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Numero do processo: 10880.931404/2015-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jan 03 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2014
DESPACHO DECISÓRIO. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Consignado no Despacho Decisório, de forma clara, explicita e exaustiva, o motivo da não homologação de pretendidas compensações, deve ser afastada a pretensão de declaração de nulidade do ato administrativo por preterição do direito de defesa.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3301-007.055
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10880.908691/2015-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ARGUIÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consignado no Despacho Decisório, de forma clara, explicita e exaustiva, o motivo da não homologação de pretendidas compensações, deve ser afastada a pretensão de declaração de nulidade do ato administrativo por preterição do direito de defesa. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10880.908691/2015-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 14 04 /2 01 5- 27 Fl. 51DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-007.055 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.931404/2015-27 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 3301-007.051, de 19 de novembro de 2019, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) – DRJ/BHE – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adota-se o relatório e decidido no referido Acórdão: DESPACHO DECISÓRIO [...] De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei no 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade, O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: MOTIVAÇÃO/TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES - A motivação mostra-se imprescindível para a efetivação de eficaz controle sobre a atuação administrativa. - A atuação administrativa desconforme ou contrária aos princípios do direito administrativo carreta ao ato a invalidade dos efeitos almejados pelo agente. - O procedimento que indeferiu o pedido do contribuinte, feito por ato discricionário e notícia de que foram localizados pagamentos, vai ao desencontro dos postulados consagrados pela CF, revela-se inaceitável e não é corroborado pelo STF. Fl. 52DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-007.055 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.931404/2015-27 - Jurisprudência do STF reafirma o necessário respeito aos direitos e garantias individuais dos contribuintes, o princípio do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa (CF, art. 5º, LIV e LV). - Há entendimento do Conselho de Contribuintes no sentido da nulidade de lançamento por falta de motivação. - Fixados esses parâmetros, ou seja, considerando-se o indeferimento do pedido de compensação do contribuinte, é necessário que se apontem os pressupostos do ato administrativo, pois estamos diante de um ato vinculado, por outro lado, a autoridade administrativa não tem ciência, pois o requerente postula judicialmente o afastamento da incidência do ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS, em que fora concedida liminar inaldita altera parts, processo judicial n.º 0018626-27.2013.4.03.6100, em andamento no 22º Cartório e Vara Federal do Fórum de São Paulo. DO PEDIDO Demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, visto que os poderes do Estado encontram limites intransponíveis nos direitos e garantias individuais, cujo desrespeito pode caracterizar ilícito constitucional, a interessada requer que seja acolhida a Manifestação de Inconformidade. Outrossim, requer que sejam promovidas todas as diligências necessárias a comprovação do direito subjetivo alegado, sob pena de afronta ao devido processo legal. É o relatório. Fl. 53DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-007.055 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.931404/2015-27 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3301-007.051, de 19 de novembro de 2019, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 02-86.135 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2014 EMENTA. VEDAÇÃO. Ementa vedada pela Portaria RFB n.º 2.724, de 2017. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuida-se de PER/DCOMP em que o Despacho Decisório não homologou a compensação pleiteada, tendo em vista que foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. O Contribuinte aduz em seu recurso o já exposto quando da Manifestação de Inconformidade acerca da motivação/teoria dos motivos determinantes e cerceamento de defesa. Cito trechos para esclarecer: 01. O v. acórdão merece reforma, basicamente, porque afirmou o entendimento equivocado, data vênia, o ato administrativo que não reconheceu o direito ao crédito do contribuinte é vinculado, devendo conter a indicação dos pressupostos de fato e dos pressupostos de direito, a compatibilidade entre ambos e a correção da medida encetada compõem obrigatoriedades decorrentes do Fl. 54DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-007.055 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.931404/2015-27 princípio da legalidade. O detalhamento, ou justificativa, será maior ou menor conforme o ato seja vinculado. 02. Contudo, a motivação mostra se imprescindível para a efetivação de eficaz controle sobre a atuação administrativa, nessa via, o v. Acórdão não merece prosperar, com as vênias de estilo, ao entendimento dos nobres julgadores. 03. Mas, mais do que isso, a autoridade administrativa deixou de apreciar o processo judicial em tramite na 22ª Vara Federal da Capital/SP, processo n.00118626-27.2013.4.03.6100, que julgou o pedido procedente, bem como determinou a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. I. SÍNTESE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO In casu, o recorrente postulou a repetição de pagamento a maior realizados utilizando-se da compensação deste crédito que é detentora com débitos próprios e vincendos. O crédito em que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, outrossim, sem qualquer fundamentação, a autoridade não homologou a compensação realizada pela recorrente, através do despacho decisório proferido, conforme transcrição in verbi; (...) 07. Ocorre que, à controvérsia ora posta ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais cinge em saber se o ato que indeferiu o pedido do recorrente é vinculado, ou seja, deve ser fundamentado em consonância com o princípio da legalidade ou estamos diante de um ato discricionário do agente público, bem como o cerceamento de defesa. MOTIVAÇÃO / TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. CERCEAMENTO DE DEFESA. 08. Muito bem, ao indeferir o pedido ao direito de compensação da recorrente, é necessário que aponte os pressupostos do ato administrativo, pois estamos diante de um ato vinculado. 09. A indicação dos pressupostos de fato o dos pressupostos de direito, a compatibilidade entre ambos e a correção da medida encetada compõem obrigatoriedades decorrentes do princípio da legalidade. 10. O detalhamento, ou justificativa, será maior ou menor conforme o ato seja vinculado ou discricionário. A motivação mostra se imprescindível para a efetivação de eficaz controle sobre a atuação administrativa. (...) 17. Assim, esse tipo de procedimento que indeferiu o pedido do contribuinte por meio de um ato discricionário e noticia que foram Fl. 55DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-007.055 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.931404/2015-27 localizados um ou mais pagamentos, por meio de sua administração tributária, vai ao desencontro aos postulados consagrados pela Constituição da República, e revelam-se inaceitáveis e não são corroborados pelo Supremo Tribunal Federal, conforme jurisprudência in verbi: HC 103325-MC/RJ*RELATOR: MIN. CELSO DE MELLO (...) DO PEDIDO Diante do exposto, requer a essa Emérita Câmara Julgadora do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com base nos fatos e fundamentos sobreditos, se dignem reformar a v. Acórdão nº 02- 86.135 – 2º Turma da DRJ/BHE, eis que, os Nobres Conselheiros poderão constatar, que a controvérsia ora posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário, bem como, a autoridade administrativa deixou de apreciar o processo judicial em tramite na 22º Vara Federal da Capital/SP, processo n.0018626- 27.2013.4.03.6100, que julgou o pedido procedente, bem como determinou a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins da Recorrente. Requer a essa Emérita Câmara julgadora do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com base nos fatos e fundamentos sobreditos, se dignem reformar o v. Acórdão, eis que, os Nobres Conselheiros poderão constatar, que o referido procedimento é nulo, visto que a Constituição da República, em norma revestida de conteúdo VEDATÓRIO (CF,art.5º,LVI), desautoriza, por incompatível com os postulados que regem uma sociedade fundada em bases democráticas (CF, art.1º), qualquer julgamento, pelo Poder Público, que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional, que acarrete violação de direito material (ou, até mesmo, do direito processual), não prevalecendo, em consequência, no ordenamento normativo brasileiro, em matéria de atividade probatória, a fórmula autoritária do `male captum, bene retentum ́ Com a devida vênia, não procedem os argumentos do Contribuinte, tanto no sentido de nulidade por cerceamento do direito de defesa, quanto no que tange ao processo judicial referido. E como se trata de crédito alegado, cabe ao Contribuinte fazer a demonstração e comprovação do seu direito. Não o faz na Manifestação de Inconformidade, bem como, não o faz quando da interposição do Recurso Voluntário. Cito trechos da decisão ora recorrida, de acordo com o art. 57, § 3º do RICARF, como razões para decidir: (...) NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Fl. 56DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-007.055 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.931404/2015-27 Quanto à argüição de nulidade do despacho, ela é descabida. A matéria é regida pelos arts. 59 e 60 do Dec. n.º 70.235, de 1972, abaixo transcritos: "Art. 59 - São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ................................................... Art. 60 - As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." O despacho contestado não é nulo, porque não observadas as hipóteses do inciso II do art. 59 acima transcrito. O ato foi lavrado por autoridade competente e não houve preterição do direito de defesa. A alegada falta de motivação do despacho não se confirma, conforme será demonstrado em tópico mais adiante deste voto. Outras irregularidades, incorreções e omissões não importam nulidade, mas saneamento, quando muito. Entretanto, nada há que demande o saneamento previsto no art. 60 do Dec. n.º 70.235, de 1972, transcrito no item anterior deste voto. No ato contestado não há o que prejudique o próprio processo, ou o estabelecimento da relação jurídica processual, nele constando todas as formalidades exigidas na legislação para que seja considerado válido ou juridicamente perfeito. Em verdade, não se verificam, no despacho decisório, irregularidades, incorreções nem omissões que prejudiquem o reclamante, ou influam na solução do litígio. - Motivação do Despacho Decisório O despacho não deixa dúvida quanto à sua motivação: o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre outros, o art. 74 da Lei n.o 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizá- lo na compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Portanto, a inexistência do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a não homologação. O despacho decisório explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência do crédito utilizado. Lá consta que o Darf apresentado como origem do crédito foi utilizado para pagamento de tributo declarado. Entre as informações nele apresentadas, estão: o número do pagamento encontrado e o respectivo valor original total; o Fl. 57DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-007.055 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.931404/2015-27 valor original do débito declarado, seu período de apuração e o código do tributo. Demonstra-se, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da não homologação. A exposição é clara e exaustiva. Portanto, não houve preterição do direito de defesa. A análise da motivação é questão de mérito. Sua eventual improcedência não é motivo de nulidade e não afeta o estabelecimento da relação jurídica processual. ÔNUS DA PROVA É condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do CTN). Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que incumbirá a ele – o contribuinte – demonstrar seu direito. Levando-se em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo, conclui-se que a RFB deve indeferir o pedido ou não homologar a compensação, quando não há certeza e liquidez, como ocorre nos casos de contradição do próprio contribuinte em suas declarações. Se o Darf indicado como origem do crédito utilizado no PER/DCOMP foi anteriormente vinculado em DCTF pelo próprio sujeito passivo a um débito nela declarado, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. A DCTF tem a natureza jurídica de confissão de dívida e é instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito nela confessado. A declaração presume-se verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 219, CPC, art. 408). A declaração válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor por ele declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. O contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse suas afirmações genéricas. Não faz prova de nenhuma parcela que tenha sido indevidamente considerada na apuração do débito confessado em DCTF. A apuração do PIS e da Cofins é demonstrada no Sped EFD Contribuições. O valor consolidado na escrituração apresentada antes da ciência do Despacho Decisório também não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. Fl. 58DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-007.055 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.931404/2015-27 As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo podem ser assim consolidadas: CRÉDITO ORIUNDO DE AÇÃO JUDICIAL O sujeito passivo invoca processo judicial, dando a entender que o crédito pleiteado seja dele oriundo. O argumento não merece guarida. A compensação mediante aproveitamento de crédito decorrente de decisão judicial segue procedimento específico, não observado na espécie. Alem disso, em razão do montante do crédito pleiteado, fica descartada a possibilidade de sua origem ser o objeto da ação invocada (exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS). O art. 170-A do CTN estabelece limitações para a compensação mediante o aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial: Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lcp no 104, de 10.1.2001) Conforme art. 170 do CTN, a lei que autorizar a compensação pode estipular condições e garantias. A compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Receita Federal é regida pelo art. 74 da Lei no. 9.430, de 1996. O § 1o desse artigo estabelece que a compensação seja feita mediante a entrega pelo sujeito passivo de declaração de compensação. Seu § 14 determina que a Receita Federal deve disciplinar o disposto naquele artigo. Os arts 81 e 82 da Instrução Normativa SRF no 1.300, de 20 de novembro de 2012 (vigente quando da apresentação do PER/DCOMP em litígio), Fl. 59DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-007.055 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.931404/2015-27 discriminam as condições para compensação com crédito objeto de discussão judicial: Art. 81. É vedada a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. § 1º O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o caput poderá exigir do sujeito passivo, como condição para a homologação da compensação, que lhe seja decisão.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB no 1661, de 29 de setembro de 2016). § 2º Na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, a compensação poderá ser efetuada somente se o requerente comprovar a homologação da desistência da execução do título judicial pelo Poder Judiciário e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução, ou apresentar declaração pessoal de inexecução do título judicial protocolada na Justiça Federal e certidão judicial que a ateste. § 3º Não poderão ser objeto de compensação os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. § 4º A compensação de créditos decorrentes de decisão judicial transitada em julgado dar-se-á na forma prevista nesta Instrução Normativa, caso a decisão não disponha de forma diversa. Art. 82. Na hipótese de crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação será recepcionada pela RFB somente depois de prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat, Demac/RJ ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I - o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Decorrente de Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo VIII a esta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II - certidão de inteiro teor do processo, expedida pela Justiça Federal; III - cópia da decisão que homologou a desistência da execução do título judicial, pelo Poder Judiciário, e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução, ou cópia da declaração pessoal de inexecução do título judicial protocolada na Justiça Federal e certidão judicial que a Fl. 60DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-007.055 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.931404/2015-27 ateste, na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução; IV - cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; V - cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; VI - cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VII - procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a VII do § 1o, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data de ciência da intimação. § 3º No prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 2o, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat, Demac/RJ ou Deinf, mediante a confirmação de que: I - o sujeito passivo figura no polo ativo da ação; II - a ação refere-se a tributo administrado pela RFB; III - a decisão judicial transitou em julgado; IV - o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V - na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução, ou a apresentação de declaração pessoal de inexecução do título judicial protocolada na Justiça Federal e de certidão judicial que a ateste. Fl. 61DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-007.055 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.931404/2015-27 § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas hipóteses, em que: I - as pendências a que se refere o § 2onão forem regularizadas no prazo nele previsto; ou II - não forem atendidos os requisitos constantes do § 4o. § 6º É facultado ao sujeito passivo apresentar recurso hierárquico contra a decisão que indeferiu seu pedido de habilitação, no prazo de 10 (dez) dias, contados da data da ciência da decisão recorrida, nos termos dos arts. 56 a 65 da Lei no9.784, de 1999. § 7º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB no 1557, de No caso, as inscrições do PER/DCOMP em análise provam que ele não trata de compensação de crédito oriundo de decisão judicial. Na ficha intitulada "Dados Iniciais" do PER/DCOMP em lide consta as inscrições abaixo reproduzidas: Finalmente, não se admite que a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição possa dar origem ao crédito pretendido. Observa-se que o sujeito passivo considerou como direito creditório quase todo o valor do DARF identificado no PER/DCOMP. Para ter esse crédito, o valor do ICMS a ser excluído da base de cálculo teria que ser praticamente igual ao valor da própria base de cálculo, ou seja, todo seu faturamento teria que ser constituído exclusivamente de ICMS. Semelhante hipótese não é possível. PER/DCOMP RELACIONADOS AO MESMO DARF. Ainda que o DARF identificado no PER/DCOMP analisado constituísse pagamento indevido, seu valor não é suficiente para fazer frente a todas as compensações com ele pretendidas. O DARF do presente processo, com código de receita 2172, período de apuração 31/07/2014, data de arrecadação em 25/08/2014, no valor de R$ 16.005,54, foi utilizado em 4 PER/DCOMP, para compensar débitos que somam R$ 51.499,07. A prática se repete com outros DARF, conforme demonstrativo que se segue. Fl. 62DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-007.055 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.931404/2015-27 Fl. 63DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-007.055 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.931404/2015-27 CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para indeferir o pedido de diligência, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Fl. 64DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-007.055 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.931404/2015-27 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.903404/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 1301-000.759
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13819.903405/2008-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13819.903405/2008-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado na Resolução nº 1301-000.753, 13 de novembro de 2019, que lhe serve de paradigma. Trata-se do Recurso Voluntário em face do Acórdão da 1ª Turma da DRJ/Campinas que julgou Manifestação de Inconformidade improcedente ao não reconhecer o crédito pleiteado pela contribuinte. O despacho decisório da DRF/São Bernardo do Campo não reconheceu o crédito pleiteado, pois, embora tendo constatado a existência do pagamento, o valor recolhido restara totalmente consumido, alocado, ao próprio débito do período de apuração, inexistindo crédito disponível para utilização para quitação do débito confessado na DCOMP objeto dos autos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .9 03 40 4/ 20 08 -4 0 Fl. 236DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1301-000.759 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13819.903404/2008-40 Inconformada com esse despacho decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, aduzindo que: (i) o crédito de IR-Fonte utilizado na DCOMP efetivamente existe; (ii) a manifestante, em virtude da sua atividade empresarial, dentre outras atividades, efetua o pagamento de rendimentos de aluguel a pessoas físicas, rendimentos esses que, de acordo com a legislação tributária, estão sujeitos à IR-Fonte no momento de seu respectivo pagamento; (iii) a manifestante efetuou pagamento de rendimentos de aluguel a pessoas físicas, motivo pelo qual apurou o valor a titulo da IR-Fonte, código de receita 3208; (iv) os beneficiários dos rendimentos objeto da tributação na fonte, bem como respectivos valores das retenções de IRRF estão discriminados nos autos; (v) cometeu equivoco quanto ao IR-Fonte; (vi) para sanar o erro, efetuou, novamente, recolhimento em DARF do IR-Fonte conforme demonstrado nos autos; e (vii) em face desses pagamentos: surgiu em favor da manifestante um crédito relativo a pagamento, código de receita 3208; contudo, por um lapso, a manifestante, após recolher o novo DARF e transmitir a DCOMP acima referida, esqueceu-se de retificar a sua DCTF para (a) criar um novo débito de IRRF com código de receita 9478 e, simultaneamente, (b) reduzir o valor do débito de IRRF de código de receita 3208. A Turma da DRJ/Campinas julgou a manifestação de inconformidade improcedente, pois a contribuinte não teria comprovado a alegada duplicidade de pagamento. Ciente desse decisum a contribuinte apresentou Recurso Voluntário aduzindo: - que os elementos de prova constantes dos autos já seriam suficientes para comprovação da duplicidade de pagamento do IR-Fonte do período de apuração; - que, entretanto, o entendimento da DRJ foi diverso: o conjunto probatório carreado aos autos seria insuficiente para o reconhecimento do crédito pleiteado, vale dizer, seria insuficiente para aferição da liquidez e certeza, conforme excerto que se extrai do voto condutor: (...) (...) - que, data venia, a decisão recorrida não merece prosperar, pois já há nos autos vasta documentação que permite concluir pela verossimilhança dos fatos apresentados, bem como DCTF (retificadora); - que, por fim, ad agumentandum, mesmo diante de todas as provas carreadas aos autos, caso essa Colenda Turma de Julgamento entender pela necessidade de complementação de provas, a recorrente pleiteia subsidiariamente que os autos sejam baixados em diligência fiscal, para que dúvidas sejam dirimidas acerca do crédito pleiteado. Fl. 237DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1301-000.759 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13819.903404/2008-40 É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado na Resolução nº 1301-000.753, 13 de novembro de 2019, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. O processo trata de compensação tributária. A contribuinte efetuou compensação tributária, mediante PER/DCOMP, confessando débito e para sua quitação utilizou crédito de suposto pagamento indevido de IRRF, valor R$ 2.250,00 (original) do PA 1ª (primeira) semana/outubro/2004. O despacho decisório da DRF/São Bernardo do Campo indeferiu o pretenso crédito pleiteado do IRRF do PA 1ª (primeira) semana/outubro/2004, pois inexistente, uma vez que - embora constatado o recolhimento de R$ 11.385,92 - o valor foi inteiramente consumido pelo débito confessado na DCTF do respectivo período de apuração. Após ciência do referido despacho decisório, a contribuinte transmitiu eletronicamente DCTF retificadora do 4º trimestre/2004, ajustando os débitos conforme DCTF (retificadora) e apresentou manifestação de inconformidade. A contribuinte alegou, em síntese, que efetuou pagamento em duplicidade de IRRF, no valor R$ 2.250,00, atinente ao PA 1ª semana/outubro/2004, primeiro recolheu o valor com código de receita 3208 e, por último, com código de receita 9478, conforme comprovantes dos pagamentos juntados aos autos. A contribuinte ainda alegou nos autos, conforme consta do relatório da decisão recorrida que há 06 (seis) outros processos com o mesmo problema, in verbis: (...) Fl. 238DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 1301-000.759 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13819.903404/2008-40 (...) A 1ª Turma da DRJ/Campinas conheceu da lide e no mérito não reconheceu o crédito pleiteado, pois a contribuinte: a) realizara diversas retificações de DCTF do ano-calendário 2004 (1º, 2º e 4º trimestres), após ciência do despacho decisório, conforme demonstrativo que transcrevo a seguir: Fl. 239DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 1301-000.759 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13819.903404/2008-40 (...) b) não comprovou o alegado erro de fato que pudesse justificar a apresentação de DCTF retificadora; c) não juntou cópia da escrituração contábil (livros Diário e Razão Analítico) para aferição da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Nesta instância recursal, a contribuinte limitou-se a reiterar os mesmos argumentos apresentados na instância a quo, e não apresentou cópia da escrituração contábil. Ou seja, a contribuinte, nas razões do recurso, argumentou que para comprovação do crédito pleiteado seriam suficientes as cópias dos comprovantes de pagamento em duplicidade (DARF) e cópia da DCTF retificadora transmitida por último, tudo já presente nos autos. Subsidiariamente, argumentou, caso a Turma de Julgamento entenda, - assim como ocorrera na DRJ - da necessidade de apresentação da escrituração contábil (livros Diário e Razão), então que se converta o julgamento em diligência fiscal. Identificados os pontos controvertidos, passo a enfrentá-los. Fl. 240DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 1301-000.759 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13819.903404/2008-40 De plano, não há como enfrentar o mérito da lide, pois o processo precisa de saneamento, de complementação de provas para formação da convicção, de mérito, acerca da formação do crédito e para aferição da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA O ônus da prova do fato constitutivo do crédito alegado contra o Fisco é da recorrente (Decreto nº 70.235/72, arts. 15 e 16 e Lei 13.105/2015, art. 373, I) para análise de sua formação e aferição da liquidez e certeza (CTN, art. 170). A apresentação de DCTF retificadora, após ciência do despacho decisório que não reconheceu o crédito pleiteado, por implicar redução ou supressão de tributo confessado, demanda a comprovação do alegado erro de fato (CTN, art. 147, §1º). No caso, é necessário, para comprovação do alegado erro de fato, que a contribuinte demonstre, por meio de sua escrituração contábil, que os dados informados na DCTF retificadora foram extraídos de sua escrituração contábil. O IRRF tem caráter de antecipação do imposto devido no final do período de apuração. Assim, não se devolve diretamente pagamento de IRRF, mas sim saldo negativo, caso os pagamentos antecipados superarem o imposto apurado. Nesse diapasão, torna-se necessário que a contribuinte comprove com sua escrituração contábil e fiscal, mediante balancetes e Lalur, que não utilizou o pretenso crédito na formação de eventual saldo negativo do imposto. DILIGÊNCIA FISCAL Apesar da não juntada de cópia da escrituração contábil quando da apresentação das razões do recurso para comprovação do alegado erro de fato que pudesse justificar a apresentação de DCTF retificadora e permitir análise da formação e aferição da liquidez e certeza do crédito pleiteado, entendo que não é caso de preclusão da faculdade processual de produção de provas, pois: a) a situação envolve a necessidade de complementação de provas, em parte já juntada quando da apresentação da manifestação de inconformidade na instância a quo, mas insuficiente para comprovação do alegado direito creditório; b) nessa situação justifica-se a prevalência do princípio do formalismo moderado em busca da verdade material. Fl. 241DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 1301-000.759 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13819.903404/2008-40 De modo que se torna necessário, no caso, baixar os autos em diligência fiscal para que a Fiscalização da unidade de origem da RFB, no caso a DRF/São Bernardo do Campo: a) intime a contribuinte a comprovar o alegado erro de fato, que possa justificar a apresentação de DCTF retificadora após ciência do despacho decisório que não reconhecera o crédito pleiteado, mediante apresentação da escrituração contábil (livros Diário, Razão, balancetes e livro Lalur) com documentos de suporte dos registros contábeis; b) realizada a diligência fiscal, a Fiscalização proceda análise dos livros e documentos, verifique se o valor pleiteado compôs ou não eventual saldo negativo, elabore relatório circunstanciado, apresentando o resultado da diligência, ou seja, se há o crédito pleiteado, e se seu valor está, ou não, disponível para ser utilizado para quitação do débito confessado na DCOMP objeto dos presentes autos; c) intime a contribuinte do resultado do relatório de diligência fiscal, abrindo prazo de trinta dias da ciência para, em querendo, manifestar-se nos autos; d) transcorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, que retornem os autos para julgamento da lide pelo CARF. Por tudo que foi exposto, voto para converter o julgamento em diligência fiscal, conforme especificado. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência, nos termos do voto condutor. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 242DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.726957/2014-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em sobrestar o julgamento na Unidade de Origem, até a definitividade dos processos nº 10880.918853/2014-07, 10880.918855/2014-98, 10880.918856/2014-32, 10880.918857/2014-87, 10880.918854/2014-43, 10880.918852/2014-54, 10880.918851/2014-18, 10880.918850/2014-65, para que seja apurada a repercussão da liquidação daqueles processos neste que ora foi sobrestado.