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Numero do processo: 10660.000847/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL. PROCEDIMENTO FISCAL. LEGALIDADE.
Tem amparo legal procedimento fiscal baseado na movimentação financeira incompatível com a renda declarada ou mesmo com a ausência de qualquer declaração de rendimentos.
ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO DE RECEITA. NOTA FISCAL DO PRODUTOR RURAL. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. DILIGÊNCIAS COMPROBATÓRIAS.
Comprovada a omissão de receita de atividade rural por documentação fiscal, declaração e demonstrativos apresentados pelo contribuinte e ratificados por diligências realizadas pela autoridade fiscal junto a clientes, Repartição Fazendária Estadual e à própria propriedade produtora, não há que se falar em presunção de omissão de receitas ou rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada.
No lançamento realizado com base em omissão de receitas/rendimentos comprovada, não são aplicáveis as exclusões características da apuração efetuada com base em presunção.
ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO DE RECEITA. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS.
Devidamente comprovada a existência de rendimentos da atividade rural não oferecidos à tributação, é ônus do contribuinte demonstrar por documentação hábil e idônea acompanhada da escrituração de livro caixa as despesas realizadas nessa atividade.
Numero da decisão: 2201-003.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 21/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL. PROCEDIMENTO FISCAL. LEGALIDADE. Tem amparo legal procedimento fiscal baseado na movimentação financeira incompatível com a renda declarada ou mesmo com a ausência de qualquer declaração de rendimentos. ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO DE RECEITA. NOTA FISCAL DO PRODUTOR RURAL. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. DILIGÊNCIAS COMPROBATÓRIAS. Comprovada a omissão de receita de atividade rural por documentação fiscal, declaração e demonstrativos apresentados pelo contribuinte e ratificados por diligências realizadas pela autoridade fiscal junto a clientes, Repartição Fazendária Estadual e à própria propriedade produtora, não há que se falar em presunção de omissão de receitas ou rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. No lançamento realizado com base em omissão de receitas/rendimentos comprovada, não são aplicáveis as exclusões características da apuração efetuada com base em presunção. ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO DE RECEITA. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. Devidamente comprovada a existência de rendimentos da atividade rural não oferecidos à tributação, é ônus do contribuinte demonstrar por documentação hábil e idônea acompanhada da escrituração de livro caixa as despesas realizadas nessa atividade.
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PROCEDIMENTO FISCAL. LEGALIDADE. Tem amparo legal procedimento fiscal baseado na movimentação financeira incompatível com a renda declarada ou mesmo com a ausência de qualquer declaração de rendimentos. ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO DE RECEITA. NOTA FISCAL DO PRODUTOR RURAL. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. DILIGÊNCIAS COMPROBATÓRIAS. Comprovada a omissão de receita de atividade rural por documentação fiscal, declaração e demonstrativos apresentados pelo contribuinte e ratificados por diligências realizadas pela autoridade fiscal junto a clientes, Repartição Fazendária Estadual e à própria propriedade produtora, não há que se falar em presunção de omissão de receitas ou rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. No lançamento realizado com base em omissão de receitas/rendimentos comprovada, não são aplicáveis as exclusões características da apuração efetuada com base em presunção. ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO DE RECEITA. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. Devidamente comprovada a existência de rendimentos da atividade rural não oferecidos à tributação, é ônus do contribuinte demonstrar por documentação hábil e idônea acompanhada da escrituração de livro caixa as despesas realizadas nessa atividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 08 47 /2 00 9- 11 Fl. 214DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 21/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls 204) apresentado em face do Acórdão nº 0927.351, da 4ª Turma da DRJ/JFA (fls 194), que julgou improcedente a impugnação (fls 180) apresentada pelo sujeito passivo ao auto de infração (fl 3) pelo qual se exige dele crédito tributário que somava, à época de sua constituição, R$ 294.462,61 (fl 2), relativo a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF e acréscimos legais, tendo por base de incidência rendimentos da atividade rural. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls 11), o contribuinte foi selecionado para fiscalização por encontrarse omisso na entrega das Declarações do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física DIRPF nos anoscalendário 2004 a 2006 e, no mesmo período, apresentar expressiva movimentação financeira. Intimado, o fiscalizado apresentou seus extratos bancários do período abrangido pelo procedimento e esclareceu que os recursos movimentados são decorrentes da exploração de atividade rural, tendo juntado demonstrativos, notas de produtor rural em relação a operações realizadas com clientes domiciliados em Estados da federação diferentes do de sua residência, resumo demonstrativo das notas fiscais, fonte pagadora e depósitos nos bancos, cópia do cartão de produtor rural, contratos de arrendamento e financiamento rural e declaração do tratorista para comprovar sua atividade profissional e a origem dos recursos. Essas informações foram ratificadas pela fiscalização em diligências realizadas junto ao principal cliente do contribuinte, documentação obtida na Repartição Fazendária Estadual e visitas nas propriedades utilizadas para a produção rural. Ao rendimento decorrente do somatório das informações prestadas pelo próprio contribuinte e das obtidas junto ao seu principal cliente foi aplicado o percentual de 20% para obtenção da receita bruta de cada anocalendário (art. 5º da Lei nº 8.023, de 1990). Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10660.000847/200911 Acórdão n.º 2201003.694 S2C2T1 Fl. 215 3 O imposto de renda foi lançado com a multa de ofício de 75%. O sujeito passivo teve ciência do auto de infração em 20/08/2009 (AR à fl 178) e apresentou impugnação em 18/09/2009 (fls 180). A ciência da decisão da DRJ/JFA, que julgou improcedente sua impugnação, ocorreu em 21/12/2009 (fl 211) e o recurso voluntário foi protocolado tempestivamente em 19 de janeiro de 2010 (fls 204). Em suas razões recursais o contribuinte alega, em síntese, que: A fiscalização teve início com base em informações obtidas a partir da movimentação financeira do contribuinte, o que estava amparado pelo §3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, contudo, na data do início da ação fiscal e do próprio lançamento, essa lei já estava revogada; O §1º do art. 144 não autoriza o fisco a usar um procedimento previsto em lei que perdeu vigência; A Súmula 182 do extinto TRF, no que é seguido por jurisprudência que menciona, considerava ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas nos extratos bancários ou depósitos bancários; Ao utilizar os extratos bancários a fiscalização não observou os mandamentos dos incisos I e II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que determina a exclusão de transferências no valor de R$ 80.000,00 por anocalendário; O fisco não fez prova da receita bruta levada a tributação; A fiscalização aplicou diretamente o art. 5º da Lei nº 8.023, de 1990, sem observar o art. 4º, que determina a dedução das despesas; A fiscalização também não aplicou as alíquotas de 10% e 25% previstas nos incisos I e II do art. 10. É o relatório. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Inicialmente, o recorrente alega a nulidade do lançamento tendo em vista que, quando ele ocorreu, a Lei nº 9.311, de 1996, não estaria mais em vigor. Não lhe assiste razão, entretanto. Fl. 216DF CARF MF 4 Em primeiro lugar porque, quando da ocorrência dos fatos geradores tributários, essa norma ainda produzia todos os seus efeitos não havendo qualquer restrição à obtenção das informações pela Secretaria da Receita Federal. Tendo regular acesso às informações, a seleção de contribuintes para fiscalização é procedimento interno não afetado por essa alteração na legislação. A isso deve se somar a autorização contida na Lei Complementar nº 105, de 2001, norma ainda em vigor e cuja constitucionalidade foi recentemente confirmada pelo STF em sede de repercussão geral. Por outro giro, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, caracteriza como omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantido junto a instituição financeira em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Esta norma também se encontra em vigor autorizando o procedimento fiscal com base na movimentação bancária do contribuinte e, mais do que isso, criando uma presunção de omissão de rendimentos à qual se contrapõe um ônus do sujeito passivo em demonstrar que a omissão não existiu. Portanto, sem qualquer razão o apelante, uma vez que há mais de um dispositivo legal em vigor autorizando o procedimento adotado pela autoridade fiscal. A despeito disso, não é correto afirmar que o lançamento foi efetuado tendo por base exclusiva os depósitos bancários, uma vez que a omissão de rendimentos da atividade rural foi suportada em declarações e documentos juntados pelo sujeito passivo, o que foi confirmado por diligências realizadas pela autoridade fiscal. Quanto a esse aspecto, é de se registrar que o auto de infração (fls 2) contém um único item, que é identificado como "atividade rural omissão de rendimentos da atividade rural", e nele consta a seguinte descrição: Omissão de rendimentos provenientes de atividade rural, anos calendario de 2004 a 2006, apurados em conformidade com os demonstrativos elaborados pelo próprio contribuinte, circularizaçäo junto ao Carrefour Comércio e Indústria Ltda (seu principal fornecedor) do efetivo recebimento e confronto com as próprias 5” vias das notas fiscais de venda de produtor rural e cadastro de produtor rural arquivados na Repartição Fazendária Estadual de Cambuí, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo.(fl 5) O enquadramento legal está no mesmo documento e não há menção nele ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, mas sim à legislação que trata da tributação da atividade rural. Isso significa que, embora a procedimento fiscal tenha se iniciado a partir da identificação de movimentação financeira incompatível, o lançamento não foi realizado com base na presunção de omissão de receita ou rendimentos estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Na verdade, o lançamento teve por base a identificação de omissão de receita de atividade rural cabalmente demonstrada no processo. Como o lançamento não foi realizado com base na presunção de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não se justifica a pretensa exclusão dos depósitos de valor individual de até R$ 12.000,00 limitados a R$ 80.000,00 no ano. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10660.000847/200911 Acórdão n.º 2201003.694 S2C2T1 Fl. 216 5 Na hipótese em questão, comprovada por documentação hábil e idônea a existência de receita da atividade rural, também era ônus do contribuinte comprovar as despesas realizadas com essa atividade, conforme determina a Lei nº 9.250, de 1995, no seguinte dispositivo: Art. 18. O resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas, a partir do anocalendário de 1996, será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade. § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição. § 2º A falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário. § 3º Aos contribuintes que tenham auferido receitas anuais até o valor de R$ 56.000,00 (cinqüenta e seis mil reais) facultase apurar o resultado da exploração da atividade rural, mediante prova documental, dispensado o registro do Livro Caixa. Logo, por disposição expressa de lei, a falta de escrituração implica arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta. Assim, se o contribuinte deixou de realizar a escrituração tal como exigido pela legislação, deve se submeter ao arbitramento. Por outro lado, o protesto pelas deduções de que trata o art. 7º da Lei nº 8.023, de 1990, também é carecedor de amparo já que essas deduções foram revogadas pelas Leis nº 8.383, de 1991, e nº 9.249, de 1995. A mesma sorte teve as alíquotas de 10% e 25% que estavam estipuladas no art. 10 dessa Lei, que foi revogado elas Lei nº 8.134, de 1991, e nº 8.383, de 1991. Afastados todos os argumentos apresentado pelo impugnante, não se identifica qualquer vício no procedimento fiscal que pudesse macular o lançamento realizado. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer o recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 218DF CARF MF 6 Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000526/2007-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 28/12/2002 a 31/12/2002
BASE DE CÁLCULO. PIS/PASEP. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÁS EMPRESAS VEÍCULOS DE ANÚNCIOS. INCIDÊNCIA.
As agências de Publicidade e Propaganda não podem excluir da base de cálculo do PIS, valores recebidos de empresas veículos de anúncios valores das faturas /notas fiscais de serviços por se tratar custos e despesas.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 28/02/2002 a 31/01/2004
BASE DE CÁLCULO. COFINS. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÁS EMPRESAS VEÍCULOS DE ANÚNCIOS. INCIDÊNCIA.
As agências de Publicidade e Propaganda não podem excluir da base de cálculo da COFINS, valores recebidos de empresas veículos de anúncios valores das faturas /notas fiscais de serviços por se tratar custos e despesas.
Numero da decisão: 9303-004.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/12/2002 a 31/12/2002 BASE DE CÁLCULO. PIS/PASEP. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÁS EMPRESAS VEÍCULOS DE ANÚNCIOS. INCIDÊNCIA. As agências de Publicidade e Propaganda não podem excluir da base de cálculo do PIS, valores recebidos de empresas veículos de anúncios valores das faturas /notas fiscais de serviços por se tratar custos e despesas. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 28/02/2002 a 31/01/2004 BASE DE CÁLCULO. COFINS. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÁS EMPRESAS VEÍCULOS DE ANÚNCIOS. INCIDÊNCIA. As agências de Publicidade e Propaganda não podem excluir da base de cálculo da COFINS, valores recebidos de empresas veículos de anúncios valores das faturas /notas fiscais de serviços por se tratar custos e despesas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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AUTO DE INFRAÇÃO RECEITAS DE TERCEIROS PROPAGANDA Recorrente PRIME BRASIL PUBLICIDADE LTDA. (antiga denominação de IBI Propaganda Ltda.) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 28/12/2002 a 31/12/2002 BASE DE CÁLCULO. PIS/PASEP. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÁS EMPRESAS VEÍCULOS DE ANÚNCIOS. INCIDÊNCIA. As agências de Publicidade e Propaganda não podem excluir da base de cálculo do PIS, valores recebidos de empresas veículos de anúncios valores das faturas /notas fiscais de serviços por se tratar custos e despesas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/02/2002 a 31/01/2004 BASE DE CÁLCULO. COFINS. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÁS EMPRESAS VEÍCULOS DE ANÚNCIOS. INCIDÊNCIA. As agências de Publicidade e Propaganda não podem excluir da base de cálculo da COFINS, valores recebidos de empresas veículos de anúncios valores das faturas /notas fiscais de serviços por se tratar custos e despesas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 05 26 /2 00 7- 81 Fl. 579DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 580 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento no art. 67 e §§ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº256/09, contra ao acórdão nº 340101.683, proferido pela 4º Câmara/1º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, que decidiu em negar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo a impossibilidade de excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS, valores relativos aos valores entregues pelas agências de propaganda e publicidade aos órgãos veiculadores. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Tratase de auto de infração lavrado em 28/02/2007 para a exigência do PIS/Pasep e da Cofins, ambas contribuições ainda sob o regime da cumulatividade, que teriam sido recolhidas a menor pela autuada relativamente aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2002 e de janeiro de 2002 a janeiro de 2004, respectivamente. De acordo com o relato da fiscalização, a infração restou caracterizada porquanto a empresa autuada – uma agência de propaganda e publicidade – não obstante indicasse no corpo das suas notas fiscais de prestação de serviços, e de forma separada, o montante de seus honorários [“Serviços Prestados”] e o montante dos valores repassados a terceiros [“Despesas com Terceiros”], fez incluir na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins apenas o primeiro deles. Considerou o Fisco, porém, que teria havido a inobservância das regras que determinam a apuração da base de cálculo das referidas contribuições, contidas na Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, mais especificamente, no seus artigos 2º e 3º, os quais não contemplariam quaisquer exclusões, de sorte que o correto teria sido o oferecimento do valor total da nota fiscal à tributação". O Acórdão restou assim ementado: Fl. 580DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 581 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 28/02/2002 a 31/12/2002 BASE DE CÁLCULO. AGÊNCIA DE PROPAGANDA E PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÀS EMPRESAS DE DIVULGAÇÃO DOS ANÚNCIOS. Durante o regime da cumulatividade do PIS/Pasep não havia a previsão legal para que fossem retiradas da base de cálculo os valores que, incluídos no valor total da nota fiscal de prestação de serviços, correspondiam aos repasses efetuados às empresas encarregadas de divulgação dos anúncios ao público em geral. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/02/2002 a 31/01/2004 BASE DE CÁLCULO. AGÊNCIA DE PROPAGANDA E PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÀS EMPRESAS DE DIVULGAÇÃO DOS ANÚNCIOS. Durante o regime da cumulatividade da Cofins não havia a previsão legal para que fossem retiradas da base de cálculo os valores que, incluídos no valor total da nota fiscal de prestação de serviços, correspondiam aos repasses efetuados às empresas encarregadas de divulgação dos anúncios ao público em geral. Recurso Voluntário Negado Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, sustentando que: entendeu a Fiscalização Federal de Forma equivocada, que a Recorrente teria deixado de recolher o PIS e a COFINS sobre os valores que foram incluídos nas suas notas fiscais/faturas, mas que pertencem aos terceiros ( veículos de divulgação, produtores de vídeo, g´raficas, etc) por ela contratados por conta e ordem dos seus clientes (anunciantes). O lançamento fiscal, a começar pela pífia fundamentação utilizada pelo Auditor (parágrafos 1º e 2º do inciso III do artigo 3º da lei nº 9.718/98, um deles julgado inconstitucional pelo STF e outro totalmente inaplicável ao caso) a Recorrente apresentou Impugnação Administrativa, ocasião em que demonstrou e comprovou a correção dos recolhimentos de PIS e COFINS e a completa improcedência do lançamento fiscal, fls.517. Essa confusão ou desconhecimento da matéria conduziu o julgamento a uma outra conclusão equivocada: a de que a contratação existente entre a Recorrente e os seus clientes, no que pertine aos valores que foram considerados para o lançamento fiscal, teria sido realizada de forma global, Fl. 581DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 582 4 para a criação e também divulgação dos trabalhos, mais um equívoco da decisão recorrida. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 20216.820 e 20179.211. No despacho de admissibilidade, o Presidente da Câmara admitiu o Recurso, fls 563/565, quanto à existência de divergência, do cotejo entre os acórdãos recorrido e paradigmas, apontada dissensão em relação à matéria de direito, tendo estes últimos concluído, em oposição àquele, que os valores repassados pelas agências de publicidade aos veículos de propaganda, nos moldes da Lei nº 4.680/65, devem ser excluídos da apuração do PIS/Pasep e Cofins. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, fls. 568/571, requerendo que seja negado provimento ao Recurso e mantido o acórdão recorrido. É o relatório Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O dissenso jurisprudencial submetido ao crivo deste Colegiado cingese em relação a matéria de direito, especialmente se os valores repassados pelas agências de publicidade aos veículos de propaganda, nos moldes da Lei nº 4.680/65, devem ser excluídos ou não da apuração do PIS/Pasep e Cofins. Porém, antes de analisar as questões de mérito, cabe apresentar algumas considerações relevantes para compreensão do correto deslinde da controvérsia. Com efeito, compulsando os autos, extraise da "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal (is), às folhas 149, 150 e 158, e do Termo de Verificação de Encerramento de Ação Fiscal, às folhas 144 a 147,que a autuação é decorrente da apuração de insuficiência de recolhimento da Cofins e da contribuição ao PIS. Fundamenta a autoridade lançadora que a contribuinte excluiu da base de cálculo das contribuições valores repassados a terceiros, sem previsão legal". Por seu turno, o acórdão recorrido manteve o lançamento sob o fundamento de que: "O próprio STF definiu por ocasião do decidido no RE nº 346.084/PR, Pleno, Relator Ministro Cezar Peluzo, DJ 01/09/2006, o faturamento adstringese àqueles ingressos oriundos da realização do objeto social da empresa (venda de mercadorias ou prestação de serviços), e, no presente caso, o valor que o Fisco considerou para proceder ao presente lançamento foi retirado da nota fiscal de prestação de serviços emitida pela empresa, ou seja, não foi retirada da escrituração contábil, o quê, como se sabe, se dá com as outras receitas operacionais, a maioria delas decorrentes de transações que não demandam a expedição de nota fiscal e até mesmo de recibos. Por isso é que não podemos analisar a questão sob o viés dos efeitos que o conceito de alargamento da base de cálculo poderia provocar, ou seja, e, com outras palavras, estamos diante de um valor que, por estar contido na nota fiscal de prestação de serviços, não pode ser denominado de outra forma senão a de um item do faturamento". É que, se bem Fl. 582DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 583 5 repararmos na leitura conjunta que se faz dos artigos 9º e 15º da Lei 4.680, de 1965 – repetidamente invocada pela Recorrente para fazer valer sua argumentação – concluiremos que a agência poderá cobrar os seus honorários e apresentar ao anunciante as despesas que realizar [junto aos vinculadores, por exemplo], o que implica que isso deve ocorrer mediante a emissão de notas fiscais distintas: uma pela agência e a outra pelo órgão veiculador". Quanto à matéria, registro meu posicionamento e desta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme decisão consubstanciada no Acórdão nº 930301.59, de relatoria do Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, pronunciada na sessão de julgamento de 30 de agosto de 2011, a qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 COFINS/FATURAMENTO. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. BASE DE CÁLCULO. VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. TRIBUTAÇÃO. As agências de propaganda e publicidade não podem excluir da base de cálculo da Cofins, apurada a partir da soma dos valores totais das faturas/notas fiscais de serviços por elas emitidas, os valores pagos aos veículos de divulgação, que não são meros repasses financeiros, mas sim custos ou despesas. NOTA FISCAL/FATURA. PREÇO DOS SERVIÇOS PRESTADOS. A nota fiscal/fatura representa o valor dos serviços prestados pelo emitente ao seu destinatário, no valor da importância total nela consignada. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate diz respeito à base de cálculo da Cofins devida pelas agências de propaganda. De um lado, a Fazenda entende que a contribuição incide sobre o total da receita proveniente do faturamento constante das Notas Fiscais emitidas pela reclamante, enquanto esta defende a exclusão dos valores pagos por ela aos veículos de divulgação. A meu sentir, não merece reparo o acórdão recorrido, pois a Cofins, diferentemente do que acontece com o IRPJ e a CSLL, à época da ocorrência dos fatos geradores objeto destes autos, incidia sobre o total do faturamento, assim entendido, as receitas provenientes da venda de mercadorias, de serviços ou de ambos, e não sobre o lucro ou a diferença entre as receitas e as despesas, como acontece com esses dois tributos. No caso sob análise, dúvida não há que a Fiscalização tributou, tão somente, as receitas oriundas do faturamento realizado pela recorrente, com base nas Fl. 583DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 584 6 Notas Fiscais de serviços por ela emitidas, como determinava a legislação dessa contribuição, vigente à época dos fatos geradores objeto do lançamento em análise. É incontroverso nos autos que os valores lançados correspondem aos das faturas emitidas pela Fiscalizada. A discórdia entre ela e o Fisco reside na pretensão de se excluir da base de cálculo os valores correspondentes aos pagamentos efetuados aos veículos de divulgação, para tanto, a defesa socorrese da Lei 4.680/65 que dispõe sobre o exercício da profissão de publicitário e de agenciador de propaganda. Acontece, porém, que essa lei não dispõe sobre o tratamento tributário das pessoas que menciona, como não poderia ser. A incidência das contribuições devidas pelas agências publicitárias e pelos veículos de divulgação, á época dos fatos em análise, obedecia à regra geral das demais pessoas jurídicas, sem qualquer regalia ou diferenciação. De outro lado, o que a recorrente pretende, na realidade, é tributar apenas a receita líquida, deduzindo as despesas incorridas com a prestação dos serviços. Essa pretensão poderia encontrar abrigo se estivéssemos tratando de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou ainda da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, onde a incidência está associada ao conceito de lucro, grosso modo, receitas menos despesas, mas não sobre as contribuições incidentes sobre o faturamento, como é o caso da Cofins, que tem como base de cálculo as receitas oriundas da venda de bens, de serviços ou de ambos. As exclusões permitidas são somente aquelas listadas, numerus clausus, na lei instituidora da contribuição, in casu, a Lei Complementar 70/1991, e nas demais que alteraram o texto original, sobretudo a Lei 9.715/1998 e 9.718/1998. Dentre as exclusões legais não se encontra a pretendida pelo sujeito passivo. De outro lado, como já dito linhas acima, não se pode aplicar a essa contribuição os mesmos critérios adotados para o IRPJ e para a CSLL, que tem forma diversa de tributação. Aqui, peço licença para transcrever excerto do voto condutor do acórdão recorrido, da Lavra do eminente Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, que discorreu sobre o tema com a costumeira competência. Para o deslinde da questão importa analisar, primeiro, a legislação afeta ao mercado de propaganda e publicidade, visando definir se os pagamentos efetuados pela recorrente aos veículos seriam meros repasses financeiros, ou seriam custos, como considerou a Fiscalização, e também para saber de que modo as agências de propaganda devem faturar os serviços por elas prestados; segundo, analisar as bases de cálculo do PIS, do IRPJ e do ISS, para saber se as legislações dos dois impostos podem ser aplicadas à contribuição; terceiro, as decisões administrativas citadas, que supostamente confirmariam os argumentos da recorrente. A Lei nº 4.680/65, como sua ementa indica, dispõe “sobre o exercício da profissão de Publicitário e de Agenciador de Propaganda e dá outras providências.” Após definir que agenciadores são “os profissionais que, vinculados aos veículos da divulgação, a eles encaminhem propaganda Fl. 584DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 585 7 por conta de terceiros” (art. 2º), e que agência é a pessoa jurídica especializada em publicidade (art. 3º), estabelece no seu art. 11 que a comissão constitui a remuneração dos agenciadores, enquanto o desconto a remuneração das agências, sendo ambas fixadas pelos veículos de divulgação, sobre os preços estabelecidos em tabela destes. A finalidade da referida Lei é regular as profissões de publicitário e agenciador de propaganda e não o mercado de propaganda e publicidade. Tanto assim que nos seus artigos finais determinou a sua fiscalização a cargo do antigo Departamento Nacional do Trabalho, enquanto sua regulamentação ficou para o Ministério do Trabalho. Além do mais, o meio da publicidade não funciona como prevê a lei, sendo comum as agências substituírem as pessoas físicas que exercem a atividade regulamentada de agenciador de propaganda. Embora o artigo 17 da referida Lei nº 4.680/65 estabeleça que a atividade publicitária nacional será regida pelos princípios e normas do Código de Ética dos Profissionais da Propaganda, instituído em 1957, nem na Lei, nem no Código, há qualquer dispositivo de índole tributária, tampouco dispondo sobre os valores das faturas/notas fiscais a serem emitidas pelas agências ou pelos veículos de propaganda. As disposições acerca do faturamento, mas não sobre os valores de faturas ou notas fiscais, repita se, encontramse no Decreto nº 4.680/65, que dispõe: “Art 9º Nas relações entre a Agência e o cliente serão observados os seguintes princípios básicos. (...) IV O Cliente comprometerseá a liquidar à vista, ou no prazo máximo de trinta (30) dias, as notas de honorários e de despesas apresentadas pela Agência. (...) Art 15. O faturamento da divulgação será feito em nome do Anunciante, devendo o Veículo de Divulgação remetêlo à Agência responsável pala propaganda.” (Grifos nosso) Os dois dispositivos acima precisam ser lidos em conjunto, impondose uma interpretação sistemática. Assim, percebese que a agência poderá cobrar os seus honorários e apresentar ao anunciante as despesas que realizar. Todavia, cada nota fiscal ou fatura deve ser emitida com o valor dos serviços que cada empresa realizar: a da agência com o valor dos seus diversos serviços, a do veículo com o valor da veiculação. Uma fatura englobando as outras, como no caso em tela, é prova de que quem emitiu pelo total contratou todos os serviços. Por que o veículo deve remeter a sua fatura à agência de propaganda? Para que esta confira os serviços e apresentea ao anunciante, demonstrando que a propaganda elaborada foi devidamente veiculada e que cada um (agência e veículo) possa receber a sua parte, a par das faturas emitidas, na forma dos contratos firmados. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 586 8 A interpretação feita pela recorrente não se sustenta porque transforma simples apresentação da fatura do veículo, ao anunciante, numa suposta obrigatoriedade de emissão da sua fatura por valor irreal, que não refletiria as operações. Pretende fazer prevalecer sobre a legislação tributária e comercial dispositivos isolados da Lei nº 4.680/65 e do Decreto que a regulamenta, numa interpretação assaz desarrazoada que não encontra guarida nem ao menos na literalidade dos texto legal. As agências de propaganda desenvolvem atividades complexas, sendo remunerada de diversas formas, tanto por parte dos veículos quanto pelos clientes anunciantes. Neste sentido a própria recorrente informa que tal remuneração pode ser decomposta em três parcelas: honorários à base de 20%, cobrados dos veículos; honorários de no mínimo 15%, cobrados dos clientes anunciantes; e honorários diversos, por serviços especiais, como pesquisas de mercado, promoção de vendas, relações públicas, etc. Destarte, uma agência pode realizar os contratos mais diversos, tanto com os seus anunciantes quanto com os veículos, a depender de cada situação específica. O desconto a ser recebido dos veículos, de que fala o art. 11 da Lei nº 4.680/65, é apenas uma das formas possíveis de remuneração, constituindo se na hipótese em que a agência é remunerada pelos veículos e não pelos anunciantes. A hipótese dos autos é outra, pois a recorrente, ao emitir a nota fiscal/fatura pelo valor total dos serviços, deixa caracterizado um contrato em que é remunerada de forma global pelos anunciantes. Tratase de um “pacote fechado”, nos quais dentre outros serviços encontrase o de veiculação, a ser contratado junto a emissoras de televisão, rádios, editoras, etc. Daí os pagamentos aos veículos serem custos e não meros repasses financeiros. Neste ponto cabe destacar que a fatura é o documento comprobatório de um serviço prestado ao seu destinatário por quem a emite, no valor da importância total nela consignada. É o que informa o art. 20 da Lei nº 5.474/68, cuja dicção é a seguinte: “Art. 20. As empresas, individuais ou coletivas, fundações ou sociedades civis, que se dediquem à prestação de serviços, poderão, também, na forma desta lei, emitir fatura e duplicata. § 1º A fatura deverá discriminar a natureza dos serviços prestados. § 2º A soma a pagar em dinheiro corresponderá ao preço dos serviços prestados.” (destaque nosso) Interpretando o artigo acima, Rubens Requião informa que “a fatura discriminará a natureza do serviço prestado, e a soma a pagar corresponderá ao seu valor.”1 Valor este que corresponde a receita auferida pela recorrente, embora parte dela seja destinada aos veículos de Fl. 586DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 587 9 propaganda. Ressaltese que após emitida a fatura o prestador dos serviços poderá acompanhála de duplicata, que como se sabe é título executivo extrajudicial. Ou seja, a recorrente tornase titular do direito de crédito junto ao anunciante, no valor da fatura emitida. No caso dos autos, em que os veículos também emitem notas fiscais contra os anunciantes, de forma que a soma dos documentos comerciais resulta num valor superior à soma dos serviços, o procedimento não está correto. Os veículos deveriam faturar em nome da recorrente. Da forma como está há duplicidade de valores faturados contra o anunciante. De todo modo, e apesar da incorreção, o fato de a recorrente ter em seu poder vias de notas fiscais emitidas por terceiros contra o seu credor, o anunciante, não lhe permite deduzir tais valores da sua receita bruta. Até porque é certo que o PIS também incidirá sobre os valores faturados pelos veículos, em face da sua incidência em cascata ou bis in idem (bis repetição; in idem sobreo mesmo). Passase agora à análise da base de cálculo do PIS, que no período é o faturamento ou receita bruta, na forma das Leis nºs 9.715/98 e 9.718/98, sendo despiciendo analisar as alterações promovidas por esta última. Do total das receitas auferidas, relativas a vendas de mercadorias e prestação de serviços, não são deduzidos os custos ou despesas, ainda que o resultado implique em prejuízo. Daí não se aplicar ao PIS nem à Cofins o conceito contábil de receita como acréscimo patrimonial, não havendo nisto qualquer ofensa ao art. 110 do CTN. Neste sentido o pronunciamento do STF na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1, mais precisamente no voto do relator, Min. Moreira Alves, ao acentuar a conceituação de faturamento para fins tributários, nos termos da LC nº 70/91. Também não tem qualquer importância a contabilidade, não alterando a base de cálculo do PIS a apropriação dos valores recebidos dos anunciantes, na parte destinada aos veículos, em conta do passivo. Como obrigações também podem ser apropriados outros custos e despesas, sem qualquer influência no cálculo do PIS. Neste sentido a Lei nº 9.718/98 veio explicitar, no seu art. 3º, § 1º, que “Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” As deduções possíveis na base de cálculo do PIS são somente aquelas elencadas expressamente em lei, a depender das especificidades de cada atividade. Assim acontece, por exemplo, com as sociedades cooperativas, as instituições financeiras e as operadoras de planos de saúde, mas não com a atividade de propaganda e publicidade, sujeitas às mesmas regras das outras prestadoras de serviços. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 588 10 No IRPJ, bem diferente do PIS e da Cofins, a base de cálculo é a renda ou resultado do período, podendo ser deduzidos das receitas os custos e as despesas incorridos. Por isto é que a legislação do IRPJ prevê que a retenção desse imposto, na atividade de agência de propaganda, se dê sobre o valor líquido, após a dedução dos pagamentos aos veículos. Quanto à IN Conjunta SRF/STN/SFC nº 04/97, cujo art. 13 é citado no Recurso, determina que a retenção se dê sobre o valor de cada nota fiscal, não podendo ser aplicada como pretende a recorrente. Observese: “Art. 13. Nos pagamentos de serviços de propaganda e publicidade, quando efetuados por intermédio de agência de propaganda, a retenção será efetuada em relação a esta e a cada uma das demais pessoas jurídicas prestadoras do serviço, pelo valor das respectivas notas fiscais de sua emissão. (...) § 3º O valor do imposto e das contribuições retido será compensado pela empresa emitente da nota fiscal, na proporção de suas receitas, devendo o comprovante de retenção ser fornecido em seu nome.” O ISS, por sua vez, é tributo cuja base de cálculo pode variar de um Município para outro, no âmbito de suas competências tributárias. Destarte, sua legislação, assim como a do IRPJ, não podem ser aplicadas ao PIS, como já assentado na decisão de primeira instância. Adentra se agora no terceiro e último ponto desta análise, cabendo afirmar que, do mesmo modo como a legislação do IRPJ não pode ser aplicada ao PIS, também assim acontece com as decisões administrativas citadas no Recurso, quase todas relativas a esse imposto ou a CSLL, que lhe segue. Apenas Solução de Consulta da SRRF da 7ª Região Fiscal nº 350/98 e o Acórdão nº 20173.944 é que dizem respeito à contribuição. Esta Solução de Consulta da SRRF da 7ª Região Fiscal nº 350/98 informa que as agências de turismo podem excluir das bases de cálculo do PIS e da Cofins os valores repassados às empresas de transportes aéreos, relativamente às vendas de passagens. Tratase de vendas em consignação, que não é o caso das agências de propaganda. Quanto ao Acórdão nº 20173.944, invocado sob o argumento de que cabe à fiscalização comprovar que os valores arrecadados por ordem dos veículos de propaganda se constituem em receita por ela auferida, trata da Cofins em situação distinta da dos autos e que serve, inclusive, para demonstrar a diversidade dos contratos no ramo da publicidade. Conforme o relatório daquele julgado, ali o preço total do serviço publicitário, incluindo a veiculação, é contratado diretamente entre o cliente anunciante e a agência, havendo duas formas de pagamento. No chamado “desconto” o veículo recebe diretamente do anunciante oitenta por cento do total, emitindo nota fiscal nesse valor, enquanto a agência recebe também do anunciante o restante, faturando o equivalente a vinte por cento. Já na Fl. 588DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 589 11 chamada “comissão” a situação é semelhante à destes autos, com o veículo no lugar da agência. Na primeira situação não há dúvida quanto à tributação, até porque os valores e faturas são independentes. Na segunda, todavia, o veículo fatura pelo total e emite a duplicata correspondente, cobrando o total mas considerando não tributável a parcela que repassará para a agência, a título de comissão. O ilustre relator, Conselheiro Jorge Freire fundamenta se em julgamento anterior Recurso nº 109.019 , quando ficou assentado que o valor referente ao repasse de verbas de empresas consorciadas, para empresa responsável pela administração de obra a cargo daquelas, não constituía faturamento a ensejar a incidência da norma impositiva. Não aplicaria o mesmo fundamento, pelo que chego a conclusão diferente. Tanto no julgado mais antigo, relativo a obra subcontratada, quanto no Acórdão nº 20173.944, em que o veículo de divulgação fatura e recebe pelo total dos serviços, para efeito de base de cálculo do PIS deve ser tomada a soma dos valores faturados por cada empresa. É vedado o abatimento em virtude de subcontratos e também o decorrente de repasses dos veículos de propaganda às agências. De igual modo neste julgado, em que a emissão de faturas/notas fiscais pelo total, por parte da recorrente, caracteriza a remuneração global a cargo dos anunciantes. A referendar a interpretação ora adotada, cabe mencionar que esta Terceira Câmara, por unanimidade de votos, já decidiu conforme a ementa seguinte: “Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/04/1997 a 30/04/2000 Ementa: PIS/PASEP. FALTA DE RECOLHIMENTO. EMPRESA DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DE VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. DESCABIMENTO. Inexistia dispositivo legal à época dos fatos autorizando a exclusão da base de cálculo dos valores que, computados como receita de prestação de serviços, ou integrantes do faturamento, foram destinados a terceiros (veículos de comunicação) para fazer frente aos custos com a divulgação de propaganda.”(Acórdão nº 20312.093, Recurso nº 129.059, sessão de 24/05/2007, relator Odassi Guerzoni Filho, unânime, sendo que na mesma sessão foi julgado o processo da Cofins, com idêntico resultado Acórdão nº 20312.094, Recurso nº 129.130) Por fim, destaco que não caberia cogitar aqui da aplicação do art. 13 da Lei nº 10.925/2004, publicada em 26/07/2004, segundo o qual “O disposto no parágrafo único do art. 53 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, aplicase na determinação da base de cálculo da contribuição para PIS/PASEP e da COFINS das agências de publicidade e propaganda, sendo vedado o aproveitamento do crédito em relação às parcelas excluídas.” O art. 53 da Lei nº 7.450/85 trata de casos nos quais há incidência de imposto na fonte sobre alguns serviços prestados, inclusive o Fl. 589DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 590 12 de propaganda, sendo que o seu parágrafo único exclui de tal retenção os valores por serviços de propaganda e publicidade, pagos diretamente ou repassados a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas. A Lei nº 10.925/2004 introduziu norma nova relativa ao PIS e à Cofins, já sob a égide da não cumulatividade, sendo impertinente qualquer retroatividade na sua eficácia. Desta feita, não há como atender à pretensão da recorrente de tributar apenas a receita líquida, isto é, a receita pertinente ao faturamento deduzida das despesas para sua obtenção. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres" Diante do exposto, voto pelo improvimento do Recurso interposto. É como penso é como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 590DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 591 13 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama No que tange à tributação pelas contribuições ao PIS e à Cofins dos repasses efetuados às empresas encarregadas de divulgação dos anúncios ao público em geral, peço vênia ao ilustre Conselheiro Demes para manifestar meu entendimento. Recordo que o caso em comento traz que os valores constaram destacadamente das notas fiscais de prestação de serviços da autuada para seus clientes com o título “Despesas de Terceiros” e foram consideradas pela autoridade fazendária como receita para os fins de incidência das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins. Não obstante ao entendimento manifestado pela autoridade fazendária, vêse que os valores registrados como “Despesas de Terceiros”, não constituem receita, eis que apenas correspondem a valores recebidos de seus clientes para o pagamento de serviços prestados efetivamente por terceiros contratados pela agência “em nome do cliente”. O que caracterizariam repasses de valores pela agência, e não valores a serem registrados como receita e despesa (quando repassados). Com efeito, o art. 3º da Lei 4.680/51 estabelece que as agências de publicidade têm como função e escopo o estudo, a criação e a execução da propaganda ou publicidade, agindo por ordem e conta de seus clientes, de sorte que as tais receitas/despesas de terceiros lançadas nas suas notas fiscais não são receitas. Sendo assim, em respeito ao disposto na Lei 4.680/65 e no Decreto 57.690/66, temse que o procedimento de emissão de faturas de prestação de serviços quando a agência atua como idealizadora da propaganda e tem a incumbência de contratar, em nome de seu cliente (por conta e ordem dele) se encontra correta com o observado pela agência. Descreveu as despesas efetivamente incorridas por ela e aquelas que seriam despesas de terceiros. Não há como se ignorar a relação contratual direta firmada entre a agência de propaganda e os clientes – anunciantes. Considerando a relação jurídica firmada, notase que os anunciantes atribuem à agência o encargo de contratar, em nome deles, os terceiros para a produção do material visual ou gráfico. O que resta, de per si, considerar que o valor referente aos serviços prestados por terceiros não seria efetivamente receita – pois nada acresce ao patrimônio da agência, eis que não é auferido pela agência. Frisese tal entendimento o art. 21 do Decreto 57.690/66, in verbis: “ Art. 21. A profissão de Agenciador de Propaganda instituída pela Lei número 4.680, de 18 de junho de 1965, e disciplinada pelas disposições deste Regulamento, abrange a atividade dos que vinculados aos Veículos d Divulgação, a eles encaminham propaganda, por conta de terceiros.” Fl. 591DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 592 14 Tal dispositivo traz que a contratação dos terceiros pela agência de publicidade é realizada por conta e ordem de seus clientes anunciantes. Esse dispositivo está em consonância com as diversas normas municipais que tratam de ISS – que, por sua vez, trazem a necessidade de se segregar na nota fiscal as despesas próprias e as incorridas efetivamente por terceiros contratados por conta e ordem dos clientes. Eis que consideram como remuneração da agência somente aquele valor inerente ao serviço efetivamente prestado e contratado. Ademais, impossível ainda ignorar o conceito de receita trazido pelo CPC 30. Tal pronunciamento especifica, em síntese, que receita é o ingresso de recursos que resulta em aumento do patrimônio líquido da entidade. O que resta, nessas fundamentações, concluir que os valores em discussão não poderiam ser contabilizados como receita e, por conseguinte, não comporiam a base das contribuições. E, caso se pretenda ignorar os dizeres do CPC 30 Receitas, alegando se tratar de norma contábil sem implicação tributária, cabe trazer o art. 58 da Lei 12.973/14: “ DAS DEMAIS DISPOSIÇÕES RELATIVAS À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA Art. 58. A modificação ou a adoção de métodos e critérios contábeis, por meio de atos administrativos emitidos com base em competência atribuída em lei comercial, que sejam posteriores à publicação desta Lei, não terá implicação na apuração dos tributos federais até que lei tributária regule a matéria. Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil, no âmbito de suas atribuições, identificar os atos administrativos e dispor sobre os procedimentos para anular os efeitos desses atos sobre a apuração dos tributos federais.” Com tal dispositivo, fica evidente que as normas contábeis publicadas anteriormente à Lei 12.973/14 devem ser observadas para fins de registro contábil, produzindo, inclusive, efeitos tributários. O que é o caso do CPC 30 Receitas. Esse dispositivo somente explicitou o que as normas contábeis internacionais já defendiam – a primazia da essência sobre a forma. Tal teoria é de suma importância aos investidores que suplicavam pela transparência dos eventos e dos reflexos negociais que uma empresa vivenciava. Para eles, a contabilidade deveria refletir o que de fato, no sentido econômico, a empresa estava vivenciando. E, para melhor transmitir essas informações, independentemente da forma legal, a contabilidade deveria considerar o substrato econômico de cada evento – podendo, assim, o investidor conhecer os efetivos riscos de sua participação naquela empresa. É de se esclarecer ainda que pela Teoria da Prevalência da Essência Econômica sobre a Forma, a correta classificação contábil dos r. valores – despesas de terceiros deveria desconsiderar qualquer intenção de se tratálos como receita. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 593 15 Ora, no que tange ao conceito contábil de receita, o CPC 30 traz (Grifos meus): “ [...] Objetivo A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil Financeiro como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. [...] 7. Neste Pronunciamento são utilizados os seguintes termos com os significados especificados a seguir: Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. [...]” O art. 58 da Lei 12.973/14 nada mais fez do que explicitar o respeito a ser dado às normas internacionais de contabilidade que, por sua vez, trazem como princípio basilar a Primazia da Essência sobre a Forma. E, recordase, por esse princípio basilar, tais valores não devem ser considerados como receita, eis que não teriam natureza de remuneração para a agência. A agência nem foi contratada para se prestar esse serviço. Tanto é assim que não prestou o serviço correspondente a “despesa de terceiro” e o terceiro foi contratado pelo cliente. (Inegável desconsiderar o fato de a agência ter contratado EM NOME DO CLIENTE). Quem é efetivamente o prestador de serviço é o terceiro e o contratante o cliente. Em vista de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 593DF CARF MF Processo nº 11516.000526/200781 Acórdão n.º 9303004.668 CSRFT3 Fl. 594 16 Fl. 594DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.011994/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Entende-se por salário-de-contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS.
A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PLANO DE SAÚDE. COBERTURAS DIFERENTES.
O valor pago por assistência médica prestada por plano de saúde, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, não integra o salário-de-contribuição, ainda que os serviços sejam prestados por mais de um plano ou que os riscos acobertados e as comodidades do plano sejam diferenciados por grupos de trabalhadores, desde que todos os trabalhadores tenham acesso aos planos.
MULTA.
A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal.
Numero da decisão: 2401-004.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do levantamento MED os valores correspondentes aos planos básicos de assistência médica oferecidos pela empresa. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento parcial em maior extensão para excluir do lançamento todo o levantamento MED e limitar a multa ao percentual de 20%. Vencida a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, que dava provimento parcial em maior extensão para limitar a multa ao percentual de 20%.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Entendese por saláriodecontribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PLANO DE SAÚDE. COBERTURAS DIFERENTES. O valor pago por assistência médica prestada por plano de saúde, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, não integra o saláriodecontribuição, ainda que os serviços sejam prestados por mais de um plano ou que os riscos acobertados e as comodidades do plano sejam diferenciados por grupos de trabalhadores, desde que todos os trabalhadores tenham acesso aos planos. MULTA. A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 19 94 /2 00 8- 36 Fl. 969DF CARF MF 2 parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do levantamento MED os valores correspondentes aos planos básicos de assistência médica oferecidos pela empresa. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento parcial em maior extensão para excluir do lançamento todo o levantamento MED e limitar a multa ao percentual de 20%. Vencida a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, que dava provimento parcial em maior extensão para limitar a multa ao percentual de 20%. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 970DF CARF MF Processo nº 10830.011994/200836 Acórdão n.º 2401004.793 S2C4T1 Fl. 969 3 Relatório Tratase de Auto de Infração AI (Debcad 37.140.4479) lavrado contra a empresa em epígrafe, referente à contribuição social para terceiros Sesi, Senai, Sebrae, Salário educação e Incra, incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados, no período de 11/03 a 12/06, não informada em GFIP. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 16/46), são fatos geradores das contribuições lançadas os valores pagos aos empregados a título de: convênio médico (MED) e participação nos lucros e resultados (PLR). Consta do referido relatório que a Honda fornecia plano de assistência médica para todos seus empregados, sendo que para os da matriz em Sumaré era oferecido o plano da UNIMED Campinas Cooperativa de Trabalho Médico e para os da filial de São Paulo o plano da Sul América Seguro Saúde S/A. A Fiscalização informa que todos os segurados tinham acesso a um plano básico, com cobertura padrão, sem custo, incluindo seus dependentes, sendo permitida, porém, a opção por um plano superior (acomodação em quarto privativo) mediante pagamento da diferença de custo. A Fiscalização contatou, também, que os empregados com cargos de gerência e diretoria recebiam o beneficio do plano executivo de assistência médica da Sul América, com custo exclusivo da empresa de R$ 511,67 (em 07/06) por segurado, demonstrando um tratamento diferenciado em função do cargo, plano esse não disponibilizado aos demais segurados empregados. Apurouse, ainda, que empregados da unidade de Sumaré vinculados ao plano de assistência médica da Sul América, bem como empregados com plano superior (acomodação em quarto privativo) auferiam o beneficio sem a respectiva contribuição da diferença. Assim, entendeu a fiscalização que por ser o plano de assistência médica diferenciado em razão do cargo ou salário, este benefício foi considerado salário in natura, e, consequentemente, fato gerador de contribuições sociais. Quanto à PLR, a Fiscalização apurou que até o acordo coletivo de 2005 não existia o estabelecimento de metas e, após esse período, não foram apresentados documentos probatórios que demonstrassem os critérios de avaliação para a consecução dos objetivos. Segundo a fiscalização: · O Acordo Coletivo de Trabalho assinado em 11 de agosto de 2003 estabelece, na cláusula primeira, que a empresa pagará aos trabalhadores abrangidos pelo acordo, a titulo de Participação nos Lucros e Resultados relativa ao período de 01/01/2003 a 31/12/2003, o valor de R$ 1.600,00, sendo R$ 900,00 em 15/8/03 e R$ 700,00 em Fl. 971DF CARF MF 4 31/1/04. Não há qualquer menção ao estabelecimento de metas a serem alcançadas, o que foi observado, também, na Ata de Assembléia Geral Extraordinária do sindicato, realizada no mesmo dia, autorizando a diretoria a firmar o acordo coletivo com a empresa, discutindose apenas os valores monetários e o cronograma de pagamento. · A Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 24 de junho de 2005 autoriza a diretoria do sindicato a firmar o acordo coletivo com a empresa referente ao pagamento do PLR do período de 1/1/05 a 31/12/05 no valor de R$ 2.700,00, sendo R$ 2.000,00 após cinco dias da assinatura do acordo e R$ 700,00 após seis meses do pagamento da antecipação, não havendo a apresentação e discussão de metas. · A Cláusula 2ª do Acordo Coletivo de Trabalho de 27 de junho de 2005 estabelece que as bases para o pagamento do PLR são: "as metas estabelecidas pela empresa para o período de 01 de Janeiro a 31 de Dezembro de 2005, relativas ao Plano de Produção, indices de Qualidade e Produtividade, divulgadas internamente para todos os Departamentos, que são acompanhados e revisados mensalmente com acompanhamento dos resultados obtidos comparandose as Metas com os Resultados Reais". · O Acordo Coletivo de Trabalho de 26 de Junho de 2006 estabelece que a empresa pagará, a titulo de PLR relativa ao período de 01/01/06 a 31/12/06, o valor de R$ 3.280,00, sendo 2.100,00 em até três dias da assinatura do acordo e R$ 1.180,00 em 15/12/2006. A Cláusula 2 possui a mesma redação que o acordo coletivo anterior quanto às metas estabelecidas. Constatouse, ainda, que tais verbas foram pagas por mais de duas vezes durante o ano civil, em desacordo com a Lei 10.101/2000, art. 2º, § 3°. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, sendo proferido o Acórdão 0524.908 9ª turma da DRJ/CPS, fls. 876/890, com a seguinte ementa e resultado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIARIO. MULTA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CONVÊNIO MÉDICO. CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS. CORESPONSABILIDADE. TERCEIROS. Incide multa de mora sobre a contribuição social incluída em lançamento de oficio, na forma da Lei. As verbas pagas a titulo de "Participação nos Lucros e Resultados" e "Convênio Médico" em desacordo com a legislação própria, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial. A relação de coresponsáveis anexadas pela Fiscalização não tem como escopo incluir os sócios e/ou diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim, listar todas as Fl. 972DF CARF MF Processo nº 10830.011994/200836 Acórdão n.º 2401004.793 S2C4T1 Fl. 970 5 pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em divida ativa É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil fiscalizar, arrecadar e cobrar as contribuições devidas aos TERCEIROS. Lançamento Procedente Cientificado do Acórdão em 23/3/09 (Aviso de Recebimento AR de fl. 894), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/4/09, fls. 403/449, que contém, basicamente, os mesmos argumentos da impugnação, em síntese: Alega que deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela MP nº 449/08, no percentual de 20%, em razão da retroatividade benigna. Diz que com relação a planos médicos a única condição imposta pela legislação é que o plano de saúde seja estendido a todos os empregados, condição que foi plenamente atendida pela recorrente. Afirma que a lei não se refere a critério equânime, ou que a cobertura seja igual para todos os funcionários. Entende que a PLR foi paga em perfeito acordo com a Lei 10.101/2000. Diz que apresentou o acordo coletivo no qual se pautou o pagamento, estabelecendo datas e valores que seriam distribuídos aos funcionários a título de PLR. Diz que o PLR da recorrente não está baseado em metas individualizadas, mas em metas voltadas a índices de qualidade e produtividade aplicáveis a toda a produção de veículos, portanto, com base na Lei 8.212/91, art. 2º, § 1º, inciso I, e não no inciso II. Alega que para demonstrar o critério de qualidade e produtividade, apresenta Laudo Técnico do Supervisor de Produção e Relatórios de Inspeção do Departamento de Qualidade dos anos de 2003 a 2006, que demonstram existir parâmetros que informam os procedimentos adotados pela recorrente, que se dividem em fase anterior e posterior à entrega do veículo. Afirma que o auto de infração é nulo por incluir na base de cálculo valores que não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Requer a declaração de nulidade do Auto de Infração, a reforma do acórdão recorrido e o reconhecimento do direito creditório correspondente às contribuições destinadas a terceiros. É o relatório. Fl. 973DF CARF MF 6 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PRELIMINAR NULIDADE O argumento do contribuinte de que o auto de infração é nulo por incluir valores que não integram a base de cálculo das contribuições sociais não tem como prosperar. Para o segurado do RGPS, qualquer parcela destinada a retribuir o seu trabalho integra o salário de contribuição, conforme Lei 8.212/1991, artigo 28, inciso I: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Entretanto, a Lei 8.212/91, no art. 28, § 9º, exclui algumas rubricas da base de incidência das contribuições previdenciárias, contudo para que tais rubricas sejam excluídas, elas devem estar previstas no citado dispositivo legal e devem ser pagas dentro dos ditames da lei. De fato, o art. 28, § 9º, prevê hipóteses de não incidência de contribuições sociais sobre participação nos lucros e resultados e o valor despendido pelas empresas relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico: Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifo nosso) [...] Fl. 974DF CARF MF Processo nº 10830.011994/200836 Acórdão n.º 2401004.793 S2C4T1 Fl. 971 7 q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; [...](grifo nosso) Vêse, portanto, que tais hipóteses de renúncia fiscal não são absolutas, mas sim condicionadas pelo próprio dispositivo legal que as prevê. No caso da PLR, a isenção apenas acontece se os pagamentos forem efetuados de acordo com a lei específica, no caso, a Lei 10.101/2000. De acordo com a fiscalização a empresa não observou referida lei, sujeitando então, os valores pagos a esse título, à incidência da contribuição social previdenciária e destinada a terceiros. No caso dos planos de saúde, para se subsumir à hipótese de isenção legal é indispensável que a cobertura do plano oferecido pela empresa abranja a totalidade dos seus empregados e dirigentes, condição esta não adimplida pela empresa, razão pela qual os valores pagos a esse título foram incluídos na base de cálculo da contribuição social previdenciária e destinada a terceiros. Sendo assim, inexiste qualquer nulidade do procedimento conduzido pela fiscalização, uma vez que, ao não atenderem às condições essenciais previstas na lei, as rubricas em questão permanecem regidas pela regra geral de tributação. MÉRITO PLANO DE SAÚDE Nos termos da Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea 'q', acima citado, para que o plano de assistência médica ou odontológica não integre o salário de contribuição, a cobertura deve ser oferecida a todos os empregados e dirigentes da empresa. Conforme relatado, a Honda fornecia plano de assistência médica para todos seus empregados, sendo que para os da matriz em Sumaré era oferecido o plano da UNIMED Campinas Cooperativa de Trabalho Médico e para os da filial de São Paulo o plano da Sul América Seguro Saúde S/A. Todos os segurados tinham acesso a um plano básico, com cobertura padrão, sem custo, incluindo seus dependentes, sendo permitida, porém, a opção por um plano superior (acomodação em quarto privativo) mediante pagamento da diferença de custo. Apurouse que os empregados com cargos de gerência e diretoria recebiam o beneficio do plano executivo de assistência médica da Sul América, com custo exclusivo da empresa de R$ 511,67 (em 07/06) por segurado, demonstrando um tratamento diferenciado em função do cargo, pois esse plano não foi disponibilizado aos demais segurados empregados. Além disso, apurouse que empregados com plano superior (acomodação em quarto privativo) auferiam o beneficio sem a respectiva contribuição da diferença. Fl. 975DF CARF MF 8 Vêse que a controvérsia dos autos está na interpretação conferida à Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea ‘q’. De um lado a fiscalização entendeu que para o gozo da isenção prevista no dispositivo legal citado, o plano de saúde ofertado pela empresa deve ser idêntico para todos os empregados. Já o sujeito passivo entende que basta ter cobertura a todos, não havendo impedimento em diferenciar a qualidade ou abrangência do plano em virtude do cargo ocupado pelo segurado. A cobertura é a garantia de proteção contra o risco de determinado evento. Já o risco é um evento futuro, incerto e que independe da vontade das partes. Para o custeio de um plano, cada risco deve ser considerado isoladamente, devendo o prêmio ou contribuição a ser pago pelo segurado (ou pela empresa, ou por ambos) ser calculado conforme os riscos contratados. Assim, dependendo dos riscos acobertados, temse o montante devido pelo participante do plano para caso haja o sinistro (acontecimento do evento de risco previsto no plano), possa usufruir os benefícios propostos pelo plano contratado. No caso dos planos de saúde, além dos riscos acobertados, também são oferecidas comodidades, como planos enfermaria ou apartamento, com ou sem reembolso de despesas médicas, reembolso de medicamentos etc. Tais comodidades também integram o cálculo do prêmio ou contribuição. Logo, os riscos acobertados e as comodidades do plano importam no valor a ser pago pelo participante ou por ele e a patrocinadora (empresa que oferece o plano a seus empregados), ou somente pela patrocinadora. Portanto, dizer que a cobertura deve abranger a todos os empregados e dirigentes não significa, necessariamente, que os riscos acobertados e as comodidades tenham que ser iguais para todos. Aliás, caso assim o fosse, seria uma forma de burlar o dispositivo previsto em lei, acima transcrito, pois se o plano é também custeado pelo trabalhador e a empresa oferecesse somente um plano que cobrisse vários riscos e com muitas comodidades (mais caro), poderia incorrer na grande probabilidade dos segurados com menores salários não aderirem ao plano, podendose inferir que o plano, apesar de “oferecido para todos”, somente visaria a acobertar os trabalhadores com maiores salários. Desta forma, para os planos coparticipativos, em que trabalhador e empresa participam do custeio, não existe vedação legal à oferta de planos diferenciados para determinados trabalhadores (por exemplo, um plano para empregados e outro para dirigentes). Basta que sejam oferecidos a todos. A condição estipulada pelo legislador na Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea “q” restaria atendida pelo fato de haver cobertura de assistência médica e/ou plano de saúde a todos os empregados e dirigentes da empresa, ainda que os riscos acobertados sejam diferentes entre si. Assim, não é necessário que a cobertura disponibilizada pela empresa seja a mesma para todos os grupos de colaboradores, basta que haja cobertura e que ela abranja a Fl. 976DF CARF MF Processo nº 10830.011994/200836 Acórdão n.º 2401004.793 S2C4T1 Fl. 972 9 todos os empregados e dirigentes para que seja determinada a não inclusão dos valores correspondentes à assistência médica ou ao plano de saúde no cômputo do saláriode contribuição e a consequente não incidência de contribuições previdenciárias. Exigir que haja cobertura a todos os empregados e dirigentes da empresa é diferente de exigir que haja a mesma cobertura a todos estes funcionários. A condição imposta pelo legislador para a não incidência da contribuição previdenciária é, simplesmente, a existência de cobertura que abranja a todos os empregados e dirigentes. A condição assim delineada está em acordo com a finalidade da norma de não incidência condicionada, que é a de garantir a isonomia entre todos os empregados e dirigentes. Assim, para planos custeados por empregado e empresa, não há problema em se oferecer planos diferenciados aos empregados e dirigentes, desde que os funcionários possam optar pelo plano que desejarem. Esta seria a melhor forma de atingir o propósito legal, oferecendo planos diferenciados, mas que todos os trabalhadores pudessem aderir a eles, garantindo a cobertura a todos os empregados e dirigentes. Por outro lado, se a empresa assume a totalidade do custo com o plano, a oferta de planos diferenciados, em função do cargo ou salário, com acesso exclusivo, apresenta evidente discriminação, desvirtuando o propósito legal. No presente caso, a oferta de planos de diferentes seguradoras aos funcionários da matriz em Sumaré e da filial de São Paulo não descaracteriza a condição de abrangência geral, pois a cobertura, além de similar, abrange a totalidade de trabalhadores. Não exige a norma que tal assistência seja prestada por uma única pessoa jurídica. No caso em análise, em que o plano foi custeado totalmente pela empresa, não há óbice em oferecer planos diferenciados para seus empregados e dirigentes, mas desde que os mesmos possam optar pelo plano que desejarem. Assim, qualquer valor recebido pelos segurados a título de assistência médica, em dissonância com o plano básico oferecido pela empresa, que foi disponibilizado à totalidade de empregados e dirigentes, são entendidos como remuneração e integram o salário de contribuição, pois assim não está garantida a isonomia entre todos os empregados e dirigentes. No caso em apreço, estão em dissonância com os planos básicos, os valores pagos para o plano executivo da Sul América (restrito a dirigentes) e as diferenças pagas pela empresa relativas ao plano superior (acomodação em quarto privativo) para os quais não ocorreu o pagamento pelo trabalhador da respectiva diferença. Logo, estes valores são entendidos como remuneração, integram o salário de contribuição, e devem ser mantidos no lançamento. Assim, devem ser excluídos do lançamento os valores relativos aos planos básicos da Unimed e Sul América, disponibilizados à totalidade de empregados e dirigentes. Fl. 977DF CARF MF 10 PLR O lançamento em litígio teve por base o disposto na Lei 8.212/91, artigo 28, inciso I, já transcrito acima. O conceito de remuneração, descrito nos artigos 457 e 458 da CLT, deve ser analisado em sua acepção mais ampla, ou seja, correspondendo ao gênero, do qual são espécies principais os termos salários, ordenados, vencimentos etc. A princípio, tudo o que o segurado ganha é remuneração, contudo, conforme dispõe a Lei 8.212/91, artigo 28, §9o, algumas verbas são excluídas do saláriodecontribuição, mas, para que referidas verbas não integrem a base de cálculo da contribuição ora lançada, precisam ser pagas exatamente como determina a lei, caso contrário, são sim remuneração. No caso da PLR, a Constituição Federal de 1.988, art. 7o, XI, dispõe que: Art. 7o São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. (grifo nosso) A Lei 8.212/91, no art. 28, § 9º, alínea ‘j’, condiciona a exclusão da parcela de participação nos lucros do saláriodecontribuição dos segurados empregados se houver a estrita observância da lei regulamentadora do dispositivo constitucional. A Lei 10.101/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade. O artigo 2o desta lei, na redação vigente à época do fato gerador, dispõe que: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (grifo nosso) II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: [...] (grifo nosso) Da análise do caso concreto, concluise que a verba distribuída a título de PLR pautouse integralmente nos Acordos Coletivos de Trabalho. Portanto, os Acordos Coletivos de Trabalho acostados pela recorrente, fls. 778 e seguintes, deveriam contemplar, Fl. 978DF CARF MF Processo nº 10830.011994/200836 Acórdão n.º 2401004.793 S2C4T1 Fl. 973 11 cumulativamente, todos os requisitos essenciais previstos na Lei 10.101/2000, o que, de fato, não foi observado no caso em debate. No caso em apreço, os Acordos Coletivos de Trabalho pactuados entre a Recorrente e o Sindicato dos trabalhadores nas indústrias metalúrgicas, mecânicas e de material elétrico de Campinas e Região, não continham em seu bojo a especificação de qualquer fim extraordinário a exigir o esforço adicional dos trabalhadores, tampouco continham os critérios de aferição para se verificar o quanto já se houve por cumprido do acordado. O ACT de 2003 não veicula qualquer regramento para o pagamento da PLR indicado na sua cláusula primeira. Basta trabalhar na empresa para receber a rubrica. Logo, tratase de remuneração e, consequentemente, salário de contribuição. O ACT de 2004 (fl. 784), na cláusula primeira, estabelece: Conforme os termos da Lei 10.101 de 19 de dezembro de 2000, a Empresa pagará trabalhadores abrangidos por este Acordo, a titulo de Participação nos Lucros e resultados relativa ao período de 01/01/2004 a 31/12/2004, o valor de R$ 1.825,00 (Hum mil e oitocentos e vinte e cinco reais), sendo R$ 1.500,00 (Hum mil e quinhentos reais) a titulo de antecipação, pago em 10/08/2004 e o saldo restante de R$ 325,00 (trezentos e vinte e cinco reais) pago em 10/02/2005: A cláusula segunda do ACT de 2004 estatui que “Os objetivos que balizam o pagamento prescrito neste Acordo são aqueles definidos pela Empresa em seu plano anual relativos a produção, qualidade e produtividade e divulgados internamente, para o período compreendido por este Acordo Coletivo”. A cláusula segunda dos ACT de 2005 a 2006 (fl. 792 e seguintes) dispõe que “A base para o pagamento prescrito neste acordo são as metas estabelecidas pela empresa para cada exercício, relativas ao Plano de Produção, índices de Qualidade e Produtividade, divulgados internamente para todos os Departamentos, que são acompanhados e revisados mensalmente com acompanhamento dos resultados obtidos comparandose as Metas com os Resultados Reais”. Tais acordos coletivos não contêm regras claras e objetivas a respeito dos direitos substantivos dos trabalhadores, não estabelecendo qualquer correspondência entre o montante a que cada operário teria direito e o grau de atingimento das metas estipuladas. A única regra existente que vincula a quota que cada um irá receber tem relação direta com a fração do ano que cada trabalhador esteve vinculado à empresa. Se trabalhou o ano inteiro, recebe o valor integral. Caso contrário, recebe de forma proporcional. Não trazem, igualmente, tais ACT, os direitos substantivos dos trabalhadores de nível de supervisão e acima, cujos pagamentos seriam efetuados “de acordo com os valores a serem definidos pela empresa”. O “Plano de Produção, índices de Qualidade e Produtividade” referido nos ACT não foi acostado aos autos. Fl. 979DF CARF MF 12 O Laudo Técnico a que se refere a recorrente foi emitido ao final do período fiscalizatório e não à época dos fatos geradores. Os demais documentos juntados se referem a procedimentos adotados pela empresa para análise de seu produto final e não relativos ao pagamento da PLR. Acrescentese que consta de tais documentos que na maioria dos meses dos anos de 2003 a 2006 as metas não foram atingidas em relação à produção do "FIT" e do "CIVIC". Portanto, se esse fosse o instrumento de apuração dos indicadores de produtividade e qualidade para fins de pagamento de PLR, esta não deveria ter sido paga. Sendo assim, os valores pagos sob o título de PLR, mesmo que previsto em ACT, mas sem constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, PLR não são! Tratamse de prêmio ou gratificação. Portanto, são valores que integram a remuneração e, consequentemente, o salário de contribuição, não se aplicando o disposto na Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea 'j'. Verificase, no caso, que o direito ao recebimento da verba em questão dependia, tão somente, do empenho ordinário, usual e cotidiano do empregado, decorrente diretamente do contrato de trabalho comum, inexistindo nos ACT celebrados pela Autuada qualquer viés de incentivo à produtividade que justificasse a participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, nas circunstâncias descritas na Lei 10.101/2000. Cabe ainda mencionar que os ACT analisados foram celebrados quando já havia transcorrido, em média, a metade de cada período de apuração. Além disso, a Fiscalização apurou a efetiva ocorrência de pagamentos a título de PLR nas competências 11 e 12/2003; 01, 08, 09, 10, 11 e 12/2004; 01, 02, 06, 07, 08, 10, 11 e 12/2005; 06, 07, 08, 09, 10, 11 e 12/2006, fato não contestado pelo recorrente. MULTA A multa aplicada não é a de mora, pois não houve o recolhimento espontâneo por parte do sujeito passivo de contribuições em atraso, mas sim o lançamento de ofício de contribuições devidas, o que determina a aplicação da multa de ofício nos termos do artigo 44 da Lei 9.430/96. A regra vigente à época dos fatos geradores era a prevista no artigo 35 da Lei 8.212/91, que estabelecia que o percentual de multa a ser cobrado era de 24%. Com a publicação da MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09, a multa para o lançamento de ofício passou a ser de 75%, nos termos do artigo 35A da Lei 8.212/91 c/c o artigo 44 da Lei 9.430/96. Logo, no presente caso, onde há lançamento de contribuições sociais para outras entidades e fundos, a multa mais benéfica é a da redação da lei vigente à época dos fatos geradores, no percentual de 24%. A multa cobrada no presente AI possui o devido respaldo legal e é de caráter irrelevável, não cabendo à autoridade administrativa, plenamente vinculada, reduzir seu percentual, como quer o contribuinte. Fl. 980DF CARF MF Processo nº 10830.011994/200836 Acórdão n.º 2401004.793 S2C4T1 Fl. 974 13 CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, e darlhe provimento parcial, para excluir da base de cálculo do levantamento MED os valores correspondentes aos planos básicos de assistência médica oferecidos pela empresa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 981DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000388/2009-33
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o interesse recursal, tendo em vista que os acórdãos recorrido e paradigmas defendem a aplicação de soluções idênticas quanto à retroatividade benigna das multas previdenciárias.
