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Numero do processo: 10480.910502/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/08/2005 a 30/08/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.675
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/08/2005 a 30/08/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/2005 a 30/08/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 05 02 /2 01 2- 91 Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10480.910502/201291 Acórdão n.º 3302003.675 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11049.551. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10480.910502/201291 Acórdão n.º 3302003.675 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 24/04/2015, apresentação do RV em 21/05/2015). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10480.910502/201291 Acórdão n.º 3302003.675 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 245DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722355/2011-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2006 a 31/05/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Restando comprovadas as omissões no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado, retificando a decisão levada a efeito por ocasião do primeiro julgamento em relação ao mérito da demanda.
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS EXEQUÍVEIS. EXIGIBILIDADE SUSPENSA VIA TUTELA ANTECIPADA E CERTIDÕES POSITIVAS COM EFEITO DE NEGATIVA. VALIDADE. IMPROCEDÊNCIA DAS GLOSAS PROCEDIDAS.
Uma vez demonstrado que os débitos lavrados em face da contribuinte encontravam-se com a exigibilidade suspensa, seja diante da concessão de antecipação de tutela em processo judicial próprio, bem como por da emissão de certidões positivas com efeito de negativa relativas ao período das compensações realizadas, impõe-se reconhecer a regularidade do procedimento adotado pela empresa, rechaçando, assim, as glosas procedidas pela fiscalização, decretando-se a improcedência do lançamento sob análise.
Numero da decisão: 2401-004.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para alterar o resultado do julgamento, que passa a ser "conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento".
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Larceda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2006 a 31/05/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovadas as omissões no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado, retificando a decisão levada a efeito por ocasião do primeiro julgamento em relação ao mérito da demanda. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS EXEQUÍVEIS. EXIGIBILIDADE SUSPENSA VIA TUTELA ANTECIPADA E CERTIDÕES POSITIVAS COM EFEITO DE NEGATIVA. VALIDADE. IMPROCEDÊNCIA DAS GLOSAS PROCEDIDAS. Uma vez demonstrado que os débitos lavrados em face da contribuinte encontravam-se com a exigibilidade suspensa, seja diante da concessão de antecipação de tutela em processo judicial próprio, bem como por da emissão de certidões positivas com efeito de negativa relativas ao período das compensações realizadas, impõe-se reconhecer a regularidade do procedimento adotado pela empresa, rechaçando, assim, as glosas procedidas pela fiscalização, decretando-se a improcedência do lançamento sob análise.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2006 a 31/05/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovadas as omissões no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõese o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado, retificando a decisão levada a efeito por ocasião do primeiro julgamento em relação ao mérito da demanda. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS EXEQUÍVEIS. EXIGIBILIDADE SUSPENSA VIA TUTELA ANTECIPADA E CERTIDÕES POSITIVAS COM EFEITO DE NEGATIVA. VALIDADE. IMPROCEDÊNCIA DAS GLOSAS PROCEDIDAS. Uma vez demonstrado que os débitos lavrados em face da contribuinte encontravamse com a exigibilidade suspensa, seja diante da concessão de antecipação de tutela em processo judicial próprio, bem como por da emissão de certidões positivas com efeito de negativa relativas ao período das compensações realizadas, impõese reconhecer a regularidade do procedimento adotado pela empresa, rechaçando, assim, as glosas procedidas pela fiscalização, decretandose a improcedência do lançamento sob análise. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 23 55 /2 01 1- 42 Fl. 365DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para alterar o resultado do julgamento, que passa a ser "conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento". (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Larceda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 19515.722355/201142 Acórdão n.º 2401004.724 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório SÃO PAULO TRANSPORTE S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrado autuação por infração ao artigo 32 (Obrigação Acessória), inciso IV da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, acrescentado pela Lei nº 9.528/97, de 10/12/97 e redação da Medida Provisória n.º 449, de 04/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2ª Seção de Julgamento do CARF, contra decisão de primeira instância, a egrégia 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, em 14/08/2014, por maioria de votos, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e NEGARLHE PROVIMENTO, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 2401003.660, com sua ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2006 a 31/05/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIPS SEM A INFORMAÇÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA.CABIMENTO. Em conformidade com o art. 32 da Lei 8.212/91, deve o contribuinte apresentar GFIP´s com informações de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias a seu cargo. Em deixando de fazê lo, é cabível a aplicação da multa objeto do presente Auto de Infração. Recurso Voluntário Negado." Irresignada, a Contribuinte opôs Embargos de Declaração, à efl. 328/331, com fulcro no artigo 64, inciso I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pugnando pela sua reforma em virtude da omissão a seguir exposta. Insurgese contra o Acórdão recorrido, por entender que não analisou a alegação da ocorrência de erro material cometido pela própria recorrente em sua impugnação, quando transcreveu a decisão antecipatória de tutela proferida nos autos da ação judicial 2003.61.00.0035648 e, por equívoco, não constou a NFLD 35.345.6217. Afirma que diante de tal equívoco, essa NFLD não fora considerada com a sua exigibilidade suspensa, situação que autorizaria a compensação glosada pelo Fisco. Ademais, aponta outra omissão, agora em razão do acórdão ter deixado de analisar a sua alegação no sentido de que possuía, à época das compensações, certidões positivas com efeito de negativas válidas. Vejamos trechos dos Embargos: “[...] No entanto, o acórdão deixou de se pronunciar quanto a dois aspectos fundamentais do Recurso Voluntário. O primeiro Fl. 367DF CARF MF 4 deles diz respeito à ocorrência de erro material da Recorrente na transcrição da decisão antecipatória da tutela quando da elaboração da impugnação, na qual, inadvertidamente, deixou de constar a NFLD 35.345.6217. (g.n.) Como se nota da transcrição correta da decisão, é inegável que, à época da compensação, a NFLD n° 35.345.6217 estava com a exigibilidade suspensa por força de tutela antecipada nos autos do processo n° 2003.61.00.00356482, concedida em 09/02/2004 e confirmada por sentença proferida em 16/04/2009. Vejamos:(...) Tal fato foi suscitado às fls. 977/980 do recurso voluntário, mas a autoridade julgadora não tomou conhecimento das razões expendidas, suficientes para demonstrar cabalmente que a NFLD n° 35.345.6217 estava com a exigibilidade suspensa por ocasião da compensação, não configurando, assim, violação ao art. 193, II, da IN SRP n° 3/2005. (...) O segundo aspecto não avaliado pelo acórdão recorrido diz respeito ao fato de que durante todo o período das compensações (01/2006 a 12/2007) a Recorrente fez jus à emissão de certidão positiva com efeitos de negativa, emitida nos termos do art. 206 do Código Tributário Nacional e art. 538 da IN/RFB n° 100/2003, documento que tem os mesmos efeitos da certidão negativa de débitos (fls. 974/977 do recurso voluntário). Certidão emitida em 14/11/2006, com validade até 13/05/2007 (fls. 916). Certidão emitida em 18/05/2007, com validade até 14/11/2007 (fls. 917). O acórdão baseouse na suposta condição de exigibilidade das NFLDs n° 03.593.9672 e 03.594.0174 sem considerar que durante o período em que realizadas as compensações a Recorrente estava em situação regular perante o Fisco Federal. Portanto, não se pode admitir a glosa com base em suposta violação ao art. 193, II, da IN SRP n° 3/2005. [...]” Por fim, pugna pelo recebimento e acolhimento dos presentes Embargos de Declaração, para que a Turma recorrida se pronuncie a respeito das omissões suscitadas, capaz de justificar a conclusão levada a efeito no resultado final do julgamento. Submetido à análise de admissibilidade, por parte da nobre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, esta entendeu por bem acolher o pleito da Contribuinte inscrito nos Embargos de Declaração, propondo inclusão em nova pauta de julgamento para sanear as omissões apontadas, nos termos do Despacho de efls. 360/364. Distribuídos os presentes Embargos, ad hoc, a este Relator já com Despacho de acolhimento e determinação de inclusão em pauta, consoante Despacho encimado, assim o faço. É o Relatório. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 19515.722355/201142 Acórdão n.º 2401004.724 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, por ser tempestivo e comprovadas as omissões apontadas pela contribuinte, acolho os Embargos de Declaração, pelas razões de fato e de direito a seguir esposadas. Como já devidamente lançado no Despacho que propôs o acolhimento dos presentes Embargos, constatase que, de fato, o Acórdão guerreado não enfrentou a questão relativa à data efetiva da suspensão da exigibilidade do Debcad 35.345.6217, bem como a matéria pertinente à alegação de que o contribuinte possuía, à época das compensações, certidões positivas com efeito de negativas válidas. E mais, os pontos encimados são de suma importância para julgamento da lide, não constando do bojo do Acórdão guerreado referidas menções, restando corroborada, portanto, a tese da embargante no sentido da omissão incorrida no julgado. Nesse sentido, procedem os Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte, impondo seja acolhida sua pretensão para que aludidas omissões sejam devidamente saneadas. Uma vez acolhidos os Embargos de Declaração, impõese analisar, novamente, a improcedência da glosa de compensação argüida em sede de recurso voluntário e rejeitada pelo julgado recorrido, mormente com o fito de se verificar a existência ou não da suspensão da exigibilidade e a existência da certidão. Conforme verificamos no Recurso Voluntário, quanto a suspensão da exigibilidade, o contribuinte aduz: “[...] Resta apenas controvertida a data da efetiva suspensão da exigibilidade do Debcad 35.345.6217, o que, para a autoridade recorrida, teria ocorrido somente a partir da prolação da sentença (16/04/2009) e não na ocasião da concessão da antecipação da tutela (09/02/2004), portanto, posteriormente ao período em que realizou as compensações, o que provaria a suposta situação irregular da Recorrente e a conseqüente infringência ao artigo 193, II da Instrução Normativa MPS/SRP n°. 3, de 14/07/05. A posição firmada pela autoridade julgadora está baseada em erro material. Confirase. O débito Debcad 35.345.6217 estava com a exigibilidade suspensa desde 09/02/2004, quando foi publicada a decisão que concedeu antecipação da tutela na ação anulatória, conforme se depreende da íntegra da decisão (Doc. 08), cuja cópia já foi juntada na Impugnação e que ora se anexa novamente às razões do presente recurso, assim como do que consta da correta Fl. 369DF CARF MF 6 transcrição, do seu dispositivo: (...)Como se vê, a NFLD no 35.345.6217 foi expressamente mencionada na decisão antecipatória da tutela, proferida em 09/02/2004. Acontece que a autoridade de primeira instância está se valendo de um erro da Recorrente, cometido quando da sua Impugnação ao Auto de infração que ao transcrever o dispositivo da decisão que concedeu antecipação de tutela, inadvertidamente, deixou de transcrevera NFLD 35.345.6217, que estava mencionada na decisão. [...]” (Recurso Voluntário) Por sua vez, o conteúdo do Acórdão embargado encaminhou no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, tendo em vista que, a época do pedido de compensação, o contribuinte encontravase em débito com a previdência social, ou seja, os créditos previdenciárias sob análise não se encontravam com a exigibilidade suspensa. Entretanto, não houve qualquer manifestação referente ao erro material apontado no recurso voluntário, senão vejamos: “[...] Inicialmente, no que se refere aos débitos objeto das NFLD´s DEBCAD 35.211.3537 e DEBCAD 35.345.6268, o v. acórdão de primeira instância já reconheceu que os mesmos estavam com exigibilidade suspensa à época da compensação, diante da concessão de tutela antecipada nos autos da ação judicial 2003.61.00.0035648, de modo que tais DEBCAD´s não poderiam ser considerados como óbice à compensação efetuada. Sobre o assunto aponto que a recorrente defende que da mesma forma, diante da decisão proferida na ação deveria ser considerada suspensa a exigibilidade do DEBCAD n. 35.345.6217. Sem razão no entanto. Fato é que referido DEBCAD (35.345.6217) também era objeto de contestação na ação judicial supra mencionada, mas, no entanto, a suspensão de sua exigibilidade somente veio a ser reconhecida pela justiça quando proferida a sentença de mérito, na data de 28/07/2009, e não quando proferida a decisão que antecipou a tutela e suspendeu a exigibilidade dos DEBCAD´s 35.345.6268 e 35.211.3537. Dessa forma a suspensão da exigibilidade do DEBCAD 35.345.6217 somente se deu em período posterior à compensação efetuada e glosada nos autos do presente processo, de modo que, à época da compensação efetuada, este, de fato, encontravase ativo, o que por si só, já enseja óbice à compensação ora sob análise. [...]” Percebese, então, que o Acórdão embargado não enfrentou a questão relativa à data efetiva da suspensão da exigibilidade do Debcad 35.345.6217, o que, para o Fisco, teria ocorrido somente a partir da prolação da sentença (16/04/2009) e não na ocasião da concessão da antecipação da tutela (09/02/2004). Isso ocorreu, segundo o contribuinte, em razão de um erro material na transcrição da decisão da concessão de tutela antecipada proferida nos autos da ação judicial 2003.61.00.0035648. Diante dos fatos narrados, passamos a análise da documentação acostada aos autos, de onde se extrai que o contribuinte sempre defendeu que referidos créditos previdenciários estavam com a exigibilidade suspensa por força da tutela antecipada proferida no processo n° 2003.61.00.0035648. Porém, ao transcrever essa assertiva na impugnação, se equivocou quanto ao número do Debcad, ocorrendo em erro material. Destarte, conforme se depreende do despacho às fls...., a antecipação de tutela para suspensão da exigibilidade dos Fl. 370DF CARF MF Processo nº 19515.722355/201142 Acórdão n.º 2401004.724 S2C4T1 Fl. 5 7 débitos lançados em face da contribuinte contemplou tanto o Debcad n° 35.211.3537, quanto as NFLD n° 35.345.6217 e 35.345.6268, vejamos: Como se observa, resta claro que a tutela antecipada abarcou o Debcad (NFLD) n° 35.345.6217. Assim, quanto a questão relativa à data efetiva da suspensão de sua exigibilidade, ficou claro que se deu na ocasião da concessão da antecipação da tutela (09/02/2004), saneando assim a primeira omissão sobre a não manifestação do erro material apontado no recurso voluntário. Não bastasse isso, o Acórdão embargado também não enfrentou a matéria concernente à alegação de que o contribuinte possuía, à época das compensações, certidões positivas com efeito de negativas válidas. Essa questão fora apontada no recurso voluntário da seguinte maneira: “[...] 2. Da situação regular dos débitos apontados no Auto de Infração como pendentes – Debcad’s 03.593.9672 e 03.594.0174 A constatação da precariedade desses débitos, prescritos há quase 50 anos e sem qualquer materialização processual, não poderia ser, como não foi, causa de impedimento para a expedição da CPDEN. Pelo mesmo motivo, não poderia ser causa de impedimento para a compensação dos pagamentos indevidos das contribuições previdenciárias declaradas inconstitucionais. (...)Nesse ponto, mostrase também inadmissível que as certidões positivas com efeito de negativa juntada aos autos, emitidas durante o período em que a recorrente procedeu as compensações, não sirvam como meio de prova hábil a demonstrar a situação regular da Recorrente. [...]” Consoante se infere dos documentos acostados ao processo, a contribuinte possuía, no período em que procedeu as compensações, as Certidões Positivas com Efeito de Negativa, às efls .... Dessa forma, não procede o entendimento da autoridade julgadora de primeira instância no sentido de que a contribuinte estava em débito com a previdência quando das compensações, tendo em vista que aludidas certidões positivas com efeito de negativa comprovam que, apesar de constar débitos em face da empresa, estes estavam suspensos, razão, inclusive, da natureza das certidões emitidas. Não fosse assim, inexistiria motivo para se expedir certidão positiva com efeito de negativa. Em outras palavras, a própria conclusão de tal Fl. 371DF CARF MF 8 certidão (com efeito de negativa) se presta a demonstrar os seus efeitos quanto a existência de créditos tributários, mas não passíveis de execução (exeqüíveis) , ou melhor, suspensos. Partindo das premissas acima delineadas, tendo a fiscalizada comprovado a suspensão da exigibilidade dos Debcad n° 35.211.3537 e as NFLD n° 35.345.6217 e 35.345.6268, bem como a existência de Certidão Positiva com Efeitos Negativos para os períodos em que se procederam as compensações, impõese acolher sua pretensão de maneira a rechaçar as glosas procedidas pela fiscalização. Notase dos fundamentos exarados pelo Relator do Acórdão guerreado, que fora negado provimento ao recurso voluntário por não considerar como suspensa a exigibilidade da totalidade dos lançamentos retromencionados mediante a tutela antecipada e, bem assim, não analisando a existência de certidões positivas com efeito de negativas, questões que foram omitidas do bojo do voto condutor do decisum guerreado, as quais, uma vez analisadas, saneando as omissões, demonstram a insubsistência do lançamento. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE ACOLHER OS EMBARGOS OPOSTOS PELA CONTRIBUINTE COM EFEITOS INFRINGENTES, para sanear as omissões apontadas, alterando o resultado do julgamento levado a efeito no Acórdão nº 2401 003.659, de maneira a CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 372DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.900948/2009-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2005
PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA.
