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Numero do processo: 12326.006748/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
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score : 1.0
Numero do processo: 13819.722111/2014-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO ESGOTADO. INTEMPESTIVIDADE.
O recurso voluntário deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O recurso voluntário interposto fora do prazo legal não deve ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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GLOSA DE DEDUÇÕES. Recorrente GERALDO SANT ANNA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO ESGOTADO. INTEMPESTIVIDADE. O recurso voluntário deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O recurso voluntário interposto fora do prazo legal não deve ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 21 11 /2 01 4- 10 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13819.722111/201410 Acórdão n.º 2402005.470 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos correspondente ao anocalendário 2012, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 5 a 10, em que foram apuradas as seguintes infrações: 1. dedução indevida com previdência oficial, no valor de R$ 3.331,60; 2. dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no valor de R$ 6.784,59. Em virtude dessas infrações, foi apurado imposto de renda suplementar de R$ 711,83, acrescido de multa de ofício e juros de mora, num total de R$ 1.322,36. Cientificado da notificação de lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 2, se insurgindo contra a dedução indevida de previdência oficial de R$ 3.331,60 e contra a dedução indevida de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 6.784,59. Foi solicitada prioridade na análise da impugnação, com fulcro no art. 71 da Lei nº 10.471, de 2003. Em sessão realizada em 05 de março de 2015, a DRJ julgou improcedente a impugnação, conforme decisão assim ementada: DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA OFICIAL. Merece ser glosada a diferença entre o valor de contribuição à previdência oficial declarado pelo Interessado e o informado pela fonte pagadora em DIRF e comprovante de rendimentos pagos. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. Apenas os valores de pensão alimentícia determinados por decisão judicial e/ou escritura pública, poderão ser deduzidos a esse título na declaração de ajuste anual do alimentante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado da decisão em 19 de março de 2015 (fls. 53/54) e somente interpôs recurso em 15 de maio daquele ano (fl. 62), reproduzindo, em linhas gerais, os termos da sua impugnação. À fl. 55 já havia sido lavrado o competente "Termo de Perempção". É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é manifestamente intempestivo, vez que o contribuinte foi intimado da decisão a quo em 19 de março de 2015 (fls. 53/54), tendo interposto seu recurso somente em 15 de maio daquele ano (fl. 62), quando já transcorrido o prazo legal de trinta dias para fazêlo. Essa circunstância foi inclusive corroborada pelo "Termo de Perempção" de fl. 55 e pelo "DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO" de fl. 92. Segundo o art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, o recurso voluntário deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância. Por sua vez, o seu art. 42, inc. I, preleciona que são definitivas as decisões de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto. Logo, o recurso não deve ser conhecido. 2 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720161/2009-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 16/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência. Recurso especial provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator EDITADO EM: 16/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 01 61 /2 00 9- 30 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720161/200930 Acórdão n.º 9202004.029 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 16/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 265DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720161/200930 Acórdão n.º 9202004.029 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 266DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720161/200930 Acórdão n.º 9202004.029 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 267DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720161/200930 Acórdão n.º 9202004.029 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720161/200930 Acórdão n.º 9202004.029 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720161/200930 Acórdão n.º 9202004.029 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 270DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10882.900942/2008-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 42 /2 00 8- 21 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900942/200821 Acórdão n.º 9303004.016 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801004.981, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900942/200821 Acórdão n.º 9303004.016 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900942/200821 Acórdão n.º 9303004.016 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900942/200821 Acórdão n.º 9303004.016 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900942/200821 Acórdão n.º 9303004.016 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900942/200821 Acórdão n.º 9303004.016 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900942/200821 Acórdão n.º 9303004.016 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11080.914813/2012-02
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.274
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.813, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 13 /2 01 2- 02 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914813/201202 Acórdão n.º 9303004.274 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914813/201202 Acórdão n.º 9303004.274 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 222DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10865.002776/2010-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2005 a 30/11/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Numero da decisão: 9202-003.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negaram provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negaram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 27 76 /2 01 0- 28 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 9202003.862 CSRFT2 Fl. 1.358 2 Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional, face ao acórdão proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF. Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV, da Lei n.º 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n.º 9.876/1999. O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 08/2005 a 11/2007. O Relatório Fiscal (fls.19/23) informa que os valores apurados decorrem de faturas emitidas pela cooperativa Unimed Campinas Cooperativa de Trabalho Médico, relacionadas nas planilhas anexadas as fls. 21, tendo sido aplicada a alíquota de 30% sobre o valor das faturas para a determinação da base de calculo das contribuições sociais exigidas, nos termos da legislação vigente á época da prestação dos serviços. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 24/08/2010 (fl. 01). A Autuada apresentou impugnação tempestiva (fl.69/75), alegando, em síntese, que: 1 O art. 22, IV da Lei n.º 8.212/91 é inconstitucional, esclarecendo que tramita junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Ação Direta de Inconstitucionalidade n.° ADI 25945, com parecer favorável da Procuradoria Geral da República nesse sentido. Cita o art. 195,I, "a" da Constituição Federal (CF), que deixou claro que a base das contribuições sociais é a folha de salário ou rendimentos pagos à pessoa física. Assim, ao instituir como base de cálculo de contribuição social o valor bruto das notas fiscais ou faturas emitidas pelas cooperativas, que são pessoas jurídicas, o art. 22, IV da Lei n.º 8.212/91 opõese ao que estabelece a Carta Magna, revelandose, de forma irrefutável, inconstitucional. Com efeito, a empresa não contrata com o cooperado, nem com este mantém qualquer vinculação jurídica, tampouco lhe paga ou credita rendimentos. A empresa contrata serviços com a cooperativa, que se responsabiliza pelos serviços contratados, a fatura ou nota fiscal, cujo valor é composto de várias rubricas, sendo a figura dos cooperados absolutamente estranha a esta relação. Deste modo, é patente a inconstitucionalidade do art. 22. IV da Lei n.º 8.212/91; e 2 Ao final, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado e, caso não acolhido o primeiro pedido, seja. ao menos.excluída a multa de oficio. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto/SP por meio de Acórdão n.º 1431.626, da 7ª Turma da DRJ/RPO (fls.95/98) considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 9202003.862 CSRFT2 Fl. 1.359 3 A Autuada apresentou recurso voluntário (fls.102/112), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e, no mais, efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Turma responsável pelo julgamento decidiu no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP n.º 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei n.º 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei n.º 9.430/1996, nos termos do voto. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial alegando que o art. 35 da Lei n.° 8.212/91 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n.º 11.941/09, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art.44 da Lei n.º 9.430/96. Requereu ao final a verificação, na execução do julgado, da norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art.35,II, e 32,IV, da norma revogada) ou do art. 35A da MP n.º 449/2008. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Por outro lado, o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo, porém, não cumpriu com os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual nego provimento. Tratase o presente processo administrativo fiscal do Auto de Infração (AI) DEBCAB n.° 37.342.7689 (fls. 3), de acordo com o Relatório Fiscal (fls.14/33), decorreu do lançamento das contribuições sociais previdenciárias a cargo do sujeito passivo, referentes aos valores de remuneração de contribuinte individual, abrangendo o período de 01/2006 a 12/2008, não declarados em GFIP. Houve também aplicação de multa no percentual de 75%, observado o art. 106, II do CTN, que dispõe aplicação da penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. A lide se concentra sobre a correta interpretação da aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106 do CTN. O acórdão recorrido determinou o recálculo da multa até a competência 11/2008, pelo fundamento de que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, aplicandose, assim, apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 11/2008, impõemse o cálculo com base no artigo 61 da Lei n.º 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento, nos termos do art.106 do CTN. O Recorrente, por sua vez, em sede de Recurso Especial, aduziu que os paradigmas adotaram solução diametralmente oposta à adotada pelo acórdão recorrido, no Fl. 219DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 9202003.862 CSRFT2 Fl. 1.360 4 sentido de que o art. 35 da Lei n.° 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n.º 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei n.º 9.430/96. Nos julgados paradigmas, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2°, da Lei n.º 9.430/1996 (norma à qual a atual redação do caput do art. 35 com a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009 faz remissão) foi rechaçada de forma expressa. O caso em tela trata da aplicação da multa do Direito Tributário no transcurso do tempo, pugnando assim pela análise dos artigos que se aplicam ao tema em todas as suas redações legais. Para isso, segue abaixo o quadro sinótico, que demonstra um panorama da evolução legislativa que se aplica ao tema: MULTA PELO NÃO PAGAMENTO LEI N.º 8.212/91 LEI N.º 8.212/91 LEI N.º 8.212/91 Redação Lei n.º 9.876/99 Redação original recolhimento em atraso Lançamento de ofício Alterada MP n.º 449/2008 convertida Lei n.º 11.941/2009 Art. 35 Multa 60% (máximo) Art. 35 Multa 50% Art. 35 Manda aplicar o art. 61 (débito lançados mas recolhimento de ofício) Insere Art. 35A Manda aplicar art. 44 (lançamento de ofício) Art. 61 Lei 9430/96 Multa 20% a 75% Art. 44 Lei Lei 9430/96 Multa 75% MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA LEI N.º 8.212/91 LEI N.º 8.212/91 LEI N.º 8.212/91 Redação original Redação Lei n.º 9.528/97 Alterada MP n.º 449/2008 Art. 32 sem multa Art. 32, § 5º multa 100% Insere Art. 32A multa 20% (limitada a) Deixo de transcrever aqui a redação original dos artigos legais utilizados no acórdão recorrido, uma vez que esta redação não estava vigente na época da constituição do crédito tributário. Ela consta no quadro sinótico apenas para contextualização dos percentuais de multa instituídos pelo legislador no transcurso do tempo. Os artigos da Lei n.° 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n.° 9.528, de 1997, correspondem ao período em discussão nestes autos, vejamos seu texto: Fl. 220DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 9202003.862 CSRFT2 Fl. 1.361 5 Art.32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 4°. A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo. § 5° A apresentação do documento com dados não correspondentes ao fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. § 6° A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas,incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4°. § 7° A multa de que trata o § 4° sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (...) Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15° dias do recebimento da notificação; Fl. 221DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 9202003.862 CSRFT2 Fl. 1.362 6 c) vinte por cento, após a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15° dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Observese que o tema tem sido amplamente debatido neste tribunal administrativo, quando se trata de aplicação das referidas multas para descumprimento de obrigações principais ou acessórias ou até mesmo de ambas conjuntamente, sendo oportuno o esclarecimento. Em casos como este, a Câmara Superior de Recursos Fiscais vem firmando posicionamento de que ambos os artigos 32 e 35, Lei n.º 8212/91, tem conteúdo material análogo,e que, portanto, a aplicação de ambos, embora possível na interpretação literal, seria vedada na interpretação sistemática da doutrina do Direito Tributário. Isso porque se ambos os artigos prevêem penalidade para conduta materialmente análoga estaria configurado "bis in idem". Nesse sentido, excerto do voto da relatora Maria Helena Cotta: Com efeito, o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei n.º 8.212, de 1991, não contivesse a expressão "lançamento de ofício, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e de NFLD. não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. A norma transcrita anteriormente se encontra em sua redação vigente na data da constituição do crédito e de seu auto de infração, caso seguíssemos somente o princípio "tempus regit actum" esta seria a melhor aplicação da lei ao caso concreto (subsunção do fato a norma), contudo, o direito tributário abarca o instituto da Retroatividade Benigna, previsto no art. 106, CTN, que assim dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 222DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 9202003.862 CSRFT2 Fl. 1.363 7 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desse modo, respeitando o instituto da retroatividade benigna temos que observar se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei n.º 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa. Em 2008 foi aprovada a Medida Provisória n.º 449/2008, que insere o artigo 35A e 32A ao texto legal, cuja redação no tocante aos artigos aqui discutidos permaneceu inalterada quando da sua conversão na Lei n.º 11.941, de 2009. Assim os artigos 32 e 35, da Lei n.º 8.212, de 1991, uniformizaram os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, nos seguintes termos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) §2º A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda Fl. 223DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 9202003.862 CSRFT2 Fl. 1.364 8 que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Desse modo, é possível afirmar que o artigo 35, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 11.941/09 acima citada, determina que nos casos em que se trate de tributo constituído (lançado e recolhido em atraso) aplicarseá o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96. Enquanto que o artigo 35A esclarece que, nos casos de tributos cujo lançamento ocorreu de ofício, deve ser aplicado o comando legal do art. 44 da mesma Lei n.º 9.430/96. O caso em apreço não discute débitos de tributos lançados e não pagos, mas sim de lançamento de ofício realizado pela Receita Federal, desse modo o artigo 61 da Lei nº 9.430/96 não guarda aplicabilidade com o presente processo, importando tão somente nesse caso o artigo 44 da já citada Lei n.º 9.430/96, vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Assim cito novamente decisão esclarecedora desta Câmara, no processo n.º 10935.006908/200714, que explicita a forma de interpretação e aplicação destes comandos legais ao longo do tempo: Fl. 224DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 9202003.862 CSRFT2 Fl. 1.365 9 Resta claro que, com o advento da Lei n.º 11.941, de 2009, o lançamento de ofício envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996. Observese que, quando o artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996, dispõe expressamente "nos casos do lançamento de ofício" e inciso I utiliza a expressão "nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata" percebese, claramente, que está embutido no mesmo artigo o lançamento de ofício e a falta de declaração. Diante do exposto, é necessária a reforma do acórdão recorrido, pois embora este tenha decidido no sentido de aplicar ao contribuinte a norma mais benéfica, esta não pode ser escolhida aleatoriamente, ela precisa ser aplicada dentro de uma interpretação coerente com o ordenamento jurídico no qual está inserida. O que se consegue através da aplicação do artigo 44, inciso I da Lei n.º 9.430/1996. Desse modo dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que, na fase de execução desta decisão, se aplique a situação mais benéfica para a Contribuinte: Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguinte situações resulta mais favorável ao contribuinte: se a multa aplicada, na redação do art. 35, II, da Lei n.º 8.212, de 1991, com a redação vigente à época dos fatos geradores, ou a multa do art. 35A, incluído pela Medida Provisória n.º 449, de 2008, convertida na Lei n.º 11.941, de 2009, sendo que a soma das multas por descumprimento de obrigações principal e acessória deve ser limitada a 75%. É o voto. Ana Paula Fernandes Relatora Fl. 225DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.002776/201028 Acórdão n.º 9202003.862 CSRFT2 Fl. 1.366 10 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10314.724447/2012-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 11/09/2009 a 18/04/2012
DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL.
Nos arts. 23 e 24 do Decreto-Lei nº 1.455/1976, estão enumeradas as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. Para a sua configuração, não importa se houve o dano efetivo.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nas autuações referentes à ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2º do art. 23 Decreto-Lei nº 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos os elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei.
Recurso Especial da Procuradoria negado.
