Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11080.914806/2012-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.268
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11080.914806/2012-01
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5647879
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-004.268
nome_arquivo_s : Decisao_11080914806201201.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11080914806201201_5647879.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
id : 6545042
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690825887744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1835; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.914806/201201 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.268 – 3ª Turma Sessão de 15 de setembro de 2016 Matéria Contribuições. Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.806, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 06 /2 01 2- 01 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914806/201201 Acórdão n.º 9303004.268 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914806/201201 Acórdão n.º 9303004.268 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 199DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 16643.720032/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 29 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do relatório e voto proferido pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto de Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros presentes Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 29 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16643.720032/2011-61
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5627125
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1302-000.255
nome_arquivo_s : Decisao_16643720032201161.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 16643720032201161_5627125.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do relatório e voto proferido pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior - Presidente (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros presentes Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
id : 6480455
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690875170816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1423; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.426 1 1.425 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16643.720032/201161 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.255 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 11 de setembro de 2013 Assunto SOBRESTAMENTO Recorrente EAGLE DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS S.A. e FAZENDA NACIONAL Recorrida FAZENDA NACIONAL e EAGLE DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS S.A. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do relatório e voto proferido pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros presentes Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 43 .7 20 03 2/ 20 11 -6 1 Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.427 2 Relatório Em decorrência de ação fiscal a empresa foi autuada, em relação ao IRPJ e à CSLL no valor de R$ 145.347.105,11, referente a fatos geradores ocorridos em 31/12/2006 e 31/12/2007. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, a fiscalizada cometeu as seguintes infrações: deixou de adicionar ao lucro líquido apurado em 31/12/2006, para a determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, os lucros auferidos em 2006 por sua controlada direta (100%) Brahmaco, estabelecida em Gibraltar, no montante de R$473.152,23, e por suas controladas indiretas, estabelecidas no Uruguai, Cympay (98,31% controlada pela controlada direta Aspen, estabelecida nas Bahamas) e Monthiers S/A (100% controlada pela controlada direta (100%) Jalua, estabelecida na Espanha), respectivamente nos valores de R$32.249.002,49 e R$213.872.986,81. deixou de adicionar ao lucro líquido apurado em 31/12/2007, para a determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, os lucros auferidos em 2007 por sua controlada direta Brahmaco no montante de R$ 579.423,38, e por sua controlada indireta Cympay no valor de R$ 28.065.118,65. e, deixou de adicionar ao lucro líquido apurado em 31/12/2006 e 31/12/2007, para a determinação do lucro real, os juros mínimos obrigatórios relativos a empréstimo existente em 2006 e 2007 e concedido a pessoa vinculada, a controlada (100%) Aspen Equities Corporation, nos valores respectivos de R$19.836,92 e R$ 17.537,45. Irresignada, a empresa, apresentou impugnação de fls. 847 a 904, em 23/12/2011, instruída com os documentos de fls. 905 a 1.315, na qual alega, em síntese, que: a impugnação é tempestiva já que foi cientificada dos lançamentos em 23/11/2011. que não houve disponibilização efetiva de lucros auferidos no exterior, e como já decidiu o Supremo Tribunal Federal a propósito do ILL no RE nº 172.0581, tem de haver a disponibilidade econômica e jurídica de renda para poder tributála. a fiscal ignorou esta determinação em relação aos resultados auferidos pela Aspen e Jalua, controladas diretas da impugnante. que apesar da fiscalização reconhecer expressamente que em 2006 e 2007, a Aspen, auferiu resultados positivos após o reconhecimento dos lucros da controlada indireta (Cympay) por equivalência patrimonial, que não seriam passíveis de tributação no Brasil por serem inferiores aos prejuízos acumulados (documentos de fls. 78 a 86) e que, caso houvesse tributação dos lucros da Aspen, que controla a Cympay, haveria consideração duplicada dos lucros, já que os resultados apurados pela Aspen são compostos essencialmente da equivalência patrimonial naquela empresa controlada, Sendo assim optou por tributar, única e exclusivamente, o resultado isolado da investida indireta Cympay ao invés de considerar o resultado consolidado acumulado negativo na investida direta. Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.428 3 que o mesmo entendimento foi adotado em relação à Jalua, que embora tenha apurado resultados negativos, a fiscal simplesmente tributou diretamente o resultado da investida indireta Monthiers. que este novo critério somente seria aplicável a partir de agora, relativamente aos fatos geradores futuros e jamais quanto aos fatos geradores anteriores a sua introdução. que no lançamento realizado em 2005, a fiscalização corretamente consolidou na Jalua (controlada direta) o resultado das investidas daquela sociedade (controladas indiretas), compensado o resultado negativo de uma delas com o positivo de outra, com extrita observância às normas da IN/SRF nº 213/2002. que ao contrário do que dispõe o artigo 1º, § 4º, da Lei nº 9.537/1997, a fiscalização deixou de considerar os pagamentos de 2006 e 2007 efetuados pela Cympay, a título de imposto de renda, conforme comprovantes de fls. 931 a 1223 e demonstração de resultados de fl. 677, que, superam o valor dos tributos que seriam devidos no Brasil sobre o resultado consolidado na controlada direta Aspen, de acordo com memória de cálculo de fls. 929 e 930. que uma vez que o imposto pago no exterior não é compensável com o imposto devido no Brasil, este valor não poderia compor o lucro supostamente disponibilizado para a impugnante, porque representa despesa para a pessoa jurídica no exterior. que, além disto, conforme resultados dos exercícios de fl. 677, parte do lucro auferido em 2006 foi destinado a composição de reserva legal obrigatória (o mesmo ocorreu com o lucro de 2007), que, conforme artigo 193 da Lei das S.As e artigo 93 da Lei Uruguaia nº 16.060/89 (fls. 1224 e 1225), deve ser constituída (no mínimo 5% até atingir 20% do capital social) antes de qualquer outro fim. que a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes diz que o valor da reserva legal deve ser excluído dos lucros da filial de sociedade estrangeira estabelecida no Brasil que podem ser considerados automaticamente disponibilizados a sua matriz no exterior. quanto à tributação dos lucros auferidos pela controlada indireta Monthiers, estabelecida no Uruguai e controlada direta pela Jalua, da Espanha, a Jalua apresentou consulta formal ao Ministério de Economia Y Hacienda espanhol consignando expressamente ser uma sociedade inscrita no Registro Oficial de Entidades da Zona Especial Canária (“ZEC”) e que é 100% titular do capital da Monthiers, domiciliada no Uruguai e indagando se dividendos recebidos de sua controlada uruguaia e distribuídos a sua controladora brasileira estariam submetidos à tributação na Espanha, ao que foi respondido que seria tributado, conforme documento de fls. 1277 a 1289, o que demonstra a falsidade de premissa da autuação de que teria ocorrido “Treaty Shopping”. que a OCDE, a doutrina e a jurisprudência jamais vislumbraram caso de abuso de tratado o fato da controlada da impugnante ser uma holding e a OCDE somente admite que os países se oponham a supostos atos de Treaty Shopping por meio de cláusulas de salvaguarda expressas nos acordos internacionais celebrados, o que exclui tanto medidas legislativas unilaterais dos países e com mais razão iniciativas das autoridades fiscais, entendimento evidenciado em doutrina reproduzida. Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.429 4 que a própria autoridade autuante admite que somente nos tratados mais recentes celebrados pelo Brasil foram incluídas cláusulas para combater o Treaty Shopping; que as cláusulas antiabusivas, além de não constarem do tratado celebrado entre o Brasil e a Espanha, negam os benefícios do tratado quanto à tributação na fonte de dividendos, juros e royalties, situação absolutamente distinta do presente caso no qual se tributa lucro auferido por empresa controlada no exterior. que também não amparam a pretensão fiscal cláusulas que excluam dos benefícios do tratado as sociedades residentes em algum dos estados membros se estes possuem regime fiscal privilegiado, já que tais cláusulas não existem entre Brasil e Espanha, apesar de existir, por exemplo, no tratado celebrado entre o Brasil e Luxemburgo em 1978 em relação às holdings luxemburguesas que gozam de tratamento fiscal especial. que diferentemente, no presente caso, a Jalua não goza de nenhum tratamento fiscal especial atribuído pela legislação espanhola e privilégios semelhantes às das holdings luxemburguesas foram expressamente tolerados pelos Brasil nos tratados celebrados com Canadá, Bélgica e Portugal. que a autoridade lançadora apenas afirma, sem demonstrar, que a Jalua é um mero conector para aproveitamento dos benefícios tributários, não podendo, desta forma, uma sociedade legitimamente constituída sob as leis espanholas ser desconsiderada pela fiscalização sem qualquer justificativa para tanto, sob pena de ofensa a princípios do Direito Internacional, especialmente o “pacta sunt servanda” e o da independência da sociedade em relação aos sócios. que não tem sentido os comentários da autoridade lançadora sobre estabelecimento permanente, já que a Jalua não é um estabelecimento da impugnante, mas sim uma pessoa jurídica distinta. que também não procedem as afirmações da fiscalização sobre “beneficiário efetivo”, pois muito embora cláusulas quanto a esta questão tenham sido previstas em mais da metade dos tratados celebrados pelo Brasil, como afirma a própria auditora fiscal, entre estes não se encontra o celebrado com a Espanha. que como observa a própria fiscal autuante, a cláusula do beneficiário efetivo se aplica nas situações em que o planejador não reside nos países signatários do tratado, hipótese que não se aplica ao presente caso, já que a impugnante, que é o suposto beneficiário efetivo no entender da fiscalização, reside no Brasil, signatário do tratado com a Espanha. que mesmo nos casos em que há cláusulas de beneficiário efetivo e este de fato resida em país não signatário do acordo com o país da fonte dos dividendos, juros ou royalties, jurisprudência internacional (canadense) reproduzida tem repudiado tentativas de aplicar a regra para desconsiderar empresas que sejam controladas pelo suposto beneficiário efetivo e que tenham o controle de outras sociedades pelo fato de se encontrar a empresa desconsiderada no meio da cadeia de controles. que desta forma e conforme doutrina reproduzida, o lançamento viola o tratado entre o Brasil e a Espanha e o artigo 98 do CTN, segundo o qual, os tratados e as Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.430 5 convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna e serão observados pela que lhes sobrevenha, norma válida e de eficácia plena, de acordo com jurisprudência pacífica de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça e do Plenário do Supremo Tribunal Federal. que vem se firmando neste no CARF o entendimento de que, para efeitos de aplicação dos Tratados para evitar a duplatributação firmados pelo Brasil, os lucros disponibilizados fictamente por força do artigo 74 da MP nº 2.15835/ 2010 são dividendos presumidos sujeitos ao artigo 10 e não ao artigo 7º dos tratados, aplicandose as normas convencionais em vigor no momento desta disponibilização ficta. que em todos os casos citados, o Conselho concluiu que a tributação está recaindo sobre dividendos presumidos, aplicandose o artigo 10 dos tratados firmados, sendo legítima a tributação pelo Brasil, porque em todos os processos o método eleito para evitar a bitributação, previsto nos tratados, era o método de crédito. que ao se aplicar este entendimento no caso presente não há tributação, já que o tratado Brasil/Espanha, diferentemente dos tratados que regulam os casos julgados pelo Conselho, prevê em seu artigo 23, § 4º, que o Brasil deve isentar os dividendos percebidos de suas controladas sediadas na Espanha, entendimento este confirmado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 45/1976, “sobretudo diante da comprovação de que a Espanha efetivamente tributará aqueles lucros quando de sua distribuição, sob pena de burla ao Tratado e ocorrência da bitributação que o mesmo visou evitar”. que ainda que se entenda que a norma aplicável seria o artigo 7º do Tratado (e não o artigo 10), a tributação é igualmente vedada no Brasil diante da determinação da legislação de consolidação dos resultados na controlada direta, sediada na Espanha, e atribuição pelo Tratado de competência exclusiva àquele país para tributação dos lucros. que as disposições contidas no Tratado com a Espanha também se aplicam à CSLL, que somente não está citada neste acordo porque ainda não existia à época (foi criada pela Lei nº 7.689/1988 que também reduziu a alíquota do IRPJ de 35% para 30%), mas cujo parágrafo 4º do artigo 2º (do Tratado) prevê sua aplicação aos impostos idênticos ou substancialmente semelhantes que fossem criados no futuro, característica da CSLL em relação ao IRPJ, conforme a legislação e doutrina e jurisprudência transcritas. que o entendimento de que os Tratados para Evitar a Bitributação também se aplicam à CSLL igualmente é das autoridades brasileiras, já que, embora a Convenção firmada entre o Brasil e Portugal em 16 de maio de 2000 tenha listado em seu artigo 2º apenas o imposto de renda, o protocolo firmado pelas partes diz que fica entendido que nos impostos visados no artigo 2º, nº 1, aliena “a” da Convenção está compreendida a CSLL. que de acordo com doutrina citada, não se pode alegar que o fato de o Brasil não ter comunicado a Espanha da criação da CSLL, obrigação prevista na parte final do parágrafo 4 do artigo 2 da Convenção, prejudica a aplicação desta em relação a esta nova exação. por todo o exposto, deve ser afastado ambos lançamentos sob pena de ofensa ao tratado Brasil – Espanha, especialmente aos artigos 7º, 10 e 23, bem como ao artigo Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.431 6 98 do Código Tributário Nacional e ao artigo 150, I, da Constituição Federal. Que a norma veiculada no artigo 22 da Lei nº 9.430/1996, que pretende evitar suposta transferência de lucros entre empresas ligadas em operações de mútuo internacional, é absurda por estabelecer como receita mínima em caso de juros ativos o mesmo valor estabelecido como despesa máxima em caso de juros passivos. Que a exigência é caso de tributação em duplicidade pelo fato de que o mútuo em questão foi celebrado com a empresa Aspen, cujo suposto lucro auferido no exterior no mesmo período está sendo objeto do mesmo lançamento, já que à falta de reconhecimento pela impugnante de receita reclamada correspondeu o não reconhecimento de uma despesa de mesmo montante pela Aspen, mutuaria, majorando o lucro desta empresa sujeito à tributação no Brasil. Que sendo improcedentes os lançamentos, impõese o restabelecimento dos prejuízos compensados de ofício pela fiscalização, ainda que parcialmente após a absorção de eventual crédito tributário remanescente. Que como o Fisco vem exigindo em outros casos juros de mora sobre multa de ofício e para que não se alegue posteriormente que esta matéria não pode ser objeto de exame porque não foi abordada na defesa apresentada, cabe afirmar que a legislação somente autoriza a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado do tributo ou contribuição, conforme vários acórdãos citados e votos transcritos do Conselho de Contribuintes. que se a expressão “crédito tributário” prevista no caput do artigo 161 do CTN não se referisse somente à obrigação principal, não haveria necessidade da ressalva no sentido de que a incidência de juros se dá “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. que além disto, se se admitisse que a palavra “débitos” contida no caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 incluísse o principal e multa de ofício terseia que admitir que as multas de ofício, quando não pagas no vencimento, sofreriam também o acréscimo de multa de mora, e também sobre os juros de mora, que se incluiriam nos “débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições”, pudessem ser exigidos juros (juros sobre juros) e multa de mora, o que evidencia a improcedência desta interpretação. que se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante no “caput” do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 contemplasse também a multa de ofício, não haveria necessidade da previsão do parágrafo único do artigo 43 da mesma Lei nº 9.430/1996, já que a incidência dos juros sobre multa de ofício lançada isoladamente nos termos do “caput” do artigo já decorreria diretamente do citado artigo 61; e que os juros de mora não podem ser exigidos na dimensão pretendida, porque estão sendo calculados com base na taxa Selic, que além de ser figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo e extrapola muito o percentual de 1% previsto no artigo 161 do CTN. A 1ª Turma da DRJ/SP1, pelo acórdão de nº: 1638.907, por unanimidade de votos julgou procedente em parte a impugnação, conforme ementa a seguir: LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. CONTROLADA INDIRETA. CONSOLIDAÇÃO DOS RESULTADOS NA CONTROLADA DIRETA. Os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a controlada no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, serão consolidados no balanço da controlada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil, não havendo previsão de tributação direta dos resultados da Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.432 7 controlada indireta, ainda que a controlada direta esteja sediada em país com o qual o Brasil mantém tratado para evitar a bitributação e a controlada indireta esteja sediada em país não signatário de acordo com o Brasil, a menos que a fiscalização demonstre claramente, apontando fatos e provas, que se trata de planejamento abusivo inoponível ao Fisco. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. CONTROLADA DIRETA. ADIÇÃO NA CONTROLADORA BRASILEIRA. Os lucros auferidos por controlada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil, para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, na data do balanço no qual tiverem sido apurados. PESSOA VINCULADA NO EXTERIOR. EMPRÉSTIMO CONCEDIDO. RECEITA DE JUROS MÍNIMA OBRIGATÓRIA. No caso de mútuo com pessoa vinculada, a pessoa jurídica mutuante, domiciliada no Brasil, deverá reconhecer, como receita financeira correspondente à operação, no mínimo na taxa Libor, para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros. Devidamente intimada, a Contribuinte não apresentou recurso voluntário, conforme termo de ciência por decurso de prazo. Tendo em vista que o valor do crédito exonerado é superior ao limite estabelecido na legislação de regência, a DRJ recorreu de ofício de sua decisão ao CARF e a União cientificada apresentou contrarazões alegando em síntese que: que a DRJ cancelou o lançamento sob a justificativa de que a Fiscalização não demonstrou de forma suficiente a razão pela qual desconsiderou a aplicação do Tratado BrasilEspanha. que a decisão não merece prosperar, pois o Auditor, ao constatar que o lucro sob análise era da MONTHIERS (Uruguai) e não da JALUA (Espanha), corretamente aplicou o artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, e afastou o Tratado. que além de ter demonstrado de forma suficiente o planejamento ilícito praticado pelo contribuinte, com base nos documentos fornecidos pelo próprio contribuinte (DIPJ, memória de equivalência patrimonial, etc), o Auditor verificou que, em 2006, a EAGLE reconheceu, por equivalência patrimonial, o lucro apurado pela MONTHIERS, mas que, todavia, esse mesmo lucro não fora reconhecido pela JALUA. Em outras palavras, o Fiscal constatou que o lucro apurado pela MONTHIERS foi reconhecido por sua controladora indireta (EAGLE), mas não reconhecido pela sua controladora direta (JALUA). que a tributação do lucro “nascido” na MONTHIERS no ano de 2006 fora pautada em duas principais observações feitas pelo Auditor: (i) a EAGLE reconheceu por equivalência patrimonial o lucro apurado pela MONTHIERS; (ii) a JALUA não reconheceu por equivalência patrimonial o lucro apurado pela MONTHIERS; Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.433 8 nesse sentido vale citar o seguinte trecho do TVF: “É por esta razão que nas demonstrações financeiras da Jalua S/A não se visualizam as contas de ativo permanente – investimento, nem a contrapartida de equivalência patrimonial nas demonstrações de resultado do exercício. O resultado líquido do exercício encerrado em 31/12/2006 apresenta o valor negativo de –R$ 53.196,41 (...). A Fiscalizada declara em sua resposta ao mesmo termo de intimação inicial, no item 6 que: “a equivalência patrimonial na Eagle é c alculada com base nas demonstrações financeiras de suas investidas (incluindo empresas sediadas no exterior) elaborada de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil, em Reais (R$), Tais demonstrações financeiras podem diferir daquelas apresentadas no item 4 [demonstrações financeiras das controladas diretas e indiretas localizadas no exterior], pois essas ultimas foram elaboradas de acordo com as práticas contábeis adotadas no país da investida, em sua moeda local.” assim o próprio contribuinte confessa que a JALUA não registrou o lucro da MONTHIERS, pois a legislação espanhola não exige o reconhecimento por equivalência patrimonial, atestando indiretamente que o lucro da empresa uruguaia era registrado somente na EAGLE. desta forma o Auditor concluiu que o lucro sob análise era da MONTHIERS, produzido no Uruguai, e fora disponibilizado de forma direta a EAGLE. a falta de reconhecimento desse lucro nos assentos da JALUA atesta a origem e o destino desse lucro, senão vejamos pelo TVF: “Por tudo o que foi arrazoado, entendemos que deve ser tributado o lucro auferido pela Monthiers S/A, domiciliada no Uruguai, junto à brasileira Eagle Distribuidora de Bebida S/A por ser esta efetivamente a beneficiária de tal resultado.” ante o exposto, demonstrase a premissa de que a tributação do lucro disponibilizado pela MONTHIERS não foi pautada somente no reconhecimento do planejamento abusivo que envolvia a JALUA, mas, na forma como a EAGLE e a sua controlada espanhola registraram, ou deixaram de registrar, esse lucro. que em face da informação de que a EAGLE apurava em seus registros societários o lucro da MONTHIERS, e que esse mesmo lucro não era registrado na JALUA, o Auditor não tinha outra opção senão considerar que o lucro foi produzido no Uruguai e disponibilizado de forma direta à controladora brasileira. que tendo o lucro sido produzido por uma empresa uruguaia e disponibilizado de forma direta a uma brasileira essa parcela econômica deve ser tributada com base no artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, exatamente como consta do TVF: Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.434 9 “5.3.9 Portanto, o lucro apurado no ano de 2006 pela controlada indireta Monthiers S/A no valor de R$ 213.872.986,81 (...), é passível de disponibilização, conforme o já citado artigo 74 da Medida Provisória nº 2.1535.” que tendo o contribuinte aduzido a aplicação do Tratado BrasilEspanha para defender a não tributação do lucro, o Fiscal foi instado a demonstrar que, nesse caso, tendo o lucro tributado sido produzido no Uruguai, o referido Tratado não é aplicável. que com o intuito de definir o alcance do Tratado BrasilEspanha, é necessário ter em mente a finalidade do acordo internacional, qual seja, facilitar o fluxo de rendimentos e capitais entre os Estados Contratantes e inibir a bitributação, fomentando as relações comerciais entre os países signatários. assim a proteção dos tratados é voltada precisamente para as riquezas produzidas pelos residentes dos respectivos Estados Contratantes, não com o escopo de beneficiar sociedades residentes em terceiros países, sob pena de se deturpar a finalidade desses acordos. que se a holding puder figurar como interposta pessoa na relação existente entre a sua investidora e as entidades das quais participa para que se invoque cláusula de proteção do acordo internacional, o tratado será desvirtuado. que a própria Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), repudia expressamente a utilização abusiva da norma convencional. que, em atenção à finalidade do Tratado BrasilEspanha, não é possível ampliar a sua proteção ao ponto de subtrair à tributação os lucros gerados por empresa residente no Uruguai. que neste sentido foi o voto vencedor proferido pelo Conselheiro Valmir Sandri no Acórdão nº 10197.070 que considerou planejamento tributário abusivo, a tentativa da EAGLE em atribuir o lucro da MONTHIERS como lucro da JALUA, in verbis: “Não pode a Recorrente invocar em seu benefício o tratado celebrado entre os Estados acima contratantes (Brasil e Espanha), que visou evitar a dupla tributação dos lucros auferidos pelas sociedades residentes dos respectivos Estados, a fim de obter uma economia de imposto decorrente de lucros auferidos por outra sociedade controlada/interligada residente num terceiro Estado, os quais não fazem jus ao benefício em razão de sua situação substancial. ................. Não se trata, portanto, como pode parecer num primeiro momento, no afastamento do tratado BrasilEspanha, para tributar o lucro auferido por parte destes Estados contratantes, o que entendo inviável, mas sim, de dar efetividade aos preceitos definidos no referido convênio, eliminando a dupla tributação dos lucros neles auferidos e tributando os lucros alienígenas, decorrentes de estratagemas utilizadas pelas empresas com o fito de eximirse e/ou reduzir os tributos devidos, que, Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.435 10 embora possam ser consideradas lícitas, seus resultados não se encontram contemplados nos tratados.” que com este planejamento o contribuinte procurava evitar a tributação do lucro da MONTHIERS no Brasil, alegando que ele tinha origem na Espanha. que o planejamento abusivo resta caracterizado ante a utilização indevida do Tratado BrasilEspanha por meio da JALUA. que o principal aspecto de convencimento para tal conclusão fora a constatação da origem do lucro que estava sendo tributado (Uruguai). que assim concluise que foi acertada a conclusão fiscal sobre a reorganização societária. que diante do exposto, deve ser mantida a autuação, pois o lucro tributado na EAGLE não fora auferido pela controlada sediada na Espanha (JALUA), país com o qual o Brasil celebrou tratado para evitar a bitributação, mas sim pela MONTHIERS, controlada indireta sediada no Uruguai. que para fins societários a sociedade controlada é aquela na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores, nos termos dos artigos 116 e 243, § 2º, da Lei das S/A. que na mesma linha, dispõe o Código Civil de 2002 em seu art. 1098: Art. 1.098. É controlada: I a sociedade de cujo capital outra sociedade possua a maioria dos votos nas deliberações dos quotistas ou da assembléia geral e o poder de eleger a maioria dos administradores; II a sociedade cujo controle, referido poder de outra, mediante ações ou quotas possuídas por sociedades ou sociedades por esta já controladas. que é incontroverso, portanto, que a legislação societária equipara o controle direto ao indireto, e por essa razão, a controladora brasileira é obrigada a avaliar pelo patrimônio líquido não apenas os investimentos detidos na controlada direta, mas também aqueles investimentos mantidos em controladas indiretas. que cumpre salientar que esse conceito foi adotado sem ressalvas pelo direito tributário, na forma dos artigos 384 e 466 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99): “Art. 384. Serão avaliados pelo valor de patrimônio líquido os investimentos relevantes da pessoa jurídica (Lei nº 6.404, de 1976, art. 248, e Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 67, inciso XI): I em sociedades controladas; (...) § 2º Considera se controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.436 11 sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores (Lei nº 6.404, de 1976, art. 243, § 2º). Art. 466. Se a pessoa ligada for sócio ou acionista controlador da pessoa jurídica, presumir se á distribuição disfarçada de lucros ainda que os negócios de que tratam os incisos I a VI do art. 464 sejam realizados com a pessoa ligada por intermédio de outrem, ou com sociedade na qual a pessoa ligada tenha, direta ou indiretamente, interesse (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 61, e Decreto Lei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso VI). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, sócio ou acionista controlador é a pessoa física ou jurídica que, diretamente ou através de sociedade ou sociedades sob seu controle, seja titular de direitos de sócio ou acionista que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria de votos nas deliberações da sociedade (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 61, parágrafo único, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso VI).” que acerca da tributação universal da renda empresarial, no Brasil esse regime de tributação foi inaugurado pelo artigo 25 da Lei nº 9.249/1995, o qual determinou a inclusão no lucro real dos rendimentos, ganhos de capital e lucros auferidos no exterior, “in verbis”: “Lei nº 9.249/1995 Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. § 1º (omissis) § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. § 3º (omissis) § 4º Os lucros a que se ref erem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.437 12 § 5º Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil. § 6º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º Lei nº 9.430/96 Art. 16. Sem prejuízo do disposto nos arts. 25, 26 e 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão: I considerados de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada; II arbitrados, os lucros das filiais, sucursais e controladas, quando não for possível a determinação de seus resultados, com observância das mesmas normas aplicáveis às pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil e computados na determinação do lucro real. Medida Provisória nº 2.158 35/2001 Art. 21. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitam se à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Lei no 9.249, de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei no 9.430, de 1996, e o art. 1o da Lei no 9.532, de 1997. Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento.” que dessa forma, a legislação determina que os lucros auferidos através de controladas sejam adicionados ao lucro líquido da controladora, para determinação do lucro real, na proporção da participação societária (art. 25, § 2º, II, da Lei nº 9.249/1995). que por sua vez, o artigo 74 da MP nº 2.158 35/2001 define o momento em que os lucros auferidos no exterior devem ser oferecidos à tributação no país: na data do balanço no qual tiverem sido apurados. que o artigo 16, I, da Lei nº 9.430/1996, impõe a consideração individualizada dos lucros auferidos no exterior por controlada (direta ou indireta) e para fins tributários, a apuração dos resultados de cada controlada deve ser efetuada em separado, independentemente da forma pela qual o controle é exercido. que assim, o Auditor corretamente considerou o lucro apurado pela MONTHIERS de forma individualizada, adicionandoo à base de cálculo do IRPJ e da CSLL separadamente do resultado auferido pela JALUA. que caso seja entendido que, antes da tributação, o lucro disponibilizado pela MONTHIERS deve ser necessariamente consolidado com o resultado da empresa JALUA, não pode dar ensejo à exoneração total dos correspondentes créditos tributários. Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.438 13 como a consolidação prevista no § 6º do artigo 1º da IN SRF nº 213/2002 importa mera fórmula de apuração da base de cálculo, a sua aplicação deve acarretar apenas a retificação do valor lançado com a manutenção de eventual crédito remanescente. assim tendo a Autoridade Fiscal corretamente identificado a matéria tributária, eventual erro na apuração da base de cálculo não pode ensejar a exoneração de todo o crédito constituído, mas apenas daquela parte que foi indevidamente calculada. que caso seja entendido que a consolidação é indispensável, a base de cálculo deve ser novamente apurada mediante a compensação do lucro da MONTHIERS com o resultado da JALUA. que acerca da possibilidade de retificação do lançamento quando da ocorrência de erro na apuração da base de cálculo, registramse os seguintes acórdãos deste Conselho que traduzem o raciocínio aqui proposto: Acórdão nº 10196.557 NULIDADE ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULOErros na apuração da base de cálculo, ainda que ocorram, não inquinam de nulidade o lançamento, podendo dar lugar a cancelamento total ou parcial da exigência. ARBITRAMENTO DO LUCRO Se o contribuinte, intimado, deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, declarando, inclusive, não possuí los, a autoridade fiscal fica adstrita a proceder ao arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS A falta de comprovação da origem dos recursos depositados em contas correntes mantidas junto a instituições financeiras autoriza a presunção de omissão de receitas, representada pela soma dos depósitos, desconsiderados os representativos de transferências entre contas do mesmo titular, e as receitas declaradas pelo contribuinte. MULTA QUALIFICADA A conduta da empresa, consistente em reiteradamente declarar parcela da receita muito inferior à real, aliada ao não fornecimento de sua escrituração comercial e fiscal, justifica a aplicação da multa qualificada. que seja dado provimento ao recurso de ofício, mantendose incólume o lançamento fiscal e que, caso seja entendido pela indispensabilidade da consolidação prevista pelo § 6º do artigo 1º da IN SRF nº 213/2002, seja dado parcial provimento ao recurso para manter a parcela do crédito que remanescer após a retificação das bases de cálculo. É o relatório. Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.439 14 VOTO Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Tomo conhecimento do recurso de ofício por atender aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Porém do exame dos autos verifico a existência de uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada a repercussão geral do STF que é a aplicação do art. 74 da MP 2.15835/01 para as controladas situadas em países com tributação favorecida da ADIN 2.588 e RE 611.586, isso porque a controlada Brahmaco International Limited está sediada em Gibraltar que é considerado país com tributação favorecida. Esta Turma vem reiteradamente decidindo que em casos que tais, quando o processo não está transitado em julgado, mesmo que o Contribuinte não tenham decisão favorável, como no caso em tela, a questão aguarda decisão do Pleno do STF. Assim, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. Reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe aos tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos de mesma matéria. Cabe, portanto, aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno do STF, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o., do artigo 543B, CPC, que ao se reportar aos Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.440 15 tribunais de origem usa as expressões “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” Quanto ao processamento e julgamento da matéria junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62 ...... § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Tenho por certo, assim que: (i) O presente processo administrativo trata de matéria idêntica àquela submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 543B do CPC; (ii) Ainda não há decisão definitiva de mérito por parte da Suprema Corte; e (iii) Recursos com a mesma matéria têm sido devolvidos aos Tribunais de origem, para os efeitos do art. 543B do CPC. Diante do exposto e tendo em vista que o acórdão do RE 611.586 ainda não foi formalizado pelo STF, conduzo meu voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento dos presentes autos, nos termos do disposto nos § 1º e 2º do art. 62 A do Regimento Interno, encaminhando os autos à Secretaria da Câmara para as providências de que trata o § 2º e 3º, inciso I, do art. 2º da Portaria CARF nº 001/2012 (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10882.724723/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS
Apurados prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, devem ser promovidas as compensações para exonerar as exigências tributárias equivalentes.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA
Não se deve atribuir responsabilidade tributária a empresa apenas por pertencer ao mesmo grupo econômico da autuada.
OMISSÃO DE RECEITA
Uma vez caracterizada omissão de receita pelo confronto entre livros fiscais e a escrituração contábil, deve ser mantida a exigência tributária.
MULTA ISOLADA
A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem.
