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Numero do processo: 11080.930670/2009-72
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
LUCRO REAL ANUAL. DECLARAÇÃO DE JUSTE ANUAL. DEDUÇÃO INTEGRAL DOS PAGAMENTOS ANTECIPADOS POR ESTIMATIVA MENSAL. APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NA DIPJ. PEDIDO DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA MENSAL NA DCOMP. ERRO DE FATO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCOMP. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À DRJ PARA ANÁLISE DE MÉRITO DO CRÉDITO A TÍTULO DE SALDO NEGATIVO.
Restando comprovado nos autos que o recolhimento da estimativa mensal foi computado no saldo negativo do imposto na declaração de ajuste anual, configura erro de fato no preenchimento da DCOMP, quando o contribuinte presta informação acerca do crédito pleiteado a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, quando deveria fazê-lo a título de saldo negativo.
Trata-se de inexatidão material no preenchimento da DCOMP, a qual pode ser retificada de ofício pelo julgador ou a pedido do contribuinte para correção do erro de informação quanto ao crédito do referido do ano-calendário, nos termos do art. 57 da IN SRF 460/04, art. 147, § 2º, do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1802-002.535
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRJ de origem, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa , Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DECLARAÇÃO DE JUSTE ANUAL. DEDUÇÃO INTEGRAL DOS PAGAMENTOS ANTECIPADOS POR ESTIMATIVA MENSAL. APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NA DIPJ. PEDIDO DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA MENSAL NA DCOMP. ERRO DE FATO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCOMP. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À DRJ PARA ANÁLISE DE MÉRITO DO CRÉDITO A TÍTULO DE SALDO NEGATIVO. Restando comprovado nos autos que o recolhimento da estimativa mensal foi computado no saldo negativo do imposto na declaração de ajuste anual, configura erro de fato no preenchimento da DCOMP, quando o contribuinte presta informação acerca do crédito pleiteado a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, quando deveria fazêlo a título de saldo negativo. Tratase de inexatidão material no preenchimento da DCOMP, a qual pode ser retificada de ofício pelo julgador ou a pedido do contribuinte para correção do erro de informação quanto ao crédito do referido do ano calendário, nos termos do art. 57 da IN SRF 460/04, art. 147, § 2º, do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 06 70 /2 00 9- 72 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930670/200972 Acórdão n.º 1802002.535 S1TE02 Fl. 140 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRJ de origem, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa , Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930670/200972 Acórdão n.º 1802002.535 S1TE02 Fl. 141 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls. 117/135 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/Porto Alegre (efls. 109/111) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos: que, em 31/08/2009, a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, declaração de compensação tributária nº 17835.73633.310809.1.3.041870 (efls. 92/96), onde consta: a) débito informado (confessado): CSLL Estimativa Mensal, código de receita 2484, do PA julho/2009, data de vencimento 31/08/2009, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 22.625,04; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 22.625,04. b) crédito utilizado: aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 22.625,04 (valor original), referente pagamento supostamente indevido ou a maior do IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA 31/05/2008, DARF no valor de R$ 594.978,74, data do recolhimento, arrecadação, 30/06/2008. Cópia do Comprovante de Arrecadação (efl.98). Valor do crédito na data de transmissão:R$ 34.731,52 (valor original). Obs: O PER/DCOMP Inicial: 24379.56204.290509.1.3.049856 (processo nº 11080.929044/200933). Em 07/10/2009, a DRF/Porto Alegre, mediante a emissão do Despacho Decisório de efl. 99, denegou o direito creditório pleiteado, nos seguintes termos: (...). Limite de crédito analisado, correspondente ao valor do credito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 32.731,52. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Fl. 141DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930670/200972 Acórdão n.º 1802002.535 S1TE02 Fl. 142 4 Diante da inexistência dio crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430 , de 2 7 de dezembro de 1996, (...) Obs: O recolhimento estaria consumido pelo respectivo débito do IRPJ – Estimativa Mensal do PA maio/2008 confessado na respectiva DCTF, inexistindo o crédito pleiteado na DCOMP; porém, a DCTF não consta dos autos. Ciente desse despacho decisório em 20/10/2009 por via postal – AR (efl. 106), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 17/11/2009 (efls. 02/16), juntando ainda documentos (efls. 21/104), aduzindo, em resumo, que: incidiu em erro de fato no preenchimento do PER/Dcomp ao indicar como origem do crédito valor relativo a recolhimento do IRPJ – Estimativa Mensal do PA maio/2008 (antecipação do imposto), quando deveria ter utilizado o saldo negativo do IRPJ do ano calendário 2008; juntou cópia da DIPJ 2009, anocalendário 2008, transmitida em 16/10/2009 (efls. 24/63), onde informou apuração: (...) Ficha 9A –Demonstração do Lucro Real 01. Lucro Líquido antes do IRPJ........................R$ 13.358.482,63 Exclusões: 65 () Dispêndios com Inovação Tecnológica (Lei n° 11.196/2005, art. 19) ....................................... R$ 2.152.011,22; 78. Lucro Real ..................................................R$12.577.604,36. (...) Ficha 11 – Cálculo do IRPJEstimativa Mensal: (somatório das estimativas mensais positivas R$ 4.013.789,26) (...) Fl. 142DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930670/200972 Acórdão n.º 1802002.535 S1TE02 Fl. 143 5 Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real: Deduções: 18. () Imp. de Renda Mensal Pago por Estimativa ....R$ 4.013.789,26; 20. Imposto de Renda a Pagar.......................................(R$ 992.738,02). (...) que o saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008 decorreu das antecipações de pagamentos das estimativas mensais do imposto e do aproveitamento do benefício fiscal referente dispêndios realizados com inovação tecnológica (Lei nº 11.196/2005); que o mero erro material, quanto à origem do crédito pleiteado, não tem o condão prejudicar ou inviabilizar a compensação informada; que as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento da parte.; que deve prevalecer a verdade material, pois o crédito é líquido e certo. A DRJ/Porto Alegre (5ª Turma), rejeitando a alegação de inexatidões materiais ou erro de fato no preenchimento da DCOMP, julgou a manifestação improcedente, conforme Acórdão de 30/10/2013 (efl. 109), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DAS INFORMAÇÕES SOBRE O CRÉDITO. INEXATIDÃO MATERIAL NÃO CONFIGURADA. O julgamento de manifestação de inconformidade não pode desbordar do objeto da declaração de compensação apresentada e do despacho decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Fl. 143DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930670/200972 Acórdão n.º 1802002.535 S1TE02 Fl. 144 6 Ciente dessa decisão em 31/12/2013 – na Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. (efl. 115), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 14/01/2014 (efls.117/135), buscando a reforma da decisão recorrida, cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) – Preliminar de nulidade da decisão recorrida: que o acórdão recorrido não enfrentou, no mérito, a existência do crédito, a liquidez e certeza, pois apegouse a requisitos formais, rejeitando o argumento do erro material (erro de fato) no preenchimento da DCOMP, quanto à origem do crédito; que a situação dos autos é de erro material no preenchimento da DCOMP e deve prevalecer a verdade material, citando precedentes, julgados do CARF (AC. 1801001 295 e outros); que se faz necessária a declaração de nulidadde da decisão a quo, e retorno dos autos à Turma julgadora da 1ª instancia de julgamento, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado; 2) No mérito, caso não seja acolhida a preliminar suscitada a recorrente reiterou, em síntese, os argumentos já apresentados na 1ª instância de julgamento, e resumidos já no relatório, no sentido que seja reconhecido o erro de fato no preenchimento da DCOMP, renhecido o crédito a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008 e extinto o débito confessado na DCOMP, mediante homologação da compensação declarada. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930670/200972 Acórdão n.º 1802002.535 S1TE02 Fl. 145 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária, pedido de reconhecimento de direito creditório atinente ao IRPJ que teria sido pago a maior, quanto ao anocalendário 2008. A decisão recorrida rejeitou o direito creditório, sadotando a fundamentação do voto condutor e que transcrevo, no que pertinente (efls. 110/111), in verbis: (...) A contribuinte pretende obter homologação da compensação formulada, alegando erro material ao informar o tipo do crédito no PER/Dcomp. Diz que o crédito seria decorrente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2008 e não do pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal. A manifestação de inconformidade revela, em verdade, a pretensão do contribuinte de substituir os créditos inexistentes utilizados no PER/DComp em questão por outro de natureza distinta. A possibilidade de retificar PER/Dcomp foi instituída originariamente pela Instrução Normativa 460/04, que permitiu efetuar alterações, em caso de inexatidões materiais, (...): Art. 57. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 58. (...) Os dispositivos citados foram reproduzidos nas instruções normativas SRF 600/05, RFB 900/08 e RFB 1.300/12. O erro alegado pela contribuinte não configura inexatidão material de preenchimento da declaração. Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. No presente caso, não se trata de erro material, mas de erro de direito, o que não é escusável. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930670/200972 Acórdão n.º 1802002.535 S1TE02 Fl. 146 8 Pretenderse que o crédito inicialmente informado no PER/Dcomp como pagamento indevido seja considerado como saldo negativo é hipótese incabível que, se admitida, implicaria agressão à própria essência da compensação. Em verdade, estarseia realizando outra compensação, o que ensejaria efeitos jurídicos diferenciados, com reflexos no cálculo de juros moratórios e eventualmente na incidência de multa. O próprio programa PER/Dcomp impede a retificação do crédito da maneira pretendida. O procedimento recomendado seria o cancelamento do PER/Dcomp e a transmissão de outro. A retificação de crédito também está impedida no âmbito da manifestação de inconformidade. Sua análise desbordaria ao que foi objeto do despacho decisório e extrapolaria o litígio. (...) Nesta instância de julgamento, a recorrente busca a reforma da decisão recorrida: a) suscitando preliminar de nulidade da decisão a quo, pois o direito créditório pleiteado, relativo a pagamento a maior do IRPJ do anocalendário 2008, não pode ser rejeitado, afastado, negado, por via oblíqua, indireta, ou seja, sem análise do mérito, pela preponderância de formalismo da legislação infralegal em detrimento da verdade material; b) no mérito, caso não seja acatada a preliminar suscitada, que seja reconhecido o erro na informação quanto à identificação do direito creditório (erro de fato no preenchimento da DCOMP), reconhecido o crédito a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008 e extinto o débito confessado na DCOMP, mediante homologação da compensação declarada. Caracterizados os pontos controvertidos, passo a enfrentálos. Entendo que, no caso, diversamente do alegado pela recorrente, não há vício de nulidade no acórdão guerreado, pois a decisão atacada está motivada, fundamentada, não há caracterização de cerceamento do direito de defesa; porém, entendo que há equívoco na decisão a quo quanto ao óbice utilizado que implicou na não análise do mérito do crédito pleiteado. Ou seja: houve interpretação equivocada pela decisão recorrida quanto ao art. 57 da IN SRF 460/2004, fato que impediu a análise do mérito do crédito demandado, relativo ao anocalendário 2008. Diversamente do entendimento da decisão recorrida, entendo que restou caractrizado o erro de fato no preenchimento da DCOMP quanto à informação do crédito utilizado/pleiteado. Senão vejamos, consta dos autos que a contribuinte: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930670/200972 Acórdão n.º 1802002.535 S1TE02 Fl. 147 9 efetuou o pagamento/recolhimento do IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA 31/05/2008, DARF no valor de R$ 594.978,74, data do recolhimento, arrecadação, 30/06/2008. Cópia do Comprovante de Arrecadação (efl.98); que transmitiu tempestivamente a DIPJ 2009, anocalendário 2008, em 16/10/2009 (efls. 24/63), computando no saldo negativo – declaração de ajuste anual o recolhimento/pagamento do IRPJ Estimativa Mensal, código de receita 2362, do PA 31/05/2008, DARF no valor de R$ 594.978,74, data do recolhimento, arrecadação, 30/06/2008, conforme demonstrativo abaixo: Recolhimentos do IRPJ – Estimativa Mensal – AC 2008 (Deduções na Ficha 12A): Jan/2008.......... 313.142,77 Fev/2008 ......... 313.124,46 Març/2008.........300.477,57 Abril/2008 ........521.692,94 Maio/2008.........594.978,74 Junho/2008........419.428,18 Julho/2008........7.45.358,15 Agosto/2008.......769.408,10 Set/2008...............36.178,36 TOTAL.............4.013.789,27 que, entretanto, antes da entrega/transmissão da citada DIPJ, transmitiu eletronicamente via internet em 31/08/2009, por meio do Programa PER/DCOMP, declaração de compensação tributária nº 17835.73633.310809.1.3.041870 (efls. 92/96), utilizando – como crédito –, de forma inadvertida, o valor relativo ao citado recolhimento. que tomou ciência do despacho decisório em 20/10/2009 (efl. 106), ou seja, a DIPJ foi transmitida antes da ciência do despacho decisório. que constatou o suscitado erro de fato na DCOMP (erro de informação quanto à origem do crédito pleiteado do anocalendário 2008) após a ciência do despacho decisório. Pois bem. Compulsando os autos, observando a linha do tempo quanto aos fatos citados, de plano salta aos olhos a existência de informação desencontrada, contradição entre a DIPJ e a DCOMP quanto ao pretenso direito creditório do AC 2008. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930670/200972 Acórdão n.º 1802002.535 S1TE02 Fl. 148 10 A contribuinte prestou informação equivocada, errônea, com inexatidão material, na DCOMP quanto à origem do crédito pleiteado, pois é diversa da constante da DIPJ. Ou seja: deveria ter informado origem do crédito utilizado a título de saldo negativo do AC 2008, e não o valor recolhido a título de antecipação do imposto por estimativa mensal do PA maio/2008. Observese, ainda, que a DCOMP foi apresentada no anocalendário seguinte ao recolhimento da estimativa mensal, e não no próprio anocalendário do recolhimento da antecipação do imposto por estimativa mensal, configurando mais um argumento plausível pela caracterização do erro de informação na DCOMP quanto à origem do crédito pleiteado, pois encerrado o anocalendário não há que se falar em restituição de pagamento de estimativa mensal, quando recolhida na forma da legislação de regência que é o caso, mas sim saldo negativo. Resta evidente que a informação prestada na DCOMP, quanto à origem do crédito, está em dissonância, em parte, com a DIPJ que trata da apuração do imposto e do pretenso crédito do imposto do anocalendário 2008 (declaração de ajuste anual), pois o pretenso crédito pleiteado do anocalendário 2008 restou apurado pela contribuinte a título de saldo negativo e não a título de pagamento indevido de estimativa mensal. Lembrese que a Súmula CARF nº 84 permite a restituição de estimativa mensal recolhida em excesso, a partir da data do respectivo recolhimento, no caso de erro de fato comprovado na apuração da base de cálculo da estimativa mensal (erro quanto à apuração com base na receita bruta ou com balancete de suspensão/redução), ou seja, recolhimento que extrapolou, em completa dissonância em relação à base de cálculo demonstrada na escrituração contábil/fiscal na forma da legislação de regência, que não é o caso, pois a contribuinte não alegou erro de fato na apuração do IRPJ – Estimativa Mensal que tivesse gerado recolhimento em excesso à revelia da base de cálculo de que trata a legislação de regência, mas apenas erro de informação na DCOMP quanto à origem do crédito pleiteado na DCOMP. Como demonstrado, restou configurada a existência do erro na informação do direito creditório no preenchimento da DCOMP objeto dos autos (inexatidão material quanto à origem do crédito utilizado/demandado), sendo então hipótese para retificação, correção da DCOMP, conforme art. 57 da IN SRF 460/2004 e IN ulteriores que tratam da matéria, art. 147, § 2º, do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72. Reconhecido, caracterizado, o erro de fato no preenchimento da DCOMP (inexatidão material quanto à informação do direito creditório), deve ser afastado, por conseguinte, o óbice que impediu a decisão recorrida de enfrentar o mérito do crédito, sua liquidez e certeza, a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008. Ou seja, o erro de fato no preenchimento dos dados do crédito na DCOMP, diversamente do entendimento da decisão recorrida, configura sim inexatidão material a que alude o art. 57 da IN SRF nº 460/2004, podendo ser corrigida de ofício pelo julgador, e IN seguintes que tratam da matéria, art. 147, § 2º, do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72. Para evitar prejuízo ao contraditório e à ampla defesa e para evitar subtração de instância de julgamento quanto à análise de mérito do direito créditório – saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008, tornase necessário devolver os autos à primeira instância de julgamento, no caso à DRJ/Porto Alegre, para que proceda análise de mérito do direito creditório a título de saldo negativo do IRPJ. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930670/200972 Acórdão n.º 1802002.535 S1TE02 Fl. 149 11 Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar o óbice que impedira a decisão a quo de enfrentar o mérito do direito creditório a título de saldo negativo do imposto do anocalendário 2008, e determinar o retorno dos autos à DRJ/Porto Alegre para que enfrente, no mérito, a lide direito creditório a título de saldo negativo do imposto do anocalendário 2008. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 149DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10830.912978/2009-43
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. PROVA. VERDADE MATERIAL.
Demonstrado pelo contribuinte, por meio de planilhas amparadas em prova contábil - cópias do Balancete Patrimonial, Demonstrativo de Resultado e Livro Razão -, o valor correto da base de cálculo e que antes houvera a inclusão indevida de receita financeira - não sujeita à incidência da contribuição -, deve ser reconhecida a existência de recolhimento em valor maior que o devido.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-003.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou em substituição ao Conselheiro Jorge Freire.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. PROVA. VERDADE MATERIAL. Demonstrado pelo contribuinte, por meio de planilhas amparadas em prova contábil cópias do Balancete Patrimonial, Demonstrativo de Resultado e Livro Razão , o valor correto da base de cálculo e que antes houvera a inclusão indevida de receita financeira não sujeita à incidência da contribuição , deve ser reconhecida a existência de recolhimento em valor maior que o devido. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou em substituição ao Conselheiro Jorge Freire. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 29 78 /2 00 9- 43 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase da continuação de julgamento que foi convertido em diligência por este Conselho, por meio da Resolução nº 3401000.672, de 19 de março de 2013 (fls. 97/99). Transcrevo abaixo o relatório da Resolução: Trata o presente processo de pedido de compensação referente à COFINS no valor de R$ 60,37, relativo ao período de apuração dez/2001. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório de não homologação da compensação, sob o seguinte fundamento: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Cientificada da decisão, a contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese: Não foi realizada a devida alteração e retificação da DCTF no momento em que foram recalculados os débitos e identificados os valores pagos a maior, por um mero equivoco administrativo; A resolução do problema se dá com a simples retificação da DCTF alterando o valor do débito e excluindo o referido DARF como fonte de pagamento de débito. A 3a Turma da DRJ constatou que a DCTF foi retificada após o despacho eletrônico, mas manteve o indeferimento por não haver prova de erro cometido na original. Observou que a contribuinte trouxe aos autos apenas a cópia da retificação da DCTF. A contribuinte protocolou Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual explica que a retificação na DCTF decorre da tributação de “outras receitas” – além do faturamento –, incluídas na base de cálculo da Contribuição, asseverando que a realização de simples diligência permitiria constatar na sua escrituração o seu direito creditório. Anexou aos autos cópias de Diário e Razão, dentre outros documentos, invoca o princípio da verdade material e cita em prol de sua argumentação o Acórdão no 20309.788 e a Solução de Consulta da 3a Região Fiscal nº 35, de 30/08/2005. Por fim, a contribuinte requer que seja reformada integralmente a decisão proferida pela DRJ Campinas, a fim de que seja reconhecido o direito ao crédito proveniente de recolhimento indevido efetuado a título de Cofins e, conseqüentemente, que seja homologada a compensação por ela realizada. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.912978/200943 Acórdão n.º 3403003.558 S3C4T3 Fl. 133 3 O entendimento do Colegiado foi no sentido de converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: A diligência ora proposta surgiu com os esclarecimentos prestados no recurso voluntário, desta feita acompanhados de documentos (cópias dos Livros Diário e razão) que precisam ser analisados pela fiscalização. Quanto à circunstância de a DCTF ter sido retificada extemporaneamente, há de ser relevada se o resultado da diligência comprovar ter havido pagamento a maior, por terem sido computadas na base de cálculo receitas que somente seriam tributadas à luz do alargamento estabelecido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, cuja inconstitucionalidade, em caráter definitivo, é posterior ao fato gerador deste processo. Por sinal, a decisão de Superintendência da RFB confirmando a desnecessidade de retificação de DCTF, na hipótese que se afigura como a situação destes autos. Refirome à solução de Consulta da Disit da 3a RF nº 35, de 30/08/2005, com o seguinte teor, verbis: ASSUNTO:Obrigações Acessórias EMENTA:COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. A compensação de créditos tributários declarados como saldos a pagar na DCTF com créditos apurados em eventos supervenientes ao período de apuração daqueles créditos tributários obriga o sujeito passivo à entrega de Declaração de Compensação, sendo desnecessária a entrega de DCTF retificadora que tenha por fim informar a compensação efetuada. DCTF é confissão relativa e que a RFB não pode têla como definitiva, omitindose de realizar a diligências necessárias à apuração na contabilidade e escrita fiscal. Frente a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela Recorrente ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, a escrita contábil e a fiscal e outros documentos que considerar pertinentes. Ao final da diligência deve ser elaborado relatório discriminando os montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido. Deve ser demonstrado, ainda, se houve recolhimento a maior, levandose em conta os dois valores devidos levantados (um tomandose como base de cálculo a receita bruta alargada, outro apenas o faturamento estrito anterior à Lei nº 9.718/98). A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP (DRF), realizou a diligência fiscal, resumindo sua conclusão na seguinte Informação Fiscal (fl. 102): Fl. 134DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Irresignado, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, que baixou os autos em diligência objetivando verificar a base de cálculo adotada pela recorrente nos recolhimentos e a inclusão (ou não) de valores correspondentes a outras receitas, além daquelas que compõem o faturamento mencionado no art. 2º da Lei no 9.718/98. Desta forma, verificamos, com base na a escrita contábil apresentada – demonstrativo de resultado, balancete patrimonial e razão analítico, que na composição da base de cálculo do PIS de Jul/2002 a Recorrente adicionou receitas não abrangidas no conceito de faturamento o mensal, de acordo com o art. 2 da Lei nº 9.718/98. Considerando o acima disposto, na tabela abaixo discriminamos o montante total tributado, o valor das receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/98, o valor declarado em DCTF, o valor devido calculado sem o alargamento, o valor recolhido através de DARF ́s e o valor recolhido a maior: Montante Total Tributado Outras Receitas Tributadas Valor Devido Valor Declarado em DCTF Valor Recolhido Valor Recolhido a Maior R$ 5.794.484,62 R$ 9.287,55 R$ 37.603,78 R$ 37.664,15 R$ 37.664,15 R$ 60,37 Intimado, o contribuinte manifestou que “com a diligência foi possível verificar que, como mencionado desde o início pela contribuinte, houve a inclusão de receitas não abrangidas no conceito de faturamento mensal na base de cálculo da Cofins recolhida (...), o que comprovou a existência de crédito (...)” (fls. 109/110). É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 08/10/2010 (fl. 51), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, que aconteceu em 10/09/2010 (fl. 50). Receitas Diversas Operacionais R$ 504,95 Recuperação de Despesas R$ 0,00 Juros Recebidos R$ 7.458,06 Descontos Obtidos R$ 0,06 Créditos de Operações Diversas R$ 0,00 Variação Cambial Ativa R$ 1.324,48 Receita Aplicação Financeira R$ 0,00 Total Outras Receitas Tributadas R$ 9.287,55 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.912978/200943 Acórdão n.º 3403003.558 S3C4T3 Fl. 134 5 Por ser tempestivo e conter razões de reforma do acórdão da DRJ, tomo conhecimento do recurso. Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) que teve sua homologação negada por Despacho Decisorio Eletrônico (DDE), ao fundamento de que o valor do DARF foi integralmente absorvido pelo valor confessado em DCTF. Na impugnação o contribuinte limitouse a explicar que promoveu a retificação da DCTF, para ajustar os valores com aqueles informados em DCOMP. A DRJ negou provimento à impugnação ao fundamento de que, depois de recusada a homologação da DCOMP, não basta a retificação da DCTF, sendo necessária a comprovação do indébito. Assim, na interposição do recurso voluntário o contribuinte apresentou planilha demonstrando a composição da base de cálculo da contribuição, acompanhada de documentos contábeis Balancete Patrimonial, Demonstrativo de Resultado e do Livro Razão. Este Conselho deliberou pela conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia de origem confirmasse a demonstração, tomando como base a documentação contábil apresentada pelo contribuinte. A Delegacia conferiu a documentação contábil apresentada e confirmou a apuração da base de cálculo, tal como apresentada pelo contribuinte, do que restou confirmado o valor do indébito indicado pelo contribuinte na DCOMP. Resta a este Conselho, diante de tal contexto dos fatos, ratificar tudo quanto foi apurado pela DRF, reconhecendo ao contribuinte o direito de crédito e homologando a compensação. Voto, pois, pelo provimento do recurso. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 136DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13964.720496/2012-37
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 15/08/2012
IPI. PEDIDO DE ISENÇÃO. DEFICIÊNCIA FÍSICA. ALCANCE CONCEITUAL DO TERMO PARA FINS DE RECONHECIMENTO DO BENEFÍCIO.
As disfunções orgânicas que caracterizam deficiência física, elencadas no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95, não são numerus clausus (taxativas), mas sim numerus apertus (exemplificativas). A tal conclusão se chega em vista do emprego da conjunção "também" no início do preceito em comento - "para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física [...]" -, assim como pela parte final do mandamento em tela, que exclui de deficiência física apenas "as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções".
Se a lei exclui unicamente as deformidades que não produzam dificuldades para o desempenho de funções, a conclusão lógica é a de que podem ser enquadradas como deficiência física todas aquelas que causam disfunções motoras no indivíduo, já que são os portadores dessas disfunções que o legislador vislumbrou beneficiar com a isenção tributária, e não o acometido de toda e qualquer deficiência, conclusão à qual se chega diante do rol exemplificativo utilizado no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95.
Enfim, a isenção do IPI para aquisição de automóveis de passageiros, objeto da Lei nº 8.989/95, além dos taxistas, dos deficientes visuais e dos portadores de deficiência mental severa ou profunda, nos termos da lei em evidência, alcança o indivíduo portador de deficiência física que comprometa seu sistema locomotor, a ponto de ser causa de "dificuldades para o desempenho de funções".
IPI. PEDIDO DE ISENÇÃO. INTERESSADO PORTADOR DE SEQUELA PERMANENTE NO FÊMUR DIREITO COM COMPROMETIMENTO DE SUA FUNÇÃO LOCOMOTORA. DEFICIÊNCIA FÍSICA CARACTERIZADA. DIREITO AO BENEFÍCIO.
Para fins de reconhecimento do direito à fruição da isenção do IPI, objeto da Lei nº 8.989/95, considera-se deficiente físico o indivíduo portador de "sequela permanente em fêmur D de 70% [...]" e "sequela de fratura do fêmur direito com redução da força de flexão do quadril e extensão do joelho por neuropatia pós-traumática".
Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-004.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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PEDIDO DE ISENÇÃO. DEFICIÊNCIA FÍSICA. ALCANCE CONCEITUAL DO TERMO PARA FINS DE RECONHECIMENTO DO BENEFÍCIO. As disfunções orgânicas que caracterizam deficiência física, elencadas no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95, não são numerus clausus (taxativas), mas sim numerus apertus (exemplificativas). A tal conclusão se chega em vista do emprego da conjunção "também" no início do preceito em comento "para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física [...]" , assim como pela parte final do mandamento em tela, que exclui de deficiência física apenas "as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções". Se a lei exclui unicamente as deformidades que não produzam dificuldades para o desempenho de funções, a conclusão lógica é a de que podem ser enquadradas como deficiência física todas aquelas que causam disfunções motoras no indivíduo, já que são os portadores dessas disfunções que o legislador vislumbrou beneficiar com a isenção tributária, e não o acometido de toda e qualquer deficiência, conclusão à qual se chega diante do rol exemplificativo utilizado no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95. Enfim, a isenção do IPI para aquisição de automóveis de passageiros, objeto da Lei nº 8.989/95, além dos taxistas, dos deficientes visuais e dos portadores de deficiência mental severa ou profunda, nos termos da lei em evidência, alcança o indivíduo portador de deficiência física que comprometa seu sistema locomotor, a ponto de ser causa de "dificuldades para o desempenho de funções". IPI. PEDIDO DE ISENÇÃO. INTERESSADO PORTADOR DE SEQUELA PERMANENTE NO FÊMUR DIREITO COM COMPROMETIMENTO DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 4. 72 04 96 /2 01 2- 37 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/ 02/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 SUA FUNÇÃO LOCOMOTORA. DEFICIÊNCIA FÍSICA CARACTERIZADA. DIREITO AO BENEFÍCIO. Para fins de reconhecimento do direito à fruição da isenção do IPI, objeto da Lei nº 8.989/95, considerase deficiente físico o indivíduo portador de "sequela permanente em fêmur D de 70% [...]" e "sequela de fratura do fêmur direito com redução da força de flexão do quadril e extensão do joelho por neuropatia póstraumática". Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 30/32 do processo digitalizado – ao qual doravante nos referenciaremos), que, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Exercício: 2013 ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO DA DEFICIÊNCIA. LAUDO MÉDICO. É de se indeferir pedido de isenção de IPI na aquisição de automóvel de passageiros ou veículo de uso misto de fabricação nacional, quando o laudo de avaliação médica não informa hipótese de deficiência prescrita na legislação de regência e não atesta o comprometimento da função física dos membros. Manifestação de Inconformidade Improcedente A lide decorre dos fatos descritos no relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: A pessoa física interessada em epígrafe pleiteou, na qualidade de portadora de deficiência física, a fruição da isenção do Imposto sobre Fl. 50DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/ 02/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13964.720496/201237 Acórdão n.º 3802004.030 S3TE02 Fl. 50 3 Produtos Industrializados – IPI na aquisição de automóvel de passageiros, de fabricação nacional, prevista na Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995. Mediante o Despacho Decisório de fls. 18, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis (SC) indeferiu o pedido, tendo em vista a constatação de que o laudo apresentado pela requerente não a enquadra nas condições delimitadas pela legislação como portador de deficiência física, para fins de isenção de IPI. Regularmente cientificada (fl. 27), a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fl. 19), por meio da qual alegou que estaria apresentando um laudo de avaliação mais completo de sua incapacidade. De acordo com a decisão de primeira instância, o laudo apresentado pelo interessado, que atesta como deficiência física "fratura subtrocantérica", CID10 S72.1, "fratura pertrocantérica", "sequer restou inequivocamente atestado que sua doença tenha ocasionado qualquer comprometimento da função física de seu membro, condição essencial para o deferimento do pleito". Quanto ao novo laudo anexado aos autos entendeu a instância a quo que o mesmo não poderia ser considerado, por se constituírem em "provas não submetidas ao crivo da autoridade originariamente competente para análise do pedido". Cientificado da referida decisão em 08/11/2013 (fls. 37), o interessado, em 19/11/2013, apresentou o recurso voluntário de fls. 38, onde aduz que possui "sequela de fratura do fêmur direito com redução de flexão do quadril e extensão do joelho por neuropatia póstraumática". A título comprobatório acosta aos autos os laudos de fls. 42/43. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Conforme assentado no acórdão recorrido, o indeferimento da solicitação foi fundamentado na falta de comprovação documental da deficiência física do interessado. Vêse ainda, nos termos relatados, que aludida decisão não examinou a nova prova acostada aos autos sob o argumento de que tal forma de proceder representaria supressão de fase processual. A teor do disposto nos artigos 15, caput, e 16, § 4º, da norma que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF (Decreto no 70.235/72), é verdade que as provas do interessado deverão ser apresentadas no momento da impugnação sob pena de preclusão desse direito, salvo se demonstrada uma das hipóteses discriminadas nas alíneas “a” a “c” do mencionado § 4º (através de petição devidamente fundamentada – § 5º do mesmo artigo), quais sejam: (i) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo força maior; (ii) refirase a fato ou a direito superveniente; ou, (iii) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas ao processo. Contudo, a tendência moderna é a de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no PAF, e isso diante do princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, mais participativo e mais orientado a um escopo Fl. 51DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/ 02/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 social, especialmente no presente caso em que o Estado necessita ser mais ágil no exame dos direitos dos mais necessitados, como os deficientes físicos. Nesse diapasão a Lei nº 12.008, de 29/07/2009, incluiu na Lei nº 9.784, de 29/01/1999, o artigo 69A, segundo o qual as pessoas portadoras de deficiência física, dentre outras, "terão prioridade na tramitação, em qualquer órgão ou instância, os procedimentos administrativos em que figure como parte ou interessado". Na mesma linha a Lei nº 10.048, de 08/11/2000, que dá às pessoas portadoras de deficiência física, aos idosos, às gestantes, às lactantes e às pessoas acompanhadas por crianças de colo, atendimento prioritário por parte das repartições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos (artigo 2º). Assim, entendemos que o retorno do processo ao seu status quo ante, para exame do novo laudo acostado aos autos, iria de encontro ao norte legiferante de tratamento diferenciado das pessoas portadoras de deficiência física, prejudicando sobremaneira a função finalística do processo, que é dizer o direito, especialmente em casos como o presente, em que é notória a necessidade de uma solução mais rápida da lide. Por fim, não custa lembrar que a inclinação doutrinária e jurisprudencial de um processo menos formalista foi também materializada na Lei no 9.784/99, notadamente em seu artigo 3º, inciso III, que permite a juntada de documentos e a formulação de alegações pelo interessado, "antes da decisão". Diante disso, não vejo nenhum problema em examinar os novos documentos acostados aos autos posteriormente à manifestação de inconformidade. Antes, porém, transcrevo os dispositivos legais aplicáveis ao caso: Lei nº 8.989, de 24/02/1995 Art. 1º Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003 [...] IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) [...] § 1º Para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) Fl. 52DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/ 02/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13964.720496/201237 Acórdão n.º 3802004.030 S3TE02 Fl. 51 5 § 2º Para a concessão do benefício previsto no art. 1o é considerada pessoa portadora de deficiência visual aquela que apresenta acuidade visual igual ou menor que 20/200 (tabela de Snellen) no melhor olho, após a melhor correção, ou campo visual inferior a 20°, ou ocorrência simultânea de ambas as situações. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) § 3º Na hipótese do inciso IV, os automóveis de passageiros a que se refere o caput serão adquiridos diretamente pelas pessoas que tenham plena capacidade jurídica e, no caso dos interditos, pelos curadores. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) § 4º A Secretaria Especial dos Diretos Humanos da Presidência da República, nos termos da legislação em vigor e o Ministério da Saúde definirão em ato conjunto os conceitos de pessoas portadoras de deficiência mental severa ou profunda, ou autistas, e estabelecerão as normas e requisitos para emissão dos laudos de avaliação delas. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) § 5º Os curadores respondem solidariamente quanto ao imposto que deixar de ser pago, em razão da isenção de que trata este artigo. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) § 6º A exigência para aquisição de automóveis equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas, inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão não se aplica aos portadores de deficiência de que trata o inciso IV do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.754, de 31.10.2003) Decreto nº 3.298, de 20/12/1999 Art. 3º Para os efeitos deste Decreto, considerase: I deficiência – toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano; II deficiência permanente – aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter probabilidade de que se altere, apesar de novos tratamentos; e III incapacidade – uma redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social, com necessidade de equipamentos, adaptações, meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou transmitir informações necessárias ao seu bemestar pessoal e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida. Art. 4º É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: I deficiência física alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades Fl. 53DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/ 02/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções; (Redação dada pelo Decreto nº 5.296, de 2004) II deficiência auditiva perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500HZ, 1.000HZ, 2.000Hz e 3.000Hz; (Redação dada pelo Decreto nº 5.296, de 2004) III deficiência visual cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60o; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores; (Redação dada pelo Decreto nº 5.296, de 2004) IV deficiência mental – funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como: a) comunicação; b) cuidado pessoal; c) habilidades sociais; d) utilização dos recursos da comunidade; (Redação dada pelo Decreto nº 5.296, de 2004) e) saúde e segurança; f) habilidades acadêmicas; g) lazer; e h) trabalho; V deficiência múltipla – associação de duas ou mais deficiências. Postas as normas de relevância para a análise da questão passo à apreciação dos fatos. Segundo o laudo de fls. 16, emitido pela Secretaria de Saúde do município de Braço do Norte SC, o interessado tem "fratura subtrocantérica", CID10 S72.1 (fratura do fêmur fratura pertrocantérica1). Por seu turno, o laudo de fls. 20, emitido pela mesma Secretaria, atesta que o recorrente é acometido de "sequela permanente em fêmur D de 70%, acarretando em lesão que o torna inválido para o trabalho", CID10 S721. Há ainda o laudo de fls. 42, também emitido pela mesma Secretaria, em cujo campo destinado à descrição detalhada da deficiência consta o seguinte: Sequela de fratura do fêmur direito com redução da força de flexão do quadril e extensão do joelho por neuropatia pós traumática. No anexo ao laudo em tela (fls. 43) se atesta que tais alterações acarretam perda ou anormalidade que gera incapacidade para o desempenho de atividade dentro do padrão considerado normal para o ser humano. Considerando as exigências legais para a concessão à isenção objeto da lide, acima transcritas, não resta dúvida de que a deficiência física lastreada pelos laudos 1 Conforme consulta feita no sítio http://www.medicinanet.com.br/cid10/2547/s72_fratura_do_femur.htm. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/ 02/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13964.720496/201237 Acórdão n.º 3802004.030 S3TE02 Fl. 52 7 referenciados está sim amparada pela lei. Com efeito, o interessado tem limitações físicas consideráveis que geram incapacidade para o desempenho de atividade dentro do padrão da normalidade, conforme atestado por junta médica. Ademais, a tipificação da deficiência constante dos laudos acima reportados, ou seja, a "sequela permanente em fêmur D de 70% [...]", e "sequela de fratura do fêmur direito com redução da força de flexão do quadril e extensão do joelho por neuropatia pós traumática", está contemplada dentre as diferentes denominações específicas de deficiência física objeto do § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95, bem como do inciso I do artigo 4º do Decreto nº 3.298/99, notadamente a “monoparesia”, que é a paresia – disfunção – em um dos membros. Não bastasse isso, releva destacar que as disfunções orgânicas que caracterizam deficiência física elencados no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95 não são numerus clausus (taxativas), mas sim numerus apertus (exemplificativas), o que se extrai pela conjunção "também" utilizada no início do preceito em comento "para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física [...]" , assim como pela parte final do preceito em tela, que exclui de deficiência física apenas "as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções". Segue o inteiro teor do dispositivo referenciado: § 1º Para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (grifos nossos) Assim, se a lei exclui unicamente as deformidades que não produzam dificuldades para o desempenho de funções, a conclusão lógica é a de que podem ser enquadradas como deficiência física todas aquelas que causam disfunções motoras no indivíduo, notadamente no caso presente, em que o interessado possui "sequela permanente em femur D de 70%, acarretando em lesão que o torna inválido para o trabalho". Refirome a "disfunções motoras" porque são os portadores dessas disfunções que o legislador vislumbrou beneficiar com a isenção tributária – e não o acometido de toda e qualquer deficiência –, conclusão à qual se chega diante do rol exemplificativo utilizado no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95. Com efeito, monoparesia, paraparesia, tetraparesia e hemiparesia designam a paresia – que, como dito, diz respeito a disfunção, funcionamento comprometido – respectivamente, em um membro, em ambos os membros (geralmente inferiores), em todos os membros, ou nos membros de um lado do corpo. Na mesma toada, quando os prefixos mono, para, tetra e hemi são associados ao sufixo plegia – que diz respeito à perda total da força muscular, paralisia – temos designadas as deficiências físicas que causam a paralisia dos membros do corpo, conforme o prefixo adotado (monoplegia, tetraplegia, triplegia, triparesia, Fl. 55DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/ 02/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 8 hemiplegia). Já quando há amputação ou ausência de um membro, o comprometimento da função motora é evidente. O mesmo se diga em relação à paralisia cerebral ou à existência de membros com deformidade congênita ou adquirida. Como se vê, TODOS os exemplos elencados pelo legislador, destinados a guiar o intérprete no que concerne ao alcance do conceito de deficiência física que buscou amparar pela norma, dizem respeito a deficiências que causam comprometimento das funções motoras do indivíduo. Logo, seria equivocado defender que o uso do termo "também", empregado no início do § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95 – "para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física [...]" –, daria guarida à aplicação da isenção do IPI a toda e qualquer deficiência. Os exemplos de deficiências físicas discriminadas no aludido dispositivo não permitem interpretação nesse sentido. E isso é reforçado pela parte final do preceito em tela, que exclui de deficiência física "as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções" (grifei), o que reforça a exegese que defendemos no sentido de que a deficiência física amparada pela isenção de que trata o § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95 é aquela que causa comprometimento das funções motoras do indivíduo. Importa destacar que o legislador não se restringiu apenas às deficiências físicas nos moldes definidos pelo § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95, mas garantiu o direito também aos deficientes visuais, aos deficientes mentais (severa ou profunda) e aos autistas (conforme inciso IV do artigo 1º da Lei nº 8.989/95). A conceituação de deficiência visual ou mental, para fins da isenção tributária objeto da norma em evidência, deverá obedecer aos ditames contidos nos parágrafos 2º e 4º do artigo 1º da Lei nº 8.989/952. Enfim, a isenção do IPI para aquisição de automóveis de passageiros, objeto da Lei nº 8.989/95, além dos taxistas, dos deficientes visuais (assim definidos aqueles com acuidade visual igual ou menor que 20/200 – tabela de Snellen – no melhor olho – § 2º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95) e dos portadores de deficiência mental severa ou profunda, alcança o indivíduo portador de deficiência física que comprometa seu sistema locomotor, a ponto de ser causa de "dificuldades para o desempenho de funções", como no caso presente, em que o interessado possui "sequela permanente em femur D de 70%, acarretando em lesão que o torna inválido para o trabalho". Cumpre destacar que o entendimento supra está em perfeita sintonia com o disposto no artigo 111, inciso II, do CTN. Com efeito, Interpretação literal não é interpretação mesquinha ou meramente gramatical. Interpretar estritamente é não utilizar interpretação extensiva. Compreendase. Todas devem, na medida do possível, contribuir para manter o Estado. As exceções devem ser compreendidas com extrema rigidez. 2 § 2º Para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada pessoa portadora de deficiência visual aquela que apresenta acuidade visual igual ou menor que 20/200 (tabela de Snellen) no melhor olho, após a melhor correção, ou campo visual inferior a 20°, ou ocorrência simultânea de ambas as situações. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) [...] § 4º A Secretaria Especial dos Diretos Humanos da Presidência da República, nos termos da legislação em vigor e o Ministério da Saúde definirão em ato conjunto os conceitos de pessoas portadoras de deficiência mental severa ou profunda, ou autistas, e estabelecerão as normas e requisitos para emissão dos laudos de avaliação delas. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) Fl. 56DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/ 02/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13964.720496/201237 Acórdão n.º 3802004.030 S3TE02 Fl. 53 9 (Sacha Calmon Navarro Coêlho. Curso de Direito Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 10. ed., 2009, p. 610) Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo, consequentemente, em favor do recorrente, o direito à isenção de IPI na aquisição de veículo automotor. Sala de sessões, em 27 de janeiro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/ 02/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 11080.904035/2012-35
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. ALÍQUOTA DA BASE DE CÁLCULO A SER APLICADA.
As alíquotas do art. 15 da Lei nº 9.249/95 (seja aquela prevista no caput ou aquelas outras previstas em seus incisos) visam, através de uma presunção, fixar aproximadamente o lucro do contribuinte. O legislador está presumindo que o lucro de determinadas atividades gira em torno das alíquotas por ele fixadas. Quanto aos serviços hospitalares, especificamente, apenas as simples consultas médicas é que não devem ser tributadas com a base de cálculo calculada à alíquota de 8%, pois demandam tão somente um esforço intelectual, sendo razoável presumir que tais serviços possuem uma margem de lucro próxima de 32%. Todos os outros serviços médicos enquadram-se na hipótese excepcional do art. 15, III, a, da Lei nº 9.249/95, pois, para serem prestados, demandam um custo maior e, portanto, é razoável que se presuma terem uma margem de lucro menor, mais aproximada a 8% que a 32%.
Numero da decisão: 1801-002.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson de Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. ALÍQUOTA DA BASE DE CÁLCULO A SER APLICADA. As alíquotas do art. 15 da Lei nº 9.249/95 (seja aquela prevista no caput ou aquelas outras previstas em seus incisos) visam, através de uma presunção, fixar aproximadamente o lucro do contribuinte. O legislador está presumindo que o lucro de determinadas atividades gira em torno das alíquotas por ele fixadas. Quanto aos serviços hospitalares, especificamente, apenas as simples consultas médicas é que não devem ser tributadas com a base de cálculo calculada à alíquota de 8%, pois demandam tão somente um esforço intelectual, sendo razoável presumir que tais serviços possuem uma margem de lucro próxima de 32%. Todos os outros serviços médicos enquadram-se na hipótese excepcional do art. 15, III, a, da Lei nº 9.249/95, pois, para serem prestados, demandam um custo maior e, portanto, é razoável que se presuma terem uma margem de lucro menor, mais aproximada a 8% que a 32%.
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SERVIÇOS HOSPITALARES. ALÍQUOTA DA BASE DE CÁLCULO A SER APLICADA. As alíquotas do art. 15 da Lei nº 9.249/95 (seja aquela prevista no caput ou aquelas outras previstas em seus incisos) visam, através de uma presunção, fixar aproximadamente o lucro do contribuinte. O legislador está presumindo que o lucro de determinadas atividades gira em torno das alíquotas por ele fixadas. Quanto aos serviços hospitalares, especificamente, apenas as simples consultas médicas é que não devem ser tributadas com a base de cálculo calculada à alíquota de 8%, pois demandam tão somente um esforço intelectual, sendo razoável presumir que tais serviços possuem uma margem de lucro próxima de 32%. Todos os outros serviços médicos enquadramse na hipótese excepcional do art. 15, III, a, da Lei nº 9.249/95, pois, para serem prestados, demandam um custo maior e, portanto, é razoável que se presuma terem uma margem de lucro menor, mais aproximada a 8% que a 32%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 40 35 /2 01 2- 35 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 2 FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson de Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Clínica Traumatológica Moinhos de Vento Sociedade Simples LTDAEPP contra o acórdão de nº 0357.451, prolatado pela 4ª Turma da DRJ de Brasília/DF, que manteve integralmente o despacho decisório objeto de discussão nestes autos. Neste processo, discutese a não homologação da PER/DCOMP de nº 12987.05356.211209.1.3.040050 (fls. 2427), transmitida pela Recorrente e por meio da qual se pretendia compensar crédito de IRPJ com débitos de COFINS. A Receita Federal, através do despacho decisório de fl.22, deixou de homologar a compensação alegando que o valor recolhido através do DARF (R$11.785,08) havia sido integralmente consumido para quitação do débito de IRPJ referente ao primeiro trimestre de 2008, declarado na DCTF da Recorrente (fl. 36). Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 0207), a Recorrente requereu a reforma do despacho decisório alegando que o valor declarado como débito de IRPJ referente ao primeiro trimestre de 2008 (fl. 36) teria sido calculado equivocadamente com a base de cálculo presumida de 32%, quando deveria ter sido calculado com a base de 8%, já que a Recorrente presta serviços hospitalares e, por isso, se enquadraria na hipótese excepcional do art. 15, III, a, da Lei nº 9.249/95. Ao conhecer das razões da Recorrente, a 4º Turma da DRJ de Brasília/DF, através do acórdão ora recorrido (fls. 6067), manteve o despacho decisório alegando em síntese que: (i) “para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da orientação traçada pela Administração Tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos atos normativos, transcritos em linhas pretéritas, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal”; e que (ii) ainda que a Recorrente tivesse cumprido todas as exigências e requisitos, “a manifestante antes de apresentar os Per/Dcomp, nas hipóteses em que admitidas pela legislação tributária de regência, deveria ter retificado em tempo hábil suas declarações (DCTF e DIPJ), cuja competência para apreciálas é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo.” Sustentou ainda a DRJ que a jurisprudência judicial acostada pelo Recorrente em sua manifestação de inconformidade não teria o condão de vincular aquele órgão administrativo e que, por isso, ela deveria se manter vinculada aos atos normativos editados pela Receita Federal do Brasil. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 11080.904035/201235 Acórdão n.º 1801002.233 S1TE01 Fl. 83 3 Irresignado com essa decisão, o Recorrente apresentou o recurso voluntário ora analisado (fls. 7178), que apenas reitera os termos da sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca Conheço o recurso voluntário, pois tempestivo. Antes de analisar especificamente o caso dos autos, é importante fazer uma breve consideração acerca do art. 15 da Lei nº 9.249/95, cuja redação vale ser transcrita: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; Fl. 84DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 4 d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. § 3º As receitas provenientes de atividade incentivada não comporão a base de cálculo do imposto, na proporção do benefício a que a pessoa jurídica, submetida ao regime de tributação com base no lucro real, fizer jus. § 4º O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. Da leitura do artigo percebese claramente que a intenção da norma é fixar uma regra geral de aferição da base de cálculo no lucro presumido: aplicação de 8% sobre a receita bruta. Em seus incisos, o art. 15 estabelece algumas exceções a essa regra. Caso a atividade dos contribuintes se enquadre nos incisos, a regra geral é afastada e a base de cálculo do lucro presumido deve ser aferida de acordo com as alíquotas excepcionais (previstas nos incisos). E aqui é importante fixar uma premissa de extrema importância: as alíquotas do art. 15 (seja aquela prevista no caput ou aquelas outras previstas em seus incisos) visam, através de uma presunção, fixar aproximadamente o lucro do contribuinte. O legislador está presumindo que o lucro de determinadas atividades gira em torno das alíquotas por ele fixadas. Ou seja, para a venda a varejo de gasolina, o legislador presume que o lucro da atividade gira em torno de 1,6% (inciso I acima transcrito); para a atividade de transporte (exceto a de transporte de carga), presumese que o lucro gira em torno de 16% (inciso II acima transcrito); para os serviços em geral, presumese que o lucro gira em torno de 32% (inciso III acima transcrito). É exatamente por isso que essa sistemática de cálculo é denominada lucro presumido (com a devida vênia por estar, aqui, dizendo o óbvio). No entanto, essa presunção feita pelo Legislador não é aleatória. O Congresso Nacional não fixou essas alíquotas por puro arbítrio. A fixação é precedida de rigoroso estudo que indica as margens de lucros ordinárias de determinadas atividades. Se a fixação desses percentuais não obedecesse a um critério científico, o Legislativo estaria afrontando a isonomia entre os contribuintes, pois, por exemplo, qual seria o motivo de o transporte de carga possuir um lucro presumido inferior (8%) às demais espécies de transporte (16%) – conforme inciso II acima transcrito? Não há outra resposta senão esta, que é óbvia: porque o serviço de transporte de cargas demanda um custo maior para ser prestado (carretas mais sofisticadas; normalmente percorrem trajetos maiores; motoristas mais qualificados e etc). Fl. 85DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 11080.904035/201235 Acórdão n.º 1801002.233 S1TE01 Fl. 84 5 No caso dos serviços (que possuem o maior lucro presumido – de 32% – e onde o Fisco pretende enquadrar a Recorrente), notase que eles possuem uma presunção de terem uma maior margem de lucro, exatamente porque não possuem um custo tão elevado, pois demandam, na maioria das vezes, “insumos” de natureza intelectual. Vejase que as alíneas ‘b’, ‘c’ e ‘d’ do inciso III (que fixa a alíquota de 32%) elencam exclusivamente serviços que giram em torno da capacidade intelectual de seu prestador: (b) intermediação de negócios; (c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; (d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). O custo dessas atividades é relativamente baixo, e é exatamente por isso que o Legislador presumiu que a margem de lucro obtida é bastante superior às demais atividades (32%). Pois bem, voltando para o caso específico destes autos, o que aqui se discute é se a atividade desenvolvida pela Recorrente se enquadraria no conceito de “serviços hospitalares”, previsto na alínea ‘a’ do inciso III do art. 15 da Lei nº 9.249/95. É que tais serviços, como se nota, têm seu lucro presumido através da regra geral de 8% da receita bruta, pois o Legislador presumiu que os serviços hospitalares possuem um custo superior àqueles serviços simplesmente intelectuais, pois necessitam, para serem desempenhados, de ativos de valor expressivo. O STJ já se debruçou sobre a matéria e, decidindo a questão na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, consignou que somente meras consultas médicas é que não deveriam ter seu lucro presumido em 8% da receita bruta que gerar: DIREITO PROCESUAL CIVL ETRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 53 e 468 DO CP. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/5. IRPJ ECSL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINÇÃO DA EXPRESÃO "SERVIÇOS HOSPITALRES". INTERPETAÇÃO OBJETIVA. DESNECSIDADE DE ESTRUTRA DISPONIBLIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECNTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CP. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/5, par fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSL. Discutese a possiblidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global do paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, §1º, inciso I, da Lei 9.249/05, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas natureza Fl. 86DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 6 do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos depósitos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisito não previsto em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/05, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente promoção da saúde", de sorte que, "em rega, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/05 não se refere a toda recita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do§ 2ºdo artigo 15da Lei 9.249/5. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl... 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Percebese que o STJ estabeleceu um critério seguro para a aplicação do conceito de “serviços hospitalares”: será serviço hospitalar todo aquele que se referir à assistência à saúde e que não se resumir a simples consultas médicas. Muito embora a fundamentação adotada pelo STJ tenha sido diversa da que aqui está sendo exposta, a sua conclusão se enquadra perfeitamente no critério aqui utilizado, pois é fácil notar que as consultas médicas são serviços eminentemente intelectuais, que não exigem um custo considerável para serem prestados. Exigem tão somente um consultório e o conhecimento médico. Portanto, para as simples consultas é razoável que se presuma que elas gerem um lucro maior (32%). Pois bem, no caso da Recorrente, percebese do seu contrato social que ela é uma sociedade empresária que “tem por objetivo a clínica de traumatologia, serviços médicos e de raio ‘X’, sendo que as cirurgias serão realizadas em hospitais” (fl. 11). Notase, portanto, que o objeto social da Recorrente está intimamente ligado à assistência à saúde. Parece também que o objeto social da Recorrente não se resume a simples consultas médicas, mas também a exames traumatológicos e exames de imagem (raio X) – vale destacar que esta última atividade está, inclusive, expressamente prevista na alínea ‘a’ do inciso III do art. 15 da Lei nº 9.249/95 como “imagenologia”. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 11080.904035/201235 Acórdão n.º 1801002.233 S1TE01 Fl. 85 7 Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 17698.000207/2008-41
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
GLOSA. IRRF. RETENÇÃO EM AÇÃO TRABALHISTA. PROVA.
A prova da retenção na ação trabalhista do IRRF e da sua cobrança na execução deste processo permite o restabelecimento da compensação do IRRF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-004.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a proposta do Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida para converter o julgamento em diligência. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 10.459,93, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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IRRF. RETENÇÃO EM AÇÃO TRABALHISTA. PROVA. A prova da retenção na ação trabalhista do IRRF e da sua cobrança na execução deste processo permite o restabelecimento da compensação do IRRF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a proposta do Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida para converter o julgamento em diligência. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 10.459,93, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 69 8. 00 02 07 /2 00 8- 41 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 17698.000207/200841 Acórdão n.º 2801004.010 S2TE01 Fl. 107 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 8a Turma da DRJ/POA (Fls. 45), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: O contribuinte acima qualificado entregou declaração de ajuste anual do exercício de 2005, anocalendário 2004, indicando saldo de imposto de renda a pagar no valor de R$ 1.039,46, conforme DAA às fls. 17/19. Em virtude da constatação de irregularidades foi lavrada Notificação de Lançamento, às fls. 03/05, exigindose o recolhimento do crédito tributário suplementar no valor de R$ 16.480,65, calculado até 28.12.2007. A fiscalização informa que glosou compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 10.459,93 referente à fonte pagadora TRANSPORTES DALÇOQUIO LTDA por falta de comprovação. O notificado interpôs impugnação, às fls. 01, pedindo que sejam considerados os valores constantes na declaração e demais documentos do acordo firmado com a fonte pagadora. Passo adiante, a 8ª Turma da DRJ/POA entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: COMPENSAÇÃO DE IRRF. MANUTENÇÃO GLOSA. Deve ser mantida a glosa de compensação de IRRF quando a retenção não tiver sido comprovadamente realizada no ano calendário. Cientificado em 11/03/2011 (Fls. 52), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 08/04/2011 (fls. 53 a 55), alegando em síntese: (...) Que o contribuinte anexa ao presente os seguintes documentos e comprovações: Cálculos de liquidação (planilha de verbas) Depósito judicial trabalhista Darf de recolhimento de imposto retido na fonte o valor de R $ 11.078,24(onze mil setenta e oito reais e vinte e quatro centavos) Conclusão da ação trabalhista Termo de quitação dos valores recebidos Processo da primeira Vara do Trabalho de Canoas/RS, número 01638.201/0103 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 17698.000207/200841 Acórdão n.º 2801004.010 S2TE01 Fl. 108 3 Certidão de acórdão número 01638.201/0103 RO À vista todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal,espera e requer o recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido,cancelandose o débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. O litígio se restringe apenas a glosa da dedução do IRRF no valor de R$10.459,93. Quanto a glosa da compensação do IRRF, observo que desde sua impugnação o contribuinte afirma que tal imposto foi retido na ação trabalhista. A DRJ, por sua vez, manteve o lançamento por entender que não foram produzidas provas das alegações do contribuinte; in verbis: Estes documentos particulares sem homologação ou chancela judicial não são suficientes, isoladamente, para comprovar a retenção do imposto de renda conforme declarado. Havia necessidade de apresentação dos documentos, ou de alguns deles, solicitados no termo de intimação, para a qual o impugnante teve mais de três meses de prazo. Portanto, porque não foi apresentado prova de que houve a retenção do IRRF compensado, entendo que deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização..( pág 49 dos autos) O contribuinte, por ocasião do seu recurso, buscou sanar a falha apontada pela DRJ e anexou cópia de todo o processo trabalhista em que alega ter havido a retenção. Após a análise de todo o processo trabalhista, verifiquei que na página 80 dos autos consta certidão de cálculos homologados pela 1ª Vara do Trabalho de Canoas, na qual consta o IRRF no valor de R$10.459,93. Já na página 78 dos autos consta cópia do DARF; na qual se comprova o seu efetivo pagamento. Deste modo, entendo que restou provado pelo recorrente que o IRRF foi realmente retido na ação trabalhista. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 17698.000207/200841 Acórdão n.º 2801004.010 S2TE01 Fl. 109 4 Logo, é dever restabelecer a compensação do IRRF declarada pelo contribuinte. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 109DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 13819.000976/2003-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1997, 1998
IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. FATO GERADOR. SÚMULA DO CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA DO CARF Nº 11.
Não cabe prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
SIGILO PROFISSIONAL DO ADVOGADO. INAPLICABILIDADE COM RELAÇÃO A INFORMAÇÕES SOBRE ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DO PRÓPRIO PROFISSIONAL. LEI Nº 8.906/94.
O sigilo profissional do advogado abriga as informações referentes ao patrocínio da causa sob o aspecto técnico e jurídico. A prestação de informações acerca da origem de depósitos bancários do profissional da advocacia, solicitado pela autoridade fiscal, não se encontra albergada pelo sigilo profissional, pois apresenta aspecto financeiro e econômico do exercício da atividade empresarial da advocacia.
IRPF. ÔNUS DA PROVA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA DO CARF Nº 26.
Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de rendimentos, justificando-se sua tributação a esse título.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA DO CARF Nº 2.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá-las nos moldes da legislação que a instituiu. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-002.632
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar de ofício a decadência relativamente ao ano-calendário de 1997, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 27/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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DEPÓSITO BANCÁRIO. FATO GERADOR. SÚMULA DO CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA DO CARF Nº 11. Não cabe prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. SIGILO PROFISSIONAL DO ADVOGADO. INAPLICABILIDADE COM RELAÇÃO A INFORMAÇÕES SOBRE ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DO PRÓPRIO PROFISSIONAL. LEI Nº 8.906/94. O sigilo profissional do advogado abriga as informações referentes ao patrocínio da causa sob o aspecto técnico e jurídico. A prestação de informações acerca da origem de depósitos bancários do profissional da advocacia, solicitado pela autoridade fiscal, não se encontra albergada pelo sigilo profissional, pois apresenta aspecto financeiro e econômico do exercício da atividade empresarial da advocacia. IRPF. ÔNUS DA PROVA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA DO CARF Nº 26. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de rendimentos, justificandose sua tributação a esse título. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA DO CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 09 76 /2 00 3- 61 Fl. 599DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicálas nos moldes da legislação que a instituiu. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar de ofício a decadência relativamente ao anocalendário de 1997, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 27/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Pelo Auto de Infração, de fls. 319 e seguintes, lavrado em 01/04/2003, exigese do Contribuinte EDGAR RAHAL o montante de R$ 408.636,90 a título de imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), R$ 306.477,67 de multa de ofício, R$ 2.884,86 de multa isolada e R$ 316.426,88 de juros de mora (atualizados até a data da autuação), totalizando um crédito tributário de R$ 1.031.361,45, referente aos anos calendários 1997 e 1998, decorrente de Omissão de Rendimento Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada e Multa Isolada por falta de Recolhimento de IRPF a Título de Carnêleão. O Termo de Verificação Fiscal, de fls. 322 e seguintes, relata: · O Contribuinte apresentou extratos correspondentes aos seguintes bancos: Unibanco S/A e Banco do Brasil S/A e informou da impossibilidade de fornecer os extratos correspondentes aos outros bancos, fato que originou a emissão de Requisições de Movimentação Financeira (RMF) para os demais bancos. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13819.000976/200361 Acórdão n.º 2201002.632 S2C2T1 Fl. 3 3 · Foram excluídos valores coincidentes a débito e crédito efetuado entre os diversos bancos em um prazo de até sete dias, bem como foram excluídos os créditos inferiores à R$ 500,00. · O Contribuinte não apresentou qualquer documento que justificasse a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes. Devido a ausência acerca da justificativa da origem dos depósitos bancários, foi lavrado o Auto de Infração. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 14/04/2003 (AR Postal fl. 327), tendo apresentado Impugnação, de fls. 330 e seguintes, em 14/05/2003, apresentando as seguintes alegações: · Depósito Bancário – ônus da prova, arbitramento e presunção legal discorda da autuação por entender que a presunção de omissão apurada mesmo que esteja embasada em depósitos bancários é ilegal, uma vez que não existe uma correlação lógica, direta e segura entre os valores depositados e os rendimentos omitidos, já que os depósitos bancários injustificados não culminam na renda auferida, o que poderia tornar nulo o lançamento em questão. Entende que o artigo 42 da Lei n° 9.430/96 contraria o próprio instituto da presunção legal por falta de nexo causal entre os depósitos bancários e os rendimentos auferidos. Afirma "pois subjacentes a tais valores pode estar, por exemplo, um empréstimo, uma doação, uma atividade comercial indevidamente exercida em nome da pessoa física, a movimentação financeira de atividades proibidas (doleiros e agiotas) etc". Entende que a exigência de tributo com base em fato gerador presumido é inconstitucional, por ter a fiscalização, no arbitramento, utilizado critérios desprovidos de legalidade e de qualquer materialidade que possa refletir a realidade do autuado, mesmo reconhecendo que sua movimentação bancária mensal era intensa. Considera que o critério dos "sete primeiros dias" utilizado no arbitramento é ilegal, para arbitrar a base de cálculo tomando como referência suas movimentações bancárias, é incompatível e totalmente desprovido de embasamento técnico, já que as operações são ininterruptas. Assim, posicionase de forma contrária e expressamente. Aduz que as bases de cálculos arbitradas pela fiscalização deviam ser desconsideradas por serem totalmente desprovidas de critérios técnicolegais, devendo assim, por conseqüência, ser anulado o auto de infração em referência, sob pena de estarse ferindo os princípios constitucionais do não confisco e da legalidade, dada a disparidade entre os valores apontados pela fiscalização e os valores considerados pelo fiscalizado. Argumenta ainda que a exigência tributária com base em lançamento presuntivo além de inconstitucional também afronta ao principio da estrita legalidade, previsto no aos artigos 97 do Código Tributário Nacional (CTN) e 150, inciso I da Constituição Federal, até porque a presunção de renda não pode ser equiparada a renda, por ter havido sequer o nascimento da obrigação tributária e também por completa ausência de subsunção do fato descrito no lançamento com a norma de incidência tributária prevista no texto constitucional. · Sigilo de profissional do advogado (Estatuto da Ordem) invoca os dispositivos da Lei nº 8.906/94, que tratam da ética e da disciplina, garantindo ao profissional da advocacia o sigilo profissional e a inviolabilidade de dados de qualquer natureza, pois entende que se o fizesse o contrário estaria quebrando o sigilo profissional, o que poderia até ensejar a nulidade do lançamento. · Origem e natureza dos depósitos bancários argumenta que os valores depositados em suas contas bancárias correspondem a valores pertencentes aos seus clientes, em decorrência de levantamento de alvarás judiciais, depósitos judiciais, custas judiciais e outras espécies. Insiste que os depósitos bancários são oriundos de sua atividade de advocacia na área de falências e concordatas que resultam em pagamentos que Fl. 601DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 decorrem de levantamentos judiciais frequentes para os quais utilizase de contas bancárias de sua titularidade para fazer as movimentações de verbas provenientes de acordos e pagamentos judiciais em prol de seus clientes, o que justifica o volume de suas operações bancárias. · Caráter confiscatório da multa de ofício insurgese contra a multa aplicada de 75%, por considerála abusiva, confiscatória e inadmissível perante o art. 150, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, daí porque entende que a penalidade aplicada deveria ser reduzida para o percentual de 20%, nos termos do no art. 61, da Lei n° 9.430/96. · Inconstitucionalidade dos juros de mora pela taxa SELIC afirma que a aplicação dos juros de mora pela taxa SELIC é ilegal, por entender que os percentuais aplicados não poderiam ser superiores aos limites previstos na Constituição Federal e na legislação de regência, o que resultaria incompatibilidade do instituto com os princípios constitucionais tributários. A 5ª Turma da DRJ/SP2, na sessão de 19/11/2010, pelo Acórdão 1746253, de fls. 487 e seguintes, julgou improcedente a Impugnação, nos seguintes termos: PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É legitimo o lançamento calcado em depósitos bancários, quando o contribuinte não comprova a origem dos recursos utilizados, por se configurar tal situação em fato suficiente para presunção de omissão de rendimentos, legalmente estabelecida. PRELIMINAR EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade ou constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário. SIGILO PROFISSIONAL DO ADVOGADO. INAPLICABILIDADE COM RELAÇÃO A INFORMAÇÕES SOBRE ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DO PRÓPRIO PROFISSIONAL. Alegações acerca do sigilo profissional do advogado sobre aquilo que saiba em razão de seu oficio acerca de seus clientes, não podem ser opostas A. solicitação de informações acerca da origem de depósitos na conta bancária desse mesmo advogado. MULTAS EXIGIDAS ISOLADAMENTE. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Quando não ha contestação especifica de multas isoladas exigidas por falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a titulo de carnêleão, tais matérias são consideradas como não impugnadas e o lançamento é mantido como definitivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. Consideramse rendimentos omitidos os depósitos/créditos efetuados em contas mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Alegações desacompanhadas de provas não têm o condão de elidir a presunção regularmente estabelecida. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de oficio é prevista em disposição legal especifica e tem como suporte fatico a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de Fl. 602DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13819.000976/200361 Acórdão n.º 2201002.632 S2C2T1 Fl. 4 5 estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. DECISÕES JUDICIAIS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão Após 03 tentativas de citação do Contribuinte por AR, de fls. 506 (15/12/2010, 16/12/2010 e 17/12/2010), o Contribuinte foi notificado do Acórdão pelo edital de fls. 507, afixado em 24/01/2011 e retirado em 25/02/2011, vindo apresentar Recurso Voluntário, às fls. 508 e seguintes, em 04/02/2011, aduzindo os mesmos argumentos da Impugnação, complementandoa nos seguintes termos: · Prescrição intercorrente – em razão do prazo decorrido entre a Impugnação e o Acórdão proferido pela DRJ ser de quase 08 anos, prazo muito superior aos 360 dias previsto no art. 24 da Lei nº 11.457/07. A demora no julgamento do processo administrativo fiscal viola a garantia de celeridade prevista no inciso no art. 5º, LXXVIII e o princípio da eficiência previsto no art. 37, ambos da CRFB, possibilitando a invalidação do ato decisório. Assim, o excesso de prazo acarretaria também a violação o direito a regular duração do processo administrativo, aos princípios da ampla defesa, legalidade (por falta de regular andamento ao processo), do devido processo legal, razoabilidade e violação a proibição de um tribunal de exceção (diante da mutilação do sistema administrativo, pois a corte Superior não estará apta a julgar uma demanda que quedouse tanto tempo inerte). · Ilegalidade da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 – contesta que resta ilegal a presunção da omissão de renda de pessoas físicas embasada somente em depósito bancário, bem como a ilegalidade do arbitramento com base nos depósitos dos primeiros 07 dias de cada mês. · Caráter confiscatório da multa de ofício insurgese contra a multa aplicada de 75%, por considerála abusiva, confiscatória e inadmissível perante o art. 150, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, daí porque entende que a penalidade aplicada deveria ser reduzida para o percentual de 20%, nos termos do no art. 61, da Lei n° 9.430/96. Em maio de 2014, o Contribuinte apresentou petição requerendo a prioridade de tramitação por idade. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Inicialmente, cabe destacar que o Contribuinte apresentou, em 25/07/2014, em sede de Memoriais, reforço ao argumento da prescrição intercorrente, bem como alegou a decadência do lançamento para o ano calendário de 1997 e a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela fiscalização sem autorização judicial. Tendo em vista que a argumentação acerca da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial não foi apresentada tempestivamente em sede recursal (Recurso Voluntário), dela não conheço. Quanto à argumentação referente à prescrição intercorrente, a mesma foi apresentada em sede recursal, portanto dela conheço. No tocante à decadência, por se tratar de matéria de ordem pública, conheço de ofício. I. DAS PRELIMINARES I.1. Da Decadência A possibilidade dos órgãos decisórios da esfera administrativa reconhecer a decadência de ofício tem por fundamento mediato o princípio da legalidade e a atividade administrativa plenamente vinculada a qual está jungida a administração tributária, na forma do art. 149 e seu parágrafo único do Código Tributário Nacional (CTN). O fundamento imediato encontrase no art. 7º incisos IV e V da Portaria MF nº 341/11, nos seguintes termos: Art. 7º São deveres do julgador: (...) IV cumprir e fazer cumprir as disposições legais a que está submetido; e V observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos. A Súmula do CARF nº 38 estabelece que o fato gerador do imposto de renda sobre rendimentos omitidos em razão de depósitos bancários de origem não comprovada ocorre no último dia do ano calendário, em havendo pagamento antecipado, a decadência regese pelo art. 150, § 4º do CTN. Súmula CARF nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. No que concerne ao prazo decadencial para o lançamento por homologação o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo, pacificou o entendimento de que a aplicação do art. 150, §4º do CTN ocorre na hipótese de homologação de lançamento com pagamento antecipado. Não havendo o pagamento antecipado a hipótese é de lançamento de ofício (art. 173, I do CTN). Confirase: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE Fl. 604DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13819.000976/200361 Acórdão n.º 2201002.632 S2C2T1 Fl. 5 7 PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º). PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ". 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa " e "operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa " —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes da 1ª Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; ERESP 278.727/DF, Min. Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003. 3. Tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, mas ausente a antecipação do pagamento, ainda que parcial, há de se aplicar a norma prevista no art. 173, I, do CTN, contandose o prazo qüinqüenal a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao daquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não havendo que se falar em prazo decadencial de dez anos a contar do fato gerador. 4. Portanto, considerando a data de 31.05.1995 como de constituição definitiva do crédito tributário, porque dia da notificação do lançamento realizado de ofício, temse que o prazo prescricional teve início em 01.06.1995. Assim, quando da propositura do executivo fiscal, em 30.08.2002, já havia decorrido o prazo qüinqüenal previsto no art. 174 do CTN para cobrança do crédito tributário mas sim de lançamento de ofício em razão da omissão e inexatidão da declaração (REsp nº 811.243/CE Min. Teori Albino Zavascki, 1º Turma, DJ 02.05.06) Conforme DIRPF/98 (ano calendário de 1997), de fls. 307, verificase que há reportado imposto pago (retido na fonte) de R$ 700,50. Uma vez que não houve questionamento da fiscalização quanto ao não pagamento do referido montante, entendo que houve o pagamento do imposto referente ao ano calendário de 1997. Diante do exposto, o prazo decadencial para o ano calendário de 1997 tem por prazo inicial 01/01/1998, encerrandose em 31/12/2002, 05 (cinco) anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. O lançamento se aperfeiçoa com a ciência do sujeito passivo que no caso em tela ocorreu em 14/04/2003, após o prazo legal para constituição do crédito tributário referente ao ano calendário de 1997, restando assim decaído a pretensão da Fazenda Pública quanto à constituição do crédito tributário apurado. Assim, reconheço de ofício a decadência do lançamento para o ano calendário de 1997. I.2. Da Prescrição Intercorrente O Contribuinte defende que entre a apresentação da Impugnação (14/05/2003) e a notificação do Acórdão recorrido (10/01/2011) haveria ocorrido a prescrição intercorrente Fl. 605DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 diante da inércia da Administração em decidir o contencioso administrativo, eis que transcorridos quase 08 (oito) anos. Não há previsão legislativa específica para o Processo Administrativo Fiscal de prescrição intercorrente, semelhante às previsões para o Processo Tributário Judicial (§4º do art. 40 da Lei nº 6.830/80 – LEF) ou legislação sobre prescrição punitiva do poder de polícia na esfera administrativa (§1º do art. 1º da Lei nº 9.873/99). O prazo previsto no art. 24 da Lei nº 11.457/07 não se trata de prazo prescricional. O referido prazo não tem a mesma natureza dos prazos para as partes, denominados próprios, cujo descumprimento acarreta a preclusão. Tratase de prazo que, embora improrrogável, é impróprio, semelhante aos prazos dos juízes e seus auxiliares, a significar que a extemporaneidade da prolação do Acórdão não invalida a decisão. O reconhecimento quanto à natureza imprópria do prazo não torna a norma contida no art. 24 da Lei nº 11.457/07 inoperante, pelo contrário, o não cumprimento do referido prazo sujeita a Autoridade Tributária inerte ao remédio constitucional do Mandado de Segurança. Diante da natureza do prazo contido no art. 24 da Lei nº 11.457/07, a mora no atendimento ao referido prazo não acarreta a anulação do processo administrativo tributário, mas sim a interposição de remédio constitucional. No que diz respeito a prescrição propriamente dita, não se pode aduzir prescrição intercorrente por quanto não há como se prescrever algo que não se pode executar, pois o crédito tributário encontrase com sua exigibilidade suspensa na forma do art. 151, III do CTN: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; O presente posicionamento já restou consolidado na Súmula do CARF nº 11, razão pela qual se afasta o argumento de prescrição intercorrente: Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. I.3. Do Sigilo Profissional O Contribuinte afirma que os créditos e débitos em suas contas bancárias são correspondentes a valores de clientes, em decorrência de levantamento de alvarás judiciais, depósitos judiciais, custas judiciais e outras espécies, bem como os respectivos repasses. Assim, uma vez que os valores mencionados são de propriedade dos seus clientes e como o art. 7º da Lei nº 8.906/94 (Estatuto da OAB) lhe impõe o dever de sigilo profissional, estaria impedido de revelar a Autoridade Tributária a origem e os destinos dos valores. Confirase: Art. 7º São direitos do advogado: (...) Fl. 606DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13819.000976/200361 Acórdão n.º 2201002.632 S2C2T1 Fl. 6 9 II ter respeitada, em nome da liberdade de defesa e do sigilo profissional, a inviolabilidade de seu escritório ou local de trabalho, de seus arquivos e dados, de sua correspondência e de suas comunicações, inclusive telefônicas ou afins, salvo caso de busca ou apreensão determinada por magistrado e acompanhada de representante da OAB; (redação ao tempo do Fato Gerador) A argumentação do Contribuinte não se sustenta haja vista que não acarreta violação ao sigilo profissional do advogado a imputação de valores que circularam em suas contas bancárias aos respectivos clientes. A simples imputação quanto a qual cliente se referia determinado depósito, com o correspondente débito concernente à transferência ao cliente não viola o sigilo profissional, uma vez que o Contribuinte não estaria revelando, o conteúdo do trabalho jurídico realizado, informações ou documentos que obteve em decorrência do patrocínio da causa. A solicitação da fiscalização acerca da justificativa quanto a origem/natureza dos depósitos bancários não perpassa pela revelação de questões técnicas jurídicas manejadas pelos profissionais da advocacia, mas se trata do fornecimento de informações no âmbito da atividade empresarial, econômica e financeira do advogado que não encontra abrigo ao sigilo profissional. O art. 7º da Lei nº 8.906/94 visa resguardar o conteúdo das informações e documentos repassados pelo cliente ao advogado. A jurisprudência colacionada pelo Contribuinte deixa transparente o presente ponto, uma vez que foi vedado à autoridade judicial apreender documentos que estavam de posse do advogado em razão do exercício da profissão, bem como a revelação pelo patrono de fatos que obteve em razão do exercício da profissão. Como bem destacou a 5ֺª Turma da DRJ/SP2 as informações solicitadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil referemse aos aspectos fiscais e tributários da movimentação econômicofinanceira do Contribuinte, nada tendo a ver com informações que este porventura detenha relativas aos seus clientes, em razão de seu oficio profissional. Isso posto, uma vez que as informações solicitadas não adentram no conteúdo do patrocínio da causa, não se vislumbra violação do sigilo profissional do advogado e imputação de valores que transitaram em suas contas aos respectivos clientes. II. DO MÉRITO II.1. Depósito Bancário O Contribuinte alega a ilegalidade do art. 42 a Lei n° 9.430/96 por ausência de nexo causal entre os depósitos e os rendimentos auferidos. Pondera que não seria possível o arbitramento do imposto unicamente com base nos depósitos bancários, para tanto cita o enunciado nº 182 do TRF, bem como jurisprudência sobre o tema. Conforme a vasta jurisprudência deste Conselho, as argumentações levantadas pelo Contribuinte não se sustentam a partir da vigência da Lei nº 9.430/96 (art. 42) que determinou recair sobre o contribuinte o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários, Fl. 607DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 sob pena de se presumir que os próprios depósitos são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1 O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2 Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Cabe apontar que fundamento utilizado para Autoridade Lançadora não é § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90 que embasou o Enunciado 182 da Súmula do TFR, mas sim o art. 42 da Lei nº 9.430/96, artigo este criado pelo mesmo ato normativo que revogou § 5º do art. 6º da Lei nº. 8.021/90. Assim, a partir da sua produção de efeitos o art. 42 da Lei nº 9.430/96 passa a caracterizar como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação às quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O referido dispositivo traz conteúdo distinto do §5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Revogado pela lei nº 9.430, de 1996). Notase que o caput do dispositivo revogado, expressamente, exige a exteriorização de sinais de riqueza, servindo os depósitos como meros indícios, como sustenta o Contribuinte. Todavia, o referido requisito não é mais exigido pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96. Diante da alteração legislativa, a autoridade tributária não mais está obrigada a comprovar o consumo da renda, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio) incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorreria sob a égide do revogado § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Diante do novo preceito normativo a presunção lógica entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos, pretendido pelo Contribuinte, como a exteriorização de riqueza não é mais exigido pelo novo comando normativo. A presunção lógica foi substituída pela presunção jurídica trazida pelo preceito normativo criado pelos representantes do contribuinte no poder legislativo. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13819.000976/200361 Acórdão n.º 2201002.632 S2C2T1 Fl. 7 11 Desta feita, os argumentos de defesa levantados pelo Contribuinte estão deslocados temporalmente. Destacase que o presente posicionamento já se encontra pacificado na presente Corte Administrativa conforme Súmula do CARF nº 26: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Prosseguindo é mister observar que a presunção legal trazida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 é aplicável aos fatos geradores a partir do ano calendário de 1997. O Enunciado 182 da Súmula do TFR foi publicado no DJ em 07/10/1985, abordando o preceito normativo contido no § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90, que conforme já exposto foi revogado pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96. O Acórdão 10311.723 citado pelo Contribuinte aborda os exercícios de 1993 e 1994, o Acórdão CSRF/0102.741 aborda os exercícios de 1991 a 1993, o Acórdão 10415.092 aborda os exercícios de 1987 a 1991. Logo, a fundamentação jurisprudencial do Contribuinte é anacrônica, abordando entendimento anterior a janeiro de 1997, início da eficácia da lei ora em tela. Logo, tais julgados não são parâmetros para embasar a pretensão do Contribuinte, uma vez que o presente Auto de Infração apura omissão de rendimentos referente aos anos calendários de 1997 e 1998, ou seja, fatos geradores ocorridos sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ressaltase que até a presente data o referido dispositivo legal encontrase vigente e eficaz, sendo poder dever da administração tributária, diante da atividade plenamente vinculada exposta nos art. 3º e 14, parágrafo único, ambos do CTN, promover o lançamento com base na referida legislação. O Contribuinte também aponta ser ilegal o arbitramento do imposto de renda com base nos sete primeiros dias de movimentação bancária de cada mês. Cabe pontuar que não ocorreu arbitramento da base de cálculo do Imposto de Renda com base nos depósitos dos sete primeiros dias de cada mês. O Contribuinte compreendeu de forma equivocada o seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal e fls. 322: Após o recebimentos das informações referentes as movimentações financeiras de todos os bancos, efetuamos a conciliação bancária entre eles, com a finalidade de excluir os valores coincidentes a débito e crédito, efetuados entre os diversos bancos num prazo de até sete dias, assim como, excluímos também os créditos inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais). O inciso I do §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 determina que não serão considerados para efeitos de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancário de origem não comprovada as transferência entre contas do mesmo titular: Art. 42 – (...) (...) Fl. 609DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; O Documento de Ordem de Crédito (DOC) e a Transferência Eletrônica Disponível (TED) não são compensados imediatamente, podendo levar até 48horas, tempo este que pode aumentar levando em consideração alguns eventos, como feriados, finais de semana etc. Desta feita, a Autoridade Lançadora estipulou um prazo, extremamente razoável, de 07 dias para compensação de TED e DOC. Assim, todos os depósitos que tivesse um valor coincidente com um débito em outra conta do Contribuinte dentro de um prazo de 07 dias a Autoridade Lançadora compreendeu estar amparada pelo inciso I do §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, excluindo assim o referido montante da incidência tributária. Desta feita, não houve arbitramento da base de cálculo do Imposto de Renda com base nos sete primeiros dias do mês. A Autoridade Lançadora utilizou como base de cálculo o somatório de todos os efetivos depósitos não justificados existentes na conta do recorrente, tendo por fundamento a presunção contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. II.2. Caráter Confiscatório da Multa de Ofício de 75% O Contribuinte insurgese contra a multa de ofício aplicada de 75%, por considerála abusiva, confiscatória e inadmissível perante o art. 150, inciso IV, da Constituição Federal, daí porque entende que a penalidade aplicada deveria ser reduzida para o percentual de 20%, nos termos do no art. 61, da Lei n° 9.430/96. A vedação ao confisco estabelecida na CRFB é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. A ponderação quanto à razoabilidade e o efeito confiscatório do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 perpassa pela ponderação da constitucionalidade dos referidos dispositivos em face do art. 150, IV da CRFB e do princípio constitucional implícito da razoabilidade. Confirase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Diante da atividade plenamente vinculada a qual está jungida a Administração Tributária, seja quanto a cobrança do tributo (art. 3º do CTN), seja quanto procedimento de lançamento do fato gerador (art. 142 do CTN), é poder dever da presente Corte Administrativa aplicar a legislação vigente ao tempo do fato gerador sob pena de responsabilidade funcional. Assim, uma vez que a Súmula do CARF nº 2, aponta que a presente Corte não possui atribuição para análise da constitucionalidade da legislação, não há como afastar a aplicação do art. 44, I da Lei nº 9.430/96 ao caso em tela. Confirase: Súmula do CARF nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13819.000976/200361 Acórdão n.º 2201002.632 S2C2T1 Fl. 8 13 Acrescentese que até a presente data não há notícia quanto existência de liminar em Ação Direta de Inconstitucionalidade para suspender a vigência do inciso I da Lei nº 9.430/96, bem como a existência de decisão proferida em sede de controle concentrado ou em sede de Recurso Repetitivo compreendendo ser confiscatório a multas previstas nos respectivos dispositivos legais. Neste senda, não procede o pleito do Contribuinte para redução da multa de ofício, uma vez que os percentuais aplicáveis ao presente caso encontramse dentro dos parâmetros estipulados pela legislação em vigor. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de declarar de ofício a decadência do lançamento para o ano calendário de 1997 e rejeitar as preliminares, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 611DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 11052.001379/2010-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2008
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. PESSOAS LIGADAS. INDEDUTIBILIDADE.
Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre pessoas ligadas, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO. EMPRESA INCORPORADA.
Em função da ausência de previsão legal em sentido contrário, aplicam-se às empresas incorporadas os dispositivos que estabelecem a limitação à compensação de prejuízos e base de cálculo negativa da CSLL.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.
