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Numero do processo: 19515.001507/2007-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. DESNECESSIDADE DO JULGADOR ANALISAR TODOS OS ARGUMENTOS DA RECORRENTE.
Contudo, já é pacifico neste Conselho o entendimento de que o julgador não precisa rebater todos os argumentos apresentados pela parte se, o argumento abordado na decisão já se mostra suficiente para a formação da opinião do julgador
Numero da decisão: 1201-001.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os embargos opostos pelo sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. DESNECESSIDADE DO JULGADOR ANALISAR TODOS OS ARGUMENTOS DA RECORRENTE. Contudo, já é pacifico neste Conselho o entendimento de que o julgador não precisa rebater todos os argumentos apresentados pela parte se, o argumento abordado na decisão já se mostra suficiente para a formação da opinião do julgador Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os embargos opostos pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 07 /2 00 7- 93 Fl. 1116DF CARF MF 2 Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Recebidos os embargos tempestivos de fls. 1095, nos termos do art. 49, § 7º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 e alterações, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF). Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (fls. 1095) em que a CONTRIBUINTE alega OMISSÃO e CONTRADIÇÃO no Acórdão nº 1201001.094 proferido por esta 1ªTO/2ªCam/1ªSeção do CARF, conforme trecho dos Embargos que abaixo transcrevo: Ao analisar o caso, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu negar provimento ao recurso voluntário, com base nos mesmos argumentos apresentados no processo administrativo nº 19515.001510/2007 15 (que versa sobre as exigências de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e multa isolada). O Acórdão ora questionado foi assim ementado: "TRIBUTAÇÃO REFLEXA. MANUTENÇÃO DAS EXIGÊNCIAS DO IRPJ, CSLL, PIS E COFINS NOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 19515.001510/200715. CONSEQUÊNCIAS PARA O IPI EM RAZÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS. SAÍDAS DE MERCADORIAS SEM EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Mantida a exigência fiscal de IRPJ, CSLL, Pis e Cofins em razão da constatação de omissão de receitas, há que considerar o valor do IPI como devido sob o fundamento de saídas de mercadorias industrializadas do estabelecimento sem emissão de nota fiscal. Recurso conhecido e não provido." Por sua vez, o acórdão proferido nos autos do processo nº 19515.001510/200715 foi assim ementado: "PRECLUSÃO. INEXISTÊNCIA . CONTESTAÇÃO FEITA PELO CONTRIBUINTE QUE ATENDE AO DIREITO DE DEFESA E IMPUGNA O LANÇAMENTO. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA CAUSA MADURA NO JULGAMENTO. Não há preclusão no direito de apresentar em sede de Recurso Voluntário elementos objetivos que refutam o lançamento, visto que o contribuinte inclusive afirma em seu recurso que apresentará documentos e informações objetivas relativas aos fatos geradores, obtendo inclusive documentos com empresas estrangeiras, de forma a demonstrar a insustentabilidade das imputações fiscais. Aplicase o princípio da causa madura ao caso quando todos os elementos de fato e de direito estão Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 19515.001507/200793 Acórdão n.º 1201001.766 S1C2T1 Fl. 3 3 reunidos nos autos, sendo devidamente contestadas as imputações fiscais pelo contribuinte. BASE MAJORADA DO IRPJ NÃO OCORRÊNCIA. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS NÃO OPERACIONAIS COM LUCROS NÃO OPERACIONAIS. A IN 11/1996, em seu artigo 36, prevê que o prejuízo não operacional somente poderá ser compensado com o lucro não operacional. desse passivo não demonstrado. Inexistência de dupla tributação sobre o mesmo fato jurídico. VARIAÇÃO CAMBIAL. DESVALORIZAÇÃO DO REAL FRENTE AO DÓLAR. DESPESA INDEDUTÍVEL. A variação cambial ocorrida não é uma despesa necessária. A diferença do encargo assumido junto a instituição financeira e o encargo repassado a terceiros não pode ser considerada como dedutível nos termos do artigo 299 do RIR/99. VARIAÇÃO CAMBIAL. VALORIZAÇÃO DO REAL FRENTE AO DÓLAR. REGIME DE COMPETÊNCIA. Nos períodos de 2003 a 2005, as variações cambiais geraram receitas para a contribuinte, as quais foram regularmente incluídas na apuração de seu lucro real. Considerando que a contribuinte é optante pela apuração do lucro pelo regime de competência, a variação cambial deve ser reconhecida a cada período, independentemente da liquidação da operação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PISE COFINS. MULTA ISOLADA E ,\!ULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Esse Tribunal tem entendimento firme e pacífico de que as multas isoladas e de oficio não podem ser aplicadas sobre o mesmo fato e a mesma base de cálculo, devendo por critério de concomitância ser excluída a multa isolada. Recurso conhecido e parcialmente provido." TRIBUTAÇÃO SIMULTÂNEA DOS VALORES DE VARIAÇÕES CAMBIAIS PASSIVAS COMO RECEITAS OMITIDAS E COMO DESPESAS INDEDUTÍVEIS. NÃO OCORRÊNCIA. O valor de R$ 11.043.292,30, considerada como glosa de despesa financeira, decorre dos efeitos da despesa inexistente. Se o passivo não foi comprovado, como decorrência da omissão da receita, incorrerá a contribuinte em uma despesa indedutível (....) Fl. 1118DF CARF MF 4 Segundo a Embargante o acórdão incorreu em omissão, pois, não houve pronunciamento sobre argumentos essenciais expostos pela Embargante que demonstram a nulidade do lançamento fiscal e também contradição, uma vez que, apesar de admitirem a liquidação das dívidas que ensejaram a alegada omissão de receitas, os julgadores acabaram mantendo as respectivas exigências fiscais. A Embargante alega que os julgadores admitem que as dívidas que deram ensejo à omissão de receita foram liquidadas posteriormente (em 2005) através da conversão do passivo em investimento, assim, não poderia haver dúvida dos julgadores do CARF de que em dezembro de 2002, esse passivo era, efetivamente, exigível ou não havia sido pago. Em suma, segundo a Embargante não poderiam os julgadores, ao mesmo tempo, entenderem pela existência de passivo fictício em 2002 e pela liquidação do débito em 2005. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de admissibilidade, passo diretamente à análise dos vícios apontados. OMISSÃO A Embargante sustenta que o acórdão incorreu em omissão quanto a argumentos ditos essenciais que demonstrariam a nulidade do lançamento fiscal. Transcrevo trecho dos Embargos referente à alegada omissão: "Como já demonstrado, apesar de existir a presunção legal de omissão de receitas nos casos de passivo fictício, é fato inconteste que não existe autorização legal que permitisse ao fisco Federal presumir a existência do passivo fictício em si, de forma que as dd. autoridades fiscais deveriam ter buscado as informações e motivado devidamente o lançamento fiscal comprovando que as obrigações existentes no passivo da Embargante não existiam. A existência do alegado passivo fictício, portanto, deveria ter sido demonstrada e não presumida. Mais grave ainda, contudo, foi a imprecisão relacionada à motivação fática indicada pelo d. agente fiscal para suportar o lançamento. Isso porque, se por um lado temse que a Embargante está sendo acusada de omitir receitas com base na presunção legal veiculada pelo inciso III do art. 2811 do Regulamento de Imposto de Renda (RIR/99), por outro, a motivação fática apresentada para sustentar tal acusação é Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 19515.001507/200793 Acórdão n.º 1201001.766 S1C2T1 Fl. 4 5 totalmente obscura, uma vez que inexiste qualquer indicação sobre qual das duas situações previstas no referido inciso a Embargante se enquadraria. Sim, pois, não está claro no termo de verificação fiscal ou no próprio auto de infração qual seria, de fato, a irregularidade cometida, ou seja, se a d. fiscalização teria embasado a acusação de omissão de receitas em virtude da manutenção no passivo de (i) obrigações já pagas ou (ii) de obrigações cuja exigibilidade não foi comprovada. A despeito desse importante argumento trazido pela Embargante em seu recurso, inexiste no acórdão embargado qualquer menção, por parte dos dd. julgadores, sobre a nulidade decorrente da falta de indicação de qual das hipóteses do inciso IIl do mencionado art. 281." Conforme se verá mais adiante, é exatamente este o ponto que se avalia na análise de mérito do lançamento fiscal, ou seja, qual conduta do contribuinte que teria ensejado o lançamento fiscal, se a existência de valores já pagos no passivo ou obrigações de exigibilidade não comprovada. O racional adotado pelo acórdão embargado quando da análise de mérito, deixa claro que entendeu a turma de julgamento que fora exatamente a existência de obrigações de exigibilidade não comprovada que deu ensejo ao correto e ratificado lançamento fiscal. Assim, não enxergo a omissão alegada pela Embargante. Além disso, entendo que os julgadores deste Conselho não têm a obrigação de fazer referência a cada um dos argumentos apresentados pelo Contribuinte nos autos do processo. O trabalho do Conselheiro é julgar e o faz com base na análise dos argumentos das partes para, passo seguinte, formar seu convencimento. Me parece claro que as alegações trazidas aos autos foram analisadas, contudo, tais alegações foram insuficientes para convencer esta turma de julgamento acerca da improcedência do lançamento fiscal. Contudo, já é pacifico neste Conselho o entendimento de que o julgador não precisa rebater todos os argumentos apresentados pela parte se, o argumento abordado na decisão já se mostra suficiente para a formação da opinião do julgador. Assim, improcedente o argumento de omissão do acórdão embargado trazido pela Embargante. Da Contradição Fl. 1120DF CARF MF 6 Alega a Embargante contradição no acórdão embargado, pois, os julgadores admitiram a liquidação das dívidas que ensejaram a alegada omissão de receitas mas mantiveram as respectivas exigências fiscais. Não enxergo tal contradição. Para justificar meu entendimento, transcrevo abaixo, trecho do acórdão embargado: Já em relação à alegação da contribuinte quanto à conversão do passivo fictício em investimento na empresa brasileira pela controladora/fornecedora, tal fato somente ocorreu em 2005, quando se constatou pelos números do balanço dos anos de 2002 a 2005 que a empresa brasileira apresentava apenas prejuízo, e jamais conseguiria honrar o pagamento de valores com seu fornecedor. Por isso a empresa carregou em sua contabilidade e apuração fiscal um passivo de valores elevados, que no final acabou sendo convalidado em investimento mediante emissão de registro perante o Banco Central realizado apenas em janeiro de 2007, conforme documentos trazidos às fls. 598 e seguintes dos autos. A empresa apresentou os extratos do razão fazendo a composição (baixa) dos créditos e débitos, como forma de liquidar a dívida através do investimento ocorrido. Contudo, somente fez isso após o início do procedimento de fiscalização (a empresa vinha sendo fiscalizada desde o início de 2006), perdendo no meu modo de ver a espontaneidade em acertar sua contabilidade e o passivo mantido em sua contabilidade. Entendo que o tempo e a omissão na liquidação do passivo foram inimigos da empresa nesse caso, pois esperou a fiscalização apontar os problemas fiscais para fazer os registros via Banco Central dos valores como investimentos e acertar sua contabilidade liquidando as dívidas com os fornecedores estrangeiros. Nestes termos, mantenho a cobrança do passivo fictício como omissão de receita em relação ao saldo remanescente, visto que deverá ser descontado do valor como receita omitida a glosa da despesa da variação cambial passiva. Vejam, o acórdão, de fato, admite a liquidação do passivo existente na contabilidade através da conversão de tal montante em investimento. Contudo, o trecho acima do voto do ilustre Conselheiro Relator deixa claro que tal liquidação formalizada através de registro do investimento perante o Banco Central ocorreu somente em janeiro de 2007, ou seja, após o início do procedimento fiscalizatório, o que retirou a espontaneidade da conduta do contribuinte em regularizar seu passivo, daí a razão de manutenção do lançamento. Assim, inexistente qualquer contradição no acórdão ora Embargado. Conclusão Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 19515.001507/200793 Acórdão n.º 1201001.766 S1C2T1 Fl. 5 7 Diante do exposto, NÃO ACOLHO os Embargos de Declaração apresentados. É como voto! Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 1122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10814.723918/2014-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. RELATÓRIO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1335; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 66 1 65 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10814.723918/201413 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.590 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de maio de 2017 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente SABINNE MARIE TELLES DE CERJAT Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. RELATÓRIO Transcrevese o relatório elaborado no acórdão recorrido, por bem retratar a realidade dos fatos: “Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 02/05/2014, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa regulamentar, no valor de R$ 10.000,00, em virtude dos fatos a seguir escritos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 14 .7 23 91 8/ 20 14 -1 3 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10814.723918/201413 Resolução nº 3302000.590 S3C3T2 Fl. 67 2 Na noite de 01/05/2014, a Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil LUCIANA PIRES, matricula 880.831, em procedimento de vigilância aduaneira, por volta das 21:25h, estava realizando seu rotineiro trabalho de fiscalização na área restrita do desembarque internacional do terminal 1 do Aeroporto Internacional de Guarulhos/SP quando foi selecionada para vistoria a passageira SABINNE MARIE TELLES DE CERJAT, Passaporte Brasileiro n° YA644123, CPF 864.863.22934, procedente de Nova Iorque, no voo da TAM JJ8083, que saia pelo canal "NADA A DECLARAR". A vistoria indireta sugeriu a existência de grande quantidade de roupas, motivo pelo qual a passageira foi encaminhada a uma bancada para a vistoria direta da sua bagagem. Durante a vistoria direta, o ATRFB MARCO ANTÔNIO GONÇALVES, matricula 26.953, constatou a existência de roupas novas, passiveis de tributação. O recolhimento dos tributos se deu por meio do DARF 07.15.14121.45132498, relativo à ocorrência 081760014033503RTE02. Quando a passageira retornou do Banco Safra, apresentou o DARF devidamente recolhido à AFRFB LUCIANA PIRES, dizendo: "Toma, vocês estavam precisando de dinheiro". A passageira foi questionada sobre o que acabara de afirmar ao que respondeu: "quero somente ir embora". Em seguida, passou a organizar seus bens dentro das malas, proferindo palavras desrespeitosas e em tom ameaçador, conforme transcrevo: "Você vai ver o que vai acontecer com você essa semana. Você tem filhos? Algo terrível vai acontecer com eles ainda nesta semana e com você também; eu tenho seu nome". A passageira foi alertada pela AFRFB LUCIANA PIRES sobre o desacato à autoridade, sugerindo que se controlasse. A despeito do alerta dado, a passageira continuou gritando palavras com esse teor. A passageira solicitou que alguém a ajudasse a organizar seus bens dentro das malas, motivo pelo qual a AFRFB LUCIANA PIRES autorizou a na área restrita do Agente de Aeroporto da TAM ALEXANDRE ALEX CORRÊA, CPF 364.772.43865, que auxiliou a passageira até a saída da área restrita. Enquanto saia, a passageira gritava de forma que todos os presentes puderam ouvir, as seguintes palavras, para a AFRFB LUCIANA PIRES: "Você vai morrer, sua filha da puta. Você vai ver o que vai te acontecer.". Lavrouse um Termo de Ocorrência, subscrito pelos servidores da Receita Federal do Brasil, pelo Vigilante Líder da empresa de segurança Lógica e pelo Agente de Aeroporto da empresa TAM que testemunharam os fatos. Assim sendo, procedeuse à lavratura deste Auto de Infração, para fim de aplicação da penalidade pecuniária por desacato à autoridade, nos termos do artigo 728, inciso III, alinea "a" do Regulamento Aduaneiro. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 21/05/2014 (fls. 30), a contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10814.723918/201413 Resolução nº 3302000.590 S3C3T2 Fl. 68 3 18/06/2014, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 11 à 16, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: Conforme se extrai do Auto de Infração ora impugnado, em 01.05.2014, às 22h50, a Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela fiscalização no desembarque internacional do terminal 1 no Aeroporto Internacional de São Paulo, aplicou pena de multa à Impugnante por suposto de desacato à autoridade. Ocorre que não corresponde a realidade da '‘circunstância, pois em momento alguma a Impugnante agiu com rispidez contra a agente aduaneira. Pelo contrário, em um momento de descontrole emocional de ambas as partes, houve um início de discussão entre a Impugnante e a autoridade, mas inexistindo qualquer ofensa ou ameaça. A Impugnante retornava dos Estados Unidos da América, após dias de férias naquele país, quando ao desembarcar no Aeroporto Internacional de São Paulo foi conduzida pelas autoridades alfandegárias pura averiguação de sua bagagem. Ocorre que por ser um momento de grande tensão e de desconforto, inclusive para as autoridades que ali trabalham, a condução da Impugnante até a vistoria não foi das mais tranquilas, dotadas de austeridade pelas autoridades, deixando a Impugnante temerária com a forma bruta de tratamento. Ressaltese que a Impugnante havia sofrido um leve acidente antes de embarcar para o Brasil, oportunidade em que acabou machucando o braço direito, dificultando sua mobilidade com o membro, inclusive recebeu ajuda de funcionários da Companhia Área para colocar suas bagagens no carrinho. Mesmo percebendo que o braço da Impugnante estava imobilizado com tipoia, as autoridades foram duramente rude na averiguação, jogando todas as roupas e pertences pessoais da Impugnante ao chão. Após este ocorrido, tributaram as roupas se supuram ser novas e adquiridas nos EUA, encaminhando a Impugante até o Banco Safra para que efetuasse o pagamento da DARF. Ao retornar para pegar seus pertences, já extremante estremecida psicologicamente pela circunstância e pelo trato ríspido e desrespeitoso das autoridades aduaneira, em especial da Sra. Luciana Pires, a Impugante se deparou com todos os seus pertences ainda no chão, que foram arremessados na hora da vistoria. Reclamou com a Sra. Luciana Pires das roupas e entregou a DARF de pagamento, neste momento ambas as partes iniciaram uma discussão, em que a Autoridade aduaneira fiscal e a Impugnante levantaram a voz em um momento de descontrole mútua, mas sem haver troca de ofensas e, principalmente, ameaças. Posteriormente, a Impugnante pediu ajuda as autoridades para pegar seus pertences que tinham sido jogados na bancada e no chão sem motivo algum, reiterando seu problema no braço, mas a Sra. Luciana Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10814.723918/201413 Resolução nº 3302000.590 S3C3T2 Fl. 69 4 Pires, apenas deu prosseguimento a discussão, afirmando enfaticamente que não ajudaria a á impugnante, dizendo “você que se vire”. Em assim sendo, a Impugnante perguntou se poderia então pedir que alguém ajudasse a pegar suas roupas, respondido pela Sra. Luciana que poderia chamar alguém, pois ela não lhe ajudaria. A Impugnante pediu para um rapaz da companhia área, que entrou no local, colocando as roupas na mala. Neste momento, todos estavam extremamente exaltados e a Sra. Luciana e a Impugnante permaneciam conversando em um tom mais alto que o costume, pois ambas estavam com os ânimos abalados, quando por fim a Impugnante se retirou do local. Destarte, as partes tiveram uma conversa em tom mais ríspido, mas primeiro quem deu causa aos aborrecimentos foram as próprias autoridades alfandegárias, que trataram a Impugnante a todo o momento de forma hostil. Em segundo lugar, a discussão se deu por ambas as partes, em que a Impugnante e a Sra. Luciana Pires se exaltaram e começaram a conversar de modo mais agudo. Ora a Sra. Luciana é um autoridade aduaneira, profissional que lida com estas circunstâncias dia a dia, sendo inadmitido que haja de forma ríspida e desrespeitosa pela viajando que ali transitando. Por fim, e mais importante, a Impugnante em momento algum desacatou a autoridade da Sra. Luciana e muito menos proferiu qualquer palavra ameaçadora, não passando de mero aborrecimento por uma discussão em que próprio tratamento da Sra. Luciana veio a ocasionar. Assim, impõese o reconhecimento de insubsistência do Auto de Infração ora combatido, com a exclusão da multa e consequente arquivamento do procedimento administrativo. ⊙ INEXISISTÊNCIA DA PRÁTICA DO CRIME – AUSÊNCIA DOS REQUISITOS ENSEJADORES CRIME NÃO RECEPCIONADO PELA CF/88 – INCONSTITUCIONALIDADE DO CRIME DE ABUSO DE AUTORIDADE Noutro vértice, a conduta da Impugnante decorre que seu estado de ira e descontrole emocional, mas em nenhuma momento teve o dolo de desqualificar a pessoa do funcionário público. Destaquese que o crime de abuso de autoridade pressupõe o dolo, a livre vontade, do agente desprestigiar o cargo do funcionário público, ou seja, exige um fim específico em humilhar a função exercida pelo funcionário público. Desta forma, o simples descontrole emocional e mero ato de grosseria não caracteriza o abuso de autoridade, poderia caracterizar outro crime subjetivo a pessoa do funcionário pública, mas de forma alguma resta configurado o crime de desacato. Junta textos da doutrina de Fernando Capez: (CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal Parte Especial. Vol. 3. Editora Saraiva. São Paulo, 2004. Pág. 494/495) Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10814.723918/201413 Resolução nº 3302000.590 S3C3T2 Fl. 70 5 Diante disto, resta latente que não houve a configuração do crime de abuso de autoridade, haja vista