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Numero do processo: 11080.002529/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO TRABALHISTA. VERBAS ISENTAS E SUJEITAS À TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA.
Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação trabalhista, não se sujeitam à tributação do imposto de renda no ajuste anual as verbas isentas, tais como FGTS e aviso prévio, bem como as sujeitas à tributação exclusiva.
Numero da decisão: 2402-005.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo, Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: Ronnie Soares Anderson
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO TRABALHISTA. VERBAS ISENTAS E SUJEITAS À TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação trabalhista, não se sujeitam à tributação do imposto de renda no ajuste anual as verbas isentas, tais como FGTS e aviso prévio, bem como as sujeitas à tributação exclusiva.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo, Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO TRABALHISTA. VERBAS ISENTAS E SUJEITAS À TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação trabalhista, não se sujeitam à tributação do imposto de renda no ajuste anual as verbas isentas, tais como FGTS e aviso prévio, bem como as sujeitas à tributação exclusiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 25 29 /2 00 7- 16 Fl. 95DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo, Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 11080.002529/200716 Acórdão n.º 2402005.730 S2C4T2 Fl. 42 3 Relatório Examinase recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativa ao ano calendário 2003. Tratandose de retorno de processo, oportuno reproduzir o relatório da Resolução nº 2802000.118, prolatada quando do conhecimento do litígio pela 2ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF: O contribuinte teve lavrada contra si a Notificação de Lançamento de fls. 23/26, em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda de Pessoa Física DIRPF referente ao exercício 2004, em razão de suposta omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, deduzidos os honorários advocatícios. Na apuração do imposto devido, não houve a compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF sobre os rendimentos omitidos uma vez que este já havia sido integralmente aproveitado na DIRPF. Em face do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/05, afirmando que o lançamento efetuado decorre de erro de análise por parte da Fiscalização, que não examinou os documentos e dados apresentados, os quais contêm valores não tributáveis na declaração (FGTS e multa de 40%, aviso prévio indenizado) e com tributação exclusiva (13.° salário). Sustenta que a Fiscalização, no exame dos documentos apresentados, terseia baseado exclusivamente na prestação de contas do advogado do contribuinte, a qual, "por óbvio, é um documento destinado apenas a dar ciência ao Impugnante do valor líquido que receberia e dos honorários descontados". E mais, que, nessa prestação, não existe qualquer indicação das parcelas tributáveis e não tributáveis, portanto não poderia ela ter sido utilizada como elemento de averiguação da correção ou incorreção dos lançamentos que constam na DIRPF "porque estes decorreram da obtenção de dados contidos nos cálculos de liquidação de sentença e no alvará, tudo devidamente atualizado". Faz, em seqüência, a demonstração dos valores que entende corretos. Requer, portanto, seja recebida a presente impugnação, para o fim de tornar sem efeito o lançamento efetuado. Anexa os documentos de fls. 06/21. Em anexo, ainda, os documentos de fls. 40/70, examinados pela Fiscalização durante a ação fiscal. Em julgamento, a 7ª Turma da DRJ/POA, em sessão realizada no dia 07/04/2011, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, aos seguintes fundamentos: que considerando os valores atualizados monetariamente efetivamente recebidos pelo contribuinte, nos termos das provas dos autos, observase que são os mesmos considerados pela fiscalização; que, quanto a supostas parcelas não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte, não se desincumbiu o contribuinte de provar sua natureza. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 77, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl.80, atacando a decisão exarada pela DRJ, repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação e acrescendo que os documentos que deveriam ser levados em consideração para o deslinde na Fl. 97DF CARF MF 4 natureza das parcelas recebidas encontramse a fls.4858 e teriam sido ignorados pela autoridade lançadora; sendo assim o contribuinte desincumbiuse do ônus da prova que lhe cabia. Em 22/1/2013 aquela Turma do CARF resolveu, considerando que o Recurso Extraordinário 614.406/RS, o qual versa acerca da matéria, tivera sua repercussão geral reconhecida em 20/10/2010 e ainda se encontrava pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF então vigente, c/c Portaria CARF nº 01/2012. Com a revogação dos §§ 1º e 2º do art. 62A daquele Regimento Interno pela Portaria Ministério da Fazenda nº 545/2013, sem respaldo quedou o sobrestamento do feito, que foi redistribuído a este Conselheiro. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11080.002529/200716 Acórdão n.º 2402005.730 S2C4T2 Fl. 43 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, razão pela qual passo a sua apreciação. Compulsando os autos, verificase que a vergastada em momento algum se manifesta acerca dos documentos colacionados pelo recorrente às fls. 50/56 do eprocesso, associadas às fls. 293/302 do processo judicial, documentos esses, aliás, anteriormente já apresentados à fiscalização e que discriminam o cálculo de verbas tais como: FGTS: fls. 50, 52, 54, 55 e 56, no total de R$ 5.850,51; 13º salário: fls. 51, 53 e 55, no total de R$ 6.920,82; e Aviso prévio: fls. 51 e 53, no total de R$ 2.743,64. Essas verbas foram corrigidas do ano calendário 2002 para o ano de pagamento, 2003, e correspondem aos montantes de R$ 6.448,72, R$ 7.628,45 e R$ 3.024,17, respectivamente, incorporados ao valor bruto de R$ 102.459,83 percebidos pelo recorrente em razão da ação judicial 00718.055/988 (fls. 41/71). As verbas relativas ao FGTS e adicional de 40%, bem como aviso prévio são isentas por força do disposto no inciso VI do art. 6º da Lei nº 7.713/88 c/c art. 28 da Lei nº 8.03/90. Poderiase cogitar, aliás, da tributação do aviso prévio trabalhado, porém além da lei não fazer tal distinção, o pagamento de aviso prévio dessa natureza se trata de situação deveras incomum, não constando nos autos sinal de que tenha ocorrido no caso concreto. Destarte, deve prevalecer, o reconhecimento da isenção. Por sua vez, a administração tributária já firmara, à época dos fatos, entendimento no Parecer Normativo Cosit nº 5/95, segundo o qual: " Os rendimentos pagos acumuladamente, a título de décimo terceiro salário e eventuais acréscimos, são tributados exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos acumulados sujeitandose ao imposto de renda com base na tabela progressiva mensal vigente no mês do pagamento acumulado, que se considera, nesse caso, mês da quitação, para efeito de tributação na fonte." Não cabe, assim, assim, seu cômputo no ajuste anual, como realizou a autoridade lançadora. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.695825/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP
No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.421
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 58 25 /2 00 9- 31 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.695825/200931 Acórdão n.º 3301003.421 S3C3T1 Fl. 3 2 d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de COFINS (código de receita 2172), decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio do Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada foi homologada parcialmente, sob o fundamento de que constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. Entretanto, o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, alegando, em síntese, que: a) O valor original utilizado para a compensação, foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados; b) Assim, não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados no PER/DCOMP, e não imputou multa e juros sobre os créditos tributários compensados, pois são do mesmo período de apuração; c) Faz planilha para comparação dos períodos de apuração e datas de vencimento. d) Tratase de evidente cobrança equivocada, e apresenta como provas as cópia dos documentos relativos aos lançamentos contestados e a procuração de nomeação do representante legal que assina a manifestação de inconformidade; e) Demonstrada a insubsistência e improcedência do processo, requer seja cancelado o processo reclamado. A DRJ/SP1 indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 16038.198. O fundamento adotado foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos são acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. A recorrente repetiu os argumentos da impugnação no recurso voluntário. É o relatório. Voto Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.695825/200931 Acórdão n.º 3301003.421 S3C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.231, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.667966/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.231): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Constatase que a controvérsia do processo permanece a mesma desde a 1ª instância, com a contribuinte alegando que o DARF utilizado como pagamento a maior para a compensação foi pago dentro do prazo de vencimento do tributo e por isso, não se conformando com a cobrança de acréscimos legais no momento da efetiva compensação. Entretanto, como veremos adiante, o valor do crédito foi insuficiente para quitar o débito, em função dos acréscimos legais ao débito compensado, atualizados até a data da apresentação do PER/DCOMP, em virtude do atraso entre seu vencimento e a formalização da compensação. A DCOMP em tela, foi formalizada pela interessada para compensar débito de COFINS – não cumulativa (código de receita 5856), vencido em 15/06/2004, com créditos de COFINS (código de receita 2172), cuja data de arrecadação foi 15/06/2004. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela DERAT/SP, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. No entanto, o mesmo foi insuficiente para quitar os débitos informados em consequência da data de apresentação da DCOMP, e por este motivo a compensação foi homologada parcialmente. A recorrente alega que o valor original utilizado para a compensação foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados, e sendo assim, não poderia haver multa e juros sobre os referidos créditos, pois são do mesmo período de apuração. Como bem dito no acórdão recorrido, a contribuinte equivocouse em relação à forma de valoração do crédito e do débito que informou em sua declaração de compensação, ao não efetuar os cálculos relativos aos acréscimos legais, o que gerou um saldo devedor, e consequentemente, a homologação parcial da compensação. Constatase que a data do envio do PER/DCOMP é quando se formaliza a extinção do débito por compensação, de acordo com o que dispõe a Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrita: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.695825/200931 Acórdão n.