Cabe a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96
Numero da decisão: 1402-001.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade: 1) Dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a glosa no valor de R$ 71.122.251,07, na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, no ano-calendário de 2005. Vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá, que votaram por negar-lhe provimento integralmente; e 2) Negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá, que votaram por dar-lhe provimento integralmente
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2008 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. PESSOAS LIGADAS. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre pessoas ligadas, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO. EMPRESA INCORPORADA. Em função da ausência de previsão legal em sentido contrário, aplicam-se às empresas incorporadas os dispositivos que estabelecem a limitação à compensação de prejuízos e base de cálculo negativa da CSLL. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Cabe a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96
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PESSOAS LIGADAS. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre pessoas ligadas, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO. EMPRESA INCORPORADA. Em função da ausência de previsão legal em sentido contrário, aplicamse às empresas incorporadas os dispositivos que estabelecem a limitação à compensação de prejuízos e base de cálculo negativa da CSLL. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Cabe a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade: 1) Dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a glosa no valor de R$ 71.122.251,07, na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, no anocalendário de 2005. Vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá, que votaram por negarlhe provimento integralmente; e 2) Negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá, que votaram por darlhe provimento integralmente LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 13 79 /2 01 0- 66 Fl. 2136DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2137DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001379/201066 Acórdão n.º 1402001.928 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Trata o processo dos autos de infração lavrados pela DRF/RJ1, referentes aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2008, por meio dos quais são exigidos do interessado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica – IRPJ, no valor de R$ 66.295.327,21 (fls. 323/332; termo de verificação às fls. 299/322), e a contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, no valor de R$ 26.682.140,13 (fls. 333/341), acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios. 2 A fiscalização incidiu sobre a empresa Infoglobo Comunicações S.A. (sua denominação anterior era Infoglobo Comunicações Ltda. CNPJ 00.396.253/000126), que no dia 17/9/2009 foi sucedida, por incorporação, pela empresa Infoglobo Comunicação e Participações S.A. (CNPJ 60.452.752/000115). Em função da incorporação os autos de infrações foram lavrados em nome da incorporadora. 3 Fundamentaram as exações do IRPJ e da CSLL. 3.1 Despesas não necessárias em 2005 e 2006 (itens III.3 e IV do termo de verificação – fls. 310/313 e 316/320): 3.1.1 A Infoglobo Comunicações S.A. concedeu um perdão de dívidas à Empresa Jornalística Diário de São Paulo S.A., no valor de R$ 30.819.969,39 (fls. 230/232), o qual foi registrado como despesa dedutível. Constava no livro de apuração do lucro real –Lalur, parte “B” uma “provisão para perda de AFAC – Diário SP”, no citado valor (fl. 1241). O valor foi revertido contabilmente, a débito de um ativo e a crédito de uma receita que foi excluída na apuração da base tributável. Em 21/6/2005, o ativo foi baixado a débito de uma conta de despesa como custo do investimento, embora desde 31/5/2005 a Infoglobo Comunicações S.A. não mais era sócia da Empresa Jornalística Diário de São Paulo S.A., pois havia vendido sua participação para a empresa Boreste Participações S.A. 3.1.2 Em 20/6/2005 a Empresa Jornalística Diário de São Paulo S.A.solicitou à Infoglobo Comunicações S.A. o perdão de sua dívida, no valor de R$ 22.865.423,37 (fl. 232). Por perdoar a dívida a Infoglobo Comunicações S.A. contabilizou o valor em despesa dedutível na base tributável, considerando o custo do investimento que já havia vendido, pelo preço simbólico de R$ 1,00, em 31/5/2005 (fls. 159/160). 3.1.3 A Infoglobo Comunicações S.A., pela cessão onerosa à empresa Itagi Participações S.A. das ações que possuía na empresa Valor Econômico S.A. (fls. 239/243), contabilizou em despesa não operacional o valor de R$ 1.987.061,31, na data de 30/6/2006. Tal valor decorre das baixas de créditos tidos com a empresa Valor Econômico S.A., bem como da provisão para passivo a descoberto, e foi considerado pela fiscalização como uma mera liberalidade, não se revestindo das características de dedutibilidade: Débito de provisão para passivo a descoberto................ R$ 15.816.058,52 Débito de despesa não operacional................................. R$ 1.987.061,31 Fl. 2138DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Crédito de contas a receber do Valor Econômico.......... .R$ 7.703.967,73 Crédito de adiantamento para futuro aumento de capital.R$ 10.099.152,10 3.1.4 Os valores R$ 30.819.969,39, R$ 22.865.423,37 (ambos em 31/12/2005) e R$ 1.987.061,31 (em 31/12/2006) foram autuados como despesas não necessárias. 3.2 Despesas indedutíveis em 2005 (itens III.5 do termo de verificação fiscal – fls. 315/316): 3.2.1 Não foi adicionado ao lucro líquido o valor das provisões constituídas no montante de R$ 442.892,00, decorrente da diferença apurada entre o saldo dos lançamentos contábeis e o demonstrativo de fl. 212. 3.2.2 Falta de adição ao lucro líquido da provisão constituída em 30/4/2005, no valor de R$ 639.035,00, na conta 0046140502 – Desp ger outras legais jud, com o histórico de CADE 1999. 3.3 Glosa de prejuízos compensados indevidamente, sem observância do limite de 30%, em 2008 (item V.1 do termo de verificação – fls. 320/322): 3.3.1 Em função de sua incorporação, a Infoglobo Comunicações S.A. compensou em 31/12/2008 a totalidade dos prejuízos fiscais registrados no Lalur (R$ 197.129.903,02 – fls. 96 e 1466), ultrapassando o limite de 30%. Visto que o lucro real foi de R$ 204.786.038,76 (fl. 96), a compensação limitada a 30% desse lucro é de R$ 61.435.811,63, apurandose um excedente de R$ 135.694.091,39. 3.3.2 No caso da CSLL o excesso de compensação de base de cálculo negativo foi de R$ 136.072.548,62. 3.4 Exclusões indevidas do lucro real em 2005 (item III.2 do termo de verificação – fls. 304/310): 3.4.1 Na apuração do lucro real em 31/12/2005 foi excluído indevidamente o ágio gerado na aquisição de participações societárias, de propriedade de pessoas vinculadas, emitidas pela Empresa Jornalística Diário de São Paulo S.A., no valor de R$ 71.122.251,07. 3.4.2 Em 11/5/2001 a Infoglobo Comunicações S.A. adquire 30% da Empresa Jornalística Diário de São Paulo Ltda e os 70% restantes por pessoas físicas ligadas à Infoglobo (fls. 1589/1614). Por estar com o patrimônio líquido negativo, a Infoglobo Comunicações S.A. registrou como ágio todo o investimento no valor de R$ 35.497.341,87 (sendo R$ 34.921.379,45 o valor das quotas, correspondente a 30% do preço de R$ 116.404.598,16, e R$ 575.962,41 a título de despesas contratuais). As pessoas físicas pagariam R$ 81.483.218,71, correspondentes a 70% do preço de venda. 3.4.3 O valor da transação acima seria quitado mediante a cessão de créditos pela Infoglobo Comunicações S.A. aos antigos donos das quotas, no montante de R$ 26.404.598,16, pagamento pela Infoglobo Comunicações S.A. em espécie no momento da transferência das quotas o valor de R$ 22.500.000,00 e o saldo de R$ 67.500.000,00 parcelados em 7 vezes 3.4.4 No dia 27/9/2002, as pessoas físicas transferiram suas quotas (70%) para a Infoglobo Comunicações S.A., ao preço de R$ 107.711.583,02, sendo R$ 26.404.598,16 por meio da cessão de créditos, R$ 23.652.883,93 correspondentes ao empréstimo que a Infoglobo Comunicações S.A. havia feito aos Fl. 2139DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001379/201066 Acórdão n.º 1402001.928 S1C4T2 Fl. 4 5 vendedores, quando adquiriram a participação em 11/5/2001, R$ 26.154.100,93 decorrentes de empréstimos feitos pela Infoglobo Comunicações S.A. aos vendedores para pagamento de parcelas da dívida, com vencimentos em 11/1/2001 e 11/5/2002, e R$ 31.500.000,00 relativos a dívidas das pessoas físicas. 3.4.5 Em decorrência da operação acima e com o ágio anterior, a Infoglobo Comunicações S.A. registrou no Lalur, em 31/12/2002, um ágio total de R$ 140.147.451,17 (fl. 1327). Em 31/12/2004, foi adicionado mais R$ 3.500.000,00, totalizando R$ 143.647.451,17 (fl. 1203). 3.4.6 No dia 8/11/2004 foi constituída a empresa Boreste Participações S.A., tendo como sócios pessoas físicas e jurídicas ligada à Infoglobo Comunicações S.A. Ato contínuo, em 31/12/2004, a Boreste Participações S.A. adquire da Infoglobo 30% da Empresa Jornalística Diário de São Paulo Ltda, pelo preço simbólico de R$ 1,00. O restante do investimento (70%) foi vendido em 31/5/2005 à empresa Boreste, pelo preço de R$ 1,00 (fls.159/160). 3.4.7 Resumindo os fatos, quando a Infoglobo Comunicações S.A. fez a primeira aquisição das cotas da Empresa Jornalística Diário de São Paulo Ltda, em 11/5/2001, o patrimônio líquido da investida já se encontrava negativo. Na segunda aquisição, em 27/9/2002, o patrimônio líquido continuava negativo. Na apuração do resultado do exercício findo em 31/12/2002, por ter sido descartada a expectativa de lucros futuros, a Infoglobo Comunicações S.A. contabilizou a baixa do investimento, controlando o valor do ágio no Lalur. 3.4.8 A primeira baixa do ágio afetando o lucro real ocorreu em 31/12/2004, no valor de R$ 42.044.235,35 (fls. 1189 e 1203), data da venda de 30% do investimento para a Boreste Participações S.A. 3.4.9 Segundo a fiscalização, o reconhecimento contábil do ágio está intimamente relacionado com o seu fundamento econômico. O investimento foi adquirido em 27/9/2002 e em 31/12/2002 já se dava baixa contábil do valor investido, controlandoo no Lalur como ágio. Tornase evidente a inexistência de expectativa de rentabilidade futura. O propósito negocial teria sido beneficiar pessoas ligadas em detrimento do fisco. Nos termos das normas contábeis, o ágio resultante de uma transação de compra e venda se dá entre partes independentes e não relacionadas. 3.4.10 Acrescenta a fiscalização que em 27/9/2002 a Empresa Jornalística Diário de São Paulo Ltda passou a ser controlada integral da Infoglobo Comunicações S.A. Posteriormente, em novembro de 2004 foi constituída a Boreste Participações S.A., que adquiriu todo o investimento da Infoglobo Comunicações S.A. na Empresa Jornalística Diário de São Paulo Ltda. Em 31/12/2008 a Empresa Jornalística Diário de São Paulo Ltda, com a denominação de Infoglobo Comunicação e Participações S.A., incorpora a Infoglobo Comunicações S.A. e a Boreste Participações S.A.. 3.4.11 Diante de tais circunstâncias, a fiscalização entendeu que o ágio correspondente às aquisições de pessoas ligadas não atende o art. 385, §2º, inciso II, do Decreto nº 3.000/1999. Portanto, do valor deduzido na apuração do lucro real, R$ 101.603.215,82, 30% correspondente a participações adquiridas de terceiros (R$ 30.480.964,75) é dedutível e 70% correspondente a participações adquiridas de pessoas ligadas (R$ 71.122.251,07) é indedutível. 3.4.12 Para a CSLL a fiscalização entende que a legislação dessa contribuição não prevê a dedutibilidade de qualquer baixa de ágio. Assim foram Fl. 2140DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 glosadas as exclusões de todos os ágios nos investimentos na Empresa Jornalística Diário de São Paulo Ltda (R$ 101.603.215,82) e na empresa Real Estate Web S.A. (R$ 13.462.579,00). 3.5 Exclusões indevidas do lucro real em 2006 (item IV do termo de verificação – fls. 316/320): 3.5.1 Em 31/12/2005 a Infoglobo Comunicações S.A. constituiu uma provisão para passivo a descoberto, no valor de R$ 7.649.940,11, e outra provisão para perda do ágio no investimento, no valor de R$ 56.439.257,58, sem que afetassem a apuração do lucro real e da CSLL. Tais provisões foram controladas no Lalur às fls. 1240 e 1249. Em 31/12/2006 estas provisões foram deduzidas na apuração do lucro real (fls. 1396 e 1405), totalizando R$ 64.089.197,69. Tal valor, deduzido da reversão de outra provisão constituída a débito de provisão para passivo a descoberto e a crédito de resultado, no valor de R$ 6.786.066,30, resultando em R$ 57.303.131,39, foi considerado indedutível na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. 3.6 Inobservância do regime de escrituração (item III.4 do termo de verificação – fls. 313/315). 3.6.1 A Infoglobo Comunicações S.A. registrou em 31/12/2005 doação à Fundação Roberto Marinho, no valor de R$ 1.397.554,00, mas o recurso só foi transferido em 4/4/2006 (fls. 151/153). Desta forma, ocorreu postergação no pagamento do imposto de renda em 2005, visto a antecipação da despesa 4 Ao impugnar as exigências, fls. 405/526 (documentos de fls. 527/967), o interessado alega, em síntese, que: concorda com a infração da postergação no pagamento do IRPJ, no valor de R$ 1.397.554,00, bem como da falta de adição ao lucro líquido da diferença apurada entre o saldo dos lançamentos contábeis e o demonstrativo de fl. 212, no valor de R$ 442.892,00, tanto para o IRPJ quanto para a CSLL. Efetuou os recolhimentos devidos; foi elaborado um estudo sobre a viabilidade econômica da Empresa Jornalística Diário de São Paulo Ltda, onde se apurou que seu valor econômico era de aproximadamente R$ 150 milhões. O preço final pactuado para a operação de aquisição foi de R$ 116.404.598,16; nos termos da cláusula 4.2.2 do contrato de compra e venda, a Infoglobo Comunicações S.A. foi nomeada representante dos compradores para efetivar os pagamentos referentes ao preço de aquisição. Na prática, na medida em que a Infoglobo Comunicações S.A. realizasse os pagamentos, ela se tornaria credora das pessoas físicas compradoras; no anocalendário de 2001 a Infoglobo Comunicações S.A. realizou adiantamentos para futuro aumento de capital na Empresa Jornalística Diário de São Paulo Ltda, cujos valores totalizaram R$ 30.819.969,39. As pessoas físicas compradoras não acompanharam tais aportes, demonstrando que todo o ônus financeiro da aquisição foi suportado pela Infoglobo Comunicações S.A.; na época da aquisição, estava em vigor o art. 222 da Constituição, que vedava a participação de pessoas jurídicas no capital de empresa jornalística em percentual superior a 30%. Tal dispositivo demonstra a lógica da operação, onde figuravam compradores pessoas físicas participando de 70% das quotas da Empresa Jornalística Diário de São Paulo Ltda; Fl. 2141DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001379/201066 Acórdão n.º 1402001.928 S1C4T2 Fl. 5 7 o art. 222 da Constituição foi alterado pela EC nº 36, de 28 de maio de 2002; em 27 de setembro de 2002 foi celebrado com as pessoas físicas o instrumento particular de dação em pagamento e outras avenças estabelecendo que as pessoas físicas reconheciam o crédito em favor da Infoglobo Comunicações S.A., no valor de R$ 53.404.564,53, decorrente do preço de aquisição das quotas da Empresa Jornalística Diário de São Paulo Ltda já pago. Ficou pactuado também que a Infoglobo Comunicações S.A. assumiria a dívida das pessoas físicas pela parte ainda não quitada, no montante de R$ 56.245.544,77. Em contrapartida as pessoas físicas transferiam suas quotas (70% do capital) na Empresa Jornalística Diário de São Paulo Ltda para a Infoglobo Comunicações S.A.; o montante já pago e a dívida vincenda (R$ 145.147.451,17) foram registrados como ágio na aquisição do investimento, visto que a Empresa Jornalística Diário de São Paulo Ltda apresentava patrimônio líquido negativo; no anocalendário de 2002 a Infoglobo Comunicações S.A. iniciou seu processo de reestruturação financeira, o que envolveu diversos ajustes, entre os quais a constituição de provisão para baixa da quase totalidade do ágio no investimento na Empresa Jornalística Diário de São Paulo Ltda, no valor de R$ 140.147.451,17. A diferença de R$ 5.000.000,00 em relação total do ágio registrado foi contabilizada no ano de 2004. Tal procedimento decorre da observância do princípio contábil do conservadorismo; em laudo datado de 24 de maio de 2004, foi apurado um valor negativo para a Empresa Jornalística Diário de São Paulo Ltda na ordem de R$ 127 milhões. Em 31 de maio de 2005, 70% das quotas foram alienadas para a Boreste Participações S.A.; para que a Boreste Participações S.A. aceitasse receber o investimento na Empresa Jornalística Diário de São Paulo Ltda, que era continuamente deficitário, foi necessário que a Infoglobo Comunicações S.A. a compensasse. Para tanto, transferiu a ela determinados créditos, no valor de R$ 53.685.392,76, nos termos do instrumento de rerratificação do instrumento particular de cessão de ações, datado de 21 de junho de 2005 (fls.222 e 231/232); em decorrência da operação acima, foi excluído na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL o valor de R$ 101.603.215,82, correspondente a 70% do ágio registrado (R$ 145.147.451,17 X 70%); a despesa relativa à baixa da totalidade dos créditos cedidos (R$ 53.685.392,76) foi considerada dedutível, em conformidade com a legislação fiscal; o art. 426 do RIR/1999 dispõe que o valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor do patrimônio líquido deve corresponder à soma do valor pelo qual o investimento estiver registrado na escrituração do contribuinte, ágio ou deságio do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial, e provisão para perdas que tiver sido computada na determinação do lucro real; a redação do art. 2º, §1º, alínea “c”, da Lei nº 7.689/1988 é genérica e, justamente por isso, abarca todos os ajustes, negativos ou positivos, decorrentes da aplicação do método do patrimônio líquido e não somente o reflexo negativo ou positivo decorrente do resultado da investida; Fl. 2142DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 não há previsão legal que vede a dedução na determinação da base de cálculo da CSLL, de perda apurada na alienação de participação societária; o procedimento adotado estava em consonância e amparado no entendimento que vem sendo manifestado reiteradamente pelas autoridades fiscais em soluções de consultas com eficácia normativa, nos termos do art. 100, incisos II e III, do CTN; ainda que a Administração Pública alterasse o seu entendimento/critério jurídico adotado, o lançamento não poderia ser mantido, na medida em que eventual mudança de critério jurídico só poderia produzir efeitos em relação a fatos geradores posteriores e essa modificação, conforme art. 146 do CTN; caso venha a ser considerada a possibilidade de que a mudança do critério jurídico possa retroagir, o crédito tributário deve ser exigido sem a imposição de multa e juros de mora, conforme art. 100 do CTN; o preço constante no contrato de compra e venda da Empresa Jornalística Diário de São Paulo S.A. era atualizado, conforme primeiro aditivo. Houve um aumento da dívida da Infoglobo Comunicações S.A. com os vendedores, bem como uma atualização dos direitos e obrigações entre a Infoglobo Comunicações S.A. e as pessoas físicas. Se alguém auferiu algum ganho foram os vendedores da Empresa Jornalística Diário de São Paulo S.A.; houve propósito negocial na transferência das quotas da Empresa Jornalística Diário de São Paulo S.A. das pessoas físicas para a Infoglobo Comunicações S.A., visto a necessidade de a participação societária correspondente passar para a propriedade de quem de fato arcou financeiramente pela sua aquisição, após a eliminação do impedimento constitucional; o desdobramento do custo do investimento entre o valor do patrimônio líquido e o ágio está em conformidade com o art. 385 do RIR/1999; o art. 426 do RIR/1999 permite considerar na apuração do lucro real, o valor do ágio pago na aquisição do investimento, por ocasião da apuração do ganho ou da perda de capital na sua alienação; a fiscalização baseouse em documento inválido, apresentado na ocasião, para concluir pela indedutibilidade dos créditos que detinha contra a Empresa Jornalística Diário de São Paulo S.A., no valor de R$ 53.865.392,76; as ações da Empresa Jornalística Diário de São Paulo S.A. foram transferidas para a Boreste Participações S.A. em 31 de maio de 2005. Uma vez que a avaliação da Empresa Jornalística Diário de São Paulo S.A. era negativa em R$ 127 milhões, os créditos no valor de R$ 53.865.392,76 também foram transferidos (doc. 11 – fls. 768/770). Foi somente em 20 de junho de 2005 que a Boreste Participações S.A. solicitou à Empresa Jornalística Diário de São Paulo S.A. que absorvesse parte de seus prejuízos contra tais créditos; à época, a Boreste Participações S.A., na qualidade de acionista da Empresa Jornalística Diário de São Paulo S.A., é que deveria ter elaborado a carta solicitando a referida absorção; os lançamentos de acerto foram realizados no próprio exercício, conforme documentos de fls. 873/880 juntados; não há o que se falar em concessão de perdão de dívida, o que houve foi a transferência dos créditos (R$ 53.685.392,76) para a Boreste Participações S.A.; Fl. 2143DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001379/201066 Acórdão n.º 1402001.928 S1C4T2 Fl. 6 9 o erro contábil, devidamente ajustado na escrituração, não tem o condão de fazer surgir uma obrigação tributária; não houve liberalidade na cessão dos créditos. Caso assim não fosse, a operação de alienação do investimento, avaliado negativamente em R$ 127 milhões, não faria qualquer sentido econômico; a legislação tributária não enumera as despesas dedutíveis na determinação do imposto de renda, mas impõe apenas exceções à regra. As despesas indedutíveis é que estão expressamente previstas na legislação; o art. 299 do RIR/1999, que fundamenta o lançamento da dedutibilidade da despesa de cessão de crédito (R$ 53.685.392,76), não pode ser aplicado à autuação da CSLL; a provisão não dedutível, no valor de R$ 639.035,00, foi adicionada ao lucro líquido do anocalendário de 2005, tanto para efeito de apuração do IRPJ, quanto da CSLL; os procedimentos adotados para as provisões não dedutíveis eram de adicionar ao lucro líquido a integralidade dos saldos contábeis, o que incluía provisões constituídas em diversos anos. Eram excluídos do lucro líquido os saldos das contas contábeis do ano anterior; no anocalendário de 2005 na conta nº 22150105 (PasELP OutObrig – Contingências Fiscais) foram lançadas provisões que totalizaram R$ 18.579.769,14, que inclui o valor de R$ 639.035,00 (fls. 881/882). Ao final do exercício a conta totalizava R$ 37.193.802,62 (fl. 883). Assim, foi adicionado ao lucro líquido o saldo da conta (R$ 37.193.802,62) e excluído R$ 18.614.033,48, que era o saldo no início do exercício. Junta demonstrativo à fl. 884 que detalha os valores informados nas fichas 09A (Demonstração do lucro real) e 17 (Cálculo da CSLL) da DIPJ (fls. 885/886), bem como no Lalur (fl. 887); na aquisição do investimento no Valor Econômico S.A., registrou ágio total de R$ 56.408.057,58 (correspondente ao somatório do valor pago e do valor do patrimônio líquido negativo da sociedade adquirida). Na alienação do investimento, o ágio foi levado para conta de resultado, considerando a despesa dedutível na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, em conformidade com o art. 426 do RIR/1999; a fiscalização foi confusa ao se referir a três valores no termo de constatação: R$ 56.408.057,58 (reversão de provisões operacionais), R$ 56.439.257,58 (provisão para passivo a descoberto) e R$ 57.303.131,39 (valor da infração). Além disso, equivocadamente afirma que a adição relativa à constituição de uma provisão deve ser considerada uma adição permanente, ou seja, a sua reversão não pode ser excluída na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; a transferência dos créditos que se tinha contra o Valor Econômico S.A. (R$ 1.987.061,00) e passados para a Itagi Participações S.A., foi realizada no âmbito da alienação das ações. Na época, o valor do passivo a descoberto do Valor Econômico S.A. era de R$ 45.249.442,00, ao passo que o valor econômico da empresa era negativo em R$ 15.407.935,46. Nessa situação, a Itagi Participações S.A. recebeu as ações e os créditos, que somavam R$ 17.803.119,83; Fl. 2144DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 em se tratando de extinção da pessoa jurídica por incorporação, a empresa incorporada pode proceder a compensação integral dos saldos acumulados de prejuízos fiscais e de base negativa da CSLL; não é possível o estabelecimento de limitações em situações que a lei não as fez. Em matéria tributária, tais impedimentos decorrem do próprio princípio da legalidade; a limitação específica, por exemplo, inserida pelo art. 33 do Decretolei nº 2.341/1987 e o art. 22 da MP nº 2.15835/ 01, veda o aproveitamento dos prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativa de CSLL apenas pelas sociedades sucessoras, não interferindo na possibilidade de aproveitamento por parte das sociedades sucedidas; a limitação quantitativa genérica imposta pelos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995 também não se aplica nos casos fusão, cisão ou incorporação pelo simples fato de que tais operações são reguladas por norma específica. Esses artigos aplicamse a sociedades em atividade e não em extinção; nos termos das jurisprudências do STJ e do CARF, o legislador, ao criar o limite quantitativo, expressamente extinguiu o limite temporal, buscando apenas diferir o direito à compensação dos prejuízos fiscais e não restringilo; impedir a compensação integral no caso de pessoa jurídica extinta por incorporação afronta o conceito de renda; não cabe a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, em razão do disposto no art. 161 do CTN, conforme já decidido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no julgamento do recurso especial interposto nos autos do processo administrativo fiscal nº 10680.002472/200723, realizado na sessão do dia 9/11/2010. 5 O julgamento foi convertido em diligência (fl. 982) para que demonstrasse o cálculo da infração que apurou compensação indevida de base de cálculo negativa da CSLL (R$ 136.072.548,62 – fl. 337). Em atendimento, lavraramse o termo de fls. 1804/1806 e o auto de infração complementar, objeto do processo administrativo fiscal apensado nº 16682.720149/201269, no valor de R$ 203.615,84, acrescido da multa de 75% e encargos moratórios (fls. 67/72 do processo apensado). 6 Cientificado do lançamento complementar em 27/2/2012 (fl. 68 do processo apensado), o interessado apresentou impugnação em 27/3/2012 (fls. 1813/1824), na qual alegou, em síntese, que: a fiscalização não verificou que após o lançamento objeto do presente processo, foi lavrado um novo auto de infração referente à compensação de base de cálculo negativa de CSLL, no anocalendário de 2008. No lançamento foi considerado que não possuía o saldo de base de cálculo negativa de CSLL compensado, sendo glosado o montante integral compensado (R$ 199.231.665,27), descontado apenas a parcela que já tinha sido glosada no auto de infração (R$ 136.072.548,62); o valor integral da base de cálculo negativa de CSLL, supostamente compensado de forma indevida, no anocalendário de 2008, já foi objeto de dois lançamentos, um deles por meio do processo nº 16682.720996/201142. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro prolatou o Acórdão 1247.295 acolhendo em parte a impugnação nos seguintes termos: Fl. 2145DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001379/201066 Acórdão n.º 1402001.928 S1C4T2 Fl. 7 11 cancelou integralmente a exigência referente ao item III1 do Termo de Verificação: exclusão indevida na base de cálculo da CSLL no montante de R$ 115.065.794,82 relativa à despesa de ágio; sendo R$ 101.603.215,82 resultante da aquisição de participações societárias na Empresa Jornalística Diário de São Paulo e R$ 13.462.579,00 referente a ágio na aquisição de participações societárias na empresa Real Estate Web; cancelou integralmente a exigência referente ao item III2 do Termo de Verificação: exclusão indevida do lucro real de despesas com ágio no valor de R$ 71.122.251,07 referente à aquisição junto a pessoas vinculadas de 70% da participação societária da Empresa Jornalística Diário de São Paulo S.A; cancelou integralmente a exigência referente ao item III3 do Termo de Verificação: glosa de despesas desnecessárias no montante de R$ 53.685.392,76 que corresponderia à concessão de perdão de dívidas; sendo R$ 30.819.969,39 definido como adiantamento para futuro aumento de capital e R$ 22.865.423,37 relativo a contas a receber; cancelou parcialmente a exigência referente ao item III5 do Termo de Verificação: constituição de provisões que geraram despesas consideradas indedutíveis no montante de R$ 639.035,00; cancelou integralmente a exigência referente ao item IV do Termo de Verificação: exclusão indevida do lucro real da reversão de provisões no montante de R$ 57.303.131,39 e despesa considerada indedutível no valor de R$ 1.987.061,31 relativa a transferência de créditos; cancelou integralmente o auto de infração complementar para exigência da CSLL exigida nos autos do processo 16682.720149/201269, anexo ao presente. O sujeito passivo não recorreu da exigência tratada no item III4 do Termo de Verificação (inobservância do regime de competência para dedução de despesas com doações no valor de R$ 1.397.554,00) e de parte da exigência a que se refere o item III5 (despesa não dedutível no montante de R$ 442.892,65). Em relação à exigência exonerada, o Órgão julgador de primeira instância recorreu de ofício a este Colegiado. Quanto ao valor mantido (item V do Termo de Verificação – desobediência ao limite de 30% na compensação de prejuízos e base de cálculo negativa da CSLL), a interessada reiterou as razões expedidas na peça impugnatória e acrescentou o questionamento quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. É o Relatório. Fl. 2146DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto RECURSO DE OFÍCIO A análise do recurso utilizará como referência a numeração estabelecida no Termo de Verificação, seguindo a ordem que esta relator entende mais adequada à coerência do julgamento. 1 Item III2 (exclusão indevida do lucro real de despesas com ágio no valor de R$ 71.122.251,07) – Anocalendário 2005 A decisão recorrida considerou improcedente a exigência sob a razão principal de que, tanto pelas normas contábeis como pela legislação do IRPJ, não há qualquer menção no que se refere à impossibilidade de constituição de ágio em decorrência da aquisição de investimentos de pessoas ligadas. Acrescentou que eventual favorecimento a pessoas ligadas deveria ser tratada como distribuição disfarçada de lucros. Importa ressaltar que a operação sob análise é aquela que gerou o ágio contestado, ou seja, a alienação pelas pessoas físicas à Infoglobo de 70% da participação societária na Empresa Jornalística Diário de São Paulo Ltda, sendo que essas pessoas físicas exerciam o controle indireto da Infoglobo. Não há dúvida, portanto, que a operação ocorreu entre pessoas ligadas. Reconhecese que isoladamente tal fato não seria suficiente para desqualificar os efeitos da transação nos moldes registrados pelas partes. Entretanto, as circunstâncias daí decorrentes merecem avaliação mais acurada. A primeira questão a ser colocada é a tendência de prejuízos futuros da empresa adquirida. Quando da aquisição de 30% da participação pela Infoglobo o patrimônio líquido negativo da adquirida induzia à improbabilidade da expectativa de lucros futuros. Na aquisição restante – objeto desta análise – já não havia mais dúvidas quanto a esse fato. Assim, não se justificaria a geração do ágio sob o fundamento da expectativa de resultados futuros. Em segundo lugar, tendo em vista que, no entendimento do sujeito passivo, em caso de patrimônio líquido negativo da investida o montante desse patrimônio deve ser acrescido ao valor pago na aquisição para compor o ágio, mesmo sem qualquer pagamento o ágio seria gerado e amortizado. Foi exatamente o que ocorreu no presente caso. Deve ficar claro que o ônus financeiro da autuada face às operações sob exame ocorreu exclusivamente em momento anterior, na qual adquiriu em seu nome junto a terceiros o percentual de 30% da participação societária, transação essa considerada inteiramente legítima pelo Fisco, e também assumiu o ônus das pessoas físicas que adquiriram os 70% restantes. Fl. 2147DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001379/201066 Acórdão n.