inexistir ânimo de ofensa à função exercida pelo funcionário público. Ainda, importante salientar que o crime de abuso de autoridade decorre do uma período lamentável na nação brasileira, na qual vigorava o estado ditatorial, que afastava toda e qualquer direito fundamental ao cidadão. Junta textos da doutrina: (Jornal do advogado. Ano XXXVII, mai/2012, número 372, p.15). Não obstante a isto, a Pacto São José da Costa Rica, ratificado pelo Brasil,também afasta a possibilidade de incidência desta prática delituosa, no qual afirma em seu artigo 11 que o crime de desacato atenta a liberdade de expressão. Diante do exposto, não merece prosperar o presente auto de infração, tendo em vista que a tipificação do abuso de autoridade não recepcionado pela Constituição Federal de 1988, bem como via contra os ditames do Pacto de São José da Costa Rica, acordo internacional ratificado pelo Brasil. ⊙ REQUERIMENTO Diante de todo o exposto, solicita a Vossa Senhoria seja julgado insubsistente o Auto de Infração n° 0817600/00189/14, com a anulação da multa imposta à Impugnante no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), tendo em vista que inexistiu qualquer desacato ou ameaça a autoridade aduaneira, bem cc o mero ato grosseiro não caracteriza crime de desacato e, por fim, que o desacato à autoridade não foi recepcionado pela CF/88 e vai contra o Pacto de São José da Costa Rica, acordo internacional ratificado pelo Brasil. Protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito, inclusive oitiva da autoridade aduaneira. É o relatório" A Vigésima Terceira Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 16064.273, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 01/05/2014 Desacato à autoridade fiscal no estrito exercício de sua função, decorrente da vistoria direta da bagagem. Foram proferidas palavras desrespeitosas e em tom ameaçador à fiscalização. Conduta tipificada cuja sanção é a multa regulamentar de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas na impugnação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10814.723918/201413 Resolução nº 3302000.590 S3C3T2 Fl. 71 6 VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos processuais e dele tomo conhecimento. A controvérsia se estabeleceu em torno da ocorrência ou não da conduta prevista no artigo 728, inciso III do Decreto nº 6.759/2009 (RA/2009) e da não recepção do crime de desacato pela Constituição Federal. Quanto ao argumento relativo à não recepção do crime de desacato pela Constituição Federal, descabem maiores considerações, uma vez que é vedado a este Conselho conhecer de alegações de inconstitucionalidade, a teor da Súmula CARF nº 2. Concernente à ocorrência da conduta tipificada como desacato, os fatos narrados por ambas as partes são divergentes quanto à ocorrência de ofensa ou ameaça. Enquanto a autoridade fiscal afirmou ter sido tratada de forma desrespeitosa e ameaçadora, reproduzindo as expressões mencionadas pela recorrente, a recorrente negou tal fato e alegou ter sido tratada com rudeza e rispidez na averiguação de sua bagagem. Porém, a autoridade aduaneira informou ter lavrado Termo de Ocorrência, que foi subscrito por três testemunhas, a saber: servidor da Receita Federal do Brasil ATRFB MARCO ANTÔNIO GONÇALVES, matricula 26.953; vigilante líder da empresa de segurança Lógica e pelo agente de Aeroporto da empresa TAM ALEXANDRE ALEX CORRÊA, CPF 364.772.43865. Tal termo serviu de comprovação do fato, conforme relatado no Auto de Infração e no voto condutor do acórdão recorrido. Entretanto, não localizei tal termo nos autos. Pontuese, ainda, que está vinculado a este processo o de nº 10814000.087/201416 relativo à Representação Fiscal para Fins Penais, em cujos autos pode ter sido inserido o referido termo. Todavia, ao tentar acessar tal processo vinculado, o sistema retorna a seguinte mensagem: "Não foi identificado o Processo ou dados de sua situação ou o processo não é digital. " Destarte, diante do exposto, voto para converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem junte o Termo de Ocorrência mencionado no Auto de Infração e na decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 71DF CARF MF
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Numero do processo: 13899.000199/2007-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
LEI Nº 10.174/2001. RETROATIVIDADE. LEGALIDADE.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula CARF nº 35).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
Numero da decisão: 2202-003.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. LEI Nº 10.174/2001. RETROATIVIDADE. LEGALIDADE. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula CARF nº 35). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 9. 00 01 99 /2 00 7- 35 Fl. 667DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Reproduzo o relatório do Acórdão de Recurso Especial nº 9202003.745, cuja decisão foi proferida em 28/01/2016, pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O presente Recurso Especial referese a pedido de Análise de Divergência motivado pela Fazenda Nacional, face ao Acórdão 220200.188, proferido pela 2º Turma Ordinária/2ª Seção de Julgamento/CARF. Importa esclarecer que o processo foi saneado às fls. 467/468 para correção de numeração das páginas, pois houve erro no momento da digitalização do processo que iniciou seu trâmite em papel. Assim, para evitar erro de análise, possui a seguinte numeração, conforme despacho saneador: “O processo que, originalmente, tramitou em papel, foi digitalizado e possui a seguinte composição no sistema e processo: 1. Volume (I) – numeração manual de 1 a 200; 2. Volume (II) – numeração manual de 201 a 400; 3. Volume (III) –numeração manual 444 a 465; 4. Despacho (parecer sobre admissibilidade de embargos); 5. Despacho – Outros –Análise de Informação em Embargos; e 6. Documentos Diversos – Outros – Recurso Especial da Fazenda Nacional (numeração manual 445 a 465). Constatase que o processo digital contém as seguintes irregularidade carentes de saneamento: a. não constam o acórdão recorrido e os embargos opostos pela Fazenda Nacional, cuja localização nos autos corresponderia ao intervalo de folhas de número 401 a 443 da numeração manual, as quais não constam do processo digitalizado; e b. os documentos indicados nos itens 5 e 6 da listagem acima foram anexados ao processo digital em duplicidade, uma vez que já estavam anexados no Volume (III) referido no item 3 acima.” Fl. 668DF CARF MF Processo nº 13899.000199/200735 Acórdão n.º 2202003.911 S2C2T2 Fl. 668 3 Passo ao relatório, como foi assim apresentado no acórdão recorrido (fls. 558/564 e 429/435 anotação manual): “Em desfavor do contribuinte, FABIO KENDJY TAKAHASHI. foi lavrado o auto de infração de fls. 288/292, acompanhado do Termo de Constatação e Encerramento Parcial da Fiscalização de fls. 283/285 relativo ao imposto sobre a renda de pessoas físicas, anoscalendário 2000, em decorrência de ação fiscal que teve por objeto o exame do cumprimento das obrigações tributárias relativas ao período de 01/2000 a 12/2002 (fls. 01 e 02). O crédito tributário constituído decorreu da constatação de irregularidade assim descrita no referido auto: ‘Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas correntes no BRADESCO e no BANESPA, e na conta poupança no Bradesco no DIA 19/01/00, no período de 2000, conforme Termo de Constatação e Encerramento Parcial da Fiscalização Fiscal...’ A ciência do auto de infração foi dada por via postal na data de 28/12/2006 (fls.294). Em 29/01/2007, o interessado apresentou a impugnação de fls.291/311 (anotação manual), na qual, após proceder ao relato dos fatos, aduz as razões de defesa que a seguir se reproduzem sinteticamente: ‘Da Preliminar Argúi a decadência do direito de a Fazenda Nacional proceder ao lançamento relativamente ao anocalendário de 2000, tendo em vista o decurso do prazo decadencial contado pela regra contida no artigo 150 do Código Tributário Nacional que trata do lançamento por homologação, combinado com o artigo 173, I, do mesmo diploma legal, que se refere ao lançamento de ofício. Do Mérito O impugnante questiona a autuação levada a efeito com base em extratos bancário, mediante quebra de sigilo bancário. Acrescenta, ainda, que a origem dos recursos estaria em doações feitas por seu pai, que foram declaradas nas épocas próprias, conforme documentações que carreia os autos. Em relação à quebra de sigilo, colaciona jurisprudência judicial sobre a impossibilidade de retroação da Lei 10.174/2001 e da Lei Complementar 105/2001e, ainda, dos efeitos da Súmula 182 do extinto TER. Aduz, ainda, que, mesmo após a vigência dos citados diplomas legais, a administração fazendária continua impedida de considerar ingressos financeiros nas contas bancárias como rendimentos tributáveis sem que haja demonstrativo de utilização, pelo titular do depósito bancário; em consumo ou aquisição de bens para a demonstração de sinais exteriores de riqueza, ou ainda, a comprovação de que tais depósitos sejam Fl. 669DF CARF MF 4 efetivos rendimentos auferidos. Cita acordão do Primeiro Conselho de Contribuintes nesse sentido. No tocante à comprovação da origem de recursos, aduz que, tendo feito constar as doações recebidas de seu pai na declaração de bens e direitos, afastase a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, pois caso contrário, o contribuinte não teria informado ao Fisco. Contesta, ainda, os valores apurados, uma vez que não coincidem com a realidade. Alega que algumas importâncias foram transferidas de uma conta para outra, cuja titularidade era o contribuinte e, ainda, por algumas vezes o contribuinte emprestava a sua conta bancária ao seu pai, na qual alguns clientes deste, depositavam valores atinentes a custas judiciais e despesas processuais, pois o mesmo é advogado.’ Em 27 de fevereiro de 2008, os membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de julgamento de São Paulo Proferiram Acórdão DRJ/SPOII Nº 23.577 que, por unanimidade de votos, julgou procedente a exigência relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, conforme a ementa a seguir: ‘ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 RETROAÇÃO DE LEI. INOCORRÊNCIA. São licitas as provas obtidas com respaldo na legislação vigente A. época da ocorrência do procedimento de fiscalização. O artigo 1º da Lei n° 10.174/2001, assim como a Lei Complementar 105/2001, disciplinam o procedimento de fiscalização e não os fatos econômicos investigados, podendo ser aplicados aos procedimentos iniciados ou em curso a partir de sua edição, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos (CTN, art;144, § 1°). Tratase de aplicação imediata da norma, não se podendo falar em retroatividade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM Para comprovar a origem de recursos utilizados em depósitos/créditos efetuados em contas mantidas junto a instituições financeiras, a prova deve ser hábil e idônea. Para restarem plenamente comprovadas, as doações em dinheiro recebidas do pai devem, além de estar consignadas tempestivamente nas declarações de ajuste anual do donatário e do doador, ter a demonstração da transferência dos recursos do patrimônio deste para o do primeiro. Lançamento Procedente’ Devidamente cientificado acerca do teor do supracitado Acórdão, em 26/03/2008, conforme AR de fls. 409, o contribuinte se mostrando irresignado, apresentou, em 25/04/2008, o Recurso Voluntário, de fls. 412/416, reiterando as razões da sua impugnação, as quais já foram devidamente explicitadas anteriormente no presente relatório.” Fl. 670DF CARF MF Processo nº 13899.000199/200735 Acórdão n.º 2202003.911 S2C2T2 Fl. 669 5 Em análise ao Recurso Voluntário, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento do CARF (fls. 558/564 e 429/435 anotação manual) deu provimento à insurgência do Contribuinte acatando a preliminar de decadência, declarando extinto o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário em questão, deixando de apreciar o mérito. Considerou que “o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para os rendimentos omitidos, deduções indevidas e infrações tributarias que ocorreram ao longo do ano de 2000, previsto no art. 150, parágrafo 4°, do CTN é de 1° de janeiro de 2001, posto que é o 1º dia após a ocorrência do fato gerador. Desta forma, o lançamento poderia ser realizado ate a data de 31/12/2005, para que pudesse alcançar os valores percebidos no anocalendário de 2000”. Irresignada, a União (Fazenda Nacional) apresentou Embargos de Declaração (fls. 568/571 e 439/442 anotação manual), arguindo omissão no Acórdão da Turma Ordinária, sob o fundamento de que o acórdão embargado não se pronunciou sobre a existência de pagamento nem tampouco sobre a incidência do art. 173, I, do CTN, estando consolidado na jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (por meio da nova sistemática processual dos recursos repetitivos), de que a regra de contagem do prazo decadencial constante do art. 150, §4º do CTN é aplicada tãosomente naquelas competências onde houve pagamento parcial das contribuições devidas e que, em contrapartida, a inexistência de pagamento parcial implica na utilização da regra de contagem constante do art. 173,1, do CTN. Conforme Despacho de fl. 421 (fl. 444, anotação manual), os Embargos de Declaração foram rejeitados. A Fazenda Nacional, na sequência, interpôs o Recurso Especial de fls. 447 a 456 (numeração manual), o qual foi admitido (fls. 573/575) por apontar corretamente ementas de outras turmas do CARF, as quais manifestaram entendimento divergente ao do Acórdão recorrido, no sentido de que, “a depender da existência de pagamento antecipado, deve ser aplicado ou o art. 150, § 4º do CTN, ou o art. 173, I, também do CTN”. Ressaltou a Recorrente haver “erro material”, conforme expõe: “Tratase de auto de infração de IRPF relativo aos anos calendários de 2001 e 2002 (E NÃO 2000, CONFORME AFIRMOU EQUIVOCADAMENTE O ACÓRDÃO RECORRIDO), sendo que a ciência do contribuinte acerca do lançamento se deu em 30/03/2007 (vide fls. 217) (E NAO 28/12/2006 CONFORME AFIRMOU EQUIVOCADAMENTE 0 ACÓRDÃO RECORRIDO).” Assim, o Recurso Especial da União debate, PORTANTO, os anoscalendários 2001 e 2002. Fl. 671DF CARF MF 6 Intimado, o contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 582/588), vindo os autos conclusos para decisão. (os destaques são do original) O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi provido pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por unanimidade de votos, em decisão consubstanciada no Acórdão nº 9202003.745 (fls. 651/657), de 28/01/2016, cuja ementa foi assim redigida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2002 DECADÊNCIA IRPF OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O lançamento de ofício sem prévio pagamento do imposto devido atrai a aplicação do art. 173, I, DO CTN. Recurso Especial provido. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, devendo o processo retornar ao Colegiado de origem para análise das demais questões do recurso voluntário. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva. Assim, o processo retornou a essa Turma, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento foi efetuado em virtude da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, em relação aos exercícios 2002 e 2003 (anoscalendário 2001 e 2002). Preliminares O Recorrente alega a decadência do lançamento tributário, porém essa matéria encontrase superada em face da decisão da Segunda Turma da CSRF, a qual deu provimento ao Recurso Especial interposto pela PFN, decidindo que o crédito tributário não havia sido alcançado pela decadência. Argumenta o Contribuinte que o Fisco está impedido de utilizar as informações da CPMF para instaurar processos administrativos com o objetivo de verificar a Fl. 672DF CARF MF Processo nº 13899.000199/200735 Acórdão n.º 2202003.911 S2C2T2 Fl. 670 7 existência e constituição de créditos tributários relativos a outros tributos, cujos fatos geradores tenham ocorrido antes da vigência da Lei nº 10.174/2001. Acrescenta que, na vigência da Lei nº 4.595/64, somente era permitido o acesso aos dados de contas de depósitos mediante autorização judicial. O entendimento consolidado deste Conselho sobre a utilização das informações da CPMF para a constituição de crédito tributário de outros tributos está consignado na Súmula CARF nº 35, a seguir transcrita: “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente”. A Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe, em seu artigo 6º: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Em havendo procedimento fiscal em curso, é lícito às autoridades fiscais requisitar das instituições financeiras informações relativas a contas de depósitos e de aplicações financeiras do contribuinte sob fiscalização, sempre que estas forem indispensáveis. Assim, resta claro que a Receita Federal do Brasil possui permissão legal para acessar os dados bancários do contribuinte sob ação fiscal. Ressaltese que o próprio contribuinte apresentou à Fiscalização seus extratos bancários, embora de forma incompleta, conforme sua resposta entregue em 16/11/2006 (fls. 102 a 192). Dessa forma, no presente caso, não há nenhuma ilicitude nas provas obtidas pela Receita Federal do Brasil. Esse é o posicionamento que vem sendo acolhido pelas turmas do CARF, conforme abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Fl. 673DF CARF MF 8 [...] (Acórdão nº 2202002.629, data de publicação: 03/06/2014, relator Rafael Pandolfo, redator designado Antonio Lopo Martinez). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 [...] REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2102002.96, data de publicação: 28/05/2014, relatora Núbia Matos Moura). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações, referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado. (Acórdão nº 2201002.291, data de publicação: 13/02/2014, relatora Nathalia Mesquita Ceia ). Por essas razões, rejeitamse as preliminares suscitadas pelo Recorrente. Mérito O Contribuinte aduz que a simples existência de depósitos nas suas contas correntes não significa, necessariamente, a aquisição de renda ou qualquer outro tipo de provento. No entanto, essa tese já se encontra superada, não se sustentando desde a vigência da Lei nº 9.430/96, que em seu artigo 42 determinou que recai sobre o contribuinte o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que são rendimentos omitidos. A autoridade fiscal não mais está obrigada a comprovar o consumo da renda, a demonstrar sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob a égide do revogado § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Esse entendimento já se encontra pacificado nesse Conselho, conforme enunciado nº Fl. 674DF CARF MF Processo nº 13899.000199/200735 Acórdão n.º 2202003.911 S2C2T2 Fl. 671 9 26 da Súmula CARF: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. O Recorrente alega que se trata de valores advindos de doação em dinheiro feito por seu pai, tendo este declarado na sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física do anocalendário 2001, sendo isentos de imposto. Informa que também declarou em sua Declaração de IRPF a referida doação, porém, por lapso, o valor doado não constou no quadro "Rendimentos Isentos e Não Tributáveis", embora tivesse sido mencionado na "Relação de Bens e Direitos". Afirma, ainda, que chegou a transferir valores entre suas contas de mesma titularidade e que emprestou sua conta bancária para seu pai, o qual exerce a profissão de advogado, sendo que alguns clientes depositavam valores referentes a custas e despesas processuais. Observase que as alegações do fiscalizado não se encontram acompanhadas de documentos que as comprovem. É regra geral no Direito que o ônus da prova é uma conseqüência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. Nesse caso, o Recorrente apenas alegou e nada provou e, segundo brocardo jurídico por demais conhecido, "alegar e não provar é o mesmo que não alegar". O artigo 373 do Novo Código de Processo Civil (NCPC) art. 333 do antigo CPC estabelece as regras gerais relativas ao ônus da prova, partindo da premissa básica de que cabe a quem alega provar a veracidade do fato. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...] Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, os valores creditados em contas bancárias mantidas junto a instituição financeira, os quais o contribuinte não comprove a sua origem, serão tributados como omissão de rendimentos. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às Fl. 675DF CARF MF 10 normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. De acordo com o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Como o contribuinte não logrou comprovar a vinculação entre os créditos na conta bancária e as suas alegações, deve ser mantida a exigência relativa à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Essa Turma de Julgamento decidiu nesse mesmo sentido, por unanimidade de votos, em relação ao Recurso Voluntário interposto por esse mesmo Contribuinte, no tocante ao lançamento efetuado do anocalendário 2000, com os mesmos argumentos aqui expostos. A decisão foi proferida em 28/01/2016, consubstanciada no Acórdão nº 2202003.133, da minha relatoria. Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 676DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.720028/2010-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.901
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBOVEL COMÉRCIO DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 00 28 /2 01 0- 77 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10909.720028/201077 Acórdão n.º 3302003.901 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.445. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10909.720028/201077 Acórdão n.º 3302003.901 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10909.720028/201077 Acórdão n.º 3302003.901 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10909.720028/201077 Acórdão n.º 3302003.901 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10909.720028/201077 Acórdão n.º 3302003.901 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 15521.000147/2010-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007
PEDIDO DE PROVA PERICIAL. PRESCINDIBILIDADE.
