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Numero do processo: 10120.720125/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.758
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente RENAUTO VEÍCULOS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 25 /2 01 1- 16 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10120.720125/201116 Acórdão n.º 3302003.758 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.270. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10120.720125/201116 Acórdão n.º 3302003.758 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10120.720125/201116 Acórdão n.º 3302003.758 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10120.720125/201116 Acórdão n.º 3302003.758 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10120.720125/201116 Acórdão n.º 3302003.758 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002598/2003-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1999
RECUPERAÇÃO DE TRIBUTOS. INCIDÊNCIA.
Não há incidência da Contribuição para o PIS/Pasep-cumulativa sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3401-003.497
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que afastava apenas a aplicação da multa de ofício.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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INCIDÊNCIA. Não há incidência da Contribuição para o PIS/Pasepcumulativa sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que afastava apenas a aplicação da multa de ofício. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 25 98 /2 00 3- 41 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 18471.002598/200341 Acórdão n.º 3401003.497 S3C4T1 Fl. 301 2 Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls.1 123/130) lavrado, em 05/11/2003, e cientificado pessoalmente, em 12/11/2003, para exigência de créditos tributários relativos à contribuição para o PIS/PASEP (R$3.575,55) cumulativa, acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora, referentes às insuficiências de recolhimentos resultantes de recomposições da base de cálculo, confrontadas com os valores declarados e confessados (DCTF), no período de janeiro a dezembro de 1999, conforme Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 121/122). No TVF, restou consignado: "1Que o contribuinte deixou de incluir as receitas discriminadas no Quadro Demonstrativoanexo ao presente Auto de Infração na base de cálculo do Programa de Integração Social(PIS) pelo que impõemse a presente tributação." Cientificada pessoalmente do auto de infração, em 12/11/2003 (fl. 123), apresentou impugnação, em 12/12/2003 (fls. 152/157), em síntese, argüindo que: na receita registrada na conta "Recuperações Diversas 4.2.1.02.01.0001" no valor de R$ 490.717,11, está incluso R$ 275.321,09, referente à êxito nos processos n° 96.00072779 (FINSOCIAL) e n° 95.07755825 (INSS), de recuperação de tributos pagos indevidamente, valores que não geram ingresso de novas receitas, razão pela qual não integram a base de cálculo do PIS; a receita registrada na conta "Recuperações de Vale Transporte", se refere ao limite de 6% descontado dos funcionários pela sua participação na aquisição de vales transporte, foram lançados a crédito de resultado, mas, não configuram ingresso de novas receitas, razão pela qual, não integram a base de cálculo do PIS; quanto as demais receitas, o interessado concorda que indevidamente não foram incluídas na base de cálculo; comunica juntada de cópias de DARFs, recolhidos em função dos valores que compõem a parte não impugnada do auto de infração. A decisão de primeira instância, proferida em 15/03/2007 (fls. 209/214), foi pela procedência parcial da impugnação, no que tange à receita registrada na conta "Recuperações de Vale Transporte", excluindose tais valores da base de cálculo da exação. Assunto: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999 Ementa: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. O lançamento consolidase administrativamente no que se refere à matéria não impugnada. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1999 Ementa: RECEITAS NÃO INCLUÍDAS NA BASE DE CÁLCULO. As alegações desprovidas de prova não elidem a infração. RECUPERAÇÕES DE VALE TRANSPORTE. A recuperação de despesa com vale transporte não caracteriza faturamento. Lançamento Procedente em Parte 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 18471.002598/200341 Acórdão n.º 3401003.497 S3C4T1 Fl. 302 3 Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR à fl. 221), em 09/05/2007, apresentase, em 08/06/2007, o recurso voluntário (fls. 223/226) quanto ao crédito mantido, relativo à inclusão na base de cálculo das receitas registrada na conta "Recuperações Diversas 4.2.1.02.01.0001", em essência, reiterando a argumentação expressa na impugnação, sobre: Recuperação de despesas não geram ingresso de novas receitas; inovando quanto ao questionamento: Da nãoincidência dos juros de mora e da multa. É o relatório. Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Reitera o contribuinte ser indevida à inclusão, na base de cálculo do PIS, de parcela (R$275.321,09) das receitas registradas (R$490.717,11) na conta "Recuperações Diversas 4.2.1.02.01.0001", alegando que despesas recuperadas, no caso, a título de tributos pagos a maior ou indevidamente, não geram ingressos de novas receitas. Sobre a questão, assim pronunciouse o órgão julgador recorrido, in verbis: "16 Quanto à primeira receita contestada ("Recuperações Diversas"), alega o interessado que se refere à recuperação judicial de créditos relativos ao FINSOCIAL e às contribuições para o INSS pagos indevidamente. 17 Ocorre que, embora mencionado na impugnação "processo no 96.72779 e n° 95.07755825 (anexados)", não há nos autos qualquer documento que possibilite comprovar tal alegação. 18 Os documentos juntados pelo interessados estão assim dispostos: 19 — fl. 156: copia de documentos de identificação do signatário da impugnação; 20 — fls. 157/166: cópias da AGE de 14/04/2003 e do Estatuto Social Consolidado; 21 — fl. 157: cartão CNPJ; 22 — fls. 168/180: cópia do auto de infração; 23 —fls. 181/192: cópias de DARFs. 24 Além disso, em se tratando de impugnação de valor parcial, totalizado no ano (R$ 275.321,09), deve o interessado apresentar demonstrativo mensal das parcelas que pretende excluir, visto que o período de apuração do PIS é mensal." Junto às alegações recursais, o contribuinte apresentou demonstrativo mensal das parcelas que pretende excluir, corroborado por documentos e pela escrituração contábil, demonstrando detalhadamente os valores compensados dos créditos lançados à conta de "Recuperações Diversas", que entende, não devem compor a base de cálculo da exação, suprindo o processo dos elementos de prova, sobre razões posteriormente trazidas aos autos, somente pela decisão recorrida, dentro da exceção, da alínea 'c', do §4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72 (PAF), à concentração das provas no momento da impugnação. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 18471.002598/200341 Acórdão n.º 3401003.497 S3C4T1 Fl. 303 4 Superada a ausência de provas sobre as questões de fato e guardado o momento oportuno de suas valorações, resta a aplicação do direito, consubstanciado na hipótese de incidência da Lei nº 9.718/99, no que se refere à inclusão na base de cálculo do PIS cumulativo dos valores recuperados a título de tributo pago a maior ou indevidamente. Sobre valores recebidos, na via judicial, a título de recuperação de despesa, assim pronunciouse a Divisão de Tributação DISIT da 7ª Região Fiscal, circunscrição que encontrase domiciliado o recorrente: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 127, DE 19 DE NOVEMBRO DE 2010 7ª REGIÃO FISCAL ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: RECUPERAÇÃO DE DESPESAS INCIDÊNCIA. Os valores recebidos, na via judicial, a título de recuperação de despesa, constituem receita nova e deverão integrar a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, pois não estão relacionados entre as exclusões permitidas em lei. Os juros e a correção monetária incorporados ao valor da indenização representam receita nova, com afetação positiva do patrimônio líquido, estando, portanto, sujeitos à incidência do PIS/Pasep não cumulativo. Tais acessórios, quando ativos, são considerados como receitas financeiras, as quais, em relação ao PIS/Pasep apurado no regime não cumulativo, encontramse sujeitas à alíquota de zero por cento. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Nº 10.637, de 2002, art. 1º, §§ 1º, 2º e 3º; Decreto Nº 5.442, de 2005 Por outro lado, especificamente, sobre os valores recuperados a título de tributo pago a maior ou indevidamente, a Divisão de Tributação DISIT da 8ª Região Fiscal, pronunciouse de maneira distinta: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 369, DE 19 DE OUTUBRO DE 2009 8ª REGIÃO FISCAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep RECUPERAÇÃO DE TRIBUTOS. BASE DE CÁLCULO. Não há que se falar em incidência da Cofins sobre os valores recuperados a título de tributo pago a maior ou indevidamente, uma vez que tais valores, no período em que foram reconhecidos como despesas, não influenciaram a base tributável da contribuição. No entanto, o valor dos juros decorrentes do indébito tributário recuperado, por se tratar de receita nova, compõe a base de cálculo da contribuição. A alíquota sobre receitas financeiras, por sua vez, encontrase reduzida a zero. Dispositivos Legais: Lei Nº 9.430, de 1996, art. 53; ADI SRF Nº 25, de 2003; Decreto Nº 5.164, de 2004; Decreto Nº 5.442, de 2005. Dentre os dispositivos legais que embasam a solução de consulta especifica, sobre os valores recuperados a título de tributo pago a maior ou indevidamente, o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 25, de 24 de dezembro de 2003 (DOU de 29/12/2003), que expressamente dispõe, em seu "Art. 2º Não há incidência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente." Fl. 303DF CARF MF Processo nº 18471.002598/200341 Acórdão n.º 3401003.497 S3C4T1 Fl. 304 5 A Solução de Consulta DISIT 07 nº 127/10, mais atual e ampla, pois, diz respeito a quaisquer valores recebidos, na via judicial, a título de recuperação de despesa, entende que tais valores constituem receita nova e devem integrar a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, pois, não estão relacionados entre as exclusões permitidas em lei, inovando, em relação à Solução de Consulta DISIT 08 nº 369/09 e ao ADI SRF nº 25/03, os quais entendem receita nova, somente, os acréscimos moratórios do indébito recuperado. Além de mais específico, o ADI SRF nº 25/03 é mais completo, na medida que promove uma análise conjunta dos efeitos da recuperação de despesas tributárias no IRPJ, na CSLL, na COFINS e no PIS/Pasep. Para o IRPJ e para CSLL, os valores restituídos a título de tributo pago indevidamente serão tributados, se, em períodos anteriores, tiverem sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL (art. 1º). Já para o PIS e para a COFINS, não há incidência sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente (art. 2º). Notar que a SC DISIT 08 nº 369/09, adotando expressamente o ADI SRF nº 25/03, segue a mesma lógica de interpretação dos fatos para os quatro tributos analisados. Enquanto o art. 1º, do ADI SRF, afirma tributável pelo IRPJ e pela CSLL se, em períodos anteriores, tiverem sido computados como despesas dedutíveis; e o art. 2º, diz que não há incidência do PIS e da COFINS; a SC DISIT 08, complementa a interpretação, afirmando que não há que se falar em incidência sobre os valores recuperados a título de tributo pago a maior ou indevidamente, uma vez que tais valores, no período em que foram reconhecidos como despesas, não influenciaram a base tributável destas contribuições sociais, entendimentos harmonizados com o princípio da continuidade da empresa. Já a SC DISIT 07 nº 127/10, promove uma análise mais isolada do fato, naquele instante, o ingresso é receita nova, com afetação instantânea positiva do patrimônio líquido, e, portanto, tributável, salvo, relacionadas entre as exclusões permitidas em lei. No caso concreto, em período de apuração (1999) sob a regência da Lei nº 9.718/98, ainda que entendase que os valores recebidos, na via judicial, a título de recuperação de despesa de tributo pago a maior ou indevidamente, constituem receita nova e devem integrar a base impositiva da Contribuição para o PIS/Pasep, esbarrariase na inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, prevista no art. 3º, § 1º, da lei de regência, decisão definitiva de mérito do STF no RE 585.235/MG, decidido na sistemática da repercussão geral, do art. 543 B, do CPC/1973, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (§2º, do art. 62, do RICARF/15), visto não tratarse de receitas de vendas de mercadorias e/ou da prestação de serviços, nem tampouco, oriundas do exercício das atividades empresariais. Diante da plausibilidade do direito, passemos, então, à valoração das provas, apresentadas junto com o recurso voluntário (alínea 'c', do §4º, do art. 16, do PAF). Como provas das suas alegações, o recorrente apresenta demonstrativo mensal das parcelas que pretende excluir (fls. 291/292), contendo os valores mensais compensados durante o ano de 1999 (fls. 245/256), e lançados em "Recuperações Diversas", detalhados por dia e valor dos lançamentos, além de indicação e cópias das decisões judiciais e das folhas dos livros diário e razão (fls. 257/290), resultando nos seguintes valores mensais à excluir da base tributável da infração: Fl. 304DF CARF MF Processo nº 18471.002598/200341 Acórdão n.º 3401003.497 S3C4T1 Fl. 305 6 Mantido DRJ Pago DARF Em Recurso Exonerado CARF JAN 241,15 134,27 106,88 16.444,73 0,65% 106,88 FEV 259,33 155,73 103,60 15.941,03 0,65% 103,60 MAR 198,86 198,86 ABR 247,55 153,61 93,94 14.452,45 0,65% 93,94 MAI 262,49 154,56 107,93 16.605,16 0,65% 107,93 JUN 221,29 114,07 107,22 16.495,67 0,65% 107,22 JUL 231,57 119,73 111,84 17.205,94 0,65% 111,84 AGO 217,43 109,44 107,99 16.613,65 0,65% 107,99 SET 211,48 106,23 105,25 16.191,75 0,65% 105,25 OUT 223,17 114,35 108,82 16.742,01 0,65% 108,82 NOV 199,55 115,26 84,29 12.966,91 0,65% 84,29 DEZ 868,72 116,92 751,80 115.661,79 0,65% 751,80 3.382,59 1.593,03 1.789,56 275.321,09 0,65% 1.789,56 Nesse ponto, entendo deva ser revista a decisão recorrida, visto, provado que os valores creditados na conta contestada referemse à recuperação de tributos pagos indevidamente, valores que, pelas razões expostas, não integram a base de cálculo do PIS cumulativo no período de apuração autuado. Ex positis, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 305DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.004019/2010-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. RELATÓRIO
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Numero do processo: 10380.727157/2012-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009, 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Demonstrado que ponto supostamente omisso no acórdão embargado foi, de fato, apreciado pelo Colegiado, os embargos declaratórios devem ser rejeitados.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIA NÃO VEICULADA NO RECURSO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Demonstrado que ponto supostamente omisso no acórdão embargado não foi veiculado na peça recursal, não se há de falar em omissão do Colegiado e os embargos declaratórios devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 1301-002.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos embargos. Ausente, momentaneamente o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
assinado digitalmente
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
assinado digitalmente