º 3301003.421 S3C3T1 Fl. 5 4 administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Portanto, a extinção do débito por compensação ocorre na data de envio do PER/DCOMP. No caso concreto, a interessada enviou a PER/DCOMP em 21/01/2007 para compensar débito cujo vencimento se deu em 15/06/2004, portanto, é fato que o débito já estava vencido quando foi extinto pela compensação. Assim, partir da data do vencimento passaram a incidir sobre o débito os acréscimos legais, quais sejam, multa de mora e juros, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/1996, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No recurso voluntário, a recorrente repete o argumento de que o pagamento utilizado para a compensação foi realizado no mesmo prazo de vencimento do débito compensado, mas tal fato não a socorre, pois a utilização do crédito tributário ocorre apenas com a apresentação do PER/DCOMP, que ocorreu após o vencimento do débito compensado. Assim, cumpre transcrever o artigo 28 da IN SRF nº 600/2005, em vigor à época da transmissão do PER/DCOMP: Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.695825/200931 Acórdão n.º 3301003.421 S3C3T1 Fl. 6 5 Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) Logo, os débitos vencidos, vinculados a PER/DCOMP, serão acrescidos de multa de mora, calculada a partir do primeiro dia subsequente à data de vencimento até a data da entrega do PER/DCOMP, quando se formaliza a compensação; bem como sofrerão a incidência de juros referentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação aos créditos utilizados na compensação, as regras para valoração vigentes à época da transmissão do PER/DCOMP estão contidas no artigo 52 da IN SRF nº 600/2005, também transcrita: Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: (...) II – houver a entrega da Declaração de Compensação; (...) § 1º No cálculo dos juros Selic de que trata o caput, observarseá, como termo inicial de incidência: (...) III – na hipótese de pagamento indevido ou a maior: a) o mês de janeiro de 1996, se o pagamento tiver sido efetuado antes de 1º de janeiro de 1996; b) a data da efetivação do pagamento, se este tiver sido efetuado entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 1997; ou c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; Por isso, foi apurado o saldo devedor indicado no Despacho Decisório e a compensação foi parcialmente homologada. Portanto, não se está desprezando o princípio da verdade material e nem está havendo enriquecimento sem causa do Fisco, como alega a recorrente. Simplesmente, está sendo cobrado o atraso entre a Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.695825/200931 Acórdão n.º 3301003.421 S3C3T1 Fl. 7 6 data do vencimento do tributo e o seu necessário pagamento, que, no caso em tela, deuse no momento da apresentação da DCOMP. Assim, tendo em vista tudo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a DCOMP foi transmitida em data posterior à do vencimento do(s) débito(s) compensado(s). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 101DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.909064/2011-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.478
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CEEEGT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 90 64 /2 01 1- 11 Fl. 549DF CARF MF Processo nº 11080.909064/201111 Acórdão n.º 9303004.478 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803005.924, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte contra a não homologação de compensação declarada (PER/DCOMP). A compensação está lastreada em crédito oriundo de pagamento de contribuição supostamente efetuado a maior, em razão de apuração efetuada na sistemática nãocumulativa. O colegiado a quo entendeu, em síntese, que a correção dos preços pelo IGP M não descaracteriza a natureza de preço predeterminado para os efeitos da tributação pelas contribuições cumulativas, incidentes sobre contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº10.833/2003. Com esse entendimento, ficou caracterizado o pagamento a maior em razão da apuração da contribuição na sistemática não cumulativa. Para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional aponta decisões que enfrentaram exatamente a mesma situação mesmo setor econômico, mesmo índice em discussão e concluíram de modo antagônico. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.467, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.909061/201179, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.467): O recurso cumpre os requisitos regimentais para que seja apreciado; dele conheço. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 11080.909064/201111 Acórdão n.º 9303004.478 CSRFT3 Fl. 4 3 Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente ex membro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é, refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 11080.909064/201111 Acórdão n.º 9303004.478 CSRFT3 Fl. 5 4 É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 11080.909064/201111 Acórdão n.º 9303004.478 CSRFT3 Fl. 6 5 Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantém se o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "(...) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 553DF CARF MF Processo nº 11080.909064/201111 Acórdão n.º 9303004.478 CSRFT3 Fl. 7 6 No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Voto, pois, por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 554DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.913619/2009-93
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180100.948, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 36 19 /2 00 9- 93 Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10166.913619/200993 Acórdão n.º 9101002.618 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10166.913619/200993 Acórdão n.º 9101002.618 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10166.913619/200993 Acórdão n.º 9101002.618 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 320DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002516/2006-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
CSLL. COOPERATIVAS. SÚMULA CARF Nº 83.
O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei nº 10.865, de 2004.
NÃO ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL.
Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso (RICARF, anexo II, art. 67, § 3º). Verificada a incidência da Súmula CARF nº 83 ao caso, o recurso especial não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 9101-002.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinatura digital)
Carlos Alberto Freitas Barreto, Presidente.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 CSLL. COOPERATIVAS. SÚMULA CARF Nº 83. O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei nº 10.865, de 2004. NÃO ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso (RICARF, anexo II, art. 67, § 3º). Verificada a incidência da Súmula CARF nº 83 ao caso, o recurso especial não deve ser conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto, Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto, Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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Ato cooperativo. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL AURIVERDE LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 CSLL. COOPERATIVAS. SÚMULA CARF Nº 83. O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei nº 10.865, de 2004. NÃO ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso (RICARF, anexo II, art. 67, § 3º). Verificada a incidência da Súmula CARF nº 83 ao caso, o recurso especial não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto, Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto, Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 25 16 /2 00 6- 14 Fl. 721DF CARF MF 2 Relatório Tratase, em brevíssima síntese, de recurso especial interposto pela PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL (doravante chamada de “PFN” ou “recorrente”), contra o acórdão nº 180100.023 (doravante acórdão a quo ou acórdão recorrido), proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara (doravante “Turma a quo”), o qual julgou procedente o recurso voluntário apresentado pela COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL AURIVERDE LTDA. (doravante “contribuinte” ou “recorrida”). O caso trata da exigibilidade de Auto de Infração que exige “Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, juros de mora, multa de ofício duplicada (150%) e multa de ofício isolada, no importe total de R$ 162.414,96, em razão de apuração incorreta da CSLL, por exclusão indevida de ato cooperado e falta de declaração/recolhimento, bem como multa isolada em face da falta de recolhimento da CSLL sobre a base estimada”. Em face da impugnação administrativa (efls. 485 e seg.) apresentada pelo contribuinte, a 3ª Turma da DRJ/FNS proferiu o acórdão n. 079.721 (efls. 564 e seg.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 COOPERATIVA. ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. TRIBUTAÇÃO. Até 31 de dezembro de 2004, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL é devida por todas as sociedades cooperativas e incide sobre todos os seus resultados, sejam eles relativos às operações com associados ou não (Lei nº 8.212, de 1991, art. 10, Lei nº 7.689, de 1988, art. 4ª, e IN SRF nº 198, de 1988). O fato de a lei do cooperativismo denominar a mais valia de "sobra" não tem o intuito de excluíla do conceito de lucro, mas permitir um disciplinamento específico da destinação desses resultados ("sobras"), cujo parâmetro é o volume de operações de cada associado, enquanto o lucro deve guardar relação com a contribuição do capital (Lei n a 6.404, de 1976, art. 187). OPERAÇÕES FINANCEIRAS ATIVAS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. TRIBUTAÇÃO. O resultado das operações financeiras ativas (aplicações) promovidas pelas cooperativas, constituído pelas respectivas receitas, com exclusão apenas das despesas diretamente vinculadas a essas operações, constitui ato não cooperativo sujeito à incidência da CSLL. Lançamento Procedente A cooperativa interpôs recurso voluntário (efls. 577 e seg.), em face do qual foi proferida a decisão ora recorrida, que restou assim ementada (efls. 649 e seg.): Ementa: CSLL — COOPERATIVAS DE CRÉDITO — O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus associados, os chamados atos cooperados, não integram a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 722DF CARF MF Processo nº 10925.002516/200614 Acórdão n.º 9101002.688 CSRFT1 Fl. 101 3 A PFN interpôs, então, recurso especial (efls. 659 e seg.), o qual foi integralmente admitido por despacho (efls. 685 e seg.), no qual suscita a divergência jurisprudencial quanto à possibilidade de incidência de CSLL sobre o resultado positivo das cooperativas quando decorrentes de atos cooperados. Notese ser incontroversa a natureza de “ato cooperativo” quanto às receitas obtidas pela cooperativa. Em apertada síntese, sustenta a recorrente que: “A incidência da CSLL sobre os resultados obtidos pelas cooperativas com a prática dos atos cooperados é depreendida com a análise da própria lei instituidora do tributo (Lei 7.689/88) e da lei cooperativista (Lei nº 5.764/61) que, ao contrário do aduzido pela Câmara a quo, apenas afasta a exigência de imposto sobre a renda auferida com atos cooperados”. As “sobras líquidas”, isto é, o resultado positivo decorrente dos atos cooperados, seriam equivalentes aos lucros líquidos, sobre o qual incide a CSLL; O art. 15 da Lei 8.212/91 autorizaria a incidência sobre coorporativas, tendo em vista, que o seu inciso I autoriza a incidência sobre sociedade empresarial que não possui fins lucrativos; A CSLL seria deveria ser pagar por toda as sociedades cooperativas, independente dos atos que geraram as “sobras”, com fundamento no art. 10 da Lei 8.212/91, art. 4º da Lei 7.689/88 e IN SRF nº 198/88). A recorrida apresentou contrarrazões ao recurso especial (efls. 695 e seg.), arguindo, em apertada síntese, que: O art. 57 da Lei nº 8.981/95 afirma que se aplicam à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas; A não incidência do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica em relação aos atos cooperativos encontra sua fundamentação no art. 182 e seguintes do Decreto 3.000/99, aplicandose o mesmo com relação à CSLL; As cooperativas não podem objetivar lucro, devido ao impedimento legal, assim, as “sobras” não podem ser chamadas de lucro; Destacase que a recorrida não se opôs, em suas contrarrazões, à admissibilidade do recurso especial interposto pelo contribuinte. Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. O recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, bem como a divergência de entendimento entre Turmas deste Tribunal foi adequadamente demonstrada de forma inquestionável. Fl. 723DF CARF MF 4 No entanto, o recurso não deve ser conhecido por força do artigo 67, § 3º, do anexo II do Regimento Interno do CARF: “Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso”. Ocorre que deve ser aplicado ao presente caso Súmula n. 83 do CARF: “Súmula CARF n. 83: O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004.” As súmulas do CARF assumem a feição de precedentes com “força necessária para servir como ratio decidendi para o juiz subsequente”1. Com a súmula, os fundamentos adotados nos acórdãos paradigmáticos que provocaram a sua enunciação passam a ser aplicados em todos os demais casos que vierem a ser submetidos ao CARF com a discussão de questões semelhantes. Portanto, a compreensão dos acórdãos paradigmas da Súmula n. 83 do CARF é fundamental para a correta aplicação desta. Entre estes, destacase o acórdão n. 910100.308, de 25 de agosto de 2009, assim ementado: CSLL. COOPERATIVAS. O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus associados, os chamados atos cooperados, não integram a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Recurso provido. Também merece destaque o acordão n. 910100.207, de 27 de julho de 2009, assim ementado: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Exercício: 1992 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. COOPERATIVA DE CRÉDITO. A exigência da Contribuição Social sobre o Lucro das Cooperativas de Crédito só tem fundamento quando determinada sobre o resultado oriundo das operações realizadas com não cooperados, não podendo prosperar o lançamento que toma por base o resultado líquido apurado com atos cooperativos, conceituados como sobras, em virtude de não estar configurada a hipótese de incidência desta contribuição, pela inexistência de lucros. A circunstância de as cooperativas de crédito enquadraremse como instituições financeiras, segundo o artigo 22, § 1º, da Lei nº 8.212/91, não resulta em legitimar a tributação segundo o resultado dos atos cooperados. Verificase, portanto, que o presente caso é semelhante aos julgados que motivaram a edição Súmula n. 93, inserindose entre aqueles que reclamam a sua incidência. Nesse seguir, voto por NÃO CONHECER, o recurso especial interposto. (assinatura digital) 1 À semelhança do que ocorre com os recursos repetitivos do STJ. A respeito destes, vide: MESQUITA, José Ignácio Botelho et al. A repercussão geral e os recursos repetitivos: economia, direito e política, In: Revista de Processo, São Paulo, v. 38, n. 220, p. 1332, jun. 2013, p. 29 Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10925.002516/200614 Acórdão n.º 9101002.688 CSRFT1 Fl. 102 5 Luís Flávio Neto. Fl. 725DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.721238/2013-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. NÃO
CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS IMUNES, ISENTOS, COM ALÍQUOTA ZERO E NÃO TRIBUTADOS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa anterior para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando à mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem imunes, isentam, não tributadas ou mesmo tributadas à alíquota zero não garantem crédito do imposto, assunto dirimido pela Súmula CARF nº 20, aplica-se ao caso concreto, não assiste razão a Recorrente, certada a decisão que indeferiu.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafeta Reis, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS IMUNES, ISENTOS, COM ALÍQUOTA ZERO E NÃO TRIBUTADOS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa anterior para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando à mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem imunes, isentam, não tributadas ou mesmo tributadas à alíquota zero não garantem crédito do imposto, assunto dirimido pela Súmula CARF nº 20, aplicase ao caso concreto, não assiste razão a Recorrente, certada a decisão que indeferiu. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Paulo Guilherme Deroulede Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 12 38 /2 01 3- 05 Fl. 336DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafeta Reis, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar o Acórdão nº 00950.711, proferido pela 3ª Turma da DRJ/JFA, 21 de março de 2014, que manteve na integra o lançamento em razão do creditamento de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI decorrentes de aquisições de insumos isentos no período de apuração de 01.01.2008 a 21.12.2009. Notícia o Termo de Verificação Fiscal a glosa de créditos lançados no livro de Apuração de IPI sob a rubrica “Outros Créditos de IPI” por se tratar de aquisições de insumos não submetidos exação do tributo na operação anterior. O registro do crédito no livro próprio de IPI restou justificado pelo contribuinte de que se trata de aquisição de produto classificado na posição 2401.10.30 da Tabela do IPI (TIPI) – fumo em folhas secas, tipo Virginia, e, tratase do principal insumo no preparo dos produtos por ela industrializados. Justificou, ainda, ter ingressado com ação judicial, autuada sob nº 2008.71.11.0007053, ao tempo, pendente de julgamento em última instância pelo STF, sobrestado até o julgamento do RE 590.809, no qual havia sido reconhecida a repercussão geral, onde restou decidido acerca dos efeitos no tempo da decisão proferida no RE 566.819. Afirma que trata de produto isento de IPI, que o direito ao creditamento foi reconhecido pelo STF quando da escrituração (RE 212.484RS). Afirma, ainda, mais, tratarse de fumo que após a colheita pelo produtor rural passa por um processo de secagem, denominado de cura com o único objetivo de preservar a folha durante um período, mantendo desse modo o potencial de qualidade do tabaco curado. O processo de cura é em síntese processo industrial, razão pela qual é considerado insumo elaborado e pronto para atender as empresas fumageiras, que é o caso da Recorrente. Afirma, também, com o advento da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, com efeitos a partir do primeiro decêndio de agosto de 2004, tanto o fumo de posição 2401.10.30 (matéria prima adquirida), quanto o fumo da posição 2401.20.30 (produto acabado vendido), antes submetidos ao regime da “não tributação” (NT), passaram a ser tributados pelo IPI com alíquota de 30%, conforme preconiza o art. 41 caput, do referido diploma legal. Ação proposta restou frustrada pela improcedência dos pedidos, decisão mantida pelo Tribunal Federal, que negou provimento ao apelo, decidindo que o produto classificado na posição 2401.10.30 enquadra na hipótese de nãoincidência do IPI, por essa razão não dá direito ao creditamento. É o que interessava relatar. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13005.721238/201305 Acórdão n.º 3302003.648 S3C3T2 Fl. 12 3 Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A controvérsia está centrada na possibilidade de tomar crédito de IPI decorrente de aquisições de insumos não tributados. No caso concreto a Interessada adquire folha de fumo, produto classificado na posição 2401.10.30, de produtores rurais pessoas físicas e tomou crédito de IPI. Sustenta, também, ter interposto ação judicial com fim específico de discutir o assunto, a qual encontra pendente de julgamento perante o STF. Nos autos não há qualquer peça relativa ação judicial de nº 2008.71.11.0007053, a possibilitar o exame do conteúdo da ação proposta, há notícia no relatório fiscal, bem como, no voto, assim sendo, não há que se falar em concomitância, pois afirmativas da Interessada e do Fisco não são suficientes a formar juízo de valor. Inexiste possibilidade de creditarse de IPI decorrente de aquisição de matéria prima, material intermediário, bem como, embalagem que estão sujeitos ao tributo, esse assunto encontra dirimido em sede administrativa, e, deu azo a Súmula CARF nº 18: "Súmula CARF n 18 A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI." Portanto, no que concerne à pretensa legitimidade do creditamento imposto ficto pela aquisição de matérias primas, imunes, isentos, tributados à alíquota zero ou não tributados, não há como reconhecer esse direito, assim sendo, não assiste razão ao recorrente. As balizas que dão o contorno principal do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI encontram previstos pelo art. 153, § 3º da Constituição de 1988. Como se observa a apuração não cumulativa do IPI se dá pelo abatimento do valor cobrado nas aquisições e o valor devido pela saída do produto tributado, de modo que é pressuposto inarredável que tenha havido pagamento (cobrança) de imposto na etapa imediatamente anterior e não a mera incidência tributária, como é sustentada pelo Recorrente. Neste sentido a redação do art. 49 do Código Tributário Nacional: “Art. 49. O imposto é não cumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. “Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte transfere se para o período ou períodos seguintes.” Fl. 338DF CARF MF 4 A própria norma legal impositiva do imposto em comento, Lei nº 4.502/64, por via oblíqua, sinaliza neste sentido, quando determina que seja estornado o crédito do imposto relativo aos insumos empregados na fabricação de produtos isentos, não tributado ou sujeitos à alíquota zero, nestes termos: “Art. 25. A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.136, de 1970) § 1º O direito de dedução só é aplicável aos casos em que os produtos entrados se destinem à comercialização, industrialização ou acondicionamento e desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo industrial sejam tributados na saída do estabelecimento. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.136, de 1970); § 2º (Revogado pelo Decreto Lei nº 2.433, de 1988); § 3º. O Regulamento disporá sobre a anulação do crédito ou o restabelecimento do débito correspondente ao imposto deduzido, nos casos em que os produtos adquiridos saiam do estabelecimento com isenção do tributo ou os resultantes da industrialização estejam sujeitos à alíquota zero, não estejam tributados ou gozem de isenção, ainda que esta seja decorrente de uma operação no mercado interno equiparada a exportação, ressalvados os casos expressamente contemplados em lei. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989)” Subtraise do valor da operação posterior o valor da anterior. É o que se conhece como dedução na base. Na técnica da dedução do imposto, subtraise do imposto devido na operação posterior o imposto que incidiu na operação anterior. Tomo fundamento para decidir o Acórdão nº 3403002.954, da lavra do Conselheiro Antonio Carlos Atulim: “Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Controverte se exclusivamente sobre matéria de direito. A questão de mérito a ser enfrentada refere se à existência do direito ao crédito ficto de IPI pela entrada de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem desonerados do IPI. É consenso na doutrina que o princípio da nãocumulatividade pode ser introduzido no sistema tributário de determinado país por meio das técnicas do valor agregado ou da dedução do imposto. Na técnica do valor agregado, que é originária do direito francês, subtrai se do valor da operação posterior o valor da anterior. É o que se conhece como dedução na base. Na técnica da dedução do imposto, subtrai se do imposto devido na operação posterior o imposto que incidiu na operação anterior. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13005.721238/201305 Acórdão n.