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Numero do processo: 14098.720040/2012-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007, 2008
REGIME DE SUSPENSÃO DO PIS/COFINS DO ARTIGO 40 DA LEI Nº 10.865/2004, REGULAMENTADO PELA IN 595. RECEITAS DE FRETE INTERNO PARA EXPORTAÇÃO.
Nos termos da Lei nº 10.865/2004 e Instrução Normativa nº 595/2005, o regime de suspensão do PIS/COFINS é aplicável: (i) nas operações de compra e venda de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem às pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras; (ii) às receitas de frete do transportador e às receitas auferidas pelo operador de transporte modal referentes ao transporte de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem do fornecedor à pessoa jurídica preponderantemente exportadora; e (iii) às receitas de frete do transportador e às receitas auferidas pelo operador de transporte modal referentes ao transporte, na operação de exportação de produtos, entre pessoa jurídica preponderantemente exportadora e o ponto de saída do território nacional e/ou a empresa comercial exportadora.
A condição para fruição do regime de suspensão é que a adquirente de bens ou serviços esteja habilitada no regime de suspensão da IN 595, portanto, tenha emitido em seu nome e CNPJ um Ato Declaratório Executivo ("ADE") outorgando a habilitação, o que só ocorrerá na hipótese de a Receita Federal verificar que a pessoa jurídica preenche os requisitos da Lei para gozo do benefício fiscal.
Além disso, para os fins do disposto no artigo 40, da Lei nº 10.865/2004, as empresas adquirentes deverão declarar ao vendedor (inciso II) e ao transportador (§ 6º-A), de forma expressa e sob as penas da lei, que atendem a todos os requisitos estabelecidos.
PIS/PASEP. COFINS. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS integra o preço de venda das mercadorias ou serviços, devendo ser computado no cálculo da receita bruta ou faturamento, para fim de incidência das contribuições sociais, não havendo previsão legal para sua exclusão das bases de cálculo, salvo quando cobrado na substituição tributária.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2007, 2008
REGIME DE SUSPENSÃO DO PIS/COFINS DO ARTIGO 40 DA LEI Nº 10.865/2004, REGULAMENTADO PELA IN 595. RECEITAS DE FRETE INTERNO PARA EXPORTAÇÃO.
Nos termos da Lei nº 10.865/2004 e Instrução Normativa nº 595/2005, o regime de suspensão do PIS/COFINS é aplicável: (i) nas operações de compra e venda de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem às pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras; (ii) às receitas de frete do transportador e às receitas auferidas pelo operador de transporte modal referentes ao transporte de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem do fornecedor à pessoa jurídica preponderantemente exportadora; e (iii) às receitas de frete do transportador e às receitas auferidas pelo operador de transporte modal referentes ao transporte, na operação de exportação de produtos, entre pessoa jurídica preponderantemente exportadora e o ponto de saída do território nacional e/ou a empresa comercial exportadora.
A condição para fruição do regime de suspensão é que a adquirente de bens ou serviços esteja habilitada no regime de suspensão da IN 595, portanto, tenha emitido em seu nome e CNPJ um Ato Declaratório Executivo ("ADE") outorgando a habilitação, o que só ocorrerá na hipótese de a Receita Federal verificar que a pessoa jurídica preenche os requisitos da Lei para gozo do benefício fiscal.
Além disso, para os fins do disposto no artigo 40, da Lei nº 10.865/2004, as empresas adquirentes deverão declarar ao vendedor (inciso II) e ao transportador (§ 6º-A), de forma expressa e sob as penas da lei, que atendem a todos os requisitos estabelecidos.
PIS/PASEP. COFINS. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS integra o preço de venda das mercadorias ou serviços, devendo ser computado no cálculo da receita bruta ou faturamento, para fim de incidência das contribuições sociais, não havendo previsão legal para sua exclusão das bases de cálculo, salvo quando cobrado na substituição tributária.
Numero da decisão: 3401-003.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, relator, que dava provimento parcial para admitir a suspensão para determinadas empresas, acompanhado, neste ponto, pelo conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições. Designado o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor. Esteve presente ao julgamento a advogada Marília Lima do Nascimento, OAB/DF nº 38.478.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA - Relator.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007, 2008 REGIME DE SUSPENSÃO DO PIS/COFINS DO ARTIGO 40 DA LEI Nº 10.865/2004, REGULAMENTADO PELA IN 595. RECEITAS DE FRETE INTERNO PARA EXPORTAÇÃO. Nos termos da Lei nº 10.865/2004 e Instrução Normativa nº 595/2005, o regime de suspensão do PIS/COFINS é aplicável: (i) nas operações de compra e venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem às pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras; (ii) às receitas de frete do transportador e às receitas auferidas pelo operador de transporte modal referentes ao transporte de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem do fornecedor à pessoa jurídica preponderantemente exportadora; e (iii) às receitas de frete do transportador e às receitas auferidas pelo operador de transporte modal referentes ao transporte, na operação de exportação de produtos, entre pessoa jurídica preponderantemente exportadora e o ponto de saída do território nacional e/ou a empresa comercial exportadora. A condição para fruição do regime de suspensão é que a adquirente de bens ou serviços esteja habilitada no regime de suspensão da IN 595, portanto, tenha emitido em seu nome e CNPJ um Ato Declaratório Executivo ("ADE") outorgando a habilitação, o que só ocorrerá na hipótese de a Receita Federal verificar que a pessoa jurídica preenche os requisitos da Lei para gozo do benefício fiscal. Além disso, para os fins do disposto no artigo 40, da Lei nº 10.865/2004, as empresas adquirentes deverão declarar ao vendedor (inciso II) e ao transportador (§ 6ºA), de forma expressa e sob as penas da lei, que atendem a todos os requisitos estabelecidos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 72 00 40 /2 01 2- 96 Fl. 468DF CARF MF 2 PIS/PASEP. COFINS. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS integra o preço de venda das mercadorias ou serviços, devendo ser computado no cálculo da receita bruta ou faturamento, para fim de incidência das contribuições sociais, não havendo previsão legal para sua exclusão das bases de cálculo, salvo quando cobrado na substituição tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2007, 2008 REGIME DE SUSPENSÃO DO PIS/COFINS DO ARTIGO 40 DA LEI Nº 10.865/2004, REGULAMENTADO PELA IN 595. RECEITAS DE FRETE INTERNO PARA EXPORTAÇÃO. Nos termos da Lei nº 10.865/2004 e Instrução Normativa nº 595/2005, o regime de suspensão do PIS/COFINS é aplicável: (i) nas operações de compra e venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem às pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras; (ii) às receitas de frete do transportador e às receitas auferidas pelo operador de transporte modal referentes ao transporte de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem do fornecedor à pessoa jurídica preponderantemente exportadora; e (iii) às receitas de frete do transportador e às receitas auferidas pelo operador de transporte modal referentes ao transporte, na operação de exportação de produtos, entre pessoa jurídica preponderantemente exportadora e o ponto de saída do território nacional e/ou a empresa comercial exportadora. A condição para fruição do regime de suspensão é que a adquirente de bens ou serviços esteja habilitada no regime de suspensão da IN 595, portanto, tenha emitido em seu nome e CNPJ um Ato Declaratório Executivo ("ADE") outorgando a habilitação, o que só ocorrerá na hipótese de a Receita Federal verificar que a pessoa jurídica preenche os requisitos da Lei para gozo do benefício fiscal. Além disso, para os fins do disposto no artigo 40, da Lei nº 10.865/2004, as empresas adquirentes deverão declarar ao vendedor (inciso II) e ao transportador (§ 6ºA), de forma expressa e sob as penas da lei, que atendem a todos os requisitos estabelecidos. PIS/PASEP. COFINS. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS integra o preço de venda das mercadorias ou serviços, devendo ser computado no cálculo da receita bruta ou faturamento, para fim de incidência das contribuições sociais, não havendo previsão legal para sua exclusão das bases de cálculo, salvo quando cobrado na substituição tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, relator, que dava provimento parcial para admitir a suspensão para determinadas empresas, acompanhado, neste ponto, pelo conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições. Designado o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para Fl. 469DF CARF MF Processo nº 14098.720040/201296 Acórdão n.º 3401003.261 S3C4T1 Fl. 468 3 redigir o voto vencedor. Esteve presente ao julgamento a advogada Marília Lima do Nascimento, OAB/DF nº 38.478. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA Relator. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre da lavratura de Autos de Infração (fls. 0218), em 06/06/2012, dos quais o contribuinte foi cientificado no dia 11/06/2012, conforme fls. 247, para cobrança de valores a título de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social ("COFINS") e de Contribuição para os Programas de Integração Social ("PIS"), cujos fatos geradores teriam ocorrido entre Julho de 2007 a Dezembro de 2008, acrescidos de juros de mora e multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). No lançamento, é apontada a insuficiência do recolhimento das mencionadas contribuições, por dois motivos: (i) exclusão indevida de receitas tidas como acobertadas por suspensão da incidência das contribuições, por força do artigo 40 da Lei nº 10.865/2004, no período de julho de 2007 a dezembro de 2008; e (ii) exclusão indevida do ICMS da base de cálculo das contribuições, sem amparo de decisão judicial, no período de julho de 2007 a dezembro de 2007. No que se refere à primeira matéria tratada no lançamento, oportuno mencionar que, segundo o relatório da ação fiscal (fls. 237244), a Fiscalização dirigiu intimações aos adquirentes dos serviços de fretes que haviam sido tratados pelo contribuinte como suspensos da incidência do PIS/COFINS, com o objetivo de "certificar quem eram os clientes preponderantemente exportadores, se haviam comunicado o sujeito passivo da habilitação no regime de suspensão, qual o tratamento tributário dado aos fretes adquiridos e qual havia sido o montante da aquisição". (grifos nossos) O resultado dessa diligência, cujos documentos estão compilados como ANEXO I do lançamento, foi o seguinte: a grande maioria dos adquirentes informou que Fl. 470DF CARF MF 4 adquiriu os fretes sem suspensão, em conseqüência, aproveitando o crédito de PIS/COFINS na aquisição de serviço (isto ocorreu com os adquirentes AMAGGI, AGRÍCOLA DEMETER, AGRÍCOLA XINGU, AWB BRASIL, CARAMURU, MAEDA, MULTIGRAN, PRODUTOS ALIMENTÍCIOS ORLÂNDIA, SELECTA E SLC AGRÍCOLA); um dos adquirentes, CARGILL AGRÍCOLA, informou que não aproveitou quando o documento fiscal informava que a operação era acobertada pela suspensão e aproveitou crédito quando a suspensão não era informada, de todo modo, afirmou que não era preponderantemente exportador; e dois dos adquirentes, COMIGO e LOUIS DREYFUS COMMODITIES, sem o relatório mencionar expressamente se a operação foi feita com suspensão ou não, afirmaram que não eram habilitados no regime de suspensão. Diante de tais constatações, a Fiscalização concluiu que "o sujeito passivo jamais efetuou as vendas de serviços de transportes com suspensão da Contribuição para o PIS e da Cofins, sendo indevidas as exclusões da base de cálculo dessas contribuições com base no artigo 40 da Lei nº 10.865/2004". Com relação à segunda matéria tratada no lançamento, exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições, o relatório do termo de verificação fiscal informa que, após ter sido intimado, "foi protocolada resposta em 02/12/2011, asseverando que tais exclusões foram feitas à revelia da legislação, sem estarem acobertadas por medida judicial". Contra esse lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação, julgada totalmente improcedente pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, na sessão de julgamento do dia 14/05/2013, em acórdão que possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007, 2008 FRETE INTERNO DE PRODUTO A SER EXPORTADO. INCIDÊNCIA DE TRIBUTAÇÃO. Para não incidir a contribuição sobre as receitas de transportadoras decorrentes de frete interno de produto a ser exportado, bem como de frete de suas matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, é necessário que se comprove que o exportador é habilitado junto à Receita Federal como pessoa jurídica preponderantemente exportadora e que se comprove o atendimento aos prérequisitos estabelecidos na legislação vigente. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Quer na sistemática cumulativa, quer na não cumulativa, inexiste previsão legal para amparar a pretensão de verse excluída, da base de cálculo da Cofins, o valor do ICMS incidente sobre as operações de vendas de mercadorias ou da prestação de serviços. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Estando a multa aplicada prevista em lei, não há o que cogitar, em âmbito administrativo, a respeito de confisco e inconstitucionalidade de norma regularmente editada. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 14098.720040/201296 Acórdão n.º 3401003.261 S3C4T1 Fl. 469 5 AUTUAÇÃO REFLEXA: PIS. Ao se definir a matéria tributável na autuação da Cofins, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa do PIS, face à relação de causa e efeito existente". Dessa decisão, o contribuinte, ora Recorrente, foi cientificado no dia 04/07/2013, conforme documento de fls 397, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 05/08/2013, no qual expôs os seguintes argumentos: (i) o termo "pessoa jurídica preponderantemente exportadora" do artigo 40, parágrafo 6ºA, da Lei nº 10.865/2004, foi introduzido pela Medida Provisória nº 428, de 13/05/2008; diante disso, defende a Recorrente a aplicação do princípio da anterioridade, para que a interpretação relacionada ao dispositivo só possa produzir efeitos a partir de 13/08/2008; (ii) inaplicabilidade das penalidades previstas no artigo 40, da Lei nº 10.865/2004, e IN 595 ao seu caso; (iii) exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS; (iv) possibilidade de redução da multa de ofício; (v) nulidade do acórdão recorrido por violação aos princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, em razão de ter rejeitado o pedido de perícia formulado pela Recorrente. Ao final, pede a nulidade do lançamento ou, alternativamente, "que seja realizada perícia contábil, sem prejuízo de outras diligências a serem requeridas posteriormente, conforme requerido na peça de Impugnação" ou que a base de cálculo seja revista para "excluir os valores dos serviços de frete prestados para as empresas: AWB BRASIL TRADING S/A; LOUIS DREYFUSS COMMODITIES AGROINDUSTRIAL LTDA.; NOBLE BRASIL LTDA.", "excluir os valores dos serviços de frete prestados para empresas comerciais exportadoras, com o fim específico da exportação"; "excluir os serviços de frete prestados antes de 13/08/2008"; e reduzir a multa de ofício para o suposto limite de 20% (vinte por cento). Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"), sendo distribuídos à minha relatoria na sessão de julgamento do dia 17/03/2016. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como relatado, as questões a serem decididas por esse Colegiado dizem respeito a: (i) aplicação do regime de suspensão do PIS/COFINS previsto no artigo 40 da Lei nº 10.865/2004 sobre as receitas de frete da Recorrente; (ii) exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS; (iii) possibilidade de redução da multa de ofício lançada e (iv) nulidade do acórdão recorrido por violação aos princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Fl. 472DF CARF MF 6 Breves considerações a respeito do regime de suspensão do PIS/COFINS do artigo 40 da Lei nº 10.865/2004 No que se refere à primeira matéria, a questão que se coloca é se a Recorrente tem o direito de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS as receitas de frete auferidas na prestação de serviço de transporte em favor de determinados clientes, pela aplicação do regime de suspensão previsto no artigo 40 da Lei nº 10.865/2004, a partir da análise daquilo que é condição e daquilo que é obrigação acessória para fins de fruição do regime. De acordo com o artigo 40, da Lei nº 10.865/2004: "Art. 40. A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ficará suspensa no caso de venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a pessoa jurídica preponderantemente exportadora. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) § 1º Para fins do disposto no caput deste artigo, considerase pessoa jurídica preponderantemente exportadora aquela cuja receita bruta decorrente de exportação para o exterior, no anocalendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido igual ou superior a 70% (setenta por cento) de sua receita bruta total de venda de bens e serviços no mesmo período, após excluídos os impostos e contribuições incidentes sobre a venda. (Redação dada pela Lei nº 11.529, de 2007) § 1º Para fins do disposto no caput, considerase pessoa jurídica preponderantemente exportadora aquela cuja receita bruta decorrente de exportação para o exterior, no anocalendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido igual ou superior a 50% (cinquenta por cento) de sua receita bruta total de venda de bens e serviços no mesmo período, após excluídos os impostos e contribuições incidentes sobre a venda. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) § 2º Nas notas fiscais relativas à venda de que trata o caput deste artigo, deverá constar a expressão "Saída com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com a especificação do dispositivo legal correspondente. § 3º A suspensão das contribuições não impede a manutenção e a utilização dos créditos pelo respectivo estabelecimento industrial, fabricante das referidas matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. § 4º Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; e II declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos. § 5º A pessoa jurídica que, após adquirir matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem com o benefício da suspensão de que trata este artigo, derlhes destinação diversa de exportação, fica obrigada a recolher as contribuições não pagas pelo fornecedor, acrescidas de juros e Fl. 473DF CARF MF Processo nº 14098.720040/201296 Acórdão n.º 3401003.261 S3C4T1 Fl. 470 7 multa de mora, ou de ofício, conforme o caso, contados a partir da data da aquisição. § 6º As disposições deste artigo aplicamse à Contribuição para o PIS/Pasep Importação e à CofinsImportação incidentes sobre os produtos de que trata o caput deste artigo". (grifos nossos) Como se verifica, tratase de um benefício fiscal destinado a desonerar a operação interna e de importação anterior à exportação para o exterior, na hipótese de compra e venda e importação de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. O beneficiário do regime de suspensão é a pessoa jurídica considerada preponderantemente exportadora. Observem que, para o fornecedor, a aplicação do regime de suspensão não se destina a trazer vantagens nem desvantagens. Em uma operação de fornecimento ordinária, o fornecedor calcula o seu preço, considerando o valor do PIS/COFINS, e indica na nota fiscal que se trata de uma operação tributada pelas contribuições. Além disso, na apuração mensal das contribuições, o fornecedor inclui as receitas dessa operação na base de cálculo do PIS/COFINS, submetendoa, assim, à tributação pelas contribuições. Por outro lado, em se tratando de uma operação submetida ao regime de suspensão, o fornecedor calcula o seu preço sem considerar a tributação daquela receita pela PIS/COFINS, indica na nota fiscal que se trata de uma operação realizada sob o regime de suspensão e deixa de incluir tais receitas na base de cálculo das contribuições. Ou seja, de uma maneira geral, o ganho econômico da suspensão do PIS/COFINS no fornecimento à pessoa jurídica preponderantemente exportadora é refletido no preço do bem adquirido, beneficiando o comprador, motivo pelo qual se afirma que é ele o beneficiário do regime de suspensão. A Lei ainda determina, para a fruição do benefício fiscal de suspensão do PIS/COFINS, que o vendedor/fornecedor emita nota fiscal com a expressão "Saída com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", indicando o dispositivo legal correspondente, conforme artigo 40, parágrafo 2º, da Lei nº 10.865/2004, e que o comprador, pessoa jurídica preponderantemente exportadora, atenda aos termos e às condições estabelecidas pela Receita Federal em regulamentação da Lei e declare ao vendedor que cumpre aos requisitos estabelecidos, como previsto nos incisos I e II do artigo 40, parágrafo 4º, da Lei nº 10.865/2004. Na minha leitura, o artigo 40, parágrafo 2º, e o artigo 40, parágrafo 4º, inciso II, da Lei nº 10.865/2004, instituem típicas obrigações acessórias (artigo 115 do CTN), com o objetivo de facilitar a verificação pelo Fisco do regular cumprimento pelos contribuintes de suas obrigações principais, ao passo que o artigo 40, parágrafo 4º, inciso I, da Lei nº 10.865/2004, trata de uma condição para a fruição do benefício fiscal. A distinção tem efeito prático importante. Eventual descumprimento do parágrafo 2º e/ou parágrafo 4º, inciso II implica a possibilidade de o Fisco lançar alguma penalidade por descumprimento de obrigação acessória, mas nunca a possibilidade de exigir o pagamento da obrigação principal. Já o descumprimento do parágrafo 4º, inciso I, pode acarretar a perda do próprio benefício fiscal de suspensão, ou melhor, o não enquadramento de uma determinada operação no regime de suspensão. Além disso, impende ressaltar que o benefício econômico se destina a operações anteriores à operação de exportação para o exterior. Assim, não é todo e qualquer fornecimento de bem à pessoa jurídica preponderantemente exportadora que terá a PIS/COFINS suspensa, sendo certo que, se a pessoa jurídica adquire as matériasprimas, Fl. 474DF CARF MF 8 produtos intermediários e materiais de embalagem com o benefício da suspensão, ou seja, assumindo que a operação posterior é de exportação, mas, por algum motivo, tais bens têm destino diverso, a pessoa jurídica preponderantemente exportadora fica obrigada a recolher as contribuições que incidiriam na operação ordinária de fornecimento, nos termos do artigo 40, parágrafo 5º, da Lei nº 10.865/2004. Alguns anos após, com a edição da Lei nº 11.488/2007 e da Lei nº 11.774/2008, o artigo 40 da Lei nº 10.865/2004 sofreu modificações, com a inclusão dos parágrafos 6ºA e seguintes, abaixo transcritos: "§ 6ºA A suspensão de que trata este artigo alcança as receitas relativas ao frete contratado no mercado interno para o transporte rodoviário dentro do território nacional de: (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) § 6ºA. A suspensão de que trata este artigo alcança as receitas de frete, bem como as receitas auferidas pelo operador de transporte multimodal, relativas a frete contratado pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora no mercado interno para o transporte dentro do território nacional de: (Redação dada pela Medida Provisória nº 428, de 2008) § 6ºA. A suspensão de que trata este artigo alcança as receitas de frete, bem como as receitas auferidas pelo operador de transporte multimodal, relativas a frete contratado pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora no mercado interno para o transporte dentro do território nacional de: (Redação dada pela Lei nº 11.774, de 2008) I matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos na forma deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) II produtos destinados à exportação pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) § 7o Para fins do disposto no inciso II do § 6oA deste artigo, o frete deverá referirse ao transporte dos produtos até o ponto de saída do território nacional. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) § 8o O disposto no inciso II do § 6oA deste artigo aplicase também na hipótese de vendas a empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) § 9o Deverá constar da nota fiscal a indicação de que o produto transportado destinase à exportação ou à formação de lote com a finalidade de exportação, condição a ser comprovada mediante o Registro de Exportação RE. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007)" (grifos nossos) Com isso, o regime de suspensão do PIS/COFINS previsto no caput do artigo 40 e detalhado nos parágrafos seguintes passou a se aplicar não somente às operações de compra e venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem para as pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras, mas também: (i) às receitas de frete do transportador e às receitas auferidas pelo operador de transporte modal referentes ao transporte de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem do fornecedor à pessoa jurídica preponderantemente exportadora; (ii) às receitas de frete do transportador e às receitas auferidas pelo operador de transporte modal referentes ao transporte, na operação de Fl. 475DF CARF MF Processo nº 14098.720040/201296 Acórdão n.º 3401003.261 S3C4T1 Fl. 471 9 exportação de produtos, entre pessoa jurídica preponderantemente exportadora e o ponto de saída do território nacional e/ou a empresa comercial exportadora. Atualmente, o regime de suspensão do PIS/COFINS do artigo 40 da Lei nº 10.865/2004 está regulamentado pela Instrução Normativa SRF nº 595/2005 ("IN 595"), que prevê um procedimento de habilitação ao regime, requisito obrigatório e essencial para a fruição da suspensão do PIS/COFINS, nos termos do artigo 2º da IN 595. Nesta regulamentação, portanto, encontramse justamente os "termos e as condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal" mencionados no artigo 10, parágrafo 4º, inciso I, da Lei nº 10.865/2004, para a fruição do benefício. Quanto ao procedimento de habilitação, a pessoa jurídica interessada em se habilitar no regime de suspensão deverá apresentar um requerimento, instruído com a documentação exigida para fins de comprovação de que atende aos requisitos da Lei para ser considerada "preponderantemente exportadora", a ser analisado pela DRF ou pela Derat. Ao final, deferido o pedido da pessoa jurídica interessada, "a habilitação será concedida por meio de Ato Declaratório Executivo (ADE), emitido pelo Delegado da DRF ou da Derat, publicado no Diário Oficial da União", que será "emitido para o número do CNPJ do estabelecimento matriz e aplicase a todos os estabelecimentos da pessoa jurídica requerente". (artigo 6º, caput e parágrafo 1º, da IN 595) A regulamentação ainda prevê o procedimento a ser adotado por comprador e vendedor na operacionalização do regime. O comprador deve: (i) "declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos, bem assim indicar o número do ADE que lhe concedeu o direito" e (ii) "manter plano de contas e respectivo modelo de lançamentos contábeis ajustados ao registro e controle: I dos estoques existentes na data da habilitação ao regime; II das aquisições e dos estoques de MP, PI e ME, incluídos aqueles não submetidos ao regime; e III das vendas efetuadas no mercado interno e das exportações para o exterior". Já a cargo do vendedor, (iii) "nas notas fiscais relativas às vendas de MP, PI e ME, deve constar a expressão "Saída com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", acompanhada da especificação do dispositivo legal correspondente, bem assim do número do ADE (...)" (artigos 8º, incisos I e II, e artigo 11. da IN 595). Destaquese ainda o artigo 14 da IN 595, que traz as seguintes prescrições: "Art. 14. A pessoa jurídica habilitada ao regime poderá, a seu critério, efetuar aquisições de MP, PI e ME fora do regime, não se aplicando, neste caso, a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes na venda daquelas mercadorias. Parágrafo único. As MP, os PI e os ME adquiridos sem o benefício da suspensão geram direito ao desconto de créditos apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003". Esse dispositivo esclarece e confirma o comentário inicialmente feito, a respeito do funcionamento do regime de suspensão. Deixa claro que o gozo do regime de suspensão de PIS/COFINS, com base no artigo 40, da Lei nº 10.865/2004, é uma faculdade do contribuinte habilitado e não uma obrigação. Desse modo, o contribuinte que preenche os requisitos para ser considerado uma empresa "preponderantemente exportadora" e apresenta pedido de habilitação no regime de suspensão da IN 595, ao final, tem um Ato Declaratório Executivo ("ADE") emitido em seu Fl. 476DF CARF MF 10 nome e CNPJ, que lhe outorga a habilitação e autoriza a operação do regime. Com isso, o contribuinte habilitado poderá realizar operações de aquisição de bens e serviços sob o amparo da suspensão ou poderá dar o tratamento ordinário a tais operações, a seu exclusivo critério. Até mesmo porque não é toda e qualquer aquisição de MP, PI e ME pelo contribuinte habilitado que poderá usufruir do regime de suspensão, mas apenas aquelas anteriores a operações de exportação. Na primeira hipótese, não poderá se creditar de nenhum valor a título de PIS/COFINS, ante a vedação contida na legislação de regência (artigo 3º, parágrafo 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002). Por outro lado, optando pelo tratamento ordinário, sem suspensão e com a tributação ordinária, poderá se creditar normalmente do PIS/COFINS sobre aquela operação. Ante o exposto, como já adiantado, acredito que a condição essencial mencionada no artigo 40, parágrafo 4º, inciso I, da Lei nº 10.865/2004 é que a adquirente de bens ou serviços esteja habilitada no regime de suspensão da IN 595, portanto, tenha emitido em seu nome e CNPJ um ADE declarando a habilitação, o que só se dará uma vez que a Receita Federal verifique se a pessoa jurídica preenche os requisitos da Lei para gozo do benefício fiscal. Não possuindo o ADE, mesmo que preencha os requisitos, não poderá a operação ser qualificada como realizada sob o regime de suspensão, diante do disposto no artigo 179, caput, do CTN, e até mesmo em função do caráter facultativo do regime de suspensão. Um segundo ponto importante é verificar se o contribuinte optou pelo regime de suspensão em uma dada operação, o que tem efeitos diferentes, como já exposto. As exigências previstas em Lei e detalhadas no regulamento, como indicação da natureza da operação na nota fiscal e apresentação de declaração pelo comprador/tomador ao vendedor/prestador, a meu ver, como afirmado anteriormente, têm natureza de obrigação acessória e não de condição para fruição do benefício. Assim, servem para que o Fisco verifique se a operação está sujeita ou não ao regime de suspensão. E também para que as partes manifestem sua vontade quanto a inclusão de uma dada operação no regime de suspensão. Existindo indicação na nota fiscal e declaração, não há dúvidas, a operação está sujeita ao regime de suspensão, devendo as partes envolvidas seguir o procedimento adequado. Porém, existindo apenas uma delas? Apenas a indicação ou apenas a declaração? A solução irá depender do caso concreto, do conjunto de elementos existentes em cada caso, e o ônus argumentativo para se determinar a natureza da operação, se sujeita ou não ao regime de suspensão, é maior. Por fim, cabe observar que a IN 595 é anterior às alterações na Lei nº 10.865/2004 que incluíram a prestação de serviços de transporte no regime de suspensão de PIS/COFINS, não tendo sido atualizada depois. Apesar disso, entendo que a regulamentação é aplicável também às operações de prestação de serviços. Desse modo, se é necessária a obtenção de um ADE para a compradora de bens, para que os mesmos possam se sujeitar ao regime de suspensão, também será necessária a existência de um ADE em nome do tomador de serviços para a submissão das receitas de frete ao regime de suspensão do PIS/COFINS. Análise do Caso Concreto No caso ora em julgamento, a Recorrente presta serviços de transporte e, dessa maneira, é remunerada pelo frete. Na Fiscalização, apurouse que a Recorrente em determinadas prestações de serviço, emitiu nota fiscal informando que as contribuições do Fl. 477DF CARF MF Processo nº 14098.720040/201296 Acórdão n.º 3401003.261 S3C4T1 Fl. 472 11 PIS/COFINS estariam suspensas, por força do artigo 31 da Lei nº 11.488/2007, que introduziu o parágrafo 6ºA ao artigo 40 da Lei nº 10.865/2004, deixando de incluir tais receitas na base de cálculo do PIS/COFINS. Entretanto, a Fiscalização entendeu que essa exclusão de receitas da base de cálculo era indevida, a partir de diligência realizada junto aos clientes da Recorrente, em que constatou que as operações não foram consideradas pelos clientes como realizadas com suspensão das contribuições, seja pelo fato de os clientes não estarem habilitados no regime de suspensão, seja por não terem apresentado declaração à Recorrente informando a condição de beneficiário. Nessa mesma diligência, os clientes da Recorrente informaram que aproveitaram os créditos de PIS/COFINS, por entenderem que a operação não se realizou com suspensão, mas de forma ordinária. Esse entendimento foi mantido pela decisão recorrida, que asseverou que "este item da autuação deve ser mantido em sua totalidade, pois a impugnante não logrou comprovar o atendimento aos prérequisitos previstos na legislação para o gozo da suspensão da tributação do PIS e da Cofins sobre as receitas de frete, conforme demonstrado pela Fiscalização". Por sua vez, a Recorrente defende a legalidade da exclusão da base de cálculo, com base no argumentos analisados a seguir. Inicialmente, a Recorrente alega que o termo "pessoa jurídica preponderantemente exportadora" do artigo 40, parágrafo 6ºA, da Lei nº 10.865/2004, foi introduzido pela Medida Provisória nº 428, de 13/05/2008. Por esse motivo, defende a Recorrente a aplicação do princípio da anterioridade, para que a interpretação relacionada ao dispositivo só possa produzir efeitos a partir de 13/08/2008. Realmente, devese concordar com a Recorrente, quando afirma que o parágrafo 6ºA do artigo 40 da Lei nº 10.865/2004 teve sua redação alterada ao longo dos anos, conforme abaixo: "§ 6oA A suspensão de que trata este artigo alcança as receitas relativas ao frete contratado no mercado interno para o transporte rodoviário dentro do território nacional de: (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) § 6oA. A suspensão de que trata este artigo alcança as receitas de frete, bem como as receitas auferidas pelo operador de transporte multimodal, relativas a frete contratado pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora no mercado interno para o transporte dentro do território nacional de: (Redação dada pela Medida Provisória nº 428, de 2008) § 6oA. A suspensão de que trata este artigo alcança as receitas de frete, bem como as receitas auferidas pelo operador de transporte multimodal, relativas a frete contratado pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora no mercado interno para o transporte dentro do território nacional de: (Redação dada pela Lei nº 11.774, de 2008)" Como se verifica, com a Medida Provisória nº 428/2008, foram incluídos os termos "bem como receitas auferidas pelo operador de transporte multimodal" e "pela pessoa Fl. 478DF CARF MF 12 jurídica preponderantemente exportadora". Essa Medida Provisória foi publicada no dia 13/05/2008, produzindo efeitos a partir de então para a alteração legislativa em questão. A Recorrente defende que o requisito de que o frete deveria ser contratado "pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora" só teria surgido com a edição da Medida Provisória em questão e, mais, que tal exigência, só poderia surtir efeitos depois de 90 (noventa) dias, ante o princípio da anterioridade nonagesimal, a ser observado pelas contribuições. Assim, segundo a Recorrente, a exigência de prestação de serviços para "pessoa jurídica preponderantemente exportadora" só valeria a partir de 13/08/2008, o que afastaria o lançamento sobre grande parte da autuação, que é relativa ao período de Julho de 2007 a Dezembro de 2008. Contudo, não há como prosperar o argumento da Recorrente. Isso porque, a Recorrente parte da premissa de que a interpretação a ser dada à redação original do dispositivo não exigiria que a prestação de serviços fosse realizada em favor de pessoa jurídica preponderantemente exportadora, interpretação, a meu ver, equivocada. É ler a redação original do artigo 40, parágrafo 6ºA, da Lei nº 10.865/2004: "§ 6º A A suspensão de que trata este artigo alcança as receitas relativas ao frete contratado no mercado interno para o transporte rodoviário dentro do território nacional de I matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos na forma deste artigo; e II produtos destinados à exportação pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora". No meu entender, a correta leitura do dispositivo em apreço é que as regras relativas ao regime de suspensão da operação de compra e venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, prevista nos dispositivos anteriores, também será aplicada ao serviço de frete dessa mesma operação, à operação seguinte, inclusive, quando o produto for destinado à empresa comercial exportadora. Como decorrência lógica, nessa primeira das três operações possíveis, do mesmo modo que a suspensão da operação de compra e venda de bens transportados, o frete deverá ser sobre uma operação anterior a uma operação de exportação, realizada por uma empresa preponderantemente exportadora, afinal, o frete é daquelas exatos produtos, ou, na forma da Lei, o frete é de "matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos na forma deste artigo". A interpretação da Recorrente, no sentido de que a exigência de que o tomador fosse "pessoa jurídica preponderantemente exportadora" não existiria pela redação original do dispositivo, além de ir contra a própria letra da Lei, levaria a uma conclusão absurda, que a suspensão do artigo 40 da Lei alcança o frete, mas um frete que pode ser adquirido por qualquer empresa, sem qualquer vínculo com o regime de suspensão no qual o legislador pretendeu também incluir os serviços de frete dos bens já contemplados pelo regime e não apenas o fornecimento de bens. Além disso, o requisito não é apenas que o tomador de serviços seja "pessoa jurídica preponderantemente exportadora", mas também que os termos e condições estabelecidos pela Receita Federal seja observados, em especial, que a "pessoa jurídica preponderantemente exportadora" esteja regularmente habilitada no regime da IN 595, pela emissão de ADE em seu nome e CNPJ. A Recorrente ainda alega a inaplicabilidade das penalidades previstas no artigo 40, da Lei nº 10.865/2004, e da IN 595 ao presente caso. Aos olhos da Recorrente, a Fl. 479DF CARF MF Processo nº 14098.720040/201296 Acórdão n.º 3401003.261 S3C4T1 Fl. 473 13 exclusão das receitas de frete da base de cálculo do PIS/COFINS se justificaria, pois "os CTRC´s Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas foram emitidos com a observação de que a venda foi realizada com a incidência dos tributos suspensa", alegando que "se a destinação da carga não era a exportação, o tomador de fretes deveria, ao menos, requerer a retificação do documento fiscal". Argumenta ainda que a operação de prestação de serviços de frete ajustada pelas partes como uma operação a ser realizada com suspensão do PIS/COFINS e que as empresas "se beneficiaram da aquisição de frete mais barato, uma vez que contratados com a suspensão da incidência do PIS/COFINS". Quanto à inaplicabilidade da IN 595, afirma a Recorrente que a regulamentação em apreço trata apenas da venda de MP, PI e ME, não podendo ser aplicada na prestação de serviços de transportes para os quais, por conseqüência, não se poderia exigir ADE para a fruição do benefício fiscal de suspensão do PIS/COFINS. A Recorrente ainda afirma que, se o Fisco adotou como requisito para a suspensão da exigência do PIS/COFINS que o tomador de serviços seja possuidor de ADE, deveria excluir da autuação todas as receitas decorrentes de tomadoras que possuam o ADE, indicando a Recorrente que se enquadram, nesse caso, as receitas obtidas junto às empresas AWB BRASIL TRADING S.A, LOUIS DREYFUSS COMMODITIES AGROINDUSTRIAL LTDA., E NOBLE BRASIL LTDA. De início, como visto acima, entendo que a condição existente para o gozo do regime de suspensão do PIS/COFINS é a emissão, em nome da adquirente de MP, PI e ME e/ou tomadora de serviços de transporte relacionado a essas aquisições, de ADE concedendo a sua habilitação no regime de suspensão da IN 595. Além disso, a opção para realização da operação de aquisição de bem ou serviço sob o regime de suspensão, em detrimento do regime ordinário de tributação, deve ser manifestado pela pessoa jurídica habilitada e a outra parte envolvida na operação, vendedor ou prestador de serviços. Essa manifestação, de acordo com a legislação examinada, deve se dar pela apresentação de declaração do adquirente/tomador em conjunto com a indicação da natureza da operação pelo vendedor/prestador de serviços na nota fiscal. Desse modo, devese rechaçar a alegação da Recorrente quanto à inaplicabilidade do disposto no artigo 40 da Lei nº 10.865/2004, assim como na IN 595. Considerando isso, a ciência ou não pelas partes de que as notas fiscais ou conhecimentos de transporte indicavam a natureza da operação, as operações posteriores constituírem uma operação de exportação, o adquirente preencher os requisitos para se habilitar na IN 595, não contribuem para afastar a ilegalidade da exclusão das receitas de frete da Recorrente da base de cálculo do PIS/COFINS, se as empresas adquirentes não se habilitaram no regime de suspensão e não possuem o respectivo ADE, como ocorre com a maioria dos clientes da Recorrente no período da autuação. Ao se examinar as informações prestadas pelos clientes da Recorrente às fls. 241 dos autos, em conjunto com a relação de pessoas jurídicas habilitadas no regime de Fl. 480DF CARF MF 14 suspensão da Receita Federal1, verificase que apenas os seguintes clientes possuem o ADE emitido dentro do período de realização das operações (Julho de 2007 a Dezembro de 2008): AWB Brasil Trading S.A (CNPJ nº 07.911.842/000144); ADE nº 16, de 21/07/2008; Delegacia da RFB, de São Paulo; e LOUIS DREYFUS COMMODITIES AGROINDUSTRIAL LTDA (CNPJ nº 00.831.373/000104); ADE nº 26, de 24/07/2007, Delegacia da RFB, de São Paulo; Com relação à empresa NOBLE BRASIL LTDA (CNPJ nº 06.315.338/0001 19), como informado no lançamento, a mesma só obteve o ADE em período posterior, o que é confirmado na relação do sítio eletrônico da RFB, na qual consta que foi emitido o ADE de nº 22, apenas em 06/07/2010, pela Delegacia da RFB de São Paulo, portanto, em período posterior à realização das operações que foram objeto da autuação. Dessa maneira, com relação às demais empresas que sequer possuem ADE para o período em que foram realizadas as operações que deram origem ao lançamento, não há que se cogitar da aplicação do regime de suspensão do PIS/COFINS, com a conseqüente exclusão das respectivas receitas da base de cálculo da Recorrente. Porém, para as operações de prestação de serviço realizadas pela Recorrente em favor das empresas AWB Brasil Trading S.A (CNPJ nº 07.911.842/000144) e LOUIS DREYFUS COMMODITIES AGROINDUSTRIAL LTDA (CNPJ nº 00.831.373/000104), é possível que as partes tenha optado por realizálas sob o regime de suspensão. Na diligência fiscal, a AWB Brasil Trading S.A afirma que: "adquiriu os fretes sem suspensão, não enviou ao sujeito passivo declaração de que era habilitada no regime e aproveitou os créditos sobre as aquisições". Já a LOUIS DREYFUS COMMODITIES AGROINDUSTRIAL LTDA respondeu à Fiscalização que: "não é habilitada no regime de suspensão e não forneceu a declaração de que era habilitada". Ao se analisar a documentação acostada pela Recorrente em sua Impugnação, entretanto, encontramse notas fiscais por ela emitidas em razão de serviços prestados em favor da AWB Brasil Trading S.A (fls. 342356) e LOUIS DREYFUS COMMODITIES AGROINDUSTRIAL LTDA (fls. 357359) em que a indicação de que a operação é realizada com suspensão do PIS/COFINS ("PIS/PASEP E COFINS SUSPENSO CONF. PARÁGR. 6, ALÍNEA A, ART. 31 LEI 11.488/2007"). Nesse cenário, existindo ADE no período da operação e estando a operação acobertada por nota fiscal que indica sua sujeição ao regime de suspensão, penso que deve se entender que as partes decidiram aplicar o regime de suspensão para a operação, apesar de não constar na nota fiscal o número do ADE, nem existir notícia de apresentação de declaração pelo tomador dos serviços. Do mesmo modo, entendo que não poderia o tomador de serviços ter se creditado do PIS/COFINS em uma operação que deveria saber foi submetida pelo prestador e também por ele, que não se opôs à emissão da nota fiscal naquelas termos ao regime de suspensão, não havendo pagamento de PIS/COFINS. A alegação de que as clientes da Recorrente sabiam que a operação estava sendo tratada como uma operação com suspensão de PIS/COFINS, que a Recorrente e seus clientes ajustaram que a operação se efetivaria dessa maneira, tendo os clientes da Recorrente 1 http://idg.receita.fazenda.gov.br/acessorapido/legislacao/pessoasjuridicashabilitadasecoabilitadas/relacao daspjsin5952005.pdf. Consulta em 10.08.2016. Fl. 481DF CARF MF Processo nº 14098.720040/201296 Acórdão n.º 3401003.261 S3C4T1 Fl. 474 15 se beneficiado com um preço menor, apesar de não a socorrer a Recorrente para enquadrar, de plano, as operações no regime de suspensão da IN 595, a meu ver, servem como comprovação da manifestação das partes quanto ao exercício da faculdade de se utilizar do regime de suspensão, desde que, é claro, o adquirente esteja previamente habilitado, mediante a emissão de ADE, o que ocorre nas prestações de serviço em favor dos 2 (dois) clientes da Recorrente acima mencionados, após a habilitação de cada um e nas operações em que as notas fiscais indicaram essa manifestação de vontade das partes. Agora, para as outras operações, se o tomador de serviços ajustou com a Recorrente que a operação deveria ser realizada com suspensão de PIS/COFINS, sabendo que não possuía a necessária habilitação ao regime, com o correspondente ADE, e ainda descontou crédito sobre tais operações, beneficiandose duplamente, em prejuízo da Recorrente, tais fatos não influem no julgamento do lançamento ora analisado, muito embora possam ser apresentados e devidamente apreciados no Juízo competente, em eventuais demandas indenizatórias entre as partes privadas envolvidas. Pelo exposto, entendo que somente estão sujeitas ao regime de suspensão do PIS/COFINS do artigo 40 da Lei nº 10.865/2004 as operações realizadas pela Recorrente com as empresas AWB Brasil Trading S.A (CNPJ nº 07.911.842/000144), a partir da emissão do ADE, em 21/07/2008, e LOUIS DREYFUS COMMODITIES AGROINDUSTRIAL LTDA (CNPJ nº 00.831.373/000104), também a partir da emissão do seu ADE, em 24/07/2007, desde que amparadas por notas fiscais com a indicação de que a operação foi realizada com a suspensão do PIS/COFINS do artigo 40 da Lei nº 10.865/2004 e atendidos os demais requisitos da Lei (que o frete seja de operação de compra e venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos na forma do artigo 40 da Lei, destinados à exportação, ou de produtos destinados à exportação pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora, incluindose a hipótese de vendas a empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação). Portanto, voto pelo cancelamento do lançamento em relação à glosa da exclusão das receitas vinculadas as operações em referência, providência que, a meu ver, poderá ser realizada em liquidação deste acórdão, não exigindo a conversão do julgamento em diligência. Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS Com relação a essa matéria, a Recorrente defende que “a parcela correspondente ao ICMS não tem natureza de faturamento (nem mesmo de receita), mas de simples ingresso de caixa, não podendo, em razão disso, compor a base de cálculo do PIS/COFINS”. A decisão recorrida manteve o lançamento nessa parte, afirmando que “não há previsão para a exclusão do valor devido a título de ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que tal valor, ainda que assim não entenda a contribuinte, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos (exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, o que não consta que seja o caso da contribuinte)”. Verificase, portanto, que a questão a ser decidida é se o ICMS deve ou não integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativa. Fl. 482DF CARF MF 16 A Carta da República prevê em seu artigo 149 competência exclusiva da União para a instituição de contribuições sociais e, em seu artigo 195, inciso I, b, que: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (...) b) a receita ou o faturamento". (grifos nossos) Seguindo tal preceito, a Lei nº 9.718/1998, que trata do regime cumulativo da PIS e da COFINS, assim dispõe a respeito da base de cálculo dessas contribuições sociais: "Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. §2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: Ias vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; [redação anterior à Lei nº 12.973/2014] I as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimento pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de participações societárias, que tenham sido computados como receita bruta; IV as receitas de que trata o inciso IV do caput do art. 187 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, decorrentes da venda de bens do ativo não circulante, classificado como investimento, imobilizado ou intangível; e VI a receita reconhecida pela construção, recuperação, ampliação ou melhoramento da infraestrutura, cuja contrapartida seja ativo intangível representativo de direito de exploração, no caso de contratos de concessão de serviços públicos". (grifos nossos) Portanto, a base de cálculo da PIS e da COFINS será calculada pelo faturamento da pessoa jurídica, que compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598/1977, in verbis: "Art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; Fl. 483DF CARF MF Processo nº 14098.720040/201296 Acórdão n.º 3401003.261 S3C4T1 Fl. 475 17 II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014)" Por sua vez, as Leis que instituíram posteriormente a PIS e a COFINS não cumulativa (Leis nº 10.637/2002 e n° 10.833/2003) determinam que a base de cálculo desses tributos é o "total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil". À luz desse quadro normativo, a decisão recorrida entendeu que, por não existir previsão expressa para a exclusão do ICMS, esse imposto deveria integrar a base de cálculo das contribuições. Contudo, pareceme que a melhor forma de enfrentar a questão não é a partir da análise do que foi expressamente excluído ou não pela legislação, mas sim a partir do conceito de faturamento, à luz do ordenamento jurídico como um todo, nele incluindose o conceito constitucional de faturamento, previsto no artigo 195, inciso I, da Carta da República, como fez o Ministro Marco Aurélio, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.785: "As expressões utilizadas no inciso I do artigo 195 em comento hão de ser tomadas no sentido técnico consagrado pela doutrina e jurisprudencialmente. Por isso mesmo, esta Corte glosou a possibilidade de incidência da contribuição, na redação primitiva da Carta, sobre o que pago àqueles que não mantinham vínculo empregatício com a empresa, emprestando, assim, ao vocábulo “salários”, o sentido técnicojurídico, ou seja, de remuneração feita com base no contrato de trabalho – Recurso Extraordinário nº 128.5192/DF. Jamais imaginouse ter a referência à folha de salários como a apanhar, por exemplo, os acessórios, os encargos ditos trabalhistas resultantes do pagamento efetuado. Óptica diversa não pode ser emprestada ao preceito constitucional, revelador da incidência sobre o faturamento. Este decorre, em si, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por tal motivo, o que percebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviços. A base de cálculo da Cofins não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela percebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou à prestação dos Fl. 484DF CARF MF 18 serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrá lo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. No caso dos autos, muito embora com a transferência do ônus para o contribuinte, terseá, a prevalecer o que decidido, a incidência da Cofins sobre o ICMS, ou seja, a incidência de contribuição sobre imposto, quando a própria Lei Complementar nº 70/91, fiel à dicção constitucional, afastou a possibilidade de incluirse, na base de incidência da Cofins, o valor devido a título de IPI. Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea “b” do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. Cumpre ter presente a advertência do ministro Luiz Gallotti, em voto proferido no Recurso Extraordinário nº 71.758: “se a lei pudesse chamar de compra e venda o que não é compra, de exportação o que não é exportação, de renda o que não é renda, ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição” RTJ 66/165. Conforme salientado pela melhor doutrina, “a Cofins só pode incidir sobre o faturamento que, conforme visto, é o somatório dos valores das operações negociais realizadas”. A contrário sensu, qualquer valor diverso deste não pode ser inserido na base de cálculo da Cofins. Há de se atentar para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional mostrese fiel, no emprego de institutos, de expressões e de vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, tendo em vista o que assentado pela doutrina e pela jurisprudência. Por isso mesmo, o artigo 110 do Código Tributário Nacional conta com regra que, para mim, surge simplesmente pedagógica, com sentido didático, a revelar que: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios para definir ou limitar competências tributárias". (grifos nossos) É importante destacar que, ao entender pela exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS nesse julgado, o STF não declarou a inconstitucionalidade de nenhum dispositivo legal, pelo contrário, a partir do conceito constitucional de faturamento (artigo 195, inciso I, da Carta da República), deu aos dispositivos infraconstitucionais a interpretação que lhe parece mais adequada, reafirmando, assim a própria constitucionalidade de tais dispositivos. Nesse sentido, oportuno citar trecho do acórdão em questão: (...) O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES Senhora Presidente, na verdade, lembrome que participei desse intenso debate, mas nunca tive dúvida de que, tal como a questão se colocara época, o tema era, sim, constitucional. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 14098.720040/201296 Acórdão n.º 3401003.261 S3C4T1 Fl. 476 19 Na verdade, a minha divergência com o Ministro Cezar Peluso e os que o seguiram dizia respeito à compreensão do conceito no contexto geral e dos precedentes, inclusive, que se desenvolveram a partir da própria ADC n° 1. Entendo até que estamos diante daquilo que a doutrina e a teoria do direito chama de garantia de perfil institucional. Claro que podemos ter um debate, dependendo da singularidade, de perfil infraconstitucional. Mas, no caso específico, o que está em jogo é o próprio conceito. Porque podemos estar a discutir conceito de faturamento, conceito de propriedade, conceito de casamento ou de renda, e neste caso é evidente que a discussão se põe como discussão constitucional. Tanto é que temos tantos debates irrelevantes na alçada do Superior Tribunal de Justiça sobre o mesmo tema. Por quê? Claro que podemos ter detalhamentos outros, ou má ou boa aplicação da lei, mas, aqui, a indagação que se faz é sobre a substância do próprio conceito: se o legislador teria, ou não, extrapolado ao regular um determinado instituto. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Ministro, Vossa Excelência me permite? O artigo 2°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70/91 não versa a inclusão ou a exclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. O SENHOR MINISTRO SEPULVEDA PERTENCE Sim, é uma interpretação a contrario. Mas para mim o problema é irrelevante, porque não é preciso declarar a inconstitucionalidade da lei para dizermos que a inclusão do ICMS na sua própria base de cálculo é inconstitucional. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Exatamente". (grifos nossos) Essa decisão, proferida por maioria de votos pelo Plenário do STF em sede de controle difuso, transitou em julgado no dia 23/02/2015, tornandose, portanto, definitiva, e teve a seguinte ementa: "TRIBUTO – BASE DE INCIDÊNCIA – CUMULAÇÃO – IMPROPRIEDADE. Não bastasse a ordem natural das coisas, o arcabouço jurídico constitucional inviabiliza a tomada de valor alusivo a certo tributo como base de incidência de outro. COFINS – BASE DE INCIDÊNCIA – FATURAMENTO – ICMS. O que relativo a título de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços não compõe a base de incidência da Cofins, porque estranho ao conceito de faturamento.(RE 240785, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 08/10/2014) Fl. 486DF CARF MF 20 No Superior Tribunal de Justiça, que possui Súmulas antigas pela inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS (Súmulas nº 68 e 942), a Primeira Turma, por ocasião do julgamento do AgRg no AREsp 593.627/RN, reconheceu recentemente que "constituindo receita do EstadoMembro ou do Distrito Federal, a parcela correspondente ao ICMS pago não tem natureza de faturamento ou receita, mas de simples ingresso financeiro, não podendo compor a base de cálculo do PIS e da COFINS". Essa decisão possui a ementa a seguir: "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO. I A existência de repercussão geral no RE 574.706PR, em relação à matéria ora debatida, não impede sejam julgados os recursos no âmbito desta Corte. II O ICMS é um imposto indireto, ou seja, tem seu ônus financeiro transferido, em última análise, para o contribuinte de fato, que é o consumidor final. III Constituindo receita do EstadoMembro ou do Distrito Federal, a parcela correspondente ao ICMS pago não tem natureza de faturamento ou receita, mas de simples ingresso financeiro, não podendo compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. IV Conquanto a jurisprudência desta Corte tenha sido firmada no sentido de que a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do PIS e do extinto FINSOCIAL, posicionamento sedimentado com a edição das Súmulas 68 e 94, tal discussão alcançou o Supremo Tribunal Federal e foi analisada no RE 240.785/MG, julgado em 08.10.2014, que concluiu que "a base de cálculo da COFINS somente poderia incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços. Dessa forma, assentou que o valor retido a título de ICMS não refletiria a riqueza obtida com a realização da operação, pois constituiria ônus fiscal e não faturamento" (Informativo do STF n. 762). V Agravo regimental provido". (AgRg no AREsp 593.627/RN, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, Rel. p/ Acórdão Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/03/2015) Por bem abordar a questão, peço vênia para trazer os argumentos expostos no voto vencedor da Ministra Regina Helena Costa: "Assim, faturamento, na redação original do mencionado dispositivo constitucional, em síntese, é a riqueza obtida pelo contribuinte no exercício de sua atividade empresarial, sendo inadmissível a inclusão de receitas de terceiros ou que não importem, direta ou indiretamente, ingresso financeiro. 2 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS.(Súmula 68, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 15/12/1992, DJ 04/02/1993, p. 775) A PARCELA RELATIVA AO ICMS INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO FINSOCIAL. (Súmula 94, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/1994, DJ 28/02/1994, p. 2961) Fl. 487DF CARF MF Processo nº 14098.720040/201296 Acórdão n.º 3401003.261 S3C4T1 Fl. 477 21 No que tange ao conceito de faturamento constante das Leis ns. 10.637/02 e 10.833/03, entendido com o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, também não há que se falar em inclusão do ICMS. Com efeito, o ICMS é um imposto indireto, ou seja, em última análise, tem seu ônus financeiro transferido, para o contribuinte de fato, que é o consumidor final. O sujeito passivo do ICMS recolhe o valor correspondente ao Estado, sem que a respectiva quantia destinada aos cofres públicos integre sua receita. Desse modo, constituindo receita do EstadoMembro ou do Distrito Federal, a parcela correspondente ao ICMS pago não tem, pois, natureza de faturamento ou receita, mas de simples ingresso financeiro não podendo, à evidência, compor as bases de cálculo do PIS e da COFINS. Em outras palavras, considerar o ICMS para esse fim significa admitir a incidência de contribuições sociais sobre imposto devido a unidade da Federação. Forçoso reconhecer que, em se tratando de receita de terceiros (Estado Membro ou Distrito Federal), o valor de tal imposto é elemento estranho a integrar a base de cálculo das contribuições em comento, sejam elas exigidas sobre o faturamento ou sobre a receita". (grifos nossos) Portanto, fazendo a distinção do que constitui receita, que se agrega ao patrimônio do contribuinte, e do que constitui um mero ingresso, com caráter de transitoriedade e que não se incorpora ao patrimônio do contribuinte, acredito que o ICMS, embora componha o preço da mercadoria, não se reveste da qualidade de receita, motivo pelo qual entendo que não deve compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Oportuno ressaltar que a aplicação do entendimento pela exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, no presente caso, não é limitado nem ofende a Súmula CARF nº 02, que afirma "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária", pois não se está aqui declarando a inconstitucionalidade de nenhuma lei, mas simplesmente extraindo do texto da Lei a norma que parece mais adequada. Por outro lado, ainda que se entenda de forma diversa, no sentido de que, para se reconhecer a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS e da COFINS, devese necessariamente declarar a inconstitucionalidade de dispositivo da lei federal, da mesma forma é possível a aplicação do entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.785 nas decisões proferidas por esse colegiado, com fundamento no artigo 62, caput, § 1º, inciso I, do Regimento Interno do CARF3, levandose em conta que a decisão foi proferida pelo Plenário do STF e já é definitiva. 3 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput Fl. 488DF CARF MF 22 Pelo exposto, proponho a esse Colegiado que afaste essa parte do lançamento. Redução de Multa de Ofício e Nulidade do Acórdão Recorrido A Recorrente ainda defende a exclusão ou, ao menos, a redução da multa de ofício lançada, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), para 20% (vinte por cento). Para fundamentar o seu pedido, afirma que a multa lançada seria excessiva, o que violaria a garantia constitucional do nãoconfisco (artigo 150, inciso IV, da Carta da República), considerando ainda a sua onerosidade excessiva em face da estabilidade financeira vigente. A decisão recorrida manteve o lançamento da multa, por entender correta a aplicação do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996 ao caso, diante do lançamento de ofício, levando em consideração ainda que a atividade da fiscalização é vinculada à Lei. Além disso, a decisão recorrida expôs que não cabia ao julgador administrativo apreciar as alegações de inconstitucionalidade de dispositivo legal, cujo exame está reservado ao Poder Judiciário. Nesse ponto, não merece reparos a decisão recorrida, tendo em vista que a multa foi aplicada de acordo com a hipótese prevista na Lei, “nos casos de lançamento de ofício”, não podendo a autoridade julgadora avaliar se o percentual de 75% (setenta e cinco por cento) está ou não de acordo com a Carta da República. De qualquer modo, devese reconhecer a pertinência do argumento da Recorrente, pois se tal percentual parecia consentâneo com a finalidade da multa no passado, em que a inflação e a remuneração do capital observavam índices também elevados, nos dias de hoje, com a estabilização da moeda, o percentual pode dar ensejo a possíveis inconstitucionalidades, como a alegada pela Recorrente. Contudo, não cabe a esse Colegiado qualquer exame a respeito da aplicação e eventual ofensa do princípio do não confisco, levantado pela Recorrente, em razão da penalidade lançada, pois a apreciação de inconstitucionalidade das leis é de competência do Poder Judiciário, como bem decidido em primeiro grau e pacificado neste Tribunal, com a edição da Súmula CARF nº 02, com a seguinte redação: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Por último, a Recorrente ainda alega nulidade do acórdão recorrido por violação aos princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, em razão do indeferimento do pedido de perícia. Justifica a necessidade da perícia, afirmando que “o montante estimado de CTRC – Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas emitido pela recorrente no período é enorme, além das respectivas notas fiscais” e que a análise de tais documentos seria imprescindível para a comprovação de tudo que foi exposto. Na decisão recorrida, o pedido de perícia do rejeitado, ao entendimento de que a perícia pressupõe que o fato a ser provado dependa de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não seria o caso dos autos. Entendo que não assiste razão à Recorrente, pois, como exposto acima, a fixação dos critérios jurídicos para o julgamento da questão não depende da análise do CTRC e das notas fiscais, assumindo relevância as notas fiscais apenas para fins de comprovação de parte das operações, o que entendo ser possível em sede de liquidação deste acórdão, sendo desnecessária a conversão do julgamento em diligência apenas com esse objetivo. não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 14098.720040/201296 Acórdão n.º 3401003.261 S3C4T1 Fl. 478 23 Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, mantendo em parte o crédito tributário lançado, nos termos do voto. É como voto. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Voto Vencedor Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, Redator designado. Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente Relator no sentido de admitir a suspensão da incidência do PIS e da COFINS, do artigo 40, da Lei nº 10.865/2004, para determinadas empresas adquirentes, detentoras de ADE, ainda que sem a declaração exigida pelo inciso I, do artigo 8º, da IN SRF nº 595/2005, com fulcro no inciso II, do §4º c/c §6ºA, da Lei nº 10.865/2004; e para excluir o ICMS das bases de cálculo das contribuições sociais. Quanto a questão das vendas com suspensão da incidência do PIS e da COFINS, adotou o Relator o entendimento de não ser impeditivo à fruição do regime a inexistência da declaração expressa, exigida pelo inc. II, do §4º, do art. 40, da Lei nº 10.865/2004, e pelo inc. I, do art. 8º, da IN SRF nº 595/2005: Art. 40. A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ficará suspensa no caso de venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a pessoa jurídica preponderantemente exportadora. (...) § 4o Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; e II declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos. (...) § 6oA. A suspensão de que trata este artigo alcança as receitas de frete, bem como as receitas auferidas pelo operador de transporte multimodal, relativas a frete contratado pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora no mercado interno para o transporte dentro do território nacional de: (...) (Incluído pela Lei nº 11.488/2007 e com Redação dada pela Lei nº 11.774/2008) (grifei) Art. 8º A suspensão da exigibilidade das contribuições ocorrerá, em relação às MP, aos PI e aos ME, quando de sua aquisição por pessoa jurídica preponderantemente exportadora habilitada ao regime de que trata esta Instrução Normativa, observado que: Fl. 490DF CARF MF 24 I a pessoa jurídica adquirente deve declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos, bem assim indicar o número do ADE que lhe concedeu o direito; e II nas notas fiscais relativas às vendas de MP, PI e ME, deve constar a expressão "Saída com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", acompanhada da especificação do dispositivo legal correspondente, bem assim do número do ADE a que se refere o art. 6º . (grifei) Partiu o Relator da premissa de que somente o inciso I, do §4º, do art. 40, instituiu uma condição, enquanto o inciso II, instituiu simples obrigação acessória, cujo descumprimento, implicaria a possibilidade de o Fisco lançar alguma penalidade por descumprimento de obrigação acessória, mas nunca a possibilidade de exigir o pagamento da obrigação principal. Assim, concluiu bastante à fruição do regime de suspensão, as operações realizadas com empresas detentoras do ADE, desde que amparadas por notas fiscais com a indicação de que a operação foi realizada com a suspensão do PIS/COFINS do artigo 40, da Lei nº 10.865/2004, e atendidos os demais requisitos da lei, salvo, o inc. II, do §4º, do art. 40. Nesse ponto, discordo do eminente Relator em entender que pode dispensar dever estabelecido em lei, sob alegação de não tratarse de condição, mas de simples obrigação acessória que não poderia implicar no pagamento de obrigação principal. Muito mais do que o inciso I, do §4º, do artigo 40, que delega à Receita Federal estabelecer condições gerais; o inciso II, contém condição específica, diretamente estabelecida pelo legislador ordinário. Notar que a opção legislativa foi no sentido de fixar a obrigação da declaração do comprador ao vendedor (inciso II) e ao transportador (§ 6ºA), não deixando espaço de discricionariedade nesse ponto, nem mesmo ao delegado (Receita Federal) à estabelecer demais condições, obrigandoo à reprodução da norma no inciso I, do artigo 8º, da IN SRF nº 595/2005, não existindo, por óbvio, nenhuma ilegalidade na norma complementar, não sendo o CARF competente para pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nessa ou em qualquer outra matéria, por força da Súmula CARF nº 2. A principal alegação da Impugnante, ora Recorrente, é que a IN SRF nº 595/2005, seria ilegal, pois teria restringido o alcance do texto da lei, ao exigir da transportadora a indigitada declaração, afirmando que as disposições dos §§ 1º a 5º, do art. 40, da Lei nº 10.865/2004, somente se aplicariam ao vendedor ou ao adquirente, não aos prestadores de serviço de frete. Concluindo ser inaplicável ao caso a IN SRF nº 585/2005, por ter sido editada antes da vigência das normas que estenderam os citados benefícios fiscais aos serviços de frete (Lei nº 11.488/2007, com redação dada pela Lei nº 11.774/2008). Reiterase a inexistência de ilegalidade na IN SRF nº 595/2005 que, nesse ponto, limitouse a reproduzir os termos da lei, sendo inteiramente aplicável ao caso dos prestadores de serviço de frete, pois, o § 6ºA, do art. 40, da Lei nº 10.865/2004, estendeu todo o regime de suspensão às receitas de frete, inclusive, os prérequisitos e exigências do caput e dos §§ 1º ao 6º, do citado artigo, além da regulamentação desses dispositivos, contidas na IN SRF nº 585/2005, ainda que editada antes da vigência das normas que estenderam os benefícios fiscais aos serviços de frete, pois, não diz respeito à extensão do benefício, mas, ao beneficio fiscal já existente previamente. Portanto, no mesmo sentido da decisão recorrida, este item da autuação deve ser mantido em sua totalidade, pois a Recorrente não logrou comprovar o atendimento aos pré Fl. 491DF CARF MF Processo nº 14098.720040/201296 Acórdão n.º 3401003.261 S3C4T1 Fl. 479 25 requisitos previstos na legislação para o gozo da suspensão da tributação do PIS e da COFINS, sobre as receitas de frete, conforme demonstrado pela Fiscalização. Quanto a questão das exclusões do ICMS das bases de cálculo das contribuições ao PIS e da COFINS, A Recorrente requer, seja dado provimento ao presente recurso voluntário, para reconhecer a improcedência de parcela do lançamento, alegando ser a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais inconstitucional, por ofensa ao inc. I, do art. 195, da CF/88; e ilegal, por não possuir natureza de faturamento e/ou receita da venda de mercadorias e/ou serviços. Nesse ponto, como já dito, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, por força do caput, do art. 62, do RICARF, e da Súmula CARF nº 2. Inclusive, a questão da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, encontrase em discussão no foro apropriado (STF): RE n° 574.706/PR, absolutamente, não se confundindo com a matéria do RE n° 585.235/MG (RE n° 457.592/SP) sobre a inconstitucionalidade da base de cálculo prevista no §1°, do art. 3º, da Lei n° 9.718/98, ambos, submetidos ao regime de repercussão geral. Aponta a Recorrente, precedente firmado pelo STF no julgamento do RE n° 240.785/MG, o qual restou assim ementado: TRIBUTO – BASE DE INCIDÊNCIA – CUMULAÇÃO – IMPROPRIEDADE. Não bastasse a ordem natural das coisas, o arcabouço jurídico constitucional inviabiliza a tomada de valor alusivo a certo tributo como base de incidência de outro. COFINS – BASE DE INCIDÊNCIA – FATURAMENTO – ICMS. O que relativo a título de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços não compõe a base de incidência da Cofins, porque estranho ao conceito de faturamento. (STF; RE 240.785, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 08/10/2014, DJe246 DIVULG 15122014 PUBLIC 16122014 EMENT VOL0276201 PP 00001). Por conta desse precedente do STF, também, no STJ existem(iam) decisões contrárias às suas próprias Súmulas nº 68 e 94: Súmula 68 A parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. (PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 15/12/1992, DJ 04/02/1993) Súmula 94 A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial. (PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/1994, DJ 28/02/1994) Apesar dos precedentes jurisprudenciais existentes, nenhum deles possui(a) efeito vinculante e erga omnes, não sendo de reprodução obrigatória no âmbito dos julgamentos do CARF (§2º, do art. 62, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015), sendo o leading case que pretende solucionar essa controvérsia o RE nº 574.706/PR, submetido ao regime de repercussão geral, bem como a ADC nº 18. Fl. 492DF CARF MF 26 Assim, não tendo os Tribunais do Poder Judiciário dado uma solução definitiva para esta discussão e diante de uma necessária segurança jurídica mínima, resta(va) socorrerse à jurisprudência administrativa formada no âmbito do CARF, uniforme no sentido de entender como válida a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Como exemplos de decisões recentes, abaixo, ementas reproduzidas, na parte pertinente à matéria em exame: Acórdão nº 3302003.204, de 18/05/2016: BASE DE CÁLCULO. RECEITA DA VENDA DE MERCADORIAS. FATURAMENTO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. A base de cálculo da Cofins compreende o valor total da receita de vendas de mercadorias, que corresponde ao valor total do faturamento, equivalente ao valor total da operação de venda, neste incluído, o valor do ICMS. Acórdão nº 3301002.833, de 23/03/2016: EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. As contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, no qual está incluído o valor do ICMS incidente sobre as vendas. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Entende a Recorrente, também, ser ilegal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/PASEP, por não possuir natureza de faturamento e/ou receita da venda de mercadorias e/ou serviços. Entendimento legal (DL nº 1.598/77), fiscal e contábil, que a receita bruta de vendas e serviços engloba o ICMS, na medida em que este integra o preço, e que a receita líquida de vendas e serviços é obtida após a diminuição dos impostos incidentes sobre vendas. Pesa também o fato de legislação de referência: parágrafo único, do artigo 3º, da Lei n° 9.715/98; e inciso I, do § 2º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, permitir somente a exclusão da receita bruta do ICMS substituto tributário: Fato próximo à elaboração do presente voto vencedor, em 10/08/2016, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento de recurso afetado ao rito dos recursos repetitivos (Tema 313): Recurso Especial nº 1.144.469/PR, decidiu pela legalidade do valor referente ao ICMS ser incluído na base de calculo do PIS e da Cofins, por considerar que valor do ICMS integra o faturamento da empresa, decisão de reprodução obrigatória no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do § 2º, do art. 62, do RICARF/15. Portanto, no mesmo sentido da decisão recorrida, não prevalecendo as argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade, sou pela inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fenelon Moscoso de Almeida Redator designado. Fl. 493DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.000723/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF. INAPLICABILIDADE.
Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo do PIS e da Cofins, até a vigência das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços.
As contribuições devidas decorrem de notas fiscais de operações comerciais de venda de mercadorias por conta própria, que compreende o conceito de faturamento, não implicando a decisão do STF na exclusão de tais valores.
Numero da decisão: 3402-003.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de votos, deu-se provimento aos Embargos de Declaração para sanar a contradição apontada, alterando-se o dispositivo da decisão para negar provimento ao Recurso de Ofício e negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro apresentou declaração de voto.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF. INAPLICABILIDADE. Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo do PIS e da Cofins, até a vigência das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. As contribuições devidas decorrem de notas fiscais de operações comerciais de venda de mercadorias por conta própria, que compreende o conceito de faturamento, não implicando a decisão do STF na exclusão de tais valores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de votos, deuse provimento aos Embargos de Declaração para sanar a contradição apontada, alterandose o dispositivo da decisão para negar provimento ao Recurso de Ofício e negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro apresentou declaração de voto. Antonio Carlos Atulim Presidente. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 07 23 /2 00 7- 11 Fl. 5117DF CARF MF 2 Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por razões de economia, reproduzo trechos do despacho de admissibilidade para bem relatar o feito. A Procuradoria da Fazenda Nacional invocou o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, para interpor Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 3402002.626, de 28 de janeiro de 2015, fls. 883 a 9061, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 Ementa: TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n.° 08 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. APLICAÇÃO DE DECISÃO INEQUÍVOCA DO STF. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, podese afastar a aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Afastado o disposto no § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo do PIS e da Cofins, até a vigência das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO ICMS. SÚMULAS nº 68 e nº 94. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de Fl. 5118DF CARF MF Processo nº 16095.000723/200711 Acórdão n.º 3402003.432 S3C4T2 Fl. 3 3 cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem. MULTA QUALIFICADA FRAUDE CONFIGURADA. A conduta consistente em reduzir sistematicamente, sem amparo legal, a base de cálculo da contribuição, com a intenção deliberada de diminuir o montante do tributo devido, caracteriza evidente intuito de fraude, por se adequar ao tipo objetivo descrito no art. 72 da Lei n° 4.502/64, e sujeita o infrator à multa de ofício qualificada, no percentual de 150% do valor do contribuição lançada de ofício, nos termos da legislação tributária específica. O arrazoado de fls. 5.108 e 5.109, após síntese dos fatos relacionados com a lide, explica que a decisão deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a regra contida no art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, em virtude de sua declaração de inconstitucionalidade pelo STF. Contudo, não constou do voto quais valores foram excluídos em decorrência desse entendimento. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto A despeito da oposição dos Embargos ter se dado quase 30 dias após a remessa dos autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, em razão do prazo estabelecido no § 3º do art. 7º da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010, o recurso, apresentado em 14/04/2015 (fls. 5.110), é tempestivo. Estando os demais requisitos formais de admissibilidade presentes, conheço dos Embargos de Declaração. Nos termos do art. 65 do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Analisando peremptoriamente os Embargos, apontou o Conselheiro Antonio Carlos Atulim o seguinte: Analisandose a omissão pretextada, constato que, efetivamente, o voto condutor do acórdão foi genérico, tão genérico quanto foi o próprio recurso voluntário, fls. 838 a 859, que jamais indicou quais rubricas de receita acabaram sendo alcançadas pela ampliação da base de cálculo das contribuições sociais. Assim, tocou buscar no Termo de Verificação Fiscal, fls. 513 a 518, e no Demonstrativo de Apuração do PIS/Pasep e da Cofins, que o instruiu, fls. 519 a 673, a informação a respeito da composição da base de cálculo do lançamento. Nos referidos Fl. 5119DF CARF MF 4 demonstrativos, constam apenas valores de notas fiscais de vendas de álcool carburante, óleo diesel e gasolina, que, ao menos em tese, subsumemse no conceito de faturamento da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. Como se verifica no TVF de fls. 513518, o Contribuinte foi autuado em relação à ausência de recolhimento das contribuições sociais relativas à venda de Álcool, Álcool Carburante, Gasolina e Óleo Diesel (fl.517), todos bens sujeitos à suas atividades comerciais habituais e, portanto, se inserindo no conceito de faturamento previsto no art. 3º da Lei 9.718/98, compreendendo a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, verbis: Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não afetou, portanto, a presente autuação, pois todas as notas se referem a receitas decorrentes da venda dos bens mencionados anteriormente. Houve um equívoco por parte do Embargado ao invocar em sua defesa precedente que não se aplicava ao presente caso, induzindo o julgador a crer que algum dos itens abrangidos pela autuação extrapolaria do conceito de faturamento, o que não ocorreu no caso. Não haveria outra forma de tal provimento ser carreado no acórdão embargado senão da forma genérica denunciada pelo Conselheiro Atulim, diante da inexistência de parcela do auto de infração a ser afasta. Em rigor, não há nos autos uma omissão a ser sanada pois não há valores a serem excluídos com base no reconhecimento da inconstitucionalidade da regra contida no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. O que há é uma contradição entre o teor da decisão e o conteúdo do auto de infração combatido. Esse contradição merece ser sanada, pois no caso se verifica que a parcela a qual foi dada provimento parcial ao Recurso Voluntário é inexistente. Em razão disso, dou provimento aos Embargos de Declaração para sanar a contradição apontada, alterandose o dispositivo da decisão para negar provimento ao Recurso de Ofício e negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 5120DF CARF MF Processo nº 16095.000723/200711 Acórdão n.º 3402003.432 S3C4T2 Fl. 4 5 Declaração de Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 1. Como bem pontuado pelo douto Relator do caso, tratase de embargos de declaração com o fito de suprir omissão, uma vez que, segundo o Embargante, a r. decisão embargada teria se fundamentado em precedente Pretoriano que julgou inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei 9.718/98, sendo que, no presente caso, tal precedente seria incabível (distinguishing), uma vez que o contribuinte foi autuado em relação à ausência de recolhimento das contribuições sociais relativas à venda de Álcool, Álcool Carburante, Gasolina e Óleo Diesel (fl.517), todos bens sujeitos à suas atividades comerciais habituais e, portanto, se inserindo no conceito de faturamento previsto no art. 3º da Lei 9.718/98, compreendendo a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. 2. Referido recurso (embargos de declaração) apresenta expressa previsão no RICARF, mais precisamente nos arts. 65 s.s. do referido dispositivo normativo. Tais prescrições normativas contemplam as clássicas hipóteses de admissão do sobredito recurso, i.e., contradição, omissão e obscuridade, as quais têm por escopo apenas sanar um problema do julgado proferido e não modificar o conteúdo normativo dele emanado1. 3. Todavia, mesmo antes do advento do NCPC, a doutrina já debatia a hipótese de, em situações extremas, admitirse a interposição dos embargos de declaração com efeitos infringentes, o qual vinha sendo excepcionalmente admitido pela jurisprudência2. 1 Nesse mesmo sentido é a lição da doutrina brasileira: "É necessário que a tutela jurisdicional seja prestada de forma completa e clara. exatamente com o objetivo de esclarecer, complementar e aperfeiçoar as decisões judiciais existe o recurso de embargos de declaração. Esse recurso não tem a função de viabilizar a revisão ou anulação das decisões judiciais, como acontece com os demais recursos. Sua finalidade é corrigir defeitos omissão, contradição, obscuridade e erros materiais do ato judicial, os quais podem comprometer a sua utilidade (art. 1.022)." (ARENHART, Sérgio Cruz. MARINONI, Luiz Guilherme. MITIDIERO, Daniel. O novo processo civil. 2a. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016p. 525.) (grifos nosso). 2 "EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO. SUPRIMENTO. CARÁTER INFRINGENTE. POSSIBILIDADE. EXCEPCIONALIDADE. INTEMPESTIVIDADE AFASTADA. ADMISSIBILIDADE. DECISÃO AGRAVADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. ART. 932, INCISO III, CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. 1. Admitese, excepcionalmente, que os embargos, ordinariamente integrativos, tenham efeitos infringentes desde que constatada a presença de um dos vícios do artigo 535 do Código de Processo Civil/1973, cuja correção importe alterar a conclusão do julgado. 2. Intempestividade do recurso superada. 3. Incumbe ao agravante infirmar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, demonstrando o seu desacerto, de modo a justificar o cabimento do recurso especial interposto, sob pena de não ser conhecido o agravo (art. 932, inciso III, do Código de Processo Civil de 2015). 4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes para superar a intempestividade e não conhecer do agravo por fundamento diverso. Fl. 5121DF CARF MF 6 4. Por sua vez, com o advento do novo Código de Processo Civil ("NCPC"), os efeitos infringentes, embora continuem tendo um caráter excepcional, foram claramente acolhidos pela legislação, conforme se observa do art. 1.023, § 2o do Codex: Art. 1.023. Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, em petição dirigida ao juiz, com indicação do erro, obscuridade, contradição ou omissão, e não se sujeitam a preparo. (...). § 2o O juiz intimará o embargado para, querendo, manifestarse, no prazo de 5 (cinco) dias, sobre os embargos opostos, caso seu eventual acolhimento implique a modificação da decisão embargada. 5. Diante da ausência de disposição do RICARF tratando do assunto em específico, o NCPC deve ser aplicado subsidiariamente, exatamente como determina a expressa previsão legal do art. 15 do Estatuto Processual Civil3. E, no caso em espécie, referida aplicação subsidiária se dá em dois sentidos, sendo eles: (i) é possível a interposição embargos de declaração com efeitos modificativos no âmbito dos processos administrativos federais; e, ainda, (ii) detectado o potencial efeito infringente do recurso, o seu julgamento deve ser precedido de vista prévia para a parte embargada, de modo que ela tenha oportunidade de exercer o contraditório e expor suas razões com o escopo de contribuir na formação do convencimento do juízo. 6. No presente caso é inegável o caráter infringente do presente recurso, o que é admitido pelo nobre Relator do caso e conforme se depreende do seu próprio voto, que implicou alteração do resultado do julgamento proferido. O ponto, entretanto, levantado pelo r. Relator para afastar a incidência do art. 1.023, § 2o do NCPC foi no sentido de que, no presente caso, mesmo que fosse dada a oportunidade para a Embargada se manifestar, não haveria alteração do resultado do presente julgamento, haja vista que a decisão embargada apresentava notório vício a ser sanado. Aí reside a minha divergência com o douto Relator. 7. Todavia, antes de seguir adiante no presente voto, mister se faz, nesse instante, entender a razão de ser do disposto no art. 1.023, § 2o do NCPC. Nesse sentido, não é demais destacar que referido dispositivo legal é um desdobramento do disposto nos artigos 9o e 10 do novo Codex, que assim prescrevem: Art. 9o Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida. (...). Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. 8. A análise conjunta de tais dispositivos permite afirmar que a pretensão do legislador vai para muito além de potencializar o devido processo legal e seus consectários lógicos (contraditório e ampla defesa), já que tem por escopo promover uma importante ruptura (STJ; EDcl no AgRg no AREsp 689.314/RJ, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 04/10/2016, DJe 18/10/2016)." 3 "Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente." Fl. 5122DF CARF MF Processo nº 16095.000723/200711 Acórdão n.º 3402003.432 S3C4T2 Fl. 5 7 com a autocrática e embolorada ideia de que o juiz é o único responsável e, principalmente, capacitado a “dizer” o direito (iura novit curia), prestigiando, portanto, a substancial participação dos envolvidos na lide, o que está em perfeita sintonia com um país que pretende levar a sério o significado de um Estado Democrático de Direito4 também no âmbito das relações processuais. 9. Logo, a conteudística prestação da atividade judicativa não está mais adstrita à exclusiva atividade do julgador na qualidade de protagonista5 do processo, mas também depende de uma atuação efetiva das partes litigantes, no sentido de se valer da relação processual para tentar esgotar o debate a respeito do caso6, analisandose todos os ângulos da questão sub judice. 10. Partindo de tais premissas, é possível perceber que a disposição do art. 1.023, § 2o do NCPC, aqui aplicada subsidiariamente, não tem só o escopo de cumprir com um rito formal afeto ao procedural due process, mas liberta do mito do juiz Hércules, de Dworkin também apresenta a relevante função de dar às partes a oportunidade de se fazer ouvir para convencer o julgador, o que diz respeito a ideia do substantive due process. 11. Logo, neste novo cenário processual, não é crível admitir que o juiz possa, antes de ouvir todas as partes envolvidas na lide, pressupor todos os fundamentos passíveis de arguição para a solução do caso, sob pena de resgatarse o já esgotado modelo do juiz Hércules ou, o que é pior, admitirse que casos são julgados com base em préjuízos, o que, ao nosso ver, macula a ideia de imparcialidade, ínsita a toda e qualquer atividade judicativa. 12. É por isso que o simples fato de um embargos de declaração possuir um potencial efeito infringente deve, consequentemente, implicar a incidência do disposto no art. 1.023, § 2o do NCPC, com a reflexa intimação da parte contrária para que tenha oportunidade de se manifestar a respeito do recurso interposto. 4 O processo, na perspectiva de um modelo constitucional, “inaugura uma visão garantística” dos direitos fundamentais, limitando a atuação daqueles que dele (do processo) participam de forma equivocada e inaugurando uma hermenêutica processual condicionada à Constituição e à ideia de Estado Democrático de Direito, à luz da comparticipação e do policentrismo. (HORTA, André Frederico. NUNES, Dierle. Aplicação de precedentes e “distinguishing” no CPC/2015: uma breve introdução. In Precedentes Judiciais no NCPC. Salvador: JUSPODIVM, 2015.) (grifos dos Autores). 5 Em verdade, a ideia é de que haja um policentrismo processual, em detrimento de envelhecido protagonismo judicativo aqui denunciado. Nesse sentido: TARUFFO, Michele. "Giudizio: processo, decisione. Sui confini: scritti sulla giustizia civile." Bologna: II Mulino, 2002. p. 160. 6 Daí, inclusive, a importância do art. 6o do NCPC, ao tratar do princípio da cooperação nos seguintes termos: "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Referido princípio deve ser lido "não como dever ético da parte agir contra seus interesses, mas a partir da ideia de 'comunidade de trabalho' e na leitura da cooperação a partir do 'contraditório como garantia de influência e não surpresa' (arts. 7o a 10 do Novo CPC), porque se criarmos um ambiente procedimental em que, realmente, as partes possam (já que não são obrigadas, mas facultadas a tal), ao agir na defesa dos seus interesse, contribuir para a construção do provimento em conjunto com o magistrado (que deve agir como facilitador desse procedimento); e mais, se compreendermos que esse provimento só é legítimo se for o resultado direto daquilo que foi produzido em contraditório no processo (art. 489, § 1o, do Novo CPC), seja na reconstrução dos "fatos", seja no levantamento de "pretensões a direito" (reconstrução do ordenamento), então terseá uma compreensão adequada da cooperação no Novo CPC." (BAHIA, Alexandre Melo Franco. NUNES, Dierle. P, Flávio Quinad. THEODORO JÚNIOR, Humerto. "Novo CPC: fundamentos e sistematização. 2a. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2015. p. 72.) (grifos dos Autores). Fl. 5123DF CARF MF 8 13. No presente caso o efeito infringente do embargos de declaração interposto é notório, tanto é verdade que redundou na alteração do resultado do julgamento anteriormente proferido. Nesse sentido, ouso discordar do douto Relator do caso e voto para que o presente caso seja convertido em diligência, devendo a parte embargada ser intimada para, em 05 (cinco) dias, manifestarse, se assim quiser, a respeito do recurso interposto, sob pena, inclusive, de nulidade absoluta da decisão aqui proferida. 14. É como voto. Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Fl. 5124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.721776/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL.
Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizar-se quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento.
DECADÊNCIA. PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA APURADOS EM PERÍODOS ATINGIDOS PELA CADUCIDADE.
Nos termos do art. 37, da Lei nº 9.430/96, a Fiscalização pode solicitar documentos e esclarecimentos quanto a fatos ocorridos em períodos atingidos pela decadência desde que tenham impacto na apuração da exigência em anos-calendário ainda não caducos. Entretanto, a decadência impede que o Fisco altere o resultado daqueles períodos, mesmo que apenas no intuito de avaliar os efeitos posteriores e ainda que sem formalizar a exigência respectiva.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE.
Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio.
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO.
Não há como aceitar a dedução do ágio com utilização de empresa veículo, quando o procedimento do sujeito passivo não se reveste de propósito negocial mas revela objetivo exclusivamente tributário.
INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA.
A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo.
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
Aplica-se ao lançamento reflexo, o resultado do julgamento no processo tido como principal.
Numero da decisão: 1402-002.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso: i) por unanimidade de votos, para restabelecer o saldo de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL nos anos-calendário de 2005 e 2016;e ii) por voto de qualidade para recalcular as multas isoladas nos anos-calendário de 2009 e 2010 com dedução dos valores restabelecidos nos termos do item anterior, respeitados os limites legais, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nixchele Macei que votaram por cancelar integralmente a exigência da multa isolada..
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizar-se quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. DECADÊNCIA. PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA APURADOS EM PERÍODOS ATINGIDOS PELA CADUCIDADE. Nos termos do art. 37, da Lei nº 9.430/96, a Fiscalização pode solicitar documentos e esclarecimentos quanto a fatos ocorridos em períodos atingidos pela decadência desde que tenham impacto na apuração da exigência em anos-calendário ainda não caducos. Entretanto, a decadência impede que o Fisco altere o resultado daqueles períodos, mesmo que apenas no intuito de avaliar os efeitos posteriores e ainda que sem formalizar a exigência respectiva. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não há como aceitar a dedução do ágio com utilização de empresa veículo, quando o procedimento do sujeito passivo não se reveste de propósito negocial mas revela objetivo exclusivamente tributário. INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplica-se ao lançamento reflexo, o resultado do julgamento no processo tido como principal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. DECADÊNCIA. PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA APURADOS EM PERÍODOS ATINGIDOS PELA CADUCIDADE. Nos termos do art. 37, da Lei nº 9.430/96, a Fiscalização pode solicitar documentos e esclarecimentos quanto a fatos ocorridos em períodos atingidos pela decadência desde que tenham impacto na apuração da exigência em anoscalendário ainda não caducos. Entretanto, a decadência impede que o Fisco altere o resultado daqueles períodos, mesmo que apenas no intuito de avaliar os efeitos posteriores e ainda que sem formalizar a exigência respectiva. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 17 76 /2 01 2- 81 Fl. 4888DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Não há como aceitar a dedução do ágio com utilização de empresa veículo, quando o procedimento do sujeito passivo não se reveste de propósito negocial mas revela objetivo exclusivamente tributário. INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase ao lançamento reflexo, o resultado do julgamento no processo tido como principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso: i) por unanimidade de votos, para restabelecer o saldo de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL nos anoscalendário de 2005 e 2016;e ii) por voto de qualidade para recalcular as multas isoladas nos anoscalendário de 2009 e 2010 com dedução dos valores restabelecidos nos termos do item anterior, respeitados os limites legais, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nixchele Macei que votaram por cancelar integralmente a exigência da multa isolada.. Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto Fl. 4889DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 1402002.281 S1C4T2 Fl. 4.889 3 Relatório Trata o presente de autos de infração para cobrança do IRPJ e CSLL referentes aos anoscalendário de 2007 e 2010, nos valores de R$ 9.495.403,45 e R$ 3.500.030,96; respectivamente, aí incluídos multa de ofício proporcional ao tributo, juros de mora e multa isolada. A irregularidade apurada trata da apropriação indevida de valores a título de despesas com amortização de ágio que não preencheria as condições de dedutibilidade. A reorganização societária que gerou o ágio envolve três empresas: Terlogs, Sogo Southocean Grãos e Óleos Comércio Exportação e Importação Ltda (atual Sogo Southocean S/A Grãos e Óleos Comércio Exportação e Importação), doravante denominada Sogo Southocean e Sogo Investimentos Ltda. Farseá a descrição da reorganização societária sob a ótica da interessada (Terlogs) e da Sogo Investimentos, empresa tida como veículo. No âmbito da Sogo Investimentos (tida como empresa veículo): Segundo o Termo de Verificação, a Sogo Investimentos foi constituída em 16/02/2004 com a razão social Bonilha & Cunha Comércio de Peças e Equipamentos Odontológicos Ltda, e tinha como objeto social o ramo de comércio varejista de peças e equipamentos médicos odontológicos, e capital social de 3000 cotas a R$ 1,00 (R$ 3000,00) nas mãos dos sócios José Bonilha e Franklin Cunha. Na 1ª alteração contratual, as cotas foram transferidas para a Sogo Southocean (2700 cotas) e Francisco Carlos Ramos (300 cotas), sendo que esse último passou a administrála. A 1ª alteração contratual também alterou a razão social para Sogo Investimentos Ltda, a sede da empresa e o objeto social. No novo endereço também estava localizada a empresa Sogo Southocean, da mesma forma administrada pelo Sr. Francisco Carlos Ramos. Nos termos da cláusula I da 2ª alteração contratual, lavrada em 16/12/2004, fls. 554 a 556, o capital social da Sogo Investimentos foi aumentado. Passou de R$ 3.000,00 para R$ 52.003.000,00 mediante a conferência de 958 quotas de emissão da Terlogs, as quais eram de propriedade da sócia Sogo Southocean, totalizando o aumento R$ 52.000.000,00, dividido em 52.000.000 quotas, no valor de R$ 1,00 cada uma, totalmente integralizado no ato. O valor da transferência das 958 quotas, de R$ 52.000.000,00, corresponde ao valor do exercício de opção de compra das cotas pertencentes a exsócia ALL, na Terlogs, conforme acordo de preferência no exercício de opção de compra firmado entre os sócios cotistas. O quadro societário ficou: SÓCIO COTAS VALOR % Sogo Southocean 52.002.700 R$ 52.002.700,00 99,9994 Fl. 4890DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Francisco Carlos Ramos 300 R$ 300,00 0,0006 TOTAL 52.003.000 R$ 52.003.000,00 100,0000 Em 23/12/004, o capital social da Sogo Investimentos foi aumentado em R$ 75.580.000,00, conforme cláusula I da 3ª alteração contratual, registrada em 28 de janeiro de 2005, fls. 557 a 559. Passou de 52.003.000,00, para R$ 127.583.000,00, mediante a conferência de 2.799 quotas de emissão da Terlogs, as quais são de propriedade da sócia Sogo Southocean e estão totalmente integralizadas. O aumento de R$ 75.580.000,00 foi dividido em 75.580.000 quotas, no valor de R$ 1,00 cada uma, totalmente integralizado no ato. O quadro societário ficou: SÓCIO COTAS VALOR % Sogo Southocean 127.582.700 R$ 127.582.700,00 99,9998 Francisco Carlos Ramos 300 R$ 300,00 0,0002 TOTAL 127.583.000 R$ 127.583.000,00 100,0000 Dessa forma, o capital social da Sogo Investimentos, após as 2ª e 3ª alterações contratuais, saltou de R$ 3.000,00 para R$ 127.583.000,00, A variação de R$ 127.580.000,00 é representada por 3.757 cotas da Terlogs. Em 28/12/2004, a Sogo Investimentos foi incorporada pela Terlogs. No âmbito da Terlogs: Em relação à Terlogs, conforme alteração contratual de 28/07/2004, a empresa possuía, então, capital social no valor de R$ 37.580.000,00, distribuído da seguinte forma: SÓCIO COTAS VALOR % Sogo Southocean 2.800 R$ 28.000.000,00 74,50 ALL – América Latina Logística S/A 958 R$ 9.580.000,00 25,50 TOTAL 3.758 R$ 37.580.000,00 100,00 Na 7ª alteração do contrato social, fls. 64 a 68, de 16/12/2004, constam as seguintes alterações no quadro societário: a sócia cotista Sogo Southocean transfere uma quota de sua propriedade para Francisco Carlos Ramos; a sócia cotista ALL – América Latina Logística S.A. (doravante apenas ALL) retirase da sociedade, cedendo e transferindo a totalidade das 958 cotas de sua propriedade para a Sogo Southocean; e Francisco Carlos Ramos passa a integrar o Conselho de Administração da Terlogs. Francisco Carlos Ramos, era também sócio da Sogo Southocean, conforme extrato do sistema CNPJ, e representoua na qualidade de seu administrador na 7ª alteração contratual da Terlogs. Eis o quadro societário da Terlogs, em 16/12/2004, após a 7ª alteração contratual: SÓCIO COTAS VALOR % Fl. 4891DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 1402002.281 S1C4T2 Fl. 4.890 5 Sogo Southocean 3.757 R$ 37.570.000,00 99,97 Francisco Carlos Ramos 1 R$ 10.000,00 0,03 TOTAL 3.758 R$ 37.580.000,00 100,00 Na mesma data da 7ª alteração contratual, 16/12/2004, foi formalizada a 8ª alteração do contrato social da Terlogs, fls. 69 a 73, na qual, segundo o item 1.2, a Sogo Southocean transfere para a empresa Sogo Investimentos as 958 cotas que adquirira da ex sócia ALL. SÓCIO COTAS VALOR % Sogo Southocean 2.799 R$ 27.990.000,00 74,48 Sogo Investimentos Ltda. 958 R$ 9.580.000,00 25,49 Francisco Carlos Ramos 1 R$ 10.000,00 0,03 TOTAL 3.758 R$ 37.580.000,00 100,00 A 9ª alteração contratual da Terlogs, fls. 74 a 78, lavrada em 23/12/2004, registra a retirada da sua controladora, Sogo Southocean, com a transferência feita por esta do restante das suas cotas para a Sogo Investimentos: SÓCIO COTAS VALOR % Sogo Investimentos Ltda. 3.757 R$ 37.570.000,00 99,97 Francisco Carlos Ramos 1 R$ 10.000,00 0,03 TOTAL 3.758 R$ 37.580.000,00 100,00 Dessa forma, a Sogo Investimentos passa a ser sócia "controladora" da Terlogs em lugar da empresa Sogo Southocean. A saída da Sogo Southocean do quadro societário da Terlogs com a transferência das cotas à Sogo Investimentos, conforme a 8ª e a 9ª alteração, está vinculada ao ingresso da empresa Sogo Southocean na Sogo Investimentos. Em 28/12/2004, a Sogo Investimentos foi incorporada pela Terlogs, conforme registrado na 10ª alteração contratual, fls. 79 a 93. Com a incorporação, após apenas cinco dias da sua saída, a Sogo Southocean ingressa no quadro societário da Terlogs, retornando à configuração societária anterior. SÓCIO COTAS VALOR % Sogo Southocean 127.579.700 R$ 127.579.700,00 99,99 Francisco Carlos Ramos 10.300 R$ 10.300,00 0,01 TOTAL 127.590.000 R$ 127.590.000,00 100,00 Fl. 4892DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Como conseqüência de tal reestruturação societária, surgiu o ágio e a dedução posterior de sua amortização por parte da empresa fiscalizada. A interessada foi intimada a esclarecer se houve pagamento pela Sogo Investimentos nas operações de transferência das cotas da Terlog pertencentes à Sogo Southocean (958 e 2.799). Informou que houve pagamento no primeiro caso e no segundo o aumento foi feito mediante subscrição de capital. O valor do ágio decorrente das operações observou o método da equivalência patrimonial. A Fiscalização acrescenta as seguintes observações: O pagamento na aquisição das 958 cotas da Terlogs que pertenciam à ALL, no valor de R$ 52.000.000,00, superior ao valor patrimonial das cotas, foi efetuado pela Sogo Southocean, e não pela Terlogs, que registrou o valor de R$ 43.061.034,56 como ágio e o vem utilizando como despesa dedutível; Além disso, a falta de independência entre as empresas envolvidas (Sogo Southocean, Sogo Investimentos e Terlogs) também impediria o reconhecimento do valor como ágio, mormente se reduziu o resultado da própria sociedade sobre a qual foi constituído (ágio de si mesmo). - O próprio protocolo de incorporação da Sogo Investimentos PELA Terlogs , fls. 619 a 624, ressalva que na operação de incorporação não houve a intervenção de terceiras pessoas. - Em relação à integralização no capital social da Sogo Investimentos pela Sogo Southocean mediante a transferência das 2.799 cotas, tanto a cláusula 1.1. da 3ª alteração contratual da Sogo Investimentos, fls. 557 a 559, quanto a cláusula 1.3 da 9ª alteração contratual da Terlogs, fls. 74 a 78, informam que o valor considerado de R$ 75.580.000,00 corresponde ao valor proporcional de mercado da Terlogs, conforme laudo pericial da avaliação emitido em 10 de dezembro de 2004 pela Moore Stephens Jung Yamasaki Auditores S/S. O laudo foi apresentado em 05 de março de 2012, e encontrase anexado às fls. 570 a 611. - Apenas quatorze dias após o ingresso da Sogo Southocean no quadro societário da Sogo Investimentos e do aporte expressivo do capital social, representados pela participação na Terlogs, em 28 de dezembro de 2004, foi emitido o laudo de avaliação para efeito de incorporação da Sogo Investimentos pela Terlogs, fls. 613 a 617. E, na mesma data, ocorreu a incorporação da empresa Sogo Investimentos pela Terlogs, ou seja, a controlada incorporou a controladora, modalidade denominada incorporação reversa; e: - O item I justificação (motivos e vantagens da operação) do protocolo de incorporação, fls. 613 a 617, confirma que na citada operação de incorporação não houve a intervenção de terceiras pessoas. A amortização considerada indevida foi realizada a partir do anocalendário de 2005. Para esse anocalendário e também para 2006, não houve autuação mas recomposição do saldo de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL como decorrência da glosa. Em impugnação, a interessada apresenta motivações e propósitos econômicos para as operações questionadas: Fl. 4893DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 1402002.281 S1C4T2 Fl. 4.891 7 - A reorganização societária apresentou diversas motivações e propósitos econômicos. A Sogo Southocean era uma sociedade com uma pluralidade de sócios ligados por acordo de cotistas já negociado e estabelecido. Na ocasião não havia interesse dos quotistas da Sogo Southocean nem em renegociar o acordo de cotistas vigente nem em alterar a dinâmica societária da sociedade operacional Terlogs, transferindo para esta as complexas questões societárias decorrentes da intrincada relação de forças em vigor entre os sócios da Sogo Southocean. - A Sogo Southocean era uma empresa com dívidas, conforme comprovam os balanços anexos de períodos anteriores à incorporação, e com disputas entre os sócios que a compunham. Sua incorporação direta na Terlogs seria impossível, pois levaria diretamente para esta as dívidas e as desavenças entre seus sócios. A transferência das dívidas da Sogo Southocean para a Terlogs deveria ser aprovada pelos diversos credores da primeira, fator de difícil implementação à época em face do difícil relacionamento dos credores com os cotistas da Sogo Southocean. - Havia o interesse de preservar os índices de balanço e de solvência da Terlogs, com o objetivo de futuramente ser possível alavancar a empresa e viabilizar a entrada de novos quotistas na Terlogs (fato inclusive que se materializou em 2005, com a entrada do Grupo Marubeni no capital da Terlogs no anocalendário de 2005). - As duas sociedades, Terlogs e Sogo Investimentos, pertenciam ao mesmo grupo econômico (Sogo Southocean/Francisco Carlos Ramos), portanto, a incorporação atenderia plenamente os interesses das duas sociedades, cumprindo também um propósito negocial. - Obterseia facilitação na tomada de decisões e diminuição de custos operacionais, com grande incremento no fluxo do caixa da empresa. - Propiciarseia o legítimo aproveitamento econômico do ágio pago na aquisição do investimento na Terlogs, com fundamento no fluxo de caixa descontado (= perspectiva de rentabilidade futura conforme já decidiu o CARF), no contexto do processo de reorganização societária e nos termos expressos da legislação tributária aplicável. - As razões de cunho econômico e negociais que antecederam as operações realizadas, principalmente o fato de o processo de reorganização societária que gerou o aproveitamento das despesas de amortização do ágio terem se iniciado com a aquisição de participação societária relevante pela Sogo Southocean na Terlogs, participação esta anteriormente detida pela empresa ALL, que não é ligada e nem integra o mesmo grupo econômico da Sogo Southocean ou de qualquer um dos seus acionistas, sendo, destarte, empresa independente a estrutura societária que promoveu a reorganização societária. Tais aspectos não foram em momento algum levados em consideração, ou nem sequer abordados pelo autuante. - O aproveitamento econômico do ágio efetivamente pago na aquisição do investimento na Terlogs pela Sogo Southocean e pela empresa de propósito específico Sogo Investimentos está plenamente em conformidade com a legislação tributária, especialmente Fl. 4894DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 com o disposto no art. 7º da Lei n. 9.532/97, na medida em que apresenta propósito econômico e cumpre com todos os requisitos técnicos de ordem societária e contábil e fiscal para o reconhecimento da figura de ágio sobre investimentos em participações societárias. - A incorporação da Sogo Investimentos pela sua controlada Terlogs também gerou um efeito tributário, que foi considerado pelas partes envolvidas quando procederam à reorganização societária que originou o ágio amortizado na Terlogs, o que não interfere nem abala a legitimidade e a licitude do processo de reorganização societária promovido e nem afeta ou invalida a dedutibilidade da despesa com a amortização do ágio incorporado pela Terlogs. - Os fundamentos que embasaram a lavratura do auto de infração não encontram sustentação nem na legislação pátria nem na mais recente orientação do CARF. Suscita a ocorrência da decadência pelo decurso do prazo de cinco anos entre os eventos societários que geraram os ágios (anocalendário de 2004) e a lavratura da autuação em 28/05/2012. Ainda nesse quesito, reclama pela impossibilidade de a Fiscalização rever prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL em períodos atingidos pela decadência, o que abrangeria os anos calendário de 2005 e 2006. Afirma que adotou procedimentos em conformidade com a legislação e com a jurisprudência do CARF. Especificamente no que se refere ao ágio gerado na compra da participação detida pela ALL, sustenta que houve o efetivo pagamento a parte independente, não havendo que se falar em artificialidade ou ausência de fundamento econômico. Reclama que o Fisco, além de desconsiderar indevidamente o saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa apurados em 2005 e 2006, na apuração das multas isoladas também não deduziu os saldos de prejuízos fiscais e de base negativa da CSLL apurados em 2003 e 2004. Por fim, suscita o caráter confiscatório das multas aplicadas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – MG prolatou o acórdão 0246.331 considerando a impugnação parcialmente procedente. Acolheu o pleito para deduzir, na apuração das multas isoladas, os saldos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL apurados em 2003 e 2004. Devidamente cientificado, a interessada recorre a este colegiado ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. Acrescenta a argüição de nulidade da decisão recorrida que teria inovado ao manter a glosa da amortização do ágio com base em supostas irregularidades nos laudos. É o Relatório. Voto Fl. 4895DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 1402002.281 S1C4T2 Fl. 4.892 9 Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. 1) Nulidade da decisão recorrida: Preliminarmente, a interessada pleiteia a nulidade da decisão recorrida que teria alterado os fundamentos que levaram à glosa do ágio gerado na aquisição de 958 cotas da Terlog pela Sogo Southocean, pois aquele acórdão usou como razão de decidir a suposta imprestabilidade do laudo elaborado pela Audit Brasil Consultores, questão essa não abordada no procedimento fiscal. O pleito não merece guarida. A decisão recorrida faz arrazoado a respeito dos laudos apenas em caráter subsidiário, para reforço dos próprios argumentos. A artificialidade do ágio foi por ela definida na mesma linha do procedimento fiscal, pela realização de operações intergrupos sem propósito negocial: [...] Portanto, sem que se opere a junção do patrimônio de quem pagou o ágio com o patrimônio de quem se espera lucros que justifiquem aquele ágio, não se atenderão nem os motivos nem as finalidades do legislador ao instituir, excepcionalmente, a possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio. Daí também se deriva uma das condições para admitir efeitos válidos na área tributária de tais reorganizações societárias: que elas contenham alguma substância econômica e propósito negocial. E o propósito negocial pretendido pelo legislador é a reunião dos patrimônios de quem paga o ágio e de quem gera os lucros que o fundamentaram. [...] Não houve, portanto, nenhum desembolso por parte da Sogo Investimentos. O ágio surge em sua contabilidade como uma herança ou transferência daquele que foi pago pela Sogo Southocean, empresa que era sua virtual proprietária integral e poderia ditar os termos de qualquer operação entre elas. Daí se segue que esse ágio é artificial, visto que, se a Sogo Investimentos fosse independente não teria necessariamente de aceitar que essas quotas valiam o mesmo que por elas pagara a Sogo Southocean. O preço de aquisição correspondeu a quase 6 vezes o valor patrimonial das quotas, o que, fossem as partes realmente autônomas, demandaria prévia avaliação cuidadosa do patrimônio e do potencial do investimento adquirido. [...] 2) Decadência – momento de geração do ágio: A argüição de decadência não merece qualquer crédito. Chega ao nível do absurdo a concepção de que, em casos como o presente, o termo inicial da contagem do prazo decadencial seja a data da operação em que foi gerado o ágio. No entendimento da recorrente, nesse momento nasceria o direito da sociedade amortizar o ágio. Pelo visto foi criada a figura da decadência presumida, ou seja, ciente da operação societária que gerou o ágio, a Fiscalização necessariamente deveria presumir que o sujeito passivo iria fazer a dedução indevida em momento posterior. Em outras palavras, Fl. 4896DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 mesmo que a pessoa jurídica não fizesse qualquer amortização, o Fisco teria que constituir o lançamento no qüinqüênio seguinte à operação, pois ela poderia mudar de idéia. Totalmente despropositado. 3) Decadência – Alteração no saldo de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativo da CSLL em anos anteriores: Por outro lado, em coerência lógica, os períodos de apuração em que ocorreu a amortização supostamente indevida de ágio – e portanto fato gerador do IRPJ e da CSLL pela dedução indevida – sujeitamse ao prazo decadencial. Nesse caso, com ciência da autuação em 28/05/2012, para apuração anual estariam decaídos os anoscalendário de 2005 (termo final: 02/01/2011) e 2006 (termo final: 02/01/2012). Em relação a esses períodos o resultado do ajuste não poderia mais ser alterado, o que implicaria na impossibilidade de glosar a amortização indevida do ágio. É irrelevante que a Fiscalização se abstenha de constituir o crédito tributário. Sendo assim, voto por restabelecer os saldos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL nos anos calendários de 2005 e 2006. Essa decisão não impacta na apuração fiscal do IRPJ e da CSLL nos anos calendário de 2007 e 2008 eis que foram reconhecidos como corretos e ali utilizados os saldos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL apurados nos anoscalendário de 2003 (R$ 715.564,89) e 2004 (R$ 574.108,861). Do montante de R$ 1.289.673,75 (R$ 715.564,89 + R$ 574.108,86) foram utilizados R$ 519.737,59 em 2007, e R$ 612.933,14 em 2008. No anocalendário de 2009, foi deduzido na apuração do IRPJ e da CSLL apenas o valor de R$ 157.003,02; remanescente (R$ 1.289.673,75 – R$ 519.737,59 R$ 612.933,14) dos saldos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL apurados nos anoscalendário de 2003 e 2004. Na apuração do Fisco para o anocalendário de 2010 não existiria saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL a serem deduzidos. Com o restabelecimento dos saldos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL nos anoscalendário de 2005 e 2006, cabe o recálculo do IRPJ e da CSLL nos anoscalendário de 2009 e 2010 com dedução daqueles valores, respeitado o limite legal. De acordo com as informações constantes dos autos os valores dedutíveis são: Anocalendário Prejuízos Fiscais Base de cálculo negativa da CSLL 2005 R$ 4.332.864,69 R$ 4.308.026,81 2006 R$ 9.742.517,06 R$ 9.742.517,06 Ressaltese que esse entendimento não impede a solicitação de informações e documentos quanto às operações realizadas, ainda que em períodos decaídos desde que tenham 1 De acordo com o LALUR e com a Tabela de fl. 25 do Termo de Verificação, o saldo de prejuízos apurado em 2003 seria R$ 563.993,01. Entretanto, na fl. 27 daquele Termo a Fiscalização informa o valor de R$ 574.108,75 que foi efetivamente utilizado. Fl. 4897DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 1402002.281 S1C4T2 Fl. 4.893 11 impacto, como é o caso, em anoscvalendário não atingidos pela caducidade (art. 37, da Lei nº 9.430/96). 4) Amortização do ágio: A reorganização societária abrangeu várias operações conexas. Em termos de geração de ágio, foram duas: 1) Nos termos da cláusula I da 2ª alteração contratual, lavrada em 16/12/2004, fls. 554 a 556, o capital social da Sogo Investimentos foi aumentado. Passou de R$ 3.000,00 para R$ 52.003.000,00 mediante a conferência de 958 quotas de emissão da Terlogs, as quais eram de propriedade da sócia Sogo Southocean, totalizando o aumento R$ 52.000.000,00, dividido em 52.000.000 quotas, no valor de R$ 1,00 cada uma, totalmente integralizado no ato. O valor da transferência das 958 quotas, de R$ 52.000.000,00, corresponde ao valor do exercício de opção de compra das cotas pertencentes a exsócia ALL, na Terlogs, conforme acordo de preferência no exercício de opção de compra firmado entre os sócios cotistas; e: 2) Em 23/12/004, o capital social da Sogo Investimentos foi aumentado em R$ 75.580.000,00, conforme cláusula I da 3ª alteração contratual, registrada em 28 de janeiro de 2005, fls. 557 a 559. Passou de 52.003.000,00, para R$ 127.583.000,00, mediante a conferência de 2.799 quotas de emissão da Terlogs, as quais são de propriedade da sócia Sogo Southocean e estão totalmente integralizadas. O aumento de R$ 75.580.000,00 foi dividido em 75.580.000 quotas, no valor de R$ 1,00 cada uma, totalmente integralizado no ato No mérito, importa ressaltar de imediato que, no que se refere à amortização de ágio, a regra geral é a indedutibilidade dos valores. Além disso, devese ter em mente que, no moldes definidos pela legislação (art. 7º, da Lei nº 9.532/97), a eventual dedutibilidade do ágio incorrido deve beneficiar aquele que efetivamente incorreu no ônus. A partir dessa premissa registrese que, para fins de dedução das despesas com ágio, são questões básicas a serem verificadas, ainda que outras possam se tornar relevantes: a independência entre as partes, existência de ônus em sentido estrito e ausência de empresas veículo ou de prateleira com fins exclusivamente tributários. Em relação à operação mencionada no item 1, não houve questionamento em relação à independência entre as partes no que se refere à operação que gerou o ágio, ou seja entre a Sogo Southocean e a ALL. O efetivo dispêndio também ocorreu, com a ressalva de que o ônus foi da Sogo Southocean e não da Sogo Investimentos, muito menos da interessada. No que se refere à utilização de empresa veículo, é fato que merece análise específica. Pelo exame dos autos constatase que a Sogo Investimentos caracterizase plenamente como empresa veículo, cujo único objeto real foi possibilitar o benefício da amortização do ágio para a recorrente através de sucessivas operações societárias descritas pormenorizadamente no Termo de Verificação. A utilização da empresa veículo é fato que isoladamente não seria motivo suficiente para descaracterizar os efeitos da operação quanto à geração do ágio. Entretanto, na presente situação entendo que o procedimento do sujeito passivo nos moldes realizados teve como escopo o contorno da legislação que trata da matéria no que se refere fundamentalmente às circunstâncias que, em ocorrendo, permitam a amortização do ágio. Fl. 4898DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 Quem efetivamente adquiriu as 958 cotas da Terlogs junto à ALL foi a Sogo Southocean. Em tese, ocorreria o permissivo legal para dedução do ágio caso a Sogo Southocean tivesse incorporado a Terlogs ou viceversa. Ao que tudo indica, tal procedimento não seria de interesse dos envolvidos. Conforme aduzido pela defesa, havia a preocupação de não transferir à Terlogs algumas questões próprias da Sogo Southocean, como as suas dívidas e o intricado relacionamento entre os seus sócios. Ainda que não tenha sido feito um procedimento de verificação quanto a essas alegações fato é que, com base nelas, tornouse impossível a caracterização da condição sine qua non para amortização do ágio: a confusão patrimonial entre investidora e investida. Daí porque entendo que foi criada uma artificialidade para contornar a legislação que, repitase, tem como regra a indedutibilidade do ágio. Pela similitude dos casos, faço minhas a explanações do Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO proferidas no bojo do voto condutor do acórdão 1402001.460: [...] Nesse sentido, compulsando os autos, percebese claramente que os investimentos realizados, e adquiridos com ágio, comporiam o ativo da Recorrente, provavelmente, por tempo indeterminado, haja vista a continuidade das operações antes realizadas pelas investidas em novas empresas ,segregadas de acordo com o ramo de atividade a que se dedicavam e, ao que tudo indica, ainda se dedicam, com exceção da hipótese de fechamento de capital. A artificialidade da operação foi justamente buscar o contorno de tais normas imperativas, que impunham a ativação do ágio, buscando posicionar a Recorrente diante de normas de contorno, quais sejam,o art.386,III,e seu §6º, II, do RIR/99, [...] Isso, porque, o fato de a formação do ágio ter cumprido os requisitos legais estabelecidos, em especial aqueles em que essa turma firmou entendimento (efetivo o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; a realização das operações originais entre partes não ligadas; seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura) não possui o condão de permitir que a regra geral seja desrespeitada, qual seja, o ágio deverá compor o custo do investimento para fins de apuração de ganho de capital em eventual alienação (inteligência do art. 391 c/c art. 426, II, ambos do RIR/99). Nessa senda, para que o ágio possa compor o resultado do período, o regulamento do imposto de renda impõe ou a alienação do investimento – nesse caso, na forma de custo de aquisição , ou mediante amortização, desde que haja incorporação, fusão ou cisão entre investidora e investida (art. 386, caput e inciso III), ainda que de forma reversa (art. 386, § 6º, II). A artificialidade da operação está, justamente, no passo intermediário utilizado pela Recorrente a fim de que o ágio, que deveria compor o custo do investimento, talvez nunca alienado, pudesse ser amortizado: a criação de empresas veículos, a fim de que pudesse ser realizada uma operação de reestruturação com incorporação reversa permitindo, no entender da Recorrente, o início da amortização dos valores de ágio. Não há dúvida que a pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, absorver patrimônio de outra pessoa jurídica que dela detenha participação societária adquirida com ágio, cujo fundamento seja a rentabilidade futura, poderá Fl. 4899DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 1402002.281 S1C4T2 Fl. 4.894 13 amortizálo nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração, pois assim possibilita o art. 386 do RIR/99. De igual forma, não se pode olvidar que o contribuinte tem o direito de estruturar os seu negócio de maneira que melhor lhe convém, com vistas à redução de custos e despesas, inclusive à redução dos tributos, sem que isso implique, necessariamente, qualquer ilegalidade. Entretanto, o que não se admite atualmente é que os atos e negócios praticados se baseiem numa aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial, para disfarçar o real objetivo da operação, quando unicamente almeje reduzir o pagamento de tributos. [...] Do exposto, voto por negar provimento ao recurso quanto ao ágio de que trata o item 1. No segundo caso, não houve qualquer desembolso, o que foi reconhecido pela recorrente. Descumpriuse portanto a premissa básica do ônus em sentido estrito. Registrese que o cerne da questão é a ocorrência de dispêndio para obter algo de terceiros, que não pertença ao adquirente, de forma a definir a aquisição. É inquestionável que o termo aquisição pode ter uma extensa gama de significados. Existem várias formas através das quais um bem ou direito muda de propriedade, com utilização de diferentes mecanismos voltados ao cumprimento das condições necessárias ao aperfeiçoamento do negócio jurídico. Entretanto, nessas situações sempre ocorre a presença do terceiro como contraparte, circunstância essa inexistente no caso sob exame. As empresas participantes das operações sob exame pertenciam ao mesmo grupo econômico e eram controladas pelas mesmas pessoas. Como aceitar que uma operação societária entre elas possa gerar os mesmos efeitos que aquela efetuada entre terceiros não relacionados? No que se refere ao propósito negocial e aos fundamentos econômicos da operação, devese salientar que o procedimento fiscal analisou essas questões com escopo nos aspectos intermediários que implicaram na formalização de um ágio que se provou inexistente, concretizado exclusivamente pela presença, como sujeitos, de sociedades sob controle comum, direto ou indireto. Em outras palavras, o que se rejeita é a utilização de um artifício contábil que propicia a constituição de um suposto ágio, posteriormente amortizado com efeitos no resultado tributável da pessoa jurídica. A avaliação “feita por empresa especializada”, é hábil para atestar a rentabilidade que a participação societária poderia apresentar no futuro, mas não se presta a qualificar a diferença entre essa avaliação e o valor patrimonial como ágio. Ou seja, o laudo elaborado exclusivamente no interesse de empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico pode embasar a reavaliação da participação societária, mas não a formação do ágio. Fl. 4900DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 Do exposto, voto por negar provimento ao recurso também em relação ao ágio de que trata o item 2. 5) Multa isolada – Concomitância: O pagamento do imposto por estimativa foi instituído pela Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Essa Lei estabeleceu período de apuração trimestral para o IRPJ, com a opção anual sendo que, nesse último caso, existe a obrigatoriedade de recolher o tributo mensalmente, determinado sobre uma base de cálculo estimada mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei nº 9.249/95. Entendeu o legislador que, feita a opção pelo recolhimento por estimativa, a ausência ou insuficiência desses pagamentos constituiria em sanção passível de punição via multa de ofício calculada sobre o montante não recolhido e aplicada isoladamente, nos termos do inciso IV, do § 1º , do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original. A questão de fato é polêmica. Neste Colegiado, alguns entendem que não se justificaria a aplicação da multa após o encerramento do período de apuração, quando já teriam sido realizados os devidos ajustes. Nesse caso bastaria a cobrança de eventual imposto apurado no ajuste acompanhado, aí sim, da respectiva multa. Esse posicionamento praticamente nega eficácia ao dispositivo legal supra mencionado, pois limitaria sua aplicabilidade a procedimentos de fiscalização efetuados durante o período sob exame. Além do mais, ignora a literalidade do texto legal que determina a aplicação da multa ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ajuste, ou seja, a Lei determina claramente que a multa pode ser imputada após o encerramento do período e mesmo sem tributo apurado no ajuste A principal e respeitável linha argumentativa daqueles que defendem essa tese parte do próprio texto legal. Na redação original temse: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (....) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (....) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (......) (grifo acrescido) Fl. 4901DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 1402002.281 S1C4T2 Fl. 4.895 15 Com base na redação do caput essa corrente defende que, mesmo na forma isolada, a multa incidiria sobre a totalidade ou diferença de tributo. Com a ressalva de que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, a lógica do pagamento de estimativas seria antecipar para os meses do anocalendário o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria devido apenas ao final do exercício. Sob essa ótica, a tese defende que o tributo apurado no ajuste e a estimativa paga ao longo do período devem estar intrinsecamente relacionados de forma a que a provisão para pagamento do tributo deve coincidir com o montante pago de estimativa ao final do exercício. Assim, concluem que só há que se falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido. A princípio, alinheime nessa posição e com ela votei em alguns julgados. Hoje, após cuidadosa reflexão penso que essa tese está equivocada porque, apesar de sua construção lógica ser irrefutável, mistura situações distintas. O texto original da lei estabelece que a multa isolada seria calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. Entendeuse assim que o legislador estabeleceu uma norma de imposição tributária quando na verdade o não recolhimento das estimativas impõe a aplicação de uma regra sancionatória. Aquela avaliação não mais se justifica a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (.......) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (......) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (.....) (grifo acrescido) Inexiste assim a estreita correlação entre o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano. Registrese que essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa, Simplesmente torna mais clara a intenção do legislador. Em voto que a meu ver bem reflete a tese aqui expostoa, o ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES foi preciso na análise do tema (Acórdão 10323.370, Sessão de 24/01/2008): (........) Fl. 4902DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 16 Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. A inexistência de correlação entre o tributo e a estimativa fezme refletir também sobre a questão da concomitância, ou seja, a aplicação da multa de ofício exigida junto com o tributo e a multa sobre as estimativas. Manifesteime em outra ocasiões pela aplicação ao caso do princípio da consunção, pelo qual prevalece a penalidade mais grave quando uma pluralidade de normas é violada no desenrolar de uma ação. Fl. 4903DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 1402002.281 S1C4T2 Fl. 4.896 17 De forma geral, o princípio da consunção determina que em face a um ou mais ilícitos penais denominados consuntos, que funcionam apenas como fases de preparação ou de execução de um outro, mais grave que o(s) primeiro(s), chamado consuntivo, ou tão somente como condutas, anteriores ou posteriores, mas sempre intimamente interligado ou inerente, dependentemente, deste último, o sujeito ativo só deverá ser responsabilizado pelo ilícito mais grave.2. Vejase que a condição básica para aplicação do princípio é a íntima interligação entre os ilícitos. Pelo até aqui exposto, podese dizer que a intenção do legislador tributário foi justamente deixar clara a independência entre as irregularidades, inclusive alterando o texto da norma para ressaltar tal circunstância. No voto paradigma que decidiu casos como o presente sob a ótica do princípio da consunção, o relator cita Miguel Reale Junior que discorre sobre o crime progressivo, situação típica de aplicação do princípio em comento. Pois bem. Doutrinariamente, existe crime progressivo quando o sujeito, para alcançar um resultado normativo (ofensa ou perigo de dano a um bem jurídico), necessariamente deverá passar por uma conduta inicial que produz outro evento normativo, menos grave que o primeiro. Noutros termos: para ofender um bem jurídico qualquer, o agente, indispensavelmente, terá de inicialmente ofender outro, de menor gravidade — passagem por um minus em direção a um plus. 3 (destaques acrescidos). Estaríamos diante de uma situação de conflito aparente de normas. Aparente porque o princípio da especialidade definiria a questão, com vistas a evitar a subsunção a dispositivos penais diversos e, por conseguinte, a confusão de efeitos penais e processuais. Aplicandose essa teoria às situações que envolvem a imputação da multa de ofício, a irregularidade que gera a multa aplicada em conjunto com o tributo não necessariamente é antecedida de ausência ou insuficiência de recolhimento do tributo devido a título de estimativas, suscetível de aplicação da multa isolada. Assim, não há como enquadrar o conceito da progressividade ao presente caso, motivo pelo qual tal linha de raciocínio seria injustificável para aplicação do princípio da consunção. Ainda seguindo a analogia com o direito penal, a grosso modo poderseia dizer que a situação sob exame representaria um concurso real de normas ou, mais especificamente, um concurso material: duas condutas delituosas causam dois resultados delituosos. Abstraindose das questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo 2 RAMOS, Guilherme da Rocha. Princípio da consunção: o problema conceitual do crime progressivo e da progressão criminosa. Jus Navigandi, Teresina, ano 5, n. 44, 1 ago. 2000. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/996>. Acesso em: 6 dez. 2010. 3 Idem, Idem Fl. 4904DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 18 devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo. Sob essa ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou a norma ao caso concreto, no exercício do poderdever legal, motivo pelo qual voto por manter a imputação da multa isolada em sua integralidade. Importa ressaltar que a Súmula CARF nº 101 NÃO SE APLICA A FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI Nº 11.488/2007, eis que todas as decisões que serviram de base à edição da Súmula não levaram em consideração a mudança legislativa. 6) Multa isolada – dedução dos saldos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL nos anos calendários de 2005 e 2006: Nesse caso, aplicase o mesmo raciocínio externado no item 3 deste voto. Restabelecidos os saldos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL nos anos calendários de 2005 e 2006, cabe o recálculo da multa isolada nos anoscalendário de 2009 e 2010 com a dedução daqueles valores, respeitado o limite legal. 6) Natureza confiscatória da multa: Relativamente à multa, a inobservância da norma jurídica tendo como conseqüência o não pagamento do tributo importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Assim, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, cabe a aplicação da multa de ofício. A arguição quanto à eventual natureza confiscatória da multa envolve matéria constitucional, cuja apreciação foge à alçada deste Colegiado, nos termos da Súmula CARF nº 2, de Enunciado: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7) Resumo do voto: Em resumo do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de restabelecer o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL apurados nos anoscalendário de 2005 e 2006 e considerálos na apuração do IRPJ, da CSLL e respectivas multas isoladas nos anoscalendário de 2009 e 2010. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 4905DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13888.901430/2014-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.364
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 14 30 /2 01 4- 68 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901430/201468 Acórdão n.º 3402003.364 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901430/201468 Acórdão n.º 3402003.364 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901430/201468 Acórdão n.º 3402003.364 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901430/201468 Acórdão n.º 3402003.364 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 12466.722059/2013-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 10/06/2013
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO E CONVERSÃO EM MULTA.