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Demonstrado que ponto supostamente omisso no acórdão embargado foi, de fato, apreciado pelo Colegiado, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIA NÃO VEICULADA NO RECURSO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Demonstrado que ponto supostamente omisso no acórdão embargado não foi veiculado na peça recursal, não se há de falar em omissão do Colegiado e os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos embargos. Ausente, momentaneamente o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. assinado digitalmente Waldir Veiga Rocha Presidente. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 71 57 /2 01 2- 54 Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301002.419 S1C3T1 Fl. 667 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Trata o presente de embargos de declaração (fls. 647/656) opostos pelo Contribuinte acima identificado, em face do acórdão nº 1301001.842, prolatado por esta 1ª Turma na sessão de julgamento de 8 de dezembro de 2015 (fls. 533/559). No referido julgado, o Colegiado pronunciouse no sentido de: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para a) excluir de tributação os valores discriminados no quadro abaixo; e b) reduzir o percentual da multa de ofício aplicada para 75%, relativamente às infrações OMISSÃO DE RECEITAS PASSIVO FICTÍCIO e OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA: A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009, 2010 PASSIVO. OBRIGAÇÕES COMPROVADAS. EXCLUSÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. PROCEDÊNCIA. No caso em que as próprias autoridades autuantes, em procedimento de diligência requerido na instância julgadora de primeiro grau, revisam o lançamento e concluem que as obrigações anteriormente tidas como não comprovadas efetivamente existiram, restando regular a escrituração contábil em relação a essas obrigações, não há reparo a ser feito na decisão que, com suporte em tais conclusões, exclui de tributação a matéria tributável correspondente. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROCESSOS CONEXOS. APRECIAÇÃO POR UNIDADES ADMINISTRATIVAS DISTINTAS. AUTORIZAÇÃO POR NORMA REGIMENTAL. EXISTÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Presente autorização regimental para que a autuação refletida em processo conexo seja apreciada por autoridade julgadora distinta da competente para Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301002.419 S1C3T1 Fl. 668 3 julgar o denominado lançamento matriz, os pronunciamentos promovidos em primeira instância revelamse regulares, eis que observado o devido processo legal. Não gozando referidos pronunciamentos de caráter definitividade, descabe falar em cerceamento do direito de defesa, eis que a norma processual faculta ao contribuinte meios para, em âmbito administrativo, reclamar pela uniformização dos entendimentos declinados. DOCUMENTAÇÃO. ANEXAÇÃO POR PARTE DA AUTORIDADE AUTUANTE. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Se a documentação supostamente não trazida aos autos pela autoridade fiscal é, em sede de defesa, devidamente aportada ao processo pelo autuado, descabe falar em cerceamento, vez que tal providência, à evidência, além de comprovar que ela, a documentação, compunha o acervo auditado, faz desaparecer a própria razão que serve de suporte à alegação. SALDO CREDOR DE CAIXA. PASSIVO FICTÍCIO OU NÃO COMPROVADO. Nos exatos termos do disposto no parágrafo 2º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, "o fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção". Também caracteriza a omissão de receita, a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada (art. 40 da Lei nº 9.430/96). SALDO CREDOR DE CAIXA. MÚLTIPLAS INCIDÊNCIAS. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em multiplicidade de incidência sobre a mesma base de cálculo, na situação em que a apuração do SALDO CREDOR foi feita subtraindose do montante apurado em determinado mês os valores submetidos à tributação nos meses anteriores. PASSIVO NÃO COMPROVADO. DOCUMENTAÇÃO. ANÁLISE. Tratandose de passivo não comprovado, a eventual apresentação por parte do autuado de documentos que, ao seu juízo, são hábeis e idôneos à comprovação das obrigações questionadas, impõe à autoridade responsável pela sua análise o dever de realizar cuidadosa apreciação, mormente na circunstância em que a referida análise é empreendida pelas próprias autoridades responsáveis pela autuação. Nessa linha, a rejeição dos documentos oferecidos pela contribuinte fiscalizada deve estar consubstanciada em robusta argumentação, e, principalmente, em elementos que permitam concluir, longe de qualquer dúvida, que a operação espelhada no documento submetido ao seu crivo não foi ou não poderia ser concretizada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. ÔNUS INVERTIDO. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301002.419 S1C3T1 Fl. 669 4 regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%. Alega a embargante que o Acórdão combatido estaria eivado de omissões e contradições relacionados a pontos de importância fundamental para o deslinde da matéria e de maior relevância mais precisamente quanto a erro material em razão da existência de outro processo administrativo, alegando conexão, e num segundo momento, pugna que se aclare a contradição da planilha de fls. 568 e num terceiro ponto, acerca de contradição sobre a penalidade agravada de 150% e sua redução para 75%. Despacho de admissibilidade às fls. 664/665. É o relatório. Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301002.419 S1C3T1 Fl. 670 5 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A ciência do acórdão ora embargado, formalmente, se deu em 27/06/2016, o embargante protocolou os Embargos em 01/07/2016 (fl. 646). Dessa forma, tenho que os embargos são tempestivos, conforme o estabelecido pelo § 1º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e demais alterações. 1) De erro material A embargante alega erro material em razão da existência de outro processo administrativo, alegando conexão com outro processo administrativo PA nº 10380.727160/201278, que trata dos reflexos do IPI sobre as infrações aqui tratadas. Alegando prejuízo à sua defesa em razão da apreciação das questões por Turmas Julgadoras diferentes. Analisando a decisão embargada, veja como tal questão foi tratada: Registro em primeiro lugar que a apreciação, em primeira instância, do presente processo e a do de nº 10380.727160/201278 se deu de forma absolutamente regular, eis que, nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos fatos (Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil aprovado pela Portaria MF nº 125, de 2009, e Portaria RFB nº 1916, de 2010), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza era a unidade administrativa competente para apreciar os litígios relacionados aos impostos e contribuições administrados pela Receita Federal decorrentes de lançamentos tributários contra contribuintes domiciliados em sua circunscrição territorial (3ª Região Fiscal, na qual o estado Ceará está incluído), exceto, além do ITR, o IPI e lançamentos conexos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, por sua vez, nos termos dos referidos atos administrativos, era a unidade competente para apreciar os litígios decorrentes dos lançamentos do IPI, inclusive os conexos, relacionados a contribuintes domiciliados na circunscrição territorial da 3ª Região Fiscal. Cumpre destacar que o estabelecimento, por parte do Secretário da Receita Federal, de especialização de turmas das Delegacias da Receita Federal de Julgamento encontra amparo no Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, que é aprovado por Portaria do Ministro de Estado da Fazenda. No caso vertente, o inciso XXVII do art. 261 do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 125, de 04 de março de 2009, estabelecia: Art. 261. Ao Secretário da Receita Federal do Brasil incumbe: ... XXVII estabelecera especialização das turmas das DRJ, no tocante à matéria de competência da respectiva unidade; Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301002.419 S1C3T1 Fl. 671 6 No que tange ao alegado cerceamento, penso não assistir razão à recorrente, eis que o decidido em primeira instância não tem natureza de definitividade, merecendo destaque o fato de que, uma vez mantida a divergência em segunda instância, ao contribuinte é facultado a interposição de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais com o intuito de buscar a uniformização de entendimento acerca da matéria. Dessa forma, verificase que a Turma Julgadora não se omitiu ao analisar a questão conforme acima descrito. Ademais, apenas para contraargumentar este ponto, verifico em pesquisa ao "site" de acompanhamento processual na internet, que o PA em questão, que se encontrava na 3ª Seção de Julgamento do CARF, para a análise do Recurso Voluntário teve seu acórdão prolatado em 25/02/2015, determinando a remessa para a 1ª Seção, justamente em razão da existência deste processo. Ora se este processo é o principal da qual as demais são reflexos, não vejo prejuízo ou cerceamento, nos devidos termos já julgados. Assim, no meu entender o embargante apenas quer trazer novamente toda a discussão, não se tratando, portanto de omissão. Menciona também, confusão acerca da tarjeta localizada às fls. 570/619, de "documento inválido" em cópia do auto de infração. Uma simples análise mais atenta demonstra que a embargante não leu o documento inicial de fls. 567/570, onde é realizado todo o recálculo das infrações, após o julgamento do Recurso de Ofício e Recurso Voluntário, em que algumas infrações foram exoneradas e as multas de ofício reduzidas. O documento que consta como "inválido" se trata da memória de cálculo conforme tratado no início à fl. 567. 2) Da Contradição do parágrafo de fl. 553 do acórdão e solicitação de retificação da planilha de fl. 568, nos termos do acórdão. Nesse item, aduz o embargante que o parágrafo abaixo, pertencente ao acórdão ora embargado diz uma coisa e a planilha de fls. 568, que é a execução do acórdão, traz outra, gerando a suposta contradição: Vejamos o que fiz o mencionado parágrafo: "No que diz respeito à recomposição do CAIXA promovido pela autoridade fiscal, equivocase a Recorrente ao afirmar que, no caso, houve incidências múltiplas sobre um mesmo valor. Com efeito, analisando os quadros demonstrativos de fls. 117/138, constato que o responsável pela autuação cuidou de, ao determinar o valor correspondente ao saldo credor de CAIXA no mês, subtrair os montantes submetidos à tributação nos meses anteriores, de modo que a incidência se deu única e exclusivamente sobre a diferença." Alega a embargante que nos termos do acórdão, o valor em aberto em 28/02/2008, depois tributado há de recompor o saldo à mesma data, para que em 01/03/2008, esteja com o saldo zerado. E que a planilha de fls. 568, em vez de indicar o maior a tributar, indica a soma de todos os meses, gerando a contradição, não respeitando a decisão. Em análise das argumentações, primeiramente, percebo que a contradição mencionada pela embargante não se refere à própria decisão ou entre a decisão e seus Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301002.419 S1C3T1 Fl. 672 7 fundamentos, e sim entre a decisão e a planilha que faz parte da minuta de cálculo para execução da decisão, o que simplesmente já é motivo de se refutar a suposta contradição, que de fato inexiste. Entretanto, apenas para aclarar o entendimento da embargante, ressaltese que este tópico da autuação, referente à omissão de receitas por saldo credor de caixa não foi alterado seja pela decisão da DRJ, seja em sede de recurso, a decisão embargada manteve tanto a decisão da DRJ, quanto a glosa efetuada através do Auto de infração. Assim, a própria planilha mencionada de fls. 568 começa dizendo que nada foi modificado da autuação inicial, sequer a multa qualificada, o que é verdade! Verificandose os autos, de fato é isso que ocorre, todos os meses são exatamente iguais. Apenas para auxiliar a embargante na compreensão do dito na decisão, ela diz: que a autuação cuidou de, ao determinar o valor correspondente ao saldo credor de caixa do mês, subtrair os montantes submetidos à tributação nos meses anteriores, para que a incidência se dê única e exclusivamente sobre a diferença: mês de fevereiro = o primeiro R$708.869,44 mês de março = maior saldo credor do caixa do mês dia 26/03 R$1.098.039,38 () o valor já tributado do mês anterior R$708.869,44 = R$389.169,94 mês de abril = maior saldo credor do caixa do mês dia 28/03 R$ R$1.863.006,21 () o valor já tributado nos meses anteriores (708.869,44+389.169,94) = R$764.966,83. E dessa forma os meses subsequentes. Ou seja, notório o intuito da embargante em se trazer à tona toda a discussão já feita em sede recursal, o que, data vênia, não se permite em fase de embargos de declaração. 3) Da contradição com relação à aplicação da penalidade agravada. As razões da embargante neste tópico ocorrem pois a multa qualificada que foi aplicada no auto de infração para todas as três glosas, quais sejam, omissão de receitas por saldo credor de caixa, omissão de receitas por passivo fictício e omissão de receitas por depósito de origem não comprovada, na decisão embargada, foram reduzidas para 75%, com exceção da primeira, a qual foi mantida em 150%, o que para ela gerou a suposta contradição. Em análise da decisão neste item temos os seguintes excertos: "No caso vertente, todas as imputações formalizadas pela Fiscalizada decorreram da aplicação de presunções legais (saldo credor de caixa; passivo fictício; e depósito de origem não comprovada). Para fins de qualificação da penalidade, as autoridades autuantes indicaram os seguintes elementos: utilização de artifícios para omitir registros de vendas; ausência de manifestação acerca da origem do crédito bancário de R$ 1.344.000,00; ausência de manifestação sobre os empréstimos tomados junto a instituições financeiras; ausência de apresentação dos documentos comprobatórios dos direitos de credor junto à empresa RECICLAR RECICLADORA DE PLÁSTICO LTDA; e o suprimento do CAIXA com baixa de duplicatas a receber, no montante de R$ 7.918.488,22, quando a referida conta apresentava um saldo de R$ 4.862.209,04. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301002.419 S1C3T1 Fl. 673 8 No que tange à ausência de comprovação da origem do crédito bancário de R$ 1.344.000,00 e de manifestação sobre os empréstimos tomados junto a instituições financeiras, esses fatos, por si sós, não me parecem suficientes à exasperação da penalidade, até porque foi exatamente em função deles que as presunções foram aplicadas. A ausência de origem do depósito bancário atraiu a aplicação da presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, enquanto a falta de comprovação da exigibilidade dos passivos com as instituições financeiras, autorizou a aplicação da presunção prevista no art. 40 do mesmo diploma legal.(gn) Relativamente ao saldo credor, contudo, penso de forma diversa, eis que me parece induvidosa a intenção da Recorrente de, por meio de registro contábil absolutamente contrário à realidade refletida na escrituração, evitar o denominado "estouro" do CAIXA. No caso, refirome ao suprimento que teve como contrapartida a conta "duplicatas a receber".(GN) Ressalto que, no caso do saldo credor de caixa, embora aponte suposições para a origem dos recursos, a própria Recorrente admite a sua existência, discordando, apenas, do montante tributável apurado pela Fiscalização. A meu ver, tal conduta amoldase ao disposto no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, vez que a ação da Recorrente objetivou impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conduta dolosa somente descortinada a partir da ação fiscalizadora empreendida pela autoridade fiscal." (gn) Evidente, o descontentamento da embargante com o resultado, diz que está se direcionando ao banco para comprovar tais depósitos. Ora, a fiscalização ocorre desde 2011, com certeza já teve diversas oportunidades para tanto e não o fez até o momento, apenas argumenta. Assim, no meu entendimento, vejo que tanto a redução para alguma das glosas, quanto a manutenção da multa qualificada para a outra infração foram devidamente e muito bem embasadas, não havendo contradição a ser aclarada. Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto em conhecer os presentes embargos para no mérito rejeitarlhes provimento. Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 673DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.907938/2011-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO.