O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.
A utilização do IGPM, não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.466
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CIEN COMPANHIA DE INTERCONEXÃO ENERGÉTICA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2005 PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. A utilização do IGPM, não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 09 48 /2 00 9- 12 Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 9303004.466 CSRFT3 Fl. 3 2 Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403003.480, que deu provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. Em síntese, o colegiado a quo entendeu que o preço predeterminado constante de contrato não perde sua natureza pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária com base no IGPM. Insatisfeita com a decisão acima apontada a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido, trazendo, em apertada síntese, os seguintes argumentos: · Pela própria definição e composição do IGPM, fica evidente que não se trata de “índice que reflita a variação dos custos de produção” e nem de “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”; · O reajuste estipulado no contrato não descaracteriza o preço predeterminado apenas se for equivalente ao custo da produção ou se utilizar índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1° do art. 27 da Lei 9.069/95, cabendo ao sujeito passivo trazer laudo técnico que demonstrasse os custos que ela tem, os insumos utilizados, bem como memoriais de reajustes dos preços desses bens; · Por outro lado, se o reajuste não refletir a variação dos custos e insumos, a consequência será a tributação pela regra geral, ou seja, sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS, pois não estará mais caracterizado o preço predeterminado. O apelo da Fazenda Nacional foi admitido integralmente, nos termos do despacho de exame de admissibilidade do Presidente da Câmara competente. O sujeito passivo, então, apresentou contrarrazões requerendo a negativa de provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda, reafirmando suas alegações com menções a jurisprudências de tribunais. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.452, de Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 9303004.466 CSRFT3 Fl. 4 3 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 10730.900910/200940, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.452), quanto à admissibilidade do recurso e quanto o mérito. Voto Vencido Deixase de transcrever a íntegra do voto vencido apresentado pela Conselheira Tatiana Midori Migiyama, por ter sido apresentado no Acórdão 9303004.452 (processo paradigma). Transcrevese, tãosomente, a parte relativa à admissibilidade do recurso, que foi acatada pelo Colegiado por unanimidade, e, no mérito, fragmentos do voto vencido, que resumem o entendimento adotado por parte dos integrantes do Colegiado, que votaram por negar provimento ao recurso da Fazenda: "O Recurso é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pelo conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. O que concordo com a análise feita através do Despacho de fls. 509 511 apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da 3º Seção desse Conselho em exercício à época, eis que o confronto das decisões comprova a divergência. O acórdão recorrido decidiu que a correção dos valores de contratos pelo IGPM não descaracteriza o preço prédeterminado, do que resultou manter a contribuinte no regime cumulativo das contribuições. E os arestos indicados se direcionam em sentido contrário. Passo a analisar o cerne da lide trazida em recurso especial, qual seja, se o reajuste estipulado no contrato descaracteriza o preço predeterminado, nos termos do inciso art. 27, § 1º, inciso II, da Lei 9.069/95, pois, conforme alega a Fazenda Nacional, caso não reflita a variação dos custos e insumos, o sujeito passivo deveria observar a sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS, pois não restará mais caracterizado o preço predeterminado. (...) Ademais, cabe trazer ainda que o sujeito passivo apresentou Ofício 1431/2006 – SFF/Aneel – afirmando que os índices por ela aprovados ou homologados, bem como nos contratos celebrados nos moldes dos examinados nesse processo “visam exatamente refletir as variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”. Para desconsiderar esse ofício, a autoridade fazendária deveria, de acordo com o art. 79, § 1º, do Decretolei 5.844/43, produzir contraprova demonstrando que os índices dos contratos eram superiores a esses, atestando eventual falsidade ou inexatidão desse Ofício. Ante todo o exposto, entendo que o reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95, independentemente do índice utilizado, não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Frisese tal entendimento a Solução de Consulta da 8ª Região 390 de 2006 Os reajustes de preço de venda de energia elétrica determinados ou autorizados pela ANEEL, conforme procedimento previsto em cláusula de contrato de venda de energia, os quais expressem exclusivamente a variação de custos do Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 9303004.466 CSRFT3 Fl. 5 4 gerador/vendedor, reconhecida por aquela agência, são aceitáveis para efeito do que dispõe o art. 109 da Lei 11.196/05, não descaracterizando o fornecimento a preço predeterminado." Quanto ao voto vencedor transcrevese sua íntegra, pois traz o entendimento que prevaleceu no Acórdão 9303004.452 (paradigma), e que deve ser adotado na solução deste litígio: Voto Vencedor "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, peço licença para discordar de suas conclusões. Passo à discussão da matéria, em relação a qual foi comprovada e demonstrada a divergência de interpretação da norma tributária, que se resume à questão sobre a descaracterização de preço predeterminado pela utilização do IGPM em contrato de energia elétrica, para fins de aplicação do regime cumulativo ou nãocumulativo na incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. Precedentes recentes da CSRF Observo que fui redator do voto vencedor do Acórdão de número 3301 002.196, de 25/02/2014, processo nº 16349.720019/201136, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. CONTRATOS DE LONGO PRAZO. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. IGPM. PREÇO PREDETERMINADO. CARACTERIZAÇÃO. A utilização do IGPM como índice de atualização implica em descaracterizar o contrato como sendo de preço predeterminado. Disposição expressa do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, pois o IGPM não é índice que reflete a variação dos custos de produção. Não sendo o contrato de preço predeterminado aplica se a apuração nãocumulativa da Cofins. (...) Este acórdão foi objeto de recurso especial da contribuinte, que foi provido em julgamento realizado em 24/2/2016. Eis a ementa do Acórdão nº 9303003.470, por meio do qual se reformou referida decisão: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS." Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 9303004.466 CSRFT3 Fl. 6 5 Apesar dessa decisão ter sido reformada, a razão que levou esta 3ª Turma da CSRF a proceder à reforma não se encontra presente nos autos de que ora se cuida. Naquele processo, relatado pelo então Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, encontravase Laudo Técnico que comprovava que o índice de atualização monetária, naquele caso, fora inferior ao aumento de custos. Na ocasião, foram utilizadas como razões de decidir as que constaram do voto de outro Acórdão desta Turma, o de número 9303003.373 (PAF 19515.722154/201145), de 11/12/2015, relatado pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cuja ementa ficou assim redigida: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Para comprovação da divergência jurisprudencial, o recorrente deve demonstrar que outro colegiado do CARF tenha julgado situação análoga à versada no acórdão vergastado e tenha decidido a questão de forma distinta da que decidiu o colegiado recorrido, o que é o caso sob exame. "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.(grifei) (...) No Acórdão nº 9303003.373 ficou claro que o IGPM não poderia ser aceito como índice da variação do custo da produção da energia elétrica ou do custo dos insumos empregados nessa produção. Para assim concluir, o Colegiado tratou do conceito de "preço predeterminado", reconhecendo especial importância às instruções normativas, notas técnicas e pareceres da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB e da Procuradoria Geral da Fazenda NacionalPGFN1, em detrimento de notas técnicas e resoluções da Agência Nacional de Energia ElétricaANEEL, pois, a esta compete a regulação de questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas, enquanto que à RFB e à PGFN compete o pronunciamento sobre questões tributárias. Naquele Acórdão, reconheceuse que a interpretação dada pela Administração Tributária, em especial por meio da Instrução Normativa SRF nº 658, de 2006, estava de acordo com as leis: art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995; art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. 1 IN SRF nº 658, de 4/7/2006; Nota Técnica Cosit nº 1, de 16/2/2007; Parecer PGNF/CAT nº 1.610, de 2007. Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 9303004.466 CSRFT3 Fl. 7 6 Rendome às conclusões do Ilustre Conselheiro Gílson, no voto proferido no Acórdão nº 9303003470, quando o colegiado decidiu por acatar o recurso especial do contribuinte, no sentido de que apesar de o IGPM não representar a variação das custos de produção da energia elétrica, estando comprovado nos autos que sua utilização resultou em reajuste inferior à variação desses custos, penso que não há razão para retirar do contrato a característica de "predeterminado" que exige a Lei para permanência do contribuinte no regime cumulativo. Nesse sentido transcrevo o seguinte trecho do citado acórdão: (...) Por derradeiro, gostaria de pontuar que não vejo problemas na utilização de índices propostos em contrato, como por exemplo o IGPM, para correção do preço. Contudo, se o contribuinte optasse por se manter no regime cumulativo, caberia a demonstração de que a correção pelo índice eleito levaria a um resultado igual ou menor do que o resultado do reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. (...) Porém, ao contrário daquele, no presente processo, a contribuinte não provou que o resultado da correção pelo IGPM seria igual ou menor do que obtido pelo reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos do insumos utilizados. À luz do que determina o art. 333 do Código de Processo Civil, caberia à contribuinte, e não ao Fisco, esta prova, pois é ela que está a alegar um direito, ainda mais quanto se está diante de pedido de restituição e compensação, para o quê se exige a certeza e liquidez do crédito pleiteado, conforme arts. 165 e 170 do CTN. Na linha dos precedentes mais recentes desta Câmara Superior, não vejo razões para mudar meu entendimento, expresso no voto vencedor do Acórdão nº 3301002.196, que repito a seguir: 'O voto de nosso eminente Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, na análise de mérito, foi direto ao único assunto controverso que é se a utilização do IGPM, como índice de correção dos contratos firmados pela recorrente, descaracteriza ou não estes contratos como de preços predeterminados. A sua conclusão é que a “utilização do IGPM ou de qualquer índice, como IGPDI, INPC, INCC, não retira do contrato a natureza de “preço predeterminado”, vez que esses índices expressam tão somente a variação do padrão monetário nacional, medida essa indispensável para a garantia do equilíbrio contratual”. Com todo respeito ao ilustre relator, ouso discordar de sua conclusão. Inicialmente vejamos o que dispõe o inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (Produção de efeito) (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...); Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 