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7900551 #
Numero do processo: 16327.909129/2012-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/01/2011 PER/DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO. MATÉRIA ESTRANHA Não compete ao CARF analisar pedido de cancelamento de declaração de compensação por entrega em duplicidade, sendo necessário realizar um pedido de revisão perante à Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 3301-006.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Salvador Cândido Brandão Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/01/2011 PER/DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO. MATÉRIA ESTRANHA Não compete ao CARF analisar pedido de cancelamento de declaração de compensação por entrega em duplicidade, sendo necessário realizar um pedido de revisão perante à Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Salvador Cândido Brandão Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Trata-se de declaração de compensação realizada no PER/DCOMP n°. 02425.26314.081112.1.3.04-1014, fls. 14-19 transmitido em 08.11.2012, visando à compensação de crédito de pagamento a maior de IOF. A compensação foi realizada a partir do crédito original no montante de R$ 220.156,581, com débito de IOF, relativo ao 3° decêndio de janeiro de 2011, no valor total de R$ 72.437,22. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 91 29 /2 01 2- 84 Fl. 130DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.517 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.909129/2012-84 Conforme despacho decisório de fl. 20, emitido em 05/12/2012, a declaração de compensação não foi homologada, porque o crédito que se pretendia utilizar já teria sido utilizado dos débitos dos contribuintes nos PER/DCOMP 15338.56397.020211.1.3.04.1337, 06317.59414.220211.1.3.04.3000, 05926.82008.230311.1.3.04.0730 e 01365.73303. 061112.1.3.04.3902, não restando, portanto, crédito disponível para compensação dos débitos informados nesta PER/DCOMP: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 220.156,58 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, o despacho decisório reconheceu que o montante de crédito de R$ 220.156,58 de imposto recolhido a maior do que o declarado e recolhido por DARF na monta de R$ 9.401.504,18, já havia sido aproveitado nos PER/DCOMPs acima descritos e por já devidamente homologados, restando em aberto, portanto, o débito declarado na PER/DCOMP discutida nestes autos, no valor de R$ 72.437,22. Notificada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 02-06, para argumentar o que segue: - A Requerente apurou o montante total de R$ 9.181.347,60 a título de IOF a ser recolhido no 1° decêndio de janeiro de 2011, conforme DCTF JAN/11 situado em fls. 22-27; - No entanto, o DARF (fl. 28) foi preenchido equivocadamente, no valor total de R$ 9.401.504,18, cujo recolhimento do IOF foi realizado em 13.01.2011, que, por decorrência, configurou o pagamento indevido a maior de IOF, no valor total de R$ 220.156,58. - Diante deste crédito, a Contribuinte o utilizou para pagar diversos débitos via compensação, quais foram: (i) o IOF devido no 3° decêndio do mês de janeiro de 2011, conforme se verifica no PER/DCOMP homologado n°. 15338.56397.020211.1.3.04.1337, crédito original de R$ 71.720,02 (fls. 29-33). Fl. 131DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.517 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.909129/2012-84 (ii) o IOF devido no 2° decêndio do mês de fevereiro de 2011, conforme se verifica no PER/DCOMP homologado n°. 06317.59414.220211.1.3.04.3000, crédito original de R$ 66.543,58 (fls. 34-39). (iii) o IOF devido no 2° decêndio do mês de março de 2011, conforme se verifica no PER/DCOMP homologado n°. 05926.82008.230311.1.3.04.0730, crédito original de R$ 1.360,62 (fls. 40-45). (iv) o IRRF devido no 3° decêndio do mês de outubro de 2012, conforme se verifica no PER/DCOMP homologado n°. 01365.73303. 061112.1.3.04.3902, crédito original de R$ 80.532,36 (fls. 46-51). - Note-se que a informação de que o crédito de pagamento a maior da Requerente, no valor de R$ 220.156,58, foi integralmente utilizado nos PER/DCOMP's indicados acima consta; - A PER/DCOMP discutida nestes autos, n°. 02425.26314.081112.1.3.04-1014, pretende a utilização deste crédito para a extinção do mesmo débito de IOF devido no 3° decêndio do mês de janeiro de 2011 (vencimento em fevereiro/2011) compensado no PER/DCOMP 15338.56397.020211.1.3.04.1337, no valor de R$ 72.437,22; - Admite que o débito deste período já foi extinto pela homologação do PER/DCOMP n°. 15338.56397.020211.1.3.04.1337 e que a transmissão do PER/DCOMP em discussão (02425.26314.081112.1.3.04-1014) foi indevida, porque o crédito utilizado no PER/DCOMP em discussão já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos que se pretendeu extinguir; - Admite que o PER/DCOMP em discussão (02425.26314.081112.1.3.04-1014) foi transmitido por um lapso administrativo, uma vez que o débito ali indicado já havia sido quitado, em fevereiro de 2011, conforme compensação declarada no PER/DCOMP 15338.56397.020211.1.3.04.1337, já devidamente homologada; - Assim, a partir do confronto entre os dois PER/DCOMP's (02425.26314.081112.1.3.04-1014 e 15338.56397.020211.1.3.04.1337) é possível perceber com clareza o equívoco, já que ambos utilizam o mesmo crédito para compensação do mesmo débito; - Afirma que a presente DCOMP, já que não homologada, não traz qualquer prejuízo para os cofres públicos, mostrando-se totalmente indevida a presente cobrança, pois também inexiste o débito, devendo a presente cobrança ser cancelada. Em 17/12/2014 foi proferido Acórdão 12-71.358, situado em fls. 66-72, pela 8ª Turma da DRJ/RJO, para julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS - IOF Data do fato gerador: 13/01/2011 DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIMENTO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. O interessado, na manifestação de inconformidade, não se insurge quanto ao não reconhecimento do direito creditório pleiteado, contido no Despacho Decisório proferido pela autoridade a quo. Portanto, uma vez que a referida matéria não foi Fl. 132DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.517 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.909129/2012-84 impugnada, a autoridade julgadora deixa de apreciá-la, mantendo-se o entendimento do Despacho Decisório de que não deve ser reconhecido o direito creditório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CANCELAMENTO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. VEDAÇÃO. É vedado o cancelamento de declaração de compensação (DCOMP) após já ter sido proferido o Despacho Decisório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CANCELAMENTO. DRJ. FALTA DE COMPETÊNCIA. O cancelamento de declaração de compensação (DCOMP) não está na esfera de competência da autoridade julgadora da DRJ, devendo tal pedido ser feito à autoridade competente. DCOMP. DÉBITO DECLARADO. CONFISSÃO. COBRANÇA. Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, cabe a cobrança do débito confessado na declaração de compensação (DCOMP). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido - O interessado não se insurgiu quanto ao não reconhecimento do direito creditório. Pelo contrário, reconhece expressamente que não existe crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP em discussão. - Quanto ao pedido de cancelamento do PER/DCOMP n° 15338.56397.020211.1.3.04.1337, afirma não ser possível o cancelamento, já que a Instrução Normativa SRF nº 900/2008, no art. 82, permitiu ao interessado que pedisse o cancelamento da declaração de compensação e esta atribuição não está na esfera de competência do julgador da DRJ, sendo definitiva a decisão da autoridade administrativa que, porventura, indeferir o pedido de cancelamento de DCOMP, conforme o disposto no art. 67 da IN RFB 900/2008; - O fato de os débitos compensados nas DCOMPs 02425.26314.081112.1.3.04- 1014 (do presente processo) e 15338.56397.020211.1.3.04.1337 serem coincidentes em valores (R$ 72.437,22), e se referirem ao mesmo decêndio (3º decêndio de janeiro/2011), não quer dizer necessariamente que sejam os mesmos débitos, principalmente em se tratando de retenção de IOF em operações de crédito de pessoa jurídica (código 1150- 03). pois pode haver mais de uma retenção de IOF, referente a diferentes operações de crédito contratadas, nos mesmos valores e períodos de apuração; - Somente com a apresentação da documentação contábil, especialmente o Razão da conta contábil da retenção de IOF em operações de crédito com pessoas jurídicas, efetuando a composição do montante de R$ 3.600.345,74 de IOF declarado na DCTF no 3º decêndio de janeiro de 2011, poderia comprovar que se trata do mesmo débito. Notificada da decisão, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário 83-93, para repisar os argumentos de sua manifestação de inconformidade e acrescentar o que segue: - Em homenagem à verdade material, junta aos autos demonstrativos e razão contábil referente ao 3º decêndio de janeiro de 2011 (fls. 116-125) para demonstração da Fl. 133DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.517 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.909129/2012-84 inexistência de mais de um débito de IOF (código 1150) para este período no valor de R$ 72.437,22; - Afirma que em procedimento interno de revisão, a Recorrente verificou que havia cometido um erro no preenchimento do PER/DCOMP 15338.56397.020211.1.3.04.1337, já que ao preencher o campo "valor original do crédito inicial" indicou o montante do crédito que pretendia utilizar (R$ 71.720,02) e não o valor original do crédito inicial, no total de R$ 220.156,58; - Diante disso, em 08/11/2012, a Recorrente transmitiu o PER/DCOMP Retificador 02425.26314.081112.1.3.04-1014, corrigindo o erro. A única alteração na PER/DCOMP retificada foi a informação no campo "valor original do crédito inicial" o montante de R$ 220.156,58 e no campo "total do crédito original utilizado nesta DCOMP" o valor de R$ 71.720,02, mantendo-se o mesmo valor para o débito que se pretendia quitar; - Assim, uma vez que o PER/DCOMP 15338.56397.020211.1.3.04.1337 foi homologado, forçoso concluir que o débito indicado nas DCOMP's encontra-se devidamente quitado; - Nesse contexto, a transmissão do PER/DCOMP Retificador 02425.26314.081112.1.3.04-1014, após a homologação do PER/DCOMP 15338.56397.020211.1.3.04.1337, induziu o Fisco a erro, fazendo-o crer que haviam dois débitos de IOF de R$ 72.437,22 no 3º decêndio de Jan/2011. - Caso assim não se entenda, eealiza um discurso em seu recurso para demonstrar a composição do montante efetivamente devido a título de IOF do 3º decêndio de JAN/2011 e comprovar que neste período não há mais débitos do que o declarado em DCTF, apresentando razão contábil e demonstrativos de cálculo para comprovação da composição do débito devido no período de apuração; - Requer que o PER/DCOMP 02425.26314.081112.1.3.04-1014, objeto de discussão nos presentes autos, seja cancelado, pois é apenas uma retificadora do PER/DCOMP nº 15338.56397.020211.1.3.04.1337 já devidamente homologado, não havendo mais débitos para serem cobrados. É o relatório. Voto Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, atendendo os requisitos da legislação, no entanto, não merece ser conhecido, em razão de a causa tratar de matéria estranha à competência deste E. CARF. Percebe-se do relato acima que a discussão que se faz presente não se refere à comprovação dos créditos a compensar ou restituir, mas uma discussão acerca do débito de IOF Fl. 134DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.517 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.909129/2012-84 do 3º decêndio de JAN/2011 declarado na PER/DCOMP 02425.26314.081112.1.3.04-1014, em discussão nestes autos, transmitido em 08/11/2012, conforme recibo de fls. 14. O PER/DCOMP em questão foi transmitido para retificar outro PER/DCOMP, de nº 15338.56397.020211.1.3.04.1337, transmitido em 02/02/2011, conforme recibo de fl. 29. O objetivo da retificação foi apenas alterar o valor do crédito original, pois informado errado na DCOMP retificada. Referido PER/DCOMP nº 15338.56397.020211.1.3.04.1337 consta de fls. 29-33, informando-se um valor de débito de IOF de R$ 72.437,22 para o 3º decêndio de JAN/2011, juntada com a manifestação de inconformidade. Por sua vez, foi transmitido o PER/DCOMP nº 02425.26314.081112.1.3.04-1014, de fls. 14-19, que de forma idêntica informa um valor de débito de IOF de R$ 72.437,22 para o 3º decêndio de JAN/2011, e também foi juntada com a manifestação de inconformidade. Percebe-se que a informação do débito é a mesma da informação prestada na DCOMP retificada, tanto no período, quanto no montante. A declaração retificadora foi criada e transmitida apenas para alterar a informação do crédito original, veja: Especificamente em fls. 15, consta a informação de que esta DCOMP é retificadora da DCOMP de final 1337 informada acima: Fl. 135DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.517 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.909129/2012-84 Inobstante, a DCOMP retificada, de nº 15338.56397.020211.1.3.04.1337, foi homologada pela Receita Federal do Brasil e, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente pede o cancelamento da DCOMP retificadora de nº 02425.26314.081112.1.3.04-1014. Entretanto, não compete ao CARF realizar esta tarefa, sendo necessário que a Recorrente instaure um procedimento específico perante à Receita Federal para solicitar a revisão e cancelamento da DCOMP retificadora. Isto posto, não conheço do recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Salvador Cândido Brandão Junior Fl. 136DF CARF MF

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7902811 #
Numero do processo: 13896.901660/2016-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, uma vez admitido os embargos em despacho, contudo, não constatado o vício apontado no voto condutor do acórdão vergastado rejeitam-se os embargos.
Numero da decisão: 3201-005.623
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisario e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-16T12:15:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-09-16T12:15:45Z; Last-Modified: 2019-09-16T12:15:45Z; dcterms:modified: 2019-09-16T12:15:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-09-16T12:15:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-16T12:15:45Z; meta:save-date: 2019-09-16T12:15:45Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-16T12:15:45Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-09-16T12:15:45Z; created: 2019-09-16T12:15:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-09-16T12:15:45Z; pdf:charsPerPage: 1811; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-09-16T12:15:45Z | Conteúdo => S3-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13896.901660/2016-90 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201-005.623 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2019 Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado MANAGER ONLINE SERVICOS DE INTERNET LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, uma vez admitido os embargos em despacho, contudo, não constatado o vício apontado no voto condutor do acórdão vergastado rejeitam- se os embargos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisario e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente processo de embargos opostos pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão 3201-004.966, prolatado por esta Turma, cuja ementa foi assim redigida: MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 16 60 /2 01 6- 90 Fl. 130DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.623 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.901660/2016-90 Ciente da decisão, a Fazenda Nacional, por intermédio de sua Procuradoria, interpôs embargos de declaração sustentando que a decisão recorrida contém omissão, assim explicitada: (...) Esse Eg. Colegiado, ao se manifestar sobre o aproveitamento de um pagamento indevido de Cofins não-cumulativo para liquidar débito apurado no regime cumulativo entendeu que entendeu que “O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes.”. O I. Relator do voto vencedor fundamenta seu entendimento na súmula CARF 76 que trata do aproveitamento de recolhimentos realizados na sistemática do SIMPLES. Analisando a súmula CARF 76 e os precedentes que fundamentaram sua edição, verifica-se que aquelas decisões estão calcadas no disposto no art. 3º da Lei nº 9.317/1996, que cuida do pagamento unificado na sistemática do SIMPLES, inaplicável ao presente caso. Entendemos existir omissão no voto vencedor, uma vez que tal voto não esclarece os fundamentos legais para o aproveitamento dos pagamentos indevidos. A não indicação dos dispositivos legais que fundamentaram aquele aproveitamento afronta os artigos 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. O art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, estabelece a motivação como princípio do processo administrativo, verbis (...) (...) Já o artigo 50 daquele mesmo diploma explicita que as decisões administrativas que decidam recursos administrativos devem indicar seus fundamentos jurídicos (...) Não há dúvida de que quando a lei fala que as decisões administrativas devem indicar “os fundamentos jurídicos” que as motivam está se cuidando aqui da indicação dos dispositivos legais que lhe dão substrato. Neste sentido, citamos os ensinamentos de Celso Antônio Bandeira de Melo que ao discorrer sobre a motivação dos atos administrativos no bojo do processo administrativo1 leciona: “Princípio da Motivação, isto é, o da obrigatoriedade de que sejam explicitados tanto o fundamento normativo quanto o fundamento fático da decisão, enunciando-se, sempre que necessário, as razões técnicas, lógicas e jurídicas que servem de calço ao ato conclusivo, de molde a poder-se avaliar sua procedência jurídica e racional perante o caso concreto.” (...) Diante da relevância da omissão faz-se mister que a Turma se pronuncie sobre os fundamentos normativos utilizados para o aproveitamento de pagamentos indevidos sem a observância da legislação que versa sobre a compensação. (...) No despacho de admissibilidade, atestou-se a tempestividade da peça e, no mérito da análise, acolheu-se os embargos, uma vez que se entendeu a omissão dos fundamentos legais utilizados na explicitação da decisão. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.623 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.901660/2016-90 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3201- 005.610, de 20 de agosto de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/2017-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201-005.610): “Admitidos os embargos por decisão do Presidente da Turma, o processo foi a mim distribuído, o qual incluí em pauta de julgamento. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. A jurisprudência preconiza que a "omissão e a contradição que autorizam a oposição de embargos de declaração têm conotação precisa: a primeira ocorre quando, devendo se pronunciar sobre determinado ponto, o julgado deixa de fazê-lo, e a segunda, quando o acórdão manifesta incoerência interna, prejudicando-lhe a racionalidade. Não constitui omissão o modo como, do ponto de vista da parte, o acórdão deveria ter decidido, nem contradição o que, no julgado, lhe contraria os interesses.” [Edcl em REsp 56.201-BA, Rel. Min. Ari Pargendler, DJU de 09.09.96, p. 32-346]. O vício de omissão se dá quando a decisão deixar de apreciar ponto relevante para a solução do litígio. Caracteriza-se no silêncio do julgador frente à matéria, fato ou direito, invocado pelas partes ou que deva se pronunciar de ofício. Passemos à análise. Em que pese ter sido vencido na decisão, pois entendi que o aproveitamento do pagamento a maior de um débito para extinção de outros débitos, ainda que do mesmo tributo, só se faz por compensação, incidindo, portanto, os acréscimos legais devidos na compensação após o vencimento do débito, não parece inquinado de omissão o voto vencedor. O acórdão embargado entendeu que, embora formalmente o caso tenha sido tratado como compensação, materialmente não se trata de tal modalidade de extinção do crédito tributário (art. 74 da Lei 9.430/96), mas sim, de mero erro de código, passível de retificação do DARF por meio do procedimento de Redarf (normatizado pela IN RFB 672/2006). Portanto, ao entender o caso como Redarf, o Colegiado afastou tanto o artigo 74 da Lei 9.430/96, que trata de compensação, quanto o artigo 61 da mesma Lei, que trata Fl. 132DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.623 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.901660/2016-90 de pagamento em atraso, porque o suposto atraso somente ocorreria na hipótese de se considerar o caso como compensação. Em outras palavras, o pagamento foi tempestivo, sem qualquer atraso pois não se trata de compensação; e, portanto, não há aplicação do artigo 74 nem do artigo 61 da Lei 9.430/96. A súmula CARF 76 foi aplicada pela decisão embargada, porque faz o mesmo: em caso de mudança de regime de tributação, devem ser aproveitados os pagamentos feitos com o código do regime anterior, sem necessidade de compensação. No caso da súmula, o regime anterior é o Simples, passando para lucro real ou presumido; no caso da decisão embargada, o regime anterior é não-cumulativo e o regime correto é regime cumulativo. Não há falta de motivação, porque os fundamentos da decisão foram explicitados: (i) a IN RFB 672/2006, que trata de Redarf; (ii) a ratio decidendi da Súmula 76 (e não a letra da súmula) e (iii) a interpretação da verdade material do caso, o que é um princípio jurídico no direito tributário. Todas essas motivações estão claras no voto vencedor. Desse modo, entendo que não há omissão no julgado. Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 133DF CARF MF

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7866647 #
Numero do processo: 10120.731121/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE Por integrar o valor do estoque de matéria-prima, é possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de matéria-prima entre estabelecimentos da mesma empresa. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para “formação de lote” de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao crédito em relação à contribuição. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Para o aproveitamento de créditos extemporâneos, não é necessária retificar as DACON´s do período em que eles poderiam ter sido lançados, tampouco as respectivas DCTF´s do período de sua apuração. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. BIODIESEL. A possibilidade de apuração de crédito presumido a partir da aquisição de "sebo" utilizado na produção de biodiesel, nos termos do art. 47 e 47-B da Lei nº 12.546/2011, de 14 de dezembro de 2011, não produziu efeitos retroativos. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. PRODUTOS DESTINADOS A ALIMENTAÇÃO. O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previstos. ESTORNO DE CRÉDITO PRESUMIDO. VENDA COM SUSPENSÃO. FARELO DE SOJA É vedado o aproveitamento de créditos em relação a receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas sujeitas ao crédito presumido de farelo de soja (NCM 23.04) e de farelo de girassol (NCM 23.06) anteriormente à publicação da Lei nº 12.431/2011 (Publicada em 27.06.2011)
Numero da decisão: 3401-006.122
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para manter a decisão de piso no que se refere a despesas de frete entre estabelecimentos da empresa, relacionadas à formação de lote de exportação, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado, Rodolfo Tsuboi e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto; e (b) por unanimidade de votos, para (i) reconhecer como possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições, observados os demais requisitos legais para seu creditamento; (ii) admitir os créditos referentes à Nota Fiscal nº 180; (iii) admitir os créditos em relação a aquisições de insumos via industrialização por encomenda; (iv) admitir os créditos referentes a fretes entre estabelecimentos na movimentação de matéria-prima; (v) admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência; e (vi) negar provimento em relação aos demais itens recursais. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto.
Nome do relator: Tiago Guerra Machado

