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Numero do processo: 16004.001109/2008-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2803-000.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que todos os documentos do presente processo sejam juntados nos presentes autos digitais e elimine os autos digitais duplicados e idênticos. Realizada a diligência, retornem os autos para julgamento.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Relatório
Os autos digitais vieram ao presente relator para julgamento, contudo não há quaisquer peças juntadas a eles. Também, informa-se que no E-Process há a duplicação dos autos digitais do processo.
É o relatório.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que todos os documentos do presente processo sejam juntados nos presentes autos digitais e elimine os autos digitais duplicados e idênticos. Realizada a diligência, retornem os autos para julgamento. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Relatório Os autos digitais vieram ao presente relator para julgamento, contudo não há quaisquer peças juntadas a eles. Também, informa-se que no E-Process há a duplicação dos autos digitais do processo. É o relatório.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1129; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.001109/200820 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2803000.228 – 3ª Turma Especial Data 15 de abril de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente M4 LOGISTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que todos os documentos do presente processo sejam juntados nos presentes autos digitais e elimine os autos digitais duplicados e idênticos. Realizada a diligência, retornem os autos para julgamento. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .0 01 10 9/ 20 08 -2 0 Fl. 1DF CARF MF Processo nº 16004.001109/200820 Resolução nº 2803000.228 S2TE03 Fl. 3 2 Relatório Os autos digitais vieram ao presente relator para julgamento, contudo não há quaisquer peças juntadas a eles. Também, informase que no EProcess há a duplicação dos autos digitais do processo. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Processo nº 16004.001109/200820 Resolução nº 2803000.228 S2TE03 Fl. 4 3 Voto. Em razão da ausência de documentação e duplicação indevida dos autos digitais, deve os autos retornarem a autoridade preparadora para fins de juntada dos documentos do referido processo, Isso posto, voto para converter o presente processo em diligência para que todos os documentos do presente processo sejam juntados nos presentes autos digitais e elimine a autos digitais duplicados e idênticos. Realizada a diligência, retornem os autos para julgamento. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 3DF CARF MF
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score : 1.0
Numero do processo: 11020.910106/2012-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2009
COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da não-cumulatividade.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.055
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ANTÔNIO CARLOS ATULIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2009 COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da não-cumulatividade. Recurso voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTÔNIO CARLOS ATULIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1504; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.910106/201243 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402004.055 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Matéria PERD/COMP COFINS Recorrente ALEPLAST EMBALAGENS PLASTICAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2009 COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da nãocumulatividade. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTÔNIO CARLOS ATULIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versam os autos sobre pedido de reconhecimento de direito creditício de COFINS, informado como oriundo de recolhimento efetuado a maior, cumulado com declaração de compensação (PER/DCOMP). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 01 06 /2 01 2- 43 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11020.910106/201243 Acórdão n.º 3402004.055 S3C4T2 Fl. 3 2 No Despacho Decisório, a autoridade local da RFB indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, após ter "efetuado revisão completa retroativa de suas últimas bases de cálculo de COFINS", possuir créditos oriundos de suas seguintes contas, discorrendo acerca da legislação que em tese respaldaria os mesmos: A DRJ/RPO, nos termos do Acórdão 14046.819, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, no qual, em suma, restringese a afirmar que o "processo já dispõe dos documentos comprobatórios dos créditos apurados", e nada mais! É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.034, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 11020.910095/201200, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3402004.034): "Alega o contribuinte, de forma genérica, ter créditos para fins de apuração da COFINS a pagar no sistema nãocumulativo. Tais créditos seriam oriundos de valores constantes nas contas especificadas no relatório. Feita essa apuração, a posteriori, sem qualquer liquidez e certeza já saiu a se compensar com débitos de tributos administrados pela RFB. Ou seja, não há prova específica a respaldar os alegados créditos. Acostou cópia do livro razão onde constam tais contas contábeis, sem qualquer documento fiscal e referência a seu processo produtivo em que se pudesse constatar de quais insumos se tratam e, mais, se efetivamente são utilizados na produção das mercadorias que produz. Demais disso, em tese, em análise superficial, valores referente à manutenção e reparos, fretes com vendas (nas quais não se sabe quem arcou com os valores), despesas diversas (que não se sabe do que se tratam), e mão de obra de terceiros (que em tese podem ser feitas por pessoas física, o que afastaria qualquer direito a crédito) não dão direito a crédito. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11020.910106/201243 Acórdão n.º 3402004.055 S3C4T2 Fl. 4 3 Assim, sendo firme a jurisprudência desse Colegiado no sentido de que recai sobre o contribuinte o onus probandi dos créditos que alega ter, mormente em relação a valores que já se compensou, que pressupõe sua certeza e liquidez, constatase que ele não provou por todos os meios e de forma específica (não há um documento fiscal nos autos) os créditos declarados. CONCLUSÃO Portanto, ante a falta de prova dos declarados créditos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário." Ressaltese que, neste processo, as contas especificadas como origem dos créditos (indicadas no relatório) são as mesmas que as tratadas no caso do paradigma, e que o contribuinte, nestes autos, também "não provou por todos os meios e de forma específica (não há um documento fiscal nos autos) os créditos declarados". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.928024/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/04/2002
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.727
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/04/2002 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1591; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.928024/200909 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201002.727 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de março de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente ABW FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2002 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 80 24 /2 00 9- 09 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 15374.928024/200909 Acórdão n.º 3201002.727 S3C2T1 Fl. 3 2 ABW FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido, sem, contudo, trazer aos autos qualquer elemento probatório do crédito pleiteado, como a escrita fiscal ou notas fiscais. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1332.016. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 15374.928024/200909 Acórdão n.º 3201002.727 S3C2T1 Fl. 4 3 O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 73DF CARF MF Processo nº 15374.928024/200909 Acórdão n.º 3201002.727 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, neste processo, não houve preclusão de matéria, situação que ocorreu no paradigma, dado que a recorrente já havia informado na Manifestação de Inconformidade que a origem do direito creditório alegado era a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Todavia, da mesma forma que no caso do paradigma, nos presentes autos a contribuinte não demonstrou, "documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova", o que, por si só, impede o reconhecimento do direito creditório em litígio. Dessa forma, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 74DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.728119/2014-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 30/04/2012
COMPENSAÇÃO. GLOSA. SALDO NEGATIVO IRPJ/CSLL. IMPOSSIBILIDADE. CRÉDITOS PREVIDENCIÁRIOS. RETIFICAÇÃO DE GFIP. NEGATIVA DO SUJEITO PASSIVO.
Devem ser glosadas as compensações realizadas pelo contribuinte quando ficar demonstrada a existência de impedimento legal à compensação pleiteada, bem como na hipótese de falta de comprovação da origem dos créditos utilizados ou de negativa do sujeito passivo em realizar os procedimentos que estão previstos na legislação de regência como condicionantes para o exercício desse direito.
RAT. FAP. ERRO. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. MPS. CARF. INCOMPETÊNCIA.
O FAP atribuído às empresas pelo Ministério da Previdência Social poderá ser contestado perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, no prazo de trinta dias da sua divulgação oficial, razão pela qual o CARF não tem competência para analisar a correção dos critérios que determinaram sua atribuição pelo MPS.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. REMUNERAÇÃO. BASE DE CÁLCULO.
Em regra, todas as remunerações pagas ou creditas a contribuintes individuais devem integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária a cargo da empresa.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CABIMENTO.Cada auto de infração foi constituído para a aplicação de multa por descumprimento de uma obrigação acessória específica, prevista em dispositivo legal diferente, pelo que cabível a aplicação de todas as penalidades.
Numero da decisão: 2201-003.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que davam provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 22/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 30/04/2012 COMPENSAÇÃO. GLOSA. SALDO NEGATIVO IRPJ/CSLL. IMPOSSIBILIDADE. CRÉDITOS PREVIDENCIÁRIOS. RETIFICAÇÃO DE GFIP. NEGATIVA DO SUJEITO PASSIVO. Devem ser glosadas as compensações realizadas pelo contribuinte quando ficar demonstrada a existência de impedimento legal à compensação pleiteada, bem como na hipótese de falta de comprovação da origem dos créditos utilizados ou de negativa do sujeito passivo em realizar os procedimentos que estão previstos na legislação de regência como condicionantes para o exercício desse direito. RAT. FAP. ERRO. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. MPS. CARF. INCOMPETÊNCIA. O FAP atribuído às empresas pelo Ministério da Previdência Social poderá ser contestado perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, no prazo de trinta dias da sua divulgação oficial, razão pela qual o CARF não tem competência para analisar a correção dos critérios que determinaram sua atribuição pelo MPS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. REMUNERAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. Em regra, todas as remunerações pagas ou creditas a contribuintes individuais devem integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária a cargo da empresa. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CABIMENTO.Cada auto de infração foi constituído para a aplicação de multa por descumprimento de uma obrigação acessória específica, prevista AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 81 19 /2 01 4- 15 Fl. 3092DF CARF MF 2 em dispositivo legal diferente, pelo que cabível a aplicação de todas as penalidades. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que davam provimento parcial. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado em face do Acórdão 0958.086 da 5ª Turma da DRJ/JFA que julgou improcedente impugnação apresentada pelo sujeito passivo ao auto de infração composto pelos seguintes créditos: · Debcad 51.053.9807, totalizando R$ 25.627.581,11 à época de sua lavratura, relativo a glosa de compensações indevidas no período de 02/2010 a 04/2012 (fl 5/23/46); · Debcad 51.053.9815, totalizando R$ 5.692.820,41 à época de sua lavratura (fl 8), relativo à contribuição devida pela empresa para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, no período de 02/2010 a 12/2011 (fl 23/46); · Debcad 51.053.9823, totalizando R$ 118.150,51 à época de sua lavratura (fl 11), relativo à contribuição previdenciária devida pela empresa, incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados contribuintes individuais (fl 23); Fl. 3093DF CARF MF Processo nº 10166.728119/201415 Acórdão n.