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Numero do processo: 13502.000697/2003-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 15/03/2000 a 15/03/2001
DÉBITO LANÇADO OBJETO DE EXTINÇÃO POR COMPENSAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Restando comprovada a extinção do crédito tributário objeto do lançamento, por meio de compensação, torna-se insubsistente o lançamento formalizado.
Numero da decisão: 3302-004.373
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do Relatório de Diligência Fiscal.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do Relatório de Diligência Fiscal. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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COFINS Recorrente BRASKEM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 15/03/2000 a 15/03/2001 DÉBITO LANÇADO OBJETO DE EXTINÇÃO POR COMPENSAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Restando comprovada a extinção do crédito tributário objeto do lançamento, por meio de compensação, tornase insubsistente o lançamento formalizado. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do Relatório de Diligência Fiscal. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 06 97 /2 00 3- 61 Fl. 453DF CARF MF 2 Trata o presente processo de auto de infração, fls. 05/12, lavrado contra a empresa acima qualificada, referente à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, nos períodos de apuração de fevereiro de 2000 a março de 2001. Esclarece a fiscalização na descrição dos fatos, fl.07: O interessado deixou de recolher COFINS, referente aos períodos de apuração de FEVEREIRO/2000 a MARÇO/2001, em função do indeferimento da compensação destes débitos com créditos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), no Processo Administrativo de Restituição/Compensação n° 13502.000592/0042. O Despacho Decisório do Delegado da DRF/Camaçari indeferindo o pleito acolheu o Parecer 075/2002 da SAORT, que declarou a caducidade dos créditos de IRPJ pleiteados (cópias em anexo). Estes débitos de COFINS foram declarados nas DCTFs do 1º, 2°, 3º e 4º trimestres do ano de 2000 e na do 1º trimestre de 2001, em anexo. Portanto, nos termos do art 2° da IN SRF n° 77/98, até o vigésimo dia contado da ciência deste lançamento o crédito tributário será cobrado com multa moratória, dispensada a exigência da multa de oficio (art. 47 da Lei n° 9.430/96). O órgão colegiado de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento, exonerando a aplicação da multa de ofício, porém considerando correta a lavratura do auto de infração para cobrança dos créditos tributários indevidamente compensados no PAF nº 13502.000592/0042. Transcrevese a seguir excertos do relatório da decisão de piso: O autuante informa à fl. 04 que o lançamento de ofício se refere a débitos da empresa Nitrocarbono S/A, incorporada em 31/03/2003 pela autuada (fls. 11/15). Informa que anteriormente foi lavrado Auto de Infração em nome da incorporada (fls. 38/45), mas considerado nulo em face do erro na identificação do sujeito passivo. Desta forma, foi lavrado Auto de Infração em nome da incorporadora. Segundo o autuante, a Cofins devida nos períodos autuados (informadas nas DCTF às fls. 22/36) não foi recolhida em face de pedido de compensação com crédito do IRPJ formulado no processo administrativo n° 13502.000592/0042, que foi indeferido pela DRF/Camaçari (fls. 19/21) em virtude do transcurso do prazo decadencial. Insatisfeita com a decisão de piso a interessada interpôs em 24/03/2003, recurso voluntário dirigido ao então Segundo Conselho de Contribuintes, conforme fls. 149 a 169. Através da Resolução nº 20201068, de 18 de outubro de 2006, fls. 308/311, o julgamento foi convertido em diligência para que fosse juntada a decisão final do processo administrativo nº 13502.000592/0042, que tratou da compensação dos débitos de COFINS lançados no presente processo. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 13502.000697/200361 Acórdão n.º 3302004.373 S3C3T2 Fl. 432 3 Em decorrência da diligência foi emitido o Relatório de Diligência Fiscal, fls.351/352. Após ciência do Relatório de Diligência Fiscal, AR em 12/06/2014, fl. 427, o contribuinte apresentou em 27/06/2014, conforme Termo de Solicitação de Juntada, fl.355, Manifestação de Inconformidade de fls.356/365, reiterando os argumentados já apresentados nas peças defensórias anteriores, destacando que conforme apurado no referido relatório a autoridade administrativa reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado no PAF nº 13502.000592/0042, homologando, por conseguinte, as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido: o que naquele processo foi suficiente para liquidar todos os débitos compensados. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Pontua a decisão de piso: Inicialmente, destaquese que não houve protocolização do Auto de Infração em nome da incorporada, Nitrocarbono S/A, conforme pesquisa nos sistemas da SRF (fls.132/135). Os lançamentos de ofício ali existentes não guardam relação com a contribuição e os períodos objeto deste litígio. Correta, portanto, a lavratura do Auto de Infração em nome da incorporadora. (...) Aqui não se está a discutir se a autuada possui ou não crédito a compensar relativo ao ILL, não cabendo a discussão quanto ao prazo decadencial, matéria objeto do processo n° 13502.000592/0042. Discutese, sim, se o procedimento compensatório adotado pela contribuinte atendeu à legislação que disciplina a matéria. 11. Neste sentido, constatase que o pedido de compensação foi indeferido pela DRF/Camaçari, e a manifestação de inconformidade da interessada foi julgada improcedente por esta Delegacia de Julgamento, nos termos do Acórdão DRJ/SDR n° 7.265/2005. 12. Logo, verificada a compensação indevida da Cofins não lançada de ofício e não confessada, correta a constituição do crédito tributário, especialmente em face do que dispunha a Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Fl. 455DF CARF MF 4 Tendo em vista que a questão principal prendese à decisão final do processo administrativo nº 13502.000592/0042, destacase a seguir a informação fiscal prestada no Relatório de Diligência Fiscal, fls.351/352. Esclarece a fiscalização: Com o objetivo de atender ao quanto solicitado pelo então Segundo Conselho de Contribuintes foram juntados ao presente decisório (fls. 342 a 350) o PARECER DRF/CCI/SAORT Nº 10/2013, bem como o DESPACHO DECISÓRIO DRF/CCI Nº 541/2013 que o aprovou. 07. Apenas para melhor ilustrar a situação dos processos administrativos relacionados à presente demanda, cumpre destacar algumas anotações referentes a decisão referenciada no parágrafo anterior, a saber: 07.1) Mediante o processo administrativo nº 13502.000592/00 42, a contribuinte acima qualificada apresentou Pedido de Restituição de pagamentos indevidos a título de ILL, efetuados entre 1992 e 1993, seguido de pedidos de compensação que contém, entre outros, exatamente os débitos de COFINS apurados nos períodos de fevereiro de 2000 a março de 2001, coincidentes com os valores objeto do auto de infração aqui tratado; 07.2) O lançamento de ofício aqui materializado decorreu tão somente de entendimento assente na RFB à época de que os débitos objeto de compensação no PAF 13502.000592/0042 (originalmente não homologada) não haviam sido considerados confissão de dívida; 07.3) Conforme parágrafos 07 a 10 do PARECER DRF/CCI/SAORT Nº 10/2013, tal entendimento fora superado de tal sorte que para os débitos aqui tratados seria desnecessária a sua constituição por lançamento, uma vez que os mesmos estariam confessados em DCTF e plenamente exigíveis. 07.4) Digase, por fim, que a decisão que, originalmente, fundamentou a não homologação da compensação dos débitos da COFINS apurados entre fevereiro de 2000 e março de 2001, foi reformada a ponto de se constatar a procedência parcial do crédito requerido/utilizado no PAF nº 13502.000592/0042, o que implicou a extinção total do crédito tributário apresentado para compensação, nos termos do DESPACHO DECISÓRIO DRF/CCI Nº 541/2013.(grifei). Estando constatado pelo Relatório de Diligência Fiscal que o débito de Cofins, código: 2172, no período de apuração de fevereiro de 2000 a março de 2001, no valor principal de R$ 1.167.982,61, objeto da exigência que ora se discute teve a forma de extinção por compensação, conforme DESPACHO DECISÓRIO DRF/CCI Nº 541/2013, fl.349/350, considerase resolvida a lide, dandose provimento ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 456DF CARF MF Processo nº 13502.000697/200361 Acórdão n.º 3302004.373 S3C3T2 Fl. 433 5 Fl. 457DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720194/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.948
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBO COMÉRCIO DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 94 /2 01 2- 11 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11516.720194/201211 Acórdão n.º 3302003.948 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06047.595. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 11516.720194/201211 Acórdão n.º 3302003.948 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 255DF CARF MF Processo nº 11516.720194/201211 Acórdão n.º 3302003.948 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 256DF CARF MF Processo nº 11516.720194/201211 Acórdão n.º 3302003.948 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 257DF CARF MF Processo nº 11516.720194/201211 Acórdão n.º 3302003.948 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 258DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.720607/2014-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/09/2011
31/12/2011, 31/03/2012, 30/09/2012
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Numero do processo: 19482.720050/2015-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 29/01/2015
CESSÃO DO NOME. ACOBERTAMENTO DE ADQUIRENTES OU ENCOMENDANTES. IMPORTAÇÃO. MULTA.
A pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior com acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários sujeita-se à multa de 10% do valor da operação, nos termos do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ACOBERTAMENTO DE ADQUIRENTES OU ENCOMENDANTES. IMPORTAÇÃO. MULTA. A pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior com acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários sujeitase à multa de 10% do valor da operação, nos termos do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 48 2. 72 00 50 /2 01 5- 54 Fl. 214DF CARF MF 2 De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Florianópolis que julgou improcedente a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/01/2015 CESSÃO DE NOME. OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. MULTA PECUNIÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa prescrita pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente pouco atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Versa o processo sobre a exigência da multa pela cessão do nome da pessoa jurídica para a realização de operações de comércio exterior, prevista pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários, no valor de R$11.545,95. Concluiu a fiscalização que a empresa BERETTA & FRANCINI Comércio de Importação e Exportação Ltda. ME cedeu seu nome para a realização de operações de comércio exterior, com vistas no acobertamento dos reais adquirentes: VISSOTTO Comércio Importação e Exportação Ltda, de CNPJ 18.805.367/000148; VALERIA de Sousa Duarte, de CNPJ 17.259.898/000110; e IMAGE CLEAR Informática Ltda, de CNPJ 08.146.743/000186; mediante simulação de operações comerciais. A fiscalização fundamentou a autuação com base, em síntese, nos seguintes fatos e fundamentos: (...) Diante das suspeitas preliminares de interposição fraudulenta e falsa declaração de conteúdo, situações de irregularidades puníveis com a pena de perdimento, a Receita Federal instaurou procedimento especial de controle aduaneiro, sob o Registro de Procedimento Fiscal (RPF) nº 08177002015000661, para análise da importação de mercadorias realizada pela empresa Flex Internacional [sic] por meio das DIs nºs 15/01805667, 15/01839294 e 15/04329432. (...) Fl. 215DF CARF MF Processo nº 19482.720050/201554 Acórdão n.º 3402004.267 S3C4T2 Fl. 215 3 Por meio do Termo nº 01, a empresa Beretta & Francini foi intimada a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, documentos, como o contrato social, as declarações de exportação referentes à saída do exterior das mercadorias importadas, os comprovantes de propriedade e/ou aluguel dos imóveis utilizados pela empresa para o exercício de suas atividades, os extratos de movimentação financeira das contas da empresa, os catálogos contendo preços de revenda das mercadorias no mercado interno, o quadro de funcionários da empresa e o contrato comercial firmado com o exportador; e esclarecimentos quanto à destinação da mercadoria, quanto às partes envolvidas na negociação, quanto às condições de venda firmadas entre as partes e quanto à comprovação da origem dos recursos utilizados para cobrir as despesas relativas à importação. Apesar da ciência em 02/04/2015 e do fim do prazo para resposta em 22/04/2015, não houve manifestação por parte do importador. A Intimação nº 02 reintimou a empresa a atender às exigências realizadas por meio da intimação nº 01 e solicitou contato com perito credenciado para elaboração de Laudo técnico, conforme disposto no artigo 813 do Decreto 6.759/2009, para identificação mais detalhada das mercadorias declaradas na adição 002 da DI nº 15/04329432 e na adição 001 da DI nº 15/01805667. A ciência ocorreu em 29/09/2015, e não houve, da mesma forma que na primeira intimação, manifestação por parte do interessado. (...) Não foi identificado na internet site da empresa Beretta & Francini, apenas informações de endereço e referências aos serviços de importação e exportação de produtos e serviços. (...) Ao que parece, em primeira análise, a Beretta & Francini é uma empresa prestadora de serviços na área de importação e exportação. Uma das análises mais importantes e que se torna, em conjunto com os diversos indícios e fatos apurados nesta investigação, ponto crucial na constatação de ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, é o conteúdo importado pela empresa e a sua prática de vendas. (...) Preliminarmente, cumpre observar que a razão social da pessoa jurídica Beretta & Francini Comécio de Importação e Exportação Ltda sugere que a empresa seja uma trading Comercial importadora e exportadora que opera no comércio exterior terceirizado, podendo efetivar atividades mercantis (importação por encomenda) ou de prestação de serviços (importação por conta e ordem de terceiros), e/ou uma empresa interposta Aquela que promove o despacho aduaneiro da mercadoria (importação/exportação) e se interpõe entre o fornecedor/consumidor estrangeiro e o consumidor/fornecedor nacional. O histórico de atuação dessas empresas no comércio exterior costuma apresentar rol bastante diversificado de mercadorias, uma vez que, via de regra, atuam como intermediários comerciais de empresas variadas. Confirmando o comportamento comercial de trading e de empresa interposta, o histórico de importações da Beretta & Francini revela a comercialização de mais de 60 diferentes posições de classificação fiscal. No entanto, indo de encontro às declarações regulares e típicas de tradings, em que o adquirente é pessoa diversa do importador, a empresa figurou, em todas as importações, na qualidade de importador e adquirente em suas mais de 130 declarações, independentemente da natureza e particularidade das mercadorias importadas. (...) (...)Ressaltese que não foi apresentado contrato à Receita Federal para fins de vinculação no sistema entre a Beretta & Francini e os reais adquirentes da carga importada. Além disso, os reais adquirentes não foram informados nas Declarações de Importação nem nas faturas comerciais apresentadas, como exigido pela legislação. No ano de 2014 foram importados pela Beretta & Francini, na modalidade por conta própria, 676.166 quilos de carga (US$ 2.003.203,99 CIF), com mais de 20 diferentes posições de classificação fiscal. Tal variedade de produtos é uma das características essenciais das empresas de trading e também das interpostas. Demais disto, para trabalhar com tamanho volume de importações, Fl. 216DF CARF MF 4 há de se presumir que a empresa possua razoável capacidade operacional, haja vista que as mercadorias importadas, em tese, ingressaram no seu estoque antes de serem revendidas. Não obstante, ao contrário do que seria esperado, a Beretta & Francini possui número relativamente reduzido de funcionários, declarando em GFIP média de 2,58 funcionários por mês em 2014, o que demonstra baixa capacidade operacional. Somese isso ao fato de que a importadora possui como sede uma sala comercial que, a princípio, teria capacidade de armazenamento reduzida, não condizente com o volume de importação verificado. Nesse caso, há evidência de grande variedade de produtos para pouca capacidade operacional, típico de empresas interpostas. (...) Na importação em análise, a Fiscalização apurou que a atuação da Flex [sic] no comércio exterior apresentase como de empresa de trading ou de empresa interposta, que, em verdade, funciona como intermediária nas transações, e não destinatária final das mercadorias. Observese que a Beretta & Francini não importou, ao longo de sua atuação no comércio exterior, apenas capas e películas para celular, mas também fones de ouvido, kits de armação para óculos, poltrona de assento giratório, banheira de hidromassagem, tanque de resina, jogos de edredon (...) Como pode ser observado, não há homogeneidade no tipo de mercadoria importada pela Beretta & Francini; há, na verdade, diversidade enorme de produtos, o que indica que as mercadorias não são importadas para a Beretta, e sim apenas pela Beretta para terceiros reais adquirentes ocultados na transação. Tamanha diversidade torna evidente que as mercadorias importadas pela Beretta & Francini não foram para a própria empresa. Não há sentido em importar infinidade de produtos para procura posterior de clientes, a não ser que a Beretta fosse uma dessas enormes lojas que se caracterizam por venderem itens de departamentos diversos. Caso contrário, fica claro que as mercadorias são importadas para terceiros. Como pode ser observado nas imagens abaixo, o endereço da Beretta & Francini, localizado pelo Google Street View, indica rua simples e residencial. No número 2939 foi identificado prédio em obra, sem aparência de loja ou empresa. (...) Destacase que a importação de tipos de produtos tão diversificados chama a atenção da Fiscalização, uma vez que a finalidade das empresas de trading e interpostas é justamente atuar como intermediária nas negociações comerciais, e não ser a destinatária final das mercadorias. Indo de encontro à natureza de intermediação, em todas as importações realizadas pela Beretta & Francini a empresa atuou como importador direto. Dessa forma, em todas as importações realizadas, constou como importador e adquirente das mercadorias. Nas Declarações de Importação nºs 15/01805667, 15/01839294 e 15/04329432, assim como nas faturas comerciais e nos conhecimentos aéreos instrutivos, em análise neste procedimento especial, a Beretta & Francini Comércio de Importação e Exportação Ltda não fugiu à regra: foi declarada como importador e adquirente das mercadorias importadas. Analisado o conteúdo importado, fazse fundamental entender a prática de venda das mercadorias importadas pela Beretta & Francini por meio das notas fiscais eletrônicas emitidas pela empresa. (...) Quanto à Beretta, é válido registrar que a análise criteriosa das notas fiscais eletrônicas emitidas pela empresa revelaram fortes indícios de que, embora tenha efetuado formalmente importações na modalidade por conta própria, já teria adquirentes determinados, que permaneceram ocultos nas transações. Afinal, as revendas foram sempre “casadas” às importações e as datas de emissão das notas fiscais de entrada e de saída foram bastante próximas. (...) No entanto, conforme ressaltado anteriormente, a Beretta realiza formalmente apenas operações de importação por conta própria. Isso teoricamente significa que as cargas entram em seu estoque, ou ficam sob sua guarda e custos em outro local, para posteriormente serem revendidas no mercado interno a compradores não previamente determinados. Foram analisadas todas as notas fiscais eletrônicas emitidas pela importadora. Aferiuse que esta, como regra, além de efetuar revendas “casadas” (revendas integrais das mercadorias importadas), emite os documentos de entrada (oriundas da importação) e de saída Fl. 217DF CARF MF Processo nº 19482.720050/201554 Acórdão n.