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3401­006.122  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de abril de 2019  Matéria  PIS/COFINS  Recorrente  CARAMURU ALIMENTOS S/A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011  CRÉDITO.  FRETE  NA  TRANSFERÊNCIA  DE  INSUMOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE  Por  integrar  o  valor do  estoque  de matéria­prima,  é possível  a  apuração  de  crédito a descontar das contribuições não­cumulativas sobre valores relativos  a  fretes de  transferência de matéria­prima entre estabelecimentos da mesma  empresa.  FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS.  FORMAÇÃO DE LOTE PARA  EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.  A  transferência de produto acabado a estabelecimento  filial para “formação  de  lote” de  exportação,  ainda  que  se  efetive  a  exportação,  não  corresponde  juridicamente  à  própria  venda,  ou  exportação,  não  gerando  o  direito  ao  crédito em relação à contribuição.  CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS.  Para o aproveitamento de créditos extemporâneos, não é necessária retificar  as DACON´s do período em que eles poderiam ter sido lançados, tampouco  as respectivas DCTF´s do período de sua apuração.  CRÉDITO  PRESUMIDO  DA  ATIVIDADE  AGROINDUSTRIAL.  INSUMO. BIODIESEL.  A  possibilidade  de  apuração  de  crédito  presumido  a  partir  da  aquisição  de  "sebo" utilizado na produção de biodiesel,  nos  termos do  art.  47  e 47­B da  Lei  nº  12.546/2011,  de  14  de  dezembro  de  2011,  não  produziu  efeitos  retroativos.  CRÉDITO  PRESUMIDO  DA  ATIVIDADE  AGROINDUSTRIAL.  INSUMO. PRODUTOS DESTINADOS A ALIMENTAÇÃO.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 73 11 21 /2 01 3- 17 Fl. 3259DF CARF MF Processo nº 10120.731121/2013­17  Acórdão n.º 3401­006.122  S3­C4T1  Fl. 3          2 O  crédito  presumido  proveniente  da  atividade  agroindustrial  de  que  trata  o  art.  8º  da  Lei  nº  10.925/2004  é  apurado  somente  em  relação  aos  insumos  utilizados  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  alimentação  humana  ou  animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previstos.  ESTORNO  DE  CRÉDITO  PRESUMIDO.  VENDA  COM  SUSPENSÃO.  FARELO DE SOJA  É  vedado  o  aproveitamento  de  créditos  em  relação  a  receitas  de  vendas  efetuadas  com  suspensão às pessoas  jurídicas  sujeitas  ao  crédito presumido  de  farelo  de  soja  (NCM  23.04)  e  de  farelo  de  girassol  (NCM  23.06)  anteriormente à publicação da Lei nº 12.431/2011 (Publicada em 27.06.2011)      Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da  seguinte  forma:  (a)  por maioria  de  votos,  para manter  a  decisão  de  piso  no  que  se  refere  a  despesas  de  frete  entre  estabelecimentos  da  empresa,  relacionadas  à  formação  de  lote  de  exportação,  vencidos  os  Conselheiros  Tiago  Guerra  Machado,  Rodolfo  Tsuboi  e  Oswaldo  Gonçalves de Castro Neto; e (b) por unanimidade de votos, para (i) reconhecer como possível a  apropriação  extemporânea  de  créditos  das  contribuições,  observados  os  demais  requisitos  legais  para  seu  creditamento;  (ii)  admitir  os  créditos  referentes  à  Nota  Fiscal  nº  180;  (iii)  admitir  os  créditos  em  relação  a  aquisições  de  insumos  via  industrialização  por  encomenda;  (iv) admitir os créditos referentes a fretes entre estabelecimentos na movimentação de matéria­ prima;  (v)  admitir  o  crédito  presumido  em  relação  a  aquisição  do  sebo  com  a  suspensão  de  PIS/COFINS,  atestada  em  diligência;  e  (vi)  negar  provimento  em  relação  aos  demais  itens  recursais.   (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator.    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Rosaldo  Trevisan  (presidente),  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo  Branco  (vice­presidente),  Mara  Cristina  Sifuentes,  Tiago Guerra Machado,  Lázaro  Antonio  Souza  Soares,  Rodolfo  Tsuboi  (suplente  convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto.    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ/RPO, que manteve  o  despacho  decisório  que  não  homologou  créditos  relativos  ao  PIS/COFINS,  na modalidade  não cumulativa.  Diante  da  decisão  de  primeiro  grau,  o  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário a esse Tribunal administrativo, reprisando as seguintes teses da impugnação:  (a) Das despesas com fretes entre estabelecimentos  Fl. 3260DF CARF MF Processo nº 10120.731121/2013­17  Acórdão n.º 3401­006.122  S3­C4T1  Fl. 4          3 Informa  que  as  transferências  entre  estabelecimentos  da  pessoa  jurídica  tiveram  por  escopo  o  armazenamento  das  mercadorias  com  destino  certo  à  exportação  e  já  negociada;  que  o  frete  contratado  confere  à  empresa  o  direito  ao  aproveitamento  do  crédito,  porque é decorrente de  operação de venda para o  exterior,  onde o  transporte  é  realizado em  duas etapas, sendo a primeira até o porto — que corre às expensas do vendedor —; e a outra do  porto de origem até o destino final — que é de responsabilidade do comprador.  Ressalta  que  "se  é  certo  que  se  deve  considerar  a  remessa  para  exportação  "frete na operação de venda", a remessa anterior para a formação de lote deve ser incluída no  mesmo conceito, pois este frete nada mais é do que uma primeira etapa do transporte definitivo  da mercadoria para o seu destino final".  Informa  que  o  seu  estabelecimento  industrial  está  situado  no  centro­oeste,  distante do  embarque  dos  produtos  para  o  exterior,  realizados  em Santos/SP  e que,  antes  de  chegar  no  Porto  de  Santos,  os  produtos  são  transportados  por  via  rodoviária  ou  aquaviária,  desde as fábricas localizadas no Estado de Goiás, até as filiais localizadas em Pederneiras/SP  ou Anhembi/SP. A  partir  das  filiais,  as mercadorias  são  transportadas  até  o  porto  de  Santos  pela via  ferroviária;  c.  o  frete  entre  estabelecimentos  tem por  finalidade  precípua  colocar  os  produtos vendidos em condições de serem embarcados/vendidos para o exterior.  E conclui:  (...) Ainda que se entendesse que os fretes contratados pela Impugnante não se  encartassem no conceito de "fretes sobre venda",  tais gastos encontram amparo no  inciso  I  do  art.  3o,  das  L  eis  n°  10.637/2002  e  10.833/2003,  por  serem  gastos  necessários à colocação do bem em condições de venda (tem natureza de custo), tal  como definido na legislação do Imposto de Renda (art. 289 do RIR/1999);  Por fim, reforçar que direito ao crédito é garantido pela leitura do artigo 3º,  das Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003, seja como despesa com venda, seja como custo a  ser  incorporado  ao  bem  em  estoque  (neste  caso  se  não  houvesse  contratado  previamente  a  venda);  (b) Despesas de armazenagens e fretes extemporâneos  A  contribuinte  diz  que  o  art.  3o,  §  4o,  das  Leis  n°s  10.637/2002  e  10.833/2003,  prescreve,  sem  fazer  qualquer  ressalva  quanto  ao  prazo  e  formalidades  para  o  creditamento e de forma clara e  taxativa, que o crédito não aproveitado em determinado mês  poderá sê­lo nos meses subsequentes.  No que tange ao crédito presumido extemporâneo, assevera que o § 2º, do art.  8o,  da  Lei  n°  10.925/2004  manda  aplicar  o  §  4o,  do  art.  3o,  das  Leis  nºs  10.637/2002  e  10.833/2003, não havendo disposição expressa em sentido contrário. Vejamos:  "(...) tendo em conta que inexiste no ordenamento jurídico qualquer previsão  legal que vede, de forma expressa, o aproveitamento extemporâneo, é de se concluir,  reprise­se,  que  autorizado  está  o  contribuinte  à  recuperação  de  créditos  que  não  foram aproveitados no passado".  Prossegue  afirmando  que  o  §  8o,  do  art.  3o,  das  Leis  n°s  10.637/2002  e  10.833/2003, não fixaram regime de competência para apropriação de créditos do PIS/PASEP  e da COFINS, mas  tão  somente definiram critério de cálculo desses mesmos créditos,  sendo  Fl. 3261DF CARF MF Processo nº 10120.731121/2013­17  Acórdão n.º 3401­006.122  S3­C4T1  Fl. 5          4 que o momento da apropriação continua a ser disciplinado pelo § 1° do aludido art. 3o, de sorte  que, em não havendo o aproveitamento em tal ocasião, o contribuinte pode fazê­lo em período  posterior, por força do permissivo contido no § 4o também daquele comando legal.  Após  citar  um  trecho  do  Manual  de  Preenchimento  do  DACON  que  estabelece:  "o  crédito  não  aproveitado  em  determinado  mês  poderá  sê­lo  nos  meses  subseqüentes,  sem  atualização monetária ou  incidência  de  juros"  e  dizer  que  este manual  se  enquadra na definição de "norma complementar" estabelecida no art. 96 do Código Tributário  Nacional ­ CTN, diz que a glosa de créditos extemporâneos se afigura um ato abusivo e ilegal,  motivo que desautoriza o lançamento.  (c) Das despesas de armazenagem prescritas  Quanto  à  prescrição  de  parte  do  crédito  relativo  às  despesas  de  armazenagens,  a  recorrente  alega  que  os  créditos  do  PIS  e  da  COFINS  não  sofre  qualquer  hipótese  de  prescrição,  mesmo  porque  as  Leis  federais  10.637/2002  e  10.833/2003  não  preveem qualquer prazo para a fruição dos créditos   (d) Aquisição de Bens usados como insumos  Sobre as glosas realizadas, o contribuinte juntou documentação suporte para  comprovar tais dispêndios, que não teriam sido apresentadas durante o procedimento fiscal.  (e) Aquisição de Bens que seriam ativo imobilizado  Reproduziu  a Resolução CFC nº 1.177/2009 e  citar o  art.  301 do RIR,  que  possibilita  reconhecer como despesa bem cujo valor unitário  se mostre  elevado, desde que o  prazo de vida útil  seja  inferior a um ano, e a Solução de Consulta DISIT/SRRF06, de 13 de  maio  de  2015,  diz  que  a  obrigatoriedade  de  imobilização  de  gastos  realizados  em  bens  do  imobilizado é bastante  restrita, pois somente se aplica quando o bem beneficiário da reforma  alcançar nova vida útil. No caso em tela é diferente, são peças que se desgastam ou deterioram  rotineiramente, sem, contudo, elevar a vida útil da máquina ou equipamento, não se mostrando  suficiente para conceder­lhes o tratamento de imobilizado.   Arguiu que, caso se admita o enquadramento dos materiais adquiridos como  bem  do  imobilizado,  os  bens  conferem  créditos  sobre  os  encargos  de  depreciação,  com  observância da metodologia adotada pela Lei nº 11.774/2008.  (f)  Do direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e Cofins nas  aquisições  de "sebo" para a produção de biodiesel  Afirmou  que  o  insumo  "sebo"  é  utilizado  unicamente  para  a  produção  de  biodiesel  e  que  "as  aquisições  realizadas  pela  Impugnante  do  insumo  "sebo",  destinadas  a  fabricação  de  biodiesel,  ocorridas  anteriormente  a 15/12/2011,  são  abarcadas  pelo  direito  ao  crédito  presumido  de  PIS/PASEP  e  COFINS,  por  força  do  que  prevê  o  art.  34  da  Lei  n°  12.058/2009(...)”.  (g) Do direito  ao  crédito presumido de PIS/PASEP e Cofins nas vendas no  mercado interno de "farelo de girassol"  Fl. 3262DF CARF MF Processo nº 10120.731121/2013­17  Acórdão n.º 3401­006.122  S3­C4T1  Fl. 6          5 Ressalva que a fiscalização teria erroneamente desconsiderou os créditos de  contribuições relativos à venda no mercado interno de farelo de girassol, haja vista o contido  nos arts. 54 e 55, § 5º, inciso II, da Lei nº 12.350/2010.  Nesse  contexto,  assegura  que  o  "farelo  de  soja"  é  obtido  por  meio  da  industrialização da "semente de girassol" e é vendido com o benefício da suspensão de PIS e  Cofins a destinatários que irão utilizá­los na alimentação animal; e que “a semente de girassol  utilizada para produzir o "farelo de girassol", por ser adquirida das pessoas indicadas no art. 8º  da Lei nº 10.925/2004, garante à impugnante o direito de se apropriar dos créditos presumidos  de  PIS  e  Cofins”,  e  por  fim,  “o  fato  de  o  "farelo  de  girassol"  ser  comercializado  com  o  benefício da suspensão de PIS e Cofins, não impõe à contribuinte a obrigação de promover o  estorno dos créditos presumidos anteriormente apropriados, pois inexiste na lei nº 10.925/2004  tal previsão;  (h) Do estorno do crédito presumido decorrente de venda com suspensão no  mercado interno de farelo de soja   Quanto ao estorno de créditos presumidos decorrentes de venda de farelo de  soja com suspensão de PIS e Cofins no mercado interno, a contribuinte diz que, nos termos da  Lei Complementar nº 95/1998, a vigência da lei será sempre indicada de forma expressa e as  disposições normativas serão regidas com clareza, precisão e ordem lógica;  Conclui que tem direito ao crédito presumido, nos termos do art. 64 da Lei nº  12.350/2010 e art. 22 da Instrução Normativa nº 1.157/2011.  (i)  Da glosa parcial de crédito presumido da soja adquirida para produção de  farelo  A  contribuinte  rejeitou  a  glosa  parcial  dos  créditos  presumidos  da  soja  adquirida, na medida em que afirma que a parcela de soja utilizada na produção de biodiesel  não  proporciona  o  direito  de  a  empresa  se  beneficiar  dos  créditos  do  art.  8º  da  Lei  nº  10.925/2004.  Buscou  demonstrar  documentalmente  que  toda  a  soja  fora  utilizada  na  produção  de  mercadoria  destinada  à  alimentação  humana  ou  animal,  “sendo  que  o  óleo  resultante do mesmo processo não  interferiu na produção do  farelo de soja, produto este que  faz jus ao crédito.“  Afirmou  também  que  que  não  há  previsão  legal  que  ampare  o  rateio  de  crédito empregado pela fiscalização e que a analogia não pode criar restrições, nem resultar em  cobrança de tributos não previsto em lei.  Por fim, rejeitou a aplicação de juros sobre a multa de ofício durante o curso  do processo para atualização do crédito ora constituído, por  falta de embasamento  legal para  aplicação da Taxa SELIC sobre essa parcela.  Ainda apresentou documentos adicionais para comprovar suas alegações, em  especial  sobre  os  créditos  sobre  frete  entre  estabelecimentos  e  sobre  o  crédito  presumido  decorrente de sua atividade agroindustrial, entre outros.  É o relatório.  Fl. 3263DF CARF MF Processo nº 10120.731121/2013­17  Acórdão n.º 3401­006.122  S3­C4T1  Fl. 7          6   Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 3401­006.115,  de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10120.720057/2014­20.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401­006.115):  "Do mérito  O  Recurso  Voluntário  se  insurge  contra  o  entendimento  da  decisão  de  primeiro  grau  que  manteve  as  glosas  de  créditos  delineadas  no  MPF  nº  0120100­2013­00983  a  respeito  das  seguintes rubricas:  (a)  Despesas  de  frete  entre  estabelecimentos  da  empresa,  relacionados à formação de lote de exportação;  (b)  Despesas  de  armazenagens  e  fretes  sobre  venda,  cujos  créditos foram tomados após o período de competência contábil  em que foram registradas;  (c)  Despesas  de  armazenagem,  cujos  créditos  foram  considerados  prescritos  pois  tomados  após  cinco  anos  da  emissão dos respectivos documentos;  (d)  Insumos. Falta de comprovação;  (f)  Despesas  relativas  a  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos (partes e peças de reposição);  (g)  Do crédito presumido na aquisição de sebo para produção  de biodiesel;  (h)  Do estorno do crédito presumido decorrente de venda com  suspensão no mercado interno de farelo de soja;  (i)  Crédito  presumido  nas  vendas  no  mercado  interno  de  "farelo de girassol";  (j)  Crédito presumido sobre a soja adquirida para produção de  farelo.    Passo a expor:    Fl. 3264DF CARF MF Processo nº 10120.731121/2013­17  Acórdão n.º 3401­006.122  S3­C4T1  Fl. 8          7 (a)  Despesas  de  frete  entre  estabelecimentos  da  empresa,  relacionados à formação de lote de exportação; 1  Já tive a oportunidade de me manifestar sobre o tema quando da  prolação do Acórdão no 3403­002.681, do qual extraí a ementa  proposta ao colegiado:  “COFINS.  FRETE  ENTRE  ESTABELECIMENTOS.  FORMAÇÃO  DE  LOTE  PARA  EXPORTAÇÃO.  CRÉDITOS.  IMPOSSIBILIDADE.  A  transferência  de  produto  acabado  a  estabelecimento  filial  para  “formação  de  lote”  de  exportação,  ainda  que  se  efetive  a  exportação,  não  corresponde  juridicamente  à  própria  venda,  ou  exportação,  não  gerando  o  direito ao creditamento em relação à contribuição.” (Acórdão n.  3403­002.681, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação  à matéria, sessão de 28.jan.2014)  O dispositivo legal que rega a matéria nas leis de regência das  contribuições (art. 3o das Leis no 10.637/2003 e no 10.833/2003)  contempla as operações de venda e as aquisições de insumos. As  transferências  entre  estabelecimentos  da  empresa  de  mercadorias  acabadas,  contudo,  não  encontram,  na  legislação  de regência, previsão de geração de créditos.  Como destacamos no citado acórdão, remetendo a voto do Cons.  Marcos Tranchesi Ortiz:  “Porque  na  sistemática  da  não­cumulatividade  do  PIS  e  da  COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de  frete  pode  (sic)  se  situar  em  três  diferentes  posições:  (a)  se  na  operação  de  venda,  constituirá  hipótese  específica  de  creditamento, referida pelo art. 3o, inciso IX; (b) se associado à  compra  de  matérias­primas,  materiais  de  embalagem  ou  produtos  intermediários,  integrará  o  custo  de  aquisição  e,  por  este  motivo,  dará  direito  de  crédito  em  razão  do  previsto  no  artigo  3o,  inciso  I;  e  (c)  finalmente,  se  respeitar  ao  trânsito  de  produtos  inacabados  entre  unidades  fabris  do  próprio  contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art.  290)  e,  portanto,  como  insumo  para  os  fins  do  inciso  II  do  mesmo artigo 3o.  De  seu  turno,  o  transporte  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  do  contribuinte  somente  do  ponto  de  vista  logístico  ou  geográfico  pode  ser  compreendido  como  etapa  da  futura  operação  de  venda.  Juridicamente  falando  não  o  é  e,  a  meu  ver,  não  se  enquadra  dentre  as  hipóteses  legais  em  que  o  creditamento  é  concedido.”  (Acórdão  n.  3403­001.556,  Rel.  Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25.abr.2012)  Assim,  a  transferência  a  estabelecimento  filial  para “formação  de  lote”,  ainda  que  se  efetive  a  exportação,  não  corresponde  juridicamente à própria venda, ou exportação.                                                              1  Transcritos  apenas  os  entendimentos  que  prevaleceram  na  decisão  sobre  o  tema.  Deixou­se  de  transcrever  o  entendimento vencido, que pode ser consultado, na íntegra, no processo paradigma.  Fl. 3265DF CARF MF Processo nº 10120.731121/2013­17  Acórdão n.º 3401­006.122  S3­C4T1  Fl. 9          8 Mais  enfático,  ainda  o  Acórdão  no  3403­003.164,  no  qual  se  asseverou  o  colegiado,  também  unanimemente,  e  com  minha  participação, que:  “CRÉDITOS.  DESPESAS  COM  FRETES  ENTRE  ESTABELECIMENTOS.  FORMAÇÃO  DE  LOTE  PARA  EXPORTAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  A  transferência  de  produto  acabado  a  estabelecimento  filial  para  “formação  de  lote”  de  exportação,  ainda  que  se  efetive  a  exportação,  não  corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não  gerando o direito ao creditamento em relação à contribuição.”  (Acórdão n. 3403­001.556, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime  em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014)  Incumbe registrar que mantenho tal entendimento mesmo após a  reversão  pontual,  por  maioria,  do  resultado  de  um  dos  precedentes  citados  (Acórdão  no  3403­002.681)  na  Câmara  Superior de Recursos Fiscais, que entendeu ser a “formação de  lotes  de  exportação”  uma  operação  de  venda  (vencidos,  neste  tema,  os  Conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto  Natal,  Luiz  Eduardo de Oliveira santos e Jorge Olmiro Lock Freire).  Isso  porque  a  “formação  de  lotes  de  exportação”  é  etapa  que  antecede uma possível (mas, ainda não efetivada) exportação, e  não  envolve  nem  compra  nem  venda,  mas  mero  acúmulo  de  mercadorias  para  venda  futura  (a  menos  que  se  demonstre  documentalmente  o  oposto,  o  que  não  ocorre  no  presente  processo). Não vemos, assim, como possa se amoldar a situação  ao disposto no art. IX do art. 3o da lei de regência, que trata de  frete  na  operação  de  “venda”,  visto  que  “venda”  não  houve,  nesta  operação  de  transferência  para  “formação  de  lotes  de  exportação”.    (b)  Despesas  de  armazenagens  e  fretes  sobre  venda,  cujos  créditos  foram  tomados  após  o  período  de  competência  contábil em que foram registradas;    O  entendimento  fazendário,  que  restou  confirmado  na  decisão  recorrida,  direciona­se  no  sentido  de  que  os  bens  e  serviços  somente  poderiam  ter  seus  créditos  imputados  ao  período  de  competência  em  que  foram  adquiridos.  Contudo,  não  comungo  do mesmo posicionamento.  Primeiramente,  vejamos  o  que  diz  o  citado  artigo  3º,  em  seu  caput e no parágrafo quarto:    Art. 3º Do valor apurado na  forma do art. 2º a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  (...)  Fl. 3266DF CARF MF Processo nº 10120.731121/2013­17  Acórdão n.º 3401­006.122  S3­C4T1  Fl. 10          9 § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê­lo  nos meses subsequentes.    Vejam  que,  em  interpretação  literal  e  sistemática,  o  parágrafo  quarto estabeleceu o direito de o contribuinte apropriar crédito  que  eventualmente  não  tenha  sido  utilizado  para  desconto  da  base  de  cálculo  em  um  determinado  mês  em  períodos  de  apuração subsequentes.  Caso  o  legislador  fizesse  menção  ao  excesso  de  créditos,  ou  mesmo  a  expressão  “saldo  credor”  –  como  o  faz  em  diversos  outros normativos relativos às contribuições sociais – ele teria o  feito.  Desse  modo,  não  caberia  restrição  ao  Poder  Executivo  restringir  esse  direito  quando  estabeleceu  normas  relativas  à  gestão  da  fiscalização  e  arrecadação  desses  tributos,  como  faz  crer a decisão ora recorrida.  É  claro  que  o  direito  original  aos  créditos  das  contribuições  parte  do  pressuposto  de  que  eles  devam  ser  registrados  simultaneamente à escrituração dos documentos que embasam a  aquisição  de  bens  e  serviços,  ou  ainda  que  venha  a  ser  apropriado nos períodos em que determinados custos e despesas  forem  considerados  incorridos.  Todavia,  o  parágrafo  quarto  acima  mencionado  possibilitou  ao  contribuinte  vir  a  registrar  extemporaneamente os créditos de PIS e COFINS registrados na  sistemática não cumulativa das referidas contribuições, vindo a  aproveitá­los  para  desconto  das  contribuições  sociais  em  períodos  de  apuração  distintos  (futuros)  dos  quais  se  originaram.  Esse entendimento vem sendo unânime nessa turma, que aduziu  dessa mesma maneira, no Acórdão 3401­004.022, proferido em  outubro/2017,  de  relatoria  do  Conselheiro  Robson  Bayerl.  Vejamos:    Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Período  de  apuração:  01/01/2010  a  31/01/2010,  01/04/2011  a  30/06/2011, 01/08/2011 a 31/08/2011, 01/11/2011 a 30/11/2011  PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE.  O alcance do termo “insumo”, insculpido no art. 3º, I, “b”, das  Leis  nº  10.637/2002  e  10.833/2003,  não  pode  ser  equiparado  restritivamente  aos  conceitos  de  matéria­prima,  produto  intermediário ou material de embalagem, próprios da legislação  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI,  tal  como  detalhado  no  PN  CST  65/79,  tampouco  extenso  como  os  conceitos  de  custo  de  produção  e  despesas  operacionais  da  legislação  do  IRPJ,  arts.  290  e  299  do  RIR/99  (Decreto  nº  3.000/99),  consistindo  em  bens  e  serviços,  inerentes  e  necessários  à  atividade  da  empresa,  adquiridos  e  empregados  Fl. 3267DF CARF MF Processo nº 10120.731121/2013­17  Acórdão n.º 3401­006.122  S3­C4T1  Fl. 11          10 diretamente na área de produção, desde que sofram a incidência  das  contribuições não cumulativas na  etapa anterior da  cadeia  produtiva.  CRÉDITO  EXTEMPORÂNEO.  APROVEITAMENTO.  POSSIBILIDADE.  Consoante  art.  3º,  §  4º  da  Lei  nº  10.833/03,  o  crédito  não  aproveitado  em  determinado  mês  poderá  sê­lo  nos  meses  subseqüentes, não havendo norma que imponha a retificação das  DACONs para que seja alocado no período de apuração a que  se refira o dispêndio.  ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO.  O direito de crédito relativo aos aluguéis de prédios, máquinas e  equipamentos utilizados na empresa, previsto no art. 3º,  IV das  Leis  nºs  10.637/02  e  10.833/03,  compreende  apenas  a  retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos  de  locação,  como  regulado pelo  art.  565 e  ss.  do Código Civil  (Lei nº 10.406/2002), não englobando as despesas condominiais  e demais taxas sob responsabilidade dos locatários, bem assim,  as contraprestações financeiras, a cargo dos parceiros públicos,  nos  contratos  administrativos  de  concessão  das  parcerias  público­privadas.  BENEFÍCIO FISCAL ESTADUAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE  ICMS.  INCIDÊNCIA.  SUBVENÇÃO  PARA  INVESTIMENTO.  NÃO CARACTERIZAÇÃO.  Afastada  a  hipótese  de  caracterização  do  crédito  presumido  concedido pelo Estado do Bahia, através do Decreto nº 6.734/97,  como subvenção para investimento, inaplicável as disposições do  art. 21 da Lei nº 11.941/2009, então vigente, enquadrando­se o  benefício  fiscal  em  comento  no  conceito  amplo  de  receita  veiculado  no  art.  1º  das  Leis  nºs  10.637/02  e  10.833/03,  submetendo­se à incidência das contribuições de que tratam.  Recurso voluntário provido em parte.    Em seu voto, o Ilustre Conselheiro destaca:    Esta interpretação atribuída aos dispositivos é plausível, porém,  não  é  a  única  aceitável,  pois,  tanto  as  Leis  nºs  10.637/02  e  10.833/03,  como  as  INs  RFB  247/02  e  404/04  que  as  normatizam,  não  distinguem  o  crédito,  como  espécie,  do  saldo  credor, preferindo a adoção do termo “crédito” indistintamente  para  uma  e  outra  finalidade,  razão  porque  a  interpretação  do  contribuinte  é  também  acertada,  mormente  pela  sua  dicção  literal,  consoante  a  qual  “o  crédito  não  aproveitado  em  determinado mês poderá sê­lo nos meses subseqüentes”.  Fl. 3268DF CARF MF Processo nº 10120.731121/2013­17  Acórdão n.º 3401­006.122  S3­C4T1  Fl. 12          11 Ora, os créditos da não cumulatividade podem ser pleiteados a  qualquer  tempo,  enquanto  não  decaído  o  direito  ao  seu  exercício,  não havendo norma clara que  imponha a  retificação  das  DACONs  para  inclusão  de  créditos  nos  períodos  de  apuração  a  que  se  refiram,  de  maneira  que  não  haveria  obstáculo ao aproveitamento a destempo sem observância estrita  do regime de competência, como exigiram a DRF/DRJ, eis que  se  trataria  de  situação  esporádica,  valendo  a  analogia  com  o  Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, onde os créditos  alegados  extemporaneamente  não  impõem  a  reescrituração  do  livro, bastando sua indicação em campo próprio.  