A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade.
INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE.
Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador.
Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
Numero da decisão: 3402-004.028
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula.
Assinatura Digital
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 79 38 /2 01 1- 27 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 3 2 cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 14052.625 da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de ressarcimento, relativamente ao saldo credor de COFINS não cumulativo(a) exportação. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 4 3 Mediante despacho decisório, a DRF/Piracicaba reconheceu parcialmente o direito creditório, em face das glosas de créditos referente aos seguintes itens: a) aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; b) gastos relativos a transporte e armazenamento de insumos importados ocorridos após o desembaraço aduaneiro; c) gastos com embalagens de transporte (paletes); d) comissões de compra; e) despesas de energia térmica A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que foram indevidas as glosas relativas às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Os argumentos da manifestante não foram acatados pela Delegacia de Julgamento, em síntese, sob os seguintes fundamentos: Quanto às gastos com embalagens, só podem ser considerados insumos se elas se incorporarem ao produto em fabricação ou sofrer alteração em suas propriedades em função da ação diretamente exercida sobre ele, ou seja, somente as embalagens de apresentação do produto geram direito ao crédito, posto que estas se incorporam ao produto em fabricação. Assim, as embalagens destinadas apenas a proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito da não cumulatividade, mesmo que descartáveis e/ou de utilização obrigatória. De acordo com o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, apenas os gastos com armazenagem e frete na operação de venda dão direito a créditos da não cumulatividade, portanto não se aplica às aquisições de insumos importados, como ocorreu com as glosas aplicadas no caso concreto. O “valor aduaneiro” definido pela Lei como base de cálculo do crédito relativo aos insumos importados, abrange apenas os gastos ocorridos até a importação, ou seja, até a realização do desembaraço aduaneiro. De forma que procedeu corretamente a autoridade a quo ao glosar os créditos referentes a gastos com armazenagem e frete relativos aos insumo importados, mas realizados após o desembaraço das mercadorias. A contribuinte apresentou recurso voluntário, aduzindo, em síntese: 1. Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins O conceito de insumo para fins de crédito de PIS e de COFINS não pode ser restrito ao que está estabelecido nas Instruções Normativas da SRF, devendo ser entendido como todos os custos diretos e indiretos incorridos, abrangendo, inclusive, outras despesas tidas como essenciais para o desenvolvimento da atividade empresarial. 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero A aquisição dos produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários tributados à alíquota zero gera, sim, créditos de PIS e de COFINS, uma vez que tais insumos foram previamente sujeitos a incidência em cascata dos tributos, nas etapas anteriores da circulação. Podese considerar que não há de fato uma alíquota zero, mas, sim, uma antecipação do pagamento das contribuições, um desvio de finalidade do modelo de tributação que fora concebido para esses tributos, porquanto se tributará valor além do agregado, caso a glosa de tais créditos seja mantida. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 5 4 3. Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados A apropriação creditória referente aos dispêndios com frete e com armazenagem dão direito a crédito per se, sem que seja necessário vinculálos à importação. o simples desembolso de valores, a esse título, permite a tomada de créditos, como técnica de realização da não cumulatividade das contribuições em foco. Há muitas decisões administrativas que entendem pela possibilidade de tomada de crédito das despesas de frete, conforme se verifica nas ementas transcritas. No que tange às despesas com armazenagem, é plenamente possível a tomada de crédito de PIS e COFINS, conforme o julgado firmado pelo e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região na Apelação Cível n° 0029040 40.2008.404.7100/RS Relator : Des. Federal Joel Ilan Paciornik. A própria Receita Federal do Brasil já assegurou, em Resposta a Consulta Fiscal, que a apropriação de créditos calculados sobre expensas com frete e com armazenagem é válida per se, desde que comprovados tais dispêndios. A incidência ou não das contribuições sobre as operações de entrada e de saída, assim como a inclusão destes custos na base de cálculo dos tributos, é completamente irrelevante. Não fosse assim, não se permitiria o creditamento nos casos em que a tributação é monofásica, conforme Solução de Consulta nº 323, de 19 de Dezembro de 2012. 4. Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets A recorrente adquire pallets de madeira, do tipo "One Way", que são utilizados como materiais de embalagem para possibilitar as vendas, principalmente as exportações de seus produtos, sendo certo que não os recebe em retorno. Portanto, tais pallets não são contabilizados no ativo da recorrente. Em tal cenário, esses pallets compõem o custo de fabricação e comercialização dos produtos exportados, configurando insumo essencial a estas atividades. É completamente irrelevante o fato de o pallet não compor a compleição final das mercadorias, mormente porquanto tal critério não está posto por qualquer lei, quer complementar, quer ordinária. 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra As comissões compõem o custo de compra das mercadorias, de maneira a integrar a base de cálculo do creditamento correlato ao insumo. Os artigos 3º, § 1º, inciso I das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 são claros ao dispor que "o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor dos itens mencionados no inciso II do caput, adquiridos no mês". Dizer em sentido contrário corresponderia a mitigar a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, diferenciando parcelas de composição do custo de aquisição que a lei não quis segregar. 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal A tomada de crédito de PIS e de COFINS calculados em relação a despesas com energia térmica está elencada nos artigos 3o, incisos III, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. A corroborar com o dispositivo legal há a Solução de Consulta n° 61, de março de 2013. 7. Da busca da verdade material no processo administrativo tributário Os documentos que instruem a manifestação de inconformidade, bem como os julgados e soluções de consultas transcritos, atestam, de maneira clara e inequívoca, a possibilidade de tomada dos créditos de PIS e COFINS oriundos das despesas com armazenamento e frete das Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 6 5 mercadorias importadas pela ora recorrente, bem como da aquisição de pallets de madeira, utilizado como material de embalagem para possibilitar as exportações de seus produtos industrializados. Em atenção ao princípio da verdade material, tem a autoridade administrativa o dever de apurar a verdade dos fatos, que, neste caso, é a possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS em nome da recorrente e, por conseguinte, a realização do ressarcimento da forma correta. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.008, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.907915/201112, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402004.008): "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último relativamente a várias matérias. Na manifestação de inconformidade, além das alegações de ordem genérica acerca do conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições e do princípio da verdade material, a manifestante somente tinha contestado as glosas referentes às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz outras alegações de defesa e contesta expressamente todas as glosas efetuadas pela fiscalização, conforme tópicos do Relatório acima. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235/72, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 7 6 (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Assim, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio, não se devendo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Nesse sentido, tem este CARF decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF Sessão de 08 de dezembro de 2016 Relator: Demes Brito Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 8 7 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – CARF 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Assim, não conheço das inovações recursais trazidas no recurso voluntário sob os seguintes tópicos: 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra; e 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal. Passase a analisar somente a matéria do recurso voluntário que esteja contida na lide delimitada pela manifestação de inconformidade. "Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins" Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 9 8 interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, de acordo com a legislação do Imposto de Renda. Filiome ao entendimento que tem aceitado os créditos de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: (...) Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições não cumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 10 9 “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. (...) ... "Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets" Acerca das glosas relativas aos paletes de madeira do tipo "One Way", entendo que elas devem ser revertidas, acompanhando o voto do Ilustre Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, proferido em face da recorrente no processo nº 13878.000213/200587 (Acórdão nº 3402002.826– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de janeiro de 2016, conforme extrato abaixo: (...) A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 247/2002, não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: (...) 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 11 10 E mais. Neste caso, entendo que tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, e sim de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado, pois são descartáveis. A recorrente fabrica e exporta seus produtos, que notoriamente são sensíveis e facilmente afetados por situações cotidianas, como por exemplo contatos físicos com outros produtos, deterioração por contatos de produtos naturais, como água, umidade, produtos químicos, etc. No presente caso, verificase que a paletização que envolve o acondicionamento (pallet, papelão e os filmes strech) não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem no estabelecimento industrial. Isso porque, devido ao tamanho reduzido das embalagens individuais, não há como estocar o produto na fábrica sem a sua paletização. Do contrário, haveria o desmoronamento das pilhas de armazenagem, por exemplo. Ademais, a paletização, além de indispensável à estocagem e ao transporte da mercadoria, constitui exigência de normas de controle sanitário na área de alimentos. Com efeito, de acordo com a Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições Higiênicos Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10 Os insumos, matérias primas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local.” “8.8 – Armazenamento e transporte de matérias primas e produtos acabados: 8.8.1 – As matéria primas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microorganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para o consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam.” (g.n.) A paletização, portanto, atende exigência de acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação do produto e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1), nos termos previstos na Portaria SVS/MS nº 326/1997. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 12 11 Tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias. Foi informado ainda pela recorrente que o pallet têm natureza one way (sem retorno), o que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado. (...) "Da busca da verdade material no processo administrativo tributário" Por fim, a invocação do princípio da verdade material em nada auxilia a recorrente no presente processo, eis que não há aqui controvérsia sobre matérias de fato, mas tão somente divergências quanto à qualificação jurídica dos fatos. Assim, em face do exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário no que concerne às inovações recursais (alíquota zero, comissões de compra e energia térmica) e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para reverter as glosas relativas às aquisições de paletes "one way". (...)2 "Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados" 1. Com a devida vênia, ousei divergir da douta relatora do caso apenas em relação ao creditamento nas operações de frete e armazenamento, haja vista as razões que passo a expor 2. Convém destacar que, segundo o que restou apurado nos autos, a fiscalização e o contribuinte convergem em relação ao fato de que os dispêndios em questão (frete e armazenamento) foram arcados pela Recorrente, configurando, pois, custo em relação à tomada de tais serviços. Em suma, a recorrente e a fiscalização admitem que os dispêndios citados são formalmente custeados pela recorrente, o que torna este fato inconteste. 3. A discussão, todavia, gravita em torno do fato da fiscalização ter partido da premissa que tais dispêndios não dariam direito a crédito, uma vez que o insumo transportado/armazenado não estaria sujeito à incidência da COFINS. Por outro giro verbal, o que a fiscalização sustenta, indevidamente, é que o crédito de frete e de armazenamento deve seguir a mesma sistemática de creditamento do bem transportado, como se houvesse uma relação de subsidiariedade entre tais créditos. 2 Não foi transcrita a parte do voto da relatora do paradigma que tratou do direito de crédito relativo a despesas com frete e com armazenagem, por ser entendimento que restou vencido na votação, e por constar, na íntegra, do acórdão do processo paradigma. Transcreveuse, tãosomente, o entendimento que prevalesceu sobre a questão. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 13 12 4. Tal entendimento, todavia, é indevido. A apuração dos créditos em tela não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão, até que porque não haveria qualquer sentido nisso, já que o frete e o armazenamento sofreram a incidência integral da contribuição e, por isso, não podem ser comparados ao procedimento aplicável ao bem transportado/armazenado. Não se comparam elementos distintos por absoluta impropriedade de meio e inconsistência de conclusão. 5. Logo, uma vez provado que o frete e o armazenamento configuram custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Inclusive, é assim que tem decidido este Tribunal administrativo, consoante se observa das ementas abaixo transcritas: Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009 (...). CRÉDITO. FRETE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. É permitido ao contribuinte tomar crédito do custo do transporte de insumos quando ainda em fase de produção. Neste diapasão, uma vez que o frete em si é tributado pelas contribuições, ainda que os objetos transportados se refiram a insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF; Acórdão n. 3302002.780; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 11/12/2014). Ementa Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 (...). CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Tratandose de frete tributado pelas contribuições, ainda que se refiram a insumos adquiridos que não sofreram a incidência, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13888.907938/201127 Acórdão n.º 3402004.028 S3C4T2 Fl. 14 13 (CARF; Acórdão n. 3302001.916; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 29/01/2013) 6. Neste sentido, inclusive, é o recentíssimo julgado desta turma julgadora, conforme se observa da seguinte ementa: Ementa Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 (...). FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO. A apuração do crédito de frete não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o frete configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Recurso voluntário parcialmente provido. Direito creditório reconhecido em parte. (Acórdão n. 3402003.968; sessão de 28 março de 2017). 7. Assim, com base em tais fundamentos reconheço como válidos os créditos de frete e armazenamento vindicados pela recorrente, motivo pelo qual, na parte reconhecida, dou integral provimento ao recurso voluntário interposto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do recurso voluntário, e na parte conhecida, dou integral provimento. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 225DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.722709/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
Ementa:
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. PRELIMINAR DE NULIDADE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DESCABIMENTO.