Não apresentada documentação capaz de comprovar a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas transações, tem-se por reconhecida a interposição fraudulenta de terceiros a causar dano ao erário. Cabível, pois, a substituição por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta for consumida ou não localizada.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PESSOA QUE CONCORRA OU SE BENEFICIE DA PRÁTICA DA INFRAÇÃO. INCLUSÃO NO POLO PASSIVO. POSSIBILIDADE.
A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente, inclusive no que se refere a infrações.
ARGUIÇÃO DE NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS. INCOMPLETUDE. INOCORRÊNCIA.
A minudente descrição dos fatos constante do Termo de Verificação Fiscal, anexo aos autos de infração, descaracteriza a arguição de nulidade das autuações por incompletude da motivação.
PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Instaurado o contencioso administrativo, por meio da impugnação protocolizada, o contribuinte obteve a possibilidade de apresentar argumentos e provas de fato e de direito capazes de afastar a exigência fiscal, em atendimento ao contraditório e à ampla defesa, não havendo que se falar em nulidade.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-003.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo, Relator, e a Conselheira Lenisa Prado, que excluíam do polo passivo a empresa Savix. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
(assinado digitalmente)
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
WALKER ARAUJO - Relator.
(assinado digitalmente)
JOSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO - Redator designado.
EDITADO EM: 13/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 10/06/2013 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO E CONVERSÃO EM MULTA. Não apresentada documentação capaz de comprovar a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas transações, tem-se por reconhecida a interposição fraudulenta de terceiros a causar dano ao erário. Cabível, pois, a substituição por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta for consumida ou não localizada. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PESSOA QUE CONCORRA OU SE BENEFICIE DA PRÁTICA DA INFRAÇÃO. INCLUSÃO NO POLO PASSIVO. POSSIBILIDADE. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente, inclusive no que se refere a infrações. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS. INCOMPLETUDE. INOCORRÊNCIA. A minudente descrição dos fatos constante do Termo de Verificação Fiscal, anexo aos autos de infração, descaracteriza a arguição de nulidade das autuações por incompletude da motivação. PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Instaurado o contencioso administrativo, por meio da impugnação protocolizada, o contribuinte obteve a possibilidade de apresentar argumentos e provas de fato e de direito capazes de afastar a exigência fiscal, em atendimento ao contraditório e à ampla defesa, não havendo que se falar em nulidade. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo, Relator, e a Conselheira Lenisa Prado, que excluíam do polo passivo a empresa Savix. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) RICARDO PAULO ROSA - Presidente. (assinado digitalmente) WALKER ARAUJO - Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO - Redator designado. EDITADO EM: 13/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
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E OUTRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/06/2013 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO E CONVERSÃO EM MULTA. Não apresentada documentação capaz de comprovar a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas transações, temse por reconhecida a interposição fraudulenta de terceiros a causar dano ao erário. Cabível, pois, a substituição por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta for consumida ou não localizada. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PESSOA QUE CONCORRA OU SE BENEFICIE DA PRÁTICA DA INFRAÇÃO. INCLUSÃO NO POLO PASSIVO. POSSIBILIDADE. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente, inclusive no que se refere a infrações. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS. INCOMPLETUDE. INOCORRÊNCIA. A minudente descrição dos fatos constante do Termo de Verificação Fiscal, anexo aos autos de infração, descaracteriza a arguição de nulidade das autuações por incompletude da motivação. PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Instaurado o contencioso administrativo, por meio da impugnação protocolizada, o contribuinte obteve a possibilidade de apresentar argumentos e provas de fato e de direito capazes de afastar a exigência fiscal, em atendimento ao contraditório e à ampla defesa, não havendo que se falar em nulidade. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 20 59 /2 01 3- 97 Fl. 5608DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO 2 Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo, Relator, e a Conselheira Lenisa Prado, que excluíam do polo passivo a empresa Savix. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) RICARDO PAULO ROSA Presidente. (assinado digitalmente) WALKER ARAUJO Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO Redator designado. EDITADO EM: 13/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Tratase de Auto de Infração para cobrança do débito no valor de R$ 4.690,14, relativo a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas por meio das DI´s abaixo especificada, nos termos do §3º, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação dada pelo artigo 59, da Lei nº 10.637/2002, c/c o inciso III, do artigo 81, da Lei nº 10.833/2003. Nº DI REGISTRO DESEMBARAÇO VALOR ADUANEIRO 1001695277 01/02/10 03/02/10 2.344,25 1004977230 26/03/10 29/03/10 2.345,89 TOTAL 4.690,14 Foram incluídas no polo passivo do processo a empresa Savixx Comércio Internacional Ltda., na qualidade de devedora principal; e as empresas Felix Serviços Administrativos Ltda. ME e Gaz World Comércio de Peças e Aquecedores Ltda., nos termos Fl. 5609DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 12466.722059/201397 Acórdão n.º 3302003.364 S3C3T2 Fl. 3 3 do artigo 1241, do Código Tributário Nacional, e dos artigos 1062 e 6743, do Decreto nº 6.759/2009. A motivação e o fundamento para imputar responsabilidade as referidas empresas consta do relatório anexo ao Auto de Infração de fls. 0291. Em resumo, a fiscalização apurou que as operações que embasaram o lançamento foram realizadas da seguinte forma4: 1. Com base na investigação sobre Declarações de Importação (DI) onde a FELIX MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO (doravante FELIX), CNPJ nº 09.518.724/000104, figurou como encomendante, identificaramse as infrações de interposição fraudulenta de terceiros e uso de documento falso no despacho aduaneiro de importação, as quais ensejam a aplicação da pena de perdimento de mercadorias. As DI investigadas foram registradas por dois importadores distintos: SAVIXX COMÉRCIO INTERNACIONAL S/A (doravante SAVIXX), CNPJ nº 28.477.685/000180, e LOG TRADING & SUPPLY CHAIN LTDA (LOG TRADING), CNPJ nº 08.997.092/000138. Assim, houve necessidade de se lavrar vários Autos de Infração, segregados por importador e demais sujeitos passivos identificados. No presente Auto de Infração, lavrado ao respaldo do MPF Nº 0727600201300344 (MPF 0727600 2013 00344 SAVIXX), emitido em face da SAVIXX COMERCIO INTERNACIONAL S/A, foram autuadas operações de importação registradas pela SAVIXX onde a FELIX figurou como encomendante. 2. A fiscalização apurou que a empresa FELIX figurou como encomendante nas operações de importação investigadas, entretanto as mercadorias eram pré destinadas a outros interessados, verdadeiros encomendantes das mercadorias e sujeitos passivos das obrigações tributárias, mas que se mantiveram ocultos nas operações. 3. A Alfândega do Porto de Vitória (ALF/Porto Vitória) durante procedimento especial de controle aduaneiro aplicado à DI nº 10/04369249 constatou indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômicofinanceira da empresa FELIX, decidindo pelo procedimento especial de fiscalização previsto na IN SRF 228/2002, conforme determina a IN RFB 1.169/2011, art.8º. 4. Na importação registrada através da referida DI foi constatada a ocultação do real comprador e responsável pela importação das mercadorias estrangeiras, a 1 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. 2 Art. 106. É responsável solidário: IV o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 32, parágrafo único, alínea “d”, com a redação dada pela Lei nº 11.281, de 2006, art. 12); 3 Art. 674. Respondem pela infração (DecretoLei no 37, de 1966, art. 95): I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; ... VI conjunta ou isoladamente, o importador e o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 95, inciso VI, com a redação dada pela Lei nº 11.281, de 2006, art. 12). 4 Trecho extraído da decisão de piso. Fl. 5610DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO 4 empresa PIASTRELLA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA (doravante PIASTRELLA), CNPJ nº 02.069.769/000191, mediante fraude ou simulação, pela interposição fraudulenta de terceiro, infração considerada dano ao Erário e punível com a pena de perdimento das mercadorias, conforme art. 23, inc. V e §§ 1º e 2º, do DecretoLei nº 1.455/1976. Por meio do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal nº 12466.721744/201134 foi proposta a aplicação da pena de perdimento das mercadorias (aparelhos de ar condicionado). A DI em questão foi registrada pela importadora SAVIXX, para suposta revenda à encomendante pré determinada FELIX. Entretanto, a fiscalização constatou que a real compradora responsável pela importação foi a oculta PIASTRELLA, uma loja da rede varejista AMOEDO, do estado do Rio de Janeiro, uma das maiores do país no ramo de materiais de construção. 5. Constatouse que a PIASTRELLA e outras empresas/lojas da REDE AMOEDO bancaram a atuação da interposta FELIX com créditos em sua conta bancária no valor total de R$ 2.880.000,00, apenas no período de dez/2009 a abr/2010. Somente da PIASTRELLA, havia nove créditos que totalizam R$ 1.461.000,00. A FELIX, regularmente intimada, recusouse a explicar e a comprovar a motivação e a origem desses créditos, que eram efetuados sempre que ocorria um débito de valor semelhante em sua conta. Os procedimentos de investigação identificaram a origem dos créditos (empresas/lojas da rede AMOEDO) que bancaram toda a atuação da FELIX. A fiscalização anexou ao presente Auto de Infração cópias de documentos do processo nº 12466.721744/201134 (Doc B, Doc C, Doc E, Doc F, Doc G, Doc H, Doc K, Doc L, Doc M e Doc O), referentes ao Procedimento Especial de Controle Aduaneiro aplicado à DI nº 10/04369249 e que possuem estrito relacionamento com as infrações investigadas e constatadas no presente caso. Segundo apurou a fiscalização, a empresa FELIX ocultou outras empresas do referido grupo em outras importações onde atuou como encomendante pré determinada. Segundo dados dos sistemas de informação da RFB, de setembro de 2009 até o início de maio de 2011, a FELIX atuou como encomendante pré determinada em 68 DI’s, com valor total declarado de US$ 3.833.026,07 (CIF; custo da mercadoria incluindo seguro e frete). Verificouse, ainda, que os sócios da FELIX integraram o quadro societário da PIASTRELLA em 2003, e que consta na ficha de habilitação no SISCOMEX da FELIX capital social de R$ 50 mil, sendo que havia figurado como encomendante em operações de importação da ordem de US$ 4,1 milhões nos últimos três anos. A incompatibilidade do capital social com o montante transacionado no comércio exterior, bem como os demais indícios de interposição fraudulenta, serviram de fundamentos para a inclusão da empresa encomendante prédeterminada no procedimento especial de fiscalização previsto na IN SRF 228/2002. (...) 7. Com relação à SAVIXX, conforme descreve minuciosamente a fiscalização, sabiase de ante mão que figurou como importadora em parte das DI onde a FELIX atuou como encomendante prédeterminada, registradas entre 03/09/2009 e 06/10/2010. Foi intimada a apresentar esclarecimentos e documentos em relação a essas operações. Depois de sucessivos pedidos de prorrogação de prazo para resposta apresentou, em 11/04/2012, documentos referentes a 49 operações de importação e outros documentos solicitados, porém dois dos quesitos formulados no Termo de Intimação Fiscal nº 201200062003 (quesitos 2 e 7) não foram atendidos satisfatoriamente. Houve reintimação para atendimento daquela parte insatisfatória, inclusive requisição de correspondência comercial trocada com o encomendante pré determinado das mercadorias importadas. Na resposta de 17/05/2012 foram Fl. 5611DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 12466.722059/201397 Acórdão n.º 3302003.364 S3C3T2 Fl. 4 5 apresentados novos esclarecimentos e documentos que visavam comprovar a origem e efetiva transferência de recursos por meio do Banco BANESTES S/A, deixando, entretanto, de apresentar documentos relativos a transferência realizadas através do Banco do Brasil. Depois de nova prorrogação de prazo, em 25/06/2012, a SAVIXX apresentou informação complementar anexando comprovantes TED, alegando se tratar de todos os documentos faltantes, e acrescentando não ser possível identificar o remetente dos recursos no caso de depósito online. 8. Foram constatadas inconsistências nos TED apresentados. Dois deles indicavam recebimentos no BANESTES, mas se tratavam de recursos recebidos no Banco do Brasil, conforme comprovantes antes apresentados. São os TED referentes aos lançamentos constantes no AI, no quadro anexo transcrito em seguida: (...) A SAVIXX foi intimada a esclarecer essas inconsistências. Em 07/07/2012 apresentou sua resposta, afirmando que os recursos foram recebidos através do BANESTES, mas que imediatamente transferiu os valores para a conta do Banco do Brasil. Acostou documentos emitidos pelas instituições financeiras. 9. Segundo a fiscalização, a FELIX figurou como encomendante em importações no período de 2009 até 2011 totalizando o valor de R$ 7.116.256,94, conforme a tabela abaixo: (...) 10. Para exemplificar as perdas de arrecadação, apresentouse a análise dos efeitos da quebra da cadeia de incidência do IPI, nos termos demonstrados pela fiscalização do SAPEA/ALF/Porto de Vitória no procedimento especial aplicado à DI nº 10/04369249, com base em documentos apresentados em resposta às intimações (Doc G e Doc H). O demonstrativo foi elaborado usando como exemplo as mercadorias da DI nº 09/18290583, importadas pelas empresas SAVIXX (importador) e FELIX (“encomendante”), e posteriormente “revendidas” para a empresa PIASTRELLA, identificada naquela fiscalização como real encomendante, que se manteve oculta na operação. Por meio da DI 09/18290583, a SAVIXX importou 170 aparelhos de arcondicionado de 9.000 BTU’s. A SAVIXX vendeu esses aparelhos para a FELIX pelo preço unitário de R$ 585,26, incluindo o IPI (NFe SAVIXX nº 2429, de 30/12/2009). Em seguida, a FELIX vendeu todos os 170 aparelhos para a PIASTRELLA por R$ 632,09 (apenas 8% a mais), incluindo o IPI (NFe FELIX nº 29, de 05/01/2010). Posteriormente, com grande “salto” de valor, parte desses aparelhos foi vendida por R$ 899,90 sem incidência de IPI (NF PIASTRELLA nº 412393, de 18/01/2010). Ora, se, no lugar da FELIX, a verdadeira encomendante PIASTRELLA tivesse sido indicada como encomendante, o IPI teria incidido na venda feita por R$ 899,90. Como tal obrigação não foi cumprida, a incidência de IPI ocorreu somente até a venda que a FELIX fez pelo reduzido valor de R$ 632,09. É a chamada “quebra da cadeia do IPI”. (...) 11. Além disso, a correta incidência do IPI sobre a mercadoria estrangeira equipara a carga tributária do produto importado ao produto nacional. Com a sonegação do IPI, a concorrência desleal do produto importado aumenta os obstáculos ao crescimento da indústria nacional. Também se deve considerar o interesse de se beneficiar dos incentivos concedidos às empresas fundapeanas. O FUNDAP (Fundo para o Desenvolvimento Fl. 5612DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO 6 das Atividades Portuárias) é um benefício concedido às empresas de comércio exterior que se estabelecem no Espírito Santo e são autorizadas pelo BANDES (Banco de Desenvolvimento do ES) a operar no sistema. Na sistemática do FUNDAP, ocorre desoneração da importação: para as operações que promoverem no ES, é garantida a postergação do prazo de pagamento do ICMS incidente nas importações, e a empresa pode obter financiamentos de longo prazo junto ao BANDES, no valor de cerca de 70% do ICMS recolhido, com juros de 1% ao ano, 5 anos de carência, 20 anos para amortização da dívida, com opção de recompra da dívida em leilões realizados periodicamente pelo Banco, onde os contratos são liquidados por cerca de 10% do saldo devedor. Tratase de um incentivo financeiro sob o aspecto formal, mas, sob o aspecto material, configura um verdadeiro subsídio às importações. O FUNDAP tem papel relevante na guerra fiscal entre os estados da federação, que nesse caso é conhecida como “guerra dos portos”. Algumas empresas domiciliadas em outros estados têm interesse em usufruir desses benefícios, porém sem mudar seu domicílio, e acabam optando por usufruir o benefício de forma oblíqua. 12. Na jurisprudência do STF, quanto ao disposto na CF/88, art.155, §2º, IX já se firmou que o sujeito ativo do ICMS incidente na importação de mercadoria é o estado da Federação em que estiver localizado o destinatário final da operação. Quando se utiliza da fraude/simulação, pela interposição de terceiro que se apresenta como “encomendante de fachada” sediado no estado do Espírito Santo, este aparentemente faz as operações de importação através de uma empresa FUNDAPEANA e se beneficia da redução de custos e descontos financeiros concedidos para operações FUNDAP. Posteriormente, a mercadoria é remetida aos verdadeiros destinatários finais em outro estado da federação, o real encomendante, como uma mera venda interestadual. Assim, o fisco do estado de destino é ludibriado e o real destinatário final das mercadorias importadas se beneficia de um crédito de ICMS que sequer foi integralmente pago. 13. A ocultação do real beneficiário/interveniente na operação de comércio exterior caracteriza simulação, pela prática das condutas descritas nos incisos I e II do parágrafo 1º do art. 167 do Código Civil, Lei nº 10.406/02. Na simulação há presença de dois atos: o ato simulado, para o qual há documento (ainda que material e/ou ideologicamente falso), e o ato dissimulado, o que se pretende esconder. Assim, é necessário desvendar a real intenção dos agentes no momento da prática do ato simulado. Para apurar a verdadeira operação realizada, devese lançar mão de provas indiciárias e presuntiva, conforme abalizada doutrina de Heleno Torrres, in “Direito Tributário e Direito Privado: autonomia privada, simulação e elusão tributária”: "É o caso das provas da simulação. Porque a ação desta é geralmente encoberta e de pouca expressão material ou documental, sua prova exigirá sempre mais apelo às formas de provas indiciárias e presuntivas, visando alcançar um conhecimento que corresponda o mais próximo possível à realidade.” (...) 25. Da Rede de Lojas AMOEDO MATERIAS DE CONSTRUÇÃO. Em tabela indicada no AI foram relacionadas as quantidades e os valores totais das Notas Fiscais de Saída emitidas pela FELIX, por destinatários constantes das referidas Notas Fiscais. Todas as empresas destinatárias das mercadorias, que aparentemente seriam pessoas jurídicas independentes, “clientes” da FELIX, são na realidade a ela vinculadas através dos atuais e de exintegrantes dos quadros societários. Para facilitar a visualização dos relacionamentos entre as empresas foi elaborado o Diagrama da Figura 1 (ver no AI; Diagrama com as relações entre empresas, sócios atuais e exsócios) representando as empresas destinatárias das Notas Fiscais de Saída da FELIX e apontando as pessoas físicas integrantes e ex Fl. 5613DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 12466.722059/201397 Acórdão n.º 3302003.364 S3C3T2 Fl. 5 7 integrantes dos quadros societários. Para simplificar a visualização, as empresas foram representadas apenas pelo primeiro nome. A única empresa do diagrama que não foi destinatária de Notas Fiscais da FELIX foi a TRAVERTINO MATERIAIS DE CONSTRUCAO LTDA, CNPJ nº 05.798.065/000148, adicionada ao diagrama para permitir a visualização de alguns dos relacionamentos com pessoas físicas. 26. Num primeiro momento, é possível visualizar que as pessoas físicas com maior quantidade de vínculos societários são os Srs. ALDO ALEX OGNIBENI, CPF nº 664.176.51720, e HÉLIO MOREIRA DIAS, CPF nº 245.701.76704, atuais sócios administradores da FELIX. Os Srs. ALDO e HÉLIO ainda são sócios em mais 8 (oito) empresas não indicadas no diagrama, a maioria atuantes na área de materiais de construção ou atividades correlatas. Remetese à leitura no AI dos destaques de alguns interrelacionamentos relevantes identificados. 27. Há outras empresas vinculadas à FELIX que figuraram nas operações “comerciais”. Durante o procedimento especial de controle aplicado pela SAPEA (Seção de Procedimentos Especiais Aduaneiros), à DI nº 10/04369249, foram apresentados pela FELIX alguns extratos bancários (Doc L), dentro do período de dezembro de 2009 a abril de 2010. Foram relacionados débitos e créditos desses extratos na tabela especificada no AI, trazendo as datas, os valores e o histórico dos lançamentos, excluindose resgates e aplicações automáticos e valores inferiores a R$ 30.000,00. Quanto à DI nº 10/04369249, a FELIX foi intimada a esclarecer a motivação do recebimento e pagamento dos recursos, entretanto, recusouse a prestar informações a respeito (Doc M). 28. As coincidências entre sócios e exsócios dessas empresas, a intricada rede de relacionamentos com a FELIX, o fato da FELIX só ter efetuado “vendas” para empresas vinculadas, bem como ter recebido recursos das mesmas em datas e valores coincidentes com os pagamentos a importadora SAVIXX não são obra do acaso, mas decorrem de um fato: as empresas são todas pertencentes a um grupo econômico, a REDE DE LOJAS AMOEDO MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO (ver o Doc. O – pesquisa na internet realizada pela SAPEA, cujo anúncio de venda de “Split” de 9.000 BTU’s da marca KOBE é idêntico aos aparelhos de ar condicionado acobertados pela DI n 10/04369249 em junho de 2011. O aparelho encontravase à venda no sítio da Rede de Lojas AMOEDO (ver fig 2 doc de fls.59, Anúncio de venda no sítio da AMOEDO) 29. Foram anexadas a este processo (Doc O), páginas do sítio da AMOEDO contendo o anúncio do aparelho de 9.000 BTU, as informações sobre a sua história e sua relação de lojas. O nome “AMOEDO” aparece em mensagens eletrônicas (e mails) apresentadas pela importadora SAVIXX antes da submissão da DI 10/04369249 ao procedimento especial (Doc C). Essas mensagens em sequência mostram procedimentos prévios à importação das mercadorias e demonstram que a Rede de Lojas AMOEDO foi a responsável e verdadeira interessada na importação. Ver informações detalhadas às fls.60/64 consideradas para a conclusão de que a Rede de Lojas AMOEDO negociou diretamente com os exportadores estrangeiros, através do Sr. Ricardo Torres, o qual não tinha vínculo empregatício com a FELIX, mas sim com outra empresa do mesmo grupo, a REALE TINTAS. As encomendas eram realizadas através do Sr. Ricardo Torres aos importadores com os fornecedores estrangeiros e os preços já definidos, ou seja, as negociações com o exterior eram realizadas para as outras empresas do grupo sem qualquer interferência da FELIX. Logo após a nacionalização e emissão das Notas Fiscais de Saída dos importadores, a FELIX emitia Notas Fiscais de Saída destinando as mercadorias diretamente do recinto alfandegado para as Lojas Amoedo. Portanto, as Lojas AMOEDO foram as verdadeiras encomendantes das mercadorias. A comparação entre a relação de Lojas Fl. 5614DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO 8 AMOEDO, no sítio da rede na internet (Doc O), e as informações cadastrais das empresas destinatárias das Notas Fiscais da FELIX ou que forneceram créditos na conta da FELIX, revelou que a maioria das empresas são Lojas AMOEDO, conforme a Figura 3 constante no AI. 30. A fiscalização destaca que não se conseguiu identificar a existência formal da Rede AMOEDO. As empresas FELIX, PIASTRELLA, GAZ WORLD e outras empresas do grupo tiveram seus CNPJ identificados e apresentados neste relatório, mas a Rede AMOEDO não. Existindo ou não do ponto de vista formal, é inegável que a Rede AMOEDO existe de fato, e coordena a atuação da FELIX e de suas lojas CARRARA, BOTTINO, MONITORE, etc. A FELIX não é uma loja AMOEDO, mas é parte do grupo econômico. Restou constatado neste procedimento fiscal que a FELIX não dispunha de capacidade econômicofinanceira própria para constituir garantias às operações de importação focadas. As garantias oferecidas foram de fato suportadas por Lojas da Rede Amoedo, reais interessadas na importação das mercadorias, conforme descrito detalhadamente no AI. As lojas e demais empresas AMOEDO são todas do Rio de Janeiro, enquanto a FELIX é a única empresa do grupo no Espírito Santo, sendo interposta pessoa usada pelas Lojas AMOEDO. A função da FELIX é assumir o papel de encomendante prédeterminada de importações, de forma a ocultar as demais empresas do grupo, as responsáveis/interessadas de fato pelas operações e verdadeiras encomendantes das mercadorias. 31. Ao final do procedimento especial de investigação restou constatado que: “• A rede de lojas AMOEDO negociou diretamente as mercadorias no exterior, através do Sr. Ricardo Torres de Oliveira, funcionário de uma das empresas da Rede de Lojas Amoedo e responsável pelos trâmites de todas as operações de comércio exterior do grupo; • Há um intricado interrelacionamento da FELIX com outras empresas do grupo, por meio de sócios e/ou administradores integrantes ou excluídos dos quadros societários. Tais empresas foram responsáveis pelos créditos não contabilizados na conta bancária da FELIX e foram as destinatárias das mercadorias de procedência estrangeira; • Na conta bancária da FELIX, há inegáveis coincidências de datas e valores dos créditos efetuados pelas Lojas da Rede Amoedo e dos débitos para pagamento aos importadores, sem a devida escrituração contábil, demonstrando que as importações foram na verdade pagas pelas outras empresas do grupo; • Empresas da Rede de Lojas Amoedo foram as verdadeiras responsáveis pela prestação de garantias a importadora SAVIXX para realização das operações de comércio exterior, na forma de carta de fiança; • Há confusão de gerentes e administradores entre as empresas da Rede de Lojas AMOEDO; • A FELIX não dispõe e nunca dispôs da capacidade operacional e logística necessária para estocar e movimentar mercadorias para atuar no comércio exterior nos montantes transacionados; • A FELIX não dispõe e nunca dispôs dos funcionários necessários para atuar no comércio exterior nos montantes transacionados, e nem para comercializar as mercadorias importadas no mercado interno. Fl. 5615DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 12466.722059/201397 Acórdão n.º 3302003.364 S3C3T2 Fl. 6 9 32. As evidências reunidas demonstram inequivocamente que a FELIX tem atuado reiteradamente como interposta pessoa nas importações sustentadas pelo grupo de lojas AMOEDO, reais encomendantes das mercadorias, ocultadas nessas operações. 33. Sobre o fluxo de pagamentos, a ocultação dos reais encomendantes, a cessão de nome para acobertamento dos reais beneficiários das operações de importação, ver a análise posta no AI, de onde a fiscalização concluiu que: 33.1. Após o desembaraço e antes da emissão de qualquer Nota Fiscal, os valores para pagamento das importações eram transferidos das Lojas AMOEDO para a FELIX [QUADRO (B)]; 33.2. Após o recebimento desses valores, no mesmo dia ou no dia seguinte, a FELIX efetuava a transferência para a SAVIXX [QUADRO (C)]; 33.3. Após o recebimento dos valores, a SAVIXX emitia as Notas Fiscais de Saída para a FELIX [QUADRO (D)]. Tais Notas Fiscais representam saídas fictícias, pois as mercadorias não eram destinadas a estabelecimento da FELIX, mas diretamente para as Lojas AMOEDO; 33.4. No mesmo dia ou em data bem próxima, a FELIX emitia as Notas Fiscais de Saída para a Loja AMOEDO destinatária final das mercadorias (QUADRO E), que recebia as mercadorias importadas diretamente do recinto alfandegado; 33.5. Os valores transferidos das Lojas AMOEDO para a FELIX (QUADRO B) são valores redondos, na ordem de milhares, que não coincidem com as datas e valores das Notas Fiscais, até porque elas sequer estavam emitidas. As datas das transferências são anteriores a emissão das Notas Fiscais. Resta claro que tais transferências não são de fato pagamentos de compras, mas “suprimentos de caixa” fornecidos à FELIX pela verdadeira encomendante das mercadorias, para possibilitar o pagamento adiantado da importadora SAVIXX, antes da emissão das Notas Fiscais de Saída, e garantir a entrega das mercadorias importadas; 33.6. Para algumas operações, uma das Lojas “AMOEDO” transferiu totalidade ou parte dos valores para a FELIX (QUADRO B), enquanto outra loja foi a destinatária final das mercadorias (QUADRO E) Vide fls.79/82. Tal situação demonstra a confusão patrimonial na chamada Rede de Lojas AMOEDO, pois a loja que de fato pagava as importações nem sempre era a mesma destinatária final das mercadorias importadas; 33.7. Para uma das operações, os valores nem sequer transitaram pela FELIX, foram transferidos diretamente de uma das Lojas AMOEDO (RHODES 116) para a SAVIXX (vide linha REF 9 – na DI). Para maior clareza estão descritas, no AI, algumas linhas do Fluxo de Pagamentos identificado, a partir do qual se compreende como ocorreram as operações de importação, restando indubitável que a “Rede AMOEDO” foi a verdadeira encomendante das importações, quem de fato custeou as referidas importações (ver na TAB 1 a vinculação entre os verdadeiros encomendantes identificados e as respectivas DI registradas). 34. Constatouse que a importadora SAVIXX declarou nas DI que a encomendante era a FELIX, porém, conforme foi constatado, os verdadeiros Fl. 5616DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO 10 encomendantes foram outras empresas, concluindose assim que as DI registradas estavam eivadas de falsidade. 35. São documentos obrigatórios na instrução das DI as faturas comerciais e os romaneios de carga (packing list). Aquelas são documentos emitidos pelos vendedores das mercadorias, devendo conter todas as características da transação comercial. O romaneio de carga é utilizado para listar a carga transportada. Destaca se que a correta identificação doencomendante na DI é obviamente requisito essencial para a fatura comercial idônea, informação que em geral também deve constar no romaneio de carga, nos termos do Regulamento Aduaneiro (RA). No caso, as faturas comerciais e os romaneios de carga que instruíram as DI consideradas apresentadas pela SAVIXX à autoridade aduaneira apontavam a FELIX como se fosse a encomendante (ver os campos “BUYER, ORDERER, NOTIFY”). No entanto, conforme demonstrado no procedimento investigatório fiscal, os reais encomendantes foram outras empresas, portanto as faturas comerciais e os romaneios de carga apresentados à administração aduaneira são ideologicamente falsos. Nos termos do Código Civil, art.167, são simuladas as compras no mercado externo e as vendas no mercado interno dessas mercadorias importadas mediante ocultação do verdadeiro adquirente. 36. Consideradas as condutas desvendadas, as quais representam irregularidades praticadas pela SAVIXX e pela FELIX, procedeuse à aplicação da penalidade prevista no Dl 1.455/76, art.23. Constitui dano ao erário, por força de lei, a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou do responsável pela operação de comércio exterior, mediante fraude, simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, infrações passíveis da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, que por sua vez foi convertida em aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro em face da não localização das referidas mercadorias. 37. O Auto de Infração objeto deste processo foi lavrado contra Aquela que se apresentou formalmente, nas DI, como a importadora das mercadorias, a SAVIXX COMÉRCIO INTERNACIONAL S/A. A FELIX SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS LTDA – ME foi apontada como responsável solidária, por haver concorrido para a prática infracional ou dela ter se beneficiado. A Gaz World Comércio de Peças e Aquecedores Ltda., CNPJ Nº 05.520.339/000132, foi identificada como verdadeira encomendante/adquirente das mercadorias, havendo concorrido para a prática e tendo se beneficiado da infração, sendo assim também apontada como responsável solidária. Ver enquadramento legal destacado no AI. Intimadas da lavratura do Auto de Infração, a empresa Savixx Comércio Internacional Ltda. apresentou tempestiva impugnação de fls.5.0795.110; a empresa Felix Serviços Administrativos Ltda. ME apresentou tempestiva impugnação de fls. 5.1445.160; e a empresa Gaz World Comércio de Peças e Aquecedores Ltda. apresentou tempestiva impugnação de fls. 5.1695.182, requerendo, em síntese, o cancelamento do lançamento fiscal pelos motivos e fundamentos apresentados nas peças defensivas. Em sessão realizada no dia 10 de junho de 2014, houve por bem a 6ª Turma da DRJ/REC julgar improcedentes as impugnações apresentadas pelos sujeitos passivos para manter a exigência do crédito tributário nos termos da ementa abaixo reproduzida: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 10/06/2013 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. INFRAÇÃO SUJEITA A PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Fl. 5617DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 12466.722059/201397 Acórdão n.º 3302003.364 S3C3T2 Fl. 7 11 Ainda que houvesse interesse legítimo de faturamento, a empresa importadora fundapeana se prestou a participar de esquema de fraude contra o controle aduaneiro, atuando como importador por suposta encomenda de empresa que, com seu conhecimento, apenas cedeu o nome para ocultar os reais adquirentes das mercadorias importadas irregularmente mediante interposição fraudulenta de terceiros. Tratase de infração passível de pena de perdimento das mercadorias. Na impossibilidade de sua apreensão porque não localizadas, a pena de perdimento foi legalmente convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, nos termos da legislação regente. A importadora é sujeito passivo legítimo, responsável solidariamente pela infração juntamente com o real adquirente ocultado e com o suposto encomendante, todos devidamente arrolados no pólo passivo da relação jurídica sancionatória. A empresa Savixx foi intimada da decisão de piso em 11.07.2014 (fls.5.285) e interpôs recurso voluntário em 12.08.2014 (fls.5.2945.320); a empresa Felix foi intimada da decisão de piso por edital afixado em 08/07/2014 (fls.5.284) e interpôs recurso voluntário em 20.08.2014 (fls.5.5475.563); e a empresa Gaz World Comércio de Peças e Aquecedores Ltda. foi intimada da decisão de piso em 22.07.2014 (fls.5.286) e interpôs recurso voluntário em 19.08.2014 (fls.5.5905.603). Resumidamente, as razões de inconformismo apresentadas pelas referidas empresas, ora Recorrentes, foram as seguintes: A) Empresa Savixx Comércio Internacional Ltda. Questões de Mérito: (i) não há no relatório fiscal nenhuma comprovação da prática de qualquer conduta, comissiva ou omissiva, que pudesse ensejar a sua inclusão na autuação, sequer como sujeito passivo, na medida em que não houve no caso concreto, de sua parte (i.1) negócio jurídico simulado; (i.2) supressão no pagamento de qualquer tributo; e (i.3) qualquer ganho ou vantagem ilícita com as operações investigadas e autuadas, incluindo, por óbvio; (ii) erro na imputação da multa tipificada no artigo 23, inciso V, do Decreto nº 1.455/76 em face da Recorrente, considerando que referida norma visa punir o sujeito oculto da importação, que no presente caso seria a empresa RHODES, sendo que na eventual manutenção do lançamento fiscal, a multa aplicada no presente caso deveria ter sido aquela prevista no artigo 33, da Lei nº 11.488/2007. B) Empresa Felix Serviços Administrativos Ltda. Preliminar: (i) Nulidade do Auto de Infração: ausência de justificação que motivem e dê ensejo na cobrança, constando apenas meras explicações e presunções para induzir na penalidade aplicada. Questões de Mérito (i) Abusividade da Multa Aplicada: a multa aplicada pelo fisco não deve prevalecer, já que não é razoável, nem proporcional, revelandose flagrantemente confiscatória. C) Empresa Gaz World Comércio de Peças e Aquecedores Ltda. Preliminar: (i) Cerceamento de Defesa: (i.1) ausência de intimação da Recorrente para prestar esclarecimentos na fase fiscalizatória; e (i.2) ilegitimidade de parte. É o relatório. Fl. 5618DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO 12 Voto Vencido Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade Os recursos voluntários interpostos pelos sujeitos passivos atendem aos demais requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. II Revelia As Recorrentes Felix e Gaz World não impugnaram as questões relativas as operações de importação deflagradas pela fiscalização que culminaram na ocorrência de interposição fraudulenta, reservando seu direito de defesa apenas para arguir questões preliminares de nulidade do lançamento fiscal, as quais serão devidamente enfrentadas. Em relação as matérias não impugnadas, aplicase as determinações contidas no artigo 54, do Decreto 7574, de 29 de setembro de 2011, que assim dispõe: Art. 54. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável (Decreto no 70.235, de 1972, art. 21, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 1o No caso de identificação de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original. § 2o Esgotado o prazo de cobrança amigável sem que tenha sido pago ou parcelado o crédito tributário, o órgão preparador encaminhará o processo à autoridade competente para promover a cobrança executiva. III Recurso Voluntário III.1 Preliminares III.1.a Nulidade do Auto de Infração arguida pela Recorrente Felix A Recorrente Felix requer a decretação de nulidade do Auto de Infração com base nos seguintes fundamentos: "...embora a fiscalização tenha realizado extensa e pormenorizada descrição dos fatos, não logrou êxito em justificar razões que efetivamente corroborem para inclusão da Recorrente como sujeito passivo solidário. O que se verifica durante o discorrer do Mandado de Procedimento Fiscal, foi que a fiscalização apresentou meras presunções e, em inúmeras ocasiões, fatos que não correspondiam à época do fato gerador, para fundamentar a cobrança". E conclui: " De acordo com o artigo 2º e artigo 50, II, §1º da Lei 9.874/99 um dos princípios do processo administrativo âmbito da Administração Pública Federal é o da motivação, que assegura a utilização de critérios e a indicação de pressupostos fáticos que ensejam na decisão da fiscalização. Fl. 5619DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 12466.722059/201397 Acórdão n.º 3302003.364 S3C3T2 Fl. 8 13 Sem razão à recorrente. O presente procedimento fiscal não foi realizado com base em meras presunções, mas embasado em robusto acervo probatório, que se encontra colacionado aos autos. Diferentemente do alegado pela recorrente, há nos autos diversas provas documentais carreadas pela empresa Savixx e colhidas pela fiscalização que demonstram efetivamente o modus operandi de todas as empresas que atuaram no esquema de importação fraudulenta em referência, todos descritos pormenorizadamente no relatório de fiscalização anexo ao Auto de Infração. Com efeito, a fiscalização apontou os elementos que caracterizavam a falta de capacidade econômica e financeira, apresentando quadro com o capital social e do Patrimônio Líquido em comparação com o volume de importações, bem como sobre a existência de empréstimos bancários avalizados pelos reais adquirentes da mercadoria (empresas grupo AMOEDO), demonstrando que a Recorrente Felix de fato não possuía capacidade financeira para realizar importações de vultuosos valores. Descreve, ainda, como seriam os adiantamentos feitos para cada DI, tendo em vista a falta de capacidade financeira para quitar as obrigações relativas às importações. Neste ponto, destacase os motivos que levaram a fiscalização concluir que houve de fato ocultação do real adquirente das mercadorias, no caso a Recorrente Gaz World, cujos trechos foram reproduzidos na decisão de piso: No curso daquele procedimento especial focado na importação patrocinada pela PIASTRELLA, a FELIX foi regularmente intimada sobre o motivo de haver recebido daquela empresa cerca de R$ 1.461.000,00, transferidos em nove operações de creditamento, mas nada explicou, nem muito menos explicitou ou buscou demonstrar a origem dos recursos recebidos. A fiscalização apurou, e demonstrou em anexo ao auto de infração, que esses créditos eram efetuados sempre que ocorria débito em valor semelhante em sua conta corrente. A investigação produzida identificou que na origem do suprimento de tais créditos estava empresa/loja da chamada rede AMOEDO, sendo estas as verdadeiras adquirentes, posto que delas é que partiram os recursos necessários ao custeio das importações. O mesmo esquema ocorreu nas operações focadas em oito processos que figuram nesta mesma pauta de julgamento: 12466.722057/201306, 12466.722058/201342, 12466.722059/201397, 12466.722060/201311, 12466.722061/201366, 12466.722062/201319, 12466.722063/2013 55 e 12466.722064/201308. Segundo dados obtidos nos sistemas de informação da RFB, de setembro de 2009 até o início de maio de 2011, a FELIX atuou como suposta encomendante pré determinada em 68 DI’s, com valor total declarado de US$ 3.833.026,07 (CIF; custo da mercadoria incluindo seguro e frete). Não bastasse isso, restou comprovado que os sócios da Recorrente mantinham interesse comum com as empresas do grupo AMOEDO, reais importadoras das mercadorias importadas, considerando que eles integraram o quadro societário da PIASTRELLA no ano de 2003. A fiscalização também formou sua convicção com base na análise do Plano de Contas e escrita contábil carreada aos autos, onde constatou ausência de registro da movimentação bancária nos períodos de 2008, 2009 e 2010. Além disso, a fiscalização realizou Fl. 5620DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO 14 apuração das movimentações bancárias através dos documentos fornecidos pelos Bancos Itaú e Unibanco (vide fls.4.0664071 e 40724.093). Toda essa documentação, inequivocamente, infirma a alegação da recorrente de que a fiscalização havia se utilizado somente dos documentos relativos ao ano 2012 para comprovar os fatos motivadores da presente autuação. Por outro lado, no que tange especificamente ao controle aduaneiro, nos termos determinados no Decreto nº 1.455/76, artigo 23, §2º, com a redação dada pela Lei 10.637/2002, é suficiente para caracterizar a presunção legal de interposição fraudulenta de terceiros, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados na operação de comércio exterior. Assim, resta demonstrado que o procedimento fiscal encontrase respaldado em fartos elementos probatórios e que as operações de importação foram consideradas por conta e ordem por presunção legal relativa (juris tantum), em razão da robusta comprovação de que a Recorrente utilizou recursos financeiros da real importadora, no presente caso a empresa Gaz World Comércio de Peças e Aquecedores Ltda., para custear a totalidade das importações realizadas no período da autuação. Assim, cabia a recorrente infirmar as robustas provas colacionadas aos autos pela fiscalização, com base em elementos probatórios hábeis e idôneos. No entanto, em vez de tentar infirmar tais provas, sem qualquer respaldo, a recorrente preferiu o caminho fácil de simplesmente alegar nulidade do Auto de Infração por ausência de motivação. Desta forma, rejeita a preliminar de nulidade arguida pela Recorrente Felix. III.1.b Cerceamento de Defesa e Ilegitimidade de parte arguida pela Recorrente GAZ WORLD Extraise da decisão de piso que a Recorrente alegou que: "Considerandose a natureza das provas consignadas pela fiscalização, deveria a ora Recorrente ter tido o direito de acompanhar a sua produção e assim poderia fiscalizar a sua adequada mensuração. A acusação fiscal partiu do que a doutrina convencionou chamar de prova emprestada. No entanto, para que esse tipo de prova seja admissível é imprescindível que o processo tenha envolva as mesmas partes e que a respectiva produção tenha sido submetida ao contraditório. Nenhum desses requisitos foi observado in casu. Portanto, todas as provas imputadas contra a ora impugnante são ilegítimas por vício de produção. Em conclusão, não se trata aqui materialmente de um mero MPF, mas de um verdadeiro instrumento de acusação, demonstrandose assim afronta ao direito da ora impugnante de ter apresentado, à época da apuração dos fatos, a sua defesa plena, o que implica na absoluta nulidade do auto de infração, violando diretamente os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal. Em resumo a Recorrente responsável solidário alegou nulidade do procedimento fiscal por ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, sob o argumento de não foi submetida a prévio procedimento fiscal, visando o levantamento das informações e documentos relacionados ao fato jurídico infracional. Sem razão a recorrente. Isto porque, no âmbito do processo administrativo fiscal de exigência de crédito tributário, a fase do contraditório tem início com a ciência do auto de infração pelo autuado e responsáveis solidários, o que foi feito, de forma regular no caso em tela. Além disso, com a regular ciência de todos os responsáveis solidários foi facultada a possibilidade Fl. 5621DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 12466.722059/201397 Acórdão n.