9303004.466 CSRFT3 Fl. 8 7 b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Ou seja, da letra clara da lei, somente poderia continuar no regime de apuração cumulativa os contratos que fossem firmados em data anterior a 31/10/2003 e que respeitasse as condições cumulativas constantes da alínea “b”, acima transcrita. No caso dos presentes autos a única controvérsia é se a aplicação do IGPM descaracterizaria a condição de terem sido firmados a preço predeterminado. Oportuno ressaltar que todas as conclusões a serem aqui estabelecidas abrangem também o PIS por força do disposto no art. 15 deste mesmo diploma legal. Posteriormente, como bem alinhavado pelo relator e pela recorrente, foi editado o art. 109 da Lei nº 11.196/2005, que assim dispôs: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. (grifei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. O dispositivo legal deixou claro que a utilização de reajuste de preços em função do custo de produção, ou de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, não descaracteriza o preço predeterminado de que trata a alínea “b” do inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Observese aqui que o dispositivo legal não fez referência a qualquer índice que reflita a variação do padrão monetário nacional como concluiu o relator e como pretende a recorrente. Poderia têlo feito mas não o fez. Deixou expressamente detalhado que o índice utilizado, para não descaracterizar o preço predeterminado, teria que ser em função do custo de produção ou que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. O IGPM, como informado pela própria recorrente em sua manifestação de inconformidade e no seu recurso voluntário, não tem esta característica. Transcrevo abaixo o item 53 da Manifestação de Inconformidade e 59 do Recurso Voluntário: “Nesse sentido, vale destacar que o IGPM é meramente um índice de correção monetária. Tratase de uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP). É medido pela FGV e registra a inflação de preços desde matérias primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais.” (grifei) Por oportuno transcrevo abaixo trecho da Nota Técnica Cosit nº 01/2007, a qual utilizo como razão de decidir, pois concordo com as suas conclusões: 27. A fim de esclarecer qualquer dúvida, fazse necessário distinguir “índices de preços setoriais” de “índices de custos setoriais”. Índice de preços setoriais reflete a inflação a que foi submetido um determinado setor. Já índice de Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 9303004.466 CSRFT3 Fl. 9 8 custos setoriais, como o próprio nome indica, reflete os custos envolvidos na atividade de um dado setor. 29. Segundo informações constantes do sítio da FGV na internet (www.fgv.br), o IGPM, principiou a ser calculado a partir de junho de 1989, por solicitação de um grupo de entidades de classe do setor financeiro, liderado pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras, em decorrência das constantes mudanças ocorridas nos indicadores da correção monetária e da inflação oficial. Esse índice originase da média ponderada do Índice de Preços por Atacado (IPAM; 60%), do Índice de Preços ao Consumidor (IPCM; 30%) e do Índice Nacional de Custos da Construção (INCCM; 10%). 30. É desnecessário apresentar maiores detalhes acerca das características do IGPM para verificar que este não se trata de “índice que reflita a variação dos custos de produção” e nem de “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados” – a sua própria denominação e a dos índices que o compõem é suficientemente elucidativa.' Em resumo, o Acórdão recorrido bem como o voto da ilustre relatora, fundamentamse no entendimento de que o conceito de "preço determinado" não exclui a possibilidade de o preço ser reajustado com base em outros índices que não os admitidos pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, em especial pelo IGPM. Entendo que nenhum dos fundamentos lançados no voto condutor do acórdão recorrido bem como no voto da ilustre relatora, afastam o entendimento exposto na seção precedente. Nestes autos e em outros que cuidam do mesmo assunto, temse reconhecido que não há um conceito técnico e determinado do que seja "preço predeterminado". Por causa disto, procurase elucidar este conceito, às vezes recorrendo a atos, normativos ou não, expedidos por agências reguladoras das atividades desempenhadas pelas contribuintes, às vezes a pareceres expedidos por órgãos incumbidos de tratar de processos de licitação e de contratos celebrados com a Administração Pública, às vezes, recorrendo aos atos expedidos pela RFB e pela PGFN. Por estarmos diante de questão tributária, os atos emanados dos órgãos competentes para tratar desta matéria devem ser os guias para a elucidação que se pretende. Resoluções ou notas técnicas da ANEEL ou mesmo pareceres e orientações normativas da AGU que tratem de preços contratados e das variações de preços admitidas na formalização dos contratos com a Administração Pública não têm primazia sobre as normas tributárias emanadas da RFB e da PGFN, órgãos competentes para tratar de matérias tributárias. Não obstante isto, para a solução da divergência jurisprudencial que se apresenta, não é necessário grande esforço hermenêutico. Não é necessário encontrar ou construir uma definição para a expressão "preço prederminado", pois para se decidir se o reajuste com base no IGPM descaracteriza a condição do preço predeterminado, basta que se analise com cuidado os dispositivos legais em discussão. Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 9303004.466 CSRFT3 Fl. 10 9 A interpretação da norma legal, disposta no art. 10, inc. XI, "b", da Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, combinada com o art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995, é suficiente para assentar que se enquadram no conceito de "preço predeterminado", para os fins de incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, nos casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, as situações em que o reajuste de preço seja em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos insumos utilizados. Admitindose que a lei não contém palavras inúteis, a existência do art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, só se justifica se, sem ele, o conceito de "preço predeterrminado" ficasse descaracterizado pelo reajuste de preços baseado no custo de produção ou na variação que refletisse a variação ponderada dos insumos utilizados. Esta variação é a mais razoável a se considerar como capaz de retratar a variação efetiva do custo do objeto contratual: é a que mais se aproxima de um índice setorial ou específico. Apesar disto, destaquese, apesar de ser a variação mais próxima de um índice setorial ou específico para os casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, foi necessária uma disposição legal específica para que este caso não descaracterizasse o "preço predeterminado". Diante disto, não se pode admitir que outro índice de reajuste de preços qualquer, que não guarde esta proximidade com o índice setorial ou específico, não descaracterize o "preço predeterminado", sem que haja disposição legal específica neste sentido. Assim, a Instrução Normativa SRF nº 650, de 2006, a Nota Técnica Cosit nº 1, de 2007, e o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 2007, limitaramse a regular o que já estava previsto em lei. Não houve modificação do conceito de "preço predeterminado" por estes atos infralegais. Conforme afirmamos acima o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, nem expressa a variação específica dos custos de sua produção. A este respeito, vejamse os seguintes excertos do voto vencedor do Acórdão nº 9303003.373, já citado acima, que aprovo e adoto neste voto: 'Para que não paire qualquer dúvida de que o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelas distribuidoras de energia, basta analisar o grupo de produtos que compõem cada um dos índices integrantes do IGPM. Nesse índice, entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas (cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarro, entre outros). Como dito anteriormente, o IGPM é composto de 3 índices, o IPAM, O IPCM e o INCCM. Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 9303004.466 CSRFT3 Fl. 11 10 O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM),que responde por 60% do IGPM, é sistematizado segundo a origem dos produtos agropecuários e industriais e segundo o estágio de processamento bens finais, bens intermediários e matériasprimas brutas. No total, são pesquisados 340 produtos, distribuídos em grupos. Veja, a seguir, a estrutura desse índice. (...) De acordo com a metodologia de cálculo da FGV para esse índice, os produtos de origem agropecuários representam 28,9738% do IPAM e o de origem industrial os outros 71,0262%, sendo que os subitens relativos às máquinas, aparelhos e materiais elétricos correspondem a minguados 1,7674% do IPAM. Partindose da premissa que outros subitens da indústria possam ser utilizados como insumos do setor elétrico eliminando os do setor alimentício, fumo, bebidas, agropecuário, eletrodoméstico, celulose, etc., que não são aplicáveis ao setor de distribuição de energia elétrica vêse que a participação dos insumos do setor elétrico no IPAM é insignificante, muito insignificante. Já em relação ao IPCM, nenhum item está diretamente relacionado a insumos utilizados pelo setor de distribuição de energia elétrica, haja vista que os produtos que compões esse índice, é específico para o consumo das famílias. A seu turno, o INCC, por óbvio, não reflete os custos do insumo do setor elétrico, haja vista que é especifico para medir a variação do setor da construção civil. Ora, mergulhandose na metodologia de cálculo do IGPM e analisando os produtos que o integra, concluise, sem a menor dúvida, que esse índice nem de longe reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção.' Quanto ao ato jurídico perfeito, protegido pela Constituição Federal de 1988, este não foi violado, uma vez que o art. 109 da Lei nº 11.196 de 2005, resguarda a possibilidade de reajuste do preço contratado, sem que isto descaracterize o preço predeterminado. E o faz, definindo o limite da variação de preço aceitável, que deve guardar correspondência com os custos dos insumos e da produção. Por outro lado, a proteção ao ato jurídico perfeito não assegura à contribuinte um direito a não ser tributada, de modo a permitirlhe que não sofra incidência tributária regularmente instituída por lei, em obediência às regras de competência e de vigência e às limitações para imposição tributária, previstas constitucionalmente. Conclusão. Por todo exposto, em especial, por entender que o reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado; que a contribuinte não comprovou que o resultado da variação pelo IGPM foi igual ou inferior ao resultado da variação em função do custo de produção ou da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que o ônus da prova recai sobre quem alega um direito, por aplicação do art. 333 Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 9303004.466 CSRFT3 Fl. 12 11 do CPC; concluo que no presente caso a Contribuição para o PIS/Pasep deve incidir no regime nãocumulativo, motivo pelo qual voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O que foi decidido aqui tem validade também para os processos da Cofins, com os mesmos fundamentos. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1248DF CARF MF
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Numero do processo: 11030.720970/2014-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
FONTE PAGADORA. FALTA DE RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE. CONTRIBUINTE.
Além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual.
INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. CARACTERIZAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO DO REAL BENEFICIÁRIO. LANÇAMENTO NA PESSOA FÍSICA.