O sujeito ativo da conduta ilícita tipificada no artigo 18, caput, e no inciso II, do seu § 2°, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é o sujeito passivo das obrigações tributárias cujos respectivos débitos estão declarados nas DCOMP em que se deram as compensações indevidas. Descabe a atribuição de responsabilidade pela multa à. pessoa jurídica sucedida, detentora original do direito creditório utilizado nas DCOMP inquinadas de falsidade.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. ÂMBITO PROCESSUAL DE DISCUSSÃO.
Havendo processo administrativo instaurado para discutir a procedência das compensações efetuadas por meio das DCOMP cuja falsidade ensejou a aplicação de multa à declarante, descabe (re)discutir se houve ou não homologação tácita das compensações declaradas, no âmbito do processo administrativo que cuida da aplicação da multa.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. DOLO EVENTUAL.
Constatada a participação, conluio na simulação e na fraude que ensejou o crédito que se pretendia compensar, correta a lavratura de Auto de Infração exigindo multa isolada qualificada no percentual de 150%, nos termos do artigo 18 da Lei 10.833/2003, sobre as DCOMPs não homologadas.
RETROATIVIDADE BENIGNA.
A Lei 10.833/2003 não foi alterada, não havendo que se falar em retroatividade benigna.
Numero da decisão: 1402-002.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 Ementa: COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. PRELIMINAR DE NULIDADE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DESCABIMENTO. O sujeito ativo da conduta ilícita tipificada no artigo 18, caput, e no inciso II, do seu § 2°, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é o sujeito passivo das obrigações tributárias cujos respectivos débitos estão declarados nas DCOMP em que se deram as compensações indevidas. Descabe a atribuição de responsabilidade pela multa à. pessoa jurídica sucedida, detentora original do direito creditório utilizado nas DCOMP inquinadas de falsidade. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. ÂMBITO PROCESSUAL DE DISCUSSÃO. Havendo processo administrativo instaurado para discutir a procedência das compensações efetuadas por meio das DCOMP cuja falsidade ensejou a aplicação de multa à declarante, descabe (re)discutir se houve ou não homologação tácita das compensações declaradas, no âmbito do processo administrativo que cuida da aplicação da multa. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. DOLO EVENTUAL. Constatada a participação, conluio na simulação e na fraude que ensejou o crédito que se pretendia compensar, correta a lavratura de Auto de Infração exigindo multa isolada qualificada no percentual de 150%, nos termos do artigo 18 da Lei 10.833/2003, sobre as DCOMPs não homologadas. RETROATIVIDADE BENIGNA. A Lei 10.833/2003 não foi alterada, não havendo que se falar em retroatividade benigna.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. PRELIMINAR DE NULIDADE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DESCABIMENTO. O sujeito ativo da conduta ilícita tipificada no artigo 18, caput, e no inciso II, do seu § 2°, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é o sujeito passivo das obrigações tributárias cujos respectivos débitos estão declarados nas DCOMP em que se deram as compensações indevidas. Descabe a atribuição de responsabilidade pela multa à. pessoa jurídica sucedida, detentora original do direito creditório utilizado nas DCOMP inquinadas de falsidade. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. ÂMBITO PROCESSUAL DE DISCUSSÃO. Havendo processo administrativo instaurado para discutir a procedência das compensações efetuadas por meio das DCOMP cuja falsidade ensejou a aplicação de multa à declarante, descabe (re)discutir se houve ou não homologação tácita das compensações declaradas, no âmbito do processo administrativo que cuida da aplicação da multa. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. DOLO EVENTUAL. Constatada a participação, conluio na simulação e na fraude que ensejou o crédito que se pretendia compensar, correta a lavratura de Auto de Infração exigindo multa isolada qualificada no percentual de 150%, nos termos do artigo 18 da Lei 10.833/2003, sobre as DCOMPs não homologadas. RETROATIVIDADE BENIGNA. A Lei 10.833/2003 não foi alterada, não havendo que se falar em retroatividade benigna. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 27 09 /2 01 0- 76 Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10380.722709/201076 Acórdão n.º 1402002.479 S1C4T2 Fl. 345 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10380.722709/201076 Acórdão n.º 1402002.479 S1C4T2 Fl. 346 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário face v. acórdão, que manteve a aplicação de multa isolada qualificada no percentual de 150% sobre R$ 887.577,11, com base nos pedidos de compensação não homologados no processo 10380.720499/200867. O autuado apresentou, apresentou, em 03/10/2006, Declaração de Compensação (DCOMP) recepcionada com o número 02512.08544.031006.1.7.027006, cujo montante dos débitos confessados corresponderam a R$ 887.577,11. Em tal compensação, o sujeito passivo informou estar utilizando suposto crédito de pagamento indevido ou a maior, posteriormente retificado para, a priori, saldo negativo do IRPJ, anocalendário 2000, exercício 2001. A Declaração de Compensação ora referida foi analisada nos autos do processo administrativo n° 10380.720499/200867. Em decisão administrativa proferida em 06/07/2010, as fls. 705/716 do citado processo, tal compensação NÃO FOI HOMOLOGADA, em razão da caracterização de fraude e conluio (Lei n° 4.502/64,arts. 72 e 73), correspondendo falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Na Decisão de não homologação, consta que o suposto crédito apontado pelo sujeito passivo inexiste, fictício, conforme as conclusões reveladas nos atos investigatários ou de diligência realizados por autoridade competente deste orgao, materializados através do respeitável Relatório de Análise Tributária de fls.170/219, daquele processo. Diante dos fatos, e em cumprimento ao disposto no art. 18, § 2°, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com redação dada pe_a. Lei n° 11.051/04, alterada pela Lei n° 11.488/07, combinado com o inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.034/96, onde se manteve a mesma previsão da multa aplicável, constituise, pelo presente Auto de Infração, a multa isolada regulamentar nos valores abaixo demonstrados, que corresponde a aplicação em dobro do percentual de 75% (setenta e cinco por cento) o que equivale a 150% sobre a totalidade dos débitos indevidamente compensados de R$ 887.577,11. Na Decisão de não homologação, consta que o suposto crédito apontado pelo sujeito passivo inexiste, fictício, conforme as conclusões reveladas nos atos investigatórios ou de diligência realizados por autoridade competente deste orgão, materializados através do Relatório de Análise Tributária, daquele processo final 200867, aprovado pela Delegada da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE. Naquele processo de final 200867, restou comprovado no Relatório de Análise Tributária da SAPAC de 11/05/2010, um esquema de fraude, simulação e conluio entre empresas, com origem remota em negócios fictos de compra e venda de imóveis, geradores de créditos inexistentes de tributos federais e subsequente celebração de contratos simulados entre as empresas dos grupos empresariais CEC Internacional S/A e Grupo Marquise, com o fim de auferimento de vantagens fiscais ilícitas em prejuízo da fazenda nacional. Segundo consta do Relatório de Análise Tributária da SAPAC, o Grupo Marquise, por meio de uma série de atos, incorporava empresas do Grupo Empresarial CEC Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10380.722709/201076 Acórdão n.º 1402002.479 S1C4T2 Fl. 347 4 Internacional S/A, com prejuízos fiscais, utilizando tais créditos para compensar tributos devidos. Contudo, "tais créditos" eram ilegítimos, visto que decorrentes de dolo, simulação e conluio entre as empresas do Grupo Marquise e as empresas do Grupo CEC, as primeiras lucrativas e as segundas em estado de insolvência. Restou comprovado também nos autos do processo final 200867, que os atos praticados por cada uma das empresas citadas não podem ser vistos de forma isolada e autônoma, como ocorre na maioria dos negócios imobiliários, financeiros e empresariais em geral, mas contêmse (cada um deles) num conjunto global de atos que buscava, em verdade, um objetivo pré ordenadamente planejado entre as partes. Ao Grupo CEC, estão ligadas as empresas: Sul Diesel S/A; Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda e Maximar Fomento Mercantil Ltda EPP; Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda; Xingu Administração e Participação S/A; à RCA International Commodities S/A estão ligadas as empresas BEX Internacional S/A; Canavieira Florestamento e Reflorestamento S/A e Panagra do Brasil S/A; Agropecuária e Reflorestadora Parente S/A e quanto ao Grupo capitaneado pela Construtora Marquise S/A a Capitalize Fomento, Comercial Ltda, Construtora Marquise S/A e Ecofor Ambiental S/A. Diante dos fatos, e em cumprimento ao disposto no art. 18, § 2°, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com redação dada pe_a. Lei n° 11.051/04, alterada pela Lei n° 11.488/07, combinado com o inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.034/96, onde se manteve a mesma previsão da multa aplicável, constituise, pelo presente Auto de Infração, a multa isolada regulamentar nos valores abaixo demonstrados, que corresponde a aplicação em dobro do percentual de 75% (setenta e cinco por cento) o que equivale a 150% sobre a totalidade dos débitos indevidamente compensados de R$ 887.577,11. Inconformada com a lavratura do Auto de infração, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 107/108. Foi proferido v. acórdão de fls. 199/, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. PRELIMINAR DE NULIDADE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DESCABIMENTO. 0 sujeito ativo da conduta ilícita tipificada no artigo 18, caput, e no inciso II, do seu § 2°, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é o sujeito passivo das obrigações tributárias cujos respectivos débitos estão declarados nas DCOMP em que se deram as compensações indevidas. Descabe a atribuição de responsabilidade pela multa à pessoa jurídica sucedida, detentora original do direito creditório utilizado nas DCOMP inquinadas de falsidade. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10380.722709/201076 Acórdão n.º 1402002.479 S1C4T2 Fl. 348 5 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. ÂMBITO PROCESSUAL DE DISCUSSÃO. Havendo processo administrativo instaurado para discutir a certeza e liquidez do direito creditório postulado nas DCOMP cuja falsidade ensejou a aplicação de multa à declarante, descabe (re)discutir essa matéria no âmbito do processo administrativo que cuida da aplicação da multa. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDADE. VERDADE MATERIAL. A Administração Pública tem o poderdever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários á. formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico. A liberdade de investigação do Fisco pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indicidrios de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé geral, tendo em sta que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas da infração. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. DOLO. PROVA. Cada ato ilícito contém uma determinada carga de lesão á. ordem tributária, de modo que determinadas condutas são tão graves a ponto de, por si sós, imediatamente consubstanciarem o intuito doloso. Outros procedimentos, de menor poder ofensivo, se analisados individualmente, não caracterizam a ação premeditada, no entanto, podem evidenciar o dolo pela forma como foram executados, de onde emergem os subterfúgios utilizados pelo contribuinte para lesar o Fisco. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. DOLO EVENTUAL. Age com dolo no mínimo, eventual a pessoa jurídica que transmite DCOMP para extinguir débitos próprios, a despeito dos indícios graves, precisos e concordantes que apontam para a inexistência do direito creditório reclamado, havido por sucessão empresarial. Nesse caso, a Declarante assumiu o risco de produzir o resultado delituoso (compensar débitos próprios com créditos inexistentes), circunstância suficiente para a configuração do dolo. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. DOLO. EXISTÊNCIA DE RELATÓRIO DE TERCEIRO QUE Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10380.722709/201076 Acórdão n.