Numero da decisão: 9303-004.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional somente quanto à necessidade de prova do dano ao erário, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (Relatora) que não conheceram e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Júlio César Alves Ramos que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do DecretoLei nº 1.455/1976, estão enumeradas as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. Para a sua configuração, não importa se houve o dano efetivo. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ÔNUS PROBATÓRIO. Nas autuações referentes à ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2º do art. 23 DecretoLei nº 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos os elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. Recurso Especial da Procuradoria negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional somente quanto à necessidade de prova do dano ao erário, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (Relatora) que não conheceram e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Júlio César Alves Ramos que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 44 47 /2 01 2- 30 Fl. 1792DF CARF MF 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 1.648 a 1.689) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3402002.362 (fls. 1.599 a 1.639) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 23 de abril de 2014, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 11/09/2007 a 18/04/2012 IMPORTAÇÃO INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRINCÍPIO DA TIPICIDADE ATIPICIDADE DA CONDUTA. O Princípio da Tipicidade exige, não só que as condutas tributáveis e as respectivas obrigações e sanções tributárias delas decorrentes, sejam prévia e exaustivamente tipificadas pela lei, mas que a tributabilidade e responsabilidade de uma conduta somente se dêem quando ocorra sua exata adequação ao tipo legal, sendo incabível o emprego de analogia ou interpretação extensiva, para a instituição ou imputação de obrigação tributária (arts. 108, § 1º e 111, inc. III do CTN), não prevista expressamente na descrição da lei tributária especifica. Para a configuração das infrações previstas no art. 105, inc. XI do Decretolei nº 37/66 e art. 23, inc. V do Decretolei 1.455/76, que autorizam a aplicação da severa pena de perdimento ou da multa alternativa (art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76), é imprescindível a comprovação do efetivo dano ao erário consubstanciado na falta de pagamento parcial dos tributos aduaneiros em razão de “artifício doloso”, bem como da “ocultação” “mediante fraude ou simulação”, de quaisquer dos intervenientes na importação ou exportação expressamente mencionados, sob pena de atipicidade da conduta. IMPORTAÇÃO INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA RESPONSABILIDADE SUBJETIVA PRINCÍPIO DA INTRANSCENDÊNCIA DA SANÇÃO. Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 9303004.334 CSRFT3 Fl. 1.792 3 Tratandose de infrações dolosas legalmente conceituadas como crimes (arts. 334, § 3º e 299 do CP), a responsabilidade pela sanção administrativa é pessoal do agente (art. 137 do CTN), não podendo a sanção passar da pessoa do infrator (art. 5º, XLV da CF/88), nem transmitirse a pessoas alheias à infração (“nemo punitur pro alieno delicto”), sequer pela via transversa de suposta solidariedade em penalidade aplicada a outro infrator (art. 100 do Dec.lei nº 37/66). IMPORTAÇÃO INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA MULTA APLICÁVEL AO IMPORTADOR OSTENSIVO CESSÃO DE NOME PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE DA SANÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO. Com o advento da multa de 10% instituída pelo art. 33 da Lei nº 11.488/07, em face do princípio da especialidade da sanção, não mais se justifica a aplicação ao importador ostensivo da multa de 100% prevista no art. 23, inc. V do Decretolei nº 1455/76, sob pena de ilegal bis in idem. A discussão dos presentes autos tem origem em auto de infração (fls. 03 a 109) lavrado para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão e aplicação da pena de perdimento, decorrente de procedimento especial de fiscalização com base na Instrução Normativa RFB nº 228/2002. Foi apurado que a empresa Clarion do Brasil cedeu seu nome para a MMC Automotores do Brasil Ltda. para a realização de operações no comércio exterior, não tendo indicado o nome da MMC nos documentos de importação, na qualidade de encomendante. Cientificadas do auto de infração, a MMC Automotores do Brasil Ltda. e a Clarion do Brasil Ltda. apresentaram impugnação, julgada improcedente pela 23ª Turma da DRJ em São Paulo I (SP), nos termos do acórdão nº 1645.207, de 27 de março de 2013 (fls. 1.435 a 1.497), cujos fundamentos encontramse sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 11/09/2007 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. Importação de produtos destinados à montadora, por meio de contrato. Estabelecimento de um programa de fornecimento contínuo de mercadorias. No momento da importação, já se conhece a quem se destina a carga, pois tratamse de produtos específicos para o encomendante, por força das cláusulas contratuais. O importador sequer pode vender seus produtos no mercado livremente, necessitando de autorização do encomendante para fazêlo. Configurada a aquisição de mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado importação por encomenda. Fl. 1794DF CARF MF 4 A não observância de preceitos previstos na legislação, implica na prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros, irregularidade apenada com a pena de perdimento. O fato dos produtos serem beneficiados, montados e recondicionados no mercado interno pelo importador não descaracteriza essa situação. Impugnação Improcedente As empresas MMC Automotores do Brasil Ltda. e Clarion do Brasil Ltda. interpuseram os respectivos recursos voluntários contra a decisão de primeira instância (fls. 1.517 a 1.553; e 1.555 a 1.594), postulando a sua reforma para cancelamento do auto de infração em sua totalidade. Os recursos foram julgados parcialmente procedentes, nos termos do Acórdão nº 3402002.362 (fls. 1.599 a 1.639), ora recorrido, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 23 de abril de 2014, para cancelar a multa alternativa da pena de perdimento por ter sido aplicada na ausência dos pressupostos legais. No ensejo, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial contra referido acórdão, alegando divergência jurisprudencial quanto aos seguintes pontos: (a) necessidade de comprovação de dano ao erário para aplicação da pena de perdimento (art. 23 do Decretolei nº 1.455/76); (b) afastamento da responsabilidade solidária; e (c) impossibilidade de cumulação das multas do art. 33 da Lei nº 11.488/07 e do art. 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455/76. Colacionou como paradigmas as ementas dos acórdãos nºs 310201.414 , 3802000.925 e 3102002.195. Para embasar a sua pretensão, a recorrente aduz na peça processual, em síntese, que: (a) caracterizase o dano ao erário em vista da presunção legal de interposição fraudulenta decorrente da ocultação do real comprador das mercadorias importadas (artigo 23 do Decretolei nº 1.455/76, inciso V); (b) o importador e o real comprador devem responder, solidariamente, pela multa lançada; (c) não houve derrogação do art. 23, inciso V do Decretolei nº 1.455/76, sendo que tal regra convive com a disposição do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, e, portanto, cabível a aplicação de ambas as multas ao importador ostensivo que, mediante a cessão de seu nome em operação de comércio exterior, oculta, em ação fraudulenta, o real adquirente; Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho 340000.216, de 01 de outubro de 2014 (fls. 1.710 a 1.713), proferido pelo ilustre Presidente da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 9303004.334 CSRFT3 Fl. 1.793 5 A autuada MMC Automotores do Brasil Ltda. apresentou contrarrazões (fls. 1.729 a 1.761) postulando a negativa de seguimento ao recurso especial ou, no mérito, a negativa de provimento, mantendose o acórdão recorrido em todos os seus termos. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado em 17/03/2016, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora. Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando averiguarse o atendimento dos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A origem da presente autuação está na suposta ocultação dos verdadeiros adquirentes das mercadorias importadas pela Clarion do Brasil, a qual teria efetuado importações sob encomenda da MMC Automotores do Brasil, escondendo quem seria o real comprador. Por sua vez, as pessoas jurídicas envolvidas alegam ter havido importação por encomenda de produtos semiacabados submetidos ao processo de industrialização pela Clarion do Brasil e só posteriormente vendidos à MMC Automotores do Brasil. A Fiscalização entendeu que os produtos importados pela Clarion do Brasil para a MMC Automotores do Brasil eram encomendados, em razão dos contratos de fornecimento de produtos celebrados entre ambas, com programação realizada anteriormente às importações, para o abastecimento de peças. Ainda, conforme constou do acórdão recorrido, "os produtos destinados às montadoras são desenvolvidos especificamente para cada modelo de carro e são sempre vendidos para a sua montagem na linha de produção. Existe ainda cláusula específica no contrato de que os mesmos não podem ser vendidos a terceiros sem autorização da MMC". O lançamento da multa prevista no §3º, art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76 deu se por ter sido informado nas declarações de importação que as operações de internação de mercadorias foram na modalidade direta e não por encomenda. Fl. 1796DF CARF MF 6 Restou caracterizado, ainda, nos presentes autos que as mercadorias importadas pela Clarion tratavamse de produtos semiacabados que foram industrializados pela mesma e somente depois revendidas à MMC Automotores do Brasil, tratandose assim de uma compra por encomenda e não importação por encomenda. No exame do recurso voluntário, partindo do contexto fático acima descrito, o acórdão recorrido deu provimento ao apelo para: (a) cancelar a multa alternativa da pena de perdimento por entender ausentes os pressupostos legais para sua aplicação; (b) afastar a responsabilidade solidária da empresa Clarion do Brasil; e (c) declarar a impossibilidade de cumulação da multa do art. 33 da Lei 11.488/07 com a multa do art. 23, inciso V do Decretolei nº 1.455/76. Da fundamentação do voto vencedor, pertinente a transcrição dos seguintes trechos: [...] Fixadas essas premissas necessárias ao deslinde da lide, no caso concreto verificase que a ora Recorrente foi acusada de ser a “real importadora oculta em parte das importações registradas pela empresa CLARION DO BRASIL LTDA” (CNPJ 03.697.329/000141), no período de 11/09/07 a 18/04/12, razão pela qual a d. Fiscalização entendeu configuradas supostas infrações capituladas no art. 105, inc. XI do Decretolei nº 37/66 e art. 23, inc. V do Decretolei 1.455/76 (com a redação dada pela Lei nº 10.637/02), considerando exigível da Recorrente a multa de 100% sobre o valor aduaneiro da mercadoria (R$ 34.211.277,07), capitulada no art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76 (com a redação dada pelo art. 29 da Lei n° 10.637, de 2002, e pelo art. 41 da Lei nº 12.350, de 2010), com imputação de responsabilidade solidária (art. 95, inc. I do Decretolei nº 37/66) à importadora que promoveu o desembaraço das mercadorias importadas (CLARION), [...]. Inicialmente ressaltese que já por se tratar de infrações conceituadas por lei como crimes, em cuja definição o dolo específico é elementar (arts. 334, § 3º e 299 do CP), a responsabilidade pelas infrações acusadas no Auto de Infração (art. 105, inc. XI do Decretolei nº 37/66 e art. 23, inc. V do Decretolei 1.455/76) é imputável pessoal e individualmente a cada um dos agentes (art. 137 do CTN), aplicandose o princípio da personalidade ou intranscendência da sanção constitucionalmente assegurado (art. 5º, XLV da CF/88), que impede que sanção eventualmente aplicada ao infrator ou devedor original se transmita ou se estenda a pessoas alheias à infração, e que foi sintetizado no adágio “nemo punitur pro alieno delicto”. [...] Dos preceitos retro transcritos já de início verificase que para a configuração da infração descrita no primeiro dispositivo capitulado na peça acusatória (art. 105, inc. XI do Decretolei nº 37/66), que autorizaria a aplicação da severa pena de perdimento ou da multa alternativa, a lei descreve uma conduta (desembaraçar mercadoria estrangeira cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso) cujo pressuposto é a comprovação do pagamento em parte dos tributos aduaneiros em razão de artifício doloso, no caso não produzida no Auto de Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 9303004.334 CSRFT3 Fl. 1.794 7 Infração, que se restringe à exigência de multa, sem qualquer exigência adicional de tributos aduaneiros. [...] Assim, ante a falta de comprovação do efetivo dano ao erário consubstanciado no pagamento apenas parcial dos tributos aduaneiros em razão de artifício doloso, que constitui pressuposto para a aplicação da pena de perdimento e da pretendida multa alternativa, não há como fugir à conclusão de impossibilidade de aplicação da pena, por atipicidade da conduta da Recorrente em relação ao disposto no art. 105, inc. XI do Decretolei nº 37/66. Relativamente ao segundo dispositivo capitulado na peça acusatória (art. 23, inc. V do Decretolei 1.455/76), que autorizaria a aplicação da pena de perdimento ou da multa alternativa, verificase que a lei descreve uma conduta (ocultar o sujeito passivo, o real vendedor, comprador ou o responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros desembaraçar mercadoria estrangeira cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso) cujo pressuposto é a comprovação da “ocultação” de quaisquer dos intervenientes na importação ou exportação expressamente mencionados, “mediante fraude ou simulação”. [...] No caso inocorre quaisquer das hipóteses mencionadas no dispositivo retrotranscrito, eis que inexiste no Auto de Infração excogitado qualquer comprovação de insuficiência no pagamento dos tributos aduaneiros e muito menos em razão de artifício doloso, vez que o referido lançamento se restringe exclusivamente à exigência de multa, sem qualquer exigência adicional de tributos aduaneiros. Da mesma forma não vislumbro a ocorrência de qualquer “ocultação” “mediante simulação” que tivesse por fim prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato relevante para o controle aduaneiro ou para a arrecadação tributária, que justificasse a aplicação da pretendida pena de perdimento. Realmente, com a devida vênia dos doutos entendimentos contrários, os fatos aduzidos pela Fiscalização – no sentido de que “os produtos importados pela CLARION DO BRASIL para a MMC” seriam “fruto de encomenda, tendo em vista a existência de programação, realizada anteriormente as importações, para o fornecimento de peças” e de que “mediante a análise dos contratos com as montadoras e das respostas apresentadas pela empresa, concluise que a CLARION DO BRASIL, mesmo sabendo que só poderia cumprir suas obrigações contratuais por meio da importação de empresas coligadas localizadas no exterior, optou por não registrar essas operações de importação como sendo por encomenda” – em nada alteraram ou prejudicaram o controle aduaneiro da mercadoria importada ou a sua tributação. Em primeiro lugar porque como esclarece a própria Fiscalização a CLARION internacional é uma sociedade comercial de grande porte, controlada por multinacional japonesa com presença mundial, fabricante Fl. 1798DF CARF MF 8 de aparelhos automotivos de audio e vídeo enquanto a CLARION DO BRASIL representa a marca de som automotivo de mesmo nome, importando produtos produzidos principalmente pela fábrica do México e os revende não só para a Recorrente, mas para inúmeras outras grandes montadoras de automóveis, além de estabelecimentos atacadistas e varejistas de equipamentos de som, o que demonstra que a d. Fiscalização conhece e controla perfeitamente a procedência, o destino e a tributação das mercadorias importadas pela empresa brasileira (CLARION DO BRASIL), sendo ainda certo que o mero erro eventualmente cometido no documento aduaneiro, por si só não autoriza a aplicação da pena de perdimento, [...] Em segundo lugar, porque no caso específico dos autos onde a importação foi declarada como sendo por conta própria, quando no entender da Fiscalização, supostamente deveria ser declarada por encomenda, inexiste sequer razão para qualquer simulação ou ocultação da realidade fática retratada na operação de importação em tela, posto que os efeitos tributários e cambiais são os mesmos em ambas as modalidades de importação (conta própria e por encomenda), [...] Em terceiro lugar, ainda quanto aos efeitos tributários da operação (se por conta própria ou por encomenda), também não haveria qualquer interesse relevante para fins de simulação, o fato de ter ocorrido ou não industrialização dos produtos pela importadora (CLARION), pois nos expressos termos da legislação de regência, o fato gerador do IPI ocorre, tanto no “desembaraço aduaneiro” de produto industrializado importado (arts. 46, inc. I e 51 inc. I do CTN, art. 2º, inc. I e §§ 2º e 3º da Lei nº 4.502 de 30/11/64), quanto na subseqüente saída do produto recém nacionalizado pelo respectivo estabelecimento importador (arts. 46, inc. II e 51 inc. II do CTN, art. 2º, inc. II da Lei nº 4.502 de 30/11/64) que, nesta última hipótese equiparase a estabelecimento produtor para fins de incidência do IPI na operação interna (art. 4º incs. I e II da Lei nº 4.502 de 30/11/64), assim como suas filiais que exerçam comércio de produtos importados, e portanto estão “obrigados ao pagamento do imposto”, como contribuintes originários “em relação aos produtos tributados que, real ou fictamente, saírem de seu estabelecimento” (art. 35, inc. I, alínea “a” da Lei nº 4.502 de 30/11/64), cuja “importância “a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período (cf. art. 25 da Lei nº 4.502 de 30/11/64). Assim, ante a falta de comprovação da “ocultação” “mediante fraude ou simulação”, de quaisquer dos intervenientes na importação ou exportação expressamente mencionados, que constitui pressuposto para a aplicação da pena de perdimento e da pretendida multa alternativa, também não há como fugir à conclusão de impossibilidade de aplicação da pena, por atipicidade da conduta da Recorrente em relação ao disposto no art. 23, inc. V do Decretolei 1.455/76. No que toca à suposta solidariedade passiva da CLARION DO BRASIL, entendo que com o advento da multa de 10% instituída pelo art. 33 da Lei nº 11.488/07 aplicável à hipótese de pessoa jurídica que ceder o nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários – não mais se justifica a aplicação ao importador ostensivo da multa de 100% prevista no art. 23, inc. V do Decretolei nº 1455/76, aplicável na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 9303004.334 CSRFT3 Fl. 1.795 9 operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação cumulativa dessas sanções sobre a importadora ostensiva não somente viola o princípio da especialidade, como constitui um ilegal bis in idem. Realmente, tratandose de dispositivos legais que tipificam uma única conduta – “acobertamento” ou “ocultação” dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior, evidenciase o conflito aparente de normas, que impõe a observância do princípio da especialidade que por sua vez determina a prevalência da norma especial, não sendo lícito ao fisco cumulála ou agravála sequer pela via transversa de suposta solidariedade em penalidade aplicada a outro infrator [...] Não se inserindo em nenhuma das condutas tipificadas nas normas capituladas na peça acusatória, não há como manter as pretensões fiscais, pois como já assentou a Jurisprudência deste E. Conselho “a aplicação de penalidade depende da verificação suficiente e necessária do fato descrito como infracional, para que o ato a ele afrontoso permita a aplicação da penalidade cominada, em respeito ao princípio da tipicidade cerrada” (cf. Ac. nº CSRF/0201.845 da 2ª Turma da CSRF, Rec. nº 202099209, Proc. nº 10907.000178/9562, em sessão de 11/04/2005, rel. Cons. Rogério Gustavo Dreyer), vez que “a responsabilidade pela introdução clandestina ou irregular no país de mercadoria de procedência estrangeira não pode ser imputada em cadeia a todos aqueles que participaram de transações com elas relacionadas, salvo se comprovada sua participação na prática da irregularidade (precedentes: Acórdãos nºs 20162.893/84 e 20200.517/85, entre outros). (...)” (Ac. nº 20166.430, de 04/07/90, da 1ª Câm. do 2º CC DOU de 08/06/95, pág. 8288), in casu incomprovada. [...] Isto posto, impetro vênia ao relator para divergir de seu brilhante voto e, em face das razões retro expostas votar no sentido de DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reformar a r. decisão recorrida e cancelar a multa alternativa de perdimento porque aplicada na ausência dos pressupostos legais. Por sua vez, os paradigmas trazidos pela Fazenda Nacional não guardam similitude fática com o caso dos autos, tendo em vista que não tratam da questão da importação por encomenda no contexto de aquisição de mercadorias pelo importador para emprego no seu próprio processo de industrialização. O acórdão paradigma nº 310201.414 trata de operação de importação realizada por pessoa jurídica com emprego de recursos financeiros de terceiro, para quem as mercadorias foram remetidas logo após o desembaraço aduaneiro. A hipótese descrita gera presunção legal de interposição fraudulenta, nos termos do art. 23, §2º, do Decretolei nº 1.455/1976, situação fática totalmente diversa daquela constante nos presentes autos, em que a importação deuse pela Clarion do Brasil com recursos próprios, girando a discussão em torno de ter sido importação por encomenda ou para posterior revenda. Fl. 1800DF CARF MF 10 Seguem trechos do acórdão paradigma a evidenciar a ausência de similitude fática com o caso em apreço: [...] Nesse Relatório lavrado em 2008, no item 2 (Das irregularidades apuradas motivadoras do perdimento aqui aplicado), informase que a fiscalizada foi usada para encobrir operações da empresa TBI DO BRASIL, verdadeira adquirente dos produtos importados através das DI´s acima citadas. Essas importações teriam sido todas financiadas pela TBI DO BRASIL, sendo a ela remetidas logo após o desembaraço, conforme análise das notas fiscais de entrada e de saída da ALFA COMERCIAL, emitidas em número seqüencial e com as mesmas quantidades, conforme fls. 118 a 137, 166 a 175, e 198 a 200. [...] O recurso especial de divergência pressupõe a indicação de caso semelhante ao que se discute nos autos, e ao qual, no entanto, tenha sido atribuída solução jurídica diversa. Da análise dos casos confrontados, verificase que o acórdão nº 310201.414 não pode ser considerado como paradigma porque trata de situação fática diferente dos presentes autos. A conclusão diversa a que chegou o paradigma não se deu em razão de interpretação de lei, mas sim por estar diante de contexto fático diverso daquele aqui verificado. De outro lado, o acórdão nº 3102002.195, também indicado como paradigma pela Fazenda Nacional, traz decisão que se pauta na efetiva ocorrência de interposição fraudulenta, hipótese afastada no caso em exame, e por isso igualmente não se presta a comprovar a divergência jurisprudencial. No caso do acórdão paradigma, houve a cessão do nome de pessoa jurídica para acobertar os reais intervenientes ou beneficiários, in verbis: Relatório [...] CESSÃO DO NOME DA PESSOA JURÍDICA COM VISTAS NO ACOBERTAMENTO DOS REAIS INTERVENIENTES OU BENEFICIÁRIOS A empresa Maraccini Comercial Exportadora e Importadora Ltda é empresa interposta em operações de comércio exterior, que atua como mera prestadora de serviços de importação para a real adquirente das mercadorias importadas, a empresa Alpunto. A Maraccini cedeu seu nome para aparecer nas declarações de importação como a adquirente das mercadorias, quando o correto seria a empresa Alpunto figurar como o real adquirente. [...] Voto [...] Sopesando os elementos trazidos pelo Fisco e os contrapontos apresentados pela defesa, sou levado a crer que, de fato, tenhase configurado a infração imputada à Recorrente. Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 9303004.334 CSRFT3 Fl. 1.796 11 Desde logo, percebese flagrante omissão em relação à vinculação existente entre exportador estrangeiro, empresa Imbera, e a empresa Alpunto, adquirente das mercadorias no mercado interno, ambas pertencentes ao Grupo Femsa. Como é de sabença, a existência de vinculação entre o importador e o exportador pode ser razão impeditiva para aplicação do primeiro método de valoração aduaneira. [...] Também a capacidade econômicofinanceira da autuada remete a um dano. Como ficou claro no Relatório Fiscal, quem detém poder econômico para fazer frente às importações é a empresa Alpunto. A Recorrente, ao contrário do que afirma, tinha habilitação para importar apenas 22.000,00 dólares americanos para período de seis meses. [...] Portanto, inexistindo similitude fática entre os acórdãos recorrido e os apontados como paradigmas não há que se falar em divergência, tendo em vista que não se pode aplicar aos casos a mesma solução jurídica. Com relação ao acórdão nº 3802000.925, por tratar tão somente da responsabilidade do importador ostensivo, tem sua análise prejudicada, pois se não há discussão quanto à penalidade a ser aplicada, muito menos há de se adentrar sobre quem a mesma deverá ou não recair. Diante do exposto, pela ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e os paradigmas indicados pela Fazenda Nacional, não deve ser conhecido o recurso especial do Procurador. Admitido, porém, o recurso especial, passamos à análise do mérito do recurso especial. Mérito Transposta a questão da admissibilidade deste recurso, tendo sido admitido em parte, necessário adentrarse à análise do mérito. Centrarseá a controvérsia na análise da matéria referente à necessidade de comprovação do dano ao erário para aplicação da pena de perdimento (art. 23 do DL 1.455/76). A partir da breve contextualização do litígio, passase ao exame individual das matérias objeto do recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional em face do acórdão de total provimento do recurso voluntário. Quanto à necessidade de comprovação de dano ao erário para aplicação da pena de perdimento, o acórdão recorrido decidiu que " [...] ante a falta de comprovação da “ocultação” “mediante fraude ou simulação”, de quaisquer dos intervenientes na importação ou exportação expressamente mencionados, que constitui pressuposto para a aplicação da pena de perdimento e da pretendida multa alternativa, também não há como fugir à conclusão de impossibilidade de aplicação da pena, por atipicidade da conduta da Recorrente em relação ao disposto no art. 23, inc. V do Decretolei 1.455/76". Fl. 1802DF CARF MF 12 Entendese não merecer reparos a decisão recorrida. Depreendese da documentação constante nos autos, terem sido os produtos autuados importados pela Clarion na forma semiacabada e submetidos a processo de industrialização complementar em território brasileiro, para aperfeiçoamento e atendimento às especificações do contrato celebrado com a MMC Automotores do Brasil. Portanto, a Clarion vendeu para a MMC mercadorias por ela produzidas com o emprego de insumos de importação própria. Conforme entendimento da própria Receita Federal, exposto na Solução de Consulta nº 9, de 31 de março de 2010, a encomenda de mercadorias para posterior revenda, como é o caso dos autos, ainda que atendendo a especificações do encomendante, não está sujeita às regras da IN SRF 634/2006, in verbis: IMPORTAÇÃO PARA ENCOMENDANTE PREDETERMINADO. REQUISITOS. BENS IMPORTADOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE. A importação de bens de produção destinados à atividade industrial do importador, ainda que adquiridos no exterior mediante especificações da pessoa jurídica a quem será vendido o produto final, está fora do campo de incidência da IN SRF nº 634/2006, cujos procedimentos de controle são aplicáveis à importação de mercadorias destinadas a revenda a encomendante predeterminando. (DISIT/SRRF02 Solução de Consulta nº 09, de 31 de março de 2010) Na análise de caso similar ao que ora se discute, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento proferiu o acórdão nº 3403002.842, cuja ementa e fundamentos do voto passam a integrar essa decisão, in verbis: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 NULIDADE. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Sendo a prova trazida na autuação, permitindo a defesa, não há nulidade processual. A insuficiência probatória não se relaciona à nulidade, mas a eventual insubsistência da autuação. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do DecretoLei nº 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ÔNUS PROBATÓRIO. Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 9303004.334 CSRFT3 Fl. 1.797 13 Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2º do art. 23 DecretoLei nº 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. Voto [...] Ao tempo em que se afasta a nulidade, há que acordar com as recorrentes quando afirmam que a autuação fulcrase somente no contrato e na resposta ao questionário, não constando do presente processo nenhuma consideração em relação ao processo produtivo da empresa, ou efetiva diligência realizada a seu(s) estabelecimento(s). A única parte da autuação que trata de matéria probatória é a intitulada “Da motivação da Ação Fiscal” (fls. 41 a 49). Em tal tópico, não se questiona a capacidade financeira e operacional da CLARION (nem que não tenha sido ela a efetiva pagadora das importações, o que já descarta a presunção estabelecida no § 2o do art. 23 DecretoLei nº 1.455/1976), e não se discute o valor aduaneiro das operações (que é acatado pelo fisco na autuação, sem questionamento ao vínculo entre as empresas importadora e exportadora), nem eventual ausência de recolhimento de tributos. Limitase o autuante a afirmar que “este tipo de infração pode ser usado como artifício para afastar obrigações tributárias principais e acessórias já citadas anteriormente”, e que interfere na avaliação de risco da operação, prejudicando a fiscalização e o controle sobre o comércio exterior. Sobre a interferência na avaliação de risco, parece não guardar muita coerência lógica com o caso concreto, visto que a empresa tida como ocultada (HONDA) apresenta menor grau de risco que a tida como ocultante (CLARION), por estar habilitada à Linha Azul despacho aduaneiro expresso, que garante preferência de canal verde e tempos mais céleres para o despacho. Aliás, as empresas habilitadas à Linha Azul o são exatamente por se identificar em suas operações reduzido grau de risco. Mais sentido faria se a HONDA utilizasse os benefícios da Linha Azul para tornar mais céleres importações de empresas não habilitadas (em que pese, no RECOF, regime ao qual a HONDA é habilitada, isso ser possível, podendo o fornecedor da montadora obter as vantagens do regime sem ser habilitado, desde que autorizado pela montadora, cf. art. 59 da Lei no 10.833/2003 e Instrução Normativa RFB nº 1.291/2012). Em relação ao dano ao Erário (e sua relação muitas vezes confusa com falta de recolhimento de tributos), há que se aparar arestas tanto na argumentação expendida na autuação quanto na levantada em sede recursal. A aplicação das penalidades previstas no art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, não demanda demonstração de qual tenha sido o dano ao Erário. Uma leitura sistemática do referido art. 23 (aqui já transcrito) afasta o equívoco, pois é cristalino que o texto (essencialmente no caput e no § 1º) não está a dizer que só quando ocasionarem dano ao Erário as infrações ali referidas serão punidas com o perdimento. Ele está, sim, trazendo claramente duas Fl. 1804DF CARF MF 14 afirmações: (a) as infrações ali relacionadas consideramse dano ao Erário; e (b) o dano ao Erário é punido com o perdimento. Disso, silogisticamente se pode afirmar que as infrações ali relacionadas são punidas com o perdimento. Não há margem para discussão se houve ou não dano ao Erário. Seria improdutivo discutir, v.g., o dano ao Erário no caso de abandono de mercadorias pelos importadores (conduta tipificada no inciso II do art. 23). Aliás, as disposições do DecretoLei surgem exatamente para regulamentar dispositivo constitucional (art. 150, § 11 da Constituição de 1967: “Não haverá pena de morte, de prisão perpétua, de banimento, ou confisco, salvo nos casos de guerra externa psicológica adversa, ou revolucionária ou subversiva nos termos que a lei determinar. Esta disporá também, sobre o perdimento de bens por danos causados ao Erário, ou no caso de enriquecimento ilícito no exercício de cargo, função ou emprego na Administração Pública, Direta ou Indireta”), como se depreende de sua Exposição de Motivos (item 17): “17. Nos artigos 23 e 24, com fulcro no artigo 153 da Lei Magna, enumeram se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento dos bens. De fato, todas as hipóteses arroladas, quase todas já existentes em legislação anterior, representam um comprometimento a dano de nossas reservas cambiais e uma inadimplência de obrigações tributárias essenciais.”(grifo nosso) Assim, é inócua a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei (em verdade, decretolei, com força de lei). E por mais que se sustentasse eventual inconstitucionalidade da norma, careceria este tribunal de competência para avaliar a matéria, em face da Súmula CARF nº 2. Nesse sentido tem acordado unanimemente esta turma. Passemos, então, ao conjunto probatório apresentado, inicialmente analisando as cláusulas do contrato celebrado entre a CLARION e a HONDA, cabendo destacar que a íntegra do contrato (com suas 31 cláusulas) consta às fls. 99 a 112. Cabe, já de início, destacar que o contrato traz a logomarca da HONDA no cabeçalho da primeira folha, e guarda características de contratopadrão para compra de peças e/ou insumos pela montadora, visto que os campos referentes à HONDA estão prépreenchidos e os da outra contratante (CLARION) são manuscritos. E a leitura do contrato não deixa dúvidas de que a HONDA (designada como COMPRADORA) estabelece requisitos para o fornecimento de peças e insumos para veículos pela VENDEDORA (no caso, a CLARION). São no contrato disciplinados temas como preço, entrega, embalagem e transporte, avaliação, faturamento e cobrança, especificações, garantias, confidencialidade, exclusividade, prazo e rescisão, e jurisdição. A autuação fundase em 7 cláusulas do contrato: “CLÁUSULA 6.1 A entrega das Peças ou Insumos, quando ocorrer continuidade do fornecimento, será estabelecida pela PROGRAMAÇÃO DE COMPRAS, que a COMPRADORA emitirá compradora emitirá automaticamente e consecutivamente, na medida de suas necessidade de suprimento. CLÁUSULA 6.2 A PROGRAMAÇÃO DE COMPRAS estabelece as quantidades consideradas como encomenda, firme ou previsão estimada, e os Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 9303004.334 CSRFT3 Fl. 1.798 15 prazo e/ou datas de entrega, condições essas que fazem parte integrante da ORDEM DE COMPRA. CLÁUSULA 9.1 A fabricação e controles necessários das peças ficam vinculados às especificações e instruções entregues pela COMPRADORA, na ocasião da confirmação e envio da ORDEM DE COMPRA. CLÁUSULA 9.3 A VENDEDORA deverá entregar as Peças ou Insumos estabelecidos na ORDEM DE COMPRA e/ou na PROGRAMAÇÃO DE COMPRAS, somente após a aprovação, em documento próprio da COMPRADORA, autorizando a fabricação do lote de produção. CLÁUSULA 12.1 As Peças ou Insumos entregues à COMPRADORA pela VENDEDORA, deverão estar de acordo com cada um ou mais dos seguintes elementos: desenhos, especificações, normas de qualidade ou quaisquer outras normas e informações similares a serem designadas pela COMPRADORA (doravante referidos coletivamente como “Especificações”). CLÁUSULA 13.2 No caso de alterações nas especificações efetuadas pela COMPRADORA, as Peças ou Insumos anteriormente produzidas pela VENDEDORA e cobertas pelo PROGRAMA DE COMPRAS, deverão ser absorvidos pela COMPRADORA. CLÁUSULA 20.1 A VENDEDORA não deverá vender ou transferir a terceiros, nem fazer uso das peças que entrem em qualquer das categorias seguintes, por qualquer que seja o motivo, a menos que aprovado de outras maneira, por escrito, pela COMPRADORA. I) As Peças fabricadas de acordo com as especificações fornecidas pela compradora; ou II) As Peças marcadas com denominações comerciais ou marca registrada da COMPRADORA, ou que estão embrulhadas ou contidas em tais embalagens, pacotes ou recipientes marcados com quaisquer das denominações comerciais ou marca registrada da COMPRADORA.” A partir de tais cláusulas, o fisco afirma que “fica claro que os produtos vendidos pela CLARION DO BRASIL à HONDA são resultado de prévio acordo (encomenda)”, e que “o termo ‘encomenda’, inclusive, consta expressamente dos contratos” (referindose à Cláusula 6.2). Complementa concluindo que “quem não pode vender seus produtos livremente, como a CLARION DO BRASIL não pode se intitular importador comum e fazer declarações às alfândegas como se fosse, de fato, o dono do negócio”. Em sede recursal, argumentase que o contrato foi equivocadamente interpretado pela fiscalização, pois é um contrato de fornecimento, e não para importação (no contrato consta inclusive que a CLARION presta serviços de garantia dos bens fornecidos). É de se destacar que nesse aspecto assiste razão às recorrentes, pois a presença da palavra “encomenda”, no contrato, não parece ter sido inserida para fazer referência à “importação por encomenda”, mas a fornecimento sob encomenda (aliás, sequer há menção a importação no contrato). A HONDA contratou a CLARION para fornecerlhe mormente equipamentos de som automotivo segundo as especificações que estabeleceu, adequadas a Fl. 1806DF CARF MF 16 seus veículos, sendo, pelo contrato, aparentemente irrelevante se tais aparelhos são ou não importados. Diante do modelo/padrão de contrato, não se crê que sejam diferentes as contratações com outros fornecedores da empresa (assim como não se crê que sejam diferentes as contratações de fornecimento desse e de outros fornecedores a outras montadoras). Em síntese, nada no contrato que sugira necessariamente a intenção de que alguém importe mercadorias no exterior sob encomenda da montadora, e/ou a oculte, mediante fraude ou simulação. Em sede recursal, sustentase que a CLARION importa aparelhos de som automotivos, entre outros, promove operações de industrialização, adequando tais aparelhos às especificações das montadoras (e de cada modelo de veículo), testa os equipamentos (alguns inclusive com apoio de equipamento externo, pois são aparelhos sem visor LCD, tendo em vista que os visores estarão centralizados no painel do carro ao qual serão acoplados), e depois os vende às montadoras, não podendo se falar aí que houve propriamente uma “revenda”, mas sim uma “venda”, pois o produto vendido não mais se encontra no estado em que foi importado, por ter passado por processo de industrialização. A fiscalização, ao agregar como prova o contrato e as respostas aos questionário, entendeuos suficientes, e parece não ter se preocupado em verificar se havia um processo industrial, sustentandose na autuação que a CLARION “importa produtos produzidos (sic) principalmente pela fábrica do México e revendendoos principalmente para as grandes montadoras de automóveis, como HONDA e MITSUBISH (sic), além de estabelecimentos atacadistas e varejistas de equipamentos de som”. Tal afirmação parece incongruente com a cláusula contratual 9.1, trazida na autuação, que dispõe que “a fabricação e os controles necessários das peças ficam vinculados às especificações e instruções entregues” pela HONDA, ou com a garantia de qualidade (cláusula 14, inclusive com a realização de testes em cada fase do processamento e fabricação 14.4). A documentação anexada desde a fase de impugnação (com laudos incluindo etapa a etapa de produção, acompanhados de fotos, explicações detalhadas de procedimentos, e de registros contábeis que atestam ter havido suspensão de IPI para operação de industrialização pela CLARION, no Brasil) torna inequívoca a existência de processo industrial, pela CLARION, após as importações, e antes do fornecimento do produto final à HONDA. A existência de processo industrial é inclusive acatada pelo julgador de piso, que, no entanto, a desconsidera, sob o seguinte argumento: “Os pareceres conclusivos apresentados para os diversos produtos importados já demonstram que são realizados processos industriais. (...) O fato de haver agregação física nas mercadorias objeto da autuação é irrelevante para descaracterizar a modalidade ‘importação por encomenda’. A empresa HONDA a (sic) responsável tanto pela importação, quanto pelo destino final do produto importado. A bem dizer os produtos eram beneficiados, montados e recondicionados no mercado interno pela CLARION DO BRASIL também por força de contrato, com a finalidade de atender a demanda da HONDA. Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 9303004.334 CSRFT3 Fl. 1.799 17 A submissão dos bens importados a um processo de industrialização não descaracteriza o fato de ser uma importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante previamente determinado, face a legislação aplicável.” Adiciona o julgador de piso que “a dar azo à argumentação apresentada, seria muito simples e corriqueiro conseguir burlar toda construção legal de mais de uma década para a constituição de controles aduaneiros rigorosos em relação à pessoa jurídica importadora/exportadora no mercado nacional”, citando como exemplo uma operação em que o importador adquire o bem e o acondiciona em nova caixa, com sua etiqueta, “industrializando” os bens importados. Há que se aclarar que não é recomendável apreciar um comando normativo a partir de conjecturas sobre sua burla, assim como soaria extremado apresentar exemplos em que o grau de industrialização tornasse bizarro chamar a operação seguinte de “revenda”. É exatamente esse o papel da fiscalização: investigar, diligenciar, apurar, a ponto de desenquadrar o processo tido como “industrial”, mas que era somente de “maquiagem”. É preciso apurar qual é a sistemática utilizada nas contratações pelas montadoras, contextualizar os contratos, com leitura isenta. Lendo as mesmas normas sobre importação por encomenda relacionadas pelo autuante, não nos parece que palavra “revenda” possa ser empregada para uma venda de bem diverso daquele que foi importado, ou do bem importado após processo de industrialização, como sustenta o julgador de piso (que discorda da afirmação de que só há “revenda” se a mercadoria ainda estiver no estado em que foi importada). Endossese ainda que a matéria sequer é discutida na autuação, que toma a operação como “revenda” ao sequer averiguar se houve industrialização (ainda que o contrato e as respostas ao questionário para isso apontassem), e emprega indistintamente os termos “venda” (v.g. fl. 42) e “revenda” (v.g. fl. 43). Imaginar que o legislador, ao tratar de importação por encomenda, usou o termo “revenda” para abarcar também a “venda” não nos parece adequado, além de constituir alargamento do conteúdo da expressão para fins de penalização. Mas bastaria a fiscalização investigar o caso, eventualmente comprovando que de fato até a industrialização se tratava de uma simulação, para descaracterizar a operação, que seria uma efetiva “revenda”, disfarçada de “venda”. Repitase, sem embargo, que não foi essa a atitude tomada no presente processo, restando deficiente o arsenal probatório da fiscalização nesse sentido. A própria cláusula de exclusividade, que veda a revenda (ali também tratada com atecnia terminológica), largamente utilizada na autuação, foi lida de forma parcial, à luz do contrato de fornecimento. Lendo o texto da cláusula, percebese que nada impede a venda a terceiro de uma peça antes (ou fora) do atendimento das especificações (recordese que várias das especificações são cumpridas no País, durante o processo de industrialização pela CLARION), desde que não esteja marcada pela HONDA. A cláusula não ampara a “teoria do domínio do fato”, sustentada também com exclusividade no julgamento de piso (e sequer ventilada na autuação). O questionário, elaborado pela fiscalização, e que consiste nas seguintes perguntas efetuadas à CLARION, já adicionadas das respostas (excertos dos Fl. 1808DF CARF MF 18 textos de fls. 45 a 47), constitui a segunda (e última fonte probatória indicada na autuação): “1) Descrever detalhadamente como funcionam as operações de importação da Clarion, especialmente as de peças automotivas destinadas as (sic) montadoras de veículos. Resposta: (...) Periodicidade: Os pedidos (plano de embarque) são realizados através (sic) de uma planilha Excel revisada semanalmente (toda sextafeira) e enviado por email para a pessoa responsável pela programação na fábrica. Essas revisões periódicas e em um curto espaço de tempo se deve (sic) a oscilação de pedidos das montadoras). Desembaraço: todas as importações da Clarion são removidas (DTA) para um entreposto na cidade de Suzano (CRAGEA). Lá a importação é registrada através (sic) da DI e é liberada para entrega na Clarion em São Paulo. 2) Além das montadoras, a quem se destinam as mercadorias importadas pela Clarion? Resposta: Além das montadoras, alguns modelos de produtos são comercializados no setor de peças e acessórios (P&A) das próprias montadoras, aquelas que preferem que os produtos sejam montados por decisão dos seus clientes não na (sic) linha de produção. 3) As peças importadas para as montadoras são específicas para cada linha de automóvel ou são genéricas e podem ser utilizadas em qualquer veículo? As montadoras definem as especificações de cada produto que deseja (sic) adquirir? Resposta: Em relação às montadoras todos os produtos são desenvolvidos especificamente para cada modelo de carro que obedecem uma série de requisitos mínimos para serem homologados pelas mesmas (sic). Quanto ao mercado P&A esses produtos são mais genéricos e podem ser utilizados em quaisquer veículos. 4) Os produtos vendidos às montadoras destinamse à linha de produção de veículos novos ou ao mercado de reposição? Resposta: Em relação às montadoras, sempre vendidos para sua montagem na linha de produção. 5) Como são estabelecidos os preços dos produtos finais? Resposta: Seguem o critério de: custo do produto descarregado no Brasil adicionandose custos de produção, custos fixos, mais a margem de lucro desejada e os impostos, conhecido como ‘gross up’. 6) Como são feitos os pedidos de compras das montadoras à Clarion? Há alguma antecedência mínima ou existe um planejamento mensal com tipos e quantidades de mercadorias a serem entregues? Resposta: Forecast: Periodicamente (mensalmente ou bimestralmente) a montadora envia por email uma planilha com Excel com o Plano de Suprimentos (para o ano todo) com as alterações e variações realizadas no planejamento. Pedidos firmes são realizados semanalmente através (sic) de EDI (Electronic Data Interchange) Portal que facilita a troca (através (sic) de uma rede de dados) de documentos EDI entre parceiros comerciais. Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 9303004.334 CSRFT3 Fl. 1.800 19 (...) 7) Quando são efetuados os pagamentos dos produtos vendidos pela Clarion? Há algum adiantamento? Resposta: Por termos 90% de nossas compras centralizadas nas empresas ELECTRONICA CLARION SA DE CV e CLARION TOKYO CO, todos os pagamentos obedecem aos prazos de 120 (cento e vinte) dias e 90 (noventa) dias, respectivamente, sem a prática de adiantamentos.” (grifos no original) Lendo as respostas da empresa CLARION às perguntas elaboradas pelo fisco, parece que as partes estavam preocupadas com coisas distintas. Vejase a pergunta 7, na qual o fisco parecia querer saber se as montadoras (v.g. HONDA) adiantavam recursos para as importações da CLARION. A empresa interpretou que a pergunta se referia aos pagamentos que ela (CLARION DO BRASIL) efetuava às empresas CLARION estrangeiras, sequer mencionando a montadora. Inconclusiva, assim, a resposta, a demandar aprofundamento, para o correto enquadramento de eventual autuação. As perguntas 1 a 4, e 6, buscam aprofundar o que já derivava do contrato de fornecimento, vinculando as operações de fornecimento a importações. De fato, a CLARION recebia pedidos das montadoras (contrato de fornecimento) e importava peças, desembaraçandoas ela própria, em seu nome, levandoas para seu estabelecimento. Como se depreende da resposta à pergunta 5, em seu estabelecimento havia processo industrial (caso contrário, não haveria que se falar em custos de produção). E, conforme resta documentado no presente processo, após o processo industrial a mercadoria era vendida à HONDA (ou a outras montadoras). Novamente a resposta demandaria aprofundamento, não efetuado pela fiscalização. Não pode o fisco, diante de casos que classifica como “interposição fraudulenta”, olvidarse de produzir elementos probatórios conclusivos. Devem os elementos de prova não somente insinuar que tenha havido nas operações um prévio acordo doloso, mas comprovar as condutas imputadas, o que não se vê no presente processo. Em suma, a autuação é extremamente feliz ao expor todo o histórico das construções legislativas visando a dificultar/coibir a ação fraudulenta de interpostas pessoas, mas não logra êxito em encaixar em tal arcabouço o caso concreto que analisa, e peca por não compreender a dimensão do ônus probatório que lhe incumbe, acomodandose em interpretar excertos (ainda assim de forma incompleta/descontextualizada) de contrato de fornecimento e de questionário enviado a uma das autuadas. Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2º do art. 23 DecretoLei nº 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento aos recursos voluntários apresentados, sendo improcedente a autuação. Rosaldo Trevisan Fl. 1810DF CARF MF 20 (grifouse) Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 9303004.334 CSRFT3 Fl. 1.801 21 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Entendo que as particularidades levantadas pela il. Relatora não são suficientes para afastar a comprovação do dissídio jurisprudencial. É fato, enquanto no acórdão recorrido considerouse imprescindível, para a caracterização da infração e aplicação da penalidade, a comprovação do efetivo dano ao erário consubstanciado na falta de pagamento parcial dos tributos aduaneiros em razão de “artifício doloso”, no primeiro paradigma entendeuse que, para a aplicação da mesma legislação, a responsabilidade independeria da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. A só ocultação do real adquirente constituiria dano ao Erário. A divergência, portanto, é cristalina. Forte nessas razões, entendo que o recurso especial interposto pela Procuradoria deve ser conhecido. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1812DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.000888/2005-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 07/11/2002 a 18/06/2004
VALORAÇÃO ADUANEIRA. SUBFATURAMENTO. PENALIDADE.