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Denise Madalena Green - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard (Suplente Convocada), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o Conselheiro Gerson José Morgado de Castro.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em sobrestar o julgamento na Unidade de Origem, até a definitividade dos processos nº 10880.918853/2014-07, 10880.918855/2014-98, 10880.918856/2014-32, 10880.918857/2014-87, 10880.918854/2014- 43, 10880.918852/2014-54, 10880.918851/2014-18, 10880.918850/2014-65, para que seja apurada a repercussão da liquidação daqueles processos neste que ora foi sobrestado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Denise Madalena Green - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard (Suplente Convocada), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o Conselheiro Gerson José Morgado de Castro. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do v. acórdão nº 10-57.674-3ª Turma da DRJ/POA, de 13 de janeiro de 2017, que por unanimidade votos manteve o lançamento, referente à multa sobre o IPI não lançado com cobertura de créditos, no percentual de 75%, prevista no art. 80, da Lei 4.502/1964, com a redação dada pelo art. 13 da Lei 11.488/2007. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata-se de impugnação a auto de infração lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP, no valor total de R$ 5.347.256,72, à data da autuação, referente à multa sobre o IPI não lançado com cobertura de créditos, no percentual de 75%, prevista no art. 80, da Lei 4.502/1964, com a redação dada pelo art. 13 da Lei 11.488/2007. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 26 95 7/ 20 14 -7 4 Fl. 1487DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.200 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.726957/2014-74 A autuação decorre de auditoria para verificação da legitimidade de pedidos de ressarcimento de saldo credor de IPI/compensação, no valor total de R$ 11.700.061,10, relativo a períodos de apuração entre janeiro de 2011 a dezembro de 2013. No curso da auditoria foram apontados débitos de imposto e efetuadas glosas de créditos considerados indevidos. A reconstituição da escrita fiscal, que integra o auto de infração, apontou a existência de saldos credores suficientes para compensar os débitos apurados, razão pela qual foi lavrado auto de infração apenas para exigir a multa de ofício citada. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal as infrações constatadas foram, em síntese: - saída de produtos tributados sem lançamento do IPI, por utilização indevida do instituto da suspensão prevista no art. 29 da Lei 10.637/2002, não aplicável aos estabelecimentos equiparados a industrial, nos termos da Instrução Normativa RFB 948/2009, art. 27, II; - aproveitamento indevido de créditos básicos decorrentes de compras de bens que não se enquadram no conceito de Matéria-Prima, Produto Intermediário e Material de Embalagem, como material para uso e consumo e para o ativo imobilizado; - crédito de IPI escriturado em duplicidade; - crédito extemporâneo indevido não comprovado. IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação tempestiva, assinada por procuradores habilitados, que inicia com o argumento de que o valor total controvertido, objeto da impugnação, totalizaria R$ 12.561.226,72, compreendendo a multa lançada (R$ 5.347.256,72), o valor de R$ 5.144.030,15 cujo estorno foi determinado pela fiscalização, e o valor de R$ 2.069.939,85 que foi deduzido do montante dos créditos objeto de pedidos de ressarcimento no período. A seguir, em preliminar, aponta a nulidade da autuação por suposta violação às garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa, bem como dos princípios da legalidade, motivação, finalidade e razoabilidade, estabelecidos no art. 2º da Lei nº 9.784/1999, alegando que a fiscalização não teria fundamentado, nem feito prova de suas imputações. Quanto ao mérito, defende inicialmente que seria descabido afastar a suspensão do IPI, pois a empresa seria estabelecimento industrial, cujo objeto social é a importação, fabricação e comercialização de embalagens de material plástico, cujas atividades estão sob a Classificação Fiscal de Atividades Econômica (CNAE) 22.22-6-00, referente à fabricação de embalagens de material de plástico. E, ainda que nas operações sob análise não tenha realizado qualquer processo industrial, em outras operações realiza atividades classificadas perante a própria RFB como sujeitas à CNAE indissociável de processo industrial. Assinala que a empresa preenche o único requisito que lhe cabe: ser um estabelecimento industrial e que as demais condicionantes estabelecidas pelo art. 29 da Lei n° 10.637/2002 dizem respeito ao destinatário dos bens, que deverá ser estabelecimento preponderantemente industrial, dedicado às atividades citadas no referido artigo, para usufruir do benefício da suspensão do IPI, aspectos estes não questionados na autuação. Além disso, não existe qualquer restrição nas normas de regência, em especial a Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), no sentido de restringir a fruição do benefício da suspensão em virtude de o estabelecimento ser equiparado a industrial, pelo que a restrição trazida pelo art. 27 da IN RFB 948/2009 não teria suporte legal. A seguir, discorre sobre a incidência do IPI em operações de importação, mencionando os artigos 46, 51, 24 do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 2010 – RIPI/2010, e conclui que, à vista destes, quando o art. 35 do mesmo Regulamento estabeleceu que o fato gerador do IPI é o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira ou a saída de produto do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, restaria clara a opção do legislador pela impossibilidade de coexistência de exação sobre ambas hipóteses decorrentes de um mesmo evento econômico. No seu entendimento, havendo desembaraço aduaneiro e posterior saída do Fl. 1488DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.200 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.726957/2014-74 bem do estabelecimento industrial ou equiparado, o IPI deverá incidir sobre apenas um desses potenciais fatos geradores. Os tributos atinentes à importação dos bens objeto da autuação foram recolhidos no desembaraço aduaneiro e não teria havido qualquer processo industrial em relação aos mesmos, que autorizasse o entendimento de ocorrência de novo fato gerador do IPI nas saídas subsequentes. Cita trechos da ementa e voto vencedor do acórdão prolatado no julgamento do EREsp n° 1.411.749/PR, ressaltando que, de acordo com o entendimento do STJ, não há incidência no IPI nos casos de comercialização de produto importado que não sofra qualquer processo de industrialização sob pena de caracterização de bitributação, situação que é exatamente a dos autos. Quantos às glosas de crédito decorrentes de materiais de uso e consumo e bens destinados ao ativo imobilizado, argumenta que na realidade os bens seriam produtos intermediários de seu processo industrial, sendo cabível o aproveitamento, à vista dos arts. 226 e 610 do RIPI/2010. Cita como exemplo os eletrodos, produtos que se desgastariam no processo produtivo, necessitando de reposições diárias. Invoca como fundamento a Solução de Consulta nº 24/2014 da Coordenação-Geral de Tributação – COSIT –aponta a inaplicabilidade dos Pareceres Normativos CST 65/1979 e 181/1974, que, no seu entendimento, não representariam a posição atual da RFB sobre o tema. Menciona ainda, como exemplo, as lâminas (facas) utilizadas no corte das sacolas plásticas produzidas, as quais devem ser repostas diariamente, sendo essenciais à industrialização e tendo contato direto com os bens produzidos, fato que é corroborado pelo volume das respectivas aquisições. Argumenta que seria improcedente a glosa por duplicidade e solicita a análise de documentação que anexa. Com relação à NF 165, argumenta que não existiria creditamento relacionado, sendo incabível a glosa. Por fim, alega que a multa aplicada seria confiscatória, contrariando o art. 150, IV da Constituição Federal e requer seu cancelamento, caso não acolhidas as razões de mérito. Solicita que as intimações sejam realizadas em seu próprio nome e endereço, bem como em nome de seus advogados, cujo endereço informa. Estando o processo em julgamento nesta DRJ, foi determinado o retorno à repartição de origem, nos termos da Resolução 10-776, de 2015, para que o autuante se manifestasse a respeito das alegações quanto à duplicidade de escrituração de notas fiscais, bem como o aproveitamento de crédito decorrente da NF 165. O resultado da diligência consta na Informação Fiscal, no sentido de que devem ser mantidas as glosas de créditos, porém a partir do mês de janeiro/2013 deve ser efetuado um ajuste a crédito na Planilha de Reconstituição dos Saldos da Escrita Fiscal, no valor de R$ 3.583,52. Devidamente intimada, a empresa não contraditou a Informação Fiscal. É o relatório. A decisão de primeira instância, proferida em 13/01/2017 (fls. 1391/1404) foi pela procedência do lançamento, nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. É descabida a alegação de nulidade de Auto de Infração devidamente motivado, com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos pertinentes ao caso. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. É vedado aos órgãos do Poder Executivo afastar, no âmbito administrativo, a aplicação de lei, decreto ou ato normativo, por inconstitucionalidade ou ilegalidade. SAÍDA COM SUSPENSÃO DO IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. INAPLICABILIDADE. Fl. 1489DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3302-001.200 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.726957/2014-74 A suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, só é aplicável às saídas promovidas por estabelecimento industrial, não alcançando as operações realizadas por estabelecimento equiparado a industrial. COMPRAS DE MATERIAL PARA USO OU CONSUMO E ATIVO IMOBILIZADO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO A CRÉDITO. As compras de material para uso ou consumo e ativo imobilizado não dão direito a aproveitamento de crédito do IPI. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ciência ao acórdão de primeira instância (TERMO à fl. 1411), em 01/02/2017, irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 1414/1438, em 03/03/2017, em essência, reproduzindo os argumentos da impugnação anteriormente interposta. Os autos, então, vieram-me conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Denise Madalena Green , Relator. A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 01/02/2017 (fl. 1410) e protocolou Recurso Voluntário em 03/03/2017 (fl. 1412) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/72 1 . Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como relatado, trata-se o presente processo de auto de infração referente a cobrança de multa de 75% prevista no art. 80, da Lei 4.502/1964, sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito, originário de reconstituição da escrita fiscal, em face de terem sido apontados débitos de imposto e efetuadas glosas de créditos considerados indevidos, relativos aos períodos de apuração entre janeiro de 2011 a dezembro de 2013, inclusos em pedidos de ressarcimento e declarações de compensação, formulados previamente pelo contribuinte. Inicialmente cumpre esclarecer que o presente processo foi baixado em diligência conforme voto do Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, finalizado, às fls. 1474/1480, para que fosse vinculado aos PERDECOMP’s mencionados, haja vista que o procedimento fiscal decorreu do exame, pela autoridade lançadora, dos aludidos pedidos de compensação. Após o pedido de diligência que resultou a informação de fls. 1483/1484, foram juntados aos autos os processos relativos aos PERDCOMP do 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2012 e 2013, relacionados abaixo : 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 1490DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3302-001.200 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.726957/2014-74 Consta da Informação Fiscal que apenas para os processos abaixo relacionados foi instaurada a fase litigiosa em razão de apresentação de manifestação de inconformidade, aguardando decisão da DRJ/Ribeirão Preto. PROCESSO PERDCOMP Tipo Proc Trimestre Situação Atual 10880.918853/2014-07 06957.81913.150113.1.1.01-4915 RESSARCIMENTO DE IPI 4 º TRIMESTRE 2012 Aguard Julgamento DRJ 10880.918855/2014-98 02683.67132.120713.1.1.01-9218 RESSARCIMENTO DE IPI 2 º TRIMESTRE 2013 Aguard Julgamento DRJ 10880.918856/2014-32 14634.53574.091013.1.1.01-7073 RESSARCIMENTO DE IPI 3 º TRIMESTRE 2013 Aguard Julgamento DRJ 10880.918857/2014-87 02337.61882.150114.1.1.01-2554 RESSARCIMENTO DE IPI 4 º TRIMESTRE 2013 Aguard Julgamento DRJ Os demais processos/PERDCOMP foram concluídos (ou estão em fase de conclusão) sem instauração de fase litigiosa. Verifica-se, claramente, que o lançamento consubstanciado nestes autos é decorrente ou vinculado por decorrência, formalizado (constituição de créditos tributários) em razão de procedimento fiscal (apuração de pedidos de ressarcimento/declarações de compensação) anterior, acerca de direito creditório declarado, a autuação sub examine está imbricada com os processos de ressarcimento e declarações de compensação, não se revestindo da qualidade de principal, em relação àqueles, mas sim, acessório, haja vista que o direito creditório, reduzido por imputações de débitos de imposto e glosas de créditos considerados indevidos, que afinal implicaram no débito ora contestado, será decidido naqueles processos, pois, qualquer reversão lá reconhecida causará efeito aqui, não sendo a recíproca verdadeira. Portanto, não é possível, ou melhor, não se mostra adequado o julgamento deste processo antes daqueles, sob pena de ocasionar inconvenientes insuperáveis quando da liquidação desta decisão, haja vista que, como dito, qualquer modificação que redunde alteração dos saldos credores apurados naqueles processos terá obrigatória influência neste, enquanto, ao contrário, qualquer modificação aqui produzida não se refletirá forçosamente naqueles outros. Quanto ao sobrestamento do julgamento do processo junto ao Carf, o parágrafo 5º do art. 6º do Regimento Interno, assim dispõe: “Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando-se a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I - conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II - decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III - reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Fl. 1491DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3302-001.200 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.726957/2014-74 § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluem-se na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies.” (grifou-se) Com essas considerações, meu voto é no sentido de SOBRESTAR o julgamento na Unidade de Origem, até a definitividade dos processos nº 10880.918853/2014-07, 10880.918855/2014-98, 10880.918856/2014-32, 10880.918857/2014-87, 10880.918854/2014- 43, 10880.918852/2014-54, 10880.918851/2014-18, 10880.918850/2014-65, para que seja apurada a repercussão da liquidação daqueles processos neste que ora foi sobrestado. (documento assinado digitalmente) Denise Madalena Green Fl. 1492DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.921972/2011-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. CÔMPUTO DE ESTIMATIVAS COMPENSADAS ANTERIORMENTE.
É ilegítima a negativa, para fins de apuração de Saldo Negativo de IRPJ, do direito ao cômputo de estimativas liquidadas por compensações, ainda que não homologadas ou pendentes de homologação, sob pena de cobrança em duplicidade.
Numero da decisão: 1302-004.065
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. CÔMPUTO DE ESTIMATIVAS COMPENSADAS ANTERIORMENTE. É ilegítima a negativa, para fins de apuração de Saldo Negativo de IRPJ, do direito ao cômputo de estimativas liquidadas por compensações, ainda que não homologadas ou pendentes de homologação, sob pena de cobrança em duplicidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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CÔMPUTO DE ESTIMATIVAS COMPENSADAS ANTERIORMENTE. É ilegítima a negativa, para fins de apuração de Saldo Negativo de IRPJ, do direito ao cômputo de estimativas liquidadas por compensações, ainda que não homologadas ou pendentes de homologação, sob pena de cobrança em duplicidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 76 a 78) interposto contra o Acórdão n 02- 40.149 (e-fls. 66 a 69), proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 19 72 /2 01 1- 42 Fl. 101DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.065 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.921972/2011-42 Julgamento de Belo Horizonte, que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório do Contribuinte. O pleito inicial funda-se na intelecção do Contribuinte em vislumbrar por existente o direito creditório, apto a homologação. Para melhor precisão, abaixo segue o teor exordial: II- DOS FATOS E FUNDAMENTOS: A SRF lavrou o DESPACHO DECISÓRIO no valor original de R$ 43.156,20, não homologando a compensação do PER/DCOMP acima relacionado. Informa, a impugnante que em 28/02/2007 informou no PER/DCOMP 12151.05491.280207.1.3.02-6814, uma parcela de credito referente a estimativas compensadas de períodos anteriores no valor de R$ 62.300,84, que foi efetuada no PER/DCOMP 11759.30102.240206.1.3.57-8073, credito este, que não está sendo reconhecido pela RFB. No entanto, a existência do crédito é legítima, sendo direito da impugnante efetuar a compensação, o que efetivamente foi realizado. É nítido assim, o direito que faz jus a impugnante do reconhecimento da compensação, haja vista, que conforme já mencionado o crédito existente é totalmente pertinente. Frisa, ainda a impugnante que todos os documentos que comprovam o efetivo direito da compensação efetuada através da PER/DCOMP objeto do despacho decisório, tais como notas fiscais, livros fiscais, declarações, estão a disposição dessa Secretaria da Receita Federal, para a devida análise. III - DO DIREITO Senhores Eméritos julgadores, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta manifestação de inconformidade, sendo certo e patente o direito que assiste a impugnante quanto ao reconhecimento da compensação, nos termos do Art. 167 do Código Tributário Nacional e Arts 2o e 4o da Instrução Normativa RBF n° 900, de 30 de dezembro de 2008. IV - DA CONCLUSÃO Isto posto e demonstrada a total procedência da compensação realizada e a insubsistência do despacho decisório, REQUER: > seja acolhida a presente manifestação de inconformidade, homologando a compensação acima informada relativo ao PER/DCOMP n° 12151.05491.280207.1.3.02-6814 do despacho decisório em epígrafe. > Que nos termos do artigo 38 da Lei 9.784 de 29 de janeiro de 1999, lhe seja resguardado o direito da juntada das notas fiscais e documentos que comprovam a veracidade dos créditos objetos da compensação. O Acórdão da DRJ não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois ausentes a comprovação de liquidez e certeza. Eis a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 Fl. 102DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.065 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.921972/2011-42 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. INEXISTÊNCIA Verificada a inexistência do saldo negativo de IRPJ ao final do período anual de apuração, não há como reconhecer o direito creditório postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Já em Recurso Voluntário, o Contribuinte reitera integralmente as alegações formuladas em sua exordial. Não constam nos autos escriturações contábeis; estão presentes a DCOMP e DIPJ. É o Relatório Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos e intrínsecos. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do Regimento Interno do CARF. Portanto, opino por seu conhecimento. Mérito De imediato, aponto que merece razão o pleito recursal. Percebe-se que, conforme bem pontuado pelo Contribuinte, não foi considerada a compensação das estimativas (R$62.300,84), veiculada em DCOMP pretérita, número 11759.30102.240206.1.3.578073. Abaixo evidencia o conteúdo do Despacho Decisório: Fl. 103DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.065 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.921972/2011-42 O Acórdão da DRJ, por seu turno, manteve a restrição compensatória, conforme se extrai do teor meritório abaixo descrito: Em sua defesa, o contribuinte se restringiu a relatar que o valor de estimativa de R$62.300,84 foi compensado por meio da DComp nº 11759.30102.240206.1.3.578073. Com base nos sistemas de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), foram extraídas as telas de fls. 64/65, que atestam que a compensação de que trata a DComp referida pelo manifestante não foi homologada, confirmando a Análise de Crédito integrante do Despacho Decisório. Uma vez não homologada a compensação da estimativa mensal de IRPJ, não há como considerar o respectivo valor na composição do saldo negativo do período, ficando, assim convalidado o Despacho Decisório em todos os seus termos. Vale lembrar que é condição indispensável para a homologação da compensação pretendida que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do CTN). Essa condição, no presente caso, não se verifica. O manifestante pediu ainda que lhe fosse resguardado o direito de juntada das notas fiscais e documentos comprobatórios da veracidade dos créditos postulados. Neste particular, cumpre registrar que, no rito do processo administrativo fiscal, o momento oportuno para a juntada dos documentos em que se fundamentam as alegações da defesa é quando da apresentação da manifestação de inconformidade (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Os §§ 4º e 5º do art. 16 do citado decreto, instituídos pelo art. 67 da Lei n.º 9.532, de 10 de dezembro de 1997, estabelecem a preclusão da juntada de prova documental após a apresentação da impugnação, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Sem a comprovação da ocorrência de uma dessas condições, não há que se falar em juntada posterior de novos documentos. Essa vertente intelectiva não encontra respaldo na jurisprudência do CARF, a qual é chancelada pelo Parecer COSIT nº 2, de 3 de dezembro de 2018 (com status de norma complementar, na forma do art. 100 do CTN), no sentido de se reconhecer as estimativas em compensação (veiculadas, in casu, na DCOMP 11759.30102.240206.1.3.57-8073). Colaciono abaixo o trecho conclusivo do indigitado Parecer: e) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório for prolatado após 31 de dezembro do ano-calendário, ou até esta data e for objeto de manifestação de inconformidade pendente de julgamento, então o crédito tributário continua extinto e está com a exigibilidade suspensa (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996), pois ocorrem três situações jurídicas concomitantes quando da ocorrência do fato jurídico tributário: (i) o valor confessado a título de estimativas deixa de ser mera antecipação e passa a ser crédito tributário constituído pela apuração em 31/12; (ii) a confissão em DCTF/Dcomp constitui o crédito tributário; (iii) o crédito tributário está extinto via compensação; não é necessário glosar o valor confessado, caso o tributo devido seja maior que os valores das estimativas, devendo ser as então estimativas cobradas como tributo devido; f) se o valor objeto de Dcomp não homologada integrar saldo negativo de IRPJ ou a base negativa da CSLL, o direito creditório destes decorrentes deve ser deferido, pois em 31 de dezembro o débito tributário referente à estimativa restou constituído pela confissão e será objeto de cobrança; Fl. 104DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-004.065 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.921972/2011-42 A este mesmo desiderato chegou a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), conforme Acórdão nº 9101-003.891 (Redator designado Luiz Fabiano Alves Penteado, julgado em 08 de novembro de 2018): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 GLOSA DE CRÉDITO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. COMPENSAÇÕES DE ESTIMATIVAS NÃO HOMOLOGADAS. IMPROCEDÊNCIA. A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo. Na hipótese de não homologação da compensação que compõe o saldo negativo, a Fazenda poderá exigir o débito compensado pelas vias ordinárias, através de Execução Fiscal. A glosa do saldo negativo utilizado pela Contribuinte acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem. Ademais, conforme relatado alhures, diversos julgados das Turmas Ordinárias do CARF foram proferidos sobre o tema, conforme ilustram as seguintes ementas: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. A estimativa quitada através de compensação não homologada pode compor o saldo negativo do período, haja vista a possibilidade de referidos débitos serem cobrados com base em Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Assim, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). (Acórdão nº 1401-003.033, de 22 de novembro de 2018, Relator Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. CÔMPUTO DE ESTIMATIVAS COMPENSADAS ANTERIORMENTE. É ilegítima a negativa, para fins de apuração de Saldo Negativo de CSLL, do direito ao cômputo de estimativas liquidadas por compensações, ainda que não homologadas ou pendentes de homologação, sob pena de cobrança em duplicidade. (Acórdão nº 1201-002.689, de 12 de dezembro de 2018, Redator designado Conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira) Merece reforma, portanto o Acórdão recorrido, para que sejam incluídas no cômputo do saldo negativo compensado as estimativas de IRPJ extintas por compensação na DComp não homologadas. Fl. 105DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-004.065 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.921972/2011-42 Conclusão Isto posto, comprovadas todas as estimativas apontadas, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário, para homologar a compensação declarada, até o limite do crédito reconhecido. (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.907581/2009-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Dec 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO DO DÉBITO DECLARADO EM DCTF.
incumbe ao sujeito passivo fazer prova da liquidez e certeza de seu crédito. No caso, para demonstrar a ocorrência de erro de fato na declaração de débito de IRPJ, deve o sujeito passivo comprovar a verdade dos fatos por meio de escrita contábil, com suporte em documentos hábeis e idôneos.
Numero da decisão: 1401-004.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado), Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2003 PER/DCOMP. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO DO DÉBITO DECLARADO EM DCTF. incumbe ao sujeito passivo fazer prova da liquidez e certeza de seu crédito. No caso, para demonstrar a ocorrência de erro de fato na declaração de débito de IRPJ, deve o sujeito passivo comprovar a verdade dos fatos por meio de escrita contábil, com suporte em documentos hábeis e idôneos.
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ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO DO DÉBITO DECLARADO EM DCTF. incumbe ao sujeito passivo fazer prova da liquidez e certeza de seu crédito. No caso, para demonstrar a ocorrência de erro de fato na declaração de débito de IRPJ, deve o sujeito passivo comprovar a verdade dos fatos por meio de escrita contábil, com suporte em documentos hábeis e idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 75 81 /2 00 9- 46 Fl. 110DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-004.013 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.907581/2009-46 Zanin, Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado), Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Trata o presente feito de PER/DCOMP por meio do qual o contribuinte formalizou crédito perante a Fazenda Nacional oriundo de “pagamento indevido ou a maior” de IRPJ, apurado na forma do lucro presumido. O contribuinte utilizou o citado crédito para compensar débitos de sua responsabilidade. A autoridade administrativa da RFB emitiu Despacho Decisório em que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação efetuada. Em síntese, a autoridade administrativa, no Despacho Decisório guerreado, concluiu que o valor pago em DARF havia sido integralmente utilizado para extinguir débito declarado em DCTF. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou, em resumo, que cometeu erro de fato na DCTF ao declarar débito superior ao montante efetivamente devido. Não retificou a DCTF, mas apresentou DIPJ com a apuração correta e instruiu a manifestação com cópia do Livro de Saída do período de apuração sob exame. A manifestação foi julgada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância. A razão de decidir foi que a DIPJ tem caráter meramente informativo e não tem o condão de retificar o débito confessado em DCTF. Diante da decisão de improcedência, o contribuinte interpôs recurso voluntário. Neste, esclareceu que sua atividade é comércio varejista de gás liquefeito de petróleo (GLP). Assim, deveria apurar a base de cálculo do IRPJ com a aplicação do percentual de 1,6% sobre a receita bruta mensal, conforme norma de regência do lucro presumido. Entretanto, o débito declarado em DCTF foi apurado – equivocadamente – com a aplicação do percentual de 8%. A diferença configuraria o pagamento a maior. Em vista do princípio da verdade material, o contribuinte pede, ao final da peça recursal, o provimento para que seja retificada de ofício a DCTF para ajustar o débito declarado à verdade material e que seja reconhecido o crédito de IRPJ conforme PER/DComp. Em essência, era o que havia a relatar. Voto Fl. 111DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-004.013 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.907581/2009-46 Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. A questão posta na espécie é a desconstituição de débito declarado por meio de DCTF, que requer a comprovação de qual é o débito condizente com a verdade material. Em outras palavras, se o contribuinte equivocou-se na DCTF e declarou débitos maiores do que os devidos, deve comprovar o erro e qual o montante efetivamente devido. É preciso lembrar que, de acordo com artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, o contribuinte deve apresentar na impugnação "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". No mesmo sentido, o artigo 373, I, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, determina que incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Entretanto, a contribuinte não logrou fazer tal prova. Apresentou tão-somente a DIPJ onde consta o débito que alega ser o correto e cópia do Livro de Saída. A DIPJ tem caráter meramente informativo. Trata-se de uma declaração unilateral de informações de interesse da administração tributária. Da mesma forma, as cópias do Livro de Saídas não são hábeis para determinar qual o IRPJ efetivamente devido de forma a poder apurar a existência de pagamento a maior. Para dar suporte à alegação de que o débito de IRPJ era inferior ao declarado em DCTF, deveria a contribuinte apresentar sua escrituração comercial com suporte em documentação hábil e idônea. Neste sentido, é recorrente o posicionamento deste Conselho, conforme se pode observar nos seguintes julgados: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudiño, 3/1/2015) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação Fl. 112DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-004.013 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.907581/2009-46 da compensação. (Acórdão nº 3802002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes, Sessão de 22/05/2013) Uma vez que a contribuinte não trouxe aos autos elementos mínimos de prova de que teria havido um erro de fato no valor do débito declarado em DCTF, é de se negar o provimento do recurso voluntário. Conclusão. Voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Fl. 113DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.901040/2012-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2007
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. DISTINÇÃO ENTRE FATOS, FUNDAMENTOS E CAUSA DE PEDIR.