º 1402002.479 S1C4T2 Fl. 349 6 ATESTA A MATERIALIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO. INAPTIDÃO PARA AFASTAR A CULPABILIDADE. É ineficaz, para atuar como excludente do dolo da pessoa jurídica que transmitiu DCOMP inquinada de falsidade, o fato de existir relatório elaborado por terceiro, atestando a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado na Declaração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seguida, foi interposto Recurso Voluntário pela Capitalize Fomento Mercantil incorporadora, descrevendo os fatos ocorridos, requerendo basicamente a reforma do v. acórdão recorrido, reiterando as alegações da manifestação de inconformidade e basicamente alegando erro na identificação do sujeito passivo, que não pode ser responsabilizada por atos ilícitos praticados por suas sucedidas e terceiros, eis que agiu de boafé e não pode ser responsabilizada pelo multa após a incorporação da empresa RCA. É o relatório. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10380.722709/201076 Acórdão n.º 1402002.479 S1C4T2 Fl. 350 7 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e foi interposto por seu representante com poderes para tanto, motivo pelo qual deve ser admitido. Da alegação de nulidade, por erro de sujeição do sujeito passivo. Tal alegação não deve ser provida. Vejamos. 1 Ficou constatado nos autos, que a Recorrente incorporou a parte cindida da empresa RCA, que transportou o saldo negativo de IRPJ, objeto do da compensação do processo de final 200867. 2 Quem fez o pedido de compensação, foi a empresa incorporadora Capitaliza Recorrente. 3 Restou comprovado que a Recorrente, pertencia ao grupo empresarial Marquise, que juntamente com o grupo CEC, criaram um sistema de geração de créditos indevidos, que foram utilizados nos pedidos de compensação do processo com final 200867, que fundamentou a lavratura deste Auto de Infração. 4 A Recorrente e o grupo empresarial o qual pertencia, participaram e trabalharam em conjunto com as empresas do Grupo CEC, para criar um sistema fraudulento de créditos e compensálos, por meio de simulação de contratos/promessas de compra e venda de terrenos. 5 O objetivo final, era fraudar o erário e reduzir, ou deixar de pagar imposto. Tais constatações da auditoria da fiscalização, estão muito bem descritas na Informação Fiscal de fls. 20/30, que se fundamentou no Relatório de Análise Tributária da SAPAC de 11/05/2010, e nas provas juntadas nestes autos e nos outros ligados aos grupos CEC e Marquise, mais a frente colacionados. Sendo assim, como quem praticou o ato de pedir as compensações dos créditos indevidos, que não foram homologados devido a constatação de fraude, simulação e conluio em sua criação; foi a Recorrente, entendo que a sujeição passiva do Auto de Infração está correta, coesa e precisa. Em relação as alegações de que a sucessão da empresa RCA, não poderiam prejudicar a Recorrente CAPITALIZE, também entendo que não devem ser providas. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10380.722709/201076 Acórdão n.º 1402002.479 S1C4T2 Fl. 351 8 No presente caso, restou configurado tanto nestes autos em epígrafe, como nos autos do processo de compensação de final 200867, que a empresa RCA e a Recorrente CAPITALIZA, pertenciam aos dois grupos empresariais CEC e Marquise, que criaram um sistema, por meio de simulação e conluio, de promessas/contratos de compra e venda de terrenos, para gerar créditos indevidos e compensálos ente as empresas de ambos grupos, com a finalidade de reduzir a tributação e fraudar o erário. Alias, todos os processos abaixo indicados, tem como sujeito passivo empresas ligadas aos dois grupos empresarias, que se uniram para criar o sistema que gerou os créditos indevidos. 10380.009193/200694 RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A 10380.901897/200611 RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A 10380.901733/200693 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901737/200671 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901739/200661 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901735/200682 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.720384/200872 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.720385/200817 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.720499/200867 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722709/201076 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722703/201007 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722244/201053 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722365/201003 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722355/201060 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722361/201017 CONSTRUTORA MARQUISE S/A 10380.721600/201011 CONSTRUTORA MARQUISE S/A Sendo assim, entendo que independentemente da cisão parcial da RCA e incorporação desta parte pela Capitalize, não é possível acolher a alegação da Recorrente, de que não tinha conhecimento das ilegalidades do crédito e que não poderia ser responsabilizada pelos atos praticados pela IRACEMA e RCA, eis que também participou do sistemas de geração de créditos indevidos, constatados pela Fiscalização por meio de um vasto conteúdo de provas e relatórios. Ou seja, restou comprovado nos autos que a Recorrente tinha conhecimento das irregularidades dos créditos que pretendia compensar. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10380.722709/201076 Acórdão n.º 1402002.479 S1C4T2 Fl. 352 9 Assim, em relação ao Auto de Infração de multa isolada, aplicada pela não homologação da compensação, em tramite nos autos deste processo final 201076, tendo em vista a constatação da fraude, simulação e conluio nas operações que criaram os créditos, entendo que deve ser mantido em seus termos. O Auto de Infração foi lavrado exigindo multa isolada qualificada no percentual de 150% ,sobre o valor de R$ 887.577,11, que foi o total dos débitos indevidamente compensados, informados nas compensações que não foram homologadas no processo principal 10380.720499/200867, com base no parágrafo segundo do artigo 18 da Lei 10833/03. O dispositivo e a legislação que fundamentaram a multa acima apontados, não foram alterados até o momento, não se aplicando o pedido de retroatividade benigna da Recorrente, que trata de multa disposta no artigo 74 da Lei 9.430/99. Em relação a impossibilidade de aplicação da multa de ofício em casos de sucessão, entendo que tal pedido também não pode ser acatado, eis que existe a Sumula 47 do CARF/MF, cujo colaciono seu verbete abaixo. Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Acrescentando ao entendimento sumulado acima, como foi constatado dolo, fraude, simulação e conluio, a multa foi agrava para o percentual de 150%. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento, mantendo integralmente o Auto de Infração. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 352DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 37376.001324/2005-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/11/2003
Ementa:
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS.
É ônus da Contribuinte comprovar a existência do crédito indicado no Pedido de Restituição.
Numero da decisão: 2202-003.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório de R$ 732.443,16.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/11/2003 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. É ônus da Contribuinte comprovar a existência do crédito indicado no Pedido de Restituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório de R$ 732.443,16. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 37 6. 00 13 24 /2 00 5- 20 Fl. 3892DF CARF MF 2 Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Tratase, em breves linhas, de Pedido de Repetição de Indébito, lastreada em decisão judicial que reconheceu a inconstitucionalidade em sede de controle difuso da obrigação de reter 15% sobre as Notas Fiscais dos contratos de cooperativas. O direito em tese da Contribuinte já foi reconhecido pela CRPS e, analisando as provas, a DRF já deu provimento parcial para reconhecer a maior parte do crédito. Encontrase em litígio apenas a menor parte do crédito pleiteado e negado pela DRF e pela DRJ por falta de comprovação. Feito o resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 30/11/2004, a Contribuinte protocolou requerimento de restituição perante o Ministério da Previdência Social (fl. 3/4 e docs. anexos fls. 5/150), esclarecendo que: "Requeremos a restituição dos valores, abaixo descriminados, retidos indevidamente conforme demonstra decisão judicial transitada em julgado em 17.08.04 (Doc. 1 à 4). Concomitantemente, nos termos do artigo 224 da Instrução Normativa SRF nº ...(ilegível)..., requeremos a compensação deste crédito com débitos em aberto, relativos à Contribuição ao SAT, no montante de R$ 638.954,49 (Seiscentos e Trinta e Oito Mil, Novecentos e Cinquenta e Quatro Reais e Quarenta e Nove Centavos), a seguir descriminados, referente ao período 03.2002 à 10.2003, reconhecidos por medida judicial, conforme comprovam os documentos em anexo (Doc. 5 à 7)." fl. 3 Na documentação anexa, entre outras provas, apresentou petição inicial de Mandado de Segurança (fls. 9/30) e decisão judicial (fls. 31/35), na qual se defere liminar para que ficasse suspensa a exigibilidade da retenção de 15% sobre o valor das faturas nos casos de cooperativas de trabalho, estabelecida pela Lei nº 9.876/1999. Apresentou também guias de recolhimento para a previdência social. Consta ainda, nessa documentação anexa, petição referente a outro Mandado de Segurança, no qual discute a alíquota de recolhimento do SAT (fl. 119/122), e acórdão do TRF/3ªRegião (fls. 123/130), no qual se constata que a Contribuinte sucumbiu no pedido de reduzir a alíquota do SAT para 1%. Enfim, a Secretaria da Receita Previdenciária, analisando o Pedido de Restituição, proferiu a Informação Fiscal (fls. 156/157), na qual concluiu por indeferir o pedido de restituição formulado, uma vez que o Mandado de Segurança referente à retenção dos 15% apenas garantiu ao Contribuinte o direito de parar de reter, mas não de repetir quaisquer valores. Igualmente, não homologou pedido de compensação em relação aos valores devidos em decorrência da sucumbência no tocante ao SAT porquanto indeferia o crédito da Contribuinte. Intimada em 15/08/2005 (fl. 163), a Contribuinte protocolou em 13/09/2005 recurso voluntário (fls. 185/199 e docs. anexos fls. 200/221). Posteriormente, protocolou petição (fls. 224/225 e docs. anexos fls. 226/331), esclarecendo que, em decorrência do recebimento de um ofício, juntava aos autos cópias integrais do Mandado de Segurança referente à obrigação de reter 15% do valor das faturas, além de Certidão de Objeto e Pé de Inteiro Teor. Fl. 3893DF CARF MF Processo nº 37376.001324/200520 Acórdão n.