, que não existe nexo causal entre os créditos bancários e receitas escrituradas. Que existem diversas operações financeiras que compõem o giro de caixa de uma empresa que não tem relação Fl. 4707DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 com a atividade comercial, não se constituindo em base de cálculo para a tributação. Argumenta que o seu movimento bancário é perfeitamente compatível com o volume de Notas Fiscais emitidas. Que tomando como exemplo o ano de 2004, a fiscalização apresentou um valor de créditos bancários em valores superiores as receitas escrituradas de R$ 4.761.729,07 e o faturamento oferecido a tributação foi de aproximadamente R$ 10 milhões. Que a divergência se deve a duplicidade de lançamentos em função de valores de cheques devolvidos que foram reapresentados, empréstimos feitos junto a terceiros que ingressaram na conta corrente que foram pagos e em alguns casos retomados e pagos novamente, recursos adiantados a sócios que foram devolvidos, entre outros. Que não houve prova que algum comprador houvesse efetivado depósitos em sua conta corrente em valor superior ao das notas fiscais de venda que teve emitida contra si. Aduz que relativamente a suposta omissão pela existência de depósitos bancários, o fisco efetuou o cálculo do montante tributável tendo por base o arbitramento. Que é irregular a tributação desta forma, devendo a apuração ser obtida não somente pela simples existência de depósitos em conta bancária. Que pode afirmar que os depósitos bancários não contabilizados são indícios ou prova de omissão de receitas, mas essa receita deve ser apurada na forma da Lei, de acordo com o § 2 0 do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. Argui que a fiscalização lança de ofício impostos relativos a Notas Fiscais não escrituradas sem comprovar que o imposto não foi recolhido independentemente da escrituração. Que os documentos que apresentou comprovam que houve recolhimento de impostos relativamente a operações que não haviam sido apresentadas a tributação e que não foram consideradas pela fiscalização. Contesta o lançamento da Cofins e do PIS, o que de acordo com o artigo 29 da Lei n° 9.430/1996, a base de cálculo é o faturamento, e não os depósitos bancários. Que o numerário depositado em instituição financeira não constitui, por si só, fato gerador do PIS ou da Cofins, porquanto caracteriza mera presunção do auferimento de renda. Questiona o enquadramento legal da multa de ofício e insurge contra seu agravamento, dizendo que sempre agiu de boafé, devendo a máfé ser comprovada pelo fisco, sendo indispensável a comprovação do dolo específico na prática da infração, não tendo ocorrido fraude no procedimento da empresa que sempre prestou as informações solicitadas e apresentou os documentos requeridos pela fiscalização, discorrendo a respeito. Alega o caráter confiscatório da multa de ofício e a ilegalidade da taxa Selic. É o relatório. Fl. 4708DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.707 5 A DRJ/CTA julgou parcialmente procedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA Inexistindo pagamento, o direito de constituir o crédito tributário pode ser exercido no lapso de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL APRESENTADA Não tendo sido comprovada a apresentação da documentação contábil é de se manter o lançamento. MULTA. ALEGAÇÕES CONTRA A CONSTITUCIONALIDADE DA LEI. Mantémse o lançamento quando as multas aplicadas, estando regularmente prevista na legislação, se mostram compatível com as ocorrências descritas nos autos. Ao julgador administrativo falece competência para determinar o afastamento de lei vigente, em decorrência • de alegada inconstitucionalidade. . JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 11 de abril de 1995 e legítima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A decisão da DRJ reconheceu a decadência para os fatos geradores ocorridos até 30/12/2003 e, no mérito, julgou parcialmente procedente o lançamento mantendo a exigência de R$ 5.141.092,81 de principal de IRRF, para os períodos de apuração dos anos calendário de 2004 a 2006, além da multa de ofício e dos juros de mora com base na taxa Selic. Em face do montante exonerado, foi interposto Recurso de Ofício. Cientificado dessa decisão em 30/11/2009, na pessoa de seu procurador (fl. 391), o Contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 392/428 em 22/12/2009, no qual faz as seguintes alegações, em resumo: ocorreu a prescrição dos fatos geradores anteriores a 16/06/2004, uma vez que o auto de infração foi lançado em 16/06/2009, ultrapassando a barreira limite dos cinco anos; os valores não estão sujeitos à incidência do IRRF, pois não se referem a rendimentos de qualquer natureza, mas sim a pagamentos de boletos, contas, matériaprima etc. Cita Súmula nº 12 do 1º CC; Fl. 4709DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 ainda que houvesse necessidade de retenção na fonte de alguma parcela dos valores