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Numero do processo: 19647.002302/2003-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999 APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174, 2001. POSSIBILIDADE.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente - Súmula CARF nº 35.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.461
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões.
Nome do relator: Luiz Eduardo de Oliveira Santos
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POSSIBILIDADE. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente Súmula CARF nº 35. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 23 02 /2 00 3- 04 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 19647.002302/200304 Acórdão n.º 9202002.461 CSRFT2 Fl. 1.069 2 EDITADO EM: 12/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 340100.072, da 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 1.018 a 1.023), julgado na sessão plenária de 01 de junho de 2009, pelo voto de qualidade, acolheu a preliminar de irretroatividade da Lei n° 10.174/2001 e deu provimento ao recurso voluntário. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. IRRETROATIVIDADE. A alteração promovida na Lei 9.311/96 através da Lei 10.174/01 no que diz respeito à utilização das informações obtidas via CPMF para a constituição de outros tributos que não a própria contribuição, somente deve ser levada em consideração após o início de sua vigência, não sendo possível sua aplicação a fatos pretéritos, anteriores à sua edição. Acolhida preliminar. Recurso provido. Cientificada dessa decisão em 13/07/2010 (fl. 1.024), a Fazenda Nacional manejou, no mesmo dia, recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência da prova (fls. 1.027 a 1.045), onde se insurgiu contra o acolhimento da preliminar de irretroatividade da Lei n° 10.174/2001, acrescentando que esse entendimento vai de encontro ao conteúdo da Súmula CARF n° 35. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 1.046 e verso. Cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional em 03/12/2010 (fl. 1.049), o contribuinte apresentou, em 16/12/2010, contrarrazões ao recurso especial, onde pugna pelo não conhecimento do recurso, pela manutenção da decisão recorrida Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 19647.002302/200304 Acórdão n.º 9202002.461 CSRFT2 Fl. 1.070 3 e, caso o apelo seja provido, para o retorno dos autos para a apreciação das demais questões do recurso pela turma baixa (fls. 1.053 a 1.064). É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O acórdão recorrido decidiu que a regra do artigo 11, §3o, da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, com a redação que lhe foi dada pela Lei no 10.174, de 09 de janeiro de 2001, que passou a permitir o uso das informações da CPMF para se instaurar ação fiscal, não pode ser aplicada de forma retroativa. Entretanto, essa matéria já está pacificada no âmbito do CARF no sentido defendido no recurso desde a publicação da Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. A esta súmula foi dado efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal pela Portaria MF nº 383, de 12 de julho de 2010. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional para reconhecer a retroatividade das determinações do artigo 11, §3o, da no Lei 9.311, de 1996, com a redação que lhe foi dada pela Lei no 10.174, de 2001, devendo o processo retornar para análise das demais questões do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 19647.002302/200304 Acórdão n.º 9202002.461 CSRFT2 Fl. 1.071 4 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10380.008432/2007-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/01/2006
PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. INOBSERVÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA.
É dever da autoridade julgadora zelar pelo cumprimento do princípio do contraditório e da ampla defesa nos procedimentos administrativos sob a sua direção, intimando às partes para se manifestarem quanto aos atos praticados pela autoridade administrativa.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2402-004.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância.
Julio César Vieira Gomes Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Ausente, o Conselheiro Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/01/2006 PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. INOBSERVÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. É dever da autoridade julgadora zelar pelo cumprimento do princípio do contraditório e da ampla defesa nos procedimentos administrativos sob a sua direção, intimando às partes para se manifestarem quanto aos atos praticados pela autoridade administrativa. Decisão Recorrida Nula.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Ausente, o Conselheiro Thiago Taborda Simões.
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INOBSERVÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. É dever da autoridade julgadora zelar pelo cumprimento do princípio do contraditório e da ampla defesa nos procedimentos administrativos sob a sua direção, intimando às partes para se manifestarem quanto aos atos praticados pela autoridade administrativa. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 84 32 /2 00 7- 70 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância. Julio César Vieira Gomes – Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Ausente, o Conselheiro Thiago Taborda Simões. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10380.008432/200770 Acórdão n.º 2402004.529 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 15/02/2007 para exigência de multa decorrente de apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, no período de 12/2003 a 01/2006. A Recorrente interpôs impugnação pleiteando a total insubsistência da autuação (fls. 46/231). A DRJ de Fortaleza/CE determinou a realização de diligência para que o fiscal verificasse se houve correção das infrações dentro do prazo, retificando o débito se for o caso (fl. 282). A fiscalização se manifestou no sentido de que a Recorrente não corrigiu totalmente as infrações, haja vista que os administradores Benedito Mamede Pires e Maria do Rosário Pires não constam nas GFIP’s retificadoras (fls. 286/295). A Recorrente não foi intimada da diligência. A d. DRJ de Florianópolis/SC julgou o lançamento procedente (fls. 300/304), sob os argumentos de que (i) as infrações à legislação previdenciária independem da intenção do agente ou responsável; (ii) a obrigação acessória convertese em obrigação principal pelo simples fato da sua inobservância; (iii) as faltas não foram corrigidas pela empresa; e (iv) não houve abertura de prazo para manifestação da empresa acerca da informação fiscal por se tratar de procedimento de ofício deste órgão julgador, para o fim de aplicar a atenuação legal da multa, caso fosse cabível. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando que: (i) não é de seu conhecimento que a retificação tenha deixado de informar pagamentos a título de prólabore em favor dos sócios Benedito Pires e Nair Pires; (ii) a atenuação não foi aplicada porque constou novos equívocos em relação aos dois sócios, indevidamente trazidos à colação neste momento (fls. 328/353). É o relatório. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Como se pode verificar no presente caso, a Recorrente não foi intimada do resultado da diligência que rejeitou a possibilidade de atenuação da multa frente aos documentos apresentados pelo contribuinte em sua impugnação, tendo o processo sido encaminhado diretamente para julgamento da DRJ. Ainda que a análise para atenuação da multa seja um procedimento de ofício, como mencionado pela d. DRJ, é mister que o contribuinte tenha a oportunidade de se manifestar sobre as razões que levaram o auditor fiscal a entender que as faltas não foram sanadas, em atenção aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Neste sentido, destacase que as insurgências do contribuinte, vide relatório acima, se relacionam com o resultado da diligência e poderiam já ter sido objeto de análise por parte da DRJ. Portanto, concluise que não lhe foi oportunizado o direito de defesa, em ofensa aos princípios supramencionados, sendo imprescindível que a r. decisão recorrida seja anulada. Nesse sentido, esta Corte Administrativa assim já se manifestou: “PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. PRINCIPIO DO CONTRADITÓRIO. INOBSERVÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO NOTIFICAÇÃO. I É dever da autoridade julgadora, observar o princípio do contraditório nos procedimentos administrativos sob a sua direção, oportunizando a parte se manifestar nos autos sempre que a outra o fizer, eis que do contrário, implica em flagrante desprestígio ao principio constitucional acima indicado, impondo a anulação de sua decisão. Processo Anulado.”(CARF, 2º CC, 6ª Câmara, PAF nº 353.011658/200631), RV nº 142.085, Acórdão nº 20601.354, Sessão de 07/10/2008) Diante do exposto, voto no sentido de anular a decisão de 1ª instância para que a Recorrente seja devidamente notificada acerca do resultado da diligência de fls. 286/295, oportunizandolhe o contraditório no prazo de 30 dias, devendo a d. DRJ realizar novo julgamento do processo após manifestação do contribuinte. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10380.008432/200770 Acórdão n.º 2402004.529 S2C4T2 Fl. 4 5 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 10283.721062/2008-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.181
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal
Nome do relator: Pedro Anan Junior
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Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal (assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. . Fl. 238DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10283.721062/200849 Resolução n.º 220200.181 S2C2T2 Fl. 2 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado auto de infração (fls. 71/91) relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF no exercício de 2004, ano calendário de 2003, no valor de R$ 573.917,11, incluídos imposto, multa proporcional e juros de mora, estes calculados até outubro de 2008. Consoante o procedimento fiscal em questão, teria o contribuinte cometido as infrações seguintes: omissão de rendimentos a titulo de alugueis recebidos de Marcos Marcelino & Cia. Ltda., no valor de R$ 31.554,25, tendo em vista Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF pela referida fonte pagadora apresentada, posteriormente ratificada pelo fornecimento de cópia do contrato de locação ajustado com o contribuinte (fls. 74/75); omissão de rendimentos configurada pelo resgate de contribuições à previdência privada/Fapi, no valor de R$ 81.899,96. Conforme descrição pela autoridade fiscal realizada, parcela deste montante encontraria respaldo em DIRF remetida por Bradesco Vida e Previdência S/A, enquanto o valor restante teria sido apurado no curso do exame de extratos bancários de contas cujo titular seria o sujeito passivo (fls. 75/76); omissão de rendimentos revelada através de variação patrimonial a descoberto, no total de R$ 354.816,79, uma vez verificado, segundo o representante do fisco, excesso de aplicações sobre origens nos meses de janeiro a junho, setembro e dezembro, diferença não respaldada por rendimentos declarados ou comprovados pelo contribuinte (fls. 77/79); omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, no montante de R$ 277.355,12, tendo em vista a suposta falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da procedência dos recursos utilizados nas respectivas operações (fls. 79/83); omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, no valor de R$183.078,07, conforme exame dos extratos bancários já referidos (fls. 83/86). Inconformado, em 09 de dezembro de 2008, por meio dos representantes constituídos (fl. 151), apresenta o contribuinte impugnação (fls. 102/150), A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em negar provimento parcial a impugnação, através da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA IRPF Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AJUSTE ANUAL. FATO IMPONÍVEL COMPLEXIVO. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10283.721062/200849 Resolução n.º 220200.181 S2C2T2 Fl. 3 3 A ocorrência do fato imponivel do imposto sobre a renda da pessoa física devido por ocasião do ajuste anual deve tomar como referência para o seu aperfeiçoamento o Ultimo dia do ano, razão porque não é válido o raciocínio de que a contagem do prazo decadencial deve ser feita de forma parcelada, em relação a cada mês, à medida que os rendimentos vão sendo apurados. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Nos termos do art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996, presumemse tributáveis os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados em tais operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os rendimentos relativos ao acréscimo patrimonial do contribuinte, quando não acobertados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FONTES PAGADORAS CONHECIDAS. Uma vez apurada a percepção de rendimentos tributáveis omitidos pelo contribuinte na declaração de ajuste anual, deve a autoridade fiscal, na exata medida em que foram os rendimentos omitidos, promover o lançamento de oficio correspondente. MULTA PROPORCIONAL. Em se tratando de lançamento de oficio, por meio do art. 44, I, da Lei n. 9.430, de 1996, determinase a aplicação da multa proporcional de 75%. Não pode, portanto, sob pena de responsabilidade funcional, a autoridade fiscal deixar de aplicála. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Devidamente intimado desse decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10283.721062/200849 Resolução n.º 220200.181 S2C2T2 Fl. 4 4 Voto O presente processo administrativo, versa sobre autuação com base no artigo 42, da Lei 9.430, de 1996, cujo fundamento é a omissão de rendimentos baseado em depósitos bancários de origem não comprovada. Tendo em vista que a partir de 21 de dezembro de 2011, os conselheiro do CARF são obrigados a observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que foi alterado pela Portaria MF n° 256 abaixo transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) Desta forma, a partir de 21 de dezembro de 2011, devemos sobrestar os julgamentos em que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria. Neste sentido, proponho o sobrestamento do julgamento do presente caso até que o STF decida sobre a matéria de sorte a suspender o sobrestamento efetuado. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 241DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15922.000004/2007-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 27/03/2007
SUSTENTAÇÃO ORAL. INTIMAÇÃO PRÉVIA. FALTA DE AMPARO LEGAL.