º 1402001.928 S1C4T2 Fl. 8 13 No que se refere à parcela de 70%, naquele momento o desembolso da interessada gerou simplesmente um crédito perante as pessoas físicas, efetivas adquirentes do investimento. Quando da posterior transferência dessa participação societária das pessoas físicas para a interessada, não houve qualquer desembolso mas uma simples operação permutativa de ativos eis que a quitação ocorreu mediante a baixa daquele crédito. Daí porque o cerne da questão consiste não apenas no fato de envolver pessoas ligadas mas também a inexistência de pagamento. É inquestionável que o termo aquisição pode ter uma extensa gama de significados. Existem várias formas através das quais um bem ou direito muda de propriedade, com utilização de diferentes mecanismos voltados ao cumprimento das condições necessárias ao aperfeiçoamento do negócio jurídico. Entretanto, nessas situações sempre ocorre a presença do terceiro como contraparte, circunstância essa inexistente no caso sob exame. A Infoglobo é controlada indiretamente pelas pessoas físicas que lhe alienaram as cotas. Como aceitar que uma operação societária entre elas possa gerar os mesmos efeitos que aquela efetuada entre terceiros não relacionados? As razões que implicaram na aquisição da participação societária (na parte objeto da autuação) originalmente pelas pessoas físicas dizem respeito exclusivamente ao grupo empresarial envolvido e não têm o condão de justificar a formalização de um suposto ágio em operação posterior, realizada sem as características típicas de uma alienação entre partes independentes e mais ainda, sem fundamentação econômica. Nesses termos, entendo que o suposto ágio é fruto exclusivamente de acerto societário entre parte ligadas e não se reveste das características que permitam seja amortizado. Sendo assim, voto por dar provimento ao recurso de ofício neste item e restabelecer a glosa da exclusão no lucro real no montante de R$ 71.122.251,07. 2) Item III1 (exclusão indevida na base de cálculo da CSLL no montante de R$ 115.065.794,82 relativa à despesa de ágio) – Anocalendário 2005: O montante supra informado referese ao ágio total (R$ 101.603.215,82) resultante da aquisição de participações societárias na Empresa Jornalística Diário de São Paulo e ao ágio na aquisição de participações societárias na empresa Real Estate Web (R$ 13.462.579,00). No entendimento da Fiscalização, não haveria previsão para exclusão na base de cálculo da CSLL dos valores referentes ao ágio, quando da baixa da participação societária cuja aquisição lhe deu origem. Nesse item, devese ressaltar também a inexistência de questionamento quanto à materialidade do ágio decorrente da aquisição da Real Estate Web (R$ 13.462.579,00) bem como da parcela correspondente a 30 % daquele apurado na aquisição da Empresa Jornalística Diário de São Paulo (R$ 30.480.964,75). Em termos gerais assiste razão à decisão recorrida. De fato, como regra contábil, na alienação de investimento em empresa controlada, a apuração do ganho ou perda de capital abrange todos os valores que compuseram o custo de aquisição, o que inclui o ágio. Ora, se esse valor compõe o resultado do exercício e na inexistência de previsão para que seja Fl. 2148DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 excluído da base de cálculo da CSLL, é natural que seja dedutível na apuração desse tributo, quando da alienação do investimento. Do até aqui exposto, nego provimento ao recurso de ofício e mantenho a decisão recorrida em relação aos valores em relação aos quais não foi questionada a materialidade do ágio: aquisição da Real Estate Web (R$ 13.462.579,00) e aquisição da parcela correspondente a 30 % da Empresa Jornalística Diário de São Paulo (R$ 30.480.964,75). Quanto à parcela decorrente da aquisição de 70 % da Empresa Jornalística Diário de São Paulo (R$ 71.122.251,07) tratase de operação que não preencheu os requisitos para a geração de ágio amortizável, conforme tratado no item anterior. Sendo assim, dou provimento parcial ao recurso de ofício nesse item para restabelecer a glosa da exclusão, na base de cálculo da CSLL, do montante de R$ 71.122.251,07. 3) Item III3 (Despesas não necessárias) – Anocalendário 2005: Foi glosado o valor de R$ 53.685.392,76 como despesa desnecessária representando, nos termos definidos pelo Fisco, perdão de dívidas que a autuada teria concedido à Empresa Jornalística Diário de São Paulo. Desse montante, R$ 30.819.969,39 teria origem em adiantamento para futuro aumento de capital (AFAC), anteriormente concedido, e R$ 22.865.423,37 corresponderia a valores registrados em contas a receber. A Fiscalização questionou o aspecto temporal das despesas tendo em vista que, quando registradas e deduzidas, a autuada já não detinha participação societária na beneficiária. Além disso, especificamente no que se refere ao AFAC (R$ 30.819.969,39), informa o Fisco que teria sido baixado em 2002 e “ressuscitado” em 2005 sem outro propósito que não o de gerar a despesa quando da cessão. Suscita a recorrente que não houve o alegado perdão de dívidas, mas sim a transferência dos créditos sob exame para a adquirente da participação societária que possuía na Empresa Jornalística diário de São Paulo. Conforme bem observado pela decisão recorrida, os lançamentos contábeis refletem as alegações da interessada e estão devidamente embasados por documentos que não sofreram contestação específica pela autoridade lançadora quanto à autenticidade. Por outro lado, a regularidade nos assentamentos contábeis e na documentação, ainda que supra os requisitos formais de aceite da operação, não são suficientes para o acatamento da dedutibilidade eis que o questionamento dirigiuse ao suposto caráter de liberalidade das despesas. Nesse ponto, entendo que as razões de defesa mostramse coerentes com a operação sob exame pois a participação societária sob negociação referiase a empresa com patrimônio líquido negativo. É razoável, nesse caso, que a adquirente receba algum tipo de compensação pelo risco assumido. O fato do negócio ter ocorrido entre pessoas ligadas só teria impacto significativo nesse raciocínio se a operação tivesse sido contestada pelo Fisco de forma mais abrangente, inclusive no que se refere a sua própria existência. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício nesse item. Fl. 2149DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001379/201066 Acórdão n.º 1402001.928 S1C4T2 Fl. 9 15 4) Item III5 (Provisões que geraram despesas consideradas indedutíveis no montante de R$ 639.035,00) – Anocalendário 2005: De acordo com a acusação fiscal, a interessada constituiu provisão indedutível sem adicionála na apuração do Lucro Real e da CSLL. Os documentos trazidos aos autos com a impugnação e devidamente analisados pela decisão recorrida demonstraram que o valor em questão, ao contrário do suscitado pelo Fisco, foi devidamente acrescido ao resultado. Negase provimento ao recurso de ofício, nesse item. 5) Item IV (exclusão indevida do lucro real da reversão de provisões no montante de R$ 57.303.131,39 e despesa considerada indedutível no valor de R$ 1.987.061,31 relativa a transferência de créditos) – Anocalendário 2006: Os valores tratados nesse item tem origem na compra da participação no Valor Econômico S/A e posterior alienação dessas ações para a Itagi Participações. No Termo de Verificação, o Fisco faz uma avaliação dos lançamentos contábeis por um critério exclusivamente numérico. Em outras palavras, não analisou as operações que implicaram na contabilização dos valores sob exame. No caso do valor de R$ 57.303.131,29 concluiu que decorreria de uma provisão indevidamente excluída do resultado. A decisão recorrida foi no mesmo caminho e entendeu que seria uma reversão de provisão. Entretanto, diferentemente do Fisco decidiu que por não constituir renda a reversão da provisão deveria ser excluída do resultado. De início, registro que concordo com a manifestação da defendente na peça impugnatória no sentido de que a Fiscalização, mesmo salientando a necessidade de não se confundir provisão para passivo a descoberto com ágio, acaba incorrendo neste equívoco. Farseá um resumo das operações relevantes para o deslinde da questão de forma a definir a real natureza dos valores excluídos do resultado, de forma indevida segundo o Fisco. Nesse resumo, este relator admite que a maior parte dos argumentos terá como base as colocações do sujeito passivo pois a autoridade lançadora, como já ressaltado, não analisou as questões fáticas que implicaram nos lançamentos questionados. Em fevereiro/2005 a autuada possuía 15% das ações do Valor Econômico e adquiriu por R$ 1.749,00 do senhor João Roberto Martinho 34,96 % da participação que este detinha naquela empresa. Considerando que naquele momento a adquirida possuía patrimônio líquido negativo no valor de R$ 127.878.457,06; foi registrado um ágio no montante de R$ 44.708.057,58; correspondente à soma do valor pago com o valor do passivo a descoberto proporcional ao investimento ora adquirido (34,96% de R$ 127.878.457,06). Registrese que o cômputo do ágio nos moldes efetuados pelo sujeito passivo, quando a participação societária adquirida tem patrimônio líquido negativo, é matéria ainda controversa nesta Corte administrativa. Entretanto, tendo em vista que essa sistemática não foi questionada no lançamento, não cabe fazêlo nesse momento processual. Fl. 2150DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 16 Em contrapartida à apropriação do ágio, foi registrado crédito junto ao acionista (R$ 1.749,00) e investimento negativo (R$ 44.706.308,58). Além disso, tendo em vista a situação da adquirida foi registrada uma provisão para perda do valor do ágio, tratada como indedutível. Em dezembro/2005, os acionistas do Valor Econômico (participação de 50% no caso da interessada) firmaram o Instrumento Particular do Débito à Conta de Sócios no valor total de R$ 78.000.000,00. Tal procedimento, em resumo, consiste em minimizar o patrimônio líquido negativo da investida mediante a transferência de créditos dos sócios (lançamento a débito na conta correspondente no passivo) para a conta de prejuízos acumulados (lançamento a crédito). A interessada apropriou na conta de ágio a parcela desse valor (R$ 11.700.000,00), correspondente à participação originalmente detida (15%), que também foi provisionado contra resultado do exercício. Assim o saldo da conta ágio passou a ser R$ 56.408.057,58 (R$ 44.708.057,58 + R$ 11.700.000,00), com provisionamento nesse mesmo montante. Vêse que a provisão para perda de ágio guarda sintonia com o ágio apurado na aquisição da participação societária e na transferência dos créditos. Aqui, não há que se falar em provisão para passivo a descoberto que será mencionada posteriormente. Quando da alienação da participação societária em 2006, essa provisão foi revertida contra uma conta de receita. Da mesma forma que na constituição da provisão a despesa correspondente é incluída no resultado, a reversão dessa mesma provisão pressupõe a exclusão da receita. A inocorrência do evento que justificaria a constituição (e reversão) da provisão implica na neutralidade fiscal do valor correspondente. Por esse motivo, entendo que o sujeito passivo agiu corretamente ao excluir do resultado o valor correspondente à reversão da provisão. Registrese ainda que a reversão da provisão, ainda que intrinsecamente ligada, não se confunde com a baixa do ágio pela alienação da participação societária. Esse valor, integrante do ativo e componente do custo de aquisição, deve efetivamente ser levado a resultado na apuração do ganho ou perda de capital. Foi o que ocorreu no presente caso. Como já ressaltado em momento anterior deste voto, as operações estão sendo ora analisadas apenas no que se refere à adequação aos registros na escrituração. Não foi objeto de avaliação no procedimento fiscal, e portanto não o será aqui, a sistemática utilizada pela interessada para apuração dos valores de ágio nos casos em que a adquirida apresenta patrimônio líquido negativo. Tendo em vista que o valor glosado pelo Fisco foi de R$ 57.303.131,39; restaria justificar o montante de R$ 895.073,81 (R$ 57.303.131,39 – R$ 56.408.057,58). A interessada demonstrou que R$ 31.200,00 teria sido excluído do resultado como contrapartida da baixa do crédito de mesmo valor quando da transferência para a conta de prejuízos acumulados. O remanescente (R$ 863.873,81) tem origem nos lançamentos envolvendo a conta de provisão para passivo a descoberto. O valor do patrimônio líquido negativo da Valor Econômico S/A em dezembro/ 2005 era de R$ 50.999.587,40. Tendo em vista que a participação originalmente detida pela interessada era de 15%, foi constituída provisão para passivo a descoberto no valor de R$ 7.649.938,11 (R$ 50.999.587,40 x 15%). Fl. 2151DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001379/201066 Acórdão n.º 1402001.928 S1C4T2 Fl. 10 17 Em maio/2006, o patrimônio líquido da Valor Econômico S/A havia aumentado (eis que negativo) para R$ 45.240.442,00. Nos moldes do parágrafo anterior, a provisão deveria ser ajustada na proporção da participação (R$ 45.240.442,00 x 15% = R$ 6.686.066,30), cabendo assim a reversão da diferença (R$ 7.649.938,11 – R$ 6.686.066,30 = R$ 863.871,81). Como explicado em momento anterior deste voto, a reversão da provisão deve ser neutra em termos fiscais, motivo pelo qual está correto o procedimento do sujeito passivo. No que se refere ao valor de R$ 1.987.061,31; tratase de despesa referente a transferência de créditos cuja materialidade não foi contestada pela Fiscalização, mas tratada como liberalidade e portanto indedutível. Ratifico aqui as razões expostas em momento anterior deste voto (item 3). Entendo que as razões de defesa mostramse coerentes com a operação sob exame pois a participação societária sob negociação referiase a empresa com patrimônio líquido negativo. É razoável, nesse caso, que a adquirente receba algum tipo de compensação pelo risco assumido. O fato do negócio ter ocorrido entre pessoas ligadas só teria impacto significativo nesse raciocínio se a operação tivesse sido contestada pelo Fisco de forma mais abrangente, inclusive no que se refere a sua própria existência. De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício neste item. 6) Lançamento complementar da CSLL – Anocalendário 2008: Em primeira apreciação, o Órgão julgador converteu o julgamento em diligência a fim de que fosse demonstrada a infração referente à compensação indevida da base de cálculo da CSLL. Pelo procedimento de diligência foi apurado que, na verdade, o valor indevidamente compensado foi R$ 138.334.946,90 e não R$ 136.072.548,62. Assim, foi lavrado auto de infração complementar para cobrança do tributo remanescente, exigido nos autos do processo 16682.720149/201269. Entretanto, foi constatado que a irregularidade já havia sido objeto de lançamento anterior nos autos do processo 16682.720996/201142; caracterizandose assim a cobrança em duplicidade.Por esse motivo, a decisão recorrida agiu bem em cancelar o lançamento complementar. Negase provimento ao recurso de ofício nesse item. RECURSO VOLUNTÁRIO Após o julgamento proferido pelo Órgão julgador de primeira instância, remanesceu do lançamento original apenas a infração descrita no item V do Termo de Verificação, relativa à compensação indevida de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL, sem respeitar o limite de 30% do lucro líquido. Fl. 2152DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 18 Segundo a linha de defesa, os limites legais não se aplicariam nos casos de incorporação da empresa. Afirma que não é possível o estabelecimento de limitações onde a lei não o fez. No meu entendimento, a defesa parte de um sofisma. A lei (Arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95) não estabelece limitação alguma à sua aplicação. Pelo contrário, traz um dispositivo de caráter genérico, aplicável às pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real sem criar exceções. Na verdade, quando o legislador quis excepcionar a restrição imposta pelo dispositivo o fez expressamente, caso das empresas que exercem atividade rural. Portanto, ao contrário do alegado, seria necessária a previsão expressa de não aplicabilidade dos dispositivos em comento ao caso sob exame, para que a compensação ocorresse sem qualquer restrição. A jurisprudência desta Corte também não lhe socorre. A CSRF assim se manifestou (Acórdão 9101001.337, sessão de 26/04/2012) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2005 Ementa:INCORPORAÇÃO LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS APLICÁVEL. Os prejuízos fiscais não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda, constituindose, ao contrário, como benesse tributária, a qual deve ser gozada, pelo contribuinte, nos estritos limites da lei. À míngua de qualquer previsão legal, não há como se afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais da empresa a ser incorporada. No que se refere aos juros de mora sobre a multa de ofício, é tema que adquiriu relevância neste Colegiado em vista de julgamentos recentes que poderiam direcionar a jurisprudência para a não incidência do acréscimo sob exame. Argumentos dignos de respeito foram trazidos à baila para rechaçar a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício não isolada, particularmente em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, e sensibilizeime com eles em alguns julgados. Entendo que a lide merece cuidadosa reflexão, inclusive por envolver interpretações de natureza semântica, terreno escorregadio para quem, como este relator, está longe de ser um exegeta. A meu ver, a previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício estaria plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN: Art. 161.0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (......) Fl. 2153DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001379/201066 Acórdão n.º 1402001.928 S1C4T2 Fl. 11 19 Em primeiro lugar, a acepção da palavra crédito deve ser feita em consonância com o fato de que após o lançamento de ofício a multa aplicada passa a integrar aquele valor. Não há base para a segregação almejada, pois a obrigação tributária principal é composta tanto pelo tributo como pela penalidade pecuniária. Não se quer dizer que a norma equipare penalidade pecuniária a tributo pois, por definição, esse último não tem natureza de sanção. No acórdão 10422.508 de lavra do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, a questão foi magnificamente tratada conforme transcrição: Ora, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Isso não quer dizer em absoluto que o CTN equipare penalidade pecuniária a tributo, que não tem natureza de sanção. Nesse mesmo sentido, no art. 142 que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a "crédito" no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capitulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão "o crédito não integralmente pago" possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição, de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual "A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário". Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse tato à prescrição de que a Fl. 2154DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 20 penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. Esse é o entendimento manifestado por Luciano Amaro, que não se desapercebeu dessa incoerência gramatical do texto. Vejase: A circunstância de o sujeito passivo sofrer imposição de penalidade (por descumprimento de obrigação acessória, ou por falta de recolhimento de tributo) não dispensa o pagamento integral do tributo devido, vale dizer, a penalidade é punitiva da infração à lei; ela não substitui o tributo, acrescese a ele, quando seja o caso. O art. 157 diz que a penalidade não ilide o pagamento integral "do crédito tributário", mas como, na conceituação dos arts. 113, § 1°, e 142, a obrigação e o crédito tributário englobariam a penalidade pecuniária, o que o Código teria que ter dito, se tivesse a preocupação de manter sua coerência interna, é que a penalidade não ilide o pagamento integral "do tributo", pois não haveria sequer possibilidade lógica de uma penalidade excluir o pagamento de quantia correspondente a ela mesma.(Amaro, Luciano – Direito Tributário Brasileiro, 10 ed., Atual São Paul, pág. 379). Do até aqui exposto, estaria esclarecida a possibilidade da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Considerando que o parágrafo primeiro do art. 161, do CTN estabelece que os juros devem ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo disposição de lei em sentido diverso, cabe agora avaliar a existência de norma prevendo a incidência da taxa Selic. Ainda que a discussão envolva, precipuamente, fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, cabe um resumo cronológico da questão com vistas a uma análise mais abrangente, começando pelo DecretoLei nº1.736/1979 (todos os destaques foram acrescidos): Art 1° O débito decorrente do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, do imposto sobre produtos industrializados, do imposto sobre a importação e do imposto único sobre minerais, não pago no vencimento, será acrescido de multa de mora, consoante o previsto neste Decretolei. (......) Art 2° Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1°. Art 3° Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1° do Decretolei n°. 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis n°. 1.569, de 8 de agosto de 1977, e n°. 1.645, de 11 de dezembro de 1978. (......) Fl. 2155DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001379/201066 Acórdão n.º 1402001.928 S1C4T2 Fl. 12 21 Constatase a previsão da incidência de juros de mora, a razão de 1% ao mês, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional calculados sobre o valor originário, o que incluiria a multa de ofício como se pode concluir pelo exame do art. 3º. Nesse ponto, notase que o parágrafo único do art. 2º expressamente registrava a não incidência dos juros sobre a multa de mora, e não sobre a multa de oficio. Posteriormente, o Decreto Lei nº 2.323/87 ao tratar da matéria manteve em essência a redação supra transcrita, o que implica na incidência dos juros sobre a multa de ofício, ressalvando apenas que o cálculo seria feito sobre o débito atualizado monetariamente: Art. 16. Os débitos, de qualquer natureza, para com a Fazenda Nacional e para com o Fundo de Participação PISPASEP, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior. A seguir, a Lei nº 7.738/89 trouxe uma inovação, qual seja, restringiu os juros de mora aos tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda o que implicou na não incidência sobre as penalidades, inclusive a multa de ofício: Art. 23. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de trinta por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. (........) Na mesma linha conduziuse a Lei nº 7.799/89. Algum tempo depois, com o advento da Lei 8.218/91, retornou a incidência dos juros de mora sobre os débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional, e calculados com base na TRD: Art. 3º Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional,bem como para o Instituto Nacional de Seguro Social INSS, incidirão: I juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária TRD acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior ao do seu efetivo pagamento; e II multa de mora aplicada de acordo com a seguinte Tabela: (.......) §2 – A multa de mora de que trata este artigo não incide sobre o débito oriundo de multa de ofício Fl. 2156DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 22 A exclusão determinada pelo § 2º, no que se refere à não incidência da multa de mora, deixa claro que o legislador inclui a multa de ofício no rol dos “débitos exigíveis de qualquer natureza” de que trata o caput e, portanto, sujeita a juros de mora equivalente à TRD. Logo após, a Lei nº 8.383/91, com vigência a partir de 01/01/1992, estabeleceu que os débitos tributários seriam expressos em UFIR, o que incluiria a multa de ofício. Além disso, a norma trouxe de volta a taxa de juros de 1% ao mês, com incidência sobre tributos e contribuições: Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. (......) Com o advento da Lei nº 8.981/95, deflagrouse o processo de adequação dos débitos tributários ao novo padrão monetário voltado para a desindexação da economia. Além de estabelecer a conversão dos débitos de UFIR para Real a norma trouxe o cálculo dos juros com base na taxa de captação pelo Tesouro Nacional da Dívida Pública: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna; (.....) A Selic foi introduzida pela Lei nº 9.065/95: Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n°. 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art 6° da Lei n°. 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n°. 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei n°. 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Importantíssimo detalhe quanto ao art. 84 da Lei 8.981/95, foi a inclusão do § 8º no seu texto, alteração trazida pela Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/1995, nos seguintes termos: § 8º O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Divida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Também merece destaque os artigos 25 e 26 da Medida Provisória nº 1.542, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei nº 10.522/2002, arts. 29 e 30) Fl. 2157DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001379/201066 Acórdão n.º 1402001.928 S1C4T2 Fl. 13 23 Art. 25. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 30 de agosto de 1995, ou que, na data de início de vigência desta norma ainda não tenham sido encaminhados para a inscrição em Dívida Ativa da União, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para Real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. (...) Art. 26. Em relação aos débitos referidos no artigo anterior, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Antes de adentrar à legislação específica aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997 (Lei nº 9.430/96) cabe uma avaliação do arcabouço legal supra transcrito. Vêse que a legislação anterior que versou sobre a matéria referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996, houve períodos em que não incidiria os juros sobre a multa de ofício por disposição legal, ou pela ausência dela? A resposta é que, na prática, com as sucessivas alterações legislativas isso não ocorreu. Vamos aos fatos: O arts.25 c/c art. 26 da MP nº 1.542/96 estabelece a incidência da taxa Selic a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional com fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, o que inclui a multa de ofício. A Lei nº 8.383/91 determinou que os débitos para com a Fazenda Nacional fossem convertidos em UFIR ,o que abarcou a multa de ofício nos termos do parágrafo único do art. 58 dessa norma. A Lei nº 8.383/91 não estabelece textualmente a incidência de juros de mora sobra a multa de ofício mas, na verdade, essa penalidade foi estipulada em UFIR, sofrendo a variação desse indicador até 31/12/1994 e a taxa Selic a partir daí. Quanto à alegação de que os dispositivos mencionados serviriam de limitação à incidência dos juros de mora sobra a multa apenas a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, volto a usar os argumentos do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, no voto acima mencionado: Cabe analisar, por fim, o comando constante dos artigos 29 e 30 da Lei n°. 10.522, de 2002, introduzidos pela MP 1.542, de 18 de dezembro de 1996. Esses Fl. 2158DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 24 dois artigos em conjunto prevêem a incidência de juros Selic sobre débitos de qualquer natureza cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, o que é invocado às vezes como argumento no sentido de que a lei limitou a incidência dos juros Selic sobre os débitos de qualquer natureza aos fatos geradores ocorrido até 1994. Tal conclusão, todavia, é fruto de uma análise meramente gramatical e isolada dos dispositivos, sem preocupação com a natureza da matéria que se pretende regular. É que os dois artigos claramente regularam uma situação pendente, decorrência desse processo de desindexação dos tributos, relacionada com a Lei n°. 8.981, de 1995, em especial com o seu artigo 5°, transcritos acima. Relembrese que a Lei n°. 8.981, de 1995 determinou que a partir de 1° de janeiro de 1995, os tributos e contribuições seriam apurados em Reais (art. 6°), e não mais em Ufir, como até então. Mas os débitos relativos aos fatos geradores até 31 de dezembro de 1994, continuavam sendo apurados em Ufir e convertidos para Reais apenas quando do pagamento (art. 5"), e sobre esses incidiam juros de mora de 1% ao mês (art. 84, § 5°). O que a Medida Provisória n°. 1.541, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei n". 10.522, de 2002) fez foi regular a situação dos débitos relativos a fatos geradores até 31/12/1994 que, por não terem sido pagos ou parcelados, continuavam sendo controlados e apurados em Ufir, ao mesmo tempo em que determinava que, a partir de 1° de janeiro de 1997, os débitos relativos a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994 seriam lançados em Reais. E determinou também que, a partir de 1° de janeiro de 1997, esses mesmos débitos, que antes eram atualizados monetariamente e acrescidos de juros de mora de 1% ao mês, e, a partir de 1° de janeiro de 1997 não mais sofreriam correção monetária, passariam a incidir juros de mora com base na taxa Selic. Portanto, não há como entender que os artigos 25 e 26 da Medida Provisória n°. 1.541, de 1996, estivessem limitando a incidência de juros Selic aos débitos referentes a fatos geradores até 31/12/1994, mas apenas que eles regulavam uma situação especifica desses débitos. Ao contrário, o fato de a lei determinar a incidência de juros Selic, a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza, relacionados com fatos geradores até 31/12/1994, denota uma clara tendência de aplicação de juros Selic sobre os débitos em geral. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, já transcrito em momento anterior deste voto, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Do até aqui exposto, pareceme ter ficado patente a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996 ainda que se considere, o que não é meu caso salientese, que as disposições do art. 161, do CTN seriam insuficientes para autorizar essa cobrança. Para os fatos geradores ocorridos a partir da 01/01/1997, a análise envolve fundamentalmente o alcance do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Fl. 2159DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001379/201066 Acórdão n.º 1402001.928 S1C4T2 Fl. 14 25 Grande parte da controvérsia gira em torno do sentido, conteúdo e alcance de determinados vocábulos e locuções do texto da lei, aos quais se atribuem diferentes significações, o que reclama uma apreciação preliminar sobre esse tipo de ocorrência. Como afirmei no início deste voto, meu desconhecimento da ciência hermenêutica mostrase agora um limitador. Cabeme buscar apoio no mestre maior com vistas a embasar minhas conclusões. Assim, vejamos Carlos Maximiliano1 (todos os destaques não são do original): a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso – vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado; por isso, da interpretação puramente verbal resulta ora mais, ora menos do que se pretendeu exprimir. Contornase em parte, o escolho referido, com examinar não só o vocábulo em si, mas também em conjunto, em conexão com outros; e indagar do seu significado em mais de um trecho da mesma lei, ou repositório. Em regra, só do complexo das palavras empregadas se deduz a verdadeira acepção de cada uma, bem como a idéia inserta no dispositivo. b) O juiz atribui aos vocábulos o sentido resultante da linguagem vulgar, porque se presume haver o legislador, ou escritor, usado expressões comuns; porém, quando são empregados termos jurídicos, deve crerse ter havido preferência pela linguagem técnica. Não basta obter o significado gramatical e etimológico, releva, ainda, verificar se determinada palavra foi empregada em acepção geral ou especial, ampla ou restrita; se não se apresenta às vezes exprimindo conceito diverso do habitual. O próprio uso atribui a um termo sentido que os velhos lexicógrafos jamais previram. Enfim, todas as ciências, e entre elas o Direito, têm a sua linguagem própria, a sua tecnologia; deve o intérprete levála em conta; bem como o fato de serem as palavras em número reduzido, aplicáveis, por isso, em várias acepções e incapazes de traduzir todas as graduações e finura do pensamento. No Direito Público usam mais dos vocábulos no sentido técnico; em Direito Privado, na acepção vulgar. Em qualquer caso, entretanto, quando haja antinomia entre os dois significados, prefirase o adotado geralmente pelo mesmo autor, ou legislador, conforme as inferências deduzíveis do contexto. Pois bem. Com base nas explanações do mestre, tentarei analisar o sentido do art. 61, da Lei nº 9.430/96, no que se refere aos juros de mora, num contexto mais amplo do que a simples literalidade do texto. O dispositivo em questão estabelece: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, 1 Maxirniliano, Carlos Hermenêutica e Aplicação do Direito Rio de Janeiro, Forense, 2002. pág. 89/91. Fl. 2160DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 26 cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A interpretação literal levou julgadores de muito respeito nesta Corte a entenderem que a expressão “decorrentes” excluiria a multa de ofício do dispositivo, pois esta não decorreria dos tributos ou contribuições, mas do descumprimento do dever legal de pagá lo. Tenho dificuldade de vislumbrar base razoável para, diante de diferentes possibilidades semânticas de um vocábulo, assumirse apenas uma delas como ponto de partida da interpretação do texto de uma lei, quando essa acepção deveria ser o ponto de chegada. Podemos fazer o que também se poderia denominar de interpretação literal da norma em comento e chegar a uma conclusão diametralmente oposta. Dizer que os “débitos decorrentes de tributos e contribuições” ou, em outras palavras,”débitos cuja origem remonta a tributos e contribuições” se sujeitam a juros de mora, não é o mesmo que afirmar que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterseiam aos juros de mora. Assim, para que os juros moratórios atingissem apenas os tributos e contribuições a redação do dispositivo deveria ser: Os débitos de tributos e contribuições para com a União, administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Essa redação seria mais condizente com a sistemática historicamente usada pelo legislador para definir a incidência dos juros de mora. Como visto em momento anterior neste voto, a norma referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Entretanto a redação não é essa, Não apenas é impossível ignorar a expressão “decorrentes de” , como devese dar a ela efeito includente, e não excludente como quer ver a corrente de entendimento da qual discordo. Além disso, não é demais ratificar a indissociabilidade da multa de ofício e do principal, após a formalização do lançamento. Não é lógico que valor do tributo sofra a incidência de juros moratórios, enquanto que a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo. Ainda resta o argumento no sentido de que o entendimento quanto à inclusão da multa de ofício na expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” implicaria na incidência de multa de mora sobre a multa de ofício. Nesse ponto, socorrome novamente do voto pelo proferido pelo Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA que enfrenta a questão com maestria: Sustentam os que defendem a interpretação de que o art. 61 da Lei n°. 