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Numero do processo: 10945.000888/2005-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 07/11/2002 a 18/06/2004
VALORAÇÃO ADUANEIRA. SUBFATURAMENTO. PENALIDADE.
As acusações de subfaturamento dependem da desconstituição da fatura comercial que instruiu o despacho, ou seja, dependem de prova de que o real valor da transação difere do valor declarado.
O simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não é motivo para sua rejeição, conforme expresso na Opinião Consultiva 2.1, integrante das regras de interpretação do Acordo de Valoração Aduaneira, cuja observância foi objeto do art. I o da Instrução Normativa SRF n° 17, de 1998.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 05/05/2004 a 18/06/2004
CONTRIBUIÇÕES. PIS/PASEP E COFINS NA IMPORTAÇÃO.
As contribuições para o Pis/Pasep e a Cofins incidentes nas operações de importação devem ser calculadas com base em alíquota específica.
Numero da decisão: 3402-003.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. Sustentou pela recorrente o Dr. Alessandro Barasuol, OAB/PR 74.188.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 07/11/2002 a 18/06/2004 VALORAÇÃO ADUANEIRA. SUBFATURAMENTO. PENALIDADE. As acusações de subfaturamento dependem da desconstituição da fatura comercial que instruiu o despacho, ou seja, dependem de prova de que o real valor da transação difere do valor declarado. O simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não é motivo para sua rejeição, conforme expresso na Opinião Consultiva 2.1, integrante das regras de interpretação do Acordo de Valoração Aduaneira, cuja observância foi objeto do art. I o da Instrução Normativa SRF n° 17, de 1998. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 05/05/2004 a 18/06/2004 CONTRIBUIÇÕES. PIS/PASEP E COFINS NA IMPORTAÇÃO. As contribuições para o Pis/Pasep e a Cofins incidentes nas operações de importação devem ser calculadas com base em alíquota específica.
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SUBFATURAMENTO. PENALIDADE. As acusações de subfaturamento dependem da desconstituição da fatura comercial que instruiu o despacho, ou seja, dependem de prova de que o real valor da transação difere do valor declarado. O simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não é motivo para sua rejeição, conforme expresso na Opinião Consultiva 2.1, integrante das regras de interpretação do Acordo de Valoração Aduaneira, cuja observância foi objeto do art. I o da Instrução Normativa SRF n° 17, de 1998. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 05/05/2004 a 18/06/2004 CONTRIBUIÇÕES. PIS/PASEP E COFINS NA IMPORTAÇÃO. As contribuições para o Pis/Pasep e a Cofins incidentes nas operações de importação devem ser calculadas com base em alíquota específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. Sustentou pela recorrente o Dr. Alessandro Barasuol, OAB/PR 74.188. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 08 88 /2 00 5- 97 Fl. 408DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de auto de infração relativo a importações de mercadorias identificadas como Préformas de frascos ou artigos semelhantes, constituídas de Poli Tereftalato de Etileno, registradas pelo Recorrente no período entre 07/11/2002 e 18/06/2004. O fundamento da autuação foi a suspeita de prática de subfaturamento por parte da Recorrente, cuja verificação resultou no lançamento do PISImportação e Cofins Importação relativo às operações ocorridas entre 05/05/2004 e 18/06/2004, e a aplicação da multa por subfaturamento, prevista no art. 633, I do Decreto nº 4.503/2002, sobre todas as operações realizadas entre 07/11/2002 e 18/06/2004. Frisese que a multa de subfaturamento foi exigida isoladamente entre 07/11/2002 e 23/04/2004, tendo em vista que a Lei nº 10.865/2004, que instituiu o PIS/Cofins Importação entrou em vigor apenas em 01/05/2004, nos termos de seu art. 53. Em seu relatório fiscal, o AFRFB informou que foi denunciada à Receita Federal a prática de preços inferiores ao mercado nas importações de "esboços de garrafas plásticas", classificáveis no código tarifário NCM 3923.30.00, cuja produção utiliza "tereftalato de polietileno PET", enquadrado no código NCM 3907.60.00. Com isso, as importações futuras foram direcionadas para o canal cinza de conferência aduaneira, e as importações anteriores foram sujeitas a revisão. Ao ser inquirido sobre a composição do preço declaração nas DIs, o importador afirmou que se tratava de mercadoria obtida da reciclagem de descarte industrial. Uma amostra foi enviada para exame laboratorial que concluiu que ela possui perfil de matéria prima virgem, não havendo sido consumida anteriormente, todavia, o laudo não alude à possibilidade da mercadoria ter sido produzida com matériaprima obtida a partir da reciclagem de resíduo industrial. Analisou também a fiscalização que o preço do produto oriundo do Paraguai seria superior àquele declarado nas DIs, e que a matériaprima utilizada para a produção das mercadorias naquele país seriam originadas de países do Mercosul, com preços sujeitos ao regime típico de commodities. Além disso, consigna que a única região que apresenta preços mais baixos para a mercadoria é o Sudeste Asiático. Entendendo que as circunstâncias afastariam a aplicação do AVAGATT, a fiscalização arbitrou o valor aduaneiro das mercadorias negociadas nas importações indicadas no auto de infração, adotando como paradigma a DI de fl. 151. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10945.000888/200597 Acórdão n.º 3402003.484 S3C4T2 Fl. 3 3 Quanto ao lançamento de PIS/CofinsImportação, a fiscalização afirma que os recolhimentos foram insuficientes, a um, por terem sido os valores calculados sobre o valor aduaneiro subfaturado, e a dois por terem tido com base alíquotas ad valorem, quando deveriam têlo sido com base em alíquota específica da Lei nº 10.865/2004. A Impugnação do Contribuinte argumentou o seguinte: 1) A denúncia acolhida pela fiscalização era desprovida de qualquer prova. 2) A fundamentação da exigência desrespeita as disposições contidas no Acordo de Valoração Aduaneira e, portanto, o exercício da livre contratação e do livre comércio, acusa a prática de subfaturamento em face do simples fato de o preço praticado nas importações em causa ser inferior aos preços correntes no mercado. 3) O laudo laboratorial foi tendencioso, pois não analisou a possibilidade da matériaprima ter sido obtida a partir da reciclagem do resíduo industrial, que era justamente o argumento da Recorrente para justificar o preço menor. 4) O documento que certifica a origem da mercadoria importada pela impugnante não se refere à origem da matériaprima de que essa mercadoria é constituída. Dita matériaprima poderia ser originária de qualquer país, sem que tal circunstância fosse suficiente para desqualificar a origem do produto final. 5) Tivesse a fiscalização laborado de modo honesto e imparcial não só teria apresentado pesquisa relacionada ao preço do tereftalato de polietileno no mercado internacional, aí incluído o sudeste asiático, como também teria solicitado às autoridades paraguaias informações a respeito da origem, quantidade e preços dessa matériaprima nas importações destinadas àquele país. 6) Tivesse a fiscalização procedido dessa maneira, teria apurado que das importações paraguaias do tereftalato de polietileno, realizadas no período compreendido entre julho de 2003 e junho de 2004, 81,02% referiamse a mercadoria originária do sudeste asiático, enquanto apenas 14,76% e 4,22% referiamse, respectivamente, a mercadoria originária dos EUA e do Mercosul. 7) Relativamente à exigência das contribuições para o PIS/Pasep importação e Cofinsimportação, a impugnante limitase a argüir o fato de as mercadorias terem sido regularmente desembaraçadas, sem qualquer ressalva acerca da forma de cálculo e do valor recolhido, cuja acusada insuficiência foi atribuída, na própria autuação, ao apontado subfaturamento; por fim, 8) foram apresentados protestos contra o agravamento da multa incidente sobre o valor exigido a título das contribuições incidentes na importação e a aplicação da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios. A Impugnação foi julgada parcialmente procedente, em acórdão assim ementado: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 07/11/2002 a 18/06/2004 Ementa: VALORAÇÃO ADUANEIRA. SUBFATURAMENTO. PENALIDADE. Fl. 410DF CARF MF 4 As acusações de subfaturamento dependem da desconstituição da fatura comercial que instruiu o despacho, ou seja, dependem de prova de que o real valor da transação difere do valor declarado. O simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não é motivo para sua rejeição, conforme expresso na Opinião Consultiva 2.1, integrante das regras de interpretação do Acordo de Valoração Aduaneira, cuja observância foi objeto do art. I o da Instrução Normativa SRF n° 17, de 1998. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 05/05/2004 a 18/06/2004 Ementa: CONTRIBUIÇÕES. PIS/PASEP E COFINS NA IMPORTAÇÃO. As contribuições para o Pis/Pasep e a Cofins incidentes nas operações de importação devem ser calculadas com base em alíquota específica. Lançamento Procedente em Parte Em razão disso, foi interposto Recurso de Ofício relativo à parte exonerada, e Recurso Voluntário por parte do Contribuinte, onde alegou: 1) A Autoridade Fazendária não verificou o pagamento dos tributos, visto que as DIs foram regularmente desembaraçadas, e seria responsabilidade dela calcular o montante de tributo devido e homologar os pagamentos. 2) A base de cálculo seria o valor aduaneiro, e não uma alíquota específica por determinada unidade de produto. 3) Alega a aplicação do parágrafo único do art.100 do CTN, em razão da autorização da anuência da Administração, para fins de afastamento da multa. 4) Também alega a confiscatoriedade da multa e da não incidência da SELIC sobre os débitos tributários. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto A ciência do contribuinte em relação à decisão de 1ª instância se deu no dia 11/10/2005, conforme documento de fl. 309: Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10945.000888/200597 Acórdão n.º 3402003.484 S3C4T2 Fl. 4 5 Todavia, verificase que o Recurso Voluntário foi estranhamente protocolado na data de 09/10/2005, dois dias antes da ciência do Recorrente, cf. carimbo em fl. 315: Ao que consta nos autos, excluindose a hipótese de erro administrativo no momento do protocolo, estamos diante de um recurso prematuro, interposto anteriormente ao início da contagem do prazo recursal. Tal conclusão se dá pela literalidade do art. 73 do Decreto nº 7574/2011, o recurso voluntário total ou parcial poderá ser interposto contra decisão de primeira instância contrária ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da decisão. Inclusive, a jurisprudência dos Tribunais Superiores reconhecia o recurso prematuro como intempestivo. Todavia, tal entendimento restou definitivamente superado com o julgamento, pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, do AI 703.269, em 05 de Março de 2015, assim ementada: Ementa: embargos de declaração nos embargos de divergência nos embargos de declaração nos embargos de declaração no agravo regimental no agravo de instrumento. Conversão em agravo regimental. Interposição de embargos de divergência antes da publicação do acórdão embargado. Extemporaneidade. Instrumentalismo processual. Preclusão imprópria para prejudicar a parte que contribui para a celeridade processual. Boafé exigida do estadojuiz. Agravo regimental provido. 1. A extemporaneidade não se verifica com a interposição de recurso antes do termo a quo e consequentemente não gera a Fl. 412DF CARF MF 6 ausência de preenchimento de requisito de admissibilidade da tempestividade. 2. O princípio da instrumentalidade do Direito Processual reclama a necessidade de interpretar os seus institutos sempre do modo mais favorável ao acesso à justiça (art. 5º, XXXV, CRFB) e à efetividade dos direitos materiais (OLIVEIRA, Carlos Alberto Alvaro de. O formalismovalorativo no confronto com o formalismo excessivo. In: Revista de Processo, São Paulo: RT, n.º 137, p. 731, 2006; DINAMARCO, Cândido Rangel. A instrumentalidade do processo. 14ª ed. São Paulo: Malheiros, 2009; BEDAQUE, José Roberto dos Santos. Efetividade do Processo e Técnica Processual. 3ª ed. São Paulo: Malheiros, 2010). 3. As preclusões se destinam a permitir o regular e célere desenvolvimento do feito, não sendo possível penalizar a parte que age de boafé e contribui para o progresso da marcha processual com o não conhecimento do recurso por ela interposto antecipadamente, em decorrência de purismo formal injustificado. 4. Os embargos de declaração opostos objetivando a reforma da decisão do relator, com caráter infringente, devem ser convertidos em agravo regimental, que é o recurso cabível, por força do princípio da fungibilidade. (Precedentes: Pet 4.837ED, rel. Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, DJ 14.3.2011; Rcl 11.022ED, rel. Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, DJ 7.4.2011; AI 547.827ED, rel. Min. DIAS TOFFOLI, 1ª Turma, DJ 9.3.2011; RE 546.525 ED, rel. Min. ELLEN GRACIE, 2ª Turma, DJ 5.4.2011). 5. In casu, pugnase pela reforma da seguinte decisão: “EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PETIÇÃO DE INTERPOSIÇÃO PROTOCOLADA ANTES DA PUBLICAÇÃO DO ACÓRDÃO EMBARGADO. EXTEMPORANEIDADE. INTERPOSIÇÃO DE DOIS RECURSOS CONTRA A MESMA DECISÃO. OFENSA AO POSTULADO DA SINGULARIDADE DOS RECURSOS. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO, DE MANEIRA OBJETIVA, MEDIANTE ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE O ACÓRDÃO PARADIGMA E A DECISÃO EMBARGADA, DA EXISTÊNCIA DO ALEGADO DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NÃO ADMITIDOS”. 6. Agravo regimental provido para cassar a decisão de inadmissão dos embargos de divergência com fundamento na extemporaneidade recursal.(AI 703269 AgREDEDEDvED, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 05/03/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe085 DIVULG 07052015 PUBLIC 0805 2015) Esse mesmo entendimento é corroborado pelo art.2º, parágrafo único, inc. VIII da Lei nº 9.784/99 que determina a observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados. Diante disso, entendo por tempestivo o Recurso Voluntário do Contribuinte, e em razão do atendimento aos demais requisitos de admissibilidade, conheço do mesmo. Quanto ao Recurso de Ofício, verifico que o mesmo ultrapassa o limite de alçada, devendo ser conhecido. 1. Do Recurso de Ofício Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10945.000888/200597 Acórdão n.º 3402003.484 S3C4T2 Fl. 5 7 O Recurso de Ofício versa sobre a exoneração da multa decorrente da prática de subfaturamento prevista no art. 633, I do Decreto nº 4.503/2002, sobre todas as operações realizadas entre 07/11/2002 e 18/06/2004. Em primeiro lugar, verificase que a acusação que suscitou o procedimento fiscalizatório teve como base apenas a prática de preço inferior aos preços correntes no mercado daquela determinada mercadoria, sem qualquer prova ou indício efetivo do ilícito. Não há nos autos qualquer elemento probatório que ampare a desconstituição da fatura comercial apresentada no despacho aduaneiro, nem nada que indique a ocorrência efetiva de subfaturamento, tendo o juízo do auditor fiscal responsável sido conformado apenas por indícios por ele interpretados. Como trazido na decisão a quo, contra a autuação pesam o art. 1 do AVA GATT e a Opinião Consultiva n° 2.1, transcrita abaixo, cuja observância foi objeto do art. I o da Instrução Normativa SRF n° 17, de 1998: Opinião Consultiva 2.1 ACEITABILIDADE DE UM PREÇO INFERIOR AOS PREÇOS CORRENTES DE MERCADO PARA MERCADORIAS IDÊNTICAS 1. Foi formulada a questão acerca da aceitabilidade de um preço inferior aos preços correntes de mercadorias idênticas quando da aplicação do Art. 1 do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio. 2. O comitê Técnico de Valoração Aduaneira examinou esta questão e concluiu que o simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não poderia ser motivo para sua rejeição para os fins do Artigo 1, sem prejuízo, no entanto, do estabelecido no artigo 17 do Acordo. Artigo 17 Nenhuma disposição deste Acordo poderá ser interpretada como restrição ou questionamento dos direitos que têm as administrações aduaneiras de se assegurarem da veracidade ou exatidão de qualquer afirmação, documento ou declaração apresentados para fins de valoração aduaneira. Desse modo, a desconsideração do valor indicado nas DIs, por parte da fiscalização, não poderá se dar de forma arbitrária, mas deve atender a dois ônus argumentativoprobatórios distintos: a) um relativo à descaracterização do valor aduaneiro adotado pelo importador, através da prova do subfaturamento; e b) determinação do correto valor aduaneiro, com base na legislação aplicável. No caso em tela, a autoridade supôs o subfaturamento a partir do fato da denúncia desacompanhada de qualquer prova apontar que o valor declarado seria inferior ao valor corrente do mercado, mas sem acompanhar tal juízo com provas que demonstrassem que o pagamento foi superior ao declarado, ou qualquer outro elemento que autorizasse a desconsideração das faturas apresentadas. Fl. 414DF CARF MF 8 Sobre o laudo em que se baseou a fiscalização, adiro às razões da decisão a quo para o rechace de seu valor probatório neste caso, verbis: De fato, o laudo versa sobre ponto distinto daquele em que se baseia a defesa do Recorrente, que é a origem da matériaprima utilizada na produção dos produtos importados, e não na origem dos próprios produtos essa bem sabida por ser produzida no Paraguai, conforme a certificação respectiva. Desse modo, nego provimento ao Recurso de Ofício, para afastar a cobrança da multa por subfaturamento nas importações, pela ausência de provas acerca de tal ilícito. 2. Do Recurso Voluntário Em primeiro lugar, o Recorrente contesta a cobrança do PIS/COFINS Importação com fundamento na complexidade da legislação que sucedeu a instituição de tais contribuições, mencionados diversos atos normativos infralegais para comprovar a dificuldade do contribuinte em interpretálos. Não é de hoje que os sistema tributário brasileiro peca pela ausência de praticabilidade, demandando dos contribuintes custos crescentes de compliance tributário. Todavia, isso não é justificativa pelo menos não em um nível jurídico de argumentação para que os deveres não sejam cumpridos, como de resto é expressamente previsto no art. 3º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, verbis: "Art.3o Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece.". Além disso, o fato da mercadoria ter sido desembaraçada não constitui impeditivo para que a Fiscalização constitua e cobre os tributos que eventualmente não foram recebidos naquela ocasião, respeitados os limites decadenciais de existência da obrigação tributária. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10945.000888/200597 Acórdão n.º 3402003.484 S3C4T2 Fl. 6 9 Em momento algum foi contestado o mérito do lançamento: não se discutiu o quantum, nem eventuais diferenças quanto aos critérios de apuração de seu montante. Quando muito, alega que a alíquota deveria ser ad valorem, sobre o valor aduaneiro quando o art.51 da Lei 10.833/04 é expresso em consignar que a mercadoria importada pela Recorrente está sujeita a alíquotas específicas: "Art. 51. As receitas decorrentes da venda e da produção sob encomenda de embalagens, pelas pessoas jurídicas industriais ou comerciais e pelos importadores, destinadas ao envasamento dos produtos relacionados no art. 49 desta Lei, ficam sujeitas ao recolhimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fixadas por unidade de produto, respectivamente, em: ..................................................................... II embalagens para água e refrigerantes classificados nos códigos 22.01 e 22.02 da TIPI: a) classificadas no código TIPI 3923.30.00: R$ 0,0170 (dezessete milésimos do real) e R$ 0,0784 (setecentos e oitenta e quatro décimos de milésimo do real), por litro de capacidade nominal de envasamento da embalagem final; e b) préformas classificadas no Ex 01 do código de que trata a alínea a deste inciso, com faixa de gramatura: 1 até 30g (trinta gramas): R$ 0,0102 (cento e dois décimos de milésimo do real) e R$ 0,0470 (quarenta e sete milésimos do real); 2 acima de 30g (trinta gramas) até 42g (quarenta e dois gramas): R$ 0,0255 (duzentos e cinqüenta e cinco décimos de milésimo do real) e R$ 0,1176 (um mil e cento e setenta e seis décimos de milésimo do real); e 3 acima de 42g (quarenta e dois gramas): R$ 0,0425 (quatrocentos e vinte e cinco décimos de milésimo do real) e R$ 0,1960 (cento e noventa e seis milésimos do real); III embalagens de vidro não retornáveis classificadas no código 7010.90.21 da TIPI, para refrigerantes ou cervejas: R$ 0,0294 (duzentos e noventa e quatro décimos de milésimo do real) e R$ 0,1360 (cento e trinta e seis milésimos do real), por litro de capacidade nominal de envasamento da embalagem final; IV embalagens de vidro retornáveis, classificadas no código 7010.90.21 da TIPI, para refrigerantes ou cervejas: R$ 0,294 (duzentos e noventa e quatro milésimos do real) e R$ 1,36 (um real e trinta e seis centavos), por litro de capacidade nominal de envasamento da embalagem final. Desse modo, não procedem as alegações do Recorrente contra a cobrança das referidas contribuições. Tampouco cabe a aplicação do art.100 do CTN ao caso em tela. Não há prática reiterada da autoridade administrativa, sobretudo por se estar tratando de obrigação Fl. 416DF CARF MF 10 tributária que fora instituída no momento imediatamente anterior aos fatos geradores abrangidos por esta autuação. Podese afirmar que sequer houve tempo para a constituição da base de confiança que a regra do art.100, III c/c parágrafo único busca tutelar. Não há fundamento legal, pois, para o afastamento da multa cobrada, diante da inocorrência de "prática reiterada" da administração. Além disso, ainda que se reconhecesse uma prática reiterada neste caso, ela não poderia ser considerada para fins de afastamento da multa, pois o CTN é categórico em qualificála como "norma complementar das leis, tratados, convenções internacionais e dos decretos". Desse modo, não haveria como uma prática contra legem prevalecer em relação a ela. Argumenta também que dita penalidade seria inconstitucional, apesar da sua cobrança no montante de 75% do débito apurado encontrar previsão legal no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996. O CARF não é competente para apreciar a inconstitucionalidade de leis ou decretos, nos termos da Súmula CARF nº 2. Com relação à exigência de juros moratórios, registrese que sua aplicação com base na taxa SELIC está amparada em lei, cuja arguida inconstitucionalidade é matéria que foge à competência do julgador na esfera administrativa, com o mesmo fundamento esposado no parágrafo anterior. 3. Conclusão Ante o exporto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício e negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 417DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.004148/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005, 2006, 2007
ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO.
1. Comprovada, através da localização do imóvel, ser área de interesse ecológico, para a proteção dos ecossistemas, visto estar inserida no Parque Estadual Serra do Tabuleiro, deve ser excluída da tributação em conformidade com o art. 10, §1º, II, b, da Lei n.º 9.393/96.
2. Para essa exclusão da APP da tributação, o ADA não é o único meio de prova, podendo a comprovação ser realizada por outros meios, no caso dos autos, mediante Laudo de Vistoria e de Uso do Solo.
Ademais, recentemente o TRF da 4ª Região editou Súmula dispondo acerca da dispensabilidade do ADA. Súmula 86: É desnecessária a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA para o reconhecimento do direito à isenção do Imposto Territorial Rural - ITR
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT).
Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Gisa Barbosa Gambogi Neses, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. 1. Comprovada, através da localização do imóvel, ser área de interesse ecológico, para a proteção dos ecossistemas, visto estar inserida no Parque Estadual Serra do Tabuleiro, deve ser excluída da tributação em conformidade com o art. 10, §1º, II, “b”, da Lei n.º 9.393/96. 2. Para essa exclusão da APP da tributação, o ADA não é o único meio de prova, podendo a comprovação ser realizada por outros meios, no caso dos autos, mediante Laudo de Vistoria e de Uso do Solo. Ademais, recentemente o TRF da 4ª Região editou Súmula dispondo acerca da dispensabilidade do ADA. Súmula 86: É desnecessária a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA para o reconhecimento do direito à isenção do Imposto Territorial Rural ITR VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 41 48 /2 01 0- 18 Fl. 495DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Gisa Barbosa Gambogi Neses, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza Relatório Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada mediante auto de infração, fls. 141/158, através do qual se exige o crédito tributário total R$ 5.856.524,81, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR dos exercícios 2005, 2006 e 2007, incidente sobre o imóvel rural denominado Paulo Lopes Matr. 29.956, com área total de 4132,3 ha, Número de Inscrição – NIRF 3.697.1588, localizado no município de Paulo LopesSC. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal, o lançamento de ofício decorreu da alteração da Declaração de Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR em relação aos seguintes fatos tributários: Área de Preservação Permanente: foi glosada a área de 4.077,0 hectares, declarada a este título no Exercício 2007. Área de Produtos Vegetais: foi glosada a área declarada a este título, de 4.132 hectares, nos Exercícios 2005 e 2006, e de 55,0 hectares no Exercício 2007, por falta de comprovação. Valor da Terra Nua VTN: a contribuinte apresentou, à autoridade lançadora, laudo técnico de avaliação do valor da terra nua, o qual foi rejeitado, e o valor declarado pelo sujeito passivo foi substituído pelo VTN constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, apurado pela Secretaria Estadual de Agricultura. No lançamento foi adotada a menor avaliação disponível no SIPT para o Município Paulo Lopes SC, no exercício 2005, 2006 e 2007. Resumo da Autuação 2005 Distribuição da Área do Imóvel (ha) Declarado Apurado 01. Área Total do Imóvel 4.132,0 4.132,3 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.004148/201018 Acórdão n.º 2301004.857 S2C3T1 Fl. 496 3 02. Área de Preservação Permanente 0,0 0,0 03. Área de Reserva Legal 0, 0 0, 0 04. Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural 0, 0 0,0 05. Área do Interesse Ecológico 0, 0 0, 0 06. Área de Servidão Florestal 0, 0 0, 0 07. Área Tributável (01 02 03 04 05 06) 4.132,0 4.132,0 08. Área Ocupada com Benfeitorias 0, 0 0, 0 09. Área Aproveitável (07 08) 4.132,0 4.132,0 Distribuição da Área Utilizada (ha) Declarado Apurado 10. Produtos Vegetais 4.132,0 0,0 11. Área de Descanso 0,0 0,0 12. Área com Reflorestamento 0,0 0, 0 13. Pastagens 0,0 0,0 14. Exploração Extrativa 0,0 0,0 15. Atividade Granjeira/Aquícola 0,0 0,0 16. Frustração de Safra ou Destruição de Pastagens 0,0 0,0 17. Área Utilizada (10 + 11 + 12 + 13 + 14+ 15 + 16) 4.132,0 0,0 18. Grau de Utilização (17 /09) *100 100,0 0,0 Cálculo do Valor da Terra Nua (R$) Declarado Apurado 19. Valor Total do Imóvel 510.000,00 12.396.900,00 20. Valor das benfeitorias 0,00 0,00 21. Valor das Culturas / Pastagens /Florestas 500.000,00 0,00 22. Valor da Terra Nua (19 20 21) 10.000,00 12.396.900,00 Fl. 497DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Resumo da Autuação 2006 Distribuição da Área do Imóvel (ha) Declarado Apurado 01. Área Total do Imóvel 4.132,3 4.132,3 02. Área de Preservação Permanente 4.077,0 4.077,0 03. Área de Reserva Legal 0, 0 0,0 04. Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural 0,0 0,0 05. Área do Interesse Ecológico 0,0 0,0 06. Área de Servidão Florestal 0,0 0,0 07. Área Tributável (01 02 03 04 05 06) 4.132,0 55,3 08. Área Ocupada com Benfeitorias 0,0 0,0 09. Área Aproveitável (07 08) 4.132,0 55,3 Distribuição da Área Utilizada (ha) Declarado Apurado 10. Produtos Vegetais 4.132,0 0,0 11. Área de Descanso 0,0 0,0 12. Área com Reflorestamento 0,0 0,0 13. Pastagens 0,0 0,0 14. Exploração Extrativa 0,0 0,0 15. Atividade Granjeira/Aquícola 0,0 0,0 16. Frustração de Safra ou Destruição de Pastagens 0,0 0,0 17. Área Utilizada (10 + 11 + 12 + 13 + 14+ 15 + 16) 4.132,0 0,0 18. Grau de Utilização (17 /09) *100 100,0 0,0 Cálculo do Valor da Terra Nua (R$) Declarado Apurado Fl. 498DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.004148/201018 Acórdão n.º 2301004.857 S2C3T1 Fl. 497 5 19. Valor Total do Imóvel 510.000,00 16.529.200,00 20. Valor das benfeitorias 0,00 0,00 21. Valor das Culturas / Pastagens /Florestas 500.000,00 0,00 22. Valor da Terra Nua (19 20 21) 10.000,00 16.529.200,00 Resumo da Autuação 2007 Distribuição da Área do Imóvel (ha) Declarado Apurado 01. Área Total do Imóvel 4.132,0 4.132,3 02. Área de Preservação Permanente 4.077,0 0,0 03. Área de Reserva Legal 0, 0 0, 0 04. Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural 0, 0 0,0 05. Área do Interesse Ecológico 0, 0 0, 0 06. Área de Servidão Florestal ou Ambiental 0, 0 0, 0 07. Área Coberta com Florestas Nativas 0,0 0,0 08. Área Tributável (01 02 03 04 05 06 07) 55,0 4.132,3 09. Área Ocupada com Benfeitorias 0, 0 0, 0 10. Área Aproveitável (08 09) 55,0 4.132,3 Distribuição da Área Utilizada (ha) Declarado Apurado 11. Produtos Vegetais 55,0 0,0 12. Área de Descanso 0,0 0,0 13. Área com Reflorestamento 0,0 0,0 14. Pastagens 0,0 0,0 15. Exploração Extrativa 0,0 0,0 16. Atividade Granjeira/Aquícola 0,0 0,0 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 17. Frustração de Safra ou Destruição de Pastagens 0,0 0,0 18. Área Utilizada (11 + 12 + 13 + 14 + 15+ 16 + 17) 55,0 0 19. Grau de Utilização (18 /10) *100 100,0 0,0 Cálculo do Valor da Terra Nua (R$) Declarado Apurado 20. Valor Total do Imóvel 510.000,00 18.595.350,00 21. Valor das benfeitorias 0,00 0,00 22. Valor das Culturas / Pastagens /Florestas 0,00 0,00 23. Valor da Terra Nua (20 21 22) 510.000,00 18.595.350,00 A interessada foi cientificada por Aviso de Recebimento AR, em 07/12/2010 (fl. 162). Apresentou impugnação em 03/01/11 (fls. 163/177) e, após relatar os motivos da autuação, passou a tecer suas alegações, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Alega que não há base legal para condicionar a exclusão das áreas de reserva legal da base de cálculo do ITR a sua averbação em cartório ou à entrega do ADA, entendendo que este último tem natureza de obrigação acessória imposta pela legislação ambiental, logo, não pode lhe ser atribuído efeito tributário. Ademais, é prescindível a apresentação de ADA, para fins de exclusão das áreas de interesse ambiental do ITR, conforme Medida Provisória 1.95653/00 que alterou a legislação vigente, que reeditada pela Medida Provisória 2.166 66/01, inseriu o parágrafo 7 do artigo 10 da Lei 9.393/96. Aduz que este entendimento é adotado pelo Superior Tribunal de Justiça e Conselho de Contribuintes. Informa que o imóvel está localizado no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, criado pelo Decreto estadual n° 1.260/75. Por sua vez, o Decreto Estadual 2.335/77, decretou a área como de utilidade pública para fins de desapropriação para criação do referido parque, impedindo que esta fosse utilizada com fins de exploração. Este fato foi reconhecido no lançamento fiscal do exercício 2006, que excluiu da base de cálculo do ITR a área de 4.077,0ha por ter natureza de área de preservação permanente. Esclarece que a área é objeto de ação indenizatória pela expropriação por parte do Estado, a qual tramita na 2a Vara da Comarca de Palhoça/SC, sob o número 045.9300016347, com sentença favorável reconhecendo a perda do valor econômico da propriedade em face da restrição de uso imposta a sua propriedade. Argumenta que apresentou ADA no ano de 2005 e no ano de 2006 e que eventual intempestividade na entrega seria passível, quanto muito, de penalização por descumprimento de obrigação acessória. Apesar de não ter entregado ADA no ano de 2007, sustenta que a informação da existência de área de preservação estava nos cadastros do Fl. 500DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.004148/201018 Acórdão n.º 2301004.857 S2C3T1 Fl. 498 7 IBAMA e SRF, pois uma área de preservação permanente, criada por lei não deixa de ser área de preservação de um ano para o outro por vontade do proprietário. Discorda do valor da terra nua utilizado para fins de arbitramento, alegando que referido valor desconsiderou tratarse de terra localizada em área de preservação permanente, cujo valor venal é muito inferior a uma área cultivável, que apenas 55 hectares do imóvel estão localizados fora da área de preservação, mas também sofre restrições, especialmente em relação à geografia do local. Conforme o laudo da avaliação realizado pelo perito judicial nomeado pelo juízo da Comarca de Palhoça, nos autos n° 4593000164.7, da área total do imóvel, 544,12 ha tem declividade de até 25 graus, sofrendo uma redução de preço de 19%, 701,52 ha tem uma declividade de 25 a 45 graus, gerando uma redução no preço de 55% e 2.886,74 ha tem uma declividade superior a 45 graus, gerando uma redução de 73% no preço da terra em relação ao valor de mercado na região em que está inserida. Alega que os laudos técnicos apresentados, ao contrário do afirmado pela autoridade lançadora, estão de acordo com a NBR 146533. Informa que a avaliação pelo preço de mercado para o ano de 2010, com deflação para os anos de 2005, 2006 e 2007, com base no índice SINAPI ocorreu devido à impossibilidade de levantamento dos preços à época, por meio de ofertas similares, não por culpa da impugnante, que só foi instada a apresentar laudo no ano de 2010. Acrescenta que no anexo do laudo, consta tabela indicando o valor do índice SINAPI para cada período, bem como a fonte de pesquisa utilizada. Quanto ao erro do número do telefone da Prefeitura de São Bonifácio, esclarece que tal se deu por erro de digitação e que se trata de número acessível por meio de qualquer consulta de auxilio a lista ou telelistas na internet. Complementa argumentando que no termo de intimação fiscal n° 09201/00003/2010 foilhe informado que a falta de comprovação do valor da terra nua declarado ensejaria o arbitramento, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB vigente em 1o de janeiro de cada ano, nos termos do artigo 14 da lei n° 9.393/96, cujo valor seria de R$ 1.695,10 para 2005, R$ 2.223,03 para 2006 e 2.168,72 para 2007, mas no auto de infração o cálculo do VTN foi feito com base em valores muito superiores, quais sejam, R$ 3.000,00, R$ 4.000,00 e R$ 4.500,00 respectivamente. Alega que os valores coletados junto ao Instituto CEPA não têm credibilidade. Prova disso é o fato de que o preço da terra avaliado em 2007 por R$ 4.500,00 o hectare foi avaliado em 2010 ao preço de R$ 4.100,00 ha, queda de 10%, ao passo que o SINAPI, índice elaborado pela Caixa Econômica Federal e IBGE para medir o crescimento da construção civil apresentou no mesmo período um aumento de quase 30%, e todas as noticias vinculadas na imprensa dão conta do crescente aumento no preço das terras. O Instituto CEPA, em seu site, explicita que os preços das terras estão sujeitos a grandes variações, não servem para referenciar arbitragens e recomenda a realização de levantamento específico para os casos que necessitem de maior precisão: Por fim, pede que seja julgado insubsistente o lançamento fiscal no tocante à área de 4.077,0 ha, que é área de preservação permanente e que seja acatado o valor venal atribuído à terra nua com base nos laudos de avaliação apresentados, a incidirem sobre os 55 ha localizados fora da área de preservação. Subsidiariamente, pede que o valor da terra nua seja arbitrado com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT constantes do termo de intimação, cujos preços são de R$ 1.695,10, R$ 2.223,03 e 2.168,72 para os anos de 2005, Fl. 501DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 2006 e 2007, respectivamente, ou, se aplicados os valores obtidos junto a CEPA, que seja utilizado o preço mínimo. A Turma Julgadora de Primeira Instância, julgou improcedente a impugnação apresentada, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005, 2006, 2007 NIRF: 36971588 Paulo Lopes Matr. 29.956 ÁREA UTILIZADA COM PRODUTOS VEGETAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase incontroversa a matéria não expressamente contestada pelo sujeito passivo. IMÓVEL LOCALIZADO EM PARQUE ESTADUAL. TRIBUTAÇÃO. O Parque Estadual integra o Sistema Nacional de Unidade de Conservação da Natureza SNUC e é de domínio público, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. O proprietário de área particular localizada em Parque Estadual é contribuinte do ITR até a data da perda da posse pela imissão prévia ou provisória do Poder Público na posse ou até a data da perda do direito de propriedade pela transferência ou pela incorporação do imóvel ao patrimônio do Poder Público. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A não incidência de ITR sobre as áreas de interesse ambiental depende da prova da existência dessas áreas, nos termos da legislação ambiental, e da prova da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA perante o Instituto Brasileiro do Meio Ambienta e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA. VALOR DA TERRA NUA. PROVA INEFICAZ. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 502DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.004148/201018 Acórdão n.º 2301004.857 S2C3T1 Fl. 499 9 A contribuinte foi cientificada do Acórdão 0428.029 1ª Turma da DRJ/CGE, em 27/02/2013, conforme Aviso de Recebimento AR (fl. 386). Sobreveio recurso voluntário em 26/03/2013 (fls. 388/413). Em suas razões alega: que o imóvel está situado no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, no município de Paulo Lopes – SC conforme o Decreto Estadual n° 1.260/75 e Decreto Estadual 2.335/77. A área onde está situada o parque, foi desapropriada, impedindo todos fins exploração, desde 17/03/1977; ressalva que a referida área de terras foi objeto da ação indenizatória n° 045.9300016347, determinando que o Estado de Santa Catarina indenizasse a recorrente em razão da expropriação; cita jurisprudência do TJSC e STJ sobre os casos de criação de parques de preservação ambiental, no qual os proprietários sofreram a desapropriação indireta; aduz que em caso de desapropriação indireta, não há processo de desapropriação, processo judicial de desapropriação ou mesmo transferência de titularidade do imóvel para o Poder Público. Portanto, nesse caso, para a comprovação da transferência das áreas ao domínio do Estado, bastam as terras estarem em área de preservação ambiental permanente protegidas pelo Parque Estadual da Serra do Tabuleiro; cita jurisprudência do TRF4, de casos semelhantes ao das alegações do contribuinte, com propriedade também situada no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, conforme o trecho “A expropriação indireta relatada efetivamente lhe retirou o direito de usar, gozar e dispor do imóvel e, uma vez que o direito de reavêlo não é assegurado pelo Estado, a propriedade se mantém na mera formalidade, não se configurando o fato gerador do ITR. ”; com relação à área entendida como não impugnada pela DRJ, a recorrente alega que "a única matéria não impugnada referese a área de 55,0 hectares, os quais os próprios laudos apresentados pela Recorrente atestam ser área aproveitável”; reforça que não possui mais a posse de 4.077 hectares desde a criação do Parque Estadual, e que esta área é de preservação permanente, sendo assim isenta de ITR; cita trecho do Auto de Infração, referindose que a própria autoridade fiscal declarou que “concluise que a área do imóvel é de 4.132,38 há, sendo 4.077,0 há de preservação permanente”; que a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA não é obrigatória, entendendo que as "obrigações acessórias impostas pela legislação ambiental não podem servir de obstáculo a desoneração tributária a que faz jus o contribuinte." cita legislação que entende ser aplicável, acerca da dispensa de prévia comprovação da existência de áreas não tributáveis quando da entrega da declaração. Entende que assim, fica dispensada a apresentação do ADA; alega que o VTN por hectare arbitrado pela fiscalização é incondizente com a realidade do imóvel, pelo fato do mesmo possuir 544,12 ha com declive de até 25 graus, Fl. 503DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 701,52 ha com uma declividade de 25 a 45 graus, além da área de 2.886,74 ha com a declividade superior a 45 graus, gerando reduções em relação ao valor de mercado de 19%, 55% e 73% respectivamente; considerando o valor determinado pela fiscalização e aplicando as reduções em decorrência do relevo, foram encontrados os valor de R$ 1.114,98, 1.486,64 e 1.627,47 no que se refere aos anos de 2005, 2006 e 2007; aponta que “os valores adotados pela fiscalização são imprestáveis uma vez que estão utilizando preços de terras de campo para avaliar terras localizadas em encostas, cujo laudo judicial aponta redução de até 73% no seu preço em função de sua topografia.”; Juntou documentos às fls. 415/422. O Laudo de Avaliação foi juntada às fls. 425 e seguintes. É o relatório. Passo a decidir Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso possui os requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, merecendo ser conhecido. Primeiramente, cumpre observar que a defesa da recorrente é no sentido de que seja reconhecida a existência de 4.077,0 ha de Área de Preservação Permanente, restando como tributável somente a área de 55,0 ha. Inicialmente cabe frisar que a área total do imóvel é de 4.132,30 ha. Entretanto, para bem elucidar as questões doravante tratadas, a autuação, além do arbitramento do VTN pela tabela SIPT, procedeu as seguintes glosas: 2005 – glosa da Área de Produtos Vegetais: foi glosada a área declarada, de 4.132,0 hectares; 2006 – glosa da Área de Produtos Vegetais: foi glosada a área declarada, de 4.132,0 hectares, no entanto foi aceita a área de APP 4.077 ha (glosas superiores, isto é, quase duplicam a própria área total). 2007 – glosa da APP – Área de Preservação permanente de 4.077 ha e de 55,0 ha de produtos vegetais. A recorrente não se atém quanto às glosas efetuadas, mas expõe sua defesa exaustivamente sobre o fato de que 4.077,0 ha de sua propriedade (99%) da área total, estar inserida no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro. No que tange ao arbitramento do VTN, há expresso inconformismo e irresignação. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.004148/201018 Acórdão n.º 2301004.857 S2C3T1 Fl. 500 11 PRIMEIRA ANÁLISE DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Analisando o Relatório Fiscal de fls. 143/148, verifico que a glosa da APP de 4.077, ha no ano de 2007, se deu ante a ausência de protocolo do Ato Declaratório Ambiental, embora existente para 2006. Neste contexto, cabe trazer alguns excertos do Relatório: Como se depreende da leitura do Relatório Fiscal, a autoridade autuante reconheceu a área de 4.077, ha como sendo de preservação permanente. Entretanto, ante a falta de apresentação do ADA, essa área foi glosada em 2007. Em 2005 embora foi declarada e glosada a área de produtos vegetais, portanto não houve a glosa de APP, pois, a contribuinte não declarou essa área em sua DITR/2005, de modo que entendo que houve erro de fato, uma vez que para esse mesmo exercício foi protocolado Ato Declaratório Ambiental, ainda que intempestivo, declarando a área de 4.077 ha de preservação permanente (fl. 08). Portanto, essa área deve ser excluída do cálculo do ITR para o exercício de 2005, uma vez que o Ato Declaratório Ambiental foi entregue em 20/06/2006. Neste sentido, ainda que intempestivo, há de ser acolhido o ADA para fins de exclusão do ITR, uma vez que foi entregue antes do início da ação fiscal. Neste sentido: Processo nº 10140.720075/200663 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.315 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2013 Matéria ITR Fl. 505DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 Recorrente LUDIO MARTINS COELHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR. É possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal acompanhado de documentação complementar que comprove a existência das áreas deduzidas. Recurso Voluntário Provido. Já no exercício de 2006, o ADA foi entregue tempestivamente, segundo a autoridade fiscal, motivo pelo qual a APP foi considerada para fins de cálculo do ITR, de modo que foram mantidas as informações declaradas na DITR/2006 pela contribuinte, não havendo glosa. Quanto ao ADA de 2007, em que pese não tenha havido o protocolo do Ato Declaratório Ambiental para esse exercício, cabe salientar que referida área foi aceita para o exercício de 2006, bem como consta em ADA para o exercício de 2005, de modo que nos leva a concluir que obrigatoriamente também existia no exercício de 2007. Ademais, entende essa relatora que o ADA é um ato unilateral elaborado pelo contribuinte, que não tem o condão de constituir juridicamente as situações nele descritas. Em outros termos, a mera inserção de área de preservação permanente no respectivo campo possui evidente eficácia declaratória da sua existência, que poderá ser confrontada com a descrição contida em outros meios de prova. Coadunamse com esse entendimento, os julgados abaixo transcritos: RECURSO ESPECIAL Nº 1.112.283 PB (2009/00474797) RELATOR : MINISTRO BENEDITO GONÇALVES RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL E OUTRO(S) RECORRIDO : LUIZ GONZAGA PRIMO ADVOGADO : FREDERICO MATOS BRITO SANTOS E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA Fl. 506DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.004148/201018 Acórdão n.º 2301004.857 S2C3T1 Fl. 501 13 DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. 1. A orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que "o Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite da exclusão da sua base de cálculo a área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). No mesmo sentido: REsp 812.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007; REsp 587.429/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 2/8/2004. 2. Recurso especial não provido.(grifei) ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Luiz Fux, Teori Albino Zavascki e Denise Arruda (Presidenta) votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 19 de maio de 2009(Data do Julgamento) MINISTRO BENEDITO GONÇALVES Relator ____________________________________________________ RECURSO ESPECIAL Nº 1.589.687 MG (2016/00598642) RELATOR : MINISTRO SÉRGIO KUKINA RECORRENTE FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : V & M FLORESTAL LTDA ADVOGADOS : HUDSON FERNANDO COUTO DENISE BRUM MONTEIRO DE CASTRO VIEIRA E OUTRO(S) GUILHERME ANDRADE MARTINS SIBELE FERNANDA PRADO DA SILVA Tratase de recurso especial fundado no CPC/73, manejado pela FAZENDA NACIONAL, com base no art. 105, III, a, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, assim ementado (fl. 246): TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL AÇÃO ORDINÁRIA ITR DECOTADA, DA BASE DE CÁLCULO, A ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL REGISTRO CARTORÁRIO E ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA: DISPENSÁVEIS PRECEDENTES. 