º 2202003.877 S2C2T2 Fl. 3.893 3 Tendo inicialmente convertido o julgamento em diligência (fls. 343/347), a CRPS finalmente proferiu acórdão nº 2294/2006 (fls. 374/379) para reconhecer o direito da Contribuinte em tese reconhecendo que o poder judiciário, ao reconhecer a inconstitucionalidade da Lei, garantiu à Contribuinte o direito de repetir os valores porventura já recolhidos e determinou que a Secretaria da Receita Previdenciária apurasse os valores indevidamente recolhidos, compensasse esses valores com os devidos a título de SAT, e restituísse o eventual saldo em favor da Contribuinte. O INSS então protocolou pedido de suspensão dos efeitos do acórdão nº 2294/2006 (fls. 380/381), que foi deferida pela presidência da 4ª Câmara da CRPS (fls. 382/383), e posteriormente interpôs petição de "Revisão de Acórdão" (fls. 390/396). Tendo a Contribuinte apresentado Contrarrazões (fls. 410/420), a 4ª Câmara da CRPS proferiu o despacho nº 119/2007 (fls. 428/433), no qual revogou os efeitos suspensivos anteriormente concedidos. Posteriormente, o pedido de "Revisão de Acórdão" foi indeferido pelo Despacho nº 206013/07, do 2º Conselho de Contribuintes (fls. 438/443). Em 02/01/2009, a Contribuinte protocolou petição intitulada "Pedido de Cumprimento de Acórdãos" (fls. 570/577 e docs. anexos fls. 578/1.617), no qual relata as etapas do processo até então e resume: "Em resumo, o direito da ora Requerente, objeto do presente pedido administrativo, foi reconhecido: (i) judicialmente, em decisão transitada em julgado em ação mandamental; (ii) administrativamente, pelo extinto EGR. CONSELHO DE RECURSOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL CRPS, em decisão proferida em sede de RECRUSO VOLUNTÁRIO; (iii) administrativamente, pelo extinto Egr. CRPS, em decisão proferida em sede de "PEDIDO DE REVISÃO DE ACÓRDÃO" e (iv) administrativa e definitivamente, pelo EGR. 2ª CONSELHO DE CONTRIBUINTES DO MINISTÉRIO DA FAZENDA, o qual rejeito definitivamente o "PEDIDO DE REVISÃO DE ACÓRDÃO" interposto pelo INSS." fl 574. Foi juntada aos autos, em 12/03/2009, decisão judicial (fls. 1.944/1.948) proferida em sede de Mandado de Segurança, determinando o julgamento desse "Pedido de Cumprimento de Acórdão" vez que, passados dois meses desde o seu protocolo, a Contribuinte ainda não recebera qualquer resposta. Em 03/04/2009 foi proferido Despacho Decisório (fl. 1.980) aprovando o Parecer SEORT/DRF/BRE nº 100/2009 (fls. fls. 1.975/1.979 e docs. anexos fls. 1.981/2.012), no qual constatou: · Que a empresa não declarou diversos valores de NFs nas GFIPs, nas Guias de Recolhimento do FGTS e nas Informações à Previdência Social; · Que, a despeito de ter apresentado GFIPs retificadoras, esses documentos não foram processados e não constam dos sistemas previdenciários; · Que foram constatadas NFs sem números e outras com CNPJs não pertencentes à Contribuinte nem à empresa incorporada; Fl. 3894DF CARF MF 4 · Que a empresa declarou os números das NFs nas GPS mas não nas GFIPs, onde deveriam ser apresentadas essas informações; · Que a empresa não apresentou Notas Fiscais das Cooperativas de Trabalho referente aos valores recolhidos nas maiorias das competências, e que só foram considerados os valores devidamente embasados em NFs; e · Que os dados inseridos no Pedido de Restituição foram confirmados com os valores lançados nas GPS, nas GFIPs, nas Guias de Recolhimento do FGTS, na nas contascorrentes dos sistemas AGUIA CCORGFIP etc. Nesse caminho, entendeu ser possível dar provimento parcial ao Pedido de Restituição. Foi então lavrado Termo de Intimação (fls. 2.013/2.015) no qual se explicou que: "Todavia, o pagamento da restituição deferida ficará condicionado à regularização das pendências a seguir discriminadas: Débito em cobrança (SIEF), receita código 0561 (Imposto de Renda Retido na Fonte), de 01/2007, de compensação de Pagamento Indevido ou a Maior no valor de R$ 33.470,35; Pendências na PGFN Procuradoria Geral da Fazenda Nacional; Filial 65.599.953/000830, divergência GFIP/GPS, de 01/2009, no valor de R$ 4.314,73; Filial 65.599.953/001569, divergência GFIP/GPS, de 12/2005, no valor de R$ 6.408,24; Regularização dos DCG, com pedido de revisão, DEBCAD nº 36.402.2140, no valor de R$ 227.777,09 e DEBCAD nº 36.402.2159, no valor de R$ 2.962.752,59; Regularização dos valores devidos no ANEXO V, do Parecer nº 100/2009" fl. 2.013; Intimada em 13/04/2009 (fl. 2.022), a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 13/05/2009 (fls. 2.025/2.040 e docs. anexos fls. 2.041/3.373). Recebidos os autos na DRJ, foi proferida a Resolução nº 3.022 (fls. 3.376/3.381), de 26/08/2010, que converteu o julgamento em diligência. Fundamentouse a decisão no fato de que é inquestionável o direito da contribuinte ao crédito, devendo ser analisado, contudo, se há valores a ser restituídos frente à existência de débitos dela perante a Fazenda Nacional. Como resultado da diligência, foi elaborado Relatório (fls. 3.611/3.612) no qual se registrou a existência de débitos diversos que deveriam ser compensados. Intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação (fls. 3.616/3.620 e docs. anexos fls. 3.627/3.702), indicando a existência de débitos em REFIS, os quais não deveriam ser compensados. Fl. 3895DF CARF MF Processo nº 37376.001324/200520 Acórdão n.º 2202003.877 S2C2T2 Fl. 3.894 5 Retornando os autos à DRJ, foi proferida a Resolução nº 3.478 (fls. 3.722/3.726 e docs. anexos fls. 3.763/3.780), de 04/04/2013, convertendo o julgamento novamente em diligência, para que a documentação fosse novamente analisada. Em conclusão da análise, a DRF produziu a "Informação Fiscal º 002/2014" (fls. 3.781/3.786), de 07/02/2014, que concluiu por ampliar o valor do crédito deferido em relação ao Parecer SEORT/DRF/BRE nº 100/2009. Intimada, a Contribuinte apresentou "Contrarrazões às Informações Fiscais" (fls. 3.791/3.801 e docs. anexos fls. 3.802/3.817). Enfim, a DRJ proferiu o acórdão nº 1450.313, de 15/05/2014 (fls. 3.820/3.847), que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/11/2003 A PROVA DO CRÉDITO PLEITEADO. Cabe ao requerente demonstrar pelos meios legais de prova, que se reveste da condição de legítimo titular do direito que declara e tal se dá pela demonstração do efetivo e integral cumprimento das obrigações tributárias pertinentes, inclusive quanto às regular idades na elaboração dos documentos legalmente previstos (folhas de pagamento, livros contábeis e declarações em GFIP). COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. A eventual e efetiva restituição do montante correspondente ao direito creditório reconhecido exige o cumprimento das providências relativas à compensação de ofício, na qual a Administração Tributária levará em conta eventuais débitos pendentes do Contribuinte, nos termos da legislação aplicável. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada da decisão de 1º grau em 24/03/2015 (fl. 3.850), a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 23/04/2015 (fls. 3.852/3.860), argumentando, em síntese: · Que já foi deferido o crédito de R$ 9.938.661,25 ao longo da tramitação do processo, valores estes que já não estão em discussão, remanescendo em litígio o valor de R$ 1.076.061,11, que não foi reconhecido; · Que, considerando que o valor de R$ 9.938.661,25 já foi reconhecido, tal parcela deve ser restituída imediatamente, independente da parte ainda sob litígio; · Que não foram considerados todos os documentos anexados aos autos; · Que é inadequado exigir a apresentação de Notas Fiscais para comprovar o pagamento de valores, sendo possível também Fl. 3896DF CARF MF 6 comprovação por meio de GPS's, conforme já definido pelas decisões do CRPS e do 2º CC; · "que a simples análise dos Anexos III e IV da r. decisão objeto da Manifestação de Inconformidade, bem como das GPS's, das GFIP's e das Rais, leva à singular interpretação e conclusão de que os valores recolhidos "a maior" são exatamente aqueles referentes ao indébito tributário a ser restituído neste processo." fl. 3.857; · Que a Fiscalização deixou de considerar indébito tributários algumas GPS's e Notas Fiscais que atendiam a metodologia adotada pela decisão recorrida, metodologia essa mais rigorosa do que o devido; · Que a recorrente faz jus aos valores recolhidos indevidamente pelos estabelecimentos por ela incorporados; · Que é ilegal e indevida a desconsideração da documentação apresentada, que demonstra o recolhimento indevido, tais como GPS's, notas fiscais, extratos resumo de informe de rendimento expedido pela RFB, contratos de prestação de serviço etc.; e · Que a decisão recorrida não cumpriu as decisões proferidas pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) e pelo Segundo Conselho de Contribuintes (2º CC), as quais determinaram o reconhecimento do direito à restituição dos valores comprovadamente recolhidos de forma indevida em GPS. Em 16/03/2016, a Contribuinte apresentou petição (fls. 3.869/3.870) apontando que o processo já tramitava a mais de 10 (dez) anos, e pedindo celeridade no deslinde do julgamento. Em 04/10/2016 (fl. 3.874) foi juntado aos autos cópia de decisão proferida em sede de Mandado de Segurança (fl. 3.878/3.882), recebido pelo CARF em 29/09/2016 (fl. 3.875), determinando o julgamento da lide no prazo máximo de 20 (vinte) dias. Enfim, os autos foram sorteados para este julgador em 14/03/2017, sendo pautados na primeira oportunidade. Registrase, ainda, que foram desentrenhadas as fls. 3.712 e 3.727 a 3.762. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Contudo, é importante registrar que a Contribuinte, ressaltando que já restou reconhecido o seu direito à restituição do valor de R$ 9.938.661,25, roga pela imediata Fl. 3897DF CARF MF Processo nº 37376.001324/200520 Acórdão n.º 2202003.877 S2C2T2 Fl. 3.895 7 execução dessa parte da decisão recorrida, destrinchando os autos da mesma forma que se faria se a impugnação ou o recurso voluntário fosse parcial e certa Contribuinte reconhecesse parte do lançamento. Acontece que este e.CARF não pode se pronunciar sobre essa questão, vez que sua competência se limita, nos termos dos arts. 2º, 3º, 4º e 7º do Anexo II ao RICARF, à análise do direito creditório indicando pelas Contribuintes nos pedidos de Repetição e nas de Compensação. Cabe, nos termos do art. 224, X, da Portaria MF nº 203/2012, à DRF executar as atividades relacionadas às restituições, compensações etc. Portanto, recebo do Recurso apenas parcialmente, em relação aos R$ 1.076.061,11 ainda objeto do Recurso Voluntário. Da mudança do voto Registro e justifico, preliminarmente, a minha mudança de voto. Inicialmente, havia entendido que as provas isoladas não eram suficientes. Contudo, diante dos debates, passei a entender pela possibilidade do provimento parcial com base na soma falta das provas colhidas e da coincidência dos valores. Do mérito Tendo em vista que, como bem apontou a Contribuinte, a maior parte dos créditos pleiteados já foram aceitos, convém apresentar uma tabela indicando os valores que ainda estão em litígio (Tabela 1): COMP VLR Req. VLR Aceito pela DRF Valor em discussão mar/00 2.251,13 2.251,13 abr/00 9.934,20 9.108,90 825,30 mai/00 14.597,42 11.146,19 3.451,23 jun/00 4.500,62 4.500,62 0,00 jul/00 2.979,79 2.979,79 0,00 ago/00 2.639,06 2.639,06 0,00 set/00 547.703,30 547.613,26 90,04 out/00 574.871,42 574.871,42 0,00 nov/00 586.735,75 508.225,20 78.510,55 dez/00 598.520,16 598.520,16 0,00 jan/01 425.403,24 323.562,52 101.840,72 fev/01 442.106,62 442.095,88 10,74 mar/01 423.420,61 423.281,49 139,12 abr/01 434.733,48 325.818,90 108.914,58 mai/01 437.799,27 323.761,54 114.037,73 jun/01 437.649,71 437.215,37 434,34 jul/01 425.744,00 425.744,00 0,00 ago/01 440.039,28 440.039,28 0,00 set/01 561.071,57 493.974,65 67.096,92 out/01 671.619,35 503.714,52 167.904,83 nov/01 288.487,73 288.487,73 0,00 Fl. 3898DF CARF MF 8 dez/01 431.697,62 1.994,24 429.703,38 jan/02 399.400,05 399.400,05 0,00 fev/02 369.314,72 368.464,22 850,50 mar/02 301.912,02 301.912,02 0,00 abr/02 280.903,11 280.903,11 0,00 mai/02 213.739,28 213.739,28 0,00 jun/02 194.224,42 194.224,42 0,00 jul/02 180.133,64 180.133,64 0,00 ago/02 162.661,96 162.661,96 0,00 set/02 152.125,28 152.125,28 0,00 out/02 137.483,47 137.483,47 0,00 nov/02 120.707,48 120.707,48 0,00 dez/02 245.200,75 245.200,75 0,00 jan/03 104.242,19 104.242,19 0,00 fev/03 99.191,10 99.191,10 0,00 mar/03 82.564,48 82.564,48 0,00 abr/03 61.117,41 61.117,41 0,00 mai/03 34.772,82 34.772,82 0,00 jun/03 27.105,33 27.105,33 0,00 jul/03 15.587,09 15.587,09 0,00 ago/03 12.143,21 12.143,21 0,00 set/03 11.223,30 11.223,30 0,00 out/03 7.145,98 7.145,98 0,00 nov/03 37.317,94 37.317,94 0,00 Total: 11.014.722,36 9.938.661,25 1.076.061,11 A Recorrente revolvese contra o indeferimento parcial do seu pedido de restituição, argumentando que a decisão recorrida determina a restituição integral do indébito de INSSCooperativa e que, ainda que se supere essa determinação, sustenta que todo o crédito se encontra comprovado. Por sua vez, a DRF negou provimento parcialmente ao Pedido de Restituição, e a DRJ negou provimento à Manifestação de Inconformidade uma vez que concluíram que o crédito não estava comprovado. Em primeiro lugar, impende deixar claro que, efetivamente, não se discute mais o direito em tese da Contribuinte. Não apenas o poder judiciário já reconheceu em sede de Mandado de Segurança, em caráter difuso, a inconstitucionalidade da obrigação de recolher 15% sobre o valor das Notas Fiscais como a CRPS já reconheceu que essa decisão judicial garante à Contribuinte o direito à repetição dos valores porventura pagos indevidamente. Não custa transcrever o trecho final da decisão proferida por aquele Conselho: "O que a justiça declarou é que para a recorrente tais contribuições são indevidas desde sua instituição por dispositivo legal considerado inconstitucional em sede de controle difuso. Para fazer jus à restituição é necessário que reste demonstrado serem indevidas as contribuições recolhidas. Nesse sentido, essa autoridade julgadora entende que é possível à recorrente pleitear a restituição dos valores recolhidos, bem Fl. 3899DF CARF MF Processo nº 37376.001324/200520 Acórdão n.