º 3302003.364 S3C3T2 Fl. 9 15 deles impugnarem a exigência fiscal, o que foi regulamente exercido por todos. E tanto as peças impugnatórias quanto os recursos voluntários apresentados pelos recorrentes, constitui prova inconteste de que o contraditório e o direito de defesa foram assegurados aos sujeitos passivos solidários em toda sua plenitude, inclusive a faculdade de apresentar a provas que entendessem adequadas à comprovação das aduzidas razões de defesas. Tanto é verdade, que a devedora principal contestou integralmente sua participação na operação que envolve as importações sob análise, tudo com base nos documentos e fatos disponibilizados às partes. Portanto, revelase de todo descabida a alegação de mácula do procedimento fiscal, em razão da ausência de intimação do devedor solidário para participar da fase fiscalizatória. Cabe salientar que a Recorrente nunca teve seu direito de defesa preterido, na medida em que que teve conhecimento de todas as provas juntadas ao processo, dos argumentos invocados pela autoridade fiscal, das medidas adotadas pela fiscalização. Também em nenhum momento de sua defesa, em apego a um formalismo excessivamente exacerbado demonstra o efeito prejuízo que teve no seu direito de defesa de todas essas alegações de nulidade. No caso, o questionado auto de infração atende todos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/1972. E o relatório fiscal que o integra contém todos os dados e informações necessárias e suficientes para a perfeita avaliação das irregularidades aduaneiras imputadas ao sujeitos passivos principal e solidários. E na fase de instrução ou inquisitorial do procedimento fiscal, sabidamente, não há qualquer determinação legal no sentido de obrigar a fiscalização instaurar procedimento contra cada um responsáveis solidários, ou até mesmo cientificar todos eles da instauração e do curso do procedimento contra o contribuinte sob fiscalização. Tais medidas somente serão adotadas, se curso do procedimento elas se revelarem indispensáveis, para fins de instrução processual, o que não ocorreu na autuação em apreço. Por essas razões, diferentemente do alegado, não há que falar em prejuízo ao direito defesa e tampouco em vulneração do contraditório, no curso da fase de procedimental ou de instrução. Em decorrência, revelase de todo inapropriado alegar cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, que, se apresentada tempestivamente pelo autuado, instaura a fase litigiosa do processo, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/1972. Enfim, depreendese que as conclusões foram produzidas no próprio procedimento e expostas no próprio relatório fiscal, possibilitando à recorrente o exercício do contraditório e da ampla defesa, não havendo que se falar em cerceamento de defesa. Não bastasse isso, melhor sorte não resta ao argumento apresentado pela Recorrente sobre a sua ilegitimidade de parte. Isto porque, nos termos dos incisos I e IV, do artigo 674, do Decreto nº 6.759/2009 (que revogou o Decreto nº 4.543/2002), a responsabilidade pela ação, omissão ou inobservância de norma estabelecida no referido Decreto (art.673), poderá ser imputada, conjunta ou isoladamente, a qualquer pessoa que participar e se beneficiar do fato, vejamos: Fl. 5622DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO 16 "Art.674. Respondem pela infração (DecretoLei nº 371966), art.95): I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; (...) IV a pessoa física ou jurídica, em razão do despacho que promova, de qualquer mercadoria;(grifado) No presente caso, restou comprovado que a Recorrente participou integralmente da importação das mercadorias e se beneficiou com a operação realizada, sendo ela responsável direta pela infração cometida, legitimandoa, assim, a responder pela aplicação da multa. Portanto, não há que falar em nulidade do lançamento. Ultrapassadas as preliminares, passase à análise do mérito relativo à interposição fraudulenta. III.2 Questões de mérito No mérito, cabe analisar se as importações realizadas pela Recorrente Savixx a pedido da Recorrente Felix (encomendante da mercadorias) caracterizam interposição fraudulenta, mediante fraude, simulação ou falsidade documental, bem como questões envolvendo a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas objeto das DI´s 1001695277 R$ 2.344,25; 1004977230 R$ 2.345,89. Novamente, ressaltase que, as devedoras solidárias não impugnaram a acusação de interposição fraudulenta feita pela fiscalização, presumindo verdadeiro os fatos à elas imputados. Desta forma, adianto meu entendimento no sentido de que as Recorrentes Felix e Gaz World Comércio de Peças e Aquecedores Ltda. devem responder pelo pagamento da multa exigida nestes autos, a primeira por sua participação no sentido de ocultar os reais adquirentes de mercadorias importadas, fazendo as vezes de encomendante predeterminada para ocultar aquele que de fato forneceu os recursos financeiros para custear as operações de comércio exterior especificadas, no caso a segunda. III.2.a Alegações da Recorrente Savixx A Recorrente Savixx alega que (i) não há no relatório fiscal nenhuma comprovação da prática de qualquer conduta, comissiva ou omissiva, que pudesse ensejar a sua inclusão na autuação, sequer como sujeito passivo, na medida em que não houve no caso concreto, de sua parte (i.1) negócio jurídico simulado; (i.2) supressão no pagamento de qualquer tributo; e (i.3) qualquer ganho ou vantagem ilícita com as operações investigadas e autuadas, incluindo, por óbvio. De fato, entendo que não há no relatório fiscal nenhum indício de irregularidade praticada pela Recorrente Savixx capaz de lhe imputar qualquer responsabilidade pela infração apurada neste processo administrativo. Isto porque, todos os fatos apurados pela fiscalização retratam que o ato negocial tido por fraudulento foi realizado única e exclusivamente pelas demais empresas Fl. 5623DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 12466.722059/201397 Acórdão n.º 3302003.364 S3C3T2 Fl. 10 17 envolvidas na importação, a Recorrente Felix por sua participação no sentido de ocultar os reais adquirentes de mercadorias importadas, fazendo as vezes de encomendante predeterminada para ocultar aquele que de fato forneceu os recursos financeiros para custear as operações de comércio exterior especificadas, no caso a Recorrente Gaz World Comércio de Peças e Aquecedores Ltda. O relatório fiscal, reproduzido na decisão de piso, não deixa dúvida que a Recorrente Savixx, na qualidade de mera importadora, não cometeu nenhuma irregularidade passível de punição. Vejamos os indícios reunidos pela fiscalização: As Declarações de Importação investigadas na ação fiscal foram registradas por dois importadores distintos: SAVIXX COMERCIO INTERNACIONAL S/A, CNPJ nº 28.477.685/000180, e LOG TRADING & SUPPLY CHAIN LTDA, CNPJ nº 08.997.092/000138. No presente Auto de Infração, lavrado ao respaldo do MPF Nº 0727600. 2013.00471 SAVIXX, emitido em face SAVIXX COMERCIO INTERNACIONAL S/A, foram autuadas operações de importação registradas pela SAVIXX onde a FELIX figurou como encomendante. A regular importação “para revenda a encomendante prédeterminado” é uma forma de terceirização das operações de comércio exterior, onde uma empresa (a importadora) é contratada para promover, em seu nome, e em razão de contrato previamente firmado, a importação de mercadorias para revenda à empresa que encomendou as mercadorias (a encomendante). Em que pese a obrigação do importador de revender as mercadorias importadas ao encomendante prédeterminado, é o importador quem formaliza a compra internacional, logo deve dispor de capacidade econômica e financeira para o pagamento da importação, bem como das demais despesas da nacionalização. Da mesma forma, o encomendante também deve ter capacidade econômica e financeira para adquirir as mercadorias revendidas pelo importador contratado, conforme se depreende do art. 5º da IN SRF nº 634/06. Portanto, na importação para revenda a encomendante prédeterminado está presente a característica essencial do interesse do encomendante em adquirir mercadorias estrangeiras, razão que o motiva a contratar um importador para adquirir a mercadoria no exterior, providenciar a nacionalização e depois revendêla ao encomendante. Mas, relembrase, que nessa modalidade, para ser considerada uma operação de importação por encomenda perfeitamente regular, é necessário que tanto a empresa encomendante quanto a empresa importadora sejam habilitadas para operar no Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX), e, além da importadora contratada, a encomendante também deve ter capacidade econômica para adquirir no mercado interno as mercadorias que lhe sejam revendidas pela importadora. Por outro lado, numa regular importação por conta e ordem, a atuação da empresa importadora também pode abranger desde a simples execução do despacho de importação até a intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, mas o promotor da operação é o real adquirente. Este é o mandante da importação, quem efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional, embora possa fazêlo por via de um mero mandatário (o intermediário importador). Além disso, é o real adquirente quem pactua a compra internacional e dispõe (ou deveria dispor) de capacidade econômica para o pagamento da importação, pois é deste que se originam (ou deveriam se originar) os recursos financeiros. Tanto na importação por conta e ordem de terceiros como na importação para revenda a encomendante prédeterminado, a legislação estendeu a condição Fl. 5624DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO 18 de sujeição passiva solidária ao adquirente ou ao encomendante, para permitir o adequado controle e fiscalização do comércio exterior exercido pela Administração Aduaneira. Neste caso restou demonstrado que a empresa FELIX foi apresentada na DI, pela importadora SAVIXX, como suposta encomendante nas operações de importação investigadas, entretanto as mercadorias eram predestinadas a outros interessados, verdadeiros adquirentes das mercadorias, supridores dos recursos que custearam as respectivas operações, mas se mantiveram ocultos da autoridade aduaneira. O fio da meada surgiu no curso do procedimento especial aplicado à DI nº 10/04369249, para a qual foi constatada a ocultação do real comprador e responsável pela importação das mercadorias estrangeiras, a empresa PIASTRELLA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA (PIASTRELLA), CNPJ nº 02.069.769/000191, tendose caracterizado a interposição fraudulenta de terceiro, infração considerada dano ao Erário e punível com a pena de perdimento das mercadorias, conforme art.23, inc. V e §§ 1º e 2º, do DecretoLei nº 1.455/1976. (Vide o processo nº 12466.722061/201366 constante desta mesma pauta de julgamento, que trata da autuação específica da PIASTRELLA) Nessa investigação acima referida para a DI especificada, registrada pela importadora SAVIXX, foi declarada como suposta encomendante prédeterminada, a FELIX para qual deveriam ser revendidas s mercadorias. Entretanto, a fiscalização constatou que naquele caso a real compradora (supridora dos recursos necessários), responsável pela importação, foi a oculta PIASTRELLA, uma loja da rede varejista AMOEDO, do estado do Rio de Janeiro, uma das maiores do país no ramo de materiais de construção. No curso daquele procedimento especial aflorou que outras empresas/lojas da rede AMOEDO em operações com arquitetura similar, também bancaram, em diversas operações distintas, a atuação da mesma interposta FELIX com créditos em sua conta bancária no valor total de R$ 2.880.000,00, apenas no período de dez/2009 a abril/2010. Nesta pauta de julgamento estão oito processos, incluído este, que abrangem oito distintas empresas da chamada rede AMOEDO desvendadas como as reais provedoras dos recursos necessários às respectivas importações, executadas pela intermediária SAVIXX, a qual declarou em todos esse oito casos, como suposta encomendante mesma FELIX, dentro do mesmo esquema fraudulento descortinado, mesmo sabendo ser a origem dos recursos daquelas distintas lojas participantes da chamada rede AMOEDO (considerados os oito processos desta pauta, inclusive este, os reais adquirentes identificados nesse mesmo esquema simulado são PIASTRELLA, ABITARE, CARRARA, GAZ WORLD, MODERATTO, RHODES, ROSSIO e VENATTO – vide quadro de fls.11/12 do relatório precedente a este voto) Por outro lado, identificouse também que os sócios da FELIX integraram o quadro societário da PIASTRELLA em 2003, e na ficha de habilitação da FELIX no SISCOMEX consta um capital social registrado de apenas R$ 50 mil, no entanto conforme descrito foi flagrada como suposta encomendante em operações de importação da ordem de US$ 4,1 milhões nos últimos três anos. Destacase neste momento a incompatibilidade do capital social registrado pela FELIX com o montante transacionado no comércio exterior, suficiente para justificar que também essa empresa, suposta encomendante prédeterminada, fosse submetida ao procedimento especial de fiscalização previsto na IN SRF 228/2002. Apurouse que FELIX foi constituída em 23/04/2008, quando seu contrato social foi registrado na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo (JUCEES). O capital registrado era de R$ 20.000,00, e estaria totalmente integralizado em moeda corrente conforme Cláusula 4ª do Contrato Social. Posteriormente foi registrada, em 03/07/2008, Alteração do Contrato Social na qual se indica aumento do capital Fl. 5625DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 12466.722059/201397 Acórdão n.º 3302003.364 S3C3T2 Fl. 11 19 social de R$ 30.000,00, integralizado em moeda corrente, perfazendo o total de R$ 50.000,00, constituído da seguinte forma: É de se ver, que os indícios apurados pela fiscalização demonstram claramente que o ilícito envolveu apenas a Recorrente Felix e as demais empresas do grupo AMOEDO (real adquirentes das mercardorias), dentre elas a Recorrente RHODES, sendo que não há nenhum fato capaz imputar responsabilidade a Recorrente Savixx. Com todo respeito ao trabalho realizado pela fiscalização, o simples fato da Recorrente Savixx ter realizado as importações das mercadorias encomendadas pela Recorrente Felix, no pleno exercício de suas atividades, não pode servir de respaldo jurídico sofrer qualquer tipo penalidade por atos ilícitos praticados em etapas posteriores a importação. Com efeito, as irregularidades apontadas pela fiscalização de fraude, simulação ou falsidade documental, dizem respeito apenas as operações posteriores a importação da mercadoria, onde restou comprovado que a Recorrente Felix ocultou os reais adquirentes de mercadorias importadas, fazendo as vezes de encomendante predeterminada para ocultar aquele que de fato forneceu os recursos financeiros para custear as operações de comércio exterior especificadas, no caso a Recorrente Gaz World Comércio de Peças e Aquecedores Ltda. Além disso, restou comprovado que a única empresa que não detinha capacidade econômica e financeira para suportar as operações de importação era a Recorrente Felix; que os reais adquirentes das mercadorias eram as empresas do grupo AMOEDO; e que existiam interesse comum entre elas. Por outro lado, restou comprovado (i) que as importações eram custeadas pela Recorrente Savixx, por meio de subsídios próprios; (ii) que os valores primeiramente eram transferidos da lojas AMOEDO para a Felix e posteriormente transferidos desta última para a Recorrente Savixx; e (iii) que somente após o recebimento dos valores a Recorrente Savixx emitia as notas de saída a Recorrente Felix. Ademais disso, há contrato de prestação de serviços de importação firmado entre as partes, demonstrando a lisura dos negócios realizados. Ou seja, não há nenhum ato praticado pela Recorrente Savixx que seja passível de irregularidade. Sobre atos simulados, trazemos à baila os ensinamentos do professor Silvio Rodrigues5: "A simulação é, na definição de Beviláqua, uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado. Negócio simulado, portanto, é aquele que oferece uma aparência diversa do efetivo querer das partes. Estas fingem um negócio que na realidade não desejam. Encontramse aí os elementos básicos caracterizadores da simulação, pois nela é elementar a existência de uma aparência contrária à realidade. Tal disparidade é produto da deliberação dos contraentes. De fato, a simulação caracterizase quando duas ou mais pessoas, no intuito de enganar terceiros, recorrem a um ato aparente, quer para esconder um outro negócio que se pretende dissimular (simulação relativa), quer para fingir uma realidade jurídica que nada encobre (simulação absoluta). Tratase, portanto, de uma burla, intencionalmente 5 Rodrigues, Silvio Direito Civil Parte Geral. vol. 1 São Paulo Saraiva, 2000 0 30ª Edição. pag. 222228 Fl. 5626DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO 20 construída em conluio pelas partes que almeja disfarçar a realidade enganando terceiros." (destaques incluídos). Segundo Silvio de Salvo Venosa6 caracteriza a simulação, fundamentalmente, a divergência consciente entre a vontade e a declaração realizada, confira se: "Há, na verdade, oposição entre o pretendido e o declarado. As partes desejam mera aparência do negócio e criam ilusão de existência. Os contraentes pretendem criar aparência de um ato, para assim surgir aos olhos de terceiros. A disparidade entre o querido e o manifestado é produto da deliberação dos contraentes. Na simulação, há conluio. Existe uma conduta, um processo simulatório; acerto, concerto entre os contraentes para proporcionar aparência exterior do negócio". Interessante, também, verificar o magistério de Paulo Ayres Barreto7: "A simulação em sentido lato é definida como a declaração de vontade irreal, emitida conscientemente, que visa a aparentar um negócio jurídico inexistente, ou que, se existe, é diferente daquele que se realizou, com o propósito de iludir terceiros. E requisito indispensável, portanto, que haja uma divergência entre a vontade interna e a declarada, como bem lembra César García Novoa. No âmbito fiscal, o prejuízo ocasionado pelo ato simulado é o não recolhimento ou a diminuição do valor que efetivamente deveria ser recolhido a título de tributo. Sobre esse assunto, o Direito Tributário, por força do art. 109 do Código Tributário Nacional, segue o conceito dado pelo Direito Privado, o qual distingue duas espécies de simulação:a absoluta e a relativa. A simulação será absoluta quando não houver relação negocial efetiva entre as partes, isto é, elas praticam um ato de forma ostensiva, mas este, verdadeiramente não ocorre. Por conseguinte, não esperam nenhum efeito do ato simulado. É, por exemplo, o caso de venda simulada para executar uma fraude contra credores. Por outro lado, caracterizase a espécie relativa (dissimulação) quando há dois negócios jurídicos sobrepostos: o simulado aparece para terceiros, mas sua função na verdade é ocultar outro negócio, dissimulado, aqueles que as partes realmente desejam." Os requisitos para configurar simulação estão previstos no Código Civil, em seu artigo 167, §1º, que assim dispõe: "Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. §1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; 6 VENOSA, SILVIO SALVO. Direito Civil, Parte Geral, Editora Atlas Jurídico, 6a edição, pág. 523. 7 BARRETO, Paulo Ayres. Ato Simulado e Sonegação Fiscal. São Paulo: Editora Noeses, 2014. Pág. 7. Fl. 5627DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 12466.722059/201397 Acórdão n.º 3302003.364 S3C3T2 Fl. 12 21 III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. Sobre o tema, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais têm adotado o seguinte posicionamento: “SIMULAÇÃO/DISSIMULAÇÃO – Configurase como simulação, o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade, ao passo que a dissimulação contém em seu bojo um disfarce, no qual se encontra escondida uma operação em que o fato revelado não guarda correspondência com a efetiva realidade, ou melhor, dissimular é encobrir o que é”. (acórdão 10194.771) Depreendese dos citados ensinamentos que simular é o ato de fingir, mascarar, esconder a realidade, camuflar o objetivo de um negócio jurídico valendose de outro, eis que o objetivo intentado seria alcançado por negócio diverso, daí o motivo de o artigo 167 do Código Civil dispor que o negócio jurídico simulado será nulo, porém, subsistirá o que se dissimulou, se for válido na substância e na forma. Por isso, incumbe ao Fisco desconstituir a presunção de legitimidade de que gozam os atos e negócios jurídicos atacados, provando que não passam de mera aparência ou ocultam uma outra relação jurídica de natureza diversa, escamoteando a ocorrência do fato gerador, há de se valer da prova indireta, de indícios, que hão de ser graves, precisos, concordantes entre si, resultantes de uma forte probabilidade e indutores de ligação direta do fato desconhecido com o fato conhecido. Em resumo, não vejo nos autos nenhum indício de ato simulado praticado pela Recorrente Savixx, posto que as irregularidades apontadas pela fiscalização, que poderiam configurar a famigerada "simulação", não restaram comprovadas. O mesmo não se diga aos atos praticados pelas Recorrentes Felix e GAZ WORLD, estes sim eivados de irregularidades passíveis de penalidades, conforme devidamente comprovado nos autos. III.2.b Abusividade da Multa Aplicada arguida pela Recorrente Felix Sustenta a Recorrente que a multa aplicada pelo fisco não deve prevalecer, já que não é razoável, nem proporcional, revelandose flagrantemente confiscatória, conforme previsto no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, a multa aplicada não é confiscatória, pois o valor aplicado foi o valor estabelecido pelo legislador no seu trabalho de competência constitucional. Além disso, a relação entre a infração e a punição, bem como a observação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade por certo foram levados em consideração pelo legislador quando do processo legislativo de discussão do projeto de lei, só cabendo ao fisco aplicar a legislação existente, vigente e válida. Fl. 5628DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO 22 No mais, por estar devidamente fundamentada as exigências, não cabe a este órgão administrativo perquirir de sua constitucionalidade, dado este controle não ser da alçada dos órgãos administrativos, mas sim, exclusivamente, do Poder Judiciário, a teor da previsão contida no artigo 102, incisos I e II, "b" e §1º, da Constituição Federal. Corroborando esse posicionamento, a Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, fez constar o artigo 62, o qual dispõe "Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade" . Por fim, a matéria já está sumulada no âmbito deste Tribunal Administrativo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. VI. Conclusão Diante do exposto, voto por afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente Savixx e nego provimento aos Recursos Voluntários interpostos pelas Recorrentes Felix e Gaz World Comércio de Peças e Aquecedores Ltda. É como voto. Walker Araujo Relator Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Em relação ao bem fundamento voto proferido pelo i. Relator, com a devida vênia, ousase discordar apenas em relação ao ponto da lide, apreciado no seu brilhante e bem fundamento voto, relativo à legitimidade passiva da solidária SAVIXX. Em apertada síntese, a premissa apresentada pelo nobre Relator para afastar a citada pessoa jurídica do polo passivo da presente autuação fora baseada na alegação de não havia, no relatório fiscal, nenhum indício de irregularidade praticado pela recorrente SAVIXX capaz de lhe imputar qualquer responsabilidade pela infração por interposição fraudulenta apurada neste processo, haja vista que todos os fatos apurados pela fiscalização retratavam que o ato negocial tido por fraudulento fora realizado única e exclusivamente pelas demais empresas envolvidas na importação. Por sua vez, a recorrente SAVIXX alegou que era parte passiva ilegítima, porque não havia prova de que praticara qualquer conduta, comissiva ou omissiva, que pudesse ensejar a sua inclusão no polo passivo da autuação, sequer como sujeito passivo solidário, na medida em que não houve, no caso concreto, de sua parte, “(i) nenhum negócio jurídico simulado; (ii) supressão no pagamento de qualquer tributo; e (iii) qualquer ganho ou vantagem ilícita com as operações investigadas e autuadas”. Fl. 5629DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 12466.722059/201397 Acórdão n.º 3302003.364 S3C3T2 Fl. 13 23 Diferentemente do i. Relator, para este Conselheiro os argumentos apresentados pela recorrente não foram suficientes para infirmar os fatos, comprovados nos autos, de que ela tinha conhecimento e, na condição de importadora ostensiva, colaborara para a consumação da prática da infração por interposição fraudulenta objeto da autuação em questão. Para se chegar a essa conclusão, é pertinente esclarecer que, no plano abstrato, sob o aspecto subjetivo, a tipificação da interposição fraudulenta na operação de importação inclui a prática de várias condutas e a necessária participação, comprovada ou presumida, de mais de uma pessoa, que de forma, omissiva ou comissiva, concorrem para a a configuração da referida infração. Portanto, tratase de infração de natureza complexa. Especificamente no âmbito da operação de importação por encomenda, o cometimento da referida infração exige, no mínimo, a participação da importadora contratada, da encomendante aparente e da real encomendante/adquirente das mercadorias. Essa tríade de pessoas, mediante simulação e cada uma a seu modo, de forma comissiva ou omissiva, concorrem para a prática da interposição fraudulenta ocorrida no âmbito da referida modalidade de importação indireta. Dada essa característica, no plano pragmático, a participação de cada uma das citadas pessoas revelase imprescindível para a materialização da conduta infratora em comento, a saber: a importadora aparente por realizar a operação de importação por encomenda simulada, a encomendante aparente por cumprir a função de interposta pessoa e a real encomendante/adquirente por fornecer os recursos financeiros necessários a compra da mercadoria importada. Nesse contexto, a real encomendante/adquirente, com a aquiescência da importadora, transfere e concentra todo o passivo tributário, decorrente da operação subsequente ocorrida no mercado interno, na encomendante aparente interposta, por se tratar de pessoa jurídica, geralmente, inexistente de fato e sem capacidade econômicofinanceira, com quadro societário inidôneo, formado por “testas de ferro” ou “laranjas”. Por meio desse procedimento fraudulento, os ganhos financeiros provenientes do não pagamento dos tributos devidos na operação regular de importação, induvidosamente, acabam sendo apropriados pela importadora e pela real encomendante/adquirente das mercadorias, as reais beneficiárias da fraude cometida. Assim, uma vez demonstrada a simulação, com o evidente intuito de ocultar a real encomendante, a operação de venda e compra simulada entre a importadora e encomendante interposta deve ser desconsiderada e mantida a real operação de venda e compra entre a importadora e a real encomendante, conforme preceitua o art. 167 do Código Civil, a seguir transcrito: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; Fl. 5630DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO 24 III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2º Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. (grifos não originais) Nesse contexto, em que a importadora e a real encomendante concorrem para a prática da infração e dela se beneficiam, independentemente, da intenção e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato infracional, conjunta ou isoladamente, as duas devem responder pela prática da infração, por força do que determina o art. 95, I, combinado com o disposto no art. 94, § 2º, ambos do Decretolei 37/1966, a seguir transcritos: Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. [...] § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]. (grifos não originais). Assim, ainda que a recorrente SAVIXX não tenha realizado, direta e exclusivamente, o negócio jurídico simulado, suprimido o pagamento de qualquer tributo e obtido qualquer ganho ou vantagem ilícita, na condição de importadora, certamente, ela concorreu para a prática da infração por interposição fraudulenta em apreço e dela se beneficiou, haja vista que não só auferira os ganhos financeiros normais decorrentes da atividade de importação por encomenda, como também obtivera expressivos ganhos financeiros provenientes do incentivo fiscal gerido pelo Fundo para o Desenvolvimento das Atividades Portuárias (FUNDAP). E esse fato incontroverso contraria a alegação da recorrente de que não obtivera nenhuma vantagem e nenhum tipo de ganho com as citadas operações de importação. Também não procede a alegação da recorrente SAVIXX de que não tinha conhecimento do esquema de interposição fraudulenta em referência, pois, ao contrário do alegado, as mensagens eletrônicas (emails) sobre faturas próforma, ordem de compra e demais procedimentos prévios de importação das mercadorias, efetivamente, trocadas entre o Sr. Ricardo Torres de Oliveira, funcionário da “Rede de Lojas AMOEDO”, que atuava na área de importação do grupo, e os prepostos da recorrente SAVIXX, reproduzidas na descrição dos fatos integrante do auto de infração, revelam que os representantes da SAVIXX, induvidosamente, sabiam que as reais encomendantes e adquirentes das mercadorias por elas importadas eram as pessoas jurídicas integrantes do grupo de “Rede de Lojas AMOEDO”, as quais, por meio da interposta e recorrente FELIX, forneciam os recursos financeiros necessários e suficientes para o pagamento dos custos e despesas devidas nas correspondentes operações de importação. Fl. 5631DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 12466.722059/201397 Acórdão n.º 3302003.364 S3C3T2 Fl. 14 25 No mesmo sentido, em outras mensagens, parcialmente reproduzidas no corpo do auto de infração, o preposto da recorrente SAVIXX justifica a necessidade de pagar taxas de sobreestadia de contêineres e solicita autorização ao Sr. Ricardo Torres de Oliveira para realizar o pagamento. O teor das referidas mensagens revela, de forma convergente, que era o citado funcionário do grupo de “Rede de Lojas AMOEDO”, responsável pela área de importação, quem negociava diretamente com os exportadores estrangeiros, incluindo as encomendas perante os exportadores/fornecedores estrangeiros, os preços das mercadorias etc., sem qualquer interferência da recorrente FELIX, até porque esta era apenas uma empresa fachada, utilizada para acobertar a respectiva pessoa jurídica integrante do grupo de “Rede de Lojas AMOEDO”, conforme fartamente demonstrados nos autos. Com o objetivo de comprovar que desconhecia a referenciada interposição fraudulenta, na resposta à intimação da autoridade fiscal, com data de 17/5/2012, a recorrente confirmou que as negociações internacionais das mercadorias importadas foram acompanhadas pelo Sr. Ricardo Torres Oliveira, que entendia ser funcionário da recorrente FELIX, sem contudo apresentar elemento de prova adequada que corroborasse essa última informação. Ainda na tentativa de demonstrar que desconhecia que a recorrente FELIX não era a real encomendante, a recorrente SAVIXX apresentou à fiscalização contratos de garantia para as operações de importação, sob a forma de fiança bancária, emitida pelo Unibanco e Banco Itaú, em favor da SAVIXX, no valor de R$ 2.000.000,00, que alegara terem sido prestadas pela recorrente FELIX. No entanto, após a realização de diligência, a fiscalização obteve documentos, devidamente registrados em cartórios, que demonstravam que as citadas garantias, de fato, não forma prestadas pela recorrente FELIX, mas prestadas e suportadas pelas empresas do grupo de “Lojas da Rede AMOEDO”, conforme se infere das certidões extraídas da descrição dos fatos, que seguem transcritas: Certidão emitida pelo 3º Ofício de Registro de Títulos e Documentos (OFÍCIO CARTÓRIO 3 RTD 204 2012) apresentou o seguinte documento: I) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE GARANTIA FIDEJUSSÓRIA nº 0101059740001, entre o UNIBANCO e a FELIX, assinado em 15/05/2009. Conforme o número do contrato e do campo “CARACTERÍSTICAS DO CONTRATO”, se trata da fiança no valor de R$ 2.000.000,00 prestada para a SAVIXX. A título de garantia, foram anexados ao contrato três TERMOS DE CESSÃO FIDUCIÁRIA DE DEBÊNTURES em favor do UNIBANCO, pelas seguintes CEDENTES/PRESTADORAS DAS GARANTIAS e respectivos valores: a) PIASTRELLA MAT DE CONSTR LTDA, CNPJ nº 02.069.769/000191, 35% da operação, R$ 700.001,55; b) ROSSIO 14 MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA, CNPJ nº 09.218.915/000142, 35% da operação, R$ 700.001,55; c) POSTO NOVE MAT DE CONSTR LTDA, CNPJ nº 02.117.717/000143, 12% e 20% da operação, respectivamente R$ 249.443,94 e R$ 400.016,22. Fl. 5632DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO 26 Certidões emitidas pelo 6º Registro de Títulos e Documentos (CERTIDÕES 6º OFÍCIO) apresentaram os seguintes documentos: II) TERMO DE CONSTITUIÇÃO DE GARANTIA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA, entre o BANCO ITAÚ e a FELIX, registrado em 14/06/2010, tendo como garantidora a empresa POSTO NOVE MAT DE CONSTR LTDA, CNPJ nº 02.117.717/000143. Conforme os dados da operação garantida, se trata da fiança no valor de R$ 2.000.000,00. Os ativos dados em garantia (item 2.3.1) foram “direitos sobre operações compromissadas com o Itaubanco”, no valor de R$ 487.145,50, vinculadas a conta nº 015795, agência 8851, que não é conta da Felix, logo, a garantia foi cedida pela POSTO NOVE, conforme se depreende do item 3 do termo; III) TERMO DE CONSTITUIÇÃO DE GARANTIA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA, entre o BANCO ITAÚ e a FELIX, registrado em 14/06/2010, tendo como garantidora a empresa PIASTRELLA MAT DE CONSTR LTDA, CNPJ nº 02.069.769/000191. Conforme os dados da operação garantida, tratase da fiança no valor de R$ 2.000.000,00. Os ativos dados em garantia (item 2.3.1) foram “direitos sobre operações compromissadas com o Itaubanco”, no valor de R$ 852.471,95, vinculadas a conta nº 015654, agência 8851, que não é conta da Felix, logo, a garantia foi cedida pela PIASTRELLA, conforme se depreende do item 3 do termo. Certidão emitida pelo 4º Registro de Títulos e Documentos (OFÍCIO CARTÓRIO 177 2012 4º RTD) apresentou o seguinte documento: IV) TERMO DE CONSTITUIÇÃO DE GARANTIA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA, entre o BANCO ITAÚ e a FELIX, registrado em 14/06/2010, tendo como garantidor a empresa BOTTINO MT DE CONSTRUÇÃO LTDA, CNPJ nº 05.879.152/000120. Conforme os dados da operação garantida, tratase da fiança no valor de R$ 2.000.000,00. Os ativos dados em garantia (item 2.3.1) foram “direitos sobre operações compromissadas com o Itaubanco”, no valor de R$ 826.128,79, vinculadas a conta nº 015704, agência 8851, que não é conta da Felix, logo, a garantia foi cedida pela BOTTINO, conforme se depreende do item 3 do termo. (grifos em negrito e sublinhados não originais). O teor dos textos transcritos revela que a garantia das referidas fianças foram, efetivamente, prestadas pelas pessoas jurídicas integrantes do grupo de “Lojas da Rede AMOEDO”. Assim, por não ser a real garantidora das referidas fianças, a presença da recorrente FELIX nos referidos contratos de garantia revestese de caráter meramente figurativo, com o único propósito de encobrir a participação das pessoas jurídicas reais encomendantes e adquirentes das mercadorias importadas. Além disso, os referidos contratos revelam mais uma operação simulada engendrada pela recorrente SAVIXX e pelas reais encomendantes, com vistas a dissimular e a ocultar a efetiva participação destas últimas nas correspondentes operações. Fl. 5633DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 12466.722059/201397 Acórdão n.º 3302003.364 S3C3T2 Fl. 15 27 No caso, como a recorrente FELIX era, comprovadamente, uma empresa inexistente de fato, sem patrimônio e com quadro societário constituído por sócios “laranjas”, fica evidenciado que a finalidade das referidas garantias fora uma forma da importadora SAVIXX de se garantir de um eventual inadimplemento da encomendante interposta. Portanto, diferentemente do alegado, tais contratos representam um indício, convergente com os demais anteriormente mencionados, no sentido de que a recorrente SAVIXX sabia sim que a recorrente FELIX não existia de fato e estava sendo utilizada como pessoa interposta, com o evidente propósito de ocultar as reais encomendantes e adquirentes das mercadorias importadas e, com esse procedimento, fraudar o pagamento dos tributos devidos nas operações de compra e venda no mercado interno realizadas entre importador e real encomendante. O teor das referidas mensagens e dos referidos contratos de garantia, conjugado ao fato de que, após o desembaraço aduaneiro, as mercadorias importadas eram remetidas diretamente do recinto alfandegado para o estabelecimentos das reais encomendantes, de forma congruente, revelam que a recorrente SAVIX não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento, como dele participara direta e efetivamente, na condição de importadora, e que fora uma das pessoas beneficiárias com os resultados financeiros advindos das correspondentes operações de importação fraudulentas. Essas constatações também demonstram a improcedência da alegação da recorrente de que não lhe era possível saber se os recursos utilizados pela recorrente FELIX eram provenientes das empresas do grupo de “Lojas da Rede AMOEDO”, o que somente fora possível após análise dos documentos protegidos por sigilo bancário, os quais a recorrente não poderia exigir que lhe fossem apresentados. Também não tem qualquer relevância para o deslinde da controvérsia, a alegação da recorrente de que não se beneficiara com a quebra da cadeia do IPI, porque, a presente autuação não trata da cobrança do referido imposto, mas, exclusivamente, da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. A recorrente SAVIXX alegou ainda que, ao enquadrar as condutas supostamente praticadas pela empresas autuadas no art. 23, V, §§ 1º e 3º, do Decretolei 1.455/1976, a fiscalização cometera grave erro na capitulação legal, sob argumento de que a referida penalidade deveria ser aplicada somente na pessoa jurídica encomendante oculta integrante do grupo de “Lojas da Rede AMOEDO”, no caso, a recorrente GAZ WORLD, e não na importadora. Assim, caso este Colegiado entendesse que ela havia participado do suposto esquema fraudulento, o que admitia apenas por amor à argumentação, a penalidade que lhe deveria ser imposta seria a multa de 10% (dez) por cento sobre o valor da operação acobertada, prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007, a seguir transcrito: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 5634DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO 28 Sem razão a recorrente. Da simples leitura do texto transcrito, inferese que a referida multa de 10% (dez por cento) destinase a sancionar a conduta da pessoa jurídica que apenas cede o nome, com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior. Portanto, dada essa característica, a referida multa somente se aplica se configurada a interposição fraudulenta comprovada na importação por conta e ordem, que se materializa mediante a comprovação da interposição do adquirente (ou mandante aparente) e a identificação do real adquirente da mercadoria, intencionalmente ocultado do conhecimento das autoridades aduaneiras e tributárias. Nessa modalidade de interposição fraudulenta comprovada, como a operação de importação é realizada por conta do mandante interposto (ou adquirente aparente), o importador assume a condição de mero cedente do nome. E dada a condição de não ser o proprietário da mercadoria em nenhuma fase da operação de importação, nem de fato ou de direito, o importador responde apenas pela multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, nos termos do caput art. 33 da Lei 11.488/2007, enquanto que o adquirente interposto (ou mandante aparente) e o adquirente oculto (ou real adquirente), por força do disposto no art. 95, I e V, do Decretolei 37/1966, em regime de coautoria, respondem pela pena de perdimento da mercadoria ou pela multa substitutiva equivalente ao valor da mercadoria, prevista no art. 23, V e §§ 1º e 3º, do Decretolei 1.455/1976. Na presente autuação, induvidosamente, não foi o que ocorreu com a recorrente SAVIXX. A descrição dos fatos que integra o questionado auto de infração revela que foi a recorrente quem realizou as correspondentes operações de importação com recursos próprios, o que, obviamente, infirma a conduta infracional consistente na mera cessão do nome. Neste caso, ela foi a proprietária da mercadoria até se consumada a tradição da mercadoria a operação de compra e venda realizada no mercado interno. Nos autos ficou demonstrado, que a interposição fraudulenta ocorreu no âmbito da operação de aquisição no mercado interno, de sorte que a interposta pessoa, a recorrente FELIX, ocupou fraudulentamente o lugar da real encomendante e adquirente das mercadorias integrante do citado grupo econômico. Portanto, tratase de interposição fraudulenta comprovada no âmbito da operação de importação por encomenda, em que o importador atuou como o real importador/proprietário da mercadoria importada e não como mero cedente do nome. No caso, tratase de interposição fraudulenta comprovada na importação por encomenda, em que quem cedera o nome não foi a pessoa jurídica importadora, mas a encomendante interposta, com vistas ao acobertamento da pessoa jurídica real encomendante das mercadorias importadas, o que se materializa mediante a simulação de uma operação de compra e venda no mercado interno celebrada entre a encomendante aparente (ou formal) e a encomendante oculta (ou real) apenas para ocultar a participação da real responsável pela operação de importação. Ressaltase, novamente, que a conduta motivadora da autuação da recorrente SAVIXX foi o fato de ela ter concorrido e se beneficiado da infração, conforme anteriormente demonstrado. Por todo o exposto, votase pela manutenção da recorrente SAVIXX no polo passivo da autuação, conforme determinado no questionado auto de infração. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 5635DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 12466.722059/201397 Acórdão n.º 3302003.364 S3C3T2 Fl. 16 29 Fl. 5636DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por JO SE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado dig italmente em 13/10/2016 por WALKER ARAUJO
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Numero do processo: 10073.001500/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 2004
BENEFICIO FISCAL. REGIME AUTOMOTIVO. FRUIÇÃO DOS BENEFÍCIOS FISCAIS.