Numero da decisão: 1401-001.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a exigência das multas isoladas. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201610
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS Apurados prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, devem ser promovidas as compensações para exonerar as exigências tributárias equivalentes. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Não se deve atribuir responsabilidade tributária a empresa apenas por pertencer ao mesmo grupo econômico da autuada. OMISSÃO DE RECEITA Uma vez caracterizada omissão de receita pelo confronto entre livros fiscais e a escrituração contábil, deve ser mantida a exigência tributária. MULTA ISOLADA A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10882.724723/2012-15
anomes_publicacao_s : 201611
conteudo_id_s : 5659443
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1401-001.736
nome_arquivo_s : Decisao_10882724723201215.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
nome_arquivo_pdf_s : 10882724723201215_5659443.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a exigência das multas isoladas. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
id : 6570949
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690898239488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1838; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 106.331 1 106.330 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.724723/201215 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1401001.736 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de outubro de 2016 Matéria Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ Recorrentes SS Comércio de Cosméticos e Produtos de Higiene Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS Apurados prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, devem ser promovidas as compensações para exonerar as exigências tributárias equivalentes. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Não se deve atribuir responsabilidade tributária a empresa apenas por pertencer ao mesmo grupo econômico da autuada. OMISSÃO DE RECEITA Uma vez caracterizada omissão de receita pelo confronto entre livros fiscais e a escrituração contábil, deve ser mantida a exigência tributária. MULTA ISOLADA A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, DAR AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 47 23 /2 01 2- 15 Fl. 106332DF CARF MF 2 provimento PARCIAL ao recurso para afastar a exigência das multas isoladas. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício contra o acórdão 1456.612, da 13ª Turma da DRJ/RPO, cuja ementa abaixo reproduzimos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 Matérias Não Impugnadas. Provisão para Cancelamento de Vendas. Despesas Não Comprovadas. Provisão para Devedores Duvidosos. Consolidamse administrativamente as matérias não impugnadas, operandose em relação a elas a preclusão processual. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 Omissão de Receitas. Estorno de Receitas. Falta de Comprovação. Com base na escrituração fiscal do Livro Registro de Apuração do ICMS e do Livro Registro de Saídas, verifica se que os estornos (débitos) de receitas escrituradas não representaram, na totalidade, omissões de receitas operacionais. Entretanto, tais registros confirmaram que parte das receitas auferidas na atividade, escriturada nos livros fiscais, não constaram regularmente da escrituração comercial, mantendose o lançamento sobre esta parcela. Fl. 106333DF CARF MF Processo nº 10882.724723/201215 Acórdão n.º 1401001.736 S1C4T1 Fl. 106.332 3 Recomposição de Base de Cálculo. Diante da manutenção da sistemática de tributação, com base no Lucro Real, impõese a recomposição da base de cálculo apurada exofficio, com aproveitamento do prejuízo fiscal apurado pela pessoa jurídica no mesmo período de apuração. Multa de Ofício e Multa Isolada. Duplicidade de Exigências. Configurada a existência de ilícitos distintos e inconfundíveis, não se pode caracterizar a identidade das multas aplicadas. Devido ao cancelamento de parte da base tributável apurada exofficio deve ser cancelada a multa isolada. Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 Responsabilidade de Terceiros. Interesse Comum. O interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação. Afastase a responsabilidade solidária da sócia controladora porque não comprovado o interesse jurídico comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações principais. Fl. 106334DF CARF MF 4 Desse modo, recorreuse de ofício em face da exoneração de crédito tributário pelo aproveitamento de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL, bem como pelo afastamento da responsabilidade tributária do devedor solidário. Do recurso voluntário O contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 106.114 106.127, mediante o qual questionou o lançamento com base em omissão de receita e o lançamento de multa isolada. No que toca à acusação de omissão de receita, aduziu que: a) realizou minucioso levantamento das notas fiscais do período e apresentou toda a documentação solicitada; b) discorreu sobre diversos princípios constitucionais e do processo administrativo fiscal, como contraditório, ampla defesa e verdade material. No que toca às multas isoladas, questionou a sua imposição concomitante com a multa de ofício. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes A análise será desenvolvida iniciandose pelas questões suscitadas no recurso de ofício para depois enfrentarmos os temas do recurso voluntário. Recurso de ofício Aproveitamento de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas A autoridade julgadora de primeiro grau exonerou parcialmente a exigência em razão de aproveitamento de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, em consonância com o próprio resultado de diligência fiscal promovido pela autoridade lançadora. De fato, no relatório de diligência fiscal de fls. 105.967105.977, consta a seguinte passagem: 35. Neste ponto, verificamos que, de fato, o valor do crédito tributário apurado no demonstrativo constante no Termo de Verificação Fiscal difere do crédito tributário discriminado no Auto de Infração. 36. Com efeito, no Termo de Verificação Fiscal foi apurado um crédito tributário de R$4.499.903,69 relativo ao IRPJ e de R$1.631.357,27 relativo à CSLL (valores sem juros e multas). A base a partir da qual os tributos foram calculados foi de Fl. 106335DF CARF MF Processo nº 10882.724723/201215 Acórdão n.º 1401001.736 S1C4T1 Fl. 106.333 5 R$18.126.191,87 conforme se depreende das fichas 09A e 12A constantes no Termo de Verificação Fiscal (TVF). A tabela abaixo demonstra como os tributos foram apurados no aludido TVF: (...) 37. Por sua vez, no Auto de Infração lavrado, foi apurado um IRPJ de R$ 6.361.106,09 e CSLL de R$ 2.301.390,13 (valores sem juros e multas). Ademais, a base utilizada para cálculo do IRPJ e CSLL e multa foi de R$25.571.001,46, correspondente ao valor das infrações constatadas, ou seja, sem levar em conta o prejuízo apurado de R$ 7.444.809,59. 38. Diante da incongruência entre os valores apurados no Auto de Infração e no Termo de Verificação, resta saber qual das duas formas de cálculo está correta. 39. Entendemos que o cálculo correto é aquele constante no Termo de Verificação Fiscal, e indicado no quadro acima, pois é indubitável que as glosas apuradas pelo fiscal autuante (R$ 25.571.001,46) deveriam ter sido somados ao prejuízo apurado (R$ 7.444.809,59) e que a base para cálculo do IRPJ e da CSLL deveria ser R$18.126.191,27 (R$ 25.571.001,46 – R$7.444.809,59). 40. Essa constatação é confirmada pela análise do Relatório do SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSSL) acostado aos autos pela própria Autoridade Autuante às fls. 393/394. 41. Aparentemente, por um lapso, o valor desse prejuízo, corretamente observado pela Autoridade Autuante no Termo de Verificação Fiscal, não foi replicado no Auto de Infração, uma vez que neste o campo “prejuízo do período compensado” possui o valor R$0,00. 42. Assim, procede a afirmação da defesa de que foram inobservados os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL no momento da consecução dos lançamentos consubstanciados no Auto de Infração, devendo o crédito tributário ser calculado na forma indicada no Termo de Verificação Fiscal. Ou seja, a autoridade lançadora deixou de consignar nos cálculos da apuração do IRPJ e da CSLL, os próprios valores por ela apontados no termo de verificação fiscal a título de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL. Corretos, pois, o reconhecimento desses valores e a exoneração equivalente das exigências tributárias. Fl. 106336DF CARF MF 6 Responsabilidade tributária Foi atribuída responsabilidade tributária à "SS Industrial" pelas seguintes razões: (i) pertencerem ao mesmo grupo econômico, (ii) a "SS Comercial" é, de fato, uma filial da "SS Industrial" e (iii) a "SS Industrial" é o sócio majoritário da "SS Comercial" com 99,999998% de participação, o que lhe confere plenos poderes sobre a "SS Comercial". A DRJ afastou a responsabilidade com base nas seguintes considerações: (...)o fato de pertencerem (contribuinte e responsável) ao mesmo grupo econômico ou de haver relação de controle entre as empresas não caracteriza o interesse comum definido no art. 124, I, do CTN, como hipótese de incidência de responsabilidade de terceiros pelo crédito tributário. Nesse tema, cumpre transcrever Acórdão que tem servido de paradigma à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ, proferido pelo Ilmo. Ministro Castro Meira, no Recurso Especial nº 1.001.450 RS (2007/02571933), em sessão de 11 de março de 2008, com a seguinte ementa, verbis: (...) De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ o fato de as pessoas jurídicas pertencerem ao mesmo grupo econômico ou haver relação de controle entre as empresas não é suficiente para a caracterização da solidariedade passiva em execução fiscal. Para se caracterizar a responsabilidade solidária em matéria tributária (art. 124, I do CTN), é imprescindível que empresas integrantes do mesmo conglomerado realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador da obrigação tributária principal, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico. Isto porque o interesse que caracteriza a responsabilidade solidária é o interesse jurídico, não o econômico. A Delegacia de Julgamento, assim, se socorreu de jurisprudência do STJ amplamente conhecida sobre o tema da impossibilidade de se atribuir responsabilidade tributária a empresa apenas por pertencer ao mesmo grupo econômico da autuada. E concluiu: No caso em apreço podese dizer que a controladora da contribuinte autuada foi incluída no pólo passivo dos lançamentos justamente porque, como sócia do empreendimento, foi considerada beneficiária dos fatos jurídicos tributários apurados, quais sejam, as despesas não comprovadas e a omissão de receitas. Todavia, como visto, tal interesse apenas fático ou econômico no resultado da atividade da pessoa jurídica não se subsume à hipótese de incidência do art. 124, I, do CTN, que depende da caracterização de interesse comum jurídico, ou seja, da prova de que as vendas omitidas foram realizadas pela pessoa jurídica autuada e pela controladora do empreendimento, o que não ficou comprovado. Também remanesceu sem Fl. 106337DF CARF MF Processo nº 10882.724723/201215 Acórdão n.º 1401001.736 S1C4T1 Fl. 106.334 7 comprovação a acusação de que a contribuinte autuada não era uma sociedade distinta, mas uma mera filial da controladora. De fato, não há qualquer fato que desabone a existência jurídica autônoma da "SS Comércio" em relação à "SS Industrial". Haveria interesse comum caracterizado, no meu entender, se uma das empresas tivesse sido criada ou manejada pela outra para reduzir ilicitamente a carga tributária dela e, portanto, do grupo econômico. Não foi o caso, porém. O fato de uma delas ser controlada pela outra com participação próxima de 100% também não é suficiente para a distinção das personalidades jurídicas, nem para a atribuição de solidariedade. Se a "SS Comércio" devesse se caracterizar como uma filial, nos termos da acusação fiscal, a presente autuação deveria pedecer por completo, uma vez que os seus resultados deveriam ser incorporados aos resultados da "SS Industrial" para tributação nesta e não naquela. Ou seja, a própria autoridade fiscal, ao atribuir responsabilidade fiscal a empresa que considera a real existente, se contradiz. Deve, pois, ser negado provimento ao recurso de ofício também quanto a esta questão. Recurso voluntário Omissão de receita Conforme podemos constatar da leitura do recurso voluntário, a contestação na parte da omissão de receita é absolutamente genérica. O recorrente limitase a discorrer acerca de princípios legais e constitucionais e a aduzir genericamente que apresentou provas suficientes para sustentar a sua alegação de não ter incorrido em omissão de receitas. Já a Delegacia de Julgamento proferiu, pelo contrário, um vasto arrazoado com demonstrações minuciosas dos valores envolvidos no lançamento fiscal, com quadros, indicação de contas, de valores, datas, etc, por meio dos quais concluiu pela procedência da autuação quanto a esse ponto. Uma vez que a defesa não foi capaz de indicar um único ponto específico sequer em que a decisão recorrida tema incorrido em erro, ela deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Multas isoladas Por derradeiro, nos cabe analisar o argumento da dupla punição por meio de multa isolada e de ofício. As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Fl. 106338DF CARF MF 8 Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, “pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo Fl. 106339DF CARF MF Processo nº 10882.724723/201215 Acórdão n.º 1401001.736 S1C4T1 Fl. 106.335 9 fim prático”. Para Delmanto, “a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste”. Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. Assim, consideramos imperioso verificar se houve, em relação aos fatos que ensejaram a autuação de multas isoladas, também a imposição de multa proporcional e em que medida. Conforme os autos de infração (fls. 369386) e termo de verificação fiscal (fl. 387389), não só houve o lançamento de multas proporcionais, como estas foram de valores muito superiores ao total das multas isoladas. Mesmo assim, a materialidade delas pode ser diferente. Isso, porém, não ocorreu, uma vez que as multas isoladas foram determinadas com base em estimativas apuradas em balancetes de suspensão/redução. Desse modo, a concomitância é integral, o que impõe, pelas razões já aduzidas, a exoneração total das penalidades pecuniárias isoladas. Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso de ofício e para dar provimento parcial ao recurso voluntário com o fito de afastar a exigência das multas isoladas. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 106340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722444/2013-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
Decadência. Amortização do Ágio. Termo Inicial.
A contagem do prazo decadencial deve considerar como termo a quo a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que no caso de IRPJ/CSLL, para as empresas que optam pelo lucro real anual, é o final do ano-calendário, em 31/12. A glosa de despesas pela amortização de ágio por influenciar na apuração do tributo anual, desde que realizada no quinquídio legal, não é alcançada pela decadência, ainda que a operação negocial que gerou o referido ágio tenha ocorrido há mais que cinco anos, em vista da repercussão que os efeitos gerados acarretam em exercícios financeiros futuros. Os efeitos destas operações podem ser revistos pela autoridade lançadora e, constituindo infração tributária, proceder-se aos lançamentos tributários, desde que dentro do quinquídio legal.
Nulidade. Alteração Critério Jurídico. Inocorrência.
Não caracteriza a hipótese mencionada no artigo 146 do CTN, alteração de critério jurídico, o fato de a Administração Tributária ter procedido a diligências na contribuinte, sem haver culminado em procedimento regular de lançamento tributário, ou haver qualquer ato escrito pelo qual a Administração Tributária proferiu juízo de valor sobre a matéria posteriormente levada à tributação em procedimento regular de fiscalização e consequente lançamento tributário.
Nulidade. Lançamento Tributário.
Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material.
SIMULAÇÃO. EMPRESA VEÍCULO. NEGÓCIO INDIRETO.
Não se deve confundir simulação relativa com negócio jurídico indireto, pois quando verificamos o que os autuantes denominam como "empresa veículo", nota-se perfeitamente que tal sociedade foi constituída para surtir os efeitos que lhes eram próprios e não para dissimular outros negócios jurídicos.
ABUSO DE DIREITO. ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO, CTN. INAPLICÁVEL.
O parágrafo único do art. 116 do CTN é uma norma de eficácia limitada, pois só adquire plena eficácia a partir do momento em que for publicada a sua lei ordinária integrativa.
Se a Lei Complementar 104/01 exigiu que a lei ordinária estipulasse procedimentos específicos como condição para a aplicação da norma tributária específica sobre abuso de direito (parágrafo único do art. 116 do CTN), não há como tal condição ser dispensável para a aplicação da norma de direito privado sobre o abuso do direito (art. 187 do CC) no campo tributário.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2008
Nulidade. Ofensa aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa.
Os princípios do contraditório e do exercício da ampla defesa não são aplicáveis ao procedimento de fiscalização, enquanto não instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal. Não resta caracterizado o cerceamento de defesa, causa de nulidade processual, quando constata-se que o contribuinte defendeu-se amplamente dos fatos e infrações contra si impostas, não sofrendo prejuízo ou restrição ao exercício do contraditório e da ampla defesa.
Numero da decisão: 1302-001.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas, e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos a Relatora e os Conselheiros Marcelo Calheiros Soriano e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Júnior - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 Decadência. Amortização do Ágio. Termo Inicial. A contagem do prazo decadencial deve considerar como termo a quo a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que no caso de IRPJ/CSLL, para as empresas que optam pelo lucro real anual, é o final do ano-calendário, em 31/12. A glosa de despesas pela amortização de ágio por influenciar na apuração do tributo anual, desde que realizada no quinquídio legal, não é alcançada pela decadência, ainda que a operação negocial que gerou o referido ágio tenha ocorrido há mais que cinco anos, em vista da repercussão que os efeitos gerados acarretam em exercícios financeiros futuros. Os efeitos destas operações podem ser revistos pela autoridade lançadora e, constituindo infração tributária, proceder-se aos lançamentos tributários, desde que dentro do quinquídio legal. Nulidade. Alteração Critério Jurídico. Inocorrência. Não caracteriza a hipótese mencionada no artigo 146 do CTN, alteração de critério jurídico, o fato de a Administração Tributária ter procedido a diligências na contribuinte, sem haver culminado em procedimento regular de lançamento tributário, ou haver qualquer ato escrito pelo qual a Administração Tributária proferiu juízo de valor sobre a matéria posteriormente levada à tributação em procedimento regular de fiscalização e consequente lançamento tributário. Nulidade. Lançamento Tributário. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. SIMULAÇÃO. EMPRESA VEÍCULO. NEGÓCIO INDIRETO. Não se deve confundir simulação relativa com negócio jurídico indireto, pois quando verificamos o que os autuantes denominam como "empresa veículo", nota-se perfeitamente que tal sociedade foi constituída para surtir os efeitos que lhes eram próprios e não para dissimular outros negócios jurídicos. ABUSO DE DIREITO. ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO, CTN. INAPLICÁVEL. O parágrafo único do art. 116 do CTN é uma norma de eficácia limitada, pois só adquire plena eficácia a partir do momento em que for publicada a sua lei ordinária integrativa. Se a Lei Complementar 104/01 exigiu que a lei ordinária estipulasse procedimentos específicos como condição para a aplicação da norma tributária específica sobre abuso de direito (parágrafo único do art. 116 do CTN), não há como tal condição ser dispensável para a aplicação da norma de direito privado sobre o abuso do direito (art. 187 do CC) no campo tributário. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2008 Nulidade. Ofensa aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa. Os princípios do contraditório e do exercício da ampla defesa não são aplicáveis ao procedimento de fiscalização, enquanto não instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal. Não resta caracterizado o cerceamento de defesa, causa de nulidade processual, quando constata-se que o contribuinte defendeu-se amplamente dos fatos e infrações contra si impostas, não sofrendo prejuízo ou restrição ao exercício do contraditório e da ampla defesa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.722444/2013-51
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5646854
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1302-001.977
nome_arquivo_s : Decisao_19515722444201351.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
nome_arquivo_pdf_s : 19515722444201351_5646854.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas, e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos a Relatora e os Conselheiros Marcelo Calheiros Soriano e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior - Redator designado Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
id : 6526143
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690931793920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 49; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2684; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722444/201351 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.977 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de setembro de 2016 Matéria Ágio Interno amortização/dedutibilidade Recorrente COPAGAZ DISTRIBUIDORA DE GÁS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. A contagem do prazo decadencial deve considerar como termo a quo a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que no caso de IRPJ/CSLL, para as empresas que optam pelo lucro real anual, é o final do anocalendário, em 31/12. A glosa de despesas pela amortização de ágio por influenciar na apuração do tributo anual, desde que realizada no quinquídio legal, não é alcançada pela decadência, ainda que a operação negocial que gerou o referido ágio tenha ocorrido há mais que cinco anos, em vista da repercussão que os efeitos gerados acarretam em exercícios financeiros futuros. Os efeitos destas operações podem ser revistos pela autoridade lançadora e, constituindo infração tributária, procederse aos lançamentos tributários, desde que dentro do quinquídio legal. NULIDADE. ALTERAÇÃO CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Não caracteriza a hipótese mencionada no artigo 146 do CTN, alteração de critério jurídico, o fato de a Administração Tributária ter procedido a diligências na contribuinte, sem haver culminado em procedimento regular de lançamento tributário, ou haver qualquer ato escrito pelo qual a Administração Tributária proferiu juízo de valor sobre a matéria posteriormente levada à tributação em procedimento regular de fiscalização e consequente lançamento tributário. NULIDADE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. SIMULAÇÃO. EMPRESA VEÍCULO. NEGÓCIO INDIRETO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 24 44 /2 01 3- 51 Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 2 Não se deve confundir simulação relativa com negócio jurídico indireto, pois quando verificamos o que os autuantes denominam como "empresa veículo", notase perfeitamente que tal sociedade foi constituída para surtir os efeitos que lhes eram próprios e não para dissimular outros negócios jurídicos. ABUSO DE DIREITO. ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO, CTN. INAPLICÁVEL. O parágrafo único do art. 116 do CTN é uma norma de eficácia limitada, pois só adquire plena eficácia a partir do momento em que for publicada a sua lei ordinária integrativa. Se a Lei Complementar 104/01 exigiu que a lei ordinária estipulasse procedimentos específicos como condição para a aplicação da norma tributária específica sobre abuso de direito (parágrafo único do art. 116 do CTN), não há como tal condição ser dispensável para a aplicação da norma de direito privado sobre o abuso do direito (art. 187 do CC) no campo tributário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 NULIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. Os princípios do contraditório e do exercício da ampla defesa não são aplicáveis ao procedimento de fiscalização, enquanto não instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal. Não resta caracterizado o cerceamento de defesa, causa de nulidade processual, quando constatase que o contribuinte defendeuse amplamente dos fatos e infrações contra si impostas, não sofrendo prejuízo ou restrição ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas, e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos a Relatora e os Conselheiros Marcelo Calheiros Soriano e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Redator designado Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 3 3 Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0646106/14 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR, efls. 1606 a 1643, que decidiu julgar procedente os lançamentos tributários consubstanciados nos Autos de Infração lavrados para as exigências de IRPJ e CSLL, relativas ao anocalendário de 2008, no valor total de R$ 33.793.436,88 (incluídos os juros de mora e a multa de ofício qualificada), por glosa de despesas amortização de ágio, registradas na conta contábil "Amortização de Ágio Incorporação Sigma". A Turma de Julgamento de Primeira Instância manteve, também, a responsabilização solidária pelo crédito tributário apurado de Ueze Elias Zahran, estabelecida com fulcro nos artigos 121 c/c 135 do Código Tributário Nacional (CTN). Os Autos de Infração estão acostados às efls. 1504 a 1517 e os procedimentos fiscais descritos no Termo de Verificação Fiscal de efls. 1493 a 1503, parte integrante dos Autos. Do referido Termo de Verificações, destaco os seguintes trechos: Da análise da documentação apresentada, após a lavratura dos Termos de Ciência de Continuidade de Procedimento Fiscal e de Intimação datados de 05/12/11, 24/02/12, 16/04/12, 02/07/12, 05/11/12, 08/02/13, 22/04/13, 03/07/13 e 15/08/13, bem como as respostas do contribuinte e demais documentos apresentados, verificase que a despesa de amortização de ágio apropriada pelo contribuinte referese à incorporação de sua controladora, ocorrida no ano calendário de 2004. Tal operação, denominada incorporação às avessas, onde a controlada incorpora a controladora, teve como única finalidade o não pagamento dos tributos federais devidos, configurando operação simulada, sem qualquer motivação extra tributária subjacente, ou seja, sem finalidade negocial, conforme demonstraremos a seguir. 1.2 HISTÓRICO DA OPERAÇÃO A empresa COPAGAZ DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA. (atual COPAGAZ DISTRIBUIDORA DE GÁS S/A), foi constituída em 25/09/1992, sob a forma de Sociedade Limitada , de acordo com as disposições da lei 10.406/02 e, supletivamente, com a Lei 6.404/76 tendo seus atos societários registrados na Junta Comercial doEstado de São Paulo, com capital social de Cr$ 1.182.700.000.000,00 (hum trilhão, cento e oitenta e dois bilhões e setecentos milhões de cruzeiros), tendo como sócios: Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 4 ANDREA KARIN CASIMIRO ZAHRAN LOURENÇO, CPF n° 106.519.91803, com participação de Cr$ 1.996,00 (hum mil, novecentos e noventa e seis cruzeiros); ANTONIO CARLOS MOREIRA TURQUETO, CPF 537.838.16815, com participação de Cr$ 1.996,00 (hum mil, novecentos e noventa e seis cruzeiros); EDUARDO ELIAS ZAHRAN FILHO, CPF 173.630.20191, com participação de Cr$ 1.996,00 (hum mil, novecentos e noventa e seis cruzeiros); JEANNETTE ELIAS ZAHRAN, CPF 004.026.75172, com participação de Cr$ 1.996,00 (hum mil, novecentos e noventa e seis cruzeiros); JOÃO ELIAS ZAHRAN, CPF 004.130.38149, com participação de Cr$ 1.996,00 (hum mil, novecentos e noventa e seis cruzeiros); JORGE ELIAS ZAHRAN, CPF 004.130.20100, com participação de Cr$ 1.996,00 (hum mil, novecentos e noventa e seis cruzeiros); LAILA ZAHRAN SILVEIRA, CPF 173.630.39100, com participação de Cr$ 1.996,00 (hum mil, novecentos e noventa e seis cruzeiros); PATRÍCIA LUCI CASIMIRO ZAHRAN, CPF 045.076.61870, com participação de Cr$ 1.996,00 (hum mil, novecentos e noventa e seis cruzeiros); UEZE ELIAS ZAHRAN SOBRINHO, CPF 106.519.90823, com participação de Cr$ 1.996,00 (hum mil, novecentos e noventa e seis cruzeiros); UEZE ELIAS ZAHRAN, CPF 004.110.43153, com participação de Cr$ 5.987,00 (cinco mil, novecentos e oitenta e sete cruzeiros); ZAHRAN ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ 16.032.161/000105, com participação de Cr$ 1.182.699.976.049,00 (hum trilhão, cento e oitenta e dois bilhões, seiscentos e noventa e nove milhões, novecentos e setenta e seis mil e quarenta e nove cruzeiros); Em 30/12/98, conforme registro JUCESP n° 210.545/987, houve alteração do capital social para R$ 4.131.571,00, mediante redistribuição do capital do sócio UEZE ELIAS ZAHRAN CPF 004.110.43153, na situação de sócioadministrador, Conselheiro Administrativo e Diretor, assinando pela empresa, com participação na sociedade de R$ 1,00, sendo admitido, na situação de sócio, a empresa MS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A CNPJ 02.914.734/000101, com valor de participação na sociedade de R$ 4.131.570,00 e, conforme registro JUCESP n° 014.014/993, de 29/01/99, retirouse da sociedade a empresa ZAHRAN ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ 16.032.161/000105. Assim, os sócios MS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A CNPJ 02.914.734/000101 e UEZE ELIAS ZAHRAN CPF 004.110.43153, também representando a "MS" e na situação de sócio e diretorpresidente, assinando pela COPAGAZ, permaneceram no quadro societário até agosto de 2004, sendo que em 28/03/2000, conforme Alteração Contratual registrada na JUCESP sob n° 056.645/004, procedeuse a uma alteração do capital para R$ 10.000.000,00, cabendo ao sócio UEZE ELIAS ZAHRAN a participação na sociedade no valor de R$ 17,00 e à sócia MS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A, o valor de participação de R$ 9.999.983,00, cuja situação permaneceu até 08/01/2004, sob registro JUCESP n° 017.125/042, ocasião em que ocorreu nova alteração do capital social para R$ 17.376.284,00, permanecendo a mesma participação de R$ 17,00 para o sócio UEZE ELIAS ZAHRAN, e o valor remanescente de R$ 17.376.267,00 para a sócia MSADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A. Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 4 5 Então, constatase que entre março de 2000 e dezembro de 2003 não houve alteração no quadro societário e no capital social. Tal informação é importante, pois em dezembro de 2003 foi elaborado o mencionado Laudo de Avaliação Econômica, oportunidade em que a empresa COPAGAZ foi avaliada em R$ 209.196.000,00. Tal avaliação se deu com a utilização da metodologia do fluxo de caixa descontado, que leva em consideração a expectativa de rentabilidade futura, com base no desempenho da empresa em anos anteriores. Na ocasião, o quadro societário da COPAGAZ DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA. era constituído pela MS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ 02.914.734/000101 e pelo sócio diretorpresidente SR. UEZE ELIAS ZAHRAN, CPF 004.110.43153, que também é o sócio e diretorpresidente da "MS", desde 07/12/1998, conforme registro JUCESP n° 197.027/982. A empresa SIGMA PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ 05.831.787/000157, conforme Ficha Cadastral Completa da JUCESP, teve o início de suas atividades em 01/05/2003, com o objeto social de "Comércio atacadista de artigos de escritório e de papelaria, Holdings de instituições nãofinanceiras", sendo que em 07/01/2004, conforme alteração contratual registrada na JUCESP sob n° 006.068/042, a empresa teve seu quadro social alterado com o ingresso da sócia majoritária da COPAGAZ, a MS — ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A, com valor de participação no Capital Social de R$ 950,00 e, também, de um antigo sócio da COPAGAZ, o SR. ANTONIO CARLOS MOREIRA TURQUETO, CPF 537.838.16815, na situação de sócio e administrador assinando pela empresa SIGMA, com valor de participação de R$ 50,00, alterando também o endereço da sede para a Rua Guararapes, 1.855, 11° SL "B", Brooklin Novo São Paulo/SP. Frisese que o Capital Social da SIGMA era de R$ 1.000,00, desde a sua constituição. Após o Laudo de Avaliação da COPAGAZ e na qualidade de sócia da SIGMA, a MS conferiu em integralização do capital social de sua controlada SIGMA a participação societária que detinha na COPAGAZ DISTRIBUIDORA DE GAS LTDA., no valor de R$ 209.196.000,00, procedendose ao aumento de capital social da SIGMA para R$ 209.197.000,00, conforme registro JUCESP n°361.463/042, em 12/08/2004, assim distribuído: O sócio ANTONIO CARLOS MOREIRA TURQUETO, com valor de participação na sociedade de R$ 50,00; A sócia MS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A, com participação na sociedade no valor de R$ 209.196.950,00 para efeito de integralização de capital, a referida participação foi avaliada a "valor de mercado", conforme Laudo de Avaliação emitido pela DELOITTE TOUCHE TOHMATSU CONSULTORES LTDA., pelo valor de R$ 209.196.000,00. Conforme informação do próprio contribuinte na correspondência de 29/03/2012, a SIGMA registrou o "investimento" em questão, desdobrandoo em valor patrimonial contábil R$ 29.691.644,02 e ágio R$ 179.504.355,98, baseado na rentabilidade futura do investimento. Ato contínuo, a SIGMA PARTICIPAÇÕES LTDA. foi admitida como sócia da COPAGAZ, com participação na sociedade no valor de R$17.916.595,00, conforme Alteração Contratual da Copagáz, registrada na JUCESP sob n° 361.602/042, em 16/08/2004, mediante a retirada da "MS Administração e Participações S/A", embora tenha permanecido na condição de sócia da SIGMA. Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 6 Assim, a SIGMA passou a ser controladora da COPAGAZ, detendo 99,999% do capital social. Até este momento não se consegue vislumbrar qual a finalidade negocial deste arranjo societário, uma vez que em sua curta existência, a empresa SIGMA nunca obteve nenhum resultado decorrente de sua atividade cabendo a observação de que o sócio UEZE ELIAS ZAHRAN, CPF 004.110.43153, integra o quadro societário das três empresas: como sócio e DiretorPresidente da (1) COPAGAZ, como Representante da MS na sociedade da (2) SIGMA e como DiretorPresidente da (3) MS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A, restando caracterizado que o Sr. UEZE ELIAS ZAHRAN é o administrador de todas as empresas. Por fim, completando a operação e esclarecendo qual o motivo desta "reorganização societária", a COPAGAZ (controlada) incorporou a SIGMA (controladora) logo após a integralização do Capital efetuada pela recémingressa sócia majoritária da COPAGAZ no quadro social da SIGMA, conforme a 90a Alteração e Consolidação io Contrato Social da COPAGAZ, registrada na JUCESP sob n° 411.867/040, em 16/09/2004, recepcionando o ágio contabilizado, para utilizálo na apuração do resultado, reduzindo o lucro real apurado. A COPAGAZ contabilizou o ágio em ativo permanente diferido, amortizando, inicialmente, 1/84 avos (7 anos), utilizado no período de setembro/2004 a dezembro/2005 e, posteriormente, com base em novo Laudo de avaliação, elaborado pela mesma Deloitte Touche Tohmatsu Consultores Ltda, reduziu o prazo de amortização para 5 anos, passando o saldo remanescente em 31/12/2005, no montante de R$ 145.313.050,08, a ser amortizado à razão de 1/44 avos, durante o período de janeiro/2006 a agosto/2009. A operação foi desenhada seguindo os conceitos das Instruções 319/99 (atualizada pela 349/2001) da Comissão de Valores Mobiliários, ou seja, prevê a possibilidade de dedução de ágio gerado pela incorporação de empresa veículo com consequente criação de reserva especial de ágio. (...) 