1 STJ: para fins de isenção do ITR (AgRg REsp n° 1.315.220/MG) quanto às áreas de preservação ambiental permanente e reserva legal, dispensase averbação no CRI e ato declaratório do IBAMA. 2 Remessa oficial não provida. (grifei) Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso especial para determinar a incidência do ITR, em relação à área de reserva Fl. 507DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 legal, nos termos da fundamentação. Publiquese. Brasília (DF), 05 de abril de 2016. MINISTRO SÉRGIO KUKINA Relator ____________________________________________________ AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.395.393 MG (2013/02424844) RELATOR: MINISTRO BENEDITO GONÇALVES AGRAVANTE: FAZENDA NACIONAL ADVOGADO: PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL AGRAVADO: V E M FLORESTAL LTDA ADVOGADO: GUILHERME ANDRADE MARTINS E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBAÇÃO OU DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. INCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO. 1. A orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que "o Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite a exclusão da sua base de cálculo de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR,Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). No mesmo sentido: REsp 1.112.283/PB, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 1/6/2009; REsp 812.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007 e REsp 587.429/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 2/8/2004. 2. Agravo regimental não provido ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Marga Tessler (Juíza Federal convocada do TRF 4ª Região) e Napoleão Nunes Maia Filho (Presidente) votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 19 de março de 2015 (Data do Julgamento Destaco, por fim, o Informativo de Jurisprudência do STJ nº 0375 de 2008, que reitera entendimento acerca da dispensabilidade do ADA. Frisese que o Informativo é posterior às alterações procedidas pelo art. 9º, da Instrução Normativa nº 96, de 30 de março de 2006. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.004148/201018 Acórdão n.º 2301004.857 S2C3T1 Fl. 502 15 Informativo nº 0375 Período: 3 a 7 de novembro de 2008. Segunda Turma ITR. ÁREA. PRESERVAÇÃO PERMANENTE. IBAMA A Turma reiterou o entendimento de que o imposto territorial rural (ITR) é tributo sujeito a lançamento por homologação e que o art. 10, § 7º, da Lei n. 9.393/1996 permite a exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do referido imposto, sem necessidade de ato declaratório ambiental do Ibama. Precedentes citados: REsp 812.104AL, DJ 10/12/2007, e REsp 587.429AL, DJ 2/8/2004. REsp 898.537GO, Rel. . Eliana Calmon, julgado em 6/11/2008. Ainda, recentemente o Tribunal Regional Federal da 4ª Região TRF4ª, sedimentou entendimento ao editar Súmula que dispõe sobre a dispensabilidade do ADA, in bis: Súmula 86: É desnecessária a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA para o reconhecimento do direito à isenção do Imposto Territorial Rural ITR. Todavia, para o gozo da isenção do ITR no caso de área de "reserva legal", é imprescindível a averbação da referida área na matrícula do imóvel."(g.n) Merece guarida, portanto, o entendimento de que não se faz imprescindível a apresentação da ADA Ato Declaratório Ambiental para exclusão da incidência do ITR das áreas de preservação permanente, quando comprovada a existência da referida área. O ADA não é condição da exclusão do imóvel da base de cálculo do ITR, se existem outras provas capazes de comprovar a restrição ambiental. Constituise tão somente como obrigação acessória, sendo um dever administrativo do contribuinte. A falta da sua apresentação pode sujeitar o contribuinte a penalidades, se prevista em lei, jamais alcançar a obrigação principal para sujeitar o imóvel à tributação pela falta da apresentação tempestiva. SEGUNDA ANÁLISE SOB O PRISMA DO PARQUE ESTADUAL SERRA DO TABULEIRO Independentemente da questão acerca da exigência ou não do Ato Declaratório Ambiental, verificase que no caso dos autos, a área de 4.077,0 ha está inserida no Parque Estadual Serra do Tabuleiro, comprovada pelos documentos que a recorrente acostou, através de vasto conjunto probatório que corroboram suas alegações. A recorrente juntou (fls. 253 e ss), "Laudo de Vistoria e de Uso do Solo de Imóvel Rural Relativo aos Anos de 2005, 2006 e 2007", com Anotação de Responsabilidade Técnica ART às fls. 269/271. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 De início, a descrição do imóvel é de que se trata de imóvel rural com área total de 4.132, 38 hectares e que 4.077,00 ha estão inseridos no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro (fl. 255). Na fl. 258 no ítem "3. VISTORIA", consta: "A vistoria do imóvel foi realizada na primeira semana do mês de outubro de 2010, não sendo constatada nenhuma exploração agrícola, pecuária ou florestal, atual ou realizada em anos recentes (2005, 2006 e 2007) que caracterizasse o descumprimento da legislação ambiental que estabelece como APP os 4.077ha." No que se refere à alegada existência de êxito judicial em ação indenizatória ajuizada contra o Estado de Santa Catarina, verifico que novamente assiste razão à recorrente. O processo nº 045.93000163457, tramitou na 2ª Vara Cível de Palhoça/SC e foi assim sentenciado: Sentença de mérito gab.(art. 269,I,II e IV do CPC) 1 Diante do exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido formulado por CECRISA CERÂMICA CRICIUMA S/A, para condenar o ESTADO DE SANTA CATARINA a pagar indenização no valor venal do imóvel, avaliado em R$ 1.646.283,33 (um milhão, seiscentos e quarenta e seis mil, duzentos e oitenta e três reais e trinta e três centavos), acrescida de juros compensatórios de 12% ano, incidentes desde a interdição de uso da propriedade, ou seja, desde a edição do Decreto Estadual n.º 2.335, de 17/03/77, que declarou a área de utilidade pública e interesse social, calculados até a data do laudo de fls. 433/1104 (09/02/98), sobre o valor simples da indenização e, desde então (=09/02/98), sobre o referido valor corrigido monetariamente (Súmulas 74 e 110/TFR e 164/STF); juros moratórios de 6% ao ano, incidindo de forma cumulativa com os compensatórios, a partir do trânsito em julgado da sentença (Súmula 70/TFR); correção monetária a partir da data do laudo, até a data do efetivo pagamento. A importância apurada deverá ser depositada em Caderneta de poupança judicial, para que se cumpra os termos do art. 34 e parágrafo único, do DL n.º 3.365/41, conforme já apreciado na fundamentação. Condenoo também, a pagar as custas processuais, honorários do perito e honorários advocatícios, o qual fixo em 15% sobre o valor da condenação. Decorrido o prazo para recurso voluntário, remetamse os autos ao egrégio Tribunal de Justiça, considerando que a presente sentença está sujeita ao duplo grau de jurisdição. O Recurso Especial nº 1.009.137 SC, julgado em 14/12/2010, interposto por Cecrisa Cerâmica Criciúma S/A2, autora da indenizatória, versou tão somente quanto aos 1 Informação extraída do site TJ/SC. 2 A recorrente informa que o imóvel em questão pertencia à empresa Cecrisa Cerâmica Criciúma S/A, cujo controle acionário era das famílias Freitas e Arns. Em decorrência da separação das famílias e devisão patrimonial, coube a família ARns, por sua empresa imobiliária Santa Clara Empreendimentos Imobiliários parte dos imóveis do Grupo Cecrisa. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.004148/201018 Acórdão n.º 2301004.857 S2C3T1 Fl. 503 17 juros compensatórios e honorários advocatícios, evidenciando que o Estado de Santa Catarina foi condenado a pagar indenização por desapropriação. EMENTA ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. JUROS COMPENSATÓRIOS. TERMO INICIAL. IMISSÃO NA POSSE DO IMÓVEL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. 1. No tocante à alegada violação do disposto no artigo 535, II, do CPC, não assiste razão à parte recorrente. É de se destacar que os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar todas as teses levantadas pelo jurisdicionado durante um processo judicial, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas, em obediência ao que determina o art. 93, inc. IX, da Constituição da República vigente. Isto não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. Quanto à taxa dos juros compensatórios em desapropriações, a matéria já foi julgada em recurso especial submetido ao disposto no artigo 543C, do CPC RESP 1.111.829, Relator Ministro Teori Zavascki, no sentido de que tais consectários devem ser contados desde a imissão na posse do imóvel. Portanto, o acórdão deve ser reformado, quanto ao ponto. 3. Quanto aos honorários advocatícios, carece ao recorrente interesse recursal. A Medida Provisória 1.99737, de 11.04.2000, alterou o disposto no artigo 27 do DecretoLei 3.365/41, dandolhe a seguinte redação: "A sentença que fixa o valor da indenização quando este for superior ao preço oferecido, condenará o desapropriante a pagar honorários do advogado, que serão fixados entre meio e cinco por cento do valor da diferença, observando o disposto no § 4º do art. 20 do Código do Processo Civil, não podendo os honorários ultrapassar R$151.000,00 (cento e cinqüenta e um mil reais)". 4. O Tribunal a quo entendeu que 15% sobre o valor da condenação, perfazendo o montante de R$ 300.000,00, a que foi condenado o Estado de Santa Catarina, fugiria dos padrões da razoabilidade, reduzindo, com fundamento no artigo 20, § 4º, do CPC, a verba honorária para R$ 130.000,00. Ora, a aplicação do disposto no artigo 27 do Decreto 3.365/41 determina o arbitramento dos honorários entre 0,5% e 5% sobre a diferença apurada e não sobre o valor total da condenação, como sugere a parte recorrente. Ainda que arbitrado o percentual máximo, qual seja, 5% sobre o valor da condenação, tal corresponde a R$ 100.000,00, quantia inferior à que o Estado foi condenado a pagar. 5. Em resumo, em nada aproveita à parte recorrente a fixação dos honorários advocatícios à luz do Decreto 3.365/41, razão porque entendo faltarlhe interesse recursal no pleito, porquanto pretende obter a incidência de arcabouço normativo que, ao invés de lhe beneficiar, lhe prejudica. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, parcialmente provido.(grifei) Conforme informações nos andamentos processuais do Site do TJ/SC, houve trânsito em julgado para as partes em 18/05/2011. Sobre a tributação em áreas de interesse ecológico, já decidiu esse E. Conselho, Acórdão 2101002.640, Processo 10983.722480/201161, Relator, Alexandre Naoki Nishioka: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. CARACTERIZAÇÃO. O Parque Estadual Serra do Tabuleiro está situado em área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas de que trata o art. 10, §1º, II, “b”, da Lei n.º 9.393/96. Comprovada a localização da área de interesse ecológico, esta deve ser excluída da área tributável do imóvel. Recurso provido. (g.n.) Destaco razões de decidir do citado julgado, por se tratar do mesmo Parque Estadual (Serra do Tabuleiro) e por ser bastante semelhante ao caso aqui tratado: [...] Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre a hipótese de não incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.º 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior”. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.004148/201018 Acórdão n.º 2301004.857 S2C3T1 Fl. 504 19 Analisandose os autos, verificase que a controvérsia reside na questão de a área do imóvel objeto da autuação ser ou não de interesse ecológico. Em sendo de interesse ecológico, preencheria os requisitos para fruição da isenção do ITR, tal qual prevista no artigo 10, §1º, inciso II, alínea “b”, acima transcrito. No tocante à legislação ambiental, importante relembrar que é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios legislar sobre a proteção ao meio ambiente (preservação de florestas, conservação da natureza etc.), consoante se depreende da análise conjunta dos artigos 23 e 24 da Constituição Federal: [...] Com base em tal competência, o Decreto n. 1.260, de 01 de novembro de 1975, criou o Parque Nacional Serra do Tabuleiro, “visando à proteção e à preservação dos mananciais de água, da flora, da fauna, de determinados aspectos geológicos, da paisagem e dos locais apropriados ao lazer e à atração turística” (art. 1º.). No presente caso, a DRJ reconhece a importância dos parques estaduais mas exige, além de laudo técnico específico, a apresentação do ADA. Consta dos autos que 81,12% da propriedade do Recorrente está situada no Parque Nacional Serra do Tabuleiro, de que trata o Decreto n. 1.260, de 01 de novembro de 1975, 13,69% na Área de Proteção Permanente do Parque e somente 5,19% fora do parque, conforme mapas e imagens de localização da propriedade rural (efl. 98 e efls. 134/137), acompanhado de diversos outros documentos como fotos (efls. 138/141), pesquisa de mercado e estatística inferencial (efls. 167/192), todos elaborados por engenheiro civil perito judicial, nos autos da ação de desapropriação indireta proposta pelo ora Recorrente. Além disso, há declaração do órgão ambiental corroborando as informações prestadas pelo Recorrente (efl.60). Assim, entendo que a localização do imóvel comprovada por meio de laudo técnico elaborado por perito judicial, confirmada pelo órgão ambiental competente, supriria a necessidade do ADA. De qualquer forma, há nos autos cópia do ADA protocolizado em 30 de junho de 2007 (efl. 55/56), ou seja, seis meses antes da data do fato gerador, ocorrido em 01 de janeiro de 2008. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Assim, independentemente da glosa efetuada pela autoridade fiscal, restou incontroverso que ao tempo dos fatos geradores ( 2005, 2006, 2007) a área de 4.077 ha da propriedade já estava inserida no Parque Estadual Serra do Tabuleiro e que Estado de Santa Fl. 513DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 20 Catarina foi condenado a pagar indenização por expropriação dessa área desde a edição do Decreto Estadual n.º 2.335, de 17/03/77, que segundo a Decisão Judicial “que declarou a área de utilidade pública e interesse social”. Quanto à glosa de Produtos Vegetais, matéria que a DRJ julgou como não impugnada, entendo que descabe apreciação ante a perda de objeto, uma vez que foi reconhecida a área de APP inserida no Parque Estadual, abrangendo 99% da propriedade. Valor da Terra Nua VTN Embora praticamente toda a área do imóvel seja Área de Preservação Permanente APP, portanto isenta, cabe analisar o arbitramento do VTN pela tabela SIPT. No que tange ao arbitramento do VTN, a autoridade fiscal arbitrou: Exercício 2005 em R$ 12.396.900,00 (R$ 3.000,00/ha); Exercício 2006 em 16.529.200,00 (4.000,00/ha); Exercício 2007 em 18.595.350,00 (4.500,00/ha) O parágrafo 2° do artigo 8° da Lei n° 9.393, de 1996, dispõe que o VTN deve refletir o preço de mercado de terras, apurado em 1° de janeiro do ano a que se referir a declaração do ITR. A auto avaliação do valor da terra nua a preço de mercado efetuada pelo contribuinte em sua DITR está sujeita à fiscalização pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e, caso verificada a subavaliação, com base na tabela SIPT, será procedida a correção do valor declarado, conforme disposto no art. 14, abaixo transcrito: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Como se vê, por força do estabelecido no § 1º do art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Confirase a transcrição do referido artigo, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.18356, de 2001: Art.12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e cessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: Fl. 514DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.004148/201018 Acórdão n.º 2301004.857 S2C3T1 Fl. 505 21 I localização do imóvel; II aptidão agrícola III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. § 1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. § 2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. § 3º O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Analisandose o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir que o levantamento do VTN, levando em conta a média dos VTNs constantes nas DITRs, não tem suporte legal, pois o arbitramento do valor da terra nua com base nos dados do SIPT deve levar em conta, necessariamente, as informações sobre aptidão agrícola. Ainda que conste às fls. 138/140 (Tela SIPT CONSULTA) não há como saber se foram atendidos todos os parâmetros legais para o cálculo do VTN, de modo que não pode ser utilizado para proceder o arbitramento do valor da terra nua. Ademais, verificase nas mesmas telas uma discrepância entre os valores que foram arbitrados por aptidão agrícola e os valores médios constantes das DITR de cada exercício. EXERCÍCIO VTN/ DITR VTN/APTIDÃO AGRÍCOLA 2005 R$ 1.695,10 R$ 3.000,00 2006 R$ 2.223,03 R$ 4.000,00 2007 R$ 2.168,72 R$ 4.500,00 Importa mencionar que no Termo de Intimação Fiscal, a autoridade fiscal informou não sendo comprovado o VTN declarado, seriam arbitrados os valores de R$ 1.695,10 para 2005, R$ 2.223,03 para 2006 e de R$ 2.168,72 para 2007. No entanto, quando lavrado o Auto de Infração os valores arbitrados foram os de R$ 3.000,00, R$ 4.000,00 e R$ 4.500,00, respectivamente. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 22 No Estado de Direito deve sempre imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa conforme estabelecido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário. A utilização da tabela SIPT poderia ser válida e utilizada pelo Fisco, desde que ficasse comprovado que efetivamente as características de aptidão agrícola estão sendo levadas em conta para a área que está sendo fiscalizada, estando de acordo com o que a lei determina (existência de lavouras, campos, pastagens, matas etc). O preço médio por aptidão agrícola, ainda que fornecidos pela Secretaria da Agricultura é só um parâmetro indicativo da região, de modo que, de regra, não reflete a realidade do imóvel. Tanto é verdade que no caso aqui tratado, a área do imóvel se constitui, quase que em sua totalidade, de Área de Preservação Permanente (interesse ecológico), tornando incabíveis os valores arbitrados pelo Fisco. Nesse sentido, cabe transcrever o julgado abaixo, acórdão nº 2102003.137, da 1ª Câmara da 2ª Turma da 2ª Seção deste Egrégio Conselho, o qual ratifica o entendimento desta relatora. Vejamos: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2003 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso Voluntário Provido Na mesma esteira trilha o Acórdão 220201.269, Processo 10.183.005183/200525, Relatora Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, do qual subtraio apenas excerto da ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 [...] VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). INCABÍVEL AUTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO NA DITR. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. [...] Fl. 516DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11516.004148/201018 Acórdão n.º 2301004.857 S2C3T1 Fl. 506 23 Não é outro entendimento da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF ao proferir o Acórdão nº 9202003.749 abaixo ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Assim, o VTN utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências determinadas pela legislação de regência. Ademais, a contribuinte juntou ao processo (fls. 425/480), Laudo de Avaliação do Imóvel, elaborado por PROTOL Projetos de Engenharia e Consultoria Ltda, com Anotações de Responsabilidade Técnica, às fls. 482/483. Em suma, os valores encontrados para o imóvel foram de R$ 6.938.875,63 em 2005, R$ 7.402.163,95 em 2006 e R$ 7.769.239,19 em 2007. Assim, em relação aos 55 ha, os quais o recorrente não se insurgiu, por ser a única área tributável não inserida no Parque Estadual Serra do Tabuleiro, o VTN deve ser atribuído conforme valores constantes do Laudo de Avaliação do Imóvel. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10980.010287/2003-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/10/1993 a 31/12/2002
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO.
Restando configurado o lançamento por homologação pelo pagamento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, § 4º do CTN, operando-se em cinco anos, contados da data do fato gerador. Inexistindo a antecipação do pagamento, aplica-se a regra do art. 173, I, do CTN, contando-se o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ RESP 973.733.
BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS. IMPOSSIBILIDADE. NORMA SEM EFICÁCIA.
O art. 3º, § 2º, inciso III da Lei nº 9.718/98, revogado pela Medida Provisória n° 1.991-18, não chegou a ter eficácia, visto ter sido retirado do ordenamento jurídico antes de sua regulamentação pelo Poder Executivo.
COMPENSAÇÃO. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL.
Incabível à autoridade administrativa aceitar a compensação de débitos relativos a tributos e a contribuições federais com créditos referentes a títulos da dívida pública por falta de previsão legal. De outra parte, a extinção do crédito tributário em face de determinação judicial demanda decisão transitada em julgado.
EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE COM VALORES DECLARADOS EM DCTF.
Constada em diligência o lançamento de ofício de débitos declarados em DCTF exclui-se do auto de infração os valores indevidamente lançados.
MULTAS. INCONSTITUCIONALIDADE.
Os órgãos administrativos de julgamento não possuem competência para aferir a constitucionalidade das leis. Súmula CARF nº 2.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 4.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-003.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir os valores lançados até setembro de 1998, em razão da decadência do direito do fisco; e para excluir os valores exigidos em duplicidade, nos termos do quanto apurado em diligência (fls. 3741).
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/10/1993 a 31/12/2002 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. Restando configurado o lançamento por homologação pelo pagamento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, § 4º do CTN, operando-se em cinco anos, contados da data do fato gerador. Inexistindo a antecipação do pagamento, aplica-se a regra do art. 173, I, do CTN, contando-se o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ RESP 973.733. BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS. IMPOSSIBILIDADE. NORMA SEM EFICÁCIA. O art. 3º, § 2º, inciso III da Lei nº 9.718/98, revogado pela Medida Provisória n° 1.991-18, não chegou a ter eficácia, visto ter sido retirado do ordenamento jurídico antes de sua regulamentação pelo Poder Executivo. COMPENSAÇÃO. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL. Incabível à autoridade administrativa aceitar a compensação de débitos relativos a tributos e a contribuições federais com créditos referentes a títulos da dívida pública por falta de previsão legal. De outra parte, a extinção do crédito tributário em face de determinação judicial demanda decisão transitada em julgado. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE COM VALORES DECLARADOS EM DCTF. Constada em diligência o lançamento de ofício de débitos declarados em DCTF exclui-se do auto de infração os valores indevidamente lançados. MULTAS. INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos administrativos de julgamento não possuem competência para aferir a constitucionalidade das leis. Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 4. Recurso voluntário provido em parte.
