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Numero do processo: 13603.724006/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009, 2010
LUCRO ARBITRADO
O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando I - o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal;
Colhe-se dos fatos apurados, para os fins de determinação da viabilidade do arbitramento, que após análise dos elementos franqueados pela recorrente, apurou-se divergência entre o total de saldos devedores e credores da conta Caixa no Diário e no Razão e o mencionado livro auxiliar, tendo sido intimada a contribuinte, limitando-se, todavia, a retificar o registro auxiliar, para adequar seu conteúdo aos referidos livros obrigatórios, impondo, em outro tanto, dúvida quanto a confiabilidade dos registros auxiliares apresentados pela empresa, ante a clara manipulação de datas e valores.
Multa
Na hipótese de arbitramento do lucro sobre a receita bruta declarada pelo sujeito passivo à RFB, a multa de ofício deve ser exigida no percentual de 75%.
Numero da decisão: 1301-001.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009, 2010 LUCRO ARBITRADO O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; Colhese dos fatos apurados, para os fins de determinação da viabilidade do arbitramento, que após análise dos elementos franqueados pela recorrente, apurouse divergência entre o total de saldos devedores e credores da conta “Caixa” no Diário e no Razão e o mencionado livro auxiliar, tendo sido intimada a contribuinte, limitandose, todavia, a retificar o registro auxiliar, para adequar seu conteúdo aos referidos livros obrigatórios, impondo, em outro tanto, dúvida quanto a confiabilidade dos registros auxiliares apresentados pela empresa, ante a clara manipulação de datas e valores”. Multa Na hipótese de arbitramento do lucro sobre a receita bruta declarada pelo sujeito passivo à RFB, a multa de ofício deve ser exigida no percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 40 06 /2 01 2- 71 Fl. 9436DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 2 (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG. Extraise da análise do presente processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração (fls. 2 a 78) para formalização e exigência de crédito tributário relativo IRPJ, CSLL, COFINS. O lançamento decorre do arbitramento do lucro da interessada nos exercícios de 2009 e 2010, com base em sua receita conhecida, pelos motivos explanados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 79 a 112, no qual se consignou que a interessada apresentou extratos bancários de suas contas nos bancos DO BRASIL S/A E HSBC BANK BRASIL S/A para os anoscalendário 2008 e 2009, assinalando que existe um único registro na conta “11202 – Banco do Brasil S/A”, o qual não corresponde ao extrato fornecido pelo mesmo Banco e que, para tais anoscalendário, não há escrituração de movimentação bancária. Ainda de acordo com a Fiscalização, embora o contribuinte tenha apresentado considerável movimentação bancária nas duas instituições financeiras acima identificadas (Banco do Brasil e HSBC), o que pode ser verificado nos extratos bancários apresentados pela própria recorrente, não localizouse na escrituração contábil menção a quaisquer valores movimentados nas referidas contas bancárias, tratandose de valores movimentados à margem da contabilidade, constando ainda, que a recorrente, nos anos de 2008 e 2009, ao ser tributada pelo regime do Lucro Real, apuração trimestral, deveria, para apresentação dos resultados do período, manter escrituração contábil em boas condições, respeitando as técnicas e normas contábeis, apurando o lucro líquido do exercício, demonstrando seu efetivo resultado levantado a cada trimestre, adotando as condutas impostas pela legislação comercial e fiscal. Atestou a Fiscalização, que ao não escriturar a movimentação bancária na contabilidade, a empresa cometeu falha que instaurou insegurança quanto à fidelidade da escrita, infringindo o art. 251 e seu parágrafo único do RIR/99 e, inquestionavelmente, a não escrituração da movimentação bancária maculou de forma irremediável toda a contabilidade e a apuração do lucro líquido e, por via de consequência, o lucro real da empresa, restando ao fisco federal suprimir do sujeito passivo a opção exercida e, "ex offício", adotar o regime do Fl. 9437DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13603.724006/201271 Acórdão n.º 1301001.448 S1C3T1 Fl. 3 3 arbitramento, mencionando que a escrituração de uma única conta intitulada de Caixa que englobe toda a movimentação de recursos financeiros da empresa (caixa, banco, aplicações financeiras) só é admissível na hipótese da empresa ser optante do lucro presumido ou enquadrar no regime do SIMPLES, o que não se conforma com o caso em análise, uma vez que a empresa é optante do regime do Lucro real trimestral. Esclareceuse também que a interessada atendeu em parte a intimação parra apresentar o registro auxiliar da conta “Caixa” referente ao período de janeiro de 2008 a dezembro de 2009, exibindo apenas o registro correspondente aos meses de novembro e dezembro de 2008. Após análise, verificouse divergência entre o total de saldos devedores e credores da conta “Caixa” no Diário e no Razão e o mencionado livro auxiliar. Intimouse então a interessada a esclarecer tal divergência, mas a contribuinte limitouse a retificar o registro auxiliar, para adequar seu conteúdo aos referidos livros obrigatórios. A este respeito, a Autora do feito assinala que “o fato em análise coloca em dúvida a confiabilidade dos registros auxiliares apresentados pela empresa, revelando manipulação de datas e valores”. Alude à “prática adota pelo contribuinte de manutenção no passivo exigível da empresa de valores já liquidados anteriormente”, observando que o Livro Razão de 2008 e 2009, no dia 30/07/2009, a estampa que a fiscalizada registrou o pagamento via caixa, de compras realizadas anteriormente ao ano de 2009, fugindo à normalidade e de fato os mencionados pagamentos não ocorreram na data registrada na conta caixa, tal atitude coloca em dúvida a confiabilidade dos registros constantes da conta caixa, mais uma vez fica confirmada a prática adotada pelo contribuinte de manutenção no passivo exigível de valores já pagos anteriormente. A FISCALIZADA ao seu livre arbítrio manipula as datas de registro dos pagamentos, inviabilizando assim a reconstituição do fluxo financeiro da empresa. À fl. 91, apresentase tabela que relaciona diversos pagamentos, feitos em 30 de julho de 2009, de compras realizadas em 2008, com remissão às folhas do livro “Razão”. A este respeito, a Autora observa que o histórico utilizado na escrituração contábil nem mesmo identifica o documento que estaria sendo liquidado, fazendo referência apenas ao ano de emissão do documento (pagamento NF 2008). Seguiu a Fiscalização pontuando, relativamente, a um fornecedor em particular, destacase que se trata de compra efetuada anteriormente a 2008, que o dito pagamento fugiria à normalidade de mercado, sendo difícil imaginar que os fornecedores da empresa fiquem sem receber por período superior a um ano, concluindo que tal valor foi liquidado anteriormente, assinalando ainda, que embora haja registro de compra de inúmeras aquisições no decorrer do ano de 2008, não há registro do respectivo pagamento no decorrer do mesmo ano. No mais, assentouse que analisando o extrato bancário do Banco Brasil , Ag. 28185, c/c 11.4901, identificouse uma série de títulos que foram pagos via conta bancária cujos valores coincidem com os pagamentos escriturados como liquidações realizadas via conta CAIXA (lançamentos a crédito da conta CAIXA), além do que, as datas em que de fato ocorreram os pagamentos conforme extrato bancário divergem das datas registradas na conta CAIXA conforme demonstrado no quadro abaixo. O fato em análise inviabilizaria a reconstituição do fluxo financeiro da empresa, elaborando a Fiscalização extensa tabela que correlaciona valores constantes de extratos do Banco do Brasil S/A referentes a pagamentos de títulos, mas que foram registrados na conta “Caixa”, para concluirse que baseado nas NF's a que se teve acesso, constatouse que o contribuinte via de regra utilizava a data de emissão das notas fiscais para registro das compras "D compra à vista / C CAIXA", inclusive nos casos Fl. 9438DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 4 em que as compras foram realizadas a prazo, como podemos observar no QUADRO I anexo ao Termo de Verificação Fiscal, diante da metodologia de escrituração adotada pela empresa, constatouse que o fluxo financeiro da empresa baseado na escrituração contábil apresentada não retrata a realidade dos fatos, sendo impossível promover a reconstituição do real fluxo financeiro da empresa. No quadro I (anexo ao Termo de Verificação Fiscal), destacouse algumas situações em que, embora tenha sido concedido desconto no valor da NF quando do efetivo pagamento, no registro contábil creditouse equivocadamente a conta CAIXA pelo valor integral da nota fiscal, não sendo registrado o valor do desconto, tal fato revelaria a falta de credibilidade das informações registradas no CAIXA da empresa gerando distorção no fluxo financeiro da conta caixa, bem como o custo apropriado pela empresa está maior que o real, uma vez que não foi levado em consideração o desconto concedido prejudicando a apuração do lucro real. Assentouse ainda, que de conformidade com o disposto no quadro I" anexo ao Termo de Verificação Fiscal, verificavase situações em que os pagamentos embora tenham sido realizados via conta bancária (BANCO DO BRASIL S/A) foram registrados indevidamente como desembolsos de recursos realizados via conta CAIXA, além do que a data de pagamento utilizada para registro na conta caixa diverge da data em que efetivamente ocorreu o desembolso via conta bancária, o modelo de escrituração adotado pela recorrente distorce a realidade dos fatos sendo impossível identificar o real fluxo financeiro da empresa. Às folhas 95 a 99, apresentamse diversas tabelas, abrangendo os anos calendário fiscalizados, arrazoando a Fiscalização que em procedimento de circularização junto a alguns fornecedores conforme demonstrado abaixo, detectamos que inúmeras compras foram realizadas a prazo, entretanto, a contribuinte escriturou como aquisição à vista, tendo se utilizado da data de emissão das NF's para efetuar o seguinte registro contábil "D Compra à vista / C Caixa", tal atitude não retrataria a realidade dos fatos, uma vez que o efetivo desembolso não ocorreu na data utilizada no registro contábil, sendo assim observase que a metodologia de escrituração contábil adota pela empresa não retrata a realidade dos fatos, o que demonstra a falta de credibilidade da contabilidade, bem como impede a visualização do real fluxo financeiro da empresa. Sustentou a Fiscalização que a não escrituração das contas bancárias, a prática reiterada de manutenção no passivo exigível de valores já liquidados anteriormente, omissão de compras e outros fatos mencionados, evidenciam a imprestabilidade da escrita contábil para determinação do lucro líquido do exercício e, por consequência, inviabiliza a apuração do Lucro Real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. Consta ainda do TVF que foi constatado que a empresa fiscalizada mantém no passivo da instituição exigibilidade já efetivamente liquidada, embora os valores já tenham sido liquidados conforme informação prestada pelos fornecedores, os referidos valores permanecem em aberto no passivo exigível quando do encerramento do anocalendário de 2009, embora já tenham sido liquidados anteriormente, revelando a prática de passivo fictício. Ilustrando esta situação, apresentamse duas tabelas à folha 103, com informações prestadas pelos fornecedores BELA VISTA DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA., CNPJ nº 08.600.282/000170, e UNIFRIGO INDÚSTRIA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., CNPJ nº 42.947.465/000102, que relacionam vendas feitas à interessada e que foram pagas – a maioria à vista – e, apesar disso, permaneceram registradas em seu passivo. Fl. 9439DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13603.724006/201271 Acórdão n.º 1301001.448 S1C3T1 Fl. 4 5 Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 6.302 6.326), alegando em síntese que se constituiu em empresa séria e responsável, tendo como forma de conduta a regularidade de pagamento de tributos e contribuições, alegando ainda, que procurou sempre colaborar com a D. Auditora Fiscal, apresentando os documentos e informações por ela solicitados, aduzindo que jamais omitiu qualquer informação e que até a presente autuação nunca teve qualquer outra, situação que demonstraria sua idoneidade fiscal e tributária. Aduziu que o arbitramento só tem cabimento quando impossível ao Fisco verificar a documentação fiscal da Fiscalizada e apenas quando esta for imprestável, mencionando ter apresentado livros e documentos, que constituíam em provas suficientes para demonstrar a regularidade da sua escrita e lançamentos contábeis, bem como, a regularidade e exatidão dos recolhimentos relativos aos exercícios fiscalizados. Considera “arbitrária, a utilização do arbitramento, no caso dos autos, pois, a Fiscalização ignorou a cooperação e esforços da Impugnante”. Acrescenta que equivocouse a Fiscalização ao afirmar que a Impugnante não escriturou a movimentação bancária na contabilidade, eis esta movimentação se acha devidamente lançada no Livro Diário, na conta "CAIXA". E, de forma descritiva e detalhada nos Livros Razão. Tal prática é perfeitamente cabível e legal, conforme admitido pela Fiscalização, defendendo que o principal argumento adotado para a desconsideração da contabilidade da Impugnante e adoção pelo regime de tributação pelo arbitramento de lucro foi a ausência da escrituração da conta "banco", sendo que o argumento não procede, uma vez que todas as transações efetuadas pela Impugnante, se acham escrituradas em sua contabilidade, através dos livros pertinentes, não havendo omissão de receita. Seguiu mencionando que o simples fato de não ter discriminado no Diário a conta "banco e aplicações financeiras", não seria motivo para a Fiscalização descaracterizar a contabilidade e arbitrar o lucro para fins de tributação. Isso porque, toda movimentação financeira se acha escriturada nos Livros Diário, de todo o período fiscalizado, ou seja, de Janeiro a Dezembro de 2008 e de Janeiro a Dezembro de 2009. Estes livros foram entregues à Fiscalização, conforme comprovante de recebimento e que se poderia notar que houve foi um preciosismo e rigor excessivo da Fiscalização, caracterizado pela recusa em analisar e considerar os Livros Razão Auxiliar e outros documentos apresentados pela Impugnante, levando a descaracterização da escrituração contábil, e, consequentemente, no arbitramento indevido, bem como a exigência do pagamento do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, em valores exorbitantes. Aduz que “o arbitramento de lucro consubstanciase numa presunção relativa”, negando a ocorrência de passivo fictício, dizendo que não há nada de estranho o fato de constar dos lançamentos contábeis referente ao ano de 2009, pagamento de compras em anos anteriores. Aliás, a Fiscalização desconsiderou os lançamentos em questão, em meras e frágeis informações, que segundo, ela, obteve de fornecedores, no sentido de que as compras teriam sido realizadas à vista, reputando que tais informações não foram acompanhadas de prova cabal do recebimento pelo fornecedor em data anterior ao lançamento do pagamento pela Impugnante, ou seja, através do competente boleto bancário quitado; entrada do valor no caixa do fornecedor; lançamento nos livros contábeis do fornecedor, etc. Como se vê, a imputação de passivo fictício não passa de mera presunção da Fiscalização. Demais disso, mencionou que ainda que se admitisse que o pagamento das referidas compras tivesse ocorrido em data anterior àquelas lançadas, tal fato não teria trazido nenhum prejuízo ao Fisco, e, não poderia ser objeto de arbitramento e tributação. É que seja em Fl. 9440DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 6 qual época que tenha se dado o efetivo pagamento das compras, o fato é que gerou receita para as suas quitações e esta receita, por via de consequência, já foi tributada, isto é, integrou a base de cálculo para a apuração e recolhimento do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS. Assim, o arbitramento de lucro implicaria em "bis in idem". Mais adiante, mencionou que a Fiscalização houve por bem proceder ao arbitramento de lucro sob alegação de "compras omitidas", também, baseandose em meras informações obtidas de supostos fornecedores, tratandose tal expediente de meras presunções, destituídas de qualquer indício de prova. A prova em qualquer esfera, seja judiciária, seja administrativa, cabe a quem alega. E, para concluir pela omissão de receita, baseada em "omissão de compra", e aplicar o arbitramento, a Fiscalização teria que comprovar tais omissões, exigindo dos supostos fornecedores os comprovantes de entregas das mercadorias das supostas vendas para a Impugnante; o recebimento dos valores das supostas vendas, a contabilização das respectivas Notas Fiscais pelos fornecedores, etc. Pois, se houve compras por parte da Impugnante e o Fisco está tributando a pretexto de a Impugnante não têlas escriturado em seus livros, deveria exigir de quem supostamente efetuou as vendas, provas consistentes e robustas destas transações comerciais e não basear em meras e informações de supostos fornecedores. Até porque, é impossível a Impugnante produzir prova negativa. A interessada também alega que os valores apurados relativos à tributação reflexa de PIS e COFINS, hão de ser recalculados e reduzidos, tendo em vista que tais contribuições não são devidas, nas vendas por atacado de carnes bovinas e para fins de ilustração e amostragem, anexou cópias de algumas Notas Fiscais de cada mês do período fiscalizado, contendo venda por atacado de carne bovina. A 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, nos termos do acórdão e voto de folhas 9.373 em diante, julgou o lançamento parcialmente procedente, ficando o aresto assim ementado: [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Exercício: 2009, 2010 DEVER DE ESCRITURAR A escrituração do Diário será completa, em idioma e moeda corrente nacionais, em forma mercantil, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borraduras, rasuras, emendas e transportes para as margens, todas as operações relativas ao exercício da empresa. LIVROS OBRIGATÓRIOS A pessoa jurídica, além dos livros de contabilidade previstos em leis e regulamentos, deverá possuir o Livro para Registro de Inventário. LUCRO ARBITRADO Fl. 9441DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13603.724006/201271 Acórdão n.º 1301001.448 S1C3T1 Fl. 5 7 O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. DEVER DE LANÇAR A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PERÍCIA A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Decorrência Mantido o lançamento de IRPJ, igual sorte deverá caber aos lançamentos dele decorrentes, tendo em vista que todos se assentam sobre o mesmo fundamento fático. Multa Na hipótese de arbitramento do lucro sobre a receita bruta declarada pelo sujeito passivo à RFB, a multa de ofício deve ser exigida no percentual de 75%. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte [...] Devidamente cientificada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos já relatados e pugnando por provimento. É o relatório. Fl. 9442DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 8 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tal como descrito no relatório acima minudenciado, a contribuinte foi autuada por omissão de receitas, considerada mediante arbitramento do lucro promovido pela Fiscalização ante a falta de confiabilidade da escrituração da contribuinte. Segundo apurou a Fiscalização a contribuinte, à época dos fatos, sujeitouse à tributação mediante o método de apuração do lucro real, de sorte que submetiase ao disposto no artigo 251 do RIR/1999, segundo o qual, ela contribuinte, deveria manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, a qual deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. Diante deste quadro de sujeição, a prevalência da decisão recorrida, ao meu sentir, decorrer dos próprios eventos descritos pela Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal de folhas 79 a 112, que não haver escrituração de movimentação bancária nos anos calendário em questão, embora a recorrente tenha apresentado substanciosa movimentação bancária tanto no Banco do Brasil quanto no HSBC. A par destes inegáveis fatos, é irretorquível a conclusão de que ao não escriturar a movimentação bancária na contabilidade, a recorrente tornou insegurança sua escrituração, infringindo o art. 251 e seu parágrafo único do RIR/99 e, inquestionavelmente, maculou a apuração do lucro líquido e, por via de consequência, o lucro real da empresa. Mas tais fatos não foram sozinhos considerados para implementação do arbitramento ora comentado, a Fiscalização ainda apurou que a escrituração de uma única conta intitulada de Caixa que englobe toda a movimentação de recursos financeiros da empresa (caixa, banco, aplicações financeiras), como procedido pela contribuinte, somente se admite no lucro presumido ou no regime do SIMPLES, o que não se conforma com o caso em análise, uma vez que a empresa é optante do regime do Lucro real trimestral. Colhese dos fatos apurados, para os fins de determinação da viabilidade do arbitramento, que após análise dos elementos franqueados pela recorrente, apurouse divergência entre o total de saldos devedores e credores da conta “Caixa” no Diário e no Razão e o mencionado livro auxiliar, tendo sido intimada a contribuinte, limitandose, todavia, a retificar o registro auxiliar, para adequar seu conteúdo aos referidos livros obrigatórios, impondo, em outro tanto, dúvida quanto a confiabilidade dos registros auxiliares apresentados pela empresa, ante a clara manipulação de datas e valores”. Ainda na sequência da verificação dos fatos apurados, novamente para os fins de aferir a viabilidade do arbitramento, apurouse que a contribuinte mantinha no passivo exigível da empresa valores já liquidados, sendo que o Livro Razão de 2008 e 2009, no dia 30/07/2009, demonstram que a fiscalizada registrou o pagamento via caixa, de compras realizadas anteriormente ao ano de 2009, fugindo à normalidade e de fato os mencionados pagamentos não ocorreram na data registrada na conta caixa, tal atitude coloca em dúvida a Fl. 9443DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13603.724006/201271 Acórdão n.º 1301001.448 S1C3T1 Fl. 6 9 confiabilidade dos registros constantes da conta caixa, mais uma vez fica confirmada a prática adotada pelo contribuinte de manutenção no passivo exigível de valores já pagos anteriormente, sendo que a Fiscalização apresentou precisa relação (fl. 91), de diversos pagamentos feitos em 30 de julho de 2009, de compras realizadas em 2008, com remissão às folhas do livro “Razão”, sendo que o histórico utilizado na escrituração contábil nem mesmo identifica o documento que estaria sendo liquidado, fazendo referência apenas ao ano de emissão do documento (pagamento NF 2008). Não bastasse isso, a decisão recorrida bem lembrou que o arbitramento, ao contrário do que afirma a contribuinte, não é uma presunção, mas uma forma de tributação prevista na legislação de regência nos casos que especifica, e in casu, foi imposto mediante fatos sólidos e apurações que não foram afastadas. Sendo assim, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 13 de março de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 9444DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10680.001652/2007-98
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. LEI N° 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA
