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Numero do processo: 10925.903989/2012-89
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 39 89 /2 01 2- 89 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 4.996,81, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 15/08/2002. Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos da Cofins e do PIS; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.903989/201289 Acórdão n.º 3803005.740 S3TE03 Fl. 73 3 Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O direito ä restituição de tributo pago de acordo com o valor confessado em DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro nesta confissão e de que referido pagamento é indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. CONTRIBUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O ICMS, devido por responsabilidade tributária própria, compõe o preço da mercadoria e integra a base de cálculo da contribuição, mesmo numa visão de faturamento estreita à receita de vendas de mercadorias e/ou serviços. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 12 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.903989/201289 Acórdão n.º 3803005.740 S3TE03 Fl. 74 5 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não Fl. 77DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.903989/201289 Acórdão n.º 3803005.740 S3TE03 Fl. 75 7 ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Ademais, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas, cujo ônus é seu. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 79DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 12466.003443/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 30/12/2004 a 24/08/2005
IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL.
Presume-se por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante recursos financeiros daquele.
LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE.
Nas operações de importação na modalidade por conta e ordem de terceiro, o contribuinte do Imposto de Importação é o importador, figurando o adquirente como responsável solidário. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.
DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA.
Considera-se dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente.
Recursos voluntários negados.
Numero da decisão: 3202-001.123
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO: OTOBAI VEÍCULOS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 30/12/2004 a 24/08/2005 IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Presumese por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante recursos financeiros daquele. LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Nas operações de importação na modalidade por conta e ordem de terceiro, o contribuinte do Imposto de Importação é o importador, figurando o adquirente como responsável solidário. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. Recursos voluntários negados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 34 43 /2 00 8- 20 Fl. 706DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003443/200820 Acórdão n.º 3202001.123 S3C2T2 Fl. 707 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de recursos voluntários contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, SC (DRJ/FNS), que julgou improcedente as impugnações, respectivamente, por CRISTAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. e OTOBAI VEÍCULOS E PEÇAS LTDA. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 304.526,00, referente a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no parágrafo 3° do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração, que a interessada promoveu diversas importações de mercadorias, declarando as operações como se fossem por conta própria, ou seja, figurava como importadora e adquirente das mercadorias importadas. O procedimento de fiscalização, com amparo na Instrução Normativa SRF n° 228/2002, concluiu que as operações eram, em verdade, realizadas por conta e ordem de terceiros, mediante a ocultação dos reais importadores, com o uso de recursos deles provenientes. Intimada a prestar esclarecimentos e apresentar documentos que comprovassem a regularidade das operações, a interessada não logrou êxito, apresentando contabilidade deficiente, de forma que a origem, disponibilidade e transferência licitas dos recursos não ficaram comprovadas. Ao contrário, os documentos analisados comprovaram que os recursos utilizados nas operações de importação tiveram como origem os reais adquirentes das mercadorias, ocultos, aos quais estas eram repassadas mediante simulação de venda. Ficaram caracterizados ainda a falta de capacidade financeira dos sócios da empresa, o subfaturamento de preços, a falsidade dos documentos instrutivos Fl. 707DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003443/200820 Acórdão n.º 3202001.123 S3C2T2 Fl. 708 3 dos despachos de importação, e, principalmente, a ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas, mediante interposição fraudulenta de terceiros. No caso em apreço, a real importadora, oculta nas operações de importação foi a empresa "Otobai Veículos e Peças Ltda" ("Otobai"), autuada na condição de sujeito passivo solidário (termo de folhas 03). A Otobai foi a real importadora nas operações amparadas pelas Declarações de Importação listadas às folhas 57/58. Dessa forma, foi proposta a pena de perdimento das mercadorias, como previsto no parágrafo 1' do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002, pela caracterização do disposto no inciso V do mesmo artigo Em razão de as mercadorias já haverem sido consumidas ou não localizadas, foi lavrado auto de infração para exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas, como previsto no • parágrafo 3° do mesmo artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, com redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. Regularmente cientificadas por via postal (AR às fls. 450 e 451), a Cristal Importação e Exportação Ltda apresentou a impugnação tempestiva de folhas 453 a 494, com os documentos de folhas 495 a 526 anexados, e a Otobai Veículos e Peças Ltda apresentou a impugnação tempestiva de folhas 528 a 540, com os documentos de folhas 541 a 579 anexados. Da manifestação da Cristal Importação e Exportação Ltda: A impugnante alega que "o Auto de Infração guerreado se funda totalmente em indícios e presunções, baseadas em conjecturas mirabolantes, destituídas de lógica e sem trazer prova capaz de sustentar quaisquer afirmações no mesmo contidas". Defende que "possui indiscutível capacidade financeira para realizar as operações de importação por conta própria, ao contrário do que quer fazer crer a fiscalização, • inexistindo, no caso em tela, qualquer tentativa de fraude ou simulação mediante a interposição fraudulenta de terceiros". Observa que os contratos de câmbio foram por ela liquidados, com recursos próprios, e que é a única a figurar em todos os documentos relativos às operações de importação, como Declarações de Importação, Licenças de Importação, faturas in voice, packing lists, etc. Alega que as mercadorias importadas foram por ela adquiridas, ato perfeitamente regular que não caracteriza a importação por conta e ordem de terceiros, conforme artigo 11 da Lei n° 11.281/2006 e Instrução Normativa SRF n°634/2006. Traça considerações sobre importação "por conta própria" e "por conta e ordem de terceiros" para defender que as importações que realizou não se caracterizam como "por conta e ordem de terceiros". Embasa sua defesa no Parecer PGFN/CAT n° 1.316, de 11/06/01 e no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 07, de 13/06/02, bem como nas Instruções Normativas SRF 225/02 e n°247/2002. Defende que, por outro lado, é a única responsável pelas importações, porque: as importações foram feitas em seu nome para posterior venda; as faturas (invoice) foram emitidas exclusivamente em seu nome; os contratos de câmbio foram por ela fumados e liquidados; os pagamentos dos impostos foram realizados com seus recursos; as Declarações de Importação foram por ela registradas, sendo que adquiriria a propriedade das mercadorias Fl. 708DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003443/200820 Acórdão n.º 3202001.123 S3C2T2 Fl. 709 4 nacionalizadas e assumiria todos os riscos fiscais, financeiros e comerciais das operações; depois de nacionalizadas as mercadorias passariam a fazer parte de seu estoque contábil e posteriormente seriam vendidas no mercado nacional com o pagamento dos tributos devidos. Alega que não se comprovou a ocultação do sujeito passivo/real adquirente das mercadorias e que "o recebimento de valores pela impugnante, após praticada a operação de importação por sua conta e risco, é decorrente do pagamento devido em razão de negócio jurídico mercantil de venda e compra das mercadorias, pactuado entre a Impugnante e seu cliente, operação esta devidamente acobertada por regular e idôneo documento fiscal." Discorda da afirmação de que haveria "quebra da cadeia de incidência do IPI", pois muitas das mercadorias importadas não sofrem tributação do IPI. Discorda de todas as alegações da fiscalização, em especial a de que houve fraude ou simulação e subfaturamento. Alega que os documentos apresentados, tais como, extratos bancários, limites de crédito junto a instituições financeiras, contratos de mútuo e empréstimos, credibilidade na rápida obtenção de seguros garantia, dentre outros, comprovam sua capacidade financeira. Defende que, se fosse o caso, e conforme julgados das DRJ, "eventual penalidade a ser aplicada ao importador ostensivo no caso de comprovação de cessão de nome — o que não se verifica no caso em tela! seria tão somente a aplicação de multa no valor de 10% (dez por cento) do valor da operação." Transcreve ementas de decisões administrativas. Defende a exclusão de sua responsabilidade em razão de ter atuado em conformidade com o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conform prevê o inciso lido artigo 610 do Regulamento Aduaneiro, e o disposto no ADI n°07/2002 e IN SRF n° 225/2002 e n° 247/2002, em relação à caracterização da importação por conta e ordem de terceiros. Requer seja julgado improcedente o auto de infração, cancelandose a penalidade proposta. Protesta pela concessão de prazo para a juntada ulterior de documentos. Da manifestação Otobai Veículos e Peças Ltda: Defende a impugnante que a fiscalização não instruiu os autos com contrato firmado entre a importadora e a adquirente, fato que nulifica o auto de infração por atentar contra o disposto no artigo 9° do Decreto n° 70.235/172. Alega que a fiscalização afirma expressamente que a Otobai não possui habilitação para operar no comércio exterior. Assim, por ausência de contrato e habilitação, a Otobai não pode ser enquadrada como adquirente ou encomendante, não havendo a simulação atribuída e sim, simples aquisição de produtos importados diretamente pela Cristal. Protesta contra as conclusões da fiscalização e, especificamente contra a inclusão da Declaração de Importação n° 04/13306881, realizada sem qualquer relacionamento com adiantamento ou contrato de câmbio, apenas utilizandose dos indícios e presunções relacionados às outras DI's. Discorda do argumento de que houve prejuízo aos cofres públicos em face da quebra da cadeia de incidência de IPI, defendendo ser inconstitucional a equiparação do importador a estabelecimento industrial, prevista no Decreto n°4.544/2002. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003443/200820 Acórdão n.º 3202001.123 S3C2T2 Fl. 710 5 Contesta sua responsabilização solidária sob os argumentos, em síntese, de que há ausência de previsão legal e de que os indícios/omissões/irregularidades são imputáveis unicamente à Cristal. Defende ser confiscatória a multa lançada. Alega que a própria fiscalização informa que à Otobai não foi repassado a totalidade das mercadorias importadas pela Cristal por meio das Declarações de Importação autuadas, apenas "grande parte". Defende, assim, que devem ser excluídos os excedentes, para fins de lançamento da multa. O valor a ser exigido não pode exceder a R$ 239.935,30. Requer o cancelamento total do auto de infração, ou ao menos sua exclusão do pólo passivo. Para argumentar, requer a exclusão da Dl n°048/13306881 e a redução da multa exigida. É o relatório. Em sua decisão, a DRJ/FNS houve por bem manter totalmente o lançamento, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 30/12/2004 a 24/08/2005 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, inclusive mediante interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor da mercadoria caso tenha sido entregue a consumo ou não seja localizada. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Presumese por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos financeiros daquele. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 04/01/2005 a 08/03/2006 INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, responde conjunta ou isoladamente pela infração. Inconformadas com tal decisão, ambas as Recorrentes apresentaram recurso voluntário reiterando suas alegações. Através da resolução 3202000.026 deste 2ª Turma foi requerida diligência para: a) sejam juntadas ao processo cópias completas das DIs nos 05/05609880 e 05/09041366, bem como dos seus documentos instrutivos; e b) sejam demonstrados com clareza os cálculos e/ou fornecidas as informações correspondentes sobre os valores das parcelas discriminadas na planilha de fls. 57/58 do Auto de Infração, como base de cálculo da multa Fl. 710DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003443/200820 Acórdão n.º 3202001.123 S3C2T2 Fl. 711 6 lançada relativa à DI no 05/09041366, de forma a explicar tais parcelas, visto que sua soma diverge do valor da DI e daquele indicado na planilha de fl. 33. Abaixo seguem as respostas referentes á diligência solicitada: Os extratos das Dis 05/05609880 e 05/09041366 foram juntadas ao presente Auto às fls. 364/ 367 e 342/348. Embora ambas as DIs tenham sido parametrizadas no canal verde de conferência aduaneira, conseguimos desarquivar os documentos instrutivos dos citados despachos (extrato da DI, Invoice, Packing list e BL), que anexamos ao presente processo, fls. 678 a 697. (...) Os valores descritos nas fls. 33 são resultantes da conversão do valor aduaneiro (CIF) em dólares americanos através da cotação da moeda estrangeira na data do registro da DI... É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Ambos os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento, passando a analisar os argumentos trazidos pelas Recorrentes. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO E IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA A partir do advento da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as importações por conta e ordem de terceiros passaram a sofrer sensíveis modificações para colher operações de importação com ocultação do real adquirente das mercadorias. Tais modificações foram implementadas, notadamente, pelos artigos 77 a 80 da referida MP: Art. 77. O parágrafo único do art. 32 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação: ‘Art. 32. ................................................... ................................................... Fl. 711DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003443/200820 Acórdão n.º 3202001.123 S3C2T2 Fl. 712 7 Parágrafo único. É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.’ (NR) Art. 78. O art. 95 do DecretoLei nº 37, de 1966, passa a vigorar acrescido do inciso V, com a seguinte redação: ‘V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.’ (NR) Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente.” Posteriormente, sobreveio a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, cujo artigo 27 erigiu presunção legal para tais operações: “art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001.” Notese que a partir da Lei nº 10.637/02, a presunção legal se aperfeiçoa com o mero emprego de recursos de terceiros. De posse do poder normativo que lhe foi conferido pelo artigo 80, I da MP nº 2.15835/01, a Secretaria da Receita Federal expediu a Instrução Normativa SRF nº 225, de 18 Fl. 712DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003443/200820 Acórdão n.º 3202001.123 S3C2T2 Fl. 713 8 de outubro de 2002, estabelecendo requisitos e características da importação por conta e ordem de terceiro: “Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. (...) Art. 3º O importador, pessoa jurídica contratada, devidamente identificado na DI, deverá indicar, em campo próprio desse documento, o número de inscrição do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). § 1º O conhecimento de carga correspondente deverá estar consignado ou endossado ao importador, configurando o direito à realização do despacho aduaneiro e à retirada das mercadorias do recinto alfandegado. § 2º A fatura comercial deverá identificar o adquirente da mercadoria, refletindo a transação efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias. Art. 4º Sujeitarseá à aplicação de pena de perdimento a mercadoria importada na hipótese de: I inserção de informação que não traduza a realidade da operação, seja no contrato de prestação de serviços apresentado para efeito de habilitação, seja nos documentos de instrução da DI de que trata o art. 3º (art. 105, inciso VI, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966); II ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros (art. 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002). (...) Fl. 713DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003443/200820 Acórdão n.º 3202001.123 S3C2T2 Fl. 714 9 Art. 5º A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Também a Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, disciplinou a importação por conta e ordem de terceiros, nos seguintes termos: “art. 12. Na hipótese de importação efetuada por pessoa jurídica importadora, por conta e ordem de terceiros, a receita bruta para efeito de incidência destas contribuições corresponde ao valor da receita bruta auferida com: I – os serviços prestados ao adquirente, na hipótese da pessoa jurídica importadora; e II – da receita auferida com a comercialização da mercadoria importada, na hipótese do adquirente. § 1° Para os efeitos deste artigo: I – entendese por importador por conta e ordem de terceiros a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial; II – entendese por adquirente a pessoa jurídica encomendante da mercadoria importada; III – a operação de comércio exterior realizada mediante a utilização de recursos de terceiros presumese por conta e ordem destes; e IV – o importador e o adquirente devem observar o disposto na Instrução Normativa SRF nº 225, de 18 de outubro de 2002.” Ressalvese que com isso, não se afirma que todo e qualquer trânsito de recursos de terceiros pelas contas da importadora implicarão em operações de importação por conta e ordem de terceiros. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003443/200820 Acórdão n.º 3202001.123 S3C2T2 Fl. 715 10 As presunções, como se sabe, cedem frente a prova que lhes infirme a causa que as originou. Todavia, para desafiar a presunção, é preciso que se demonstre que os valores que transitaram pelas contas da importadora não o foram custear as importações. Compulsandose os autos, vêse que a fiscalização logrou demonstrar ao menos duas evidências que indicam a ocultação do real importador: (i) a falta de capacidade econômica da Recorrente, demonstrada através do confronto entre as contas de patrimônio líquido e os gastos com importações (fls. 36 e seguintes) e (ii) a descrição dos pagamentos e fechamentos de câmbio constantes do auto de infração abaixo reproduzida (fls. 32 e 33): Assim, a OTOBAI efetuou depósitos (créditos via transferência bancária) nos dias 03/03/2005 e 29/04/2005 nos valores de R$ 50.527,00 (Documento 21001221) e R$ 176.464,28 (Documento 21001169) respectivamente, no Banco Rural, Agência 050, conta 06 0010495, de titularidade da CRISTAL. Nos mesmos dias, 03/03/2005 e 29/04/2005, foram liquidados contratos de câmbio Para pagamento de importação nos valores de R$ 50.335,22 e R$ 175.796,25, na mesma conta acima citada. A liquidação de R$ 50.335,22 referese ao Contrato de Cambio n° 05/004725, de 03/03/2005, referente a Di n2 05/09041366, de 23/08/2005 conforme a planilha " OPERAÇÕES EFETUADAS POR CONTA DA PRÓPRIA IMPORTADORA, COM CÂMBIO CONTRATADO PELA IMPORTADORA COM RECURSOS PRÓPRIOS 2005" e a "PLANILHA 2005 DÉBITOS", fornecidas pela CRISTAL. (...) A DI n2 05/09041366 deu entrada na CRISTAL através da Nota Fiscal de Entrada n° 2371 de 23/08/2005. Essas mercadorias, em sua maior parte (500 unidades de um total de 34d)00 unidades), foram vendidas à empresa "OTOBAI VEÍCULOS E PEÇAS LTDA, conforme Notas Fiscais de Venda de números: (3560, 3561, 3562), de 02/09/2005, e (3786, 3787 e 3788) de 10/10/2005, conforme a planilha acima citada. O pagamento de câmbio de R$ 175.796,25 referese ao Contrato de Câmbio n 05/009334, de 29/04/2005, referente a Di n2 05/05609880, de 31/05/2005, conforme "Planilha Débitos 2005", fornecida pela CRISTAL. (...) A Di n2 05/05609880 deu entrada na CRISTAL através da Nota Fiscal de Entrada n2 2280 de 31/05/2005. Esâas mercadorias, em grande parte, foram vendidas à empresa OTOBAI VEÍCULOS E PEÇAS LTDA, conforme Notas Fiscais de Venda de números: 3319, 3320 de 06/06/2005; 3383 de 07/07/2005 e 3429 de 02/08/2005, conforme a planilha acima citada Como pode se observar, a OTOBAI pagou integralmente o câmbio referente a DI n° 05/05609880. Esse câmbio foi pago pela OTOBAI em 03/03/2005, muito antes do início das vendas das respectivas mercadorias que data de 06/06/2005. Como já explicado acima, as mercadorias não foram em sua totalidade repassadas para a OTOBAI, fornecedora dos recursos para a importação, e verdadeira importadora das mercadorias da citada DI. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003443/200820 Acórdão n.º 3202001.123 S3C2T2 Fl. 716 11 O relacionamento entre a CRISTAL e a OTOBAI VEÍCULOS E PEÇAS LTDA é claro. Embora a CRISTAL registre as operações como sendo "próprias", é a OTOBAI que providencia o pagamento antecipado do câmbio, conforme já demonstrado acima, além de outras despesas, e recebe as mercadorias após nacionalizadas. Da mesma forma, a CRISTAL declarou como por conta própria e repassou integralmente para a OTOBAI as mercadorias nacionalizadas através da DI n 04/13306881. Concluise, por todo o exposto, que a CRISTAL praticou INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA, junto à OTOBAI VEÍCULOS E PEÇAS LTDA, nas operações acobertadas pelas DI's n 05/09041366, 05/05609880 e 04/13306881... Por outro lado, compulsandose os recursos voluntários manejados pelas Recorrentes, não se vê contraprova capaz de demonstrar que as movimentações supracitadas, especialmente as antecipações da OTOBAI em favor da CRISTAL, deramse em operações de importação por encomenda ou por outro motivo que as justificassem. Deixando as Recorrentes de provar que os recursos antecipados à CRISTAL por sua parceira não se destinavam a custear as operações de importação por ela promovidas como se fossem suas, e tendo a fiscalização satisfatoriamente demonstrado a coincidência entre datas e montantes das movimentações financeiras entre as empresas, dentre outras evidências, sendo da essência da importação por conta e ordem o emprego de recursos de terceiros para se promover tais operações, temse presente a hipótese capaz de fazer irromper a presunção de que trata o artigo 27 da Lei nº 10.637/02, mantendose hígida tal presunção, visto que não desafiada por contraprova capaz de infirmála. Portanto, sendo essas as premissas que pautaram o lançamento, sem razão as Recorrentes quando alegam que as operações por elas promovidas seriam de importação por encomenda, operação essa com contornos próprios e que não admite o emprego ou uso de recursos de terceiros do encomendante. Para que não paire dúvida sobre os critérios que separam a importação por conta e ordem da importação por encomenda, vejase o que determina o artigo 1º da Instrução Normativa SRF nº 634, de 24 de março de 2006: “art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente.” (g.n.) Fl. 716DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003443/200820 Acórdão n.