º 2201003.627 S2C2T1 Fl. 3.093 3 · Debcad 51.053.9831, totalizando R$ 27.933,83 à época de sua lavratura (fl 14), relativo à contribuição previdenciária devida pelos segurados contribuintes individuais arrecadada pela empresa na forma estabelecida pelo art. 4º da Lei nº 10.666, de 2003 (fl 23); · Debcad 51.053.9777, totalizando R$ 1.812,87 à época de sua lavratura (fl 17), relativo à multa por deixar a empresa de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço (fl 23); · Debcad 51.053.9785, totalizando R$ 18.128,43 à época de sua lavratura (fl 18), relativo à multa por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos (fl 23); · Debcad 51.053.9793, totalizando R$ 1.812,87 à época de sua lavratura (fl 19), relativo à multa pela empresa deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço (fl 23); · Debcad 51.071.0115, totalizando R$ 18.128,43 à época de sua lavratura (fl 20), relativo à multa por deixar de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida (fl 23). Compensações glosadas Pelo TIF 05 (fl 79), a fiscalização intimou a contribuinte a apresentar esclarecimentos detalhados sobre a origem e natureza dos valores que motivaram as compensações nele listadas, realizadas nas competências compreendidas entre 02/2010 e 04/2012. Em resposta, a empresa apresentou as seguintes informações (fls 1256 e ss): Competências 02, 03 e 13/2010: compensações proporcionadas pela inexistência de relação jurídicotributária para recolhimento de contribuição previdenciária sobre os 15 primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado e sobre adicional de férias, conforme antecipação de tutela no Processo nº 2009.34.00.0172685; Competências 01 e 02/2011: compensação de contribuição previdenciária (20%) pago a maior nas competências 12/2010 e 01/2011. Haveria tributação em duplicidade nos eventos relativos aos prólabores; Competências 06, 07 e 08/2011: compensações proporcionadas pela inexistência de relação jurídicotributária para recolhimento de contribuição previdenciária sobre os 15 primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado e sobre adicional de férias, conforme antecipação de tutela no Processo nº 2009.34.00.0172685; e relativas a nãoincidência de contribuições previdenciárias sobre gratificações pagas de forma esporádica e nãoeventual; Fl. 3094DF CARF MF 4 Competências 09/2011 a 03/2012: compensações proporcionadas pela inexistência de relação jurídicotributária para recolhimento de contribuição previdenciária sobre os 15 primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado e sobre adicional de férias, conforme antecipação de tutela no Processo nº 2009.34.00.0172685; e relativas a nãoincidência de contribuições previdenciárias sobre gratificações pagas de forma esporádica e nãoeventual; e referentes a compensação de base negativa de IRPJ e CSLL; Competência 04/2012: compensações proporcionadas pela inexistência de relação jurídicotributária para recolhimento de contribuição previdenciária sobre os 15 primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado e sobre adicional de férias, conforme antecipação de tutela no Processo nº 2009.34.00.0172685; e relativas a não incidência de contribuições previdenciárias sobre gratificações pagas de forma esporádica e nãoeventual; e referentes a compensação de base negativa de IRPJ e CSLL; e ocasionadas pela aplicação do regime tributário de desoneração das folhas de pagamento, conforme Lei nº 12.546, de 2011. Apresentou também três sentenças (fls 240 e ss), pelas quais foi concedida: segurança para declarar a inexistência da relação jurídicotributária que obrigue a impetrante ao recolhimento da contribuição social previdenciária incidente sobre os valores pagos nos 15 primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado e sobre o adicional de férias (MS Processo nº 2009.34.00.0172685). antecipação de tutela para que as empresas empregadoras dos associados do Sindicato autor procedam o depósito judicial dos valores correspondentes às contribuições previdenciárias incidentes sobre afolha de salário dos substituídos, a titulo de terço constitucional de férias, horas extras não habituais e valores pagos nos quinze primeiros dias de auxíliodoença e auxílioacidente (AO Processo nº 2009.34.00.0358340). liminar para suspensão da exigibilidade do crédito tributário referente à contribuição social previdenciária incidente sobre os valores pagos nos quinze primeiros dias do auxíliodoença e auxílioacidente (MS Processo nº 2009.34.00.0172685). De acordo com o relatório fiscal (fls 30), a empresa não conseguiu comprovar o fundamento legal ou judicial, a natureza dos valores compensados e os cálculos utilizados para apuração dos valores utilizados peles seguintes razões: Não restou caracterizado um fundamento legal ou decisão judicial definitiva que tenha autorizado as compensações efetuadas; A empresa não forneceu memória de cálculo para identificar os fatos geradores, as bases de cálculo individualizados por segurado e quantificar o valor originário, os valores descontados dos segurados e os cálculos adotados para a atualização monetária; A empresa não forneceu ao Auditor Fiscal as folhas de pagamentos (individualizados por segurado/empregado e verbas que compuseram os pagamentos) que são as fontes dos fatos geradores objeto da compensação para a Auditoria Fiscal; a CTIS não transmitiu (informou à Previdência Social) por meio de GFIP/SEFIP retificadoras para as competências, fatos geradores e bases de cálculo que entendeu estarem incorretas e que motivaram o recolhimento (GPS) a maior, mantendo assim, para fins do cálculo dos benefícios da Previdência Social os Salários de Contribuição originais. Fl. 3095DF CARF MF Processo nº 10166.728119/201415 Acórdão n.º 2201003.627 S2C2T1 Fl. 3.094 5 Após a apresentação de impugnação pelo sujeito passivo, a 5ª Turma da DRJ/JFA (fls 2863) determinou que fossem juntados aos autos a planilha "Anexo I Glosa de Compensação", referenciada pelo relatório fiscal, o que foi feito às fls 2864 e ss. Foram também juntados nessa ocasião o "Anexo II Rat Ajustado" e o "Recibo SVA Mídia Remetida ao Contribuinte" com o respectivo comprovante de AR (Informação Fiscal de fls 2949). Fator Acidentário de Prevenção Pelo TIF 05 (fl 79), a fiscalização intimou a contribuinte a apresentar esclarecimentos sobre a adoção das alíquotas do FAP Fator Acidentário de Prevenção na GFIP/SEFIP diferente daquela calculada pelo Ministério da Previdência Social. Em resposta, a empresa argüiu que havia contestado o FAP que lhe foi atribuído junto ao Departamento de Políticas de Saúde Ocupacional da Secretaria de Políticas de Previdência Social. A fiscalização verificou que as contestações efetuadas foram julgadas em desfavor da contribuinte. Esta, novamente intimada, não teria se manifestado. Em relação a esse lançamento, o fato gerador e a base de cálculo estão assim descritos no relatório fiscal: 4.3.1. O FATO GERADOR E A BASE DE CÁLCULO Constitui fato gerador da obrigação previdenciária, em relação à empresa, a prestação de serviços remunerados pelos segurados empregados. A base de cálculo da contribuição em questão é o total das remunerações informadas nas GFIP/SEFIP. 0 valor da contribuição no presente lançamento é a diferença entre a contribuição para financiar os benefícios previdenciários decorrentes do grau de incidência de incapacidade declarada pela Empresa nas GFIP / SEFIP Informações à Previdência Social e o valor apurado com a aplicação das alíquotas corretas para o RAT e FAP. A apuração da contribuição e encontrase discriminada na planilha ANEXO II RAT AJUSTADO.pdf que se encontra digitalizado e gravado na mídia que acompanha o presente Auto de Infração. O anexo II com o cálculo do SAT/GILRAT ajustado pelo FAP está juntado às fls 2867 e ss. Contribuintes individuais Pelo TIF 06 (fl 83), a fiscalização intimou o contribuinte a apresentar esclarecimentos quanto a valores informados na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ/2011, relativos a serviços prestados por pessoas físicas sem vínculo empregatício e remuneração a dirigentes e a conselho de administração. Fl. 3096DF CARF MF 6 Após o confronto entre a folha de pagamentos e os lançamentos contábeis com as declarações efetuadas por meio de GFIP/SEFIP, teriam sido identificados pagamentos omitidos em relação à autônomos/contribuintes individuais (fls 30). As informações que foram prestadas pela empresa em sua resposta (fls 279/405) não estariam relacionadas aos prestadores de serviços identificados nos registros contábeis especificados no TIF, o que impossibilitaria a identificação dos beneficiários dos pagamentos e a regularidade das contribuições previdenciárias. Em função disso, foram efetuados lançamentos a título de: Contribuição previdenciária devida pela empresa no valor de 20% incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos corretores imobiliários que prestaram serviços à empresa como autônomos; Contribuição devida pelos segurados que prestam serviços à empresa, o que foi realizado por aferição indireta, considerandose cada lançamento contábil como relativo a um trabalhador (fls 31). Foram também lançados os seguintes autos de infração de obrigações acessórias (fls 31): 51.053.9777 A folha de pagamentos apresentada não contempla os lançamentos contábeis dos pagamentos de autônomos selecionados. 51.053.9785 Os lançamentos contábeis de pagamentos de autônomos selecionados não foram registrados em uma conta própria (em títulos próprios de sua contabilidade) tendo sido garimpado dentre outros lançamentos de pagamentos a pessoas jurídicas, também registrados na conta 3.1.3.02.13 SERVIÇOS DE CONSULTORIA. 51.053.9793 Multa por deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. Multa por deixar de prestar à RFB todas as informações e esclarecimentos de seu interesse necessários à fiscalização Foi lançado ainda o AIOA 51.071.0119 pela empresa não ter atendido às intimações para prestar as seguintes informações e esclarecimentos (fls 37/38): Nome, Nit, PIS/PASEP dos prestadores de serviços identificados na contabilidade e omitidos nas folhas de pagamento e GFIP/SEFIP; folhas de pagamento, no formato que permita o relacionamento dos segurados, verbas e fatos geradores com as compensações efetuadas; memória de cálculo das compensações efetuadas. Impugnação/Decisão DRJ Tendo a empresa autuada apresentado impugnação, esta foi julgada pela 5ª Turma da DRJ/JFA, que proferiu o Acórdão 0958.086 (fls 2952), com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 30/04/2012 Fl. 3097DF CARF MF Processo nº 10166.728119/201415 Acórdão n.º 2201003.627 S2C2T1 Fl. 3.095 7 FORMALIZAÇÃO. INTIMAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO. EFEITOS DE INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. JUROS. Não se vislumbra nulidade na intimação por via postal realizada no domicílio tributário do sujeito passivo. Não há previsão legal para a compensação de débitos de contribuição previdenciária com saldos negativos de IRPJ e CSLL. Não gera direito creditório administrativamente a contribuição incidente sobre rubricas que compõem o saláriodecontribuição. Não compete à DRJ analisar inconformidade contra o FAP. A empresa deve preparar folha de pagamentos para todos os seus segurados. A empresa deve lançar em títulos próprios de sua contabilidade os fatos geradores de contribuição social previdenciária. A decisão em repercussão geral demanda expediente da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para que se estabeleça seus efeitos e extensão para ser aplicada a todos. A multa de ofício é prevista legalmente e, pela estrita legalidade, deve ser aplicada. São devidos os juros incidentes sobre débitos tributários a partir do seu vencimento. Recurso Voluntário Cientificada dessa decisão em 21/07/2015 (AR fls 2977), a empresa apresentou em 20/08/2015, tempestivamente, portanto, seu Recurso Voluntário (fls 2981), no qual alega, em síntese: Cerceamento do direito de defesa, uma vez que a intimação feita por via postal não teria seguido a ordem legal determinada pelo art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972; Nulidade do feito, tendo em vista que o CD remetido à empresa via Correios não conteria o "Anexo I Glosa de Compensação.pdf", o que impediria o conhecimento dos créditos tributários/previdenciários ignorados pelo fisco; Parte do crédito objeto de glosa consta do Pedido de restituição/compensação no Processo 10166.727287/201141 e deveriam ser nele cobrados se fosse o caso; Fl. 3098DF CARF MF 8 O Processo 10166.727287/201141 contém todos os elementos necessários para que se verifique a liquidez e certeza do crédito utilizado nas compensações; Não há consentaneidade entre o histórico e o fundamento constantes do auto de infração de fls 05 a 07 com o quantum glosado, já que a maior parte dos valores referemse a compensações de créditos relativos a saldos negativos de IRPJ e CSLL; O auto de infração seria silente quanto aos valores dessas compensações, o que evidenciaria um erro grosseiro cometido no lançamento fiscal; Não haveria qualquer ilicitude nas compensações pleiteadas, seja quanto aos recolhimentos a maior derivados da incidência indevida sobre as verbas de natureza indenizatória, seja em razão de saldos negativos de IRPJ/CSLL; O art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, possibilita essa compensação; As compensações relativas aos saldos negativos de IRPJ/CSLL foram realizados com base nas normas que menciona e são relativas a créditos apurados no ano calendário de 2010 e 2011; Não foi possível a utilização do programa PER/DCOMP, apesar de existir previsão legal autorizando a compensação de saldo negativo de IRPJ com quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB; Os saldos negativos de IRPJ/CSLL encontramse devidamente apurados no Lalur; A não devolução desses valores implica empréstimo compulsório; Há amparo legal para a recorrente utilizar os créditos relativos aos recolhimentos indevidos de contribuição previdenciária dos 15 primeiros dias de afastamento do empregado, bem como sobre o aviso prévio indenizado e sobre o terço constitucional de férias, matéria que já foi julgada em sede de recurso repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial 1.230.957RS); No caso das compensações sobre verbas indenizatórias trabalhistas, as declarações previstas no § 1º do referido art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, embora não constem dos autos por omissão do fisco, são as GFIP referidas no auto de infração Debcad 51.053.9807 Comprot 10166.728119/201415. Já as compensações relativas ao saldo negativo de IRPJ/CSLL seriam aquelas constantes do processo administrativo nº 10166.727287/201141; Os valores pagos nos quinze primeiros dias aos empregados doentes ou acidentados, bem como o adicional de férias e o aviso prévio indenizado já foram afastados do campo de incidência da contribuição previdenciária de forma definitiva com a conclusão do julgamento do Recurso Especial 1.230.957RS pelo STJ; É improcedente a adução da Fiscalização de que seria necessário transmitir GFIP retificadora, pois se isso ocorresse o valor recolhido desapareceria dos controles do fisco; Compensações das competências 02/2010, 03/2010, 13/2010, 01/2011 e 02/2011: teriam por origem de crédito os valores recolhidos indevidamente a título de aviso Fl. 3099DF CARF MF Processo nº 10166.728119/201415 Acórdão n.