O pedido de intimação prévia dos representantes das partes para a sustentação oral não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI-CARF).
Recurso Voluntário Negado.
A não exibição de arquivos digitais solicitados pelo fisco nos moldes definidos pela legislação tributária caracteriza infração, por descumprimento de obrigação acessória.
MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2401-003.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido para intimação prévia no endereço do advogado; b) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 27/03/2007 SUSTENTAÇÃO ORAL. INTIMAÇÃO PRÉVIA. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido de intimação prévia dos representantes das partes para a sustentação oral não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI-CARF). Recurso Voluntário Negado. A não exibição de arquivos digitais solicitados pelo fisco nos moldes definidos pela legislação tributária caracteriza infração, por descumprimento de obrigação acessória. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido para intimação prévia no endereço do advogado; b) no mérito, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/03/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA DISPONIBILIZAR INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS E/OU A PRESTAR ESCLARECIMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de prestar ao fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis relacionadas à auditoria fiscal, bem como se recusar a fornecer os esclarecimentos necessários ao bom desenvolvimento dos trabalhos de fiscalização, caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO A não exibição de arquivos digitais solicitados pelo fisco nos moldes definidos pela legislação tributária caracteriza infração, por descumprimento de obrigação acessória. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 92 2. 00 00 04 /2 00 7- 48 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 Data do fato gerador: 27/03/2007 SUSTENTAÇÃO ORAL. INTIMAÇÃO PRÉVIA. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido de intimação prévia dos representantes das partes para a sustentação oral não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido para intimação prévia no endereço do advogado; b) no mérito, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15922.000004/200748 Acórdão n.º 2401003.834 S2C4T1 Fl. 99 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 05 19.485 de lavra da 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Campinas (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração AI n.º 37.033.3640. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, a lavratura em questão refere se a imposição de multa pelo fato da empresa, mesmo regularmente intimada, deixou de prestar Secretaria da Receita Previdenciária as seguintes informações: nome das pessoa beneficiarias dos pagamentos efetuados com os cartões magnéticos (Spiritcard e Spiritcard prata) adquiridos da fornecedora Spirit Marketing Promocional Ltda, conforme notas fiscais emitidas por esta em nome da autuada no período de 06/2004 11/2006. Ressaltase que também não foi apresentado o contrato firmado com a empresa de marketing promocional. A autoridade lançadora afirmou que, alem de não fornecer a relação nominal das pessoas beneficiarias dos cartões magnéticos, a empresa deixou de apresentar, na forma solicitada, isto é, em meio digital e nos layouts estabelecidos pela legislação (Portaria INSS/DIREP n.º 42/2003 e/ou MPS/SRP n.º 58/2005), as folhas de pagamento referentes ao período de julho de 2003 a dezembro de 2006. Ao proceder dessa forma, a empresa teria infringido o artigo 8.º da Lei n.º 10.666/2003, o inciso III do artigo 32 da Lei n.º 8.212/91 combinado com o artigo 225, inciso III e §§ 5.º e 22 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999. Apresentada a impugnação de fls. 21/28, o órgão de primeira instância declaroua improcedente, o que levou a empresa a interpor recurso, fls. 50/58, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) a infração inexistiu posto que os documentos citados inexistem; b) só pode haver penalidade quando ocorre a hipótese antecedente prevista na norma jurídica, o que não se verificou na espécie; c) a lavratura fere os princípios constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa, posto que o fisco está a exigir que a empresa apresente documentos que não possui; d) é impossível para o sujeito passivo provar que não detém os documentos solicitados; e) a multa apresenta caráter de confisco; e f) a taxa Selic não pode ser utilizada para fins tributários. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Ao final, pede que o recurso seja conhecido e provido, cancelandose a lavratura fiscal. Requer ainda a intimação do seu patrono acerca da data do julgamento no CARF, para que este possa fazer a sustentação oral. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15922.000004/200748 Acórdão n.º 2401003.834 S2C4T1 Fl. 100 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A infração Conforme descrito no relatório a recorrente deixou de fornecer a relação dos beneficiários das campanhas de marketing promocional, nem exibiu o contrato firmado com a empresa Spirit Marketing Promocional Ltda. Por outro lado, os arquivos digitais das folhas de pagamento exibidas estariam em desconformidade com o padrão exigido pela administração tributária. Esta conduta contraria o que dispõe o inciso III do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, redigido nos seguintes termos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. (...) A Lei n.º 10.666/2003 dispõe acerca da apresentação dos arquivos digitais, nos seguintes termos: Art. 8o A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. Dispõe ainda a Portaria MPS/SRP n° 53/2005: Art. 1.º A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária. quando Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 intimada por AuditorFiscal da Previdência Social (AFPS), deverá apresentar documentação técnica completa e atualizada de seus sistemas, bem como os arquivos digitais contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas, observadas as orientações e especificações contidas no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD aplicado à Fiscalização da Secretaria da Receita Previdenciária SRP. Quanto à ocorrência dos pagamentos a segurados via cartões emitidos por empresa de marketing de incentivo, essa questão foi debatida por esse colegiado minutos atrás quando julgamos o recurso interposto no PA n.º 15922.000008/200726 (NFLD n.º 37.033.3616), ocasião em que, após análise do conjunto probatório carreado aos autos, entendemos que de fato ocorreram tais pagamentos para o período de 06 a 11/2004. Portanto, se houve os pagamentos a segurados, a empresa era obrigada a apresentar ao fisco a relação dos beneficiários dos pagamentos, bem como o contrato firmado com a empresa de marketing promocional. Acerca da infração decorrente da apresentação dos arquivos digitais em formato desconforme com aquele estabelecido na legislação previdenciária, sequer o sujeito passivo se insurgiu contra essa acusação da autoridade lançadora. Forçoso concluir que não devemos dar razão à recorrente, posto que a infração aos dispositivos mencionados é evidente. Multa – caráter confiscatório Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da penalidade por descumprimento de obrigação acessória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da quantificação da penalidade pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da infração fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, em que são expressos o fundamento legal e os critérios utilizados para a gradação da penalidade aplicada. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. No âmbito do julgamento administrativo, a matéria acabou por ser sumulada, como se vê do seguinte enunciado de súmula: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15922.000004/200748 Acórdão n.º 2401003.834 S2C4T1 Fl. 101 7 Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. Juros SELIC Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF2., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Intimação no endereço do advogado Com relação ao requerimento para que seja dada ciência aos patronos da empresa acerca do julgamento presente processo sejam enviadas ao endereço do patrono da causa, deve ser indeferido. O pedido de intimação prévia dos representantes da recorrente para a sustentação ora não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), que regulamenta o julgamento em segunda instância e na instância especial do contencioso administrativo fiscal federal, na forma do art. 37 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Entretanto, garantese à parte a publicação da Pauta de Julgamento no DOU com antecedência de 10 dias e na página da internet do CARF, na forma do art. 55, parágrafo único, do Anexo II, do RICARF, devendo o sujeito passivo acompanhar tais publicações, podendo, então, na sessão respectiva, efetuar a sustentação oral, pessoalmente ou por intermédio de patrono. Porém, repisese, não há previsão para prévia intimação nominal aos patronos das partes, informandolhes a data da sessão de julgamento do recurso voluntário. Conclusão Voto por indeferir o pedido para intimação prévia no endereço do advogado e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10120.720254/2011-04