º 3202001.123 S3C2T2 Fl. 717 12 Como se vê, há uma clara vedação ao emprego de recursos de terceiros na modalidade de importação que as Recorridas dizem ter promovido. Demonstrandose mediante prova documental que as movimentações entre as empresas indicam que recursos da adquirente foram empregados pela importadora para promover as operações, com ocultação da real importadora, não há falar em importação por encomenda, pois a uma, a operação de importação por encomenda não se confunde com a importação por conta e ordem, e a duas, ao tempo em que ocorreram os fatos geradores, já existia a presunção do artigo 27 da Lei nº 10.627/02 e, como se buscou demonstrar, não lograram as Recorrentes infirmar a presunção mediante contraprova. Dessa forma, entendo que as transações entre as empresas não tem força suficiente para afastar a presunção legal de que a operação em exame é de importação por conta e ordem de terceiros. DA OCULTAÇÃO DO REAL IMPORTADOR. Como já mencionado no item anterior, o art. 27 da Lei nº 10.637/02 erigiu presunção legal sobre as operações de comércio exterior que tenham seus custos arcados por terceiros. Assim, realizandose operação de comércio exterior mediante a utilização de recursos de terceiros – o que, aliás, ficou demonstrado nos autos –, presumese por conta e ordem do adquirente. Tendo em vista que as Recorrentes desafia a presunção de que operação em pauta deuse por conta e ordem de terceiros, fazse necessário tecer alguns comentários acerca das presunções. Segundo a doutrina, existem duas modalidades de presunção, a simples e a legal. A primeira é fruto da análise e interpretação dos fatos feitas pelo aplicador do direito, tendo caráter bastante subjetivo. Já a segunda tem origem legislativa, na medida em que é imposta por Lei. Essa última também se subdivide em duas categorias: (i) relativa; e (ii) absoluta. A diferença entre a presunção simples e a legal se encontra no ônus da prova. Em relação à simples, quem alega tem o dever de comprovar sua tese, ainda que por meio de prova indireta. Já para presunção legal, se for relativa, invertese o ônus da prova, cabendo ao acusado demonstrar que os fatos por ele praticados não se enquadrariam na hipótese a qual a lei atribuiu a presunção; mas se for absoluta, não cabe prova em contrário. Quando a este instituto, cabe extrair trecho de um artigo de Maurício Barros e Nelson Albino Neto: “Dentre as presunções legais, há, ainda, a divisão entre as relativas (iuris tantum) e as absolutas (iuris et de iure), assim classificadas conforme a admissibilidade, ou não, de prova em contrário, respectivamente. Para LUÍS Fl. 717DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003443/200820 Acórdão n.º 3202001.123 S3C2T2 Fl. 718 13 EDUARDO SCHOUERI, ‘a presunção relativa nada mais faz, em princípio, do que dispor sobre o ônus da prova: reza que, em determinados casos, uma circunstância que, em si, dependeria de prova, dispensa comprovação; tal circunstância é tida por verdade, até que se consiga demonstrar o contrário.’ Já as ‘presunções absolutas’ correspondem às disposições legais que qualificam determinados fatos como verdadeiros, independentemente da produção de prova em contrário (vedadas).’ – SANTI, Eurico Marcos Diniz de; ZILVETI, Fernando Aurelio; MOSQUEIRA, Roberto Quiroga (coord.). A Prova no Processo Administrativo Federal – Simulação, Presunções e a Visão dos Conselhos de Contribuintes in Tributação de Empresas – Curso de Especialização, São Paulo: Quartier Latin, 2006, p. 411412. No presente caso, estamos diante de uma hipótese de presunção legal relativa. Para desafiála, as Recorrentes deveriam ter trazido sólidos elementos para comprovar que os negócios firmados com a empresa OTOBAI tinham contornos de uma importação em nome próprio, seguida de operação de compra e venda. Contudo, da análise dos documentos acostados aos autos, notase que não há prova de que tal tenha ocorrido. Em situações como a que se apresenta, como se buscou demonstrar no item precedente, fazse indispensável a apresentação de prova contundente de que se trata de importação por conta própria, a ponto de desfigurar a presunção legal instituída pelo art. 27 da Lei nº 10.637/02. Restando claro que a presunção legal prevalece no caso em tela, cumpre também lembrar que as formalizações de obrigações acessórias devem refletir a efetiva operação levada a cabo pelo contribuinte. Nesse sentido, dispõe a IN nº 225/02 que, nas importações por conta e ordem de terceiro, os dados do real adquirente devem ser mencionados na declaração de importação, assim como o contrato firmado entre as partes deve ser apresentado à autoridade aduaneira para fiscalização. Se assim não for feito, por fraude, simulação ou interposição fraudulenta de terceiros, as partes envolvidas devem responder solidariamente pela infração, estando sujeitas à pena de perdimento, conforme estabelece o art. 23, V do DecretoLei nº 1.455/76. Cabe ressaltar que tal dispositivo condicionou intencionalmente a aplicação desta penalidade somente aos casos em que reste evidenciado o intuito de fraude ou simulação de operações comerciais. Isso porque a finalidade almejada não é penalizar o contribuinte que, por descuido ou mero erro, deixou de cumprir corretamente com suas obrigações acessórias, Fl. 718DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003443/200820 Acórdão n.º 3202001.123 S3C2T2 Fl. 719 14 mas, sim, evitar que eventos mais danosos ocorram em decorrência da omissão dolosa do real adquirente das mercadorias importadas. Com isso em mente, para esclarecer o presente conflito, é pertinente abordar o conceito e a caracterização do instituto da simulação. Segundo Pontes de Miranda, “quem simula aparenta, faz verse, ouvirse, ou sentirse, o que não se vê, não se ouve e não se sente. Quer se tenha por existente o que não existe. [...] Põese, em vez do que é verdadeiro, o que se parece com o verdadeiro e não o é. Quem dissimula encobre o verdadeiro.” – (Tratado das Ações, Tomo II, São Paulo: Revista dos Tribunais, 1971, p. 273). Como o Direito Tributário valese de conceitos de outros ramos do Direito, como, de resto, reconhece o art. 109 do CTN, a fim de se determinar o alcance de expressões por ele empregadas, vale visitar definições já consagradas em outros domínios jurídicos. Desta forma, ao analisarmos o art. 167, § 1º do Código Civil, notase que: "Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. § 2º Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado." Tendo em vista que a operação praticada entre a contribuinte e responsável solidária se revestiu da forma de uma importação em nome próprio, seguida da venda de mercadorias, quando, na verdade, observandose o conjunto de normas que disciplinam as operações de importação por conta e ordem de terceiros já explicitadas, deveria ter se formalizado como tal, houve evidente simulação na forma do inciso I do artigo supracitado. Por ter restado comprovado que a Recorrente suportou os custos da operação, antecipando recursos à sua parceira com o propósito de promover o despacho aduaneiro de mercadoria importada, restou caracterizada, portanto, a presunção legal do art. 27 da Lei nº 10.637/02, assim, formalizandose em nome de terceiros as obrigações acessórias, em especial, a declaração de importação, como se a empresa CRISTAL fosse a importadora das mercadorias, não há como desfigurar a simulação. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003443/200820 Acórdão n.º 3202001.123 S3C2T2 Fl. 720 15 Nesse sentido, encontramse julgados desse Conselho: “Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 10/10/2003 a 09/02/2004 Ementa: IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DAS MERCADORIAS. CARACTERIZAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS. Nos termos da legislação de regência, considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo da obrigação tributária, em operações de importação (realizadas por conta e ordem de terceiros), infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou houverem sido consumidas.” PAF 10909.001837/200438, 2ª Câmara, 3º CC, Dj 08.11.2006. Cabe, ademais, dar destaque ao acórdão nº 310200.588 deste Conselho, datado de 04 de fevereiro de 2010, de relatoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que distinguiu a interposição fraudulenta em: importação sem comprovação da origem dos recursos próprios e importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão de nome). Transcrevo, a seguir, trechos do voto vencedor que elucidam referida distinção: “Da interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios. A nãocomprovação da origem, disponibilidade ou transferência lícita dos recursos próprios empregados na operação de importação, bem assim a condição de real adquirente da mercadoria, é causa, simultânea, da presunção da conduta ilícita da interposição fraudulenta e da inidoneidade da pessoa jurídica na operação de importação. No primeiro caso, a nãocomprovação dos recursos próprios é fato presuntivo causador do fato presumido da interposição fraudulenta nas operações de comércio, que se caracteriza pela ocultação do "sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação", nos termos do §.2° do artigo 23 do Decretolei n 2 1.455, de 1976... No segundo caso, o fato presuntivo da nãocomprovação dos recursos próprios é causador da conduta inidôneo da pessoa jurídica, caracterizada pela sua inexistência de fato como importadora, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação, conforme estabelecido no § 1° do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1.996. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003443/200820 Acórdão n.º 3202001.123 S3C2T2 Fl. 721 16 Dessa forma, inferese que, embora o fatobase seja o mesmo (a não comprovação dos recursos próprios), as condutas descritas como infração são distintas. Num caso, o referido fato se constitui em prova indireta da conduta infracional, consistente na ocultação do sujeito passivo, real comprador ou responsável pela importação. No outro, ele é prova indireta da inidoneidade da pessoa jurídica importadora (ela inexiste de fato como importadora). No caso, como as referidas infrações não são idênticas, não há que se falar em hipótese de bis in idem, que consiste na incidência de dupla penalização de uma mesma conduta ilícita ou de dupla valoração de circunstância gravosa na determinação da sanção. Logo, é juridicamente plausível a cominação a cada uma delas (infrações) de penalidades diferentes, a saber: (i) a pena de perdimento da mercadoria e (ii) a sanção de inaptidão de inscrição no CNPJ... Com efeito, em consonância com o estabelecido nos transcritos preceitos legais, a conduta da interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior é sancionada com a pena de perdimento da mercadoria, por dano ao erário (art. 23, § 1°, do Decretolei n° 1.455, de 1976), ao passo que a conduta da inidoneidade da importadora (ou por inexistência de fato como importadora) é sancionada com a inaptidão da inscrição no CNPJ (art. 81, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996), sanção administrativa de natureza não patrimonial de caráter interventivo, segundo alguns doutrinadores, ou suspensiva ou privativa de atividade, segundo outros. Na primeira hipótese, a pena imposta visa ressarcir o erário e castigar o infrator pela conduta ilícita caracterizada por dano ao erário. Já a segunda sanção visa punir a fraude na operação de importação, mediante o uso abusivo da personalidade jurídica, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação. Ressalto ainda que, para fins da legislação aduaneira, é irrelevante se a empresa existe de fato ou não nos termos da legislação societária. Em outros termos, se é empresa é de "fachada" ou não. Para o direito aduaneiro, é possível a empresa existir de fato, ter pessoal, instalações, atividade operacional etc., e ser considerada inexistente de fato para fins aduaneiros, desde que ela atue na área de comércio exterior ilicitamente, como interposta pessoa, e cometa a infração descrita no comando legal suprareferenciado. Da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros. A interposição ilícita na operação de importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome) caracterizase pela comprovação da transferência dos recursos financeiros do caixa ou conta bancária do Fl. 721DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003443/200820 Acórdão n.º 3202001.123 S3C2T2 Fl. 722 17 verdadeiro adquirente da mercadoria, para o caixa ou conta bancária da interposta pessoa (o importador ostensivo). Nesta modalidade de interposição fraudulenta, o importador apenas cede o nome, porém, os recursos empregados no pagamento da operação de importação são integral ou parcialmente fornecidos pelo adquirente ou real importador. No que tange a esta modalidade de interposição ilícita, a legislação aduaneira prevê duas hipóteses de presunção da operação de importação por conta e ordem de terceiro. Uma, prevista no art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002 (i), e a outra, no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006 (ii), conforme se infere a partir do teor dos referidos dispositivos... Examinado o teor dos transcritos comandos legais, concluo que, por presunção, duas são as hipóteses de interposição ilícita, caracterizada como sendo importação por conta e ordem de terceiro (ilícita), a saber: a) a realizada mediante utilização de recursos de terceiro, sem o cumprimento das exigências legais estabelecidas para o tipo de importação por conta e ordem de terceiro (artigo 27 da Lei n2 10.637, de 2002); e b) a realizada mediante utilização de recursos próprios, sem o cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos para a importação por encomenda (§ 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006). Por força desta presunção, embora os recursos utilizados na importação sejam do próprio importador, como a mercadoria importada será destinada a um comprador predeterminado (o encomendante), a operação será equiparada a importação por conta e ordem de terceiro (ilícita). ... Da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome): penalidades aplicáveis. Até 15 de junho de 2007, data em que entrou em vigor o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, da mesma forma que ocorria com a denominada interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios, a conduta ilícita consistente na ocultação dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior, mediante mera cessão do nome, aqui denominada (no caso da operação de importação) de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros, o importador (ostensivo) era sancionado com as seguintes penalidades: a) a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1°, combinado com o disposto no inciso V, c/c § 2°, do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, ou sua sucedânea, se configurada a hipótese de conversão em penalidade pecuniária de que trata o § 3° do citado art. 23 (norma geral de interposição fraudulenta no comércio exterior); e b) a sanção administrativa de inaptidão da inscrição no CNPJ, nos termos do § 1° do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei n° Fl. 722DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003443/200820 Acórdão n.º 3202001.123 S3C2T2 Fl. 723 18 10.637, de 2002 (norma especial da inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ). Por sua vez, o real beneficiário da operação (o importador oculto), continua sendo sancionado apenas com a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1°, combinado com o disposto no inciso V e § 2° do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, ou multa sucedânea, se configurada a hipótese de conversão em penalidade pecuniária estabelecida no § 3° do citado art. 23. Em relação ao importador (ostensivo), a partir da vigência do referido preceito legal (norma especial de interposição fraudulenta), a prática da conduta da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome) passou a ser sancionada, exclusivamente, pela multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). No que tange ao real beneficiário da operação (o importador oculto), alteração alguma houve, seja na definição da infração ou da fixação da penalidade. Tratase, no caso da infração e penalidade definidas no caput do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, de penalidade pecuniária especificamente estabelecida para o importador que descumpriu as exigências legais determinadas para a importação por conta e ordem de terceiro ou a importação por encomenda, conforme acima explanado. No meu entendimento, duas circunstâncias corroboram para a conclusão aqui apresentada: a) a primeira: a menção expressa no parágrafo único do art. 33 de que a "hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Em outros tempos, por expressa determinação legal, a conduta do importador de apenas ceder o nome, com o objetivo de ocultar do conhecimento das autoridades aduaneiras os reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação (que corresponde ao sujeito passivo, real comprador ou responsável pela operação de importação), foi excepcionada da hipótese da infração e respectiva penalidade por inidoneidade na condição de importador, motivadora da sanção de inabilitação de sua inscrição no CPNJ; e b) a segunda: a vedação expressa, contida nos arts. 99 e 100 do Decretolei n° 37, de 1966, de cominação de mais uma penalidade para infração idêntica cometida pela mesma pessoa, ou seja, a vedação da incidência de bis in idem na fixação da sanção por infração à legislação aduaneira. Cabe esclarecer que o art. 33 da Lei n° 11.488, "de 2007, sancionou com a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação, apenas a conduta do importador (ostensivo), na hipótese de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros. A contrario sensu, continua sendo sancionada com a pena de perdimento por Fl. 723DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003443/200820 Acórdão n.º 3202001.123 S3C2T2 Fl. 724 19 dano ao erário, prevista no § 1° do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, ou, conforme o caso, com a penalidade pecuniária sucedânea, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, fixada no § 3° do citado artigo, as seguintes condutas: a) do importador (ostensivo), na hipótese de interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios (inciso V, c/c § 2°, do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976); e b) do real importador, na hipótese de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome), consubstanciada nas operações de importação por conta e ordem de terceiro ou a importação por encomenda, realizadas sem o cumprimento das exigências legais (inciso V e § 2°, do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, combinado com disposto no art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002 e no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006). Em outros termos, a pena de perdimento será sempre aplicada, ou ao importador ou aos reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação, conforme o caso. (...) Em suma, com base no que foi exposto, fica demonstrado que: a) a multa de que trata o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, aplicase apenas ao importador (ostensivo) e somente na hipótese de interposição fraudulenta mediante cessão do nome. Tratase, portanto, de forma especial de interposição fraudulenta; b) a pena de perdimento ou, se for o caso, a multa sucedânea, prescrita para a interposição fraudulenta especial ou mediante cessão do nome, aplicase apenas ao real importador (o importador oculto), por força da vedação da cominação de mais uma penalidade para idêntica infração (princípio do non bis in idem em matéria de infração à legislação aduaneira); e c) a pena de perdimento prescrita para a interposição fraudulenta sem comprovação da origem dos recursos próprios, por impossibilidade lógica, será aplicada somente ao importador (ostensivo). Cabe enfatizar que o entendimento aqui esposado confere sentido e alcance normativo ao disposto no art. 33 em comento, compatível com as normas gerais do direito aduaneiro que disciplina a matéria (arts. 99 e 100 do Decretolei n° 37, de 1966) e em consonância com o disposto no inciso V do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, combinado com o § 3° do art. 727 do RA/2009.” (grifouse) DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A OTOBAI não se conforma com sua qualificação como responsável solidária observando que a empresa CRISTAL teve relação com demais empresas. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003443/200820 Acórdão n.º 3202001.123 S3C2T2 Fl. 725 20 Ocorre que conforme determina o art. 78 da MP nº 2.15835/01 (que incluiu o inciso V no artigo 95 do Decretolei nº 37/66), o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, responde solidariamente pelas infrações. Nesse sentido, vale lembrar que esse Conselho já afirmou que: “RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. Responde pelas infrações, conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.” – PAF 10909.001837/200438, 2ª Câmara, 3º CC, Dj 08.11.2006. No caso, a operação da OTOBAI com a CRISTAL é facilmente enquadrada na definição de responsabilidade acima citada, desta forma é correta a autuação da empresa solidária. Sendo assim, não há que se falar em ilegitimidade passiva da OTOBAI ou mesmo em ilegalidade da instrução normativa, já que ela preenche os requisitos para qualificar se como responsável solidária, bem assim existe Lei que ampara a inclusão do responsável solidário no polo passivo, vindo a instrução normativa apenas disciplinála. Dessa forma, diante de todo o exposto, NEGO PROVIMENTO aos recursos voluntários, mantendo a decisão proferida pela DRJ/FNS por seus próprios fundamentos. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 725DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10280.722278/2009-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
COFINS NÃO-CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. ART. 3º, II, DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. DEMONSTRAÇÃO.