º 2201003.627 S2C2T1 Fl. 3.096 9 prévio indenizado no período de janeiro/2005 a dezembro/2010, o que seria comprovado pela planilha de valores recolhidos indevidamente (fls 2047) e resumo da folha por período; Compensações das competências 06/2011 e 07/2011: teriam por origem crédito de pagamento indevido de contribuição previdenciária sobre gratificação paga de forma esporádica e eventual; Compensações da competência 08/2011: teria por origem crédito de verbas declaradas indevidas nos autos do processo nº 2009.34.00.03.58340 e crédito de pagamento indevido de contribuição previdenciária sobre gratificação; Compensações das competências 09/2011, 10/2011, 11/2011, 12/2011, 01/2012 e 02/2012: teriam por origem créditos decorrentes de saldos negativos de IRPJ/CSLL, solicitados através do processo nº 10166.727287/201141, crédito de verbas declaradas indevidas nos autos do processo nº 2009.34.00.03.58340 e crédito de pagamento indevido de contribuição previdenciária sobre gratificação; Compensações da competência 03/2012: crédito de verbas declaradas indevidas nos autos do processo nº 2009.34.00.03.58340 e crédito de pagamento indevido de contribuição previdenciária sobre gratificação; Compensações da competência 04/2012: crédito de desoneração da folha de pagamento e verbas declaradas indevidas nos autos do processo nº 2009.34.00.03.58340; Em relação à glosa do mês de abril de 2014, relativa à desoneração da folha de pagamentos, elabora planilha demonstrando o cálculo do valor total a recolher na metodologia anterior e na nova metodologia, considerando a diferença como valor a compensar na SEFIP; Quanto ao debcad 51.053.5815 FAP, alega nulidade do feito pela ausência do anexo II, que conteria o cálculo da diferença exigida bem como os critérios para seu cálculo; No que diz respeito ao debcad 51.053.5823 Recibos de Pagamentos a Autônomos, alega que todos os pagamentos foram incluídos nas GFIP respectivas o que comprovaria através do documento 8, cópia das GFIP; No que diz respeito ao debcad 51.053.5831, a utilização de presunção de que cada pagamento corresponde a um trabalhador diferente corresponde a erro grosseiro, já que provoca a tributação acima do salário de contribuição; O debcad 51.053.9777 seria improcedente pois os autônomos são relacionados na relação de trabalhadores autônomos e não em folha de pagamentos, fazer o contrário seria ilícito e inoperacional; O debcad 51.053.9785 também seria improcedente pois todas as rubricas encontramse cientificamente registradas na contabilidade; A improcedência do debcad 51.053.9793 é decorrência da improcedência do debcad 51.053.5831; Fl. 3100DF CARF MF 10 Todas as informações solicitadas foram prestadas, de forma que é indevido o debcad 51.071.0107; É inaplicável a multa de 75%, já que a apuração exigida decorre dos elementos constantes da contabilidade da recorrente e foram devidamente declaradas ao fisco; A multa isolada tem caráter confiscatório; Não é possível cobrar juros no período em que as declarações de compensação encontravamse pendentes de análise, por aplicação do art. 396 do Código Civil; Não há cabimento em juros sobre multa; Apresenta quesitos para serem analisados em diligência. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Preliminar nulidade ciência via postal Inicialmente, alega a recorrente cerceamento do direito de defesa, uma vez que a intimação feita por via postal não teria seguido a ordem legal determinada pelo art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Além disso, a intimação teria sido entregue a pessoa que não é seu representante legal, o que implicaria quebra de seu sigilo fiscal. Não assiste razão à recorrente. A forma de realização da intimação é matéria que se encontra regulada pelo art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, de onde se destaca: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. Fl. 3101DF CARF MF Processo nº 10166.728119/201415 Acórdão n.º 2201003.627 S2C2T1 Fl. 3.097 11 § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (...) Os incisos do caput do artigo transcrito estabelecem os meios idôneos para a realização da intimação e não há qualquer indicação de que exista uma relação de subsidiariedade entre eles. Muito pelo contrário, conforme fica evidenciado pela redação do §1º, ao afirmar que o edital poderá ser empregado "quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput". Um dos meios é qualquer um deles, sem ordem de preferência. Sendo postal, não há qualquer exigência de que a entrega seja na pessoa do sujeito passivo ou de seu representante legal, como ocorre na intimação pessoal disciplinada no inciso I do art. 23. Basta, assim, que seja realizada no domicílio tributário de eleição do sujeito passivo. Nesse sentido tem decidido o Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO POSTAL. PESSOA FÍSICA. ART. 23, II DO DECRETO Nº 70.235/72. DESNECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PESSOAL. OBRIGATORIEDADE DO CONTRIBUINTE DE MANTER ATUALIZADO SEU DOMICÍLIO FISCAL PERANTE A ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. INTIMAÇÃO POSTAL PROFÍCUA. DESNECESSIDADE DE INTIMAÇÃO POR EDITAL. 1. É do contribuinte a obrigação de manter atualizado seu domicílio fiscal perante a Administração Tributária, presumindose válida a intimação dirigida ao endereço ali registrado. 2. Não existe ordem de preferência entre a intimação pessoal e a intimação postal para efeito do processo administrativo fiscal estabelecido pelo Decreto n. 70.235/72. 3. Conforme prevê o art. 23, II do Decreto nº 70.235/72, inexiste obrigatoriedade para que a efetivação da intimação postal seja feita com a ciência do contribuinte pessoa física, exigência extensível tãosomente para a intimação pessoal, bastando apenas a prova de que a correspondência foi entregue no endereço de seu domicílio fiscal, podendo ser recebida por porteiro do prédio ou qualquer outra pessoa a quem o senso comum permita atribuir a responsabilidade pela entrega da mesma, cabendo ao contribuinte demonstrar a ausência dessa Fl. 3102DF CARF MF 12 qualidade. (REsp 1197906 / RJ Relator o Ministro Mauro Campbell Marques) Vale lembrar que o endereço é de livre eleição do sujeito passivo, que o informa à administração tributária. Logo, a responsabilidade e o risco dessa escolha são do próprio contribuinte, que deve indicar local onde a correspondência vá encontrar pessoas de sua confiança. Registrese que, mesmo nas hipóteses em que a legislação exige que a intimação seja entregue a quem tem poderes específicos, a Jurisprudência tem flexibilizado essa regra com base na teoria da aparência. Ilustrativo do entendimento firmado pelo STJ nesse sentido é o seguinte excerto: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ÁGUA. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. NÃO CONFIGURAÇÃO. INTIMAÇÃO PESSOAL DO REPRESENTANTE LEGAL DA PESSOA JURÍDICA DA DECISÃO CONCESSIVA DE TUTELA ANTECIPADA. TEORIA DA APARÊNCIA. APLICAÇÃO. ASTREINTES. VALOR. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. Não viola o artigo 535 do CPC, tampouco nega prestação jurisdicional, acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia, conforme ocorreu no caso em exame. 2. O acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência desta Corte quanto à aplicação teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada em quem, na sua sede, apresentase como seu representante legal e recebe a citação, sem qualquer ressalva quanto à inexistência de poderes para representála em Juízo. (AgRg no AREsp 481323 / RJ Relator o Ministro Mauro Campbell Marques)(grifouse) Ademais, no âmbito deste CARF, a matéria já se encontra pacificada, conforme evidencia o enunciado nº 09 da Súmula CARF, que assim determina: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Rejeito, portanto, a preliminar argüida. Nulidade Ausência do Anexo I Glosa de Compensação O item 4.1.1 do relatório fiscal apresenta as conclusões para a glosa das compensações efetuadas fazendo referência à planilha "anexo I Glosa de compensação.pdf", que se encontraria digitalizada e gravada na mídia que acompanharia o auto de infração. Alega a recorrente que, compulsando os autos do processo de fls. 01 a 1307, bem como em análise ao CD remetido à empresa, não se constataria a existência desse anexo, o que impediria o conhecimento dos créditos tributários ignorados pelo fisco e impossibilitaria a ampla defesa. Fl. 3103DF CARF MF Processo nº 10166.728119/201415 Acórdão n.º 2201003.627 S2C2T1 Fl. 3.098 13 O discriminativo de débitos de fls 2572/2675 relaciona as compensações glosadas e dele foi dada ciência à recorrente em 06/03/2015. Por determinação da Delegacia de Julgamento/JFA, através do despacho de 19/05/2015 (fls 2863), o anexo mencionado foi juntado à fls 2865 do processo. Esse anexo discrimina as compensações que já haviam sido identificadas no TIF5, de forma que a recorrente tinha pleno conhecimento das compensações que estavam sendo glosadas. Aduzse a isso o fato de que a glosa foi total, de forma que não haveria dúvida quanto aos créditos glosados, já que foram todos e não alguns. O recibo de fls 2945/2947, gerado em 11/11/2014, evidencia a entrega de todos os arquivos, incluindo o anexo I glosa de compensações. Por outro lado, se realmente houvesse alguma dificuldade para a defesa em função da ausência do anexo mencionado, ela teria sido sanada, primeiro, pelo relatório discriminativo do débito que indica as compensações glosadas e, depois, pela juntada determinada pela DRJ, da qual foi dada oportunidade de manifestação à recorrente. Em vista disso, não identifico prejuízo à sua defesa que pudesse justificar a alegada nulidade. Rejeito. Mérito Compensações (debcad 51.053.9807) De acordo com as alegações da recorrente, as compensações efetuadas teriam por base os seguintes créditos: relativos aos recolhimentos indevidos de contribuição previdenciária dos 15 primeiros dias de afastamento do empregado, bem como sobre o aviso prévio indenizado e sobre o terço constitucional de férias; crédito de verbas declaradas indevidas nos autos do processo nº 2009.34.00.03.58340; crédito de pagamento indevido de contribuição previdenciária sobre gratificação; saldo negativo de IRPJ/CSLL constante do processo administrativo nº 10166.727287/201141; crédito relativo à desoneração da folha de pagamentos, que seria resultante da diferença entre o cálculo do valor total a recolher na metodologia anterior e na nova metodologia. Haveria, portanto, crédito relativo a valores que entende ter pago indevidamente a título de contribuição previdenciária, créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ/CSLL e os créditos decorrentes da desoneração de folha de pagamento. Créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ/CSLL Fl. 3104DF CARF MF 14 Em relação a esses supostos créditos, a recorrente apresenta cópia do processo administrativo 10166.727287/201141 (fls 1405), pelo qual solicitou homologação da compensação de seus créditos decorrentes de saldos negativos de IRPJ/CSLL apurados nos anoscalendário 2010 e 2011. Nesse caso, invoca o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, como fundamento legal para a compensação pleiteada. Ocorre, porém, que o art. 26, parágrafo único, do Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, excepciona textualmente a aplicação dessa regra às contribuições previdenciárias: Art. 26. (...) Parágrafo único. O disposto no art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não se aplica às contribuições sociais a que se refere o art. 2o desta Lei. A validade desta limitação já foi confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme pode ser observado nos seguinte excerto: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA ANTIGA RECEITA FEDERAL COM CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VEDAÇÃO DO ART. 26 DA LEI Nº 11.457/07. 1. "É ilegítima a compensação de créditos tributários administrados pela antiga Receita Federal (PIS e COFINS decorrentes de exportação) com débitos de natureza previdenciária antes administrados pelo INSS (art. 11 da Lei n. 8.212/91), ante a vedação legal estabelecida no art. 26 da Lei n. 11.457/07. Precedentes." (REsp 1.243.162/PR, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 28/03/2012) 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no Recurso Especial Nº 1.276.552 PR (2011/02135539 Relator Ministro Sérgio Kukina) Neste caso, devese concordar com o relatório fiscal, ao afirmar que "não restou caracterizado um fundamento legal ou decisão judicial definitiva que autorizou as compensações efetuadas", pois a recorrente não se desincumbiu de seu ônus de demonstrar o direito a efetuar a compensação pleiteada. Glosa mantida. Créditos de natureza previdenciária A fls 251 do processo há uma decisão na ação ordinária Processo nº 2009.34.00.03.58340, que identifica como autor o "Sind Trab Empresas e Órgãos Públ Proc Dad Sis do DF". Dessa decisão, extraise: Ante o exposto, DEFIRO o pedido de antecipação dos efeitos da tutela para determinar às Rés (empregadoras dos associados do Sindicato Autor, ora substituídos processualmente) que Fl. 3105DF CARF MF Processo nº 10166.728119/201415 Acórdão n.