Sendo o regime automotivo considerado um benefício fiscal de caráter objetivo, consiste em renúncia parcial do Imposto sobre a Importação, assim como, a suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, verificado que o interessado atendeu os requisitos e condições estabelecidos na legislação de regência, e, constatado que a fiscalização deixou de demonstrar de modo cabal na aferição do cumprimento da correta fruição dos benefícios fiscais e redução dos impostos aqui mencionados, cujas matrizes legais são, respectivamente, o art. 5° da Lei n° 10.182, de 12/02/2001, e o art. 50 da Lei n° 9.826, de 23/08/1999, impõe em reconhecer o desacerto da ação fiscal e manter intacta a decisão recorrida.
Recurso de Oficio Negado.
Numero da decisão: 3302-003.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Prado, José Luiz Feistauer, Sarah Araújo, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa, votaram pelas conclusões em relação à exigência de Certidão Negativa de Débitos.
(assinado digitalmente)
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DOMINGOS DE SÁ FILHIO - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2004 BENEFICIO FISCAL. REGIME AUTOMOTIVO. FRUIÇÃO DOS BENEFÍCIOS FISCAIS. Sendo o regime automotivo considerado um benefício fiscal de caráter objetivo, consiste em renúncia parcial do Imposto sobre a Importação, assim como, a suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, verificado que o interessado atendeu os requisitos e condições estabelecidos na legislação de regência, e, constatado que a fiscalização deixou de demonstrar de modo cabal na aferição do cumprimento da correta fruição dos benefícios fiscais e redução dos impostos aqui mencionados, cujas matrizes legais são, respectivamente, o art. 5° da Lei n° 10.182, de 12/02/2001, e o art. 50 da Lei n° 9.826, de 23/08/1999, impõe em reconhecer o desacerto da ação fiscal e manter intacta a decisão recorrida. Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Prado, José Luiz Feistauer, Sarah Araújo, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa, votaram pelas conclusões em relação à exigência de Certidão Negativa de Débitos. (assinado digitalmente) RICARDO PAULO ROSA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 15 00 /2 00 9- 13 Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 13/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10073.001500/200913 Acórdão n.º 3403003.232 S3C4T3 Fl. 8 2 DOMINGOS DE SÁ FILHIO Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso de Oficio submetendo a decisão de piso que proveu a Impugnação e julgou improcedente o lançamento a Instância ad quem com o propósito de tornar definitiva. Narra à peça inicial que a Contribuinte submete ao regime automotivo, considerado um beneficio fiscal de caráter objetivo e subjetivo (misto), que consiste na renúncia parcial do Imposto sobre a Importação, assim como, a suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, desde que obedecidos os requisitos e condições estabelecidas na legislação de regência. O procedimento fiscal visou à verificação da correta fruição dos benefícios fiscais e a redução dos impostos mencionados, cujas matrizes legais são, respectivamente, o art. 5° da Lei n° 10.182, de 12/02/2001, e o art. 50 da Lei n° 9.826, de 23/08/1999. Continua a fiscalização descrevendo que o art. 5°, da Lei n° 10.182/2001 e o art.5°, da Lei n° 9.826/99, estipulam benefícios fiscais sob condição resolutória, onde o importadorbeneficiário frui das vantagens em questão desde o momento do registro da respectiva Declaração de Importação. Disse que o sujeito passivo ora fiscalizado não é uma "montadora de automóveis", o aperfeiçoamento das condições legais somente se daria através da perfeita identificação das mercadorias importadas e aplicadas no seu ciclo produtivo, "rastreandose" as respectivas saídas e confirmandose a compra dos produtos então industrializados por alguma "montadora de automóveis". A acusação é de que a Recorrente deixou de aplicar no seu processo produtivo algumas mercadorias importadas ao amparo do regime automotivo, destaca com infração cometida à comercialização de bobinas importadas decorrente das Declarações de Importação nºs 04/08178528 e 04/10523601, que antes de ser destinadas ao processo produtivo, foram remetidas para beneficiamento na empresa GALVASUD, que este fato configura flagrante desrespeito ao instituído pelo art. 5°, parágrafo 2°, inciso I, da Lei n° 9.826/99. Segundo extraíse do Termo de Verificação Fiscal, que diversas mercadorias, adquiridas com a redução de 40% de Imposto de Importação e com a suspensão de IPI, amparadas pelo Regime Automotivo, não foram aplicadas no processo produtivo da empresa, mas sim revendidas ou industrializadas após o beneficiamento da GALVASUD. Assim, deixando de cumprir condição estabelecida em lei para fruição do benefício de redução II e IPI, importa em exigir o recolhimento do valor reduzido do Imposto de Importação, acrescido dos juros de mora e da multa de 100% sobre o valor do imposto Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 13/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10073.001500/200913 Acórdão n.º 3403003.232 S3C4T3 Fl. 9 3 incidente sobre a importação da mercadoria e o recolhimento do IPI suspenso, acrescido dos consectários e multa de ofício. Esclarece que no caso concreto as importações com o suposto desvio de finalidade foram provenientes da Argentina, alíquota zero por acordo do MERCOSUL, e da Bélgica, cujos tributos devem ser recolhidos de modo integral, com repercussão apenas no lançamento do IPI por determinação dos dispositivos do Decreto nº 4.543/2002 e do Decreto n° 4.544/2002, transcrevese os dispositivos: Decreto n° 4.543/2002 (RA12002) "Art. 131. A isenção ou a redução do imposto, quando vinculada it destinação dos bens, ficará condicionada à comprovação posterior do seu efetivo emprego nas finalidades que motivaram a concessão (Decretolei no 37, de 1966, art. 12). Art. 133. Perderá o direito à isenção ou à redução quem deixar de empregar os bens nas finalidades que motivaram a concessão, exigindose o imposto a partir da data do registro da correspondente declaração de importação. Art. 628. Aplicamse as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução (Decretolei no 37, de 1966, art. 106): I de cem por cento: a) pelo nãoemprego dos bens de qualquer natureza nos fins ou atividades para que foram importados com isenção ou com redução do imposto." (grifamos) Decreto n° 4.544/2002 (RIPI/2002) "Art. 39. Somente sera permitida a saída ou o desembaraço de produtos com suspensão do imposto quando observadas as normas deste Regulamento e as medidas de controle expedidas pela SRF. Art. 40. 0 implemento da condição a que está subordinada a suspensão resolve a obrigação tributária suspensa. Art. 41. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tomarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. Parágrafo Calico. Se a suspensão estiver condicionada à destinação do produto e a este for dado destino diverso do previsto, estará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a suspensão não existisse (Lei n° 9.532, de 1997, art. 37, inciso II). Art. 488. A falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto destacado ou o recolhimento, após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte is Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 13/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10073.001500/200913 Acórdão n.º 3403003.232 S3C4T3 Fl. 10 4 seguintes multas de oficio (Lei n° 4.502, de 1964, art. 80, e Lei n°9.430, de 1996, art. 45): I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido, ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratoria (Lei n°4.502, de 1964, art. 80, inciso I, e Lei n°9.430, de 196, art. 45); ou II cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada (Lei n° 4.502, de 1964, art. 80, inciso II, e Lei n°9.430, de 1996, art. 45).” Afirma também que a quebra do benefício implica em pagamento do PIS e a COFINS, conforme comando do artigo 70, inciso I, alínea “b” da Lei nº 10.833/2003. Aplicou sanção pelo fato da não apresentação de documentos de instrução obrigatória, sem revelar quais seriam os documentos obrigatórios. O Fisco juntou planilha demonstrando a origem e apuração do crédito tributário a partir da fl.725. Aplicou multa aduaneira de 5%, tomando com fonte as Declarações de Importação relacionadas no Anexo IV. A Fiscalizada apresentou descrição do ciclo produtivo, atendendo intimação para esse fim, que encontra às fls. 319/321. Ciente do lançamento apresenta Impugnação às fls. 830/866, sustentando em síntese: Há macula na constituição do crédito tributária, afronta a norma do art. 149 do CTN, que dispõe: “A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Publica”, para tanto, menciona o §4º do art. 150 do CTN, segundo a Recorrente está regra se aplica, uma vez que os tributos em análise, devidos quando da importação de mercadoria são apurados nas respectivas Declarações de Importação e pagos pelo sujeito passivo em data certa, previamente estipulada na lei de regência, isso é, antes de qualquer exame por parte da autoridade administrativa, como disciplina artigo 54 da do Decretolei nº 37/1966. Os fatos geradores ocorreram no ano calendário de 2004, e, a Impugnante foi cientificada da lavratura do auto de infração em 18 de dezembro de 2009, quando encontrava extintos definitivamente o direto da Fazenda Pública de lançar os créditos tributários relativos às DI registradas e aos desembaraços aduaneiros efetuados até 17.12.2004. Diz também que: “importação submetidas ao Imposto de Importação reduzido em 40%, cujo pais de origem da mercadoria encontrase fora da área abrangida pelo MERCOSUL (i.e. Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), todas as demais operações de importação realizadas naquele ano tiveram como pais de origem a Argentina, com a qual o Brasil, no âmbito do MERCOSUL, firmou o Acordo de Complementação Econômica n° 18, implementado no Brasil pelo Decreto n° 550/1992, no qual, no Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 13/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10073.001500/200913 Acórdão n.º 3403003.232 S3C4T3 Fl. 11 5 artigo 14 5 do seu Trigésimo Primeiro Protocolo Adicional (doc. 04) que dispõe sobre o Acordo sobre a Política Automotiva do MERCOSUL os países membros dispuseram que todas as operações "intrazona" com partes e autopeças nele definidos, estariam sujeitos até 31.12.2006 à aliquota 0% (zero por cento) ad valorem.” Preliminarmente alega a ocorrência de decadência para as DI's registradas ou desembaraçadas em datas anteriores A 17/12/2004, tendo em vista a ciência do Auto de infração ter se dado em 18/12/2009. Isto porque ocorreu a homologação tácita prevista para o lançamento por homologação, nos termos do art. 150, § 4. 0, e 156, VI, do CTN. Aduz também ao art. 54 do DecretoLei n.° 37/66. Cita diversos acórdãos do extinto Conselho de Contribuinte e da Camara Superior de Recursos Fiscais. 2 Aponta erro da fiscalização na apuração do IPI e das contribuições, já que computou em suas bases de cálculo valores de II a aliquotas que variam de 18% a 19,5%, não considerando que as mercadorias importadas através destas DI's (A exceção das sete relacionadas As fls. 04 do auto de infração que são provenientes de Areas fora do Mercosul) são originárias do Mercosul, amparadas pelo Acordo de Complementação Econômica (ACE) n.° 18, implementado pelo Decreto n.° 550/1992, no qual no artigo 14 do seu trigésimo Primeiro Protocolo Adicional, dispôs sobre o Acordo sobre a Política Automotiva do Mercosul, sujeitando as partes e autopeças nele definidos A aliquota de 0% até 31/12/2006. Tal conduta implicou na adição de valores de II As bases de cálculo daqueles tributos, de forma indevida. 3 A fiscalização alega que mercadorias que foram diretamente revendidas, sem passar por qualquer processo de transformação, não poderiam ter a suspensão do IPI. Todavia, ao invés de apontar item a item, mercadoria por mercadoria, quais teriam sido destinados A revenda e, portanto, não estariam passíveis da suspensão do IPI devido na importação, a fiscalização simplesmente adotou como valor do item o valor aduaneiro total da D.I., apurando a suposta renúncia fiscal do IPI sobre todas as importações suportadas pelos documentos respectivos. Cita como exemplo a DI n.° 04/01050739 em que foi exigido o IPI da totalidade das mercadorias quando a alegação de revenda de mercadoria paira apenas sobre parte dela. Também ocorre o mesmo com a DI n.° 04/03655492. Assim a planilha foi elaborada pela fiscalização com base em premissas equivocadas. Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 13/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10073.001500/200913 Acórdão n.º 3403003.232 S3C4T3 Fl. 12 6 4 Para fruição dos beneficios tratados nas Leis n.'s 9.826/99 (art. 5.°) e 10.182/2001 (art. 5• 0) nas importações de mercadorias destinadas A produção de autopeças ou A montagem de veículos terrestres automotores, é necessário que os componentes importados sejam aqueles das posições da TIPI indicadas na Lei, condicionado a que a mercadoria seja destinada a produção de outros produtos, para suspensão do IPI, e ainda que haja habilitação junto ao Ministério da Desenvolvimento, Indústria e Comércio exterior com comprovação da regularidade com os pagamentos dos tributos federais, para a redução de 40% do II. A impugnante alega que cumpriu com todas as exigências para fruição destes beneficio, A exceção da DI n.° 04/06403397, cujo código da TIPI (8708.29.91) não estava devidamente indicado no protocolo apresentado A. Receita Federal. A acusação da fiscalização reside na suposta falta de comprovação da regularidade fiscal da impugnante no momento de cada desembaraço aduaneiro de suas mercadorias e da obrigação do contribuinte em manter este documento (Certidão Negativa de Débitos — CND) pelo prazo decadencial. No entanto tal obrigação é exigida somente no momento da habilitação, em momento prévio As importações, não podendo ser confundido o ato de desembaraço da mercadoria com o ato de concessão ou reconhecimento do beneficio. Em verdade, a presunção de regularidade fiscal milita a favor da impugnante, pois não e crivei que a Receita Federal do Brasil, detentora das informações quanto A regularidade fiscal dos contribuintes, efetivasse desembaraços aduaneiros sem que estivessem preenchidos os requisitos para tal. Junta jurisprudência do antigo Conselho de Contribuinte no sentido de que "...quando os documentos que poderiam comprovar os fatos objeto do litígio não se encontram disponíveis à recorrente, mas poderiam estar disponíveis a autoridade fiscal, a esta recai o ônus da produção da prova..." 5 Adicionalmente a fiscalização pretende exigir a multa de 5% do valor aduaneiro por alegado descumprimento do art. 710 do atual regulamento Aduaneiro (aprovado pelo Decreto n.° 6.759/2009), combinado com o art. 553 do mesmo diploma legal, pela ausência de CND. A multa é incabível primeiro porque entre os documentos exigidos no despacho de importação não consta expressamente a CND, e ainda que fosse entendido como obrigatório, este seria apenas para a redução de II em apenas 7 DI's. 6 Esclarece também que as bobinas de aço laminado da Alemanha, importadas através das DI's n.°s 04/08178528 e 04/10523601, foram destinadas A • industrialização pela impugnante de autopeças destinadas As montadoras de veículos. Neste contexto, as bobinas foram remetidas a outra empresa para que esta as submetesse ao processo de galvanização, já que a impugnante não possuía ferramentas necessárias a este Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 13/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10073.001500/200913 Acórdão n.º 3403003.232 S3C4T3 Fl. 13 7 processo, devolvendoas para que a importadora realizasse as estampas nas peças destinadas aos veículos automotores. Assim, não há que se falar em perda do beneficio, pois em nenhum momento as bobinas sofreram desvio de finalidade, cujas importações se deram para estampagem de peças posteriormente vendidas A PSAPeugeot Citroen no Brasil. 7 Destaca que as mercadorias importadas com suspensão de IPI e revendidas sem processo de industrialização, tendo como destinatário as próprias montadoras de veículos, saíram do estabelecimento da impugnante igualmente com suspensão do IPI, tal como regulado pelo artigo 2.° da IN/SRF n° 296/2003. 8 Ao final requer a exoneração integral das exigências, ou, alternativamente, o deferimento do pedido de perícia para que peritos designados coletem os documentos que instruíram todas as importações realizadas ao longo daquele ano, os quais por se tratar de documentos A disposição dessa I. Turma de Julgamento deixará de juntar aos autos, assim como apurem e informem, com base na escrituração fiscal da impugnante assim como em diligencias aos controles da própria RFB, a efetiva destinação das mercadorias importadas com suspensão do IPI e redução do LI., a regularidade fiscal da impugnante no ano de 2004 e os equívocos cometidos pelos I. Fiscais Autuantes ao incluírem nos cálculo do IPI lançado o valor do LI. Indica, também, perito” É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filhio,Relator. O Auto de Infração foi lavrado para aplicar multa aduaneira de 5% e exigir pagamento de IPI e Imposto de Importação, bem como, PIS e COFINS por saída de mercadorias importadas em desobediência ao Regime Automotivo de que estava a Interessada submetida. O primeiro ponto se refere a comprovação de regularidade fiscal. A negativa da Recorrente de comprovar por meio de certidão a situação regular fiscal quando da efetivação da importação. Como bem afirma a Recorrente o fato de obter autorização perante ao SISCOMEX, revela estar em estado regular fiscal, assim sendo, atendia a contento aquela exigência. O administrado deve atender exigência proveniente de previsão legal, isso é, em decorência de Lei. No caso concreto, não se vislumbra em normas disciplinadoras do benefício a necessidade de apresentação de certidão de regularidade fiscal, pois como disse a Fiscalização, o interessado deveria atender os pressupostos objetivos, e, inexistindo exigência, cabe afastar esse entendimento da fiscalização. Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 13/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10073.001500/200913 Acórdão n.º 3403003.232 S3C4T3 Fl. 14 8 Para mim, andou bem o Julgador da Instância inferior ao desconsiderar esse fato como motivo substancial a quebra de premissas fixadas para o usuário do Regime Automotivo. Quanto a este ponto, a maioria do Colegiado acolheu apenas a conclusão do relator. Assim, conforme disposto no §8º1 do artigo 63 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, reproduzo abaixo os fundamentos adotados pela maioria: "A fiscalização entende que a prova de quitação da regularidade fiscal deveria ser feita tanto na concessão quanto no reconhecimento do benefício, ou seja, no período que providenciou o registro das DIs. (art. 179 CTN, art. 60 da Lei 9069/95, arts. 120 e 122 do RA/2002, lei 8036/90). O fiscal comentou (efl. 246): "A certidão relativa à situação fiscal do contribuinte, por conseqüência, será a reprodução textual fiel do que consta nos registros do Fisco a esse respeito, expedida por servidor a quem a legislação atribua tal competência. 1°." A fiscalização entende que os benefícios do II e o IPI possuem caráter subjetivoobjetivo e que, portanto, não se amoldam ao disposto no ADN Cosit 7/1998: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa SRF No 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o que dispõe o art. 60 da Lei 9.069, de 29 de junho de 1995, declara, http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 Em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que o despacho e conseqüente desembaraço de mercadorias importadas, quando isentas ou tributadas à alíquota zero, prescindem da comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, por não se tratar de benefício ou incentivo fiscal concedido subjetivamente ao importador. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 CARLOS ALBERTO DE NIZA E CASTRO” A fiscalização em 2009 exigiu a apresentação de CND, que teria sido apresentada à época do registro das declarações de importação, em 2004. Não me parece ser o que prevê a legislação. 1 § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 13/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10073.001500/200913 Acórdão n.º 3403003.232 S3C4T3 Fl. 15 9 Inicialmente, entendo que a Lei nº 9069/95 aplicase ao caso, pois as isenções possuem caráter subjetivoobjetivo, não se aplicando o ADN Cosit 7/1998. Ocorre que a conclusão a que chegou a fiscalização pareceume equivocada.. A Lei nº 9069/1995 dispõe: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. (Vide Lei nº 11.128, de 2005) Se a apresentação da certidão prova a regularidade fiscal, não se pode inferir que sua ausência prova a irregularidade fiscal. Neste sentido, a IN SRF 93/2001 dispunha: Art. 11. O prazo de validade das certidões de que trata esta Instrução Normativa é de seis meses, contado da data de sua emissão, observado o disposto nos §§ 1º e 2º deste artigo. [...]http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOut ros.action?idArquivoBinario=0 § 4º A certidão terá eficácia, dentro do seu prazo de validade, para prova de quitação dos tributos e contribuições federais a que estiver vinculado o sujeito passivo e somente a ele abrangerá. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0Art. 12. As certidões de que trata esta Instrução Normativa, comprobatórias de regularidade fiscal perante à SRF, somente produzirão efeitos mediante confirmação de autenticidade no endereço . Art. 16. Na hipótese de concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, no âmbito da SRF, é vedada a exigência da certidão de que trata o art. 1º, cabendo a verificação de regularidade fiscal do sujeito passivo à unidade encarregada da análise do pedido. O referido artigo 16 foi reproduzido no artigo 10 das INs nº 565/2005, 574/2005, 734/2007: Art. 10. Na hipótese de concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, no âmbito da RFB, é vedada a exigência da certidão conjunta de que trata o art. 1º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 02, de 2005, cabendo a verificação de regularidade fiscal do sujeito passivo à unidade da RFB encarregada da análise do pedido. Art. 11. As pesquisas sobre a situação fiscal e cadastral do requerente restringirseão ao sistema eletrônico de emissão de certidões Já a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2/2005 trazia em seu artigo 1º a seguinte disposição: Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 13/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10073.001500/200913 Acórdão n.º 3403003.232 S3C4T3 Fl. 16 10 Art. 1º A prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional farseá mediante apresentação das seguintes certidões: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 I conjunta, de que tratam os arts. 2º e seguintes da presente Portaria, emitida pela Receita Federal do Brasil (RFB) e ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) com informações da situação do sujeito passivo quanto aos tributos administrados pela RFB, observado o disposto no inciso II, e à Dívida Ativa da União administrada pela PGFN; e http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 II específica, emitida pela RFB com informações da situação do sujeito passivo quanto às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, às contribuições instituídas a título de substituição, e às contribuições devidas, por lei, a terceiros, inclusive às inscritas, até 14 de agosto de 2005, em Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), disciplinada em ato da RFB. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 Parágrafo único. O direito de obter certidão conjunta, de que trata o inciso I do caput, é assegurado ao sujeito passivo, devidamente inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ou no Cadastro Nacional da Pessoa Física (CPF), independentemente do pagamento de taxa. Tais disposições foram repetidas na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 3/2007 e na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1751/2014: Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 03/07: Art. 1° A prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional será efetuada mediante apresentação de: I certidão específica, emitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), com informações da situação do sujeito passivo quanto às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, às contribuições instituídas a título de substituição, e às contribuições devidas, por lei, a terceiros, inclusive às inscritas em dívida ativa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS); e II certidão conjunta, emitida pela RFB e ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), com informações da situação do sujeito passivo quanto aos demais tributos federais e à Divida Ativa da União, por elas administrados. Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 13/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10073.001500/200913 Acórdão n.º 3403003.232 S3C4T3 Fl. 17 11 ......................................................................................................... .................................... § 2° A certidão de que trata o inciso I do caput será emitida conforme os modelos constantes nos Anexos XI a XVLLL a esta Portaria, nos termos do disposto na Instrução Normativa RFB n° 971, de 13 de novembro de 2009.(Redação dada pela Portaria PGFN/RFB n° 1, de 20 de janeiro de 2010) Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1751/2014: Art. 1º A prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional será efetuada mediante apresentação de certidão expedida conjuntamente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), referente a todos os créditos tributários federais e à Dívida Ativa da União (DAU) por elas administrados. [...] Art. 10. As certidões emitidas na forma desta Portaria terão prazo de validade de 180 (cento e oitenta) dias, contado de sua emissão, à exceção da certidão a que se refere o art. 6º. Parágrafo único. A certidão terá eficácia, dentro do seu prazo de validade, para prova de regularidade fiscal relativa a créditos tributários ou exações quaisquer administrados pela RFB, e à DAU administrada pela PGFN. Por seu turno, a Nota Técnica Cosit nº 2/2012, assim concluiu ao tratar de regularidade fiscal para concessão de benefícios: “Diante do exposto, respondese à interessada que a regularidade fiscal diz respeito não apenas à inexistência de débitos exigíveis (obrigação principal), mas também à inexistência de pendências relativas a obrigações acessórias (cadastro e entrega de declarações), nos termos da legislação vigente, sendo que: a) são provas suficientes da regularidade fiscal a CND ou, com a mesma força da primeira, a CPDEN, desde que dentro do prazo de validade, conforme dispõe o § 2º do art. 12 da Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 03, de 2 de maio de 2007; b) a comprovação da regularidade fiscal se dá pela emissão de duas certidões, uma específica para as contribuições previstas na Lei nº 8.212, de 1991, e outra para os demais tributos e contribuições administrados pela RFB. No caso de requerimento de benefício fiscal por parte de Contribuinte Individual, o documento que comprova a regularidade de inscrição e de recolhimento das contribuições para com a Previdência Social é a DRSCI, fornecida exclusivamente pelo INSS. A DRSCI deve ser obtida pela unidade competente para a concessão do benefício fiscal, observado o disposto na Portaria Conjunta RFB/INSS nº 2, de 2009; Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 13/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10073.001500/200913 Acórdão n.º 3403003.232 S3C4T3 Fl. 18 12 c) salvo exigência expressa na legislação que concede benefício fiscal, não é necessária a exigência de Certificado de Regularidade do FGTS a título de comprovação de regularidade fiscal no âmbito da RFB; e d) caso não seja feita a prova da regularidade fiscal pelo sujeito passivo, conforme o item “a”, acima, cabe à unidade da RFB encarregada da análise do pedido de concessão de benefício fiscal efetuar tal verificação por meio da emissão das certidões eletronicamente, seja pela internet, seja por meio de sistema próprio. À consideração superior." De modo similar, a Solução de Consulta Cosit nº 18/2005, ao tratar de incentivos fiscais às atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica de que cuida a Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, o Decreto nº 5.798, de 7 de junho de 2006, e a Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.187, de 29 de agosto de 2011, relativamente à apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, decidiu que, a despeito da suficiência comprobatória da certidão para fins da regularidade fiscal, a falta de emissão desse documento não significa, por si só, que a pessoa jurídica esteja em situação irregular, quanto aos tributos federais e demais créditos inscritos em Dívida Ativa da União, para fins do gozo dos incentivos fiscais às atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, conforme abaixo transcrito: Regularidade fiscal 13. De início, a consulente suscita a questão da intermitência da regularidade fiscal. A seu juízo, verificada a existência de algum lapso temporal desacobertado de certidão de regularidade fiscal, a fruição do benefício deve fazerse de forma proporcional ao período em que se manteve em situação regular. 14. A exigência questionada vem prevista no art. 23 da Lei nº 11.196, de 2005, assim como no art. 12 do Decreto nº 5.798, de 2006, a dizer que o gozo dos benefícios fiscais e da subvenção relativos às atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica fica condicionado à comprovação da regularidade fiscal da pessoa jurídica. 15. Ao disciplinar esse requisito, relativamente à apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o art. 19 da IN RFB nº 1.187, de 2011, assim estabeleceu: Art. 19. A pessoa jurídica que optar pelos incentivos à pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica de que trata esta Instrução Normativa deverá comprovar regularidade quanto à quitação de tributos federais e demais créditos inscritos em Dívida Ativa da União mediante apresentação de Certidão Negativa de Débitos (CND) ou de Certidão Positiva de Débito com Efeitos de Negativa (CPDEN) válida referente aos 2 (dois) semestres do anocalendário em que fizer uso dos benefícios. Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 13/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10073.001500/200913 Acórdão n.º 3403003.232 S3C4T3 Fl. 19 13 16. Dado o dinamismo que a situação fiscal das pessoas jurídicas apresenta, nem sempre é possível manteremse livres de qualquer pendência de obrigação tributária por todo um determinado período. Daí não se segue que os beneficiários dos incentivos fiscais sob exame se encontram impossibilitados de observar a condição de regularidade fiscal estatuída no art. 23 da Lei nº 11.196, de 2005. 17. Primeiro, temse que a IN RFB nº 1.187, de 2011, atenta à segurança jurídica nas relações tributárias, cuidou de estabelecer critério mais estável para comprovação da regularidade do sujeito passivo. Nos termos do seu art. 19, a existência da CND ou, com a mesma força desta, a CPDEN, constituem prova suficiente da regularidade fiscal da pessoa jurídica. 18. Significa afirmar que, dentro do prazo de validade da certidão negativa, ou positiva com efeitos de negativa, eventuais irregularidades na situação fiscal, supervenientes à emissão do documento de caráter declaratório, não serão motivo legítimo para restringir a fruição dos benefícios fiscais naquele período de vigência a que alude a certidão. 19. Depois, a despeito da suficiência comprobatória da certidão para fins da regularidade fiscal, a falta de emissão desse documento não significa, por si só, que a pessoa jurídica esteja em situação irregular, quanto aos tributos federais e demais créditos inscritos em Dívida Ativa da União, para fins do gozo dos incentivos fiscais às atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica. 20. Mesmo quando detectada a ausência da certidão válida para dado lapso de tempo, a unidade da RFB responsável pela fiscalização do sujeito passivo deverá verificar, por meio dos sistemas eletrônicos gerenciadores do crédito tributário, se a situação consubstancia efetiva irregularidade fiscal, a obstar a fruição dos incentivos no período considerado. 21. Do exposto se vê que o critério de proporcionalidade aventado na consulta não encontra justificativa em uma real inviabilidade de se dar cumprimento à condição requerida, por força das naturais oscilações da situação fiscal ao longo do tempo. A prova documental consubstanciada nas certidões oferece os meios para tanto. A propósito, cabe lembrar que a pessoa jurídica pode solicitar a renovação da certidão bem antes da expiração do prazo de sua vigência. 22. Constatase, por sua vez, que o art. 23 da Lei nº 11.196, de 2005, ao condicionar o gozo dos benefícios fiscais à regularidade quanto aos tributos federais e créditos inscritos em Dívida Ativa da União, não estipulou um dado período dentro do qual a pessoa jurídica que os frui deve observar a exigência estabelecida. Tal período, contudo, há de guardar Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 13/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10073.001500/200913 Acórdão n.º 3403003.232 S3C4T3 Fl. 20 14 compatibilidade com a sistemática de apuração dos tributos a que se vinculam referidos benefícios. 23. Nesse sentido, verificase que os incentivos fiscais de que cuida a Instrução Normativa estão vinculados à apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, mediante exclusões que, ao final, reduzem a dimensão econômica tributável. Tais tributos caracterizamse pelo regime de apuração complexivo, em que o critério quantitativo está relacionado a um conjunto de receitas e despesas formado ao longo do período de apuração. Nada obstante, a base de cálculo constituída ao fim é uma unidade, ainda que resultante da composição de diversos elementos fáticos levados à sua apuração. 24. De modo que o art. 19 da IN RFB nº 1.187, de 2011, considera que deverão estar acobertados pela regularidade fiscal não só o momento em que se reputa ocorrido o fato imponível relativo a tais tributos, mas também o período correspondente aos eventos que lastreiam as exclusões da base de cálculo. 25. É que a utilização dos incentivos fiscais, nessa interpretação da Administração Tributária, não se opera de forma instantânea, mas sim no curso de formação dos diversos eventos, como dispêndios e pagamentos classificados como despesas operacionais, inclusive encargos com depreciações e amortizações aceleradas, eventos esses que são globalmente considerados ao final do período de apuração daqueles tributos. 26. Por esse motivo, por se cuidar de regime de apuração complexivo, a situação de regularidade fiscal do período de sua constituição não admite solução de continuidade, sob pena de se incorrer em indevida dissociação com o intervalo de tempo em que ocorre a contínua formação da base de cálculo dos tributos objeto dos incentivos fiscais. 27. A resposta à questão sob exame, portanto, é no sentido de que a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, para fazer jus aos benefícios, deve manter regularidade fiscal por todo o anocalendário a que se reportará a apuração do imposto sobre a renda e da base de cálculo da CSLL. 28. De outro modo, se, diante da inexistência de certidão válida para acobertar um dado período do ano calendário, constatase que a falta do documento probatório se deve à presença de irregularidade quanto aos tributos federais e créditos inscritos em Dívida Ativa da União, resta configurado o descumprimento da condição estipulada no art. 19 da IN RFB nº 1.187, de 2011, a obstar a fruição dos incentivos fiscais no referido anocalendário. 29. A possibilidade de fruição proporcional em tais casos resulta inaplicável, como visto, por falta de previsão normativa. De sorte que a ausência de certidão ocasionada pela existência de irregularidade fiscal durante o anocalendário, por caracterizar descumprimento da condição legal estabelecida, Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 13/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10073.001500/200913 Acórdão n.º 3403003.232 S3C4T3 Fl. 21 15 obsta o gozo do benefício em qualquer percentual. Não há, portanto, espaço normativo para adoção do entendimento sugerido pela consulente. A partir do exposto, entendo que a exigência de comprovação da regularidade fiscal pelo contribuinte pelo artigo 60 da Lei 9.069/95 se deve ao fato de não ser cabível à Administração fazer prova negativa da regularidade fiscal, ou seja, provar que não houve a quitação de tributos ou que não houve a entrega de alguma obrigação acessória, a partir da constatação destas irregularidades nos sistemas da RFB. Assim, caso haja a constatação destas divergências, impedindo a emissão da certidão negativa, cabe ao contribuinte a prova da regularidade fiscal. Esta prova é feita com a apresentação da certidão, durante seu período de validade, dispensando a verificação da regularidade por parte da autoridade fiscal. Porém, a ausência da certidão, obviamente, não prova a regularidade, mas disto não se infere que há irregularidade. No caso, a autoridade administrativa deve proceder às pesquisas nos sistemas informatizados para emissão de certidão e averiguar a situação fiscal do contribuinte. Verificando a existência de pendências impeditivas da emissão de certidão, obstada está a fruição do benefício fiscal. No caso, a recorrente efetuou despachos aduaneiros no ano de 2004, ocasião em que teria apresentado certidão em cada requerimento, segundo informações da autoridade fiscal. A exigência da certidão é vedada pela própria IN 734/2007 utilizada como um dos fundamentos no Auto de Infração. Assim, deveria a autoridade fiscal demonstrar que havia pendências à época do requerimento do benefício, impeditivas da emissão de certidão, pois presumese que no desembaraço efetuado com o benefício reconhecido, a recorrente cumpria todos os requisitos. Assim, são improcedentes os lançamentos lastreados na exigência de CND e, por consequência, a multa prevista no art. 70, II, b, item 1 da Lei nº 10833/03." No que tange aplicação da multa prevista pelo inciso II, alínea “b” do art. 70 da Lei 10.833/2003, não assiste razão a fiscalização, não sendo a certidão exigível para o gozo do benefício, leva à conclusão da inexistência de descumprimento de manter documento em boa guarda. Descumprido o Regime nas Importações. Acusação de que houve descumprimento do Regime de Importação com redução Imposto de Importação e da suspensão do IPI pela empresa Interessada relativos as DI´s relacionadas às fls. 271/285. Segundo o agente essas informações foram extraídas dos arquivos digitais fornecidos pela Contribuinte, que algumas mercadorias não sofreram quaisquer espécie de industrialização. Da defesa constatase que alguma das importações de mercadoria não passou por processo de industrialização, mas em sua quase totalidade, os demais itens soferam processo de industrialização, e, a fiscalização foi incapaz de identificar, apenas tomou como base o total das “DI´s” comentendo grave erro na apuração, cabia segregar áquelas importações que deixaram de atender os requisitos, e, exigir os impostos e contribuições tãosó em relação ao descumprimento. Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 13/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10073.001500/200913 Acórdão n.º 3403003.232 S3C4T3 Fl. 22 16 Revela obrigação da fiscalização identificar, individualizalas, uma a uma, as mercadorias, e, valoralas para efetuar o lançamento, não o fez. Por essas razões acompanho o Julgador de Piso que assevera macula no lançamento: “A improcedência se deve ao fato de que o auto de infração de estar acompanhado de todos os elementos de prova indispensáveis A comprovação do ilícito, em cumprimento ao disposto no art. 9.° do Decreto n.° 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal). Vejase: Art. 9° A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada sera( ) formalizadas em autos de infração ou notificaolo de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruidos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei n°8.748, de 1993) Portanto os resultados de uma análise feita nos documentos apresentados pelo contribuinte A fiscalização devem ficar devidamente consubstancido.” Descumprimento do Regime nas importações de bobinas de aço pelas DI's n.'s 04/08178528 e 04/105236601. A fiscalização narra em relatório que essas bobinas de aço foram remetidas a empresa GALVASUD para beneficiamento, posteriormente revendia, diz: “... a Recorrenete deixou de aplicar no seu processo produtivo algumas mercadorias importadas ao amparo do regime automotivo, destaca com infração cometida a comercialização de bobinas importadas por meio Declarações de Importação nºs 04/08178528 e 04/10523601, que antes de ser destinadas ao processo produtivo, foram remetidas para beneficiamento na empresa GALVASUD, que este fato configura flagrante desrespeito ao instituído pelo art. 5°, parágrafo 2°, inciso I, da Lei n° 9.826/99. O fato da remessa para beneficiamento não configura venda, pois afirmação é da própria Fiscalização que atesta tratarse de remessa para beneficiamento. A Contribuinte traz prova de que a remessa foi para beneficiamento em razão de não possuir ferramentas especiais no sentido de desenrolar as bobinas, necessitando processar essa fase em estabelecimento de terceiros. Ao retornar ao estabelecimento da Impugnante, procedia corte e solda, produzindo os fundos dos veículos de acordo com as especificações de cada cliente Volkswagen, Ford, Chevrolet, etc. Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 13/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10073.001500/200913 Acórdão n.º 3403003.232 S3C4T3 Fl. 23 17 Tanto é verdade que a fiscalização não acusa de ter vendido para empresa Galvasud, apenas reconhece que as mercadorias foram remetidas para beneficiamento. Não há dúvida de que após o processamento eram vendidas aos clientes tradicionais da contribuinte. Além do que, a industrialização, corte, costura e modelalgem, davase no estabelecimento industrial do contribuinte. Em sendo assim, não assiste razão a autoridade lançadora que considerou esse fato como descumprimento das condições do regime de importações quanto às mercadorias descritas nas DI´s nºs 04/08178528 e 04/105236601. Assim, concluo que o julgamento de piso deu contorno acertado à questão. Diante do exposto, nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 13/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10880.955966/2008-37
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/01/2000
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA EFEITOS.