O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não-cumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte. A falta desta demonstração impede o reconhecimento do direito de crédito.
INDÚSTRIA DE ALUMINA. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO NA PRODUÇÃO.
Em relação à atividade industrial de produção de alumina, deve ser reconhecido o direito de crédito pela aquisição de óleo combustível BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão, bem como de transporte de remoção de rejeitos e resíduos, por se tratarem de bens e serviços aplicados na produção.
MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E OUTROS BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E EDIFICAÇÕES. ART. 3º, VI e VII, e § 1º, III, DA LEI 10.833/2003.
Nada obstante se esteja tratando de situações previstas pela Lei como hipóteses de creditamento, trata-se de hipóteses em que a Lei não permite o creditamento pelo valor da aquisição, mas na proporção dos encargos de depreciação e amortização.
ATIVO IMOBILIZADO. FALTA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA DOS BENS ENVOLVIDOS. DEPRECIAÇÃO ACELERADA PREVISTA NA LEI 11.196/2005. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO.
Para a fruição da depreciação acelerada prevista na Lei nº 11.196/2005 é necessário demonstrar o atendimento de seus requisitos.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3403-002.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito em relação às aquisições de óleo combustível BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão, e pelo pagamento do serviço de remoção de resíduos. Sustentou pela recorrente o Dr. Victor André Teixeira Lima. OAB/PA nº 9.664.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COFINS NÃO-CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. ART. 3º, II, DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. DEMONSTRAÇÃO. O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não-cumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte. A falta desta demonstração impede o reconhecimento do direito de crédito. INDÚSTRIA DE ALUMINA. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO NA PRODUÇÃO. Em relação à atividade industrial de produção de alumina, deve ser reconhecido o direito de crédito pela aquisição de óleo combustível BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão, bem como de transporte de remoção de rejeitos e resíduos, por se tratarem de bens e serviços aplicados na produção. MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E OUTROS BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E EDIFICAÇÕES. ART. 3º, VI e VII, e § 1º, III, DA LEI 10.833/2003. Nada obstante se esteja tratando de situações previstas pela Lei como hipóteses de creditamento, trata-se de hipóteses em que a Lei não permite o creditamento pelo valor da aquisição, mas na proporção dos encargos de depreciação e amortização. ATIVO IMOBILIZADO. FALTA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA DOS BENS ENVOLVIDOS. DEPRECIAÇÃO ACELERADA PREVISTA NA LEI 11.196/2005. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Para a fruição da depreciação acelerada prevista na Lei nº 11.196/2005 é necessário demonstrar o atendimento de seus requisitos. Recurso parcialmente provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2356; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 523 1 522 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.722278/200932 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.764 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria COFINS NÃOCUMULATIVO Recorrente ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COFINS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. ART. 3º, II, DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. DEMONSTRAÇÃO. O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte. A falta desta demonstração impede o reconhecimento do direito de crédito. INDÚSTRIA DE ALUMINA. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO NA PRODUÇÃO. Em relação à atividade industrial de produção de alumina, deve ser reconhecido o direito de crédito pela aquisição de óleo combustível BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão, bem como de transporte de remoção de rejeitos e resíduos, por se tratarem de bens e serviços aplicados na produção. MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E OUTROS BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E EDIFICAÇÕES. ART. 3º, VI e VII, e § 1º, III, DA LEI 10.833/2003. Nada obstante se esteja tratando de situações previstas pela Lei como hipóteses de creditamento, tratase de hipóteses em que a Lei não permite o creditamento pelo valor da aquisição, mas na proporção dos encargos de depreciação e amortização. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 22 78 /2 00 9- 32 Fl. 524DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 ATIVO IMOBILIZADO. FALTA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA DOS BENS ENVOLVIDOS. DEPRECIAÇÃO ACELERADA PREVISTA NA LEI 11.196/2005. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Para a fruição da depreciação acelerada prevista na Lei nº 11.196/2005 é necessário demonstrar o atendimento de seus requisitos. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito em relação às aquisições de óleo combustível BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão, e pelo pagamento do serviço de remoção de resíduos. Sustentou pela recorrente o Dr. Victor André Teixeira Lima. OAB/PA nº 9.664. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Declaração de Compensação fundado em créditos de Cofins não cumulativo vinculados à exportação, relativos ao 4º trimestre de 2005 (fls. 4/9). A Fiscalização reconheceu apenas parte do direito de crédito pleiteado, realizando as seguintes glosas, descritas em Relatório Fiscal (fls. 230/235): 1) aquisições de bens e serviços que não poderiam ser considerados como insumos (item 10 do Relatório Fiscal, fl. 231), detalhando o seguinte: 10.1 Combustíveis e Carvão Energético utilizados como energia térmica no aquecimento de caldeiras, equipamentos e fornos, considerando que a lei 11.488/2007 só admitiu créditos a partir de 15/06/2007. A utilização de combustíveis/carvão energético utilizados na queima de caldeiras não podem ser considerados como insumos antes de 15/06/2007 por não agir diretamente no processo produtivo; 10.2 Glosas efetuadas em produtos/bens por não serem aplicados diretamente no processo produtivo; 10.3 Glosas efetuadas nos produtos/bens por serem considerados como ativo imobilizado; Fl. 525DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.722278/200932 Acórdão n.º 3403002.764 S3C4T3 Fl. 524 3 10.4 Glosas efetuadas em produtos/bens por não conterem descrição detalhada do bem ou informação sobre sua aplicação no processo produtivo; 10.5 Glosa dos fretes referentes aos produtos/bens glosados. Estes itens são identificados na planilha 10 (fls. 214/217), a qual lista Ácido Sulfúrico, óleo combustível BPF, dispersante de sais inorgânicos, inibidores de corrosão, floculante e antiespumante); e na planilha 8 (fls. 210/212), a qual lista os serviços de manutenção do sistema de comunicação, de instalação de telas, de manutenção de pintura e bebedouro, de reparos e manutenção de máquinas, de transporte de rejeitos, etc. 2) erro no aproveitamento de crédito correspondente à depreciação do ativo imobilizado, em relação ao qual descreve o seguinte (fl. 232): 13) BASE DE CALCULO DO CRÉDITO A DESCONTAR REFERENTE AO ATIVO IMOBILIZADO (Fichal2/10): A empresa fez opção por aproveitamento do crédito no prazo de 4(quatro anos) correspondendo a 1/48(quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem(Lei n°10.833/2003, art. 3,§14, introduzido pela Lei n° 10.865, art. 21). Através dos arquivos magnéticos referente a aquisições para o Ativo Imobilizado de maio/2004 a dezembro/2005, constatamos a existência de bens que não se enquadram como maquinas e equipamentos utilizados na produção de bens destinados a venda. Efetuamos a glosa dos bens separandoos em duas categorias:Produtos não utilizados na produção dos bens destinados a venda e Bens considerados como Edificações, conforme detalhado nas planilhas 01 a 07B, em anexo. Notas: a) Não foi concedido o benefício para os outros bens, senão máquinas e equipamentos, destinados ao Ativo Imobilizado utilizados na fabricação de produtos destinados a vendas, ficando fora do benefício a aquisição de: móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e outros não considerados máquinas ou equipamentos. b) A partir de 1712/2005, são também admitidos créditos em relação a outros bens incorporados ao ativo imobilizado desde que sejam utilizados na produção de bens destinados à venda, continuando fora do benefício a aquisição de : móveis, veículos, construção civil e outros bens que não sejam utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda. (sublinhado editado) A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 256/303) alegando, em síntese, que: 1. foram glosados materiais empregados diretamente no processo produtivo, tratandose de insumos imprescindíveis para a fabricação e exportação de alumina, como o óleo BPF, o Ácido Sulfúrico e Inibidores de Corrosão; detalhando que Fl. 526DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 a. o óleo BPF é utilizado como combustível e permite o funcionamento de fornos em que ocorre a calcinação de hidrato e a geração de vapor nas caldeiras, etapas do processo de produção de alumina; b. o Ácido Sulfúrico seria empregado na limpeza dos caloríficos por onde circula o licor enriquecido de alumina, de maneira que a higienização do mecanismo seria fundamental para manter a eficiência das trocas térmicas e a estabilidade dos reagentes, o que permitiria a eficácia do processo produtivo; c. os Inibidores de Corrosão formam uma película protetora que inibe o desgaste das tubulações de água de resfriamento que por sua vez é essencial para evitar o superaquecimento do maquinário; 2. os serviços de remoção de resíduos integram diretamente o processo produtirvo, conforme reconhecido em diversos precedentes do CARF, que cita; 3. tem o direito de considerar os bens aplicados em edificações, bem como as máquinas, equipamentos, peças e acessórios como insumos, visto que são diretamente utilizados no processo produtivo, apropriando a integralidade do crédito correspondente a estes bens; 4. quanto aos créditos por depreciação, alega que teria direito de apurá los na forma da depreciação acelerada, aplicável para as aquisições de bens de capital realizadas por pessoas jurídicas estabelecidas na área de atuação da SUDAM, com fundamento na Lei nº 11.196/2005, que instituiu o Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Exmpresas Exportadoras (RECAP), ou com fundamento na Lei nº 11.488/2007, que instituiu o Regime Especial de Investimentos para o Desenvolvidmento da InfraEstrututra (REIDI). O contribuinte protesta contra o fato de que não teria sido realizada nenhuma vistoria ou visitação à sede da empresa, de maneira que a Fiscalização não poderia ter obtido resultados conclusivos a respeito da real natureza dos bens empregadas no complexo processo de refinamento de alumina. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA (DRJ), por meio do Acórdão nº 0124.169, de 8 de fevereiro de 2012 (fls. 422/438), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme o seguinte entendimento resumido na sua ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.722278/200932 Acórdão n.º 3403002.764 S3C4T3 Fl. 525 5 PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arte. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, também se fazendo incabível a realização de perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. COFINS. NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo do Cofins NãoCumulativo somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. COFINS. NÃOCUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na nãocumulatividade do Cofins, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado,adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. DCOMP. CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO. LIMITE DO CRÉDITO. As declarações de compensação apresentadas pelo sujeito passivo somente podem ser homologadas no exato limite do direito creditório comprovado pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 441/497), no qual reitera os mesmo fundamentos da sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 528DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 16/03/2012 (fl. 441), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 15/02/2012 (fl. 439). Por ser tempestivo e conter fundamentos de reforma contra o acórdão da DRJ, tomo conhecimento do recurso. Tratase de verificar se procedem ou não as glosas realizadas pela Fiscalização em relação às operações que o Recorrente sustenta serem hipóteses que geram direito ao crédito de Cofins nãocumulativo. O enfrentamento das glosas é repartido nos seguintes itens. 1) O conceito de insumo no âmbito do regime nãocumulativo de apuração de PIS/Cofins. A Fiscalização utilizou, na análise do direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, o mesmo critério utilizado para aferir o direito de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A legislação do IPI apenas admite o crédito em relação às aquisições de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem (MP, PI e ME), os quais, para serem assim qualificados, devem atender à interpretação contida no Parecer Normativo CST 69/77, o qual se baseia, especialmente para a configuração de matériaprima e produto intermediário, na exigência de que tais materiais se incorporem ou sofram desgaste pelo contato físico com o produto final. Ou seja, a Fiscalização recusou o direito de crédito em relação aos insumos acima referidos em razão de que não entrariam em contato físico com o produto final. Ocorre que no regime nãocumulativo de PIS/Cofins, a Lei dispõe de maneira diferente da legislação do IPI, reconhecendo o crédito em relação à aquisição de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes” (art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003). O legislador, como visto, vai além do âmbito da industrialização, utilizando termos mais amplos, referindose à produção ou fabricação de bens e, também, à prestação de serviços. Desde o primeiro momento este Conselho recusou a pretensão de confinar o conceito de insumo aos mesmos critérios da legislação do IPI, conforme serve de exemplo o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no qual foi negado provimento ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional: CRÉDITO. RESSARCIMENTO, A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos Fl. 529DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.722278/200932 Acórdão n.º 3403002.764 S3C4T3 Fl. 526 7 como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado Acórdão 9303001.035, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, j. 23/08/2010 O Relator deste precedente, Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, diz com firmeza que “uma simples leitura do art. 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI”. Com efeito, a diferença marcante entre a nãocumulatividade de IPI e a não cumulatividade de PIS/Cofins está justamente em que a primeira se circunscreve ao âmbito da industrialização, enquanto a última é mais abrangente, apoiandose no conceito de produção. Assim, geram direito de crédito todos os insumos – bens ou serviços – que sejam aplicados na produção – de bens ou serviços –, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. Não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. O entendimento deste Conselho, com efeito, é de que “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS nãocumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Decidir quanto ao direito ao crédito de PIS/Cofins nãocumulativo exige que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pelo contribuinte para, então, analisar quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ele produzidos. 1.1) Bens utilizados como insumo na produção. Foram glosadas pela Fiscalização as aquisições de Ácido Súlfúrico e o seu respectivo transporte, bem como as aquisições de Óleo Combustível BPF, Dispersante Sais Orgânico, Sequestrante Oxigênio, Inibidor de Corrosão e Floculante, conforme sintetizado na planilha de fls. 215/217. O Recorrente apresentou, em relação ao óleo BPF, ao ácido sulfúrico e ao inibidor de corrosão, o circunstanciamento de sua participação no processo produtivo (fls. 259, 443 e 459). Fl. 530DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 O Recorrente explicou que o óleo BPF é utilizado como combustível, sendo aplicado no funcionamento de fornos em que ocorre a calcinação de hidrato e para a geração de vapor nas caldeiras, e assim, participando diretamente do processo de produção de alumina. O Ácido Sulfúrico, conforme explica o Recorrente, é empregado na limpeza dos caloríficos por onde circula o licor enriquecido de alumina, dependendo deste procedimento a manutenção do sistema de trocas térmicas e a estabilidade dos reagentes. Quanto aos Inibidores de Corrosão, são destinados a formar uma película protetora que inibe o desgaste das tubulações de água de resfriamento, que por sua vez é essencial para evitar o superaquecimento do maquinário. Entendo que o contribuinte demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a participação destes três bens no processo produtivo. A atuação destes três bens configura o conceito de insumo para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, pois atuam e colaboram no processo produtivo da indústria de alumina, devendose reconhecer o crédito pela sua aquisição. Também assiste razão ao Recorrente quando sustenta que a aquisição do óleo BPF não pode ser confundida com a hipótese de aquisição de energia térmica, prevista no inciso IX do art. 3º das Lei nºs 10.637/2002, introduzido pela Lei nº 11.488/2007, com efeitos apenas a partir de 15/06/2007. Com efeito, o referido inciso IX coloca ao lado da energia elétrica a energia térmica, assegurando o direito de crédito para as duas modalidades de energia, o que não se confunde, contudo, com a operação de aquisição de combustível. A aquisição de combustível gera direito de crédito por força do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, bastando que seja aplicado no contexto da atividade produtiva, independente de ser utilizado como fonte de calor ou de geração de energia elétrica. Assim, a aquisição de óleo combustível não está fundada no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, não se lhe aplicando a referida restrição temporal. Quanto às demais aquisições de bens, no entanto, tendo em vista que não houve a demonstração pelo contribuinte de sua participação no processo produtivo – precluindo a oportunidade de fazêlo, ei que não fez tal demonstração nem na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário –, deve ser mantida a glosa realizada pela Fiscalização. 1.2) Serviços utilizados como insumo na produção. Deve ser reconhecido o direito de crédito em relação ao pagamento pela prestação de serviço de remoção de rejeitos industriais, visto que tal atividade deve ser considerada como inserida no contexto da produção, tal como sustenta o Recorrente (fl. 464/465). Entendo que assiste razão ao Recorrente, pois os serviços de transporte dos resíduos industriais configuram atos que viabilizam e integram a atividade produtiva. Não apenas o transporte de matériaprima destinada ao processo produtivo, mas também o transporte dos resíduos decorrentes da produção configura ato que viabiliza e integra o processo produtivo. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.722278/200932 Acórdão n.º 3403002.764 S3C4T3 Fl. 527 9 Este tema foi enfrentado logo nos primeiros julgados deste Conselho a respeito do regime nãocumulativo, concluindose que “Quanto aos dispêndios realizados com o serviço de remoção de resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este serviço é parte do processo de industrialização dos bens exportados e está vinculado à receita de exportação. Pela natureza da atividade da recorrente, sem este serviço não há produção. Sendo um serviço diretamente vinculado ao processo produtivo, entendo que a recorrente tem direito ao crédito da Cofins incidente sobre a compra desse serviço e, como tal, tem direito ao ressarcimento desse crédito em face da exportação dos produtos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002)” (trecho do voto proferido no Acórdão 20181.139, Recurso 148.457, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Walber José da Silva, j. 02.06.2008). Entendo, pois, que deve ser reconhecido o direito de crédito em relação aos serviços de remoção de resíduos em questão. Quanto às demais aquisições de serviços, no entanto, tendo em vista que não houve a demonstração pelo contribuinte de sua participação no processo produtivo – precluindo a oportunidade de fazêlo, ei que não fez tal demonstração nem na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário –, deve ser mantida a glosa realizada pela Fiscalização. 1.3) Bens qualificados como máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado e como edificações. A Fiscalização também glosou créditos correspondentes às operações de aquisições de bens que entendeu que deveriam ser consideradas como de aquisições de máquinas, equipamentos e de outros bens destinados a integrar o ativo imobilizado, os quais são listados na Planilha 4, nas fls. 179/181 (folha de madeirite, material elétrico, ar condicionado, canaleta, cone de sinalização, tela com malha etc) e de bens considerados como edificações, os quais são listados na Planilha 5, nas fls. 192/194 (cruzeta de madeira de lei, obras civis, estruturas metálicas, polimanta, barra laminada, areia, argamassa, contrato de empreitada etc). A Recorrente, por sua vez, não contesta a classificação das operações, tal como realizada pela Fiscalização. Apenas alega, a Recorrente, que a Lei nº 10.833/2003 teria assegurado o direito de crédito também para estas hipóteses, conforme previsto categoricamente no art. 3º, incisos VI e VII: VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; Ocorre que, nada obstante se esteja tratando de situação prevista pela Lei como hipótese de creditamento, tratase de hipótese em que a Lei não permite o creditamento pelo valor da aquisição, mas na proporção de sua depreciação. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Com efeito, assim dispõe o § 1º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003: § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) III – dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; O que fez a Fiscalização, portanto, foi glosar o crédito que o contribuinte apropiou pelo valor integral da aquisição, visto que, ao classificarse a operação na hipótese do inciso VI, não poderia haver o creditamento tomando como base de cálculo o valor total pelo qual foi adquirido o bem. Não procede, pois, a alegação do Recorrente, devendo ser mantida a glosa. 