O julgador administrativo pode indeferir pedido de prova pericial por considerá-lo prescindível para o deslinde da lide. Tampouco deve permitir o seu uso inapropriado, seja com intuito meramente protelatória ou utilizado como mecanismo de inversão do ônus da prova, do contribuinte para a autoridade fiscal, ainda mais quando se trata de lançamento tributário com base em presunção legal, onde o ônus de produzir provas precisas e individualizadas é claramente do contribuinte.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
"A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26)
QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
"Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. (Súmula CARF nº 34)
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. INAPLICABILIDADE NO CASO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITO BANCÁRIO.
Aumento da multa de ofício prevista no §2º, do art. 44 da L. 9.430/96 não é aplicável ao caso de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos, uma vez que a falta de esclarecimentos ou apresentação de documentos não prejudica o crédito tributário do fisco, em razão da presunção de omissão criada pelo art. 42 da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 2202-003.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício, reduzindo-a de 225% para 150%.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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PRESCINDIBILIDADE. O julgador administrativo pode indeferir pedido de prova pericial por considerálo prescindível para o deslinde da lide. Tampouco deve permitir o seu uso inapropriado, seja com intuito meramente protelatória ou utilizado como mecanismo de inversão do ônus da prova, do contribuinte para a autoridade fiscal, ainda mais quando se trata de lançamento tributário com base em presunção legal, onde o ônus de produzir provas precisas e individualizadas é claramente do contribuinte. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. "A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26) QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. "Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. (Súmula CARF nº 34) MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. INAPLICABILIDADE NO CASO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITO BANCÁRIO. Aumento da multa de ofício prevista no §2º, do art. 44 da L. 9.430/96 não é aplicável ao caso de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos, uma vez que a falta de esclarecimentos ou apresentação de documentos não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 01 47 /2 01 0- 78 Fl. 4637DF CARF MF 2 prejudica o crédito tributário do fisco, em razão da presunção de omissão criada pelo art. 42 da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício, reduzindoa de 225% para 150%. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Por bem descrever os fatos, adoto, resumidamente, o relatório elaborado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ. Tratase de lançamento de crédito tributário de Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, relativo ao período 31/01/2006 a 31/12/2007, lavrado em nome do Contribuinte acima identificado em 30/ 12/ 2010, no montante de R$ 5.112.815,83 (cinco milhões cento e doze mil oitocentos e quinze reais e oitenta e três centavos), incluídos os juros de mora, calculados até 30/ 11/ 2010, e a multa de oficio agravada de 225,00% sobre o valor do principal, passível de redução nas hipóteses relacionadas no campo Intimação do Auto de Infração, fl. 658. (...) Segundo o discorrido no Termo de Verificação Fiscal de fls. 559 a 608, a ação que motivou o presente Auto de Infração decorreu de um pedido do Ministério Público Federal contido no Oficio/PRM/Itaperuna/GAB n° 0409/2008 que remeteu para a Receita' Federal do Brasil RFB cópia da Solução de Sindicância; do Parecer da Sindicância e do Parecer aditamento da Sindicância de Portaria n° 072/2534/2008, elaborados pelo 36° Batalhão do 6° Comando de Policiamento de Área da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro PMERJ, realizada em vista das condutas praticadas pelo Interessado, Fl. 4638DF CARF MF Processo nº 15521.000147/201078 Acórdão n.º 2202003.834 S2C2T2 Fl. 4.638 3 membro integrante da corporação, no meio civil, com indicadores de infrações tributárias, abarcando omissão de rendimentos em suas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas Dirpfs e a utilização dos nomes dos contribuintes ELTON TEIXEIRA DA SILVA, portador do CPF N° 752.781.20797 e ANTONIO PEREIRA RAMOS, portador do CPF N° 025.032.57720 como interpostas pessoas na titularidade de contas bancárias, fls. 02; e 06 a 28 do presente Processo. A RFB recebeu, ainda, um Expediente da Exma. Dra. Juiza da Primeira Vara Federal de ItaperunaRJ, onde constava o deferimento da quebra do sigilo bancário e fiscal de todos os contribuintes nele arrolados, outros onze além do ELTON e do ANTONIO supracitados, e que também dava conta da possibilidade do cometimento de crime de sonegação fiscal por parte do contribuinte PAULO SERGIO VERDAN DOS SANTOS, que já estava sob Ação Fiscal, fls. 31 a 35. A Fiscalização solicitou à Justiça a remessa à RFB das cópias dos extratos bancários dos contribuintes listados no Expediente e seus arquivos magnéticos, que já integravam os autos da Justiça Federal, no que foi prontamente atendida. Integram o aludido grupo dos onze: AELES DE SOUZA CUNHA; BRAZ DA SILVA RODRIGUES; CARLOS ALBERTO TATAGIBA; DENILSON DE PAULA SILVA; ELAINE JESUS DE OLIVEIRA; ENIVALDO DA SIL VA; HAMILTON DE ARAÚJO; JOCILENE P.S MACHADO; JOSÉ CARLOS CABRAL RODRIGUES; JOSÉ FRANCISCO CABRAL RODRIGUES; MÁRCIO CABRAL RODRIGUES (fl. 560 do presente Processo). Todavia os contribuintes ANTÔNIO PEREIRA RAMOS e ÉLTON TEIXEIRA DA SILVA, por não se encontrarem entre os onze do grupo acima mencionado, bem como o fiscalizado PAULO SERGIO VERDAN DOS SANTOS, foram intimados a apresentar diversos documentos, dentre eles, os extratos bancários das contas de sua titularidade. Esses extratos não foram entregues pelos Intimados à Fiscalização, que, então, requisitou os diretamente às respectivas instituições financeiras, por meio de Requisição de Movimentação Financeira (RMF), em conformidade com a Lei Complementar n° 105/01 e o Decreto n° 3.724/2001 A partir da análise comparativa de tais documentos com as respectivas Dirpfs, constatou se expressiva discrepância entre a movimentação financeira analisada e os valores dos rendimentos declarados. Intimados os Contribuintes, em sede de Fiscalização e em sede de Diligência Fiscal, para apresentarem documentos comprobatórios da origem dos créditos bancários dos Anos calendário de 2006 e 2007, estes não se manifestaram embora tenham recebido as intimações. Dessa forma, de acordo com os elementos de prova colhidos, foram consolidados os valores depositados nas contas bancárias Fl. 4639DF CARF MF 4 analisadas sem comprovação da origem dos recursos. Em conformidade com o estabelecido no Art. 42 da Lei n° 9.430/96, os referidos depósitos foram tomados como correspondentes a rendimentos omitidos pelo Fiscalizado PAULO SERGIO VERDAN DOS SANTOS que se utilizou de interpostas pessoas para ocultar do fisco informações sobre os seus rendimentos e seu real patrimônio, conforme ficou evidenciado na análise dos fatos detalhadamente expostos no Termo de Verificação Fiscal. A base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF devido foi apurada a partir dos valores consolidados dos depósitos sem origem comprovada: calculou se 2006 e 2007 e o total dos valores declarados ao Fisco pelo Interessado, registrado a diferença existente entre os valores consolidados dos depósitos em cada Ano calendário 2006 e 2007 e o total dos valores declarados ao Fisco pelo Interessado, registrado nas Declarações Exercícios 2007 e 2008. Efetuou se, assim, o presente lançamento, onde está sendo exigido o Imposto de Renda devido; os juros moratórios e da multa de oficio aplicada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), em obediência ao que estabelece o parágrafo primeiro do Art. 44 da Lei nº 9.430/96, por ter ficado provado durante a Ação Fiscal que a conduta do Fiscalizado enquadrava se nas hipóteses previstas no Art. 71 da Lei n° 4.502/64. Além disso: três veículos de propriedade do Sr. PAULO VERDAN estariam registrados em endereços diversos do município de sua residência e domicílio; procurações teriam sido outorgadas pelo Sr. ANTONIO PEREIRA RAMOS ao Sr. PAULO VERDAN com poderes irrevogáveis e irretratáveis para vender, compromissar a venda, ceder e transferir direitos pelo preço e condições convencionados de imóveis de sua propriedade. Outras procurações foram também outorgadas pelos Srs. ANTONIO PEREIRA RAMOS e ELTON TEIXEIRA DA SIL VA ao Sr. PAULO VERDAN, para representá los junto ao BANCO ITAÚ,podendo este para tanto praticar todos os atos necessários. O Sr. PAULO SÉRGIO VERDAN DOS SANTOS e os Srs. ANTONIO PEREIRA RAMOS e ELTON TEDQZIRA DA SILVA teriam afirmado em seus depoimentos, na aludida Sindicância, que mantêm sociedade em plantações de lavouras de tomates, sem registro em cartório, contratos, ou congêneres. A lavoura localizada na BR 356, Boa Ventura, próxima ao Trevo Ramiro, Italva ou S. José do Ubá, RJ foi confirmada em Diligência realizada pela 2ª Seção do 36° BPM. Hortas de tomates também foram identificadas em Diligência na Fazenda Vargem Alegre, S/N, Zona Rural, S. José do Ubá, RJ em 2007. No entanto, no decorrer da mesma Sindicância, o Sr. PAULO VERDAN teria afirmado a outro oficial da PM, Ten Clayton D. Medeiros, que os Srs. ANTONIO RAMOS e ELTON SILVA seriam seus funcionários de confiança há vários anos. Todavia as propriedades registradas no cadastro de contribuintes do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS e nas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas Dirpfs dos Srs. ANTONIO PEREIRA RAMOS e ELTON TEIXEIRA DA SILVA não foram Fl. 4640DF CARF MF Processo nº 15521.000147/201078 Acórdão n.º 2202003.834 S2C2T2 Fl. 4.639 5 localizadas, nem a Fazenda 4, da Estrada Vicinal S. José do Ubá Pádua, Zona Rural, S. José do Ubá, RJ; nem a Fazenda Lug Santa Cruz, da Estrada Vicinal Santa Cruz, Zona Rural, S. José do Ubá, RJ. A partir da análise comparativa de tais documentos com as respectivas Dirpfs,constatou se expressiva discrepância entre a movimentação financeira analisada e os valores dos rendimentos declarados. Intimados os Contribuintes, em sede de Fiscalização e em sede de Diligência Fiscal, para apresentarem documentos comprobatórios da origem dos créditos bancários dos Anos calendário de 2006 e 2007, estes não se manifestaram embora tenham recebido as intimações. Dessa forma, de acordo com os elementos de prova colhidos, foram consolidados os valores depositados nas contas bancárias analisadas sem comprovação da origem dos recursos. Em conformidade com o estabelecido no Art. 42 da Lei n° 9.430/96, os referidos depósitos foram tomados como correspondentes a rendimentos omitidos pelo Fiscalizado PAULO SERGIO VERDAN DOS SANTOS que se utilizou de interpostas pessoas para ocultar do fisco informações sobre os seus rendimentos e seu real patrimônio, conforme ficou evidenciado na análise dos fatos detalhadamente exposto no Termo de Verificação Fiscal. A base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF devido foi apurada a partir dos valores consolidados dos depósitos sem origem comprovada: calculou se 2006 e 2007 e 0 total dos valores declarados ao Fisco pelo Interessado, registrado nas a diferença existente entre os valores consolidados dos depósitos em cada Ano calendário 2006 e 2007 e o total dos valores declarados ao Fisco pelo interessado, registrado nas Declarações dos Exercícios 2007 e 2008. Efetuouse, assim, o presente lançamento, onde está sendo exigido o Imposto de Renda devido; os juros moratórios e da multa de ofício aplicada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), em obediência ao que estabelece o parágrafo primeiro do Art. 44 da Lei n" 9.430/96, por ter ficado provado durante a Ação Fiscal que a conduta do Fiscalizado enquadrava se nas hipóteses previstas no Art. 71 da Lei n° 4.502/64. (...) O mesmo procedimento foi adotado em relação aos onze Contribuintes cujos nomes constavam de outro Expediente, desta vez encaminhado pela Delegacia da Policia Federal, com provas de que eles foram utilizados pelo Sr. PAULO VERDAN como interpostas pessoas na titularidade de contas bancárias. Encaminhou se Intimação Fiscal para o domicílio de cada um deles e para o próprio Fiscalizado, para que comprovassem através de documentação hábil e idônea a origem dos depósitos efetuados nas contas bancárias de suas titularidades no ano de 2006 e 2007. A consolidação das quantias depositadas estão na tabela das fls. 574 e 575. Fl. 4641DF CARF MF 6 Os Contribuintes que receberam as Intimações, não as responderam, deixando de apresentar documentos hábeis e idôneos que comprovassem a origem dos recursos das operações bancárias de crédito. Em vista das procurações outorgadas por alguns dos Diligenciados ao Fiscalizado, concedendo lhe poderes para movimentar as contas bancárias mantidas em seus nomes; e em vista dos documentos regularmente fornecidos pelo Banco do Brasil, que confirmavam ter o Sr. PAULO SERGIO VERDAN DOS SANTOS de fato movimentado as referidas contas, foi a este encaminhado pela Auditoria Fiscal a Intimação n° 277/2010,'com os valores individualizados dos depósitos creditados na conta de cada um desses Contribuintes, na expectativa de que o Fiscalizado por meio de documentos hábeis e idôneos comprovasse a origem de tais depósitos. Também esta Intimação não foi atendida. (...) Uma vez analisadas na Auditoria Fiscal as cópias dos documentos relativos a saques efetuados e também a cópia dos cheques depositados e sacados nas contas desses Contribuintes, foi identificado como o verdadeiro titular das contas o Sr. PAULO SERGIO VERDAN DOS SANTOS. Assim, a situação de fato constatada, a omissão de rendimentos por parte do Sr.PAULO VERDAN, na forma prevista do art. 42 da Lei n° 9.430/96, conduziu a Autoridade Fiscal à apuração da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física, com a identificação do verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, em conformidade com o teor do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN. (…) Para a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, os rendimentos omitidos foram calculados a partir do somatório dos depósitos cujas origens não foram comprovadas após a dedução dos rendimentos declarados nas Dirpfs, exceto os valores declarados como sendo provenientes da atividade rural seja a parte tributável (20%), seja a parte isenta (80%). Depois foi tomada a diferença entre a soma dos rendimentos tributáveis e as deduções de cada um dos Anos calendário, conforme estabelece 0 art. 8° da Lei n° 9.250/1995; e aplicada a tabela progressiva anual vigente na época da ocorrência do fato gerador. (...) Da Impugnação (...) Preliminarmente o Interessado chama a atenção para o art. 42 da Lei n° 9.430/ 1996, com a redação dada pela Lei n° 10.637/ 2002, que requer prova da real titularidade de uma conta bancária, na caracterização da interposição de pessoa. No presente caso, o crédito teria sido atribuído ao Impugnante pelo fato de ele movimentar contas correntes por meio de procuração, Fl. 4642DF CARF MF Processo nº 15521.000147/201078 Acórdão n.º 2202003.834 S2C2T2 Fl. 4.640 7 outorgadas na forma do art. 653 do Código Civil, Lei n°. 