1.3 DA SIMULAÇÃO O Contrato Social de Constituição da SIGMA data de 01/05/2003, sendo que a sociedade adquiriu personalidade jurídica somente em 04/06/2003, com o seu registro na JUCESP. A incorporação da SIGMA pela COPAGAZ, ocorreu após uma sucessão de fatos, tais como: (1) alteração do quadro societário, em 07/01/2004, com o ingresso da MSAdministração e Participações S/A (sócia majoritária da COPAGAZ) no quadro social da SIGMA; (2) a integralização do Capital Social, pela MS, em 12/08/2004, com base na Avaliação Patrimonial da COPAGAZ, e, por fim, (3) a incorporação da SIGMA, em 16/09/2004, cumprindo ressaltar que a SIGMA existiu juridicamente no período de 04/06/2003 a 16/09/2004, ou seja, 01 (um) ano, 03 (três) meses e 12 (doze) dias. O objeto social da SIGMA é o comércio atacadista de artigos de escritório e de papelaria e holdings de instituições nãofinanceiras. Consta do Anexo I Protocolo e Justificação de Incorporação, que faz parte da 90a Alteração Contratual da COPAGAZ, de 16/09/2004: "Considerando que a Incorporada, diante das atuais circunstâncias econômicas brasileiras e de diversos estudos realizados, concluiu que, pelo menos a curto prazo, não mais irá explorar outras atividades além da atual, qual seja, a administração da participação societária na Incorporadora; que, diante do acima exposto, a incorporação da Incorporada pela Incorporadora resultará em maior eficiência administrativa; que a maior eficiência administrativa permitirá considerável redução de custos em Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 5 7 geral; que, assim sendo, a incorporação da Incorporada pela Incorporadora torna se de todo recomendável;" Ora, conforme se verifica no Balanço Patrimonial da SIGMA, não houve qualquer atividade operacional no seu curto período de existência; a "empresa" não teve uma única movimentação contábil em sua escrita fiscal que não a relativa a sua constituição e ao aumento de Capital, efetuado por ocasião do ingresso da sócia majoritária da Copagaz, no quadro societário da SIGMA. Além disto, a SIGMA jamais teve um único funcionário sequer, conforme se constata na GFIP "sem movimento", referente ao ano de sua constituição (2003), deixando de apresentar a GFIP do ano de 2004, portanto, nada declarou no curto período de sua existência. Sob este aspecto, não faz o menor sentido ter a incorporação como finalidade "obter maior eficiência administrativa, para permitir a redução de custos em geral". O objeto social da SIGMA, conforme contrato social, é: Comércio atacadista de artigos de escritório e de papelaria "Holdings" de instituições não financeiras. O que esta atividade tem a ver com a atividade exercida pela COPAGAZ? Qual é a estrutura da SIGMA? O que seria exatamente reduzir a estrutura de uma empresa que não realiza qualquer atividade operacional? Por não ter custos e despesas, o que há para otimizar em relação à SIGMA? E, por fim, qual a real finalidade com que a SIGMA foi constituída? A sucessão dos atos, a proximidade temporal entre eles, o fato de as três empresas envolvidas na operação terem como sócio responsável a mesma pessoa física, revelam que nunca houve a real intenção de constituir/integrar uma empresa existente de fato (e não apenas de direito), no caso a SIGMA(constituída em junho de 2003, assumida pela sócia majoritária da COPAGAZ em janeiro de 2004, a integralização e aumento do capital efetuado pela "MS", em agosto de 2004 e extinta por incorporação em setembro de 2004), para efetivamente operar segundo seu objetivo social, mas sim de criar uma sociedade efêmera, de passagem, que possibilitasse um registro de ágio a ser amortizado por empresa do mesmo grupo econômico. Embora a empresa contribuinte COPAGAZ, através da carta de 23/08/2013, em resposta ao Termo de Intimação de Procedimento Fiscal de 15/08/13, tenha informado que o montante de R$ 39.630.831,96 não corresponde ao valor deduzido da base de cálculo do IRPJ e CSLL do anocalendário 2008, nossos exames constataram que essas despesas operacionais de ágio acolhidas na apuração do Resultado no AC 2008, debitadas na conta 511.210.0044 Amortização Ágio Incorporação Sigma, não contemplam os requisitos necessários a fim de permitir sua dedutibilidade para fins do Imposto de Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o LucroCSLL, bem como não trazem em seu bojo qualquer propósito negocial, além de constatar que o montante creditado na conta 511.210.0052 Amortização Perda Ágio Sigma, foi totalmente excluído na apuração do Lucro Real, discordando do efeito líquido no resultado apontado pela Copagaz. Também não resta cabível o embasamento legal adotado pelo contribuinte artigo 386, III RIR/99, para a dedução do referido ágio, uma vez que a operação de incorporação às avessas, efetuada pelo contribuinte, não teve nenhum propósito negocial, tratandose de operação ficticia, autorizada, recepcionada e reconhecida pelo socioadministrador UEZE ELIAS ZAHRAN, CPF 004.110.43153. A empresa COPAGAZ apresentou impugnação aos lançamentos tributários, argumentando as suas improcedências pelas seguintes razões, em apertada síntese: Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 8 a) o ágio atacado foi gerado há mais de 9 anos, pelo que o direito da fiscalização em proceder aos lançamentos tributários está decaído; b) a empresa já sofreu fiscalização em período anterior, não tendo sido constatada qualquer irregularidade fiscal, não podendo ser refiscalizada, sobre os mesmos fatos, com alteração de critério jurídico; c) é indevida a responsabilização solidário do sócio, pessoa física, por não ter sido comprovado que o ato que resultou na exigência fiscal fora praticado por esta pessoa, nem que agira com excesso de poder, infração à lei, contrato social ou estatuto; d) se superadas as preliminares, a exigência fiscal não pode subsistir, pois a fiscalização baseiase em meras conjecturas para concluir que a operação foi simulada objetivando a economia fiscal, enquanto que a despesa incorrida com o ágio na incorporação é legítima; e) a multa de ofício, na forma qualificada, deve ser afastada por não haver provas de que a COPAGAZ agiu com sonegação, fraude ou conluio. O acórdão recorrido traz a seguinte ementa: PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. AQUISIÇÃO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. O registro do custo de aquisição de participação em empresa pertencente ao mesmo grupo econômico deve ser feito pelo valor do patrimônio líquido, sendo vedada a amortização fiscal de ágio, ainda que tenha sido registrado com base em rentabilidade futura de acordo com estudo elaborado por empresa especializada e que tenha ocorrido incorporação nos termos dos artigos 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda, porque entre empresas ligadas desde antes do início das operações societárias falta a necessária independência entre as partes envolvidas caracterizadora de uma operação de mercado apta a gerar valor de mercado e ágio. A vedação fiscal para amortização de ágio registrado nestas condições é mais explícita quando a empresa incorporadora amortiza “ágio de si mesma”, em aquisição em que não houve pagamento e ocorrida com empresa cuja única atividade de sua efêmera existência foi participar das operações que formalizaram o ágio. MULTA QUALIFICADA. Não há como afastar a imputação fiscal de simulação, sonegação e fraude e a conseqüente aplicação da multa qualificada se descritas pela Fiscalização conjunto de circunstâncias que demonstram a ocorrência de reestruturação societária para tentar criar, formalmente, situações que se enquadrassem na exceção legal que possibilita deduzir despesas de amortização de ágio, advinda com a Lei n° 9.532/97. PROCESSO ADMINISTRATIVO. NULIDADE. As causas de nulidade são aquelas previstas na legislação do processo administrativo em geral e do processo administrativo fiscal. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses lá previstas, não há que se falar em nulidade. PRAZO DECADENCIAL. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. IRPJ. CSLL. Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 6 9 O decurso do prazo decadencial apenas impede a desconstituição, pelo Fisco, do efeito imediato da contabilização que, relativamente à constituição de ágio, é inexistente enquanto não procedida a sua amortização. Na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL, seu efeito é mediato, reduzindo, quando de sua amortização, as bases tributáveis em períodos futuros, nos quais deverá o sujeito passivo fazer a prova da regularidade do valor diferido, mesmo que já atingido pelo prazo decadencial. REEXAME DE PERÍODO FISCALIZADO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO Não caracteriza reexame de período fiscalizado nem a alegação de mudança de critério jurídico quando se comprova que a primeira ação fiscal teve como alvo o ano calendário de 2004 e foi encerrada sem resultado, não tendo sido objeto de manifestação por parte da Administração Pública no sentido de, eventualmente, convalidar os atos praticados. ILEGALIDADE. MATÉRIA PROBATÓRIA. Deve ser afastada a invocação de ilegalidade quando restar caracterizado que o reclamo diz respeito à matéria probatória. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O fato de os atos societários terem sido formalmente praticados, com registro nos órgãos competentes, escrituração contábil, etc. não retira a possibilidade de que a operação em causa se enquadre como simulação, visto que faz parte da natureza da simulação o envolvimento de atos jurídicos lícitos. Afinal, simulação é a desconformidade, consciente e pactuada, entre as partes que realizam determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais (lícitos) de declaração de vontade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Aproveito trechos do voto do aresto para demonstrar as razões de improcedência das defesas arguídas: [...] Sobre a alegação de reexame de período já fiscalizado, cumpre esclarecer que o presente lançamento não configura revisão de lançamento em relação ao procedimento fiscal a que a contribuinte foi submetida em 2008, porque nem sequer se referem aos mesmos exercícios, hipótese contemplada pelo artigo 906 do RIR, de 1999. 17. Na peça de defesa juntou os documentos de fls.1.5791.601 referentes a um Termo de Intimação Fiscal datado de 27/03/2008, oportunidade em que teria sido questionada acerca da natureza do ágio amortizado conforme conta 5112100052 o qual foi excluído do Lucro Líquido, quando da apuração do Lucro Real, ficha 09A, na DIPJ 2005, anocalendário de 2004, no importe de R$ 5.641.565,44. Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 10 18. Pois bem, a simples leitura do enunciado da intimação já comprova que o período ora analisado difere daquele objeto dos documentos apresentados, bem como a autoridade que atuou junto ao contribuinte é outra. No presente processo se analisa a amortização de ágio em relação ao ano calendário de 2008, relativo à conta 5.11.210.0044 – “Amortização de Ágio – Incorporação SIGMA. Aquela ação fiscal não gerou resultados, tendo sido encerrada sem lavratura de auto de infração. 19. Portanto, se a ação iniciada em 2008, questionando fatos ocorridos em 2004, foi encerrada sem resultado, significa que não ocorreu lançamento de ofício, e desta forma não acarretou nenhuma manifestação por parte da Receita Federal no sentido de convalidar os atos então praticados. Assim, agora, quando o lançamento questiona o aproveitamento do ágio em relação ao ano calendário de 2008, não procede a alegação de mudança de critério jurídico, posto inexiste qualquer manifestação por parte da Administração Pública que possa caracterizar essa mudança de critério jurídico alegada pela contribuinte. [...] Ocorre que a obrigação tributária e, conseqüentemente, o início do prazo para o Fisco constituir o crédito tributário através do lançamento, surge com a ocorrência do fato gerador que, no caso em tela, é a dedução das despesas contabilizadas como amortização de ágio pago, no ano calendário de 2008. 22. O momento do surgimento ou da contabilização do ágio ou outro pagamento amortizável pela contribuinte não pode ser levado em conta para imposição de qualquer limite temporal à atuação do Fisco, que se torna possível apenas com o efetivo exercício, pelo contribuinte, do direito a essa amortização (esse sim, aspecto de relevância para eventual lançamento). [...] 30. Invoca a declaração de ilegalidade do lançamento por entender que a autoridade fiscal presumiu a existência de simulação em razão de a empresa incorporada ter sido controladora da ora impugnante e entende que não se trata de incorporação às avessas. 31. De início cabe esclarecer que o fato de a autoridade fiscal ter imputado ao contribuinte a prática da simulação, onde os atos praticados tinham por objetivo reduzir artificialmente os tributos se trata em realidade de matéria de prova, não havendo que se falar em ilegalidade, razão pela qual os argumentos da contribuinte, contrários à ação do fisco serão apreciados em outro momento. 32. O que houve, na prática, foi uma requalificação dos atos realizados pelo contribuinte, prática adotada como regra de calibração do sistema (conforme Tércio Sampaio Ferraz Júnior), ou de “neutralização de esperteza”, nas palavras de Marco Aurélio Greco. [...] 34. Outra preliminar levantada pelo contribuinte é de que a autuação deve ser declarada nula, face as incongruências nas informações coletadas pela autoridade fiscal referentes ao equívoco quanto à data de início de suas atividades e, sobre o objeto social da SIGMA, bem como quanto ao fato de haver presumido a simulação da operação de incorporação da SIGMA. Invoca a afronta ao inciso II do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. [...] Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 7 11 36. Sendo os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade, e garantido o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração. 37. Quanto ao possível equívoco na informação acerca da data em que a contribuinte foi constituída impõese declarar que a pretensa nulidade não pode ser acatada uma vez que não causou prejuízo à defesa. Se foi constituída em 1980, com defende a contribuinte ou, em 25/09/1992 como teria afirmado a autoridade fiscal, isso não tem o condão de interferir nos fatos ora analisados e que ocorreram em 31/12/2008. [...] DA ALEGADA LEGITIMIDADE DA OPERAÇÃO E DO PERMISSIVO DE AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO ESTAMPADO NOS ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97 41. Nesse particular, sustenta que não se trata de incorporação às avessas e que a autoridade fiscal não questionou os critérios de avaliação utilizados, bem como a formalidade dos atos societários utilizados. Fala da liberdade de fazer ou deixar de fazer qualquer coisa que não esteja expressamente vedada em li (art. 5º, II da CF/88) e sustenta que na Lei das AS, bem como no Código Civil Brasileiro não há qualquer restrição à incorporação de pessoa jurídica na condição de controladora. Volta a defender que não se trata de incorporação às avessas, destaca o direito a apropriação do ágio, conforme previsto nos artigo 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, os quais transcreve e conclui que o argumento para justificar a presunção de simulação, levantado pelo Fisco é manifestamente infundado e ilegal. 42. Sustenta que a autoridade fiscal refutou seus argumentos ao singelo argumento de que a incorporada SIGMA não exerceu atividade operacional e não possuía colaboradores. Destaca que a SIGMA tem por objeto exclusivamente a atividade de holding e seus resultados decorrem basicamente de lucros e dividendos recebidos de suas controladas e, por conseqüência, não tem empregados e que, o fato de ter sido incorporada pela ora impugnante após um ano e três meses de sua constituição em nada macula a finalidade de sua criação, nem serve para justificar a conclusão fiscal de “simulação”. 43. Alega que os fundamentos utilizados pelo Fisco são precários e que seu inconformismo decorre do fato de a despesa glosada decorrer de “ágio interno”, ou seja, aquele gerado em operações entre empresas vinculadas, fato já amplamente decidido em favor dos contribuintes, conforme manifestações do CARF que transcreve, razão pela qual o auto de infração deve ser cancelado. 44. Pois bem, aqui cabe traçar um histórico da empresa ora impugnante: [...] 45. A questão do ágio gira em torno da aplicação da norma veiculada por meio dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997. Essa norma disciplinou os efeitos fiscais das operações societárias (incorporação, fusão ou cisão) envolvendo a figura do ágio. O ágio é verificado quando da aquisição de uma participação societária por valor superior ao valor do patrimônio líquido, quando esse investimento for efetuado em uma sociedade coligada ou controlada. Segundo o art. 20, § 2º, do Decretolei nº 1.598, de 1977, o ágio pode ter como fundamento econômico as seguintes hipóteses: (a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ao custo registrado na sua contabilidade, (b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 12 com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros ou (c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. A norma de 1997 fixa, então, os efeitos fiscais do ágio posteriormente à realização das operações societárias. 46. Antes, porém, de adentrar no mérito da autuação, fazse necessário identificar o ponto de intersecção entre a contabilidade, a lei societária e a lei tributária. [...] 48. A lei tributária determina que a base imponível do IRPJ tem como ponto de partida o lucro líquido que, por sua vez, será apurado com observância das leis comerciais e, em especial da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades por Ações), consoante dispõe o artigo 274 do RIR/1999: [...] 49. Há aqui, claramente, um ponto de intersecção entre a lei tributária e a lei societária, na medida em que o Lucro Real é o resultado final do confronto de adições, exclusões e compensações, autorizadas pela lei tributária, em face do lucro líquido do período, apurado segundo os ditames das leis comerciais, das quais faz parte a Lei nº 6.404/1976. 50. Por sua vez, a intersecção entre a lei tributária, a lei societária e a contabilidade fica clara na própria Lei das Sociedades por Ações que contém alguns dispositivos, cuja interpretação exige o auxílio da ciência contábil. Assim, por exemplo, a Lei nº 6.404/1976, ao determinar de que maneira a companhia manterá sua escrituração, emprega expressões, tais como “princípios de contabilidade geralmente aceitos”, “critérios contábeis”, “mutações patrimoniais”, “regime de competência”, cuja compreensão é extraída da Contabilidade, consoante se segue da leitura de seu artigo 177, cujo “caput” mantém ainda sua redação original, em que pesem as alterações posteriores ocorridas no dispositivo: [...] 51. Portanto, o contribuinte é obrigado, pela lei tributária, a apurar o lucro líquido de acordo com a lei societária que, por seu turno, determina que este lucro é obtido através da observância da escrituração e dos preceitos da Ciência Contábil. 52. Assim, se a Contabilidade não aceita um determinado registro contábil, no caso, um determinado ágio na aquisição de um ativo, esse registro, em princípio, também será rejeitado pela lei comercial e pela lei tributária, na medida em que ele trará reflexos na apuração do lucro líquido da pessoa jurídica. 53. Portanto, o direito positivo determina que as definições da Ciência Contábil serão consideradas na interpretação de normas comerciais e tributárias. Daí porque o reconhecimento do ágio para fins tributários e societários passa, obrigatoriamente, pela investigação e aplicação dos conceitos e princípios da Ciência Contábil. 54. Feitas essas breves considerações, passo à análise do mérito do lançamento relacionado à regularidade ou não da dedução tributária efetuada pela Impugnante dos encargos de amortização dos ágios glosados pela fiscalização. 55. A constituição do capital social da ora impugnante COPAGAZ a partir de 08/01/2004, após a aprovação da alteração de capital, era a seguinte: 17 quotas no valor de R$ 17,00 para UEZE ELIAS ZAHRAN e, 17.376.267,00 quotas, no importe de R$17.376.267,00 em nome da sócia MS Administração e Participações; Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 8 13 56. Nesta mesma ocasião, em 07/01/2004, a empresa SIGMA, que fora constituída em 04/06/2003 (fls. 488489), com o objeto declarado de comércio atacadista de artigos de escritório e de papelaria, Holdings de instituições não financeiras, altera sua composição societária para o ingresso de Antônio Carlos Moreira Turqueto, com o valor de R$50,00 e a admissão da empresa MS Administração e Participações com R$ 950,00, sendo que esta seria representada por UEZE ELIAS ZAHRAN; 57. Em 02/08/2004 ocorreu nova alteração no capital da COPAGAZ que ficou assim distribuindo R$ 17,00 para UEZE ELIAS ZAHRAN e R$ 17.916595,00 para a sócia MS Administração e Participações, aqui sendo representada por Antônio Carlos Moreira Turqueto, na qualidade de vicepresidente e diretor; 58. Duas semanas depois, ocorreu alteração no quadro societário da COPAGAZ, para a saída da empresa MSAdministração e Participações da sociedade, que transferiu suas quota (17.916.595) para a sócia ingressante SIGMA Participações, então representada por Antônio Carlos Moreira Turqueto; 59. Pois bem, com base em o Laudo de Avaliação da COPAGAZ, emitido pela DELOITTE TOUCHE TOHMATSU CONSULTORES LTDA ("valor de mercado"), e na qualidade de sócia da SIGMA, a MS integralizou ao capital social de sua controlada SIGMA a participação societária que detinha na COPAGAZ Distribuidora de Gás Ltda., então avaliada em R$ 209.196.000,00, procedendose ao aumento de capital social da SIGMA para R$ 209.197.000,00, conforme registro JUCESP n°361.463/042, em 12/08/2004, que restou assim distribuído: o sócio ANTONIO CARLOS MOREIRA TURQUETO, com valor de participação na sociedade de R$50,00 e a empresa MS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A, com participação na sociedade no valor de R$209.196.950,00; 60. Salientese que a partir dessa alteração o quadro societário a empresa SIGMA Participações passou a ser a controladora direta da COPAGAZ, detendo 99,99% do capital social; 61. O passo seguinte ocorreu com a 90ª Alteração e Consolidação do Contrato Social da COPAGAZ Distribuidora de Gás S.A. (fls. 365400), realizada em 30/08/2004 (registro na Jucepar sob n° 411.867/040, em 16/09/2004), na qual é aprovada a operação de incorporação da SIGMA Participações e sua extinção, conforme Protocolo de Justificação e Incorporação, firmado em 30/08/2004, e Laudo de Avaliação dos peritos do acervo patrimonial a ser incorporado. 62. Assim, COPAGAZ Distribuidora de Gás Ltda. incorporou a até então controladora SIGMA Participaçãoes S/A, materializando uma incorporação inversa e transferindo para ela o ágio nela gerado, com alteração do seu Capital Social para R$ 209.107.000,00 (registrese que o valor do Patrimônio Líquido da COPAGAZ Distribuidora de Gás Ltda, conforme Balanço Patrimonial de dezembro/2004, era de R$ 21.211.972,51, sendo R$ 17.376.284,85 a título de Capital Social, e R$ 3.835.687,66 em Reservas (fls. 426). 63. O quadro que emerge dos autos permite elucidar com clareza a formação do ágio intragrupo. Primeiramente, por meio do Laudo de Avaliação Econômico Financeira (fls. 112160), de 10/12/2003, o valor presente da projeção de resultados futuros da COPAGAZ Distribudora de Gás Ltda. é avaliado em R$ 209.196.500,00, com ágio de R$ 179.504.355,98 (T.V.F – fl. 1497). A seguir, em 12/08/2004, a empresa MSAdministração e Participações integraliza capital na empresa a SIGMA Participações S/A da ordem de R$ 209.197.000,00, a qual, em 16/08/2004 ingressa no quadro societário da COPAGAZ Distribuidora de Gás Ltda como sua Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 14 controladora. A operação é seqüenciada pela 90ª Alteração Contratual da COPAGAZ Distribuidora de Gás Ltda, de 16/09/2004, na qual a na qual é aprovada a operação de incorporação da SIGMA pela COPAGAZ Distribuidora de Gás Ltda e sua extinção. Desta forma a COPAGAZ recepcionou o ágio contabilizado e que teve origem em sua própria avaliação. 64. Na legislação tributária, o ágio gerado em investimentos avaliados pelo patrimônio líquido é tratado pelos artigos 385, 386 e 391 do RIR/1999: [...] Os comandos legais determinam que o contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor do patrimônio líquido deverá, por ocasião de sua aquisição, desdobrar seu custo entre o valor do patrimônio líquido correspondente à participação societária adquirida e o ágio porventura observado na aquisição do investimento, cujo fundamento econômico deve estar evidenciado. 65. Entretanto, o reconhecimento de um ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico não encontra respaldo na Teoria Contábil, ou seja, não é possível reconhecer, contabilmente, uma maisvalia de um investimento quando originado de uma transação entre partes relacionadas, tal como no presente caso, uma vez que à época de registro dos ágios, as empresas envolvidas nas operações eram diretamente controladas pela mesma pessoa física, como já escrito acima e informado pela fiscalização. 66. A vedação ao reconhecimento de uma maisvalia gerada de uma transação entre partes relacionadas advém da Ciência Contábil e foi consagrada pelo Conselho Federal de Contabilidade que enunciou esse impedimento, expressamente, como consequência do Princípio do Registro pelo Valor Original, consoante artigo 7º da Resolução CFC nº 750, de 29 de dezembro de 1993, com a redação vigente até edição da Resolução CFC nº 1.282, de 28 de maio de 2010: [...] 67. Concluise, portanto, que bem antes da época dos fatos em questão (ano 2004), já havia o princípio contábil de registro dos componentes do patrimônio pelo valor original ou histórico. O Conselho Federal de Contabilidade editou, ainda, a Resolução CFC nº 1.110, de 29 de novembro de 2007 (antes, portanto, das alterações realizadas na Lei nº 6.404/1976 pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, que objetivou adaptar a contabilidade brasileira à contabilidade internacional) que, em seu item 120, assim determina: O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado. (negritos acrescidos) 68. Portanto, se os atos expedidos pelo CFC vinculam os contabilistas, uma vez que sua inobservância pode caracterizar infração no exercício da profissão, a mesma sorte acompanha as pessoas jurídicas, cujas demonstrações financeiras são elaboradas por tais profissionais. 69. Neste sentido lecionam os professores Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Junior, in A Incorporação Reversa com ágio gerado internamente: Conseqüências da Elisão Fiscal sobre a Contabilidade (http://www.congressousp.fipecafi.org/artigos42004/13.pdf) consoante excerto do referido artigo, a seguir transcrito: [...] Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 9 15 Em síntese, o ágio (ou, por vezes, o deságio) surge do confronto entre o valor justo (fair value) de uma dada entidade (valor de saída), precificado por intermédio de uma transação envolvendo terceiros independentes, e o valor contábil (valor de entrada) do patrimônio líquido dessa mesma entidade (considerando, é claro, a participação acionária adquirida). Logo, em termos de Teoria da Contabilidade, a rigor, em uma transação admitese tãosó a figura do ágio, que vem a ser um resultado econômico obtido em um processo de compra e venda de ativos líquidos (net assets), quando estiverem envolvidas partes independentes não relacionadas. Enfim, quando o ágio for resultado de um processo de barganha negocial não viciado, que concorra para a formação de um preço justo dos ativos líquidos em apreço. (...) Resta justificado, dessa forma, pelo exposto, que definitivamente, à luz da Teoria da Contabilidade, é inadmissível o surgimento de ágio em uma operação realizada dentro de um mesmo grupo econômico. Não é permitido contabilmente o reconhecimento de ágio gerado internamente, tampouco o lucro resultante. (...) (negritos acrescidos) 70. Percebese que a doutrina contábil rejeita o reconhecimento de um ágio formado internamente, uma vez que a ausência de independência entre as partes interessadas no negócio impede a fixação do chamado valor justo a ser tomado como referência para o reconhecimento ou não da formação da maisvalia. Ou seja, o efetivo valor econômico de uma empresa depende do que o mercado está disposto a pagar por ela, entendendose por mercado, todavia, um ambiente negocial livre e aberto, com a interveniência de agentes econômicos independentes, o que não ocorre no caso concreto. [...] 72. Neste sentido, a autarquia responsável pela fiscalização e regulação do mercado de valores mobiliários também condena o reconhecimento de ágio em operações realizadas dentro mesmo grupo econômico. O Ofício Circular/ CVM/SNC/SEP nº 01/2007, de 14 de fevereiro de 2007 (http://www.cvm.gov.br), em conformidade com outros atos anteriores, expressa esse entendimento: 20.1.7 “Ágio” gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de "ágio". [...] 74. A CVM observa que a mera observância das formalidades previstas na lei societária não é condição suficiente para reconhecer o ágio surgido em uma determinada operação, sendo necessário observar, também, requisitos materiais, como a independência das partes, pagamento e um efetivo ambiente concorrencial. Dito de outra forma: o entendimento expresso no referido OfícioCircular não é novo ou aplicável somente após a entrada em vigor das normas que adaptaram a contabilidade brasileira à contabilidade internacional (Lei nº 11.638/2007 e legislação posterior), mas apenas a expressão numa hipótese (ágio gerado em operação interna de um grupo empresarial) de princípio contábil que já existia e continua a existir. Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 16 75. No Protocolo de Justificação e Incorporação, de 01/03/2005, no qual a fiscalizada (COPAGAZ Distribuidora da Gás Ltda) figura como incorporadora, e a empresa SIGMA Participações S/A como incorporada, as partes fundamentam a operação como um meio de alcançar uma maior eficiência administrativa permitindo considerável redução de custos em geral, razão pela qual a incorporação se torna recomendável. 76. Salientese que ante todo o exposto vale destacar que, em virtude da reorganização societária efetuada pela sujeito passivo, não houve o pagamento efetivo do ágio, uma vez que se tratou de ágio gerado dentro do grupo econômico e que, portanto, não gerou nenhuma riqueza do ponto de vista econômico. 77. Também merece destacar que, tampouco, ocorreu um aumento real do patrimônio da fiscalizada em virtude da operação ter sido realizada intragrupo, fato que, por não ocorrer num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias, apresenta ausência de substância econômica na operação. 78. Do exposto, demonstrase que a sequência de "reestruturações societárias" procedida simplesmente desaguou na transferência para a COPAGAZ do ágio interno, calculado sobre sua própria rentabilidade, com que a empresa investidora MSAdministração e Participações integralizara na incorporada SIGMA Participações. 79. O quadro que emerge dos autos permite concluir que as operações ocorridas em 2003 e 2004 não se prestaram para nada mais além de gerar o ágio amortizável apenas para fins fiscais, fato que é demonstrado, sem sombra de dúvida, pelo fato de que organograma e controle da empresa COPAGAZ passou a ser exatamente o mesmo que o de antes das operações societárias. Este retorno rápido à situação inicial de antes da criação da SIGMA Participações faz saltar aos olhos a falta de propósito negocial. [...] 89. Com efeito, a legalidade dos atos é condição essencial para que a conduta do contribuinte possa ser considerada lícita, mas não suficiente para que se conclua que os efeitos resultantes de seu conjunto estejam em conformidade com o ordenamento jurídico. Ou seja, é possível que cada um dos atos praticados pelo contribuinte, individualmente considerado, esteja de acordo com as exigências formais de alguma norma específica, mas que, em seu conjunto, não surta os efeitos esperados pelo ordenamento jurídico. 90. Essa perspectiva está consagrada na lição do Professor Marco Aurélio Greco, in Planejamento Tributário, 2ª Edição, Dialética, p. 123: A questão fundamental é saber como devemos enxergar a realidade, pois ela comporta mais de uma perspectiva. Pode ser vista fotograficamente, quadro a quadro, e com isto chegaremos a uma conclusão positiva ou negativa em relação a cada quadro isolado. Mas também pode ser vista cinematograficamente, vale dizer, o filme inteiro. Qual das perspectivas adotar? Normalmente só sabemos qual é a história quando chegamos ao final, só no final entendemos o significado real de tudo o que aconteceu. Esta é uma perguntachave porque fotograficamente determinada opção pode ser plenamente protegida e até mesmo querida pelo ordenamento jurídico, mas da perspectiva do filme ela pode aparecer como instrumento para um planejamento inaceitável. 91. A discussão acerca da licitude da conduta adotada pelos contribuintes na busca da economia fiscal não está restrita ao campo do legal ou ilegal, mas deve ser balizada pelos demais valores que permeiam o ordenamento jurídico, conforme ensina o invocado professor à página 194 da citada obra: Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 10 17 (...) cumpre analisar o tema do planejamento tributário não apenas sob a ótica das formas jurídicas admissíveis, mas também sob o ângulo da sua utilização concreta, do seu funcionamento e dos resultados que geram à luz dos valores básicos igualdade, solidariedade social e justiça. Partindo dessa abordagem, embora reconheça que o contribuinte tem o direito de organizar sua vida (desde que o faça atendendo aos requisitos da licitude dos meios, previedade em relação ao fato gerador, inexistência de simulação sem distorções ou agressões ao ordenamento), sou imediatamente conduzido à conclusão (aliás, aceita de forma praticamente unânime nos países ocidentais) de que um direito absoluto e incontrastável no seu exercício é figura que repugna à experiência moderna de convívio em sociedade, fundamentalmente informada pelo princípio da solidariedade social e não pelo individualismo exacerbado. [...] 93. Com o advento do novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002), o abuso do direito, ainda que realizado por pessoas jurídicas capazes e através de negócios jurídicos cujos objetos são formalmente lícitos, possíveis e determinados, passou a ser considerado um ato ilícito, nos termos de seu artigo 187: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. 