2) Encargos de amortização do ativo imobilizado. A respeito do crédito decorrente dos encargos de depreciação e amortização, a Fiscalização explicou o seguinte (fl. 232): BASE DE CALCULO DO CRÉDITO A DESCONTAR REFERENTE AO ATIVO IMOBILIZADO(Fichal2/10): A empresa fez opção por aproveitamento do crédito no prazo de 4(quatro anos) correspondendo a 1/48 (quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem(Lei n°10.833/2003, art. 3,§14, introduzido pela Lei n° 10.865, art. 21). Através dos arquivos magnéticos referente a aquisições para o Ativo Imobilizado de maio/2004 a dezembro/2005, constatamos a existência de bens que não se enquadram como maquinas e equipamentos utilizados na produção de bens destinados a venda. Efetuamos a glosa dos bens separandoos em duas categorias:Produtos não utilizados na produção dos bens destinados a venda e Bens considerados como Edificações, conforme detalhado nas planilhas 01 a 07B, em anexo (fl. 232) O contribuinte, em seu recurso, limitouse a sustentar que não poderia ser aplicado o critério de contato físico com o produto, relativo á legislação do IPI, mas não impugnou pontualmente os fundamentos específicos das glosas, nem detalhado as características de cada um dos bens glosados. Deve prevalecer, por isso, o procedimento adotado pela Fiscalização. O Recorrente também sustenta que a Lei nº 11.196/2005, regulamentada pelo Decreto nº 5.988/2006, concede aos beneficiários do Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras – RECAP, a possibilidade de optar pela amortização de em periodicidade diferenciada, de 1/12 para os equipamentos referidos pela Lei. O referido Decreto dispõe que: Fl. 533DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.722278/200932 Acórdão n.º 3403002.764 S3C4T3 Fl. 528 11 Art. 1º Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, para bens adquiridos de 1o de janeiro de 2006 a 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação, enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional, em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM, terão direito: I à depreciação acelerada incentivada, para efeito de cálculo do imposto sobre a renda; e II ao desconto, no prazo de doze meses contado da aquisição, dos créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS de que tratam o inciso III do § 1º do art. 3º da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso III do § 1º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, na hipótese de aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, destinados à incorporação ao ativo imobilizado. O Recorrente, no entanto, não demonstrou o preenchimento dos requisitos para a fruição deste benefício de amortização acelerada, não tendo impugnado pontualmente os fundamentos específicos das glosas, nem detalhado as características de cada um dos bens glosados. Deve prevalecer, por isso, também neste aspecto, o procedimento adotado pela Fiscalização. 4. Conclusão. Ante o exposto, coto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito em relação às aquisições de óleo combustível BCF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão, e pelo pagamento do serviço de remoção de resíduos. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 534DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10945.902225/2012-38
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/11/2008
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 22 25 /2 01 2- 38 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902225/201238 Acórdão n.º 3801003.109 S3TE01 Fl. 10 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902225/201238 Acórdão n.º 3801003.109 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902225/201238 Acórdão n.º 3801003.109 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do COFINS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902225/201238 Acórdão n.º 3801003.109 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902225/201238 Acórdão n.º 3801003.109 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902225/201238 Acórdão n.º 3801003.109 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902225/201238 Acórdão n.º 3801003.109 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000758/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006
Restando constatada a existência de erro material no acórdão prolatado, são cabíveis os embargos de declaração para que se rerratifique o decisório.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2401-003.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, com a finalidade exclusiva de corrigir o erro material. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 16095.720182/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos às contribuições previdenciárias incidentes sobre a sua folha de salários, com créditos de natureza diversa, mormente quando a própria existência destes restar não comprovada nos autos.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Na hipótese de compensação indevida com falsidade na declaração aplica-se multa isolada no percentual de 150%, calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos às contribuições previdenciárias incidentes sobre a sua folha de salários, com créditos de natureza diversa, mormente quando a própria existência destes restar não comprovada nos autos. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida com falsidade na declaração aplica-se multa isolada no percentual de 150%, calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos às contribuições previdenciárias incidentes sobre a sua folha de salários, com créditos de natureza diversa, mormente quando a própria existência destes restar não comprovada nos autos. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida com falsidade na declaração aplicase multa isolada no percentual de 150%, calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 82 /2 01 2- 17 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.720182/201217 Acórdão n.º 2402003.974 S2C4T2 Fl. 192 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal com ciência em 15/06/2012 em razão da falta de recolhimentos das contribuições previdenciárias patronais. A fiscalização se iniciou em 09/08/2011, após realização de diligência com início em 14/02/2011. O objeto de ambos os procedimentos é a verificação da regularidade de compensações declaradas em GFIP. Seguem transcrições da ementa e trechos do relatório/voto que compõem o acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010 PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO PREVIDENCIÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos às contribuições previdenciárias incidentes sobre a sua folha de salários, com créditos de natureza diversa, mormente quando a própria existência destes restar não comprovada nos autos. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal em vigor, posto que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Consoante o relatório fiscal de fls. 52 a 55, o processo acima identificado é composto pelo Auto de Infração nº 51.006.1001, lavrado para a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias de que tratam os incisos I a III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, correspondentes à competência novembro de 2010 e incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços naquele mês. Ainda nos termos do mencionado relatório: 1º) Durante a ação fiscal, que abrangeu o segundo semestre de 2010 e janeiro de 2011, verificouse que a empresa compensou débitos previdenciários (da empresa, do segurado empregado e contribuinte individual) argumentando ser detentora de crédito judicial em fase de execução contra a Fazenda Nacional e o Fl. 193DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 INSS e que o campo "compensação" da GFIP foi utilizado na medida em que não existe na GFIP campo destinado a depósito judicial.; 2º) No período em que julgou ter direito a compensação, a empresa entregou GFIP's retificadoras informando esses valores, porém na competência 11/2010, a empresa entregou a GFIP originalmente em 01/12/2010 e nessa mesma data enviou GFIP retificadora constando apenas parte insignificante do salário de contribuição da empresa e funcionários, aparentemente, visando complementar as primeiras informações prestadas. Este documento permaneceu válido e inalterado até o início da ação fiscal; 3º) Deve ser observado que não existe inicialmente declaração de compensação na competência 11/2010, embora o recolhimento tenha seguido o padrão adotado desde 06/2010, ou seja, efetuou apenas o recolhimento em GPS Guia de Recolhimento da Previdência Social devido a outras entidades; 4º) Assim, as rubricas devidas e não recolhidas nesta competência foram: contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais; contribuições da empresa sobre a remuneração de empregados; contribuições da empresa para financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa e contribuições da empresa sobre a remuneração de contribuintes individuais. 5º) O valor apurado neste auto de infração é o reconhecido pela empresa em sua GFIP original, enviada em 01/12/2010; 6º) Desta forma, temse como resultado da ação fiscal o auto de infração para obrigações principais, sob número de cadastro de débito DEBCAD 51.006.1001 Contribuição da empresa, para remunerações a segurados empregados e contribuintes individuais, e que tem como base de cálculo a soma dos levantamentos e infrações descritos nos itens 3 e 4 do próprio relatório fiscal; 7º) O débito foi lavrado considerandose a multa de ofício de 75%, prevista no artigo 35A da Lei n° 8.212/1991, incluído pela Lei n° 11.941/2009; e 8º) Na composição dos valores devidos não há recolhimentos (GPS Guias da Previdência Social) considerados pela fiscalização. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: 1ª) Ao contrário do quanto é afirmado no relatório fiscal, em nenhum momento foi declarado a COMPENSAÇÃO como forma de extinção das obrigações tributárias de responsabilidade da autuada, mas sim, PAGAMENTO ATRAVÉS DE CONVERSÃO EM RENDA, que tem natureza jurídica totalmente diversa da COMPENSAÇÃO, guardando com esta somente o resultado final, quer seja a extinção da obrigação tributária; Fl. 194DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.720182/201217 Acórdão n.º 2402003.974 S2C4T2 Fl. 193 5 2ª) Na verdade o que ocorreu é que, por limitação do programa em que se pode declarar o procedimento adotado, não existe qualquer opção que faça referência a modalidade de extinção da obrigação tributária adotada pela Impugnante, não restando a ela outro procedimento que não fosse o autolançamento na modalidade compensação; 3ª) Embora limitada pelas ferramentas fornecidas pelo Ente Público, ainda assim, a Impugnante, através de simples requerimento, explicitou exatamente os fatos acima narrados, qual seja, que embora houvesse sido efetivado o autolançamento na modalidade compensação, na realidade o procedimento adotado era o de pagamento através de conversão em renda, não havendo, portanto, qualquer possibilidade de entender que o que ocorrera, na verdade, tivesse sido efetiva compensação; 4ª) O Órgão arrecadador (RFB) discordar do procedimento adotado não autoriza interpretálo como falso, como ocorreu no caso em tela, pois falsidade não houve, todos os fatos ocorridos foram devidamente declarados, como exige a lei, com a ressalva acima apontada. 1ª) A Impugnante utilizou crédito financeiro de que passou a ser detentora através de Contrato de Cessão de Crédito, em Ação de Execução de Título Extrajudicial que promove em desfavor da União Federal, para extinguir suas obrigações tributárias, na forma de pagamento através de conversão em renda; 2ª) Esse crédito, que é revestido dos requisitos de certeza, exigibilidade e liquidez, tem sua origem nos Títulos da Dívida Pública de responsabilidade da Secretaria do Tesouro Nacional, inclusive reconhecido pelo BACEN, além de constar no Orçamento da União Federal, uma vez que tratase de REPACTUAÇÃO DE DÍVIDA EXTERNA do DL n.° 6.019/43, conforme se apresenta no objeto do pedido de execução, com ordem de pagamento contra a Fazenda Nacional e o INSS, autorizando a modalidade de conversão em renda c/c poder liberatório de pagamento de qualquer tributo da esfera federal, como forma substitutiva da Recorrente receber seus créditos, dos quais a União é devedora (aqui, a empresa reproduz dispositivos da Lei nº 10179/2001); 3ª) Em decorrência do regime jurídico especial dispensado aos bens da Fazenda Pública, dentre cujas características deste destacamse a inalienabilidade e a impenhorabilidade, erguese um impedimento à sujeição da mesma ao rito comum por quantia certa do CPC, não se aplicando, na prática, os meios coercitivos geralmente utilizados, como por exemplo, a penhora; 4ª) Isto posto, é necessário mediano conhecimento para vislumbrar que, só não existe o deposito da quantia devida na Ação Executiva promovida pela Recorrente em decorrência das benesses legais que recaem sobre a União enquanto parte executada, pois acreditase que a mesma seja devedora solúvel e, como tal, prima em honrar seus compromissos; Fl. 195DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 5ª) Tais prerrogativas não retiram, contudo, a certeza da existência do crédito utilizado para pagamento através da conversão em renda, pois perfeitamente plausível e legal, partir se da premissa de que o Juízo está igualmente garantido; 6ª) O procedimento adotado pela Impugnante nada mais é do que uma forma de execução provisória do que lhe é devido, pois o pagamento através de conversão em renda, somente se aperfeiçoará por ocasião da efetiva liquidação do crédito executado; 7ª) Ainda, esse procedimento, lastreado com créditos do Decretolei n° 6.019/43, pela modalidade de extinção do crédito tributário, está legalmente amparado pelo que institui o artigo 156, I, VI do CTN, c/c artigo 6o da Lei n° 10.179/2001, ratificados pela Lei n.° 11.803/2008 e, principalmente, no que preconiza o art. 4750 do CPC; 8ª) Revelase totalmente descabida a afirmação de que, por ter sido indeferido o seu pedido de habilitação nos autos da execução, a empresa impugnante não é detentora do crédito em tela, pois decisão não retira a eficácia do Contrato de Cessão de Crédito retro citado. Também não se sustenta a insinuação de que a cessão, para ter efeito jurídico deveria ter aquiescência do judiciário, pois ela gera efeitos por sua natureza jurídica, não necessitando da homologação do Juízo para gerar seus efeitos; Diante da falta de previsão legal que dê competência a RFB para manifestarse sobre a forma de extinção da obrigação tributária da Requerente, quer seja o pagamento através de conversão em renda, o auto de infração aqui impugnado, no que toca a capitulação que trata da extinção da obrigação tributária, indevidamente tratado e denominado de COMPENSAÇÃO, é totalmente nulo; Quanto à multa de 150% 1ª) Quanto à aplicação das multas pela fiscalização, cumprenos informar que são confiscatórias e, por isso, devem ser expurgadas deste lançamento, por ofensa ao disposto no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal; 2ª) Apesar de vislumbrarmos que tais penalidades estão amparadas pela lei, é de se admitir que as multas de 50°/o, 75%, 150% e maiores são exorbitantes e absolutamente violadora dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, razão pela qual a multa in casu aplicada deve ser adequada ao percentual de 20%. É o Relatório. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.720182/201217 Acórdão n.º 2402003.974 S2C4T2 Fl. 194 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 197DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito No presente caso, a recorrente alega que deixou de realizar pagamentos de contribuições previdenciárias sob o fundamento de que teria extinto os créditos previdenciários Fl. 198DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.720182/201217 Acórdão n.º 2402003.974 S2C4T2 Fl. 195 9 através da conversão de depósito em renda. Teria declarado em GFIP como compensação por ausência de campo específico para a conversão de depósito em renda. Essas alegações foram apresentadas formalmente durante os procedimentos de diligência e fiscalização através petições à delegacia de fiscalização. O crédito que alega tem origem em título da dívida externa brasileira. A recorrente o adquiriu através de contrato de cessão de créditos. Entendo que a decisão recorrida não merece reparos. As GFIP originárias apresentadas pelo recorrente para o mês 11/2010 trazem os valores das contribuições devidas e não repassadas à previdência social. Nesse mês não há informação sobre compensações. Somente durante a fiscalização é que o recorrente trouxe a retificação das declarações anteriores. Ainda que se considerem as declarações retificadoras e se examinem os argumentos do recorrente vêse que os supostos créditos não se prestam para extinção dos créditos relativos às contribuições previdenciárias. A extinção do crédito tributário por meio de conversão de depósito em renda é prevista no inciso VI de seu art. 156 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) VI a conversão de depósito em renda; A recorrente confunde em suas alegações depósito com crédito fundado em título judicial ou extrajudicial. Nessa modalidade de extinção do crédito tributário, o depósito realizado pelo sujeito passivo tem finalidade relacionada ao tributo em litígio. Com a sentença transitada em julgado, o depósito é convertido em renda para o sujeito ativo. Com isso, o crédito tributário é extinto. No caso das modalidades de extinção de crédito tributário com créditos do sujeito passivo é necessário que se comprove a liquidez e certeza desses créditos. Pretendendo se a compensação e sendo os créditos de natureza diversa da tributária é necessária previsão legal ou decisão judicial transitada em julgado. A administração pública não possui a liberalidade de aceitação de créditos de natureza diversa daquela prevista em lei como idônea para a extinção do crédito tributário. Vê se que mesmo a compensação em caráter individual, aquela que a lei confere à autoridade administrativa, nos limites legais, a discricionariedade para estipular sobre as condições de sua aceitação, é necessária a previsão legal da origem desses créditos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Em conclusão, o crédito alegado, ainda que de fato pertença ao recorrente, não se presta para a compensação. No mais, a recorrente alega efeito confiscatório da exação e outras inconstitucionais; no entanto, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 200DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13839.912961/2009-02
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 12 96 1/ 20 09 -0 2 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912961/200902 Resolução nº 3801000.722 S3TE01 Fl. 247 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: A Declaração de Compensação apresentada pela contribuinte não foi homologada, conforme Despacho Decisório Eletrônico. Como razão da não homologação, a decisão aponta a integral utilização do pagamento indicado como origem do direito de crédito em outros débitos confessados pela contribuinte. Notificada do teor do despacho, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que: deve ser decretada a nulidade do Despacho Decisório por faltarem ao mesmo os elementos mínimos para a apresentação de defesa; argumenta que o seu crédito advém de valores não tributados a titulo de PIS e COFINS, conforme Solução de Consulta nº 90/05: reconhece que cometeu um equívoco na apuração da contribuição e no preenchimento da DCTF correspondente ao citado período; argumenta que o DARF foi recolhido indevidamente pois nada devia a título de Cofins Importação , uma vez que as operações realizadas não são tributadas por esta contribuição; reconhecendo o erro retificou a DCTF do período, desse modo entende que o seu direito deve ser reconhecido, uma vez que não pode ser prejudicado por preencher incorretamente uma declaração de obrigação acessória; que o equívoco do contribuinte no preenchimento da DCTF não deve ser ignorado diante dos documentos comprobatórios que ora anexa ; requer finalmente a homologação da compensação , o afastamento da cobrança exigida por meio do despacho decisório e se caso assim não seja entendido a nulidade do despacho por ausência dos requisitos legais. A Delegacia de Julgamento em Campinas (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2005 a 30/05/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. COMPENSAÇÃO. Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Fl. 247DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912961/200902 Resolução nº 3801000.722 S3TE01 Fl. 248 3 Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantém se o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação, justificando a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o equívoco ao incluir na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS Importação os valores de royalties e juntando documentação comprobatória. É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912961/200902 Resolução nº 3801000.722 S3TE01 Fl. 249 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior, período de apuração de 02/05/2005, no valor histórico de R$ 314.579,70, devido ao equívoco na inclusão na base de cálculo da COFINSImportação de valores remetidos ao exterior a título de royalties.. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de diversos débitos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINSImportação, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. Apesar do contribuinte informar ter retificado a DCTF posteriormente, a analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912961/200902 Resolução nº 3801000.722 S3TE01 Fl. 250 5 Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que ocorreu no presente caso, em que a recorrente já na fase litigiosa informou a origem do indébito e, posteriormente, juntou a documentação comprobatória que embasaria o seu direito. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório. Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Neste sentido, os dados da DCTF retificadora e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No caso em tela, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. O comando contido no inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 903/2008, vigente à época, abaixo reproduzido, não se refere a decisão em pedido do contribuinte, que não é procedimento fiscal, em sentido estrito, ou seja, procedimento tendente a apurar débito do contribuinte. Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912961/200902 Resolução nº 3801000.722 S3TE01 Fl. 251 6 § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (grifei). Portanto, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF, que considero tratarse de prova indiciária, em qualquer fase do pedido de restituição ou compensação, desde que anteriormente à inscrição em dívida ativa, sendo que este somente pode ser deferido após a comprovação do direito creditório No mérito, vejamos o alegado: A recorrente justificou a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o equívoco ao incluir na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS Importação os valores de royalties. As Contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS incidentes sobre a importação de bens e serviços foram instituídas pela Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. O artigo 1º desta lei estabelece as hipóteses de incidência das contribuições. Observese que os serviços são os prestados no Brasil ou com resultados aqui verificados, por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior Art. 1º. Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, com base nos arts. 149, § 2º, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º. § 1º Os serviços a que se refere o caput deste artigo são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, nas seguintes hipóteses: I executados no País; ou II executados no exterior, cujo resultado se verifique no País. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912961/200902 Resolução nº 3801000.722 S3TE01 Fl. 252 7 (...) (grifouse) Art. 3o O fato gerador será: (...) I o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado.” (...) Art. 4o Para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador(...) IV na data do pagamento, do crédito, da entrega, do emprego ou da remessa de valores na hipótese de que trata o inciso II do caput do art. 3o desta Lei. (...) Art. 5o São contribuintes: II a pessoa física ou jurídica contratante de serviços de residente ou domiciliado no exterior; e III o beneficiário do serviço, na hipótese em que o contratante também seja residente ou domiciliado no exterior. Art. 7o A base de cálculo será:(...) II o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza ISS e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso II do caput do art. 3o desta Lei.(...) Art. 8o As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas de: I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento), para o PIS/PASEPImportação; e II 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS Importação.(...) Art. 13. As contribuições de que trata o art. 1o desta Lei serão pagas(...) II na data do pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa, na hipótese do inciso II do caput do art. 3o desta Lei;”(...) Assim, as remessas financeiras para o exterior efetuadas a título de remuneração decorrente da importação de serviços executados no país, ou cujo resultado se verifique no país, de prestador de serviço residente ou domiciliado no exterior são fatos geradores do PIS Importação de Serviços e da COFINS – Importação de Serviços. O fato gerador do PIS Importação de Serviços e da COFINS – Importação de Serviços se dá na data da efetiva remessa dos valores para o exterior, ou seja, é um fato gerador diário. O contribuinte é o contratante do serviço de residente ou domiciliado no exterior. A base de cálculo é o valor remetido, antes da retenção de Imposto de Renda, acrescido do ISS e das próprias contribuições. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912961/200902 Resolução nº 3801000.722 S3TE01 Fl. 253 8 No âmbito da Receita Federal, e sem adentrar no mérito por hora, foi exarada a Solução de Divergência nº 11, de 2011, da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), que pacificou o entendimento de que não há incidência das referidas contribuições sobre o valor pago a título de royalties, se o contrato discriminar os valores dos royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –Cofins EMENTA: Royalties. Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá penas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: caput e § 1o do art. 1o e inciso II do art. 3o da Lei Nº 10.865, de 30 de abril de 2004. FERNANDO MOMBELLI CoordenadorGeral (Data da Decisão: 28.04.2011, publicado no DOU de 17.05.2011) Pois bem, em que pese se conclua que os royalties não têm natureza jurídica de serviço, o mesmo não se pode afirmar de seus serviços correlatos previstos contratualmente, caso existam. Nesse caso, haverá a necessidade de separar os valores contratuais relativos a royalties dos valores relativos aqueles serviços. Sobre estes últimos, por corresponderem a importação de serviços, incide a Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINS Importação. Caso não haja a discriminação dos valores correspondentes ocorre a incidência das referidas contribuições sobre o valor global. Para embasar o seu direito a recorrente apresentou os seguintes documentos: · cópia da tradução para o idioma nacional de contrato firmado com a empresa Continental Teves AG & Co. oHG, o qual teria como objeto "uma licença não exclusiva e intransferível para fabricar Dispositivos Licenciados no Território de Fabricação Licenciado e uma licença não exclusiva e intransferível para vender Dispositivos Licenciados como (a) OEM, (b) OES e (c) AM no Território de Vendas Licenciado. A concessão precedente inclui uma licença para usar as Informações Técnicas e as Patentes Licenciadas". · Aditivo do Contrato; · Certificado de Averbação no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial); · DARF's referentes ao pagamento indevido ; Fl. 253DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912961/200902 Resolução nº 3801000.722 S3TE01 Fl. 254 9 · Contratos de Câmbio e Comprovante de transferências dos valores a título de royalties ao exterior ; · Demonstrativo dos valores pagos indevidamente. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se verificar a incidência da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação sobre as importâncias remetidas ao exterior e eventuais pagamentos indevidos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) Em relação aos valores remetidos ao exterior que teriam dado ensejo ao direito creditório pleiteado, intime a recorrente a apresentar cópia dos contratos firmados com a empresa beneficiária das remessas (Continental Teves AG & Co. oHG), devendo ser apresentada a tradução juramentada para o idioma nacional, caso estejam em língua estrangeira; cópia das faturas comerciais (invoices) ou documentação suplementar que embasaram as remessas e cópias digitalizadas dos registros, no livro Razão, referentes às remessas relacionadas a pagamento de royalties; b) apure a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação sobre as importâncias remetidas ao exterior conforme as operações apontadas, com base nos documentos acostados aos autos, na escrituração fiscal e contábil e demais documentos que julgar necessários; c) cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 254DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10980.722959/2013-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
Poderá ser realizado o lançamento da parcela patronal das contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais.
BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE EM SUA CONTABILIDADE, EM NOTAS FISCAIS E EM FOLHAS DE PAGAMENTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
O reconhecimento por meio de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados elide a discussão sobre a apuração da base de cálculo.
As informações de ocorrências dos fatos geradores, contidos em registros contábeis da própria empresa, presumem-se verdadeiras, só cedendo diante de prova em contrário.
JUROS(SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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GLOSA DE COMPENSAÇÃO Recorrente LYNX VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. Poderá ser realizado o lançamento da parcela patronal das contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE EM SUA CONTABILIDADE, EM NOTAS FISCAIS E EM FOLHAS DE PAGAMENTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 29 59 /2 01 3- 90 Fl. 10026DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 O reconhecimento por meio de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados elide a discussão sobre a apuração da base de cálculo. As informações de ocorrências dos fatos geradores, contidos em registros contábeis da própria empresa, presumemse verdadeiras, só cedendo diante de prova em contrário. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 10027DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.722959/201390 Acórdão n.º 2402004.054 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas à contribuição patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 01/2009 a 13/2008. Segundo o Relatório Fiscal, o fato gerador dos valores lançados decorre da remuneração paga ou credita aos segurados, oriunda da folha de pagamento e de glosa de compensação. Relata, ainda, que o presente agrupa os seguintes levantamentos: 1. GR2 à competências 01/2009, 04/2009 a 08/2009, 10/2009 a 12/2009, 01/2010, 05/2010 a 12/2010, 01/2011 a 05/2011, 08/2011. Glosa de compensação de contribuições previdenciárias declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) como retidas pelos tomadores (retenção de 11% sobre Notas Fiscais) e respectivos juros de mora e multa de mora de 20%; 2. GL2 à competências 01/2009 a 12/2009, 01/2010 a 12/2010, 01/2011 a 05/2011, 08/2011 a 10/2011. Glosa de compensação de contribuições previdenciárias declaradas em GFIP e respectivos juros de mora e multa de mora de 20%; 3. FP2 à competências 01/2009, 05/2009 a 07/2009, 12/2009 a 02/2010, 04/2010 a 01/2011, 03/2011, 05/2011 a 13/2011. Contribuições patronais previdenciárias decorrentes de diferença entre os valores devidos em Folha de Pagamento e os declarados em GFIP, bem como por incorreção no cálculo do Fator Acidentário de Prevenção, não recolhidas e não compensadas e respectivos juros de mora e multa de ofício de 75%; 4. FP2 à competências 01/2009 a 13/2009, 04/2010 a 13/2011. Contribuições parafiscais destinadas aos Terceiros conveniados, decorrentes de diferenças entre valores de Folha de Pagamento e GFIP não recolhidas e respectivos juros de mora e multa de ofício de 75%; 5. AIOA 78 à competência 05/2013. Descumprimento de obrigação acessória. Declaração de compensação indevida em GFIP. O Relatório Fiscal informa ainda que, para o período do débito, houve a utilização direta dos documentos de escrituração contábil (em especial: notas fiscais, folha de Fl. 10028DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 pagamento e guias de recolhimento da previdência social) em detrimento dos Livros Contábeis, cuja análise estaria inviabilizada pela encadernação impedir a visualização dos códigos das contas, além de não terem sido apresentados todos os Livros do período fiscalizado e de nem todos os apresentados cumprirem a formalidade extrínseca de registro. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 22/05/2013 (fls. 01 e 493). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 497/567), alegando, em síntese, que: 1. mesmo após ter acesso a todas as informações que havia requerido, a Receita optou por desconsiderar quase que integralmente a documentação contábil, por julgála "imprestável", realizando uma auditoria célere, mas incompleta e, portanto, sem a devida cautela. Com efeito, a apuração do crédito foi feita com base em documentação parcial, deixando se de utilizar praticamente toda a contabilidade apresentada pela LYNX. A Receita apontou que "não foi necessário procederse a aferição por arbitramento da remuneração dos segurados, pois todas folhas de pagamento e notas fiscais entregues foram consideradas fidedignas [...] a mera apresentação posterior de livros Razão omissos e de livros Diários autenticados, em sede de defesa, não alterará em nada o presente lançamento fiscal, que se baseou diretamente nos documentos fiscais fornecidos pela empresa.". Contudo, a documentação contábil é necessária para a apuração do suposto débito imputado à empresa. Se fosse inócua, não haveria motivo para ser solicitada, e, ainda, não haveria motivo para a aplicação de multa por suposto descumprimento de obrigação acessória. A ausência de análise de toda a documentação apresentada contamina todo o procedimento administrativo fiscal e importa nulidade, nos termos do artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972; 2. a necessidade da análise da contabilidade fica evidente quando a fiscalização afirma que em face da compatibilidade (e da constância) da folha de pagamento com a contabilidade de 07/2008 a 12/2008, a folha foi utilizada para a apuração da base de cálculo das contribuições devidas relativas aos empregados e contribuintes individuais da empresa, quando maior que a constante da GFIP. Portanto, houve arbitramento às avessas, desconsiderandose a maior parte da contabilidade apresentada. O lançamento por arbitramento, espécie do gênero lançamento de ofício, tendente a avaliar preços, bens serviços ou atos jurídicos, sempre que inexistam documentos ou declarações do contribuinte, ou que, embora existentes, não mereçam fé (CTN, art. 148); 3. no decorrer da fiscalização, a Receita Federal deixou de citar que algumas das rubricas da folha de pagamento estão sob discussão judicial, porquanto se questiona a incidência da contribuição previdenciária patronal sobre três rubricas: quinze primeiros dias do auxíliodoença, aviso prévio indenizado e terço constitucional de férias. A empresa, em 25 de maio de 2010, propôs ação judicial, sob o n. 500598088.2010.404.7000, que tramita perante a 2a Vara Federal de Curitiba, com o intuito de declarar a inexigibilidade da Fl. 10029DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.722959/201390 Acórdão n.º 2402004.054 S2C4T2 Fl. 4 5 contribuição previdenciária sobre essas três rubricas e efetuar a compensação dos últimos 10 anos. Em primeiro grau, todos os pleitos foram concedidos. O Tribunal Regional Federal da 4a Região reconheceu o prazo prescricional de 5 anos. Estes créditos foram utilizados a fim de realizarse a compensação com os "débitos". A União recorreu do Acórdão do TRF da 4ª Região, estando o Recurso Especial sobrestado até o julgamento do REsp n° 1230957, nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil. Portanto, a empresa possuía e possui crédito pelo período de 5 anos que antecedem a propositura da ação e pelos anos em que a ação está em trâmite; 4. a ação fiscal ensejou a aplicação das seguintes multas: (a) sobre as contribuições do levantamento FP (folha de pagamento) aplicouse a multa de 75%; (b) sobre as contribuições aos terceiros a multa de 24% até a competência 11/2008; sobre os lançamentos de glosa de compensação indevida (GL e GR) multa de mora de 20%; (c) multa acessória de R$17.173,58; e (d) multa acessória de R$21.500,00. A soma total das multas chegou a R$4.321.078,10. Assim, aflora o cunho confiscatório e desproporcional ao faturamento da empresa. Estão cumuladas multas de mora e de ofício, perfazendo mais do que 20% do valor cobrado. Ora, tais sansões são deveras desproporcionais, ainda mais incidindo sobre montante arbitrado e não constatado caso a caso. Dessa forma, as multas devem ser diminuídas a um patamar razoável; 5. não houve crime, pois a empresa possuía crédito a compensar e apresentou todas as declarações à Receita Federal, não tendo deixado de recolher as contribuições devidas e nem se locupletado de valores indevidos. A notitia criminis pretendida só poderia ocorrer com fato sustentado em dolo, mas não há como se ter a intenção de se apropriar de algo que não existe. Além disso, a denúncia por crime de sonegação depende do lançamento definitivo, o que não ocorreu. Com efeito, não pode a Receita Federal do Brasil proceder notitia criminis ao Ministério Público Federal, sobre delito praticado pela recorrente, uma vez que inexistiu qualquer fato que possa ensejar crime de sonegação fiscal ou previdenciária, bem como qualquer atitude dolosa que possa caracterizálos, fato esse que será devidamente comprovado durante a instrução do devido Processo Administrativo, com todas as provas de direito admitidas e o trâmite legal constitucionalmente assegurado; 6. requer o cancelamento das autuações. Entendendose pela reforma parcial da autuação, requer perícia contábil, a fim da correção dos percentuais e valores discutidos na demanda. Caso se entenda pela aplicação das multas, requer sua redução a um patamar razoável, não se cumulando multa de ofício e multa de mora. Requer a imediata suspensão da representação fiscal, bem como a suspensão da exigibilidade do crédito até decisão definitiva. Fl. 10030DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Curitiba/PR – por meio do Acórdão no 0643.824 da 5a Turma da DRJ/CTA – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 10031DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.722959/201390 Acórdão n.º 2402004.054 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. Esclarecemos que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também, e fundamentalmente, a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o cabimento, o interesse de agir e a legitimidade para tanto. No presente lançamento fiscal ora analisado, constam as contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, oriunda de folhas de pagamento e da glosa de compensação das verbas pagas a título dos quinze primeiros dias do auxíliodoença, aviso prévio indenizado e terço constitucional de férias. É importante esclarecer que, antes da lavratura do presente lançamento fiscal, a empresa havia ingressado com ação judicial, processo n. 500598088.2010.404.7000, que tramita perante a 2a Vara Federal de Curitiba, com o intuito de declarar a inexigibilidade da contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a título dos quinze primeiros dias do auxíliodoença, aviso prévio indenizado e terço constitucional de férias, e solicita a compensação dos valores dessas verbas dos últimos 10 anos. Em primeiro grau, todos os pleitos foram concedidos. Posteriormente, o Tribunal Regional Federal da 4a Região reconheceu o prazo prescricional de 5 anos. Após isso, a União recorreu do Acórdão do TRF da 4ª Região por meio do Recurso Especial (Resp) n° 1230957 e sobrestou a matéria inicialmente postulada na ação judicial, nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil. Assim, considerando a discussão judicial acerca das verbas pagas a título dos quinze primeiros dias do auxíliodoença, aviso prévio indenizado e terço constitucional de férias, deve a presente análise e decisão restringirse às questões não discutidas em Juízo (âmbito judicial). Tal procedimento está em consonância com o art. 126, § 3o, da Lei 8.213/1991, abaixo transcrito: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 1997) (...) § 3° A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei n° 9.711, de 20.11.98) (g.n.) Fl. 10032DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Nesse sentido, esta Corte Administrativa (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) pronunciouse por meio do Enunciado no 1 de Súmula Vinculante (Portaria do Ministério da Fazenda no 383, de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ainda dentro desse contexto da ação judicial, constatase que há correlação e dependência entre a controvérsia que se discute especificamente no lançamento da contribuição social previdenciária (glosa de compensação) e a matéria referente à ação judicial, processo n. 500598088.2010.404.7000, sobrestado pelo Recurso Especial (Resp) n° 1230957, uma vez que essa última matéria – verbas pagas a título dos quinze primeiros dias do auxíliodoença, aviso prévio indenizado e terço constitucional de férias – sendo favorável à Recorrente, arrastará para a mesma conclusão todos os processos de constituição de créditos tributários (glosa de compensação). Portanto, com relação à matéria referente ao pleito da ação judicial, processo n. 500598088.2010.404.7000, não farei apreciação nem exame dessa matéria, pois não se trata de matéria pertinente à análise, neste momento, por esta Turma julgadora do CARF (2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção). No entanto, sinalizo no sentido que fique sobrestada esta decisão até a decisão definitiva da ação judicial, que foi submetida ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) por meio da interposição do Recurso Especial (Resp) n° 1230957. Dessa forma, faremos análise apenas das matérias não submetidas ao processamento e análise do Poder Judiciário e, por consectário lógico, não serão apreciadas as matérias concernentes às verbas a título dos quinze primeiros dias do auxíliodoença, aviso prévio indenizado e terço constitucional de férias, objeto de glosa de compensação pelo Fisco. A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, que foram as relativas à contribuição patronal e às contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, bem como os valores decorrentes de glosa de compensação das verbas pagas a título dos quinze primeiros dias do auxíliodoença, aviso prévio indenizado e terço constitucional de férias. Os valores das contribuições sociais previdenciárias decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, e foram devidamente delineados no Relatório Fiscal. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/450) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação Fl. 10033DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.722959/201390 Acórdão n.º 2402004.054 S2C4T2 Fl. 6 9 fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ......................................................................................................... Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal e seus anexos, complementados pelos documentos acostados pela Recorrente, são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Débito (DD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa. Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Relatório de Lançamentos (RL); Relatório de Documentos Apresentados (RDA) e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA); cópias das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP); dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito Fl. 10034DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais, fazendo constar nos relatórios que o compõem os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Dentro do contexto fático, a Recorrente alega que todo o procedimento fiscal restou contaminado pelo fato de a fiscalização não ter analisado a integralidade da documentação apresentada pela empresa, configurandose a nulidade do lançamento, bem como da decisão de primeira instancia (DRJ). Afirma também que o fato de se deixar de analisar toda a documentação configuraria arbitramento da base de cálculo às avessas, impondose a retificação dos lançamentos, sob pena de nulidade. Tais alegações não merecem ser acatadas, uma vez que os valores apurados foram declarados pelo próprio sujeito passivo em documento idôneos e fidedignos para configuração do lançamento fiscal. Esse entendimento decorre do fato de que o Fisco, nas competências 01/2009 a 13/2011, utilizouse diretamente dos documentos da escrituração contábil, tais como as notas fiscais, folhas de pagamento e guias de recolhimento da previdência social. Logo, não houve a apuração dos valores lançados por meio da técnica de aferição indireta (arbitramento), sendo que isso distancia da afirmação da Recorrente de arbitramento da base de cálculo às avessas. Nesse caminhar, o Fisco informa que não foi apresentado o Livro Diário e nem o Razão do ano de 2011 e, para os anos de 2009 e 2010, foram apresentados somente Livros Diário considerados imprestáveis, nos seguintes termos: “[...] 