10.406/2002. A movimentação das contas dava se segundo o teor do art. 663 do mesmo diploma legal, transcrito na fl. 679, razão pela qual deveriam ser julgados eficazes todos os atos praticados em nome dos mandantes até que se fossem demonstrados vícios na representação. Todos os mandantes seriam lavradores que trabalhariam em lavouras de olericultura na condição de proprietários ou em regime de parceria agrícola, transferindo a responsabilidade pela comercialização de parte de seus produtos, transportes e aquisição de insumos ao Procurador. Tudo isso seria comprovado por notas de compra e venda de produtos, declarações de órgãos públicos e demais documentos acostados aos autos que demonstrariam as atividades individuais de cada um dos correntistas citados no Auto de Infração. O fruto do trabalho destes produtores não poderia ser considerado rendimento de um único contribuinte; por isso os valores lançados em cada uma das contas bancárias precisariam ser individualizados, para que cada um dos titulares respondesse pelos depósitos efetuados em sua própria conta, até que se viesse a provar o contrário. Seria ilegal a unificação dos valores dos depósitos pela presunção da titularidade (transcrição de opinião doutrinária, fls. 681 e 682). A presunção legal prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/ 1996 seria inadequada, porque nem sempre o volume de depósitos injustificado conduziria ao rendimento omitido correlato (mais opinião doutrinária e entendimentos administrativos e judiciais nas fls. 682 a 684). A partir dos textos transcritos, conclui que os depósitos bancários não satisfariam a caracterização do sinal exterior de riqueza, não sendo também possível estabelecer uma correlação direta entre o montante de depósitos e a omissão de rendimentos. Citando o art. 150, IV da Constituição da República, reclama a suposta natureza de confisco da multa de 225% que incidiu sobre o Imposto de Renda Pessoa Física apurado pelos meios já impugnados, gerando crédito tributário de montante estratosférico se comparado ao patrimônio pertencente ao Contribuinte, o qual, por conta disso, correria do risco de ser impedido ao exercício de atividade lícita (doutrina e jurisprudência na fl. 685). Espera o acolhimento da arguição de inconstitucionalidade da multa aplicada no auto de infração em lide. (...) A produção do Contribuinte dar se ia individualmente ou em sistema de parceria agrícola, meio pelo qual seus parceiros se manteriam no mercado produtivo, com obtenção de renda compensatória. O Contribuinte, na condição de procurador de boa parte dos parceiros, se incumberia de organizar o transporte e comercialização dos produtos no mercado de produtores. Fl. 4643DF CARF MF 8 (...) Quanto ao atendimento à Fiscalização, o Contribuinte residiria no interior e trabalharia em zona rural de difícil acesso, o que explicaria a dificuldade em atender o Fisco nos dias e hora marcados. Mesmo assim o Contribuinte teria sido apenado com a multa de oficio agravada em 50% de seu percentual originário, com base no disposto do § 2°, inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/ 1996, por não atender à Intimação para prestar esclarecimentos durante a ação fiscal. Entretanto, em 16/03/2009, o Contribuinte chegou a se fazer representar por procurador devidamente constituído, oportunidade em que foi protocolado pedido de juntada de diversos documentos comprobatórios da atividade rural não atingidos pelas cheias decorrentes de fortes chuvas que atingiram a região, caso de “força maior”. (...) Requer, assim, a exclusão da pena de agravamento da multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/ 1996. O Interessado prossegue reiterando todos os termos e argumentos apresentados nas preliminares, especialmente no tocante à unificação dos valores dos depósitos bancários em seu desfavor.(...) O contrato de parceria seria uma espécie de contrato agrário, dando origem a uma sociedade sui generis, que não se submete ao regime jurídico desta espécie contratual, regida pelo art. 96 da Lei n° 4.504/1964, com a redação da Lei n° 11.443/2007, e seu Regulamento, o Decreto Lei n° 59.566/ 1966. É do an. 4° desse Decreto Lei, transcrito na fl. 692, que se extrai a definição do contrato de parceria rural, com a cessão de uma pessoa a outra por tempo determinado, ou não, o uso específico de imóvel rural, ou de partes dele, sob determinadas condições, mediante partilha de riscos do empreendimento rural, inclusive de casos fortuito e de força maior; e dos lucros nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais da Lei n° 4.504/ 1964, art. 96, VI. Alega o Impugnante que o direito moderno é pautado pelo princípio consensualista, pelo qual as partes firmariam contrato pelo simples acordo de vontades, onde a forma se toma exceção. Transcreve o art. 107 do Código Civil que prevê a validade da declaração de vontade independente de forma especial, exceto por exigência legal. Seria livre a forma de um negócio jurídico, cujo contrato pode ser demonstrado pelo simples aceite ou manifestação da vontade das partes, a qual se pode dar por meio de testemunhas, documentos,coisas e outros meios. Seriam inúmeros os casos dos contratos verbais validados pela Justiça (...) Requer a exclusão dos valores de rendimentos arbitrados ao Contribuinte que não os depósitos feitos em suas próprias contas bancárias, vez que os demais correntistas seriam legítimos para responderem por seus atos, ainda que praticados por mandatário devidamente constituído. Fl. 4644DF CARF MF Processo nº 15521.000147/201078 Acórdão n.º 2202003.834 S2C2T2 Fl. 4.641 9 (...) Para demonstrar o exercício da atividade rural, trouxe aos autos cópias de notas fiscais de venda de produtos colhidos nas lavouras por ele desenvolvidas; notas fiscais de aquisição de materiais necessários ao desenvolvimento da produção, como defensivos agrícolas; e demonstrativos de participação de terceiros nesse labor. Com o mesmo fim anexou também à impugnação documentos que teriam sido cedidos por agricultores titulares das contas bancárias cujos depósitos foram atribuídos ao Impugnante, os quais, pela atividade lucrativa desempenhada, movimentariam nessas contas grande numerário (...) Espera a exclusão da multa aplicada com base no citado artigo 18 da Lei 8.023/1990 e do seu agravamento em 50%. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ negou provimento à Impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007 TRIBUTÁRIO. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, sem comprovação junto ao Fisco da origem dos recursos utilizados nessas operações, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova, independente da atividade econômica por ele exercida. TRIBUTÁRIO. IRPI7. OMISSÃO DE RENDIMENTOS¬ VALORES EM CONTA BANCARIA PERTENCENTES A TERCEIRO. Determina se como efetivo titular da conta de depósito ou de investimento o terceiro ao qual pertencem os valores creditados nessas contas, sempre que evidenciada a intermediação de pessoa. TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO PREVISÃO LEGAL. A multa de oficio, prevista na legislação fazendária, deve integrar o cálculo do lançamento, quando do descumprimento de obrigação tributária pelo contribuinte; e será agravada sempre que forem identificadas as circunstâncias previstas nos artigos 71,72 e 73 da Lei n° 4.502/1964; e não atendida algumas das intimações fiscais especificadas nos incisos I, II ou III do § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430/1996. Fl. 4645DF CARF MF 10 Cientificado da referida decisão (AR fls. 1735), o contribuinte apresenta o Recurso Voluntário de fls. 1738/ 1756, no qual reitera os argumentos já suscitados quando da Impugnação. É o Relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade e, portanto, dele conheço. 1) PRELIMINAR NECESSIDADE DE PROVA PERICIAL Alega o Recorrente, preliminarmente, nulidade da decisão recorrida que negou o pedido de prova pericial "face à clareza da descrição dos fatos relatados com riqueza de detalhes no Termo de Verificação Fiscal, retratando as informações registradas, retratando as informações registradas nos documentos dos Volumes I a IV e Anexos I a III deste Processo, que serviam de base à Convicção da Autoridade Fazendária da ocorrência da omissão de rendimentos, identificada a partir dos depósitos bancários de origem não comprovada, fato que motivou a apuração do imposto devido. De acordo com o Recorrente, "a complexidade da matéria, por si só, já justifica a realização da perícia requerida, uma vez que envolve valores declarados pelo contribuinte em sua declaração de ajuste, com rendimentos comprovados de origem de atividade rural, valores depositados em contas bancárias de terceiros, devidamente declarados, com rendimentos comprovados de origem de atividade rural. Sem razão o Recorrente. Isso porque a tributação prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, bem como a tributação mais benéficas das atividades rurais dependem da comprovação da origem dos valores recebidos. No primeiro caso, a demonstração da origem deve ser feita para elidir a presunção. Em outras palavras, o contribuinte deve mostrar que a origem daquele depósito não representa um acréscimo patrimonial. Da mesma forma, na tributação da atividade rural, por se tratar de uma tributação mais benéfica, deve ser devidamente comprovado que a receitas recebidas, de fato, decorrem daquela atividade. O que se verifica é que o contribuinte se limitou a juntar aos autos uma grande quantidade de notas fiscais, sem preocupar em demonstrar que aqueles valores coincidiam com aqueles depositados. Despropositado, também, o pedido de perícia contábil quando o próprio contribuinte afirma que tanto o livro caixa, quanto os demais documentos contábeis foram extraviados durante uma enchente no rio Muriaé. Em face do exposto, rejeito a preliminar 2) MÉRITO 2.1) DO ARBITRAMENTO POR PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI 9.430/96 Fl. 4646DF CARF MF Processo nº 15521.000147/201078 Acórdão n.º 2202003.834 S2C2T2 Fl. 4.642 11 Alega do Recorrente que a fiscalização não comprovou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, o que só seria possível mediante a demonstração de sinais exteriores de riqueza ou do efetivo acréscimo patrimonial. É correta a afirmação do Recorrente no sentido de que o simples depósito em conta corrente não significa renda. No entanto, é pacífico que uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos Fl. 4647DF CARF MF 12 valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Ademais, a legitimidade da inversão do ônus da prova, no caso em questão, é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada 3) DAS MULTAS 3.1) Do caráter confiscatório da multa Alega ainda o Recorrente que a multa aplicada teria o caráter confiscatório o que seria vedado pelo art. 150, IV da CF/88 Nesse ponto, é importante destacar que ao Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF não é dada a possibilidade de se manifestar sobre matéria de índole constitucional. Tal impossibilidade encontrase, inclusive, sumulada, conforme se verifica pela Súmula CARF nº 2 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 3.2) DA MULTA QUALIFICADA Requer a Recorrente a redução da multa qualificada no percentual de 150%, pois não haveria nos autos a comprovação de que ele agiu com dolo. Conforme visto, pela leitura do trabalho fiscal, restou suficientemente demonstrada que o titular de fato das contas bancárias era o Recorrente. Conforme disposto na Súmula CARF nº 32 "A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." Sendo assim, correta a qualificação da multa de ofício, uma vez que foi demonstrado no trabalho fiscal que a movimentação dos recurso era realizada por terceiros. É o que determina a Súmula CARF nº 34 (Vinculante) abaixo transcrita: Súmula CARF nº 34 (VINCULANTE): Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. 3.3) MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA A multa de ofício agravada, no percentual de 112,55%, foi aplicada com base no artigo 44, inciso I e § 2º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que assim dispunha: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 4648DF CARF MF Processo nº 15521.000147/201078 Acórdão n.º 2202003.834 S2C2T2 Fl. 4.643 13 I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] § 2o As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; O contribuinte não apresentou os extratos bancários solicitados pela autoridade fiscal mediante o Termo de Início da Ação Fiscal e o Termo de Reintimação Fiscal. Também não apresentou resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal, no qual foi solicitada a comprovação da origem dos créditos em suas contas bancárias. No entanto, esse procedimento do contribuinte em nada obstaculizou a atividade fiscal, pois os extratos bancários foram solicitados mediante a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e, com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430/96, foilhe imputada a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Ou seja, o não atendimento das intimações da autoridade fiscal não prejudicou a atividade fiscalizatória, pois a autuação se deu por presunção legal. Nesse sentido as seguintes decisões do CARF: IRPF. OMISSÃO RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA ATENDIMENTO INTIMAÇÃO. INEXISTÊNCIA PREJUÍZO. NÃO APLICABILIDADE. Improcedente a aplicação da multa agravada contemplada no artigo 44, § 2°, da Lei n° 9.430/1996, quando não comprovada que a ausência de atendimento/resposta às intimações fiscais por parte do contribuinte representou prejuízo à fiscalização e/ou lavratura do Auto de Infração, sobretudo quando o Fisco já detinha todos elementos de prova capazes de lastrear o lançamento promovido com base na presunção legal inscrita no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, onde fora justamente a ausência de prestação de esclarecimentos do contribuinte, no sentido de comprovar a origem dos recursos que transitaram em suas contas bancárias, que caracterizou a omissão de rendimentos objeto da autuação. Recurso especial negado. (Acórdão nº 9202.003.653, data de publicação: 24/03/2015, relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). [...] MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. INAPLICABILIDADE NO CASO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITO BANCÁRIO. Aumento da multa de ofício prevista no §2º, do art. 44 da L. 9.430/96 não é aplicável ao caso de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos, uma vez que a falta de esclarecimentos ou apresentação de documentos não prejudica o crédito tributário do fisco, em razão da presunção de omissão criada pelo art. 42 da Lei 9.430/96. (Acórdão nº 2201002.241, data de publicação: 07/01/2014, relatora Nathalia Mesquita Ceia). MULTA AGRAVADA O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha consequências específicas previstas na legislação. (Acórdão nº 2202003.021, data de publicação:10/04/2015, relator Antonio Lopo Martinez). Fl. 4649DF CARF MF 14 Saliento, inclusive, que esta Colenda Turma, em processo de relatoria do Conselheiro Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, proferiu acórdão (nº 2202003.132), no sentido de reduzir a multa de 112,5% para 75%, no igual sentido que aqui está sendo encaminhado o voto. 4) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso para reduzir a multa de 225% para 150%. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 4650DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.900671/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2006
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDOS EM CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL.