transferidos, a obrigação pelo recolhimento passa a ser do beneficiário, quando este promove sua declaração de rendimentos. Da mesma forma em relação à pessoa jurídica. Nesse sentido o Parecer Normativo nº 1, de 24/09/2002; os eventuais valores mantidos devem ser exigidos dos beneficiários e não dele, Recorrente; ainda que a fiscalização tenha sido solicitada pelo Poder Judiciário, o processo administrativo não pode dispor dos dados bancários sigilosos do contribuinte, por afrontar o seu direito de sigilo (CF, art, 5º, X e XII); o que se verifica nas informações detidas pela Fiscalização, constante dos autos, é que os valores, em sua quase totalidade, foram identificados pelo banco, ao informar os dados requeridos com a quebra do sigilo; com a identificação ou a possibilidade de fazêlo deveria a Fiscalização buscar apurar junto aos beneficiários, nos termos da lei e da norma regulamentadora; a identificação dos beneficiários isenta a recorrente de quaisquer obrigações de recolhimento, devendo ser de pronto, cancelado o lançamento daqueles valores cuja identificação foi registrada pela própria Fiscalização; a Fiscalização poderia ter investigado a destinação dos recursos e apurar os beneficiários, assim como teria todos os meios para obrigar o banco a identificar individualizadamente cada operação de TED e DOC, para verificar a correta imposição de retenção; a Fiscalização entendeu que mesmo cheques devolvidos devem ser objeto de IRRF; a multa de ofício tem caráter confiscatório e a aplicação da taxa Selic é inconstitucional; não se admite a aplicação da correção monetária e juros moratórios juntamente com a taxa Selic. A Recorrente relacionou em uma tabela diversos lançamentos realizados em favor de pessoas jurídicas, alegando que foram identificados pela Fiscalização, importando em não retenção; elencou vários lançamentos informando serem pagamentos de títulos e boletos, os quais não seriam rendimentos sujeitos à tributação pretendida; listou diversos pagamentos argumentando que se trata de pagamentos a fornecedores. Ao final, pede, preliminarmente, a prescrição do período anterior a 16/06/2004 e a ilegalidade da obtenção dos dados bancários. No mérito, requer seja julgado procedente o Recurso Voluntário, com o cancelamento do auto de infração e, sucessivamente, a redução da multa e o afastamento da taxa Selic dos juros. É o relatório. Voto Fl. 4710DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.708 7 Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Tratase de processo de exigência fiscal em face da Contribuinte acima identificada, por meio de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF , no valor de R$ 7.093.239,01, acrescido de multa de 75% e juros de mora, calculados até 29/05/2009, perfazendo o total de R$ 17.034.574,01 (fls. 2/149). O lançamento é decorrente da falta de retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados, bem como sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas, tendo como enquadramento legal o artigo 674 do RIR/1999 (Decreto n° 3.000/1999) e artigo 61, caput e parágrafos, da Lei n° 8.981/1995. RECURSO DE OFÍCIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) reconheceu a decadência para os fatos geradores ocorridos até 30/12/2003 e, no mérito, julgou parcialmente procedente o lançamento mantendo a exigência de R$ 5.141.092,81 de principal de IRRF, para os períodos de apuração dos anoscalendário de 2004 a 2006, além da multa de ofício e dos juros de mora com base na taxa Selic. Tendo em vista que o total do crédito exonerado foi superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF nº 03/2008, que é de um milhão de reais, o Recurso de Ofício deve ser conhecido. A decisão de primeira instância reconheceu a decadência para os fatos geradores ocorridos até 30/12/2003, considerando que o marco inicial da contagem do prazo decadencial foi o dia 1º/01/2004 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento). No tocante à contagem do prazo decadencial, em observância ao disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 973.733 SC , cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em Fl. 4711DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). No que concerne ao IRRF, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador (art. 150, § 4º, CTN). Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, CTN). No presente caso, não consta dos autos que houve pagamento antecipado. Assim devese aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no art. 173, I, do CTN, de acordo com o entendimento acima referido. Em relação aos fatos geradores ocorridos até 30/12/2003, os lançamentos poderiam ter sido realizados a partir do próprio ano. Portanto, o marco inicial da contagem do prazo decadencial foi o dia 1º/01/2004 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento), tendo como prazo final o dia 31/12/2008. Tendo em vista que a ciência do auto de infração se deu em 18/06/2009 (fl. 179), os lançamentos referentes aos fatos geradores ocorridos até 30/12/2003 foram alcançados pela decadência, conforme decidiu a DRJ. Dessa forma, nego provimento ao Recurso de Ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. PRELIMINARES DA DECADÊNCIA Fl. 4712DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.709 9 Alega o Recorrente que o prazo para lançamento de tributos expirase após cinco anos do fato gerador, razão pela qual ocorrera a prescrição dos fatos geradores anteriores a 16/06/2004. Conforme já explicitado acima, quando da apreciação do Recurso de Ofício, em observância ao disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 973.733 SC, o qual estabelece que sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador (art. 150, § 4º, CTN). Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, CTN). Como não consta dos autos que houve pagamento antecipado, devese aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no art. 173, I, do CTN, de acordo com o entendimento acima referido. Em relação aos fatos geradores ocorridos até 30/12/2003, já foi decidido que eles foram alcançados pela decadência. Em relação aos fatos geradores a partir de 31/12/2003, inclusive, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é o dia 1º/01/2005, tendo como prazo final para lançamento o dia 31/12/2009. A ciência do auto de infração deuse em 18/06/2009 (fl. 179). Portanto, os lançamentos referentes aos fatos geradores a partir de 31/12/2003 não foram alcançados pela decadência. Dessa forma, rejeitase a preliminar de decadência suscitada pelo Recorrente. DO SIGILO BANCÁRIO Sustenta a Recorrente que o processo administrativo não pode dispor dos dados bancários sigilosos do contribuinte, por afrontar o seu direito constitucional de sigilo, ainda que a fiscalização tenha sido solicitada pelo Poder Judiciário. Vêse que o procedimento fiscal teve início a partir de demanda da Procuradoria da República no Estado do Paraná e da 2ª Vara Federal Criminal em Curitiba, a qual concedeu a quebra de sigilo bancário da empresa fiscalizada, conforme Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 150/151) e o próprio Recorrente assim admitiu. Ou seja, o acesso da Fiscalização aos dados da movimentação da conta bancária do Contribuinte deuse mediante autorização judicial. Dessa forma, não tem razão o Recorrente ao alegar ilegalidade na obtenção dos dados da sua movimentação bancária, uma vez que foi o Poder Judiciário, por meio da 2ª Vara Federal Criminal em Curitiba, quem determinou a quebra do sigilo bancário. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA O Recorrente defende que os valores lançados não estão sujeitos à incidência do IRRF e, ainda que houvesse necessidade de retenção na fonte de alguma parcela dos valores Fl. 4713DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 transferidos, a obrigação pelo recolhimento seria do beneficiário, quando este promovesse sua declaração de rendimentos e, da mesma forma, em relação à pessoa jurídica. Também não lhe assiste razão nesse ponto, uma vez que se trata de lançamento referente a pagamentos sem causa e/ou a beneficiário não identificado efetuados pela empresa fiscalizada, mediante retirada de recursos da sua conta bancária. Na infração aqui imputada, "imposto de renda na fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados / pagamentos sem causa", cuja tributação é exclusiva na fonte, o sujeito passivo da obrigação tributária é aquele que efetua o pagamento. O artigo 61 da lei nº 8.981/95 dispõe o seguinte: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. O sujeito passivo da obrigação tributária é a pessoa obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária (art. 121 do CTN). Nesse caso, quem tinha a obrigação de efetuar o recolhimento do IRRF exclusivamente na fonte era a pessoa jurídica que fizera os pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa, ou seja, a empresa autuada, sendo ela o sujeito passivo da obrigação. Desse modo, não tem razão a Recorrente em se eximir da responsabilidade pelas infrações cometidas, tentando atribuílas a terceiros. Isto posto, rejeito as preliminares suscitadas pela Recorrente. DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE O Recorrente argumenta que os valores, em sua quase totalidade, foram identificados pelo banco, ao informar os dados requeridos com a quebra do sigilo. Afirma que, com a identificação ou a possibilidade de fazêlo deveria a Fiscalização buscar apurar junto aos beneficiários, nos termos da lei e da norma regulamentadora. Defende que a identificação dos beneficiários, como descrito, isentaa de quaisquer obrigações de recolhimento, devendo ser de pronto cancelado o lançamento daqueles valores cuja identificação foi registrada pela própria Fiscalização. Relaciona em uma tabela diversos lançamentos realizados em favor de pessoas jurídicas, alegando que foram identificados pela Fiscalização, importando em não Fl. 4714DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.710 