Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19515.721562/2013-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
NULIDADE - DIREITO DE DEFESA
O lançamento não é nulo por cerceamento ao direito de defesa, em primeiro lugar, porque corresponde à fase inquisitiva; em segundo lugar, porque concretamente os fundamentos fáticos e jurídicos foram levados ao conhecimento do acusado.
DECADÊNCIA - DOLO
Uma vez caracterizado o caráter intencional da conduta, o prazo decadencial, mesmo em relação aos tributos lançados por homologação, deve ser aferido pela regra estampada no art. 173, inciso I, do CTN.
DOLO - MULTA QUALIFICADA
Tendo sido caracterizado o caráter intencional da conduta, impõe-se a qualificação da multa de ofício.
SÓCIOS E ADMINISTRADORES. GRUPO ECONÔMICO. SONEGAÇÃO FISCAL E FRAUDE. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Os sócios, administradores e empresas que compõe o grupo econômico, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar o contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte os crimes de sonegação e fraude, respondem pelo crédito tributário.
Numero da decisão: 1401-002.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas para, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários da Contribuinte e dos apontados como responsáveis solidários.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 NULIDADE - DIREITO DE DEFESA O lançamento não é nulo por cerceamento ao direito de defesa, em primeiro lugar, porque corresponde à fase inquisitiva; em segundo lugar, porque concretamente os fundamentos fáticos e jurídicos foram levados ao conhecimento do acusado. DECADÊNCIA - DOLO Uma vez caracterizado o caráter intencional da conduta, o prazo decadencial, mesmo em relação aos tributos lançados por homologação, deve ser aferido pela regra estampada no art. 173, inciso I, do CTN. DOLO - MULTA QUALIFICADA Tendo sido caracterizado o caráter intencional da conduta, impõe-se a qualificação da multa de ofício. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. GRUPO ECONÔMICO. SONEGAÇÃO FISCAL E FRAUDE. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios, administradores e empresas que compõe o grupo econômico, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar o contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte os crimes de sonegação e fraude, respondem pelo crédito tributário.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.721562/2013-41
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5914136
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.181
nome_arquivo_s : Decisao_19515721562201341.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : Guilherme Adolfo dos Santos Mendes
nome_arquivo_pdf_s : 19515721562201341_5914136.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas para, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários da Contribuinte e dos apontados como responsáveis solidários. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7449530
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050867764035584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1833; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 4.304 1 4.303 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.721562/201341 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.181 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2018 Matéria IRRF Recorrente GOURMAITRE COZINHA INDUSTRIAL E REFEIÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007, 2008, 2009 NULIDADE DIREITO DE DEFESA O lançamento não é nulo por cerceamento ao direito de defesa, em primeiro lugar, porque corresponde à fase inquisitiva; em segundo lugar, porque concretamente os fundamentos fáticos e jurídicos foram levados ao conhecimento do acusado. DECADÊNCIA DOLO Uma vez caracterizado o caráter intencional da conduta, o prazo decadencial, mesmo em relação aos tributos lançados por homologação, deve ser aferido pela regra estampada no art. 173, inciso I, do CTN. DOLO MULTA QUALIFICADA Tendo sido caracterizado o caráter intencional da conduta, impõese a qualificação da multa de ofício. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. GRUPO ECONÔMICO. SONEGAÇÃO FISCAL E FRAUDE. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios, administradores e empresas que compõe o grupo econômico, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar o contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte os crimes de sonegação e fraude, respondem pelo crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas para, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários da Contribuinte e dos apontados como responsáveis solidários. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 15 62 /2 01 3- 41 Fl. 4304DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de recursos voluntários oferecidos pelo contribuinte e por responsáveis tributários contra decisão da DRJ às fls. 3.8423.861. Para as peças iniciais do feito, tomo de empréstimo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de autos de infração de IRRF (fls. 874/881), lavrado por conta da existência de pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. O total do crédito tributário atingiu o montante de R$ 12.000.099,40 na data do lançamento. Do Relatório de Verificação Fiscal (fls. 793/870) retiramos os seguintes fatos, entendidos como mais relevantes: Foram apontados como responsáveis tributários os Srs. Sílvio Marques, CPF 938.083.13820; Hélio Vieira, CPF 087.991.60870; Eloizo Afonso Gomes Durães, CPF 806.302.86868; e as pessoas jurídicas SP Alimentação e Serviços Ltda, CNPJ 02.293.852/000140 e Verdurama Comércio Atacadista de Alimentos Ltda., CNPJ 00.567.949/000178, pois, conforme os registros na ficha cadastral da JUCESP nº 073.172/005, sessão de 24/05/2000, o grupo “SP Alimentação” iniciou suas operações via Gourmaitre, introduzindo a Verdurama como sócia, representada pela Sra. Maria de Lourdes Dalazoana, exesposa do Sr. Eloizo. Os sucessivos registros na JUCESP apontam a troca de sócios como os Srs. Edvaldo Leite dos Santos, Sílvio Marques, Helio Vieira e a própria Sra. Maria de Lourdes Dalazoana, todos ligados ao grupo SP Alimentação. Consta na ficha cadastral da JUCESP, registro nº 855.418/1144, sessão de 27/09/2011, o bloqueio judicial pelo Sr. Juiz de Direito de Jandira/SP, vinculando a Gourmaitre ao grupo SP Alimentação, bem como os Srs. Eloizo Gomes Afonso Durães, Antônio Marques Franco, SP Alimentação, Verdurama e Ceazza Distrib. de Frutas, Verduras e Legumes Ltda. Conforme investigações efetuadas pelo GEDEC/Secretaria da Fazenda Estadual, foram lavrados autos de infração contra os contribuintes SP Alimentos e Serviços Ltda. (CNPJ 02.293.852/000140) e Verdurama Comércio Atacadista de Alimentos Ltda. (CNPJ 00.567.949/00178), onde ficou evidenciado que estas duas empresas, juntamente com a Gourmaitre, faziam parte do grupo SP Alimentação, tendo em vista que (a), no período de 2007 a 2009, houve intensa movimentação financeira entre as três empresas. A análise das solicitações para a realização de transferências bancárias entre as empresas, possibilitou identificar que foram assinados cheques por Sílvio Marques (sócio da Gourmaitre) e Antonio Marques Franco, que assinaram na mesma época autorizações/solicitações para transferências bancárias da Gourmaitre, Fl. 4305DF CARF MF Processo nº 19515.721562/201341 Acórdão n.º 1401002.181 S1C4T1 Fl. 4.305 3 SP Alimentação e Serviços Ltda. e Ceazza Distribuidora de Frutas e Legumes Ltda.; (b) há registro na contabilidade de operações de empréstimos com a Verdurama e SP Alimentação; (c) o atual sócio da Gourmaitre, Sr. Silvio Marques, já foi sócio da SP Alimentação; (d) a Verdurama já foi sócia da Gourmaitre; (e) o sócio da SP Alimentação, Sr. Eloizo Gomes Afonso, foi sócio fundador da Verdurama; (f) movimentação de contas bancárias por pessoas comuns às empresas, destacandose Antonio Marques Franco e Silvio Marques; (g) o motoboy Gilmar da Silva, encarregado dos saques na “boca do Caixa” dos bancos foi o mesmo que sacava os cheques da SP Alimentação e da Verdurama. Todas as informações deste tópico encontramse detalhadas na denúncia oferecida pelo Grupo Especial de Repressão aos Delitos Econômico do Ministério Público de São Paulo a 10ª Vara Criminal da Comarca da Capital/SP (Apenso 1 fls. 2496/2574 do presente processo). – Em razão do conhecimento por parte da Receita Federal de fraudes fiscais praticados por empresas suspeitas de praticarem fraudes nas licitações de merenda escolar, dentre elas a Gourmaitre, por meio do Ofício/Defis/SPO/Comº/nº 075/2011, endereçado ao Delegado Regional Tributário – DRTC II (fls. 277/278), foram solicitados relatórios acerca da apuração da inidoneidade de empresas tidas como fornecedoras das empresas envolvidas na operação acima relatada. A secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo repassou cópia dos relatórios das empresas fornecedoras da Gourmaitre, mas comprovadamente inidôneas, sendo (a) Cenco Central de Com. de Gêneros Alimentícios Ltda., CNPJ 05.042.077/000136; (b) Cerealista Guimarães Ltda., CNPJ 06.184.172/000149; (c) Comércio varejista de Hortifrutigranjeiro Vila Sonia Ltda., CNPJ 67.893.362/000120; (d) CPA Comércio de Produtos Alimentícios Ltda., CNPJ 07.061.726/000183; (e) Moema Hortifruti Granjeiro Ltda.; CNPJ 01.616.391/000136; (f) Vinculo Distrib. de Produtos Alimentícios e Miudezas Ltda., CNPJ 08.795.471/000145 e ( g) Genova Agro Comercial Ltda., CNPJ 05.422.205/000189. Essas empresas, ou encontravamse inativas (a, b, e), ou não efetuaram operações com a Gourmaitre (c, g), ou serviram somente como fornecedora de notas fiscais inidôneas (d), ou tiveram seu nome utilizado para a confecção de notas fiscais falsas (f). – Na denúncia oferecida pelo Ministério Público Estadual, em 05/03/2012, IP nº 050.07.0951233 (fls. 2496/2574), contra diversas pessoas, dentre eles a Gourmaitre e seus sócios, foi consignado que o responsável pela obtenção das notas fiscais inidôneas foi o Sr. Baltazar Luiz de Melo, CPF 232.623.626,20, que tem endereço e domicílio em Belo Horizonte, fato que explica o porque das empresas utilizadas para a emissão de notas fiscais inidôneas e utilizadas pela Gourmaitre terem endereço nas cidades mineiras de Betim, Contagem e Belo Horizonte. – Depois de várias intimações à empresa, sócios e excontadores, foram obtidos os livros e arquivos magnéticos da contabilidade do ano de 2007, estes em padrão PDF, fora dos padrões estabelecidos pela legislação em regência. A escrituração digital dos anos de 2008 e 2009 foi obtida junto ao Sistema Público de Escrituração Digital – SPED (fls. 2575/3571). – Foram constatadas infrações à legislação tributária, relacionadas aos custos relativos aos fornecedores inidôneos, pagamentos sem causa, à apuração do PIS e da Cofins, falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL (Anexo 1 – fls. 1145/1978). – O presente processo trata de IRRF incidente sobre os pagamentos sem causa, de sorte que os fatos relacionados às demais infrações, quando não interessarem à solução do presente litígio, não serão relatados. Os autuantes apontam que ao analisarem a rubrica contábil “Fornecedores” foram identificados registros de pagamentos em nome das empresas relacionadas acima, tidas como inidôneas, nos montantes de R$ 1.059.945,50, em 2007, R$ 3.930.678,12, em 2008, e R$ 2.578.258,44. Na análise dos pagamentos das compras, foi apurado que nenhum dos cheques relacionados no Razão (Anexo 2 – Pagamentos Sem Causa IRRF Planilhas e Razão – fls. 1979/2035) foi efetivamente destinado às referidas empresas, pelo contrário, foram destinados a pessoas físicas e jurídicas sem qualquer vínculo com os supostos fornecedores constantes na escrituração contábil, acarretando fraudes. As fraudes incidentes em simulação de pagamentos a fornecedores inexistentes acarretam em crimes contra o erário Público, que deixa de tributar os reais beneficiários dos recursos desviados. Devido aos inúmeros repasses enquadrados nessa situação, foi considerada como data de pagamento, para efeito do IRRF, a data do último dia do mês de efetivo pagamento. Os registros contábeis e as cópias dos cheques referentes aos pagamentos encontramse no Anexo 3 – Cópias de Cheques Ref. Pagamentos a Fornecedores Inidôneos (fls. 2036/2335). Como não foram comprovadas as operações ou as respectivas causas dos pagamentos, foi efetuado o lançamento do imposto de renda na fonte, conforme determina o art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Fl. 4306DF CARF MF 4 – Foi aplicada a multa de 150%, conforme previsto no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pois parte das compras contabilizadas pelo contribuinte não existiram, sendo lastreadas em documentos inidôneos (notas frias). O contribuinte procurou com este subterfúgio aumentar indevidamente seus custos e despesas e a consequente redução das bases de cálculo e valores de IRPJ e CSLL, procedimento que caracteriza sonegação fiscal, nos termos do inc. I e caput do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964. – Foi atribuída responsabilidade solidária dos créditos tributários a Eloizo Afonso Gomes Durães, CPF 806.302.86868; aos sócios Sílvio Marques, CPF 938.083.13820 e Hélio Vieira, CPF 087.991.60870, e as pessoas jurídicas SP Alimentação e Serviços Ltda, CNPJ 02.293.852/000140 e Verdurama Comércio Atacadista de Alimentos Ltda., CNPJ 00.567.949/000178, nos termos dos arts. 124 e 135 do Código Tributário Nacional. Os Termos de Declaração de Sujeição Passiva Solidária encontramse às folhas 871 a 873. O contribuinte apresentou a impugnação de folhas 3594 a 3601, alegando, em síntese, o seguinte: Nulidade do auto de infração e do termo de sujeição passiva por terem sido lavrados por pessoa incompetente, nos termos do art. 59, inc. I, do Decreto nº 70.235, de 1972, em razão da falta de assinatura do Delegado da Receita Federal de Fiscalização, ou de outorgação de poderes ao fiscal, conforme determina o art. 11, inc. IV, do referido Decreto. Embora o fisco afirme sobre a inexistência de empresas vendedoras, inabilitando os documentos fiscais da época em que ocorreram as transações comerciais, não foi o que vivenciou, pois os respectivos documentos foram entregues pelos fornecedores, bem como adotou todas as cautelas, verificando a idoneidade das empresas vendedoras. Os relatórios fiscais elaborados pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo foi que serviram de base para a declaração de inidoneidade das notas fiscais, sendo que somente algumas notas foram declaradas inidôneas. Por mais elementos que apresentasse, jamais seriam suficientes ao convencimento da Receita Federal de que houve boafé nos atos ali praticados. Mesmo que outros documentos ou nomes fossem apresentados, todo o trabalho apresentado pela Receita Federal poderia ser entendido como verdade absoluta, marginalizando o fato de que fora vítima de um ardil. Isto porque as operações foram efetivadas e as notas fiscais apresentadas. Não tendo o poder ou competência para fiscalizar atos de terceiros, limitouse, todavia, a agir com prudência em suas transações. É contribuinte de boafé, por ser presumível da situação fática que as operações efetivamente ocorreram, por isso não poderia ser penalizado com as multas ora impostas. Como o fisco somente pode tomar conhecimento da prática da ação inidônea do contribuinte no momento em que a ação está sendo praticada, ou posteriormente, e se a administração pública declara esta situação somente depois de um exaustivo trabalho, como poderia o contribuinte se antecipar aos fatos? Dessa forma restaria comprovada a sua boafé, o que excluiria a responsabilidade pela inidoneidade das notas fiscais. Nesse sentido, cita ementas do Superior Tribunal de Justiça relativas aos Resp 623.335/PR, 246.134/MG e 176.270/MG. De acordo com o art. 5º, inc. II, da Constituição Federal, ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei, daí que não lhe caberia fazer buscas, pesquisas ou outras investigações no sentido que a Secretaria da Fazenda quer fazer parecer, pois só a ela caberia fazer. Do art. 59, § 1º, item 3, do RICMS00, do Estado de São Paulo, pode ser retirado o entendimento de boafé dos atos praticados, pois este dispositivo estabelece que o documento fiscal emitido por contribuinte regular perante o fisco é documento fiscal hábil, como no caso das referidas notas fiscais. Outra conclusão não se pode existir, inclusive pela exegese do art. 112 do Código Tributário Nacional, que dispõe que a lei tributária que define infrações, ou comine penalidade, interpretase de maneira mais favorável ao acusado em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensões dos seus efeitos. Os pagamentos sem causa serviram de base para agravar as multas, sendo que seu aproveitamento contábil para IRRF não se deu com dolo, mas sim em virtude de mera consequência contábil, pois se os pagamentos foram contabilizados como aquisição de insumo, consequentemente seriam aproveitados como créditos de IRRF, portanto, devem ser desagravadas de tais multas. Por fim, requer que sua defesa seja julgada procedente, declarando insubsistente o auto de infração, e que a multa de ofício seja reduzida para 75%. Eloizo Gomes Afonso Durães apresentou a impugnação de folhas 3628 a 3647, alegando, em síntese: Nulidade do auto de infração e do termo de sujeição passiva por terem sido lavrados por pessoa incompetente, nos termos do art. 59, inc. I, do Decreto nº 70.235, de 1972, em razão da falta de assinatura do Delegado da Receita Federal de Fiscalização, ou de outorgação de poderes ao fiscal, conforme determina o art. 11, inc. IV, do referido Decreto. Cerceamento do direito de defesa por não ter recebido os apensos que acompanham os autos de infração e o Termo de Verificação fiscal. Com esta atitude o fisco tornou deficiente a instrução do Fl. 4307DF CARF MF Processo nº 19515.721562/201341 Acórdão n.º 1401002.181 S1C4T1 Fl. 4.306 5 processo, ferindo flagrantemente os princípios do contraditório, da ampla defesa e da segurança jurídica. Uma vez que não recebeu cópia de todos os documentos que deveriam instruir os autos de infração, viuse impossibilitado de verificar as informações constantes no processo para poder aditar documentos e prestar esclarecimentos que poderiam mudar o curso da defesa contra a injusta imposição que lhe foi feita. As informações contidas no auto de infração não são suficientes para apresentar uma defesa precisa, tomando essa atitude o fisco tornou deficiente a instrução do processo, ferindo flagrantemente o princípio do contraditório. Em razão desses fatos, requer que lhe seja entregue uma cópia dos documentos que instruíram o presente processo ou que lhe seja disponibilizada vista dos autos, com a consequente devolução do prazo a fim de elaborar e apresentar sua defesa com perfeição. Que jamais pertenceu ao quadro societário da Gourmaitre, como jamais a administrou, não podendo ser penalizado com a lavratura do termo de sujeição passiva solidária. O fato de ter sido sócio da Verdurama não significa que tenha sido sócio ou administrador da Gourmaitre, simplesmente pelas meras alegações do Ministério Público Paulista, que até agora nada comprovou daquilo que fora alegado, lembrando que à todos os réus de qualquer processo criminal é conferida a presunção de inocência. O art. 128 do Código Tributário Nacional dispõe que a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário à terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo a este em caráter supletivo o cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Contudo, dentro da classificação da responsabilidade tributária, está a responsabilidade de terceiros, dentre estes a dos sócios, prevista nos arts. 134 e 135 do Código Tributário Nacional, que pode ser solidária e subsidiária. A responsabilidade solidária está descrita no art. 124 do Código Tributário Nacional e, através de sua leitura, resta evidente não existir qualquer compatibilidade com a sujeição passiva solidária que lhe foi atribuída, eis que não é sócio administrador do sujeito passivo e não se enquadra em nenhum dos incisos existentes na referida norma. O art. 134 do Código Tributário Nacional deixa claro que só existe solidariedade nos casos da impossibilidade de exigência e cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, o que não é o caso, já que o sujeito passivo é empresa constituída e o sócio compareceu para atender o procedimento fiscal. Cita entendimento de Eduardo Marcial Ferreira Jardim (Manual de Direito Financeiro e Tributário, Saraiva, 1999 p. 232), no sentido de que a responsabilização de terceiros, prevista no art. 134 do Código Tributário Nacional, se condiciona a dois requisitos indispensáveis que seriam a impossibilidade de o contribuinte satisfazer o débito e a circunstância de o responsável solidário praticar ato omissivo ou comissivo no tocante ao fato jurídico tributário. Assim, não havendo um desses requisitos, não lhe pode ser estendida a obrigação do sujeito passivo principal, pois nem é sócio da empresa autuada e não é procurador que possui poderes de gerência na sociedade. No caso de prevalecer a responsabilização tributária, conforme previsto no art. 134 do Código Tributário Nacional, esta somente se aplica às penalidade moratórias e não às penalidades decorrentes da infração praticada pelo contribuinte, ressalvada a hipótese de existência de dolo do responsável tributário, o que não ocorreu no caso em tela. Segundo o disposto no art. 112 do Código Tributário Nacional, não é suficiente e, por que não dizer justo, que lhe impute os fatos alegados pelo único fato de o Ministério Público Paulista afirmar a existência de um grupo econômico supostamente organizado pelo impugnante, sem que o processo judicial sequer tenha sido julgado em primeira instância. Logo, o auto de infração prima pela inconsistência dos fatos descritos e pelo obscurantismo jurídico, visto que baseado em meras suposições, que não encontram respaldo no mundo jurídico, já que o que se busca em todo e qualquer processo, seja administrativo, seja judicial, é a verdade material dos fatos. A questão de se saber quem deve pagar o crédito tributário é exclusivamente processual e deve ser decidida em sede de processo executivo, jamais em sede de procedimento administrativo, cuja finalidade é definir a existência ou não do direito material do entre tributante. Logo, quem tem competência exclusiva para apurar, processar e julgar fraudes fiscais é a Justiça Criminal. Se o processo administrativo busca a verdade real ou material, como lhe imputar a sujeição passiva, se apenas foi baseada em alegações de um processo criminal cujas provas sequer foram apreciadas? O Ministério Público finca sua tese em depoimentos de um sujeito que diz e apenas diz, fazendo uso da delação premiada que sequer foi homologada pelo Poder Judiciário. Se ele pode vier a ser o delator, somente ele é que assume a culpa por qualquer delito então praticado até o trânsito em julgado do processo. Fl. 4308DF CARF MF 6 Decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007. Por fim, requer (i) que seja acolhida a preliminar de nulidade do procedimento fiscal; (ii) ou, se assim não for entendido, que lhe sejam entregues os documentos que acompanham o auto de infração ou a disponibilização dos autos para vista com devolução do prazo para a defesa e (iii) seja declarado insubsistente o termo de sujeição passiva solidária. Silvio Marques e Helio Vieira apresentaram as impugnações de folhas 3688 a 3697 e 3711 a 3720, alegando, preliminarmente, a nulidade do auto de infração e do termo de sujeição passiva por terem sido lavrados por pessoa incompetente, nos termos do art. 59, inc. I, do Decreto nº 70.235, de 1972, em razão da falta de assinatura do Delegado da Receita Federal de Fiscalização, ou de outorgação de poderes ao fiscal, conforme determina o art. 11, inc. IV, do referido Decreto. No mérito, apresentam os mesmos argumentos já apresentados pela próprio sujeito