94. Assim, a doutrina que defendia a legitimidade de ações e estruturas elaboradas pelo contribuinte com finalidade exclusiva de economizar tributos ao fundamento de estar atuando sob permissivo legal foi posta em xeque pela mudança da concepção de licitude, que já era inferida do estudo do texto constitucional, mas que foi explicitada pela lei civil, tendo o prestigiado autor registrado essa mudança de paradigma, conforme lição de página 199 da referida obra: Depois do Código Civil de 2002, como o abuso de direito passou a ser expressamente qualificado como ato ilícito, a questão tributária é muito mais relevante, pois o abuso faz desaparecer um dos requisitos básicos do planejamento, qual seja, o de se apoiar em atos lícitos. Vale dizer, a configuração de um ato ilícito (por abusivo) implica não estarmos mais diante de um caso de elisão, mas sim de evasão. 95. Desta maneira, quando a autoridade fiscal classifica o ágio gerado no grupo COPAGAZ como um ativo subjetivo, com fundamentos em princípios da doutrina contábil, aplicam corretamente o Direito Positivo: primeiramente, verificouse se a apuração do lucro líquido foi feita de acordo com as regras do direito que prevê a aplicação dos instrumentos e princípios da ciência contábil; depois, analisouse se o procedimento extracontábil de apuração do lucro real foi efetuado de acordo com os preceitos da legislação tributária. 96. Conforme as observações anteriormente feitas, o reconhecimento dessa dedução de despesa de amortização de ágio para fins tributários somente é possível, caso a maisvalia tenha sido apurada numa transação realizada entre partes independentes, elemento essencial e esperado numa situação normal de mercado. No caso dos autos todas as partes envolvidas nos atos que culminaram no registro dos ágios eram interdependentes desde antes do início das operações societárias. 97. Portanto, não sendo aplicável à autuada a especial norma de dedutibilidade de ágio prevista no artigo 386, inciso III, §2° do RIR/1999, agiram Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 18 corretamente os autuantes ao glosarem as exclusões ao lucro líquido de valores que não atendiam os requisitos de dedutibilidade. [...] Segue o acórdão guerreado esclarecendo as razões para manter a qualificação da multa, entendendo estarem visíveis no presente caso a simulação que denota a prática de atos fraudulentos intencionais, bem como a responsabilização solidária de Ueze Elias Zahran, por seu papel central nas empresas envolvidas na fraude tributária, como real interessado e mandante dos atos praticados que causaram a evasão fiscal, com fulcro no artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional (CTN). A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 1653 a 1703, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese: a) a autoridade fiscal desconsiderou as operações societárias, contábeis e fiscais, alegando simulação, sem apresentar, contudo, provas concretas ou fatos; este entendimento foi acompanhado na decisão ora recorrida; b) a autuação ocorrida em 10/2013 abordou fatos ocorridos em 09/2004, portanto períodos superiores a cinco anos, procedimento defeso à fiscalização, que empregou juízo de valor a atos pretéritos, no caso, incorporação de empresa, e amortização de ágio diferido no tempo; c) a decisão recorrida defendeu ser correto o procedimento fiscal no qual glosouse a dedutibilidade das despesas com ágio, mas é vedado a autoridade fiscal perquirir a respeito de fatos ou operações formalizadas há mais de cinco anos por ferir a limitação temporal legal, tornando o direito de fiscalizar imprescritível; cita acórdão administrativo jurisprudencial; d) a recorrente já havia sido fiscalizada em 2008, havendo sido questionada sobre o ágio amortizado; na ocasião nenhuma infração foi detectada, muito menos qualquer simulação da operação de incorporação; não pode pois, a fiscalização, em outro momento, criar nova interpretação sobre os mesmos fatos por flagrante mudança de critério jurídico e ofensa ao artigo 146 do Código Tributário Nacional (CTN); as operações analisadas pelas auditorias fiscais foram exatamente as mesmas, sendo que na primeira auditoria não se detectou nenhuma infração tributária, enquanto nesta segunda resultou da autuação em questão, inclusive entendendose que houve simulação jurídica; a alteração do agente fiscal não pode importar em avaliações e entendimentos diferentes pela Administração Tributária; cita acórdão administrativo jurisprudencial; e) atribui ao trabalho fiscal precariedade, com erros, a exemplo da data de constituição da empresa, alegada pela fiscalização como ocorrida em 1992, quando consta dos dados cadastrais ter sido constituída em 1980; também não foram mencionadas outras incorporações e alterações societárias, dandose impressão que as incorporações ocorreram apenas para gerar ágio; considera também precária e fruto de desconhecimento técnico a conclusão da fiscalização sobre a 'holding' SIGMA, ser uma empresa sem atividade operacional funcionários e GFIP sem movimento, uma vez que a legislação prevê a possibilidade das empresas terem como objeto somente a participação em outras empresas; cita a definição de 'holding' sociedades não operacionais que têm seu patrimônio composto de ações de outras companhias. São constituídas ou para o exercício do poder de controle ou para a participação relevante em outras companhias, visando nesse caso, constituir a coligação. Em geral, essas sociedades de participação acionária não praticam operações comerciais, mas apenas a administração de seu patrimônio. (Carvalhosa, 2009, p.14); f) também inadequada a afirmação da fiscalização sobre as regras da Instrução CVM nº 319/99 só se aplicarem às companhias de capital aberto; 1 empresa: ciência eletrônica por decurso de prazo em 17/06/14, efls. 1650 responsável solidário: AR em 06/06/14, efls. 1651 Recurso Voluntário único (ambos) – 02/07/14, efls. 1652 Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 11 19 g) estas falhas da fiscalização demonstram ausência de devida motivação, de investigação necessária, preterição de direito de defesa, desconsideração de fatos que ofendem os princípios do contraditório e da ampla defesa; invoca os artigos 50 da Lei nº 9.784/99 e 59, II, do Decreto nº 70.235/72, requerendo a nulidade da autuação h) a fiscalização não apontou qualquer irregularidade nos critérios de avaliação da recorrente, ou métodos de amortização do ágio, ou no Laudo de Avaliação Econômica, limitandose a presumir a simulação da operação de incorporação da SIGMA; não há presença dos requisitos do artigo 167 do Código Civil, nem a comprovação da simulação exigida pelo artigo 149 do CTN, cuja prova deve ser contundente, tornandose insubsistente a arguição de simulação jurídica; a fiscalização não traz um único elemento sólido, mas apenas afirmações incongruentes e conceitos equivocados, incapazes de invalidar o negócio jurídico válido; cita jurisprudência administrativa; i) a inexistência de propósito negocial não pode ser invocada para desconsiderar negócios jurídicos, a uma porque expressamente rejeitado pelas autoridades legislativas, a duas porque os motivos negociais não podem ser presumidos, sobretudo quando não houve investigação fiscal sobre os fatos e atos; ademais, a incorporação, com ágio, realizada teve como objetivo não a apropriação do ágio, mas a maior eficiência administrativa e simplificação societária, para permitir redução de custos em geral; por ser uma pessoa jurídica possuía uma série de obrigações tributárias, contábeis e societárias, gerando custos; o ingresso da SIGMA, na qualidade de controladora, tornou sua existência desinteressante; o conceito de propósito negocial não se resume ao aspecto financeiro, mas envolve reestruturação societária, alteração do comando da sociedade, poder de voto etc j) foge ao escopo da fiscalização questionar os fundamentos de reorganizações societárias gestões corporativas, interesses institucionais, competitividade etc; cita julgados administrativos; não pode desconsiderar atos jurídicos legítimos e lícitos; k) sobre o ágio legitimidade e previsão legal: k.1) o artigo 20 do Decretolei nº 1598/77 dispunha que o contribuinte que avaliar investimento em sociedade pelo valor do patrimônio líquido deve, quando adquirir participação societária referente a este investimento, destacar o valor do custo do investimento do valor correspondente ao ágio; cumpridos os requisitos do artigo 385 do RIR/99, não pode a autoridade fiscal, por considerações individuais, negar o aproveitamento do ágio; k.2) as empresas podem agir com liberdade para se reorganizar e atuar, dentro dos limites do que não é proibido artigo 5º, II, e 170 da CF; também não há qualquer restrição legal à incorporação de pessoas jurídicas, na condição de controladora Lei das S/A e Código Civil Brasileiro; o direito de apropriação do ágio da incorporada tem previsão legal nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97; k.3) a legalidade tributária prevalece sobre as doutrinas de consideração econômica de fato gerador ou analogia na tributação, impedindo a presunção de fatos geradores por qualquer meio que não seja por lei; sendo as operações societárias e seus efeitos contábeis e fiscais permitidos por lei, não há política ou opinião individual que possa desconstituílas, exceto em casos de fraude ou simulação, devidamente investigadas e comprovadas, o que, no presente caso, não ocorreu; k.4) a decisão recorrida foi impertinente ao afirmar que todos os procedimentos contábeis, fiscais e tributários devem ser uniformes para terem legalidade, sustentando que não houve cumprimento das normatizações da Comissão do Pronunciamento Contábil (CPC); era um período de transição, consoante determinações da Lei nº 11.638/07, pelo que a decisão inovou alegando descumprimento de uniformidade dos critérios contábeis, alegação de inadequação do CPC 15, por tratarse de ágio interno; cita julgado administrativo a respeito de glosas de despesas no RTT; Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 20 k.5) apesar de o presente caso não se tratar de ágio interno, não se pode concluir que estes ágios não se revestem de efetividade econômica; cita acórdão administrativo; k.6) cumpridas as disposições dos artigos 385 e 386 do RIR/99, cumprimento de todos os requisitos contábeis e legais vigentes, inclusive laudo de avaliação econômica não impugnado pela autoridade fiscal, o ágio não pode ser desconsiderado; k.7) a unificação de duas entidades legais, sendo que o patrimônio acrescido é associado a rentabilidade futura desse investimento, configura o ágio a ser amortizado fiscalmente. cita doutrina de José Antonio Minatel, que explicita, in fine "...Configurando o valor do ágio por expectativa de rentabilidade futura um excedente ao valor do patrimônio absorvido, esse acréscimo passa a representar um custo previamente incorrido para fazer face às futuras receitas operacionais da empresa, das quais se espera lucratividade. Dessa configuração de custo assumido para obtenção de futuras receitas é que decorre o fundamento para a sua dedutibilidade."; resta, pois, demonstrado o motivo econômico; k.8) conclui, sobre o ágio e sua dedutibilidade: Demonstrado o motivo econômico, não pode o CARF, órgão técnico de controle de legalidade da atividade administrativa no âmbito tributário federal, sucumbir à pressão política com fim arrecadatório, nem desconsiderar os fatos, permitindo a distorção dos atos legalmente praticados e do incentivo da Lei 9.532/1997 que, sobretudo, ao tratar do ágio e da respectiva dedução, teve como objetivo o estímulo à atividade econômica, permitindo deduzir dos tributos a pagar nos cinco anos posteriores à compra, o excedente pago em relação ao valor contábil que a companhia efetivamente tinha. Nesse sentido, os argumentos da decisão recorrida não se sustentam, seja pelo motivo de que não se trata de ágio gerado internamente, como também, pelo fato de referido ágio tratado, foi devidamente comprovado e se reveste de todos os requisitos econômicos e legais previstos pela legislação. l) ataca veemente a multa qualificada, por ter havido fraude, sem haver a fiscalização comprovado que a recorrente agiu dolosamente, mas pautandose em mera presunção; invoca a aplicação do artigo 112 do CTN; cita decisões administrativas; l.1) atribui à multa aplicada no percentual de 150% o caráter confiscatório; m) a atribuição de responsabilidade tributária solidária ao sócio Ueze Elias Zahran, com fulcro no artigo 135, inciso III, do CTN, por ser administrador nos atos societários, constando nos quadros societários das três empresas, não pode prevalecer; esta pessoa deve ser excluída do pólo passivo das exigências tributárias; m.1) haveria que se produzir provas inequívocas de dolo e intenção do agente, no caso do sócio administrador, e cumulativamente as hipóteses tratadas nos incisos I e II do art. 135, do CTN, ou seja, a obrigação tributária deve resultar exclusivamente de ato praticado pela pessoa física e referido ato deve ter sido praticado com excesso de poder, infração à lei, contrato social ou estatuto; cita doutrina de Renato Lopes Becho e acórdãos administrativo e judicial; m.2) nem pode se alegar que a "infração à lei" decorre do não pagamento de CSLL e IRPJ, tese pacificada a respeito da aplicação do artigo 135 do CTN, consoante posição firmada pelo STJ; O presente recurso voluntário encerrase com o seguinte pedido: Ante o exposto, pedem e esperam os RECORRENTES seja recebido e acolhido o presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de ser cancelada Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 12 21 integralmente a exigência constante do auto de infração, culminando, por conseguinte, no arquivamento do processo administrativo instaurado. 125.Caso mantida, no entanto, requer a exclusão do pólo passivo do responsável solidário indicado pela fiscalização, pelas razões expostas. 126. Subsidiariamente, requer, ainda, seja afastada multa agravada de 150% por completa ausência dos elementos e requisitos legais para sua configuração. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, interposto pela empresa autuada, Copagaz Distribuidora de Gás S/A. Apesar do presente recurso haver sido interposto nominalmente pela empresa e pelo responsável solidário Ueze Elias Zahran, verificase que a impugnação (efls. 1528 a 1566) foi oferecida somente pela empresa, razão pela qual o litígio instaurouse regularmente somente em relação a esta, não podendo, em fase recursal, o responsável tributário vir a compor a lide administrativa. Não conheço, pois, do recurso oferecido por Ueze Elias Zahran, com fulcro no artigo 14 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF). I) Das decadência A recorrente argumenta que a autuação ocorrida em 10/2013 fundamentase em operação realizada há mais de nove anos, em 2004 (incorporação da empresa SIGMA), razão pela qual o fisco não pode analisar, desconsiderar ou emitir qualquer juízo de valor sobre esta operação para impor qualquer exigência fiscal, por fulminado seu direito de agir transcorridos cinco anos da operação realizada. Analisandose os fatos e a autuação realizada, verificase que a fiscalização glosou despesas de amortização contabilizadas no anocalendário de 2008. O artigo 173, inciso I, do CTN, estabelece o prazo, para a Fazenda proceder ao lançamento, de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, como regra geral para contarse a decadência. No caso em concreto, a empresa é optante pelo Lucro Real e os fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorreram em 31/12/2008, em decorrência de glosa de despesas incorridas em 2008, havendo a fiscalização realizado os lançamentos tributários correspondentes em outubro de 2013, portanto preservando o quinquídio. Observese que pela aplicação do artigo em comento, os lançamentos tributários poderiam ter sido realizados até 01/01/2015. Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 22 Ainda que se afastasse a acusação de fraude tributária erguida pela fiscalização e aplicassese a inteligência do artigo 150, §4º, do CTN para a contagem do prazo decadencial, tendo em vista que os fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorreram em dezembro de 2008, as autuações poderiam ter sido realizadas até dezembro de 2013, restando respeitada de igual forma o prazo legal dos cinco anos para o fisco agir. O fato de a operação negocial, que gerou o ágio amortizável de forma diferida despesa, ter ocorrida há mais de cinco anos, não pode ser este ato (negócio) jurídico confundido com a ocorrência do fato gerador, em si, da obrigação tributária em si, que, no caso da apuração do IRPJ e CSLL é ao final de cada anocalendário. No caso em tela não se desconsiderou a incorporação em si, tal qual negócio jurídico, mas extraiuse desta operação, no anocalendário de 2008, os efeitos tributários das deduções que afetaram os fatos geradores das obrigações tributárias para aquele período. A fiscalização não poderia, por estar impedida pelo princípio da legalidade, a lavrar um Auto de Infração a partir da ocorrência do negócio jurídico em si (incorporação), por não se tratar de fato gerador da obrigação tributária, mas nada a impede de fiscalizar os efeitos tributários advindos desta operação negocial, diferidos nos anos que se seguem, os quais repercutem nos fatos geradores das obrigações tributárias e agir, quando a despesa, ou receita, diferidas estiverem em desconformidade com as normas tributárias. Destarte, respeitado o prazo decadencial estabelecido na norma tributária, seja pela redação do artigo 173, inciso I, seja do artigo 150, § 4º, ambos do CTN, procedem as glosas de despesas que influenciaram nos fatos geradores ocorridos em 2008, responsáveis pelas obrigações tributárias surgidas neste período. Afasto a arguição de decadência dos lançamentos tributários de IRPJ e CSLL. II) Das nulidades II.a) Alteração do critério jurídico A recorrente argumenta que foi fiscalizada no ano de 2008 e que a autoridade fiscal, à época, verificou a operação de incorporação da empresa SIGMA, o ágio gerado, e não acusou nenhuma infração tributária, razão pela qual neste novo procedimento fiscal houve alteração de critério jurídico, por mera interpretação do agente fiscal, salientando que os mesmos fatos e atos foram verificados. Diz que a Administração Tributária, independentemente do agente fiscal que a represente, não pode mudar o entendimento a respeito da mesma situação, por força do artigo 146 do CTN. Analisando os documentos apresentados pela recorrente, às efls. 1579 a 1599 verificase que se tratam de Termos de Intimações Fiscais (02), um solicitando arquivos digitais da contabilidade e outro, de fato, solicitando esclarecimento sobre a natureza do ágio amortizado, excluído do Lucro Líquido na DIPJ/2005. Todavia, às efls. 1597, após a resposta da intimada, a autoridade fiscal responsável pelas intimações lavrou um Termo de Encerramento de Diligências/Coleta de Arquivos Digitais. São estes os documentos acostados à impugnação que, no entender da recorrente, fazem prova que a Administração Tributária emitiu um juízo de valor sobre a dedutibilidade da amortização do ágio, recebido por ocasião da incorporação da empresa Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 13 23 SIGMA, admitindo os valores na exclusão do lucro líquido, e que, neste outro procedimento fiscal estarseia alterando o critério jurídico. Dispõe o artigo 146 do CTN: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (grifos não pertencem ao original) As disposições inseridas no texto legal acima não se aplicam ao caso em exame. Eis que não houve qualquer atividade administrativa de lançamento tributário por ocasião da diligência realizada pela autoridade designada para tal fim anteriormente. Nem tampouco houve qualquer encerramento de fiscalização sem resultado, ou ato escrito do qual se possa inferir o entendimento da Administração Tributária a respeito da matéria ora discutida nestes autos. Em assim sendo, afasto a nulidade suscitada dos lançamentos tributários haverem sido realizados com mudança de critério jurídico por parte da Administração Tributária. II.b) Nulidades da autuação A recorrente atribui ao trabalho de auditoria fiscal fragilidade, precariedade, ausência de conhecimento técnico sobre empresas holding, erros etc, falhas que demonstram ausência de motivação, investigação necessária, desconsideração de fatos que ensejam a nulidade dos lançamentos tributários por ofensa ao contraditório e ao exercício da ampla defesa. O equívoco da fiscalização em atribuir a constituição da empresa recorrente à data de 1992 e não ao ano de 1980, como bem observou a turma julgadora de primeira instância, não causa qualquer reflexo na fiscalização realizada e em seu resultado, pelo que inócua a alegação de causar qualquer nulidade material ou procedimental. Por outro lado, as argumentações de que os trabalhos de auditoria fiscal foram superficiais, precários ou frágeis, não se sustenta em vista de constar dos autos vasta documentação amealhada pela fiscalização pertinente às operações que deram origem ao ágio responsável pelas deduções glosadas e ora em debate. O próprio Termo de Verificações Fiscais de efls. 1494 a 1502, parte integrante dos Autos de Infração, demonstra o zelo da fiscalização em deixar bem claro e explícito os passos realizados pela empresa autuada, bem como as razões que conduziram à conclusão de que a incorporação realizada não continha qualquer propósito negocial, tratando se de atos simulados, pelo que indedutíveis as despesas registradas a título de ágio. Na apreciação do mérito do litígio abordaremos mais pormenorizadamente as alegações da fiscalização a respeito da infração tributária apurada no procedimento de ofício. Quanto à impressão da recorrente sobre a ausência de conhecimento técnico da fiscal autuante sobre o funcionamento e operações das empresas holdings trata apenas de Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 24 pontos de vista divergentes, sendo que a autoridade fiscal explicitou o porquê entender que a SIGMA não constituía, na verdade material dos fatos, uma holding, mas fora criada com a única finalidade de empresaveículo para depois a recorrente apropriarse indevidamente do ágio gerado. É matéria a ser discutida no mérito, de igual forma. Enfim, não se verifica dos autos, qualquer impropriedade técnica na autuação realizada para as exigências de IRPJ e CSLL, nem falhas que impediram a recorrente de compreender os remissivos legais infringidos, natureza dos fatos que ensejaram a tributação erguida, ou qualquer mácula aos artigos 10 do Decreto nº 70.235/72, ou 142 do CTN, capazes de causar qualquer nulidade de ordem formal ou material, muito menos houve ausência de motivação e fundamentação que pudessem impedir a recorrente de exercer o contraditório e sua defesa de forma ampla, aliás como o fez, sendo inaplicáveis ao caso em concreto as disposições dos artigos pertinentes aos processos administrativos federais e fiscais. Ademais, entendo que as alegações de nulidade por cerceamento de defesa não são oponíveis ao procedimento de auditoria fiscal e autuação, sendo aplicáveis tão somente ao processo administrativo fiscal quando já instaurado o litígio administrativo, após o oferecimento da impugnação ao feito fiscal. Afasto a arguição de nulidade dos lançamentos tributários. III) Do mérito Cumpre fazer breve síntese dos fatos: 1. São três as empresas envolvidas na situação fiscal retratada: "Copagaz" (recorrente); MS Adm e Participações S/A ("MS"); SIGMA Participações S/A ("SIGMA"). A "MS" efls. 523 a 535 (JUCESP data da constituição 07/12/98) Rua Guararapes, 1855, 11º and. sl. B, Brooklin, SP/SP holding de instituições financeiras, atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica sócios acionistas/diretoria: Antonio Carlos Moreira Turqueto, Eduardo Elias Zahran Filho, Jeannette Elias Zahran, João Elias Zahran, Jorge Elias Zahran, Ueze Elias Zahran (Presidente do Conselho Administrativo/Diretor Presidente) em 08/01/99 os acionistas integralizaram 90% do capital com quotas de sua titularidade da empresa "Copagaz" em 24/12/03 alteração do capital social para R$17.518.508,00 em 19/08/04 referendar deliberação de proposta do aumento de capital da Copagaz (controlada) A "Copagaz" efls. 498 a 521 (JUCESP data constituição 25/09/92) Rua Guararapes, 1855, 12º and., Brooklin, SP/SP postos de álcool carburante, gasolina e demais derivados do refino de petróleo exclusive gás liquefeito / comércio varejista de gás liquefeito de petróleo (GLP) exclusive distribuição canalizada Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 14 25 31.12.98 sócios e capital: UEZE 1,00 e "MS" 4.131.570,00 28.03.00 sócios e capital: UEZE 17,00 e "MS" 9.979.983,00 dez/03 Laudo de Avaliação (expectativa rentabilidade futura) 08/01/04 sócios e capital: UEZE 17,00 e "MS" 17.376.267,00 02/08/04 sócios e capital: UEZE 17,00 e "MS" 17.916.595,00 16/08/04 retirase a "MS" ingressa a "SIGMA" sócios e capital: UEZE 17,00 e "SIGMA" 17.916.595,00 16/09/04 incorporação da "SIGMA" A "SIGMA" efls. 488 e 489 (JUCESP data de constituição 04/06/2003) Rua Guararapes, 1855, 11º and. sl. B, Brooklin, SP/SP (alterado em 07.01.04) comércio atacadista de artigos de escritórios e papelaria / holding de instituições nãofinanceiras 07.01.04 capital e sócios: (ingressam na empresa) Antônio Carlos Moreira "Turqueto" 50,00 e "MS" 950,00 12.08.04 alteração de capital e sócios: "Turqueto" 50,00 e "MS" 209.196.950,00 (participação societária que detinha na "Copagaz" 16.09.04 incorporada pela controlada "Copagaz" Devese observar que a empresa "SIGMA", em seu período de curta existência, além de haver entregue as GFIP "sem movimento", também preencheu uma DIPJ/04 de inativa, relativa ao anocalendário de 2003, assinada pela mesma contadora responsável pelo atendimento à fiscalização da recorrente, sra. Sandra Inês Ribeiro efls. 495 e 496: Declaração de Inatividade: E a DIPJ/05, relativa ao anocalendário de 2004, foi entregue apenas por razão da incorporação, sem também evidenciar qualquer operação realizada. Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 26 Bem, dadas as informações acima, extraídas dos documentos contratuais das empresas e declarações entregues ao fisco, a fiscalização concluiu que a reorganização societária com a utilização flagrante de empresaveículo não teve qualquer propósito negocial, tratandose de operações fictícias cujo único objetivo foi o aproveitamento indevido do ágio gerado pela expectativa de rentabilidade futura para constituir despesas que reduzissem indevidamente o lucro líquido da "Copagaz" em diversos anos. Assim também considerou a turma de julgamento de primeira instância em didático acórdão que enfrentou todos os pontos arguídos pela recorrente, consoante relatado acima. Em extenso arrazoado contestatório, a recorrente argumenta, em síntese, que: (a) a alegada simulação jurídica não foi, de longe, comprovada pela autoridade fiscal, tratando se de mera presunção; (b) a fiscalização não pode negar o propósito negocial da reorganização societária, nem esta questão ser fundamento para ; (c) também incabível a desconsideração de atos jurídicos legítimos e lícitos; (d) despropositado considerarse ágio interno, e ainda que fosse, os ágios internos também são possuem efetividade econômica, bem como alegações infundadas de abuso de direito; (e) o ágio teve comprovado motivo econômico e cuidouse de observar rigidamente os requisitos contábeis e legais para o seu aproveitamento. Enfrentando a matéria de mérito, passase a tecer algumas considerações a respeito das argumentações invocadas pela recorrente a fim de dirimirse o litígio instaurado. Primeiramente, é flagrante tratarse de três empresas de um mesmo grupo econômico e, portanto, tratarse de ágio interno, haja vista o controle de uma mesma empresa sobre as demais e a identidade entre si dos quadros societários e, inegavelmente, a direção de comando de UEZE ELIAS ZAHRAN nas três empresas. Esta pessoa consta como administrador de direito, e o é de fato, nas três empresas. O ágio interno, gerado entre empresas coligadas2, sob o mesmo controle, é ainda tido como ágio artificial no sentido de que nenhum dispêndio custo financeiro foi realizado. Em segundo lugar, ao contrário do extensamente abordado pela recorrente, a empresa "SIGMA" traduzse perfeitamente no que se denomina empresaveículo, haja vista a sua efemeridade e às operações comerciais ou negociais que praticou durante a sua curta existência, ou seja, nenhuma. Ou pelo menos, a recorrente não trouxe qualquer prova que pudesse desmentir os documentos acostados aos autos pela fiscalização, como DIPJ/04 de inatividade, DIPJ/05 sem receita/custo operacional, balanço patrimonial sem acusar nada que indicasse qualquer operação, GFIP declarando expressamente "sem atividade". A "SIGMA" somente possui quatro registros de eventos na sua existência: o ingresso de "Antonio Carlos Moreira Turqueto" e "MS" em seu quadro societário, ainda quando "inativa" (situação desde sua constituição há alguns meses), alteração do endereço da sede para sala contígua à "MS", alteração do capital social com a participação societária da "MS" na "Copagaz" no valor de R$ 209.196.950,00 e, seu encerramento, por incorporação. 2 Lei nº 6.404/76 LS/A art. 243 (...) § 1o São coligadas as sociedades nas quais a investidora tenha influência significativa. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 15 27 Para descaracterizar ser a "SIGMA" uma empresaveículo utilizada com o único fim de internalizar o ágio na forma de despesa a reduzir o lucro tributável na própria empresa que reavaliou seu patrimônio (pela expectativa de rentabilidade futura), a recorrente deveria ter apresentado provas contundentes que ilidissem os documentos e indícios veementes apresentados pela fiscalização. O ônus inicial de provar a infração tributária foi cabalmente cumprido pela fiscalização, passando a ser da recorrente o ônus probatório para desconstituir os fatos provados e demonstrados. Não se verifica, no presente caso, simples presunção fiscal, mas fatos com indícios fortes de ausência de propósito negocial, seja na existência da "SIGMA" como pessoa jurídica autônoma, seja na reorganização societária, respaldada por documentação (declarações entregues ao fisco) e registros contábeis (ausentes de operações negociais). O fato de ser uma holding não esquiva a pessoa jurídica de ter existência própria, funcionários, operações de controle de patrimônios registradas em contabilidade (inclusive) etc, ao contrário senso do que alega a recorrente. 3 Verificase, por outro lado, que a "MS" é uma típica holding, operante. Em estudo realizado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil debruçando se sobre a jurisprudência deste Conselho4 concluiuse que [...] 46. Nos acórdãos analisados, em poucos casos foram encontradas decisões no sentido que o ágio interno não afronta o direito tributário. Na maioria dos casos, o ágio interno lato sensu é entendido como infração tributária decorrente de despesas inexistentes contabilizadas por meio de combinação de negócios entre partes relacionadas, sendo admitido apenas quando presentes pressupostos como efetivo pagamento, partes não relacionadas e laudo técnico autônomo e confiável. [...] 53. Dos 76 casos analisados, (...), foram constatados 32 casos envolvendo ágio interno. Cerca de 66% dos 32 lançamentos de ágio interno ou sem substância econômica foram mantidos no mérito, prevalecendo o entendimentode que a despesa de amortização do ágio era indedutível. [...] 54. Na maioria dos julgados, os lançamentos são mantidos fundamentalmente com base nos seguintes argumentos: · O ágio para ser amortizável deve pressupor a existência de um substrato econômico. · A amortização do ágio pode ser efetuada quando atendidos os seguintes pressupostos: a) efetivo pagamento; b) partes não ligadas; c) laudo técnico autônomo e confiável; 3 As holdings são sociedades não operacionais que tem seu patrimônio composto de ações de outras companhias. São constituídas ou para o exercício do poder de controle ou para a participação relevante em outras companhias, visando nesse caso, constituir a coligação. Em geral, essas sociedades de participação acionária não praticam operações comerciais, mas apenas a administração de seu patrimônio. Quando exerce o controle, a holding tem uma relação de dominação com as suas controladas, que serão suas subsidiárias. (CARVALHOSA, 2009, 14) 4 Nota RFB/Sutri/Cocaj nº 08, de 10 de julho de 2104 Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 28 · Somente em aquisição onerosa de investimentos por terceiros forma se ágio passível de amortização. Não se caracteriza como tal a valorização reconhecida internamente, ainda que fundada em laudo de rentabilidade futura e associada ao reconhecimento de ganho de capital por parte dos sócios. O Acórdão nº 1302001.108, de lavra do Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, foi utilizado referencialmente a respeito do ágio interno e seus efeitos contábeis e tributários no estudo: 55. A seguir, analisamse detalhadamente os fundamentos do voto vencedor proferido no Acórdão CARF nº 1302001.108, de 11 de junho de 2013, que é representativo das principais questões abordadas nas decisões do CARF. 55.1 Um dos primeiros pontos discutidos gira em torno da liberdade de auto organização do contribuinte perante o Fisco. No voto, é criticada a visão da estrita legalidade, que analisa os atos jurídicos independentemente de seu conteúdo real. Afirmase que uma visão que leva em consideração os aspectos puramente formais desconsidera o aspecto finalístico da lei e sua interpretação sistêmica. Reconhecese a liberdade de autoorganização, mas asseverase que ela não é absoluta, devendo haver respeito à livre concorrência, à boa fé, à função social da empresa etc. Trazemse à tona os princípios da capacidade contributiva e da isonomia fiscal na interpretação e aplicação da lei tributária, que não podem ser subjugados ou esquecidos em face do direito de autoorganização do sujeito passivo. Rejeitase a ideia de liberdade de autoorganização, quando o “ato praticado visa única e exclusivamente a reduzir o tributo devido”. Citase trecho da obra de Marco Aurélio Greco, a seguir reproduzida: “...a carga tributária decorre da lei e não pode ficar ao sabor da ‘criatividade’ do contribuinte. Nem se diga que o ordenamento autoriza estas condutas, pois a opção fiscal (desejada ou induzida pelo ordenamento) é diferente da ‘montagem fiscal” (construção de um modelo apenas formal para atingir um redução do tributo)”. 55.2 A criação de ágio artificial entre empresas do mesmo grupo foi qualificada como simulação. Não simulação no sentido de vício de vontade, que é apenas uma das maneiras de conceber este instituto, mas simulação vista pelo ângulo da causa ou do motivo do negócio jurídico. Atos formais de reorganização societária, sem substância econômica, são meramente aparentes. A geração de um ágio artificial com vistas à redução do tributo não pode ser o motivo dos atos, ou seja, “motivo ou a causa deve ser antecedente aos atos e exterior a eles”, senão temos apenas “o ato justificado pelo ato”. Também foi salientado o fato de que depois de realizadas todas as etapas, não há qualquer alteração nas relações jurídicas constituídas, com exceção do aparecimento do ágio decorrente da reavaliação patrimonial efetuada. 55.3 Por fim, o acórdão analisa a relação entre as normas contábeis e a lei tributária. Com o objetivo de afastar o argumento de que o regime contábil dado ao instituto do ágio seria distinto daquele previsto na legislação tributária, manifesta entendimento no sentido de que não há dois tipos de ágio: um jurídicotributário e outro contábil. Reconhecese a distinção entre a contabilidade e o direito tributário, mas afirmase que há uma interseção entre ambos os campos do conhecimento. Segundo este entendimento, as normas contábeis exaradas pelas entidades responsáveis pela regulamentação dos procedimentos contábeis não são elementos estranhos à aplicação da legislação tributária, pelo contrário, fazem parte do arcabouço de mensuração do resultado tributável obtido pelas sociedades empresariais. A partir deste entendimento, mencionase o Ofício Circular Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 16 29 CVM/SNC/SEP nº 1/2007, que condenou o reconhecimento do chamado ágio interno, gerado dentro do mesmo grupo de empresas sob controle comum. 