º 2201003.627 S2C2T1 Fl. 3.099 15 procedam com o depósito judicial mensal dos valores correspondentes à contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salário dos substituídos, a título de terço constitucional de férias, horas extras não habituais, valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias do auxíliodoença e auxílioacidente. Não há nesse dispositivo o reconhecimento de nenhum direito creditório em benefício da recorrente que justifique as compensações pretendidas por ela. O mesmo pode ser dito em relação às duas outras decisões judiciais que ela juntou, pelas quais se deferiu: segurança para declarar a inexistência da relação jurídicotributária que obrigue a impetrante ao recolhimento da contribuição social previdenciária incidente sobre os valores pagos nos 15 primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado e sobre o adicional de férias MS Processo nº 2009.34.00.0172685 (fls 250). liminar para suspensão da exigibilidade do crédito tributário referente à contribuição social previdenciária incidente sobre os valores pagos nos quinze primeiros dias do auxíliodoença e auxílioacidente MS Processo nº 2009.34.00.0172685 (fls 263). Também não lhe socorre o que foi decidido pelo STJ no REsp nº 1.230.957 RS, conforme já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, através do Acórdão nº 9202003.927, de onde se extrai o seguinte excerto do voto do redator designado, Heitor de Souza Lima Junior: Inicialmente, a respeito do tema, de se notar, em linha com o mencionado pelo Relator e conforme já tive oportunidade de me manifestar em outros feitos relativos ao tema, que a decisão judicial citada (REsp 1.230.957), ainda que julgada sob a sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil, encontrase, conforme consulta ao site do Supremo Tribunal de Justiça, sobrestada, não tendo ocorrido o trânsito em julgado do referido Acórdão, por conta de existência de feitos pendentes sobre a matéria com repercussão geral reconhecida no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Daí, de se rechaçar, aqui, qualquer violação ao art. 62A do Regimento desta Casa ao não se adotar o posicionamento ali esposado pelo Egrégio STJ no citado REsp. Desta forma, de se aceder aqui à atual necessidade de plena observância ao dispositivo legal acima reproduzido em vigor, não só em plena consonância com o art. 62 do referido Regimento, mas também, e principalmente, em plena obediência ao princípio da legalidade que deve nortear a seara do direito tributário material, sem que se possa abrir mão do princípio em prol de uma possível "economia processual", notese, eventualmente vinculada a decisum ainda pendente de reapreciação e, assim, não vinculante, ainda que julgado (repitase, de maneira não definitiva) em sede de recurso repetitivo. Assim, entendo que, no caso, a celeuma deve se ater à interpretação por este CARF do dispositivo legal em comento (repitase, plenamente vigente), para fins de definição da incidência ou não das contribuições previdenciárias sobre a Fl. 3106DF CARF MF 16 verba sobre a qual o litígio se resume a esta altura, a saber, o adicional (1/3) de férias recebido pelos empregados decorrentes de férias gozadas. A propósito, interpreto que trata o referido §9o. do mencionado art. 28 de elenco taxativo de exclusões da base de cálculo, podendose concluir neste sentido, em meu entendimento, ao se interpretar o referido parágrafo (que em suas numerosas alíneas trata com grande especificidade de cada exclusão, sem a utilização de termos ou descrições de rubricas genéricas) à luz do caput do mesmo artigo, que, a seu turno, estabelece critério quantitativo bastante abrangente da hipótese de incidência, a saber, "a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma". Feita tal digressão, verifico ter se referido o legislador na alínea "d" do já extensivamente mencionado §9o. especificamente e exclusivamente aos valores recebidos a título de férias indenizadas, não havendo motivo, assim, para se entender como abrangida na referida exclusão qualquer outro tipo de remuneração (tal como o adicional referente a férias gozadas), em plena consonância com o princípio basilar de hermenêutica de que a lei não contém palavras inúteis (Verba cum effectu sunt accipienda). Caracterizada, assim, a intenção do legislador no sentido de restringir a exclusão às férias indenizadas, por não gozadas. Ainda, conforme já tive oportunidade de me manifestar em outros feitos, ressalto se tratar do mencionado adicional de 1/3, no caso de férias gozadas, de verba baseada na existência de vínculo laboral, com destinação livre, exclusivamente a critério do empregado, não se podendo falar aqui de exclusão da base de cálculo por conta de sua natureza indenizatória, mantida assim a incidência das contribuições previdenciárias. Por outro lado, considero desnecessário avançar na discussão acerca das demais rubricas mencionadas pela recorrente, aviso prévio indenizado, quinze primeiros dias de afastamento e gratificações, porque ela deixou de cumprir requisitos procedimentais necessários à comprovação do seu direito ao crédito e à sua quantificação. Com efeito, as normas que regulamentavam o direito à compensação, à época em que elas foram realizadas pela consulente, consubstanciadas na Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, previam textualmente que: Art. 2º Poderão ser restituídas pela RFB as quantias recolhidas a título de tributo sob sua administração, bem como outras receitas da União arrecadadas mediante Darf ou GPS, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, na cálculo do montante de débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; Fl. 3107DF CARF MF Processo nº 10166.728119/201415 Acórdão n.º 2201003.627 S2C2T1 Fl. 3.100 17 III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. (...) Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). (...) § 11. A restituição das contribuições previdenciárias declaradas incorretamente fica condicionada à retificação da declaração, exceto quando o requerente for segurado ou terceiro não responsável por essa declaração. (...)grifouse Quanto a esse aspecto, afirma a recorrente em seu recurso: Totalmente improcedente a adução da Fiscalização, dizer que seria necessária transmitir GFIP retificadoras, pois caso ocorresse tal transmissão o valor recolhido a maior desapareceria dos controles do Fisco. O que caracterizaria FRAUDE. Porque essa autoridade lançadora está induzindo ao erro, à fraude? Sendo a retificação das GFIP o meio idôneo a gerar o direito de crédito no caso de pagamento indevido de contribuições previdenciárias e se negando a contribuinte a realizar tal procedimento, não resta muita margem à discussão sobre seu alegado direito. A recorrente invoca, ainda, um crédito que teria por origem a desoneração da folha de pagamentos de abril de 2012. Para fazer prova de seu direito, estabelece a diferença entre o valor total a recolher segundo a metodologia anterior e a nova metodologia de cálculo, evidenciando o ganho obtido com a nova metodologia. Apresenta o "valor a compensar na SEFIP" de R$ 3.966.794,68, que seria a diferença entre o cálculo da GFIP folha não TI R$ 191.286,29 e o valor total a recolher (metodologia do cálculo anterior) R$ 4.158.080,98 (fls 3051/3053). Ocorre porém, que não é apresentada qualquer comprovação de que teria sido efetivamente pago o valor de R$ 4.158.080,98. Planilhas não são suficientes para fazer prova do direito à crédito decorrente de pagamento indevido, é necessária a comprovação de que esse pagamento efetivamente se realizou, ônus de que não se desincumbiu a recorrente. Portanto, concluise que as compensações efetuadas pela recorrente apresentaram vícios de duas ordens: não se demonstrou a origem do direito de crédito, vício de ordem material; não foi adotado o procedimento estabelecido pela legislação de regência, que condiciona o exercício do direito à retificação da declaração onde teria havido o pagamento indevido, vício de ordem formal. Fl. 3108DF CARF MF 18 Com base nisso, nego provimento ao recurso voluntário em relação às glosas de compensação. Fator Acidentário de Prevenção debcad 51.053.9815 A empresa foi intimada a esclarecer as razões por que teria adotado o FAP de 1,0, ao invés de 1,7203 em 2010 e 1,3738 em 2011, que seriam os publicados pelo Ministério da Previdência Social. Alegou ter contestado esses índices, contudo a fiscalização verificou que a matéria já havia sido decidida em sede própria. Não tendo a contribuinte apresentado qualquer outra justificativa, o relatório fiscal assim descreve o fato gerador e a base de cálculo utilizados: 4.3.1. O FATO GERADOR E A BASE DE CÁLCULO Constitui fato gerador da obrigação previdenciária, em relação à empresa, a prestação de serviços remunerados pelos segurados empregados. A base de cálculo da contribuição em questão é o total das remunerações informadas nas GFIP/SEFIP. 0 valor da contribuição no presente lançamento é a diferença entre a contribuição para financiar os benefícios previdenciários decorrentes do grau de incidência de incapacidade declarada pela Empresa nas GFIP / SEFIP Informações à Previdência Social e o valor apurado com a aplicação das alíquotas corretas para o RAT e FAP. A apuração da contribuição e encontrase discriminada na planilha ANEXO II RAT AJUSTADO.pdf que se encontra digitalizado e gravado na mídia que acompanha o presente Auto de Infração. O anexo II com o cálculo do SAT/GILRAT ajustado pelo FAP está juntado às fls 2867 e ss. Quanto a essa matéria, a recorrente apresenta uma explicação da metodologia adotada para a obtenção dos índices, contudo aponta que ela possui diversos equívocos e obscuridades que maculariam o seu cálculo. Nesse caso, aponta a falta de publicidade dos dados que compuseram a base de cálculo do FAP, a inclusão indevida de empregados na lista de eventos "registro de acidentes do trabalho" e a inclusão indevida de acidentes ocorridos fora da jornada de trabalho. Com base nesses argumentos, afirma que a fórmula de aplicação empreendida pela Previdência Social seria arbitrária, ilegal e inconstitucional, bem como que a metodologia seria injusta e cruel. Por fim, afirma ser "inconcebível a manutenção do valor do FAP atribuído à CTIS, apurado no processamento do FAP 2009, impondose um imediato recálculo que resultará, insofismavelmente, na redução da alíquota". Vêse, assim, que a recorrente não contesta nem o fato gerador, nem a base de cálculo utilizados pela fiscalização, direcionando sua irresignação ao valor do FAP que lhe foi atribuído. Fl. 3109DF CARF MF Processo nº 10166.728119/201415 Acórdão n.º 2201003.627 S2C2T1 Fl. 3.101 19 Ocorre que, de acordo com o art. 202B do Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048, de 1999), o FAP poderá ser discutido perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, no prazo de trinta dias da sua divulgação oficial. O parágrafo segundo desse artigo, por outro lado, determina que a decisão da Secretaria de Políticas de Previdência Social, instância revisora dessa discussão administrativa, tem caráter terminativo. Portanto, a matéria em relação a qual a recorrente se debate está fora do âmbito de competência deste CARF. Rejeito. Contribuição Previdenciária sobre RPA Recibos de Pagamentos a Autônomos debcad 51.053.9823 e debcad 51.053.9831 Em relação a esse tópico, a recorrente alega que todos os RPA foram devidamente incluídos nas GFIP respectivas e que o lançamento é fruto de equívoco no levantamento fiscal: O confronto é simples, basta cotejar a Relação de Autônomos com as GFIP para se chegar a tal conclusão, ou seja, não sobra nenhum RPA fora da GFIP. Para permitir tal confronto junta à presente, tanto a relação de autônomos já fornecida à autoridade lançadora como as cópias das GFIP (DOC. 8), por onde se permitirá jogar uma "pádecal" sobre o odioso lançamento ilícito. Ocorre que a listagem com as RPA apresentadas pelo relatório fiscal contém pagamentos do período compreendido entre 31/01/2010 e 31/12/2010, e a GFIP mencionada pela recorrente como DOC. 8, que está a fls 1751/1772, é da competência 09/2011. Neste caso, resta prejudicada qualquer análise quanto ao alegado pela recorrente em relação aos debcad 51.053.9823 e 51.053.9831, inclusive porque não nega a existência dos pagamentos a esse título. Por outro lado, no que diz respeito ao créditos constantes do debcad 51.053.9831, que diz respeito aos valores presumidamente retidos de contribuições previdenciárias nos pagamentos feitos a autônomos, caberia a ela demonstrar o equívoco que atribui à fiscalização ao considerar que cada pagamento foi feito a um segurado, ônus de que também não se desimcumbiu. Nego provimento ao recurso também quanto aos debcad 51.053.9823 e 51.053.9831. Multas administrativas AIOA Debcad 51.053.9777 Este auto de infração foi motivado pelo fato de a empresa não ter incluído em sua folha de pagamentos as remunerações dos segurados contribuintes individuais que deram origem aos AIOP debcad 51.053.9823 e 51.053.9831. Fl. 3110DF CARF MF 20 A base normativa é o art. 283, I, do Decreto nº 3.048, de 1999, e a multa foi aplicada em seu valor mínimo. Neste caso, a recorrente admite que não incluiu essas remunerações na folha de pagamentos. Debatese, entretanto, com o que está previsto em lei: a determinação de que inclua na folha de pagamentos a remuneração de todos os segurados a seu serviço e a previsão de multa específica para a falta de observância da conduta determinada. Como não cabe a este Conselho deixar de aplicar a legislação que está em vigor, nego provimento ao recurso quanto a essa matéria. AIOA Debcad 51.053.9785 Este lançamento também é decorrente dos pagamentos feitos a autônomos e se justifica no fato de a empresa ter registrado na mesma conta contábil (3.1.3.02.13) tanto os pagamentos por serviços prestados por pessoas jurídicas como pagamentos a pessoas físicas, segurados da previdência oficial. A base normativa é o art. 283, II, 'a', do Decreto nº 3.048, de 1999, e a multa foi aplicada em seu valor mínimo. Em relação a essa matéria, apesar dos protestos da consulente, restou consubstanciado que parte dos pagamentos realizados a pessoas físicas não contavam com a discriminação exigida por lei, estando misturados a pagamentos de outra natureza. Esta conduta rende ensejo a multa que foi corretamente aplicada. Nego provimento ao recurso quanto a essa matéria. AIOA Debcad 51.053.9793 Em relação a essa multa, que tem por fundamento o fato de a empresa ter deixado de arrecadar mediante desconto a contribuição do segurado, a recorrente alega que sua improcedência foi demonstrada em relação ao debcad 51.053.5831, onde estaria comprovada sua escorreita forma de proceder. Apesar dessa alegação, a recorrente não logrou demonstrar ter realizado os descontos determinados por lei nem sua escorreita forma de proceder. Nego provimento ao recurso quanto a essa matéria. AIOA Debcad 51.071.0115 De acordo com o relatório fiscal, o contribuinte não prestou as seguintes informações e esclarecimentos (item 5.4): Nome, Nit, PIS/Pasep dos prestadores de serviços identificados na contabilidade e omitidos nas folhas de pagamento e GFIP/SEFIP; Folhas de pagamento, no formato que permita o relacionamento dos segurados, verbas e fatos geradores com as compensações efetuadas; Memória de cálculo das compensações efetuadas. Essas omissões, prossegue o relatório, prejudicam a identificação dos segurados e impedem o correto exame dos fatos geradores e dos cálculos efetuados para as compensações. Fl. 3111DF CARF MF Processo nº 10166.728119/201415 Acórdão n.