Não se conhece de matéria submetida ao Poder Judiciário. Súmula Carf nº 1.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3201-002.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/11/2006 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDOS EM CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Não se conhece de matéria submetida ao Poder Judiciário. Súmula Carf nº 1. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDOS EM CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Não se conhece de matéria submetida ao Poder Judiciário. Súmula Carf nº 1. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 06 71 /2 01 2- 94 Fl. 397DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório Tratase de pedido de compensação, cujo crédito pretendido originase em Darf de pagamento indevido. A Receita Federal emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação, porque o Darf indicado fora utilizado integralmente em débito confessado em DCTF. A empresa apresentou Manifestação de Incoformidade, alegando que o pagamento em foco fora a maior que o devido, e que teria retificado a DCTF. Aduz que procedeu a todos os trâmites administrativos adequados para compensação e que não haveria motivo para a negativa. Juntou cópia da DCTF retificadora e Dacon retificadora. A DRJ/Ribeirão Preto/SP, por meio do acórdão 1452.332, de 28/07/2014, prolatado pela 11ª Turma, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório. Copio a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/11/2006 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SOLICITAÇÃO DE ALTERAÇÃO IMOTIVADA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF (art. 147, § 1º, do CTN). COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10580.900671/201294 Acórdão n.º 3201002.987 S3C2T1 Fl. 398 3 Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Houve então a interposição de Recurso Voluntário, no qual a recorrente alega: que impetrara Mandado de Segurança, 2009.34.00.0314472, no qual obtivera decisão liminar, e confirmação em sentença, para a não incidência de Pis e Cofins sobre medicamentos; que esta era a origem do pagamento indevido; junta cópias de decisões judiciais pede: 1 “que se determine à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para oPIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores.”; 2 que seja provido o Recurso Volutário; 3 que se declare o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00”; 4 que se cumpra a decisão e sentença judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira Relator Juízo de Conhecimento Fl. 399DF CARF MF 4 A questão da incidência com aliquota zero ou não incidência de Pis e Cofins sobre medicamentos está submetida ao Poder Judiciário, ensejando a aplicação da Súmula Carf nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Acrescento que a recorrente não trouxe prova de estar representada na demanda judicial, impetrada por “Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimento e Serviços”. De qualquer modo, a solução da presente lide independe desse processo judicial, pois aqui não controverte quanto à incidência ou não de Pis e Cofins sobre medicamentos. A controvérsia que se instalou no presente processo é quanto à prova do pagamento indevido do Darf em foco. Ora, não há, nos autos, quaisquer elementos de prova que vinculem esse pagamento à questão discutida na Justiça. Sem esses elementos, a questão a ser tratada aqui somente se refere à possibilidade de se deferir compensação com base em DCTF e Dacon retificadora. Tal questão se tratará no mérito. Desse modo, rejeito os pedidos 1, 3, e 4, por impertinentes à presente lide. Mérito O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2). Ressaltese que a DCTF e a Dacon que foram apresentadas na Manifestação de Incormidade foram retificadas depois da cientificação do Despacho Decisório. Ora, a 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10580.900671/201294 Acórdão n.º 3201002.987 S3C2T1 Fl. 399 5 retificação após ciência de procedimento fiscal não é abrangida pelo espontaneidade, cf. art. 138, §único3 do CTN. Não há, também, qualquer prova de que esse pretendido crédito se vincule à questão judicial discutida no Mandado de Segurança 2009.34.00.0314472, conforme já mencionado. Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1704 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por não conhecer da matéria de fato quanto à incidência de Pis e Cofins sobre medicamentos, e por negar provimento ao Recurso Voluntário Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. 3 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 4 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 401DF CARF MF 6 Fl. 402DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905551/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.773
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 51 /2 01 2- 17 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13888.905551/201217 Acórdão n.º 3201002.773 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.332, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13888.905551/201217 Acórdão n.º 3201002.773 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13888.905551/201217 Acórdão n.º 3201002.773 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13888.905551/201217 Acórdão n.º 3201002.773 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13888.905551/201217 Acórdão n.º 3201002.773 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13888.905551/201217 Acórdão n.º 3201002.773 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13888.905551/201217 Acórdão n.º 3201002.773 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13888.905551/201217 Acórdão n.º 3201002.773 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000211/2009-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Somente geram direito a crédito de PIS/COFINS, na condição de insumos, os gastos com itens - bens ou serviços - utilizados na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Nesse conceito, pois, não se incluem itens consumidos previamente ao início do processo produtivo ou a ele posteriores.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.007
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DITZEL & SANCHES LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Somente geram direito a crédito de PIS/COFINS, na condição de insumos, os gastos com itens bens ou serviços utilizados na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Nesse conceito, pois, não se incluem itens consumidos previamente ao início do processo produtivo ou a ele posteriores. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 02 11 /2 00 9- 01 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 12571.000211/200901 Acórdão n.º 9303005.007 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803002.897, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, consignando a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Os gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos da sociedade e as despesas com manutenção de veículos da frota própria, empregados no processo produtivo ensejam o creditamento da Contribuição Social não cumulativa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO Os encargos de depreciação sobre semireboque, peças para caminhão e outros relacionados, incorporados ao ativo imobilizado, e empregados no processo produtivo, adquiridos depois de 30/04/2004, ensejam direito a crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo que: · Para efeito de crédito do tributo, a legislação esclarece que se incluem no conceito de insumo, além das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, itens que se incorporam ao bem produzido, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto, salvo se compreendidos no ativo permanente; · No caso concreto, os insumos glosados pela autoridade fiscal, embora não sejam bens do ativo permanente e tenham tido alguma relação com o processo industrial, não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado, não se enquadrando, portanto, na condição de insumo para o aproveitamento do crédito da contribuição. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 12571.000211/200901 Acórdão n.º 9303005.007 CSRFT3 Fl. 4 3 Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros argumentos: · Que deve ser mantido o entendimento do colegiado do acórdão recorrido, eis que proveu o recurso voluntário para admitir a inclusão dos custos referentes aos gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos da empresa e às despesas com manutenção de veículos da frota própria, fundamentando que para a caracterização do bem ou serviço como insumo, é suficiente o seu emprego no processo de produção, ainda que não haja contato direto com o produto em fabricação; · Os combustíveis e lubrificantes utilizados, seja no transporte dos produtos destinados à venda, seja no transporte da matériaprima utilizada em seu processo produtivo, geram direito a crédito, já que atendem aos critérios de pertinência e essencialidade; · As despesas com bens e serviços de manutenção de veículos utilizados no transporte de produtos destinados à venda e de matériaprima geram direito a crédito, haja vista que tais bens, ainda que indiretamente, são aplicados no processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.003, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 12571.000207/200935, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.003): Da Admissibilidade "O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso interposto pela Fazenda Nacional, eis que, confrontando os conceitos de “insumo” empregados pelos arestos envolvidos é irrefragável a confirmação do dissídio jurisprudencial. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 12571.000211/200901 Acórdão n.º 9303005.007 CSRFT3 Fl. 5 4 Quanto às Contrarrazões apresentadas, devem ser consideradas, eis que tempestivas." Do Mérito "Designoume a Presidência para a redação do acórdão já que a proposta da relatora, de negar provimento ao recurso da Fazenda, não restou acolhida. Frisese, desde logo, que a decisão combatida já aplicou entendimento de que as Instruções Normativas da SRF, ao equipararem o conceito de insumo para fins das contribuições ao do IPI o restringiram em excesso. Sendo sua aplicação, porém, o objeto do recurso da Fazenda Nacional, natural começar pelos motivos que me levam a rejeitar tal exigência, uma vez que, embora nisso não divirja da i. relatora, essa rejeição, para mim, leva a diferente conclusão. É que, acredito já seja de conhecimento amplo, também não adiro à tese de que o conceito de insumos que permitem a tomada de créditos, nos termos do art. 3º da Lei 10.637, para o PIS e do art. 3º da Lei 10.833, para a COFINS, seja tão restrito quanto o pretendido por elas. Mas apenas rejeitar o critério da IN SRF também não nos leva muito longe. Parece igualmente óbvio que permitir a inclusão de toda e qualquer despesa, desde que aceita pela legislação do IRPJ, tampouco está em conformidade com o texto legal, que tanto se esmerou em enunciar as hipóteses ensejadoras. Por isso, para avançar na fixação de um critério para tal conceito que seja suficientemente flexível para permitir a análise de qualquer item, fixeime na expressão legal "bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviço e na produção ou fabricação..."1. Dessa expressão, algumas conclusões se impõem de plano; a) os beneficiários do crédito podem ser fabricantes, mas também "produtores", e mesmo prestadores de serviço; b) um serviço pode se enquadrar como tal, e mesmo que "utilizado na prestação de serviço". Essas observações preliminares já são suficientes para rejeitar a pretensão de utilizar o critério há muito aceito para o IPI: que o bem candidato a gerador de crédito entre em contato físico com o bem que está sendo industrializado. Por óbvio, ela não se aplica nem à "prestação de serviço", nem a um serviço como insumo. Mas uma atenta leitura do §4º do art. 8º da IN 4042 deixa igualmente claro que a SRF não o pretendeu aplicar aos serviços em qualquer das 1 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; 2 § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 302DF CARF MF Processo nº 12571.000211/200901 Acórdão n.º 9303005.007 CSRFT3 Fl. 6 5 "pontas". Pretende fazêlo, porém, sempre que se estiver cuidando de "produção ou fabricação", aparentemente tomando as duas expressões como sinônimas. E é aí, a meu ver, que começam os problemas. Por primeiro, não me parece que o legislador da 10.833 (assim como o da 10.637) tenha buscado equiparar as expressões, atento que estava à possibilidade de que a "produção" ensejadora de crédito no âmbito das contribuições não corresponda a uma efetiva industrialização nos termos do IPI. Como é cediço, fora daquele contexto produção pode se referir, e no mais das vezes se refere, a um conjunto de atividades bem maior, que inclui, entre outras, a atividade agropecuária, bem como a agroindustrial. Ainda assim, como em todos os casos há um produto físico gerado ao final de um processo produtivo, pareceria, em princípio, razoável a adoção daquele critério mesmo quando de industrialização em sentido estrito não se tratasse. O problema, entretanto, é que o critério do Parecer Normativo CST 65/79 destinase a definir o que se poderia enquadrar no conceito de "produto intermediário" apenas referido mas não definido no art. 25 da Lei 4.502/643 . Ou seja, ele não é destinado à definição do que seja insumo, mas do que seja produto intermediário, ou mais precisamente, de qual seria o critério para considerar um bem como consumido no processo produtivo. Sobre esse ponto, peço licença para reproduzir considerações que expendi em julgamento realizado ainda no antigo Conselho de Contribuintes, no já distante ano de 20084: Como se disse no relatório, o contribuinte recorre de decisão que lhe negou o ressarcimento de saldo credor originado no registro de créditos de IPI em relação às aquisições de energia elétrica, produto considerado pelo IPI como nãotributado. Entende possível incluir a energia elétrica consumida no processo produtivo entre os “produtos que, embora não se integrando ao produto final, são consumidos no processo produtivo, desde que não compreendidos entre os bens do Ativo Permanente”, consoante redação do art. 147 do Regulamento do IPI baixado pelo Decreto 2.637/98 (atual art. 164 do Regulamento baixado em 2002). A SRF considera, com base no Parecer Normativo CST nº 65/79, entre outros, que não, visto não ter contato físico com o produto em elaboração. a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; 3 Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; 4 Julgamento do recurso voluntário nº 147.752, no Processo 10830.000989/200474, sessão de agosto de 2008 Fl. 303DF CARF MF Processo nº 12571.000211/200901 Acórdão n.º 9303005.007 CSRFT3 Fl. 7 6 Para mim, a decisão recorrida não merece reparos. É que, embora lastreada na orientação do Parecer Normativo, a que está vinculada, e com a qual não concordo inteiramente, o que fez foi dar correta aplicação ao princípio da nãocumulatividade. Para melhor compreensão, necessário um registro, ainda que breve, da evolução legislativa da matéria. Como se sabe, a Lei nº 4.502/64, foi a última a regular o extinto Imposto Sobre o Consumo instituído pelo Decretolei nº 7.404/45 e transformado no IPI. Na evolução legislativa daquele imposto é que se vai encontrar pela primeira vez tentativa de aplicação do princípio de tributação sobre o valor agregado. Tratase, como é de sabença geral, da disposição do art. 213 da Lei nº 3.520/58: Art. 213 ... 2º Os fabricantes pagarão o impôsto com base nas vendas de mercadorias tributadas, apuradas quinzenalmente, deduzido, no mesmo período o valor do impôsto relativo às matérias primas e outros produtos adquiridos a fabricantes ou importadores ou importados diretamente, para emprêgo na fabricação e acondicionamento de artigos ou produtos tributados; Após ser regulamentada pelo Decreto 45.422/59, essa lei foi alterada pela de nº 4.153, já em 1962, na qual se promoveu grande ampliação do instituto. Vejamos: Art. 34. O artigo 148 do atual Regulamento do Imposto de Consumo aprovado pelo Decreto nº 45.422, passa a vigorar com as seguintes alterações: a) As palavra As palavras "nas vendas de mercadorias tributadas" são substituídas pelas seguintes: "nas entregas a consumo de mercadorias tributadas"; b) Para os fins do art. 148, entendemse como adquiridos para emprêgo na fabricação e acondicionamento de artigos ou produtos tributados: na fabricação as matérias primas ou artigos e produtos secundários ou intermediários que, integrando o produto final ou sendo consumidos total ou parcialmente no processo de sua fabricação, sejam utilizados na sua composição, elaboração, preparo, obtenção e confecção, inclusive na fase de aprêsto e acabamento. Portanto, além das matérias primas, davam direito de abatimento do valor devido as aquisições dos chamados produtos secundários e intermediários. Na busca de distinção entre eles, confirmouse a definição mais ou menos consensual de que produtos intermediários são os que partilham com as matérias primas o caráter de se integrarem fisicamente aos produtos fabricados, delas diferindo apenas pelo fato de já serem produtos prontos, passíveis, assim, de utilização adicional. Já os produtos secundários é que consistiam naqueles que, embora não se integrando ao produto final, fossem consumidos, total ou parcialmente, no processo de fabricação. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 12571.000211/200901 Acórdão n.º 9303005.007 CSRFT3 Fl. 8 7 Ocorre que a Lei nº 4.502/64 suprimiu a referência a produtos secundários como possibilitadores de dedução do IPI devido pelas saídas. Confiramse os artigos da Lei 4.502 que cuidaram da matéria: Art. 25. Para efeito do recolhimento, na forma do art. 27, será deduzido do valor resultante do cálculo. I o impôsto relativo às matériasprimas produtos intermediários e embalagens, adquiridos ou recebidos para emprêgo na industrialização e no acondicionamento de produtos tributados; II o impôsto pago por ocasião do despacho de produtos de procedência estrangeira ou da remessa de produtos nacionais ou estrangeiras para estabelecimentos revendedores ou depositários. Art. 27. A importância a recolher será: I no caso do inciso I do artigo anterior a resultante do cálculo do impôsto; II No caso do inciso II a necessária à manutenção de saldo suficiente para cobertura do impôsto devido pela saída dos produtos; III no caso do inciso III a resultante do cálculo do impôsto relativo aos produtos saídos do estabelecimento produtor na quinzena anterior, deduzida: a) do valor do impôsto relativo as matérias primas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos no mesmo período, quando se tratar de estabelecimento industrial; b) do valor do impôsto pago por ocasião do despacho ou da remessa, quando se tratar de estabelecimento importador, arrematante ou revendedor, considerados, para efeito da apuração, os capítulos de classificação dos produtos. § 1º Será excluído do crédito o impôsto relativo às matérias primas, produtos intermediários e embalagens que forem objeto de revenda ou que forem empregados na industrialização ou no acondicionamento de produtos isentos e não tributados. § 2º O devedor remisso, sujeito ao recolhimento antecipado, utilizar seá do crédito de impôsto, mediante adição ao seu saldo. § 3º O impôsto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos a revendedores não contribuintes, será calculado, para efeito de crédito mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto sôbre 50% (cinqüenta por cento) do seu valor constante da nota fiscal. § 4º Em qualquer hipótese, o direito ao crédito do impôsto será condicionado às exigências de escrituração estabelecidas nesta lei e em seu regulamento, e, quando não exercido na época própria, só poderá sêlo, cumprida a formalidade do inciso I do art. 76 ou quando o seu valor fôr incluído em reconstituição de escrita, efetuada pela fiscalização. § 5º Quando ocorrer saldo credor numa quinzena, será êle transportado para a quinzena seguinte, sem prejuízo da obrigação do contribuinte apresentar ao órgão arrecadador, dentro do prazo legal previsto para o recolhimento, a guia demonstrativa dêsse saldo. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 12571.000211/200901 Acórdão n.