º 2202003.877 S2C2T2 Fl. 3.896 9 como utilizarse dos mesmos para efetuar operação concomitante no sentido de regularizar débitos existentes. A recorrente, em sua pega recursal, solicita que seja julgado procedente o pedido de restituição, tendo em vista a inconstitucionalidade, no caso concreto, da norma legal citada, bem como que seja realizada operação concomitante para compensação de valores referentes ao SAT não recolhidos pela empresa. Nesse sentido e considerando tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a SRP apure os valores recolhidos indevidamente e efetue a operação concomitante solicitada pela recorrente, restituindo eventual saldo em favor do contribuinte." fl. 377 Acontece que a decisão não determinou a restituição integral dos valores, mas tão somente reconheceu o direito, proferindo uma decisão ilíquida, e determinando que os autos retornassem para a autoridade fiscalizadora para liquidação, i.e., identificando quais os valores foram comprovados como recolhidos indevidamente. Efetivamente, não se discute o direito mas sim, diferentemente do que defendeu a Contribuinte, a existência ou não da comprovação do seu direito, e em que medida. Pois bem. No Parecer SEORT/DRF/BRE nº 100/2009 (fls. 1.975/1.980 e docs. anexos), a autoridade fiscalizadora constatou que: "Da análise da documentação apresentada e das telas dos Sistemas Previdenciários, foi verificado que a empresa não declarou os valores das Notas Fiscais de Serviços das Cooperativas de Trabalho, nas GFIPs Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, descumprindo assim uma exigência legal. Embora a empresa tenha apresentado cópias de GFIPs retificadoras informando esses valores, essas GFIPs não foram processadas, não constando assim, essas informações nos sistemas previdenciários. (fls. 1611 a 1672); Entre os documentos apresentados foram detectadas Notas Fiscais de Serviços sem numeração e algumas com outros CNPJ, como o de no 53.599.953/000163, diferentes do pertencente à requerente e à incorporada, sendo esses documentos inaptos ao presente Pedido de Restituição, formulado em nome da requerente. Também foram 'apresentadas GPS Guias da Previdência Social de Processos Trabalhistas que não são objeto do presente pedido. Portanto, referidos documentos foram desconsiderados na presente análise. Foi constatado que embora a empresa tenha apresentado GPS Guias da Previdência Social, nas quais foram inseridos os números de Notas Fiscais, essas referências NÃO CONSTAM Fl. 3900DF CARF MF 10 dos sistemas, por não se tratar de informações previstas nos preenchimentos das GPS. Essas informações deveriam ter sido declaradas em GFIP. A empresa não apresentou Notas Fiscais de Serviços das Cooperativas de Trabalho, na maioria das competências, que dessem suporte aos valores recolhidos nas GPS Guias da Previdência Social, portanto foram considerados os valores embasados nas Notas Fiscais de Serviços, conforme demonstrado nas relações do Anexo I CPM BRAXIS S/A, do CNPJ no 65.599.953/000163 e do Anexo II CPM SISTEMAS LTDA., do CNPJ no 65.584.187/000163." fl. 1.976; Em outras palavras, entendeu comprovados alguns dos valores pleiteados, mas não outros, indicando especificamente por qual razão estava negando o deferimento. Tendo a Contribuinte se manifestado e juntado mais provas aos autos, foi formalizada a Informação Fiscal nº 002/2014, de 07/02/2014 (Fls. 3.781/3.786), na qual a autoridade diligenciadora esclareceu que: "A empresa, em sua Manifestação de Inconformidade, junta os mais diversos documentos objetivando provar o pagamento dos valores que pretende sejam restituídos... (GPS, Contrato de Prestação de Serviço, planilha demonstrativa, etc...). Por óbvio, nem todos se prestam a essa finalidade, senão vejamos. A GPS Guia da Previdência Social, como sabido, apresenta de forma englobadas todos os recolhimentos de valores devidos à previdência social no campo “6”. Não há distinção entre valores recolhidos sobre folha de pagamento de empregados, de autônomos, Cooperativas, etc... Não é, portanto, documento hábil a individualizar recolhimentos feitos sobre fatura de cooperativas, ou qualquer outro. Eventuais anotações feitas no corpo da GPS podem ser úteis para algum tipo de controle interno do contribuinte, não para fazer prova junto ao Fisco da individualização do recolhimento. Contratos de prestação de serviço, por sua vez, podem significar compromissos assumidos entre os contratantes, mas, certamente, não são hábeis a provar a efetiva execução do serviço contratado. Portanto, inaptos a provar recolhimentos específicos. Planilhas elaboradas pela empresa, igualmente, seguem o mesmo caminho. Não são hábeis a provar recolhimento de valores sob a rubrica que se pretende restituição. Ainda que úteis a demonstração de eventuais valores recolhidos, não provam sob qual rubrica o recolhimento foi feito. Igualmente, portanto, inaptas a individualizálos. Resta portanto a nota fiscal de prestação de serviço como o único elemento capaz de trazer ao processo o valor do trabalho efetivamente executado, assim como a competência de execução. Por conseguinte, a apresentação das faturas com os valores da prestação de serviço é IMPRESCINDÍVEL. Impossível concluir a análise do processo de forma diligente sem que as notas fiscais sejam apresentadas. Fl. 3901DF CARF MF Processo nº 37376.001324/200520 Acórdão n.º 2202003.877 S2C2T2 Fl. 3.897 11 Logo, com base exclusivamente nas notas fiscais acostadas ao processo, quer antes da Manifestação de Inconformidade, apresentadas “espontaneamente”, como diz o contribuinte, e que suportam o deferimento inicial, quer apresentadas em sede de Manifestação de Inconformidade, que suportam o acréscimo de restituição, chegouse aos valores ao final demonstrados. O anexo I da presente Informação Fiscal traz a relação das notas fiscais apresentadas pela empresa na Manifestação de Inconformidade, na ordem em que aparecem no processo. Por sua vez, o anexo II apresenta as notas fiscais consideradas para a restituição, e agrupadas por competência." fl. 3.784; Nessa esteira, analisando a documentação juntada, esclareceu mais uma vez quais as provas que seriam aceitas e diante da apresentação de mais documentação deste o Parecer de 2009 deu provimento a mais uma parte do crédito requerido. Ainda, a DRJ anotou que: "A prova da existência desses créditos depende, como já se viu, da constatação de que, além das contribuições específicas incluídas no RRVI, todas as demais contribuições previdenciárias devidas para a respectiva competência foram recolhidas, o que se dá, objetiva e concretamente, pela criteriosa análise dos elementos e documentos legalmente exigíveis (em outras palavras e reiterando: a constatação do cumprimento das obrigações tributárias acessórias), quais sejam: 1. Análise das folhas de pagamentos, que devem estar regularmente elaboradas (revestidas das formalidades legais) e acompanhadas dos respectivos elementos probatórios. 2. Análise dos registros contábeis, que, além de atender às respectivas formalidades legais, devem precisamente retratar as informações lançadas nas folhas de pagamentos. 3. Análise das GFIP, que, também, além de se revestirem das respectivas formalidades legais, devem estar em perfeita compatibilidade com as informações constantes das folhas de pagamentos e com os respectivos registros contábeis (nunca é demais lembrar que uma das precípuas finalidades das GFIP é a de declarar os fatos geradores ocorridos na competência, possibilitando a determinação do montante das contribuições previdenciárias devidas no respectivo período). A propósito das GFIP (considerado o estabelecimento de CNPJ 65.599.953/000163) é oportuno ressalvar que, as informações que de lá podem ser extraídas são absolutamente incompatíveis com o pleito do Contribuinte, (...) Tais circunstâncias – a prestação de sucessivas informações desencontradas em GFIP – criam um quadro em que os documentos de arrecadação (muitos sugerindo o recolhimento das contribuições que ora se pretende restituir – conforme cópias apresentadas pelo Contribuinte) certamente não são Fl. 3902DF CARF MF 12 compatíveis com as contribuições apuradas em folhas de pagamentos e registradas contabilmente, pois os valores originalmente informados são muito superiores aos apurados a partir das GFIP mais recentemente entregues. É justamente por isso que, como precisamente ressalvou o Órgão da Administração Tributária local ao analisar o RRVI, a mera exibição de contratos de prestação de serviços, de demonstrativos de cálculo, de notas fiscais ou guias de recolhimentos (específicas ou gerais) podem sugerir o recolhimento de contribuições previdenciárias sobre determinados fatos geradores, mas não são suficientes para demonstrar o efetivo recolhimento de todas as contribuições previdenciárias devidas e, por consequência, tampouco são capazes de efetivamente demonstrar a existência de saldo restituível. Os contratos de prestação de serviços, os demonstrativos (“memórias”) de cálculo, as notas fiscais e as guias de recolhimentos são, sem dúvida, importantes elementos de verificação, mas, apenas por si, são insuficientes para demonstrar o direito que aqui se busca, quando não são compatíveis, tampouco são acompanhados dos demais documentos de produção legal obrigatória. Somente do cotejo destes elementos é possível atestar com certeza que foram recolhidas, na competência correspondente, todas as contribuições previdenciárias devidas (além, eventualmente, das “indevidas”), podendose, assim, constatar a real existência dos alegados recolhimentos excedentes." fls. 3.834/3.836; Por sua vez, a Contribuinte argumentou em sede de Recurso Voluntário que as Notas Fiscais não são os únicos documentos hábeis para comprovar a existência do crédito, mas que as GPS's também têm esse condão probatório. No mesmo sentido, que também devem ser levados em consideração os extratos de Informes de Rendimento expedidos pela RFB, os contratos de prestação, todas as Notas Fiscais apresentadas etc. Enfim, os argumentos ventilados no Recurso Voluntário, devem ser considerados. Efetivamente, a Contribuinte traz aos autos "Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica" (DIRFs), fls. 3.460/3.469, referente aos anoscalendário de 2000, 2001, 2002 e 2003. Essas declarações apresentadas comprovam o valor pago às Cooperativas e, inclusive, a retenção do IRRF. Somase a esse documento, o documento de fls. 1.617, emitido com base no sistema DATAPREV, "Consulta Valores a Recolher x Valores Recolhidos x LDCG/DCG", que demonstram os valores a ser recolhidos em decorrência da GFIP original e os valores efetivamente recolhidos na GPS. A verdade é que a GPS servem apenas para o recolhimento dos tributos, não tendo o condão de constituílo e muito menos de identificar o fundamento pelo qual se constituí. Nesse sentido, as informações porventura indicada nas GPS (tal como na fl. 3.571), não serve para comprovar a razão pela qual o recolhimento foi feito. Nesse sentido, inclusive, Fl. 3903DF CARF MF Processo nº 37376.001324/200520 Acórdão n.º 2202003.877 S2C2T2 Fl. 3.898 13 observase a GPS de fls. 3.560 na qual a Contribuinte não informa quais as notas que se referia também não faz prova em seu desfavor. Fazendo o cálculo, percebese que (Tabela 2): Valor total Pago Declaração de Rendimento Cooperativa \ Período CTS METODO METODO TOTAL PAGO INSS CALCULADO (15%) jan/2001 R$ 674.054,31 R$ 1.076.825,78 R$ 1.079.960,61 R$ 2.830.840,70 R$ 424.626,11 abril/2001 R$ 728.852,17 R$ 1.048.908,42 R$ 1.120.306,80 R$ 2.898.067,39 R$ 434.710,11 mai/2001 R$ 765.783,21 R$ 1.075.520,00 R$ 1.077.331,54 R$ 2.918.634,75 R$ 437.795,21 dez/2001 R$ 1.570.795,43 R$ 1.307.188,73 R$ 2.877.984,16 R$ 431.697,62 Já os valores pagos "a mais" na GPS em relação ao montante exigível conforme a GFIP (Tabela 3): Período Valor a Recolher (GFIP) Valor Recolhido (GPS) Diferença jan/2001 R$ 120.031,97 R$ 531.823,87 R$ 411.791,90 abril/2001 R$ 60.281,41 R$ 493.766,45 R$ 433.485,04 mai/2001 R$ 93.415,95 R$ 526.950,63 R$ 433.534,68 dez/2001 R$ 72.189,67 R$ 500.958,41 R$ 428.768,74 Ora, não pode se tratar de mera coincidência. Os valores pagos "a mais" são muito próximos (diferenças de inferiores a 1%, à exceção do período de jan/2001, que é de 3%) aos valores calculados em relação às Declarações de Rendimento. Registrase, outrossim, que a Contribuinte já trouxe aos autos inúmeras notas fiscais, as quais já levaram a DRF da dar provimento à maior parte do crédito. Logo, da soma dos documentos e elementos comprovados, entendo ser possível aceitar o crédito de R$ 732.443,16, referente à diferença entre o valor que entendo comprovado (tabela 3) e o valor já aceito (tabela 1). Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório de R$ 732.443,16. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 3904DF CARF MF 14 Fl. 3905DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.902184/2012-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2007
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.606
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência.
(Assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 21 84 /2 01 2- 96 Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 10820.902184/201296 Acórdão n.º 3401003.606 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Pedido de Restituição de crédito de PIS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior transmitido por meio do PER/Dcomp. 2. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, uma vez que o pagamento indicado no PER/Dcomp em referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte. 3. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) à época do fato gerador, como optante pelo regime do lucro presumido, submetiase à sistemática cumulativa de apuração da Cofins (à alíquota de 3%) e do PIS (à alíquota de 0,65%), havendo recolhido indevidamente tais contribuições calculadas sobre a saída de mercadorias que, por se tratarem de produtos farmacêuticos e cosméticos, já haviam sofrido incidência monofásica em etapa anterior da cadeia, nos termos da Lei nº 10.147/2000, e em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 594/2005; (ii) no momento em que se deu conta do equívoco cometido, procedeu à retificação da DACON respectiva. 4. Em data posterior ao protocolo da manifestação de inconformidade e anterior ao julgamento de primeira instância administrativa, requereu a contribuinte, mediante petição simples, a juntada dos livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias e declarou, ainda, não ter logrado êxito em juntar as notas fiscais de compra das mercadorias, requerendo, nesta oportunidade, a realização de diligência para confirmação do crédito tributário pleiteado. 5. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2007 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que indeferiu a restituição, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. ALÍQUOTA. Os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal sobre cuja receita de venda incidem o PIS e a COFINS com Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10820.902184/201296 Acórdão n.º 3401003.606 S3C4T1 Fl. 4 3 alíquota zero são apenas aqueles identificados na legislação de regência pelo seu código na TIPI. 6. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.583, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10820.902161/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.583): "8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, pelo não conhecimento do documento juntado intempestivamente, correspondente aos Livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, com fundamento no Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT nº 15, de 12/07/1996. 10. Contudo, ainda que transposto obstáculo da preclusão consumativa, verificase, a partir da apreciação dos documentos não conhecidos pela decisão a quo, que tais livros não realizam a discriminação dos tipos de produtos, não sendo possível se afirmar com a necessária precisão se de fato atendem aos desígnios e requisitos da Lei nº 10.147/2000 e da Instrução Normativa SRF nº 594/2005, não se prestando, portanto, a comprovar o direito creditório pleiteado. 11. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 12. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 10820.902184/201296 Acórdão n.º 3401003.606 S3C4T1 Fl. 5 4 maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 13. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 14. A aplicação do preceptivo normativo da Lei nº 10.147/2000 conduz à conclusão de que foram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos farmacêuticos e de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal classificados em determinadas posições da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001 às pessoas jurídicas não enquadradas como industrial ou importador e não optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), e de acordo com as normas necessárias para a aplicação da lei, implementadas pela edição da Instrução Normativa SRF nº 594/2005. 15. Depreendese, da análise dos documentos juntados pela contribuinte recorrente, não ser possível se apontar o código NCM dos produtos por ela comercializados, informação que seria passível de conferência a partir da análise das notas fiscais que comprovam a venda das mercadorias sujeitas à alíquota zero, não havendo como se validar a retificação da DCTF ou se perscrutar a existência do crédito almejado. 16. Observase que o julgador de primeiro piso chegou à minúcia de verificar que a contribuinte não consta no rol das empresas credenciadas para emitir nota fiscal eletrônica, de forma que, para fins de comprovação de seu pleito, tais documentos deveriam ter sido apresentados no momento do manejo da manifestação de inconformidade. 17. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 10820.902184/201296 Acórdão n.º 3401003.606 S3C4T1 Fl. 6 5 18. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 19. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 1068DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.901061/2013-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-07-26T14:28:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-07-26T14:28:23Z; Last-Modified: 2017-07-26T14:28:23Z; dcterms:modified: 2017-07-26T14:28:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:ed20bb4d-9c1f-46ea-91a2-21dfdc9e2a0c; Last-Save-Date: 2017-07-26T14:28:23Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-07-26T14:28:23Z; meta:save-date: 2017-07-26T14:28:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-07-26T14:28:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-07-26T14:28:23Z; created: 2017-07-26T14:28:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2017-07-26T14:28:23Z; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-07-26T14:28:23Z | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.901061/201398 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.215 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MATHEUS RODRIGUES MARILIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 61 /2 01 3- 98 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901061/201398 Acórdão n.º 1302002.215 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901061/201398 Acórdão n.º 1302002.215 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901061/201398 Acórdão n.º 1302002.215 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.908040/2009-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE.
Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário, após o julgamento de primeira instância administrativa, podem excepcionalmente ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Situação que se apresenta comum quando o indeferimento da compensação é efetuado por meio de despacho decisório eletrônico no qual não são apresentados ao contribuinte orientações completas quanto aos documentos necessários à comprovação do direito de crédito.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.081
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a preclusão.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE. Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário, após o julgamento de primeira instância administrativa, podem excepcionalmente ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Situação que se apresenta comum quando o indeferimento da compensação é efetuado por meio de despacho decisório eletrônico no qual não são apresentados ao contribuinte orientações completas quanto aos documentos necessários à comprovação do direito de crédito. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a preclusão. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE. Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário, após o julgamento de primeira instância administrativa, podem excepcionalmente ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Situação que se apresenta comum quando o indeferimento da compensação é efetuado por meio de despacho decisório eletrônico no qual não são apresentados ao contribuinte orientações completas quanto aos documentos necessários à comprovação do direito de crédito. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a preclusão. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 40 /2 00 9- 17 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10166.908040/200917 Acórdão n.º 9303005.081 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3803003.492, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. REGIME MONOFÁSICO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. PROVAS EXTEMPORÂNEAS O Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo tributário, preceitua que todas as provas que instruirão o processo no âmbito administrativotributário e que sejam aptas a comprovar o direito do sujeito passivo, deverão ser colacionadas nos autos até o momento da impugnação sob pena de preclusão. A divergência suscitada no recurso especial centrase na possibilidade de apresentação de provas já no âmbito do recurso voluntário. O Recurso especial foi admitido conforme Despacho de Admissibilidade constante do presente processo. Contrarrazões foram apresentadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Defende o não conhecimento do recurso especial em face da divergência fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas e pede a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.080, de 16/05/2017, proferido no julgamento do processo 10166.908081/200903, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.080): "Conhecimento do Recurso Especial A Fazenda Nacional, em contrarrazões, pede o não conhecimento do recurso especial do contribuinte alegando que não fora comprovada a divergência jurisprudencial. Afirma que, muito embora os acórdãos Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10166.908040/200917 Acórdão n.º 9303005.081 CSRFT3 Fl. 4 3 paradigmas tenham tratado da matéria relativa ao momento de produção da prova no âmbito do processo administrativo fiscal, fizeramno em contexto fático e jurídico distintos, já que o acórdão recorrido tratava de análise de DCOMP e os paradigmas tratavam de lançamento de ofício, o primeiro Notificação de Lançamento (NFLD) de Contribuição Previdenciária e o segundo Notificação de Lançamento do IRPF. Alega ser fundamental no caso o fato de que nos processos de compensação a produção da prova é essencialmente de responsabilidade do interessado, sendo que nos processos de lançamento de ofício o ônus da prova é do Fisco. Embora reconheça como razoável a argumentação, penso que o que se está a discutir é a possibilidade de análise da prova pela instância julgadora, quando ela é apresentada somente quando da interposição do recurso voluntário. Nesta concepção, na minha opinião, as situações fáticas igualam se. Pois estamos tratando da mesma norma legal, qual seja o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, e a norma não diferencia se o processo é de impugnação ou de manifestação de inconformidade. Em ambos os casos, a análise literal da norma somente permite a apresentação dos elementos de prova no prazo para apresentação da impugnação ou da manifestação de inconformidade. Sendo certo que em ambas situações podem ocorrer a necessidade eventual da complementação da prova em face do julgamento de primeira instância administrativa. De forma, que convalido o entendimento exarado no despacho de exame de admissibilidade do recurso especial, por entender que foi demonstrada a divergência jurisprudencial e o recurso especial deve ser conhecido. Mérito Como relatado o acórdão recorrido não conheceu dos documentos apresentados pelo contribuinte somente por ocasião da apresentação do recurso voluntário em face da aplicação do disposto no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Importante então relembrarmos os fatos constantes do presente processo. O contribuinte apresentou PER/DCOMP com a intenção de compensar indébitos, que entendia estarem comprovados, com créditos Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10166.908040/200917 Acórdão n.º 9303005.081 CSRFT3 Fl. 5 4 tributários de sua responsabilidade. Posteriormente, cerca de três anos após a entrega do PER/DCOMP, recebeu Despacho Decisório eletrônico com a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/06/2009. " Veja que se trata de uma fundamentação bastante resumida e cujo entendimento de seu inteiro alcance merece esclarecimentos adicionais. Em sua manifestação de inconformidade, também bastante resumida, o recorrente informa que foi orientado pelo Plantão Fiscal da Receita Federal que tal fato ocorrera por falta da retificação de sua DCTF. Entendera assim o contribuinte que a apresentação da DCTF retificadora seria suficiente para a conclusão de sua compensação e tal entendimento está expressamente relatado na sua manifestação de inconformidade. No item 5 e 6 de sua manifestação de inconformidade assim se pronunciou: (...) 5. Se necessário a apresentação de outros documentos ou mesmo tomar outras providencias estaremos a inteira disposição para cumprir a pendências que porventura houver. 6. O contato é com o senhor EULER, fone 33473277. (...) Apresentou junto com sua Manifestação de Inconformidade cópia do recibo de entrega da DCTF retificadora, espelho do DARF do suposto pagamento a maior, cópia dos PER/DCOMP, além de seus documentos de identificação. Veio então o Acórdão da DRJ/Brasília julgando a Manifestação de Inconformidade improcedente por insuficiência de provas, sendo que a DCTF retificadora não seria suficiente para tal e que o ônus da prova é do contribuinte que pleiteia a compensação. Cientificado desta decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual renova as argumentações quanto ao seu direito de crédito e apresenta novos documentos que entende ser suficientes para demonstrar a correção de seu procedimento de compensação. Como já vimos, o acórdão recorrido considerou preclusa a apresentação destes novos documentos e negou provimento ao recurso. O transcrito § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. A regra é clara e bastante justificável à medida em que atende à necessidade de que o processo administrativo tenha sua marcha uniforme para frente e exigindo aos administrados o cumprimento de prazos, permitindo a solução de conflitos em consonância com a desejada celeridade processual. De fato, não é razoável que se permita a apresentação de elementos de prova em qualquer fase recursal a critério do administrado. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10166.908040/200917 Acórdão n.º 9303005.081 CSRFT3 Fl. 6 5 Mas comungo da ideia de que este critério não seja absoluto a ponto de colidir com outros princípios caros ao processo administrativo, a exemplo dos princípios da formalidade moderada, da ampla defesa e da verdade material. No presente caso, além de estar cerceando o direito de defesa do contribuinte, à medida em que a descrição dos fatos no despacho decisório não é clara o suficiente, poderá estar havendo restrição à aplicação da verdade material à medida em que aqueles documentos apresentados poderem revestirse de elementos suficientes para a confirmação da existência do direito de compensação do contribuinte. Semelhante raciocínio foi apresentado em voto do exconselheiro Belchior Melo de Sousa no acórdão nº 3803004.325, de 27/06/2013, o qual transcrevo parcialmente, por concordar inteiramente com suas conclusões (grifos meus). O litígio decorrente da apreciação das compensações declaradas passou a ser submetido ao rito do Processo Administrativo Fiscal, regido pelo Decreto nº 70.235/72, a partir da data publicação da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003). Assim, a princípio deve o litigante submeterse à observância do art. 16, § 4º, que trata do momento processual de apresentação das provas como sendo o da manifestação de inconformidade, ou, ainda, até a decisão de primeira instância, autorizado pelo órgão julgador. É consabido que a norma legal do art. 16, § 4º, citado, tem sua aplicação originária ao processo de determinação e exigência de crédito tributário, cujos fatos imputados ao fiscalizado devem ser respaldados pela provas levantadas e apresentadas pelo fisco no procedimento inquisitório do lançamento. É exigência, ainda, desse feito que os fatos de que é acusado o autuado estejam pontual e claramente descritos. Este modelo de ação tem por fim permitir o exercício da ampla defesa do contribuinte, sob amparo de garantia constitucional. Este rito foi tomado por empréstimo para reger o procedimento administrativo de apreciação da compensação tributária, como acima referido (MP 135/2003), logo após a inauguração do seu novel regime pela MP nº 66, de 29 de agosto de 2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002). A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10166.908040/200917 Acórdão n.º 9303005.081 CSRFT3 Fl. 7 6 Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência tributo já quitado ou não repetir o indébito. De fato, o contribuinte trouxe em sua manifestação de inconformidade os documentos de que dispunha naquele momento e que entendia aptos a comprovar seu direito, requerendo a posterior juntada de novas provas, acaso se fizessem necessárias. E, não tendo o julgador a quo reconhecido naqueles documentos a necessária força probante, trouxe o contribuinte novas provas para reforçar o seu direito, de modo que, no caso concreto, a apresentação das provas no recurso voluntário é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Notese que as provas apresentadas no âmbito do recurso voluntário, são notas fiscais e o balancete contábil do período em discussão, as quais demonstrariam supostamente o seu direito creditório. Justamente os supostos documentos que a decisão da DRJ entendeu estarem faltando para a possível comprovação do indébito. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte determinando o retorno dos autos à instância a quo para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a prejudicial de preclusão das provas apresentadas." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, determinando o retorno dos autos à instância a quo para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a prejudicial de preclusão das provas. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 84DF CARF MF
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