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento, nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-003.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
assinado digitalmente
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS- Presidente.
assinado digitalmente
PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA - Redator ad hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/01/2000 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA EFEITOS. A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento, nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/01/2000 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA EFEITOS. A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento, nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. assinado digitalmente RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. assinado digitalmente PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Redator ad hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 59 66 /2 00 8- 37 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.955966/200837 Acórdão n.º 3802003.055 S3TE02 Fl. 152 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 13ª Turma da DRJ/SPO I, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade apresentada, tendo em vista que sua protocolização fora feita fora do prazo legal. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico (PER/DCOMP nº 41393.22691.220904.1.3.04 4175), na data de 22/09/2004, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, na data de 01/01/2000, no valor de R$ 594,49, no código de receita 8109, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 01/01/2000 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. EFEITOS A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à: (i) comprovação da existência do crédito para fins de compensação, (ii) existência do direito constitucional do direito de petição, (iii) não existência de natureza litigiosa no processo administrativo de compensação, e (iv) prevalência do princípio da verdade material no processo administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fl. 150, nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, incumbiume o Presidente Substituto da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF a formalizar o presente acórdão. Ressaltese que o relator original, por equívoco, juntou aos autos decisão relativa a outro processo, julgado na mesma sessão que o presente. Contudo, em virtude de sua renúncia ao mandato, não foi possível concluir a formalização da decisão destes autos. Desta forma, adotase, em linhas gerais, o voto proferido no processo 10880.955968/200826 (fls. 143 a 145), com as adaptações necessárias à situação deste processo. Admissibilidade do Recurso. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.955966/200837 Acórdão n.º 3802003.055 S3TE02 Fl. 153 3 Admito o presente Recurso Voluntário em virtude do preenchimento dos requisitos regulares para o seu desenvolvimento positivo. O recorrente, inconformado com a decisão de primeira instância, interpôs o presente Recurso Ordinário para que este Órgão analisasse novamente suas pretensões. Porém, razão alguma assiste a ele, porquanto o processo administrativo está morto desde sua fase inaugural de apresentação da manifestação de inconformidade. Explico! Para minhas convicções como Julgador administrativo, o fato que determinou sua não admissão está centrado na ocorrência da preclusão temporal, quando da apresentação intempestiva da impugnação administrativa, alcunhada de manifestação de inconformidade. Vejase, a Lei nº 10.822/2003 incluiu o § 9º ao artigo 74 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996 e, assim, facultou ao sujeito passivo, no prazo de 30 dias, o exercício do direito subjetivo de apresentar a manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação requerida. Além disso, o § 7º da referida legislação determinou também que, em casos de não homologação da compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de trinta dias, contado da ciência do ato que não a homologou, ao pagamento dos débitos indevidamente compensados. Portanto, integrando as normas extraídas do instrumento legal de regência, o contribuinte deveria apresentar sua manifestação de inconformidade no prazo de 30 (trinta) dias, contado da intimação do ato que não homologou seu pedido de compensação, caso quisesse discutir a decisão contrária aos seus interesses. De modo que, em termos de prova concreta existente nos autos, verificase que o contribuinte foi notificado do Despacho Decisório em 02/12/2008, e vindo somente a apresentar sua manifestação de inconformidade no dia 07/10/2009. Ou seja, quase um ano depois. Portanto, para fundamentar e noticiar os termos que me levaram a concluir pelo não conhecimento do presente recurso, trago aqui o que dispõe o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15, de 12 de julho de 1996: “a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo caracterizada ou suscitada tempestividade, como preliminar”. Nesse sentido, tendo em vista o que dos autos consta e pelas razões por mim aqui expostas, CONHEÇO do recurso ora interposto e NEGOLHE PROVIMENTO, mantendo, assim, em sua integralidade, a decisão a quo que reconheceu a intempestividade da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte e, portanto, não foi instaurada a fase litigiosa do processo administrativo. Com base nesses fundamentos, o relator original negou provimento ao recurso voluntário, sendo acompanhado pelos demais integrantes do Colegiado. assinado digitalmente Paulo Roberto Duarte Moreira redator ad hoc Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.955966/200837 Acórdão n.º 3802003.055 S3TE02 Fl. 154 4 Fl. 154DF CARF MF
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Numero do processo: 10650.001771/2005-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1998,1999,2000,2001,2002,2003,2004
DECADÊNCIA. LUCRO REAL ANUAL. FATO GERADOR EM 31/12.
Para a empresa que opta pelo regime de tributação do lucro real, em período anual, o fato gerador do imposto de renda, pessoa jurídica, por ser complexivo só se consuma em 31/12 de cada ano-calendário, quando finda o exercício financeiro, independentemente de haver ou não procedido aos
recolhimentos por estimativa. Realizado o lançamento tributário no prazo de cinco anos, a partir dessa data, afasta-se a decadência.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
O Supremo Tribunal Federal aprovou, em sessão plenária, a Súmula
Vinculante n° 08, declarando a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estipulavam um prazo de dez anos para ocorrência da decadência e prescrição de crédito tributário originado em contribuições sociais. Vigora para as contribuições o prazo qüinqüenal previsto no artigo
150, § 4º do CTN - Lei n° 5.172/66, por força do disposto no artigo 146, inciso III, letra "b", da Carta Constitucional de 1988.
NULIDADE DA AUTUAÇÃO. OFENSA À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO.
Não se caracteriza ofensa aos princípios do contraditório ou ampla defesa, nem macula o lançamento tributário, remissão a documento originado de representação fiscal, cujo interesse não é do contribuinte, mas do órgão estatal, a quem se destina, ainda mais quando o documento consta do processo administrativo fiscal e foi citado no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração lavrado, tendo o contribuinte amplo acesso para consulta e se possibilitando que exerça a sua defesa de forma ampla.
NULIDADE DA AUTUAÇÃO. NÃO COMPUTADO NO LUCRO PARA CÁLCULO DO IRPJ AS CONTRIBUIÇÕES PIS E COFINS LANÇADAS DE OFÍCIO.
Não há determinação legal que imponha ao procedimento fiscal do
lançamento tributário o cômputo das contribuições PIS e Cofins apuradas em decorrência da omissão constatada que enseja a exigência de IRPJ, para redução do lucro real. O lançamento fiscal foi realizado de acordo com as disposições do artigo 24 da Lei nº 9.430/96, não padecendo de qualquer vício. E essa redução é vedada em esfera recursal por força do artigo 41, § 1º,
da Lei nº 8.981/95, c/c o artigo 151, III, do CTN.
SUPRIMENTO DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITAS. EMPRÉSTIMOS DE SÓCIO. EFETIVIDADE DA ENTREGA E ORIGEM DE RECURSOS NÃO COMPROVADA.
A instrução da impugnação com cópias de cheques sem a comprovação de que, de fato, ingressaram nas contas bancárias da empresa, e sem o contribuinte demonstrar satisfatoriamente a vinculação à suficiência de recursos do sócio originados em outra fonte, concomitantemente, não ilide a tributação erguida sobre os empréstimos de sócio cuja efetiva entrega
(transferências bancárias) e origem não foram comprovadas.
ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL.
Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova inverte-se e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário.
NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Preclui na fase recursal a fundamentação não apresentada na fase
impugnatória.
JUROS. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE.
Aplica-se a Súmula nº 04 do Conselho de Contribuintes, recepcionada pelo atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Carf.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Exercício: 2001, 2002, 2003
MULTA ISOLADA. IRPJ. CSLL. MATÉRIAS REFLEXAS. DECORRENTES DA AUTUAÇÃO POR OMISSÃO DE RECEITAS.
As matérias objetos dos processos em apenso decorrem das exigências de multa isolada pelo não recolhimento das estimativas IRPJ e CSLL, devidas em razão da omissão de receitas que ensejou a exigência de IRPJ, e não foram contestadas especificamente, mas somente de forma reflexa. A exigência das penalidades seguem a sorte da exigência do principal, no caso,
devendo ser mantidas.
Recurso de Oficio Não Conhecido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1801-000.101
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso de oficio pelo valor do crédito tributário ser inferior ao limite de alçada. Com relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para: i) afastar as preliminares de nulidades suscitadas; ii) acolher parcialmente a preliminar de decadência dos lançamentos tributários para exigência de contribuições sociais - CSLL, PIS e Cofins - relativas aos anos-calendários de 1998 e 1999, e, no caso, do PIS e da Cofins, nos meses relativos ao ano-calendário de 2000; Pelo voto de qualidade, no mérito, NEGAR provimento
ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Cheryl Berno, Rogério Garcia Peres e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado), que conhecem de oficio a matéria pertinente à exigência das multas isoladas sobre as estimativas não recolhidas, IRPJ e CSLL, para declarar as suas insubsistências, pela concomitância com a multa de oficio regular exigida no lançamento do IRPJ e CSLL, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: ANA BARROS FERNANDES
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Sessão de Matéria Recorrente Recorrida SI-TEOI. FLl MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 10650.001771/2005-36 162.414 Voluntário 1801-00.101 - la Turma Especial 01 de outubro de 2009 IRPJ E OUTROS POLYVIN PLÁSTICOS E DERIVADOS LTDA. DRJ EM JUIZ DE FORA - MG -IA TURMA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JuiúDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998,1999,2000,2001,2002,2003,2004 DECADÊNCIA. LUCRO REAL ANUAL. FATO GERADOR EM 31/12. Para a empresa que opta pelo regime de tributação do lucro real, em período anual, o fato gerador do imposto de renda, pessoa jurídica, por ser complexivo só se consuma em 31/12 de cada ano-calendário, quando finda o exerCÍcio financeiro, independentemente de haver ou não procedido aos recolhimentos por estimativa. Realizado o lançamento tributário no prazo de cinco anos, a partir dessa data, afasta-se a decadência. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. O Supremo Tribunal Federal aprovou, em sessão plenária, a SúrilUla Vinculante n° 08, declarando a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estipulavam um prazo de dez anos para ocorrência da decadência e prescrição de crédito tributário originado em contribuições sociais. Vigora para as contribuições o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, S 40 do CTN - Lei n° 5.172/66, por força do disposto no artigo 146, inciso IIl, letra "b", da Carta Constitucional de 1988. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. OFENSA À AMPLA DEFESA E AO . CONTRADITÓRIO. Não se caracteriza ofensa aos princípios do contraditório ou ampla defesa, nem macula o lançamento tributário, remissão a documento originado de representação fiscal, cujo interesse não é do contribuinte, mas do órgão estatal, a quem se destina, ainda mais quando o documento consta do processo administrativo fiscal e foi citado no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração lavrado, tendo o contribuinte amplo acesso para consulta e se possibilitlmdo que exerça a sua defesa de forma ampla. ~ NULIDADE DA AUTUAÇÃO. NÃO COMPUTADO NO LUCRO PARA CÁLCULO DO IRPJ AS CONTRIBUIÇÕES PIS E COFINS LANÇADAS DE OFÍCIO. . Não há determinação legal que imponha ao procedimento fiscal do lançamento tributário o cômputo das contribuições PIS e Cofins apuradas em decorrência da omissão constatada que enseja a exigência de IRPJ, para redução do lucro real. O lançamento fiscal foi realizado de acordo com as disposições do artigo 24 da Lei nO 9.430/96, não padecendo de qualquer vício. E essa redução é vedada em esfera recursal por força do artigo 41, SI 0, da Lei nO8.981/95, c/c o artigo 151, III, do CTN. SUPRIMENTO DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITAS. EMPRÉSTIMOS DE SÓCIO. EFETIVIDADE DA ENTREGA E ORIGEM DE RECURSOS NÃO COMPROVADA. A instrução da impugnação com cópias de cheques sem a comprovação de que, de fato, ingressaram nas contas bancárias da empresa, e sem o contribuinte demonstrar satisfatoriamente a vinculação à suficiência de recursos do sócio originados em outra fonte, concomitantemente, não ilide a tributação erguida sobre os empréstimos de sócio cuja efetiva entrega (transferências bancárias) e origem não foram comprovadas. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova inverte-se e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário. NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRE- CLUSÃO. Preclui na fase recursal a fundamentação não apresentada na fase impugnatória. \ JUROS. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. Aplica-se a Súmula nO04 do Conselho de Contribuintes, recepcionada pelo atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Carf. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2001, 2002, 2003 MULTA ISOLADA. IRPJ. CSLL. MATÉRIAS REFLEXAS. DECORRENTES DA AUTUAÇÃO POR OMISSÃO DE RECEITAS. As matérias objetos dos processos em apenso decorrem das exigências de multa isolada pelo não recolhimento das estimativas IRPJ e CSLL, devidas em razão da omissão de receitas que ensejou a exigência de IRPJ, e não foram contestadas especificamente, mas somente de forma reflexa. A exigência das penalidades seguem a sorte da exigência do principal, no caso, deveilaà ser maniidas. Recurso de Oficio Não Conhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 2 Processo nO 10650.001771/2005-36 . Acórdão n.o 1801-00.101 Sl-TE01 FI. 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso de oficio pelo valor do crédito tributário ser inferior ao limite de alçada. Com relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para: i) afastar as preliminares de nulidades suscitadas; ii) acolher parcialmente a preliminar de decadência dos lançamentos tributários para exigência de contribuições sociais - CSLL, PIS e Cofins - relativas aos anos-calendários de 1998 e 1999, e, no caso, do PIS e da Cofins, nos meses relativos ao ano-calendário de 2000; Pelo voto de qualidade, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Cheryl Berno, Rogério Garcia Peres e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado), que conhecem de oficio a matéria pertinente à exigência das multas isoladas sobre as estimativas não recolhidas, IRPJ e CSLL, para declarar as suas insubsistências, pela concomitância com a multa de oficio regular exigida no lançamento do IRPJ e CSLL, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. .k }--h.,-f , r ANA DE BARROS FERNANDES - Presidente e Relatora EDITADO EM: 15 MAR 2010 Participaram da sessão de julgamento, João Bellini Júnior (Suplente Convocado), Cheryl Berno, Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), Rogério Garcia Peres, Leonardo Henrique Magalhães deOliyeira (Suplente Convocado) e Ana de Barros Fernandes (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni (Vice- Presidente) . Relatório A empresa foi fiscalizada e do exame da documentação e livros contábeis e fiscais pertinentes, a autoridade lançadora verificou duas ocorrências que caracterizam infrações às normas tributárias, por omissão de receitas: diversos pagamentos registrados na contabilidade foram realizados com recursos não contabilizados na empresa, apurado em relação aos anos-calendários de 1998 e 1999; diversos empréstimos de sócio - sr. Silvio de Castro Cunha Jr à empresa não comprovados, detectados nos anos-calendários de 2000,2001, 2002, 2003 e 2004. Os valores e datas das infrações verificadas constam dos demonstrativos de fls. 71 a 73 e 74, respectivamente, anexos ao Termo de Verificação Fiscal, parte integrante dos Autos de Infrações lavrados às fls. 07 a 65. o método utilizado pelo fiscal para verificar os pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade foi checar a autenticação mecânica no documento quitado e confrontar aos extratos bancários. Os cheques assinalados na contabilidade que supostamente teriam quitado os débitos foram emitidos em datas posteriores àquelas, tendo se verificado que os pagamentos efetivamente ocorreram, por cheques, mas com recursos da empresa que transitaram na conta de interposta pessoa, sr. Claudenir Ananias de Oliveira, mantida à margem da contabilidade. Importante destacar que o período fiscalizado abrangeu desde o ano- calendário de 1998 ao ano de 2004, sendo a empresa optante pelo regime de apuração do lucro real, anual, e a fiscalização deu ciência à contribuinte. dos Autos de Infrações lavrados em 27/12/2005. Não foi exigido IRPJ para os anos-calendários de 1998 e 1999, mas somente em relação às contribuições federais (CSLL, PIS e Cofins). A empresa foi intimada a apresentar a contabilidade em meio magnético e não o fez, bem como, durante o curso do procedimento fiscal, reteve os livros e documentos contábeis e fiscais relativos a 1998 e 1999 por entender estarem decaídos os períodos. Esta atitude levou à fiscalização, para os anos-calendários de 1998 e 1999, a cominar multa qualificada e agravada, com fulcro no artigo 44, inciso 11,da Lei n° 9.430, c/c o artigo 71, inciso I, da Lei nO4.502/64, e no artigo 44, S 2°, alínea 'b', da lei nO9.430/96, que trata da obrigatoriedade em apresentar a contabilidade em meio magnético para as empresas. A empresa impugnou o feito fiscal às fls. 941 a 979, rechaçando as conclusões que levaram à sua autuação, tecendo esclarecimentos quanto à divergência das datas de pagamentos e registros contábeis e apresentando documentação na intenção de comprovar a efetividade de transferência de recursos entre o sócio e a empresa (atualmente ex- sócio), a título de suprimento de caixa (Docs 06, 07 - fls. 1073 a 1265), entre outros tópicos. Formalizado em outros dois processos, a fiscalização autuou a contribuinte pela imposição de multas isoladas pelo não recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL calculadas sobre a exigência do tributo lançado ex officio. Às fls. 1272 a 1302, a Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG exarou o Acórdão n° 09-13.844/06, cujos trechos a seguir extraio: l) Imposto de Renda Pessoa Jurídica 001- Omissão de Receita. Empréstimos de Sócios sem Comprovação de Origem e Efetiva Entrega - Fatos Geradores autuados -31/12/2000 a 31/12/2004 Preliminar de decadência A exigência fiscal se refere a fatos geradores ocorridos em 31/12/2000, 31/12/2001, 31/12/2002, 31/12/2003 e 31/12/2004 e foi formalizada por meio do auto de infração cientificado pessoaliríénte â iiiteressadaem 27 de dezembro de 2005. Nesse contexto, dispensável se tornaria a discussão acerca de qual o dispositivo aplicável à contagem do prazo decadencial no presente caso (art. 150, ~ r ou 173, I do CTN) pois, ainda que se admitisse o menor limite para a atuação do fisco (cinco anos contados da ocorrência do fato gerador) o prazo decadencial se . estenderia até 31/12/2005, não atingindo o lançamento cientificado em 27 de dezembro de 2005. Processo n° 10650.001771/2005-36 Acórdão n.o 1801-00.101 {...} o registro de valores tidos como entregues à pessoa jurídica pelos sócios caracteriza suprimento de numerário, que' a empresa, quando devidamente intimada, deve fazer prova da efetiva entrada do dinheiro e de sua origem, pois sua não- comprovação, com base em documentação hábil e idônea, coincidente em data e valores, autoriza a tributação dos valores supridos como receitas omitidas da própria empresa. {...} Trata-se de presunção legal do tipo condicional ou relativa Ouris tantum) que, embora estabelecida em lei, não tem caráter absoluto, de verdade indiscutível, valendo enquanto prova em contrário do sujeito passivo não a desfizer. Essa presunção, na verdade, inverte o ônus da prova, deixando sob exclusiva responsabilidade da contribuinte autuada a produção de provas em contrário, no sentido de ilidir a acusação fiscal. Portanto, em se tratando de suprimentos de numerano, as provas a serem produzidas devem mostrar cumulativamente dois fatos basilares, quais sejam, a efetiva entrega e a origem dos respectivos recursos. Além disso, tais provas devem ser coincidentes em datas e valores com os dados lançados nos registros contábeis e lastreadas em documentos hábeis e idôneos. É imprescindível, assim, que as provas e argumentos carreados àos autos, no sentido de refutar o procedimento, se revistam de toda a força probante, capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o . lançamento. {. ..J A imposição dessas formalidades serve para que as transferências de recursos entre a sociedade e os sócios, legalmente admitidas, sejam devidamente comprovadas, de forma a evitar a dissimulação de operações ilícitas, no caso, a regularização de recursos escriturados mantidos à margem da tributação. {. ..J Esclareça-se que o Parecer Normativo CST n° 242/71 estabelece que a simples prova de capacidade financeira do supridor não basta para comprovação dos numerários entregues à pessoa jurídica e acresce ser necessária para tal a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com as importâncias supridas. Nesse sentido é farta a jurisprudência administrativa, nela destacando-se o voto proferido pelo Conselheiro Sylvio Rodrigues no Acórdão n° 101- J SI-TEOl FI. 3 5 / 72.972 do Primeiro Conselho de Contribuintes, cujo exerto se transcreve abaixo,por se aplicarperfeitamente ao caso: {...} .Conforme salientado as condições estabelecidas na legislação, relativamente à infração capitulada, são cumulativas, ou seja: têm que restar comprovada a origem e a efetividade da entrega dos recursos utilizados como suprimento de numerários. {...} Nas planilhas são analisadas. as origens indicadas como "transitórias decorrentes de operações em que o ex-sócio recebia em dinheiro por venda de gado, e aquela especifica de cada cheque" A impugnante lembra que "muitas vezes o ex- sócio recebeu o cheque de terceiros e repassou à empresa como empréstimo. Outraforma de recursosfoi o depósito em dinheiro. O ex-sócio, utilizando-se da origem momentânea, recebia os recursos em espécie e depositava na conta da autuada. Não há disposição na legislação que vede essaprática ". Por certo, a forma de escriturar suas operações é de livre escolha do contribuinte, dentro dos princípios técnicos ditados pela Contabilidade, conforme o PN CST n° 347/70; todavia, cabe à pessoa jurídica provar, com documentos hábeis. e idôneos, os registros de sua contabilidade, mormente a empresa sujeita à tributação com base no lucro real, à vista das disposições contidas no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), especialmente os arts. 251 e 264 do referido diploma, que tratam do dever de escriturar do contribuinte e sobre a conservação da documentação que apoiou ou compôs sua escrituração, ou seja, referente a atos ou operações que modifiquem oupossam vir a modificar sua situaçãopatrimonial. E, especificamente quanto aos suprimentos de caixa, as disposições contidas no art. 282 do RIR/1999, já citado, não deixam dúvidas quanto à necessidade de li pessoa jurídica comprovar a efetividade da entrega e a origem dos recursos que ingressaram no caixa,fornecidos por seus sócios. Assim, para as operações em queforam comprovadas as origens dos recursos, bem como a efetividade das entregas, os respectivos valoresforam excluídos da tributação. {...} Como origens dos recursos foram aceitas diversas operações decorrentes de vendas de gado efetuadas pelo ex-sócio Sílvio de Castro Cunha Júnior, em datas coincidentes e/ou próximas (anteriores) aos suprimentos efetuados; já vendas de gado posteriores às datas dos suprimentos nãoforam aceitas. Tamb~m não foram suficientes para o necessário convencimento das origens, algumas vendas de gado efetuadas em datas anteriores aos suprimentos por estarem desacompanhados de prova de que a quantia recebida permaneceu na conta bancária do ex-sócio até a data do empréstimo àpessoa jurídica. 6 Processo nO 10650.001771/2005-36 Acórdão n:o 1801-00.101 Quanto à efetividade da entrega, não foram aceitos como comprovados depósitos efetuados na conta da pessoa jurídica desacompanhados de cópias de cheques/extratos provando que a referida quantia saiu da conta do ex-sócio; situação inversa, qual seja, só apresentação de cópia de cheque do ex-sócio, desacompanhado do comprovante do depósito efetuado na conta da pessoa jurídica, também foi insuficiente à comprovação da entrega. {...} 11 - Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS (Auto de Infração de fls. 18/32). Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL (Auto de Infração de fls. 34/49). Programa de Integração Social- PIS (Auto de Infração de fls. 51/65). Preliminares: 1)Decadência As exigências fiscais são relativas a fatos geradores ocorridos no intervalo de 31/01/1998 a 31/12/2004 e foram formalizadas por meio dos autos de infração acima citados, cientificados pessoalmente à interessada em 27 de dezembro de 2005. {. ..J Nesse sentido, mutatis mutandis, também já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): "COFINS - DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins é de dez anos, contado a partir do 10 dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído." (Acórdão CSRF/02-01.66, sessão de 10/05/2004). Logo, não procede a preliminar de decadência suscitada. (. ..J 11) Cerceamento de Defesa A interessada alega o cerceamento de defesa tendo em vista que o termo de verificação fiscal faz menção a processo administrativo - MPF 10830.006735/2003-89 - em decorrência de fiscalização efetuada pela Delegacia de Campinas para justificar a omissão de receita, cujas cópias do MPF do referido processo não foram encontradas nos presentes autos. Conforme ensina James Marins, em Direito Processual Tributário Brasileiro, Editora Dialética, 2001, p. 252 "ocorrem no âmbito "administrativo-fiscal três momentos ontologicamente .distintos: 1. procedimento preparatório do ato de lançamento tributário; 2. ato de lançamento; e 3. processo de julgamento da lide fiscal". ) ó' SI-TEOl FI. 4 7 o procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública. Daí porque nessa etapa não há que se falar em contraditório ou ampla defesa, pois não há, ainda, qualquer espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública, mas tão-somente o exercício da faculdade da administração tributária em verificar o fiel cumprimento da legislação tributária por parte do sujeito passivo. {...} Saliente-se que, por estarem apensados os processos nOs10650.001772/2005- 81 e 10650.001773/2005-25, cujos objetos são as autuações por multa isolada na ausência das estimativas devidas a título de CSLL e IRPJ, respectivamente, no mesmo acórdão a turma julgadora apreciou as questões, restando assim decidido: 111)Multa Isolada -IRPJ (Auto de Infração fls. 07/12 do Volume I); Multa Isolada - CSLL (Auto de Infração fls. 07/15 do Volume 1) Tais autos de infração originalmente formalizados nos PAF números 10650.001773/2005-25 (IRPJ) e 10650.001772)2005- 81 (CSLL), foram apensados ao presente processo conforme os termos de juntadas de fls. 113 (IRPJ) e 132 (CSLL), nos termos da Portaria SRF n° 6129, de 02/12/2005. Preliminar de decadência No que se refere à decadência da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, não tem razão a defesa, na 'medida em que a multa isolada não se sujeita a lançamento por homologação, não sendo possível falar-se em pagamento antecipado em relação a procedimento exclusivamente de oficio. Deve ser observada a regra geral prevista no art. 173, L do CTN que prescreve: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-:-seapós 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; ........................................................................................................... Em se tratando de multa isolada (IRPJ e CSLL) por falta de recolhimento das estimativas devidas no ano-calendário de 2000, o lançamento, para os fatos geradores ocorridos até 30/11/2000, já poderia ter sido efetuado no próprio ano- . calendário de 2000, iniciando-se a contagem do prazo decadencial em 01/01/2001, e termo final em 31 de'dezembro de 2005. Portanto, em 27/12/2005, data da ciência do lançamento, ainda não havia expirado o prazo decadencial, estando regularmente efetivado o lançamento, no que tange a esse período-base. cP . 8 Processo nO 10650.001771/2005-36 Acórdão n.o 1801-00.101 Por outro lado, quanto às multas isoladas aplicadas no auto de infração da CSLL, por falta de recolhimento das estimátivas devidas nos anos-calendário de 1998 e 1999, o lançamento, para os fatos geradores ocorridos até 30 de novembro dos respectivos anos, já poderia ter sido efetuado nos próprios anos-calendário de 1998 e 1999, iniciando-se a contagem do prazo decadencial, respectivamente, em 01/01/1998 e 01/01/1999, porquanto já havia expirado o prazo decadencial quando efetivado o lançamento em 27/12/2005, para os fatos geradores ocorridos no intervalo de 31/01/1998 a 30/11/1999, Para o fato gerador relativo a 31/12/1999 não ocorreu o prazo decadencial tendo em vista que o lançamento só poderia ser efetuado no ano- calendário seguinte, iniciando-se a contagem do prazo decadencial em 01/01/2001, com termo final em 31/12/2005, portanto, esse período-base não foi atingido pela decadência. Cumpre frisar que apesar de haver sido autuado em processos separados, os lançamentos das multas isoladas do IRPJ e da CSLL são reflexos das exigências do IRPJ e da CSLL, objeto da apreciação neste acórdão. Nos termos da legislação em vigor, quando, na apuração dos fatos, for verificada a prática de infrações a dispositivos legais relativos a um imposto, que impliquem a exigência de outros impostos da mesma natureza ou de contribuições, e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, as exigências relativas ao mesmo sujeito passivo serão objeto de um só processo, contendo todas as notificações de lançamento e auto de infração. Considere-se, ainda, que dada à identidade das razões de defesa apresentadas - à exceção da preliminar de decadência, já acima examinada -, não cabe inovação em relação à matéria já apreciada no presente Acórdão, devendo ser adotadas integralmente as razões de decidir acima esposadas. Em conseqüência, é procedente o lançamento da multa isolada - IRPJ, tendo em vista que as omissões de receitas apuradas nos anos-calendário objeto de fiscalização (2000 a 2002), demonstradas no anexo do auto de infração (fls. 108 a .111), foram integralmente mantidas no julgamento do lançamento principal. Já quanto à multa isolada - CSLL, deve ser afastada a exigência relativa aos fatos geradores ocorridos no intervalo de 31/01/1998 a 30/11/1999, emface do instituto decadencial. Para o fato gerador ocorrido em 31/12/1999, procede em parte o lançamento, tendo em vista que foi excluída da tributação" o valor de R$ 12.366,00. Para os demaisfatos geradores lançados, ocorridos nos anos-calendário de 2000, 2001 e 2002, foram mantidas integralmente as omissões de receitas apuradas, logo procede o lançamento da multa isolada. Ressalto, no entanto, que o art. 18 da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, deu nova redação ao art. 44 da LeiJr SI-TEOl FI. 5 9 9.430/1996, reduzindo o percentual da multa isolada de 75% \ para 50%, in verbis: "Art. 44. Nos casos' de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: , 1- de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; 1I- de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: b )na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Assim, por força do art. 18 da Medida Provisória nO303/2006, bem como da retroatividade benigna estabelecida no art. 106 do CTN, não pode subsistir a multa de oficio isolada do IRPJ e da CSLL aplicada no percentual de 75%, sendo cabível a penalidade no percentual de 50% (cinqüenta por cento). em síntese: em síntese: Das preliminares A empresa interpôs o Reéurso Voluntário de fls. 1321 a 1362, argumentando, A empresa interpôs o Recurso Voluntário de fls. 1321 a 1362, argumentando, 1. não foi interposto o recurso de oficio devido; 1.1. defende a decadência da exigência do IRPJ para o ano-calendário de 2000, tendo em vista tratar-se de tributo da modalidade do auto-lançamento, aplicando-se as regras do artigo 150, 94° do Código Tributário Nacional - CTN; acusa aincia de decadente os lançamentos das contribuições federais, adotado o prazo de dez anos 'para a constituição do referido crédito tributário, cujo preceito - artigo 45 da Lei nO 8.212/91 já foi reiteradamente declarado inconstitucional pelo Superior Tribunal de Justiça; 1.2. nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa tendo em vista que a autoridade lançadora faz menção a outro processo fiscal do qual teria colhido elementos para caracterizar a omissão de receitas impingida contra a si, mas não junta ao presente. processo qualquer prova da existência do referido processo ou as exibe à contribuinte para que dos documentos possa exercer a sua defesa; 1.3. o lançamento de IRPJ padece de nulidade porque não foram observadas as disposições do artigo 41 da Lei nO8.981/95, ou seja, computadas na base de cálculo tributável as contribuições sociais lançada de oficio sobre o mesmo período; Do Mérito J 10 Processo n° 10650.001771/2005-36 Acórdão n.o 1801-00.101 SI-TEOl FI. 6 2. a recorrente comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos fornecidos pelo ex-sócio sr. Silivio, bem como o efetivo ingresso nas contas da empresa \ autuada; . 2.1. existem três tipos de origem no caso em exame: a) disponibilidade na declaração do ex- sócio; b) transitórias decorrentes de operações em que o ex-sócio recebia em dinheiro por venda do gado; c) vendas realizadas pelo ex-sócio mediante cheques recebidos de terceiros e repassados à empresa, por empréstimo; 2.2. os comprovantes de transferências de recursos e/ou os registros contábeis comprovam a efetividade das operações; 2.3. a juntada de cópias dos cheques nominais depositados em favor da pessoa jurídica, não consideradas, impõe a reforma do acórdão vergastado; 2.4. demonstrada a origem e a efetividade da entrega de recursos, a não coincidência de datas e valores não é suficiente para manter a autuação, tendo em vista que as empresas comumente têm um fundo fixo de caixa e que os cheques emitidos só são descontados posteriormente após as despesas terem sido efetivamente realizadas, supridas por esse fundo de caixa; 2.5. no acórdão vergastado fundamentou-se a não aceitação das provas trazidas pela recorrente porque alguns períodos não houve comprovação da origem dos recursos sendo insuficientes os valores representados pelas notas fiscais emitidas pelo ex-sócio; a soma das notas fiscais dentro de um mesmo período mostra recurso suficiente para os aportes; 3. as contribuições sociais reflexivas, por conseguinte, não podem ser exigidas; 4. .o arbitramento fiscal com fulcro no artigo 282 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99 não pode prevalecer, uma vez a origem dos recursos e a efetiva entrega à empresa, pelo ex-sócio, estão fartamente comprovadas; 4.1. todos os ingressos foram contabilizados o que faz prova a favor do contribuinte, p~lo que o arbitramento não pode prosperar; 4.2. cita jurisprudência administrativa que corrobora o seu entendimento; 5.. a aplicação da taxa Selic para a cominação dos juros padece de ilegalidade; 6. no que concerne às autuações formalizadas nos processos apensos, apenas refere-se ao fato de que foram lavrados contra si os Autos de Infração de Multas Isoladas do IRPJ e da CSLL e que estes foram julgados em concomitância com os Autos de Infração de IRPJ, PIS, Cofins e CSLL, mas não se insurge especificamente contra a exação da penalidade imposta, contestando o lançamento dos tributos federais e os seus fundamentos. É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto J 11 Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES. Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. Em princípio, cabe esclarecer à recorrente que o valor exonerado no acórdão de primeira instância não obriga à interposição do recurso de oficio, nos termos do artigo 34 do Decreto n° 70.235/72 - PAF, c/c a Portaria MF nO375/01, então vigente, que fixou o valor de alçada pelo crédito tributário, composto por tributo e multa, em R$500.000,00 (atualmente vigora o valor fixado na Portaria MF nO03/08 de R$I.000.000,00). Nestas considerações iniciais importante também ressaltar a matéria tributável já mantida e exonerada pela decisão a quo, no intuito de delimitar a lide, a saber: IRPJ - anos-calendários de 2000 a 2004 : infração 001- omissão de receitas pelo suprimento de caixa com empréstimos de sócio sem comprovação de origem e/ou efetiva entrega: manteve integralmente, com multa de oficio de 75%; CSLL, PIS e Cofins - tributação reflexiva, no mesmo período (2000 a 2004) - mantido parcialmente, com redução da multa de oficio agravada, de 112,50% para 75%; CSLL, PIS e Cofins- tributação reflexiva nos anos-calendários de 1998 e 1999 - mantido parcialmente, com redução da multa de oficio qualificada e agravada, de 225,00% para 75%; MULTAS ISOLADAS IRPJ e CSLL - tributação reflexiva, mantida parcialmente, com a alteração da multa aplicada em 75% para 50%, por força do princípio da retroatividade benigna. A - Das Preliminares I) Da decadência do IRPJ exigido em relação ao ano-calendário de 2000 Em nada diverge o entendimento desse colegiado no que refere-se à tese defendida pela recorrente de que o IRPJ é tributo classificado na modalidade de lançamento por homologação (ou auto lançamento), a partir do ano-calendário de 1992, regido, pois, pelo artigo 150 do CTN, exceto quando configurada a ocorrência de fraude (stricto sensu), sonegação ou conluio. No presente caso, a autoridade autuante não cominou a multa qualificada para os anos-calendários objetos da exigência de IRPJ, pelo que não se desloca o prazo decadencial para o artigo 173 do CTN. Todavia, o regime de apuração escolhido pela empresa autuada, no ano em questão, 'foi o regime de tributação pela apuração do_lucro real, anual (DIPJ/Ol - fls. 644 a 685). Não foi trimestral quando os impostos são recolhidos, em definitivo, nestes períodos (trimestrais) e, aí sim, decairia o direito da Fazenda em exigi-los, a cada fim do trimestre, período de apuração. Na jurisprudência administrativa e judicial já está pacificado o entendimento de que os recolhimentos das estimativas mensais não são pagamentos dos tributos exigidos, mas mera antecipações destes, submetidos ao ajuste anual, quando encerra-se o período, em 31/12 de cada ano. É cediço que o fato gerador do IRPJ é de natureza complexivo, só se consumando no último dia do ano-calendário, quando finda o exercício financeiro. \ Processo n° 10650.001771/2005-36 Acórdão n.o 1801-00.101 SI-TEOl FI. 7 Desta forma, tendo tomado a devida e regular cIencia do lançamento tributário de IRPJ em 27/12/2005, sobre fato gerador ocorrido em 31/12/2000, não operou a decadência, pois a autuação ocorreu dentro do prazo qüinqüenal. Afasto, portanto, a preliminar de decadência suscitada pela recorrente no que tange ao IRPJ exigido ex officio. Para enriquecer esse voto, cito a ementa do Acórdão n° 103-22.026/05 do Primeiro Conselho de Contribuintes, que espelha o entendimento pacificado, reitero, deste órgão colegiado: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. PRAZO INICIAL DE CONTAGEM APURAÇÃO EM HIPÓTESE DE LUCRO REAL ANUAL. ESTIMATIVAS PAGAS NO CURSO DO PERÍODO BASE. A partir da vigência da Lei 8383/91, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador. Quando a empresa opta pelo Lucro Real anual, a estimativa é mera antecipação e o fato gerador coincide com o último dia do ano-calendário. lI. Da decadência das contribuições sociais lI. a) Exigidas em relação aos anos-calendários de 1998 e 1999 No que respeita às exigências das contribuições SOCIaIS, cujo período ultrapassou o qüinqüênio estipulado no Código Tributário Nacional - CTN, foi editada a Súmula Vinculante nO08 pelo Supremo Tribunal Federal. A Corte Suprema em 12 de junho de 2008, declarou, por intermédio da referida SÚIl?-ulaVinculante, que: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto- lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. . Por este ato, encerrou discussão sobre qual o prazo decadencial a que se sujeitam as contribuições para a Seguridade Social, sendo aplicável, para este efeito, as disposições contidas na Lei nO5.172/66, Código Tributário Nacional - CTN, reconhecida com o status de Lei Complementar, conforme a Carta Magna exige para que se verse sobre normas gerais sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários (artigo 146, lII, b, da Constituição Federal). Por conseguinte, a contribuinte deve ser exonerada das exigências lançadas ex officio relativas às contribuições federais, CSLL, PIS e Cofins, correspondentes aos anos- calendários de 1998 e 1999, de pronto. lI. b) Exigidas em relação aos anos-calendários de 2000 a 2004 No ano-calendário de 2000: Com exceção à eXIgencia da CSLL, cuja apuração respeita o regime de tributação anual, coincidente com o.IRPJ, as exigências de PIS e d13 Cofins respeitam o critério mensal de apuração para o recolhimento das referidas contribuições. Portanto, por força da Súmula Vinculante retro mencionada que retirou a eficácia jurídica do dispositivo legal que estipulava o prazo decendial para ocorrência da decadência, as exigências do PIS e da Cofins relativas aos meses do ano de 2000, a saber, janeiro, março, abril, maio, junho, julho e setembro, devem ser canceladas. Repito, nada há, no que respeita a decadência suscitada pela recorrente, a reformular no referente à CSLL exigida, pois o fato gerador da obrigação' se consuma somente em 31/12/00, pelas mesmas razões expostas quanto ao IRPJ, no item I acima. IH.Nulidade da autuação por desconhecimento de documentos citados Não acolho a nulidade suscitada pela recorrente pelos motivos que passo a expor. A infração detectada pela autoridade lançadora ergueu-se sobre outros elementos determinantes, como a escrituração contábil de valores quitando despesas da empresa, sem a respectiva documentação comprobatória, ou seja, págamentos vinculados a cheques que somente foram sacados em datas posteriores às autenticaçõesmecânicas. o documento a que se referiu a autoridade lançadora, no caso cheque emitido por terceiro, caracterizado como interposta' pessoa da empresa na representação fiscal n° 10830.006735/2003-89, não foi, em primeiro lugar, fator determinante para caracterizar a infração tributária. o referido fato está entre outros diversos documentosjuntados ao processo às fls. 345 a 412. Em segundo lugar, a representação fiscal é processo de interesse do Estado, no caso a própria fiscalização, pois trata de comunicar um ilícito (tributário, administrativo ou penal) à autoridade superior hierárquica. Portanto, nada há de ofensa a qualquer princípio constitucional ou legal não se dar conhecimento à parte representada na correspondente Representação, pois apenas noticia fatos a quem de direito para a tomada das devidas providências - se é que serão tomadas. Às vezes, até requer-se o caráter sigiloso do trâmite da representação, principalmente a penal, para que as autoridades investigatórias possam melhor averiguar os fatos. A partir do momento em que algum dos elementos que serviram para subsidiar a Representação servirá de prova daquilo que foi representado e abrir-se o pertinente processo (administrativo ou judicial) contra o representado, aí sim deve-se começar a observar, rigorosamente, os princípios constitucionais processuais, precipuamente o do contraditório e do ampla defesa. E foi eX;ltámenteisso que ocorre no presente processo fiscal. Ao vincular a infração tributária ao fato de que uma das despesas da empresa foi efetivamente quitada com cheque de terceiro, o autor do lançamento fiscal juntou a prova às fls. 409 e 410, dando pleno conhecimento do fato, em si, à autuada e possibilitando que esta exerça todo o seu direito constitucional de contestá-lo, em sede do litígio, onde se aplica a proteção constitucional. Aliás, o que não faz. Sequer há nos autos uma palavra que justifique o porquê da despesa com tributos da empresa tenha sido quitada com cheque do sr. Claudenir Ananiasde Oliveira. 