passivo, relacionadas à boafé dos atos praticados pela Gourmaitre, à interpretação das normas de maneira mais favorável ao acusado em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensões dos seus efeitos, e ao agravamento da multa de ofício. Por fim, requerem que sejam julgadas procedentes suas defesas para declarar insubsistentes os Termos de Sujeição Passiva Solidária e reduzir a multa de ofício para 75%. SP Alimentos e Serviços Ltda. apresentou a impugnação de folhas 3735 a 3748, tecendo os mesmos argumentos já apresentados pela própria Gourmaitre, apenas acrescentando que é evidente o vício formal no agravamento da multa, pois a Gourmaitre transacionou com as empresas vendedoras, recebeu as mercadorias, os documentos fiscais hábeis foram escriturados e contabilizados, tudo nos moldes da legislação vigente. E mais, à época dos fatos as empresas vendedoras existiam de fato e de direito e os documentos fiscais que ampararam as transações comerciais eram hábeis e, por isso, não poderiam ser glosadas. Acrescenta que o agravamento não deve prevalecer, pois decorre de escrituração contábil, e é entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que a hipótese de agravamento da multa de ofício deve ser interpretada restritivamente, e aplicada somente nos casos de fraude, em que tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o contribuinte agiu dolosamente. Alega ter ocorrido a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007. Alega que o processo administrativo busca a verdade real ou material, como lhe imputar a sujeição passiva, se apenas baseada em alegações de um processo criminal cujas provas sequer foram apreciadas? O Ministério Público finca sua tese em depoimentos de um sujeito que diz e apenas diz, fazendo uso da delação premiada que sequer foi homologada pelo Poder Judiciário. Se ele pode vier a ser o delator, somente ele é que assume a culpa por qualquer delito então praticado até o trânsito em julgado do processo. Por fim, requer que seja acolhida a preliminar de nulidade do procedimento fiscal e, alternativamente, que a multa de ofício seja reduzida para 75%. Verdurama Comércio Atacadista de alimentos Ltda. apresentou a impugnação de folhas 3797 a 3800, alegando ter ocorrido a decadência em relação aos fatos geradores do mês de julho de 2007 para trás. Alega nulidade do auto de infração por descumprimento da norma do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, tendo em vista que o auto de infração não está assinado pelo Delegado da Receita Federal, como, também, não há nenhuma autorização à funcionários para a lavratura destes autos. Alega que a presente acusação está amparada em indícios que não condizem com os fatos, uma vez que o demandado agiu de acordo com a lei. Os documentos apontados como inidôneos foram, de fato, entregues pelos fornecedores, tendo o demandado adotado as cautelas de praxe quanto a idoneidade das empresas vendedoras. As sanções impostas pela inidoneidade de algumas notas fiscais, das quais acreditava serem válidas, não podem prosperar, devendo ser canceladas, pois o demandado é contribuinte de boafé pelas operações que efetivamente ocorreram. Alega que não caberia ao demandante fazer buscas, pesquisas ou outras investigações no sentido que a Secretaria da Fazenda quer fazer parecer. Alega que os pagamentos tidos como sem causa, serviram de base para agravar as multas. Contudo, o seu aproveitamento contábil para o IRRF não se deu com dolo, mas sim em virtude de mera consequência contábil, pois se os pagamentos foram contabilizados com aquisição de insumos, consequentemente seriam aproveitados como créditos de IRRF, devendo, portanto, serem desagravadas tais multas. Por fim, requer que seja declarado insubsistente o auto de infração, com a redução da multa de ofício para 75%. DA DECISÃO RECORRIDA Fl. 4309DF CARF MF Processo nº 19515.721562/201341 Acórdão n.º 1401002.181 S1C4T1 Fl. 4.307 7 A Delegacia de Julgamento, por meio da decisão de fls. 3.8423.861, deu provimento parcial apenas para reconhecer a decadência de alguns períodos, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. DOLO. Nos casos de tributos com lançamento por homologação, tendo ocorrido as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NULIDADE DO LANÇAMENTO E DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA POR AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO CHEFE DO ÓRGÃO. A falta da assinatura do chefe do órgão local da Receita Federal no lançamento não é causa de nulidade, tendo em vista que a competência para lavratura do Auto de Infração é do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pelo procedimento fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento do direito de defesa quando o lançamento proporciona ao contribuinte o pleno conhecimento das acusações que lhe são imputadas, expondo a realidade dos fatos e provas que fundamentaram o direito de a Fazenda Pública exigir o crédito tributário, notadamente, quando a defesa demonstra, por meio de sua substanciosa argumentação, que entendeu perfeitamente a infração que lhe foi imputada. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Incide imposto de renda na fonte sobre os pagamentos efetuados por conta de aquisições bens, direitos e mercadorias ou de utilização de serviços quando o sujeito passivo não comprova a operação ou causa do pagamento. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. GRUPO ECONÔMICO. SONEGAÇÃO FISCAL E FRAUDE. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios, administradores e empresas que compõe o grupo econômico, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar o contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte os crimes de sonegação e fraude, respondem pelo crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. É cabível o agravamento da multa de ofício quando presentes os elementos abrangidos pelos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, relacionados às operações que deram causa ao lançamento tributário. Em razão do provimento parcial, recorreu de ofício da sua decisão. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS Foram apresentados recursos voluntários por (i) GOURMAITRE COZINHA INDUSTRIAL E REFEIÇÕES LTDA, na condição de contribuinte (fls. 3.9263.941; peça repetida duas vezes às fls. 4.0374.102 e 4.2374.252) e os responsáveis SP ALIMENTAÇÃO E SERVIÇOS LTDA (fls. 3.9844.002) Eloízo Gomes Afonso Durães (fls. 4.0394.057), Sílvio Marques (fls. 3.8803.897; peça repetida às fls. 4.1934.210) e Hélio Vieira (fls. 4.1464.164). Todos os recursos repetem as mesmas razões apresentadas nas impugnações; aliás, são praticamente cópias literais de peças inaugurais de defesa. É o relatório. Fl. 4310DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator DO RECURSO DE OFÍCIO O valor do crédito exonerado foi de R$ 1.127.976,80 (IRRF de R$ 451.190,72 + multa de ofício de R$ 676.786,08), acima do limite de alçada da época que era de R$ 1.000.000,00. Esse limite, porém, deve ser aferido na data da análise do recurso. Assim, o recurso não deve ser conhecido, uma vez que o limite atualmente é de R$ 2.500.000,00, conforme a Portaria MF nº 63/2017. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS Preliminar de decadência Apesar de ter sido afastada parte da autuação em razão da decadência (cujo recurso de ofício não conhecemos acima), alegase novamente esse instituto. A decisão recorrida não reconheceu a decadência na extensão pedida, pois adotou o prazo do art. 173 do CTN e não o previsto no § 4º, art. 150 da mesma codificação. Nada temos a reparar à decisão recorrida, uma vez que se caracterizou o caráter doloso da infração, o que impede a aplicação da regra mais favorável ao contribuinte. Abaixo, trataremos do caráter doloso ao analisarmos a aplicação da multa qualificada de 150%. Nego, pois, a preliminar suscitada de decadência. Demais preliminares Antes de passarmos à análise, vale registrar o que dispõe o art. 57 do RICARF, especialmente seu parágrafo 3º: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (Nosso destaque) Pois bem, conforme registramos no relatório, todos os recursos não só reiteraram as mesmas razões das impugnações, como correspondem a peças literalmente iguais. Passamos, assim, à transcrição do voto condutor da decisão recorrida na parte das preliminares: Fl. 4311DF CARF MF Processo nº 19515.721562/201341 Acórdão n.º 1401002.181 S1C4T1 Fl. 4.308 9 1. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DOS TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA Não procedem as alegações de nulidade do auto de infração e nos termos de sujeição passiva, fundadas no fato de não haver outorga de poderes pelo Delegado da Receita Federal aos auditoresfiscais que subscrevem o auto de infração, em face do disposto no art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972. O referido Decreto dispõe no art. 9º que a exigência do crédito tributário deve ser formalizada por auto de infração ou notificação de lançamento distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade. Nos arts. 10 e 11, estabelece os requisitos formais que devem ser observados pelas autoridades administrativas quando da lavratura de auto de infração e de notificação de lançamento. Tanto o auto de infração, como a notificação de lançamento, são atos administrativos que formalizam a exigência do crédito tributário, mas são atos distintos, na medida em que refletem a forma como as autoridades administrativas tomaram conhecimento da infração tributária cometida pelo contribuinte. Portanto, é importante distinguilas. Na notificação de lançamento a autoridade administrativa toma conhecimento da infração à legislação tributária no âmbito da verificação realizada a partir das informações prestadas pelo próprio contribuinte, que tem obrigação de prestar ao órgão de administração tributária um grande número de informações sobre suas operações e estabelecimentos, bem como por sistemas informatizados, que tornam cada vez mais possível a identificação da prática de infrações tributárias sem que se realize procedimentos de fiscalização junto aos contribuinte. Nessas hipóteses, por ter sido a infração identificada pelo órgão, a autoridade competente para formalizar a exigência do crédito tributário é o titular do órgão que administra o tributos, no caso o Delegado ou Inspetor da Receita Federal do Brasil, conforme prevê o art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. (Grifamos) O auto de infração difere tecnicamente da notificação de lançamento porque a autoridade administrativa toma conhecimento da infração tributária no curso de procedimento de fiscalização, que é a atividade investigatória desenvolvida pelo Estado visando identificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e que permite ao agente fiscal ampla liberdade investigatória e probatória, inerente à função estatal, fundamentalmente no poder de polícia que ao Estado compete exercer com discricionariedade, autoexecutoriedade e coercitibilidade, conforme art. 142 do Código Tributário Nacional e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Neste caso, a autoridade competente é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, conforme previsto pelo art. 6º, I, a, da Lei nº 10.593, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007, cuja atividade é vinculada pelos arts 3º e 142 do Código Tributário Nacional. Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; II em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 4312DF CARF MF 10 No caso dos autos, a infração à legislação tributária foi identificada em procedimento de fiscalização, portanto, a autoridade competente para assinar o auto de infração é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil incumbido do procedimento, como também os termos de sujeição passiva, e não o chefe do órgão que administra o tributo. Portanto, não são nulos, por incompetência do agente, o auto de infração e os termos de sujeição passiva de que tratam os autos. (...) [Suprimimos a parte relativa à análise da decadência] 3 . CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A alegação de cerceamento de defesa somente foi feita pelo responsável tributário Eloizio Gomes Afonso Durães, argumentando que não teria recebido cópia dos apensos do Auto de Infração e do termo de verificação fiscal. Em razão disso, requer que lhe seja fornecida cópia dos documentos que instruíram o processo ou que lhe seja disponibilizada vista aos autos. Primeiro destacase que existem dois apensos nos autos. O apenso 1 próprio processo em si, tratase de cópia da denúncia do Ministério Público de São Paulo na qual o Sr. Eloizo é um dos denunciados. O apenso 2 contém o razão contábil da própria empresa relativo aos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009. E as informações retiradas desse razão contábil estão devidamente discriminadas no relatório fiscal. Todas as referências aos anexos e apensos no termo de verificação fiscal foram feitas indicando pertencerem ao “presente eprocesso”. De acordo com o aviso de recebimento de fls. 3572/3573, foram enviados ao Sr. Eloízio os seguintes documentos: Termo de verificação fiscal: com o relatório completo de todo o procedimento fiscal e de suas constatações. Auto de infração: IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IRRF. Termo de sujeição passiva solidária: envolvimento do contribuinte dentro dos ilícitos apurados. Termo de entrega de documentos. Tais documentos demonstram detalhadamente como foi realizada a fiscalização, com as análises do fisco e suas respectivas intimações; abrangência da fiscalização; apuração da existência do grupo econômico; existência de fornecedores inidôneos; registros das operações irregulares; apuração dos tributos devidos; glosas de custos e de créditos; registros de pagamentos sem causa; aplicação da multa isolada e qualificada; enquadramento legal; representação fiscal para fins penais; termos lavrados; envolvimento do contribuinte como responsável solidário; entre outros. O contribuinte, inclusive, defendese desses aspectos em sua impugnação. Como é sabido, a Constituição Federal assegura o direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal. Nesse sentido, nas “orientações ao sujeito passivo”, documento que acompanhou o auto de infração encaminhado ao contribuinte (fls. 883), consta a orientação no sentido de que a vista do processo, no caso de optante pelo DTE, poderia ser feita por intermédio do Portal eCAC com certificado digital, ou presencialmente no endereço da DERAT – São Paulo, rua Luis Coelho, nº 197, Consolação – São Paulo/SP, ou em qualquer outra unidade da Receita Federal do Brasil. Aliás, em se tratando de defesa elaborada por procurador advogado, cabe registrar que a Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994, que dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil, em seu art. 7º, inc. XIII, garante o direito ao advogado examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e Legislativo, ou da Administração Pública em geral, autos de processos findos ou em andamento, com procuração quando sujeitos a sigilo, conforme é o caso dos autos, além de assegurar a obtenção de cópias dos mesmos, legislação que, obviamente, é de conhecimento do patrono do impugnante. Assim, caso entendesse necessário vistas ao processo para formulação de sua defesa, o contribuinte deveria ter acessado o processo via Portal eCAC ou ter solicitado, dentro do prazo legal de impugnação, cópia ou vistas aos autos em qualquer repartição da Receita Federal do Brasil. Não há nenhuma omissão no relatório de verificação fiscal a ensejar o cerceamento do direito de defesa e todos os elementos que fundamentam a autuação, referidos no nesse relatório, encontramse nos autos. Nessas condições, o pedido de vistas dos autos toma caráter meramente protelatório e dilatador do prazo, já que o impugnante não agiu com a diligência necessária para obter os elementos necessários à sua defesa dentro do prazo legal de impugnação. Portanto, não ocorreu cerceamento de defesa no caso dos autos. Os recursos repetem as mesmas razões das impugnações e não dialogam com a decisão atacada. Assim, por concordar plenamente com a decisão de primeiro grau, adoto suas mesmas razões com base no parágrafo 3º, art. 57 da Portaria MF 343/2015 (RICARF). Mérito Fl. 4313DF CARF MF Processo nº 19515.721562/201341 Acórdão n.º 1401002.181 S1C4T1 Fl. 4.309 11 Também quando ao mérito, tal qual fiz em relação às preliminares, transcrevo o teor da decisão recorrida para adotar as suas mesmas razões, por concordar integralmente com elas: 4 . DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE A questão relativa ao imposto de renda incidente na fonte sobre pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, lançado em face da inidoneidade do documento fiscal ou da pessoa jurídica fornecedora de bens ou serviços deve ser analisada levandose em conta os seguintes artigos do RIR/99: Art. 217. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários, em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada ou declarada inapta (Lei nº 9.430, de 1996, art.82). Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços (Lei nº 9.430, de 1996, art.82, parágrafo único). Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). (grifos nossos) Primeiro, a leitura do parágrafo único do art. 217, deixa claro que na hipótese de haver a comprovação do pagamento e do recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou a utilização dos serviços o documento fiscal produzirá efeitos tributários, mesmo que seja inidôneo ou tenha sido emitido por pessoa jurídica inapta. Se assim não fosse, ficaria prejudicado o terceiro adquirente de boafé, que consegue comprovar que houve a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou a utilização dos serviços. Nessas condições não haveria em que se falar de incidência do imposto de renda na fonte a incidir sobre os pagamentos. Segundo, a leitura do art. 674 e seus parágrafos, permite concluir que a incidência do imposto de renda na fonte somente está reservada para aquelas situações em que o Fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. É o caso dos autos, que trata de registros contábeis de aquisição de mercadorias de fornecedores que, comprovadamente, encontravamse inativos (Cenco Central de Com. de Gêneros Alimentícios Ltda., Cerealista Guimarães Ltda. e Moema Hortifruti Granjeiro Ltda.), que não efetuaram operações com o contribuinte (Comércio varejista de Hortifrutigranjeiro Vila Sonia Ltda. e Genova Agro Comercial Ltda), serviram somente de fornecedores de notas fiscais inidôneas (CPA Comércio de Produtos Alimentícios Ltda.) ou que tiveram seu nome utilizado para a confecção de notas fiscais falsas (Genova Agro Comercial Ltda.), e cujos pagamentos foram efetuados por meio de cheques, em sua maioria, nominais à própria Gourmaitre. O anexo 2 (fls. 1979/2035) traz planilhas de resumo dos pagamentos contabilizados a serem tributados pelo irrf – pagtos sem causa e demonstrativo dos pagamentos contabilizados razão. Neste último demonstrativo o autuante relaciona todos os pagamentos relativos às notas fiscais dos referidos fornecedores, identificando a data, conta, histórico do lançamento onde é indicado o número da nota fiscal o nome do fornecedor e o número do cheque correspondente ao pagamento, número do lançamento e linha do razão e o valor. Esse demonstrativo é completo, não omite nenhum elemento necessário para que o contribuinte identificasse com precisão qual o pagamento foi considerado sem causa e assim pudesse produzir prova do recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou a utilização dos serviços consignados nas notas fiscais e que o pagamento foi realizado ao respectivo fornecedor. Não houve essa prova. Tanto o contribuinte, como os responsáveis solidários, não apresentaram nenhum documento ou indicaram elementos dos autos suficientes para afastar a acusação fiscal. O anexo 3 (fls. 2036/2335) traz cópias de cheques relativos aos pagamentos em questão, nos quais se constata que quase a totalidade deles tem como beneficiário a própria Gourmaitre, sem que Fl. 4314DF CARF MF 12 houvesse a contabilização do ingresso dos recursos na conta caixa. Esse procedimento permite ao contribuinte destinar os recursos para terceiros, pessoas físicas ou jurídicas sem qualquer vínculo com os ditos fornecedores, o que afasta qualquer dúvida quanto a efetividade do pagamento. Tal fato reforça a certeza de que os registros de aquisição de bens, mercadorias e serviços, relacionados no Anexo 2, serviram unicamente para gerar custos, despesas, créditos e para dar causa a pagamentos a beneficiários não identificados ou para entrega de recursos a terceiros ou sócios, sem que tenha havido uma operação com a pessoa jurídica. Por isso deve ser mantida a exigência do imposto de renda na fonte na forma em que foi efetuado o lançamento. 5 . SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Embora a lei instituidora do tributo defina sempre quem deve figurar no pólo passivo da obrigação tributária, o Código Tributário Nacional estatui a possibilidade de alcançar aqueles que, embora não incluídos expressamente no rol dos obrigados a arcar com o tributo ou contribuição, praticam atos ou negócios com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, conforme prevê o art. 135 do Código Tributário Nacional, abaixo: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (gn) O pressuposto para a incidência desta norma é a prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato ou ao estatuto social pelo gestor ou representante da empresa. Os elementos trazidos aos autos pelos autuantes (itens 6, 7 e 8 do termo de verificação fiscal –fls. 798/801) são provas sólidas, obtidas do próprio contribuinte mediante intimações, em diligências, em depoimentos e informações de outros órgãos públicos, como a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e o Ministério Público do Estado de São Paulo, que identificaram irregularidades em licitações para fornecimento de merendas a escolas públicas, em atuação que ficou conhecida como “Operação Pratos Limpos”. Estas últimas informações foram utilizadas apenas de forma subsidiária, e não como base para o lançamento. Reproduzse parte das conclusões do PGFN/CRJ/CAT nº 55, de 2009, que trata da responsabilidade solidária: k) a análise sistemática da ordem jurídica aponta para a responsabilidade solidária dos administradores, visto que estes, no regramento do Código Civil (art. 1.016), respondem solidariamente perante terceiros (inclusive o Estado) pela prática de atos ilícitos; não haveria sentido em ser o crédito tributário menos garantido que o crédito comum; l) a obrigação do responsável é autônoma à da pessoa jurídica no que tange à natureza (licitude ou ilicitude do fato jurídico), ao nascimento (momento do surgimento) e à cobrança (exigência simultânea ou não), mas é subordinada no que tange à existência, validade e eficácia; a obrigação da pessoa jurídica contribuinte, por sua vez, independe da obrigação do responsável no que tange a esses elementos; ... q) Quando incide o art. 135, III, do CTN, não se tem uma obrigação solidária, senão duas ou mais obrigações solidárias; tratase de solidariedade imprópria, em que obrigações distintas são atadas pelo nexo de adimplemento. r) Por se tratar de solidariedade imprópria, que não se dá entre contribuintes, mas sim entre contribuinte e responsável, não precisa este último estar mencionado no lançamento do crédito tributário como sujeito passivo; sua responsabilidade, como já se disse, pode ser atestada em ato apartado ... Ficou comprovada a relação entre as pessoas físicas e jurídicas discriminadas no Termo de Sujeição Passiva Solidária com a Gourmaitre (Senhores Eloízio Durães, Sílvio Marques e Hélio Vieira, e as empresas SP Alimentação e Verdurama), a partir do momento em que ficou caracterizado o grupo econômico formado com estrutura hierárquica e empresarial no intuito de fraudar as licitações e o erário público. Essa ligação está respaldada pelos seguintes elementos: a) intensa movimentação financeira entre as três empresas; b) transferências bancárias assinadas por sócios das empresas na mesma época; c) plano de contas com previsão de empréstimos entre elas; d) sócios com atuação em mais de uma dessas empresas; e) empresa sócia de outra (Verdurama para com a Gourmaitre); f) sócio de uma empresa fundador de outra (Sr. Sílvio Marques, sócio da Gourmaitre fundou a SP Alimentação); g) contas bancárias das empresas movimentadas por pessoas comuns, como os Srs. Antônio Marques Franco e Sílvio Marques); h) declaração do Sr. Gilmar da Silva (motoboy) que sacava cheques nos Fl. 4315DF CARF MF Processo nº 19515.721562/201341 Acórdão n.