As acusações de subfaturamento dependem da desconstituição da fatura comercial que instruiu o despacho, ou seja, dependem de prova de que o real valor da transação difere do valor declarado.
O simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não é motivo para sua rejeição, conforme expresso na Opinião Consultiva 2.1, integrante das regras de interpretação do Acordo de Valoração Aduaneira, cuja observância foi objeto do art. I o da Instrução Normativa SRF n° 17, de 1998.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 05/05/2004 a 18/06/2004
CONTRIBUIÇÕES. PIS/PASEP E COFINS NA IMPORTAÇÃO.
As contribuições para o Pis/Pasep e a Cofins incidentes nas operações de importação devem ser calculadas com base em alíquota específica.
Numero da decisão: 3402-003.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. Sustentou pela recorrente o Dr. Alessandro Barasuol, OAB/PR 74.188.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 07/11/2002 a 18/06/2004 VALORAÇÃO ADUANEIRA. SUBFATURAMENTO. PENALIDADE. As acusações de subfaturamento dependem da desconstituição da fatura comercial que instruiu o despacho, ou seja, dependem de prova de que o real valor da transação difere do valor declarado. O simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não é motivo para sua rejeição, conforme expresso na Opinião Consultiva 2.1, integrante das regras de interpretação do Acordo de Valoração Aduaneira, cuja observância foi objeto do art. I o da Instrução Normativa SRF n° 17, de 1998. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 05/05/2004 a 18/06/2004 CONTRIBUIÇÕES. PIS/PASEP E COFINS NA IMPORTAÇÃO. As contribuições para o Pis/Pasep e a Cofins incidentes nas operações de importação devem ser calculadas com base em alíquota específica.
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SUBFATURAMENTO. PENALIDADE. As acusações de subfaturamento dependem da desconstituição da fatura comercial que instruiu o despacho, ou seja, dependem de prova de que o real valor da transação difere do valor declarado. O simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não é motivo para sua rejeição, conforme expresso na Opinião Consultiva 2.1, integrante das regras de interpretação do Acordo de Valoração Aduaneira, cuja observância foi objeto do art. I o da Instrução Normativa SRF n° 17, de 1998. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 05/05/2004 a 18/06/2004 CONTRIBUIÇÕES. PIS/PASEP E COFINS NA IMPORTAÇÃO. As contribuições para o Pis/Pasep e a Cofins incidentes nas operações de importação devem ser calculadas com base em alíquota específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. Sustentou pela recorrente o Dr. Alessandro Barasuol, OAB/PR 74.188. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 08 88 /2 00 5- 97 Fl. 408DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de auto de infração relativo a importações de mercadorias identificadas como Préformas de frascos ou artigos semelhantes, constituídas de Poli Tereftalato de Etileno, registradas pelo Recorrente no período entre 07/11/2002 e 18/06/2004. O fundamento da autuação foi a suspeita de prática de subfaturamento por parte da Recorrente, cuja verificação resultou no lançamento do PISImportação e Cofins Importação relativo às operações ocorridas entre 05/05/2004 e 18/06/2004, e a aplicação da multa por subfaturamento, prevista no art. 633, I do Decreto nº 4.503/2002, sobre todas as operações realizadas entre 07/11/2002 e 18/06/2004. Frisese que a multa de subfaturamento foi exigida isoladamente entre 07/11/2002 e 23/04/2004, tendo em vista que a Lei nº 10.865/2004, que instituiu o PIS/Cofins Importação entrou em vigor apenas em 01/05/2004, nos termos de seu art. 53. Em seu relatório fiscal, o AFRFB informou que foi denunciada à Receita Federal a prática de preços inferiores ao mercado nas importações de "esboços de garrafas plásticas", classificáveis no código tarifário NCM 3923.30.00, cuja produção utiliza "tereftalato de polietileno PET", enquadrado no código NCM 3907.60.00. Com isso, as importações futuras foram direcionadas para o canal cinza de conferência aduaneira, e as importações anteriores foram sujeitas a revisão. Ao ser inquirido sobre a composição do preço declaração nas DIs, o importador afirmou que se tratava de mercadoria obtida da reciclagem de descarte industrial. Uma amostra foi enviada para exame laboratorial que concluiu que ela possui perfil de matéria prima virgem, não havendo sido consumida anteriormente, todavia, o laudo não alude à possibilidade da mercadoria ter sido produzida com matériaprima obtida a partir da reciclagem de resíduo industrial. Analisou também a fiscalização que o preço do produto oriundo do Paraguai seria superior àquele declarado nas DIs, e que a matériaprima utilizada para a produção das mercadorias naquele país seriam originadas de países do Mercosul, com preços sujeitos ao regime típico de commodities. Além disso, consigna que a única região que apresenta preços mais baixos para a mercadoria é o Sudeste Asiático. Entendendo que as circunstâncias afastariam a aplicação do AVAGATT, a fiscalização arbitrou o valor aduaneiro das mercadorias negociadas nas importações indicadas no auto de infração, adotando como paradigma a DI de fl. 151. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10945.000888/200597 Acórdão n.º 3402003.484 S3C4T2 Fl. 3 3 Quanto ao lançamento de PIS/CofinsImportação, a fiscalização afirma que os recolhimentos foram insuficientes, a um, por terem sido os valores calculados sobre o valor aduaneiro subfaturado, e a dois por terem tido com base alíquotas ad valorem, quando deveriam têlo sido com base em alíquota específica da Lei nº 10.865/2004. A Impugnação do Contribuinte argumentou o seguinte: 1) A denúncia acolhida pela fiscalização era desprovida de qualquer prova. 2) A fundamentação da exigência desrespeita as disposições contidas no Acordo de Valoração Aduaneira e, portanto, o exercício da livre contratação e do livre comércio, acusa a prática de subfaturamento em face do simples fato de o preço praticado nas importações em causa ser inferior aos preços correntes no mercado. 3) O laudo laboratorial foi tendencioso, pois não analisou a possibilidade da matériaprima ter sido obtida a partir da reciclagem do resíduo industrial, que era justamente o argumento da Recorrente para justificar o preço menor. 4) O documento que certifica a origem da mercadoria importada pela impugnante não se refere à origem da matériaprima de que essa mercadoria é constituída. Dita matériaprima poderia ser originária de qualquer país, sem que tal circunstância fosse suficiente para desqualificar a origem do produto final. 5) Tivesse a fiscalização laborado de modo honesto e imparcial não só teria apresentado pesquisa relacionada ao preço do tereftalato de polietileno no mercado internacional, aí incluído o sudeste asiático, como também teria solicitado às autoridades paraguaias informações a respeito da origem, quantidade e preços dessa matériaprima nas importações destinadas àquele país. 6) Tivesse a fiscalização procedido dessa maneira, teria apurado que das importações paraguaias do tereftalato de polietileno, realizadas no período compreendido entre julho de 2003 e junho de 2004, 81,02% referiamse a mercadoria originária do sudeste asiático, enquanto apenas 14,76% e 4,22% referiamse, respectivamente, a mercadoria originária dos EUA e do Mercosul. 7) Relativamente à exigência das contribuições para o PIS/Pasep importação e Cofinsimportação, a impugnante limitase a argüir o fato de as mercadorias terem sido regularmente desembaraçadas, sem qualquer ressalva acerca da forma de cálculo e do valor recolhido, cuja acusada insuficiência foi atribuída, na própria autuação, ao apontado subfaturamento; por fim, 8) foram apresentados protestos contra o agravamento da multa incidente sobre o valor exigido a título das contribuições incidentes na importação e a aplicação da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios. A Impugnação foi julgada parcialmente procedente, em acórdão assim ementado: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 07/11/2002 a 18/06/2004 Ementa: VALORAÇÃO ADUANEIRA. SUBFATURAMENTO. PENALIDADE. Fl. 410DF CARF MF 4 As acusações de subfaturamento dependem da desconstituição da fatura comercial que instruiu o despacho, ou seja, dependem de prova de que o real valor da transação difere do valor declarado. O simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não é motivo para sua rejeição, conforme expresso na Opinião Consultiva 2.1, integrante das regras de interpretação do Acordo de Valoração Aduaneira, cuja observância foi objeto do art. I o da Instrução Normativa SRF n° 17, de 1998. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 05/05/2004 a 18/06/2004 Ementa: CONTRIBUIÇÕES. PIS/PASEP E COFINS NA IMPORTAÇÃO. As contribuições para o Pis/Pasep e a Cofins incidentes nas operações de importação devem ser calculadas com base em alíquota específica. Lançamento Procedente em Parte Em razão disso, foi interposto Recurso de Ofício relativo à parte exonerada, e Recurso Voluntário por parte do Contribuinte, onde alegou: 1) A Autoridade Fazendária não verificou o pagamento dos tributos, visto que as DIs foram regularmente desembaraçadas, e seria responsabilidade dela calcular o montante de tributo devido e homologar os pagamentos. 2) A base de cálculo seria o valor aduaneiro, e não uma alíquota específica por determinada unidade de produto. 3) Alega a aplicação do parágrafo único do art.100 do CTN, em razão da autorização da anuência da Administração, para fins de afastamento da multa. 4) Também alega a confiscatoriedade da multa e da não incidência da SELIC sobre os débitos tributários. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto A ciência do contribuinte em relação à decisão de 1ª instância se deu no dia 11/10/2005, conforme documento de fl. 309: Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10945.000888/200597 Acórdão n.º 3402003.484 S3C4T2 Fl. 4 5 Todavia, verificase que o Recurso Voluntário foi estranhamente protocolado na data de 09/10/2005, dois dias antes da ciência do Recorrente, cf. carimbo em fl. 315: Ao que consta nos autos, excluindose a hipótese de erro administrativo no momento do protocolo, estamos diante de um recurso prematuro, interposto anteriormente ao início da contagem do prazo recursal. Tal conclusão se dá pela literalidade do art. 73 do Decreto nº 7574/2011, o recurso voluntário total ou parcial poderá ser interposto contra decisão de primeira instância contrária ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da decisão. Inclusive, a jurisprudência dos Tribunais Superiores reconhecia o recurso prematuro como intempestivo. Todavia, tal entendimento restou definitivamente superado com o julgamento, pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, do AI 703.269, em 05 de Março de 2015, assim ementada: Ementa: embargos de declaração nos embargos de divergência nos embargos de declaração nos embargos de declaração no agravo regimental no agravo de instrumento. Conversão em agravo regimental. Interposição de embargos de divergência antes da publicação do acórdão embargado. Extemporaneidade. Instrumentalismo processual. Preclusão imprópria para prejudicar a parte que contribui para a celeridade processual. Boafé exigida do estadojuiz. Agravo regimental provido. 1. A extemporaneidade não se verifica com a interposição de recurso antes do termo a quo e consequentemente não gera a Fl. 412DF CARF MF 6 ausência de preenchimento de requisito de admissibilidade da tempestividade. 2. O princípio da instrumentalidade do Direito Processual reclama a necessidade de interpretar os seus institutos sempre do modo mais favorável ao acesso à justiça (art. 5º, XXXV, CRFB) e à efetividade dos direitos materiais (OLIVEIRA, Carlos Alberto Alvaro de. O formalismovalorativo no confronto com o formalismo excessivo. In: Revista de Processo, São Paulo: RT, n.º 137, p. 731, 2006; DINAMARCO, Cândido Rangel. A instrumentalidade do processo. 14ª ed. São Paulo: Malheiros, 2009; BEDAQUE, José Roberto dos Santos. Efetividade do Processo e Técnica Processual. 3ª ed. São Paulo: Malheiros, 2010). 3. As preclusões se destinam a permitir o regular e célere desenvolvimento do feito, não sendo possível penalizar a parte que age de boafé e contribui para o progresso da marcha processual com o não conhecimento do recurso por ela interposto antecipadamente, em decorrência de purismo formal injustificado. 4. Os embargos de declaração opostos objetivando a reforma da decisão do relator, com caráter infringente, devem ser convertidos em agravo regimental, que é o recurso cabível, por força do princípio da fungibilidade. (Precedentes: Pet 4.837ED, rel. Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, DJ 14.3.2011; Rcl 11.022ED, rel. Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, DJ 7.4.2011; AI 547.827ED, rel. Min. DIAS TOFFOLI, 1ª Turma, DJ 9.3.2011; RE 546.525 ED, rel. Min. ELLEN GRACIE, 2ª Turma, DJ 5.4.2011). 5. In casu, pugnase pela reforma da seguinte decisão: “EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PETIÇÃO DE INTERPOSIÇÃO PROTOCOLADA ANTES DA PUBLICAÇÃO DO ACÓRDÃO EMBARGADO. EXTEMPORANEIDADE. INTERPOSIÇÃO DE DOIS RECURSOS CONTRA A MESMA DECISÃO. OFENSA AO POSTULADO DA SINGULARIDADE DOS RECURSOS. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO, DE MANEIRA OBJETIVA, MEDIANTE ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE O ACÓRDÃO PARADIGMA E A DECISÃO EMBARGADA, DA EXISTÊNCIA DO ALEGADO DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NÃO ADMITIDOS”. 6. Agravo regimental provido para cassar a decisão de inadmissão dos embargos de divergência com fundamento na extemporaneidade recursal.(AI 703269 AgREDEDEDvED, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 05/03/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe085 DIVULG 07052015 PUBLIC 0805 2015) Esse mesmo entendimento é corroborado pelo art.2º, parágrafo único, inc. VIII da Lei nº 9.784/99 que determina a observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados. Diante disso, entendo por tempestivo o Recurso Voluntário do Contribuinte, e em razão do atendimento aos demais requisitos de admissibilidade, conheço do mesmo. Quanto ao Recurso de Ofício, verifico que o mesmo ultrapassa o limite de alçada, devendo ser conhecido. 1. Do Recurso de Ofício Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10945.000888/200597 Acórdão n.º 3402003.484 S3C4T2 Fl. 5 7 O Recurso de Ofício versa sobre a exoneração da multa decorrente da prática de subfaturamento prevista no art. 633, I do Decreto nº 4.503/2002, sobre todas as operações realizadas entre 07/11/2002 e 18/06/2004. Em primeiro lugar, verificase que a acusação que suscitou o procedimento fiscalizatório teve como base apenas a prática de preço inferior aos preços correntes no mercado daquela determinada mercadoria, sem qualquer prova ou indício efetivo do ilícito. Não há nos autos qualquer elemento probatório que ampare a desconstituição da fatura comercial apresentada no despacho aduaneiro, nem nada que indique a ocorrência efetiva de subfaturamento, tendo o juízo do auditor fiscal responsável sido conformado apenas por indícios por ele interpretados. Como trazido na decisão a quo, contra a autuação pesam o art. 1 do AVA GATT e a Opinião Consultiva n° 2.1, transcrita abaixo, cuja observância foi objeto do art. I o da Instrução Normativa SRF n° 17, de 1998: Opinião Consultiva 2.1 ACEITABILIDADE DE UM PREÇO INFERIOR AOS PREÇOS CORRENTES DE MERCADO PARA MERCADORIAS IDÊNTICAS 1. Foi formulada a questão acerca da aceitabilidade de um preço inferior aos preços correntes de mercadorias idênticas quando da aplicação do Art. 1 do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio. 2. O comitê Técnico de Valoração Aduaneira examinou esta questão e concluiu que o simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não poderia ser motivo para sua rejeição para os fins do Artigo 1, sem prejuízo, no entanto, do estabelecido no artigo 17 do Acordo. Artigo 17 Nenhuma disposição deste Acordo poderá ser interpretada como restrição ou questionamento dos direitos que têm as administrações aduaneiras de se assegurarem da veracidade ou exatidão de qualquer afirmação, documento ou declaração apresentados para fins de valoração aduaneira. Desse modo, a desconsideração do valor indicado nas DIs, por parte da fiscalização, não poderá se dar de forma arbitrária, mas deve atender a dois ônus argumentativoprobatórios distintos: a) um relativo à descaracterização do valor aduaneiro adotado pelo importador, através da prova do subfaturamento; e b) determinação do correto valor aduaneiro, com base na legislação aplicável. No caso em tela, a autoridade supôs o subfaturamento a partir do fato da denúncia desacompanhada de qualquer prova apontar que o valor declarado seria inferior ao valor corrente do mercado, mas sem acompanhar tal juízo com provas que demonstrassem que o pagamento foi superior ao declarado, ou qualquer outro elemento que autorizasse a desconsideração das faturas apresentadas. Fl. 414DF CARF MF 8 Sobre o laudo em que se baseou a fiscalização, adiro às razões da decisão a quo para o rechace de seu valor probatório neste caso, verbis: De fato, o laudo versa sobre ponto distinto daquele em que se baseia a defesa do Recorrente, que é a origem da matériaprima utilizada na produção dos produtos importados, e não na origem dos próprios produtos essa bem sabida por ser produzida no Paraguai, conforme a certificação respectiva. Desse modo, nego provimento ao Recurso de Ofício, para afastar a cobrança da multa por subfaturamento nas importações, pela ausência de provas acerca de tal ilícito. 2. Do Recurso Voluntário Em primeiro lugar, o Recorrente contesta a cobrança do PIS/COFINS Importação com fundamento na complexidade da legislação que sucedeu a instituição de tais contribuições, mencionados diversos atos normativos infralegais para comprovar a dificuldade do contribuinte em interpretálos. Não é de hoje que os sistema tributário brasileiro peca pela ausência de praticabilidade, demandando dos contribuintes custos crescentes de compliance tributário. Todavia, isso não é justificativa pelo menos não em um nível jurídico de argumentação para que os deveres não sejam cumpridos, como de resto é expressamente previsto no art. 3º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, verbis: "Art.3o Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece.". Além disso, o fato da mercadoria ter sido desembaraçada não constitui impeditivo para que a Fiscalização constitua e cobre os tributos que eventualmente não foram recebidos naquela ocasião, respeitados os limites decadenciais de existência da obrigação tributária. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10945.000888/200597 Acórdão n.º 3402003.484 S3C4T2 Fl. 6 9 Em momento algum foi contestado o mérito do lançamento: não se discutiu o quantum, nem eventuais diferenças quanto aos critérios de apuração de seu montante. Quando muito, alega que a alíquota deveria ser ad valorem, sobre o valor aduaneiro quando o art.51 da Lei 10.833/04 é expresso em consignar que a mercadoria importada pela Recorrente está sujeita a alíquotas específicas: "Art. 51. As receitas decorrentes da venda e da produção sob encomenda de embalagens, pelas pessoas jurídicas industriais ou comerciais e pelos importadores, destinadas ao envasamento dos produtos relacionados no art. 49 desta Lei, ficam sujeitas ao recolhimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fixadas por unidade de produto, respectivamente, em: ..................................................................... II embalagens para água e refrigerantes classificados nos códigos 22.01 e 22.02 da TIPI: a) classificadas no código TIPI 3923.30.00: R$ 0,0170 (dezessete milésimos do real) e R$ 0,0784 (setecentos e oitenta e quatro décimos de milésimo do real), por litro de capacidade nominal de envasamento da embalagem final; e b) préformas classificadas no Ex 01 do código de que trata a alínea a deste inciso, com faixa de gramatura: 1 até 30g (trinta gramas): R$ 0,0102 (cento e dois décimos de milésimo do real) e R$ 0,0470 (quarenta e sete milésimos do real); 2 acima de 30g (trinta gramas) até 42g (quarenta e dois gramas): R$ 0,0255 (duzentos e cinqüenta e cinco décimos de milésimo do real) e R$ 0,1176 (um mil e cento e setenta e seis décimos de milésimo do real); e 3 acima de 42g (quarenta e dois gramas): R$ 0,0425 (quatrocentos e vinte e cinco décimos de milésimo do real) e R$ 0,1960 (cento e noventa e seis milésimos do real); III embalagens de vidro não retornáveis classificadas no código 7010.90.21 da TIPI, para refrigerantes ou cervejas: R$ 0,0294 (duzentos e noventa e quatro décimos de milésimo do real) e R$ 0,1360 (cento e trinta e seis milésimos do real), por litro de capacidade nominal de envasamento da embalagem final; IV embalagens de vidro retornáveis, classificadas no código 7010.90.21 da TIPI, para refrigerantes ou cervejas: R$ 0,294 (duzentos e noventa e quatro milésimos do real) e R$ 1,36 (um real e trinta e seis centavos), por litro de capacidade nominal de envasamento da embalagem final. Desse modo, não procedem as alegações do Recorrente contra a cobrança das referidas contribuições. Tampouco cabe a aplicação do art.100 do CTN ao caso em tela. Não há prática reiterada da autoridade administrativa, sobretudo por se estar tratando de obrigação Fl. 416DF CARF MF 10 tributária que fora instituída no momento imediatamente anterior aos fatos geradores abrangidos por esta autuação. Podese afirmar que sequer houve tempo para a constituição da base de confiança que a regra do art.100, III c/c parágrafo único busca tutelar. Não há fundamento legal, pois, para o afastamento da multa cobrada, diante da inocorrência de "prática reiterada" da administração. Além disso, ainda que se reconhecesse uma prática reiterada neste caso, ela não poderia ser considerada para fins de afastamento da multa, pois o CTN é categórico em qualificála como "norma complementar das leis, tratados, convenções internacionais e dos decretos". Desse modo, não haveria como uma prática contra legem prevalecer em relação a ela. Argumenta também que dita penalidade seria inconstitucional, apesar da sua cobrança no montante de 75% do débito apurado encontrar previsão legal no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996. O CARF não é competente para apreciar a inconstitucionalidade de leis ou decretos, nos termos da Súmula CARF nº 2. Com relação à exigência de juros moratórios, registrese que sua aplicação com base na taxa SELIC está amparada em lei, cuja arguida inconstitucionalidade é matéria que foge à competência do julgador na esfera administrativa, com o mesmo fundamento esposado no parágrafo anterior. 3. Conclusão Ante o exporto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício e negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 417DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.004148/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005, 2006, 2007
ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO.