º 3402004.267 S3C4T2 Fl. 216 5 (revendas subseqüentes) em datas bastante próximas (algumas vezes no mesmo dia), levantando a suspeita de que os reais adquirentes fossem personagens diversos do importador ostensivo e de que já estariam previamente definidos. Conforme quadro a seguir, com análise de algumas transações comerciais da Beretta com, a empresa emitiu as notas fiscais de saída em dias muito à emissão da nota fiscal de entrada. Em muitos casos no mesmo dia ou no dia seguinte e, de forma esdrúxula, em alguns casos as notas de saída foram emitidas antes das notas de entrada. Como pode ser observado, muitas notas fiscais de saída (revendas integrais das mercadorias importadas) foram emitidas no mesmo dia da nota fiscal de entrada, o que sugere que os adquirentes já estavam predeterminados. Teoricamente, isso significa que as mercadorias foram liberadas para retirada do recinto alfandegado, entraram nos estoques da Beretta & Francini e saíram para o destinatário no mesmo dia, ou, ao menos, que, apesar de não passarem fisicamente pelos estoques da Beretta, foram negociadas para revenda após a efetiva importação pela própria Beretta. Entretanto, tratandose de modal aéreo, a chegada da mercadoria no Brasil ocorre, em regra, no mesmo dia de sua saída do exterior. Dessa forma, não há que se falar em real importação para a Beretta e negociação para revenda entre a compra do exterior e a chegada da mercadoria no país, pois não haveria tempo hábil para tal operação. Podese afirmar que, nos casos em que a nota fiscal de saída foi emitida no mesmo dia, ou em dia muito próximo, da nota fiscal de entrada, a mercadoria já saiu do exterior com o real adquirente predeterminado. Nesses casos, provavelmente a carga importada já sairia do aeroporto diretamente para os estoques do real adquirente da carga. Destacase que houve casos em que a nota fiscal de saída foi emitida após a nota fiscal de entrada. Podese afirmar, da mesma forma, que a mercadoria já chegou ao Brasil com adquirente predeterminado; e, como no modal aéreo a saída do exterior ocorre no mesmo dia da chegada, o adquirente já era determinado desde a saída da mercadoria do exterior. Além da análise das notas fiscais apresentadas no quadro demonstrado, foram identificadas três notas em especial: as notas fiscais nºs 490, 492 e 493, que foram emitidas pela empresa Beretta & Francini para revenda de mercadorias retidas na Alfândega de Viracopos e em análise neste procedimento especial . A nota fiscal de entrada nº 489 foi emitida pela empresa Beretta & Francini no dia 29/01/2015 para caracterizar a entrada em seus estoques da mercadoria importada por meio da DI nº 15/01805667, composta de 7.465 dúzias de películas protetoras para proteção do display do celular. A nota fiscal de saída nº 490 foi emitida pela empresa Beretta & Francini para a empresa Vissotto Comércio Importação Exportação Ltda EPP, CNPJ 18.805.367/000148, contendo exatamente as mesmas mercadorias constantes na DI e na nota fiscal de entrada. Essa nota fiscal de saída, emitida no mesmo dia da emissão da nota fiscal de entrada, dia seguinte ao registro da DI, comprova a ocultação do real adquirente na DI nº 15/01805667. (...) A nota fiscal de entrada nº 494 foi emitida pela empresa Beretta & Francini no dia 29/01/2015 para caracterizar a entrada em seus estoques da mercadoria importada por meio da DI nº 15/01839294, composta de 10162 dúzias de capa protetora de plástico para celular e 450 dúzias de fones de ouvido. As notas fiscais de saída nºs 492 e 493 foram emitidas pela empresa Beretta & Francini para as empresas Vissotto Comércio, Importação e Exportação Ltda, CNPJ 18.805.367/0001 48, e Image Clear Informática Ltda, CNPJ 08.146.743/000186, contendo parte das mercadorias constantes na DI e na nota fiscal de entrada. Essas notas fiscais de saída, emitidas no mesmo dia do registro da DI e da emissão da nota fiscal de entrada, comprovam a ocultação de real adquirente na DI nº 15/01839294. (...) Fl. 218DF CARF MF 6 Importante frisar que as mercadorias encontramse retidas na Alfândega do Aeroporto de Viracopos em função da instauração deste procedimento especial de controle aduaneiro e, mesmo assim, já foram emitidas as notas fiscais de entrada e de saída de quase toda a mercadoria. Tornase óbvio concluir que não houve entrada nem saída dessas mercadorias nos estoques do importador e que, após liberação da mercadoria, elas seguiriam diretamente para os estoques dos reais adquirentes, já determinados, apesar de ocultos, desde a saída da mercadoria do exterior. (...) No caso das importações da Beretta & Francini em análise, a atividade da empresa, o conteúdo importado, a sua prática de venda e a revenda das mercadorias objetos deste procedimento, conduziram a Fiscalização pela conclusão da prática reiterada da ocultação do sujeito passivo, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros. (...) A formalização do processo nº 19482.720050/201554 deuse para aplicação da multa, prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/07 e regulamentada pelo art. 727 do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), de 10% do valor da operação, aplicável à pessoa jurídica que cedeu seu nome para a realização de operação de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. A multa foi aplicada à empresa Beretta & Francini Comércio de Importação e Exportação, que cedeu seu nome para a realização de operação de importação. Considerando que o valor da operação de importação resultou no total de US$ 44.739,7411 / R$ 115.459,47, a multa de 10% equivale a R$ 11.545,94. (...) A autuada apresentou sua impugnação, alegando, em síntese: afronta ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal; a impugnante não é empresa de fachada e possui plena capacidade financeira e origem lícita dos recursos empregados em suas operações; o fato de usar modal aéreo e ter agilidade em suas vendas bem como diversificar os produtos não quer dizer que cede nome a terceiros; o fisco extrapolou sua competência exigindo documento não previsto na legislação aduaneira para o desembaraço das mercadorias; há falta de motivação do ato administrativo que culminou na abertura do procedimento especial de fiscalização e por consequência torna nulo o auto de infração; o auto de infração é carente de provas e o próprio AFRFB alega de forma contraditória em fls 12 que a empresa possui capacidade financeira, contrariando a suposta ocorrência de interposição fraudulenta; a presunção legal transferiu para a impugnante o ônus probatório, invertendo de forma indevida e ilegal a sua responsabilidade; o Auto de Infração não é claro e preciso quanto à descrição dos fatos e capitulação legal da infração, ao contrário, a autoridade fiscal apenas presumiu que a impugnante importou mercadorias ocultando o real adquirente/comprador configurando supostamente, dano ao erário e, portanto, sujeito à pena de perdimento; assim, deve ser afastada a presente autuação realizada com base em presunções e subjetividades e, ao contrário, ser assegurada e respeitada a garantia constitucional da presunção de inocência da Impugnante com o reconhecimento da nulidade e insubsistência do auto de infração ora impugnado. não é razoável, nem proporcional, o ato impugnado, por violação do artigo 2º da Lei n.º 9.784/99, configurando também o ato atacado medida superior àquela estritamente necessária para atendimento do interesse público, havendo violação do inciso VI do parágrafo único do artigo 2º da Lei 9.784/99. o artigo 33 da Lei 11.488/2007 estabeleceu pena mais branda (multa) para a interposição fraudulenta de terceiros, sem ressalvar a possibilidade de aplicação concomitante de outras Fl. 219DF CARF MF Processo nº 19482.720050/201554 Acórdão n.º 3402004.267 S3C4T2 Fl. 217 7 penas já previstas em lei, de forma que não se justifica mais a decretação do perdimento do bem unicamente com base nesse fundamento. A decisão recorrida não acatou os argumentos da impugnante sob os seguintes fundamentos: Analisandose o presente processo, não se vislumbra a ocorrência de nenhuma das hipóteses de nulidades constantes do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Verificase que, no auto de infração, constam todos os elementos fáticos e jurídicos indispensáveis à perfeita descrição do fato e seu enquadramento legal, cuja subsunção será analisada quando do julgamento do mérito. Nos casos em que não existe ou é deficiente a prova direta préconstituída, é lícito à Fiscalização investigar a verdade material recorrendo a todos os elementos de prova necessários, inclusive àqueles constituídos por provas indiretas, isto é, por fatos indiciários, dos quais se procura extrair, com o auxílio de regras da experiência comum, da ciência ou da técnica, uma ilação quanto aos fatos indiciados. É inegável que não se trata de uma mera operação de uma empresa comercial normal dentro do mercado atacadista, daquelas que correm o risco de seus negócios, que mantém estoques, que tem capital de giro, que tem estrutura comercial, de recursos humanos, de venda, gastos com publicidade e com representação, dentre outros, específicos deste ramo. Para o presente caso, é evidente que a empresa BERETTA agiu como trading, ou seja, como mera intermediadora da operação de importação, o que não é ilegal, mas que deveria ter declarado todas as partes envolvidas na transação. É um dos indícios de ocultação das reais adquirentes das mercadorias a constatação de que inúmeras mercadorias foram vendidas com apenas um ou nenhum dia de diferença entre a nota fiscal de entrada e a nota fiscal de saída. Além do mais, em sua impugnação a interessada em momento algum contrapõe as questões relacionadas ao seu modus operandi relativo às vendas casadas. Também não justifica como é capaz de manter um estoque para mercadorias tão diversas e de relevante volume, com mais de 60 posições de classificação fiscal e muito menos explica como uma quantidade ínfima de funcionários conseguiriam dar conta da quantidade de mercadorias transacionadas. Tampouco esclarece como uma nota fiscal de saída pode ser emitida antes de uma nota fiscal de entrada, como no exemplo às folhas 30. Quanto à alegação de que a multa por cessão de nome não é razoável e é desproporcional à gravidade da infração, não cabe razão à interessada. Cumpre observar que no âmbito administrativo é obrigação dos servidores públicos aplicar a legislação na forma como está vigente, sendolhes defeso afastar norma por ilegalidade ou inconstitucionalidade sem que tenha havido anteriormente decretação formal por parte do Poder Judiciário e determinação de suspensão de execução da lei ou parte da lei, por parte do Senado Federal. A contribuinte acessou o teor dos documentos relacionados à decisão recorrida na data 02/06/2016, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72. Em 06/06/2016, a contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando, no que concerne à exigência da multa objeto do presente processo, o que se segue: Fl. 220DF CARF MF 8 DOS MOTIVOS DA REFORMA DA R. DECISÃO Veja que em verdadeira inversão do ônus probatório, e turma julgadora manteve a injusta e dura penalidade baseado apenas em meros indícios e presunções, em verdadeira afronta ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal. (...) A Recorrente tem plena capacidade financeira e origem lícita dos recursos empregados, fato este investigado pela RFB e inclusive comentado em fs. 12 do presente AI, com o seguinte comentário: (...) O fato de usar modal aéreo e ter agilidade em suas vendas bem como