Comprovada a interposição de pessoa jurídica utilizada indevidamente para receber honorários pela prestação de serviços advocatícios deve-se efetuar o lançamento no real beneficiário dos rendimentos, independentemente da emissão de notas e outros documentos fiscais pela interposta pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões os conselheiros Carlos Alexandre Tortato e Luciana Matos Pereira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 FONTE PAGADORA. FALTA DE RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE. CONTRIBUINTE. Além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. CARACTERIZAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO DO REAL BENEFICIÁRIO. LANÇAMENTO NA PESSOA FÍSICA. Comprovada a interposição de pessoa jurídica utilizada indevidamente para receber honorários pela prestação de serviços advocatícios deve-se efetuar o lançamento no real beneficiário dos rendimentos, independentemente da emissão de notas e outros documentos fiscais pela interposta pessoa jurídica. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-03-29T02:18:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-03-29T02:18:50Z; Last-Modified: 2017-03-29T02:18:50Z; dcterms:modified: 2017-03-29T02:18:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:23f04ac7-8c6b-46c2-bcc4-9f8a8a004fb3; Last-Save-Date: 2017-03-29T02:18:50Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-03-29T02:18:50Z; meta:save-date: 2017-03-29T02:18:50Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-03-29T02:18:50Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-03-29T02:18:50Z; created: 2017-03-29T02:18:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2017-03-29T02:18:50Z; pdf:charsPerPage: 1367; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-03-29T02:18:50Z | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 434 1 433 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.720970/201406 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.656 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOAS FÍSICAS Recorrente MAURÍCIO DAL AGNOL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010, 2011 FONTE PAGADORA. FALTA DE RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE. CONTRIBUINTE. Além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. CARACTERIZAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO DO REAL BENEFICIÁRIO. LANÇAMENTO NA PESSOA FÍSICA. Comprovada a interposição de pessoa jurídica utilizada indevidamente para receber honorários pela prestação de serviços advocatícios devese efetuar o lançamento no real beneficiário dos rendimentos, independentemente da emissão de notas e outros documentos fiscais pela interposta pessoa jurídica. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 09 70 /2 01 4- 06 Fl. 467DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, negarlhe provimento. Votou pelas conclusões os conselheiros Carlos Alexandre Tortato e Luciana Matos Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 11030.720970/201406 Acórdão n.º 2401004.656 S2C4T1 Fl. 435 3 Relatório Do Auto de Infração: (efls. 3 a 17) A autoridade fiscal constatou a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica Brasil Telecom S/A (atual Oi S/A), decorrente do trabalho sem vínculo empregatício. Tratase de honorários advocatícios, recebidos durante os anoscalendário de 2009, 2010 e 2011, por meio de interposta pessoa jurídica. O imposto apurado de R$12.031.250,00 foi exigido com a aplicação da multa qualificada de 150%, com base no disposto no art. 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007; e juros de mora em percentual equivalente à taxa SELIC, nos termos do art. 61, §3º, da Lei nº 9.430, de 1996. Do Termo de Verificação Fiscal: (efls. 18 a 43) A autoridade fiscal justificou o lançamento da seguinte forma: O contribuinte recebeu da Brasil Telecom S.A., atual Oi S.A., na condição de pessoa física no exercício de profissão autônoma, os honorários advocatícios pactuados, utilizando como interposta pessoa a empresa ANACA Análises de Cadastros Ltda., com o objetivo de ocultar rendimentos do trabalho, sujeitos à incidência do imposto sobre a renda. Obteve informações do escritório Campos & Advogados Associados S/C, prestador de serviços e representante da Brasil Telecom, nos exatos termos descritos no Termo de Verificação Fiscal, efl. 19, a seguir transcritos: "[...], Campos & Advogados Associados S/C informou, em síntese, que: 7.1. atuando como prestador de serviços da Brasil Telecom S.A. (atual Oi S.A.), CNPJ 76.535.764/000143, na defesa, em juízo, desta empresa e _ na intermediação: de acordos firmados no âmbito de processos judiciais, efetuou, em nome da empresa contratante (Brasil Telecom S.A., atual Oi S.A.), nos anoscalendário 2010 e 2011, pagamentos para o Sr. Maurício Dal Agnol e para empresas por ele indicadas;[...]" A autoridade fiscal registra sua conclusão no Termo de Verificação Fiscal às efls. 38 a 43, destacando que: "59. [...] é indubitável que o contribuinte, Sr. Maurício Dal Agnol, recebeu da Brasil Telecom S.A., atual Oi S.A., R$43.750.000,00, correspondentes a honorários advocatícios contratuais previstos na cláusula terceira do "Instrumento Particular de Transação e Outras Avenças", firmado entre eles em 21/10/2009, os quais lhe foram pagos: 59.1. em 02 (duas) parcelas de R$8.750.000,00 nos meses de novembro e dezembro de 2009 (conforme parágrafo segundo da cláusula terceira deste documento e mediante TEDs feitos pela Brasil Telecom S.A./Oi S.A. para a "ANACA" e Fl. 469DF CARF MF 4 59.2. em 06 (seis) parcelas de R$4.375.000,00 nos meses de julho, agosto, setembro e outubro de 2010 e fevereiro e março de 2011 (conforme Primeiro Aditivo ao "Instrumento Particular de Transação e Outras Avenças", de 04/07/2010, e por meio de cheques nominais à "ANACA" assinados por Campos & Advogados Associados S/C). [...] 63. As verificações fiscais efetuadas conduzem, com retidão e certeza, a estas constatações (parágrafos 59 e 62), com base nas quais se conclui que nos anoscalendário 2009 a 2011 o contribuinte, na condição de pessoa física no exercício autônomo da advocacia, omitiu, por intermédio da pessoa jurídica ANACA Análises de Cadastros Ltda., vultosos rendimentos tributáveis recebidos da Brasil Telecom S.A. (atual Oi S.A.), oriundos de seu trabalho sem vínculo empregatício." No caso da aplicação da multa qualificada de 150%, a fundamentação foi realizada nos seguintes termos, efls. 26 e 42, a saber: "[...] 45. Ficou claro que o contribuinte recebeu da Brasil Telecom S.A., atual Oi S.A., na condição de pessoa física no exercício de profissão autônoma, os honorários advocatícios pactuados, utilizando a empresa ANACA Análises de Cadastros Ltda. apenas para ocultar rendimentos do trabalho sujeitos à incidência do imposto de renda. 46. Esta conduta, de esconder o recebimento de rendimentos laborais, tributáveis, sob nota fiscal emitida por pessoa jurídica da qual é sócio sem o necessário respaldo fático isto é, sem haver atuação, prestação de serviço, desta pessoa jurídica, que gerasse o pagamento registrado nesta nota fiscal , expressa o nítido e injurídico propósito de desvirtuar o destino desta renda e de retirála do âmbito da tributação da pessoa física. [...] 84. Durante todo o período analisado o contribuinte, com a participação da Brasil Telecom S.A. / Oi S.A. (a qual aceitou efetuar, irregularmente, o pagamento dos honorários advocatícios devidos a ele para a pessoa jurídica "ANACA", em parte diretamente e em parte por meio do escritório de advocacia diligenciado Campos & Advogados Associados S/C), fez uso indevido da personalidade jurídica da ANACA Análises de Cadastros Ltda., visando a extrair relevantes rendimentos recebidos da Brasil Telecom S.A./Oi S.A., oriundos de seu trabalho sem vínculo empregatício, do âmbito de incidência do imposto de renda da pessoa física e a sonegar, pois, este tributo, alterando, para isto, elemento pessoal (sujeito passivo) da obrigação tributária. 85. Está claro que este ilícito direcionamento dos rendimentos obtidos pela pessoa física para a pessoa jurídica ocorreu com a flagrante e injurídica intenção de reduzir o tributo devido. 86. Houve, para tanto, emissão de nota fiscal inidônea em face de inexistente prestação de serviços de análises de cadastros. 87. Tal expediente configura conluio destinado ao alcance de sonegação e de fraude, na acepção legal acima transcrita: em coparticipação, o contribuinte objetivou impedir ou retardar o Fl. 470DF CARF MF Processo nº 11030.720970/201406 Acórdão n.º 2401004.656 S2C4T1 Fl. 436 5 conhecimento por parte da autoridade fazendária, das condições pessoais a que estava sujeito (como contribuinte), com práticas tendentes à modificação da característica material essencial dos fatos geradores da obrigação principal, de modo a reduzir o montante do imposto devido. 88. Portanto, para o IRPF lançado de ofício aplicouse a multa de ofício no percentual de 150%." Da Impugnação: (efls. 326 a 345) Em preliminar, suscita ilegitimidade passiva para sofrer a autuação, pois a empresa pagadora é a única responsável por eventual obrigação tributária decorrente dos pagamentos efetuados pela mesma, na forma como estipulado em contrato. Cita jurisprudência do STJ representada pelo acórdão relativo ao REsp 309.913SC, de 02/05/2002. Quanto ao mérito, aduz que os valores líquidos recebidos não são honorários advocatícios e que foram contabilizados e tributados na pessoa jurídica, não havendo agir doloso. Acrescenta ainda que: (grifos do Contribuinte) "O Fato do contrato ter sido celebrado em nome de pessoa física não desvirtua a natureza jurídica de prestação de serviços advocatícios pelos sócios da mesma, conforme demonstram cópias anexas de petições com participações dos sócios em atos processuais." Anexa petições judiciais às efls. 329 a 345. Ao final da peça impugnatória requer: a) que seja declarada a nulidade do auto de infração, constatada a ilegitimidade passiva; ou b) que seja reconhecida a nulidade do auto de infração lavrado contra a pessoa física do impugnante, uma vez que as receitas, contratualmente pactuadas, foram recebidas e devidamente contabilizadas pela pessoa jurídica. Do acórdão de impugnação: (efls. 350 a 355) A 4ª Turma da DRJ em Porto Alegre indeferiu a preliminar de nulidade e, no mérito, julgou improcedente a impugnação, prolatando o acórdão 1052.039, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010, 2011 RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA RETER NÃO AFASTA O DEVER DO CONTRIBUINTE DE OFERECER RENDIMENTOS À TRIBUTAÇÃO. Além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de Fl. 471DF CARF MF 6 renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. A emissão de notas fiscais por empresa, sem amparo nos fatos e documentos do negócio, não altera a identificação do advogado, contratado e prestador dos serviços, mesmo com utilização de terceiros, sendo ele o beneficiário desses rendimentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido." O excerto do voto condutor do acórdão de impugnação, transcrito na sequência, demonstra que ocorreu a interposição de pessoa jurídica para o recebimento de honorários advocatícios que seriam, na realidade, rendimentos da pessoa física do impugnante, afastando assim a alegação de ilegitimidade passiva, a saber: (efl. 354) "O contribuinte adquiriu a empresa Centro de Estudos Psiquiátricos e Psicanalíticos de Passo Fundo Ltda – Anaca – para receber honorários advocatícios seus. Os contratos eram em nome do contribuinte. A empresa não possui personalidade jurídica como sociedade de advogados; foi adquirida um pouco antes do pagamento dos honorários. O objeto social da empresa foi alterado, após a compra, para prestação de serviços em análise de cadastro e dados, e os pagamentos, foram de honorários advocatícios. Assim, a emissão de notas pela empresa, sem amparo nos fatos e documentos do negócio, desvirtuou o destino da renda, que era efetivamente do contribuinte. A apresentação, agora na impugnação, de contratos (participação de sócios) não altera a caracterização dos rendimentos como sendo do contribuinte, pois a participação, utilização de outros profissionais ocorre também com os advogados que exercem pessoalmente (como pessoa física) a advocacia." A autoridade julgadora reproduziu trechos do Relatório Fiscal para justificar a autuação na pessoa física com a utilização de interposta pessoa, assim como para manter a aplicação de multa qualificada, a conferir: "[...] 45. Ficou claro que o contribuinte recebeu, da Brasil Telecom S.A., atual Oi S.A., na condição de pessoa física no exercício de profissão autônoma, os honorários advocatícios pactuados, utilizando a empresa ANACA Análises de Cadastros Ltda. apenas para ocultar rendimentos do trabalho sujeitos a incidência do imposto de renda. 46. Esta conduta, de esconder o recebimento de rendimentos laborais, tributáveis, sob nota fiscal emitida por pessoa jurídica da qual é sócio sem o necessário respaldo fático isto é, sem haver atuação, prestação de serviço, desta pessoa jurídica, que gerasse o pagamento registrado nesta nota fiscal —,expressa o Fl. 472DF CARF MF Processo nº 11030.720970/201406 Acórdão n.º 2401004.656 S2C4T1 Fl. 437 7 nítido e injurídico propósito de desvirtuar o destino desta renda e de retirála do âmbito da tributação da pessoa física." O i. relator concluiu assim pela rejeição da preliminar e pela improcedência da impugnação, no que foi seguido, de forma unânime, pelo Colegiado. Do Recurso Voluntário: (efls. 361 a 372) Cientificado do acórdão de impugnação em 22/10/2014, data da ciência por decurso de prazo, efl. 359, o Contribuinte interpôs, em 04/11/2014, Recurso Voluntário, alegando em síntese: (grifos do Contribuinte) O autuado é parte ilegítima passiva para sofrer a autuação, pois a empresa pagadora é a única responsável por eventual obrigação tributária decorrente dos pagamentos efetivados pela mesma, conforme constou expressamente no contrato em que estabelecida a relação jurídica obrigacional determinante de eventual fato gerador de tributação. [...] Segundo Resp. 309.913 SC, [...] O substituto tributário do imposto de renda de pessoa física responde pelo pagamento do tributo caso não tenha feito a retenção na fonte e o recolhimento devido". [...] Desta forma, anexase comprovante de notificações da pessoa jurídica da Brasil Telecom, devedora da obrigação tributária, e requerse a impugnação do presente auto de infração e julgada procedente para determinar: a) A nulidade TOTAL do auto de infração por ser o mesmo parte ilegítima passiva, e b) A nulidade TOTAL do auto de infração por todos os valores terem sido recebidos e contabilizados pela pessoa jurídica." É o relatório. Fl. 473DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Márcio de Lacerda Martins Relator 1. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: 1.1. TEMPESTIVIDADE Cientificado do acórdão de impugnação em 22/10/2014, data da ciência por decurso de prazo, efl. 359, o Contribuinte interpôs, em 04/11/2014, Recurso Voluntário efls. 361 a 372. Assim, o recurso é tempestivo e dele conheço. 