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2801-000.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canario da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canario da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ/BSA. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF (fls. 03/09), referente ao exercício 2008, anocalendário 2007. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores: Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar (Sujeito à Multa de Ofício)1.437,82 Multa de Ofício (passível de redução)1.078,36 Juros RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .7 20 25 4/ 20 11 -0 4 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.720254/201104 Resolução nº 2801000.343 S2TE01 Fl. 109 2 de Mora (calculado até 30/I2/2010)392,38 Total do Crédito Tributário2.908,56 O lançamento acima foi decorrente das seguintes infrações: Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas — glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2008, anocalendário 2007. Valor: R$ 5.228,45. Motivo da glosa: falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Complementação da Descrição dos Fatos: O valor glosado se refere ao pagamento a CASSI, em benefício de pessoas não dependentes na declaração. O contribuinte, apresentou defesa (fls. 02 e 39 ), tempestiva, em 03/02/2011, alegando em breve síntese que: realmente não poderia ter deduzido os gastos com o pagamento da CASSI em relação a sua filha Cristiane (R$ 1.942,16) e sua neta Isabella (R$ 1.523,85), totalizando um valor de R$ 3.466,01. deixou de incluir seu filho Diego Trindade D Ávila Magalhães como seu dependente (por ser o mesmo menor de 24 anos de idade que na época estava cursando a universidade), bem como sua contribuição à CASSI (R$ l .762,44); deixou de declarar também sua contribuição com a Unimed, no valor de R$ 972,80. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 76/80, que restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2008 Ementa: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA PARCIALMENTE DESPESA MÉDICA Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. ERRO DE PREENCHIMENTO. Não comprovado o erro de preenchimento da Declaração do Imposto de Renda, com base nas informações e documentos constantes no processo e nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, impõese a manutenção do lançamento. DESPESAS COM PLANO DE SAÚDE. NECESSIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO E DOS VALORES CORRESPONDENTES A CADA UM DELES. A dedutibilidade das despesas com planos de saúde restringese aos pagamentos efetuados em proveito do próprio contribuinte e de seus dependentes. Por essa razão, não são dedutíveis as despesas cujos comprovantes não identifiquem os beneficiários dos planos com a identificação dos valores correspondes a cada um dos beneficiários do plano. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.720254/201104 Resolução nº 2801000.343 S2TE01 Fl. 110 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele acórdão em 20/07/2012 (fl. 68), o Interessado interpôs recurso voluntário de fls. 71/72, em 01/08/2012. Em sua defesa, sustenta que seu filho Diego Trindade d'Ávila Magalhães era estudante universitário, conforme comprova seu Diploma de graduação na UnB em 20/07/2007, bem como seu Histórico Escolar de Graduação, expedido pela mesma universidade, onde constam as matérias cursadas em 2007. Portanto, tem o direito de deduzir R$ 1.584,60 pelo seu filho dependente, bem como as despesas médicas com esse filho junto à CASSI Caixa de Assistência aos Funcionários do Banco do Brasil, no valor de 1.762,44. Alega, também, que comprovou despesas médicas próprias com a Unimed no valor de R$ 972,80. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O Recorrente sustenta ter o direito de deduzir seu filho como dependente, bem como as despesas médicas dele no valor de 1.762,44, e despesas médicas próprias com a Unimed no valor de R$ 972,80. A decisão recorrida assim se pronunciou sobre a pretensão do Contribuinte. Em sede de impugnação, o contribuinte alega que deixou de incluir seu filho Diego Trindade D`Ávila Magalhães como seu dependente. No tocante à infração de dedução indevida de dependente, cumpre, primeiramente, transcrever o art. 77 do RIR/1999, que autoriza a dedução a esse título na determinação da base de cálculo do IRPF, litteris: Art. 77 (...) §l2Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 42, §3, e 5S, parágrafo único (Lei n£9.250, de 1995, art. 35): Io cônjuge; IIo companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; Fl. 110DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.720254/201104 Resolução nº 2801000.343 S2TE01 Fl. 111 4 IIIa filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) O contribuinte realmente não informou em sua Declaração de Ajuste Anual, exercício 2008. seu filho Diego Trindade D Ávila Magalhães como dependente. Passemos, então, a analisar se os documentos juntados pela defesa COMPROVAM a relação de dependência de Diego Trindade D Ávila Magalhães em relação ao contribuinte. A certidão de nascimento de Diego Trindade D Ávila Magalhães filho do contribuinte demonstra que ele nasceu em 14/06/1985, portanto, com 22 anos de idade, no ano calendário 2007. Contudo, não junta aos autos nenhum documento que comprove ser seu filho estudante universitário no anocalendário 2007. Nos termos do Art. 15 do Decreto 70.235/72 Processo Administrativo Fiscal (PAF), a impugnação formalizada deverá estar instruída com os documentos em que se fundamentar. Ainda no mesmo decreto, mais especificamente no art. 16, está disposto que a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, com as provas que possuir. Portanto, não pode ser incluído seu filho Diego Trindade D`Ávila Magalhães como dependente em sua Declaração de Ajuste Anual, conforme solicitado pelo impugnante. DESPESAS MÉDICAS Antes de se passar à análise dos argumentos de defesa, vejase o disposto no Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999, acerca das deduções permitidas e da dedução de despesas médicas: DEDUÇÕES Art. 7S. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n 5.844, de 1943, art. 11, §32).(..) Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei n°9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1º O disposto neste artigo (Lei n° 9.250, de 1995, art. 8o, § 2o): 1 aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 111DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.720254/201104 Resolução nº 2801000.343 S2TE01 Fl. 112 5 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o .pagamentos (..) Como se depreende da legislação transcrita acima, a dedução das despesas médicas na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação a critério da Autoridade Lançadora. A comprovação a ser feita compreende basicamente o pagamento do serviço médica a ser feito pelas formas indicadas no inciso III do § l ° do art. 80 do RIR/1999 e o beneficiário ser o contribuinte ou seus dependentes. Conforme se vê no § 2º do art. 8o da Lei n° 9.250/1995, a dedutibilidade das despesas com saúde estendese também aos pagamentos efetuados a planos de saúde (inciso I). Todavia, restringe se a pagamentos efetuados pelo contribuinte e relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. O contribuinte alega em sua defesa que pode se deduzir as despesas médicas efetuadas com o seu filho Diego Trindade D `Ávila Magalhães, por ele ser seu dependente. Como seu filho Diego Trindade D Ávila Magalhães não pode ser incluído em sua declaração como dependente, logo não pode ser deduzida a despesas médicas com seu plano de saúde, no valor de R$ l.762,44. Cabe esclarecer ainda que mesmo que ficasse comprovado ser seu dependente, Diego Trindade D Ávila Magalhães, não poderia ser deduzida a despesas médica com seu plano de saúde, uma vez que o contribuinte não juntou aos autos, nenhum documento que comprove a dedução pleiteada (R$ 1.762,44). Alega, ainda, em sua defesa que deixou de declarar também sua contribuição com a Unimed, no valor de R$ 972,80. Porém, não juntou aos autos documento que comprove tal dedução (R$ 972,80), logo não pode ser incluída em sua Declaração de Ajuste Anual, exercício 2008. Nos termos do Art. 15 do Decreto 70.235/72 Processo Administrativo Fiscal (PAF), a impugnação formalizada deverá estar instruída com os documentos em que se fundamentar. Ainda no mesmo decreto, mais especificamente no art. 16, está disposto que a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, com as provas que possuir. Interposto o Recurso Voluntário, o Recorrente carreou ao processo (fls. 87/91) diploma universitário de Diego Trindade D`Ávila Magalhães, acompanhado do histórico escolar. Deles, vêse claramente que ele concluiu o curso universitário no anocalendário de 2007, quando tinha 22 anos de idade. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.720254/201104 Resolução nº 2801000.343 S2TE01 Fl. 113 6 Também apresentou, à fl. 93, comprovante de despesas médicas de Diego Trindade D`Ávila Magalhães, no valor de R$ 1.762, 44. Para comprovar despesas médicas próprias referentes a UNIMED no valor de R$ 972,80, o Recorrente apresentou o documento de fl. 92, com a informação de que ele é beneficiário, mas cujo cooperado é a Sra. JEANE LUSTOSA MACHADO DE ARAÚJO, CPF 267.848.15149. A Receita Federal orientava em seu “Manual de Perguntas e Respostas”, quanto ao preenchimento da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2008, anocalendário de 2007: “PLANO DE SAÚDE — DECLARAÇÃO EM SEPARADO 355 O contribuinte, titular de plano de saúde, pode deduzir o valor integral pago ao plano, incluindo os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado? Como regra geral, somente são dedutíveis na declaração os valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que forem consideradas dependentes. Contudo, na hipótese em que o outro cônjuge ou os filhos constarem do plano, e, embora podendo ser considerados dependentes perante a legislação tributária, apresentarem declarações em separado no modelo completo, o valor integral pago ao plano pode ser deduzido na declaração de ajuste do titular do plano, desde que não seja utilizado como dedução nas declarações do outro cônjuge ou filhos. No caso de apresentação de declaração em separado no modelo simplificado pelo outro cônjuge ou pelos filhos, na qual todas as deduções a que estes teriam direito são substituídas pelo desconto simplificado, a parcela do plano de saúde correspondente ao outro cônjuge ou aos filhos é considerada indedutível na declaração do titular do plano.” Portanto, face o acima exposto, com vistas a formar convicção acerca da lide, VOTO pela conversão do julgamento em diligência à unidade de origem para que a autoridade fiscal competente averigúe: § Se Diego Trindade D`Ávila Magalhães apresentou DIRPF própria referente do exercício 2008, anocalendário 2007; § Se houve a dedução de Diego Trindade D`Ávila Magalhães como dependente, bem como a dedução de despesas médicas com a Unimed Goiânia referente ao beneficiário LUIZ JESUS D´AVILA MAGALHÃES, na DIRPF do exercício 2008, anocalendário 2007, da Contribuinte JEANE LUSTOSA MACHADO DE ARAÚJO, CPF 267.848.15149. Caso necessário, intimese o contribuinte para apresentar documentos ou outras informações. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.720254/201104 Resolução nº 2801000.343 S2TE01 Fl. 114 7 E, ainda, para que não fique configurado o cerceamento do direito de defesa, que seja dada ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, abrindo prazo para sua manifestação. Após tais providências, devem os autos retornarem a este colegiado, devidamente instruídos com as peças que confirmam as informações prestadas, para que se prossiga no julgamento do recurso voluntário. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 114DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 11516.720686/2011-26
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1803-000.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, DECLINAR DA COMPETÊNCIA para julgamento do presente processo à Segunda Turma Especial da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, em face da íntima conexão com o processo de nº 11516.720688/2011-15, já colocado em pauta naquele Colegiado, no mês de junho de 2014, com fundamento nos arts. 47 e 49, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), e tendo em vista os princípios da uniformidade de decisão deste CARF e da eliminação de duplicidade de esforços. Vencida a Conselheira Cármen Ferreira Saraiva.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler.