1. Comprovada, através da localização do imóvel, ser área de interesse ecológico, para a proteção dos ecossistemas, visto estar inserida no Parque Estadual Serra do Tabuleiro, deve ser excluída da tributação em conformidade com o art. 10, §1º, II, b, da Lei n.º 9.393/96.
2. Para essa exclusão da APP da tributação, o ADA não é o único meio de prova, podendo a comprovação ser realizada por outros meios, no caso dos autos, mediante Laudo de Vistoria e de Uso do Solo.
Ademais, recentemente o TRF da 4ª Região editou Súmula dispondo acerca da dispensabilidade do ADA. Súmula 86: É desnecessária a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA para o reconhecimento do direito à isenção do Imposto Territorial Rural - ITR
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT).
Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Gisa Barbosa Gambogi Neses, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005, 2006, 2007 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. 1. Comprovada, através da localização do imóvel, ser área de interesse ecológico, para a proteção dos ecossistemas, visto estar inserida no Parque Estadual Serra do Tabuleiro, deve ser excluída da tributação em conformidade com o art. 10, §1º, II, b, da Lei n.º 9.393/96. 2. Para essa exclusão da APP da tributação, o ADA não é o único meio de prova, podendo a comprovação ser realizada por outros meios, no caso dos autos, mediante Laudo de Vistoria e de Uso do Solo. Ademais, recentemente o TRF da 4ª Região editou Súmula dispondo acerca da dispensabilidade do ADA. Súmula 86: É desnecessária a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA para o reconhecimento do direito à isenção do Imposto Territorial Rural - ITR VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Gisa Barbosa Gambogi Neses, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza
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ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. 1. Comprovada, através da localização do imóvel, ser área de interesse ecológico, para a proteção dos ecossistemas, visto estar inserida no Parque Estadual Serra do Tabuleiro, deve ser excluída da tributação em conformidade com o art. 10, §1º, II, “b”, da Lei n.º 9.393/96. 2. Para essa exclusão da APP da tributação, o ADA não é o único meio de prova, podendo a comprovação ser realizada por outros meios, no caso dos autos, mediante Laudo de Vistoria e de Uso do Solo. Ademais, recentemente o TRF da 4ª Região editou Súmula dispondo acerca da dispensabilidade do ADA. Súmula 86: É desnecessária a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA para o reconhecimento do direito à isenção do Imposto Territorial Rural ITR VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 41 48 /2 01 0- 18 Fl. 495DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Gisa Barbosa Gambogi Neses, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza Relatório Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada mediante auto de infração, fls. 141/158, através do qual se exige o crédito tributário total R$ 5.856.524,81, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR dos exercícios 2005, 2006 e 2007, incidente sobre o imóvel rural denominado Paulo Lopes Matr. 29.956, com área total de 4132,3 ha, Número de Inscrição – NIRF 3.697.1588, localizado no município de Paulo LopesSC. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal, o lançamento de ofício decorreu da alteração da Declaração de Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR em relação aos seguintes fatos tributários: Área de Preservação Permanente: foi glosada a área de 4.077,0 hectares, declarada a este título no Exercício 2007. Área de Produtos Vegetais: foi glosada a área declarada a este título, de 4.132 hectares, nos Exercícios 2005 e 2006, e de 55,0 hectares no Exercício 2007, por falta de comprovação. Valor da Terra Nua VTN: a contribuinte apresentou, à autoridade lançadora, laudo técnico de avaliação do valor da terra nua, o qual foi rejeitado, e o valor declarado pelo sujeito passivo foi substituído pelo VTN constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, apurado pela Secretaria Estadual de Agricultura. No lançamento foi adotada a menor avaliação disponível no SIPT para o Município Paulo Lopes SC, no exercício 2005, 2006 e 2007. Resumo da Autuação 2005 Distribuição da Área do Imóvel (ha) Declarado Apurado 01. Área Total do Imóvel 4.132,0 4.132,3 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.004148/201018 Acórdão n.º 2301004.857 S2C3T1 Fl. 496 3 02. Área de Preservação Permanente 0,0 0,0 03. Área de Reserva Legal 0, 0 0, 0 04. Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural 0, 0 0,0 05. Área do Interesse Ecológico 0, 0 0, 0 06. Área de Servidão Florestal 0, 0 0, 0 07. Área Tributável (01 02 03 04 05 06) 4.132,0 4.132,0 08. Área Ocupada com Benfeitorias 0, 0 0, 0 09. Área Aproveitável (07 08) 4.132,0 4.132,0 Distribuição da Área Utilizada (ha) Declarado Apurado 10. Produtos Vegetais 4.132,0 0,0 11. Área de Descanso 0,0 0,0 12. Área com Reflorestamento 0,0 0, 0 13. Pastagens 0,0 0,0 14. Exploração Extrativa 0,0 0,0 15. Atividade Granjeira/Aquícola 0,0 0,0 16. Frustração de Safra ou Destruição de Pastagens 0,0 0,0 17. Área Utilizada (10 + 11 + 12 + 13 + 14+ 15 + 16) 4.132,0 0,0 18. Grau de Utilização (17 /09) *100 100,0 0,0 Cálculo do Valor da Terra Nua (R$) Declarado Apurado 19. Valor Total do Imóvel 510.000,00 12.396.900,00 20. Valor das benfeitorias 0,00 0,00 21. Valor das Culturas / Pastagens /Florestas 500.000,00 0,00 22. Valor da Terra Nua (19 20 21) 10.000,00 12.396.900,00 Fl. 497DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Resumo da Autuação 2006 Distribuição da Área do Imóvel (ha) Declarado Apurado 01. Área Total do Imóvel 4.132,3 4.132,3 02. Área de Preservação Permanente 4.077,0 4.077,0 03. Área de Reserva Legal 0, 0 0,0 04. Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural 0,0 0,0 05. Área do Interesse Ecológico 0,0 0,0 06. Área de Servidão Florestal 0,0 0,0 07. Área Tributável (01 02 03 04 05 06) 4.132,0 55,3 08. Área Ocupada com Benfeitorias 0,0 0,0 09. Área Aproveitável (07 08) 4.132,0 55,3 Distribuição da Área Utilizada (ha) Declarado Apurado 10. Produtos Vegetais 4.132,0 0,0 11. Área de Descanso 0,0 0,0 12. Área com Reflorestamento 0,0 0,0 13. Pastagens 0,0 0,0 14. Exploração Extrativa 0,0 0,0 15. Atividade Granjeira/Aquícola 0,0 0,0 16. Frustração de Safra ou Destruição de Pastagens 0,0 0,0 17. Área Utilizada (10 + 11 + 12 + 13 + 14+ 15 + 16) 4.132,0 0,0 18. Grau de Utilização (17 /09) *100 100,0 0,0 Cálculo do Valor da Terra Nua (R$) Declarado Apurado Fl. 498DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.004148/201018 Acórdão n.º 2301004.857 S2C3T1 Fl. 497 5 19. Valor Total do Imóvel 510.000,00 16.529.200,00 20. Valor das benfeitorias 0,00 0,00 21. Valor das Culturas / Pastagens /Florestas 500.000,00 0,00 22. Valor da Terra Nua (19 20 21) 10.000,00 16.529.200,00 Resumo da Autuação 2007 Distribuição da Área do Imóvel (ha) Declarado Apurado 01. Área Total do Imóvel 4.132,0 4.132,3 02. Área de Preservação Permanente 4.077,0 0,0 03. Área de Reserva Legal 0, 0 0, 0 04. Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural 0, 0 0,0 05. Área do Interesse Ecológico 0, 0 0, 0 06. Área de Servidão Florestal ou Ambiental 0, 0 0, 0 07. Área Coberta com Florestas Nativas 0,0 0,0 08. Área Tributável (01 02 03 04 05 06 07) 55,0 4.132,3 09. Área Ocupada com Benfeitorias 0, 0 0, 0 10. Área Aproveitável (08 09) 55,0 4.132,3 Distribuição da Área Utilizada (ha) Declarado Apurado 11. Produtos Vegetais 55,0 0,0 12. Área de Descanso 0,0 0,0 13. Área com Reflorestamento 0,0 0,0 14. Pastagens 0,0 0,0 15. Exploração Extrativa 0,0 0,0 16. Atividade Granjeira/Aquícola 0,0 0,0 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 17. Frustração de Safra ou Destruição de Pastagens 0,0 0,0 18. Área Utilizada (11 + 12 + 13 + 14 + 15+ 16 + 17) 55,0 0 19. Grau de Utilização (18 /10) *100 100,0 0,0 Cálculo do Valor da Terra Nua (R$) Declarado Apurado 20. Valor Total do Imóvel 510.000,00 18.595.350,00 21. Valor das benfeitorias 0,00 0,00 22. Valor das Culturas / Pastagens /Florestas 0,00 0,00 23. Valor da Terra Nua (20 21 22) 510.000,00 18.595.350,00 A interessada foi cientificada por Aviso de Recebimento AR, em 07/12/2010 (fl. 162). Apresentou impugnação em 03/01/11 (fls. 163/177) e, após relatar os motivos da autuação, passou a tecer suas alegações, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Alega que não há base legal para condicionar a exclusão das áreas de reserva legal da base de cálculo do ITR a sua averbação em cartório ou à entrega do ADA, entendendo que este último tem natureza de obrigação acessória imposta pela legislação ambiental, logo, não pode lhe ser atribuído efeito tributário. Ademais, é prescindível a apresentação de ADA, para fins de exclusão das áreas de interesse ambiental do ITR, conforme Medida Provisória 1.95653/00 que alterou a legislação vigente, que reeditada pela Medida Provisória 2.166 66/01, inseriu o parágrafo 7 do artigo 10 da Lei 9.393/96. Aduz que este entendimento é adotado pelo Superior Tribunal de Justiça e Conselho de Contribuintes. Informa que o imóvel está localizado no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, criado pelo Decreto estadual n° 1.260/75. Por sua vez, o Decreto Estadual 2.335/77, decretou a área como de utilidade pública para fins de desapropriação para criação do referido parque, impedindo que esta fosse utilizada com fins de exploração. Este fato foi reconhecido no lançamento fiscal do exercício 2006, que excluiu da base de cálculo do ITR a área de 4.077,0ha por ter natureza de área de preservação permanente. Esclarece que a área é objeto de ação indenizatória pela expropriação por parte do Estado, a qual tramita na 2a Vara da Comarca de Palhoça/SC, sob o número 045.9300016347, com sentença favorável reconhecendo a perda do valor econômico da propriedade em face da restrição de uso imposta a sua propriedade. Argumenta que apresentou ADA no ano de 2005 e no ano de 2006 e que eventual intempestividade na entrega seria passível, quanto muito, de penalização por descumprimento de obrigação acessória. Apesar de não ter entregado ADA no ano de 2007, sustenta que a informação da existência de área de preservação estava nos cadastros do Fl. 500DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.004148/201018 Acórdão n.º 2301004.857 S2C3T1 Fl. 498 7 IBAMA e SRF, pois uma área de preservação permanente, criada por lei não deixa de ser área de preservação de um ano para o outro por vontade do proprietário. Discorda do valor da terra nua utilizado para fins de arbitramento, alegando que referido valor desconsiderou tratarse de terra localizada em área de preservação permanente, cujo valor venal é muito inferior a uma área cultivável, que apenas 55 hectares do imóvel estão localizados fora da área de preservação, mas também sofre restrições, especialmente em relação à geografia do local. Conforme o laudo da avaliação realizado pelo perito judicial nomeado pelo juízo da Comarca de Palhoça, nos autos n° 4593000164.7, da área total do imóvel, 544,12 ha tem declividade de até 25 graus, sofrendo uma redução de preço de 19%, 701,52 ha tem uma declividade de 25 a 45 graus, gerando uma redução no preço de 55% e 2.886,74 ha tem uma declividade superior a 45 graus, gerando uma redução de 73% no preço da terra em relação ao valor de mercado na região em que está inserida. Alega que os laudos técnicos apresentados, ao contrário do afirmado pela autoridade lançadora, estão de acordo com a NBR 146533. Informa que a avaliação pelo preço de mercado para o ano de 2010, com deflação para os anos de 2005, 2006 e 2007, com base no índice SINAPI ocorreu devido à impossibilidade de levantamento dos preços à época, por meio de ofertas similares, não por culpa da impugnante, que só foi instada a apresentar laudo no ano de 2010. Acrescenta que no anexo do laudo, consta tabela indicando o valor do índice SINAPI para cada período, bem como a fonte de pesquisa utilizada. Quanto ao erro do número do telefone da Prefeitura de São Bonifácio, esclarece que tal se deu por erro de digitação e que se trata de número acessível por meio de qualquer consulta de auxilio a lista ou telelistas na internet. Complementa argumentando que no termo de intimação fiscal n° 09201/00003/2010 foilhe informado que a falta de comprovação do valor da terra nua declarado ensejaria o arbitramento, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB vigente em 1o de janeiro de cada ano, nos termos do artigo 14 da lei n° 9.393/96, cujo valor seria de R$ 1.695,10 para 2005, R$ 2.223,03 para 2006 e 2.168,72 para 2007, mas no auto de infração o cálculo do VTN foi feito com base em valores muito superiores, quais sejam, R$ 3.000,00, R$ 4.000,00 e R$ 4.500,00 respectivamente. Alega que os valores coletados junto ao Instituto CEPA não têm credibilidade. Prova disso é o fato de que o preço da terra avaliado em 2007 por R$ 4.500,00 o hectare foi avaliado em 2010 ao preço de R$ 4.100,00 ha, queda de 10%, ao passo que o SINAPI, índice elaborado pela Caixa Econômica Federal e IBGE para medir o crescimento da construção civil apresentou no mesmo período um aumento de quase 30%, e todas as noticias vinculadas na imprensa dão conta do crescente aumento no preço das terras. O Instituto CEPA, em seu site, explicita que os preços das terras estão sujeitos a grandes variações, não servem para referenciar arbitragens e recomenda a realização de levantamento específico para os casos que necessitem de maior precisão: Por fim, pede que seja julgado insubsistente o lançamento fiscal no tocante à área de 4.077,0 ha, que é área de preservação permanente e que seja acatado o valor venal atribuído à terra nua com base nos laudos de avaliação apresentados, a incidirem sobre os 55 ha localizados fora da área de preservação. Subsidiariamente, pede que o valor da terra nua seja arbitrado com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT constantes do termo de intimação, cujos preços são de R$ 1.695,10, R$ 2.223,03 e 2.168,72 para os anos de 2005, Fl. 501DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 2006 e 2007, respectivamente, ou, se aplicados os valores obtidos junto a CEPA, que seja utilizado o preço mínimo. A Turma Julgadora de Primeira Instância, julgou improcedente a impugnação apresentada, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005, 2006, 2007 NIRF: 36971588 Paulo Lopes Matr. 29.956 ÁREA UTILIZADA COM PRODUTOS VEGETAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase incontroversa a matéria não expressamente contestada pelo sujeito passivo. IMÓVEL LOCALIZADO EM PARQUE ESTADUAL. TRIBUTAÇÃO. O Parque Estadual integra o Sistema Nacional de Unidade de Conservação da Natureza SNUC e é de domínio público, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. O proprietário de área particular localizada em Parque Estadual é contribuinte do ITR até a data da perda da posse pela imissão prévia ou provisória do Poder Público na posse ou até a data da perda do direito de propriedade pela transferência ou pela incorporação do imóvel ao patrimônio do Poder Público. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A não incidência de ITR sobre as áreas de interesse ambiental depende da prova da existência dessas áreas, nos termos da legislação ambiental, e da prova da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA perante o Instituto Brasileiro do Meio Ambienta e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA. VALOR DA TERRA NUA. PROVA INEFICAZ. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 502DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.004148/201018 Acórdão n.º 2301004.857 S2C3T1 Fl. 499 9 A contribuinte foi cientificada do Acórdão 0428.029 1ª Turma da DRJ/CGE, em 27/02/2013, conforme Aviso de Recebimento AR (fl. 386). Sobreveio recurso voluntário em 26/03/2013 (fls. 388/413). Em suas razões alega: que o imóvel está situado no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, no município de Paulo Lopes – SC conforme o Decreto Estadual n° 1.260/75 e Decreto Estadual 2.335/77. A área onde está situada o parque, foi desapropriada, impedindo todos fins exploração, desde 17/03/1977; ressalva que a referida área de terras foi objeto da ação indenizatória n° 045.9300016347, determinando que o Estado de Santa Catarina indenizasse a recorrente em razão da expropriação; cita jurisprudência do TJSC e STJ sobre os casos de criação de parques de preservação ambiental, no qual os proprietários sofreram a desapropriação indireta; aduz que em caso de desapropriação indireta, não há processo de desapropriação, processo judicial de desapropriação ou mesmo transferência de titularidade do imóvel para o Poder Público. Portanto, nesse caso, para a comprovação da transferência das áreas ao domínio do Estado, bastam as terras estarem em área de preservação ambiental permanente protegidas pelo Parque Estadual da Serra do Tabuleiro; cita jurisprudência do TRF4, de casos semelhantes ao das alegações do contribuinte, com propriedade também situada no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, conforme o trecho “A expropriação indireta relatada efetivamente lhe retirou o direito de usar, gozar e dispor do imóvel e, uma vez que o direito de reavêlo não é assegurado pelo Estado, a propriedade se mantém na mera formalidade, não se configurando o fato gerador do ITR. ”; com relação à área entendida como não impugnada pela DRJ, a recorrente alega que "a única matéria não impugnada referese a área de 55,0 hectares, os quais os próprios laudos apresentados pela Recorrente atestam ser área aproveitável”; reforça que não possui mais a posse de 4.077 hectares desde a criação do Parque Estadual, e que esta área é de preservação permanente, sendo assim isenta de ITR; cita trecho do Auto de Infração, referindose que a própria autoridade fiscal declarou que “concluise que a área do imóvel é de 4.132,38 há, sendo 4.077,0 há de preservação permanente”; que a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA não é obrigatória, entendendo que as "obrigações acessórias impostas pela legislação ambiental não podem servir de obstáculo a desoneração tributária a que faz jus o contribuinte." cita legislação que entende ser aplicável, acerca da dispensa de prévia comprovação da existência de áreas não tributáveis quando da entrega da declaração. Entende que assim, fica dispensada a apresentação do ADA; alega que o VTN por hectare arbitrado pela fiscalização é incondizente com a realidade do imóvel, pelo fato do mesmo possuir 544,12 ha com declive de até 25 graus, Fl. 503DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 701,52 ha com uma declividade de 25 a 45 graus, além da área de 2.886,74 ha com a declividade superior a 45 graus, gerando reduções em relação ao valor de mercado de 19%, 55% e 73% respectivamente; considerando o valor determinado pela fiscalização e aplicando as reduções em decorrência do relevo, foram encontrados os valor de R$ 1.114,98, 1.486,64 e 1.627,47 no que se refere aos anos de 2005, 2006 e 2007; aponta que “os valores adotados pela fiscalização são imprestáveis uma vez que estão utilizando preços de terras de campo para avaliar terras localizadas em encostas, cujo laudo judicial aponta redução de até 73% no seu preço em função de sua topografia.”; Juntou documentos às fls. 415/422. O Laudo de Avaliação foi juntada às fls. 425 e seguintes. É o relatório. Passo a decidir Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso possui os requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, merecendo ser conhecido. Primeiramente, cumpre observar que a defesa da recorrente é no sentido de que seja reconhecida a existência de 4.077,0 ha de Área de Preservação Permanente, restando como tributável somente a área de 55,0 ha. Inicialmente cabe frisar que a área total do imóvel é de 4.132,30 ha. Entretanto, para bem elucidar as questões doravante tratadas, a autuação, além do arbitramento do VTN pela tabela SIPT, procedeu as seguintes glosas: 2005 – glosa da Área de Produtos Vegetais: foi glosada a área declarada, de 4.132,0 hectares; 2006 – glosa da Área de Produtos Vegetais: foi glosada a área declarada, de 4.132,0 hectares, no entanto foi aceita a área de APP 4.077 ha (glosas superiores, isto é, quase duplicam a própria área total). 