AUXÍLIO EDUCAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. INOBSERVÂNCIA. LIMITAÇÃO TEMPORAL/CARÊNCIA.
Os valores concedidos a título de Auxílio Educação, somente a uma parcela dos segurados, em face da imposição de limitação temporal para seu usufruto (carência de dois anos), caracteriza-se como salário indireto, sujeitando-se, assim, à incidência das contribuições previdenciárias.
PLR - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE.
Excedido o quantitativo legal de pagamentos, todos os valores recebidos a título de PLR passam a integrar o salário-de-contribuição.
Numero da decisão: 9202-005.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao Auxílio Educação e à PLR - Participação nos Lucros e Resultados e em não conhecer da retroatividade benigna. No mérito, por voto de qualidade, na parte conhecida, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o interesse recursal, tendo em vista que os acórdãos recorrido e paradigmas defendem a aplicação de soluções idênticas quanto à retroatividade benigna das multas previdenciárias. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. INOBSERVÂNCIA. LIMITAÇÃO TEMPORAL/CARÊNCIA. Os valores concedidos a título de Auxílio Educação, somente a uma parcela dos segurados, em face da imposição de limitação temporal para seu usufruto (carência de dois anos), caracteriza-se como salário indireto, sujeitando-se, assim, à incidência das contribuições previdenciárias. PLR - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE. Excedido o quantitativo legal de pagamentos, todos os valores recebidos a título de PLR passam a integrar o salário-de-contribuição.
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o interesse recursal, tendo em vista que os acórdãos recorrido e paradigmas defendem a aplicação de soluções idênticas quanto à retroatividade benigna das multas previdenciárias. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. INOBSERVÂNCIA. LIMITAÇÃO TEMPORAL/CARÊNCIA. Os valores concedidos a título de Auxílio Educação, somente a uma parcela dos segurados, em face da imposição de limitação temporal para seu usufruto (carência de dois anos), caracterizase como salário indireto, sujeitandose, assim, à incidência das contribuições previdenciárias. PLR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE. Excedido o quantitativo legal de pagamentos, todos os valores recebidos a título de PLR passam a integrar o saláriodecontribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao Auxílio Educação e à PLR Participação nos Lucros e Resultados e em não conhecer da retroatividade benigna. No mérito, por voto de qualidade, na parte conhecida, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 03 88 /2 00 9- 33 Fl. 3206DF CARF MF 2 Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (Debcad nº 37.220.848 7), referente às contribuições previdenciárias não descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais, e não recolhidas aos cofres públicos, no período de 01/2006 a 12/2007. O Relatório Fiscal de fls. 49 a 58 informa que o fato gerador decorre da remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais (trabalhadores autônomos). Em sessão plenária de 20/11/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2402003.848 (fls. 2.982 a 3.009), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PLANO EDUCACIONAL. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO FATO GERADOR. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. Não houve a caracterização do fato gerador sobre a verba paga a título de auxílioeducação (ajuda de custo faculdade) aos segurados empregados. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando deixe de definilo como infração ou quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a averiguação da concessão do auxílioeducação aos segurados empregados, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Fl. 3207DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.207 3 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. LEVANTAMENTO PPR PROGRAMA PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa, quando não satisfeitos os requisitos exigidos pela legislação para gozo da imunidade. Quando se comprova a efetiva aferição do cumprimento das metas, descabem considerações acerca da natureza subjetiva dos critérios fixados nos acordos de PLR. Somente os pagamentos realizados após a segunda parcela é que estão em desconformidade com a lei. LANÇAMENTO FISCAL. CORREÇÃO DO VALOR APURADO. DEMONSTRAÇÃO POR MEIO DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. Havendo comprovação de que o valor do tributo está incorreto, tal valor inicialmente apurado no lançamento fiscal deverá ser alterado para espelhar a realidade da contabilidade da Recorrente. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, em dar provimento parcial para que: a) sejam retificados os valores inicialmente apurados na base de cálculo dos 'levantamentos FPA FOLHA PAGTO AMBIENTAL e TER DÉCIMO TERCEIRO AMBIENTAL', conforme delineamento constante da Tabela 1do voto condutor; b) os valores apurados no levantamento UED Utilidade Educação sejam excluídos; c) sejam excluídos da base de cálculo do levantamento PPR Programa Participação nos Fl. 3208DF CARF MF 4 Resultados os pagamentos das primeira e segunda parcelas, concedidos ao mesmo segurado; e d) aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996.” O processo foi encaminhado à Fazenda Nacional em 24/02/2014 (Despacho de Encaminhamento de fls. 3.010). Conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, o prazo para interposição de Recurso Especial expiraria em 14/04/2014. Em 03/04/2014, foi interposto o Recurso Especial de fls. 3.011 a 3.032 (Despacho de Encaminhamento de fls. 3.033), com fundamento no 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes matérias: auxílioeducação (ajuda de custofaculdade) sujeito a período de carência para os empregados e/ou patamar mínimo de remuneração; exclusão da tributação dos valores pagos a título de PLR, sem observância da periodicidade mínima estabelecida no art. 2º, § 3º, da Lei nº 10.101/2000; aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme despacho de 08/09/2015 (fls. 3.035 a 3.046). O Recurso Especial apresenta os seguintes argumentos, em síntese: Quanto ao auxílioeducação de acordo com o previsto no art. 28 da Lei nº 8.212/91, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; desse modo, a recompensa em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais, porém existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991: Art. 28 [...] Fl. 3209DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.208 5 [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). de fato, conforme disposto na alínea “t”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição os valores relativos a planos educacionais, porém elencou alguns requisitos a serem cumpridos para que os valores pagos a título de bolsa de estudo não sejam considerados saláriodecontribuição, ou seja, devem visar à educação básica, os cursos devem ser vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não podem ser utilizados em substituição à parcela salarial e devem ser estendidos a todos os empregados e dirigentes, requisitos não cumpridos no caso dos autos; a leitura do dispositivo legal em questão deixa evidente que a isenção atinge apenas os valores pagos a título de bolsa de estudos (que vise a educação básica ou cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa) dos empregados e dirigentes da empresa, não sendo extensível à bolsa de estudo referentes aos dependentes; destarte, não estando contemplada pela norma de isenção, a bolsa de estudos em cursos de graduação de nível superior e concedida aos filhos e dependentes dos empregados devem integrar o saláriodecontribuição, por se constituírem em ganhos habituais fornecidos sob a forma de utilidades; ressaltese que o que não integra o saláriodecontribuição é o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica do empregado e dirigentes, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que assim dispõe: Art. 21. A educação escolar compõese de: ... I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. como se depreende da simples análise do art. 21 acima transcrito, a educação superior não se confunde com a básica; dessa forma, curso de capacitação profissional também não se confunde com curso de nível superior, pois se assim não o fosse, não haveria necessidade de o legislador Fl. 3210DF CARF MF 6 fazer distinção entre educação básica e superior para fins de incidência de contribuição previdenciária; concluise, portanto, que curso de capacitação profissional pode ser qualquer um relacionado às atividades da empresa que não envolvam um curso de nível superior; a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal, a isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e dessa forma interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; portanto, a interpretação da norma isentiva não permite incluir nela situações ou pessoas que não estejam expressamente previstas no texto legal instituidor, em face da literalidade em que deve ser interpretada; assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Quanto aos valores pagos a titulo de PLR Participação nos Lucros e Resultados a Constituição Federal dá os contornos da base de cálculo das contribuições previdenciárias, em seu art. 201, § 11º: “Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei”. em perfeita consonância com essa diretriz, a Lei nº 8.212/91, que instituiu o Plano de Custeio da Previdência Social, encerra a definição legal de saláriodecontribuição nos seguintes termos: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: .. I – para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração efetivamente recebida ou creditada a qualquer título, durante o mês, em uma ou mais empresas, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades, ressalvado o disposto no artigo 9º e respeitados os limites dos §§ 3º, 4º e 5º deste artigo.” assim, o salário é elemento remuneratório do trabalho, e se a Constituição ou a Lei Básica de Previdência Social não excluírem o pagamento de determinada parcela remuneratória, que se originou em decorrência única e exclusiva do vínculo laboral entre empregado e empregador, esta não deve ser extirpada da base de cálculo da contribuição; pelo artigo 7º, inciso XI da CF: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI Fl. 3211DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.209 7 participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei”; conforme reconheceu o próprio STF, esse artigo consubstancia uma regra de eficácia limitada, carecendo de lei para sua total eficácia, de modo que até a sua edição era devida a contribuição previdenciária sobre a total remuneração paga aos empregados, mesmo que denominada participação nos lucros e resultados (RE nº 393.764Agr); nessa senda, é PLR apenas o numerário pago aos empregados nos termos previstos na lei a que se refere o citado preceito constitucional; não se faz suficiente para fazer impedir a cobrança de contribuição previdenciária a existência da lei reguladora e a denominação de participação nos lucros e resultados; devese observar em tudo e por tudo a legislação pertinente, e esse sentido, eis acórdão do STJ: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido.” (STJ. SEGUNDA TURMA. REsp 856160 / PR. Ministra ELIANA CALMON. DJe 23/06/2009. Nesse mesmo sentido, Cf. REsp 496949 / PR) resta, pois, evidenciado que somente as verbas pagas a título de participação nos lucros e resultados, nos termos da Lei nº 10.101/00, estão imunes à tributação; contudo, conforme largamente demonstrado no relatório fiscal, não é o caso dos autos, já que o pagamento a titulo de PLR se deu em desconformidade com a legislação de regência, razão pela qual não merece o presente lançamento qualquer alteração; Fl. 3212DF CARF MF 8 prescrevem os arts. 2º e 3º da Lei nº 10.101/00: "Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.” pois bem, atento às regras acima transcritas, cumpre voltar a atenção para os dados constantes dos autos, a fim de se perquirir se o contribuinte em apreço atendeu a todas as exigências legais, podendo exercer o direito de excluir do salário de contribuição a verba que denomina como “participação nos lucros”; inicialmente, verificase a necessidade de cumulatividade dos requisitos para a aquisição do benefício; de acordo com a legislação de regência da participação nos lucros e resultados, dos instrumentos decorrentes da negociação entre a empresa e seus empregados, devem constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo; Fl. 3213DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.210 9 a lei ainda veda a distribuição dos valores em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; no caso, o requisito da periodicidade não foi observado pelo contribuinte, razão que desnatura todos os pagamentos efetuados a título de participação nos lucros e resultados; noutro turno, cabe registrar que para alguns anos não houve celebração de acordo prévio ao exercício, atitude que impede os funcionários de terem conhecimento prévio a respeito de quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. Restou desatendido, portanto, também o requisito da pactuação prévia de regras claras e objetivas; por fim, cumpre destacar que no ano de 2004 o pagamento de PLR aos empregados da Divisão de Vendas e ao Grupo Executivo da Goodyear não estava amparado por convenção ou acordo coletivo, conforme determina a legislação; com efeito, conforme relata a autoridade fiscal, os Planos Próprios de Participação foram decididos com os diretores, gerentes e os funcionários da Divisão de Vendas, sem a materialização do pactuado por meio de convenção ou acordo coletivo; constatase, pois, a inobservância de outro requisito previsto na legislação, tendo como conseqüência a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR em desconformidade com a Lei nº 10.101/2000; ressaltese que a classificação de determinada verba como “participação nos lucros” exige de maneira imprescindível o estrito cumprimento dos requisitos legais; no caso em estudo, restou demonstrado que a participação nos lucros foi efetivada em desacordo com os parâmetros legais, razão pela qual não pode ser admitida a sua exclusão do salário de contribuição; o próprio art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91 é expresso ao verberar que a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa não integram o salário de contribuição apenas nos casos em que paga ou creditada de acordo com lei específica, o que não foi o caso dos presentes autos; logo, o pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00 enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, "j" da Lei 8.212/91. Quanto à aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. a Fazenda Nacional pede a manutenção do lançamento, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. Fl. 3214DF CARF MF 10 Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e provimento do Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido para restabelecer o lançamento nos termos acima expostos. Cientificada em 19/10/2015 (AR Aviso de Recebimento de fls. 3.050), a Contribuinte, em 29/10/2015, ofereceu as Contrarrazões de fls. 3.143 a 3.154 e interpôs o Recurso Especial de fls. 3.052 a 3.070. Quanto ao Recurso Especial, a este foi negado seguimento, conforme despacho de 28/12/2015 (fls. 3.186 a 3.194), o que foi confirmado pelo Despacho de Reexame de fls. 3.195 a 3.201. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte argumenta, em síntese: Quanto ao Auxílio Educação atentese, inicialmente, que a Recorrente inicia suas alegações afirmando "divergência quanto à verba intitulada 'ajuda de custofaculdade' (auxilio educação)", em razão de que "na hipótese dos autos, é cristalino que o programa implantado pela empresa não é ofertado a todos aqueles que compõem o seu quadro funcional, uma vez que previamente foram excluídos da opção ao benefício os empregados que não cumprissem as condições por ela estabelecidas, tal como exigir um prazo de dois anos na empresa", conforme petição de fls. 3015. tratase de uma grande impropriedade, na medida em que a verba intitulada "ajuda de custofaculdade" foi paga para os empregados que preencheram os requisitos previstos no procedimento interno da ora Recorrida, denominado "Orientação de Trabalho (OT) Programa Bolsa Estudo'", o qual foi anexado ao presente processo; por sua vez, o fato de o benefício ter sido concedido a coordenadores, gerentes e assistentes financeiros (funções dos empregados da ora Recorrida), demonstra claramente que é inverídica a alegação da Recorrente de que o "programa implantado pela empresa não é ofertado a todos". Muito pelo contrário, tal fato demonstra que o benefício de educação foi estendido a todos os empregados, não se justificando assim a alegação da Recorrente; Neste sentido, o E. Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF, consolidou seu entendimento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2004 A 31/12/2005 SALÁRIO UTILIDADE. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo trabalhador pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. APLICAÇÃO AO ASPECTO DO FATO GERADOR MUTILADO E NÃO AOS REQUISITOS PARA DESFRUTE DO BENEFÍCIO. BOLSA AUXÍLIO EDUCAÇÃO, CONVÊNIO SAÚDE. A interpretação restritiva para as normas isencionais exigida pelo art. 111 do CTN diz respeito ao aspecto do Fl. 3215DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.211 11 fato gerador mutilado e não aos requisitos para desfrute do benefício. As eventuais condições de isenção não devem se submeter a uma restrição excessivamente rigorosa advinda da literalidade da norma sob pena de negarmos a finalidade do dispositivo. Se a norma iscncional exige que o benefício seja oferecido a todos os empregados, uma exigência de um tempo mínimo na empresa guarda relação lógica com a finalidade do benefício fiscal no que se refere à bolsa auxílio educação e ao convênio saúde, não sendo esta uma motivação adequada para o afastamento da isenção. (...) (Processo n° 10909.006800/200820 Sessão de 13 de março de 2013) Grifamos. no mesmo sentido, o E. Superior Tribunal de Justiça, pacificou seu entendimento: EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. VALIDADE. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENC1ÁR1AS. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. CONVÊNIO SAÚDE. LEI N° 8.212/91. EXCLUSÃO. DESPESA COM ALUGUEL. SÚMULA 7/STJ. RECURSO ESPECIAL DO INSS: I(...) II Os valores despendidos pelo empregador para prestar auxílio escolar aos empregados da empresa não integram o saláriodecontribuição, tendo natureza tipicamente indenizatória, sendo indevida a inclusão de tal verba na base de cálculo da contribuição previdenciária. Precedentes: REsp n° 371088/PR, Rei. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJ de 25.08.2006: REsp n° 365398/RS. Rei. Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 18.03.2002; Resp n° 324.178/PR, Relatora Ministra DENISE ARRUDA, DJ de 17/12/2004. III(...) IV A estipulação de prazo de carência para que os empregados da empresa façam jus ao auxílio escolar e ao convêniosaúde não retira o caráter de generalidade prevista na Lei n" 8.212/91, não se configurando os valores pagos com tais benefícios, portanto, como saláriodecontribuição. (...) (REsp 1057010/SC, Rei. Ministro FRANCISCO FALCÃO. PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/08/2008, DJe 04/09/2008). (Grifamos). ademais, observase que a regra de não incidência prevista no arl. 28. §9°. alínea "f", da Lei n° 8.212/1991, foi modificada pela lei n° 12.513/2011, a qual alterou os requisitos para a obtenção da concessão da "isenção" previdenciária, deixando de exigir que o acesso ao plano educacional seja extensivo a todos os empregados e dirigentes; Fl. 3216DF CARF MF 12 desta forma, caso Vossa Excelência entenda que o benefício não foi concedido a todos os empregados, deve ser aplicado ao caso concreto o princípio da retroaüvidade da norma mais benéfica, conforme estabelecido no art. 106, inciso II. alíneas "a" e "b", do CTN; assim, tendo em vista a retroatividade obrigatória da norma tributária mais favorável ao contribuinte, aplicase, na situação em apreço, a regra disposta no art. 28, § 9o, alínea "t" da Lei n° 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n° 12.515/2011, a qual não exige que o plano educacional seja disponibilizado a todos os funcionários; neste sentido, o E. Conselho Administrativo de Recurso Fiscais — CARF, consolidou seu entendimento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREV1DENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INCIDÊNCIA Quando paga parcela de Participação nos Lucros ou Resultados cm acordo com a Lei 10 LI 01/2000. não ocorre a incidência da contribuição previdenciária. BOLSA DE ESTUDOS. GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pósgraduação) se enquadram na hipótese de não incidência prevista na alínea "t", § 9o, artigo 28, da lei 8.212/91 visto que a Lei 9394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional no artigo 39, estabelece que a educação profissional integrasc aos diferentes níveis e modalidades de educação e inclui graduação e pósgraduação. (...) (PROCESSO 16682.720808/201186 Sessão de 11 de setembro de 2014)Grifamos. ainda, é importante frisar que a verba paga a título de "ajuda de custofaculdade" tem natureza indenizatória, uma vez que se trata de um pagamento para a melhoria da execução dos trabalhos prestados, o qual possibilita que os empregados cursem o ensino superior, até mesmo curso aparentemente não vinculado à atividade fim da empresa, ou seja, tratase de um investimento da empresa na qualificação de seus empresados, assim tais valores despendidos com a concessão do benefício não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária; neste sentido, o E. Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF, consolidou seu entendimento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALORES DESPENDIDOS A TÍTULO DE BOLSA DE ESTUDO DOS EIMPRECADOS. NÃO INCIDÊNCIA. Fl. 3217DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.212 13 Os valores pagos pelo empregador com a educação do empregado não podem ser considerados como salário 'in natura', pois não retribuem o trabalho, não integrando a remuneração. Tratase de investimento da empresa na qualificação de seus empregados. Assim, não são incluemse no campo de incidência da contribuição previdenciária.(...) (Processo n° 10166.728529/201202 Sessão dc 09 de setembro de 2014) Grifamos. portanto, a decisão recorrida deverá ser integralmente mantida no que diz respeito à exclusão dos pagamentos de auxílio educação da base do salário de contribuição. Quanto à PLR Participação nos Lucros e Resultados verificase que a Recorrente alega em seu recurso especial que no caso concreto há "divergência quanto á exclusão da tributação dos valores pagos o. título de PLR, sem observância da periodicidade mínima estabelecida no art. 2o. §3° da Lei n° 10.101/2000", uma vez que "o requisito da periodicidade não foi observado pelo contribuinte, razão que desnatura todos os pagamentos efetuados a título de participação nos lucros e resultados", razão pela qual "não pode ser admitida a sua exclusão do salário contribuição ", conforme petição de fls. 3027/3028; primeiramente tais alegações não procedem, pois, a verba paga pela empresa aos seus empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados da empresa não tem natureza salarial, e sim indenizatória, não integrando assim a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7o, inciso XI, da Constituição Federal, e do art. 28, § 9o, alínea "J", da Lei n° 8.21211991; a Recorrida demonstrou que não houve qualquer irregularidade no pagamento das participações dos lucros e resultados. O que ocorreu no caso concreto foi que, após uma revisão nas plataformas individuais, a ora Recorrida constatou que alguns dos seus funcionários passaram a ter direito a uma complementação dos valores pagos à título de participação nos lucros ou resultados; a complementação dos valores pagos à título de participação nos lucros ou resultados foi efetuada para resguardar o direito dos trabalhadores que alcançaram as metas estabelecidas no Acordo de Participação dos Funcionários e estagiários da empresa, não restando, assim, configurada uma nova distribuição nos lucros ou resultados da empresa; sobre essa questão, o v. acórdão recorrido estabeleceu que "somente os pagamentos realizados após a segunda parcela é que estão em desconformidade com a Lei n° 10.101/2000 e deverão ser submetidos à incidência da contribuição previdenciária "; a despeito da ora Recorrida não concordar que as parcelas adicionais compõe a base de cálculo da contribuição previdenciária, considerando que a natureza indenizatória da participação nos resultados decorre de mandamento constitucional, não faz nenhum sentido que sobre TODOS os valores pagos, incluindose o primeiro e o segundo pagamentos expressamente previstos em lei, haja a incidência do tributo; Fl. 3218DF CARF MF 14 assim, no máximo, poderá haver a incidência da contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados à título de Participação nos Lucros ou Resultados a partir da segunda parcela (quando hipoteticamente a empresa deixou de atender aos requisitos da Lei n° 10.101/200); desta forma, não prospera a alegação da Recorrente de que havendo o recolhimento em periodicidade menor do que aquela estabelecida na lei, haverá a incidência da verba previdência sobre todos os pagamentos. ademais, a jurisprudência predominante desta B. Corte é no sentido de que, tendo em vista o recolhimento da primeira e segunda parcela estarem de acordo com a legislação, a incidência da verba previdenciária ocorrerá somente a partir da terceira parcela. assim, notese que é vedado ao Fisco realizar o lançamento em relação a todas as parcelas, uma vez que os pagamentos das duas primeiras parcelas foram efetuados de acordo com a legislação vigente. Desta forma, fazer incidir a contribuição previdenciária sobre todas as parcelas implica na desconsideração dos pagamentos efetuados de acordo com a referida lei; portanto, não prospera a alegação da Recorrente, não merecendo ser provido o presente recurso especial. Da não aplicação do art. 35A da Lei nº 11.941, de 2009 a Recorrente em seu recurso especial, assevera que "há nítida divergência entre o acórdão e os acórdãos adotados como paradigmas proferidos pela Primeira Turma da Terceira Câmara e pela Primeira Turma da Quarta Câmara, ambas da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Acórdão n° 230100283 e Acórdão n° 240100120) ". conforme petição de fls. 3018. notese que os acórdãos paradigmas trazidos aos autos pela Recorrente não demonstram a divergência suspostamente ocorrida, eis que os referidos acórdãos têm por objeto a aplicação da nova redação dada ao art. 35A, da Lei n° 8.212/1991 e, por sua vez, o caso concreto diz respeito à aplicação da redação anterior do referido artigo, portanto não há jurisprudencial hábil a ensejar o provimento do presente recurso especial: vejamos trechos dos acórdãos paradigmas: Acórdão Paradigma n° 240100120. "Quanto às alterações trazidas pela MP 449, a recorrente apresenta a tese de que com a nova redação dada ao art. 35 da Lei n" 8.212/199L as contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996". Acórdão Recorrido n° 2402003.847 "não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN {lempus regit actunr. o lançamento reportase à data da ocorrência do fato Fl. 3219DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.213 15 gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que. para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008. aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991). limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996". ainda, a Recorrente, na fl. 3031, requereu expressamente a manutenção do lançamento do crédito tributário, bem como a aplicação da norma mais benéfica: "Nesta linha de raciocínio, o lançamento em tcstilha deve ser mantido, com a ressalva de que. no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP n" 449/2008, atualmente convertida na Lei n° 11.941/2009". notese que o requerimento da União no presente recurso especial já foi concedido no v. acórdão recorrido: "Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAREI IE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que: (i) sejam retificados os valores inicialmente apurados na base de cálculo do "levantamentos FPA FOLHA PAG TO AMBIENTAL e TER DÉCIMO TERCEIRO AMBIENTAL", conforme delineamento constante da 'Tabela E'deste Voto e do Relatório Fiscal de Diligência (DE e PARA); (ii) os valores apurados no "levantamento UEDutilidade Educação" sejam excluídos; (iii) sejam excluídos da base de cálculo do "levantamento PPRPrograma Participação nos Resultados "os pagamentos das primeira e segunda parcelas, concedidos ao mesmo segurado; c (iv) com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. (Grifamos). portanto, a Recorrente não possui interesse recursal no presente recurso especial, na medida em que se busca a manutenção do v. acórdão recorrido e a aplicação da norma mais benéfica, ou seja, em caso de conhecimento e provimento do presente recurso especial o resultado do julgamento será mesmo daquele trazido pela 4a Câmara/2a Turma Ordinária; além disso, conforme narrado anteriormente, não há no caso concreto divergência jurisprudencial, eis que os acórdãos paradigmas não demonstram a referida divergência. Ao final, a Contribuinte pede que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela UniãoFazenda Nacional. Fl. 3220DF CARF MF 16 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: auxílioeducação (ajuda de custofaculdade) sujeito a período de carência para os empregados e/ou patamar mínimo de remuneração; exclusão da tributação dos valores pagos a título de PLR, sem observância da periodicidade mínima estabelecida no art. 2º, § 3º, da Lei nº 10.101/2000; aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (Debcad nº 37.220.848 7), referente às contribuições previdenciárias não descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais, e não recolhidas aos cofres públicos, no período de 01/2006 a 12/2007. O Relatório Fiscal de fls. 49 a 58 informa que o fato gerador decorre da remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais (trabalhadores autônomos). Quanto à primeira matéria, no caso do acórdão recorrido, o auxílioeducação não era disponibilizado a todos os empregados mas sim àqueles que cumpriram o período de carência de dois anos. Nesse passo, aplicouse retroativamente a Lei nº 12.513, de 2011, que teria abolido a exigência de extensão do benefício a todos os empregados. Como paradigma, a Fazenda Nacional apresentou o Acórdão nº 2401 002.710, de 16/10/2012, tratando também de competências anteriores a 2011, porém nesse julgado aplicouse a legislação vigente à época do fato gerador, mantendose a exigência de extensão a todos os segurados, de sorte que a divergência foi efetivamente demonstrada. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte alega que o benefício seria extensivo a todos os empregados, porém a estipulação de carência de dois anos para o usufruto do auxílioeducação está patente na autuação, bem como no voto condutor do acórdão recorrido, sobre o qual não foram opostos Embargos de Declaração que pudessem desfazer qualquer equívoco nesse sentido. Adentrando ao mérito da matéria, constatase que o art. 144 do CTN (Lei nº 5.172, de 1966), assim estabelece: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Assim, não há que se falar em aplicação de lei posterior, eis que a retroatividade benigna somente é permitida em matéria de penalidade, o que não é o presente caso. Destarte, a lei vigente à época do fato gerador e aplicável ao caso é a Lei nº 8.212, de 1991, que assim estabelece: Fl. 3221DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.214 17 “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa[...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do artigo 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo.” (grifei) Nesse passo, para que os valores pagos a título de Auxílio Educação não integrem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, a empresa deve atender a alguns requisitos, dentre eles a extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes. Ademais, a interpretação do caso concreto deve ser efetuada de forma objetiva, nos limites da legislação específica, ou seja, a Fiscalização não pode deixar de observar os pressupostos legais para concessão de tal benefício, a teor do art. 111 do CTN: "Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias” Concluise, assim, que os pagamento relativos a Auxílio Educação, devem integrar o saláriodecontribuição, no presente caso, já que não foram extensivos à totalidade dos empregados, conforme reconhece a própria decisão recorrida. Destarte, a despeito das considerações da Contribuinte em sede de Contrarrazões, a autuação deve ser mantida, cabendo aqui reiterar argumento contido no paradigma (Acórdão nº 2401002.710): "Mais a mais, consoante restou muito bem assentado pela ilustre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, nos autos do processo administrativo n° 35434.000858/200571, a contratação em caráter de experiência não afasta os direitos Fl. 3222DF CARF MF 18 trabalhistas dos empregados, desde o primeiro dia de serviço, o que reforça a tese da ausência de distinção entre os funcionários 'efetivos' e os que se encontram sob contrato de experiência, senão vejamos: '[...] O contrato de experiência respaldado no art. 445, §2° da CLT, nada mais é do que uma possibilidade de o empregador 'testar' o empregado antes que o mesmo tornese empregado por prazo indeterminado. OU seja, desde o primeiro dia em que está trabalhando na condição de empregado contratado por experiência o empregado faz jus a TODOS os direitos trabalhistas, por exemplo: Férias, 13° salário, FGTS etc.. Os únicos direitos que acabam sendo inviabilizados são o aviso prévio e a indenização de 40% do FGTS, mas, não por se tratar de contratação por experiência, mas porque não encontramse presentes os requisitos da dispensa imotivada. Portanto, qualquer empregado desde o 1° dia, é considerado empregado e como tal faz jus a direitos trabalhistas. A exclusão dos empregados até 60 dias de vinculo, restringe o acesso à previdência complementar e portanto, descumprido o preceito legal que afastaria a natureza salarial. [...]' E, se no âmbito trabalhista (direito privado) não existe distinção de direitos dos empregados em experiência daqueles 'efetivos', não pode a legislação previdenciária adentrar a tais conceitos do direito privado de maneira a estabelecer aludida distinção para efeito de concessão de benefícios aos empregados, limitandoos aos 'efetivos', em total afronta aos dispositivos legais que contemplam a matéria, seja trabalhista ou previdenciária. (...) Na hipótese dos autos, o que torna ainda mais digno de realce, é que o período de carência se apresenta por demais prolongado (24 meses), o que afastaria a tese de alguns julgadores no sentido de que tal lapso temporal não teria o condão de rechaçar a isenção em comento no caso de coincidir com o período de experiência contemplado na legislação trabalhista (60 dias, prorrogáveis por mais 30)." (grifei) Sobre esse último argumento, no sentido de exigirse um prazo de carência por demais prolongado (dois anos), quando o período de experiência contemplado na legislação trabalhista é bem menor (60 dias, prorrogáveis por mais 30), interessante trazer à colação trecho do Acórdão nº 2301003.394, de 13/03/2013 (processo nº 10909.006800/2008 20), que a própria Contribuinte cita em sede de Contrarrazões, buscando respaldo para o procedimento por ela adotado: "A fiscalização entendeu que exigir um prazo de três ou seis meses na empresa para disponibilizar o benefício bolsa auxílio educação violava a norma isencional, porém, como vimos, nossa interpretação nos conduz para conclusão diversa. O requisito temporal razoável não representa discrímen vedado pela norma isencional. Assim sendo, tais pagamentos desfrutam da isenção e devem ser excluídos da base de cálculo do tributo em questão." Fl. 3223DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.215 19 Como se pode constatar, até mesmo no julgado citado pela Contribuinte como apto a demonstrar suposta regularidade de seu procedimento, considerouse que seria razoável um prazo de carência de três ou seis meses, o que de forma alguma se compara ao prazo de 24 meses, como é o caso do acórdão recorrido. A Contribuinte cita ainda, em Contrarrazões, o Acórdão nº 2403002.734, de 11/09/2014 (processo nº 16682.720808/201186), que referendaria a aplicação de retroatividade benigna, porém esse julgado nada tem a ver com esse tema. Confirase: "Entendo que os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pósgraduação) se enquadram na hipótese de não incidência prevista na alínea 't', § 9º, artigo 28, da lei 8.212/91 visto que a Lei 9394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, no artigo 39, estabelece que a educação profissional integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e inclui graduação e pósgraduação." Como se vê, esse julgado, que trata de fatos geradores de 2007/2008, apenas utiliza a Lei nº 9.394, de 1996 (portanto anterior aos fatos geradores), para definir que modalidades de ensino seriam aptas à inclusão no auxílioeducação. Com efeito, não trata de aplicação de lei posterior ao fato gerador, para considerar inexigível que o beneficio se aplique à totalidade dos segurados, como é o caso do recorrido. Finalmente, a Contribuinte cita a seu favor o Acórdão nº 2803003.589, de 09/09/2014 (processo nº 10166.728529/201202), porém mais uma vez o julgado nada tem a ver com a questão tratada no acórdão recorrido, já que também aborda as modalidades de ensino que estariam abarcadas pelo benefício. Confirase: Relatório "O fundamento fático do lançamentos encontrase no entendimento fiscal de que a empresa teria custeado a educação, superior, aos seus funcionários que deveria ser considerada remuneração por não estar abrangida no disposto no art. 28, §9º, t, da Lei n. 8.212/1991." Voto "Esta turma especial, bem como o CARF/MF, com base de reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, entende que a natureza desse tipo de auxílio pago pelas empresas aos seus empregados, que possibilite que os mesmos possam cursar o ensino superior ou técnico é claro em entender que o disposto da norma extraída do art. 28, §9º, t, aplicase excluindose a incidência da norma de exação. (...) Como esse é o único motivo que fundamenta esse tipo de lançamento, e o mesmo é inválido, o ato de constituição tornase insubsistente." Quanto à decisão judicial invocada pela Contribuinte, esta não tem caráter vinculante em relação à esfera administrativa. Fl. 3224DF CARF MF 20 Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, nesta parte. Quanto à segunda matéria exclusão da tributação dos valores pagos a título de PLR, sem observância da periodicidade mínima estabelecida no art. 2º, § 3º, da Lei nº 10.101/2000 o acórdão recorrido assim registra: "No presente caso, verificase que os Acordos Coletivos de Trabalho (fls. 291/311, processo 12268.000387/200999) referentes aos Programas de Participação nos Resultados (PLR) de 2006 e 2007, expressamente, dispõem que o pagamento do PLR dáse nos meses de 01/2006, 07/2006, 01/2007 e 07/2007. Entretanto, o pagamento do PLR ocorreu mais de duas vezes nos anoscalendário 2006 e 2007 (vide Anexo IX, fls. 286/290, processo 12268.000387/200999), sendo que isso caracteriza uma desobediência às condições estabelecidas nos Acordos Coletivos e na Lei l0.101/2000. Com isso, o pagamento concedido após a segunda parcela serviu para complementar o salário dos empregados, sujeitandose a incidência da contribuição previdenciária. Logo, entendese que somente os pagamentos realizados após a segunda parcela é que estão em desconformidade com a Lei 10.101/2000 e deverão ser submetidos à incidência da contribuição social previdenciária." Assim, a despeito das alegações da Contribuinte em sede de Contrarrazões, embora a previsão fosse de dois pagamentos no ano, esse limite foi extrapolado. Nesse passo, o Colegiado a quo considerou tributáveis apenas as parcelas que excederam o limite. A Fazenda Nacional, por sua vez, entende que, excedido o quantitativo legal de pagamentos, todo o PLR deve ser tributado. Como paradigma, indica o Acórdão nº 240101.619, que efetivamente defende esse posicionamento, portanto o apelo merece ser conhecido, também nesta parte. Adentrando ao mérito dessa segunda matéria, registrese que a participação dos empregados no lucro das empresas tem sede constitucional, no Capítulo que trata dos Direitos Sociais: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; E assim foi editada a Medida Provisória nº 794, de 2004, sucessivamente reeditada até a conversão na Lei nº 10.101, de 2000: Art.1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A citada lei normatizou diversos aspectos da participação no resultado, tais como: forma de negociação, impossibilidade de substituição da remuneração por esse benefício, periodicidade, isenção tributária, etc. Fl. 3225DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.216 21 Ao tratar especificamente da periodicidade do pagamento, o legislador assim especificou, claramente: Art.3° A participação de que trata o art. 2° não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (.) § 2° É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação de lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. Destarte, ao efetuar os pagamentos em mais de duas parcelas a Contribuinte fez tábula rasa do § 2º, acima transcrito. A Lei nº 8.212, de 1991, na alínea “j”, do § 9º, do art. 28, que regula a isenção previdenciária sobre a participação nos lucros, estabelece que não haverá a incidência de contribuições previdenciárias sobre dita verba, porém condiciona o benefício ao pagamento da parcela dos resultados de acordo com a lei específica, no caso, a Lei nº 10.101, de 2000: Art. 28. (...) § 9 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) Concluise, assim, que em havendo o pagamento em desrespeito à Lei nº 10.101, de 2000, a verba deve ser integrada ao saláriodecontribuição. Ressaltese que não há que se falar na inclusão, na base de cálculo, de apenas as parcelas excedentes, uma vez que não se trata simplesmente da extrapolação de um limite e sim da própria desnaturação da verba. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, restabelecendo a tributação de todas as parcelas de PLR pagas. Finalmente, quanto à terceira matéria aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009 na decisão recorrida determinouse o cálculo da multa com base no artigo 35, da Lei nº 8.212, de 1991, limitandoa ao percentual de 75%, previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede a manutenção do lançamento, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 3226DF CARF MF 22 Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não conhecimento da matéria referente à aplicação da multa mais benéfica, alegando, em síntese: que os paradigmas não demonstram a alegada divergência, já que neles se busca a aplicação do art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, enquanto que no recorrido aplicouse a redação antiga do dispositivo legal; que não há interesse recursal, uma vez que o acórdão recorrido já aplicou o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, na sua redação anterior à MP nº 449, de 2008, limitandose o percentual a 75%, o que coincide com o pedido da Fazenda Nacional. Quanto ao primeiro argumento, os acórdãos paradigmas efetivamente não tratam de situações em que o pleito seja a aplicação da lei em sua antiga redação, como é o caso do acórdão recorrido. Com efeito, tratase de situações em que se pleiteia a aplicação da multa de mora na nova redação da Lei nº 8.211, de 1991, ou seja, no percentual de 20%. Quanto ao segundo argumento, também assiste razão à Contribuinte, já que, no que tange à aplicação da retroatividade benigna, o resultado preconizado no acórdão recorrido coincide com a pretensão da Fazenda Nacional. Confirase: Acórdão recorrido: "Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar." Recurso Especial: "A tese encampada pelo acórdão recorrido no sentido de que há retroatividade benigna em razão do advento da MP nº 449/2008 (convertida na Lei nº 11.941/2009) que conferiu nova redação ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, portanto, não merece prevalecer, pois a forma de cálculo ali defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente. Na espécie, não houve recolhimento espontâneo do tributo devido. Houve isto sim lançamento de ofício, logo, inarredável a aplicação das disposições específicas da legislação previdenciária. Nessa linha de raciocínio, o lançamento em testilha deve ser mantido, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009." Destarte, em ambos os julgados entendese que deve ser aplicada a antiga redação do art. 35, e que a retroatividade benigna é representada: Fl. 3227DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.217 23 no acórdão recorrido, pela limitação ao percentual de 75%, que nada mais é que o limite estabelecido no art. 35A da nova redação; nos paradigmas, pela aplicação do art. 35A, da nova redação, que limita o percentual da multa em 75%. Com efeito, a leitura do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional permite concluir que o apelo baseiase em premissa equivocada, qual seja, a de que no acórdão recorrido a retroatividade benigna pressupunha a aplicação do novo art. 35, que trata da multa de mora limitada a 20%. Concluise, portanto, que efetivamente falta interesse de agir por parte da Fazenda Nacional, razão pela qual o apelo não pode ser conhecido, nesta parte. Diante do exposto, conheço parcialmente do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, apenas no que tange ao Auxílio Educação e à PLR Participação nos Lucros e Resultados e, na parte conhecida, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. LIMITAÇÃO TEMPORAL/CARÊNCIA. Em que pese o excelente voto da relatora, peço vênia para divergir no tocante a um ponto importante acerca da incidência de Contribuição Previdenciária sobre valores concedidos aos empregados a título de auxílioeducação. Para Relatora os valores concedidos a título de Auxílio Educação, somente a uma parcela dos segurados, em face da imposição de limitação temporal para seu usufruto (carência de dois anos), caracterizamse como salário indireto, sujeitandose, assim, à incidência das contribuições previdenciárias. Contudo a meu ver, a exigência legal é de que o Benefício seja concedido a todos os segurados não obstando ao empregador a discricionariedade de impor algumas condições para tanto. Desse modo, desde que os critérios sejam de ordem objetiva como, por exemplo, no caso em concreto a exigência de que o empregado esteja há mais de dois anos na empresa. Fl. 3228DF CARF MF 24 A intenção do legislador foi claramente de evitar subjetividades e apadrinhamentos no ambiente de trabalho, que pudessem levar ao oferecimento de vantagens a alguns em detrimento de outros o que resultaria em efetivo salário indireto. Todavia impor regras de ordem objetiva, como critérios temporais, denotam tão somente o poder de direção do empregador e de cuidado com seu negócio garantindo que o auxílio educação seja concedido a todos seus empregados e dirigentes, desde que estes cumpram o requisito temporal objetivo que não os diferencia por critérios subjetivos como cargo, produtividade ou afinidade com a diretoria. Insta salientar que segundo o STJ, o auxílioeducação não tem por objetivo remunerar o empregado. Tratase de verba empregada para o trabalho como ferramenta de trabalho), e não pelo trabalho (no sentido de remuneração). Notese que o STJ vem decidindo desta forma mesmo antes da edição da Lei 9.528/97. Logo, pelo fato de o auxílioeducação revestirse de natureza não salarial, por consequência referida verba não deve integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. PLR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE. Peço vênia para discordar ainda quanto a solução dada aos pagamentos em menor periodicidade do que aquela definida em lei, para os quais conforme o voto do qual divirjo, teriam o condão de dar natureza de complementação salarial a todas as verbas pagas a título de PLR, naquele determinado programa. Com relação à questão da periodicidade do pagamento, entendo que apenas os pagamentos específicos que ultrapassagem o interstício temporal determinado em lei é que deveriam ser considerados como base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos exarados pelo voto da Turma Ordinária, ora recorrido. Entendo que esta interpretação é a que melhor atende aos objetivos da Lei n° 10.101, de 2000, e foi utilizada em diversos precedentes do CARF no ano de 2014. Cumpre registrar que o Superior Tribunal de Justiça também já abordou o tema, identificando o procedimento a ser realizado, quanto ao Programa de PLR, nos casos de terem sido realizados pagamentos em períodos inferiores a seis meses. “TRIBUTÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÍNIMA DE SEIS MESES. ART. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (CONVERSÃO DA MP 860/1995) C/C O ART. 28, § 9º, "j", DA LEI 8.212/1991. (...) 1. Hipótese em que se discute a incidência de contribuição previdenciária sobre parcelas distribuídas aos empregados a título de participação nos lucros e resultados da empresa. 2. O Banco distribuiu parcelas nos seguintes períodos: a) outubro e novembro de 1995, a título de participação nos lucros; e b) dezembro de 1995 a junho de 1996, como participação nos resultados. 3. As participações nos lucros e resultados das empresas não se submetem à contribuição previdenciária, desde que realizadas na forma da lei (art. 28, § 9º, "j", da Lei 8.212/1991, à luz do art. 7º, XI, da CF). 4. O art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995) fixou critério básico para a nãoincidência da contribuição previdenciária, qual seja Fl. 3229DF CARF MF Processo nº 12268.000388/200933 Acórdão n.º 9202005.384 CSRFT2 Fl. 3.218 25 a impossibilidade de distribuição de lucros ou resultados em periodicidade inferior a seis meses. 5. Caso realizada ao arrepio da legislação federal, a distribuição de lucros e resultados submetese à tributação. Precedentes do STJ. 6. A norma do art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995), que veda a distribuição de lucros ou resultados em periodicidade inferior a seis meses, tem finalidade evidente: impedir aumento salarial disfarçado cujo intuito tenha sido afastar ilegitimamente a tributação previdenciária. (...) 12. Escapam da tributação apenas os pagamentos que guardem, entre si, pelo menos seis meses de distância. Vale dizer, apenas os valores recebidos pelos empregados em outubro de 1995 e abril de 1996 não sofrem a incidência da contribuição previdenciária, já que somente esses observaram a periodicidade mínima prevista no art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995) (...)” (STJ, REsp 496949/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJ 31.08.09) A Justiça do Trabalho, com maior legitimidade para discussão da natureza da verba, tem aplicado uma interpretação mais alinhada com a Constituição Federal, valorizando o resultado das negociações coletivas de trabalho, por força do art. 7º, XXVI, e nesse sentido mais importante do que a rubrica que identifica o pagamento feito ao empregado é a apuração da sua real natureza jurídica. Certamente, o legislador, quando fez constar, no art. 3º da Lei nº 10.101/00, que a participação nos lucros e resultados “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” não teve como objetivo isentar de encargos toda e qualquer verba paga a título de “PLR”. Assim na análise dos casos concretos, devese verificar se o conceito trazido na Constituição Federal e regulamentado na Lei nº 10.101/00 foi observado pelas partes que negociaram o instrumento coletivo definidor das regras de participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas. O Tribunal Superior do Trabalho vem se manifestando quanto a esta temática: RECURSO DE EMBARGOS EM RECURSO DE REVISTA. INTERPOSIÇÃO SOB A ÉGIDE DA LEI 11.496/2007. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PAGAMENTO PARCELADO. A jurisprudência desta Subseção, calcada no art. 7º, XXVI, da Magna Carta, sinaliza no sentido da viabilidade de norma coletiva estabelecer periodicidade de pagamento da participação nos lucros inferior à semestral. Ressalva de entendimento da Ministra Relatora. (TST, ERR 194200 95.2003.5.02.0462, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Ministra Relatora Rosa Maria Weber, DJ 07/05/2010) PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA E PAGAMENTO PARCELADO. PREVISÃO EM ACORDO COLETIVO. A decisão recorrida não reconheceu como válida a norma coletiva (acordo coletivo) que, expressamente, retratando a vontade de sindicato profissional e empresa, dispôs que o pagamento da participação nos lucros, relativa ao ano de 1999, seria feito de forma parcelada e mensalmente. O fundamento é de que o art. 3º, § 2º, da Lei nº 10.101/2000 dispõe que o pagamento de antecipação ou distribuição a título de participação nos lucros ou resultados não pode ocorrer em período inferior a um semestre ou mais de duas vezes no ano cível. Fl. 3230DF CARF MF 26 O que se discute, portanto, é a eficácia e o alcance da norma coletiva. O livremente pactuado não suprime a parcela, uma vez que apenas estabelece a periodicidade de seu pagamento, em caráter excepcional, procedimento que, ao contrário do decidido, desautoriza, data venia, o entendimento de que a parcela passaria a ter natureza salarial. A norma coletiva foi elevada ao patamar constitucional e seu conteúdo retrata, fielmente, o interesse das partes, em especial dos empregados, que são representados pelo sindicato profissional. Ressaltese que não se apontou, em momento algum, nenhum vício de consentimento, motivo pelo qual o acordo coletivo deve ser prestigiado, sob pena de desestímulo à aplicação dos instrumentos coletivos, como forma de prevenção e solução de conflitos. (TST, EEDRR 1236/20041021500, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Ministro Milton de Moura França, DJ 24/04/2010) Desse modo, entendo que somente as parcelas que não respeitaram a semestralidade nos termos na Lei, e que não continham periodicidade menor, expressamente pactuada em instrumentos coletivos, poderão ser tidas como verbas de natureza remuneratória. Ressalto ainda, que havendo possíveis descumprimentos a estas regras acima expostas, estes afetarão apenas aqueles indivíduos nos quais as ilegalidades sejam verificadas no caso concreto, sem afetar os demais indivíduos que se encontram com as formalidades respeitadas, ainda que se encontrem sob um mesmo contrato ou programa de PLR. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 3231DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.725687/2013-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
NOTIFICAÇÃO PESSOAL DO PATRONO CONSTITUÍDO. DESCABIMENTO
O artigo 23, do Decreto nº 70.235/72 estabelece o domicílio fiscal do contribuinte para efeito de intimação.
NULIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA CONFIGURAR VÍNCULO EMPREGATÍCIO
Verificada as circunstâncias definidas em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador imponível, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados.
VÍNCULO EMPREGATÍCIO. CONFIGURAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS
Constatando a Autoridade Lançadora os requisitos determinados na alínea a, do inciso I, do artigo 9º, do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, que aprova o Regulamento da Previdência Social - RPS deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, consoante o artigo 229, do RPS.
FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONFIGURAÇÃO. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS
Os médicos cooperados receberam pagamentos diretamente da cooperativa, em razão da prestação de serviços realizados pelos cooperados no Hospital Regional. Os valores foram pagos pela cooperativa e não pelos pacientes. Devida à contribuição.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NATUREZA INDENIZATÓRIA
Em face da decisão do STJ, tomada em sede de Recurso Repetitivo, impõe-se a esta Corte Administrativa adotar a jurisprudência mansa e pacífica dos nossos Tribunais Superiores, provendo o pleito da contribuinte no sentido de reconhecer a natureza indenizatória da verba concedida a título de Aviso Prévio Indenizado, em observância, inclusive, aos artigos 62, § 2º, do RICARF.
PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR OFERECIDA A DIRIGENTES
Após o advento da Lei Complementar nº 109/01, o benefício da previdência privada aberta não precisa ser extensivo a todos os segurados e dirigentes da empresa.
AUTO DE INFRAÇÃO MULTA. GFIP. DECLARAÇÃO INEXATA.