55.4 Quanto ao conceito de ágio pago, este é definido como aquele em que há um efetivo sacrifício patrimonial por parte da adquirente. A mera transferência escritural, para o patrimônio da investida, das ações registradas pela investidora em seu patrimônio (indevidamente reavaliadas) não caracteriza qualquer desembolso, principalmente se, ato contínuo, é feita a reversão do investimento. No caso do ágio interno, não há um efetivo pagamento (sacrifício patrimonial) por parte da investidora pelas participações subscritas em operações com empresas controladas, o que revela a falta de substância econômica das operações. Não há efetiva modificação patrimonial, o que impede o registro e o reconhecimento contábil do ágio. Conclui o acórdão afirmando que ao se dissociar o fato econômico (ágio), captado pela ciência contábil, daquele regulado pela lei tributária, esta última se tornaria completamente abstrata, divorciada do contexto econômico que visa regular. Acompanho o entendimento acima esposado, pois equivocase a recorrente ao entender que desde que cumprido todos os requisitos legais e orientações contábeis faz jus ao aproveitamento do ágio para dedução do lucro a ser tributado. O princípio da legalidade, imperativo no direito tributário, de fato, pressupõe que estando de acordo com as normas tributárias vigentes, a Administração Tributária não pode impingir nada ao contribuinteadministrado, que tem liberdade para agir, desde que a norma também não o proíba. Ninguém é obrigado a fazer aquilo que a lei não determine, e o Estado não pode agir sem que a lei o autorize. Todavia, os princípios constitucionais se contrapõe nesta balança da justiça fiscal. A verdade material deve ser perseguida a todo custo. Aí que entra a importância da substância ou essência dos atos praticados. O cumprimento do formalismo legal destituído de causa motivadora faz destoar todo o ordenamento jurídico, no qual as normas tributárias, civis societárias e comerciais, e de outros ramos, que o compõem são editadas com os objetivos de salvaguardar os princípios constitucionais da isonomia, da concorrência, da capacidade contributiva. Nesta inserção de pesar valores afinal, o que está ocorrendo no mundo jurídico, na realidade dos fatos? é que nos deparamos com o que se enquadra à norma legal (e para quem ela foi produzida) e o que não se pode coadunar à mesma. Tudo "aparenta" estar certo, mas no fundo, qual o propósito das ações praticadas pelo contribuinte? Por que a "Copagaz" contratou a auditoria independente para fazer uma laudo de avaliação de expectativa de rentabilidade futura? A pretensão era a sua alienação a terceiros? Receber na venda o que considerava o que valia? Porque o custo de aquisição e o ágio (goodwill) deveriam permanecer separados na sua contabilidade, até a sua alienação a um terceiro independente, que (este sim) poderia amortizar esta importância, em razão do valor efetivamente despendido (gasto)...mas, não, o próprio grupo econômico ("Copagaz" e "MS") engendrou "uma empresa" ("SIGMA") para controlar a "Copagaz" e depois ser incorporada às avessas e o resultado? Durante vários anos a "Copagaz" ter uma "despesa" (considerável) para deduzir do lucro que deveria ser tributado. Isto é simulação jurídica. Vejamos. Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 30 A simulação tem sido analisada não somente mais como vício de vontade (real versus aparente), mas Marco Aurélio Grecco, in Planejamento Tributário5, deslumbra: [...] Se tomarmos, por exemplo, Orlando Gomes que é um dos maiores nomes do Direito Civil brasileiro e que escreveu há mais de 40 anos , ele afirma que a simulação não está no plano da vontade, mas no plano da causa do negócio. 6 Para saber se o negócio é simulado, temos que verificar se há compatibilidade entre a sua causa e o próprio negócio celebrado. [...] Surgem indagações diferentes que precisam ser respondidas e que vão levar ao reconhecimento ou não de patologias dos negócios jurídicos, como por exemplo, a simulação. [...] Desta perspectiva, podese chegar à conclusão de o negócio ser simulado se não existir motivo, ou se ele for incompatível com o núcleo do negócio adotado ou se existir uma inadequação entre motivo real e aparente. [...] Na medida em que a simulação passa a ser vista como vício da causa ou do motivo do negócio jurídico, esta se configura sempre que houver discrepância entre o motivo aparente e o motivo real ou entre a causa do negócio e o perfil que ele apresenta. Do Acórdão nº 1801001.114, extraio trecho do voto de lavra da Conselheira Maria de Lourdes Ramires, a respeito da simulação tributária: Maria Angélica S. de Souza Dias7, elucida que a simulação pode ser praticada como uma utilização abusiva de formas, mas não é esta a circunstância que a qualifica como simulação. Para a autora não bastaria haver uma sucessão de atos abusivos – operações estruturadas em seqüência com a mesma finalidade – para restar caracterizada a simulação, “pois a simulação deve ser reconhecida não pela abusividade dos atos efetivamente praticados, mas pela mera aparência de suas ocorrências quando, na realidade, sequer ocorreram”. A simulação, assim, presume uma falsa aparência da realidade. Segundo Misabel Abreu Machado Derzi, a doutrina distingue simulação e dissimulação. A simulação expressaria o que não existe na realidade – total ou parcialmente. Já a dissimulação ocultaria o que na realidade se constituiu. Por essa razão, alguns vislumbrariam na simulação relativa dois aspectos distintos: (i) do ato que se aparentou fazer e (ii) do ato que na realidade foi feito. O fingido, do real, o invólucro e o conteúdo. E prossegue: Desfeito o ato aparente, roto o invólucro, cumpre examinar a validade do que restou do conteúdo. Se não houver intenção de prejudicar a terceiros, ou de violar disposição de lei, o ato dissimulado é válido (plus valet quod agitur quam quod simulate concipitur); na hipótese contrária, ilícito o conteúdo, será anulável´. (Washington de Barros Monteiro, Curso de Direito Civil. Parte Geral. 28ª, ed. atualizada. São Paulo. Saraiva. 1989, p. 210). Para a doutrina tradicional, ocorrem dois negócios: um real, encoberto, dissimulado, destinado a 5 Planejamento Tributário, 3ªed, 2011, Dialética, p. 191, 192, 193 6 Introdução ao Direito Civil, 4ª edição, Rio de Janeiro:Forense, 1974, p 423 7 DIAS. Op. Cit. pp. 99 Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 17 31 valer entre as partes; e um outro ostensivo, aparente, simulado, destinado a operar perante terceiros.”8 Percebese, então, que o ato dissimulado é o ato real, aquele efetivamente praticado. Não sendo desejo das partes mostrálo como de fato é, o ocultam sob o manto de um ato simulado, o qual lhe conferirá a aparência desejada. Para Maria Angélica S. de Souza Dias9 a simulação fiscal, para ocorrer, pressupõe a existência de um acordo entre as partes destinado a iludir o Fisco, no qual o negócio jurídico aparentemente praticado (em geral, tributariamente menos oneroso) não corresponde ao negócio jurídico efetivamente celebrado entre as partes (em geral, tributariamente mais oneroso). Acrescento, ainda, da obra Dos Crimes contra a Ordem Tributária10, do magistrado Antônio Corrêa, os elementos que caracterizam a fraude: a) a aparência legal; b) conveniências particulares dos envolvidos; c) utilização de normas jurídicas com finalidades distintas da que efetivamente possuem; d) violação do ordenamento jurídico. E, do procurador Alécio A. Lovatto11, as reflexões de outros doutrinadores: Segundo Ruy Barbosa Nogueira, na fraude, a ação ou omissão visa escamotear o pagamento do imposto devido reduzilo, evitálo ou retardálo... Segundo Silvio Rodrigues, age com fraude à lei a pessoa que, para burlar princípio cogente, usa de procedimento aparentemente lícito. Ela altera deliberadamente a situação de fato em que se encontra, para fugir à incidência da norma. O sujeito se coloca simuladamente em uma situação em que a lei não o atinge, procurando livrarse de seus efeitos... [...] E, forte, em Franco Gallo (...), diz adiante: em matéria tributária, entretanto, a simulação é mais do que mera e simples ocultação de um negócio jurídico; requer uma conduta dirigida a obstruir a ocorrência do fato gerador, utilizandose para tanto de um arsenal complexo que envolve uma miríade de artimanhas, documentos, práticas contábeis e registros. Mencionando a lição de Maurice Cozian, José Eduardo Schouri observa: ao reprimir o abuso de direito a administração estaria dizendo ao contribuinte: Você não é, sem dúvida, mentiroso, mas pode ser pior, você é ilusionista; você conseguiu fazer desaparecer a matéria tributável por um passe de mágica jurídico; você é astuto demais e eu o tribubo como fraudador. 8 DERZI, Misabel Abreu Machado. A Desconsideração dos Atos e Negócios Jurídicos Dissimulatórios, segundo a Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, in O Planejamento Tributário e a Lei Complementar 10. Dialética. São Paulo, 2001 pp. 212/214 9 DIAS. Op. cit. p. 92 10 Antônio Corrêa, Dos Crimes contra a Ordem tributária, 2ª ed, São Paulo, Saraiva, 1996, p. 26 11 Alécio A. Lovatto, Crimes Tributários, Porto Alegre, Livraria do Advogado, 2000, p. 142 a 144 Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 32 No presente caso, por mais que a recorrente insista em argumentar que seguiu as normas vigentes e orientações contábeis, o que se verifica foi um aproveitamento e uma série de ações fabricadas para dar aparência legal a um objetivo muito claro: produzir despesa para diminuir o lucro tributável. Por vários anos. Mas, a utilização de normas jurídicas vigentes para burlar o próprio ordenamento jurídico é mais uma patologia, nos dizeres de Marco Aurélio Greco, que traz ilicitude ao planejamento tributário, desqualificando este e identificando a evasão fiscal. Da já citada obra de Marco Aurélio Greco, p. 210 e 211 e 213: Na medida em que a lei qualificou uma determinada manifestação de capacidade contributiva como pressuposto de incidência de um tributo, só haverá isonomia tributária se todos aqueles que se encontrarem na mesma condição tiverem de suportar a mesma carga fiscal. Se, apesar de existirem idênticas manifestações de capacidade contributiva, u contribuinte puderse furtar ao imposto (ainda que licitamente), esta atitude estará comprometendo a igualdade, que tem dignidade e relevância até mesmo maiores que a proteção à propriedade (CF, artigo 5º). [...] Nesse contexto é que vejo a inserção da temática do abuso do direito da auto organização no âmbito tributário. Ou seja, a possibilidade de serem identificadas situações concretas em que os atos realizados pelos particulares, embora juridicamente válidos, não serão oponíveis ao fisco quando forem fruto de um abusivo do direito de autoorganização que, por isso, compromete a eficácia do princípio da capacidade contributiva e e da isonomia fiscal. Aqui não se está falando da figura prevista no artigo 123 do CTN, mas da possibilidade de os efeitos fiscais de atos privados não serem admitidos pelo Fisco quando implicarem deslocamento do foco visado pela lei ao qualificar a manifestação de capacidade contributiva. [...] Sublinhese que, depois do Código Civil de 2002, abuso de direito não é apenas caso de inoponibilidade perante o Fisco, é hipótese de ato ilícito que destrói um dos requisitos indispensáveis para haver efetivo planejamento tributário. [...] Com a tese do abuso de direito aplicado ao planejamento fiscal, se o motivo predominante é fugir à tributação, o negócio jurídico será abusivo e seus efeitos fiscais poderão ser neutralizados perante o Fisco. Ou seja, sua aplicação não se volta a obrigar ao pagamento de maior imposto, mas a inibir as práticas sem causa, que impliquem menor tributação. (grifos no original) Ao se empenhar em seguir, ipsis litteris, os passos para promover uma reorganização societária que não existia sequer razão para existir, nos deparamos com a simulação e o abuso de o direito de autoorganizarse. A reorganização societária, no presente caso, apesar de seguir a lei, fere os princípios constitucionais da isonomia, da concorrência, da capacidade contributiva, e não teve outro propósito a não ser evadirse da tributação. O dolo natural nas simulações jurídicas está visível nos meses em que foram tramados o benefício de uma avaliação estratosférica (de R$ 21.211.372,51, em dezembro de 2004, para R$ 209.106.950,00) e pretender, sem gastar um níquel sequer, que esta valoração patrimonial se transforme em despesa dedutível. Salientese que não se está criticando o Laudo de Avaliação de expectativa de rentabilidade futura, em si. Criticamse os Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 18 33 efeitos fiscais para os fins de utilização como amortização de ágio não pago, gerado entre empresas interligadas, com incorporação às avessas. Qual o gasto com esta despesa para gerar qualquer espécie que fosse de dedução de lucro? A ausência de qualquer pagamento, somente a movimentação de participações societárias, entre empresas sob o mesmo controle, impede que o ágio gerado se torne dedutível. A rentabilidade futura esperada pela Copagaz e prenunciada no Laudo de Avaliação não gerou qualquer despesa para a própria Copagaz. O manejo das paticipações societárias para B ou C também não geraram qualquer despesa patrimonial, real, que justifique contabilmente ou tributariamente ser algum valor dedutível. A recorrente pode defender o motivo econômico para reavaliar o seu patrimônio, mas partir deste motivo para constituir despesa amortizável, com a utilização de empresaveículo, objetivando unicamente o seu favorecimento em detrimento dos cofres públicos, como se fosse escusável interpretar a norma tributária de regência da matéria como uma renúncia fiscal, é se distanciar demais da interpretação sistemática e teleológica das normas tributárias. E esta inocência da contribuinte não pode ser atestada, dados os atos praticados para dar aparência de verdadeira reorganização societária, aquisição de empresa com ágio (porém, sem pagamento), simulações jurídicas que configuram o abuso de direito clássico. Tudo contrapõese à retórica da recorrente para eximirse do dolo, elemento necessário à caracterização da fraude tributária e cominação da multa qualificada. Houve, sim, manifesta intenção em fraudar o fisco, não podendo ser escusados os atos praticados pela contribuinte para evadirse da tributação correta, agravada esta conduta por destinarse a vários anos sucessivos de evasão fiscal. Neste diapasão, data vênia a corrente jurisprudencial que admite o lêdo engano dos contribuintes ao interpretar que as disposições dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 favoreceriam estes procedimentos em busca da dedutibilidade do ágio interno, aproveito para votar pela manutenção da multa qualificada, cominada na autuação e bem justificada no item 1.3 (Da Simulação) do Termo de Verificações Fiscais. Ao final de tudo, acompanho as conclusões da fiscalização, do acórdão recorrido e da jurisprudência majoritária deste Conselho, pois se extrairmos toda a 'maquiagem' bem elaborada com atos essencialmente formais celebrados pelos interessados, no presente caso, o que temos, na verdade material dos fatos, ou seja, em essência, ou substância, é a reavaliação do patrimônio da "Copagaz" e o aproveitamento desta diferença como um valor apto a reduzir o lucro a ser tributado durante sucessivos anoscalendários. Por certo, nunca foi o fim teleológico da norma tributária que disciplina a amortização do ágio (verdadeiro) que as empresas, pelo simples cuidado de ateremse a formalismos sem substância, sem causa que justifique, poderem reavaliar seus patrimônios e, ao mesmo tempo, gerarem despesas (sem qualquer dispêndio financeiro!) para se esquivarem de apurar lucro tributável. No que concerne à responsabilidade solidária de UEZE ELIAS ZAHRAN, guindado à sujeição passiva solidária pela fiscalização, o ponto forte para este procedimento é ser esta pessoa física, sem dúvidas, a pessoa identificável nos contratos sociais das três empresas como aquela que detém o poder decisório. Após trazer todo o histórico das empresas, sempre com ênfase para a pessoa ora referenciada, a fiscalização conclui: Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 34 E no item próprio à responsabilização, no Termo de Verificação Fiscal e Responsabilidade Solidária, fundamentaa nos artigos 121 c/c o 135, ambos do CTN, destacando que houve infração à lei. Temse, portanto, que as razões para incluir a pessoa de UEZE ELIAS ZAHRAN no pólo passivo da obrigação tributária no caso em questão surgiu de dois pontos: a inequívoca atuação desta pessoa com o poder de mando, gestão, nas empresas (cargos de administradordiretivo nas três empresas envolvidas) e o dolo, já constatado, na realização das simulações jurídicas realizadas a fim de evadir a empresacontribuinte da tributação. UEZE ELIAS ZAHRAN seria o autor das maquinações jurídicas, ao ver da fiscalização. Serão estes pressupostos suficiente para colocálo na solidariedade passiva? Declinando de defender, neste âmbito administrativo, se a responsabilidade fixada no artigo 135, inciso III, do CTN é de natureza solidária, pessoal ou subsidiária, por entender que esta discussão cabe na execução fiscal, adoto a tese que há responsabilização do sócio/acionista/diretoradministrador pelo crédito tributário devido pela pessoa jurídica, quando este crédito surgiu, de forma direta, em razão de infração tributária causada por ação praticada em sua gestão. Se o gestor da empresa age dolosamente, com intuito de fraudar o fisco, infringindo a lei tributária (lato sensu), prejudica a própria pessoa jurídica e, por esta razão, deve responder, ao meu entender, solidariamente pelo crédito tributário lançado de ofício, ao desfazerse, pelo fisco, a simulação jurídica praticada pelo administrador da pessoa jurídica. Neste diapasão se manifestou a Procuradoria da Fazenda Pública, no Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/09: [...] 61. De tudo isso, é importante guardar que o "sóciogerente", de acordo com a jurisprudência hoje aceita pelo STJ, tornase responsável não por ser "sócio", mas por ter cometido ato ilícito enquanto "gerente". Em verdade, a condição de sócio é irrelevante. Dois são os elementos verdadeiramente relevantes para sua responsabilização: (a) ser administrador e (b) ter cometido ato ilícito nessa posição. Por ser administrador e ter cometido infração à lei, pode o terceiro ser responsabilizado; não por ser sócio. Dessarte, podemos afirmar com segurança que, segundo o entendimento firmado no STJ, o administrador é chamado a pagar o crédito tributário da pessoa jurídica administrada em forma de responsabilidade por ato ilícito. [...] 96. A conseqüência jurídica principal da conclusão de que o administrador que comete ato ilícito, no exercício da gerência, responde solidariamente com a pessoa jurídica pelo crédito tributário, sem benefício de ordem, é a de que ele, nesse caso, deve ser considerado "sujeito passivo" e "devedor" para efeito de aplicação da legislação tributária em geral. É ele "sujeito passivo" porque, por força do art. 121, parágrafo único, II, do CTN, todo responsável é sujeito passivo tributário. É ele "devedor" em razão de que a pretensão do Fisco para com ele é exigível independentemente da solvabilidade da pessoa jurídica. [...] Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 19 35 CONCLUSÃO 106. Em resumo, alinhamos aqui os fundamentos e as conclusões do presente Parecer: a) A responsabilidade do dito "sóciogerente", de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, decorre de sua condição de "gerente" (administrador), e não da sua condição de sócio; b) A responsabilidade do administrador, por força do art. 135 do CTN, na linha da jurisprudência do STJ, é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito; c) Para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social; d) A responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador; [...] Mantenho a responsabilização solidária do gestor da empresa nos casos de simulação dos negócios jurídicos e flagrante abuso de direito. V) Conclusão A jurisprudência dominante deste Conselho tem se inclinado no sentido de admitir a dedutibilidade do ágio nos casos de aquisição de participação societária quando presentes os seguintes requisitos: 1 efetivo pagamento do custo total da aquisição, inclusive do ágio; 2 realização de operações entre empresas não ligadas entre si; 3 lisura na fundamentação do ágio: avaliação de empresas adquiridas / laudo confiável; 4 alteração do controle acionário após a absorvição da empresa adquirida com ágio; 5 propósito negocial efetivo na incorporação realizada No presente caso, consoante relatado e apreciado, somente houve atendido o requisito relativo ao laudo de avaliação da recorrente com expectativa de rentabilidade futura, pelo que correta a fiscalização em proceder a glosa das despesas de amortização pelo ágio artificial gerado intragrupo. No mais, convicta pelas razões de decidir ora esposadas, sendo suficientes para motivar este voto, adoto ainda as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por comungar das mesmas teses esposadas. Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 36 Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar a alegação de decadência, bem como as nulidades suscitadas pela recorrente, e, no mérito, em negar provimento ao recurso e manter a responsabilidade solidária de UEZE ELIAS ZAHRAN. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Voto Vencedor Não obstante o bem elaborado voto da I. Conselheira, ouso dele divergir, pelas razões a seguir expostas. Primeiramente, vale lembrar como se deu a evolução da legislação acerca da matéria posta em debate, se não vejamos o que se segue. O DecretoLei 1.598/77 dispunha, no seu art. 34, que, na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituísse seria computado na determinação do lucro real, como perda de capital dedutível, a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado. Facultativamente, o contribuinte, para efeito de determinar o lucro real, podia optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos. Então, a diferença entre o valor contábil registrado na investidora e o valor a preço de mercado da incorporada constituía uma perda de capital dedutível da base tributável em caso de fusão, cisão e incorporação. Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 20 37 b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada período base a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. Vale salientar que, durante muito tempo não se admitiu ágio ou deságio na subscrição de ações, algo que veio começar a ser aceito com uma mudança de entendimento da CVM, se não vejamos o seguinte excerto da Nota Explicativa CVM nº 247/96, in verbis: “7 DO ÁGIO OU DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Alguns esclarecimentos e alterações importantes foram feitos neste tópico. A primeira, e talvez a principal delas, trata da existência de ágio/deságio na subscrição de ações. Até algum tempo atrás, era entendimento de muitas pessoas que o ágio e o deságio somente surgiam quando havia uma aquisição das ações de uma determinada empresa (transação direta entre vendedor e comprador). Hoje, entretanto, já existe o entendimento de que o ágio ou o deságio pode também surgir em decorrência de uma subscrição de capital. Em um processo de subscrição de ações, quando há alteração no percentual de participação, o entendimento era de que a parcela subscrita que ultrapassasse o valor patrimonial das ações constituía uma perda de capital na investidora (e um ganho na empresa cuja participação estava sendo diminuída), e essa perda/ganho deveria ser contabilizada, no resultado não operacional, como variação de percentual de participação. Posteriormente, verificouse que quando essa parcela subscrita decorre, por exemplo, da subavaliação no valor contábil dos bens, existe a figura do ágio na investidora, mesmo que não tenha havido uma negociação direta com terceiros.” Certo que o posicionamento da CVM não teria o condão de alterar a legislação tributária, mas tal entendimento terminou sendo absorvido pela legislação tributária, a qual começou a tratar como ágio a parcela subscrita que ultrapassasse o valor patrimonial das ações e, mais do que isso, a considerar a existência de ágio na investidora, mesmo que não tenha havido uma negociação direta com terceiros. Valendose disso, muitos contribuintes praticaram simulações fiscais conhecidas como “ operação casasepara”, a qual permite a alienação de ativos sem o oferecimento à tributação do ganho de capital por parte do alienante e com a criação de ágio amortizável na adquirente. Por exemplo, imaginemos que uma empresa A deseja comprar um galpão pertencente a empresa B. As duas combinam a constituição de uma empresa C, incialmente tendo como sócio a empresa B, que integraliza capital em C com a entrega do galpão pelo valor de $ 100,00. Posteriormente, aumentase o capital de C em 100,00 ( de $ 100 passa para $ 200), os quais são subscritos por A com ágio fundamentado na expectativa de rentabilidade futura de C, no valor de $ 400. O ágio pago no valor de $ 400 comporá reserva de ágio em C (não tributável). Por sua vez, avaliando os investimentos pelo MEP: o sócio A registra um Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 38 investimento no valor de $ 300 e ágio por expectativa de rentabilidade futura no valor de $ 200, por sua vez, B registra um investimento no valor de $ 300 (50% do PL de C) – logicamente, com um ganho por variação de participação societária não tributado no valor de R$ 200. Realizado o casamento, chega a hora da separação, em que eles pactuam a saída de B da sociedade, recebendo o valor contábil do investimento ($ 300), logo, sem incidência de IR já que não há ganho de capital. No segundo momento, A incorpora C e passa a deduzir das bases tributáveis a despesa de amortização do ágio no valor de $ 200. Assim, foi dissimulada uma operação de compra e venda do galpão, a qual geraria um ganho de capital tributável no valor de $ 200 para B e o ágio que A registrou não existiria, pois seria parte do custo de aquisição do Galpão adquirido. Isso tudo só foi possível devido a mudança de entendimento da CVM sobre ágio na subscrição que a RFB não se posicionou contrariamente. Notese que essa simulação fiscal (casasepara) não geraria o ágio amortizável se continuássemos a tratálo como perdas por variação de participação societária, ou seja, como perda não dedutível fiscalmente12 o valor da parcela subscrita que ultrapassou o valor patrimonial das ações (no nosso exemplo os R$ 200 registrado por A como ágio) e, consequentemente, como ganho não tributável os R$ 200 registrado na contabilidade do sócio B (veja que o investimento em C passou de R$ 100 para R$ 300). Até agora sabemos que o ágio é a diferença entre o valor pago pelas ações e o valor patrimonial dessas ações. Ora, com a subscrição de ações, a uma assunção de dívida pelo subscritor, sendo que a integralização do capital pode se feita pela entrega de bens (dação em pagamento) ou pelo simples pagamento em dinheiro. Assim nasceu, ainda dentro do processo de privatização das empresas estatais, um novo pleito o qual consistia em fazer com que o ágio passasse a ser gerado por mero laudo de avaliação em conferência de ações, ou seja, evitando assim que o investidor tivesse que desembolsar recursos financeiros na aquisição das estatais. Isso seria possível, por exemplo, se o investidor pudesse integralizar capital na estatal com ações de uma terceira empresa, avaliada acima de seu valor patrimonial. Todavia, se ações dada em pagamento estavam contabilizadas por um valor menor do que aquele que lhe foi conferido, haveria ganho de capital a ser tributado. Como então remover esse obstáculo? Em 1991, em pleno processo de privatização do Governo Collor de Mello (Lei 8.031/90), a douta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional emite o Parecer PGFN nº 970/1991, o qual colocou em dúvida até a possibilidade de se tributar o ganho de capital auferido quando se dá, em integralização, um ativo contabilizado por um valor menor que o valor das cotas/ações integralizadas, se não vejamos: “8. Por outro lado, o imposto de renda tem como fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica de uma renda ou de proventos de qualquer natureza, segundo preceitua o art. 43 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25.10.66). Como o conceito de renda é um conceito econômico e até hoje sem nítidos contornos, temos que o referido imposto incide sobre a percepção de uma renda segundo critério jurídico. Isto significa que só são considerados renda ou proventos os que a lei define como tais, coincidam ou não com o conceito econômico. 9. Ora, como demonstramos, os particulares e o Estado participam de uma operação de troca (permuta), pois os participantes do leilão 12 Art. 23, § 5º, do DL 1589/77: 5º Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização de ágio ou deságio na aquisição, nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País. (dispositivo vigente à época). Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 21 39 também buscam trocar títulos públicos por participações acionárias das estatais, e, dessa forma, afastarseia a preocupação dos reflexos na licitação (leilão), pois o objetivo final dele não são os cruzeiros, mas a maior quantidade de títulos públicos. (...) 15. Ainda que se quisesse, ad argumentandum, ver um ganho de capital entre a aquisição do título por 40 e o valor 100 conferido na troca, creio que haveria obstáculos jurídicos, relativamente ao aspecto temporal do fato gerador e a própria base de cálculo. (...) 16. É evidente que o momento não seria aquele da troca, mas sim quando o particular vendesse a participação acionária trocada. E, ainda, não existiria base de cálculo, pois o valor referencial em cruzeiros no leilão, existe somente como estímulo à troca dos bens (papéis públicos). 17. Esta tributação, ainda, seria iníqua, pois como não foram recebidos cruzeiros, não haveria disponibilidade líquida do contribuinte, e, em conseqüência, naquele momento nenhuma base de cálculo para o fato gerador, pois a renda fica sujeita à tributação quando realizada e quantificada; evidentemente não é a hipótese sob exame.” Com a devida vênia da douta PGFN, órgão merecedor das mais elevadas considerações e respeito, tal Parecer era frágil juridicamente, pois não havia como negar o ganho de capital na espécie, tanto que se fez necessária a edição de uma norma para diferir a tributação de tal ganho, se não vejamos o art. 65 da Lei 8.383/91, in verbis: “Art. 65. Terá o tratamento de permuta a entrega, pelo licitante vencedor, de títulos da dívida pública federal ou de outros créditos contra a União, como contrapartida à aquisição das ações ou quotas leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização. § 1° Na hipótese de adquirente pessoa física, deverá ser considerado como custo de aquisição das ações ou quotas da empresa privatizável o custo de aquisição dos direitos contra a União, corrigido monetariamente até a data da permuta. § 2° Na hipótese de pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, o custo de aquisição será apurado na forma do parágrafo anterior. § 3° No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o custo de aquisição das ações ou quotas leiloadas será igual ao valor contábil dos títulos ou créditos entregues pelo adquirente na data da operação: § 4° Quando se configurar, na aquisição, investimento relevante em coligada ou controlada, avaliável pelo valor do patrimônio líquido, a adquirente deverá registrar o valor da equivalência no patrimônio adquirido, em conta própria de investimentos, e o valor do ágio ou Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 40 deságio na aquisição em subconta do mesmo investimento, que deverá ser computado na determinação do lucro real do mês de realização do investimento, a qualquer título.”. Agora, no ano de 2015, o Ministro de Estado da Fazenda aprovou o Parecer/PGFN/CAT/Nº 1722/2013 que, nas suas conclusões, sustenta que: “39.1. o entendimento consubstanciado no Parecer/PGA/Nº 970/91 restringese ao âmbito do PND, não podendo ser estendido a situações outras que não aquelas especificamente tratadas no referido opinativo”. Esta foi apenas uma maneira eufemística de a douta PGFN reconhecer seu erro, pois não seria o PND que transformaria em permuta o que era uma dação em pagamento, nem seria ele (PND) que iria fazer desaparecer o ganho de capital, mas apenas o art. 65 da Lei 8.383/91, o qual, aí sim, limitou seu alcance às operações dentro do PND. Todavia, agora abrese um parêntese, pois somente mais a frente é que veremos que a tentativa de neutralizar a tributação do ganho de capital, quando da integralização de capital com a dação de bens em pagamento, não findou com o art. 65 da Lei 8.383/91, mesmo porque é de se notar que o art. 65 limitava a dação a títulos da dívida pública federal ou de outros créditos contra a União. No final de 1994 é publicada a MP 812/94 (posteriormente convertida na Lei 8981/95), a qual altera o regime de compensação de prejuízos fiscais, pois abandona o limite temporal e adota o limite quantitativo. Tal alteração veio se tornar, posteriormente, fundamental para o planejamento com ágio em tela, isso porque o valor amortizável dos ágios era tão elevado, em muitos casos, que dificilmente o contribuinte teria lucro para absorver a despesa em 4 anos (período máximo para compensação de prejuízos no regime anterior), razão pela qual essa alteração permitiu que a despesa de ágio se transformasse em saldo de prejuízos fiscais compensáveis ad perpetuam. No ano de 1995, o art. 21 da Lei 9.249/95 veio amplificar o ágio amortizável (ou a perda de capital na dicção do art. 34 do DL 1598/77), pois, ao contrário do previsto no art. 34 do DL 1598/77, passou a ser possível avaliar a investida a ser incorporada pelo seu valor contábil. Notese que, pelo art. 34 do DL 1.598/77, já era autorizada a dedutibilidade da diferença entre o valor contábil do investimento e do seu acervo líquido incorporado (avaliado a preço de mercado) como perda de capital dedutível (de uma vez só ou amortizável em 10 anos), logo não foi o art. 7º da Lei 9.532/97 que tornou dedutível o ágio por expectativa de rentabilidade futura. Todavia, a Lei 9.532/97 ainda facilitou mais o processo de privatização, ao dispor no seu art. 8º que a despesa com amortização do ágio continuasse a ser dedutível das bases tributáveis, mesmo que a empresa veículo (controladora da empresa operacional estatal privatizada) fosse incorporada por sua controlada (estatal privatizada) downstream merger13. 