º 1401002.181 S1C4T1 Fl. 4.310 13 bancos para todo o grupo, entregando o dinheiro sacado conforme determinação para o pessoal da diretoria ou do departamento financeiro das mesmas. Além da formação de grupo econômico da Gourmaitre junto com as empresas SP Alimentação e Verdurama, temos os sócios solidários com participação efetiva no esquema: a) Eloízio Gomes Afonso Durães – sócioadministrador da SP Alimentação e Serviços Ltda.; b) Sílvio Marques – sócio da Gourmaitre; c) Hélio Vieira – sócio da Gourmaitre. Aliás, a constatação da existência desse grupo econômico formado pelas três empresas não foi só alvo do Estado de São Paulo, como no caso desses autos, mas também de outras investigações, como por exemplo no Estado do Rio Grande do Sul. Apurou o Ministério Público do RS que as empresas Gourmaitre e Verdurama são coligadas da SP Alimentação, em questões envolvendo os municípios de Canoas e de Sapucaia do Sul 1, em fraude similar a desse processo: Ação civil pública aponta fraudes, favorecimento na licitação e enriquecimento ilícito do prefeito e de outros envolvidos O procurador da República no município de Canoas (RS) Adriano dos Santos Raldi pediu liminarmente que o prefeito de Sapucaia do Sul, Marcelo Machado, o viceprefeito, Gilberto Alves, além de secretários, envolvidos no caso da merenda escolar, sejam afastados dos cargos até o julgamento final da ação. O requerimento faz parte da ação civil pública, cumulada com ação de improbidade administrativa, protocolada hoje, 25 de novembro, na Justiça Federal de Canoas. A investigação desenvolvida pelo Ministério Público Federal apurou, também, o enriquecimento ilícito do prefeito e sua mulher, Ivete Beatriz da Rocha, após o início do mandato, em janeiro de 2005. O pedido de afastamento, de acordo com o procurador da República, se faz necessário devido à gravidade dos elementos reunidos no processo, composto por 48 volumes, totalizando mais de nove mil páginas. O MPF requer, ainda, a suspensão do contrato de terceirização da merenda em curso atualmente (com a empresa Verdurama) e a proibição de as empresas SP Alimentação, Verdurama e Gourmaitre celebrarem contratos com o município de Sapucaia do Sul. O procurador destaca que o procedimento investigatório instaurado no MPF deu origem a ação de improbidade administrativa contra o atual prefeito, seu vice, secretários municipais, as empresas SP Alimentação e Serviços Ltda., Verdurama Comércio Atacadista de Alimentos Ltda e Gourmaitre Cozinha Industrial e Refeições Ltda, entre outros. No total, 20 réus deverão responder por atos de improbidade administrativa decorrentes de fraudes no processo de licitação e na contratação para fornecimento da merenda escolar em Sapucaia do Sul. "À semelhança do caso da merenda escolar em Canoas, a investigação em Sapucaia do Sul apontou favorecimento à empresa SP Alimentação, de São Paulo, bem como o envolvimento das empresas coligadas Verdurama e Gourmaitre, em processo licitatório fraudulento, superfaturamento do contrato e até mesmo baixa qualidade na merenda servida aos alunos da rede municipal de ensino", explica Raldi. ... O número do processo na Justiça Federal é 2008.71.120044344. Assessoria de Comunicação Procuradoria da República no Rio Grande do Sul Portanto, devese manter a sujeição passiva solidária das pessoas físicas e jurídicas relacionadas no termo de sujeição passiva solidária de folhas 871 a 873. 6 . DA MULTA DE OFÍCIO Dispõe o art. 44, inc. I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Para o agravamento da multa de ofício, conforme previsto no § 1º do art. 44, acima transcrito, deve estar presente o dolo na conduta do sujeito passivo, que é o elemento que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, presente em todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de Fl. 4316DF CARF MF 14 1964 (arts. 71, 72 e 73), ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subseqüente obtenção do resultado. Deve estar claro que a conduta foi praticada conscientemente, voltada a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos e a esconder da fazenda pública a ocorrência dos fatos geradores. Esses elementos estão presentes no caso do presente processo. O autuante demonstrou de forma consistente que os integrantes do grupo SP Alimentação buscaram de forma dolosa benefícios tributários, mediante fraude e sonegação fiscal. Para tanto, conforme descrito no termo de verificação fiscal (fls. 793/870), praticaram um conjunto de irregularidades assim resumidas: alguns fornecedores estavam com as atividades paralisadas, outros desativadas, nos períodos de emissão das notas fiscais; fornecedores declararam nunca ter operado com a Gourmaitre; existência de carimbos falsos em nome dos mesmos; impressão de talonários e notas fiscais junto a Gourmaitre eram inidôneas, visto que não batiam com os dados constantes nos fornecedores; incompatibilidade entre o que foi fornecido no histórico da operação das notas fiscais e a estrutura que alguns dos fornecedores possuíam; inexistência de empresa nos endereços cadastrais; atividades de fornecedor somente no mercado varejista e não atacadista; adulteração de notas fiscais; falsificações de dados nos documentos em geral; inexistência de registros das notas fiscais nos órgãos estaduais; nos pagamentos a esses supostos fornecedores através de cheques, constatouse que os valores foram na verdade destinados a outras pessoas físicas e jurídicas. Esses fatos configuram, sem dúvida, a conduta dolosa com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, ou de excluir ou modificar as suas características, enquadrandose nas hipóteses previstas nos art. 71 (sonegação) e 72 (fraude) da Lei nº 4.502, de 1964. Portanto, devese manter o agravamento da multa de ofício. Com base no parágrafo 3º, art. 57 da Portaria MF 343/2015 (RICARF) adotamos as mesmas razões de decidir para manter a exigência principal, a multa qualificada e as imposições de responsabilidade tributária. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto, quanto aos recursos voluntários, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento a todos. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 4317DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.723076/2015-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
EXCESSO DE RECEITA BRUTA.
Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto na Lei Complementar nº 123, de 2006, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema.
Constatado que a administração da pessoa jurídica foi transferida para a figura de administrador, que administra todas as empresas de um mesmo grupo, com características de grupo de fato, atuando como longa manus de todas elas, como sócio administrador, ainda que de direito não conste dos quadros societários, é possível que sejam somadas as receitas brutas do grupo para fins de apuração do limite legal de opção.
PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
A prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto na Lei Complementar nº 123, de 2006, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema. Constatado que a administração da pessoa jurídica foi transferida para a figura de administrador, que administra todas as empresas de um mesmo grupo, com características de grupo de fato, atuando como longa manus de todas elas, como sócio administrador, ainda que de direito não conste dos quadros societários, é possível que sejam somadas as receitas brutas do grupo para fins de apuração do limite legal de opção. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11516.723076/2015-16
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5897616
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.680
nome_arquivo_s : Decisao_11516723076201516.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 11516723076201516_5897616.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7409372
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050867858407424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1829; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 653 1 652 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.723076/201516 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.680 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 05 de julho de 2018 Matéria Simples Nacional Recorrente TUBARÃO CONFECÇÕES EIRELI ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto na Lei Complementar nº 123, de 2006, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema. Constatado que a administração da pessoa jurídica foi transferida para a figura de administrador, que administra todas as empresas de um mesmo grupo, com características de grupo de fato, atuando como longa manus de todas elas, como sócio administrador, ainda que de direito não conste dos quadros societários, é possível que sejam somadas as receitas brutas do grupo para fins de apuração do limite legal de opção. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 30 76 /2 01 5- 16 Fl. 653DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/FNS n° 293, de 11 de novembro de 2015, que excluiu o contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), com efeitos a partir de 01/01/2011 (efl. 555), "por ter sido constatada prática reiterada de infração e excesso de receita do grupo econômico sob unicidade administrativa, fatos que importam a exclusão de ofício do Simples Nacional, com fundamento nos artigos 3º, § 4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006....". O ADE fixou os efeitos a partir 01/01/2011, e vedou a opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anoscalendário seguintes, nos termos do art. 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123/2006. Os fatores que inicialmente indicaram que as empresas componentes do grupo formado pela Recorrente e por Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, Empório Duhomem Industria, Comércio e Serviços Ltda – EPP, KCS Confecções Ltda. EPP, J. R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda, Calegari Comércio de Decorações Ltda. EPP, Eduardo Decorações Ltda. EPP, Costaesmeraldino Confecções Eireli EPP e New Modas Comércio de Confecções Ltda. ME incidiam no disposto no artigo 3º, § 4º, inciso V da Lei Complementar n° 123/2006 foi a existência de procurações públicas (efls. 66/139 e 140/163), emitidas por todas as empresas envolvidas, outorgando totais poderes de administradores (inclusive de movimentação bancária) aos senhores Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari (pai, irmã, esposa e filho). Mas o conjunto de elementos colhidos e descritos na Representação para Exclusão do Simples Nacional (efls. 02/26) mostraram que as empresas citadas formavam também grupo econômico de fato, valendose de unicidade gerencial e confusão patrimonial e financeira, o que reforçou a subsunção das optantes pelo Simples Nacional na hipótese legal de exclusão. Por bem descrever o litígio reproduzo a seguir o Relatório da decisão recorrida: Relatório Tratase de exclusão da Interessada (Tubarão Confecções Ltda ME) do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, efetuada por meio do Ato Declaratório Executivo nº 293, de 11 de novembro de 2015, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC (fl. 555), “por ter sido constatada prática reiterada de infração e excesso de receita do grupo econômico sob unicidade administrativa, fatos que importam a exclusão de ofício do Simples Nacional, com fundamento nos artigos 3º, § 4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar nº 123/2006”. Fl. 654DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 654 3 A Interessada, segundo descrito na representação administrativa que resultou na emissão do ato de exclusão (fls. 02 a 26), compõem grupo econômico de fatojuntamente com as empresas KCS Confecções Ltda – EPP, Empório Duhomem Indústria, Comércio e Serviços Ltda – ME, Eduardo Decorações Ltda – EPP, J.R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda – ME, New Modas Comércio de Confecções Ltda – ME, Calegari Comércio de Decorações Ltda EPP, Costa Esmeraldino Confecções Eireli EPP e Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, visto que todas elas, além de serem controladas e administradas por pessoas da mesma família (Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari – pai, irmã, esposa e filho), atuam de forma integrada e coordenada, constituindo na realidade uma única empresa (na acepção de empreendimento). A conclusão de que existiu, no período de 2009 a 2015, grupo econômico de fato, está amparada, em síntese, de acordo com o auditorfiscal que emitiu a representação administrativa de fls. 02 a 26, pelas seguintes constatações e elementos de prova: a) a constatação de que as empresas exercem a mesma atividade ou atividades correlatas (indústria e comércio de confecções); b) a constatação de que o comando administrativo e financeiro das empresas é exercido pelo mesmo grupo de pessoas com laços familiares (Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari – pai, irmã, esposa e filho), seja devido a participação delas no quadro societário da empresa como sócio administrador, seja por força de procuração; c) a constatação de que funcionários e até mesmo sócios de uma das empresas, além de se identificarem em carimbos como funcionários do “Grupo Nandi”, prestavam serviços de forma indistinta para as outras empresas; d) o fato da empresa Nacale Com. de Tecidos e Confecções Ltda ter atestado sua participação no grupo econômico ao declarar na ficha de abertura de contas bancárias que seu nome de fantasia é uma das marcas utilizadas pelos componentes do referido grupo econômico (Casa Nandi); e) a constatação de que existia Programa de Relacionamento (Fidelidade) que englobava todas as empresas; f) a constatação de que as empresas eram representadas pelas mesmas pessoas perante a Justiça do Trabalho; Fl. 655DF CARF MF 4 g) a constatação de que o próprio Sr. Rafael Nandi Calegari se apresenta na rede social linkedin como “Gerente de Marketing do Grupo Nandi”; h) a constatação de que o Sr. Rafael Nandi Calegari é o proprietário de todos os sites utilizados pelas empresas e da marca “Clube Maiores Lojistas”, que se refere ao programa de relacionamento que engloba todas as empresas. A autoridade fiscal que emitiu a mencionada representação administrativa ressalta, ainda, que a receita bruta global da Interessada e das outras empresas que compõem o grupo econômico de fato ultrapassou, nos anos de 2010 a 2014, o limite de que trata o inciso II do caput do artigo 3º da Lei Complementar nº 123/2006, conforme demonstrado na tabela abaixo: Diante destas constatações, a autoridade fiscal que emitiu o ato de exclusão, assim como a que emitiu a representação administrativa de fls. 02 a 26, entenderam que restou configurada a hipótese de vedação ao usufruto do Simples Nacional prevista no artigo 3º, § 4º, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, assim como a prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar nº 123/2006 (artigo 29, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006). A exclusão, conforme registrado no Ato Declaratório Executivo nº 293, de 11 de novembro de 2015, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC, “surtirá efeitos a partir 01/01/2011, sendo vedada a opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anoscalendário seguintes, nos termos do art. 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123/2006”. Devidamente intimada da emissão do mencionado Ato Declaratório Executivo em 09/12/2015 (fl. 558), a Interessada apresentou tempestivamente (fl. 604), nos autos do processo 11516.723413/201567 (processo onde constam autos de infração lavrados em decorrência da emissão do ato de exclusão), a impugnação de fls. 579 a 590, instruída com os documentos reproduzidos às fls. 591 a 600, trazendo argumentos tanto para contestar o ato de exclusão como outros pontos específicos relativos a autos de infração que foram lavrados em decorrência deste (ato de exclusão). Fl. 656DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 655 5 Ressalta que a presente impugnação, por força do disposto no artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, suspende a exigibilidade do crédito tributário. Lembra que o artigo 75, § 3º, da Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94, de 29 de novembro de 2011, determina que “na hipótese de a ME ou EPP impugnar o termo de exclusão, este se tornará efetivo quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte”. Assevera que a impugnação ao termo de exclusão do Simples Nacional obsta a realização do lançamento e a exclusão do regime diferenciado, tendo ainda o contribuinte o direito de obter certidão positiva de tributos com efeitos de negativa, a teor do disposto no art. 206 do Código Tributário Nacional. No ponto, aduz ainda que a impugnação ao termo de exclusão do Simples Nacional possui o condão de sustar, mesmo que provisoriamente, a exigibilidade do crédito, inibindo assim, o Poder Público de inscrever a dívida e socorrerse do Judiciário para cobrála coativamente. Afirma que entendimento diverso do exposto nos dois parágrafos acima acarretaria em afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Alega que carece de qualquer sentido a alegação de que integra grupo econômico. Diz que, consoante o previsto no §2º do artigo 2º da Consolidação das Leis Trabalhistas, a constituição de grupo econômico de fato pode ser definida quando duas ou mais empresas estão sob a direção, controle ou administração de outra, compondo, assim, grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Frisa que o artigo 494 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009 adota o mesmo conceito de grupo econômico da lei trabalhista, pois preceitua que “caracterizase grupo econômico quando (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica”. Aduz que a lei é clara ao dispor que o requisito essencial para o reconhecimento de grupo empresarial é a relação de subordinação entre uma empresa principal e as demais, o que, no seu entendimento, não se caracterizou no presente caso. Diz que eventual parentesco entre os sócios de duas empresas não possui o condão de estabelecer relação de grupo econômico entre as mesmas. Cita julgado do Superior Tribunal de Justiça (REsp 824667) onde restou asseverado que a redação do §2º do artigo 2º da CLT é “clara ao exigir, para a configuração do grupo econômico a existência de uma ou mais empresas que estejam sob a direção, controle ou administração de outra empresa principal”. Diz que para a configuração de grupo econômico não basta a demonstração da unidade de comando na pessoa de um sócio ou administrador, pois, o que se exige é a subordinação empresarial que, no caso dos autos, não restou demonstrada. Afirma que o Tribunal Superior do Trabalho, em decisão Fl. 657DF CARF MF 6 unânime e transitada em julgado no processo nº 191700 17.2007.5.15,0054, entendeu que a mera existência de sócios em comum e de relação de coordenação entre as empresas não constitui elemento suficiente para caracterização de grupo econômico. Cita julgado da Subseção I Especializada em Dissídios Individuais do TST onde restou asseverado que “para a configuração de grupo econômico, não basta a mera situação de coordenação entre as empresas”; que para tal configuração“é necessária a presença de relação hierárquica entre elas, de efetivo controle de uma empresa sobre as outras”; e que “o simples fato de haver sócios em comum não implica por si só o reconhecimento do grupo econômico”. Assevera que a autoridade fiscal não indicou qual seria a empresa principal no suposto grupo econômico que alega existir. Frisa que a existência de grupo econômico pressupõe uma relação de subordinação, onde duas ou mais empresas estão sob a direção, controle ou administração de outra. Aduz que as empresas relacionadas pela autoridade fiscal não compõem “grupo composto por coordenação”, este também definido como uma espécie de “grupo econômico”, pois todas as empresas citadas se encontram estabelecidas em endereços diversos, possuindo sede e administração próprias. Assevera que não há qualquer relação entre as empresas em questão, uma vez que prestam atividades diversas e as exercem de maneira totalmente independente entre si. Cita o endereço e o objeto social das empresas KCS Confecções Ltda – EPP, Calegari Comércio de Decorações Ltda – EPP, Empório Duhomem – Indústria, Comércio e Serviços Ltda – ME, Eduardo Decorações Ltda – EPP, J.R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda – ME, New Modas Comércio de Confecções Ltda – ME, Tubarão Confecções Eireli – ME, Costa Esmeraldino – Confecções Eireli e Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP. Alega que a página da internet em que consta o perfil de “Rafael Nandi” no Linkedin, como gerente de Marketing do grupo Nandi, não faz prova da existência de grupo econômico, visto que tal perfil não pertence ao Sr. Rafael Nandi Calegari, administrador da empresa Tubarão Confecções, mas sim de Rafael Nandi Marcelino, que é gerente de marketing da “Casa Nandi” e não do “grupo Nandi”, e que não tem qualquer relação de administração com qualquer das empresas em questão. Afirma que, diante do exposto, resta claro que deve ser afasta a responsabilidade solidária, pois não se encontra caracterizada a situação prevista no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Diz que mesmo que o grupo econômico em questão estivesse, de fato, constituído, tal fato não ensejaria por si só a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas componentes do grupo, vez que a solidariedade tributária se encontra pautada Fl. 658DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 656 7 em critérios objetivos, motivo pelo qual não se admite presunções. Cita julgado do Superior Tribunal de Justiça onde restou asseverado que “o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN”. Assevera que “eventual caracterização de grupo econômico em relação a outras empresas não faz presumir que todas empresas de um grupo familiar pertençam ao mesmo grupo econômico, pois, conforme já salientado, não se admite presunções em sede de responsabilidade solidária tributária”. Diz que a sua exclusão do Simples Nacional carece de razão, pois não restaram preenchidos os requisitos ensejadores da configuração de grupo econômico ou empresarial. Requer, por fim, a sua manutenção no Simples Nacional e a declaração de improcedência do lançamento efetuado. Requer, ainda, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário durante o processamento da presente impugnação. Em 04 de abril de 2016 (fls. 578 e 604), a Interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 564 a 577, onde basicamente reitera as alegações já apresentadas na impugnação de fls. 579 a 590 contra o Ato Declaratório Executivo nº 293, de 11 de novembro de 2015, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC. Em 26 de abril de 2016, a Interessada apresentou o requerimento de fls. 602/603, endereçado ao auditorfiscal titular (Delegado) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, solicitando que fosse informada via sistema que, a partir de 01/01/2015, a empresa é optante do Simples Nacional. É o relatório. A decisão de primeira instância (Acórdão n° 0740.301 6ª Turma da DRJ/FNS, efls. 607/634) julgou a Manifestações de Inconformidade improcedente, entendendo, em resumo, que os fatos enquadramse na hipótese de exclusão consignada no art. 3º, § 4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006 e confirmando os efeitos a partir 01/01/2011 e a vedação de nova opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anos calendário seguintes, nos termos do art. 