º 3302003.648 S3C3T2 Fl. 13 5 No sistema tributário brasileiro, o constituinte, ao delimitar as competências tributárias das entidades federadas, consignou no art. 153, da CF/1988 que (...). Compete à União instituir impostos sobre (...). Ivprodutos industrializados (...) § 3ºO imposto previsto no inciso IV (...) II será não cumulativo, compensando se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...). (grifei) Conforme se pode verificar, a constituição claramente optou pela técnica da dedução do imposto, onde a única garantia assegurada ao contribuinte é que o imposto devido a cada operação seja deduzido do que foi cobrado na operação anterior. Já o art. 49 do CTN enuncia o seguinte: Art. 49. O imposto é não cumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo, verificado em determinado período, em favor do contribuinte, transfere se para o período ou períodos seguintes. Obviamente que imposto “pago” ou “cobrado” quer dizer imposto que incidiu, que foi destacado nas notas fiscais de aquisição das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem e não imposto efetivamente pago. Isto porque pagamento da nota fiscal de aquisição dos insumos ao fornecedor é um ato que extingue uma relação jurídica de direito privado, não podendo condicionar o exercício do direito de crédito que decorre de uma relação jurídica de direito público. Se houve destaque do imposto na operação anterior, poderá haver o direito ao crédito, ainda que o adquirente não tenha efetuado o pagamento ao fornecedor do valor da nota fiscal. Além disso, duas constatações imediatas surgem da análise do enunciado do art. 49 do CTN. A primeira é que pela expressão ... “dispondo a lei”... que consta da cabeça do artigo, se pode concluir que o princípio da nãocumulatividade tem como destinatário certo o legislador ordinário e não o aplicador da lei. A segunda é que créditos de IPI devem ser utilizados primordialmente para abatimento dos débitos do mesmo imposto. Existindo saldo credor, este deve ser transferido para o período seguinte, o que significa que os créditos de IPI têm natureza escritural, conforme já decidiu o STF. Resta claro que no direito constitucional brasileiro o conteúdo do princípio da nãocumulatividade não tem a mesma amplitude que lhe pretendeu dar à recorrente, uma vez que os créditos são escriturais e não são gerados diretamente pela incidência da norma constitucional sobre situações concretas. Fl. 340DF CARF MF 6 Especificamente no caso de insumos imunes, há que se acrescentar algumas considerações. Primeiramente cabe fazer a distinção entre os dois sentidos do termo “imunidade”. O primeiro é o de norma jurídica que tem como destinatário imediato o legislador ordinário da União, dos Estados, do DF e dos Municípios. O segundo significado é o direito subjetivo de o cidadão não ser tributado quando se encontrar na situação prevista na constituição. Para o deslinde deste caso concreto, importa tomar o termo “imunidade” no sentido de norma jurídica. Segundo Paulo de Barros Carvalho, imunidade é: “(...) a classe finita e imediatamente determinável de normas jurídicas contidas no texto da Constituição Federal, e que estabelecem, de modo expresso, a incompetência das pessoas políticas de direito constitucional interno para expedir regras instituidoras de tributos que alcancem situações específicas e suficientemente caracterizadas.(...)” (in: Curso de Direito Tributário. São Paulo: Malheiros, 7 ed. 1995, p.118). Por seu turno, Clélio Chiesa define imunidade como sendo “(...) um conjunto de normas jurídicas contempladas na Constituição Federal que estabelecem a incompetência das pessoas políticas de direito constitucional interno para instituírem tributos sobre certas situações nela especificadas.(...).” (in: Curso de Especialização em Direito Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 2006, p. 921). Em resumo, pode se dizer que imunidade é uma regra de competência negativa que impede a instituição de tributos sobre os fatos e as pessoas eleitos pela constituição. Trata se de verdadeira exclusão ou supressão do poder tributário das pessoas políticas constitucionais, impedindo as de alcançar certas pessoas ou certas materialidades estabelecidas na constituição. As imunidades tributárias são normas jurídicas de estrutura, pois não se voltam diretamente para a regulação de condutas intersubjetivas. As regras de imunidade voltam se para o próprio sistema tributário, limitando e delimitando a conduta dos legisladores de cada pessoa política constitucional, de forma a impedir que cada um deles edite norma impositiva sobre determinados fatos e pessoas. No caso específico dos produtos imunes, o legislador ordinário da União está impedido de submeter aqueles produtos à tributação do IPI. Trata se de verdadeira norma de estrutura, pois atinge em cheio a regra matriz de incidência do IPI impedindo de atuar sobre operações com produtos imunizados pela Constituição. O imposto incide sobre produtos industrializados, mas caso se trate de produtos imunes, a regra matriz de incidência torna se inoperante pela supressão do poder tributário da União. A recorrente insiste na tese de que o direito aos créditos fictos ora pretendidos deflui diretamente do art. 153, IV, § 3º, II da CF/88, que estabelece que o imposto será não cumulativo, Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13005.721238/201305 Acórdão n.º 3302003.648 S3C3T2 Fl. 14 7 deduzindo se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Ora, senhores Conselheiros, no caso da imunidade não houve incidência em nenhuma operação relativa ao produto imune porque aquela regra, que é norma jurídica de estrutura, impediu que a regra matriz de incidência do imposto atuasse. Logo, se não houve incidência da regra matriz, não pode existir cumulação de IPI em nenhuma operação com produtos imunes. A interpretação pretendida pela recorrente é absurda porque se fosse válida teríamos forçosamente que admitir a existência de um “IPI negativo” no caso dos produtos imunes, onde a União, além de não poder cobrar IPI em face da vedação constitucional, teria que “pagar” o imposto ao contribuinte via ressarcimento de créditos fictos. Os produtos imunes estão fora do alcance da norma padrão de incidência do IPI. Em outras palavras, e usando se a terminologia de Rubens Gomes de Souza, os produtos imunes estão fora do campo de incidência do IPI e, desse modo, as operações com estes produtos são insuscetíveis de gerarem débitos e créditos do imposto. Relativamente aos produtos isentos, é sabido que as normas de isenção pertencem à classe das regras de estrutura e introduzem modificações na regra matriz de incidência tributária, que é norma de comportamento. Segundo a lição de Paulo de Barros Carvalho, “(...) a regra de isenção investe contra um ou mais dos critérios da norma padrão de incidência, mutilando os, parcialmente. É óbvio que não pode haver supressão total do critério, porquanto equivaleria a destruir a regra matriz, inutilizando como regra válida no sistema. O que o preceito de isenção faz é subtrair parcela do campo de abrangência do critério do antecedente ou do conseqüente. (...)” (in: Curso de Direito Tributário. São Paulo: Malheiros, 9 ed. 1995 pp. 329/330). O que o preceito de isenção faz é subtrair parcela do campo de abrangência dos critérios do antecedente ou do conseqüente da regra matriz. É o encontro de duas normas jurídicas no campo abstrato, sendo uma a regra matriz de incidência tributária e outra a regra de isenção, com seu caráter supressor da área de abrangência de qualquer dos critérios da hipótese ou da conseqüência da regra matriz. Ora, se a norma de isenção mutila um dos critérios da regra matriz de incidência a conseqüência é que ela não incide sobre o evento para transformado em fato jurídico tributário. Inexistindo o fato jurídico tributário, não se instaura o liame jurídico entre Fl. 342DF CARF MF 8 os sujeitos descritos no critério pessoal do conseqüente da regra matriz. Em outras palavras, a isenção é uma hipótese de não incidência tributária. Se não existe incidência, não existe imposto “cobrado” e, conseqüentemente, a operação isenta também não pode gerar direito ao crédito de IPI, porque a nãocumulatividade do art. 153, IV, § 3º, II da CF/88, opera apenas quando houver imposto “cobrado”, ou seja, imposto que incidiu na operação anterior. No que tange aos insumos não tributados, tanto no caso de produtos in natura, quanto no caso de produtos industrializados que o legislador não quis tributar, estamos em que a regra matriz de incidência também não atua sobre o evento para transformado em fato jurídico tributário. No caso de produtos in natura, isto ocorre por absoluta impossibilidade de subsunção ao critério material da norma padrão de incidência, que exige que o produto seja industrializado. No caso dos produtos industrializados, pela inexistência de fixação do critério quantitativo, já que não existe alíquota fixada em lei. Se não existe alíquota, não existe imposto “cobrado” e a operação com produtos não tributados também não poderá gerar direito ao crédito de IPI, porque a nãocumulatividade do art. 153, IV, § 3º, II da CF/88, opera apenas quando houver imposto “cobrado”, ou seja, imposto que incidiu na operação anterior. Por fim, quanto aos insumos sujeitos à alíquota zero, a regra matriz de incidência atua com toda a sua força normativa, transformando o evento em fato jurídico. Contudo, sendo zero o valor da alíquota, zero será o valor do imposto cobrado e, por conseguinte, zero será o valor a ser creditado pela aquisição dos produtos sujeitos a esta alíquota. Portanto, claro está que não se pode conceder o direito de crédito ficto de IPI em relação a entradas de produtos imunes, isentos, não tributados ou tributados com alíquota zero por meio da aplicação direta do art. 153, IV, § 3º, II da CF, sob pena de o julgador investir se na condição de legislador ao “instituir o IPI negativo”, ferindo de morte o art. 150, § 6º da Constituição, que estabelece a necessidade de edição de lei específica para a concessão de créditos presumidos. No que tange à jurisprudência do STF citada pela recorrente, o primeiro precedente sobre o direito de créditos do IPI por aquisições desoneradas ocorreu no RE nº 212.484/RS, relatado pelo Ministro Nelson Jobim, que era um caso em que se tratava de aquisições de xarope para a fabricação de refrigerantes de uma indústria localizada na Zona Franca de Manaus. No julgamento ocorrido no dia 05/05/1998, o STF decidiu o seguinte: Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13005.721238/201305 Acórdão n.