11 retenção, assim como elenca vários lançamentos informando serem pagamentos de títulos e boletos, os quais não seriam rendimentos sujeitos à tributação pretendida. Sustenta que a Fiscalização teria todos os meios para obrigar o banco a identificar individualizadamente cada operação de TED e DOC, para apurar a correta imposição de retenção. Apresenta também uma relação de diversos pagamentos alegando que se trata de pagamentos a fornecedores. Afirma, ainda, que a Fiscalização entendeu que mesmo cheques devolvidos devem ser objeto de IRRF. Inicialmente cabe ressaltar que a Contribuinte, em sua Impugnação, não contestou expressamente a matéria relativa à falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas, conforme se verifica pela decisão da DRJ, transcrita parcialmente abaixo: No tocante as alegações quanto a pagamentos efetuados, regularidade da escrituração das notas fiscais, movimentação bancária e da tributação do faturamento, tratase de matéria estranha a presente lide que versa sobre a falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e também sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas, enquadradas no artigo 674 do RIR/1999 e artigo 61, caput e parágrafos, da Lei n° 8.981/1995, a seguir transcrito: [...] Sobre essa matéria não foi expressamente contestada pela impugnante, sendo que em relação as demais matérias já foram analisadas no processo n° 10980.006088/200987. Como essa matéria não foi enfrentada na decisão de primeira instância, uma vez que não foi contestada por ocasião da impugnação, entendo que ela está fora do litígio. A matéria, portanto, encontrase preclusa, nos termos do artigo 17 do Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, verbis: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Outrossim, apenas a título de argumentação, observase que foram anexados aos autos uma grande quantidade de documentos, aos quais o Recorrente não fez nenhuma remissão em seu recurso. No entanto, o Decreto 70.235/72 limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Fl. 4715DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Reconheço que a jurisprudência deste Conselho tem abrandado o rigor dessa regra, em casos excepcionais, em prestígio ao princípio da verdade material. No entanto, esse abrandamento tem seus limites. Não se pode admitir que novos documentos sejam apresentados em sede de recurso, quando isso obstaculiza a apuração da autoridade fiscal. Do contrário, teríamos uma desordem no andamento lógico do processo, prejudicando a sua Fl. 4716DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.711 13 conclusão. O processo é um caminhar para frente, consubstanciandose em uma sucessão de atos que devem ser ordenados por fases lógicas para que se não se transforme em uma querela interminável. Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo "Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal" esclarecem: [...] iv) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. v) O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente. (LÓPEZ, Maria Tereza Martinez; BIANCHINI, Marcela Cheffer. A Prova no processo tributário. São Paulo: Dialética, 2010, p. 50). Nos ensinamentos de Grinover e outros: O instituto da preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Objetivamente entendida, a preclusão consiste em um fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar ao seu recuo para as fases anteriores do procedimento. Subjetivamente, a preclusão representa a perda de uma faculdade ou de um poder ou direito processual [...] Politicamente justificase a preclusão em virtude do princípio pelo qual a passagem de um ato processual para outro supõe o encerramento do anterior, de tal forma que os atos já praticados permaneçam firmes e inatacáveis. Quanto mais rígido o procedimento como é o brasileiro, por desenvolverse através de fases claramente destinadas pela lei maior se torna a importância da preclusão. (GRINOVER, Ada Pellegrini e Outros. Teoria geral do processo.16ª ed. Malheiros: São Paulo, 2000, p. 327328. (grifos do original). No caso de lançamento fiscal referente a pagamentos realizados a beneficiários não identificados ou cujas operações não foram comprovadas, penso que na fase do procedimento fiscal, antes da constituição do crédito tributário, cabe ao contribuinte, quando intimado, identificar os beneficiários e comprovar a causa dos pagamentos efetuados. Fl. 4717DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 Nessa linha de entendimento, caberia à autoridade fiscal, após a identificação dos favorecidos e comprovada a causa dos pagamentos, proceder ou não à tributação dos valores recebidos, conforme as normas específicas previstas na legislação. Após a fase da autuação, sem que tenha havido a identificação dos beneficiários ou a comprovação da causa dos pagamentos, o contribuinte deve sofrer o ônus da tributação, em conformidade com o artigo 61 da Lei nº 8.981/95. A razão desse