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123/2006. Isto porque as referidas empresas constituem grupo econômico de fato sob unicidade administrativa, e, assim consideradas, o somatório da receita bruta do grupo extrapolou o limite legal de permanência no Simples Nacional, tendo a impugnante usufruído indevidamente da tributação favorecida do Simples Nacional. Confirmou que a impugnação do ato de exclusão obsta a sua efetividade; todavia, sendo mantida a exclusão, deverão ser observados os efeitos fixados no ADE. Cientificada da decisão de primeira instância em 07/09/2017 (efl. 635) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 06/10/2017 (efl. 649), em aduz: Fl. 659DF CARF MF 8 O Decreto n° 70.235/72, (que regula o PAF) determina que o RECURSO VOLUNTÁRIO suspende a exigibilidade do crédito tributário; e suspende a fluência do prazo prescricional para propositura da execução fiscal. O procedimento fiscal está eivado de vícios formais, razão pela qual deve ser anulado. Ressaltase que durante a fiscalização a autoridade autuante em nenhum momento solicitou documentos que seriam úteis e favoráveis ao contribuinte, e apenas enxergou o que lhe era conveniente, o que reforçava a sua tese e não a verdade dos fatos. Basta notar que não desqualificou a contabilidade, e sequer desconsiderou a personalidade jurídica de cada empresa. Também, de forma flagrante, violou o que está previsto no Código Tributário Nacional, relativo ao prazo de fiscalização (início e prazo máximo). 2.4 A autoridade fiscal não obedeceu ao que está previsto na legislação, não individualizou o procedimento para cada empresa, e assim agindo, partiu do principio (equivocado) de que estava diante de grupo econômico, e sempre tentando provar a sua tese, e portanto, deixou de ser imparcial. 2.5 Também sequer colheu assinatura dos contribuintes de forma individualizada, e por isso deve ser anulado o procedimento. 2.6 Deixou de solicitar documentos importantes e que provariam que sua tese (de grupo econômico) estava equivocada, e tudo em flagrante violação ao CTN, artigo 197. 2.7 E atuando deste modo, deixou de considerar os acordos comerciais e de rateios entre as empresas, que certamente deixaria evidente NÃO SE TRATAR DE GRUPO ECONÔMICO. 2.8 O fiscal deveria descaracterizar o imposto de renda das pessoas físicas e jurídicas, sequer provou que ocorreu confusão patrimonial ou financeira entre estas. 3 DO MÉRITO 3.1 Como o dito anteriormente, não poderia o fiscal, partindo de sua tese de grupo econômico, sem, contudo, individualizar o procedimento de fiscalização para cada empresa, e se realmente acreditou estar diante de um grupo, deveria desconsiderou a personalidade jurídica de cada uma. 3.2 Outro ponto, relativo à caracterização do grupo econômico, o CARF, até mesmo em caso de participação societária não considerou tratarse de grupo econômico, conforme a ementa abaixo... 3.2 Importante ressaltar que em momento algum ficou provado o comando único capaz de caracterizar o grupo econômico, tampouco se constatou a formação de caixa único. 3.4 A relação entre a recorrente e a autoridade fiscal, se dá na medida em que o mesmo tem a autoridade para retificar o Fl. 660DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 657 9 lançamento, e ou mediante ato vinculado promover novo lançamento. 3.5 É evidente que a Magna Carta não deu a autoridade fiscal uma carta em branco, esse exercício de competência se faz mediante ato administrativo, vinculado e motivado. Não basta a vontade da autoridade para lançar é necessário que a conduta esta prevista em norma hipotética. 3.6 Logo o que se assiste na intenção da autoridade fiscal, e mantida pelo julgador é realizar o arbitramento, sem base legal que o sustente. 3.7 A produção de prova poderia inclusive ser realizada pelo julgador, ainda que a legislação que regula o processo o permita: (...) 3.8 Como se percebe a sede de arrecadar é bem maior do que construir a verdade dos fatos, pelos meios legais previstos nos texto, a tal ponto de se desprezar toda e qualquer construção de meio probante previsto em lei. 3.9 A obrigação tributária não nasce da presunção ficcional, onde se pretende transladar a obrigação quando a mesma possui como nexo causal, o fato de ser o mesmo despachante. Somente a Lei pode isso fazer, é o que se conclui na leitura do Código Tributário Nacional:(...) 3.10 O exercício da fiscalização, é antes de mais nada, um exercício de competência legal, logo a ação fiscal é um direito dever, do agente público, é evidente que isso não é uma carta branca, mas muitas vezes a autoridade acaba por construir alguma arbitrariedade, sempre com o pretexto de seguir o que é melhor para fiscalização. (...) Em nome da eficiência, o agente fiscal não pode se distanciar também da razoabilidade, do ato administrativo, sob pena de viciar o lançamento. (...) À vista de todo o exposto, demonstrada que a ação fiscal merece ser anulada, por vícios formais do procedimento fiscal, espera e requer /.a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, com a reforma da decisão atacada e a manutenção/retorno da recorrente ao SIMPLES NACIONAL. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 661DF CARF MF 10 O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Tratase de Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 293, de 11 de novembro de 2015, que excluiu a Recorrente do Simples Nacional a contar de 01/01/2011, motivado pela constatação de excesso de receita através da formação de grupo de fato com outras empresas, sob unicidade administrativa, hipótese de exclusão prevista e regulada no artigos 3º, §4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006. A princípio cabe rejeitar a sugestão da Recorrente de que há nulidade no procedimento, tendose em vista que não se evidenciou nos autos a ocorrência da hipótese dos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972. Ou seja, não houve cerceamento do direito de defesa, tendose em vista que as fases do contencioso foram todas cumpridas, razão pela qual o próprio contribuinte trouxe à discussão todos os argumentos de defesa. Mesmo antes de apresentar a manifestação de inconformidade, quando ainda não havia litígio e contencioso, e a fiscalização ainda estava em curso, a empresa ora recorrente foi intimada de forma individualizada a apresentar sua escrita contábil e fiscal, conforme Termo de Início de Fiscalização de 10/07/2015 (efls. 49/50) e Termo de Intimação de 01/09/2015 (efls. 51/52). Cientificada do ADE em 09/12/2015 (efl. 558) teve a oportunidade de apresentar todos os documentos adicionais que julgasse suficientes para afastar a imputação contida nestes autos. Desta forma, repito, não houve cerceamento do direito de defesa. Adianto que a Representação para Exclusão do Simples Nacional é resultado da fiscalização sobre contribuições previdenciárias tendose em vista que estes tributos são costumeiramente inadimplidos através do uso indevido da adesão ao Simples, como se comprovou nestes autos. Desta forma não vislumbro conteúdo arrecadatório ou desproporcional do procedimento, como afirma a Recorrente, mas cumprimento do dever legal, como previsto no art. 142 do CTN. Adianto também que não se versou nesta Representação citada sobre "desconsideração de pessoa jurídica", como sugere a Recorrente, mas sobre a exclusão da pessoa jurídica Recorrente do regime simplificado citado. É claro que sendo a apuração concernente a averiguação de formação de grupo de fato por diversas empresas sob unicidade administrativa, as diligências nestas outras tornaramse indispensável, como se deu. Determina o art. 196 do CTN que a legislação aplicável fixará prazo máximo para a conclusão da fiscalização. Neste sentido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, que delimita a fiscalização, segundo a Portaria RFB nº 1.687/2014, terá o prazo máximo de validade de 120 (cento e vinte) dias, sendo que a prorrogação deste prazo poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, segundo a mesma norma. Desta forma, e considerandose as datas das intimações acima, não houve excesso de prazo, como sugeriu a Recorrente. Determina ainda o art. 196, parágrafo único, que os termos devam ser, preferencialmente, lavrados num dos livros obrigatórios do fiscalizado. Na impossibilidade, prevê supletivamente o CTN que o termo seja lavrado em papel separado (como se deu), notificando se o fiscalizado, mediante entrega de cópia. Esta exigência de formalização dos diversos atos recebe detalhamento no art. 7º do Dec. 70.235/72. Protesta a Recorrente pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário e da fluência do prazo prescricional para propositura da execução fiscal. A respeito do litígio destes autos, nos termos do §3º do art. 75 da Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional (RCGSN) nº 94, de 29 de novembro de 2011, a impugnação do ato de exclusão do Simples Nacional tem efeito suspensivo, com as ressalvas do art. 76. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 658 11 Os fatores que inicialmente indicaram que as empresas (componentes do grupo formado por Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, Empório Duhomem Industria, Comércio e Serviços Ltda – EPP, KCS Confecções Ltda. EPP, Tubarão Confecções Ltda. ME, Calegari Comércio de Decorações Ltda. EPP, Eduardo Decorações Ltda. EPP, Costaesmeraldino Confecções Eireli EPP, J.R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda e New Modas Comércio de Confecções Ltda. ME) incidiam no disposto no artigo 3º, § 4º, inciso V da Lei Complementar n° 123/2006 foi a existência de procurações públicas, emitidas por todas as empresas envolvidas, outorgando totais poderes de administradores aos senhores Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari (pai, irmã, esposa e filho). Mas o conjunto de elementos colhidos e descritos na Representação para Exclusão do Simples Nacional (efls. 02/26) mostraram que as empresas citadas formavam efetivamente grupo de fato, valendose de unicidade gerencial e confusão patrimonial e financeira, o que reforçou a subsunção na hipótese de exclusão das optantes pelo Simples Nacional (artigos 3º, §4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006). Neste mesmo sentido decidiu a decisão de piso, razão pela qual pedimos vênia para reproduzir as razões correspondentes descritas naquela: No presente caso, verificase da análise dos autos que, em que pese as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade/impugnação de fls. 579 a 590, não há como se negar que a Interessada (Tubarão Confecções Ltda ME), juntamente com as empresas KCS Confecções Ltda – EPP, Empório Duhomem Indústria, Comércio e Serviços Ltda – ME, Eduardo Decorações Ltda – EPP, J.R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda – ME, New Modas Comércio de Confecções Ltda – ME, Calegari Comércio de Decorações Ltda EPP, Costa Esmeraldino Confecções Eireli EPP e Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, compõem grupo econômico de fato, visto que todas elas, além de serem controladas e administradas por pessoas da mesma família (Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari – pai, irmã, esposa e filho), atuam de forma integrada e coordenada, constituindo na realidade uma única empresa (na acepção de empreendimento). Entre as provas coletadas e as constatações efetuadas pela autoridade fiscal que demonstram que as referidas empresas compõem grupo econômico de fato, devese destacar as seguintes: a) a constatação de que as empresas exercem a mesma atividade ou atividades correlatas (indústria e comércio de confecções); b) a constatação de que o comando administrativo e financeiro das empresas é exercido pelo mesmo grupo de pessoas com laços familiares (Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari – pai, irmã, esposa e filho), seja devido a participação delas no quadro societário da empresa como sócio administrador, seja por força de procuração, conforme demonstrado nos seguintes excertos da representação administrativa de fls. 02 a 26: Fl. 663DF CARF MF 12 4. DA DOCUMENTAÇÃO ANALISADA 4.1. Documentos obtidos junto ao 1° Tabelionato de Notas e Protestos de TuharãoSC. 4.1.1. Em atendimento aos Oficios Sefis/DRF/FNS nº 059 de 09/03/2015 e nº 076 de 23/04/2015 (Doc. 16), o Iº Tabelionato de Notas e Protestos apresentou os seguintes documentos: a) Certidões de registros de procurações emitidas pelas empresas abrangidas pela auditoria, outorgando aos senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari total poder para gerir e administrar as empresas auditadas (Doc. 17); b) Certidões de registros de procurações emitidas por empresas abrangidas pela auditoria, outorgando ao senhor Rafael Nandi Calegari e às senhoras Raquel Martins Farias e Márcia Calegari, total poder para gerir contascorrentes bancárias de propriedade das empresas outorgantes (Doc. 18). (...) 5.1. Da referida análise, foram extraídas informações, as quais foram compiladas nos quadros a seguir, com as conclusões pertinentes: Dos documentos obtidos junto ao 1º Tabelionato de Notas e Protestos de TubarãoSC (Item 4.1.): • Quadro 1A Das certidões de registros de procurações emitidas pelas empresas abrangidas pela auditoria, outorgando aos senhores Eraldo Nandi Calegari, Rafael Nandi Calegari, Raquel Martins Farias e Márcia Calegari, total poder para gerir c administrar as empresas auditadas: (...) • Quadro 1B Das certidões de registros de procurações emitidas por empresas abrangidas pela auditoria, outorgando ao senhor Rafael Nandi Calegari e às senhoras Raquel Martins Farias e Márcia Calegari, total poder para gerir contascorrentes bancárias de propriedade das empresas outorgantes. Percebese, nas procurações acima listadas, no que diz respeito às que outorgam poderes de total gerência e administração (Quadro 1A acima), cujas cópias são aqui anexadas (Doc. 17), que os Senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari e as Senhoras Márcia Calegari e Raquel Martins Farias, além de serem contratualmente, os titulares de uma ou mais empresas do grupo aqui caracterizado, são também procuradores, com todos os poderes para gerir e administrar as demais empresas componentes do mesmo grupo, fato que os equipara a administradores das mesmas, caracterizando a Fl. 664DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 659 13 existência de grupo econômico de fato, com unicidade gerencial c poder de decisão centralizado. No que diz respeito às procurações que outorgam poderes de movimentação de contas bancárias de propriedade das empresas outorgantes (Quadro 1B acima), cujas cópias seguem em anexo (doc. 18), estas reforçam a constatação da existência de grupo econômico de fato, uma vez que delegam poderes de gerenciamento financeiro às pessoas do Sr. Rafael Nandi Calegari e Senhoras Raquel Martins Farias e Márcia Calegari. Constatase assim, que a gerência administrativa e financeira das empresas componentes do grupo econômico aqui caracterizado, fica a cargo do grupo familiar composto pelo Senhor Evaldo Nandi Calegari, sua esposa a Senhora Raquel Martins Farias, seu filho o Senhor Rafael Nandi Calegari e sua irmã a Senhora Márcia Calegari. Este comando é mais intenso a partir do ano de 2008, com os Senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari. Em um tópico mais adiante, perceberemos que a supremacia da família aqui citada, se dá também de forma contratual, através da análise da movimentação contratual e da titulação societária (Quadro 2A). Constatase também, que os mesmos administram as referidas empresas desde o ano de 2007 até os dias atuais, conforme discriminado nas planilhas abaixo. Discriminamos abaixo, as empresas e os períodos em que os membros da família Nandi Calegari são nomeados por procuração e as empresas e períodos em que constam como administradores através de contrato social: Evaldo Nandi Calegari: Atuou como administrador, conforme contratos sociais e alterações, na empresa Eduardo Decorações Ltda. EPP nos períodos de 08/1999 a 11/2000 e 08/2005 a 05/2010. (...) Rafael Nandi Calegari: Atuou como administrador, conforme contratos sociais e alterações, na empresa Eduardo Decorações Ltda. EPP nos períodos de 02/2001 a 08/2005 c 10/2011 a 01/2013 e na empresa Empório Duhomem Ind. Com. e Serviços Ltda. EPP no período de 07/2006 a 02/2008. (...) Raquel Martins Farias: Atua como administradora, conforme contrato social e alterações, na empresa New Modas Com. De Confec. Ltda. ME desde 05/2007. (...) Fl. 665DF CARF MF 14 Márcia Calegari: Atuou como administradora, conforme contratos sociais e alterações, na empresa Nacale Com. de Tec. e Confec. Ltda EPP, no período de 10/1991 a 03/2005, na Empresa Costa Esmeraldino Confecções Eireli EPP nos períodos de 06/1998 a 08/1999 e 07/2010 a 09/2015, na empresa JR Dandolini Artigos do Vest. Ltda. ME desde 04/2013 e na empresa Tubarão Confecções Ltda. EPP desde 12/201 Devese atentar para o fato que, em algum momento da existência do grupo econômico ora analisado, o Senhor Rafael Nandi Calegari, a Senhora Raquel Martins Farias e a Senhora Márcia Calegari, que compõem o grupo familiar acima citado, fizeram parte da sociedade de uma das empresas do grupo econômico, como sócios administradores. De maneira que denota o forte vínculo existente entre as empresas que compõem o grupo econômico, uma vez que os mesmos, gerenciam financeiramente, com total poder de movimentação de contas bancárias, empresas das quais não fizeram e nem fazem parte do quadro social. A delegação de total poder de gerenciamento e administração, por procuração pública, aos senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari, e a maneira como são distribuídos, também por procuração pública, os cargos de gerenciamento financeiro, com total poder de movimentação das contas bancárias, ao senhor Rafael Nandi Calegari e às senhoras Raquel Martins Farias e Márcia Calegari, demonstra o claro objetivo de criação de um grupo de empresas, no intuito de obter melhores resultados econômicofinanceiros. Esta união entre as empresas com objetivos sociais iguais ou correlatos, caracteriza a existência de grupo econômico de fato com unicidade gerencial e comando centralizado. (...) Dos documentos apresentados pelas empresas abrangidas pela auditoria (item 4.2.). • Contratos e alterações contratuais registrados na JUCESC (Doc. 19 a Doc. 27): Dos contratos sociais e alterações, devidamente registradas na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina JUCESC extraímos as informações inseridas no resumo denominado Movimentação Contratual e no quadro denominado Titulação Societaria: MOVIMENTAÇÃO CONTRATUAL A seguir um resumo da movimentação contratual do sujeito passivo e demais pessoas jurídicas abrangidas, conforme atos constitutivos e alterações contratuais levadas ao registro perante a Junta Comercial do Estado de Santa Catarina — JUCESC (cópias cm anexo). (...) Fl. 666DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 660 15 • Quadro 2A – TITULAÇÃO SOCIETÁRIA (...) Percebese, a partir da análise do resumo da movimentação contratual e do Quadro 2A Titulação Societária, que a família Nandi Calegari, sempre esteve a frente do comando das empresas abrangidas por esta auditoria. Este comando era oficializado por contrato social devidamente registrado na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, porém a partir dos anos 2007 e 2008, com surgimento de novas empresas, novos membros da família eram incluídos nas administrações, o poder, então, passou a se concentrar em quatro membros da família, quais sejam, os Senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari e as Senhoras Márcia Calegari e Raquel Martins Farias. Formase assim, o grupo familiar que comanda, até os dias atuais o grupo econômico de fato, de cunho familiar, composto pelo senhor Evaldo Nandi Calegari, juntamente com sua irmã, a senhora Márcia Calegari, seu filho o senhor Rafael Nandi Calegari e sua esposa Senhora Raquel Martins Farias. Com já comentado anteriormente, o poder de comando é oficializado por contrato social e/ou delegado por procurações aos membros da família Nandi Calegari aqui citados, e conforme se constata nos quadros acima, há um revezamento de comando entre os mesmos, permanecendo esta supremacia ate os dias atuais, conforme quadro resumo abaixo: (...) Como já foi dito, o quadro acima demonstra que o poder de administrar está concentrado nas pessoas dos Senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari, estabelecido através de contrato social e/ou de Fl. 667DF CARF MF 16 procurações públicas, iniciandose o grupo econômico no ano de 2007 e existente ate os dias atuais. Verificase ainda, analisando a movimentação contratual, os quadros que relacionam as procurações públicas, denominados de “Quadro 1A” e “Quadro 1B”, o “Quadro 2ATitulação Societária” que, a cada mudança no quadro social, através de alterações contratuais, com introdução de um novo sócio administrador, este novo sócio administrador, em ato contínuo, delega através de procuração pública, totais poderes de gerir e administrar, aos senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari. Este fato torna clara a existência do grupo econômico de fato de cunho familiar, sem qualquer sombra de dúvida. c) a constatação de que funcionários e até mesmo sócios de uma das empresas, além de se identificarem em carimbos como funcionários do “Grupo Nandi”, prestavam serviços de forma indistinta para as outras empresas, conforme demonstrando nos seguintes trechos da representação administrativa de fls. 02 a 26: • Notas Fiscais de Entrada de Mercadorias (Doc. 40) Foram apresentadas, pelas empresas abrangidas pela auditoria, notas fiscais de entrada de mercadorias, das quais, anexamos cópias, por amostragem. Das referidas notas fiscais extraímos as seguintes informações, que comprovam nossa constatação, ou seja, da existência de grupo econômico de fato, senão vejamos: a) em diversas notas fiscais de compra de mercadorias para revenda, cujas empresas compradoras são Tubarão Confecções Ltda. ME, Empório Duhomem Ind. Com. e Serv. Ltda. EPP, KCS Confecções Ltda. EPP, JR Dandolini Art. do Vestuário Ltda. ME, consta a rubrica identificada como sendo do senhor Wagner de Souza Nunes, atestando o recebimento/lançamento das mercadorias relacionadas, no corpo das notas. Devese atentar para o fato de que o senhor Wagner de Souza Nunes, foi sócio administrador da empresa Calegari Com. De Decorações Ltda. EPP, empresa esta, componente do grupo econômico em questão, no período de 01/2011 a 11/2012 e que o mesmo também foi empregado da empresa Empório Duhomem Ind. Com. E Serv. Ltda. EPP no período de 01/06/2009 a 21/03/2013, sendo que as notas fiscais aqui referidas e anexadas por amostragem referemse ao ano de 2011; b) na nota fiscal de compra de material e equipamentos, NFe nº 4.666 Serie 1 de 14/04/2011, da fornecedora Nautec Eletrônica Ltda., consta como responsável pela compra, o Senhor Jose Roberto Dandolini, que a assina e em cujo carimbo consta que o mesmo é administrador do Grupo Nandi trazendo ainda o endereço de email “dandolini@casanandi.com.br. Neste caso, o senhor Jose Roberto Dandolini, que naquela data, era sócio administrador da empresa Tubarão Confecções Ltda ME, Fl. 668DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 661 17 atesta em seu carimbo, a existência do Grupo Nandi e, conforme endereço eletrônico (email) resta comprovado a utilização da marca “Casa Nandi”. (...) Da documentação apresentada pelo Sindicato dos Comerciários de