10. Em resposta extemporânea à intimação, no dia 19/03/2013, foram apresentados pela empresa impressos em papel: Livros Diário (nº 008 de 01/2008 a 06/2008, nº 009 de 07/2008 a 12/2008, nº 10 de 01/2009 a 12/2009 e nº 10 (repetido o número “10”) de 01/2010 a 12/2010) e Livros Razão de 01/2008 a 06/2008 e 07/2008 a 12/2008. Não foram apresentados os Livros Razão de 2009 a 2011 e tampouco o Diário de 2011. 11. Os livros Diário nº 009, nº 10 (2009) e nº 10 (2010) foram registrados no 1o Ofício de Registro de Curitiba e o Diário nº 008 não foi registrado, conforme cópias do anexo II. O Diário nº 008 não respeita, portanto, a formalidade extrínseca de registro. A encadernação dos Diários nº 10 (de 2009) e nº 10 (de 2010) impossibilita suas análises, pois, além da barreira natural de se auditar um livro cuja disposição das informações é feita por ordem cronológica e não pela natureza de suas contas, não é possível visualizar todas as informações impressas. Os lançamentos diários estão discriminados com os códigos reduzidos das contas e, ao final, no Plano de Contas, é que se identificam as contas às quais se referem os códigos reduzidos. Fl. 10035DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.722959/201390 Acórdão n.º 2402004.054 S2C4T2 Fl. 7 11 Porém, a encadernação inviabiliza a visualização dos códigos reduzidos das contas, pela forma em que foram coladas as páginas. Assim, mesmo que a fiscalização se dispusesse a folhear detalhadamente livros Diário de cerca de 1000 páginas cada (pois não foram apresentados os livros Razão), não seria possível identificar em quais contas foram feitos os lançamentos contábeis. (...) 13. Assim, tendo em vista ter deixado de prestar os esclarecimentos a respeito das compensações efetuadas no período fiscalizado, não ter entregue a contabilidade de 2011, e ter entregue deficientemente a contabilidade de 01/2008 a 06/2008 e 01/2009 a 12/2010, a LYNX foi autuada conforme previsto no art. 225 caput, III, parágrafos 13 e 14, e arts. 232 e 233, do Decreto nº 3.048/1999, mediante Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA código 38), cadastrado sob documento de débito Debcad nº 51.027.6903 em processo apartado (PAF nº 10980.722.961/201369). 14. De 07/2008 a 12/2008, foram considerados como retidos os valores lançados em contabilidade na conta “1102040009 INSS a recuperar”. Já para os demais períodos fiscalizados (01/2008 a 06/2008 e 01/2009 a 12/2011), face à ausência de contabilidade regular, foram utilizados os valores planilhados manualmente, de acordo com as notas fiscais apresentadas pela LYNX, valores estes que divergem daqueles declarados em GFIP no campo “Valor de Compensação de Retenção de 11%”. 15. Inobstante a deficiência na apresentação dos registros contábeis e a falta de esclarecimentos sobre as compensações efetuadas, não houve prejuízo total à fiscalização, na medida em que foram computadas todas as notas fiscais emitidas e apresentadas pela LYNX, bem como sua folha de pagamento do período. Desta forma, não foi necessário procederse à aferição por arbitramento da remuneração dos segurados, pois todas folhas de pagamento e notas fiscais entregues foram consideradas fidedignas, considerando sua compatibilidade, constância e verossimilhança. Portanto, a mera apresentação posterior de livros Razão omissos e de livros Diário autenticados, em sede de defesa, não alterará em nada o presente lançamento fiscal, que se baseou diretamente nos documentos fiscais fornecidos pela empresa. [...]” Esclarecemos que a escrituração contábil, além de ter finalidade gerencial, também possui uma finalidade probatória, especialmente para terceiros, sendo muitas vezes fundamentais para a resolução de um determinado litígio, no caso em tela para deslinde da controvérsia de que a base de cálculo apurada seria decorrente de uma presunção do Fisco. Do exame dos livros e demais documentos contábeis analisados, a auditoria fiscal constatou que havia valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais não declarados em GFIP. Fl. 10036DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 O art. 378 do Código de Processo Civil (CPC) dispõe que: “Art. 378. Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos”. Com efeito, vêse que a eficácia probatória dos livros e documentos contábeis, analisados pela auditoria fiscal, operase contra a Recorrente, eis que a base de cálculo lançada foi extraída de sua própria escrituração contábil. Nada impediria, todavia, que a Recorrente demonstrasse, por outros meios probatórios, que os lançamentos constantes da sua escrituração, que lhe é desfavorável, são equivocados, o que não foi demonstrado em nenhum momento, seja na peça de impugnação, seja na peça recursal. O recurso voluntário simplesmente traz alegações desprovidas de qualquer conjunto probatório que as sustente, de modo que, em se tratando da disponibilização de pagamentos a segurados empregados e contribuintes individuais pela Recorrente, que foram materializados nas folhas de pagamento e por ela própria informado à fiscalização, sem que haja qualquer demonstração de que efetivamente não se trata de um pagamento decorrente do trabalho, o que demonstraria que a sua própria informação estava equivocada, tais valores deverão ser considerados como remuneração, nos termos do art. 28, I, da Lei 8.212/1991. Ademais, as demais questões fáticas postuladas na peça recursal foram devidamente enfrentadas pela decisão de primeira instância, nos seguintes termos: “[...] 5.4. Destarte, os Livros Diário dos anos de 2009 e 2010 foram analisados pela fiscalização, mas considerados imprestáveis pelo fato de os lançamentos terem sido efetivados com códigos reduzidos e a encadernação impedir a perfeita identificação, a partir do Plano de Contas constante ao final dos Livros. 5.5. Após o encerramento do prazo para defesa, a empresa apresentou petição carreando aos autos as seguintes cópias: do Livro Razão n° 1, de 01/01/2011 a 31/12/2011, sem as assinaturas do representante legal e do contador da empresa (fls. 614/2054); do Livro Razão n° 1, de 01/01/2009 a 31/12/2009, sem as assinaturas do representante legal e do contador da empresa (fls. 2057/3081); do Livro Razão n° 8, de 01/01/2008 a 30/06/2008, sem a assinatura do representante legal da empresa (fls. 3085/3444); Livro Razão n° 9, de 01/07/2008 a 31/12/2008 (fls. 3446/3861); Livro Diário n° 11, de 01/01/2011 a 31/12/2011, sem registro e sem as assinaturas do representante legal e do contador da empresa (fls. 3864/6053; Termos de abertura e encerramento, fls. 4314 e 4311); Livro Diário n° 10, de 01/01/2010 a 31/12/2010 (fls. 6056/6856), Livro Diário n° 10, de 01/01/2009 a 31/12/2009 (fls. 6859/7817); Diário n° 8, de 01/01/2008 a 30/06/2008, sem registro (fls. 7821/8140); Livro Diário n° 9, de 01/07/08 a 31/12/2008 (fls. 8142/8513); e Livro Razão n° 1, de 01/01/2010 a 31/12/2010, sem as assinaturas do representante legal e do contador da empresa (fls. 8532/9913). 5.6. No recibo de entrega dos documentos (fl. 8520), consta a observação de terem sido entregues fotocópias e não os originais para conferência e autenticação das cópias apresentadas, o que reduz o valor probatório de tais documentos. Fl. 10037DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.722959/201390 Acórdão n.º 2402004.054 S2C4T2 Fl. 8 13 5.7. Acrescentese ainda que: as cópias do Livro Diário n° 11, de 01/01/2011 a 31/12/2011, revelam não se tratar de um Livro Contábil válido, eis que não constam as assinaturas do representante legal e do contador da empresa e nem o registro (sem um Livro Diário para amparálo, o Livro Razão n° 1, de 01/01/2011 a 31/12/2011, não tem respaldo, além de também não ter sido assinado); e as cópias dos Livros Diário n° 10, de 01/01/2009 a 31/12/2009 e de 01/01/2010 a 31/12/2010, revelam que os livros em tela foram desencadernados (a cópia apresentada evidencia a exposição da junção e da costura das folhas, inclusive com inutilização de parte da numeração dos códigos das contas relacionadas no Plano de Contas fls. 6838/6855 e 7804/7816), a confirmar a alegação da fiscalização de a encadernação impossibilitar a visualização dos códigos reduzidos das contas. Destaquese que a desconjunção dos Livros e a inutilização parcial da impressão configurase como mais um motivo para se retirar o valor probatório da escrituração, a comprometer também os respectivos Livros Razão, já maculados pela falta de assinatura do representante legal e do contador da empresa. [...]” (Acórdão no 0643.824 da 5a Turma da DRJ/CTA) Portanto, caberia a Recorrente demonstrar o contrário por meio de documentos idôneos – tais como folhas de pagamentos, escrituração contábil, recibos de pagamentos, Guias de Recolhimentos (GPS), Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), dentre outros – que os valores declarados nas folhas de pagamento e na contabilidade, devidamente apresentados ao Fisco durante o procedimento de auditoria fiscal, não espelhavam a realidade contábil da empresa. Dentro desse contexto e pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. No que tange à arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, da legislação tributária que dispõe sobre a utilização da taxa de juros (Taxa SELIC), frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estar prevista em lei específica tributária, art. 5o, §3o, da Lei 9.430/1996, transcrito abaixo: Art. 5o. (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Fl. 10038DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Com o mesmo entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manifestouse que é legitima a incidência da Taxa SELIC sobre os tributos não recolhidos no prazo legal, conforme ficou assentado no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação tributária acima mencionada, já que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante Fl. 10039DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.722959/201390 Acórdão n.º 2402004.054 S2C4T2 Fl. 9 15 da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.) O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecem os arts. 35 e 35A da Lei 8.212/1991, com as alterações da Lei 11.941/2009, a multa de mora (20%) deverá ser afastada e deverá ser aplicada a multa de ofício (75%), eis que se trata de lançamento de ofício. Essa sistemática de aplicação da multa, oriunda de obrigação tributária principal, sofreu alteração por meio do disposto nos artigos 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 10040DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo realizou compensações indevidas e, consequentemente, deixou de recolher contribuições previdenciárias, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais (fls. 31/32), em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. Também esclareço que não há espaço jurídico para aplicação da multa mais benéfica ao sujeito passivo, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do Código Tributário Nacional CTN (tempus regit actum: “o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”). A regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Fl. 10041DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.722959/201390 Acórdão n.º 2402004.054 S2C4T2 Fl. 10 17 Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, já que ela seria abusiva e desproporcional, e deveria ser relevada, razão não confiro ao Recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação previdenciária descrita acima. Ademais, conforme registramos anteriormente, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio constitucional da isonomia e teria caráter confiscatório, ora pretendida pela Recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa, conforme prevê o art. 35A da Lei 8.212/1991, com as alterações da Lei 11.941/2009, já que se trata de uma multa pecuniária. Não recolhendo na época própria o sujeito passivo tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Por fim, quanto à Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), este Conselho não detém competência para analisar a questão, conforme enunciado da Súmula. 28 do CARF, a seguir: Súmula CARF 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para fins Penais. Fl. 10042DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER, em parte, do recurso e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Com relação aos valores oriundos da glosa de compensação, deixo consignado que deverá haver a suspensão dos efeitos deste Acórdão, eis que a cobrança do crédito objeto do presente auto de infração somente poderá ser levado a efeito quando transitado em julgado o processo judicial de número 500598088.2010.404.7000 (2a Vara Federal em Curitiba/PR, Tribunal Regional Federal da 4a Região), sobrestado pela interposição do Recurso Especial (REsp) 1230957. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 10043DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 15586.000956/2010-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.549
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
Presidente Substituta
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
EDITADO EM 27/06/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente Substituta), Winderley Morais Pereira (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente).
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Presidente Substituta FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator EDITADO EM 27/06/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente Substituta), Winderley Morais Pereira (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000956/201025 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.549 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 26 de junho de 2013 Assunto COFINS/PIS CRÉDITO INDEVIDO INIDONEIDADE Recorrente REALCAFÉ SOLÚVEL DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converteuse o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Presidente Substituta FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator EDITADO EM 27/06/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente Substituta), Winderley Morais Pereira (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Relatório. Tratase de Recurso Voluntário (fls. 4080/4125 Vol. 21) interposto contra o v. Acórdão/DRJ/RJOII nº 1333.347 exarado em 10/02/11 (fls. 4054/4069 vol. 21) pela 5ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro RJ que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar procedentes”, “nos termos do relatório e voto os seguintes lançamentos originais: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .0 00 95 6/ 20 10 -2 5 Fl. 4199DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 15586.000956/201025 Resolução nº 3402000.549 S3C4T2 Fl. 3 2 a) Contribuição para o PIS (MPF nº 0720100/00241/10 fls. 3861/3873 vol. 20), notificado em 04/10/10 (fls. 3873 vol. 20), no valor total de R$ 2.593.583,41 (PIS R$ 35.365,98; Juros R$ 23.422,22; Multa proporcional R$ 53.048,96; Multa Regulamentar R$ 2.481.746,25), que acusou a ora Recorrente de falta de recolhimento do PIS no período de 31/03/06 a 31/03/10 em razão de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS do “valor obtido em decisão favorável na 21ª Vara Federal, nos autos do Mandado de Segurança nº 99.00166582RJ o valor relativo ao crédito prêmio de IPI, uma vez que o mesmo não o incluiu na determinação do débito apurado das referidas contribuições” (cf. TVF fls. 11/12), pelo que a d. Fiscalização considerou infringidos os dispositivos capitulados no AI, e devidos juros à taxa SELIC nos termos do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96; b) COFINS (MPF nº 0720100/00241/10 fls. 3874/3891 vol. 20), notificado em 04/10/10 (fls. 3875 vol. 20), no valor total de R$ 11.875.126,55 (COFINS R$ 141.444,09; Juros R$ 93.192,61; Multa Proporcional R$ 212.166,13; Multa Regulamentar R$ 11.428.323,72), que acusou a ora Recorrente de falta de recolhimento do COFINS no período de 31/01/05 a 30/09/10 em razão de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS do “valor obtido em decisão favorável na 21ª Vara Federal, nos autos do Mandado de Segurança nº 99.00166582RJ o valor relativo ao crédito prêmio de IPI, uma vez que o mesmo não o incluiu na determinação do débito apurado das referidas contribuições” (cf. TVF fls. 11/12), pelo que a d. Fiscalização considerou infringidos os dispositivos capitulados no AI, e devidos juros à taxa SELIC nos termos do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. decisão de fls. 4054/4069 (vol. 21) da 5ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro RJ, houve por bem “julgar procedentes” os lançamentos originais, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2005, 30/04/2005, 31/03/200 31/01/2007, 31101/2008, 29/02/2008, 31/03/2008, 30/04/200 31/05/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/200 28/02/2010, 31/03/2010 Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, ou mesmo de se obter ressarcimento ou compensação mediante a utilização de créditos fictícios, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, ainda que se refira à aplicação de multa de lançamento de oficio isolada, sobre o sujeito passivo autuado. Multa de Oficio. Sonegação. Qualificação. A multa de oficio qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, mormente em situações que evidenciem conduta planejada e executada mediante ajuste doloso. Fl. 4200DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 15586.000956/201025 Resolução nº 3402000.549 S3C4T2 Fl. 4 3 Matéria não Impugnada Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas administrativo fiscal em relação à matéria que não expressamente contestada pelo impugnante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 01/01/2005, 30/04/2005, 31/10/2005? 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/l2/2007, 30/04/2008, 31/05/2008; 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 31/11/2008, 30/11/2008, 31/03/2009, 31/08/2009, 31/10/10/2009, 31/12/2009, 30/04/2010, 31/05/2010, 31/06/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, ou mesmo de se obter ressarcimento ou compensação mediante a utilização de créditos fictícios, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, ainda que se refira à aplicação de multa de lançamento de oficio isolada, sobre o sujeito passivo autuado. Multa de Ofício. Sonegação. Qualificação. A multa de oficio qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, mormente em situações que evidenciem conduta planejada e executada mediante ajuste doloso. Matéria não Impugnada Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Impugnação Improcedente” Em suas razões de Recurso Voluntário (fls. 4080/4125 Vol. 21) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de 1ª instância na parte em que a manteve tendo em vista: a) preliminarmente a decadência em relação aos fatos geradores de 01/05 a 04/05; b) a impossibilidade da aplicação concomitante de 02 penalidades no bojo do mesmo auto de infração; c) a improcedência da multa isolada de 150% por compensação indevida em face das mudanças de critério jurídico ocorridas ao longo das alterações promovidas na redação do artigo 18, da Lei n° 10.833/2003 e do princípio da irretroatividade da lei fiscal e da ausência de provas de que a Recorrente tenha agido com dolo ou máfé; d) a ausência de nexo de causalidade das operações realizadas pela recorrente com as diligências realizadas sob as denominações "operação tempo de colheita" e "operação broca" e a impossibilidade de extensão em face da recorrente dos efeitos dos atos praticados no âmbito da denominada "operação broca"; f) fundamentos jurídicos de validade e correção dos créditos de pis e Fl. 4201DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 15586.000956/201025 Resolução nº 3402000.549 S3C4T2 Fl. 5 4 cofins não cumulativos auferidos pela recorrente em face do artigo 82, da Lei n° 9.430/96, segundo o qual as empresas que comprovarem a efetivação do pagamento do preço e o recebimento das mercadorias não poderão ter seus créditos glosados. É o relatório. Voto. O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade razão pela qula dele conheço. Desde logo constato que o mérito da controvérsia gira em torno da desconsideração das Notas Fiscais de aquisições feitas a empresas comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida que geraram a falta de recolhimento dos tributos e a cnsequente exigência das multas punitivas. A legislação de regência (art. 82 da Lei nº 9430/96) fixa critérios objetivos para aferição da inidoneidade de documentos fiscais para fins de desconsideração dos atos e negócios jurídicos que lhes são subjacentes, dentre os quais se contam a efetivação do pagamento do preço respectivo e do recebimento dos bens pelo adquirente, cuja constatação reputo imprescindível para dirimir a controvérsia sobre possibilidade (ou não) de desconsideração das Notas Fiscais e sobre a existência e legitimidade (ou não) do crédito ressarciendo. Isto posto voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que: a) a ora Recorrente seja intimada no prazo de 10 dias a fornecer e fazer juntar aos autos dos comprovantes de pagamentos do preço das mercadorias retratadas nas Notas Fiscais de aquisições feitas às comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, bem como dos comprovantes de efetiva entrada das mercadorias em seu estabelecimento, devidamente instruídos com planilha resumo; b) que a d. Fiscalização informe conclusivamente (com xerocópias) quais as datas de publicação no DOU e a fundamentação dos atos que declararam a inaptidão do CNPJ das comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, cujas Notas Fiscais de aquisição supostamente geradoras dos créditos ressarciendos foram glosadas; c) seja a Recorrente intimada das informações fiscais para manifestação no prazo de 10 dias, retornando os autos a julgamento. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2013 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 4202DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10467.720249/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
RECEITAS DE VENDAS. INCIDENCIA MONOFÁSICA. AUSÊNCIA DE CONTROLE. APURAÇÃO.