Constitui infração à legislação previdenciária apresentar Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social - GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 2401-004.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares, e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento os levantamentos "AV" (aviso prévio indenizado) e "PP2" (plano de previdência diretoria).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 NOTIFICAÇÃO PESSOAL DO PATRONO CONSTITUÍDO. DESCABIMENTO O artigo 23, do Decreto nº 70.235/72 estabelece o domicílio fiscal do contribuinte para efeito de intimação. NULIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA CONFIGURAR VÍNCULO EMPREGATÍCIO Verificada as circunstâncias definidas em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador imponível, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. CONFIGURAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS Constatando a Autoridade Lançadora os requisitos determinados na alínea a, do inciso I, do artigo 9º, do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, que aprova o Regulamento da Previdência Social - RPS deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, consoante o artigo 229, do RPS. FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONFIGURAÇÃO. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Os médicos cooperados receberam pagamentos diretamente da cooperativa, em razão da prestação de serviços realizados pelos cooperados no Hospital Regional. Os valores foram pagos pela cooperativa e não pelos pacientes. Devida à contribuição. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NATUREZA INDENIZATÓRIA Em face da decisão do STJ, tomada em sede de Recurso Repetitivo, impõe-se a esta Corte Administrativa adotar a jurisprudência mansa e pacífica dos nossos Tribunais Superiores, provendo o pleito da contribuinte no sentido de reconhecer a natureza indenizatória da verba concedida a título de Aviso Prévio Indenizado, em observância, inclusive, aos artigos 62, § 2º, do RICARF. PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR OFERECIDA A DIRIGENTES Após o advento da Lei Complementar nº 109/01, o benefício da previdência privada aberta não precisa ser extensivo a todos os segurados e dirigentes da empresa. AUTO DE INFRAÇÃO MULTA. GFIP. DECLARAÇÃO INEXATA. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social - GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 NOTIFICAÇÃO PESSOAL DO PATRONO CONSTITUÍDO. DESCABIMENTO O artigo 23, do Decreto nº 70.235/72 estabelece o domicílio fiscal do contribuinte para efeito de intimação. NULIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA CONFIGURAR VÍNCULO EMPREGATÍCIO Verificada as circunstâncias definidas em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador imponível, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. CONFIGURAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS Constatando a Autoridade Lançadora os requisitos determinados na alínea “a”, do inciso I, do artigo 9º, do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, que aprova o Regulamento da Previdência Social RPS deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, consoante o artigo 229, do RPS. FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONFIGURAÇÃO. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Os médicos cooperados receberam pagamentos diretamente da cooperativa, em razão da prestação de serviços realizados pelos cooperados no Hospital Regional. Os valores foram pagos pela cooperativa e não pelos pacientes. Devida à contribuição. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NATUREZA INDENIZATÓRIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 56 87 /2 01 3- 49 Fl. 1341DF CARF MF 2 Em face da decisão do STJ, tomada em sede de Recurso Repetitivo, impõese a esta Corte Administrativa adotar a jurisprudência mansa e pacífica dos nossos Tribunais Superiores, provendo o pleito da contribuinte no sentido de reconhecer a natureza indenizatória da verba concedida a título de Aviso Prévio Indenizado, em observância, inclusive, aos artigos 62, § 2º, do RICARF. PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR OFERECIDA A DIRIGENTES Após o advento da Lei Complementar nº 109/01, o benefício da previdência privada aberta não precisa ser extensivo a todos os segurados e dirigentes da empresa. AUTO DE INFRAÇÃO MULTA. GFIP. DECLARAÇÃO INEXATA. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares, e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir do lançamento os levantamentos "AV" (aviso prévio indenizado) e "PP2" (plano de previdência diretoria). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 10380.725687/201349 Acórdão n.º 2401004.782 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS (DRJ/CGE), que julgou a impugnação improcedente e manteve os créditos tributários exigidos nos Autos de Infração DEBCAD nºs 51.045.4844, 51.045.4852, 51.045.4860, 51.045.4810, 51.045.482 8, 51.045.4836 e 51.0454801, conforme ementa do Acórdão nº 0434.190 (fls. 1.224/1.239): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA A SEGURIDADE SOCIAL E PARA OS TERCEIROS. DESCARACTERIZAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. Há caracterização do sócio da pessoa jurídica como segurado empregado, quando há prestação de serviço do sócio de forma pessoal e na atividade fim da empresa tomadora, consequentemente afastar a empresa interposta e constituir o vínculo diretamente com o tomador de serviços. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA A SEGURIDADE SOCIAL SOBRE A REMUNERAÇÃO AOS COOPERADOS QUE PRESTAM SERVIÇOS AS PESSOAS NATURAIS. A remuneração paga ao cooperado que presta serviço a pessoa natural por intermédio da cooperativa é saláriodecontribuição e a cooperativa está sujeita a contribuição previdenciária patronal. SALÁRIO INDIRETO PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA PARA A DIRETORIA. A exclusão da parcela relativa à plano de previdência privada do saláriodecontribuição ocorre somente quando é estendido para todos os empregados, conforme condiciona a Lei 8.212/91, no art. 28, §9º, alínea ‘p’. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA A SEGURIDADE SOCIAL E PARA OS TERCEIROS. AVISO PRÉVIO INDENIZADO Os valores pagos aos segurados empregados relativo ao aviso prévio indenizados são saláriosdecontribuição para a Seguridade Social com a publicação do Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 que revogou a alínea "f" do inciso V do § 9o do art. 214 do Decreto 3.048/1999. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30 MULTA. DEIXAR A COOPERATIVA DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTOS A TODOS OS SEGURADOS A SEU SERVIÇO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a cooperativa de preparar folhasdepagamento das remunerações Fl. 1343DF CARF MF 4 pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 34 MULTA. DEIXAR A COOPERATIVA DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE TODOS OS FATOS GERADORES DA CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a cooperativa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições da empresa e o montante das quantias descontadas dos segurados. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 29 MULTA. DEIXAR A COOPERATIVA DE EFETUAR O DESCONTO E ARRECADAR AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTE INDIVIDUAIS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a cooperativa de descontar e arrecadar a contribuição previdenciária devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, sobre as remunerações pagas ou creditadas a estes. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78 MULTA. GFIP. DECLARAÇÃO INEXATA. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar, a empresa, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Presente processo é composto por 07 Autos de Infração (Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário à fl. 02), referente período de apuração 01/01/2009 a 31/12/2009, lavrados em 25/06/2013, conforme se segue: 1. AI DEBCAD nº 51.045.4844 (fls. 03/14), relativo a Contribuições previdenciárias patronal e às destinadas ao financiamento da complementação das prestações por acidentes do trabalhador/ financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), no valor de R$ 7.303.042,98. 2. AI DEBCAD nº 51.045.4852 (fls. 15/21), relativo à Contribuições previdenciárias dos segurados empregados, trabalhadores temporários e avulsos, no valor de R$ 362.439,03. 3. AI DEBCAD nº 51.045.4860 (fls. 22/29), relativo a contribuições destinadas à outras entidades e fundos (terceiros), no valor de R$ 481.603,32. Fl. 1344DF CARF MF Processo nº 10380.725687/201349 Acórdão n.º 2401004.782 S2C4T1 Fl. 4 5 4. AI DEBCAD nº 51.045.4801 (fl. 30), relativo a descumprimento de obrigações acessórias (Código Fundamento Legal CFL 78), no valor de R$ 81.920,00. 5. AI DEBCAD nº 51.045.4810 (fl. 31), relativo a descumprimento de obrigações acessórias (Código Fundamento Legal CFL 30), no valor de R$ 5.152,14. 6. AI DEBCAD nº 51.045.4828 (fl. 32), relativo a descumprimento de obrigações acessórias (Código Fundamento Legal CFL 34), no valor de R$ 51.520,74, lavrado em 25/06/2013. 7. AI DEBCAD nº 51.045.4836 (fl. 33), relativo a descumprimento de obrigações acessórias (Código Fundamento Legal CFL 59), no valor de R$ 5.152,14. O Relatório do Procedimento Fiscal (fls. 37/52, anexos às fls. 53/215), em síntese, informa que: · Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF n° 03.1.01.002012010665, foi instaurado o procedimento de fiscalização em 17/09/2012, com o envio, ao Contribuinte, do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF (fls. 216/217) ; · Os Autos se referem à constituição de crédito previdenciário e das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros) decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal e de obrigações tributárias acessórias; · O contribuinte foi intimado a apresentar os documentos relativos ao período de 06/2008 a 12/2009; · No decorrer da ação fiscal foram lavrados os Termos de Intimação Fiscal –TIF nº 01 (fl. 218), de 13/11/2012, nº 2 (fl. 219), de 14/01/2013, nº 3 (fs. 220/223), de 30/01/2013, nº 4 (fl. 224), de 15/03/2013, nº 5 (225/230), de 12/04/2013, nº 6 (231/232), de 24/04/2013 e o nº 7 (fl. 233), de 25/04/2013, além do Termo de Retenção de Livros e Documentos (fl. 234) e dos Recibos de Entrega de Arquivos Digitais (fls. 235/240); · Analisando os documentos apresentados a auditoria constatou existência de débito relativo às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social incidentes sobre fatos geradores não declarados em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP e não recolhidos ao INSS em época própria. O contribuinte foi intimado dos Autos de Infração, pessoalmente, em 28/06/2013, conforme assinatura no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF (fl. 699). Fl. 1345DF CARF MF 6 Em 26/07/2013 apresentou, tempestivamente, suas Impugnações aos DEBCADS: · Nº 51.045.4852 (fls. 706/731, doc. anexos às fls. 732/776); · Nº 51.045.4801 (fls. 777/785, doc. anexos às fls. 786/830); · Nº 51.045.4828 (fls. 831/855, doc. anexos às fls. 856/900); · Nº 51.045.4860 (fls. 901/926, doc. anexos às fls. 927/971); · Nº 51.045.4810 (fls. 972/1.005, doc. anexos às fls. 1.006/1.050); · Nº 51.045.4836 (fls. 1.051/1.078, doc. anexos às fls. 1.079/1.132); · Nº 51.045.4844 (fls. 1.133/1.164, doc. anexos às fls. 1.165/1.209). Nas impugnações apresentadas pelo Contribuinte pleiteia a nulidade e insubsistência dos Autos de Infração, relativos às obrigações principais e acessórias. Encaminhado o processo para apreciação e julgamento pela 4ª Turma da DRJ/CGE, foram julgadas improcedentes as impugnações com a manutenção dos créditos constituídos nos Autos de Infração. O contribuinte teve ciência do Acórdão nº 0434.190 em 09/05/2014, via postal (AR à fl. 1.242), e apresentou, tempestivamente, em 09/06/2014, seu Recurso Voluntário (fls. 1.247/1.289) onde: · Requer a reforma do Acórdão recorrido alegando que a intimação deve ser feita diretamente ao advogado devidamente constituído nos autos; · Requer a nulidade dos Autos de Infração em razão da incompetência da Receita Federal do Brasil em caracterizar a existência de vínculo empregatício; · Pleiteia a nulidade dos lançamentos por inexistência de elementos fáticojurídico insertos no artigo 3º, da Consolidação das Leis do Trabalho CLT para caracterizar as relações empregatícias dos prestadores de serviços pessoas jurídicas com a cooperativa. Reforça seu pedido argumentando que os serviços prestados pelas pessoas jurídicas com a cooperativa são prestação de serviços intelectuais, consoante o artigo 129, da Lei nº 11.196/82005; · Alega que não há fato gerador da contribuição previdenciária quanto aos valores pagos aos cooperados que prestaram serviços a pessoas físicas utilizando as dependências do HRU, pois o fazem de forma autônoma, sem vínculo; · Alega que não há incidência da contribuição social para a Seguridade Social sobre a verba de aviso prévio indenizado; Fl. 1346DF CARF MF Processo nº 10380.725687/201349 Acórdão n.º 2401004.782 S2C4T1 Fl. 5 7 · Se insurge contra a cobrança da contribuição previdenciária sobre a previdência privada paga aos diretores em virtude da sua natureza indenizatória; · Alega não haver ausência do descumprimento da obrigação acessória, pois as Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP foram preenchidas com o código da categoria “17”; · Afirma que para a caracterização da infração deve se observar os elementos objetivos e subjetivos do ilícito tributário, no caso falta o elemento subjetivo (dolo), pois o contribuinte pauta a sua conduta na boafé; · Assevera que a multa aplicada é ilegítima, desproporcional, irrazoável e confiscatório. Finaliza seu Recurso Voluntário requerendo seja o mesmo provido integralmente, para tornar os Autos de Infração insubsistentes e nulos, exonerando definitivamente da cobrança. Em 21/08/2014 o Contribuinte foi intimado (fl. 1.300), via postal (AR à fl. 1.301) para apresentar documentos faltantes. Tendo em 27/08/2014 anexado ao processo os documentos às fls. 1.304 a 1.334. É o relatório. Fl. 1347DF CARF MF 8 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da necessidade de notificação pessoal do patrono constituído nos autos Pleiteia a Recorrente que as intimações sejam efetuadas em nome dos patronos constituídos no processo administrativo. Segundo o artigo 23, do Decreto nº 70.235/72, que trata do processo administrativo fiscal: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Assim sendo, a intimação deve ser realizada no domicílio tributário do sujeito passivo, assim considerado, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 10380.725687/201349 Acórdão n.º 2401004.782 S2C4T1 Fl. 6 9 Descabida, portanto, a pretensão da contribuinte de que as intimações sejam encaminhadas a outro endereço que não o de seu domicílio tributário e em nome diverso, que não o do sujeito passivo, razão pela qual o pedido deve ser indeferido. 2. Autos de Infração nºs 51.045.4810, 51.045.4828, 51.045.4836, 51.045.4844, 51.045.4852 e 51.045.4860 2.a) Da incompetência da autoridade fiscal para decidir acerca da existência de vínculo empregatício – Violação ao art. 114 da Constituição Federal – Nulidade dos Autos de Infração Alega a Recorrente existir nulidade do ato administrativo de lançamento por entender que a autoridade fiscal caracterizou relação de emprego em afronta à competência estabelecida pelo art. 114 da constituição Federal. Não procede o argumento apresentado na peça recursal. A autoridade fiscal efetuou lançamento das contribuições sociais previdenciárias por constatar a caracterização da relação de emprego entre a UNIMED FORTALEZA e as pessoas físicas sócias das pessoas jurídicas contratadas. Destarte, é cediço que a ocorrência do fato previamente descrito na norma de incidência, basta para o nascimento da obrigação tributária (art. 113, § 1º e 114 do CTN), em face do princípio da legalidade, cabendo à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, conforme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional. Assim, verificando as circunstâncias definidas em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador imponível, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados. 2.b) Da inexistência de vínculo empregatício entre a Unimed e as pessoas jurídicas que lhe prestam serviço Conforme asseverado em sua peça recursal, a Recorrente alega que não estão presentes os requisitos da pessoalidade, não eventualidade, onerosidade (não há pagamento de salário) e subordinação, em relação às empresas que prestam serviços à Unimed. Por outro lado, a fiscalização, através da análise dos lançamentos contábeis e de documentos fornecidos pela empresa (contratos e notas fiscais), constatou a contratação de pessoas jurídicas, em caráter personalíssimo, para executar atividades permanentes da empresa, concluindo estarem presentes os requisitos do 2º e 3º CLT para caracterização da relação de emprego entre a UNIMED FORTALEZA e as pessoas físicas efetivamente contratadas (fls. 37/52). Os valores apurados no levantamento DJ DESCONSIDERAÇÃO PJ foram considerados como saláriodecontribuição de segurados empregados não declarados em GFIP pela empresa e podem ser observados através da planilha “ANEXO PESSOAS JURÍDICAS Fl. 1349DF CARF MF 10 CONTRATADAS PELA UNIMED FORTALEZA CONSIDERADAS PELA FISCALIZAÇÃO COMO CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA COM CARACTERÍSTICA DE RELAÇÃO DE EMPREGO”. A principal controvérsia que envolve o processo administrativo em debate, diz respeito à natureza jurídica dos serviços realizados por profissionais integrantes dos quadros societários das pessoas jurídicas contratadas formalmente, mais especificamente, o enquadramento das pessoas físicas prestadoras dos serviços pactuados como seguradas empregadas. Primeiramente, importante esclarecer que, tendo em vista o princípio da primazia da realidade sobre a forma, pode a fiscalização desconsiderar os atos e negócios jurídicos que não retratam a realidade dos fatos para fins tributários (art. 118 do CTN). No entanto, em face da existência de contratos de prestação de serviços entre a Unimed e as pessoas jurídicas constantes às fls. 241/514, compete ao Fisco o ônus probatório relativo à existência do vínculo empregatício que afirma existir, na medida em que o dever da prova dos fatos jurídicos incumbe a quem tem interesse em fazer prevalecer o que declara existir (art. 373 do NCPC). A fiscalização desconsiderou os contratos de prestação de serviços firmados asseverando que os serviços foram prestados pelas pessoas físicas com os requisitos característicos da relação e emprego. Por outro lado, a Recorrente assevera que a Unimed jamais exigiu que algum cooperado criasse pessoa jurídica e que estas foram constituídas por mera liberalidade de seus sócios, e por sua conta e risco, firmaram contrato com a Unimed, nos termos autorizados pelo art. 129 da Lei nº 11.196 de 2005. É certo que não há impedimento em nosso ordenamento jurídico na constituição de pessoa jurídica para a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, sendo lícita a utilização da forma societária (art. 129 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005). Ocorre que o Auditor Fiscal, ao analisar os contratos de prestação de serviços, identificou os requisitos da pessoalidade do empregado, habitualidade, subordinação e onerosidade, destacando cláusulas de alguns contratos para a comprovação do vínculo de emprego: 3.2.2.1. Nos contratos celebrados com as pessoas jurídicas é observada clausula que determina o caráter personalíssimo da relação, pois, nesses casos, é especificado que a contratada (pessoa jurídica) dever prestar o serviço através de uma pessoa física determinada, não existindo a possibilidade dos serviços serem prestados por nenhum outro profissional. Como exemplo destacamos o contrato firmado com a empresa “CLINICA MÉDICA SPINDOLA”, no item 2.1 do contrato está especificado: “2.1 A CONTRATADA disponibilizará os serviços de Auditoria através da Sra. Daniele Cristina dos Santos Spíndola por, no mínimo, 08 (oito) horas por dia...”. 3.2.2.2. O fato acima observado não é característica dos contratos celebrados entre pessoas jurídicas, pois nessa relação não importa qual profissional deverá executar o serviço contratado, qualquer profissional, habilitado para o serviço, poderá executá Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 10380.725687/201349 Acórdão n.º 2401004.782 S2C4T1 Fl. 7 11 lo. Diante de tal fato denotase um trabalho “INTUITU PERSONAE”, onde não há outro profissional, que não o citado, para a execução da tarefa. 3.2.2.5. A continuidade dos serviços prestados pode ser observada no contrato de prestação de serviço celebrado entre as empresas, onde consta o horário de trabalho e os dias a serem trabalhados. Como exemplo destacamos o contrato firmado com a empresa “ACUP E PROCTO SERVIÇOS MÉDICOS DE ACUPUNTURA E PROCTOLOGIA”, no item 2.1 do contrato está especificado “2.1 A CONTRATADA disponibilizará os serviços de Auditoria através da Sra. Cynthia Maria Pontes Soares por, no mínimo, 08 (oito) horas por dia, nos dias úteis de trabalho, totalizando 40 (quarenta) horas semanais...”. 3.2.2.6. A não eventualidade pode ser observada através dos lançamentos contábeis e do contrato para prestação de serviços, pois nesses casos pode ser observado o repasse financeiro as empresa contratadas de valores fixos (independente do número de dias trabalhados ou tarefas realizadas) e permanentes ao longo do tempo. 3.2.2.7. É o princípio da hierarquia, na qual o empregado é subordinado as ordens e determinações técnicas superiores que detém os poderes contratuais de dirigir, regulamentar, fiscalizar e punir. A ausência da subordinação pressupõe que o contratado executa suas tarefas de forma independente e autônoma não observando as determinações técnicas, regulamentos e normas internas da contratada. 3.2.2.8. A própria natureza dos serviços contratados e as condições em que são prestados não permitem garantir ao trabalhador a autonomia que afastaria o vínculo de subordinação à empresa tomadora da prestação dos serviços. As funções desempenhadas pelos segurados fazem parte da estrutura organizacional da entidade tomadora e, consequentemente, tais atividades estão subordinadas à sua hierarquia administrativa, normas e regulamentos internos, desta forma caracterizando a subordinação jurídica. 3.2.2.9. A onerosidade pode ser observada através dos contratos de prestação de serviços que especificam uma remuneração fixa e mensal a ser repassado para as empresas contratadas, remuneração essa comprovada através dos lançamentos contábeis mensais que contabilizam como despesas nas contas “4621390000001HONORARIOS DECONSULTORIA” e “4621290000001HONORARIOS DE AUDITORIA” os repasses mensais efetuados, observamos a comprovação dos repasses financeiros através da emissão de notas fiscais mensal e em valor fixo relativo a contrapartida pelo serviço realizado. OUTROS REQUISITOS 3.2.2.10. Analisando os contratos celebrados entre a UNIMED e as pessoas jurídicas contratadas, as notas fiscais emitidas e os Fl. 1351DF CARF MF 12 lançamentos contábeis podemos verificar outros requisitos característicos da prestação de serviços através de relação de emprego, tais como: • A existência de recesso anual de 30 (trinta) dias na prestação de serviço sem prejuízo da remuneração mensal, permitindo inclusive a redução do período de recesso mediante compra dos dias pela contratante. Essa concessão é similar a férias anual remunerada e ao abono de férias observado nas relações de emprego, benefício esse não existente na contratação de contribuinte individuais e menos ainda na contratação de pessoas jurídicas. Consta em alguns contratos a seguinte clausula ou similar “3.2 A CONTRATANTE concederá a CONTRATADA recesso anual de 30 (trinta) dias na prestação dos serviços, o qual será negociada as datas entre as partes, sem prejuízo do valor contratualmente acordado mensalmente, sendo pago pela CONTRATANTE 3.2.1 A CONTRATANTE poderá, quando necessário, em comum acordo com a CONTRATADA, reduzir o recesso anual de 30 (trinta) dias da prestação de serviços. 3.2.2 A cada dia reduzido será pago, pela CONTRATANTE a CONTRATADA, um valor proporcional ao valor total pago mensalmente. • Pagamento de remuneração extra anual equivalente à remuneração mensalmente repassada as empresas contratadas. Essa concessão é similar ao 13o salário, rubrica própria das relações de emprego. Consta em alguns contratos a seguinte clausula ou similar “3.4 Além da remuneração estabelecida no item 3.1. desta cláusula, a CONTRATANTE pagará a CONTRATADA uma remuneração extra anual, equivalente ao valor estabelecido no item 3.1., a ser pago uma semana após a realização da Assembléia Geral ordinária – AGO”. • Existência de empregados informadas nas folhas de pagamento para realizar a mesma atividade das pessoas jurídicas contratada, fato esse que destaca que as empresas foram contratadas para suprir a necessidade de serviços próprios, normais e necessários ao funcionamento da estrutura empresarial e cuja prestação é normalmente realizada sobre o amparo da relação de emprego. • A empresa DOURADO BARSI CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA foi contratada para prestação de serviço de consultoria em gestão na área de regulação dos serviços de saúde médica, conforme contrato foi firmado em 01/05/2009, a pessoa física determinada para prestação dos serviços é a Sra. Francisca Ursula Dourado Barsi. Observamos que a Sra. Francisca Ursula Dourado Barsi constava como empregada da empresa até então, tendo o contrato de trabalho rescindido em 04/05/2009. A demissão de segurado empregado e posterior contratação através de pessoa jurídica pode ser observado no caso do Sr. FRANCISCO JARBAS STUDART FROTA e do Sr. ADRIANO RAMALHO LIMA (outros segurados podem está na mesma situação, a auditoria não investigou todos os casos). Fato esse que demonstra uma movimentação da empresa para substituição de segurados empregados através contratação de Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 10380.725687/201349 Acórdão n.º 2401004.782 S2C4T1 Fl. 8 13 pessoa jurídica de caráter personalíssimo para realizar a mesma tarefa. Compulsando os autos, verifiquei a existência de contratos de prestação de serviços entre a Unimed Fortaleza e várias pessoas jurídicas (fls. 241/515), com disponibilização de serviços por pessoa determinada, com horários fixos, com valor determinado e pagamento mensal, recesso anual de 30 (trinta dias), sem prejuízo do valor acordado mensalmente, com remuneração extra anual equivalente ao valor de um mês de salário, ou seja, com todos os requisitos atinentes à relação de emprego. Nesse diapasão, constatando a Autoridade Lançadora os requisitos determinados na alínea “a”, do inciso I, do artigo 9º, do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, que aprova o Regulamento da Previdência Social – RPS deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, consoante o artigo 229, do RPS, in verbis: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Diante de todo o conjunto probatório constante nos autos, destacado de forma minuciosa na acusação fiscal, constatase presentes os requisitos do 2º e 3º CLT para caracterização da relação de emprego entre a UNIMED FORTALEZA e as pessoas físicas prestadoras dos serviços pactuados como seguradas empregadas e os valores apurados considerados como salário de contribuição. Em vista de todo o exposto, deve ser mantido o lançamento da referida exigência, bem como a multa por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 1353DF CARF MF 14 2.c) Da inexistência de fato gerador da contribuição previdenciária quanto aos valores pagos aos cooperados que prestaram serviços a pessoas físicas utilizando as dependências do HRU A Recorrente alega que não há fato gerador da contribuição previdenciária quanto aos valores pagos aos cooperados que prestaram serviços a pessoas físicas utilizando as dependências do Hospital Regional da Unimed, haja vista que o HRU é mero equipamento que viabiliza a prestação de serviço médico, e não tomadora dos serviços. A fiscalização procedeu ao levantamento CH – COOPERADOS HRU referente aos valores informados pela empresa como pagamentos aos médicos cooperados que prestam serviços no Hospital Regional Unimed. De acordo com o Relatório Fiscal, após análise dos documentos apresentados concluiu que os médicos cooperados que atuaram nas atividades fins do Hospital Regional Unimed prestaram serviço diretamente a cooperativa (hospital), sendo, assim, considerados como contribuintes individuais. Como se observa, os médicos cooperados receberam pagamentos diretamente da Unimed, em razão da prestação de serviços realizados pelos cooperados no Hospital Regional. Os valores foram pagos pela cooperativa e não pelos pacientes. Por isso, resta configurada a ocorrência do fato gerador previstos no inciso III, do artigo 22, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em face da remuneração paga a contribuintes individuais: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Assim, deve ser mantido o lançamento nesse ponto. 3. Autos de Infração nºs 51.045.4810, 51.045.4836, 51.045.4844, 51.045.4852 e 51.045.4860 3.a) Da cobrança de contribuição patronal incidente sobre aviso prévio indenizado Consoante se infere do Relatório Fiscal, aludido levantamento se refere aos pagamentos concedidos pela empresa aos empregados a título de Aviso Prévio Indenizado. A autoridade lançadora utilizou como fundamento o fato de que, com o advento do Decreto nº 6.727, de 12/01/2009, a alínea "f" do inciso V do § 9º do art. 214 do Decreto nº 3.048//1999 foi revogada, portanto, o aviso prévio indenizado passa a ser base de cálculo das contribuições previdenciárias. Por sua vez, em sua peça recursal, afirma ser improcedente a incidência das contribuições sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por tratarse de verba indenizatória, não tendo natureza remuneratória, colacionando jurisprudência nesse sentido. Assiste razão à Recorrente. Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 10380.725687/201349 Acórdão n.º 2401004.782 S2C4T1 Fl. 9 15 Destarte, não vislumbramos na verba sub examine natureza remuneratória tendente a integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Na hipótese dos autos, deixaremos de abordar a legislação de regência ou mesmo adentrar a questão da natureza/conceituação da aludida verba, uma vez que o Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543C, do CPC, afastou qualquer dúvida quanto ao tema, reconhecendo a sua natureza indenizatória, senão vejamos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. [...] 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Fl. 1355DF CARF MF 16 Herman Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel. Min.Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. [...] (grifamos) Conforme preceitua o artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF, impõese ao julgador deste Colegiado a observância às decisões do Superior Tribunal de Justiça, tomadas em sede de Recurso Repetitivo, nos termos do artigo 543C, do CPC, hipótese que se amolda ao caso vertente, senão vejamos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016). Assim, diante da definitividade da decisão do STJ, tomada em sede de Recurso Repetitivo, impõese a esta Corte Administrativa adotar a jurisprudência firmada nos Tribunais Superiores, provendo o pleito da contribuinte no sentido de reconhecer a natureza indenizatória da verba concedida a título de Aviso Prévio Indenizado, em observância, inclusive, aos artigos 62, § 2º, do RICARF. Conforme razões acima expostas, também afasto a multa por descumprimento de obrigação acessória relativa ao respectivo levantamento. 4. Autos de Infração nºs 51.045.4828 e 51.045.4844 4.a) Da cobrança de contribuição patronal incidente sobre verba paga pela empregadora relativo à programa de previdência complementar – caráter indenizatório A fiscalização constatou pagamento de plano de previdência PGBL exclusivamente aos dirigentes e conselheiros da empresa. Desta forma, considerou os valores pagos como base de cálculo para a previdência social não declarados em GFIP e não recolhidos pela empresa. Aduz a Recorrente que a natureza das verbas relativas ao programa de previdência complementar pagos a diretores e conselheiros é eminentemente indenizatória, pois visa compensar as perdas que os médicos sofrem por terem de deixar os consultórios, não devendo ser entendido como salário. A previdência social é organizada sob a forma do regime geral, de caráter contributivo e filiação obrigatória (art. 201 da Constituição Federal), ou sob o regime de previdência privada, de caráter complementar, facultativo e organizado de forma autônoma, conforme se destaca no art. 202, da Lei Maior: Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 10380.725687/201349 Acórdão n.º 2401004.782 S2C4T1 Fl. 10 17 Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Estabeleceu ainda em seu parágrafo 2º, que as contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes dos planos, encontrandose assim desvinculada da remuneração, trazendo uma regra imunizante com relação à incidência da contribuição previdenciária, desde que não restem caracterizados como benefício em razão do trabalho, senão vejamos: § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Dentro desse contexto constitucional, foi editada a Lei Complementar 109/2001 que assim disciplinou as normas sobre os planos de previdência privada: Art. 1o O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. Art. 4o As entidades de previdência complementar são classificadas em fechadas e abertas, conforme definido nesta Lei Complementar. Art. 12. Os planos de benefícios de entidades fechadas poderão ser instituídos por patrocinadores e instituidores, observado o disposto no art. 31 desta Lei Complementar. Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. § 1o Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. § 2o É facultativa a adesão aos planos a que se refere o caput deste artigo. Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou Fl. 1357DF CARF MF 18 II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4o Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. § 1o Os benefícios serão considerados direito adquirido do participante quando implementadas todas as condições estabelecidas para elegibilidade consignadas no regulamento do respectivo plano. § 2o A concessão de benefício pela previdência complementar não depende da concessão de benefício pelo regime geral de previdência social. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Com o advento da LC n° 109/2001, restou clara a diferenciação entre o regime fechado de planos, inseridos na Seção II da Lei Complementar 109/2001, através de seu artigo 16, no qual há a exigência de disponibilidade do plano para todos os empregados; e o regime aberto, em que poderão ser oferecidos para grupos de pessoas constituídos de uma ou mais categorias de empregados, conforme disposto no art. 26, inserido na Seção III do diploma legal. Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 10380.725687/201349 Acórdão n.º 2401004.782 S2C4T1 Fl. 11 19 Dessa forma, por força da norma imunizante estabelecida no § 2º, art. 202 da CF, e, restando cumpridas as determinações contidas na referida Lei Complementar, as contribuições do empregador encontramse desvinculadas da remuneração dos participantes (art. 68), não incidindo tributação e contribuições de qualquer natureza sobre as contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária (§ 1º do art. 69 da Lei Complementar nº 109/2001). Assim, conquanto a Lei 8.212/1991 determine que o programa de previdência complementar, aberto ou fechado, deve ser disponibilizado à totalidade dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica, para que não integrem o salário de contribuição (alínea p do § 9º do art. 28), a aparente antinomia encontra solução na aplicação integrada com a Lei Complementar nº 109/2001, conforme analisado anteriormente. Destaco ainda a decisão proferida no Acórdão nº 2402003.661 (4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) que passa a integrar a fundamentação deste Voto: Vêse que para o regime fechado, considerando a unidade da lei, não há incompatibilidade com a Lei n° 8.212/1991, apenas que nesta as regras de incidência e abrangência estão em um mesmo dispositivo legal. Agora, como já sinalizado acima, para o regime aberto a lei faculta que, direta ou indiretamente através da entidade, a empresa contrate em benefício de grupos específicos de categorias de empregados plano de previdência complementar, artigo 26, §2° e 3° da lei. Então, neste caso não incidem contribuições previdenciárias ainda que o benefício não seja oferecido à totalidade dos empregados. Mas, sem precipitações, a interpretação será mais segura quando considerado o todo da lei. No caso dos programas em regime aberto, embora não seja necessário estendêlo à totalidade dos empregados e dirigentes, os grupos selecionados são de categorias de empregados, sem discriminações dentro de um mesmo grupo. A escolha recai sobre determinada categoria não como incentivo à produtividade ou outras finalidades relacionadas ao trabalho, mas em razão de necessidades específicas. Em síntese, temos que para a não incidência de contribuições previdenciárias: a) até o advento da LC n° 109/2001, em quaisquer casos, a empresa tinha que oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes; b) a partir da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa deverá oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. Caso adotado o regime aberto, poderá oferecer o benefício a grupos de empregados ou dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho, Fl. 1359DF CARF MF 20 eis que flagrantemente o caracterizaria como um prêmio e, portanto, gratificação. No presente caso sob exame, os fatos geradores ocorreram posteriormente à LC n° 109/2001. Tratandose da modalidade de previdência complementar em regime aberto, de acordo com a tese aqui desenvolvida, não haveria necessidade de disponibilização dos planos de previdência complementar à totalidade dos dirigentes e empregados, desde que a restrição ao benefício seja de forma genérica e impessoal, que é o caso; portanto, os valores lançados são insubsistentes. Do exposto, entendendo caber razão à Recorrente, pois, após o advento da Lei Complementar nº 109/01, o benefício da previdência privada aberta não precisa ser extensivo a todos os segurados e dirigentes da empresa. Pelas mesmas razões acima expostas, também afasto a multa por descumprimento de obrigação acessória relativa ao respectivo levantamento. 5. Do descumprimento de obrigação acessória relativa ao campo categoria do trabalhador Segundo a contribuinte, não procede a alegação da fiscalização de que a empresa prestou informações inexatas em GFIP com relação ao campo categoria do trabalhador. Sem razão a Recorrente. Conforme Manual da GFIP, o contribuinte individual – cooperado que presta serviços a entidade beneficente de assistência social isenta da cota patronal ou a pessoa física, por intermédio da cooperativa de trabalho devem ser informados em GFIP com a categoria 24, sendo que a empresa apresentou, para todo o período fiscalizado, a GFIP dos trabalhadores cooperados que prestam serviço para pessoas físicas com categoria “17”. As remunerações em decorrência das prestações de serviços realizados pelos cooperados no Hospital Regional da UNIMED foram pagas diretamente pela cooperativa e não pelas pessoas naturais, ocorrendo o fato gerador do inciso III, do artigo 22, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Assim, a Recorrente não enquadrou de forma correta os cooperados associados na Categoria 17, devendo ser excluída a exigência do lançamento. 6) Da multa exorbitante Assevera na peça recursal que a multa ultrapassa o limite da razoabilidade, por ser exorbitante e ilegítima. O lançamento é uma atividade vinculada e obrigatória, motivo porque é dever de a Autoridade Lançadora aplicar as penalidades estabelecidas em Lei. Ademais, a Súmula CARF nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 10380.725687/201349 Acórdão n.º 2401004.782 S2C4T1 Fl. 12 21 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, rejeito as preliminares alegadas, e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO PARCIAL para excluir do lançamento os levantamentos "AV" (aviso prévio indenizado) e "PP2" (plano de previdência diretoria). (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 1361DF CARF MF
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Numero do processo: 13558.901075/2009-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2006
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.642
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 10 75 /2 00 9- 00 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13558.901075/200900 Acórdão n.º 3201002.642 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.415. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13558.901075/200900 Acórdão n.º 3201002.642 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13558.901075/200900 Acórdão n.º 3201002.642 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 10845.001840/99-61
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2003
Ementa: FINSOCIAL - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO SOBRE
RECOLHIMENTOS DA CONTRIBUIÇÃO.
o direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Inexistindo resolução do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 27110/98, vazou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da edição da Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/95. Desta forma, considerado que até 30/11/99 esse era o entendimento da SRF, todos os pedidos protocolados até tal data, estão, no mínimo, albergados por ele. Não havendo análise do pedido, anula-se a decisão de primeira instância, devendo outra ser proferida em seu lugar, em homenagem ao duplo grau de jurisdição.