TubarãoSC. (Item 4.4). Em atendimento ao Ofício Sefis/DRF/FNS nº 111 de 31/08/2015 (Doc. 30), o Sindicato dos Comerciários de TubarãoSC, apresentou os seguintes documentos: a) documentos referentes à homologações de rescisões contratuais de empregados das empresas componentes do Grupo Nandi (Doc. 31, 32 e 33); b) correspondências por carta, solicitando abertura das lojas do grupo Nandi em horário especial (Doc. 34); c) correspondências por emails enviados pelo Grupo Nandi comunicando o evento de Feirões com listagem das lojas participantes (Doc. 35). A documentação apresentada pelo sindicato, confirma a existência de grupo econômico, pois comprova que empregados administrativos de uma empresa componente do grupo, são utilizados indistintamente, por duas ou mais empresas. Estes empregados são identificados como prepostos de duas ou mais empresas, chefes de RH do Grupo Nandi ou Supervisores do Grupo Nandi, como veremos nos documentos aqui anexados e relatados, por amostragem a seguir: a) Documentos referentes a homologações de rescisões contratuais: a.1) Cartas de prepostos (Doc. 31) — Tratase de Cartas de Prepostos emitidas pelas empresas envolvidas na auditoria componentes do grupo econômico, em que se percebe que os prepostos nomeados, representam ao mesmo tempo as diversas empresas aqui citadas, sendo funcionários de apenas uma delas, conforme demonstrado no quadro a seguir: (...) Percebese, no quadro acima, que as funcionárias Karla Konig Leal e Priscila Ramos Marcos, embora estejam registradas como empregadas da empresa Empório Duhomem Ind. Com. e Serv. Ltda. são nomeadas representantes de diversas empresas. Ou seja, um total de 7 (sete) empresas, nomeiam duas funcionárias registradas em uma delas, representantes de todas, perante o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio. Desta forma, Fl. 669DF CARF MF 18 fica claro que as diversas empresas relacionadas no quadro acima, estão unidas, no intuito de minimizar custos e obter melhores resultados, caracterizandose assim como grupo econômico de fato. a.2) Aviso Prévio do empregador para dispensa do empregado (Doc. 32) Tratase de avisosprévios de empregador para dispensa de empregado, os quais compõem a documentação de homologação de rescisão contratual, apresentada ao Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Tubarão/SC. Da análise destes documentos, retirase as seguintes informações: 1) são avisosprévios de dispensa de empregados, emitidos pelas empresas KCS Confecções Ltda.. Empório Duhomem Ltda, Tubarão Confecções Ltda ME, Calegari Com. Dec. Ltda EPP, Costaesmeraldino Ltda Nacale Com. Confec. Ltda. e J.R. Dandolini Ltda., em diversos meses dos anos de 2010 e 2011; 2) todos os documentos foram assinados pela senhora Karla Konig Leal, que fora nomeada representante, através de carta de preposto, por todas as empresas componentes do grupo econômico; e 3) em alguns desses avisosprévios de dispensa de empregado, a senhora Karla Konig Leal, além de assinar, apõe seu carimbo de identificação, onde se lê o seu nome e os termos “Recursos Humanos” e “Grupo Nandi”, ficando claro que se trata de uma funcionária que representa, não só as empresas do grupo, como também o setor de Recursos Humanos do Grupo Nandi. Resta comprovado, também aqui, sem nenhuma dúvida, a existência de grupo econômico de fato, denominado pelos próprios como Grupo Nandi. a.3) Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho (Doc. 33) Foram apresentadas também, pelo Sindicato dos Comerciários, cópias de Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho devidamente homologadas, sendo que destes documentos, extraímos as seguintes informações: 1 ) são Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho, referentes a exempregados das empresas KCS Confecções Ltda., Empório Duhomem 2) os termos foram assinados pelas senhoras Karla Konig Leal e Priscila Ramos Marcos, as quais foram nomeadas representantes, através de carta de preposto, por todas as empresas componentes do grupo econômico; e 3) em um desses termos de rescisão do contrato de trabalho, a senhora Karla Konig Leal, além de assinar, apõe seu carimbo de identificação, onde se lê o seu nome e os termos “Recursos Humanos” e “Grupo Nandi”, ficando claro que se trata de uma funcionária que representa, não só as empresas do grupo, como também o setor de Recursos Humanos do Grupo Nandi. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 662 19 Mais uma vez, sem qualquer sombra de dúvida, comprova se a existência de grupo econômico de fato, denominado pelos próprios como Grupo Nandi. b) Correspondências por carta, solicitando abertura das lojas do grupo Nandi em horário especial e por emails, enviados pelo Grupo Nandi comunicando o evento de Feirões com listagem das lojas participantes: b.1) Cartas com solicitação de abertura em horário especial (Doc. 34) Foram apresentadas pelo Sindicato dos Comerciários de TubarãoSC cópias de cartas em que as empresas do Grupo Nandi, informam sobre a realização de “feirões de vendas”, com aberturas das lojas em horários especiais. Na planilha abaixo, relacionamos os documentos enviados: (...) Dos documentos acima relacionados e anexados à presente representação, extraímos as seguintes informações: 1) todas as empresas remetentes das cartas, fazem parte do Grupo Nandi, conforme já mencionado anteriormente: 2) todas as correspondências foram assinadas pelo senhor José Roberto Dandolini, sócio gerente, à época, de outra empresa do grupo, denominada Tubarão Confecções Ltda. ME; 3) o senhor Jose Roberto Dandolini assina todas as correspondências e, se identifica, logo abaixo de sua assinatura, como Supervisor Grupo Nandi, representando todas as empresas remetentes; e 4) percebese que, desde o ano de 2009, todas as empresas do grupo, fazem uso das marcas NANDI, EMPÓRIO DUHOMEM e LOJÃO VITÓRIA. As informações extraídas, comprovam mais uma vez e existência de fato, do grupo econômico, denominado pelos seus componentes de GRUPO NANDI, desde o ano de 2009. c) Emails enviados pelo Grupo Nandi comunicando a execução de Feirões (Doc. 35) Também através de e mails, o Grupo Nandi comunica ao Sindicato dos Comerciários, a execução de feirões, com abertura das lojas cm horários especiais. Das cópias de emails analisados, e aqui anexados, extraímos as seguintes informações: I) O remetente dos emails, datados de 23 de março de 2009 e 24 de julho de 2009, é o senhor José Roberto Dandolini, identificado ao pé dos emails como Supervisor do Grupo Nandi, utilizando um endereço de email Fl. 671DF CARF MF 20 corporativo do Grupo Nandi (dandolini@casanandi.com.br). Vale lembrar novamente que o senhor José Roberto Dandolini era sócio gerente, à época, de outra empresa do Grupo Nandi, denominada Tubarão Confecções Ltda. ME; e 2) no corpo dos emails, o supervisor do Grupo Nandi informa sobre o evento denominado Feirão e lista por nome de fantasia, as lojas do grupo que participarão do feirão. Abaixo relacionamos as lojas listadas no corpo dos emails, pelo nome de fantasia, respectiva razão social e número de CNPJ: (...) Toda a documentação apresentada pelo Sindicato dos Comerciários de TubarãoSC, aqui comentada, comprova a existência de um grupo econômico de fato, na medida em que um grupo de empresas, utilizamse de funcionários, umas das outras, indistintamente, denotando unicidade gerencial, na área de recursos humanos, ou seja, a existência de um organismo administrativo único para todas as empresas analisadas, não deixando qualquer dúvida quanto a existência do grupo econômico de fato. d) o fato da empresa Nacale Com. de Tecidos e Confecções Ltda ter atestado sua participação no grupo econômico ao declarar na ficha de abertura de contas bancárias que seu nome de fantasia é uma das marcas utilizadas pelos componentes do referido grupo econômico (Casa Nandi), conforme exposto no seguinte excerto da representação administrativa de fls. 02 a 26: • Contratos de Abertura de Contacorrente (Doc. 41) O contribuinte apresentou contratos de abertura de conta corrente. Nestes contratos firmados entre a empresa Nacale Com. de Tecidos e Confecções Ltda. e o Banco do Brasil S/A e a Caixa Econômica Federal, a empresa atesta sua participação no grupo econômico de fato aqui caracterizado, ao declarar na ficha de abertura de contas que seu nome de fantasia é “Casa Nandi”, sendo esta uma das marcas utilizadas pelos componentes do referido grupo econômico. Mais uma vez resta comprovado, através da documentação apresentada pelas empresas auditadas, a existência de grupo econômico de fato. e) a constatação de que existia Programa de Relacionamento (Fidelidade) que englobava todas as empresas, conforme exposto no seguinte trecho da representação administrativa de fls. 02 a 26: Dos documentos obtidos junto ao Oficio de Registros das Pessoas Naturais e Interdições e Tutelas das Pessoas Jurídicas e de Títulos e Documentos da Comarca de Tubarão/SC (Item 4.3). Fl. 672DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 663 21 Em atendimento ao Ofício Sefis/DRF/FNS nº 066 de 30/03/2015 (Doc. 28), o Ofício de Registros Civis das Pessoas Naturais e de Interdições e Tutelas das Pessoas Jurídicas e de Titulos e Documentos da Comarca de Tubarão/SC, forneceu a esta auditoria cópia do Regulamento do Programa de Relacionamento Clube Maiores Lojas (Doc. 29). O referido documento trata da criação de um programa de fidelidade, para clientes em compra em lojas que pertencem ao grupo de empresas que constituem o grupo econômico de fato, ora comprovado. O regulamento do programa de relacionamento foi rubricado e assinado pelo senhor Rafael Nandi Calegari, representando todas as empresas componentes do grupo econômico, e registrado no cartório em 19/03/2010, no livro B158, folha 104 do Ofício de Registros Civis das Pessoas Naturais e de Interdições e Tutelas das Pessoas Jurídicas e de Títulos e Documentos da Comarca de TubarãoSC. A criação do programa de relacionamento, a citação do grupo econômico, com a listagem das empresas que o compõe, a assinatura do senhor Rafael Nandi Calegari, exercendo o poder que lhe é delegado pelas procurações citadas no Quadro 1A acima, representando todas as lojas do “Clube Nandi”, não deixa qualquer dúvida quanto a real existência do grupo econômico de fato. f) a constatação de que as empresas eram representadas pelas mesmas pessoas perante a Justiça do Trabalho, conforme exposto no seguinte trecho da representação administrativa de fls. 02 a 26: Dos documentos obtidos junto à Justiça do Trabalho (Item 4.5) Foram obtidos, junto à Justiça do Trabalho de Santa Catarina, primeira e segunda varas do trabalho de TubarãoSC, cópias de partes de processos trabalhistas (Doc. 36), em que figuram como partes, empresas abrangidas por esta auditoria, dos quais extraímos as informações que corroboram com a caracterização de grupo econômico de fato, conforme quadro a seguir (...) g) a constatação de que o próprio Sr. Rafael Nandi Calegari se apresenta na rede social linkedin como “Gerente de Marketing do Grupo Nandi”, conforme exposto no seguinte trecho da representação administrativa de fls. 02 a 26: b) Perfis de pessoas físicas relacionadas com as empresas abrangidas pela auditoria: Fl. 673DF CARF MF 22 Na rede social “linkedin” https://www.linkedin.com), o senhor Rafael Nandi Calegari se identifica como “Gerente de Marketing do Grupo Nandi” (Doc. 38). Neste documento estão relacionadas as marcas utilizadas pelas empresas componentes do Grupo Nandi (Lojão Vitória, Casa Nandi, Empório Duhomem e Nandi Decorações). Isto comprova a existência do Grupo Econômico Nandi e a estrutura organizacional que se utiliza de um gerente de marketing para todo o grupo de empresas. h) a constatação de que o Sr. Rafael Nandi Calegari é o proprietário de todos os sites utilizados pelas empresas e da marca “Clube Maiores Lojistas”, que se refere ao programa de relacionamento que engloba todas as empresas, conforme exposto no seguinte excerto da representação administrativa de fls. 02 a 26: Da documentação e Informações obtidas através da rede mundial de computadores (Internet) (Item 4.6) Em pesquisa junto a rede mundial de computadores, obtivemos informações e documentos, que representam evidências e provas da existência do grupo econômico de fato, com unicidade gerencial e comando centralizado. Dentre as informações e documentos obtidos relacionamos as seguintes: a) páginas iniciais de sites na internet e informações relacionadas com as empresas abrangidas pela auditoria (Doc. 37); b) perfis de pessoas físicas relacionadas com as empresas abrangidas pela auditoria (Doc. 38); c) Whois Registro de Domínios (Doc. 39): e d) INPI (registro de marcas) (Doc. 42). a) Páginas iniciais de sites na internet e informações relacionadas com as empresas abrangidas pela auditoria: Na rede mundial de computadores, encontrase a página “http://www.lojaovitoria.com.br/cartão”. Esta é a página de divulgação do programa de relacionamento “Clube Maiores Lojas”, citado no item 4.3, onde novamente é citado o “Clube Nandi” como administrador do programa (Doc. 37). Nesta divulgação aparecem exemplos de cartões do programa de relacionamento com os logotipos das empresas com as marcas Lojão Vitória, Empório Duhomem e Casa Nandi. Estas são as marcas usadas pelas empresas componentes do grupo econômico denominado “GRUPO NANDI”. (...) c) Informações através do “Whois” (Protocolo para consulta sobre domínios (sites) na internet): Fl. 674DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 664 23 Com a utilização do “WHOIS”, que funciona como protocolo para consulta sobre propriedade de domínios (sites) na rede mundial de computadores, localizamos os registros dos sites “casanandi.com.br” criado em 24/03/1998, “lojaovitoria.com.br” criado cm 27/07/2000, “lojasnandi.com.br” criado em 09/08/2011, “emporioduhomem.com.br” criado em 20/01/2009, “nandidecorações.com.br” criado em 20/01/2009 e “clubemaioreslojas.com.br” criado em 30/11/2009 (Doc. 39). Todos os domínios aqui citados, são amplamente usados pelas empresas componentes do grupo econômico e por seus funcionários, fato facilmente comprovado em qualquer busca efetuada na rede mundial de computadores. Nos registros dos referidos domínios, que constam no site “registro.br”, está identificado como proprietário dos referidos sites, o senhor Rafael Nandi Calegari, ou seja, mais uma comprovação que o senhor Rafael Nandi Calegari é o proprietário destes sites e os mesmos são utilizados pelas empresas componentes do Grupo Nandi, sem qualquer ônus, o que caracteriza confusão patrimonial e usufruto coletivo por empresas componentes do grupo econômico aqui identificado. Importante salientar que o senhor Rafael Nandi Calegari é o administrador, por procuração, das empresas aqui mencionadas. d) Registro de Marcas INPI Instituto Nacional de Propriedade Industrial: Junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial, foram encontrados documentos de registro de uso de marcas (Doc. 42), os quais nos fornecem as seguintes informações: 1) as marcas “NANDI” e “LOJÃO VITÓRIA” são utilizadas pelas empresas componentes do grupo econômico de fato, aqui caracterizado, tanto de maneira formal quanto informal, conforme fartamente comprovado: e 2) a marca “CLUBE MAIORES LOJAS” que da nome ao programa de relacionamento referido no item 4.3, é de propriedade do senhor Rafael Nandi Calegari, sendo que o mesmo, é administrador por força de contrato social e/ou por procuração, de todas as empresas componentes do grupo econômico ora caracterizado, conforme amplamente demonstrado no decorrer da presente representação. Percebemse aqui, mais uma vez, claras evidências da existência de grupo econômico de fato, pela constatação da unicidade gerencial, implícita na divulgação na internet, de um programa de fidelidade chamado “Clube maiores Lojas” em que participam diversas empresas componentes do grupo econômico aqui caracterizado, Fl. 675DF CARF MF 24 pela divulgação do próprio perfil, divulgado também na rede mundial de computadores, pelo Senhor Rafael Nandi Calegari, em que o mesmo se intitula “Gerente de Marketing na Grupo Nandi” e pela constatação que o Sr. Rafael Nandi Calegari, procurador das empresas do Grupo Nandi, é o titular dos domínios “lojasnandi.com.br” e “lojaovitoria.com.br” que são os endereços eletrônicos (emails) utilizados pelas empresas que compõem o referido grupo econômico. Como se vê, a análise conjunta das provas e constatações discriminadas acima não deixa dúvidas de que a Interessada (Tubarão Confecções Ltda ME), juntamente com as empresas KCS Confecções Ltda – EPP, Empório Duhomem Indústria, Comércio e Serviços Ltda – ME, Eduardo Decorações Ltda – EPP, J.R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda – ME, New Modas Comércio de Confecções Ltda – ME, Calegari Comércio de Decorações Ltda EPP, Costa Esmeraldino Confecções Eireli EPP e Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, compõem grupo econômico de fato, visto que todas elas, além de serem controladas e administradas por pessoas da mesma família (Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari – pai, irmã, esposa e filho), atuam de forma integrada e coordenada, constituindo na realidade uma única empresa (na acepção de empreendimento). Cabe observar que esses elementos de prova e constatações, se forem analisados individualmente, podem até não demonstrar, por si só, a existência de grupo econômico de fato, no entanto, quando apreciados todos em conjunto, comprovam que foi correta a análise da autoridade fiscal, uma vez que demonstram que a todas as empresas citadas no parágrafo anterior, além de serem comandadas pelo mesmo grupo familiar, atuam de forma integrada e coordenada. É importante frisar que todas as alegações apresentadas pela Interessada na tentativa de demonstrar a falta de força probatória dos elementos de prova e constatações enumeradas acima não procedem. De fato, a relação de parentesco entre sócios de empresas diferentes, por si só, não é suficiente para comprovar a existência de grupo econômico de fato. Sucede que a participação societária de integrantes do grupo familiar Nandi Calegari em diversas das empresas citadas é apenas um dos diversos elementos de prova que, quando analisados em conjunto, não deixam dúvida a respeito da caracterização de grupo econômico de fato. Já o fato das empresas terem endereços próprios, ao contrário do que entende a Interessada, não tem o condão de comprovar a incorreção das conclusões das autoridades fiscais, porquanto tal fato, além de não contradizer nenhum dos elementos de prova ou constatações arroladas, não é incompatível com a existência de grupo econômico de fato. A alegação de que as empresas prestam atividades diversas e as exercem de maneira totalmente independente entre elas não Fl. 676DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 665 25 condiz com a realidade, conforme demonstrado pelas autoridades fiscais. A alegação de que o perfil na rede social Linkedin a que faz referência o documento de fls. 507/508 é do Sr. Rafael Nandi Marcelino e não do Sr. Rafael Nandi Calegari, por sua vez, não pode ser aceita, visto que não foi apresentada nenhuma prova que a ampare. Cabe ressaltar, porém, que mesmo que o referido perfil fosse de Rafael Nandi Marcelino, o que não foi provado, tal fato não tiraria a força probatória de tal documento, já que o mesmo faz expressa menção ao grupo econômico de fato, pois registra a existência do cargo de Gerente de Marketing do “Grupo Nandi”. Diante de todo exposto, portanto, entendo que as autoridades fiscais agiram corretamente ao considerar a existência de grupo econômico de fato nos anos de 2009 a 2015 para fins de apuração da ocorrência da hipótese de vedação ao usufruto do Simples Nacional prevista no artigo 3º, § 4º, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, que assim preceitua: (...) Fica evidente, portanto, que, ao contrário do que alega a Interessada, restou plenamente configurada a ocorrência da hipótese de vedação ao usufruto do Simples Nacional prevista no artigo 3º, § 4º, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, nos anos de 2010 a 2014, já que a receita bruta global das empresas, nesses anos, ultrapassou o limite máximo previsto na legislação, conforme demonstrado na tabela abaixo: (...) Por fim, prevê o §1° do art. 29 que nas hipóteses previstas nos incisos II a X do caput a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. No caso discutido nestes autos há subsunção dos fatos a dois incisos do art. 29 (I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória e V tiver sido constatada prática reiterada de infração), razão pela qual confirmamos o impedimento de adesão para os três anos posteriores. Adicionese que as autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa e no mérito negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 677DF CARF MF 26 Fl. 678DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.720749/2016-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relatório e voto do Relator. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, sendo substituído pelo conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Breno do Carmo Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca), Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10314.720749/2016-62
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5900820
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-000.629
nome_arquivo_s : Decisao_10314720749201662.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
nome_arquivo_pdf_s : 10314720749201662_5900820.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relatório e voto do Relator. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, sendo substituído pelo conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Breno do Carmo Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca), Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7419554