diversificar os produtos não quer dizer que cede nome a terceiros. (...) E não é só. Cumpre destacar a falta de MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO QUE CULMINOU NA ABERTURA DO PROCEDIMENTO ESPECIAL DE FISCALIZAÇÃO E POR CONSEQUENCIA TORNA NULO O AUTO DE INFRAÇÃO ORA GUERREADO. DA OFENSA ÀS GARANTIAS CONSTITUCIONAIS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Cumpre desde já salientar que no caso em análise a Administração Pública claramente descumpriu o primado constitucional do DEVIDO PROCESSO LEGAL, ao impor a penalidade do perdimento de suas mercadorias, sem o cumprimento das formalidades procedimentais intrínsecas ao Processo Administrativo Fiscal. (...) As garantias individuais elementares do processo fiscal devem ser observadas no âmbito de todas as esferas administrativas, pois representam verdadeira conditio sine qua non da validade constitucional do processo administrativo tributário brasileiro, justamente por encontrarem radicação constitucional no artigo 5º, incisos LII, LIV e LV da CF/88. No caso em tela, houve flagrante OFENSA ÀS GARANTIAS CONSTITUCIONAIS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Fiscal, que não ocorreu no presente caso tendo em vista que a RFB sem prova concreta aplicou pena confiscatória e ilegal, em afronta aos princípios e garantias supramencionados, equivocandose e alegando a absurda ocorrência de interposição fraudulenta. (...) DA FALTA DE PROVAS OBJETIVAS PARA CARACTERIZAÇÃO DO DANO AO ERÁRIO – PRESUNÇÃO NÃO É PROVA Cumpre ainda ressaltar, que o AI é carente de provas e o próprio AFRFB alega de forma contraditória em fls 12 que a empresa POSSUI CAPACIDADE FINANCEIRA, contrariando a suposta ocorrência de interposição fraudulenta. (...) Com efeito, no presente caso, o Auto de Infração em análise não é claro e preciso quanto à descrição dos fatos e capitulação Fl. 221DF CARF MF Processo nº 19482.720050/201554 Acórdão n.º 3402004.267 S3C4T2 Fl. 218 9 legal da infração. Ao contrário, a d. autoridade fiscal apenas presumiu que a impugnante importou mercadorias ocultando o real adquirente/comprador configurando supostamente, DANO AO ERÁRIO e, portanto, sujeito à pena de perdimento. Ora, as alegações são frágeis e a aplicação da pena é grave demais para tamanho equívoco e falta de provas. (...) Com efeito, não é possível impor uma pena sem que seja efetivamente comprovada pelo fisco a infração com a devida e precisa descrição dos fatos cometidos pelo infrator e a sua subsunção à norma de incidência tributária. Suspeita e presunção não são provas. Nem mesmo se pode supor que o simples indício autorize concluir pela máfé. A fiscalização competia, portanto, demonstrar e comprovar inequivocamente a infração cometida pelo impugnante e não comodamente com base em presunções, como descrito no próprio Auto de Infração impor a pena máxima. (...) Assim, deve ser reformando o r. acórdão que manteve a penalidade com base em presunções e subjetividades e, ao contrário, ser assegurada e respeitada a garantia constitucional da presunção de inocência da recorrente com o reconhecimento da nulidade e insubsistência do auto de infração ora guerreado. DA VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. (...) Por todo o exposto, não é razoável, nem proporcional, o ato impugnado, por violação do artigo 2º da Lei n.º 9.784/99, configurando também o ato atacado medida superior àquela estritamente necessária para atendimento do interesse público, há violação do inciso VI do parágrafo único do artigo 2º da Lei 9.784/99. (...) IMPRESTABILIDADE DO TRABALHO FISCAL. (...) Dessa forma, podemos concluir que a prova indiciária em matéria tributária, para que tenha valor suficiente para se inferir a ocorrência do fato gerador do tributo deve estar em consonância com outros elementos constantes do processo administrativo tributário, permitindose a defesa do contribuinte, que poderá ofertar como contraprova desde a demonstração da não ocorrência dos fatos descritos pelo fisco como indícios que embasaram a presunção discutida, bem como da inexatidão do raciocínio do fisco, até a demonstração de que os fatos elencados como indícios podem levar a conclusão diversa daquela apontada pelo contribuinte é falsa. No caso concreto, entretanto, restam inatendidos todos os requisitos acima mencionados, decorrendo daí a imputação de determinadas condutas a recorrente em ficção. (...) Fl. 222DF CARF MF 10 Diante de presunção legal, impõese à autoridade tributária comprovar a relação causal predisposta em lei O QUE NÃO HOUVE NO PRESENTE CASO. (...) DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS E PEDIDAS Por fim, ante os fatos e fundamentos acima mencionados foi provada de forma inequívoca que a Recorrente é empresa regularmente constituída e em plena atividade comercial (há certo tempo), realizando operações perfeitamente lícitas e regulares não pode ser "equiparada" a "inexistente de fato” e sem capacidade financeira. Assim, não há dúvidas que a pena indevidamente aplicada de perdimento convertida em multa em razão de suposta interposição fraudulenta, ofende aos princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade ante a aplicação de medida apropriada às empresas que funcionam no regime da ilicitude (ditas "de fachada", "fantasmas" ou, ainda, "meramente de fato"). Além disso, o art. 33 da Lei 11.488/2007 estabeleceu pena mais branda (multa) para a interposição fraudulenta de terceiros, sem ressalvar a possibilidade de aplicação concomitante de outras penas já previstas em lei. Assim sendo, não se justifica mais a decretação do perdimento do bem unicamente com base nesse fundamento. (AC 0015301 26.2008.4.01.3400/DF, Rel. Desembargadora Federal MARIA DO CARMO CARDOSO, OITAVA TURMA, eDJF1 p.1190 de 28/03/2014; REsp 1144751/DF, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe 15/03/2011). Ante o exposto, requerse seja acolhida o presente recurso para reconhecer a inexistência de Interposição Fraudulenta, anulando integralmente o Auto de Infração e a pena de perdimento aplicada, reconhecendo as nulidades por falta de motivação do ato administrativo que culminou na instauração do procedimento bem como todas as ilegalidades já destacadas no corpo do presente recurso em especial impossibilidade de aplicação da prova indiciária frágil, invertendo o ônus e imputando ao contribuinte o ônus de produzir prova negativa ou impossível (prova diabólica). (...) É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Tendo em vista que o presente processo limitase a exigência de multa pela cessão de nome para a realização de importação com vistas ao acobertamento de terceiros, não serão aqui debatidas as alegações do recurso voluntário relativas às preliminares e ao mérito do auto de infração para a propositura da aplicação da pena de perdimento às Fl. 223DF CARF MF Processo nº 19482.720050/201554 Acórdão n.º 3402004.267 S3C4T2 Fl. 219 11 mercadorias, objeto do processo nº 19482.720049/201520. Assim, não se conhece das alegações e dos pedidos da recorrente relativos à falta de motivação do auto de infração de perdimento e não caracterização de "falsa declaração de conteúdo", de contrafação ou de dano ao Erário. Entendeu a fiscalização que os indícios apurados convergem no sentido de que as importações registradas pela recorrente BERETTA & FRANCINI foram todas efetuadas no interesse de outras empresas (VISSOTTO Comércio Importação e Exportação Ltda, VALERIA de Sousa Duarte e IMAGE CLEAR Informática Ltda.), sem que tivesse sido informadas, nas Declarações de Importação, as identificações destas últimas na condição de encomendantes predeterminados ou de terceiros adquirentes de uma operação por conta e ordem, razão pela qual concluiu que a BERETTA & FRANCINI cedeu o seu nome para a realização de importações com acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, o que é punível com a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, que assim dispõe: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não se deve olvidar que há regramentos específicos para o importador realizar as duas modalidades de importações terceirizadas (por conta e ordem de terceiro ou por encomenda), de forma a deixar a operação e seus intervenientes transparentes à RFB no momento do despacho aduaneiro. A Instrução Normativa SRF nº 225/20021 e a Instrução Normativa SRF nº 634/20062, em seus arts. 2º e 3º, estabelecem os requisitos e as condições para a autuação do importador por conta e ordem de terceiros ou por encomenda. 1 Art. 2º A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI) pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. Art. 3º O importador, pessoa jurídica contratada, devidamente identificado na DI, deverá indicar, em campo próprio desse documento, o número de inscrição do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). § 1º O conhecimento de carga correspondente deverá estar consignado ou endossado ao importador, configurando o direito à realização do despacho aduaneiro e à retirada das mercadorias do recinto alfandegado. § 2º A fatura comercial deverá identificar o adquirente da mercadoria, refletindo a transação efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias. 2 Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: Fl. 224DF CARF MF 12 Em consonância com a doutrina e a jurisprudência administrativa, que considera plenamente aceitável o uso da prova indireta em direito tributário, a fiscalização apurou todo um quadro indiciário que, por presunção simples, conduz ao cometimento da infração. Nesse ponto deve ser esclarecido à recorrente que não se trata de uma presunção legal ("predisposta em lei"), mas de uma presunção simples, que é o resultado do processo lógico mediante o qual, da existência de um fato reconhecido como certo (provas indiciárias), inferese outro fato cuja existência é provável, no caso, a cessão de nome para terceiros realizarem as importações. Apurou a fiscalização o seguinte quadro indiciário que, em seu conjunto, conduz ao cometimento da infração: a) falta de capacidade operacional da empresa para atuar no ramo atacadista dos mais variados produtos que importa, em face das características físicas dos seus estabelecimentos e do baixo número de funcionários; b) objeto social no ramo de importação e exportação; c) clientes das mercadorias importadas definidos previamente às importações; e d) falta de habilitação para operar no comércio exterior dos seus clientes (adquirentes ou encomendantes). Os elementos indiciários apurados devem ser considerados conjuntamente e, mesmo que a existência de somente um deles pudesse não ser suficiente para a configuração da infração, o que importa é que o conjunto probatório, considerado como um todo, conduz à verificação da irregularidade tipificada no art. 33 da Lei n° 11.488/07. De outra parte, a recorrente, além de não responder às intimações no curso do procedimento fiscal, também não apresentou, na impugnação ou no recurso voluntário, qualquer elemento concreto que pudesse afastar o quadro indiciário convergente apurado pela fiscalização no sentido de que ela cedeu seu nome para acobertar as importações de terceiros. Dessa forma, pelo que se tem nos autos, não se pode deduzir que a contribuinte opera da forma convencional, que efetua a compra internacional e, após, busca clientes no mercado nacional para vendas pulverizadas, como bem esclareceu o julgador de primeira instância: (...) Ora, é inegável que não se trata de uma mera operação de uma empresa comercial normal dentro do mercado atacadista, daquelas que correm o risco de seus negócios, que mantém estoques, que tem capital de giro, que tem estrutura comercial, de recursos humanos, de venda, gastos com publicidade e com representação, dentre outros, específicos deste ramo. Para o presente caso, é evidente que a empresa BERETTA agiu como trading, ou seja, como mera intermediadora da operação de importação, o que não é ilegal, mas que deveria ter declarado todas as partes envolvidas na transação. E, ainda que o fisco, para esta autuação, tenha conseguido, após verificações e análises, chegar à identificação dos reais adquirentes das mercadorias, o que se leva em consideração, I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004. Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 19482.720050/201554 Acórdão n.º 3402004.267 S3C4T2 Fl. 220 13 para a caracterização desta infração, é que, no momento do registro da declaração de importação e do desembaraço, esta verdadeira interessada permaneceu oculta aos controles aduaneiros. (...) No presente caso, temos que as mercadorias contempladas na nota fiscal de entrada nº 489, emitida pela empresa BERETTA em 29/01/2015, são exatamente as mesmas constantes da DI nº 15/01805667, sendo que, nesta mesma data, foi dada a saída das mercadorias consubstanciada na nota fiscal de venda nº 490, para a empresa VISSOTTO. Já para a DI nº 15/01839294, ocorreu situação muito semelhante envolvendo a nota fiscal de entrada nº 494, sendo que a venda das mercadorias continha parte das mercadorias constantes nesta DI e a nota fiscal de entrada e as notas fiscais de saída foram emitidas para as empresas VALERIA e IMAGE CLEAR.. Assim, é um dos indícios de ocultação das reais adquirentes das mercadorias a constatação de que inúmeras mercadorias foram vendidas com apenas um ou nenhum dia de diferença entre a nota fiscal de entrada e a nota fiscal de saída. Além do mais, em sua impugnação a interessada em momento algum contrapõe as questões relacionadas ao seu modus operandi relativo às vendas casadas. Também não justifica como é capaz de manter um estoque para mercadorias tão diversas e de relevante volume, com mais de 60 posições de classificação fiscal e muito menos explica como uma quantidade ínfima de funcionários conseguiriam dar conta da quantidade de mercadorias transacionadas. Tampouco esclarece como uma nota fiscal de saída pode ser emitida antes de uma nota fiscal de entrada, como no exemplo às folhas 30. (...) Quanto à alegação da recorrente de que teria capacidade financeira para suportar das importações, é verdade que a fiscalização nada apurou sobre sua eventual incapacidade financeira para suportar as importações3, o que não afasta o quadro indiciário acima apontado. Embora a falta de recursos próprios para realizar as importações possam conduzir, conforme as circunstâncias, à conclusão de que as operações foram realizadas no interesse de outrem, pode acontecer, em tese, de a importadora ter recursos próprios para efetuar as importações, mas, ainda assim, as realize para outros, acobertandoos por qualquer 3 TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS (...) Conforme as DIMOFs (Declarações sobre Movimentação Financeira) de 2014, a Beretta & Francini movimentou R$ 734.203,49 em débitos e R$ 738.617,08 em créditos. Importante frisar que a análise dos valores declarados pela empresa pode, em princípio, indicar que a Beretta & Francini possui capacidade econômica para a realização das importações. Entretanto, os valores declarados e movimentados não são necessariamente da empresa, que, conforme todo contexto e histórico analisados neste procedimento especial, está atuando de forma interposta, promovendo os despachos de importação para terceiros ocultos nas transações. (...) Fl. 226DF CARF MF 14 outro motivo, situação que caracterizaria o cometimento da infração prevista no art. 33 da Lei n° 11.488/07. Aduz a recorrente que o art. 33 da Lei 11.488/2007 teria estabelecido pena mais branda (multa) para a interposição fraudulenta de terceiros, sem ressalvar a possibilidade de aplicação concomitante de outras penas já previstas em lei, de forma que não se justificaria mais a decretação do perdimento do bem unicamente com base nesse fundamento. No entanto, o art. 727, §3o do Regulamento Aduaneiro/2009 dispõe expressamente sobre a possibilidade de cumulação das duas penalidades: pena de perdimento das mercadorias e multa por cessão de nome, nos seguintes termos: Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). §1oA multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais)(Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). §2oEntendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. §3oA multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). Não se deve olvidar que, nos termos do art. 62, caput do Regimento Interno do CARF, é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar norma contida em decreto. Há também que se ter em conta que o legislador ordinário optou por inserir no ordenamento jurídico a multa prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007 justamente com intuito de penalizar concretamente a conduta irregular do importador ostensivo, que cedeu seu nome a outrem, eis que ele poderia restar sem punição na hipótese de aplicação da pena de perdimento às mercadorias, pois quem acabava antes suportando o efeito dessa penalidade era somente o importador oculto real adquirente da mercadoria no exterior, que seria efetivamente privado do seu uso e gozo. Com efeito, a segunda penalidade multa por cessão de nome foi criada pelo legislador para conviver com a primeira penalidade pena de perdimento das mercadorias, o que se confirma com a interpretação disposta no art. 727, §3o do Regulamento Aduaneiro/2009, de aplicação obrigatória pelos membros do CARF. Por fim, o argumento apresentado pela recorrente de que a multa lesaria os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, não poderiam também ser conhecidos no âmbito administrativo, pois significaria aferir a constitucionalidade de dispositivo de lei, o que é vedado a Administração Pública, por força do caput do art. 59 do Decreto no 7.574/2011. Assim, tendo em vista que as alegações da recorrente não são hábeis a afastar o quadro probatório levantado pela fiscalização convergente no sentido de que foram realizadas operações terceirizadas sem a informação dos reais beneficiários ou intervenientes, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 19482.720050/201554 Acórdão n.º 3402004.267 S3C4T2 Fl. 221 15 (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 228DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.902288/2011-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.807
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente COMERCIAL FAYAD LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 22 88 /2 01 1- 79 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10140.902288/201179 Acórdão n.º 3302003.807 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06052.238. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10140.902288/201179 Acórdão n.º 3302003.807 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10140.902288/201179 Acórdão n.º 3302003.807 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10140.902288/201179 Acórdão n.º 3302003.807 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10140.902288/201179 Acórdão n.º 3302003.807 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 97DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.722982/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por TELEFÔNICA BRASIL S/A, em face da decisão da DRJ/BHE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada para contestar despacho decisório que negou pedido de restituição de saldo negativo de CSLL, apurado no anocalendário de 2007, no valor de R$ 98.547,05. Por bem expor os fatos, reproduzo o relatório da autoridade julgadora a quo, adotandoo: ´”Tratase de Pedido de Restituição (PER) de Saldo Negativo de CSLL apurado no AC de 2007, no valor de R$ 98.547,05. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 22 98 2/ 20 13 -1 1 Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10880.722982/201311 Resolução nº 1301000.420 S1C3T1 Fl. 496 2 Despacho Decisório da DRF 2. A análise do documento protocolizado pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório nº 045684870, que apurou: 2.1 Que o crédito pleiteado pelo contribuinte já foi analisado pela DRF quando da apresentação da PER/DCOMP 39402.33383.280808.1.3.037570, e que daquela análise não foi reconhecido direito creditório suficiente para atendimento deste pedido. 2.2 Tendo em vista a constatação acima, a DRF indeferiu o pleito do contribuinte. 3. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 04/04/2013, conforme documento anexado à fl. 10. Irresignado, o contribuinte apresenta em 03/05/2013 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 13 a 21, de onde, em síntese, se extrai: Manifestação de Inconformidade 4 A contribuinte apresenta a manifestação de inconformidade e propugna pela suspensão da exigibilidade dos débitos compensados, nos termos do art. 151 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. 4.1 A requerente, revendo sua escrita fiscal/contábil, encontrou inconsistências na apuração dos créditos de CSLL pleiteados na DCOMP 39402.33383.280808.1.3.03 7570. Aduz que desta revisão, identificou a existência de créditos adicionais de CSLL no valor de R$ 98.547,05, não utilizado em DCOMP’s anteriores. Em função da decisão proferida em análise à DCOMP 39402.33383.280808.1.3.037570, a requerente ficou impedida de retificála. 4.1.1 Tendo em vista o esclarecimento acima, a requerente apresentou Pedido de Restituição em análise; posteriormente, utilizou o crédito pleiteado em nova DCOMP. 4.2 O Pedido de Restituição protocolizado foi indeferido, equivocadamente pela autoridade administrativa. O crédito em referência, apesar de originário do mesmo ano base, não tem relação com os créditos utilizados na DCOMP 39402.33383.280808.1.3.037570. 4.3 Resta evidente a NULIDADE do Despacho Decisório combatido, ante a inaplicabilidade do art. 41, § 3º, inciso X da IN 1.300, de 2012. O pleito do contribuinte foi indeferido por mera presunção, de modo que, o princípio do contraditório e a presunção de inocência até prova em contrário foram desprezados. No caso, caberia ao fisco munirse de provas necessárias à comprovação da negativa do direito pleiteado pela requerente. 4.4 A seguir, apresenta demonstrativo da utilização do Saldo Negativo de CSLL AC 2007, tecendo diversas considerações acerca das antecipações da contribuição que originaram o crédito adicional. 4.5 Protesta pela conversão do julgamento em diligência e pela juntada de novos documentos no intuito de comprovar a legitimidade do crédito pleiteado, além de pleitear a reunião deste feito ao tramitado em análise da DCOMP de nº 38826.65057.240113.1.3.032877. 