ANULADO O PROCESSO A PARTIR DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, INCLUSIVE.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 303-31.067
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a argüição de decadência, e declarar a nulidade do processo a partir da decisão de Primeira Instância, inclusive, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Anelise Daudt Prieto.
Nome do relator: PAULO DE ASSIS
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PROCESSO N° SESSÂO DE ACÓRDÃOW RECURSOW RECORRENTE RECORRIDA ~•MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA 10845.00 1840/99-6 I 06 de novembro de 2003 303-31.067 125.507 COMERCIAL ESTRELA D'ALVA LTDA. DRJ/SÃO PAULO/SP FINSOCIAL - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO SOBRE RECOLHIMENTOS DA CONTRIBUiÇÃO. o direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei deelarnda inconstitucional, na via indireta. Inexistindo resolução do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 27110/98, vazou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da edição da Medida Provisória n" 1.110, de 30/08/95. Desta forma, considerado que até 30/11/99 esse era o cnlcndimcnto da SRf, todos os pedidos protocolados alé tal dala, eSlão, no mínimo, albergados por ele. Não havendo análise do pedido, anula-se a decisão de primeira instância, devendo outra ser proferida em seu lugar, em homenagem ao duplo grau de jurisdição. ANULADO O PROCESSO A PARTIR DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÃNCIA, INCLUSIVE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a argüição de decadência, e declarar a nulidade do processo a partir da decisão de Primeira Instância, inclusive, na fonua do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Anelise Daudt Prieto Brasília-DF, em 06 de novembro de 2003 £// PAUL()?"DÊ"ASSIS Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ZENALDO LOIBMAN, IRINEU BIANCHI, CARLOS FERNANDO FIGUEIRDO BARROS, NILTON LUIZ BARTOLI e NANCI GAMA (Suplente), Ausente o Conselheiro FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE. Ime , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 125.507 303-31.067 COMERCIAL ESTRELA D' ALVA LTDA. DRJ/SÃO PAULO/SP PAULO DE ASSIS RELATÓRIO O recorrente insurge-se contra o Acórdão DRJ/SPO I n° 781, de 26 de abril de 2002 (folhas 73 a 80) que indeferiu o pleito que apresentou em 12 de maio de 1999, objetivando a restituição/compensação do FINSOCIAL originado de recolhimentos que efetuou com alíquota superior a 0.5%, por força de leis mais tarde declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A ementa da Decisão recorrida sintetiza a causa essencial do indeferimento, redigida da seguinte forma: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA. O direito de pleitear restituição seguida de compensação, de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente, extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida Nas razões de recurso, o recorrente diz que o prazo deferido ao contribuinte para repetir o indébito inicia após o decurso dos 5 (cinco) anos que o Fisco dispõe para homologação expressa do crédito tributário. É o relatório. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO NO- ACÓRDÃO N° -:-125.507 : 303-31.067 VOTO O recurso é tempestivo e trata de matéria de competência deste colegiado. Dclc tomo conhecimento. A matéria foi objeto de estudos efetuados por diversos Conselheiros deste Colegiado. Por concordar com os argumentos apresentados, reproduzo a seguir o VOTO proferido pelo ilustre Conselheiro desta Terceira Câmara, Dr. Nilton Bartoli, proferido no Processo n.o 13688.000049/00-32, Recurso nO 125.540, que conclui ser o prazo decadencial contado a partir da MP 110, de 30/08/1995: "Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário, por conter matéria de competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes. O pedido de restituição/compensação formulado pelo recorrente tem fundamento na inconstitucionalidade das normas que majoraram a alíquota do FINSOCIAL, declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nO 150.764-PE ocorrido em 16/12/1992, tendo o Acórdão sido publicado em 02/03/1993, e cuja decisão transitou em julgado em 04/05/1993. A controvérsia trazida aos autos cinge-se à ocorrência (ou não) da decadência (prescrição) do direito do recorrente de pleitear a restituição dos valores que pagou a mais em razão do aumento reputado inconstitucional. Antes, porém, de adentrarmos na análise do caso concreto, cumpre uma advertência. Levantou-se no âmbito deste Conselho, sob o fundamento do Parecer PGFN/CRJ/N° 3401/2002, o entendimento de ser impossível a este Colegiado deferir pedidos de restituição/compensaçâo dos valores pagos a título do FINSOCIAL, em razão das conclusões clencadas naquele arrazoado, endossadas pelo Ministro de Estado da Fazenda quando de sua aprovação. Com a devida vênia de seus seguidores, tal entendimento revela-se equivocado, destoando do que prevê a legislação aplicável. Inicialmente, cumpre destacar que a citação ou transcrição de excertos isolados e fora de contexto do mencionado Parecer podem realmente conduzir à conclusão de que o tema relativo à compensação/restituição do 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.507 303-31.067 FINSOCIAL teria sido plenamente esgotado na peça elaborada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, vinculando toda a Administração Federal àquelas conclusões. Sucede que o Parecer versa especificamente sobre os pedidos de restituição/compensação do FINSOCIAL referentes a créditos que tenham sido objeto de ação judicial, com decisão final favorável à Fazenda Nacional já transitada em julgado. A questão efetivamente tratada no Parecer é: "os contribuintes que já tenham contra si uma decisão judicial final desfavorável atinente ao FINSOCIAL, transitada em julgado, podem requerer administrativamente a restituição/compensação daqueles créditos?" É o que se depreende do despacho do Exmo. Ministro da Fazenda, quando da aprovação do Parecer: "Despacho: Aprovo o Parecer PGFN/CRJ N° 3AO I/2002, de 31 de outubro de 2002, pelo qual ficou esclarecido que: 1) os pagamentos efetuados relativos a créditos tributários, e os depósitos convertidos em renda da União, em razão de decisões judiciais favoráveis à Fazenda Nacional transitadas em julgado, não são suscetíveis de restituição ou de compensação em decorrência de a norma aplicada vir a ser declarada inconstitucional em eventual julgamento, no controle difuso, em outras ações distintas de interesse de outros contrihuintes; 2) a dispensa de constituição do crédito tributário ou a autorização para a sua desconstituição, se já constitui do, previstas no art. 18 da Medida Provisória n° 2. I76-79/2002, convertida na Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, somente alcançam a situação de créditos tributários ainda não extintos pelo pagamento. Publique-se o presente despacho, com o referido Parecer."l (grifos acrescentados) Na mesma linha, a ementa do Parecer: "Declaração de inconstitucionalidade em sede de controle difuso. Não-suspensão da execução da lei pelo Senado Federal. Irreversibilidade das sentenças transitadas em julgado em favor da União (Fazenda Nacional), a não ser em procedimento revisional rescisório, quando cabivel. Necessidade de provimento I DOU de 2 de janeiro de 2003, Seção I, p. 5. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO NO :-125.507 : 303-31.067 judicial para repetição ou compensação em relação a terceiro eventualmente prejudicado.,,2 Ü,'li fos acrescentados) A conclusão do mencionado Parecer é ainda maIS eloqüente, somente confinnando nosso entendimento: "IV CONCLUSÃO 43. Diante do exposto, a síntese do entendimento doutrinário acima esposado conduz, inexoravelmente, à conclusão de que os efeitos da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 150.764/PE (na via de defesa) não têm o condão de alcançar as situacões jurídicas concretas decorrentes de decisões judiciais transitadas em julgado, favoráveis à União (Fazenda Nacional). Assim, pode-se concluir que a questão submetida a esta Procuradoria-Geral deve ser harmonizada no sentido de que: a) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 150.764/PE não tem o condão de afetar a efieácia das decisões transitadas em julgado, as quais determinaram a conversão dos depósitos efetuados em renda da União; b) repetindo, a decisão do STF que fulminou a norma no controle difuso de constitucionalidade também não poderá ser invocada para o fim de automática e imediatamente desfazer situações jurídicas concretas e direitos subjetivos, porque não foram o objeto da pretensão declaratória de inconstitucionalidade; ( ... ),,3 (nossos destaques) Ora, percebe-se claramente que a questão ventilada no Parecer refere-se àqueles créditos de FINSOCIAL que tenham sido objeto de ação judicial, julgada em favor da Fazenda Nacional e já transitada em julgado. , Idem, p. 5. 3 Idem, p. 516. 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.507 :-303-31.067 - -- - O ponto central do Parecer reside em saber se um posterior reconhecimento da inconstitucionalidade de um tributo teria o condão de desfazer a coisa julgada. Esse não é o caso dos autos. Bem por isso, a transcrição isolada da alínea "c" do item 43 do Parecer poderia levar à conclusão de que o Parecer teria esgotado o tema referente à restituição/compensação do FINSOCIAL em todas as suas variáveis, o que jamais ocorreu. Com efeito, essa é a redação da citada alínea "c": "c) os contribuintes que porventura efetuaram pagamento espontâneo, ou parcelaram ou tiveram os depósitos convertidos em renda da União, sob a vigência de nonna cuja eficácia tenha vindo a ser, posteriormente, suspensa pelo Senado Federal, não fazem jus, em sede administrativa, à restituição, compensação ou qualquer outro expediente que resulte em renúncia de crédito da União;',4 Ocorre que a alínea "c" está inserida no item 43 do Parecer, cujo Captll remete unicamente às "sitllações jurídicas concretas decorrelltes de decisões jlldiciais tramitadas emju/gado,javoráveis à União (Fazenda Naciona/)". Como se não bastasse, afora a inaplicabilidade das conclusões do mencionado Parecer ao caso concreto, outras razões autorizam este Conselho a examinar pedidos como o que ora se julga. A existência e a competência dos Conselhos de Contribuintes estão previstas em lei, notadamente no Decreto n° 70.235/72 com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.748/93. Os Conselhos de Contribuintes são Segunda Instância de julgamento dos processos administrativos relativos a tributos de competência da União, garantindo, na sede administrativa, a existência do duplo grau de jurisdição previsto constitucionalmente. O Processo Administrativo Fiscal rege-se pelo já citado Decreto n° 70.235/72, e, subsidiariamente, pelo Código de Processo Civil. 4 Idem. 6 MINISTÉRlO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRlBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃOW 125.507 303-31.067 A atividade jurisdicional, quer a administrativa, quer a judicial, tcm como princIpIO basilar o livre convencimento do juiz, segundo o qual o julgador decidirá livremente a causa, apreciando a lei e as provas constantes dos autos, fundamentando sua decisão. O direito à restituição/compensação de valores pagos indevidamente a título de tributo se encontra há muito previsto no Código Tributário Nacional e legislação correlata. No âmbito administrativo, a matéria encontra-se atualmente regulada pela Instrução Nonnativa SRF n° 210/2002. Assim dispõe o seu artigo 2°, verbis: Art. 29 Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a titulo de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I - cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido; Il - erro na identificação do sUjeIto passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 1II - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Parágrafo único. A SRF poderá promover a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf que não estejam sob sua administração, desde que o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. Mais adiante, a nom1a prevê a compensação: Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passivel de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. (...) 7 MINISTÉRlO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRlBUINTES TERCEIRA CÂMARA REÇURS_O N_o__ :_ 125.507 ACORDA0 N° : 303-31.067 Nos casos onde haja o indeferimento administrativo do pedido de compensação/restituição, o contribuinte poderá interpor recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes. É o que dispõe o artigo 35 da mesma Instrução: Art. 35. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição ou de ressarcimento ou, ainda, da data da ciência do ato que não homologou a compensação de débito lançado de ofício ou confessado, apresentar manifestação de inconformidade contra o não-reconhecimento de seu direito creditório. ç Iº Da decisão que julgar a manifestação de inconformidade do sujeito passivo caberá a interposição de recurso voluntário, no prazo de trinta dias, contado da data de sua ciência. ç 2º A manifestação de inconformidade e o recurso a que se referem o cap"t e o ç 1° reger-se-ão pelo disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores. ç 3º O disposto no cap"t não se aplica às hipóteses de lançamento de oficio de que trata o art. 23. Já o atual Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, introduzido pela Portaria MF n° 55, prevê em seu artigo 9° que: Art. 9° Compete ao Terceiro Conselho de Contribuintes julgar os recursos de oficio e voluntários de deeisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a: (...) Parágrafo único. Na competência de que trata este artigo, incluem-se os recursos voluntários pertinentes a: I - apreciação de direito creditório dos impostos e contribuições relacionados neste artigo; e (Redação dada pelo art. 2° da Portaria MF n° 1.132, de 30/09/2002) (...) Ora, como restou amplamente demonstrado no cotejo da legislação em destaque, este Conselho encontra-se plena e legalmente habilitado a apreciar, em B MINISTÉRJO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.507 303-31.067- -- - - - - sede recursal, pedidos de restituição/compensação de valores pagos indevidamente a título dos tributos de sua competência, dentre eles, o FINSOCIAL. Dessa fonna, ainda que o prestigioso Parecer PGFN/CRJ/N" 3401/2002 discorresse sobre toda a gama de pedidos de restituição/compensação atinentes ao FINSOCIAL - o que não se verificou, como já foi sublinhado -, suas conclusões não poderiam restringir a apreciação do tema por este Colegiado, incumbido por Lei deste mister sem qualquer restrição. Na mesma esteira, as conclusões ali enumeradas jamais poderiam vincular as decisões deste Conselho. Como é notório, ainda não há no direito pátrio a chamada súmula de efeito vinculante, estando as Cortes julgadoras livres em seu convencimento. Finalmente, mas não menos digno de citação, o artigo 22A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, introduzido pela Portaria MF nO 103, autoriza expressamente, a contrario senSlI, os Conselhos de Contribuintes a afastar, por vício de inconstitucionalidade, a aplicação de lei "que embase a constituição de crédito tributário, cuja constituição tenha sido dispensada por ato do Secretário da Receita Federal" (parágrafo único, inciso IIl, "a"). Como será melhor detalhado mais adiante, em 31/08/1995 foi editada a Medida Provisória nO1.110, de 30/08/1995, de autoria do Exmo. Ministro da Fazenda, que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei n° 10.522, de 19/07/2002. Entre outras providências, a Medida Provisória dispensou a Fazenda Nacional de constituir créditos, inscrever na Dívida Ativa, ajuizar execução fiscal, bem como autorizou a cancelar o lançamento e a inscrição relativamente a tibutos e contribuições julgados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou ilegais, em última instância, pelo Superior Tribunal de Justiça (artigo 17). No rol do cÍtado artigo encontrava-se a contribuição ao FINSOCIAL (inciso IIl). Tendo havido ato normativo formal que dispensou a constituição de créditos tributários oriundos do FINSOCIAL, este Conselho fica automaticamente investido da competência de afastar a aplicação de lei reputada inconstitucional, por força do previsto no art. 22A, parágrafo único, inciso IIl, "a" de seu Regimento Interno. Superado o óbice, passemos à análise do caso concreto. 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.507_ 303-31.067 De início, julgo conveniente nos debruçarmos sobre os institutos da decadência e prescrição. Embora ainda haja alguma controvérsia acerca dos elementos que diferenciam a decadência da prescrição, o certo é que ambos os institutos foram introduzidos há muito no direito pátrio objetivando disciplinar as relações jurídicas no tempo. Com efeito, a falta de um termo final para o exerCÍcio de um direito podería desestabilizar as relações sociais, ao deixar indefinidas certas situações, gerando insegurança jurídica. Bem por isso o legislador houve por estabelecer regras para o exerCÍcio de direitos, delimitando sua extensão no tempo e seus termos inicial e final. No que toca ao início do prazo prescrícional para o exerCÍcio de um direito, é de lógica elementar ser o dies a quo aquele em que o direito passou a ser exercitável. Afinal, não prescreve o direito que ainda não nasceu. Essa foi a linha adotada pelo legislador no Código Civil de 1916, recentemente revogado. Assim dispunha o seu artigo 177, verbis: Art. 177. As ações pessoais prescrevem, ordinariamente, em 20 (vinte) anos, as reais em lO (dez), entre presentes, e entre ausentes, em 15 (quinze), contados da data em que poderiam ter sido propostas. (grífos nossos) O novo Código Civil, da lavra de ninguém menos do que o aclamado jurista e filósofo Miguel Reale, adotando a mesma lógica, dispõe que: Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206. (destaques acrescentados) Nesse diapasão, o precioso magistério de Paulo PimentaS: 5 A Restituiçào dos Tributos Inconstitucionais, o Novo Código Civil e a Jurisprudência do STF e do STJ, in Revista Dialética de Direito Tributário, vol. 91, Editora Dialética, 2003, p. 90/91. to MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.507 _. 303-31.067- "A pretensão, na lição inesgotável de Pontes de Miranda, é a posição subjetiva de poder exigir de outrem alguma prestação positiva ou negativa,6, ou seja, é a faculdade de exigir o cumprimento de uma prestação, seja a de dar, fazer, ou de não fazer. Além disso o dispositivo inovador consagra expressamente o princípio da actíon nata - cuja existência era admitida com tranqüilidade pela doutrina civilista na vigência do Código de 1916-, por força do qual o prazo de prescrição começa fluir no momento em que ocorre a violação do direito material. Vale dizer, o prazo prescricional surge no momento da ocorrência de determinado fato que modifica uma determinada situação juridica, tomando-a desconfonne com o sistema jurídico. Nem sempre esse fato corresponde a um ato do devedor, podendo ser praticado, também, por terceiros, pode consistir num evento imprevisivel (caso fortuito ou força maior), ou até mesmo ser decorrente de provimento jurisdicional que atribua nova qualificação, jurídica a um determinado evento." Na seara tributária, o termo a quo do prazo prescricional do direito do contribuinte de repetir o que pagou indevidamente possui algumas singularidades. De início, há que se perquirir a natureza do pagamento indevido, que comumente ocorre em uma de três modalidades. No primeiro caso, o contribuinte paga espontaneamente tributo que não devia ou além do que devia. No segundo caso, o contribuinte sofre cobrança indevida ou maior do que a devida. No terceiro caso, o contribuinte paga tributo que era devido à époea do pagamento, e que posteriormente, por força de um fato que modifica a situação juridica então vigente, toma-se indevido. Nos dois primeíros casos, o pagamento sempre foi indevido, dai porque o prazo prescricional para o contribuinte reaver o indébito tem inicio na data do próprio pagamento (CTN, art. 168, I), malgrado a redação imprópria do parágrafo I, já que não há se falar em crédito tributário a ser extinto quando o pagamento é integralmente indevido. 6 Tratado de Direito Privado, l. 5, atual. Por Vislon Rodrigues, Campinas, Bookseller, 2000, p. 503. 11 MINISTÉRJO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRlI3UINTES TERCEIRA CÂMARA REÇURS_O N°_ ACORDA0 N° 125.507 303-31.067 Já na terceira hipótese, a situação é diametralmente distinta. O que foi pago pelo contribuinte era efetivamente devido à época do pagamento. Não havia, naquele instante, o caráter indevido no recolhimento efetuado, que só viria a adquirir essa feição após o advento de uma inovação na realidadc juridica em vigor. Na cstcira do que já foi declinado acerca da prescrição e decadência, a violação do direito que faz nascer a pretensão, in caSlI, a do contribuinte, só ocorre quando o pagamento que era devido se toma indevido. Dccisões recentes e seguidas das mais altas Cortes do pais, judiciais e administrativas, arrimadas na melhor doutrina, vêm elencando três ocorrências que têm o condão de tomar, a posteriori, indevido o pagamento até então tido como devido. São elas: (i) declaração de inconstitucionalidade de norma tributária proferida pelo Supremo Tribunal Federal em ações de controle concentrado de constitucionalidade, como as ADINs, de efeito erga omnes; (ii) declaração incidental de inconstitucionalidade de norma tributária proferida pelo Supremo Tribunal Federal em ações de controle difuso de constitucionalidade, irradiando efeitos erga omnes a partir da publicação de resolução do Senado Federal que suspenda a execução da lei declarada inconstitucional; e (iii) lei ou ato administrativo que reconheça, implícita ou expressamente, o caráter indevido da exação. O que há de comum nesses três casos é a modificação da ordem jurídico-tributária após o pagamento do tributo. Como não é dificil de intuir, somente após se tomar indevido é que surge para o contribuinte o correspondente direíto de reaver aquilo que pagou. No tocante às hipóteses "i" e "ii" acima citadas, é pacífico o entendimento de que a declaração de inconstitucionalidade de uma norma tributária produz efeitos ex flmc, tomando inválidos os atos praticados sob sua vigência. Eventual exceção a essa regra só poderia ocorrer se viesse expressamente consignada na declaração de inconstitucionalidade da norma, para que, por exemplo, emanasse somente efeitos ex nllnc. Não havendo ressalva, a inconstitucionalidade da norma retroage ao momento em que entrou no ordenamento juridico. Assim, tributos declarados inconstitucionais conferem ao contribuinte, a partir da indigitada declaração de inconstitucionalidade, o direito de repetir o que foi pago indevidamente. O Colendo Superior Tribunal de Justiça, arauto maxlmo na uniformização da aplicação do direito federal, vem decidindo rciteradamente que, no 12 ====~ ~==~-- --- ==~=====--- MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.507 303-31.067 caso de tributo declarado inconstitucional, o prazo para repetição do que foi pago indevidamente só se inicia com o trânsito em julgado do acórdão do Supremo Tribunal Fedcral que declarou a inconstitucionalidade da exação. Tal cntendimento vem sendo sufragado, inclusive, nos casos relativos ao FINSOCIAL, onde, como se sabe, não houve declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. Nesse sentido, decisão recente proferida por aquela Corte: AGRA VO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. CONTAGEM A PARTIR DO TRÃNSITO EM JULGADO DA DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PROVIMENTO NEGADO. (...) A declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal não elide a presunção de constitucionalidade das nonnas, razão pela qual não estava o contribuinte obrigado a suscitar a sua inconstitucionalidade sem o pronunciamento da Excelsa Corte, cabendo-lhe, pelo contrário, o dever de cumprir a determinação nela contida. A tese que fixa como termo a quo para a repetição do indébito o reconhecimento da inconstitucionalidade da lei que instituiu o tributo deverá prevalecer, pois não é justo ou razoável permitir que o contribuinte, até então desconhecedor da inconstitucionalidade da exação recolhida, seja lesado pelo Fisco. Ainda que não previsto expressamente em lei que o prazo prescricional/decadencial para restituição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal é contado após cinco anos do trânsito em julgado daquela decisão, a interpretação sistemática do ordenamento juridico pátrio leva a essa conclusão. Cabível a restituição do indébito contra a Fazenda, sendo o prazo de decadência/prescrição de cinco anos para pleitear a devolução, contado do trânsito em julgado da decisão do Supremo Tribunal Federal que declarou inconstitucional o suposto tributo. Agravo regimental a que se nega provimento. 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.507 303-=3C067 --- -- (STJ-2" Tunna, AGRESP n° 414.130-MG, reI. Min. Franciulli Netto, j. 3.9.2002, negaram provimento. V.U., DJU 19/05/2003, p. 184). Com efeito, mesmo nos casos onde a declaração de inconstitucionalidade tenha ocorrido em sede incidental, o contribuinte passa a ter ciência da lesão a seu direito. E na esteira do que já dissemos antes, a contagem do prazo de prescrição somente pode ter início a partir de uma lesão a um direito. Isso porque, se não há lesão, não há utilidade no ato do sujeito de direito tomar alguma medida. A extinção de direito de que se trata, pelo decurso de prazo fixado em lei, atinge a faculdade conferida ao sujeito ativo para exigir a eficácÍa do objeto do direito subjetivo. O decurso do prazo convalesce esta lesão, como na lição de SANTIAGO DANTAS, desde que se entenda adequadamente o direito de ação como o de agir manifestando exigibilidade ou pretensão dirigida à obtenção da eficácia substantiva do objeto do direito: "Tenho eu um direito subjetivo e podem passar os anos sem que o tempo tenha a minima influência sobre o meu direito. Mas eis que, de repente, o meu direito entra em lesão, isto é, o dever juridico que a ele eorresponde não se cumpre: dá-se a lesão do direito. Nasce da lesão do direito o dever de ressarcir e, para mim, o direito de propor uma ação para obter ressarcimento. Se, porém, deixo que passe o tempo sem fazer valer o meu direito de ação, o que acontece? A lesão do direito se cura, convalesce, a situação antijurídica toma-se juridica; o direito anistia a lesão anterior e já não se pode mais pretender que eu faça valer nenhuma ação. Esta é a conceituação da prescrição que mais nos defende de dificuldades da matéria.,,7 SANTIAGO DANTAS esclarece que "a prescrição cOllta-se sempre da data em que se verificou a lesão ", pois, na verdade, só com esta surge a denominada "aclia nala", que sustenta o direito à reparação. Assim sendo, indaga-se: quando se verifica a lesão de um direito pelo recolhimento de um tributo posterionnente declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que em controle incidental? Estará tal lesão configurada na data em que recolhido o tributo, muito embora a nonna, à época do pagamento, ainda detivesse a presunção de inconsti tueíonal idade? 7 Programa de Direito Civil, Editora Forense,]a Edição, 2001, p. 345. 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRlI3UINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° 125.507 ACÓRDÃO N° : 303-31.067 - - As lições dos HELENILSON CUNHA PONTES apreço, merecem ser destacadas: mestres em obra MARCO AURÉLIO integralmente dedicada GRECO e ao tema em "O exercício de um direito, submetido a prazo prescricional, pressupõe a violação deste direito, apto a configurar a 'actio nata', isto é, o momento de caracterização da lesão de um direito. Câmara Leal lembra que não basta que o direito tenha existência atual e possa ser exercido por seu titular, é necessário, para admissibilidade da ação, que esse direito sofra alguma violação que deva ser por ela removida. É da violação, portanto, que nasce a ação. E a prescrição começa a correr desde que a ação teve o nascimento, isto é, desde a data em que a violação se verificou. Com base nestes pressupostos doutrinários, pode-se concluir que antes da pronúncia (ou da extensão) da inconstitucionalidade da lei tributária, o contribuinte não possui efetivamente um 'direito a uma prestação', apto a gerar contra si um prazo prescricional que o fulmine pela sua inércia. Não pode haver inércia a ser fulminada pela prescrição se não há direito exercitável, isto é, se não há 'actio nata'."s Alguns dirão: mas com o recolhimento "indevido" (ainda que apenas em cumprimento de lei com presunção de constitucionalidade), surge para o contribuinte o direito de suscitar a declaração de inconstitucionalidade da nonna e cumulativamente pleitear a restituição do recolhido. Mais ainda, dirão que o prazo é o previsto nos artigos 165 a 168 do CTN, defendendo ser esta a interpretação mais adequada com o princípio da segurança juridica, que demanda a imutabilidade de situações que perduram ao longo do tempo, ainda que irregulares. Os mesmos autores da obra já citada prontamente refutam esta argumentação, afirmando que: a) os artigos que tratam de restituição no CTN não prevêem a hipótese de declaração de inconstitucionalidade da norma; e b) o princípio da segurança juridiea deve ser temperado por outro que, fulcrado na presunção de constitucionalidade das leis editadas, demanda a imediata aplicação das normas editadas pelos Poderes competentes, sob pena de disfunção sistêmica. Relevante transcrever os excertos nos quais os brilhantes juristas demonstram o acima destacado. Primeiro a questão dos prazos do CTN: 8 Inconstitucionalidade da Lei Tributária - Repetição do Indébito, Editora Dialética, 2002, p. 48. 15 ====-- --- MINISTÉRlO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.507 303<11.067 "Nas hipóteses contempladas no artigo 165 do CTN, como a qualificação jurídica a ser aferida é aquela que resulta da legislação aplicável (fundamento imediato da exigência), a simples realização de um pagamento que não esteja plenamente de acordo com tal disciplina, reúne condições que fazem nascer para o contribuinte o direito de obter a restituição do que indevidamente pagou. Ou seja, nestes casos, existe uma qualificação certa (a da lei) e uma conduta que dela se distancia (espontaneamente, por erro de identificação etc.). Andou bem o CTN quando atrelou a tais eventos os prazos que correm contra o contribuinte e fixou os respectivos termos iniciais na data da extinção do crédito (artigo 168, I) ou na data em que se tomar definitiva a decisão que reformar a decisão condenatória (artigo 168, 11). Em suma, nas hipóteses reguladas pelo CTN, a qualificação juridica é certa e está definida antes da ocorrência do evento concreto. E, pela estrita razão de que o evento não se enquadra adequadamente na qualificação juridica preexistente, é que o contribuinte tem direito à restituição do indevido. O indevido, nestes casos, é aferido mediante cotejo entre um fato e a respectiva previsão nonnativa, sendo que o fato é posterior a esta.,,9 Agora a matéria dos princípios (vale dizer o confronto entre a segurança juridica e a segurança sistêmica pelo respeito à presunção de constitucionalidade das leis), na página 74: "Nesse passo, estamos perante duas posições. De um lado, os que sustentam que o prazo prescricional se InICIa com o pagamento feito (com base nas normas do CTN) e que, passados cinco anos, não cabe mais pedido de repetição de indébito, ainda que, após esse prazo, sobrevenha decisão judicial reconhecendo a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. De outro lado, a nossa posição, no sentido de que, tendo havido inequivoca decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade de uma norma tributária, o contribuinte, no prazo de 5 (cinco) anos pode ingressar com ação de repetição de indébito, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado há mais de 9 Ob. Cit., p. 50. 