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050867905593344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1733; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 45.047 1 45.046 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.720749/201662 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 1302000.629 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 14 de agosto de 2018 Assunto IRPJ GLOSA DE DESPESAS Recorrentes SAINTGOBAIN DO BRASIL PRODUTOS INDUSTRIAIS E PARA CONSTRUÇÃO LTDA FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relatório e voto do Relator. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, sendo substituído pelo conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Breno do Carmo Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca), Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratamse de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício apresentados em relação ao Acórdão nº 1463.458, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 33.148 a 33.209), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .7 20 74 9/ 20 16 -6 2 Fl. 45047DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201662 Resolução nº 1302000.629 S1C3T2 Fl. 45.048 2 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 GLOSA DE DESPESAS DESNECESSÁRIAS E INCOMPROVADAS. Correta a glosa de despesas que não atendem aos critérios de dedutibilidade para fins de apuração do IRPJ e CSLL. GLOSA DE DESPESAS. PERDAS. Correta a glosa de despesas com alegadas perdas no processo produtivo que não restaram devidamente comprovada, especialmente quanto a destinação dos resíduos. GLOSA DE DESPESAS. BENS COM VIDA ÚTIL SUPERIOR A UM ANO. Os gastos acima de R$ 326,61 com bens de vida útil superior a um ano, exceto manutenção ou reposição, devem ser contabilizados no ativo. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. Não compete ao julgador administrativo conhecer de pretensa ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em pleno vigor, pelo que confirmase a exigência da multa de oficio e Selic." O processo tem por objeto autos de infração lavrados contra a Recorrente (fls. 2.092 a 2.104), para a exigência de IRPJ e CSLL, em relação ao anocalendário de 2011, no montante total de R$ 70.340.918,32 (juros de mora calculados até 04/2016). As conclusões do procedimento fiscal se encontram detalhadas no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 1.972 a 2.028, tendo sido constatadas as infrações de: 1) custos de aquisição de bens do ativo permanente deduzidos como custos ou despesas operacionais; 2) despesas não necessárias; 3) despesas não comprovadas; 4) custos/despesas indedutíveis não adicionadas na determinação do Lucro Real, em um valor total de R$ 95.180.830,89, conforme detalhados no arquivo anexado à fl. 2.030. Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou a Impugnação de fls. 2.107 a 11.529 (renovada às fls. 11.533 a 33.138), por meio da qual sustentou: a) em primeiro lugar, que havia apresentado todos os documentos necessários à comprovação da existência e dedutibilidade dos custos e despesas, mas que os referidos documentos não teriam sido juntados ao processo, nem haveria evidência de que teriam sido analisados pela autoridade fiscal, o que violaria a ampla defesa e o contraditório, razão pela qual os apensou à sua peça impugnatória; b) que atua no ramo industrial e comercial, por meio de diversas divisões, em linhas de negócios não exaustivas, de modo que, devido à variada gama de atividades, não se poderia afastar uma despesa sob a argumentação de que não seria necessária, por não parecer usual à atividade operacional; Fl. 45048DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201662 Resolução nº 1302000.629 S1C3T2 Fl. 45.049 3 c) em relação à glosa de despesas com bens de natureza permanente, que o art. 301 do RIR/99 permite a dedução de bens com vida útil inferior a um ano, entretanto, a fiscalização teria procedido a glosa exclusivamente na vedação de dedução de bens de valor inferior a R$ 326,61; d) quanto ao moldes (conta contábil nº 8300010), a glosa teria se baseado no fato de se tratarem de bens do ativo permanente, porém os valores ali escriturados se referem a custos e despesas para fabricação de moldes para utilização pelas montadoras na fabricação de automóveis, não sendo, portanto, bens do ativo da fiscalizada, mas das citadas montadoras. Não se aplicaria deste modo o art. 301 do RIR/99, e os custos/despesas seriam dedutíveis, com amparo no art. 299 do RIR/99; e) em relação às despesas consideradas não necessárias, que teria sido utilizado um critério subjetivo, por parte da autoridade fiscal, para reputar as referidas despesas como pagamentos efetuados por liberalidade pela autuada. Repisa, ainda, que tais despesas seriam necessárias em face da grande gama de atividades por ela desempenhada; f) especificamente, em relação às despesas com viagens e ajudas de custo, que, ainda que se refiram a não funcionários, tais valores podem ser admitidos como dedutíveis, conforme Solução de Consulta SRRF/04 nº 40/12. Os valores glosados se destinariam a pagamento de serviços de consultoria para suporte ao desligamento do funcionário Fernando de Castro, de modo a garantir a continuidade das operações e a confidencialidade e o sigilo das negociações; g) em relação às despesas com propaganda e publicidade, que seriam dedutíveis, conforme Acórdão CARF nº 1302001.064, de 09 de abril de 2013; h) no que diz respeito às despesas consideradas não comprovadas, que os documentos comprobatórios foram apresentados durante o procedimento fiscal; i) especificamente sobre a conta aluguéis (conta contábil nº 0008350006), que os comprovantes foram apresentados em resposta ao Termo nº 09; j) quanto aos royalties pagos a empresas ligadas, que foram apresentados os contratos e os certificados de averbação no INPI; k) em relação à conta contábil nº 8810017 (outras perdas excepcionais), que o valor de R$ 1.728.748,29 foi adicionado no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), de modo que não devem ser glosados, para evitar a dupla tributação; l) no que tange à conta contábil nº 8350011 (serviços prestados PJ), que, em resposta ao Termo nº 12, foi esclarecido que se trata de assessoria contábil e fiscal e foi apresentada a nota fiscal de serviços. Em adição, junta à Impugnação comprovação dos serviços prestados e proposta comercial; m) no que diz respeito a valores de quebra de estoque, que o seu processo produtivo "compreende uma série de fatores e elementos técnicos, de forma que a análise de sua produção não pode ser feita apenas com base no volume de insumos e no montante da produção, muito menos em meras diferenças consideradas 'quebras' não justificadas"; Fl. 45049DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201662 Resolução nº 1302000.629 S1C3T2 Fl. 45.050 4 n) que as quebras decorreriam de processos normais de sua atividade, conforme atestariam relatórios que apensa à Impugnação; o) que adicionou ao Lalur os valores das contas contábeis nº 4390011 e 1990003, como ajuste da conta de quebra de estoques, de modo que tais valores não poderiam ser glosados, sob pena de dupla tributação; p) quanto ao valores de gastos de paradas excepcionais (conta contábil nº 8810001), que os montantes registrados dizem respeito a parada da produção de vidros, com o intuito de reduzir o estoque, mas sem desligar o forno, para evitar o endurecimento da matéria prima e perda total do maquinário; q) que todos os argumentos apresentados em relação ao IRPJ são aplicáveis à CSLL; r) em relação à multa de ofício, que seria abusiva, não razoável e desproporcional, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF); s) que seria inaplicável juros equivalentes à Taxa Selic aos créditos tributários, posto que essa taxa não teria sido criada para fins tributários, conforme julgado do STJ; t) que, ainda que se admita a incidência dos juros de mora sobre os tributos lançados, não deve ocorrer a aplicação sobre os valores da multa de ofício, posto que isso não teria amparo no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme julgados do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). A decisão de primeira instância (fls. 33.148 a 33.209) rejeitou as alegações de arbitrariedade ou excesso no procedimento fiscal, bem como de prejuízo à defesa pela falta de juntada aos autos dos documentos que teriam sido apresentados durante o procedimento fiscal. Manteve ainda a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, com fulcro no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996; e a exigência de juros de mora equivalentes à taxa Selic, inclusive sobre a multa de ofício, amparada no art. 161 do CTN c/c os arts. 113, §1º, e 139 do mesmo diploma legal. Com relação aos valores das glosas, com base nos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, considerou comprovada a efetividade e a dedutibilidade de diversos custos/despesas, em um total de R$ 10.881.651,80, conforme detalhadamente analisados no Acórdão. Por força do valor exonerado, foi interposto Recurso de Ofício ao CARF. Após a ciência, o sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário de fls. 33.225 a 33.264, no qual: a) repete as alegações de violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório, uma vez que os documentos por ele apresentados, ao longo do procedimento fiscal, não teriam sido juntados ao processo; acrescentando também a alegação de violação ao princípio da economia processual, uma vez que teria sido obrigado a novamente comprovar as despesas não admitidas; Fl. 45050DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201662 Resolução nº 1302000.629 S1C3T2 Fl. 45.051 5 b) repisa vários argumentos trazidos na Impugnação, quanto à diversidade de atividades, às despesas com viagens, aos bens de natureza permanente, quebras de estoque, gastos de paradas excepcionais, moldes, serviços prestados PJ, aluguéis, royalties, e outras perdas excepcionais, acrescentando, em alguns casos, que teria juntado a documentação comprobatória necessária; c) sustenta que os critérios de necessidade, normalidade e usualidade, de que trata o art. 299 do RIR/99 não são cumulativos; d) quanto às despesas referentes a material promocional (brindes, propagandas, publicidade), alega que são despesas de publicidade voltadas ao incremento das vendas, e que o valor de R$ 240.000,00 teria sido comprovado, conforme comprovantes juntados com a Impugnação; e) quanto às despesas com propaganda e veiculação, também sustenta a necessidade, por se destinarem ao incremento das vendas, e, especificamente, em relação a despesa com software, que se tratou de despesa com aquisição e manutenção de aplicativos; f) ainda em relação aos bens de natureza permanente, irresignase contra o exame por amostragem dos documentos juntados, sustentando que, independente da forma de apresentação, apresentou todos os comprovantes necessários, além do que haveria a comprovação de bens de valor inferior a R$ 326,61; g) no que tange aos valores lançados na conta contábil nº 0008710005 (outras despesas eventuais), argumenta que apresentou as justificativas necessárias, tratandose de despesas de CIDE sobre pagamento de royalties, despesas de assistência médica, odontológica e de seguro de vida dos funcionários; h) a mesma justificativa é apresentada em relação às despesas com materiais e acessórios, com o detalhamento de que valores estariam lançados a tal título; i) afirmou que os valores referentes a despesas com multas (contas contábeis nº 0008390015, 0008390016 e 0008390017) foram adicionados para fins de apuração do Lucro Real, conforme demonstraria o Lalur, de modo que não devem ser glosadas; j) em relação às despesas com amostras grátis, assevera que foram juntados os documentos comprobatórios e que "o fato de o valor não corresponder não significa que as despesas não existiram ou que não estão comprovadas"; k) também alega simplesmente que juntou os documentos que comprovariam as despesas com congressos e convenções, conservação de móveis e utensílios, materiais e pneus para veículos, outras ferramentas, despesas com veículos, serviços prestados PJ, software licença / manutenção de aplicativos, software aquisição de aplicativos, representação, hotéis nacionais e outras perdas excepcionais; l) o mesmo fundamento é apresentado em relação às despesas com conservação de áreas e edifícios, acrescendo que se tratam de despesas de vida útil inferior a um ano, razão pela qual seriam dedutíveis, à luz do art. 301 do RIR/99; m) aponta, ainda, que o Acórdão recorrido entende que deveriam ser considerados como bens do ativo permanente valores relativos a serviços; Fl. 45051DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201662 Resolução nº 1302000.629 S1C3T2 Fl. 45.052 6 n) no que diz respeito à despesas com licenças de software, aduz que não são passíveis de registro no ativo permanente de acordo com as regras contábeis e fiscais; o) sustenta que as despesas com passagens aéreas foram devidamente esclarecidas e comprovadas; p) repete, por fim, os argumentos quanto à CSLL, multas e juros já trazidos na Impugnação. Após a remessa do processo para julgamento pelo CARF, por meio do Despacho de fl. 40.269, a Recorrente apresentou mais comprovantes, a serem acrescentados ao seu Recurso Voluntário (fls. 40.270 a 44.958). Já em 26 de março de 2018, após o sorteio do processo a este Relator, a Recorrente apresentou planilhas com a identificação das provas já juntadas, bem como os novos elementos de prova constantes das fls. 45.000 a 45.046, que, segundo sustenta, reiteram os argumentos de fato e de direito apresentados em seu Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I DO RECURSO VOLUNTÁRIO I.1. Do conhecimento do Recurso O sujeito passivo foi cientificado, por via eletrônica, em 13 de março de 2017 (fl. 33.220), tendo apresentado Recurso Voluntário, em 10 de abril de 2017 (fls. 33.222 a 33.264), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por Procuradores, devidamente constituídos às fls. 2.138 a 2.142. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I, II e IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Como relatado, o sujeito passivo faz juntada de novas provas documentais com o Recurso Voluntário, bem como apresenta novos elementos mesmo após a protocolização do referido recurso. A juntada de prova documental após a Impugnação é vedada pelas normas que regem o processo administrativo fiscal, sendo admitidas tãosomente quanto presentes as situações excepcionais previstas no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972: " Art. 16. (...) Fl. 45052DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201662 Resolução nº 1302000.629 S1C3T2 Fl. 45.053 7 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" (Destacouse) Tratando acerca da possibilidade de flexibilização de tais regras, Maria Rita Ferragut (As provas e o Direito Tributário, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016, pp. 6465) é categórica, mas prevê o que entende ser uma nova hipótese de exceção: "Entendemos que o limite temporal é inflexível. Tal inflexibilidade contempla, entretanto, o recebimento de provas após a impugnação, nas duas e somente duas, situações a seguir: (i) Se a prova não tiver sido juntada antes pelas razões previstas nas alíneas a,b e c do §4º acima. (ii) Pela impossibilidade de o sujeito passivo defenderse de forma plena, considerando a complexidade da autuação versus o tempo que lhe foi legalmente conferido para apresentação da defesa. Tratase, nessa medida, de comprovada impossibilidade material de se defender no prazo legal." No meu julgar, a hipótese veiculada pela doutrinadora, na verdade, já é albergada pela alínea "a" do §4º, na medida em que poderia ser entendido como um acontecimento inevitável e para o qual o sujeito passivo não concorreu ainda que culposamente, para contemplar os requisitos previstos por Maria Helena Diniz para a força maior (Código Civil Comentado, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 1997, pp. 747748). Entendo, ainda, que esta é exatamente a situação dos autos, em que, devido à grande quantidade de despesas glosadas, tornouse hercúlea a instrução probatória a cargo do sujeito passivo, com a necessidade de juntada de milhares de comprovantes. Ademais, é necessário que se destaque que os elementos juntados após o Recurso Voluntário são apenas planilhas que correlacionam as glosas com os documentos juntados pela Recorrente ao processo, não se tratando, efetivamente, de nova prova documental. Fl. 45053DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201662 Resolução nº 1302000.629 S1C3T2 Fl. 45.054 8 Deste modo, entendo que os referidos documentos devem ser acolhidos e apreciados. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. I.2. Da preliminar de nulidade Embora não requeira explicitamente a declaração de nulidade, a Recorrente suscita suposta violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, uma vez que a documentação comprobatória por ela apresentada no curso do procedimento fiscal não teria sido juntada aos autos e sequer analisada pela autoridade responsável pela constituição do crédito tributário. Alega, ainda, que não saberia "em que documentos e elementos se funda a acusação da D. Fiscalização" e que "sequer há explanações a respeito dos motivos que (sic) as provas apresentadas não teriam sido consideradas ou consideradas inábeis". As alegações da Recorrente poderiam, se comprovadas, levar à declaração de nulidade dos autos de infração lavrados. Contudo, como bem apontado no Acórdão recorrido, a descrição não corresponde ao que se observa nos autos. A autoridade fiscal detalhou exaustivamente o procedimento fiscal, juntou diversos documentos comprobatórios que entendeu necessários para comprovar as infrações apontadas (fls. 1.835 a 1.965) e apontou, para todas as despesas glosadas, a razão pela qual não se admitia a sua dedutibilidade, conforme planilha junta à fl. 2.030. A autoridade julgadora, por sua vez, ao contrário do alegado, demonstra haver analisado todos os documentos juntados pela Recorrente. Não há qualquer fundamento, portanto, para a argumentação do sujeito passivo, sendo que o fato de este juntar repetidamente milhares de folhas dos mesmos documentos aos autos, em lugar de ser decorrência de suposta violação ao princípio da economia processual por parte da autoridade fiscal, como sustentado, somente proporciona tumulto processual e dificulta o exame das provas. É que a observação dos autos revela, em vários casos, a desnecessária e exaustiva repetição dos mesmos documentos. A par disso, apenas após a apresentação do Recurso Voluntário é que o sujeito passivo juntou aos autos planilhas realizando a correlação entre as despesas glosadas e as provas apresentadas. Constatase, portanto, que eventual deficiência na apreciação das provas teve a colaboração do próprio sujeito passivo, não implicando, em absoluto, em qualquer espécie de nulidade. I.3. Do pedido de diligência A Recorrente insere no seu apelo, como já havia realizado na Impugnação, um requerimento de diligência, caso os julgadores entendam "pela necessidade de se reapreciar dados fiscais, outros apontamentos ou que persistam dificuldades em analisálos". Fl. 45054DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201662 Resolução nº 1302000.629 S1C3T2 Fl. 45.055 9 O art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, coloca o atendimento ao requerimento de diligências ou perícias sob a análise da autoridade julgadora. In verbis: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine." (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No mesmo sentido, o art. 29 do citado Decreto dispõe que "Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias". Tratando do tema, James Marins (Direito Processual Tributário Brasileiro, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 10. ed. rev. atual. e ampl., 2017, fls. 289/290), leciona: "Como o impulso do processo compete à Administração (princípio da impulsão oficial, em conformidade com o art. 19 da LGPAF), cumprirá à autoridade julgadora de primeira instância apreciar os requerimentos de produção de provas, apreciar sua pertinência e determinar a realização daquelas que seja em virtude de terem sido requeridas ou por deliberação ex officio da autoridade de primeira instância sejam necessárias para que a instrução se complete. O juízo de pertinência probatória será feito principalmente com base nos critérios de imprescindibilidade e praticabilidade." O Acórdão recorrido rejeitou o pedido formulado pelo sujeito passivo, nos seguintes termos: "No caso concreto, entendo desnecessária a realização de diligência, já que as provas necessárias à defesa são de fácil obtenção, dependendo de providências do próprio contribuinte (seus livros e assentamentos contábeis e fiscais), já exaustivamente solicitados pela fiscalização através de sucessivas intimações no decorrer do procedimento fiscal e, posteriormente à lavratura dos autos de infração, na impugnação, momento em o contribuinte pode exercer o seu pleno direito ao contraditório e a ampla defesa, já que ciente dos motivos porque estava sendo autuado. Na impugnação, ademais, o contribuinte deveria incluir todos os documentos comprobatórios necessários para a procedência de seu pleito, sob pena de preclusão, conforme determina o § 4º do art. 16 do PAF. Assim, rejeito o pedido de diligência suscitado pelo contribuinte, por desnecessário à solução da lide." De fato, pelas justificativas apresentadas pela Recorrente, não vislumbro no presente caso qualquer necessidade de que seja realizada a diligência requerida. A autoridade fiscal foi extremamente cuidadosa na reunião dos elementos probatórios e, à Recorrente, foram ofertadas fartas ocasiões para a apresentação dos documentos que entendesse necessários para afastar as infrações a ela imputadas, bem como para robustecer os seus argumentos de defesa. Há, contudo, razões que, efetivamente, demandam a conversão do presente julgamento em diligência. Fl. 45055DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201662 Resolução nº 1302000.629 S1C3T2 Fl. 45.056 10 Em primeiro lugar, constatase falha no sistema eprocesso, onde o mesmo número de folha é atribuído a mais de um documento. A falha se verifica a partir do documento de numeração 4.023, cujo número é atribuído a três documentos distintos (todos intitulados "Termo de Solicitação de Juntada TERMO DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA"). Por exemplo, o documento intitulado "Documentos comprobatórios outro 85" apresenta a numeração de fls. 4.630 a 4.714; enquanto o documento de título "Documentos comprobatórios outro 96" apresenta a numeração de fls. 4.630 a 4.860", sendo que as folhas de numeração coincidente possuem teor diverso, conforme demonstram as imagens a seguir. O mesmo fato se constata entre os documentos intitulados "Documentos comprobatórios outro 89" (fls. 4.858 a 4.868) e "Documentos comprobatórios outro 97" (fls. 4.861 a 4.924). Documentos comprobatórios Outros 85 (fls. 4.630 a 4.714) Fl. 4630 do documento "Documentos comprobatórios Outros 85" Fl. 45056DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201662 Resolução nº 1302000.629 S1C3T2 Fl. 45.057 11 Documentos comprobatórios Outros 96 (fls. 4.630 a 4.860) Fl. 4630 do documento "Documentos comprobatórios Outros 96" Tal fato ocasiona, ainda, que na escolha do índice sequencial, para a visualização dos documentos, estes sejam apresentados fora de ordem. Por exemplo, "Documentos comprobatórios Outros 78" (fls. 4.077 a 4.141) seguido do documento "Documentos comprobatórios Outros 91" (fls. 4.041 a 4.110). A inconsistência em pauta se estende até o documento de fl. 5.797. A par disso, como dito, com a Impugnação e com o Recurso Voluntário, o sujeito passivo juntou milhares de documentos ao processo, com o intuito de comprovar as despesas glosadas no procedimento fiscal. Em rápida análise, vários documentos apresentados, de fato, comprovam as despesas contestadas na autuação e mesmo no julgamento de primeira instância. Por outro lado, após o Recurso Voluntário, a Recorrente, finalmente, junta aos autos planilhas que correlacionam as glosas aos elementos de prova apresentados. Fl. 45057DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201662 Resolução nº 1302000.629 S1C3T2 Fl. 45.058 12 Deste modo, entendo ser necessária a conversão do julgamento em diligência, no sentido de serem esclarecidas e solucionadas as inconsistências diagnosticadas no sistema e processo, bem como para possibilitar a análise dos novos elementos de prova reunidos ao processo. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DERAT/SP), para que: a) verifique a razão de o sistema eprocesso haver atribuído mesma numeração de folhas a diferentes documentos; b) solucione a inconsistência verificada, de modo que cada documento constante do processo receba numeração exclusiva e diversa de todos os demais documentos. Caso a douta autoridade preparatória entenda pertinente, poderá promover a transferência de todos os documentos para um novo processo administrativo, como forma de solucionar a inconsistência; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acerca das providências acima requeridas, bem como a análise de todos elementos de prova apresentados pelo sujeito passivo nos autos, em cotejo com as constatações registradas no Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 1.972 a 2.028; d) dêse ciência do resultado da diligência ao sujeito passivo, concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo à este Colegiado. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 45058DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000694/2005-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/06/1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SÚMULA 91/CARF. CONEXÃO. Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF
Nos termos do Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF, não é obrigatório o Julgador reunir os processos por Conexão.