A Lei n° 11.051/04 previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal, na qual houvesse a prática de evidente intuito de fraude. Tal situação vigorou até a publicação da Lei n° 11.196/05. Aplicável a retroatividade benigna prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 9101-001.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e João Carlos de Lima Júnior.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. LEI N° 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA A Lei n° 11.051/04 previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal, na qual houvesse a prática de evidente intuito de fraude. Tal situação vigorou até a publicação da Lei n° 11.196/05. Aplicável a retroatividade benigna prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. LEI N° 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA A Lei n° 11.051/04 previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal, na qual houvesse a prática de evidente intuito de fraude. Tal situação vigorou até a publicação da Lei n° 11.196/05. Aplicável a retroatividade benigna prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Henrique Pinheiro Torres Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 16 52 /2 00 7- 98 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.001652/200798 Acórdão n.º 9101001.676 CSRFT1 Fl. 9 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e João Carlos de Lima Júnior. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de n° 140100.490, proferido pela 4ª Câmara da Primeira Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em sessão de 30 de março de 2011. Cuidase de auto de infração que consubstancia a exigência de multa isolada no montante de R$ 895.141,63, relativa ao anocalendário de 2004. A matéria discutida diz respeito à aplicação de multa isolada em razão da realização de compensação considerada não declarada pela Receita Federal. Foi constatado que o contribuinte utilizou em sua compensação créditos provenientes de escritura pública declaratória de cessão de direitos, cuja origem seria ação judicial que tem como partes o Estado do Paraná e a Sociedade Pastoril Agrícola Ferreira. O pedido do contribuinte foi indeferido, sob o argumento de que os créditos alegados não representavam tributos, mas sim créditos de terceiros, razão pela qual sua compensação foi considerada não declarada. O contribuinte apresentou tempestiva impugnação (fls. 128/159), alegando quanto ao mérito que a compensação pleiteada encontrava respaldo na legislação vigente à época dos fatos, qual seja, a Emenda Constitucional n° 30, de 13 de setembro de 2000, que acrescentou no ADCT o artigo 78, tendo este, por sua vez, alterado o artigo 100 da Constituição Federal. Tratase das alterações legislativas referentes à Federalização da Dívida dos Estados. Diante de tal fato, entendeu o contribuinte que o título executivo judicial que detinha contra o Estado de Santa Catarina poderia ser utilizado para a compensação de tributos federais, sendo descabida a imposição da multa regulamentar aplicada, bem como a desconsideração de sua compensação, que foi classificada como “não declarada”. Por fim, aduziu a necessidade da aplicação da retroatividade benigna prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional no tocante à penalidade que lhe foi aplicada. Sobreveio Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG), que considerou procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2004 MULTA ISOLADA – COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS EXPRESSAMENTE VEDADOS. A apresentação de declaração de compensação com pretensos créditos cuja compensação é vedada não produzirá efeitos válidos e tornará o contribuinte sujeito à multa isolada incidente sobre os valores que intentar indevidamente compensar. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.001652/200798 Acórdão n.º 9101001.676 CSRFT1 Fl. 10 3 Lançamento procedente Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 301/343), no qual reafirmou as razões de sua impugnação quanto à procedência da compensação pleiteada bem como quanto ao descabimento da penalidade aplicada. Sobreveio o acórdão de n° 140100.490, da 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidade bem como o pedido de perícia e, no mérito, deu provimento ao recurso do contribuinte. Assim, a despeito de considerar a compensação realizada pelo contribuinte como hipótese de compensação não declarada, a decisão do colegiado foi pelo afastamento da penalidade aplicada, sob o argumento de que inexistia previsão legal para a aplicação da multa isolada no percentual de 75% à época dos fatos. A decisão restou assim ementada: MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. LEI N° 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. A Lei n° 11.051/04, previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito de fraude. Tal situação vigorou até a publicação da Lei n° 11.196/05. O entendimento esposado pelo Acórdão foi de que posteriormente ao advento da Lei n° 11.051/2004 somente prevaleceu no ordenamento jurídico a multa isolada de 150% para os casos em que ficasse caracterizada a prática das infrações previstas nos artigo 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Além disso, apenas com a promulgação da Lei n° 11.196/05 é que se previu, novamente, a aplicação da multa isolada não qualificada. Logo, não haveria que se falar em aplicação da referida multa após a promulgação da Lei n° 11.051/04, tampouco para fatos ocorridos antes de sua vigência, consoante o disposto no artigo 106 do Código Tributário Nacional. Regularmente cientificada da decisão, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial aduzindo dissonância jurisprudencial quanto ao tema. Alegou que a interpretação dada pelo Acórdão recorrido estaria negando vigência ao § 4° do Artigo 18 da Lei 10.833/03, na medida em que o intérprete considerou que somente haveria a aplicação da multa isolada se os requisitos presentes no § 4° fossem somados ao caput do referido artigo. Contudo, a correta interpretação a ser dada, de acordo com o entendimento da Fazenda, ao artigo 18 da Lei 10.833/03, com a redação dada pela Lei 11.051/2004, é que subsiste a multa isolada para duas situações distintas, quais sejam: (i) para os casos de evidente intuito de fraude, conluio e sonegação ou; (ii) para as hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com as alíquotas correspondentes do artigo 44 da Lei n° 9.430/96. Ressaltase que dentre as hipóteses do inciso II, §12 do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 consta créditos de terceiros. Com base em tal interpretação, sustenta a Fazenda Nacional que não teria havido a exoneração da multa isolada de 75% e, portanto, não há que se falar em retroatividade benigna, tampouco não incidência para o presente caso. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.001652/200798 Acórdão n.º 9101001.676 CSRFT1 Fl. 11 4 Às fls. 408/409, pelo Despacho de n° 140000.482, foi realizado o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazendo Nacional, com a apresentação de acórdão paradigma, pelo que concluiuse pela presença de todos os requisitos de admissibilidade. Foi dado ciência ao contribuinte, que apresentou contrarrazões às fls. 458/472. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade, comprovada a existência de divergência jurisprudencial quanto ao assunto. Delimitando a lide, cumpre averiguarmos se, considerada a compensação como não declarada, haveria a possibilidade de aplicação da multa isolada de 75%, conforme sustenta a Fazenda Nacional em seu recurso, ou se correto o entendimento do acórdão recorrido, no sentido de que não havia previsão para a aplicação da referida multa após a publicação da Lei 11.051/04. Contudo, para melhor compreensão da questão, entendo salutar apresentar breve histórico legislativo sobre a compensação e a imposição de multa antes de adentrarmos às discussões específicas do caso. A compensação no direito tributário tem fundamento nos artigos 156, inciso II, 170 e 170A, sendo prevista como modalidade de extinção do crédito tributário, nas condições e sob as garantias que estipular a lei. Sob a égide da Constituição Federal de 1988, foi editada para as compensações federais a Lei nº 8.383/91, que, em seu artigo 66, possibilitava a compensação por parte do contribuinte. Referido dispositivo foi posteriormente alterado pela Lei nº 9.069/95, que autorizou a compensação entre tributos e contribuições da mesma espécie ou o pedido de restituição. Ao final do ano de 1996, foi promulgada a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que, dentre inúmeras matérias, tratou da sistemática de compensação no âmbito da então Secretaria da Receita Federal, mais especificamente em seus artigos 73 e 74, sendo, no primeiro caso, para a compensação de ofício e, no segundo caso, para a compensação a requerimento do contribuinte. A mencionada Lei veiculou norma que possibilitou a compensação entre quaisquer débitos e créditos, vencidos ou vincendos, desde que administrados pela Secretaria da Receita Federal – SRF, atualmente denominada Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. De acordo com as normas vigentes à época, a compensação só se concluía após a apresentação de prévio requerimento pelo contribuinte e posterior aceitação pela autoridade fazendária. O Decreto nº 2.138/97 e a Instrução Normativa SRF nº 21/97, alterada pela Instrução Normativa SRF nº 73/97 e Instrução Normativa SRF nº 41/00, regulamentaram as disposições da Lei nº 9.430/96. Com as alterações, ficou vedada a utilização de créditos de terceiros para fins de compensação. Vigia à época a Medida Provisória nº 2.158, de 24.8.2001, que em seu artigo 90 estabelecia a obrigatoriedade do lançamento de ofício sobre as diferenças Fl. 496DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.001652/200798 Acórdão n.º 9101001.676 CSRFT1 Fl. 12 5 apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de compensação indevida ou não comprovada1. A legislação relativa à compensação sofreu novamente alterações, dentre elas, aquelas veiculadas pelas Leis nºs 10.637/02, 10.833/03 e 11.051/04. A Lei nº 10.637/02 alterou o caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 e alguns dos seus parágrafos, modificando a sistemática da compensação até então existente. Para regulamentar as compensações efetuadas à luz das alterações trazidas pela Lei nº 10.637/02, foi editada a Instrução Normativa n° 210/02, por meio da qual as compensações deveriam ser efetuadas mediante a entrega de declaração de compensação, e não mais por meio da apresentação de pedidos de compensação, seja nos casos de compensação com créditos de mesma espécie, seja nos casos de compensação com créditos de diferentes espécies. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96 também foi objeto de alteração pela Lei nº 10.833/03. Com a inserção do §5º, restou expresso que a Administração possui cinco anos para apreciar a compensação efetuada pelo contribuinte. Lembramos, também, que o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a alteração introduzida pela Lei nº. 10.833/03, veicula norma que transforma a declaração de compensação em confissão de dívida, tornando referida declaração instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Por outro lado, no caso de compensação não homologada, o mesmo texto legal faz menção à obrigatoriedade de observância do rito normal do processo administrativo fiscal, inclusive com a suspensão da exigibilidade do débito objeto da compensação, em razão da discussão na via administrativa, nos termos do disposto nos seus parágrafos 7º a 11. A Lei nº 10.833/03 também inovou ao aumentar o rol das hipóteses em que não é permitida a compensação. Em razão dessas alterações, o artigo 90 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001 também foi alterado, passando a prever que o lançamento de ofício, nos casos de compensação, deveria se limitar à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseia unicamente nas hipóteses (i) de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, (ii) de o crédito ser de natureza não tributária; ou, (iii) em que ficar caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio. Com o advento da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que também alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, criouse uma nova hipótese, qual seja, da compensação ser considerada não declarada. A compensação é considerada não declarada, dentre outras hipóteses, quando o crédito utilizado pelo contribuinte for de terceiro ou for decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. Em virtude da edição da Lei nº 11.051/04, o artigo 90 da Medida Provisória nº 2.15835/01 foi novamente alterado, limitando a imposição da multa isolada a, apenas, duas hipóteses: (i) compensação não homologada com a caracterização da prática de sonegação, fraude ou conluio; ou ainda, (ii) para os casos de compensação considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do artigo 74 da Lei 9.430/96. 1 Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.001652/200798 Acórdão n.º 9101001.676 CSRFT1 Fl. 13 6 Novamente alterado, agora pela Lei nº 11.488/07, o artigo 90 da Medida Provisória nº 2.15835/01 passou a limitar o lançamento de ofício à imposição de multa isolada nas hipóteses de (i) não homologação da compensação, desde que comprovada a falsidade da declaração (neste caso, a previsão da multa isolada era apenas no percentual de cento e cinqüenta por cento, podendo, se for o caso, ser agravada); e (ii) quando a compensação fosse considerada não declarada, mas tão somente se pelos fundamentos descritos no inciso II do §12 do artigo 74 da Lei 9.430/96 (a multa prevista correspondia a setenta e cinco por cento do valor do débito indevidamente compensado, podendo ser qualificada ou agravada, quando fosse o caso). Posteriormente, sobrevieram a Lei nº 11.941/09, que aumentou o rol das hipóteses de compensação não declarada e a Lei nº 12.249/10, cujas disposições estão regulamentadas pela Instrução Normativa nº 900/08 (com alterações das IN`s 973/09, 981/09 e 1.067/10), e que trazem a seguinte previsão para as multas, atualmente vigente: Crédito do Fisco Crédito do Contribuinte Não Homologado: percentual duplicado em caso de falsidade Multa de 50% ou 100% (falsidade no pedido, no caso de ressarcimento). Não Declarado (§ 12, II, artigo 74 da Lei nº 9.430/96): percentual de 75% ou duplicado (falsidade). 50% do crédito objeto de Declaração de Compensação não homologada, se não imputada multa sobre o crédito do fisco. Dado o panorama legislativo, temos que no presente caso as compensações foram pleiteadas em 26/11/2004, ou seja, como se depreende, a compensação foi pleiteada no período anterior, a despeito da multa estar prevista também durante a vigência da Lei 11.051/2004. Assim sendo, deve ser primeiramente considerada a redação do Artigo 18 da Lei 10.833/03 anteriormente à alteração dada pela Lei 11.051/04, para a determinação do direito aplicável ao presente caso. O artigo 18, caput, da Lei 10.833/2003, em sua redação original assim dispunha: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar Fl. 498DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.001652/200798 Acórdão n.º 9101001.676 CSRFT1 Fl. 14 7 caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. Conforme dispunha a IN SRF n° 041 de 07 de abril de 2000, vigente à época da compensação pretendida pelo contribuinte, a utilização de créditos de terceiros para a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Feral, era expressamente vedada. O problema surgiu com a alteração introduzida pela Lei 11.051/04 que alterou a redação do artigo 18 da Lei 10.833/03 conforme segue: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) A divergência no tocante a esta alteração legislativa está na utilização da expressão “multa prevista no caput”. Isto porque, apesar de ter previsão para a imputação de multa na compensação considerada não declarada quando com fundamento no inciso II do § 12 do artigo 74 da Lei 9430/96, tal multa é apenas aquela a que se refere o caput, vale dizer, a multa qualificada pela prática de fraude, dolo ou simulação, nos termos do artigo 71 a 73 da Lei 4.502/64. É por essa razão que me curvei ao entendimento já adotado por esta colenda Câmara, no sentido de que referida multa deixou de existir no patamar de 75%, aplicandose à hipótese a retroatividade benigna. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 16 de maio de 2013 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 499DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.001652/200798 Acórdão n.º 9101001.676 CSRFT1 Fl. 15 8 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS
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Numero do processo: 10768.100225/2002-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE.
PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA.
A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese.
CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DUPLO GRAU DEJURISDIÇÃO.
Afastadas a concomitância e a renúncia à discussão administrativa, é de se reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância que deixou de apreciar todos os argumentos de impugnação. Nova decisão deve ser proferida, em atenção ao duplo grau de jurisdição previsto nas regras de regência do processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 1402-001.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar a concomitância entre as esferas administrativa e judicial e anular a decisão de primeira instância, para que outra seja proferida na boa e devida forma com apreciação das razões de mérito da impugnação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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NULIDADE. PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DUPLO GRAU DEJURISDIÇÃO. Afastadas a concomitância e a renúncia à discussão administrativa, é de se reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância que deixou de apreciar todos os argumentos de impugnação. Nova decisão deve ser proferida, em atenção ao duplo grau de jurisdição previsto nas regras de regência do processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar a concomitância entre as esferas administrativa e judicial e anular a decisão de primeira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 10 02 25 /2 00 2- 17 Fl. 2934DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 1402001.629 S1C4T2 Fl. 2.935 2 instância, para que outra seja proferida na boa e devida forma com apreciação das razões de mérito da impugnação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 2935DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 1402001.629 S1C4T2 Fl. 2.936 3 Relatório Trata o presente processo de auto de infração para constituição de crédito tributário da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por fatos geradores ocorridos no ano calendário 1997, ao fundamento principal de que a entidade fechada de previdência privada, situação da interessada, é obrigada ao recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido até 31/12/2001, visto que a concessão de isenção se deu somente a partir de 01/01/2002, instituída pela Lei n° 10.426, de 2001. O interessado apresentou impugnação de fls. 231240 alegando, em síntese, que: preliminarmente, o lançamento deve ser cancelado, em face do Mandado de Segurança nº 2001.51.01.024.8010; as entidades fechadas de previdência privada não auferem lucro, e a CSLL incide sobre o lucro (o superávit apurado pelas entidades fechadas de previdência privada não pode ser considerado lucro); o resultado obtido não foi suficiente nem para a cobertura da reserva matemática, muito menos para a constituição da reserva de contingência, pois teve déficit técnico; transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Ao final, requereu a anulação do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela autoridade de primeira instância, tendo o julgado recebido a seguinte ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF. ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. SUJEIÇÃO PASSIVA. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. A existência de ação judicial importa renúncia às instâncias administrativas, consoante ADN COSIT nº 3/1996 e Port. MF nº 258/2001. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da CSLL das entidades de previdência privada é o resultado positivo (superávit) apurado no encerramento do período de apuração. As provisões a serem deduzidas do saldo disponível para constituições, no programa previdencial, são apenas as reservas matemáticas e a reserva de contingências. Fl. 2936DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 1402001.629 S1C4T2 Fl. 2.937 4 O contribuinte apresentou recurso voluntário, tendo o acórdão 10709478 proferido pela 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes dado provimento ao recurso em razão de acolher a preliminar de decadência arguida pela Recorrente. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou interpôs Recurso Especial e a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deu provimento ao recurso, revertendo a decisão recorrida e determinando o retorno dos autos à Câmara de origem para que o mérito do litígio fosse julgado. Com a extinção do antigo Conselhos de Contribuintes e instituição do CARF, os autos foram distribuídos a esta turma para relato. Em resumo, eis os pontos abordados no recurso voluntário (fls. 25112531): sustenta não existir concomitância a entre a demanda judicial citada pela autoridade julgadora e a presente exigência apta a configurar renúncia à esfera administrativa, uma vez tratarse de mandado de segurança coletivo, não inibindo seu direito de discutir a mesma matéria, de forma individualizada, na esfera administrativa. Colaciona jurisprudência que corroboraria seus argumentos. as entidades fechadas de previdência complementar não auferem lucro e, portanto, não são contribuintes da CSLL (o superávit apurado não pode ser considerado lucro); o resultado obtido sequer foi suficiente para a cobertura das reservas temáticas, não havendo constituição da reserva de contingência, pois houve déficit técnico. Nos memoriais apresentados, requer, na hipótese de manutenção da CSLL lançada, a exclusão da multa de ofício aplicada. Alega que não caberia sua cominação em razão de que, na data de lavratura do auto de infração (23/12/2002) a exigibilidade do crédito estaria suspensa, uma vez que ainda não teria sido publicada a sentença denegando a segurança, e, consequentemente, sustando os efeitos da exigibilidade do crédito anteriormente concedida. Aduz que embora a sentença tenha sido prolatada em 19/12/2002 somente foi publicada em 26/12/2002, ou seja, após a data da lavratura do auto de infração. Nesse cenário, incidiria o § 2º do art. 63 da Lei nº 9.430/96, uma vez que na data da lavratura do auto de infração o crédito tributário estaria suspenso. É o relatório. Fl. 2937DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 1402001.629 S1C4T2 Fl. 2.938 5 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso já foi alvo de conhecimento quando da prolação do acórdão nº 107 09478, posteriormente reformado pelo acórdão nº 910101.435. Superada a questão da decadência, cumpre o exame quanto à ocorrência, ou não, de concomitância entre a matéria aqui discutida e aquela submetida à apreciação do Poder Judiciário nos autos do Mandado de Segurança Coletivo n° 2001.51.01.024.8010, impetrado pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (ABRAPP). Questão idêntica foi discutida nos autos do processo n° 10580.006024/2005 65. A extinta Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 10196.674, de 17/04/2008, no qual, por maioria de votos, decidiuse pela inocorrência de concomitância na situação em comento e pela devolução dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para que fossem apreciados todos os argumentos de defesa da interessada naquele processo. A seguir, excerto do voto condutor do acórdão, da lavra do eminente Conselheiro João Carlos de Lima Júnior: Sem adentrar no mérito quanto a não incidência da CSLL no caso de Entidade Fechada de Previdência Social, passamos a analisar a preliminar de renúncia da via administrativa em razão de mandado de segurança coletivo impetrado por associação (ABRAPP) ao qual o contribuinte pertence. Em 09 de janeiro de 2002, a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (ABRAPP), impetrou perante a Vara da Justiça Federal de Salvador, Mandado de Segurança Coletivo n°2002.33.00.001.0080. Discutese no mandado de segurança a legalidade para a exigência da cobrança da CSLL das Entidades Fechadas de Previdência Complementar. O artigo 117 do Código de Defesa do Consumidor determina que na defesa dos interesses difusos, coletivos ou individuais, aplicase os dispositivos do Titulo III, cuja primeira parte prescreve que as ações coletivas previstas nos incisos I e II do parágrafo único do art. 81 não induzem litispendência para as ações individuais. Embora tal dispositivo mencione apenas as ações cujo objetivo seja a tutela dos interesses ou direitos difusos (CDC, artigo 81, parágrafo único, inciso I) ou coletivos CDC, artigo 81, parágrafo único, inciso II), entendese que o artigo 104 do Código de Defesa do Consumidor também se aplica aos casos de tutela jurisdicional dos interesses individuais homogêneos (CDC, artigo 81, parágrafo único, inciso III), como é o caso do Direito Tributário. Fl. 2938DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 1402001.629 S1C4T2 Fl. 2.939 6 Por se tratar de direitos individuais homogêneos tratados coletivamente, a decisão só fará coisa julgada erga omnes no caso de procedência do pedido (artigo 103, III, CDC). No caso de improcedência do pedido, os interessados que não intervieram no processo como litisconsortes, estão aptos a pleitear os seus direitos a titulo individual (artigo 103,§2°, CDC), podendo assim exercer individualmente, a plenitude de seu direito de defesa, já que a renúncia prevista no artigo 38 da Lei n° 6.830/80 jamais poderá ser presumida, na medida que individualmente ainda não ingressou com sua própria ação. Assim, o fato da existência de mandado de segurança coletivo impetrado por entidade associativa, visando proteger os interesses das entidades, da qual faz parte o contribuinte, e não diretamente por ele, não acarretou a renúncia ao direito de se defender na esfera administrativa. Outrossim, o intuito da legislação e jurisprudência pátria em não permitir a concomitância entre as discussões judiciais e administrativas é garantir que não haja decisões conflitantes, respeitando sempre o direito de defesa do contribuinte. Ora, se o contribuinte tiver decisão judicial desfavorável no Mandado de Segurança Coletivo, ainda lhe restará o direito de discutir seu direito individual, vez que o mandado de segurança coletivo, trata apenas de direito difuso, fazendo apenas coisa julgada em caso de decisão favorável ao mesmo. Assim, razão assiste o contribuinte em buscar decisão favorável já na esfera administrativa, vez que a decisão judicial no mandado de segurança coletivo nunca será conflitante com uma eventual procedência de seu recurso neste órgão, vez que se for improcedente o pleito judicial coletivo ainda existiria o direito individual do contribuinte. [...] Nestas condições, deixo de aplicar o artigo 38 da Lei 6.830/80, para não reconhecer a renúncia à esfera administrativa, bem como afasto a declaração de concomitância com o processo judicial e determino retomo do presente feito à DRJ de origem, para a devida apreciação de todo o mérito. Ao final, a decisão restou assim ementada: CONCOMITÂNCIA — MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO — INOCORRÊNCIA. O Mandado de Segurança Coletivo impetrado por associação não configura renúncia ao direito subjetivo do contribuinte de pleitear individualmente a mesma prestação jurisdicional requerida pela associação, vez que a decisão do Mandado de Segurança Coletivo só fará coisa julgada se for favorável ao contribuinte. Assim não há que se falar em concomitância entre as esferas judicial e administrativa. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastada a concomitância cabe o enfrentamento do mérito em primeira instância, em obediência ao Decreto 70.235/72. A Fazenda Nacional recorreu daquela decisão à Câmara Superior de Recursos Fiscais, do que resultou o acórdão n° 9101001.216, de 18/10/2011. Aquele Colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso da Fazenda Nacional, Fl. 2939DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 1402001.629 S1C4T2 Fl. 2.940 7 confirmando o entendimento da instância a quo sobre a inocorrência, no caso concreto, de concomitância entre o Mandado de Segurança Coletivo e a discussão administrativa. Assim fundamentou seu voto o ilustre relator do acórdão, Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho: No mérito, cingese a controvérsia em saber se a impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe da qual pertença o contribuinte implica renúncia deste (contribuinte) à instância administrativa por alegada configuração de concomitância entre os processos administrativo e judicial decorrente da identidade dos respectivos objetos. Em outros termos, discutese no caso a aplicação (ou não) do art. 38 da Lei n. 6.830/80 e do art. 1°, §2° do Decreto lei n. 1.737/79 às hipóteses de mandado de segurança coletivo impetrado por associação de classe cuja sentença judicial possa eventualmente beneficiar o contribuinte que discute a (mesma) exigência fiscal em seara administrativa. [... ] Conforme se depreende do trecho acima transcrito, o recurso da Fazenda Nacional está embasado em duas premissas fundamentais, quais sejam: (i) a propositura de demanda judicial por entidade de classe equiparase à propositura de demanda pelo próprio contribuinte, nas hipóteses em que este pertencer aos quadros associativos daquela; (ii) a coexistência potencial de duas decisões na hipótese violaria o principio da unicidade de jurisdição, já que não caberia mais à Administração manifestarse sobre tema levado à apreciação (pelo Contribuinte) ao Poder Judiciário. Entendo que a insurgência da Fazenda Nacional não procede. Primeiramente, não é correta a reiterada afirmação da Fazenda Nacional de que a impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe corresponde propositura da ação pelo contribuinte associado. Embora a ação coletiva possa potencialmente beneficiar o contribuinte a depender do resultado da ação, é absolutamente certo na lei (v.g., LACP, Lei do Mandado de Segurança e CDC, especialmente), na doutrina e na jurisprudência que as demandas coletiva e individual não se confundem. Basta dizer que a impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva. A ação coletiva não induz litispendência entre ela e demandas individuais dos respectivos associados (tal como seria de rigor se se estivesse tratando de ações de mesmas partes, objeto e pedido) e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte. As assertivas acima não decorrem tão somente dos expressos textos de lei neste sentido (LACP, art. ), (LACP, arts , CDC, art. , Lei do Mandado de Segurança (Lei n. 12.016/ ), mas principalmente da garantia constitucional do direito de ação, segundo o qual é defeso subtrair da pessoa o direito de defender seus interesses (em seara administrativa ou judicial) por força da existência de lide pretérita na qual não lhe tenha sido dado o direito de atuar direta e pessoalmente, "com os ônus, riscos e responsabilidades que somente assim se aceita sejam realmente contraídos". Vejase, nesse sentido, lição de Lúcia Valle Figueiredo, verbis: Fl. 2940DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 1402001.629 S1C4T2 Fl. 2.941 8 "Se o impetrante for sindicato, como lhe incumbe a tutela dos direitos de seus associados e da categoria (art. 513 da CLT) concluímos que a sentença atinge toda categoria. Todavia, se estivermos diante de associações, a questão colocarseá de forma diversa. As associações cabe tutelar os interesses e direitos de seus associados. Até porque há, ou pode haver, diversas associações de classe (vejamse por exemplo, o Instituto dos Advogados e a Associação dos Advogados). Se assim é, não nos parece pudesse se cogitar de a sentença transcender a esfera dos associados. Seria mesmo intromissão indevida. Problema cruciante é o da coisa julgada. Entendemos devase procurar a solução secundum eventum litis. É dizer: se favorável fará coisa julgada. Entretanto, se desfavorável poderá ser interposto novo mandado de segurança individual" No mesmo sentido, explica Ferraz: "Sendo o writ ajuizado por sindicato, não só os seus associados mas toda a categoria econômica ou operária por ele tutelada são atingidos pelos efeitos da coisa julgada. Assim é por força da extensão da representação sindical, expressamente assentada, p. ex., no ar. 513 da CLT (esse, é também, o pensamento de Lúcia Valle Figueiredo, Perfil do Mandado de Segurança Coletivo, Ed RT: p.36). Por isso, a decisão concessiva da segurança, aqui terá cunho declaratório amplo, normativo mesmo, e beneficiará toda a gama de componentes do universo que o sindicato, por força legal, tutela, e não apenas seus efetivos associados. ... desfavorável a sentença ao impetrante, independentemente da extensão de sua representatividade poderá ser formulado novo mandado de segurança individual (plúrimo ou não): efetivamente, é inadmissível que a ampla garantia constitucional do direito de ação (CF; art. 50, XXXV e LXIX) possa ser extraída de alguém por forca de uma lide na qual não lhe foi dado atuar direta e pessoalmente, com os ônus, riscos e responsabilidades que somente assim se aceita sejam realmente contraídos " (negritos nossos) (FIGUEREIDO, Lúcia Valle. Perfil do mandado de segurança coletivo. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1989). Não é outro o entendimento jurisprudencial sobre o tema. Veja se, a título ilustrativo, ementas de v. acórdãos proferidos pelo E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, verbis: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ART. 535 DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. SUCUMBÊNCIA MÍNIMA. INEXISTÊNCIA DE DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. MANDADOS DE SEGURANÇA COLETIVO E INDIVIDUAL. LITISPENDÊNCIA INEXISTENTE. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. ART. 3°DA LCN° 118/05. (...) 5. "A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe e de writ individual não induz litispendência, tendo em vista que aquele não retira o direito de agir de seus associados" (AgRg no REsp 675.992/AC, Rel. Min. Laurita Voz, DJUde 07.04.08). Fl. 2941DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 1402001.629 S1C4T2 Fl. 2.942 9 (...) (REsp 1091597 / DF (2008/02125509), STJ, 2a Turma, Relator Ministro CASTRO MEIRA, j. 18/11/2008, DJe 15/12/2008, RDDT vol. 162 p. 183). No mesmo sentido: "AGRAVO REGIMENTAL. MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL. ART 18 DA LEI N. 1.533/81. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INEXISTÊNCIA DE LITISPENDÊNCIA. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS N. 280 E 283 DO STF. (...) 2. A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe não impede o exercício do direito subjetivo de postular, mediante a proposição de ação mandamental individual, o resguardo de direito liquido e certo, não incidindo, nessa hipótese, os efeitos da litispendência. Precedentes. (...) (AgRg no Ag 549988/RJ (2003/01706896), STJ, 2" Turma, Relator Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, j. 20/04/2004, DJ 21/06/2004 p. 201). Em respeito ao direito constitucional de ação e de petição, é até intuitiva a assertiva de que a renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do próprio contribuinte. Não há como admitir renúncia a direito por ato praticado exclusivamente por terceiro (no caso, a associação), ainda que tal ato possa circunstancialmente influenciar na esfera jurídica de interesses da pessoa (no caso, o associado). O titular do direito (no caso, de instauração de lide administrativa) apenas pode renunciar a este por ato próprio, tal como se daria, por exemplo, se tivesse tido aceito eventual pedido de litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou se tivesse proposto ação individual de objeto análogo ao processo administrativo em referência. É imprópria a alegação da Fazenda Nacional de que o não acolhimento da concomitância afrontaria ao principio da unicidade de jurisdição. Como é de conhecimento geral, o principio da unicidade de jurisdição prescreve que caberá ao Poder Judiciário estabelecer, em última análise e instância, a interpretação e aplicação da legislação ao caso concreto. Assim, submetido o caso à apreciação do Poder Judiciário, não há sentido na manutenção (concomitante) da discussão do (mesmo) tema em seara administrativa, já que é do Poder Judiciário a atribuição de exercer a jurisdição. Evitase o risco de contradição (prática) entre decisões proferidas em processos instaurados pelo contribuinte nas diferentes instâncias (administrativa e judicial). Eis a razão da renúncia à instância administrativa e a preponderância da instância judicial. No caso, a par da inexistência de demanda judicial proposta pelo contribuinte, o que por si só seria suficiente para afastar a alegação de concomitância, digase que não há risco de contradição (prática) entre as decisões proferidas neste processo administrativo e naquele processo judicial. Fl. 2942DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 1402001.629 S1C4T2 Fl. 2.943 10 O sistema jurídico brasileiro prevê expressamente a co existência e convivência pacifica entre duas decisões (uma de natureza coletiva e outra individual). Como se disse, o jurisdicionado pode insurgirse pessoalmente contra o ato lesivo independentemente (e nada obstante) a existência de demanda (contra este mesmo ato) já movimentada por ente coletivo. Não há desrespeito ao principio da unicidade de jurisdição pois o comando proferido em demanda de natureza coletivo não é "único e definitivo" ao contribuinte por definição legal, já que o sistema jurídico admite que o contribuinte pessoalmente busque (e obtenha) um comando novo e distinto daquele proferido na demanda coletiva. Nesses casos, via de regra, apenas a decisão proferida em seara individual é eficaz para o contribuinte (seja ela favorável ou contrária aos seus interesses), independentemente do resultado da demanda coletiva. Esta Corte Administrativa já possui inúmeros precedentes no sentido de que a impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não configura renúncia à instância administrativa pelo contribuinte associado. Vejase, nesse sentido, precedente da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso." (Acórdão n. 920200.278, de 22.9.2009, da 2ª Turma da CSRF). No mesmo sentido: PRELIMINAR CONCOMITÂNCIA Não há que se falar em concomitância entre a discussão judicial travada em Mandado de Segurança Coletivo impetrado por associação de classe, e a discussão travada em sede de processo administrativo fiscal, no qual se discute lançamento efetuado em face de unia de suas associadas. (Acórdão n. 106 17.185, de 16.12.2008, da 6° Câmara do 1° Conselho de Contribuintes). No mesmo sentido: CSLL — MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO COISA JULGADA — A decisão meritória de improcedência do pedido, ao final do processo, em mandado de segurança coletivo impetrado por entidade de classe, não faz coisa julgada contra seus associados, salvo em caso de procedência. (Acórdão n. 10196.687, de 17.4.2008, da 1° Camara do P Conselho de Contribuintes). No mesmo sentido: PAF — NORMAS PROCESSUAIS — PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL — MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO — CONCOMITÂNCIA INEXISTÊNCIA — Pelas regras emergentes da Constituição Federal e da legislação processual em vigor, a propositura, por entidade que defende interesses coletivos de determinada coletividade, de mandado de segurança Fl. 2943DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 1402001.629 S1C4T2 Fl. 2.944 11 coletivo, não impede que seus associados, individualmente, postulem em Juízo ou fora dele seus direitos, mormente quando presente no lançamento de oficio questões que desbordam o direito litigado pela entidade em face do Poder Judiciário. (Acórdão n. 10708.985, de 25.4.2007, da 7ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes). No mesmo sentido: RENÚNCIA AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL POR CONCOMITÂNCIA COM MEDIDA JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por entidade sindical não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância, pois, ainda que haja alcance dos efeitos jurídicos da decisão para os representados da entidade sindical, não se materializa a identidade entre os sujeitos dos processos, ou seja, autor da medida judicial e recorrente no âmbito administrativo, diante da qual é possível aferir a manifestação de vontade (critério subjetivo) que exige a renúncia. (Acórdão n. 30134.861, de 13.11.2008, da 1a Câmara do 3° Conselho de Contribuintes). Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento. Eis, ao final, a ementa do mencionado acórdão n° 9101001.216, de 18/10/2011: PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. É impróprio falarse em afronta ao principio da unicidade de jurisdição neste caso, pois o sistema jurídico admite a coexistência e convivência pacifica entre duas decisões (uma de natureza coletiva e outra individual), sendo que, via de regra, aplicarseá ao contribuinte aquela proferida no processo individual. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. Como se observa, está consolidada a jurisprudência, tanto na esfera judicial quanto no âmbito deste órgão administrativo, no sentido de que a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado por associação à qual a interessada é filiada não permite que se conclua pela concomitância com discussão administrativa travada individualmente em processo administrativo fiscal. Desta forma, adoto os fundamentos acima transcritos para, neste processo, concluir de igual forma pela inocorrência de concomitância entre a discussão judicial, travada em sede de mandado de segurança coletivo, e a discussão administrativa, travada nestes autos. Como consequência, impõese o reconhecimento de que a decisão de primeira instância cerceou o direito de defesa da interessada, ao não apreciar em sua integralidade os argumentos de impugnação. Fl. 2944DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 1402001.629 S1C4T2 Fl. 2.945 12 Em conclusão, voto por afastar a declaração de concomitância com o processo judicial, não reconhecer a renúncia à esfera administrativa e anular a decisão de primeira instância, determinando que nova decisão seja proferida, com a apreciação de todos os argumentos de defesa da interessada. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 2945DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10925.903985/2012-09
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 39 85 /2 01 2- 09 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 733,93, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 15/05/2002. Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos da Cofins e do PIS; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Em julgamento da lide a DRJ/Belo Horizonte fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do CARF e do STJ. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.903985/201209 Acórdão n.º 3803005.736 S3TE03 Fl. 66 3 A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 23 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.903985/201209 Acórdão n.º 3803005.736 S3TE03 Fl. 67 5 Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.903985/201209 Acórdão n.º 3803005.736 S3TE03 Fl. 68 7 do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Ademais, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.901614/2010-32
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Composição do Saldo Negativo. IRRF. Prova.
Provada a retenção do IRRF indicado em PERDCOMP, deve ser reconhecida a parcela comprovada do direito creditório e homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1801-001.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Maria de Lourdes Ramirez (presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 Composição do Saldo Negativo. IRRF. Prova. Provada a retenção do IRRF indicado em PERDCOMP, deve ser reconhecida a parcela comprovada do direito creditório e homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Maria de Lourdes Ramirez (presidente em exercício).
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IRRF. PROVA. Provada a retenção do IRRF indicado em PERDCOMP, deve ser reconhecida a parcela comprovada do direito creditório e homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Maria de Lourdes Ramirez (presidente em exercício). Relatório Em respeito à economia processual transcrevo relatório dos fatos constante da Resolução n º 1801000.203, de 10/04/2013, desta 1a. TE/3a.CAM/1a.SEÇÃO do CARF: Relatório A empresa recorre do Acórdão nº. 0237.963/12 exarado pela 3a. Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 16 14 /2 01 0- 32 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 2 inconformidade apresentada contra despacho decisório que reconheceu em parte direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003 e homologou em parte as compensações declaradas em PERDCOMP. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização de parte do pretenso “Saldo Negativo de IRPJ” apurado no AC de 2003 no valor de R$ 156.294,89. ... A análise dos documentos protocolizados pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório nº. 863079030, anexado à fl. 36 do processo, exarado aos 19/05/2010, de onde se extrai: 3.1 A parcela das antecipações do IR indicada pelo contribuinte na PER/DCOMP e na DIPJ importou em R$ 156.294,89, e advém unicamente do IRRF. A DRF confirmou somente a parcela correspondente a R$ 146.547,51. 3.2 Tendo em vista as antecipações do IR confirmadas pela DRF, foi reconhecido como válido o Saldo Negativo de IRPJ no valor de R$ 146.547,51, uma vez que o IR apurado no período foi igual a zero (R$ 0,00). O crédito reconhecido foi utilizado na extinção dos débitos declarados pelo contribuinte na DCOMP, resultando na HOMOLOGAÇÃO PARCIAL das compensações declaradas. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 31/05/2010, conforme documento à fl. 70. Irresignado, o contribuinte apresenta em 23/06/2010 a manifestação de inconformidade anexada à fls. 02 a 04, onde, em síntese, argumenta: 4.1 Que o Despacho Decisório não descreve as razões pelas quais o crédito não fora homologado in totun, apenas indicando que foi confirmado um crédito na ordem de R$ 146.547,51 e não o montante de R$ 156.294,89 pleiteados. 4.2 Que anexa ao processo os comprovantes de retenção do IRRF indicados na DIPJ e nas PER/DCOMP’s no intuito de validar o crédito utilizado. Argumenta ainda que não pode ser penalizado pela omissão das fontes pagadoras e que, comprovada a retenção, cabe à RFB notificar as fontes pagadoras a efetuar o recolhimento necessário com as cominações legais. 4.3 Por fim, propugna pela homologação integral das compensações declaradas, colocandose à disposição para apresentar outros documentos que se fizerem necessários. Os valores das retenções realizadas pelas fontes pagadoras foram informados à ora requerente, consoante se tem dos respectivos avisos de pagamentos e retenções realizados e extratos de movimentação de investimentos. Anexa ao processo os documentos constantes às fls. 33 a 42. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 10680.901614/201032 Acórdão n.º 1801001.938 S1TE01 Fl. 3 3 A Turma Julgadora de 1a. instância observou que o valor da diferença de IRRF não comprovada nos autos é assim composta: CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor PERDCOMP Vlr Confirmado Vlr Não Confirmado Após análise Documentos DRJ 00.000.000/000191 6813 9.461,22 0,00 9.461,22 Retenção na fonte não comprovada 27.626.290/000130 8045 286,16 0,00 286,16 Rendimentos e IRF ref. A/C 2001 – fl. 47 Total 9.747,38 0,00 9.747,38 Observou que a interessada apresentou documentos no intuito de comprovar as retenções acima mas que, no caso da fonte pagadora Banco do Brasil – CNPJ 00.000.000/000191 – o documento apresentado não atenderia às especificações previstas na legislação tributária e que o informe de rendimentos apresentado para comprovar a retenção da fonte Pars Prod. de Proc. de Dados Ltda. – CNPJ 27.626.290/000130, se referiria ao ano calendário 2001, que não é objeto do pleito. Diante dos valores de IRRF não comprovados o pleito foi indeferido. Notificada da decisão, em 21/03/2012, como demonstra a cópia do AR à fl. 177, apresentou a interessada em 18/04/2012, recurso voluntário. Nas razões de defesa informa que em 11/2003 recebeu rendimentos de ações que possuía da Telemar Norte Leste S/ARJ – CNPJ 33.000.118/000179, através do Banco do Brasil, ocasião em que essa instituição lhe creditou a importância líquida de IRRF e CPMF de R$ 51.931,65. Afirma que o único documento fornecido pela instituição dando conta dos rendimentos e valores retidos foi enviado a destempo e é aquele apresentado que consta dos autos e que explicitaria de forma clara os valores recebidos e retidos. Também as cópias das folhas 108 e 112 do Livro Diário demonstrariam a contabilização efetuada. Alega que se o documento fornecido pela instituição é irregular não poderia ela, recorrente, ser penalizada por obrigação de fazer de terceiro. Ao final pugna pelo acolhimento do recurso. Em sessão realizada em 10/04/2013 esta 1a.TE/3a.CAM/1a. SEÇÃO do CARF converteu o julgamento na realização de diligência. Como resultado, foram anexados novos documentos aos autos e as conclusões do trabalho foram deduzidas no “Relatório Fiscal” juntado às fls. 289/290 do processo digital, do qual foi cientificada a recorrente em 17/10/2013 (AR. Fl. 293 do p.d.). Concluída a diligência, retornam os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 4 Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como se verifica dos autos tratase de PERDCOMP pelo qual pretende, a interessada, o reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2003, no valor de R$ 156.294,89, que seria oriundo unicamente do IRRF. A DRF de origem confirmou somente a parcela de R$ 146.547,51, reconheceu essa parcela como direito creditório e homologou, parcialmente, as compensações, até o limite do crédito reconhecido. Irresignada a interessada apresentou documentos a fim de comprovar a retenção da parcela não reconhecida, de R$ 9.747,38, composta pelas retenções efetuadas pelo Banco do Brasil CNPJ 00.000.000/000191, no valor de R$ 9.461,22 e pela Pars Prod. De Proc. De Dados Ltda. – CNPJ 27.626.290/000130, no valor de R$ 286,16. A DRJ em Belo Horizonte analisou os documentos e verificou que a retenção do valor de R$ 286,16 feita pela Proc. de Dados Ltda. – CNPJ 27.626.290/000130, se refere ao anocalendário 2001, razão pela qual não pode ser aproveitada na composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003. Os documentos apresentados para comprovar os rendimentos e retenções feitos pelo Banco do Brasil não foram aceitos, pois não são comprovantes de rendimentos, nos termos da legislação de regência, tratandose de mais propriamente de um extrato. Em razão do princípio de prova produzido pela defesa este colegiado converteu o julgamento na realização de diligência, a fim de que, o órgão de origem: (i) intimasse a instituição Banco do Brasil CNPJ 00.000.000/000191 a demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, os valores de rendimentos pagos à recorrente, no anocalendário 2003, comprovando as retenções efetuadas; (ii) verificasse, junto à contabilidade da recorrente, se os rendimentos demonstrados como pagos pelo Banco do Brasil CNPJ 00.000.000/000191, foram oferecidos à tributação no respectivo anocalendário. Feita a diligência, a autoridade fiscal elaborou o “Relatório Fiscal” e concluiu: Fl. 298DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 10680.901614/201032 Acórdão n.º 1801001.938 S1TE01 Fl. 4 5 O CARF converteu em diligência o julgamento constante do presente processo. Feita a diligência solicitada à esta DRF, apurouse o seguinte resultado: (i) Da intimação feita ao Banco do Brasil resultou a confirmação da retenção sofrida pela Construtel, no código 6813, no valor total de R$ 9.461,22, pela Telemar Norte Leste S A . O rendimento correspondente foi de R$ 51.945,11 (ver fls. 247 a 266, e, em especial, as fls. 250 e 260); (ii) Da intimação feita à Contrutel, para que comprovasse o oferecimento à tributação dos rendimentos acima recebidos, a empresa afirmou que o rendimento bruto, na realidade, é de R$ 61.605,97 (valor confirmado à folha 260, onde consta resposta do Banco do Brasil à 2ª Intimação). Quanto a este rendimento, a empresa comprovou seu oferecimento à tributação, demonstrando no quadro de fl. 288 como foi formado o prejuízo fiscal apurado no exercício, estando cada conta registrada no Balanço Patrimonial, conforme a seguir: Descrição dos Grupos Valor Folha Eprocesso 1) Total Geral das Receitas 32.838.156,95 283 2) Total Geral das Despesas 18.903.012,71 281 3) Dividendos 61.605,97 270 4) Correção Monetária Depreciação 1,08 284 5) Total dos Ajustes 2.492.559,69 285 6) Total Geral dos Custos 23.671.835,77 286 = Prejuízo Fiscal 7.182.526,95 287 Verificase, assim, que a retenção da questionada parcela de IRRF relativa ao pelo Banco do Brasil, no valor de R$ 9.461,22, referente à Telemar Norte Leste S/A, foi confirmada pela diligência, assim como restou comprovado o oferecimento à tributação, pela recorrente, das receitas que deram origem à tal retenção. Quanto a outra parcela em litígio, correspondente ao IRRF no valor de R$ 286,16, da empresa Pars Prod. de Proc. de Dados Ltda. – CNPJ 27.626.290/000130, tratando se de retenção sofrida no anocalendário 2001, não pode integrar a composição do saldo negativo apurado no anocalendário 2003. A vista do exposto encaminho meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a favor da recorrente a parcela do direito creditório em Fl. 299DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 6 litígio, no valor de R$ 9.461,22, e homologar as compensações declaradas até o limite do crédito ora reconhecido. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 300DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000012/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
CRÉDITO TRIBUTÁRIO: CONSTITUIÇÃO.
O formulário físico reconhecido como inadequado à compensação noutro procedimento administrativo não serve como instrumento válido de constituição do crédito tributário.
Não existindo auto lançamento (DCTF), nem PER/DECOMP, imprescindível o lançamento de ofício para a válida constituição do crédito tributário.
Encerrado, sem prosseguimento da cobrança, o procedimento administrativo que enquadrou a compensação via formulário como não declarada, não há que se falar em bis in idem.
Recurso de Ofício provido.
Numero da decisão: 2202-002.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral pelo contribuinte a Drª Vanessa Aparecida Mendes Baesse, OAB/DF nº 32.576.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio De Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa (Suplente Convocado) e Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 CRÉDITO TRIBUTÁRIO: CONSTITUIÇÃO. O formulário físico reconhecido como inadequado à compensação noutro procedimento administrativo não serve como instrumento válido de constituição do crédito tributário. Não existindo auto lançamento (DCTF), nem PER/DECOMP, imprescindível o lançamento de ofício para a válida constituição do crédito tributário. Encerrado, sem prosseguimento da cobrança, o procedimento administrativo que enquadrou a compensação via formulário como não declarada, não há que se falar em bis in idem. Recurso de Ofício provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral pelo contribuinte a Drª Vanessa Aparecida Mendes Baesse, OAB/DF nº 32.576. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio De Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa (Suplente Convocado) e Fabio Brun Goldschmidt.