º 2201003.627 S2C2T1 Fl. 3.102 21 A base normativa é o art. 283, II, 'b', do Decreto nº 3.048, de 1999, e a multa foi aplicada em seu valor mínimo. Quanto a essa matéria, alega a recorrente que o debcad não especifica quais informações foram deixadas de prestar. Essa afirmação não é verdadeira, conforme se verificou linhas acima. Além disso, a ausência de informações por parte da recorrente é matéria que foi tratada tanto na análise das glosas à compensação quanto na análise do lançamento relativo aos pagamentos feitos a contribuintes individuais. Nego provimento ao recurso também quanto a essa matéria. Do não cabimento da multa de 75% Após transcrever o art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, a recorrente alega a impossibilidade de aplicação da multa de 75%, pois, no caso concreto, se estaria diante de mera inadimplência. A alegação é genérica e não discrimina a quais lançamentos está se referindo. Em que pese isso, devese registrar que ao adotar um percentual menor que o devido a título de FAP, a recorrente fez declaração parcial do valor devido. Logo, em relação à diferença verificada, houve efetivamente omissão na declaração, que foi corrigida pelo lançamento fiscal. O mesmo vale para os pagamentos efetuados a contribuintes individuais e não declarados em GFIP. Portanto, não é correta sua alegação de que o processo em questão trata de mera inadimplência, havendo efetivamente falta de declaração ou declaração inexata. Nego provimento ao recurso quanto a essa matéria. Da multa isolada repercussão geral caráter confiscatório e da impossibilidade de se exigir juros relativos ao período de análise das compensações Quanto a essas alegações, que buscam combater a multa isolada, baseada em norma válida e em vigor, invocase a aplicação do seguinte enunciado da Súmula CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, não existe mais previsão de sobrestamento do processo em face do mero reconhecimento da repercussão geral. Quanto à cobrança de juros moratórios e a aplicabilidade do código civil como razão para deixar de cobrálo, é preciso lembrar que este código é uma norma geral que se destina a regular as relações de natureza privada. Não se sobrepõe, por isso, à legislação tributária, que tem natureza específica e regula relações que envolvem normas de direito público. Fl. 3112DF CARF MF 22 Nego provimento ao recurso quanto a essa matéria. Pedido de Diligência A diligência consiste em meio de prova, necessário quando o julgador não dispõe de todos os elementos necessários à compreensão dos fatos controvertidos no processo. Não se presta, entretanto, a suprir omissões do sujeito passivo quanto ao seu ônus em demonstrar a origem e existência do direito alegado. Não se vislumbra, na hipótese em questão, matéria a ser tratada através de diligência. Nego provimento. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, rejeitando as preliminares, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 3113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.901239/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO
Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.467
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente COMERCIAL PARISENTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu não homologála em razão de que o valor recolhido via DARF, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 12 39 /2 01 1- 91 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10925.901239/201191 Acórdão n.º 3301003.467 S3C3T1 Fl. 3 2 indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual defende, inicialmente, que os débitos exigidos não compensados devem ficar com a exigibilidade suspensa em razão da apresentação da manifestação de inconformidade. Quanto ao mérito, a contribuinte alega, em síntese, que apurou créditos, passíveis de compensação, oriundos do recolhimento indevido de tributos, uma vez reconhecido seu direito de recolher as contribuições – PIS e Cofins – nos moldes previstos no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.865. O fundamento adotado foi o de que, quando a compensação declarada pelo sujeito passivo está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que alega o seguinte: a) que o débito, cuja compensação não foi homologada, deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão da apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Consituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à alegação mencionada na letra "c", cumpre destacar que o débito, cuja compensação não foi homologada, está sendo cobrado, acrescido de multa de mora de 20% e não de multa de ofício de 150%, além de juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.444, de Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10925.901239/201191 Acórdão n.º 3301003.467 S3C3T1 Fl. 4 3 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.901334/201276, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.444): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada por meio de DCOMP, em razão de o alegado pagamento a maior não constar nos registros da Receita Federal do Brasil (RFB). Nos autos, encontramse a DCOMP, o Despacho Decisório e extratos da RFB, contendo detalhamento da compensação e histórico da transmissão da DCOMP. Não há cópias de Declarações de Débitos e Créditos Federais Tributários Federais (DCTF). Na manifestação de inconformidade, a Recorrente informou que efetuara pagamentos a maior e apresentou as bases legais que dariam suporte à compensação. Nada dispôs sobre a DCTF original, na qual teria sido incluído o DARF indicado na DCOMP como fonte do crédito (pagamento a maior), e tampouco se fora retificada. Também não carreou aos autos cópias de DCTF. A DRJ (fls. 37 a 40) ratificou o Despacho Decisório, sob a alegação de que na data da protocolização da DCOMP, a DCTF que constava no banco de dados da RFB não indicava a existência de crédito, consistente em pagamento a maior de tributo. E que uma DCTF retificadora somente pode suportar uma compensação, cuja DCOMP tenha sido apresentada na mesma data ou posteriormente. No recurso voluntário, foram apresentados os seguintes argumentos para sustentar a compensação: a) que o débito cuja compensação não foi homologada deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão de apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Constituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à letra "a", nada há que se falar, pois nenhuma controvérsia há sobre a questão: o inc. III do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (Código tributário Nacional CTN) dispõe que a apresentação de recurso, nos termos das normas que regulam o processo administrativo, suspende a exigibilidade do crédito tributário. O disposto na letra "c" também não merece comentários, haja vista que não houve lançamento de ofício e, por conseguinte, multa dele derivada. O débito originalmente compensado com o crédito não comprovado está sendo cobrado com o acréscimo de multa de mora de 20% e juros Selic. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10925.901239/201191 Acórdão n.º 3301003.467 S3C3T1 Fl. 5 4 Finalmente, sobre o tema central, a adequação ou não da compensação realizada, parcialmente tratada pela Recorrente na letra "b", voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Não resta dúvida acerca da possibilidade legal defendida pela Recorrente de compensar tributos pagos a maior com débitos tributários. Também não me oporia a legitimar a compensação pretendida, pelo simples fato de que a DCTF retificadora, com indicação do pagamento a maior, tivesse sido apresentada após a protocolização da DCOMP, desde que restasse comprovado que o crédito tributário já existia à época da liquidação do débito tributário. Com efeito, regra geral, a compensação é possível até mesmo se o crédito tiver surgido após o vencimento do débito, desde que a este sejam acrescidos os devidos encargos moratórios. Porém, no caso em tela, não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Temos apenas as alegações da Recorrente de que retificara a DCTF e que detinha o crédito. Alegações, contudo, desacompanhadas das devidas comprovações. Desta forma, não me resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 66DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.000348/2005-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE. PREVISÃO LEGAL.
É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada DIF Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº. 2.158-35/2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001.
VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE.
Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001.
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-004.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, cabendo à Unidade de Origem verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº. 2.15835/2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, resultando AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 03 48 /2 00 5- 72 Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10930.000348/200572 Acórdão n.º 9303004.948 CSRFT3 Fl. 359 2 na manutenção de multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, cabendo à Unidade de Origem verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 330201.487, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, o qual deu provimento ao Recurso da Contribuinte, para cancelar o lançamento em face do erro no fundamento da multa aplicada relativo ao atraso na entrega da DIF Papel Imune. O acórdão recorrido entendeu que, antes da edição da MP 451/2008, aplicavase a multa do art. 507 do RIPI/2002 e não a prevista no art. 505, também do RIPI, como foi o caso dos autos. Transcrevo a ementa do referido acórdão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 DIF PAPEL IMUNE. . Antes da edição da Medida Provisória nº 451/2008, a falta de apresentação de DIF Papel Imune no prazo estabelecido na legislação enseja a aplicação da multa prevista no art. 507 do RIPI/2002. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O auto de infração eivado de vício material deve ser considerado nulo. NOTIFICAÇÃO DOS JULGAMENTOS DO CARF. CIÊNCIA PESSOAL DO INTERESSADO. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10930.000348/200572 Acórdão n.º 9303004.948 CSRFT3 Fl. 360 3 Não há previsão legal para ciência pessoal dos julgamentos do CARF. O conhecimento dáse pela publicação no Diário Oficial da União. Recurso Voluntário Provido. Irresignada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs o presente Recurso, sustentando que o descumprimento de obrigações acessórias enseja a aplicação da multa prevista no art. 505 do RIPI/02, com fundamento legal no art. 57, I, da Medida Provisória 2.15835/2001. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade às fls. 316 a 318. O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões às fls. 334 a 348. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF (despacho de admissibilidade às fls. 316 a 318). A recorrente alega divergência em relação à imposição da multa de ofício pelo atraso na entrega da declaração DIFPapel Imune, apresentando como paradigmas os Acórdãos 20403.437 e 20218.446. Enquanto o acórdão recorrido entendeu que, antes da edição da MP 451/2008, aplicavase a multa do art. 507 do RIPI/2002 e não a prevista no art. 505, também do RIPI, o paradigma decidiu de forma diversa: a não apresentação, ou a apresentação da DIF Papel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração sujeitaria o contribuinte à imposição da multa prevista no art. 57 da MP n° 2.15835, ou seja, àquela penalidade prevista no art. 505 do RIPI/2002. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendidos os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da multa de ofício pelo atraso na entrega da declaração DIFPapel Imune. No presente processo o sujeito passivo foi autuado pelo descumprimento de obrigação acessória, correspondente à apresentação de DIFPapel Imune. Verificada a omissão, a fiscalização calculou a multa aplicável em função do número de meses de atraso de cada declaração, conforme determina o art. 57, inciso I, da MP 2.15835/2001 c/c art. 16 da Lei nº 9.779/99. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10930.000348/200572 Acórdão n.º 9303004.948 CSRFT3 Fl. 361 4 Não há que se falar em erro material no lançamento efetuado. O Auto de Infração utilizou como fundamento legal o art. 57, I, da Medida Provisória nº 2.15835/2001 (art. 505 do RIPI/2002), combinado com o art. 16 da Lei n° 9.779/98 (art. 212 do RIPI/02). Também não há a especificidade alegada pelo acórdão a quo do art. 368, que prevaleceria sobre a legislação que alcança toda e qualquer obrigação acessória. O referido artigo regulamentar não dispõe especificamente sobre a obrigação de apresentação de DIF Papel Imune no prazo legal, mas apenas de informações adicionais, não havendo, assim, que se falar em prevalência da norma especial sobre a norma geral. Concluise, portanto, pela inexistência de qualquer erro material no lançamento efetuado. A matéria já é bastante conhecida nesta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, inclusive com um voto de minha lavra (Acórdão nº 9303003.399), no sentido de aplicar o instituto da retroatividade benigna com redução da multa, nos moldes do art. 1º, § 4º, inciso II, da Lei 11.945/09. A presente controvérsia deve ser analisada sob o ponto da legalidade dos atos normativos e por consequência da multa aplicada. Transcrevese abaixo a fundamentação legal que ampara a autuação perpetrada: Lei nº 9.779, de 19/01/1999 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Medida Provisória 2.15835/2001 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Instrução Normativa/SRF nº 71, de 24/08/2001 Art. 1° Os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10930.000348/200572 Acórdão n.