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.507 303-31.067 ---- cinco anos da propositura da ação, pleiteando a repetição de todo o tributo pago com fundamento na lei declarada inconstitucional. Entendem os primeiros que sua posição deve prevalecer, pOIS assegura a segurança e a estabilidade das relações. Entendemos nós, porém, que a posição que sustentamos é a que melhor resguarda tais valores e, mais do que isso, é a que preserva o ordenamento jurídico e sua eficácia. Com efeito, se a contagem do prazo de prescrição tiver por termo ínicial a data do pagamento feito (inclusive pagamento antecipado nos termos do artigo 150 do CTN), esta é melhor forma para induzir os contribuintes a questionarem toda e qualquer exigência antes de completado o prazo de cinco anos. Ou seja, ela produz o efeito contrário à busca de segurança e estabilidade pois, a priori, tudo seria questionável e mais, deveria ser efetivamente questionado (por mais absurdo que pudesse parecer naquele momento), como medida de cautela para evitar o perecimento do seu direito de pleitear judicialmente a restituição. Em suma, contar a prescrição a partir da data do pagamento feito (inclusive pagamento antecipado nos termos do artigo 150 do CTN) é negar o valor segurança, pois elimina a presunção de constitucionalidade da lei (que tem função estabilizadora das relações sociais e jurídicas), além de provocar desconfiança no ordenamento e induzir seu descumprimento, no sentido de que os contribuintes são levados a impugnar tudo, pois tudo precisa ser questionado para evitar a prescrição. Não se pode deixar de mencionar, também, que discutir quanto a prazo de prescrição por inconstitucionalidade da lei ou ato nonnativo é defender a mais paradoxal das posições pois, num contexto de relacionamento sadio entre Fisco e contribuinte, se o Plenárío do Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade de uma lei e, por conseqüência admitiu ter havido pagamento indevido, seria de se esperar que o Fisco tomasse imediatamente a iniciativa e, ex officio, devolvesse o que recebeu indevidamente aos que foram atingidos pela exigência." A jurisprudência do Poder Judiciário, fundada nos mesmos principios, vcm por consolidar o entendimento de que somente se conta o prazo para a repetição do indébito quando se afasta da nonna a presunção de constitucionalidade, 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.507 303-31.067 -- através de pronúncia de invalidade por inconstitucionalidade, ainda que no controle difuso. Nos Embargos de Divergência em Rccurso Especial n° 43995/RS, o Eminente Ministro CÉSAR ASFOR ROCHA, do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, assim se pronunciou, citando HUGO DE BRITO MACHADO: "Ocorre que a presunção de constitucionalidade das leis não permite que se afinne a existência do direito à restituição do indébito, antes de declarada a inconstitucionalidade da lei em que se fundou a cobrança do tributo. É certo que o contribuinte pode promover a ação de restituição, pedindo seja incidentalmente declarada a inconstitucionalidade. Tal ação, todavia, é diversa daquela que tem o contribuinte, diante da declaração, pelo STF, da inconstitucionalidade da lei em que se fundou a cobrança do tributo. Na primeira, o contribuinte enfrenta, como questão prejudicial, a questão da inconstitucionalidade. Na segunda, essa questão encontra-se previamente resolvida. Não é razoável considerar-se que ocorreu inércia do contribuinte que não quis enfrentar a questão da constitucionalidade. Ele aceitou a lei, fundado na presunção de constitucionalidade desta. Uma vez declarada a inconstitucionalidade, surge, então, para o contribuinte, o direito à repetição, afastada que está aquela presunção." Importantíssimo anotar que, no caso apreciado pelo Egrégio STJ, tratava-se de decisão plenária do STF, que afastava, por VICIO de inconstitucionalidade, a exigência do empréstimo compulsório sobre a aquisição de combustíveis, conforme RE 121.336. Exatamente como no caso da cota do !BC. Além disso, na data em que concluído o julgamento em destaque, não havia sido editada qualquer resolução senatorial. Pode-se também mencionar o acerto da decisão alcançada pelo mesmo Tribunal no REsp 200909/RS, aliás, como se faz acontecer nos pronunciamentos do Eminente Ministro JOSÉ DELGADO: "Tributário. Prescrição. Repetição de Indébito. Lei Inconstitucional. Atende ao princípio da ética tributária e o de não se pennitir a apropriação indevida, pclo Fisco, de valores recolhidos a título de tributo, por ter sido declarada inconstitucional a lei que o exige, considerar-se o início do prazo prescricional de indébito a partir da 18 - MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.507 303-31.067 data em que o colendo Supremo Tribunal Federal declarou a referida ofensa à Carta Magna." E para quebrantar quaisquer resistências, o Ministro SEPÚL VEDA PERTENCE, no RE 136.883-RJ, indicando o precedente no RE 121.336, declarou que o direito à repetição surge com a decisão que declara a inconstitucionalidade. Assim a ementa: "Empréstimo compulsório (Decreto-lei n° 2.288/86, art. 10): incidência na aquisição de automóveis, com resgate em quotas do Fundo Nacional de Desenvolvimento: inconstitucionalidade não apenas da sua cobrança no ano da lei que a criou, mas também da sua própria instituição, já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (RE 121.336, Plenário, 11-10-90, Pertence): direito do contribuinte à repetição do indébito, independentemente do exercício em que se deu o pagamento indevido." Do voto de S. Exa. extrai-se passagem decisiva: "Declarada, assim, pelo Plenário, a inconstitucionalidade material das normas legais em que fundada a exigência da natureza tributária, porque feita a título de cobrança de empréstimo compulsório -, segue-se o direito do contribuinte à repetição do que se pagou (Código Tributário Nacional, art. 165), independentemente do exercício financeiro em que tenha ocorrido o pagamento indevido." Pelas lições que se pode absorver do aresto, é que o Superior Tribunal de Justiça, como não poderia deixar de ser, continua a se manifestar pela contagem da prescrição a partir da declaração de inconstitucionalidade em Sessão plenária do STF, conforme REsp 217195/PB: "A iterativa jurisprudência desta Corte consal,'I'ou entendimento no sentido de que o prazo prescricional qüinqüenal das ações de repetição de indébito tributário inicia-se com a publicação da decisão do STF que declarou a inconstitucionalidade da exação (11/10/90)". (a referência de data é a do RE 121.336). De qualquer fonna, há ainda a terceira modalidade de fato jurídico apto a tornar indevida uma determinada exação, deflagrando nesse instante o direito à sua repetição. Trata-se de manifestação inequívoca da própria Administração, através de lei ou ato administrativo, que reconhece expressa ou tacitamente a 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.507 303-31.067 inconstitucionalidade de um determinado tributo. Esse reconhecimento pode se exteriorizar de diferentes fonnas, como na dispensa da cobrança ou pagamento do tributo, na dispensa da constituição do crédito tributário a ele referente, na revogação total ou parcial na norma tributária inconstitucional, dentre outras. A partir da edição desse ato, o contribuinte passa a ter clencia indubitável da ocorrência da violação de seu direito, dando inicio à fluência do prazo prescricional para que pleiteie a devolução do que pagou indevidamente. É mais uma vez a regra encampada pelo direito pátrio atinente à prescnçao, segundo a qual o prazo prescricional só tem inicio no dia em que o exerCÍcio do direito passou a ser possível. Feitas essas considerações gerais, aplicáveis a qualquer tributo reputado inconstitucional, cumpre analisarmos o que se verificou com o FINSOCIAL. O paradigma na matéria foi o acórdão proferido pelo plenário do Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário nO150.764-PE, de relatoria do eminente Ministro Marco Aurélio, que considerou inconstitucionais os sucessivos aumentos na alíquota desse tributo, veiculados pelo artigo 9° da Lei 7.689/88, artigo 7" da Lei 7.787/89, artigo 1° da Lei 7.894/89, e artigo 1° da Lei 8.147/90. Como se tratou de decisão incidental, proferida em controle difuso de constitucionalidade, a Corte Suprema remeteu o julgado ao Senado Federal, para que fossem tomadas as providências no sentido de se suspender a eficácia das normas declaradas inconstitucionais. Contrariando seu mister constitucional, aquele órgão legislativo não editou a resolução correspondente. Indigitada omissão se configura inconstitucional no entender deste relator. Com efeito, o órgão incumbido pela Carta Magna de promover o controle de constitucionalidade das normas já em vigor é exclusivamente o Supremo Tribunal Federal (CF, art. 102, ["a" e IH "a", ub" e "c"). Somente antes de ingressarem no ordenamento jurídico é que os projetos de lei sofrem controle de constitucionalidade das respectivas Casas Legislativas por onde tramitam, através das Comissões de Constituição e Justiça. 20 ===~--- ~-- MINlSTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.507 303-31.067 Por conta disso, a declaração de inconstitucionalidade de uma determinada norma, quer em sede de controle concentrado (efeito erga ol1lnes) quer em sede incidental (efeito entre as partes), proferida pelo Supremo Tribunal Federal prescinde de qualquer referendo, de qualquer órgão, para produzir efeitos. O Senado Federal não é instância revisional de decisão de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal. A eficácia da norma inconstitucional já foi invalidada pelo STF. À Corte Suprema, porém, não cabe inovar no campo legislativo, competência privativa do Congresso Nacional (CF, art. 44). A resolução do Senado Federal (CF, art. 52, X) tem como missão unicamente retirar do ordenamento juridico o que já foi declarado inválido. É ato vinculado, não cabendo àquele órgão legislativo questionar as razões que conduziram à declaração de inconstitucionalidade. Bem por isso, o entendimento externado pelo Senador Amir Lando, quando da recusa em editar a resolução senatorial decorrente no julgamento da inconsitucionalidade do FlNSOCIAL, reproduzido no Parecer PGFN/CRJIN° 340112002 é absolutamente inconstitucional, sobre ser fundado em argumentos meta- jurídicos que não têm o condão de "revisar" o mérito de decisão proferida pela Corte Suprema. De fato, a prevalecer o entendimento do cioso Senador, um projeto de lei aprovado por apertada maioria no Congresso Nacional não poderia ser profunda repercussão na vida econômica do Pais". Juristas de escol têm considerado atualmente a previsão de edição de resolução do Senado Federal visando a suspender a eficácia de normas já declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal como herança histórica e ultrapassada, incompatível com o moderno sistema de controle da constitucionalidade de nonnas. Com efeito, devemos ter presente que o instituto de conferir ao Senado o poder discricionário de estender efeitos erga Ol1lnes às declarações de inconstitucionalidade em controle incidental sofreu, após a Carta de 1988, críticas pela sua ineficiência diante do modelo de controle abstrato adotado, pois irracional que de um mesmo Plenário surjam decisões com efeitos distintos, quando tomadas com fulcro na inconstitucionalidade de certa norma. Nesse sentido, o precioso magistério do jurista e Ministro do STF G1LMAR FERREIRA MENDES, que bem definiu a inconsistência do instituto: 21 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA -----RECURSON°--:-125.507--------------------- ACÓRDÃON° : 303-31.067 "A amplitude conferida ao controle abstrato de normas e a possibilidade de que se suspenda, liminarmente, a eficácia de leis ou atos normativos, com eficácia geral, contribuiram, certamente, para que se quebrantasse a crença na própria justificativa desse instituto, que se inspirava diretamente numa concepção de separação de Poderes - hoje necessária e inevitavelmente ultrapassada. Se o Supremo Tribunal Federal pode, em ação direta de inconstitucionalidade, suspender, liminarmente, a eficácia de uma lei, até mesmo de uma Emenda Constitucional, por que haveria a declaração de inconstitucionalidade, proferida no controle incidental, valer tão-somente para as partes? A única resposta plausivel indica que o instituto da suspensão pelo Senado de execução da lei declarada inconstitucional pelo Supremo assenta-se hoje em razão de indole exclusivamente histórica. Deve-se observar, outrossim, que o instituto da suspensão da execução da lei pelo Senado mostra-se inadequado para assegurar eficácia geral ou efeito vinculante às decisões do Supremo Tribunal que não declaram a inconstitucionalidade de uma lei, limitando-se a fixar a orientação constitucionalmente adequada ou correta. Isto se verifica quando o Supremo Tribunal afirma que dada disposição há de ser interpretada desta ou daquela fonna, superando, assim, entendimento adotado pelos Tribunais ordinários ou pela própria Administração. A decisão do Supremo Tribunal não tem efeito vinculante, valendo nos estritos limites da relação processual subjetiva. Como não se cuida de declaração de inconstitucionalidade de lei, não há que se cogitar aqui qualquer intervenção do Senado, restando o tema aberto para inúmeras controvérsias. Situação semelhante ocorre quando o Supremo Tribunal Federal adota uma interpretação conforme a Constituição, restringindo o significado de uma dada expressão literal ou colmatando uma lacuna contida no regramento ordinário. Aqui o Supremo Tribunal não afirma propriamente a ilegitimidade da lei, limitando-se a ressaltar que uma dada interpretação é compativel com a Constituição, ou, ainda que, para ser considerada constitucional, determinada norma necessita de um complemento (lacuna aberta) ou restrição (lacuna oculta - redução teleológica). Todos esses casos de decisão com base em uma interpretação conforme a Constituição não podem ter a sua eficácia ampliada com o recurso ao instituto da suspensão de execução da lei pelo Senado Federal. 22 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO NO 125.507 303-31.067 Finalmente, mencIOnem-se os casos de declaração de inconstitucionalidade parcial sem redução de texto, nos quais se explicitam que de um dado significado normativo é inconstitucional sem que a expressão literal solTa qualquer alteração. Também nessas hipóteses, a suspensão de execução da lei ou ato normativo pelo Senado revela-se problemática, porque não se cuida de afastar a incidência de disposições do ato impugnado, mas tão- somente de um de seus significados normativos. Todas essas razões demonstram a inadequação, o caráter obsoleto mesmo, do instituto de suspensão de execução pelo Senado no atual estágio do nosso sistema de controle de constitucionalidade." 10 No caso do FINSOCIAL, entretanto, não se faz necessário perquirir se a declaração incidental de sua inconstitucionalidade teria ou não deflagrado o prazo prescricional para a sua repetição. Em 31/08/1995 foi editada a Medida Provisória nO l.llO, de 30/0811995, que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei n° 10.522, de 19/07/2002 Entre outras providências, a Medida Provisória dispensou a Fazenda Nacional de constituir créditos, inscrever na Divida Ativa, ajuizar execução fiscal, bem como autorizou a cancclar o lançamento e a inscrição relativamente a tributos e contribuições julgados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou ilegais, em última instância, pelo Superior Tribunal de Justiça (artigo 17). No rol do citado artigo encontrava-se a contribuição ao FINSOCIAL (inciso I1I). Ao dispensar a constituição de créditos, a inscrição na Divida Ativa, o ajuizamento de execução fiscal, cancelando o lançamento e a inscrição relativos ao que foi exigido a título de FINSOCIAL na aliquota acima de 0,5%, com fundamento nas Leis 7.689/88, 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90, a Medida Provisória reconheceu expressamente a declaração de inconstitucionalidade das citadas normas proferida pelo STF no julgamento do RE n° 150.764-PE. 10 Direitos Fundamentais e Controle de Constitucionalidade, Celso Bastos Editor, 1998, p. 376: 23 M[N[STÉRIO DA FAZENDA TERCE[RO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.507 303-31.067 E não se diga que o fato de a majoração das alíquotas do FINSOCIAL estar no rol do artigo 17 não significa necessariamente o reconhecimento de sua inconstitucionalidade, já que todos os demais tributos elencados no artigo 17 já tinham, ao tempo da edição da MP, sido declarados inconstitucionais, inclusive com efeito erga amlles. É o caso da Contribuição instituida pelo artigo 8" da Lei 7.689/88 (art. 17, I), suspensa pela Resolução n" Ii do Senado Federal, de 4.4.95; do Empréstimo Compulsório, instituído pelo Decreto-lei 2.288/86 (aI. 17, 11), suspenso pela Resolução n° 50 do Senado Federal, de 09/10/95; o IPMF, criado pela Lei Complementar nO77/93 (art. 17, IV), declarado inconstitucional em parte pelo STF na ADIN 939-DF, acórdão publicado em 18.3.94. Estando o FINSOCIAL em tão boa companhia, é inegável que a Fazenda Nacional, quando da edição da indigitada MP, reconheceu expressamente a sua inconstitucionalidade ao arrolá-lo ao lado de outros tributos já reconhecidamente inconstitucionais, conferindo-lhe igual tratamento (dispensa de constituição de crédito, inscrição, etc.). Da mesma forma, não procede o argumento segundo o qual a Medida Provisória 1.110/95 teria se restringido unicamente aos créditos ainda não extintos, nada dispondo sobre aquilo que foi pago indevidamente. Ora, como foi visto, ao reconhecer a inconstitucionalidade do FINSOCIAL, dispensando a Administração Tributária de procedimentos arrecadatórios nesse particular, a Fazenda Nacional admitiu a violação do direito do contribuinte, marco inicial do prazo prescricional para que este pleiteie sua restituição. Nesse sentido, respaldado pela doutrina de Ricardo Lobo Torres, ensina com sua habitual propriedade Gabriel Lacerda Troianelli 11: "Há que se considerar, entretanto, que nem a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade, nem a resolução do Senado Federal suspensiva de ato normativo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, que a Jurisprudência do Superior Tribunal de justiça vem hoje, pacificamente, admitindo como sendo causas de fluências de novo prazo para pleitear a compensação ou restituição de tributo 11 Lei Interpretativa e Prescriçào do Direito de Repetir: Novo Prazo para a Contribuição ao PIS. in Revista Dia[ética de Direito Tributário, vaI. 7[, Editora Dialética, 2001, p. 73. 24 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.507 303-31.067 indevidamente pago, encontram-se previstos na legislação como tais. A jurisprudência, na verdade, teve como fundamento não a lei, mas a doutrina, que, especialmente após as lições de Ricardo Lobo TorresI2:, vem defendendo a existência de causas supervenientes de abertura de prazo para o contribuinte reaver tributo indevidamente pago, entre as quais a decisão do Supremo Tribunal Federal em sede de controle concentrado e a resolução do Senado Federal, hoje pacificamente admitidas pelos Tribunais. Mas não são apenas estas as duas causas supervenientes admitidas pela Doutrina, como bem demonstra Ricardo Lobo Torres, nos trechos a seguir transcritos: "A restituição do indébito a causa superveniente apresenta o esquema que pode ser desdobrado em vários procedimentos ou atos distintos: (..); 2") um ato intermediário que transforma em ilegal o pagamento até então legal, e que pode ser proferido em ação judicial (decretação de nulidade e da ineficácia do negócio juridico; declaração de inconstitucionalidade da lei em ação direta), em resolução do Senado Federal (que suspende a execução da lei declarada inconstitucional incidenter pelo STF), em lei de natureza interpretativa ou em ato ou procedimento administrativo (..). (..) Na declaração de inconstitucionalidade da lei a decadência ocorre depois de cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão do STF proferida em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a lei com base em decisão proferida incidenter tantum pelo STF. Até aquela data o contribuinte só poderia exercitar o seu direito se, concomitantemente, postulasse a declaração judicial de inconstitucionalidade. Esse, entretanto, seria outro tipo de processo de restituição, sujeito às regras do CTN, como vimos no Título lI, inconfimdível com o que decorre de uma decretação de inconstitucionalidade com eficácia erga omnes. Na hipótese de que se cuida já existe a prejudicialidade da questão da inconstitucionalidade. Logo, a partir da data em que se adquiriu eficácia erga omnes a declaração é que se contará o prazo da decadência. Nem haverá justificativa para restringir o direito do 12 TORRES, Ricardo Lobo. Restituição dos Tributos. Rio de Janeiro: Forense, 1983, p. 167/170. 25 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N~ 125.507 303-31.067 ---- ---- contribuinte, contando o prazo a partir do pagamento (legal e devido), pois serviria de estímulo à multiplicação de repetitórias dirigidas, concomitantemente, contra a constitucionalidade da lei. O mesmo argumento e a mesmíssima conclusão se impõe para os casos de lei intelpretativa. Também ai, a nosso ver o prazo de decadência se intencia da dala da publicação da lei que incorporou, em texlo formal, os julgados 'O'. No mesmo sentido, é copiosa a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e Conselho de Contribuintes: Número do Recurso: 119471 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 10183,002651/99-73 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: RESTITUlÇÃO/COMP PIS Recorrente: ELÉTRICA CUlABANA LTDA Recorrida/Interessado: DRJ-CAMPO GRANDE/MS Data da Sessão: 05/12/2002 08:00:00 Relator: Antônio Carlos Bueno Ribeiro Decisão: ACÓRDÃO 202-14475 Resultado: NPQ - NEGADO PROVIMENTO POR QUALIDADE. Texto da Decisão: Por unanimidade de votos: I) Acolheu-se a preliminar para afastar decadência; 11) no mérito: a) por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso, quanto à semestralidade; e b) pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso, quanto aos expurgos inflacionários. Vencidos os Conselheiros Eduardo da Rocha Schmidt, Gustavo Kelly Alencar, Raimar da Silva Aguiar e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - RESTITUiÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO - DECADÊNCIA. O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 05 (cinco )anos, distinguindo-se o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a 26 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO NO ACÓRDÃO N°_ 125.507 303-31.067 ---- -- compensação tem inicio a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter inicio com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções juridicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela edição de Resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida. Decadência - Pedido de Restituição - Termo Inicial Em caso de conflito quanto à legalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferído pelo Supremo Tribunal Federal em ADln; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. (CSRF-IO Turma, Acórdão na CSRF/OI-03.491, reI. Cons. Wilfrido Augusto Marques, j. 17.9.2001, DOU 30.10.2002, p. 62); (CSRF-l° Turma, Acórdão na CSRF/OI-03.239, reI. Cons. Wilfiido Augusto Marques,j. 19.3.2001, DOU 2.10.2001, p. 19) Número do Recurso 128622 Câmara: SEXTA CÂMARA Número do Processo: 13678.000008/99-41 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: ILL Recorrente: CIA. AGRO PASTORIL DO RIO GRANDE Recorrida/Interessado: DRJ/JUIZ DE FORAlMG Data da Sessão: 111071200200:00:00 Relator: Wilfrido Augusto Marques Decisão: Acórdão 106-12786 27 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.507 303-31.067 Resultado: Texto da Decisão: OUTROS - OUTROS --- Por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência do direito de pedir da recorrente e DETERMINAR a remessa dos autos à repartição de origem para apreciação do mérito. Ementa: DECADÊNCIA - PEDIDO DE RESTITUiÇÃO - TERMO INICIAL - Em caso de conflito qm nto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicill para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. Decadência afastada. Merece ainda ser transcrito o voto proferido no Acórdão CSRF/OI- 03.225, de 19/03/2001, de relatoria do preclaro Conselheiro Antonio de Freitas Dutra, Presidente da 2.° Câmara do 1.°Conselho de Contribuintes: "Em que momento houve a extinção do crédito tributário? A resposta mais óbvia seria - no mês que o imposto passou a indevido .......... As regras definidas pelos artigos 165 e 168 da Lei n° 5.172 de 25/10/66 - Código Tributário Nacional, pelas caracteristicas próprias do caso em pauta, não podem ser literalmente aplicadas ................ não há como aplicar a regra inserida no inciso I do art. 168 do CTN que o direito de pleitear a restituição é de cinco anos da extinção do crédito tributário. Primeiro, porque na época era incabivel qualquer pedido de restituição uma vez que, até então, esta espécie de rendimento era considerada tributável, tanto na esfera administrativa como na judiciária. Segundo, em nome do princípio de segurança juridica não se pode admitir a hipótese de que a contagem para o exercício de um direito TENHA INÍCIO antes da data de sua AQUISIÇAO. Como é que o contribuinte poderia pedir RESTITUIÇAO daquilo que legalmente foi retido e recolhido? O contribuinte só adquire o direito de requerer a devolução daquele 28 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRlBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.507 303-31.067 imposto, que num dado momento foi considerado indevido, por um novo ato legal ou decisão judicial transitada em julgado. No caso aqui enfocado, aplica-se a norma inserida no inciso I do art. 165 do Código Tributário Nacional .... No momento que o pagamento do imposto foi considerado indevido, cabe à administração por dever de oficio, devolve-lo. A regra é a administração devolver o que sabe que não lhe pertence, a exceção é o contribuinte ter que requerê-la e, neste caso, só poderia fazê-lo a partir do momento que adquiriu o direito de pedir a devolução " Por fim, ainda em referência ao Parecer PGFN/CRJIN° 3401/2002 elaborado pcla Procuradoria da Fazenda Nacional, cumpre esclarecer que não há elementos nos autos que permitam concluir ter o contribuinte se utilizado da via judicial para questionar a incidência do FINSOCIAL, tendo obtido desfecho desfavorável passado em julgado, a obstar seu pedido de restituição/compensação na sede administrativa, razão pela qual são inaplicáveis ao caso concreto as digressões nesse sentido. Diante do exposto, tendo o prazo prescricional (decadencial para alguns) se iniciado na data da publicaçao da MP n° 1.110/95, qual seja, 31/08/95, é tempestivo o pedido de restituição/compensação formulado pelo Contribuinte, devendo ser reformadas as decisões anteriores. Embora a matéria que ora se conhece seja de mérito, é inegável não terem sido examinadas, pela Primeira Instância, outras questões de igual relevo ao deferimento do pedido formulado nestes autos. Desta forma, em prestigio ao principio do duplo grau de jurisdição e para que não haja supressão de instância, conheço do recurso e a ele dou provimento para afastar a prescrição (sic "decadência") do direito do recorrente de pleitear a restituição/compensação dos valores recolhidos indevidamente a titulo de FINSOCIAL, devendo seu pedido ser remetido à Primeira Instância administrativa para análise dos demais pressupostos formais que devem embasar tais requerimentos, tais como a subsunção das atividades comerciais desenvolvidas pelo contribuinte àquelas sobre as quais pairou a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no julgamento do RE nO l50.764-PE, aferição dos cálculos apresentados, eventual existência de ações judiciais com desfecho favorável à Fazenda Nacional cuidando dos mesmos créditos, entre outros. É como voto." Nessas condições, fixada a data de 31 de agosto de 1995 como o termo inicial para a contagem do prazo para pleitear a restituição da contribuição paga 29 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° 125.50,!-7 _ -----ACÓRDÃON° ---303=31.067 indevidamente o termo final ocorreu em 30 de agosto de 2000, enquanto que o pedido data de 12 de maio de 1999. Entendo, assim, não estar o pleito da Recorrente fulminado pela decadência, de modo que VOTO no sentido de anular o processo a partir do Acórdão recorrido, inclusive, determinando que seja examinado o pedido, apurando-se a existência ou não dos alegados créditos, bem como, em se apurando a existência dos mesmos, se já foram utilizados pela contribuinte e/ou se foram objeto de anterior apreciação judicial. Sala das Sessões, em 06 de novembro de 2003 ~ / '7/ PAUL DE ASSIS - Relator 30 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028 00000029 00000030
score : 1.0
Numero do processo: 10380.906691/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
Numero da decisão: 3401-003.490