Assim,  o  aproveitamento  de  créditos  fora  dos  períodos  de  apuração  a  que  se  referem  é  possível,  como  defendido  pelo  contribuinte, cumprindo à fiscalização a verificação se, de fato,  este  crédito  não  foi  aproveitado  anteriormente  e  observada  a  delimitação  do  conceito  de  insumo  formulada  no  presente  acórdão.  Entendo  não  ser  possível  criar  uma  vedação,  por  meio  de  interpretação,  onde  a  lei,  ou  mesmo  os  atos  administrativos  correlatos, não expressamente o fizeram.  Desse modo, deve ser acolhida a pretensão do contribuinte.    Diante  do  exposto,  entendo  que  a  decisão  recorrida  deve  ser  reformada  para  considerar  possível  a  apropriação  extemporânea de créditos das contribuições sociais, observados  os demais requisitos legais para seu creditamento.    (c)  Despesas  de  armazenagem,  cujos  créditos  foram  considerados "prescritos" pois tomados após cinco anos da  emissão dos respectivos documentos;  Nesse  item,  a  Recorrente  alega  que  o  Relatório  Fiscal  que  ensejou o lançamento de ofício considerou ter havido dois tipos  de "prescrição": (i) dispêndios ocorridos antes de julho de 2006;  (ii) dispêndios ocorridos após julho de 2006.  Analisando o aludido Relatório, vê­se que isso não é exatamente  verdade.  O  que  ocorreu  é  que  a  fiscalização  considerou  prescritos os créditos decorrentes de dispêndios realizados após  cinco  anos  contados  de  cada  período  de  apuração  das  contribuições  sociais,  de  de  maneira  que  houve  glosas  "por  prescrição"  separados  mês  a  mês,  sendo  certo  que  o  espaço  temporal objeto daquele MPF de aproximadamente dois anos.  Por outro lado, aduz a Recorrente que não há, na legislação das  contribuições,  tampouco  na  legislação  complementar  (CTN),  previsão  legal  para  a  decadência  do  direito  de  escriturar  os  créditos  extemporâneos  em  cinco  anos,  dado que  o  artigo 168,  do CTN trata de crédito tributário e não de créditos escriturais,  Fl. 3269DF CARF MF Processo nº 10120.731121/2013­17  Acórdão n.º 3401­006.122  S3­C4T1  Fl. 13          12 como  é  o  caso  da  não­cumulatividade  do  PIS  e  da  COFINS;  tampouco restaria aplicável o Decreto 20.910/1932, porque esse  estaria  tratando  de  prescrição  do  direito  de  ação  perante  a  Fazenda Pública,  o  que  também  não  seria  o  caso  dos  créditos  escriturais.  Ora,  de  fato,  as  Leis  Federais  10.637/2002  e  10.833/2003  estabelecem  a  possibilidade  de  apuração  de  créditos  a  serem  utilizados  para  desconto  do  valor  devido  ao  PIS  e  à  COFINS,  calculados na modalidade não­cumulativa, sendo certo que são,  indubitavelmente,  "direitos  creditórios"  que  reduzem  o  valor  devido  a  título  das  contribuições  sociais;  indo  mais  além,  quando há  saldo  credor  decorrem do  "excesso"  de  créditos  em  comparação  aos  respectivos  débitos,  é  possível  até  o mesmo  o  seu ressarcimento.  É  verdade,  porém,  que  houve  um  silêncio  nesses  textos  normativos  quanto  ao  prazo  prescricional  para  a  apropriação  dos  créditos  escriturais,  o  que  não  significa  dizer,  aprioristicamente,  que  não  há  um  termo  inicial  ou  que  não  há  limite temporal para o exercício dessa faculdade do contribuinte.  O  ordenamento  jurídico  deve  ser  analisado  como  um  sistema  entrelaçado de normas, princípios  e  valores que não permite a  aplicação  nua  e  crua  de  um  determinado  texto  normativo  sem  avaliar  todos  os  seus  aspectos  ascendentes  e  descendentes.  O  intérprete que assim o fizer colocará em risco toda a efetividade  do  ordenamento,  deixando  margem  para  que  a  atividade  de  interpretação  deixe  de  ter  sua  função  de  uniformizar  igualitariamente  os  direitos  e  obrigações  entre  os membros  da  sociedade sujeita àquele ordenamento, para ser uma ferramenta  de legitimação da imposição individual de vontades.  Dito isso, reconheço que há certa concordância na afirmação de  que  o  direito  ao  aproveitamento  desses  créditos  não  pode  se  confundir  com  o  direito  à  restituição  de  tributo  pago  indevidamente  ou  a  maior,  não  se  ensejando  a  aplicação  do  artigo 168, do CTN; contudo, não há como afastar a aplicação  subsidiária do Decreto 20.910/1932, plenamente em vigor, cujo  artigo 1º afirma:    Art.  1º  ­  As  dividas  passivas  da  União,  dos  Estados  e  dos  Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a  Fazenda  Federal,  Estadual  ou  Municipal,  seja  qual  for  a  sua  natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou  fato do qual se originarem.    Vê­se  que  o  espectro  alcançado  pelo  citado  artigo  é  absolutamente  amplo,  comportando,  no  trecho  grifado,  uma  gama enorme de "direitos" atribuíveis ao administrado contra a  fazenda  pública,  não  havendo  qualquer  restrição  semântica  à  Fl. 3270DF CARF MF Processo nº 10120.731121/2013­17  Acórdão n.º 3401­006.122  S3­C4T1  Fl. 14          13 aplicação ao  caso  dos  créditos  escriturais  decorrentes  da  não­ cumulatividade das contribuições sociais.   Desse modo, adaptando­se ao nosso tema, é imperioso entender  que o artigo 1º, do Decreto 20.910/1932, implica na observância  do  prazo  prescricional  de  cinco  anos  contado  da  competência  tributária em que aquela crédito poderia ter sido escriturado.   Essa discussão não é novidade e já foi objeto de avaliação pela  Coordenação­Geral  de  Tributação  (COSIT),  que  entendeu  de  modo  idêntico  quando  da  Solução  de  Divergência  COSIT  21/2011:    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA   EMENTA:  EXISTÊNCIA  E  TERMO  DE  INÍCIO  DO  PRAZO  PRESCRICIONAL DOS  CRÉDITOS  REFERIDOS  NO  ART.  3º  DA  LEI  Nº  10.637,  DE  30  DE  DEZEMBRO  DE  2001;  E  NO  ART. 3º DA LEI º 10.833, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2003.   Os direitos creditórios referidos no art. 3º da Lei nº 10.637, de  30 de dezembro de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de  dezembro de 2003, estão sujeitos ao prazo prescricional previsto  no art. 1º do Decreto nº 20.910, de 06 de janeiro de 1932.  Os fatos geradores dos direitos creditórios referidos no art. 3º da  Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003,  têm natureza complexiva e aperfeiçoam­se no último dia do mês  da apuração.   O termo de início para contagem do prazo prescricional relativo  aos direitos creditórios referidos no art. 3º da Lei nº 10.637, de  2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, é o primeiro dia do  mês subsequente ao de sua apuração;   DISPOSITIVOS LEGAIS: art. 1º do Decreto nº 20.910, de 06 de  janeiro de 1932; art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de  2001; art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.      Assim,  como  o  direito  ao  crédito  extemporâneo  se  expira  após  cinco anos contados do momento da aquisição das mercadorias  e/ou serviços (fato gerador dos créditos), não há que se reformar  o  lançamento  de  ofício  quanto  se  particular,  mantendo­se  a  decisão recorrida    (d)  Insumos. Falta de Comprovação  A Recorrente apresenta nos itens 2.5.4 a 2.5.9 do seu Recurso as  razões  para  se  reformar  a  decisão  recorrida  dado  que  teria  havido um erro material nos demonstrativos de crédito relativos  a  fornecedor,  em decorrência  de  informação  quanto  ao CNPJ.  Fl. 3271DF CARF MF Processo nº 10120.731121/2013­17  Acórdão n.º 3401­006.122  S3­C4T1  Fl. 15          14 No caso, foi informado o CNPJ 05.252.578/0001­59, enquanto o  correto  seria  o  CNPJ  88.370.945/0001­46.  Feito  esse  esclarecimento, e admitindo a regularidades de tais notas fiscais,  verifica­se  que  se  referem  à  industrialização  por  encomenda  contratada  pela  Recorrente,  relacionadas  ao  produto  “Ácido  Graxo  Vegetal”,  contudo,  diante  da  insuficiência  de  esclarecimentos  quanto  ao  uso  desse  item  nas  atividades  desempenhadas  pela  Recorrente,  não  é  possível  admitir  a  possibilidade de apropriação de créditos . De tal sorte, deve ser  mantida  a  decisão  recorrida,  por  carência  probatória  da  Recorrente fundar seus argumentos, com relação a esses itens.  Quanto  às  glosas  impugnadas  nos  itens  2.5.10  e  2.5.11,  sendo  juntado  o  documento  fiscal  comprobatório  da  despesa,  e  esclarecida  a  natureza  do  serviço  (carga  e  descarga  de  mercadorias em transporte multimodal, nas operações de venda)  e  sua  vinculação  e  essencialidade  em  relação  à  atividade  desempenhada  pela  Recorrente,  é  de  se  admitir  créditos  nesse  particular, devendo a decisão ser reformada.  Quanto às glosas mencionadas nos itens 2.5.12 a 2.5.17 e 2.6.1,  a  fiscalização  efetuou  a  glosa  simplesmente  em  razão  de  haverem sido apresentados documentos  fiscais  comprobatórios,  o  que  foi  feito  já  na  impugnação  e  ignorado  pela  decisão  recorrida.  Tratam­se  de  aquisições  de  insumos  via  industrialização  por  encomenda  de  diversos  produtos  que  são  posteriormente  revendidos  pela  Recorrente,  como  pipoca,  farinhas, amendoim, entre outros.   Havia, ainda, no Relatório que deu azo ao lançamento, menção  a  aquisições  de  insumos  de  pessoas  físicas.  Contudo,  a  Recorrente rebate essa conclusão afirmando que as notas fiscais  glosadas  eram  de  pessoas  jurídicas,  juntando­as  desde  a  impugnação,  e  que  tal  equívoco  decorreu  de  o  Excel  desconsiderar os “zeros” à esquerda do CNPJ 00.048.496/0001­ 73, fazendo­o parecer ser um número de CPF (484.960.001­73).  Diante desses esclarecimentos, deve­se reconhecer que as glosas  foram  indevidas  e  que,  portanto,  a  decisão  também  deve  ser  reformada.    (e)  Despesas  relativas  a  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos (partes e peças de reposição);  A  Recorrente  refuta  as  alegações  da  fiscalização  referentes  à  glosa  de  créditos  relacionadas  à  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos,  que  foram  efetuadas  considerando  que  tais  dispêndios  deveriam  ser  registrados  como  ativo  imobilizado  (“não­circulante”),  haja  vista  que  os  valores  adquiridos  ou  contratados eram superiores ao montante máximo estabelecido à  época pela legislação do Imposto de Renda para o registro como  despesa  dedutível  em  detrimento  do  registro  como  ativo  imobilizado  (“não­circulante”)  e  sujeito,  assim,  a  depreciação/amortização.  Fl. 3272DF CARF MF Processo nº 10120.731121/2013­17  Acórdão n.º 3401­006.122  S3­C4T1  Fl. 16          15 Ora,  de  fato,  o  valor  do  item  adquirido  ou  serviço  contratado  para realizar a manutenção de bens do seu ativo permanente não  é  o  único  elemento  a  ser  considerado  para  definir  se  tais  dispêndios  serão  tratados  como  despesa  ou  como  ativo  imobilizado.  O  conceito  de  ativo  imobilizado  encontra­se  na  Lei  nº  6.404/1976  (Lei  das  S.A.),  com  as  alterações  promovidas  pela  Lei  nº  11.638/2007,  que  em  seu  artigo  179,  IV,  estabelece  que  devem  ser  registrados  no  ativo  imobilizado  os  “direitos  que  tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das  atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa  finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram  à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens”.  Por  seu  turno,  em  linha  com  o  que  estabelece  o  Manual  de  Contabilidade  da  FIPECAFI2,  podemos  depreender  desta  definição  legal  que  devem  ser  classificados  como  ativo  imobilizado “(...) os bens de permanência duradoura, destinados  ao  funcionamento  normal  da  sociedade  e  de  seu  empreendimento,  assim  como  os  direitos  exercidos  com  essa  finalidade”.  Na  prática,  as  premissas  para  o  registro  contábil  de  um  determinado  dispêndio  como  ativo  imobilizado  sempre  foi  encontrado na Resolução CFC nº 1.025/20053, até 31.12.2009, e  desde  então  no  Pronunciamento  nº  27  do  Comitê  de  Pronunciamentos Contábeis – CPC4, aprovado pela Deliberação  CVM nº. 583/09 e pela Resolução CFC nº. 1.177/09.  O  referido CPC nº  27,  em  seu  item 6,  define  ativo  imobilizado  conforme abaixo:    (...)  Ativo imobilizado é o item tangível que:  é  mantido  para  uso  na  produção  ou  fornecimento  de  mercadorias  ou  serviços,  para  aluguel  a  outros,  ou  para  fins  administrativos; e                                                              2 IUDÍCIBUS, Sérgio de, MARTINS, Eliseu e GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de Contabilidade das  Sociedades por Ações, 7ª Ed. São Paulo: Atlas, 2009. p. 190.  3 (...)  19.1.2.4. Ativo imobilizado, objeto desta norma, compreende os ativos tangíveis que:  a)  são  mantidos  por  uma  entidade  para  uso  na  produção  ou  na  comercialização  de  mercadorias ou serviços, para locação, ou para finalidades administrativas;  b)  têm a expectativa de serem utilizados por mais de doze meses;  c)  haja  a  expectativa  de  auferir  benefícios  econômicos  em  decorrência  da  sua  utilização; e  d)  possa o custo do ativo ser mensurado com segurança.  (...)  4  Com  a  reforma  da  Lei  das  S.A.  pela  Lei  nº  11.638/2007,  criou­se  a  possibilidade  de  que  a  competência  para  regulação  de  matéria  contábil  fosse  legalmente  delegada  ao  Comitê  de  Pronunciamentos  Contábeis  –  CPC,  órgão  que  se  tornou  responsável  pela  emissão  de  pronunciamentos que versam sobre princípios, normas e padrões de contabilidade, os quais vêm  sendo adotados pela Comissão de Valores Mobiliários ­ CVM.  Fl. 3273DF CARF MF Processo nº 10120.731121/2013­17  Acórdão n.º 3401­006.122  S3­C4T1  Fl. 17          16 se espera utilizar por mais de um período.    Mais adiante,  o mencionado CPC nº 27  trata das hipóteses em  que  um  bem  deve  ser  reconhecido  como  um  item  do  ativo  imobilizado:    7. O custo de um item de ativo imobilizado deve ser reconhecido  como ativo se, e apenas se:  (a) for provável que futuros benefícios econômicos associados ao  item fluirão para a entidade; e  (b) o custo do item puder ser mensurado confiavelmente.  8.  Sobressalentes,  peças  de  reposição,  ferramentas  e  equipamentos  de  uso  interno  são  classificados  como  ativo  imobilizado  quando  a  entidade  espera  usá­los  por mais  de  um  período. Da mesma forma, se puderem ser utilizados somente em  conexão  com  itens  do  ativo  imobilizado,  também  são  contabilizados como ativo imobilizado.    Ora,  consoante  a  definição  acima,  para  que  a  fiscalização  ousasse  desconsiderar  os  valores  registrados  na  contabilidade  como despesas, deveria ter sido feita uma análise pormenorizada  de  cada  item glosado,  com o  intuito de  identificar os  casos  em  que  os  dispêndios  representaram  um  aumento  da  vida  útil  dos  equipamentos  que  foram  objeto  de manutenção,  ou,  ainda,  que  viessem  a  aumentar  a  capacidade  ou  funcionalidade  desses  equipamentos.  Não é o que restou demonstrado no Relatório Fiscal, que, em um  parágrafo, justificou sucintamente a glosa, sem muita convicção.   Diante disso, carecendo de suporte argumentativo e probatório  por  parte  da  fiscalização,  não  se  admite  ignorar  a  escrita  contábil  da  Recorrente,  que  registrou  tais  dispêndios  como  despesas  de manutenção  de  equipamentos  industriais,  de modo  que, mais uma vez, deve ser  reformada a decisão, afastando­se  as glosas de créditos dessa natureza.    (f)  Da  despesa  de  fretes  entre  estabelecimentos  na  movimentação de matéria­prima  Insurge­se  a  Recorrente  contra  a  glosa  efetuada  pela  fiscalização relativa aos fretes contratados para a movimentação  de  matéria­prima  entre  seus  estabelecimentos,  por  suposta  ausência de permissão legal.  Fl. 3274DF CARF MF Processo nº 10120.731121/2013­17  Acórdão n.º 3401­006.122  S3­C4T1  Fl. 18          17 Todavia, ainda que a legislação da modalidade não­cumulativa  das  contribuições  sociais não  tenha previsto a possibilidade de  desconto  de  créditos  sobre  os  serviços  de  frete  decorrentes  da  movimentação de insumos, tal menção nem fosse necessária.   Isso  porque,  o  regime  não­cumulativo  das  contribuições  está  sensivelmente ligado à dualidade custo­receita; não há a menor  dúvida  que  o  frete  suportado  pelo  adquirente  na  compra  de  insumos deve ser integrado ao custo de aquisição desses últimos.  Vejamos  o  Pronunciamento  Técnico  CPC  16,  aprovado  pelo  CFC pela NBC TG 16:  11. O  custo  de  aquisição  dos  estoques  compreende  o  preço  de  compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os  recuperáveis  junto ao fisco), bem como os custos de transporte,  seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de  produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais,  abatimentos e outros  itens  semelhantes devem ser deduzidos na  determinação do custo de aquisição.  Além disso, é possível inferir que tenha havido silêncio eloquente  pelas  normas  que  regulam  as  contribuições,  ao  não  vetar  expressamente  essa  possibilidade,  vis  a  vis  ser  absolutamente  claro que,  como regra, os gastos na movimentação de  insumos  até o seu efetivo consumo serem integrantes do saldo do estoque.  Dessa  forma,  as  despesas  incorridas  na  movimentação  de  matéria­prima e outros insumos até sua utilização, por compor o  valor  do  seu  estoque,  implica  no  direito  ao  crédito  das  contribuições.  Nesse  sentido,  a  glosa mencionada  no  Relatório  Fiscal, e que foi confirmada na decisão ora recorrida, deve ser  afastada.    (g)  Do crédito presumido na aquisição de sebo para produção  de biodiesel;  Com relação aos itens que tratam das hipóteses de apropriação  de  crédito  presumido  na  atividade  agroindustrial,  é  importante  destacar que, nos termos do art. 47 e 47­B da Lei nº 12.546, de  14 de dezembro de 2011, e publicada no DOU de 15.12.2011, c/c  o art. 8º da  lei nº 10.925/2004, acompanhando  integralmente a  conclusão do acórdão da DRJ, que não há direito de crédito nas  aquisições de sebo para produção de biodiesel.  Tal  como  destacado  pela  fiscalização  no  seu  Relatório  Fiscal,  “não  obstante  o  crédito  presumido  do  art  47  da  Lei  n°  12.546/2010 nunca ter tido eficácia, posto que foi revogado pela  Lei  n°  12.865/2013  antes  que  fosse  regulamentado  pela  RFB,  conforme determinava seu § 6o, a Lei n° 12.995/2014 introduziu  naquela primeira lei o art. 47­B, que convalidou os créditos do  art.  47  realizados  durante  sua  vigência  (caput)  e  também  convalidou os créditos do art. 8o da Lei n° 10.925/2004  (§ 1o)  em  relação  à  aquisição  de  soja  in  natura  por  produtores  de  Fl. 3275DF CARF MF Processo nº 10120.731121/2013­17  Acórdão n.º 3401­006.122  S3­C4T1  Fl. 19          18 biodiesel,  contudo o § 2o do  citado art. 47­B proibiu o  crédito  simultâneo  do  art.  47  da  mesma  lei  e  do  art.  8o  da  Lei  n°  10.925/2004 em relação à mesma operação”.  Assim  reproduzo,  por  entender  irretocável,  a  decisão  ora  recorrida,  vez  que  não  foram  trazidos  novos  elementos  no  Recurso que pudessem afastar aquela conclusão:    Já em relação à alegação da contribuinte que o insumo "sebo" é  utilizado  unicamente  para  a  produção  de  biodiesel  e  que  teria  direito ao crédito presumido do PIS e da Cofins nas aquisições  deste,  nos  termos  do  artigo  34  da  Lei  nº  12.058/2009,  e  nas  redação dada pelas Leis nºs 12.350/2010 e 12.839/2013,  faz­se  necessário, antes de enfrentar o mérito, a  reprodução dos arts.  32 e 34 da referida lei:  (...)  Da leitura dos artigos acima reproduzidos, verifica­se/conclui­se  que:  a) O direito ao crédito presumido somente se aplica à aquisição  de sebo com suspensão das contribuições, no mesmo período de  apuração, de pessoa jurídica residente ou domiciliada no País.   b)  A  suspensão  aludida  é  obrigatória  quando  a  venda  for  efetuada por pessoa jurídica que revenda o sebo bovino ou que  industrialize os produtos classificados nas posições 01.02, 02.01  e 02.02, da NCM, para outra pessoa jurídica, desde que a venda  não seja no varejo;  c) Sendo o sebo bovino adquirido com a incidência de suspensão  do  pagamento  da  Contribuição  ao  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  e  utilizado como insumo na industrialização de biodiesel, cabe ao  adquirente  o  direito  de  apuração  dos  créditos  presumidos  tratados no art. 34 da Lei nº 12.058, de 2009.  Como  dito  alhures,  a  contribuinte  para  usufruir  do  direito  ao  crédito  presumido  precisa,  além  ser  pessoa  jurídica  tributada  pelo  Lucro  Real,  demonstrar  que  a  aquisição  de  sebo  foi  com  suspensão  das  contribuições  e  de  pessoa  jurídica  residente  ou  domiciliada no País.  Contudo,  na  impugnação  apresentada,  a  contribuinte  não  demonstrou que cumpriu todos os requisitos, principalmente se a  aquisição de sebo foi de pessoa jurídica e com suspensão.  Assim,  cabendo  o  ônus  da  prova  em  contrário  à  empresa,  nos  termos dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/197217; art. 36 da  Lei nº 9.784/199918; e art. 373 da Lei nº 13.105/200519, e esta,  em  sua  impugnação,  não  demonstrando  o  cumprimento  dos  demais requisitos para usufruir do direito ao crédito presumido  estabelecido pela Lei nº 12.058/2009, não há motivos para rever  o lançamento(glosa de crédito) da matéria tratada neste tópico.  Fl. 3276DF CARF MF Processo nº 10120.731121/2013­17  Acórdão n.º 3401­006.122  S3­C4T1  Fl. 20          19   Assim,  mantenho  a  decisão  recorrida  por  seus  próprios  fundamentos.    (h)  Do crédito presumido decorrente de venda com suspensão  no  mercado  interno  de  “farelo  de  soja”  e  de  "farelo  de  girassol"  Tampouco merece reforma o entendimento trazido pelo acórdão  recorrido concernente à possibilidade de crédito presumido com  a  venda  do  produto  agroindustrial  estava  sujeito  à  suspensão  das contribuições.  A recorrente pleiteia que sejam considerados, nas apurações de  janeiro  a  junho  de  2011,  a  inclusão  de  crédito  presumido  concedido  pela  Lei  Federal  12.431/2011,  cuja  vigência  expressamente se iniciou em 27.06.2011, quando fora publicada  no DOU.  Ora,  não  há  como  conceber  a  possibilidade  de  vigência  retroativa à lei, sem que essa estabeleça tal aplicação, de modo  que deve ser mantida a decisão da DRJ que não considerou tais  créditos até a entrada em vigor daquele ato normativo.    (i)  Crédito presumido sobre a soja adquirida para produção de  farelo.  Com  relação  a  esse  item,  por  entender  ter  a  decisão  a  quo  escrutinado a questão de maneira definitiva, creio que o acórdão  de  primeiro  grau merece  ser mantido  na  sua  integralidade,  de  forma  que  acompanho  tal  entendimento,  aproveitando  os  fundamentos do voto do relator que cito:    A  fiscalização glosou parcialmente créditos presumidos da soja  adquirida,  por  entender  que  a  parcela  de  soja  utilizada  na  produção de biodiesel não proporciona o direito de a empresa se  beneficiar  dos  créditos  do  art.  8º  da  Lei  nº  10.925/2004.  O  entendimento da fiscalização foi no sentido de que há direito ao  crédito  apenas  quando  aplicada  à  soja  na  produção  de  mercadoria  de  origem  animal  ou  vegetal  destinada  à  alimentação humana ou animal).  Em  sua  impugnação,  a  fiscalizada  contesta  a  glosa  realizada,  afirmando  que  toda  soja,  sem  exceção  foi  empregada  na  produção  de  mercadoria  destinada  à  alimentação  humana  ou  animal,  sendo  que  o  óleo  resultante  do  mesmo  processo  não  interferiu  na  \produção do  farelo  de  soja,  produto este  que  faz  jus ao crédito. Afirma que o aproveitamento parcial dos créditos  somente  seria  aplicado  se  a  empresa  destinasse  uma  parte  da  soja  para  produção  de  farelo  e  a  outra  para  produção  de  Fl. 3277DF CARF MF Processo nº 10120.731121/2013­17  Acórdão n.º 3401­006.122  S3­C4T1  Fl. 21          20 biodiesel e que, por se tratar de norma especial, a única exceção  (vedação ao aproveitamento do  crédito presumido)  encontra­se  taxativamente prevista no §4º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; e  não  há  previsão  legal  que  imponha  o  aproveitamento  proporcional em razão da pluralidade de produtos resultantes do  mesmo  processo  e  matéria­prima,  é  de  se  concluir  que  a  Impugnante tem direito ao crédito presumido integral.  Em outras  palavras,  o  que  a  impugnante  defende  é que  toda  a  aquisição de soja é para a produção de "farelo de soja", sendo o  biodiesel o subproduto.  De  acordo  com  o  "Memorial  Descritivo  do  Processo  de  Produtivo Soja  ­  decepção  / Preparação  / Extração  /  Lecitina"  apresentado  pela  contribuinte,  diferentemente  do  alegado,  fica  evidente  que  a  soja  adquirida  é  para  a  produção  de  óleo/biodiesel/lecitina, sendo o subproduto da industrialização o  "farelo de soja".  Contudo,  não  é  o  fato  de  o  "farelo  de  soja"  ser,  ou  não,  o  subproduto do esmagamento da soja que determina a existência  do  direito  ao  crédito  presumido, mas  sim  o  fato  de  as  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  produzirem  (a  partir  da  soja)  mercadorias  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal  (art.  8º da Lei nº 10.925/2004).  Desse modo,  inexistindo  o  direito  ao  crédito  presumido  de que  trata  o  art.  8o  da  Lei  10.925/2004  em  relação  a  insumos  aplicados  na  fabricação  de  biodiesel  —  produto  este  não  destinado  à  alimentação  humana  e  animal  —  há  que  se  excluir/glosar  os  valores  dos  insumos  a  eles  aplicados  da base  de cálculo do crédito presumido informado pela contribuinte em  seu Dacon.  Quanto ao rateio proporcional dos valores glosados conforme a  proporção  das  receitas  da  empresa,  esta  é  a  forma  correta  de  realizar as glosas, haja vista ter sido este o método adotado na  apropriação dos créditos realizada pela interessada em Dacon.  Portanto, com base nos dispositivos acima expostos a glosa do  crédito  presumido  previsto  no  art.  8º  da  Lei  nº  10.925/2004  proporcional à produção de biodiesel, merece ser mantido.    Por  todo  o  exposto,  conheço  do  Recurso  Voluntário  e  dou­lhe  parcial provimento."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do  Recurso Voluntário e dar­lhe parcial provimento.  Fl. 3278DF CARF MF Processo nº 10120.731121/2013­17  Acórdão n.º 3401­006.122  S3­C4T1  Fl. 22          21 (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan  Fl. 3279DF CARF MF Processo nº 10120.731121/2013­17  Acórdão n.º 3401­006.122  S3­C4T1  Fl. 23          22                           Fl. 3280DF CARF MF