raciocínio reside na possibilidade de a identificação dos beneficiários ou a comprovação da operação ou a sua causa somente na fase contenciosa tornar inócua a tributação com base no artigo 61 da Lei nº 8.981/95, pois os contribuintes poderiam aguardar a autuação e, por ocasião do contencioso administrativo, afastar a tributação tão somente com a identificação dos beneficiários ou a comprovação da operação, fazendo com que a Fiscalização não mais pudesse autuar os favorecidos, pois, certamente, a decadência já teria fulminado a pretensão de lançamento pelo Fisco. É que a tributação baseada no art. 61 da Lei nº 8.981/95 é uma espécie de substituição tributária, na qual se estabelece que o responsável pelo tributo é aquele que efetua o pagamento, visando garantir a efetividade das normas tributárias, uma vez que não se conhece o real beneficiário ou, quando conhecido, não se sabe a verdadeira causa do pagamento, impossibilitando a apuração da natureza do fato passível de tributação. Assim, como o Fisco não tem condições de tributar o beneficiário, o ônus do imposto recai sobre o responsável tributário, com fundamento em expressa previsão legal. No presente caso, observase que o Fiscalizado não logrou efetuar a comprovação durante a ação fiscal. Transcrevo a seguir trecho do Termo de Verificação Fiscal sobre o assunto: 8. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTICADOS / PAGAMENTO SEM CAUSA Conforme detalhado no capítulo 6.1, foi constatado que na escrituração da empresa houve registro de diversas retiradas da contacorrente bancária contabilizadas a débito de caixa (entrada), sem o respectivo registro das saídas da conta caixa (crédito). Como, comprovadamente estes valores foram remetidos a terceiros, deveriam ter sido contabilizados a crédito da conta banco e a débito do beneficiário. Entretanto, a empresa contabilizou a crédito da conta banco e a débito de caixa, como se os valores nesta última conta tivessem permanecido. É comprovado que os valores sequer transitaram pela conta caixa, quanto mais tenham se mantido nesta, pois se referem a operações bancárias, transferências, cheques nominais, TED, DOC, etc. Através dos Termo de Intimação n° 12, 15 e 17, a empresa foi intimada a identificar a natureza dos pagamentos (despesas, mútuos, distribuição de lucros), e todos os beneficiários e operações, dos valores que saíram da conta bancária, cuja entrada foi registrada no caixa, não havendo o correspondente registro da saída. Fl. 4718DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.712 15 Nas últimas planilhas apresentadas (fls. 70 a 123 anexo I), a empresa esclarece que parte dos pagamentos referemse a despesas. Entretanto, relativamente as retiradas relacionadas às fls. 02 a 25 (volume principal), não foram identificados os beneficiários dos valores e/ou as operações que originaram os pagamentos. Comprovado que os valores foram destinados a terceiros (TED, cheques nominais, DOC, etc) e a escrituração da empresa não registra a ocorrência de tais pagamentos (segundo a escrituração, os recursos permaneceram no caixa), e mesmo intimada, não identifica os beneficiários e/ou as operações que os originaram, fica configurada a hipótese legal de pagamentos a beneficiários não identificados ou operação sem comprovação. Os recursos retirados da empresa, que totalizam R$ 13.169.912,98, sem identificação dos beneficiários, ou com identificação do beneficiário, mas sem a comprovação da causa da operação, estão sujeitos à incidência na fonte pela alíquota préestabelecida. Assim, a base de cálculo do imposto deve se submeter ao reajuste previsto no artigo 61, parágrafo 3o, da Lei n° 8.981/95, efetivado em conformidade com a fórmula estabelecida no artigo 20, parágrafo Io, da Instrução Normativa SRF n° 15/2001. Diante disto, todas as retiradas, comprovadamente destinadas a terceiros, cujos comprovantes não foram apresentados, e não foram identificados os beneficiários e/ou as operações que originaram as transferências de valores, relacionados nas planilhas apresentadas pela empresa e consolidados no Demonstrativo dos Pagamentos a Beneficiário não Identificado ou Operação Sem Causa (fls. 02 a 25), estão sujeitos ao lançamento de ofício do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, por enquadraremse na hipótese de pagamento a beneficiário não identificado/operação sem causa. Na planilha às fls. 26 a 31 encontramse demonstradas as bases de cálculo do IRRF, de acordo com a IN SRF n° 15/2001. No Demonstrativo dos Pagamentos a Beneficiário não Identificado ou Operação Sem Causa estão relacionados todos os cheques destinados a terceiros, de valor igual ou superior a R$2.000,00 e as TED, DOC, transferências e pagamentos de títulos de qualquer valor, já que estes comprovadamente foram destinados a terceiros e não exigiram rastreamento. Dessa forma, não serão analisados os documentos acostados aos autos pela Contribuinte em sede de recurso voluntário, seja por terem sido apresentados em