Não se conhece de Recurso Especial quando a causa de pedir destoa totalmente dos fatos e fundamentos jurídicos discutidos nos autos.
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO ESSENCIAL PARA O DESLINDE DO CASO. APRESENTAÇÃO SOMENTE COM O RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE.
O princípio da verdade material, no âmbito do processo administrativo fiscal, permite a apreciação de documento essencial para o deslinde do caso, ainda que este tenha sido apresentado após a fase de impugnação.
Numero da decisão: 9101-004.513
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à preclusão quanto ao paradigma 9101-002.890, vencidos os conselheiros Andréa Duek Simantob (relatora), Demetrius Nichele Macei e Livia de Carli Germano, que conheceram do recurso em maior extensão. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros André Mendes Moura, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Caio Cesar Nader Quintela (suplente convocado). Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Andréa Duek Simantob Relatora
(documento assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichel Macei, Viviane Vidal Wagner, Livia da Carli Germano, Andréa Duek Simantob, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Caio Cesar Nader Quintela (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ANDREA DUEK SIMANTOB
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PETROBRÁS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. DISTINÇÃO ENTRE FATOS, FUNDAMENTOS E CAUSA DE PEDIR. Não se conhece de Recurso Especial quando a causa de pedir destoa totalmente dos fatos e fundamentos jurídicos discutidos nos autos. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO ESSENCIAL PARA O DESLINDE DO CASO. APRESENTAÇÃO SOMENTE COM O RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. O princípio da verdade material, no âmbito do processo administrativo fiscal, permite a apreciação de documento essencial para o deslinde do caso, ainda que este tenha sido apresentado após a fase de impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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(documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 10 40 /2 01 2- 21 Fl. 1844DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16682.901040/2012-21 (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob – Relatora (documento assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichel Macei, Viviane Vidal Wagner, Livia da Carli Germano, Andréa Duek Simantob, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Caio Cesar Nader Quintela (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Fl. 1845DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16682.901040/2012-21 Relatório Trata-se de recurso especial da Fazenda Nacional (fls. 1.700 e seguintes) interposto em face da decisão proferida no Acórdão de Embargos nº 1402-002.737, pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 16 de agosto de 2017, que, por unanimidade de votos, deu parcial provimento aos embargos de declaração para reconhecer o direito ao crédito adicional no montante de R$ 467.229,02 (R$ 219.460,48 + R$ 247.768,54), homologando-se até esse limite as compensações ainda pendentes. O processo trata das declarações de compensação nº 23564.27368.300908.1.7.028-3460 (fls. 1.060/1.089) e 42283.71894.290808.1.3.02-7739 (fls. 1.090/1.093), pelas quais o contribuinte pretendeu o reconhecimento do direito creditório referente ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2007, no valor de R$ 156.227.407,74, para a compensação de débitos próprios de períodos de apuração subsequentes. A Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro - DEMAC/RJ, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 1.094 e seguintes, proferido em 03/04/2012, não homologou as compensações declaradas, visto que o crédito informado na Dcomp 23564.27368.300908.1.7.02-3460 não foi suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo. Contra a decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 3 e seguintes), em que defende a existência de saldo negativo do IRPJ declarado para 2007 e a regularidade dos procedimentos de compensação, em sintonia com diversos outros que teve homologados no período. Junto com a manifestação o contribuinte anexou documentos comprobatórios das retenções e dos pagamentos efetuados. Em 20 de dezembro de 2012, a 1ª Turma da DRJ Rio de Janeiro julgou procedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, sob o argumento de que os dados recuperados pela “análise eletrônica” do despacho, sem intervenção de uma autoridade fiscal, não poderiam levar à precipitada conclusão de insuficiência do crédito pleiteado, sendo necessária uma apuração mais aprofundada que, na hipótese, não ocorreu. Com base nessa premissa a DRJ devolveu o processo à unidade de origem para que o direito creditório fosse novamente analisado. Foi então lavrada nova decisão (fls. 1.069), que entendeu por não reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ do exercício 2008 - ano calendário 2007 - e, como decorrência, considerar não homologadas as DCOMPs de n.º 23564.27368.300908.1.7.02- 3460 e 42283.71894.290808.1.3.02-7739. Com a ciência da decisão, o contribuinte apresentou nova manifestação de inconformidade (fls. 1.178), pugnando pela existência do crédito pleiteado, sob o argumento de que o despacho decisório teria ofendido princípios constitucionais, tais como a legalidade e a eficiência, carecendo, ainda, de falta de motivação e consequente cerceamento ao seu direito de defesa. Fl. 1846DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16682.901040/2012-21 Em 03 de junho de 2013, a DRJ Rio de Janeiro resolveu converter o julgamento em diligência, para que a autoridade competente demonstrasse a composição do montante de R$ 1.283.536,19 (por CNPJ da fonte pagadora e código de receita) glosado pela fiscalização a título de IRRF não comprovado, visto que na planilha de fls.1.164/1.167 as parcelas individualmente glosadas não estavam claramente identificadas. A diligência foi cumprida e o processo retornou à DRJ, que proferiu decisão em 08 de agosto de 2013 (fls. 1.258 e seguintes), considerando procedente em parte a manifestação de conformidade do contribuinte, para reconhecer o direito creditório de R$ 154.943.871,55 e homologar as compensações declaradas nas Dcomp 23564.27368.300908.1.7.02-3460 e 42283.71894.290808.1.3.02-7739, até o limite do crédito reconhecido. Com a ciência da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1.275), para informar que estava providenciando os documentos para comprovar a legitimidade do crédito e sua extensão. Pugnou, ainda, pela nulidade da decisão recorrida, a fim de que a DEMAC/RJ fosse provocada para atestar as retenções que não foram reconhecidas. Em 25 de janeiro de 2017, a 2ª Turma da 4ª Câmara, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, em decisão (Acórdão n. 1402-002.370) assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEMONSTRAÇÃO. Na composição do saldo negativo do IRPJ passível de restituição/compensação devem ser computados os valores do IRRF, desde que devidamente comprovados por documentação hábil e idônea. Contra a decisão o contribuinte apresentou embargos de declaração (fls. 1.625), sob o argumento de que o acórdão padeceria de omissão e contradição, decorrentes da falta de análise da documentação comprobatória apresentada. Os embargos foram admitidos mediante despacho do Presidente da 2ª Turma da 4ª Câmara (fls. 1.678). Em 16 de agosto de 2017 os embargos foram apreciados e, por unanimidade de votos, lhes foi dado provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito adicional no montante de R$ 467.229,02 (R$ 219.460,48 + R$ 247.768,54), homologando-se até esse limite as compensações ainda pendentes. Com a ciência da decisão, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (fls. 1.698), por entender que houve omissão, decorrente da falta de manifestação acerca do art. 16, §4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72, que tratam de preclusão, após a impugnação, para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal. Defende o representante fazendário que o acórdão proferido em sede de embargos deveria ser anulado, por ter ultrapassado os limites próprios dos embargos de declaração, ao apreciar novamente a demanda. Fl. 1847DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16682.901040/2012-21 Os embargos foram analisados pelo Presidente da Turma, que os rejeitou por meio do despacho de fls. 1.696. A Fazenda Nacional apresentou, então, recurso especial de divergência (fls. 1.700 e seguintes) contra a decisão, para pleitear a nulidade do acórdão, com base nos seguintes argumentos (destaques no original): Diversamente do acórdão recorrido que acolheu parcialmente os Embargos de Declaração do contribuinte com base em documento juntado a destempo, a análise dos paradigmas indica que a instrução processual é concentrada na fase da impugnação, considerando-se precluso o direito de juntar documentos quando o sujeito passivo não requerer em primeira instância e nem apresentar uma das justificativas legais para tanto. Ao contrário do julgamento recorrido, os paradigmas defendem que não se pode conhecer provas que não foram apreciadas pela autoridade de primeira instância. Dessa forma, demonstrada a divergência jurisprudencial, encontram-se presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial. (...) A 2ª Turma Ordinária, por meio do Acórdão nº 1402-002.737, acolheu parcialmente os Embargos de Declaração da contribuinte com efeitos infringentes, para reconhecer o direito ao crédito adicional de R$ 467.229,02. Pela análise dos autos, verifica-se que deve ser anulado o Acórdão nº 1402- 002.737, vez que ultrapassou os limites dos Embargos de Declaração ao apreciar novamente a demanda. A jurisprudência do CARF aponta que o instrumento recursal adequado nesses casos, não é a via restrita dos embargos de declaração, mas sim o recurso especial. Vejamos: (...) Portanto, deve ser anulado o Acórdão nº 1402-002.737, vez que ultrapassou os limites dos Embargos de Declaração ao apreciar novamente a demanda. O recurso especial fazendário foi objeto do despacho de admissibilidade de fls. 1.713 e seguintes, que lhe deu seguimento. Por seu turno, o contribuinte também apresentou recurso especial (fls. 1.727 e seguintes), sob o argumento de que deve ser investigada, mediante diligência, a origem do IRRF contabilizado e ainda não reconhecido no presente processo, com base nos paradigmas indicados. A empresa ofereceu, ainda, contrarrazões ao recurso especial fazendário (fls. 1.789 e seguintes), pugnando pelo seu não seguimento e/ou desprovimento. O recurso especial do contribuinte foi apreciado pelo despacho de admissibilidade de fls. 1.801, que lhe negou seguimento, por entender que as situações indicadas no paradigma não guardavam similitude com o caso discutido nestes autos. Fl. 1848DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16682.901040/2012-21 Contra a negativa de seguimento o contribuinte apresentou agravo (fls. 1.818), que foi rejeitado pela decisão de fls. 1.835. O patrono do contribuinte acompanhou o julgamento, mas não realizou sustentação oral. É o relatório. Fl. 1849DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-004.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16682.901040/2012-21 Voto Vencido Conselheira Andréa Duek Simantob, Relatora. 1. Conhecimento Conquanto o contribuinte questione, em sede de contrarrazões, o recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, pugnando pelo seu “não seguimento”, a leitura da peça evidencia que os argumentos formulados buscam apenas justificar a correção e plena validade do acórdão questionado, vale dizer, todo o racional desenvolvido pelo interessado tem por objetivo garantir o desprovimento do pleito fazendário. Assim, não há propriamente qualquer questionamento acerca do conhecimento do recurso, mas somente quanto à improcedência do mérito. Sem prejuízo dessas observações, verifico que o recurso fazendário deve ser conhecido em relação às duas matérias questionadas: a) Nulidade do acórdão nº 1402-002.737, por meio do qual os embargos de declaração foram acolhidos com efeitos parcialmente infringentes para reconhecer direito creditório complementar demonstrado por documentação idônea anteriormente não examinada. b) Preclusão - Provas apresentadas somente no recurso voluntário. Em relação à primeira matéria, na esteira do despacho de admissibilidade, a divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados diz respeito à possibilidade de análise de mérito, por força de omissão. Enquanto o recorrido entendeu possível tal situação, com provimento parcial ao pleito do contribuinte, nos paradigmas decidiu-se que os embargos não seriam recurso hábil a corrigir eventuais defeitos dessa natureza no julgamento. No que tange à preclusão, o acórdão recorrido acolheu parcialmente os embargos de declaração para reconhecer direito creditório complementar baseado em documentação não apresentada na peça impugnatória, enquanto que nos paradigmas decidiu-se por não tomar conhecimento de provas não submetidas ao julgamento de primeira instância. Por sua vez, apesar de ter concluído estarem presentes os requisitos para a admissibilidade do recurso especial fazendário, em relação às duas matérias questionadas, fui vencida no conhecimento in totum do recurso especial, entendendo a maioria do colegiado pelo conhecimento parcial, apenas no que tange à preclusão. Neste sentido, deixo de apreciar no mérito a questão referente à nulidade, respeitando a decisão da maioria deste Colegiado. Fl. 1850DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-004.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16682.901040/2012-21 2. Mérito Quanto ao mérito, no que tange à segunda matéria sub judice, aduz a Recorrente que houve divergência entre o recorrido e outros acórdãos deste CARF, quanto à possibilidade de apresentação de provas depois da impugnação, hipótese em geral vedada pelo Decreto n. 70.235/82. Como visto, o acórdão questionado acolheu parcialmente o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, a partir de documentos apresentados somente com o recurso voluntário. Quanto à parte que foi negada, o voto condutor assim se manifestou: No que se refere especificamente aos documentos juntados de fls. 1221/1335, o fato de não ter havido menção expressa a eles na decisão recorrida, não é suficiente para se deduzir que não teriam sido examinados quando do julgamento. Constatei na ocasião que os documentos não seriam hábeis a demonstrar o valor do crédito não acatado daí porque, a princípio, não haveria qualquer omissão na decisão. Mantenho esse entendimento em relação aos denominados "DOC_PROBATÓRIO" numerados a partir do número 009, pois tratam-se de cópias de PER/Dcomps, e o que está sob discussão é a prova de retenção do IRRF. Também inaceitáveis como prova os "DOC_PROBATÓRIO" numerados de 001 a 004 pois são cópias da Ficha 54 da DIPJ de diversos anos-calendário, no intuito de demonstrar que rendimentos recebidos em anos anteriores que geraram IRRF compensável, só teriam sido contabilizados em 2007. Além da ausência do informe de rendimentos, mesmo que fosse demonstrada a apropriação nos moldes suscitados pela defesa o que, saliente-se, não ocorreu peca contra a interessada o fato de não ter sido justificada o que seria a desobediência ao regime de competência, ou seja, a apropriação do resultado e aproveitamento do IRRF em anos posteriores. O fato de se referir a ano-calendário diverso daquele referente ao saldo negativo pleiteado também afeta a força probante dos "DOC_PROBATÓRIO" 005 a 007, relativos ao ano-calendário de 2004. Ratifica-se que mesmo demonstrada a apropriação nos moldes suscitados pela defesa o que, saliente-se, não ocorreu peca contra a interessada o fato de não ter sido justificada o que seria a desobediência ao regime de competência. A Fazenda Nacional insurgiu-se contra o provimento parcial concedido nessas condições e apresentou embargos de declaração, cuja análise, novamente, nos traz uma luz acerca dos fundamentos da decisão (embora dela não constem): Sinteticamente, mediante a decisão ora contestada, houve reconhecimento do direito creditório que, a despeito da prova documental apresentada, não foi objeto de apreciação, quando da prolação do Acórdão de julgamento do recurso voluntário, uma vez que apresentada a posteriori, e ainda sem correspondência com os documentos trazidos na impugnação. Fl. 1851DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-004.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16682.901040/2012-21 (...) No contexto, a questão reclamada pela Fazenda dirige-se a aceitabilidade da prova produzida pela interessada, somente após a apresentação do recurso voluntário. Sustenta-se para tanto que, em sede de embargos, o reconhecimento do direito creditório objurgado não se enquadra nas hipóteses de omissão, contradição e obscuridade vinculadas aos aclaratórios. Outrossim, de sua parte, a embargante aponta omissão no julgamento, na medida em que "não justificou o afastamento do art. 16, §§4º e 5º do Decreto nº 70.235/72". Mais que isso, traz a seu favor jurisprudência do CARF, no sentido de que a preclusão alcançaria a apresentação probatória apartada do recurso voluntário. Após todos os argumentos apresentados, conclui que a Turma extrapolou os limites afeitos ao possível saneamento da decisão. Primeiramente, analisando a questão sob a ótica da admissibilidade, não é demais rememorar que a omissão vinculada aos embargos enraiza-se na falibidade do julgador que, ao examinar o recurso voluntário ou contrarazões, deixou de se pronunciar sobre aspecto levantado cuja relevância seja de tal forma suficiente para alterar o rumo da decisão. De certo que podem ser observadas outras omissões, até de forma ampla, em relação a todo o ordenamento jurídico, mas tão somente em virtude do cotejo entre as peças recursais e Acórdão é que porventura pode surgir hipótese omissiva a sanear pela presente via eleita. Na espécie, não verifico que o ponto levantado, acerca da não aplicabilidade art. 16, §§4º e 5º do Decreto nº 70.235/72, tenha surgido em alguma oportunidade processual anterior na qual à embargante foi dado o direito de expor sua irresignação. Portanto, a rigor do que se prescreve os termos regimentais, este não é caso para embargos. Oportuno também que se diga que as decisões administrativas colacionadas à petição como forma de afrontar a inteligência dos julgadores não possuem cunho de obrigatoriedade, portanto não vinculam a liberdade de convicção que, pelos seus fundamentos, foi alcançada. Vejo, por outro lado, que, de certo modo, o raciocínio conduzido pela embargante, se tomado pelas linhas estritamente procedimentais, detém coerência, posto que revela que o julgamento embargado não se ateve às irregularidades de omissão, obscuridade ou contradição. A decisão, diante da prova nominada "DOC_PROBATÓRIO 008", documento não apresentado na fase impugnatória, considerou, em respeito ao princípio da verdade material, sua validade para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ. Sem muitas delongas, a evidência colhida foi de tal forma contundente, que não haveria como refutar a legitimidade do crédito tributário. Em verdade, se por um lado não deve se descurar da técnica processual, por outro, não se pode praticar um processualismo exacerbado que impeça que o processo atinja seu escopo maior, que é o de compor o conflito de interesses, julgando o mérito da pretensão. Está é uma diretriz moderna que vale qualquer processo, seja na esfera judicial seja na administrativa. Fl. 1852DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-004.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16682.901040/2012-21 É consabido que o processo está a serviço do direito material e as questões processuais devem ser tanto quanto possíveis mitigadas ou relativizadas para que a parte não só tenha acesso à atividade judicante, mas que dela obtenha uma resposta à sua pretensão de direito material. Com efeito, o processo administrativo tributário, carrega uma função complementar que lhe impõe ainda mais responsabilidade. Trata-se do controle de legalidade do ato administrativo decorrente da atividade fiscalizatória cuja concepção deriva da materialidade do princípio da autotutela. Dentro das balizas assim avalizadas, compreendo que o julgamento administrativo esteja plenamente alinhado a natureza avançada do devido processo legal. Pensar de maneira contrária, como almeja a embargante, é afrontar diretamente a desejada eficiência administrativa, protelando uma situação que provavelmente seguirá ao crivo do Poder Judiciário e onerando indevidamente a máquina administrativa, posto que, como bem se reconhece na petição, contesta-se exclusivamente o procedimento e não a veracidade da prova apresentada. Como visto, estamos diante de uma situação peculiar, em que o acórdão recorrido reconheceu parcial direto creditório do contribuinte, fundado em provas apresentadas após a impugnação, sendo que parte da ratio decidendi, na hipótese dos autos, consta de outras manifestações, notadamente dos despachos de admissibilidade acima transcritos. De se notar, contudo, que durante todo o processo o debate se concentrou na questão probatória, tanto assim que a DRJ cancelou o primeiro despacho decisório exarado, a fim de que outro, manejado por autoridade fiscal, fosse produzido, bem como converteu, posteriormente, o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos adicionais pela delegacia de origem. Entendo que é a partir desse cenário que o caso deve ser analisado e decidido. Com efeito, existem diversas decisões neste Conselho que afastam a apreciação de provas “intempestivas”, a partir de uma interpretação literal do Decreto n. 70.235/72, enquanto muitas outras acolhem tal possibilidade, lastreadas no princípio da verdade material e em dispositivos da Lei n. 9.784/99. Penso que, embora deva ser adotado com parcimônia, o princípio da verdade material deve ser levado em consideração nos casos em que a prova é essencial para o deslinde do caso, vale dizer, sempre que a prova seja condição necessária e suficiente para a decisão a ser adotada. Por óbvio que documentos meramente indiciários ou colacionados com o objetivo de apenas subsidiar os argumentos das partes não se enquadram nessa situação. Por outro lado, não se pode negar a eficácia de um documento que é determinante para o debate, assim como um DARF que confirma o pagamento de certo tributo ou o informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora, como na hipótese dos autos. Negar-lhes validade, ainda que apresentados a destempo, seria não observar um fato inconteste, sob o argumento de prevalência das regras processuais, o que penso não ser Fl. 1853DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-004.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16682.901040/2012-21 razoável, especialmente, no âmbito do processo administrativo, sabidamente mais flexível no que se refere ao formalismo dos procedimentos. Assim, entendo que quanto à segunda matéria – preclusão - não merece reparos a decisão recorrida, que conferiu ao caso a melhor solução jurídica, qual seja, o reconhecimento parcial do crédito pleiteado a partir de provas que considerou irrefutáveis. Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o meu voto. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob Fl. 1854DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 9101-004.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16682.901040/2012-21 Voto Vencedor Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Redatora Designada. Não obstante o substancioso voto da i. Relatora, peço vênia para discordar em relação ao conhecimento do primeiro item do Recurso Especial, relacionada à nulidade: a) Nulidade do acórdão nº 1402-002.737, por meio do qual os embargos de declaração foram acolhidos com efeitos parcialmente infringentes para reconhecer direito creditório complementar demonstrado por documentação idônea anteriormente não examinada. Para tanto, foram trazidos como Acórdãos Paradigmas os seguintes: Acórdão n° 3403-002.844: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1989 a 31/12/1990 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. O erro material que rende ensejo à interposição de embargos é aquele devido a lapso manifesto, verificado no corpo da decisão embargada e não o error in judicando. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS. INEXISTÊNCIA. Inexistindo os pressupostos que rendem ensejo ao recurso, rejeitam-se os embargos de declaração. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos." Acórdão n° 2302-003.544 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE NÃO VERIFICADOS. Devem ser rejeitados os embargos de declaração opostos quando não constatados omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Ademais argumentos de irresignação contra o acórdão prolatado deve ser manejada pela via recursal adequada. Embargos de declaração rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (destaques da recorrente) Ora, da leitura de ambos os paradigmas não se vislumbra a similitude fática. Veja trechos do acórdão recorrido: Em relação ao "DOC_PROBATÓRIO" 008, representam dois informes de rendimentos emitidos pela fonte pagadora 31.516.198/000194 (Banco Itaú BBA S/A) referentes ao Fl. 1855DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 9101-004.513 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16682.901040/2012-21 ano-calendário sob exame. Verifica-se que não foram apresentados na peça impugnatória e, sendo assim, não foram considerados na apuração feita pela decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Portanto, é correto que os valores correspondentes sejam considerados na apuração do saldo negativo. Assim como do teor do Despacho de Admissibilidade dos referidos Embargos, em seus trechos finais: Não obstante, por outra via, compulsando as referidas folhas, parece-me mais forte o fato de que parte da documentação apresentada refere-se ao ano de 2007, período a que se refere o crédito requerido. Atento a essa questão, que realmente pode trazer reflexos sobre o valor da compensação homologada, compreendo que a auditoria merece ser reexaminada pelo colegiado. Tendo em vista todo o exposto, e nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, ADMITO os presentes embargos opostos pelo sujeito passivo para dar-lhe seguimento em relação às alegações de omissão quanto à apreciação probatória encartada complementarmente ao recurso voluntário. O acórdão de embargos julgou que havia a omissão em razão da não análise de alguns documentos que entendeu serem relevantes para o deslinde da matéria, que havia sido juntado após o protocolo do recurso voluntário, porém cerca de 3 anos antes do julgamento. Ademais, o pedido do recurso especial é de nulidade do acórdão de embargos como requer o recurso especial, quando os paradigmas sequer tratam de nulidade. Assim claramente fora da semelhança fática requerida. Conclusão Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do RECURSO ESPECIAL da PGFN com relação ao item 1. (documento assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 1856DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.720317/2018-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016
RECURSO DE OFÍCIO CONHECIDO E NÃO PROVIDO.
Observados os requisitos legais, os prejuízos fiscais acumulados podem ser utilizados para compensar o lucro tributável apurado em procedimento de ofício.
NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. PRELIMINAR REJEITADA.
A baixa do CNPJ de empresa inexistente de fato e empresa não localizada no endereço cadastral fornecido à RFB estão previstas nos arts. 80, 81 e 82 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 30 da Lei nº 11.941, de 2009.
A rigor, no caso de pessoas jurídicas inexistentes de fato sequer seria necessário a emissão de Ato Declaratório Executivo, pois pessoa jurídica que não existe de fato não pode emitir nota fiscal, muito menos gerar crédito de tributos para terceiros (fraude contra o Fisco).
O efeito da inidoneidade dos documentos não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias e/ou o tomador de serviços comprovar o pagamento do preço respectivo e a efetividade do recebimento dos bens, direitos, mercadorias e utilização dos serviços.
Não há vício de nulidade do lançamento fiscal que tem descrição ou narrativa dos fatos completa, clara, objetiva, enquadramento legal respectivo e demonstrativos da base de cálculo e dos tributos apurados.