A falta do devido controle por parte do contribuinte das receitas mensais das vendas dos produtos submetidos à incidência monofásica da contribuição respalda a apuração fiscal dos valores sujeitos à incidência não cumulativa das contribuições, com base na escrita contábil e fiscal do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3101-001.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 27/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 RECEITAS DE VENDAS. INCIDENCIA MONOFÁSICA. AUSÊNCIA DE CONTROLE. APURAÇÃO. A falta do devido controle por parte do contribuinte das receitas mensais das vendas dos produtos submetidos à incidência monofásica da contribuição respalda a apuração fiscal dos valores sujeitos à incidência não cumulativa das contribuições, com base na escrita contábil e fiscal do contribuinte. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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INCIDENCIA MONOFÁSICA. AUSÊNCIA DE CONTROLE. APURAÇÃO. A falta do devido controle por parte do contribuinte das receitas mensais das vendas dos produtos submetidos à incidência monofásica da contribuição respalda a apuração fiscal dos valores sujeitos à incidência não cumulativa das contribuições, com base na escrita contábil e fiscal do contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 RECEITAS DE VENDAS. INCIDENCIA MONOFÁSICA. AUSÊNCIA DE CONTROLE. APURAÇÃO. A falta do devido controle por parte do contribuinte das receitas mensais das vendas dos produtos submetidos à incidência monofásica da contribuição respalda a apuração fiscal dos valores sujeitos à incidência não cumulativa das contribuições, com base na escrita contábil e fiscal do contribuinte. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 72 02 49 /2 01 0- 91 Fl. 37998DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 27/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrado em 16/09/2010 (fls. 659/677 e 678/692), no qual são exigidos (i) contribuição para o PIS, dos períodos de apuração de janeiro/2006 a dezembro/2008, no valor principal de R$ 103.839,03, mais juros de mora e multa de ofício de 150%; (ii) multas regulamentares, no montante de R$ 2.500,00, por omissão ou prestação de informação inexata junto a Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (DACON); e (iii) COFINS, no valor principal de R$ 478.289,50, dos períodos de apuração de janeiro/2006 a dezembro/2008, mais juros de mora e multa de ofício de 150%. De acordo com o entendimento fiscal reproduzido no Relatório de Trabalho Fiscal (fls. 693707), no período acima, a autuada, que atua no comércio de peças e de acessórios novos para veículos automotores, auferiu receitas de vendas de autopeças listadas nos Anexos I e II, da Lei nº 10.485/2002, sujeitas, a partir de 1º/08/2004, à tributação monofásica para o PIS e a COFINS. Também comercializou diversos itens, pormenorizados na planilha “Relação de Produtos Não Sujeitos a Incidência Monofásica” (fls. 1823), que, segundo classificação fiscal das notas fiscais de entrada emitidas pelos fornecedores, não se tratam das autopeças discriminadas em referidos Anexos, razão por que não seriam submetidos à incidência monofásica. O trabalho fiscal também relata que o contribuinte, objetivando reconhecimento judicial do direito ao creditamento da contribuição para o PIS e da COFINS sobre as aquisições de autopeças, acessórios e veículos novos, ajuizou a ação nº 2008.82.00.0070114, na qual jamais lhe foi proferida decisão favorável. O Relatório Fiscal expõe que, após análise dos documentos solicitados por Termos de Intimação Fiscal expedidos durante diligência fiscal instaurada para analisar créditos da nãocumulatividade da contribuição para o PIS e da COFINS sobre aquisições de bens para revenda, detectouse creditamento indevido sobre bens subordinados à tributação monofásica na forma da Lei nº 10.485/2002, razão pela qual, com a finalidade de constituir o crédito tributário devido, a diligência foi convertida em fiscalização, cujo Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIF) requereu a apresentação de diversos documentos. Em 12/03/2010, foi lavrado o Termo de Constatação e Intimação Fiscal, em face dos seguintes fatos apurados no procedimento fiscal: (i) Que as notas fiscais de vendas do contribuinte não destacam as receitas referentes à revenda de produtos adquiridos sujeitos a incidência monofásica daqueles sujeitos a tributação normal; (ii) Que intimado a apresentar documentação que evidenciasse o controle das receitas de vendas em relação às entradas adquiridas sujeitas a incidência monofásica e as entradas normais, para fins de apuração do PIS e da COFINS no regime nãocumulativo, o contribuinte informou não possuir tal controle visto que a empresa foi informada pelos fornecedores que a tributação de todos os produtos era monofásica; (iii) Que, conforme relação anexa ao termo, a empresa não se limita a revenda de Fl. 37999DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10467.720249/201091 Acórdão n.º 3101001.592 S3C1T1 Fl. 4 3 autopeças sujeita à incidência monofásica, mas também comercializa diversos outros itens, cuja classificação fiscal informada nas notas fiscais de entrada, pelos fornecedores, não se encontra no rol dos produtos de autopeças constantes nos anexos I e II da Lei nº 10.485/02, ou seja, não estão sujeitas à incidência monofásica; (iv) Que as notas fiscais de vendas não apresentam a classificação fiscal dos produtos e que a descrição desses produtos nas notas não guardam consonância com a descrição dada pelos fornecedores nas notas fiscais de entradas, impossibilitando a esta autoridade fiscal de quantificar as receitas relativas a revenda de produtos com incidência monofásica, para fins de exclusão da base de cálculo das contribuições na apuração do PIS e da COFINS a alíquota de 1,65% e 7,6%, respectivamente, no regime nãocumulativo; (v) Que os Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – DACON – referentes aos meses de setembro e dezembro/2006 e de todos os meses dos anos calendário de 2007 e 2008 não apresentam receitas de vendas (valores zerados) sujeitas a apuração do PIS e da COFINS a alíquota de 1,65% e 7,6%, respectivamente, e que as Guias de Informação Mensal do ICMS, apresentadas pelo contribuinte ao fisco estadual, apresentam valores referentes a saídas de produtos nesses períodos. Relata a fiscalização que o contribuinte foi intimado a prestar os esclarecimentos e identificar as receitas com a revenda de mercadorias, obtidas nos meses de setembro e dezembro/2006 e em todos os meses dos anoscalendário de 2007 e 2008, segregando os valores, conforme a origem dos produtos, em revenda de produtos sujeitos a incidência monofásica e não sujeitos a incidência monofásica. Informa também que, em face ao não atendimento satisfatório da intimação, foram lavrados termos de reintimação (aos 09/04/2010 e aos 05/05/2010), os quais também não foram satisfatoriamente atendidos. A fiscalização considerou, na apuração do PIS e COFINS, para os meses de setembro a dezembro de 2006 e para todos dos anos de 2007 e de 2008, o total das saídas indicadas nas Guias de Informação Mensal do ICMS (GIM) como receitas submetidas às alíquotas de 1,65% (para a contribuição para o PIS) e de 7,6% (para a COFINS), em virtude da inexistência de informações a respeito nos DACON destes meses e da omissão do sujeito passivo em prestar esclarecimentos sobre a questão; confeccionou a planilha “Apuração dos créditos de PIS e COFINS” (fls. 623658), correspondente a todos os produtos não submetidos, em razão das respectivas classificações fiscais, à incidência monofásica (concentrada) da contribuição para o PIS e da COFINS; admitiu créditos a descontar da contribuição para o PIS e da COFINS sobre seguro e frete suportados pelo comprador, pagos na aquisição das mercadorias para revenda, integrantes dos correspondentes custos de aquisição. Também foi constato pela fiscalização que, apesar de não ter havido aquisição formal do estabelecimento comercial, a empresa RS DISTRIBUIDORA DE PEÇAS LTDA adquiriu em agosto de 2008 a totalidade do estoque da fiscalizada, mediante nota fiscal de venda por esta emitida (NF nº 58164, de 13/08/2008 – R$ 752.338,63, às fls. 412). Constatouse também que após agosto de 2008 até o final do exercício, somente há registros na contabilidade da empresa de venda de mercadorias exclusivamente para a empresa RS DISTRIBUIDORA, que tinha os mesmos sócios da autuada e que passou a exercer suas atividades no mesmo endereço, com o mesmo nome da antecessora na fachada do estabelecimento. A empresa RS DISTRIBUIDORA DE PEÇAS LTDA, CNPJ 09.193.036/000103, foi arrolada como responsável solidária, por sucessão (Termo de Responsabilidade Tributária às fls. 06). Regularmente cientificada da lavratura dos autos de infração, a ora recorrente interpôs tempestiva impugnação (fls. 715727). A empresa responsável solidária não apresentou impugnação. Fl. 38000DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Na impugnação, a empresa autuada insurgese contra os lançamentos, alegando, em síntese: (i) que iniciou o processo de identificação de falhas de forma a conseguir sanar o problema, e, deste modo, procedeu ao levantamento a partir dos Livros de Apuração do ICMS dos anos de 2006, 2007 e 2008, apurando o montante total de vendas e das compras no período. (ii) Afirma que, no entanto, comercializou, durante os exercícios acima, produtos previstos nos Anexos I e II, da Lei nº 10.485/2002, que se submetem a recolhimento monofásico da contribuição para o PIS e da COFINS junto ao fabricante/importador, tendo iniciado “forçatarefa” para identificar quais itens por ela comercializados seriam sujeitos à incidência monofásica, apresentando “Relatório de Classificações Fiscais”. Apresenta demonstrativo da contribuição para o PIS e da COFINS a recolher, relativo aos anos de 2007 e 2008, e afirma que não foi possível finalizar, nota a nota, o levantamento do 1º semestre de 2007, tampouco o do ano de 2006. Para todo o ano de 2007 e para o ano de 2006, utilizouse do percentual encontrado no 2º semestre de 2007 na apuração dos valores sujeitos à incidência monofásica. (iii) Afirma que aplicou sobre as compras, os mesmos percentuais adotados para as vendas, que foram utilizados para abater dos valores devidos das contribuições. (iv) Informa ainda que deixou de tributar 100% de suas receitas de vendas pela informação prestada por seus fornecedores, que todos os itens de autopeças passaram a não mais ter incidência da contribuição para o PIS e da COFINS na revenda realizada pelos distribuidores e varejistas. Reconheceu que se fazia necessário um cadastro amplo de todos os itens e suas respectivas classificações fiscais para que, deste modo, pudesse identificar o que de fato deveria ser tributado, mas que por ter emitido cerca de 30.000 notas fiscais, o trabalho seria extremamente penoso e demorado, razão pela qual não foi viável entregar à Fiscalização, quando solicitados, os devidos levantamentos. (v) Em razão do exposto, requereu ao final a improcedência parcial da ação fiscal, com a redução do débito fiscal reclamado para R$ 17.413,13 (em relação à contribuição para o PIS) e para R$ 80.205,89 (no tangente à COFINS), perfazendo o montante global de R$ 97.619,02, o qual solicita seja incluído no Programa de Recuperação Fiscal. À impugnação foram anexados (i) demonstrativo de débitos (fls. 728/729); (ii) faturas de energia elétrica (fls. 819/830), (iii) Relatório de Classificações Fiscais (fls. 831), (iii) planilha de vendas (fls. 832/2.344) e (iv) cópias de notas fiscais (fls. 2.345/14.769). A DRJ de Recife, por meio do Despacho de Diligência de fls. 14.773/14.780, devolveu os autos à Unidade de Origem no sentido de: (i) apartar os débitos atinentes às multas regulamentares não questionadas; (ii) intimar a contribuinte a discriminar, detalhadamente, dentre as entradas de mercadorias por ela adquiridas para revenda, aquelas que estão, bem como as que não estão, sujeitas à tributação monofásica da contribuição para o PIS e COFINS, e apresentar, em relação a esta última parcela (compras de produtos não sujeitos à tributação concentrada), demonstrativos dos créditos destas contribuições que entende devidos, sob o regime da nãocumulatividade; demonstrar, pormenorizadamente, para o 1º semestre de 2007, bem como para os 1º e 2º semestres de 2006, as saídas de mercadorias por ela comercializadas que estão, bem como as que não estão, sujeitas à tributação monofásica, apresentando o cálculo dos correspondentes valores da contribuição para o PIS e da COFINS devidos em relação aos produtos não submetidos à tributação concentrada; apresentar a documentação comprobatória da exatidão dos demonstrativos apresentados que acaso ainda não esteja anexada aos autos; (iii) conferir, em face dos demonstrativos apresentados pela diligenciada e dos respectivos Fl. 38001DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10467.720249/201091 Acórdão n.º 3101001.592 S3C1T1 Fl. 5 5 documentos comprobatórios, a exatidão dos cálculos e dos valores devidos, com a separação dos valores relativos à incidência monofásica daquelas sujeitas à incidência não cumulativa das contribuições, elaborando demonstrativos. A diligência requerida foi devidamente realizada, fls. 14.78235.180. Consta do Relatório de Diligência Fiscal (fls. 29.57829.582) que a empresa, regularmente intimada, não apresentou os elementos solicitados conforme determinação da DRJ, apesar da prorrogação solicitada e reintimação. Apenas parte dos documentos e informações foram apresentadas, segundo relato fiscal. Portanto, não foram apresentados demonstrativos de créditos da contribuição para o PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo, razão pela qual foram mantidos os valores confirmados no curso da ação fiscal que resultou nas autuações atacadas. A diligência fiscal apurou que, a partir dos demonstrativos dos débitos da contribuição para o PIS e da COFINS em planilhas EXCEL, apresentados pela autuada, a descrição da maioria dos produtos constantes das notas fiscais de venda emitidas pela empresa não tinham correspondência com a contida nas notas fiscais dos fornecedores; logo, a correlação entre as entradas de mercadorias para revenda e as saídas destes produtos foi aferida por meio da relação entre a referência do fabricante e o código do produto constante das notas fiscais de venda, segundo planilha “Referência do Fabricante”, apresentada pela diligenciada; a partir das informações acima, foram selecionados os produtos indicados como “isentos” naquelas planilhas e foi construído banco de dados consolidado que objetivava a perfeita identificação do item por intermédio do fabricante com a correspondente classificação fiscal informada nos demonstrativos apresentados pela contribuinte e, para tanto, esta foi intimada a complementar a planilha com o nome do fornecedor/ fabricante e a descrição detalhada do produto, o que foi devidamente atendido, tendo sido pelo autuante acrescentada a descrição de cada classificação fiscal obtida por consulta à Tabela de Incidência do IPI – TIPI. Foi realizado comparativo entre o produto vendido, consoante apontado pelo próprio sujeito passivo, e o produto representado pela classificação fiscal da mercadoria e observadas as seguintes discrepâncias entre a classificação fiscal e diversos itens de produtos vendidos: (i) classificação fiscal X produto descrito incompatíveis; (ii) classificação fiscal não informada; (iii) classificação fiscal não incluída no rol da Lei nº 10.485/2002; (iv) classificação fiscal inexistente; e (v) produtos sem descrição – o que inviabilizou a aferição do “correto enquadramento quanto a sua isenção”. Assim, conclui a diligência fiscal, que a incompatibilidade entre a classificação fiscal e o produto vendido não permite a ratificação da situação de isento para estes produtos. Dessa forma, a autoridade diligente efetuou a reclassificação desses produtos nos demonstrativos de apuração dos débitos da contribuição para o PIS e da COFINS apresentados pela diligenciada. A planilha ‘Demonstrativo das Saídas de Mercadorias Sujeitas e não Sujeitas a Tributação Concentrada’, anexa à Diligência, contém as informações apresentadas pela diligenciada nos demonstrativos supra citado, com a inserção da coluna ‘reclas’, a qual indica o produto para o qual a situação de isento foi reclassificada para tributável”. Quanto aos meses de setembro a dezembro de 2008, inexistem informações prestadas pelo contribuinte, razão pela qual foram mantidos os valores autuados na diligência. Após os levantamentos efetuados, foram elaborados quadros demonstrativos determinando, por período de apuração, o montante das contribuições para o PIS e da COFINS resultantes. Devidamente cientificada aos 01/12/2011 do resultado da diligência, a interessada manifestouse a respeito, alegando que fez levantamento dos itens objeto dos Fl. 38002DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 demonstrativos da fiscalização para identificar a sua classificação fiscal e que, diante do volume de itens cujas classificação fiscal do fornecedor diverge do informado no Relatório de Diligência Fiscal, seria necessário refazer todas as tabelas de cálculo das contribuições. Apresentou tabela