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Numero do processo: 10580.009191/2006-49
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte devem ser integramente informados em sua Declaração de Ajuste Anual, cabendo o lançamento da parcela por ele omitida.
Numero da decisão: 2002-001.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que dava provimento integral ao Recurso. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL

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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que dava provimento integral ao Recurso. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Trata-se de Auto de Infração (e-fls. 06/13) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2002 (e-fls. 20/22), onde se apurou Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica e Dedução Indevida a Título de Carnê Leão. O contribuinte apresentou Impugnação (e-fls. 02/03), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (e-fls. 38/40): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 91 91 /2 00 6- 49 Fl. 60DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.299 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.009191/2006-49 O impugnante argumenta, em síntese, que houve erro em sua declaração, pois o imposto retido na fonte foi informado erradamente como carnê-leão (R$ 3.928,08). Não havia recebido nenhum rendimento de pessoas físicas, e por isso não caberia somar os rendimentos acima (R$ 53.080,24) com os rendimentos declarados (R$ 39.390,60), pois estes estão contidos naqueles. O lançamento foi julgado procedente pela 3ª Turma da DRJ/SDR em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2001 RENDIMENTOS OMITIDOS. Não se comprovando que os rendimentos informados pelas fonte pagadoras estão contido nos rendimentos declarados, cabe somá-los. Cientificado do acórdão de primeira instância em 28/04/2008 (e-fls. 43), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 26/05/2008 (e-fls. 44/47) com os argumentos a seguir sintetizados. - Alega que houve erro no preenchimento de sua declaração, uma vez que, por orientação de um profissional mal informado, os valores referentes a seu trabalho para pessoas jurídicas foram lançados no campo referente a pessoas físicas. - Reconhece que informou parcialmente o valor recebido da COPAS, sendo o valor correto R$ 15.689,54 conforme comprovante de rendimentos enviado posteriormente pela fonte pagadora. - Afirma que não houve prestação de serviços médicos a pessoa física durante o ano em questão e sim uma alocação de valores em campo errado, fato que foi resolvido nos anos posteriores. - Expõe que os valores das retenções constantes de sua declaração estão iguais aos constantes dos informes de rendimentos das empresas onde prestou os serviços, restando claro que houve um erro formal no preenchimento. - Sustenta que em hipótese alguma está se valendo da situação para levar vantagem, utilizando de má fé ou tentando se apropriar de numerários da União tendo como objetivo o enriquecimento ilícito. - Apresenta tabela com os valores que julga corretos e com a diferença não informada em sua declaração. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Extrai-se do Auto de Infração que, com base nos valores informados em DIRF pelas fontes pagadoras, a autoridade fiscal apurou a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas de R$ 53.199,65 discriminados da seguinte forma (e-fls. 07/09, 32/36): COOPMED R$ 17.116,00 Fl. 61DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.299 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.009191/2006-49 COOPERSAÚDE R$ 1.560,00 COOPBEM R$ 18.714,70 COPERAMA R$ 119,31 COPAS R$ 15.689,54 Os comprovantes de rendimentos trazidos pelo interessado (e-fls. 14/18) corroboram os valores considerados no lançamento. Não obstante este alega que, por erro no preenchimento de sua declaração, informou os rendimentos recebidos de pessoas jurídicas indevidamente como rendimentos recebidos de pessoas físicas. Reconhece apenas a omissão de rendimentos de R$ 13.808,95 referente à fonte pagadora COPAS. O Colegiado a quo manteve a omissão apurada conforme trecho do voto condutor a seguir reproduzido (e-fls. 40): Não demonstrando a composição correta dos rendimentos por ele declarados, não demonstra também que neles já estivessem contidos os rendimentos constatados pela fiscalização. Correta assim a soma destes valores. Com efeito, verifica-se que não há nos autos qualquer elemento de prova capaz de demonstrar, de maneira inequívoca, que os rendimentos declarados como recebidos de pessoas físicas realmente se referem aos recebidos de pessoas jurídicas considerados omitidos. Note-se que não existe sequer a coincidência entre o valor declarado pelo contribuinte e o total apurado no lançamento, o que poderia ser um indício de que o erro de preenchimento de fato aconteceu, já que a Declaração de Ajuste não possui identificação de fonte pagadora para os rendimentos recebidos de pessoas físicas. Cumpre ressaltar que, em se tratando de matéria tributária, não importa se o contribuinte cometeu a infração por puro descuido ou desconhecimento da legislação. De acordo com o art. 136 do Código Tributário Nacional, a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, não dependendo da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Além disso, segundo o art. 142 do mesmo dispositivo legal, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicabilidade ou não das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. As normas devem ser seguidas nos estritos limites do seu conteúdo, independentemente das razões de cunho pessoal apresentadas pelo interessado. Vale mencionar ainda que a impugnação deve estar instruída com todos os documentos em que se fundamentar, conforme disposto no art. 15 do Decreto 70.235/72, cabendo ao contribuinte a comprovação de suas alegações. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar- lhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 62DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.299 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.009191/2006-49 Fl. 63DF CARF MF

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7907493 #
Numero do processo: 10183.720556/2007-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2003 ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO A exclusão das áreas declaradas de Reserva Legal e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada à averbação no cartório de registro de imóveis. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. LAUDO. Para exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente é necessária a comprovação da existência efetiva das mesmas no imóvel rural comprovada através da apresentação de Laudo Técnico. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Para efeito de isenção do ITR, somente será aceita como de interesse ecológico a área declarada cm caráter específico, por órgão competente federal ou estadual, para a propriedade particular. VALOR DA TERRA NUA. LAUDO DE AVALIAÇÃO. Cabe alterar o valor da terra nua considerado no lançamento com base no valor indicado no laudo de avaliação elaborado por profissional habilitado conforme as normas técnicas específicas de procedimentos de avaliação de imóveis rurais.
Numero da decisão: 2201-005.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para acolher a dedução da Área de Reserva Legal de 2.755,52 ha e da Área de Preservação Permanente de 269,94ha. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: FRANCISCO NOGUEIRA GUARITA