O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula 91/CARF.
SÚMULA No. 91 - CARF - Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 3201-004.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente
(assinado digiltamente)
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator
(assinado digiltamente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 10/06/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SÚMULA 91/CARF. CONEXÃO. Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF Nos termos do Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF, não é obrigatório o Julgador reunir os processos por Conexão. O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula 91/CARF. SÚMULA No. 91 - CARF - Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13851.000694/2005-29
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5920668
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-004.238
nome_arquivo_s : Decisao_13851000694200529.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 13851000694200529_5920668.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente (assinado digiltamente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator (assinado digiltamente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7483339
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050867916079104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1691; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 141 1 140 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.000694/200529 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.238 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria COFINS Recorrente E.JOHNSTON REPRESENTAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/06/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SÚMULA 91/CARF. CONEXÃO. Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF Nos termos do Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF, não é obrigatório o Julgador reunir os processos por Conexão. O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula 91/CARF. SÚMULA No. 91 CARF Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA – Presidente (assinado digiltamente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator (assinado digiltamente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 06 94 /2 00 5- 29Fl. 140DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) Relatório Tratase de pedido de Restituição de COFINS pago indevidamente no período de Março de 1999, protocolado em 07/06/05 na DRF de Araraquara/SP, conforme constante no Pedido de Restituição. Por traduzir a realidade dos fatos, adoto o Relatório da DRJ: (...) Trata o presente de pedido de restituição, protocolizado em 07/06/2005, referente à suposto pagamento indevido ou maior que o devido a título de Cofins efetuado em 09/04/1999 pela empresa Brasil Warrant Venture Capital Ltda, CNPJ n° 62.355.698/000115, . incorporada pelo interessado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara, por meio do Despacho Decisório de fls. 30/35, indeferiu o pedido, com fundamento na ocorrência da decadência do direito de pedir e na falta de comprovação documental da existência do alegado crédito contra a Fazenda Nacional, de modo a permitir a aferição de sua liquidez e certeza. Cientificado em 04/05/2009, fls. 85, o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 03/06/2009, fls. 37/48, alegando, em breve síntese: a) Que, através do Mandado de Segurança n° 1999.61.02.0070375, obteve provimento jurisdicional que lhe autorizou a recolher as contribuições para o PIS e Cofins sem o alargamento da base de cálculo estabelecida pelo § 3° da Lei n° 9.718, de 1998; b) Que, nos meses de março a junho de 1999, _auferiu unicamente receitas financeiras e outros tipos de rendimentos não oriundos da venda de bens e serviços, conforme demonstrativo anexado e que, sobre tais rendimentos, aplicou as correspondentes alíquotas do PIS e Cofins, efetuando o recolhimento. . c) Que o provimento jurisdicional transitou em julgado e lhe assegurou o direito de calcular o PIS e a Cofins com base na Lei n° 9.715, de 1998 e na Lei Complementar (LC) n° 70, de 1991, ou seja, somente sobre o faturamento, excluindo se as demais receitas não caracterizadas como senda da venda de mercadorias ou serviços; A partir da exposiçao dos fatos que originaram o alegado crédito contra a Fazenda Nacional, contesta o decidido pela DRF em Araraquara, a saber: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13851.000694/200529 Acórdão n.º 3201004.238 S3C2T1 Fl. 142 3 Inicialmente alega que houve uma distorção do instituto da decadência e o que se aplica, na realidade, é a prescrição de seu direito de pedir a restituição, e que mostrará a sua inocorrencia no caso. Alega que conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, nos casos de lançamento por homologação, o prazo prescricional é cinco contados a panir da homologação tácita, ou seja, de dez anos contados a partir do fato gerador. Que o art. 3° da LC 118, de 2005 modificou, e não apenas interpretou o Código Tributário Nacional CTN ~ e, assim, não pode ser aplicado aos pedidos apresentados anteriormente à entrada em vigor da dita lei, que ocorreu em 09/06/2005. Que, desse modo, o pedido foi apresentado dentro do prazo legal 10 anos, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ, que declarou a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC n° 118, de 2005, que determina a aplicação retroativa de seu art. 3°. Ainda, alega que o ajuizamento do Mandado de Segurança importou em causa interruptiva da prescrição, nos temos do artigo 172 e 173 do Código Civil de 1916, vigente à época. Uma vez que o trânsito emjulgado da ação ocorreu em 30/05/2008, não ha em que se falar em ocorrência do prazo prescricional, uma vez que este esteve interrompido até o referido trânsito em julgado. Continua, alegando que tem direito à restituição aos recolhimentos efetuados nos meses de março a junho de 1999, que se afiguram indevidos, uma vez que as únicas receitas auferidas pelo Requerente nesse período corresponderam a receitas financeiras e outras receitas não oriundas da venda de bens e prestação de serviços, estas as únicas passíveis de tributação pelo PIS e Cofins, conforme o provimento jurisdicional conquistado. Assim, seguindo a marcha processual normal, a DRJ julgou improcedente o pleito de Reforma do Contribuinte, por entender, que o estaria prescrito, com a seguinte, que sintetiza os fundamentos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/04/1999 DECADÊNCIA. INTERPRETAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N° 118, DE 2005. O direito de pleitear a restituição extinguese com O decurso de prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário que, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata O § 1° do art. 150 do CTN. Fl. 142DF CARF MF 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 09/04/1999 PAF. PROVA DOCUMENTAL. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A prova documental Será apresentada na impugnação (manifestação de inconfomiidade), precluindo O direito de ser apresentada em outro momento processual. RESTITUIÇAO. NAO COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITORIO. INDEFERIMENTO Não comprovada a existência do direito creditório do sujeito passivo, condição essencial nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se indeferir O pedido de restituição. Manifestaçao de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com r. julgado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo reforma por entender: a) que o prazo de prescrição é de 10 anos, pois, se trata de lançamento por homologação; b) que houve alteração do prazo prescricional com e entrada em vigor da Lei Complementar 118/05, que ocorreu em 09 de junho de 2005; c) que seu pleito é anterior a data da entrada em vigor da LC 118/05; d) pede reunião de demais processos; É o relatório. Voto Conselheiro LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente é de considerar que a reunião dos processos por conexão é uma faculdade nos termos do art. do Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF. Ademais, compulsando o sítio eletrônico do CARF, verificase que alguns processos indicados pelo Contribuinte já foram julgados nesse CARF, assim, não existindo qualquer prejudicialidade na ausência de conexão dos presentes autos. Deste modo, não merece prosperar o pleito do Contribuinte em razão do pedido de conexão. É de se trazer a baila que o pleito do Contribuinte é o Pedido de Restituição (PER) de COFINS pago a maior no período de Março de 1999, requerido em 07/06/05. Ocorre que a DRF e a DRJ compreenderam que a prescrição para pleitear o PER era de 05 (cinco) anos do pagamento, e não da homologação tácita, que tal fundamentação estaria disposto no art. 3º. da LC 118/05. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13851.000694/200529 Acórdão n.º 3201004.238 S3C2T1 Fl. 143 5 Contudo, sem mais digressões, é de notório conhecimento que a LC 118/05, inovou em razão da contagem da prescrição, existindo grande debate sobre o termo inicial da aplicação do prazo quinquenal da prescrição ao invés do decimal. Contudo, o assunto encontra se sumulado com efeito vinculante por este CARF, vejamos: Súmula CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. De tal sorte, devese afastar a prescrição do presente caso, uma vez, que não decorreu o período de 10 (dez) anos do lançamento, e o pleito sendo anterior a 09/06/05, ressaltase que nos termos do Art. 75, § 2º, Anexo II, do RICARF, a mencionada súmula encontrase com efeito vinculante. Diante disso, devese ser anulado o Despacho Decisório para afastar a prescrição. Concluo, o voto é no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio. LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator (assinado digiltamente) Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.963671/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.407
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.963671/2009-15
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5912200
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-001.407
nome_arquivo_s : Decisao_10880963671200915.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10880963671200915_5912200.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7441172
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050867919224832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 970; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.963671/200915 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.407 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de agosto de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente DIANA PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 63 67 1/ 20 09 -1 5 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10880.963671/200915 Resolução nº 3201001.407 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera do recolhimento indevido da Contribuição e que a Administração tributária tinha o dever de retificar de ofício a DCTF em face do princípio da verdade material. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu a declaração de nulidade da decisão de primeira instância ou sua reforma, bem como a realização de diligência, arguindo cerceamento do direito de defesa, por falta de demonstração por parte do julgador a quo do motivo para declarar a insuficiência dos documentos acostados aos autos (DARF, DIPJ, Balancete e DCTFs), e inobservância do princípio da verdade material. No mérito, requereu o Recorrente, com base nos documentos acostados aos autos, a reforma do despacho decisório em face do recolhimento indevido, justificandose que, por um lapso, não procedera à retificação tempestiva da DCTF. Junto ao recurso, o Recorrente apresentou cópia de parte do Razão Contábil. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.393, de 29/08/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.913528/200982, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.393): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10880.963671/200915 Resolução nº 3201001.407 S3C2T1 Fl. 4 3 A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Cerceamento do Direito de Defesa e da Inobservância do Princípio da Verdade Material Afastase a preliminar de cerceamento do direito de defesa. A recorrente teve garantido o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa nas duas instâncias administrativas. A recorrente teve assegurado, inclusive, o direito de juntar documentos, razão contábil, no presente recurso de segunda instância. Nesse sentido, observese jurisprudência do CARF. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 3301003.976 do Processo 15586.001130/200788 Data 30/08/2017 CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. NULIDADE Não há nulidade quando se constata em todas as fases processuais o exercício do direito ao contraditório e de ampla defesa, não caracterizando o cerceamento de defesa. Em referência a argumentos fundados nos princípios constitucionais, aplicase a Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Cabe ainda indeferir o pedido de diligência genérico, sem comprovação de sua necessidade e da impossibilidade da produção da prova pelo contribuinte. Preliminares indeferidas. Mérito A fundamentação do despacho decisório denegatório seria a inexistência de crédito disponível, tendo sido o DARF discriminado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, que estavam declarados em DCTF. A DCTF originária representou uma confissão de dívida. Assim, quando da manifestação de inconformidade, a documentação apresentada em primeira instância, DARF de pagamento, DIPJ, Balancete e DCTF´s foram considerada insuficientes. Citase trechos do relatório da DRJ: Ressaltese que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, 6. O documento apresentado pelo contribuinte para prestar à autoridade fazendária as informações relativas aos valores devidos dos tributos e contribuições federais, e os respectivos valores de créditos vinculados (pagamento, parcelamento, compensação, etc.), constituindose cm confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, na forma do disposto pelo § 1 0, do art. 5° do Decreto lei n° 2.124, de 8 de março de 1984. (efl. 92) (...) Deste modo, a DIPJ não se configura como documento suficiente a comprovação de erro nas informações prestadas em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, para fins de homologação da compensação efetivada pelo contribuinte. (efl. 92) No mérito, o cerne da lide consiste em verificar se a documentação contábil e/ou fiscal apresentada após o despacho decisório seria prova suficiente para a compensação. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10880.963671/200915 Resolução nº 3201001.407 S3C2T1 Fl. 5 4 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 3002000.234 do Processo 10880.674831/200954 Data 13/06/2018 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. PROVA INSUFICIENTE QUANDO DESACOMPANHADA DE DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não impede o reconhecimento do direito ao crédito desde que acompanhada de documentação contábil e/ou fiscal que comprove o erro cometido no preenchimento da declaração original. Em sendo apresentada isoladamente, não constitui prova suficiente. A retificação da DCTF, depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido de compensação, quando acompanhada de provas comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento está fundamentado no § 1º do art. 147 do CTN. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Existe jurisprudência do CARF sobre o assunto. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 9303006.266 do Processo 13896.902360/200818 Data: 25/01/2018 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). Na retificação, a DCTF sofreu alteração para menor, cabendo a interessada comprovar o erro. Tal comprovação pode ser feita de diversas formas, inclusive por meio de planilhas, documentos contábeis, cópias de documentos, cupons, recibos e tantos outros. O princípio da verdade material, alegado pela recorrente, exige provas que compete a mesma trazer aos autos. Agora, em segunda instância, a recorrente junta aos autos o razão contábil provisão COFINS a recolher em 31/07/2004, onde demonstra de janeiro a dezembro de 2004 a provisão de recolhimento da COFINS. De fato, verificase que o valor a recolher, relativo a COFINS, em julho de 2004, seria de R$29.775,70 e não de R$42.341,83 (doc. 09 do recurso efls. 182/183). A escrituração do razão contábil em conjunto com o balancete são documentos contábeis/fiscais oficiais que fazem prova de verdade. Os documentos deixam claro a existência de saldo creditório e são suficientes para garantir o direito. A recorrente também alega que efetuou a retificação na DCTF original. Demonstrada a composição da base de cálculo da contribuição por meio de documentos contábeis/fiscais resta demonstrado o valor devido do tributo e, Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10880.963671/200915 Resolução nº 3201001.407 S3C2T1 Fl. 6 5 consequentemente, o indébito decorrente do recolhimento em valor maior que o devido. Finalmente, cabe repetir que o artigo 151, III do Código Tributário Nacional determina que as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo suspendem a exigibilidade do crédito. Somente com o encerramento da fase administrativa é que se pode, se for o caso, inscrever o crédito cm dívida ativa, efetuar a cobrança judicial e incluir o contribuinte no Cadastro Informativo de Débitos não quitados de Órgãos e Entidades Federais — CADIN. Em vista da apresentação de documentos adicionais, dentro do princípio da verdade material, que possivelmente pode lastrear direito de crédito presumido, entendo que o julgamento deva ser convertido em diligência, a fim de que o Fisco se manifeste sobre a prova referida, o razão contábil. Após, deve a recorrente ser instada a manifestarse, se o desejar, com o retorno do processo ao CARF para continuidade do julgamento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que o Fisco se manifeste sobre a prova carreada aos autos em sede de recurso voluntário, a saber, o Razão Contábil. Após, deve o Recorrente ser instado a se manifestar, se assim o desejar, com o retorno do processo ao CARF para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 176DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.720268/2017-53
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta anexe aos autos a DIRPF do contribuinte relativa ao exercício 2013, ano-calendário 2012, cientificando o recorrente da diligência realizada e reabrindo o prazo para sua manifestação.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13982.720268/2017-53
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5919330
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2002-000.042
nome_arquivo_s : Decisao_13982720268201753.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : THIAGO DUCA AMONI
nome_arquivo_pdf_s : 13982720268201753_5919330.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta anexe aos autos a DIRPF do contribuinte relativa ao exercício 2013, ano-calendário 2012, cientificando o recorrente da diligência realizada e reabrindo o prazo para sua manifestação. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7479885
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050868005208064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1489; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 196 1 195 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13982.720268/201753 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2002000.042 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Ordinária Data 27 de setembro de 2018 Assunto CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Recorrente LEVINO RODRIGUES COLOMBI Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta anexe aos autos a DIRPF do contribuinte relativa ao exercício 2013, anocalendário 2012, cientificando o recorrente da diligência realizada e reabrindo o prazo para sua manifestação. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil. RELATÓRIO Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 93 a 102), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a autuação por omissão de rendimentos de alugueis ou royalties recebidos de pessoas jurídicas, omissão de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 82 .7 20 26 8/ 20 17 -5 3 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13982.720268/201753 Resolução nº 2002000.042 S2C0T2 Fl. 197 2 rendimentos recebidos de pessoas físicas, dedução de Previdência Privada e FAPI, dedução indevida com despesa de instrução e dedução indevida de despesas médicas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 3.744,39, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 92 dos autos, cujas alegações, em síntese foram: · pagou as despesas médicas em dinheiro, juntando extratos bancários e recibos; · comprova o pagamento com a Previdência Privada com boletos Não contesta as demais infrações, conforme decisão da DRJ: Observase que em momento algum o contribuinte impugnou o lançamento referente às infrações de Omissão de Rendimentos de Aluguéis ou Royalties Recebidos de Pessoas Jurídicas no valor de R$ 2.535,87, Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas – Aluguéis e Outros no valor de R$ 2.136,20 e deduções indevidas com Despesas com Instrução no valor de R$ 1.600,00. Devese, portanto, observar o que estabelece o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, o qual determina que: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Ressaltase que referida parte não impugnada não foi apartada considerando que o resultado foi de Imposto a Restituir. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/FOR que por unanimidade, em 30/10/2017, no acórdão 0841.016, às efls. 107 a 120, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, a contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 131 a 190, no qual alega, em resumo: · reconhece a omissão de rendimentos com alugueis; recorre das glosas de despesas médicas, despesas com instrução e de Previdência Privada e FAPI, pois devidamente comprovadas; Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13982.720268/201753 Resolução nº 2002000.042 S2C0T2 Fl. 198 3 · houve erro do fiscal ao lavrar o auto de infração, indicando a quantia de R$ 4.764,66 como Previdência Privada. Na verdade tratase de despesa com Plano de Saúde; · as despesas médicas podem ser pagas com dinheiro e os recibos e notas fiscais não são os únicos documentos hábeis a comprovação. É o relatório. VOTO Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 27/11/2017, efls. 130, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 14/12/2017, efls. 131, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Como consta no relatório, o contribuinte concorda com a autuação pela omissão de rendimentos recebidos a título de alugueis. Quanto a autuação referente a glosa com as despesas com instrução, em sede de impugnação o contribuinte não apresentou defesa. Em sede de Recurso Voluntário menciona a glosa, mas, mais uma vez, não apresenta razões para que a autuação seja afastada, posto que aplico o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Quanto a autuação pela glosa de dedução indevida de Previdência Privada e FAPI, o contribuinte alega que houve erro da fiscalização na classificação da despesa dedutível da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física, apresentando, em sede de Recurso Voluntário, sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), a partir das efls. 135. Contudo, a DAA acostada aos autos não é aquela transmitida ao Fisco, quando do ajuste anual. Como nos autos não consta a DAA efetivamente transmitida pelo contribuinte ao Fisco, converto o julgamento em diligência, solicitando que a unidade de origem junte a DAA do contribuinte referente ao anocalendário 2012/exercício 2013. Posteriormente, dê ciência ao contribuinte para eventual manifestação, no prazo de 30 dias. (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 198DF CARF MF Processo nº 13982.720268/201753 Resolução nº 2002000.042 S2C0T2 Fl. 199 4 Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001128/2005-35
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
ementa_s :
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10925.001128/2005-35
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5917890
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.780
nome_arquivo_s : Decisao_10925001128200535.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10925001128200535_5917890.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
dt_sessao_tdt : Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7472039