º 9303004.948 CSRFT3 Fl. 362 5 periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1° do Decretolei n° 1.593, de 21 de dezembro de 1977, não podendo promover o despacho aduaneiro, a aquisição, a utilização ou a comercialização do referido papel sem prévia satisfação dessa exigência. (...) Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. (...) Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 34, de 27 de julho de 2001. Instrução Normativa/SRF nº 159, de 15/05/2002 Art. 2° A apresentação da DIF Papel Imune deverá ser realizada pelo estabelecimento matriz, contendo as informações referentes a todos os estabelecimentos da pessoa jurídica que operarem com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. Parágrafo único. A apresentação da DIF Papel Imune é obrigatória, independente de ter havido ou não operação com papel imune no período. (grifei) Portanto, se a contribuinte adquire e utiliza o papel imune, ela estaria obrigada a apresentar as informações solicitadas pela Receita ao amparo do disposto no art. 16 da Lei nº 9.779/99, acima transcrito. Descumprindo esta obrigatoriedade, estaria sujeita à aplicação da multa prevista no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. Confirmase, assim, que a multa aplicada possui todo um arcabouço legal a lhe dar fundamento de validade. Discussões a respeito de eventuais inconstitucionalidades dos dispositivos legais acima citados, como pede o contribuinte, não são permitidas a este corte de julgamento, a teor do que dispõe a súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No entanto, a Lei nº 11.945/2009 trouxe substancial alteração na legislação pertinente ao Registro Especial referente ao controle das operações realizadas com papel imune. Dispõe o seu art. 1º: Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10930.000348/200572 Acórdão n.º 9303004.948 CSRFT3 Fl. 363 6 que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1º A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2º O disposto no § 1º deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2º do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2º do art. 2º e no § 15 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4º deste artigo será reduzida à metade. A nova legislação alterou a sistemática de aplicação da penalidade, afastando a imposição da penalidade aplicada por mês calendário de atraso, como previa o art. 57 da MP nº 2.15835/2001, passando a cominar multa única no caso de falta de apresentação da DIF Papel Imune no prazo estabelecido. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10930.000348/200572 Acórdão n.º 9303004.948 CSRFT3 Fl. 364 7 O art. 1º da Lei nº 11.945, de 4/6/2009, produziu efeitos a partir de 16/12/2008. No entanto, tendo em vista que o presente processo encontrase pendente de julgamento, há que se considerar a norma benigna prevista no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), que, ao tratar da aplicação da legislação tributária, dispõe, verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIFs Papel Imune não apresentadas no prazo legal, cabendo à unidade preparadora verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 364DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.901054/2013-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2008 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 54 /2 01 3- 96 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901054/201396 Acórdão n.º 1302002.208 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901054/201396 Acórdão n.º 1302002.208 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901054/201396 Acórdão n.º 1302002.208 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.721879/2015-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 2202-003.984
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso, por intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso, por intempestividade. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 18 79 /2 01 5- 71 Fl. 84DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Notificação de Lançamento (fls. 27 a 34) para exigir da contribuinte, ora Recorrente, o crédito tributário de R$ 31.118,25, relativo ao IRPF Suplementar (anocalendário 2013), multa de ofício (75%) e juros de mora. As infrações descritas na Notificação de Lançamento (fls. 29/31) referemse à: a) Omissão de Rendimentos de Aluguéis ou Royalties recebidos de Pessoa Jurídica.no valor de R$ 5.600,00, uma vez que a"contribuinte devidamente intimada TIF nº 2014/346966791686108 deixou de apresentar os contrato(s) de propriedade (s) do bem locado em conjunto ou condomínio, conforme solicitação no TIF mencionado; b) Omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 207.397,09, uma vez que "Laudo Pericial emitido pela Sec. Est. Saúde CSS CAIS Prof. Cantídio, no qual (sic) não contém todos os quesitos exigidos pela legislação, pois não consta a matrícula do médico que assinou o laudo junto ao Serv. Méd. Oficial. Ademais o laudo não está devidamente fundamentado conforme item 1 do próprio laudo. Também não apresentou a comprovação da condição de aposentado, pensionista do INSS; c) Compensação indevida de CarnêLeão no valor de R$ 1.800,00, "contribuinte apresentou DARF´s de recolhimento no código 0246, totalizando o valor de R$ 5.400,00. Glosado o valor de R$ 1.800,00, por falta de comprovação. A contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/8, na qual alega que o laudo não possui as deficiência formais apontadas pela autoridade lançadora e que encontrase devidamente fundamentado podendo concluir ser possuidora da paralisia irreversível e incapacitante. Em relação à afirmação de que não comprovou a condição de pensionista juntou ao processo a certidão do INSS, na qual é possível constatar que começou a receber o benefício em 16/11/2011. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Recife (PE) negou provimento à impugnação, em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEL. GLOSA DE CARNÊ LEÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Consequentemente, tornase definitiva no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Somente são isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, assim como suas complementações, percebidos por portador de moléstia grave definida em lei, desde que comprovada Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10825.721879/201571 Acórdão n.º 2202003.984 S2C2T2 Fl. 85 3 mediante laudo pericial revestido de todos os requisitos exigidos pela legislação e emitido por serviço médico oficial. Cientificada da decisão acima transcrita (AR 57) a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 60/66, no qual reitera ser a moléstia irreversível e incapacitante fazendo jus a isenção do Imposto de Renda. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora De acordo com o art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. Conforme se verifica pela Notificação de Lançamento (fls. 9) o endereço do Recorrente junto a Receita Federal do Brasil é Av. Afonso José Ayello Rua Americo Orland 8200, casa C 6, CEP 17.018902, Bauru, SP. A contribuinte foi intimada da decisão recorrida do dia 03 de dezembro de 2015, conforme atesta Aviso de Recebimento (fls. 57). O Recurso Voluntário de fls. 60/66 foi protocolado dia 12 de janeiro de 2016, transcorridos, assim, mais de 30 dias contados do Aviso de recebimento. É importante ressaltar que a contribuinte não apresentou qualquer preliminar no sentido de contestar ou justificar a intempestividade do Recurso. Em face do exposto, não conheço do Recurso Voluntário em razão de sua intempestividade. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 86DF CARF MF 4 Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.005558/2005-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ÁREA DE RESERVA LEGAL. REQUISITOS PARA NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL E COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE CONTROLE AMBIENTAL.
A interpretação sistêmica da legislação tributária e ambiental, determina que a fruição do benefício fiscal da não incidência do ITR sobre área de reserva legal exige não só a averbação de tal área no registro do imóvel competente como também a informação de tal condição para o órgão de controle ambiental competente, a partir do exercício de 2001.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. REQUISITOS PARA NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE CONTROLE AMBIENTAL.
A interpretação sistêmica da legislação tributária e ambiental, determina que a fruição do benefício fiscal da não incidência do ITR sobre área de preservação permanente exige a informação de tal condição para o órgão de controle ambiental competente. Havendo comprovação de prévia e expressa autorização do órgão competente para tal destinação da área. é despiciendo a existência do ADA para gozo do benefício tributário., a partir do exercício de 2001.
Numero da decisão: 2201-003.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski e Marcelo Milton da Silva Risso.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 ÁREA DE RESERVA LEGAL. REQUISITOS PARA NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL E COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE CONTROLE AMBIENTAL. A interpretação sistêmica da legislação tributária e ambiental, determina que a fruição do benefício fiscal da não incidência do ITR sobre área de reserva legal exige não só a averbação de tal área no registro do imóvel competente como também a informação de tal condição para o órgão de controle ambiental competente, a partir do exercício de 2001. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. REQUISITOS PARA NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE CONTROLE AMBIENTAL. A interpretação sistêmica da legislação tributária e ambiental, determina que a fruição do benefício fiscal da não incidência do ITR sobre área de preservação permanente exige a informação de tal condição para o órgão de controle ambiental competente. Havendo comprovação de prévia e expressa autorização do órgão competente para tal destinação da área. é despiciendo a existência do ADA para gozo do benefício tributário., a partir do exercício de 2001.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski e Marcelo Milton da Silva Risso. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREA DE RESERVA LEGAL. REQUISITOS PARA NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL E COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE CONTROLE AMBIENTAL. A interpretação sistêmica da legislação tributária e ambiental, determina que a fruição do benefício fiscal da não incidência do ITR sobre área de reserva legal exige não só a averbação de tal área no registro do imóvel competente como também a informação de tal condição para o órgão de controle ambiental competente, a partir do exercício de 2001. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. REQUISITOS PARA NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE CONTROLE AMBIENTAL. A interpretação sistêmica da legislação tributária e ambiental, determina que a fruição do benefício fiscal da não incidência do ITR sobre área de preservação permanente exige a informação de tal condição para o órgão de controle ambiental competente. Havendo comprovação de prévia e expressa autorização do órgão competente para tal destinação da área. é despiciendo a existência do ADA para gozo do benefício tributário., a partir do exercício de 2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski e Marcelo Milton da Silva Risso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 55 58 /2 00 5- 57 Fl. 281DF CARF MF 2 CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício interpostos contra a decisão de primeiro grau que manteve o crédito tributário constituído por meio de auto de infração (folhas 03 do processo digitalizado), referente ao imposto territorial rural suplementar lançado de ofício. Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (fls 8). Foi constituído um crédito tributário de R$ 2.675.402,43 referente ao imposto (R$ 1.078.878,31). juros de mora (R$ 787.365,39), e multa de ofício (R$ 809.158,73), atualizados até novembro de 2005. O crédito constituído referese ao fato gerador ocorrido em 01/01/2001 e se aperfeiçoou com a ciência pessoal do contribuinte em 21 de dezembro de 2005 (AR fls.95). Irresignado, o contribuinte apresenta, tempestivamente, impugnação ao lançamento (fls. 99), em 13 de janeiro de 2006. A 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS, em 24 de novembro de 2006, dá procedência parcial à impugnação apresentada, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão de Impugnação 0410.880 (fls 176). Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 Revisão de Acórdão Acórdão exarado sem conhecer da impugnação por intempestiva poderá ser revisto se, em embargos de declaração, a autoridade lançadora apontar documento que havia reaberto prazo para o interessado pagar ou contestai o lançamento. Cerceamento do Direito de Defesa A alegação de cerceamento do direito de defesa na fase do lançamento do crédito tributário é incabível, pois, o direito do contraditório é exercido quando da impugnação da autuação, momento este em que, de fato, se instaura a fase litigiosa e não quando da elaboração do Auto de Infração. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10183.005558/200557 Acórdão n.