º 9303005.007 CSRFT3 Fl. 9 8 Ainda assim, o primeiro regulamento do IPI já editado após a Lei 4.502 – Decreto 56.791/65 – ao “regulamentar” o dispositivo acima, estabeleceu: Art. 27. Para efeito do recolhimento, será deduzido do valor resultante do cálculo, na forma do art. 29: I o impôsto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos ou recebidos para emprêgo na industrialização e no acondicionamento de produtos tributados, compreendidos, entre os primeiros, aquêles que, embora não se integrando no nôvo produto, são consumidos no processo de industrialização; Ou seja, mantevese a possibilidade de dedução do imposto pago sobre os produtos secundários, agora “apelidados” de produtos intermediários. Ainda mais, sua redação irrestrita parece permitir que aí se incluíssem mesmo os produtos para uso e consumo e os constituintes de máquinas e equipamentos, visto que nem mesmo quanto a estes houve qualquer restrição. Tal largueza de conceitos, porém, não vinha sendo aceita pelo Fisco, o que suscitou diversos questionamentos ao Poder Judiciário quanto à abrangência do conceito de produtos intermediários. Em diversos julgados proferidos, a partir de 1966, no âmbito do STF (RMS 19.625GB, julgado em 20/6/1966, relator Ministro Victor Gomes; Recurso Extraordinário 18.661PE, julgado pelo Pleno em 16/10/1968 sob relatoria do Ministro Aliomar Baleeiro), firmouse o entendimento de que a expressão poderia sim englobar produtos que fossem apenas consumidos no processo industrial, desde que cumpridos, porém, dois requisitos primordiais: que os produtos consumidos fossem essenciais e específicos à fabricação em questão (vide votos condutores das decisões mencionadas). Pelo primeiro, requerse que o processo produtivo não se possa completar na ausência daquele “produto intermediário”; pelo segundo, que não sejam eles de uso comum, indiscriminado a todo e qualquer processo industrial. Destarte, o primeiro requisito determinava a exclusão, entre outros, da energia elétrica usada para iluminação, ainda que do ambiente onde se realizasse a produção, que poderia perfeitamente prosseguir sem a sua presença (salvo, talvez, situações muito específicas de ausência completa de iluminação natural).Também dos combustíveis empregados para acionamento de máquinas e equipamentos (em que também se pode utilizar a eletricidade). Pelo segundo, afastouse a aplicação ao desgaste de equipamentos físicos (depreciação de máquinas, equipamentos e instrumentos), componentes da estrutura física do estabelecimento, porque comuns a praticamente todo processo industrial. Tentando, ao meu ver, dar aplicação a essas restrições impostas pelo Judiciário é que o Regulamento seguinte, baixado pelo Decreto 70.163/72, acresceu a necessidade de que o consumo se desse de forma “imediata e integral”, bem como incluiu a restrição aos bens integrantes do ativo permanente. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 12571.000211/200901 Acórdão n.º 9303005.007 CSRFT3 Fl. 10 9 Suscitou, porém, novos questionamentos judiciais (Recurso Extraordinário ao STF nº 79.601RS, de 1974, também relatado pelo Ministro Aliomar Baleeiro e, no extinto Tribunal Federal de Recursos, a Apelação Cível nº 44.781SP, de 1978, relatada pelo Ministro Carlos Velloso). Em ambos, ratificaram os Tribunais Superiores os critérios estabelecidos nos julgamentos anteriores, mesmo com a mudança de redação introduzida no Regulamento do Imposto. Daí, viuse o Poder Executivo instado a alterar novamente a redação dos decretos regulamentares posteriores, que deixaram de trazer a restrição quanto ao consumo imediato e integral. Essa ausência, então, suscitou a edição do mencionado Parecer Normativo nº 65/79, pela Coordenação do Sistema de Tributação da SRF, que vincula a possibilidade de crédito ao emprego sobre o produto em elaboração.Tratase de nova tentativa de dar aplicação aos critérios aceitos no Poder Judiciário5. Embora imprecisa, tal definição, a meu ver, atinge o cerne da discussão, ao menos para a grande maioria dos processos industriais. É que, salvo honrosas exceções que têm de ser comprovadas caso a 5 O que resulta claro nos itens 8 a 10 do citado Parecer Normativo: 8. No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão "incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização" é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do art. 27 do Decreto nº 56.791/65, inciso I do art. 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários stricto sensu, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que, embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1. A norma constante do direito anterior (inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia, restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito ao crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2. O dispositivo vigente (inciso I do art. 66 do RIPI/79), por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9. Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos "que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização", para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1. Como o texto fala em "incluindose entre as matériasprimas e os produtos intermediários", é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2. A expressão "consumidos", sobretudo levandose em conta que as restrições "imediata e integralmente", constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 10.3. Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida). Fl. 307DF CARF MF Processo nº 12571.000211/200901 Acórdão n.º 9303005.007 CSRFT3 Fl. 11 10 caso, não vemos, em princípio, como considerar essenciais e específicos ao processo artigos que sequer entrem em contato direto com o produto em elaboração. De todo modo, restringindose a discussão do presente feito, à energia elétrica, dúvida não tenho de que, de ordinário, ela não pode ser considerada produto intermediário mesmo nessa mais ampla acepção. Há, por certo, situações em que a energia elétrica cumpre aqueles requisitos: tratase daqueles processos que requerem a separação molecular, via eletrólise, para que o processo possa continuar. Presentes aí a essencialidade e a especificidade, mas também a aplicação sobre o produto em elaboração como requer o Parecer. Assim, não demonstrado nos presentes autos que a energia elétrica é empregada dessa forma, ou de alguma similar, não vejo como acatar sua inclusão no conceito de produtos intermediários, mesmo na mais ampla definição que a eles se deu nos últimos regulamentos do IPI. E isso bastaria à negativa de provimento do recurso do contribuinte. Mas, como disse, esse é apenas o primeiro dos requisitos, e a energia elétrica também não cumpre o segundo: não há IPI algum para gerar crédito. Deveras, a energia elétrica está fora do campo de incidência do imposto, merecendo na TIPI a expressão NT – de não tributado. É certo que há outra linha de questionamento judicial, esta mais recente, que diz respeito a essa necessidade de que tenha havido destaque de IPI na aquisição feita. Mas esses questionamentos, normalmente, a isso se resumem, sendo indiscutível o enquadramento do produto adquirido na condição de matéria prima ou produto intermediário. Por isso, o “quase ineditismo” deste recurso, a que fiz referência no relatório. Nele se discutem os dois requisitos. Com efeito, aqui se tem um produto que, segundo as disposições do Parecer Normativo, não é matéria prima, produto intermediário nem material de embalagem e que também não sofreu o gravame do imposto. E quanto a esse último aspecto, da forma mais importante, isto é, não está sequer no seu campo de incidência. Da leitura das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições não chego à conclusão de que, para elas, também se precise demarcar o que significa "ser consumido no processo produtivo". Seja porque a expressão legal não é essa, como também porque não se está a definir produto intermediário, mas sim insumo. Já se vê daí que, com as escusas sempre necessárias, não tenho como partilhar a premissa de sua excia. o ministro Herman Benjamim, citado no voto do dr. Henrique. É que, a meu ver, a legislação do IPI não identifica o conjunto formado por matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem ao conceito de insumo. Para tanto, é óbvio, não basta dizer que aquele conjunto é insumo; é preciso, mais, dizer que só ele o é. Mas, longe disso, a este último não é dada qualquer definição formal naquela legislação, a começar pela Lei 4.502/64 em que sequer se encontra o vocábulo "insumos". Mesmo nos decretos regulamentares, o que se diz ou sempre se pode ler é que aquele conjunto é insumo; nada Fl. 308DF CARF MF Processo nº 12571.000211/200901 Acórdão n.º 9303005.007 CSRFT3 Fl. 12 11 há sobre a recíproca. Assim, pareceme, mesmo para o legislador do IPI, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem formam um subconjunto do conjunto mais amplo dos insumos. Aliás, de não ser assim, desnecessárias seriam as diversas ressalvas a itens passíveis de enquadramento no conjunto maior. Especialmente, no artigo definidor dos créditos não se precisaria especificar que ele se restringe àquele subconjunto; bastaria autorizálo aos "insumos", que seria a mesma coisa. A consequência lógica dessa divergência é que não se precisa pensar em legisladores tributários distintos. Mesmo admitindo que o conceito de insumos deva ser uno para todos os efeitos tributários, nada há que impeça usarse o que proponho aqui: bem utilizado no processo produtivo e aí "consumido" ainda que não por um contato físico com o produto em elaboração. Mas é preciso demarcar bem quando começa o processo produtivo, pois, como já reiterou suficientemente a doutrina, não se está aqui limitado aos "produtores" no sentido do IPI, isto é, a lei não está a cuidar apenas de processos industriais, stricto sensu, embora seja aqui o caso. Destarte, quando o produto final gerado (e a ser vendido) depende de uma etapa prévia, ainda não exatamente industrial, mas que seja realizada pela mesma empresa, não vejo nenhuma incompatibilidade com a lei em considerar também integrante do processo essa etapa prévia, como ocorre em diversas cadeias produtivas, a exemplo da celulose, do álcool etc. Embora irrelevante para o presente caso, o critério genérico há de ser, portanto, o do início das operações que culminarão com a obtenção daquilo que gerará a receita da empresa, esta que será a base de cálculo da exação. E em se tratando aqui de uma simples operação industrial, parece fácil identificálo com o início das operações tipicamente industriais como o faz também a IN SRF. Assim, nesses casos de empreendimentos tipicamente industriais minha única divergência com o critério da IN SRF se prende à exigência de que os insumos tenham contato físico com o produto final, o que já excluiria, de plano, todos os serviços, mas não só. Por ele, também ficariam de fora todos os itens normalmente glosados no IPI embora participantes efetivos do processo, onde se desgastam, também sem controvérsia, mesmo sem ter "contato" com o produto em elaboração. De outra banda, não adiro à noção de essencialidade que é por muitos advogada. Como primeiro contraargumento, porque, preservada a premissa econômica de racionalidade do empresário, seria difícil encontrar algum item efetivamente empregado no processo, e portanto gerador de custo, sem que haja necessidade para tal, no mínimo, para que o produto final seja aceito pelo consumidor. De fato, esse critério apenas nos leva a uma nova dificuldade, qual seja, a delimitação do grau de necessidade do item em consideração: seria ela estritamente técnica ou também econômica, no sentido acima? A primeiro opção nos levaria a ter de nos embrenhar nas minúcias de cada processo produtivo; a segunda, a aceitar praticamente todo e qualquer gasto. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 12571.000211/200901 Acórdão n.º 9303005.007 CSRFT3 Fl. 13 12 Em segundo lugar, porque há inúmeros itens, especialmente de serviços, que são "essenciais ao", mas não "utilizados no", processo produtivo. Além desse requisito, considero igualmente excluídos pela expressão "utilizados no processo produtivo" os bens que devem compor o ativo permanente, o que significa que, em meu entender, a legislação das contribuições preservou este específico óbice existente quanto ao IPI. E assim concluo porque, quanto a eles, a legislação permitiu a dedução da despesa de depreciação e desde que o bem ativado seja efetivamente empregado no processo produtivo o que inviabiliza a tomada de crédito sobre o valor integral da aquisição de uma só vez. Rejeitados, assim, os demais critérios, o da IN, o da essencialidade e o da apropriação de custos nos termos da legislação do IR, analiso cada item candidato a insumo sob o duplo ponto de vista: a) participa efetivamente do processo produtivo? b) aí se desgasta em menos de um ano, de modo a não ser ativado? Respostas afirmativas a ambas levamme a aceitálo. Passando, então, ao caso concreto, vêse que se debate a despesa com combustíveis e lubrificantes empregados em frota própria, que é utilizada para transportar a matéria prima e os produtos elaborados. Conforme se comprova da simples leitura da passagem transcrita, a lei apenas deferiu o creditamento com esses itens "quando utilizados como insumo na fabricação de produtos ou prestação de serviços". Necessário, pois, que elas se refiram a atividades que ocorram durante o processo produtivo, o que não se dá tanto no transporte de matérias primas a serem nele empregadas, nem com respeito a transporte de produtos finais dele decorrentes. O segundo item objeto de polêmica referese a bens utilizados na manutenção de tais veículos. A negativa tem o mesmo respaldo, ainda que aqui com mais intensidade, pois sequer estão eles mencionados em qualquer dos incisos do ato legal. Com efeito, o legislador apenas autorizou o creditamento, no que se relaciona aos bens do ativo permanente, quando se trate de depreciação. Não há, pois, tal direito em ambas as situações para os que, como este conselheiro, advogam a tese acima exposta. Com tais considerações, entendeu o colegiado descabido o creditamento deferido na decisão recorrida, e deu provimento ao recurso da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 310DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.902756/2010-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 27 56 /2 01 0- 22 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 16327.902756/201022 Acórdão n.º 1301002.320 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16327.902756/201022 Acórdão n.º 1301002.320 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16327.902756/201022 Acórdão n.º 1301002.320 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.902756/201022 Acórdão n.º 1301002.320 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16327.902756/201022 Acórdão n.º 1301002.320 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16327.902756/201022 Acórdão n.º 1301002.320 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 239DF CARF MF Processo nº 16327.902756/201022 Acórdão n.º 1301002.320 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720253/2012-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2007, 2008
MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS.
O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual, à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano-calendário. Lançamentos mantidos referentes ao anos-calendário de 2007 e 2008.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. ART. 135 DO CTN.
O art. 135, inc. III, do CTN, é direcionado àquelas pessoas que exercem de fato a administração da pessoa jurídica e nesse exercício pratiquem o ilícito tributário. Assim, é incabível a imputação de Responsabilidade Tributária sem que as condutas de cada um dos apontados como Responsáveis seja individualizada. LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendem-se ao lançamento reflexo o decidido no lançamento matriz.
Numero da decisão: 1402-002.394
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário da pessoa jurídica autuada na parte abrangida pelo pedido de desistência. Na parte conhecida, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso para manter a exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichel Macei, que votaram por cancelar essa penalidade. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso dos coobrigados para excluí-los da relação jurídico-tributária, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencido quanto a essa responsabilização o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone. Designado o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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LTDA. DOMINGOS RIBEIRO JENNY CATRICALA BIANCHI JOSÉ JESUS CATRICALA LAZINHA ORLANDELI RAPHAEL CATRICALA ROBERTI JOSÉ CATRICALA YOLANDA CATRICALA ROGETTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007, 2008 MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual, à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano-calendário. Lançamentos mantidos referentes ao anos-calendário de 2007 e 2008. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. ART. 135 DO CTN. O art. 135, inc. III, do CTN, é direcionado àquelas pessoas que exercem de fato a administração da pessoa jurídica e nesse exercício pratiquem o ilícito tributário. Assim, é incabível a imputação de Responsabilidade Tributária sem que as condutas de cada um dos apontados como Responsáveis seja individualizada. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendem-se ao lançamento reflexo o decidido no lançamento matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário da pessoa jurídica autuada na parte abrangida pelo pedido de desistência. Na parte conhecida, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso para Fl. 4112DF CARF MF Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.113 2 manter a exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichel Macei, que votaram por cancelar essa penalidade. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso dos coobrigados para excluí-los da relação jurídico-tributária, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencido quanto a essa responsabilização o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone. Designado o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Relator (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei. Fl. 4113DF CARF MF Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.114 3 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte pessoa jurídica e pelos sujeitos passivos solidários – pessoas físicas - acima qualificados em face de decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ/RPO em sessão de 18 de abril de 2013 (fls. 3659/3678)) 1 , que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada perante aquele Colegiado de 1º Piso, em Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para a contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Comprovada a existência de saldo de prejuízos fiscais a compensar, observado o limite legal, esse pode ser compensado de ofício. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007, 2008 LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. Comprovada a existência de saldo de base de cálculo negativa da CSLL, observado o limite legal, esse pode ser compensado de ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007, 2008 DECADÊNCIA. Nos casos de ocorrência de dolo, fraude, ou simulação, o prazo para exigir tributos sujeitos ao lançamento por homologação extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 4114DF CARF MF Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.115 4 Tratando-se de lançamento de ofício, o prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Caracterizado o intuito de fraudar o fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150%. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação simultânea da multa isolada por falta ou insuficiência do recolhimento das antecipações mensais das estimativas e da multa proporcional ao tributo exigido no auto de infração. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GERENTES. São solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte DOS FATOS E OCORRÊNCIAS HAVIDAS NESTE PROCESSO Preliminarmente, impende resumir as ocorrências presentes nestes autos, de modo a facilitar sua compreensão e seu julgamento. De acordo com o “Termo de Constatação e Conclusão Fiscal” (TCCF) anexo aos autos de infração (fls. 3018/3051), as infrações imputadas à autuada foram 1. OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL - SALDO CREDOR DE CAIXA, e, 2. MULTA ISOLADA POR FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIAVS MENSAIS. Além dessa imputação feita à pessoa jurídica, foram arroladas como responsáveis as seguintes pessoas físicas, abaixo identificadas: ● DOMINGOS RIBEIRO – CPF nº 305.997.098-04 – Termo Sujeição Passiva – fls. 3054/3055 ● JENNY CATRICALA BIANCHI – CPF nº 035.859.328-00 – Termo Sujeição Passiva – fls. 3056/3057 ● JOSÉ JESUS CATRICALA – CPF nº 286.308.238-8 – Termo Sujeição Passiva – fls. 3052/3053 ● LAZINHA ORLANDELI – CPF nº 271.900.028-04 – Termo Sujeição Passiva – fls. 3058/3059 ● RAPHAEL CATRICALA – CPF nº 149.457.978-20 – Termo Sujeição Passiva – fls. 3060/3061 ● ROBERTI JOSÉ CATRICALA – CPF nº 872.944.358-04 – Termo Sujeição Passiva – fls. 3062/3063 ● YOLANDA CATRICALA ROGETTA – CPF nº 081.440.518-58 – Termo Sujeição Passiva – fls. 3178 Apresentada impugnação tempestiva, o Colegiado de 1º Grau, por unanimidade, proveu parcialmente o pleito, e no que tange à responsabilização solidária, manteve-a integralmente. Intimada do resultado do julgamento em 13/05/2013 (fls. 3690), a pessoa jurídica Catricala interpôs Recurso Voluntário em 11/06/2013 (fls. 3692/3726) na qual basicamente repisou os argumentos apresentados na impugnação inaugural e requereu o cancelamento das exigências. Pautado na sessão de 03/12/2013 desta 2º TO da 4ª Câmara da 1ª Sejul, o Colegiado, por unanimidade, acolheu proposta do então Relator, Conselheiro Moisés Fl. 4115DF CARF MF Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.116 5 Giacomelli Nunes da Silva, no sentido de que os autos retornassem à Unidade Local da Receita Federal do Brasil a fim de que os coobrigados fossem formalmente cientificados da decisão do Órgão julgador de primeira instância, posto que não observada tal providência (Resolução nº 1402-000.231 – fls. 3754/3760). Neste intervalo, em petição datada de 23/12/2013, a recorrente – pessoa jurídica Catricala – formalizou pedido de desistência parcial da lide, apontando ter pretensão de aderir aos benefícios da Lei nº 11.941/2009 e parcelar os débitos de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, e respectivos consectários legais, permanecendo em discussão tão somente os lançamentos pertinentes às “multas isoladas” de IRPJ e de CSLL, nos valores de R$ 1.398.873,18 e R$ 502.399,49, respectivamente (fls. 3746/3747), valores presentes nos autos de infração – fls. 3066 e 3084: Sequencialmente, os autos retornaram a julgamento nesta mesma Turma Ordinária e sob a mesma relatoria em sessão de 25/09/2014, tendo o Relator, novamente, proposto sua volta à “Unidade de origem a fim de que os coobrigados sejam intimados da decisão de primeira instância”. Excertos do voto do então Relator resumem o quadro (Resolução nº 1402- 000.286 – fls. 3840/3843): “Os sócios acima nominados apresentaram impugnações sendo que em julgamento a DRJ manteve a responsabilidade que lhes foi impostas. Desta decisão eles não foram intimados para recorrer. Quando o processo esteve em pauta, em sessão anterior, por meio de Resolução de fls. 3.754, este Colegiado converteu o julgamento em diligência para que os coobrigados fossem formalmente intimados da decisão de primeira instância, assegurando-lhes o direito de recorrer. A unidade de origem, pelo que se verifica das fls. 3.820; 3.823; 3.826; 3.829; 3.832; 3.835, intimou os coobrigados lá mencionados acerca da desistência parcial do recurso, pela contribuinte Catricala. Contudo, deixou de intimá-los quanto os termos da decisão da DRJ. É necessário que se tenha presente que a desistência parcial do recurso por parte do contribuinte principal não faz desaparecer o interesse recursal dos coobrigados, quanto à responsabilidade que lhes foi imposta. Neste contexto, os autos devem retornar à origem para que se cumpra o quanto foi decidido na Resolução de fls. 7.754 e seguintes, isto é, a ciência de todos os coobrigados quanto ao acórdão da DRJ, assegurando-lhes o direito de recorrer”. Para atendimento ao quanto determinado pelo CARF, a Unidade de jurisdição dos coobrigados intimou-os da decisão da DRJ, sendo lhes franqueado o prazo legal para Fl. 4116DF CARF MF Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.117 6 interposição de eventuais recursos à instância superior, o que veio a ocorrer em relação a todos os sujeitos passivos solidários, conforme quadro abaixo: Nome Intimação-Ciência fls. Recurso Voluntário fls. DOMINGOS RIBEIRO 09/12/2014 3859/3860 08/01/2015 3904/3932 JENNY CATRICALA BIANCHI 08/12/2014 3853/3854 07/01/2015 4009/4036 JOSÉ JESUS CATRICALA 10/12/2014 3863/3864 07/01/2015 4043/4070 LAZINHA ORLANDELI 09/12/2014 3855/3856 08/01/2015 3870/3898 RAPHAEL CATRICALA 09/12/2014 3857/3858 08/01/2015 3939/3932 ROBERTI JOSÉ CATRICALA 10/12/2014 3861/3862 08/01/2015 3974/4002 YOLANDA CATRICALLA ROGETTA 02/01/2015 3868 07/01/2015 4077/4104 Com isso, a lide ficou restrita a dois tópicos, i) os lançamentos relativos às multas isoladas de IRPJ e de CSLL; e, ii) a imputação de responsabilidade solidária às pessoas físicas antes elencadas. Neste trilho, o julgamento circunscrever-se-á a apreciação das matérias ainda em discussão. DA ACUSAÇÃO FISCAL DA MULTA ISOLADA Segundo o TCCF (fls. 3042/3046), a infração relativa às multas isoladas está assim descrita: “2.4)Multa isolada pela falta de recolhimento do IR e CSSL, em vista das omissões de receitas (sobre a base estimada). Conforme constatado nos itens anteriores o contribuinte omitiu receitas de sua atividade. Recolheu o IR e CSSL sobre a base de cálculo apurada à época, em seus balanços de suspensão ou redução. Em vista das omissões apuradas, a base de cálculo mensal deve ser recalculada, sobre a mesma incide a multa isolada pela falta dos recolhimentos sobre a parcela de suas receitas que não compuseram a base de cálculo (omissão) para a apuração do IR e CSSL, de acordo com o art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07”. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA A respeito, dissertou o Auditor-Fiscal (fls. 3049/3051): “4) Responsabilidade dos gerentes pelos atos praticados por infração de lei e responsabilidade solidária Aos sócios gerentes do sujeito passivo, descritos no quadro abaixo , conforme contrato social às folhas de nº 184/191, serão atribuídas responsabilidades tributárias pelos atos praticados com ou infração de lei, conforme Art. 135, inciso III do CTN, em virtude de tudo que foi constatado em relação a existência de saldos credores de caixa em mais de onze milhões de reais, bem como a inclusão de lançamentos sempre no final Fl. 4117DF CARF MF Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.118 7 de cada mês, inserindo fatos jurídicos falsos ou inexistentes, com o escopo de ocultar das autoridades fiscais a existência de estouro de caixa, na transferência dos saldos de caixa , de um mês para outro, como restou comprovado nos demais itens do presente Termo. (...) As omissões mencionadas, reiteradas quase que diariamente, no decorrer de 15 meses consecutivos, representam várias infringências a textos normativos, que vão desde a obrigações acessórias de obrigações de transcrições de registros de fatos jurídicos efetivos até a obrigação legal do recolhimento de milhares de reais em impostos e contribuições sociais sonegados , decorrentes de tais infrações a textos normativos fiscais. A jurisprudência dos tribunais administrativos e judiciais demonstram, conforme exemplos abaixo, pacificidade com relação a responsabilidade”. DAS IMPUGNAÇÕES Segundo relatório da decisão recorrida, as impugnações da autuada e dos sujeitos passivos solidários, naquilo que permanece em litígio, estão assim resumidas: DA PESSOA JURÍDICA ACERCA DA MULTA ISOLADA “Conforme decidiu o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), não se aplica a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas em concomitância com a multa de ofício. Todavia, se o entendimento for pela incidência da penalidade, o que se nega veementemente, ainda assim, a multa aplicada com relação aos fatos geradores de janeiro a julho foram atingidos pela decadência. Há muito, o extinto Conselho de Contribuintes tem repudiado a aplicação concomitante da multa de ofício e da multa aplicada isoladamente pela falta de recolhimento de imposto e contribuição relativos a receitas que não compuseram a base de cálculo das estimativas (citou acórdãos). Portanto, conforme jurisprudência administrativa de instância superior, é descabida a exigência da multa, isoladamente, por falta de recolhimento de estimativa”. DAS PESSOAS FÍSICAS SOBRE A RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA “Falta de fundamentação do ato administrativo. Não foram apontados nos Termos de Sujeição Passiva Solidária, quais os fatos que motivaram, embasaram, a Fl. 4118DF CARF MF Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.119 8 imputação de responsabilidade solidária ao impugnante, sócio da empresa autuada. O processo administrativo tem como fonte maior a Constituição Federal (CF), da qual não pode se afastar, sob pena de nulidade. Nesse diapasão, o art. 5º da CF que dispõe sobre as garantias fundamentais do ordenamento jurídico, prevê no seu inciso LV os princípios do contraditório e da ampla defesa. Por sua vez, a Lei nº 9.784, de 1999, ao regular o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal prevê no art. 2º, que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, devendo, o processo administrativo, conter indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão e a observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados. O art. 50 da referida lei dispõe que os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos quando neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses e, imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções, devendo ser a motivação, explicita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso serão parte integrante do ato. No presente caso, não houve fundamentação para prolatar o Termo de Sujeição Passiva. Não está explicitado no termo, quais motivos específicos levaram a fiscalização a imputar a responsabilidade ao impugnante, sócio da empresa autuada. Além disso, referido art. 2º foi ignorado, causando inconformismo a atitude da autoridade coatora, porquanto a jurisprudência, tanto judicial como administrativa é farta no sentido da nulidade dos atos administrativos carentes de motivação. Ignorar a jurisprudência dominante sem justificativa é motivo para fulminar o ato, extinguindo a responsabilização. Portanto, a anulação dos atos praticados sem motivação é inafastável por ferir, inclusive, o direito constitucional ao devido processo legal. Da ilegalidade da responsabilização do sócio. Não há como acolher o ato administrativo eivado de ilegalidade. O principio da legalidade expressamente disposto no caput do art. 37 da CF é a diretiva maior em que se deve basear a Administração Pública num Estado de Direito. A solidariedade tributária do sócio-gerente é especificamente tratada no CTN, que em seu art. 135 prevê como pessoalmente Fl. 4119DF CARF MF Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.120 9 responsável no inciso III, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, os quais só respondem pelos créditos tributários que resultem exclusivamente de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. O referido art. 135 não faz menção à solidariedade ou subsidiariedade como o artigo 134. Nessas hipóteses, a responsabilidade transferida inteiramente para terceiros, ou seja, já determinada a responsabilidade pessoal do agente, exclusivamente. A responsabilidade nesses casos tem como causa determinante a efetiva comprovação da prática de atos dolosos (culpa subjetiva) realizados em desfavor da pessoa jurídica. O art. 135, inciso III, do CTN deixa claro que a responsabilidade pessoal dos sócios –gerentes e diretores não é simplesmente objetiva, pois exige ato doloso ou culposo para que lhes possa ser validamente imputado o dever de saldar, com seus bens particulares, débito fiscal da pessoa jurídica. Em recente julgamento, a 1ª Turma do STJ esclareceu sobre a responsabilidade do sócio pelas obrigações tributárias da pessoa jurídica (art. 137, III, do CTN): (...) III – O CTN , no inciso III do art. 135, impõe responsabilidade, não ao sócio, mas ao gerente, diretor ou equivalente. Assim sócio-gerente é responsável, não por ser sócio, mas por haver exercido a gerência. (...) Logo, a solidariedade do sócio pela dívida da sociedade só se manifesta quando comprovado que, no exercício de sua administração, praticou os atos eivados das irregularidades enumeradas no art. 135 do CTN. Até porque a pessoa jurídica, com responsabilidade própria, não pode ser confundida com a pessoa de seus sócios em respeito ao “princípio da identidade”. Não há como imputar ao sócio impugnante o dever solidário de recolher tributos da sociedade sem que haja comprovação de fraude ou outras práticas ilícitas, previstas nos arts. 135 e 137 do CTN. Além disso, a responsabilidade dos sócios somente ocorreria depois de findo os procedimentos junto à empresa autuada, comprovando-se a incapacidade desta em quitar eventuais tributos lançados, o que não ocorreu. Denota-se a ilegitimidade passiva solidária do sócio, devendo ser anulado o Termo de Sujeição Passiva Solidária ora combalido. Ônus da Prova. O autor da fiscalização não apontou qualquer fato concreto que embasaria o redirecionamento da autuação fiscal para determinado sócio, aduzindo apenas que uma suposta omissão de receitas constitui infração à lei, possibilitando a Fl. 4120DF CARF MF Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.121 10 responsabilização do sócio. O direito comum não admite essa imputação, a não ser em caso de comprovada culpa do agente. A lei não pode exigir mais do que a situação jurídica permite. Caso houvesse qualquer vinculação do sócio com os fatos geradores da obrigação tributária, esta deveria ser devidamente provada pela fiscalização e não apenas aduzida, aventada. O ônus da prova em matéria tributária é de inafastável importância, face ao disposto no art. 142 do CTN. A prova que embasa o lançamento é da autoridade lançadora, não do contribuinte. No entanto, foi invertido o ônus da prova, trazendo à baila alegações sem comprovação e imputando responsabilidade ao sócio por pura presunção, sem demonstrar quais fatos concretos formaram seu convencimento, o que torna nulos os procedimentos. O Fisco não apontou qual a efetiva motivação para imputar a solidariedade ao impugnante. Não descreveu qual fato concreto levou a enquadrá-lo nas hipóteses previstas no art. 135 do CTN”. DA DECISÃO RECORRIDA: Manifestando-se, a Turma Julgadora a quo, depois de afastar as arguições de decadência feitas pela impugnante, tendo em conta a ocorrência das hipóteses previstas nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, o que leva a contagem decadencial aos preceitos do artigo 173, I, do CTN, decidiu, no que tange às matérias remanescentes: a) MULTA ISOLADA (fls. 3675/3676): “Cabe observar o disposto no retrocitado art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996. (...) A legislação transcrita é bastante clara a respeito da obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa, estabelecendo a multa pelo descumprimento dessa obrigação, na forma do inciso II, b, da lei acima citada. Deve-se registrar que a hipótese de incidência de cada uma das multas é distinta. A da multa isolada é a falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais devidas, ainda que se apure prejuízo fiscal ao fim do ano-calendário, e a da multa proporcional é o lançamento de ofício do valor anual do IRPJ e CSLL que deixaram de ser recolhidos. Entendimento exarado no acórdão do Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) que demonstra a mesma posição a respeito desse assunto (...)”. b) DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA (fls. 3676/3678) Fl. 4121DF CARF MF Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.122 11 “Dispõe a Cláusula 9ª do contrato social. (...) Portanto, aos sócios gerentes do sujeito passivo, retro mencionados, conforme contrato social (fls. 184/194), foram atribuídas responsabilidades tributárias pelos atos praticados com infração de lei, conforme art. 135, inciso III do CTN, em virtude de tudo o que foi constatado em relação a existência de saldos credores de caixa, bem como a inclusão de lançamentos sempre no final de cada mês, reiteradamente, inserindo fatos jurídicos falsos ou inexistentes, com o escopo de ocultar das autoridades fiscais a existência de estouro de caixa, na transferência dos saldos de caixa, de um mês para outro, como restou comprovado nos demais itens do Termo de Constatação e Conclusão Fiscal. As omissões mencionadas, reiteradas quase que diariamente, no decorrer de 15 meses consecutivos, representam várias infringências a textos normativos, que vão desde a obrigações acessórias de obrigações de transcrições de registros de fatos jurídicos efetivos até a obrigação legal do recolhimento de milhares de reais em impostos e contribuições sociais sonegados, decorrentes de tais infrações a textos normativos fiscais. Constitui também infração de lei, conforme foi anotado no TVF, a prática de simulação absoluta, consubstanciada na tentativa de “esconder” saldo credor de caixa. A própria lavratura de auto de infração, dos termos fiscais específicos e a formalização do processo administrativo-fiscal representa o instrumento legal adequado para a comprovação das infrações praticadas e da imputação da responsabilidade solidária, ressalvado aos envolvidos o direito de defesa. (...) A jurisprudência dos tribunais administrativos e judiciais demonstram, conforme exemplo abaixo, pacificidade com relação a responsabilidade. (...) Portanto, diante da disposição contida no art. 135 do CTN e do exposto no trabalho fiscal, do qual os responsáveis também foram cientificados, a caracterização da responsabilidade pelo crédito tributário das pessoas físicas arroladas nos termos fiscais específicos, encontra amparo legal e portanto não são nulos os atos de responsabilização”. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS Fl. 4122DF CARF MF Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.123 12 Como já relatado anteriormente, a pessoa jurídica Catricala interpôs Recurso Voluntário em 11/06/2013 (fls. 3692/3726) na qual basicamente repisou os argumentos apresentados na impugnação inaugural e requereu o cancelamento das exigências. Especificamente naquilo que ainda permanece em litígio (multa isolada), sustenta ser insubsistente tal imposição, conforme “pacificado no âmbito do CARF” (fls. 3704) e que, ainda que se admita tal lançamento, os períodos de janeiro a junho de 2007 estariam decaídos. Já os sujeitos passivos solidários interpuseram recursos de idêntico teor, relacionados às fls. citadas no quadro atrás reproduzido, nos quais praticamente repisam as impugnações antes oferecidas em 1º Piso, pontuando ter ocorrido “falta de fundamentação do ato administrativo” e “ilegal responsabilização do sócio”, tendo o Fisco, ainda, não conseguido provar que os sócios praticaram ou se beneficiaram das irregularidades imputadas à pessoa jurídica. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 4123DF CARF MF Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.124 13 Voto Vencido Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Os Recursos Voluntários da pessoa jurídica e das pessoas físicas são todos é tempestivos e dotados dos pressupostos para suas respectivas admissibilidades, pelo que os recebo e deles conheço. Considerando o que remanesce em litígio, principio pelo recurso da recorrente pessoa jurídica. DAS MULTAS ISOLADAS A decisão recorrida manteve os lançamentos de multa isolada de IRPJ e CSLL perpetrados pelo Fisco em razão de recolhimentos insuficientes de estimativas mensais nos anos-calendário de 2007 e 2008, conforme ementa do acórdão, assim redigida: MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação simultânea da multa isolada por falta ou insuficiência do recolhimento das antecipações mensais das estimativas e da multa proporcional ao tributo exigido no auto de infração. Irresignada, a recorrente pontuou em suas peças recursais de 1º e 2º Instâncias insiste na tese de que “conforme decidiu o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), não se aplica a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas em concomitância com a multa de ofício” e que, “se o entendimento for pela incidência da penalidade, o que se nega veementemente, ainda assim, a multa aplicada com relação aos fatos geradores de janeiro a junho foram atingidos pela decadência”. Analiso, preliminarmente, a decadência arguida, posto que prejudicial ao mérito. A insuficiência dos recolhimentos de estimativas mensais que acabou por gerar os lançamentos de ofício de multa isolada decorreu de infrações e irregularidades apuradas pelo Fisco, basicamente “omissão de receitas – saldo credor de caixa”, presunção legal que a autuada não conseguiu elidir e, mais ainda, desistiu de discutir em segundo plano, tendo manifestado decisão de aderir aos benefícios da Lei nº 11.941/2009. Em outras palavras, as multas isoladas aplicadas sobre recolhimentos insuficientes de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL derivaram de irregularidades em relação às quais o Fisco entendeu – e a decisão recorrida ratificou – terem sido ações praticadas “com intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal, em virtude de que o contribuinte efetuou pagamento com recursos não contabilizados, decorrentes de operações anteriormente realizadas e também não contabilizadas (receitas mantidas à margem da escrituração)”; que, “não se trata de um fato isolado que pudesse evidenciar um mero erro ou esquecimento por parte dos gerentes da fiscalizada, trata-se de pratica reiterada nos 12 meses de 2007 e nos primeiros três meses do ano de 2008, em quase R$ 12.000.000,00 (Doze milhões de reais)”; que, “um dos motivos para que o legislador incluísse a conduta de sonegação fiscal em tipo normativo penal, pois a sonegação fiscal Fl. 4124DF CARF MF Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.125 14 nada mais é do que subtrair recursos do Estado, o qual representa ou se compõe principalmente dos cidadãos de parco poder aquisitivo ou hipossuficientes”; que, “a tentativa de ocultar a ocorrência dos saldos credores de caixa nos finais de cada mês, pelo meio da inserção dos lançamentos falsos , demonstram inequivocamente as intenções dos sócios gerentes conjuntamente com os contabilistas , Srs. Raymundo de Souza Neto e Everson Aristides Lino”; e, que, “tais atos, configuram-se, sem sombras de dúvidas, em evidente intuito de fraude, sendo suficiente para justificar a exasperação da penalidade na forma prevista no citado art. 44 (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007), da Lei nº 9.430 de 1996,”. Com isso, a fluência da contagem decadencial sustenta-se no artigo 173, I, do CTN e não no artigo 150, § 4º, do mesmo Diploma Legal, ou seja, flui a partir do “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, o que, no caso concreto, corresponde, para o período mais antigo (2007), ao dia 01/01/2009, findando-se em 31/12/2013, de forma que, cientificada a recorrente em 06/07/2012 (fls. 3146), não há que se falar em decadência. Situação que atinge, por reflexo e igual conceituação, os lançamentos de multa isolada. Afasto, assim, a decadência suscitada. Passo ao mérito. Equivoca-se a recorrente ao entender não cabível a multa de ofício e que a jurisprudência do CARF aponta neste sentido. De fato, ao longo de anos muito se discutiu acerca desta imputação nas diversas Turmas do Colegiado. De minha parte, com relação às ditas “multas isoladas”, sempre perfilei com os que entendem estar-se diante de imposições diferentes, com fatos geradores diferentes, tipificações legais diferentes e motivações fáticas diferentes, ou seja, da leitura artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, com suas alterações, infere-se que, uma vez constatada falta ou insuficiência de pagamento de estimativa, será exigida a multa isolada. Se, além disso, tiver ocorrido falta de recolhimento do imposto devido com base no lucro real anual, o lançamento abrangerá também o valor do imposto, acompanhado de multa de ofício proporcional e juros, pois a determinação legal de imposição da multa de ofício, aplicada isoladamente, prescinde da apuração de lucro ou prejuízo no final do período anual, inexistindo, portanto, a cumulação de penalidades para uma mesma conduta, apontada pela recorrente. Em síntese, não tendo as referidas multas a mesma hipótese de incidência, não haveria nada que pudesse impedir a imposição concomitante da multa isolada com a multa de ofício devida pela apuração e recolhimento a menor do imposto e contribuição devidos na apuração anual. Com relação à divergência jurisprudencial citada pela recorrente, ela poderia ter alguma razão de ser enquanto vigente a redação original do artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, entendendo alguns que a norma legal estabeleceria uma norma de imposição tributária, quando, na verdade, o não recolhimento das estimativas impunha a aplicação de uma regra sancionatória. Fl. 4125DF CARF MF Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.126 15 Aquela avaliação, todavia, não mais se justifica a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela MP nº MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.