2. DO MÉRITO: O Recorrente alega ilegitimidade passiva, uma vez que os pagamentos foram realizados pela Brasil Telecom para a pessoa jurídica ANACA Análise de cadastros Ltda., conforme acordado em contrato onde foi estipulado que a Brasil Telecom seria a responsável pelo pagamento dos tributos devidos. Assim, considera que: (efl. 361) "O autuado é parte ilegítima passiva para sofrer a autuação, pois a empresa pagadora é a única responsável por eventual obrigação tributária decorrente dos pagamentos efetivados pela mesma, conforme constou expressamente no contrato em que estabelecida a relação jurídica obrigacional determinante de eventual fato gerador de tributação." Aponta a cláusula terceira do "Instrumento Particular de Transação e Outras Avenças'', de 21 /10/2009, que deixa claro a obrigação assumida pela Brasil Telecom quanto aos impostos, a saber: (efls.85 a 89) "TERCEIRA: a BRT pagará, ainda, em favor de MD, RS 50.000.000.00 (cinqüenta milhões de reais), livres de impostos, a título de honorários advocatícios. a serem levantados dos depósitos em garantia feitos nos processos listados em anexo (Anexo I). sem qualquer dedução ou compensação com as parcelas anteriores. Salvo o adiantamento do parágrafo segundo." Naturalmente o Recorrente se baseia, para justificar seu entendimento de que não lhe cabe responsabilidade sobre o imposto incidente sobre o pagamento, na expressão "livre de impostos" inserida na cláusula terceira acima transcrita. Ou, ainda ao que foi pactuado entre o Recorrente e a BRT no "Primeiro Aditivo ao Instrumento Particular de Transação e Outras Avenças", juntado às efls. 90 e 91, conforme a cláusula Segunda, reproduzida a seguir: Entretanto, a autoridade fiscal apurou, por meio de diligência, que os valores eram devidos ao Recorrente pela prestação de serviços de advocacia à Brasil Telecom S/A e que foram pagos a empresas por ele indicadas. Essa informação foi fornecida pela Campos & Fl. 474DF CARF MF Processo nº 11030.720970/201406 Acórdão n.º 2401004.656 S2C4T1 Fl. 438 9 Advogados Associados, efls. 48 e 50, conforme registrou a autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal, efl. 19, a saber: Campos & Advogados Associados S/C informou, em síntese, que: 7.1. atuando como prestador de serviços da Brasil Telecom S.A. (atual Oi S.A.), CNPJ 76.535.764/000143, na defesa, em juízo, desta empresa e na intermediação de acordos firmados no âmbito de processos judiciais, efetuou, em nome da empresa contratante (Brasil Telecom SA, atual Oi S.A.), nos anoscalendário 2010 e 2011, pagamentos para o Sr Mauricio Dal Agnol e para empresas por ele indicadas; 7.2. estes pagamentos corresponderam aos valores devidos aos autores dos processos judiciais nos quais a Brasil Telecom SA, atual Oi S.A., ocupava o pólo passivo e aos honorários sucumbenciais devidos ao contribuinte, que era advogado destes autores; Do que foi exposto, constato que não procede a alegação do Recorrente quanto à sua ilegitimidade passiva, primeiro porque os acordos pactuados entre particulares, sobre questões de responsabilidade tributária, não submetem a Fazenda Nacional e, segundo porque está comprovado que os pagamentos foram realizados ao Recorrente por serviços de advocacia e depositados, sob sua autorização na empresa ANACA Análise de cadastros Ltda. A ANACA, segundo os registros cadastrais no CNPJ, é oriunda da empresa Centro de Estudos Psiquiátricos e Psicanalíticos de Passo Fundo Ltda que, até o exercício de 2009, encontravase inativa e, com as alterações realizadas em seu quadro societário para a entrada dos novos sócios: Maurício Dal Agnol e Pablo Pacheco dos Santos. A fiscalização constatou que a ANACA não possui personalidade jurídica como sociedade de advogados; foi adquirida um pouco antes do pagamento dos honorários. O objeto social da empresa foi alterado, após a compra, para prestação de serviços em análise de cadastro e dados, e os pagamentos, foram de honorários advocatícios. Foi emitida a Nota fiscal de número 001, efl. 104, no valor de R$47.165.664,55 para a Brasil Telecom e os respectivos termos de quitação assinados pelo Recorrente. Ratifico a conclusão das autoridades autuante e julgadoras da instância de piso, que a emissão de notas pela empresa, sem amparo nos fatos e documentos do negócio, desvirtuou o destino da renda, que era efetivamente do contribuinte. Neste ponto, insiste a defesa em afirmar que nunca houve ocultação de recebimento de valores, pois todos foram contabilizados e tributados na pessoa jurídica, não havendo agir doloso. Afirma, ainda que além da obrigação tributária por parte da fonte pagadora ter sido estabelecida em contrato, dita obrigação também decorre da própria legislação que a caracteriza como responsável por substituição tributária, mesmo não sendo contribuinte e responsável direto pelo fato gerador. Cita jurisprudência do STJ representada pelo julgado proveniente do REsp 309.913 de 02/05/2002. Não assiste razão ao Recorrente. Isto porque, como afirmado pelo i. relator do acórdão de impugnação, a responsabilidade do contribuinte de oferecer os rendimentos na declaração de ajuste anual não é afastada pelo fato de não haver retenção na fonte. Esse entendimento além de estar exposto Fl. 475DF CARF MF 10 no Parecer normativo da RFB, PN nº 1, de 2002, citado no acórdão de impugnação, recebeu tratamento de súmula neste CARF a súmula nº12 que prescreve: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Noutro giro, considero relevante ressaltar que o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015 e alterações posteriores estabelece, entre outros pontos que "as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF", a conferir: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser Fl. 476DF CARF MF Processo nº 11030.720970/201406 Acórdão n.º 2401004.656 S2C4T1 Fl. 439 11 reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Não é o caso do julgado citado pelo Recorrente. Ainda, em relação às normas regimentais, destaco que as súmulas são de observância obrigatória pelos membros do CARF, conforme disposto no seu art. 72, a saber: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. 3. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, conheço do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins. Fl. 477DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.721714/2015-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PRAZO RECURSAL. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2202-003.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Relatora), Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Cecília Dutra Pillar.
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Relatora), Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Cecília Dutra Pillar.
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Relatora), Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Cecília Dutra Pillar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 17 14 /2 01 5- 08 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10825.721714/201508 Acórdão n.º 2202003.636 S2C2T2 Fl. 110 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento de IRPF (fls. 14/18), relativa ao exercício 2013, anocalendário 2012, por omissão de rendimentos recebidos de duas fontes pagadoras: Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no valor de R$ 28.738,76; e do Município de Agudos, no valor de R$ 25.820,85. Previamente, a Solicitação de Retificação de Lançamento foi analisada e indeferida pela autoridade fiscal, conforme documentos de fls. 23/61. Na impugnação (fls. 02/03) o contribuinte, trouxe os documentos de fls. 04/10 e alegou, em síntese, que os rendimentos são provenientes de "pensão" por contribuição por tempo de serviço recebidos do INSS e de complementação, decorrente de lei municipal, recebida da Prefeitura Municipal de Agudos, onde trabalhou por 37 anos; e que são rendimentos não tributáveis, uma vez que é portador de cardiopatia grave desde 07/02/2012, conforme laudos emitidos pelo hospital estadual e médico perito do INSS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo (SP) julgou improcedente a impugnação (fls. 65/73), sob o fundamento de que, embora tenha sido comprovado que os rendimentos são oriundos de aposentadoria, houve uma imprecisão na data de início da doença, se em junho/2012 (indicada em laudo particular) ou se em 07/02/2012 (indicada no parecer técnico do médico perito do INSS), bem como faltou informação sobre a necessidade de controle da doença e prazo de validade do laudo no parecer do INSS. Foi interposto o recurso voluntário de fls. 89/98, acompanhado dos documentos de fls. 99/105 e assinado por procurador da inventariante (contribuinte falecido em 03/10/2015), no qual alega, em síntese: (i) a legitimidade da inventariante; (ii) que os rendimentos são de aposentadoria, conforme comprovantes anexos; (iii) e que houve incoerência na decisão da DRJ ao não aceitar o laudo particular, por não ser oficial, e depois o considerar válido para justificar a imprecisão nas datas de início da doença; (iv) que o parecer do INSS atesta a doença prevista na Lei isentiva; (v) que a doença é de extrema gravidade, tanto que o levou à óbito, e não é passível de controle; (vi) que peregrinou por diversos médicos da rede pública e não obteve êxito para conseguir um laudo com as informações necessárias, mas que o laudo do INSS atesta o direito à isenção pleiteada, e que a falta de alguns requisitos não pode indeferir um direito claro; (vii) que conforme jurisprudência do STJ, mesmo havendo divergências entre laudos deve ser concedido o direito ao cidadão. Pede, por fim, o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10825.721714/201508 Acórdão n.º 2202003.636 S2C2T2 Fl. 111 3 De início, cumpre aferir a tempestividade do apelo apresentado pelo interessado. O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, conforme abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. (Grifouse) Nos termos do referido Decreto 70.235/1972, a contagem dos prazos é feita da seguinte forma: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No caso em tela, o contribuinte foi cientificado do acórdão da DRJ, ora recorrido, mediante a Intimação SACAT/471/2015 (fls. 74/75), em 11/12/2015, por via postal, conforme Aviso de Recebimento (AR) dos Correios às fls. 76/77. Portanto, considerando a regra de contagem prevista no art. 5º do Decreto nº 70.235/72, e que a ciência ocorreu em uma sextafeira, o interessado teria até o dia 12/01/2016 para apresentar o recurso. Contudo, o recurso voluntário foi interposto somente em 14/01/2016, (conforme protocolo às fls. 89), quando já esgotado o prazo legal de trinta dias, estabelecido no art. 33, acima transcrito. Dessa forma, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua intempestividade. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10825.721714/201508 Acórdão n.º 2202003.636 S2C2T2 Fl. 112 4 Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.901950/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
IMPOSTO DEVIDO A TÍTULO DE ESTIMATIVA. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 1402-002.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração a fim de retificar o Acórdão 1402-001.353, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de reconhecer em tese o direito ao crédito do valor devido a título de estimativa recolhido a maior e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que seja prolatado Despacho Decisório complementar - sem anulação do anterior - com apreciação do mérito do pedido, retomando-se o rito processual a partir daí.
ASSINADO DIGITALMENTE
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 IMPOSTO DEVIDO A TÍTULO DE ESTIMATIVA. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração a fim de retificar o Acórdão 1402-001.353, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de reconhecer em tese o direito ao crédito do valor devido a título de estimativa recolhido a maior e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que seja prolatado Despacho Decisório complementar - sem anulação do anterior - com apreciação do mérito do pedido, retomando-se o rito processual a partir daí. ASSINADO DIGITALMENTE Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 IMPOSTO DEVIDO A TÍTULO DE ESTIMATIVA. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração a fim de retificar o Acórdão 1402001.353, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de reconhecer em tese o direito ao crédito do valor devido a título de estimativa recolhido a maior e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que seja prolatado Despacho Decisório complementar sem anulação do anterior com apreciação do mérito do pedido, retomandose o rito processual a partir daí. ASSINADO DIGITALMENTE Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 19 50 /2 00 8- 71 Fl. 196DF CARF MF 2 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13603.901950/200871 Acórdão n.º 1402002.434 S1C4T2 Fl. 145 3 Relatório A interessada interpôs embargos de declaração contra o Acórdão 1402 001.353 quem, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário anteriormente apresentado. De acordo com a embargante, em apertada síntese, a decisão questionada teria incorrido em contradição pois manifestouse pela ausência de previsão legal para restituição de estimativa recolhida a maior, em confronto direto com a Súmula CARF nº 84 que estabelece justamente a possibilidade de restituição ou compensação quando ocorrida essa circunstância. Em despacho regimental foi reconhecida a procedência dos argumentos, eis que o entendimento exarado na decisão recorrida quanto à impossibilidade de restituição ou compensação de valores recolhidos a maior a título de estimativa pela ausência de previsão legal contraria o Enunciado da Súmula CARF nº 84. É o relatório Fl. 198DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Conforme exposto no relatório, a interessada interpôs embargos de declaração contra o Acórdão 1402001.353 quem, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário anteriormente apresentado. De acordo com a embargante, em apertada síntese, a decisão questionada teria incorrido em contradição pois manifestouse pela ausência de previsão legal para restituição de estimativa recolhida a maior, em confronto direto com a Súmula CARF nº 84 que estabelece justamente a possibilidade de restituição ou compensação quando ocorrida essa circunstância. Está correta a interessada, conforme despacho de admissibilidade. O referido despacho atesta a aplicabilidade da Súmula ao presente caso, nos seguintes termos: [...] Cabe apenas verificar se a decisão foi prolatada antes ou depois da Súmula ser editada. Isso porque, para efeito de embargos de declaração, entendo que a Súmula não poderia ser oponível a decisões prolatadas anteriormente a ela. No caso, a Súmula fui publicada no DO na edição de 14/12/2012 e o acórdão recorrido foi prolatado em 09/04/2013. Portanto, quando do julgamento do processo a Súmula já estava vigente e deveria ter sido aplicada. [...] Do exposto, voto pelo encaminhamento dos autos à Unidade Local a fim de que seja prolatado Despacho Decisório complementar, sem anulação do anterior, com análise do mérito do pedido inclusive, se for o caso, intimação à interessada para que apresente os elementos de prova do direito ao credito pleiteado e desde que esse valor não tenha sido utilizado na apuração do resultado do período. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 199DF CARF MF Processo nº 13603.901950/200871 Acórdão n.º 1402002.434 S1C4T2 Fl. 146 5 Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000124/2008-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA QUESTIONADA JUDICIALMENTE. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA N 1 DO CARF.