º 2201003.688 S2C2T1 Fl. 282 3 Ilegalidade/Inconstitucionalidade Em processo administrativo é defeso apreciar argüições de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade dos Atos Públicos, por tratarse de matéria reservada ao Poder Judiciário. Valor da Terra Nua VTN Se o VTN declarado foi alterado com base em elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, a possibilidade de sua revisão será, somente, com base em outro laudo técnico eficaz, onde o profissional habilitado ateste a ocorrência de erro no primeiro laudo, e não simplesmente com argumentos do próprio interessado. Área de Reserva Legal e Preservação Permanente Para ser considerada isenta a área de Reserva Legal, além de estar devidamente averbada na matrícula do imóvel, deve ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA dentro do prazo legal, que é de seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR, e tem como requisito básico a referida averbação. Da mesma forma a área de Preservação Permanente necessita do ADA para sua isenção, além do laudo específico demonstrando as áreas enquadradas nos artigos da legislação florestal. Regularização Parcial Se na impugnação forem apresentados comprovantes de regularização tempestiva, para o exercício do lançamento, de parte das áreas isentas declaradas, tais como: averbação de área de utilização limitada na matrícula do imóvel, laudo técnico atestando a existência de preservação permanente e comprovante de protocolo do Ato Declaratório Ambiental ADA, é possível reverter, parcialmente, a glosa efetuada. Lançamento Procedente em Parte" O acórdão cuja ementa reproduzimos, tem o seguinte relatório, que adoto por sua clareza e precisão (fls 179): O processo trata da exigência do pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informação inexata na Declaração do ITR —DIAC/DIAT/2001, no valor total de R$ 2.675.402,43, referente ao imóvel rural denominado: Fl. 283DF CARF MF 4 Fazenda São Jerônimo, com área total de 42.312,0 ha, com Número na Receita Federal — NIRF 1.848.7815, localizado no município de Barão de Melgaço — MT, conforme Auto de Infração de fls. 01 a 11, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 03, 06 a 09. 2. Em 28/07/2006 foi proferido, por esta Delegacia, o Acórdão n° 0410.052, fls. 155 a 161, no qual não se conheceu da impugnação por haver sido apresentada de forma intempestiva, pois, a ciência do lançamento constante do Aviso de Recebimento — AR de fl. 93 foi em 13/12/2005, data confirmada pela Autoridade Lançadora no Despacho de fl. 94, e a apresentação da impugnação ocorreu em 13/01/2006. 3. Foram apresentados embargos de declaração pela Delegacia da Receita Federal— DRF/Cuiabá/MT, considerando tempestiva a impugnação com base na cópia de outro AR juntado no processo à fl. 95, conforme o qual a interessada havia sido, novamente, cientificada do Auto de Infração em 21/12/2005. 4. Tendo em vista que a própria unidade lançadora atestou a tempestividade da impugnação, pois, havia sido reaberto o prazo para a contribuinte, fato não observado por este relator, passa se a nova análise da questão ratificando o relatório constante do Acórdão em revisão a seguir reproduzido. 5. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados, especialmente as áreas isentas de Preservação Permanente de 5.902,0 ha e de Utilização Limitada de 21.156,0 ha, bem como o Valor da Terra Nua — VTN, a interessada foi intimada a apresentar diversos documentos comprobatórios, os quais, com base na legislação pertinente, foram listados, detalhadamente, no Termo de Intimação, fls. 19 a 22. Entre os mesmos constam: Certidão ou Matrículas do Imóvel com averbação da Reserva Legal; Ato Declaratório Ambiental — ADA, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA e Laudo Técnico de Avaliação, elaborado com atendimento aos requisitos das Normas Técnicas — NBR 14.6533, da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART. 6. Em resposta, após pedir prorrogação de prazo, fls. 24 a 26, a interessada apresentou a carta de fls. 27 a 33, na qual, após comentar sobre a apresentação da DIAC/DIAT em questão e do recebimento da intimação em pauta, expôs, em resumo, entre outros assuntos, o seguinte: 6.1. O ADA para comprovação das áreas protegidas pela legislação ambiental não encontra amparo na legislação vigente, nem era, tampouco, instrumento hábil para fazêlo à época da incidência e da apuração do tributo, sendo desnecessária a apresentação do indigitado Ato Declaratório. 6.2. Ademais comprovará, através dos documentos enviados, serem absolutamente verdadeiras e fidedignas as informações na declaração do ITR no que se refere à distribuição das áreas do imóvel e de sua utilização. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10183.005558/200557 Acórdão n.º 2201003.688 S2C2T1 Fl. 283 5 6.3. Comprovado está, através de Laudo Técnico emitido por profissional e empresa idônea de notória especialização, que as áreas, cuja isenção tributaria foi exercida, referemse, de fato, aos quantitativos declarado. 6.4. Afirmando que as áreas foram declaradas conforme previsão legal, reproduz o artigo 10, da lei n° 9.393/1996. 6.5. Aprofundase na questão da existência das áreas preservadas, inclusive com excesso do declarado e cita disposições constitucionais, muito embora não esteja totalmente averbada na matrícula do imóvel na data do fato gerador e tenham sido objeto de ADA. 6.6. Afirma que a exigência do ADA é fator isolado, ilegal e inconstitucional. 6.7. Diz que não é defeso a administração tributaria exigir ou impor através de Instruções Normativas obrigatoriedades não previstas em lei. 6.8. Após outras argumentações havia finalizado sua carta requerendo a homologação do ITR e encerramento do processo de fiscalização. 7. Os documentos encaminhados com a carta foram anexados, das fls. 34 a 91, entre os quais: laudo técnico e cópia das matrículas do imóvel. ' 8. Com base na análise dos documentos apresentados, o Fiscal observou o reconhecimento da interessada de averbação de Reserva Legal na matrícula do imóvel em dimensão inferior ao declarado, 8.462,8 ha. Já o laudo atesta a existência de Preservação Permanente em dimensão superior, 6.002,7 ha e a Reserva Legal como declarada. Porém, além dessas informações desencontradas, não foi trazido o ADA e o laudo está desacompanhado de ART. 9. Assim, com essas verificações e em atenção à legislação pertinente, foi procedida a glosa das áreas isentas, modificado o VTN com base no laudo, bem como demais dados conseqüentes. As razões de fato e de direito foram registrados pelo fiscal para efetuar tais alterações. Apurado o crédito tributário em questão foi lavrado o Auto de Infração, cuja ciência à interessada, de acordo com o Aviso de Recebimento — AR de fl. 93 datado pelo destinatário, foi dada em 13/12/2005, confirmada pelo despacho de fl. 94. 10. Em 13/01/2006, a interessada apresentou impugnação, fls. 97 a 134, na qual, se alega, em síntese, o seguinte: 10.1. No item I Os Fatos, explana sucintamente desde a apresentação da declaração até o lançamento, dizendo estar, este último, eivado de vícios merecendo ser anulado. Fl. 285DF CARF MF 6 10.2. II Da tempestividade da impugnação: reproduzindo o artigo 15, do Decreto n° 70.235/1972, afirma que a impugnação está constituída conforme previsão legal. 10.3. III Da autuação apresentada: o autuante alega que, não obstante tenha a interessada apresentado os documentos solicitados comprovando as informações declaradas, não poderia prosperar a confirmação, vez que os documentos apresentados, por si sós, não eram suficiente para tal, ou seja, considerar as áreas de reserva legal e preservação permanente como não passiveis de tributação. 10.4. Aprofundase na questão de desconsideração das áreas isentas, afirmando que a autuação carece de amparo legal e que as informações prestadas pela contribuinte corresponde à mais absoluta realidade fática e física da propriedade, bem como enumera os enquadramentos efetuados pela fiscalização qualificandoos como entendimentos equivocados e incompletos e destaca que as informações comprovase em laudo técnico. 10.5. III Do mérito — Este item subdividiu da seguinte forma: 10.5.1. Preliminar — Copia definição de lançamento segundo o Dicionário Aurélio e copia o artigo 142, do Código Tributário Nacional — CTN para, com base em doutrinas e artigos constitucionais, comentar sobre a ação administrativa, da possibilidade de sua invalidade, dos princípios constitucionais como do contraditório e da ampla defesa, da ética, entre outros. 10.5.2. Fazse mister pugnar pela questão: Áreas de Reserva Legal e Preservação Permanente — Neste ponto, longa e exaustivamente em quase 16 laudas, explana a respeito da existência de fato das áreas em pauta na propriedade. Copia legislações pertinentes à matéria; artigos constitucionais; comentários doutrinários; do dever do administrados considerar áreas de Utilização Limitada e Preservação Permanente declaradas, embora não averbadas na matrícula do imóvel e apenas em parte ser objeto de ADA; sobre entendimento de tribunais a respeito da matéria; do fato de que em Mato Grosso ainda a respeito da matéria não se constitui fato decisivo; também copia acórdãos do Conselho de Contribuintes sobre o assunto em processos relativos a exercícios anteriores ao do caso em pauta, entre outras alegações, destacando a real existência na propriedade das áreas em foco. 10.5.3. Fazse mister pugnar pela redução do Grau de Utilização —Neste item, discordando do Grau de Utilização — GU de 29,7% apurado pela autoridade fiscal, argumenta, também longamente, que, embora tenha se demonstrado a existência das áreas preservadas e por mais que assim não tenham sido consideradas pela fiscalização, enquadrandoas como áreas aproveitáveis não utilizadas, com reflexo no GU, deveria, ao mínimo, terem sido consideradas como inaproveitáveis e inutilizadas. Também aqui copia legislação a respeito e faz um quadro de distribuição das áreas apurando 81,94% de GU. Conclui o item afirmando que a conduta da Receita Federal está ferindo, totalmente, o direito da contribuinte e infringindo, Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10183.005558/200557 Acórdão n.º 2201003.688 S2C2T1 Fl. 284 7 cruelmente, o ordenamento jurídico, portanto, sendo passíveis de anulação seus atos, sob pena de medida judicial cabível, entre outros assuntos. 10.5.4. Definição da alíquota — Discordando da alíquota de 20,0% aplicada comenta a respeito de sua definição e forma de apuração no ITR. Faz uma adequação com os valores por ela apurados no quadro de distribuição das áreas, especificamente o GU, e considerando o VTN demonstrado no laudo apresentado, que de passo diz estar incorreto, aplica a alíquota de 0,45%, que considera correta, e, comentando que ainda que ilegais, calcula uma diferença de imposto, com aplicação juros e multa, no valor de R$ 6.533,55. Finaliza o item afirmando ser patente que o imposto lançado também é vicioso quanto ao mérito, pelo erro verificado na apuração do quantum debeatur, sendo nulo de pleno direito. 10.5.5. Fazse mister pugnar pela questão do Valor da Terra Nua —Neste item contesta o VTN por ela mesmo apresentado com o laudo técnico. Alega que no competente laudo apresentado foi utilizado critério de pesquisa muito amplo, sem verificação da particularidade de cada imóvel. Comentando a respeito da diferença de valores entre uma outra propriedade, considerando suas localidades e produtividade requer, em síntese, que deve ser considerado o VTN declarado, uma vez que se refere ao real valor do imóvel e, pois, ao preço pago pelo mesmo. Para reforçar seus argumentos copia jurisprudência do Conselho de Contribuintes a respeito do tema. 10.5.6. Fazse mister pugnar pela não incidência dos juros e da multa —Copiando pareceres doutrinários, legislações e jurisprudência inerentes ao assunto, afirma ser injusta e ilegal a cobrança de juros e da multa, bem como não foi suspenso lançamento conforme prevê o inciso III, do artigo 151, do CTN e, em resumo, pleiteia para que \ tal cobrança comece a fluir a partir da ciência do lançamento contestado. 10.6. 1VDo requerimento — Mediante todo o exposto requer: 10.6.1. Que seja apreciado e aceito o Laudo Técnico apresentado, para fins de comprovação de áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal, por representar a real situação da propriedade. 10.6.2. Que seja desconstituído o Auto de Infração, vez que se fundamenta em quadro do uso do solo atribuído exofficio, diferente da realidade fática existente no imóvel Fazenda São Jerônimo 10.6.3. Caso não seja esse o entendimento, o que não se espera, seja efetuada a correta classificação das áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal como áreas inaproveitáveis. 10.6.4. Que seja considerado o VTN constante da DIRPJ. 10.6.5. Sejam também cancelados os lançamentos suplementares de impostos, multas, taxas, juros e outros que porventura tenham Fl. 287DF CARF MF 8 ocorrido, vez que se deram desprovidos de qualquer amparo legal, face os motivos apontados no tópico anterior. 10.6.6. A homologação pela autoridade coatora da Declaração do ITR/2001 e dos valores auto tributados a partir dela, procedendose a eventuais correções referente ao VTN e lançandose ao contribuinte, corretamente agora, as diferenças tributárias efetivamente devidas. 10.7. Finalmente, requer o encerramento e arquivamento do presente procedimento fiscalizatório, expedindose após as certidões negativas de estilo. 11. Os documentos que instruíram a impugnação constam das fls. 135 a 148, os quais são, entre outros: cópia das matrículas do imóvel; do ADA apresentado em 03/07/2000, contendo parcialmente as áreas isentas em discussão e o ART relativo ao laudo anteriormente apresentado. 12. As fls. 150 a 152 são relativas a questões de documentação de identificação da procuradora da interessada. 13. As fls 155 a 161 são o Acórdão desta DRJ e da fl. 162 os embargos de declaração. 14. É o relatório." Ciente da decisão que contrariou seus interesses, em 18 de dezembro de 2006 ( AR fls. 196), o Contribuinte apresenta recurso voluntário em 12 de janeiro de 2007 (fls. 198), do qual constam, em sua maioria, os mesmos argumentos. Em 26 de março de 2009, apreciando o apelo interposto, a 1ª Turma da 1ª Câmara da 3ª Seção deste Colegiado, resolve, sob a motivação abaixo transcrita, converter o julgamento em diligência para que (fls. 237): "Encontrase nos autos Laudo Técnico/Mapa com ART e o ADA tempestivo em fls 146 e cópias de matriculas do imóvel. Em fls. 176, há o voto que consubstancia a decisão recorrida, dispondo: "Com a impugnação, como acima já dito, foram apresentados alguns documentos passíveis de aceitação, os quais são as cópias das matrículas, o ART do elaborador do laudo e a ADA tempestivo. Entretanto, analisandoos, verificase que os dados não coincidem entre os mesmos, pois, diferentemente dos valores, já diversos dos declarados, constatados pelo fiscal, no ADA foi registrado apenas 1.382,0ha de P.Permanente e 8.007,0 há de Reserva Legal. Dessa forma, como o laudo foi regularizado com o ART e o ADA legaliza parcialmente as dimensões das áreas isentas declaradas, as mesmas serão consideradas na proporção do Ato." Dessa forma, cabe observar, que apesar da decisão ser parcialmente favorável a Recorrente, no tocante as áreas de preservação permanente e de reserva legal, tudo foi baseado no ADA que apresenta uma área total e as referidas áreas isentas Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10183.005558/200557 Acórdão n.