Não há vício do lançamento fiscal que contém apurados, especificados, os elementos do fato gerador (pessoal, material, temporal, espacial, quantitativo e qualitativo), conforme art. 10 do Decreto nº 70.275/72 e art. 142 do CTN.
ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. NATUREZA DECLARATÓRIA. RETROATIVIDADE NÃO CONFIGURADA.
O ato declaratório executivo, de cancelamento da inscrição no CNPJ de empresa inexistente de fato, não encontrada no endereço cadastrado na RFB, e declaração de inidoneidade para efeito tributário das notas fiscais emitidas, não tem caráter constitutivo de situação jurídica, mas sim natureza declaratória de situação fático-jurídica previamente constituída. Não há que se objetar efeito retroativo ou irretroativo, pois somente declara situação jurídica anteriormente constituída ou consumada.
ATIVIDADE VINCULADA. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E DE ATO NORMATIVO. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente colocados, ingressados no ordenamento jurídico.
IRPJ E CSLL. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS INEXISTENTES DE FATO. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS ("FRIAS"). ATO DECLARATÓRIO. CUSTOS NÃO COMPROVADOS. GLOSA.
É legitima a glosa de custos quando efetivamente não comprovado o recebimento de bens, direitos, mercadorias ou utilização dos serviços objeto de pagamentos cujas notas fiscais foram consideradas inidôneas ("frias"), emitidas por pessoas jurídicas inexistentes de fato e/ou não encontradas no endereço cadastrado na RFB. É requisito essencial para a sua dedutibilidade a comprovação do efetivo recebimento das mercadorias e/ou da efetiva prestação do serviço.
COFINS E PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS E/OU SERVIÇOS DE PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES DE FATO. UTILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS "FRIAS". GLOSA DE CRÉDITOS E EXIGÊNCIA DA DIFERENÇA DE PIS E COFINS.
Cabível a glosa de créditos calculados acerca de compras de mercadorias de pessoas jurídicas cuja inexistência de fato foi comprovada nos autos pelo Fisco, justificando a exigência da diferença dos respectivos tributos.
IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA.
Estão sujeitos à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, quando não for identificada a sua causa.
GLOSA DE CUSTOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. LANÇAMENTOS DO IRPJ/CSLL E DO IRRF. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE.
A glosa de custo ou despesa baseada em nota fiscal inidônea é compatível com o lançamento reflexo do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte motivado pelo pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que haja a comprovação por parte da autoridade fiscal do efetivo pagamento.
CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICADA.
Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, aplica-se a multa qualificada prevista na legislação de regência.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA
A multa de ofício integra o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora após o seu vencimento.
SÓCIO-ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (CTN, ART. 135, III).
Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
A responsabilidade do dito "sócio-gerente", de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, decorre de sua condição de "gerente" (administrador), e não da sua condição de sócio.
A responsabilidade do administrador, por força do art. 135, III, do CTN, na linha da jurisprudência do STJ, é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito.
A responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador.
A tese da responsabilidade subsidiária, em sentido próprio, dos administradores é incompatível com a adoção da tese da responsabilidade subjetiva, acolhida pelo STJ,visto que não se pode conceber que o terceiro, sendo sancionado pela prática de ato ilícito, condicione sua responsabilidade à inexistência de bens da pessoa jurídica, suficientes para a satisfação do cré-dito.
Ainda tese da responsabilidade subsidiária (em sentido próprio) dos administradores deve ser afastada em razão da jurisprudência do STJ que admite que a execução fiscal seja ajuizada, desde logo, contra sociedade e administrador.
A análise sistemática da ordem jurídica aponta para a responsabilidade soli-dária dos administradores,visto que estes, no regramento do Código Civil (art. 1.016), respondem solidariamente perante terceiros (inclusive o Estado) pela prática de atos ilícitos; não haveria sentido em ser o crédito tributário menos garantido que o crédito comum.
Numero da decisão: 1301-004.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em: (i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e rejeitar a preliminar arguida; e (ii) por maioria de votos, negar provimento aos recursos voluntários, vencida a Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça que votou por lhes dar provimento parcial para reduzir a multa de ofício para 75% e excluir o coobrigado senhor Rodrigo Zanco Bueno do pólo passivo da obrigação tributária.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016 RECURSO DE OFÍCIO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. Observados os requisitos legais, os prejuízos fiscais acumulados podem ser utilizados para compensar o lucro tributável apurado em procedimento de ofício. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. PRELIMINAR REJEITADA. A baixa do CNPJ de empresa inexistente de fato e empresa não localizada no endereço cadastral fornecido à RFB estão previstas nos arts. 80, 81 e 82 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 30 da Lei nº 11.941, de 2009. A rigor, no caso de pessoas jurídicas inexistentes de fato sequer seria necessário a emissão de Ato Declaratório Executivo, pois pessoa jurídica que não existe de fato não pode emitir nota fiscal, muito menos gerar crédito de tributos para terceiros (fraude contra o Fisco). O efeito da inidoneidade dos documentos não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias e/ou o tomador de serviços comprovar o pagamento do preço respectivo e a efetividade do recebimento dos bens, direitos, mercadorias e utilização dos serviços. Não há vício de nulidade do lançamento fiscal que tem descrição ou narrativa dos fatos completa, clara, objetiva, enquadramento legal respectivo e demonstrativos da base de cálculo e dos tributos apurados. Não há vício do lançamento fiscal que contém apurados, especificados, os elementos do fato gerador (pessoal, material, temporal, espacial, quantitativo e qualitativo), conforme art. 10 do Decreto nº 70.275/72 e art. 142 do CTN. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. NATUREZA DECLARATÓRIA. RETROATIVIDADE NÃO CONFIGURADA. O ato declaratório executivo, de cancelamento da inscrição no CNPJ de empresa inexistente de fato, não encontrada no endereço cadastrado na RFB, e declaração de inidoneidade para efeito tributário das notas fiscais emitidas, não tem caráter constitutivo de situação jurídica, mas sim natureza declaratória de situação fático-jurídica previamente constituída. Não há que se objetar efeito retroativo ou irretroativo, pois somente declara situação jurídica anteriormente constituída ou consumada. ATIVIDADE VINCULADA. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E DE ATO NORMATIVO. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente colocados, ingressados no ordenamento jurídico. IRPJ E CSLL. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS INEXISTENTES DE FATO. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS ("FRIAS"). ATO DECLARATÓRIO. CUSTOS NÃO COMPROVADOS. GLOSA. É legitima a glosa de custos quando efetivamente não comprovado o recebimento de bens, direitos, mercadorias ou utilização dos serviços objeto de pagamentos cujas notas fiscais foram consideradas inidôneas ("frias"), emitidas por pessoas jurídicas inexistentes de fato e/ou não encontradas no endereço cadastrado na RFB. É requisito essencial para a sua dedutibilidade a comprovação do efetivo recebimento das mercadorias e/ou da efetiva prestação do serviço. COFINS E PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS E/OU SERVIÇOS DE PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES DE FATO. UTILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS "FRIAS". GLOSA DE CRÉDITOS E EXIGÊNCIA DA DIFERENÇA DE PIS E COFINS. Cabível a glosa de créditos calculados acerca de compras de mercadorias de pessoas jurídicas cuja inexistência de fato foi comprovada nos autos pelo Fisco, justificando a exigência da diferença dos respectivos tributos. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Estão sujeitos à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, quando não for identificada a sua causa. GLOSA DE CUSTOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. LANÇAMENTOS DO IRPJ/CSLL E DO IRRF. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. A glosa de custo ou despesa baseada em nota fiscal inidônea é compatível com o lançamento reflexo do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte motivado pelo pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que haja a comprovação por parte da autoridade fiscal do efetivo pagamento. CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICADA. Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, aplica-se a multa qualificada prevista na legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA A multa de ofício integra o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora após o seu vencimento. SÓCIO-ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (CTN, ART. 135, III). Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A responsabilidade do dito "sócio-gerente", de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, decorre de sua condição de "gerente" (administrador), e não da sua condição de sócio. A responsabilidade do administrador, por força do art. 135, III, do CTN, na linha da jurisprudência do STJ, é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito. A responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador. A tese da responsabilidade subsidiária, em sentido próprio, dos administradores é incompatível com a adoção da tese da responsabilidade subjetiva, acolhida pelo STJ,visto que não se pode conceber que o terceiro, sendo sancionado pela prática de ato ilícito, condicione sua responsabilidade à inexistência de bens da pessoa jurídica, suficientes para a satisfação do cré-dito. Ainda tese da responsabilidade subsidiária (em sentido próprio) dos administradores deve ser afastada em razão da jurisprudência do STJ que admite que a execução fiscal seja ajuizada, desde logo, contra sociedade e administrador. A análise sistemática da ordem jurídica aponta para a responsabilidade soli-dária dos administradores,visto que estes, no regramento do Código Civil (art. 1.016), respondem solidariamente perante terceiros (inclusive o Estado) pela prática de atos ilícitos; não haveria sentido em ser o crédito tributário menos garantido que o crédito comum.
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Observados os requisitos legais, os prejuízos fiscais acumulados podem ser utilizados para compensar o lucro tributável apurado em procedimento de ofício. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. PRELIMINAR REJEITADA. A baixa do CNPJ de empresa inexistente de fato e empresa não localizada no endereço cadastral fornecido à RFB estão previstas nos arts. 80, 81 e 82 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 30 da Lei nº 11.941, de 2009. A rigor, no caso de pessoas jurídicas inexistentes de fato sequer seria necessário a emissão de Ato Declaratório Executivo, pois pessoa jurídica que não existe de fato não pode emitir nota fiscal, muito menos gerar crédito de tributos para terceiros (fraude contra o Fisco). O efeito da inidoneidade dos documentos não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias e/ou o tomador de serviços comprovar o pagamento do preço respectivo e a efetividade do recebimento dos bens, direitos, mercadorias e utilização dos serviços. Não há vício de nulidade do lançamento fiscal que tem descrição ou narrativa dos fatos completa, clara, objetiva, enquadramento legal respectivo e demonstrativos da base de cálculo e dos tributos apurados. Não há vício do lançamento fiscal que contém apurados, especificados, os elementos do fato gerador (pessoal, material, temporal, espacial, quantitativo e qualitativo), conforme art. 10 do Decreto nº 70.275/72 e art. 142 do CTN. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. NATUREZA DECLARATÓRIA. RETROATIVIDADE NÃO CONFIGURADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 03 17 /2 01 8- 04 Fl. 3756DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.757 2 O ato declaratório executivo, de cancelamento da inscrição no CNPJ de empresa inexistente de fato, não encontrada no endereço cadastrado na RFB, e declaração de inidoneidade para efeito tributário das notas fiscais emitidas, não tem caráter constitutivo de situação jurídica, mas sim natureza declaratória de situação fáticojurídica previamente constituída. Não há que se objetar efeito retroativo ou irretroativo, pois somente declara situação jurídica anteriormente constituída ou consumada. ATIVIDADE VINCULADA. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E DE ATO NORMATIVO. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente colocados, ingressados no ordenamento jurídico. IRPJ E CSLL. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS INEXISTENTES DE FATO. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS ("FRIAS"). ATO DECLARATÓRIO. CUSTOS NÃO COMPROVADOS. GLOSA. É legitima a glosa de custos quando efetivamente não comprovado o recebimento de bens, direitos, mercadorias ou utilização dos serviços objeto de pagamentos cujas notas fiscais foram consideradas inidôneas ("frias"), emitidas por pessoas jurídicas inexistentes de fato e/ou não encontradas no endereço cadastrado na RFB. É requisito essencial para a sua dedutibilidade a comprovação do efetivo recebimento das mercadorias e/ou da efetiva prestação do serviço. COFINS E PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS E/OU SERVIÇOS DE PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES DE FATO. UTILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS "FRIAS". GLOSA DE CRÉDITOS E EXIGÊNCIA DA DIFERENÇA DE PIS E COFINS. Cabível a glosa de créditos calculados acerca de compras de mercadorias de pessoas jurídicas cuja inexistência de fato foi comprovada nos autos pelo Fisco, justificando a exigência da diferença dos respectivos tributos. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Estão sujeitos à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, quando não for identificada a sua causa. GLOSA DE CUSTOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. LANÇAMENTOS DO IRPJ/CSLL E DO IRRF. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. A glosa de custo ou despesa baseada em nota fiscal inidônea é compatível com o lançamento reflexo do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte motivado pelo pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que haja a comprovação por parte da autoridade fiscal do efetivo pagamento. CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICADA. Fl. 3757DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.758 3 Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, aplicase a multa qualificada prevista na legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA A multa de ofício integra o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora após o seu vencimento. SÓCIOADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (CTN, ART. 135, III). Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A responsabilidade do dito "sóciogerente", de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, decorre de sua condição de "gerente" (administrador), e não da sua condição de sócio. A responsabilidade do administrador, por força do art. 135, III, do CTN, na linha da jurisprudência do STJ, é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito. A responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador. A tese da responsabilidade subsidiária, em sentido próprio, dos administradores é incompatível com a adoção da tese da responsabilidade subjetiva, acolhida pelo STJ,visto que não se pode conceber que o terceiro, sendo sancionado pela prática de ato ilícito, condicione sua responsabilidade à inexistência de bens da pessoa jurídica, suficientes para a satisfação do cré dito. Ainda tese da responsabilidade subsidiária (em sentido próprio) dos administradores deve ser afastada em razão da jurisprudência do STJ que admite que a execução fiscal seja ajuizada, desde logo, contra sociedade e administrador. A análise sistemática da ordem jurídica aponta para a responsabilidade soli dária dos administradores,visto que estes, no regramento do Código Civil (art. 1.016), respondem solidariamente perante terceiros (inclusive o Estado) pela prática de atos ilícitos; não haveria sentido em ser o crédito tributário menos garantido que o crédito comum. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em: (i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e rejeitar a preliminar arguida; e (ii) por maioria de votos, negar provimento aos recursos voluntários, vencida a Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça que votou por lhes dar provimento parcial para reduzir a multa de ofício para 75% e excluir o coobrigado senhor Rodrigo Zanco Bueno do pólo passivo da obrigação tributária. Fl. 3758DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.759 4 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 3759DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.760 5 Relatório O Acórdão da 3ª Turma da DRJ/Recife (efls. 3581/3603) julgou Impugnação procedente em parte: a) ao manter os autos de infração das contribuições sobre o faturamento (PIS e Cofins), regime nãocumulativo, apuração mensal, e IRRF; b) ao manter em parte os autos de infração do IRPJ e da CSLL, lucro real anual; c) ao manter a imputação da responsabilidade solidária do senhor Rodrigo Zanco Bueno, CPF 120.757.67866. Recurso de Ofício. Em face da exoneração de crédito tributário acima do limite de alçada o presidente da referida Turma submeteu a indigitada decisão a reexame necessário. Recursos Voluntários. Por sua vez, a pessoa jurídica autuada e o responsável solidário pelo crédito tributário lançado de ofício, na parte que restaram vencidos, apresentaram respectivo Recurso Voluntário, cada qual em peça específica (efls. 3673/3708 e 3711/3753). Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 16/02/2018, a Fiscalização da RFB, unidade DRF/Sorocaba, lavrou Autos de Infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins e IRRF), anoscalendário 2013, 2014, 2015 e 2016 (efls. 2360/2691), ao imputar as seguintes infrações com multa qualificada de 150%: a) Autos de Infração do IRPJ e da CSLL (regime de apuração lucro real anual): (...) Fl. 3760DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.761 6 (...) b) Autos de Infração das contribuições sobre o faturamento (PIS e Cofins): (...) (...) Fl. 3761DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.762 7 (...) c) Auto de Infração do IRRF: Anoscalendário 2013, 2014, 2015 e 2016. (...) Fl. 3762DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.763 8 (...) (...) que integra os autos de infração o Relatório Fiscal (efls. 2332/2359); que foi imputada sujeição passiva solidária ao Sr. Rodrigo Zanco Bueno: (...) Fl. 3763DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.764 9 (...) que o crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$ 431.168.212,77, na data de lavratura dos autos de infração, assim especificado por exação fiscal: Autos de Infração Principal (R$) Juros de Mora (calculados até 02/2018) (R$) Multa 150% TOTAL IRPJ 48.097.835,63 19.300.085, 38 72.146.753,44 139.544.674,45 CSLL 17.332.500,82 6.955.142,32 25.998.751,23 50.286.394,37 PIS 85.356,20 45.249,11 128.034,29 258.639,60 Cofins 26.913.340,99 11.798.341,06 40.370.011,43 79.081.693,48 IRRF 55.196.292,69 24.006.079,84 82.794.438,34 161.996.810,87 TOTAL 431.168.212,77 Cientes da imputação fiscal: a) o responsável solidário Rodrigo Zanco Bueno apresentou Impugnação (efls. 2704/2735), aduzindo, entre outras questões: (...) Fl. 3764DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.765 10 (...) (...) (...) Fl. 3765DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.766 11 (...) Fl. 3766DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.767 12 (...) (...) Fl. 3767DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.768 13 (...) (...) Fl. 3768DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.769 14 (...) (...) (...) (...) (...) Fl. 3769DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.770 15 (...) b) a pessoa jurídica, sujeito passivo, apresentou Impugnação (efls. 2826/2859), cujas razões foram assim resumidas no relatório da decisão a quo: (...) 5. A contribuinte apresentou impugnação de fls. 2.826/2.859, alegando, em síntese, que os autos de infração são flagrantemente nulos porque: a) as infrações suportamse em mera Instrução Normativa, (...). b) a Instrução Normativa RFB nº 1.634, de 2016, foi publicada posteriormente ao período fiscalizado, pelo que não poderia alcançar as operações praticadas pela empresa; c) os lançamentos carecem de motivação probatória da baixa do CNPJ das empresas, prejudicando o direito de defesa dela, impugnante; d) as exigências afrontam entendimento do STJ no sentido de que a declaração de inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação; e) a inidoneidade fiscal de fornecedores não poderia alcançar a empresa diante da efetividade das operações praticadas, as quais foram acobertadas por notas fiscais e pela escrituração, havendo prova do pagamento de todas as aquisições, conforme reconhece o Relatório Fiscal; f) o IRRF representa efetiva penalidade, violando o CTN, que não poderia ser aplicada conjuntamente com a multa qualificada, pena de bis in idem. Também não poderia ser exigido em concomitância com o IRPJ em virtude de glosa de despesas, porque representaria dupla tributação; g) a fiscalização não considerou os prejuízos acumulados; h) não houve comprovação do intuito de fraude a justificar a qualificação da multa, além de que o STF declarou inconstitucional a fixação de multa em percentual superior a 100%; i) à luz da jurisprudência do CARF, é inaplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. 6. Ao final, requereu a juntada de documentação complementar. (...) Antes da julgamento da lide, houve necessidade saneamento do processo. Fl. 3770DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.771 16 A DRJ/Recife baixou os autos em diligência fiscal, pois a Fiscalização, quando da lavratura dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, inadvertidamente deixara de compensar prejuízo fiscal e base de cálculo negativo da CSLL. Nesse sentido, consta do relatório da decisão a quo: (...) Por meio do Despacho de fls. 3.398/3.399, requeri diligência à DRF/Sorocaba, com vistas ao esclarecimento acerca da compensação dos prejuízos fiscais e da base de cálculo Negativa da CSLL, bem assim para juntarse aos autos os procedimentos relativos à baixa de empresas tidas por noteiras. 10. Em Relatório de Diligência Fiscal às fls. 3.403/3.406, a autoridade autuante acrescentou a documentação relativa à baixa das empresas e recalculou o IRPJ e a CSLL devidos após as compensações dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL. 11. Cientificados do resultado da diligência, os sujeitos passivos não se manifestaram, (...). (...) Na sessão de 12/12/2018, a 3ª Turma da DRJ/Recife julgou o lançamento procedente em parte ao admitir a compensação do lucro real com prejuízo fiscal de período anterior (adotou o resultado da diligência fiscal), conforme Acórdão (efls. 3581/3603), cuja menta e parte dispositiva transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2013, 2014, 2015, 2016 NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não Fl. 3771DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.772 17 têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. ATIVIDADE VINCULADA. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013, 2014, 2015, 2016 EMPRESA INEXISTENTE DE FATO. DOCUMENTOS EMITIDOS. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta por inexistência de fato. Tal vedação aplicase em relação aos documentos emitidos desde a sua constituição. CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICADA. Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, aplicase a multa qualificada prevista na legislação de regência. DIRETORES. EXCESSO DE PODERES, INFRAÇÃO DE LEI E CONTRATO SOCIAL. CRÉDITOS RESULTANTES. RESPONSABILIDADE. Os diretores da pessoa jurídica são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA A multa de ofício integra o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora após o seu vencimento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2013, 2014 NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESA INEXISTENTE. CUSTOS NÃO COMPROVADOS. GLOSA. É legitima a glosa de custos quando não for efetivamente comprovado o pagamento e o recebimento de bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços consignados em documentos considerados inidôneos, produzidos em nome de pessoa jurídica inexistente de fato. É requisito essencial para a Fl. 3772DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.773 18 sua dedutibilidade a comprovação do efetivo recebimento das mercadorias ou da efetiva prestação do serviço. LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Observados os requisitos legais, os prejuízos fiscais acumulados podem ser utilizados para compensar o lucro tributável apurado em procedimento de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2013, 2014 NORMAS APLICÁVEIS. Aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2013, 2014 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES DE FATO. GLOSA. Glosamse os créditos calculados sobre as aquisições de pessoas jurídicas cuja inexistência de fato foi comprovada em processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2013, 2014 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES DE FATO. GLOSA. Glosamse os créditos calculados sobre as aquisições de pessoas jurídicas cuja inexistência de fato foi comprovada em processo administrativo fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF ANOCALENDÁRIO: 2013, 2014, 2015, 2016 PAGAMENTOS SEM CAUSA. Estão sujeitos à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, quando não for identificada a sua causa. Fl. 3773DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.774 19 GLOSA DE CUSTOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. LANÇAMENTOS DO IRPJ/CSLL E DO IRRF. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. A glosa de custo ou despesa baseada em nota fiscal inidônea é compatível com o lançamento reflexo do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte motivado pelo pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que haja a comprovação por parte da autoridade fiscal do efetivo pagamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte (...) Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, julgar procedente em parte a impugnação, para: I) IRPJ: Manter a exigência no valor de R$ 11.541.492,27 e exonerar, em face da compensação de prejuízos fiscais, o valor de R$ 36.556.343,36 (valores principais); II) CSLL: Manter a exigência no valor de R$ 4.172.217,21 e exonerar, em face da compensação de bases negativas, o valor de R$ 13.160.283,61 (valores principais); III) PIS, Cofins e IRRF: manter integralmente as exigências; IV) Manter a multa qualificada no percentual de 150% e V) Confirmar a imputação de responsabilidade solidária do senhor Rodrigo Zanco Bueno, CPF 120.757.67866. Recorrese de ofício ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. (...) Ciente desse decisum: a) a pessoa jurídica em 07/01/2019, no domicílio eletrônico (efls. 3635/3665) e apresentou Recurso Voluntário em 31/01/2019 (efls. 3671/3708); A pessoa jurídica (sujeito passivo) pediu a reforma da decisão recorrida, cujas razões, em síntese, são as seguintes: da ilegalidade do lançamento fiscal: exigência fiscal fundada em Instrução Normativa nº 1634/16 (art.47); Fl. 3774DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.775 20 violação aos arts. 97, 105 e 142 do CTN; impossibilidade de efeito retroativo da declaração de baixa da inscrição do CNPJ das empresas fornecedoras da recorrente: Art. 105 do CTN; efetividade das operações mediante a comprovação do fluxo financeiro das operações e do registro contábilfiscal da entrada das mercadorias adquiridas pela recorrente; indevida autuação de Imposto de Renda Retido na Fonte e da insubsistência da multa de 150%: a) que há incompatibilidade entre a exigência de IRRF sobre pagamentos considerados sem causa em concomitância com a exigência do IRPJ, em virtude da glosa das despesas referentes a estes mesmos pagamentos e cita precedentes do CARF: RECURSO DE OFÍCIO.PAGAMENTO SEM CAUSA. A fim de infirmar a tributação pelo imposto de renda na fonte prevista compete ao sujeito passivo comprovar, através de documentação hábil a identificação, duas condições cumulativas: identificação dos beneficiários da entrega de recursos e a comprovação da operação ou a sua causa. IR FONTE PAGAMENTO SEM CAUSA ART. 61 DA LEI N°8.981, DE 1995 LUCRO REAL REDUÇÃO DE LUCRO LIQUIDO MESMA BASE DE CÁLCULO INCOMPATIBILIDADE. A aplicação do art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, está reservada para aquelas situações em que o Fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido, tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real. Precedente da CSRF. Acórdão n° CSRF/0401 094. Jul. 03/11/2008 Rel. Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro.” que se a Administração Fazendária glosou as despesas motivada na alegação de utilização de Notas Fiscais “frias” pela Recorrente, não poderia exigir IRRF fundada na alegação de pagamento sem causa de valores contemplados na documentação fiscal considerada inidônea. Enfim, em sendo glosada determinada despesa aumentandose o lucro, descabe exigir IRPJ em face do lucro majorado e, ao mesmo tempo, tributar o pagamento de tal “despesa” com fulcro no art. 674, §1º, do RIR/99. Ilegitimidade da multa aplicada de 150%: falta de comprovação do dolo de fraude: que é imprescindível mostrar o dolo nas tratativas com esses fornecedores o que, efetivamente, não ocorreu quer na instrução do Procedimento Fiscal, quer ao longo deste Processo; que inexiste qualquer referência ao elemento intencional, mas apenas menção às notas fiscais posteriormente consideradas inidôneas e aos procedimentos de baixa de CNPJ de terceiros, todos eles instaurados apenas em 2016 e 2017, momento posterior à prática das operações; que a aplicação da multa qualificada tem por imprescindível a prova do conluio entre vendedor e comprador. Fl. 3775DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.776 21 desalinho da multa qualificada de 150% e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria; inaplicabilidade dos juros sobre a multa de ofício aplicada. b) em 07/01/2019, o responsável solidário apresentou Recurso Voluntário em 31/01/2019 (efls. 3711/3753), reiterando as razões já apresentadas pela pessoa jurídica e quanto à sujeição passiva solidária aduziu: (...) (...) (...) Fl. 3776DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.777 22 (...) (...) (...) Fl. 3777DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.778 23 (...) (...) (...) Fl. 3778DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.779 24 (...) (...) É o relatório. Fl. 3779DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.780 25 Voto Conselheiro Nelso Kichel Relator. ADMISSIBILIDADE DOS RECURSOS Recurso de Ofício Conheço do recurso. O crédito tributário exonerado pela decisão a quo suplantou o limite de alçada, justificando, assim, o reexame necessário. Recursos Voluntários Conheço, também, dos Recursos Voluntários, respectivamente, da pessoa jurídica autuada, sujeito passivo PACKSEVEN INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e do responsável solidário pelo crédito tributário, Sr. Rodrigo Zanco Bueno, pois foram apresentados tempestivamente e preenchem os demais pressupostos de admissibilidade. OBJETO DA ACUSAÇÃO FISCAL O Fisco acusa a empresa autuada de atuação fraudulenta nos anoscalendário 2013, 2014, 2005 e 2016, de valerse de notas fiscais eletrônicas (NFe), notas fiscais inidôneas (frias), emitidas por empresas "noteiras" do setor de material embalagens plásticas, empresas inexistentes de fato, com a clara intenção de criar falsos custos/despesas, reduzindo os tributos a pagar, ao creditarse de falsos créditos de IPI, PIS e COFINS e efetuar pagamentos amparados em documentos inidôneos, pagamentos sem causa, pois, de fato, as aquisições de mercadorias desses fornecedores não teriam ocorrido. Ou seja: não haveria prova do efetivo recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços contratados dessas empresas "noteiras". Consta do Relatório Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal, que a empresa autuada (efls. 2332/2359), in vebis: Fl. 3780DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.781 26 (...) Conforme dados extraídos da ficha cadastral simplificada do cadastro simplificado da Jucesp, o contribuinte tem como objeto “Fabricação de laminados planos e tubulares de material plástico. Fabricação de embalagens de material plástico. Aluguel de outras máquinas e equipamentos comerciais e industriais não especificados anteriormente, sem operador. Serviços combinados de escritório e apoio administrativo ”. Pelo cadastro CNPJ da RFB, verificouse que a fiscalizada tem como atividade o CNAE 2221800 – Fabricação de laminados planos e tubulares de material plástico. (...) A Fiscalização então circularizou 11 (onze) empresas "Noteiras", conforme citado no Relatório Fiscal, in verbis: (...) 8. DAS EMPRESAS NOTEIRAS A partir do SPED – Sistema Público de Escrituração Digital, foram extraídas as notas fiscais eletrônicas de saída (NFe), tendo a fiscalizada como participante e emitidas pelas empresas: Fl. 3781DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.782 27 Em procedimentos fiscais de diligências junto às referidas empresas, constatouse que as mesmas tratavamse de empresas noteiras, pois nunca existiram de fato. Os endereços em que as mesmas deveriam estar estabelecidas e funcionando, não existiam, ou eram residências de pessoas que desconheciam totalmente a existência das empresas, ou não tinham qualquer indício de funcionamento da empresa naquele endereço. Os responsáveis legais por estas empresas tratavamse de interpostas pessoas (laranjas), sem capacidade financeira, que moravam distante de onde seriam as suas sedes, e que desconheciam as existências das mesmas ou não foram localizados nos endereços constantes no cadastro CPF da RFB. Estas empresas foram abertas com o único propósito de emitir notas fiscais frias, com o objetivo de gerar falsos custos/despesas e falsos créditos tributários de IPI, PIS e COFINS, além de propiciar a lavagem de dinheiro, pelo pagamento sem causa, das respectivas notas fiscais. A não localização da pessoa jurídica no endereço constante no CNPJ, assim como a não localização de seu representante legal, permitem a baixa de ofício da pessoa jurídica por inexistência de fato. Assim dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.634, de 6 de maio de 2016 (...). Como frutos de tais diligências, foram feitas representações para baixa de ofício por inexistência de fato, que trouxeram como consequências a nulidade de todos os documentos fiscais por elas produzidos, portanto inidôneos, por serem ideologicamente falsos. Os elementos principais dos processos administrativos para baixa de ofício por inexistência de fato, realizados por esta fiscalização, foram trazidos aos processos do presente procedimento fiscal. Os demais foram realizados por outras unidades da RFB. O quadro abaixo apresenta os processos de baixa de ofício por inexistência de fato das empresas noteiras: Fl. 3782DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.783 28 9. DAS NOTAS FISCAIS CONTABILIZADAS A fiscalizada efetuou os registros contábeis, a partir das notas fiscais inidôneas, emitidas pelas empresas noteiras, conforme consta na relação do ANEXO A – Notas Fiscais Contabilizadas, classificadas por empresa emitente e data de emissão. (...) 11. DO PAGAMENTOS REALIZADOS A fiscalizada contabilizou e efetuou os pagamentos das notas fiscais eletrônicas (NFe), emitidas pelas empresas noteiras, apresentando os respectivos comprovantes, conforme ANEXO B Notas Fiscais com Pagamento. 12. DAS INFRAÇÕES APURADAS Ao utilizarse de notas fiscais eletrônicas (NFe) inidôneas, emitidas por empresas noteiras, pelas quais efetuou os respectivos pagamentos, a fiscalizada incorreu nas seguintes infrações às normas tributárias vigentes: ・ Créditos indevidos de IPI, destacados nas notas fiscais eletrônicas (NFe) inidôneas; Fl. 3783DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.784 29 ・ Créditos indevidos de COFINS, destacados nas notas fiscais eletrônicas (NFe) inidôneas; ・ Créditos indevidos de PIS, destacados nas notas fiscais eletrônicas (NFe) inidôneas; ・ Contabilização de custo de mercadorias vendidas, pela simulação da compra de insumos através de notas fiscais eletrônicas (NFe) inidôneas; e ・ Pagamentos sem causa, ao efetuar os pagamentos de notas fiscais eletrônicas inidôneas. Além de serem emitidas por empresas inexistentes de fato, as notas fiscais eletrônicas (NFe) contabilizadas pela fiscalizada, apresentam uma grande quantidade de valores semelhantes e numerações sequenciais, o que só reforçam as características de emissões de notas frias por parte de empresas noteiras. (...) 18. DA MULTA QUALIFICADA A aplicação da multa de ofício (no caso, QUALIFICADA) tem previsão legal no art. 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07. (...) Em conformidade com o acima exposto, e pelos fatos apurados no curso do procedimento fiscal, não restam dúvidas sobre a conduta da empresa fiscalizada, que valendose de notas fiscais eletrônicas (NFe), emitidas por empresas inexistentes de fato, teve a clara intenção de criar falsas despesas, reduzindo os tributos a pagar, creditarse de falsos créditos de IPI, PIS e COFINS e efetuar pagamentos amparados em documentos inidôneos, promovendo a lavagem de dinheiro, agiu de forma fraudulenta contra a Fazenda Nacional. Sobre os tributos lançado de ofício, foram aplicadas as multas qualificadas (150%), decorrentes do intuito de fraude, simulação de despesas, simulação de créditos e simulação de pagamentos, pela utilização de notas fiscais inidôneas (frias), emitidas por empresas inexistentes de fato, constituídas com o intuito único de emitir tais notas fiscais. (...) 20. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA A sujeição passiva solidária nos termos do art. 124, inciso I e art. 135, inciso III da Lei nº 5.172/66 (CTN), da pessoa física abaixo identificada, pois incumbe aos administradores a regular Fl. 3784DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.785 30 condução dos negócios da pessoa jurídica, sendo que, no presente caso, houve atuação com excesso de poderes frente ao Estatuto Social e infração à lei, que caberia aos sócios com poderes de administração zelar. ・ Rodrigo Zanco Bueno, CPF 120.757.67866, sócio e responsável legal da empresa fiscalizada, bem como de sua controladora, Forward Empreendimentos Eireli, CNPJ 06.996.696/000134, conforme consta no cadastro CNPJ da RFB. (...) Obs: (i) O auto de infração do IPI não é objeto do presente processo. RECURSOS VOLUNTÁRIOS 1 Quanto aos autos de infração imputados do IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IRRF, os recorrentes, nas razões do recurso, suscitaram: Preliminar de nulidade do lançamento fiscal: a) ilegalidade ou inconstitucionalidade de exigência constituída com suporte em dispositivos contidos em mera Instrução Normativa (em afronta ao disposto pelos artigos 97 e 142 do CTN), publicada em 2016, aplicada retroativamente a operações realizadas nos exercícios de 2013 e 2014 (em violação ao art. 105 do CTN). b) exigência fiscal fundada em instrumento infralegal – IN RFB nº 1.634/16 (art. 47) – publicada posteriormente aos exercícios fiscalizados: Violação aos artigos 97, 142 e 105 do CTN; c) somente com o advento da Instrução Normativa RFB nº 1.634/2016 é que se passou a incluir também a hipótese de inidoneidade dos documentos fiscais emitidos por entidade baixada de ofício, não produzindo efeitos perante terceiros desde a data da ocorrência dos fatos que deram causa à baixa de ofício (inciso IV do §3º do art. 47); d) se a Lei nº 9.430/96 veicula regramento delimitando os efeitos da inidoneidade dos documentos somente àqueles emitidos por pessoa jurídica declarada inapta, mostrase inconcebível admitir que mera Instrução Normativa inaugure o ordenamento jurídico para estabelecer (i) a inidoneidade de documentos emitidos por pessoa jurídica baixada, (ii) Fl. 3785DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.786 31 inviabilidade do direito ao crédito e dedução de valores por terceiro interessado (iii) desde a data dos fatos que deram causa à baixa de ofício; e) as operações com as empresas fornecedoras sucederam entre os exercícios de 2013 e 2014, enquanto que os procedimentos administrativos de representação para baixa de ofício foram instaurados em momento posterior, com a publicação de atos declaratórios apenas em 2016 e 2017, portanto, após a aquisição das mercadorias pela recorrente; f) a repercussão imediata e retroativa dos efeitos da inidoneidade em face da Recorrente mostrase ainda mais inconsistente no presente caso porquanto: (i) a pretensão fiscal apoiase em norma infralegal, já que o previsto no art. 47, §3º inciso IV da IN nº 1.634/2016 não tem correspondência com o art. 82 da Lei nº 9.430/96 , bem como, (ii) a referida Instrução foi editada pela RFB após o período fiscalizado. Quanto ao mérito: efetividade das operações mediante a comprovação do fluxo financeiro das operações e do registro contábilfiscal da entrada das mercadorias adquiridas pela recorrente; indevida exigência de Imposto de Renda Retido na Fonte (IIRF) acerca de pagamento sem causa e/ou operação não comprovada simultaneamente com a glosa das despesas/custos; e, insubsistência da multa de ofício de 150%; desalinho da multa qualificada de 150% e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria; inaplicabilidade dos juros de mora sobre a multa de ofício. Identificados os pontos controvertidos, passo a enfrentálos. Como visto, os recorrentes nas razões do recurso alegaram apenas matéria de direito. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. PRELIMINAR REJEITADA Rejeito, peremptoriamente, essa preliminar suscitada, por falta de plausibilidade fáticojurídica. Fl. 3786DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.787 32 A alegação de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade da legislação tributária aplicada na feitura do lançamento fiscal não configura situação para suscitar nulidade, pois o ato administrativo de lançamento foi elaborado conforme legislação de regência vigente. A legislação tributária vigente tem presunção de legitimidade e constitucionalidade. Não cabe à autoridade administrativa conhecer, no mérito, de tal arguição. A matéria está sumulada pelo CARF pela Súmula CARF nº 02, cujo verbete transcrevo: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, diversamente do alegado, não há vício algum no lançamento fiscal acerca dos ADE que declararam a inidoneidade das notas fiscais emitidas pelas empresa "noteiras", desde o início. Veja: 1) A baixa do CNPJ de empresa inexistente de fato e empresa não localizada no endereço cadastral fornecido à RFB (declaração de empresa inapta) estão previstas nos arts. 80, 81 e 82 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 30 da Lei nº 11.941, de 2009, cujos dispositivos transcrevo, in verbis: Art. 80. As pessoas jurídicas que, estando obrigadas, deixarem de apresentar declarações e demonstrativos por 5 (cinco) ou mais exercícios poderão ter sua inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ baixada, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, se, intimadas por edital, não regularizarem sua situação no prazo de 60 (sessenta) dias, contado da data da publicação da intimação.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Poderão ainda ter a inscrição no CNPJ baixada, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, as pessoas jurídicas:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que não existam de fato; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que, declaradas inaptas, nos termos do art. 81 desta Lei, não tenham regularizado sua situação nos 5 (cinco) exercícios subsequentes.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 3787DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.788 33 § 2o No edital de intimação, que será publicado no Diário Oficial da União, as pessoas jurídicas serão identificadas pelas respectivos números de inscrição no CNPJ. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o Decorridos 90 (noventa) dias da publicação do edital de intimação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil publicará no Diário Oficial da União a relação de CNPJ das pessoas jurídicas que houverem regularizado sua situação, tornandose automaticamente baixadas, nessa data, as inscrições das pessoas jurídicas que não tenham providenciado a regularização. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil manterá, para consulta, em seu sítio na internet, informação sobre a situação cadastral das pessoas jurídicas inscritas no CNPJ.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 80A.Poderão ter sua inscrição no CNPJ baixada, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, as pessoas jurídicas que estejam extintas, canceladas ou baixadas nos respectivos órgãos de registro.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 80B. O ato de baixa da inscrição no CNPJ não impede que, posteriormente, sejam lançados ou cobrados os débitos de natureza tributária da pessoa jurídica.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 80C. Mediante solicitação da pessoa jurídica, poderá ser restabelecida a inscrição no CNPJ, observados os termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2oPara fins do disposto no § 1o, a comprovação da origem de recursos provenientes do exterior darseá mediante, cumulativamente:(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) I prova do regular fechamento da operação de câmbio, inclusive com a identificação da instituição financeira no exterior encarregada da remessa dos recursos para o País;(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 3788DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.789 34 II identificação do remetente dos recursos, assim entendido como a pessoa física ou jurídica titular dos recursos remetidos.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3oNo caso de o remetente referido no inciso II do § 2o ser pessoa jurídica deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 4oO disposto nos §§ 2oe 3oaplicase, também, na hipótese de que trata o§ 2odo art. 23 do DecretoLei no1.455, de 7 de abril de 1976.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o Poderá também ser declarada inapta a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que não for localizada no endereço informado ao CNPJ, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. (os grifos não são do original) 2) Como visto, a empresa inexistente de fato poderá ter seu CNPJ baixado de ofício (art. 80, § 1º, I), e a empresa não localizada no endereço cadastrada na RFB poderá ser declarada inapta (art. 81, §5º). O art. 82 trata da inidoneidade dos documentos (ex: notas fiscais) emitidas por empresa declarada inapta. O efeito da inidoneidade dos documentos não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços No caso, a recorrente no curso da Fiscalização não conseguiu comprovar o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços que promoveu o pagamento, quanto às notas fiscais emitidas pelas empresas "Noteiras". Por isso, das infrações imputadas pelo Fisco. 3) Registrese, diversamente do alegado pela autuada, as disposições contidas nos arts. 80 a 82 da Lei nº 9.430, de 1996, já haviam sido regulamentadas pela Receita Federal à época dos fatos geradores objeto dos autos de infração, consoante art. 43 da Instrução Normativa RFB nº 1.183, de 19 de agosto de 2011, e art. 43 da Instrução Normativa RFB nº 1.470, de 30 de maio de 2014. Fl. 3789DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.790 35 4) IN RFB nº 1.183, de 2011 (art. 43): Art. 43. É considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não podem ser: I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; IV utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2º Considerase terceiro interessado, para fins deste artigo, a pessoa física ou a entidade beneficiária do documento. § 3º O disposto neste artigo aplicase em relação aos documentos emitidos: I a partir da data de publicação do ADE a que se refere: a) o art. 38, no caso de pessoa jurídica omissa de declarações e demonstrativos; e b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica não localizada; II desde a data de ocorrência do fato, no caso de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, a que se refere o art. 40. § 4º A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º. § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6º A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5º sujeitase ao pagamento do Imposto sobre a Renda Retido na Fl. 3790DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.791 36 Fonte (IRRF), na forma do art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos. Art. 44. A pessoa jurídica com inscrição declarada inapta tem sua inscrição enquadrada na situação cadastral ativa após regularizar todas as situações que motivaram a inaptidão. 5) Como visto, para empresa declarada inapta (não encontrada no endereço informado à RFB) os documentos emitidos são inidôneos para efeito tributário, logo com muito mais razão os documentos emitidos por empresa inexistente de fato, também, são inidôneos, desde o princípio. 6) Instrução Normativa RFB nº 1.470, de 2014 (art. 43): Art. 43. É considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não podem ser: I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; IV utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2º Considerase terceiro interessado, para fins do disposto neste artigo, a pessoa física ou a entidade beneficiária do documento. § 3º O disposto neste artigo aplicase em relação aos documentos emitidos: I a partir da data de publicação do ADE a que se refere: a) o art. 38, no caso de pessoa jurídica omissa de declarações e demonstrativos; e b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica não localizada; Fl. 3791DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.792 37 II desde a data de ocorrência do fato, no caso de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, a que se refere o art. 40. § 4º A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º. § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6º A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5º sujeitase ao pagamento do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), na forma do art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos. Art. 44. A pessoa jurídica com inscrição declarada inapta tem sua inscrição enquadrada na situação cadastral ativa após regularizar todas as situações que motivaram a inaptidão 7) Como visto, para empresa declarada inapta (empresa não encontrada no endereço cadastral informado à RFB) os documentos emitidos são inidôneos para efeito tributário. Logo, com muito mais razão os documentos emitidos por empresa inexistente de fato, também, são inidôneos, desde o início. Aplicação da mens legis (arts. 80, 81 e 82 da Lei 9.430/96, com redação da Lei nº 11.941, de 2009). 8) IN RFB 1.634, de 2016 (art. 47): (...) Art. 29. Pode ser baixada de ofício a inscrição no CNPJ da entidade: (...) II inexistente de fato, assim denominada aquela que: a) não dispuser de patrimônio ou capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, inclusive a que não comprovar o capital social integralizado; b) não for localizada no endereço constante do CNPJ e: 1. cujo representante legal no CNPJ não for localizado; ou 2. cujo representante no CNPJ, depois de intimado, não indicar seu novo domicílio tributário; Fl. 3792DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.793 38 (...) e) realizar exclusivamente: 1. emissão de documentos fiscais que relatem operações fictícias; ou (...) Art. 31. No caso de pessoa jurídica inexistente de fato, o procedimento administrativo de baixa deve ser iniciado por representação consubstanciada com elementos que evidenciem qualquer das pendências ou situações descritas no inciso II do caput do art. 29. § 1ºA unidade cadastradora da RFB que jurisdiciona a pessoa jurídica ou da unidade de exercício do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pelo procedimento fiscal, acatando a representação citada no caput, deve intimar a pessoa jurídica, por meio de edital, publicado no sítio da RFB na Internet, no endereço citado no caput do art. 14, ou alternativamente no DOU, a regularizar, no prazo de 30 (trinta) dias, sua situação ou contrapor as razões da representação, suspendendo sua inscrição no CNPJ a partir da publicação do edital. (...) Seção V Da Inidoneidade dos Documentos Emitidos por Entidade Inapta ou Baixada Art. 47. É considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por entidade cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta ou baixada. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não podem ser: I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; IV utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. Fl. 3793DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.794 39 § 2ºConsiderase terceiro interessado, para fins do disposto neste artigo, a pessoa física ou a entidade beneficiária do documento. § 3ºO disposto neste artigo aplicase em relação aos documentos emitidos: I a partir da data de publicação do ADE a que se refere: a) o art. 41, no caso de pessoa jurídica omissa de declarações e demonstrativos; e b) o art. 42, no caso de pessoa jurídica não localizada; II desde a data de ocorrência do fato, no caso de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, a que se refere o art. 43. III a partir da data da baixa informada no CNPJ pela entidade; IV desde a data da ocorrência dos fatos que deram causa à baixa de ofício. § 4ºA inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta ou baixada não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º. § 5ºO disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6ºA entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5ºsujeitase ao pagamento do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), na forma prevista no art. 61 da Lei nº8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos. § 7ºO ato de restabelecimento da inscrição no CNPJ de pessoa jurídica baixada de ofício por inexistência de fato não elide a inidoneidade de documentos emitidos em períodos para os quais a empresa não comprovou a existência de fato 9) Como demonstrado, a empresa inexistente de fato poderá ter seu CNPJ baixado de ofício (art. 80, § 1º, I, Lei 9.430/96), e a empresa não localizada no endereço cadastrada na RFB poderá ser declarada inapta (art. 81, §5, Lei 9.430/96). O art. 82 trata da inidoneidade dos documentos (ex: notas fiscais) emitidas por empresa declarada inapta. O efeito da inidoneidade dos documentos não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços Fl. 3794DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.795 40 Diversamente do alegado pela recorrente, a IN RFB 1.634, de 2016 (art. 47) não inovou, não extrapolou o disposto nos arts. 80, 81 e 82 da Lei 9.430/96. Na verdade, aplicou o entendimento da Lei, ou seja, a mens legis. Vale dizer, se para empresa declarada inapta (não encontrada no endereço cadastral informada à RFB) os documentos emitidos são inidôneos para efeitos tributários desde o início, logo, com muito mais razão os documentos emitidos por empresa inexistente de fato, também, são inidôneos, desde o princípio. Essa é a mens legis. No caso, a baixa de ofício do CNPJ, por empresa inexistente de fato, empresa não localizada no endereço constante do cadastro na RFB (declaração de inaptidão) e o efeito de inidoneidade dos documentos foram objeto de processos específicos para cada empresa, conforme relação a seguir extraída do citado Relatório Fiscal: Obs: Baixa de ofício do CNPJ e respectivos ADE: (i) Ato Declaratório Executivo nº 28, de 14/03/2017 (efls. 07 e 18): Art. 1º BAIXADA de ofício a inscrição nº 04.378.355/0001 70 atribuída à empresa: IDEAL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA ME, em virtude da constatação de inexistência de fato, desde a sua abertura ( 28/03/2001). (ii) Ato Declaratório Executivo nº 002046129, de 18/09/2017 (efl. 39): Art.1º BAIXADA de ofício, por INEXISTENTE DE FATO, a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de nº 17.523.718/000165 do contribuinte VERTEILER INDUSTRIA COMERCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE EMBALAGENS EIRELI EPP, em virtude de falta de atendimento à Intimação Fl. 3795DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.796 41 referida no parágrafo 1º do artigo 31 da IN RFB 1634/2016, ou em virtude de não terem sido acatadas as contraposições apresentadas. (iii) Ato Declaratório Executivo nº 002046124, de 18/09/2017 (efl. 60): Art.1º BAIXADA de ofício, por INEXISTENTE DE FATO, a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de nº 17.553.122/000108 do contribuinte PARIS PLASTIC INDUSTRIA E COMERCIO DE EMBALAGENS EIRELI EPP, em virtude de falta de atendimento à Intimação referida no parágrafo 1º do artigo 31 da IN RFB 1634/2016, ou em virtude de não terem sido acatadas as contraposições apresentadas. (iv) Ato Declaratório Executivo nº 002054618, de 24/10/2017 (efl. 82): Art. 1º BAIXADA de ofício a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de nº 18.716.702/000131 do contribuinte ATAL PACK INDUSTRIA E COMERCIO DE EMBALAGENS EIRELI EPP. (v) Ato Declaratório Executivo nº 002054584 (efl. 104): Art. 1º BAIXADA de ofício a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de nº 18.209.807/000102 do contribuinte ATUAL SEVEN INDUSTRIA E COMERCIO DE EMBALAGENS EIRELI EPP. Art. 2º Inidôneos, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros interessados desde 29/05/2013, os documentos emitidos pela pessoa jurídica, com fundamento no DESPACHO DECISÓRIO. (vi) Despacho Decisório (efl. 122): (...) DECIDO declarar BAIXADA DE OFÍCIO POR INEXISTÊNCIA DE FATO a pessoa jurídica DIAMONDY INDÚSTRIA COMÉRCIO DE EMBALAGENS EIRELI – EPP, CNPJ 19.784.690/000145, por não ser localizada conforme previsto no art,. 29, II, b, 1, da IN RFB nº 1.634/2016, com efeitos a partir da data de sua abertura em 25/02/2014. Encaminhese ao SECAT para as providências previstas nos §§ 1º e 2º do art. 31 da IN RFB nº 1.634/2016 e atualização dos sistemas da RFB, com posterior retorno ao SEFIS. (vii) Ato Declaratório Executivo 002054595, de 24/10/2017 (e fl.143): Art. 1º BAIXADA de ofício a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de nº 17.552.947/000108 do contribuinte MALIBU INDUSTRIA E COMERCIO DE EMBALAGENS EIRELI EPP. Art. 2º Inidôneos, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros interessados desde 23/01/2013, os documentos emitidos pela pessoa jurídica, com fundamento no DESPACHO DECISORIO. (xiii) Atos Declaratórios de Executivos de 22/07/2016 (efl. 3526): Nº 111 Baixar de ofício a inscrição nº 20.504.778/000145, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), da empresa ART PLASTIC COMERCIALIZAÇÃO E INDUSTRIALIZAÇÃO EIRELI – EPP, retroativo à data de 01/07/2015. A presente declaração de baixa Fl. 3796DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.797 42 baseiase no fato de ter sido constatada sua inexistência de fato, nos termos do artigo 80, parágrafo único, inciso I da Lei nº 9.430 de 1996, na redação dada pela Lei nº 11.941 de 2009 e tendo em vista o disposto no artigo 31 da Instrução Normativa RFB nº 1.634 de 2016, e, considerando a representação formalizada no processo administrativo nº 19515.720223/201691. (ix) ADE nº 08, de 24/02/2016, DECLARA BAIXADA a inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa JurídicaCNPJ por inexistência de fato do contribuinte: Contribuinte: REVENGE INDUSTRIA E COM. DE EMBALAGENS EIRELI EPP CNPJ: 19.871.712/000104 Processo nº: 10314.724457/201518 (efl. 3564). (x) ADE 28/CAC, de 18/10/2016 (efl. 3552); (xi) ADE DELEX 10, de 24/02/2016 (efl. 3537) Ato Declaratório Executivo DELEX nº 10, de 24 de fevereiro de 2016. Declara a baixa da inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil RONALDO DAL FABBRO (matrícula 671827), CHEFE DE DIVISÃO DE FISCALIZAÇÃO/DIFISII da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização de Comércio Exterior Delex, fundamentado no Art.80, parágrafo 1º, inciso I da lei 9.430/96 e no Art. 29, parágrafo 1º da Instrução Normativa RFB nº 1.470, de 30 de maio de 2014, no exercício da competência delegada pelo art.4º, inciso V da Portaria DELEX nº 05/2014, de 03/02/2014, publicada no DOU de 03/02/2014, com as alterações promovidas pela Portaria DELEX nº 84/2015, publicada no DOU de 18/03/2015, e atendendo ao que consta no processo nº 10314.724459/201515, DECLARA BAIXADA a inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa JurídicaCNPJ por inexistência de fato do contribuinte: Contribuinte: BELLA PLASTIC IND. E COM. DE EMBALAGENS EIRELI EPP CNPJ: 20.050.319/000139 Processo nº: 10314.724459/201515. Com base nessa legislação tributária citada, as empresas "noteiras" tiveram cancelado de ofício o CNPJ (empresas inexistentes de fato e empresas não encontradas no endereço informado à RFB) e restaram declaradas inaptas. O efeito tributário disso: todas as notas fiscais emitidas, desde o início, foram consideradas inidôneas. Entretanto, o disposto não se aplica aos casos em que o terceiro interessado ou beneficiário das notas fiscais, adquirente de bens, direitos e mercadorias, Fl. 3797DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.798 43 ou o tomador de serviços, comprovar efetivamente o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. No caso, durante o procedimento de fiscalização, embora intimada a comprovar o recebimento efetivo dos bens, mercadorias ou serviços quanto aos pagamentos efetuados, a recorrente não se desincumbiuse desse ônus probatório. Então, no caso concreto, os documentos emitidos pelas empresas baixadas (CNPJ baixado) foram considerados inidôneos desde o início, não podendo a autuada aproveitarse desses documentos. Nesse sentido, são os precedentes deste CARF: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Ano calendário: 2010, 2011. GLOSA DE DESPESAS. NOTA FISCAL INIDÔNEA. COMPOSIÇÃO DO CUSTO DO PRODUTO VENDIDO. OPERAÇÃO INEXISTENTE. IMPROCEDÊNCIA. A alegação de que as despesas glosadas pela constatação de inidoneidade de Notas Fiscais, na verdade, comporiam o custo do produto, perde qualquer pertinência diante da comprovação da inexistência das operações que aqueles documentos expressam. Comprovada a utilização de Notas Fiscais frias para a redução das bases tributáveis, a glosa é devida na mesma monta da diminuição fraudulenta dos tributos devidos, independentemente da classificação contábil do dispêndio que estas representariam. (...) (Acórdão nº 1402002.515, sessão de 17/05/2017, Relator Caio Cesar Nader Quintella). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Ano calendário: 2008, 2009 (...). MULTA QUALIFICADA. GLOSA DE CUSTOS NÃO COMPROVADOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS.Evidenciado que a interessada tinha plena consciência da inidoneidade dos documentos fiscais que ampararam os custos contabilizados e que restaram glosados é cabível a aplicação da multa qualificada. Desnecessária, para fins de glosa e qualificação da multa, a existência de Ato Declaratório de Inidoneidade dos documentos fiscais se os elementos colhidos revelam sua falsidade. (Acórdão nº 1301 001.814, Sessão de 05/03/2015, Relator LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Ano calendário: 2005, 2006, 2007. GLOSA DE CUSTOS. NOTAS INIDÔNEAS.Comprovada a inexistência real das operações, glosase o custo indevidamente deduzido e exigese o imposto eventualmente devido. (Acórdão nº 1402000.346, sessão de 20/01/2016, Relator FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO). IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997. IPI. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. COMPROVAÇÃO. Comprovada nos autos a inidoneidade de notas fiscais de aquisição de insumos, com base em conjunto indiciário robusto e convergente, corroborado pela falta de comprovação do efetivo ingresso e Fl. 3798DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.799 44 pagamento dos insumos, devese reformar o acórdão não unânime que foi de encontro a essa evidência.Recurso Especial do Procurador Provido. (Acórdão nº 9303000.279, sessão de 23/10/2009, Relator Gilson Macedo Rosenburg Filho). Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. Período de apuração: 16/05/2001 a 15/12/2001. Ementa: NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. CONFIGURAÇÃO DE FRAUDE.O uso de notas fiscais inidôneas, assim consideradas aquelas supostamente emitidas por pessoas jurídicas inativas, declaradas como tal por representante legal, e inaptas, configura fraude fiscal praticada com a finalidade de acobertar despesas não incorridas pelo contribuinte. (Acórdão nº 20179.702, sessão de 18/10/2006, Relator José Antonio Francisco). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ.Ano calendário: 2010, 2011, 2012.COMPRAS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. Reputamse inidôneas as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas que não se encontram estabelecidas nos endereços cadastrais, não dispõem de movimentação financeira compatível com as vendas, não efetuaram compras das matérias primas revendidas, tendo alguns deles já sido declarados inaptos pela Secretaria de Fazenda Estadual. (Acórdão nº 1301003.612, sessão de 21/11/2018, Relator JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ.Ano calendário: 2011. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. CUSTOS E CRÉDITOS. INDEDUTIBILIDADE. GLOSA. Deve ser glosada a dedução de despesas e o aproveitamento de créditos gerados a partir da utilização de notas fiscais inidôneas, emitidas por empresas inexistentes de fato ou inativas e sem a comprovação da efetiva ocorrência da operação de aquisição dos produtos. (Acórdão nº 1301002.871, sessão de 16/03/2018, Relatora AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO). Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI.Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 (...). AQUISIÇÃO DE INSUMOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DAS OPERAÇÕES. GLOSA DE CRÉDITOS. Devem ser glosados os créditos gerados a partir da utilização de notas fiscais inidôneas, emitidas por empresas inexistentes de fato ou inativas e sem a comprovação da efetiva ocorrência da operação de aquisição dos produtos.(Acórdão nº 3201004.190, sessão de 29/08/2018, Relator LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE). IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ.Anocalendário: 2007, 2008 (...). DOCUMENTOS INIDÔNEOS. EFETIVIDADE NÃO COMPROVADA.Não restando comprovado o pagamento e o efetivo ingresso das mercadorias objeto de notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato, as citadas notas devem ser consideradas inidôneas.(Acórdão nº 1401000.704, sessão 16/01/2012, Relator Fernando Luiz Gomes de Mattos). Fl. 3799DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.800 45 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2012 (...). DOCUMENTOS INIDÔNEOS. EFETIVIDADE NÃO COMPROVADA. Não restando comprovado o pagamento e o efetivo ingresso das mercadorias objeto de notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato, as citadas notas devem ser consideradas inidôneas, independentemente de ato declaratório anterior.(Acórdãonº 1402001.26, sessão de 04/12/2012, Relator ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA). . 10) Caráter declaratório do ADE Diversamente do alegado pelos recorrentes, o ADE não tem efeito retroativo, mas sim caráter declaratório de situação jurídica configurada anterior à data de publicação do ADE. Nesse sentido, transcrevo precedente do CARF: ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário:2009,2010 (...). ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. NATUREZA DECLARATÓRIA. RETROATIVIDADE NÃO CONFIGURADA. O ato declaratório executivo, de cancelamento da inscrição no CNPJ de empresa inexistente de fato e declaração de inidoneidade para efeito tributário das notas fiscais emitidas, não tem caráter constitutivo de situação jurídica, mas sim natureza declaratória de situação fáticojurídica previamente constituída. Não há que se objetar efeito retroativo ou irretroativo, pois somente declara situação jurídica anteriormente constituída ou consumada. (Acórdão nº 1301 003.829, sessão de 17/04/2019, Relator Nelso Kichel). A rigor, no caso de pessoas jurídicas inexistentes de fato sequer seria necessário a emissão de ADE, pois pessoa jurídica que não existe de fato não pode emitir nota fiscal, muito menos gerar crédito de tributos para terceiros (fraude contra o Fisco). Ainda, o lançamento tem descrição, narrativa dos fatos, clara, objetiva, e enquadramento legal respectivo. Os elementos do fato gerador (pessoal, material, temporal, espacial, quantitativo e qualitativo), conforme art. 10 do Decreto 70.275/72 e art. 142 do CTN. Não se vislumbra, por conseguinte, o alegado prejuízo à defesa pela inocorrência de cerceamento do direito de defesa. Por tudo que foi exposto, voto para rejeitar a preliminar de nulidade pela inexistência de vício que pudesse inquinar de nulidade o lançamento fiscal. Fl. 3800DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.801 46 No mérito, a recorrente também não tem melhor sorte. Deve ser mantida a decisão a quo em relação: a) GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS Autos de infração do IRPJ e CSLL, anoscalendário 2013 e 2014. Lançamento de diferença dessas exações fiscais b) GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS Lançamento da diferença PIS, AC 2013 e da Cofins, AC 2014, 2015 e 2016. c) PAGAMENTO SEM CAUSA. EXIGÊNCIA DO IRRF. anoscalendário 2013, 2014, 2015 e 2016, foi lavrado auto de infração do IRRF. A infração imputada glosa de custos, autos de infração do IRPJ e reflexo (CSLL), anoscalendário 2013 e 2014, decorreu da escrituração contábil/fiscal de notas fiscais inidôneas (frias) pela recorrente, emitidas por empresas "noteiras" do setor de material de embalagens plásticas, conforme apurado pelo Fisco, in verbis: (...) (...) Como efeito reflexo, também, pela utilização de créditos indevidos de PIS (AC 2013) e Cofins (AC 2013 e 2014) dessas notas fiscais inidôneas (frias) foram lavrados os Fl. 3801DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.802 47 autos de infração do PIS e da COFINS para exigir diferença dessas exações fiscais, conforme demonstrativo já transcrito no relatório, parte deste Acórdão. Ainda, como efeito reflexo dessas operações de pagamentos fraudulentos a beneficiários não identificados e/ou pagamentos sem causa, nos anoscalendário 2013, 2014, 2015 e 2016, foi lavrado auto de infração do IRRF. Essas infrações estão sobejamente demonstradas, provadas, nos presentes autos, cujas provas foram colhidas pela Fiscalização, tudo conforme narrado, em suma, no Relatório Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal, in verbis: (...) 9. DAS NOTAS FISCAIS CONTABILIZADAS A fiscalizada efetuou os registros contábeis, a partir das notas fiscais inidôneas, emitidas pelas empresas noteiras, conforme consta na relação do ANEXO A – Notas Fiscais Contabilizadas, classificadas por empresa emitente e data de emissão. (...) No caso, a recorrente escriturou, registrou, na escrituração contábil "compras" de 11 (onze) empresas inexistentes de fato e efetuou os respectivos "pagamentos", conforme Relatório Fiscal: (...) 8. Empresas Noteiras (...) Estas empresas foram abertas com o único propósito de emitir notas fiscais frias, com o objetivo de gerar falsos custos/despesas e falsos créditos tributários de IPI, PIS e COFINS, além de propiciar a lavagem de dinheiro, pelo pagamento sem causa, das respectivas notas fiscais. A não localização da pessoa jurídica no endereço constante no CNPJ, assim como a não localização de seu representante legal, permitem a baixa de ofício da pessoa jurídica por inexistência de fato. Assim dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.634, de 6 de maio de 2016 (...). Como frutos de tais diligências, foram feitas representações para baixa de ofício por inexistência de fato, que trouxeram como consequências a nulidade de todos os documentos fiscais por elas produzidos, portanto inidôneos, por serem ideologicamente falsos. Os elementos principais dos processos administrativos para baixa de ofício por inexistência de fato, realizados por esta Fl. 3802DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.803 48 fiscalização, foram trazidos aos processos do presente procedimento fiscal. Os demais foram realizados por outras unidades da RFB. O quadro abaixo apresenta os processos de baixa de ofício por inexistência de fato das empresas noteiras: (...) 15. DO CÁLCULO DO VALOR DO PIS E DA COFINS As Notas Fiscais eletrônicas (NFe) de saída, emitidas pelas empresas noteiras, das quais a fiscalizada constava como participante, foram extraídas do Sistema Receitanet BX, por intermédio do SPED NFe, e analisadas através da ferramenta ContÁgil. (...) Os valores apurados para o PIS e para a COFINS, que a empresa creditouse, amparada em créditos destacados nas notas fiscais eletrônicas (NFe) inidôneas, emitidas por empresas noteiras, que foram glosados e lançados de ofício, estão apresentados no ANEXO D – PIS E COFINS. (...) 16. DO CÁLCULO DO IRPJ e CSLL – GLOSA DO CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS Fl. 3803DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.804 49 As Notas Fiscais eletrônicas (NFe) de saída, emitidas pelas empresas noteiras, das quais a fiscalizada constava como participante, foram extraídas do Sistema Receitanet BX, por intermédio do SPED NFe, e analisadas através da ferramenta ContÁgil. (...) Com base nestas notas fiscais de saída, no período fiscalizado, excluídas as canceladas, levantouse o valor dos itens menos os descontos, para cálculo do IRPJ e da CSLL, decorrentes da glosa das notas fiscais eletrônicas inidôneas, emitidas pelas empresas noteiras e contabilizadas pela fiscalizada nos custos das mercadorias vendidas. Os valores que serviram de base de cálculo para o IRPJ e para a CSLL, lançados de ofício, estão apresentados no ANEXO E – IRPJ E CSLL. (...) 17. DO CÁLCULO DO IRRF SOBRE OS PAGAMENTOS SEM CAUSA Á luz do que foi exposto acima, a legislação tributária determina que a pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou a sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não seja comprovada, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, em conformidade com o art. 674, § 1º, do RIR/99 e art. 61 da Lei nº 8.891/95. (...) Uma vez que os pagamentos foram efetuados, devem ser considerados líquidos, com incidência do imposto exclusivamente na fonte à alíquota de 35%, nos termos da supracitada legislação. As Notas Fiscais eletrônicas (NFe) de saída, emitidas pelas empresas noteiras, das quais a fiscalizada constava como participante, foram extraídas do Sistema Receitanet BX, por intermédio do SPED NFe, e analisadas através da ferramenta ContÁgil. Com base nestas notas fiscais de saída, no período fiscalizado, excluídas as canceladas, emitidas pelas empresas noteiras e das informações sobre os pagamentos efetuados, apresentadas pela fiscalizada, levantouse os valores devidos de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, uma vez que tais pagamentos não representaram uma entrega efetiva de produtos, por estarem amparados em notas fiscais eletrônicas inidôneas, emitidas por empresas noteiras, caracterizando o pagamento sem causa. Em alguns casos, ocorreram pagamentos fracionados das notas fiscais eletrônicas. Fl. 3804DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.805 50 Nestes casos, para apuração da data do fato gerador do IRRF, ou seja, as datas dos efetivos pagamentos, foram consideradas as datas dos últimos pagamentos de cada caso. Os valores da base de cálculo ajustada e os valores lançados do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, lançados de ofício estão apresentados no ANEXO F IRRF. Os valores da base de cálculo ajustada são decorrentes do cálculo por dentro, do IRRF, e sobre tais valores aplicamse as alíquotas devidas. (...) Nesta instância recursal, como já ocorrera na fase de fiscalização e na primeira instância de julgamento, a recorrente também não comprovou, não produziu prova nos autos, para afastar os efeitos da inidoneidade das notas fiscais registradas na escrituração contábil/fiscal em relação às compras efetuadas das empresas inexistentes de fato (não encontradas no endereço informado à RFB), pois não conseguiu comprovar o recebimento efetivo dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços e o beneficiário e a causa efetiva do pagamento do preço. Assim, no caso concreto os documentos emitidos pelas empresas baixadas por inexistência de fato são considerados inidôneos desde o início, não podendo a autuada utilizar tais documentos em sua escrituração contábil/fiscal. Legítima, portanto, a glosa dos custos contabilizados e dos créditos do PIS e da Cofins de que tratavam essas notas fiscais inidôneas, registradas indevidamente na escrituração contábil/fiscal. Quanto ao IRRF, os recorrentes alegaram: Os recorrentes alegaram, nas razões de defesa:: indevida a exigência de Imposto de Renda Retido na Fonte (IIRF) acerca de pagamento sem causa e/ou beneficiário não identificado simultaneamente com a glosa das despesas/custos; efetividade das operações mediante a comprovação do fluxo financeiro das operações e do registro contábilfiscal da entrada das mercadorias adquiridas pela recorrente; Data venia os recorrentes não comprovaram, não produziram prova nos autos, para afastar os efeitos da inidoneidade das notas fiscais registradas na escrituração contábil/fiscal em relação às compras efetuadas das empresas "noteiras", empresas inexistentes de fato (não encontradas no endereço informado à RFB), pois não comprovaram o recebimento efetivo dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços e a causa efetiva do pagamento do preço. Acerca da exigência concomitante de IRRF pagamento sem causa e/ou beneficiário não identificado e glosa das despesas/custos, não há óbice legal para a exigência concomitante. Pelo contrário, o crédito tributário de ambas as infrações imputadas deve ser exigido, pois são infrações diversas. Fl. 3805DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.806 51 Diversamente do alegado pelos recorrentes o art. 61 da Lei nº 8981, de 1995, não tem natureza de penalidade, mas sim de exigência de tributo (IRRF). A seguir, colaciono precedentes da CSRF/1ª Turma e das Turmas do CARF pela exigência cumulativa das infrações. Cabimento: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ).Anocalendário: 2010, 2011, 2012.GLOSA DE DESPESAS. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte a comprovação das operações e correspondentes despesas que considera dedutíveis para fins de imposto de renda, incluindo sua efetividade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF). Anocalendário: 2010, 2011, 2012.PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. IRRF. Sujeitase à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), o pagamento efetuado por pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação que lhe deu causa, sem prejuízo da glosa das despesas que resultaram em redução indevida do lucro líquido do período. (Acórdão nº 9101004.250, CSRF/1ª Turma, Relatora Viviane Vidal Wagner). IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. EXIGÊNCIA CUMULADA COM IRPJ E CSSL APURADOS EM FACE DA GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS CONSIDERADAS INIDÔNEAS. CABIMENTO. O art. 61 da Lei nº 8.981/1995, alcança todos os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou cuja operação ou causa não é comprovada, independente de quem seja o real beneficiário dele (sócios/acionistas ou terceiros, contabilizados ou não), elegendo a pessoa jurídica responsável pelo pagamento efetivamente comprovado como responsável pelo recolhimento do imposto de renda devido pelo beneficiário, presumindose que assumiu o ônus pelo referido pagamento.(Acórdão 1302 003.215, sessão de 20/11/2018, Relator FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS). IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. EXIGÊNCIA CUMULADA COM IRPJ E CSSL APURADOS EM FACE DA GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS CONSIDERADAS INIDÔNEAS. CABIMENTO. O art. 61 da Lei nº 8.981/1995 alcança todos os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou cuja operação ou causa não é comprovada, independente de quem seja o real beneficiário dele (sócios/acionistas ou terceiros, contabilizados ou não), elegendo a pessoa jurídica responsável pelo pagamento efetivamente comprovado com responsável pelo recolhimento do imposto de renda devido pelo beneficiário, presumindose que assumiu o ônus pelo referido pagamento. (Acórdão nº 1302 002.549, sessão 20/02/2018, Relator LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO). Fl. 3806DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.807 52 LANÇAMENTO DE OFÍCIO — IMPOSTO DE. RENDA NA FONTE — PAGAMENTO SEM CAUSA. A tributação do IR Fonte por pagamento sem causa, não se confunde com a omissão de receitas com a tributação de omissão de receitas do contribuinte — ainda que baseados nos mesmos elementos de prova. Isso porque a constatação de que a empresa efetivamente realizou os pagamentos, porém, intimada não logrou êxito m comprovar a causa, tal qual contabilizado, autorizada a tributação do IRfonte com base no artigo 61 da Lei 8981/1995. (Acórdão nº 1402000.198, sessão de 20/05/2010, Relator Antônio José Praga de Souza). Devem ser mantidas as infrações, conforme decisão a quo. Multa de Ofício Qualificada de 150%: Diversamente do alegado pelos recorrentes, a exigência deve ser mantida, pois o dolo de sonegação fiscal, fraude contra o Fisco, restou caracterizado, conforme narrativa da Fiscalização constante do Relatório Fiscal: (...) 18. DA MULTA QUALIFICADA A aplicação da multa de ofício (no caso, QUALIFICADA) tem previsão legal no art. 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07. (...) Em conformidade com o acima exposto, e pelos fatos apurados no curso do procedimento fiscal, não restam dúvidas sobre a conduta da empresa fiscalizada, que valendose de notas fiscais eletrônicas (NFe), emitidas por empresas inexistentes de fato, teve a clara intenção de criar falsas despesas, reduzindo os tributos a pagar, creditarse de falsos créditos de IPI, PIS e COFINS e efetuar pagamentos amparados em documentos inidôneos, promovendo a lavagem de dinheiro, agiu de forma fraudulenta contra a Fazenda Nacional. Sobre os tributos lançado de ofício, foram aplicadas as multas qualificadas (150%), decorrentes do intuito de fraude, simulação de despesas, simulação de créditos e simulação de pagamentos, pela utilização de notas fiscais inidôneas (frias), emitidas por empresas inexistentes de fato, constituídas com o intuito único de emitir tais notas fiscais. (...) Fl. 3807DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.808 53 Nesse sentido, pela qualificação da multa de ofício, também, são os precedentes deste CARF: MULTA QUALIFICADA. LEGALIDADE. LANÇAMENTO. Cabível a multa qualificada quando constatado que a empresa realizou operações de aquisição com empresas inexistentes de fato e utilização de notas fiscais inidôneas, restando evidenciado o emprego de meios fraudulentos.