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. ROSALDO TREVISAN - Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Fl. 136DF CARF MF 2 Relatório O processo ora em julgamento retorna ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"), após a realização da diligência determinada pela Resolução nº 3402000.188, de 03/02/2011, de Relatoria do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, da qual tomo emprestado o Relatório, que foi redigido na forma a seguir: “A sociedade acima qualificada, que se dedica à prestação de serviços médicos relativos a diagnóstico por imagem, interpôs, em 18 de agosto de 2009, o presente recurso contra decisão proferida em 19 de julho do mesmo ano. Nela, a autoridade julgadora de primeiro grau administrativo manteve a não homologação de compensação comunicada eletronicamente pela interessada denegada em despacho decisório emitido em 09 de abril de 2009 pela DRF Fortaleza. A fundamentação do despacho fora a inexistência do indébito, visto que o recolhimento que se alega ter sido realizado a maior fora integralmente utilizado na quitação de débito de mesmo valor declarado em DCTF espontaneamente apresentada pela sociedade e não retificada até o exame empreendido pela unidade administrativa. Na manifestação de inconformidade, a ora recorrente procurou justifica-lo ao afirmar que efetuara recolhimentos da COFINS e do PIS sobre a base de cálculo alargada pela Lei 9.718, alargamento esse posteriormente declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como prova de sua alegação, elaborou planilha discriminativa das receitas indevidamente incluídas (indicando o que parece ser a respectiva codificação contábil), juntou peça intitulada “balanço” (fl. 57) que corrobora tais informações, inclusive a codificação mencionada, e a DIPJ original que também discrimina tais receitas. Não anexou peça contábil registrada (Diário ou Razão) nem documentos fiscais. Na mesma peça de defesa, a sociedade reconhece que não procedera à retificação das declarações entregues (DIPJ e DCTF) antes de apresentar sua declaração de compensação e atribui a este fato a provável causa para a não homologação de seu direito. Demonstra, então, que o fez após a ciência do despacho e junta cópia das declarações retificadoras. A decisão recorrida reconhece a possibilidade de as unidades administrativas de julgamento afastarem dispositivo legal declarado inconstitucional pelo STF, afirma, assim, que eventuais recolhimentos efetuados sobre a parcela excedente ao faturamento são mesmo indevidas e passíveis de restituição, mas mantém a não-homologação aduzindo que o contribuinte não provara sua alegação. Afirma que, para tanto, além de retificar a DCTF previamente ao despacho decisório, teria de juntar documentos contábeis e fiscais que provassem a liquidez e certeza do indébito e que a sociedade apenas juntara cópia das Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10380.906691/2009-20 Acórdão n.º 3401-003.490 S3-C4T1 Fl. 137 3 declarações retificadoras. A fundamentação da decisão recorrida é, pois, a falta de provas, que teriam de ser juntadas no momento da formalização da manifestação de inconformidade”. Na sessão de 03/02/2011, a Turma iniciou o julgamento do Recurso Voluntário afastando a tese da decisão recorrida quanto à necessidade de prévia retificação da DCTF para a homologação de compensações declaradas pelo sujeito passivo, quando constasse nos autos valor condizente com o pagamento realizado, firmando, assim, a tese segundo a qual a homologação das compensações dependeria é da prova do alegado indébito. Porém, entendeu a Turma que o julgamento não poderia prosseguir, pois, apesar de diversos documentos acostados aos autos serem coerentes entre si e indicarem a existência do indébito, nenhum deles seria “documento contábil cuja validação seja exigida legalmente”. Diante disso, o julgamento foi convertido em diligência, nos seguintes termos: “para que a d. fiscalização aponte qual é o valor devido da contribuição, argüida neste processo, levando em conta apenas o conceito de faturamento reconhecido pelo STF como apto a constituir a base de cálculo da contribuição. Mais especificamente: considerando apenas receitas de prestação de serviços e/ou de vendas de mercadorias, indique se há indébito no mês em discussão e qual o seu montante, com base nos livros contábeis exigidos pela legislação (Diário e Razão) a serem exibidos pelo contribuinte. Dos resultados da diligência, seja cientificada a ora recorrente, abrindo-se-lhe prazo de trinta dias para eventual contestação”. Em cumprimento à diligência, a Fiscalização lavrou o Termo de Intimação de fls. 119, solicitando ao Recorrente a apresentação dos Livros Diários e Razão, além de toda a documentação necessária para comprovar o indébito utilizado na compensação declarada. O Recorrente foi devidamente intimado, apresentou petição requerendo cópia do processo administrativo, porém, não apresentou qualquer resposta aos termos da intimação. Assim, foi lavrado o Termo de Reintimação de fls. 128, que não foi respondido, e após o Termo de Reintimação de fls. 130, também não respondido. Às fls. 132, consta relatório fiscal, de 10/09/2013, que narra as três intimações realizadas, sem sucesso, na obtenção da documentação comprobatória do direito de crédito pleiteado e que propõe o encaminhando do processo ao órgão de origem. Em momento posterior, o processo foi remetido de volta ao CARF e distribuído à minha relatoria na sessão do dia 22/02/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O Recorrente foi intimado da decisão recorrida no dia 19/07/2010, conforme documento de fls. 98, apresentando Recurso Voluntário no dia 18/08/2010, conforme carimbo que consta às fls. 99. Assim, sendo tempestivo e preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, o recurso interposto merece conhecimento. Fl. 138DF CARF MF 4 Como relatado, a questão da necessidade de retificação prévia da DCTF para fins de homologação da compensação declarada foi superada na decisão anterior do Colegiado, restando a aferição da existência e do montante do crédito alegado pelo Recorrente. Até então, o Recorrente havia juntado uma planilha discriminativa das receitas indevidamente incluídas, peça intitulada “balanço” (fl. 57) e a DIPJ original que também discrimina tais receitas. Como não havia juntado peça contábil registrada (Livros Diário e Razão) nem as notas fiscais, documentos que o Colegiado entendeu necessários para a comprovação do crédito, foi determinado o sobrestamento do julgamento, para oportuna juntada e apreciação pela unidade administrativa de jurisdição dessa documentação. Como prevê o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento". 1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Seguindo essa regra, em processos como o ora em análise, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Contudo, sendo intimado por três vezes, o Recorrente quedou-se inerte e não apresentou qualquer resposta, muito menos a documentação solicitada pela Fiscalização para aferição do seu direito de crédito. Nesse cenário, não tendo a parte interessada produzido as provas necessárias para a demonstração do direito de crédito objeto de declaração de compensação, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 81-85. Fl. 139DF CARF MF
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Numero do processo: 10715.008812/2009-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/08/2006, 26/07/2006
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Numero da decisão: 9303-004.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 88 12 /2 00 9- 47 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10715.008812/200947 Acórdão n.º 9303004.247 CSRFT3 Fl. 158 2 (assinado digitalmente) Demes Brito Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 380200.930, da 2ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/08/2006, 26/07/2006 INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias fixado normativamente pela Administração Pública para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque da carga, subsumese à hipótese da infração sancionada com a multa regulamentar fixada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 11/08/2006, 26/07/2006 ALEGAÇÃO DE OFENSA A PRINCÍPIOS DIRIGIDOS AO LEGISLADOR. APRESENTAÇÃO DE OUTROS ARGUMENTOS QUE IMPLIQUEM NA VALORAÇÃO DE PRECEITO DISPOSTO EM LEI. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA PARA AFASTAR NORMA COM BASE EM TAIS ALEGAÇÕES. Os princípios (da finalidade, da razoabilidade, da legalidade, dentre outros) são, em regra, dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei. Este, diante Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10715.008812/200947 Acórdão n.º 9303004.247 CSRFT3 Fl. 159 3 da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF no 256, de 22/06/2009). Ademais, o julgador administrativo não pode valorar norma sob o argumento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula nº 2 do CARF.” Insatisfeito com o referido acórdão, o sujeito passivo apresentou Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido no que tange ao afastamento da penalidade de natureza administrativa com a invocação da denúncia espontânea, alegando que deve ser aplicada a legislação vigente que exclui a punibilidade – em face da aplicação retroativa da lei nova mais benigna, prevista no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66 com as alterações trazidas pela Lei 12.350/10. O apelo do sujeito passivo foi admitido, conforme Despacho às fls. 140 a 142. Irresignada, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões às fls. 144 a 150 em face do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, requerendo que seja negado provimento ao citado recurso, mantendose o acórdão proferido pela e. Turma a quo por seus próprios e jurídicos fundamentos. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10715.008812/200947 Acórdão n.º 9303004.247 CSRFT3 Fl. 160 4 Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que atende aos pressupostos de admissibilidade, pois foi comprovada a divergência suscitada. O acórdão recorrido decidiu no sentido de manter a aplicação da citada multa administrativa, prescrita no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei nº 37/66, impossibilitando a aplicação ao caso concreto do instituto da denúncia espontânea, em razão do advento da Lei nº 12.350/2010. Por sua vez, o acórdão paradigma, em sentido oposto, entendeu aplicável tal instituto. Ventiladas tais considerações, no que tange à lide – qual seja, aplicação ou não da denúncia espontânea com o intuito de se afastar a multa por falta de cumprimento de obrigação acessória, que se torna ostensivo com o decurso do prazo fixado para a entrega tempestiva da mesma, apenas destaco que essa conselheira alterou seu entendimento em relação a essa matéria – especificamente, quanto à aplicabilidade da denúncia espontânea quando se tratar de obrigação acessória em matéria aduaneira. Essa conselheira aplicava para o caso em comento o entendimento consolidado em todas as esferas jurídicas de que as obrigações tributárias autônomas ou acessórias deveres de caráter formal não guardam vínculo necessário com o fato gerador do tributo. E que, por conseguinte, trazia que o disposto no art. 138 do CTN não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas, não obstante o argumento do sujeito passivo, de que tenha informado espontaneamente antes de qualquer procedimento fiscal. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10715.008812/200947 Acórdão n.º 9303004.247 CSRFT3 Fl. 161 5 E, ainda considerava, para tanto, que tal entendimento já se encontrava pacificado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais através da Súmula de Enunciado n° 49 (numeração de enunciados consolidados): “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega da declaração.” Invocando, inclusive, o Julgado do STF, RE n° 195161/GO de 26/04/99, que expõe que “a entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar com atraso a declaração de imposto de renda”. E, por fim, por analogia, entendia que, por se tratar o caso especificamente de penalidade por inobservância de obrigações acessórias, independentemente de se tratar de obrigação acessória “aduaneira”, observava a referida Súmula, apesar desta última ter tratado especificamente de atraso na declaração de DCTF. Não obstante, refletindo melhor sobre a aplicabilidade ou não da denúncia espontânea em matéria aduaneira, alterei meu entendimento. Eis que a denúncia espontânea em matéria aduaneira encontrase positivada no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, reproduzido no art. 683 § 2º do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6759/2009). Para melhor elucidar, trago síntese cronológica do art. 102 do DecretoLei 37/66 – que trata da denúncia espontânea no âmbito aduaneiro. Antes do advento da MP 497/10, vêse que o § 2º do art. 102 era taxativo ao prescrever que a denúncia espontânea excluía apenas as penalidades de natureza tributária (Grifos meus): “Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10715.008812/200947 Acórdão n.º 9303004.247 CSRFT3 Fl. 162 6 § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988)” Com o advento da MP 497/10, convertida na Lei 12.350/2010, a denúncia espontânea passou a afastar também as penalidades de natureza administrativa, além da tributária, in verbis (Grifos meus): “Art.102 – A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Com tal dispositivo, a denúncia espontânea passou a ser aplicada para as penalidades de natureza administrativa, salvo as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Ademais, quanto à intenção do legislador ao trazer a menção à penalidade administrativa quando da aplicação da denúncia espontânea, importante reproduzir a Exposição de Motivos daquela MP 497/10 (Grifos meus): “[...] 40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10715.008812/200947 Acórdão n.º 9303004.247 CSRFT3 Fl. 163 7 da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. (…) 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.” Nesse ínterim, cumpre destacar ainda que para que a exclusão da responsabilidade ocorra devese observar se não houve início de procedimento fiscal, mediante ato de ofício, tendente a apurar a infração ou o cumprimento da obrigação acessória aduaneira. Sendo assim, considerando o caso vertente, em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat legi generali é de se aplicar o art. 102, §2º, do Decreto Lei 37/66 com a redação dada pela MP 497/10 (convertida na Lei 12.350/10 – que manteve a mesma redação) para os casos de entrega a destempo de obrigação acessória aduaneira. Ademais, cabe trazer que o Direito aduaneiro é considerado autônomo, inclusive porque se originam de fontes peculiares – tais como, acordos e tratados internacionais, códigos e regulamentos aduaneiros, ainda que tenha dependência com outros ramos de direito. As relações jurídicas observam as peculiaridades de regimes próprios, ainda que envolva outros ramos científicos. Sendo assim, podese considerar que deve observar um regramento especial – tal como o que preceitua o art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66. Não há como ignorar a redação do art. 102, §2º do Decretolei nº 37/66, conferida pela Lei 12.350/2010, que exclui “expressamente” a penalidade da multa administrativa pelos efeitos da denúncia espontânea. Digo “expressamente”, pois, ao meu sentir, não há como “interpretála” ou “interpretála restritivamente”, vez trazer claramente que o instituto da denúncia espontânea afasta toda a penalidade pecuniária de natureza administrativa sem ao menos ressalvar hipóteses excludentes. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10715.008812/200947 Acórdão n.º 9303004.247 CSRFT3 Fl. 164 8 Nos termos do art. 5º, inciso II, da CF/88, temos que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei – ou seja, somente a lei poderá criar, entre outros, vedações. O que, por conseguinte, entender que a norma em questão seria “expressa” reflete o respeito ao Princípio da Legalidade. Caso o legislador da Lei 12.350/2010, que alterou o art. 102, § 2º do Decreto Lei 37/66, incluindo no campo de alcance da aplicação do instituto da denúncia espontânea, tivesse a pretensão de se excluir as hipóteses de entrega de obrigações acessórias aduaneiras a destempo, deveria ter trazido tal vedação de forma expressa, promovendo ao sujeito passivo a segurança jurídica que tanto merece. Não obstante a isso, vêse que apenas incluiu o termo penalidade de natureza administrativa e ainda esclareceu na exposição de motivos que o instituto da denúncia espontânea alcança “toda” penalidade pecuniária. Ademais, ignorar o dispositivo de lei, sem ao menos, ter sido declarado inconstitucional, traria insegurança jurídica aos sujeitos passivos que observam o disposto na lei, além de ferir a regra trazida pelo art. 62, Anexo II, do RICARF/2015, in verbis (Grifos meus): “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Quanto à aplicação do disposto no art. 102, § 2º do DecretoLei 37/66 aos períodos anteriores à sua vinda no ordenamento jurídico, entendo ser plenamente aplicável o instituto da retroatividade benigna – tal como estabelece o art. 106 do Código Tributário Nacional: "Art. 106 . A lei aplica se a ato o u fato pretérito: 1 em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10715.008812/200947 Acórdão n.º 9303004.247 CSRFT3 Fl. 165 9 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática ". Sendo assim, verificase a subsunção do caso concreto à norma referendada. Ora, com a aplicação do instituto da retroatividade benigna, no caso vertente, há de ser afastada a aplicação da multa pela entrega a destempo da obrigação acessória aduaneira. Ainda em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat legi generali, não mais aplico, por analogia, a Súmula CARF 49, eis que, ainda que tenha como fundamento original o art. 138 do CTN, trata especificamente da entrega a destempo de DCTF, e não da obrigação acessória aduaneira. Essa última possui regra especial tratada expressamente no art. 102, §2º do Decretolei 37/66, conferida pela Lei 12.350/2010. Ademais, quanto à Súmula CARF nº 49 que traz que "a denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração", entendo que deva ainda sua aplicabilidade ser afastada no presente caso (obrigação acessória aduaneira), pois as decisões reiteradas e uniformes que consubstanciaram a referida súmula se deu anteriormente à edição da MP 497/2010. O que, por conseguinte, não há que se falar em obrigatoriedade de os conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais observarem a referida súmula no presente caso, invocando equivocadamente o caput do art. 72, Anexo II, do RICARF/2015 (Portaria MF 343/2015). Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10715.008812/200947 Acórdão n.º 9303004.247 CSRFT3 Fl. 166 10 Voto Vencedor Conselheiro Demes Brito Redator Designado Com a devida vênia, divirjo da Ilustre Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama, tocante a possibilidade da denuncia espontânea extemporânea a infrações por descumprimento de prazos para prestação de informações de natureza aduaneira. Quanto a esta matéria, não tenho maiores reflexões, ou mudança de entendimento, continuo pensando do mesmo modo, ou seja, a condição necessária para aplicação do efeito excludente do instituto da denúncia espontânea da infração tributária formal ou aduaneira de natureza administrativa, o ato infracional deve ser passível de denunciação espontânea, sem esta condição, não se cogita o atendimento dos requisitos temporal e formal concernentes à comunicação espontânea do ato infracional, condição suficiente. Portanto, enquadrase como impossível de denunciação espontânea, a qual tem em sua tipificação o elemento ao descumprimento do prazo para prestação de informação ou de entrega de documentos. Neste caso, por impossibilidade material, tais infrações não são passíveis de comunicação espontânea idônea e, por via reflexa, não são contempladas com o efeito excludente da denuncia espontânea da infração1. Neste sentido, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303003.676, de 26 de abril de 2016, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, do Ilustre Presidente do CARF, Dr. Carlos Alberto Freitas Barreto, versando sobre a mesma matéria, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicar se à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos 1 Entendimento adotado pelo Dr. José Fernandes do Nascimento, o qual corroboro da mesma tese. Referências: "A Denúncia Espontânea da Infração Aduaneira de Natureza Administrativa à Luz da Jurisprudência do CARF, pg. 547, in: "Questões Controvertidas do Direito Aduaneiro", Coordenador Demes Brito, São Paulo, 2014, Editora IOB. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10715.008812/200947 Acórdão n.º 9303004.247 CSRFT3 Fl. 167 11 juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' . 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' . 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10715.008812/200947 Acórdão n.º 9303004.247 CSRFT3 Fl. 168 12 (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: 40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10715.008812/200947 Acórdão n.º 9303004.247 CSRFT3 Fl. 169 13 Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa auto avaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está vinculado a um fazer ou não fazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do Decreto Lei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10715.008812/200947 Acórdão n.º 9303004.247 CSRFT3 Fl. 170 14 Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10715.008812/200947 Acórdão n.º 9303004.247 CSRFT3 Fl. 171 15 A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10715.008812/200947 Acórdão n.º 9303004.247 CSRFT3 Fl. 172 16 haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09). No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10715.008812/200947 Acórdão n.º 9303004.247 CSRFT3 Fl. 173 17 sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributário financeira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10715.008812/200947 Acórdão n.º 9303004.247 CSRFT3 Fl. 174 18 fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada". Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10715.008812/200947 Acórdão n.º 9303004.247 CSRFT3 Fl. 175 19 Declaração de Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello Delimitase a discussão à possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea para afastar a exigência de multa administrativa pelo descumprimento de obrigação acessória, nos termos dos artigos 37 e 107, inciso IV, alínea "e", ambos do Decretolei nº 37/2010, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. [...] Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e [...](grifouse) Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10715.008812/200947 Acórdão n.º 9303004.247 CSRFT3 Fl. 176 20 Nos termos da IN SRF nº 800/2007, o transportador deve prestar as informações à Secretaria da Receita Federal sobre veículo ou carga nele transportada antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto do País. A previsão está nos artigos 22 e 50, ambos da IN SRF nº 800/2007, na redação vigente à época, in verbis: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifouse) Da leitura dos dispositivos, depreendese que em não sendo prestadas pelo transportador as informações referentes ao veículo ou à carga nele transportada antes da Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10715.008812/200947 Acórdão n.º 9303004.247 CSRFT3 Fl. 177 21 atracação da embarcação em porto do País, aplicase a multa constante do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. No entanto, por força do princípio da retroatividade da norma mais benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN, há de ser afastada a penalidade no caso pelo instituto da denúncia espontânea. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN e no art. 102 do Decretolei nº 37/66, dáse quando o Contribuinte informa à Administração as infrações por ele cometidas, antes de iniciado procedimento de fiscalização. Referido instituto jurídico beneficia o administrado pois acarreta a exclusão da penalidade correspondente à infração. Nesses termos é a redação do art. 102, §§ 1º e 2º do Decretolei nº 37/1966, conferida pela Lei nº 12.350/2010, prevendo a exclusão das penalidades pelo instituto da denúncia espontânea: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (Vide Medida Provisória n° 497, de 27 de julho de 2010) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifouse) Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10715.008812/200947 Acórdão n.º 9303004.247 CSRFT3 Fl. 178 22 A Lei nº 12.350/2010, ao atribuir nova redação ao §2º, do art. 102, do Decreto lei nº 37/1966, tornou expressa a aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea, no âmbito da legislação aduaneira, para afastar as penalidades administrativas pelo descumprimento de obrigações acessórias. Portanto, a denúncia espontânea pode ser aplicada para o afastamento de penalidades de natureza tributária e também de natureza administrativa, sendo excluídas dessas hipóteses as penalidades aplicáveis nos casos de mercadoria sujeita a pena de perdimento. A assertiva é reforçada pelo disposto nos itens 40 e 47 da Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 497/2010, convertida posteriormente na Lei nº 12.350/2010, in verbis: 40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória. Pontuese que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui entendimento de que os efeitos da denúncia espontânea do art. 138 do CTN não se estendem às penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas. Além disso, dispõe a Súmula CARF nº 49 que "a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". No caso, o entendimento do STJ e a disposição contida na Súmula CARF nº 49 restam afastados pois: Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10715.008812/200947 Acórdão n.º 9303004.247 CSRFT3 Fl. 179 23 (a) a consolidação da jurisprudência ocorreu anteriormente à edição da Medida Provisória nº 497/2010, bem como não tratou especificamente da aplicação do art. 102 do Decretolei nº 37/66, que trata do descumprimento de obrigação aduaneira; (b) a Súmula CARF nº 49 afasta os efeitos da denúncia espontânea em relação às infrações tributárias em razão do atraso na entrega de declaração, não tendo relação com a legislação aduaneira; e (c) a nova redação do art. 102, §2º do Decretolei nº 37/66, conferida pela Lei nº 12.350/2010, aplicável à hipótese dos autos em razão do princípio da retroatividade da norma mais benéfica (art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN), exclui expressamente a penalidade da multa administrativa pelos efeitos da denúncia espontânea. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 180DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.907826/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 15/03/2001
DCOMP. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Após a análise da escrituração fiscal e contábil do contribuinte, se comprovado o pagamento indevido, deve a compensação ser homologada.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-003.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Após a análise da escrituração fiscal e contábil do contribuinte, se comprovado o pagamento indevido, deve a compensação ser homologada. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por economia processual, adoto o relatório da decisão de efls. 8891: Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, pelo qual a DRF Curitiba não reconheceu o direito creditório pleiteado no valor de R$ 67.625,38, relativo a pagamento a maior de Cofins, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 78 26 /2 00 9- 13 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10980.907826/200913 Acórdão n.º 3301003.650 S3C3T1 Fl. 158 2 7987, no valor de R$ 1.811.602,54, efetuado em 15/03/2001, pelo CNPJ 33.852.567/000145, empresa incorporada pela declarante (CNPJ 01.701.201/000189) da Dcomp em epígrafe. Em razão de não ter sido confirmado o evento de sucessão entre a declarante e a detentora do crédito discriminado na DCOMP de n° 30491.58135.150805.1.3.043197 não se homologou a compensação pleiteada. Cientificada em 02/04/2009, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/05/2009, alegando, em síntese, o seguinte: Diz que o Despacho Decisório está equivocado. Reconhece que a “a empresa, de fato, no momento da utilização dos créditos ainda não tinha regularizado a situação da incorporação junto à Receita Federal”. Aduz que “o referido registro de incorporação não ocorreu no momento adequado em virtude da quantidade de débitos que a empresa Banco HSBC S/A possuía, os quais não estavam com a sua exigibilidade suspensa, o que, por sua vez, impedia a emissão de CND”. Afirma que somente em março de 2009 conseguiu obter a CND da empresa, regularizando, então, a situação da incorporação da empresa Banco HSBC S/A pelo HSBC Bank Brasil S/A. Sustenta que essa mera formalidade não deve ser considerada como “impedimento para que não seja considerada a existência de crédito, e consequentemente sua utilização pela empresa incorporadora”. Diz que em nome do princípio da verdade material a Administração não pode agir baseada apenas em presunções. Diz que no caso em tela, há comprovação da ocorrência da incorporação, conforme os documentos que anexou. Requer a homologação da compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), às fls. 23/26, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/03/2001 DCOMP. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado na DCOMP como origem do crédito está totalmente utilizado para quitar débito confessado em DCTF a compensação não pode ser homologada. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 31 a 40, alegando, em síntese, que: · A não homologação da compensação se deu por não ter sido vislumbrada a ocorrência de sucessão entre o detentor do crédito e a Recorrente, o que restou modificado pelo v. acórdão recorrido; · Tendo em vista que a não homologação do crédito sob a alegação da sua inexistência consiste em fato novo, trazido aos autos apenas pelo v. acórdão recorrido, fazse necessário a juntada de novos documentos para comprovar a existência do crédito, procedimento este autorizado pelo art. 16, III, § 4º, 'c' do Decreto n° 70.235/1972; Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10980.907826/200913 Acórdão n.º 3301003.650 S3C3T1 Fl. 159 3 · No anocalendário de 2001, o Banco HSBC S.A., incorporado pela ora Recorrente, apurou e recolheu regularmente a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS sobre o seu faturamento, sendo que para a competência de fevereiro de 2001, apurou o valor de R$ 1.743.977,16 a recolher, conforme se verifica em sua DIPJ 2002 (ano calendário 2001), o que pode ser verificado também na Memória de Cálculo da Apuração da COFINS do ano de 2001; · Eventual equívoco no cumprimento de obrigação acessória não tem o condão de invalidar o legítimo crédito de COFINS ora evidenciado e comprovado, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes; · Requer a reforma da r. decisão recorrida para o fim de homologar a compensação declarada, bem como determinar a RFB que proceda a retificação de ofício da DCTF do 1º trimestre de 2001. A DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade por considerar que não havia crédito passível de utilização, embora tenha reconhecido a reorganização societária por sucessão. Então, em seu recurso voluntário, a Recorrente juntou novos documentos contábeis e fiscais para demonstrar que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS pelo Banco HSBC S.A., incorporado por ela, referente ao mês de fevereiro/2001, que foi paga a maior, uma vez que a empresa incorporada detentora do crédito efetuou erroneamente o lançamento referente a esse débito na DCTF do 1º trimestre de 2001, conforme cópia à fl. 76 e que a apuração correta estaria refletida na DIPJ 2002 (anocalendário 2001), conforme cópia às fls. 63/70. Na DCTF, foi apurado um débito de COFINS, período de apuração de fevereiro/2001, no montante de R$ 1.811.602,54; recolhido em 15/03/2001, conforme cópia de Comprovante de Arrecadação à fl. 74. Todavia, o valor apurado na DIPJ 2002 (anocalendário 2001) referente à COFINS nesse mesmo período foi no montante de R$ 1.743.977,16, conforme cópia às fls. 63/70. Diante disso o CARF, por meio da Resolução nº 3801000.614, converteu o julgamento em diligência para que a unidade de origem apurasse o valor devido a título de COFINS pelo CNPJ 33.852.567/000145, empresa incorporada pela declarante (CNPJ 01.701.201/000189), período de apuração de fevereiro/2001, origem do crédito informado no PER/DCOMP e utilizado para compensação, com base nos documentos acostados aos autos e na escrituração fiscal e contábil. A diligência foi cumprida, conforme parecer de fls. 144147, cujo resultado confirmou as alegações da empresa. É o relatório. Voto Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10980.907826/200913 Acórdão n.º 3301003.650 S3C3T1 Fl. 160 4 Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A compensação pleiteada pela Recorrente no PER/DCOMP nº 30491.58135.150805.1.3.043197 tem como fundamento o crédito de COFINS apurada pelo Banco HSBC S/A, decorrente de pagamento a maior de fevereiro/2001, no valor de R$ 67.625,38, com débito de COFINS da competência de julho/2005, no valor de R$ 120.122,96. No cotejo dos documentos: DIPJ 2002 – ano calendário 2001, memória de cálculo da apuração da COFINS do ano de 2001, comprovante de arrecadação, DCTF do 1º trimestre de 2001 e os demais solicitados pela autoridade fiscal na execução da diligência, foi devidamente comprovado o erro cometido pelo Banco HSBC S/A que, ao apurar os valores devidos a título de COFINS da competência de fevereiro/2001, ao invés do valor de R$ 1.743.977,16, efetuou o recolhimento do valor de R$ 1.811.602,54. A diferença, R$ 67.625,38, foi o valor do crédito informado no PER/DCOMP e utilizado para compensação com débito de COFINS pela Recorrente. A Autoridade Fiscal, na conclusão do Parecer de diligência, efls. 144/147, informou: 8. Com base nas considerações anteriores e nos documentos contábeis fiscais anexados ao processo, ficou comprovada que a base de cálculo da COFINS referente ao período de apuração 02/2001 é R$ 1.743.977,16 conforme documento de fl. 135. 9. Assim, o valor da COFINS devida referente ao PA 02/2001 é de R$ 58.132.571,89 * 3% = R$ 1.743.977,16, valor este conforme alegado pelo interessado. Por conseguinte, comprovado o recolhimento de R$ 1.811.602,54 a título de COFINS para o período de apuração de fevereiro/2001, houve o recolhimento indevido e a maior de R$ 67.625,38. Logo, deve ser homologada a compensação declarada através do PER/DCOMP nº 30491.58135.150805.1.3.043197, bem como deve ser feita a retificação de ofício da DCTF do 1º trimestre de 2001. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Sala de sessões, 24 de maio de 2017. Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10980.907826/200913 Acórdão n.º 3301003.650 S3C3T1 Fl. 161 5 Fl. 161DF CARF MF
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