segregando os valores mensais das compras por ela feitas entre 2006 e 2008 consideradas pela fiscalização como de produtos submetidos à tributação monofásica daquelas consideradas como não subordinadas a esta tributação (fls. 34.740/34.742), e, a partir daí, calculou o percentual das compras de produtos sujeitos à tributação monofásica naqueles anos em relação ao total das compras neles realizadas. Considerando que “o regime monofásico ou substituição tributária pressupõe que uma vez o pagamento foi realizado pelo fornecedor, não mais existirá o tributo nas fases seguintes” e “como a compra de 66,82% (2006), 69,74% (2007) e 71,33% (2008) foram de itens tributação monofásica de PIS e COFINS, logo a empresa teria o mesmo percentual de itens na venda sem a tributação”. A recorrente aplicou, mês a mês, para as vendas os mesmos percentuais mensais encontrados na diligência fiscal para as compras de produtos monofásicos e, agindo desta forma, redimensionou as bases de cálculo das contribuições encontradas pela autuação e pela diligência e, considerando os créditos sobre compras e despesas com energia elétrica nos anos de 2006 a 2008, apurou os valores a pagar da contribuição para o PIS e da COFINS constantes das tabelas de fls. 34.74834.749, que totalizam, respectivamente, os montantes de R$ 12.264,27 e 56.489,98, cuja inclusão no REFIS solicitou. A 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, em sessão de julgamento realizada em 19 de abril de 2012, por unanimidade de votos, assim decidiu: (i) considerar não impugnados: (i.1) a parcela dos débitos da contribuição para o PIS e da COFINS dos meses de janeiro de 2006 a agosto de 2008 listados nas colunas “PIS” e “COFINS” da planilha de fls. 728/729; (i.2) a totalidade dos débitos da contribuição para o PIS e da COFINS lançados em relação aos meses de setembro a dezembro de 2008 e das multas regulamentares autuadas; (i.3) as glosas de créditos sobre despesas com aluguéis pagos a pessoas jurídicas e com armazenagem e frete nas operações de venda, e, ainda, sobre as despesas com energia elétrica incorridas no ano de 2006; e (i.4) a responsabilidade solidária da empresa RS DISTRIBUIDORA DE PEÇAS LTDA; (ii) não tomar conhecimento do pedido de parcelamento dos débitos; e (iii) no mérito, julgar parcialmente procedente a impugnação de fls. 715/727 para: (iii.1) exonerar os valores da contribuição para o PIS e da COFINS embutidos nas colunas “”COFINS exonerada” e “PIS exonerada”, da planilha constante do item 115 do voto do Relator; (iii.2) manter os montantes da contribuição para o PIS e da COFINS insertos nas colunas “COFINS devida (mantida)” e “PIS devida (mantida)”, das tabelas insertas no item 115 do voto do relator; e (iii.3) manter os juros de mora e a multa de ofício de 150% sobre os valores mantidos. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde contesta novamente os valores relativos à incidência não cumulativa, aceitando os valores relativos aos créditos das contribuintes. Informa que aderiu ao parcelamento de parte dos valores lançados e por ela reconhecidos como devidos, e requer a improcedência parcial da ação fiscal de forma a reduzir o crédito tributário para o montante de R$ 42.200,14 (quarenta e dois mil, duzentos reais e quartoze centavos), sendo R$ 7.525,28 (sete mil, quinhentos e vinte e cinco reais e vinte e oito centavos) de Contribuição para o PIS e R$ 34.674,86 (trinta e quatro mil, seiscentos e setenta e quatro reais e oitenta e seis centavos) de Contribuição para Seguridade Social COFINS. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Fl. 38003DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10467.720249/201091 Acórdão n.º 3101001.592 S3C1T1 Fl. 6 7 É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O acórdão recorrido considerou como definitivo (i) a parcela dos débitos da contribuição para o PIS e da COFINS dos meses de janeiro de 2006 a agosto de 2008 listados nas colunas “PIS” e “COFINS” da planilha de fls. 728/729; (ii) a totalidade dos débitos da contribuição para o PIS e da COFINS lançados em relação aos meses de setembro a dezembro de 2008 e das multas regulamentares autuadas; (iii) as glosas de créditos sobre despesas com aluguéis pagos a pessoas jurídicas e com armazenagem e frete nas operações de venda, e, ainda, sobre as despesas com energia elétrica incorridas no ano de 2006; e (iv) a responsabilidade solidária da empresa RS DISTRIBUIDORA DE PEÇAS LTDA. Já foram exonerados no acórdão a quo os valores da contribuição para o PIS e da COFINS embutidos nas colunas “COFINS exonerada” e “PIS exonerada”, e foram mantidos os montantes da contribuição para o PIS e da COFINS insertos nas colunas “COFINS devida (mantida)” e “PIS devida (mantida)”, conforme tabela abaixo reproduzida, extraída do item 115 do voto do relator do acórdão recorrido: COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO Receitas tributação não concentrada (A) Bens adquiridos para revenda (tributação não concentrada) (B) Parcela das desp. energia elétrica com direito a crédito (C) Base cálculo contribuição devida (D) = (A) – (B) – (C) COFINS devida (E) = (D) * 0,076 COFINS lançada (F) COFINS exonerada (G) = (F) – (E) Janeiro/2006 96.025,17 46.460,74 * 49.564,43 3.766,90 8.418,34 4.651,44 Fevereiro/2006 86.034,07 63.703,02 * 22.331,05 1.697,16 5.817,54 4.120,38 Março/2006 77.021,30 54.506,13 * 22.515,17 1.711,15 4.777,82 3.066,67 Abril/2006 52.869,24 21.477,98 * 31.391,26 2.385,74 4.969,99 2.584,25 Maio/2006 86.236,86 49.225,02 * 37.011,84 2.812,90 6.786,87 3.973,97 Junho/2006 129.086,56 47.830,39 * 81.256,17 6.175,47 12.554,52 6.379,05 Julho/2006 126.874,36 28.457,04 * 98.417,32 7.479,72 13.384,41 5.904,69 Agosto/2006 179.102,16 67.776,84 * 111.325,32 8.460,72 13.211,26 4.750,54 Setembro/2006 183.474,64 37.109,94 * 146.364,70 11.123,72 14.081,61 2.957,89 Outubro/2006 186.935,85 46.789,80 * 140.146,05 10.651,10 19.331,13 8.680,03 Novembro/2006 140.800,71 51.195,42 * 89.605,29 6.810,00 13.898,84 7.088,84 Dezembro/2006 164.389,08 72.288,28 * 92.100,80 6.999,66 14.833,37 7.833,71 Janeiro/2007 215.687,56 60.130,17 555,42 155.001,97 11.780,15 23.032,54 11.252,39 Fevereiro/2007 160.772,90 56.395,01 555,91 103.821,98 7.890,47 15.887,30 7.996,83 Março/2007 130.254,50 37.093,60 572,63 92.588,27 7.036,71 12.940,31 5.903,60 Abril/2007 71.586,28 20.531,07 558,35 50.496,86 3.837,76 7.756,73 3.918,97 Maio/2007 168.469,75 44.655,80 624,32 123.189,63 9.362,41 15.723,96 6.361,55 Junho/2007 124.451,71 39.176,82 411,75 84.863,14 6.449,60 13.080,67 6.631,07 Julho/2007 122.299,73 72.123,61 465,73 49.710,39 3.777,99 9.590,08 5.812,09 Agosto/2007 145.095,44 23.215,58 413,33 121.466,53 9.231,46 16.869,98 7.638,52 Setembro/2007 98.191,99 96.642,16 379,19 1.170,64 88,97 5.665,32 5.576,35 Outubro/2007 117.351,38 40.780,70 502,80 76.067,88 5.781,16 12.414,61 6.633,45 Novembro/007 139.164,99 30.196,90 479,61 108.488,48 8.245,12 15.242,57 6.997,45 Dezembro/2007 121.414,17 58.608,88 523,58 62.281,71 4.733,41 10.946,02 6.212,61 Janeiro/2008 163.517,67 52.373,22 550,31 110.594,14 8.405,15 17.154,20 8.749,05 Fevereiro/2008 129.601,82 52.449,09 500,22 76.652,51 5.825,59 11.883,86 6.058,27 Março/2008 147.874,76 56.307,41 555,87 91.011,48 6.916,87 13.650,14 6.733,27 Abril/2008 120.188,83 37.118,59 474,60 82.595,64 6.277,27 13.024,66 6.747,39 Fl. 38004DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 PERÍODO DE APURAÇÃO Receitas tributação não concentrada (A) Bens adquiridos para revenda (tributação não concentrada) (B) Parcela das desp. energia elétrica com direito a crédito (C) Base cálculo contribuição devida (D) = (A) – (B) – (C) COFINS devida (E) = (D) * 0,076 COFINS lançada (F) COFINS exonerada (G) = (F) – (E) Maio/2008 153.993,51 18.974,96 416,50 134.602,05 10.229,76 19.534,24 9.304,48 Junho/2008 185.045,25 71.483,98 15,48 113.545,79 8.629,48 18.572,69 9.943,21 Julho/2008 215.766,82 26.923,64 7,77 188.835,41 14.351,49 26.783,84 12.432,35 Agosto/2008 478.715,48 32.341,73 7,31 446.366,44 33.923,85 64.489,56 30.565,71 PIS PERÍODO DE APURAÇÃO Receitas tributação não concentrada (A) Bens adquiridos para revenda (tributação não concentrada) (B) Parcela das desp. energia elétrica com direito a crédito (C) Base cálculo contribuição devida (D) = (A) – (B) – (C) COFINS devida (E) = (D) * 0,076 COFINS lançada (F) COFINS exonerada (G) = (F) – (E) Janeiro/2006 96.025,17 46.460,74 * 49.564,43 817,81 1.827,66 1.009,85 Fevereiro/2006 86.034,07 63.703,02 * 22.331,05 368,46 1.263,01 894,55 Março/2006 77.021,30 54.506,13 * 22.515,17 371,50 1.037,29 665,79 Abril/2006 52.869,24 21.477,98 * 31.391,26 517,96 1.079,01 561,05 Maio/2006 86.236,86 49.225,02 * 37.011,84 610,70 1.473,46 862,76 Junho/2006 129.086,56 47.830,39 * 81.256,17 1.340,73 2.725,65 1.384,92 Julho/2006 126.874,36 28.457,04 * 98.417,32 1.623,89 2.905,82 1.281,93 Agosto/2006 179.102,16 67.776,84 * 111.325,32 1.836,87 2.868,23 1.031,36 Setembro/2006 183.474,64 37.109,94 * 146.364,70 2.415,02 3.057,19 642,17 Outubro/2006 186.935,85 46.789,80 * 140.146,05 2.312,41 4.196,89 1.884,48 Novembro/2006 140.800,71 51.195,42 * 89.605,29 1.478,49 3.017,51 1.539,02 Dezembro/2006 164.389,08 72.288,28 * 92.100,80 1.519,66 3.220,40 1.700,74 Janeiro/2007 215.687,56 60.130,17 555,42 155.001,97 2.557,53 5.000,48 2.442,95 Fevereiro/2007 160.772,90 56.395,01 555,91 103.821,98 1.713,06 3.449,21 1.736,15 Março/2007 130.254,50 37.093,60 572,63 92.588,27 1.527,71 2.809,41 1.281,70 Abril/2007 71.586,28 20.531,07 558,35 50.496,86 833,20 1.684,02 850,82 Maio/2007 168.469,75 44.655,80 624,32 123.189,63 2.032,63 3.413,75 1.381,12 Junho/2007 124.451,71 39.176,82 411,75 84.863,14 1.400,24 2.839,88 1.439,64 Julho/2007 122.299,73 72.123,61 465,73 49.710,39 820,22 2.082,05 1.261,83 Agosto/2007 145.095,44 23.215,58 413,33 121.466,53 2.004,20 3.662,56 1.658,36 Setembro/2007 98.191,99 96.642,16 379,19 1.170,64 19,32 1.229,97 1.210,65 Outubro/2007 117.351,38 40.780,70 502,80 76.067,88 1.255,12 2.695,27 1.440,15 Novembro/007 139.164,99 30.196,90 479,61 108.488,48 1.790,06 3.309,24 1.519,18 Dezembro/2007 121.414,17 58.608,88 523,58 62.281,71 1.027,65 2.376,43 1.348,78 Janeiro/2008 163.517,67 52.373,22 550,31 110.594,14 1.824,80 3.724,26 1.899,46 Fevereiro/2008 129.601,82 52.449,09 500,22 76.652,51 1.264,77 2.580,04 1.315,27 Março/2008 147.874,76 56.307,41 555,87 91.011,48 1.501,69 2.963,51 1.461,82 Abril/2008 120.188,83 37.118,59 474,60 82.595,64 1.362,83 2.827,72 1.464,89 Maio/2008 153.993,51 18.974,96 416,50 134.602,05 2.220,93 4.240,98 2.020,05 Junho/2008 185.045,25 71.483,98 15,48 113.545,79 1.873,51 4.032,23 2.158,72 Julho/2008 215.766,82 26.923,64 7,77 188.835,41 3.115,78 5.814,91 2.699,13 Agosto/2008 478.715,48 32.341,73 7,31 446.366,44 7.365,05 14.001,02 6.635,97 Os valores creditados referentes à parcela das despesas de energia elétrica (coluna C), nos anos de 2007 e 2008, foram calculados pelo relator do acórdão recorrido, observada a relação percentual entre as receitas nãocumulativas (com direito à apuração de créditos da nãocumulatividade da contribuição para o PIS e da COFINS) e as receitas totais auferidas pela contribuinte, conforme tabela do item 114 do acórdão recorrido (fls.35227 35228). A recorrente concorda em seu recurso voluntário com os valores confirmados pela DRJ acerca da base de cálculo dos créditos das contribuições. A divergência a ser apreciada no presente julgamento restringese ao valor apurado relativo às receitas de tributação não concentrada, sujeitas à incidência cumulativa das contribuições do PIS e da COFINS, e os valores sujeitos à incidência monofásica. Fl. 38005DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10467.720249/201091 Acórdão n.º 3101001.592 S3C1T1 Fl. 7 9 Consta do Relatório de Diligência Fiscal (fls. 29.57829.582) todo o detalhamento da apuração efetuada por determinação da DRJ, com a metodologia adotada, com os elementos de prova levantados, inclusive obtidos junto a própria recorrente, as divergências apuradas em análise dos valores apresentados pela interessada, e os valores calculados das bases de calculo das contribuições, dos créditos, e das contribuições devidas. A recorrente alega que realizou o levantamento dos itens objeto dos demonstrativos da fiscalização encontrando divergências a qual não identifica. Afirma que a lista dos itens anexada à defesa de primeira instância demonstra que a quantidade itens enquadrados na sistemática monofásica é bem maior que os apresentados pela fiscalização e aceitos pela primeira instância de julgamento de processos. Afirma novamente que realizou levantamento minucioso de todas as vendas realizadas no período de 2006 a 2008 para identificar os valores de receita com e sem incidência do regime monofásico de pagamento de PIS e COFINS, apurando valores inferiores de receitas sem incidência monofásicas do que aqueles apurados pela fiscalização. Por fim, reconheceu o montante a recolher de R$ 24.938,39 (vinte e quatro mil, novecentos e trinta e oito reais e trinta e nove centavos) de PIS e de R$ 114.880,72 (cento e quartoze mil, oitocentos e oitenta reais e setenta e dois centavos) de COFINS, totalizando um montante de R$ 139.819,11 (cento e trinta e nove mil, oitocentos e dezenove reais e onze centavos), e que já tinha reconhecido parte do débito no montante de R$ 97.619,02 (noventa e sete mil, seiscentos e dezenove reais e dois centavos) sendo, R$ 17.413,12 (dezessete mil, quatrocentos e treze reais e doze centavos) de PIS e R$ 80.205,90 (oitenta mil, duzentos e cinco reais e noventa centavos) de COFINS, distribuídos em parcelamento na modalidade da Lei n° 11.941/2009. Apreciando as alegações da recorrente, constatamos que, mais uma vez, suas alegações não foram acompanhadas das correspondentes provas. A recorrente afirma em seu recurso voluntário que, “com a recomposição da apuração acima descrita e anexando os demonstrativos de apuração do regimes aplicado mensalmente, bem como extrato do parcelamento do parte reconhecida, não se faz mais necessário anexar nenhum outro documento tendo em vista que os mesmos já se encontram no processo”. Portanto, a apuração dos valores devidos das contribuições, que passam necessariamente pela segregação dos valores de vendas de produtos sujeitos à incidência não cumulativa daqueles sujeitos à incidência monofásica, está restrito aos elementos que constam dos presentes autos, que não são poucos. A autoridade lançadora, em procedimento revisional determinado pela DRJ, apurou, de forma detalhada, completa e fundamentada, a segregação dos valores das vendas da recorrente, com a perfeita identificação da base de cálculo das contribuições sujeitas às alíquotas não cumulativas, além dos devidos créditos a que tinha direito a recorrente, com a apuração dos valores devidos das contribuições. A contestação apresentada na diligência fiscal, e a utilização de valores médios das receitas sujeitas à incidência monofásica apurados em outros períodos ou considerando as entradas, não tem qualquer fundamento. Apenas se fossem apresentadas inconsistências de cálculos ou de metodologia na apuração efetuada pela autoridade lançadora em procedimento revisional determinado pela DRJ poderiam corroborar as alegações trazidas no recurso voluntário. Mas a própria recorrente alega que a apresentação de seus demonstrativos, cujos valores já foram contestados pela DRJ com base na apuração efetuada na diligência fiscal, seriam suficientes para comprovar suas alegações. E não foram. Fl. 38006DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 Correto está o levantamento feito pelo Relator do acórdão a quo (fls.35228 35229), demonstrando os valores das contribuições devidas por período de apuração e os valores exonerados, considerando na base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS nãocumulativas devidas às correspondentes alíquotas de 1,65% e de 7,6% unicamente as receitas de produtos não sujeitos à tributação concentrada, levandose em conta os créditos sobre os bens adquiridos para revenda apurados no curso da diligência e, ainda, os valores dos créditos sobre despesas com energia elétrica passíveis de creditamento. Dessa forma, não tendo a contribuinte apresentado fundamentos que pudessem infirmar a desconsideração, pela diligência, de parte das vendas que a contribuinte dizia sujeitas ao regime concentrado de tributação, confirmo o entendimento do acórdão recorrido, e tenho como corretos os valores das receitas totais, receitas sujeitas à tributação concentrada e receitas sujeitas à tributação plurifásica (tributação “normal”) levantadas pela Fiscalização no curso da diligência realizada, conforme consta resumidamente na planilha de fls. 29.58329.584 e pormenorizado nas planilhas de fls. 29.58534.736. Não foram objetos de recurso voluntário o lançamento das multas de ofício de 150%, de que trata o art. 44 da Lei nº 9.430, nem o lançamento dos juros moratórios, e a multa regulamentar por omissão ou prestação de informação inexata junto a Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (DACON). Em face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do presente voto. Sala das sessões, em 26 de fevereiro de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 38007DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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