9.430, de 1996 dirigese apenas aos tributos e contribuições; que, a se entender que a multa Fl. 2161DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001379/201066 Acórdão n.º 1402001.928 S1C4T2 Fl. 15 27 de oficio está contida no termo débitos decorrentes de tributos e contribuições, o dispositivo estaria prevendo a incidência de multa de mora sobre a multa de oficio. Assim como quando da análise do art. 161 do CTN, aqui, da mesma forma, esse argumento está associado a um critério de interpretação do texto legal com base na leitura que melhor harmoniza, do ponto de vista gramatical, o próprio texto o que, como se viu, não é a melhor forma de se apreciar a questão. Verifico, contudo, que neste caso sequer existe a contradição na forma como apontada e que a interpretação proposta não a soluciona. De fato, ao prever que sobre os débitos incidirá multa de mora, entendendose que a multa de oficio integra o débito, a análise meramente gramatical do texto leva à conclusão de que o dispositivo prescreve a incidência da multa de mora sobre a multa de oficio. Superandose, entretanto, a mera leitura gramatical do texto e examinandoo como parte de um conjunto normativo mais amplo, verseá que tal conclusão não é possível, o que afasta a contradição. É que, como se sabe, a multa de mora e a multa de oficio se excluem mutuamente, de modo que uma não se aplica onde se aplica a outra. Assim, não haveria hipótese de que, quando da aplicação da multa de mora, na sua base esteja a multa de oficio. Esse fato não pode ser visualizado com a mera leitura isolada dos dispositivos, mas é facilmente percebido quando se examina conjuntamente os artigos 44 e 61 da Lei n°. 9.430, de 1996. O primeiro, prescreve que, nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas multa de oficio de 75% ou 150%, conforme o caso, o que exclui a incidência, nas mesmas hipóteses, da multa de mora. Portanto, não há como se concluir que o art. 61, ao prever a aplicação da multa de mora no caso de pagamento de débitos decorrentes de tributos e contribuições, inclusive a multa de oficio, em atraso estaria determinando a incidência daquela sobre esta. O Decreto nº 3000/99 que aprovou o Regulamento do Imposto de Renda para 1999 (RIR/99) tem dispositivo específico sobre a incidência da multa de mora, com matriz legal justamente no art. 61 da Lei nº 9.430/96: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei d. 9.430, de 1996, art. 61). (.......) § 3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. O dispositivo supra transcrito expõe em definitivo a fragilidade da interpretação do texto sob o aspecto exclusivamente gramatical. Aqui, a exceção estabelecida no § 3º deixa claro que o caput do art. 950, bem como de sua matriz legal o caput do art. 61, da Lei nº 9.430/96, englobam a multa de ofício. Em termos jurisprudenciais, convém transcrever julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que utiliza justamente o fundamento acima exposto para manter os juros sobre a multa de ofício2: 2 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. . 11 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. Fl. 2162DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 28 "TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa." (TRF4ª Região, Ap. Cível nº 2005.72.01.0000311/SC, Rel. Des. DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, 2ª T., v.u., j. em 29/01/2008, DE de 21/02/2008). Confirase o voto do Relator: "Não merece acolhida a tese da apelante. O artigo 113, § 3º, do CTN dispõe que "a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária." A respeito do mencionado artigo, Leandro Paulsen teceu o seguinte comentário: "o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável ao tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para a sua cobrança (...)" (in Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 5ª edição, p. 774) Ou seja, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. Tampouco há falar em violação ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária como quer a impetrante. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Fl. 2163DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001379/201066 Acórdão n.º 1402001.928 S1C4T2 Fl. 16 29 Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifos meus) Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Ante o exposto, nego provimento ao apelo." Registrese que o STJ também tem decisões nesse sentido: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL MULTA PUNITIVA CORREÇÃO MONETÁRIA JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, publ: 11/05/2010) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.2. Recurso especial provido. (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, publ: 14/09/2009) De todo o exposto, a meu ver o entendimento correto é no sentido de considerar perfeitamente legal a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96. Sendo assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 2164DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 30 Fl. 2165DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10850.721447/2012-19
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-004.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração capitulada como omissão de rendimentos, no valor de R$ 111.609,44, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração capitulada como omissão de rendimentos, no valor de R$ 111.609,44, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 14 47 /2 01 2- 19 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10850.721447/201219 Acórdão n.º 2801004.016 S2TE01 Fl. 123 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, do ano calendário de 2009, exercício de 2010, onde foi exigido imposto no valor de R$ 9.493,66, crescido de multa proporcional, no percentual de 75%, importando em R$ 7.120,24 e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic. Na autuação, narra a Autoridade Fiscal, em resumo, que constatou duas infrações, a partir da análise da DIRPF/2010 da contribuinte, dos documentos apresentados e de informações constantes nos sistemas da RFB: 1 omissão de rendimentos recebidos do INSS R$ 27.967,91 e do Fundo Banespa de Seguridade Social R$ 83.641,53. Não fora apresentado Laudo médico com as especificações do art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995. Os comprovantes de rendimentos estão nas folhas 18/19; 2 omissão de rendimentos recebidos por resgates de VGBL R$ 7.149,26. Observou que além de não ter apresentado o Laudo, supracitado, este tipo de rendimento não se enquadra na isenção concedida aos portadores de moléstia grave. Irresignada, a Contribuinte apresentou Impugnação que consta da folha 2, dizendo em suma que "apresenta 01 laudo pericial emitido por serviço médico oficial da Prefeitura Municipal de São José do Rio Preto/SP" e pedindo que o mesmo seja considerado para enquadrar seus rendimentos como isentos por ser portadora de moléstia grave, definida em lei. A DRJ/SP1 analisou a manifestação de inconformidade, concluindo, em resumo, assim (fl. 93): Em que pese toda a documentação juntada ao processo, verifica se que a contribuinte recebeu proventos decorrentes de pensão do Instituto Nacional do Seguro Social e complementação do BANESPREV – Fundo Banespa de Seguridade Social (fls. 18/19). No que tange à comprovação da moléstia grave, a contribuinte apresentou documentos de fls. 20/21, emitido por médico da Prefeitura Municipal de São José do Rio Preto, que comprova que a contribuinte era portadora de Neoplasia Maligna de Mama (CID 10 C50), desde julho de 2000. Porém, conforme “Exposição das observações, estudos, exames efetuados e registros das conclusões” do Laudo de fls. 20/21, consta que “Paciente operada em 03 de julho de 2000 de neoplasia maligna de mama esquerda conforme laudo laboratório IAPC nº 86596/00, fez quimioterapia e radioterapia na época e hormonioterapia. Atualmente sem doença mensurável em acompanhamento oncológico. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10850.721447/201219 Acórdão n.º 2801004.016 S2TE01 Fl. 124 3 Os documentos de fls. 42 e 43 foram emitidos por serviço privado e não atendem à legislação. Conforme MANUAL PARA OS SERVIÇOS DE SAÚDE DOS SERVIDORES PÚBLICOS CIVIS FEDERAIS, Portaria MOG Nº 1.675, de 06/10/2006 (DOU de 10/10/2006), que estabelece orientação a ser adotada como referência aos procedimentos periciais em saúde, temse a seguinte determinação para os casos de Neoplasia Maligna: “Não serão considerados portadores de Neoplasia Maligna, os periciados submetidos a tratamentos cirúrgicos, radioterápicos e/ou quimioterápicos, que após acompanhamento clínico e laboratorial, não apresentarem evidência de atividade neoplásica.” Assim, com base nas orientações acima, os documentos apresentados comprovam que a interessada apresentava neoplasia maligna em 03/07/2000, porém não comprovam ser a impugnante portadora de moléstia grave no ano calendário de 2009. Em relação ao rendimento de VGBL, dispôs o Julgador de 1ª instância que: O código de IRRF constante na DIRF é utilizado quando o fato gerador do imposto é o pagamento de importâncias a pessoa física a título de benefícios ou resgates relativos a planos de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência, quando o contribuinte não optar pelo regime de tributação de que trata o art. 1º da Lei nº 11.053, de 21 de dezembro se 2004. (...) Por conseguinte, são tributáveis os rendimentos auferidos a título de resgate de VGBL. E assim decidiu o Acórdão recorrido pela improcedência da impugnação. Cientificada dessa decisão em 10/07/2012 (fl. 100), a contribuinte interessada apresentou Recurso voluntário em 01/08/2012 (protocolo na folha 102). Em sede de recurso, descreve a moléstia da qual é portadora e assinala que existe "desde julho de 2000". Diz que além do laudo oficial existe laudo fornecido por médico particular, que o complementa. Argumenta que a controvérsia gravita em torno da prescindibilidade ou não de que os sintomas na neoplasia maligna sejam contemporâneos com a percepção dos rendimentos. Passa a tratar então de hermenêutica jurídica. Cita jurisprudência do STJ. REQUER que seja acolhido seu recurso para ser cancelado o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10850.721447/201219 Acórdão n.º 2801004.016 S2TE01 Fl. 125 4 Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. DA ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. Verificase que existem duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: uma é ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios e outra é os rendimentos serem provenientes de aposentadoria ou reforma. Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(destaquei) É de ser observada também a Súmula CARF Nº 63, abaixo transcrita: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios”. Na Notificação de Lançamento, a Autoridade Fiscal consignou que não acataria a isenção dos rendimentos pela não apresentação do Laudo Pericial, conforme o artigo 30 da Lei nº 9.250, de 1995: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10850.721447/201219 Acórdão n.º 2801004.016 S2TE01 Fl. 126 5 Juntamente com a Impugnação, a contribuinte apresentou o Laudo cuja cópia consta da folha 20, emitido por médico oncologista da Prefeitura de São José do Rio Preto/SP, onde se lê que a mesma é portadora de doença que o perito afirma tratarse de "CID C 50 neoplasia maligna". Afirma ainda que a paciente fora operada em 03 de julho de 2000, quando se constatou a doença, fez quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia e estava "atualmente sem doença mensurável em acompanhamento oncológico". Tal laudo diz ainda que "a doença é passível de controle" e determina seu prazo de validade até 16/04/2014, ou seja, dois anos após a emissão. O Julgador recorrido, entendendo que o laudo não especificava se a contribuinte apresentava sintomas da doença em 2008, concluiu, com base em uma Portaria do MPOG, que não fazia jus à isenção pretendida. Para ilustrar a discussão, colho a jurisprudência do STJ: AgRg no REsp 1403771 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2013/03082133 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. NEOPLASIA MALIGNA. ISENÇÃO. CONTEMPORANEIDADE DOS SINTOMAS. DESNECESSIDADE. 1. Hipótese em que agrava o Ministério Público Federal de decisão que deu provimento ao recurso especial para reconhecer indevida a incidência do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria auferidos pelo autor. 2. A par de ser admitida a valoração da prova em sede especial, a jurisprudência desta Corte Superior não exige a demonstração de contemporaneidade dos sintomas ou a comprovação de recidiva da enfermidade para a manutenção da regra isencional. 3. "Há entendimento jurisprudencial desta Primeira Seção no sentido de que, após a concessão da isenção do Imposto de Renda sobre os proventos de aposentadoria ou reforma percebidos por portadores de moléstias graves, nos termos art. 6º, inciso XIV, da Lei 7.713/88, o fato de a Junta Médica constatar a ausência de sintomas da doença pela provável cura não justifica a revogação do benefício isencional, tendo em vista que a finalidade desse benefício é diminuir o sacrifícios dos aposentados, aliviandoos dos encargos financeiros" (MS 15.261/DF, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe 5/10/2010). Bem, existe o Laudo emitido por serviço médico oficial. No caso da dúvida quanto ao estado de latência da moléstia, entendo que se deva considerar outros documentos complementares que constam dos autos, como os laudos emitidos por médico particular, também oncologista, que atestam que a contribuinte encontravase, em 27.02.2012, "em acompanhamento oncológico desde 12.07.2000"(fl. 43). Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10850.721447/201219 Acórdão n.º 2801004.016 S2TE01 Fl. 127 6 Neste caso, na valoração das provas e formação da livre convicção, entendo que os documentos emitidos por médico especialista, apesar de em serviço particular, complementam o Laudo médico oficial e devam ser considerados, e destaco que a Portaria do MPOG que serviu como fundamento para a negativa da isenção pretendida, dirigese efetivamente a profissionais da área médica, ao realizarem as perícias e tratamentos nos servidores civis da União. A lei não veda que doenças passíveis de controle sejam enquadradas como "moléstia grave" para fins de isenção do imposto, como se pode observar no § 1º do artigo 30, acima transcrito. Nesses casos, o que se exige é que o perito fixe a data de validade do Laudo. No documento sob análise, emitido em 2012, o médico perito disse que a contribuinte possuía a neoplasia desde 2000, e fixou como data de validade 2014. Em complemento, temse o atestado particular, que, também em 2012, afirmou que a contribuinte era "sintomática para a doença" e o laudo pericial particular de fl. 42. Transcrevo ainda recente jurisprudência deste CARF, que vem ao encontro do meu entendimento: Acórdão 2802003.178 – 2ª Turma Especial Sessão de 08 de outubro de 2014 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. Reconhecese a condição de portador de moléstia grave nos termos da legislação, mediante a apresentação de laudo médico oficial, mormente quando corroborado por documentos adicionais que evidenciem tal condição.(sulinhei) Recurso Voluntário Provido. (...) A instância de primeiro grau manteve a autuação, considerando que as provas trazidas pela contribuinte de que era portadora de moléstia grave, a saber, cópias de atestado médico assinado por médico credenciado do IPE e histórico da doença assinado por membros do IPE de fls. 26/37, não atendem ao requisito legal de que o laudo pericial deve ser emitido por serviço médico oficial. (...) E, em que pese a ausência do CID10 e de maior detalhamento no laudo no que diz respeito à descrição da moléstia, a referida está suficientemente identificada como neoplasia maligna coloretal, constatação essa corroborada pelo teor dos documentos anteriormente apresentados junto com a impugnação (fls. 26/37). Assim, em relação aos rendimentos percebidos a título de pensão, aposentadoria ou reforma e sua complementação, entendo que estão satisfeitos os requisitos para fruição da isenção, tendo sido apresentado o laudo médico oficial que se complementa com os demais elementos do conjunto probatório. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10850.721447/201219 Acórdão n.º 2801004.016 S2TE01 Fl. 128 7 Em relação, entretanto, aos rendimentos de seguro de vida (VGBL), apesar de ser portadora de moléstia grave, a natureza dos rendimentos não os enquadra na norma isentiva, como aqui transcrito e reputo correto o disposto pelo Julgador de 1ª instância, devendo ser mantido. É que não é "qualquer" rendimento percebido por portador de moléstia grave que é isento, mas apenas aqueles especificados na lei. CONCLUSÃO Em conclusão, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para cancelar em parte a infração capitulada como omissão de rendimentos, no valor de R$ 111.609,44. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10111.721086/2013-37
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
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Numero da decisão: 3802-004.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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E OUTROS (Protech Implantes Especializados, Medical Shop Prod Hosp LTDA, Luiz Fernando Mendonça Leal e André Luiz de Araújo Espíndola) Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: MULTACONVERSÃO DE PENA DE PERDIMENTO Data do fato gerador: 01/12/2010 NULIDADE DE LANÇAMENTO Em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Assim como não enseja nulidade de auto de infração quando lavrado por agente capaz, contendo os requisitos exigidos pelo art. 10, do mesmo decreto. SOLIDARIEDADE PASSIVA E RESPONSABILIDADE PESSOAL São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. OCULTAÇÃO NA IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. Ocorrida ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, na importação de mercadorias, considerase dano ao Erário, punível com a pena de perdimento das mercadorias, a qual se converte em multa equivalente ao valor aduaneiro daquelas que não sejam localizadas ou que tenham sido transferidas a terceiro ou consumidas. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 72 10 86 /2 01 3- 37 Fl. 2703DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de Auto de Infração lavrado em 22/05/2013 por meio do qual se exige crédito tributário no valor total de R$ 73.282,44 (setenta e três mil, duzentos e oitenta e dois reais e quarenta e quatro centavos) correspondente à multa equivalente a 100% do valor aduaneiro da mercadoria, conforme §3o do art. 23 do Decretolei no 1.455/76, aplicada em virtude da infração prevista no inc. V do mesmo artigo (ocultação do real adquirente da mercadoria). Do Termo de Verificação Fiscal integrante do Auto de Infração colho os seguintes trechos mais relevantes para esclarecimento da lide: 1 – INTRODUÇÃO No desempenho das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, lavrase o presente Auto de Infração, a ser aplicado em desfavor da(s) autuada(s) qualificada(s) no tópico Sujeição Passiva deste Termo, pela subsunção ao que dispõe o Artigo 23, Inciso V c/c §§ 1º, 2º e 3º do Decreto lei nº 1.455/76 e Artigo 11, Inciso I da Instrução Normativa SRF nº 228/2002. A presente fiscalização foi determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal –MPF nº 01176002013000045 a fim de verificar a ocorrência de ocultação do verdadeiro responsável pelas operações e/ou interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior realizadas pela empresa PROTECH IMPLANTES ESPECIALIZADOS LTDA (CNPJ nº 04.691.013/000105) (doravante denominada PROTECH) e para as quais a empresa fiscalizada figura como real adquirente oculta das mercadorias importadas. 2 – CONTEXTUALIZAÇÃO DA FISCALIZAÇÃO Apesar de não estar habilitada para operar no comércio exterior, será demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal que a OBJETIVA operava de forma oculta em operações de importação de produtos por ela comercializados, utilizando para tal feito a cessão do nome e da estrutura Fl. 2704DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10111.721086/201337 Acórdão n.º 3802004.027 S3TE02 Fl. 2.704 3 documental da empresa PROTECH e financiamento da empresa MEDICAL SHOP PRODUTOS HOSPITALARES LTDA (CNPJ nº 38.056.131/000163), doravante chamada MEDICAL SHOP, todas com sócios em comum, através de meios fraudulentos que resultam em grandes danos à administração aduaneira. Tanto a OBJETIVA, como a PROTECH e a MEDICAL SHOP tinham como sócios, em dezembro de 2010 (dois mil e dez), o Sr. LUIZ FERNANDO MENDONÇA LEAL (CPF nº 279.751.85191) e o Sr. ANDRÉ LUIZ DE ARAÚJO ESPÍNDOLA (CPF nº 270.778.45168). Este último foi substituído em todas as sociedades pela Sra. PATRÍCIA RAUPP MACHADO LEAL (CPF nº 410.928.72191) em outubro de 2012 (dois mil e doze). Temos assim a existência de três empresas, pertencentes aos mesmos sócios, as quais formam um grupo econômico no qual uma atua como importadora de produtos médicohospitalares (no caso a PROTECH), a outra atua como revendedora e distribuidora dos mesmos produtos no mercado interno (no caso a OBJETIVA) e a outra também como distribuidora dos produtos no mercado interno bem como sendo o braço financiador das operações (no caso a MEDICAL SHOP). Assim, conforme ficará demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal, era a MEDICAL SHOP a real financiadora das importações realizadas pela PROTECH como sendo por sua própria conta e posteriormente remetidas ao real adquirente oculto, a OBJETIVA. Tal modalidade de negócio seria legítima, se estivessem a MEDICAL SHOP e a OBJETIVA habilitadas para operar no comércio exterior e as importações fossem registradas pela PROTECH como sendo por conta e ordem da real adquirente das importações. Conforme ficou demonstrado no Auto de Infração constante do PAF nº 10111.721.291/201211, lavrado em desfavor da empresa PROTECH, esta não dispunha de capacidade financeira para proceder com as importações por ela efetuadas e ditas como se por conta própria fossem. Tais importações eram suportadas financeiramente pela MEDICAL SHOP, a qual financiava as mercadorias importadas pela PROTECH que por sua vez as repassava à OBJETIVA para posterior revenda no mercado interno, permanecendo a última oculta aos controles aduaneiros e desobediente às demais disposições legais que regulam uma operação de importação na modalidade “por conta e ordem de terceiros”. 3 – EXPOSITIVO DA FISCALIZAÇÃO [...] no dia 21 (vinte e um) de fevereiro de 2013 (dois mil e treze), com intuito de cientificar a empresa OBJETIVA do início de fiscalização e solicitar documentação para início de auditoria fiscal, foi lavrado Termo de Início de Fiscalização nº 014/2013 (documento nos autos) do qual a sócia da empresa, Sra. PATRÍCIA LEAL, tomou ciência pessoal no dia 27 (vinte e sete) de fevereiro de 2013 (dois mil e treze) e ficou, através do mesmo documento, intimada a apresentar no prazo de 10 (dez) dias a contar do recebimento daquele, o que segue: a) Apresentar cópia autenticada do Contrato Social da empresa, além de todas as alterações contratuais subseqüentes; Fl. 2705DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 b) Apresentar Livros Diário e Razão dos anos de 2010, 2011 e 2012, com todas as formalidades legais previstas em lei, inclusive assinados pelo(s) sócio(s) e contador responsável(is). Adicionalmente, de modo a otimizar a análise das informações contábeis, apresentar também os arquivos digitais dos respectivos livros, no formato estabelecido pelo ADE 15/2001, e gerado pelo programa SINCO – Arquivos contábeis fornecidos pela RFB no seguinte endereço eletrônico: http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/SINCO/ArquivosContabei s/Default.htm; c) Apresentar o Plano de Contas para os anos de 2010, 2011 e 2012, em arquivo eletrônico, de acordo com o formato estabelecido pelo ADE 15/2001, e gerado pelo programa SINCO –Arquivos contábeis fornecidos pela RFB no seguinte endereço eletrônico: http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/SINCO/ArquivosContabei s/Default.htm; d) Apresentar livro de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, Registro de Inventário, e Livro de Apuração do ICMS, dos anos de 2010, 2011 e 2012. Adicionalmente, de modo a otimizar a análise das informações contábeis, apresentar também os arquivos digitais do Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, no formato estabelecido pelo ADE 15/2001, e gerado pelo programa SINCO – Arquivos contábeis fornecidos pela RFB no seguinte endereço eletrônico: http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/SINCO/ArquivosContabei s/Default.htm; e) Apresentar os extratos bancários originais de todas as contascorrentes de propriedade da empresa, contendo toda a movimentação das contas, no período de dezembro de 2010 a abril de 2012, em ordem cronológica, inclusive em meio magnético; f) Apresentar declaração, assinada pelo(s) sócio(s) responsável(is), indicando o nome, CPF, cargo na empresa e telefone da pessoa encarregada a receber documentação e tratar com os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, referente à presente fiscalização. Adicionalmente, apresentar documento comprobatório de seu vínculo com a empresa; Frisase aqui que a empresa não apresentou a totalidade dos livros contábeis(faltaram os livros contábeis referentes ao ano de 2010, justamente o período da importação analisada) e os extratos bancários solicitados, inviabilizando uma análise detalhada de suas operações junto à PROTECH. 4 – DA ANÁLISE DOS FATOS E DA DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA Passamos a analisar os documentos apresentados pela OBJETIVA no curso da presente fiscalização, assim como aqueles recebidos e analisados no curso do procedimento especial de fiscalização regido pela IN SRF nº 228/2002 instaurada em desfavor da PROTECH e detalhados no Auto de Infração constante do PAF nº 10111.721.291/201211. Primeiramente, ressaltamos que a presente fiscalização tem como escopo a análise da Declaração de Importação – DI constantes da tabela abaixo. Fl. 2706DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10111.721086/201337 Acórdão n.º 3802004.027 S3TE02 Fl. 2.705 5 Número DI Data Registro Valor da Operação (CIF R$) 10/21413234 01dez 2010 73.282,44 A DI acima foi registrada pela empresa PROTECH e foi objeto de autuação pela ocultação do real adquirente e beneficiário das importações, nos termos do Artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. [...] As seguintes observações são excertos do Auto de Infração constante do PAF nº 10111.721.291/201211, lavrado em desfavor da PROTECH, e referemse aos documentos apresentados pela mesma no curso do Procedimento Especial de Fiscalização a que esta foi submetida, tais como Livros Contábeis, extratos bancários, contratos de financiamento, contratos de câmbio, etc. Reiteramos que a OBJETIVA não apresentou os Livros Contábeis e os extratos bancários solicitados pela presente fiscalização e referentes ao período de efetivação da importação em análise SOLIDARIEDADE NA APLICAÇÃO DA PENALIDADE: (ano de 2010), inviabilizando uma análise detalhada de suas operações junto à MEDICAL SHOP e PROTECH. Não obstante, a análise realizada no curso do Procedimento Especial de Fiscalização instaurado em desfavor da última já se mostrou suficiente para demonstrar a ocultação do real adquirente das mercadorias e financiador das operações, tal como descrito a seguir. 4.1 – IMPORTAÇÃO REGISTRADA NA DI Nº 10/21413234 A análise da declaração e de seus documentos demonstrou que o importador declarou, no campo “Dados Complementares”, o seguinte: “Informamos o email do importador (responsável): Cristina@medicalshopdf.com.Br”. Ou seja, foi indicada como responsável do importador pela operação uma suposta funcionária com endereço eletrônico pertencente a outra empresa dos mesmos sócios, a MEDICAL SHOP. Não há nos registros de empregados da PROTECH uma funcionária de nome Cristina, conforme documentação entregue a esta fiscalização e conforme as declarações prestadas à Previdência Social – GFIP. A DI foi desembaraçada no mesmo dia 1º de dezembro de 2010, pelo canal verde de conferência, sem o pagamento de tributos na importação, dado que a classificação fiscal adotada determinava alíquota 0% para os impostos e redução a zero das contribuições sociais incidentes. Com relação ao pagamento ao fornecedor estrangeiro das mercadorias, o importador apresentou à fiscalização o contrato de câmbio firmado em 31 de março de 2011 com o Banco do Brasil, de nº 11/008504, com o valor total em dólares registrado na fatura nº 12383220, correspondente ao total de R$ 68.892,44 (sessenta e oito mil,oitocentos e noventa e dois reais e quarenta e quatro centavos) em moeda nacional. Ao buscar o registro da quitação desse contrato, o que representa o efetivo pagamento pelas mercadorias importadas, constatouse que este foi feito no mesmo dia 31 de março, tendo o recurso sido debitado da conta corrente no Banco do Brasil nº132527 da agência nº 33820, de propriedade do importador, conforme Fl. 2707DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 importador, conforme registrado no extrato bancário da respectiva conta corrente e também na contabilidade da empresa. Passouse então a buscar a origem do recurso utilizado para quitação daquele contrato. No dia 30 de março de 2011, um dia antes do pagamento em questão, o saldo dessa conta era de R$ 3.018,46 (três mil e dezoito reais e quarenta e seis centavos). Portanto, era insuficiente para a quitação do contrato. Entretanto, observouse no extrato bancário que, no dia 31 de março de 2011, foi feita uma transferência bancária em favor da conta corrente da PROTECH, no valor de R$ 95.000,00 (noventa e cinco mil reais), para a qual o histórico do extrato apresenta a seguinte descrição: “transferência on line 31/03 3382 Medical S”. Contabilmente, tal transferência foi registrada a débito da conta de banco que demonstra a movimentação da conta corrente no Banco do Brasil (código 915 PROT/BB 132527, AG 33820), e a crédito da conta de passivo código 947 – MUTUO MEDICAL SHOP, que registra supostos empréstimos financeiros a título de mútuo da MEDICAL SHOP em favor da PROTECH. Logo, tal entrada financeira teve como origem uma transferência bancária da empresa MEDICAL SHOP. Como não houve nenhuma outra entrada financeira nessa conta corrente antes da quitação do contrato, podemos afirmar que tal pagamento somente foi possível graças a essa transferência da MEDICAL SHOP, e com recursos desta. Mais adiante trataremos, em tópico específico, dos contratos de mútuo entre a PROTECH e as empresas vinculadas, de posse dessa fiscalização. Depois de desembaraçadas e entregues, as mercadorias nacionalizadas por meio desta declaração tiveram sua suposta entrada no estabelecimento da empresa registrada integralmente através da Nota Fiscal de Entrada nº 144, de 1º de dezembro de 2010, com valor total de R$ 73.322,41 (setenta e três mil, trezentos e vinte e dois reais e quarenta e um centavos). Logo em seguida, no dia 2 de dezembro de 2010, as mercadorias em questão foram integralmente repassadas à empresa OBJETIVA, outra empresa vinculada, operação registrada na Nota Fiscal de Venda nº 151, com valor total de R$ 84.320,78 (oitenta e quatro mil, trezentos e vinte reais e setenta e oito centavos). A venda para a empresa OBJETIVA foi registrada na contabilidade no mesmo dia de emissão da Nota Fiscal nº 151, a débito da conta de ativo código nº 027 CLIENTES A RECEBER, e a crédito da conta de resultado código nº 396 VENDA DE MERCADORIAS À VISTA. Entretanto, ao longo de todo o período de contabilidade analisada, não foi encontrado nenhum lançamento que registrasse o efetivo recebimento financeiro do valor da suposta venda, ou seja, não há lançamento a crédito da conta CLIENTES A RECEBER com histórico que remeta à Nota Fiscal de Venda nº 151, nem a débito das contas de bancos ou caixa com o mesmo histórico, o que faz supor que a venda na verdade tratous e de uma simples transferência das mercadorias importadas ao verdadeiro interessado nos produtos. Esse conjunto de fatos demonstra que estão presentes nesta operação elementos que permitem concluir que a PROTECH atuou no comércio exterior ocultando o real comprador e/ou real responsável pela importação, a saber: pagamento do contrato decâmbio com recurso proveniente de mútuo com empresa vinculada; suposta venda das mercadorias importadas integralmente para uma única empresa, também vinculada, após somente um dia do desembaraço, e com baixa agregação de valor em Fl. 2708DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10111.721086/201337 Acórdão n.