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O formulário físico reconhecido como inadequado à compensação noutro procedimento administrativo não serve como instrumento válido de constituição do crédito tributário. Não existindo auto lançamento (DCTF), nem PER/DECOMP, imprescindível o lançamento de ofício para a válida constituição do crédito tributário. Encerrado, sem prosseguimento da cobrança, o procedimento administrativo que enquadrou a compensação via formulário como não declarada, não há que se falar em bis in idem. Recurso de Ofício provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral pelo contribuinte a Drª Vanessa Aparecida Mendes Baesse, OAB/DF nº 32.576. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 00 12 /2 00 8- 31 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio De Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa (Suplente Convocado) e Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12897.000012/200831 Acórdão n.º 2202002.570 S2C2T2 Fl. 260 3 Relatório 1 Processo nº 10768.001418/200458 A contribuinte efetuou compensação com crédito alegado, através de DCOMP, constante no processo administrativo nº 10768.001418/200458, com débito informado na Declaração de Compensação (fls. 3536). Em 10/04/07, a DERAT RJ/DIORT, no parecer conclusivo nº 371/08 considerou não declarada a compensação pleiteada (fls. 8292), pelas seguintes razões: a) a contribuinte não obedeceu as normas que regulamentam os procedimentos relativos à apresentação de Declaração de Compensação, pois a fez por intermédio da protocolização de processo em 18/02/04, e não através de pedido eletrônico; b) devem ser aplicadas retroativamente as IN’s SRF nº 460/04 e 500/05 que apenas permitem que o contribuinte apresente Pedido de Restituição em formulário quando não conseguisse, comprovadamente, transmitilo eletronicamente em face de falha no programa; c) a contribuinte apenas faz jus é a restituição/compensação, relacionada com o Saldo Credor do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e o da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (saldo negativo), apurados no encerramento dos períodos; d) o crédito compensado se refere ao valor do IRRF sobre Receitas de Rendimentos e Dividendos, todavia, na Declaração de Compensação, a contribuinte aduz que o crédito se refere ao IRRF de Juros sobre o Capital Próprio, e com esse mesmo crédito faz a compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte de Juros Sobre Capital Próprio em 18/02/04; e) na cópia da DARF vêse que o código nela constante é o 0924 (Demais Rendimentos do Capital) e não o código 5706 (IRRF de Juros sobre Capital Próprio); f) da análise da documentação acostada aos autos e em consulta do Sistema IRF Consulta – Resumo Beneficiário – Ano Retenção 2002, verificase que a contribuinte não ofereceu à tributação as Receitas de Juros sobre Capital Próprio oriundas da retenção do IRRF que afirma ter como crédito, razão pela qual se deu tratamento de Receitas de Aplicação Financeira ao crédito pleiteado; g) de acordo com o art. 837 do RIR/99 e com as instruções do Manual para preenchimento da DIPJ/2003, a contribuinte deveria ter alocado o valor do IRRF sobre Receitas de Rendimento do Capital, no item 13 da Ficha Fl. 215DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 12 A, da Declaração de Informação EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, do Ano Calendário 2002, Exercício 2003; h) os Saldos Negativos do IRPJ poderão ser objeto de restituição/compensação; i) a falta de informação dos valores a título de IRRF e de Saldo Credor do IRPJ, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, Declaração Anual, autoriza o seu não reconhecimento por inexistência do crédito solicitado; j) a contribuinte não esclareceu as razões do IRRF ter sido recolhido em valor maior que o devido; k) da análise da documentação constante dos autos e das consultas realizadas aos sistemas da RFB, concluise que o direito ao crédito pleiteado não se encontra revestido de certeza e liquidez, e tendo em vista que a certeza e liquidez constituem requisitos indispensáveis para a restituição/compensação, há de se concluir pela inexistência de qualquer tipo de direito creditório em nome da contribuinte. Em 03/10/08 foi proposta a programação da ação fiscal para a contribuinte, para que fosse efetuado o lançamento do débito relativo ao código de receita 5706 Juros Sobre o Capital Próprio, período de apuração 18/02/04, valor de R$ 26.447.457,96, que não foi confessado em DCTF, já que a Declaração de Compensação apresentada em formulário foi considerada não declarada, e, consequentemente, não homologada. Igualmente, foi proposto o encaminhamento dos autos à DIFIS I para prosseguimento (fl. 79 do eprocesso). 2 Procedimento de Fiscalização Tendo em vista que o direito creditório pleiteado pela contribuinte não foi reconhecido e a Declaração de Compensação apresentada foi considerada não declarada, e, consequentemente, não homologada, o crédito da DCOMP não foi aproveitado para compensação. Diante disso, o Fisco iniciou procedimento de fiscalização para apurar o IRRF. A contribuinte foi intimada, em 15/10/08, no Termo de Início do Procedimento Fiscal, a informar, através de preposto (considerando que em 08/09/08 a Compensação pleiteada no processo 15374002225/200895, foi considerada “não declarada”), se o valor de R$ 26.447.457,96 referente ao IRRF sobre Juros sobre o Capital próprio apurado em 18/02/04, já havia sido declarado em DCTF e/ou recolhido (fls.0203). Em 28/10/08, a contribuinte solicitou a prorrogação do prazo por 10 dias (fls. 0410), tal pedido foi deferido. Posteriormente, a contribuinte informou que: a) utilizou de Pedido de Compensação, via formulário, em virtude de impossibilidade de acesso e transmissão de dados pelo sistema eletrônico da RFB; b) a declaração de compensação foi protocolizada em 18/02/04, mediante o processo administrativo nº 10768.001418/200458, ao tempo de vigência da IN SRF nº 376/03, a qual dispunha em seu art. 2º sobre o procedimento para efetuar o pedido de compensação, que poderia ser por Declaração de Compensação, Pedido Eletrônico de Restituição ou Pedido Eletrônico de Ressarcimento gerado a partir do programa PER/DCOMP; c) o fato gerador é datado de 18/02/04, data da protocolização do processo administrativo, data da extinção do crédito tributário mediante compensação, sendo aplicável a Fl. 216DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12897.000012/200831 Acórdão n.º 2202002.570 S2C2T2 Fl. 261 5 Lei nº 9.430/96 e a IN nº 376/03. Na oportunidade, salientou: a) ter direito a fazer o pedido de compensação via formulário impresso; b) que retroagir os efeitos da IN’s SRF nº 460/04, e nº 600/05 e da Lei nº 11.051/04, a fato gerador ocorrido em 18/02/04 é contraria dispositivo do CTN, pois somente é permitida a retroatividade benéfica da lei; c) que a autoridade fazendária reconhece o direito da Petrobrás aos créditos declarados compensados; d) que o fato de ter apontado, em um documento de informação como DECOMP, a origem equivocada do crédito, não tem o condão de fazer desaparecer, ou desmerecer a própria existência do direito de compensação desse mesmo crédito; e) ter agido sempre de boa fé, e feito a compensação em valor menor do que o devido, pois não atualizou o valor nominal a ser compensado em fevereiro de 2004; f) a Compensação tributária é iniciativa do contribuinte e realizada por ele conforme o art. 74 da Lei nº 9.430/96, em regime de lançamento por homologação, com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, à exceção das contribuições previdenciárias, e respeitandose, em todo caso, a regulamentação, quanto à forma de realização, contidas nas IN’s da RFB; g) a compensação declarada extingue o crédito tributário sob condição resolutória, devendo a fiscalização proceder à sua resolução, comunicando o sujeito passivo da sua não homologação e intimando o a efetuar o pagamento, podendo o sujeito passivo, contudo apresentar manifestação de inconformidade (fls. 1120). 3 Notificação do Lançamento Em 03/12/08, a autoridade administrativa lavrou lançamento de ofício (fls. 3135), embasado na suposta falta de recolhimento o imposto de renda retido na fonte sobre juros pagos ou creditados sobre capital próprio. Apurouse como valor devido a quantia de R$ 26.447.457,96 a qual foi aplicada multa de 75%. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 63.852.097,75, incluídos Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Juros pagos sobre Capital Próprio, multa de 75% e juros moratórios calculados até 28/11/08. A contribuinte tomou ciência da notificação em 07/12/11. 4 Impugnação Indignada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação (fls. 7382) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) em virtude de problemas no sistema PERDCOMP eletrônico, utilizouse de Pedido de Compensação, via formulário, em virtude de acesso e transmissão de dados pelo sistema eletrônico da Receita; b) a declaração de compensação foi protocolizada em 18/02/04, mediante processo administrativo nº 10768.004188/200458, ao tempo de vigência da IN SRF nº 376/03, a qual dispunha em seu art. 2º sobre o procedimento para efetuar o pedido de compensação, o qual poderia ser por Declaração de Compensação, Pedido Eletrônico de restituição ou Pedido Eletrônico de Ressarcimento gerado a partir do programa PER/DCOMP; Fl. 217DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 c) o fato gerador é datado de 18/02/04, data da protocolização do processo administrativo nº 10768.001418/200458, data da extinção do crédito tributário mediante compensação, sendo aplicável ao caso a Lei nº 9.430/96, com alterações da Lei nº 10.637/02 e a IN nº 376/03, que dispunha sobre a matéria; d) a IN nº 376/03 permitia que o contribuinte fizesse o pedido de compensação via formulário impresso; e) retroagir os efeitos das IN’s SRF nº 460/04 e 600/05 e da Lei nº 11.051/04 a fato gerador ocorrido em 18/02/04, é contrariar dispositivo do CTN, pois somente é permitido a retroatividade benéfica da lei; f) a autoridade fazendária reconhece o direito da Petrobrás aos créditos que ela declarada compensados com débitos seus para com a RFB, apenas fazendo restrições quanto à forma com que os mesmos foram acertados; g) quando a fiscalização analisa o mérito da pretensão da Petrobrás, não o faz com base em eventual liquidez do crédito, ou mesmo em sua improcedência, mas apenas com base na classificação fiscal que foi dada ao montante, ao seu enquadramento dentro do sistema informatizado de controle fiscal, de modo que isto poderia configurar, quando muito, mera irregularidade administrativa a ser analisada na via própria, mas nunca através da consideração de não declaração da compensação; h) o fato de apontar, num documento de informação como a DECOMP, a origem equivocada do crédito, não tem o condão de fazer desparecer, ou desmerecer, a própria existência do crédito e, portanto, do direito, garantido pelo ordenamento jurídico pátrio, de realizar a compensação desse mesmo crédito a partir do ano de 2003, e que foi realizada, efetivamente, em 2004; i) a contribuinte procedeu, desde o início, de boa fé, tendo efetuado a compensação em valor menor do que o devido, porque atualizou do valor nominal a ser compensado em fevereiro de 2004; j) é inadmissível que seja penalizada duas vezes, uma pelo valor do capital que deixou de estar disponível para ela durante vários meses, outra, se eventualmente visse o exercício de direito seu, legalmente garantido, ser negado pela fiscalização arbitrariamente, gerando manifestou enriquecimento sem causa da Administração; k) os pedidos de compensação realizados anteriormente à vigência da Lei nº 11.051/04, seja porque já foram realizados sob a égide da Lei nº 10.637/02, seja porque, uma vez pendentes, foram expressamente abarcados por essa, devem ser considerados Declarações de Compensação e extinguem, de jure, o crédito tributário sob condição resolutória e suspendem a sua exigibilidade até a conclusão do processo administrativo, como neste caso; l) a aplicação retroativa da Lei nº 11.051/04, pretendida pelas autoridades fiscais, violaria o direito adquirido pelos contribuintes, sua confiança legítima, bem como a segurança jurídica do sistema, logo, não pode se Fl. 218DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12897.000012/200831 Acórdão n.º 2202002.570 S2C2T2 Fl. 262 7 pode aplicar à contribuinte e a este processo o § 12 da Lei nº 11.051/04, e as IN’s SRF nº 460/04 e 600/05; m) negar à contribuinte o direito à interposição de recurso administrativo no processo nº 10768.001418/200458, é negar vigência ao art. 5º, LIV, da Constituição, bem como ao CTN e ao Decreto nº 70.235. Em anexo foram juntadas procurações e o estatuto social da Petrobrás (fls. 82100). 5 Acórdão de Impugnação O lançamento foi julgado improcedente pela 2ª Turma da DRJ/RJOI, por unanimidade (fls. 116120). Os fundamentos foram os seguintes: a) na data da declaração de compensação tributária, 18/02/004, vigia o art. 74, § 6º, da Lei nº 9.43096, portanto, quando do pleito da compensação tributária, o sujeito passivo conhecia os efeitos da sua iniciativa, caso inadmitida e as consequências da inadmissão da declaração de compensação; b) a declaração de compensação, de exclusiva iniciativa do contribuinte, implica, legalmente, em confissão de dívida, e esta se relaciona ao crédito tributário que se busca compensar e não a débitos a repetir; c) a IN SRF nº 460/04, em seu art. 31, §3º, não autoriza, per se, o lançamento de créditos confessados, principalmente confissões de dívidas ocorridas em plena vigência do § 6º, art. 74, da Lei nº 9.430/96; d) mantida a exação, incorrerseia em bis in idem tributário: cobrança de dívida confessada, acaso o deslinde do processo de compensação seja desfavorável ao contribuinte, e cobrança da mesma dívida mediante lançamento de oficio, caso presente. O que implicaria em pelejar pelo enriquecimento sem causa. Por ter significado redução de tributo superior ao definido na Portaria MF nº 03/08, a 2ª Turma da DRJ/RJOI determinou a interposição de Recurso de Ofício. 6 Recurso de Ofício Em 16/06/09, a Fazenda Nacional apresentou recurso de ofício (fls. 125159), trazendo os os seguintes argumentos: a) dentre as obrigações tributárias acessórias que prescrevem um “fazer”, compreendese a apresentação de declaração pelo contribuinte, na qual é imposto ao sujeito passivo o dever de fornecer informações à fiscalização relacionadas às obrigações tributárias principais; b) de acordo com o art. 16 da Lei nº 9.779/99 c/c o art. 5º, §§ 1º e 2º do DecretoLei nº 2.124/84, cabe à SRF definir qual o documento apto a conferir o caráter de confissão de dívidas à declaração prestada pelo sujeito Fl. 219DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 passivo da obrigação principal, nesse sentido, foi editada a IN SRF nº 129/86 que atribuiu à DCTF natureza de confissão de dívida; c) a IN SRF nº 14/00 excetuou, dentre os débitos apurados em procedimento de auditoria interna e para efeito de lançamento de ofício, os débitos decorrentes de compensação indevida na DCTF, objeto de pedido de compensação indeferido, determinando os mesmos fossem encaminhados à inscrição em DAU. Em momento posterior, foi editada a IN SRF nº 255/02, que, em seu art. 8º, autorizava a inscrição em DAU apenas do valor do “saldo a pagar” de tributos informados em DCTF; d) as IN’s SRF nº 695/06, 786/07 e 903/08 mantiveram, quanto aos créditos tributários declarados em DCTF, o mesmo tratamento da IN SRF nº 482/04, que revogou a IN SRF nº 255. e) os §§ 1º e 2º do DecretoLei nº 2.124/84 equiparam ao instrumento de confissão de dívida para efeito de constituição do crédito tributário, o documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário; f) se a RFB é o órgão competente para instituir obrigação acessória, bem como para definir o documento que constitui confissão de dívida, nos termos da legislação supra mencionada, o mesmo órgão fazendário também é competente para estabelecer a definição de DECOMP para dar fiel cumprimento ao disposto no art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96, isto é, cabe à SRF definir declaração de compensação, para fins de confissão de dívida; g) a RFB, inicialmente, definiu o PER/DECOMP eletrônico como documento a ser formalizado pelo sujeito passivo para realizar a compensação pretendida. Posteriormente, sucessivas edições de instruções normativas limitaram o aludido documento eletrônica a hipóteses específicas; h) no caso, aplicase a IN SRF nº 376/03, que estava em plena vigência quando a declaração de compensação foi entregue pelo contribuinte em 18/02/04. De acordo com essa instrução normativa, o contribuinte deveria entregar a DECOMP por meio de pedido eletrônico disponível no site da Receita Federal, nas hipóteses previstas em seu art. 2º. Dentre tais hipóteses, encontravase a declaração apresentada por pessoa jurídica, que pretendesse compensar créditos de IRRF decorrente de juros sobre capital próprio relativo ao exercício de 1996 ou posterior, arrecadado sob o código 5706 ou 9453, há menos de cinco anos, com débitos de IRRF de juros sobre capital próprio relacionado a um desses códigos; i) a contribuinte deveria ter apresentado sua declaração por meio eletrônico como disciplina a IN SRF nº 376/03. Na hipótese, a RFB define DECOMP como documento eletrônico a ser formalizado pelo contribuinte para os fins que lhe são permitidos, portanto, a declaração de compensação apresentada pela contribuinte não pode ser considerada com tal, pois não se enquadra na definição expressa pela SRF, a quem compete instituir as obrigações acessórias, dentre elas a declaração; j) tendo em vista que a contribuinte apresentou formulário em hipótese prevista no art. 2º para utilização do documento eletrônico, a compensação Fl. 220DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12897.000012/200831 Acórdão n.º 2202002.570 S2C2T2 Fl. 263 9 foi considerada não declarada no correspondente ao processo administrativo nº 10768.001418/200458. E, se não há declaração de compensação, não há margem para aplicação do art. 74, §6º, da Lei nº 9.430/96; k) como o formulário apresentado não pode ser considerado DECOMP por contrariar disposição expressa de instrumento normativo emitido pela SRF, não há confissão de dívida, razão pela qual o débito fiscal deve ser lançado de ofício, tal como fez a fiscalização no presente caso; l) o débito não foi confessado, nem mesmo por DCTF, assim, o lançamento realizado está em perfeita harmonia com o disposto no art. 31 da IN SRF nº 460/04; m) deve ser refutado o argumento da DRJ de que mantendose o crédito tributário ora constituído, ocorreria bis in idem, com o risco de cobrar o mesmo débito neste processo e no processo de compensação, pois conforme extrato fornecido pela RFB, o débito ora cobrado foi excluído do processo nº 10768.001418/200458, não havendo dúplice cobrança. Em anexo foi juntado extrato da RFB atestando a exclusão do processo nº 10768001.418/200458 (fls. 160161). 7 Declaração de Impedimento A conselheira Nathália Mesquita Ceia declarouse impedida, nos termos do art. 44 do Regimento Interno do CARF, razão pela qual este processo foi sorteado para minha relatoria. É o relatório. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo O recurso voluntário em questão discute a possibilidade de a Petrobrás compensar débitos de IRRF sobre pagamento de Juros Sobre o Capital Próprio (JSCP) com créditos que também seria de Juros Sobre o Capital Próprio. Ocorre que, devido à entrega do formulário de compensação em via física ao invés de via digital — forma exigida pela IN SRF nº 376/03, vigente à época do pedido de compensação, realizado em 28/02/2004 — o Pedido de Compensação foi considerado Não Declarado. Com isso, foi constituído o presente auto de infração para cobrar a quantia não adimplida. O processo administrativo que discutia a compensação — Processo Administrativo nº 10768.001418/200458 — já foi analisado pela DRJ e encontrase atualmente no arquivo da SAMFRJ, de modo que o atual processo somente discute a existência do aludido crédito tributário, e não a legitimidade da compensação, nem a existência de indébito. No processo ora em análise, a decisão de primeira instância decidiu pelo cancelamento do auto de infração, porquanto o Pedido de Compensação seria uma forma de reconhecimento de débito e a coexistência do crédito no processo administrativo de compensação (Processo Administrativo nº 10768.001418/200458) e no presente processo de lançamento importaria bis in idem. Entendo que a decisão deve ser reformada. A um, porque o formulário físico reconhecido como inadequado à compensação no processo administrativo nº 10768.001418/2004 não serve como instrumento válido de constituição do crédito tributário. Como bem apontou a Fazenda “se não há declaração de compensação, não há margem para aplicação do art. 74, §6º, da Lei nº 9.430/96”; A dois, tendo em vista que a manutenção da decisão recorrida ensejaria um hiato, tendo em vista que não há DCTF constituindo o crédito tributário. A três, uma vez que não há que se falar em bis in idem, pois, conforme extrato fornecido pela RFB (fl.160), o débito ora cobrado foi excluído do processo nº 10768.001418/200458. Com base no acima exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 222DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12897.000012/200831 Acórdão n.º 2202002.570 S2C2T2 Fl. 264 11 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13931.000936/2008-37
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que sejam proferidas as decisões nos processos nº 12571.000200/2010-57 e 12571.000201/2010-00 as quais devem ser informadas em seu inteiro teor neste processo.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Relatório
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que sejam proferidas as decisões nos processos nº 12571.000200/2010-57 e 12571.000201/2010-00 as quais devem ser informadas em seu inteiro teor neste processo. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que sejam proferidas as decisões nos processos nº 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000 as quais devem ser informadas em seu inteiro teor neste processo. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Retornam os autos diligência à repartição de origem para onde foram encaminhados por meio da Resolução nº 3803000.175, com a finalidade de obtenção do inteiro teor das decisões prolatadas nos processos de nº 12571.000200/201057 e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 31 .0 00 93 6/ 20 08 -3 7Fl. 188DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13931.000936/200837 Resolução nº 3803000.419 S3TE03 Fl. 4 2 12571.000201/201000, respectivamente, haja vista a possibilidade de influência do resultado daquelas demandas em face desta, uma vez detectada que são conexas. Do Relatório anexo podese inferir que os acórdãos referentes a esses processos foram providos, para a anulação dos respectivos autos de infração, sob o fundamento de que as declarações de compensação constituem instrumentos de confissão de dívida bastante e suficiente para a exigência dos débitos e, que vindo a ser objeto de lançamento, ensejariam a duplicidade de cobrança entre os valores lançados e aqueles objeto das compensações não homologadas. Vale dizer que nos referidos acórdãos não foram analisadas a matéria atinente ao mérito das querelas, a saber: o pedido de ressarcimento de crédito relacionado à Cofins não cumulativa mercado externo 2º trimestre/2004. Outra informação relevante constante do citado relatório é que os acórdãos inda não são definitivos, pois em face do acórdão proferido nos autos do PAF 12571.000201/2010 00 foram interpostos embargos de declaração pela representação da Fazenda Nacional, o que se presume por conter matéria e decisão semelhante, deverá ocorrer em relação ao outro processo. A conclusão a que chegou o referido relatório é que os dois processos retrocitados deveriam ser reunidos ao presente e demais correlatos para análise em conjunto. É o relatório. VOTO. Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator. O código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente nos julgamentos de processos administrativos tributários pelos órgãos julgadores do CARF/MF, preceitua em seu artigo 103, que há conexão entre duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir, havendo sido tal situação reconhecida pela Turma e convertido o julgamento em diligência, de onde retornaram os autos para este Juízo. Isto posto e considerando a pesquisa previamente realizada acerca dos autos, bem assim a conclusão a que chegou o relatório e, voto pela conversão em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que sejam proferidas as decisões definitivas nos processos nºs 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, as quais devem ser informadas em seu inteiro teor neste processo. É como voto. Sala de sessões em 29 de janeiro de 2014. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13931.000936/200837 Resolução nº 3803000.419 S3TE03 Fl. 5 3 (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.003979/2006-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. PLANO DE MANEJO.
área de exploração extrativa é aquela servida para a atividade de extração e coleta de produtos vegetais nativos, não plantados, inclusive a exploração de madeira de florestas nativas, observados a legislação ambiental e os índices de rendimento por produto, sendo certo que as áreas do imóvel exploradas mediante plano de manejo sustentado estão dispensadas da aplicação dos índices de rendimento por produto, desde que o plano de manejo esteja aprovado pelo Ibama até 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR, cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte
MULTA DE OFÍCIO.
Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
JUROS DE MORA. TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
Numero da decisão: 2102-002.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, para sanar as omissões contidas no Acórdão nº 302-39.944, de 12/11/2008, sem efeitos infringentes.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 22/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. PLANO DE MANEJO. área de exploração extrativa é aquela servida para a atividade de extração e coleta de produtos vegetais nativos, não plantados, inclusive a exploração de madeira de florestas nativas, observados a legislação ambiental e os índices de rendimento por produto, sendo certo que as áreas do imóvel exploradas mediante plano de manejo sustentado estão dispensadas da aplicação dos índices de rendimento por produto, desde que o plano de manejo esteja aprovado pelo Ibama até 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR, cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
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PLANO DE MANEJO. área de exploração extrativa é aquela servida para a atividade de extração e coleta de produtos vegetais nativos, não plantados, inclusive a exploração de madeira de florestas nativas, observados a legislação ambiental e os índices de rendimento por produto, sendo certo que as áreas do imóvel exploradas mediante plano de manejo sustentado estão dispensadas da aplicação dos índices de rendimento por produto, desde que o plano de manejo esteja aprovado pelo Ibama até 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR, cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplicase a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 39 79 /2 00 6- 24 Fl. 877DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.003979/200624 Acórdão n.º 2102002.930 S2C1T2 Fl. 878 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, para sanar as omissões contidas no Acórdão nº 302 39.944, de 12/11/2008, sem efeitos infringentes. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 22/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra AGROPECUÁRIA COMERCIAL E INDUSTRIAL CAARAPÓ S/A foi lavrada a Notificação de Lançamento, fls. 01/08, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda Castanhal, com área total de 168.726,3 ha (NIRF 0.735.2298), relativo ao exercício 2002, no valor de R$ 4.134.184,01, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 29/09/2006. A infração imputada à contribuinte foi falta de recolhimento do imposto, apurado em razão da glosa total das áreas de preservação permanente, de utilização limitada e utilizadas na exploração extrativa, por falta de comprovação. ITR 2002 Declarado Apurado no Auto de Infração 02Área de Preservação Permanente 34.400,0 ha 0,0 ha 03Área de Utilização Limitada 84.300,0 ha 0,0 ha 09Exploração Extrativa 7.858,0 ha 0,0 ha Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 23/28, e a autoridade julgadora de primeira instância, julgou procedente em parte o Fl. 878DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.003979/200624 Acórdão n.º 2102002.930 S2C1T2 Fl. 879 3 lançamento, para restabelecer uma área de reserva legal de 73.771,1 ha, conforme Acórdão DRJ/CGE nº 0411.610, de 16/03/2007, fls. 143/159. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 20/04/2007, Aviso de Recebimento (AR), fls. 164, a contribuinte apresentou, em 18/05/2007, recurso voluntário, fls. 168/181, trazendo as seguintes alegações: Reserva Legal a necessidade de averbação da reserva legal na matrícula do imóvel, e a apresentação de ADA, para ter a recorrente o direito à isenção do imposto, não encontra respaldo no direito e na jurisprudência. Preservação permanente – Apresentado o ADA, não há que se falar na exigência de laudo para comprovar a existência da área de preservação permanente, por falta de previsão legal. Exploração Extrativa – O fundamento para a exclusão da área de exploração extrativa foi de ela estar inclusa na área de reserva legal, o que não é verídico. Além da área de reserva legal, a fazenda ainda é dotada de outras áreas que se encontram cobertas por densa mata nativa, que é onde se efetiva a exploração extrativa de madeiras e não dentro da área de reserva legal. Dos acréscimos legais – A exigência dos juros de mora com base na taxa Selic é inconstitucional e ilegal e a multa exigida no lançamento também é ilegal e tem efeito confiscatório. Em sessão plenária realizada em 12/11/2008 a Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes apreciando os recursos de ofício e voluntário assim decidiu, conforme Acórdão nº 30239.944, fls. 196/205: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto do relator. Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário quanto à área de preservação permanente, nos termos do voto do relator. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto à área de reserva legal, nos termos do voto do redator designado. Seguiuse à referida decisão embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, que foram rejeitados, conforme Acórdão 2102002.238, de 14/08/2012, fls. 838/842. Cientificado do Acórdão nº 30239.944, de 12/11/2008, em 26/03/2013, Aviso de Recebimento (AR), fls. 853, a contribuinte apresentou embargos de declaração, fls. 857/869, em 01/04/2013, onde apontou a existência de omissão na decisão embargada, em razão da ausência de pronunciamento sobre as alegações expendidas no recurso voluntário no que concerne à área de exploração extrativa e aos acréscimos legais. Indo além, sobre a área de reserva legal afirma o a seguir transcrito: Interpretando o § 7º, do artigo 10, da Lei nº 9.393/96, o ilustre Conselheiro prolator do voto vencedor, diz que o contribuinte não necessita de prévia comprovação dos dados declarados, porém uma vez questionado deverá provar as suas informações constantes da Declaração de ITR (DITR), salientando que o Fl. 879DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.003979/200624 Acórdão n.º 2102002.930 S2C1T2 Fl. 880 4 documento necessário seria o Ato Declaratório Ambiental (ADA). Todavia, a Embargante já havia juntado o referido documento (ADA) nos autos do processo, comprovando que a área constante da Declaração de ITR (DITR), era a mesma constante do ADA, o que efetivamente não foi analisado pelo voto vencedor, caracterizando omissão sobre ponto relevante do qual deveria pronunciarse. É o Relatório. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.003979/200624 Acórdão n.º 2102002.930 S2C1T2 Fl. 881 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora Os embargos de declaração apresentados pela contribuinte são tempestivos e devem ser conhecidos, posto que de fato a decisão embargada deixou de se pronunciar sobre as alegações expendidas no recurso voluntário a respeito da área de exploração extrativa e dos acréscimos legais, contudo, não se verifica omissão no que tange à área de reserva legal. Para melhor examinar a questão trazse a seguir trecho do voto vencedor embargado: Em primeiro plano, deve ser ressaltado que o § 7º da Lei n° 9.393/96, incluído pela medida provisória n° 2.16667, de 24 de agosto de 2001, tem a seguinte dicção: § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1°, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Grifouse). Significa dizer que é dispensada a "prévia" comprovação do declarado, contudo alguma comprovação é necessária, se o declarante for instado a comprovar o quanto declarado. Essa é inclusive a visão mais atualizada da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, na qual ficou cabalmente ultrapassado o entendimento de que bastaria tãosomente a declaração para validar a área de reserva legal. E para o exercício em tela é necessário o respectivo Ato Declaratório Ambiental. Do trecho acima inferese que a razão para o nãoacolhimento da área de reserva legal não foi a falta de apresentação do ADA e sim a falta de comprovação da existência da área. Digase, ainda, que no voto condutor apenas se mencionou que para o exercício em questão é necessária a apresentação de ADA, contudo, em nenhum momento afirmouse que a área de reserva legal não seria reconhecida em razão da falta de apresentação de ADA. Até porque parte significativa da área de reserva legal foi reconhecida pela decisão de primeiro grau, sendo tal decisão confirmada pelo acórdão embargado. Logo, não há que se falar em omissão da decisão embargada, no que se refere à reserva legal. Já no que concerne à área de exploração extrativa e aos acréscimos legais, passase à apreciação das referidas matérias à luz das alegações apresentadas pela contribuinte no recurso voluntário, as quais não foram objeto de exame na decisão embargada. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.003979/200624 Acórdão n.º 2102002.930 S2C1T2 Fl. 882 6 A área de exploração extrativa foi glosada pela autoridade fiscal por falta de sua comprovação, sendo certo que tal glosa foi mantida pela decisão recorrida nos seguintes termos: Com relação à área de Exploração Extrativa a interessada questionou sua glosa e embasou seus argumentos nas cópias de autorizações de exploração através de PMFS. Esses planos, entretanto, são referentes às florestas existentes na propriedade, as quais, segundo as matrículas apresentadas, são as Reservas Legais e, assim sendo, apesar de não estar comprovada a exploração efetiva, mas, somente autorização para tal, as mesmas estão inseridas nas áreas isentas, não podendo, mesmo que produzindo para a interessada, fazer parte do Grau de Utilização, que diz respeito à produtividade da área tributada. Ou seja, se for aceita a área de exploração extrativa, e seu respectivo GU, então, deverá ser excluída da área isenta para considerar como tributada, porém, isso aumentaria o valor do crédito tributário em discussão, mas, como é vedado a este Órgão de julgamento o reformatio in pejus, ou seja, lhe é proibido julgamento com agravamento do lançamento, esta readequação de área não será efetuada. Vêse, portanto, que a glosa da área de exploração extrativa foi mantida por dois motivos, a saber: falta de comprovação da execução dos planos de manejo e também porque as áreas dos planos de manejo estão sobrepostas nas áreas de reserva legal. No que concerne à sobreposição, assiste razão à decisão recorrida, posto que vêse claramente das Autorizações para a Exploração de Planos de Manejo de Floresta Sustentado, fls. 30/38, apresentadas pela contribuinte, que as áreas ocupadas pelos planos de manejo são justamente aquelas que estão averbadas como área de reserva legal, sendo certo que no recurso o contribuinte limitase a afirmar que as áreas não estão sobrepostas, sem, contudo, apresentar qualquer documento que demonstrasse que as áreas de reserva legal e as áreas de exploração extrativas fossem áreas diversas. E mais, a área de exploração extrativa é aquela servida para a atividade de extração e coleta de produtos vegetais nativos, não plantados, inclusive a exploração de madeira de florestas nativas, observados a legislação ambiental e os índices de rendimento por produto, sendo certo que as áreas do imóvel exploradas mediante plano de manejo sustentado estão dispensadas da aplicação dos índices de rendimento por produto, desde que o plano de manejo esteja aprovado pelo Ibama até 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR, cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte (Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 10, §1º, inciso V, alínea “c”, § 3º e § 5º). No presente caso, para comprovar a área de exploração extrativa o contribuinte juntou aos autos Autorizações para a exploração de Planos de Manejo de Floresta Sustentado, fls. 30/38, todavia, nada apresentou para comprovar que referidos planos estivessem sendo executados. Assim, considerando as razões aqui exaradas, devese manter a glosa da área de exploração extrativa, nos termos em que consubstanciada no Auto de Infração. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.003979/200624 Acórdão n.º 2102002.930 S2C1T2 Fl. 883 7 Quanto à multa de ofício, temse que foi aplicada com base no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que a seguir se transcreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; A autoridade fiscal verificou e demonstrou nos autos que houve recolhimento de ITR a menor. Logo, temse que o contribuinte enquadrase na hipótese prevista na legislação acima referida, sendo correta, portanto, a aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%. Digase, ainda, que o exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme infere se da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como se vê, os julgamentos administrativos não contemplam o exame de constitucionalidade de leis tributárias, de sorte que não será neste voto apreciada a alegação da recorrente de ofensa ao princípio constitucional de nãoconfisco. Assim, considerando que a multa de ofício está prevista na legislação tributária e tudo o mais aqui já dito, deve prevalecer a cobrança da multa de ofício de 75%, conforme exigido no Auto de Infração. Por fim, no que tange aos juros Selic, a matéria já foi pacificada neste CARF, conforme Súmula nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, que cristaliza o entendimento de que é legítima a sua aplicação: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, voto por acolher parcialmente os embargos de declaração, para sanar as omissões contidas no Acórdão nº 30239.944, de 12/11/2008, sem efeito infringentes. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 883DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.003979/200624 Acórdão n.º 2102002.930 S2C1T2 Fl. 884 8 Fl. 884DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10680.018092/2005-49
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
ESTIMATIVAS - FALTA DE RECOLHIMENTO - MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA MULTA ISOLADA
Não é cabível a cobrança de multa isolada quando já lançada a multa de ofício, após o encerramento do ano-calendário, nos termos da pacífica jurisprudência desta Turma da CSRF.
CÁLCULO DO IRPJ COM BASE EM ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS POR ATIVIDADE EXPLORADA MINERAIS ABUNDANTES. INAPLICABILIDADE
Sob o império da Lei n° 9.249/95, o ordenamento jurídico repudia a aplicação de alíquotas diversificadas por atividade explorada, no cômputo do lucro real.
Sob a égide da Constituição de 1988, conforme prevê o art. 4,. § 1º, do ACDT, restaram revogados, após dois anos a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos que não forem confirmados por lei - caso da exportação de minerais abundantes, previsto no Decreto-lei Nº 2.413/1988, art. 1º, § 1º, alínea j, e alterações posteriores.
Recurso Especial da Fazenda Nacional negado.
Recurso Especial do Contribuinte negado.
Numero da decisão: 9101-001.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em relação ao Recurso da Fazenda, por unanimidade dos votos, negar provimento, e em relação ao Recurso do Contribuinte, por maioria dos votos, negar provimento., sendo vencida a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. O Conselheiro João Carlos de Lima Junior e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann irão apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
LUIS EDUARDO OLIVEIRA SANTOS - Presidente-Substituto.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 25/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Oliveira Santos (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima (suplente convocado), Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 ESTIMATIVAS FALTA DE RECOLHIMENTO MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA MULTA ISOLADA Não é cabível a cobrança de multa isolada quando já lançada a multa de ofício, após o encerramento do anocalendário, nos termos da pacífica jurisprudência desta Turma da CSRF. CÁLCULO DO IRPJ COM BASE EM ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS POR ATIVIDADE EXPLORADA — MINERAIS ABUNDANTES. INAPLICABILIDADE Sob o império da Lei n° 9.249/95, o ordenamento jurídico repudia a aplicação de alíquotas diversificadas por atividade explorada, no cômputo do lucro real. Sob a égide da Constituição de 1988, conforme prevê o art. 4,. § 1º, do ACDT, restaram revogados, após dois anos a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos que não forem confirmados por lei caso da exportação de minerais abundantes, previsto no Decretolei Nº 2.413/1988, art. 1º, § 1º, alínea “j”, e alterações posteriores. Recurso Especial da Fazenda Nacional negado. Recurso Especial do Contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em relação ao Recurso da Fazenda, por unanimidade dos votos, negar provimento, e em relação ao Recurso do Contribuinte, por maioria dos votos, negar provimento., sendo vencida a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. O AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 80 92 /2 00 5- 49Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Conselheiro João Carlos de Lima Junior e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann irão apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) LUIS EDUARDO OLIVEIRA SANTOS PresidenteSubstituto. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 25/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Oliveira Santos (PresidenteSubstituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima (suplente convocado), Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido: Trata o presente de recurso voluntário e ex offício contra decisão) da autoridade julgadora de primeira instancia, que julgou parcialmente procedentes as exigências de IRPJ, IRRF, CSSL e MULTA ISOLADA, consignadas em autos de infração distintos, com multas de 75% e 150%, além de juros de mora, relativamente aos anoscalendário de entre 2000 a 2003. Ciência do auto de infração no dia 22.12.2005, à fl. 13. A síntese do relatório do órgão a quo, à fl. 67, é o bastante para esclarecer a autuação, verbis: "Contra a sociedade acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 12 a 28; 29 a 39; 40 a 47; e 48 a 51, exigindo O Auto de Infração de IRPJ consigna as seguintes infrações, descritas em itens numerados de 1 a 9 (fl. 14):lhe o pagamento de (a) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ); (b) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); (c) Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (1RRF);. e (d) multa exigida isoladamente, nos valores respectivos de R$240.171.655,68 (duzentos e quarenta milhões, Cento e setenta e um mil, seiscentos e cinqüenta e cinco reais e sessenta e oito centavos), RS23.808.407,00 (vinte e três milhões, oitocentos e oito mil, quatrocentos e sete reais), R$7.433.194,96 (sete milhões, quatrocentos e trinta e três mil, cento e noventa e quatro reais e Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.018092/200549 Acórdão n.º 9101001.854 CSRFT1 Fl. 1.407 3 noventa e seis centavos) e R$72.135.547,38 (setenta e dois milhões, cento e trinta e cinco mil, quinhentos e quarenta e sele r cais e trinta e oito centavos),tudo somando R$343.S48 805,02 (trezentos e quinhentos e três milhões, quinhentos e quarenta e oito mil, oitocentos e cinco reais e dois centavos). Lançamento de IRPJ O Auto de Infração de IRPJ consigna as seguintes infrações, descritas em itens numerados de 1 a 9 (fl. 14): Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Ofício, nos termos do art. 926 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 — CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS CUSTOS NÃO COMPROVADOS Custos não comprovados, contabilizados como relativos aos pagamentos à Construtora Estrada e Engenharia Ltda. [..]. ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo ártico, 299 e 300, do RIR/99 002— CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS DESPESAS NÃO COMPROVADAS Valor das despesas não comprovadas contabilizadas [...], referentes a: — INFORMIL INFORMADORA MINEIRA LTDA/GILBERTO DE SOUZA LEITE E ADVOGADOS ASSOCIADOS S/C [J. — Doação no valor de R$2.160.000,00 cujo documento não foi localizado pela Samarco. — FUNDAÇÃO FREITAS JÚNIOR (...) ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300, do RIR/99 003 — PROVISÕES PROVISÕES NÃO AUTORIZADAS Constituição de uma provisão indedutivel de R$100.000,00 [...], referente a doações ao FUNRES, e de R$878.000,00 [..] à Fundação Freitas Júnior [.J. ENQUADRAMENTO LEGAL Art.13, inciso I, da Lei n° 9.249/95, com as alterações do art. 14, da Lei n° 9.430/96; Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300, do RIR/99 004 — CONTRIBUIÇÕES E DOAÇÕES DOAÇÕES / INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS Valor das despesas indedutiveis [...], referentes às doações efetuadas a: —Fundação Augusto Ruschi — Projeto Luz no Campo —FUNRES (...) ENQUADRAMENTO LEGAL Art.13, § 2°, da Lei n °9.249/95, Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, e 365, do RIR/99 005 — DESPESAS INDEDUTIVEIS Valor contabilizado indevidamente como desconto ou deságio [..] nas operações de transferências de créditos de ICMS [...]. ENQUADRAMENTO LEGAL Art.13, inciso I, da Lei n° 9.249/95, com as alterações do art. 14, da Lei n° 9.430/96; Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300, do RIR/99 006— OUTROS RESULTADOS NÃO OPERACIONAIS RECEITAS NÃO OPERACIONAIS NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO Valor referente à venda de créditos de ICMS ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 247, 249, inciso II, 251 e parágrafo único, e 299, do RIR199 007— GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS INEXISTENTES [...] ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR/99 008— EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTOR1ZDAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Redução indevida do Lucro Real em virtude da exclusão, não autorizada pela legislação do imposto de renda, de valores do lucro líquido do exercício contabilizados como realização das despesas com pagamentos ao CIAC Raymundo Andrade e à Fundação Freitas Júnior, sendo que essas despesas não foram comprovadas [...]. Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.018092/200549 Acórdão n.º 9101001.854 CSRFT1 Fl. 1.408 5 EXCLUSÕES INDEVIDAS Redução indevida do Lucro Real em virtude da exclusão, não autorizada pela legislação do imposto de renda, de valores do lucro líquido do exercício contabilizados como realização das doações ao Projeto Luz no Campo e FUNRES, por serem indedutíveis tais doações (...). EXCLUSÕES INDEVIDAS Exclusão indevida do lucro líquido do exercício das despesas de depreciação adicional• diferença IGPM/IPCAE 1991, controlada extracontabilmente LALUR (...). ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 250, inciso I, do RIR/99 Art. 4° da Lei n°9.249/95 009 — ADICIONAL DO IMPOSTO DE RENDA FALTA DE RECOLHIMENTO DO ADICIONAL Falta de recolhimento do adicional do imposto de renda pessoa jurídica [...]. ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 542 do RIR/99 Tais glosas resultaram no seguinte conjunto de exigências: (...) (VER TABELAS DE fls. 1.161) Lançamento de multa exigida isoladamente Por sua vez, o último lançamento reza (fl. 49): 001 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) pela falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica incidente sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução, conforme descrito no Termo de Verificação de Infração em anexo. [...] Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução, nas infrações sujeitas a multa qualificada de 150%, conforme descrito no Termo de Verificação de Infração em anexo [..].(VER TABELAS DE fl. 1.16263) Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Os fundamentos legais destes Autos de Infração encontramse às fls. 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21 e 22; 36; 39; 42; e 51. Termo de Verificação Fiscal (TVP) O Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 52 a 94 detalha o lançamento e encontrase resumido' no presente relatório, como segue. Os Autores esclarecem que intimaram a interessada a apresentar os documentos que suportaram os lançamentos na conta 933509 0000 (Outras Despesas Operacionais), referentes aos meses de dezembro de 2000 e fevereiro de 2001, especificamente os que constam do quadro que segue: (...) (VER TABELAS DE fl. 1.163) Em resposta, o sujeito passivo apresentou os originais de três notas fiscais (NF): A) NF 000057, emitida por Informa Consultoria Mineira Ltda., no valor de R$777.777,77; b)NF 0073, emitida por Fundação Freitas Júnior, no valor de R$1. 178.000,00, e, c) NF 0078, emitida por Fundação Freitas Júnior, no valor de R$600. 000,00. Apresentou também cópia de documento elaborado por ESCELSA Espirito Santo Centrais Elétricas S.A., resumindo os valores compensados e comprovantes de pagamentos efetuados à SAMARCO, aduzindo que tais informações constariam do processo n° 11543.004208/200338. Analisando tal documento, verificaram os autores que o mesmo se refere ao "Termo de Operacionalização das Transferências de Créditos Acumula os de ICMS Acordado entre o Estado do Espírito Santo e Samarco Mineração S.A.; verificaram também que do processo n° 11543.004208/200338 julgado no Conselho de Contribuintes, que negou provimento ao recurso voluntário pelo unânime Acórdão n° 10614763) consta exigência de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), com multa qualificada, em decorrência de pagamentos sem causa, conforme descrito a seguir (trechos extraídos do referido processo): i. a ESCELSA emitiu cheques nominativos à SAMARCO, no montante de R$4.378.000,00, como parte do pagamento pela cessão de créditos de ICMS; ii. os cheques foram efetivamente recebidos pela SAMARCO, contudo, as quantias não foram contabilizadas como entrada de numerário no caixa, sendo os cheques endossados em branco e entregues a membros do Governo Estadual, segundo declaração da SAMARCO; iii. ato contínuo, os cheques foram depositados nas contas de seus beneficiários finais: A Madeira Indústria e Comércio Ltda, Carlos Guilherme Lima, Raimundo Benedito de Souza Filho e Auto Posto Contorno Ltda.; Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.018092/200549 Acórdão n.