2007 – glosa da APP – Área de Preservação permanente de 4.077 ha e de 55,0 ha de produtos vegetais. A recorrente não se atém quanto às glosas efetuadas, mas expõe sua defesa exaustivamente sobre o fato de que 4.077,0 ha de sua propriedade (99%) da área total, estar inserida no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro. No que tange ao arbitramento do VTN, há expresso inconformismo e irresignação. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.004148/201018 Acórdão n.º 2301004.857 S2C3T1 Fl. 500 11 PRIMEIRA ANÁLISE DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Analisando o Relatório Fiscal de fls. 143/148, verifico que a glosa da APP de 4.077, ha no ano de 2007, se deu ante a ausência de protocolo do Ato Declaratório Ambiental, embora existente para 2006. Neste contexto, cabe trazer alguns excertos do Relatório: Como se depreende da leitura do Relatório Fiscal, a autoridade autuante reconheceu a área de 4.077, ha como sendo de preservação permanente. Entretanto, ante a falta de apresentação do ADA, essa área foi glosada em 2007. Em 2005 embora foi declarada e glosada a área de produtos vegetais, portanto não houve a glosa de APP, pois, a contribuinte não declarou essa área em sua DITR/2005, de modo que entendo que houve erro de fato, uma vez que para esse mesmo exercício foi protocolado Ato Declaratório Ambiental, ainda que intempestivo, declarando a área de 4.077 ha de preservação permanente (fl. 08). Portanto, essa área deve ser excluída do cálculo do ITR para o exercício de 2005, uma vez que o Ato Declaratório Ambiental foi entregue em 20/06/2006. Neste sentido, ainda que intempestivo, há de ser acolhido o ADA para fins de exclusão do ITR, uma vez que foi entregue antes do início da ação fiscal. Neste sentido: Processo nº 10140.720075/200663 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.315 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2013 Matéria ITR Fl. 505DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 Recorrente LUDIO MARTINS COELHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR. É possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal acompanhado de documentação complementar que comprove a existência das áreas deduzidas. Recurso Voluntário Provido. Já no exercício de 2006, o ADA foi entregue tempestivamente, segundo a autoridade fiscal, motivo pelo qual a APP foi considerada para fins de cálculo do ITR, de modo que foram mantidas as informações declaradas na DITR/2006 pela contribuinte, não havendo glosa. Quanto ao ADA de 2007, em que pese não tenha havido o protocolo do Ato Declaratório Ambiental para esse exercício, cabe salientar que referida área foi aceita para o exercício de 2006, bem como consta em ADA para o exercício de 2005, de modo que nos leva a concluir que obrigatoriamente também existia no exercício de 2007. Ademais, entende essa relatora que o ADA é um ato unilateral elaborado pelo contribuinte, que não tem o condão de constituir juridicamente as situações nele descritas. Em outros termos, a mera inserção de área de preservação permanente no respectivo campo possui evidente eficácia declaratória da sua existência, que poderá ser confrontada com a descrição contida em outros meios de prova. Coadunamse com esse entendimento, os julgados abaixo transcritos: RECURSO ESPECIAL Nº 1.112.283 PB (2009/00474797) RELATOR : MINISTRO BENEDITO GONÇALVES RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL E OUTRO(S) RECORRIDO : LUIZ GONZAGA PRIMO ADVOGADO : FREDERICO MATOS BRITO SANTOS E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA Fl. 506DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.004148/201018 Acórdão n.º 2301004.857 S2C3T1 Fl. 501 13 DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. 1. A orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que "o Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite da exclusão da sua base de cálculo a área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). No mesmo sentido: REsp 812.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007; REsp 587.429/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 2/8/2004. 2. Recurso especial não provido.(grifei) ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Luiz Fux, Teori Albino Zavascki e Denise Arruda (Presidenta) votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 19 de maio de 2009(Data do Julgamento) MINISTRO BENEDITO GONÇALVES Relator ____________________________________________________ RECURSO ESPECIAL Nº 1.589.687 MG (2016/00598642) RELATOR : MINISTRO SÉRGIO KUKINA RECORRENTE FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : V & M FLORESTAL LTDA ADVOGADOS : HUDSON FERNANDO COUTO DENISE BRUM MONTEIRO DE CASTRO VIEIRA E OUTRO(S) GUILHERME ANDRADE MARTINS SIBELE FERNANDA PRADO DA SILVA Tratase de recurso especial fundado no CPC/73, manejado pela FAZENDA NACIONAL, com base no art. 105, III, a, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, assim ementado (fl. 246): TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL AÇÃO ORDINÁRIA ITR DECOTADA, DA BASE DE CÁLCULO, A ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL REGISTRO CARTORÁRIO E ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA: DISPENSÁVEIS PRECEDENTES. 1 STJ: para fins de isenção do ITR (AgRg REsp n° 1.315.220/MG) quanto às áreas de preservação ambiental permanente e reserva legal, dispensase averbação no CRI e ato declaratório do IBAMA. 2 Remessa oficial não provida. (grifei) Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso especial para determinar a incidência do ITR, em relação à área de reserva Fl. 507DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 legal, nos termos da fundamentação. Publiquese. Brasília (DF), 05 de abril de 2016. MINISTRO SÉRGIO KUKINA Relator ____________________________________________________ AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.395.393 MG (2013/02424844) RELATOR: MINISTRO BENEDITO GONÇALVES AGRAVANTE: FAZENDA NACIONAL ADVOGADO: PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL AGRAVADO: V E M FLORESTAL LTDA ADVOGADO: GUILHERME ANDRADE MARTINS E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBAÇÃO OU DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. INCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO. 1. A orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que "o Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite a exclusão da sua base de cálculo de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR,Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). No mesmo sentido: REsp 1.112.283/PB, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 1/6/2009; REsp 812.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007 e REsp 587.429/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 2/8/2004. 2. Agravo regimental não provido ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Marga Tessler (Juíza Federal convocada do TRF 4ª Região) e Napoleão Nunes Maia Filho (Presidente) votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 19 de março de 2015 (Data do Julgamento Destaco, por fim, o Informativo de Jurisprudência do STJ nº 0375 de 2008, que reitera entendimento acerca da dispensabilidade do ADA. Frisese que o Informativo é posterior às alterações procedidas pelo art. 9º, da Instrução Normativa nº 96, de 30 de março de 2006. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.004148/201018 Acórdão n.º 2301004.857 S2C3T1 Fl. 502 15 Informativo nº 0375 Período: 3 a 7 de novembro de 2008. Segunda Turma ITR. ÁREA. PRESERVAÇÃO PERMANENTE. IBAMA A Turma reiterou o entendimento de que o imposto territorial rural (ITR) é tributo sujeito a lançamento por homologação e que o art. 10, § 7º, da Lei n. 9.393/1996 permite a exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do referido imposto, sem necessidade de ato declaratório ambiental do Ibama. Precedentes citados: REsp 812.104AL, DJ 10/12/2007, e REsp 587.429AL, DJ 2/8/2004. REsp 898.537GO, Rel. . Eliana Calmon, julgado em 6/11/2008. Ainda, recentemente o Tribunal Regional Federal da 4ª Região TRF4ª, sedimentou entendimento ao editar Súmula que dispõe sobre a dispensabilidade do ADA, in bis: Súmula 86: É desnecessária a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA para o reconhecimento do direito à isenção do Imposto Territorial Rural ITR. Todavia, para o gozo da isenção do ITR no caso de área de "reserva legal", é imprescindível a averbação da referida área na matrícula do imóvel."(g.n) Merece guarida, portanto, o entendimento de que não se faz imprescindível a apresentação da ADA Ato Declaratório Ambiental para exclusão da incidência do ITR das áreas de preservação permanente, quando comprovada a existência da referida área. O ADA não é condição da exclusão do imóvel da base de cálculo do ITR, se existem outras provas capazes de comprovar a restrição ambiental. Constituise tão somente como obrigação acessória, sendo um dever administrativo do contribuinte. A falta da sua apresentação pode sujeitar o contribuinte a penalidades, se prevista em lei, jamais alcançar a obrigação principal para sujeitar o imóvel à tributação pela falta da apresentação tempestiva. SEGUNDA ANÁLISE SOB O PRISMA DO PARQUE ESTADUAL SERRA DO TABULEIRO Independentemente da questão acerca da exigência ou não do Ato Declaratório Ambiental, verificase que no caso dos autos, a área de 4.077,0 ha está inserida no Parque Estadual Serra do Tabuleiro, comprovada pelos documentos que a recorrente acostou, através de vasto conjunto probatório que corroboram suas alegações. A recorrente juntou (fls. 253 e ss), "Laudo de Vistoria e de Uso do Solo de Imóvel Rural Relativo aos Anos de 2005, 2006 e 2007", com Anotação de Responsabilidade Técnica ART às fls. 269/271. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 De início, a descrição do imóvel é de que se trata de imóvel rural com área total de 4.132, 38 hectares e que 4.077,00 ha estão inseridos no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro (fl. 255). Na fl. 258 no ítem "3. VISTORIA", consta: "A vistoria do imóvel foi realizada na primeira semana do mês de outubro de 2010, não sendo constatada nenhuma exploração agrícola, pecuária ou florestal, atual ou realizada em anos recentes (2005, 2006 e 2007) que caracterizasse o descumprimento da legislação ambiental que estabelece como APP os 4.077ha." No que se refere à alegada existência de êxito judicial em ação indenizatória ajuizada contra o Estado de Santa Catarina, verifico que novamente assiste razão à recorrente. O processo nº 045.93000163457, tramitou na 2ª Vara Cível de Palhoça/SC e foi assim sentenciado: Sentença de mérito gab.(art. 269,I,II e IV do CPC) 1 Diante do exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido formulado por CECRISA CERÂMICA CRICIUMA S/A, para condenar o ESTADO DE SANTA CATARINA a pagar indenização no valor venal do imóvel, avaliado em R$ 1.646.283,33 (um milhão, seiscentos e quarenta e seis mil, duzentos e oitenta e três reais e trinta e três centavos), acrescida de juros compensatórios de 12% ano, incidentes desde a interdição de uso da propriedade, ou seja, desde a edição do Decreto Estadual n.º 2.335, de 17/03/77, que declarou a área de utilidade pública e interesse social, calculados até a data do laudo de fls. 433/1104 (09/02/98), sobre o valor simples da indenização e, desde então (=09/02/98), sobre o referido valor corrigido monetariamente (Súmulas 74 e 110/TFR e 164/STF); juros moratórios de 6% ao ano, incidindo de forma cumulativa com os compensatórios, a partir do trânsito em julgado da sentença (Súmula 70/TFR); correção monetária a partir da data do laudo, até a data do efetivo pagamento. A importância apurada deverá ser depositada em Caderneta de poupança judicial, para que se cumpra os termos do art. 34 e parágrafo único, do DL n.º 3.365/41, conforme já apreciado na fundamentação. Condenoo também, a pagar as custas processuais, honorários do perito e honorários advocatícios, o qual fixo em 15% sobre o valor da condenação. Decorrido o prazo para recurso voluntário, remetamse os autos ao egrégio Tribunal de Justiça, considerando que a presente sentença está sujeita ao duplo grau de jurisdição. O Recurso Especial nº 1.009.137 SC, julgado em 14/12/2010, interposto por Cecrisa Cerâmica Criciúma S/A2, autora da indenizatória, versou tão somente quanto aos 1 Informação extraída do site TJ/SC. 2 A recorrente informa que o imóvel em questão pertencia à empresa Cecrisa Cerâmica Criciúma S/A, cujo controle acionário era das famílias Freitas e Arns. Em decorrência da separação das famílias e devisão patrimonial, coube a família ARns, por sua empresa imobiliária Santa Clara Empreendimentos Imobiliários parte dos imóveis do Grupo Cecrisa. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.004148/201018 Acórdão n.º 2301004.857 S2C3T1 Fl. 503 17 juros compensatórios e honorários advocatícios, evidenciando que o Estado de Santa Catarina foi condenado a pagar indenização por desapropriação. EMENTA ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. JUROS COMPENSATÓRIOS. TERMO INICIAL. IMISSÃO NA POSSE DO IMÓVEL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. 1. No tocante à alegada violação do disposto no artigo 535, II, do CPC, não assiste razão à parte recorrente. É de se destacar que os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar todas as teses levantadas pelo jurisdicionado durante um processo judicial, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas, em obediência ao que determina o art. 93, inc. IX, da Constituição da República vigente. Isto não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. Quanto à taxa dos juros compensatórios em desapropriações, a matéria já foi julgada em recurso especial submetido ao disposto no artigo 543C, do CPC RESP 1.111.829, Relator Ministro Teori Zavascki, no sentido de que tais consectários devem ser contados desde a imissão na posse do imóvel. Portanto, o acórdão deve ser reformado, quanto ao ponto. 3. Quanto aos honorários advocatícios, carece ao recorrente interesse recursal. A Medida Provisória 1.99737, de 11.04.2000, alterou o disposto no artigo 27 do DecretoLei 3.365/41, dandolhe a seguinte redação: "A sentença que fixa o valor da indenização quando este for superior ao preço oferecido, condenará o desapropriante a pagar honorários do advogado, que serão fixados entre meio e cinco por cento do valor da diferença, observando o disposto no § 4º do art. 20 do Código do Processo Civil, não podendo os honorários ultrapassar R$151.000,00 (cento e cinqüenta e um mil reais)". 4. O Tribunal a quo entendeu que 15% sobre o valor da condenação, perfazendo o montante de R$ 300.000,00, a que foi condenado o Estado de Santa Catarina, fugiria dos padrões da razoabilidade, reduzindo, com fundamento no artigo 20, § 4º, do CPC, a verba honorária para R$ 130.000,00. Ora, a aplicação do disposto no artigo 27 do Decreto 3.365/41 determina o arbitramento dos honorários entre 0,5% e 5% sobre a diferença apurada e não sobre o valor total da condenação, como sugere a parte recorrente. Ainda que arbitrado o percentual máximo, qual seja, 5% sobre o valor da condenação, tal corresponde a R$ 100.000,00, quantia inferior à que o Estado foi condenado a pagar. 5. Em resumo, em nada aproveita à parte recorrente a fixação dos honorários advocatícios à luz do Decreto 3.365/41, razão porque entendo faltarlhe interesse recursal no pleito, porquanto pretende obter a incidência de arcabouço normativo que, ao invés de lhe beneficiar, lhe prejudica. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, parcialmente provido.(grifei) Conforme informações nos andamentos processuais do Site do TJ/SC, houve trânsito em julgado para as partes em 18/05/2011. Sobre a tributação em áreas de interesse ecológico, já decidiu esse E. Conselho, Acórdão 2101002.640, Processo 10983.722480/201161, Relator, Alexandre Naoki Nishioka: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. CARACTERIZAÇÃO. O Parque Estadual Serra do Tabuleiro está situado em área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas de que trata o art. 10, §1º, II, “b”, da Lei n.º 9.393/96. Comprovada a localização da área de interesse ecológico, esta deve ser excluída da área tributável do imóvel. Recurso provido. (g.n.) Destaco razões de decidir do citado julgado, por se tratar do mesmo Parque Estadual (Serra do Tabuleiro) e por ser bastante semelhante ao caso aqui tratado: [...] Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre a hipótese de não incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.º 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior”. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.004148/201018 Acórdão n.º 2301004.857 S2C3T1 Fl. 504 19 Analisandose os autos, verificase que a controvérsia reside na questão de a área do imóvel objeto da autuação ser ou não de interesse ecológico. Em sendo de interesse ecológico, preencheria os requisitos para fruição da isenção do ITR, tal qual prevista no artigo 10, §1º, inciso II, alínea “b”, acima transcrito. No tocante à legislação ambiental, importante relembrar que é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios legislar sobre a proteção ao meio ambiente (preservação de florestas, conservação da natureza etc.), consoante se depreende da análise conjunta dos artigos 23 e 24 da Constituição Federal: [...] Com base em tal competência, o Decreto n. 1.260, de 01 de novembro de 1975, criou o Parque Nacional Serra do Tabuleiro, “visando à proteção e à preservação dos mananciais de água, da flora, da fauna, de determinados aspectos geológicos, da paisagem e dos locais apropriados ao lazer e à atração turística” (art. 1º.). No presente caso, a DRJ reconhece a importância dos parques estaduais mas exige, além de laudo técnico específico, a apresentação do ADA. Consta dos autos que 81,12% da propriedade do Recorrente está situada no Parque Nacional Serra do Tabuleiro, de que trata o Decreto n. 1.260, de 01 de novembro de 1975, 13,69% na Área de Proteção Permanente do Parque e somente 5,19% fora do parque, conforme mapas e imagens de localização da propriedade rural (efl. 98 e efls. 134/137), acompanhado de diversos outros documentos como fotos (efls. 138/141), pesquisa de mercado e estatística inferencial (efls. 167/192), todos elaborados por engenheiro civil perito judicial, nos autos da ação de desapropriação indireta proposta pelo ora Recorrente. Além disso, há declaração do órgão ambiental corroborando as informações prestadas pelo Recorrente (efl.60). Assim, entendo que a localização do imóvel comprovada por meio de laudo técnico elaborado por perito judicial, confirmada pelo órgão ambiental competente, supriria a necessidade do ADA. De qualquer forma, há nos autos cópia do ADA protocolizado em 30 de junho de 2007 (efl. 55/56), ou seja, seis meses antes da data do fato gerador, ocorrido em 01 de janeiro de 2008. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Assim, independentemente da glosa efetuada pela autoridade fiscal, restou incontroverso que ao tempo dos fatos geradores ( 2005, 2006, 2007) a área de 4.077 ha da propriedade já estava inserida no Parque Estadual Serra do Tabuleiro e que Estado de Santa Fl. 513DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 20 Catarina foi condenado a pagar indenização por expropriação dessa área desde a edição do Decreto Estadual n.º 2.335, de 17/03/77, que segundo a Decisão Judicial “que declarou a área de utilidade pública e interesse social”. Quanto à glosa de Produtos Vegetais, matéria que a DRJ julgou como não impugnada, entendo que descabe apreciação ante a perda de objeto, uma vez que foi reconhecida a área de APP inserida no Parque Estadual, abrangendo 99% da propriedade. Valor da Terra Nua VTN Embora praticamente toda a área do imóvel seja Área de Preservação Permanente APP, portanto isenta, cabe analisar o arbitramento do VTN pela tabela SIPT. No que tange ao arbitramento do VTN, a autoridade fiscal arbitrou: Exercício 2005 em R$ 12.396.900,00 (R$ 3.000,00/ha); Exercício 2006 em 16.529.200,00 (4.000,00/ha); Exercício 2007 em 18.595.350,00 (4.500,00/ha) O parágrafo 2° do artigo 8° da Lei n° 9.393, de 1996, dispõe que o VTN deve refletir o preço de mercado de terras, apurado em 1° de janeiro do ano a que se referir a declaração do ITR. A auto avaliação do valor da terra nua a preço de mercado efetuada pelo contribuinte em sua DITR está sujeita à fiscalização pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e, caso verificada a subavaliação, com base na tabela SIPT, será procedida a correção do valor declarado, conforme disposto no art. 14, abaixo transcrito: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Como se vê, por força do estabelecido no § 1º do art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Confirase a transcrição do referido artigo, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.18356, de 2001: Art.12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e cessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: Fl. 514DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.004148/201018 Acórdão n.º 2301004.857 S2C3T1 Fl. 505 21 I localização do imóvel; II aptidão agrícola III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. § 1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. § 2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. § 3º O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Analisandose o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir que o levantamento do VTN, levando em conta a média dos VTNs constantes nas DITRs, não tem suporte legal, pois o arbitramento do valor da terra nua com base nos dados do SIPT deve levar em conta, necessariamente, as informações sobre aptidão agrícola. Ainda que conste às fls. 138/140 (Tela SIPT CONSULTA) não há como saber se foram atendidos todos os parâmetros legais para o cálculo do VTN, de modo que não pode ser utilizado para proceder o arbitramento do valor da terra nua. Ademais, verificase nas mesmas telas uma discrepância entre os valores que foram arbitrados por aptidão agrícola e os valores médios constantes das DITR de cada exercício. EXERCÍCIO VTN/ DITR VTN/APTIDÃO AGRÍCOLA 2005 R$ 1.695,10 R$ 3.000,00 2006 R$ 2.223,03 R$ 4.000,00 2007 R$ 2.168,72 R$ 4.500,00 Importa mencionar que no Termo de Intimação Fiscal, a autoridade fiscal informou não sendo comprovado o VTN declarado, seriam arbitrados os valores de R$ 1.695,10 para 2005, R$ 2.223,03 para 2006 e de R$ 2.168,72 para 2007. No entanto, quando lavrado o Auto de Infração os valores arbitrados foram os de R$ 3.000,00, R$ 4.000,00 e R$ 4.500,00, respectivamente. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 22 No Estado de Direito deve sempre imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa conforme estabelecido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário. A utilização da tabela SIPT poderia ser válida e utilizada pelo Fisco, desde que ficasse comprovado que efetivamente as características de aptidão agrícola estão sendo levadas em conta para a área que está sendo fiscalizada, estando de acordo com o que a lei determina (existência de lavouras, campos, pastagens, matas etc). O preço médio por aptidão agrícola, ainda que fornecidos pela Secretaria da Agricultura é só um parâmetro indicativo da região, de modo que, de regra, não reflete a realidade do imóvel. Tanto é verdade que no caso aqui tratado, a área do imóvel se constitui, quase que em sua totalidade, de Área de Preservação Permanente (interesse ecológico), tornando incabíveis os valores arbitrados pelo Fisco. Nesse sentido, cabe transcrever o julgado abaixo, acórdão nº 2102003.137, da 1ª Câmara da 2ª Turma da 2ª Seção deste Egrégio Conselho, o qual ratifica o entendimento desta relatora. Vejamos: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2003 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso Voluntário Provido Na mesma esteira trilha o Acórdão 220201.269, Processo 10.183.005183/200525, Relatora Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, do qual subtraio apenas excerto da ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 [...] VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). INCABÍVEL AUTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO NA DITR. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. [...] Fl. 516DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.004148/201018 Acórdão n.º 2301004.857 S2C3T1 Fl. 506 23 Não é outro entendimento da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF ao proferir o Acórdão nº 9202003.749 abaixo ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Assim, o VTN utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências determinadas pela legislação de regência. Ademais, a contribuinte juntou ao processo (fls. 425/480), Laudo de Avaliação do Imóvel, elaborado por PROTOL Projetos de Engenharia e Consultoria Ltda, com Anotações de Responsabilidade Técnica, às fls. 482/483. Em suma, os valores encontrados para o imóvel foram de R$ 6.938.875,63 em 2005, R$ 7.402.163,95 em 2006 e R$ 7.769.239,19 em 2007. Assim, em relação aos 55 ha, os quais o recorrente não se insurgiu, por ser a única área tributável não inserida no Parque Estadual Serra do Tabuleiro, o VTN deve ser atribuído conforme valores constantes do Laudo de Avaliação do Imóvel. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010287/2003-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/10/1993 a 31/12/2002
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO.
Restando configurado o lançamento por homologação pelo pagamento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, § 4º do CTN, operando-se em cinco anos, contados da data do fato gerador. Inexistindo a antecipação do pagamento, aplica-se a regra do art. 173, I, do CTN, contando-se o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ RESP 973.733.
BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS. IMPOSSIBILIDADE. NORMA SEM EFICÁCIA.
O art. 3º, § 2º, inciso III da Lei nº 9.718/98, revogado pela Medida Provisória n° 1.991-18, não chegou a ter eficácia, visto ter sido retirado do ordenamento jurídico antes de sua regulamentação pelo Poder Executivo.
COMPENSAÇÃO. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL.
Incabível à autoridade administrativa aceitar a compensação de débitos relativos a tributos e a contribuições federais com créditos referentes a títulos da dívida pública por falta de previsão legal. De outra parte, a extinção do crédito tributário em face de determinação judicial demanda decisão transitada em julgado.
EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE COM VALORES DECLARADOS EM DCTF.
Constada em diligência o lançamento de ofício de débitos declarados em DCTF exclui-se do auto de infração os valores indevidamente lançados.
MULTAS. INCONSTITUCIONALIDADE.
Os órgãos administrativos de julgamento não possuem competência para aferir a constitucionalidade das leis. Súmula CARF nº 2.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 4.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-003.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir os valores lançados até setembro de 1998, em razão da decadência do direito do fisco; e para excluir os valores exigidos em duplicidade, nos termos do quanto apurado em diligência (fls. 3741).
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. Restando configurado o lançamento por homologação pelo pagamento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício regese pela regra do art. 150, § 4º do CTN, operando se em cinco anos, contados da data do fato gerador. Inexistindo a antecipação do pagamento, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, contandose o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ RESP 973.733. BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS. IMPOSSIBILIDADE. NORMA SEM EFICÁCIA. O art. 3º, § 2º, inciso III da Lei nº 9.718/98, revogado pela Medida Provisória n° 1.99118, não chegou a ter eficácia, visto ter sido retirado do ordenamento jurídico antes de sua regulamentação pelo Poder Executivo. COMPENSAÇÃO. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL. Incabível à autoridade administrativa aceitar a compensação de débitos relativos a tributos e a contribuições federais com créditos referentes a títulos da dívida pública por falta de previsão legal. De outra parte, a extinção do crédito tributário em face de determinação judicial demanda decisão transitada em julgado. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE COM VALORES DECLARADOS EM DCTF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 02 87 /2 00 3- 02 Fl. 3748DF CARF MF 2 Constada em diligência o lançamento de ofício de débitos declarados em DCTF excluise do auto de infração os valores indevidamente lançados. MULTAS. INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos administrativos de julgamento não possuem competência para aferir a constitucionalidade das leis. Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 4. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir os valores lançados até setembro de 1998, em razão da decadência do direito do fisco; e para excluir os valores exigidos em duplicidade, nos termos do quanto apurado em diligência (fls. 3741). (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 31/10/2003, lavrado para exigir o crédito tributário relativo a diferenças no recolhimento da COFINS nos períodos de apuração compreendidos entre outubro de 1993 e dezembro de 2002, conforme termo de verificação fiscal de fls. 2074/2095. A leitura do referido termo de verificação permite constatar que a fiscalização fez uma análise completa da situação fiscal do contribuinte em relação à COFINS, confrontando valores recolhidos, valores declarados, valores compensados e valores compensados englobando a análise de vários processos administrativos. Por uma questão de economia, os detalhamentos do termo de verificação fiscal e das alegações de defesa serão efetuados na fundamentação do voto. Em sede de impugnação ao lançamento, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: a) nulidade do procedimento fiscal; b) decadência do direito do fisco; c) impossibilidade de o fisco incluir na base de cálculo valores repassados a subempreiteiras; d) impossibilidade de o fisco reverter a compensação dos créditos de Finsocial com débitos da COFINS; e) impossibilidade de o fisco exigir as diferenças nos períodos em que houve declaração a menor sem efetuar a compensação de ofício com os valores dos meses em que Fl. 3749DF CARF MF Processo nº 10980.010287/200302 Acórdão n.º 3402003.776 S3C4T2 Fl. 3 3 houve declaração a maior; f) sustentou a validade da compensação de débitos da COFINS com créditos originários de títulos da dívida pública; g) contestou a inflição dos consectários do lançamento de ofício. Por meio do Acórdão nº 5.825, de 31 de março de 2004, a DRJ Curitiba julgou a impugnação improcedente e manteve o lançamento em sua integralidade (fls. 2559/2592). Regularmente notificado daquele acórdão em 18/05/2004, o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 2640/2699, em 16/06/2004, no qual reprisou as alegações de impugnação e contestou pontos específicos do acórdão recorrido. Por meio da Resolução nº 20200.979, de 28 de março de 2006, o julgamento foi convertido em diligência à repartição de origem, a fim de que fosse informado o trâmite atual dos processos administrativos e judiciais citados nos autos, bem como o teor e os reflexos neste processo das decisões de mérito e/ou liminares, que porventura tenham sido proferidas. Os autos retornaram com a informação de fls. 2747/2749, onde a fiscalização fez um resumo do objeto e da situação de cada ação, sem tecer nenhuma consideração quanto aos reflexos das decisões neste processo, além daqueles já mencionados no termo de verificação fiscal. Regularmente notificado do teor da informação fiscal, o contribuinte se manifestou às fls. 2758, informando que não tem nada a informar e que ratifica os termos do recurso voluntário apresentado. Por meio do despacho de fls. 2812 foram apensados a este processo os processos administrativos cujas informações foram requeridas na diligência. Por meio da Resolução 3403000.343, o julgamento foi convertido em diligência à repartição de origem, a fim de que fosse averiguada a alegação do contribuinte quanto à existência da cobrança de débitos em duplicidade com as CDA 70.6.0604961466 e 80.09.02526321 (fls. 2830/2831). O processo retornou com os documentos de fls. 2966 a 3731 e com a informação fiscal de fls. 3732 a 3741. Regularmente notificado das averiguações e conclusões da diligência realizada (fls. 3743/3744), o contribuinte se absteve de apresentar manifestação (fls. 3745). É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido por este colegiado. Fl. 3750DF CARF MF 4 O auto de infração de PIS, que se encontra albergado no processo nº 10980.010288/200349, foi relatado e julgado na assentada do dia 15 de março de 2016 pela ilustríssima Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula (Acórdão nº 3402002.956). PPRREELLIIMMIINNAARREESS AA)) VVEEDDAAÇÇÃÃOO ÀÀ DDUUPPLLIICCIIDDAADDEE DDEE FFIISSCCAALLIIZZAAÇÇÕÕEESS JJAANNEEIIRROO DDEE 11999922 AA MMAARRÇÇOO DDEE 11999944 O contribuinte alegou nulidade do procedimento fiscal em relação aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre janeiro de 1992 e março de 1994, pois no seu entender esse período já havia sido fiscalizado nos processos nº 10980.010584/9206; 10980.006536/9214; 10980.006026/9319 e 10980.008443/9621. Conforme se verifica nas fls. 606 e seguintes, os processos administrativos nº 10980.006536/9214 e nº 10980.010584/9262 foram formalizados para acompanhamento da medida cautelar de depósito nº 92.00060200 e da ação declaratória 92.98444, respectivamente, que tinham por objeto obter autorização para efetuar depósitos em juízo da COFINS e a obtenção da declaração de inconstitucionalidade da LC nº 70/91. Já nas fls. 1381 e seguintes, verificase que o processo nº 10980.008443/96 21 se refere à cobrança de débitos declarados em DCTF relativos à COFINS dos meses de setembro de 1993 a março de 1994, que estavam sendo cobrados em razão da insuficiência dos depósitos judiciais efetuados. E por fim, nas fls. 1338 e seguintes, verificase que o processo nº 10980.006026/9319 alberga o auto de infração da COFINS com exigibilidade suspensa, em relação aos fatos geradores ocorridos entre abril de 1992 e março de 1993. O exame dessas peças processuais comprova que o conteúdo dos diversos processos é totalmente diferente do conteúdo deste processo administrativo. Enquanto que neste caso concreto foi efetuada a fiscalização propriamente dita da COFINS; os processos nº 10980.006536/9214 e 10980.010584/9262 foram instaurados para o acompanhamento das ações judiciais relativas à COFINS; o processo 10980.008443/9621 teve por objeto a cobrança de débitos declarados da COFINS cujos depósitos em juízo foram considerados insuficientes; e no processo nº 10980.006026/9319 o objeto foi constituição do crédito tributário em relação à COFINS que estava com exigibilidade suspensa. Portanto, ao contrário do alegado pela defesa, não houve duplicidade de fiscalizações, pois dois processos versaram sobre o mero acompanhamento de ações judiciais e nos outros dois houve mera análise da suficiência dos depósitos, o que equivale dizer que não houve fiscalização da apuração da COFINS, mas apenas e tãosomente a aferição da suficiência dos depósitos judiciais, em relação aos valores que haviam sido espontaneamente declarados pelo contribuinte. Com esses fundamentos, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade em decorrência da suposta duplicidade de fiscalizações. BB)) DDEECCAADDÊÊNNCCIIAA A defesa alegou que houve decadência do direito do fisco, pois os dez anos previstos no art. 45 da Lei nº 8.212/91 seriam inaplicáveis à COFINS diante da previsão contida no art. 146 da CF/88. Em face de previsão expressa contida no art. 62 do Regimento Interno do CARF a questão da decadência do direito do fisco efetuar o lançamento dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação está pacificada. Este Colegiado deve obrigatoriamente aplicar a Fl. 3751DF CARF MF Processo nº 10980.010287/200302 Acórdão n.º 3402003.776 S3C4T2 Fl. 4 5 Súmula Vinculante nº 8 do STF e a decisão do STJ proferida no RESP nº 973.733, sob o regime do art. 543C do CPC, que considera que o pagamento antecipado do tributo, antes de qualquer iniciativa do fisco, é relevante para caracterizar o lançamento por homologação. Eis a ementa do referido julgado: “RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, Fl. 3752DF CARF MF 6 págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” No caso concreto, o auto de infração foi notificado ao contribuinte em 31/10/2003, abrangendo fatos geradores ocorridos entre outubro de 1993 e dezembro de 2002. Por aplicação da regra de decadência prevista no art. 173, I, do CTN estão caducos todos os períodos de apuração encerrados até novembro de 1997, os quais devem ser excluídos de plano do lançamento. Para os fatos geradores ocorridos entre dezembro de 1997 e setembro 1998 a aferição da ocorrência da decadência exige a constatação da existência ou da inexistência de pagamentos antecipados da contribuição. A tela do Sistema SINAL07, juntada pela fiscalização à fl. 1268, revela que no referido período houve pagamento antecipado em relação todos os fatos geradores: Existindo o pagamento antecipado para esses períodos de apuração, deve ser aplicada a regra do art. 150, § 4º do CTN para a contagem do prazo de decadência. O auto de infração foi notificado ao contribuinte em 31/10/2003. Logo estão caducos todos os fatos geradores ocorridos entre dezembro de 1997 e setembro de 1998. Com esses fundamentos, encaminho meu voto no sentido de excluir do lançamento todos os fatos geradores ocorridos entre outubro de 1993 e setembro de 1998, em virtude da decadência do direito do fisco. Fl. 3753DF CARF MF Processo nº 10980.010287/200302 Acórdão n.