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LTDA. – EPP (RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS: MARCOS MAY CABRAL & CIA. LTDA. EPP, MAY & CARDOSO CIA. LTDA. EPP, EXECUÇÃO SOLUÇÕES – CALL CENTER LTDA., MARCOLINO CARGNIN CABRAL, LEONI MAY CABRAL, BEATRIZ MAY CABRAL, MARCOS MAY CABRAL, EDUARDO MAY CABRAL E EMERSON SÉRGIO CARDOSO) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, DECLINAR DA COMPETÊNCIA para julgamento do presente processo à Segunda Turma Especial da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, em face da íntima conexão com o processo de nº 11516.720688/201115, já colocado em pauta naquele Colegiado, no mês de junho de 2014, com fundamento nos arts. 47 e 49, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), e tendo em vista os princípios da uniformidade de decisão deste CARF e da eliminação de duplicidade de esforços. Vencida a Conselheira Cármen Ferreira Saraiva. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes – Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 20 68 6/ 20 11 -2 6 Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720686/201126 Resolução nº 1803000.098 S1TE03 Fl. 1.176 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler. Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 1.062 a 1.066 – numeração digital ND): Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima identificada foi autuada em 28/07/2011 (fl. 968), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, Contribuição para o PIS, CSLL e COFINS, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos no período de 03/2006 a 06/2007. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração (fls. 872 a 929), na Representação Fiscal para Exclusão do Simples (fls. 836 a 853) e no Termo de Verificação Fiscal e Sujeição Passiva Solidária (fls. 954 a 966), a contribuinte optou por regime de tributação incompatível com suas atividades e praticou infração reiterada à legislação tributária, acarretando a sua exclusão do regime do Simples Federal e a lavratura de Autos de Infração para exigência de crédito tributário no regime do Lucro Arbitrado. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 3.1. IRPJ (fls. 872 a 892): 3.1.1. Omissão de Receita da Atividade – Receita Mensal na Prestação de Serviços Legalmente Regulamentados com base nos artigos 530, 518, 519, § 1º, inciso III, alínea “a”, e § 5º, e 537, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), e 3º, da Lei nº 9.249, de 26/12/1995. 3.1.2. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 07/2011, totalizou o montante de R$ 283.244,56. 3.2. CSLL (fls. 893 a 913) com base nos artigos 2º, da Lei nº 7.689, de 15/12/1988 (com alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/1990), 2º e 24, da Lei nº 9.249, de 26/12/1995, 29, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, 22 da Lei nº 10.684, de 30/05/2003, e 37 da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, formalizando crédito tributário, calculado até 07/2011, no montante de R$ 98.461,78. 3.3. PIS (fls. 914 a 921) com base nos artigos 1º e 3º da Lei Complementar (LC) nº 07, de 07/09/1970, 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, 2º, inciso I, 8º, inciso I, e 9º, da Lei nº 9.715, de 25/11/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 07/2011, no montante de R$ 16.904,50. 3.4. COFINS (fls. 922 a 929) com base nos artigos 2º, 3º (com alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e pelo art. 41 da Lei nº 11.196/2005) e 8º, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, e 1º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30/12/1991, formalizando crédito tributário, calculado até 07/2011, no montante de R$ 57.545,10. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720686/201126 Resolução nº 1803000.098 S1TE03 Fl. 1.177 3 4. O enquadramento legal da multa de ofício aplicada, no patamar de 150,00%, encontrase indicado às fls. 892, 913, 920, 921, 928 e 929; o enquadramento legal dos juros de mora aplicado é o artigo 61, § 3º, da mesma Lei nº 9.430/1996. 5. A autuada foi cientificada dos AI e documentos respectivos em 28/07/2011 (Aviso de Recebimento à fl. 968). Os Sujeitos Passivos Solidários arrolados no Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 954 a 966) Execução Soluções Call Center Ltda. (CNPJ 05.038.033/000144), May & Cardoso Cia Ltda. EPP (CNPJ 07.365.832/000150), Marcos May Cabral & Cia Ltda. EPP (CNPJ 07.081.290/0001 94), Marcos May Cabral (CPF 033.550.93980), Eduardo May Cabral (CPF 007.808.01938), Beatriz May Cabral (CPF 026.383.33999), Marcolino Cargnin Cabral (CPF 219.862.90034), Leoni May Cabral (CPF 910.619.97987) e Emerson Sérgio Cardoso (CPF 007.113.51970) – foram cientificado dos AI e documentos pertinentes em 28/07/2011, conforme Avisos de Recebimento (AR) acostados às fls. 967 a 975. 6. Irresignados com os lançamentos, em 26 de agosto de 2011, a autuada e os retrocitados Sujeitos Passivos Solidários, representados por Procurador (fls. 1000 a 1009), apresentaram a impugnação às fls. 978 a 999, instruída com os documentos às fls. 1000 a 1034, na qual alegam, em síntese, o seguinte: Da história das empresas e de seus sócios: condutas dentro da legalidade e ausência de sonegação e conluio, além da inaplicabilidade da solidariedade. 6.1. As operações efetuadas pelas empresas mencionadas na autuação, desde a constituição de cada uma, passando por suas alterações contratuais e objetos sociais, são plenamente legais, com previsão na legislação pátria, e jamais tiveram por objetivo lesar o Erário Público. 6.2. O Sr. Marcolino Cargnin Cabral e a Sra. Leoni May Cabral, casados e pais de 03 (três) filhos, Beatriz May Cabral, Marcos May Cabral e Eduardo May Cabral, no ano de 2002, fundaram a empresa Execução Soluções Call Center Ltda.; nos anos seguintes, foram criadas as empresas Eduardo May Cabral & Cia. Ltda. EPP, Marcos May Cabral & Cia. Ltda. EPP e May Cardoso & Cia. Ltda. EPP, cujo quadro societário incluiu Emerson Sérgio Cardoso, que tem dois filhos com Beatriz May Cabral. 6.3. O objetivo dos pais era ver todos os filhos exercendo atividade empresarial, gerando empregos e auferindo lucros, como deve acontecer com qualquer empresário bem sucedido. 6.4. O Sr. Marcolino é médico e exerce a profissão, de modo que, quando figurou no quadro societário da empresa Execução Soluções Call Center Ltda., o fez na condição de sócio investidor e pai. Contudo, não exerceu efetivamente cargos na empresa, haja vista sua profissão ocupar todo o seu tempo. 6.5. Com o passar dos anos, algumas alterações contratuais foram efetuadas nas empresas, para ajustar situações do diaadia, mas jamais houve a intenção de lesar o Erário Público, de sonegar tributos. 6.6. As empresas têm atividades legais previstas no objeto social de cada uma delas; assim, se, ao longo da fiscalização, a autoridade fiscal considerou que as empresas desenvolvem atividades que não poderiam ser enquadradas em determinada sistemática de tributação – Simples Federal e, posteriormente, o Simples Nacional , bastaria a exclusão das empresas com a devida justificativa. Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720686/201126 Resolução nº 1803000.098 S1TE03 Fl. 1.178 4 6.7. Convém mencionar que a matéria em questão, qual seja a adesão à sistemática de tributação do Simples Federal (Lei n° 9.317/1996) e Simples Nacional (Lei Complementar n° 123/2006) por parte de empresas que prestam serviços de “call Center”, não é tema com clareza reluzente, tanto que nenhuma das duas leis impede explicitamente tal atividade para adesão às respectivas sistemáticas de tributação, havendo a necessidade de interpretação por parte da Receita Federal. 6.8. O autuante aplicou o art. 50 do Código Civil, que trata da desconsideração da pessoa jurídica; entretanto, não se está diante de um caso em que se verifica desvio de finalidade ou confusão patrimonial. 6.9. A Constituição Federal/1988 estabelece princípios que não podem ser violados como, por exemplo, o princípio da legalidade, prescrito no art. 5º, inciso II, que assevera que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.” 6.10. Se ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei, e se, no caso em tela, além das empresas e das pessoas envolvidas terem agido dentro da lei, não restou comprovado que ocorreu desvio de finalidade, ou confusão patrimonial, como pretender aplicar ao caso a regra prescrita no art. 50 do CC, com a desconsideração da pessoa jurídica? Evidentemente que se trata de um equívoco grave, que viola o princípio da legalidade. (transcreve doutrina de Geraldo Ataliba). 6.11. Por evidente, também não se aplicam os arts. 124 e 125 do CTN, pois não há comprovação de que ocorreu qualquer das hipóteses previstas para responsabilização solidária. 6.12. Constam nos autos conclusões precipitadas e equivocadas de que a família teria agido de modo ilícito, inexistindo prova nesse sentido; pelo contrário, comprovado restou que as empresas foram abertas de forma legal e têm atividades lícitas, com capital de origem inquestionável. (transcreve doutrina de Leandro Paulsen e julgados do Poder Judiciário). 6.13. Houve precipitação por parte da autoridade fiscal ao concluir que as empresas e a família teriam praticado sonegação fiscal, agindo em conluio, posto que todos agiram de acordo com a lei e, em nenhum momento, tiveram a intenção de fraudar, simular ou lesar o Erário Público. Da inocorrência de simulação no caso em tela: distinção entre pessoa física e jurídica. 6.14. A autoridade fiscal insiste em concluir que, no caso em tela, houve simulação, mas o fato de pessoas de uma mesma família comporem o quadro societário de diferentes empresas, que têm relações entre si, não significa que se trata de um grupo empresarial. 6.15. Cada uma das pessoas jurídicas mencionadas no AI tem suas atribuições, direitos e responsabilidades, não se confundindo, em momento algum, com as demais, restando sem procedência a afirmação de que ocorreu simulação. 6.16. Portanto, não se confunde a pessoa jurídica com as pessoas que deram lugar ao seu nascimento, muito menos com outras pessoas jurídicas, como equivocadamente considerou a autoridade fiscal. Da decadência de parte do suposto crédito tributário. Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720686/201126 Resolução nº 1803000.098 S1TE03 Fl. 1.179 5 6.17. O Código Tributário Nacional estabelece três modalidades de lançamento tributário, sendo incontroverso que os tributos em questão são recolhidos pela modalidade do lançamento por homologação, sendo cabível aplicar a regra preconizada nos artigos 150, § 4º, e 156, inciso VI, do CTN. 6.18. Portanto, resta caracterizado que os créditos tributários que tiveram sua origem em fatos geradores ocorridos antes de agosto de 2006 (cinco anos antes da data da constituição dos créditos, agosto de 2011 data da lavratura dos AI), foram atingidos pela decadência (fatos geradores ocorridos entre 01/2006 e 07/2006). Da aplicação de multa com caráter confiscatório e dos juros abusivos. 6.19. Caso prevaleça o valor lançado no AI, os números apresentados pelo Auditor Fiscal da Receita Federal maculam o suposto crédito tributário exigido, por assumirem verdadeiro caráter de confisco, devido ao seu exorbitante valor, o que fere a Constituição Federal, em seu art. 150, inciso IV. 6.20. Apenas a título de juros e multa, o AI reporta o valor de R$ 303.891,01, de um total apurado de R$ 456.155,94, o que equivale a 66,55% do valor cobrado, e a multa aplicada é de 150% do valor principal do tributo. 6.21. No decorrer da fiscalização o autuante jamais encontrou qualquer obstáculo, tendo sido tratado com urbanidade e de forma solícita; assim, se considerar que o AI deve prosperar, no que concerne à multa aplicada há a necessidade de reforma. 6.22. Os valores questionados desrespeitam o princípio da capacidade contributiva consignado no art. 145 da CF/1988 (transcreve doutrina de Sacha Coelho, Geraldo Ataliba e Paulo César Castilho), bem como o art. 112, inciso II, do CTN, que impede o abuso na cominação de penalidades. 6.23. O art. 192, § 3º, da Carta Magna traz limitações acerca dos patamares de juros a serem aplicados sobre um débito, estabelecendo que a cobrança de juros de mora fica limitada a doze por cento ao ano, sob pena de crime de usura. 6.24. Portanto, não pode a lei infraconstitucional ampliar o valor cobrado a título de juros, desvirtuando todo um movimento de diminuição de multas e juros, em razão da estabilidade da moeda nacional e o fim de economia inflacionária que assolou o país por vários anos. 7. Ao final, os recorrentes reiteram os argumentos já expostos e pugnam pelo cancelamento da Representação Fiscal para Fins Penais e do Arrolamento de Bens, e concluem com pedido para que as futuras intimações sejam feitas em nome do advogado Guilherme Freitas Fontes, inscrito na OAB/SC sob o nº 15.148B, com endereço profissional na Av. Rio Branco, 404, Centro Executivo Planei Towers, Torre I, cj. 405/406, Centro, Florianópolis/SC, CEP 88.015200, fone/fax (48) 32230661, sob pena de nulidade. 8. No Termo de Verificação Fiscal consta registro de lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais (fls. 954 a 966), consoante processo 11516.720697/201114, que se confirma com tela do sistema Comprot da RFB à fl. 1.032. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 1.060 e 1.061 ND): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720686/201126 Resolução nº 1803000.098 S1TE03 Fl. 1.180 6 Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007 ESCRITURAÇÃO. DEFICIÊNCIAS. IMPRESTABILIDADE. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para a recomposição do lucro. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 EXCLUSÃO DO SIMPLES PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TELEMARKETING E PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Uma vez constatada a prestação de serviços de telemarketing e a prática reiterada de infração à legislação tributária, impõese a exclusão do regime simplificado, com fulcro nos artigos 9º, inciso XIII, e 14, inciso V, da Lei nº 9.317/1996. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica excluída do Simples se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTA PESSOA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e as pessoas expressamente designadas por lei, questão configurada nos autos pela confusão patrimonial e o desvio de finalidade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS. ADMINISTRADORES. REPRESENTANTES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os mandatários, prepostos e empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720686/201126 Resolução nº 1803000.098 S1TE03 Fl. 1.181 7 Em lançamento de ofício, é devida multa qualificada de 150%, calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido, quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte. CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os créditos tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificados da referida decisão no período de 21/10/2013 a 23/10/2013 (fls. 1.141 a 1.149 ND), a tempo, em 11/11/2013, apresentam a interessada, e os sujeitos passivos solidários arrolados no Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 954 a 966 ND), Execução Soluções Call Center Ltda. (CNPJ 05.038.033/000144), May & Cardoso Cia. Ltda. EPP (CNPJ 07.365.832/000150), Marcos May Cabral & Cia. Ltda. EPP (CNPJ 07.081.290/0001 94), Marcos May Cabral (CPF 033.550.93980), Eduardo May Cabral (CPF 007.808.01938), Beatriz May Cabral (CPF 026.383.33999), Marcolino Cargnin Cabral (CPF 219.862.90034), Leoni May Cabral (CPF 910.619.97987) e Emerson Sérgio Cardoso (CPF 007.113.51970), Recurso de fls. 1.153 a 1.170 ND, instruído com o documento de fls. 1.171 ND, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720686/201126 Resolução nº 1803000.098 S1TE03 Fl. 1.182 8 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Conforme se observa do Relatório, tratase de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (Pis) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), de empresa excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). 4. Foram arrolados como Sujeitos Passivos Solidários no Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 954 a 966 ND) Execução Soluções Call Center Ltda. (CNPJ 05.038.033/000144), May & Cardoso Cia Ltda. EPP (CNPJ 07.365.832/000150), Marcos May Cabral & Cia Ltda. EPP (CNPJ 07.081.290/000194), Marcos May Cabral (CPF 033.550.93980), Eduardo May Cabral (CPF 007.808.01938), Beatriz May Cabral (CPF 026.383.33999), Marcolino Cargnin Cabral (CPF 219.862.90034), Leoni May Cabral (CPF 910.619.97987) e Emerson Sérgio Cardoso (CPF 007.113.51970). 5. Segundo consta da Representação Fiscal de fls. 836 a 853 – ND: 6 – Outro item que temos que analisar é que a empresa citada está em um conglomerado de pessoas jurídicas que formam o grupo EXECUÇÃO CALL CENTER. [...]. 6.2 – PARENTESCO – Em uma leve observação no quadro acima, constatamos que o sobrenome CABRAL está presente a quatro sócios, sendo eles, Marcolino Cargnin Cabral; Leoni May Cabral; Marcos May Cabral; Eduardo May Cabral; e, Beatriz May Cabral. Estes últimos três nomes, são filhos do senhor Marcolino e da Senhora Leoni, como comprova através dos documentos de identidades anexos nas fls. 25, 315, 366 e 379. [...]. 6.2.3 Observase também que os nomes citados, exceto Emerson, foram parte da constituição da primeira empresa que é a Execução Soluções e depois os filhos e genro foram constituindo as outras empresas, que por sinal são optantes pelo SIMPLES. 6.3 – ENDEREÇO – O local da prestação de serviços da empresas é o mesmo, apenas a empresa Execução que consta como número de 85, mas que na verdade é número 101, como é comprovado pelo comprovante de energia elétrica, fl. 290. [...]. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720686/201126 Resolução nº 1803000.098 S1TE03 Fl. 1.183 9 6.3.4 – Como as empresas prestam serviços no mesmo local, mesma atividade, as respostas são as mesmas (do tipo padrão), no sentido de responder as solicitações de forma genérica e não objetivas, desta forma, dificultando o trabalho do fisco. [...]. 6.4.1 – Porque a grande maioria dos empregados está nas empresas optantes pelo SIMPLES??? Sabemos que existe a redução da carga tributária, principalmente em relação contribuição previdenciária patronal. Esse foi um dos principais objetivos dos empregados estarem distribuídos assim. [...]. 6.8.1 – Cabe salientar, conforme característica contábil, muitos pagamentos das despesas da folha de pagamento e operacionais da empresa EDUARDO MAY eram realizados pela empresa EXECUÇÃO, pois eram lançadas na contabilidade da empresa MARCOS o valor do pagamento direto no passivo circulante – conta 530 21101001 – EMPRÉSTIMO EXECUÇÃO SOLUÇÕES – fls. 45/47. O mesmo ocorrendo com as outras empresas. [...]. 6.11 Com os fatos mencionados acima, fica mais que caracterizado que as empresas EXECUÇÃO, MARCOS MAY, MAY CARDOSO e EDUARDO MAY, participam de um conglomerado de pessoas jurídicas com o objetivo de sonegar tributos. [...]. 7.1 – Foi realizada fiscalização simultânea nas empresas envolvidas nessa representação fiscal. 8 Devido os fatos serem os mesmos para as empresas optantes pelo SIMPLES, todas foram representadas para a exclusão do sistema. Os números dos processos são: MARCOS MAY CABRAL & CIA. LTDA. 11516.720.688/201115; MAY & CARDOSO LTDA. 11516.720.696/201161; e, EDUARDO MAY CABRAL & CIA. LTDA. 11516.720.686/201126. 6. Dispõem os arts. 47 e 49, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (grifouse): Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. [...]. Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720686/201126 Resolução nº 1803000.098 S1TE03 Fl. 1.184 10 [...]. § 7º Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. 7. Em pesquisa no site do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) (http://carf.fazenda.gov.br), observei que um dos dois processos acima referidos, o de nº 11516.720688/201115, de interesse de Marcos May Cabral & Cia. Ltda. ME, já foi colocado em pauta para julgamento na Segunda Turma Especial da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF (Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira) no mês de junho de 2014. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DECLINAR DA COMPETÊNCIA para julgamento do presente processo à Segunda Turma Especial da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, em face da íntima conexão com o processo de nº 11516.720688/201115, de interesse de Marcos May Cabral & Cia. Ltda. ME, já colocado em pauta naquele Colegiado, no mês de junho de 2014, com fundamento nos arts. 47 e 49, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), e tendo em vista os princípios da uniformidade de decisão deste CARF e da eliminação de duplicidade de esforços. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10845.004285/2002-40
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1996
IRPF - VERBAS INDENIZATÓRIAS - PROGRAMA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA - RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a denominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932).
Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: 9900-000.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 29/01/2015
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente a época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014).
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 29/01/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente a época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014).
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O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a denominada tese dos “cinco mais cinco”. (RESP nº 1.002.932). Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 42 85 /2 00 2- 40 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 29/01/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente a época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (VicePresidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (VicePresidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (VicePresidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (VicePresidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (VicePresidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (VicePresidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (VicePresidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (VicePresidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (VicePresidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (Vice Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (VicePresidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014). Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.004285/200240 Acórdão n.º 9900000.910 CSRFPL Fl. 10 3 Relatório Em 21/10/2002, Antonio Augusto Borges, por meio dos documentos de fls. 02/03, solicitou a restituição dos valores retidos indevidamente pela fonte pagadora a título IRRF incidente sobre os pagamentos recebidos no anocalendário de 1995 em decorrência de adesão à Plano de Incentivo a Aposentadoria. A Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, ao apreciar o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, exarou o acórdão n° CSRF/0400.874 que se encontra às fls. 88/93 e cuja ementa é a seguinte: “IRPF – VERBAS INDENIZATÓRIAS – PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA – PDV – RESTITUIÇÃO – DECADÊNCIA. – O marco inicial do prazo decadencial para os pedidos de restituição do imposto de renda indevidamente retido na fonte, decorrente do recebimento de verbas indenizatórias referentes à participação em PDV, se dá em 06.01.1999, data de publicação da Instrução Normativa SRF nº 165, a qual reconheceu que não incide imposto na fonte sobre tais verbas. Recurso negado.” Intimada do acórdão em 16//01/09 (fls. 95) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o recurso extraordinário de fls. 97/105, em que sustenta divergência entre o acórdão recorrido e o Acórdão CSRF/0202.088 de 2005, proferido pela 2ª Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho nº 125 de 01/04/2009 (fls. 115/118). Intimado sobre a admissão do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte deixou de apresentar suas contrarrazões (fls. 126). É o Relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional sustenta divergência entre o acórdão recorrido e o Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, em relação ao dies a quo para contagem do prazo para apresentação de pleito de repetição de indébito. O Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, encontrase assim ementado: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — REPETIÇÃO DE INDÉBITO O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte.” O dissídio jurisprudencial resta claro nas ementas e nos registros dos resultados dos acórdãos em confronto: enquanto no acórdão recorrido a contagem dos cinco anos iniciase a partir da publicação no DOU da Instrução Normativa nº 165, de 1998, no acórdão paradigma é a partir da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado. Dessa forma, conheço do recurso extraordinário interposto. No mérito, o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” No que diz respeito ao prazo para apresentação de pedido de restituição de tributo declarado inconstitucional ou cuja não incidência foi reconhecida pela administração tributária, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.110.578, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.004285/200240 Acórdão n.º 9900000.910 CSRFPL Fl. 11 5 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Assim, com o advento da decisão acima referida, temse que é irrelevante para fins de contagem do prazo para a restituição de tributos pagos indevidamente a declaração de inconstitucionalidade ou reconhecimento de não incidência com efeitos erga omnes. Por outro lado, no que diz respeito ao prazo de decadência para restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.002.932, também segundo a sistemática do artigo 543C, do CPC, consolidou o seguinte entendimento: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação corespectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I,I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT , para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.004285/200240 Acórdão n.º 9900000.910 CSRFPL Fl. 12 7 Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração . (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System dês heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese Ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada , quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa. " Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Como se verifica do voto condutor do Ministro Luiz Fux, restou consagrada a tese de que o prazo para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificação do quantum devido. Disto resultou o que se convencionou chamar de tese dos “cinco mais cinco”, que por ter sido acolhida pelo STJ em decisão sob a sistemática do recurso repetitivo (art. 543 C do CPC) deve ser reproduzida por este julgador, nos termos do art. 62A do Regime Interno do CARF. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.004285/200240 Acórdão n.º 9900000.910 CSRFPL Fl. 13 9 No presente caso, o pedido de restituição foi protocolado em 21/11/2002 e se refere ao imposto de renda retido pela fonte pagadora sobre rendimentos recebidos de janeiro a dezembro de 1995 a título de incentivo a aposentadoria. Verifico, portanto, que o pedido foi apresentado dentro do prazo de dez anos consagrado pelo STJ. Destarte, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11073.000148/2002-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 30/09/1997
DCTF. AUDITORIA INTERNA. POSSIBILIDADE.