º 9101001.854 CSRFT1 Fl. 1.409 7 iv, notas fiscais frias e recibo foram utilizados na contabilidade para simular que houve doação para a Fundação Freitas Júnior e para o CIAC Raymundo Andrade, quando na verdade os valores foram desviados para as pessoas precitadas, caracterizando pagamento sem causa e sem comprovação da operação. No que se refere à quantia de R$ 2.1,0.000,00, a empresa informou "que não localizou o documento fiscal, sendo que este valor foi " contabilizado a título de doação", muito embora se encontre registrado na conta "Outras Despesas Operacionais", com o histórico "Desp. Transf ICMS Entidade Direito Priv". Quanto à nota fiscal (NF) n° 000057, no valor de R$777.777,77, supostamente emitida por INFORMIL CONSULTORIA MINEIRA LTDA, os Autores constataram que ela ostentava o número de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) 19.884.394/000116, atribuído à empresa INPORMIL INFORMADORA MINEIRA LTDA ME, com sede no mesmo endereço mencionado naquela nota fiscal. Em _acréscimo, verificaram que, nos cadastros da Secretaria da Receita Federal, não se acha registrada nenhuma empresa denominada INFORMIL CONSULTORIA MINEIRA LTDA. Na sede da empresa INFORMIL INFORMADORA MINEIRA LTDA ME, os Autores constataram que esta empresa emitiu a nota fiscal 000057, em 16 de janeiro de 1979, porém no valor de Cr$1.440,00 (mil, quatrocentos e quarenta cruzeiros). A tal respeito, o representante da empresa declarou que: A) jamais teria prestado serviços à ora impugnante SAMARCO MINERAÇÃO S/A; B) sua atividade não é a advocacia, mas o fornecimento de informações cadastrais; e c) o valor de R$777.777,77 é muito superior e incompatível com o faturamento total de sua empresa. Isto posto, intimouse a SAMARCO a apresentar cópia dos lançamentos contábeis e da documentação comprobatória do pagamento efetuado a INFORMIL CONSULTORIA MINEIRA LTDA, no valor de R$777.777,77; em resposta, foi dito que o pagamento teriasido efetuado pelo cheque 479889, do BANCO DO BRASIL, agência Anchieta, no Estado do Espírito Santo (ES). Após nova intimação, apresentouse cópia frente e verso do referido cheque, ficando patente que o mesmo era nominal a GILBERTO DE SOUZA LEITE E ADVOGADOS ASSOCIADOS S/C. Em diligência, GILBERTO DE SOUZA LEITE, sócio do escritório que leva seu nome, informou que A )sua empresa nunca prestou serviços para a SAMARCO MINERAÇÃO S/A; Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 B) dela não recebeu jamais nenhuma pecúnia; c) não reconhecia como sua a grafia da assinatura lançada no verso do cheque 479889, nem o carimbo nele aposto; D) a conta bancária em que este foi depositado não pertence à sua empresa nem a ninguém de seu relacionamento. Indagada a respeito, a interessada SAMARCO —MINERAÇÃO S.A. não prestou nenhum esclarecimento adicional. Com respeito à FUNDAÇÃO FREITAS JÚNIOR, os Autores do feito informam que as notas fiscais (NF) 0073, 0077 e 0078, todas apresentadas pela impugnante, seriam doeu' mentos inidôneos, por conterem diversas irregularidades, a seguir resumidas. Inicialmente, assinalam os Autores que, para acobertar alegadas prestações de serviços, utilizouse o modelo 1 de nota fiscal fatura, adequado apenas para operações com mercadorias ou produtos. Ademais, a FUNDAÇÃO FREITAS . JÚNIOR consta no CNPJ como pessoa jurídica de direito público com abertura em 6 de março de 2001 e domicílio fiscal na Avenida Expedito Garcia, 149/101 Campo Grande Cariacica/ES CEP 29146 2001; entretanto, as notas fiscais 0073 e 0078 são datadas respectivamente de 15 de janeiro de 2001 e 13 de fevereiro de 2001, ou seja, são anteriores à data em que foi constituída a FUNDAÇÃO que, supostamente, têlasia emitido. Além disso, a data de emissão da nota fiscal n° 0077(8 de março de 2001) é posterior à da nota fiscal n° 0078 (13 de fevereiro de 2001). Foi assinalado também que a suposta autorização n° 1.511/99, concedida pela Agência da Receita Estadual de Cariacica, no Espírito Santo, para impressão das referidas notas fiscais, é datada de 4 de novembro de 2000, sendo, portanto, anterior à constituição daquela pessoa jurídica. As notas fiscais mostram ainda as seguintes peculiaridades: (a) as numerações tipográficas surgem em posições diferentes; (b) nelas, constam dois CNPJ distintos para a FUNDAÇÃO FREITAS JÚNIOR: 00.277.226/000139 (NF 0073 e 0078) e 04.314.750/000199 (NF 0077); em consulta ao sistema CNPJ da Secretaria da Receita Federal, verificouse que o CNPJ n° 04.314.750/000199 foi atribuído à FUNDAÇÀO FREIUS JÚNIOR, enquanto que o CNPJ n° 00.277.226/000134 corresponde à empresa TRADEX COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, empresa de comércio atacadista de mármores e granitos, com domicílio fiscal na Avenida Saturnino Rangel Mauro n° 1.305, sala 202, Jardim da Penha, Vitória/ES CEP: 29060770 (fls 358/360); (c) o endereço da FUNDAÇÃO FREITAS JÚNIOR constante daquelas notas fiscais (R. Rio Grande do Sul, n° 35 Boa Sorte Cariacica/ES, CEP 29141300) diverge do constante no sistema CNPJ (Av. Expedito Garcia, 149/101 Campo Grande – Cariacica/ES CEP 29146201). Finalmente, diligenciando nos endereços acima citados, como consta do processo n° 11543.004208/200338 (vejamse fls. 175 Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.018092/200549 Acórdão n.º 9101001.854 CSRFT1 Fl. 1.410 9 e 176), a Delegacia da Receita Federal em Vitória não localizou a Fundação Freitas Júnior. Os Autores intimaram a interessada a apresentar os comprovantes de prestação dos serviços e pagamentos efetuados, correspondentes às notas fiscais n° 28,,3641, 57, 76, 79 e 83, emitidas por CONSTRUTORA ESTRADA E ENGENHARIA LTDA e registradas em sua contabilidade, como segue: (...) (VER TABELA DE fls . 1.166) A interessada apresentou as notas fiscais originais e respectivos números dos cheques utilizados para as respectivas quitações, informando, porém, não haver localizado os correspondentes contratos de prestação de serviços. Em face disto, foi ela intimada a descrever pormenorizadamente os serviços a ela prestados pela dita CONSTRUTORA e a apresentar os relatórios técnicos e outros documentos que pudessem comprovar a efetiva prestação destes mesmos serviços. Em resposta, a impugnante,informou não haver localizado nenhum documento ou possuir informações adicionais àqueles já transmitidos anteriormente. Pesquisando nos arquivos eletrônicos da SRF, recuperouse o suposto endereço da CONSTRUTORA ESTRADA E ENGENHARIA LTDA., que seria o da Avenida Amazonas, 885, Loja 128, Centro, nesta Capital. Em lá comparecendo, depararamse os Autores com um salão de beleza (NALDA CABELEIREIROS) que ali existe, há mais de dois anos, sendo lhes informado que que, anteriormente, funcionava no mesmo local empresa similar; segundo o síndico do CONDOMÍNIO GALERIA BELO HORIZONTE, onde se situa a referida loja, nenhuma empresa com a denominação CONSTRUTORA ESTRADA E ENGENHARIA LTDA. operou no endereço indicado nos últimos quinze anos, pelos menos. Oficiando à Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, obtiveram os Autores a informação de que a inscrição municipal da mencionada construtora encontrase bloqueada no Cadastro Mobiliário deste Município, tendo em vista jamais haver sido localizada no endereço por ela informado. Também foi esclarecido que a empresa possui apenas uma única Autorização para Impressão de Documentos Fiscais (AIDF), numerada 9646, de 3 de maio de 2000 (a que correspondem dois talonários de Notas Fiscais de Prestação de Serviços Série A, documentos de números 000001 a 000100). À vista disso, entenderam os Autores não ser possível confirmar a existência efetiva de tal construtora. Esclarecem os Autores que os cheques emitidos pela SAMARC o para supostos pagamentos à CONSTRUTORA ESTRADA E ENGENHARIA LTDA. foram endossados e depositados em contas bancárias de terceiros, a exemplo do cheque n° 480141, do Banco do Brasil, no valor de R$100. 000,00, depositado na conta da empresa AUTO POSTO CONTORNO LTDA. (ver11. 55). Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 A interessada valeuse da conta de resultado 932202 ("Ajuste Estoque p/ Retif de Custo”') para contabilizar os valores das notas fiscais 28, 36, 57 e 83, majorando o custo dos respectivos períodos de apuração. A nota fiscal 41 foi registrada no centro de custo 1010000899, sendo apropriada ao custo dos produtos no mês do registro. As notas fiscais 76 e 79 foram contabilizadas no gasto 8838930807 e na conta 9127090013, respectivamente, tendo sido diferidas e apropriadas à razão de 1/12 (um doze avos) ao custo dos produtos vendidos a partir do mês subseqüente da sua contabilização. Por filha de comprovação, os alegados pagamentos feitos à CONSTRUTORA ESTRADA E ENGENHARIA LTDA foram glosados. Quanto à despesa não comprovada de R$2.160.000,00, registrada como "Desp.Transf ICMSEntidade Direito Priv", esclarecem os Autores que, no curso do processo n° 11543.004208/200338, ficou patente que este valor integra uma vultosa operação de desvio de pecúnia, realizada no bojo de uma cessão de créditos de ICMS (Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação), feita pela impugnante à companhia ESPÍRITO SANTO CENTRAIS ELÉTRICAS S.A. — ESCELSA, no total de R$39.300.000,00 (trinta e nove milhões e trezentos mil reais). Desta quantia, R$4.378.000,00 (quatro milhões, trezentos e setenta e oito mil reais) foram desviados para pessoas estranhas à impugnante, como segue: (...) (VER TABELAS DE fl. 1.167) Os dois primeiros cheques da tabela acima (grafados em itálico) perfazefn R$2.160.000,00, exatamente o mesmo valor da despesa glosada pelos Autores por falta de comprovação. Foi igualmente glosada a dedução, como despesa, de R$40.000,00, registrada como pagamento ao CENTRO INTEGRADO DE ATIVIDADES CULTURAIS E EDUCACIONAIS RAYMUNDO ANDRADE (CL4C 1?AYMUNDO ANDRADE). Segundo os registros contábeis da interessada, teria ela recebido de ESCELSA, em razão da já mencionada cessão de direitos, a quantia de R$640.000,00, representada pelos cheques numerados 002723, no valor de R$400.000,00, contra a Caixa Econômica Federal (CEF), e 000600, no valor de R$240.000,00 contra o BANCO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO S.A. (BANESTES — itens 4 e 7 da tabela acima). A interessada afirmou haver repassado este último cheque a dois beneficiários simultâneos, a FUNDAÇÃO FREITAS JÚNIOR e o CIAC RAY MUIVDO ANDRADE (uma impossibilidade jurídica). Na realidade, constatouse que o cheque de n° 00600, depois de endossado pela interessada (fl. 186), veio a ser depositado em conta corrente bancária de titular idade de AUTO POSTO CONTORNO LTDA. (assim corno dois outros, também emitidos pela ESCELSA — vejamse itens 6, 7 e 8 da tabela acima). Em 28/02/2001, a interessada excluiu da base de cálculo do IRPJ o valor de R$40. 000,00, à guisa de baixa de parte da provisão de RS940.000,00, efetuada em 29 de Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.018092/200549 Acórdão n.º 9101001.854 CSRFT1 Fl. 1.411 11 dezembro de 2000, conforme verso da folha 106 do LALUR. Intimada a justificar a necessidade e usualidade dessa despesa e, caso, se tratasse de doação, que apresentasse os comprovantes de dedutibilidade na forma do artigo 365, do RIR199, ainteressada apresentou cópia de recibo supostamente firmado pelo CIAC RAYMUIVDO ANDRADE e parte da nota fiscal n° 078, supostamente emitida pela FUNDAÇÃO FREITAS JÚNIOR. Os Autores do feito observam: Mesmo que tivesse ocorrido uma doação, como contabilizada pela Samarco, não estaria incluída nos casos de dedutibilidade, por faltar os requisitos previstos no artigo 365, do RIR/99. Examinando a conta 9335090000 (Outras Despesas Operacionais), os Autores do feito depararamse com diversos registros, resumidos no QUADRO IV, abaixo. Tais registros correspondem a parcelas do valor pago pelos créditos cedidos pela interessada à ESCELSA, parcelas estas retidas pela cessionária e registradas pela interessada como doações ao FUNDO DE RECUPERAÇÃO ECONÔMICA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (FUNRES) e a programas e entidades daquela unidade da Federação, como o PROJETO LUZ DO CAMPO, a FUNDAÇÃO AUGUSTO RUSCHI, etc. (...) (VER TABELAS DE fls. 1.168) Os Autores esclarecem: A) a provisão de R$940.000,00 (item 2 do QUADRO V, acima) é composta de duas parcelas: uma de R$900.000,00, referente à FUNDAÇÃO FREITAS JÚNIOR, e outra de R$40.000,00, referente ao CL4C RAYMUNDO ANDRADE, conforme página 106 verso, Parte "B" do livro de apuração do lucro real (LALUR), conta "Provisão Desp. Transf ICMS/ES Meio Ambiente"; B) a provisão de R$300.000,00 (item 3, ibidem) está registrada na folha 107 da Parte "B" do LALUR com referência à FUNDAÇÃO FREITAS JÚNIOR. Partindo dos valores constantes do QUADRO IV e de outros levantados no curso das averiguações efetuadas, os Autores do feito assim se manifestaram: FUNDAÇÃO AUGUSTO RUSCHI Esta rubrica integra o requerimento da interessada ao Governador do Estado do Espírito Santo, datado de 28 de junho de 2000, em que a empresa solicitou autorização para transferência de créditos de ICMS para a ESCELSA, tendo como contrapartida a doação de R$6.300.000,00 a entidades ligadas a pesquisa, recuperação e preservação do meio ambiente no Estado do Espírito Santo. Intimada, a impugnante apresentou cópia de recibo, firmado em 31 de agosto de 2000, no qual Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 consta que aquela quantia se refere a doação a ser aplicada em projetos relativos à recuperação e preservação do meio ambiente. Este valor encontrase no item 4 do Auto de Infração de IRPJ. PROJETO LUZ NO CAMPO Também consta do já mencionado requerimento da interessada ao Governador do Estado do Espírito Santo o compromisso de doação no valor de R$9.000.000,00 ao PROJETO LUZ DO CAMPO. Os Autores do feito verificaram que tal doação influenciou o Lucro Real dos respectivos períodos da seguinte forma: A)em 28 de dezembro de 2000, sob a forma de apropriação, como despesa, de R$300.000,00, diretamente na conta 9335090000; B) em 22 de fevereiro de 2001, excluíramse no LALUR duas parcelas de R$500.000,00, totalizando R$1.000.000,00 como baixa de parte da provisão no valor total de R$10.140.000,00 (QUADRO V, acima); e c) em 29 de março de 2001, excluíramse R$500.000,00 no LALUR, também como baixa de parte da provisão no valor total de R$10.140.000,00. Foram glosadas (i) tanto a despesa de R$300.000,00 quanto (ii) as exclusões, que somam R$1.500.000,00, por não preencherem os requisitos do artigo 365 do RIR/99. No Auto de Infração de IRPJ, estes valores encontramse assim distribuídos: (...) (VER TABELA DE fl. 1.169) A interessada registrou valores em beneficio do FUNDO DE RECUPERAÇÃO ECONÔMICA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (FUNRES), no valor de R$600. 000,00, assim distribuídos: A) em 28 de dezembro de 2000, apropriou, diretamente na conta 9335090000 (Outras Despesas Operacionais) duas parcelas de R$150.000,00 (itens 4 e 6 do QUADRO IV), totalizando R$300.000,00, e B) em 22 de fevereiro de 2001, excluiu no LALUR R$200.000,00, como parte da provisão R$10.140.000,00 constituída em 29 de dezembro de 2000 (item 4 do quadro V, acima); e C) em 22 de fevereiro de 2001, constituiu com este . fim provisão não dedutível de R$100.000,00. No Auto de Infração de IRPJ, estes valores encontramse assim distribuídos: (...) (VER TABELAS DE fls 1.170) FUNDAÇÃO FREITAS JÚNIOR Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.018092/200549 Acórdão n.º 9101001.854 CSRFT1 Fl. 1.412 13 A impugnante contabilizou R$3.078.000,00, à guisa de pagamentos à FUNDAÇÃO FREITAS JÚNIOR, assim distribuídos: (...) (quadro às fls 1.170) Os Autores constataram igualmente a ocorrência de receitas não computadas na apuração do lucro, como segue: [..] 37. Tendo em vista o fato de que a maioria das operações de venda da empresa serem para o exterior, sem incidência do 1CMS, os créditos originários das compras, não utilizados na compensação desse imposto na saída de mercadorias, foram transferidos para outras empresas nos anoscalendário de 1999 a 2003. [..] 39. [..] A diferença entre o valor do crédito transferido e o valor de alienação acertado entre as partes foi contabilizado em 2002 e 2003 como desconto concedido ou deságio, na conta Outras Despesas Operacionais código 933509 0000. 40. Quanto à transferência ocorrida em 28/12/2001 [..] foi ajustada entre as partes pelo valor de R$9.087.485,80, sem qualquer deságio. 41. A fiscalizada realizou, também, transferências de créditos acumulados de ICMS no Estado do Espírito Santo, sendo efetuadas operações em 2000 e 2001 com a ESCELSA. [..] Alguns valores a receber foram contabilizados como doação, sendo retidos pela Escelsa [..] e contabilizados a débito da conta 933509 Outras Despesas Operacionais, ocorrendo algumas vezes anteriormente uma constituição de provisão. No total foram transferidos para Escelsa R$39. 300.000,00 em créditos de ICMS acumulados. 42. Por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 4, de 02/02/2005, intimamos o contribuinte a informar as contas contábeis de receitas em que foram lançadas as transferências de créditos acumulados de ICMS a ESCELSA, ocorridas nos anos calendário de 2000 e 2001. Em resposta de 14/02/2005 informou que os valores referentes às transferências de créditos de ICMS à ESCELSA não foram registrados corno receita. [..] 44. Assim as receitas auferidas decorrentes das transferências de crédito efetuadas com a ESCELSA, nos anos de 2000 e 2001, bem como as demais transferências efetuadas a outras empresas nos anos de 2001 a 2003 não transitaram por qualquer conta de resultado (receita), não sendo oferecidas à tributação do IRPJ conseqüentemente. Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 45. [..] Mesmo não transitando por conta de receita, o resultado obtido pelas transações efetuadas se insere no campo de incidência do IRPJ A operação efetuada, [..] configurase como [..] cessão de créditos. [..] 47. Nas operações de transferências de créditos de 1CMS descritas no tópico "RECEITAS NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO", a diferença entre o valor do crédito transferido e o valor de alienação acertado entre as partes foi contabilizado em 2002 e 2003 como desconto concedido ou deságio na conta Outras Despesas Operacionais código 933509 0000: u seja, além de não reconhecer a receita da venda dos créditos de ICMS, a empresa ainda aproveitou o deságio concedido como despesa operacional. Ao tributarmos as receitas conforme relatado no tópico anterior, já deduzimos do valor do crédito negociado o deságio concedido. Prosseguindo, os Autores do feito intimaram a interessada a justificar a falta de apuração e recolhimento, sobre o lucro oriundo da exportação de minerais, do adicional previsto na Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. A intimada respondeu que apura e recolhe o Imposto de Renda à alíquota de 18% conforme decisão já transitada em julgado, proferida pelo TRF da 1° Região na Apelação Cível n° 95.01.286584, de seguinte teor: Diante do exposto, dou provimento à apelação para, reformando a sentença, julgar procedente a ação e declarar que a empresa autora não está obrigada a recolher o imposto de renda pela alíquota de 30%, mas de 18%, nos termos da legislação anterior à Lei n° 8.034/90. Analisando as DIPJ apresentadas pela fiscalizada nos anos calendário de 2000 a 2003, objeto desta ação fiscal, os Autores verificaram que a contribuinte as preencheu de forma que o valor do imposto correspondesse à alíquota de 18% sobre o lucro decorrente das exportações de minério, adaptando o preenchimento dos respectivos formulários (que prevêem apenas a alíquota de 15% do imposto de renda e 10% para o adicional), embora, para o lucro decorrente das demais atividades, calculasse o imposto de renda e seu adicional valendose das alíquotas de 15% e 10%, de acordo com a legislação vigente. Para conseguir apurar o IRPJ à alíquota de 18% sobre o lucro decorrente da exportação de minérios, a contribuinte utilizou, na ficha 08 da DIPJ ("DEMONSTRAÇÃo DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO"), as linhas 07 ("Receita da Exportação Incentivada BEFIEX até 31/12/87") e 39 ("Parcela Correspondente à Exportação Incentivada BEFIEX até 31/12/87"), transportando o valor da linha 39 para a linha 24 ("Lucro Explor. Export. Incent. BEFIEX até 31/12/87") da Ficha 09A ("DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL") e excluindo tal valor do Lucro Real do período. Intimada, esclareceu haver utilizado estas linhas apenas para cálculo dos incentivos fiscais previstos no DecretoLei 1.240, de 11 de outubro de 1972 (exportação de minerais abundantes), sem qualquer relação com Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.018092/200549 Acórdão n.º 9101001.854 CSRFT1 Fl. 1.413 15 o programa BEFIEX. Em assim sucedendo, formularam o Autores a exigência do correspondente valor, tal como detalhado de fls. 69 e 70. Em particular, a interessada, ao preencher a DIPJ do exercício de 2002, lançou, na ficha 09A ("Demonstração do Lucro Real"), linha 24 ("Lucro Explor. Export. Incent. Befiex até 31/12/1987"), a parcela subtrativa de R$136.736.967,23 (fl. 687, vol. IV). Em conseqüência, foi gerado, na linha 38 ("Lucro Real Antes Das Comp. Prejuízos Do Próprio Período De Apuração"), um valor negativo igual a (R$31.462.114,32). A tal respeito assim se manifestaram os Autores: Não existe previsão legal para a separação do cálculo do lucro da exportação de minerais do cálculo do lucro das demais operações da empresa. O contribuinte inovou ao segregar os resultados da exportação de minerais e das demais atividades e efetuar a compensação de prejuízos por atividade. Prosseguindo, informam eles que a interessada manejou diversas ações, dentre as quais a de número 96.00.257647/MG, com a qual pretendeu afastar a incidência do artigo 38 da Lei ri° 8.880, de 27 de maio de 1994, e, assim, efetuar a correção monetária de suas demonstrações financeiras pela variação do IGPM, para efeito de apuração do IRPJ e da CSLL. No auto em exame, glosaramse os efeitos da correção monetária praticada pela interessada e lançouse o respectivo crédito tributário, com exigibilidade imediata, uma vez que tal pedido foi julgado improcedente e o recurso interposto pela interessada ainda pendesse de julgamento à época do feito fiscal. Os Autores verificaram também que a interessada, tendo optado pela apuração anual, achavase obrigada ao recolhimento mensal por estimativa do IRPJ e que, em suas D1PJ 2001 a 2004, consta a opção pela determinação da base de cálculo da estimativa mensal com base em balanço de suspensão ou redução. Examinando a escrituração da interessada, os Autores verificaram divergências entre os valores da estimativa mensal devida na forma da legislação vigente e aqueles declarados ou recolhidos, divergências estas de duas ordens: (a) falta de pagamento de imposto relativo às receitas omitidas conforme aqui apurado; e (b) falta de pagamento de imposto em face da adoção da mesma metodologia de cálculo utilizada na apuração anual para o cálculo da estimativa mensal (alíquota de 18% de imposto de renda). Ficou também constatado que a fiscalizada não declarou nem recolheu a CSLL, alegando haver requerido, por meio da Ação Ordinária n° 90.00036704, a declaração de inexistência da relação jurídica que a obrigasse a recolher a contribuição exigida pela Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988. No curso da referida Ação, a sentença m.onocrática foi adversa à ora irnpugnante, mas veio a , ser reformada em segunda instância, ficando declarada a inconstitucionalidade da mencionada Lei n° Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 16 7.689, de 1988. A apelação da Fazenda Nacional foi negada, a ação rescisória foi julgada improcedente, assim como foi negado seguimento aos recursos extraordinário e especial, com trânsito em julgado. Uma vez que, à época do lançamento, a matéria se encontrava regida por lei diversa, qual seja a Lei n.° 8.212, de 24 de julho de 1991, o lançamento foi realizado normalmente." Impugnação às fls. 949/971. Decisão de primeira instância às fls. 1.042/1.089, com a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a REndada de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2001:, 2004 Ementa: PRODUÇÃO DE PROVAS As provas de defesa deverão ter natureza documental e serão apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, com as ressalvas da lei. DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA Não existe tal cerceamento quando a impugnação apresentada pelo autuado demonstra sua total compreensão dos fatos a ele imputados. RESPONSABILIDADE Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independente da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato e, para que seja deslocada a terceiro, é mister que a autoria do ilícito, por parte deste, fique inequivocamente provada. MULTAS Nos lançamentos de oficio, aplicase multa agravada nos casos de evidente intuito defraude. DOAÇÕES São vedadas as deduções decorrentes de quaisquer doações e contribuições, excetuadas aquelas que se façam dentro dos parâmetros legais. DESPESAS São dedutíveis, exclusivamente, as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, desde que sejam usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.018092/200549 Acórdão n.º 9101001.854 CSRFT1 Fl. 1.414 17 DUPLICIDADE DE EXAÇÃO Impossível sua ocorrência em autos distintos quando não coincidirem exatamente os respectivos , fundamentos factuais. ADICIONAL DE IRPJ A parcela do lucro real, presumido ou arbitrado, que exceder valor fixado em lei sujeitase à incidência de adicional de imposto de renda, sem exclusão do lucro decorrente das exportações incentivadas ou da exportação de minerais. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA Aos _órgãos do executivo em geral e à autoridade tributária em particular cabe aplicar a legislação, dado que a atividade de lançamento é plenamente vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional DESÁGIO Os valores deduzidos do preço na cessão de créditos não podem ser computados como despesa. MATÉRIA CONSTITUCIONAL A argüição de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. AÇÃO JUDICIAL A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. IRRF É devido IRRF no caso de pagamentos feitos a beneficiário não identificado. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA A doutrina e jurisprudência, esta última com as exceções previstas em lei, não se quadram no conceito de legislação tributária. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA A lei retroage quando comina penalidade menos severa, nos casos não definitivamente julgados. LANÇAMENTOS DECORRENTES Mantido o lançamento principal, igual sorte cabe àqueles que dele decorrem, em razão do nexo causal que os une. Lançamento procedente em parte." Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 18 Ciência da decisão do órgão a quo no dia 13.10.2006, à fl. 1.104. Recurso a este Colegiado com entrada na repartição local no dia 10.11.2006, às fls. 1.105/1.140. Bens arrolados à fl. 1.143.Juízo de seguimento da repartição de origem à fl. 1.148. Em recurso voluntário, basicamente reiterando os argumentos que expôs em sua defesa perante o órgão a quo, aduz: 1) cerceamento do direito de defesa, uma vez que a autoridade julgadora rejeitou o pedido de produção de prova documental, testemunhal e pericial, o que seria indispensável para demonstrar a ausência de nexo causal com os fatos indicados como fraude, além de servir para evidenciar as inconsistências, os excessos, a superposição, a duplicidade , e a cumulatividade na imposição do tributo, da multa e dos juros; 2) quanto às despesas não comprovadas, assinala que o Fisco considerou indedutíveis os pagamentos realizados em benefício de Informil Consultoria Mineira Ltda ou Gilberto de Souza Leite Advogados Associados, Fundação Freitas Júnior, Construtora Estrada e Engenharia Ltda, ao fundamento de que houve evidente intuito de fraude, tendo em vista a escrituração de notas fiscais inidôneas, em relação às quais admite a indigitada inidoneidade ou sua imprestabilidade, levandose em contas os fatos trazidos a lume pelo excelente trabalho realizado pelos auditores fiscais, afigurandose inconteste a afirmativa que proferiram, no que tange às precitados provas reunidas; 3) todavia, sustenta que a mera imprestabilidade dos documentos registrados na contabilidade não constitui, por si só, elemento configurador do dolo, o que é essencial na fraude, asseverando que o tipo subjetivo reside na vontade livre e na consciência de atuar para a obtenção de vantagem econômica indevida, em desfavor do Fisco; 4) nesses termos, afirma que é imprescindível que se comprove o nexo de causalidade entre a conduta da autuada e o resultado juridicamente indesejado, oque não restou demonstrado, pois o uso de tais documentos não lhe acarretou vantagem econômica alguma e, sim, prejuízo; 5) ademais, assegura que só tomou conhecimento da falsidade no decorrer da própria ação fiscal e que os valores lançados com base nos documentos inidôneos representaram um dispêndio efetivo e concreto; 6) a ocorrência ora exposta convergiu em episódio isolado de toda sua existência, acrescentando que fora vítima de uma conduta desleal e irregular de um ex funcionário, o qual, excedendo dos poderes que lhe foram conferidos em mandato, abusou da boafé e da confiança que se lhe outorgou, apresentado as notas fiscais para registro como se idôneas fossem, induzindo a erro toda a contabilidade, malgrado reafirme a efetividade do dispêndio, proclamando que o prejuízo somente repercutiu em si própria; 7) diante dessas considerações, a despeito das falhas acima reunidas, a defesa manifesta que a contabilidade apenas consignou erros contábeis escusáveis, inaptos a produzir os efeitos tributários deduzidos na presente fiscalização; Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.018092/200549 Acórdão n.º 9101001.854 CSRFT1 Fl. 1.415 19 8) finalizando o ataque à glosa de despesas do item 2, supra, agora invocando os artigos 135 e 136 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN), adverte que a responsabilidade pelos atos é pessoal, devendo recair sobre os ombros do mencionado preposto todo o peso das exigências formuladas nos autos de infração; 9) no que afeta às doações sem comprovantes, no valor de R$2.160.000,00, bem assim no que se refere aos montantes registrados a esse título em favor do FUNRES Fundo de Recuperação do Estado do Espírito Santo — e do Projeto Luz no Campo, além de outras vantagens contabilizadas em benefício de entidades ligadas à pesquisa, à recuperação e à preservação do meio ambiente, indicadas por autoridades daquele Estado, a exemplo da Fundação Augusto Ruschi, da Fundação Freitas Júnior e do CIAC Raymundo Andrade, a defesa realça que o crédito tributário relacionado a tais dispêndios resulta, aparentemente, de vários fundamentos, conforme se colhe da análise do trabalho fiscal, sendo que o primeiro deles, também aqui, está lamentavelmente vinculado à imputação da prática de atos fraudulentos; 10) vale dizer que, consoante o entendimento fiscal, a autuada teria dolosamente inserido notas fiscais graciosas em sua contabilidade, visando à ocultação dos reais beneficiários das doações, pessoas ligadas à vida política e ao governo daquele Estado; 11) já o segundo fundamento que embasa o desprezo fazendário às doações acima espelhadas reside na falta de comprovação da efetividade dos correspondentes desembolsos, em sintonia com a apontada inidoneidade dos documentos juntados pelo Fisco, o que conserva conexão com a infração ilustrada no processo n° 11543.004208/200338, no qual se deu relevo ao encobrimento dos verdadeiros favorecidos; 12) o terceiro fundamento, ao seu turno, à luz da narrativa fiscal, mantém ligação com o critério contábil que determinou o registro dos valores de entrada e saída em sua escrituração, porquanto, ao refletir doações cujos requisitos de dedutibilidade não teriam sido observados, o lançamento de oficio decorreu diretamente de sua glosa: 13) ao repelir o dolo que lhe foi imputado, renova a explanação de que não auferiu qualquer proveito das irregularidades que lhe foram atribuídas, dado que a transferência de créditos acumulados de ICMS à pessoa jurídica ESPÍRITO SANTO CENTRAIS ELÉTRICAS S/A — ESCELSA, na importância de R$39.300.000,00, configura acordo pactuado que não desborda licitude e da validade; 14) com base no que se asselou até aqui, declara que as entidades e instituições donatárias foram recomendadas pelo próprio Estado do Espírito Santo, que também se beneficiou com os repasses financeiros, aproveitandoos no designado Funres e Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 20 no Projeto Luz no Campo, abarcados pela própria estatal de energia elétrica; 15) manifestando que atuou de boafé, a autuada relata que se limitou à transmissão de recursos financeiros aos programas governamentais, garantindo que suportou prejuízo com o deságio de seus créditos, não sendo justa sua responsabilização pela inidoneidade das notas fiscais, já que não lhe coube a indicação das entidades e das instituições beneficiárias, nem a produção de notas fiscais; 16) nesse contexto, defende que sua responsabilidade não pode ultrapassar o cumprimento do negócio acertado com o Estado, rejeitando a fraude de que fora acusada, atentandose ao fato de que eventual desvio de valores não derivou de qualquer ação que praticara com este propósito, devendo ser atribuída, sim, a ato alheio à sua vontade e fora de qualquer limite de seu controle; 17) ademais, acrescenta que não havia razão plausível a justificar a menor desconfiança em relação à idoneidade das instituições e dos documentos exibidos ao Fisco, ressaltando, ao contrário, que a Fundação Augusto Ruschi desfruta de notoriedade e publicidade em função do seu trabalho de pesquisa e preservação do beijaflor; 18) ainda relembrando o lançamento de imposto de renda retido na fonte (IRRF), menciona, a respeito de sua apuração, que não pode ser emprestada, para o deslinde da controvérsia ora em discussão, a conclusão de que atuou dolosamente, em alinhamento ao resultado definitivo, na seara administrativa, das investigações relatadas nos autos do processo n° 11543.004208/200338; 19) de qualquer modo, tal a origem comum aos mesmos fatos, assinala que a presente autuação constituiria excesso de exação, um inquestionável bis in idem, a macular a certeza e a consistência do trabalho fiscal, derruindo a segurança jurídica e tomando írrito o procedimento fiscal; 20). aliás, in casu, está visível o conflito de tratamento tributário, já que a unidade do Fisco Federal em terras capixabas aplicou mecanismo antielisivo para desqualificar o negócio jurídico original a transferência, mediante endosso, dos cheques emitidos pela cessionária — percebendo, aí, pagamentos de comissão a terceiros, com tributação exclusiva na fonte, ao passo que a Fiscalização Federal sediada em Minas Gerais glosou as despesas ao entendimento de que se tratavam de doações irregulares; 21) referida colisão verificável na espécie traz a eiva da inconsistência na ação fiscal, cujas autuações, por reflexo, não podem prevalecer; 22) diante dos fundamentos fáticos e jurídicos que se vislumbram, elucida que é correto e razoável o critério de contabilização dos vares transferidos ao Estado e às pessoas jurídicas indicadas pelo ente federativo, em consonância ao negócio jurídico celebrado; Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.018092/200549 Acórdão n.º 9101001.854 CSRFT1 Fl. 1.416 21 23) nesse condão, reafirma as despesas efetivas incorridas com supedâneo no negócio jurídico celebrado, que não se revestia das características da doação espontânea, livre ou incondicionada, em virtude do deságio e do repasse de valores em prol do Estado e de outros beneficiários, verdadeiros encargos decursivos de uma doação modal incidental, essencial e onerosa, convencionada com o Espírito Santo; 24) assim, no pior dos cenários, quedaria dúvida razoável sobre o correto tratamento fiscal de um fato único; 25) no tocante à cessão de créditos de ICMS, discordando do lançamento tributário quanto ao item em menção, expressa forte rejeição à autuação, que extrapolou os limites do absurdo e do excesso; 26) no ponto, recorda que a decisão recorrida entendeu que a Lei Complementar n° 87/96 não isenta o ganho na alienação de créditos de ICMS acumulados; 27) de outra sorte, salientou que a autoridade a quo, desvinculandose de toda simetria, explicitou que é incorreta a classificação do deságio na alienação dos créditos em exame no rol das despesas dedutíveis, afora o fato de que, segundo o pronunciamento do julgador, houve manipulação da ciência contábil para obstar a formalização de lançamento tributário com fulcro no aludido desconto; 28) nesses termos, adverte que a apuração da Administração Tributária empregou critério dúbio, com dois pesos e duas medidas, capitulando os valores recebidos a título de transferência e cessão de créditos como receita tributável, mas não reconheceu o deságio obtido como despesa dedutível; 29) com a atenção fixada nesta diferenciação, arremata que o trabalho fiscal está • incoerente e contraditório com a orientação do próprio Fisco que, em Solução de Consulta, já proferiu que a receita que se relaciona ao deságio é ganho tributável do cessionário ou adquirente do crédito, jamais do cedente; 30) continuando com as referências ao deságio e à receita proveniente da cessão de créditos, defende que o primeiro é o contraponto desta última, adicionando a esses argumentos a percepção acerca da situação real que normalmente envolve as transferências de créditos fiscais, chamados vulgarmente de "moeda podre", em vista da notória inadimplência do Fisco, motivo pelo qual somente se viabilizam se houver a concessão de um diferencial, que nada mais é do que um prejuízo para o cedente; 31) outrossim, assegura que a conta de créditos acumulados de ICMS constitui indubitável compensação aos esforços de exportação, concedida pela Lei Complementar n° 87, de 13 de setembro de 1996; Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 22 32) de todo modo, socorrese do artigo 43 do CTN para repudiar a incidência do imposto de renda, que recai sobre a aquisição de sua disponibilidade econômica e jurídica, hipótese que não se materializou, na situação fática retratada; 33) no que toca ao adicional do imposto de renda, noticia a realização de uma conduta próxima do excesso de exação, considerando que os ilustres auditores fiscais encarregados do procedimento revogaram o incentivo fiscal aplicado ao regime das exportações, usurpando, a um só tempo, a competência do Legislativo e do Judiciário, fazendo as vezes de parlamentar e magistrado; 34) em face da opinião esposada, sustenta que a Lei n.° 9.249, de 1995, não poderia revogar a Lei n° 7.988,' 'de 1989, por força do art. 150, § 6°, da Constituição da República; 35) nesse sentido, observa que vem recolhendo o IRPJ com o lastro de decisão judicial exarada na AC n° 95.0186584/MG, com trânsito devidamente passado em julgado, o que lhe garantiu a alíquota de 18 % aplicável ao regime de tributação exclusivo e específico das exportações; 36) em outro tema, entende indevida a glosa da compensação de prejuízo, opondose à alegação fiscal de que o ordenamento carece de previsão legal para a segregação do cálculo do lucro das atividades incentivadas, alicerçandose no privilégio do regime incentivado; 37) nesse diapasão, destaca o formulário da declaração de imposto de renda, o qual dispõe de campo adequado à apuração, em separado, do lucro relativo às atividades incentivadas; 38) em sintonia com o que se alinhavou no item acima, explica que a inexistência de espaço reservado ao regime de incentivo denota, tãosomentete, uma falha na elaboração do formulário, o que não pode ser erigido como obstáculo ao exercício de um direito; 39) rebatendo o que descreve a peça fiscal, escorase na tese de que a compensação de prejuízos por atividade é a metodologia correta, rechaçando, por completo, a contaminação de regimes de apuração diversos; 40) quanto ao limite de 30% para compensação de prejuízos fiscais, é firme no ataque à restrição, ao mesmo tempo ilegal e inconstitucional, ressaltando que a questão foi levada ao debate em sede judicial; 41) no mais, acentua que a compensação integralmente efetuada já exauriu os seus efeitos, também sinalizando, por oportuno, que a trava imposta agride os princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco; 42) prosseguindo, agora quanto à glosa das exclusões de encargos de depreciação, amortização e baixas de bens, em virtude da correção monetária do balanço, além da correção monetária integral relativa às diferenças dos índices econômicos dos planos de governo, esclarece que a matéria está sob a Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.018092/200549 Acórdão n.º 9101001.854 CSRFT1 Fl. 1.417 23 sindicância do Poder Judiciário, conforme o relatado no próprio trabalho fiscal, que ressaltou a necessidade do lançamento respectivo a pretexto de evitar a decadência do direito de constituição do crédito tributário; 43) segunda o que ficou consignado em termo, à exceção do processo em que o litígio se acerca do direito de utilizar a correção monetária pelo IGPM 96.00.257647/MG — estão com a exigibilidade suspensa os tributos que defluem das contendas realizadas no âmbito dos processos em que as respectivas demandas versam sobre a variação de índices econômicos, que são os seguintes: a) MS 94.00.131852/MG, que trata da dedução integral do IPC/BTBf, além da diferença de NCz$ 6,92 para NCz$ 10,51 da OTN; b) MS 1999.38.00.015491 4/MG, no qual requer a aplicação da correção monetária sobre as demonstrações financeiras e balanço; 44) sendo assim, se a exigibilidade do crédito se mantém suspensa, nos termos do artigo 151, incisos II e IV, do Código Tributário Nacional, é totalmente descabida a decadência que se quer prevenir; 45) nessa linha, argumenta que o prazo decadencial fica igualmente suspenso ao longo do período em que perdurarem os efeitos da suspensão de exigibilidade de que trata o citado artigo 151 do Código Tributário Nacional; 46) diante disso, impende extinguir este processo administrativo em face de matéria que já é objeto de questionamento judicial, mormente em vista da evidente desnecessidade do lançamento, eis que a justificativa do risco de decadência não é plausível do ponto de vista jurídico; 47) quanto ao mérito da exigência, por conexão com as questões discutidas no Judiciário e por economia processual, reitera os fundamentos jurídicos já defendidos, registrando que a restrição ao direito à correção monetária plena, em qualquer circunstância, implica flagrante violação aos princípios da legalidade, da capacidade contributiva e da vedação ao confisco, ofendendo o artigo 150 da Constituição Federal; 48) no que afeta às diferenças de estimativas mensais, repara que a Fiscalização projetou os reflexos das receitas relativas às infrações apuradas, bem como a repercussão, no recálculo dos valores recolhidos por estimativa mensal, da exclusão do lucro de exportação incentivada sob alíquota de 18%; 49) considerando, portanto, que a exigência referente ao tópico acima foi constituída em decorrência dos fundamentos anteriores, 4 possível garantir que não procedem, pc,1 conseqüência, as infrações registradas com o rótulo de insuficiência no recolhimento de estimativas; 50) nessa trilha de cogitação, se deve ser tributada à alíquota de 18% sobre o lucro de exportação incentivada, também não Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 24 haverá diferença alguma que decorra de valores de IRPJ e CS SL recolhidos a menor, por estimativa; 51) ademais, não fosse assim, seria patente a duplicidade de cobrança, configurando excesso de exação, pois o tributo e as multas incidentes sobre os fatos imputados já foram recalculados, no ajuste do final do anocalendário; 52) sobre a multa e os juros, afirma que os autos revelam uma profusão em cascata, com a aplicação da penalidade inúmeras vezes sobre os mesmos fatos e bases de incidência, a pretexto e com o artifício de capitu1aço distinta, sob itens e tópicos variados; 53) aliás, assinala que as multas são verdadeiros absurdos, nas hipóteses dos créditos lançados sob a suspensão da exigibilidade; 54) continuando na contestação ao tema ora em relevo, reage à sanção qualificada de 150 %, bradando o amparo do princípio tributário da vedação ao confisco; 55) com respeito aos juros de mora, aponta os motivos que traduzem a improcedência da multa, o que é o suficiente para evidenciar as graves inconsistências de sua imposição cumulativa sobre os fatos já arrolados, patenteando a mácula da repercussão; 56) adicionalmente, alerta o julgador quanto à irregularidade do emprego da taxa Selic na cobrança dos juros; 57) no que afeta à CSSL, além de repetir os fundamentos supracitados, também aplicáveis à contribuição em espécie, remete o Colegiado, em seguida, aos argumentos específicos trazidos à colação quando da impugnação; 58) ao término, elucida que jr'se formou coisa julgada a seu favor, em relação à CSSL, estando desobrigada de recolhêla, asseverando que não é o caso de tratar, no presente, de relações jurídicas continuativas e da mudança da situação jurídica, como pretende o Fisco, porquanto a Lei 8.212, de 1991, em nada inovou, comparativamente à regulação da Lei 7.689, de 1988; 59) sobre a exoneração chs exportações, diverge da decisão recorrida no ponto em que o órgão a quo entendeu inaplicável o artigo 149, § 2°, I, .3 a Carta Magna; 60) de igual sorte, em seu antagonismo ao lançamento de imposto de renda retido na fonte (IRRF), pouco acrescenta ao que argüiu com respeito ao IRPJ, no item que cuidou das despesas não comprovadas e das doações glosadas; 61) entretanto, atendose exclusivamente aos pagamentos contabilizados em nome da Construtora Estrada e Engenharia Ltda, da Informil Consultoria Mineira e da Fundação Freitas Júnior, defende que a hipótese não caracteriza destinação a beneficiário não identificado, o que se torna flagrante quando se percebe que o próprio Fisco os considerou indedutíveis, Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.018092/200549 Acórdão n.º 9101001.854 CSRFT1 Fl. 1.418 25 lançando o IRPJ decorrente da glosa, desvelando o bis in idem desprezado pelo autuante: 62) ainda acentua que, em razão da fiscalização realizada, os agentes fiscais promoveram o lançamento de IRRF e de multas em função das doações feitas à Fundação Freitas Júnior, assim patenteando a duplicidade da incidência, já que essas despesas haviam sido objeto de lançamento de IRPJ; 63) sem perder de vista a contestação resumida no item 62, supra, e aqui particularizando o detalhe da decisão guerreada, em torno do qual o órgão a quo se limitou à simples afirmação de que a exigência formulada sobre aquela rubrica apoiarase em fundamento factual distinto do que forneceu lastro ao lançamento feito pela delegacia de Vitória, ressalta, todavia, que a cobrança constante do presente processo abrange parte dos fatos retratados no auto de infração lavrado pela repartição do Fisco Federal localizado em terras capixabas; 64) quanto à multa isolada sobre a falta de recolhimento de estimativas de IRPJ, repisa que sua apuração decorreu dos ajustes nos balanços de suspensão e redução, sofrendo a interferência dos efeitos dos vários eventos comentados neste recurso; 65) encerrando, anuncia que 'a decisão recorrida deixou de apreciar sua alegação de que, pelos fatos aqui rememorados, a Fiscalização já havia sancionado a autuada com a imposição de multa lançada no auto de infração de n° 10680.018092/205 49, no montante de R$ 80.345.417,28. É o relatório O acórdão foi assim ementado: Assunto: Processo administrativo Fiscal Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: PERÍCIA DESNECESSIDADE Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando o exame de um técnico é desnecessário à solução da controvérsia apenas circunscrita à matéria contábil e aos argumentos jurídicos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do julgador. Ementa: PROVAS DOCUMENTAIS — PRECLUSÃO juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de qualquer das situações previstas no artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72. Ementa: PROVAS TESTEMUNHAIS DILIGÊNCIA — DESNECESSIDADE Deve ser indeferido o pedido de diligência para a produção de provas testemunhais se não houver a identificação e a indicação da localização dos depoentes, bem Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 26 assim a apresentação de justificativas razoáveis que fundamentem a oitiva. Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA Não procede a alegação de cerceamento de defesa, se o recorrente demonstrar plena compreensão das infrações que lhe foram imputadas. Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO EM DUPLICIDADE Não procede a alegação de que o Fisco, em processos distintos, efetuou lançamento de ofício em duplicidade, se restar comprovado que não há coincidência entre os respectivos fundamentos factuais trazidos aos autos. Ementa: AÇÃO JUDICIAL LANÇAMENTO DE OFICIO O artigo 63 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação conferida pela MP n° 2.15835, de 2001, é cristalino ao estabelecer que o Fisco pode, e de n e, promover o lançamento de ofício para evitar a caducidade dr seu direito potestativo. ainda que o sujeito passivo esteja sob o amparo de medida liminar de tutela antecipada, desde que não haja proibição judicial ao ato administrativo em referência. Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI — ARGÜIÇÃO Se o Constituinte concedeu legitimação ao Chefe Supremo do Executivo Federal para a propositura de Ação Declaratória de Inconstitucionalidade, não há amparo à tese de que as instâncias administrativas poderiam determinar o descumprimento de atos com força de lei, sob pena de esvaziar o conteúdo do art. 103, I, da Constituição da República. Ementa: AÇÃO JUDICIAL— CONCOMITÂNCIA A opção pela discussão, em sede judicial, da matéria tributária objeto de lançamento de oficio implica renúncia às instâncias administrativas de julgamento, em razão da unidade da Jurisdição e da prevalência da coisa julgada. Ementa: EXIGÊNCIAS REFLEXAS A decisão prolatada na apreciação do recurso relativo ao lançamento principal se reflete sobre aqueles que dele decorrem, pois o julgamento acerca da ocorrência dos fatos comuns às exigências não pode acarretar incoerência entre os julgados. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004. Ementa: DESPESAS. DEDUTIBILIDADE São dedutíveis, exclusivamente, as despesas não computadas nos custos, necessárias, normais e usuais às atividades da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. Ementa: PERDAS EM CESSÃO DE CRÉDITO DEDUTIBILIDADE As perdas apuradas na cessão de direitos de crédito, não restando dúvidas quanto ao valor ou à efetividade, são dedutíveis, na apuração da base de cálculo do IRPJ. Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS NO CÔMPUTO DO LUCRO LÍQUIDO Não cabe o lançamento de ofício, para a exigência de IRPJ calculado sobre a receita Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.018092/200549 Acórdão n.º 9101001.854 CSRFT1 Fl. 1.419 27 obtida na cessão de créditos de ICMS, se restar comprovado que o recorrente a incluiu no resultado do referido negócio, utilizado na apuração do lucro real. Ementa: CÁLCULO DO IRPJ COM BASE ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS POR ATIVIDADE EXPLORADA o império da Lei n° 9.249/95, o ordenamento jurídico repudia a aplicação de alíquotas diversificadas por atividade explorada, no cômputo do lucro real. Ementa: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS Por mera lógica, é impossível a compensação de prejuízos fiscais inexistentes, o que torna desnecessária a discussão em torno da legalidade ou da inconstitucionalidade do limite de trinta por cento, insculpido no artigo 15 da Lei n° 9.065/95. Ementa: ADICIONAL DE IRRJ Na vigência da Lei n° 9.249195, com as alterações da Lei n° 9.430/96, cabe a cobrança do adicional de imposto de renda, à alíquota de dez por cento, sobre parcela do lucro real, presumido ou arbitrado que exceder o montante de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), multiplicado pelo número de meses do respectivo período de apuração. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF Exercícios: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS É devido o IRRF calculado com base em pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSSL Exercícios: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: RECEITAS OBTIDAS NA CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS GERADOS NA EXPORTAÇÃO — IMUNIDADE Não há a proteção imunizante, prevista no artigo 149, § 2°, I, da Carta Magna, para as receitas obtidas na cessão de créditos de ICMS gerados na exportação. Assunto; Normas Gerais de Direito Tributário. Exercícios: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: MULTA ISOLADA RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA Encerrado o período de apuração, não procede a cominação de multa isolada sobre eventuais diferenças das estimativas não recolhidas no vencimento, ao longo do ano calendário correspondente, pois, a partir de seu término, prevalece a exigência do tributo efetivamente devido, apurado na DIPJ apresentada tempestivamente. Ementa: MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO – ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato á ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 28 confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. Ementa: MULTA DE 75% Perfeita a aplicação da multa de 75%, consoante a infração praticada, tipicamente ajustável ao 44, I, da Lei n° 9.430/96, sem a imputação de conduta dolosa, conforme o relato dos autos. Ementa: MULTA DE 150%. DESPESAS CONTABILIZADAS EM NOME DE PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES. FALSIDADE DOCUMENTAL Procede a aplicação da multa qualificada de 150%, tal o evidente intuito de fraude que se revela na utilização de documentos falsos para encobrir os reais beneficiários de despesas contabilizadas em nome de pessoas jurídicas inexistentes. Ementa: MULTA DE 150%. ENCOBRIMENTO DOS REAIS BENEFICIÁRIO DE DESPESAS CONTABILIZADAS Procede a aplicação da multa qualificada de 150%, tal o evidente intuito de fraude que se revela na ocultação dos reais beneficiários de despesas contabilizadas, descobertos no curso da investigação. Ementa: JUROS DE MORA TAXA SELIC É indiscutível a legalidade da utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora que incidem sobre débitos tributários não pagos no vencimento, nos termos da legislação de regência. RV Parcialmente Provido e RO Não conhecido O resultado da decisão restou assim consubstanciado: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da tributação: 1) as importâncias de R$ 300.000,00, 00 e R$ 1.500.000,00, nos anoscalendário de 2000 e 2001, respectivamente, (projeto "Luz no Campo"); 2) a omissão de receitas não operacionais referentes à venda de crédito de ICMS; 3) a glosa de descontos ou deságio nas operações de transferência de crédito de ICMS; 4) EXCLUIR a exigência multa de lançamento ex offício isolada; 5) DETERMINAR os ajustes da exigência do adicional do IR l'J e dos prejuízos fiscais compensáveis em função do decidido neste acórdão; e 6) NÃO TOMAR CONHECIMENTO das razões de recursos relativas à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário; e NÃO TOMAR CONHECIMENTO do recurso ex officio, por perda de objeto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Inconformada com a decisão que deu parcial provimento ao recurso voluntário para excluir a exigência da multa isolada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial (fls. 1.204/1.215), o qual foi admitido (fls. 1.220/1.221 ) pela presidente da 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.018092/200549 Acórdão n.º 9101001.854 CSRFT1 Fl. 1.420 29 A contribuinte contrarazoou o recurso da Fazenda Nacional (fls. 1.233/1.242) e interpôs recurso especial (fls. 1.270/1.302), o qual foi parcialmente admitido pelo presidente da 2ª Câmara da 1ª Sejul (fls. 1.377/1.379), para levar a CSRF a apreciar a questão da aplicação da alíquota do IRPJ decorrente do lucro das receitas de exportação de minérios, se deve ser regida por lei especial, ou por lei geral. O recurso foi submetido a reexame, no qual o presidente da CSRF manteve o despacho de admissibilidade de recurso especial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 1.392/1.400). É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese: 1) recurso da PGFN no que diz respeito à multa isolada na estimativa; 2) recurso do contribuinte que diz respeito à questão da aplicação da alíquota do IRPJ decorrente do lucro das receitas de exportação de minérios, se deve ser regida por lei especial, ou por lei geral. Entendo que os dois recursos satisfazem os critérios de admissibilidade, pelo que deles conheço. Passo a julgálos no mérito. Recurso da Procuradoria Sopesados os argumentos da decisão recorrida e aqueles expostos pelas partes, passo a expor meu entendimento sobre a matéria. Observese que a infração decorreu de omissão de recolhimento de IRPJ e CSLL nas estimativas. Disto resultou insuficiência de recolhimentos do IRPJ Estimativa Mensal, e foram calculados sobre balanços/balancetes de suspensão redução, ficando sujeito à incidência de multa isolada, conforme auto de infração. A questão é se a multa referente ao não recolhimento da(s) parcela(s) da estimativa, devidas mensalmente se acumulam com a multa pelo não pagamento do tributo devido apurado na declaração anual. Entendo possível a aplicação da multa proporcional sobre o ajuste anual e da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas que ensejaram, em referência ao mesmo exercício fiscal. Isto porque a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do anocalendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, sujeitamse às multas previstas na legislação que se aplica à espécie. Na redação original da Lei nº 9.430/96 estava assim disposto: Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 30 Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; [...] Referida norma recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.018092/200549 Acórdão n.º 9101001.854 CSRFT1 Fl. 1.421 31 § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Nestes termos, em ambos os dispositivos (anterior e alteração) estão presentes idênticos elementos para aplicação da penalidade: permanece ela isolada, aplicável aos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por pessoa jurídica (art. 2o da Lei nº 9.430/96), mesmo se apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL ao final do anocalendário, o que nem é o caso, pois há tributo devido ao final do ano Considerase, assim, impróprio falar em aplicação concomitante de penalidades em razão de uma mesma infração: a hipótese de incidência da multa isolada é o não cumprimento da obrigação correspondente ao recolhimento das estimativas mensais – obrigação imposta aos optantes pela apuração anual das bases tributáveis, repitase que a assunção desta obrigação foi uma opção do contribuinte e que o desobrigou dos efetivos pagamentos trimestrais – e a outra hipótese de incidência da multa proporcional é o não cumprimento da obrigação principal referente ao recolhimento do tributo devido ao final do período. São, portanto, fatos distintos que geram multas diferentes, sendo penalidades que não comportam a aplicação do princípio da consunção, que em matéria de Direito Tributário deve ser aplicado cum grum salis, especialmente em virtude do que dispõe o art. 136 do Código tributário Nacional. Como bem colocado na ementa do Ac. 1802001.876: 2. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). A multa normal de 75% no ajuste pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. Aliás, interpretarse de outra forma, teria o efeito de transformar não só em opção pela apuração anual do IRPJ/CSLL, mas também tornar opcional o pagamento das estimativas mensais, já que não seriam devidas multas se não adimplidas, bastando que no encerramento do exercício se faça a apuração de prejuízo e bases negativas, ou se adimpla o tributo devido, se for o caso. Ocorre, que embora a apuração anual seja uma opção, o recolhimento das estimativas mensais é obrigatório, e, portanto, se descumprido deve ter uma sanção aplicável, ou então não seria obrigação legal, mas tão somente moral. Do exposto, meu voto seria por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para manter a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas, após o encerramento do anocalendário. Porém, essa 1a Turma da CSRF tem reiteradamente afastado a aplicação do que se tem denominado "multa concomitante", tendo se consolidado essa Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 32 jurisprudência, sendo a minha posição vencida reiteradae exaustivamente. Vejase, por exemplo, Acs. ns. 9101001.693, (de 16/07/2013, que cita outras decisões), 9101001.820 , 9101001.788 . Posição que vem sendo cada vez mais hialaina na jurisprudência desta Colenda 1a Turma, além do que as turmas ordinárias da 1a Seção tem adotado de maneira preponderante o mesmo entendimento (e.g., Acs. ns. 1402001.505, 1103000.934 ,, 1202001.011, 1103000.945, 1102000.867) sendo que as poucas decisões em sentido contrário, mais recentes, são tomadas por voto de qualidade. Pareceme, que estamos em um ponto, que teremos que aderir à conclusão, mas não aos fundamentos, de que não cabe a multa in casu, por questões de economia processual e também pela aplicação do princípio da colegialidade em seu sentido amplo, com a perspectiva de suas consequências. Não que me curve aos argumentos em sentido contrário, mas à impoisção do colegiado em sua forma de garantir suas conclusões. Destaquese que esta posição só prevalece para fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória n.º 351/2007 (posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), que impôs nova redação ao tratar da matéria. Neste sentido, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, com as todas ressalvas e observações acima transcritas. Recurso do Contribuinte Sopesados os argumentos da decisão recorrida e aqueles expostos pelas partes, passo a expor meu entendimento sobre a matéria. Entendo estar superada a questão da decisão judicial alegada como coisa julgada pela superveniência de norma que disciplinou totalmente a matéria (alíquotas do IRPJ), isto porque a decisão judicial garantiu ao contribuinte o afastamento da incidência da Lei n. 8.043/1989, que impunha a alíquota de 30% para produtos manufaturados, assim, em nada tal decisão interfere na presente lide. Primeiramente no que tange ao argumento da lex specialis, entendo não ter razão ao contribuinte, pelo simples fato de que a Lei n. 9.249/1995, ao dispor de maneira nova sobre o tema em seu art. 3º, ao final expressamente revogou todas as disposições em contrário; é o que se lê em seu art. Art. 36. Ficam revogadas as disposições em contrário, especialmente: I o DecretoLei nº 1.215, de 4 de maio de 1972, observado o disposto no art. 178 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; II os arts. 2º a 19 da Lei nº 7.799, de 10 de julho de 1989; III os arts. 9º e 12 da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; IV os arts. 43 e 44 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992; V o art. 28 e os incisos VI, XI e XII e o parágrafo único do art. 36, os arts. 46, 48 e 54, e o inciso II do art. 60, todos da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, alterada pela Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e o art. 10 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.018092/200549 Acórdão n.º 9101001.854 CSRFT1 Fl. 1.422 33 E nem se diga que em virtude do benefício em debate não estar inscrito no rol do art. 36, que ele não estaria revogado. O termo “especialmente” deixa claro que se trata de rol exemplificativo, direcionado a situações menos evidentes. Assim, o argumento de que tal benefício fiscal estaria vigente porque especial, e por não ter sido expressamente revogado é inválido, visto que foi, sim, expressamente revogado pelo art. 36 da Lei n. 9.249/1995, a mesma lei que instituiu um tratamento novo à alíquota do IRPJ. A lei não foi silente em relação às outras alíquotas especiais aplicáveis ao IRPJ, ela foi direta – revogou as disposições em contrário. Aliás, esta é a técnica legislativa no Brasil. Se ela não é boa ou ruim, não está em discussão, mas é assim que se aplica. Toda a argumentação com base no princípio do lex specialis derogat lex generalli se baseia em um conflito de normas – o que não existe no caso presente, pois a norma supostamente em conflito foi expressamente revogada. Por outro lado, e adicionalmente, entendo que o benefício fiscal em comento – especificamente o previsto para o lucro decorrente da exportação de minerais abundantes –, conforme previsto no Decretolei nº 2.413, de 10 de fevereiro de 1988, em seu art. 1º, § 1º, alínea “j”, foi revogado pela Constituição de 1988. É que a CF/88 estabelece no ADCT que os benefícios fiscais não expressamente revigorados serão considerados extintos a partir de dois anos de sua promulgação, a teor do seu art. 41, 1o do ADCT, no qual se lê: Art. 41. Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis. § 1º Considerarseão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos que não forem confirmados por lei. (...) Assim, resta cristalino que após 5 de outubro de 1990 não está mais em vigor o benefício fiscal em debate, em virtude de que não foi confirmado por lei. E nem se diga que a Lei n. 7.988/1989 ao alterar a alíquota aplicável ao benefício (majorando a alíquota de 6% para 18%) teve o condão de confirmar o benefício. Confirmar significa dizer que a lei que o faz deve expressamente dizer que continuam em vigor, para os efeitos do art. 41, § 1o, do ADCT da CF/88 – o que não é o caso da Lei n. 7.988/1989, que aliás, se trata de uma lei que “Dispõe sobre a redução de incentivos fiscais” – ou seja, tem o sentido inverso de “confirmar”. Assim, nos exercícios em discussão, o cálculo do IRPJ se faz pela mesma alíquota aplicável aos demais contribuintes, conforme previsto no art. 3o Lei n. 9.249/1995 e alterações posterioes. Isto posto, por estes fundamentos, nego provimento ao recurso especial do Contribuinte. Conclusão Em conclusão, voto por negar provimento ao recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte. (assinado digitalmente) Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 34 Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Declaração de Voto Em apertada síntese, o Recurso Especial da contribuinte visava o reestabelecimento da tributação de suas receitas de exportação na alíquota incentivada de 18%, sem o recolhimento do adicional de imposto, conforme previsto pela Lei n. 9.249/95. Observa se, ainda, que a Recorrente possui decisão transitada em julgado (Processo n. 91.00.158186) que lhe confere direito ao recolhimento do imposto com base na alíquota de 18%. A d. Fiscalização apurou que a Recorrente aplica a alíquota de 18%sobr o lucro oriundo de suas exportações de minerais, por força de decisão nos autos daquele processo, pela qual se declarou o direito da empresa em se manter no benefício fiscal previsto pela Lei n. 7988/89. No entendimento da Fiscalização, após a edição da Lei n. 9.249/95, a alíquota do imposto de renda é de 15% para todos os casos com a aplicação do adicional de 10%, sem se atentar ao fato de haver em favor da empresa coisa julgada que lhe garantiria a possibilidade de aplicar a alíquota de 18%, sem o adicional. O incentivo fiscal do imposto de renda das empresas exportadoras foi inicialmente estabelecido pelo DecretoLei n. 2.413/88, que, em seu artigo 1º, previa a alíquota de 6% para o lucro decorrente de exportações, a partir do exercício financeiro de 1990. Posteriormente, a Lei n. 7.988/89 aumentou a alíquota do IRPJ prevista pelo DecretoLei acima citado para 18%. Ocorre que esta sistemática de desoneração das exportações foi, em tese, modificada pela Lei n. 8.034/90, tendo esta lei, aumentado a alíquota do imposto de renda sobre o lucro na exportação de manufaturados para 30%. Em face do acima, a Recorrente propôs a ação n. 91.00.158186 com o objetivo de obter declaração de ilegalidade da exigência do IR com base na Lei 8.034/90, firmando entendimento de que a regra aplicável deveria ser a estampada no Decretolei 2.413/88, conforme modificado pela Lei n. 7.988/89. O supedâneo legal de tal ação residia no fato de que a Lei n. 8.034/90 majorou a alíquota das operações de exportação de “produtos manufaturados e serviços” ao passo que o DecretoLei n. 2.413/88 se aplicava às “exportações incentivadas”. Na ação judicial, a contribuinte obteve êxito e com o trânsito em julgado da ação, a empresa sujeitouse ao regime estabelecido pela norma contida no DecretoLei n. 2.413/88, conforme modificada pela Lei 7.988/89, portanto, a alíquota aplicável seria 18% e não 30%. Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.018092/200549 Acórdão n.º 9101001.854 CSRFT1 Fl. 1.423 35 Assim, a decisão recorrida apenas poderia prosperar se fosse concluído que as leis posteriores à Lei n. 7.988/89, especialmente a Lei 9.249/95, tenha revogado implicitamente o incentivo fiscal do DecretoLei 2.413/88. Entretanto, entendo não ter ocorrido a revogação mencionada. Isso, pois, o incentivo fiscal do imposto de renda concedido pelo DecretoLei 2.413/88, cujo artigo primeiro dispunha expressamente que o lucro decorrente de exportações incentivadas fosse tributado à alíquota de 6% a partir do exercício financeiro de 1990. Ato contínuo, em 1989, foi editada a Lei 7.988/89, a qual modificou expressamente a alíquota de 6% para 18%. Entendo que o benefício previsto no DecretoLei 2.413/88, com a modificação pela Lei 7.988/89, é norma especial e, com base no princípio da especialidade, não se pode concluir que as normas posteriores, em especial a Lei 9.249/95, tenha revogado o benefício. Vale dizer, a norma especial derroga a norma geral, no caso, o DecretoLei 2.413/88 deve prevalecer sobre a Lei 9.249/95, portanto, não deve ser aplicada a alíquota de 15% com o adicional de 10%, mas sim a alíquota incentivada de 18%. A norma que veicula o benefício fiscal, no caso o DecretoLei 2.413/88, apenas pode ser modificada, como o foi pela Lei 7.988/89, e revogado por norma específica e expressa. Contudo, tal revogação expressa não ocorreu no caso. Com efeito, a Lei 9.249/95 revogou alguns dispositivos, como por exemplo, o DecretoLei 1.215/1972, mas quando fêlo de forma expressa (cf. Art. 36, I, da Lei 9.249/95). Desta forma, concluise que a Lei 9.249/95 ao instituir a alíquota de 15% e o adicional de 10% para o IRPJ o fez apenas para os lucros que não estivessem abrangidos por incentivos fiscais outorgados por normas especiais, como é o caso da Recorrente. Para elucidar a especificidade da norma veiculada pelo DecretoLei 2.413/88 em face da Lei 9.249/95, vide abaixo o quadro exemplificativo: Portanto, é bem nítido que a norma do DecretoLei n. 2.413/88 veicula norma específica e, ante esta situação, na ausência de norma expressa que tivesse revogada a alíquota de 18% conforme veiculada pela Lei 7.988/89, aplicase integralmente esta alíquota. Neste sentido, quanto a este item voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO DA CONTRIBUINTE para reformar o V. Acórdão recorrido. É como voto. Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 36 Brasília, 18 de fevereiro de 2013. (assinado digitalmente) SUSY GOMES HOFFMANN Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por SUSY GOMES HO FFMANN, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13832.000293/2002-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1995 a 28/02/1999
PEDIDO RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. ART. 4º DA LC Nº 118/2005. STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 62-A DO RICARF.
Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118 /05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. RE 566621, ELLEN GRACIE, STF. Reprodução do entendimento do STF, na forma do art. 62-A do RICARF. Precedente da CSRF.
Inaplicabilidade do prazo decadencial de cinco anos, previsto no art. 4º, segunda parte, da LC 118 /05, para o pedido de restituição solicitado em 2002.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1840; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 154 1 153 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13832.000293/200254 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.050 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2014 Matéria DECADÊNCIA. LC 118/2005. Recorrente IRMÃOS MARVULLO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1995 a 28/02/1999 PEDIDO RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. ART. 4º DA LC Nº 118/2005. STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 62A DO RICARF. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118 /05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. RE 566621, ELLEN GRACIE, STF. Reprodução do entendimento do STF, na forma do art. 62A do RICARF. Precedente da CSRF. Inaplicabilidade do prazo decadencial de cinco anos, previsto no art. 4º, segunda parte, da LC 118 /05, para o pedido de restituição solicitado em 2002. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 2. 00 02 93 /2 00 2- 54 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de pedido de restituição de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, protocolizado em 27/12/2002, correspondente a pagamentos efetuados no período de novembro de 1995 a dezembro de 1996, com a alegação de que referidos pagamentos foram efetuados indevidamente, em virtude de decisão do Supremo Tribunal Federal, que julgou a Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADIN nº 1.417/0, declarando inconstitucional o artigo 14 da Medida Provisória nº 1.212, de 28/11/1995, e suas reedições, convertida pela Lei nº 9.715/87, considerando assim inexistente os fatos geradores da contribuição para o PIS, para o período de 11/1995 a 02/1999. Na apreciação do pedido de restituição pela Delegacia da Receita Federal, em Marília, ficou apurado que, embora o contribuinte tenha informado, no formulário próprio, no campo 2. “Motivo do Pedido período de 11/1995 a 02/1999”. Verificouse que, o período pleiteado no presente processo é de 11/1995 a 12/1996, conforme planilha de fls.09/11, e cópias dos DARFs juntados à fls. 04/08, valor do pedido R$ 403,82. Referido pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal, em Marília, em face da decadência, ou seja, por se extinguir o direito de pleitear a restituição após o decurso de 5 (cinco) anos contados da data do pagamento, nos termos do art. 165, I c/c o art. 168 do Código Tributário Nacional – CTN. A DRF, igualmente, decidiu inexistência de crédito, tendo em vista que, relativamente aos fatos geradores da contribuição para o PIS, ocorridos no período de 1º de outubro de 1.995 a 29 de fevereiro de 1.996, os recolhimentos devem obedecer ao disposto na Lei Complementar nº 7/1970, e para os fatos geradores ocorridos a partir de março/1996, referidos recolhimentos, devem ser efetuados conforme normas estabelecidas na Medida Provisória nº 1.212/95, e suas reedições, convertida pela Lei nº 9.715/98. Cientificado do despacho decisório, a contribuinte protocolizou manifestação de inconformidade, defendendo que não havia se operado a decadência, visto que a contagem do prazo de cinco anos somente começaria a contar depois de ocorrida a homologação tácita, segundo a tese conhecida como “cinco mais cinco” e que seriam indevidos os pagamentos relativos ao PIS, no período indicado. Apreciando a manifestação de inconformidade, a DRJ julgou improcedente, por entender que se operou a decadência do direito de restituição, não acolhendo a tese baseada na interpretação combinada dos arts. 150, § 4º, 156 , VII, e 168, I, do CTN nem a tese de que teria ocorrido pagamento indevido. Contra o acórdão recorrido, a empresa interpôs o presente recurso voluntário defendendo que, antes da Lei Complementar nº 118/2005, a contagem do prazo decadencial Fl. 155DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13832.000293/200254 Acórdão n.º 3202001.050 S3C2T2 Fl. 155 3 para repetição do indébito somente se inicia após a homologação do crédito tributário, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A pretensão da recorrente merece ser acolhida, uma vez que o Pleno do Supremo Tribunal Federal declarou, em regime de repercussão geral, a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118 /05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Confirase a ementa do julgado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECE SSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPE TIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005 . Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 ano s contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156 , VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo juríd ico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, por quanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento Fl. 156DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 quando da publicação da lei, se m resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não a penas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118 /05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, ELLEN GRACIE, STF.) Diante da decisão do STF acima transcrita, impõese adotar tal entendimento na forma do art. 62A do RICARF: Art. 62A.As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Nesse sentido, já decidiu, por unanimidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais: ACÓRDÃO Nº 9900000.767 29/08/2012 Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF (Data da Decisão: 29/08/2012 Data de Publicação: 31/07/2013) CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAISCARF Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF MATÉRIA:PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ACÓRDÃO:9900000.767Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/1990 a 30/09/1995 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13832.000293/200254 Acórdão n.º 3202001.050 S3C2T2 Fl. 156 5 PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 23/07/1999, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, reconheço o direito do contribuinte pleitear restituição/compensação da totalidade dos valores de PIS objeto dos presentes autos, os quais se referem ao período de julho de 1991 a dezembro de 1992. Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano D´Amorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 In casu, o pedido de restituição foi protocolizado em 27/12/2002 e os pagamentos remontam ao período entre 1995 e 1999. Assim, acolho parcialmente o recurso voluntário para afastar a decadência e aplicar a regra dos cinco mais cinco. Forte nessas razões, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário apenas para afastar a decadência, quanto aos pagamentos efetuados a partir de 27 de dezembro de 1992, devendo a autoridade preparadora apurar as demais questões, alusivas ao pedido de restituição, prejudicadas pela aplicação da decadência de cinco anos. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 159DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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