13 Do ponto vista societário, vale ressaltar que antes mesmo da Lei 9.532/97, a incorporação da investidora pela investida (downstream merger) já tinha sido admitido, ainda que sem legislação que a previsse, pelo Parecer MICT/CONJUR nº 113/96. Tal parecer veio por fim a posicionamento como da Junta Comercial do Rio de Janeiro que indeferia o arquivamento de atos de incorporação reversa por entender que ela não teria sido prevista na Lei 6.404/76 (Lei das S/A) e que sua implementação caracteriazaria hipótese de negociação com as próprias ações, vez que implicaria a aquisição destas pela sociedade incorporadora, o que seria vedado pelo disposto no art. 30 da Lei das S/A, salvo exceções taxativamente previstas no § 1º do Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 22 41 Isso era fundamental para preservação do direito à compensação do saldo de prejuízos fiscais acumulados pela estatal privatizada, já que o art. 33 do DecretoLei nº 2.341/86 veda à pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão compensar prejuízos fiscais da sucedida. Logo, com a incoporação reversa estava garantido também a compensação dos saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL acumulados pela estatal privatizada antes da privatização. Em suma: o controle da empresa privatizada era adquirida com ágio; o controle e o ágio eram transferidos, em integralização de capital, para uma empresa veículo; por último, a empresa veículo (controladora) era incorporada por sua controlada (empresa privatizada), a qual passava a amortizar o ágio, por força dos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97. Até esse momento a legislação fiscal só permitia que se transferisse para a empresa operacional adquirida o ágio efetivamente pago a terceiros, o que vulgarmente denomino de transferência de ágio externo. Todavia, consulta formulada à Cosit em 2002, por uma importante entidade de âmbito nacional, a qual coubeme o exame, sustentava que, em uma situação em que uma Companhia 1 fosse integralizar capital em uma Companhia 3 com a conferência de ações de uma Companhia 2, poderia resultar em ágio na Companhia 3 e nenhum ganho de capital na Companhia 1. Sustentava o Consulente que, se o preço de emissão das novas ações da Companhia 3, a serem subscritas pela Companhia 1 como resultado da conferência das ações da Companhia 2, fosse fixado levandose em conta o valor econômico das próprias ações conferidas (ou seja, ações da Companhia 2 avaliadas acima do seu valor patrimonial, ou seja, com ágio), de forma que a cada ação da Companhia 2, conferida ao capital da Companhia 3, corresponda 1 ação da Companhia 3, não havia que se falar em ganho de capital, pois, em seus registros contábeis, a Companhia 1 deveria proceder a uma mera substituição em sua conta de investimentos, substituindo em seus registros a contabilização de ações representativas de um investimento na Companhia 3. Não obstante a redação final da solução de consulta não fosse mais exatamente a, por mim, proposta, prevaleceu a idéia central no item b das conclusões: “b) não se pode depreender da inteligência do art. 434 do RIR/99 que a companhia, pelo simples fato de ter elaborado laudo de avaliação do ativo, nos termos do art. 8º da Lei nº 6.404/76, esteja obrigada a levar a registro em sua contabilidade eventual maisvalia apurada no valor do investimento, desde que o lote de ações da Companhia 2, que se afirma ter o mesmo valor das ações a serem integralizadas da Companhia 3, seja incorporado ao patrimônio da Companhia 3 pelo valor contábil registrado na escrita da Companhia 1;” Ao se exigir que, in casu, as ações da Companhia 2 fossem registradas, na Companhia 3, pelo valor contábil registrado na Companhia 1 e que tal valor fosse exatamente o mesmo valor de emissão das ações da Companhia 3, indiretamente, estava sendo dito que não referido artigo. Por sua vez, o Parecer MICT/Conjur nº 113/96 sustentou que: “Embora não expressamente prevista na lei, é possível a incorporação de sociedade controladora por sua controlada. Não tem aplicação ao caso o disposto no art. 30 da Lei das S.A. (o qual proíbe à companhia negociar com as próprias ações), por se tratar de sucessão universal. As ações ou quotas que a sociedade incorporada possuir do capital da incorporadora, devem ser extintas, podendo, porém, permanecer em tesouraria, até o limite dos lucros acumulados e reserva, exceto o legal, por aplicação analógica do disposto no art. 226, § 1º, da Lei 6.404/76”. Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 42 poderia existir ágio na aquisição das ações da Companhia 2 pela Companhia 3, sem que houvesse uma ganho de capital tributável na Companhia 1. Surpreendentemente, alguns meses depois de expedida essa solução de consulta, o art. 39 da MP 66 (DOU de 30/08/2002) veio confirmar que a Solução de Consulta estava certa quando afirmava haver ganho de capital se houvesse ágio na outra ponta, mas, por outro lado, diferiu a tributação até que houvesse a alienação das ações integralizadas (no exemplo dado, o ganho de capital obtido com as ações da Companhia 2 só seria tributado, na Companhia 1, quando ela alienasse as ações da Companhia 3). Todavia, o legislador da MP 66 teve o cuidado de deixar claro, no § 2º, que não seria considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação. Com isso, não havia mais sequer a necessidade de se desembolsar recursos no pagamento de ágio, pois esses passaram a ser gerados por meros laudos de avaliação em conferência de ações. Em 2005, coubeme redigir proposta da RFB de revogação do art. 36 da Lei 10.637/02, proposição essa que foi inserida na MP 255/05 e que previa não só fim do diferimento da tributação de tal ganho de capital, como também uma tributação mínima anual (caso não houvesse a realização do investimento) do ganho já diferido e controlado na Parte B do Lalur. O Congresso Nacional achou por bem apenas revogar o art. 36, sem disciplinar como se daria a tributação dos ganhos de capital que já tinham sido diferidos. Tal fato veio reforçar a ideia de que tudo aquilo tinha sido feito para o processo de privatização, razão pela qual, findo o processo, poderia ser revogada a norma, mas não tributar o passado (ganhos de capital diferidos controlados no Lalur) Ora, realmente entendo toda a indignação das autoridades lançadoras diante dos diversos tipos de planejamento com ágio gerados pelas normas retro menciondas, porém, tais planejamentos foram autorizados e até incentivados pelo legislador federal14, com um conjunto de normas que se encaixam com perfeição, pois, conforme demonstrado anteriormente, foise a cada momento se inserindo um novo elemento normativo que tornava o planejamento cada vez mais atraente. Assim, ainda que se admita um déficit ético em tais normas, elas são legítimas e válidas juridicamente, razão pela qual, salvo comprovada ilicitude dos atos praticados, o simples fato de o recorrente ter se valido de todos esses permissivos legais não pode jamais ser interpretado em seu desfavor. Notese que, sem o art. 36 da Lei 10.637/02, a contrapartida do ágio que ora se discute, o ganho de capital da MS, seria tributado de imediato, não gerando qualquer vantagem tributária para o grupo controlador da recorrente. Ora, como então dizer que houve simulação, abuso de direito ou fraude? Se o Fisco, no presente caso, sustenta que o ágio registrado pela Sigma ao aceitar a participação da MS na Copagaz em integralização de capital era fruto de simulação, deveria também determinar que a MS baixasse da parte B do seu Lalur o ganho de capital que ali foi registrado. Na verdade, como o legislador ordinário, até hoje, não se prontificou a autorizar o Fisco a tributar milhões ou mesmo bilhões que estão controlados na parte B do Lalur das sociedades que se valeram do permissivo legal do art 36 em tela, tem o Fisco tentado desqualificar a operação que seguia o figurino legal retro tratado. Outra questão importante reside na falta de precisão da acusação fiscal e, consequentemente do voto da I. Relatora, se não vejamos os seguintes excerto do voto: 14 Certamente, que o destinatário de todas essas alterações normativas foram os licitantes dos pregões de empresas estatais, mas, em uma República, a norma beneficia a todos se o legislador não a excetuou. Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 23 43 "Ao se empenhar em seguir, ipsis litteris, os passos para promover uma reorganização societária que não existia sequer razão para existir, nos deparamos com a simulação e o abuso de o direito de autoorganizar se. A reorganização societária, no presente caso, apesar de seguir a lei, fere os princípios constitucionais da isonomia, da concorrência, da capacidade contributiva, e não teve outro propósito a não ser evadirse da tributação.". Inicialmente, ressalto que não se pode confundir simulação relativa com negócio jurídico indireto, pois quando verificamos o que os autuantes denominam como "empresa veículo", notase perfeitamente que tal sociedade foi constituída para surtir os efeitos que lhes eram próprios e não para dissimular outros negócios jurídicos. Com o fito de melhor aclarar o meu entendimento, valhome de exemplo meramente ilustrativo: alguém que simula uma compra e venda para dissimular uma doação, não deseja os efeitos que são próprios da venda o pagamento, pois deseja os efeitos da doação. No caso em tela, os efeitos buscados pelo controlador da recorrente ao criarem aquilo que o autuante denomina como "empresa veículo" eram justamente os efeitos formais e visíveis de tais atos. Sobre a diferença entre simulação relativa e negócio jurídico indireto, vale a transcrição do seguinte excerto da lavra do ex Ministro Moreira Alves, em parecer apresentado em outro processo que tramitou neste CARF, in verbis: "Assim sendo, tem razão a imensa maioria da doutrina quando acentua, como o faz Domingues de Andrade, que o negócio jurídico sempre se distinguirá da simulação (relativa), uma vez que as partes querem verdadeiramente o negóciomeio, com os efeitos que lhes são próprios, embora só para conseguirem através dele um resultado prático diverso do que lhe é normal, ou, como, em substanciosa monografia sobre a simulação nos negócios jurídicos, refere Distaso, aderindo à posição de Pugliese no sentido de que a decisiva diferença entre negócio indireto e o negócio relativamente simulado é que 'o negócio indireto é um negócio real, empregado efetivamente pelas partes como meio para alcançar o escopo ulterior, que não se realiza na verdade através de um negócio diverso daquele que aparece celebrado, enquanto, no caso de simulação relativa, o negócio simulado não é senão uma forma negocial aparente diversa da forma negocial que assume a intenção realmente perseguida pelas partes'. (...) Em suma, como enfatiza Domenico Barbero, quanto ao negócio jurídico indireto, e a observação se aplica como luva ao caso sob exame, 'não há simulação, porque nada é fingido, tudo é real e realmente querido', inclusive acrescento as consequências jurídicas de cada um dos negócios que integraram essa combinação de negócios com escopo indireto ora sob consulta. 4. No tocante ao segundo quesito 'Não sendo simulação, a negociação feita através dos atos descritos na consulta é válida perante Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 44 o direito privado? , respondo que, não tendo havido simulação no caso, como salientei na resposta ao quesito anterior, é válida perante o direito privado, a negociação que foi feita por meio da combinação dos negócios com escopo indireto objeto da presente consulta. Não existindo simulação, não há também, na espécie sob exame, a ilicitude que resulta da figura da fraude à lei, mas se impõem que se faça a análise a respeito dela, porquanto, como observa Domenico Rubino, o negócio indireto se presta perfeitamente a tornase instrumento da fraude: quando o seu resultado ulterior é proibido, tem se um negócio in fraudem legis." Frisese que, como já anteriormente pontuado, os resultados ulteriores buscados ao se criar a denominada "empresa veículo" eram todos lícitos, ou seja, a não ser que se diga que o aproveitamento da despesa com amortização de ágio, prevista nos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97 c/c o art. 36 da Lei 10.637/02, seja agora ato ilícito. Ora, verificado acima que os atos praticados não se enquadram no conceito de simulação, verifiquemos se seria cabível enquadrálos como abuso de direito. Preliminarmente, vale a transcrição do seguinte excertos do TVF: 179. Após o Codigo Civil de 2002, como o abuso de direito passou a ser expressamente qualificado como ato ilícito, em relação a questão tributária, o abuso faz desaparecer um dos requisites básicos do planejamento, qual seja, o de se apoiar em atos lícitos. Vale dizer, a configuração de um ato ilícito (por abusivo) implica não estar mais diante de um caso de elisão, mas sim de evasão. A natureza jurídica do abuso de direito não é tão tranquila como o autuante faz crer, pois a doutrina pátria tem se dividido em duas correntes, uma que sustenta que o abuso de direito é uma categoria autônoma e outra que entende que é apenas uma modalidade de ato ilícito. Nesse sentido, Venosa (in Direito Civil, ed. Atlas, 4ª ed., p. 621) professa que: “A doutrina tem certa dificuldade em situar o abuso de direito em uma categoria jurídica. Primeiramente, a teoria ora tratada foi colocada em capítulo ‘Da responsabilidade civil’, como simples expansão da noção de culpa. Também foi o abuso do direito situado como categoria autônoma, uma responsabilidade especial, paralela ao ato ilícito.” Sobre isso também, vale trazer a lume artigo da lavra de Dinalva Souza de Oliveira (na sítio: ambitojurídico.com.br) que bem resume diversos posionamentos da doutrina nacional: “A questão que se coloca é saber se em razão de se adotar uma ou outra corrente, no que se refere à natureza jurídica do abuso de direito, há alteração nas consequências jurídicas daí decorrentes. Entre os defensores do entendimento que o abuso de direito se trata de categoria autônoma, citase (NERY JUNIOR e NERY, 2003, p. 256), para os quais o abuso de direito Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 24 45 “É categoria autônoma, de concepção objetiva e finalística, e não apenas dentro do âmbito estreito do ato emulativo (ato ilícito). Diferentemente do ato ilícito, que exige a prova do dano para ser caracterizado, o abuso de direito é aferível objetivamente e pode não existir dano e existir ato abusivo”. Na mesma linha, Heloísa Carpena (2002) apud Farias e Rosenvald (2012, p. 682) afirma que “o ato abusivo está situado no plano da ilicitude, porém, não pode ser considerado como um ato ilícito, devendo ser classificada como uma forma autônoma de antijuridicidade.” Registrase ainda que segundo escólio de FARIAS e ROSENVALD, 2012, p. 683: “O legislador qualificou o abuso de direito como ato ilícito e concordemos ou não, é assim que doravante devemos tratá lo. Mas de maneira alguma a referida qualificação retira do abuso do direito a sua completa autonomia com relação ao ato ilícito subjetivo, ancorado na culpa.” Em sentido contrário, Paulo Nader entende que o abuso de direito “É espécie de ato ilícito, que pressupõe a violação de direito alheio mediante conduta intencional que exorbita o regular exercício de direito subjetivo. É equivocado pretenderse situar o abuso de direito entre o ato lícito e o ilícito. Ou o ato é permitido no iuspositum e nos pactos, quando é ato lícito ou a sua prática é vedada, quando então se reveste de ilicitude. Na dinâmica do abuso de direito, temse, no ponto inercial, aquele que imediatamente antecede a conduta e até quando esta não se complete, a esfera do direito, mas à medida em que a ação se desenrola, no iter, a conduta desdobrase no âmbito da licitude para transformarse em ato ilícito” (NADER, 2004, p. 553) Podese afirmar que ainda há uma terceira via, capitaneada por Flávio Tartuce (2004) apud VillasBôas (2013) o qual visualiza no abuso de direito a natureza jurídica mista, híbrida. Portanto, “o abuso de direito seria um ato lícito pelo conteúdo, ilícito pelas conseqüências, tendo natureza jurídica mista – entre o ato jurídico e o ato ilícito – situandose no mundo dos fatos jurídicos em sentido amplo” Conforme cabalmente demonstrado, de forma majoritária, doutrina e jurisprudência seguem o entendimento de que para a configuração do ato abuso de direito, é dispensável o elemento culpa.”. Ora, a depender do posicionamento doutrinário que se adote fica afastada a teoria do abuso do direito no campo tributário, pois, se, como sustenta Flávio Tartuce, é um ato ilícito pelas consequências, teríamos então uma dificuldade na sua aplicação no campo Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 46 tributário, já que pelo inciso II do art. 118 do CTN, os efeitos legais dos fatos efetivamente ocorridos são irrelevantes para a definição do fato gerador. Não obstante, antes mesmo da entrada em vigor do art. 187 da Lei 10.406/02, já se discutia o abuso de direito no campo tributário, quando da discussão da inserção do parágrafo único no art. 116 do CTN, pela Lei Complementar 104/01. Sobre isso, importante a transcrição do seguinte trecho de artigo publicado por Vitório Cassone ( no site: www.agu.gov.br/page/download/index/id/892382), in verbis: A “justificação” do anteprojeto que resultou na LC 104 (Ofício SRF/GAB n°1.594/99, de 08.09.1999), é versada nos seguintes termos: “5. A inclusão do parágrafo único ao art. 116 fazse necessária para estabelecer, no âmbito da legislação brasileira, norma que permita à autoridade tributária desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de elisão, constituindose, dessa forma, em instrumento eficaz para o combate aos procedimentos de planejamento tributário adotados com abuso de forma ou de direito.” Dessa forma, não podemos nos esquecer que, mesmo antes da positivação do abuso de direito no Estatuto Civil, o legislador ordinário alterou o CTN, para introduzir no parágrafo único do art. 116 o instrumento para o combate ao abuso de direito no campo tributário, o qual assim dispõe: Art. 116. Omissis. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Ora, se este era o instrumento de que podia se valer o Fisco para desconsiderar os atos de abuso de direito praticados pelos controladores das ditas “empresas veículos”, comprometida estará a autuação, por ser inaplicável tal parágrafo único enquanto não forem estabelecidos em lei ordinária os procedimentos para tal desconsideração dos atos abusivos. Cabe lembrar que os artigos 13 a 19 da Medida Provisória nº 66/2002, que tratavam dos procedimentos exigidos para a aplicação do parágrafo único do art. 116 do CTN, foram retirados do texto da lei de conversão (Lei 10.637/02) pelo Congresso Nacional. Ora, à míngua da regulamentação da norma específica no campo tributário para combater o abuso de direito (parágrafo único do art. 116 do CTN), pode ser aplicável o posterior art. 187 do Código Civil? Lógico que não, pois se o legislador complementar exigiu que a lei ordinária estipulasse procedimentos específicos como condição para a aplicação da norma tributária específica sobre abuso de direito (parágrafo único do art. 116 do CTN), não vejo como tal condição seja dispensável para a aplicação da norma de direito privado sobre o abuso do direito (art. 187 do CC) no campo tributário. Observese que é totalmente justificável a preocupação do legislador complementar ao exigir que a lei ordinária disciplinasse os procedimentos para que o Fisco pudesse desconsiderar atos abusivos, tendo em vista que, ao contrário do abuso direito no Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 25 47 campo cível que ocorre em uma relação de coordenação entre particulares; no campo tributário, há sempre uma relação de subordinação, na qual em razão do interesse público é conferida uma superioridade ao Estado Fiscal sobre o particular. Por isso, é necessário que se estabeleça procedimentos, para garantir o mais amplo direito de defesa ao contribuinte, em razão do enorme poder que foi conferido ao Estado Fiscal por uma norma de caráter excessivamente aberto. Ademais, há que se ter em conta que a teoria do abuso de direito foi concebida dentro do direito privado, razão pela qual guarda certas incompatibilidades com o Direito Público, como observa Alberto Xavier (in Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva, Ed. Dialética, p.107): “A transposição da doutrina civilista do abuso de direito para o Direito Público, em especial para o Direito Tributário, merece severas objeções. A primeira é a de que ela conduz a um grau de subjetivismo na aplicação da lei tributária incompatível com a segurança jurídica, nas suas vertentes de proteção da confiança da lei fiscal e de previsibilidade da ação estatal, pois comete a órgãos do Poder Executivo, que têm a primeira palavra na aplicação das normas tributárias aos casos concretos, a perquirição dos motivos da conduta negocial dos particulares, bem como a definição autoritária dos parâmetros da ‘adequação’, da ‘normalidade’ e da ‘razoabilidade’ dos modelos negociais por eles adotados. Tal subjetivismo – ainda que nas mãos do mais competente, correto e leal funcionário – gelará de justo temor todos os que realizam negócios menos tributados que outros. Será que a opção adotada foi elisiva? Como pensará o agente fiscal a respeito da adequação, usualidade ou razoabilidade da forma jurídica escolhida? Como avaliará tal agente o grau de preponderância, exclusividade ou concorrência dos motivos que conduziram à escolha? A segunda observação é de que a doutrina do abuso de direito é cientificamente equivocada, pois transplanta para as relações de Direito Público entre o indivíduo e estado conceitos exclusivamente aplicáveis às relações entre particulares. A doutrina do abuso de direito pressupõe direitos e relações paritárias, situadas horizontalmente no mesmo plano, e tem por objeto vedar que o exercício de um direito subjetivo por um particular atinja, por colisão, o direito subjetivo de outro. Sucede, porém, que as relações entre indivíduo e Estado não são relações paritárias, situadas horizontalmente no mesmo plano, nem o Estado é titular de direitos subjetivos suscetíveis de serem lesados pelo exercício de direitos dos particulares. As relações entre indivíduo e estado são relações entre “administrados”e titulares de poderes de autoridade, sendo por conseguinte relações, não entre direitos subjetivos, mas entre liberdades e competências ou poderes funcionais. Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 48 (...) A única explicação histórica para o ingresso, no teritório fiscal, daquela doutrina só pode encontrarse no espúrio conceito germânico de “abuso de formas” (Missbrauch von Formen) concebido por ideólogo nacional socialista como instrumento de cerceamento da liberdade individual, conceito esse que ademais nada tem a ver com o conceito civilístico de abuso de direito, raiz francesa, mas sim com as variações que a autonomia da vontade pode imprimir aos modelos ou tipos clássicos de negócio jurídico.”. Isso, por si só, já afastaria a imputação de abuso de direito com base unicamente no art. 187 do Código Civil em matéria tributária, mas lembrar que a I. Relatora, ao tratar do abuso de direito, valese da doutrina de Marco Aurélio Grecco, o qual, em palestra proferida na Escola Fazendária (transcrita na íntegra nos Anais do Seminário Internacional sobre Elisão Fiscal, ano 2002), assim se pronunciou sobre o sobre o parágrafo único do art. 116 do CTN, in verbis: “A meu ver, essa é uma norma de eficácia limitada. O que significa? Ela só adquire plena eficácia a partir do momento em que for publicada a sua lei ordinária integrativa.” Por último, sustenta a I. Relatora que a jurisprudência dominante deste Conselho tem se inclinado no sentido de admitir a dedutibilidade do ágio nos casos de aquisição de participação societária quando presentes os seguintes requisitos: 1 efetivo pagamento do custo total da aquisição, inclusive do ágio; 2 realização de operações entre empresas não ligadas entre si; 3 lisura na fundamentação do ágio: avaliação de empresas adquiridas / laudo confiável; 4 alteração do controle acionário após a absorção da empresa adquirida com ágio; 5 propósito negocial efetivo na incorporação realizada Primeiro, registro que nunca me debrucei sobre o histórico das decisões do CARF acerca da matéria, mas, tomando com procedentes os pontos acima, vejamos o que segue. Quanto ao efetivo pagamento, cabe esclarecer que não há norma que obste a integralização de capital com bens, ademais, se o conceito de pagamento em tal jurisprudência é um conceito estrito, essas decisões ofendem o próprio art. 36 da Lei 10.637/02, que previa expressamente a hipótese de ágio quando houvesse a integralização de capital com ações de outra empresa. Se há ganho de capital para o subscritor, há ágio para a investida. Os óbices para o registro de ágio por expectativa de rentabilidade futura em operações entre empresas interligadas como também quando não houver a mudança de controle só surgiu no ordenamento jurídico pátrio com a Lei 12.973/14. Será que a relatora quer fazer retroagir tal norma? Certamente que não. Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 26 49 Quanto à falta de propósito negocial, já demonstramos que não houve simulação e o abuso de direito ainda depende de regulamentação do art. 116, parágrafo único, para que seja aplicável no campo tributário. Assim, esvaziase a acusação de falta de propósito negocial. Quanto ao laudo, a Relatora nada questiona sobre os fundamentos ou métodos nele utilizados que pudessem por em dúvida a sua confiabilidade. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
score : 1.0
Numero do processo: 10875.001841/2005-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, §4º, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, restando demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado, impõe-se a aplicação da decadência nos termos do artigo 150, §4º, do CTN, em consonância decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC
Numero da decisão: 9202-004.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201610
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, §4º, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, restando demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado, impõe-se a aplicação da decadência nos termos do artigo 150, §4º, do CTN, em consonância decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10875.001841/2005-11
anomes_publicacao_s : 201612
conteudo_id_s : 5663113
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-004.540
nome_arquivo_s : Decisao_10875001841200511.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10875001841200511_5663113.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6585326
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690975834112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1055; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10875.001841/200511 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.540 – 2ª Turma Sessão de 27 de outubro de 2016 Matéria ITR DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ANTÔNIO DE OLIVEIRA COSTA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, §4º, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, restando demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado, impõese a aplicação da decadência nos termos do artigo 150, §4º, do CTN, em consonância decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 18 41 /2 00 5- 11 Fl. 197DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10875.001841/200511 Acórdão n.º 9202004.540 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 01 e 33/39) relativo ao Imposto Territorial Rural – ITR do imóvel denominado Fazenda Santa Rita (NIRF 3.206.3598), localizado no município de BiritibaMirim/SP, relativo ao exercício de 2000, por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 12.788,96 incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Segundo o fiscal autuante, foram glosadas as áreas de preservação permanente, utilizada com produtos vegetais. Ainda foi modificado o valor da terra nua declarado pelo valor constante do SIPT em virtude da documentação apresentada pelo contribuinte ter sido considerada insuficiente para comprovar esses itens informados na declaração. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS julgado o lançamento procedente, mantendo o lançamento em sua integralidade, fls. 70. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, fls. 136, o Colegiado, por unanimidade de votos, reconheceu a decadência. Portanto, em sessão plenária de 16/04/2010, reconheceuse a decadência, prolatandose o Acórdão nº 2102000.560, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRRITORIAL RURAL ITR Exercícios: 2000 ITR. PRAZO DECADENCIAL. O lançamento do ITR é por homologação e se aperfeiçoa no primeiro dia de cada anocalendário. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, na forma do art. 150, §4º, do CTN, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. Decadência reconhecida”. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 17/08/2010 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional opôs, tempestivamente, em 19/08/2010, Embargos de Declaração alegando contradição e omissão no acórdão embargado, uma vez que a constituição do crédito ocorreu por meio de lançamento de ofício, devendo, assim, ser levado em conta o disposto no CTN, art. Fl. 199DF CARF MF 4 173, inciso I, cuja aplicação prescinde da verificação da ocorrência de pagamento. Tais embargos foram rejeitados por meio do acórdão 2102002.367, assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINSTRATIVO FISCAL Exercícios: 2000 EMBARGOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRDIÇÃO OU OBSCURIDADE. Devem ser rejeitados os embargos fundamentados em omissão, contradição ou obscuridade no acórdão quando estas figuras inexistem e o recurso integrativo é empregado com o intuito de reabrir o mérito da causa. Embargos rejeitados”. Novamente intimada, em 19/02/2013, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010, a Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 25/02/2013, o Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido para afastar a preliminar de decadência no caso em exame, uma vez que efetuado o lançamento dentro do prazo legalmente fixado (art. 173, I, do CTN). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/n, da 1ª Câmara, de 29/05/2015, fls. 177. Em seu Recurso Especial, a Recorrente traz as seguintes alegações: · que o §4º do art. 150 do CTN explicita a modalidade de lançamento por homologação, segundo o qual o sujeito passivo apura o montante tributável e antecipa o pagamento, (...): · que no caso dos autos não se operou lançamento por homologação quanto ao crédito tributário, pois, de acordo com as provas, o contribuinte não antecipou pagamento dos tributos desse período, devendo ser aplicado ao caso, o prazo decadencial inerente ao lançamento de ofício da exação, na linha preconizada pelo art. 173, I, do CTN, que assevera: · que esse entendimento já foi sedimentado e pacificado no âmbito do STJ, que, por meio da nova sistemática processual dos recursos repetitivos reconheceu em caráter definitivo que, inexistindo pagamento parcial, o prazo decadencial deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, como preconiza o art. 173, I, do CTN. · que, uma vez constatada a inocorrência de recolhimento parcial e considerando tratarse de exigência tributária de ITR referente a exercício de 2000, que se aperfeiçoou em 01/01/2000, é forçoso reconhecer, aplicandose o art. 173, I do CTN, que o qüinqüênio decadencial iniciouse em 01/01/2001, findando em 31/12/2005, o que implica reconhecer que quando da ciência do lançamento – que se Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10875.001841/200511 Acórdão n.º 9202004.540 CSRFT2 Fl. 4 5 deu em 22/06/2005 – não havia operado ainda a decadência do referido crédito tributário. Cientificado do Acórdão nº 2102000.560, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 22/06/2015, o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 07/07/2015, contrarrazões, onde alega: · que a União insurge, de forma totalmente protelatória, a recorrer do acórdão que reconheceu a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos antes de dezembro de 1999; que a fundamentação da Câmara do acórdão recorrido é cristalina e irretocável e que o entendimento do STJ não traduz a realidade dos fatos apontados pelo acórdão recorrido, pois versa de matéria diferente da alegada pela União. · salienta que o artigo 150 do CTN foi totalmente recepcionado pela Constituição Federal de 88, sem qualquer retoque, demonstrando que o legislador garantiu ao contribuinte a segurança tributária. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Procurador é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 177. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do Mérito Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que contrariaram aos artigos 150, e parágrafos, e 173, inciso I, do CTN, além do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. Em defesa de sua pretensão, argumenta que, no caso dos autos, não se operou lançamento por homologação quanto ao crédito tributário, pois, de acordo com as provas, o contribuinte não antecipou pagamento dos tributos desse período, devendo ser aplicado ao caso, o prazo decadencial inerente ao lançamento de ofício da exação, na linha preconizada pelo art. 173, I, do CTN, que assevera: Primeiramente, convém destacar os preceitos que regem a análise do prazo decadencial. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10875.001841/200511 Acórdão n.º 9202004.540 CSRFT2 Fl. 5 7 Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173, I ou art. 150, §4º do CTN, devemos identificar a natureza dos tributos envolvidos para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. Destarte, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para o Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, após passar a ser tributo sujeito à modalidade do lançamento por homologação, com a edição da Lei n° 9.393/1996, limitouse a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Vale destacar, ainda, que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, adotando a tese que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma do entendimento daquele Tribunal Superior, manifestado nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 203DF CARF MF 8 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10875.001841/200511 Acórdão n.º 9202004.540 CSRFT2 Fl. 6 9 Assim, a aplicação do art. 150, § 4º, no caso, de tributos sujeitos a lançamento por homologação é possível quando realizado pagamento antecipado, que em data posterior, acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento. Do exame dos elementos que instruem o processo, constata se que o Acórdão recorrido, embora adotando tese diversa, acaba por convergir com o entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça, especialmente nos autos de Recurso Repetitivo, de observância obrigatória por este Colegiado, como passaremos a demonstrar. Uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Nesse sentido, podemos identificar nos autos, que na própria declaração de ITR colacionado aos autos pela fiscalização, fls. 3, fora calculado imposto devido em relação as áreas declaradas pelo contribuinte. Contudo, não apenas compete ao mesmo declarar o imposto a ser pago, mas devemos identificar a efetiva existência do recolhimento, o que resta comprovado pelas guias (DARF) anexadas às fls. 63 dos autos, razão pela qual entendo correta a aplicação do prazo decadencial a luz do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, tendo a fiscalização constituído o crédito tributário em 22/06/2005, com a devida ciência do contribuinte constante do Aviso de Recebimento – AR, às fls. 40, a exigência fiscal encontrase fulminada pela decadência nos termos do art. 150, §4º do CTN, eis que ocorrido o fato gerador em 01/01/2000, e demonstrado nos autos a existência de recolhimento antecipado. Conclusão Voto pelo CONHECIMENTO do recurso ESPECIAL DO PROCURADOR para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721866/2012-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2009
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. PREVISÃO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. PEREMPÇÃO.
Uma vez que definidos em Lei os critérios e os prazos para intimação do contribuinte, assim como para interposição da contestação a que tem direito, importa em perda do direito ao contraditório a inobservância do prazo fixado segundo os critérios definidos na norma regulamentar.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2009
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO RETROATIVA. LEI EXPRESSAMENTE INTERPRETATIVA. POSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 105 e 106 do Código Tributário Nacional, a legislação tributária, em regra geral, aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, exceção feita, dentre outras, à lei que se revele expressamente interpretativa, situação em na qual será aplicada a ato ou fato pretérito.
