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Numero do processo: 11516.002439/2007-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 30/01/2003 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplica-se o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. AFERIÇÃO INDIRETA. CUB Correta se mostra a adoção da aferição indireta quando o sujeito passivo não mantém contabilidade dos custos da obra. SEBRAE, INCRA e SAT. INCONSTITUCIONALIDADES. Incompetência do CARF para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei. Aplicação da Sumula CARF 02. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.
Numero da decisão: 2301-002.630
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 06/2002, anteriores a 07/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplicase o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. AFERIÇÃO INDIRETA. CUB Correta se mostra a adoção da aferição indireta quando o sujeito passivo não mantém contabilidade dos custos da obra. SEBRAE, INCRA e SAT. INCONSTITUCIONALIDADES. Incompetência do CARF para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei. Aplicação da Sumula CARF 02. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 3032DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 06/2002, anteriores a 07/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 37.000.5244, cientificada ao contribuinte em 06/07/2007, a qual exige contribuições sociais a cargo da empresa e as contribuições previdenciárias relativas a parte dos segurados, destinadas ao custeio Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a outras Entidades e Fundos (SalárioEducação e INCRA), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados. Nesse sentido, informa o Relatório Fiscal de fls. 17 a 28 que o fundamento da lavratura da referida NFLD tem por base: “O fato gerador das contribuições apuradas, relativo ao período de 01/03/2001 a 30/01/2003, é a remuneração dos segurados empregados utilizados nas obras, arbitrada por aferição indireta, obtida a partir da metodologia de cálculo do CUB — Custo Unitário Básico, efetuado pelos Sindicatos da Industria da Construção Civil. Utilizouse este critério de aferição como parâmetro de arbitramento pelo Fl. 3033DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.002439/200768 Acórdão n.º 2301002.630 S2C3T1 Fl. 3.004 3 fato de a empresa não apresentar contabilidade formal, conforme foi demonstrado nos capitulo anterior.” Também relata ainda que: “Constitui a base de cálculo do crédito lançado através desta Notificação, o salário de contribuição obtido pela diferença entre o valor do salário de contribuição arbitrado por aferição indireta e a somatória dos salários de contribuição contidos nos recolhimentos de contribuição previdenciária do contribuinte, das empreiteiras e subempreiteiras e os resultantes da aplicação de 5% sobre as Notas Fiscais de fornecimento de concreto e argamassa usinada, conforme previsão do art. 448, inciso III da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, doravante IN 03/2005.” O sujeito passivo apresentou impugnação sustentando, em síntese, a ocorrência da decadência, o cancelamento da NFLD por conta da ilegalidade do arbitramento por aferição indireta, bem como a extinção do crédito tributário em decorrência do efetivo pagamento das contribuições sociais incidentes sobre a obra. A DRJ de Belém/PA proferiu decisão no sentido de julgar procedente o lançamento do crédito tributário, em face da qual o sujeito passivo interpôs, após ser devidamente intimado, recurso voluntário, praticamente, renovando todos os argumentos articulados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Decadência Conforme se depreende da narrativa dos fatos, verificase que a lavratura da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 37.000.5244, tem por objeto o lançamento do crédito tributário a título de contribuições sociais a cargo da empresa e as contribuições previdenciárias relativas a parte dos segurados, destinadas ao custeio Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a outras Entidades e Fundos (SalárioEducação e INCRA), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados. Da simples analise do Relatório Fiscal de fls. 17, constatase que, de todo o período fiscalizado, a D. Fiscalização procedeu ao lançamento do crédito tributário acima mencionado apenas do período de apuração de 03/2001 a 01/2003, o qual foi formalizado com a devida intimação do sujeito passivo acerca da lavratura da NFLD nº 37.000.5244 que se deu em 06/07/2007, conforme se depreende do Aviso de Recebimento AR (fls. 2961). Analisando o lançamento do crédito tributário ora questionado à luz do novo entendimento acerca da aplicabilidade da decadência em matéria previdenciária, é importante Fl. 3034DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 dizer nesse diapasão que, de acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 foram declarados inconstitucionais, o que fez prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Verificase que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 na respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: “Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafo da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após Fl. 3035DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.002439/200768 Acórdão n.º 2301002.630 S2C3T1 Fl. 3.005 5 reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. §1º A Súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.).” Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, nos termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilidade pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO Fl. 3036DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 3037DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.002439/200768 Acórdão n.º 2301002.630 S2C3T1 Fl. 3.006 7 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” No caso dos autos a autoridade fiscal, conforme se apura às fl. 25, entendeu haver pagamento antecipado fazendo constar o seguinte: “Constitui a base de cálculo do crédito lançado através desta Notificação, o salário de contribuição obtido pela diferença entre o valor do salário de contribuição arbitrado por aferição indireta e a somatória dos salários de contribuição contidos nos recolhimentos de contribuição previdenciária do contribuinte, das empreiteiras e subempreiteiras e os resultantes da aplicação de 5% sobre as Notas Fiscais de fornecimento de concreto e argamassa usinada, conforme previsão do art. 448, inciso III da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, doravante IN 03/2005.” Ademais, registrou que “a divisão da somatória dos salários de contribuição contidos nos recolhimentos d contribuição previdenciária do contribuinte e das empreiteiras e subempreiteiras, pelo valor da mãodeobra por m2 em cada competência, a fim de apurar a área regularizada pelos recolhimentos.” Assim, a meu ver, não há dúvidas, pois, de que houve pagamento antecipado e, portanto, deve incidir o prazo quinquenal do artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Sabendose que na espécie o período verificado está compreendido entre março de 2001 a janeiro de 2003 e que a ora recorrente foi intimada da NFLD em 6 de julho de 2007 (AR – fls. 2961), verificase que está decaído o período de março de 2001 a junho de 2002. Mérito De acordo com o relato fiscal, o sujeito passivo, devidamente intimado a apresentar os livros contábeis com os registros da obra (livros diário e razão) sustentou não possuir tais documentos, mas tão somente um controle de custos da obra, razão pela qual a fiscalização procedeu ao cálculo das contribuições sociais previdenciárias por meio de aferição indireta, obtida a partir da metodologia de cálculo do CUB — Custo Unitário Básico, efetuado pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil. Em sede de recurso o sujeito passivo insurgese novamente sobre a ilegalidade do cálculo das contribuições pelo método da aferição indireta. Ocorre que, de fato a empresa não mantinha escrituração contábil regular que possibilitasse o Fisco verificar as despesas efetuadas com a mãodeobra empregada. O livro de despesas de obra apresentado aos autos não supre a documentação contábil regular, até porque apesar de conter lançamentos com despesas de aquisição de materiais não reflete, com segurança, o montante das remunerações pagas aos segurados a seu serviço. No que diz respeito às alegações acerca do Sebrae, Incra e Sat, incide na espécie a Sumula CARF nº 02, segundo a qual esse Conselho não tem competência para afastar a legislação por motivo de inconstitucionalidade. Multa Fl. 3038DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 8 Há de se registrar que o dispositivo legal da multa aplicada foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Pelo exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer, com base no artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional reconhecer a decadência do período de março de 2001 a junho de 2002, bem como para aplicar a multa do artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09, se mais benéfica ao contribuinte. Adriano Gonzáles Silvério Relator Fl. 3039DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 10950.003052/2006-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
Ementa:
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitar-se a existência de um produto final na ausência do insumo. Impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual não constituem insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes.
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição.
Numero da decisão: 3403-001.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à tomada de crédito em relação ao frete sobre serviços de transporte e em relação aos serviços de desembaraço/desestiva. Vencido o Cons. Robson José Bayerl, que votou por negar provimento na íntegra.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitar-se a existência de um produto final na ausência do insumo. Impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual não constituem insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição.
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VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. Impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual não constituem insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 30 52 /2 00 6- 56 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à tomada de crédito em relação ao frete sobre serviços de transporte e em relação aos serviços de desembaraço/desestiva. Vencido o Cons. Robson José Bayerl, que votou por negar provimento na íntegra. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP (fls. 31 a 6) relativo a crédito de Cofins nãocumulativa referente ao 4o trimestre de 2005, no valor de R$ 201.828,05 (R$ 63.128,44 a serem utilizados em compensação). Ao analisar a solicitação (fls. 98 a 111), a unidade local reconhece parcialmente o direito creditório (R$ 96.845,98) homologando, na parte reconhecida, as compensações requeridas. As parcelas não reconhecidas referemse a: a) creditamento de aquisições de bens que não podem ser caracterizados como insumos (contas “impressos e material de escritóriocif” e “uniformes e epicif”); e b) aproveitamento de créditos sobre gastos com serviços sem previsão legal (contas “fretes s/ compras estoques”, “desembaraço/desestiva estoques”, “fretes s/ comprascif”), vinculados a aquisições de matérias primas com alíquota zero. Cientificada da decisão da unidade local (em 2/6/2011 fl. 117), a empresa apresenta manifestação de inconformidade (em 30/6/2011 fls. 120 a 148). Na peça apresentada, sustenta que: a) o princípio constitucional da nãocumulatividade garante à contribuinte o direito de compensar em cada operação o montante de IPI, ICMS, Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins relativos às operações anteriores, sendo impossível sua modulação pelo legislador ordinário; b) o conceito de insumo constante das Instruções Normativas da RFB (então SRF) no 247/2002 e 404/2004 é demasiadamente restritivo, uma vez que veda o direito ao aproveitamento de créditos relacionados a insumos essenciais à atividade industrial, e deve ser afastado, assim como a Lei no 10.637/2002, pois tais normas infraconstitucionais não podem estabelecer vedações ao aproveitamento de crédito; c) o CARF tem entendido que o conceito de insumo para efeito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser o do IR, e não o do IPI, o que abarca os materiais de escritório e uniformes e equipamentos de proteção individual epi’s; e d) o inciso II do § 2o do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 deve ser analisado à luz do art. 17 da Lei no 11.033/2004 (que trata da manutenção de créditos em relação a vendas efetuadas com alíquota zero). 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 235DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10950.003052/200656 Acórdão n.º 3403001.938 S3C4T3 Fl. 235 3 Em 4/11/2011, no julgamento de primeira instância (fls. 189 a 198), acorda se que: a) “não existe previsão legal expressa para o cálculo de crédito sobre o valor do frete na aquisição e dos custos/despesas com desembaraço/desestiva, sendo permitido apenas quando o bem adquirido for passível de creditamento, já que tais despesas compõem o custo de aquisição”; b) “no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços”; e c) “as instâncias administrativas são incompetentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Cientificada da decisão em 16/1/2012 (fl. 201), a empresa apresenta recurso voluntário em 15/2/2012 (fls. 202 a 230), basicamente reiterando os argumentos expostos na manifestação de inconformidade, sobre a impossibilidade de modulação infraconstitucional do princípio da nãocumulatividade, sobre o conceito restritivo de insumos estabelecido nas normas infralegais da RFB (advindo do IPI), em desacordo com o posicionamento do CARF (pautado pelo IR), e sobre o entendimento de que o art. 17 da Lei no 11.033/2004 revogou o inciso II do § 2o do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 e, portanto, a aquisição de serviços (frete / desestiva) vinculados à compra de bens sujeitos à alíquota zero não inibe o direito ao crédito de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Dos três pontos atacados no Recurso Voluntário, impendese destacar a impossibilidade de análise por parte deste CARF do primeiro, que sustenta ser a não cumulatividade expressa na Constituição Federal brasileira (art. 195, § 12) inatingível pela legislação infraconstitucional, devendo eventual modulação ser feita tãosomente no próprio texto constitucional, o que culminaria no reconhecimento de inconstitucionalidade nas limitações estabelecidas pelas Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 e pelas IN SRF no 247/2002 e 404/2004. O tema já é inclusive sumulado no âmbito deste tribunal: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Resta, assim, a análise da abrangência do conceito de insumos na legislação referente à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, e a verificação de compatibilidade entre o art. 17 da Lei no 11.033/2004 e o inciso II do § 2o do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003. Do conceito de insumo Fl. 236DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF, sendo uma delas inclusive mencionada no Recurso Voluntário, cabendo ressaltar que ainda não há posicionamento assentado nesta corte administrativa sobre a matéria). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado na legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da Cofins nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Poderseia aí argumentar que a lei desbordou do comando constitucional referente à nãocumulatividade, que asseguraria o creditamento a qualquer despesa necessária à consecução do objeto social da empresa, como parece sugerir a recorrente. Contudo, reiterase que este tribunal carece de competência para levar adiante a discussão, em face da Súmula CARF no 2. Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril. Não poderia cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. A recorrente é empresa dedicada à fabricação e venda de adubos e fertilizantes. Não há dúvida, por exemplo, ao afirmarse que a matériaprima utilizada na confecção dos adubos e fertilizantes constitui insumo. Contudo, entre a zona de certeza positiva e a de certeza negativa (uma cesta de natal entregue pela empresa a um funcionário certamente não constitui um insumo) existe uma zona de “penumbra” (GENARO CARRIÓ2), 2 In Notas Sobre Derecho y Lenguaje. 5 ed. Buenos Aires: AbeledoPerrot, 2006, p. 55 e ss. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10950.003052/200656 Acórdão n.º 3403001.938 S3C4T3 Fl. 236 5 na qual só a análise do caso concreto, das atividades da empresa e do processo produtivo permitirá um enquadramento mais preciso. A glosa (mantida pelo julgador a quo) é efetuada em relação às despesas com impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual. No recurso voluntário, a empresa argumenta que o termo “insumo” abrange, além das despesas diretas: “[...] todas as depesas indiretas incorridas para a obtenção de receita, como, por exemplo: os gastos de promoção, colocação e distribuição dos produtos da empresa, inclusive com o pessoal das áreas de vendas, marketing, distribuição, administrativo interno de vendas,comissões sobre vendas, propaganda e publicidade, fretes sobre compras, desembaraço/desestiva, impressos, material de escritório, uniformes, epi’s, etc, além daquelas despesas administrativas propriamente ditas [...]” Não é preciso muito esforço para perceber que tal posicionamento não se coaduna com a disposição legal que trata da matéria. Nas relações não exaustivas apresentadas pela recorrente encontramse somente zonas de certeza negativa em relação à lei que rege a matéria. Sequer se visualiza “zona de penumbra”. Todas as atividades relacionadas podem até ter alguma relação com o objeto social da empresa (fabricação e venda de adubos e fertilizantes), mas não com o processo produtivo/fabril. Não há, assim, como acatar a tese da recorrente, no sentido de um alargamento do conceito de insumos que transbordaria o dispositivo legal que rege a matéria. Não se acolhe, destarte, a argumentação de que impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual constituam insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes, pela inexistência de vínculo de tais itens com o processo produtivo/fabril. Do creditamento em relação a serviços relacionados a bens adquiridos com alíquota zero Pleiteia ainda a recorrente o creditamento em relação a três contas, intituladas “fretes s/ compras estoques”, “desembaraço/desestiva estoques”, e “fretes s/ comprascif”. Instada a explicitar as referidas contas, indicando as razões pelas quais considerou como geradores de crédito da contribuição os dispêndios nelas registrados, a empresa (fl. 72) assim esclareceu seu conteúdo, classificando as despesas como “serviços utilizados como insumos”, albergados pelas Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003: “Serviços Utilizados como insumos Fretes s/ compras estoques Aquisição de serviços de transporte das compras de insumos. Serviços Utilizados como insumos Desembaraço/desestiva Fl. 238DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 Aquisição de serviços de carga e descarga da compra de insumos. Serviços Utilizados como insumos Fretes s/ compras (CIF) Aquisição de serviços de transporte das compras de insumos.” (grifos no original) A fiscalização não reconhece o crédito por ausência de amparo normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem, sujeito à alíquota zero (por força do art. 1o da Lei no 10.925/2004), o que inibe o creditamento, conforme a vedação estabelecida pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637/2002 (em relação à Contribuição para o PIS/Pasep), e pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833/2003 (em relação à Cofins): “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei no 10.865, de 2004)” Contudo, é de se observar que o comando transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de serviços sujeitos a tributação efetuados em/com bens não sujeitos a tributação (o que é o caso do presente processo). Improcedente assim a subsunção efetuada pelo julgador a quo no sentido de que o fato de o produto não ser tributado “contaminaria” também os serviços a ele associados. Vejase que é possível um bem não sujeito ao pagamento das contribuições ser objeto de uma operação de transporte tributada. E que o dispositivo legal citado não trata desse assunto. A recorrente questiona ainda a vigência do inciso II do § 2o do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003, afirmando que tais dispositivos foram revogados pelo art. 17 da Lei no 11.033/2004, que dispõe: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Nesse ponto, como já esclarecido pelo julgador a quo, o art. 17 da Lei no 11.033/2004 não revoga nem o inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637/2002, nem o inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833/2003. Enquanto o comando da Lei no 11.033/2004 permite à empresa que adquire um produto tributado pelas contribuições mantenha o crédito mesmo que a venda se dê de forma não tributada, os dois outros dispositivos (Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003) vedam o creditamento da contribuição para bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição na aquisição. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10950.003052/200656 Acórdão n.º 3403001.938 S3C4T3 Fl. 237 7 Assim, as Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 impedem o creditamento no caso de a aquisição de bens ou serviços não estar sujeita ao pagamento da contribuição. E a Lei no 11.033/2004 não gera direito a novo crédito (contrapondo a vedação), mas tãosomente permite a manutenção dos créditos (se existentes), no caso de venda efetuada com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições. Vejase que, no caso em questão, em face da inexistência de vedação no dispositivo legal analisado, era (e continua sendo) possível o creditamento em relação a serviços tributados efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. Improcedente assim a afirmação de que houve revogação dos dispositivos que estabelecem a vedação de creditamento, o que, contudo, não prejudica, como exposto, o direito ao creditamento. É relevante destacar, por fim, que a segunda motivação alegada pela fiscalização para o não reconhecimento do crédito, de que somente os fretes nas operações de venda é que seriam ensejadores de crédito, merece aparas. Também as despesas com frete nas operações de compra de insumos podem gerar créditos (compondo o custo de aquisição do bem), como decidiu recentemente esta turma, de forma unânime, cabendo reproduzir abaixo excerto do voto condutor: “[...] na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete podem se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3o, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3o.” 3 (grifo nosso) Destaquese, por fim, que o fato de o serviço compor o custo de aquisição dos bens utilizados como insumos não opera uma transformação da natureza dos serviços tributados em bens não tributados, impossibilitando o creditamento. “Integrar o custo de aquisição do bem adquirido” difere de “integrar o tratamento tributário do bem adquirido”. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao creditamento em relação aos serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação, referidos nas três contas intituladas “fretes s/ compras estoques”, “desembaraço/desestiva estoques”, e “fretes s/ comprascif” (que, em que pese a denominação inadequada, foram explicadas pela recorrente como sendo referentes a “aquisição de serviços de transporte das compras de insumos” e “serviços utilizados como insumos desembaraço/desestiva”). 3 Acórdão n. 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25.abr.2012. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 Rosaldo Trevisan Fl. 241DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10783.724811/2011-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
INCORREÇÕES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO.
Apresentar a GFIP com incorreções/omissões caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
LAVRATURA QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL, DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO.