(Acórdão nº 1301002.871, sessão de 16/03/2018, Relatora AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO). IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 2007, 2008 (...) MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prática reiterada de contabilização de notas fiscais inidôneas, relativas à operações cuja efetividade não resta comprovada, enseja a qualificação da multa de ofício (Acórdão nº 1401000.704, sessão de 16/01/2012, Relator Fernando Luiz Gomes de Mattos). Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Anocalendário: 2006, 2007. (...). GLOSA DE CUSTOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. Correta a glosa de custos e a qualificação da penalidade aplicada quando demonstrado que os fornecedores não estavam estabelecidos de modo a entregar as mercadorias supostamente adquiridas. Cabe à contribuinte, em tais circunstâncias, demonstrar que as operações foram efetivamente realizadas, mediante prova da circulação das mercadorias e da efetiva tradição dos recursos financeiros em favor dos fornecedores (Acórdão nº 1101000.915, sessão de 11/07/2013, EDELI PEREIRA BESSA Relatora). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2012 (...) MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prática reiterada de contabilização de notas fiscais inidôneas, relativas à operações cuja efetividade não resta comprovada, enseja a qualificação da multa de ofício.(Acórdão nº 1402 001.266, sessão de 04/12/2012, Relator Antônio José Praga de Souza). Demonstrada, assim, o dolo de fraude, de sonegação fiscal. Portanto, deve ser mantida a multa qualificada . Juros de Mora sobre a Multa de Ofício Matéria sumulada pelo CARF, cujo verbete transcrevo: Súmula CARF nº 108 Fl. 3808DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.809 54 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Portanto, cabível a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. IMPUTAÇÃO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Consta do Relatório Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal (efl. 2333): (...) 6. Do Quadro Societário da Fiscalizada Pelo cadastro CNPJ da RFB, verificouse que a fiscalizada, administrada por Rodrigo Zanco Bueno, CPF 120.757.67866, tem como sócios o próprio Rodrigo Zanco Bueno e a empresa Forward Empreendimentos Eireli, CNPJ 06.996.696/000134. Por sua vez, a empresa Forward Empreendimentos Eireli, também administrada por Rodrigo Zanco Bueno, tem como sócio o próprio Rodrigo Zanco Bueno. (...) Isso significa dizer que Sr.Rodrigo Zanco Bueno é o dono único dessas duas empresas. Então, o senhor Rodrigo Zanco Bueno, CPF 120.757.67866, foi responsabilizado solidariamente pelo crédito tributário na condição de sócio administrador da empresa autuada com base nos art. 124,I e 135, III. Nesse sentido, consta do Relatório Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal: (...) A sujeição passiva solidária nos termos do art. 124, inciso I e art. 135, inciso III da Lei nº 5.172/66 (CTN), da pessoa física abaixo identificada, pois incumbe aos administradores a regular condução dos negócios da pessoa jurídica, sendo que, no presente caso, houve atuação com excesso de poderes frente ao Fl. 3809DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.810 55 Estatuto Social e infração à lei, que caberia aos sócios com poderes de administração zelar. ・ Rodrigo Zanco Bueno, CPF 120.757.67866, sócio e responsável legal da empresa fiscalizada, bem como de sua controladora, Forward Empreendimentos Eireli, CNPJ 06.996.696/000134, conforme consta no cadastro CNPJ da RFB. (...) A condição de sócioadministrador do imputado, quanto aos anoscalendário 2013, 2014, 215 e 2016, é matéria incontroversa nos autos. A DRJ manteve a sujeição passiva solidária pelo art. 135, III, do CTN. Nas razões do recurso, o Sr. Rodrigo Zanco Bueno argumentou, em resumo: que o Fisco não teria comprovado, nos autos, que teria agido com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos para imputação da solidariedade tributária, in verbis: (...) (...) Não tem plausibilidade fáticojurídica a alegação do recorrente. Pelos fatos apurados pela Fiscalização, documentos constantes dos autos, não restam dúvidas sobre a conduta do sócioadministrador da empresa fiscalizada, que valendose de notas fiscais eletrônicas (NFe), emitidas por empresas inexistentes de fato, teve a clara intenção de criar falsas despesas, reduzindo os tributos a pagar, creditandose de falsos créditos Fl. 3810DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.811 56 de IPI, PIS e COFINS e por efetuar pagamentos amparados em documentos inidôneos, promovendo a lavagem de dinheiro, agiu de forma fraudulenta contra a Fazenda Nacional. Como único dono de fato e de direito da empresa autuada, o sócio administrador Sr. Rodrigo Zanco Bueno, iniludivelmente, agiu com dolo contra o Fisco. O dolo é intenso, flagrante, perpetrou fraude contra Fazenda Nacional que implicou sonegação de centenas de milhões de tributos federais, conforme apurado pelo lançamento fiscal. No caso, a responsabilidade solidária do sócio administrador é patente, fragrante, salta aos olhos, de plano, em face da robustez dos elementos de prova colhidos pela Fiscalização, constantes dos autos. Os precedentes do CARF também são pela solidariedade, responsabilidade pelo crédito tributário do sócio administrador: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Ano calendário: 2012, 2013. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO OU ADMINISTRADOR. ART. 135, INC. III DO CTN. NATUREZA PESSOAL X SOLIDARIEDADE. EXCLUSÃO DA PESSOA JURÍDICA DO PÓLO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a jurisprudência do STJ, a atribuição de responsabilidade aos sóciosgerentes, nos termos do art. 135, inc. III, não exclui sujeição passiva da pessoa jurídica. (...) (Acórdão nº 1302003.215, sessão de 20/11/2018, Relator FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS). Ementa(s) Assunto:Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Anocalendário: 2010, 2011 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ADMINISTRADOR DE FATO. ART. 135, III. CABIMENTO. NATUREZA DA RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. EXCLUSÃO DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. A jurisprudência deste Conselho é firme no sentido de que a responsabilidade dos sócios, gerentes ou administradores (sejam formais ou de fato), prevista no art. 135, III é solidária e não exclui do pólo passivo a pessoa jurídica administrada. Sendo notória a ascendência do sujeito apontado como o administrador de fato das empresas pertencentes ao seu grupo familiar revela se indiscutivelmente este que era o responsável de fato pela gestão dos negócios da empresa indicada no pólo passivo da autuação. (...). (Acórdão 1302002.549 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, Sessão de 20/02/2018, Relator e Presidente Luiz Tadeu Matosinho Machado). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADOR. INFRAÇÃO À LEI. SOLIDARIEDADE.. O administrador que realiza atos de gestão contrários à legislação tributária, utilizandose de meios fraudulentos para reduzir tributos, responde pela obrigação solidariamente com a pessoa jurídica. (Acórdão nº 1301002.871, sessão de 16/03/2018, Relatora AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO). Fl. 3811DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.812 57 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Configurado o interesse comum nas situações que constituem o fato gerador dos tributos, pela prova de existência de identificação entre o responsável solidário e a contribuinte, resta caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art.124, I,c/cart.135, III, ambos do CTN. (...) (Acórdão 1301001.525 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 08/05/2014, Relator Paulo Jakson da Silva LucasRelator). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III. DOLO. PODERES DE GERÊNCIA. Os administradores são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, desde que cabalmente provado o dolo. (Acórdão nº 3301003.159–3ª Câmara/1ªTurma Ordinária, Sessão de 27/01/2017,Relatora Semíramis de Oliveira Duro). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CABIMENTO. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.(Acórdão nº 1302001.962–3ª Câmara/2ªTurma Ordinária, Sessão de 11/08/2016, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa Redator designado). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Anocalendário: 2010, 2011. RESPONSABILIDADE. SÓCIO ADMINISTRADOR. COMPROVAÇÃO DA EFETIVA GESTÃO E PARTICIPAÇÃO EM FRAUDE. ART. 135 CTN. PROCEDÊNCIA .A responsabilização do sócio administrador é prerrogativa excepcional da Administração Tributária, que demanda conjunto probatório robusto e preciso para permitir a transposição da personalidade jurídica do contribuinte, penetrando na esfera patrimonial de seu gestor e titular. Uma vez comprovado o exercício de fato dos poderes de administração pela pessoa apontada como responsável, bem como a sua participação em conduta fraudulenta que culminou na exigência fiscal, estão presentes os requisitos para a responsabilização com base no artigo 135, inciso III, do CTN. (Acórdão nº 1402002.515, sessão de 17/05/2017, Relator Caio Cesar Nader Quintella). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. Deve ser mantida a responsabilidade solidária de sócioadministrador sobre os créditos decorrentes de obrigações tributárias apurados uma vez que concorreu para a prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei.(Acórdão nº 3201004.190, sessão de 29/08/2018, Relator LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE). Fl. 3812DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.813 58 Por fim, quanto à tese da responsabilidade subsidiária, em sentido próprio, dos administradores, suscitada pelo recorrente, é incompatível com a adoção da tese da responsabilidade subjetiva, acolhida pelo STJ (decorre de ato ilícito), visto que não se pode conceber que o terceiro, no caso sócioadministrador, sendo sancionado pela prática de ato ilícito, condicione sua responsabilidade à inexistência de bens da pessoa jurídica, suficientes para a satisfação do crédito (o STJ admite que a execução fiscal seja ajuizada, desde logo, contra sociedade e administrador). Em linha com esse entendimento, transcrevo posicionamento doutrinário, com base na jurisprudência dominante do STJ, do exProcurador da Fazenda Nacional, atual Procurador da República, Anselmo Henrique Cordeiro LOPES, in A responsabilidade . tributária dos administradores. A incidência do art. 135, III, do CTN. Revista Jus Navigandi, ISSN 15184862, Teresina, ano 13, n. 1659, 16 jan. 2008. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/10854, acesso em 08fev2019, in verbis: (...) 6. Conseqüências da adoção da responsabilidade solidária A conseqüência jurídica principal da conclusão de que o administrador que comete ato ilícito, no exercício da gerência, responde solidariamente com a pessoa jurídica pelo crédito tributário, sem benefício de ordem, é a de que ele, nesse caso, deve ser considerado "sujeito passivo" e "devedor" para efeito de aplicação da legislação tributária em geral. É ele "sujeito passivo" porque, por força do art. 121, parágrafo único, II, do CTN, todo responsável é sujeito passivo tributário. É ele "devedor" em razão de que a pretensão do Fisco para com ele é exigível independentemente da solvabilidade da pessoa jurídica. Assim, o responsável solidário pode sofrer, individualmente, auto de infração, com força no art. 142 do CTN, sendo, nesse ato, declarado o ato ilícito que praticou o administrador no exercício da gerência e imputada a responsabilidade a esse infrator. Sendo, porém, sua responsabilidade autônoma da obrigação do contribuinte quanto ao nascimento e à natureza, não está obrigada a Administração Tributária a declarar sua responsabilidade ao mesmo tempo em que constitui o crédito tributário de que é devedora a pessoa jurídica. A responsabilidade do terceiro pode ser declarada a qualquer tempo, na esfera administrativa ou judicial, desde que subsista a obrigação do contribuinte. A possibilidade de ser declarada a responsabilidade do administrador em momento diverso da constituição do crédito tributário devido pelo contribuinte decorre de sua natureza de relação jurídica de garantia. Em razão dessa natureza, a obrigação do responsável, para existir, valer e produzir efeitos, precisa da existência, da validade e da eficácia da obrigação do contribuinte (pessoa jurídica). Diversamente, a obrigação do contribuinte, para existir, valer e produzir efeitos,não depende da existência, da validade e da eficácia da obrigação do Fl. 3813DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.814 59 responsável. Logo, o crédito tributário do contribuinte pode ser plenamente exigido independentemente de ser declarada ou não a responsabilidade do administrador. (...) 7. Conclusão Em resumo, alinhamos aqui os fundamentos e as conclusões do presente estudo: a) A responsabilidade do dito "sóciogerente", de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, decorre de sua condição de "gerente" (administrador), e não da sua condição de sócio; b) A responsabilidade do administrador, por força do art. 135 do CTN, na linha da jurisprudência do STJ, é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito; c) Para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social; d) A responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador. e) A tese da responsabilidade substitutiva também deve ser excluída pela inexistência de norma legal de desoneração da pessoa jurídica em razão da prática de ato ilícito por parte do administrador; f) A tese da responsabilidade subsidiária, em sentido próprio, dos administradores é incompatível com a adoção da tese da responsabilidade subjetiva, acolhida pelo STJ, visto que não se pode conceber que o terceiro, sendo sancionado pela prática de ato ilícito, condicione sua responsabilidade à inexistência de bens da pessoa jurídica, suficientes para a satisfação do crédito; g) A tese da responsabilidade subsidiária (em sentido próprio) dos administradores também deve ser afastada em razão da jurisprudência do STJ que admite que a execução fiscal seja ajuizada, desde logo, contra sociedade e administrador; não se trata de mera questão de legitimidade, como seria no processo de conhecimento, pois que, no processo de execução, não se admite o processamento da ação sem que se tenha presente, desde o início, a exigibilidade da pretensão em face do executado; h) Os acórdãos do STJ que fazem referência à "responsabilidade subsidiária" somente podem ser entendidos no sentido impró prio da expressão, que exige, além da existência de poderes de Fl. 3814DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.815 60 gerência e da prática de ilicitude pelo adminis trador, a ausência de pagamento pontual da obrigação tributária, e não a insolvabilidade da pessoa jurídica, o que se aproxima, na prática, da responsabilidade solidária decorrente de ato ilícito; i) Os acórdãos do STJ que fazem referência à "responsabilidade por substituição" somente podem ser entendidos no sentido de que respondem os terceiros "em lugar" do contribuinte (pessoa jurídica), o que é válido para qualquer tipo de respon sabilidade; j) A jurisprudência do STJ aponta para a responsabilidade solidária, inclusive em precedentes desfavoráveis à Fazenda Nacional, em que se afirma que o "sócio" só pode ser responsabilizado solidariamente se detiver poderes de gerência e se tiver praticado ato ilícito no exercício dessa gerência, na forma do art. 135, III, do CTN; k) a análise sistemática da ordem jurídica aponta para a responsabilidade solidária dos administradores, visto que estes, no regramento do Código Civil (art. 1.016), respondem solidariamente perante terceiros (inclusive o Estado) pela prática de atos ilícitos; não haveria sentido em ser o crédito tributário menos garantido que o crédito comum; l) a obrigação do responsável é autônoma à da pessoa jurídica no que tange à natureza (licitude ou ilicitude do fato jurídico), ao nascimento (momento do surgimento) e à cobrança (exigência simultânea ou não), mas é subordinada no que tange à existência, validade e eficácia; a obrigação da pessoa jurídica contribuinte, por sua vez, independe da obrigação do responsável no que tange a esses elementos; m) a responsabilidade do administrador não tem natureza de obrigação tributária em sentido estrito, porquanto não decorre de fato lícito, mas sim ato ilícito (art. 3º, CTN); logo sua obrigação não precisa ser "constituída" por lançamento, bastando que seja "declarada", seja por autoridade administrativa do Fisco, seja pelo Procurador da Fazenda (por meio da CDA), seja pela autoridade judicial. n) A responsabilidade do administradorinfrator inserese em relação jurídica de garantia; em razão disso, a prescrição da pretensão para com o responsável prescreve no mesmo momento em que prescreve a obrigação principal, nem antes, nem depois; o) Por nascer a responsabilidade do terceiro em momento distinto do crédito tributário do contribuinte, e por ter natureza distinta desta (ato ilícito vs. fato lícito), não precisa sua obrigação ser declarada no mesmo momento ou no mesmo ato em que for constituído este crédito tributário; p) A responsabilidade do administrador pode ser declarada no mesmo auto de infração que lançar o crédito tributário em Fl. 3815DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.816 61 face da pessoa jurídica contribuinte, como também poderá ser declarado em auto de infração e em momento distintos, independentemente de ter o ato ilícito sido praticado no mesmo átimo da ocorrência do fato jurídico tributário que deu origem à obrigação tributária principal; a responsabilidade de cada administrador pode ser declarada ao mesmo tempo e ato ou em tempos e atos distintos; q) Quando incide o art. 135, III, do CTN, não se tem uma obrigação solidária, senão duas ou mais obrigações solidárias; trata se de solidariedade imprópria, em que obriga ções distintas são atadas pelo nexo de adimplemento. r) Por se tratar de solidariedade imprópria, que não se dá entre contribuintes, mas sim entre contribuinte e responsável, não precisa este último estar mencionado no lançamento do crédito tributário como sujeito passivo; sua responsabilidade, como já se disse, pode ser atestada em ato apartado; s) Não há qualquer nulidade em se não declarar a responsabilidade do administradorinfrator no mesmo auto de infração em que é lançado o crédito tributário devido pela pessoa jurídica, uma vez que não há qualquer imposição legal em que esses dois atos jurídicos distintos sejam realizados no mesmo corpo documental e na mesma oportunidade; t) O administrador infrator responsável é terceiro interessado no processo administrativo fiscal que discute somente a constituição do crédito tributário, possuindo, assim, legitimi dade para impugnar e produzir provas; sua participação nesse processo, porém, não é indispensável; u) Sendo solidária a responsabilidade decorrente de ato ilícito praticado pelo administrador, este, uma vez atestada administrativamente sua responsabilidade, está sujeito a todos instrumentos de proteção do crédito tributário, como o arrolamento de bens e direitos, a inscrição no CADIN e a medida cautelar fiscal, estando sujeito, outrossim, à negativa de expedição de Certidão Negativa de Débito. Por fim, ressaltamos que nossas conclusões aplicamse exclusivamente ao regramento ordinário do art. 135, III, do CTN, não alcançando, portanto, regras especiais previstas na legislação que responsabilizam com mais rigor os sócios ou os administradores das pessoas jurídicas. (...) Assim, devese mantida a sujeição passiva solidária do Sr. Rodrigo Zanco Bueno. Fl. 3816DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.817 62 RECURSO DE OFÍCIO Quando do lançamento fiscal do IRPJ e da CSLL, a autoridade fiscal olvidou da necessidade de compensar prejuízos acumulados (saldo existente) com a diferença de lucro real e diferença de base de cálculo da CSLL decorrente do valor tributável da glosa de custos, anoscalendário 2003 e 2014. A contribuinte solicitou o ajuste do lançamento fiscal. Houve diligência fiscal solicitada pela DRJ. A decisão recorrida acatou o resultado da diligência fiscal, e efetuou o ajuste do lucro real e da base de cálculo da CSLL, conforme exposto a seguir: (...) Fl. 3817DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.818 63 Fl. 3818DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.819 64 Demonstrativo dos valores mantidos e exonerados do IRPJ e da CSLL Fl. 3819DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.820 65 (...) O presidente da turma a quo recorreu de ofício do valor exonerado do crédito tributário que ficara acima do limite de alçada. Quanto à compensação de prejuízos fiscais a decisão a quo adotou os valores apurados, constantes do Relatório de Diligência. Correta a decisão a quo. Assim, não há reparo a fazer na decisão recorrida. Portanto, deve ser rejeitado o recurso de ofício. Por fim, ante tudo que foi exposto, voto para: I negar provimento ao recurso de ofício; II quanto aos recursos voluntários rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito: a) manter o lançamento fiscal, conforme decidido pela decisão recorrida; Fl. 3820DF CARF MF Processo nº 10855.720317/201804 Acórdão n.º 1301004.147 S1C3T1 Fl. 3.821 66 a) manter a sujeição passiva solidária do Sr.Rodrigo Zanco Bueno. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 3821DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13820.000813/2005-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de contradição na decisão embargada, devem ser acolhidos os embargos de declaração e sanado o vício apontado, nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF. Sanado conflito entre informação da parte dispositiva e a conclusão do voto do Relator.
Numero da decisão: 2301-006.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, colmatando a contradição apontada, retificar a parte dispositiva do Acórdão nº 2301-005.042, de 11 de maio de 2017, que passa a ser: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar-lhe provimento parcial, nos termos do voto do relator".
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Fernanda Melo Leal e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: Antonio Sávio Nastureles
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CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de contradição na decisão embargada, devem ser acolhidos os embargos de declaração e sanado o vício apontado, nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF. Sanado conflito entre informação da parte dispositiva e a conclusão do voto do Relator. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, colmatando a contradição apontada, retificar a parte dispositiva do Acórdão nº 2301-005.042, de 11 de maio de 2017, que passa a ser: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar- lhe provimento parcial, nos termos do voto do relator". (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Fernanda Melo Leal e João Maurício Vital (Presidente). Relatório 1. Trata-se de julgar embargos de declaração (e-fls. 97/98) opostos por Conselheira titular da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento em face do Acórdão nº AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 00 08 13 /2 00 5- 19 Fl. 101DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.575 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13820.000813/2005-19 2301-005.042 (e-fls. 90/96), prolatado em sessão plenária de 11 de maio de 2017, ao apontar conflito entre informação da parte dispositiva e a conclusão do voto do Relator. 1.1. A Embargante destaca a seguinte parte do dispositivo do Acórdão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator. (grifamos) 1.2. Ocorre que, da leitura do voto do relator, constata-se que seu posicionamento foi no sentido de dar parcial provimento ao recurso interposto, nos seguintes termos: Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e dar-lhe parcial provimento para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes no mês em que a parcela foi reconhecida como devida, na decisão judicial, segundo os critérios estabelecidos pelo Resp. 1.470.720. (grifamos) 2. Na mesma peça processual em que propostos, os embargos declaratórios foram admitidos (e-fls 98). É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. 3. Os embargos são tempestivos e, por cumprir com as demais formalidades legais, deles conheço. 4. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado nos seus artigos. 65 e 66, nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. (...) Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. 5. Dessa forma, o artigo 65 do RICARF determina que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. O artigo 66 do RICARF dispõe que inexatidões materiais serão corrigidas mediante embargos. 6. A partir da leitura do Acórdão de Recurso Voluntário (e-fls. 90/96) verifica-se que há contradição entre a parte dispositiva do Acórdão e a conclusão do voto do relator. Fl. 102DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.575 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13820.000813/2005-19 7. Detendo-nos no voto produzido no acórdão embargado, verifica-se às e-fls. 94/96, extensa fundamentação sob o título “Rendimentos Recebidos Acumuladamente Aplicação do Cálculo do Artigo 12-A da Lei nº 7.713/1988”, evidenciando a posição do Conselheiro Relator em reconhecer, no caso concreto, que o cálculo da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente fosse feito segundo o regime de competência. A partir de tal constatação, entendo que deve ser retificada a parte dispositiva do Acórdão, no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. 8. Diante do exposto, VOTO por acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, colmatando a contradição apontada, retificar a parte dispositiva do Acórdão nº 2301- 005.042, de 11 de maio de 2017, que passa a ser: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar-lhe provimento parcial, nos termos do voto do relator". (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.001542/2005-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1995
ALEGAÇÕES LANÇADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
As alegações lançadas originalmente no recurso voluntário que não guardem relação dialética com a decisão de piso e não sejam matéria de ordem pública não devem ser conhecidas pela autoridade julgadora de segunda instância.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PERC. INOCORRÊNCIA.
A pretensão de aplicar por analogia o disposto no artigo 168 do CTN para configurar homologação tácita do PERC, considerando sua natureza de recurso, configuraria prescrição intercorrente, que não encontra amparo nas normas de processo administrativo fiscal.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 1995
PERC. REGULARIDADE FISCAL. COMPROVAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS.
A comprovação de regularidade fiscal exigida pelo artigo 60 da Lei nº 9.069/95 abarca as contribuições previdenciárias e as devidas a terceiros. Não se comprovando a regularidade em relação a todos os tributos e contribuições federais, é de se negar provimento ao recurso voluntário.