4.6 Por fim, requer o conhecimento e acolhimento da Manifestação de Inconformidade apresentada com o reconhecimento integral do direito creditório. Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10880.722982/201311 Resolução nº 1301000.420 S1C3T1 Fl. 497 3 5. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide.” Decisão de primeira instância, às fls. 314/321, assim ementada: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO Somente podem ser restituídas pela RFB as quantias recolhidas a título de tributo sob sua administração, bem como outras receitas da União arrecadadas mediante DARF ou GPS na hipótese inequívoca de pagamento indevido ou em valor maior que o devido. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do PER/DCOMP o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido." Ciência da decisão recorrida no dia 01/07/2015, à fl. 325. Recurso a este Colegiado às fls. 311/327, com entrada na repartição de origem no dia 29/07/2015. Nessa oportunidade: 1) em caráter preliminar, sustenta nulidade do acórdão recorrido, ao argumento de que autoridade julgadora a quo descumpriu o dever de buscar a verdade real, limitandose a perspectivas processuais formalistas que a impediram de apreciar a documentação que juntara, o que acabou malferindo seu direito ao contraditório e à ampla defesa, vícios determinantes da anulação daquele julgado, a implicar remessa dos autos à DRJ com vistas à feitura de nova decisão, para a qual deverseá impor Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10880.722982/201311 Resolução nº 1301000.420 S1C3T1 Fl. 498 4 o exame da documentação precitada, sem o prejuízo de outras diligências que se mostrarem necessárias; 2) no mérito, esclarece que os créditos aqui em litígio abrangeram exclusivamente créditos adicionais de CSLL que não foram objeto da PER/DCOMP precedente (de nº 39402.33383.280808.1.3.03.7570); 3) entretanto, salienta que as autoridades fiscais indeferiram o pedido de restituição da PER/DCOMP ora em apreço, de n° 23107.94274.281212.1.2.030968, sob a presunção de que se tratava do mesmo crédito já analisado no Despacho Decisorio n° 912664276, sem observar a retificação da DIPJ de 2008 (anocalendário 2007) e, consequentemente, a regular existência e suficiência do crédito objeto do pedido em discussão (PER/DCOMP n° 23107.94274.281212.1.2.030968); 4) ainda no mesmo tema, esclarece que o montante total do crédito de CSLL verificado na revisão de sua escrita fiscal/contábil, que foi objeto de retificação da DIPJ de 2008 (anocalendário de 2007), se refere a pagamentos efetuados por órgãos públicos; 5) a fim de comprovar referidas retenções em sua integralidade, juntou planilha que indica o valor pago por cada fonte pagadora (todos órgãos públicos) e o correspondente destaque da CSLL, no montante total de 98.547,05 (doc. n° 11 da manifestação de inconformidade); 6) nesses termos, sublinha que fica fácil perceber, pelos documentos e informações disponíveis em seus registros contábeis, que o crédito total era mais do que suficiente para o deferimento do pedido de restituição n° 23107.94274.281212.1.2.030968; 7) caso se entenda que os documentos trazidos não são suficientes para comprovar o seu direito a crédito, o que se admite apenas para argumentar, protesta, de antemão, pela conversão do julgamento em diligência, a fim de que a Fiscalização confirme a retenção do tributo pelas fontes pagadoras, e que, ao final, seja deferido o pedido de restituição formulado no PER/DCOMP n° 23107.94274.281212.1.2.030968; 8) alfim, requer que se decrete a nulidade da decisão recorrida, determinandose, em seguida, o retorno do feito à primeira instância para a prolação de novo acórdão, para o qual deverseá considerar as provas Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10880.722982/201311 Resolução nº 1301000.420 S1C3T1 Fl. 499 5 documentais juntadas, complementandose a com a prova pericial, se for necessário; 9) não sendo este o entendimento da presente instância, que se reconheça integralmente o direito de crédito vindicado. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O presente recurso reúne os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Preliminarmente, a recorrente argui a nulidade do acórdão recorrido, ao argumento de que autoridade julgadora a quo descumpriu o dever de buscar a verdade real, porquanto limitouse a perspectivas processuais formalistas que a impediram de apreciar a documentação que juntara, o que acabou malferindo seu direito ao contraditório e à ampla defesa, vícios determinantes da anulação daquele julgado, a implicar remessa dos autos à DRJ com vistas à feitura de nova decisão, para a qual deverseá impor o exame da documentação precitada, sem o prejuízo de outras diligências que se mostrarem necessárias. Não vejo a nulidade arguida. Constato, isso sim, que a autoridade julgadora viu se impedida de examinar a documentação acostada pela recorrente, louvandose na tese de que todas as antecipações da CSLL não computadas no cálculo da CSLL devida, na apuração efetuada na declaração de ajuste do anocalendário de 2007, deveriam ser apresentadas quando da entrega da manifestação de inconformidade no processo nº processo nº 10880.902454/2011 73, aberto para o procedimento administrativo de compensação relativo à PER/DCOMP 39402.33383.280808.1.3.03.7570. Vale dizer que a autoridade julgadora a quo não conheceu o material fático trazido aos autos pela recorrente, em razão da solução dada a uma questão prévia de acordo com a qual o contribuinte precluiu do direito de requerer a restituição de parcela do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2007, quando, em ocasião anterior, postulou, pela via administrativa, o encontro de contas entre esse mesmo saldo negativo de CSLL e débitos tributários controlados em outros processos administrativos. Assim, independentemente da correção ou da incorreção da decisão tomada, o que se vê é adoção de uma sequência lógica que conteve o julgador na solução de questão preliminar ao conhecimento de questões de mérito. Em suma, de acordo com o raciocínio da instância a quo, a preclusão consumativa gerou efeitos obstativos ao exame do material fático reunido pela recorrente nestes autos. Também a recusa à realização de diligência, pela autoridade da DRJ, encontra suporte no mesmo motivo. Ultrapassada a questão preliminar, avançase ao mérito. Conforme expõe a recorrente, a autoridade fiscal indeferiu o pedido de restituição ora em apreço, da PER/DCOMP n° 23107.94274.281212.1.2.030968, sob a presunção de que se tratava do mesmo crédito já analisado no Despacho Decisório n° 912664276 (processo nº 10880.902454/201173), sem observar a retificação da DIPJ de 2008 (anocalendário 2007) e, consequentemente, a regular existência e suficiência do crédito objeto do pedido em discussão. A recorrente ainda diz que não tem o apoio dos fatos a afirmação de que a “matéria” atual (isto é, o direito creditório que se quer reconhecer no corpo destes autos) Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10880.722982/201311 Resolução nº 1301000.420 S1C3T1 Fl. 500 6 já fora apreciada em processo anterior, tendo em conta a entrega de DIPJ retificadora, inexistente ao tempo do processo anterior. Por sua vez, ressalta a DRJ que, no processo nº 10880.902454/201173, em que a recorrente utilizara “como moeda de crédito o Saldo Negativo de CSLL AC 2007”, constatouse um excedente de débitos, em relação aos créditos reconhecidos, na importância de R$ 480.140,97, valor superior ao pleiteado no pedido de restituição aqui em apreço. Assim, uma vez certificandose a insuficiência de créditos para fazer face àquele excedente de débitos, podia a recorrente manejar, na via administrativa, os instrumentos processuais adequados à defesa de seus interesses, os quais são fornecidos pelo desenho do processo administrativo fiscal, nos termos do § 111 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1997. Contudo, a despeito das possibilidades recursais oferecidas pela legislação processualadministrativa, a recorrente, naquele feito, insurgiuse intempestivamente perante a primeira instância, deixando transcorrer o prazo legal para apresentar seus argumentos de fato e de direito, na manifestação de inconformidade. Com isso, a decisão administrativa da DRF tornouse definitiva, conforme dispõe o artigo 212 do referido Decreto nº 70.235/1972. Coincidentemente, no presente processo, a recorrente volta a tratar do saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2007. No entanto, sustenta que o crédito aqui pretendido não está vinculado ao débito objeto da PER/DCOMP 3492.33383.280808.1.3.03 7570, apreciada no processo administrativo nº 10880.902454/201173, nem o valor do saldo credor agora postulado é igual ao que fora declarado anteriormente, na precitada PER/DCOMP 3492.33383.280808.1.3.037570, a teor das palavras da recorrente. Desse modo, não haveria espaço para se falar em identidade de demandas. Logo, o que é preciso considerar, no terreno dos fatos, é se os créditos que compõem o montante de R$ 98.547,05, constante da PER/DCOMP n° 23107.94274.281212.1.2.030968, são verdadeiros e, sendo afirmativa a resposta, se já foram levados ao encontro de contas com outros débitos ou restituídos. Obviamente, a recorrente não fará jus à restituição solicitada se, de alguma forma, aproveitou os créditos componentes do saldo credor de R$ 98.547,05, empregandoos no abatimento de outros débitos tributários ou recebendo o equivalente em pecúnia. Também não fará jus à devolução daquele crédito de R$ 98.547,05 se existir débito tributário pendente de pagamento, em consonância com o § 1º do artigo 7º do Decretolei nº 2.287/1986. À vista do exposto, proponho a descida dos autos à repartição de origem para que a autoridade fiscal realize as seguintes diligências: a) verificar se o crédito alegado pela recorrente, na PER/DCOMP 23107.94274.281212.1.2.030968, de R$ 98.547,05: a.1) tem o respaldo de documentação hábil e idônea já juntada aos autos e se está devidamente registrado na contabilidade; a.2) já foi, total ou parcialmente, objeto de compensação ou restituição; 1 Artigo 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 (com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003): " A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação". 2 Artigo 21 do Decreto nº 70.235/1972:." Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável." Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10880.722982/201311 Resolução nº 1301000.420 S1C3T1 Fl. 501 7 b) verificar se existem débitos tributários pendentes de pagamento, os quais deverão ser compensados com o eventual crédito que vier a ser apurado no presente feito, em obediência ao § 1º do artigo 7º do Decretolei nº 2.287/1986; c) apresentar relatório circunstanciado, referentes aos atos acima, bem como as conclusões devidamente fundamentadas, abrindose o prazo de trinta dias para ciência e manifestação da recorrente, na forma do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 501DF CARF MF
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Numero do processo: 10245.900267/2009-26
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte.