(destaquei) Inexiste assim a estreita correlação entre o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano. Registre-se que essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa; simplesmente tornou mais clara a intenção do legislador. Faço minha as palavras do ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES que de forma precisa analisou o tema no Acórdão nº 103-23.370, Sessão de 24/01/2008: “Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibe-se o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Fl. 4126DF CARF MF Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.127 16 Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte”. Ainda acerca da concomitância na aplicação de multa de ofício e multa isolada, mesmo que abstraídas questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, o fato é que a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo, de modo que, sob esta ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou norma abstrata plenamente vigente no mundo jurídico a caso concreto que se estampou. Registre-se, por fim, ser inaplicável, no caso, a Súmula nº 105 do CARF, posto que ali se cuida de lançamentos referentes a períodos anteriores a 2007. Assim, devem ser mantidas integralmente as multas isoladas aplicadas a partir de janeiro de 2007, pelo que NEGO PROVIMENTO ao recurso da recorrente Catricala. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Batem-se os sócios da recorrente, DOMINGOS RIBEIRO – CPF nº 305.997.098-04 (Termo Sujeição Passiva – fls. 3054/3055); JENNY CATRICALA BIANCHI – CPF nº 035.859.328-00 (Termo Sujeição Passiva – fls. 3056/3057); JOSÉ JESUS CATRICALA – CPF nº 286.308.238-8 (Termo Sujeição Passiva – fls. 3052/3053); LAZINHA Fl. 4127DF CARF MF Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.128 17 ORLANDELI – CPF nº 271.900.028-04 (Termo Sujeição Passiva – fls. 3058/3059); RAPHAEL CATRICALA – CPF nº 149.457.978-20 (Termo Sujeição Passiva – fls. 3060/3061) ROBERTI JOSÉ CATRICALA – CPF nº 872.944.358-04 (Termo Sujeição Passiva – fls. 3062/3063) e YOLANDA CATRICALA ROGETTA – CPF nº 081.440.518-58 (Termo Sujeição Passiva – fls. 3178), contra suas inserções no pólo passivo da lide, na posição de “sujeitos passivos solidários”, na forma do artigo 135, III, do CTN. Segundo relato da Autoridade Fiscal, presente em todos os Termos de Sujeição Passiva lavrados, “esta Fiscalização apurou fatos e situações à respeito da Responsabilidade Tributária que vão mencionadas no item 4 do Termo de Constatação e Conclusão Fiscal. Ante o exposto no referido termo, incluso no Procedimento Administrativo mencionado acima, restou caracterizada a responsabilidade tributária em face desse contribuinte pessoa física, nos termos dos art. 135 III da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), com relação à constituição de crédito tributário de ofício nele incluso”. Por sua vez, o referido “item 4 do TCCF” a que alude o autor do feito descreve (fls. 3049/3051): “Aos sócios gerentes do sujeito passivo, descritos no quadro abaixo, conforme contrato social às folhas de nº 184/191, serão atribuídas responsabilidades tributárias pelos atos praticados com ou infração de lei, conforme Art. 135, inciso III do CTN, em virtude de tudo que foi constatado em relação a existência de saldos credores de caixa em mais de onze milhões de reais, bem como a inclusão de lançamentos sempre no final de cada mês, inserindo fatos jurídicos falsos ou inexistentes3, com o escopo de ocultar das autoridades fiscais a existência de estouro de caixa, na transferência dos saldos de caixa , de um mês para outro, como restou comprovado nos demais itens do presente Termo. (...) As omissões mencionadas, reiteradas quase que diariamente, no decorrer de 15 meses consecutivos, representam várias infringências a textos normativos, que vão desde a obrigações acessórias de obrigações de transcrições de registros de fatos jurídicos efetivos até a obrigação legal do recolhimento de milhares de reais em impostos e contribuições sociais sonegados, decorrentes de tais infrações a textos normativos fiscais”. Relembrando, o objeto principal dos autos foram lançamentos de “omissão de receitas”, caracterizada pela existência reiterada de saldo credor de caixa, infração tipificada no artigo 281, I, do RIR/1999 2 , presunção que a autuada não conseguiu elidir, tanto que optou por assumir o débito e parcelá-lo na forma da Lei nº 11.941/2009. Com isso, ainda segundo o raciocínio da Autoridade Fiscal, tal fato não poderia ter ocorrido sem o concurso dos sócios e administradores da empresa recorrente, o que implicaria na sujeição passiva solidária imputada. 2 Art. 281. Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I - a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; Fl. 4128DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del1598.htm#art12§2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del1598.htm#art12§2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9430.htm#art40 Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.129 18 De seu turno, os sete recorrentes, em peças idênticas, argumentam: i) a solidariedade tributária do sócio-gerente é especificamente tratada no CTN, que em seu art. 135 prevê como pessoalmente responsável no inciso III, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, os quais só respondem pelos créditos tributários que resultem exclusivamente de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos; ii) o referido art. 135 não faz menção à solidariedade ou subsidiariedade como o artigo 134. Nessas hipóteses, a responsabilidade transferida inteiramente para terceiros, ou seja, já determinada a responsabilidade pessoal do agente, exclusivamente; iii) a responsabilidade nesses casos tem como causa determinante a efetiva comprovação da prática de atos dolosos (culpa subjetiva) realizados em desfavor da pessoa jurídica; iv) o art. 135, inciso III, do CTN deixa claro que a responsabilidade pessoal dos sócios –gerentes e diretores não é simplesmente objetiva, pois exige ato doloso ou culposo para que lhes possa ser validamente imputado o dever de saldar, com seus bens particulares, débito fiscal da pessoa jurídica; v) que, em recente julgamento, a 1ª Turma do STJ esclareceu sobre a responsabilidade do sócio pelas obrigações tributárias da pessoa jurídica (art. 137, III, do CTN): (...) III – O CTN , no inciso III do art. 135, impõe responsabilidade, não ao sócio, mas ao gerente, diretor ou equivalente. Assim sócio-gerente é responsável, não por ser sócio, mas por haver exercido a gerência; vi) a solidariedade do sócio pela dívida da sociedade só se manifesta quando comprovado que, no exercício de sua administração, praticou os atos eivados das irregularidades enumeradas no art. 135 do CTN; vii) o autor da fiscalização não apontou qualquer fato concreto que embasaria o redirecionamento da autuação fiscal para determinado sócio, aduzindo apenas que uma suposta omissão de receitas constitui infração à lei, possibilitando a responsabilização do sócio; viii) o direito comum não admite essa imputação, a não ser em caso de comprovada culpa do agente. A lei não pode exigir mais do que a situação jurídica permite; ix) caso houvesse qualquer vinculação do sócio com os fatos geradores da obrigação tributária, esta deveria ser devidamente provada pela fiscalização e não apenas aduzida, aventada. Dispõe o artigo 135, III, do Estatuto Tributário, assumido pelo Fisco para a inserção dos sócios e administradores da pessoa jurídica no pólo passivo da lide: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Arguem os recorrentes que somente o artigo antecedente (art. 134) é que faria menção “à solidariedade ou subsidiariedade” e não o art. 135. Fl. 4129DF CARF MF Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.130 19 Labuta em equívoco a defesa, primeiro porque ambos os dispositivos legais encontram-se tutelados pela Seção III, do Capítulo V, que cuida exatamente de “responsabilidade de terceiros”. Depois porque, enquanto o artigo 134 refere-se à solidariedade das pessoas ali listadas (pais, administradores de bens de terceiros, sócios no caso de liquidação de sociedade, etc.) “nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis”, o art. 135 cuida de responsabilidade pessoal em razão de atos praticados “com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”, neste caso literalmente incluindo “os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado”. Sem maiores aprofundamentos, fácil de se ver que as situações estampadas, ainda que se referindo a “responsabilidade de terceiros”, têm características diferentes, a primeira tratando de atos ou omissões das pessoas ali referidas, e o art. 135, naquilo que interessa, punindo atos realizados com “infração à lei” e praticados por aqueles que tinham os poderes de gestão da empresa (diretores, gerentes ou representantes). Veja-se, a lei não fala, no caso do art. 135, em “sócios”, mas, sim, em “administradores”, embora no que tange à recorrente pessoa jurídica isso não tenha maior relevância, já que todos os seus sócios eram, ao mesmo tempo, seus administradores. Confira-se na cláusula 9ª, do Contrato Social vigente à época dos fatos (fls. 186/191): Nesta linha, não há dúvidas de que os administradores da pessoa jurídica autuada por omissão de receitas (saldo credor de caixa), presunção não elidida pela recorrente, participaram ou tiveram – todos eles – conhecimento dos fatos, ou seja, da existência de inequívoca “infração à lei” de que cuida o artigo 135, III, do CTN, e, veja-se, não se trata de uma simples “infração” como, por exemplo, a entrega extemporânea da DIPJ ou da DCTF, mas de manter à margem da escrituração e da tributação vultosos valores só detectados pela intervenção do Fisco em auditoria realizada na pessoa jurídica. Como consta do TCCF (fls. 3047): “(...) por tudo que foi descrito anteriormente, tais ações praticadas pelos responsáveis da PJ se deram com intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal, em virtude de que o contribuinte efetuou pagamento com recursos não contabilizados, decorrentes de operações anteriormente realizadas e também não contabilizadas (receitas mantidas à margem da escrituração). Reafirmamos que não se trata de um fato isolado que pudesse evidenciar um mero erro ou esquecimento por parte dos gerentes da fiscalizada, trata-se de pratica reiterada nos 12 meses de 2007 e nos Fl. 4130DF CARF MF Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.131 20 primeiros três meses do ano de 2008, em quase R$ 12.000.000,00 (Doze milhões de reais). (...) A tentativa de ocultar a ocorrência dos saldos credores de caixa nos finais de cada mês, pelo meio da inserção dos lançamentos falsos, demonstram inequivocamente as intenções dos sócios gerentes. (...) Tais atos, configuram-se, sem sombras de dúvidas, em evidente intuito de fraude”. Ora, inimaginável se possa aceitar que os administradores da recorrente não tinham conhecimento ou participaram deste ato delituoso, até porque, nunca é demais lembrar, ainda que a pessoa jurídica possa ter “vida própria” e “existência real” (teorias da “Realidade Objetiva” e “Realidade Técnica”), ou que, “sendo sujeito de direito, vale dizer, sendo uma pessoa, será dotada de personalidade e possuirá todos os direitos e obrigações semelhantes a uma pessoa natural ou física” 3 , posições que se contrapõem à conceituação de Savigny, para o qual a pessoa jurídica é uma mera “ficção”, o fato - inconteste – é que quem toma decisões nas empresas são pessoas humanas investidas de poderes para tal e o fazem de acordo com os preceitos que norteiam as companhias das quais participam ou administram. Assim, argumentos como levantados pelos recorrentes de que “a solidariedade do sócio pela dívida da sociedade só se manifesta quando comprovado que, no exercício de sua administração, praticou os atos eivados das irregularidades enumeradas no art. 135 do CTN”, mostram-se desconexos e até atuam contra que os alegou, em face da evidente comprovação da ocorrência justamente dos “atos eivados de irregularidades” que procura a defesa minimizar. Igualmente, sem sustentação a argumentação de que a Fiscalização não teria apontado fatos concretos e não haveria vinculação do sócio com os fatos geradores, porque, como exaustivamente visto, o que se tem é infração à lei praticada por “administrador” e não por sócio (embora, no caso, as duas figuras jurídicas se fundam em uma só). Do mesmo modo, a decisão do STJ citada pelos recorrentes em nada os aproveita, ao contrário, só confirma a correção do procedimento do Fisco (“que, em recente julgamento, a 1ª Turma do STJ esclareceu sobre a responsabilidade do sócio pelas obrigações tributárias da pessoa jurídica (art. 137, III, do CTN): (...) III – O CTN , no inciso III do art. 135, impõe responsabilidade, não ao sócio, mas ao gerente, diretor ou equivalente. Assim sócio-gerente é responsável, não por ser sócio, mas por haver exercido a gerência”). Ora, é exatamente disto que se trata nos autos: responsabilidade por atos praticados como gerente (administrador). A propósito, manifestação do STJ: “A responsabilidade tributária (cujo principal escopo é facilitar o cumprimento da prestação pecuniária devida 3 DOWER, Nelson Godoy Bassil. Curso moderno de direito civil: Parte geral, São Paulo: Nelpa, 1976, v1, p 51. Fl. 4131DF CARF MF Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.132 21 ao Fisco) tanto pode advir da prática de atos ilícitos (artigos 134, 135 e 137, do CTN), como também da realização de atos lícitos (artigos 129 ao 133, do CTN), sendo certo, contudo, que a sua instituição reclama o atendimento dos requisitos impostos pelo Codex Tributário, quais sejam: (i) a existência de previsão legal; (ii) a consideração do regime jurídico do contribuinte para fins de aferição da prestação pecuniária devida; e (iii) a existência de "vínculo jurídico entre o contribuinte e o responsável que permita a este cumprir sua função de auxiliar do Fisco no recebimento da dívida do contribuinte, sem ter seu patrimônio comprometido" (Octávio Bulcão Nascimento, in "Curso de Especialização em Direito Tributário: Estudos Analíticos em Homenagem a Paulo de Barros Carvalho", Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2007, pág. 818) (REsp 719350 / SC. Primeira Turma. Ministro Relator: Luiz Fux. DJe: 21/02/2011)”. Portanto, por tudo o que se expôs e o que consta dos autos, induvidoso que a sonegação de mais de 12 milhões de reais só seria possível de ocorrer com a ação una e conjugada de todos os administradores da pessoa jurídica Catricala, posto que os sete imputados detinham, inquestionavelmente, amplos e totais poderes de administrar a sociedade, na forma da cláusula 9ª, de seu Contrato Social. Deste modo, VOTO POR MANTER a responsabilização apontada pelo Fisco em relação aos sujeitos passivos DOMINGOS RIBEIRO, JENNY CATRICALA BIANCHI, JOSÉ JESUS CATRICALA, LAZINHA ORLANDELI, RAPHAEL CATRICALA, ROBERTI JOSÉ CATRICALA e YOLANDA CATRICALA ROGETTA (artigo 135, III, do CTN) e NEGO PROVIMENTO aos recursos voluntários por eles interpostos. É como voto. Brasília (DF), em 14 de fevereiro de 2017. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Relator Fl. 4132DF CARF MF Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.133 22 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Redator Designado. Em que pese o habitual brilhantismo emanado dos votos elaborados pelo Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, ouso discordar de sua visão acerca da responsabilização passiva solidária imputada aos sócios-gerentes da Autuada CATRICALA E CIA LTDA. A Fiscalização fundamentou a responsabilização no art. 135, inc. III, do CTN, abaixo reproduzido: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Ocorre, que tal imputação exigiria da Autoridade Fiscal a individualização das condutas de cada um dos sócios-gerentes, o que não consegui vislumbrar no Auto de Infração de e-fls. 3.015/3.140, mais especificamente no item 4 do Termo de Constatação e Conclusão Fiscal (anexo ao Auto de Infração), às e-fls. 3.049/3.051. Vejamos o que foi descrito pela Autoridade Fiscal a respeito: Aos sócios gerentes do sujeito passivo, descritos no quadro abaixo , conforme contrato social às folhas de nº 184/191, serão atribuídas responsabilidades tributárias pelos atos praticados com ou infração de lei, conforme Art. 135, inciso III do CTN, em virtude de tudo que foi constatado em relação a existência de saldos credores de caixa em mais de onze milhões de reais, bem como a inclusão de lançamentos sempre no final de cada mês, inserindo fatos jurídicos falsos ou inexistentes, com o escopo de ocultar das autoridades fiscais a existência de estouro de caixa, na transferência dos saldos de caixa , de um mês para outro, como restou comprovado nos demais itens do presente Termo. (...) As omissões mencionadas, reiteradas quase que diariamente, no decorrer de 15 meses consecutivos, representam várias infringências a textos normativos, que vão desde a obrigações acessórias de obrigações de transcrições de registros de fatos jurídicos efetivos até a obrigação legal do recolhimento de milhares de reais em impostos e contribuições sociais sonegados, decorrentes de tais infrações a textos normativos fiscais. O tema é controverso e admite interpretações díspares. Entretanto, não há dúvidas, seja na doutrina ou na jurisprudência, de que o inciso III, do Art. 135 é direcionado Fl. 4133DF CARF MF Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.134 23 àquelas pessoas que exercem de fato a administração da pessoa jurídica e nesse exercício pratiquem o ato infracional previsto do dispositivo em comento. No presente caso, apesar de a autoridade lançadora ter realizado um trabalho elogiável, delimitando perfeitamente a infração consubstanciada na omissão de receitas, não consigo vislumbrar, a partir do Termo de Constatação e Conclusão, acima reproduzido, a participação e, muito menos, a extensão da conduta realizada por cada um dos sócios-gerentes na produção do respectivo resultado (infração tributária). Não vejo como suficiente que o sócio-gerente tenha sido beneficiado pela infração cometida. Sem a prova da prática do ato, não pode haver o enquadramento no inciso III, do art, 135, do CTN. Consta do voto vencido que, com base na cláusula 9ª do Contrato Social vigente à época dos fatos (e-fls. 186/191), abaixo reproduzido novamente, os sócios administradores da pessoa jurídica participaram, ou tiveram, todos eles, conhecimento dos fatos que redundaram na lavratura do Auto de Infração. Entretanto, não há como se dizer isso, a partir, apenas, da leitura do contrato social. Não é crível que uma empresa composta por 07 (sete) sócios seja administrada sem que haja uma divisão de tarefas, poderes ou atribuições. Tanto não é possível, que o dispositivo em comento prevê essa distribuição de atribuições: "com os poderes e atribuições de assinatura em conjunto ou isoladamente, que distribuirão entre si e da melhor forma as atribuições de cada uma". Daí porque entendo que não há como manter a responsabilidade que lhes foi imputada, motivo pelo qual voto por dar provimento ao recurso dos coobrigados DOMINGOS RIBEIRO, JENNY CATRICALA BIANCHI, JOSÉ JESUS CATRICALA, LAZINHA ORLANDELI, RAPHAEL CATRICALA, ROBERTI JOSÉ CATRICALA e YOLANDA CATRICALA ROGETTA para excluí-los da relação jurídico-tributária. Fica prejudicada a análise das demais razões de defesa concernente à imputação da responsabilidade a esses coobrigados. É como voto. Brasília (DF), em 14 de fevereiro de 2017. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Redator Designado Fl. 4134DF CARF MF Processo nº 16004.720253/2012-45 Acórdão n.º 1402-002.394 S1-C4T2 Fl. 4.135 24 Fl. 4135DF CARF MF
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