º 3302003.648 S3C3T2 Fl. 15 9 “Não ocorre ofensa à CF (art. 153, § 3º, II) quando o contribuinte do IPI credita se do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção.” A partir deste precedente, o Supremo Tribunal Federal passou a reconhecer o direito à apropriação de créditos de IPI decorrentes de aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem desonerados do imposto em virtude de isenção, alíquota zero e não tributados (insumos que estavam fora do campo de incidência do imposto). Exemplo disso é o RE nº 350.446, julgado em 18/12/2002, no qual se reconheceu o direito à apropriação de créditos de IPI pela aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero: “Ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. INSUMOS ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. Se o contribuinte do IPI pode creditar o valor dos insumos adquiridos sob o regime de isenção, inexiste razão para deixar de reconhecer lhe o mesmo direito na aquisição de insumos favorecidos pela alíquota zero, pois nada extrema, na prática, as referidas figuras desonerativas, notadamente quando se trata de aplicar o princípio da nãocumulatividade. Isenção e alíquota zero em um dos elos da cadeia produtiva desapareceriam quando da operação subseqüente, se não admitido o crédito. Recurso não conhecido.” Assim, entre maio de 1998, quando foi julgado o RE nº 212.484, e meados de 2007 o STF reconhecia o direito de os contribuintes se creditarem do IPI quando adquiriam matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem sem pagamento do IPI, em razão dessas aquisições serem desoneradas por alíquota zero, isenção ou não incidência. A situação mudou a partir do julgamento dos RE nº 353.657 e 370.682, julgados em 25/06/2007, por meio dos quais o STF passou a negar o direito de crédito nas hipóteses de aquisições de insumos não tributados e sujeitos à alíquota zero. Vejamos as ementas: RE 353.657: “EMENTA: IPI – INSUMO – ALÍQUOTA ZERO AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observa se o princípio da nãocumulatividade compensando se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. Fl. 344DF CARF MF 10 IPIINSUMO– ALÍQUOTA ZERO – CREDITAMENTO – INEXISTÊNCIA DO DIREITO – EFICÁCIA. Descabe, em face do texto constitucional regedor do Imposto Sobre Produtos Industrializados e do sistema jurisdicional brasileiro, a modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso sendo emprestada à Carta da República a maior eficácia possível, consagrando se o princípio da segurança jurídica. (RE 353.657) RE 370.682: “Ementa: Recurso Extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido.” A partir de junho de 2007 o Supremo Tribunal Federal passou a não reconhecer o direito de crédito de IPI pelas aquisições sujeitas à alíquota zero e não tributadas. Surgiu então uma situação de insegurança quanto ao direito de crédito pelas aquisições de insumos isentos. A revisão da posição do tribunal quanto aos insumos isentos veio em 29/09/2010 no julgamento do RE 566.819/RS, relatado pelo Ministro Marco Aurélio, cuja ementa transcreve se a seguir: “EMENTA: IPI CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI CRÉDITO INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário nacional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI CRÉDITO. DIFERENÇA. INSUMO. ALÍQUOTA. A prática de alíquota menor– para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial – não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final.” Por fim, no RE 592.891 foi reconhecida a repercussão geral em relação ao tema direito de crédito de IPI em relação a produtos isentos adquiridos da Zona Franca de Manaus, onde o STF decidirá se mudará ou não o entendimento do RE 212.484. Portanto, ao contrário do alegado pela defesa, o STF tem negado o direito ao crédito de IPI na aquisição de insumos desoneradas do imposto. Acrescente se que em relação ao direito de crédito de IPI pela entrada de produtos sujeitos à alíquota zero, cabe a aplicação da Súmula CARF nº 18, in verbis: Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13005.721238/201305 Acórdão n.º 3302003.648 S3C3T2 Fl. 16 11 "A aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI." Desse modo, inexistindo o direito material ao crédito ficto de IPI pelo fundamento constitucional, não existe a possibilidade de lançado no livro de apuração do imposto, e, conseqüentemente, não existe direito ao seu aproveitamento. Inexistindo direito ao principal, é desnecessário tecer qualquer consideração quanto à correção pela taxa Selic. Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim” Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 346DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000160/2007-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/12/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 01 60 /2 00 7- 18 Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11330.000160/200718 Acórdão n.º 9202004.887 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11330.000160/200718 Acórdão n.º 9202004.887 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11330.000160/200718 Acórdão n.º 9202004.887 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11330.000160/200718 Acórdão n.º 9202004.887 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11330.000160/200718 Acórdão n.º 9202004.887 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11330.000160/200718 Acórdão n.º 9202004.887 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11330.000160/200718 Acórdão n.º 9202004.887 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 381DF CARF MF Processo nº 11330.000160/200718 Acórdão n.º 9202004.887 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 11330.000160/200718 Acórdão n.º 9202004.887 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 383DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.000611/2005-38
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
SIMPLES. ATIVIDADE PERMITIDA. LEI 9.317/96, ART. 9º, V, XIII E §4º. DIVISÓRIAS. PERSIANAS. LAMINADO.
A pessoa jurídica que tenha por atividade a instalação de divisórias, de pisos laminados, persianas e esquadrias pode permanecer no Simples, sendo inaplicáveis as restrições do artigo 9º, V, XIII e seu §4º, da Lei nº 9.317/1996.
Numero da decisão: 9101-002.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego e André Mendes de Moura, que lhe deram provimento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ATIVIDADE PERMITIDA. LEI 9.317/96, ART. 9º, V, XIII E §4º. DIVISÓRIAS. PERSIANAS. LAMINADO. A pessoa jurídica que tenha por atividade a instalação de divisórias, de pisos laminados, persianas e esquadrias pode permanecer no Simples, sendo inaplicáveis as restrições do artigo 9º, V, XIII e seu §4º, da Lei nº 9.317/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego e André Mendes de Moura, que lhe deram provimento. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 06 11 /2 00 5- 38 Fl. 171DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de processo originado por Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 116, de 31/08/2006, pelo qual a contribuinte foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Neste ato foi identificada como situação excludente o exercício de atividade econômica vedada, tratada pelo artigo 9º, incisos V e XIII, e §4º, da Lei nº 9.317/1996. A fundamentação do Ato consta às fls, 83: 2. O interessado inscreveuse como optante pelo Simples a partir de 1º de janeiro de 2005 mas, entendendo que sua opção poderia retroagir à data de sua constituição, protocolizou o pedido de fla. 7, que foi anexado a este processo, formalizado com o objetivo de tratar dos procedimentos relativos a sua exclusão em decorrência da representação supra mencionada. 3. De acordo com o documento constitutivo à fla. 10, arquivado na Junta Comercial do Paraná em 20 de junho de 2003, o contribuinte presta serviços de decoração de interiores. Em 6 de agosto de 2003, procedeu à alteração de fla. 11, para incluir o ramo de serviços . de pequenas reformas e por último, em 23 de dezembro de 2004, passou a desenvolver a atividade de comércio, serviços, instalações e montagens de divisórias, pisos, forros, móveis e persianas. 4. Os serviços de decoração de interiores, por serem assemelhados aos prestados por arquiteto, e os de pequenas reformas e instalações e montagens de divisórias, pisos e forros, caracterizarem serviços auxiliares e complementares da construção civil, constituem atividade vedada à opção pelo Simples na forma da legislação de regência. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba manteve a exclusão do Simples, conforme acórdão ementado da forma seguinte (129/132): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 ATIVIDADE VEDADA. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10980.000611/200538 Acórdão n.º 9101002.727 CSRFT1 Fl. 172 3 As pessoas jurídicas cuja atividade seja de prestação de serviços auxiliares e complementares da construção civil estão impedidas de optar pelo Simples. Solicitação Indeferida. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão cuja ementa se transcreve a seguir: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2005 Ementa: SIMPLES. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO. As atividades de instalação de divisórias, pisos laminados, carpet, forros móveis; persianas e esquadrias não são próprias de engenharia, pelo que o seu exercício não impede a adesão ao regime do Simples. Recurso voluntário provido Destaquese trecho do voto do relator, acolhido à unanimidade pela Turma julgadora: A lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966, art. 27, alínea ‘f’ atribuiu ao CONFEA – Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura, a regulamentação das atividades tidas como próprias da engenharia, tendo em vista a generalidade da lei na definição dessa atividade profissional. Com fulcro nesse permissivo, o CONFEA editou a Resolução nº 218, de 29 de junho de 1972, que dispõe o seguinte: Art. 1º Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: Atividade 01 Supervisão, coordenação e orientação técnica; Atividade 02 Estudo, planejamento, projeto e especificação; Atividade 03 Estudo de viabilidade técnicoeconômica; Atividade 04 Assistência, assessoria e consultoria; Atividade 05 Direção de obra e serviço técnico; Atividade 06 Vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico; Fl. 173DF CARF MF 4 Atividade 07 Desempenho de cargo e função técnica; Atividade 08 Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica; extensão; Atividade 09 Elaboração de orçamento; Atividade 10 Padronização, mensuração e controle de qualidade; Atividade 11 Execução de obra e serviço técnico; Atividade 12 Fiscalização de obra e serviço técnico; Atividade 13 Produção técnica e especializada; Atividade 14 Condução de trabalho técnico; Atividade 15 Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Atividade 16 Execução de instalação, montagem e reparo; Atividade 17 Operação e manutenção de equipamento e instalação; Atividade 18 Execução de desenho técnico. Art. 2º Compete ao ARQUITETO OU ENGENHEIRO ARQUITETO: I o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º desta Resolução, referentes a edificações, conjuntos arquitetônicos e monumentos, arquitetura paisagística e de interiores; planejamento físico, local, urbano e regional; seus serviços afins e correlatos. Permissa venia, as atividades desenvolvidas pela Recorrente, constantes dos documentos acostados aos autos, não se enquadram dentre as próprias da engenharia. Em verdade, supor que a instalação de divisórias, pisos laminados, carpet, forros móveis; persianas e esquadrias são atividades próprias de engenharia não encontra qualquer respaldo legal ou factual. Isso porque, em verdade, referidas atividades não tem qualquer papel estrutural na edificação e não demandam, de forma alguma, profissional habilitado. Entendo que não possa ser, sequer assemelhado à atividade de um engenheiro. Ora, a atividade de engenharia civil demanda a aplicação de conhecimento especializado, mediante a verificação de inúmeros fatores como resistência de materiais, cálculos complexos, estruturação de projetos para construção duradoura e sua devida aplicação. A atividade da Recorrente, ao contrário, se faz basicamente mediante a aplicação de bens móveis mediante a utilização, em Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10980.000611/200538 Acórdão n.º 9101002.727 CSRFT1 Fl. 173 5 regra, de parafusos e cola. Não são, assim, atividades vedadas no âmbito do SIMPLES. Em 06/09/2012, a Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência do acórdão (fls. 152), apresentando recurso especial em 12/09/2012, sustentando divergência na interpretação a respeito do artigo 9º, V, XIII e §4º, da Lei nº 9.317/1996, apontando como paradigmas os acórdãos: (i) 110200.486, do qual se destaca: "A Lei IV 9.317, de 1996, dispõe que a vedação ao exercício de opção ao Simples se estende as atividade realizadas em imóveis que abrange as obras e serviços auxiliares e complementares de construção civil tais como: construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo". (ii) 30132.090, constando desta decisão: "É vedada a opção pelo SIMPLES por pessoa jurídica que exerça atividade relacionada à execução de obra de construção civil, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou subsolo. A colocação de placas, molduras e divisórias de gesso é obra de acabamento da construção civil, constituindose, portanto, em atividade impeditiva à opção pelo SIMPLES." O recurso especial foi admitido, conforme razões a seguir reproduzidas (fls. 162/164): Examinando os acórdãos paradigmas verificase que os mesmos trazem o entendimento de que não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que se dedica a atividade de construção civil, assim entendida como qualquer benfeitoria agregada ao solo. O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que instala divisórias, pisos e esquadrias. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela PGFN. (...) Com fundamento nas razões acima expendidas, dou seguimento ao presente recurso especial. A contribuinte foi intimada para contrarrazões em 31/07/2015, mas não apresentou manifestação. Fl. 175DF CARF MF 6 Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, eis que tempestivo e devidamente demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária. Como relatado, o Ato Declaratório Executivo identificou como atividades desenvolvidas pela Recorrente, segundo seu contrato social, as seguintes: "decoração de interiores", "pequenas reformas" (06/08/2003), "comércio, serviços, instalações e montagens de divisórias, pisos, forros, móveis e persianas" (23/12/2004). O Ato Declaratório Executivo motiva suas decisões indicando que a atividade seria vedada e que aquele ato produziria efeitos a partir de 01/01/2005, com fundamento no artigo 15, II, da Lei nº 9.317/1996, com redação dada pela Lei nº 11.196/2005. Prescrevia o artigo 15, II, na redação considerada pelo Delegado da Receita Federal: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Percebase que ao atribuir efeitos ao Ato Declaratório a partir de janeiro de 2005, o Delegado da Receita Federal interpretou que a atividade cujo ingresso seria vedado era a desenvolvida no mês imediatamente anterior à exclusão, isto é, decorrente da modificação no contrato social em 23/12/2004, para constar "comércio, serviços, instalações e montagens de divisórias, pisos, forros, móveis e persianas". O mesmo Ato Declaratório motiva a exclusão nos incisos V e XIII, e §4º, todos do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. À ocasião da ocorrência do fato identificado como causa para exclusão do Simples Federal (23/12/2004), vigia a Lei nº 9.317/1996, que prescrevia: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: V que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis; XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; §4º Compreendese na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10980.000611/200538 Acórdão n.º 9101002.727 CSRFT1 Fl. 174 7 construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. Destaco trechos do acórdão recorrido, tratando do tema objeto de recurso especial: Permissa venia, as atividades desenvolvidas pela Recorrente, constantes dos documentos acostados aos autos, não se enquadram dentre as próprias da engenharia. Em verdade, supor que a instalação de divisórias, pisos laminados, carpet, forros móveis; persianas e esquadrias são atividades próprias de engenharia não encontra qualquer respaldo legal ou factual. Isso porque, em verdade, referidas atividades não tem qualquer papel estrutural na edificação e não demandam, de forma alguma, profissional habilitado. Entendo que não possa ser, sequer assemelhado à atividade de um engenheiro. Ora, a atividade de engenharia civil demanda a aplicação de conhecimento especializado, mediante a verificação de inúmeros fatores como resistência de materiais, cálculos complexos, estruturação de projetos para construção duradoura e sua devida aplicação. A atividade da Recorrente, ao contrário, se faz basicamente mediante a aplicação de bens móveis mediante a utilização, em regra, de parafusos e cola. Não são, assim, atividades vedadas no âmbito do SIMPLES. Em sentido contrário, são os acórdãos paradigmas, entendendo que "a vedação ao exercício de opção ao Simples se estende as atividade realizadas em imóveis que abrange as obras e serviços auxiliares e complementares de construção civil tais como: construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo". Pareceme que o acórdão recorrido não merece reforma no caso dos autos. Isto porque o inciso V, do artigo 9º, ao tratar de "compra e venda, loteamento, incorporação ou construção de imóveis" não se refere à situações como da Recorrida, que comercializa e instala divisórias, pisos, forros, móveis e persianas. Mesmo a previsão do §4º, que complementa o inciso V, determinando que "a construção, reforma, ampliação de edificação e outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo" não é suficiente para justificar a exclusão da Recorrida do Simples. Tal qual o inciso V, o §4º destinase ao responsável por obra de construção civil, equiparado no próprio inciso V ao incorporador de imóvel, figuras que são notoriamente distintas daquele que instala divisórias, forros, móveis e persianas. O IBGE identifica os serviços de execução de construção civil na "Seção F" da classificação de atividades (CNAE). São as notas explicativas desta Seção (http://cnae.ibge.gov.br/?view=secao&tipo=cnae&versao=9&secao=F&chave=constru%C3% A7%C3%A3o%20civil) Fl. 177DF CARF MF 8 Notas Explicativas: Esta seção compreende a construção de edifícios em geral (divisão 41), as obras de infraestrutura (divisão 42) e os serviços especializados para construção que fazem parte do processo de construção (divisão 43). A construção de edifícios compreende: a construção de edifícios para usos residenciais, comerciais, industriais, agropecuários e públicos. Também estão compreendidas nesta seção as reformas, manutenções correntes, complementações e alterações de imóveis; a montagem de estruturas préfabricadas in loco para fins diversos de natureza permanente ou temporária. A construção de obras de infraestrutura compreende: a construção de autoestradas, vias urbanas, pontes, túneis, ferrovias, metrôs, pistas de aeroportos, portos e redes de abastecimento de água, sistemas de irrigação, sistemas de esgoto, instalações industriais, redes de transporte por dutos (gasodutos, minerodutos, oleodutos) e linhas de eletricidade, instalações esportivas, etc. A construção de edifícios e de obras de infraestrutura é realizada tanto pela empresa contratada como por meio da subcontratação de terceiros. A subcontratação pode ser de partes ou do todo da obra. As unidades que assumem a responsabilidade total do desenvolvimento de projetos de construção são classificadas nesta seção. O aluguel de equipamentos de construção e demolição com operador é classificado junto à atividade específica de construção que inclua o uso desses equipamentos. Esta seção compreende também as atividades de incorporação de empreendimentos imobiliários que promovem a realização de projetos de engenharia civil provendo recursos financeiros, técnicos e materiais para a sua execução e posterior venda. Caso a promoção de projetos de engenharia civil seja realizada com o propósito de sua incorporação no ativo imobilizado de negócio próprio, a unidade deverá ser classificada na atividade do seu negócio, p.ex., aluguel de imóveis, indústria, hotel, etc. Esta seção não compreende a produção de materiais de construção ou de elementos mais complexos destinados a obras de edifícios e de infraestrutura, tais como estruturas metálicas (divisão 25), elementos préfabricados de madeira (divisão 16), cimento ou outros materiais prémoldados (divisão 23), a instalação e reparação de equipamentos incorporados a edificações, como elevadores, escadas rolantes, etc., quando realizadas pelas unidades fabricantes (seção C divisão 28), os serviços de paisagismo (seção N divisão 81) e a retirada de entulho e refugos de obra e de demolições (seção E divisão 38). O IBGE ainda identifica a divisão desta "Seção F" na forma a seguir colacionada: Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10980.000611/200538 Acórdão n.º 9101002.727 CSRFT1 Fl. 175 9 Esta seção contém as seguintes divisões: 41 Construção de Edifícios 42 Obras de Infraestrutura 43 Serviços Especializados para Construção Na divisão 41 (Construção de Edifícios) constam Notas Explicativas, das quais se extrai: "Esta divisão compreende a construção de edifícios de todos os tipos (residenciais, comerciais, industriais, agropecuários e públicos), as reformas, manutenções correntes, complementações e alterações de imóveis, a montagem de estruturas de casas, abrigos e edifícios préfabricadas in loco para fins diversos de natureza permanente ou temporária quando não realizadas pelo próprio fabricante. (...)". Esta Divisão 41 ainda subdividese no Grupo 412 (Construção de Edifícios). Caso se aplique os incisos V e §4º, como procedido nos autos, a exclusão da Recorrida quanto ao Simples dependeria da identidade da sua atividade com as atividades de Construção Civil identificadas no Grupo 412, do Código CNAE/IBGE. Este Grupo não tem notas explicativas além daquelas correspondentes à divisão, acima colacionadas. Passamos à análise da única Classe identificada pelo IBGE dentro do grupo 412, qual seja: 41204: Construção de Edifícios. A hierarquia de tal Classe é a seguinte: Seção F Construção Divisão 41 Construção de Edifícios Grupo 412 Construção de Edifícios Classe 412 Construção de Edifícios Subclasse 41204 Construção de Edifícios Sobreleva considerar as Notas Explicativas desta Subclasse, também extraído do mencionado site do IBGE: Esta classe compreende: a construção de edifícios residenciais de qualquer tipo: casas e residências unifamiliares edifícios residenciais multifamiliares, incluindo edifícios de grande altura (arranhacéus) a construção de edifícios comerciais de qualquer tipo: consultórios e clínicas médicas escolas escritórios comerciais Fl. 179DF CARF MF 10 hospitais hotéis, motéis e outros tipos de alojamento lojas, galerias e centros comerciais restaurantes e outros estabelecimentos similares shopping centers a construção de edifícios destinados a outros usos específicos: armazéns e depósitos edifícios garagem, inclusive garagens subterrâneas edifícios para uso agropecuário estações para trens e metropolitanos estádios esportivos e quadras cobertas igrejas e outras construções para fins religiosos (templos) instalações para embarque e desembarque de passageiros (em aeroportos, rodoviárias, portos, etc.) penitenciárias e presídios postos de combustível a construção de edifícios industriais (fábricas, oficinas, galpões industriais, etc.) Esta classe compreende também: as reformas, manutenções correntes, complementações e alterações de edifícios de qualquer natureza já existentes a montagem de edifícios e casas prémoldadas ou pré fabricadas de qualquer material, de natureza permanente ou temporária, quando não realizadas pelo próprio fabricante. E mais importante, o final das Notas Explicativas, que resolvem o tema em debate nos presentes autos, ao discriminar o que não se considera Construção Civil de Edifício (41204): Esta classe não compreende: a fabricação e a montagem de casas de madeira (16.226), de concreto (23.303) ou de estrutura metálica (25.110), pré moldadas ou préfabricadas, quando realizadas pelo próprio fabricante a fabricação de estruturas metálicas (25.110) a realização de empreendimentos imobiliários, residenciais ou não, provendo recursos financeiros, técnicos e materiais para a sua execução e posterior venda (incorporação imobiliária) (41.107) Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10980.000611/200538 Acórdão n.