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DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. Restando configurado o lançamento por homologação pelo pagamento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício regese pela regra do art. 150, § 4º do CTN, operando se em cinco anos, contados da data do fato gerador. Inexistindo a antecipação do pagamento, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, contandose o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ RESP 973.733. BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS. IMPOSSIBILIDADE. NORMA SEM EFICÁCIA. O art. 3º, § 2º, inciso III da Lei nº 9.718/98, revogado pela Medida Provisória n° 1.99118, não chegou a ter eficácia, visto ter sido retirado do ordenamento jurídico antes de sua regulamentação pelo Poder Executivo. COMPENSAÇÃO. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL. Incabível à autoridade administrativa aceitar a compensação de débitos relativos a tributos e a contribuições federais com créditos referentes a títulos da dívida pública por falta de previsão legal. De outra parte, a extinção do crédito tributário em face de determinação judicial demanda decisão transitada em julgado. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE COM VALORES DECLARADOS EM DCTF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 02 87 /2 00 3- 02 Fl. 3748DF CARF MF 2 Constada em diligência o lançamento de ofício de débitos declarados em DCTF excluise do auto de infração os valores indevidamente lançados. MULTAS. INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos administrativos de julgamento não possuem competência para aferir a constitucionalidade das leis. Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 4. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir os valores lançados até setembro de 1998, em razão da decadência do direito do fisco; e para excluir os valores exigidos em duplicidade, nos termos do quanto apurado em diligência (fls. 3741). (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 31/10/2003, lavrado para exigir o crédito tributário relativo a diferenças no recolhimento da COFINS nos períodos de apuração compreendidos entre outubro de 1993 e dezembro de 2002, conforme termo de verificação fiscal de fls. 2074/2095. A leitura do referido termo de verificação permite constatar que a fiscalização fez uma análise completa da situação fiscal do contribuinte em relação à COFINS, confrontando valores recolhidos, valores declarados, valores compensados e valores compensados englobando a análise de vários processos administrativos. Por uma questão de economia, os detalhamentos do termo de verificação fiscal e das alegações de defesa serão efetuados na fundamentação do voto. Em sede de impugnação ao lançamento, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: a) nulidade do procedimento fiscal; b) decadência do direito do fisco; c) impossibilidade de o fisco incluir na base de cálculo valores repassados a subempreiteiras; d) impossibilidade de o fisco reverter a compensação dos créditos de Finsocial com débitos da COFINS; e) impossibilidade de o fisco exigir as diferenças nos períodos em que houve declaração a menor sem efetuar a compensação de ofício com os valores dos meses em que Fl. 3749DF CARF MF Processo nº 10980.010287/200302 Acórdão n.º 3402003.776 S3C4T2 Fl. 3 3 houve declaração a maior; f) sustentou a validade da compensação de débitos da COFINS com créditos originários de títulos da dívida pública; g) contestou a inflição dos consectários do lançamento de ofício. Por meio do Acórdão nº 5.825, de 31 de março de 2004, a DRJ Curitiba julgou a impugnação improcedente e manteve o lançamento em sua integralidade (fls. 2559/2592). Regularmente notificado daquele acórdão em 18/05/2004, o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 2640/2699, em 16/06/2004, no qual reprisou as alegações de impugnação e contestou pontos específicos do acórdão recorrido. Por meio da Resolução nº 20200.979, de 28 de março de 2006, o julgamento foi convertido em diligência à repartição de origem, a fim de que fosse informado o trâmite atual dos processos administrativos e judiciais citados nos autos, bem como o teor e os reflexos neste processo das decisões de mérito e/ou liminares, que porventura tenham sido proferidas. Os autos retornaram com a informação de fls. 2747/2749, onde a fiscalização fez um resumo do objeto e da situação de cada ação, sem tecer nenhuma consideração quanto aos reflexos das decisões neste processo, além daqueles já mencionados no termo de verificação fiscal. Regularmente notificado do teor da informação fiscal, o contribuinte se manifestou às fls. 2758, informando que não tem nada a informar e que ratifica os termos do recurso voluntário apresentado. Por meio do despacho de fls. 2812 foram apensados a este processo os processos administrativos cujas informações foram requeridas na diligência. Por meio da Resolução 3403000.343, o julgamento foi convertido em diligência à repartição de origem, a fim de que fosse averiguada a alegação do contribuinte quanto à existência da cobrança de débitos em duplicidade com as CDA 70.6.0604961466 e 80.09.02526321 (fls. 2830/2831). O processo retornou com os documentos de fls. 2966 a 3731 e com a informação fiscal de fls. 3732 a 3741. Regularmente notificado das averiguações e conclusões da diligência realizada (fls. 3743/3744), o contribuinte se absteve de apresentar manifestação (fls. 3745). É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido por este colegiado. Fl. 3750DF CARF MF 4 O auto de infração de PIS, que se encontra albergado no processo nº 10980.010288/200349, foi relatado e julgado na assentada do dia 15 de março de 2016 pela ilustríssima Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula (Acórdão nº 3402002.956). PPRREELLIIMMIINNAARREESS AA)) VVEEDDAAÇÇÃÃOO ÀÀ DDUUPPLLIICCIIDDAADDEE DDEE FFIISSCCAALLIIZZAAÇÇÕÕEESS JJAANNEEIIRROO DDEE 11999922 AA MMAARRÇÇOO DDEE 11999944 O contribuinte alegou nulidade do procedimento fiscal em relação aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre janeiro de 1992 e março de 1994, pois no seu entender esse período já havia sido fiscalizado nos processos nº 10980.010584/9206; 10980.006536/9214; 10980.006026/9319 e 10980.008443/9621. Conforme se verifica nas fls. 606 e seguintes, os processos administrativos nº 10980.006536/9214 e nº 10980.010584/9262 foram formalizados para acompanhamento da medida cautelar de depósito nº 92.00060200 e da ação declaratória 92.98444, respectivamente, que tinham por objeto obter autorização para efetuar depósitos em juízo da COFINS e a obtenção da declaração de inconstitucionalidade da LC nº 70/91. Já nas fls. 1381 e seguintes, verificase que o processo nº 10980.008443/96 21 se refere à cobrança de débitos declarados em DCTF relativos à COFINS dos meses de setembro de 1993 a março de 1994, que estavam sendo cobrados em razão da insuficiência dos depósitos judiciais efetuados. E por fim, nas fls. 1338 e seguintes, verificase que o processo nº 10980.006026/9319 alberga o auto de infração da COFINS com exigibilidade suspensa, em relação aos fatos geradores ocorridos entre abril de 1992 e março de 1993. O exame dessas peças processuais comprova que o conteúdo dos diversos processos é totalmente diferente do conteúdo deste processo administrativo. Enquanto que neste caso concreto foi efetuada a fiscalização propriamente dita da COFINS; os processos nº 10980.006536/9214 e 10980.010584/9262 foram instaurados para o acompanhamento das ações judiciais relativas à COFINS; o processo 10980.008443/9621 teve por objeto a cobrança de débitos declarados da COFINS cujos depósitos em juízo foram considerados insuficientes; e no processo nº 10980.006026/9319 o objeto foi constituição do crédito tributário em relação à COFINS que estava com exigibilidade suspensa. Portanto, ao contrário do alegado pela defesa, não houve duplicidade de fiscalizações, pois dois processos versaram sobre o mero acompanhamento de ações judiciais e nos outros dois houve mera análise da suficiência dos depósitos, o que equivale dizer que não houve fiscalização da apuração da COFINS, mas apenas e tãosomente a aferição da suficiência dos depósitos judiciais, em relação aos valores que haviam sido espontaneamente declarados pelo contribuinte. Com esses fundamentos, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade em decorrência da suposta duplicidade de fiscalizações. BB)) DDEECCAADDÊÊNNCCIIAA A defesa alegou que houve decadência do direito do fisco, pois os dez anos previstos no art. 45 da Lei nº 8.212/91 seriam inaplicáveis à COFINS diante da previsão contida no art. 146 da CF/88. Em face de previsão expressa contida no art. 62 do Regimento Interno do CARF a questão da decadência do direito do fisco efetuar o lançamento dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação está pacificada. Este Colegiado deve obrigatoriamente aplicar a Fl. 3751DF CARF MF Processo nº 10980.010287/200302 Acórdão n.º 3402003.776 S3C4T2 Fl. 4 5 Súmula Vinculante nº 8 do STF e a decisão do STJ proferida no RESP nº 973.733, sob o regime do art. 543C do CPC, que considera que o pagamento antecipado do tributo, antes de qualquer iniciativa do fisco, é relevante para caracterizar o lançamento por homologação. Eis a ementa do referido julgado: “RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, Fl. 3752DF CARF MF 6 págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” No caso concreto, o auto de infração foi notificado ao contribuinte em 31/10/2003, abrangendo fatos geradores ocorridos entre outubro de 1993 e dezembro de 2002. Por aplicação da regra de decadência prevista no art. 173, I, do CTN estão caducos todos os períodos de apuração encerrados até novembro de 1997, os quais devem ser excluídos de plano do lançamento. Para os fatos geradores ocorridos entre dezembro de 1997 e setembro 1998 a aferição da ocorrência da decadência exige a constatação da existência ou da inexistência de pagamentos antecipados da contribuição. A tela do Sistema SINAL07, juntada pela fiscalização à fl. 1268, revela que no referido período houve pagamento antecipado em relação todos os fatos geradores: Existindo o pagamento antecipado para esses períodos de apuração, deve ser aplicada a regra do art. 150, § 4º do CTN para a contagem do prazo de decadência. O auto de infração foi notificado ao contribuinte em 31/10/2003. Logo estão caducos todos os fatos geradores ocorridos entre dezembro de 1997 e setembro de 1998. Com esses fundamentos, encaminho meu voto no sentido de excluir do lançamento todos os fatos geradores ocorridos entre outubro de 1993 e setembro de 1998, em virtude da decadência do direito do fisco. Fl. 3753DF CARF MF Processo nº 10980.010287/200302 Acórdão n.º 3402003.776 S3C4T2 Fl. 5 7 O contribuinte contestou a decisão recorrida e o procedimento da fiscalização por terem imputado pagamentos efetuados em relação a débitos alcançados pela decadência. Entende o contribuinte que o fisco não poderia ter adotado tal procedimento e que os créditos utilizados em imputação indevida em outros processos administrativos deveriam ser utilizados na imputação de débitos futuros, posteriores a outubro de 1998, tal como foi feito na planilha apresentada junto com a impugnação pela defesa. Esse pleito do contribuinte deve ser indeferido de plano, pois a decadência é fato impeditivo da constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício e não da apuração de valores devidos. O contribuinte apontou especificamente em seu recurso os períodos de apuração nos quais houve imputações de pagamentos que deveriam ser desconsideradas: "(...) (...)" O pleito do contribuinte e a planilha apresentada com a impugnação não podem ser acolhidos, pois o exame dos processos que foram apensados com a primeira diligência efetuada revela que as imputações foram efetuadas naqueles processos para dar cumprimento a decisões judiciais, aferindo a suficiência de valores depositados em juízo. Sendo assim, não há que se falar em decadência do procedimento de imputação, pois foi esse procedimento que deu origem à apuração dos valores ora lançados de ofício, estes sim sujeitos aos prazos decadenciais do CTN. Sendo assim, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a alegação e o pleito do contribuinte. CC)) IIMMPPEEDDIIMMEENNTTOO AAOO LLAANNÇÇAAMMEENNTTOO Outra queixa do contribuinte foi em relação aos períodos de apuração ocorridos em junho e julho de 2001. O contribuinte entende que os créditos estão em discussão no processo nº 10980.005652/200197 e que o lançamento de ofício somente poderia ter sido efetuado após a conclusão daquele processo. O exame do demonstrativo de apuração elaborado pela fiscalização em relação ao ano calendário de 2001 (fl. 2052) revela que não existe nenhuma dependência deste processo em relação ao processo nº 10980.005652/200197, pois os valores dos créditos em discussão naquele processo foram deduzidos do valor lançado neste auto de infração, conforme se pode constatar a seguir: Fl. 3754DF CARF MF 8 Observem, senhores conselheiros que sob a coluna "COMPENSAÇÃO PAF 10960.005652 (DCTF)" a fiscalização deduziu do lançamento os valores dos créditos que estão em discussão naquele processo, fato que comprova que qualquer decisão que venha a ser proferida no âmbito daquele processo não interferirá com o lançamento de ofício ora em discussão. Com esse fundamento, encaminho meu voto para rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento em relação aos fatos geradores de junho e julho de 2001. MMÉÉRRIITTOO AA)) EEXXCCLLUUSSÃÃOO DDEE RREECCEEIITTAASS RREEPPAASSSSAADDAASS PPAARRAA SSUUBBEEMMPPRREEIITTEEIIRRAASS JJAANNEEIIRROO AA MMAARRÇÇOO DDEE 22000000 A defesa se insurgiu contra a fiscalização, e também contra o acórdão recorrido, na parte em que não admitiram a exclusão de receitas repassadas para subempreiteiras da base de cálculo da COFINS, nos meses de janeiro a março de 2000, com base no art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/981. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, o referido dispositivo legal não era autoaplicável, uma vez que a parte final do inciso III, ressalvava a necessidade de regulamentação por parte da Administração Tributária. Independentemente do fato de a regulamentação não poder suprimir a autorização legal, a norma em questão não era autoaplicável porque o próprio legislador condicionou sua eficácia à prévia regulamentação. Na lição de Hely Lopes Meirelles2: "(...) 1 Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.(Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §2ºPara fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I e II omissis... IIIos valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo;(Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000)(Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) 2 Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 25 ed, pág. 120. Fl. 3755DF CARF MF Processo nº 10980.010287/200302 Acórdão n.º 3402003.776 S3C4T2 Fl. 6 9 As leis que trazem a recomendação de serem regulamentadas não são exequíveis antes da expedição do decreto regulamentar, porque esse ato é conditio juris da atuação normativa da lei. Em tal caso, o regulamento opera como condição suspensiva da execução da norma legal, deixando seus efeitos pendentes até a expedição do ato do Executivo. (...)" E a jurisprudência não destoa, pois além dos acórdãos citados na decisão de primeira instância, específicos para o art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98, encontramos o seguinte julgado: "(...) 2. Busca o autor, servidor público do quadro de pessoal do Ministério Público Federal, o reconhecimento do seu direito à percepção do adicional de atividade penosa, previsto no art. 71 da Lei 8.112/1990, durante o período em que ainda não existia regulamentação específica no âmbito daquele órgão acerca de tal vantagem (...). O Superior Tribunal de Justiça, em hipótese semelhante, já se manifestou pela impossibilidade dos servidores públicos receberem valores retroativos decorrentes da regulamentação de regimes jurídicos ao asseverar que: i) normas de eficácia condicionada (limitada) não são autoaplicáveis; ii) não é possível conceder eficácia retroativa à regulamentação quando inexistente norma legal; iii) a Administração Pública só pode realizar o que lhe é permitido por lei. Precedente: RMS 20.118/RJ, Rel. Ministro GILSON DIPP, QUINTA TURMA, julgado em 19/06/2007, DJ 06/08/2007, p. 539. 7. Agravo regimental não provido. (...)" (AgReg no Resp 1.491.890) Tendo em vista que o art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98 não foi regulamentado até a sua revogação pela Medida Provisória nº 2.15835/2001, concluise que nunca houve o direito de o contribuinte excluir da base de cálculo valores reconhecidos como receitas que tenham sido posteriormente repassados a terceiros. Ademais, o referido dispositivo legal estava revogado desde 01/01/2000 (vide art. 93, V, da MP nº 2.15835/2001). Sendo assim, em relação aos fatos geradores ocorridos no período janeiro de 2000 a dezembro de 2002, já não existia previsão legal autorizando essa transferência. Com tais fundamentos, encaminho meu voto no sentido de manter os valores relativos às contribuições devidas nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2000 na forma posta no lançamento. Fl. 3756DF CARF MF 10 BB)) GGLLOOSSAA IINNDDEEVVIIDDAA DDAA CCOOMMPPEENNSSAAÇÇÃÃOO DDAA CCOOFFIINNSS CCOOMM CCRRÉÉDDIITTOOSS DDEE FFIINNSSOOCCIIAALL AAGGOOSSTTOO AA DDEEZZEEMMBBRROO DDEE 11999999.. Segundo o termo de verificação fiscal, nas DCTF originais correspondentes ao período de agosto a dezembro de 1999 o contribuinte declarou compensações com DARF vinculando créditos por recolhimento indevido do FINSOCIAL. Entretanto, posteriormente, apresentou DCTF complementar a fim de alterar tais compensações para compensações sem DARF com processo judicial com pedido de reconhecimento de validade e de eficácia de Apólices da Dívida Pública Federal, com a consequente utilização dos créditos resultantes de cada título, para aporte de capital e compensação com tributos federais. A fiscalização e o acórdão de primeira instância entenderam que as DCTF "complementares" eram materialmente retificadoras, pois, em lugar de acrescentarem débitos ou créditos a serem compensados, se limitaram a alterar o fundamento jurídico da compensação declarada. O contribuinte se insurgiu contra esse entendimento, basicamente porque a legislação estabelece as diferenças entre declarações retificadoras e complementares; porque o fisco não poderia tomar como retificadora uma declaração que foi apresentada como complementar; e porque seria insensato por parte da recorrente reverter uma compensação efetuada com créditos líquidos e certos de Finsocial apurados em sentença judicial transitada em julgado. Pois bem. O cotejo das DCTF originais (fls. 1105/1114 e 1118/1131) com as DCTF "complementares" (fls. 1115/1117 e 1132/1135) foi feito com maestria pela decisão de primeira instância às fls. 2578/2579, cujos demonstrativos transcrevo a seguir: Fl. 3757DF CARF MF Processo nº 10980.010287/200302 Acórdão n.º 3402003.776 S3C4T2 Fl. 7 11 Analisandose os quadros acima, percebese que o contribuinte não teve a intenção de acrescentar débitos às DCTF originais. Seu objetivo foi o de alterar o fundamento jurídico da compensação, pois nas DCTF originais informou compensações com DARF de FINSOCIAL com débitos da COFINS, enquanto que nas DCTF tidas como complementares a única alteração foi quanto à origem do crédito vinculado à compensação, que passou a ser a ação judicial 2001.35.00.0068982/GO, cujo objeto foi o reconhecimento da legitimidade dos títulos públicos dos quais o contribuinte é detentor. Portanto, é evidente que se tratam de DCTF retificadoras e que não houve glosa de compensação do FINSOCIAL com a COFINS, mas sim glosa de compensação da COFINS com crédito originário de títulos públicos. O art. 8º da IN SRF nº 126/98 estabelece que a DCTF complementar se presta para declarar novos débitos ou acréscimos aos valores de débitos já informados. Sendo assim, não foi a fiscalização que tomou uma declaração complementar como retificadora. Foi o próprio contribuinte que usou uma declaração complementar para retificar a origem do crédito e o fundamento jurídico da compensação declarada. Ao alterar o fundamento jurídico do crédito vinculado às compensações de pagamento indevido para crédito oriundo de decisão judicial, a compensação com créditos de FINSOCIAL deixou de existir no mundo jurídico, tendo sido substituída pelo próprio contribuinte pela compensação com crédito decorrente de decisão judicial. Analisandose a inicial da ação judicial 2001.35.00.0068982/GO (fls. 1551 e seguintes), verificase que um dos pedidos do autor foi a utilização do valor dos títulos para a compensação de tributos federais. A sentença reconheceu esse direito. Entretanto, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região deu provimento à remessa de ofício e reformou a sentença, Fl. 3758DF CARF MF 12 reconhecendo a prescrição dos títulos públicos. O Acórdão do TRF1 recebeu a seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA EMITIDOS NO INÍCIO DO SÉCULO XX. PRELIMINARES AFASTADAS. PRESCRIÇÃO RECONHECIDA. 1. Não há que falar em inconstitucionalidade do DecretoLei n. 263/67, por vício de origem, em razão de ter estabelecido, em seu art. 3º, a extinção da dívida decorrente de Títulos da Dívida Pública, se não resgatados no prazo ali fixado, tendo em vista que o Poder Executivo estava autorizado a legislar sobre finanças públicas por meio de decretolei, nos termos do art. 9º, § 2º, do Ato Institucional n. 04, de 07.12.66. O mesmo se diga em relação ao DecretoLei n. 396/68, que prorrogou o prazo de apresentação dos títulos para resgate, com base na autorização dada pelo art. 2º, § 1º, do Ato Institucional n. 05, de 13.12.68. 2. Os referidos Decretosleis não regularam, em termos gerais, sobre prescrição ou decadência, mas, tãosó, sobre aspecto essencial dos mesmos títulos, qual seja, o prazo de resgate dos títulos, que se encontra, também, inserido no âmbito das finanças públicas. 3. A prescrição da dívida decorrente do resgate dos títulos da dívida pública e do pagamento dos respectivos juros está prevista no art. 60 da Lei nº 4.069/62, que estabeleceu o prazo de cinco anos para os interessados reclamarem o seu pagamento, de forma que, os créditos que a autora alega possuir contra a União Federal encontramse atingidos pela prescrição. 4. O § 3º do art. 30 da Medida Provisória n. 1.238/95, porque suprimido do texto antes de sua apreciação pelo Congresso Nacional, não tem aptidão para ressuscitar a validade dos títulos emitidos no início do século XX e já atingidos pela prescrição, uma vez que às Medidas Provisórias não se aplica o disposto no art. 4º, § 1º, da Lei de Introdução ao Código Civil, diante do que dispõe o § 3º do art. 62 da Constituição Federal de 1988. 5. Apelações da UNIÃO, do BNDES, do BACEN e do INSS providas, em parte. 6. Remessa oficial provida." Foi interposto Recurso Especial ao STJ, o qual não foi conhecido por aquele Tribunal, conforme se pode constatar no Agravo Regimental em Recurso Especial nº 32.576 (https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?num_registro=201101830108&aplicacao=processos. ea). Portanto, além de o contribuinte não ter respaldo judicial para efetuar a compensação da COFINS com os títulos públicos, efetuou essa compensação antes do trânsito em julgado da ação, em afronta ao art. 170 do CTN e ao art. 74 da Lei nº 9.430/96 na sua redação original, que estava vigente ao tempo em que essa compensação foi efetuada. A violação do art. 170 do CTN é inconteste, pois o dispositivo exige que o encontro de contas seja efetuado com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Ora, se o crédito decorrente dos títulos públicos estava em discussão na via judicial é evidente que não havia certeza jurídica quanto à sua existência e nem liquidez quanto à sua magnitude, uma vez que a sentença estava sujeita à remessa de ofício e foi objeto de recursos de apelação por parte dos vencidos. Também é evidente a violação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, pois entre agosto e dezembro de 1999, época em que foram efetuadas as compensações, vigia a redação original Fl. 3759DF CARF MF Processo nº 10980.010287/200302 Acórdão n.º 3402003.776 S3C4T2 Fl. 8 13 desse dispositivo legal, que exigia requerimento do sujeito passivo e anuência prévia da autoridade administrativa para a realização da compensação. Portanto, correta da glosa da compensação com créditos decorrentes de títulos públicos efetuada pela fiscalização, pois na ação judicial ficou decidido com eficácia de coisa julgada que o crédito vinculado à compensação não existe, diante da prescrição dos aludidos títulos. Se na ação judicial restou decidido que o crédito resultante dos títulos públicos não existe, descabe analisar os demais argumentos trazidos no recurso voluntário quanto ao direito de efetuar compensação com créditos decorrentes de títulos públicos. CC)) DDOO PPLLEEIITTOO DDEE RREEVVIISSÃÃOO DDEE OOFFÍÍCCIIOO DDOOSS PPEERRÍÍOODDOOSS DDEE AAGGOOSSTTOO EE SSEETTEEMMBBRROO DDEE 11999988.. Este argumento está prejudicado porque esses períodos foram excluídos em razão da decadência do direito do fisco. DD)) VVAALLIIDDAADDEE EE LLEEGGAALLIIDDAADDEE DDAASS CCOOMMPPEENNSSAAÇÇÕÕEESS CCOOMM TTÍÍTTUULLOOSS PPÚÚBBLLIICCOOSS AABBRRIILL DDEE 22000000 AA DDEEZZEEMMBBRROO DDEE 22000022.. Em extenso arrazoado a defesa contestou a glosa da compensação com títulos públicos. Conforme foi visto alhures, o art. 170 do CTN exige como requisito prévio à compensação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte. Por sua vez, entre abril de 2000 e agosto de 2002, data da publicação da MP nº 55, de 29 de agosto de 2002, a compensação só podia ser efetuada com anuência prévia da repartição fiscal, o que não foi obedecido pelo contribuinte. E entre setembro de 2002 e dezembro de 2002, embora a nova redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96 tenha dispensado o requerimento prévio à Administração Tributária, o dispositivo passou a estabelecer expressamente que o crédito a ser utilizado em compensação deveria se referir a tributo ou contribuição administrado pela Receita Federal, o que exclui a possibilidade de utilizar créditos decorrentes de títulos públicos. Portanto, a lei exige o trânsito em julgado da decisão judicial, a fim de que sejam cumpridos os requisitos da certeza e da liquidez do crédito e, pelo menos a partir de setembro de 2002, passou a admitir expressamente apenas a compensação entre créditos e débitos tributários. No caso concreto, houve dupla violação legal por parte do contribuinte, pois a compensação do período de abril de 2000 a dezembro de 2002 foi efetuada na pendência de processo judicial onde se discutia a certeza e a liquidez do crédito, bem como a utilização de crédito de natureza não tributária, visto que decorrente de títulos públicos. Desse modo, não havia amparo legal para que a compensação fosse efetuada. Fl. 3760DF CARF MF 14 Além disso, para agravar a situação, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região reformou a sentença proferida no processo nº 2001.35.00.0068982/GO, considerando os títulos públicos prescritos. Sendo assim, além de não ter cumprido os requisitos exigidos pelo art. 170 do CTN e pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, restou decidido no processo judicial que o crédito utilizado pelo contribuinte nas compensações não existe, pois o Judiciário decretou que os títulos estão prescritos. Com esses fundamentos, encaminho meu voto no sentido de manter a glosa dessa compensação nos moldes postos pela fiscalização. EE)) DDAA SSEEGGUUNNDDAA DDIILLIIGGÊÊNNCCIIAA EEFFEETTUUAADDAA Às fls. 2830/2831 o contribuinte alegou duplicidade de cobrança entre as CDA 70.6.0604961466 e 80.6.0902526321 e parte dos valores lançados neste processo. Na EXCELENTE informação fiscal de fls. 3732/3741, o AuditorFiscal incumbido da diligência informou o seguinte: "(...) Fl. 3761DF CARF MF Processo nº 10980.010287/200302 Acórdão n.º 3402003.776 S3C4T2 Fl. 9 15 (...)" O contribuinte foi notificado dessa informação fiscal em 05/05/2016, conforme fls. 3744 e abstevese de apresentar contestação. Sendo assim, tendo sido constatada a duplicidade de exigência nos períodos e valores mencionados na Tabela 4 da informação fiscal, encaminho meu voto no sentido de que tais valores sejam excluídos do lançamento de ofício, homologandose o resultado da diligência. FF)) IILLEEGGAALLIIDDAADDEE EE IINNCCOONNSSTTIITTUUCCIIOONNAALLIIDDAADDEE DDAA MMUULLTTAA DDEE OOFFÍÍCCIIOO.. As alegações trazidas pelo contribuinte em sede de recurso implicam o exame da constitucionalidade do art. 44 da Lei nº 9.430/96 e, portanto, não podem ser apreciadas na via administrativa, conforme estabelece a Súmula CARF nº 2. No caso concreto, estamos diante de um lançamento de ofício no qual foi apurada a falta de declaração e de recolhimento da contribuinte, fato que se amolda perfeitamente ao disposto no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Tendo sido verificado o pressuposto fático para a aplicação do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, a inflição da multa no percentual de 75% deve ser considerada correta, não merecendo reparos o lançamento nesta parte. Com esse fundamento, encaminho meu voto no sentido de manter o lançamento da multa de ofício. GG)) IILLEEGGAALLIIDDAADDEE DDAA TTAAXXAA SSEELLIICC CCOOMMOO JJUURROOSS DDEE MMOORRAA.. As alegações quanto à aplicabilidade da taxa Selic são improcedentes. Tendo em vista que os valores lançados até setembro de 1998 foram excluídos em razão da decadência, é aplicável ao caso concreto o enunciado da Súmula CARF nº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir os valores lançados até setembro de 1998, em razão da decadência do direito do fisco; e para excluir os valores exigidos em duplicidade, nos termos do quanto apurado em diligência (fls. 3741). Antonio Carlos Atulim Fl. 3762DF CARF MF 16 Fl. 3763DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.720097/2008-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusões díspares. Não tendo o colegiado recorrido analisado a matéria de que se pretende recorrer, mesmo a isso instado por meio de embargos, não se pode por falta de prequestionamento, admitir recurso que a pretenda discutir. Os embargos apresentados, por não acolhidos, apenas suscitam a divergência quanto a possível nulidade da decisão.
MULTA QUALIFICADA. NECESSIDADE DE ENQUADRAMENTO DA CONDUTA NAS HIPÓTESES DOS ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI 4.502/64. A mera reiteração de conduta infracional, ainda que caracterizada pela declaração de valores substancialmente menores do que os devidos, por si só, não é suficiente à qualificação da multa segundo a disposição da Lei 9.430, art. 44, inciso II. Essa exacerbação se sustenta, porém, quando demonstrado pela fiscalização que o contribuinte conhecia os valores corretos apenas tendo-os reduzido na DCTF entregue.
PIS. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS
As despesas geradoras de créditos da não cumulatividade das contribuições são apenas aquelas explicitamente apontadas nos atos legais que as instituíram. Todos os valores postulados devem ser comprovados com documentos hábeis e idôneos.
COFINS CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO.
A partir da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, pelo STF, o faturamento, base de cálculo da contribuição, não pode corresponder ao somatório de todas as receitas auferidas como ali disposto. Nos temos da remansosa jurisprudência oriunda daquele tribunal, em se tratando de empresa comercial, industrial ou de prestação de serviços, ela está, indubitavelmente restrita ao somatório das receitas da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos, dúvidas permanecendo apenas quanto às instituições financeiras.