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COMPROVAÇÃO A exclusão das áreas declaradas de Reserva Legal e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada à averbação no cartório de registro de imóveis. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. LAUDO. Para exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente é necessária a comprovação da existência efetiva das mesmas no imóvel rural comprovada através da apresentação de Laudo Técnico. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Para efeito de isenção do ITR, somente será aceita como de interesse ecológico a área declarada cm caráter específico, por órgão competente federal ou estadual, para a propriedade particular. VALOR DA TERRA NUA. LAUDO DE AVALIAÇÃO. Cabe alterar o valor da terra nua considerado no lançamento com base no valor indicado no laudo de avaliação elaborado por profissional habilitado conforme as normas técnicas específicas de procedimentos de avaliação de imóveis rurais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para acolher a dedução da Área de Reserva Legal de 2.755,52 ha e da Área de Preservação Permanente de 269,94ha. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 05 56 /2 00 7- 53 Fl. 354DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 Francisco Nogueira Guarita - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório O presente processo trata de recurso voluntário em face do Acórdão nº 04-19.511 – 1ª Turma da DRJ/CGE, fls. 284 a 294. Trata de autuação referente a Imposto Territorial Rural e, por sua precisão e clareza, utilizarei o relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância. Segundo a descrição dos fatos na Notificação de Lançamento, regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a área de preservação permanente, a área de utilização limitada e o valor da terra nua declarada. Contra o interessado foi emitida a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 02 a 06, por meio da qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2003, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 1.400.570.71, relativo ao imóvel rural denominado “FAZENDA PIRAIM”, com área de 13.677,6 ha, NIRF 4.236.031-5, localizado no município de Nossa Senhora do Livramento / MT. Cientificado do lançamento, em 13/12/2007, o Contribuinte, por meio de seu representante legal, protocolizou, em 11/01/2008, a impugnação de fls. 36 a 52, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos anexado ao processo a partir da página 53. O fiscal autuante relata que em procedimento fiscal do cumprimento das obrigações tributárias relativas ao ITR, do exercício de 2003, o contribuinte apresentou, em atendimento ao solicitado na intimação, Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Imóvel para comprovar que não é mais o proprietário do imóvel em virtude de venda, por esse motivo não apresentou os documentos solicitados pela fiscalização. Assim, foi efetuada a glosa das áreas de preservação permanente e utilização limitada pela não comprovação do benefício usufruído e o VTN declarado por estar subavaliado foi alterado com base nas informações do Sistema de Preços de Terras - SIPT da Receita Federal do Brasil. Cientificado do lançamento em 13/12/2007 (fl. 223), o interessado apresentou, em 11/O1/2008, a impugnação de fls. 36 a 51, em síntese, em sua impugnação fez alegações preliminares e de mérito, onde argumentou, que: Preencheu a declaração do ITR, do imóvel, exercício 2003, com erro, pois informou que a área de preservação permanente correspondia a 2.700,0 ha, a área de utilização limitada 8.236,0 ha, porém, o correto é que essas áreas correspondem a 269,9 ha e 2.684,2 ha, respectivamente, e a área imprestáveis 5.368,1 ha; Fl. 355DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 No formulário da declaração de 2003, não há espaço para informar as áreas imprestáveis do imóvel, por isso informou a área de utilização limitada no valor de 8.052,3 hectares; Transcreve ementas de vários julgados do Conselho de Contribuintes para justificar a não obrigatoriedade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA para comprovar a exclusão das áreas consideradas isentas pela lei; A autuação teve por escopo a glosa das áreas de preservação permanente e reserva legal e, também pela desconsideração do valor da terra nua informados na DITR, majorando o VTN declarado no valor de R$ 213,00/ha, contrariando frontalmente os artigos 29 a 31 da Lei 5.172/1966, Lei n° 9.393/1996 e a Lei n° 10.165/2000; Ao ser notificado pela fiscalização da Receita Federal encaminhou cópia do Contrato de Venda da Fazenda em questão, celebrado em 13/08/2003, onde está comprovado na cláusula 02, que o imóvel foi vendido pelo preço de RS 4.000.000,00, ficando o restante do valor dividido em três parcelas para receber dois anos após a venda, o que vem demonstrar que a propriedade foi alienada com prejuízo na ordem de RS 224.730,00; No imóvel há área de pastagens, podendo ser utilizada parcialmente, porque são localizadas às margens de rios, lagoas, courixos (banhados) e áreas de baixo relevo, acumulando águas pluviais represadas, permanecendo submersas em níveis de 40 a 60 cm na maior parte do ano, tornando inviável a exploração pecuária. Comprovação da área de preservação permanente para retificação das informações constantes. Apresenta Laudo Técnico de Avaliação de Imóvel Rural e de comprovação da área de preservação permanente para retificação das informações constantes na DITR/2003. Buscando apurar o principio da verdade material, a Receita Federal poderá valer- se de diligência in loco, vez que o impugnante não se furtará em submeter-se a esse procedimento; Com relação ao VTN, torna-se imperioso que seja desqualificado o Laudo de Avaliação apresentado na fase preliminar de intimação elaborado pelo engenheiro Edivaldo de Freitas, apresentado inadequadamente, considerando o valor da terra nua em 31/12/2002; Por não ter cometido qualquer infração, entende ser descabida, ilegal e inoportuna a multa de 75%; Por último, requer, provimento da impugnação com vistas à revisão do crédito tributário constituído, com base o Laudo de Avaliação e demais documentos apresentados por ser de inteira justiça. Em 22/08/2008, 0 impugnante solicita reconsideração das informações contidas na primeira impugnação apresentada, alegando erro de fato no preenchimento da declaração referente ao Nirf em questão, exercício de 2003. Em sua decisão, o órgão julgador de 1ª instância, acordou pela procedência em parte da impugnação, com manutenção do crédito tributário exigido parcialmente, com aplicação Fl. 356DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 dos acréscimos legais (multa e juros de mora) no percentual conforme previsto na Notificação de Lançamento, manifestando-se no sentido de que: Do Sujeito Passivo da Obrigação Tributária O impugnante alega que não é mais proprietário do imóvel em razão da venda ocorrida em agosto de 2003, mediante Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Imóvel Rural, fls. 74 a 78. Acontece que o documento citado, se constitui apenas em um Termo de Compromisso entre as partes ali contratantes, sob a condição da Escritura Pública de Compra e Venda ser outorgada aos compradores, por ocasião do último pagamento do preço do negócio, ou seja, em maio de 2005. Ressaltamos que o ordenamento jurídico em vigor no país prevê que a formalização de transferência de propriedade de imóveis por compra e venda de imóveis é feita por meio de registro da respectiva escritura pública no Cartório de Registro de Imóveis. O documento trazido aos autos, por se tratar de documento particular, é inservível como prova na transferência da propriedade de imóvel. Não tendo comprovado que em 2003 o interessado não era proprietário do imóvel, logo, é contribuinte do ITR, conforme disposto no art. 4° da Lei n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996 e como tal é responsável pela apresentação da declaração e pelo pagamento do ITR ali apurado no exercício. Da Preliminar de Nulidade Com relação ao questionamento de que houve violação aos artigos 29 e 31 do Código Tributário Nacional, podemos salientar que tal assertiva não se constitui verdadeira, posto que o imposto incide sobre a propriedade territorial rural, tendo como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do município em que se situa. Os documentos apensados aos autos, comprovam que o imóvel em apreço está localizado na zona rural do município de Barão de Melgaço - MT e, portanto, como tal há incidência do Imposto Territorial Rural - ITR, conforme previsto na legislação. Por sua vez, de acordo com o artigo 31 do CTN, é contribuinte do imposto o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou seu possuidor a qualquer. Está devidamente comprovado nos autos, que o imóvel pertence a vários titulares, sendo o interessado um dos condôminos, detendo como participação no condomínio 30,0% do total da propriedade. Assim, enquanto for mantido indiviso, deverá declarar o imóvel apenas um dos titulares, na condição de condômino declarante. De sorte que, que a intimação enviada para um dos condôminos para apresentar documentos referentes a Declaração do ITR de 2003, aproveita a todos os condôminos solidários. Constam às fls. 223 a 229, cópias dos AR(s), que comprovam que todos os condôminos tomaram ciência da intimação para se manifestarem nos autos. Portanto, não há fundamento em se falar em nulidade do ato administrativo. Salientamos, ainda, que crédito tributário foi constituído através de emissão de Notificação de Lançamento, conforme previsto em lei, e os requisitos cujo descumprimento poderia causar a nulidade do feito, encontram-se disciplinados no art. 11, do Decreto n° 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal – PAF. Fl. 357DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 Menciona o artigo 60 onde preconiza que causas diversas das indicadas não ensejarão Nulidade, sendo necessário que tenha havido prejuízo para o sujeito passivo. No presente caso, a notificação de lançamento identificou as irregularidades apuradas e motivou, de conformidade com a legislação, cada alteração efetuada na DITR/2003, de forma clara, como se pode observar na “Descrição do Fatos e Enquadramento Legal”, fls. 02 e 03, estando, portanto, em consonância com os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Assim, é verdade, pois o requerente, impugnou, de forma clara e precisa, a imputação que lhe fora feita, como se depreende da defesa apresentada, expondo os motivos de fato, de direito e os pontos discordantes, suscitando questões preliminares e de mérito, relativamente às matérias envolvidas, nos termos do inciso III, do art. 16 do Decreto n 70.235/1972, não restando qualquer dúvidas de que entendeu perfeitamente do que se tratava a exigência. As hipóteses de nulidade estão claramente estabelecidas na legislação, de modo que as circunstâncias argüidas não causam mácula ao presente lançamento, porquanto se constata a total observância aos requisitos determinantes e norteadores da atividade administrativa do lançamento. Destacamos, outrossim, que na esfera administrativa, não é cabível a discussão quanto a legalidade e/ou constitucionalidade de dispositivos da legislação em vigor. Às Delegacias de Julgamento, como órgãos integrantes da estrutura básica do Ministério da Fazenda, compete julgar, administrativamente, os processos de exigência de créditos tributários relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, obedecendo aos ditames da lei, sendo-lhe defeso apreciar argüições de inconstitucionalidade ou inaplicabilidade de textos legais. Como esclarece Luiz Henrique Barros de Arruda em sua obra “Processo Administrativo Fiscal” (Editora Resenha Tributária - 2” Edição), a função dos órgãos de jurisdição administrativa “consiste em examinar a consentaneidade dos procedimentos fiscais ou decisões das autoridades “a quo com as normas legais vigentes”. E conclui que “falecelhes, como falece aos órgãos do poder Executivo criados "para desempenhar atribuições equivalentes, competência para pronunciar-se a respeito" da conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com os demais preceitos emanadas da própria Constituição Federal, "a -ponto de declarar-lhe a nulidade ou a inaplicabilidade ao caso expressamente nela previsto, matéria reservada, também por força de dispositivo constitucional, ao Poder Judiciário.” Com relação a jurisprudência trazida aos autos, é de ser observado o disposto no artigo 472, do Código de Processo Civil, que estabelece que a “sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros...”. Se não for parte nos litígios objetos dos acórdãos, o interessado não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali proferidas, posto que os efeitos são “inter partes ” e não “erga omnes“. As decisões administrativas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, e somente aplicam-se sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios, pois assim determina o inciso II, do art. 100, do Código Tributário Nacional. Fl. 358DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 Presentemente, no âmbito do processo administrativo fiscal, inexiste norma legal que atribua às decisões de órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa tal efeito. Com isso, fica claro que as decisões administrativas e judiciais, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento da Receita Federal. Solicitação de Perícia Quanto à solicitação de perícia, caso não fosse aceito o Laudo de Avaliação, temos a salientar que esta não se faz necessária no presente caso. A realização de perícia somente se justificaria se o exame das provas apresentadas não pudesse ser realizada por este julgador, em razão da sua complexidade e da necessidade de conhecimentos técnicos específicos. Pelo exposto, nenhuma circunstância há que justifique a perícia pleiteada. O lançamento limitou-se a formalizar a exigência apurada a partir do conteúdo estrito dos dados apresentados em nome do contribuinte, não havendo matéria controversa ou de complexidade que justifique Parecer Técnico Complementar. Assim, e em observância ao art. 18 do Decreto n° 70.235/1972 (PAF), cumpre que se indefira o pedido de perícia sob análise. As declarações do ITR entregues pelo contribuinte à Receita Federal são submetidas à revisão mediante “Malha Fiscal”, atividade exercida pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Da revisão da declaração poderá resultar lavratura de Auto de Infração ou emissão de notificação de lançamento quando forem constatadas inexatidões materiais devidas a lapso manifesto ou erros de cálculos cometidos pelo sujeito passivo ou infração à legislação tributária. O lançamento foi legal e corretamente efetuado com base nas declarações apresentadas pelo contribuinte à Receita Federal. O presente processo versa sobre a glosa das áreas de preservação permanente e utilização limitada/reserva legal informadas no exercício de 2003, em virtude de não ter sido comprovada a isenção e a alteração do VTN declarado, foi com base no valor indicado no laudo apresentado pelo contribuinte. Com a entrada em vigor da Lei n° 9.393/96, o ITR passou a ser lançado por homologação, modalidade na qual cabe ao sujeito passivo apurar o imposto e proceder a seu pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme disposto em seu art. 10, caput, e no art. 150 da Lei n.° 5.172/66 - Código Tributário Nacional- CTN. Área de Preservação Permanente e Reserva Legal Em relação às áreas ambientais pretendidas, verifica-se que, com base na legislação de regência da matéria, exige-se que o contribuinte protocolize, tempestivamente, o Ato Declaratório Ambiental junto ao Ibama, ou seja, após o prazo de seis meses da entrega da declaração do exercício a que se referir. Fl. 359DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 No presente caso, verifica-se que apesar de encontrar-se averbada a área de reserva legal na matrícula do imóvel no percentual de 20%, o Ato Declaratório Ambiental - ADA, nao foi apresentado nos autos, para regularizar o exercício em questão. Cumpre salientar, que por expressa disposição legal, as áreas de preservação permanente e utilização limitada/reserva legal para fins de não incidência do ITR, devem estar obrigatoriamente indicadas em ADA (Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17-O, § 1°, com redação dada pela Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000; art. 1° e Lei n° 4.771,' de 1965, art. 16, com redação dada pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 2001; art. 11, § 1°, da IN/SRF n° 256/2002, e art. 12, § 1° do Decreto n° 4.382/2002 - RITR). Embora tenha o impugnante apresentado Laudo Técnico, Mapa e Memorial descritivo para comprovar a existência das pretendidas áreas ambientais, é necessário salientar que esses documentos não dispensam a necessidade de se comprovar nos autos o cumprimento tempestivo da exigência de protocolização do ADA. Área de Interesse Ecológico 'O contribuinte alega que não concorda com a tributação sobre a área de terras tida como legitimamente inexploradas, em razão da destruição das pastagens provocadas por inundações, tornando imprestáveis para a prática da/atividade rural. As características apontadas pelo impugnante são próprias da região pantaneira, a qual é formada por imensas várzeas sujeitas a inundações constantes na maior parte do ano, fato já considerado na diferenciação, favoravelmente aos proprietários rurais, do índice de lotação e grau de utilização do imóvel; não se confunde com as áreas de preservação permanente ou de reserva legal averbadas nas matrículas dos imóveis e, por si só, não serve de argumento para sua isenção. Nos termos do disposto no art. 10, § 1°, II, b e c, da Lei n° 9.393/96, as áreas de interesse ecológico, para a proteção dos ecossistemas ou comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, para fins de isenção de ITR, devem ser comprovadas, além do ADA, com o Ato do Poder Público (Órgão Federal ou Estadual) que declare, em caráter específico, quais áreas da propriedade são consideradas de interesse ambiental e a que título. Não são admitidas declarações em caráter geral, que não especifiquem quais as áreas da propriedade são de interesse ambiental. No presente processo, não foi apresentado o ato do órgão competente, estadual ou federal, declarando as áreas específicas da propriedade de interesse ecológico, razão pela qual não há como atender o pleito do contribuinte. Com a adoção de desses procedimentos evitam-se distorções, garantindo estar a exclusão do crédito tributário em consonância com a realidade material do imóvel, além de contribuir para maior obediência às normas ambientais em vigência. Calamidade Pública Sobre a alegação de ocorrência de calamidade pública na regiao, ressalte se que a legislação apenas contempla a decretação desse estado em função de evento adverso que tenha destruído pastagens e plantações ou tenha ocasionado frustração de safra ou colheita, desde que Fl. 360DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 reconhecido pelo governo federal. No presente caso, inexistem nos autos, documentos que comprovem tal situação no município de localização do imóvel, que tenha culminado com a destruição de pastagens, até porque, conforme pode ser observado em consulta à declaração, o contribuinte declarou a área de pastagens correspondente a 2.813,6 hectares, sendo esta aceita pela fiscalização. Valor da Terra Nua - VTN Com referência ao questionamento do VTN, cabe salientar que a base de cálculo do ITR e a forma de apuração do VTN tributável encontram previsão nos artigos 10 e 11 da Lei n° 9.393/1996, que assim dispõem. O procedimento de apuração do imposto feito pelo contribuinte fica sujeito a verificação por parte da autoridade fiscal, estando o lançamento de ofício do ITR previsto no art. 14, da Lei n° 9.393/1996, que também é a base legal para a instituição de um sistema de preços de terra por parte da Receita Federal. O valor da terra nua deve corresponder ao valor de mercado na data do fato gerador, conforme previsão legal. As orientações quanto ao valor que deve ser considerado para a terra nua constam dos manuais elaborados pela Receita Federal. Para ilustrar, transcrevo a seguir as Perguntas n° 181 a 183 do manual de Perguntas e Respostas do ITR/2002 expedido pela Secretaria da Receita Federal: “l8l. O que se entende por terra nua, para efeito do ITR? Terra nua é o imóvel por natureza ou acessão natural, compreendendo o solo com a sua superfície e a respectiva mata nativa, floresta natural e pastagem natural. A legislação do ITR adota o mesmo entendimento da legislação civil. Lei n”9.393, de 1996, art.10, § 1",1 e Código Civil, art. 43,1. 182. Como determinar o valor da terra nua, para efeito do ITR? O Valor da Terra Nua - VTN - é o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: I - construções, instalações e benfeitorias; 11 - culturas permanentes e temporárias; III - pastagens cultivadas e melhoradas; IV- florestas plantadas. (Lei n” 9.393, de 1996, art.10, §1“, 1). 183. O VTN é o valor de mercado do imóvel em que data? O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1° de janeiro do no a que se referir a DITR, e será considerado auto avaliação da terra nua apreço de mercado. Fl. 361DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 A determinação para alimentação do SIPT com os valores de terras e mais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR constou do art. 3° da Portaria n° 447 de 28/03/2002. O valor do SIPT só é utilizado quando, após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que o valor apurado pela fiscalização fica sujeito a revisão quando o contribuinte logra comprovar que seu imóvel possui características que justificam essa revisão. O VTN por hectare utilizado para o cálculo do imposto foi extraído do SIPT, conforme consulta de fl. 28, e refere-se ao VTN médio com base nas declarações processadas no exercício em questão para o município de localização do imóvel, em R$ 213,97/ha. É de ser salientado que, no caso de a fiscalização utilizar os valores indicados no SIPT para apuração do VTN de um determinado imóvel rural e seu proprietário discordar dessa avaliação, por entender que seu imóvel possui VTN menor do que a média dos outros imóveis do mesmo município, a legislação faculta a autoridade administrativa rever o VTN considerado no lançamento, desde que o contribuinte apresente Laudo Técnico de Avaliação nos moldes exigidos na intimação, que comprove o VTN efetivo de seu imóvel. Para comprovar que o VTN por hectare do imóvel é menor que o tributado, o contribuinte apresentou o laudo de Avaliação de Imóvel Rural às fls. 80 a 103, elaborado por engenheiro agrônomo, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, devidamente registrada no CREA e da identificação das fontes de pesquisa, onde foi atribuído ao imóvel o valor de R$ 113,90/ha, que será aceito em substituição ao considerado no lançamento. Juros e Multa de Ofício Em sendo apurada irregularidades nas informações prestadas na DITR, há aplicação dos juros de mora em percentual equivalente à taxa Selic, em disposição literal de lei ordinária regularmente editada - art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996, a seguir transcrito - conforme consta do demonstrativo anexo à Notificação de Lançamento (fl. 04): “Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: “Art 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3” do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. “ (grifou-se)” É cabível, ainda, a cobrança da multa conforme disposto no § 2° do art. 14 da Lei n° 9.393/96, em razão de informações inexatas ou incorretas, à alíquota de 75% nos casos de lançamento de ofício do imposto, conforme previsto no art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996, a seguir transcritos: Fl. 362DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 “Art 14 da Lei 9.393/97”(...) § 2° As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. " “Art 44, inciso 1, da Lei n°9.430/1.996”. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1 - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento. pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte. " Assim, verifica-se que o crédito tributário foi apurado conforme previsão legal, sendo apurado o Imposto Territorial Rural aplicando-se a alíquota de cálculo prevista no Anexo da Lei n.° 9.393/1996 sobre o VTN tributável apurado de acordo com o valor indicado no laudo apresentado pelo contribuinte. Ao imposto apurado foram acrescidos multa de ofício e juros de mora, nos termos da legislação citada na Notificação de Lançamento. Em sendo considerado no lançamento do exercício o VTN de R$ 113,90, conforme indicado no laudo, o VTNt será de R$ 1.569.268,64; o valor do imposto devido é alterado para R$ 313.853,73; Diferença do Imposto (Apurado - Declarado) é R$ 313.745,73, relativamente ao lançamento original de fl. 04. Isto posto e considerando tudo mais que dos autos consta, a DRJ acordou pela procedência em parte da impugnação, com manutenção do crédito tributário exigido em parte, com aplicação dos acréscimos legais (multa e juros de mora) no percentual conforme previsto na Notificação de Lançamento. Regularmente cientificado da Decisão da DRJ em 22/03/2010 e insatisfeito com a referida decisão, em 20/04/2010, o contribuinte, impetrou Recurso Voluntário a este Conselho, se insurgindo contra a decisão de primeira instância, informando que após ter sido autuado, protocolou impugnação ao referido auto de infração, a qual foi acolhida de forma parcial, para o fim de alterar a área ocupada alegando que a decisão merece reforma basicamente sob os argumentos de que: Considerações sobre o Valor Da Terra Nua: Conforme consta do v. Acórdão n° 19.511, a DRJ/CGE, Relatório - doc. de fl. 247 - aceitou o preço de R$ 113,34 (cento e treze reais e trinta e quatro centavos), por hectare, na forma proposta através do Laudo de Avaliação do Imóvel (docs. de fls. 99/100), que foi juntado na Impugnação, para a formação do Valor da Terra Nua Tributável. Ocorre que, em rápida análise ao DARF encaminhado junto com a Intimação n° 0213/10, encontramos o valor corrigido do ITR/2003, na cifra de R$ 284.834,73 (duzentos e oitenta e quatro mil, oitocentos e trinta e quatro reais e setenta e três centavos). Diante de tal enquete, há que se rever o cálculo nesse sentido, pois, claro está que a Autoridade Julgadora de Primeira Instância, considerou o VTN de R$ 113,34 por hectare, Fl. 363DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 conforme explicitado no item 8,1, acima mencionado e assim deverá ser aplicado à base de cálculo do ITR. CONSIDERAÇÕES SOBRE AS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, RESERVA DE INTERESSE ECOLÓGICO E INDEFERIMENTO DE PERÍCIA: O recorrente, em sua fase impugnatória procurou instruir os Laudos apresentados, com farta e consistente documentação e dados suficientes para comprovarem à Autoridade Administrativa, da veracidade de suas alegações e informações contidas no processo e afirmou que, havendo dúvidas, estas poderiam ser sanadas pelo Sujeito Ativo da Obrigação Tributária, através da competente perícia que poderia ser realizada no próprio imóvel rural objeto da tributação; A Autoridade Julgadora de Primeira Instância, entendendo que a matéria não é controversa e nem tenha apresentado qualquer grau de complexidade, indeferiu o pedido de perícia “in loco" e nada considerou, para redução da base de cálculo do Valor da Terra Nua, ou seja, desprezou a Área de Reserva Legal, a Área de Reserva Permanente e a Área Comprovada de Terras lnundadas. Em suma, com esse procedimento, o Grau de Utilização foi mantido em 20,5% e a Alíquota de cálculo, permaneceu em 20% sobre a Base de Cálculo. Comprovadamente foi demonstrado pelo Laudo de Avaliação da Propriedade conforme descrição conforme docs. de fls. 99/100 - Item 7.2.3 - Classificação da Capacidade de uso das terras – assim se constitui a propriedade objeto de tributação. O QUADRO RESUMO COM A DISTRIBUIÇÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, constante do LAUDO TECNICO – AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - APP - doc. de fl. 220 – comprova que, devidamente amparado nas normas técnicas estabelecidas na Lei n° 4.771/65 (art. 2°), o Recorrente faz jus à dedução de 269,94 hectares de RESERVA PERMANENTE e isso não pode ser desconsiderado por esse Egrégio Conselho. Da mesma forma, as matrículas dos imóveis, comprovam a existência de 2.724,08 hectares de área de Reserva Legal, devidamente averbadas, que também deverá ser considerada, para a redução da Área de Terras Nuas Tributáveis. Sendo consideradas as exposições cima, devidamente comprovadas no processo impugnatório, consubstanciadas nas matriculas do imóvel e nos Laudos de Avaliação e Técnico Reserva Permanente, o cálculo do ITR/2003, deve ser revisto, com vistas à sua redução, em face da tabela apresentada às fls. 309. Ignorou, também, a área de Destruição de Pastagens, por inundação, de 5.368,15 ha, conforme provas fartamente comprovadas através do Relatório Fotográfico - docs. de fls. 185/187, Carta do IBGE - docs. de fls. 188/202, e Imagens de Satélite - docs. de fls. 203/204; Conforme se vê no gráfico acima exposto, na linha n° 13, o recorrente informa que na propriedade existem 2.813,60 ha, de pastagens disponiveis para o exercício da atividade pecuária, em sua plena capacidade de exploração; Fl. 364DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 Verifica-se, também, no mesmo gráfico, à linha 16, a informação de 5.368,15 has, que compõem-se de pastagens, que poderiam ser normalmente exploradas, não fosse a inundação, que torna essa área totalmente imprestável para a atividade rural, em conseqüência das enchentes da região pantaneira, que atingiram e continuam atingindo o imóvel objeto de tributação. Na DIAT/2003, o recorrente informou essa área inundada, de forma incorreta, como sendo de Reserva de Utilização Limitada, porém, por falta de campo especifico para esse tipo de informação, no formulário em apreço, é imperioso que essa área seja lançada no seu “Campo 11"- Frustração ou Destruição de Pastagens por /calamidade Pública - Inundação. As enchentes no Pantanal mato-grossense, é um acontecimento notório, de ampla e irrefutável divulgação, de conhecimento público, que dispensa qualquer tipo de contra-prova, contraditoriamente ao que alude a Autoridade Julgadora de Primeira Instância, pois, jamais seria possível criar bovinos numa pastagem, coberta por um lençol d'água de 60 (sessenta) centímetros, em torno de 6 (seis) meses durante o ano, cujas pastagens, demoram de 90 (noventa) a 120 (cento e vinte) dias, após, para ser recuperarem, Há um prejuizo irrefutável, que não pode ser ignorado no cômputo da base de cálculo do imposto, e o contribuinte não pode e não deve ser compelido a pagá-lo de forma indevida, coercitivamente. Colacionou algumas decisões jurisprudenciais. SOBRE A OCUPAÇÃO DA ÁREA: Para expor com a maior transparência possível, no que concerne à legislação em- questão, pertinente ao caso concreto, o Recorrente tomou o devido cuidado em elucidar, informar e comprovar a essa Colenda Câmara, através de Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional legalmente habilitado, em consonância com a NBR n° 14.653, da ABNT, ora anexado à presente, detalhando matrícula por matricula, a área total de cada Lote e as respectivas RESERVAS, LEGAL e de PRESERVAÇÃO PERMANENTE, com as averbações no CRI - 1° SNR - Várzea Grande - MT, e a área afetada pela inundação, em face do período de enchentes pantaneiras, fato esse que, por si só, desterra a pretensão do Sujeito Ativo da Obrigação Tributária, na pessoa da Autoridade Administrativa Lançadora, quando insiste em constituir crédito tributário na rubrica de ITR, como da não existência de área de RESERVA LEGAL e de PRESERVAÇÃO PERMANENTE, dentro da propriedade do Impugnante; Se, isso não bastasse para consubstanciar a prova, existe ainda, o instrumento da diligência "in loco” que a Autoridade Administrativa de Primeira Instância, por razões que não sabemos dizer, e já não querendo utilizá-lo, abriu mão desse dispositivo legal, por achar, talvez, muito mais prático optar pela tributação total da área, negando ao recorrente a existência de sua comprovada Reserva Legal – aspecto absurdo - sob todos os pontos de vista. Ainda, com relaçäo à RESERVA LEGAL informa o recorrente, que o Art.12, do regulamento sobre a Propriedade Territorial Rural ( Decreto n° 4.382/2002) foi totalmente observado, conforme se relata a seguir: “Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindo-se apenas sua utilização sob regime de regime de manejo florestal sustentado ( Lei n° 4.771 de 1965, art. 16, com redação dada pela M. P. n° 2.166-67 de 2001). Fl. 365DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 § 1° - Para efeito da legislação do ITR, as áreas que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. § 2°- Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação ( Lei n° 4.771 de 1965, art. 16, § 10 acrescentado pela M.P. n° 2.166-67, de 2001, art. 1°)." SOBRE O “GUT” E A ALÍQUOTA DO IMPOSTO: 11.1- Sobre a alíquota utilizada no cálculo do Crédito Tributário ora constituído pela Autoridade Lançadora, o recorrente vem apresentar a sua discordância, fundamentado nas questões de mérito e preliminares já abordadas, pois não pode o Autuante atribuir o “fator de tributação" sobre uma área de terras tida legitimamente como inexplorada, mesmo que não tenha exploração, ou não dispusesse de averbação nos moldes exigidos pela Receita Federal do Brasil, pois é inconcebível que a legislação na sua aplicação em tais circunstâncias, deixe de considerar a ÁREA DE DESTRUIÇÃO DE PASTAGEM (por inundação, tornando-se comprovadamente imprestáveis para a prática da atividade rural), fundamentado apenas em aspectos formais e burocráticos, quando em verdade a ocupação da área deixa de ser apenas um ato jurídico e se consubstancia em questão de mérito, que poderia ser perfeitamente constatado por Órgãos competentes, criados para tal fim. Se o legislador ao desconsiderar a Reserva Leqal. A Área de Preservação Permanente, e parte da área de ocupação do imóvel. apenas e tão-somente com base em procedimentos burocráticos e exercer sua taxação pela ausência desses pressupostos. estaria, então, insofismavelmente, convalidando a utilização total da área de forma impositiva fato esse que seria impossível, porque estaria obrigando o Impuqnante a incorrer em crime contra a Natureza. cuia competência de fiscalização, seguramente, não seria da Receita Federal do Brasil. A utilização da propriedade, foi realizada de maneira racional, cujas peculiaridades exigem uma exploração mais voltada para a preservação, do que para questões frias e calculistas, de PRODUÇÃO e PRODUTIVIDADE, exercendo a atividade rural, em compatibilidade com a condição que a propriedade rural naturalmente oferece, de acordo com o seu bioma peculiar. É importante, observar também, que o Legislador de forma esparsa estabeleceu os pressupostos tributários e cujas peculiaridades remeteu-as à consideração genérica, contrariando a aplicação da lei no tempo e no espaço, pois não se pode dar o mesmo tratamento à terras no Estado de São Paulo, Santa Catarina ou do Parana, etc., e mesmo em relação à terras deste vasto e importante Estado de Mato Grosso, especialmente às inseridas na região do Pantanal Mato- grossense, que diferem das demais regiões, razão pela qual, torna-se imperiosa a revisão da alíquota aplicada de 20%, restabelecida ao nível da DITR re-ratificada. conforme Demonstrativo apresentado no Demonstrativo do item 9.7 (Iinha24) do presente. isto é. com alíquota de 3% (três por cento), resultante do qrau de utilização. acima de 80% (oitenta por cento). ASPECTOS IMPORTANTES DA IMPUGNAÇAO QUE ENSEJAM A REVISAO DA DECISÃO EM JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA: Fl. 366DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 O recorrente pede a devida vënia a Vossas Senhorias, para reprisar alguns tópicos importantes, abordados na peça impugnatória, que não foram devidamente . analisadas pela Autoridade Julgadora de Primeira Instância que não podem ser ignoradas ou desprezadas nesta apreciação de mérito. Vejamos: DESCONSIDERAÇAO DA AREA DE RESERVA LEGAL CARTÓRIO DO REGISTRO DE IMÓVEIS DA COMARCA DE VARZEA GRANDE -MT. Conforme comprova a Impugnante,_ a Reserva Legal de 2.724,08 hectares, está legalmente averbada à margem das matriculas do registro imobiliário competente, fatoçesse que, por si só, valida a comprovação da sua DITR/2003, trazendo ainda o reforço inexpugnável da jurisprudência esposada pelo Egrégio Terceiro Conselho' de Contribuintes. DESCONSIDERAÇÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇAO PERMANENTE As - imagens de satélite inseridas nos novos Laudos Técnicos de Comprovação de Área de Interesse Ambiental e de Preservação Permanente, anexados à presente, assinados pelo Engenheiro Agrônomo LEONEL ALVES PEREIRA - CREA/MT 3517-D, devidamente elaborados em consonância com a NBR-14653, da ABNT, comprovam a Reserva de Preservação Permanente, somando 269,94 hectares. Tais comprovaçöes, acham-se inseridas no item 9, dos respectivos Laudos de APP. DESCONSIDERAÇAO DA AREA UTILIZADA PELA ATIVIDADE RURAL A Notificação de lançamento o Senhor Auditor Fiscal já considerou a área de 2.813,60 hectares de pastagens exploradas, e esse montante deve ser mantido. Mas, é preciso observar também, que na propriedade, existe uma área de 5.368,15 hectares de pastagens, que somente podem ser utilizadas parcialmente, porque consistem em terras localizadas às margens de rios, lagoas, courixos (banhados) e áreas de baixo relevo, que acumulam águas pluviais represadas, e permanecem submersas em niveis de 40 a 60 centímetros, na maior parte do ano, tornando inviável a prática da exploração pecuária. Conotadamente, essas áreas são imprestáveis para a exploração rural, e, por falta de campo específico no DIAT, devem ser consideradas como ÁREA COMPROVADAMENTE IMPRESTÁVEL PARA A ATIVIDADE RURAL, nos termos do Inciso Vl, do Art. 10, do Decreto n° 4.382/2002, que deve ser excluída da TRIBUTAÇÃO do ITR. É importante reprisar, para que não pairem dúvidas: No Laudo de Avaliação, o Engenheiro Agrônomo Leonel Alves Pereira, ao atribuir a Nota Agronômica ao imóvel, no item 7.2.3 - Classificação da Capacidade de uso das terras, na alinea “d" - Classe VIII. O imóvel obteve a Nota Agronômica em função da classificação de uso e da condição de acesso ao imóvel, no ano de referencia, no período de novembro a março, época das chuvas, alguns pontos do acesso ficavam intransitáveis, sendo possível o acesso ao imóvel somente por meio aéreo, com isso tinha-se uma condição desfavorável. Em 2004 foi feito uma parceria entre o Governo do Estado e os Produtores Rurais da região para que se levantassem as Fl. 367DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 Estradas a fim de permitir o trafego mesmo no período chuvoso, em que o proprietário do imóvel avaliando foi Presidente da Comissão de construção das mesmas. d) Classe VllI:- Sao terras impróprias para qualquer tipo de cultivo, devido à permanência, em grande parte do ano, de alagamentos e mesmo no período seco, as áreas encontram-se muito encharcadas, impossibilitando o desenvolvimento de qualquer atividade económica. Na área em estudo esta classe representa um percentual de 60%, cujo alagamento dura em média 6 (seis) meses do ano, desde o inicio do período chuvoso até o final do escoamento das águas na estiagem, ficando nos outros meses bastante encharcadas por se tratar de um relevo extremamente plano e ter forte influencia do Rio Cuiabá que se “desencaixa" do seu leito, no período chuvoso, atingindo grande parte da propriedade. inseridos nestes 60% estão os 20% do total da propriedade que estão destinados para área de Reserva Legal, conforme averbado na matrícula. DESCONSIDERAÇÃO DO GRAU DE UTILIZAÇÃO DA TERRA E DA ALIQUOTA DE TRIBUTAÇAO. O Grau de Utilização ( GU) também deve ser revisto por Vossa Senhoria, conforme as exposições apresentadas por este lmpugnante, na presente peça impugnatória, em especial, nos itens 14, 16 e 20 e seus itens, cujo índice de 81,81% deve ser mantido, por ter sido calculado em consonância com a orientação do artigo 31, do Decreto n° 4.382/2002, com a apuração da alíquota de 3% (três por cento). A Autoridade Lançadora, ao desconsiderar as Áreas de Reserva Legal, de Preservação Permanente e por não ter desonerado do Imposto, a área de 5.368,15 hectares de terras imprestáveis para a exploração rural, apontou o indice inaceitável de 20,5 %, atingindo este Impugnante com a alíquota máxima de 20%. A revisão desse quesito torna-se imperiosa, tendo em vista todos os documentos comprobatórios, demonstrações fáticas e de direito e laudos ora juntados à presente. CÁLCULO DO VALOR DA TERRA NUA O Valor da Terra Nua, também deve ser revisto por essa Colenda Câmara, tendo em vista que 0 preço foi aceito pela Autoridade Julgadora de Primeira Instância, na ordem de R$ 113,34 por hectare, em conformidade com o grau de fundamentação e precisão esposado pelo Engenheiro Agrônomo Leonel Alves Pereira, nos Laudos de Avaliação dos Imóveis, em consonância com a NBR-14653-3/2004, da ABNT, que na peça impugnatória, assim ficou demonstrado: A avaliação da área em epígrafe obedece a sistemática preconizada pela NBR 14.653-3 da Associaçao Brasileira de Normas Técnica. que permite obter o preço de mercado da área como um todo, através de pesquisa de mercado junto a instituições e pessoas ligadas ao meio rural na região de influencia do imóvel, bem como de negócios realizados através de escrituras públicas de compra e venda. O preço da terra nua foi obtido após tratamento estatístico das amostras de pesquisas realizadas na região, mais precisamente no municipio de Nossa Senhora do Livramento e Barao de Melgaço. O tratamento estatistico foi realizado para correção em funçao das diferentes classes de capacidade de uso, correção do valor da terra em função das diferentes condiçoes de acesso as propriedades e do valor das benfeitorias de cada amostra. Cálculo do Valor da Terra Nua (VTN) Fl. 368DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 Definiu-se uma situação de imóvel paradigma, qual seja o imóvel avaliando sujeitando-o à metodologia: - os coeficientes de correção são submetidos a cruzamento de informação dos dados do objeto em função das variáveis objetivadas, como classe de capacidade do uso das terras e condições de acesso, que detiniu o indice de Nota Agronômica (NA). Depois, procedeu-se a homogeneizaçao dos valores, estabelecendo uma relaçäo entre as variaveis de Nota Agronômica, obtendo-se fatores correspondentes que, multiplicados pela ancianidade, resultaram no Fator de Homogeneizaçao Total (FHT) de cada imóvel. Com a multiplicação do FHT pelo VTNlha (valor terra nua por ha) de cada imóvel pesquisado, obteve-se o VTNlha homogeneizado em relaçäo à situação paradigma. Depois, foi realizado o calculo da media simples dos valores, que alcançou um valor de R$ 113,34lha (Cento e Treze Reais e Trinta e Quatro Centavos por Hectare). O valor obtido serviu para avaliar a Terra Nua do imóvel em iguais condições aos amostrados. (Docs. de fls. 99/100 e 247). Outra condicionante (variável independente) Para chegarmos ao VTN, com base em amostras (imóveis) e balizados pela NBR 14.653-3, utilizamos as condicionantes: Capacidade de Uso dos Solos, Condições de Acesso e o Indice de Nota Agronômica (NA). O imóvel em estudo possui uma condicionante (particularidade) de muita relevância, que provoca grande influência na apuração de seu Valor da Terra Nua (VTN) e é de vital importancia no planejamento da avaliação, Esta particularidade diz respeito a localização da propriedade. O imóvel em estudo está localizado na Zona Tampäo de Sanidade Animal, pois o municipio de Nossa Senhora do Livramento faz parte dos municípios que tem restrições para a comercialização de seus animais por causa da aftosa, com frigoríficos que exportam para a Europa, conforme consta no Manual de Preenchimento para Emissão de Guia de Trânsito Animal de bovinos e bubalinos, tendo que comercializar seus bovinos, com frigoríficos de pequeno porte, que vendem para o mercado interno. Face o exposto,o valor da Terra Nua, aceito pela Autoridade Julgadora de Primeira Instância é de R$ 113,34 (cento e treze reais e trinta e quatro centavos), por hectare, devendo assim ser aplicado à base de cálculo para apuração do imposto devido. VALOR DA TERRA NUA TRIBUTÁVEL › Conforme preceitua o Art. 33, do Decreto 4.382/2002, este Impugnante tomou todas as precauções, para, corretamente, desenvolver o cálculo do VTNT - Valor da Terra Nua Tributável - do imóvel, apurando-se o VTNt divergente daquele apresentado pelo Sujeito 'Ativo da Obrigação Tributária, razão pela qual deverá ser retificado e corrigido. O lançamento também deve ser revisto quanto a essa rubrica, pois o valor lançado pela Autoridade Administrativa, exorbita da realidade, tendo em vista o elevado preço que foi atribuído para cada hectare, conforme já ficou claramente demonstrado no Laudo de Avaliação, anexado à impugnação e cujo valor já foi aceito, por ter sido informado pelo recorrente, de maneira correta. (ver item 9.7- págs: 6 e 7). CÁLCULO DO ITR/2003 Fl. 369DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 Por conseqüência, mediante a revisão de todas as rubricas retromencionadas, mister se faz, com que 0 Cálculo do ITR também seja revisto, pois, deve ser recalculado com base nos valores e informações fiscais retificados, cujo produto, após a aplicação da alíquota de 3%, apresentará significante redução no ITR indevidamente calculado pela Autoridade Administrativa. O Valor calculado já foi devidamente parcelado pelo recorrente e está sendo recolhido pontualmente. DO RECONHECIMENTO DO ITR. DEVIDO E PARCELAMENTO DA DIVIDA O recorrente informa à essa Colenda Câmara, que o valor do- ITR, resultante do novo cálculo efetuado, quando da impugnação, que foi reconhecido como imposto suplementar devido, já foi devidamente parcelado, antes de o processo administrativo seguir para a DRJ/CGE para apreciação e julgamento e as parcelas estão sendo recolhidas de forma regular e com pontualidade. (ver docs. de fls. 23/262 - Processo Novo: 10183720 136/2008-58). DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTARIA ` Conforme comprovam os instrumentos de mandato inclusos na presente, fazem parte, de forma única e solidária, os condôminos do imóvel, como integrantes desta relação tributária, os Senhores: ANTONlO ROBERTO PICHINI - CPF. 161.571.251-87; PALMERINO PICHINI - CPF. 108.013.169-87; EDSON PICHININ - CPF. 391.580.559-91; ALDEMIR SÉRGIO PICHINI - CPF. 511.974.309-97 e MARCOS LÚCIO PICHININ - CPF. 474.279.811- 20, os quais, manifestam concordância aos termos desta, através do Procurador legal, MILTON PASCOAL PICHININI, adiante assinado. DO REQUERIMENTO Diante do exposto, é este para requerer à Vossas Senhorias, que se dignem em receber o presente, dando-lhe provimento para, no mérito, reconhecer a isenção . da reserva legal averbada, a APP, a desoneração do imposto sobre a área inundada, a correção do VTN e a aplicação correta da alíquota de 3% (três por cento) na constituição do crédito tributário, reduzindo-o ao valor devido, cancelando de plano a parcela impugnada, objeto de recurso, por ser de direito e de inteira justiça! Voto Conselheiro Francisco Nogueira Guarita, Relator Por ser tempestivo e por atender as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. A insatisfação do contribuinte em relação ao acórdão da DRJ, ao mencionar as razões do recurso voluntário, inicia demonstrando preliminarmente que o recurso é admissível, discorrendo sobre o enunciado do acórdão da DRJ/CGE, relatando a seguir sobre os tópicos da impugnação rejeitados pela DRJ (nulidade, perícia, área de preservação permanente: área de reserva legal e área de interesse ecológico) e os acolhidos em parte (valor da terra nua). No mérito, fez considerações sobre o VALOR DA TERRA NUA, sobre as ÁREAS DE Fl. 370DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 PRESERVAÇÃO PERMANENTE, RESERVA LEGAL, DE INTERESSE ECOLÓGICO, INDEFERIMENTO DE PERÍCIA, SOBRE A OCUPAÇÃO DA ÁREA, SOBRE O “GUT” E A ALÍQUOTA DO IMPOSTO. Finalmente, mencionou os ASPECTOS IMPORTANTES QUE ENSEJAM A REVISÃO DA DECISÃO EM JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, sendo eles: 1 – A DESCONSIDERAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL, 2 – DESCONSIDERAÇÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, 3 – DESCONSIDERAÇÃO DA ÁREA UTILIZADA PELA ATIVIDADE RURAL, 4 – DESCONSIDERAÇÃO DO GRAU DE UTILIZAÇÃO DA TERRA E DA ALÍQUOTA DE TRIBUTAÇÃO e 4 – VALOR DA TERRA NUA. Ao final, o recorrente faz relato sobre o CÁLCULO DO ITR 2003, informando que mediante e a revisão de todas as rubricas retromencionadas, mister se faz, com que o cálculo do ITR também seja revisto, pois, deve ser recalculado com base nos valores e informações fiscais retificados, cujo produto, após a aplicação da alíquota de 3%, apresentará significante redução no ITR indevidamente calculado pela Autoridade Administrativa. O Valor calculado já foi devidamente parcelado pelo recorrente e está sendo recolhido pontualmente. Em seguida, informa que fez o RECONHECIMENTO DO ITR DEVIDO E FEZ O PARCELAMENTO DA DIVIDA, informando a este Conselho que o valor do- ITR, resultante do novo cálculo efetuado, quando da impugnação, que foi reconhecido como imposto suplementar devido, já foi devidamente parcelado, antes de o processo administrativo seguir para a DRJ/CGE para apreciação e julgamento e as parcelas estão sendo recolhidas de forma regular e com pontualidade. Parcelamento este efetuado conforme o processo 10183720.136/2008-58), anexo às folhas 23/362. Ao analisar este processo, observa-se que o contribuinte fez o pagamento em 29/09/2006 no valor de 108,01, tendo como período de apuração 01/01/2006, conforme o valor apurado em sua declaração do imposto territorial rural do ano de 2003, pagamento este que não influi no resultado deste julgamento, no sentido de extinguir o crédito tributário em questão, pois trata-se do valor considerado devido pelo mesmo em sua declaração e não ao valor constante da autuação em questão. Em relação ao SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA, o contribuinte enumera todos os demais condôminos participantes da relação tributária: ANTONlO ROBERTO PICHINI – CPF 161.571.251-87; PALMERINO PICHINI – CPF 108.013.169-87; EDSON PICHININ - CPF. 391.580.559-91; ALDEMIR SÉRGIO PICHINI - CPF. 511.974.309- 97 e MARCOS LÚCIO PICHININ - CPF. 474.279.811-20, os quais, manifestam concordância aos termos desta, através do Procurador legal, MILTON PASCOAL PICHININ, adiante assinado. Ao final, o contribuinte faz requerimento a este Conselho, para que seja reconhecida a isenção da reserva legal averbada, a APP, a desoneração do imposto sobre a área inundada, a correção do VTNt e a aplicação correta da alíquota de 3% (três por cento) na constituição do crédito tributário, reduzindo-o ao valor devido, cancelando de plano a parcela impugnada, objeto de recurso, por ser de direito e de inteira justiça. 2 - MÉRITO DESCONSIDERAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL Sobre o questionamento, o contribuinte pode suscitar direito à isenção da referida área, pois há de se ressaltar que se trata de tema sobre o qual o Conselho Administrativo de Fl. 371DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo é transcrito abaixo: Súmula CARF nº 122 A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Por conta disso, deve ser excluída da tributação a área declarada a título de reserva legal, pois a mesma se encontra assentada no registro de imóveis, sendo portanto desnecessário o protocolo do ADA junto ao IBAMA. Como visto, resta claro ser prescindível que as áreas de preservação de reserva legal sejam reconhecidas mediante ato do IBAMA. DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Neste tema, observa-se que a autuação deveu-se basicamente à falta de apresentação do ADA emitido pelo Ibama, autuação esta confirmada pelo órgão julgador de primeira instância. Em seu recurso, o contribuinte apenas rebateu a referida exigência, apresentado os dispositivos legais que segundo o mesmo dispensariam a sua apresentação e também a jurisprudência nesse sentido. A apresentação de Laudo Técnico, Memorial Descritivo, plantas que comprovam a existência das área de preservação permanente excluem a obrigatoriedade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA junto ao Ibama. Tais documentos comprovam a existência física das áreas de preservação permanente e outras porventura existentes no imóvel, Portanto, para a exclusão da tributação do ITR sobre a área de preservação permanente é necessária a comprovação efetiva da existência dessas áreas. Neste questionamento, entendo que deve ser acatada a área declarada a título de preservação permanente constante do laudo agronómico apresentado. A dispensa do protocolo do ADA junto ao IBAMA é baseado no parecer PGFN/CRJ/Nº 1329/2016, onde o mesmo defende que nas decisões que envolvam a necessidade de averbação e prova das áreas de Reserva legal e preservação permanente através de Ato Declaratório Ambiental para a Isenção do Imposto Territorial Rural, a PGFN seja dispensada de contestar e recorrer das decisões contrárias. Segundo partes do mesmo temos que: Exame da jurisprudência sobre o questionamento feito à luz da legislação anterior à Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000 - que deu nova redação ao art. 17-O da Lei nº 6.938, de 27 de dezembro de 2000 - e à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 - Novo Código Florestal. Com efeito, os precedentes do STJ que estabelecem a desnecessidade de apresentação de ADA para fins de gozo da isenção tributária do ITR, seja para reconhecimento de área de reserva legal, seja para a área de preservação permanente, justificam que tal Fl. 372DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 obrigação constava somente em ato normativo secundário – IN SRF nº 67, de 1997, não tendo o condão de vincular o contribuinte Dessa forma, inexiste razão para o Procurador da Fazenda Nacional contestar ou recorrer quando a demanda estiver regida pela legislação anterior à Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000 (que deu nova redação ao art. 17-O da Lei nº 6.938, de 27 de dezembro de 2000), se a discussão referir-se às seguintes matérias: (i) a necessidade ou não de prova da averbação da reserva legal como condição para a concessão da isenção do ITR; (ii) a necessidade ou não da averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR; e (iii) a necessidade ou não de apresentação do ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR em área de preservação permanente e de reserva legal. De acordo com o parecer acima, não tem por que manter autuação por temas em que a PGFN já se manifestou no sentido de não mais contestar ou recorrer, devendo portanto, ser acatado o recurso voluntário no sentido da exclusão da área total, para fins de apuração da área aproveitável do imóvel rural, a Área de Preservação Permanente declarada e comprovada. DESCONSIDERAÇÃO DA ÁREA UTILIZADA PELA ATIVIDADE RURAL Se analisarmos a Notificação de Lançamento, perceberemos que a autuação considerou a área de pastagens declarada pelo contribuinte. Quanto às demais áreas, supostamente declaradas inutilizadas para a atividade rural, devido às alagações constantes, não merece guarida por este órgão julgador, haja vista o fato de que tais alagamentos são típicos da região de localização do imóvel, que não se trata de nada de extraordinário, a ponto de ser declarado de calamidade pública ou situação similar. Além do mais, o contribuinte não apresentou documentos certificados por órgão competente no sentido de ratificar o afirmado pelo mesmo em sua argumentação. DESCONSIDERAÇÃO DO GRAU DE UTILIZAÇÃO DA TERRA E DA ALÍQUOTA DE TRIBUTAÇÃO O grau de utilização inicial, considerado pela autuação com base nas exclusões das áreas de isenção declaradas pelo contribuinte foi de 20,5, que resultaria numa alíquota de imposto de 20%. Ao considerarmos a reserva legal e a área de preservação permanente declaradas e comprovadas pelo recorrente, aumentaremos o grau de utilização do imóvel, devendo o novo cálculo levar em conta as exclusões das áreas acatadas por este Conselho. Por conta disso, deve ser revisto o grau de utilização do imóvel, com o consequente reenquadramento da alíquota de tributação. VALOR DA TERRA NUA. Considerando que o órgão julgador originário acatou o laudo de avaliação apresentado pelo contribuinte, com a consequente redução na autuação, não temos por que analisar a demanda do mesmo neste sentido. Fl. 373DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 Conclusão Assim, tendo em vista tudo que consta nos autos, bem como na descrição dos fatos e fundamentos legais que integram o presente, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito em dar provimento parcial, devendo ser considerada a reserva legal de 2.755,52 declarada e comprovada pelo contribuinte e a área de preservação permanente de 269,94 hectares, conforme o laudo de avaliação apresentado. (assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita Fl. 374DF CARF MF