º 9101002.727 CSRFT1 Fl. 176 11 as obras de instalações elétricas (43.215), hidráulicas, sanitárias e de gás (43.223), etc. os serviços de acabamento da construção (43.304) a execução de edifícios industriais e outros por contrato de construção por administração (43.991) os serviços especializados de arquitetura (projetos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos) (71.111) os serviços especializados de engenharia (concepção de projetos estruturais e de instalações, supervisão e gerenciamento de projetos de construção) (71.120) A atividade da Recorrida que ocasionou sua exclusão do Simples, lembramos, é a instalação de divisórias, forros, móveis e persianas, o que se ajusta ao item 43304. Ressalto a estrutura deste item para melhor explicitar a sua total incompatibilidade com a Subclasse da Construção Civil (CNAE 41204): Seção F Construção Divisão 43 Serviços Especializados para Construção Grupo 433 Obras de Acabamento Classe 43304 Obras de Acabamento Esta Classe tem as seguintes notas explicativas, como se observa também do site do IBGE: Esta classe compreende: a impermeabilização em edifícios e outras obras de engenharia civil a instalação de esquadrias de metal, madeira ou qualquer outro material, quando não realizada pela unidade fabricante a instalação de portas, janelas, alisares de portas e janelas, cozinhas equipadas, escadas, equipamentos para lojas comerciais e similares, em madeira e outros materiais, quando não realizada pela unidade fabricante a execução de trabalhos em madeira em interiores, quando não realizada pela unidade fabricante os serviços de acabamento em gesso e estuque os serviços de pintura, interior e exterior, em edificações de qualquer tipo os serviços de pintura em obras de engenharia civil a colocação de revestimentos de cerâmica, azulejo, mármore, granito, pedras e outros materiais em paredes e pisos, tanto no interior quanto no exterior de edificações Fl. 181DF CARF MF 12 a colocação de tacos, carpetes e outros materiais de revestimento de pisos a calafetagem, raspagem, polimento e aplicação de resinas em pisos a colocação de papéis de parede os serviços de chapisco, emboço e reboco a instalação de toldos e persianas a instalação de piscinas préfabricadas, quando não realizada pela unidade fabricante a colocação de vidros, cristais e espelhos outras atividades de acabamento em edificações, não especificadas anteriormente (grifamos) Assim, as atividades desenvolvidas pela Recorrida que fundamentaram a exclusão do Simples ajustamse ao conceito de obras de acabamento, não se enquadrando como construção de edifícios (Classe 41204: Construção de Edifícios), como exigido para enquadramento no inciso V e §4º, do artigo 9º, da Lei nº 9.317/1996. Também não me convence a pretensão de equiparar as atividades da Recorrida à de engenheiro, para justificar a exclusão do Simples com fulcro no artigo 9º, XIII, da Lei citada. Vale lembrar a identificação pelo IBGE do serviço de Engenharia, constante da Subclasse 71120/00, dentro da seguinte estrutura: Seção M Atividades Profissionais, Científicas e Técnicas Divisão 71 Serviços de Arquitetura e Engenharia, Testes e Análises Técnicas Grupo 711 Serviços de Arquitetura e Engenharia e Atividades Técnicas Relacionadas Classe 71120 Serviços de Engenharia Subclasse 7112 0/00 Serviços de Engenharia Esta subclasse tem as seguintes notas explicativas, também extraídas do site do IBGE (http://cnae.ibge.gov.br/?view=subclasse&tipo=cnae&versao= 9.1.0&subclasse=7112000&chave=constru%C3%A7%C3%A3o%20civil): Esta Subclasse compreende: os serviços técnicos de engenharia, como a elaboração e gestão de projetos e os serviços e inspeção técnica nas seguintes áreas: engenharia civil, hidráulica e de tráfego Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10980.000611/200538 Acórdão n.º 9101002.727 CSRFT1 Fl. 177 13 engenharia elétrica, eletrônica, de minas, química, mecânica, industrial, de sistemas e de segurança, agrária, etc. engenharia ambiental, engenharia acústica, etc. a supervisão de obras, controle de materiais e serviços similares a supervisão de contratos de execução de obras a supervisão e gerenciamento de projetos a vistoria, perícia técnica, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico de engenharia a concepção de maquinaria, processo e instalações industriais Esta Subclasse não compreende: os serviços de arquitetura (71111/00) os serviços de desenho técnico relacionados à arquitetura e engenharia (71197/03) os serviços de perícia técnica relacionados à segurança do trabalho (71197/04) a realização de testes físicos, químicos e outros testes analíticos de todos os tipos de materiais e de produtos (71201/00) as atividades de pesquisa e desenvolvimento experimental relacionadas à engenharia (72100/00) a execução de obras de construção (seção F) a administração de obras exercida no local da construção (seção F) Tais fatos confirmam que a atividade da Recorrida não se ajusta ao conceito de construção de imóveis (como tratado pelo inciso V e §4º, do artigo 9º, da Lei nº 9.317/1996), como tampouco equiparamse à atividade de engenheiro (como tratado pelo inciso XIII, do mesmo artigo). Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso especial, confirmando o acórdão recorrido. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 183DF CARF MF 14 Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.721833/2012-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DEDUÇÕES DE DEPENDENTES INSTRUÇÃO E DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE PARCIAL.
Somente poderão ser deduzidas para fins de apuração da base de cálculo do imposto as deduções de despesas com dependentes, de instrução e despesas médicas relativas aos gastos do contribuinte e/ou de seus dependentes, cuja dependência tenha ficado comprovada, bem como os respectivos gastos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento parcial no sentido de que seja restabelecida a dedução referente as despesas incorridas com dependente em relação a Rosemary Araújo de Paiva Lopes.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felicia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mario Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÕES DE DEPENDENTES INSTRUÇÃO E DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE PARCIAL. Somente poderão ser deduzidas para fins de apuração da base de cálculo do imposto as deduções de despesas com dependentes, de instrução e despesas médicas relativas aos gastos do contribuinte e/ou de seus dependentes, cuja dependência tenha ficado comprovada, bem como os respectivos gastos. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DEDUTIBILIDADE PARCIAL. Somente poderão ser deduzidas para fins de apuração da base de cálculo do imposto as deduções de despesas com dependentes, de instrução e despesas médicas relativas aos gastos do contribuinte e/ou de seus dependentes, cuja dependência tenha ficado comprovada, bem como os respectivos gastos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 18 33 /2 01 2- 02 Fl. 98DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento parcial no sentido de que seja restabelecida a dedução referente as despesas incorridas com dependente em relação a Rosemary Araújo de Paiva Lopes. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mario Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13116.721833/201202 Acórdão n.º 2402005.590 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, Tratase de impugnação apresentada pela pessoa física em epígrafe em 01/08/2012, contra a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física (fls.36/42), lavrada em 18/06/2012, que apurou saldo de imposto de renda a pagar no valor de R$ 2.130,21, resultante da revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF (DIRPF), exercício 2008, anocalendário 2007. De acordo com o relatório Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento por meio do procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual – DAA, foram apuradas as seguintes infrações: 1. Dedução Indevida de Dependente no valor de R$ 6.338,40, por falta de comprovação; 2. Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 4.193,12, por falta de comprovação; 3. Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi no valor de R$ 369,42, por falta de comprovação; 4. Dedução Indevida com Despesas de Instrução no valor de R$ 3.700,00, por falta de comprovação; Cientificado do lançamento em 03 de Julho de 2012, fl. 40, o interessado apresentou os documentos de fls. 12/17, solicitando o cancelamento da exigência. Ato contínuo, no despacho decisório de fls. 52/53, foram analisados, no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem os documentos apresentados pelo Impugnante e reduziu o imposto suplementar para R$ 1.219,57, conforme quadro abaixo: 1. Dedução Indevida de Dependente no valor de R$ 3.169,20, por falta de comprovação; 2. Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 3.250,00, por falta de comprovação; 3. Dedução Indevida com Despesas de Instrução no valor de R$ 3.700,00, por falta de comprovação; Cientificado da decisão em 23 /03/2015, fl. 56, o contribuinte não apresentou manifestação de inconformidade. Em sessão realizada em 25 de fevereiro de 2016, a DRJ/RJ julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 100DF CARF MF 4 Anocalendário: 2009 DEDUÇÕES DE DEPENDENTES INSTRUÇÃO E DESPESAS MÉDICAS Somente poderão ser deduzidas para fins de apuração da base de cálculo do imposto as deduções de despesas com dependentes, de instrução e despesas médicas relativas aos gastos do contribuinte e/ou de seus dependentes, cuja dependência tenha ficado comprovada, bem como os respectivos gastos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Desta forma, no âmbito da DRJ/RJ, tendo em vista os documentos apresentados pelo recorrente, restou reduzido o imposto suplementar para R$ 889,58. A recorrente foi intimada da decisão em 28/03/2016 e interpôs recurso voluntário (fls. 71) em 19/04/2016, aduzindo, em síntese, que: Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13116.721833/201202 Acórdão n.º 2402005.590 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Bianca Felicia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 28/03/2016, interpôs recurso voluntário no dia 19/04/2016, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. Dedução Indevida de Dependentes Em relação a dedução de dependentes, reproduzimos, a seguir, o art. 77 do RIR/99: Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I – o cônjuge, (...) V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; Tendo em vista que o contribuinte não apresentou, em um primeiro momento, qualquer comprovação da relação de dependência com Rosemary Araújo de Paiva Lopes e Ana Liz Lopes Billegas, a DRJ/RJ manteve a glosa no valor de R$ 3.460,80, por falta de comprovação. No entanto, em sede de recurso voluntário, o contribuinte trouxe à baila a comprovação da relação de dependência com Rosemary Araújo de Paiva Lopes, na qualidade de cônjuge, mediante apresentação da certidão de casamento (fl. 93). Desta forma, devese considerar legítima a dedução da despesa incorrida por Rosemary Araújo de Paiva Lopes, conforme parágrafo 3º, artigo 8º do RIR/99. Em relação a Ana Liz Lopes Billegas, o contribuinte reconhece que, apesar de ser sua dependente de fato, por ser sua neta e morar em sua residência, para fins de comprovação legal de dependência perante a legislação tributária prescinde de guarda judicial, a qual não a possuindo, reconhece, portanto, a dedução indevida. Não foram apresentados argumentos de defesa pelo contribuinte em relação a glosa de despesas médicas e de instrução. Fl. 102DF CARF MF 6 Tendo em vista todo o acima, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário, para que seja restabelecida a dedução referente as despesas incorridas por dependente em relação a Rosemary Araújo de Paiva Lopes, mantendose as demais por falta de comprovação e/ou previsão legal. (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild. Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720836/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
CONTRADIÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Não identificada qualquer contradição na decisão embargada, impõe-se reconhecer a improcedência dos embargos.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 2402-005.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRADIÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não identificada qualquer contradição na decisão embargada, impõe-se reconhecer a improcedência dos embargos. Embargos rejeitados.