Numero da decisão: 9303-004.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), que conheceu. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, apenas para afastar o alargamento.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente em exercício.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 08/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos e Luiz Augusto do Couto Chagas e as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusões díspares. Não tendo o colegiado recorrido analisado a matéria de que se pretende recorrer, mesmo a isso instado por meio de embargos, não se pode por falta de prequestionamento, admitir recurso que a pretenda discutir. Os embargos apresentados, por não acolhidos, apenas suscitam a divergência quanto a possível nulidade da decisão. MULTA QUALIFICADA. NECESSIDADE DE ENQUADRAMENTO DA CONDUTA NAS HIPÓTESES DOS ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI 4.502/64. A mera reiteração de conduta infracional, ainda que caracterizada pela declaração de valores substancialmente menores do que os devidos, por si só, não é suficiente à qualificação da multa segundo a disposição da Lei 9.430, art. 44, inciso II. Essa exacerbação se sustenta, porém, quando demonstrado pela fiscalização que o contribuinte conhecia os valores corretos apenas tendoos reduzido na DCTF entregue. PIS. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS As despesas geradoras de créditos da não cumulatividade das contribuições são apenas aquelas explicitamente apontadas nos atos legais que as instituíram. Todos os valores postulados devem ser comprovados com documentos hábeis e idôneos. COFINS CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. A partir da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, pelo STF, o faturamento, base de cálculo da contribuição, não pode AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 00 97 /2 00 8- 99 Fl. 8532DF CARF MF 2 corresponder ao somatório de todas as receitas auferidas como ali disposto. Nos temos da remansosa jurisprudência oriunda daquele tribunal, em se tratando de empresa comercial, industrial ou de prestação de serviços, ela está, indubitavelmente restrita ao somatório das receitas da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos, dúvidas permanecendo apenas quanto às instituições financeiras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), que conheceu. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento parcial, apenas para afastar o alargamento. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente em exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 08/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos e Luiz Augusto do Couto Chagas e as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Sobem ao escrutínio deste colegiado, admitidos que foram por despachos do Presidente da Seção, recursos de ambas as partes contra a decisão consubstanciada no acórdão de nº 330100.739 cuja ementa consignou: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2003, 2004 ARGUMENTOS ADUZIDOS. DESNECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DE SUA TOTALIDADE. O órgão julgador não está, necessariamente, obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pela contribuinte se por outros motivos tiver firmado seu convencimento. DECADÊNCIA. Fl. 8533DF CARF MF Processo nº 13603.720097/200899 Acórdão n.º 9303004.337 CSRFT3 Fl. 3 3 Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deverá ser aplicada a regra gera, de decadência prevista no art. 173, I, do CTN. SOLIDARIEDADE. IMPOSSIBILIDADE. Deve ser excluído da condição de solidariamente obrigado, consoante art. 124, I, do CTN, aquele cujo "interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal", objeto do lançamento, não tenha sido devidamente comprovado pelo fisco. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. IMPOSSIBILIDADE São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem, de modo a elidir o lançamento. BASE DE CÁLCULO INCLUI ICMS. Incorporase o valor do ICMS à base de cálculo do Pis e da Cofins, vez que integra o faturamento, não havendo previsão legal para sua exclusão. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A existência de diversas provas indiciárias, contundentes, congruentes e convergentes, demonstrando a utilização reiterada de notas fiscais inidôneas denotam o objetivo de reduzir os valores devidos das contribuições, o que constitui evidente intuito de fraude, fato que autoriza a aplicação de multa qualificada. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. A não apresentação de arquivos magnéticos, cuja obrigatoriedade de manutenção e apresentação está prevista nos arts. 11 a 13 da Lei n° 8.218/91, enseja o agravamento da penalidade. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É jurídica a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte. Como se vê, tratase de autuações de PIS e de COFINS que contemplam a sistemática cumulativa desta última (2003 até janeiro de 2004), da qual resultaram, sinteticamente, glosas de créditos da nãocumulatividade (para ambas) e constatação de redução indevida da base de cálculo da COFINS cumulativa informada na DCTF reiteradamente a menor do que aquela apurada pela própria empresa em sua contabilidade. Esta última infração foi considerada qualificada, exacerbandose o percentual da multa para 150% da contribuição devida. Foi promovida no lançamento a responsabilização solidária de pessoas físicas sócias e administradoras da empresa, bem como da empresa Ivagro Agropecuária, todos por, no entender da fiscalização, se enquadrarem no que dispõe o art. 124, I do CTN. A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração alegando omissão do julgado por não ter abordado a questão da confusão patrimonial que justificaria o enquadramento da empresa Ivagro como solidária. Os embargos não foram admitidos, porém. Fl. 8534DF CARF MF 4 O especial da Fazenda ataca essa exclusão da responsabilidade solidária da empresa Ivagro trazendo como paradigmas exatamente acórdãos que aceitaram a confusão patrimonial como suficiente ao enquadramento nas disposições do art. 124, I do CTN. Afirma que há até mesmo decisão judicial reconhecendo a solidariedade apontada no lançamento. Já o especial do sujeito passivo foi admitido apenas com respeito a três das nove questões suscitadas: alargamento da base de cálculo, cômputo de créditos da não cumulatividade sobre despesas necessárias ao desenvolvimento das atividades empresariais e qualificação da infração com consequente fixação da multa no percentual majorado para 150% das exações. Houve contrarrazões de ambas as partes. Este o relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Começando, como de praxe, pelo reexame da admissibilidade dos recursos, concordo com o pronunciamento constante do despacho de admissibilidade que admitiu parcialmente o do contribuinte, porquanto demonstradas as divergências Mas divirjo com respeito ao da Fazenda. É que, conforme relatado, a decisão recorrida não abordou aspecto que a Fazenda considerava fundamental, qual seja, a confusão patrimonial entre a CEMA e a IVAGRO. E tanto isso era, para ela, fundamental que ela apresentou embargos alegando omissão sobre ponto a que se deveria referir o acórdão. Ora, é já consolidada neste colegiado a jurisprudência de que, em tais casos, somente duas possibilidades se abrem à interposição do especial. No primeiro caso, o colegiado embargado reconhece a omissão e a supre, pronunciandose expressamente sobre o ponto alegado mas mantendo sua decisão ao rejeitar a pretensão do embargante. Para tal situação, basta ao insatisfeito encontrar paradigma que cuide do mesmo tema, em relação a fatos assemelhados, para que seja cabível o especial. E cabe à CSRF enfrentar o tema e dirimir a flagrante divergência. No presente caso, deveria o colegiado ter dito por que ou não considerava que os fatos caracterizassem confusão patrimonial ou que, mesmo ela ocorrendo, entende não ser isso suficiente à aplicação do art. 124, I. Na outra hipótese, o colegiado não admite ter ocorrido omissão e não conhece dos embargos, como foi o caso. Para tais situações, não se forma divergência com respeito ao mérito em si, na medida em que a decisão não se pronuncia sobre ele. A única divergência que se pode admitir, então, é sobre a necessidade daquele pronunciamento, que leva à nulidade da decisão proferida se a CSRF concordar que deveria mesmo ter havido tal pronunciamento. Mas cabe ao recorrente aduzir isso e trazer paradigma que sustente tal necessidade. Assim o é porque, já se disse inúmeras vezes, a CSRF não atua como uma mera terceira instância administrativa, destinada a simplesmente rever as decisões das câmaras julgadoras, como fazem estas em relação às decisões das DRJ. Ela é uma instância especial, Fl. 8535DF CARF MF Processo nº 13603.720097/200899 Acórdão n.º 9303004.337 CSRFT3 Fl. 4 5 acionável apenas para resolver divergências interpretativas entre aqueles colegiados. Essencial, pois, que dois deles tenhamse pronunciado antagonicamente sobre dado tema. O especial da Fazenda, mais uma vez, não atentou para esse fato e pretende que discutamos algo que não consta do acórdão recorrido, como aliás ela própria ora recorrente apontou em embargos. Não conheço, pois do especial fazendário e passo ao exame do recurso do contribuinte. A primeira circunstância nele discutida aplicação de multa exacerbada em virtude de declaração reiteradamente a menor em DCTF não é nova neste colegiado. Quanto a ela, já me posicionei1 ressaltando a necessidade de que a fiscalização demonstre que o declarante tinha pleno conhecimento do valor correto. Peço vênia para transcrevêla aqui: Entendo que o recurso observou os requisitos de admissibilidade previstos no Regimento dos Conselhos de Contribuintes vigente quando proferida a decisão que ele pretende atacar, sendo certo que foi ela tomada por maioria e foram apontados os dispositivos legais supostamente contrariados. Dele conheço, pois. Mas não vejo motivos para sua reforma, valendo aqui repetir os argumentos da dra Sílvia para afastar a qualificação da multa: Sobre a multa aplicada, registrese que não consta destes autos nenhuma peça fiscal em que tenha sido descrita e tipificada a conduta infracionária a que se pretende cominar a penalidade em questão, limitandose a fiscalização a indicar, no auto de infração, a capitulação legal da multa e, na descrição dos fatos do referido auto, a relatar que: (...) O sujeito passivo declarou no período em exame, de 01/10/1999 a 01/07/2004, para a Receita Federal, para fins de apuração da Cofíns valores de receitas de vendas em torno de 5% a 10% dos valores registrados em seus livros fiscais e contábeis, conforme cópias das Demonstrações do Livro Diário, em anexo, o que caracteriza não haver incorrido em erro de fato, ao preencher as declarações enviadas à Receita Federal. Ora, do fato de não se ter configurado erro de fato da contribuinte não pode emergir presunção da ocorrência de conduta dolosa capaz de dar azo à aplicação da multa de ofício em percentual duplicado, mormente considerando que a capitulação legal da multa no art. 44, inc. II, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, vigente à época da autuação,referiase aos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, os quais tratam da sonegação, da fraude e do conluio, respectivamente, e nenhuma dessas práticas foi especificamente imputada à contribuinte. 1 Acórdão 9303003.047 julgado em agosto de 2014 Fl. 8536DF CARF MF 6 Portanto, a meu ver, nessa matéria, a acusação fiscal foi deveras deficitária, laborando em desfavor da defesa da autuada que, na peça recursal, limitouse a alegar a ausência do dolo e a falta de comprovação pela fiscalização da ocorrência de fraude. Em face disso, não vislumbro possibilidade de prosperar a exigência da multa em percentual duplicado. A esses argumentos com os quais concordei na ocasião apenas acresço que, em meu entender, não é a mera reiteração de conduta que pode permitir a presunção de que o contribuinte agiu com "evidente intuito de fraude". Muito mais importante, a meu ver, é que se consiga demonstrar que a contribuinte apurara corretamente, em seus livros contábeis, o valor da contribuição a recolher, omitindo parte dele apenas no momento em que o declarara à Fazenda Nacional. Obviamente, tal prova compete à autoridade fiscal e, neste caso, longe esteve ela de promovêla. Somente não comungo do entendimento da dra. Sílvia no ponto em que afirma que não se configuraria a fraude mesmo que o valor declarado à SRF fosse inferior àquele que o próprio sujeito passivo apurou em sua contabilidade. Nesse caso, penso eu, a reiteração da conduta é, sim, relevante, para afastar a possibilidade de erro de transcrição, impondose a qualificação a menos que a empresa possa encontrar uma outra justificativa convincente para a divergência. No presente caso, a fiscalização afirma (Descrição dos Fatos, fl. 5), como transcrito pela dra. Sílvia, que a empresa declarara à SRF receita equivalente a entre 5% e 10% da contabilizada. Ocorre que não é isso que se extrai dos documentos juntados por ela mesma, fiscalização, nos autos. Com efeito, às fls. 44 a 49 constam “Demonstrações do Resultado” que contêm os valores anualizados das receitas e das contribuições contabilizados pela empresa. Já às fls. 63 a 67 juntou a autoridade extratos das DCTF entregues em que apenas constam os valores mensais das contribuições. Como se sabe, as receitas somente são declaradas à SRF nas DIPJ, que não foram juntadas nos autos. Pois bem, confrontandose o que é possível com os documentos juntados, isto é, apenas as contribuições declaradas às contabilizadas (DCTF contra Demonstração de Resultado) concluise que há perfeita compatibilidade. Mais claramente, a soma anual dos valores mensais apostos nas DCTF corresponde exatamente àqueles apurados contabilmente. Em suma, com a prova coligida o que se pode afirmar é que os valores contabilizados e declarados das contribuições são bastante inferiores àqueles a que se chega aplicando a alíquota sobre a totalidade das receitas de vendas contabilizada. Ele não é, porém, nem um valor fixo nem um percentual fixo, ao que deve ser acrescido que a fiscalização intimou a empresa a justificar as diferenças e não obteve resposta. A qualificação da multa decorre, pois, da reiteração, ao longo de cinco anos, de apurar e declarar valores significativamente menores do que os devidos e nada justificar à fiscalização Fl. 8537DF CARF MF Processo nº 13603.720097/200899 Acórdão n.º 9303004.337 CSRFT3 Fl. 5 7 quando regularmente intimada. Esses são os fatos a examinar com o que se tem nos autos. E com eles não entendo cabível a qualificação. Não estou com isso a defender que em todos os casos assemelhados não caiba a presunção, embora sempre seja de bom alvitre intimar a empresa a prestar esclarecimentos. É quase impossível que eles sejam apresentados convincentemente quando o valor recolhido é sempre o mesmo (caso julgado por nós da mesma quarta Câmara do Segundo Conselho, em que sempre se recolhiam R$10,00) ou o percentual das receitas é o mesmo (10% ou 5%, por exemplos). O que se tem, pois, de ponderar é se a ausência de justificativa por parte da fiscalizada é suficiente à qualificação. Considero que não. Com efeito, o que isso demonstra é que a empresa queria mesmo, deliberadamente, pagar menos (bem menos) do que era devido, não tendo incorrido em mero erro de interpretação ou de transcrição de valores. Mas partilho o entendimento da relatora da decisão combatida no sentido de que isso não basta para imporse a exacerbação do percentual. Assim penso porque o inciso II do art. 44 da Lei 9.430 remete aos arts. 71 a 73 da Lei 4.502 para a configuração do “evidente intuito de fraude” que a primeira coloca como condição a qualificarse a multa. Nesta última, no entanto, não se encontra tal expressão. Aí se encontram as definições de sonegação (art. 71), fraude (art. 72) e conluio (art. 73). Como se sabe, a primeira se define pela prática deliberada de impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, sua natureza ou suas circunstâncias materiais. Nada nos autos indica ter ocorrido isso: os valores que serviram de base de cálculo para o lançamento estavam na contabilidade da empresa e haviam sido corretamente declarados à SRF (ao menos não se pode dizer o contrário quanto às receitas dada a omissão relativa às DIPJ). Do mesmo modo, não demonstrou a fiscalização que a empresa tivesse cometido fraude nos termos do art. 72 daquela lei. Esta poderia se configurar efetivamente se os valores de receitas declarados em DIPJ fossem sistematicamente inferiores àqueles contabilizados, ou mesmo se os valores das contribuições declarados em DCTF fossem sistematicamente menores do que os apurados contabilmente. Também não o conseguiu demonstrar a fiscalização. Por fim, de conluio (art. 73) nem se cogita. Mantenho, por isso, a decisão no ponto, afastando a qualificação da multa. E com ela cai, também, a fundamentação para que a decadência possa ser contada pela regra do art. 173, I, especialmente Fl. 8538DF CARF MF 8 porque na própria acusação fiscal há o reconhecimento de que a empresa recolheu os valores que declarou (fls. 22 e ss). Voto, por isso, por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. Como espero que tenho ficado claro aí, já em 2014, mantinha o entendimento de que não é a mera reiteração da conduta de informar na DCTF valores menores (mesmo que bastante menores) do que o devido que basta para qualificar a infração e, consequentemente, exacerbar a multa ao percentual de 150% do tributo. É preciso que a autoridade fiscal consiga demonstrar que a atitude é consciente, dolosa, que é o requisito essencial das hipóteses presentes no art. 44, II da Lei 9.430/96, que remete aos arts 71 a 73 da Lei 4.502/64. Disse na ocasião, também, que cabe a ela, autoridade fiscal, enquadrar a situação em uma daquelas hipóteses. No processo votado em 2014 nada disso estava presente, motivo pelo que rejeitei a qualificação, negando provimento ao recurso da Fazenda. Neste, porém, dáse precisamente o oposto: a fiscalização aponta ter ocorrido sonegação (art. 71) por conta de o contribuinte ter corretamente apurado ambas as contribuições em sua contabilidade (que traz aos autos) e, mais, têlas informado corretamente em DIPJ, mas, mesmo assim, ter, reiteradamente, informado valores significativamente menores na DCTF. Nesse caso, sem nenhuma dúvida, a reiteração somente labora contra o declarante, que já não mais se pode valer da dúvida razoável quanto à correta apuração. Afasta se, portanto, a hipótese de erro na determinação do quanto a declarar e não se pode escapar da intenção de encobrir o verdadeiro montante devido, situação que, a meu ver, se enquadra, à saciedade no citado art. 72 da Lei 4.502/64. Nego, por isso, provimento ao recurso do sujeito passivo nesse ponto. O último ponto de seu recurso diz respeito ao alargamento da base de cálculo, afastado com base na inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 reconhecida pelo STF. Nesta matéria, não há como não lhe dar visto não haver mais dúvida quanto ao descabimento da exigência sobre receitas outras que não as relativas a venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, nos termos da remansosa jurisprudência oriunda do excelso pretório, quando se trate de empresa comercial como aqui. Com efeito, mesmo que se adote como conceito de faturamento aquele preconizado pelo e. ministro Peluso, a saber, "o conjunto das receitas oriundas das atividades empresariais", em se tratando de empresas industriais, comerciais e de serviços, parece indubitável que ele se restringe ao das receitas de vendas e de prestação de serviços. Como se sabe, ali apenas pende questão envolvendo as instituições financeiras, para as quais, aí sim, os dois conceitos não coincidem. Fl. 8539DF CARF MF Processo nº 13603.720097/200899 Acórdão n.º 9303004.337 CSRFT3 Fl. 6 9 É igualmente incontroverso que o nosso regimento permite o afastamento de normas já consideradas inconstitucionais pelo STF. No atual, é o art. 622, valendo o reforço de que o dispositivo já se encontra, até mesmo, revogado. Dou, pois, provimento ao apelo quanto a isso. A última matéria, relativa aos créditos da nãocumulatividade, foi enfrentada com a costumeira profundidade pelo dr. Maurício Taveira, não admitindo sequer acréscimos aqui. Como lá está muito bem demonstrado, as glosas dizem respeito a valores que a empresa não conseguiu comprovar, mesmo instada pela fiscalização; a operações inexistentes e a despesas que, embora comprovadas, não dão direito a crédito. Peço vênia, pois, para considerar aqui transcritos os seus fundamentos, que leio em sessão, para negar provimento ao recurso também quanto a isso. Em conclusão, não conheço do apelo fazendário e dou parcial provimento ao do sujeito passivo apenas para afastar o alargamento. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Fl. 8540DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.916785/2011-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.735
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BRASILSAT HARALD S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 67 85 /2 01 1- 62 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.916785/201162 Acórdão n.º 3402003.735 S3C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJCuritiba nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita, na parte de interesse ao presente julgamento: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em suma, o que segue: (i) nulidade da decisão atacada, uma vez que ao pretexto de não poder analisar constitucionalidade de norma, a decisão vergastada deixou de analisar outros fundamentos jurídicos desenvolvidos pelo recorrente e que seriam autônomos e suficientes para a procedência do seu pleito; e, ainda (ii) que o crédito vindicado pelo contribuinte seria legítimo, nos termos da já citada decisão Pretoriana, a qual apresentaria caráter vinculativo para este CARF, conforme previsto no então vigente art. 62A do RICARF. 5. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.916785/201162 Acórdão n.º 3402003.735 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.723, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.933424/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.723): "6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da nulidade da decisão atacada 7. Não há nulidade da decisão atacada. Conforme se observa da própria manifestação de inconformidade do contribuinte, o pano de fundo a originar seu crédito para a contribuição em apreço é a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, reconhecida pelo STF. É o que se observa do seguinte trecho da sua manifestação: O contribuinte extinguiu o débito da COFINS, apurada conforme acima e declarada em DCTF, com DARF, período de apuração 28/02/2003, código de receita 2172, recolhido em 14/03/2003. Posteriormente, com a Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98 surgiu para o contribuinte o crédito tributário oponível ao Fisco referente a COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 18.459,40. 8. A decisão recorrida, por sua vez, partiu do pressuposto que a questão em apreço tocava a análise quanto à (in)constitucionalidade de normas, o que não seria passível de apreciação na instância administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF no 2. 9. Assim, uma vez reconhecida a sua incompetência para a questão de fundo e cuja análise seria essencial para o deslinde da questão debatida, a DRJ não poderia seguir adiante na análise da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte. 10. Todavia, ainda que se considere que a decisão recorrida apresenta uma mácula, o que se afirma aqui a título de obiter dicta, mesmo assim tal fato não seria impediente para a análise do recurso voluntário interposto, haja vista o disposto no art. 59, Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.916785/201162 Acórdão n.º 3402003.735 S3C4T2 Fl. 0 4 §3º do Decreto m. 70.235/721, motivo pelo qual passo a análise de mérito do presente recurso. II. Do mérito da compensação perpetrada 11. Superada a questão preliminar, não há dúvida que, nos mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a origem do citado crédito decorre da reconhecida inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 1 "Art. 59. São nulos: (...). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...)." Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.916785/201162 Acórdão n.º 3402003.735 S3C4T2 Fl. 0 5 12. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, § 2º, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 13. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tão somente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 14. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.720303/2009-69
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 16/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 03 /2 00 9- 69 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720303/200969 Acórdão n.º 9202004.032 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 16/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 273DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720303/200969 Acórdão n.º 9202004.032 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 274DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720303/200969 Acórdão n.º 9202004.032 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 275DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720303/200969 Acórdão n.º 9202004.032 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720303/200969 Acórdão n.º 9202004.032 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720303/200969 Acórdão n.º 9202004.032 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 278DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 15374.720131/2009-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Antônio Bezerra Neto (Presidente).
RELATÓRIO
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Antônio Bezerra Neto (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .7 20 13 1/ 20 09 -8 2 Fl. 487DF CARF MF Processo nº 15374.720131/200982 Resolução nº 1401000.435 S1C4T1 Fl. 482 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão 1229.898 7" Turma da DRJ/RJ1, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade da Interessada, ao não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação. O relatório do acórdão da DRJ bem define a questão ao apontar que: Trata o processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, n" 20132.62866.140504.1.3.030428, na qual a interessada pretende compensar débitos com crédito decorrente de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003, no valor de R$ 1.207.409,98. Em 0310412009, após análise, foi emitido Despacho Decisório pela DERAT/DIORT, fl. 64verso, com base no Parecer Conclusivo, fls. 62/64, não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações. O indeferimento do pleito teve como principal motivo a constatação de auto de infração, sob o processo administrativo de n° 18471.000221/200609, ainda pendente de decisão administrativa definitiva, pelo qual foi revertido o resultado original, de base negativa, para contribuição social a pagar. Assim, o alegado crédito contra a Fazenda Nacional estaria subtraído dos atributos de certeza e liquidez, exigidos pelo artigo 170 do CTN. A interessada tomou ciência da decisão em 1710412009 (AR fls. 75). Inconformada, apresentou manifestação de inconformidade, em 18/05/2009, fls. 76/99, com os seguintes argumentos: • Alega a tempestividade da manifestação de inconformidade. • O direito está intrinsecamente relacionado à decisão finai a ser proferida nos autos do processo administrativo de n° 18471.0002211200609. • Na hipótese de não se reconhecer o direito creditório, mister se faz o sobrestamento do presente processo até o desfecho da discussão travada nos autos do processo administrativo de n° 18471.000221/200009, pois se trata de uma questão prejudicial. • Exigir o pagamento do débito antes da resolução da questão prejudicial • consiste em verdadeira afronta à própria natureza do processo administrativo fiscal, de verificação da legalidade dos atos praticados pelos seus agentes. • Cabe a suspensão dos atos de cobrança até a resolução final da questão prejudicial. • Traz alegações acerca da improcedência do auto de infração, afirmando que corretamente deduziu da base de cálculo da CSLL os tributos com exigibilidade suspensa, apurando, conseqüentemente, saldo negativo da contribuição para o ano calendário de 2003. É o relatório. Fl. 488DF CARF MF Processo nº 15374.720131/200982 Resolução nº 1401000.435 S1C4T1 Fl. 483 3 Após análise da Manifestação de Inconformidade, os fundamentos do Despacho Decisório foram ratificados, tendo sido observado que: Quanto aos argumentos acerca da improcedência do auto de infração, afirmando que corretamente deduziu da base de cálculo da CSLL os tributos com exigibilidade suspensa, não nos cabe analisar neste processo. Ocorre que esta matéria é objeto de discussão administrativa no processo que cuida do lançamento. Assim, como já houve julgamento, ocorreu a preclusão, sendo esta autoridade julgadora incompetente para qualquer nova apreciação. Em sede de Voluntário traz a notícia de que o crédito tributário objeto do Processo Administrativo n° 18471.0002211200609 foi incluído no Parcelamento Instituído pela Lei n ° 11.9411/09, pois desistiu de dar continuidade ao litígio administrativo, reconhecendo, que tais tributos seriam efetivamente devidos, motivo pelo qual restaria inequívoca a procedência do direito creditório utilizado para a realização da presente compensação. Por despacho, nos autos do processo administrativo n. 16682.900712/201361, foi identificada a conexão entre os processos 16682.720792/201373, 16682.900444/201469 e 16682.900724/2014, para que compusessem um único lote para julgamento. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora O recurso é tempestivo, portanto dele conheço. Conforme relatado, em sede de Voluntário, a Recorrente traz a notícia de que o crédito tributário objeto do Processo Administrativo n° 18471.0002211200609 foi incluído no Parcelamento Instituído pela Lei n ° 11.941/09 e menciona anexação de documento comprobatório sobre tal fato. Observase que o motivo determinante para a não homologação da compensação pleiteada relativa ao direito creditório referente ao saldo negativo da CSLL no anocalendário de 2002 era fato de a dedução dos tributos com exigibilidade suspensa da base de cálculo da CSLL terem sido glosadas pela fiscalização federal através do auto de infração objeto do processo administrativo n° 18471.0002211200609, que ainda se encontraria pendente de julgamento final. Compulsando os autos na busca da verificação do alcance do parcelamento informado pela Recorrente, verifico que após a interposição do recurso houve uma constatação de erro de numeração nas folhas do processo administrativo (fl. 226) e as páginas foram renumeradas com a juntada dos documentos às fls. 166 a 225, para integrar o segundo volume dos autos, que basicamente é formado pelo Recurso Voluntário, dentre as quais não encontro nenhum documento referente ao aludido parcelamento. Como destacado, em Voluntário a solução da controvérsia posta acerca do direito creditório da Recorrente em montante suficiente para homologação dos pedidos de compensação aqui pleiteados, depende principalmente do alcance do parcelamento por ela noticiado em suas razões recursais, cuja comprovação não está nos autos, aparentemente em Fl. 489DF CARF MF Processo nº 15374.720131/200982 Resolução nº 1401000.435 S1C4T1 Fl. 484 4 razão de problemas administrativos havidos no momento da juntada desses documentos (Termo de Renumeração fl. 226 e Termo de Juntada fl. 227). Assim, voto no sentido de converter o julgamento em DILIGÊNCIA a fim de que a DRF de origem: 1 verifique se de fato o Processo Administrativo 18471.0002211200609, foi de fato parcelado nos moldes de 11.941/09 e aponte a regularidade e situação atual desse parcelamento, já que possui condições para isso, independentemente da falta juntada do comprovante aos autos, que ao que tudo indica se deu por aparente erro administrativo. 2 por conseguinte, caso seja constatada a regularidade no parcelamento, verificar se o direito creditório relativo ao saldo negativo da CSLL no anocalendário de 2002 era fato de a dedução dos tributos com exigibilidade suspensa da base de cálculo da CSLL glosadas pela fiscalização federal e se os valores objeto do Processo Administrativo 18471.0002211200609, dito em tese parcelado, seriam suficientes para quitar DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, n° 20132.62866.140504.1.3.030428, na qual a interessada pretende compensar débitos com crédito decorrente de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003, no valor de R$ 1.207.409,98; 3 informar também se o saldo credor objeto deste auto foi deduzido para fins de lançamento tributário e anexar cópia do termo de verificação e do auto de infração. 4 após, intimar o contribuinte para no prazo de 30 dias oferecer suas considerações sobre o resultado da diligência. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Fl. 490DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917871/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2005
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98.