Recurso Voluntário Conhecido em Parte e Negado na Parte Conhecida
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3302-003.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e conhecer apenas em parte o Recurso Voluntário, negando-lhe provimento na parte em que foi conhecido.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 12/10/2016
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2009 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. PREVISÃO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. PEREMPÇÃO. Uma vez que definidos em Lei os critérios e os prazos para intimação do contribuinte, assim como para interposição da contestação a que tem direito, importa em perda do direito ao contraditório a inobservância do prazo fixado segundo os critérios definidos na norma regulamentar. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2009 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO RETROATIVA. LEI EXPRESSAMENTE INTERPRETATIVA. POSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 105 e 106 do Código Tributário Nacional, a legislação tributária, em regra geral, aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, exceção feita, dentre outras, à lei que se revele expressamente interpretativa, situação em na qual será aplicada a ato ou fato pretérito. Recurso Voluntário Conhecido em Parte e Negado na Parte Conhecida Recurso de Ofício Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.721866/2012-28
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5647552
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.394
nome_arquivo_s : Decisao_19515721866201228.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 19515721866201228_5647552.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e conhecer apenas em parte o Recurso Voluntário, negando-lhe provimento na parte em que foi conhecido. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator EDITADO EM: 12/10/2016 Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6540559
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690981076992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2059; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.721866/201228 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.394 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de setembro de 2016 Matéria Auto de Infração PIS/Cofins Recorrente CÉU AZUL ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2009 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. PREVISÃO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. PEREMPÇÃO. Uma vez que definidos em Lei os critérios e os prazos para intimação do contribuinte, assim como para interposição da contestação a que tem direito, importa em perda do direito ao contraditório a inobservância do prazo fixado segundo os critérios definidos na norma regulamentar. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2009 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO RETROATIVA. LEI EXPRESSAMENTE INTERPRETATIVA. POSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 105 e 106 do Código Tributário Nacional, a legislação tributária, em regra geral, aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, exceção feita, dentre outras, à lei que se revele expressamente interpretativa, situação em na qual será aplicada a ato ou fato pretérito. Recurso Voluntário Conhecido em Parte e Negado na Parte Conhecida Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e conhecer apenas em parte o Recurso Voluntário, negando lhe provimento na parte em que foi conhecido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 66 /2 01 2- 28 Fl. 2374DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 2 (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 12/10/2016 Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Contra a empresa antes qualificada foram lavrados dois Autos de Infração, a saber: a) o primeiro formalizou a exigência de PIS nãocumulativo, com intimação para recolhimento do valor de R$ 458.959,56 referente a fatos geradores entre 31/01/2007 e 30/09/2009. Esse valor (principal) foi acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares. Constou base legal. Houve ciência em 31/08/2012 (AR de fl. 2.006); b) o segundo formalizou a exigência de COFINS nãocumulativa, com intimação para recolhimento do valor de R$ 1.985.381,86, referente a fatos geradores entre 31/01/2007 e 30/09/2009. Esse valor (principal) foi acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares. Constou fundamentação legal. Houve ciência em 31/08/2012 (AR de fl. 2.006). Houve glosa de créditos pertinentes a aquisições no mercado interno constituídos indevidamente dos meses de abril de 2005 a setembro de 2009. Foram anexadas Informações Fiscais (verificação da liquidez e certeza da composição de créditos de PIS/COFINS nãocumulativos vinculados a receitas de exportação por trimestre analisado), bem como Termo de Verificação Fiscal. Nestes o autuante efetuou detida análise, entre outros, em documentação e arquivos magnéticos contábeis apresentados pela empresa, tendo pormenorizado os problemas encontrados. Em 01/10/2012 a contribuinte apresentou impugnação onde inicialmente fez exposição fática e se referiu à tempestividade de sua peça de descontentamento, aduzindo, a seguir (de forma sintética): Preliminares . tendo em vista que a empresa somente foi notificada em 31/08/2012, entende decaídas as exigências feitas anteriormente a agosto de 2007 (art. 150, § 4°, do CTN determina o prazo de 5 anos do fato gerador para se fazer a exigência fiscal e art. 173 do mesmo diploma legal, tendo em vista que o prazo decadencial não se suspende, nem se interrompe); . entende ter havido cerceamento do direito de defesa por afronta ao contraditório e a ampla defesa. Refere que: 1. ingressou com medida judicial (MS) perante a 4a Vara Cível Federal da Capital (processo n° 000759629.2012.4.03.6100), que determinou que RFB Fl. 2375DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721866/201228 Acórdão n.º 3302003.394 S3C3T2 Fl. 3 3 analisasse os pedidos de ressarcimentos de créditos de PIS/COFINS exportação no prazo máximo de trinta dias. Houve análise e emissão de DDs nos quais foram indeferidos a quase que a totalidade dos débitos compensados. Houve, também, o lançamento do crédito tributário decorrente da diferença supostamente devida; 2. discorda das conclusões da Autoridade Fiscal, pois estas não estariam de acordo com o que informou. Elaborou e apresentou manifestações de inconformidades contra todos os DDs cientificados. Posteriormente, foi intimada de Autos de Infração que se fundamentaram nos DDs, por supostas diferenças encontradas nas análises dos PER/DCOMPs; 3. consultando informações complementares pertinentes aos AI no sítio da RFB, constatou que seriam ininteligíveis para fins de permitir a defesa, bem como não constariam dos autos nenhum dos DDs informados pela Autoridade Fiscal. Alega ausência de notificação de alguns DDs (1° trimestre de 2008; 1° trimestre de 2009; 2° trimestre de 2009 e 3° trimestre de 2009 para o PIS/4° trimestre de 2007 e 1° trimestre de 2008 para a COFINS), embora tenha sido autuado pela insuficiência de recolhimento destes; 4. explica que foi elaborado Demonstrativo Detalhado dos Valores Autuados PIS e COFINS cujos valores são o resumo das planilhas da fiscalização. Essas apresentam valores de créditos informados pela empresa em DACONs, valores anotados como se fossem créditos indicados em DACONs pelo Fisco e valores dos créditos analisados pela RFB, sendo lançada a diferença entre os dois últimos. Todavia, nã consegue entender como foram obtidos os valores de Desconto dos DACONs (mercado interno, crédito presumido e mercado externo), que correspondem aos valores anotados como se fossem os créditos indicados em DACONs pelo Fisco; 5. observa que as planilhas elaboradas pelo Fisco não trouxeram elementos que permitam a identificação das glosas dos créditos pleiteados, muito menos saber quais insumos não foram aceitos pela Autoridade Fiscal. Isso acarretaria cerceamento ao direito de defesa e do contraditório, nos termos da doutrina e da jurisprudência do CARF; 6. como consequência do cerceamento de defesa e do contraditório (o autor do feito fiscal não descreveu corretamente os fatos que ensejaram o lançamento tributário, donde todo o processo é nulo de pleno direito) entende pelo cancelamento da exigência fiscal contida nos Autos de Infração. Mérito . contestou a glosa de produtos adquiridos que não foram enquadrados no conceito de insumos. Entendeu que a grande quantidade de informações a serem consideradas e o exíguo prazo que a sentença judicial concedeu (30 dias) para serem analisadas, afetou as conclusões do Fisco que concluiu que a empresa não observou a legislação fiscal no procedimento de apuração de créditos de PIS/COFINS quando incluiu certos insumos que não se enquadrariam neste conceito; . as legislações que regem a matéria (Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003) não conceituam o que seja insumo, nem remetem para outra lei qualquer. Em sentido comum seriam cada um dos elementos, diretos ou indiretos, necessários à produção de produtos e serviços. A interpretação do conceito de insumo pela IN SRF n° 404/2004 é restritiva, eivada de ilegalidade por contrariar o art. 99 do CTN, Fl. 2376DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 4 eis que o conteúdo e o alcance dos atos normativos restringemse aos das leis em função dos quais sejam expedidos; . considerou equivocada a interpretação de insumo fundamentada na legislação do IPI. O termo insumo, pela sua direta relação com o faturamento, se aplica aos custos diretos ou indiretos incorridos com a fabricação de produtos e não somente os que sofram desgaste, perda de propriedade ou dano pela ação diretamente exercida no produto; . no que se refere à glosa de insumos adquiridos com alíquota zero, argumentou que a glosa ocorreu devido à aplicação do art. 3°, § 2°, da Lei n° 10.833/2003. Esse artigo previu a possibilidade de créditos de produtos adquiridos com isenção, desde que o produto isento tenha sido revendido ou utilizado na fabricação de produto vendido com tributação da contribuição. Como os produtos que fabrica são tributados, não se aplica a vedação legal citada pelo Fisco; . alegou haver jurisprudência do CARF e SC (n° 23 de 13/02/2004 2a RF) que concluem pelo direito de uma empresa de aproveitar créditos de PIS/COFINS sobre compras de insumos para fabricação dos próprios produtos, mesmo que esses insumos tenham sidos isentos desses tributos em etapa anterior. Esse entendimento está albergado no art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e em jurisprudência do STJ sobre IPI (REsp n° 477.5222003 decidiu sobre a restituição de créditos de IPI a fabricantes de tinta fundamentado na alegação de que sempre que matériasprimas e demais insumos entrarem no estabelecimento do fabricante para utilização no processo industrial, sem o pagamento de IPI na operação anterior, cabe o creditamento para ser abatido no imposto devido sobre o produto transformado); • ao finalizar fez seus requerimentos: a) solicitou o reconhecimento da decadência dos períodos de janeiro a julho de 2007, tendo em vista a inobservância do Fisco em autuar fatos geradores já alcançados por aquele instituto. Pediu a exclusão da autuação dos períodos 1° trimestre de 2008; 1° trimestre de 2009; 2° trimestre de 2009 e 3° trimestre de 2009 (PIS) e do 4° trimestre de 2007 e 1° trimestre de 2008 (COFINS), por tratarse de autuação que usou conclusões de análises de DDs não notificados à empresa; b) demandou fosse reconhecido o cerceamento de defesa e, por consequência, a decretação da nulidade dos Autos de Infração; c) em não se entendendo pela nulidade total dos AI, pediu fosse reconhecido o direito de creditarse de PIS/COFINS incidentes sobre as receitas de exportação sobre aquisição de insumos no mercado interno e sobre o crédito presumido; d) reclamou pela suspensão da exigibilidade dos AI até o julgamento de manifestações de inconformidade que protocolou, por tratarse de autuação decorrente de análises de DDs contestados (créditos solicitados pela empresa, no exercício do direito firmado na legislação federal). O feito somente poderia prosseguir após a definitiva conclusão do contencioso estabelecido pelas citadas contestações; e) rogou provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente apresentação de demonstrativos, extratos, declarações, documentos, inclusive perícias e diligências, vistorias, aditamentos, juntada de documentos e as que mais se fizerem necessárias. [A repartição de origem atestou a tempestividade da peça de contestação (fl. 2.180). Fl. 2377DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721866/201228 Acórdão n.º 3302003.394 S3C3T2 Fl. 4 5 Remetido o processo a esta DRJ, foram os autos analisados. Em 30/09/2013 emitiuse Resolução (pedido de diligência) visando o esclarecimento do litígio. Através dela solicitouse: a) a juntada aos autos de todos os DDs mencionados na descrição dos fatos, bem como todas as planilhas/anexos citados nas Informações Fiscais e que fundamentaram os lançamentos, de forma a deixar claro quais os valores mensais/trimestrais pleiteados, os valores glosados e os deferidos, sendo os dois últimos explicitados por rubrica/ gastos que compuseram os créditos solicitados pela empresa; b) explicação quanto ao Demonstrativo Detalhado dos Valores Autuados PIS e COFINS, especialmente no que se refere aos quadros que o compõem (Informação dos créditos DACON, Contribuinte e Fiscalização e Informação dos Créditos SRFB), cujos valores são resumo das planilhas do Fisco, essas também compostas por quadros (Desconto DACON e Fiscalização e Créditos Analisados). Esses foram apresentados e juntados aos autos exclusivamente pela contribuinte como sendo entregue pelo autuante. Objetivouse o esclarecimento, de forma mensal, de como foram obtidos (Mercado Interno, Mercado Externo e Crédito Presumido) os valores, especificando aqueles glosados, sendo estes explicitados por rubrica/gastos. Em atendimento, o Órgão preparador anexou documentos e produziu Informação Fiscal (fls. 2.257 a 2.285) e Despacho de Diligência (fls. 2.286 a 2.287). Na Informação Fiscal, basicamente concluiu que (excerto colhido da fl. 2.285): (...) 62. De acordo com todo exposto, procedo ao atendimento da determinação de diligência expressa na Resolução 10000.496 da 2a turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre RS (fls. 2.182 a 2.186). 63. Conforme todo o exposto, concluo: a) que o crédito tributário constituído, objeto do auto de infração de falta/insuficiência de recolhimento, deve ser retificado de acordo com a tabela "Demonstrativo de Multa e Juros de Mora", constante do item 59 deste Despacho; b) que os valores das glosas mensais, objetos do auto de infração de glosa de créditos, sejam retificados de acordo com as tabelas do item 61. Dessa Informação a contribuinte tomou ciência em 25/02/2014 (fl. 2.285). Tendo sido reaberto, nos termos da legislação de regência, o prazo de 30 dias para sua manifestação, não houve nova contestação por parte da empresa. O processo retornou a esta DRJ. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 2378DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 6 Deve ser afastada a hipótese de nulidade dos autos de infração por cerceamento do direito de defesa, quando a autuada foi perfeitamente cientificada dos fatos que lhes foram imputados, teve acesso a toda documentação que serviu de fundamento para a exigência fiscal e, no exercício pleno de sua defesa, apresentou contestação de forma ampla e irrestrita, na qual revelou conhecer as razões dos lançamentos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2009 LANÇAMENTOS. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. REGRA GERAL. O prazo de que dispõe a Fazenda Publica para constituição do crédito tributário iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando a contribuinte não efetua, no período fiscalizado, qualquer pagamento antecipado dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E JUDICIAIS. EFEITOS. NÃO VINCULAÇÃO. Regra geral, as decisões administrativas e judiciais têm eficácia interpartes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissivo legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COBRANÇA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O tempestivo protocolo de peça reclamatória suspende a exigibilidade do crédito tributário eventualmente lançado/cobrado, até o desfecho do processo administrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2009 REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Entendese por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado e sejam utilizadas na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na sua produção ou fabricação. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS SUJEITOS A ALÍQUOTA ZERO. Os bens e serviços adquiridos com incidência de alíquota zero não concedem direito de crédito na sistemática de nãocumulatividade da contribuição. REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÕES COM ALÍQUOTA ZERO. ALCANCE DO ART. 17 DA LEI N° 11.033, DE 2004. O disposto no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, alcança somente os casos em que houver incidência da contribuição na aquisição de insumos. Fl. 2379DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721866/201228 Acórdão n.º 3302003.394 S3C3T2 Fl. 5 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2009 REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Entendese por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado e sejam utilizadas na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na sua produção ou fabricação. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS SUJEITOS A ALÍQUOTA ZERO. Os bens e serviços adquiridos com incidência de alíquota zero não concedem direito de crédito na sistemática de nãocumulatividade da contribuição. REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÕES COM ALÍQUOTA ZERO. ALCANCE DO ART. 17 DA LEI N° 11.033, DE 2004. O disposto no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, alcança somente os casos em que houver incidência da contribuição na aquisição de insumos. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual, em linhas gerais, repisa argumentos presentes na impugnação ao lançamento. Em sede de preliminar, procura demonstrar a tempestividade do Recurso Voluntário apresentado. Por seu turno, tendo exonerado crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício da decisão tomada a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Do Recurso Voluntário Em fase preliminar, a Recorrente sustenta ter apresentado o Recurso Voluntário dentro do prazo previsto na legislação de regência. Explica: 1.1. Em desfavor da Recorrente foi lavrado auto de infração onde se exigiu o recolhimento de PIS, no valor de R$ 459.959,56, e de COFINS, na importância de R$ 1.985.381,86, relativamente a fatos geradores ocorridos no período de 31/01/2007 a 30/09/2009. Fl. 2380DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 8 1.2. Do referido lançamento a Recorrente foi intimada, via AR, em 31/08/2012, como se depreende do comprovante acostado à fl. 2.006. 1.3. Não se conformando com a indevida exigência, a Recorrente apresentou tempestiva impugnação, à qual foi julgada parcialmente procedente, nos termos do acórdão recorrido. 1.4. Em 10/07/2015 a Recorrente, ao acessar sua caixa postal eletrônica, verificou que o aludido acórdão havia ali sido disponibilizado. Porém, como todos os demais atos anteriores foram realizados pela via postal, a mesma quedouse inerte, aguardando sua regular intimação pela forma eleita pela fiscalização, ou seja, por meio dos correios. 1.5. Diante da morosidade, a Recorrente, a fim de evitar a perempção, antecipouse à Receita Federal e vem darse por intimada, nesta data, da referida decisão de primeira instância. 1.6. Estes são, em síntese, os fatos. II DO DIREITO 2.1. Da preliminar de tempestividade do recurso, dada a inadequação da via eleita para efetuar a intimação: De início, acerca da tempestividade do recurso ora interposto, cumpre à Recorrente consignar que os atos anteriormente praticados, durante o procedimento fiscal, se deram por via postal, inclusive a intimação do lançamento. Isto, aliás, se confirma pelo documento apensado à fl. 2.006 (AR). Ante este fato, temse que as intimações efetivadas em descompasso com às demais praticadas no curso do procedimento fiscal devem ser consideradas nulas e, portanto, não possuem o condão de respaldar medidas restritivas ao direito de petição, à ampla defesa e ao contraditório da Recorrente. Com efeito, não é justo que a Receita Federal adote, para um mesmo processo, múltiplas formas de intimação sem prévia comunicação ao sujeito passivo, pois isso, além de representar uma verdadeira armadilha, lhe cerceia o acesso ao devido processo legal, do qual a ampla defesa e o contraditório são desdobramentos. Assim, em restando demonstrado que houve, no caso em tela, inquestionável cerceamento do direito de defesa, a intimação correspondente deve ser declarada nula, de sorte que o recurso ora interposto deve também ser recebido por tempestivo. Nos termos do Decreto nº 7.574/11, que regula o processo administrativo fiscal, considerarseá realizada a intimação nas seguintes circunstâncias e pelos seguintes meios. Art. 11. Considerase feita a intimação (Decreto no 70.235, de 1972, art. 23, § 2º, com a redação dada pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): I se pessoal, na data da ciência do intimado ou da declaração de recusa lavrada pelo servidor responsável pela intimação; II se por via postal, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 2º, inciso II, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67); Fl. 2381DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721866/201228 Acórdão n.º 3302003.394 S3C3T2 Fl. 6 9 III se por meio eletrônico, quinze dias contados da data registrada (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 2º, inciso III, com a redação dada pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; ou IV se por edital, quinze dias após a sua publicação (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 2º, inciso IV, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67, e pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113). Conforme §§ 5º e 6º da Lei 11.196/05, o endereço eletrônico a que alude o Decreto nº 7.574/11 somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. Também, ficou estabelecido que as alterações efetuadas pelo artigo 113 da Lei seriam disciplinadas em ato da administração tributária. Exercendo a prerrogativa outorgada pelo legislador, o Ministério da Fazenda editou a Portaria nº 527/2010, que assim disciplinou a ciência eletrônica. Art. 4° A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pelo órgão competente do MF mediante: I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1° Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a caixa postal a ele atribuída pela Administração Tributária e disponibilizada no centro virtual na Internet, desde que o sujeito passivo expressamente autorize. § 2° A autorização a que se refere o § 1° darseá mediante envio pelo sujeito passivo aos órgãos competentes do MF de Termo de Opção, por meio do centro virtual, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (...) Art. 6° Considerase feita a intimação por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados: I da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, nos casos do inciso I do art. 4°; II da data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo, nos casos do inciso II do art. 4°; ou III após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. Os mesmos critérios para definição da data a partir da qual considerase intimado o contribuinte foram especificados na Lei nº 11.196/05. No caso em tela, observando o regramento estabelecido na legislação de regência, temse que o contribuinte foi considerado intimado em 10/07/2015 e apresentou o Fl. 2382DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 10 Recurso Voluntário somente em 19/08/2015, tal como consta no Termo de Análise de Solicitação de Juntado. Portanto, constatase o Recurso foi apresentado mais do que um mês depois da data limite para sua interposição. E nem se fale que a Administração esteja obrigada a utilizar sempre os mesmos meios para intimação do Administrado. O § 3o do art. 23 da Decreto 70.235/72, com redação dada pela mesma Lei nº 11.196/05, não deixa margem de dúvidas de que os meios de intimação previstos nos incisos do caput do artigo não estão sujeitos a ordem de preferência, assim como não se tem conhecimento de qualquer comando normativo que oriente o Fisco a utilizar, desde a instauração do procedimento fiscal, o mesmo meio para de notificar o contribuinte dos assuntos de seu interesse. Por todas essas razões, o Recurso deve ser declarado perempto, não se tomando conhecimento das demais matérias nele controvertidas. Do Recurso de Ofício O crédito tributário exonerado no julgamento de primeira instância decorre de revisão dos cálculos realizada no curso de diligência determinada pelo próprio Relator do processo, se não vejamos. Ante o exposto, voto no sentido: (...) c) do cancelamento dos demais valores lançados de PIS/COFINS (ver demonstrativos a seguir), em razão do aproveitamento de créditos presumidos apurados na diligência. Antes da decisão acima, a autoridade diligenciada esclarecera: 47. Prosseguindo com o método, identificamos restarem saldos devedores somente nos meses de outubro/2006, dezembro/2006, fevereiro/2007, março/2007 e outubro/2008. 48. De forma sucinta, podemos afirmar que houve uma sensível redução dos valores que compuseram o crédito tributário constituído no auto de infração, remanescendo apenas os P.A. descritos acima no item 47, causada pelo aumento do crédito presumido disponível para os descontos dos débitos da mesma contribuição, devido à aplicação retroativa do art. 33 da lei 12.865/2013. O artigo a que faz alusão, tem o seguinte teor. Art. 33. O art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, passa a vigorar com as seguintes alterações. (...) § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (grifos nossos) E a Lei nº 10.925/2004. Art. 8º... (...) Fl. 2383DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721866/201228 Acórdão n.º 3302003.394 S3C3T2 Fl. 7 11 § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e Tratase de uma controvérsia antiga. Referiase a interpretação da expressão "para os produtos de origem animal". Se referiase aos insumos ou aos produtos acabados. A Lei no 12.865/2013, de caráter expressamente interpretativo e, por conseguinte, obrigatoriamente aplicável a fatos pretéritos, deixou claro que o inciso I do § 3º referiase aos produtos acabados e não a insumos. Não há reparo a fazer na decisão de piso. VOTO por negar provimento ao Recurso de Ofício e conhecer apenas em parte o Recurso Voluntário, negandolhe provimento na parte em que foi conhecido. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 2384DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000380/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16095.000380/2007-95
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5673893
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-000.546
nome_arquivo_s : Decisao_16095000380200795.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
nome_arquivo_pdf_s : 16095000380200795_5673893.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6624384
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690989465600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1011; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 595 1 594 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.000380/200795 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.546 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 18 de janeiro de 2017 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .0 00 38 0/ 20 07 -9 5 Fl. 606DF CARF MF Processo nº 16095.000380/200795 Resolução nº 2401000.546 S2C4T1 Fl. 596 2 RELATÓRIO Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada contra a empresa em epígrafe, referente à contribuição social para terceiros salário educação (FNDE) incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados, no período de 04/97 a 03/06. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 208/215), são fatos geradores das contribuições lançadas os valores pagos aos empregados a título de: alugueis, brindes, alimentação, seguro saúde, seguro de vida em grupo, estabilidade e indenização, participação nos lucros e resultados. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, sendo proferido o Acórdão 0524.114 9ª turma da DRJ/CPS, fls. 403/409, que julgou procedente em parte o lançamento, excluindo os valores apurados até a competência 11/01, por decadência. Cientificado do Acórdão em 12/2/09 (Aviso de Recebimento AR de fl. 414), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 5/3/09, fls. 417/421, no qual, dentre outras alegações, afirma que sofreu outras autuações para as quais apresentou defesa, relacionadas aos mesmos fatos geradores apurados no presente lançamento. Conforme Resolução de fls. 559/562, os autos foram baixados em diligência, com solicitação de indicação do número dos processos relativos aos debcad lançados na mesma ação fiscal, sua localização e o resultado do julgamento. Foram juntados os documentos de fls. 565/589 e retornados os autos para o CARF. É o relatório. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 16095.000380/200795 Resolução nº 2401000.546 S2C4T1 Fl. 597 3 VOTO Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora Da verificação dos documentos juntados ao processo, construiuse o quadro 1 processos lavrados na ação fiscal. Quadro 1 Processos lavrados na ação fiscal. número eprocesso Debcad Fato gerador/Contrib. DRJ localização 16095.000377/200771 37.079.4214 Alimentação sem PAT improcedente nada no eprocesso 16095.000375/200782 37.079.4222 Seguro de vida em grupo proc parte CARF 16095.000376/200727 37.079.4230 PLR proc parte CARF 16095.000371/200702 37.079.4249 Estab e Indenização improcedente nada no eprocesso 16095.000380/200795 37.079.4257 FNDE proc parte CARF 16095.000379/200761 37.079.4265 Seguro saúde proc parte CARF 16095.000378/200716 37.079.4273 Alugueis proc parte excluído do eprocesso 16095.000384/200773 37.079.4281 Brindes proc parte excluído do eprocesso 16095.000381/200730 37.079.4320 AI 68 proc parte CARF Para o julgamento do presente processo é necessário saber o que ocorreu com os demais processos originados na mesma ação fiscal, conforme resolução anterior, para os quais ainda não restou suficiente as informações e os documentos que foram juntados aos autos. Assim, necessário que os autos sejam baixados em diligência para que DRF de origem preste as seguintes informações e junte documentos: a) A localização do processo nº 16095.000371/200702 (fato gerador estabilidade e indenização) e cópia da decisão da DRJ. Caso ele tenha sido arquivado, o motivo que determinou o arquivamento. b) O motivo que determinou o arquivamento do processo 16095.000378/2007 16 (tela à fl. 585) e cópia da decisão da DRJ. c) O motivo que determinou o arquivamento do processo 16095.000384/2007 73 (tela à fl. 588) e cópia da decisão da DRJ. O sujeito passivo deverá ser intimado do resultado da diligência, devendo ser concedido a ele o prazo de trinta dias para manifestação. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini. Fl. 608DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.004627/2007-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003, 2004, 2005
DA RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO PERDA DA ESPONTANEIDADE.
O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo, em relação aos atos anteriores, para alterar as informações da DITR original.
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-O, §1º, da Lei n.º 6.938/81.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE.
É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel.
ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA E NÃO ENFRENTADA NO RECURSO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente combatida, a teor do art. 17, do Decreto 70.235/72.
ITR. ÁREAS DE PASTAGEM. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA
A existência das áreas de pastagem deve ser comprovada por meio de documentação idônea, que ateste de forma inequívoca a existência de rebanho apascentado para que tais áreas sejam consideradas no cálculo do ITR.
No presente caso, a área declarada é diferente da constante no Laudo Técnico, bem como inexiste Ato Declaratório Ambiental, de modo que impossibilita o acolhimento da área pretendida.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR.
Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
MULTA DE OFÍCIO APLICADA. 75%. ART. 44 DA LEI Nº 9.430/96.
Sendo a multa aplicada no percentual mínimo de 75%, não cabe ao julgador administrativo afastá-la ou reduzi-la quando presentes os elementos fáticos necessários para a sua aplicação.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.781
Decisão: Acordam os membros do colegiado, (a) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para atribuir ao Valor da Terra Nua: (a.1) referente a 2003, o valor de R$1.798.315,83 e (a.2) relativo a 2005, o valor declarado de R$3.266.809,42; (b) pelo voto de qualidade, negar provimento do recurso voluntário em relação à Área de Preservação Permanente, por falta de apresentação de Ato Declaratório Ambiental; vencida nessa questão a relatora e os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves; (c) nas demais questões, negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes.
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Julio Cesar Vieira Gomes - Redator Designado
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza
Nome do relator: ALICE GRECCHI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003, 2004, 2005 DA RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo, em relação aos atos anteriores, para alterar as informações da DITR original. ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA E NÃO ENFRENTADA NO RECURSO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente combatida, a teor do art. 17, do Decreto 70.235/72. ITR. ÁREAS DE PASTAGEM. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA A existência das áreas de pastagem deve ser comprovada por meio de documentação idônea, que ateste de forma inequívoca a existência de rebanho apascentado para que tais áreas sejam consideradas no cálculo do ITR. No presente caso, a área declarada é diferente da constante no Laudo Técnico, bem como inexiste Ato Declaratório Ambiental, de modo que impossibilita o acolhimento da área pretendida. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. 75%. ART. 44 DA LEI Nº 9.430/96. Sendo a multa aplicada no percentual mínimo de 75%, não cabe ao julgador administrativo afastá-la ou reduzi-la quando presentes os elementos fáticos necessários para a sua aplicação. Recurso Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10183.004627/2007-77
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5643369
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-004.781
nome_arquivo_s : Decisao_10183004627200777.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ALICE GRECCHI
nome_arquivo_pdf_s : 10183004627200777_5643369.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, (a) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para atribuir ao Valor da Terra Nua: (a.1) referente a 2003, o valor de R$1.798.315,83 e (a.2) relativo a 2005, o valor declarado de R$3.266.809,42; (b) pelo voto de qualidade, negar provimento do recurso voluntário em relação à Área de Preservação Permanente, por falta de apresentação de Ato Declaratório Ambiental; vencida nessa questão a relatora e os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves; (c) nas demais questões, negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora. (Assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes - Redator Designado (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza
dt_sessao_tdt : Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6510073
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690992611328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2293; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 458 1 457 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.004627/200777 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.781 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de agosto de 2016 Matéria ITR Recorrente AGROPECUÁRIA JARINA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003, 2004, 2005 DA RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo, em relação aos atos anteriores, para alterar as informações da DITR original. ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA E NÃO ENFRENTADA NO RECURSO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente combatida, a teor do art. 17, do Decreto 70.235/72. ITR. ÁREAS DE PASTAGEM. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA A existência das áreas de pastagem deve ser comprovada por meio de documentação idônea, que ateste de forma inequívoca a existência de AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 46 27 /2 00 7- 77 Fl. 458DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 rebanho apascentado para que tais áreas sejam consideradas no cálculo do ITR. No presente caso, a área declarada é diferente da constante no Laudo Técnico, bem como inexiste Ato Declaratório Ambiental, de modo que impossibilita o acolhimento da área pretendida. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. 75%. ART. 44 DA LEI Nº 9.430/96. Sendo a multa aplicada no percentual mínimo de 75%, não cabe ao julgador administrativo afastála ou reduzila quando presentes os elementos fáticos necessários para a sua aplicação. Recurso Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, (a) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para atribuir ao Valor da Terra Nua: (a.1) referente a 2003, o valor de R$1.798.315,83 e (a.2) relativo a 2005, o valor declarado de R$3.266.809,42; (b) pelo voto de qualidade, negar provimento do recurso voluntário em relação à Área de Preservação Permanente, por falta de apresentação de Ato Declaratório Ambiental; vencida nessa questão a relatora e os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves; (c) nas demais questões, negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes Redator Designado (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza Relatório Fl. 459DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10183.004627/200777 Acórdão n.º 2301004.781 S2C3T1 Fl. 459 3 Contra a Recorrente acima qualificada foi lavrado Auto de Infração (fls. 08/21), referente a diferença apurada de Imposto Território Rural ITR, dos exercícios de 2003, 2004 e 2005, no valor total de R$ 4.296.624,04, incidente do imóvel rural denominado “Fazenda Jarinã”, inscrito na Receita Federal sob n° 6.712.6634, com área total de 16.668,0492 hectares, situado no município de Peixoto de Azevedo MT. O fiscal autuante relata que foi apurada a falta de recolhimento do ITR, decorrente de glosa da área declarada como de preservação permanente, de utilização limitada (2004/2005), de pastagens (2003) e de exploração extrativa (2003/2004). Houve alteração do valor da terra nua (2003 e 2005), em adequação aos valores constantes do SIPT. Em consequência, houve aumento da base de cálculo, da alíquota e do valor devido do tributo. A contribuinte apresentou os documentos solicitados, dentro do prazo concedido pelo Auditor Fiscal, referente ao exercício de 2003. A recorrente exalta a ficha de Atividade Pecuária, que teve a relação da “Área de Pastagem Calculada” e a ficha de Atividade Extrativa, com enfoque na “Área Calculada”, alegando a ocorrência de erro no preenchimento da DITR, ocasionando divergências da situação real do imóvel, comprovado através do Laudo de Avaliação referente aos anos de 2003, 2004 e 2005. Sendo três laudos, um para cada ano exercício. O Laudo Técnico apresentado pela contribuinte tem o VTN de R$ 107,89. Entende a autuada que pode perfeitamente ser aceito para fins tributários nos exercícios de 2003, 2004 e 2005, por expressar a realidade da propriedade e contexto da região do imóvel, além do que, o VTN nestes exercícios não sofreu grandes variações, podendo também pautar o valor do imóvel em relação ao preço do gado, sofrendo uma variação de 4% para mais ou para menos. Anexou os documentos: Laudo de Avaliação (fls. 46/75), Certidão/INCRA/SR14/UAC/PAZ/N°01/03/2002 (fl. 80), Certidões do Registro de Imóveis (fl. 83/88), Carta Imagem de satélite (fl. 90), Carta Solo – RADAMBRASIL (fl. 92), Carta Capacidade Uso Solo Faz. Jarina II (fl. 94), Certidão das matrículas (fl. 96), Mapa de uso atual do solo (fl. 111), Mapa de vegetação RADAMBRASIL (fl. 114), Histórico do valor da Arroba do boi – FAMATO (fl. 115). A interessada apresentou a impugnação de fls. 312/329. Alegou em síntese: inicialmente, argumenta que o imóvel está localizado próximo a uma área de diversos conflitos agrários, o que acarreta uma enorme instabilidade no mercado imobiliário, ocasionando uma desvalorização dos imóveis naquela região; afirma que o imóvel está inserido na região de abrangência da Amazônia Legal, possuindo um Termo de Ajustamento de Conduta de Compromisso de Averbação de Área de Reserva Legal; argumenta que o Auto de Infração possui vícios, o que acarreta sua nulidade; alega que a isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal deve ser aceita pelo simples efeito da Lei, não estando sujeita a apresentação de ADA ao IBAMA; Fl. 460DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 aduz que o ADA é mera formalidade, cujo descumprimento não pode ensejar a cobrança de crédito tributário. Afirma que as informações não estão sujeitas à prévia comprovação, conforme dispõe a MP 2.16667; solicita a aceitação da área de pastagens, argumentando que fez prova do efetivo pecuário das Fazendas Jarinã I e Jarinã II, informando, ainda que houve remanejamento de gado entre as duas fazendas. Insurgese contra a incidência de multa e juros aplicados no lançamento, por entender que são confiscatórios; não impugna expressamente a glosa da área de exploração extrativa; Resumo da autuação: Exercício de 2003 Distribuição da Área do Imóvel (ha) Declarado Apurado 01. Área Total do Imóvel 16.668,0 16.668,0 02. Área de Preservação Permanente 23,0 23,0 03. Área de Utilização Limitada 668,0 668,0 04. Área Tributável (01 – 02 – 03) 15.977,0 15.977,0 05. Área Ocupada com Benfeitorias 198,0 198,0 06. Área Aproveitável (04 – 05) 15.779,0 15.779,0 Distribuição da Área Utilizada (ha) Declarado Apurado 07. Produtos Vegetais 0,0 0,0 08. Pastagens 198,0 0,0 09. Exploração Extrativa 15.550,0 0,8 10. Atividade Granjeira/Aquícola 0,0 0,0 11. Área Utilizada (07 + 08 + 09 + 10) 15.748,0 0,8 12. Grau de Utilização (11 / 06) * 100 99,8 0,0 Cálculo do Valor da Terra Nua Declarado (R$) Apurado (R$) 13. Valor Total do Imóvel 833.400,00 2.864.062,44 14. Valor das Benfeitorias 0,0 0,0 15. Valor das Culturas/Pastagens/Florestas 0,0 0,0 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10183.004627/200777 Acórdão n.