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CONTRADIÇÃO. Embargante PETRÓLEO BRASILEIRO S.A . PETROBRAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRADIÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não identificada qualquer contradição na decisão embargada, impõese reconhecer a improcedência dos embargos. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 36 /2 01 1- 01 Fl. 3384DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 3385DF CARF MF Processo nº 16682.720836/201101 Acórdão n.º 2402005.722 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Temse em pauta embargos de declaração (fls. 3263/3267), opostos pelo contribuinte identificado em epígrafe, em face do acórdão no 2402004.873 (fls. 3220/3228), proferido por esta Turma Ordinária. Nos embargos, o contribuinte alega contradição no acórdão, pelos seguintes fundamentos: Não obstante ter essa Colenda Turma dado parcial provimento ao recurso voluntário da Embargante, reconhecendo a não incidência da contribuição previdenciária sobre o valor relativo à assistência médica e odontológica prestada aos empregados por meio do programa de Assistência Multidisciplinar de Saúde (AMS) por não ser a Embargante a efetiva tomadora do serviço, o mencionado recurso voluntário não foi provido em relação à parte concernente aos demais prestadores de serviço constantes da autuação. Neste contexto, em que pese tratarse de parcela mínima do valor total lançado por meio deste Auto de Infração, cumpre ressaltar que, no que concerne aos prestadores de serviços declarados no Anexo 3 da DIRF, sob o código 0588, a autuação também merece ser declarada insubsistente. Isso porque, pelo que consta do Auto de Infração: "Através do cruzamento das informações pagas aos trabalhadores em DIRF (...), com as informações da Folha de Pagamento e da GFIP, esta fiscalização identificou uma série de trabalhadores , identificados no (...) Anexo 3 'Prestadores de Serviço', que não estavam presentes na Folha de Pagamento apresentada, bem como não tiveram suas remunerações corretamente declaradas em GFIP". Ocorre que a Embargante apurou que diversos desses prestadores de serviços apontados no auto de infração tiveram seus pagamentos devidamente declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social GFIP, como comprovaram os documentos apresentados na peça de impugnação. Em seu Voto, o Ilustre Conselheiro assim se pronunciou sobre a questão: Fls. 293. "No entanto, além do lançamento da presente levantamento Serviços Médicos ou Odontológicos Profissionais Credenciados na AMS, verifico que também foram lançadas contribuições incidentes sobre valores pagos a contribuintes Fl. 3386DF CARF MF 4 individuais pessoas físicas, assim denominadas como "Demais prestadores de serviços". Sobre tal imputação, afirma a recorrente que pelo menos 603 prestadores de serviço apontados no Auto de Infração, tiveram seus pagamentos devidamente declarados em GFIP, como comprovam documentos anexos, e que vários outros são transportadores autônomos, o que faz reduzir a base de cálculo da contribuição previdenciária, justificando a divergência apurada. Fato é que não vislumbro ter a recorrente trazido junto ao seu recurso qualquer comprovação acerca de tais fatos, seja da devida informação em GFIP, seja da condição de transportadores autônomos dos contribuintes individuais incluídos em tal levantamento. Pelo contrário, verifico que esta reconhece que sobre tais pagamentos deveria incidira contribuição previdenciária, todavia, em patamares diferentes daqueles que foram adotados pela fiscalização. Assim, não se desincumbiu de seu ônus probatório, a demonstrar a impropriedade do lançamento quanto a este ponto." Todavia, ao contrário do que afirma o ilustre relator, a Embargante não reconhece, em nenhum momento, que tais pagamentos ensejariam a incidência da contribuição previdenciária. Tal contradição no acórdão embargado se demonstra claramente na medida em que a Embargante afirma expressamente, desde a sua impugnação, que tais pagamentos devem ser excluídos integralmente da base de lançamento da contribuição. Com efeito, embora tenha também embasado o não provimento ao pedido de anulação do lançamento no que tange aos prestadores de serviço que efetivamente tiveram a GFIP recolhida sob a alegação de que não teriam sido juntados aos autos documentos com expressa indicação do valor recolhido ou outro documento que identificasse o recolhimento efetuado contra o que se insurge desde a impugnação fato é que em nenhum momento a Embargante reconhecer a incidência da contribuição previdenciária sobre os pagamentos realizados aos demais contribuintes elencados no auto de infração, contradição esta que deve ser sanada, com vistas a se possibilitar o pleno exercício do direito de defesa da Embargante. Os embargos foram acolhidos pelo Presidente desta Turma Ordinária (fls. 3315/3316) nos seguintes termos: Constam dos autos várias cópias de GFIP e de Guias de Recolhimento à Previdência Social (fls. 2088/3039), isso aparentemente sinaliza que os prestadores de serviços seriam os mesmos incluídos no auto de infração. Com isso, em uma análise perfunctória (análise sumária, de mera delibação), própria deste momento processual, evidencia se uma contradição entre o conteúdo do acórdão Fl. 3387DF CARF MF Processo nº 16682.720836/201101 Acórdão n.º 2402005.722 S2C4T2 Fl. 4 5 embargado e as alegações postuladas na peça recursal referentes à contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais (pessoas físicas). Diante disso, quanto aos pressupostos de admissibilidade dos embargos, observo estarem preenchidos e, portanto, merecem exame pelo colegiado. De fato, o exame, em profundidade, dos pressupostos de admissibilidade e de toda a matéria registrada na peça integrativa (Embargos de Declaração) será realizado pelo colegiado. Assim os autos foram recebidos para julgamento. É o relatório. Fl. 3388DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Tendo sido previamente admitidos os embargos, passamos diretamente ao exame do mérito. Após o julgamento do recurso de ofício, restou no auto de infração exclusivamente o levantamento "DP PRESTADORES EM DIRF". De acordo com o relatório fiscal (fls. 10/18), neste levantamento foram lançadas as remunerações dos contribuintes individuais listados no anexo 3 (fls. 2057/2083), apuradas em DIRF, não declaradas em GFIP e não recolhidas em GPS. Quanto a estes contribuintes individuais, o contribuinte alega que: (a) "pelo menos 603 prestadores de serviço apontados no Auto de Infração, tiveram seus pagamentos devidamente declarados em GFIP, como comprovam documentos anexos", e (b) " vários outros são transportadores autônomos, o que faz reduzir a base de cálculo da contribuição previdenciária, justificando a divergência apurada". Alega contradição no voto, tendo em vista que "ao contrário do que afirma o ilustre relator, a Embargante não reconhece, em nenhum momento, que tais pagamentos ensejariam a incidência da contribuição previdenciária". No entanto, não assiste razão à embargante. Ao afirmar que vários contribuintes individuais "são transportadores autônomos, o que faz reduzir a base de cálculo da contribuição previdenciária", de fato a embargante reconhece que tais pagamentos ensejariam a incidência da contribuição previdenciária. E é justamente a estes contribuintes que o relator estava se referindo, não havendo qualquer mácula na decisão guerreada. Logo, não vislumbro a contradição alegada pela embargante. Ademais, a questão de mérito já fora devidamente enfrentada no acórdão da DRJ, que assim se pronunciou quanto à matéria (fl. 3057): 18. Ao argumentar que "pelo menos" 603 prestadores de serviços apontados no Auto de Infração tiveram seus pagamentos devidamente declarados em GFIP, sem, contudo, nomeálos ou quantificar os valores correspondentes, não se desincumbiu a impugnante do ônus da impugnação especificada. O mesmo em relação aos supostos transportadores autônomos, cuja redução da base de cálculo explicaria a divergência apontada pela fiscalização. Fl. 3389DF CARF MF Processo nº 16682.720836/201101 Acórdão n.º 2402005.722 S2C4T2 Fl. 5 7 19. O que na verdade pleiteia a impugnante, com tais afirmações não comprovadas, e a solicitação de perícia "com vistas a demonstrar a inexistência de omissões ou divergências", é uma refiscalização, injustificável e inadmissível na hipótese. Ao recorrer contra a decisão da DRJ, o sujeito passivo simplesmente reiterou sua irresignação, sem, no entanto, identificar os supostos contribuintes individuais que estariam declarados em GFIP e quais os valores das remunerações declaradas. Nesse contexto, o voto fundamentou o não provimento do recurso nos seguintes termos: Fato é que não vislumbro ter a recorrente trazido junto ao seu recurso qualquer comprovação acerca de tais fatos, seja da devida informação em GFIP, seja da condição de transportadores autônomos dos contribuintes individuais incluídos em tal levantamento. Pelo contrário, verifico que esta reconhece que sobre tais pagamentos deveria incidira contribuição previdenciária, todavia, em patamares diferentes daqueles que foram adotados pela fiscalização. Assim, não se desincumbiu de seu ônus probatório, a demonstrar a impropriedade do lançamento quanto a este ponto. Por outro lado, observase que o levantamento fiscal identificou cada segurado individualmente, indicando ainda a remuneração apurada na DIRF, a remuneração declarada em GFIP, e a diferença de remuneração não declarada em GFIP, objeto do lançamento, conforme discriminado no Anexo 3. Caberia ao sujeito passivo, portanto, impugnar especificadamente o lançamento, indicando nominalmente os segurados com valores divergentes. O sujeito passivo, por sua vez, limitouse a juntar as GFIPs transmitidas (fls. 2112/3039), sem identificar, especificadamente, qualquer divergência na apuração fiscal. Confirmase, portanto, a correção do levantamento fiscal, que considerou as remunerações já declaradas em GFIP, mostrandose meramente protelatórios os embargos opostos pelo contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento aos embargos. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Fl. 3390DF CARF MF
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