A exigência de diferenças decorrentes de pagamento a menor de tributo em relação aos valores constantes em DCTF poderiam ser exigidas por meio de lançamento de ofício, no período em que vigorou os procedimentos previstos no art. 90 da MP nº 2.158-35/2001.
MULTA DE OFÍCIO. ART. 90 DA MP Nº 2.158-35/2001. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Com a edição do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, a multa de ofício prevista no art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, deixou de ser exigida sobre as diferenças decorrentes entre os valores declarados em DCTF e pagos pelo contribuinte. No caso a multa de ofício exigida nestes termos deve ser afastada em virtude da retroatividade benigna prevista no art. 106, inc. II, a do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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AUDITORIA INTERNA. POSSIBILIDADE. A exigência de diferenças decorrentes de pagamento a menor de tributo em relação aos valores constantes em DCTF poderiam ser exigidas por meio de lançamento de ofício, no período em que vigorou os procedimentos previstos no art. 90 da MP nº 2.15835/2001. MULTA DE OFÍCIO. ART. 90 DA MP Nº 2.15835/2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. Com a edição do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, a multa de ofício prevista no art. 90 da MP nº 2.15835/2001, deixou de ser exigida sobre as diferenças decorrentes entre os valores declarados em DCTF e pagos pelo contribuinte. No caso a multa de ofício exigida nestes termos deve ser afastada em virtude da retroatividade benigna prevista no art. 106, inc. II, “a” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 3. 00 01 48 /2 00 2- 87 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11073.000148/200287 Acórdão n.º 3301002.542 S3C3T1 Fl. 334 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11073.000148/200287 Acórdão n.º 3301002.542 S3C3T1 Fl. 335 3 Relatório Por economia processual, adoto o relatório elaborado pela Conselheira Maria Cristina Roza da Costa por ocasião da edição da Resolução nº 20201.245, de 03/07/2008, abaixo transcrito: Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Santa Maria RS. Informa o relatório da decisão recorrida a lavratura de auto de infração decorrente de revisão interna da DCTF, referente ao terceiro trimestre de 1997, na qual foi informada a realização de pagamento da contribuição ao Programa de Integração Social — PIS, em relação ao período de apuração correspondente ao mês de setembro de 1997, que foi considerado não localizado, conforme consta no referido auto de infração. Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação alegando que o valor exigido foi devidamente compensado na forma do art. 66 da Lei nº 8.383/91, com créditos decorrentes do recolhimento a maior do PIS, decorrente da não observância da semestralidade da base de cálculo. Alegou a inconstitucionalidade dos juros de mora exigidos com base na taxa Selic e da multa de 75%. Nulidade do auto por não comprovação de o autuante ser contador, por cerceamento do direito de defesa em face da ausência dos motivos que ensejaram a autuação e dos dispositivos legais infringidos; alega, também, nulidade em razão de o auto não haver sido lavrado na sede da autuada e ao fim requer a improcedência do lançamento. Analisados os argumentos o processo foi baixado em diligência para que fosse verificada a existência de créditos para realização da compensação alegada. A DRF de origem expediu o parecer de fls. 210/212, retornando os autos para julgamento. A Turma Julgadora, apreciando os argumentos de defesa e o resultado da diligência, proferiu decisão afastando as alegações de nulidade do lançamento e, no mérito, constatou a existência de ação judicial, com rito ordinário, impetrada com o fito de obter o reconhecimento judicial da existência de créditos contra a União, decorrentes do recolhimento do PIS sem a observância da semestralidade da base de cálculo e o direito à compensação com parcelas vencidas e vincendas da mesma contribuição. À vista disso, julgou improcedente a compensação pretendida, com fulcro no art. 170 do CTN, o qual entende que foi reforçado pela inserção do art. 170A no CTN, pela Lei Complementar n 2 104/2001 e considerando que a compensação pretendida somente pode ser realizada após o trânsito em julgado de decisão judicial que reconheça seu direito. E, por fim, considerou legal a cobrança dos consectários legais combatidos como inconstitucionais. Ciente da decisão em 10/05/2005, a empresa apresentou, em 08/06/2005, recurso voluntário a este Eg. Conselho de Contribuintes alegando: (1) nulidade do acórdão pela omissão quanto à apreciação dos aspectos constitucionais envolvendo a multa e os juros de mora com base na taxa Selic, sendo a primeira constituída de percentual exorbitante; (2) o crédito tributário exigido foi objeto de compensação, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91; (3) alega compor o pólo ativo da Ação Judicial nº 97.14031338, referente às filiais 001027 e 000802, tramitando perante a l Vara da Justiça Federal de Santo Ângelo, RS e Processo nº 2000.34.00.0102701, Fl. 341DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11073.000148/200287 Acórdão n.º 3301002.542 S3C3T1 Fl. 336 4 referente à filial 001108, tramitando junto à 4ª Vara da Justiça Federal de Brasília, DF; (4) que o valor total dos créditos a que tem direito é muito superior ao valor lançado de oficio, o que demonstra a suficiência dos créditos para extinguir o débito; (5) que o processo judicial encontrase em fase final de julgamento junto ao STJ e STF e que os recursos especial e extraordinário não têm efeito suspensivo, estando o seu direito já declarado/reconhecido judicialmente, sendo inexistente qualquer recurso que lhe tire a eficácia; (6) a compensação efetuada foi informada ao Fisco, seja pelas anotações nos Darf, seja pela informação na DCTF; (7) o direito de compensação decorre das manifestações reiteradas do STJ e do STF pela inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, face à majoração do PIS e da autorização contida no art. 66 da Lei nº 8.383/91. Ao fim requer a reforma da decisão recorrida e o reconhecimento da insubsistência do auto de infração combatido. Após este relato, a então 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes proferiu a Resolução nº 20201.245, baixando o processo em diligência nos seguintes termos: (...) “Portanto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência para que a autoridade administrativa da unidade de origem adote providências para: 1. identificar qual o estabelecimento da recorrente efetivamente faz parte do pólo ativo da ação judicial, se a recorrente utilizou tais créditos para extinguir débitos dos estabelecimentos filiais, bem como identificar se a recorrente, à época, apresentava DCTF e efetuava pagamento dos tributos de forma descentralizada, uma vez que nenhum dos indébitos apontados no recurso voluntário pertence ao estabelecimento matriz, ao qual se refere o auto de infração; 2. intimar a recorrente a comprovar o registro da compensação alegada em sua escrita fiscal à época da apresentação da DCTF; 3. intimar a recorrente a apresentar certidão de objeto e pé da ação que respaldou a alegada compensação; 4. intimar a recorrente a apresentar as peças processuais relativas ao processo de execução da sentença proferida na Ação nº 2000.34.00.0102701. Após o atendimento das intimações, deverá a repartição de origem analisar tais documentos, expedindo informação fiscal acerca das conclusões a que chegar, bem como quantificar os indébitos existentes, apurados nos termos da decisão judicial proferida e, constatando estarem liberados, providenciar sua vinculação a estes autos em valor suficiente para extinção do crédito tributário, até decisão administrativa final. Após, deverá ser dado ciência à recorrente da informação fiscal produzida nos termos acima, para que, se quiser, manifestese no prazo legal.” A SACAT/DRF/Santo ÂngeloRS, em atendimento à referida Resolução, após intimar o contribuinte e analisar os dados das ações judiciais, proferiu entendimento de que o contribuinte não demonstrou a correção da realização da compensação relativa ao mês de setembro/97, porque o contribuinte não teria apresentado nenhuma ação judicial com trânsito em julgado, reconhecendo o direito creditório alegado. Consta ainda que o contribuinte deixou de apresentar os livros diário e razão relativo ao período da compensação. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11073.000148/200287 Acórdão n.º 3301002.542 S3C3T1 Fl. 337 5 Tendo sido cientificado do relatório de diligência em 02/04/2009, o contribuinte apresentou em 15/05/2009, manifestação complementar, por meio da qual apresentou os livros diário e razão. É o relatório. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11073.000148/200287 Acórdão n.º 3301002.542 S3C3T1 Fl. 338 6 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Preliminar de Nulidade da Decisão Recorrida O recorrente pede a nulidade da decisão recorrida por ter deixado de apreciar as questões de natureza constitucional, prejudicandolhe o seu direito de defesa. Não prospera esta assertiva. De fato não cabe aos julgadores administrativos afastar a aplicação de lei ou decreto com fundamento em inconstitucionalidade. Eis o que dispõe o art. 26A do Decreto nº 70.235/72 – PAF: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) O objetivo do julgamento no processo administrativo é aferir a legalidade dos atos administrativos, para que estes coadunemse o mais próximo possível com a legislação tributária. Nos termos do art. 96 do CTN c/c art. 100 os atos normativos editados pela SRF são normas complementares e devem ser observados tanto pelos contribuintes quanto pelas autoridades administrativas, nestas incluídas as Delegacias de Julgamento por fazerem parte da própria SRF. Não seria razoável pretender que a SRF negasse validade aos seus próprios atos normativos. O art. 31 do Decreto nº 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal, assim dispõe sobre o conteúdo da decisão de 1ª instância: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Por sua vez, o art. 59, inc. II do mesmo decreto aborda as situações quanto à nulidade dos atos adminsitrativos: Art. 59 São nulos: (...); II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11073.000148/200287 Acórdão n.º 3301002.542 S3C3T1 Fl. 339 7 Vêse que a decisão a quo foi proferida por autoridade competente, está devidamente fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Não houve preterimento do direito de defesa, tanto é que o contribuinte em seu recurso voluntário denota perfeita compreensão do que foi decidido. Desta forma, afasto a preliminar de nulidade da decisão recorrida, suscitada pelo contribuinte em seu recurso voluntário. Mérito O contribuinte discorre muito sobre o seu direito a compensar créditos de supostos pagamentos indevidos decorrentes da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449/88. Informa que a compensação foi realizada em decorrência de autorização judicial e efetuada nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91. Após análise do processo, a 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, verificando a plausibilidade da existência do direito por parte do contribuinte, determinou a realização de diligência com o objetivo de que a autoridade administrativa confirmasse a correção da compensação efetuada. No relatório da diligência, a autoridade administrativa chega às seguintes conclusões, em síntese: que não foi efetuado o registro da compensação na escrita fiscal do contribuinte, ao contrário do que ele sempre alegou. Na verdade o controle da compensação foi efetuado somente por meio de anotações nos DARF; que nas DCTF não eram informadas compensações e sim, havia vinculação com pagamentos, no caso inexistentes; que o contribuinte, devidamente intimado, deixou de apresentar os livros diário e razão do período solicitado; que o contribuinte possuía ação judicial não transitada em julgado na qual objetivava a repetição de diferenças de PIS que haviam sido recolhidas com base nos Decretos Lei nº 2.445 e 2.449/88; conclui que a compensação relativa ao débito da matriz do período de apuração 09/97, é improcedente, “tendo em vista, que em relação ao estabelecimento matriz não foi apresentada nenhuma ação judicial com trânsito em julgado”. Do citado relatório o contribuinte tomou ciência em 02/04/2009 e somente apresentou sua manifestação complementar em 15/05/2009. Juntamente com a manifestação apresentou os livros diário e razão do período antes solicitado. Entendo que esta manifestação complementar não deve ser conhecida pois apresentada de forma intempestiva. No caso, para evitar cerceamento de direito de defesa, e considerando que novos fatos ou informações são adicionados ao processo, após a realização da diligência é permitido ao contribuinte a apresentação de manifestação complementar. Porém esta manifestação não pode ser apresentada a qualquer tempo. Devolvese naturalmente o mesmo prazo para que ele apresente a impugnação que é de 30 dias contados da ciência do ato. Isto em conformidade com os art. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Aqui não foi demonstrada a Fl. 345DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11073.000148/200287 Acórdão n.º 3301002.542 S3C3T1 Fl. 340 8 ocorrência de nenhuma das situações previstas no § 4º do art. 16 do referido decreto. Portanto preclusa a apresentação da manifestação e dos livros diário e razão. O contribuinte ao deixar de apresentar os livros razão e diário à autoridade administrativa não permitiu que ela verificasse de forma completa a ocorrência das compensações alegadas. Portanto não é necessário que se aborde todas as razões de defesa para concluir que o contribuinte deixou de demonstrar a correção da compensação alegada. Nos institutos da restituição, ressarcimento e compensação, embora sejam direitos garantidos ao contribuinte, cabe a ele demonstrar e fazer prova do direito creditório. Nos termos do inc. I do art. 333 do CPC, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto à existência de fato constitutivo do seu direito. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Tanto a restituição quanto a compensação só podem ser autorizadas no âmbito do direito tributário, se provierem de créditos líquidos e certos do interessado, cabendo a este o ônus de provar este direito. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.(Destaquei) Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Observase que para autorizar a compensação a lei estipula a existência de créditos líquidos e certos. No presente caso o contribuinte não conseguiu comprovar a efetividade do seu direito à restituição e a correção da compensação. Neste momento é importante relembrar o motivo do lançamento tributário. O contribuinte declarou em sua DCTF do terceiro trimestre/97, relativo ao fato gerador de setembro/97 que apurou saldo devedor de PIS correspondente a R$ 2.238,59. E que teria pago este valor por meio de DARF e não por compensação. Como a Receita Federal somente localizou 2 DARF no valor de R$ 10,00 cada um, lavrouse o auto de infração para a cobrança da diferença de R$ 2.218,59 com multa de ofício de 75% e juros de mora correspondente à taxa Selic. O lançamento tributário foi efetuado na vigência do art. 90 da MP nº 2.158 35/2001, o qual previa a exigência de ofício das diferenças apuradas em declaração do sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos administrados pela SRF. A teor do Fl. 346DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11073.000148/200287 Acórdão n.º 3301002.542 S3C3T1 Fl. 341 9 que dispõe o art. 144 do CTN, “o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”. Portanto correto o lançamento efetuado para exigência das diferenças de PIS devido com base na própria declaração do sujeito passivo. Por outro lado, invocando a aplicação do art. 106, inc. II, “a” que prevê a retroatividade benigna em caso de penalidades, afasto a exigência da multa de ofício lançada no auto de infração, uma vez que a sua exigibilidade foi afastada pelo art. 18 da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcrito: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Diante do exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário somente para afastar a aplicação da multa de ofício tendo em vista que ela deixou de ser exigida nas situações em que se amolda o presente lançamento, nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Retroatividade benigna prevista no art. 106, inc. II, “a” do CTN. Naturalmente, que caberá à unidade de origem, na execução do presente acórdão, verificar o cumprimento de eventual ação judicial do contribuinte que possa afetar o presente crédito tributário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 347DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 10715.005591/2009-55
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2004
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. INs SRF 28/1994 E 510/2005. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
A expressão imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, e do Decreto-lei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. INs SRF 28/1994 E 510/2005. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 55 91 /2 00 9- 55 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005591/200955 Acórdão n.º 3801005.335 S3TE01 Fl. 88 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005591/200955 Acórdão n.º 3801005.335 S3TE01 Fl. 89 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 02 a 04, por meio do qual encontrase formalizada a exigência do crédito tributário no valor de R$ 35.000,00 em decorrência do fato de a interessada, segunda a autuação, ter registrado intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos despachos de exportação indicados na planilha juntada à fl. 10, descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, sujeitandose por essa infração à multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Cientificada da exigência que lhe é imposta, a interessada apresenta a impugnação de fls. 17 a 25, argumentando, em síntese, que: a) não houve subsunção do fato acusado com a hipótese normativa prevista no art. 107, inciso IV da Lei n° 10.833, de 2003; b) ocorreu violação ao princípio da razoabilidade; c) a exigência para que os dados de embarque sejam registrados no exato momento da saída da aeronave é exacerbada; d) há um excesso de punição, não pode ser considerado cada um dos vôos realizados como base para a aplicação da multa; e e) o registro intempestivo dos dados de embarque das mercadorias não se confunde com a falta de prestação de referidas informações. ,.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a Impugnação, conforme ementa abaixo: Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2004 Ementa: Registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação. Realização. Intempestiva. Infração. Penalidade. O registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo à mercadoria destinada à exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994 sujeitando o transportador à multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005591/200955 Acórdão n.º 3801005.335 S3TE01 Fl. 90 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, acrescentando ainda que com a edição da Instrução Normativa n° 1.096/2010, que deixou de definir como infração a inserção de dados de embarque de mercadorias no Siscomex, quando realizada dentro do prazo de 07 dias, devese aplicar ao caso o instituto da retroatividade benigna. disposto no art. 106. II. do Código Tributário Nacional... É o Relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005591/200955 Acórdão n.º 3801005.335 S3TE01 Fl. 91 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprindo da obrigação acessória disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) Originalmente a IN SRF n° 28, de 27/04/1994 previa em seu art. 37 que o registro dos dados pertinentes no SISCOMEX deveria ser efetuado imediatamente após realizado o embarque da mercadoria: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (grifei) A IN SRF n° 510/2005, que entrou em vigor em 15/02/2005, veio dar nova redação ao art. 37 da IN SRF n° 28/1994, determinando que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Da inaplicabilidade de infração com base no disposto na redação original do art. 37 da IN SRF n° 28, de 27/04/1994 Verificase que os fatos que geraram a aplicação das multas ocorreram em 2004, ou seja, no período em que vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita "imediatamente após realizado o embarque da mercadoria ". Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005591/200955 Acórdão n.º 3801005.335 S3TE01 Fl. 92 6 Entendo que se trata de regra incerta e a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade. Como ressalta bem, o I. Relator José Luiz Novo Rossari, no processo de n° 10715.006280/200911, acórdão de n° 320200.364, de 01/09/2011: A matéria deve ser tratada com rigor ainda mais acentuado em se tratando de norma tributáriapenal, que deve obedecer ao princípio insculpido no art. 97, inciso V do CTN, devendo o elaborador usar, em sua redação legislativa, dos cuidados básicos pertinentes à matéria, de forma a evitar o surgimento de dúvidas e questionamentos elementares que venham a permitir a aplicação das regras mais benéficas ao autuado, previstas no art. 112 desse mesmo Código. O caso em exame é exemplo da falta desse cuidado, ao apontar prazo incerto para o cumprimento de norma, visto que "imediatamente após" não pode ser considerado como um prazo regulamentar. Daí que, na vigência original da IN SRF no 28/1994, não havia norma que impusesse prazo para que as empresas aéreas procedessem ao registro no Siscomex, visto que a expressão "imediatamente após" não se traduz em prazo certo para o cumprimento de obrigação. Resta acrescentar, por oportuno, que a interpretação dada a essa expressão pela Notícia Siscomex no 105/1994, no sentido de que deve ser entendida como "em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria" não tem base legal para os efeitos da lide, visto não estar compreendida entre os atos normativos de que trata o art. 100 do CTN. Tratase, no caso, de veiculação destinada à orientação do Fisco e dos usuários do Siscomex, mas sem que possua as características essenciais de ato normativo, razão pela qual sequer foi referida na autuação. Retornando à lide, resta que, em não havendo regra fixadora de prazo para que se implementasse a eficácia do art. 37 do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu a Lei no 10.833/2003, por ocasião de sua publicação, há que se concluir que o primeiro ato administrativo que veio a disciplinar esse artigo foi a IN SRF no 510, de 2005, antes transcrita, que em seu art. 1o alterou a redação do art. 37 da IN SRF no 28/1994, de forma a fixar o prazo de 2 (dois) dias para o registro dos dados pertinentes ao embarque. Como parte dos fatos que originaram este processo ocorreu entre 6/2/2005 e 11/2/2005, quando ainda não existia essa Instrução Normativa, são descabidas a sua arguição e a sua trazida ao mundo jurídico, de forma a alicerçar a caracterização de infrações e a legitimar a cominação de penalidades que lhe correspondam. Nesse sentido as regras estabelecidas pelo art. 150, III, "a", da Constituição Federal e pelo art. 2o, parágrafo único, XIII, da Lei no 9.784/1999, que rege o processo administrativo. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005591/200955 Acórdão n.º 3801005.335 S3TE01 Fl. 93 7 Desse modo, há que se concluir que a multa objeto de lide somente tem aplicação nos casos em que a inobservância da prestação de informações refirase a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e produziu efeitos. Assim devem ser exoneradas as multas relativamente aos fatos que ocorreram até 14/2/2005, no qual vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994. À vista do exposto, dou provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges . Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727418/2009-84
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
RECURSO PARCIAL
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
EDUCAÇÃO
Não integra o salário de contribuição o valor relativo à educação desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo.
Numero da decisão: 2403-001.976
Decisão: Recurso Voluntário provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão do levantamento DES e por maioria de votos , determinar a exclusão da multa. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari(relator) e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Designado para redigir o voto o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Marcelo Magalhães Peixoto
Relator designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 RECURSO PARCIAL Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. EDUCAÇÃO Não integra o salário de contribuição o valor relativo à educação desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo.