Numero da decisão: 9101-002.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. O conselheiro José Eduardo Dornelas Souza acompanhou o relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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DE SERV. LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. O conselheiro José Eduardo Dornelas Souza acompanhou o relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 90 02 67 /2 00 9- 26 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10245.900267/200926 Acórdão n.º 9101002.766 CSRFT1 Fl. 108 2 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase, na origem, de despacho de não homologação de compensação efetuada pelo contribuinte em epígrafe. Nos termos do despacho decisório, o pagamento do tributo considerado indevido ou maior foi totalmente utilizado para a quitação de débito do sujeito passivo, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Melhor explicando, em virtude da não retificação da DCTF relativa ao débito pago, não foi identificado valor pago a maior pelo Contribuinte, pois o DARF foi integralmente utilizado para quitação do débito declarado. Inconformado o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, dentre outros argumentos, que efetuou a retificação da DIPJ do período previamente, de modo que o pagamento a maior foi devidamente informado à Receita Federal. A Manifestação de Inconformidade foi julgada totalmente improcedente, sob o fundamento de que é condição necessária para que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a anterior. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF. No julgamento do Recurso a Turma a quo a ele deu provimento. Cientificada da decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência. A Autoridade competente pela análise de admissibilidade do Recurso, a ele deu seguimento. Regularmente intimado, o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10245.900267/200926 Acórdão n.º 9101002.766 CSRFT1 Fl. 109 3 Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator. Presentes os pressupostos de admissibilidade, não há reparos a serem feitos a análise previamente realizada. Como já mencionado a questão a ser aqui debatida resumese nos efeitos da retificação da DIPJ e não retificação da DCTF, para fins de caracterização do indébito ou pagamento a maior que ensejam o direito à restituição e/ou compensação de tributos. Via de regra, o sujeito passivo tem direito à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável (art. 165, I, CTN). Em âmbito Federal, a Lei 9.430/96 trata da restituição e compensação de tributos. Essa Lei nada dispõe acerca da necessidade de retificação das declarações, para fins de garantia do direito. Em âmbito normativo, apenas a Instrução Normativa SRF nº 166/99, trata da relação entre retificação de declaração (DIPJ especificamente) e o direito à restituição e compensação de tributos federais, ao dispor, em seu artigo 4º, que quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF, nos seguintes termos: Art. 1º A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] § 2º A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10245.900267/200926 Acórdão n.º 9101002.766 CSRFT1 Fl. 110 4 II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Penso que retificada a DIPJ e comprovado o pagamento, o despacho decisório que indeferir pedido de restituição ou não homologar compensação, deve ser motivado por motivos outros, que não a ausência de retificação da DCTF. Muito embora a DCTF tenha caráter de declaração constitutiva de débito, as informações ali constantes podem estar equivocadas e obstar o exercício de um direito, devidamente informado ao fisco por meio da retificação da DIPJ, ao argumento de que não houve a retificação daquela seria admitir que interpretações de regras infralegais sobreponham se às Leis. Mas, ad argumentandum tantum, ainda que isso fosse possível, diante da regra contida na IN 166/99 estanca qualquer dúvida acerca da viabilidade da retificação da DIPJ para fins de admitir a restituição e/ou compensação tributária. Nesse contexto, NEGO provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator Designado. Não obstante a didática e clara exposição do voto do i. Relator, apresento divergência quanto ao mérito. O caso trata de compensação pleiteada pela Contribuinte, em razão de pretenso pagamento a maior de tributo. O despacho eletrônico que apreciou o pedido de reconhecimento de direito creditório atestou que o pagamento do tributo efetuado estava integralmente vinculado a débito do mesmo tributo confessado em DCTF. Ou seja, o Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10245.900267/200926 Acórdão n.º 9101002.766 CSRFT1 Fl. 111 5 pagamento no valor "X" estava confessado na DCTF no qual constava o mesmo valor "X". Nesse sentido, entendeuse que não haveria crédito disponível para a compensação. Discutese se, em razão de retificação de declaração, alterando para menor ("X 1") o valor do tributo apurado, tal fato seria suficiente para demonstrar a ocorrência de pagamento a maior. São os fatos. Passo ao exame. Não obstante o envio de declaração retificadora, alterando o valor do tributo para um valor a menor, o que se mostra relevante é que tal alteração implica em uma revisão no valor do tributo confessado em DCTF. Ocorre que a DCTF tem efeito de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei n.º 2.124, de 1984, e Instruções Normativas da SRF e RFB que dispõem sobre a DCTF). Os débitos informados podem ser objeto de cobrança administrativa e, caso não liquidados, são enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Nesse contexto, eventual retificação dos valores antes nela informados, procedida pelo interessado ou de ofício devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte e de documentação apta a lastrear os registros contábeis. Ou seja, a mera apresentação de informações prestadas em DIPJ, por si só, não se mostra suficiente para comprovar a efetiva ocorrência de erro no preenchimento do valor do tributo confessado em DCTF. Ademais, cumpre esclarecer que no processo de reconhecimento de direito creditório o ônus da prova é da parte que alega ser detentora do crédito, qual seja, a Contribuinte. Assim, eventual retificação de declaração com efeito de confissão de dívida que tenha repercussão no crédito pleiteado deve estar acompanhada de documentação probatória, que inclusive poderia ter sido apresentada no decorrer da fase contenciosa, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 c/c os §§ 9º, 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse contexto, não tendo a defesa apresentada pelo sujeito passivo trazido conjunto probatório apto a lastrear a retificação da DCTF, necessário para deixar o julgador convicto de que efetivamente ocorreu o erro de preenchimento na declaração, devese reformar a decisão recorrida. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10245.900267/200926 Acórdão n.º 9101002.766 CSRFT1 Fl. 112 6 Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa. Não tendo sido apresentada no prazo regimental1, considerase não formulada a declaração de voto. Declaração de Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. Não tendo sido apresentada no prazo regimental2, considerase não formulada a declaração de voto. 1 RICARF, Anexo II: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. 2 RICARF, Anexo II: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.018796/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1996 a 31/10/2005
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. PEDIDO DE DESISTÊNCIA EXPRESSA. RENÚNCIA DISCUSSÃO ESFERA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS.
Nos termos do artigo 78, caput e § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, o contribuinte/recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em andamento naquele Órgão Julgador, conquanto que de maneira expressa mediante petição interposta nos autos do processo, importando na renúncia à discussão da demanda na via administrativa e, por conseguinte, no não conhecimento de sua peça recursal.