Numero da decisão: 1401-004.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias atingidas pela norma preclusiva do artigo 16 do CTN, afastar a preliminar de homologação tácita do PERC e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator
(documento assinado digitalmente)
Nome do Redator - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado), Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1995 ALEGAÇÕES LANÇADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. As alegações lançadas originalmente no recurso voluntário que não guardem relação dialética com a decisão de piso e não sejam matéria de ordem pública não devem ser conhecidas pela autoridade julgadora de segunda instância. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PERC. INOCORRÊNCIA. A pretensão de aplicar por analogia o disposto no artigo 168 do CTN para configurar homologação tácita do PERC, considerando sua natureza de recurso, configuraria prescrição intercorrente, que não encontra amparo nas normas de processo administrativo fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 1995 PERC. REGULARIDADE FISCAL. COMPROVAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS. A comprovação de regularidade fiscal exigida pelo artigo 60 da Lei nº 9.069/95 abarca as contribuições previdenciárias e as devidas a terceiros. Não se comprovando a regularidade em relação a todos os tributos e contribuições federais, é de se negar provimento ao recurso voluntário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias atingidas pela norma preclusiva do artigo 16 do CTN, afastar a preliminar de homologação tácita do PERC e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira - Relator (documento assinado digitalmente) Nome do Redator - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado), Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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INOVAÇÃO. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. As alegações lançadas originalmente no recurso voluntário que não guardem relação dialética com a decisão de piso e não sejam matéria de ordem pública não devem ser conhecidas pela autoridade julgadora de segunda instância. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PERC. INOCORRÊNCIA. A pretensão de aplicar por analogia o disposto no artigo 168 do CTN para configurar homologação tácita do PERC, considerando sua natureza de recurso, configuraria “prescrição intercorrente”, que não encontra amparo nas normas de processo administrativo fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 1995 PERC. REGULARIDADE FISCAL. COMPROVAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS. A comprovação de regularidade fiscal exigida pelo artigo 60 da Lei nº 9.069/95 abarca as contribuições previdenciárias e as devidas a terceiros. Não se comprovando a regularidade em relação a todos os tributos e contribuições federais, é de se negar provimento ao recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias atingidas pela norma preclusiva do artigo 16 do CTN, afastar a preliminar de homologação tácita do PERC e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 15 42 /2 00 5- 19 Fl. 405DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-004.005 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001542/2005-19 (documento assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira - Relator (documento assinado digitalmente) Nome do Redator - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado), Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Inicialmente, adoto o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeira instância: Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC (fls. O1), protocolizado em 29/09/1998, relativo ao IRPJ do exercício 1996, ano-calendário 1995. A solicitação foi indeferida, nos termos da Decisão de fls. 260, sob a seguinte fundamentação: “ Senhor Chefe, Trata, o presente, de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC EX 1996 /AC 1995, conforme fls. 01, havendo ainda um outro PERC, referente ao Ex 1996 /AC 1996, em nome do interessado que, conforme consta no sistema CNPJ, tinha sido incorporado pela POLIBRASIL POLÍMEROS S/A., CNPJ 31.911.001/0001- 11, que, por sua vez, foi incorporada pela POLIBRASIL RESINAS S/A., CNPJ 59. 682. 583/0001 -20 (fls. 253). Assim sendo, a .empresa foi intimado a apresentar os comprovantes necessários para o esclarecimento e a regularização das pendências constatadas nos autos (fls. 92 e 93, conforme fls. 87, 157, I55 e 156, 78 e 79, 73, 73 a 76, 60, 58 e 59 e 59), tendo o contribuinte solicitado prorrogação de prazo para o atendimento das intimações (fls. 250 e 251). Conforme pesquisas às fls. 254 a 258 constam pendências em nome da POLIBRASIL RESINAS S/A. Até o momento não foi constatada a apresentação dos documentos solicitados. Desta forma, e tendo em vista que o teor do art. 60 da Lei n” 9.069, de 29/06/1995: "A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais ”, proponho o INDEFERIMENTO do pedido. ” Cientificada da Decisão em 27/10/2005, conforme AR de fls. 263-v, a contribuinte protocolizou, em 28/11/2005, por intermédio de seus procuradores, manifestação de inconformidade de fls. 264/266, acompanhada dos documentos de fls. 267/298, na qual alega, em síntese, 0 que segue: Fl. 406DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-004.005 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001542/2005-19 “ I - DOS FATOS A Requerente destinou pagamentos para a Aplicação em Incentivos Fiscais no FINOR, no entanto, não obteve reconhecimento das aplicações na Ordem de Emissão de Certificados de Investimentos, cujo extrato não constava qualquer lançamento das aplicações realizadas. Ocorre que foram solicitados diversos documentos para comprovar a regularidade da Requerente, que estavam sendo processados, motivo pela qual foi requerida a prorrogação de prazo para o atendimento da referida solicitação. Os documentos foram parcialmente apresentados à época devido à fase de transição decorrente do complexo processo de incorporação societária e o elevado volume de documentos e pendências envolvidas no processo. A regularização foi concretizada na medida em que a Requerente solicitava as Certidões Negativas de Débitos de Tributos e Contribuições Federais. Relativamente à decisão de indeferimento do pedido de revisão, a Requerente protesta pela nulidade do julgamento, tendo em vista que não foi intimada da pesquisa realizada nas fls. de 254 a 258, motivo pelo qual, requer sejam juntados ao processo para comprovação da regularidade da Requerente: a) Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos à Tributos Federais e à Dívida Ativa da União; a. 1) Pedido de Revisão de DCTF, referente débitos de CSLL de 06 e 07/2000,' a.2) PAF 46334000181200354; a. 3) Processo de Execução n” 1.981/04, relativo as inscrições na Dívida Ativa da União n° 8020404848204 e n° 8060406608695; Os processos acima, citados na inclusa Certidão conjunta Positiva com Efeitos de Negativa, referem-se a: a. 1) Receita Federal Débitos associados à CSLL relativa aos períodos de apuração de junho e julho de 2000, cujos valores foram declarados equivocadamente na Declaração de Débito e Créditos Tributários Federais - DCTF, e estão sendo objeto de revisão por parte da Receita Federal, conforme faz prova a declaração de esclarecimentos anexa; a.2) Procuradoria Geral da Fazenda Nacional - PGFN Inscrição n” 70 504001691-47 - Processo 46334000181/2003-54 Multa por suposta violação do artigo 9°, combinado com o artigo 41 da CLT, associada à falta de anotação na CTPS de prestador de serviço de cooperativa contratada. O processo está com o juízo garantido em função de depósito judicial realizado em 2003, mediante liminar concedida nos autos, até posterior decisão da justiça competente para julgamento do processo, conforme cópias da decisão, da certidão e do depósito, anexos. a. 3) Processo de Execução fiscal n° 1981/04 Inscrição n” 8020404848204 - Processo n” 10805503040/2004-39 Inscrição n” 8060406608692 - Processo n° 10805503043/2004 72 Débitos associados ao recolhimento de IRPJ Fonte e CSLL efetivamente realizados pela Polibrasil Resinas S.A., não apropriados pelo sistema eletrônico da Receita Federal, em virtude de inconsistências no preenchimento da Declaração de Débito e Créditos Tributários Federais - DCTF. As referidas Declarações encontram-se em análise pela Receita Federal, contudo os valores envolvidos no processo de execução em comento foram objeto de penhora que Fl. 407DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-004.005 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001542/2005-19 garantem o juízo até o julgamento final do processo, conforme inclusa Certidão de Objeto e Pé. II - DO DIREITO Nos termos do artigo 603 do Decreto n” 3.000/99 a Requerente, mediante a apresentação das justificativas em relação as pendências questionados pela Receita Federal, entende ser beneficiária das quotas dos fundos de investimentos, relativos ao FINOR, mediante a emissão dos respectivos certificados. III - DO PEDIDO Ante ao exposto, requer a Recorrente que seja dado provimento à Manifestaçao de Inconformidade ou cancelamento do julgamento do SEORT pela nulidade apresentada, para que seja reconhecido o direito das aplicações realizadas nos Incentivos Fiscais direcionados ao FINOR, objeto do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC Ex - 1996 /AC 1995. " A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A ementa do Acórdão nº 05-25.826 restou consignada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1995 Incentivos Fiscais. Finor. Perc. A concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação, pela pessoa jurídica, à época da formulação/opção do pedido, da quitação de tributos e contribuições federais. Solicitação Indeferida Irresignada com a decisão denegatória, a sucessora da contribuinte interpôs recurso voluntário. Neste, em síntese, apresentou as seguintes alegações: - Homologação tácita do PERC: a recorrente defende a aplicação analógica do disposto no artigo 168 do Código Tributário Nacional, que redundaria na declaração da decadência do direito da Fazenda de examinar o PERC e, destarte, este resultaria homologado tacitamente; - Desnecessidade de comprovação de regularidade fiscal: neste tópico, a recorrente apresenta dois argumentos, quais sejam: (i) o PERC não se trata de pedido de concessão ou reconhecimento de incentivo/benefício fiscal; e (ii) o incentivo fiscal em questão é de natureza objetiva. - Existência de Certidão de Regularidade Fiscal: dialogando com a decisão de piso, a recorrente defende que a certidão positiva com efeitos de negativa emitida em 26/10/2005 deve ser admitida para configurar a regularidade fiscal. Ao final a recorrente pede a reforma da decisão de piso para reconhecer o direito às aplicações realizadas nos incentivos fiscais destinados ao FINOR, com a emissão dos Certificados de Investimento a seu favor, bem como afastando-se quaisquer cobranças a título de IRPJ. Em essência, era o que havia a relatar. Fl. 408DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-004.005 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001542/2005-19 Voto Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. Conhecimento. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele portanto, tomo conhecimento. Todavia, impende a delimitação das matérias efetivamente devolvidas para apreciação desta segunda instância administrativa por meio do recurso voluntário, tendo em vista as inovações nas alegações de mérito, conforme passo a expor. Matérias preclusas. Conforme relatado acima, na Manifestação de Inconformidade a requerente limitou-se a pugnar pelo reconhecimento da regularidade fiscal, em face dos elementos probatórios acostados aos autos. A alegação pode ser sintetizada nas seguintes palavras: [...] a Requerente, mediante a apresentação das justificativas em relação as pendências questionados pela Receita Federal, entende ser beneficiária das quotas dos fundos de investimentos, relativos ao FINOR, mediante a emissão dos respectivos certificados. Todavia, no recurso voluntário, a recorrente esgrimiu novas alegações, que não constavam da manifestação de inconformidade e, desta forma, não foram apreciadas pela autoridade julgadora de primeira instância. Trata-se da alegada desnecessidade de comprovação de regularidade fiscal, que foi lastreada pela recorrente em dois argumentos, quais sejam: (i) o PERC não se trata de pedido de concessão ou reconhecimento de incentivo/benefício fiscal; e (ii) o incentivo fiscal em questão é de natureza objetiva. A matéria em questão encontra-se preclusa e não deve ser conhecida pela segunda instância administrativa. É cediço que os sujeitos passivos devem trazem as alegações e os elementos de prova de que disponham no momento da manifestação de inconformidade, conforme dicção do artigo 16 do Decreto nº 70.235/4-72, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; Fl. 409DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-004.005 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001542/2005-19 III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (grifei) É vedado, portanto, trazer novas alegações em sede de recurso voluntário, a não ser que se estabeleça uma relação dialética com a própria decisão de piso, conforme prevê o parágrafo 4º do dispositivo legal citado. Neste diapasão, a inovação no recurso voluntário vem sendo repelida por este Conselho, como se pode observar nos seguintes julgados: PIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Matéria não questionada em primeira instância, quando se inaugura a fase litigiosa do procedimento fiscal, e somente suscitadas nas razões do recurso constitui matéria preclusa e como tal não se conhece. (Acórdão nº 203-10.500 do Segundo Conselho de Contribuintes, de 20/10/2005) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1990, 1991, 1992 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não se conhece de matéria recursal não trazida com a impugnação. (Acórdão CARF nº 9101-002.719, de 03/04/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. Fl. 410DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-004.005 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001542/2005-19 Não é possível a apresentação em se de recurso voluntário de matéria não apresentada em impugnação em face da preclusão processual e por não ter sido formado o contraditório em relação à mesma. (Acórdão CARF nº 1401-003.487, de 16/05/2019) Ademais, impende mencionar, em homenagem ao princípio da colegialidade, que, no mérito, conforme será visto a frente, a alegação de desnecessidade de comprovação de regularidade fiscal já foi superada pela jurisprudência deste Conselho, consolidada na Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater aos débitos existentes até a data de entrega da declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da regularidade em qualquer momento do processo administrativo, independentemente da época em que tenha ocorrido a regularização, e inclusive mediante apresentação de certidão de regularidade posterior à data da opção.(Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Assim, voto por não conhecer da alegação de desnecessidade de comprovação de regularidade fiscal por tratar-se de matéria preclusa. Homologação tácita do PERC. Esta alegação também foi trazida originalmente em sede de recurso voluntário. Entretanto, considero que as matérias relativas a prescrição e decadência são de ordem pública e, destarte, devem ser apreciadas pela autoridade julgadora administrativa a qualquer tempo. Em resumo, a recorrente alega que não há um prazo específico para a administração apreciar o PERC e, nestes casos, deve-se aplicar a analogia. Pugna, com fulcro nesse raciocínio, pela aplicação do disposto no artigo 168 do CTN: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II - na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Art. 169. Prescreve em dois anos a ação anulatória da decisão administrativa que denegar a restituição. Parágrafo único. O prazo de prescrição é interrompido pelo início da ação judicial, recomeçando o seu curso, por metade, a partir da data da intimação validamente feita ao representante judicial da Fazenda Pública interessada. Em sua argumentação, a recorrente aduz que este Conselho tem utilizado o prazo do artigo 168 para estabelecer o limite temporal para os sujeitos passivos apresentarem o PERC. Portanto, o mesmo prazo deveria ser aplicado ao direito da Fazenda de apreciar o PERC. Reproduzo trecho da peça recursal: Fl. 411DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-004.005 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001542/2005-19 11. Inicialmente, a Recorrente entende, em preliminar, que houve a homologação tácita do PERC em tela, pelo decurso de prazo de mais de 5 (cinco) anos para sua análise pelas Autoridades Fiscais. 12. Como visto, o presente PERC foi apresentado em 29.09.1998. Contudo, a decisão de fls. 249, que o indeferiu, foi prolatada apenas em 07.10.2005, isto é, após decorridos mais de 5 (cinco) anos da solicitação da Recorrente. Com isso, tem-se a ocorrência da homologação tácita do PERC apresentado pela Recorrente, pela inércia das Autoridades Fiscais durante os 5 (cinco) anos subsequentes a sua apresentação. 13. Veja-se: esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF") vem reconhecendo que o prazo de que o contribuinte dispõe para pleitear a revisão de extrato de aplicação em incentivos fiscais zerado pela Receita Federal do Brasil é aquele previsto no artigo 168 do CTN3, qual seja, de 5 (cinco) anos (no caso, a contar da opção feita pelo contribuinte). Confira-se abaixo a ementa de julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais (“CSRF"): “NORMAS PROCESSUAIS - APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS DE IRPJ - PERC - PEDIDO DE REVISÃO PRAZO - lnexistindo prazo especifico para se pleitear a revisão de extrato de aplicação em incentivos fiscais zerado pela SRF, não é cabível o recurso a analogia para restringir o direito do contribuinte a apreciação de seu pedido de revisão do indeferimento, devendo-se tomar por base a regra geral do artigo 168 do Código Tributário Nacional. Recurso especial provido. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso e determinar o retorno dos autos à DRJ competente para o exame do mérito do pedido." (Ac. CSRF/01-05.255, de 14.06.2005, DOU de 26.12.2006, Relator Marcos Vinicius Neder de Lima - 9-H-) 14. No julgado acima, a CSRF decidiu, à unanimidade, que, a concessão de incentivos fiscais é espécie de restituição, com o que se aplicou, por analogia, o prazo decadencial do art. 168 do CTN como termo para o contribuinte buscar o reconhecimento do direito aos incentivos fiscais derivados da opção que fez em sua declaração de imposto de renda. 15. Da mesma forma, em analogia ao disposto no art. 168 do CTN, e se o contribuinte possui prazo de 5 anos para pleitear seu direito, também o Fisco deve obedecer ao prazo qüinqüenal para analisar o PERC da Recorrente, o que se faz em homenagem ã isonomia e à segurança jurídica, conforme já reconheceu esse CARF, em outro julgado no mesmo sentido da decisão da CSRF acima mencionada. Veja-se: “IRPJ - INCENTIVOS FISCAIS - EMISSÃO DE CERTIFICADOS. PRAZO PARA REVISÃO - Na ausência de norma expressa que fixe o termo final para solicitar a revisão de extrato de aplicação em incentivos fiscais, deverá ser reconhecida a tempestividade do pedido formulado dentro do prazo qüinqüenal de decadência do direito à restituição ou compensação de indébitos, em respeito ao equilíbrio entre o prazo do direito do Fisco para lançar e aquele dado ao sujeito passivo para pleitear tais direitos, ressalvando-se à Administração Tributária a possibilidade de conferir a liquidez e certeza do respectivo valor." (Ac 103-23.274, de 08.11.2007, unânime - g.n.) Tenho que a tese da recorrente não deve ser acolhida. De se ver. Para que se compreenda a matéria posta para análise, é preciso detalhar os atos jurídicos e os respectivos prazos decadenciais/prescricionais legalmente previstos. O primeiro ato foi da contribuinte, que, na sua Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica relativa ao ano-calendário 1995, exercício 1996 (fls. 03 e ss do processo em papel), optou por aplicar R$ 143.235,02 em incentivos fiscais do FINOR (Ficha 10). Fl. 412DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-004.005 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001542/2005-19 Uma vez feita tal opção, o Fisco dispunha do prazo decadencial quinquenal para o lançamento de ofício (art. 150, § 4º, ou 173, I do CTN) para verificar a correção de tal opção. O ato administrativo em questão foi realizado dentro do prazo decadencial e está consubstanciado no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais (fls. 02). A partir deste momento, incumbia ao sujeito passivo insurgir-se contra o ato administrativo e apresentar o PERC. De acordo com as decisões administrativas citadas pela recorrente, o prazo decadencial para apresentação do PERC seria também quinquenal, nos termos do artigo 168 do CTN. Veja-se que o prazo quinquenal para interposição do PERC admitido pelos julgados do CARF punha em igualdade de tratamento o sujeito passivo e o Fisco, uma vez que este também dispunha de 05 anos para verificar de ofício a apuração do IRPJ feita na sistemática do lançamento por homologação. É o que se pode depreender do seguinte excerto da decisão citada pela recorrente (103-23.274, de 08/11/2007): Sobre o assunto, esse E. Conselho de Contribuintes firmou entendimento no sentido de que "em prestígio ao princípio da legalidade, na ausência de norma expressa que fixe o termo final para solicitar a revisão de extrato de aplicação em incentivos fiscais, deverá ser reconhecida a tempestividade do pedido formulado dentro do prazo qüinqüenal de decadência do direito à restituição ou compensação de indébitos, em respeito ao equilíbrio entre o prazo do direito do Fisco para lançar e aquele dado ao sujeito passivo para pleitear tais direitos, ressalvando-se à Administração Tributária a possibilidade de conferir a liquidez e certeza do respectivo valor. (grifei) Vale destacar que a aplicação analógica do prazo quinquenal do artigo 168 do CTN para apresentação do PERC vinha em socorro do sujeito passivo, de forma a evitar que fosse considerado um prazo menor, que o colocaria em situação desigual em relação ao direito do Fisco de revisar de ofício o lançamento por homologação. Todavia, uma nova aplicação analógica (uma espécie de “analogia da analogia”) do artigo 168 revela-se inteiramente descabida. Uma vez que o sujeito passivo apresentou o PERC (fls. 01), compôs-se a lide e iniciou-se o processo para revisão do ato administrativo. Portanto, a aplicação analógica do disposto no artigo 168 do CTN, na forma pleiteada pela recorrente, não configuraria um prazo decadencial, mas verdadeira “prescrição intercorrente” que, como é sabido, não encontra amparo no processo administrativo fiscal, conforme Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.(Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Esta conclusão é robustecida com a evolução jurisprudencial do CARF, que passou a considerar o PERC como um recurso sujeito ao prazo preclusivo de 30 (trinta) dias, conforme se pode verificar nos seguintes julgados: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1992 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS. PERC. DECADÊNCIA. Fl. 413DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-004.005 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001542/2005-19 Conforme precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o PERC tem natureza de recurso processual contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos. Nos termos do Decreto n° 70.235/72, a perda de prazo processual para interposição de recurso administrativo ocorre apenas após transcorridos 30 dias da ciência da decisão, aplicando-se esse mesmo prazo para o exercício do direito de defesa por meio do PERC. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão CARF nº 9101-001.155, de 03/08/2011. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1990 PERC. PRAZO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DOS MOTIVOS DE INDEFERIMENTO. AUSÊNCIA DE PRECLUSÃO. O Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC constitui documento fundamental para que a repartição da Receita Federal analise, na época própria, o direito ao gozo do incentivo fiscal anteriormente recusado. Equivale à manifestação de inconformidade, com prazo de apresentação de trinta dias conforme dispõe o PAF, sendo o termo inicial a data da ciência do Extrato de Aplicação em Incentivos Fiscais emitido pela Receita Federal, lapso temporal que pode ser alterado caso haja manifestação expressa da Administração por ato normativo desde que sem prejuízo para a Contribuinte. Não apresentar o PERC no prazo importa na preclusão do direito à sua revisão. Contudo, caso não demonstrado nos autos a data da ciência do indeferimento da aplicação dos incentivos, não há que se falar em contagem de prazo para a apresentação do pedido. (Acórdão CARF nº 9101-004.045, de 14/02/2019) Em síntese, é descabida a aplicação analógica do artigo 168 do CTN para configurar uma “homologação tácita do PERC”, ainda mais considerando a sua natureza de recurso administrativo, conforme jurisprudência mais recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Forte nas razões expostas, voto por afastar a preliminar de homologação tácita do PERC. Mérito. No mérito, deve-se aplicar o disposto na Súmula CARF nº 37, verbis: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater aos débitos existentes até a data de entrega da declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da regularidade em qualquer momento do processo administrativo, independentemente da época em que tenha ocorrido a regularização, e inclusive mediante apresentação de certidão de regularidade posterior à data da opção. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). A primeira conclusão a que se pode chegar a partir do texto normativo da Súmula é que a pretensão da recorrente de inaplicabilidade da exigência de regularidade fiscal para a fruição do incentivo fiscal do FINOR – que não foi conhecida por configurar inovação em relação à manifestação de inconformidade – seria inteiramente afastada pela jurisprudência consolidada do CARF. Fl. 414DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-004.005 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001542/2005-19 Aplica-se, portanto, na espécie, o disposto no artigo 60 da Lei nº 9.069/95: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. A segunda conclusão é que também não merece acolhimento a exigência feita pela DRJ de que a regularidade fiscal deveria ser comprovada na época da opção. A jurisprudência do CARF limita os débitos àqueles relativos ao momento da opção, mas permite uma comprovação a posteriori da regularidade fiscal. Assim, é necessário voltar-se para os elementos de prova juntados aos autos e verificar se, em algum momento, a recorrente logrou comprovar a necessária regularidade fiscal para poder usufruir do benefício fiscal pretendido. Verifico que a fiscalização, na época da análise do PERC, intimou a fiscalizada a comprovar a regularidade não apenas em relação aos tributos administrados pela SRF, mas também em relação às contribuições previdenciárias e ao FGTS: Fl. 415DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-004.005 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001542/2005-19 Mesmo considerando os elementos de prova juntados na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, a única certidão apresentada pela recorrente foi a Certidão Positiva com Efeitos de Negativa emitida pela Receita Federal do Brasil em 26/10/2005. Embora o texto legal do artigo 60 da Lei nº 9.069/95 utilize a expressão comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, tenho que o texto deve ser interpretado de acordo com o artigo 206 do Código Tributário Nacional, que prevê para a Certidão Positiva com Efeitos de Negativa os mesmos efeitos da Certidão Negativa. Por essa razão, a Certidão apresentada configura regularidade fiscal, mas não em relação a todos os tributos e contribuições federais. A limitação quanto aos tributos abrangidos pela Certidão é expressa em seu corpo: Fl. 416DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-004.005 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001542/2005-19 Assim, para atender os requisitos do artigo 60 da Lei nº 9.069/95, a recorrente deveria ter apresentado, pelo menos, as Certidões relativas às contribuições previdenciárias e as devidas a terceiros. Quanto ao FGTS, de acordo com o Acórdão exarado em 11/11/2009, pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no REsp nº 1032606/DF, julgado no rito dos recursos repetitivos, não tem natureza tributária e, assim, não deveria estar abrangido pela exigência do dispositivo legal sob análise. No mérito, considerando a ausência de comprovação da regularidade fiscal em relação às contribuições previdenciárias e devidas a terceiros, não há como se acolher a pretensão da recorrente. Conclusão. Voto por não conhecer das matérias atingidas pela norma preclusiva do artigo 16 do CTN, por afastar a preliminar de homologação tácita do PERC e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Fl. 417DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.901965/2006-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-006.886
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 11080.901964/2006-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antonio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, cabendo ao contribuinte o ônus probatório em relação ao direito que alega perante a Fazenda Nacional. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 11080.901964/2006-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antonio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 19 65 /2 00 6- 99 Fl. 396DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-006.886 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.901965/2006-99 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 3401-006.885, 25 de setembro de 2019, que lhe serve de paradigma. Versa o presente processo sobre pedido de compensação de créditos advindos de recolhimentos indevidos/ a maior de PIS com outros tributos, realizado pela empresa. Após análise do pedido, sobreveio despacho decisório que decidiu pela não homologação da compensação sob o fundamento da inexistência de créditos disponíveis para a compensação, uma vez que os mesmos já teriam sido integralmente utilizados em momento anterior. Cientificada do despacho, a empresa apresentou manifestação de inconformidade de folhas alegando, em síntese, que, apesar da não retificação da DIPJ e da DCTF, o direito creditório deriva do efetivo pagamento a maior realizado pela empresa e que o mesmo deve ser creditado, uma vez que sua comprovação pode ser verificada por meio das guias DARF’s. O processo foi então encaminhado à DRJ/POA que decidiu pela manutenção do despacho decisório, indeferindo o pedido da empresa e não homologando a compensação em razão da ausência de provas que demonstrassem de forma inequívoca o direito ao crédito da empresa, conforme se verifica da ementa do acórdão: Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação - Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, comprovação esta que é ônus do contribuinte, sendo incabível a transferência da responsabilidade ao Fisco. Compensação não Homologada Irresignada, a empresa apresentou recurso voluntário argumentando que o direito creditório não se origina dos valores declarados em DCTF/DIPJ, mas da efetivação do pagamento, de forma que a discussão deve girar em torno do valor informado e efetivamente recolhido no DARF. Repisa ainda que seu direito creditório está fundado no art. 3°, inc. VI, da Lei n° 10.637/ 02, derivando da depreciação de bens que compõem seu ativo imobilizado. Por fim, juntou planilha discriminado os cálculos relativos à depreciação como forma de demonstrar o montante do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF. Ressalvo que a decisão consagrada no paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal, pelo que adoto o Fl. 397DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-006.886 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.901965/2006-99 entendimento que prevaleceu no colegiado, consignado no Acórdão nº 3401-006.885, 25 de setembro de 2019, paradigma desta decisão, que passo a reproduzir. O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação, de modo que admito seu conhecimento. No que concerne ao mérito, como destacado no relatório, ainda que a Recorrente traga à baila argumentos referentes ao direito creditório resultante de pagamentos indevidos ou a maior e que discorra sobre os prazos para restituição, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso é clara no sentido de que a razão para a não homologação reside na constatação de que o DARF indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado para quitar débito anterior e que inexistem provas nos autos que demonstrem o contrário, conforme se verifica no voto abaixo transcrito: “Assim, a liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através das guias de pagamento, da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e, se. for o caso, do provimento judicial autorizativo da compensação pleiteada. Também é ,assente .na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovar-se documentalmente. No presente, no entanto, a interessada não trouxe qualquer elemento contábil para comprovar a base de cálculo de qualquer dos períodos, sequer indicou processo judicial com trânsito em julgado que embasasse seu pedido.” (grifo nosso) A análise dos autos releva que a decisão de piso mostra-se correta e adequada ao caso vertente. Isto porque, ainda que assista razão à Recorrente quanto a possibilidade de documentos como a DCTF e a DIPJ serem relativizados em virtude do princípio da verdade material, não existem elementos suficientes nos autos para a constatação de que existe crédito líquido e certo a ser compensado. Conforme se verifica pela jurisprudência do CARF, a certeza e liquidez do crédito pleiteado devem ser provadas por meio da apresentação de documentos fiscais e contábeis: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 28/03/2003 DÉBITO. DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E TRIBUTOS FEDERAIS (DCTF). PAGAMENTO INDEVIDO E/ OU MAIOR. COMPROVAÇÃO. A comprovação de que o débito declarado na respectiva DCTF foi indevido e/ ou a maior deve ser feita mediante a transmissão de DCTF retificadora acompanhada dos respectivos documentos fiscais e contábeis comprovando o equívoco. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA/LIQUIDEZ. PROVAS. A certeza e liquidez de crédito financeiro decorrente de pagamentos indevidos e/ ou a maior, objeto de pedido de restituição/compensação, devem ser provadas pelo requerente, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis que deram origem ao indébito pleiteado/compensado. (...) Ora, no caso em tela houve a mera juntada das DARFs e de planilha simples com o cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado, o que não é suficiente para demonstrar, de forma líquida e certa, a existência de crédito a ser compensado, motivo pelo qual deve-se Fl. 398DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-006.886 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.901965/2006-99 concordar com a conclusão da fiscalização de que a recorrente não cumpriu sua obrigação no que se refere ao ônus probatório. Sem documentos contábeis propriamente ditos, os quais não foram apresentados, entendo que não existem elementos suficientes para formar convencimento sobre o pleito da requerente. Sobre o ônus probatório nos casos de pedido de compensação, o CARF possui entendimento pacificado de que o mesmo recai integralmente sobre o requerente, a exemplo do acórdão abaixo citado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/11/2006 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. (CARF. Acórdão n. 401005.540 no Processo n. 10675.903580/201171. Relator Cons. Rosaldo Trevisan. Dj 26/11/2018) Desta feita, verificada a insuficiência de provas que respaldem o pedido de compensação formulado pela recorrente, voto pelo conhecimento do recurso voluntário para, no mérito, negar seu provimento. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 399DF CARF MF
score : 1.0