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Numero do processo: 18471.001817/2006-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. A quantia correspondente a acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos auferidos pelo contribuinte sujeita-se à tributação do Imposto de Renda. RECURSOS. COMPROVAÇÃO. Uma vez comprovados recursos pelo contribuinte, tais valores devem figurar como origem no correspondente demonstrativo de evolução patrimonial NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. A preclusão indica a perda da capacidade processual, pelo seu não uso dentro do prazo peremptório previsto em lei (preclusão temporal); ou pelo fato de havê-lo exercido (preclusão consumativa); ou, ainda, pela prática de ato incompatível com aquele que se pretenda exercitar no processo (preclusão lógica).
Numero da decisão: 2401-006.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Relatora (documento assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING

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A quantia correspondente a acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos auferidos pelo contribuinte sujeita-se à tributação do Imposto de Renda. RECURSOS. COMPROVAÇÃO. Uma vez comprovados recursos pelo contribuinte, tais valores devem figurar como origem no correspondente demonstrativo de evolução patrimonial NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. A preclusão indica a perda da capacidade processual, pelo seu não uso dentro do prazo peremptório previsto em lei (preclusão temporal); ou pelo fato de havê-lo exercido (preclusão consumativa); ou, ainda, pela prática de ato incompatível com aquele que se pretenda exercitar no processo (preclusão lógica). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING - Relatora (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 18 17 /2 00 6- 18 Fl. 386DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.716 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001817/2006-18 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório O presente lançamento reporta-se à apuração de omissão de rendimentos em decorrência de variação patrimonial a descoberto no ano-calendário de 2001. Impugnada a exigência fiscal pelo contribuinte alegou, o órgão julgador a quo acatou parte de suas alegações, nos seguintes termos: - com relação à alegação acerca da diferença de R$468,72 a título de rendimentos tributáveis recebidos no ano de 2001, assiste razão ao contribuinte; - no que tange aos rendimentos isentos e não tributáveis, a Fiscalização incluiu, no demonstrativo de fl. 274, somente o correspondente aos rendimentos de caderneta de poupança. No entanto, o contribuinte havia declarado outros rendimentos isentos e comprovou, por meio do documento de fl. 277, o montante de R$27.385,51; E, assim, conclui a DRJ: “(...) deve ser incluído no demonstrativo de fl. 274, como origem, o montante de R$27.854,23 (R$27.385,51 + 468,72), o que reduz a infração de acréscimo a descoberto de R$192.769,06 para R$164.914,83. Com relação à alegação do contribuinte de que teve recursos não incluídos no fluxo patrimonial decorrentes de alienação de ativo imobilizado, tal alegação carece de suporte probatório. O simples fato de haver informação na relação de bens e direitos da DIRPF do contribuinte de que valores de bens foram reduzidos a zero não constitui elemento de prova suficiente para comprovar a origem de recursos. O contribuinte sequer informou, no campo relativo à discriminação dos bens se houve alguma venda, por exemplo. Ainda assim, tal fato, por si só, não seria suficiente para comprovar a efetividade da suposta operação, tampouco o valor que teria sido objeto da alienação.(...)” Cientificado da decisão de piso, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (e- fls. 318 a 326), tentando comprovar, nos termos a seguir resumidos, a origem de recursos não considerados pela fiscalização: a) Rendimentos estes pagos em folha de pagamento oriunda do Tesouro Nacional e ainda os oriundos de erro em conta por parte da própria auditora: Totalizando: R$27.854,23. O balancete demonstrativo destes rendimentos constam do Anexo 3, nele também é apresentada uma correção nos erros de soma cometidos pela auditora, implicando cm uma diferença adicional a favor do contribuinte, além das entradas relacionadas que deixaram de ser computadas na análise. O comprovante das receitas relacionadas consta do Anexo 4; b) Rendimentos oriundos de Venda de Ativos do contribuinte: Totalizando: R$166.052,00. O balancete demonstrativo destes rendimentos é reapresentado no Anexo 5. A saber: -Registro de Imóvel comprovando a venda do terreno no valor de R$ 60.000,00- comprovante consta do Anexo 6 Fl. 387DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.716 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001817/2006-18 -Escritura Pública de Confissão de Divida, relativa a aquisição das benfeitorias realizadas no terreno, no valor de R$108.000,00, divida parcelada, garantida por promissórias, que foram descontadas por R$100.000,00- comprovantes consta do Anexo 7 - R$6.052,00 referente a venda de posições de ações da carteira do contribuinte — As ações já aparecem nas declaração de imposto de Renda do contribuinte corno patrimônio em 1993 e seguem até 2001, quando foram desincorporadas por terem tido o direito sobre elas repassado a terceiros e vendidas. Anexos 8 e 9; c) Devolução de Imposto de Renda de Renda referente ao Ano de 2000 (ocorrida em 2001): R$536,58 que consta do Anexo 10. Segundo o recorrente, estes rendimentos, que foram omitidos na análise da auditora, e que totalizam R$194.442.81, representam um valor maior que a alegada variação patrimonial a descoberto que monta a R$192.769,06. É o relatório. Voto Conselheira MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING, Relatora. Admissibilidade. O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate em 29/12/2009, apresentando na mesma data o presente Recurso Voluntário conforme despacho às e-fls. 380, sendo, portanto, TEMPESTIVO, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. Do mérito Com relação ao arguido pelo recorrente, tem-se que: a) quanto ao valor correspondente a Rendimentos estes pagos em folha de pagamento oriunda do Tesouro Nacional, totalizando R$27.854,23, o montante já foi considerado pelo órgão julgador a quo, que determinou a exclusão do mesmo da base de cálculo do tributo (e-fls.312); b) quanto aos rendimentos oriundos de Venda de Ativos do contribuinte, totalizando R$ 166.052,00, mais uma vez o contribuinte não logrou êxito em comprovar suas alegações. De fato, o documento constante como Anexo 6 (e-fls. 332) encontra-se incompleto, não sendo possível identificar de que imóvel se trata. Do mesmo modo, o documento constante como Anexo 7 (e-fls. 333 a 335) consiste numa Escritura Pública de Confissão de Divida, tendo como credora a esposa do contribuinte, relativa a benfeitorias no valor de R$108.000,00, a ser pago em parcelas, não havendo comprovação do efetivo recebimento deste total no curso do ano-calendário fiscalizado; c) quanto ao valor de R$6.052,00 referente a venda de posições de ações da carteira do contribuinte, constam como Anexos 8 e 9 (e-fls. 336 a 339) cópias da declaração de IRPF do contribuinte que não servem de prova como já atestou a DRJ na decisão de piso. Além destas cópias, o recorrente acrescenta às e-fls. 340 um recibo no valor de R$ 1.245,00 referente a Fl. 388DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.716 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001817/2006-18 venda de parte das ações mencionadas, sem, entretanto, comprovar o efetivo recebimento do recurso. d) por fim, quanto à restituição de Imposto de Renda de Renda referente ao Ano de 2000 (ocorrida em 2001) no valor de R$536,58, a matéria não foi objeto da impugnação apresentada pelo contribuinte, ocorrendo, assim, a preclusão, razão pela qual dela não tomo conhecimento. Conclusão. Pelo exposto, voto por CONHECER E NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING Fl. 389DF CARF MF

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Numero do processo: 10860.001835/2005-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2004 ÔNUS DA PROVA Cumpre ao contribuinte provar as alegações contidas na Impugnação ao Auto de Infração, não bastando meras alegações genéricas, sem qualquer respaldo documental.
Numero da decisão: 2401-006.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING

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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório O presente lançamento reporta-se à apuração de omissão de rendimentos em decorrência de Acréscimo Patrimonial a Descoberto-APD no ano-calendário de 2003, relacionada a gastos em valores superiores aos rendimentos declarados, conforme relatado na Demonstrativo de Cálculo, às fls. 73. Inconformado, o contribuinte impugnou a exigência, alegando erro nas informações prestadas em sua declaração com relação a compra de um imóvel, conforme a seguir transcrito: “De fato, a compra do imóvel foi iniciada em setembro de 2002. A casa já se encontrava em obras desde o ano de 200l, conforme alvará em anexo (fl.8l) e, em 2002, foi paga pela parte já construída (mão-de-obra e material utilizado) R$20.000,00 provenientes do empréstimo de R$l0.000,00 obtido junto a FlPECq (fl.48) e de parte das diárias AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 18 35 /2 00 5- 23 Fl. 109DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.726 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10860.001835/2005-23 recebidas durante aquele ano (fl.82). Não há recibo deste valor pago por se tratar de transação realizada entre amigos, referente a obras que já tinham sido efetuadas.” Por sua vez, a DRJ manteve a autuação nos termos da ementa a seguir: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA-IRPF Exercício: 2004 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO LEGAL. NECESSIDADE DE PROVAR AS ORIGENS DOS RECURSOS. A variação patrimonial não justificada através de provas inequívocas da existência de rendimentos (tributados, não tributáveis, ou tributados exclusivamente na fonte), à disposição do contribuinte dentro do período mensal de apuração está sujeita à tributação VARIAÇÃO PATRIMONIAL. DIÁRIAS. A natureza dos recebimentos a título de diárias pressupõe a utilização desses recursos para a cobertura de despesas especificas, não se prestando a justificar variação patrimonial. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Não cabe a tributação do valor do acréscimo patrimonial apurado, quando o contribuinte comprova ser ele oriundo de empréstimo recebido. Lançamento Procedente em Parte Cientificado da decisão de piso, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (e- fls. 106 e 107), nos termos a seguir resumidos: “(...)Diante do exposto acima o contribuinte chama a atenção para o fato de que na fl. 69 foram consideradas para cálculo do IRPF as despesas do cartão de crédito, de acordo com as fls 18-46 (lançamentos do cartão crédito), e pode-se verificar nas folhas de despesa de cartão que diárias recebidas foram utilizadas para pagamento de diárias de hotel exterior (EUA), lançadas em dólar* americano, e mesmo no Brasil, Dourados- MS, e no pagamento de passagens aéreas, o que justifica o uso das diárias recebidas para o pagamento das despesas com cartão de crédito, evitando o transporte de grandes quantias de dinheiro em espécie durante viagens nacionais e internacionais a serviço do Governo Federal. A solicitação que o contribuinte faz é que as diárias sejam utilizadas no cômputo total, para pagamento das despesas de cartão de crédito, apesar de não serem incluídas no computo do rendimento bruto.(...) É o relatório. Voto Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Relatora. Admissibilidade. O Recorrente foi cientificado do Acórdão da DRJ em 21/11/08 conforme AR às e-fls. 105, apresentando seu Recurso Voluntário em 18/12/08, portanto TEMPESTIVO razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. Do mérito Fl. 110DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.726 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10860.001835/2005-23 Com relação ao mérito, o pedido do recorrente à consideração das diárias recebidas em viagens nacionais e internacionais a serviço do Governo Federal, cujas despesas foram pagas com seu cartão de crédito pessoal com o fito de evitar transportar somas de dinheiro em espécie. Ocorre que, além do contribuinte não ter demonstrado que as despesas com hotel pagas em seu cartão são relativas a viagens a serviço, e a despeito da DRJ ter negado o reconhecimento das diárias recebidas para justificar o acréscimo patrimonial a descoberto, a autoridade fiscal autuante lhe ofertou tratamento mais benéfico, posto que é possível notar que na planilha de cálculo do APD às fls. 73, anexa ao auto de infração, consta como origens de recursos, no item 3, “diárias e ajuda de custo”. Sem contar que simples alegações genéricas sem especificar a que valores o recorrente se refere não tem o condão de afastar o trabalho fiscal. Conclusão. Pelo exposto, voto por CONHECER E NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking Fl. 111DF CARF MF