O fisco ao narrar os fatos verificados, a norma violada, a base legal e os critérios utilizados para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, que pudesse acarretar em nulidade da lavratura.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 INCORREÇÕES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO. Apresentar a GFIP com incorreções/omissões caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. LAVRATURA QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL, DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco ao narrar os fatos verificados, a norma violada, a base legal e os critérios utilizados para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, que pudesse acarretar em nulidade da lavratura. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 48 11 /2 01 1- 54 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10783.724811/201154 Acórdão n.º 2401002.945 S2C4T1 Fl. 110 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra o Acórdão n.º 1243.554 da 11.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ no Rio de Janeiro I, que declarou improcedente a impugnação em face do Auto de Infração – AI n.º 51.009.6328. De acordo com o relatório fiscal, fls. 06/18, a lavratura referese a imposição de multa pelo fato da empresa haver descumprido obrigação acessória prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09, ao apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informação à Previdência Social – GFIP com incorreções ou omissões. Informase que a multa foi imposta conforme previsão do art. 32A, “caput”, inciso I e §§ 2.º e 3.º, na redação dada pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009, não se tendo verificado reincidência do sujeito passivo. Acrescentase ainda: “Na ação fiscal ficou constatado que o contribuinte deixou de incluir em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social os Segurados Empregados que estão relacionados no anexo 1 do relatório de Processo Fiscal 10783724811/ 201154. O contribuinte no ano de 2008 informou com o número 2 (dois) o campo indicativo de opção para Regime de Tributação do SIMPLES, indicando, desta forma, que a empresa seria optante pelo SIMPLES NACIONAL. A Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional, anexada no segmento deste relatório de Processo Fiscal, demonstra que a empresa teve indeferida sua inscrição no SIMPLES NACIONAL. Este fato deuse em 01/10/2007. No período de 01/2008 a 11/2008 as GFIP exportadas/válidas foram enviadas em datas posteriores a 04/12/2008 data de início de vigência da MP 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009, conforme anexo 2 deste relatório de Processo Fiscal”. Na decisão recorrida, fls. 84/90, argumentouse que a comprovação dos fatos geradores foi discutida no processo 10783.724810/201118, que contemplou os autos de infração para exigência de obrigação principal, além de que os fundamentos legais para aplicação da multa e a metodologia para cálculo da penalidade foram apresentados pelo fisco, descabendo o argumento de nulidade da autuação. No recurso de fls. 95/104, a autuada, após breve relato do transcurso processual do AI, alegou que os atos administrativos devem respeito ao princípio da legalidade para que possam produzir seus efeitos. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Alega que, nos termos do art. 114 do CTN, o fato gerador decorre da lei e que somente há a incidência tributária quando a norma que define a hipótese do fato gerador se concretiza no mundo fenomênico. Assevera que o lançamento guerreado não trouxe carreado em seu bojo nenhuma prova que sustente a imputação, posto que não foram analisados elementos essenciais, a exemplo do Livro de Registro de Empregados e folhas de pagamento, carteira de trabalho. Assim, afirma, não foi caracterizado o nexo de casualidade entre a infração imputada e o fato concreto. A recorrente aduz ainda que não se distingue nos autos a indicação individualizada de quais informações foram omissas ou incorretas, carecendo o AI de uma narrativa específica e de um material probatório contundente, o que caracteriza cerceamento ao seu direito de defesa. É relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10783.724811/201154 Acórdão n.º 2401002.945 S2C4T1 Fl. 111 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A suscitada nulidade A questão trazida ao recurso diz respeito à nulidade decorrente da falta de clareza e precisão no relatório de trabalho do fisco. Asseverase que o fisco não desvencilhou se do ônus de provar a ocorrência do fato gerador, por esse motivo o lançamento estaria irremediavelmente marcado com a pecha da nulidade. É de se observar que o processo sob cuidado guarda conexão direta com o de n.º 10783.724810/201118, que contemplou os autos de infração para exigência de obrigação principal. Este processo foi julgado a poucos minutos tendo a Turma de Julgamento entendido que os fatos geradores, quais sejam os pagamentos de remuneração aos empregados, ficaram suficientemente demonstrados pelo fisco, não tendo ocorrido cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. Na lide agora sob cuidado a decisão não poderia ser outra, haja vista que o fisco apresentou às fls. 10/17, planilha, na qual são discriminadas todas as remunerações que deixaram de ser declaradas na GFIP, descabendo o argumento de que teria havido imprecisão/lacunas nos dados apresentados no relatório fiscal. Nas página seguintes do relatório, é apresentada memória de cálculo da multa aplicada, não restando dúvidas quanto à metodologia utilizada para se edificar a penalidade que deu ensejo à autuação. Vejamos o que falou o Relator do processo no julgamento de primeira instância: “16. O anexo 3 do relatório fiscal demonstra por competência a contagem dos campos omissos/incorretos e o anexo 4 detalha o cálculo da multa aplicada. 17. Demonstrado que as informações que a Impugnante alega não conseguir distinguir foram minuciosamente detalhadas no relatório fiscal, fica consequentemente demonstrado que não ocorreu a imputação genérica do fato ou da conduta do contribuinte, base para sua conclusão de cerceamento de defesa. Ou seja, o descumprimento da obrigação acessória (apresentar GFIP com incorreções ou omissões) foi constatado, comprovado, minuciosamente relatado e detalhado. 18. A infração foi capitulada e descrita conforme o relatório de capa da autuação, assim como pelo relatório fiscal, permitindo ao interessado Fl. 113DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 verificar qual a infração cometida e seu correspondente enquadramento legal, assim como se a multa aplicada corresponde a autuação em comento. A autuação foi tipificada corretamente. Portanto, incabível a alegação de cerceamento de defesa ou falta de clareza. Esta afirmação não foi contestada no recurso, o que nos leva a concluir que o fisco apresentou em anexo demonstrativos que discriminam as remunerações para cada um dos segurados a serviço da empresa, descabendo o argumento de falta de individualização das remunerações.” Esses argumentos não foram contestados especificamente no recurso, ali apenas se fala de forma genérica no suposto prejuízo ao direito de defesa da empresa, sem especificar qual a omissão teria acarretado o cerceamento. Assim, por entender que o fisco demonstrou a contento os elementos essências do lançamento, possibilitando à empresa o exercício do seu amplo direito de defesa e que a alegação de nulidade não se funda em dados e fatos, afasto a suscitada nulidade do lançamento, não merecendo também acolhida o requerimento para reforma da decisão recorrida. A infração Tendo ficado comprovado no processo em que se discutia a procedência dos lançamentos de obrigação principal que os fatos geradores ocorreram, devese concluir da mesma forma que houve a infração decorrente da falta de declaração desses fatos geradores na GFIP. Esse infração decorre do dever instrumental previsto no art. 32, IV, da Lei n.º 8.212/1991, cuja multa vem prevista no art. 32A da mesma Lei, introduzido pela MP 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009, haja vista que as infrações ocorreram após esta alteração legislativa. Assim, é de se concluir que a empresa ao apresentar a GFIP sem declarar todas as remunerações pagas aos segurados a seu serviço, além de informar na guia a incorreta opção pelo regime tributário do SIMPLES, incorreu em conduta contrária ao ordenamento tributário, sendo procedente a multa aplicada no AI sob cuidado. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 114DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 18088.000799/2010-67
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2403-000.083
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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Conexão com Processo de Exclusão do SIMPLES Recorrente EFICIENTE MÓVEIS E SOLUÇÕES PARA ESCRITÓRIO LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do recurso em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Ewan Teles Aguiar. Fl. 183DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0621.16024.K69M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18088.000799/201067 Resolução n.º 2403000.083 S2C4T3 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Auto de Infração a Obrigação Acessória AIOA/DEBCAD n° 37.286.5380, lavrado em face da Recorrente pela infração ao artigo 33, § 2o e 3o da Lei n. 8.212/91 (redação outorgada pela MP 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009), combinado com o artigo 233, parágrafo único do Decreto n° 3.048/99, uma vez que a empresa, exibiu o Livro Caixa dos anos calendários 2006/2007 sem que, supostamente, atendesse as formalidades legais exigidas, assim entendido a ausência do registro da movimentação bancária (exigida pelas Leis n° 9.317/96 – SIMPLES Federal e LC 123/06 SIMPLES Nacional) e com a escrituração financeira deficiente (registro de pagamentos das contribuições previdenciárias, do FGTS e de outros tributos federais que efetivamente eram pagos com numerário de outra empresa MAQ Móveis Indústria de Móveis Escolares LTDA). A penalidade aplicada é aquela prevista no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, constante do seu art. 283, inciso II, alínea “j”, e art. 373, com valores atualizados pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 48/2009. O Auto de Infração foi lavrado no valor de R$ 13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos). Segundo o Relatório Fiscal de fls. 50/57, a Recorrente como optante do SIMPLES no período autuado, uma vez tendo perdido essa condição através dos Atos Declaratório do Executivo n°s 40 e 41 emanados da autoridade competente da Delegacia jurisdicionante. Em face da exclusão do SIMPLES, foi instaurado o Processo Administrativo n. 18088.000658/201044, que reuniu todas as provas, cópias de documentos, bem como os motivos de fato e de direito, que culminaram com a Exclusão dos regimes tributários, do Simples Federal (Lei 9317/96) e do Simples Nacional (Lei Complementar n. 123, de 25 de outubro de 1966), bem como comprovaram a existência do citado “Grupo Econômico de Fato”, foi transcrito no relatório fiscal), emanados da autoridade competente da Delegacia jurisdicionante. A Recorrente, Impugnou o lançamento sustentando que o caso em tela não poderá ser julgado enquanto não for julgado o Proc. n. 18088.000658/201044, que discute se a exclusão do SIMPLES foi correta ou não. No dia 24/05/2011 a DRJ, tomando por base o julgamento no Proc. 18088.000658/201044, manteve o lançamento por meio do Acórdão de fls. 145/150. No dia 06/07/2011, a Recorrente protocolizou Recurso Voluntário requerendo apensamento ao Proc. n. 18088.000658/201044, vez que, o caso em tela dependerá do citado processo. Fl. 184DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0621.16024.K69M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18088.000799/201067 Resolução n.º 2403000.083 S2C4T3 Fl. 3 3 A Recorrente protocolizou petição, datada de 10/05/2012, onde requer o sobrestamento do processo em tela até o julgamento definitivo do Proc. n. 18088.000658/2010 44. É o relatório. Fl. 185DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0621.16024.K69M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18088.000799/201067 Resolução n.º 2403000.083 S2C4T3 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator O recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Tendo a Recorrente, por meio da Impugnação, Recurso Voluntário e Petição feito menção ao Proc. n. 18088.000658/201044; assim como a DRJ se baseado no citado processo para manter o lançamento. Resta evidenciado que o resultado do Processo Administrativo interferirá no caso em tela, tendo em vista que se a exclusão SIMPLES for declarada irregular e a Recorrente voltar para esse regime especial, não incidirá o lançamento ora combatido. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto para baixar em diligência o processo, para que aguarde o trânsito em julgado do Processo Administrativo n. 18088.000658/201044. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 186DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0621.16024.K69M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LIZONTINA MARIA CAETANO em 27/07/2012 13:37:21. Documento autenticado digitalmente por LIZONTINA MARIA CAETANO em 27/07/2012. Documento assinado digitalmente por: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI em 16/08/2012 e MARCELO MAGALHAES PEIXOTO em 27/07/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 30/06/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP30.0621.16024.K69M Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 634970475430D2302D8081E668D0DC7BBEAE9805 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 18088.000799/2010-67. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11080.001643/2006-48
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa:DIF – PAPEL IMUNE. MULTA. APLICAÇÃO ISOLADA POR DECLARAÇÃO NÃO ENTREGUE. O art. 57 da MP nº 2.158-35 foi modificada pelo art. 1° da Lei n° 11.945/09. Por se tratar de lei mais benéfica, observa-se o disposto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN quanto a sua retroatividade. Desta forma, é aplicável à micro ou pequena empresa a multa de R$ 2.500,00 pelo atraso na entrega da DIF – Papel Imune. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3803-001.881
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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MULTA. APLICAÇÃO ISOLADA POR DECLARAÇÃO NÃO ENTREGUE. O art. 57 da MP nº 2.15835 foi modificada pelo art. 1° da Lei n° 11.945/09. Por se tratar de lei mais benéfica, observase o disposto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN quanto a sua retroatividade. Desta forma, é aplicável à micro ou pequena empresa a multa de R$ 2.500,00 pelo atraso na entrega da DIF – Papel Imune. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (Assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Andréa Medrado Darzé e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Fl. 69DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALEXANDRE KERN 2 Tratase de aplicação de multa regulamentar referente falta de entrega da DIF— Papel Imune, no valor de R$ 366.000,00 quanto aos anos calendários de 2002 a 2006, conforme auto de infração de fls. 04/22, ciência em 21/01/2005 (fls.24). Alegou, em síntese, a nãoutilização do papel imune no período em questão, o desconhecimento da obrigação de apresentar a declaração de informações mesmo nos períodos em que não se utilizou do papel imune e a desproporcionalidade do valor da multa. Pleiteou, por fim, a suspensão da multa, e a análise do caso ante a sua desproporcionalidade. A 1a Turma da DRJ/POA apreciou o caso e manteve o auto de infração (fls. 04/22) por entender que a atividade fiscal está atrelada à estrita legalidade e, em havendo previsão de imposição de multa no importe de R$ 5.000,00 pela ausência ou entrega em atraso das DIFs, deverá a norma ser efetivamente aplicada, não cabendo à autoridade fiscal ou julgadora emitir juízo de valor quanto ao fato. Cientificada em 15/12/2006, a MACHADO & HAHN LTDA interpôs recurso voluntário, alegando em sua defesa que a multa não pode prosperar pois não usufruiu do benefício a compras, pois houve apenas duas únicas compras de papel imune com valores ínfimos (R$ 133,06 e R$ 249,02) conforme notas fiscais anexas; que se tivesse conhecimento da obrigação advinda do registro não o teria realizado pois evitaria os transtornos e noites mal dormidas; que o valor da multa é um absurdo tendo em vista que extrapola todas as condições da empresa, que tem um capital de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), superando a capacidade financeira da empresa. Requereu a aplicação de interpretação mais benéfica quanto a aplicabilidade das multas no presente caso, de forma que seja aplicada uma única multa para cada DIF não apresentada, conforme voto vencido e manifestado na 1a Turma da DRJ/POÁ. Voto Conselheiro João Alfredo E. Ferreira O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Insurge o contribuinte contra auto de infração que lhe imputou multa no valor de R$ 366.000,00 devido a falta de entrega da DIF – papel imune no prazo legal referente ao anocalendário de 2002 a 2006. Alega o contribuinte possuir uma microempresa cujo capital social corresponde ao valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), apresentando um faturamento bruto mensal de R$ 8.000,00, em média, sem muitas perspectivas de crescimento. O lançamento da multa teve como termo inicial os dias 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003, 01/08/2003, 01/11/2003, 01/02/2004, 01/05/2004 e 01/08/2004, que foram os primeiros dias após o prazo regulamentar de entrega da DIF — Papel Imune do 3° trimestre de 2002, 4° trimestre de 2002, 1° trimestre de 2003, 2° trimestre de 2003, 3° trimestre de 2003, 4° trimestre de 2003, 1° trimestre de 2004 e 2° trimestre de 2004, sendo que o termo final é a data da emissão do Auto de Infração. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11618.000839/200618 Acórdão n.º 3803001.881 S3TE03 Fl. 66 3 Dispõem os arts. 1º e 10 da IN SRF nº 71/2001 o que se segue: Art. 10. Fica instituída a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune), cuja apresentação é obrigatória para as pessoas jurídicas de que trata o art. 1º. Art. 1º Os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1º do Decretolei nº 1.593, de 21 de dezembro de 1977, não podendo promover o despacho aduaneiro, a aquisição, a utilização ou a comercialização do referido papel sem prévia satisfação dessa exigência. Estabelece o art. 57 da Medida Provisória nº 2.158/34, de 27 de julho de 2001 que as empresas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados estarão sujeitas a multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário. Ocorre que tal dispositivo foi alterado pela Lei nº 11.945/2009 que passou a dispor: Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: (...) § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II – de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. (grifamos) A legislação tributária é cristalina. O Contribuinte que não apresentar a DIF Papel Imune até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores ficará sujeito ao pagamento de multa no valor de R$ 2.500,00 se micro ou pequena empresa e R$ 5.000,00 para as demais por mêscalendário de atraso. Entendo que por ser norma mais favorável, encontra guarida no Código Tributário Nacional, que preconiza em seu art. 106, inciso II, alínea “c” o que se segue: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALEXANDRE KERN 4 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifamos) Desta forma, sendo a Lei nº 11.945/2009 norma mais benéfica para o contribuinte do que a Medida Provisória nº 2.158/34, e não estando o ato definitivamente julgado, retroagirá a mesma para atingir ato ou fato pretérito, conforme o art. 106 do CTN supramencionado. Isto significa a aplicação de uma multa de R$2.500,00 ou de R$ 5.000,00 cada vez que o Contribuinte deixa de entregar a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune ou o faz com atraso. No mesmo sentido se posicionou esta Turma Especial em julgado recente. Vejamos: Autoridade Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 3ª Seção de Julgamento. 3ª Turma Especial Título Acórdão nº 380300521 do Processo 10580002587200584 Data 27/07/2010 Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.Data do fato gerador: 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004.Ementa:DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.A não apresentação, ou a apresentação da DIF Papel Imune após os prazos estabelecidos pela legislação, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista.Recurso Voluntário Provido Parcialmente.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a penalidade atada para RS 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais). Pareceme ser o posicionamento mais acertado. Ante o exposto, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para aplicar multa de R$ 5.000,00 por DIF – Papel Imune entregue em atraso, sendo facultado ao contribuinte apresentar documentos aptos à comprovação de sua situação caso enquadrada como micro ou pequena empresa nos período correspondente aos anoscalendários de 2003 a 2006, caso em que a multa será reduzida em 50%. (Assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11618.000839/200618 Acórdão n.º 3803001.881 S3TE03 Fl. 67 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 11618.000839/200618 Interessada: MACHADO & HAHN LTDA TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 3803001.881, de 11 de agosto de 2011, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 11 de agosto de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALEXANDRE KERN 6 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 11618.000839/200618 Interessada: MACHADO & HAHN LTDA TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 3803001.881, de 11 de agosto de 2011, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 11 de agosto de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 74DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10970.720137/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Exercício: 2006
Ementa: DECADÊNCIA. ART. 173, I, do CTN. Constatada a ocorrência de dolo por parte do contribuinte, o prazo decadencial a ser utilizado é aquele disposto no art. 173, I, do CTN, cujo início da contagem se dá no primeiro dia seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS NÃO CONTABILIZADAS.
Caracteriza omissão de receitas a falta de emissão de notas fiscais e escrituração dos valores correspondentes às vendas realizadas.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Confirmado o intuito doloso do contribuinte em burlar o fisco, é
correta a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%.
Numero da decisão: 1202-000.836
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ART. 173, I, do CTN. Constatada a ocorrência de dolo por parte do contribuinte, o prazo decadencial a ser utilizado é aquele disposto no art. 173, I, do CTN, cujo início da contagem se dá no primeiro dia seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS NÃO CONTABILIZADAS. Caracteriza omissão de receitas a falta de emissão de notas fiscais e escrituração dos valores correspondentes às vendas realizadas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Confirmado o intuito doloso do contribuinte em burlar o fisco, é correta a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho,Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/08/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.720137/201121 Acórdão n.º 1202000.836 S1C2T2 Fl. 1.455 2 Relatório Tratase de Autos de Infração consubstanciados em lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, somados à multa de ofício, multa qualificada e juros. Os lançamentos se pautaram em suposta omissão de receitas provenientes de vendas e serviços realizados pela Recorrente no período de janeiro a dezembro de 2006. Ademais, teria sido constatado através de todo o procedimento fiscal que muitos dos serviços realizados no referido período não foram objeto de emissão de nota fiscal, ou quando foram o valor declarado na nota era inferior ao devidamente cobrado. Vale ressaltar que o procedimento fiscal foi motivado por requisição do Ministério Público Federal através do Ofício OF/PR/MG/C/0305 datado de 09.03.2011 (fls. 195 e seguintes), que possui planilhas contendo milhares de contas médicas, em nome dos pacientes, que não foram declaradas, nem foram objeto de emissão de nota fiscal. Cientificada da lavratura dos Autos de Infração a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 1295/1313), alegando, em síntese, o que segue: (i) Decadência parcial do direito de lançar os tributos em questão, visto que em casos de lançamento por homologação o prazo de lançamento seria o de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no artigo 150, § 4º do CTN. Tendo em vista que a autuação referese ao período de jan/2006 a dez/2006 e a Recorrente foi intimada apenas em 29/06/2011, estariam fulminados pela decadência os valores cujo fato gerador tenha ocorrido anteriormente à 26/06/2006; (ii) Muitas das contas médicas que constam na planilha utilizada pela fiscalização para embasamento do lançamento referemse a atendimentos realizados pela Recorrente de forma gratuita, razão pela qual não teve a respectiva emissão de nota fiscal; (iii) Alega que as contas médicas escrituradas com valores inexpressivos, tais como R$ 10,20, são feitas somente para dar baixa no estoque de produtos utilizados em retorno de pacientes a procedimentos anteriormente realizados, o que não gera nenhum rendimento para o hospital, mas sim, custo que este deve suportar; (iv) A receita auferida com os pacientes já teria sido devidamente escriturada quando da emissão da fatura para cobrança dos serviços realizados, sendo que o retorno do paciente não gera receita para a Recorrente; (v) Reconhece que se equivocou ao considerar que estaria sujeita ao regime de caixa, quando na verdade deveria ter escriturado suas receitas segundo o regime de competência, por ser tributada pelo Lucro Real; (vi) Tendo em vista os custos suportados pela Recorrente com o retorno dos pacientes, entende que referidos valores deveriam ser considerados como perdas e, assim, deduzidos como despesas, para determinação do Lucro Real, nos termos do artigo 9º da Lei 9.430/96; Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/08/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.720137/201121 Acórdão n.º 1202000.836 S1C2T2 Fl. 1.456 3 (vii) Não teria havido dolo, fraude ou simulação em sua conduta que justificaria a aplicação da multa qualificada no montante de 150%. O que teria ocorrido seria simplesmente um equívoco por parte da Recorrente em utilizar o regime de caixa, ao invés do regime de competência. Os autos foram encaminhados para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que houve por bem julgar improcedente a Impugnação da Recorrente (fls.1395/1399), nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2006 DECADÊNCIA. Caracterizandose a sonegação fiscal, a análise da decadência deslocase para o artigo 173 do CTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. REGIME DE COMPETÊNCIA. OBRIGATORIEDADE. A empresa que apure lucro real deve contabilizar suas receitas e despesas pelo regime de competência. MULTA QUALIFICADA. Caracterizando se a sonegação fiscal a multa de oficio deve ser qualificada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ/JFA a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário, pautada nos mesmos fundamentos utilizados na Impugnação. Oportunamente os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Como o recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicio, assim, pela análise da preliminar de decadência do lançamento suscitada pela Recorrente. I – PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/08/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.720137/201121 Acórdão n.º 1202000.836 S1C2T2 Fl. 1.457 4 Preliminarmente a Recorrente alega a ocorrência de decadência parcial do direito de lançar os tributos em questão, tendo em vista que em casos de lançamento por homologação o prazo de lançamento seria o de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no artigo 150, § 4º do CTN. Considerando que a autuação referese ao período de jan/2006 a dez/2006 e a Recorrente foi intimada apenas em 29/06/2011, estariam fulminados pela decadência os valores cujo fato gerador tenha ocorrido anteriormente a 26/06/2006. Ocorre que, no tocante ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “Recursos Repetitivos”. O precedente proferido teve a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/08/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.720137/201121 Acórdão n.º 1202000.836 S1C2T2 Fl. 1.458 5 sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Por meio de referido Acórdão restou consolidado no âmbito do E. STJ o entendimento de que nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, via de regra, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no § 4º do artigo 150 do mesmo Código, o qual dispõe o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/08/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.720137/201121 Acórdão n.º 1202000.836 S1C2T2 Fl. 1.459 6 O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Verificase, assim, que a referida decisão do Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por outro lado, nos casos em que for comprovada a ocorrência do dolo, fraude ou simulação, ou até mesmo quando não ocorrer qualquer pagamento de tributo, o prazo decadencial será aquele previsto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/08/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.720137/201121 Acórdão n.º 1202000.836 S1C2T2 Fl. 1.460 7 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Como no caso em questão foi apurado o dolo na conduta da Recorrente, até mesmo pelo fato de o procedimento fiscal ter iniciado em decorrência de um ofício enviado pelo Ministério Público referente a um processo criminal que já se encontrava em andamento, o prazo a ser levado em consideração é aquele disposto no artigo 173, inciso I, do CTN. Ou seja, deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dessa forma, como o presente lançamento referese a fatos geradores ocorridos de jan/2006 a dez/2006, o prazo decadencial começa a correr em jan/2007, tendo como termo final 31 de dezembro de 2011. Levando em consideração que a Recorrente foi intimada da lavratura dos presentes Autos de Infração em 29/06/2011, não há que se falar em decadência. Portanto, rejeito a preliminar de decadência aduzida pela Recorrente e passo a análise do mérito. II – MÉRITO Conforme anteriormente relatado, a omissão de receitas no anocalendário de 2006, que totaliza o montante de R$ 1.061.059,55, decorreu de atendimentos médicos realizados pela Recorrente sem a devida emissão de notas fiscais de prestação de serviços. Referida omissão de receitas foi apurada a partir da planilha encaminhada pelo Ministério Público Federal relacionando todos os atendimentos médicos que foram efetuados no ano de 2006 e a falta de emissão de notas fiscais correspondentes aos serviços prestados. Em atenção às intimações que lhe foram feitas, a Recorrente alegou que referidas contas médicas na maioria das vezes “são feitas somente para dar baixa no estoque de produtos utilizados em retorno de pacientes a procedimentos anteriormente realizados, o que não gera para o hospital nenhum rendimento”. Ou seja, como justificativa da falta de emissão de notas fiscais e escrituração dos valores recebidos a título de prestação de serviços hospitalares, a Recorrente alega que muitos desses serviços eram considerados como “retorno de pacientes” o que não geraria nenhuma receita para a mesma. Vale ressaltar, primeiramente, que a Recorrente por ser optante da apuração pelo Lucro Real deve escriturar suas receitas pelo regime de competência, ao passo que a inobservância do regime de competência constitui fundamento para o lançamento de ofício do imposto, conforme estabelece o artigo 273 do RIR/99, in verbis: Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/08/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.720137/201121 Acórdão n.