º 3802004.027 S3TE02 Fl. 2.706 7 com empresa vinculada; suposta venda das mercadorias importadas integralmente para uma única empresa, também vinculada, após somente um dia do desembaraço, e com baixa agregação de valor em relação ao registro da entrada (15%); ausência do recebimento financeiro pela suposta venda feita à empresa vinculada. Tais fatos também permitem supor o principal modus operandi da PROTECH em suas operações de importação: uso de recursos de empresa vinculada – MEDICAL SHOP, para custeio das operações, e transferência integral das mercadorias para outra empresa do grupo, no caso, a OBJETIVA, real interessada na operação. 4.2 – OS CONTRATOS DE MÚTUO COM EMPRESAS VINCULADAS A fim de justificar as entradas financeiras oriundas das empresas vinculadas, conforme já descrito neste termo, a PROTECH apresentou doze instrumentos particulares de mútuo feneratício feitos com a empresa MEDICAL SHOP, [...] Após análise dos documentos, constatouse que todos os contratos de mútuo tinham as mesmas características: (1) foram celebrados com empresas vinculadas, pertencentes aos mesmos sócios da PROTECH, no caso da MEDICAL SHOP e da OBJETIVA, ou pertencentes às suas respectivas esposas, no caso do HOSPITAL SÃO LUCAS; (2) quanto aos contratos com a MEDICAL SHOP e a OBJETIVA, foram assinados pelos senhores LUIZ FERNANDO MENDONÇA LEAL e ANDRÉ LUIZ DE ARAÚJO ESPÍNDOLA, tanto como representantes da PROTECH – mutuária, quanto como representantes das empresas mutuantes, sem a assinatura de testemunhas; nos contratos com o HOSPITAL SÃO LUCAS, foram assinados pelo sócios da PROTECH e pelas Sras.VALÉRIA HORTA GENEROSO (CPF 689.616.85104) e PATRÍCIA RAUPP MACHADO LEAL; (3) foram celebrados sem o oferecimento de quaisquer garantias pela mutuária, com prazo de pagamento de cinco anos; (4) pelos contratos, as mutuantes (MEDICAL SHOP, OBJETIVA e HOSPITAL SÃO LUCAS) se obrigavam a disponibilizar os valores contratados mediante depósitos bancários em conta corrente da mutuária (PROTECH), ou mesmo pagar diretamente compromissos financeiros desta. A soma dos valores mensais depositados nas contas bancárias da PROTECH e registrados na contabilidade tendo como contrapartidas as contas de passivo de mútuo (nº 00947 – MÚTUO MEDICAL SHOP, nº 00976 – MÚTUO OBJETIVA e nº 01000 – MÚTUOHOSPITAL SÃO LUCAS) confere com os totais mensais celebrados nos contratos (com uma única exceção no mês de outubro de 2011, onde há uma transferência registrada na conta nº 00947 – MÚTUO MEDICAL SHOP, nº 00976, de R$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil reais), que carece de cobertura contratual). Todavia, as datas das transferências dos valores para as contas bancárias da PROTECH, também registradas na contabilidade, são anteriores às datas de celebração dos contratos, conforme demonstram as tabelas a seguir: Fl. 2709DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Esse conjunto de fatos nos permite concluir que tais contratos de mútuo com as empresas vinculadas, por terem sido feitos após o início das efetivas transferências dos recursos, tenham sido celebrados com o intuito de justificar as transferências financeiras feitas com habitualidade entre as empresas vinculadas e a PROTECH, as quais, por representarem a principal origem dos recursos disponíveis da empresa, serviram para custear o funcionamento desta, incluindose as operações de comércio exterior, conforme demonstrado anteriormente. Essa relação é observável principalmente com a MEDICAL SHOP, com a qual a PROTECH celebrou contratos de mútuo em todos os meses de 2011, sendo claramente essa a principal fonte de receita da empresa. Ou seja, a empresa agiu com Fl. 2710DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10111.721086/201337 Acórdão n.º 3802004.027 S3TE02 Fl. 2.707 9 simulação ao fazer os contratos com o intuito de formalizar as transferências financeiras já anteriormente realizadas. _____________________________________________________________ Resta amplamente demonstrado, portanto, que a importação da PROTECH acima analisadas foram financiadas com recursos das empresas vinculadas pertencentes ao mesmo grupo econômico, em especial a empresa MEDICAL SHOP. Em resumo, o “modus operandi” das empresas pode ser resumido como: • Ocultação do real adquirente e/ou real responsável pela operação de importação, a saber a empresa OBJETIVA; • Pagamento dos tributos e demais despesas de importação, inclusive as despesas de aquisição junto ao fornecedor internacional com recurso proveniente de mútuo com empresa vinculada (em especial a MEDICAL SHOP) e/ou de contratos de financiamento bancários com garantias dadas pelas mesmas empresas vinculadas; • Simulação de contratos de Mútuo, celebrados com o intuito de justificar as transferências financeiras feitas com habitualidade entre as empresas vinculadas e a PROTECH, as quais, por representarem a principal origem dos recursos disponíveis da última, serviram para custear seu funcionamento, incluindose as operações de comércio exterior. Essa relação é observável principalmente com a MEDICAL SHOP, com a qual a PROTECH celebrou contratos de mútuo em todos os meses de 2011, sendo claramente essa a principal fonte de receita da importadora; • Suposta venda das mercadorias importadas integralmente para a mesma empresa vinculada, nos dias seguintes ao desembaraço, e com baixa ou nenhuma agregação de valor em relação ao registro da entrada; • Ausência do recebimento financeiro pela importadora relativo à suposta venda feita à empresa vinculada. [...] quando instada a entregar ao Fisco as mercadorias importadas pela DI objeto da presente fiscalização e que foram repassadas a ela pela PROTECH através da Nota Fiscal de venda acima relacionada, a OBJETIVA apresentou, em resposta à intimação constante no item ‘g)’ do Termo de Início de Fiscalização nº 014/2013, uma declaração firmada por representante da empresa afirmando que a totalidade das mercadorias objeto da intimação foram revendidas ou consumidas. Foi apresentado também uma relação contendo as Notas Fiscais de saída que comprovam a revenda das mercadorias em questão 5 – DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA DOS FATOS E DO CONCEITO DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA A nova redação do §2º do art. 23 cria a presunção legal de ocorrência de interposição fraudulenta quando não comprovada a origem, a disponibilidade ou a transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. São estas duas normas legais (mas não somente elas) – IN 228/2002 e DL 1.455/76 – os principais dispositivos ensejadores da presente fiscalização. Fl. 2711DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Aurélio Buarque de Holanda conceitua “interposição de pessoa” como “simulação que consiste em ocultar o verdadeiro interessado num ato jurídico, fazendo aparecer um terceiro em seu lugar”. No Vocabulário Jurídico, De Plácido e Silva, definese interposição como meterse de permeio, colocarse entre. É a intervenção de uma pessoa em negócio alheio, por ordem de seu dono ou a mandado dele. A pessoa interposta, com o fito de cumprir ou realizar aquilo que o ordenante ou mandante não pode fazer, é colocada ou posta entre este e um terceiro. A interposta pessoa nada mais é que aquela que executa um ato ou uma série de atos, a mando ou ordem de alguém. Seja por impossibilidade do mandante, seja por conveniência daquele. Em linguagem jurídica, a interposta pessoa, também denominada prestanome, é aquela que, embora execute um ato ou pratique um negócio em proveito e por ordem de outro, o faz em seu próprio nome. Equiparase ao mandatário. Em suma, podese definir interposição fraudulenta como todo ato em que uma pessoa, física ou jurídica, aparenta ser o responsável por uma operação que não realizou, interpondose entre uma parte (neste caso, o fisco) e outra (o real beneficiário – responsável pela operação de comércio exterior), para ocultar o sujeito passivo. Em outras palavras, o que o Estado busca combater, aqui, é a aplicação da simulação ou da fraude nas atividades de comércio exterior, por meio da falsidade documental, com a intenção de omitir dos controles aduaneiros os verdadeiros intervenientes das operações de comércio exterior. Isso significa que é fácil burlar o controle aduaneiro por meio da simulação: basta inserir, no campo “real adquirente” da DI, nome diverso daquele que ali deveria aparecer. Conseqüentemente, quando uma empresa cede seu nome para constar na DI no lugar de outra, ela traz para a sociedade, automaticamente, uma série de riscos. Retomandose o estudo da presunção de interposição fraudulenta a que se refere o § 2º, do art. 23, do DL nº 1.455/76, o jurista Alfredo Augusto Becker define a presunção como o resultado do processo lógico mediante o qual, do fato conhecido cuja existência é certa, inferese o fato desconhecido cuja existência é provável. Ou seja, na presunção, que é uma prova indireta, há um fato indiciário (conhecido), um fato indiciado (inferido) e uma relação implicacional entre os fatos. No que tange à presunção legal do 2º, do art. 23, do DL nº 1.455/76, há três elementos: a) um fato indiciário, que é a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em operação de comércio exterior; b) um fato indiciado, que é a interposição fraudulenta de terceiros e; c) a implicação entre os fatos, que já está dada e construída pela disposição legal contida no próprio §2º, do art. 23, do DL nº 1.455/76. É dizer, uma vez não comprovada a origem, a disponibilidade ou a efetiva transferência dos recursos financeiros empregados na operação de comércio exterior (fato indiciário), fica a fiscalização dispensada de provar quem disponibilizou os recursos, incidindo, por expressa disposição legal, o fato indiciado (a interposição fraudulenta de terceiros). 6 – DAS PENALIDADES 6.1– MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS Fl. 2712DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10111.721086/201337 Acórdão n.º 3802004.027 S3TE02 Fl. 2.708 11 No caso da não localização, consumo ou revenda das mercadorias em questão será aplicada a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, conforme dita o §3º do mesmo artigo, transcrito a seguir: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)(grifo nosso) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 . (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010) 6.2 – MULTA POR CESSÃO DO NOME Por tudo que foi descrito durante este texto resta comprovado que a empresa PROTECH ocultou dolosamente o real adquirente das mercadorias por ela importadas. Essa prática de cessão de nome a terceiros tem penalidade pecuniária prevista por Lei incidente diretamente sobre aquele que agiu como instrumento da irregularidade, ou seja, o importador ostensivo, tal como versa o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07. Tal penalidade foi aplicada no Auto de Infração constante do Processo Administrativo Fiscal – PAF nº 10111.721.291/201211. 6.3 – SOLIDARIEDADE NA APLICAÇÃO DA PENALIDADE: A empresa importadora, a empresa financiadora, bem como os sócios das empresas PROTECH, MEDICAL SHOP e OBJETIVA devem aparecer como figura solidária e responsável no pólo passivo para as penalidades aplicadas, nos termos do Artigo 124, 134 e 135 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei nº 5.172/66, além do Artigo 95 do DecretoLei nº 37/66, de 18/11/1966. 7 – APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DEVIDO Por todo o descrito neste termo, a empresa OBJETIVA será penalizada naquela importação registrada na Declaração de Importação como por conta própria da empresa PROTECH, por se tratar de ocultação do real adquirente já bastante comprovada. De acordo com as penalidades descritas no item anterior, a importação objeto da presente fiscalização será autuada com a penalidade de multa substitutiva do perdimento (Artigo 23, inciso V e §§ 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/76), gerando os respectivos créditos tributários. Fl. 2713DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 Total dos Créditos Tributários Apurados neste Auto de Infração: PENA APLICÁVEL CT APURADO (R$) Conversão do Perdimento em multa 73.282,44 TOTAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO 73.282,44 8 – REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Todos estes fatos são, em tese, crimes cometidos pelas empresas OBJETIVA, MEDICAL SHOP e PROTECH, através de seus sócios, e serão objeto de uma REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS a ser registrado em processo próprio a ser encaminhado ao Ministério Público. 9 – CONCLUSÃO DA FISCALIZAÇÃO Ficou demonstrado que a empresa fiscalizada, OBJETIVA, é a real adquirente da importação analisada. Tal importação foi efetuada com o único intuito de repassar as mercadorias para seu real adquirente, simulando operações que de fato não ocorreram. Ficou demonstrado que a PROTECH não dispunha de estrutura econômico financeira para fazer jus aos dispêndios inerentes às importações próprias por ela efetuadas, os quais eram suportados, prioritariamente, pela MEDICAL SHOP. 10 – SUJEIÇÃO PASSIVA 10.1 A empresa denominada OBJETIVA PRODUTOS PROFISSIONAIS LTDA, inscrita no cadastro nacional de pessoa jurídica (CNPJ) sob o nº 03.609.953/0001 40, endereço registrado na base de dados da RFB a ST SHS QUADRA 06 CONJUNTO A BLOCO E SN SALA 1026 PARTE A – ASA SUL – BRASÍLIA/DF – CEP: 70322915. Respondem conjuntamente pelas infrações cometidas os sócios da empresa autuada, além da empresa importadora, em conformidade com inciso I do Art. 95 do DecretoLei nº 37/66, combinado com os Art. 124, 134 e 135 do Código Tributário Nacional (Lei Complementar nº 5.172/66): 10.2 A empresa denominada PROTECH IMPLANTES ESPECIALIZADOS LTDA, inscrita no cadastro nacional de pessoa jurídica (CNPJ) sob o nº 04.691.013/0001 05, endereço registrado na base de dados da RFB a ST SHS QUADRA 06 CONJUNTO A BLOCO E SN SALA 1026 PARTE B, ASA SUL, BRASÍLIA/DF CEP: 70322915. 10.3 A empresa denominada MEDICAL SHOP PRODUTOS HOSPITALARES LTDA, inscrita no cadastro nacional de pessoa jurídica (CNPJ) sob o nº 38.056.131/000163, endereço registrado na base de dados da RFB a ST SHI/SUL AE QI 03 CONJUNTO A BLOCO G S/N – LAGO SUL – BRASÍLIA/DF – CEP 71.605200. 10.4 LUIZ FERNANDO MENDONÇA LEAL, sócioadministrador, inscrito no cadastro de pessoa física (CPF) sob o nº 279.751.85191, endereço registrado na base de dados da RFB a SHIS QI 15, CONJUNTO 16, CASA 18, LAGO SUL, BRASÍLIA/DF CEP: 71635360. Fl. 2714DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10111.721086/201337 Acórdão n.º 3802004.027 S3TE02 Fl. 2.709 13 10.5 ANDRÉ LUIZ DE ARAÚJO ESPÍNDOLA, sócioadministrador à época dos fatos, inscrito no cadastro de pessoa física (CPF) sob o nº 270.778.451 68, endereço registrado na base de dados da RFB a SHIN QI 03, CONJUNTO 07, CASA 12, LAGO NORTE, BRASÍLIA/DF CEP: 71535 070. Impugnação da OBJETIVA Cientificada por via eletrônica em 11/06/2013 (documentos disponibilizados desde 27/06/2013 na Caixa Postal, Módulo eCAC no site da Receita Federal, conforme termo de fl. 2599) a empresa apresentou impugnação em 03/07/2013 (fls. 2619 2629), de onde colho as alegações mais relevantes para o esclarecimento da lide: I – DOS FATOS Ressaltese, de plano, que as mencionadas importações foram realizadas pela empresa PROTECH IMPLANTES ESPECIALIZADOS LTDA, CNPJ 04.691.013/000105, pela modalidade direta, que posteriormente à nacionalização, viabilizada pelo desembaraço aduaneiro, revendeu as mercadorias importadas para diversas empresas, dentre as quais a Impugnante; Consta nos autos que a empresa PROTECH foi autuada por supostas práticas de irregularidades em comércio exterior, Processo Administrativo Fiscal – PAF 10111.721291/201211, todavia, não se juntou cópia do mencionado processo para que fosse pleno o exercício de defesa da Impugnante. II – DO DIREITO a) Da tempestividade [...] b) Da ausência de interposição fraudulenta [...] a empresa Protech importou bens de forma direta e APENAS UMA PARCELA DESSES BENS foi vendida à Impugnante, terceiro alheio à importação, que adquiriu as mercadorias devidamente nacionalizadas. [...] O fato é que a Impugnante não importa mercadorias, adquire apenas produtos nacionais ou nacionalizados, já que não possui porte que justifique a manutenção de uma estrutura de importação. Assim, não há que se falar em ocultação. A empresa optou por adquirir de empresa legalmente constituída, mediante a emissão de nota fiscal e comprovação do recolhimento dos tributos de importação (quando mercadorias importadas). Os fornecedores, como a empresa Protech, não são empresas longe do alcance do fisco, elas estão devidamente constituídas e abertas ao público, sendo plenamente possível fiscalizálas a qualquer momento. A interposição fraudulenta é presumida no caso da “não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados" (§ 2º). As demais formas de ocultação, praticadas mediante fraude, embora apenadas Fl. 2715DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 com o perdimento das mercadorias, não são consideradas, para os efeitos da norma, interposição fraudulenta. [...] No tocante aos fatos apontados no processo, cumpre salientar que a PROTECH NUNCA PRATICOU ATOS DE SIMULAÇÃO OU FRAUDE. Ao contrário, vem atuando, ao longo de sua existência, como unidade importadora integrante de um conjunto de empresas, de mesmos sócios, os quais atuam primordialmente no ramo comercial de fornecimento de próteses e outros artigos médicocirúrgicos, há mais de quinze anos. Em verdade, os empresários adotaram um modelo de negócio caracterizado por genuína desverticalização de atividades, ou seja, ao invés de concentrarem suas atuações em uma única pessoa jurídica descentralizaram essas atividades da seguinte forma: uma das empresas realiza as importações de produtos etambém faz algumas vendas no mercado interno; outra distribui e vende bens importados, adquiridos de sua parceira, a hospitais e clínicas em geral; uma terceira se especializou em fornecimento de produtos médicos da rede pública de saúde (participando de licitações) e mais uma se dedica a atividades hospitalares. Enfim, complementamse em termos de um esforço coletivo numa gama de segmentos correlatos, todos voltados para a área de saúde. Que provas podem ser alegadas a favor da Impugnante? Estas provas, Srs. Membros da Turma Julgadora da DRJ/BSB, estão todas no processo administrativo constituído contra a Impugnante. Basta enxergar além das alegativas e da visão distorcida dos auditoresfiscais que, tanto o comportamento da empresa no trato com a fiscalização, como os documentos e informações prestadas ao longo do trabalho de auditoria atestam a BOA FÉ, a TRANSPARÊNCIA e a COLABORAÇÃO da empresa no intuito de atender a todos os pedidos e intimações da fiscalização. Outrossim, não se pode presumir prática de interposição fraudulenta, consubstanciado no argumento de ocultação de real adquirente de mercadorias, em face da ora Impugnante, pois, conforme dito, a Objetiva é apenas uma das empresas clientes da PROTECH, que adquire por recursos próprios e de forma direta, mercadorias importadas que revende ao mercado. Ou seja, não há transferência de recurso entre a Impugnante e a empresa Protech, ambas as empresas operam de formas distintas e com objetivos distintos. [...] A PROTECH não só revende para empresas coirmãs, mas também efetua vendas a outras empresas, a exemplo da UNIMED, da AMIL e da LAF; Cabe mencionar, ainda, que a fiscalização NÃO CONSEGUE DESCREVER QUAL DANO CAUSADO AO ERÁRIO PELA PROTECH OU PELA IMPUGNANTE, para daí sofrer tão grave penalidade. As mercadorias objeto dos dois primeiros procedimentos especiais já haviam passado pelo desembaraço aduaneiro. TODOS OS TRIBUTOS FORAM PAGOS. Onde está a fraude? Onde está a ocultação? Onde está a pura "cessão de nome", como se a empresa fosse um “laranja” de outrem? Fl. 2716DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10111.721086/201337 Acórdão n.º 3802004.027 S3TE02 Fl. 2.710 15 [...] não há que se falar em falta de recolhimento de tributos, negligência, omissão ou qualquer conduta da Impugnante no sentido de se ocultar do fisco. As notas fiscais emitidas pelo importador permitem saber para quem os bens foram vendidos, sendo, portanto, impossível manterse oculto; [...] II.2 – DO MÉRITO As instâncias administrativas de julgamento das lides tributárias. Delegacias de Julgamento e o antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, hoje CARF, são exigentes na caracterização do ilícito aduaneiro. Cabe à autoridade aduaneira o ônus da prova e, por mais que se pesquise neste processo, não há provas cabais, mas meras alegações e uma retórica vazia que não se sustenta diante da verdade material. Falta de impugnação dos demais sujeitos passivos Cientificada por Aviso de Recebimento (AR) em 15/07/2013 (fls. 26042606) a PROTECH não apresentou impugnação. Cientificada por Aviso de Recebimento (AR) em 15/07/2013 (fls. 2607 2609) a MEDICAL SHOP não apresentou impugnação. Cientificado por Aviso de Recebimento (AR) em 15/07/2013 (fls. 2610 2612) o Sócio Luiz Fernando Mendonça Leal não apresentou impugnação. Cientificado por Aviso de Recebimento (AR) em 16/07/2013 (fls. 2613 2615) o sócio André Luiz de Araújo Espíndola não apresentou impugnação. Voto Vencido PRELIMINARES 1. Da falta de impugnação por quatro sujeitos passivos solidários efeitos. As empresas PROTECH e MEDICAL SHOP, bem como seus sócios e administradores Luiz Fernando Mendonça Leal e André Luiz de Araújo Espíndola, apesar de regularmente intimados do lançamento, deixaram de ofertar impugnação no prazo legal e não recolheram o crédito tributário exigido. Conforme instruções contidas na Portaria RFB nº 2.284, de 2010, tratandose de responsabilidade solidária não cabe a declaração de revelia nem reconhecer contra eles a definitividade do crédito tributário, uma vez que outro responsável solidário, a empresa OBJETIVA apresentou impugnação tempestiva. Neste caso a suspensão da exigibilidade do crédito tributário aproveitará também aos demais sujeitos passivos, mantida, todavia, a preclusão do direito destes intervirem litigiosamente em qualquer fase do processo administrativo, devendo entretanto serem todos cientificados das decisões que guardem relação com a cobrança do crédito. Fl. 2717DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 16 2. Do reexame de admissibilidade – impugnação da OBJETIVA Tempestiva e apresentada por pessoa legitimada, a impugnação da OBJETIVA se amolda aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972PAF e nos artigos 58 e 63 da Lei nº 9.784 de 19991. 3 da análise da descrição dos fatos – motivação deficiente Na análise da matéria resta claro que a empresa PROTECH (importadora) está sendo acusada de ser pessoa interposta fraudulentamente por custear suas importações com recursos financeiros provenientes de empresas vinculadas que seriam as reais adquirentes das mercadorias e ocultas por não terem se apresentado à Aduana como tal. No caso em análise, segundo a fiscalização, a empresa OBJETIVA seria a real adquirente da mercadoria registrada na DI 10/21413234 (fls. 846863) e a empresa MEDICAL SHOP fornecedora dos recursos, transferindoos para a PROTECH mediante simulação de empréstimo. A impugnação alega que os empresários adotaram um modelo de negócio caracterizado por genuína desverticalização de atividades, ou seja, ao invés de concentrarem suas atuações em uma única pessoa jurídica descentralizaram essas atividades da seguinte forma: uma das empresas realiza as importações de produtos e também faz algumas vendas no mercado interno; outra distribui e vende bens importados, adquiridos de sua parceira, a hospitais e clínicas em geral, uma terceira se especializou em fornecimento de produtos médicos da rede pública de saúde (participando de licitações) e mais uma se dedica a atividades hospitalares. Ora, esse argumento não é convincente, pois se sabe que a desverticalização de atividades (várias empresas vinculadas entre si formando um grupo de fato) se prolifera também por motivo de planejamento tributário que às vezes deriva para o campo da ilicitude devido a facilidade de transferência de custos, preços e patrimônio entre elas, inclusive por simulações, de forma que ao final o grupo empresarial como um todo apresentará maiores lucros a serem distribuídos aos mesmos sócios. Daí a grande dificuldade com que se depara a fiscalização. A impugnante defende que inexiste interposição fraudulenta na importação, pois a OBJETIVA é apenas uma das empresas clientes da PROTECH, esta adquirente de mercadorias importadas com recursos próprios e de forma direta para revenda no mercado; sem transferência de recursos entre ambas as empresas que operam de formas e objetivos distintos (negritei). Em verdade os autos demonstram que a fiscalização não mais seguiu esse caminho de tentar provar a transferência de recursos entre ambas empresas (PROTECH e OBJETIVA), uma vez que a OBJETIVA se furtou a lhe fornecer a documentação necessária a essa comprovação, conforme se observa na resposta à fiscalização, datada de 08/04/2013 (fl. 160), onde a OBJETIVA informa que não entregará seus extratos bancários reservandose “o direito de preservar o sigilo fiscal que é assegurado na CF, art. 5º, inc. 12” (sic) e que não conseguiu refazer a escrituração contábil do ano calendário de 2010 dentro do prazo dado pela fiscalização. Tampouco a OBJETIVA apresenta agora na impugnação os citados documentos, levando este julgador a acreditar que o efetivo direito exercido Fl. 2718DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10111.721086/201337 Acórdão n.º 3802004.027 S3TE02 Fl. 2.711 17 pela impugnante é o de não apresentar provas contra si, esperando que este colegiado não acate como prova o quadro indiciatório apresentado ela fiscalização. Na impossibilidade de colher prova direta da transferência de recurso da OBJETIVA para a PROTEC, a fiscalização buscou os indícios abaixo e com base neles afastou, por simulação, o contrato de mútuo feneratício entre a PROTECH e a MEDICAL SHOP, seguindo assim caminho legal prevista no DL 1.455/76, art. 23, § 2º que presume “interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados". Do quadro de indícios apontados pela fiscalização que possibilitariam a desconsideração do contrato de mútuo feneratício: 1. Através da NF nº 151 a totalidade da mercadoria registrada na DI 10/21413234 foi “vendida” para a OBJETIVA (fl. 1605) ao preço de R$ 84.320,78, mas esta não realizou o pagamento nem há notícia de que a PROTECH tenha adotado qualquer providência para cobrar o débito, apontando assim para uma simples transferência de mercadoria conforme descrição dos fatos (negritei): “A venda para a empresa OBJETIVA foi registrada na contabilidade [da PROTECH] no mesmo dia de emissão da Nota Fiscal nº 151, a débito da conta de ativo código nº 027 CLIENTES A RECEBER, e a crédito da conta de resultado código nº 396 VENDA DE MERCADORIAS À VISTA. Entretanto, ao longo de todo o período de contabilidade analisada, não foi encontrado nenhum lançamento que registrasse o efetivo recebimento financeiro do valor da suposta venda, ou seja, não há lançamento a crédito da conta CLIENTES A RECEBER com histórico que remeta à Nota Fiscal de Venda nº 151, nem a débito das contas de bancos ou caixa com o mesmo histórico, o que faz supor que a venda na verdade tratouse de uma simples transferência das mercadorias importadas ao verdadeiro interessado nos produtos”. 2. Venda realizada pela PROTECH após somente um dia do desembaraço e com baixa agregação em relação ao registro de entrada (15%). 3. A PROTECH não teria recursos para liquidação do contrato de câmbio relativo à mercadoria destinada a OBJETIVA, caso inexistisse a transferência de recursos pela MEDICAL SHOP (fls. 785), relatada nos seguintes termos: “Passouse então a buscar a origem do recurso utilizado para quitação daquele contrato. No dia 30 de março de 2011, um dia antes do pagamento em questão, o saldo dessa conta era de R$ 3.018,46 (três mil e dezoito reais e quarenta e seis centavos).Portanto, era insuficiente para a quitação do contrato. Entretanto, observouse no extrato bancário [da PROTECH] que, no dia 31 de março de 2011, foi feita uma transferência bancária em favor da conta corrente da PROTECH, no valor de R$95.000,00 (noventa e cinco mil reais), para a qual o histórico do extrato apresenta aseguinte descrição: “transferência on line 31/03 3382 Medical S”. Fl. 2719DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 18 4. Existência de contratos de mútuo habituais (todos os meses) entre a MEDICAL SHOP e a PROTECH e outras empresas vinculadas, celebrados com características especiais e em datas posteriores as realizações das efetivas transferência de recursos; situação relatada pela fiscalização nos seguintes termos, com a finalidade de demonstrar o modus operandi do grupo (negritei): Após análise dos documentos, constatouse que todos os contratos de mútuo tinham as mesmas características: (1) foram celebrados com empresas vinculadas, pertencentes aos mesmos sócios da PROTECH, no caso da MEDICAL SHOP e da OBJETIVA, ou pertencentes às suas respectivas esposas, no caso do HOSPITAL SÃO LUCAS; (2) quanto aos contratos com a MEDICAL SHOP e a OBJETIVA, foram assinados pelos senhores LUIZ FERNANDO MENDONÇA LEAL e ANDRÉ LUIZ DE ARAÚJO ESPÍNDOLA, tanto como representantes da PROTECH – mutuária, quanto como representantes das empresas mutuantes, sem a assinatura de testemunhas; nos contratos com o HOSPITAL SÃO LUCAS, foram assinados pelo sócios da PROTECH e pelas Sras.VALÉRIA HORTA GENEROSO (CPF 689.616.85104) e PATRÍCIA RAUPP MACHADO LEAL; (3) foram celebrados sem o oferecimento de quaisquer garantias pela mutuária, com prazo de pagamento de cinco anos; (4) pelos contratos, as mutuantes (MEDICAL SHOP, OBJETIVA e HOSPITAL SÃO LUCAS) se obrigavam a disponibilizar os valores contratados mediante depósitos bancários em conta corrente da mutuária (PROTECH), ou mesmo pagar diretamente compromissos financeiros desta. [...] “Esse conjunto de fatos nos permite concluir que tais contratos de mútuo com as empresas vinculadas, por terem sido feitos após o início das efetivas transferências dos recursos, tenham sido celebrados com o intuito de justificar as transferências financeiras feitas com habitualidade entre as empresas vinculadas e a PROTECH, as quais, por representarem a principal origem dos recursos disponíveis da empresa, serviram para custear o funcionamento desta, incluindose as operações de comércio exterior, conforme demonstrado anteriormente. Essa relação é observável principalmente com a MEDICAL SHOP, com a qual a PROTECH celebrou contratos de mútuo em todos os meses de 2011, sendo claramente essa a principal fonte de receita da empresa. Ou seja, a empresa agiu com simulação ao fazer os contratos com o intuito de formalizar as transferências financeiras já anteriormente realizadas”. 5. Nos dados complementares da DI nº 10/21413234 objeto autuação da presente autuação consta o email do importador (responsável) como sendo de uma funcionária Medical Shop, conforme seguinte relato da fiscalização: “A análise da declaração e de seus documentos demonstrou que o importador declarou, no campo “Dados Complementares”, o seguinte: “Informamos o email do importador (responsável): cristina@medicalshopdf.com.br”. Ou seja, foi indicada como responsável do importador pela operação uma suposta funcionária com endereço eletrônico pertencente a outra empresa dos mesmos sócios, a MEDICAL SHOP. Não há nos registros de empregados da PROTECH uma funcionária de nome Cristina, conforme documentação entregue a esta fiscalização e conforme as declarações prestadas à Previdência Social – GFIP”. Fl. 2720DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10111.721086/201337 Acórdão n.