º 2201003.688 S2C2T1 Fl. 285 9 menor do imóvel do que o declarado, matriculado e o constante do laudo/mapa aceito para fins de VTN que apresentou valor maior que o declarado. Assim, entendo que nesse grau de julgamento, a verdade material é imprescindível. Agora se faz necessário para a manutenção do lançamento tributário ou a declaração de sua insubsistência a produção de prova pelo IBAMA, da real existência de áreas a serem excluídas da tributação do ITR no imóvel do Recorrente, bem como de sua área total. Diante do exposto, deve o presente julgamento ser convertido em diligência para que seja determinado ao IBAMA a verificação do Imóvel da Recorrente, vistoriandoo para em parecer indique quais as áreas existentes de preservação permanente e de reserva legal. A Recorrente se interessar traga aos autos elementos mais convincentes ou esclarecedores sobre a sua área total e o seu VTN." (destaquei) Por meio do Ofício nº 145/2010/DITEC/SUPES/MT, de 23 de março de 2010, a Superintendência do IBAMA em Mato Grosso, responde ao ofício enviado pela SECAT/DRF em Campo Grande/MT, que visava atender a diligência determinada por este Conselho Administrativo. Reproduzo a conclusão (fls. 245): "Portanto, com base na atual redação dos Art. 16 e 19 do Código Florestal Brasileiro e na legislação ambiental vigente no estado de Mato Grosso, especialmente a que disciplina o licenciamento ambiental único e o cadastro ambiental rural, entendese que a Delegacia da Receita Federal do Brasil deve solicitar ao—declarante a apresentação da Licença Ambiental Única ou do Cadastro Ambiental Rural — CAR da propriedade rural objeto de investigação. Tais documentos possuem regramentos bem definidos na legislação estadual que conduzem à aferição das áreas de preservação permanente e de reserva legal„ bem. como de outras áreas de interesse ambiental existentes na propriedade. Persistindo dúvida, poderá a DRF/Cuiabá, em ato complementar, requerer ao declarante Laudo Técnico de profissional legalmente habilitado, com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, sobre quesitos que importem esclarecimentos." (destaquei) Sem tomar mais nenhuma providência, em 07 de abril de 2010, a Delegacia da Receita Federal em Cuiabá, por meio de despacho de folhas 257, assinado pelo Chefe do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário SECAT, entende cumprida a diligência requerida e encaminha, em devolução, o processo para este Conselho. Por sorteio eletrônico, o presente processo foi para mim distribuído, em razão do Relator originário não mais pertencer ao colegiado. É o relatório do necessário. Fl. 289DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Relator Carlos Henrique de Oliveira Preliminarmente devo apontar que o recurso de ofício não preenche condições de admissibilidade, posto que, não atinge o valor de alçada, hoje fixado em R$ 2.500.000,00 pela Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017. Considerando que tal valor deve ser aferido na data de apreciação do recurso de ofício, consoante as disposições da Súmula CARF nº 103, não conheço do recurso de ofício interposto. O recurso voluntário é tempestivo. Passo a apreciálo. Verifico que a questão controvertida cingese às áreas de reserva legal e preservação permanente. Alega a Recorrente, reprisando seus argumentos constantes da impugnação ao lançamento que, independentemente das questões formais tocantes às áreas dedicadas a reserva legal e para preservação permanente, o que importa para efeitos de tributação é a sua existência e efetivo respeito à sua destinação, verdadeira responsabilidade ambiental. Os trechos abaixo transcritos, resumem a argumentação sobre a reserva legal constante do apelo (fls. 200): "Com efeito, a Fazenda São Jerônimo possui a área de Reserva Legal recoberta de vegetação nativa, além de extensa área de Preservação Permanente (córregos, rios, etc...). Essa situação foi verificada através de laudo técnico detalhado, identificando a medição exata de todas as áreas e tipos de uso do solo da propriedade. Deste modo, inquestionável que o imóvel denominado Fazenda São Jerônimo possua uma extensa área de preservação permanente e reserva legal, muito embora não na totalidade averbada à margem da inscrição imobiliária, como restou comprovado através de Laudo Técnico detalhado. Importa destacar que especificamente no Estado do Mato Grosso, a questão da Averbação da Reserva Legal constitui fato ainda não decisivo, uma vez que há uma divergência entre a legislação estadual e a federal (Código Florestal), no tocante ao percentual mínimo exigido por lei. Diante então da inconstância da legislação, o proprietário não realizou mudanças na matrícula do imóvel, tendo, entretanto, resguardo o percentual de áreas de preservação ambiental (somadas as áreas de preservação permanente e reserva Legal), num total de 70% da totalidade de seu imóvel, vez que existentes na realidade física e fática, e com uso restrito pela legislação ambiental. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10183.005558/200557 Acórdão n.º 2201003.688 S2C2T1 Fl. 286 11 O que vemos do ADA entregue em 2000, é que se restringiu a identificar as áreas em que existia averbação na matrícula, por ser exigência e prérequisito. Porém, a realidade é que o imóvel tem no máximo um total de 20% de áreas aproveitáveis, isto é, sujeitas à exploração, sendo que, apenas não consta da matrícula e do ADA pelo fato acima relatado, qual seja, a indeterminação quanto ao percentual exigido por Lei. Em assim sendo, demasiado comprovado que existe no imóvel uma extensa área destinada à preservação ambiental, definida em lei como de Reserva Florestal Legal e Preservação Permanente, conforme atestado inclusive através de Laudo Técnico elaborado por profissional devidamente habilitado. Isto posto, temos que, a todo modo, as áreas de preservação permanente, bem como a área de Reserva Florestal Legal da Fazenda São Jerônimo, declaradas e informadas na respectiva DIAT do ITR 2001, devem ser entendida como tal e, pois, isenta de tributação." Sobre o tema, a decisão de piso assim se pronunciou (fls. 189): 44. No caso em tela, quando do atendimento da intimação, a interessada havia apresentado matrículas do imóvel contendo averbação parcial da área isenta e laudo técnico, porém, afirmou que a exigência da averbação, bem como do ADA, não encontram amparo legal para comprovação das áreas isentas, não apresentando, inclusive, o referido Ato e o laudo técnico atestando a existência da Preservação Permanente, estava desacompanhado de ART. 45. Com a impugnação, como acima já dito, foram apresentados alguns documentos passíveis de aceitação, os quais são as cópias das matrículas, o ART do elaborador do laudo e o ADA tempestivo. Entretanto, analisandoos, verificase que os dados não coincidem entre os mesmos, pois, diferentemente dos valores, já diversos dos declarados, constatados pelo fiscal, no ADA foi registrado apenas 1.382,0 ha de P. Permanente e 8.007,0 ha de Reserva Legal. Desta forma, como o laudo foi regularizado com o ART e o ADA legaliza, parcialmente, as dimensões das áreas isentas declaradas, as mesmas serão consideradas na proporção do Ato." (destaques não constam da decisão recorrida) Apreciando o Voluntário apreciado, a 1ª Turma da 1ª Câmara da 3ª Seção, ciente da divergência entre o laudo técnico apresentado e o ADA, determinou diligência para que o IBAMA responsável pela gestão ambiental e interessado na existência do Ato Declaratório, posto dele constam informações de interesse do órgão verificasse a veracidade das informações conflitantes. Recordemos a conclusão da resposta do órgão ambiental para a Delegacia da Receita Federal, reproduzida no relatório do presente acórdão e constante de folhas 254: Fl. 291DF CARF MF 12 "Portanto, com base na atual redação dos Art. 16 e 19 do Código Florestal Brasileiro e na legislação ambiental vigente no estado de Mato Grosso, especialmente a que disciplina o licenciamento ambiental único e o cadastro ambiental rural, entendese que a Delegacia da Receita Federal do Brasil deve solicitar ao—declarante a apresentação da Licença Ambiental Única ou do Cadastro Ambiental Rural — CAR da propriedade rural objeto de investigação. Tais documentos possuem regramentos bem definidos na legislação estadual que conduzem à aferição das áreas de preservação permanente e de reserva legal„ bem. como de outras áreas de interesse ambiental existentes na propriedade. Persistindo dúvida, poderá a DRF/Cuiabá, em ato complementar, requerer ao declarante Laudo Técnico de profissional legalmente habilitado, com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, sobre quesitos que importem esclarecimentos." Não obstante o total desinteresse do órgão ambiental sobre a divergência noticiada, a Delegacia da Receita Federal simplesmente devolveu o processo para este Conselho, mencionando em despacho que havia cumprido a diligência determinada. Assim sendo, e considerando que o contribuinte produziu laudo técnico, devidamente assinado por profissional habilitado e registrado no órgão de controle da atividade profissional do signatário do documento pericial, entendo ter valor probante os dados constantes de tal laudo. Não obstante o exposto, recordo que a exigência do ADA como requisito legal para fruição do benefício fiscal no cálculo do valor devido a título de ITR só surgiu com o advento da Lei nº 6.938/81, com a redação dada pela Lei 10.165/00 lei ambiental, se diga mas que de forma expressa impõe o ADA como condição para a fruição do favor tributário. "Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere ocaputdeste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." (novamente destaquei) Porém, é inegável que tal exigência só passa a existir a partir de 2001, posto que a publicação da lei se dá nos últimos dias de dezembro de 2000. Tratase de imposto cujo fato gerador se dá em 01 de janeiro de 2001. Diante dos fatos e fundamentos apresentados, entendo que as áreas constantes do laudo técnico de folhas 37, a título de reserva legal e preservação permanente devem ser Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10183.005558/200557 Acórdão n.º 2201003.688 S2C2T1 Fl. 287 13 consideradas no cálculo do ITR devido, prevalecendo, inclusive, sobre as constantes da declaração original apresentada pelo contribuinte. Logo, determino que a área de 20.763,0482 ha (constante de quadro às folhas 48) deve ser considerada como reserva legal, bem como a área de 6.002,7447 ha (fls 49) deve ser adotada como de preservação permanente. Por via de consequência, deve ajustar o cálculo do tributo devido, com o respectivo grau de utilização calculado. Recurso voluntário provido nessa parte. Quando às alegações sobre a incidência de juros e multa, não cabe razão ao contribuinte. A incidência dos juros nos créditos tributários inadimplidos decorre de Lei. Não obstante, tal tema se encontra devidamente pacificado no âmbito deste colegiado. Tanto assim o é que a Súmula CARF nº 4, expressamente dispõe: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Corroborando tal entendimento, a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no voto condutor do Acórdão 9202002003.765, de 16/02/16, explicitou a incidência dos juros de mora sobre a totalidade do crédito tributário, aí incluindose a multa de ofício: "Ao contrário do que entende o recorrente, a aplicação de juros sobre multa de ofício é devida, na medida em que a penalidade compõe o crédito apurado. De acordo com o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN é autorizada a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fazendo parte do crédito juntamente com o tributo, devem ser aplicados à multa os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Nesse sentido, já se manifestou esta Câmara, em outras oportunidades, como no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a Fl. 293DF CARF MF 14 multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10183.005558/200557 Acórdão n.º 2201003.688 S2C2T1 Fl. 288 15 "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN 2. Improvida a apelação.” Fl. 295DF CARF MF 16 (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Conforme descrito acima, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do § 3º do art. 113 do CTN, pois tanto a multa quanto o tributo compõe o crédito tributário. Esse entendimento encontra precedentes da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806 e Acórdão nº 920201.991. Destacase ainda que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG)." Por todo o exposto, nego provimento ao recurso nessa parte. CONCLUSÃO Diante dos fatos apresentados e com base nos fundamentos expostos, voto por não conhecer do recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, dele conheço para darlhe provimento parcial, determinando que se considere no lançamento as áreas de 20.763,0482 ha. como sendo de reserva legal e 6.002,7447 ha. como de preservação permanente. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 296DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.720175/2011-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.804
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente RENAUTO AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 75 /2 01 1- 95 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10120.720175/201195 Acórdão n.º 3302003.804 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.319. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10120.720175/201195 Acórdão n.º 3302003.804 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10120.720175/201195 Acórdão n.º 3302003.804 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10120.720175/201195 Acórdão n.º 3302003.804 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10120.720175/201195 Acórdão n.º 3302003.804 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 132DF CARF MF
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