Conforme disposto no verbete de Súmula no 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA QUESTIONADA JUDICIALMENTE. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA N 1 DO CARF. Conforme disposto no verbete de Súmula no 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
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MATÉRIA QUESTIONADA JUDICIALMENTE. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA N 1 DO CARF. Conforme disposto no verbete de Súmula no 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 01 24 /2 00 8- 82 Fl. 379DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 12898.000124/200882 Acórdão n.º 2402005.626 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, ano calendário 2005, no valor total de R$256.099,07 (duzentos e cinquenta e seis mil, noventa e nove reais e sete centavos), sendo: Imposto R$124.319,94 Juros de Mora (calculados até 28/11/2008) R$38.539,18 Multa Proporcional (passível de redução) R$93.239,95 A descrição dos fatos encontrase detalhada no Relatório Fiscal e o enquadramento legal, no Auto de Infração, versando sobre as seguintes infrações: "001 — ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, no mês de julho de 2005, no valor de R$472.378,70, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens" No que se refere a atualização monetária e as penalidades aplicáveis, o enquadramento legal correspondente consta do Demonstrativo de Multa e Juros de Mora. Cientificado do Auto de Infração em 23/12/2008, o Contribuinte apresentou, em 15/01/2009, a impugnação de fls. 205/206, instruída somente com procuração e com o auto de infração e seus anexos, na qual traz as alegações a seguir sintetizadas. Explica que o acréscimo patrimonial é proveniente do efetivo recebimento de lucros distribuídos pela empresa Gasoil Serviços Ltda, na qualidade de um de seus sócios. Reclama que a Autoridade Fiscal limitouse a expedir intimações para a referida empresa pelo correio e, não obtendo respostas, procedeu a autuação sem qualquer respaldo legal. Aduz que, no caso, a empresa Gasoil deveria necessariamente ter sido fiscalizada. Defende que os lucros recebidos nos meses de maio e junho, nos valores de R$570.000,00 e R$71.000,00, respectivamente, são mais que suficientes para justificar o acréscimo patrimonial no valor de R$472.378,70, apurado no mês de julho. Conclui sua impugnação requerendo que seja aberta fiscalização na firma Gasoil Serviços Ltda e verificada contabilmente "a efetiva inexistência da Distribuição de Lucros" e "incomprovada", seja relevada a autuação por insubsistente. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação da Recorrente, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 381DF CARF MF 4 Exercício: 2006 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os acréscimos patrimoniais não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, bem como pelos tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, cobrandose o imposto com o acréscimo da multa de oficio e juros de mora, calculados sobre a omissão apurada. LUCROS DISTRIBUÍDOS. COMPROVAÇÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO A alegação de recebimento de valores a titulo de distribuição de lucros não é suficiente para justificar acréscimo patrimonial, sem a apresentação de escrituração contábil demonstrando a apuração de resultados que possibilitem a distribuição alegada e a comprovação da efetiva transferência do valor distribuído por meio de provas inequívocas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instancia em 31/10/2012, o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 251 e segs., em 31/10/2012, o recurso voluntário repisando os argumentos trazidos a baila em sede de sua impugnação, já acima mencionados. É o relatório. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 12898.000124/200882 Acórdão n.º 2402005.626 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 31/10/2012, interpôs recurso voluntário no mesmo dia 31/10/2012. Ressaltase que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também, e fundamentalmente, a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o interesse de agir e a legitimidade para tanto. O Recorrente alega que demonstrou cabalmente que o acréscimo patrimonial ora em análise fora resultado de distribuição de lucros perpetrada pela pessoa jurídica que contada co sua participação societária, a GASOIL Serviços Ltda, e participação essa correspondente a 66,67% de suas quotas, conforme declaração em sua DIRPF ano base 2005. Ocorre, contudo, que essa matéria não poderá ser conhecida por esta Corte Administrativa (CARF), uma vez que o Recorrente abdicou, tacitamente, de debatêla na esfera administrativa ao ingressar com ação judicial perante à Justiça Federal do Rio de Janeiro, processo nº 004716032.2012.4.02.5101 (2012.51.01.0471601). Observase que a citada ação judicial versa sobre a mesma matéria tratada nos ora debatidos Autos de Infração de Obrigação Principal, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo o atributo da coisa julgada formal e material. E, como a coisa julgada material opera efeitos dentro e fora do processo em que é produzida, isso tornará o conteúdo da decisão judicial imutável, estendendo os seus efeitos para este processo administrativo. Nesse sentido, esta Corte Administrativa (pronunciouse por meio do Enunciado no 1 de Súmula Vinculante (Portaria do Ministério da Fazenda no 383, de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante desse quadro, versando a Demanda Judicial., processo nº 2012.51.01.0471601, a natureza dos rendimentos recebidos em 2005 da empresa GASOIL Serviços Ltda, inviável se torna o seu conhecimento por esta Corte. Cumpre registrar que o pedido formulado na ação judicial pela Recorrente foi julgado procedente em 1ª Instância, em sede de tutela antecipada, conforme respectiva sentença acostada aos autos (fls. 377 a 379) e mandado de tutela antecipada (fls. 385 a 387). Fl. 383DF CARF MF 6 Diante desse quadro, versando a Demanda Judicial, processo nº 2012.51.01.0471601, sobre as mesmas questões postuladas na peça recursal administrativa, tornase inviável o seu conhecimento por esta Corte, por falta de interesse de agir. Voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 384DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.905875/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Verificada a existência de omissão na apreciação de argumentos, acolhem-se os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para suprir o vício apontado.
Numero da decisão: 3402-003.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para suprir a omissão apontada pela Procuradoria da Fazenda Nacional.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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OMISSÃO. Verificada a existência de omissão na apreciação de argumentos, acolhemse os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para suprir o vício apontado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para suprir a omissão apontada pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em tempo hábil pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao Acórdão nº 3402003.276, sob o pressuposto regimental de omissão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 58 75 /2 00 9- 01 Fl. 2742DF CARF MF 2 O Acórdão embargado foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos e recebeu a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência. Recurso Voluntário Provido. Alegou a embargante que o colegiado não se manifestou sobre os argumentos e documentos apresentados às fls. 2727/2728. Invocou o art. 489, § 1º, IV do CPC de 2015, que considera não fundamentada qualquer decisão que não enfrente todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador. Acrescentou que o relatório de diligência fiscal se referiu a outros processos, inexistindo análise específica sobre a situação do suposto crédito no presente processo. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Assiste razão à Procuradoria da Fazenda Nacional quanto à omissão alegada. De fato, após o retorno da diligência determinada pela Turma 3802 houve notificação da Procuradoria da Fazenda Nacional para que ela se manifestasse sobre o resultado da diligência. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou a manifestação de fls. 2727/2728, alegando que a Turma 3802 baixou o processo em diligência para que fosse concedida à contribuinte mais uma oportunidade de provar sua pretensão, mas a referida turma não teria se manifestado sobre o art. 333 do CPC (art. 373 do CPC/2015), que estabelece a distribuição do ônus da prova. Entende a Procuradoria da Fazenda que não se pode suprir o ônus da prova da parte por meio de diligência que invoca o princípio da verdade material, pois em se tratando de processo de iniciativa do contribuinte, caberia a ele a apresentação da prova do seu direito desde o início do processo. Ao fim, a Procuradoria da Fazenda indica a jurisprudência que corrobora sua tese e solicita a aplicação desse entendimento. Entretanto, o acórdão embargado passou ao largo dessa alegação, pois foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, tendo como paradigma o Acórdão 3402 003.260. Existindo a omissão apontada, passo ao exame das alegações da embargante, no intuito de sanear o vício apontado. Compulsando os autos, verificase que se trata de despacho decisório eletrônico, por meio do qual foi constatado que o valor do DARF indicado como fonte do pagamento indevido estava vinculado à quitação de débito declarado pelo próprio contribuinte, inexistindo saldo a restituir. Fl. 2743DF CARF MF Processo nº 10469.905875/200901 Acórdão n.º 3402003.877 S3C4T2 Fl. 3 3 Isso ocorreu porque o contribuinte retificou a DCTF após a transmissão do PER/DECOMP. E o contribuinte, como ocorre com a esmagadora maioria desses casos, apresentou a DCTF retificadora como prova da existência do indébito. A DRJ não aceitou a retificadora porque o contribuinte não comprovou o erro na apuração da base de cálculo que teria dado origem à retificação da declaração. A Turma 3802 seguiu a jurisprudência majoritária existente no CARF, no sentido de que a falta da retificação da DCTF ou a retificação posterior não pode fundamentar a rejeição do pedido de repetição do indébito, pois o que importa é se o contribuinte tem ou não tem o crédito alegado. A Procuradoria da Fazenda entende que o contribuinte precluiu do direito de fazer a comprovação exigida por meio da diligência. Entendo que no caso concreto a preclusão não ocorreu, pois o contribuinte trouxe aos autos o documento que no seu entender seria suficiente para fazer a prova do indébito: a DCTF retificadora. A motivação do despacho decisório, no sentido de que não há indébito porque o DARF está alocado para a quitação de débito declarado induz o contribuinte a argumentar com a retificação da declaração. Sendo assim, se a Turma 3802 entendeu que o documento apresentado pela defesa era insuficiente para proferir a decisão, foi correta a decisão de baixar o processo em diligência para pedir os documentos que no entender do colegiado permitiriam a prolação de uma decisão fundamentada. Nesse sentido, observo que o relator da diligência, Conselheiro Francisco José Barroso Rios, fundamentou a resolução nos seguintes termos: "(...) Embora a recorrente não tenha apresentado, num primeiro momento, os documentos em que afirma se baseou para retificar a DCTF, a distinção normativa acima retratada, associada à natureza jurídica da atividade explorada pela interessada e à farta documentação acostada aos autos levam a crer que existe sim, ao menos em parte, direito creditório decorrente de recolhimento indevido das citadas contribuições sociais. É verdade que, a rigor, referidos documentos deveriam ter sido apresentados juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão do direito, a teor do disposto no § 4º do artigo 16 do Decreto no 70.235/72. No entanto, a inclinação doutrinária e jurisprudencial moderna é a de se abrandar os rigores das regras preclusivas prescritas no Direito Administrativo, e isso diante do princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, mais participativo e mais orientado a um escopo social. Tal viés doutrinário e jurisprudencial, inclusive, foi pavimentado na Lei no 9.784/99, aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, notadamente em seu artigo 3º, inciso III, Fl. 2744DF CARF MF 4 que permite a juntada de documentos e a formulação de alegações pelo interessado, desde que antes da decisão1. No caso presente, como já afirmado, há verossimilhança quanto à existência ao menos parcial do direito alegado pela requerente. Isso, porém, há que ser previamente aferido pela unidade preparadora, a quem incumbe examinar a fidedignidade da documentação acostada ao processo, isso, frente a eventuais demonstrativos e documentação outra requerida da interessada, porventura necessários à apuração da contribuição efetivamente devida. (...)" Cumpreme acrescentar que no Acórdão 3403003.211, citado pela Procuradoria na manifestação da diligência como decisão que prestigiou a regra do art. 333 do CPC, também houve diligência determinada pelo colegiado, conforme se pode constatar da seguinte passagem de seu voto condutor: "(...) Tendo em vista a existência de controvérsia em outros processos envolvendo a Recorrente, o Conselheiro Relator do processo votou por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem primeiro, verifique as retenções alegadas, seja por meio do sistema SIAFI, seja obtendo junto à contribuinte os Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, e segundo, emita parecer conclusivo sobre a compensação, respondendo: a) se restaram comprovadas tais retenções, discriminando os seus valores em caso positivo, e b) se houve ou não compensação com os montantes devidos, elaborando demonstrativo com os valores retidos, compensados e os saldos porventura disponíveis. (...)" Isso demonstra que desde tempos imemoriais a jurisprudência desta casa considera que quando há um início de prova produzida pelo contribuinte, ou quando se entende que a prova produzida é insuficiente para fundamentar a decisão a ser proferida, é possível baixar o processo em diligência com base no princípio da verdade real, sem ofensa às regras processuais que versam sobre a distribuição do ônus da prova. De fato, em processos de despacho eletrônico de não homologação de compensação por falta de retificação da DCTF, os colegiados do CARF não estão descumprindo o art. 333 do CPC ou mesmo o art. 373 do CPC/2015, uma vez que os contribuintes juntam a prova que entendem cabível, frente ao teor do despacho de não homologação, qual seja: a DCTF retificadora. O que tem acontecido nesses casos é que os colegiados do CARF consideram que o que precisa ser provado não é a retificação da DCTF, mas sim se o crédito existe ou não existe. E como nem a fiscalização e nem o contribuinte lastrearam seus pleitos na inexistência ou na existência do crédito, só resta ao colegiado a baixa do processo em diligência para a aferição do direito de crédito, o que não significa violação dos artigos 333 do Fl. 2745DF CARF MF Processo nº 10469.905875/200901 Acórdão n.º 3402003.877 S3C4T2 Fl. 4 5 CPC ou art. 373 do CPC/2015. O colegiado tem uma visão do problema diferente da visão das partes. Por fim, a ilustre Procuradora da Fazenda Nacional afirmou nos embargos que no relatório da diligência a fiscalização não teria se manifestado especificamente sobre a existência de crédito neste processo. Em outras palavras, a Procuradoria da Fazenda entendeu que o relatório de diligência ser referiu a outros processos e não a este especificamente. Essa alegação deveria ter constado da manifestação sobre a diligência e não dos embargos. Contudo, para que a alegação não fique sem resposta, entendo que a fiscalização se manifestou de forma específica sobre o crédito existente neste processo pelos seguintes motivos: a) existe menção expressa do número deste processo no relatório de diligência; e b) o conteúdo do termo de diligência se refere precisamente ao mês de abril de 2005, que é o período a que se refere este processo. Com efeito, na fl. 2718, encontramos no cabeçalho do relatório de diligência a menção a cinco processos, entre eles este do qual estamos tratando, de número 10469.905875/200901, in verbis: "(...) (...)" E na fl. 2719, a menção expressa a documentos apresentados em relação ao mês de abril de 2005: "(...) E na fl. 2720 a conclusão da fiscalização de que o contribuinte teria um débito ainda menor do que ele próprio considerou e que, por tal razão, ele teria o crédito alegado no Perdecomp, in verbis: Fl. 2746DF CARF MF 6 (...)" Portanto, esses excertos do relatório de diligência demonstram que a fiscalização tratou de forma específica os créditos discutidos neste processo e se manifestou no sentido de que o contribuinte tinha crédito suficiente para amortizar a compensação declarada. Com esses fundamentos, voto no sentido de acolher os embargos de declaração para suprir a omissão apontada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo incólume o resultado do julgamento proferido por meio do Acórdão 3202003.276. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 2747DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.917370/2011-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.103
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 17 37 0/ 20 11 -4 7 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10480.917370/201147 Resolução nº 3401001.103 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.094. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10480.917370/201147 Resolução nº 3401001.103 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10480.917370/201147 Resolução nº 3401001.103 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 191DF CARF MF
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Numero do processo: 12326.004574/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE PROVAS E REALIZAÇÃO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. PRECLUSÃO/DESNECESSIDADE. PEDIDO INDEFERIDO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual.