A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
PER/DCOMP. DIREITO DEMONSTRADO. EFEITO
Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos, em parte, o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do CTN, enseja o reconhecimento do direito à restituição pleiteada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-003.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº nº 161.891 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2005 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. PER/DCOMP. DIREITO DEMONSTRADO. EFEITO Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos, em parte, o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do CTN, enseja o reconhecimento do direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2005 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. PER/DCOMP. DIREITO DEMONSTRADO. EFEITO Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos, em parte, o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do CTN, enseja o reconhecimento do direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 71 /2 01 1- 14 Fl. 3024DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº nº 161.891 (SP). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0947.733, da 2a Turma da DRJ de Juiz de Fora (MG), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a Manifestação de Inconformidade formalizada pela interessada em face da não homologação de compensação declarada em PER/DECOMP nº 23052.34621.110506.1.2.041708, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS. A decisão de primeira instância, não reconheceu o direito creditório sob os argumentos sintetizados na Ementa do Acórdão abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 3025DF CARF MF Processo nº 10830.917871/201114 Acórdão n.º 3402003.502 S3C4T2 Fl. 3.025 3 A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 11/12/2013 (fl. 67). Inconformada, apresentou em 20/12/2013, Recurso Voluntário (fls. 69/89), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, argumentando, em síntese, que: a origem do crédito decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Informa que a contribuição em tela foi apurada sobre a “receita bruta”, com base no dispositivo referenciado ainda em vigor. Com a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo acima, que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS, houve por bem a recorrente efetuar uma revisão contábil interna, ocasião em que se constatou recolhimento a maior da contribuição no período mencionado; sustenta ainda que a decisão do STF deve ser reproduzida pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno (Portaria MF nº 256/09). Aduz a prescindibilidade da retificação da DCTF, apresentando, ao final, documentação contábil e fiscal, bem como demonstrativo do débito; informa que acosta aos autos os seguintes documentos (fls. 90/131): demonstrativo denominado “Planilha de Apuração da COFINS”, cópia do “Razão Contábil do Período” e cópia do “Comprovante de Arrecadação (DARF)”. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, proceda a análise de toda documentação apresentada, pugnando pela juntada posterior de documentos, bem como, sendo necessária, a conversão do julgamento em diligência. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF para serem analisados. Como se sabe, o §1º do art. 3º da Lei no 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que Fl. 3026DF CARF MF 4 ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel.Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/MG (questão constitucional versada nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG), decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS.COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min.CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no §2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. No entanto, o Colegiado entendeu que não seria possível, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros sobre aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata tenha sido efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e da COFINS. Neste contexto, os membros da extinta 2ª Turma Especial, (Terceira Seção de julgamento), resolveram converter o julgamento em DILIGÊNCIA, conforme Resolução nº 3802000.185, de 27/05/2014, concluindo nos seguintes termos (fls. 127/129): "(...) Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem". Com efeito, a Turma decidiu pela realização de diligência para verificar a legitimidade dos créditos de PIS e da COFINS, sobre as “outras receitas”, pleiteados pela Recorrente para o período abrangendo o período do crédito objeto do PER controlado neste processo. Em cumprimento a solicitação do CARF, o Fisco emitiu o Termo de Intimação Fiscal nº 1275/2014 e 60/2015, o qual requereu planilhas demonstrativas da composição da base de cálculo das contribuições, acompanhadas da respectiva escrita contábil (Livro Razão, balanços/balancetes), e notas explicativas do conteúdo das rubricas utilizadas, assim como fundamentação acerca das receitas excluídas da base de cálculo das contribuições. Após a conclusão da Diligência a fiscalização formalizou suas conclusões constante na Informação Fiscal de fls. 2.932/2.933. Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 10830.917871/201114 Acórdão n.º 3402003.502 S3C4T2 Fl. 3.026 5 Cientificada do resultado da Diligência, a Recorrente manifestouse, conforme documentos de fls. 2.938/2.941 e 2.968/2.970. Após o cumprimento do disposto na Resolução, o processo retornou a este CARF para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pela Recorrente. MÉRITO Tratase de recurso voluntário interposto, em face da não homologação de Compensação declarada em PER/DCOMP, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS. Como já relatado, a origem do crédito decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Os autos foram convertidos em diligência para retorno a Unidade origem a fim de se verificar, se as receitas financeiras e outras receitas não operacionais compuseram a base de cálculo das contribuições, e, caso positivo, seu montante, a fim de que se determine o valor do indébito correspondente a essas receitas. O Fisco, então, após concluir a Diligência solicitada, prolatou a Informação Fiscal, concluindo o seguinte (fl. 2.933) grifei: "(...) Portanto, tendo em vista o prosseguimento do julgamento do documento de número 23052.34621.110506.1.2.041708, tratado pelo processo epigrafado, o qual requer R$ 4.165,86 referente a crédito de COFINS relativo ao período de apuração 09/2003, ao compararmos a base de cálculo declarada em DIPJ, no valor de R$ 7180372,19, com a calculada com base nos balancetes, no valor de R$ 7140859,77, concluise que integrou a base de cálculo o montante de R$ 39512,42 a título das receitas que se pretende excluir. Por conseguinte, temse que as receitas as quais alega inclusão indevida para o cálculo da COFINS totalizam R$ 39512,42. Assim, a parcela de COFINS relativa a essas receitas somam R$ 1.185,37. Após intimada desse relatório, a Recorrente, em sua manifestação de fl. 2.941, desta forma se pronunciou: Fl. 3028DF CARF MF 6 "(...) a Recorrente manifesta a sua concordância com o resultado da diligência e requer o reconhecimento de seu direito de crédito com base nas Informações Fiscais emitidas para os pedidos de restituição, bem como o posterior encaminhamento dos autos à DRF de origem para atualização e correção monetária dos valores que deverão restituídos a Recorrente, pois dados em valores históricos." Mais adiante, reitera o seu pedido, nos seguintes termos (fl. 2.970): "(...)Assim, vislumbrase que a própria Receita Federal do Brasil já reconheceu parcialmente os créditos ora discutidos, de forma que resta claro que a Recorrente possui o direito creditório da forma como apontado pelo órgão competente na diligência. Desse modo, considerando o resultado da diligência, requer o provimento do Recurso Voluntário para o devido reconhecimento do pleito restituitório, com base nas Informações Fiscais emitidas pela Receita Federal, para o pedido de restituição de COFINS relativo à competência de setembro de 2003, no valor de R$ 1.185,37, (original), com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial Selic, consoante os documentos anexos. Desta forma, conforme o resultado da apuração em diligência, restou comprovado que para os créditos pleiteados neste processo, a Recorrente possui o direito ao credito no valor de R$ 1.185,37, relativos a recolhimento indevido a título de COFINS. Conclusão Assim, voto para dar parcial provimento ao presente recurso, concernente à legitimidade da apuração do crédito em favor da recorrente, em vista da inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, reconhecendose, neste PAF, o valor de R$ 1.185,37, referente ao recolhimento indevido de COFINS, com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, conforme legislação vigente. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 3029DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721116/2011-02
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2007, 31/12/2007
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BANCOS.VENDA DE AÇÕES. "DESMUTUALIZAÇÃO".
As instituições financeiras (Bancos), assim como as corretoras de valores mobiliários que tenham em seu objeto social a subscrição de ações para compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante.
Numero da decisão: 9303-004.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora) e Tatiana Midori Migiyama, que não o conheceram e, no mérito, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BANCOS.VENDA DE AÇÕES. "DESMUTUALIZAÇÃO". As instituições financeiras (Bancos), assim como as corretoras de valores mobiliários que tenham em seu objeto social a subscrição de ações para compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora) e Tatiana Midori Migiyama, que não o conheceram e, no mérito, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 11 16 /2 01 1- 02 Fl. 438DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 438 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Demes Brito Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 334 a 373) com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3403002.422 (fls. 325 a 331) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 21/08/2013, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos. O Colegiado a quo entendeu, em síntese, que o resultado da venda realizada pela contribuinte das ações recebidas da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. deve ser tratado como alienação de ativo imobilizado, não se enquadrando no conceito de receita operacional e, por esta razão, não tributável pelo PIS e pela COFINS. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2007, 31/12/2007 DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F. SUBSTITUIÇÃO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS POR AÇÕES. A operação denominada desmutualização das bolsas não implicou a dissolução de que trata o art. 61 do Código Civil e tampouco a devolução de patrimônio aos associados. Os antigos títulos patrimoniais, que se encontravam classificados no ativo permanente das entidades sócias, foram substituídos por ações, as quais foram emitidas em quantidade equivalente ao valor monetário daqueles títulos patrimoniais, uma vez que tais ações eram representativas do mesmo patrimônio. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALIENAÇÃO ONEROSA DAS AÇÕES RECEBIDAS EM SUBSTITUIÇÃO DOS ANTIGOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 439 3 A receita auferida com a venda das ações recebidas em substituição dos títulos patrimoniais das antigas Bovespa e BM&F está excluída das bases de cálculo do PIS e da Cofins por se tratar de alienação de patrimônio próprio, amparada pelo art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98. Recurso provido. No recurso especial, a Fazenda Nacional suscita divergência quanto à tributação pelo PIS e pela COFINS das receitas auferidas pela contribuinte com a venda das ações recebidas da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. no processo de desmutualização das bolsas de valores. Para comprovar a divergência, colacionou como paradigma o acórdão nº 3302001.838, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Em suas razões recursais, a Fazenda Nacional inicia com breve histórico acerca da desmutualização das bolsas de valores, procedimento que culminou com a transformação societária de associações civis para sociedades anônimas, com a abertura do capital. Aduz ainda que: (a) os institutos da fusão, cisão e incorporação não são de utilização permitida pelas associações por força do disposto no artigo 1.113 e seguintes do Código Civil, sendo aplicáveis somente às sociedades empresárias e, portanto, tendo resultado as operações societárias na extinção das sociedades civis Bovespa e BM&F, com o retorno do patrimônio aos associados, os quais, no mesmo ato, integralizaramno na forma de ações nas sociedades anônimas, tudo conforme art. 61 do Código Civil de 2002; (b) conforme Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros, o contribuinte já tinha pleno conhecimento de que haveria alienação das ações recém adquiridas, sendo imprópria a sua classificação como bens do ativo permanente; (c) o montante recebido pela Contribuinte, em decorrência da alienação das ações emitidas pela BM&F S.A e pela Bovespa Holding S.A., integram a sua receita bruta operacional, devendo ser tributado pelo PIS e pela COFINS nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9718/98; (d) em tópico específico, defende a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, com fulcro no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Tendose entendido como comprovada a divergência jurisprudencial apontada, foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho nº 3400000.381, de 05/12/2014 (fls. 375 a 376), proferido pelo ilustre Presidente da Terceira Seção de Julgamento então em exercício. A contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 386 a 403) postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso e, no mérito, a negativa de provimento. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 440 4 O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisarse o atendimento dos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Com relação à comprovação da divergência jurisprudencial no tocante à tributação pelo PIS e pela COFINS das receitas da alienação das ações recebidas pela contribuinte no processo de desmutualização das bolsas de valores, com a devida vênia ao Presidente da Terceira Seção de Julgamento em exercício, há de ser reconhecida a inadmissibilidade do recurso por não ter sido preenchido o requisito. Da análise dos casos confrontados, verificase que, embora ambos versem sobre a incidência ou não das contribuições ao PIS e à Cofins na venda das ações em comento, tendo lhes sido atribuídas soluções jurídicas diferentes perante o órgão administrativo, o acórdão nº. 3302001.838 não pode ser considerado como paradigma, pois trata de materialidade diferente daquela discutida nos presentes autos. Isso porque o acórdão indicado como paradigma traz em seu bojo pressuposto inaplicável ao presente caso: temse como contribuinte uma sociedade corretora de títulos e valores mobiliários, cuja atividade precípua é, dentre outras, a compra e venda, por conta própria, de títulos e valores mobiliários. Nos presentes autos, temse no pólo passivo da exigência tributária uma instituição financeira, constando do art. 3º do seu Estatuto Social como objeto "[...] a prática de operações ativas, passivas e acessórias inerentes às respectivas carteiras autorizadas (Comercial, Investimento e Câmbio) de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor", não tendo como atividade precípua a compra e venda de títulos e valores mobiliários. Para melhor elucidar as assertivas, pertinente transcreverse parte do voto proferido no acórdão paradigma, in verbis: [...] “Também é irrefutável que a aquisição de títulos e valores mobiliários, para posterior revenda, pelas corretoras de títulos e valores mobiliários, deve ser contabilizado no ativo circulante, por força de Fl. 441DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 441 5 disposições da Lei nº 6.404/76 e do COSIF, instituído pela Circular BACEN nº 1.273/87. Como bem disse a autoridade lançadora, a BOVESPA orientou seus associados sobre a forma de contabilizar a operação, nos seguintes termos (fls. 121/122): Os detentores de títulos patrimoniais da BOVESPA deverão promover a baixa do valor convertido em ações da BOVESPA Holding S.A. do Ativo Permanente (Títulos Patrimoniais de Bolsa de Valores Conta COSIF nº 2.1.4.10). Em contrapartida, à sua opção: >Registrar o correspondente valor no Ativo Circulante, em subconta específica da conta Títulos de Renda Variável (conta do COSIF nº 1.2.1.20), das ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como sendo “títulos disponíveis para negociação ou venda”, ou >Manter esse valor no Ativo Permanente, em substituição específica da conta Ações e Cotas (conta do COSF nº 2.1.5.10), das ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como investimento. Vêse, portanto, que das ações adquiridas pela Recorrente, 35% (trinta e cinco por cento) estavam previamente destinadas à venda e, por esta razão, deveriam ser registradas no Ativo Circulante. Portanto, não cabe razão à recorrente em seus argumentos quanto à classificação contábil das ações adquiridas no processo de desmutualização da BOVESPA e da BM&F, por absoluta falta de amparo legal e por não corresponder à realidade dos fatos efetivamente ocorridos.” Diverso é o substrato fático e jurídico deste processo administrativo em que é parte instituição financeira, conforme se depreende da análise do voto vencedor, in verbis: [...] A questão posta para deslinde por parte deste colegiado não é nova. Tratase mais uma vez de analisar a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas provenientes da venda das ações que resultaram da transformação da Bolsa de Valores de São Paulo e da Bolsa Mercantil e de Futuros em sociedades por ações. A diferença em relação aos casos anteriores é que os lançamentos albergados neste processo foram efetuados contra um Banco e não contra uma corretora de títulos e valores mobiliários, como ocorreu em todos os casos anteriormente julgados nesta turma. É incontroverso que o contribuinte ora autuado possuía na conta do Ativo Permanente/Investimentos títulos patrimoniais das antigas Fl. 442DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 442 6 Bovespa e BM&F, os quais foram recebidos em virtude da redução do capital social da corretora de títulos e valores mobiliários da qual era o único proprietário. Com a transformação societária daquelas entidades em sociedades por ações (a denominada desmutualização das bolsas), os títulos sociais então existentes no Ativo Permanente/Investimentos do Banco foram transformados em ações em quantidade monetariamente equivalente ao valor dos aludidos títulos. Tendo em vista que o Banco já sabia de antemão que iria alienar parte das ações de sua propriedade, baixou os títulos do ativo permanente e passou a contabilizálos no ativo circulante. Basicamente a fiscalização e a decisão de primeira instância entenderam que as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F recebidas pelo Banco, em razão da desmutualização, constituíam um outro ativo diferente dos títulos patrimoniais da antiga Bovespa e da BM&F. [...] O objeto social do Banco consta do art. 3º do Estatuto Social consolidado (fl. 09), vazado nos seguintes termos: “A Sociedade tem por objeto social, a prática de operações ativas, passivas e acessórias inerentes às respectivas carteiras autorizadas (Comercial, Investimento e Câmbio) de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor.” [...] Desse modo, como houve uma continuidade, ou seja, os antigos títulos patrimoniais então classificados no permanente/investimentos foram sucedidos pelas ações alienadas, o faturamento decorrente dessa alienação se enquadra como venda de um investimento classificado no ativo permanente e está expressamente excluído da incidência das contribuições, por força do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98. Para aqueles que preferem a linguagem contábil, a receita proveniente da venda dessas ações constitui receita não operacional, pois a venda de patrimônio próprio não constitui objeto social de nenhuma empresa. Tributar a venda dessas ações por meio do PIS e da Cofins seria o mesmo que obrigar uma montadora de veículos a tributar a venda dos veículos pertencentes a sua frota. Ou então obrigar uma construtora a tributar a eventual venda do edifício que constitui sua sede própria. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 443 7 Nessa linha, notase que o acórdão paradigma trouxe a incidência de PIS e Cofins nas vendas dos títulos efetuados especialmente por sociedades corretoras. Diferentemente do caso vertente que trata de uma Instituição Financeira, que, por sua vez, não possui “faturamento” equivalente ao da corretora. As instituições financeiras, portanto, não têm como atividade própria a compra e venda de ações. O paradigma colacionado pela Fazenda Nacional, a toda evidência, não se presta a comprovar a divergência jurisprudencial alegada nos presentes autos. Diante do exposto, por estar ausente um dos requisitos de admissibilidade, há de ser negado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional neste ponto. Além disso, a Fazenda Nacional defendeu a incidência dos juros sobre a multa de ofício em suas razões recursais sem demonstrar a existência de dissídio jurisprudencial em relação à essa matéria. Dessa forma, ainda que a Fazenda Nacional tenha trazido suas razões, vêse que não foi cumprido o requisito para a admissibilidade do recurso contemplado no art. 67 do RICARF/2015. Pelas razões expostas, não deve ser admitido o recurso especial da Fazenda Nacional também nesse aspecto. Mérito Transposta a questão da admissibilidade, na hipótese de restar vencido o voto da Relatora no sentido de não conhecer do recurso especial, no mérito, a controvérsia posta no presente recurso especial cingese a determinar o tratamento tributário a ser aplicado à receita da venda das ações recebidas pela Contribuinte em substituição aos títulos patrimoniais que detinha da BM&F e da Bovespa, no processo chamado de "desmutualização", para efeitos de incidência das contribuições devidas ao Programa de Integração Social PIS e ao Financiamento da Seguridade Social COFINS. A tributação imposta no lançamento tem por base as disposições contidas na Lei nº 9.718/98, pois o Sujeito Passivo é uma sociedade submetida às disposições de referida norma, que estabelece que a base de cálculo das contribuições é o faturamento (e não a receita bruta), conceito este que está descrito e limitado pelas decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal. O processo que se convencionou chamar de "desmutualização das bolsas de valores" consistiu em um conjunto de atos societários por meio dos quais a Bovespa e a BM&F sofreram abertura de capital, tendo ocorrido a cisão parcial das referidas entidades associativas sem fins lucrativos e incorporação da parcela do capital cindido pelas sociedades anônimas (com fins lucrativos) Bovespa Holding S/A ("Bovespa Holding") e BM&F S/A ("BM&F S/A), respectivamente. Nesta operação de cisão parcial seguida de incorporação, os detentores de títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F passaram a ser titulares de ações representativas do capital da Bovespa Holding e da BM&F S/A, respectivamente, recebidas em substituição aos antigos títulos. Em momento subsequente (outubro a dezembro de 2007), a Contribuinte procedeu à alienação das ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A, recebidas em Fl. 444DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 444 8 substituição ao antigos títulos patrimoniais, por meio de ofertas públicas, secundárias das ações da Bovespa e BM&F, transferindo a sua participação nas sociedades anônimas para os novos adquirentes. Com a alienação, a Contribuinte auferiu resultado positivo, mas não efetuou o recolhimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sobre as operações, por entender se tratar de venda de ativo permanente, não sujeito à tributação. Este fato deu ensejo à ação da Fiscalização e consequente constituição de crédito tributário. A Fiscalização entendeu que no processo de desmutualização o recebimento das ações consistiu em pagamento pela devolução do patrimônio das associações sem fins lucrativos, bem como ter havido por parte do banco a intenção de venda dos novos ativos, e, portanto, deveriam ser contabilizados no Ativo Circulante, estando o resultado positivo da alienação sujeito à incidência do PIS e da COFINS. Antes de se adentrar à análise da controvérsia suscitada no presente processo administrativo, entendese necessário tecer breves considerações quanto (i) ao princípio da estrita legalidade e (ii) à impossibilidade de o Fisco sobreporse à legislação privada. O princípio da estrita legalidade embasa o sistema jurídico brasileiro, estando previsto no rol de direitos e garantias individuais do art. 5º, caput e inciso II, da Constituição Federal, e também se constitui no mais importante dos princípios constitucionais tributários, conforme redação do art. 150, inciso I, da Constituição Federal, que proclama vedada a exigência ou aumento de tributo sem que a lei assim estabeleça. O princípio da legalidade é informado pelos valores da certeza e da segurança jurídica, sendo uma garantia do Estado de Direito e tendo o papel de proteção dos direitos dos cidadãos. No Direito Tributário, a segurança jurídica é garantida por meio da reserva absoluta de lei, que, nos dizeres de Alberto Xavier1, implica "na necessidade de que toda a conduta da Administração tenha o seu fundamento positivo na lei, ou, por outras palavras, que a lei seja o pressuposto necessário e indispensável de toda a atividade administrativa". A legalidade tributária impõe que todos os aspectos do fato gerador estejam estabelecidos em lei, os quais são imprescindíveis para a quantificação do tributo devido em cada caso concreto que venha a refletir a hipótese descrita na lei. Como consectário do princípio da estrita legalidade, está o princípio da tipicidade tributária, dirigido ao legislador e ao aplicador da lei. O doutrinador Luciano Amaro2 bem sintetiza o princípio da tipicidade ao explicitar que: [...] Deve o legislador, ao formular a lei, definir, de modo taxativo (numerus clausus) e completo, as situações (tipos) tributáveis, cuja ocorrência será necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária, bem como os critérios de quantificação (medida) do tributo. Por outro lado, ao aplicador da lei vedase a interpretação extensiva e a analogia, incompatíveis com a taxatividade e determinação dos tipos tributários. À vista da impossibilidade de serem invocados, para a valorização dos fatos, elementos estranhos ao contidos no tipo legal, a tipicidade tributária costumase qualificarse de fechada ou cerrada, de sorte que o brocardo nullum tributtum sine 1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 112. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 113. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 445 9 lege traduz "o imperativo de que todos os elementos necessários à tributação do caso concreto se contenham e apenas se contenham na lei". [...] (grifouse) Além da necessidade de observância ao princípio da estrita legalidade, na interpretação da legislação tributária é vedada a utilização de analogia para tributar, conforme artigos 108, §1º e 112, ambos do Código Tributário Nacional. A analogia é um dos instrumentos de integração previstos no CTN, e se constitui na aplicação de regra prevista para caso semelhante a uma determinada situação que não se encontra regulamentada. No entanto, referido mecanismo tem um campo de atuação restrito no Direito Tributário, justamente pela limitação que lhe é conferida pelo princípio da reserva de lei para efeitos de ser exigido determinado tributo. O art. 112 do CTN, por sua vez, também traz a interpretação restritiva como regra para as matérias referentes a infrações, penalidades e definição das hipóteses de incidência do tributo: in dúbio pro reo. Constituise na forma de interpretação benigna preconizada pelo CTN “quando houver dúvida sobre a capitulação do fato, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou sobre a natureza ou extensão dos seus efeitos, bem como sobre a autoria, imputabilidade ou punibilidade, e ainda sobre a natureza ou graduação da penalidade aplicável (art. 112)”3. Quanto ao tema, pertinente trazer a lição de Luciano Amaro, que conclui dizendo que em caso de dúvida, a solução a ser adotada é a mais favorável ao Sujeito Passivo, in verbis4: Na verdade, embora o art. 112 do Código Tributário Nacional pretenda dispor sobre “interpretação da lei tributária”, ele prevê, nos seus incisos I a III, diversas situações nas quais não se cuida da identificação do sentido e do alcance da lei, mas sim da valorização dos fatos. Nessas situações, a dúvida (que se deve resolver a favor do acusado, segundo determina o dispositivo) não é de interpretação da lei, mas de “interpretação” do fato (ou melhor, de qualificação do fato). Discutir se o fato “x”se enquadra ou não na lei, ou se ele se enquadra na lei “A” ou na lei “B”, ou se a autoria do fato é ou não do indivíduo “Z”, diz respeito ao exame do fato e das circunstâncias em que ele teria ocorrido, e não ao exame da lei, A questão atémse à subsunção, mas a dúvida que se põe não é sobre a lei, e sim sobre o fato. Já o inciso IV do dispositivo pode ser referido tanto a dúvidas sobre se o fato ocorrido se submete a esta ou àquela penalidade (problema de valorização do fato) como à discussão sobre o conteúdo e alcance da norma punitiva ou sobre os critérios legais de graduação da penalidade. De qualquer modo, o princípio in dubio pro reo, que informa o preceito codificado, tem uma aplicação ampla: qualquer que seja a dúvida, sobre a interpretação da lei punitiva ou sobre a valorização dos fatos concretos efetivamente ocorridos, a solução há de ser a mais favorável ao acusado. (grifouse) 3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 222. 4 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 222 – 223. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 446 10 De outro lado, há que ser considerada a impossibilidade de o Fisco sobreporse às normas de direito privado, nos termos dos artigos 109 e 110 do CTN. O direito tributário, embora ramo do direito público, tem estreita relação com o direito privado, utilizandose de muitos conceitos deste na sua codificação. Entretanto, a definição dos referidos conceitos presentes no direito tributário deve ser buscada na legislação de direito privado. Embora a legislação tributária possa se utilizar dos princípios do direito privado, não lhe é lícito alterar conceitos que estejam definidos na norma de direito privado. Analisando a matéria posta no recurso especial da Fazenda Nacional sob a ótica dos princípios acima mencionados, que são informadores do direito tributário, e da legislação aplicável ao caso, entendese que assiste razão ao Sujeito Passivo ao manter o registro das ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais em conta do ativo permanente. O processo que se convencionou chamar de "desmutualização" das bolsas de valores caracterizouse pela cisão de parcela do patrimônio das associações sem fins lucrativos com a substituição dos títulos patrimoniais que antes detinham as corretoras e as instituições financeiras por ações. Não há, portanto, de se falar em extinção das entidades com devolução do patrimônio social à Recorrente. A possibilidade de cisão das associações sem fins lucrativos está prevista no art. 2033 do Código Civil combinado com o art. 44 do mesmo diploma legal, dispondo que podem ser objeto de cisão, incorporação, transformação e fusão as entidades elencadas no dispositivo do art. 44 do CC, dentre elas as associações. Cumpre consignar que à Fiscalização não é permitido alterar o fato de ter ocorrido a cisão parcial das entidades, nos termos do art. 110 do CTN explicitado supra, uma vez a operação ter sido aprovada em assembleia (que exerce a função de legislador dentro das instituições), prevalecendo o princípio da autonomia de vontade das partes. Além disso, os atos da transformação societária foram devidamente arquivados na Junta Comercial e no Registro Civil das Pessoas Jurídicas competentes, tornandose válidos e definitivos no mundo jurídico. A aplicação do art. 17 da Lei 9532/97 pelo Fisco para caracterizar a desmutualização como o processo em que houve a devolução do patrimônio em decorrência da extinção das associações, implica na exigência de tributo por analogia, o que é vedado pelo art. 108, §1º do CTN, conforme antes explicitado. No sentido da vedação de tributação por analogia, há precedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, como por exemplo o Acórdão CSRF nº 0105.059. Outro argumento que corrobora a tese defendida pelo Sujeito Passivo, é o fato de que proferida pela Receita Federal a Solução de Consulta COSIT nº 13, no ano de 1997, reiterando o caráter da neutralidade fiscal da operação da desmutualização da bolsa de valores, no mesmo sentido da Portaria MF nº. 785/77 (que trata do ganho de capital). No ano de 2007, a COSIT proferiu entendimento contrário ao da Solução de Consulta nº. 13/1997, consubstanciada na Solução de Consulta COSITI nº 10/07, posicionandose pela necessidade de tributação de eventual diferença entre o valor dos títulos e o valor das ações em razão de uma suposta subsunção da situação à regra do art. 17 da Lei 9532/97. O CARF já proferiu entendimento no sentido de que o Fisco teria a obrigação de observar a Solução de Consulta COSIT nº 13/97 até o dia 30/10/2007, data em que foi publicado no DOU a mudança de posicionamento. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 447 11 A mudança de critério jurídico pela RFB entre uma solução de consulta e outra traz violação ao art. 146 do CTN. Assim, tendo em vista que não houve dissolução das associações e nem devolução do patrimônio aos antigos sócios, tendo sido o mesmo transferido diretamente para a nova entidade, os títulos patrimoniais antigos e as ações em que se transformou são papéis que representam o mesmo patrimônio, constituindose em ativo permanente. Portanto, o faturamento da alienação das ações se enquadra como venda de um investimento, isto é, constituise em venda de patrimônio próprio, não havendo de se falar na incidência de PIS e COFINS, conforme art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. Vanessa Marini Cecconello. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 448 12 Voto Vencedor Conselheiro Demes Brito Redator Designado Sintome honrado novamente em ser designado Redador para elaboração do Voto Vencedor sobre a "desmutualização". Em que pese os argumentos do voto da Ilustre Conselheira Relatora, com a devida vênia, discordo de todos os fundamentos. Explico: Com efeito, compete a esta 3º Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, conforme art. 64,II, arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do "CARF" a época do Recurso Interposto. Como bem esclarecido, o Recurso Especial se presta analisar interpretação divergente da legislação tributária aplicada por outra Câmara ou turma da CSRF. No presente caso, a controvérsia cravase na discussão dos efeitos jurídico tributários advindos do conjunto de operações societárias denominada “desmutualização” das bolsas, especificamente quanto a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas de alienações das ações recebidas quando da transferência das atividades, até então desempenhadas pelas associações sem fins lucrativos, para as sociedades anônimas BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A. Matéria que subiu para o colegiado julgar. Neste sentido, não há qualquer controvérsia quanto a admissibilidade do Recurso Especial, superada a discussão referente ao paradigma utilizado pela Recorrente ser de uma corretora de títulos e valores mobiliários, e atividade da Recorrida ser uma instituição financeira (Banco), considerando que em ambos processos as vendas das ações estariam sujeitas à incidência do PIS e da COFINS, tendo em vista que o objeto social da Contribuinte abrange a negociação de títulos e valores mobiliários, a qual adquiriu as ações com objetivo de revendêlas Objeto da lide Versa o presente processo sobre o lançamento de ofício das contribuições do PIS e da COFINS, sobre a receita auferida com as operações de alienação das ações da BM&F S/A e BOVESPA, relativo ao fato gerador de 30/11/2007 a 31/12/2007, recebidas em razão do processo conhecido como “desmutualização”, consistente em um conjunto de alterações societárias ocorridas nas Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) e na Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&F) que deixaram de ser associações sem fins lucrativos e se transformaram em sociedade anônimas. Como conseqüência do processo de “desmutualização”, os detentores dos Títulos Patrimoniais da Bovespa e da BM&F receberam ações representativas do capital da Bovespa Holding S/A e da BM&F Holding S/A, que foram posteriormente vendidas. O Acórdão Recorrido desqualificou a conclusão da fiscalização, entendendo que houve apenas a "troca de ativos", em tempo a decisão foi reformada. Vejamos: Fl. 449DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 449 13 "O que de fato ocorreu foi a troca dos antigos títulos patrimoniais das associações civis pelas ações das novas companhias, como resultado das operações societárias de cisão seguida de incorporação sofridas pela antiga Bovespa e BM&F. Os títulos patrimoniais foram sucedidos por ações, as quais foram emitidas em quantidades que possuíam valor monetário equivalente aos dos títulos substituídos. Tanto os antigos títulos patrimoniais, quanto as ações em que foram transformados, são papéis representativos de frações do mesmo patrimônio. Assim, mostrase temerária a premissa de que as ações emitidas constituem um ativo diferente dos antigos títulos patrimoniais. Se as ações são representativas do mesmo patrimônio que era representado pelos títulos patrimoniais que estavam no permanente, então é evidente que a reclassificação para o ativo circulante não retira das ações a condição de ser um investimento, uma participação do Banco no patrimônio de terceiros. Tributar a venda dessas ações por meio do PIS e da Cofins seria o mesmo que obrigar uma montadora de veículos a tributar a venda dos veículos pertencentes a sua frota. Ou então obrigar uma construtora a tributar a eventual venda do edifício que constitui sua sede própria". No que tange o entendimento da 4º Câmara da 1º Turma Ordinária, atual 2º Turma Ordinária da 4º Câmara, sobre matéria referente a "desmutualização", penso que não esta em sintonia com a jurisprudência já sedimentado pela 3º Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, até porque, com a devida vênia, os argumentos expendidos no "decisum" são frágeis e sensíveis, passíveis de correção e reforma. Sem embargo, no atual contexto constitucional em que se proclama o interprete utilizarse de expedientes objetivos, aplicase uma dose botulínica no texto normativo, tornando o julgador o solipsista de exercer o papel de interprete dos preceitos jurídicos. Neste sentido, em sua tese de doutoramento “Teoria Complexa do Direito”, Luiz Orlando Zanon Junior, bem acentua os preceitos de interpretação e aplicação das normas jurídicas aos casos concretos: “Cabe ao juiz efetuar a interpretação e aplicação das Normas Jurídicas aos casos concretos, na qualidade de seu destinatário principal, mediante o procedimento lógico dedutivo de subsunção. De acordo com tal processo decisório, o intérprete deve primeiro fixar a amplitude da Norma Jurídica previamente dada pelo legislador ou encontrada em um precedente, que consubstancia a premissa maior, e, depois, encaixar as peculiaridades fáticas de um determinado caso, que correspondem às premissas menores, dentro dos quadros normativos previamente fixados, segundo uma lógica meramente dedutiva5.” 5 Orlando Luiz. Teoria Complexa do Direito. Fls.114115 Florianópolis: Cejur, 2013. ebook http://acadjud.tjsc.jus.br/ebooks Fl. 450DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 450 14 Deste modo, investindo contra decisão da 4º Câmara da 1º Turma Ordinária, a Fazenda Nacional sustenta em seu recurso que: "A extinção das associações sem fins lucrativos somente poderia resultar na reversão de seu patrimônio à entidade sem fins econômicos ou na restituição aos associados. Admitir a possibilidade de que, por meio de cisão e incorporação, fosse possível empreender a transferência dos bens da associação à sociedade por ações, transformandoa em sociedade por ações, seria violar frontalmente o art. 61 do Código Civil. Quanto a incidência do PIS e COFINS sobre a receita da venda de ações, a contribuinte escriturou no ATIVO CIRCULANTE as ações recebidas da BOVESPA S.A. e BM&F S.A., em decorrência do processo de desmutualização das Bolsas. Dessa maneira, resta inquestionável que a intenção do contribuinte era alienar os mencionados ativos na oferta pública de ações (IPO), promovida pela BOVESPA S.A. e pela BM&F S.A., nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2007. A própria contribuinte escriturou de modo correto as ações recebidas em seu Ativo Circulante". Por outro lado, a Relatora do Voto Vencido sustenta pela inadmissibilidade do Recurso da Fazenda Nacional, defendendo que o paradigma indicado não se presta a comprovar a divergência, considerando que: "o acórdão indicado como paradigma traz em seu bojo pressuposto inaplicável ao presente caso: temse como contribuinte uma sociedade corretora de títulos e valores mobiliários, cuja atividade precípua é, dentre outras, a compra e venda, por conta própria, de títulos e valores mobiliários. Nos presentes autos, temse no pólo passivo da exigência tributária uma instituição financeira". Quanto ao mérito do Recurso, a Relatora vencida defende que: "não houve dissolução das associações e nem devolução do patrimônio aos antigos sócios, tendo sido o mesmo transferido diretamente para a nova entidade, os títulos patrimoniais antigos e as ações em que se transformou são papéis que representam o mesmo patrimônio, constituindose em ativo permanente. Portanto, o faturamento da alienação das ações se enquadra como venda de um investimento, isto é, constituise em venda de patrimônio próprio, não havendo de se falar na incidência de PIS e COFINS, conforme art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98". Para concluirmos quais são os efeitos jurídicotributários decorrentes do processo de "desmutualização" das bolsas, temos que verificar se as receitas decorrentes das vendas das ações seriam tributadas pelas contribuições PIS/COFINS, percorrendo de modo pragmático os dispositivos legais sobre o tema, e a forma correta de contabilização das ações recebidas no processo. Dos Títulos Patrimoniais da BM&F e BOVESPA Com efeito, até o advento das operações chamadas de “desmutualização”, as bolsas de valores eram intituladas como associações civis, sem fins lucrativos, tendo como função manter o sistema adequado para negociação de valores mobiliários. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 451 15 Contudo, a Lei nº 4.728/65, disciplinou o mercado de capitais, regulando a autonomia administrativa, financeira e patrimonial das bolsas de valores, e sua supervisão operacional pelo Banco Central, de acordo com a regulamentação expedida pelo Conselho Monetário Nacional, a quem competia fixar as normas gerais a serem observadas na constituição, organização, funcionamento, e relativas a constituição, extinção e forma jurídica das bolsas de valores. Neste passo, eis que surge a Lei nº 6.385/76, a qual, criou a Comissão de Valores Mobiliários, disciplinando o mercado de valores e as operações realizadas na bolsa de valores. A Resolução CMN nº 1.656, de 26 de outubro de 1989, aprovou o regulamento que disciplinou a constituição, organização e funcionamento das Bolsas de Valores: CAPÍTULO I Bolsas de Valores SEÇÃO I Natureza e Características NATUREZA E OBJETO SOCIAL Art. 1º As Bolsas de Valores são constituídas como associações civis, sem finalidade lucrativa, tendo por objeto social: I manter local ou sistema adequado à realização de operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários, em mercado livre e aberto, especialmente organizado e fiscalizado pela própria Bolsa, sociedades corretoras membros e pelas autoridades competentes; II dotar, permanentemente, o referido local ou sistema de todos os meios necessários à pronta e eficiente realização e visibilidade das operações; III estabelecer sistemas de negociação que propiciem continuidade de preços e liquidez ao mercado de títulos e valores mobiliários; IV criar mecanismos regulamentares e operacionais que possibilitem o atendimento, pelas sociedades corretoras membros, de quaisquer ordens de compra e venda dos investidores, sem prejuízo de igual competência da Comissão de Valores Mobiliários, que poderá, inclusive, estabelecer limites mínimos considerados razoáveis em relação ao valor monetário das referidas ordens; V efetuar registro das operações; VI preservar elevados padrões éticos de negociação, estabelecendo, para esse fim, normas de comportamento para as sociedades corretoras e companhias abertas, fiscalizando sua observância e aplicando penalidades, no limite de sua competência, aos infratores; VII divulgar as operações realizadas, com rapidez, amplitude e detalhes; Fl. 452DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 452 16 VIII conceder, à sociedade corretora membro, crédito para assistência de liquidez, com vistas a resolver situação transitória, até o limite do valor de seu título patrimonial, mediante apresentação de garantias subsidiárias de pelo menos 120% (cento e vinte por cento) do valor do crédito; IX exercer outras atividades expressamente autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários. Parágrafo único. As Bolsas de Valores não podem distribuir a sociedades corretoras membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto nos casos de dissolução e na forma que a Comissão de Valores Mobiliários aprovar. Dessa forma, todas as bolsas de valores autorizadas a funcionar no Brasil ficaram obrigadas a assumir a forma de associação, ou seja, pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos e regidas pelo Código Civil brasileiro vigente à época (Lei nº 3.071, de 1916, arts. 20 a 22). A Resolução nº 1.656, de 1989, sofreu várias alterações pelas Resoluções nº 1.760, de 1990; nº 1818, de 1991; nº 2.549, de 1998; e nº 2.597, de 1999, sendo que somente com a edição da Resolução CMN nº 2.690, de 2000, que aprovou um novo regulamento, é que as bolsas de valores foram autorizadas a se constituírem, alternativamente, sob a forma de sociedade anônima: Art. 1º As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social: De acordo com a Resolução CMN nº 1.656/89, o ato constitutivo das Bolsas de Valores compreendia seu Estatuto Social assinado por todos os fundadores, devidamente registrado no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Seu patrimônio social era dividido em títulos patrimoniais, que eram adquiridos por sociedades corretoras como requisito para sua admissão como associadas das bolsas: Art. 7º O patrimônio social das Bolsas de Valores deve ser formado mediante realização em dinheiro e será dividido em títulos patrimoniais, cuja quantidade e valor inicial de emissão devem ser fixados pela Comissão de Valores Mobiliários. [...] Art. 25. Somente pode ser admitida como membro da Bolsa de Valores a sociedade corretora que adquirir o respectivo título patrimonial. § 1º Nenhuma sociedade corretora pode adquirir mais de um título patrimonial de cada Bolsa de Valores. § 2º As sociedades corretoras têm iguais direitos e obrigações perante a Bolsa de Valores. § 3º A sociedade corretora, antes de iniciar suas operações, deve caucionar o seu título patrimonial em favor da Bolsa de Valores. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 453 17 § 4º Aprovada a sua admissão e cumprido o disposto no parágrafo anterior, a sociedade corretora entra em pleno gozo dos direitos de associada da Bolsa de Valores. Conforme o art. 3º, §2º, do Regulamento Anexo à Resolução nº1.655/1989 do Conselho Monetário Nacional, para que pudessem operar no mercado de capitais por meio de recinto bursátil, as sociedades corretoras e distribuidoras de valores mobiliários deveriam deter títulos representativos do patrimônio daquelas entidades. Art. 3° A constituição e o funcionamento de sociedade corretora dependem de autorização do Banco Central. § 1° A sociedade corretora deverá ser constituída sob a forma de sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. § 2° São condições indispensáveis para a concessão da autorização prevista neste artigo, dentre outras, a admissão como membro de bolsa de valores, em razão da aquisição de título patrimonial de emissão dessa e a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários para o exercício de atividades no mercado de valores mobiliários. Também a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) foi constituída sob a forma de associação civil sem fins lucrativos, tendo por objetivo “organizar e prover o funcionamento de mercados para negociação de títulos e contratos que possuam como referência ou tenham como objeto ativos financeiros, índices, indicadores, taxas, mercadorias, moedas, energia, transportes, commodities e outros bens ou direitos direta ou indiretamente relacionados a tais ativos, nas modalidades à vista e de liquidação futura”. O funcionamento das bolsas de mercadorias e de futuros foi regulamentado pela Resolução CMN nº 1.645/89. Portanto, as sociedades corretoras e instituições financeiras (BANCOS) possuíam, antes do procedimento de “desmutualização”, títulos patrimoniais das associações civis, sem finalidades lucrativas denominadas BOVESPA e BM&F. Da Desmutualização das Bolsas de Valores Em 1997, houve a primeira operação de reestruturação da BOVESPA, pela qual foram criadas duas empresas distintas, a Clearing S.A. (“Clearing”) – posteriormente denominada Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CLBC”) – e a Bovespa Serviços e Participações S.A. (“Bovespa Serviços”). A CBLC foi instituída mediante cisão de parte do patrimônio da BOVESPA e ficou encarregada de atuar como câmara de compensação e custodiar ações e títulos. Por sua vez, a Bovespa Serviços, subsidiária integral da BOVESPA, ficou com as funções de dar suporte aos serviços de informática e telefonia da BOVESPA, portanto responsável por exercer atividades relacionadas com negociação, controle, fiscalização e difusão de informações. Em 2007 as Bolsas iniciaram mais uma reestruturação societária, que se deu mediante cisão das associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto. Nessa medida, os títulos patrimoniais detidos pelas sociedades corretoras na BM&F e na BOVESPA foram trocados por ações das novas companhias – BM&F S.A. e BOVESPA HOLDING S.A., respectivamente. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 454 18 A “desmutualização” da Bovespa ocorreu em 28 de agosto de 2007 e envolveu as seguintes etapas, todas realizadas na mesma data: (i) cisão parcial da Bovespa, com a versão das parcelas de seu patrimônio em duas sociedades: Bovespa Holding e Bovespa Serviços S.A. (“Bovespa Serviços”); e (ii) incorporação das ações da Bovespa Serviços e da CBLC ao capital da Bovespa Holding. Em decorrência das operações em questão, os antigos detentores de títulos patrimoniais da Bovespa passaram a ser titulares de ações representativas do capital da Bovespa Holding, a qual, por sua vez, passou a ter como subsidiária integral a Bovespa Serviços e a CBLC. Portanto, a associação civil sem fins lucrativos Bovespa deixou de existir em 28 de agosto de 2007, e os detentores de seus títulos patrimoniais passaram a ser acionistas da Bovespa Holding. A “desmutualização” da BM&F ocorreu em 20 de setembro de 2007, e seguiu modelo jurídico similar ao da BOVESPA: (i) a cisão parcial da BM&F, com a versão das parcelas de seu patrimônio em duas sociedades: BM&F Holding e BM&F Serviços S.A.; e (ii) a incorporação das ações da BM&F Serviços ao capital da BM&F Holding. Em conseqüência das apontadas etapas, os antigos detentores de títulos patrimoniais da BM&F passaram a ser titulares de ações representativas do capital da BM&F Holding, por sua vez detentora da integralidade do capital da BM&F Serviços. Durante o ano de 2007, o procedimento de “desmutualização” foi seguido da abertura do capital das companhias resultantes de referida “transformação” para a negociação das respectivas ações em bolsa de valores. Em decorrência da participação no processo de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de emissão da Bovespa Holding S.A., foram outorgados poderes à essa sociedade para praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de sua emissão, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência de ações ordinárias de emissão da Companhia. Também foi assinado o “Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças”, onde foi autorizada a alienação, no âmbito da Oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato. Em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., as sociedades corretoras e instituições financeiras se comprometeram, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de desmutualização na Oferta Pública Inicial (“IPO”). Fl. 455DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 455 19 Também foram firmados, pelas sociedades corretoras, ou em alguns casos instituições financeiras, a alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”), conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.” Os Protocolos e Justificação de Incorporação celebrados em 17 de abril de 2008, entre a BM&F S.A. e a Nova Bolsa S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A. e a Nova Bolsa S.A., resumiram a reorganização societária envolvendo a BM&F S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A da seguinte forma: (i) Incorporação da BM&F pela Nova Bolsa, a valor contábil, resultando na emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas de BM&F, de ações ordinárias, na proporção de 1:1, e na conseqüente extinção de BM&F; (ii) na mesma data, em deliberação distinta e subseqüente, Incorporação das Ações da Bovespa Holding, pela Nova Bolsa, nos termos deste Protocolo e Justificação, incluindo a emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas da Bovespa Holding, de ações ordinárias e de ações preferenciais resgatáveis; (iii) resgate das ações preferenciais da Nova Bolsa emitidas em favor dos acionistas da Bovespa Holding; (iv) como resultado da Incorporação das Ações da Bovespa Holding e do resgate das ações preferenciais, o conjunto de acionistas da Bovespa Holding passará a ser titular do mesmo número de ações ordinárias da Nova Bolsa de titularidade do conjunto de acionistas da BM&F, assumindo o integral exercício, até a data da assembléia geral da Bovespa Holding que deliberar sobre este Protocolo e Justificação, das opções de compra de ações outorgadas no âmbito do Programa de Reconhecimento do atual Plano de Opções de Compra de Ações da Bovespa Holding e, em data futura, das opções de compra de ações contratadas no âmbito do atual Plano de Opções de Compra de Ações da BM&F; (v) a partir da realização das assembléias que aprovarem as incorporações e o resgate acima referidos, será iniciado processo de registro da Nova Bolsa perante a Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) e a listagem de suas ações no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo S.A. – BVSP (“BVSP”). Até a obtenção desses registros, as ações da Bovespa Holding e as ações de BM&F continuarão a ser negociadas no Novo Mercado da BVSP sob os atuais códigos BOVH3 e BMEF3, respectivamente, conforme autorização a ser solicitada da BVSP. Por fim, em assembléias realizadas na data de 08 de maio de 2008 foram aprovadas as incorporações, pela Nova Bolsa S.A., da BM&F S.A. e das ações da BOVESPA HOLDING S.A., unificandose as operações das bolsas de valores e de mercadorias e futuros na Nova Bolsa S.A., que passou a se denominar BM&F BOVESPA S.A. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 456 20 Do Regime Jurídico das Associações e seus efeitos Tributários O acórdão recorrido, sustentou em suas razões decidir pela aplicação do instituto próprio das sociedades anônimas, o qual entendeu cabível os institutos da transformação, cisão e da incorporação. Sendo que teria ocorrido uma transformação da sociedade civil sem fins lucrativos em sociedade anônima, acompanhada da troca de ativos – títulos patrimoniais que foram substituídos por ações, operação esta que, por ter sido efetuada a valor contábil, não produziria nenhum efeito fiscal. Vejamos: "Com a transformação societária daquelas entidades em sociedades por ações (a denominada desmutualização das bolsas), os títulos sociais então existentes no Ativo Permanente/Investimentos do Banco foram transformados em ações em quantidade monetariamente equivalente ao valor dos aludidos títulos. Tendo em vista que o Banco já sabia de antemão que iria alienar parte dasações de sua propriedade, baixou os títulos do ativo permanente e passou a contabilizálos no ativo circulante". Penso que não houve transformação das entidades sem fins lucrativos nas sociedade por ações na engenhosa estrutura societária/tributária denominada "desmutualização", o que de fato ocorreu, sucessivamente, para cada uma das bolsas (BOVESPA E BM&F) foi uma operação de cisão, em que todos os ativos mais importantes para a consecução das atividades das bolsas foram alocados numa das parcelas cindidas enquanto, na outra, restou pequena parte do patrimônio; e uma operação de incorporação, em que a parcela cindida operacional foi incorporada pela sociedade anônima correlata, Bovespa Holding S.A. ou BM&F S.A. Portanto, aplicação do regime jurídico da lei nº 6.404/76 (sociedade por ações) não poderia ter sido aplicada a época dos fatos geradores, oriundos das operações de "desmutualização" levadas a termo pelas Bolsas. Neste sentido, vejamos o que o artigo 5º da Resolução CNM nº 2.690/2000, dispõe: Art. 5º O estatuto social das bolsas de valores deve estabelecer, além do que for exigido pela legislação aplicável, regras básicas relativas à adoção de estrutura administrativa e operacional que permitam assegurar o pleno atendimento do seu objeto social e dos requisitos inerentes à sua condição de instituição auxiliar da Comissão de Valores Mobiliários enquanto entidade reguladora e fiscalizadora do mercado, dispondo, ainda, sobre: [...] VII incorporação, fusão, cisão e dissolução da bolsa de valores; [...] Deste modo, para os mais aguerridos e apaixonados pela tese, esqueceramse de observar a Resolução CNM nº 2.690/2000, a qual, permite que as bolsas de valores á época poderiam ser constituídas como Associações Civis ou como Sociedades Anônimas. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 457 21 Eis que o artigo 1º, da Resolução CMN, também elucida de modo pragmático a questão. Vejamos: Art. 1º As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social: (...) Parágrafo único. As bolsas de valores que se constituírem como associações civis, sem finalidade lucrativa, não podem distribuir a sociedades membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto se houver expressa autorização da Comissão de Valores Mobiliários. (...) Art. 6º O Patrimônio ou o capital social das bolsas de valores deve ser formado, quando da constituição, mediante realização em dinheiro, e será dividido, conforme o caso, em títulos patrimoniais ou ações ordinárias com direito de voto pleno, devendo a quantidade e o valor inicial de emissão de títulos patrimoniais ser fixados pela Comissão de Valores Mobiliários. (...) Art. 7º As bolsas de valores podem emitir títulos patrimoniais ou ações com direito de voto pleno, cuja colocação será realizada mediante leilão, com préqualificação para os licitantes, ou na forma prevista em lei. (...) Como demonstrado, a Resolução CMN nº 2.690/2000 faculta a constituição societária de qualquer uma das formas, seja por meio de associação civil sem fins lucrativos ou sociedade anônima. Assim, as bolsas de valores poderiam traçar diretrizes tanto para as que adotaram a estrutura jurídica de associação ou quanto para aquelas que adotaram a forma de S.A. Por outro lado, os institutos da fusão, cisão e incorporação não são de utilização permitida pelas associações por força do disposto no artigo 1.113 e seguintes do Código Civil, cuja localização indica sua aplicação somente às sociedades empresárias. Ainda assim, não penso como os que defendem a aplicação de institutos próprios de sociedades empresárias com fundamento em interpretação literal e isolada do artigo 2033, verbis: Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código. Da interpretação do dispositivo legal, ainda que se admita a aplicação de cisão, incorporação, às sociedades civis, não se pode furtar das conseqüências contidas no artigo 61 do Código Civil. Ou seja, caso se entenda aplicável os institutos da cisão e incorporação às sociedades civis, por força de interpretação isolada do Art. 2.033 do CC, as estipulações próprias à natureza de sociedades civis sem fins lucrativos não podem ser desprezadas, sob pena de ofensa ao critério da especificidade, prestigiado até mesmo pelo citado artigo 2.033. Fl. 458DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 458 22 Contudo, o art..2.033 ressalva sua aplicação em caso de legislação específica. No que se refere às associações civis, a Lei nº 6.015, de 1973, não versa sobre os institutos de fusão, cisão, incorporação e transformação para as associações civis. Portanto, a matéria possui tratamento específico e exclusivo nos artigos 53 a 61 do Código Civil. Em todos os artigos do Codex que versam sobre as Associações fica claro o distanciamento entre elas e a finalidade econômica. Ainda que fosse admitido o apelo da Recorrente, a aplicação de institutos como transformação, cisão e incorporação de sociedades empresárias, apenas para mitigar a solução das atividades desenvolvidas pelas Bolsas de Valores, me parece discrepante dos regimes jurídicos legais, não há como se furtar das normas, considerando que os associados receberam de volta o patrimônio e utilizaramse do mesmo para integralização das ações na sociedade Anônima. Dos Efeitos dos Registros contábeis das ações subscritas e integralizadas Originalmente, os títulos patrimoniais eram escriturados no ativo permanente das sociedades corretoras. Com a dissolução da associação e a subseqüente subscrição e integralização das ações das novas sociedades (Bovespa Holding e BM&F S.A), a recorrente deixou de possuir títulos patrimoniais e passou a ter ações das novas companhias, de natureza diversa, que deveriam ter sido escrituradas conforme dispõe o artigo 179 da Lei 6.404/1976, verbis: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; Fl. 459DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 459 23 A escrituração das ações no ativo da empresa, ou no ativo circulante, ou no ativo permanente, é baseada na possibilidade de o contribuinte escolher entre permanecer como proprietário de tais ações (permanente) ou se desfazer delas (circulante). Constatase que, desde o início do processo de desmutualização das bolsas, fica clara a intenção dos então detentores de títulos patrimoniais da BM&F, após receberem as ações das novas entidades formadas como sociedades anônimas, efetivarem a alienação dessas ações, seja pela fixação de prazos para venda das ações acordados entre as companhias e seus acionistas, seja pela disponibilização de parte das ações recebidas para compor o lote destinado à Oferta Pública Inicial (IPO), ou ainda, pela alienação das ações propriamente ditas. No caso das ações da Bovespa Holding S/A, temse que, em 27 de setembro de 2007, foram outorgados poderes à essa sociedade para praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de sua emissão, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência de ações ordinárias de emissão da Companhia. Também foi assinado o “Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças”, onde foi autorizada a alienação, no âmbito da Oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato. Dessa forma, resta claro que a Recorrente pretendia vender, no curso do exercício social ações recebidas. Em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., as sociedades corretoras se comprometeram, em 31 de agosto de 2007, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de desmutualização da BM&F (o que ocorreu em 01/10/2007), no prazo de seis meses contados a partir da data em que as ações passassem a estar admitidas à negociação na Bovespa. Também foram firmados, pelas sociedades corretoras, a alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”), conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”. Mencionese que a acionista poderia ter optado por aderir ao referido termo nos moldes do seu Anexo II, através do qual não haveria tal compromisso venda, porém não poderia alienar as ações, por qualquer forma, antes de passado o prazo de 2 (dois) anos, contados do início das negociações em bolsa; neste caso, as ações poderiam ser consideradas como investimento, e registradas, na sua integralidade, no Ativo Permanente. Destarte, em atendimento ao artigo 179, inciso I, da Lei nº 6.404/1976 o sujeito passivo deveria ter contabilizado esses direitos sobre as ações no Ativo Circulante, uma vez que em decorrência da modificação da natureza jurídica dos direitos possuídos, caracterizada pela devolução dos títulos patrimoniais e o recebimento das ações, o momento da criação das sociedades anônimas é que deve ser considerado como marco inicial para se averiguar a intenção de alienar aquele determinado ativo, com vistas a classificálo no Ativo Circulante ou no Ativo Permanente. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 460 24 Da Tributação do PIS/COFINS sobre alienação de ações Com efeito, as ações recebidas pelo sujeito passivo deveriam ter sido classificadas no Ativo Circulante, correto o entendimento da Fiscalização em tributar o PIS/COFINS, sobre valores obtidos com alienação das ações que constituem receita bruta operacional. Neste passo, os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, prevêem que a receita bruta, auferida pela pessoa jurídica, será objeto de tributação das contribuições. Vejamos: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Temse que a Recorrente, ao vender as ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A., exerceu uma atividade típica de seu ramo de atuação. e, portanto, a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 não afasta a incidência das contribuições para o PIS e Cofins sobre a receita dita operacional. Concluise que as receitas auferidas pela alienação das ações da BM&F S.A e Bovespa Holding S.A. de sua titularidade, decorrentes de atividade típica de seu ramo de atuação, devem ser enquadradas como receitas brutas operacionais e por isso estão sujeitas à incidência do PIS e da Cofins, prevista no art. 3º da Lei nº 9.718/98. Da discussão judicial quanto à base de cálculo das contribuições sociais Como amplamente divulgado, no julgamento dos Recursos Extraordinários nºs 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR, o Supremo Tribunal Federal STF decidiu que o faturamento das empresas compõese, apenas, de suas receitas operacionais (receita bruta da venda de mercadorias ou da prestação de serviços), ligadas a sua atividade principal, não devendo integrálo as demais receitas não operacionais. Deste modo, foi decretada a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Ao declarar inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 restou assentado pelo STF que era indevida a ampliação da base de cálculo da contribuição, até a edição da EC nº 20/98 e, assim sendo, a Cofins somente poderia incidir sobre os ingressos patrimoniais oriundos de sua atividade empresarial típica. Entretanto, a decisão do STF não tem repercussão no presente litígio, uma vez que o enquadramento legal constante da autuação fiscal referese ao caput dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 (estes artigos prevêem que as contribuições serão calculadas com base no seu faturamento, corresponde à receita bruta da pessoa jurídica) que não foram declarados inconstitucionais pelo STF. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 461 25 Da Jurisprudência dos Tribunais sobre a "desmutualização" Vale a pena destacar que a matéria já recebeu manifestação do Poder Judiciário, o qual emprega o mesmo entendimento utilizado no presente voto. Vejamos: TRF 2 Processo nº 000655923.2008.4.02.5101 TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSSL. BOVESPA OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO . TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17, INCIDÊNCIA. A Bovespa, em reestruturação societária datada de 28.08.2007, iniciou a “demutualização" , deixando de ser uma sociedade civil e convertendose em sociedade anônima, a Bovespa Holding S/A. Nesse processo de transformação societária, os títulos patrimoniais da impetrante foram substituídos por ações da Bovespa e da BM&F. Tal processo de demutualização"trouxe, efetivamente, ganhos patrimoniais à impetrante que passou de simples associada da Bovespa à detentora de ações na nova holding, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia dispendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido devidamente corrigido, repisa se em razão da demutualização". O fato apto a desencadear a incidência dos tributos, nesse caso, é o ganho obtido pela impetrante com a devolução de valores, ou seja, com a própria operação de demutualização, na forma como foi efetuada. O artigo 17 da Lei 9.532/97 constitui supedâneo legal para a inclusão da diferença entre o que foi investido para a formação do capital social de entidade isenta e a devolução do que foi aportado na determinação do lucro da pessoa jurídica, uma vez que constitui, indubitavelmente, acréscimo patrimonial, sujeitandose à incidência do imposto de renda, nos termos dos artigos 43 e 44 do Código Tributário Nacional. Não prospera a tese da apelante de que a avaliação dos ativos em questão se dá pela equivalência patrimonial, sistemática que estima o valor do investimento de uma sociedade em outra de acordo com as oscilações do patrimônio da empresa investida e cujos resultados positivos, de acordo Fl. 462DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 462 26 com o artigo 225 do Regulamento do Imposto de Renda, não acarretam incidência dos tributos A avaliação pela equivalência patrimonial, consoante previsto no art. 248 da Lei 6.404/1976 (Lei das Sociedades Anônimas), aplicase exclusivamente aos casos de “coligadas sobre cuja administração [a empresa] tenha influência significativa, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante, em controladas em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum (redação dada perla Lei nº 11.638/2007), não sendo este o caso dos autos que trata, na verdade, de avaliação de títulos patrimoniais que a impetrante detém nas bolsas de valores. Também não socorre a impetrante a Solução de Consulta nº 13 de 10/11/97, o Parecer CST nº 2.254/81 e a Portaria MF 785/77, porquanto a referida Portaria, assim como os atos administrativos mencionados são anteriores à entrada em vigor da Lei 9.532/97, de 10/12/97, originária da conversão da Medida Provisória nº 1.602, de 14/11/97, sendo esta quem regula as relações ora em análise. Recurso desprovido. TRF 3 Processo 2008.03.00.0041151 AG 325479 – 6ª Turma TRF3, decisão de 23/05/2008 [...] Observo que como a BM&F era uma associação sem fins lucrativos, os superávits obtidos ano a ano eram reinvestidos na própria bolsa, sem incidência de imposto de renda ou contribuição social sobre o lucro. Pareceme que quando a BM&F converteu seu patrimônio ao qual se integra o que economizou em impostos , em uma sociedade com fins lucrativos, a diferença então verificada gerou ganho de capital e em decorrência, incide imposto sobre o que não foi pago durante a fase beneficiada pela isenção. O que de fato ocorreu, foi o processo denominado “desmutualização”, através da dissolução parcial da BM&F, que deixou de existir e cujos títulos patrimoniais foram extintos, com a respectiva Fl. 463DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 463 27 restituição do seu patrimônio aos seus respectivos sócios, na forma de ações da nova sociedade, a BM&F S/A. [...] TRF3 AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 2008.03.00.0041151/SP DECISÃOVistos. Tratase de agravo de instrumento com pedido de concessão de antecipação de tutela recursal, que visa à reforma de decisão proferida em Primeira instância, adversa aos agravantes. Regularmente processado o agravo, sobreveio a informação, mediante email de fls. 1658/1668, que foi proferida sentença nos autos do processo originário.Ante a perda de objeto, julgo prejudicado o presente recurso e, em conseqüência, NEGOLHE SEGUIMENTO, com fulcro no art. 557, caput, do Código de Processo Civil, restando prejudicado o agravo regimental interposto. Oportunamente, observadas as formalidades legais, baixem os autos á Vara de origem. Intimemse. Consuelo Yoshida Desembargadora Federal PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA. IRPJ E CSLL. INCIDÊNCIA. ARTIGO 17 DA LEI Nº 9.532/97. APLICABILIDADE. PORTARIA 785/77. PARECER NORMATIVO Nº 78/78. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO Nº 9/81. NORMAS ANTERIORES AO ADVENTO DA LEI Nº 9.532/97. INAPLICABILIDADE. À mingua do alegado vício omissão os embargos de declaração devem ser rejeitados. No tocante à dissolução da associação BOVESPA, o julgado foi claro ao dispor que ocorreu a efetiva dissolução da sociedade BOVESPA e que, assim sendo, deveria ser observada, no tocante ao seu patrimônio, a disciplina do artigo 61 do Código Civil, acarretando na devolução do aludido patrimônio aos então associados, a ensejar, desse modo, a incidência do IRPJ e da CSLL, ex vi das disposições contidas no artigo 17 da Lei nº 9.532/97. Não há, portanto, que se falar em omissão do acórdão no tocante a matéria, em especial quanto ao regramento previsto no artigo 1.113 do Código Civil que, digase, diz respeito tão somente às sociedades e não às associações. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 464 28 Quanto à questão em torno da adoção do método de equivalência patrimonial para avaliação do investimento o acórdão embargado concluiu pela inaplicabilidade, à espécie, do método de equivalência patrimonial que, nos termos dos artigos 248 da Lei nº 6.404/76 e 384 do Decreto nº 3.000/99, somente teria aplicabilidade nas hipóteses de investimentos em empresas controladas ou coligadas, não sendo esse o caso vertido nestes autos. Conforme precedentes jurisprudenciais colacionados no julgado vergastado, não incide, in casu, a Portaria nº 785/77, bem assim os atos normativos correlatos, dentre os quais se incluem o Parecer Normativo nº 78/78 e Ato Declaratório Normativo nº 9/81, na medida em que anteriores ao advento da Lei nº 9.532/97, norma aplicável à espécie, conforme alhures externado. O mero intuito de prequestionar a matéria não legitima a oposição dos aclaratórios. Precedentes do C. STJ. Conforme jurisprudência firmada no âmbito do E. Supremo Tribunal Federal e do C. Superior Tribunal de Justiça, não se faz necessária a menção a dispositivos legais para que a matéria seja considerada prequestionada, bastando que a tese jurídica tenha sido aquilatada pelo órgão julgador (STF, HC 122932 MC/MT, Relator Ministro Ricardo Lewandowski, j. 03/09/2014, DJe 08/09/2014; HC nº 120234, Relator Ministro Luiz Fux, j. 19/11/2013, DJe 22/11/2013; STJ, REsp 286.040, Relator Ministro Franciulli Netto, j. 05/06/2003, DJ 30/6/2003; EDcl no REsp 765.975, Relator Ministra Eliana Calmon, j. 11/04/2006, DJ 23/5/2006). Embargos de declaração rejeitados. "AMS APELAÇÃO CÍVEL Processo: 308575 000116433.2008.4.03.6100 QUARTA TURMA eDJF3 Judicial 1 DATA:03/11/2015. DESEMBARGADORA FEDERAL MARLI FERREIRA" TRF3. Conclusões Finais Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto é como penso. Demes Brito Fl. 465DF CARF MF Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 9303004.232 CSRFT3 Fl. 465 29 Fl. 466DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.005333/2008-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 9202-000.044
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta: junte aos autos as GFIP e os comprovantes de recolhimento do período de 01/2003 a 08/2003, relativos a pagamentos a cooperativas; e elabore relatório circunstanciado de pagamentos por fato gerador. Após, que seja intimado o contribuinte para manifestação, no prazo de trinta dias, retornando-se os autos à relatora, para prosseguimento. Vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes, que entenderam não ser necessária a conversão em diligência
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta: junte aos autos as GFIP e os comprovantes de recolhimento do período de 01/2003 a 08/2003, relativos a pagamentos a cooperativas; e elabore relatório circunstanciado de pagamentos por fato gerador. Após, que seja intimado o contribuinte para manifestação, no prazo de trinta dias, retornando-se os autos à relatora, para prosseguimento. Vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes, que entenderam não ser necessária a conversão em diligência. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 05 33 3/ 20 08 -0 5 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 05 33 3/ 20 08 -0 5 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Especial do Procurador 2ª Turma2ª Turma ubro de 2016 ubro de 2016 DECADÊNCIA - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DECADÊNCIA - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL KHEMEIA INDÚSTRIA QUÍMICA S/A KHEMEIA INDÚSTRIA QUÍMICA S/A julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta: junte aos autos as GFIP e os Fl. 910DF CARF MF Processo nº 11516.005333/2008-05 Resolução nº 9202-000.044 CSRF-T2 Fl. 5 2 Relatório Cuida-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2401-002.185, fls. 846/859, que, por maioria, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para, em preliminar, reconhecer a decadência do crédito em relação às competências 01/2003 a 08/2003, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN e, no mérito, negou provimento ao Recurso Voluntário por entender que se tratando de serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho, incide contribuição previdenciária calculada à base de 15% (quinze por cento) sobre as notas fiscais ou fatura de prestação de serviço, de acordo com o art. 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/1991. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS MEDIANTE COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, no percentual de 15%, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, de acordo com o artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. COOPERATIVA DE TRABALHO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 911DF CARF MF Processo nº 11516.005333/2008-05 Resolução nº 9202-000.044 CSRF-T2 Fl. 6 3 Na origem, trata-se de Auto de Infração, antiga NFLD, lavrado em 01/09/2008, contra a interessada, constituindo-se crédito no valor de R$ 1.354,64 (um mil, trezentos e cinquenta e quatro reais e sessenta e quatro centavos). De conformidade com o Relatório Fiscal, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas são os pagamentos efetuados pela interessada à cooperativa de trabalho na área de saúde denominada UNIODONTO SUL COOPERATIVA DE ODONTÓLOGOS DO SUL CARATINENSE em cumprimento ao contrato de prestação de serviços firmado entre ambos sob o número 00081. A 5ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC julgou procedente o lançamento fiscal, conforme Acórdão nº 07-14.499 de fls. 113/125. A interessada, inconformada com tal decisão, interpôs Recurso Voluntário de fls. 128/159 do e-processo, o qual foi julgado parcialmente procedente para declarar a decadência das competências 01/2003 a 08/2003 pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, no dia 02 de dezembro de 2011, conforme Acórdão nº 2401-002.185 de fls. 846/859 do e-processo. A Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração de fls. 861/864, que foi rejeitado conforme despacho de fls. 873/878 do e-processo. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, de fls. 880/886, com fundamento no art. 67, do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009 (vigente a época dos fatos), alegando que o referido acórdão merece reforma, visto que negou vigência ao art. 173, I, do CTN, bem como aplicou indevidamente o art. 150, § 4º, do CTN, utilizando como divergência o Acórdão nº 9202-01.780, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2001 DECADÊNCIA- CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Consoante farta jurisprudência administrativa é de cinco anos o prazo para a Fazenda Nacional constituir créditos relativos à contribuição previdenciária. Na ausência de recolhimentos referente ao procedimento específico, tal prazo se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia haver o lançamento, na forma definida no art. 173 do Código Tributário Nacional. Recurso especial provido em parte. Conforme despacho de admissibilidade de fls. 889/891, foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, sendo o contribuinte intimado a conforme AR fls. 895. Em suas Contrarrazões (fls. 897/905), em síntese, o contribuinte defende a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, requerendo que seja negado provimento ao presente Recurso Especial e mantida a decisão proferida pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção. É o relatório. Fl. 912DF CARF MF Processo nº 11516.005333/2008-05 Resolução nº 9202-000.044 CSRF-T2 Fl. 7 4 Voto Conselheira Patrícia da Silva - Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional tem como objeto a discussão sobre a regra aplicável para o termo inicial de contagem do prazo decadencial das contribuições relativas às competências 01/2003 a 08/2003. Ao analisar os autos, verifica-se que o Termo de Encerramento da Ação Fiscal - TEAF - de fls. 29 e-processo, que houve a apresentação de GFIPs e comprovantes de recolhimentos à fiscalização por parte do contribuinte. O período autuado corresponde de 01/2003 a 12/2006, porém, só foram juntadas aos autos, por amostragem, apenas as GFIPs de fls. 76/78 do e-processo, com as quais não é possível inferir se houve ou não recolhimento em determinado período. Diante da escassa quantidade de documentação acostadas aos autos pela Unidade de Origem, o que impossibilita verificar se houve ou não o recolhimento das Contribuições Previdenciárias em discussão, proponho em converter o presente julgamento em diligência para que a Unidade de Origem: (a) junte aos autos para as GFIPs e os Comprovantes de pagamento do período fiscalizado, qual seja, 01/2003 a 8/2003; (b) após a apresentação da documentação, elabore relatório circunstanciado de pagamento por fato gerador e abra prazo para manifestação do sujeito passivo. Após o cumprimento da diligência, retornem os autos a esta Conselheira para o prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 913DF CARF MF
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