º 1202000.836 S1C2T2 Fl. 1.461 8 monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. Ocorre que a justificativa da Recorrente de que deixou de emitir notas fiscais de prestação de serviços por não ter recebido nenhum valor em contraprestação, supostamente porque muitos desses serviços eram gratuitos, não tem o condão de afastar a omissão de receitas. Isso porque, mesmo que os serviços prestados não fossem remunerados, a Recorrente não estaria eximida de emitir notas fiscais. Esse fato já é suficiente para demonstrar o dolo na conduta da Recorrente em burlar o fisco, deixando de emitir notas fiscais, ou ainda, quando emitidas, constar valores muito inferiores ao efetivamente cobrado. Referidas notas fiscais são conhecidas como “notas fiscais calçadas”, as quais dão margem para a comprovação de existência de dolo por parte da Recorrente, conforme entendimento deste E. Conselho. Vejamos: IRPJ OMISSÃO DE RECEITA. VENDAS NÃO CONTABILIZADAS Caracteriza omissão de receita a falta de emissão de nota fiscal no momento da efetivação da venda, a sua emissão com valor diferente do correspondente à operação, bem como a não contabilização das vendas realizadas. IRPJ COMPRAS NÃO CONTABILIZADAS DEDUÇÃO A pessoa jurídica que apura resultados pelo lucro real está obrigada a manter o registro de todas as suas operações em conformidade com a legislação comercial e fiscal. A falta de registro impede a identificação e dedução de despesas incorridas na compra de mercadorias. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase, no que couber, ao lançamento decorrente, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO Demonstrado o intuito de fraude através da falta de registro de notas fiscais de venda e emissão de "notas calçadas" procedese ao agravamento da multa por lançamento de ofício. AGRAVAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Descabe a exasperação da penalidade quando ausente o dolo específico para que reste configurada a infração por evidente intuito de fraude. Recurso provido parcialmente. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10194674 do Processo 11030001387200251, Data: 13/08/2004) Vale destacar que no próprio Termo de Verificação Fiscal (fls. 1248/1257) está descrito claramente a conduta dolosa da Recorrente, caracterizada como sonegação fiscal. Segundo dispõe o artigo 71 da Lei nº 4.502/64 sonegação “é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária (i) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais”. Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/08/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.720137/201121 Acórdão n.º 1202000.836 S1C2T2 Fl. 1.462 9 Assim, resta claro a ocorrência de sonegação fiscal ao deixar de emitir milhares de notas fiscais, as quais corresponderiam a diversos serviços médicos prestados pela Recorrente no decorrer do anocalendário de 2006. Tendo sido comprovada a ocorrência de sonegação fiscal, deve ser mantida a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%, nos termos do artigo 44, § 1º da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por fim, em relação à aplicação concomitante da multa de ofício com a multa isolada, tenho firmado meu posicionamento no sentido da impossibilidade da aplicação concomitante de referidas multas. Porém, por não ter sido matéria impugnada pela Recorrente, tanto em sua Impugnação quanto no presente Recurso Voluntário, devem ser mantidos os lançamentos, por se tratar de matéria não impugnada. O antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, já se manifestou diversas vezes acerca desse assunto. Vejamos: Assunto: Contribuição para o PIS Período de apuração: 31/01/2002 a 31/03/2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. QUESTÕES PRELIMINARES. AUTONOMIA. Devido ao princípio da autonomia das questões preliminares, quaisquer questões de natureza processual devem ser analisadas no processo em que ocorrem, não podendo ser levadas para processo estranho. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase preclusa e portanto incontroversa a matéria não impugnada à época oportuna. (Segundo Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 20217684 do Processo 10410004981200347, Data: 25/01/2007). (não grifado no original) IRRF TERCEIRO RETENÇÃO RESPONSABILIDADE Comprovada a retenção pela fonte pagadora, que é terceiro na relação tributária, não pode ser obstada a correspondente compensação, isto porque, após a retenção, a responsabilidade não mais é do beneficiário. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS OMISSÃO Omitido o rendimento e ausente contestação a respeito da matéria, correta é a exigência formulada pela autoridade fiscal. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A matéria não expressamente contestada é considerada não impugnada Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/08/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.720137/201121 Acórdão n.º 1202000.836 S1C2T2 Fl. 1.463 10 pelo contribuinte nos termos do artigo 17 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10421139 do Processo 11618000127200348, Data: 09/11/2005). (não grifado no original) Portanto, tendo em vista todo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto. Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/08/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10580.011384/2005-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastadas a concomitância e a renúncia à discussão administrativa, é de se reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância que deixou de apreciar todos os argumentos de impugnação. Nova decisão deve ser proferida, em atenção ao duplo grau de jurisdição previsto nas regras de regência do processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 1302-000.951
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, anular o acórdão DRJ, para que novo seja proferido com análise de todos os argumentos da impugnante.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastadas a concomitância e a renúncia à discussão administrativa, é de se reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância que deixou de apreciar todos os argumentos de impugnação. Nova decisão deve ser proferida, em atenção ao duplo grau de jurisdição previsto nas regras de regência do processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, anular o acórdão DRJ, para que novo seja proferido com análise de todos os argumentos da impugnante. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 865 2 (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo de Andrade, Paulo Roberto Cortez, Márcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Diniz Raposo e Silva e Waldir Veiga Rocha. Relatório FAELBA – FUNDAÇÃO COELBA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR, nova denominação de FUNDAÇÃO COELBA DE ASSISTÊNCIA E SEGURIDADE SOCIAL, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 15 11.443, de 29/09/2006, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de auto de infração para constituição de crédito tributário da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, ao fundamento principal de que a entidade fechada de previdência privada, situação da interessada, é obrigada ao recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido até 31/12/2001, visto que a concessão de isenção se deu somente a partir de 01/01/2002, instituída pela Lei nº 10.426, de 2001. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 15/17 descreve a autuação nos seguintes termos: Intimamos o contribuinte através do Termo de Início anexo à fl. 26, a apresentar, dentre outros elementos, um demonstrativo com a formação da base de cálculo e apuração de débito da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) do período de agosto/98 a junho/2003. Posteriormente, através do MPF Complementar nº 20030062003, a fiscalização passou a abranger os períodos compreendidos entre janeiro de 1997 a dezembro de 2001. Ressaltamos que somente a partir de 01 de janeiro/2002, através do art. 5º da Lei nº 10.426/ 2001, as entidades fechadas de previdência privada estão isentas da CSLL. A contribuinte apresentou documento, datado de 27/10/2003, fls.67 a 71, em que esclarece que através da ABRAPP Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar, da qual é filiada, foi impetrado Mandado de Segurança Coletivo nº 2002.33.00.001.0080, contra a cobrança do IRRF sobre Aplicações Financeiras e a cobrança da CSLL. Para efeito da Anistia de que trata a MP 2.222/ 2001, desistiu da ação em relação ao Imposto de Renda Retido na Fonte, mas não renunciou à Ação em relação à CSLL. Através da sentença prolatada pela Exª. Dra. Juíza Federal Neuza Maria Alves da Silva, em 14/08/2002, cópia anexa às fls.51 a 66, o Mandado de Segurança foi julgado improcedente quanto à CSLL e a liminar concedida tornada sem efeito. Na sentença, a Exª. Dra. Juíza decide: Quando o legislador definiu a base de cálculo da CSLL como sendo o resultado contábil positivo do contribuinte, não se Fl. 946DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 866 3 preocupou em distinguir se este resultado contábil teria esta ou aquela nomenclatura; se chamarseia lucro, superávit ou teria outra denominação qualquer. O fato é um só, e não poderia ser diferente: Se as aplicações realizadas pela entidade, aberta ou fechada de previdência, tiverem resultado positivo, ou seja, se houver acréscimo de capital com operação, deve sim haver a incidência da CSLL, principalmente porque quando o legislador constituinte remeteu à sociedade como um todo a obrigação de financiar a previdência e assistência social públicas, não eximiu qualquer entidade ou instituição de cumprir este dever.” Solicitamos através do Termo de Intimação com aviso de recebimento de 11/04/2005, fl. 44, que fosse levantada a base de cálculo da CSLL dos anos calendário de 1997 a 2001, tendo em vista a sentença citada acima, e que a isenção somente se aplica a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro/2002, através do art. 5º da Lei nº 10.462/2001. A contribuinte através do documento datado de 20/04/2005, fls. 72 a 74, enviou cópia da petição inicial, sentença e apelação referente ao Mandado de Segurança relativo à CSLL, bem como planilhas com apuração das bases de cálculo da CSLL. Na planilha apresentada pelo contribuinte com apuração da base de cálculo da CSLL de 1997 a 2001, constam exclusões de itens sem previsão legal como “Contribuições de Participantes e Patrocinadoras”, “Receitas de Contribuições Programa Assistencial” e “Receitas Financeiras para Pagamento de Benefícios, na apuração realizada pela fiscalização esses itens não foram considerados. Merece destaque comentar o procedimento adotado pelo contribuinte quanto à Provisão pra Contingências Fiscais. Tendo em vista que a empresa estava questionando judicialmente a incidência do imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras, tendo obtido liminar estabelecendo a suspensão da cobrança, foi constituída provisão para o imposto de renda sobre aplicações financeiras no período de 1998 até 2001, e o imposto de renda somente veio a ser pago a partir de janeiro de 2002, beneficiandose da anistia prevista na Medida Provisória 2.222/2001. Portanto, não houve reversão das provisões constituídas de 1998 a 2001, tendo influenciado negativamente o resultado da empresa no período citado, uma vez que constam como despesas. Estranhamente, na apuração da base de cálculo da CSLL o valor da provisão para o imposto de renda, computou o referido valor como exclusão de “Reversão para Provisão de Contingências Fiscais”, contrariando duplamente a legislação. Na apuração da base de cálculo por nós realizada, o valor da provisão para o imposto de renda, obtido a partir dos balancetes do contribuinte e apurado conforme planilhas anexas às páginas 22/25, foi computado como adição à base de cálculo da CSLL, atendendo ao comando do artigo 13 da Lei nº 9.249/95, in verbis: “Art.13. Para efeito de apuração do lucro real e da base da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, são vedadas as seguintes deduções, independente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I – de qualquer provisão, exceto as constituídas por pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário, de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as Fl. 947DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 867 4 alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável.” Esclarecemos que adicionamos os valores referentes à formação de fundos do Programa Administrativo, e do Programa de Investimentos, tendo em vista a falta de previsão legal para a dedução desses fundos. Por todo o exposto, a partir das Demonstrações de Resultados de cada período, 1997 a 2001, já descontadas as reservas técnicas, considerando os itens previstos na legislação quanto a exclusões e adições constantes das Apurações das bases de cálculo da CSLL apresentadas pelo contribuinte (Adições: Atualização Negativa da Carteira de Ações e Reavaliação de Imóveis. Exclusões: Atualização Positiva da Carteira de Ações, Dividendos Recebidos e Reavaliação de Imóveis, e desconsiderando os itens apresentados que não estão em conformidade com a legislação, levantamos a base de cálculo da CSLL de acordo com os esclarecimentos contidos na Solução de Consulta COSIT nº 07, de 26 de dezembro de 2001, através da planilha anexa à fl. 18, onde estão demonstrados os valores da CSLL a recolher nos anoscalendário de 1997 (R$4.893.948,22), 1998 (R$8.796.203,82), 1999 (R$8.025.469,25), 2000 (R$2.102.129,05) e 2001 (R$1.439.066,55). No item 37 da citada solução de consulta, concluise que a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das EFPP é o resultado positivo apurado no encerramento do período de apuração. Para determinação dessa base de cálculo, tomase por base a Demonstração de Resultado do Exercício constante do ANEXO C, item “3”, da Portaria MPAS nº 4.858, de 26 de novembro de 1998, deduzindose do SALDO DISPONÌVEL PARA CONSTITUIÇÕES a FORMAÇÃO DE RESERVAS MATEMÁTICAS e a FORMAÇÃO DE CONTIGÊNCIAS, observadas ainda as demais hipóteses de adições e exclusões previstas na legislação da CSLL, fls. 84 a 88. Cumpre ressaltar que não foram considerados os valores pleiteados pelo contribuinte a titulo de base de cálculo realizada pelo contribuinte esta em desacordo com a legislação de regência, computando como exclusões contas sem amparo legal a exemplo de Contribuições Participantes e Patrocinadoras e Receitas Financeiras p/ pagamento de Benefícios, conforme planilhas anexas fls. 90 a 93. Informamos que, em relação ao anocalendário de 1999, tendo em vista que a alíquota de janeiro a abril foi de 8% e que de maio a dezembro houve um adicional de 4% sobre esta alíquota, elaboramos uma planilha fl. 19, para determinarmos o percentual de resultado do período a ser tributado com a alíquota e com o adicional, em função da receita bruta do período de janeiro a abril e de maio a dezembro, fls. 21, de acordo com a IN SRF nº 081, de 30 de junho de 1999.Procedimento semelhante foi realizado relativamente ao anocalendário 2000, para aplicação da alíquota de 8% com adicional de 4% em janeiro de 2000 e da alíquota de 9% a partir de fevereiro do mesmo ano conforme planilha fl.20 e fl. 21. Cientificada da exigência em 07/12/2005 (fl. 05), a interessada impugnou o lançamento (fls. 125/187), sendo suas razões assim expostas no relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância: DA INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA ENTRE O PRESENTE PROCESSO E O MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO N. 2002.33.00.001.0080. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 868 5 em 09 de janeiro de 2002 a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (ABRAPP), impetrou perante a Vara da Justiça Federal de Salvador, Mandado de Segurança Coletivo nº 2002.33.00.001.0080 (doc. 03) pleiteando a concessão da segurança para que o Sr. Delegado da Receita Federal de Salvador se abstenha de adotar qualquer medida tendente a exigir das entidades a ela associadas a CSLL, vez que tais entidades não são contribuintes de mencionado tributo; por se tratar de um Mandado de Segurança Coletivo impetrado pela entidade da qual a IMPUGNANTE é associada, mencionada ação não acarreta a renúncia ao direito da IMPUGNANTE se defender na esfera administrativa, conforme prevê o artigo 38 da Lei n. 6.830/80, como a seguir se demonstrará; ademais, não fosse por essa razão, o artigo 117, da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 ("Código de Defesa do Consumidor"), prescreve que, na defesa dos interesses difusos, coletivos ou individuais, aplicase os dispositivos do Título III da lei que instituiu o Código de Defesa do Consumidor: Art. 117. Acrescentese à Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985, o seguinte dispositivo, renumerandose os seguintes: Art. 21. Aplicamse à defesa dos interesses difusos, coletivos e individuais, no que for cabível, os dispositivos do Título III da lei que instituiu o Código de Defesa do Consumidor. dentre os dispositivos do Título III do Código de Defesa do Consumidor, temse o artigo 104, cuja primeira parte prescreve que as ações coletivas previstas nos incisos I e II do parágrafo único do art. 81 não induzem a litispendência para as ações individuais; apesar de mencionar apenas as ações cujo objetivo seja a tutela dos interesses ou direitos difusos (CDC, artigo 81, parágrafo único, inciso I) ou coletivos (CDC, artigo 81, parágrafo único, inciso II), entendese que o artigo 104 do Código de Defesa do Consumidor também se aplica aos casos de tutela jurisdicional dos interesses individuais homogêneos (CDC, artigo 81, parágrafo único, inciso III), que é o caso do Direito Tributário; isso porque não se admite que o mandado de segurança coletivo constitua óbice ao exercício do direito subjetivo à impetração de mandado de segurança individual para resguardo de direito líquido e certo. Nas palavras de Lúcia Valle Figueiredo, "seria admissível que alguém, só por integrar uma classe (associado) ou um sindicato (membro ou integrante da categoria profissional), pudesse ter a garantia constitucional do inc. LXIX, do art. 5º afastada? Assim não nos parece." (In "Mandado de Segurança", Malheiros Ed., São Paulo, 1996, p. 45); no mesmo sentido, são as lições de Pedro da Silva Dinamarco (in A Sentença e Seus Desdobramentos no Mandado de Segurança, "Aspectos Polêmicos e Atuais do Mandado de Segurança" Ed. Revista dos Tribunais, p. 695): Em relação ao mandado de segurança coletivo, a doutrina majoritária entende que lhe são aplicáveis as regras processuais contidas no título III do Código de Defesa do Consumidor quanto a todos os interesses difusos e coletivo, pois isto está garantido no artigo 21 da LACP, cuja redação é dada pelo artigo 117 do próprio CDC. Ademais, seu artigo 83 dispõe que, 'para a defesa dos direitos e interesses protegidos por este Fl. 949DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 869 6 Código, são admissíveis todas as espécies de ações capazes de propiciar sua adequada e efetiva tutela. De fato, essa corrente doutrinária tem razão, havendo inclusive precedentes jurisprudenciais que admitem essa aplicação (RT 756/387). (g.n.) Assim, a existência de mandado de segurança coletivo não induz à litispendência com mandado de segurança individual. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça é pacífico nesse sentido."(cf., por exemplo, MS 7.522/DF, AROMS 11.013/PI, REsp 247.884/DF, REsp 237.026/DF, ROMS 12.249/GO, REsp 66.727). como visto, por força do seu artigo 117, o Código de Defesa do Consumidor deve ser acolhido para resolver os efeitos da coisa julgada no mandado de segurança coletivo, eis que esse instituto encontrase regulado no Título III do CDC; os artigos 103 e 104 do Código de Defesa do Consumidor prescrevem que a coisa julgada nas ações coletivas se opera secundum eventum litis e somente para beneficiar e nunca prejudicar os interessados. Assim, se o objeto do mandado de segurança coletivo for interesse ou direito difuso, a sentença fará coisa julgada erga omnes, salvo se o pedido for julgado improcedente por falta de provas (artigo 103, inciso I, CDC); por outro lado, quando o objeto for interesse ou direito coletivo, a sentença fará coisa julgada ultra partes, mas limitado ao grupo, categoria ou classe, salvo improcedência por falta de provas (artigo 103, inciso II, CDC); em qualquer hipótese, os efeitos da coisa julgada não prejudicarão interesses e direitos individuais dos integrantes da coletividade, do grupo, categoria ou classe (artigo 103, § 1°, CDC); desta forma, tratandose de direitos individuais homogêneos tratados coletivamente, a sentença fará coisa julgada erga omnes apenas no caso de procedência do pedido (artigo 103, III, CDC). No caso de improcedência do pedido, os interessados que não atuaram no processo, estarão aptos a pleitear os seus direitos a titulo individual (artigo 103, §2º, CDC); desta maneira, resta saber se o Direito Tributário constitui hipótese de direito individual de origem homogênea. Se for este o caso, temse que a decisão (doc.05) proferida nos autos do mandado de segurança coletivo só faz coisa julgada individualmente aos representados se for favorável e, portanto, no caso da IMPUGNANTE, temse que ela ainda pode exercer, individualmente, a plenitude de seu direito de defesa, tanto na esfera judicial, quanto administrativa, já que a renúncia prevista no artigo 38, da Lei n. 6.830/80, jamais poderá ser presumida, na medida em que ela individualmente ainda não ingressou com sua ação própria, podendo fazêlo caso assim queira; sobre o assunto, Regina Helena Costa (in Sujeitos do Mandado de Segurança em Matéria Tributária, "Aspectos Polêmicos e Atuais do Mandado de Segurança" Ed. Revista dos Tribunais, p. 745) nos ensina que o Direito Tributário constitui hipótese de direito individual de origem homogênea, ou seja, uma subespécie de direito coletivo que, muito embora seja decorrente de direito comum, possui objeto divisível, ou seja, pode ser distribuído individualmente, em razão da relação jurídica tributária ser tratada individualmente: Fl. 950DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 870 7 Salientese ser possível o emprego do mandamus nesse contexto porque as relações tributárias são relaçõesbase, estabelecidas igualmente para um grande número de sujeitos. Assim é que os direitos do contribuinte constituem direitos individuais de origem homogênea, modalidade de direitos coletivos e, portanto, tuteláveis mediante ações coletivas como o mandado de segurança coletivo e a ação civil pública." (g.n.); isto posto, por tudo o que se expôs, temse que as razões de direito discutidas nesta impugnação que sejam idênticas àquelas também discutidas no mandado de segurança coletivo ajuizado pela ABRAPP, deverão ser por esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento analisadas, em razão de a decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança Coletivo nº 2002.3300.001.0080 ser desfavorável, o que impede a sua produção de efeitos para a IMPUGNANTE, nos termos do art. 117 do CDC, como já demonstrado; DA INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 38 DA LEI Nº 6.830/80 AO PRESENTE CASO. ademais, ainda que fosse possível se afirmar que é indiferente o fato de não ter sido a IMPUGNANTE quem impetrou o Mandado de Segurança Coletivo em questão e que, por isso existe concomitância entre aquele processo judicial e o presente processo administrativo, que constitua óbice para que esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento analise todas as questões de direito aqui argüidas, é necessário esclarecer aos ínclitos julgadores, que como o mencionado mandado de segurança foi ajuizado anteriormente à autuação que originou o presente processo administrativo, o mérito da defesa apresentada deverá ser julgado; ao se fazer a interpretação do artigo 38 da Lei n.º 6.830/80, fica claro que o legislador pretendeu considerar apenas as hipóteses em que ocorre a interposição de medida judicial pelo contribuinte após a lavratura do auto de infração para que ele, ou os seus efeitos, sejam desconsiderados (ação anulatória do ato declarativo da dívida, ação de repetição de indébito, mandado de segurança contra ato coator da autoridade que realizou a autuação). Vejase: "Art. 38 A discussão judicial da dívida ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição de indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único A propositura pelo contribuinte da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto." (g.n.) a leitura do parágrafo único não deixa qualquer margem de dúvidas: somente a ação proposta anteriormente é que acarreta os efeitos lá mencionados; situações diversas, e não previstas no artigo 38 da Lei nº 6.830/80, são os casos em que a lavratura do auto de infração ocorre após o contribuinte ter ajuizado medida judicial para discutir a exigência de um determinado tributo que considera inconstitucional. Nestas situações, conforme é a da IMPUGNANTE, não há que se aplicar o disposto no artigo 38 da Lei nº 6.830/80; Fl. 951DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 871 8 seria ilógica a presunção legal de desistência pelo contribuinte do processo administrativo nos casos em que a propositura da medida judicial é anterior ao auto de infração, vez que, nesses casos, o contribuinte sequer poderia prever a possibilidade de uma autuação pela Fazenda Pública; tanto é assim que a Lei nº 6.830/80 nada diz respeito aos casos em que são ajuizadas ações ordinárias declaratórias negativas de débito fiscal, medidas cautelares, ou qualquer outra medida judicial anterior à lavratura do auto de infração; este é o entendimento manifestado pela colenda Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda ("CC/MF"), no acórdão nº 10319.844: IRPJ/CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DIFERENCIAL IPC/BTNF LANÇAMENTO APÓS O INÍCIO DE PERLENGA JUDICIAL ENFRENTAMENTO DO MÉRITO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA ALCANCE À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA É nula a decisão monocrática que não enfrenta a matéria impugnatória proposta à Autoridade Julgadora em lançamento sobrevindo no curso de perlenga judicial. A renúncia à discussão administrativa haverá de ser tida como aquela passível de ocorrência quando, formalizado o lançamento, a seguir o contribuinte autuado apela ao Poder Judiciário para a neutralização dos efeitos do Auto de Infração." (g.n.) no mesmo sentido, a 2ª Câmara do Segundo CC/MF, manifesta seu entendimento acerca da matéria, que, por sua clareza e exatidão, expunge qualquer dúvida que possa restar sobre o assunto: Processo Administrativo Fiscal Abandono de instância Inocorrência da Hipótese. O fato de o sujeito passivo haver ajuizado Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídico Tributária, junto ao Poder Judiciário, não implica proteção contra o ato de lançamento do crédito pela Fazenda Pública, nem impede que sua Impugnação e recurso sejam julgados de acordo com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal. Processo que se devolve para decisão da autoridade julgadora singular, assegurandose, assim, a ampla defesa e observandose o princípio do duplo grau de jurisdição. Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive." (Processo nº 10835002054/9279 Sessão de 10/06/97 Recurso nº 99440 Acórdão nº Processo nº 10835002054/9279 Sessão de 10/06/97 Recurso nº 99440 Acórdão nº 202 09260) (g.n.) no mesmo sentido é o entendimento manifestado pelos próprios mentores da Lei nº 6.830/80, conforme se pode entender da leitura da exposição de motivos, manifestada pela Mensagem do Congresso Nacional nº 87, de 1980: "(...) O parágrafo único deste artigo, consagrando o entendimento firmado no contencioso administrativo, elimina dúvidas e divergências. De fato, nenhum dispositivo legal ou princípio processual permite a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam elas administrativas ou judiciais ou uma de cada natureza. Outrossim, pela sistemática Fl. 952DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 872 9 constitucional, o ato administrativo está sujeito ao controle do Poder Judiciário, sendo este último, em relação ao primeiro, instância superior ou autônoma. Superior, porque pode rever, para cassar ou anular, o ato administrativo. Autônoma, porque a parte não está obrigada a recorrer, antes, às instâncias administrativas, para ingressar em Juízo. Pode fazêlo diretamente. Inadmissível, porém, por ser ilógica e injurídica, é a existência paralela de duas iniciativas, dois procedimentos, com idêntico objetivo e para o mesmo fim. Portanto, desde que a parte ingressa em Juízo CONTRA O MÉRITO DA DECISÃO ADMINISTRATIVA CONTRA O TÍTULO MATERIALIZADO DA OBRIGAÇÃO essa opção pela via superior e autônoma importa em desistência de qualquer eventual recurso porventura interposto na instância inferior." (g.n.)”; notese: os elaboradores da lei são claros em afirmar que somente nos casos de ingresso em juízo "CONTRA O TÍTULO MATERIALIZADO DA OBRIGAÇÃO", ou seja, contra o próprio auto de infração é que há renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, não devendo tal entendimento ser aplicado, quando o contribuinte, sem ter sido autuado, ingressa com ação judicial para a discussão de um determinado direito, visando o não recolhimento de tributos, como de forma manifestamente ilegal, determina o Ato Declaratório COSIT nº 3/96; DA IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO DE RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA não fossem suficientes os argumentos de que o artigo 38 da Lei nº 6.830/80 não é aplicável ao presente caso, devese ainda, considerar o disposto no artigo 51 da Lei nº 9.784/99, que determina que qualquer renúncia à esfera administrativa não mais pode ser presumida, devendo se dar mediante manifestação escrita do contribuinte: Artigo 51O interessado poderá, mediante manifestação escrita, desistir total ou parcialmente do pedido formulado ou ainda, renunciar a direitos disponíveis. (g.n.) à evidência, esse dispositivo legal revogou a norma do parágrafo único, do artigo 38 da lei nº 6.830/80, não mais sendo possível presumir a renúncia à via administrativa, a qual deve ser por escrito e de forma clara e precisa; é bastante elucidativo o mandamento contido no parágrafo primeiro, do artigo 20 da lei de Introdução ao Código Civil, segundo o qual "a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior"; assim, para demonstrar que o parágrafo único do artigo 38, da Lei nº 6.830/80 foi revogado pelo artigo 51 da lei nº. 9.784/99, basta que se constate se: (i) aquele é com este incompatível; ou (ii) este regula inteiramente a matéria de que tratava aquele; portanto, é evidente a revogação do parágrafo único do artigo 38 da Lei nº 6.830/80 pelo artigo 51, caput, da lei nº 9.784/99, já que existe incompatibilidade Fl. 953DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 873 10 entre ambos os dispositivos legais: um admite a renúncia presumida, o outro não. E, sendo a Lei nº. 9.784/99 posterior à Lei nº. 6.830/80, esta foi revogada por aquela; OBJETOS DISTINTOS TRATADOS NO MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO E NO PRESENTE PROCESSO ademais, ressaltese que evidenciado está por meio desta Impugnação que outros argumentos se apresentam como objeto desta defesa, os quais são distintos daqueles apresentados em Juízo, principalmente no que se refere aos vícios cometidos pela D.Fiscalização quando da apuração da base de cálculo da suposta CSLL devida, conforme será cabalmente demonstrado a seguir, motivo pelo qual deverá ser reconhecida a referida impugnação; de fato, nos processos judiciais mencionados discutese o direito em tese, mesmo porque, a declaração de inconstitucionalidade de lei é apanágio do Poder Judiciário. Em nenhum ponto examinouse o quantum, a formação da base de cálculo da CSLL e demais acréscimos, objeto da autuação. Já, no processo administrativo, examinase a hipótese, em concreto, desencadeada pela autuação fiscal, e os seus respectivos montantes; ademais, no julgamento de uma ação judicial pode ocorrer de o processo ser extinto sem o julgamento do mérito. Nesse caso, o contribuinte estaria desprovido de um dever do Estado, que deve ser assegurado a todos: o da ampla defesa. Em outras palavras, o Estado tem o dever de analisar e julgar as lides em que contribuintes estão envolvidos, com independência entre as esferas administrativa e judicial; nesse sentido, cumpre transcrever os sábios ensinamentos do Conselheiro Renato Scalco Isquierdo, no relato do acórdão nº 20304.408: "Não há que se falar, por conseguinte, em desistência da instância administrativa pela propositura da ação judicial, porquanto a ação proposta pela Impugnante visava o reconhecimento da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.449/88, e o lançamento foi formalizado sem considerar os efeitos dos referidos decretosleis. Além disso, e como não poderia deixar de ser diferente, a impugnação trata de questões diversas do objeto da ação judicial. A impugnação quer que se examine os efeitos da decisão judicial que lhe foi favorável, bem como do parcelamento que obteve. Sustenta, ainda, o não cabimento do lançamento de multa e juros; A decisão recorrida, portanto, deve ser reformada nesse aspecto. Igualmente, merece reforma a decisão no que se refere à sustação de sua tramitação. A autoridade julgadora de primeira instância deve se manifestar sobre as questões suscitadas pela Impugnante, decidindo pelo cabimento ou não dos juros e da multa, devendo considerar os fatos ocorridos até o momento da decisão; A existência de ação judicial em andamento, e o fato de que sua decisão possa afetar diretamente o lançamento, não podem ser óbices para o julgamento do processo administrativo, até mesmo porque o processo judicial pode extinguirse sem julgamento do mérito, em razão de questões formais. Em havendo uma decisão Fl. 954DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 874 11 judicial posterior à decisão administrativa que gere efeitos no lançamento ora em análise, a autoridade fiscal pode revisálo de ofício, a qualquer momento, utilizandose para tanto da faculdade outorgada pelos artigos 145 e 149 do Código Tributário Nacional, cujo procedimento encontrase regulamentado em normas administrativas próprias (v.g. Portaria SRF nº 4.980/94). Inconcebível a sustação do processo administrativo para aguardar a decisão do processo judicial, por inexistência de previsão legal, e, principalmente, pelo princípio da independência das instâncias administrativa e judicial.” (g.n.); assim, não tendo a IMPUGNANTE renunciado expressamente à via administrativa, requerse seja apreciado pelos Srs. Julgadores o mérito desta Impugnação; contudo, "ad argumentandum", caso não seja reconhecida a inaplicabilidade do referido artigo 38 da Lei nº 6.830/80, portanto equivocadamente se entenda que existe concomitância entre o Mandado de Segurança Coletivo e o presente caso, há necessariamente que se analisar as demais questões de mérito relativas à definição da base de cálculo da exação objeto do processo, dado que esta é matéria que não é abordada em juízo, nos termos definidos no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 3/96, verbis: (...) DECLARA, em caráter normativo às Superintendências regionais da Receita Federal, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex. aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.)(...)" (g.n); DA EXTINÇÃO DOS SUPOSTOS CRÉDITOS EM FACE DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE SUA CONSTITUIÇÃO operouse a decadência do direito do fisco em constituir o crédito tributário e, conseqüentemente, de proceder ao lançamento dos valores da CSLL apurada nos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999, visto que o prazo expirouse em dezembro de 2002 e dezembro de 2003, respectivamente, já que o auto de infração foi lavrado somente em 01 de dezembro de 2005,tendo a contribuinte tomado ciência em 07 de dezembro de 2005; nem se alegue que o prazo para constituição do crédito da CSLL é de 10 anos, em virtude do disposto na Lei nº 8.112, de 24 de julho de 1991; isto porque, o prazo de 10 anos afronta o disposto no artigo 146, inciso III, alínea “b” da Constituição Federal, na medida que cabe à lei complementar, no caso Fl. 955DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 875 12 o Código Tributário Nacional, estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributaria, especialmente sobre prescrição e decadência; estando o tributo em tela sujeito ao lançamento por homologação, como ocorre no presente caso, o prazo decadencial para a constituição de eventual crédito pelo Fisco deve ser contado de acordo com o disposto no artigo 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional, ou seja, 5 (cinco) anos a partir da ocorrência do fato gerador; neste sentido, como é cediço a CSLL é tributo sujeito ao lançamento por homologação, conforme pacificamente reconhecido pela jurisprudência do 1° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: CSL –DECADÊNCIA Considerando que a Contribuição Social Sobre o Lucro é lançamento do tipo por homologação, o prazo para o fisco efetuar lançamento é de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, sob pena de decadência nos termos do art. 150, § 4°, do CTN. Preliminar acolhida. (1° Conselho de Contribuintes 8ª. Câmara/ Acórdão 10808.299 em 15.04.2005) ressaltese que, em não ocorrendo, no prazo de cinco anos, o lançamento pelo Fisco, relativamente ao montante supostamente devido pela IMPUGNANTE, homologado estará o lançamento e extinta a obrigação tributária (homologação tácita); neste sentido, transcreve palavras do Professor Eurico Marcos Diniz de Santi às fls. 138 e 139; cita ementas de julgados proferidos pelo Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais às fls. 139 a 143; DO MÉRITO OBTENÇÃO DE LUCRO HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA NÃO REALIZADA PELA IMPUGNANTE a CSLL possui respaldo constitucional no artigo 195, I, alínea "c", da Constituição Federal de 1988, que atribuiu competência à União para a instituição de contribuição social sobre o LUCRO das empresas: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei. (...) c) o lucro (g.n); Fl. 956DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 876 13 portanto, a grandeza medida de riqueza eleita pelo legislador constitucional e pelo legislador que efetivamente instituiu a CSLL foi o lucro, não podendo a CSLL, em hipótese alguma, incidir sobre algo que não esteja contido no estrito conceito da medida de riqueza acima referida, eleita pelo legislador constitucional; com base na referida outorga de competência, o legislador ordinário instituiu a Contribuição Social sobre o Lucro CSLL, através da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, dispondo que o critério quantitativo do conseqüente da norma tributária é o valor do resultado do exercício antes da provisão para o Imposto sobre a Renda, apurado com observância da legislação comercial e sujeito aos ajustes previstos na legislação; LUCRO E SUPERÁVIT CONCEITOS DISTINTOS com efeito, a Lei n° 6.435/77, que regia as EFPC à época dos fatos em análise, determinava em seu artigo 4º, parágrafo 1º, inciso II, que estas não podiam, como ainda não podem, obrigatoriamente, ter finalidade lucrativa. a Lei Complementar nº 109/2001, que revogou a Lei n° 6.435/77, manteve em seu artigo 31, parágrafo 1º, a determinação de que “as entidades fechadas organizarseão sob a forma de fundação ou sociedade civil, sem fins lucrativos; as EFPC estão proibidas de prestarem quaisquer serviços que não estejam no âmbito do seu objeto social, conforme determina o parágrafo único do art. 32 da lei Complementar nº 109/2001; ora, sendo a IMPUGNANTE, por definição legal, uma fundação sem fins lucrativos e, também, por definição legal, impossibilitada de auferir lucros, nos termos da legislação comercial, não há, por impossibilidade lógica, como submeter seu eventual superávit à tributação com base na lei nº 7.689/88; com efeito, a Lei nº 7.789/88, ao dispor que a base de cálculo da CSLL é o resultado do exercício, não abrange, na sua base de cálculo, o eventual superávit das EFPC, posto que a competência outorgada à União pelo artigo 195. I da Constituição Federal restringese a possibilidade de instituição de contribuições sociais com base nas grandezas ali erigidas, de forma expressa e cerrada, dentre elas o "lucro", não havendo a possibilidade legítima do alargamento do lucro, unicamente com o intuito de tributarse o superávit das EFPC. nesse mesmo sentido é o entendimento manifestado pelas diversas Câmaras do 1º CC/MF. Vejamos: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO INSTITUIÇÕES DE Complementar, PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA O pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As entidades de previdência privada fechadas obedecem a uma planificação e normas contábeis próprias, impostas pela Secretaria de Previdência segundo as quais não são apurados lucros ou prejuízos, mas superávit ou déficits técnicos, que têm destinação específica prevista na lei de regência. O superávit técnico apurado pelas instituições de previdência privada fechada de acordo com as normas contábeis a elas aplicáveis não se identifica com o lucro líquido do exercício apurado segundo a Fl. 957DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 877 14 legislação comercial. O fato de as instituições de previdência privada fechada estarem incluídas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 10, da Lei nº 8.212/91, não implica a tributação do superávit técnico por elas apurados. Recurso provido."(1ª Câmara Acórdão nº 10193.942, g.n.). "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO INSTITUIÇÃO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA O superávit apurado pelas entidades fechadas de previdência complementar não sofrem incidência da CSLL por não se enquadrar no conceito de lucro conforme definido pela Lei 7.689/88. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (3ª Câmara. Acórdão n° 103.21.639, g.n). a impugnante não pode, por expressa vedação legal, realizar a hipótese de incidência prevista na Lei nº 7.689/88, ou seja, está legalmente proibida de auferir lucro, em razão de previsão legal expressa sobre a destinação da totalidade do superávit para reversão em benefício dos participantes do plano de previdência complementar; observese, ainda, que o não cumprimento dos requisitos legais, quais sejam: reversão da totalidade do superávit para a formação de fundos e reservas, visando prover o pagamento dos benefícios de caráter previdenciário, proibição de apuração de "lucros" e desenvolvimento de quaisquer outras atividades não relacionadas ao seu objeto social, sujeita as EFPC às penalidades previstas no Decreto n° 4.942/03 DO ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO Nº17/90 E A EXCLUSÃO DA IMPOSIÇÃO DE PENALIDADES EM FACE DA OBSERVÂNCIA DE NORMAS COMPLEMENTARES a Impugnante não é contribuinte do mencionado tributo, fato expressamente reconhecido pela própria administração tributária, digase Secretaria da Receita Federal ao publicar o Ato Declaratório Normativo nº 17, de 30 de novembro de 1990, que dispõe: “...Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal e demais interessados que a contribuição social não será devida pelas pessoas jurídicas que desenvolvam atividades sem fins lucrativos tais como as fundações, associações e sindicatos. sendo o Ato Declaratório Normativo nº 17/90 norma interpretativa da Administração, se enquadrando no conceito de norma geral de Direito Tributário, nos termos do artigo 168 e seguintes do Código Tributário Nacional, é de observância obrigatória por toda a Administração Pública responsável pelo recolhimento da CSLL, ou seja, pela Secretaria da Receita Federal. A única hipótese de inobservância de mencionado dispositivo, seria no caso de mudança expressa de interpretação, o que não ocorreu no presente caso; ora, quer parecer à IMPUGNANTE que as "decisões de efeito interno" pelas quais as autoridades se dirigem a seus subordinados, como é o caso do mencionado ato declaratório normativo, DEVEM ser por estes obedecidas, com o quê não há que se falar em tributação das pessoas jurídicas que desenvolvam atividades sem fins lucrativos tais como as fundações, associações e sindicatos, e Entidades Fechadas de Previdência Complementar –EFPC; Fl. 958DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 878 15 ainda que se admitisse o fato de que a autuação fiscal ora impugnada constitui a expressão de mencionada mudança interpretativa, o que seria possível somente a título de argumentação, vez que os agentes fiscais, conforme visto, estão subordinados à observância dos atos expedidos pela Coordenadoria do Sistema de Tributação, o auto de infração objeto da presente Impugnação não poderia exigir quaisquer valores a título de penalidades (multa) ou juros de mora da IMPUGNANTE em razão do disposto no parágrafo único do já mencionado artigo 100 do Código Tributário Nacional, segundo o qual a observância das normas nele referidas "exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo; a solução do CTN é correta. No caso previsto, o contribuinte não deve receber tratamento idêntico ao do infrator, uma vez que agiu atendendo à orientação administrativa. A observância dos atos administrativos normativos, evidentemente, pode ser invocada como matéria de defesa pelo contribuinte; nas lições de Celso Antônio Bandeira de Mello (in "Curso de Direito Administrativo", São Paulo, 1997, Ed. Malheiros, 12a edição, p. 417.), o "procedimento administrativo é uma sucessão itinerária e encadeada de atos administrativos que tendem, todos, a um resultado final e conclusivo". Assim, para que haja procedimento, é necessário que exista uma seqüência ordenada de atos a serem cumpridos pelos Srs. Agentes da Fiscalização; é de fundamental importância a existência de um procedimento que obedeça a tais requisitos pois, ainda segundo o Professor Celso Antônio Bandeira de Mello (op. cit. 424, g.n.), o procedimento administrativo "decorre do fato de ser um meio apto a controlar o iter de formação das decisões estatais, o que passou a ser um recurso extremamente necessário a partir da multiplicação e do aprofundamento das ingerências do Poder Público sobre a sociedade."; continua o renomado Mestre citando o jurista Ernest Forsthoff (op. cito 424, g.n.), "sem a instituição do procedimento administrativo, os mecanismos concebidos pelo Estado burguês para a defesa e garantia das liberdades individuais iriam se tornar insuficientes e inadaptados para enfrentar a problemática gerada pela dilatação e aprofundamento das intervenções estatais na vida social e econômica."; assim, o cumprimento adequado do procedimento administrativo, além de um dever da Administração, implica também em um direito do contribuinte, vez que ele serve, sobretudo, para defender os administrados contra eventuais abusos de vontade por parte da Administração, com o conseqüente agravamento das limitações à liberdade e à propriedade, bem como para apresentar uma atuação administrativa mais clarividente; ademais, no que tange ao processo de fiscalização o próprio Código Tributário Nacional, em seu artigo 194, estabelece procedimentos a serem adotados pelo Fiscal: "Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação." (g.n.) vejamos os entendimentos do Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, acerca da questão, in verbis: Fl. 959DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 879 16 "Os pareceres normativos, como atos integrantes da legislação tributária complementar, ex vi do art. 100 do CTN, são orientações internas das autoridades a respeito de determinado assunto ou procedimento frente à lei, mas que, por se constituírem em pareceres, somente vinculam a autoridade hierarquicamente organizada, e não os contribuintes, terceiros (IRPJ). Aquele que se orientar por estes pareceres fica livre de imposição futura de multas (penalidades), juros de mora e atualização monetária (parágrafo único); nesse sentido, além de vincularem a autoridade, ditos pareceres, ainda que parcialmente, libertam o sujeito passivo das imposições acima." (Ac. 103 09.149 g.n.); IPI. PRÁTICAS REITERADAMENTE OBSERVADAS PELAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. ART. 100 DO CTN. A observância das normas referidas no art. 100 do CTN exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.(Acórdão 20307990 g.n.); ora, se a legislação tributária deve ser pelos agentes fiscais obedecida, se o Ato Declaratório Normativo n°17/90 compreende a legislação tributária, se a IMPUGNANTE é constituída sob a forma de fundação sem fins lucrativos, temse que jamais a autuação ora combatida poderia existir. Fato este que impõe a sua declaração de nulidade pelos D. Julgadores; e ainda que admitida a autuação ora impugnada, deverá ser afastada qualquer cobrança de multa e de juros, visto que a Impugnante agiu com respaldo na legislação vigente, inclusive, pelo ADN CSTnº 17/90; desta maneira, independentemente das demais questões que serão discutidas na presente impugnação, também suficientes para que se declare o cancelamento integral da exigência autuada, demonstrado está que é incabível a cobrança dos juros de mora e da multa de ofício em face do ADN CST nº 17/90 e do parágrafo único do artigo 100 do CTN; DO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA ISONOMIA os princípios consistem em normas dotadas de forte natureza axiológica servindo, em síntese, como vetores para a interpretação das demais regras componentes do Sistema. E sua violação implica a subversão do ordenamento jurídico como um todo; com relação especialmente ao Princípio da Igualdade (ou Isonomia), estabelece a Constituição Federal em seu artigo 50 que "todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.”; tamanha a importância de tal Princípio dentro de um Estado Democrático de Direito como o brasileiro que o mesmo Texto Constitucional o reforça em matéria tributária, dispondo no artigo 150, inciso II, ser vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios "instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos."; Fl. 960DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 880 17 a autuação imputada à IMPUGNANTE visa constrangêla ao pagamento da CSLL nos mesmos termos em que é cobrada dos demais tipos societários, ou seja, sobre o "lucro"; nesse sentido, independentemente das particularidades da legislação tributária que determinam os ajustes necessários ao resultado do período (adições, exclusões e compensações efetuadas sobre lucro ou prejuízo contábil), para que seja apurada a base de cálculo da CSLL, há que se reconhecer como fator determinante o resultado do período; no presente caso a Fiscalização exige a tributação sobre algo que não pode ser chamado de "lucro", que, se assim o fosseo que se admite apenas a título de argumentação deveria ter sido apurado excluindo a parcela que representa o capital de terceiros, sob pena de se afrontar Princípio Constitucional da Isonomia, com o seguir se demonstrará; da mesma forma, consubstancia flagrante violação ao Princípio Constitucional da Isonomia o fato de o lançamento considerar a aplicação da alíquota de 18%, vigente em relação às instituições financeiras, sem contudo permitir a exclusão de capitais de terceiros quando da apuração de resultados da IMPUGNANTE, permissão esta aplicável às instituições financeiras e que provocaria impacto significativo em favor da IMPUGNANTE; em resumo, e como a seguir se demonstrará de forma detalhada, a D. Autoridade Fiscal ignora as particularidades da IMPUGNANTE ao calcular um suposto resultado desta como base de cálculo da CSLL, em flagrante violação ao Princípio da Isonomia, bem como viola este mesmo Princípio ao imputar a alíquota de 18%, privativa das instituições financeiras, sem, contudo permitir à IMPUGNANTE a exclusão de capitais de terceiros quando do cálculo de seu resultado, procedimento este legalmente aplicável às instituições financeiras; DA EXCLUSÃO DOS RECURSOS DE TERCEIROS NA APURAÇÃO DA CSLL E A VIOLAÇÃO AO PRINCIPIO CONSTITUCIONAL DA ISONOMIA como parâmetro para verificarse a violação ao Princípio Constitucional da Isonomia, tomese como exemplo, a título de argumentação, as Instituições Financeiras; referidas instituições têm como fonte de financiamento basicamente duas categorias: (I) capitais próprios, compostos por capital social, reservas e fundos e, II) capitais alheios composto de depósitos a vista a curto e ou a médio prazo. Em linhas gerais, valendose das duas fontes, os bancos conseguem os recursos indispensáveis para o desenvolvimento de suas operações, objetivando aumento de capital próprio aumentando seu patrimônio e suas disponibilidades, sem o comprometimento dos capitais alheios. Nesse sentido, vejamos entendimento de Armando Aloe, José Alexandre Colli e Marino Fontana (in "Contabilidade Bancária", Ed. Atlas, 3a ed., p. 42, São Paulo, 1986): O patrimônio da empresa bancária constitui o conjunto de valores que, em determinado momento, estão à sua disposição. Temos, por conseguinte, o ativo, que representa todos os valores materiais e imateriais pertencentes ao banco, e o passivo, que exprime as responsabilidades para com terceiros. O patrimônio líquido será a diferença positiva entre a soma do ativo e a do Fl. 961DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 881 18 passivo, pois em caso contrário teremos um passivo a descoberto. assim, a Instituição Financeira percorre a finalidade lucrativa valendose do uso dos capitais próprios e alheios, porém, sem comprometer a responsabilidade junto aos terceiros, titulares do capital alheio, sob pena de gerar passivo descoberto; o que aqui se pretende é evidenciar a condição das EFPC e das Instituições Financeiras. As EFPC também possuem duas fontes de custeio: i) capitais alheios, entendidos como as contribuições de patrocinadores e participantes, e ii) capitais não pertencentes a terceiros vinculados entretanto aos planos de benefícios entendidos como a receita decorrente da taxa de administração. As EFPC não possuem finalidade lucrativa, objetivam a garantia de retorno do valor investido aos participantes; nesse sentido, como já acontece com as Instituições Financeiras, qualquer lucro que se possa alegar em uma EFPC (se este fosse apurado sem a consideração dos capitais alheios, ou seja, sem a consideração das receitas de contribuições provenientes de patrocinadores e participantes; ora, se a fiscalização constrange a IMPUGNANTE ao recolhimento da CSLL valendose da mesma alíquota vigente às Instituições Financeiras, porque não reviu o critério de determinação da base de cálculo e a apurou considerando o critério anteriormente mencionado? o alcance da tributação da CSLL sobre algo que não é lucro inviabiliza a manutenção do plano de previdência complementar, compromete o compromisso entre a EFPC e o participante, prejudica aqueles que poupam agora objetivando a recompensa futura. Constranger o pagamento do tributo sobre algo que não é lucro é contra a lógica jurídica, é contra a hipótese tributária legalmente prevista; a CSLL incide sobre o lucro e se há de falar em lucro nas EFPC deverseia apurálo levandose em consideração somente as receitas de propriedade das EFPC. Se há de se falar na tributação das EFPC pela CSLL, por óbvio há de se equiparar o conceito de lucro, invocado aqui o princípio da isonomia; DA ALÍQUOTA DE 18% E A VIOLAÇÃO AO PRINCIPIO CONSTITUCIONAL DA ISONOMIA com efeito, o lançamento objeto da presente impugnação não só viola o Princípio Constitucional da Isonomia, ao utilizar uma metodologia distinta da metodologia aplicada às instituições financeiras, para efeitos da incidência da CSLL, como viola, novamente, referido Princípio, ao constranger a IMPUGNANTE ao pagamento da CSLL à alíquota de 18%, quando na verdade deveria aplicar uma alíquota única alíquota de 8% aplicável às sociedades mercantis para todo e qualquer contribuinte; ademais, ainda que fosse permitido apartar somente as entidades financeiras (e equiparadas) ou as EFPC onerandoas de forma mais rígida do que o exigido das demais pessoas jurídicas o que não se admite o tratamento diferenciado estabelecido pela norma jurídica da CSLL em função da desigualdade por ela colhida há de revelar um valor positivado pelo Texto Constitucional, sendo ensinamento de Celso Antonio Bandeira de Mello que "...não é qualquer fundamento lógico que autoriza desequilibrar, mas tão só aquele que se orienta na linha de interesses prestigiados na ordenação jurídica máxima. Fora daí, ocorrerá Fl. 962DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 882 19 incompatibilidade com o preceito Igualitário. " ("Revista de Direito Público", Editora Revista dos Tribunais, vol. 39/40, p. 43); e a Constituição Federal, especialmente o Capítulo VII que trata "Da Ordem Econômica e Financeira", em nenhum momento determina que as instituições financeiras (e equiparadas) ou as EFPC devam ser mais oneradas do que as empresas que não desempenham tal função no mercado, ou que sua atividade mereça ser desincentivada, a justificar o tratamento desigual erigido pela legislação de regência da Contribuição Social sobre o Lucro; Gustavo Miguez de Mello é incisivo ao vislumbrar a inconstitucionalidade do tratamento diferenciado dado às instituições financeiras, afirmando que "...é juridicamente impossível a aplicação de alíquotas diferenciadas para diferentes setores da atividade econômica em situações iguais pois é evidente que a diferença de setor não representa por si mesma diferença de capacidade econômica. Comparandose empresas de setores econômicos diversos ocorre freqüentemente que em ambos há contribuintes de pequena e contribuintes de grande capacidade econômica. A igualdade tributária tem de prevalecer entre contribuintes em geral e não apenas entre contribuintes de determinado setor econômico. A discriminação de alíquotas, no caso arbitrária, decorre de critério subalterno e é, portanto, inconstitucional ("Contribuições Sociais", Cadernos de Pesquisas Tributárias, Editora Resenha Tributária, 1992, v. 17, p. 5101; g.n.); assim, ao outorgar tratamento discriminatório apenas com relação às entidades financeiras (e equiparadas), como pretendeu a autoridade fiscal, onerando as com alíquotas mais gravosas relativamente à CSLL, incorreu em flagrante ofensa ao Princípio da Isonomia, pelas razões acima expostas. desta forma, por todo o exposto, não deve prosperar a autuação atribuída à IMPUGNANTE; DA ESPECIFICIDADE DA IMPUGNANTE DECORRENTE DE IMPOSIÇÃO LEGAL E DA NECESSIDADE DE RESPEITO A ESTAS ESPECIFICIDADES QUANDO DA APURAÇÃO DE SEU RESULTADO, SOB PENA DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA ISONOMIA como a seguir se demonstrará, mesmo que prevaleça o entendimento das D. Autoridades Fiscais no sentido de que a CSLL incide sobre o superávit da IMPUGNANTE, o que se admite apenas para argumentar, há que se verificar que a apuração de um suposto resultado na contabilidade da IMPUGNANTE deve necessariamente respeitar as características peculiares da mesma; na qualidade de EFPC, a IMPUGNANTE se submete aos preceitos e planificação contábil emanados pelos entes regulatórios e fiscalizatórios, quais sejam o Ministério da Previdência e Assistência Social ("MPAS") e a Secretaria da Previdência Complementar ("SPC"); neste sentido, mencionese, primeiramente, que a planificação contábil imposta pelos MPAS e SPC visa garantir o bom funcionamento das EFPC's e, conseqüentemente, proteger os recursos conferidos pelos patrocinadores e participantes, de forma a assegurar a sua futura reversão em benefício dos mesmos (participantes); no entanto, é importante que se mantenha em foco que a contabilidade é uma ciência que visa, principalmente, o registro de operações e a prestação de informações úteis e necessárias aos seus diversos usuários, independentemente de se Fl. 963DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 883 20 tratar de sociedades com fins lucrativos (sociedades mercantis e comerciais) ou de entidades sem fins lucrativos (EFPC); é neste contexto de adoção de sistemática própria para registro das operações das EFPC que devem ser feitas algumas observações, especificamente em relação à objetividade de registro e natureza das informações contábeis prestadas por tais entidades. Isto porque não são raras as vezes em que os procedimentos e nomenclaturas contábeis propostos e impostos pelos agentes reguladores e fiscalizadores, não são compatíveis com a contabilidade fiscal imposta, de forma genérica e indistintamente, para todas as sociedades, sejam elas civis, comerciais, com fins lucrativos ou não; ressaltese que ao estabelecer critérios objetivos para a contabilização de operações, as agências reguladoras da matéria visam adaptar a contabilização das entidades a elas subordinadas a uma realidade própria e específica do segmento; desta forma, os procedimentos estabelecidos por normas contábeis próprias para determinado segmento ou ramo de atividade, não se prestam para aplicação geral, pois que contém especificidades daquele segmento ou ramo de atividade; no entanto, não obstante as particularidades do segmento de previdência complementar, as autoridades fiscais se limitaram a analisar as demonstrações contábeis da ora IMPUGNANTE , única e exclusivamente sob enfoque fiscal ou seja, utilizaramse de forma totalmente subjetiva de critérios algum as particularidades da planificação contábil das EFPC; CRITÉRIO LEGAL NA APURAÇÃO DO RESULTADO desta forma, há que se destacar que a apuração do resultado contábil do período é consolidada na Demonstração do Resultado do Exercício ("DRE"), a qual tem por finalidade apresentar as operações realizadas pela entidade durante o exercício social de modo a destacar e apresentar o próprio resultado do período, que representa o acréscimo do seu patrimônio; para tanto, a apuração do resultado deve necessariamente ocorrer sob os critérios determinados pela Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, especificamente em seu artigo 187: Art. 187 A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias vendidas e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não operacionais; V o resultado do exercício antes do imposto de renda e a provisão para o imposto; Fl. 964DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 884 21 VI as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, e as contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados; VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. Parágrafo 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. Parágrafo 2º O aumento do valor de elementos do ativo em virtude de novas avaliações, registrado como reserva de reavaliação, somente depois de realizado poderá ser computado como lucro para efeito de distribuição de dividendos ou participações." (g.n.) observese que o resultado apurado, nos moldes acima representa o retorno do investimento feito pela pessoa jurídica, materializado no "lucro", cujo montante poderá ser vertido, total ou parcialmente, ao patrimônio líquido, compondo o capital próprio da entidade; concluise, portanto, que o eventual "lucro" apurado, ou seja, o resultado positivo do exercício calculado de acordo com a legislação comercial transcrita acima, corresponde ao acréscimo do patrimônio pertencente à pessoa jurídica; entretanto, este não é o conceito aplicável às EFPC, haja vista que a sua regulamentação contábil específica, a qual está sujeita, corrobora integralmente os princípios e conceitos contábeis vigentes e aplicáveis às demais sociedades; ressaltese que ao estabelecer critérios objetivos para a contabilização de operações, as agências reguladoras da matéria visam adaptar a contabilização das entidades a elas subordinadas a uma realidade própria e específica do segmento. o resultado que se apura nos livros contábeis da IMPUGNANTE, de acordo com as normas regulamentares específicas, não possui a mesma característica e conceito definidos pelas demais entidades observese que o resultado apurado nos moldes acima representa o retorno do investimento feito pela pessoa jurídica, materializado no "lucro ", cujo montante poderá ser vertido, total ou parcialmente, ao patrimônio líquido, compondo o capital próprio da entidade. concluise, portanto, que o eventual "lucro" apurado, ou seja, o resultado positivo do exercício calculado de acordo com a legislação comercial transcrita acima, corresponde ao acréscimo do patrimônio pertencente à pessoa jurídica; entretanto, este não é o conceito aplicável às EFPC, haja vista que a sua regulamentação contábil específica, a qual está sujeita, corrobora integralmente os princípios e conceitos contábeis vigentes e aplicáveis às demais sociedades. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 885 22 o resultado que se apura nos livros contábeis da IMPUGNANTE, de acordo com as normas regulamentares específicas, não possui a mesma característica e conceito definidos pelas demais entidades; isto porque, o resultado superavitário não representa rendimento pertencente à Entidade, ou seja, "lucro" da entidade, na medida em que a sua totalidade é revertida para a formação de fundos e reservas, os quais estão atrelados a compromissos futuros da entidade para com os participantes; assim, ao se exigir tributo na forma em que é apurado pelas demais sociedades, deveria a fiscalização considerar as diferenças que existem no segmento específico da IMPUGNANTE; relembremos que, basicamente, a atividade desenvolvida pela IMPUGNANTE é constituída pela captação de recursos dos participantes (contribuições) para investimentos que garantam o retorno desses mesmos recursos aos participantes em momento futuro (benefícios); assim, a IMPUGNANTE tem por finalidade a concessão e a manutenção de benefícios previdenciários, mediante a gestão de recursos dos seus participantes de modo a assegurarlhes a rentabilidade e retorno do capital investido em momento futuro, atingida condição necessária para a fruição do benefício, I: e., aposentadoria, auxílio por invalidez, etc; frisese que os recursos financeiros não são de propriedade da IMPUGNANTE, sendo destacados para os seus planos de benefícios e sendo recebidos para fins do cumprimento dos seus compromissos futuros, de concessão e manutenção de benefícios previdenciários, única finalidade da IMPUGNANTE; para fazer frente a esses compromissos assumidos (retorno .futuro) a Lei Complementar nº 109/2001 determina, de forma expressa, que "As reservas técnicas, provisões e fundos de cada plano de benefícios e os exigíveis a qualquer título deverão atender permanentemente à cobertura integral dos compromissos assumidos pelo plano de benefícios, ressalvadas excepcionalidades definidas pelo órgão regulador"; ademais, mencionese que as contribuições destinadas à constituição de reservas devem ter como finalidade prover o pagamento de benefícios de caráter previdenciário. Aliás, não é por outra razão que o legislador complementar da Lei Complementar n° 109/01 corroborou esse entendimento no artigo 19 de referida lei complementar; A ESPECIFICIDADE DA IMPUGNANTE supondose que seja devido tributo sobre o lucro, o que aqui se alega apenas ad argumentandum tantum, no mínimo, as EFPC deveriam ser tributadas sobre o lucro apurado na forma em que este é apurado pelos demais segmentos de mercado, ou seja, apurado em função das receitas e despesas decorrentes exclusivamente da atividade, vez que, como já mencionado, esta sim, constituem os recursos de real propriedade das EFPC; considerando que o conceito de lucro, adotado pela legislação comercial, corresponde ao rendimento líquido auferido no exercício pertencente à pessoa jurídica, o único recurso que se enquadra neste conceito, por efetivamente pertencer às EFPC's é o decorrente do pagamento da taxa de administração; Fl. 966DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 886 23 assim, trazido o conceito de apuração de lucro aplicável aos demais tipos de sociedades para as EFCP, teríamos a seguinte fórmula: LUCRO = (rta + ala – cae) rta renda auferida no exercício em função da cobrança de taxa de administração de patrocinadores e participantes; ala rendimentos decorrentes da aplicação financeira de lucros anteriores (apurados segundo o critério aqui mencionados); e cae custo administrativo do exercício DA FUNDAMENTAÇAO LEGAL ADOTADA PELA AUTORIDADE FISCAL PARA FINS DE APURAÇAO DA BASE DE CÁLCULO ainda que não sejam admitidas as razões aduzidas anteriormente na presente impugnação e, portanto, este respeitável julgador entenda por bem não analisar o seu mérito de direito, o que se admite tãosomente a título de argumentação, deverão ser analisadas as questões relativas à autuação lavrada; a D. Autoridade, utilizou como fundamentação legal, para fins de apuração da base de cálculo da suposta CSLL devida pela IMPUGNANTE, os esclarecimentos contidos na Solução de Consulta COSIT n° 07, de 26 de dezembro de 2001, transcrita abaixo, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal (doc. 05); SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 07 DE 26/12/2001 EMENTA: ENTIDADE DE PREVIDENCIA PRIVADA FECHADA. CSLL. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição social sobre o Lucro liquido (CSLL) das Entidades Fechadas de Previdência Privada é o resultado positivo (superávit) apurado no encerramento do período de apuração. Para determinação dessa base de cálculo tomarseá por base a Demonstração do Resultado do Exercício constante do ANEXO C. item "3" da Portaria MPAS n°. 4.858. de 26 de novembro de 1998. deduzindose do SALDO DISPONIVEL PARA CONSTITUIÇÃO a FORMACÃO DE RESERVAS MATEMÁTICAS e a FORMAÇÃO DE CONTINGÊNCIA. observadas ainda as demais hipóteses de adição e exclusão previstas na legislação da CSLL" (g.n). este procedimento vem demonstrar, mais uma vez, que inexiste previsão legal dispondo sobre a incidência da CSLL e apuração da sua base de cálculo sobre os resultados das EFPC, e que por esta razão, a D. Autoridade Fiscal recorreu aos entendimentos firmados pela SRF em solução de consulta; contudo, tais esclarecimentos não têm o condão de instituir e definir a base de cálculo a ser aplicada no caso específico das EFPC, como pretendem ao indicar os ajustes a serem feitos quando da apuração da CSLL; poderia apenas esclarecer, dirimindo as dúvidas eventualmente existentes sobre determinado assunto, sem, contudo modificar ou inovar o que a lei já previamente estabeleceu o que não se aplica ao caso em tela; DA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO “ZERADA” DA CSLL Fl. 967DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 887 24 não obstante todas as considerações supra tecidas, as quais demonstram que a IMPUGNANTE não é contribuinte da CSLL, precipuamente por ser entidade sem fins lucrativos e por não auferir lucro, mas sim apurar superávit, é imprescindível mencionar que, ainda que fosse possível admitir uma equivalência, por analogia não admitida em nosso ordenamento jurídico, para fins de incidência tributária entre o resultado contábil da IMPUGNANTE e o lucro, tornase impossível a formação da base de cálculo para a CSLL no caso em questão; isto porque, considerando que todo o ingresso de recursos é destinado ao financiamento dos benefícios de aposentadoria assegurados aos participantes, não é possível apurar outro resultado como "lucro" que não o resultado "zero". Vale dizer: ao se considerar todo o ingresso de recursos (representado pelas contribuições recebidas dos participantes e patrocinadoras) e subtraindose o valor destinado à constituição das reservas e provisões técnicas para pagamento dos benefícios futuros aos participantes, temse a impossibilidade de apurar base de cálculo para a ora IMPUGNANTE. de fato, por se tratar de atividade específica, desenvolvida pela IMPUGNANTE, a contabilização dos ingressos e saídas de recursos segue uma planificação própria, direcionada aos objetivos sociais da EFPC, conforme a regulamentação editada pela Secretaria de Previdência Complementar. Tal regulamentação visa determinar a destinação dos recursos recebidos e mantidos pela EFPC relativamente ao plano previdenciário, de forma que haja reversão integral dos mesmos para pagamento dos benefícios assegurados aos participantes; foi por esta razão que o 1º Conselho de Contribuintes, no Acórdão 101 94.473, manifestou o entendimento de que qualquer que seja o procedimento adotado pela fiscalização para apuração de base de cálculo da CSLL para as EFPC, não guardará ele coerência com a natureza da atividade exercida por tais entidades. Confirase: "Há vários aspectos que dificultam a aplicação direta da norma prevista para as empresas em geral às entidades fechadas de previdência privada. Isso porque a norma prevê que a incidência se dê sobre o lucro (resultado positivo do exercício) ajustado, e as entidades fechadas de previdência privada, por não visarem o lucro, não têm uma demonstração financeira que o evidencie." assim, adotandose a forma de apuração da base de cálculo da CSLL para as empresas em geral ou mesmo adotandose qualquer outro critério arbitrário para apuração da base deste tributo, o agente fiscalizador, além de agir sem respaldo legal, o valor por ele indicado jamais poderá ser considerado como devido a título de CSLL, por estar eivado de incerteza, o que inviabiliza o lançamento tributário; de fato, essa foi a conclusão dos respeitáveis julgadores do Primeiro Conselho de Contribuintes: "Matéria de fato: apuração da base de cálculo. Não se mantém o lançamento cuja determinação ressente de falta de certeza." desta forma, fica evidenciado que, em julgamento recente das autoridades julgadoras em segunda instância sobre o assunto em questão incidência da CSLL sobre o resultado das EFPC , restou reconhecido a total inexistência de parâmetros jurídicos para apuração de base de cálculo do referido tributo, ainda que se considere que as EFPC são contribuintes da CSLL; DA ANÁLISE DOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS PELA FISCALIZAÇÃO QUANDO DA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Fl. 968DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 888 25 conforme já comentado anteriormente, o superávit apurado pelas EFPC é destinado para constituição de fundos e reservas técnicas, conforme determinação legal; ocorre que, a D. Autoridade adicionou à base de cálculo da CSLL os valores contabilizados a título destes fundos, por entender que inexiste previsão legal para a referida dedução, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, verbis: “Esclarecemos que adicionamos os valores referentes à formação de fundos do Programa administrativo e do Programa de Investimentos, tendo em vista a falta de previsão legal para a dedução desses fundos. é oportuno esclarecer, mais um vez, que as EFPC devem, obrigatoriamente, pelo que dispõe o art. 40 da Lei nº 6.405, de 15 de julho de 1977 e a Lei Complementar n° 109/01, constituir fundos e reservas específicas para a proteção e manutenção dos recursos por elas mantidas e que constituem os futuros benefícios de seus participantes. Tratase, por evidente, de proteção dos recursos dos participantes frente às incertezas mercadológicas e econômicas, detidos e administrados pelas EFPC; notese que a inobservância dos dispositivos normativos aplicáveis à contabilização dos recursos detidos por determinada EFPC, além de colocar em risco o futuro pagamento de benefícios de seus participantes, está sujeita a sanções administrativas. portanto, os valores registrados a titulo de fundos específicos (de ajuste de plano e de oscilações de riscos), seja do programa previdencial, administrativo ou de investimento, visa exclusivamente a oferecer uma .proteção efetiva contra riscos futuros e, conseqüentemente, beneficiar os participantes dos planos, fortalecendo as suas provisões/reservas técnicas que, no caso das EFPC, constituem o seu patrimônio líquido; importante observar, dentro do contexto das EFPC, que a constituição e manutenção de reservas/provisões técnicas, com os recursos excedentes apurados após as destinações efetuadas para as reservas matemáticas e de contingência é de observância obrigatória pelas EFPC e, portanto, pela IMPUGNANTE; observese também, que neste mesmo contexto das EFPC, estas não destinam somente uma parcela de seu superavit para composição do fundo de Oscilação de Riscos e Reserva para Ajustes do Plano, mas sim a TOTALIDADE dos recursos excedentes, isto é, do superávit remanescente; ora, se a destinação dos recursos excedentes do superavit das EFPC é destinado à constituição e manutenção de reservas e fundos integrantes das suas reservas/provisões técnicas, por determinação legal/normativa, então jamais poderia a despesa registrada na contabilização de tais valores ser objeto de questionamentos por parte do fisco federal, especificamente em relação à sua adição à base de cálculo da CSLL; ate porque tais despesas são necessárias e inerentes (normais) à atividade da Impugnante, nos termos do art. 47 da Lei nº 4.506/64. inexistindo qualquer vedação legal para a sua dedução à base de cálculo; em outras palavras os superavits apurados foram destinados na sua totalidade para a constituição de reservas e fundos que, pela sua natureza, estão Fl. 969DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 889 26 inseridos nas reservas e provisões técnicas, as quais são totalmente dedutíveis na apuração da base de cálculo da CSLL, conforme determina o art. 13 da Lei nº 9.249/95; concluise, portanto, que ainda que se entenda que a IMPUGNANTE é contribuinte da CSLL, o que se admite apenas a título de argumentação, não há que se falar em apuração de base de cálculo da CSLL, ou seja (nos anos de 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001 (períodos em que foram apurados resultados positivos) foi revertida para a constituição de fundos, cuja natureza, conforme já demonstrado acima, é de provisão técnica, e assim sendo, são dedutíveis da referida base de cálculo; com isso, o resultado apurado passível de incidência da CSLL corresponde a "zero", conforme conclusão anteriormente comentada no julgamento do Acórdão 101.94473 do Primeiro Conselho de Contribuintes; não se pode admitir que os agentes da administração pública, na ânsia de apurar bases de cálculo tributáveis, se utilizem de interpretações e critérios subjetivos, ignorando a regulamentação específica e aplicável aos contribuintes fiscalizados; por fim, há que se destacar que a tentativa de justificarse o entendimento de que, para as EFPC's como a IMPUGNANTE, inexiste previsão legal que permita a dedutibilidade da constituição de fundos destinados a Ajuste do Plano é insubsistente; Com efeito, o E. Conselho de Contribuintes já se manifestou acerca da questão, afastando a aplicação da indigitada Solução de Consulta 07/2001: ...a COSIT não deixou expressa qual a motivação que a levou a não considerar o Fundo de Oscilação de Riscos como dedutível, tal como havia entendido na Solução de Consulta 07/2000, para as entidades abertas, esse entendimento me parece em desacordo com o disposto no artigo 13, inciso da Lei 9.432/95, eis que a legislação especial aplicável às EFPC, no caso do Decreto 606/92, determina (obriga) a constituição da reserva de contingência e do fundo para oscilação de risco. Ora, uma vez que a legislação especial vigente à época, relativa às entidades fechadas de previdência complementar no âmbito da administração pública federal (Dec. 606/92), exige que a entidade destine arte do superávit à formação de reserva de contingência (até o limite de 25% das reservas técnicas) e o restante a fundo de oscilação de riscos, e considerando que o art. 63 do Decreto 4.942/2003 dispõe que constitui infração deixar de constituir reservas técnicas, fundos e provisões, de acordo com os critérios e normas fixados pelo Conselho de Gestão da Previdência Complementar, parecenos que não há como entender que o fundo de oscilação de riscos seja indedutível. Assim, se entendido que a Impugnante se sujeita à CSLL incidente sobre os resultados do exercício (superávit) ajustado, entre os ajustes previstos em lei encontrase a exclusão das provisões técnicas obrigatórias pela legislação especial (reservas matemáticas, reserva de contingência e fundo de Fl. 970DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 890 27 oscilação de riscos) que obrigatoriamente, absorverão todo o superávit." (Processo nº 10768.015690/200253 – Acórdão nº 10194.473) REVERSÃO DE REAVALIAÇÃO DE IMÓVEIS ADICIONADA A MAIOR conforme determina as normas gerais de procedimentos contábeis constantes na da Resolução CGPC n° 05/2002, ANEXO E, as EFPC deverão reavaliar, periodicamente, os investimentos imobiliários, em conformidade com os critérios ali estabelecidos; como o produto da reavaliação dos investimentos, seja ele positivo ou negativo, é contabilizado no resultado do programa de investimento, a referida receita ou despesa deverá ser ajustada a base de cálculo da CSLL; ocorre que no anocalendário de 1998 foi apurada uma reavaliação negativa dos investimentos imobiliários e, conseqüentemente contabilizada a despesa no resultado do programa de investimento, no valor de R$3.716.233,00, doc. 07: entretanto, o valor considerado pelas autoridades fiscais para fins de apuração da suposta base de cálculo foi de R$6.434.344,00 divergente do apresentado nos registros contábeis; evidenciase, dessa forma, o equívoco cometido pela fiscalização quando da apuração da base de cálculo da CSLL, vez que a parcela referente a reavaliação negativa dos investimentos imobiliários foi adicionada a maior no montante de R$2.718.111,00; ADIÇÃO EM DUPLICIDADE – ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DO IRRF PROVISIONADO a IMPUGNANTE discutiu judicialmente a cobrança do IRRF sobre as aplicações dos recursos das provisões, reservas técnicas e fundos, efetuadas até dezembro/2001, sendo que em 27/02/2002, desistiu da referida ação recolhendo os valores provisionados com a anistia de multa e juros concedida pela MP n° 2.222/01; como os valores contabilizados até dezembro de 2001 estavam sub judice, não sendo, portanto, despesas incorridas e sim meras provisões contábeis, haja vista a incerteza quanto a sua realização, deverão ser ajustados à base de cálculo da CSLL, conforme determina o art. 20 da Lei 7.689/88, alterado pelo art. 20 da Lei n° 8.034/90; ocorre que, ao analisar a base de cálculo apurada pela D. Fiscalização no anocalendário de 1999, verificase que a parcela da despesa de IRRF relativa à atualização monetária, contabilizada no resultado a título de "contingência fiscal", (contas contábeis n° 6431, 6432, 6433, 6436, e 6437), foi adicionada em duplicidade, de forma a tributar pela CSLL valor não sujeito a tal exação; novamente se verifica evidente equívoco da fiscalização quando da apuração da base de cálculo da CSLL Reversão de Provisão para Contingência Fiscal Atualização Monetária do IRRF; conforme comentado no item acima, as atualizações monetárias contabilizadas nos resultados dos exercícios, referentes ao IRRF apurado no período Fl. 971DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 891 28 em que estava subjudice, foram adicionadas à base de cálculo da CSLL, para fins de apuração do suposto crédito fiscal, objeto do auto de infração ora rechaçado; ocorre que em função da anistia fiscal concedida pela MP 2.222/01, os valores provisionados, a título de atualização monetária de IRRF foram estornados e contabilizados como "reversão de provisão de contingência fiscal", no ano calendário de 2001 (conta contábil n° 6129.01). entretanto, constatase, ainda pela análise da planilha de cálculo elaborada pela fiscalização, que a referida reversão não foi considerada nas exclusões feitas à base de cálculo da CSLL; de acordo com a legislação tributária vigente, as reversões de provisões, seja em virtude da realização da condição provisionada, seja ainda por mero ajuste contábil, não implicam na tributação da receita registrada em contrapartida de tais reversões. constatase, mais uma vez, que os procedimentos adotados pela fiscalização, quando da apuração da base de calculo da CSLL, estão eivados de erros, motivo pelo qual a referida base deverá ser desconsiderada, e conseqüentemente, anulado o referido auto de infração. DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL quando da elaboração de seus cálculos, as autoridades fiscais, além de se incorrem nos erros como anteriormente demonstrado, cometeram outro grave equívoco: não consideraram, para fins de apuração da tributação, que, frisese, pretendem, inadequadamente, imputar à IMPUGNANTE o recolhimento da CSLL, as bases de cálculo negativas apuradas nos períodos anteriores aos períodos objeto da autuação ora combatida, e apresentadas pela Impugnante quando da fiscalização, conforme consta o Termo de Verificação Fiscal; tal postura dotada pela Fiscalização demonstra a parcialidade na apuração do suposto debito fiscal, a fim de, no afã arrecadatório, atribuir base de cálculo superior àquela que poderia ser adotada usualmente, caso tivesse sido considerada a compensação de base de cálculo negativa; com efeito, o lançamento da CSLL de oficio impõe a autoridade a consideração de base negativa eventualmente existente, a que o contribuinte faz jus por determinação legal; notase que a Impugnante apurou anteriormente ao período objeto de fiscalização, base de calculo negativa da CSLL passível de compensação, conforme é possível constatar da planilha anexa referente ao ano calendário de 1996 (doc. 10); dessa forma, impõe se a apuração de eventual base de cálculo da CSLL computandose o valor de base negativa da CSLL referente aos períodos anteriores a 1997; nesta hipótese requer seja o presente feito convertido em diligência; afim de apurarse ainda que com base nos critérios da fiscalização, o montante correspondente desde 1992 até 1996, compensandose, por derradeiro, com eventual base de cálculo positiva apurada no período posterior; COMPENSAÇÃO DAS BASES NEGATIVAS –DIREITO ADQUIRIDO Fl. 972DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 892 29 dispõe o artigo 44, da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991", que a base de cálculo negativa da CSLL apurada em um períodobase, a partir de 10 de janeiro de 1992, poderá ser deduzida das bases de cálculo positivas apuradas em períodos base posteriores. esclareçase que os períodos anteriores sequer foram considerados pela fiscalização, com a conseqüente desconsideração das bases negativas de períodos anteriores quando da apuração da CSLL entendida como devida; a União introduziu, através da Medida Provisória n° 812, publicada em 31 de dezembro de 1994, posteriormente convertida na Lei n° 8.981/95, modificações quanto ao cálculo e recolhimento dessa exação, limitando a 30% da base apurada o aproveitamento, por dedução, das bases negativas da CSLL: Art. 44. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n.o 7.689, de 1988) e ao imposto incidente na fonte sobre o lucro líquido (Lei na 7.713, de 1988, art. 35) as mesmas normas de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. Parágrafo único. Tratandose da base de cálculo da contribuição social (Lei nº 7.689, de 1988) e quando ela resultar negativa em um mês, esse valor, corrigido monetariamente, poderá ser deduzido da base de cálculo de mês subseqüente, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real." como a limitação trazida pela Lei n° 8.981/95 se aplicava, exclusivamente, à determinação da CSLL relativa ao períodobase de 1995, através dos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, essa limitação à dedução foi estendida em definitivo às determinações da CSLL nos períodosbase iniciados a partir de 10 de janeiro de 1996. o primeiro ponto a ser analisado diz respeito ao fato de que sobre as bases negativas de cálculo geradas até 31 de dezembro de 1994 não se aplica à limitação estabelecida pela Lei n° 8.981/95. isto porque, referida limitação foi introduzida, em 31 de dezembro de 1994, por meio da Medida Provisória n° 812 (posteriormente convertida na Lei n° 8.981/95), ainda não produzia efeitos em 31 de dezembro de 1994, quando da apuração efetiva da base de cálculo negativa, incorporandose ao patrimônio jurídico da IMPUGNANTE o direito de utilizar a totalidade das bases negativas até então verifica das, sem observar qualquer limitação quantitativa; os fatos econômicos que geraram as bases negativas acumuladas até 31 de dezembro de 1994 já estavam exauridos quando a Medida Provisória n° 812/94, começou a produzir seus efeitos, ou seja, quando adquiriu eficácia em janeiro/95. Por esta razão, qualquer limitação ao aproveitamento dessas bases negativas, estaria infringindo o princípio da irretroatividade das leis. como salienta Roque Antonio Carrazza, "a regra geral é no sentido de que as leis tributárias, como de resto, todas as leis, devem sempre dispor para o futuro. Não lhes é dado abarcar o passado, ou seja, alcançar acontecimentos pretéritos. Tal garantia confere estabilidade e segurança às relações jurídicas entre o Fisco e o contribuinte (..) a lei tributária, pois, deve ser irretroativa. Em se tratando de lei que cria ou aumenta tributo, esta regra é absoluta, isto é, não admite exceções (..)".(in "Curso de Direito Tributário", Editora Malheiros, p. 191 g.n.); Fl. 973DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 893 30 ora, está claro que uma lei só pode obrigar a partir do momento em que passa a produzir efeitos, ou seja, a partir do momento em que se torna eficaz, in casu, isto se deu em 10 de janeiro de 1995, por expressa disposição do artigo 116 da Medida Provisória n° 812/94; assim, qualquer interpretação diversa ao citado dispositivo legal, acabaria por ferir também, o artigo 50, inciso XXXVI, da Constituição Federal; que protege o direito adquirido, como depreendese da leitura do acórdão a seguir transcrito: "Tributário. Mandado de Segurança. Liminar Negada. Agravo Regimental. Compensação de Prejuízos. Lei n° 8981/95. Limitação de 30%. Infringência ao Princípio da Irretroatividade. Plausibilidade do Direito e do Perigo da Demora Presentes. Agravo Regimental Provido. 1 As regras estabelecidas pela lei n° 8981/95 (resultante de conversão em lei da MP n° 812, de 31/12/94, publicada às 19:45 h.) somente poderiam ter vigência a partir do ano de 1996, sendo inviável sua aplicação já no exercício de 1995 por afrontar ao princípio da irretroatividade. 2 Presentes a relevância da pretensão e o perigo da demora, mister se faz conceder a liminar. 3 Agravo regimental provido." (g.n.) citese ainda, o entendimento que vem sendo adotado por este C. Conselho de Contribuintes acerca da matéria, in verbis: "COMPENSAÇÃO DE LUCROS APURADOS NOS EXERCÍCIOS DE 1995 E 1996 COM PREJUÍZOS SUPORTADOS EM PERÍODOS ANTERIORES. LIMITAÇÃO O direito adquirido à compensação integral nasce para o contribuinte no instante em que for apurado o prejuízo no levantamento do balanço. A partir desse instante a aplicação de qualquer norma limitativa da sua compensação com lucros futuros, tornase impossível, por força da proteção constitucional ao direito adquirido. Prejuízo acumulado apurado quando a lei garantia a sua compensação integral. Recurso Provido." (Acórdão n° 10192.605, processo n° 11080.006894/9711, sessão de 17/03/99; g.n.); no mesmo sentido, Acórdão n° 10192.694, proferido nos autos do processo administrativo fiscal n° 10980.005787/9896, em sessão de 09 de junho de 1999; isto posto, verificase que a IMPUGNANTE, supondose, ad argumentandum, que fosse ela contribuinte da CSLL, tem o direito de compensar integralmente as bases de cálculo negativas geradas até 1994, não se lhe aplicando a indigitada limitação de 30% prevista no artigo 58 da lei n.o 8.981/1995. A LIMITAÇÃO DA LEI nº 8.981/95 TRIBUTA O PATRIMÔNIO outra questão a ser suscitada é concernente à limitação imposta à compensação das bases negativas apuradas a partir de 1995; restou claro, pelo até aqui exposto, que as bases de cálculo negativas geradas até 1994 devem ser integralmente compensadas, pois a elas não se aplica a limitação Fl. 974DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 894 31 a 30%. No entanto, tampouco se aplica tal limitação às bases negativas geradas a partir de 1995; pretende a limitação à dedução da base tributável imposta pela legislação garantir que, necessariamente, 70% da renda auferida pelo contribuinte seja tributada, independente do saldo acumulado de base de cálculo negativa. ocorre que tal limitação provoca não só a tributação do lucro auferido pelo contribuinte como também do seu próprio patrimônio, o que não se pode admitir. mas não se pode vislumbrar a possibilidade de se fazer valer regra meramente formal desprovida de conceitos valorativos, em detrimento da aplicação do melhor Direito. concluise, portanto, que as bases negativas apuradas em períodos anteriores ao lançado no Auto de Infração ora impugnado devem ser consideradas para efeito de cálculo, embora, ratifiquese, a tributação seja indevida, sendo, ademais, integralmente compensadas com a base apurada, seja pela não eficácia da lei até 1994 (bases apuradas até 1994), seja pelo absurdo de acabar por incorrer na tributação do patrimônio do contribuinte (bases apuradas a partir de 1995); EXCLUSÃO A MENOR DA RECEITA DECORRENTE DA ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DA CARTEIRA DE AÇÕES. conforme determina o art. 20 da Resolução CGPC n° 04, de 30 de janeiro de 2002, transcrito abaixo, a IMPUGNANTE ajusta o saldo dos ativos mobiliários ainda não liquidados, a valor de mercado, contabilizando, no resultado do exercício do Programa de Investimento, (contas contábeis nºs 6.1.1.2.01.01.02 , 6.1.1.2.04.03. 