º 2301004.781 S2C3T1 Fl. 460 5 16. Valor da Terra Nua (13 – 14 – 15) 833.400,00 2.864.062,44 Exercício de 2004 Distribuição da Área do Imóvel (ha) Declarado Apurado 01. Área Total do Imóvel 16.668,0 16.668,0 02. Área de Preservação Permanente 23,0 0,0 03. Área de Utilização Limitada 15.977,0 0,0 04. Área Tributável 668,0 16.668,0 05. Área Ocupada com Benfeitorias 0,0 0,0 06. Área Aproveitável (04 – 05) 668,0 16.668,0 Distribuição da Área Utilizada (ha) Declarado Apurado 07. Produtos Vegetais 0,0 0,0 08. Pastagens 0,0 0,0 09. Exploração Extrativa 668,0 0,0 10. Atividade Granjeira/Aquícola 0,0 0,0 11. Área Utilizada (07 + 08 + 09 + 10) 668,0 0,0 12. Grau de Utilização (11 / 06) * 100 100,0 0,0 Cálculo do Valor da Terra Nua Declarado (R$) Apurado (R$) 13. Valor Total do Imóvel 3.266.809,42 3.266.809,42 14. Valor das Benfeitorias 0,0 0,0 15. Valor das Culturas/Pastagens/Florestas 0,0 0,0 16. Valor da Terra Nua (13 – 14 – 15) 3.266.809,42 3.266.809,42 Exercício de 2005 Distribuição da Área do Imóvel (ha) Declarado Apurado Fl. 462DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 01. Área Total do Imóvel 16.668,0 16.668,0 02. Área de Preservação Permanente 223,0 0,0 03. Área de Utilização Limitada 15.977,0 0,0 04. Área Tributável 668,0 16.668,0 05. Área Ocupada com Benfeitorias 0,0 0,0 06. Área Aproveitável (04 – 05) 668,0 16.668,0 Distribuição da Área Utilizada (ha) Declarado Apurado 07. Produtos Vegetais 0,0 0,0 08. Pastagens 0,0 0,0 09. Exploração Extrativa 668,0 668,0 10. Atividade Granjeira/Aquícola 0,0 0,0 11. Área Utilizada (07 + 08 + 09 + 10) 668,0 668,0 12. Grau de Utilização (11 / 06) * 100 100,0 4,0 Cálculo do Valor da Terra Nua Declarado (R$) Apurado (R$) 13. Valor Total do Imóvel 3.266.809,42 3.924.313,92 14. Valor das Benfeitorias 0,0 0,0 15. Valor das Culturas/Pastagens/Florestas 0,0 0,0 16. Valor da Terra Nua (13 – 14 – 15) 3.266.809,42 3.924.313,92 A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 2/21. A Turma de Primeira Instância julgou a impugnação improcedente, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003, 2004, 2005 ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. REQUISITOS. Por exigência de Lei, para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar averbada na Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante Fl. 463DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10183.004627/200777 Acórdão n.º 2301004.781 S2C3T1 Fl. 461 7 Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. O ADA é igualmente exigido para a comprovação das áreas de preservação permanente. ÁREA UTILIZADA. Não é possível a alteração da área utilizada considerada no Auto de Infração, quando o contribuinte não comprova, mediante documentação hábil, que a utilização do imóvel deuse em nível superior ao constante do lançamento. VALOR DA TERRA NUA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. MATERIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Lançamento Procedente A Contribuinte foi notificada do Acórdão 0417.941 1ª Turma da DRJ/CGE em 24/08/2009 (fl. 402), mediante Aviso de Recebimento – AR. Em 22/09/2009, sobreveio recurso voluntário (fl. 409). Em suas razões passa a expor: que comprovou os dados relativos ao ITR 2003, 2004 e 2005 incidentes sobre o imóvel rural “Fazenda Jarinã II” com o laudo técnico (fl. 426) elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Emílio Augusto Mendes Machado o mesmo Laudo Técnico esclarece pontos sobre as Áreas de Preservação Permanente, Área de Reserva Legal, Produção agrícola do imóvel, a conservação dos recursos naturais, dentre outros aspectos; o Laudo de Avaliação também comprova o valor atribuído da Terra Nua – VTN para o lançamento do ITR 2003, 2004 e 2005 tratando do Ato Declaratório Ambiental, a contribuinte alega que a concepção e posteriormente, ter tornado o ADA obrigatório, teve como objetivo a penalização das áreas de reserva legal e preservação permanente com a tributação, para aqueles que não cumprissem a obrigação de registrar no IBAMA; em relação ao Valor da Terra Nua (VTN) de R$ 933.170,37 encontrado no Laudo de Avaliação, o engenheiro agrônomo utilizou a metodologia, partindo do princípio da Interpretação de que o VTN = VTI (Valor Total do Imóvel) – Benfeitorias como consta a própria interpretação da Receita Federal através do Manual DITR/2003/2004/2005; Fl. 464DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 declara que “partindo de que as benfeitorias úteis e necessárias, descritas, ou seja, uma casa sede, um curral com 450,0 m2, 44.000,00 metros de cerca com arame liso, rede elétrica com Grupo Gerador (45 KVA), 1.800,00.00 ha de pastagem artificial e 594,7277 ha de pastagem nativa, avaliadas em R$ 2.333.639, obtevese o VTN para os exercícios de 2003, 2004 e 2005: VTN = VTI (aceito pela RFB) Benfeitorias úteis e necessárias VTN = R$ 3.266.809,42 R$ 2.333.639,05 VTN = R$ 933.170,37” expõe sobre o VTN a Lei 9.393/96 em seu art. 14, que reforça seus argumentos “no caso de subavaliação do valor do imóvel pela Secretaria da Receita Federal, se procederá à determinação e o lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras constantes de sistema a ser por ela instituído. ” complementa que “na hipótese de não serem fornecidos os preços de terras para um determinado município, nem pela Secretaria Estadual de Agricultura, nem pela Secretaria Municipal de Agricultura, tendo em vista o comando e a competência legal para a instituição do SIPT, [...], a Receita Federal do Brasil disporá, para fins de lançamento de ofício do ITR, o preço médio do hectare obtido a partir dos valores informados nas DIRT pelo conjunto dos próprios contribuintes dos imóveis localizados em cada município”. Nas Secretarias de Agricultura Estadual e Municipal, foram solicitadas informações acerca do VTN para serem considerados no estabelecimento do SIPT sobre o imóvel rural autuado, no entanto não obtiveram resposta. a contribuinte questiona a multa de 75% do valor do imposto apurado, considerandoa injustamente imposta por não ter sido constatado máfé por parte do recorrente. Nesse sentido cita a Súmula CARF n° 14 “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. ”. Ao fim, requer seja aceita a área de pastagem, equivalente a 1.800,0000 hectares, comprovadamente existente e, consequentemente, do efetivo pecuário, com média apurada de 1.322 animais de grande porte remanejado da “Fazenda Jarinã" para a “Fazenda Jarinã II"; seja aceito o Valor da Terra NuaVTN apurado, equivalente a R$ 933.170,37, conforme metodologia da ABNT e recomendada pelos próprios manuais da Receita Federal do Brasil; seja cancelada a multa, correspondente a 75% do valor do imposto apurado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, uma vez não constatado mais do que verdadeiras as informações prestadas pela recorrente; que se digne ainda assegurarlhe a oportunidade de produzir provas complementares, caso sejam necessárias, até porque se encontram duas correspondências retidas com documentação oriunda de Mato Grosso, em razão da greve deflagrada pelos funcionários dos correios em 16/09/2009, substanciais ao recurso voluntário; Fl. 465DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10183.004627/200777 Acórdão n.º 2301004.781 S2C3T1 Fl. 462 9 que após o julgamento recurso voluntário, lhe seja ainda assegurado o direito aos benefícios de que se trata a Lei 11.941, de 27/05/2009, que trata de remissão tributária e parcelamentos especiais; que sejam também levados em conta os aspectos relevantes da impugnação impetrada junto á Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande – MS. É o relatório Passo a decidir. Voto Vencido Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso possui os requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, merecendo ser conhecido. Trata o presente de glosa da área declarada como de preservação permanente e de utilização limitada, relativamente aos exercícios de 2004 e 2005, de pastagens no exercício de 2003 e de exploração extrativa referente aos exercícios de 2003 e 2004. Houve alteração do valor da terra nua para os exercícios de 2003 e 2005, em adequação aos valores constantes do SIPT. Área de Preservação Permanente Após o início da ação fiscal o Contribuinte perdeu a espontaneidade para efetuar qualquer alteração nos dados por ele informados, nos termos do art. 138 do CTN c/c o disposto no art. 7º do Decreto nº 70.235/72, e, da mesma forma, no art. 33 do Decreto 7.574/2011. Portanto, prevalece os dados informados nas DITR, embora o Laudo Técnico informe quantidade superior. Salientase que para o ano de 2003 não houve glosa, ou seja, o Fisco admitiu a existência de 23 ha de APP, no entanto glosou para o ano de 2004 os mesmos 23 ha. Para melhor compreensão do que foi declarado pela contribuinte e do que foi glosado pela autoridade fiscal, reportome ao quadro resumo da autuação constante do relatório acima. EXERCÍCIO 2004 02. Área de Preservação Permanente 23,0 0,0 EXERCÍCIO 2005 02. Área de Preservação Permanente 223,0 0,0 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Portanto, verificase que foi objeto de alteração pelo fiscal, a área declarada como sendo de Preservação Permanente APP, nos anos de 2004 e 2005. A partir da alteração promovida pela Lei nº 10.165/00, a entrega da ADA tem sido exigida como requisito à redução de imposto a pagar. Para que se compreenda adequadamente a alteração normativa e seu reflexo sistemático dentro do ordenamento, é preciso que se observe que o ADA é um ato unilateral elaborado pelo contribuinte, que não tem o condão de constituir juridicamente as situações nele descritas. Em outros termos, a mera inserção de área de preservação permanente no respectivo campo possui evidente eficácia declaratória da sua existência, que poderá ser confrontada com a descrição contida em laudo técnico – documento elaborado por terceiro que corroborará a situação inserida no ADA. Coadunamse com o entendimento desta Relatora, os julgados abaixo transcritos: RECURSO ESPECIAL Nº 1.112.283 PB (2009/00474797) RELATOR : MINISTRO BENEDITO GONÇALVES RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL E OUTRO(S) RECORRIDO : LUIZ GONZAGA PRIMO ADVOGADO : FREDERICO MATOS BRITO SANTOS E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. 1. A orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que "o Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite da exclusão da sua base de cálculo a área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). No mesmo sentido: REsp 812.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007; REsp 587.429/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 2/8/2004. 2. Recurso especial não provido.(grifei) ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Luiz Fux, Teori Albino Zavascki e Denise Arruda (Presidenta) votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 19 de maio de 2009 (Data do Julgamento) MINISTRO BENEDITO GONÇALVES Relator ____________________________________________________ Fl. 467DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10183.004627/200777 Acórdão n.º 2301004.781 S2C3T1 Fl. 463 11 RECURSO ESPECIAL Nº 1.589.687 MG (2016/00598642) RELATOR : MINISTRO SÉRGIO KUKINA RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : V & M FLORESTAL LTDA ADVOGADOS : HUDSON FERNANDO COUTO DENISE BRUM MONTEIRO DE CASTRO VIEIRA E OUTRO(S) GUILHERME ANDRADE MARTINS SIBELE FERNANDA PRADO DA SILVA Tratase de recurso especial fundado no CPC/73, manejado pela FAZENDA NACIONAL, com base no art. 105, III, a, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, assim ementado (fl. 246): TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL AÇÃO ORDINÁRIA ITR DECOTADA, DA BASE DE CÁLCULO, A ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL REGISTRO CARTORÁRIO E ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA: DISPENSÁVEIS PRECEDENTES. 1STJ: para fins de isenção do ITR (AgRgREsp n° 1.315.220/MG) quanto às áreas de preservação ambiental permanente e reserva legal, dispensa se averbação no CRI e ato declaratório do IBAMA. 2 Remessa oficial não provida. (grifei) Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso especial para determinar a incidência do ITR, em relação à área de reserva legal, nos termos da fundamentação. Publiquese. Brasília (DF), 05 de abril de 2016. MINISTRO SÉRGIO KUKINA Relator ____________________________________________________ AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.395.393 MG (2013/02424844) RELATOR: MINISTRO BENEDITO GONÇALVES AGRAVANTE: FAZENDA NACIONAL ADVOGADO: PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL AGRAVADO: V E M FLORESTAL LTDA ADVOGADO: GUILHERME ANDRADE MARTINS E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBAÇÃO OU DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. INCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 1. A orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que "o Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite a exclusão da sua base de cálculo de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR,Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). No mesmo sentido: REsp 1.112.283/PB, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 1/6/2009; REsp 812.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007 e REsp 587.429/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 2/8/2004. 2. Agravo regimental não provido ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Marga Tessler (Juíza Federal convocada do TRF 4ª Região) e Napoleão Nunes Maia Filho (Presidente) votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 19 de março de 2015 (Data do Julgamento Destaco, por fim, o Informativo de Jurisprudência do STJ nº 0375 de 2008, que reitera entendimento acerca da dispensabilidade do ADA. Frisese que o Informativo é posterior às alterações procedidas pelo art. 9º, da Instrução Normativa nº 96, de 30 de março de 2006. Informativo nº 0375 Período: 3 a 7 de novembro de 2008. Segunda Turma ITR. ÁREA. PRESERVAÇÃO PERMANENTE. IBAMA A Turma reiterou o entendimento de que o imposto territorial rural (ITR) é tributo sujeito a lançamento por homologação e que o art. 10, § 7º, da Lei n. 9.393/1996 permite a exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do referido imposto, sem necessidade de ato declaratório ambiental do Ibama. Precedentes citados: REsp 812.104AL, DJ 10/12/2007, e REsp 587.429AL, DJ 2/8/2004. REsp 898.537GO, Rel. . Eliana Calmon, julgado em 6/11/2008. Merece guarida, portanto, o entendimento de que não se faz necessária a apresentação da ADA Ato Declaratório Ambiental para exclusão da incidência do ITR das áreas de preservação permanente. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10183.004627/200777 Acórdão n.º 2301004.781 S2C3T1 Fl. 464 13 Ressalvado o entendimento desta relatora quanto a prescindibilidade do ADA quando existentes outros elementos de prova que tornem inequívocas as informações contidas na DITR (LAUDO TÉCNICO), no presente caso, na verdade, o que a contribuinte pretende é o acolhimento da área de 828,88 ha de preservação permanente, alegando o georreferenciamento e a existência de Laudo Técnico. No entanto, como já mencionado anteriormente, a Recorrente perdeu a espontaneidade para retificação da declaração, sendo a área requerida bastante superior à declarada, de modo que, no presente caso, deve prevalecer a área declarada. Assim, restabeleço, com base no Laudo Técnico apresentado, as APP de acordo com as constantes nas DITR. Área de Reserva Legal Novamente, para melhor visualização do que fora declarado e o que fora glosado, colaciono excerto do resumo da autuação constante do relatório. EXERCÍCIO DE 2004 03. Área de Utilização Limitada 15.977,0 0,0 EXERCÍCIO DE 2005 03. Área de Utilização Limitada 15.977,0 0,0 No que tange às áreas de Reserva Legal (Área de Utilização Limitada), é exigência de lei, que esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. A averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, tratase de ato constitutivo da própria área de reserva legal, documento que cria um registro público da sua existência e faz surgir uma obrigação real de preservação. Vislumbrase que, distintamente da Área de Preservação Permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da Reserva Legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. A simples observância dos percentuais mínimos estabelecidos na lei e comprovados no laudo técnico não garante o benefício fiscal, pois somente com a averbação delimitase a Área de Reserva Legal sobre a qual passa a ser vedada qualquer alteração na “sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área” (art. 16, §8º, do Código Florestal). Fl. 470DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Cabe lembrar ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247 do CC), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área correspondente fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente. Outrossim, em julgamento recente (EREsp 1027051 – 26/08/2013), a 1ªSeção do STJ, pacificou o entendimento das turmas de direito público, no sentido que a isenção do Imposto Territorial Rural – ITR, vale tão somente para as Áreas de Reserva Legal registradas na matrícula do imóvel, sob o fundamento que a União e os Municípios possam fiscalizar os contribuintes que declaram ter áreas de reserva legal dentro da propriedade para aproveitamento do benefício fiscal. A contribuinte, ao impugnar a autuação, consigna: No recurso inicial impetrado por procurador constituído pela contribuinte, foi informado que, por se tratar se uma área de posse e não possuir matrícula no competente Cartório de Registro de Imóveis, o imóvel não possuía averbação da Área de Reserva legal. Esta informação está correta, todavia, por um lapso, deixou de anexar o Termo de Compromisso para Averbação da Reserva Legal TCARL do imóvel rural "FAZENDA JARINà II", inicialmente identificado, de posse da ora impugnante objeto do presente processo, elaborado e lavrado em 10 de abril de 2001, devidamente assinado à época pelo Engenheiro Florestal/Agrônomo/Gerente de Projeto do IBAMA/UTM/CR/SINOP/MT, bem como pelo detentor do imóvel, o qual encontrase devidamente registrado desde a data de 06 de junho de 2001, no cartório de Títulos e Documentos de Peixoto de AzevedoMT, sob o nº 3.851 do Livro "B10.(grifei) A CERTIDÃO/INCRA/SR13/UAC/PAZ/MT/Nº02/03, acostada pela contribuinte (fl. 437), certifica que a Agropecuária Jarinã detém a posse mansa e pacífica da Fazenda Jarinã, localizada na Rodovia Estadual MT 322. Já a certidão de fl. 438/440, certifica que consta registrado sob o nº 3.851, do Livro nº "B10", em 06 de junho de 2.001 TERMO DE COMPROMISSO PARA AVERBAÇÃO DE RESERVA LEGAL TCARL. Entretanto, em que pese haja verossimilhança nas alegações da autuada, com base nos referidos documentos não é possível inferir qual área do imóvel é de Utilização Limitada/Reserva Legal. Na supramencionada certidão, há tão somente a informação da área total do imóvel, sem constar nenhuma área aproximada ao que fora declarada nas DITR's pela contribuinte e posteriormente glosadas pela fiscalização. Ademais, somente a título de argumentação, as informações constantes dos mapas e documentos carreados aos autos, é de que a Área de Reserva Legal é de, supostamente, 13.334,43.93 ha e não 15.977,0 ha como fora declarado. Assim, ante a inexistência de matrícula no Registro de Imóveis, confirmada pela contribuinte e, por decorrência lógica, a inexistência de averbação da Área de Reserva legal, não há como dar guarida às alegações da recorrente. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10183.004627/200777 Acórdão n.º 2301004.781 S2C3T1 Fl. 465 15 Portanto, por falta de averbação, deve ser mantida a glosa. Área de Exploração Extrativa No que se refere à glosa da área declarada como sendo de exploração extrativa, referente aos exercícios de 2003 (15.550,0 ha) e 2004 (668,0 ha), não houve manifestação expressa da contribuinte quanto a esse ponto, de modo que nos termos do art. 17, do Decreto 70.235/72, considerase como não impugnada. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Área de Pastagens A autoridade fiscal glosou integralmente a área de pastagens declarada no exercício de 2003. Consta do Auto de Infração (fl. 03), que a contribuinte declarou 198,0 ha. 08. Pastagens 198,0 0,0 A recorrente alega a existência de aproximadamente 1.300 animais de grande porte que foram remanejados da Fazenda Jarinã para a Fazenda Jarinã II. Por outro lado, o Laudo de Avaliação acostado, informa a área de pastagens com a extensão de 1.873,500 ha. Além da discrepante diferença existente entre o declarado e o atestado através do Laudo de Avaliação, não é possível a comprovação da existência efetiva de rebanho apascentado na área informada como sendo de pastagens. Em que pese se reconheça a prática de remanejo de gado entre fazendas, o documento acostado pelo recorrente não garante a convicção necessária para que seja acatada a área de pastagens. As informações do Instituto de Defesa Agropecuária de MT (fl. 372/374), apontam rebanho existente na Fazenda Jarinã, que, segundo a contribuinte, uma parte foi remanejada para a Fazenda Jarinã II e Declaração de fl. 370, assinada pelo veterinário Claudemir Volcean Rodrigues, não informa de maneira precisa o efetivo número de cabeças que receberam sistema de remanejando e tampouco informa o período, limitando a consignar que "aproximadamente 1.300 (mil e trezentas) cabeças receberam sistema de remanejamento constantes nesses últimos anos de áreas da Agropecuária Jarinã [...]" Assim, tendo em vista que para o exercício 2003 não restou comprovada a existência de rebanho que justificasse a área de pastagens declarada, deve ser mantida a glosa. Valor da Terra Nua VTN Passase a análise do valor da terra nua informado pelo contribuinte em sua DITR do exercício de 2003 e 2005, o qual fora alterado pela fiscalização. EXERCÍCIO DE 2003 16. Valor da Terra Nua (13 – 14 – 15) 833.400,00 2.864.062,44 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 EXERCÍCIO DE 2005 16. Valor da Terra Nua (13 – 14 – 15) 3.266.809,42 3.924.313,92 A autoridade fiscal considerou ter havido subavaliação no cálculo do VTN declarado para o imóvel na DITR/2003, de R$ 833,400,00 sendo arbitrado o valor de R$ 2.864.062,44 e na DITR/2005, de R$ 3.266.809,42, sendo arbitrado o valor de R$ 3.924.313,92 com base no menor VTN/ha SIPT da Receita Federal, instituído em consonância com o art. 14 da Lei 9.393/1996, e observadas a Portaria SRF nº 447/2002 e a Norma de Execução Cofis nº 02/2010, aplicável à execução da malha fiscal desse exercício. Ao fazer a leitura da decisão "a quo" (fl. 391), a Turma Julgadora afirma que o arbitramento do VTN não foi impugnado, o que é um equívoco. Vejamos, pequeno excerto da impugnação apresentada pela contribuinte (fls. 313/329): Fl. 473DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10183.004627/200777 Acórdão n.º 2301004.781 S2C3T1 Fl. 466 17 [...] [...] Assim, verificase que, equivocadamente, foi consignado pela decisão "a quo" que a matéria referente ao VTN não fora impugnada. Todavia, tendo em vista que a apreciação do mérito referente a esse item da autuação se dará de forma favorável ao contribuinte, esta relatora deixa de encaminhar o feito à Turma Julgadora "a quo" para que se manifeste acerca da impugnação apresentada, sanando assim a nulidade da decisão recorrida, nos termos do art. 59,§3º do Decreto 70.235/72. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade Fl. 474DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.( Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993.) O parágrafo 2° do artigo 8° da Lei n° 9.393, de 1996, dispõe que o VTN deve refletir o preço de mercado de terras, apurado em 1° de janeiro do ano a que se referir a declaração do ITR. A autoavaliação do valor da terra nua a preço de mercado efetuada pelo contribuinte em sua DITR está sujeita à fiscalização pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e, caso verificada a subavaliação, com base na tabela SIPT, será procedida a correção do valor declarado, conforme disposto no art. 14, abaixo transcrito: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Como se vê, por força do estabelecido no § 1º do art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Confirase a transcrição do referido artigo, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.18356, de 2001: Art.12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e cessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel; II aptidão agrícola III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. § 1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. § 2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10183.004627/200777 Acórdão n.º 2301004.781 S2C3T1 Fl. 467 19 § 3º O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Analisandose o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir que o levantamento do VTN, levando em conta a média dos VTNs constantes nas DITRs, não tem suporte legal, pois o arbitramento do valor da terra nua com base nos dados do SIPT deve levar em conta, necessariamente, as informações sobre aptidão agrícola. No Estado de Direito deve sempre imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa conforme estabelecido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário. Ora, se a fixação do VTN não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTN adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo. O VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Nesse sentido, cabe transcrever o julgado abaixo, acórdão nº 2102003.137, da 1ª Câmara da 2ª Turma da 2ª Seção deste Egrégio Conselho, o qual ratifica o entendimento desta relatora. Vejamos: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2003 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso Voluntário Provido" Na mesma esteira trilha o Acórdão 220201.269, Processo 10.183.005183/200525, Relatora Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, do qual subtraio apenas excerto da ementa: Fl. 476DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 [...] VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). INCABÍVEL AUTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO NA DITR. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. [...] Não é outro entendimento da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF ao proferir o Acórdão nº 9202003.749 abaixo ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Assim, o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências determinadas pela legislação de regência. Frisese, ainda, que no presente processo não consta nos autos a tela do SIPT, motivo suficiente, por si só, para o reconhecimento da nulidade da exigência, mormente pela impossibilidade de aferir a legalidade do arbitramento, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF nº 9202003.144 – 2ª Turma). Ademais, o contribuinte acostou Laudos de Avaliação do Imóvel, referente aos exercícios de 2003 e 2005 (fls. 46/76) com Anotação de Responsabilidade Técnica (fl. 77), referente ao exercício de 2003 e referente ao ano de 2005 (fls. 217/251), com Anotação Responsabilidade Técnica ART (fl. 252) ambos elaborados pelo Engenheiro Agrônomo Alexandre Tadeu Waldvogel. Postula que o valor atribuído ao VTN por hectare, seja considerado para os exercícios anteriores. Atendendo ao Laudo Técnico apresentado e ao requerimento da Recorrente, para o ano de 2003 o VTN declarado na DITR que fora R$833.400,00, passa a ser o constante do Laudo, assim, para incidência do imposto, deve ser considerado o de VTN = R$ 1.798.315,83. No que tange ao ano de 2005 deve prevalecer o valor declarado, pela Recorrente, na DITR, que foi de R$ 3.266.809,42. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10183.004627/200777 Acórdão n.º 2301004.781 S2C3T1 Fl. 468 21 Da Multa de Ofício Irresignada, a recorrente insurgese alegando que "está sendo injustamente imposta ao serlhe arbitrada multa correspondente a 75% do valor do imposto apurado pela Secretaria da Receita Federal, uma vez não constatado máfé por parte da recorrente, haja vista que, as informações foram dadas como corretas." No tange a insurgência do recorrente quanto à multa aplicada, não há quaisquer reparos a serem feitos no lançamento, uma vez que a multa está em consonância com o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. In verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Fl. 478DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5º Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e II – (VETADO). No caso presente, conforme se verifica, tendo sido aplicada a penalidade de sua forma simples (75%), o que se tem, no caso, nada mais é que a exclusiva observância da expressa disposição legal. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso para: a) Restabelecer a Área de Preservação Permanente declarada nos exercícios de 2004 e 2005 de 23,0 ha e 223, 0 ha, respectivamente; b) atribuir o Valor da Terra Nua VTN, referente aos anos de 2003 para R$ 1.798.315,83 e 2005, manter o valor declarado de R$ 3.266.809,42. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 479DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10183.004627/200777 Acórdão n.º 2301004.781 S2C3T1 Fl. 469 23 Voto Vencedor Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, redator No presente caso, a ilustre relatora entendeu ser prescindível a emissão de ato declaratório ambiental ADA para os exercícios de 2004 e 2005 por admitir a comprovação da área de preservação permanente por outros meios de prova. Com todas as vênias, divirjo. A jurisprudência da CSRF se consolidou no sentido da imprescindibilidade do ADA a partir da alteração promovida pela Lei nº 10.165/00. Com efeito, o período a que se refere o lançamento em discussão é posterior ao ano de 2000, não sendo portanto aplicável a Súmula CARF nº 41, cujo enunciado, literalmente, cuidou de conferir tratamento tributário distinto para os dois períodos, antes e após a Lei n.º 10.165/00: Súmula CARF nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Vêse que a alteração legislativa, literal e intencionalmente, buscou tornar obrigatória a apresentação do ADA. Basta comparar os dois textos, o artigo 17O, §1º da Lei n.º 6.938/81 com as redações em sentidos diametralmente opostos que lhe foram conferidas pelas Lei nº 9.960/2000 e Lei n.º 10.165/2000: Art. 17O. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a título de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional.(Lei nº 9.960/2000) ... §º1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Lei n.º 10.165/2000) Nesse sentido o acórdão da 2ª Turma da CSRF nº 9202003.474, de 10/12/2014: ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Fl. 480DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. ... Assim, a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter previsão legal com a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81, para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. ... Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi facilitar a fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma “razoável efetividade da norma tributária” (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.º 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. Assim, entendo que a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA é requisito necessário para o gozo de isenção de ITR quanto à área em questão considerada pelo recorrente como de preservação permanente. É como voto. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13964.000111/95-12
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IRPJ — RESTITUIÇÃO — CORREÇÃO MONETÁRIA — Seja em face
do tributo ser uma obrigação de valor, circunstância que impõe a
sua restituição na mesma espécie, do princípio da moralidade que
deve nortear a conduta da administração pública (CF, art. 37), do
princípio que repudia o enriquecimento sem causa (aplicável em
matéria tributária, por força do que dispõe o art. 108, III, do CTN) e, por fim, da jurisprudência mansa e pacífica do Poder Judiciário, na restituição de contribuição paga indevidamente impõe-se a sua devolução com correção monetária.
Recurso provido.
Numero da decisão: CSRF/01-03.087
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Verinaldo Henrique da Silva e Maria Beatriz Andrade de Carvalho.
Nome do relator: Luiz Alberto Cava Maceira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200009
ementa_s : IRPJ — RESTITUIÇÃO — CORREÇÃO MONETÁRIA — Seja em face do tributo ser uma obrigação de valor, circunstância que impõe a sua restituição na mesma espécie, do princípio da moralidade que deve nortear a conduta da administração pública (CF, art. 37), do princípio que repudia o enriquecimento sem causa (aplicável em matéria tributária, por força do que dispõe o art. 108, III, do CTN) e, por fim, da jurisprudência mansa e pacífica do Poder Judiciário, na restituição de contribuição paga indevidamente impõe-se a sua devolução com correção monetária. Recurso provido.
turma_s : Quinta Câmara
numero_processo_s : 13964.000111/95-12
conteudo_id_s : 5631135
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 06 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : CSRF/01-03.087
nome_arquivo_s : Decisao_139640001119512.pdf
nome_relator_s : Luiz Alberto Cava Maceira
nome_arquivo_pdf_s : 139640001119512_5631135.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Verinaldo Henrique da Silva e Maria Beatriz Andrade de Carvalho.
dt_sessao_tdt : Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2000
id : 6485742
ano_sessao_s : 2000
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048691006242816
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-06T19:58:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-06T19:58:46Z; Last-Modified: 2009-07-06T19:58:46Z; dcterms:modified: 2009-07-06T19:58:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-06T19:58:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-06T19:58:46Z; meta:save-date: 2009-07-06T19:58:46Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-06T19:58:46Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-06T19:58:46Z; created: 2009-07-06T19:58:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2009-07-06T19:58:46Z; pdf:charsPerPage: 1348; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-06T19:58:46Z | Conteúdo => , Processo n° : 13964.000111/95-12 Recurso n° : RD/105-0.731 Matéria : IRPJ Recorrente : FRETTA & CIA. LTDA. Recorrida : 5a CÂMARA DO 1° C.C. Interessada : FAZENDA NACIONAL Sessão de :11 DE SETEMBRO DE 2000 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 IRPJ — RESTITUIÇÃO — CORREÇÃO MONETÁRIA — Seja em face do tributo ser uma obrigação de valor, circunstância que impõe a sua restituição na mesma espécie, do princípio da moralidade que deve nortear a conduta da administração pública (CF, art. 37), do princípio que repudia o enriquecimento sem causa (aplicável em matéria tributária, por força do que dispõe o art. 108, III, do CTN) e, por fim, da jurisprudência mansa e pacífica do Poder Judiciário, na restituição de contribuição paga indevidamente impõe-se a sua devolução com correção monetária. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FRETTA & CIA. LTDA., pessoa jurídica com sede à Rua Marechal Deodoro, 335, Centro, Tubarão/SC, inscrita no CGC sob o n° 86.428.836/0001-07. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Verinaldo Henrique da Silva e Maria Beatriz Andrade de Carvalho. --• PERE' 401"- ES PRESIDENTE / LUIZ AL: RTO CAVA Pi CEI RA RELAT./- , Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 FORMALIZADO EM: 27 MAR 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros CELSO ALVES FEITOSA, ANTONIO DE FREITAS DUTRA, MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE, LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, REMIS ALMEIDA ESTOL, JOSÉ CARLOS PASSUELLO, DIMAS RODRIGUES DE OLIVEIRA, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES e MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS. k,,:\ 2 , • Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 Recurso n° : RD/105-0.731 Recorrente : FRETTA & CIA. LTDA. RELATÓRIO FRETTA & CIA. LTDA., pessoa jurídica com sede à Rua Marechal Deodoro, 335, Centro, Tubarão/SC, inscrita no CGC sob o n° 86.428.836/0001-07, inconformada com a decisão colegiada proferida através do Acórdão n° 105-12.147, de 07-01-98 (fls. 35 a 43), o qual, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário n° 113.036, interpõe Recurso Especial à Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 49/54), na forma do artigo 31, "caput", do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes. A matéria objeto do feito consiste em restituição de imposto de renda pago a maior, relativamente ao período de fevereiro a dezembro de 1991, cujo acórdão recorrido se encontra assim ementado: "RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS ANTES OU DURANTE O ANO DE 1991 - Descabe a atualização de 1RPJ, quer para pagamento, quer para a restituição, relativa ao período de 1%2/91 (Leis n`'s 8.177/91 e 8.218/91) até 31/12/91 (Lei n° 8.383/91), não apenas por absoluta falta de previsão legal, mas principalmente devido ao princípio da isonomia. Se o sujeito ativo é impedido de atualizar os seus créditos tributários, igual tratamento deve ser dado quando os restitui." A recorrente apresenta como paradigma o acórdão n° 107-03.989, conforme trecho do voto de seu relator, a seguir transcrito (fls. 70): 41. 3 • Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 "Para a correta solução do caso em tela, portanto, é de se admitir que lhe assiste o direito à correção monetária do indébito a que faz juz, conforme solicitado, a partir de fevereiro até dezembro de 1991, pela aplicação do INPC do IBGE sobre as parcelas a serem restituídas, sobretudo porque foi o índice oficial de referência da inflação segundo dispôs o artigo 4° da Lei n°8.177/91, e porque trata-se de índice utilizado pela Lei n° 8.383/91 na formação da primeira UFIR (que indexou os tributos), em evidente reconhecimento por parte do legislador de tratar-se de indexador oficial (...)." Assim, pela simples leitura das decisões, constata-se a existência de interpretação diversa sobre a mesma matéria tributária, envolvendo situações idênticas, caracterizando o dissídio jurisprudencial levantado. Através do despacho n° 105-0.046/99 o Sr. Presidente da Colenda Quinta Câmara do 1° Conselho de Contribuintes deu seguimento ao presente recurso, eis que presentes os pressupostos de admissibilidade do mesmo. Intimada, a Fazenda nacional apresentou contra-razões, argumentando, em síntese que: Tratam-se de situações diversas, eis que a pretensão da recorrente resume-se à cobrança de correção monetária sobre quantia a ser restituída espontaneamente pela União, razão pela qual não pode a mesma ser enquadrada no conceito de tributo, enquanto prestação pecuniária compulsória, porquanto está sendo devolvido. 1Traz à colação parecer do ex-Superintendente Regional da Receita Federal, Dr. Hailé José Kaufmann, em processo judicial, o qual confirma seus argumentos apresentados. Apresenta como fundamentação legal de sua tese o artigo 66, caput, e parágrafo 3° da Lei n° 8.383/91. 4 , ' Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 Sendo assim, acrescenta, ainda, que sobre os créditos tributários pagos no período sob análise não incidiu qualquer taxa ou índice de atualização monetária, portanto, de onde se insere a impossibilidade de fluir correção monetária sobre a restituição do indébito. É o Relatório. f,i 1 I E 5 , „ Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 VOTO Conselheiro LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, Relator: O recurso é tempestivo, apresentando os demais pressupostos de admissibilidade, merece ser conhecido. A controvérsia reside na possibilidade ou não da atualização monetária na restituição do imposto de renda pago indevidamente pelo contribuinte, no ano-calendário de 1991. Com efeito, o imposto de renda, assim como a contribuição social, no dizer do eminente Ministro da Suprema Corte, Moreira Alves (Representação n°1451-7 - DF - tribunal Pleno, Lex 117/251), "é obrigação de valor, à medida em que nasceu e sempre se sujeitou à atualização monetária”. Nessa perspectiva, uma vez que foi recolhido aos cofres públicos um valor que a ele não era devido, torna-se imperioso que a restituição desse montante ao contribuinte se dê com a incidência da atualização monetária correspondente, sob pena de incorrer a Administração em locupletamento ilícito, ofendendo ao princípio da moralidade administrativa(CF, art. 37) ou pela inobservância dos princípios gerais do direito público (CTN, art. 108, III). Inobstante, há de se considerar, ainda, a posição adotada pelos nossos Tribunais, as quais se apresentam de forma mansa e pacífica sobre o tema. Válida menção à decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento do RE 89.791-RJ (RTJ 96/781): 6 ' _Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 "Trata-se de mera alteração nominal e não real do valor ajustado. Mera substituição de desfalque do valor, e não acréscimo de valor. (...)" Também deve ser aplicada à espécie a Súmula n° 562, da já referida Suprema Corte, assim ementada: "Súmula 562: Na indenização de danos materiais decorrentes de ato ilícito cabe a atualização de seu valor, utilizando-se, para esse fim, dentre outros critérios, dos índices de correção monetária." Mais especificamente sobre a incidência da atualização monetária nas restituições de indébitos, há de se considerar, ainda, a determinação da Súmula n° 46 do antigo tribunal Federal de Recursos, a saber: "Súmula 46: Nos casos de devolução do depósito efetuado em garantia de instância e de repetição do indébito tributário, a correção monetária é calculada desde a data do depósito ou do pagamento indevido e incide até o efetivo recebimento da importância reclamada."(grifo nosso). De igual forma, o Superior Tribunal de Justiça tem assim apresentado o seu entendimento: "A correção monetária, como mera atualização de valores defasados pela corrosão da moeda em regime de economia inflacionária, constitui imperativo não só econômico e jurídico, mas também ético" (Resp. 803-BA - 4a T. STJ, DJU de 20/11/89, Min. Sálvio de Figueiredo). 1 Portanto, a pretensão da empresa em ter a restituição do imposto de renda indevido corrigido monetariamente é medida que se faz imperiosa, observando-se os critérios utilizados pela Lei 8383/91, no que se refere à criação da UFIR (art. 2°, parágrafo 1°, "a"), para a apuração do "quantum" a incidir. 7 ' Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 Note-se que a concessão de correção monetária especificamente durante o período de fevereiro a dezembro decorre do fato de que também naquele período houve inflação e isto é fato notório. O critério de indexação estipulado para esse período é justo e absolutamente correto, na medida em que se espelhou no mesmo critério utilizado pelo legislador na criação do valor da primeira UFIR, em evidente reconhecimento da inflação verificada naquela época e dos índices utilizáveis. Em conclusão, a matéria se encontra tratada de forma incontroversa, resultando ser devida a correção monetária na repetição da quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de imposto de renda. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso, reconhecendo que assiste direito à recorrente, ao cômputo da correção monetária do indébito, no período de fevereiro a dezembro de 1991, pela aplicação do INPC sobre as parcelas a serem restituídas, correspondendo ao índice oficial de referência da inflação, a teor do artigo 4° da Lei n° 8.177/91. Sala das essões - DF, em 11 de setembro de 2000. LUIZ AL, RTO CAVA , ACEIRA 8 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901406/2014-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.340
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13888.901406/2014-29
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5647610
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.340
nome_arquivo_s : Decisao_13888901406201429.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 13888901406201429_5647610.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6544100
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048691051331584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1817; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.901406/201429 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.340 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de setembro de 2016 Matéria COFINS. Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 14 06 /2 01 4- 29 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901406/201429 Acórdão n.º 3402003.340 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901406/201429 Acórdão n.º 3402003.340 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901406/201429 Acórdão n.º 3402003.340 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901406/201429 Acórdão n.º 3402003.340 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