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Numero do processo: 10183.720304/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2007 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. RESERVA LEGAL. ADA SUMULA CARF Nº 122. LAUDO TÉCNICO A partir do exercício 2001, para fins de redução do valor devido de ITR, necessária a apresentação de Ato Declaratório ambiental protocolizado junto ao IBAMA, nos casos de área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal, dispensando-se o ADA, neste último caso, quando a ARL esteja averbada à margem da matrícula do imóvel em data anterior à data de ocorrência do fato gerador. Improcedente a exigência de comprovação de protocolo do ADA formalizado junto ao IBAMA se o contribuinte é beneficiário de provimento judicial que o dispensa da formalização de tal requerimento. Tendo o contribuinte apresentado Laudo Técnico, acompanhado da devida Anotação de Responsabilidade Técnica, atestando a existência de APP, não havendo outros requisitos pendentes de cumprimento, deve-se restabelecer a área declarada a este título.
Numero da decisão: 2201-005.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO

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RESERVA LEGAL. ADA SUMULA CARF Nº 122. LAUDO TÉCNICO A partir do exercício 2001, para fins de redução do valor devido de ITR, necessária a apresentação de Ato Declaratório ambiental protocolizado junto ao IBAMA, nos casos de área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal, dispensando-se o ADA, neste último caso, quando a ARL esteja averbada à margem da matrícula do imóvel em data anterior à data de ocorrência do fato gerador. Improcedente a exigência de comprovação de protocolo do ADA formalizado junto ao IBAMA se o contribuinte é beneficiário de provimento judicial que o dispensa da formalização de tal requerimento. Tendo o contribuinte apresentado Laudo Técnico, acompanhado da devida Anotação de Responsabilidade Técnica, atestando a existência de APP, não havendo outros requisitos pendentes de cumprimento, deve-se restabelecer a área declarada a este título. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 03 04 /2 01 1- 19 Fl. 281DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.401 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720304/2011-19 O presente processo trata da Notificação de Lançamento nº 01301/00001/2011, fl. 2 a 7, pelo qual a Autoridade Administrativa lançou crédito tributário relativo a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural no valor de R$ 1.175.721,58, já incluídos Multa de Ofício de 75% e juros de mora de calculados até 29/01/2011. O lançamento é relativo ao exercício de 2007 e o imóvel rural em questão está identificado na Receita Federal do Brasil pelo número 7.195.874-6 e com o nome de Fazenda Mato Grosso 1. Ao descrever os fatos que levaram ao lançamento, fl. 3/5, o Auditor-Fiscal sustenta que, mesmo regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção das áreas declaradas a título de preservação permanente e de reserva legal informadas em DITR. A Autoridade lançadora complementa tal descrição dos fatos nos seguintes termos: Áreas de preservação permanente e de reserva legal não comprovadas: Para fins de exclusão da área de preservação permanente da incidência do ITR, exige-se sua comprovação mediante: a) laudo técnico, identificando e classificando essas áreas de acordo com a tipologia dos arts. 2º da Lei n° 4.771/65 (Código Florestal), contendo dados técnicos suficientes para caracterizar as condições e dimensões dos seus tipos, caso a caso; e/ou b) certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente nos temos do art. 3° da Lei n" 4.771./65, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou. E, relativamente à área de reserva legal, determina a Lei 11” 4.771/1965 (Código Florestal). com as alterações introduzidas pela Lei n" 7.803/1989, sua averbação ä margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente (5 8° do art. 16). Ademais, é necessário reconhecimento dessas áreas pelo Ibama ou que o contribuinte protocolize requerimento de ato declaratória ambiental ADA junto ao Ibama para seu reconhecimento, conforme preconiza a legislação tributária e a ambiental. Necessário se faz esclarecer que. por meio do termo de intimação fiscal, o sujeito passivo foi intimado a apresentar, dentre outros, os documentos supracitados . Compulsando os documentos apresentados pelo contribuinte em 31/03/2010, verifica-se que foi apresentada copia da matrícula n° 24.611 do CRI de Pontes e Lacerda, atualizada, referente ao imóvel rural, que, após georreferenciamento, passou a ter área total de 8.276,4558ha. Cabe informar que na matrícula em comento consta averbação de termo de responsabilidade de manutenção de floresta manejada, correspondente a 50% da área total. Contudo, o laudo técnico, identificando e classificando a áreas de preservação permanente de acordo com a tipologia dos arts. 2” da Lei n° 4.771/55 (Código Florestal). contendo dados técnicos suficientes para caracterizar as condições e dimensões dos seus tipos, caso a caso, e/ou a certidão do órgão público competente, no caso de o imóvel ou parte dele estar inserido em área declarada como de preservação permanente nos termos do art. 3' da Lei n' 4.771/65, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou, não foram apresentados . Não foi apresentada também copia de documento que comprove que as áreas de interesse ambiental declaradas foram informadas em ato declaratória ambiental (ADA). protocolado pelo sujeito passivo no Ibama. Oportuno se faz mencionar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento das normas regularmente editadas, independentemente de questões acerca de sua legalidade Fl. 282DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.401 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720304/2011-19 ou constitucionalidade, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória. sob pena de responsabilidade funcional. Pleiteando provimento jurisdicional que colocasse os contribuintes do ITR a salvo da exigência do ato declaratório ambiental como condição para excluir da incidência do imposto as áreas de reserva legal e de preservação permanente, ajuizou a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso Famato, como substituta processual de seus associados (empresários ou empregadores rurais do Estado de Mato Grosso), mandado de segurança coletivo n° 2D05.35.0D.008725-0/MT, de caráter preventivo. A sentença, desfavorável àquela Federação, foi reformada pela 8ª Turma do TRF da la Região em 16/10/2009, que entendeu ser dispensável a exigência da apresentação do ADA comprovando as áreas de preservação permanente e de reserva legal na área total do imóvel, como condição para excluí-las da base de cálculo do ITR. Insta, no entanto. esclarecer que referida ação judicial, até o presente momento. não transitou em julgado e que a decisão proferida aproveita apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator, nos termos do art. 2-A da Lei nº 9.494/1997. Objetivando determinar se o acórdão atingiria o sujeito passivo, eis que ele sequer mencionou a ação judicial, encaminhou-se o termo de intimação fiscal nº 001/2010, datado de 14/09/2010, a Famato, requerendo que a entidade informasse se o contribuinte constava de seu rol de filiados e, caso positivo, a data de sua filiação. Em resposta. o Sr. Seneri Paulo, Diretor Executivo da Famato, informou que a entidade é federação sindical que congrega sindicatos rurais e que, portanto, seu quadro de filiados é constituído, exclusivamente. de sindicatos rurais patronais do Estado. Afirma ainda que o contribuinte constante da intimação, se estivesse filiado ao sistema sindicato rural, o estaria através de um dos 87 (oitenta e sete) sindicatos que compõe aquela federação, motivo pelo qual não disporia de elementos suficientes para saber a qual dos sindicatos poderia o sujeito passivo estar eventualmente filiado. Não resta comprovado, portanto, que a decisão prolatada na ação em mandado de segurança ajuizada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso Famato, como substituta processual de seus associados (empresários ou empregadores rurais do Estado de Mato Grosso), abrange o sujeito passivo. Assim, como o contribuinte não comprovou as áreas de interesse ambiental declaradas. pelos motivos acima expostos, foram desconsideradas as áreas declaradas a título de preservação permanente e de reserva legal. Ciente do lançamento em 07 de fevereiro de 2011, conforme fl. 161, o contribuinte apresentou tempestivamente a impugnação de fl. 77/79, na qual apresentou as razões que entende justificar o cancelamento da exigência, as quais foram assim sintetizadas pela Decisão recorrida: 8. Tratou. primeiramente, da síntese da infração e do fundamento do Fisco e observou das averbações de ARL nas matriculas, para protestar pela perícia técnica para averiguação dos fatos. 9. Prosseguiu com a questão das averbações, da doação de área. do pedido de Licença Ambiental Única - LAU, das imagens de satélite mostrando a área preservada não passível de incidência do ITR, entre outras. 10. Entendeu restar límpido a ilegalidade da multa e ressaltou a certificação de matrícula do imóvel pelo INCRA. através de gerreferenciamento. 11. Explanou sobre julgados que tratam de questões similares, da legislação do ITR. da não necessidade do ADA. cuja exigência estava embasada em instrução Normativa - IN, entre outros. 12. Após outras argumentações pertinentes, menção de jurisprudência do Conselho de Contribuintes, destaque da averbação da matrícula. da contribuição com o ambiente Fl. 283DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.401 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720304/2011-19 diminuído consideravelmente a emissão de CO2 na atmosfera, da possibilidade de verificação in loco pelo Fisco se assim o desejar, finalizou solicitando a nulidade da infração, exclusão do ITR incidido, de acordo com os documentos anexados. 13. Solicitou, também. a produção de provas que se fizerem necessárias e listou os documentos acostados, os quais são: procuração, documentos de identificação, cartão CNPJ, a NL, requerimento de LAU, mapa, matrículas do imóvel, certificação de gerreferenciamento, alteração contratual da empresa, ADA/2009, DITR/2007, entre outros, fls. 64 a l 17. No julgamento em 1ª Instância Administrativa, a Primeira Turma de Julgamento da RFB em Campo Grande/MS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, fl. 166/176, cujas conclusões podem ser assim resumidas: Da Área de Preservação Permanente Com relação à APP existem dois tipos: a) - áreas que em virtude da topografia das florestas e tipo de acidentes geográficos específicos são definidas por lei como APP e b) - áreas que pela destinação são declaradas como APP por Ato do Poder Público. (...) Para comprovar estes tipos de preservação permanente basta a apresentação de laudo técnico eficazmente elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, atestando a existência de florestas. detalhando as dimensões e locais listados no referido artigo de lei. O sujeito passivo não apresentou este documento; apenas um mapa relativo à licença ambiental constando informação genérica de APP foi enviado. Conforme artigo 3". do mesmo referido Código, dependendo da destinação existem outros tipos de florestas que. também. se consideram como APP. (...) Entretanto, como se vê nesse dispositivo legal, para que tais áreas possam ser consideradas APP necessitam de Ato do Poder Público que assim a declare. Da Área de Reserva Legal- Averbação na matrícula Neste item. como já observado pelo Fisco, foi comprovada a averbação da área na matrícula, que poderia ser considerada se constasse de ADA tempestivo, como a seguir será melhor esclarecido. Do Ato Declaratório Ambiental Pelo exposto. não basta apenas a existência da preservação florestal para que esta seja considerada isenta, pois, a legislação tributária, cujo objetivo é o financiamento das atividades do Estado, com justiça social e proteção ambiental, estabeleceu condições (obrigações acessórias) para fruição do direito a exclusão da tributação das áreas indispensáveis à proteção ambiental, ou a ela destinada por seus proprietários, mediante a ampliação de restrições de uso, tais como: a ARL, RPPN, a Servidão Florestal e as AIE, conforme descritas no dispositivo legal mencionado. Com a impugnação foi encaminhado ADA. porém, relativo a outro exercício, 2009. DA CONCLUSÃO 48. Tendo em vista a não demonstração da APP por meio de laudo específico e embora averbada a ARL na matrícula do imóvel, considerando a não apresentação de ADA, conclui-se não haver possibilidade de se rever o lançamento. Ciente das conclusões da DRJ em 15 de outubro de 2013, fl. 271, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, em 14 de novembro mesmo ano, o Recurso Voluntário de fl. 108/201, no qual apresenta as razões que, em seu entendimento, amparam sua convicção de que o lançamento em tela deve ser anulado. É o relatório necessário. Voto Fl. 284DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.401 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720304/2011-19 Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Relator Por ser tempestivo e por atender as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. O recorrente inicia a peça recursal pugnando pela retificação da área autuada, que teria sido considerada pela Autoridade autuante de 8.276,4 ha, quando o correto, na data da ocorrência do fato gerador, seria 6.511,6ha, com APP de 3.250,3ha e ARL de 3.255,8ha. Contudo, conforme se verificada da imagem abaixo, a qual foi extraída do Demonstrativo de fl. 6, a área imóvel rural em questão considerada para fins de lançamento é exatamente aquela que o contribuinte afirma estar correta. Assim, neste tema, nada a prover. Quanto ao mérito do lançamento, o contribuinte apresenta suas razões a partir de fl. 183, tratando da regularidade das ARL e APP e da ilegitimidade de exigência do ADA, pontuando que foi beneficiário de decisão judicial exarada em Mandado de Segurança impetrado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso que liberou a apresentação do ADA para áreas localizadas em Mato Grosso. A análise dos autos evidencia que a desconsideração da ARL se deu exclusivamente por não haver seu detalhamento em ADA apresentado tempestivamente, restando reconhecida pela decisão a quo que foi comprovada a sua averbação tempestiva à margem da matrícula no Registro de Imóveis. Já em relação à APP, a manutenção da glosa decorreu da falta de sua identificação em Laudo Técnico, falta de apresentação de ato do Poder Público declarando a área como APP e, também, da falta de apresentação de ADA tempestivo. Para o deslinde do caso sob análise, oportuno destacar a legislação correlata: Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (...) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas naLei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Grifou-se. Lei 4.771, de 15 de setembro de 1965: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo:(...) Fl. 285DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.401 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720304/2011-19 §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Grifou-se. Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981 Art. 17-O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher aoIBAMAa importância prevista noitem 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o-A. A Taxa de Vistoria a que se refere ocaputdeste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) § 5oApós a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Grifou-se; IN SRF 256, de 11 de dezembro de 2002 (texto então vigente) Art. 9ºÁrea tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: I - de preservação permanente; II - de reserva legal; III - de reserva particular do patrimônio natural; IV - de servidão florestal; V - de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; (...) § 3ºPara fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I - ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR; (...) Art. 11. São áreas de reserva legal aquelas cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos. § 1ºPara fins de exclusão da área tributável, as áreas a que se refere o caput devem estar averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Grifou-se. Observados os destaques normativos acima expostos, os quais, por tão cristalinos, não mereceriam sequer análise mais atenta, inclusive esse tem sido o entendimento corrente neste Colegiado Administrativo, segundo o qual, com o advento da lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/00, é obrigatória à apresentação do ADA protocolado junto ao IBAMA. Ainda que aos olhos menos atentos possa parecer despropositada a exigência, trata-se de uma forma de manutenção do controle das circunstâncias que levaram ao favor fiscal, além de configurar instrumento que atribui responsabilidade ao proprietário rural. Fl. 286DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.401 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720304/2011-19 Como se viu acima, a mesma lei que prevê a obrigatoriedade do ADA dispõe que, após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. No caso em comento, o que se vê é a utilização do tributo como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em contrapartida a uma redução do valor devido a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Assim, considerando a limitação de competência da RFB, a quem não compete fiscalizar o cumprimento da legislação ambiental, resta à autoridade fiscal, no uso de suas atribuições, verificar o cumprimento por parte dos contribuintes dos requisitos fixados pela legislação. Ressalte-se que não precisa a Receita Federal do Brasil comprovar a falsidade das informações prestadas em DITR, já que, neste caso, são exclusões da base de cálculo do tributo alegadas pelo contribuinte. Lembrando que, em termos tributários, a regra é a incidência do tributo, sendo as isenções exceções que devem ser provadas por quem delas se aproveita. Ocorre que, em relação à Área de Reserva Legal - ARL, embora este Conselheiro já tenha concluído em processos de mesma natureza sobre a indispensabilidade do ADA em situações semelhantes, há de ser ressaltar que se trata de tema sobre o qual o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 122 A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Desta forma, a despeito de estar ou não o recorrente acobertado por decisão judicial que o desobrigue de apresentação do ADA, considerando que o motivo da glosa da ARL está exclusivamente lastreado na não apresentação de ADA tempestivo, deve-se reconhecer o restabelecimento da exclusão da área total, para fins de apuração da área aproveitável do imóvel rural em tela, de uma ARL de 3.255,8ha. Já em relação à APP, que não é alcançada pela citada Súmula Carf nº 122, remanesce a exigência da protocolização do ADA junto ao Ibama, que, como visto acima, não é exigência decorrente de lei e não de Instrução Normativa como equivocadamente afirma a defesa. Na motivação do lançamento, a Autoridade autuante indicou a existência de sentença judicial, em mandado de segurança ajuizado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso - Famato, como substituta processual de seus associados, a qual entendeu ser dispensável a exigência da apresentação do ADA comprovando as áreas de preservação permanente e de reserva legal na área total do imóvel, como condição para excluí- Fl. 287DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.401 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720304/2011-19 las da base de cálculo do ITR. No curso da ação fiscal, tal decisão não foi considerada no lançamento por não ter sido comprovado que o contribuinte seria beneficiado pelo provimento judicial. Não obstante, no recurso voluntário, o contribuinte junta aos autos documentos que comprovam sua filiação ao Sindicado de Pontes e Lacerda, fl. 234, bem assim que integra o sistema Sindical Rural Patronal representado pela FAMATO e que é beneficiário da decisão exarada nos autos do Mandado de Segurança Coletivo 2005.36.00.00872-50, fl. 236. Assim, no caso ora sob análise, em relação à APP, igualmente dispensada a exigência de protocolização de ADA junto ao Ibama. Contudo, conforme a própria decisão recorrida destacou, a APP declarada ainda estaria pendente de comprovação mediante a apresentação de laudo técnico eficazmente elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, atestando a existência de florestas. detalhando as dimensões e locais listados no referido artigo de lei. Para suprir tal lacuna, o contribuinte juntou os documentos de fl. 243/247, que se constitui de Laudo Ambiental da lavra da Engenheira Floresta Olga Lúcia da Costa de Oliveira, acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica, que atesta a existência da APP em discussão, nos seguintes termos: É verdade que, caso considerássemos literalmente às áreas detalhadas no item 6 acima, constataríamos que a soma das APP não alcança exatamente os valores que foram declarados, tampouco os 50% do imóvel (com exclusão da ARL). Não obstante, tal detalhe não pode ser tratado de forma isolada, desconsiderando-se as demais questões fáticas atestadas pelo próprio laudo, que conclui que 100% do imóvel está intacto, sem áreas exploradas a qualquer título. Fl. 288DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.401 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720304/2011-19 Assim, deve-se considerar tal aparente impropriedade, possivelmente decorrente de mero erro material, sob prisma do Princípio da Razoabilidade, que é uma diretriz de bom- senso aplicada ao Direito. Esse bom-senso jurídico se faz necessário à medida que as exigências formais que decorrem do princípio da legalidade tendem a reforçar mais o texto das normas que o seu espírito. Neste sentido, conclui-se que deixa de existir a última exigência levantada pela pelo Agente Fiscal e pela decisão recorrida para a manutenção da glosa da APP, do que resulta, em conjunto com as conclusões relativas à ARL expressas alhures, que deve ser provido o recurso voluntário, com o consequente cancelamento integral da exigência em discussão no presente processo. Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais acima expostos, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 289DF CARF MF

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Numero do processo: 10920.904820/2010-24
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. INÉPCIA DE CAUSA DE PEDIR E DO PEDIDO. NÃO IMPUGNAÇÃO. INSTAURAÇÃO RECURSAL DA LIDE PREJUDICADA. RECURSO NÃO CONHECIDO. Não é possível conhecer do Recurso Voluntário que não apresenta os requisitos formais de admissibilidade previstos nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal. A ausência de causa de pedir, e de pedido válido, tornam o Recurso Voluntário inepto.
Numero da decisão: 1001-001.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), André Severo Chaves, Andréa Machado Millan e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ANDRE SEVERO CHAVES

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AUSÊNCIA DE REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. INÉPCIA DE CAUSA DE PEDIR E DO PEDIDO. NÃO IMPUGNAÇÃO. INSTAURAÇÃO RECURSAL DA LIDE PREJUDICADA. RECURSO NÃO CONHECIDO. Não é possível conhecer do Recurso Voluntário que não apresenta os requisitos formais de admissibilidade previstos nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal. A ausência de causa de pedir, e de pedido válido, tornam o Recurso Voluntário inepto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), André Severo Chaves, Andréa Machado Millan e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata-se, o presente processo, de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão de nº 08-30.954, da 4ª Turma da DRJ/FOR, que julgando “parcialmente” procedente a Manifestação de Inconformidade, apresentada pela ora Recorrente, não reconhecendo “in totum” o direito creditório pleiteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 48 20 /2 01 0- 24 Fl. 55DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-001.359 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.904820/2010-24 Transcreve-se, portanto, o relatório da supracitada DRJ, que resume de forma satisfatória o presente litígio: “Trata-se de Manifestação de Inconformidade interposta contra despacho decisório nº 863977942, às fl 12, que não reconheceu o crédito pleiteado no PER/DCOMP nº 34424.53845.170709.1.7.02-2039 (fls 3/11) e não homologou as compensações nele declaradas. O pedido de compensação objetiva compensar alegado saldo negativo de IRPJ, apurado em 31.12.2006 (no valor de R$ 13.482,40) com débitos de IRPJ, referente a fevereiro de 2007. O despacho decisório fundamenta o não reconhecimento do crédito no fato de que a soma das parcelas de composição do crédito informada no PER/DCOMP não foi suficiente para comprovar a quitação da estimativa devida, na apuração do saldo negativo declarado na DIPJ. Cientificado da decisão em 18/06/2010 (fl 18), o requerente apresentou Manifestação de Inconformidade em 15/07/2010 (fls 19/20), onde alega que existe saldo negativo ao final do ano calendário, saldo este que estaria apto a ser utilizado no procedimento de compensação; junta documentos para tanto.” Entretanto, a DRJ/FOR, julgou “parcialmente” procedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: “Do quanto expendido, voto por considerar procedente a Manifestação de Inconformidade, no sentido de homologar a compensação declarada no PER/DCOMP nº 34424.53845.170709.1.7.02-2039, até o limite de R$ 1.560,81 (fl. 9), oriundo do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2006, no valor de R$ 8.886,05. Cabe à Unidade Local verificar se o crédito ora reconhecido foi utilizado pelo contribuinte em procedimento de compensação diverso do que aqui foi analisado.” No voto proferido pela DRJ/FOR, esta destacou: “De plano, cabe esclarecer que o Despacho Decisório prolatado tomou por base as informações prestadas pelo contribuinte no PER/DCOMP. Contudo, percebe-se a ocorrência de erro cometido pelo administrado no preenchimento daquele documento. O erro reside na não identificação de todos os pagamentos que compuseram o saldo negativo ao final do ano. O contribuinte limitou-se a identificar apenas parte desses pagamentos, somente até o limite do que seria necessário para justificar o montante do crédito pleiteado. Dessa forma, o decisório concluiu, equivocadamente, pela inexistência de saldo negativo. Fl. 56DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-001.359 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.904820/2010-24 Já o IRPJ ao final do ano de 2006 pode ser determinado através das informações contidas na DIPJ e DCTF apresentadas pelo contribuinte e dos dados disponíveis nos sistemas de controle da RFB. Os documentos anexados aos autos pelo contribuinte, bem como os extratos de fls. 31 e seguintes, comprovam que as estimativas recolhidas somaram R$ 64.889,45 (em valores originais), enquanto que o IRPJ apurado ao final do ano de 2006 foi de R$ 56.003,40 (= 48.002,04 + 8.001,36), o que resulta em um saldo favorável ao sujeito passivo de R$ 8.886,05. Registre-se que o contribuinte apurou em seu demonstrativo de fls. 28, quantia superior a esta. Entretanto, o mesmo incluiu na composição de seu saldo negativo, o valor de R$ 4.804,45 referente a Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, item que não fez parte da apuração de seu imposto anual. Dessa forma, o IRRF não deve compor o saldo ao final do ano, visto que o defendente não detalha nem comprova as retenções porventura havidas. Cabe ressaltar que o documento de fl. 27 (demonstrativo de cálculo do imposto de renda) não guarda correspondência com as informações sobre o IRRF que se encontram registradas nos sistemas de controle da RFB.” Cientificado da decisão de primeira instância em 15/12/2014 (Aviso de Recebimento à e-Fl. 43), inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 30/05/2014 (e-Fls. 46 a 52). Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente não apresentou causa de pedir, nem pedido válido, solicitando apenas “que o julgamento deste recurso, seja adiado até o protocolo das informações e documentos complementares (guias, declarações, planilhas, etc.). Estimamos um prazo de 90 (noventa dias) para conseguir esses documento.”. Frisa-se, ainda, que a Recorrente jamais apresentou os documentos acima indicados. É o relatório. Voto Conselheiro André Severo Chaves, Relator. Fl. 57DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-001.359 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.904820/2010-24 Inicialmente, ao compulsar os autos, verifico que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, entretanto, não atende aos requisitos de admissibilidade do Processo Administrativo Fiscal, previstos no Decreto nº 70.235/72, conforme verifica-se a seguir. Preliminarmente – Inépcia do Recurso Voluntário. Ausência dos Requisitos de Admissibilidade. Sabe-se que o Processo Administrativo Fiscal é regido pelo Decreto nº 70.235/72, bem como por legislações subsidiárias, tais como a Lei nº 9.784/99 e a Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), que representam uma função normativo-integrativa da lei específica. Tais regramentos normativos dispõem sobre determinados procedimentos formais que devem ser observados no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), com o escopo de se instrumentalizar o Direito Material. No âmbito do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o PAF, verifica-se em seu Art. 16, III, que: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;” Verifica-se, ainda, que o Art. 17, da mesma norma, estabelece que “Considerar- se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.”. Ou seja, para que a lide seja instaurada, faz-se necessário a impugnação da matéria, inclusive na fase recursal. Pelos dispositivos supracitados, fica evidente que um dos requisitos da impugnação administrativa (aplicável aos Recursos Administrativos) é a causa de pedir, ou seja, os fatos e fundamentos jurídicos do pedido. Entretanto, no presente caso, verifica-se que em nenhum momento a Recorrente insurge contra a Decisão de 1ª Instância, apenas informa que “(...)o valor indeferido relativos as compensações estão diretamente relacionadas com a comprovação(...)”, e que “(...)a empresa estará buscando essas informações(...)”. Fl. 58DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-001.359 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.904820/2010-24 Ora, se a Recorrente não apresenta ao órgão revisor as razões do que diverge da decisão de primeira instância, nem expressa objetivamente o que pretende rever, a análise do recurso fica completamente prejudicada. Tendo em vista que o recurso visa, precipuamente, modificar ou anular a decisão considerada injusta ou ilegal, faz-se necessária a apresentação das razões pelas quais se aponta a ilegalidade ou injustiça da decisão do órgão “a quo”, qual seja, a DRJ. Seguindo adiante, observa-se, ainda, a ausência de outro requisito formal do Recurso Voluntário apresentado, qual seja, que o pedido seja válido, certo e determinado. Tal requisito encontra-se evidente no Art. 6º , IV, da Lei nº 9.784, e nos Arts. 322 e 324, do Código de Processo Civil, a seguir transcritos: “Art. 6o O requerimento inicial do interessado, salvo casos em que for admitida solicitação oral, deve ser formulado por escrito e conter os seguintes dados: IV - formulação do pedido, com exposição dos fatos e de seus fundamentos;” “Art. 322. O pedido deve ser certo. (...) Art. 324. O pedido deve ser determinado.” Quanto a este segundo requisito apresentado, verifica-se que a Recorrente sequer requer o provimento, a procedência ou o acolhimento do Recurso, limitando-se a solicitar que o seu julgamento seja adiado até posterior protocolo de documentos, e informando que estima um prazo de 90 (noventa dias) para realizar a juntada, conforme recortado a seguir: No que se refere à solicitação realizada, de adiamento do julgamento do recurso, até posterior juntada de documentos, trata-se de um pedido inválido, por não haver qualquer previsão legal nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, bem como pela ausência de qualquer justificativa plausível. Fl. 59DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1001-001.359 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.904820/2010-24 Cumpre frisar, ainda, que a Recorrente não apresentou quaisquer documentos após o protocolo do Recurso Voluntário. Desta feita, em razão dos fundamentos apresentados, conclui-se, portanto, pela inépcia do Recurso Voluntário interposto, em razão da ausência de requisitos imprescindíveis de admissibilidade. Conclusão. Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves Fl. 60DF CARF MF