Numero da decisão: 2401-004.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos declaratórios, por ter o sujeito passivo aderido a parcelamento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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PEDIDO DE DESISTÊNCIA EXPRESSA. RENÚNCIA DISCUSSÃO ESFERA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Nos termos do artigo 78, caput e § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, o contribuinte/recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em andamento naquele Órgão Julgador, conquanto que de maneira expressa mediante petição interposta nos autos do processo, importando na renúncia à discussão da demanda na via administrativa e, por conseguinte, no não conhecimento de sua peça recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 87 96 /2 00 8- 19 Fl. 1334DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos declaratórios, por ter o sujeito passivo aderido a parcelamento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 15504.018796/200819 Acórdão n.º 2401004.892 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório COMPANHIA DE SEGUROS MINAS BRASIL., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, a autuação lavrada em face da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela de apuradas no período compreendido entre 01/2003 a 10/2006 foi apurado com base em folhas de pagamento e contabilidade e referese as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga a empregados e dirigentes no percentual de 2,5%, pois o sujeito passivo pleiteia em ação judicial a suspensão da exigibilidade do recolhimento do adicional previsto no §1° do artigo 22 da Lei 8.212/91. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2ª Seção de Julgamento do CARF, contra decisão de primeira instância, a egrégia 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, em 08/10/2014, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 2401003.730, com sua ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS ALÍQUOTA ADICIONAL DE 2,5% PAGAMENTOS INDIRETOS PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS ESTIPULAÇÃO NO ACORDO OU CONVENÇÃO DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DE REQUISITOS DESCRITOS NA LEI Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. A não impugnação expressa dos fatos geradores e dos descumprimentos dos requisitos da lei 10.101/2000 importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos descritos pela autoridade fiscal em seu relatório. Não se insurgiu o recorrente quanto ao descumprimento da não inclusão no acordo dos mecanismos de aferição, do requisito da periodicidade e da pactuação prévia. Não demonstrou o recorrente que os acordos e convenções coletivas estipulavam metas claras e objetivas que demonstrassem o preceito básico constitucional, integração entre capital e emprego. As Convenções Coletivas de trabalho, por si só, não servem para afastar a natureza salarial, quando escolhe a empresa fazer pagamentos pautados eu acordos diretos. Fl. 1336DF CARF MF 4 GRUPO ECONÔMICO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA EXPRESSA PREVISÃO NO ART. 30, IX DA LEI 8212/91 Nos termos do artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91 as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei quanto ao recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social. Importante destacar que em momento algum o recorrente questiona a existência do referido grupo, mas tão somente que isso não seria suficiente para a imputação da solidariedade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2006 DECADÊNCIA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS E RESULTADOS SÚMULA 99 DO CARF O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. De acordo com a Súmula CARF nº 99: “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Assim, existindo recolhimento de contribuições patronais, o dispositivo a ser aplicado é o art. 150, § 4°, do CTN, independente se não ocorrer recolhimento específico sobre a mesma rubrica. Recurso Voluntário Provido em Parte" Irresignada, a Contribuinte opôs Embargos de Declaração, à efls. 873/875, com fulcro nos artigos 64 e 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pugnando pela sua reforma em virtude das omissões a seguir exposta. a) Análise dos requisitos autorizadores do pagamento da PLR Registra que, ao lavrar o Auto de Infração, o Agente Fiscal consignou que o pagamento de Participação nos Lucros e Resultados está condicionado ao cumprimento de todos os requisitos impostos na Lei n° 10.101/00, o que, na hipótese subjacente, não teria ocorrido. Vejase: "Outra constatação relevante verificada através dos eventos comandados nas folhas de pagamento é que, para alguns trabalhadores, a empresa concedeu adiantamentos nos meses de janeiro, somando três parcelas no mesmo exercício, Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 15504.018796/200819 Acórdão n.º 2401004.892 S2C4T1 Fl. 4 5 desrespeitando a proibição de concessão da PLR em periodicidade superior a duas vezes no ano civil. [...] Sendo assim, os pagamentos efetuados pela empresa a seus empregados, a título de "Participação nos Resultados", face à ausência de comprovação de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente, da necessária participação da entidade sindical da categoria, bem como da falta de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, não se enquadram no previsto no art. 214, §9°, inciso X do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. " Observa que a autuação se estribou no fato de que os pagamentos de PLR realizados pela Embargante não estavam lastreados em títulos válidos de negociação coletiva, ante a existência de vícios em sua composição, e, desta feita, teriam sido descumpridos alguns dos critérios previstos na Lei 10.101/00 especificamente quanto a metas e resultados, a periodicidade do pagamento, a pacto prévio, a participação do sindicato e a mecanismos de aferição o que levou à descaracterização dos pagamentos efetuados. Argumenta que, tanto em sua impugnação quanto em seu Recurso Voluntário, a Embargante demonstrou que o Agente Fiscal não teve a devida cautela no exame da documentação que foi apresentada no curso da fiscalização, uma vez que essa documentação era suficiente à demonstração do adimplemento dos tais requisitos pela Embargante, ou seja, à comprovação da prévia negociação coletiva celebrada com o sindicato da categoria, estabelecendo como meta para o pagamento da PLR a obtenção de lucro pela companhia. Afirma que os supostos vícios (ausência de metas, periodicidade do pagamento, pacto prévio, participação do sindicato e falta de mecanismos de aferição) que levaram o Auditor Fiscal à descaracterizar a PLR, eram ilegais, pois não seria permitido ao legislador ordinário modificar a natureza dos valores pagos a esse título, a teor do que informa o art. 7º da Constituição Federal de 1988 (se o constituinte desvinculou da remuneração a participação nos lucros e resultados, não pode o legislador derivado fazêlo). Alega que além de impugnar a suposta inexistência de metas, a Embargante refutou, a partir de um argumento geral, as demais condições impostas pelo Auditor Fiscal como requisitos à caracterização da parcela paga como PLR, e esse argumento geral é a incompatibilidade da Lei nº 10.101/00, base da autuação fiscal, com o texto constitucional. Temse, assim, o seguinte contexto: a Impugnante se utilizou de um argumento específico para combater a imputação de inexistência de metas e resultados, e outro, de âmbito geral, suficiente para refutar os demais fundamentos da Fiscalização. Diz que, ao analisar o teor do Recurso Voluntário interposto pela Embargante, a Relatora houve por bem, no mérito, negarlhe provimento, ao fundamento de que não se teria comprovado a ilegalidade da autuação fiscal, asseverando que o recurso da Embargante teria se voltado exclusivamente contra a imputação da inexistência de metas e resultados em seus planos de PLR, não tendo impugnado, por conseguinte, as demais falhas apontadas pelo Fisco Federal. Assim, para o órgão julgador, como os demais requisitos legais necessários à caracterização da PLR (periodicidade do pagamento, pacto prévio, participação Fl. 1338DF CARF MF 6 do sindicato e mecanismos de aferição) não foram objeto de impugnação específica por parte da Embargante, o seu (des)cumprimento não poderia ser analisado pela Turma. Acrescenta que, a despeito da Embargante ter combatido a tributação da PLR como um todo (defendeu, com argumentação suficiente, que não poderia sofrer a incidência de contribuições), a autuação fiscal foi mantida, pois não se impugnou infração por infração. E é neste ponto que se encontra a omissão do referido julgado. Ressalta que no processo administrativo o que se objetiva é a verdade material. Assim, suposta não invocação pelo contribuinte de alguma questão inerente ao exame determinada hipótese de incidência tributária, não autoriza o agente fiscal a ignorar os fatos concretamente ocorridos e, via de conseqüência, validar a exigência fiscal. Diante do exposto, pede a Embargante o provimento dos presentes Aclaratórios, para que seja sanada a omissão acima demonstrada, de modo que se esclareça se os acordos coletivos questionados pela fiscalização cumpriram os requisitos da periodicidade do pagamento, da pactuação prévia, da participação do sindicato e se possuem mecanismos de aferição do cumprimento dos acordos, aferição esta que, a partir da documentação já juntada aos autos, pode ser realizada. b) PLR paga aos Diretores Estatutários Insurgese contra o Acórdão recorrido, por entender ter no recurso apresentado suscitou a ilegalidade da autuação da participação dos lucros e resultados creditada aos seus Diretores Estatutários, citando trechos do recurso. Afirma que essa imputação, apesar de contestada, não foi objeto de julgamento por esta turma, na medida em que o acórdão embargado não trouxe uma linha sequer sobre o tema. Por fim, pugna pelo recebimento e acolhimento dos presentes Embargos de Declaração, para que a Turma recorrida se pronuncie a respeito da omissão suscitada, e julgue a legislação da tributação da participação nos lucros e resultados destinada aos Diretores Estatutários da companhia, capaz de justificar a conclusão levada a efeito no resultado final do julgamento. Submetido à análise de admissibilidade, por parte do nobre Conselheiro André Luis Marsico Lombardi, este entendeu por bem acolher em parte o pleito da Contribuinte inscrito nos Embargos de Declaração, apenas o admitindo em relação ao "item b" (PLR paga aos Diretores Estatutários), conhecendo deste item, propondo inclusão em nova pauta de julgamento para sanear a omissão apontada, nos termos do Despacho de efls. 1241/1248. Distribuídos os presentes Embargos, ad hoc, a este Relator já com Despacho de acolhimento e determinação de inclusão em pauta, consoante Despacho encimado, assim o faço. É o relatório. Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 15504.018796/200819 Acórdão n.º 2401004.892 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Não obstante a sua tempestividade, o recurso não merece ser conhecido, pelas razões de fato e de direito que passamos a desenvolver. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, constatase que, após a interposição dos embargos, a contribuinte, em 19/05/2017, apresentou petição, às e fls. 1264, informando que o presente débito, fora incluído no Parcelamento contemplado pela Medida Provisória n° 766/2017, razão pela qual requereu a desistência da discussão administrativa. Assim, a contribuinte renunciou expressamente o interesse de agir na esfera administrativa e judicial, inclusive de recursos que porventura já tenham sido interpostos, tendo em vista a adesão ao parcelamento supramencionado, o qual exige a desistência de quaisquer manifestações e alegações de direito em relação ao processo em referência. Na esteira desse entendimento, manifestada em petição nos autos do processo a renúncia ao recurso interposto, não se pode cogitar no conhecimento dos recursos da contribuinte, conforme se extrai do artigo 78, § 2°, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, senão vejamos: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo.” (grifamos) Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE REJEITAR OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 1340DF CARF MF 8 Fl. 1341DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720179/2012-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.933
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBO COMÉRCIO DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 79 /2 01 2- 73 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11516.720179/201273 Acórdão n.º 3302003.933 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06047.580. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 254DF CARF MF Processo nº 11516.720179/201273 Acórdão n.º 3302003.933 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 11516.720179/201273 Acórdão n.º 3302003.933 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 256DF CARF MF Processo nº 11516.720179/201273 Acórdão n.º 3302003.933 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 257DF CARF MF Processo nº 11516.720179/201273 Acórdão n.º 3302003.933 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 258DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.907187/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2008
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.222
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2008 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 71 87 /2 01 2- 91 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10882.907187/201291 Acórdão n.º 3302004.222 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.824. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10882.907187/201291 Acórdão n.º 3302004.222 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10882.907187/201291 Acórdão n.º 3302004.222 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907187/201291 Acórdão n.º 3302004.222 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907187/201291 Acórdão n.º 3302004.222 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907187/201291 Acórdão n.º 3302004.222 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 52DF CARF MF
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