Considera-se não formulado o pedido de realização de perícia ou diligência feito em desacordo com as normas que regulamentam a matéria.
Desnecessária a realização de perícia ou diligência quando o julgador administrativo considerar que os elementos constantes dos autos são suficientes para o deslinde da controvérsia.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Os rendimentos recebidos de entidade de previdência complementar estão sujeitos à incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas - IRPF.
No caso de decisão judicial favorável ao contribuinte, somente poderão ser excluídos da base de cálculo do imposto por ocasião da apresentação da Declaração de Ajuste Anual - DAA a parcela expressamente abrangida na sentença.
CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF compete decidir sobre recursos administrativos em processos relacionados à determinação e exigência de créditos tributários da União, não lhe cabendo intervir em questões relacionadas à execução de demandas judiciais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido para a apresentação de novas provas e realização de perícia ou diligência, conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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PRECLUSÃO/DESNECESSIDADE. PEDIDO INDEFERIDO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em outro momento processual. Considerase não formulado o pedido de realização de perícia ou diligência feito em desacordo com as normas que regulamentam a matéria. Desnecessária a realização de perícia ou diligência quando o julgador administrativo considerar que os elementos constantes dos autos são suficientes para o deslinde da controvérsia. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Os rendimentos recebidos de entidade de previdência complementar estão sujeitos à incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas IRPF. No caso de decisão judicial favorável ao contribuinte, somente poderão ser excluídos da base de cálculo do imposto por ocasião da apresentação da Declaração de Ajuste Anual DAA a parcela expressamente abrangida na sentença. CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF compete decidir sobre recursos administrativos em processos relacionados à determinação e exigência de créditos tributários da União, não lhe cabendo intervir em questões relacionadas à execução de demandas judiciais. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 45 74 /2 00 9- 18 Fl. 267DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido para a apresentação de novas provas e realização de perícia ou diligência, conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 12326.004574/200918 Acórdão n.º 2402005.612 S2C4T2 Fl. 268 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I – DRJ/RJ1 (fl. 123/136), que julgou procedente em parte impugnação apresentada em face da Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas IRPF, relativa ao anocalendário 2007 / exercício 2008, a qual resultou em imposto suplementar no valor de R$ 6.372,15 (seis mil, trezentos e setenta e dois reais e quinze centavos). De acordo com a Notificação de Lançamento (fls. 6/13), o crédito foi constituído em vista de i) omissão de rendimentos do trabalho sujeitos à tabela progressiva do IRPF, de R$ 3.308,77 (três mil, trezentos e oito reais e setenta e sete centavos); ii) omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais, R$ 23.352,78 (vinte e três mil, trezentos e cinquenta e dois reais e setenta e oito centavos); iii) omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ 30.711,69 (trinta mil, setecentos e onze reais e sessenta e nove centavos), foi compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF no valor de R$ 921,35 (novecentos e vinte e um reais e trinta e cinco centavos); e iv) compensação indevida de IRRF, R$ 921,35 (novecentos e vinte e um reais e trinta e cinco centavos). O Recorrente apresentou impugnação por meio do documento de fls. 2/5, alegando e requerendo o que segue: a) quanto à fonte pagadora Fundação Sistel de Seguridade Social, foi considerado na Notificação de Lançamento rendimento recebido de R$ 10.897,27, que não foi detectado em qualquer documento recebido dessa entidade; b) Na Declaração de Ajuste Anual DAA informou rendimentos isentos de R$ 56.718,84, relativos a: a processo judicial, R$ 39.640,87; e valores recebidos por contribuinte com 65 anos ou mais de idade, R$ 17.077,97; c) segundo decisão judicial de 26/10/2004 o valor de R$ 39.640,87 deve ser considerado como isento. O trânsito em julgado com relação ao Processo nº 2004.51.01.0156632 da 19ª Vara Federal do Rio de Janeiro ocorreu em 28 de maio de 2007; d) os dados lançados na Declaração de Ajuste Anual do INSS foram de rendimento tributável de R$ 7.588,50 e rendimentos isentos de R$ 17.060,85; e) quanto aos rendimentos considerados como omitidos em virtude de recebimento de ação judicial da Caixa Econômica Federal, informa que: não recebeu e nem obteve informações de qualquer órgão pagador dos valores mencionados, no entanto a Receita Federal informa a existência desse pagamento em virtude de ação judicial; Fl. 269DF CARF MF 4 o recebimento referese ao processo 2003.51.01.5354312 no Tribunal Regional Federal 2ª Região, 37ª Vara da Justiça Federal, sendo o assunto remuneração mensal inicial, atrasados de aposentadoria do INSS; os comprovantes dos boletos bancários do recebimento dos valores estão em anexo; a apresentação das informações fornecidas pela Caixa Econômica Federal constitui fato novo ao declarante, provocando pesquisa e uma análise criteriosa da DAA do Exercício 2008, com os devidos ajustes que estão em anexo; a nova declaração apresenta imposto devido de R$ 2.231,38, e com a dedução do imposto retido na fonte de R$ 1.080,83, apresenta saldo de imposto a pagar no valor de R$ 250,55; está sendo entregue o Darf de pagamento do imposto devido resultante, com os juros e a multa de ofício e o comprovante bancário de pagamento efetuado em 21/10/2009, no valor de R$ 346,05; f) quanto ao IRRF glosado da fonte pagadora Fundação Sistel, vêse claramente nos documentos apresentados que o valor de R$ 1.069,48 corresponde à retenção do imposto de renda dessa entidade e o valor de R$ 921,35 corresponde ao IRRF incidentes sobre o pagamento judicial de atrasados do INSS, feito pela Caixa Econômica Federal, perfazendo um total de R$ 1.980,83 de imposto retido na fonte; g) comunica ter anexado o Certificado emitido pelo Superior Tribunal de Justiça informando de que a decisão do processo judicial foi transitada em julgado em 28/05/2007, com o intuito de facilitar o entendimento da questão; h) protesta pela produção de todas as provas admitidas em Direito, inclusive por perícia, juntada de novos documentos, enfim, de tudo o que for necessário para o desenvolvimento de seu pleno e amplo direito de defesa, assegurado constitucionalmente. Ainda em sede de impugnação, o Recorrente diz aguardar que a Receita Federal cumpra a ordem judicial em fase de execução, com a devolução do Imposto de Renda Retido desde 01/01/1996. Requer, por fim, que seja realizada consulta ao Departamento Jurídico da Receita Federal a fim de que referido órgão possa elucidar os fatos mencionados, fazendo cumprir a ordem judicial transitada em julgado, e, sendo o autor, pessoa idosa deve ser cumprida a decisão com maior celeridade obedecendo o Estatuto do Idoso, Lei nº 10.741/2003. A DRJ/RJ1 solicitou a realização de diligência (fls. 53/54) com o fim de identificar as parcelas de rendimentos tributáveis e as parcelas com exigibilidade suspensa recebidas pelo Contribuinte da fonte pagadora Fundação Sistel de Seguridade Social. Conforme consta do acórdão de primeira instância: Em resposta a Fundação Sistel de Seguridade Social encaminhou o Ofício CT. 150/213/2011, de 19 de setembro de 2011, fls. 57/58, acompanhado de Planilha contendo informação dos valores dos rendimentos tributáveis, dos rendimentos com exigibilidade suspensa, do IRRF e do Imposto de Renda depositado judicialmente, fls. 59. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 12326.004574/200918 Acórdão n.º 2402005.612 S2C4T2 Fl. 269 5 Cientificado do resultado da diligência fiscal, o sujeito passivo apresentou impugnação aditiva, fls. 71/79 e documentos, fls. 78/99. Por bem retratar as alegações trazidas pelo contribuinte na impugnação decorrente do resultado da diligência, reproduzse o trecho correspondente do Acórdão nº 12 66.800 da 21ª Turma da DRJ/RJ1: Em sua defesa aditiva transcorre sobre o tema da não incidência do imposto de renda sobre o resgate de poupança da previdência privada, com reprodução de vasta legislação e jurisprudência sobre a matéria da respectiva isenção. Alega que ingressou em juízo, sendo deferido seu pedido através de Acórdão do Ministro do Superior Tribunal de Justiça, cuja parte do Acórdão foi transcrita. Entende que a União não obedece e não cumpre a referida decisão. Os documentos que se referem às informações fornecidas pela Fundação Sistel de Seguridade Social, que é isenta de culpa, nos anos de 2005/2007 não tem condão de nova incidência tributária já que o Autor se aposentou em 25/07/1995, sob a égide da Lei 7.713/1988, sendo isento do Imposto de Renda os valores recebidos mensalmente da Fundação Sistel. Esta isenção consta da Decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 928.722 de 24/04/2007, processo transitado em julgado em 28/05/2007. Embora a Receita Federal nessas intimações reportese aos anos de 2005 a 2007 o Autor estende elas para 1995 e 2013 e anos subseqüentes para cumprimento da Lei 7.713/88 e da decisão judicial. A decisão judicial condenou a União a devolver os valores cobrados indevidamente, sendo o valor atualizado até 14/05/2014 de R$ 199.187,54. Os valores recebidos da Fundação Sistel de Seguridade Social não são tributáveis em 94,05% desde 25/07/1995, data da aposentadoria, estando o cálculo do percentual em anexo, obedecendo o item “d” da decisão Judicial do STJ. Que a União informe à Fundação Sistel de Seguridade Social da isenção do Autor dos valores que não são tributáveis em 94,05%, desde 25/07/1995, inserindo estes valores na linha de Pensão, Proventos de Aposentadoria ou reforma por moléstia grave ou aposentadoria ou reforma por acidente de serviço, conforme estabelece a Lei 7.713/1998 e decisão judicial transitada em julgado em 28/05/2007. Pelo exposto, requer: 1 O cancelamento do Termo de Ciência enviado, por estar incorreto perante a Lei 7.713/88, a decisão judicial do STJ e Medida Provisória nº 2.15979 de 24 de agosto de 2001. Fl. 271DF CARF MF 6 2 A devolução imediata do valor da restituição do IRPF no valor de R$ 199.187,54, conforme decisão judicial. 3 O Cumprimento da decisão judicial proferida, comunicando a Fundação Sistel de Seguridade Social da isenção do Imposto de Renda no percentual de 94,05%, inserindo estes valores na linha de Pensão, Proventos de Aposentadoria e Reforma por moléstia grave ou aposentadoria ou reforma por acidente em serviço. Com fulcro no art. 5º , XXXIV, "b" da Constituição da República requer que seja ressalvado o seu direito de ser notificado da juntada de qualquer documento pela d. autoridade fiscal autuante, bem como de qualquer outro fato superveniente que venha a ocorrer no processo administrativo em questão, a fim de que possa manifestarse sobre o mesmo, sob pena de violação aos princípios constitucionais do devido processo legal (art. 5º , LIV da CR/88), do contraditório e da ampla defesa (art. 5º, LV da CR/88), bem como ao disposto nos arts. 332 e seguintes do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao processo administrativo fiscal. Tendo em vista que o objetivo maior do processo administrativo é o alcance da denominada verdade material, protesta o ora impugnante pela produção de todas as provas administrativas em Direito, inclusive por perícia, juntada de novos documentos, enfim, de tudo o que for necessário para o desenvolvimento de seu pleno e amplo direito de defesa assegurado constitucionalmente. A DRJ/RJ1, por seu turno, julgou a impugnação procedente em parte pelas razões que abaixo se reproduz: a) Omissão de Rendimentos – Fonte Pagadora Caixa Econômica Federal: alegação de falta de recebimento de informação dos rendimentos por parte da fonte pagadora: a responsabilidade pela inexatidão da declaração de ajuste anual do imposto de renda é do próprio beneficiário dos rendimentos, que não pode desconhecêlos e deixar de oferecê los à tributação, não cabendo inclusive perquirir a intenção do agente, visto que se trata de responsabilidade objetiva, na forma do art. 136 da Lei nº 5.172 retificação de declaração: a retificação da declaração do Interessado, só poderia ser aceita antes de iniciado o procedimento fiscal, como se observa do art. 7º, inciso I, §1º, do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal no âmbito federal b) Omissão de Rendimentos Fonte Pagadora Fundação Sistel de Seguridade Social: Considerandose que, conforme informação da fonte pagadora em resposta à diligência fiscal, o valor tributável recebido no ano de 2006 é de R$ 40.176,24, e, tendo em vista que o Contribuinte informou na Declaração de Ajuste Anual Fl. 272DF CARF MF Processo nº 12326.004574/200918 Acórdão n.º 2402005.612 S2C4T2 Fl. 270 7 rendimentos tributáveis de R$ 7.588,50, concluise que o Contribuinte utilizouse da parcela isenta para proventos de Aposentadoria para maiores de 65 anos no valor de R$ 15.764,28, que corresponde a doze vezes o valor mensal de R$ 1.313,69, restando assim omissão de rendimentos no valor de R$ 16.823,46. 