º 3402003.776 S3C4T2 Fl. 5 7 O contribuinte contestou a decisão recorrida e o procedimento da fiscalização por terem imputado pagamentos efetuados em relação a débitos alcançados pela decadência. Entende o contribuinte que o fisco não poderia ter adotado tal procedimento e que os créditos utilizados em imputação indevida em outros processos administrativos deveriam ser utilizados na imputação de débitos futuros, posteriores a outubro de 1998, tal como foi feito na planilha apresentada junto com a impugnação pela defesa. Esse pleito do contribuinte deve ser indeferido de plano, pois a decadência é fato impeditivo da constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício e não da apuração de valores devidos. O contribuinte apontou especificamente em seu recurso os períodos de apuração nos quais houve imputações de pagamentos que deveriam ser desconsideradas: "(...) (...)" O pleito do contribuinte e a planilha apresentada com a impugnação não podem ser acolhidos, pois o exame dos processos que foram apensados com a primeira diligência efetuada revela que as imputações foram efetuadas naqueles processos para dar cumprimento a decisões judiciais, aferindo a suficiência de valores depositados em juízo. Sendo assim, não há que se falar em decadência do procedimento de imputação, pois foi esse procedimento que deu origem à apuração dos valores ora lançados de ofício, estes sim sujeitos aos prazos decadenciais do CTN. Sendo assim, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a alegação e o pleito do contribuinte. CC)) IIMMPPEEDDIIMMEENNTTOO AAOO LLAANNÇÇAAMMEENNTTOO Outra queixa do contribuinte foi em relação aos períodos de apuração ocorridos em junho e julho de 2001. O contribuinte entende que os créditos estão em discussão no processo nº 10980.005652/200197 e que o lançamento de ofício somente poderia ter sido efetuado após a conclusão daquele processo. O exame do demonstrativo de apuração elaborado pela fiscalização em relação ao ano calendário de 2001 (fl. 2052) revela que não existe nenhuma dependência deste processo em relação ao processo nº 10980.005652/200197, pois os valores dos créditos em discussão naquele processo foram deduzidos do valor lançado neste auto de infração, conforme se pode constatar a seguir: Fl. 3754DF CARF MF 8 Observem, senhores conselheiros que sob a coluna "COMPENSAÇÃO PAF 10960.005652 (DCTF)" a fiscalização deduziu do lançamento os valores dos créditos que estão em discussão naquele processo, fato que comprova que qualquer decisão que venha a ser proferida no âmbito daquele processo não interferirá com o lançamento de ofício ora em discussão. Com esse fundamento, encaminho meu voto para rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento em relação aos fatos geradores de junho e julho de 2001. MMÉÉRRIITTOO AA)) EEXXCCLLUUSSÃÃOO DDEE RREECCEEIITTAASS RREEPPAASSSSAADDAASS PPAARRAA SSUUBBEEMMPPRREEIITTEEIIRRAASS JJAANNEEIIRROO AA MMAARRÇÇOO DDEE 22000000 A defesa se insurgiu contra a fiscalização, e também contra o acórdão recorrido, na parte em que não admitiram a exclusão de receitas repassadas para subempreiteiras da base de cálculo da COFINS, nos meses de janeiro a março de 2000, com base no art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/981. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, o referido dispositivo legal não era autoaplicável, uma vez que a parte final do inciso III, ressalvava a necessidade de regulamentação por parte da Administração Tributária. Independentemente do fato de a regulamentação não poder suprimir a autorização legal, a norma em questão não era autoaplicável porque o próprio legislador condicionou sua eficácia à prévia regulamentação. Na lição de Hely Lopes Meirelles2: "(...) 1 Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.(Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §2ºPara fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I e II omissis... IIIos valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo;(Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000)(Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) 2 Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 25 ed, pág. 120. Fl. 3755DF CARF MF Processo nº 10980.010287/200302 Acórdão n.º 3402003.776 S3C4T2 Fl. 6 9 As leis que trazem a recomendação de serem regulamentadas não são exequíveis antes da expedição do decreto regulamentar, porque esse ato é conditio juris da atuação normativa da lei. Em tal caso, o regulamento opera como condição suspensiva da execução da norma legal, deixando seus efeitos pendentes até a expedição do ato do Executivo. (...)" E a jurisprudência não destoa, pois além dos acórdãos citados na decisão de primeira instância, específicos para o art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98, encontramos o seguinte julgado: "(...) 2. Busca o autor, servidor público do quadro de pessoal do Ministério Público Federal, o reconhecimento do seu direito à percepção do adicional de atividade penosa, previsto no art. 71 da Lei 8.112/1990, durante o período em que ainda não existia regulamentação específica no âmbito daquele órgão acerca de tal vantagem (...). O Superior Tribunal de Justiça, em hipótese semelhante, já se manifestou pela impossibilidade dos servidores públicos receberem valores retroativos decorrentes da regulamentação de regimes jurídicos ao asseverar que: i) normas de eficácia condicionada (limitada) não são autoaplicáveis; ii) não é possível conceder eficácia retroativa à regulamentação quando inexistente norma legal; iii) a Administração Pública só pode realizar o que lhe é permitido por lei. Precedente: RMS 20.118/RJ, Rel. Ministro GILSON DIPP, QUINTA TURMA, julgado em 19/06/2007, DJ 06/08/2007, p. 539. 7. Agravo regimental não provido. (...)" (AgReg no Resp 1.491.890) Tendo em vista que o art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98 não foi regulamentado até a sua revogação pela Medida Provisória nº 2.15835/2001, concluise que nunca houve o direito de o contribuinte excluir da base de cálculo valores reconhecidos como receitas que tenham sido posteriormente repassados a terceiros. Ademais, o referido dispositivo legal estava revogado desde 01/01/2000 (vide art. 93, V, da MP nº 2.15835/2001). Sendo assim, em relação aos fatos geradores ocorridos no período janeiro de 2000 a dezembro de 2002, já não existia previsão legal autorizando essa transferência. Com tais fundamentos, encaminho meu voto no sentido de manter os valores relativos às contribuições devidas nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2000 na forma posta no lançamento. Fl. 3756DF CARF MF 10 BB)) GGLLOOSSAA IINNDDEEVVIIDDAA DDAA CCOOMMPPEENNSSAAÇÇÃÃOO DDAA CCOOFFIINNSS CCOOMM CCRRÉÉDDIITTOOSS DDEE FFIINNSSOOCCIIAALL AAGGOOSSTTOO AA DDEEZZEEMMBBRROO DDEE 11999999.. Segundo o termo de verificação fiscal, nas DCTF originais correspondentes ao período de agosto a dezembro de 1999 o contribuinte declarou compensações com DARF vinculando créditos por recolhimento indevido do FINSOCIAL. Entretanto, posteriormente, apresentou DCTF complementar a fim de alterar tais compensações para compensações sem DARF com processo judicial com pedido de reconhecimento de validade e de eficácia de Apólices da Dívida Pública Federal, com a consequente utilização dos créditos resultantes de cada título, para aporte de capital e compensação com tributos federais. A fiscalização e o acórdão de primeira instância entenderam que as DCTF "complementares" eram materialmente retificadoras, pois, em lugar de acrescentarem débitos ou créditos a serem compensados, se limitaram a alterar o fundamento jurídico da compensação declarada. O contribuinte se insurgiu contra esse entendimento, basicamente porque a legislação estabelece as diferenças entre declarações retificadoras e complementares; porque o fisco não poderia tomar como retificadora uma declaração que foi apresentada como complementar; e porque seria insensato por parte da recorrente reverter uma compensação efetuada com créditos líquidos e certos de Finsocial apurados em sentença judicial transitada em julgado. Pois bem. O cotejo das DCTF originais (fls. 1105/1114 e 1118/1131) com as DCTF "complementares" (fls. 1115/1117 e 1132/1135) foi feito com maestria pela decisão de primeira instância às fls. 2578/2579, cujos demonstrativos transcrevo a seguir: Fl. 3757DF CARF MF Processo nº 10980.010287/200302 Acórdão n.º 3402003.776 S3C4T2 Fl. 7 11 Analisandose os quadros acima, percebese que o contribuinte não teve a intenção de acrescentar débitos às DCTF originais. Seu objetivo foi o de alterar o fundamento jurídico da compensação, pois nas DCTF originais informou compensações com DARF de FINSOCIAL com débitos da COFINS, enquanto que nas DCTF tidas como complementares a única alteração foi quanto à origem do crédito vinculado à compensação, que passou a ser a ação judicial 2001.35.00.0068982/GO, cujo objeto foi o reconhecimento da legitimidade dos títulos públicos dos quais o contribuinte é detentor. Portanto, é evidente que se tratam de DCTF retificadoras e que não houve glosa de compensação do FINSOCIAL com a COFINS, mas sim glosa de compensação da COFINS com crédito originário de títulos públicos. O art. 8º da IN SRF nº 126/98 estabelece que a DCTF complementar se presta para declarar novos débitos ou acréscimos aos valores de débitos já informados. Sendo assim, não foi a fiscalização que tomou uma declaração complementar como retificadora. Foi o próprio contribuinte que usou uma declaração complementar para retificar a origem do crédito e o fundamento jurídico da compensação declarada. Ao alterar o fundamento jurídico do crédito vinculado às compensações de pagamento indevido para crédito oriundo de decisão judicial, a compensação com créditos de FINSOCIAL deixou de existir no mundo jurídico, tendo sido substituída pelo próprio contribuinte pela compensação com crédito decorrente de decisão judicial. Analisandose a inicial da ação judicial 2001.35.00.0068982/GO (fls. 1551 e seguintes), verificase que um dos pedidos do autor foi a utilização do valor dos títulos para a compensação de tributos federais. A sentença reconheceu esse direito. Entretanto, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região deu provimento à remessa de ofício e reformou a sentença, Fl. 3758DF CARF MF 12 reconhecendo a prescrição dos títulos públicos. O Acórdão do TRF1 recebeu a seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA EMITIDOS NO INÍCIO DO SÉCULO XX. PRELIMINARES AFASTADAS. PRESCRIÇÃO RECONHECIDA. 1. Não há que falar em inconstitucionalidade do DecretoLei n. 263/67, por vício de origem, em razão de ter estabelecido, em seu art. 3º, a extinção da dívida decorrente de Títulos da Dívida Pública, se não resgatados no prazo ali fixado, tendo em vista que o Poder Executivo estava autorizado a legislar sobre finanças públicas por meio de decretolei, nos termos do art. 9º, § 2º, do Ato Institucional n. 04, de 07.12.66. O mesmo se diga em relação ao DecretoLei n. 396/68, que prorrogou o prazo de apresentação dos títulos para resgate, com base na autorização dada pelo art. 2º, § 1º, do Ato Institucional n. 05, de 13.12.68. 2. Os referidos Decretosleis não regularam, em termos gerais, sobre prescrição ou decadência, mas, tãosó, sobre aspecto essencial dos mesmos títulos, qual seja, o prazo de resgate dos títulos, que se encontra, também, inserido no âmbito das finanças públicas. 3. A prescrição da dívida decorrente do resgate dos títulos da dívida pública e do pagamento dos respectivos juros está prevista no art. 60 da Lei nº 4.069/62, que estabeleceu o prazo de cinco anos para os interessados reclamarem o seu pagamento, de forma que, os créditos que a autora alega possuir contra a União Federal encontramse atingidos pela prescrição. 4. O § 3º do art. 30 da Medida Provisória n. 1.238/95, porque suprimido do texto antes de sua apreciação pelo Congresso Nacional, não tem aptidão para ressuscitar a validade dos títulos emitidos no início do século XX e já atingidos pela prescrição, uma vez que às Medidas Provisórias não se aplica o disposto no art. 4º, § 1º, da Lei de Introdução ao Código Civil, diante do que dispõe o § 3º do art. 62 da Constituição Federal de 1988. 5. Apelações da UNIÃO, do BNDES, do BACEN e do INSS providas, em parte. 6. Remessa oficial provida." Foi interposto Recurso Especial ao STJ, o qual não foi conhecido por aquele Tribunal, conforme se pode constatar no Agravo Regimental em Recurso Especial nº 32.576 (https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?num_registro=201101830108&aplicacao=processos. ea). Portanto, além de o contribuinte não ter respaldo judicial para efetuar a compensação da COFINS com os títulos públicos, efetuou essa compensação antes do trânsito em julgado da ação, em afronta ao art. 170 do CTN e ao art. 74 da Lei nº 9.430/96 na sua redação original, que estava vigente ao tempo em que essa compensação foi efetuada. A violação do art. 170 do CTN é inconteste, pois o dispositivo exige que o encontro de contas seja efetuado com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Ora, se o crédito decorrente dos títulos públicos estava em discussão na via judicial é evidente que não havia certeza jurídica quanto à sua existência e nem liquidez quanto à sua magnitude, uma vez que a sentença estava sujeita à remessa de ofício e foi objeto de recursos de apelação por parte dos vencidos. Também é evidente a violação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, pois entre agosto e dezembro de 1999, época em que foram efetuadas as compensações, vigia a redação original Fl. 3759DF CARF MF Processo nº 10980.010287/200302 Acórdão n.º 3402003.776 S3C4T2 Fl. 8 13 desse dispositivo legal, que exigia requerimento do sujeito passivo e anuência prévia da autoridade administrativa para a realização da compensação. Portanto, correta da glosa da compensação com créditos decorrentes de títulos públicos efetuada pela fiscalização, pois na ação judicial ficou decidido com eficácia de coisa julgada que o crédito vinculado à compensação não existe, diante da prescrição dos aludidos títulos. Se na ação judicial restou decidido que o crédito resultante dos títulos públicos não existe, descabe analisar os demais argumentos trazidos no recurso voluntário quanto ao direito de efetuar compensação com créditos decorrentes de títulos públicos. CC)) DDOO PPLLEEIITTOO DDEE RREEVVIISSÃÃOO DDEE OOFFÍÍCCIIOO DDOOSS PPEERRÍÍOODDOOSS DDEE AAGGOOSSTTOO EE SSEETTEEMMBBRROO DDEE 11999988.. Este argumento está prejudicado porque esses períodos foram excluídos em razão da decadência do direito do fisco. DD)) VVAALLIIDDAADDEE EE LLEEGGAALLIIDDAADDEE DDAASS CCOOMMPPEENNSSAAÇÇÕÕEESS CCOOMM TTÍÍTTUULLOOSS PPÚÚBBLLIICCOOSS AABBRRIILL DDEE 22000000 AA DDEEZZEEMMBBRROO DDEE 22000022.. Em extenso arrazoado a defesa contestou a glosa da compensação com títulos públicos. Conforme foi visto alhures, o art. 170 do CTN exige como requisito prévio à compensação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte. Por sua vez, entre abril de 2000 e agosto de 2002, data da publicação da MP nº 55, de 29 de agosto de 2002, a compensação só podia ser efetuada com anuência prévia da repartição fiscal, o que não foi obedecido pelo contribuinte. E entre setembro de 2002 e dezembro de 2002, embora a nova redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96 tenha dispensado o requerimento prévio à Administração Tributária, o dispositivo passou a estabelecer expressamente que o crédito a ser utilizado em compensação deveria se referir a tributo ou contribuição administrado pela Receita Federal, o que exclui a possibilidade de utilizar créditos decorrentes de títulos públicos. Portanto, a lei exige o trânsito em julgado da decisão judicial, a fim de que sejam cumpridos os requisitos da certeza e da liquidez do crédito e, pelo menos a partir de setembro de 2002, passou a admitir expressamente apenas a compensação entre créditos e débitos tributários. No caso concreto, houve dupla violação legal por parte do contribuinte, pois a compensação do período de abril de 2000 a dezembro de 2002 foi efetuada na pendência de processo judicial onde se discutia a certeza e a liquidez do crédito, bem como a utilização de crédito de natureza não tributária, visto que decorrente de títulos públicos. Desse modo, não havia amparo legal para que a compensação fosse efetuada. Fl. 3760DF CARF MF 14 Além disso, para agravar a situação, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região reformou a sentença proferida no processo nº 2001.35.00.0068982/GO, considerando os títulos públicos prescritos. Sendo assim, além de não ter cumprido os requisitos exigidos pelo art. 170 do CTN e pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, restou decidido no processo judicial que o crédito utilizado pelo contribuinte nas compensações não existe, pois o Judiciário decretou que os títulos estão prescritos. Com esses fundamentos, encaminho meu voto no sentido de manter a glosa dessa compensação nos moldes postos pela fiscalização. EE)) DDAA SSEEGGUUNNDDAA DDIILLIIGGÊÊNNCCIIAA EEFFEETTUUAADDAA Às fls. 2830/2831 o contribuinte alegou duplicidade de cobrança entre as CDA 70.6.0604961466 e 80.6.0902526321 e parte dos valores lançados neste processo. Na EXCELENTE informação fiscal de fls. 3732/3741, o AuditorFiscal incumbido da diligência informou o seguinte: "(...) Fl. 3761DF CARF MF Processo nº 10980.010287/200302 Acórdão n.º 3402003.776 S3C4T2 Fl. 9 15 (...)" O contribuinte foi notificado dessa informação fiscal em 05/05/2016, conforme fls. 3744 e abstevese de apresentar contestação. Sendo assim, tendo sido constatada a duplicidade de exigência nos períodos e valores mencionados na Tabela 4 da informação fiscal, encaminho meu voto no sentido de que tais valores sejam excluídos do lançamento de ofício, homologandose o resultado da diligência. FF)) IILLEEGGAALLIIDDAADDEE EE IINNCCOONNSSTTIITTUUCCIIOONNAALLIIDDAADDEE DDAA MMUULLTTAA DDEE OOFFÍÍCCIIOO.. As alegações trazidas pelo contribuinte em sede de recurso implicam o exame da constitucionalidade do art. 44 da Lei nº 9.430/96 e, portanto, não podem ser apreciadas na via administrativa, conforme estabelece a Súmula CARF nº 2. No caso concreto, estamos diante de um lançamento de ofício no qual foi apurada a falta de declaração e de recolhimento da contribuinte, fato que se amolda perfeitamente ao disposto no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Tendo sido verificado o pressuposto fático para a aplicação do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, a inflição da multa no percentual de 75% deve ser considerada correta, não merecendo reparos o lançamento nesta parte. Com esse fundamento, encaminho meu voto no sentido de manter o lançamento da multa de ofício. GG)) IILLEEGGAALLIIDDAADDEE DDAA TTAAXXAA SSEELLIICC CCOOMMOO JJUURROOSS DDEE MMOORRAA.. As alegações quanto à aplicabilidade da taxa Selic são improcedentes. Tendo em vista que os valores lançados até setembro de 1998 foram excluídos em razão da decadência, é aplicável ao caso concreto o enunciado da Súmula CARF nº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir os valores lançados até setembro de 1998, em razão da decadência do direito do fisco; e para excluir os valores exigidos em duplicidade, nos termos do quanto apurado em diligência (fls. 3741). Antonio Carlos Atulim Fl. 3762DF CARF MF 16 Fl. 3763DF CARF MF
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