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decisao_txt : Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão do levantamento DES e por maioria de votos , determinar a exclusão da multa. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari(relator) e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Designado para redigir o voto o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Marcelo Magalhães Peixoto Relator designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
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EDUCAÇÃO Não integra o salário de contribuição o valor relativo à educação desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão do levantamento DES e por maioria de votos , determinar a exclusão da multa. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari(relator) e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Designado para redigir o voto o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 74 18 /2 00 9- 84 Fl. 510DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Marcelo Magalhães Peixoto Relator designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.727418/200984 Acórdão n.º 2403001.976 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, Acórdão 1528.426 da 5ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração (AI), Debcad nº 37.238.3912, lavrado em 17/11/2009, para constituição do crédito tributário correspondente às contribuições sociais do empregador, da empresa ou da entidade a ela equiparada na forma da lei, para financiamento da seguridade social, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, relativas ao período de 01/01/2005 a 31/12/2005, com consolidação em 06/11/2009, no montante de R$ 22.469,58 (vinte e dois mil quatrocentos e sessenta e nove reais e cinquenta e oito centavos), ao que se somam acréscimos legais totalizando, à data de consolidação, R$ 51.315,97 (cinquenta e um mil, trezentos e quinze reais e noventa e sete centavos). O contribuinte foi cientificado pessoalmente do Auto de Infração (AI) sob julgamento em 17/11/2009 (fl. 2) e apresentou impugnação em 17/12/2009 (fl. 437). Os valores apurados correspondem a: a) Contribuição previdenciária, a cargo do segurado empregado, sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título; b) contribuição previdenciária, a cargo do segurado contribuinte individual, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título. O lançamento está estruturado nos levantamentos relacionados no Discriminativo do Débito (DD), às fls. 5 a 13, com descrição no Relatório Fiscal (fls. 76 a 97). O Relatório Fiscal registra que os créditos previdenciários lançados no AI ora julgado referemse às competências de 01/2005 a 12/2005, apurados com base nas folhas de pagamento de empregados, notas fiscais de contribuintes individuais, livro diário e livro razão, os quais continham a remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados e aos segurados contribuintes individuais Fl. 512DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 que lhe prestaram serviços. Estes documentos foram solicitados pela fiscalização através do Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF). Informa que as bases de cálculo apuradas não foram declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Esclarece que foram utilizados os seguintes códigos de levantamento: · FPN Folha pagamento de empregado não declarada em GFIP; · DES Desconto na mensalidade dos filhos dos empregados não declarado em GFIP; · CI Contribuintes individuais contidos na contabilidade e não declarados em folha de pagamento nem em GFIP; · APF Ajuda pagamento de faculdade concedido a um funcionário (Simone Antonio Maneira). Quanto a este último código de levantamento, relata que a empresa forneceu, no dia 30/09/2009, uma declaração onde afirma que a empregada Simone Antonio Maneira, apesar de estar presente na planilha de beneficiários da bolsa escola para filhos de empregados, na verdade é beneficiária de ajuda para pagamento de faculdade, isto é, a empresa pagalhe uma quantia mensal para custeio de seu curso de nível superior. Não foi apresentado acordo ou convenção coletiva de trabalho onde constasse a concessão desse tipo de “Ajuda de pagamento” a todos os funcionários. A empresa teria informado que não possuía tal norma, já que o benefício fora oferecido exclusivamente para a empregada aqui nominada. O sujeito passivo apresentou peça impugnatória, às fls. 437 a 451, alegando, em síntese: · Que o art. 458 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), ao excluir as bolsas de estudo do conceito de "salário" (in natura), não teria excluído a educação dos dependentes do empregado, abarcando tanto as bolsas de estudo conferidas ao próprio trabalhador diretamente, quanto aquelas concedidas aos seus dependentes; · que as cláusulas existentes nas convenções coletivas para a concessão de bolsas de estudo aos filhos de professores e de auxiliares da administração escolar constituemse em cláusulas de caráter eminentemente social, obrigatório, impositivo e coercitivo para o estabelecimento de ensino; Fl. 513DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.727418/200984 Acórdão n.º 2403001.976 S2C4T3 Fl. 4 5 · que a correta inteligência dos artigos 22, inciso I, 28 e 30, da Lei n° 8.212/91 é de que o fato gerador da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos e a contribuição do empregado ocorrem com a efetiva prestação do serviço, quando então surge para a organização ou empresa o dever de remunerar o trabalhador. As bolsas de estudo aos dependentes do trabalhador não se constituem contraprestação aos serviços prestados, enquadrando se no conceito de remuneração para o trabalho e não pelo trabalho. Requer o julgamento de total improcedência do Auto de Infração, em face dos fundamentos fáticos e jurídicos alegados. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · As bolsas de estudos foram fornecidas aos dependentes dos funcionários nos termos das Convenções Coletivas. · As bolsas de estudos não correspondem à contraprestação de serviço e portanto não se sujeitam à tributação. · Segundo o art. 458 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a educação concedida pelo empregador não é considerada salário, sem distinção entre empregado e dependente. É o relatório Fl. 514DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. O lançamento tem por base, segundo a fiscalização, valores presentes nas folhas de pagamento que deveriam ser tributados e não o foram, remunerações a contribuintes individuais, descontos nas mensalidades dos filhos dos empregados e pagamento de faculdade a uma funcionária. Foram utilizados os seguintes códigos para os levantamentos: · FPN Folha pagamento de empregado não declarada em GFIP; · DES Desconto na mensalidade dos filhos dos empregados não declarado em GFIP; · CI Contribuintes individuais contidos na contabilidade e não declarados em folha de pagamento nem em GFIP; · APF Ajuda pagamento de faculdade concedido a um funcionário (Simone Antonio Maneira). O recurso atémse à questão da educação fornecida aos empregados e dependentes, portanto, é um recurso parcial. Por definição legal (Decreto 70.235) não se estabelece o contencioso sobre matéria não expressamente contestada. Art. 17.Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. EDUCAÇÃO TRIBUTAÇÃO Conforme o Relatório Fiscal, o Levantamento DES destinase à apuração das contribuições patronais incidentes sobre a remuneração indireta concedidas na forma Fl. 515DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.727418/200984 Acórdão n.º 2403001.976 S2C4T3 Fl. 5 7 de bolsa de estudo a filhos de empregados. As referidas bolsas têm como característica o desconto na mensalidade escolar de filhos de empregados da empresa. A tese apresentada pela recorrente é que as bolsas de estudos não se sujeitam à tributação. Entendo que cabe razão à recorrente e que o levantamento DÊS deve ser excluído do lançamento. O acórdão recorrido fundamentou sua decisão na alínea “t” do §9º do artigo 28 da Lei 8.212/91, sustentando que a não incidência alcança apenas os gastos com educação dos empregados, não podendo estes ser estendidos a seus dependentes sem a devida tributação. A Lei nº 8.212, de 24/07/1991, discorrendo a respeito das parcelas não integrantes do saláriodecontribuição, dispõe, na alínea "t" do parágrafo 9º do art. 28, a respeito do tema. Vejase: Lei nº 8212/1991 (...) Art. 28. (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). (Grifos do relator). Conforme determinação legal (Lei nº 8.212, de 1991, em seu art. 28, parágrafo 9º, alínea “t”), a não incidência alcança apenas os gastos com educação dos empregados, não podendo estes ser estendidos a seus dependentes sem a devida tributação. Não entendo que a alínea “t” exclui bolsas concedidas a dependentes. Além disso, mesmo ciente que o CTN estabelece como regra geral que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação (no caso, o ano 2005) e regese pela lei então vigente, observo que a Lei nº 12.513, de 2011, deu nova redação à alínea “t”, acima citada, incluindo expressamente na não incidência da tributação o valor Fl. 516DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes. t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos daLei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) O outro levantamento associado à educação é o “AFP Ajuda Pagamento de Faculdade Concedido a Um Funcionário”. A tese apresentada pela recorrente é que a educação fornecida não deve ser tributada. Entendo que o benefício, por ser disponibilizado a apenas 1 funcionário não se enquadra na hipótese legal de não incidência. O Relatório Fiscal informa que o benefício de ajuda pagamento de faculdade foi concedido exclusivamente a Simone Antonio Moreira e que em resposta à intimação para apresentação de acordo ou convenção coletiva ou norma da própria empresa sobre o assunto, foi informado que a empresa não possuía norma para concessão desse benéfico aos demais trabalhadores. A fundamentação legal para o lançamento foi a alínea “t” do §9º do artigo 28 da Lei 8.212/91, destacando que deveria ser educação básica e que todos deveriam ter acesso. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998) Registro a concordância com a decisão de primeira instância. Neste ponto, cumpre salientar a especificidade do levantamento intitulado “APF Ajuda pagamento de faculdade concedido a um funcionário”. Conforme relatado, o benefício era concedido apenas para uma Fl. 517DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.727418/200984 Acórdão n.º 2403001.976 S2C4T3 Fl. 6 9 empregada, o que descaracteriza a exigência legal de extensão à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Ressaltase que o art. 111, II, do Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172/66), impõe que, em matéria de outorga de isenção tributária, a legislação deve ser interpretada de forma literal. Portanto, os pressupostos básicos para a não incidência de contribuição previdenciária da alínea "t" são necessariamente os seguintes: a) o plano educacional vise à educação básica ou o curso de capacitação e qualificação profissional se vincule às atividades desenvolvidas pela empresa; e b) todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao plano educacional básico ou ao curso de capacitação e qualificação vinculado às atividades desenvolvidas pela empresa. MULTA A multa aplicada continha em seu cálculo os valores relativos ao levantamento DES, que eu voto por excluir do lançamento. Por coerência, devo me posicionar também pelo recálculo da multa, agora sem o levantamento DÊS. CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso, determinando a exclusão do levantamento DES e o recálculo da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 518DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Voto Vencedor Não obstante os fundamentos expostos pelo Ilmo. Relator, discordo, data venia, dos fundamentos expostos apenas no que concerne à questão da multa aplicada. A atuação se refere ao anocalendário de 2005 e trata de diferenças de recolhimentos, pelos motivos expostos acima, tendo o lançamento sido efetuado em novembro de 2009. A fiscalização ao aplicar a multa, aplicou a multa de ofício no importe de 75% em razão da infringência da norma disposta no art. 32, IV e parágrafo 5º da Lei 8.212/91, conforme o item de aplicação da multa constante do Relatório Fiscal do Auto de Infração. Ocorre que a multa por descumprimento de obrigação acessória, após a Lei 11.941/2009, se dá em comparativo ao disposto no art. 32A, da Lei 8.212/91, que não foi o procedimento adotado pelo auditor autuante para justificativa da aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. Dessa forma, ante o erro na aplicação da multa incidente no presente caso, entendo que a multa deva ser cancelada. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 519DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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