1 Rendimentos Tributáveis R$ 40.176,24 2 Parcela Isenta 65 anos R$ 15.764,28 3 Rendimentos Informados R$ 7.588,50 4 Omissão de Rendimentos (1 2 3) R$ 16.823,46 Na apuração da omissão de rendimentos a autoridade lançadora considerou como tributáveis somente rendimentos de R$ 10.897,27, que corresponde à diferença na Dirf, fls. 50 do total de rendimentos de R$ 39.640,87 (rendimentos tributáveis) e R$ 28.743,60 ( rendimento com exigibilidade suspensa). Entretanto, em resposta à diligência fiscal a fonte pagadora apresentou o Quadro Demonstrativo de fls. 59 que está sendo considerado no presente voto, sendo os valores compatíveis e coerentes com as informações dos anos 2005 e 2006, referentes aos processos 15471.005033/200832 e 15471.005034/200887, já julgados pela presente Turma de Julgamento em data anterior. Uma vez que o Anocalendário em questão é o 2007 e, na impossibilidade de apuração da diferença de omissão identificada, por já ter ocorrido o prazo decadencial, mantémse o valor de omissão apurado na notificação de lançamento de R$ 3.308,77, motivo pelo qual não será encaminhada cópia ao setor de fiscalização para apuração da diferença. c) Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte: Conforme informação da fonte pagadora Sistel, em resposta à diligência fiscal, não ocorreu Imposto de Renda Retido na Fonte no ano de 2006, existindo apenas o valor de depósito judicial de R$ 1.059,58. [...] Dessa forma, mantémse a compensação indevida de IRRF de R$ 921,35 e, ainda procedese ao acerto do lançamento, com a exclusão do IRRF da fonte pagadora Sistel informado na declaração de R$ 1.069,48. d) Omissão de Rendimentos Excedentes ao Limite de Isenção para Declarante com 65 anos ou mais: Foi apurada omissão de rendimentos da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social no valor de R$ 23.352,78, por Fl. 273DF CARF MF 8 exceder ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais. A apuração teve como base o comprovante de rendimentos da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, fls. 21. [...] no ano de 2007 somente pode ser considerado como rendimento isento o valor de R$ 17.077,97, que corresponde a 12 parcelas mensais de R$ 1.313,69, somado a uma parcela de décimo terceiro de R$ 1.313,69. [...] Tendo em vista que a parcela isenta para maiores de 65 anos já foi utilizada pelo Contribuinte na fonte pagadora da Fundação Sistel, conforme supra relacionado, não cabe a utilização da parcela duas vezes, devendo ser retornado o valor isento utilizado. e) Produção de meios de provas: A prova documental deve ser, de regra, apresentada juntamente com a peça impugnatória (art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972). Portanto, está precluso o direito de o sujeito passivo produzir novas provas documentais. [...] No presente caso, como o sujeito passivo requereu, de forma genérica, a produção de provas, operouse também a preclusão do direito à produção de prova por meio de diligências ou perícias, as quais deveriam ter sido especificadas na impugnação. Sobre as alegações quanto ao contraditório e ampla defesa, cabe observar que foi oportunizado ao Contribuinte apresentar a impugnação que ora se aprecia, juntando os documentos que entendesse necessários a comprovar as suas alegações. Ademais, se assim desejar, o sujeito passivo pode apresentar recurso contra a presente decisão, o que demonstra o respeito aos princípios do contraditório e a ampla defesa, constitucionalmente previstos. Entretanto, como no presente caso, foi realizada Diligência Fiscal junto à fonte pagadora Fundação Sistel de Seguridade Social o Contribuinte foi cientificado do resultado da diligência fiscal, sendo oportunizada a apresentação de nova defesa e de documentos, o que aconteceu, visto que este apresentou nova manifestação às fls. 71/79, a qual foi analisada no presente julgamento. e) Demais alegações: 1 Cancelamento do Termo de ciência enviada ao Contribuinte. Os documentos foram encaminhados ao Contribuinte para que fosse tomada ciência da diligência fiscal realizada, com Fl. 274DF CARF MF Processo nº 12326.004574/200918 Acórdão n.º 2402005.612 S2C4T2 Fl. 271 9 reabertura de prazo para defesa, como garantia ao contraditório e ampla defesa, não cabendo cancelamento da respectiva comunicação. 2 Comunicação da Receita Federal à fonte pagadora do Contribuinte de decisão proferida na Justiça Federal. Não é competência da Receita Federal a comunicação da fonte pagadora de qualquer decisão judicial referente ao Contribuinte. 3 Devolução de Depósitos efetuados em processo judicial por parte da Receita Federal. O depósito do IRRF correspondente será convertido em renda da União caso os rendimentos sejam considerados tributáveis e, caso contrário, ficam disponíveis para o Contribuinte, cabendo à própria Justiça Federal o respectivo repasse. Por fim, a DRJ/RJ1 apresenta quadro com apuração de imposto suplementar no valor de R$ 7.341,64 (sete mil, trezentos e quarenta e um reais e sessenta e quatro centavos), mas, uma vez que não é permitida a oneração dos valores apurados originalmente na Notificação de Lançamento, aquele colegiado manteve o imposto suplementar apurado de R$ 6.372,15 (seis mil, trezentos e setenta e dois reais e quinze centavos). Por ocasião do recurso voluntário (fls. 205/214) o sujeito passivo repisa exatamente as mesmas alegações trazidas na defesa aditiva (fls. 71/79) requerendo novamente: a) a restituição/devolução imediata do valor de R$ 199.187,54, conforme decisão judicial; b) o cumprimento da decisão judicial proferida, comunicando a Fundação Sistel de Seguridade Social da isenção do Imposto de Renda no percentual de 94,05%, para inserção destes valores na linha de Pensão, Proventos de Aposentadoria e Reforma por moléstia grave ou aposentadoria ou reforma por acidente em serviço da declaração de rendimentos; e c) a produção de todas as provas administrativas admitidas em Direito, inclusive por perícia, juntada de novos documentos, enfim, de tudo o que for necessário para o desenvolvimento de seu pleno e amplo direito de defesa assegurado constitucionalmente. Ressalte que não há na peça recursal qualquer manifestação acerca das questões abordadas na Notificação de Lançamento quanto aos rendimentos omitidos por outras fontes pagadoras, além da Fundação Sistel, ou à compensação indevida de IRRF. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, entretanto, dele conheço parcialmente, eis que, conforme se verá adiante, em relação à solicitação de execução de demandas judiciais, tratase de matéria que escapa às competências deste Conselho, não sendo plausível seu exame. Produção de Novas Provas e Realização de Perícia ou Diligência Especificamente com relação à apresentação de provas, convém informar que, a teor do inciso § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1976, norma que disciplina o Processo Administrativo Fiscal PAF em âmbito federal, essa providência deve ser adotada por ocasião da impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em momento posterior. No que se refere à realização de perícia ou diligência, convém mencionar que o inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1976 estabelece que a impugnação mencionará “as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito”. O § 1º do mesmo artigo assevera que “Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16”. Ainda com relação a perícia e diligência, o caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 estatui que autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Embora os comandos contidos na norma regulamentadora do PAF estejam direcionados à impugnação e aos julgadores de primeira instância, entendo que tais comandos também se aplicam ao julgamento em curso na segunda instância administrativa. Desse modo, em vista de o pedido não ter sido instruído nos termos determinados na legislação de regência e considerando que os elementos constantes dos autos são suficientes para o deslinde das controvérsias, entendo desnecessária a realização de diligências ou perícias. Por essas razões, indefiro o pedido. Isenção dos Rendimentos Recebidos da Fundação Sistel de Seguridade Social De se ressaltar inicialmente que o apelo recursal detevese a repisar questões afetas à suposta não incidência de IRPF sobre o resgate de poupança para a previdência privada, informando o recorrente que ingressou em juízo com a finalidade de ver declarada a Fl. 276DF CARF MF Processo nº 12326.004574/200918 Acórdão n.º 2402005.612 S2C4T2 Fl. 272 11 inexistência de relação jurídicotributária em relação a tais valores. Informa ainda que na decisão decorrente da citada ação judicial a União fora condenada a devolver todo o imposto descontado de forma indevida desde julho de 1995, época em que teria ocorrido sua aposentadoria. Além disso, afirma o sujeito passivo ser beneficiário de resgate de poupança/complementação de aposentadoria recebido da Fundação Sistel de Seguridade Social, que o benefício já foi tributado na fonte durante o período de labor e que, por isso, é isento do imposto, conforme redação original do inciso VII do art. 6º da Lei nº 7.713/1988. Aduz que, em razão da ocorrência de bis in idem, caberia a restituição do tributo questionado. Repisese que, por ocasião do recurso voluntário, o contribuinte apresenta questionamento somente em relação aos valores recebidos da Fundação Sistel de Seguridade Social, não fazendo qualquer menção em relação aos demais rendimentos tidos por omitidos pela fiscalização ou à compensação indevida de IRRF, assim, a presente análise abordará somente a matéria objeto de controvérsia. Importa esclarecer de início que, diferentemente do que aduz o recorrente, a suscitada decisão judicial (fls. 114/121) não lhe isenta do imposto de renda incidente sobre a totalidade dos valores recebidos a título de previdência complementar. Consoante determinação contida na sentença condenatória (fls. 120/121): h) nãoincide o IR tão somente em relação aos valores de complementação de aposentadoria efetuados pelos próprios beneficiários – nãoincidência da exação sobre a parcela a cargo do beneficiário/participante (1/3), nos termos do Resp nº 621348/DF; i) os resgates e benefícios decorrentes de contribuições vertidas pelos patrocinadores e aqueles oriundos de aplicações e investimentos efetuados pela própria instituição não estão imunes ao IR, configurando acréscimo patrimonial por ocasião do rateio; Via de regra, no regime de previdência complementar as contribuições direcionadas à formação da poupança reservada à complementação de aposentadorias dos trabalhadores são vertidas pelos empregadores (definidos na legislação que rege a matéria como “patrocinadores”) e pelos empregados beneficiários desse regime (denominados participantes). Além disso, os recursos decorrentes de referidas contribuições são levados ao mercado e os resultados das aplicações financeiras são revertidos para o pagamento dos benefícios previstos no plano previdenciário. Vejase que a decisão judicial é bastante clara ao definir que somente a contribuição efetuada pelos próprios empregados, em período anterior ao da edição da Lei nº 9.250/1995, está isenta do IRPF, ou seja, os valores referentes à contribuição do patrocinador e ao resultado de aplicações e investimentos efetuados pela entidade de previdência complementar foram considerados como acréscimo patrimonial, estando sujeitos à incidência do imposto. Fl. 277DF CARF MF 12 Por essa razão, a Fundação Sistel de Seguridade Social, em vista da sentença proferida em favor do recorrente, informou na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF (fl. 50) valores definidos como rendimentos tributáveis (relativos à contribuição do patrocinador e ao resultado de investimentos e aplicações financeiras) e rendimentos tributáveis com exigibilidade suspensa (decorrentes de contribuições do participante). Ademais, consoante esclarecido pela entidade de previdência complementar (em razão de diligência determinada pela DRJ/RJ1) e evidenciado na decisão recorrida, os rendimentos recebidos da Fundação Sistel e omitidos pelo sujeito passivo são, inclusive, superiores aos levantados pela fiscalização. Assim, com base nas informações contidas DIRF da Fundação Sistel de Seguridade Social e considerandose os esclarecimentos prestados por aquela Fundação por meio do expediente de fls. 57/59, verificase que não assiste razão ao recorrente em relação a esse tema devendo ser mantido lançamento na sua integralidade. Restituição de Valores Relacionados a Decisão Judicial e Comunicação à Fonte Pagadora para Preenchimento da DIRF de Acordo com Referida Decisão Sobre essas questões, impende esclarecer que as competências atribuídas ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF encontramse abrangidas nas normas disciplinadora do Processo Administrativo Fiscal – PAF. Nesse sentido, o art. 1º e o inciso II do art. 25 do Decreto nº 70.235/1972, estabelecem: Art. 1° Este Decreto rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal. Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. Da análise dos dispositivos encimados, verificase que ao Colegiado de segunda instância administrativa compete decidir sobre recursos administrativos em processos relacionados à determinação e exigência de créditos tributários da União. Esclareçase que a Notificação de Lançamento que deu origem ao presente litígio trata da exigência de créditos tributários emanados de rendimentos omitidos e de compensação indevida de IRRF, ou seja, a atribuição do CARF no caso sob análise limitase ao exame do conjunto probatório constante dos autos e dos argumentos apresentados pelo Fisco, pelo contribuinte e pela DRJ para decidir pela procedência ou não do lançamento efetuado. Desse modo, considerandose que não figuram entre as competências deste Colegiado a tomada de decisão quanto à execução de sentença judicial, tampouco as matérias Fl. 278DF CARF MF Processo nº 12326.004574/200918 Acórdão n.º 2402005.612 S2C4T2 Fl. 273 13 abordadas nesse tópico são objeto da presente lide, impõese não conhecer do recurso em relação a essas matérias. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de INDEFERIR o pedido para a apresentação de novas provas e realização de perícia ou diligência, CONHECER EM PARTE do recurso para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 279DF CARF MF
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