momento posterior ao adequado, seja porque a matéria já se encontra preclusa, conforme já exposto acima. Ante o exposto, não conheço do Recurso Voluntário em relação à matéria "falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas". Fl. 4719DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 DA MULTA APLICADA A Recorrente também se insurge contra a aplicação da multa de ofício, por ser excessiva e contrariar o princípio constitucional de vedação ao confisco, instituído no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. A multa de ofício foi aplicada com base no disposto no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim redigido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). A alegação da Recorrente de ofensa aos princípios constitucionais não será apreciada, pois o exame da obediência das leis tributárias a esses princípios é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. DOS JUROS DE MORA Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic como juros de mora, também não lhe assiste razão, porquanto deve ser adotado o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no seguinte sentido: a) quanto ao Recurso de Ofício: NEGAR provimento ao recurso; b) quanto ao Recurso Voluntário: NÃO CONHECER do recurso em relação à matéria "falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas". Na parte conhecida, REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 4720DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.713 17 Fl. 4721DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10730.721181/2013-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
ISENÇÃO DE IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado por laudo oficial da União que a moléstia grave está incluída no rol da lei concessiva (Art. 6, Inc. XIV da Lei 7.713/88) e que os recursos recebidos referem-se à aposentadoria, reforma ou pensão, há que se conceder o benefício fiscal ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
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MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado por laudo oficial da União que a moléstia grave está incluída no rol da lei concessiva (Art. 6, Inc. XIV da Lei 7.713/88) e que os recursos recebidos referemse à aposentadoria, reforma ou pensão, há que se conceder o benefício fiscal ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 11 81 /2 01 3- 43 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10730.721181/201343 Acórdão n.º 2401004.478 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso voluntário interposto em 05/06/2013 em face do Acórdão 1254.829 18a Turma da DRJ/RJII, que considerou improcedente a impugnação do contribuinte para o crédito tributário objeto deste processo. O Acórdão recorrido, cuja ciência pelo contribuinte deuse em 17/05/2013, está assim ementado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. Irresignado, o contribuinte alega que possui neoplasia maligna desde 04/10/2006, conforme certidão 1123/2012 emitida pelo Centro de Perícias Médicas da Marinha e apresentou declaração de IRPF retificadora, o que teria gerado o crédito tributário deste processo. Neste recurso, apresenta documento Portaria de Reforma n. 0024/SIPM, de 28 de janeiro de 2013, publicada no DOU em 30/01/2013, Seção 2, pg. 7, que transforma a <reserva remunerada> em <reforma por invalidez definitiva>, com efeitos retroativos a 04/10/2006. Desta forma, não mais deve ter seus proventos de reforma tributados pelo IRPF a partir daquela data, conforme dispositivo legal vigente. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e deve ser conhecido. A fundamentação legal para a isenção do IRPF para proventos de aposentadoria ou reforma motivados por acidente em serviço e recebidos pelos portadores neoplasia maligna (dentre outras moléstias graves relacionadas) está consignada no acórdão recorrido (Art. 6, Inc. XIV da Lei 7.713/88). Entendo que o contribuinte apresentou os documentos comprobatórios necessários para usufruir o benefício: possui laudo emitido por serviço médico oficial da União e a portaria de transformação da reserva remunerada para reforma a partir de 2006. A concessão de aposentadoria ou reforma para servidores é um ato complexo, que exige não apenas a aprovação pelo órgão concedente, mas também a chancela do Tribunal de Contas da União. O ato de concessão da Reforma do contribuinte por invalidez, com data retroativa está comprovada no processo pela anexação das folhas da publicação do ato no Diário Oficial da União parte 2, do dia 30/01/2013, através da Portaria SIPM de 28/01/2013, e foi considerada legal pelo Tribunal de Contas da União, conforme Acórdão 2566/2014 proferido pela 2a. Câmara, na análise do processo TC012.125/20148, disponível no sítio do TCU (http://www.tcu.gov.br/Consultas/Juris/Docs/judoc/RELAC/20140613/RL_0011_19_14_2_AA.doc). Dado o exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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