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Numero do processo: 11020.902539/2014-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2010 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório. NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte. NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO. O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE. Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE. É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”. NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciar-se, por força da Súmula 2 do CARF.
Numero da decisão: 3401-006.538
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2010 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório. NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte. NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO. O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE. Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE. É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”. NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciar-se, por força da Súmula 2 do CARF.

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3401­006.538  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de junho de 2019  Matéria  PIS/COFINS  Recorrente  DUROLINE SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 30/06/2010  NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO  DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.  Não  há  nulidade  por  carência  de  fundamentação  ou  cerceamento  de  defesa  quando,  ainda  que  sucintamente,  as  decisões  atacadas  apresentem  fundamentos  de  fato  e  de  direito,  tornando  possível  o  exercício  ao  contraditório.  NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA  Não  há  nulidade  por  desvio  de  finalidade  quando  as  decisões  atacadas  cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte.  NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO.  O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de  mérito, portanto.  PROVA  DOCUMENTAL.  MOMENTO.  ANÁLISE.  DESNECESSIDADE.  Embora  pleiteie  juntada  posterior  de  provas  desde  o  protocolo  da  Manifestação  de  Inconformidade  a  Recorrente  não  colige  qualquer  prova  acerca do thema decidendum.  COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE.  É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de  compensação, não  sendo  suficiente para  tal mister a  juntada de declarações  retificadas.  DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA  CARF 4.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 25 39 /2 01 4- 97 Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11020.902539/2014­97  Acórdão n.º 3401­006.538  S3­C4T1  Fl. 3          2 “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme  Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”.  NÃO  CONFISCO.  MATÉRIA  CONSTITUCIONAL.  NÃO  CONHECIMENTO.  A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional  a  qual  este  Conselho  não  tem  competência  pronunciar­se,  por  força  da  Súmula 2 do CARF.        Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento  ao Recurso Voluntário.  (documento assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan ­ Presidente e Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rosaldo  Trevisan  (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares,  Carlos  Henrique  Seixas  Pantarolli,  Fernanda  Vieira  Kotzias,  Oswaldo  Gonçalves  de  Castro  Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice­presidente).  Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  em  face  da  decisão  da  Delegacia  de  Julgamento que julgou improcedente a manifestação de inconformidade.  Intimada  da  decisão  acima  a  Recorrente  interpôs  o  presente  recurso  reiterando as seguintes teses descritas em sede de Inconformidade:  1. Nulidade do despacho decisório:  a) por falta de fundamentação;  b) desvio de finalidade, vez que, “extrapolou sua função precípua, tornando­se  meio  oblíquo  pelo  qual  a  Fiscalização  buscou  interromper  o  prazo  de  homologação da compensação declarada pela Contribuinte”;  c) por ofensa ao dever de instrução;  d) por prejuízo ao contraditório e a ampla defesa vez que não  teve acesso aos  motivos determinantes da decisão que não homologou a compensação;  Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11020.902539/2014­97  Acórdão n.º 3401­006.538  S3­C4T1  Fl. 4          3 2.  Possibilidade  de  juntada  de  novas  provas  ao  processo  administrativo  a  qualquer tempo;  3. Caráter confiscatório da multa aplicada;  4. Que a autoridade tributária não pode aplicar multa que tenha a mesma base de  tributos, nem por fundamento o mesmo fato gerador;  5. “A fixação da multa, não obstante a sua previsibilidade legal, fere de morte o  princípio da razoabilidade e da proporcionalidade”;  6.  “O  CTN  e  a  legislação  civil  estabeleceram  como  limite  máximo  para  a  instituição de juros a taxa de 1% ao mês, ou seja, 12% ao ano”.    Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 3401­006.509,  de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11020.900029/2015­66.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401­006.509):  "2.1.1.  O  devido  processo  legal  e  dois  de  seus  corolários  imediatos, o CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA, foram  elevados  a  categoria  de  garantia  Constitucional  quer  no  processo  judicial,  quer  no  processo  administrativo,  a  partir  da  formação  da  lide  –  para  alguma  doutrina  litígio  ­,  conforme  disciplina o artigo 5° inciso LV da Lex Maxima.  2.1.1.1.  Doutrina  e  a  Jurisprudência1  –  seguindo  em  parte  a  Supreme  Court  –  apontam  como  direitos  imanentes  ao  devido  processo  legal  e,  naquilo  que  importa,  ao  contraditório  e  a  ampla  defesa,  a  oportunidade  de  deduzir  defesa  perante  o  julgador,  a  oportunidade  de  apresentar  provas  ao  órgão  julgador  e  o  direito  de  contrariar  as  provas  e  argumentos  utilizados contra o litigante.  2.1.1.2.  A  Lei  n°  9.784  de  1999,  seguindo  a  pari  passu  o  entendimento da Suprema Corte Americana, estabeleceu em seu  artigo  2°  Parágrafo  Único  inciso  X  como  dever  da  Administração Pública observar no procedimento administrativo  o  contraditório  e  a  ampla  defesa  e,  nomeadamente,  a  garantia  aos administrados aos direitos “à comunicação, à apresentação  de  alegações  finais,  à  produção  de  provas  e  à  interposição  de  recursos,  nos  processos  de  que  possam  resultar  sanções  e  nas  situações  de  litígio”  eivando  de  nulidade  o  procedimento  Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11020.902539/2014­97  Acórdão n.º 3401­006.538  S3­C4T1  Fl. 5          4 administrativo  (na  esteira  do  que  giza  o  artigo  59  inciso  II  do  Decreto 70.235 de 1972) que viole o direito de defesa.  2.1.1.3.  No  presente  caso,  a  Recorrente  se  levanta  contra  suposta preterição do direito de contraditar os  fundamentos da  decisão  administrativa  (sem  sombra  de  dúvida,  em  tese,  preterição  à  ampla  defesa).  Todavia,  as  decisões  nas  situações  de litígio no presente processo encontram­se fundamentadas.  2.1.1.4.  Inobstante  a  capacidade  de  síntese  da  autoridade  responsável pela decisão da DRF é fato que nela estão dispostas  tanto  os  fundamentos  de  fato  (valor  do  DARF  integralmente  utilizado  para  quitação  de  outro  débito)  quanto  os  de  direito  (artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96).  2.1.1.5. De maneira mais densa (em comparação com o quanto  decidido  pela  DRF),  a  decisão  da  DRJ  deixou  absolutamente  claros  os  fundamentos  pelos  quais  nega  provimento  à  Manifestação  de  Inconformidade  da  Recorrente  –  todos  descritos no item 1.4 desta decisão.  2.1.1.6. Desta forma, era possível à Recorrente apresentar (sem  qualquer exercício de probabilidade por parte dela) argumentos  e  documentos  que  demonstrassem  a  inexatidão  do  quanto  decidido  pelas  Instâncias  Inferiores  inexistindo  qualquer  nulidade neste ponto. Nos acompanha a Jurisprudência:  NULIDADE  DA  DECISÃO  DA  DRJ.  FALTA  DE  FUNDAMENTAÇÃO.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA. INOCORRÊNCIA A manifestação da DRJ acerca dos  elementos  probatórios  juntados  aos  autos  que  permita  a  clara  compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a  hipótese  de  cerceamento  de  defesa  e  a  possibilidade  de  declaração  de  nulidade  da  decisão  a  quo.  (Acórdão  nº  1401­ 003.149  –  Relator:  Conselheiro  Luiz  Augusto  de  Souza  Gonçalves)  CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.  Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes  do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que  o contribuinte conheça o procedimento  fiscal e apresente a sua  defesa  contra  o  lançamento  fiscal  efetuado.  (Acórdão  nº  2202004.663  –  Relatora:  Conselheira  Rosy  Adriane  da  Silva  Dias)  2.1.2.  Ainda  que  possível  o  decreto  de  NULIDADE  POR  CARÊNCIA DE FUNDAMENTO, esta nulidade ocorre apenas  nos  casos  em  que  inexiste  na  decisão  atacada  fundamentos  de  fato  ­  corresponde  ao  conjunto  de  circunstâncias,  de  acontecimentos,  de  situações  que  levam  a  Administração  a  praticar o ato ­ ou fundamentos de direito ­ dispositivo legal em  que  se  baseia  o  ato2.  Se  assim  ocorrer  (ausência  de  um  ou  de  outro  fundamento)  a  decisão  torna­se  nula  vez  que  impede  o  conhecimento da  imputação e, consequentemente, a capacidade  Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11020.902539/2014­97  Acórdão n.º 3401­006.538  S3­C4T1  Fl. 6          5 de  refutá­la,  i.e,  o  exercício  do  contraditório  e  a  da  ampla  defesa.  2.1.2.1.  A  Recorrente  alega  nulidade  vez  que  as  decisões  anteriores  se  limitaram  a  transferir  a  ela  (Recorrente)  o  ônus  probatório de seu direito creditório.  2.1.2.2.  Todavia,  como  acima  descrito,  fundamento  há;  e  suficiente  para  o  pleno  exercício  do  contraditório.  O  grau  de  correção  dos  fundamentos  da  decisão  (e,  em  especial,  seu  confronto  com  as  teses  de  defesa)  é  matéria  de  mérito  –  e  na  parte dedicada ao mérito será enfrentada.  2.1.2.3.  Ademais,  ao  contrário  do  que  alega  a Recorrente,  as  decisões  não  se  limitaram  a  negar  o  crédito  por  insuficiência  probatória  (vide  itens  2.1.1.4);  matéria,  insista­se,  de  mérito.  Sendo  de  rigor  o  afastamento  da  nulidade  como,  em  caso  semelhante,  se  pronunciou  a  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais:  DESPACHO  DECISÓRIO.  DESCRIÇÃO  COMPLETA  DOS  FATOS  E  FUNDAMENTAÇÃO  LEGAL.  AUSÊNCIA  DE  NULIDADE  E  DE  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA. Não há nulidade do despacho decisório proferido em  pedido  de  compensação  quando  descreve  detalhadamente  os  fatos  e  a  motivação  da  glosa  do  crédito  tributário  pleiteado,  além de indicar a fundamentação legal para o indeferimento do  pleito. Satisfazendo os requisitos da legislação que rege os atos  administrativos  e ausente o prejuízo de defesa às partes,  razão  pela qual cumpriu o ato com a sua finalidade, não há de se falar  em  nulidade.  (Acórdão  nº  9303007.657  –  Relator:  Conselheiro  Rodrigo da Costa Pôssas)  2.1.3.  O  desvio  de  FINALIDADE  a  atrair  a  nulidade  do  processo  ocorre  quando  há  discrepância  entre  a  função  teleológica  normativa  da  decisão  e  a  finalidade  de  fato  do  mesmo  ato,  i.e.,  entre  o  resultado  previsto  legalmente  como  correspondente à  tipologia do ato e a  intenção no exercício da  decisão3.  2.1.3.1. Tal nulidade acontece porque há um âmbito normativo  de  competência  para  a  prolação  de  decisão  atribuída  aos  Julgadores e, dentro deste âmbito de competência encontra­se a  finalidade da decisão. Portanto, em havendo desvio de finalidade  legal  da  decisão,  a  consequência  necessária  é  o  transbordamento  (quando não a usurpação) de competência da  Autoridade4.  2.1.3.2.  No  entanto,  a  interrupção  do  prazo  de  homologação  tácita  é  uma  das  finalidades  (entendida  como  consequência  ou  função  teleológica)  previstas  em  Lei  para  a  decisão  que  não  homologa o pedido de compensação – ao contrário do que alega  a Recorrente em seu arrazoado.  2.1.3.3.  Sobremais,  tal  finalidade  (de  interromper  o  prazo  de  homologação tácita), embora legal, é secundária, pois, o escopo  Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11020.902539/2014­97  Acórdão n.º 3401­006.538  S3­C4T1  Fl. 7          6 principal dos  julgadores ao  indeferir o pedido de compensação  foi  a  readequação  dos  fatos  descritos  e  demonstrados  pela  Recorrente  à  Lei  –  como  determina  o  artigo  142  do  Código  Tributário Nacional.  2.1.4.  O  DEVER  DE  INSTRUÇÃO  –  causa  de  nulidade,  na  forma  manejada  pela  Recorrente  –  é  matéria  umbilicalmente  ligada ao  ônus  probatório,  de mérito,  portanto,  e  também será  tratada em tópico apartado.    2.2. O MOMENTO DA PRODUÇÃO DE PROVA documental  pelo  contribuinte,  em  regra,  coincide  com  a  data  protocolo  da  Manifestação de Inconformidade. As exceções legais são aquelas  descritas nas alíneas do § 4° do artigo 16 do Decreto 70.235/72:  Art.  16  (...)  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro momento processual, a menos que:  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.  2.2.1.  É  evidente  que  o  artigo  3°  inciso  III  da  Lei  9.784/99  (subsidiária  ao  Decreto  70.235/72)  permite  juntar  documentos  antes  da  decisão,  porém,  o  mesmo  artigo  completa  que  os  documentos  serão  objeto  de  consideração  pelo  órgão  competente. Quer  parecer  que  “tomar  em  consideração”  difere  de “decidir com fundamento em”. Com isto se quer dizer que, ao  receber  prova  extemporânea  cabe  ao  julgador  toma­la  em  consideração  para  análise  da  justificativa  de  sua  extemporaneidade.  Demonstrado  que  a  justificativa  de  sua  extemporaneidade  coincide  com  uma  das  alíneas  do  §  4°  do  artigo  16  acima  citado,  cabe  ao  julgador  decidir  com  fundamento  na  prova  extemporânea.  Neste  sentido  a  Jurisprudência:  PEDIDO  GENÉRICO  DE  JUNTADA  DE  NOVAS  PROVAS.  PRECLUSÃO. Descabe, à luz da norma que regula o Processo  Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de  apresentação,  a  qualquer  tempo  após  a  impugnação,  de  novos  elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma  das possibilidades de exceção à  regra geral de preclusão, qual  sejam:  (i)  a  impossibilidade  de  apresentação  oportuna  por  motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito  superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou  razões  posteriormente  trazidas  aos  autos.  (Acórdão  nº  1401­ 003.149  –  Relator:  Conselheiro  Luiz  Augusto  de  Souza  Gonçalves)  Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11020.902539/2014­97  Acórdão n.º 3401­006.538  S3­C4T1  Fl. 8          7 2.2.2.  Há,  ainda,  hipóteses  de  permissão  de  juntada  extemporânea  da  prova  criadas  pela  doutrina  e  jurisprudência  que  demandam  análise  da má­fé  do  contribuinte  ao  trazer  aos  autos prova extemporânea5 e da carga probatória do documento  coligido  (grau  de  certeza  com  que  o  documento  demonstra  a  afirmação).  2.2.3. A Recorrente pleiteia a juntada posterior de provas já em  sede  de  Manifestação  de  Inconformidade,  quando  lhe  era  possível  juntar  quaisquer  documentos  ao  processo  –  o  que,  de  plano,  torna  o  argumento  algo  fora  de  lugar,  com  a  devida  vênia.  2.2.3.1. Ademais, embora pleiteie juntada posterior de provas, a  Recorrente  traz  aos  autos  i)  com  a  Manifestação  de  Inconformidade  apenas  documentos  de  identificação  e  documentos  relativos  a  cisão  da  empresa  –  que  não  guardam  relação com o crédito pleiteado – e ii) com o Recurso Voluntário  apenas documentos de identificação do patrono constituído. Em  assim  sendo,  sequer  é  necessária  análise  profunda  dos  “documentos  extemporâneos”  vez  que  não  guardam  correspondência com o cerne da lide.    2.3. Aliás, a Recorrente não discorre em momento algum sobre o  âmago  da  lide  (nomeadamente,  sobre  o  direito  ao  crédito);  limita­se a afirmar que o ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO A  COMPENSAR no presente caso é da fiscalização.  2.3.1. Na escorreita lição de BONILHA6, para imputar­se o ônus  probatório como regra de julgamento deve­se perquirir sobre os  fatos  relacionados  com  a  situação  material  a  que  se  refere  a  relação processual. A situação material em voga é compensação  de  crédito,  prevista  no  artigo  170  do  CTN  e  artigo  74  da  Lei  9.430/96:  CTN  Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.  Lei 9.430/96  Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições administrados por aquele Órgão.  2.3.2. Portanto cabe a Recorrente coligir provas do conjunto de  fatos  que  servem  a  fundamentar  sua  pretensão  (ex  facto  oritur  Fl. 247DF CARF MF Processo nº 11020.902539/2014­97  Acórdão n.º 3401­006.538  S3­C4T1  Fl. 9          8 ius), nomeadamente, a liquidez e certeza de seus créditos, como  descreve a primeira parte do artigo 28 do Decreto 7.574/2011:  Art.  28.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente  para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29.  2.3.3. Em adendo, no presente caso não temos apenas um pedido  de compensação, mas um pedido de compensação decorrente de  suposto erro em Declaração anterior, logo, conforme artigo 147  § 1° do CTN, cabe ao contribuinte (no caso a Recorrente) prova  do erro em que se baseou a retificação:  Art.  147. O  lançamento  é  efetuado com base na declaração do  sujeito passivo ou de terceiros, quando um ou outro, na forma da  legislação  tributária,  presta  à  autoridade  administrativa  informações  sobre  matéria  de  fato,  indispensáveis  à  sua  efetivação.  §  1º  A  retificação  da  declaração  por  iniciativa  do  próprio  declarante,  quando  vise  a  reduzir  ou  a  excluir  tributo,  só  é  admissível mediante  comprovação do erro  em que  se  funde,  e  antes de notificado o lançamento.  2.3.4. A Recorrente afirma em DCOMP ser titular de créditos de  correntes de pagamento indevido por meio de DARF paga em 23  de março de 2012 no valor total de R$ 63.424,89.  2.3.5. Como prova do alegado pagamento indevido ou a maior, a  Recorrente  colige  aos  autos  do  processo  apenas  a  DCTF  retificadora  de  20  de  outubro  de  2014,  que  indica  débito  de  COFINS  no  valor  de  R$  95.101,60.  Ora,  como  dito  acima,  a  prova do erro em que se funda a correção da Declaração cabe à  Recorrente  e não há sequer argumento a  justificar a  correção,  quanto menos prova.  2.3.6.  A  fiscalização  (indo  além  de  seu  dever)  analisou  as  DACONs  entregues  pela  Recorrente  e  verificou  que  foram  retificados  todos  os  demonstrativos  no  campo  “créditos  descontados  referentes  a  aquisições  no  mercado  interno”.  Intimada  a  se  manifestar  acerca  das  razões  que  motivaram  o  pagamento  indevido  ou  a  maior,  a  Recorrente  apresentou  planilha  com  insumos  tais  como: material  de  higiene, material  de expediente, custos e despesas de assistência médica e social,  transporte  pessoal  e  refeições  prontas  –  supostamente  adquiridos no mercado interno.  2.3.7.  No  entanto,  a Recorrente  não  traz  qualquer  documento  (nota  fiscal,  livros  contábeis)  a  corroborar  com  a  planilha  apresentada.  Efetivamente,  a  Recorrente  sequer  aventa  nos  autos  seu  ramo  de  atividade,  tornando  impossível  uma  análise  aprofundada da essencialidade de cada um dos insumos.  2.3.8.  Assim,  por  insuficiência  probatória  deve  ser  mantida  a  decisão  da  DRJ,  negando­se  o  direito  ao  crédito,  como  já  se  pronunciou esta Turma em casos semelhantes:  Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11020.902539/2014­97  Acórdão n.º 3401­006.538  S3­C4T1  Fl. 10          9 PER/DCOMP.  CRÉDITO  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.  Para  que  seja  possível  a  homologação  do  PER/DCOMP  é  necessário  haver  nos  autos  documentos  idôneos  e  capazes  de  justificar  as  alterações  dos  valores  registrados  em  DCTF.  A  compensação  de  débitos  somente  pode  ser  efetuada  mediante  existência  de  créditos  líquidos  e  certos  da  interessada  juntos  à  Fazenda Pública art. 170 do CTN.    2.4.  A  Recorrente  afirma  que  a  autoridade  fiscal  não  pode  aplicar  MULTA  QUE  TENHA  A  MESMA  BASE  DE  TRIBUTOS,  nem  por  fundamento  o  mesmo  fato  gerador.  Entretanto,  os  tributos  exigidos  da  Recorrente  incidem  sobre  fato  lícito  (art.  3°  do  CTN).  A  seu  turno,  a  multa  no  presente  caso  incide  sobre  ato  ilícito,  designadamente,  pagamento  de  tributo a destempo, ex vi artigo 61 da Lei 9.430/96:  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.    2.5.  A  Súmula  4  deste  Conselho  determina  a  incidência  da  SELIC  SOBRE  OS  DÉBITOS  ADMINISTRADOS  PELA  RECEITA FEDERAL a partir de 1° de abril de 1995. Portanto,  descabido  o  debate,  sob  pena  de  perda  de  mandato  (art.  45,  inciso VI do RICARF).    2.6.  De  igual  modo,  a  violação  ao  PRINCÍPIO  DO  NÃO  CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho está  impedido de pronunciar­se, por força da Súmula 2 do CARF.  Dispositivo  3. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário e ao  direito à compensação."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  o  colegiado  decidiu  por  negar  provimento ao Recurso Voluntário e ao direito à compensação.    Fl. 249DF CARF MF Processo nº 11020.902539/2014­97  Acórdão n.º 3401­006.538  S3­C4T1  Fl. 11          10 (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan Tiago Guerra Machado                              Fl. 250DF CARF MF

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