14 Processo nO 10650.001771/2005-36 Acórdão n.o 1801-00.101 SI-TEOl FI. 8 Ademais, interessante a alegação da recorrente de que não faz idéia sobre o que se passa, quando despesas suas são quitadas com cheques de terceiros, pessoas fisicas, e na contabilidade registra-se o pagamento com cheque próprio, compensado em data futura. Mas, ainda que, por hipótese, a autoridade lançadora não houvesse exibido a prova do indício que corroborou a constatação do ilícito (como fez), não veria qualquer nulidade neste aspecto por ser fato. conhecido da empresa, sem sombra de dúvidas. Mas toda essa digressão sobre a nulidade, ora afastada, perde o sentido finalísticoem vista da decadência declarada sobre os anos-calendários de 1998 e 1999, cuja infração detectada ora discutida era concernente a esses anos. IV. Nulidade do lançamento tributário por não ter sido descontada da base de cálculo do IRPJ as éontribuições lançadas ex officio no mesmo período Dispõe o artigo 344 e seu 96° do RIRJ99: Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei n28.981, de 1995, art. 41) {. ..J 9 62 A partir de J2 de janeiro de 1997, o valor da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real (Lei n29.316, de 1996, art. 12). Por conseguinte, a CSLL não pode estar nessa discussão, por expressa vedação legal. No que respeita às importâncias tributadas a título de PIS e Cofins, para os meses lançados nos anos-calendários de 2001, 2002, 2003 e 2004, constata-~e que a autoridade fiscal observou as disposições inseridas no artigo 24, S 2°, da Lei nO9.430/96: Art. 24. Verificada a omissão de receita. a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. {...} 9 2° O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social - COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP. Observo que não houve, por parte do legislador, a determinação que se expurgasse do valor do tributo principal aqueles valores exigidos a título de Pis e Cofins, os quais decorrem da mesma base de cálculo, no caso, omissão de receitas detectada ex officio. 15 E, o artigo 41, S 1°, também da Lei nO8.981/95, reproduzido no S 1° do artigo 344 do RIR/99 é explícito quando estabelece que as exclusões dos tributos federais perInitidas em lei quando a matéria é objeto de lide não devam ser computadas: Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei nE 8.981, de 1995, art. 41). ~ 1E O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos 11a IV do art. 151 da Lei nE 5.172, de 1966, haja ou não depósito judicial (Lei nE 8.981, de 1995, art. 41, ~ 1!!j. Apenas para recordar, o inciso 111do artigo 151 do CTN assim dispõe: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: {...} 111 - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Destarte, não vejo nulidade no procedimento de autuação quando a autoridade lançadora observou opreceitº legal correspondente aos valores detectados como omissão de recyitas, não lhe cabendo adotar procedimento diverso ou além do exposto na norma. Na verdade, a atividade do lançamento tributário é vinculada e obrigatória, nos termos do conhecido parágrafo único do artigo 142.do CTN, sob pena de responsabilidade funcional. E não encontro previsão legal para, no ato do lançamento de oficio, a autoridade ter essa liberdade de excluir as parcelas de PIS e Cofins oriundas da omissão de receitas que ensej am. a tributação do IRPJ. Mas, tão pouco encontro justificativa para, em esfera recursal, determinar que sejam tais valores abatidos da base de cálculo com recálculo das exigências a título de IRPJ .. Mais, encontro é vedação expressa 16gal para "ajustar" a base de cálculo em esfera recursal por força do artigo 41, S 1°, da Lei nO8.981/~5, c/c o artigo 151, inciso lI, do CTN. Na esteira do raciocínio, as deduções com os tributos permitidos no RIR, no caso, PIS e Cofins, respeitado o regime de competência, no ajuste do lucro líquido, não são permitidas na apuração do IRPJ, ex officio, no caso, por caracterizada a omissão de receitas. Aprofundo ainda o exame da matéria, tentando fazer incursão na mens legis, para afastar a dúvida sobre possível lacuna, ressaltando que o tributo lançado de oficio (impostos e contribuiç~es) go~am da presunção de legitimidade, sem dúvida, todavia, essa presunção é juris tantum e súscetívelde tomar-se litigiosa. Somente discorrido o prazo para apresentar a impugnação é que a exigência está legitimada, quando não contestada. Desta forma, havendo o litígio - o que só vai se verificar em futuro (evento incerto) - e em se tratando de exigências intrinsecamente vinculadas, sendo que existe a real hipótese de ser alterado o lançamento somente em parte, resta vedada a dedução permitida em lei para os casos do contribuinte efetuar os cálculo de apuração do IRPJ espontaneamente. 16 Processo nO 10650.001771/2005"36 Acórdão n.o 1801"00.101 SI"TEOl Fl.9 Exemplificativamente, cito a hipótese das contribuições reflexas, do Pis e da Cofins, exigidas, de forma indevida, trimestralmente. As exigências serão ilididas, mas o tributo principal restará e dependendo do curso do processo e o tempo de julgamento não poderá ser agravado para excluir-se as deduções que tornaram-se então indevidas, por não haverem sido legitimadas. E o crédito tributário lançado de oficio, desde a sua constituição até o pagamento ou impugnação tem a sua exigibilidade suspensa, tanto que é possível ao contribuinte obter certidão positiva com efeito de negativa. Assim, também compreende-se melhor a intenção dos artigos 41, S10, da Lei nO8.981/95 c/c 24, S2° da Lei n° 9.430/96. Ademais, essa matéria não foi trazida na impugnação interposta pela contribuinte, sendo insuscetível de ser apreciada por este órgão colegiado de segunda instância, consoante dispõe o artigo 17 do Decreto nO70.235/72 - PAP. Enriqueço esse voto com a ementa do Acórdão nO CSRF / 01-03.351/01, prol~tado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: MATÉRIA PRECLUSA - O julgamento administrativo inicia-se com o exame do lançamento sobre o qual pode falar o julgador independentemente de argumentação por parte do sujeito passivo. Admitida a legalidade do ato, questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, constituem matérias preclusas das quais não pode o Conselho tomar conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. O não enfrentamento da matéria na inicial implica em concordância tácita do contribuinte com a tributação do valor omitido, sendo "extra petita" a decisão que afasta a exigência. Recurso de oficioprovido. (grifos nãopertencem ao original) B-Do Mérito V) Dos empréstimos efetuados pelo ex- sócio Silvio Castro Cunha para a empresa autuada e do suprimento de caixa A discussão que se encerra no mérito centraliza-se nos empréstimos registrados na contabilidade da autuadafadvindos da pessoa do ex-sócio Silvio Castro Cunha Jr, não admitidos pela fiscalização em vista da ausência de provas da efetiva transferência de uma parte para a outra e da ausência de recursos, haja vista que a infração discriminada como pagamentos efetuados com recursos estranhos à empresa foi concernente apenas aos anos- calendários de 1998 e 1999. A planilha de fls. 74 deste processo demonstra analiticamente cada ingresso de numerário que ensejou a tributação erguida com fulcro no artigo 282 do RIR/99 _ registros contábeis às fls. 464 a 528: 17 .Suprimentos de Caixa Art. 282. Provada a omlssao de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 12, S 32, e Decreto-Lei n21.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 12, inciso lI). Primeiramente, cumpre esclarecer que o mero registro contábil não faz prova a favor da contribuinte, conforme argumenta a recorrente. Os registros contábeis fazem prova em prol aos contribuintes desde que possuam a documentação correlata para os corroborar. A contabilidade da empresa para se mostrar fidedigna deve espelhar exatamente as suas diversas operações negociais e financeiras, sob pena de ser auditada e confrontada com a verdade material dos fatos que não reflete. Pode -se dizer que é a alma da empresa. Desta forma, na presente questão, a recorrente deve provar que efetivamente os recursos que adentraram na empresa para arcar com suas despesas e custos tem origem diversa do que poderia ser o seu caixa-dois. Por isso a legislação tributária é rigorosa na identificação da origem dos recursos e sua efetiva transferência comprovada por documentos idôneos e fidedignos, como aqueles que registram as transferências bancárias, sob pena da presunção de omissão de receitas. No acórdão combatido foi analisado cada ingresso no caixa da empresa, objeto de autuação, em face aos documentos acostados aos autos, não sendo a grande maioria aceita pelas autoridades julgadoras, consoante planilhas de fls. 1296, 1297, 1298 e 1299, para os anos-calendários de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004, respectivamente. Em seu recurso a empresa reafirma que a documentação é suficiente para demonstrar cabalmente que o ex-sócio possuía recursos suficientes (e de origem diversa) para suprir o caixa da empresa mediante empréstimos e que comprovou as transferências efetivas. Resta, então, analisar cada situação e avaliar ambos os lados em face à documentação colacionada aos autos. Temos, em síntese: ANO-CALENDÁRIO DE 2000 Data Suprimento Valor-R$ Ac. Recorrido Recorrente 05/01/00 30.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela copIa do do efetivo depósito na empresa cheque nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 10/01/00 50.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do • do efetivo depósito na empresa cheque nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 11/01/00 10.000,00 Depósito efetuado na conta da Depósito realizado em espécie, o ex-sócio empresa; ex-sócio não comprova que o apresenta notas fiscais de venda, dinheiro saiu de sua conta comprovando recursos 18 Processo nO 10650.001771/2005-36 Acórdão n.o 1801-00.101 SI-TEOl FI. 10 01/03/00 40.000,00 Comprovada a entrada, mas não Notas fiscais de venda do ex-sócio comprovada a origem de recursos 15/03/00 55.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela . docopIa .do efetivo depósito na empresa cheque nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 03/04/00 25.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso . pela cópia do do efetivo depósito na empresa cheque nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 06/04/00 20.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do do efetivo depósito na empresa cheque nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 18/05/00 40.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do do efetivo depósito na empresa cheque nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 29/05/00. 32.500,00 Cópia de cheque sem comprovação C6mprovado ingresso pela cópia do do efetivo depósito na empresa cheque nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 30/05/00 35.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do do efetivo depósito na empresa cheque nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 30/06/00 50.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do do efetivo depósito na empresa cheque nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 26/07/00 40.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do do efetivo depósito na empresa cheque nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 20/09/00 62.000,00 Cópia de cheques de terceiros sem --- comprovação de depósito na empresa, no valor total de R$90.000,00 20/09/00 28.000,00 Idem ao item acima. --- Total de aporte ....R$517.500,OO ANO-CALENDÁRIO DE 2001 Data Suprimento Valor-R$ Ac. Recorrido Recorrente 10/01/01 50.000,00 Depósito efetuado na conta da Depósito realizado em espécie, o ex-sócio empresa; ex-sócio não comprova que apresenta notas fiscais de venda, o dinheiro saiu de sua conta comprovando recursos 12/01/01 15.000,00 Depósito efetuado na conta da Depósito realizado em espécie, o ex-sócio empresa; ex-sócio não comprova que apresenta notas fiscais de venda, o dinheiro saiu de sua conta comprovando recursos 11/06/01 41.659,55 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do cheque do efetivo depósito na empresa nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 10/10/01 47.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do cheque do efetivo depósito na empresa nominal à empresa eos recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio Total de aporte ....R$153.659,55 ANO-CALENDÁRIO DE 2002. 19 Data Suprimento Valor-R$ Ac. Recorrido Recorrente 01/04/02 30.168,50 Depósito efetuado na conta da Depósito realizado em espécie, o ex-sócio empresa; ex-sócio não comprova que apresenta notas fiscais de venda, o dinheiro saiu de sua conta comprovando recursos 11/04/02 25.000,00 Cópia de cheque em favor do próprio Comprovado ingresso pela cópia do cheque emitente, sr. Silvio, sem comprovação e os recursos por notas fiscais de venda do do efetivo depósito na empresa ex-sócio 15/04/02 30.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do cheque do efetivo depósito na empresa nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 28/04/02 37.409,87 Cópia de cheque emitido por terceiro Comprovado ingresso pela cópia do chêque em favor do sr. Silvio, sem recebido pelo ex-sócio e repassado direto à comprovação do depósito na empresa empresal recursos pelas vendas do ex-sócio Total de aporte ....R$122.578,OO ANO-CALENDÁRIO DE 2003 Data Suprimento Valor-R$ Ac. Recorrido Recorrente 22/01/03 50.000,00 Não comprovado Origem comprovada pelas notas de vendas do ex-sócio 30/07/03 32.000,00 Cópia de cheque sem comprovàção Comprovado ingresso pela cópia do cheque do efetivo depósito na empresa' nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 31/07/03 10.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do cheque do efetivo depósito na empresa nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 01/08/03 9.073,29 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do cheque do efetivo depósito na empresa nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 04/08/03 50.000,00 Depósito efetuado na conta da Depósito realizado em espécie, o ex-sócio empresa;. ex -sócio não comprova que apresenta notas fiscais de venda, o dinheiro saiu de sua conta comprovando recursos 05/08/03 50.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do cheque do efetivo depósito na empresa nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 18/08/03 40.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do cheque do efetivo depósito na empresa nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 26/09/03 50.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do cheque do efetivo depósito na empresa nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio Total de aporte ....R$291.073,29 ANO-CALENDÁRIO DE 2004 Data Suprimento Valor-R$ Ac. Recorrido Recorrente 29/01/04 20.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do cheque do efetivo depósito na empresa nominal à empresa e os recursos por notas ; fiscais de venda do ex-sócio 20 Processo nO 10650.001771/2005-36 Acórdão n.o 1801-00.101 SI-TEOl Fl.11 L _ Da análise dos documentos citados nos demonstrativos acima, juntados às fls. 1143 a 1193, e das cópias das declarações de rendimentos da pessoa fisica em tela, sr. Silvio de Castro Cunha Júnior, cumpre destacar algumas considerações relevantes. São pedaços que juntos formarão a convicção dos julgadores. As citadas Notas de Vendas referem-se a vendas de bois (gado) ou cana de açúcar sendo o sI. Silvio produtor rural. Todas as cópias de cheques não são documentos microfilmados pelos bancos; nem consta qualquer registro em seu bojo ou verso de haverem sido compensados. Certamente, a meu ver, essa ausência de cautela da recorrente em buscar provas que i1idam a presunção tributária de omissão de receitas contra si imposta, diminui em muito a força probatória de cheques copiados que sequer podem ter sido efetivamente compensados. São meros indícios de que foram emitidos pelo sI. Silvio, em favor da empresa POLYVIN, mas, de fato, conforme salientado pelo acórdão vergastado, nada traz a recorrente que comprove o ingresso de tais numerários efetivamente nas contas da empresa. E são documentos seus, aos quais as instituições bancárias não negariam o fornecimento das cópias microfilmadas, nem os extratos bancários pertinentes que demonstrem a efetiva entrada na conta corrente em valores e datas coincidentes. Por outro lado, quando apresenta comprovantes de depósitos efetivamente realizados na conta da empresa, não há identi!i~aç_ão nes!es ~a o!igem dos recursos, como advindos das contas do ex-sócio. Nem cópia de cheque emitido naquela data, nem identificação no próprio depósito, o que não descarta serem recursos vindos de contas bancárias da empresa à margem da escrituração, portanto, de igual forma, suprimentos de caixa sem origem comprovada, do caixa-dois da empresa. A exemplo, cite-se o depósito de fls. 1180, de 22/01/03, assinalado como ingressado na empresa R$50.000,00. Ora, o depósito é na verdade de R$100.000,00, "em cheque". Cadê esse cheque, ou cheques? E a Nota, às fls. 1179, com que a recorrente pretende comprovar o recurso foi emitida em 22 de abril de 2003, portanto meses após a emissão do tal cheque .. Outro exemplo em desfavor das alegações da recorrente é a cópia do cheque de fls. 1146, emitido como em 01/03/00 para a POLYVIN, acompanhado da cópia de um depósito de igual valor nesta data, na POLYVIN, ambos no valor de R$ 40.000,00. Todavia, neste mês o ex-sócio não tinha recursos financeiros, demonstrados pelas notas fiscais juntadas ao processo, que só foram emitidas a partir de abril de 2000. Nas DIRPF do ex-sócio também não encontro a segurança do respaldo das alegações trazidas. Para o mês de março, o contribuinte pessoa fisica informou haver recebido a título de receita agropecuária o valor de R$ 3.125,00. J 21 Aliás, no primeiro trimestre de 2000, informa que recebeu o valor total de R$ 207.445,00, mas teve despesas de custeio e investimentos no valor de R$ 70.525,82, o que resulta numa 'sobra' de R$ 136.919,18. Ocorre que, todavia, os aportes financeiros na empresa ditos como advindos da atividade rural do ex-sócio somam, para o primeiro trimestre o valor de R$ 185.000,00, ou seja, suplantam as receitas deduzidas das despesas, e isso sem computarmos mais qualquer gasto, de natureza pessoal e familiar, do sr. Silvio. Outro exemplo, os cheques de Bruno José Carvalho de 20 de setembro de 2003, nos valores de R$35.000,00 e R$55.000,00, pelo histórico da declaração de bens do sr. Silvio advieram da venda de um imóvel residencial, mas servem, parcialmente, de origem para "-aquisição de outro imóvel residep.cial, no mesmo mês de setembro, erroneamente declarado (ambas as colunas estão preenchidas, quando somente a respectiva ao ano de 2000 deveria estar). A variação patrimonial do contribuinte praticamente está a descoberto na declaração de imposto de renda (a verificar-se a dívida contraída para aquisição do novo imóvel residencial). Mas; independentemente das suposições acima, nota-se que os aportes financeiros na empresa para o ano-calendário de 2000 praticamente consumiram o resultado agrícola estampado na DIRPF respectiva, o que faz, somado aos fatores acima descritos, colocar em dúvida as argumentações da recorrente. Por fim, verifica-se que no histórico da declaração de bens do contribuinte, o saldo da dívida com a empresa diminuiu, inclusive, remontando a pequena quantia de R$ 41.106,51, quando vemos que remontou R$ 517.500,00 durante o ano-calendário. E na DIPJ correspondente não há menção de qualquer valor devido à sócio/acionista da empresa. Aliás, em nenhuma das DIPJ o Passivo acusa empréstimos de sócios à empresa. Na DIRPF/02 também verifica-se que, praticamente, o rendimento líquido auferido pelo contribuinte em termos anuais, foi da ordem de R$47.074,37. Esse valor deve ser considerado para as despesas pessoais e familiares também, como então pode essa pessoa fisica emprestar para a empresa POLYVIN mais de R$150.000,00? No final do ano, consta na DIRPF que restou somente o valor de R$ 1.055,30 de crédito da empresa para co~ a pessoa fisica. A DIRPF/03, então, não traz qualquer rendimento para seu titular. Nesse ano em praticamente todos os meses houve prejuízo na atividade rural, o que levou a um prejuízo anual e à necessidade do contribuinte solicitar empréstimos à Agroexport Ltda e à parente sua. Por conseguinte, não há recursos para empréstimos à POLYVIN, que suplantaram R$ 120.000,00. Assim, grosseiramente analisando, as DIRPF de Silvio de Castro Cunha Jr juntadas aos autos, mais fazem prova contra as alegações da recorrente do que a favor, à primeira vista, e para servirem de respaldos para corroborar o que alega deveriam ser minuciosamente analisadas, o vir subsidiadas de maiores esclarecimentos e documentação o que não cabe no presente feito. Passo a verificar, passo a passo, cada ingresso de recurso, assim como fez-se no acórdão proferido e ora debatido: 22 Processo nO 10650.001771/2005-36 Acórdão n.o 1801-00.101 Sl-TE01 FI. 12 Data Suprimento Valor-R$ Voto 05/01/00 30.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não foram juntadas Notas Fiscais de Vendas de produção rural anteriores a abril de 2000; sem recursos. 10/01/00 50.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não foram juntadas Notas Fiscais de Vendas de produção rural anteriores a abril de 2000; sem recursos. 11/01/00 10.000,00 O depósito não traz identificação do depositante; não foi comprovado que o recurso saiu do ex-sócio; as Notas Fiscais foram emitidas a partir de abril de 2000. 01/03/00 40.000,00 O depósito não traz identificação do depositante; não foi comprovado que o recurso saiu do ex-sócio; as Notas Fiscais foram emitidas a partir de abril de 2000. 15/03/00 55.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não foram juntadas Notas Fiscais de Vendas de produção rural anteriores a abril de 2000; sem recursos. 03/04/00 25.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não foram juntadas Notas Fiscais de Vendas de produção rural anteriores a 17 de abril de 2000; sem recursos. 06/04/00 20.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não foram juntadas Notas Fiscais de Vendas de produção rural anteriores a 17 de abril de 2000; sem recursos. 18/05/00 40.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 29/05/00 32.500,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 30/05/00 35.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 30/06/00 50.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 26/07/00 40.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 20/09/00 62.000,00 Esse cheque não tem vinculação com a empresa, nem com a atividade rural do ex-sócio; provém de venda de imóvel, utilizado para a compra de outro, conforme DIRPF do ex-sócio. 20/09/00 28.000,00 Esse cheque não tem vinculação com a empresa, nem com a atividade rural do ex-sócio; provém de venda de imóvel, utilizado para a compra de outro, co~orme DIRPF do ex-sócio. 10/01/01 50.000,00 O depósito não traz identificação' do -depositante; não foi comprovado que o recurso saiu do ex-sócio; a Nota Fiscal apresentada foi emitida em dezembro de 2000, nada vinculando o recurso ao depósito. 12/01/01 15.000,00 O depósito não traz identificação do depositante; não foi comprovado que o recurso saiu do ex-sócio; a Nota Fiscal apresentada foi emitida em dezembro de 2000, nada vinculando o recurso ao depósito. 11/06/01 41.659,55 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 23 10/10/01 47.000,90 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 02/01/02 30.168,50 O depósito não traz identificação do depositante; não foi comprovado que o recurso saiu do ex-sócio; a Notas Fiscal apresentada foi emitida em fevereiro de 2002; sem recursos. 11/04/02 25.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 15/04/02 30.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 28/06/02 37.409,87 Cópia de cheque emitido pela Agroexport nominal para Silvio de Castro Cunha Júnior; comprovante de depósito efetuado na mesma data e no mesmo valor para POLYVIN. 22/01/03 50.000,00 O depósito é de R$100.000,00 e não traz a identificação do depositante; não foi comprovado que o recurso saiu do ex-sócio; a Nota Fiscal apresentada para comprovação de recurso foi emitida em abril de 2003. 30/07/03 32.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 31/07/03 10.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empre$a POL YVIN. 01/08/03 9.073,29 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 04/08/03 50.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POL YVIN; depósito sem identificação. 05/08/03 50.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POL YVIN. 18/08/03 40.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POL YVIN. 26/09/03 50.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 29/01/04 20.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. Por todo o exposto, mantenho o lançamento tributário nos moldes efetuados, com fulcro no artigo 282 do RIR/99, para a exigência de IRPJ, PIS e Cofins, realizado por suprimento de caixa cujas transferências e origens de recursos não restaram suficientemente comprovados como advindos das atividades rurais do ex-sócio sr. Silvio de Castro Cunha Júnior, para os anos-calendários de 2000 a 2004. C - MULTAS ISOLADAS - Estimativas IRPJ e CSLL (processos em apenso) Considerando que resta mantida a exigência de IRPJ e CSLL no período acima assinalado (2000 a 2004), também devem ser mantidas as autuações para exigência das multas isoladas pelo não recolhimento das estimativas, IRPJ e CSLL, decorrentes da omissão de receita, negando-se provimento ao recurso interposto, por decorrência. D - JUROS À TAXA SELIC 24 Processo nO 10650.001771/2005-36 Acórdão n.o 1801-00.101 SI-TEOl Fl.13 Por derradeiro, no que respeita à cominação dos juros calculados à taxa Selic sobre os tributos federais exigidos, afasto da apreciação por ser matéria veiculada em norma tributária vigente, não declarada inconstitucional pelo Poder Judiciário, a saber, artigo 61, S 3°, da Lei nO9.430/96. Invoco as súmulas editadas pelo Conselho de Contribuintes (recepcionadas pelo atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Car£), extraídas de recorrentes julgados administrativos, nos quais conclui-se que à autoridade julgadora administrativa não compete argüir sobre a inconstitucionalidade, ou ilegalidade, das normas tributárias vigentes, sendo essa matéria de competência exclusiva da Suprema Corte Judicial. Súmula rcc n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ' Súmula r Cc. n° 4: A partir de ]O de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema. Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Nesse exato sentido preceituou a Medida Provisória nO449/08, transformada na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009: Art. 23. O Decreto no 70.235, de 6 de março de ],972, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." CONCLUSÃO Voto em: i) afastar as preliminares de nulidades suscitadas; ii) acolher parcialmente a preliminar de decadência dos lançamentos tributários para exigência de contribuições sociais - CSLL, PIS é Cofins - relativas aos anos-calendários de 1998 e 1999, e, no caso, do PISe da Cofins, nos meses relativos ao ano-calendário de 2000; iii) para, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Resultado: recurso parcialmente provido. Determino que a Secretaria da 3a Câmara da Primeira Seção extraia duas cópias do Acórdão nO 09-13.844/06 (fls. 1272 a 1302), do AR de fls. 1320 e do Recurso Voluntário (fls. 1321 a 1362), bem como do presente acórdão e proceda à juntada destes documentos aos processos nOs 10650.001773/2005-25 e 10650.001772/2005-81 apensos, objetivando a sua devida instrução. ANA DE BARROS FERNANDES - Relatora 25 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025
score : 1.0
Numero do processo: 10480.007534/2002-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
MOTIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Inexistente o motivo de fato indicado para a autuação, o lançamento deve ser cancelado, não podendo o julgador administrativo mantê-lo por outros fundamentos que não integraram a acusação inicial.
Recurso Especial da Procuradoria negado.
Numero da decisão: 9303-004.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram do Julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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NULIDADE Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IRMÃOS CRUZ LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 MOTIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. Inexistente o motivo de fato indicado para a autuação, o lançamento deve ser cancelado, não podendo o julgador administrativo mantêlo por outros fundamentos que não integraram a acusação inicial. Recurso Especial da Procuradoria negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 75 34 /2 00 2- 35 Fl. 145DF CARF MF 2 Participaram do Julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3401002.573, de 24/03/2014, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção deste CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. PROVA DE SUA INOCORRÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Mostrase improcedente o lançamento que aponta infração inocorrente, conforme prova válida carreada aos autos durante o procedimento contencioso administrativo, não se mostrando adequada a discussão acerca de outros motivos que não aqueles textualmente elencados no instrumento de constituição do crédito tributário. Recurso voluntário provido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscitou divergência em relação ao entendimento de que a motivação do auto de infração eletrônico foi a de que a ação judicial informada na DCTF, como origem da compensação, pertenceria a outro CNPJ (“Processo judicial de outro CNPJ”). Afirma que outras Turmas firmaram o entendimento de que, em caso semelhante, o fundamento do auto de infração é a falta de recolhimento do tributo e que, por conseguinte, não haveria de se falar em inovação do fundamento pelo órgão de primeira instância quando demonstrado o não cumprimento da exigência fiscal. Visando comprovar as divergências, apresentou, como paradigmas, os Acórdãos nº 20312.427 e 20310.933, cujas cópias de inteiro teor foram juntadas aos autos. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 163/164. Não foram apresentadas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no exame de admissibilidade, que o recurso especial deve ser conhecido. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10480.007534/200235 Acórdão n.º 9303004.377 CSRFT3 Fl. 146 3 Com efeito, malgrado se tenha indicado, no campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” do auto de infração, que o lançamento decorreu da “FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA” (fl. 7), em seu Anexo I, intitulado “Demonstrativo dos Créditos Vinculados não Confirmados”, no qual detalhada a infração, está registrado que o processo judicial informado em DCTF, como origem da compensação, pertenceria a outro CNPJ (Proc jud de outro CNPJ). Em síntese: a falta de recolhimento originouse na impossibilidade da compensação informada na DCTF, porque a contribuinte não integraria o polo ativo da ação judicial indicada. No acórdão primeiro acórdão paradigma, o de nº 20310.933, não há identidade de fatos, a ensejar a viabilidade do recurso especial. Enquanto na decisão recorrida a ação judicial pertencia a outro contribuinte, neste a compensação foi efetivada antes do trânsito em julgado. Confirase o seguinte parágrafo do voto condutor do acórdão: A par dos autos, verificase que o contribuinte vinculou na DCTF do 4° trimestre de 1997, relativamente ao período de apuração 11/97, valor de compensação efetuada com base em ação judicial, antes do seu trânsito em julgado. Assim, reduziu o saldo a pagar no montante do valor compensado. No segundo paradigma, porém (o acórdão de nº 20312.427, que consubstanciou lançamento também decorrente de auditoria interna de DCTF), o processo judicial informado que ampararia as compensações não restou comprovado (no Anexo I do auto de infração, constou a expressão “Proc jud não comprovad”). Neste julgamento, entendeuse, conforme consta do voto vencedor, que a inexistência do processo judicial não seria verdadeiramente o pressuposto fático do lançamento, mas a inexistência dos créditos alegados com base na ação judicial informada na DCTF: "A nobre relatora não vê configurada a concomitância por considerar que, nesta seara administrativa, em face do enquadramento legal e da situação fática descrita no auto de infração, discutese tãosomente a existência ou não do processo judicial, no qual a recorrente seja parte e lhe garanta (ou não) o direito de proceder a compensação vinculada em DCTF, cuja origem é o indébito do PIS pago indevidamente. Para ela, a exigência tributária, no que fundada na inexistência do processo judicial informado como origem dos créditos vinculados aos débitos declarados nas DCTF, deve ser cancelada porque demonstrado o contrário: existe sim, a ação judicial referida. Entendo diferente porque o pressuposto fático do lançamento é, no fundo, a inexistência dos créditos alegados com base na ação judicial informada na DCTF, e não simplesmente a inexistência do processo judicial referido. Embora admitindo que a descrição constante do auto de infração é lacônica e podia ser aperfeiçoada, ressalto que não houve qualquer prejuízo à defesa do contribuinte, que desde o primeiro momento demonstrou compreender por inteiro a autuação. Tanto assim que na impugnação o contribuinte já informa que os créditos têm origem em pagamentos a maior do próprio PIS, e que o seu Fl. 147DF CARF MF 4 direito foi reconhecido judicialmente nos autos do processo nº 96.0017913.” A nosso juízo, nada obstante a diferença de notações (Proc jud de outro CNPJ e Proc jud não comprovad), o fato de um processo judicial não ser comprovado e do outro referirse a outro contribuinte não inviabiliza a admissibilidade do recurso especial, porque, afinal, em ambos os casos, o contribuinte não integraria, ao menos conforme indicado em anexo aos autos de infração, o polo ativo de qualquer demanda judicial, a autorizar a compensação informada em DCTF. Considerando, pois, que, não obstante a semelhança entre os casos, os entendimentos foram divergentes (embora o desfecho tenha sido o mesmo), é de se conhecer do recurso especial. Entretanto, a ele deve negarse provimento. É que o motivo de fato em que se funda o auto de infração não é só a falta de recolhimento, tal como consta do campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” e sustenta o Recorrente. Tratase, evidentemente, de apenas uma expressão de inequívoco caráter generalizante, que, por isso mesmo, deve ser complementada pelos fatos descritos no próprio campo ou em anexos (p. ex., em Termo de Verificação Fiscal), nos quais se pormenoriza a infração constatada – o porquê do não recolhimento. Se assim não fosse, bastaria que o julgador administrativo, ao verificar que tais fatos pormenorizados não ocorreram no caso sob sua relatoria, encontrasse outras justificativas para o não recolhimento, o que, obviamente, além de prejudicar o direito de defesa do contribuinte, constituiria inovação não permita em lei. Aqui, como já antecipamos, a fiscalização sustenta que a contribuinte não poderia ter compensado os valores que compensou em DCTF, porque não comporia o polo ativo da ação judicial. Evidentemente, se esse fato é improcedente (o estabelecimento matriz e a filial figuravam na ação judicial informada), o motivo declinado para fundamentar o lançamento deixou de existir, de modo que este não pode, por outro motivo, subsistir, se não integrou, na origem, o fundamento do auto de infração. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10167.001378/2007-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 2402-000.114
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-02-01T19:51:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2721728_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-02-01T19:51:19Z; Last-Modified: 2011-02-01T19:51:19Z; dcterms:modified: 2011-02-01T19:51:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2721728_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:75aafbbf-5922-44ce-bf6d-e7c09eacd779; Last-Save-Date: 2011-02-01T19:51:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-02-01T19:51:19Z; meta:save-date: 2011-02-01T19:51:19Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2721728_0.doc; modified: 2011-02-01T19:51:19Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-02-01T19:51:19Z; created: 2011-02-01T19:51:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2011-02-01T19:51:19Z; pdf:charsPerPage: 770; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-02-01T19:51:19Z | Conteúdo => S2-C4T2 Fl. 154 1 153 S2-C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10167.001378/2007-66 Recurso nº 251.538 Resolução nº 2402-000.114 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 03 de dezembro de 2010. Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CIC - CENTRO DE INTEGRAÇÃO CULTURAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. MARCELO OLIVEIRA Presidente - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Rogério de Lellis Pinto. 2 Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), Brasília / DF, fls. 088 a 092, que julgou procedente a autuação motivada por descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 004 a 006, a autuação refere-se a recorrente ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação, no período de 04/2000 a 07/2006. Ainda segundo o Fisco, os fatos geradores que a recorrente deixou de informar referem-se à remuneração paga, devida ou creditada, aos segurados e aos contribuintes individuais prestadores de serviços eventuais (autônomos), nessa categoria incluído o pró labore dos sócios da empresa. A recorrente apresentou folhas de pagamento referente aos segurados acima citados para o período de 01/2000 a 07/2006, cujos valores das remunerações foram confrontados com os declarados em GFIP. Desse confronto, constatou-se que a remuneração e/ou desconto dos segurados empregados e contribuintes individuais não foram declarados ou foram declarados a menor nas GFIP's. Foi elaborada planilha para demonstrar essas falhas. Os motivos que ensejaram a autuação estão descritos no RF e nos demais anexos da autuação. Em 26/09/2006 foi dada ciência à recorrente da autuação, fls. 001. Contra a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 062 a 071, acompanhada de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. A multa aplicada, no presente caso, não deve persistir, pois o que houve foi um mero lapso do contribuinte, haja vista que, a despeito de não ter informado a existência de alguns vínculos laborativos nas GFIP's, fez o recolhimento das contribuições referentes a referidos vínculos de forma correta nas GPS's (guias de recolhimento); 2. A recorrente é optante pelo regime tributário SIMPLES desde o início de suas atividades, nunca tendo sido dele excluída ou comunicado que dele não fazia parte, portanto equivocada a presente NFLD (lançamento); 3. Colaciona, às fls. 66/69, artigos da Lei n°. 9.317/96, que instituiu o SIMPLES para corroborar seu entendimento e mostrar o equívoco da fiscalização; 4. Sustenta que mesmo que a empresa tivesse sido excluída do regime, o que não é o caso, tal decisão somente produziria efeito ex nunc, ou seja, efeitos posteriores ao ato de exclusão, tudo isto em homenagem ao princípio da irretroatividade dos atos que venham a causar malefícios aos contribuintes de boa fé; Processo nº 10167.001378/2007-66 Resolução n.º 2402-000.114 S2-C4T2 Fl. 155 3 5. Requer, ante o exposto, a nulidade da presente notificação, por ser o contribuinte regularmente inscrito no SIMPLES desde a sua constituição, nunca tendo sido excluído do mesmo. A Delegacia analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 097 a 0112, acompanhado de anexos, onde reitera os argumentos apresentados em sua defesa. Antes do envio do recurso a este colegiado, a Delegacia comandou diligência, a fim de sanar dúvida existente, fls. 0118 e 0119. A Delegacia respondeu ao questionamento, fls. 0122, informando que a recorrente é optante pelo Sistema SIMPLES de tributação, desde 10/11/1999 e “em consulta ao sistema GFIP/WEB consta registro de entrega de GFIP após a autuação”. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0136. A Segunda Turma, da Quarta Câmara, da Segunda Seção, analisou a autuação e decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de, em síntese, ser dada ciência à recorrente da diligência efetuada. A recorrente foi devidamente intimada do resultado da diligência e não apresentou manifestação, fls. 0153. É o Relatório. 4 Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Pela análise do processo e das alegações da recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade do lançamento ou da decisão. Assim, o lançamento e a decisão encontram-se revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados por autoridade competente, sem preterição ao direito de defesa e de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. Por todo o exposto, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito, há questões a serem analisadas e esclarecidas. No resultado da diligência efetuada o Fisco informa, em síntese: 1. Que há GFIP entregue após a autuação; 2. Que a empresa era optante pelo SIMPLES na época da lavratura da infração; e 3. As informações podem levar a retificação do débito, que terá que ser procedida na fase recursal. Como essas informações podem gerar vários efeitos para o crédito lançado (relevação, retificação do valor da multa, etc) e o Processo Administrativo Fiscal deve ser norteado pela busca da verdade material e pelo respeito ao contraditório e à ampla defesa, decido converter o julgamento em diligência, a fim de que o Fisco elabore Parecer Conclusivo sobre a necessidade de relevação, retificação ou manutenção da autuação. Após a elaboração do Parecer citado, o Fisco deve dar ciência desta decisão e do Parecer à recorrente e possibilitar, caso a recorrente deseje, apresentação de novos argumentos, em prazo de trinta dias após sua ciência. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do voto. Marcelo Oliveira
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