01, doc 11), as variações ocorridas no período: Art. 20. Os títulos e valores mobiliários classificados na categoria títulos para negociação, de que trata o inciso I do artigo 10, devem ser ajustados pelo valor de mercado, no mínimo por ocasião dos balancetes mensais, balanços e demonstrativos analíticos de investimentos e de enquadramento das aplicações DAIEA. segundo dispõe o art. 35 da Lei n° 10.637/02, tais ajustes não deverão impactar a tributação da Pessoa Jurídica até que haja a alienação dos respectivos ativos financeiros. Vejamos: "A receita decorrente da avaliação de títulos e valores mobiliários, instrumentos financeiros, derivativos e itens objeto de hedge, registrada pelas instituições financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, instituições autorizadas a operar pela Superintendência de Seguros Privados SUSEP e sociedades autorizadas a operar em seguros ou resseguros em decorrência da valorização a preço de mercado no que exceder ao rendimento produzido até a referida data somente será computada na base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da contribuição para o PIS/PASEP, quando da alienação dos respectivos ativos."(g.n.). Fl. 975DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 895 32 é oportuno mencionar que as disposições acima se aplicam às entidades de previdência complementar de capital aberto, até porque as entidades de previdência complementar sem fins lucrativos, como a IMPUGNANTE, não são contribuintes da CSLL; não obstante não ser este o entendimento da D. Fiscalização, uma vez considerando a IMPUGNANTE como contribuinte da CSLL o que se admite apenas a título de argumentação , o mesmo tratamento dado pelo art. 35 supracitado, deveria ter sido aplicado, pelo princípio da isonomia; de fato, as variações monetárias negativas e positivas dos títulos mobiliários, contabilizadas no resultado do programa de investimentos, foram ajustadas à base de cálculo da CSLL elaborada pela fiscalização, nos termos da referida lei; ocorre que ao analisar a base de cálculo apurada pela fiscalização relativa ao anocalendário de 2001, verificase que as variações monetárias positivas excluídas a referida base, no valor de R$27.120.469,00 , não corresponde ao montante efetivamente contabilizado no resultado do Programa de Investimento, cujo valor representa R$29.753.418,00; conseqüentemente, a base de cálculo da CSLL apurada pela fiscalização está a maior no montante de R$2.632.949,00; DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC COMO JUROS DE MORA ainda que se entenda que a IMPUGNANTE encontrase em situação de mora perante o Fisco, o que se admite também apenas a título de argumentação, não pode prosperar a cobrança dos juros moratórios mediante a utilização da Taxa SELIC, pêlos motivos a seguir expostos; a Taxa SELIC foi criada pela Resolução nº 1.124/96 do Conselho Monetário Nacional e definida pela Resolução n.o 2.868/99 e pela Circular n.o 2.900/99 do Banco Central do Brasil (BACEN), nos seguintes termos: "Definese Taxa SELIC como taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SEL/C) para títulos federais. "(art. 2°, § 1); assim, esta taxa foi criada para medir a variação apontada nas operações do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. É, portanto, uma taxa de juros remuneratórios, que visa a premiar o capital investido pelo tomador de títulos da dívida pública federal; portanto, a sua finalidade é a remuneração do investidor, de uma forma competitiva, e não a aplicação de uma sanção, por atraso no cumprimento de uma obrigação; isto posto, a Taxa SELIC, na forma como calculada, jamais poderia ser utilizada como "juros moratórios", uma vez que tem natureza jurídica 1 remuneratória e não indenizatória, ademais, devese ressaltar que a referida Taxa não foi criada por lei, o que ofende ao princípio constitucional da legalidade, segundo o qual, não existe a possibilidade de criarse ou aumentarse tributo sem lei específica, previsto no artigo 150, inciso I do texto constitucional; sendo determinação constitucional a necessidade de lei para criação ou majoração do tributo, também será para a sua quantificação monetária, bem como para a mera readaptação de seu valor; Fl. 976DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 896 33 criar um tributo significa estabelecer todos os seus elementos, quais sejam: (I) descrição do fato tributável; (li) definição da base de cálculo e alíquota ou outro critério a ser utilizado para o estabelecimento do valor do tributo; (lii) sujeito passivo da obrigação e; (I'v) sujeito ativo desta relação. Notase assim, que compete à lei estabelecer o procedimento da sua atualização, determinando o quantum devido pelo contribuinte em situações de retardamento no cumprimento da obrigação tributária; assim, admitirse a aplicação da Taxa SELIC, sem que tenha sido criada pela lei competente, implica em afrontar o princípio constitucional da estrita legalidade, ou seja, aumentase o tributo, sem previsão legal para tanto; Nem se alegue que a Lei n.° 9.430/96 é suficiente para caracterizar obediência ao disposto constitucionalmente, pois, não traz nenhuma definição do que venha a ser a Taxa SELIC, mas apenas, disciplina qual deve ser o seu uso. Ainda, o artigo 161, parágrafo 1° do Código Tributário Nacional dispõe que se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (..)." Como não existe lei ordinária que tenha criado a Taxa SELIC, os juros que deveriam ser aplicados ao presente caso estão limitados quantia de 1% ao mês. Notase que o artigo em questão, não veda a simples atualização do tributo, desde que esta esteja prevista em lei. Assim, não existindo a previsão legal, devese aplicar aos juros de mora a taxa de 1% ao mês. Ademais, recentemente o ínclito SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA considerou inconstitucional a aplicação da SELIC em matéria tributária, consoante se pode inferir da ementa abaixo transcrita, "in verbis": "RECURSO ESPECIAL. FAZENDA NACIONAL. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO SOBRE AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA SELIC. INCIDENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO CONHECIDO. ILEGALIDADE. POSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO. A Taxa SELIC para fins tributários é, a um tempo, inconstitucional e ilegal. Como não há pronunciamento de mérito da Corte Especial deste egrégio Tribunal que, em decisão relativamente recente, não conheceu da argüição de inconstitucionalidade correspectiva (cf. incidente de inconstitucionalidade nestes autos), permanecendo a mácula também na esfera infraconstitucional, nada está a empecer seja essa indigitada Taxa proscrita do sistema e substituída pelos índices oficiais de correção monetária. A utilização da Taxa SELIC como remuneração de títulos é perfeitamente legal, pois toca ao BACEN e ao Tesouro Nacional ditar as regras sobre os títulos públicos e sua remuneração. Nesse ponto, nada há de ilegal ou inconstitucional. A balda exsurge quando se transplantou a Taxa SELIC, sem lei, para o terreno tributário. Determinando a lei, sem mais esta ou aquela, a aplicação da Taxa SELIC em tributos, sem precisa determinação de sua exteriorização quântica, escusado obtemperar que mortalmente feridos de frente se quedam os princípios tributários da Fl. 977DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 897 34 legalidade, da anterioridade e da segurança jurídica. Fixada a Taxa SELIC por ato unilateral da Administração, além desses princípios, fica também vergastado o principio da indelegabilidade de competência tributária Afastada a aplicação da Taxa SELIC, deve incidir, em substituição, a correção monetária pelos coeficientes oficiais, pois esta representa apenas a atualização do valor real do débito, corroído pela inflação. A esse respeito, é orientação pacífica no âmbito desta Corte que a partir da vigência da Lei n. 8.383/91, a correção monetária na repetição de indébito deve ser feita pela UFIR. Recurso especial provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por maioria, conhecer do recurso e lhe dar provimento, nos termos do voto do Sr. MinistroRelator. Vencidas as Sras. Ministras Laurita Vaz e Eliana Calmon. Os Srs. Ministros Paulo Medina e Francisco Peçanha Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. BRASILIA (DF), 24 DE SETEMBRO DE 2002 (DATA DO JULGAMENTO). MINISTRO FRANCIULLI NETO, Relator. (RECURSO ESPECIAL N.º 215.881PR (1999/00453450). portanto, considerandose a natureza remuneratória da taxa SELIC e a inconstitucionalidade de sua aplicação, bem como sua ilegalidade, conforme a ementa acima transcrita da D. Procuradoria da Fazenda, não há que se admitir a utilização da mesma, no presente caso, com a natureza de juros de mora, sendo necessária a exclusão da referida taxa SELIC do crédito tributário ora discutido. A 2ª Turma da DRJ em Salvador/BA analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1511.443, de 29/09/2006 (fls. 344/400), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/1997, 31/12/1998, 31/12/1999, 31/12/2000, 31/12/2001 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário relativo às contribuições destinadas a financiar a Seguridade Social extinguese com o decurso do prazo de 10 (dez) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. AÇÕES JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA ESFERA ADMINISTRATIVA NA PARTE QUE NÃO HÁ IDENTIDADE DE OBJETO. As matérias em que não há identidade de objeto, não submetidas, portanto, ao Poder Judiciário, devem ser apreciadas na esfera Fl. 978DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 898 35 administrativa, não ocorrendo, na espécie, desrespeito ao princípio da unicidade jurisdicional adotado pelo sistema jurídicobrasileiro. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA.BASE DE CÁLCULO DA CSLL. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido das Entidades Fechadas de Previdência Privada é o resultado positivo (superávit) apurado no encerramento do período de apuração, deduzindose do saldo disponível as reservas matemáticas e de contingências, observadas ainda as demais hipóteses de adições e exclusões previstas na legislação da CSLL. BASE NEGATIVADA CSLL. LIMITE DE 30% PARA COMPENSAÇÃO. Nos balanços encerrados a partir de 1º de janeiro de 1995, o lucro somente poderá ser reduzido pela utilização de, no máximo, 30% da base negativa de períodos anteriores. Destaco, por oportuno, que a Autoridade Julgadora em primeira instância conheceu apenas parcialmente da impugnação apresentada, sendo certo que não foram apreciados os argumentos acerca de ser, ou não, a interessada contribuinte da CSLL. Entendeu a Turma Julgadora pela existência de concomitância entre a ação judicial e a administrativa, conforme se depreende do excerto do voto condutor do acórdão, a seguir transcrito: A rigor, a questão se as entidades privadas fechadas são contribuintes ou não da CSLL, no caso especificamente da contribuinte, já foi decidida em primeira instância pelo Poder Judiciário, e encontrase a ação no Tribunal Federal da 1ª Região em fase de Apelação em Mandado de Segurança. Portanto, vedada a apreciação em tese pela instância administrativa se devida ou não pela contribuinte a CSLL. Ciente da decisão de primeira instância em 10/01/2007, conforme Aviso de Recebimento à fl. 403, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/02/2007 conforme carimbo de recepção à folha 404. No recurso interposto (fls. 405/446), a interessada repete, mais ou menos com as mesmas palavras, os argumentos trazidos na fase impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Fl. 979DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 899 36 O recurso é tempestivo e cumpre verificar, inicialmente, sua admissibilidade, particularmente no que tange à existência, ou não, de concomitância entre a matéria aqui discutida e aquela submetida à apreciação do Poder Judiciário nos autos do Mandado de Segurança Coletivo nº 2002.33.00.001.0080, impetrado pela ABRAPP. Questão idêntica foi discutida nos autos do processo nº 10580.006024/2005 65, tratandose, inclusive, do mesmo Mandado de Segurança Coletivo. A extinta Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão nº 10196.674, de 17/04/2008, no qual, por maioria de votos, decidiuse pela inocorrência de concomitância na situação em comento e pela devolução dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para que fossem apreciados todos os argumentos de defesa da interessada naquele processo. A seguir, excerto do voto condutor do acórdão, da lavra do eminente Conselheiro João Carlos de Lima Júnior: Sem adentrar no mérito quanto a não incidência da CSLL no caso de Entidade Fechada de Previdência Social, passamos a analisar a preliminar de renúncia da via administrativa em razão de mandado de segurança coletivo impetrado por associação (ABRAPP) ao qual o contribuinte pertence. Em 09 de janeiro de 2002, a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (ABRAPP), impetrou perante a Vara da Justiça Federal de Salvador, Mandado de Segurança Coletivo n°2002.33.00.001.0080. Discutese no mandado de segurança a legalidade para a exigência da cobrança da CSLL das Entidades Fechadas de Previdência Complementar. O artigo 117 do Código de Defesa do Consumidor determina que na defesa dos interesses difusos, coletivos ou individuais, aplicase os dispositivos do Titulo III, cuja primeira parte prescreve que as ações coletivas previstas nos incisos I e II do parágrafo único do art. 81 não induzem litispendência para as ações individuais. Embora tal dispositivo mencione apenas as ações cujo objetivo seja a tutela dos interesses ou direitos difusos (CDC, artigo 81, parágrafo único, inciso I) ou coletivos CDC, artigo 81, parágrafo único, inciso II), entendese que o artigo 104 do Código de Defesa do Consumidor também se aplica aos casos de tutela jurisdicional dos interesses individuais homogêneos (CDC, artigo 81, parágrafo único, inciso III), como é o caso do Direito Tributário. Por se tratar de direitos individuais homogêneos tratados coletivamente, a decisão só fará coisa julgada erga omnes no caso de procedência do pedido (artigo 103, III, CDC). No caso de improcedência do pedido, os interessados que não intervieram no processo como litisconsortes, estão aptos a pleitear os seus direitos a titulo individual (artigo 103,§2°, CDC), podendo assim exercer individualmente, a plenitude de seu direito de defesa, já que a renúncia prevista no artigo 38 da Lei n° 6.830/80 jamais poderá ser presumida, na medida que individualmente ainda não ingressou com sua própria ação. Assim, o fato da existência de mandado de segurança coletivo impetrado por entidade associativa, visando proteger os interesses das entidades, da qual faz parte o contribuinte, e não diretamente por ele, não acarretou a renúncia ao direito de se defender na esfera administrativa Outrossim, o intuito da legislação e jurisprudência pátria em não permitir a concomitância entre as discussões judiciais e administrativas é garantir que não haja decisões conflitantes, respeitando sempre o direito de defesa do contribuinte. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 900 37 Ora, se o contribuinte tiver decisão judicial desfavorável no Mandado de Segurança Coletivo, ainda lhe restará o direito de discutir seu direito individual, vez que o mandado de segurança coletivo, trata apenas de direito difuso, fazendo apenas coisa julgada em caso de decisão favorável ao mesmo. Assim, razão assiste o contribuinte em buscar decisão favorável já na esfera administrativa, vez que a decisão judicial no mandado de segurança coletivo nunca será conflitante com uma eventual procedência de seu recurso neste órgão, vez que se for improcedente o pleito judicial coletivo ainda existiria o direito individual do contribuinte. [...] Nestas condições, deixo de aplicar o artigo 38 da Lei 6.830/80, para não reconhecer a renúncia à esfera administrativa, bem como afasto a declaração de concomitância com o processo judicial e determino retomo do presente feito à DRJ de origem, para a devida apreciação de todo o mérito. Ao final, a decisão restou assim ementada: CONCOMITÂNCIA — MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO — INOCORRÊNCIA. O Mandado de Segurança Coletivo impetrado por associação não configura renúncia ao direito subjetivo do contribuinte de pleitear individualmente a mesma prestação jurisdicional requerida pela associação, vez que a decisão do Mandado de Segurança Coletivo só fará coisa julgada se for favorável ao contribuinte. Assim não há que se falar em concomitância entre as esferas judicial e administrativa. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastada a concomitância cabe o enfrentamento do mérito em primeira instância, em obediência ao Decreto 70.235/72. A Fazenda Nacional recorreu daquela decisão à Câmara Superior de Recursos Fiscais, do que resultou o acórdão nº 9101001.216, de 18/10/2011. Aquele Colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso da Fazenda Nacional, confirmando o entendimento da instância a quo sobre a inocorrência, no caso concreto, de concomitância entre o Mandado de Segurança Coletivo e a discussão administrativa. Assim fundamentou seu voto o ilustre relator do acórdão, Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho: No mérito, cingese a controvérsia em saber se a impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe da qual pertença o contribuinte implica renúncia deste (contribuinte) à instância administrativa por alegada configuração de concomitância entre os processos administrativo e judicial decorrente da identidade dos respectivos objetos. Em outros termos, discutese no caso a aplicação (ou não) do art. 38 da Lei n. 6.830/80 e do art. 1°, §2° do Decretolei n. 1.737/79 às hipóteses de mandado de segurança coletivo impetrado por associação de classe cuja sentença judicial possa eventualmente beneficiar o contribuinte que discute a (mesma) exigência fiscal em seara administrativa. [...] Fl. 981DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 901 38 Conforme se depreende do trecho acima transcrito, o recurso da Fazenda Nacional está embasado em duas premissas fundamentais, quais sejam: (i) a propositura de demanda judicial por entidade de classe equiparase à propositura de demanda pelo próprio contribuinte, nas hipóteses em que este pertencer aos quadros associativos daquela; (ii) a coexistência potencial de duas decisões na hipótese violaria o principio da unicidade de jurisdição, já que não caberia mais à Administração manifestarse sobre tema levado à apreciação (pelo Contribuinte) ao Poder Judiciário. Entendo que a insurgência da Fazenda Nacional não procede. Primeiramente, não é correta a reiterada afirmação da Fazenda Nacional de que a impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe corresponde propositura da ação pelo contribuinte associado. Embora a ação coletiva possa potencialmente beneficiar o contribuinte a depender do resultado da ação, é absolutamente certo na lei (v.g., LACP, Lei do Mandado de Segurança e CDC, especialmente), na doutrina e na jurisprudência que as demandas coletiva e individual não se confundem. Basta dizer que a impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva. A ação coletiva não induz litispendência entre ela e demandas individuais dos respectivos associados (tal como seria de rigor se se estivesse tratando de ações de mesmas partes, objeto e pedido) e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte. As assertivas acima não decorrem tão somente dos expressos textos de lei neste sentido (LACP, art. __), (LACP, arts __, CDC, art. __, Lei do Mandado de Segurança (Lei n. 12.016/__), mas principalmente da garantia constitucional do direito de ação, segundo o qual é defeso subtrair da pessoa o direito de defender seus interesses (em seara administrativa ou judicial) por força da existência de lide pretérita na qual não lhe tenha sido dado o direito de atuar direta e pessoalmente, "com os ônus, riscos e responsabilidades que somente assim se aceita sejam realmente contraídos". Vejase, nesse sentido, lição de Lúcia Valle Figueiredo, verbis: "Se o impetrante for sindicato, como lhe incumbe a tutela dos direitos de seus associados e da categoria (art. 513 da CLT) concluímos que a sentença atinge toda categoria. Todavia, se estivermos diante de associações, a questão colocar seá de forma diversa. Às associações cabe tutelar os interesses e direitos de seus associados. Até porque há, ou pode haver, diversas associações de classe (vejamse por exemplo, o Instituto dos Advogados e a Associação dos Advogados). Se assim é, não nos parece pudesse se cogitar de a sentença transcender a esfera dos associados. Seria mesmo intromissão indevida. Problema cruciante é o da coisa julgada. Entendemos devase procurar a solução secundum eventum litis. É dizer: se favorável fará coisa julgada. Entretanto, se desfavorável poderá ser interposto novo mandado de segurança individual” No mesmo sentido, explica Ferraz: "Sendo o writ ajuizado por sindicato, não só os seus associados mas toda a categoria Fl. 982DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 902 39 econômica ou operária por ele tutelada são atingidos pelos efeitos da coisa julgada. Assim é por força da extensão da representação sindical, expressamente assentada, p. ex., no art, 513 da CLT (esse, é também, o pensamento de Lúcia Valle Figueiredo, Perfil do Mandado de Segurança Coletivo, Ed RT: p.36). Por isso, a decisão concessiva da segurança, aqui terá cunho declaratório amplo, normativo mesmo, e beneficiará toda a gama de componentes do universo que o sindicato, por força legal, tutela, e não apenas seus efetivos associados. ... desfavorável a sentença ao impetrante, independentemente da extensão de sua representatividade poderá ser formulado novo mandado de segurança individual (plúrimo ou não): efetivamente, é inadmissível que a ampla garantia constitucional do direito de ação (CF; art. 50, XXXV e LXIX) possa ser extraída de alguém por forca de uma lide na qual não lhe foi dado atuar direta e pessoalmente, com os ônus, riscos e responsabilidades que somente assim se aceita sejam realmente contraídos” (negritos nossos) (FIGUEREIDO, Lúcia Valle. Perfil do mandado de segurança coletivo. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1989). Não é outro o entendimento jurisprudencial sobre o tema. Vejase, a titulo ilustrativo, ementas de v. acórdãos proferidos pelo E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, verbis: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ART. 535 DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. SUCUMBÊNCIA MÍNIMA. INEXISTÊNCIA DE DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. MANDADOS DE SEGURANÇA COLETIVO E INDIVIDUAL. LITISPENDÊNCIA INEXISTENTE. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. ART. 3° DA LC N° 118/05. (...) 5. “A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe e de writ individual não induz litispendência, tendo em vista que aquele não retira o direito de agir de seus associados” (AgRg no REsp 675.992/AC, Rel. Min. Laurita Voz, DJU de 07.04.08). (...) (REsp 1091597 / DF (2008/02125509), STJ, 2ª Turma, Relator Ministro CASTRO MEIRA, j. 18/11/2008, DJe 15/12/2008, RDDT vol. 162 p. 183). No mesmo sentido: "AGRAVO REGIMENTAL. MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL. ART 18 DA LEI N. 1.533/81. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INEXISTÊNCIA DE LITISPENDÊNCIA. DIREITO Fl. 983DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 903 40 LÍQUIDO E CERTO. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS N. 280 E 283 DO STF. (...) 2. A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe não impede o exercício do direito subjetivo de postular, mediante a proposição de ação mandamental individual, o resguardo de direito liquido e certo, não incidindo, nessa hipótese, os efeitos da litispendência. Precedentes. (...) (AgRg no Ag 549988/RJ (2003/01706896), STJ, 2" Turma, Relator Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, j. 20/04/2004, DJ 21/06/2004 p. 201). Em respeito ao direito constitucional de ação e de petição, é até intuitiva a assertiva de que a renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do próprio contribuinte. Não há como admitir renúncia a direito por ato praticado exclusivamente por terceiro (no caso, a associação), ainda que tal ato possa circunstancialmente influenciar na esfera jurídica de interesses da pessoa (no caso, o associado). O titular do direito (no caso, de instauração de lide administrativa) apenas pode renunciar a este por ato próprio, tal como se daria, por exemplo, se tivesse tido aceito eventual pedido de litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou se tivesse proposto ação individual de objeto análogo ao processo administrativo em referência. É imprópria a alegação da Fazenda Nacional de que o não acolhimento da concomitância afrontaria ao principio da unicidade de jurisdição. Como é de conhecimento geral, o principio da unicidade de jurisdição prescreve que caberá ao Poder Judiciário estabelecer, em última análise e instância, a interpretação e aplicação da legislação ao caso concreto. Assim, submetido o caso à apreciação do Poder Judiciário, não há sentido na manutenção (concomitante) da discussão do (mesmo) tema em seara administrativa, já que é do Poder Judiciário a atribuição de exercer a jurisdição. Evitase o risco de contradição (prática) entre decisões proferidas em processos instaurados pelo contribuinte nas diferentes instâncias (administrativa e judicial). Eis a razão da renúncia à instância administrativa e a preponderância da instância judicial. No caso, a par da inexistência de demanda judicial proposta pelo contribuinte, o que por si só seria suficiente para afastar a alegação de concomitância, digase que não há risco de contradição (prática) entre as decisões proferidas neste processo administrativo e naquele processo judicial. O sistema jurídico brasileiro prevê expressamente a coexistência e convivência pacifica entre duas decisões (uma de natureza coletiva e outra individual). Como se disse, o jurisdicionado pode insurgirse pessoalmente contra o ato lesivo independentemente (e nada obstante) a existência de demanda (contra este mesmo ato) já movimentada por ente coletivo. Não há desrespeito ao principio da unicidade de jurisdição pois o comando proferido em demanda de natureza coletivo não é "único e definitivo" ao contribuinte por definição legal, já que o sistema jurídico admite que o contribuinte pessoalmente busque (e obtenha) um comando novo e distinto daquele proferido na demanda coletiva. Nesses casos, via de regra, apenas a decisão proferida em seara individual é eficaz para o contribuinte (seja ela Fl. 984DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 904 41 favorável ou contrária aos seus interesses), independentemente do resultado da demanda coletiva. Esta Corte Administrativa já possui inúmeros precedentes no sentido de que a impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não configura renúncia à instância administrativa pelo contribuinte associado. Vejase, nesse sentido, precedente da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso." (Acórdão n. 920200.278, de 22.9.2009, da 2" Turma da CSRF). No mesmo sentido: PRELIMINAR CONCOMITÂNCIA Não há que se falar em concomitância entre a discussão judicial travada em Mandado de Segurança Coletivo impetrado por associação de classe, e a discussão travada em sede de processo administrativo fiscal, no qual se discute lançamento efetuado em face de unia de suas associadas. (Acórdão n. 10617.185, de 16.12.2008, da 6° Camara do 1° Conselho de Contribuintes). No mesmo sentido: CSLL — MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO COISA JULGADA — A decisão meritória de improcedência do pedido, ao final do processo, em mandado de segurança coletivo impetrado por entidade de classe, não faz coisa julgada contra seus associados, salvo em caso de procedência. (Acórdão n. 101 96.687, de 17.4.2008, da 1° Camara do P Conselho de Contribuintes). No mesmo sentido: PAF — NORMAS PROCESSUAIS — PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL — MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO — CONCOMITÂNCIA INEXISTÊNCIA — Pelas regras emergentes da Constituição Federal e da legislação processual em vigor, a propositura, por entidade que defende interesses coletivos de determinada coletividade, de mandado de segurança coletivo, não impede que seus associados, individualmente, postulem em Juízo ou fora dele seus direitos, mormente quando presente no lançamento de oficio questões que desbordam o direito litigado pela entidade em face do Poder Judiciário. (Acórdão IL 10708.985, de 25.4.2007, da 7ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes). No mesmo sentido: Fl. 985DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 905 42 RENÚNCIA AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL POR CONCOMITÂNCIA COM MEDIDA JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por entidade sindical não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância, pois, ainda que haja alcance dos efeitos jurídicos da decisão para os representados da entidade sindical, não se materializa a identidade entre os sujeitos dos processos, ou seja, autor da medida judicial e recorrente no âmbito administrativo, diante da qual é possível aferir a manifestação de vontade (critério subjetivo) que exige a renúncia. (Acórdão n. 30134.861, de 13.11.2008, da 1ª Câmara do 3° Conselho de Contribuintes). Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento. Eis, ao final, a ementa do mencionado acórdão nº 9101001.216, de 18/10/2011: PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. É impróprio falarse em afronta ao principio da unicidade de jurisdição neste caso, pois o sistema jurídico admite a co existência e convivência pacifica entre duas decisões (uma de natureza coletiva e outra individual), sendo que, via de regra, aplicarseá ao contribuinte aquela proferida no processo individual. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. Como se observa, está consolidada a jurisprudência, tanto na esfera judicial quanto no âmbito deste órgão administrativo, no sentido de que a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado por associação à qual a interessada é filiada não permite que se conclua pela concomitância com discussão administrativa travada individualmente em processo administrativo fiscal. Desta forma, adoto os fundamentos acima transcritos para, neste processo, concluir de igual forma pela inocorrência de concomitância entre a discussão judicial, travada em sede de mandado de segurança coletivo, e a discussão administrativa, travada nestes autos. Como consequência, impõese o reconhecimento de que a decisão de primeira instância cerceou o direito de defesa da interessada, ao não apreciar em sua integralidade os argumentos de impugnação. Fl. 986DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10580.011384/200589 Acórdão n.º 130200.951 S1C3T2 Fl. 906 43 Em conclusão, voto por afastar a declaração de concomitância com o processo judicial, não reconhecer a renúncia à esfera administrativa e anular a decisão de primeira instância, determinando que nova decisão seja proferida, com a apreciação de todos os argumentos de defesa da interessada. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 987DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 10970.000718/2010-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário: 2006
VENDAS ESCRITURADAS NO LIVRO REGISTRO DE SAÍDAS. OMISSÃO DE RECEITA. PROVA DIRETA. Constitui prova direta de omissão de receitas a constatação de vendas objeto de notas fiscais
escrituradas no Livro Registro de Saídas, não oferecidas à tributação na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES.
COFINS E PIS. BASE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS.
IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS por se tratar de tributo que integra o preço de venda de produtos, mercadorias e serviços, ou seja, a receita bruta, bem como não consta entre aquelas importâncias passíveis de exclusão da base imponível delimitadas na legislação aplicável.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.004
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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OMISSÃO DE RECEITA. PROVA DIRETA. Constitui prova direta de omissão de receitas a constatação de vendas objeto de notas fiscais escrituradas no Livro Registro de Saídas, não oferecidas à tributação na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES. COFINS E PIS. BASE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS por se tratar de tributo que integra o preço de venda de produtos, mercadorias e serviços, ou seja, a receita bruta, bem como não consta entre aquelas importâncias passíveis de exclusão da base imponível delimitadas na legislação aplicável. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Fl. 280DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10970.000718/201062 Acórdão n.º 140201.004 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório BEIRA RIO COMERCIO E DISTRIBUICAO DE PESCADOS LTDA ME recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Contra a pessoa jurídica acima qualificada foram lavrados Autos de Infração de IRPJ (fls. 02/27), PIS (fls. 28/36), CSLL (fls. 37/45), COFINS (fls. 46/54) e CSS/INSS (fls. 55/63), em decorrência da apuração de divergências entre a receita bruta escriturada (fls. 111/150) e a oferecida à tributação na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – SIMPLES (fls. 93/110) e, ainda, de insuficiência no recolhimento de imposto e contribuições, tudo conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 04/06, 30/32, 39/41, 48/50 e 57/59), Termo de Verificação Fiscal de fls. 64/65 e planilha de fl. 66. Os Autos de Infração relativos a cada um dos impostos/contribuições, constituíram créditos tributários nos seguintes valores: (...) O Termo de Verificação Fiscal de fls. 64/65, pode ser assim resumido: ... o contribuinte ... foi intimado a apresentar a seguinte documentação ...: 1 Livro Caixa 2 Livro de Registro de entradas e saídas de mercadorias 3 — Livro de Apuração de ICMS 4 — Livro de Prestação de Serviços 5 Notas fiscais de entrada e de saída — mês de dezembro 2006 7 — Cópia de contrato social — constituição e alteração no períodobase de 2006 e última alteração; 8 — Relação de bens e direito constantes do Ativo Imobilizado ... o contribuinte protocola “pedido de prorrogação de prazo” de 30 (trinta) dias para a apresentação dos documentos solicitados. ... em 11/03/2010, o contribuinte protocola novo pedido de prorrogação de prazo de 20 (vinte) dias ... Em 09/08/2010 o contribuinte, através de sua procuradora apresentou: Dapi Declaração de Informação de ICMS; Fl. 281DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10970.000718/201062 Acórdão n.º 140201.004 S1C4T2 Fl. 0 3 Livro de Registro de saída de mercadorias ano 2006 – ICMS Procuração cópias de “alteração contratual” datada de 11/04/2005. De posse da documentação acima relacionada procedeuse a análise da mesma em confronto com a declaração na modalidade PJSI 2007 SIMPLES, resultando no “Termo de Intimação Fiscal” datado de 06/09/2010 com o seguinte teor: ‘Justificar a diferença verificada entre a receita bruta apurada através do Livro de Registro de ICMS e a receita declarada (Imposto Simples no ano base de 2006 conforme apurado na planilha anexa “RECEITA BRUTA APURADA VERSUS DECLARADA 2006).’ O contribuinte tomou ciência do termo em 08/08/2010. Transcorrido o prazo dado de 05 (cinco) dias para justificar as diferenças verificadas e mais de 20 dias da data da emissão do mesmo sem que houvesse manifestação quanto ao seu teor, procede se o lançamento de ofício do imposto na modalidade SIMPLES, tendo em vista a caracterização de “Receitas apuradas e não declaradas” conforme valores demonstrados na planilha anexa: ‘RECEITA BRUTA APURADA VERSUS DECLARADA SIMPLES 2006’. Cientificada dos Autos de Infração, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 201/222), alegando em síntese que : Não é verdadeira a alegação da fiscalização de que a impugnante teria omitido receitas no valor apurado pelo agente fiscal. A fiscalização apenas ALEGA a ocorrência dessa omissão, sem, contudo, PROVAR DE FORMA EFETIVA suas alegações, ou seja, COMPROVAR com documentos hábeis que a impugnante efetivamente omitiu receitas no valor total apurado. Fundamenta toda sua acusação através de dados totais do livro de apuração de ICMS, o que não é o correto, até porque nesse livro estão incluídos valores que não representam efetivamente venda, objeto de tributação. Não foi feita análise pela fiscalização de quais lançamentos seriam vendas e quais seriam referentes a outras saídas, como meras transferências, o que torna nulo o presente lançamento. A fiscalização, então, apenas presumiu a existência de omissões de receitas, sem, contudo, fazer qualquer prova disso, o que seria sua obrigação. Para se configurar uma omissão de receita, caberia ao fisco comprovar que realmente existiu. Cabe a autoridade administrativa a prova da veracidade dos fatos alegados. Sendo uma presunção relativa, cabe ao fisco o ônus da prova. Cumprirá a Administração Fiscal prosseguir na busca da real verdade dos fatos tributariamente relevantes. A administração fiscal deve velar pela legalidade do procedimento administrativo do lançamento, e, em consequência devem ser trazidos aos autos provas precisas, para fundamentar suas propostas ante o órgão decisório, sob pena de submeter a graves injustiças ao contribuinte. Como o lançamento fundamenta—se em meras suposições, deve o mesmo ser totalmente cancelado, já que foi lastreado em mera e pura PRESUNÇÃO. Assim, deve ser totalmente cancelado esse lançamento, tendo a total ausência de provas concretas da alegada omissão de receitas. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10970.000718/201062 Acórdão n.º 140201.004 S1C4T2 Fl. 0 4 Na remota hipótese, para não dizer impossível, de não ser totalmente cancelado o presente lançamento, o que colocamos como mera e afastada suposição, de toda forma os lançamentos de PIS e COFINS deveriam ser retificados. A base de cálculo da contribuição relativa à COFINS e ao PIS, que é o faturamento, certamente integrase também, no lançamento do Fisco, o montante devido à título de ICMS, o que não é jurídico ocorrer, pois torna sua incidência inconstitucional, afrontando, sobremaneira, o Princípio Constitucional da capacidade contributiva (art. 145, parágrafo 1°), posto que sua incidência atinge montante que não corresponde a sua verdadeira base de cálculo, qual seja, o faturamento, assim como o Princípio da Legalidade e, principalmente, o conceito constitucional de faturamento (artigo 195,I). Ora, o ICMS, por ser tributo indireto e, portanto, não componente da receita da empresa, ... não deve integrar o faturamento para efeito de cálculo das referidas contribuições. O que ocorre é que o ICMS agregase ao valor do serviço prestado, que é a soma das notas fiscais de serviço, E NELAS, NOTAS FISCAIS, já SE ENCONTRA INCLUÍDO NO PREÇO, e sobre ele, o ICMS, malsinadamente incide a Contribuição ao COFINS e ao PIS, que, na realidade, deveria incidir tão somente sobre o faturamento da empresa. Sempre que a Carta Magna se refere a faturamento, devese entendêlo no seu sentido técnico, sendo a somatória das receitas em um determinado período de tempo, não podendo a lei tributária alterar este conceito para deturpar a sua noção, em manifesta afronta ao artigo 110 do Código Tributário Nacional ... Portanto, não se pode confundir o conceito de faturamento, posto na Constituição, com o de receita bruta de vendas e prestação de serviços, o qual abrange a parcela de impostos incidentes sobre os mesmos. Acerca disso, há um consenso doutrinário e jurisprudencial: A matéria está sendo debatida no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Com efeito, na assentada de 24 de agosto do ano de 2006, o Órgão Pleno do Tribunal deu início ao julgamento do Recurso Extraordinário 240.785, no âmbito do qual se discute a EXCLUSÃO DO I.C.M.S ... DA BASE DE CÁLCULO DAS REFERIDAS CONTRIBUIÇÕES, NOMEADAMENTE A COFINS, ESTANDO MACULADO PELA INCONSTITUCIONALIDADE O ARTIGO 2°, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI COMPLEMENTAR 70, DE 1991. Como se pode ver, a Suprema Casa estabeleceu que TRIBUTO NÃO É RECEITA DE EMPRESA. TRIBUTO É RECEITA DE ENTE PÚBLICO, NÃO PODENDO, PORTANTO, ESTAR AGREGADO NO CONCEITO DE FATURAMENTO, PARA FINS DE INCIDÊNCIA DA COFINS. Desta forma, haja vista a premissa estabelecida no julgado acima mencionado, mormente o fato de que o ICMS, quando exigido, está incluído no valor do serviço prestado, VALE DIZER, O PREÇO PAGO AO PRESTADOR DE SERVIÇO já TRAZ INCLUÍDO, DENTRO DELE, O VALOR DO TRIBUTO A PAGAR, temse que tal parcela, devida a título de imposto, deve ser excluída da base de cálculo da COFINS e do PIS, uma vez que ela não se conforma com o conceito de RECEITA da empresa, e sim, como receita pública, do ente municipal, no qual se prestou o serviço. Do exposto, concluise que a exigência fiscal da COFINS e do PIS tendo como base de cálculo não só o faturamento, mas também o valor devido á guisa de ICMS é totalmente inconstitucional, por ofender os Princípios Constitucionais da Fl. 283DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10970.000718/201062 Acórdão n.º 140201.004 S1C4T2 Fl. 0 5 Capacidade Contributiva e da Legalidade, assim como por distorcer o verdadeiro conceito constitucional de faturamento. Esses valores cobrados inconstitucionalmente devem ser retirados do presente auto de infração, na remotíssima hipótese de não ser cancelado o presente lançamento. Por todo o exposto pedese o cancelamento do auto de infração ... A decisão recorrida está assim ementada: VENDAS ESCRITURADAS NO LIVRO REGISTRO DE SAÍDAS. OMISSÃO DE RECEITA. PROVA DIRETA. Constitui prova direta de omissão de receitas a constatação de vendas objeto de notas fiscais escrituradas no Livro Registro de Saídas, não oferecidas à tributação na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES. COFINS E PIS. BASE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS por se tratar de tributo que integra o preço de venda de produtos, mercadorias e serviços, ou seja, a receita bruta, bem como não consta entre aquelas importâncias passíveis de exclusão da base imponível delimitadas na legislação aplicável. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1.Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade ou da razoabilidade, dentre outros, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2.A doutrina trazida ao processo, não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3.A jurisprudência administrativa e judicial colacionadas não possuem eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário. Impugnação Improcedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisando ipisis verbis as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10970.000718/201062 Acórdão n.º 140201.004 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, a exigência em análise decorre de duas infrações, a primeira delas se refere à omissão de receitas caracterizada por venda de mercadorias escrituradas e declaradas a menor na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples, correspondentes ao período de março de 2006 a dezembro do mesmo ano calendário de 2006 e, a segunda se originou da insuficiência de recolhimento de imposto e contribuições. Uma vez que a contribuinte não trouxe no recurso voluntário novas provas e considerando que os fundamentos da decisão recorrida não merecem reparos, peço vênia para tanscrevelos e adotálos com razões de decidir (verbis): (...) No que tange à omissão de receitas detectada pela fiscalização, única infração contestada, a impugnante alega que o Livro Registro de Saídas, objeto de comparação com a declaração anual (DSPJ) da reclamante, não faz prova a favor do fisco, e que, como conseqüência da suposta falta de provas, houve a presunção de omissão de receitas. Cumpre evidenciar que a auditoria, de posse do Livro Registro de Saídas (fls. 111/150) e, do seu confronto com a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica DSPJ – SIMPLES (fls. 93/110), constatou divergência entre ambos, caracterizada por oferecimento à tributação de valores de receita inferiores aos contabilizados. No referido livro fiscal, se encontram contabilizadas, pela própria reclamante, as notas fiscais de venda, com as correspondentes codificações fiscais das operações – CFOP: 5.102 ou 6.102 (venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros dentro do estado e venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros para outro estado). Assim, as cópias do Livro Registro de Saídas anexadas ao processo constituem prova concreta da ocorrência dos fatos geradores, sendo legítimo o lançamento de receitas não declaradas, apurado com base em livros contábeis e fiscais, dotados de validade, tendo sido a receita omitida corretamente apurada, computandose somente saídas referentes a venda de mercadorias, sendo que o contribuinte não logrou comprovar as divergências com relação às declarações simplificadas. Também não prospera a alegação de que o fisco presumiu a receita auferida, já que esta foi extraída do livro apresentado à fiscalização. Como o próprio título indica, Livro Registro de Saídas, espelha os atos negociais praticados no período. No caso do Livro Registro de Saídas os registros mencionam detalhadamente, nota por nota emitida e o correspondente valor. Assim, longe de ter havido a presunção da obtenção das receitas, houve sim a comprovação real de que as receitas ocorreram, tanto que foram registradas. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10970.000718/201062 Acórdão n.º 140201.004 S1C4T2 Fl. 0 7 Por conseguinte, o lançamento fiscal não está baseado em mera presunção e muito menos em indício, mas em prova direta obtida no curso da ação fiscal, com irrefutável valor probante. A reclamante fragilizou os dados extraídos do Livro Registro de Saídas, utilizados como meio de prova pela fiscalização e se apoiou nesta falsa premissa para desenvolver um raciocínio e concluir que houve uma presunção de omissão de receitas. Descartada, então, a premissa, todo o encadeamento lógico desenvolvido pela reclamante, no que se refere à presunção de omissão de receitas, não merece prosperar. E mais, a alegação de que “não foi feita análise pela fiscalização de quais lançamentos seriam vendas e quais seriam referentes à outras saídas, como meras transferências” não merece prosperar, eis que, a contabilização do livro fiscal em comento (fls. 111/150), inclui, dentre outras informações, a codificação fiscal de cada uma das operações com indicação dos CFOP’s 5.102 e 6.102, que significam, respectivamente: venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros dentro do estado e venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros para outro estado. Desta forma, as operações contabilizadas se referem a vendas e, para não serem aceitas como tais, a empresa deveria ter trazido ao processo documento ou elemento de prova, ainda que por amostragem, que lastreasse sua alegação e que permitisse a essa instância de julgamento formar juízo acerca do alegado. Ressaltese que a legislação tributária, nos termos do processo administrativo fiscal (arts. 14 e 16 e parágrafos do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações), determina que a interposição de contestação “instaura a fase litigiosa do procedimento”, dando, assim, origem ao contraditório, bem como, consubstancia o momento processual apropriado para apresentação das razões e das provas que fundamentem de modo concreto e veemente a sua discordância do entendimento fiscal adotado. Assim sendo, concluise que não pode prosperar a simples alegação da autuada de que as receitas brutas apuradas e que serviram de lastro para a apuração do imposto e contribuições lançados, foram presumidas ou baseadas em mero indício, porque a fiscalização trouxe ao processo prova direta e concreta dessas receitas. A propósito da linha de defesa apresentada no sentido de que deveria ser excluído o ICMS das bases de cálculo do Pis e da Cofins, temse que as disposições contidas no §2º, do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, estabelecem de forma taxativa e restrita as hipóteses de exclusão da receita bruta da pessoa jurídica: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: Fl. 286DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10970.000718/201062 Acórdão n.º 140201.004 S1C4T2 Fl. 0 8 I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; III – os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Revogado pela MP nº 215835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. V a receita decorrente da transferência onerosa, a outros contribuintes do ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do §1º do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. (negritos acrescidos) Assim sendo, a exclusão do ICMS somente se admite quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador de serviços quando na condição de substituto tributário (inciso I), circunstância que não guarda nenhuma conexão com os fatos tratados nas autuações em análise. O inciso III acima transcrito também não se aplica à espécie, pois tal disposição já havia sido revogada à época de ocorrência dos fatos geradores. Ademais, mesmo enquanto vigente, esse dispositivo não foi regulamentado pelo Poder Executivo, não produzindo eficácia (Ato Declaratório SRF n.º 56, de 2000). Portanto, a autoridade lançadora limitouse a aplicar as disposições expressas na lei, não havendo, até o presente momento, qualquer decisão do Supremo Tribunal Federal que alcance a interessada, retirando a eficácia de tais dispositivos, ou ato emanado nos termos do art. 4º do Decreto n.º 2.346, de 1997 que autorize, no âmbito administrativo, a exclusão da base de cálculo do ICMS de obrigação própria da empresa. Por oportuno, saliento que, com o julgamento do Ação Declaratória de Constitucionalidade n.º 18 pelo STF ficaram suspensos no Poder Judiciário todos os julgamentos sobre a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, até que a Suprema Corte defina o seu mérito em sede de recurso extraordinário ainda pendente. Dessa forma, concluise que o ICMS integra o preço pago pelos produtos, mercadorias ou serviços, o que, por conseguinte, leva ao faturamento da empresa, que constitui a base de cálculo tanto da Cofins como do PIS, não merecendo qualquer reparo as bases de cálculo apuradas pela auditoria. No que se refere à discussão levantada sobre os princípios constitucionais que a reclamante entendeu terem sido infringidos, temse que às autoridades administrativas cumpre apenas a observação das normas legais e regulamentares, a teor do que determina o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 2006 e do inciso III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10970.000718/201062 Acórdão n.º 140201.004 S1C4T2 Fl. 0 9 Sendo assim, não cabe aqui apreciar questão que venha a perquirir ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da isonomia, da nãocumulatividade, da irretroatividade de lei ou da razoabilidade, competindo tão somente aplicar o direito tributário positivado na legislação tributária de regência, aí incluídos os atos normativos expedidos pela Receita Federal do Brasil, enquanto válidos e eficazes. CONCLUSÃO. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 288DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 17546.000725/2007-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/12/2003
Ementa: RECONHECIMENTO DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO FISCAL PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Sendo a questão submetida a exame das instâncias julgadoras eminentemente de direito e logrando o contribuinte êxito na demanda, falta-lhe interesse recursal na apresentação de recurso voluntário considerando que o crédito tributário lançado não foi reconhecido pela autoridade julgadora de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2301-002.726
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conhecer e apreciar o recurso. Redator: Damião Cordeiro de Moraes.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Sendo a questão submetida a exame das instâncias julgadoras eminentemente de direito e logrando o contribuinte êxito na demanda, faltalhe interesse recursal na apresentação de recurso voluntário considerando que o crédito tributário lançado não foi reconhecido pela autoridade julgadora de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conhecer e apreciar o recurso. Redator: Damião Cordeiro de Moraes. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Damião Cordeiro de Moraes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 307DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 17546.000725/200718 Acórdão n.º 230102.726 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente à diferença de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros. Conforme Relatório Fiscal (fls. 40), o débito se refere às contribuições incidentes sobre remuneração de segurado empregado e contribuinte individual que prestaram serviços à empresa Rosa Maria Maciel Rodrigues que, no entendimento da fiscalização, é a sucedida da notificada, informada em GFIP, e foi lançado tendo em vista a constatação, pela auditoria fiscal, de que a empresa jamais poderia ser optante do SIMPLES, pelo fato de fazer parte de um grupo econômico no qual o Sr. André Luiz Nogueira participa em um percentual superior ao estabelecido pela Lei 9.317/96, e por não possuir Livros Caixa e Inventário. A autoridade autuante expõe os motivos pelos quais entende que há formação de grupo econômico entre a recorrente e a empresa FRIGOSEF FRIGOR. SEF DE S.J.DOS CAMPOS e as demais ali listadas, e fundamenta a solidariedade entre as empresas do grupo no art. 30, inciso IX, da Lei 8.212/91. A empresa notificada e as demais solidárias apresentaram defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0520.374, da 7a Turma da DRJ/CPS, (fls. 169), julgou o lançamento improcedente, ao argumento de que os valores lançados não são devidos, pois se trata de contribuições chamadas "patronais", inexigíveis dos optantes do "SIMPLES", em cuja condição se encontrava o contribuinte Rosa Maria Maciel RodriguesME, sucedida da recorrente, no respectivo período, conforme informação extraída dos registros informatizados da Receita Federal do Brasil. O Acórdão de primeira instância manteve a caracterização do Grupo Econômico, excluindo, porém, do pólo passivo da NFLD, a empresa Frigovalpa Comércio e Indústria de Carnes Ltda, sob a alegação de que não restaram evidenciados, nos autos, os elementos caracterizadores da constituição de grupo econômico de fato entre o citado frigorífico e as demais empresas. Esclarece, ainda, que a autoridade lançadora não poderia sumariamente excluir a empresa do SIMPLES, devendo o Auditor Fiscal, ao verificar a presença dos motivos impeditivos da opção ou excludentes do regime, elaborar Representação Administrativa para eventual instauração de processo administrativo próprio. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 252), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, alega que os julgadores, ao proferirem a decisão recorrida, não se atentaram para todos as alegações apresentadas em impugnação e, embora tenham citado todas no relato da decisão, ao proferirem os motivos ensejadores da decisão deixaram de apreciar alguns argumentos da ora recorrente, bem como deixaram de aplicar o principio da Fl. 308DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 legalidade, ao desconsiderar aplicação de legislação apresentada em impugnação, preferindo aplicar fatos. Aponta ao argumentos que deixaram de ser apreciados pelo julgador de primeira instância e reitera os argumentos trazidos na impugnação que, segundo entende, são relevantes e razoáveis para afastar a participação da recorrente em qualquer grupo econômico alegado, e reafirma que a não apreciação, pelos julgadores, de tais argumentos configura violação do principio da ampla defesa e contraditório, bem como apresentase como evidente cerceamento do direito de defesa. Entende que a alegação trazida pelo auditor fiscal sobre o escritório contábil cuidar dos documentos da empresa recorrente e do açougue de seu irmão André Luiz Nogueira Jr não deveria nem ser citada no Relatório da NFLD, , tendo em vista que inexiste qualquer impedimento legal, sendo tal argumento improcedente, por ferir o direito de livre exercício da profissão de contador, bem como reflete em coibir a recorrente em procurar profissional adequado para cuidar de sua contabilidade. Quanto a utilização do nome fantasia de um dos fornecedores, assevera que os julgadores se esqueceram a legislação civil não exige que esta modalidade de contrato seja revestida de formalidade, ou seja, desnecessária a existência de contrato escrito e, ao desconsiderar esse aspecto legal, a decisão fere claramente o principio da legalidade que deve ser respeitado também pela administração indireta. Em relação ao fato de a recorrente possuir um único fornecedor de um determinado produto, salienta que a empresa notificada possui outros fornecedores para os demais produtos comuns em sua atividade, e o simples fato de ter a recorrente um fornecedor exclusivo de um determinado produto não pode ensejar sua participação em grupo econômico, eis que tal pratica hoje é amplamente exercida pelos empresários, até mesmo como poder de negociação de preço e condições de pagamento. Frisa que Grupo Econômico está prevista somente nas Sociedades Anônimas, não se aplicando às demais sociedades; primeiro porque a Lei 6.404/76, que trata da Sociedade Anônima, não faz qualquer alusão empresa individual ME, como é o caso da recorrente, e cita a doutrina para tentar demonstrar que o empresário individual jamais poderá integrar ou ter a empresa integrada em qualquer tipo de grupo econômico. Observa que nenhuma das empresas citadas no Relatório fiscal é enquadrada como S.A, sendo todas ou Individual ou Ltda, e nenhuma apresenta como sócio outra empresa tida como Sociedade Anônima, fato que, segundo entende, descaracteriza a alegação de ocorrência de Grupo Econômico de Fato. Traz a definição de Grupo Econômico de Fato para reforçar o entendimento de que é necessária a participação acionária para a sua formação ou caracterização, reafirmando que em momento algum a recorrente foi economicamente sujeita a direção econômica única, sempre se mantendo sozinha e sem dependência econômica. Chama a atenção para o fato de que as empresas citadas na decisão recorrida, existiram bem como exerceram suas atividades em épocas diferentes, jamais em período concomitante, como se pode depreender da analise do próprio relatório fiscal, e conclui que não há a mínima possibilidade de se vislumbrar comunhão de objetivos sociais de duas empresas, pois a relação comercial mantida em hipótese alguma leva a presumir existência de grupo econômico. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 17546.000725/200718 Acórdão n.º 230102.726 S2C3T1 Fl. 3 5 Assevera que as empresas citadas possuem seu comando financeiro e organizacional totalmente alheio à empresa ora recorrente, sendo que cada uma delas é gerida pelo seu proprietário, que não é qualquer dos sócios da recorrente, e que essas empresas não dependem da recorrente para nada, efetuando compra de outros produtos necessários ao exercício de sua atividade com outros fornecedores, não efetuando essas compras em nome da notificada e, ainda, possuindo funcionários próprios. Defende a inocorrência da sucessão por incorporação, argumentando que a empresa Rosa Maria ME apresentou declaração de inativa referente aos anosbase 2005 e 2006, e que, no ano em que se deu a venda somente dos equipamentos, ou seja 2004, continuou a exercer suas atividades regulares. Esclarece que a recorrente não adquiriu o estabelecimento comercial que se dá pelo chamado trespasse, ou mesmo sequer adquiriu o fundo de comércio, elementos imprescindíveis para a caracterização da sucessão, nos termos do art. 133 do CTN e afirma que, ao que parece, Rosa MariaME vem pagando regularmente seus débitos junto a previdência social, não estando inadimplente, sendo este outro aspecto de grande importância para a não caracterização da alegada sucessão comercial, pois, se não existe débito vencido e não pago, bem como adesão a sistema de parcelamento por Rosa Maria ME, não há que se falar em solidariedade de obrigações por parte da recorrente. Entende que, para se declarar eventual sucessão, é necessário fazer prova cabal de que Rosa Maria ME não possui outros bens para minimamente garantir o pagamento de seus débitos, como também deveria a recorrente ter comprado toda a empresa, ou seja, nome fantasia, razão social, os estoques, carteira de fornecedores e adquirido o ponto comercial, o que não ocorreu, pois a notificada somente comprou os equipamentos, e de pessoa física, como demonstra o contrato anexo ao relatório fiscal, o que leva à conclusão sobre a impossibilidade da ocorrência de sucessão por incorporação. Reafirma que a recorrente não efetivou a compra do ponto comercial, mas somente alugou o imóvel dos proprietários e não da empresa Rosa Maria ME, que esteve estabelecida anteriormente no local, sendo que um dos donos do imóvel é pessoa totalmente alheia à recorrente e à empresa Rosa Maria ME, como se pode notar da simples análise do contrato de aluguel juntado ao relatório fiscal, não podendo, portanto, o simples aluguel de imóvel onde antes existia a empresa acarretar sucessão, por inocorrência das hipótese do art. 133, do CTN. Informa que os empregados foram todos contratados em datas posteriores ao início das efetivas atividades da recorrente, sendo evidente que a esmagadora não laboraram para a empresa Rosa Maria – ME, sendo que os débitos referentes ao período anterior à constituição da empresa recorrente deverão ser lançados somente em nome dos responsáveis à época, qual seja, Rosa Maria ME, ante a impossibilidade da ocorrência de sucessão por incorporação. Argumenta que, caso ficasse comprovada a sucessão comercial, o que não ocorreu, no máximo poderia se imputar responsabilidade subsidiária ou supletiva a recorrente, caso Rosa Maria ME deixasse de cumprir com suas obrigações tributárias, porem jamais solidária, ante a continua exploração da atividade por Rosa Maria ME. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Requer, por fim, a reforma da decisão no que tange à sua participação em eventual Grupo Econômico e à manutenção da sucessão por incorporação, para que os débitos de responsabilidade de Rosa Maria ME sejam lançados somente em seu nome e sob sua responsabilidade, e que seja mantida a decisão recorrida no que se refere à improcedência do valor lançado. As empresas consideradas integrantes do Grupo Econômico e solidárias pelo débito, FRIGORIFICO CAMPOS DE SAO JOSÉ LTDA, ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JUNIORME e FRIGOSEF FRIGOR. SEF DE S.J.DOS CAMPOS, apresentaram recursos tempestivos, alegando, em síntese, desnecessidade de efetuar o depósito prévio e inexistência de formação de grupo econômico. A empresa ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JUNIOR também alega que a decisão recorrida deixou de analisar os argumentos apresentados na impugnação e não apresentou qualquer fundamentação legal para manutenção do recorrente no pólo passivo, configurando evidente cerceamento do direito de defesa consagrado pela Constituição Federal. Sustenta que impossível vincular a participação do recorrente no alegado grupo econômico, pela evidente e inegável falta de elementos probatórios nos autos. A outra integrante do Grupo Econômico, no entender da fiscalização, a FRIGORIFICO CAMPOS DE SÃO JOSÉ LTDA, sustenta que não ocorreu qualquer atuação concomitante entre as empresas, nos termos explicados em impugnação, tanto que o relato da decisão declara que as empresas foram constituídas sucessivamente e não concomitantemente, sendo, portanto, latente a ilegalidade na decisão, afrontando as determinações legais, deturpando entendimentos entre sucessão e formação de grupo econômico. A empresa Frigosef alega que o Sr. Julgador cometeu equívocos ao aplicar norma posterior a fato anterior; ou seja, utilizou entendimento da IN n° 3, com alteração dada no ano de 2007. Entende que as disposições da Lei 6404/76 devem prevalecer sobre o que dispõe a IN n ° 3; levando ao entendimento pela impossibilidade de formação do grupo econômico. Aponta como sendo outra ilegalidade da decisão o embasamento da formação de grupo econômico em norma reguladora trabalhista, uma vez que a presente discussão versa sobre débitos tidos como fiscais e não trabalhista, não podendo, portanto, requerer aplicação de dispositivo da CLT a questão fiscal. Qualifica de equivocada a interpretação do art. 30, IX, da Lei 8112/91 c/c art. 124 do CTN e c/c art. 50 C.C, uma vez que o art. 124 do CTN trata de solidariedade e não de formação de grupo econômico, exigindo alguns requisitos para aplicação da solidariedade, o que no caso não ocorre. Lista algumas contradições que, no seu entendimento, ocorreram no Relatório Fiscal e reitera que jamais manteve qualquer relação comercial com as citadas empresas, até mesmo pela sua inatividade quando do inicio das atividades das empresas relacionadas pela fiscalização. Requer, por fim, que seja dado provimento ao recurso, com a conseqüente reforma da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 17546.000725/200718 Acórdão n.º 230102.726 S2C3T1 Fl. 4 7 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Verificase, dos autos, que somente a notificada, MONALISA PEREIRA LOPES NOGUEIRA ME, e as empresas consideradas como integrantes do Grupo Econômico, FRIGOSEF FRIGOR. SEF DE S.J.DOS CAMPOS, FRIGORIFICO CAMPOS DE SAO JOSÉ LTDA e ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JUNIOR ME, apresentaram recursos, sendo que as quatro insurgiramse contra a caracterização do Grupo Econômico, motivo pelo qual, no que se refere a essa matéria, seus recursos serão analisados em conjunto. Tanto a empresa notificada, MONALISA, quanto a solidária, ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JUNIORME, alegaram cerceamento de defesa por ter a decisão recorrida deixado de apreciar argumentos trazidos na impugnação. Entendem que a não apreciação, pelos julgadores, de tais argumentos configura violação do principio da ampla defesa e contraditório, bem como apresentase como evidente cerceamento do direito de defesa. Contudo, não se verifica o alegado cerceamento de defesa. Constatase que o Relator do Acórdão combatido demonstra a convicção do julgador diante dos fatos e argumentos que lhes foram apresentados, seja pela auditoria fiscal, seja pela notificada e responsáveis solidárias. Ocorre que os argumentos trazidos pela recorrente e demais integrantes do grupo econômico não foram suficientes para que os julgadores de primeira instância se convencessem da inexistência da formação do grupo econômico. A fiscalização expôs, com muita clareza e riqueza de detalhes, juntando, documentação comprobatória de suas afirmações, os motivos pelos quais entendeu que houve formação de grupo econômico de fato. O art. 59, do Decreto 70.235/72, dispõe que Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não restou demonstrado nos autos que houve cerceamento de defesa do notificado ou das demais empresas envolvidas, que demonstraram pleno conhecimento do que lhes esta sendo imputado. Constatase que o Relator do Acórdão recorrido apreciou todas as alegações apresentadas pelas impugnantes que, no seu julgamento, eram importantes para a tomada de Fl. 313DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 17546.000725/200718 Acórdão n.º 230102.726 S2C3T1 Fl. 5 9 decisão, já que, conforme jurisprudência do STJ, o órgão julgador não está obrigado a apreciar toda e qualquer alegação apresentada pela recorrente, mas tão somente aquelas que possuem o condão de formar ou alterar sua convicção. Assim, não há que se falar em cerceamento de defesa ou em ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. A recorrente alega que inexiste impedimento legal para que determinado escritório contábil cuide dos seus documentos e do açougue de seu irmão, ou que uma empresa possua um único fornecedor de um determinado produto, e que tais argumentos ferem o direito de livre exercício da profissão de contador, e coíbe a recorrente em procurar profissionais adequados, ou em poder negociar preço e condições de pagamento. Porém, ressaltese que em nenhum momento a fiscalização negou essa possibilidade ou o direito à livre iniciativa da recorrente. Na verdade, o que a autoridade notificante constatou em ação fiscal desenvolvida na empresa e demonstrou, no relatório da NFLD, foi a existência de um grupo econômico de fato entre a recorrente e as empresas relacionadas pela autoridade lançadora. Os fatos narrados pela fiscalização e confirmados pela recorrente apenas reforçam a convicção de que todas as empresas formam um grupo econômico de fato. O fato de as empresas pertencerem a um mesmo grupo familiar corrobora a afirmação da auditoria fiscal de que não existem vários, mas apenas um empreendimento industrial, ou seja, um grupo econômico de fato. A notificada argumenta que Grupo Econômico está previsto somente nas Sociedades Anônimas, não se aplicando às demais sociedades e que o empresário individual jamais poderá integrar ou ter a empresa integrada em qualquer tipo de grupo econômico e que, como nenhuma das empresas citadas no Relatório fiscal é enquadrada como S.A, sendo todas ou Individual ou Ltda, e nenhuma apresenta como sócio outra empresa tida como Sociedade Anônima, não há como caracterizar a formação de Grupo Econômico de Fato. Contudo, a realidade fática constatada pelo fisco e demonstrado nos autos é a de que a as empresas recorrentes, mesmo sendo microempresas ou Ltda, formam um grupo econômico de fato. A autoridade notificante constatou, e comprovou nos autos, que o Sr André Luiz Nogueira, sóciogerente das empresas Frigosef Frigor. Sef de S.J.Dos Campos e Frigorifico Campos De Sao José Ltda, sucessora do Frigorífico Mantiqueira, é pai da titular da recorrente e assinou os termos de rescisões de contratos de trabalhos de exempregados da empresa Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME E foi o mesmo André Luiz Nogueira quem firmou, em nome pessoal, contrato de locação de imóvel, bem como contrato de compromisso de compra e venda de maquinário e equipamento, com Rosa Maria Maciel Rodrigues, ambos relativos ao imóvel que seria instalado uma filial da recorrente, indicando que foi ele que assumiu pessoalmente a responsabilidade pelo aluguel e pagamento do maquinário da empresa Monalisa. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 Todos esses fatos, aliados aos demais narrados pela fiscalização, como, por exemplo, a constatação de que a empresa Monalisa adquire toda sua carne do Frigorífico Campos de São José Ltda, do qual a titular da recorrente é ou foi empregada, reforçam a convicção de que a notificada e as empresas relacionadas no Relatório Fiscal formam um Grupo Econômico de fato. É oportuno observar que, apesar de intimadas por meio de TIAD, as empresas relacionadas não apresentaram os livros contábeis ou demais documentos que pudessem fazer prova de suas alegações. Dessa forma, da análise dos fatos apresentados e dos documentos juntados aos autos pela fiscalização, verificase a existência de uma simulação no procedimento adotado pela notificada em relação às empresas apontadas no RELFISC. Na definição de Clóvis Beviláqua, a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado (Código Civil dos Estados Unidos do Brasil Comentado – 15ª Edição). O Código Civil Brasileiro de 2002 traz, no § 1o, do art. 167, as hipóteses em que fica configurada a ocorrência de simulação: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados E, conforme demonstrado nos autos, a situação verificada pela auditoria fiscal se enquadra perfeitamente no dispositivo legal transcrito acima. Segundo Orlando Gomes, ocorre simulação quando em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiro (Introdução ao Estudo do Direito – 7ª Edição). E, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Assim, em respeito ao Princípio da Verdade Material e pelo poderdever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, pode superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária aos verdadeiros participantes do negócio. O conceito de grupo econômico de fato e de direito pode ser extraído da Lei nº 6.404/1976, a Lei das Sociedades Anônimas, mas, ao contrário do que afirma a recorrente, não é somente a Lei das Sociedades Anônimas é que trata de grupo econômico Fl. 315DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 17546.000725/200718 Acórdão n.º 230102.726 S2C3T1 Fl. 6 11 A Lei 8.212/91, em seu art. 30, inciso IX, trata de grupo econômico de qualquer natureza, ou seja, de fato ou de direito. Além da Lei nº 8.212/1991, o sistema jurídico brasileiro trata dos grupos empresariais em outros diplomas legais, entre eles, a CLT que, em seu art. 2.º, § 2.º, estabelece, para efeitos da relação de emprego, a responsabilidade solidária de empresas que “estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica”; Também a Lei 8.884/1994, que dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica, em seu art. 17, prevê a responsabilidade solidária de “empresa ou entidades integrantes de grupo econômico, de fato ou de direito, que praticarem infrações da ordem econômica”. Da mesma forma, o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990), em seu art. 28, prevê responsabilidade subsidiária para as “sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades controladas”. Portanto, na presença de simulação, a auditoria fiscal tem o deverpoder de não permanecer inerte, pois tais negócios são inoponíveis ao fisco no exercício da atividade plenamente vinculada do lançamento, que no caso em tela encontra respaldo ainda no artigo 149, inciso VII do CTN que dispõe o seguinte: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ......................................... VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Nesse sentido e por tudo que foi exposto no Relatório Fiscal, entendo que restou caracterizada a existência de um Grupo Econômico, envolvendo todas as empresas arroladas pela fiscalização Da mesma forma, ficou evidenciado, nos autos, a ocorrência da sucessão. Relativamente à caracterização da sucessão da empresa Maria Maciel Rodrigues — ME por Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME, observase que a recorrente se instalou no mesmo prédio no qual, até então, funcionava a empresa Rosa Maria Maciel Rodrigues, continuando a exercer as mesmas atividades comerciais da empresa anterior, e adquirindo todos os seus equipamentos empregando parte de seus empregados. Assim, os elementos acima evidenciam a sucessão de fato, nos termos do art. 133, do CTN, e do art. 751, da IN 03/2005. Quanto ao argumento de que a empresa sucedida, Rosa Maria, teria quitado suas obrigações previdenciárias para o período do débito, vale esclarecer tal questão é irrelevante para o caso em tela, uma vez que o lançamento foi julgado improcedente pela primeira instância administrativa, não havendo débito a ser cobrado. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 Quanto aos recursos apresentados pelas demais empresas solidárias, que insurgiramse contra a formação de grupo econômico, passase, agora, à análise dos fatos trazidos aos autos. O Relatório Fiscal, no item "Caracterização do Grupo Econômico de Fato", bem como toda a documentação contida nos autos, trazem as seguintes informações relevantes: O Sr José Luiz Nogueira é sócio da Frigosef e da empresa Frigorífico Campos de São Jose Ltda, sucessora do Frigorífico Mantiqueira A empresa FRIGOSEF foi aberta com um capital social de R$ 950,00, para fazer funcionar um frigorífico que nasceu falido, diante de um arrendamento de R$ 15.000,00 e aquisição de matériaprima paga normalmente à vista , e somente a conta de energia elétrica deveria consumir todo o capital investido no primeiro mês de funcionamento. O Sr: Andre Luiz Nogueira, sócio gerente da FRIGOSEF desde 20/03/98 e do Frigorífico Campos de São Jose, assina documento pelas 2 empresas, como verificado no processo de beneficio de Hélio Soares de Lima (FRIGOSEF) e Processo Trabalhista nr. 82/2005 de Francisco das Chagas (FRIGOSEF) e recibos de férias, rescisões, cheques e outros pelo Frigorífico Mantiqueira Ltda. Verificouse, ainda, nos locais desses estabelecimentos, que o Sr. André Luiz Nogueira faz a verificação da falta de carnes bovinas e suínas, que somente o Frigorífico Campos de São Jose fornece. O Sr. André Luiz Nogueira Júnior é empregado do Frigorífico Campos de São José Ltda, e o Sr. André Luiz Nogueira assina documentos da empresa André Luiz Nogueira Junior ME Portanto, constatase que as empresas citadas têm, em comum, o fato de desenvolverem atividades vinculadas e complementares, evidenciandose, a partir do exame de seu quadro societário, uma estreita ligação entre todas elas. É importante destacar que essas participações societárias, no ensinamento de Verçosa (2006, p. 262/266), [..] podem ter o caráter de mero investimento e até mesmo ser acidentais, como ocorre nas hipóteses em que uma sociedade credora recebe ações ou quotas de outra sociedade devedora como resultado de um acordo. Mas tais participações podem compor um quadro mais amplo e profundo. [..] Do ponto de vista jurídico, a união de sociedades fundada em relações de controle baseadas em participações de capital apresentase sob a forma de dois tipos de grupos: (t) de direito ou (ii) de fato. Os primeiros organizamse formalmente por meio da celebração de um contrato denominado convenção de grupo.Os segundos são aqueles assim considerados em vista do puro e simples fato da existência de uma ou mais sociedades que, individualmente ou em conjunto, pode(m) determinar os destinos das sociedades que abaixo dela(s) s coloca(m) na cadeia de comando. (g.n.). De todo o conjunto probatório examinado, o meu convencimento caminha na direção da existência de inúmeros elementos indicativos de um poder de controle de certo modo centralizado, ou, pelo menos, harmonizado com os interesses comuns das empresas. É patente, no caso em tela, a configuração de empresas atuando com objetivos correlatos, constatandose várias operações a demonstrar, no mínimo, uma Fl. 317DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 17546.000725/200718 Acórdão n.º 230102.726 S2C3T1 Fl. 7 13 coordenação entre as empresas; fato reforçado em razão de que, basicamente, as mesmas pessoas exercem, direta ou indiretamente, a administração dos negócios do grupo. Cumpre observar que não é o mero fato da relação de parentesco que vai indicar a existência de um grupo econômico, mas , no caso específico sob exame, a forma peculiar como estão dispostos, societariamente, o controlador principal (Sr. André Luiz Nogueira), e as outras empresas citadas pela fiscalização. Vale esclarecer que o sentido de grupo econômico não se restringe mais à interpretação literal do art. 2o, § 2o, da CLT, no sentido de se ter uma empresa controladora, admitindose também existir apenas coordenação entre as empresas e, nesse sentido, dispõe a jurisprudência: EMENTA: GRUPO ECONÔMICO DE FATO – CARACTERIZAÇÃO. O § 2o, do art. 2o da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla do que seu texto sugere, considerandose a finalidade da norma, e a evolução das relações econômicas nos quase sessenta anos de sua vigência. Apesar da literalidade do preceito, podem ocorrer, na prática, situações em que a direção, o controle ou a administração não estejam exatamente nas mãos de uma empresa, pessoa jurídica. Pode não existir uma coordenação, horizontal, entre as empresas, submetidas a um controle geral, exercido por pessoas jurídicas ou físicas, nem sempre revelado nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração do grupo quer ser dissimulada. Provados o controle e direção por determinadas pessoas físicas que, de fato, mantém a administração das empresas, sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária. PROCESSO TRT/15a REGIÃO – Nº 00902200108315000RO 922352/2002RO9) Assim, entendo que restou caracterizada a formação do grupo econômico entre as empresas citadas, pois existe interesses comuns entre as mesmas pessoas, indicadas pela fiscalização, que comandam e dirigem o empreendimento. A fiscalização fundamentou o lançamento na responsabilidade solidária de que trata o inciso IX, do art 30, da Lei 8.212/91. Responsabilidade Solidária é a obrigação legalmente imposta aos integrantes do grupo econômico de qualquer natureza de responder pelas obrigações previdenciárias, isoladamente ou em conjunto, consoante art. 30, IX, da Lei 8.212/91. Portanto, por determinação legal, todas as empresas que integram o grupo econômico respondem solidariamente, entre si, pelas obrigações decorrentes da Lei 8.212/91. As recorrentes alegam que o Sr. Julgador cometeu equívocos ao aplicar norma posterior a fato anterior, ou seja, utilizou entendimento da IN n° 3, com alteração dada no ano de 2007. Entende que as disposições da Lei 6.404/76 devem prevalecer sobre o que dispõe a IN n° 3; levando ao entendimento pela impossibilidade de formação do grupo econômico. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 Contudo, a responsabilidade solidária pelo débito foi fundamentada no artigo 30, IX, da Lei 8.212/91 e no art. 222, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, normas legais que devem ser observadas pela autoridade fiscal, tendo em vista sua atividade vinculante. E a menção da IN 03/2005 pela autoridade julgadora não se trata de retroação da norma, conforme entenderam de forma equivocada as recorrentes, uma vez que o referido normativo legal é de 2005 e, portanto, se encontrava em vigor quando da lavratura do AI, e o julgador apenas citou, para reforçar sua argumentação e se contrapor aos argumentos das recorrentes, o artigo com redação vigente à época da emissão do Acórdão recorrido, o que não invalida a decisão combatida. A IN 03/05 foi trazida pela autoridade julgadora por ser o normativo vigente quando da emissão do Acórdão, e a IN 20/2007, que deu nova redação ao inciso I, do citado artigo 179, do referido normativo legal, apenas acrescentou a expressão “conforme previsto no inciso IX do art.30, da Lei 8.212 de 1991” Assim, a IN 03/05, em sua redação original e vigente quando da lavratura do AI, já estabelecia, no inciso I, do seu art. 179, que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, são responsáveis solidárias, entre si, pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal. Nesse sentido, não merece reparos o Acórdão recorrido. Dessa forma, verificase que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Nesse sentido, Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora . Fl. 319DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 17546.000725/200718 Acórdão n.º 230102.726 S2C3T1 Fl. 8 15 Voto Vencedor Damião Cordeiro de Moraes Redator 1. Peço vênia a douta conselheira relatora Bernadete Barros de Oliveira para divergir do seu posicionamento, uma vez que entendo inexistir base para o conhecimento do recurso voluntário, ante ao dispositivo trazido no acórdão recorrido que considerou o lançamento improcedente em sua totalidade. 2. É o que temos a considerar do dispositivo do acórdão recorrido: “Acordam os membros da 7a. Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar IMPROCEDENTE a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos — NFLD 37.036.2047, lavrado em 10/10/2006, com retificação do pólo passivo”. 3. Sendo a questão submetida a exame das instâncias julgadoras eminentemente de direito e logrando o contribuinte êxito na demanda, faltalhe interesse recursal na apresentação de recurso voluntário considerando que o crédito tributário lançado não foi reconhecido pela autoridade julgadora de primeira instância. 4. Desta forma, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, ante a inexistência de matéria recorrível. CONCLUSÃO 5. Voto pelo não conhecimento do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, ante a inexistência de matéria recorrível. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10166.008933/2002-86
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1998 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. MOTIVO INEXISTENTE. Se o auto de infração foi motivado na não comprovação do processo judicial que embasou compensação declarada em DCTF e o contribuinte, na impugnação, comprovou a existência daquele processo e da decisão judicial que deu amparo à compensação, cancela-se o lançamento. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-001.697
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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MOTIVO INEXISTENTE. Se o auto de infração foi motivado na não comprovação do processo judicial que embasou compensação declarada em DCTF e o contribuinte, na impugnação, comprovou a existência daquele processo e da decisão judicial que deu amparo à compensação, cancelase o lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de auto de infração eletrônico com ciência postal do contribuinte em 10/06/2002 (fl. 59), lavrado para exigir o crédito tributário relativo ao PIS, multa de ofício e Fl. 236DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 juros de mora, em razão da falta de recolhimento da contribuição nos períodos de apuração de junho a dezembro de 1998, decorrente de compensações efetuadas com base no processo judicial nº 1998.34.00.0167759, que não teria sido comprovado “Proc. Jud. Não comprovad” , conforme fls. 63 a 65. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que efetuara compensações com créditos do PIS recolhido a maior nos termos dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, com base em decisão judicial obtida no processo nº 1998.34.00.016775 9, da 17ª Vara Federal do Distrito Federal. A comprovação da existência da ação judicial foi feita por meio da juntada da petição inicial, com data de ajuizamento em 09/09/1998; sentença; e Acórdão do TRF da 1ª Região, conforme fls. 04/41. A partir da fl. 42 o contribuinte juntou as DCTF do período, demonstrando que a compensação fora declarada à repartição. Por meio do Acórdão nº 15.011, de 22 de setembro de 2005, a 4ª Turma da DRJ Brasília manteve o lançamento. Ficou decidido que embora o contribuinte tivesse razão quanto ao fato de ter feito a compensação acobertado pela decisão judicial proferida na aludida ação ordinária, o procedimento fiscal teria sido escorreito, no sentido de prevenir a decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário. O acórdão de primeira instância reconheceu que a decisão judicial permitia a compensação nos moldes em que foi processada, mas como ainda estava pendente de trânsito em julgado, manteve o lançamento para prevenir a decadência. Houve a interposição de recurso voluntário e por meio do Acórdão nº 201 79.313 (fls. 163/167), a extinta Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, anulou o Acórdão de primeira instância. Ficou vencido o Conselheiro José Antonio Francisco, que votou no sentido de prover o recurso. A DRJ Brasília baixou o processo em diligência (fl. 172), a fim de que o indébito fosse apurado e a compensação conferida. No relatório de diligência de fls. 205/206 consta um resumo das decisões proferidas no processo judicial e que o contribuinte não respondeu à intimação para apresentar os cálculos da compensação por ele efetuada. O relatório concluiu que a compensação efetuada não pode ser validada porque o contribuinte não desistiu da execução do título judicial, conforme exige o art. 50 da IN nº 600/2005. Por meio do Acórdão nº 37.175, de 27 de maio de 2010, a 4ª Turma da DRJ Brasília manteve o lançamento nos seguintes termos: 1) registrou que o entendimento da 4ª Turma permanece o mesmo, quanto ao auto de infração ter sido formalizado para prevenir a decadência, consoante o art. 63 da Lei nº 9.430/96; 2) embora não concorde com a decisão da Primeira Câmara do Segundo Conselho, cumpriu o que ali foi determinado para examinar os argumentos da contribuinte trazidos na sua impugnação; 3) no mérito, adotou os mesmos fundamentos adotados pela fiscalização no termo de diligência, quais sejam (i) não houve desistência da execução do título judicial, (ii) em razão da omissão do contribuinte em responder à intimação, não foi possível quantificar o indébito e aferir a compensação e (iii) não existe nos autos a comprovação de que a compensação declarada foi escriturada na contabilidade. Regularmente notificado daquele Acórdão em 09/07/2010, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 219 a 223, em 30/07/2010. Alegou, em síntese, que realizou as compensações durante o ano de 1998 e que o Acórdão recorrido entendeu que a empresa deveria ter obedecido as regras da IN nº 600/2005, que é posterior aos fatos geradores. Na época vigia a IN nº 21/97 e a IN nº 73/97, que estabeleciam que o contribuinte deveria realizar Fl. 237DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10166.008933/200286 Acórdão n.º 3403001.697 S3C4T3 Fl. 2 3 a compensação mediante a indicação em DCTF, tal como foi feito pela recorrente. Ademais, vigia na época o entendimento do STJ, segundo o qual o contribuinte estava autorizado a executar a compensação com base em título judicial. Se a motivação do lançamento foi apenas “processo judicial não comprovado” e o contribuinte comprovou a existência do processo judicial com decisão favorável, não há razão para a manutenção do lançamento fiscal. Requereu o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão relevante neste processo é verificar se existe o motivo invocado como causa determinante do lançamento tributário. Compulsando os autos, verificase que o processo nem sequer foi instruído com a peça original do auto de infração. O que existe nos autos é a cópia do suposto auto de infração, trazida ao processo como anexo à impugnação apresentada pelo contribuinte. Inexistindo controvérsia sobre a autenticidade da cópia do auto de infração e dos demais documentos trazidos aos autos pelo contribuinte por meio de cópias, passo ao exame do mérito. Verificase que a motivação do lançamento foi a falta de comprovação do processo judicial que deu amparo à compensação sem DARF, a qual fora declarada em DCTF pelo contribuinte. Este deve ser o significado mais provável da combinação das expressões “Comp s/DARFOutrosPJU” e “Proc. Jud. Não comprovad”, que se encontram nas fls. 63 a 65. O texto que exprime a causa da autuação é apenas esse: “Comp s/DARFOutros PJU” e “Proc jud não comprovad”. Assim, se o contribuinte vem aos autos por meio de impugnação e comprova não só a efetividade do processo judicial, mas também a existência de decisão judicial favorável, no sentido de autorizar a compensação intentada, considero rechaçado o único motivo invocado para a feitura do auto de infração. Esta situação foi constatada pela 4ª Turma da DRJ – Brasília ao elaborar o Acórdão nº 15.011, que foi anulado pela Primeira Câmara do Segundo Conselho. Mas em vez cancelar o auto de infração, diante da comprovação da inexistência do motivo invocado como causa do lançamento, o Colegiado de piso optou por mantêlo, sob a justificativa de que o ato foi praticado com a finalidade de prevenir a decadência. Ora, como a fiscalização poderia ter cogitado de efetuar lançamento para “prevenir a decadência”, se o motivo invocado para sua feitura foi justamente a inexistência do processo judicial? Fl. 238DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 É óbvio que a autoridade administrativa jamais cogitou de lavrar o auto de infração em razão da compensação estar sub judice. O lançamento foi efetuado ou porque os sistemas da Receita Federal não localizaram o processo judicial ou, se o localizaram, não conseguiram vinculálo ao contribuinte. Em vez de intimar o interessado a comprovar o processo e a compensação, como aliás determina o art. 3º da IN nº 94/1997, a autoridade administrativa gerou diretamente o auto de infração fiandose nas informações contidas nos sistemas. Tornouse costumeiro por parte das Delegacias da Receita Federal a utilização do parágrafo único do art. 3º da IN SRF nº 94/2007 para não se efetuar a intimação prévia do contribuinte. A impressão que este comportamento causa aos julgadores é que não existe no mundo nenhum caso que justifique a intimação prévia. E com tal comportamento, acabam sendo gerados milhares de autos de infração eletrônicos sem nenhuma sustentação fática. Assim, o que se teve no Acórdão nº 15.011 foi a alteração do fato que justificou a autuação. O contribuinte foi lançado com base no fato “não comprovação do processo judicial que autorizou a compensação”. A DRJ – Brasília mudou o fato jurígeno do lançamento de “processo judicial não comprovado” para “lançamento para prevenir a decadência”. Com esta mudança, atestou por via oblíqua a existência do processo judicial. Por seu turno, no Acórdão nº 37.175, de 27/05/2010, o Colegiado de piso, mais uma vez alterou os fundamentos da autuação para tentar manter o lançamento. Conforme visto alhures, o único fato que embasou o lançamento foi a não comprovação do processo judicial nº 1998.34.000167759. A autoridade administrativa, não levantou e nem indicou nenhum outro fato. Não constou da motivação original que houve excesso de compensação por parte do contribuinte. Entretanto, a DRJ – Brasília ao receber de volta o processo para efetuar novo julgamento, apressouse em determinar uma diligência para que fossem feitos os cálculos da compensação, providência que deveria ter precedido o lançamento de ofício para que, sendo o caso, tal fato integrasse a motivação do ato administrativo. Diante da omissão do contribuinte em apresentar as planilhas com os cálculos da compensação por ele efetuada, a fiscalização e a DRJ – Brasília lançaram mão de novos motivos para a manutenção do auto de infração, quais sejam: o contribuinte (i) não comprovou a desistência da execução do título judicial; (ii) não comprovou os cálculos efetuados; e (iii) não comprovou que a compensação foi contabilizada. Nenhum dos motivos alegados no Acórdão nº 37.175 da DRJ Brasília sequer foi cogitado no momento da lavratura do auto de infração. Segundo o auto de infração, a compensação não foi aceita porque o processo judicial indicado nas DCTF não foi comprovado. O contribuinte trouxe aos autos com a impugnação todos os documentos necessários à comprovação não só da existência do processo judicial, mas também da decisão judicial que autorizou a compensação declarada em suas DCTF. Portanto, é evidente o descompasso entre o motivo invocado para lavrar o auto de infração e a realidade dos fatos. O motivo invocado como sustentáculo da exigência é inexistente. O processo judicial foi sim comprovado, tanto que a própria Turma de julgamento “a quo” reconheceu esse fato no Acórdão nº 15.011, de 22/09/2005. Leciona Hely Lopes Meirelles que “(...) A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. Mesmo os atos discricionários, se forem motivados, ficam vinculados a esses motivos como causa determinante de seu cometimento e se sujeitam ao confronto da existência e legitimidade dos motivos indicados. Havendo desconformidade Fl. 239DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10166.008933/200286 Acórdão n.º 3403001.697 S3C4T3 Fl. 3 5 entre os motivos e a realidade o ato é inválido. (...)” (Curso de Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 25 ed., pp. 186/187). Ora, tendo o fisco motivado seu ato na não comprovação do processo judicial nº 1998.34.000167759 e a realidade demonstrada no processo desmentir o motivo indicado, é clara a improcedência do lançamento efetuado. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 240DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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