º 3802004.027 S3TE02 Fl. 2.712 19 Em que pese o esforço fiscal no sentido de desconsiderar o contrato de mútuo feneratício por simulação, visando afastar a única prova que a PROTECH apresentou para justificar a disponibilidade de recursos próprios para a importação registrada neta DI, verificase que os cinco indícios acima não se mostraram convergentes mas sim inconsistentes e até conflitante com a tese fiscal de que a OBJETIVA seria a real adquirente. Senão vejamos: Como se sabe havendo identificação da origem dos recursos aplicados na importação, o seu fornecedor deve ser considerado, por presunção legal, o real adquirente, conforme dispositivo abaixo: Lei nº 10.637/02 Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do dispostonos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Ora, esta condição legal apontaria para a MEDICAL SHOP como real adquirente em virtude da desconsideração do Contrato de Mútuo pela fiscalização (indícios 3 e 4), sendo reforçada pela mensagem constante no campo complementar da DI indicando o email do responsável pela importação (indício 5). Nessa hipótese a OBJETIVA seria uma outra interposta pessoa que também cederia seu nome à MEDICAL SHOP para realizar as operações no mercado nacional, simulando uma operação de compra e venda, para fechar toda cadeia logística onde apenas o exportador e o adquirente final ostensivos representam terceiros de boa fé, pois os dois outros atores ostensivos, PROTECH e OBJETIVA estariam apenas simulando operações para ocultar a MEDICAL SHOP, real adquirente e possuidor dos recursos financeiros. Isso fortaleceria o indício 1 (falta de pagamento da OBJETIVA para a PROTECH) bem como o indício 2 (baixa agregação de valor, em função do interesse momentâneo do grupo em agregar mais ou menos receitas/custos numa ou noutra empresa). A formação deste quadro de indícios convergentes para definir a MEDICAL SHOP como real adquirente me parece forte mas não o suficiente para transformálo em prova porque o modus operandi em relação ao contrato de mútuo (indício 4) não se aplica ao caso presente, uma vez que a transferência dos recursos (indício 3) foi feita no mesmo dia do contrato, enfraquecendo, assim, a tese de simulação do contrato (vide art. 167, inc. III do Código Civil) que possibilitaria aplicar a interposição fraudulenta presuntiva (§ 2º), e dispensaria a identificação da pessoa oculta. Ao identificar a OBJETIVA como real adquirente a fiscalização o fez de forma contrária à lei por não ter indícios suficientes (prova) contra ela. Para se sustentar a tese fiscal de que a OBJETIVA é a real adquirente seria necessária a demonstração de que ela realizou o pedido da mercadoria antes Fl. 2721DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 20 da importação ou de que os recursos foram repassados por ela para a PROTECH de forma indireta através da MEDICAL SHOP, pois, repetindo, por presunção legal o real adquirente é quem fornece os recursos para a importação e este comando só pode ser afastado mediante prova contrária. É certo que esta demonstração fiscal restou prejudicada também em função da recusa da OBJETIVA em cooperar com a fiscalização, mas isso não justifica a falta de aprofundamento das investigações, inclusive com ordem judicial, se sua pretensão era mesmo caracterizar a OBJETIVA como real adquirente e colocar a MEDICAL SHOP como mero repassador dos recursos. Ao final, resta a este julgador a convicção de que faltam documentos (indícios) para identificar a participação de cada empresa na infração. Esta carência documental de certa forma já fora apontada pela impugnante ao alegar cerceamento do direito de defesa quando reclamou que a fiscalização não teria trazido para este processo todos os documentos do PAF nº 10111.721.291/201211. Mediante tais documentos talvez se esclarecesse os fatos verdadeiros, afastando ou não a hipótese de simulação no contrato de mútuo apresentado. Efetivamente a impugnante defendeuse da acusação de transferência de recursos feita pela OBJETIVA, através do braço financiador da MEDICAL SHOP, porque essa foi acusação fiscal. CONCLUSÃO Ante o exposto e tudo mais que consta nos autos, voto pela DECLARAÇÃO DE NULIDADE do lançamento por deficiência na sua motivação a ponto de cercear o direito de defesa e deixar dúvida razoável quanto a existência da infração (verdade material). O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FOR no 0830.344, de 30/06/2014, proferida pelos membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/12/2010 ARGUIÇÃO DE OFENSA À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO. Estando o crédito tributário constituído no estrito rigor da lei, devidamente fundamentado, lastreado nos princípios que movem a Administração Pública (artigo 37, caput, da Constituição Federal de 1988 e artigo 2º, caput, e parágrafo único, da Lei 9.784/1999), e regularmente notificado ao sujeito passivo, não há falar em ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO E/OU IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. REVELIA. EFEITOS. A ausência de impugnação e/ou sua apresentação intempestiva por parte de sujeito passivo solidário acarreta, contra os revéis, a preclusão temporal do direito de praticar os atos impugnatórios, prosseguindo, o litígio administrativo, em relação aos demais. Todavia, havendo pluralidade de Fl. 2722DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10111.721086/201337 Acórdão n.º 3802004.027 S3TE02 Fl. 2.713 21 sujeitos passivos, a impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/12/2010 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. A pena de perdimento, na hipótese de ocultação de sujeito passivo, inclusive, por meio da interposição fraudulenta de terceiros, deve ser substituída pela multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta houver sido consumida, revendida, ou não localizada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/12/2010 DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÕES. DA SUJEIÇÃO PASSIVA. Respondem de forma conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, não cabendo benefício de ordem. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O julgamento foi no sentido de julgar improcedente o lançamento. As empresas PROTECH e MEDICAL SHOP, bem como seus sócios e administradores Luiz Fernando Mendonça Leal e André Luiz de Araújo Espíndola, apesar de regularmente intimados do lançamento, deixaram de ofertar impugnação no prazo legal e não recolheram o crédito tributário exigido. Da mesma forma, também não apresentaram recurso voluntário. A empresa OBJETIVA apresentou Peça Impugnativa de forma tempestiva, bem como o recurso voluntário. A citada empresa reproduz os mesmos argumentos da impugnação. Argumenta que a recorrente estaria sendo ocultada pela empresa Protech Implantes Esp. LTDA, que teria omitido a condição de adquirente. E acrescenta que não há prova cabal da interposição fraudulenta. Ressalto que todos os solidários, foram intimados do acórdão da impugnação, atendendo, inclusive o que dispõe a Súmula Carf de n° 71 (Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acera da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade). Registrese que a multa por cessão de nome, nos termos do art. 33 da Lei de n° 11.488/07, foi aplicada no processo administrativo de n° 10111.721.291/201211. Fl. 2723DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 22 Ressalteque um julgador suscitou alegação de nulidade, por vício material, por cerceamento de defesa (preliminar). Bem como dois julgadores, suscitaram nulidade, por vício material, no tocante à deficiênca de motivação (preliminar). Observese, ainda, que consta voto vencido, onde o julgador votou, no âmbito do mérito, pela procedência em parte, no sentido de afastar do pólo passivo a empresa Objetiva, por faltar provas suficientes para afiançar sua condição de real adquirente/ou de que tenha a mesma concorrido com o ilícito. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Preliminar Os pressupostos legais para a validade do auto de infração são determinados pelo Decreto nº 70.235/1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal, o qual afirma, in verbis : “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” O mesmo Decreto nº 70.235/1972, em seu art. 59, dispõe sobre a nulidade no processo administrativo, nos seguintes termos: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Fl. 2724DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10111.721086/201337 Acórdão n.º 3802004.027 S3TE02 Fl. 2.714 23 O art. 142 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966) fornece a definição legal de lançamento, estabelecendo como requisitos indispensáveis à sua constituição a verificação da ocorrência do fato gerador, a identificação do sujeito passivo, a determinação da matéria tributável e o cálculo do montante do crédito a favor da Fazenda Pública, nos seguintes termos: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” O caput do citado artigo trata da observância dos ditames legais quando da efetivação do lançamento, já o reproduzido parágrafo único dispõe sobre a vinculação e a obrigatoriedade do lançamento, impedindo que o agente que constatar a ocorrência de infração à legislação fiscal, para não faltar com o dever de ofício, que lhe foi atribuído por lei, deixe de lavrar o competente auto de infração para a formalização e cobrança do crédito tributário devido pelo sujeito passivo. Assim, da combinação dos dispositivos transcritos depreendese como causa suficiente para invalidar o auto de infração e, por via de consequência, o lançamento nele consignado, a inobservância dos pressupostos legais para a sua lavratura. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (art. 60 do Decreto nº 70.235/1972). A competência para o lançamento tributário que detém o Auditor Fiscal da Receita Federal tem origem, como não poderia deixar de ser, na lei. Vejamos o que estabelece o art. 6º da Lei nº 10.593, de 06/12/2002, verbis: “Art 6º. São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal, no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, relativamente aos tributos e às contribuições por ela administrados: I em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário; b) (...)” (destaquei) O texto legal acima define a competência do servidor ocupante do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal para o lançamento tributário, sendo a competência para o ato administrativo a condição necessária para a sua validade. Fl. 2725DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 24 Na espécie, observase que o auto de infração foi lavrado por AFRF no pleno exercício de suas funções (art. 142, parágrafo único, do CTN), além de conter todos os requisitos indispensáveis à sua validade, não havendo, assim, que se cogitar a sua nulidade. Assim sendo, percebese que o Auto de Infração contém vasta investigação, bem como provas colhidas junto às empresas. O mesmo foi devidamente lavrado por autoridade competente, sendo assegurado a todos os autuados o prazo legal para defesa, tendo a OBJETIVA apresentado em tempo hábil sua impugnação, bem como o recurso voluntário; instaurandose a partir daí a fase litigiosa do procedimento. Os documentos que compõem o lançamento contêm uma descrição pormenorizada dos fatos que ensejaram a instauração do procedimento, assim como a indicação do direito em que se baseiam, de modo a permitir a plenitude da defesa. Destarte, observase que o recorrente tem plena compreensão de tudo aquilo do que está sendo acusado, não maculando à ampla defesa e contraditório. Portanto, rejeito a preliminar de falta motivação do lançamento e cerceamento de defesa. Mérito Tratase de Auto de Infração lavrado por meio do qual se exige crédito tributário no valor total de R$ 73.282,44 correspondente à multa equivalente a 100% do valor aduaneiro da mercadoria, conforme § 3° do art. 23 do Decretolei no 1.455/76, aplicada em virtude da infração prevista no inc. V do mesmo artigo (ocultação do real adquirente da mercadoria). O presente processo tem como base para autuação, conforme Termo de Verificação Fiscal: (....) 6.1– MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS No caso da não localização, consumo ou revenda das mercadorias em questão será aplicada a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, conforme dita o §3º do mesmo artigo, transcrito a seguir: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)(grifo nosso) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, Fl. 2726DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10111.721086/201337 Acórdão n.º 3802004.027 S3TE02 Fl. 2.715 25 observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 . (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010) De pronto, transcrevese trecho da decisão de primeira instância: Nesse desiderato, como se depreende do caso em questão, a fiscalização apontou diversos ilícitos havidos nas operações de importação de mercadorias estrangeiras (inclusive, o seu modus operandi), na qual, a empresa importadora PROTECH, com o fito de ocultação da real adquirente (no caso, a empresa OBJETIVA), interpôsse ostensivamente perante o Fisco, figurandose indevidamente como empresa importadora e adquirente nessa operação (DI nº 10/21413234, às fls. 847 851). A fiscalização utilizouse dos procedimentos especiais de controle aduaneiro previstos pela IN SRF nº 228/2002, a qual dispõe sobre procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas Pois bem, a exigência promovida por meio do auto de infração do presente processo decorre de infração considerada como dano ao Erário, capitulada no artigo 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. A pena prevista para a infração antes descrita é o perdimento das mercadorias importadas, conforme parágrafo 1º do mesmo artigo. Em razão de as mercadorias importadas não terem sido localizadas, por terem sido consumidas ou revendidas, a fiscalização lavrou auto de infração para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas, conforme determinado no parágrafo 3º do mesmo artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976. No caso, restou caracterizado o dano ao Erário causado pela comprovada ocultação do real adquirente, OBJETIVA, através da interposição perante o Fisco da empresa PROTECH, figurandose esta de forma indevida e ostensiva como empresa importadora e adquirente. A empresa OBJETIVA limitouse a apresentar meras argumentações, tais como: de não ter causado prejuízo ao Fisco, nem ter a fiscalização demonstrado a existência de dolo, nem ter provas do ilícito, de que os tributos foram pagos, de sua boa fé, de sua colaboração, da transparência dos atos, que a fiscalização se baseou em simples conjecturas, e, demais outras já relatadas. Sequer, ao menos, cuidou de comprovar a suposta aquisição das mercadorias no mercado interno (não logrou comprovar o suposto pagamento das mesmas à PROTECH). No âmbito do Código do Processo Civil – CPC, precisamente o artigo 333, que trata do ônus da prova: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: Fl. 2727DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 26 I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...]” Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída tanto ao autor do procedimento, a autoridade fiscal (artigo 9.º do Decreto n.º 70.235/72), quanto ao contribuinte que contesta o lançamento (art.16, III do Decreto n.º 70.235/72). Concluise, pois, que cabe a empresa trazer aos autos todos os dados que entende comprovadores dos fatos que alega e que entende como suficientes para reformar o lançamento. De forma contrária, o mesmo alega, mas não prova. Há diversos relatos e provas, como informações na DI, do litígio, no sentido de que a PROTECH estaria importando mercadorias estrangeiras por sua própria conta, figurandose respectivamente como importadora e adquirente das mercadorias, dando a entender que só então, e a partir daí, é que a OBJETIVA agiria no mercado interno em uma aparente operação comercial de venda e compra, sendo que, em verdade, a OBJETIVA, atuava como parte integrante de um grupo de fato (formado pelas empresas: PROTECH, OBJETIVA, MEDICAL SHOP e até mesmo o HOSPITAL S. LUCAS), capitaneadas pelos sócios LUIZ FERNANDO MENDONÇA LEAL e ANDRÉ LUIZ DE ARAÚJO ESPÍNDOLA, que na prática era esse grupo de fato quem financiava as importações da PROTECH, sempre alternando esse papel entre suas integrantes, muito embora, o braço financiador utilizado para esta operação em apreço haja sido a MEDICAL SHOP. Registrese que a fiscalização tenha apenas apontado o HOSPITAL S. LUCAS como um outro possível integrante desse grupo de fato, relatando ser o mesmo pertencente às respectivas esposas dos sócios LUIZ FERNANDO MENDONÇA LEAL e ANDRÉ LUIZ DE ARAÚJO ESPÍNDOLA, entendeu por bem em não arrolálo no presente polo passivo. A decisão DRJ bem menciona: Segundo admite a própria defesa, o modelo de negócio chamado de “desverticalização de atividades” foi adotado para descentralizar suas atividades da seguinte maneira: uma das empresas realiza as importações de produtos e também faz algumas vendas no mercado interno; outra distribui e vende bens importados adquiridos de sua parceira a hospitais e clínicas em geral; uma terceira se especializou em fornecimento de produtos médicos da rede pública de saúde (participando de licitações) e mais uma se dedica a atividades hospitalares. Enfim, complementamse em termos de esforço coletivo numa gama de segmentos correlatos, todos voltados para a área de saúde. Como visto, apesar de essas empresas possuírem CNPJs distintos (personalidade jurídica própria), agem na prática de maneira planejada e coordenada, como se fosse uma só empresa, nas quais 03 (três) possuem os mesmos sócios administradores e 01 (uma) as suas respectivas esposas, o que configura suas atuações como a de um verdadeiro grupo de fato. Fl. 2728DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10111.721086/201337 Acórdão n.º 3802004.027 S3TE02 Fl. 2.716 27 Assim, as importações realizadas pela PROTECH são impulsionadas em sua grande maioria pelas demais outras integrantes desse grupo de fato. Tanto isso é verdade que na DI nº 10/21413234 (ver folha 848 dos autos) relativa à operação em apreço consta no campo: Dados Complementares o email de funcionária da MEDICAL SHOP (cristina@medicalshopdf.com.br) como sendo o contato do importador (responsável), o que revela de forma hialina que a MEDICAL SHOP participara de forma ativa dessa operação de importação cuja destinação era a OBJETIVA, conforme nota fiscal (NF). Ainda segundo se extrai, a MEDICAL SHOP tinha como função primordial o repasse de recursos financeiros à PROTECH, o que daria uma suposta aparência de legalidade à operação, uma vez que a importadora declarada passaria a ter recursos suficientes para suprir suas operações internacionais, utilizandose, no entanto, de empréstimos considerados simulados. Para desconsiderar tais contratos de empréstimos, a fiscalização se valeu primeiramente do modus operandi da PROTECH, que, segundo bem demonstrou (ver item 4.2 do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 2126), em regra, importava exclusivamente com recursos de terceiros, ou seja, provenientes das demais empresas integrantes desse grupo de fato, formalizados através de aparentes contratos de mútuo (ver fls. 2.5352.538), pasmem, na maioria das vezes com data de assinatura a posteriori, sem testemunhas, com longo prazo de devolução (cinco anos), e por fim desprovidos de garantias, o que refoge totalmente à prática usual de empréstimos entre empresas comerciais (às fls. 2.527 2.578). As mercadorias importadas em questão foram destinadas à OBJETIVA, e em nenhum momento buscou comprovar (seja pela escrituração contábil, seja por extratos bancários etc) o suposto pagamento feito pelas ditas mercadorias, o que afasta por completo a tão alegada operação de compra no mercado interno, e, só indica que, em verdade, o pagamento de tais mercadorias adquiridas pela OBJETIVA junto à PROTECH se deu por meio da MEDICAL SHOP, pois, só assim se explicaria, por exemplo, a inexistência de garantias nos contratos de empréstimos mantidos com a importadora PROTECH. Então, empresa OBJETIVA é o real adquirente, já que age como parte integrante do referido grupo de fato, mesmo sem cumprir os requisitos necessários da importação por conta e ordem, e, enfim, desviandose do controle aduaneiro, pois era a ela a quem se destinavam as mercadorias importadas pela PROTECH, mediante fornecimento de recursos por meio da MEDICAL SHOP, que também integrava o referido grupo de fato, servindo como um braço financeiro nessa operação. Como afirmado pela fiscalização, o modelo adotado, na prática, utilizase de uma importadora (PROTECH), que mesmo não possuindo respaldo econômicofinanceiro para suportar suas importações por conta própria, assim as declara, e, portanto, oculta o real adquirente (no caso, a OBJETIVA), à qual ainda utilizase de uma terceira empresa (no caso, a MEDICAL SHOP), também integrante do referido grupo de fato, que se presta como braço financeiro da operação. Fl. 2729DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 28 Por todo o exposto, a empresa Objetiva é real adquirente. Nada justifica alterar o decidido na decisão DRJ no voto vencedor. Da sujeição passiva solidária Por fim, é preciso fazer considerações acerca da sujeição passiva solidária. . A fiscalização incluiu no pólo passivo, além da Objetiva; como relatado, foram arrolados no polo passivo como solidários (arts. 124, 134, e, 135 do CTN; art. 95, I, do Decretolei nº 37/1966) as pessoas jurídicas PROTECH, MEDICAL SHOP, e, as pessoas físicas (sócios administradores) LUIZ FERNANDO MENDONÇA LEAL e ANDRÉ LUIZ DE ARAÚJO ESPÍNDOLA. Segundo o artigo 124 do CTN, são responsáveis solidários todas as pessoas que tenham interesse comum O interesse comum no fato gerador de obrigação tributária consubstanciada em tributo, gera por conseqüência a solidariedade. Então, existindo os coautores da infração sujeita a pena pecuniária, estes são todos responsáveis solidários por possuírem interesse comum no ilícito que motivou à aplicação da penalidade pecuniária (obrigação principal), nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN. O art. 124 é aplicado em sentido lato, tendo em vista lastro com o art. 113 do CTN (a obrigação principal envolve tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária). Verificase, trecho, no Termo de Verificação Fiscal: (......) Apesar de não estar habilitada para operar no comércio exterior, será demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal que a OBJETIVA operava de forma oculta em operações de importação de produtos por ela comercializados, utilizando para tal feito a cessão do nome e da estrutura documental da empresa PROTECH e financiamento da empresa MEDICAL SHOP PRODUTOS HOSPITALARES LTDA (CNPJ nº 38.056.131/000163), doravante chamada MEDICAL SHOP, todas com sócios em comum, através de meios fraudulentos que resultam em grandes danos à administração aduaneira. Tanto a OBJETIVA, como a PROTECH e a MEDICAL SHOP tinham como sócios, em dezembro de 2010 (dois mil e dez), o Sr. LUIZ FERNANDO MENDONÇA LEAL (CPF nº 279.751.85191) e o Sr. ANDRÉ LUIZ DE ARAÚJO ESPÍNDOLA (CPF nº 270.778.45168). Este último foi substituído em todas as sociedades pela Sra. PATRÍCIA RAUPP MACHADO LEAL (CPF nº 410.928.72191) em outubro de 2012 (dois mil e doze). Temos assim a existência de três empresas, pertencentes aos mesmos sócios, as quais formam um grupo econômico no qual uma atua como importadora de produtos médicohospitalares (no caso a PROTECH), a outra atua como revendedora e distribuidora dos mesmos produtos no mercado interno (no caso a OBJETIVA) e a outra também como distribuidora dos produtos no mercado interno bem como sendo o braço financiador das operações (no caso a MEDICAL SHOP). Assim, conforme ficará demonstrado neste Termo Fl. 2730DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10111.721086/201337 Acórdão n.º 3802004.027 S3TE02 Fl. 2.717 29 de Verificação Fiscal, era a MEDICAL SHOP a real financiadora das importações realizadas pela PROTECH como sendo por sua própria conta e posteriormente remetidas ao real adquirente oculto, a OBJETIVA. Além do mais, a fiscalização apontou a OBJETIVA como real adquirente em vez da MEDICAL SHOP e de o modelo de importação utilizado pelos autuados haver optado em compartilhar o seu proceder (da OBJETIVA) com o de outra empresa (da MEDICAL SHOP), frisese, também pertencente aos mesmos sócios, que, por sua vez, também são sócios administradores da importadora ostensiva PROTECH, cabendo a uma a aquisição das mercadorias, à outra o papel de figurar como financiadora da operação de importação, ou seja, o seu braço financeiro, a meu sentir, em nada macula o presente crédito constituído, até porque todas elas (juntamente com os sócios) são solidárias pelo crédito. Desse modo, restou bem configurada a solidariedade dos sujeitos passivos PROTECH e MEDICAL SHOP, bem como dos sócios LUIZ FERNANDO MENDONÇA LEAL e ANDRÉ LUIZ DE ARAÚJO ESPÍNDOLA. Diante do exposto, voto por afastar a preliminar e negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Bem como, manter no pólo passivo os devedores solidários. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 2731DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10580.722178/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.150
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do feito, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Nome do relator: Rafael Pandolfo
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1249; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 299 1 298 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.722178/200841 Recurso nº Resolução nº 220200.150 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 19 de janeiro de 2012 Assunto URV; não incidência. Recorrente GILBERTO DE FREITAS CARIBÉ Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do feito, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes Fl. 301DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.722178/200841 Resolução n.º 220200.150 S2C2T2 Fl. 300 2 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização O contribuinte foi intimado (Termo de Intimação Fiscal) em 18/11/08 a apresentar os seguintes documentos: a) Comprovação dos valores declarados como “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis” declarados em suas DAA’s dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. b) Cópia dos comprovantes de pagamentos fornecidos pela fonte pagadora para os períodos especificados; c) Justificação/explicação dos motivos que o levaram a declarar tais rendimentos como isentos; O intimado apresentou os documentos requisitados, e justificou o enquadramento dos rendimentos como isentos devido ao fato de terem assim sido declarados pela fonte pagadora – Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, vez que assim estipulava o art. 5º da Lei 8.730 de 08 de setembro de 2003, onde foi determinado o pagamento das diferenças. Requisitou ainda 20 dias para a juntada dos comprovantes de rendimentos, que foram posteriormente juntados. 2 Auto de Infração Foi lavrado auto de infração em 03/12/08 em face do contribuinte, no montante de R$ 254.487,55. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos teriam sido recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei nº 8.730 do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Entendeu a autoridade fiscal que as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994. Conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, mesmo estando sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias. Foi atendido, também, ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, o qual aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda Fl. 302DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.722178/200841 Resolução n.º 220200.150 S2C2T2 Fl. 301 3 incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. Deste modo foram calculados os rendimentos como se recebidos à época original. 3 Impugnação Discordando com o auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação com os seguintes fundamentos: a) O lançamento fiscal é nulo, pois foi feito com base na Lei Complementar nº 20/2003 do Estado da Bahia, quando na verdade o contribuinte recebeu valores referentes à Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Baia, sendo inclusive as fontes pagadoras diversas. b) As diferenças de URV recebidas são de R$ 107.000,00 para cada ano, não R$ 123.068,57, R$ 139.994,08 e R$ 209.586,49 como apontado no lançamento; c) As diferenças de URV não estão sujeitas a incidência do IR; d) Os magistrados federais tiveram reconhecida a natureza indenizatória de verba semelhante através da Resolução nº 245 de 2002 do STF; e) O Estado da Bahia abriu mão do IRRF, que seria inclusive devido a ele, uma vez que não recolheu os rendimentos na fonte. Como cabe à fonte recolher o IRRF, o contribuinte não pode ser considerado responsabilizado pela infração; f) Os rendimentos deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, não tributados isoladamente; g) Determinadas parcelas recebidas a título de URV são referentes a férias indenizadas e 13º salários, não devendo ser tributadas, pois estão sujeitas a isenção e tributação exclusiva; h) Os juros e a correção monetária incidentes sobre elas não devem ser tributados, tendo em vista sua natureza indenizatória; i) Mesmo que tais verbas fossem consideradas tributáveis, descaberia a multa visto que o contribuinte agiu de boafé seguindo instruções da fonte pagadora, que por sua vez seguia orientação de Lei que estipulava como de caráter indenizatório as verbas. 4 Revisão do Lançamento Em virtude da edição do Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, foi instaurada diligência para que fossem corrigidos os cálculos, modificando a apuração de global para mensal. O contribuinte recebeu os novos cálculos e reiterou a impugnação, reforçando que a tabela do IR vigente à época previa alíquota de 25%, não as de 26,6% e 27,5% aplicadas pela fiscalização. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.722178/200841 Resolução n.º 220200.150 S2C2T2 Fl. 302 4 5 Acórdão de Impugnação Analisada a impugnação apresentada, a 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA julgoua (fls. 183189) parcialmente procedente, sob a seguinte ementa: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As Diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, bem como as recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício ao percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Os argumentos esgrimidos foram os seguintes: a) Não há nulidade, pois não ocorreu restrição do direito de defesa do impugnante, que conseguiu apresentar resposta em tempo hábil e se defender de todos os pontos da autuação. Além do mais, os demonstrativos apuram que ele recebeu as verbas referentes a 1994 do Ministério Público, e de 1995 a 2001 do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia; b) As parcelas recebidas a título de diferenças de URV são salariais pois são correção de parcela salarial não recebida à época; O recebimento extemporâneo de tais diferenças não altera sua natureza; c) A tributação se estende aos juros e correção monetária, pois o acessório acompanha o principal; d) Não podem ser estendida isenção por meio de analogia, não podendo ser estendidos os efeitos da Resolução nº 245 do STF à magistratura estadual, vez que isenções devem ser interpretadas literalmente, conforme expõe o art. 111, II do CTN; e) A responsabilidade do pagamento do tributo é passada ao contribuinte caso a fonte pagadora não recolha o tributo; f) Não cabe afastamento da multa pois a penalidade de 75% independe da intenção do contribuinte; g) A tributação separada não demonstra prejuízo, pois o contribuinte já estava sujeito à alíquota máxima e já havia deduzidos todas as parcelas possíveis nos anoscalendário em questão. h) É correta a indignação do impugnante em relação às parcelas de abono de férias e 13º salários inclusas na URV, e estas serão retiradas do cálculo, reduzindo o imposto a pagar de R$ 123.984,78 para R$ 80.971,53. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.722178/200841 Resolução n.º 220200.150 S2C2T2 Fl. 303 5 6 Recurso Voluntário Inconformado com esta decisão, a parte recorrente interpôs recurso voluntário, repisando os motivos expostos na impugnação, com destaque para o seguinte: a) O valor recebido a cada ano foi de R$ 107.288,76, conforme as certidões juntadas anteriormente e novamente juntadas com o recurso; b) A verba possui natureza indenizatória; c) Quebra do princípio da isonomia por não ter sido estendida aos magistrados estaduais a Resolução nº 245 do STF; d) Foram utilizadas alíquotas incorretas, devendo ser utilizada a alíquota de 25% vigente à época. e) O responsável pela obrigação tributária é a fonte pagadora; f) A multa de ofício não pode ser aplicada, pois o contribuinte agiu de boafé; g) Não cabe incidência de IR sobre os juros e correção monetária; É o relatório. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.722178/200841 Resolução n.º 220200.150 S2C2T2 Fl. 304 6 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O presente recurso trata sobre a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente – RRA. Ocorre que a maneira como estes rendimentos deve ser tributadas está sendo julgada no STF em sede de Recurso Extraordinário que tramita em regime de repercussão geral. É o Recurso Extraordinário nº 611.406, que se encontra em julgamento no presente momento. Conforme está disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos no CARF que versarem acerca de matéria sobre a qual pende decisão de acordo com regime do art. 543B do CPC. A título da Portaria nº 1 de 6 de janeiro de 2012 do CARF, é necessário demonstrar que o sobrestamento do julgamento dos processos está sendo determinado pelo STF, o que pode ser observado pela seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (RE 614406 AgRQORG, Relator(a): Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, publicado em DJe035 DIVULG 03/03/2011 PUBLIC 04/03/2011) Sendo assim, estando presentes os pressupostos para o sobrestamento do julgamento deste recurso, opino no sentido de sobrestar o julgamento do presente até que seja proferida decisão definitiva no referido Recurso Extraordinário em tramitação no STF. (Assinado digitalmente) Fl. 306DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.722178/200841 Resolução n.º 220200.150 S2C2T2 Fl. 305 7 Rafael Pandolfo Fl. 307DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO
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