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050868060782592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1328; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.001128/200535 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.780 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 12 de setembro de 2018 Matéria EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL Recorrente BONATO COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL ANOCALENDÁRIO 2004 Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em uma ou mais das vedações à opção estabelecidas em lei.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0714.365 da 6ª Turma da DRJ/FNS, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Ato Declaratório Executivo DRF/JOA n° 001, de 23 de janeiro de 2007, em razão de a empresa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 11 28 /2 00 5- 35 Fl. 173DF CARF MF 2 exercer a atividade de locação de imóveis, vedada pela alínea “b” do inciso XII, art. 9° da Lei n° 9.317/96. Segue o relatório: Mediante Ato Declaratório Executivo DRF/JOA n° 001, de 23 de janeiro de 2007 o contribuinte acima qualificado, foi excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, em razão de a empresa exercer a atividade de locação de imóveis, a qual, a teor do que dispõe, a alínea “b” do inciso XII, art. 9° da Lei n° 9.317/96, resta impedida de optar pelo referido sistema. Os efeitos da exclusão, a teor do que dispõe os art.(s) 15 e 16, do mesmo diploma legal retrocitado e alterações posteriores, retroagem a 01/01/2004. Por sua vez, cientificada da exclusão, documento de fls. 38, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 51 a 58), alegando, em breve síntese, que: explora somente a atividade de comércio varejista de ferragens, ferramentas e materiais de construção; que todos os imóveis de sua propriedade, em 15/09/1999, foram incorporados à empresa Tahiti Administração e Serviços Ltda; todavia, o imóvel situado a Rua Caetano Natal Branco, n° 1.100, que em detrimento do Contrato de locação firmado entre a Delegacia da Receita Federal de Joaçaba e a manifestante ainda não pode ser registrado em nome da Tahiti; para contornar esta situação repassa à esta a totalidade dos valores recebidos; por sua vez, a empresa Tahiti tributa regularmente os valores em tela. À vista do exposto, a interessada conclui que não há qualquer fato excludente da opção pelo referido sistema, assim, o ADE exarado deve ser considerado nulo e conseqüentemente o seu direito de optar pelo Simples deve ser restituído. Outrossim, requer a juntada, aos autos, de cópia da DIPJ da empresa, relativa ao ano calendário de 2006, que ainda não foi apresentada, para que se obtenha a verdade dos fatos. É o relatório. A recorrente foi cientificada da decisão em 24/03/2009 e apresentou o recurso voluntário em 23/04/2009. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário tempestivo e que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto 70.235/72. e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega, basicamente, que: · O bem imóvel locado pela Delegacia da Receita Federal, localizado na Rua Caetano Natal Branco, n° 1100, em Joaçaba teve seu domínio transferido para a sociedade empresarial denominada “Tahiti Administração e Serviços Ltda.”, através de Alteração de Contrato Social, devidamente registrado na Junta Comercial, na época oportuna, ocasião em que foi procedido a aumento de capital da Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10925.001128/200535 Acórdão n.º 1001000.780 S1C0T1 Fl. 3 3 “Tahiti”, mediante a entrega de vários bens imóveis, de propriedade da Recorrente. · Ressaltese que a Alteração Contratual foi tempestivamente encaminhada a registro na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, adquirindo a qualidade de documento público e produzindo efeitos contra terceiros, no caso, a Administração Fazendária Federal. · Tratandose de documento público, desnecessária sua juntada aos Autos. · A transferência da propriedade, para FINS TRIBUTÁRIOS, ocorreu com o registro da Alteração Contratual na JUNTA COMERCIAL, e não quando do registro no Cartório de Registro de Imóveis, que produz efeitos civis, entre as partes. · Cita decisões do extinto Conselho de Contribuintes e comenta: · A decisão paradigmática não deixa dúvidas quanto ao momento em que produzem efeitos tributários os atos praticados pelos particulares: o ganho de capital se dá no momento em que a Junta Comercial efetiva o registro da integralização. · E nem poderia ser diferente: bastaria a um determinado contribuinte NÃO REGISTRAR NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS um contrato ou uma escritura, para eximirse das obrigações tributárias dele decorrentes. · A partir da data do registro da alteração na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina o que se impõe, do ponto de vista tributário é: · 1) A Bonato Comercial Ltda (ora recorrente) deve apurar eventual ganho de capital, e em ocorrendo este, deve pagar o imposto respectivo; · 2) A Bonato Comercial Ltda. (ora recorrente) não deve apurar, contabilizar ou registrar receitas de aluguéis (locação) do bem imóvel que foi utilizado para aumento de capital da “Tahiti Administração e Serviços Ltda.” · 3) A “Tahiti Administração e Serviços Ltda”, cujo capital foi aumentado mediante a conferência do bem imóvel localizado na Rua Caetano Natal Branco, n° 1.100, em Joaçaba, Santa Catarina, é a pessoa jurídica que deve reconhecer as receitas da locação do bem imóvel, que já lhe pertence, ainda que não registrado no Cartório de Registro de Imóveis. · 4) A Bonato Comercial Ltda., como não tem imóveis locados, não tendo receita de locação de bens imóveis, não tem atividade impeditiva à opção pelo SIMPLES, devendo serlhe reconhecido o direito a ser optante pelo SIMPLES e a se manter Fl. 175DF CARF MF 4 como tal, enquanto outras causas impeditivas eventuais não surjam ou não existam. · Diante de todo o exposto, resta demonstrado a decisão recorrida deve ser reformada, dandose provimento a este recurso, para que seja assegurada à Recorrente a validade de manutenção da mesma como optante pelo SIMPLES, desde 01/01/2.004. A DRJ proferiu o seguinte voto: Inicialmente, cabe frisar que o Ato Declaratório Executivo DRF/JOA n° 001, de 23 de janeiro de 2007, de fls. 36, excluiu o contribuinte do SIMPLES com fundamento no art. 9°, inciso XII, alínea “b”, da Lei 9.317/96, abaixo transcrito. . Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: _ (...) XII que realize operações relativas a: ... b) locação ou administra ao de imóveis' Assim sendo, se o art. 9°, inciso XII, da Lei n°. 9.317/ l996 dispõe literalmente que as empresas que realizem operações relativas à locação de imóveis, sem nenhuma exceção, não podem se enquadrar no SIMPLES, não há como interpretar de outra forma, face ao que determina o art. 111, II do Código Tributário Nacional CTN (Lei n°. 5.172/ 1966). Com efeito, as empresas que obtenham receitas de aluguel de imóveis não poderão optar pelo SIMPLES, sendo irrelevante o percentual destas receitas em relação à receita bruta total da empresa. Portanto, em que pese os argumentos da interessada quando aduz que os valores em tela são repassados a Tahiti Administração e Serviços Ltda, independente de quem seja o proprietário do imóvel locado, não há como negar que os mesmos são por ela percebidos. Em conseqüência, ratifico o entendimento da DRF jurisdicionante manifestado através do Ato Declaratório Executivo DRF/J OA n° 001, de 23 de janeiro de 2007. Por fim, com base no que dispõe o § 4°, an. 16, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que limitou o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito do impugnante fazêlo em outro momento processual, indefiro o pedido da requerente, para que sejam produzidos todos os meios de provas admitidos em direito. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto no sentido de INDEFERIR a solicitação da interessada, considerando válido o ato de sua exclusão do SIMPLES. Verificase, nos autos, que o primeiro contrato de aluguel (fl 19 a 23), tendo como locadora a Bonato Ltda foi assinado no ano de 2001 e como locatária a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba SC. Este contrato tem sido aditado por vários anos, incluindo o da Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10925.001128/200535 Acórdão n.º 1001000.780 S1C0T1 Fl. 4 5 exclusão do Simples, tendo como locadora a própria Bonato. No contrato, esta figura como proprietária do imóvel locado. Em seu recurso, alega a recorrente que o imóvel foi cedido em aumento de capital para outra empresa e que esta é que seria a beneficiária dos valores dos alugueis pagos pela locatária e que, portanto, cede os valores recebidos, a título de aluguel, para a empresa Tahiti Administração e Serviços Ltda, a qual, segundo a recorrente, seria a titular do bem desde o ano de 1999, não tendo sido efetuado o devido registro civil da transferência (integralização de capital); não foram citadas as razões de não ter efetuado o referido registro. Em nenhum momento, foi dada ciência à locatária da referida situação, fazendo crer que a Bonato, na verdade, na prática, sublocava o imóvel, já que sempre figurou como locadora e não como interveniente. Assim, pressupõese ter havido uma sublocação consentida tacitamente. Assim, ainda que, efetivamente, a Bonato tivesse efetuado os repasses dos valores dos aluguéis recebidos pela Bonato, como afirma a recorrente, esta deveria registrar as receitas correspondentes e a Thaiti, por sua vez, também deveria fazêlo, já que é a proprietária do imóvel, salvo se houvesse um contrato de comodato entre as partes. Portanto, correta a decisão da DRJ. Consequentemente, nego provimento ao presente Recurso Voluntário, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10831.005460/2003-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 17/04/2003
MULTA REGULAMENTAR. CONSUMIR OU DAR A CONSUMO PRODUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA QUE TENHA ENTRADO NO ESTABELECIMENTO, DELE SAÍDO OU NELE PERMANECIDO, SEM QUE TENHA HAVIDO REGISTRO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO DO SISCOMEX, OU DESACOMPANHADA DE GUIA DE LICITAÇÃO OU DE NOTA FISCAL, CONFORME O CASO.
A multa calculada sobre o valor da mercadoria, prevista no art. 631, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002, numa das hipóteses ali descritas, requer a tipificação de consumo ou entrega a consumo de mercadoria de origem estrangeira, que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido, sem que tenha havido registro da respectiva declaração de importação no Siscomex, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou de nota fiscal, conforme o caso. Caracterizada tal situação, a penalidade está corretamente aplicada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 17/04/2003 MULTA REGULAMENTAR. CONSUMIR OU DAR A CONSUMO PRODUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA QUE TENHA ENTRADO NO ESTABELECIMENTO, DELE SAÍDO OU NELE PERMANECIDO, SEM QUE TENHA HAVIDO REGISTRO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO DO SISCOMEX, OU DESACOMPANHADA DE GUIA DE LICITAÇÃO OU DE NOTA FISCAL, CONFORME O CASO. A multa calculada sobre o valor da mercadoria, prevista no art. 631, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002, numa das hipóteses ali descritas, requer a tipificação de consumo ou entrega a consumo de mercadoria de origem estrangeira, que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido, sem que tenha havido registro da respectiva declaração de importação no Siscomex, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou de nota fiscal, conforme o caso. Caracterizada tal situação, a penalidade está corretamente aplicada. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10831.005460/2003-56
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5906493
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.797
nome_arquivo_s : Decisao_10831005460200356.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 10831005460200356_5906493.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7437703
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050868063928320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1783; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 265 1 264 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10831.005460/200356 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.797 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2018 Matéria MULTA REGULAMENTAR DO ART. 631 DO REGULAMENTO ADUANEIRO Recorrente TRANSITIONS OPTICAL DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 17/04/2003 MULTA REGULAMENTAR. CONSUMIR OU DAR A CONSUMO PRODUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA QUE TENHA ENTRADO NO ESTABELECIMENTO, DELE SAÍDO OU NELE PERMANECIDO, SEM QUE TENHA HAVIDO REGISTRO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO DO SISCOMEX, OU DESACOMPANHADA DE GUIA DE LICITAÇÃO OU DE NOTA FISCAL, CONFORME O CASO. A multa calculada sobre o valor da mercadoria, prevista no art. 631, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002, numa das hipóteses ali descritas, requer a tipificação de consumo ou entrega a consumo de mercadoria de origem estrangeira, que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido, sem que tenha havido registro da respectiva declaração de importação no Siscomex, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou de nota fiscal, conforme o caso. Caracterizada tal situação, a penalidade está corretamente aplicada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 54 60 /2 00 3- 56 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10831.005460/200356 Acórdão n.º 3301004.797 S3C3T1 Fl. 266 2 Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por economia processual, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de exigência de multa enquadrada no art. 631 do Regulamento Aduaneiro [(Decreto n° 4.543, de 26/12/2002 (Lei 4.502, de 30/11/64, art. 83, inciso I, e DecretoLei n° 400, de 30/12/68, art. 1°, art. 1°, alteração 2), formalizada na Notificação de Lançamento de fls. 89/92, em valor idêntico ao da mercadoria, no total de R$ 59.161,42 (cinquenta e nove mil, cento e sessenta e um reais e quarenta e dois centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Em 17/04/2003 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias importadas, tendo registrado a DI n° 03/03264092 (fls. 04/09), que foi canalizada pelo Siscomex para o canal verde de conferência (desembaraço automático). Na adição n° 001 da referida DI (fls. 8), na descrição detalhada da mercadoria, registrou a importação de 3.593 unidades de lentes ópticas plásticas ST28 CR607 P0T0BST28607. Posteriormente, em 04/06/03, quase dois meses após o registro da Dl, o importador apresentou requerimento para retificação da DI (fls. 1/2), alegando que o número correto de unidades de lentes ópticas importadas e recebidas era de 13.755, e não de 3.593, conforme constara no texto da adição em comento. Portanto, importara 10.162 unidades a mais que o constante do despacho aduaneiro. O pedido de retificação da DI objetivava vincular as unidades excedentes (10.162) no despacho aduaneiro formalizado pela Dl 03/0326409 2. Em 07/02/08 foi expedido o Termo de Intimação SAORT n° 33/2008 (fls. 51/52), solicitando ao importador documentos para instrução probatória, nos termos da IN SRF n° 680/06, arts. 45 e 46. Ciente da intimação, o interessado apresentou os documentos solicitados (fls. 54/83). Em 14/03/08 foi proferido o DESPACHO DECISÓRIO DE INDEFERIMENTO do pleito (fls. 85/88), cuja ementa é a seguinte: "Indeferese o pedido de retificação para inclusão de mercadorias apontadas em processo de denúncia espontânea, não vinculadas no momento do registro Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10831.005460/200356 Acórdão n.º 3301004.797 S3C3T1 Fl. 267 3 da DI, desembaraçadas no canal verde conferência, quando não há elementos documentais que corroborem o pleito.". No texto de despacho, são apontadas diversas irregularidades constatadas na documentação apresentada, para considerar que a mesma não faz prova da regularidade das mercadorias excedentes. Do despacho decisório que indeferiu o pleito foi dada ciência pessoal ao interessado (fls. 88), tendo sido aberto a ele o prazo de 30 (trinta) dias para interposição de recuso junto à Inspetora da Alfândega de Viracopos, nos termos dos arts. 56 a 65 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1.999. O prazo para recurso extinguiuse, sem que o interessado apresentasse recurso administrativo à decisão que lhe foi adversa. Após trânsito em julgado da decisão que indeferiu o pedido de inclusão das mercadorias excedentes no despacho aduaneiro formalizado pela DI n° 03/03264092, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 89/91, para exigência de multa equivalente ao valor da mercadoria, com base no art. 631 do Regulamento Aduaneiro [(Decreto n° 4.543, de 26/12/2002 (Lei 4.502, de 30/11/64, art. 83, inciso I, e DecretoLei n°400, de 30/12/68, art. 1°, art. 1°, alteração 2a)], referente à penalização do ato de consumir ou dar a consumo mercadoria estrangeira que possa ser enquadrada numa das três situações seguintes: a) que tenha sido introduzida clandestinamente no Pais; b) que tenha sido importada irregular ou fraudulentamente; e c) que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido, sem que tenha havido registro da Declaração de Importação no Siscomex, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou de nota fiscal (compra no mercado interno), conforme o caso. Ciente do teor da Notificação de Lançamento já referida, e inconformado com o teor da mesma, o interessado apresentou sua impugnação tempestiva, às fls. 95/115, cujos argumentos são, em síntese, os seguintes: 1 Entende que a regularidade da mercadoria ficou comprovada nos documentos que apresentou quando de seu pleito de retificação daDI (portanto, apresenta tardiamente seu recurso administrativo quanto ao indeferimento do pleito inicial); 2 Alega que não cabe a multa do controle administrativo das importações (que, no caso, não foi aplicada); 3 Alega que a exigência da multa em valor equivalente ao da mercadoria é exorbitante, tendo caráter confiscatório; e 4 Não se defende da contravenção mencionada no dispositivo legal, ou seja, do consumo ou entrega a consumo de mercadoria de procedência estrangeira que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido, sem que tenha havido registro da declaração de importação no Siscomex ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10831.005460/200356 Acórdão n.º 3301004.797 S3C3T1 Fl. 268 4 A DRJ/SPII negou provimento ao apelo com decisão assim ementada: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 17/04/2003 MULTA REGULAMENTAR: CONSUMIR OU DAR A CONSUMO PRODUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA QUE TENHA ENTRADO NO ESTABELECIMENTO, DELE SAÍDO OU NELE PERMANECIDO, SEM QUE TENHA HAVIDO REGISTRO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO DO SISCOMEX, OU DESACOMPANHADA DE GUIA DE LICITAÇÃO OU DE NOTA FISCAL, CONFORME O CASO. A multa calculada sobre o valor da mercadoria, prevista no art. 631, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002, numa das hipóteses ali descritas, requer a tipificação de consumo ou entrega a consumo de mercadoria de origem estrangeira, que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido, sem que tenha havido registro da respectiva declaração de importação no Siscomex, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou de nota fiscal, conforme o caso. Caracterizada tal situação, a penalidade está corretamente aplicada. Em recurso voluntário, a empresa reitera os argumentos aduzidos em impugnação, sustentado o desacerto da exigência, pois não haveria provas de que a recorrente consumiu as mercadorias importadas; requer a conversão do julgamento em diligência, para que sejam apreciados os documentos juntados com a impugnação, no sentido de comprovar erro material no preenchimento da declaração de importação que originou a operação de comércio exterior efetivada; e, por fim, requer reforma da decisão a quo. A 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Resolução n° 310100.106, converteu o julgamento em diligência para que a ALF/ViracoposSP: i) analise os documentos acostados com a impugnação apresentada neste processo, fls. 134 a 157, levando em consideração as explicações do recurso voluntário, itens 6 a 27 das fls. 181 a 188, e emita Parecer conclusivo acerca do ocorrido, a saber, se efetivamente, com a documentação anexada podese dizer que tratouse de lapso manifesto causado pelo exportador, e haveria condições de ser retificada a declaração de importação; Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10831.005460/200356 Acórdão n.º 3301004.797 S3C3T1 Fl. 269 5 ii) dar ciência do Parecer do item anterior à recorrente, para manifestarse, querendo, em prazo de 30 dias, em homenagem ao contraditório e à ampla defesa. A resposta à diligência apontou (efls. 256259): 23 Os documentos apresentados à folhas 134 a 157 foram apreciados quando da instrução e decisão do indeferimento do pedido de retificação, estando precluso sua reanálise, assim mantemos integralmente o parecer do auditor que exarou o despacho decisório de indeferimento do pleito. 24 As explicações constantes no item 6 a 27 das folhas 181 a 188, foram apreciadas no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ, que as refutou, não cabendo portanto a esta SAORT manifestarse sobre as mesmas, haja vista não haver competência administrativa funcional pata tanto, nos termos do disposto no regimento interno da RFB. Isto posto, entendo que o processo encontrase devidamente instruído com as razões e contrarrazões das partes, faltando unicamente ao órgão julgador de 2ª instância manifestarse frente a verdade material existente no processo. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Diante do indeferimento do pedido de retificação da Declaração de Importação n° 03/03264092, de 17/04/2003, foi facultado ao contribuinte interpor recurso junto à Alfândega do Aeroporto de Viracopos, o que não foi feito. No caso, a empresa promoveu a importação de mercadorias cobertas pelo Conhecimento de Transporte Aéreo Internacional MAWB 5272148 1644 /11AWB 0080 8986 e pela Fatura Comercial (Commercial Invoice) s/n° Order Number: 60415, vinculandoa à Declaração de Importação n° 03/03264092. Posteriormente, solicitando a inclusão da mercadoria constante na Solicitação de Retificação protocolada em 04 de junho de 2003, fls. 01 e 02, do presente processo (Fatura Comercial s/n° Order Number: 60415), foi intimada, através do Termo de Intimação SAORT n° 33/2008, de 07/02/08, às fls. 51/52 (cientificado o interessado em 19/02/08, às fls. 53), a Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10831.005460/200356 Acórdão n.º 3301004.797 S3C3T1 Fl. 270 6 apresentar documentos e informações necessários à adequada instrução processual, nos termos dos artigos 45 e 46 da IN SRF 680/06. Entretanto, o pleito foi indeferido, devido ao não atendimento aos termos da intimação exarada, principalmente quanto à carência de comprovação de regularidade fiscal e contábil da importação das mercadorias objeto da pretendida retificação, dentro do prazo estabelecido. A autoridade fiscal apontou as seguintes irregularidades: apresentação de Fatura Comercial sem a devida menção aos Pesos Bruto e Líquido da inclusão pretendida, o que contraria o artigo 497 do Decreto n° 4.543, de 26/12/2002 (Regulamento Aduaneiro); a quantidade de mercadorias da Adição 001 (3.593 Unidades) corresponde ao Peso Líquido de 1.480,0 Kg; a quantidade de mercadorias a ser incluída (13.755 Unidades) não possui Peso Líquido informado na Fatura Comercial correspondente; informação de Peso Bruto (1.690,0 Kg) e Peso Líquido (1.500,0 Kg) constante no total da DI, o Peso Líquido das 3.593 Unidades da Adição 001 (1.480,0 Kg), a falta de informação de Peso Líquido das 13.755 Unidades, concernentes à Inclusão; o Packing List apresentado não oferece clareza quanto aos Pesos Bruto e Líquido das mercadorias objeto da DI, bem como da correspondente Inclusão; foram apresentadas apenas as Notas Fiscais de Entrada n. 14.752, de 23/04/2003, e n. 15.077, de 22/05/2003, correspondentes à Adição 001 e à Inclusão; não houve a apresentação de Notas Fiscais de Entrada, correspondentes ao total da DI, não comprova, em tese, a regularidade fiscal e contábil da importação. Logo, os fatos acima relatados constituem infração nos termos do artigo 602 do Decreto n° 4.543, de 26/12/2002 (Regulamento Aduaneiro), abaixo descrito: Art. 602. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (Decretolei n° 37, de 1966, art. 94). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (Decretolei n°37, de 1966, art. 94, § 2°). Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10831.005460/200356 Acórdão n.º 3301004.797 S3C3T1 Fl. 271 7 Destarte, não sendo as informações prestadas suficientes para fins de instrução processual e retificação da DI em comento, fica evidenciado que, a partir do não atendimento aos termos da INTIMAÇÃO em tela, o importador promoveu, de forma irregular, a introdução de mercadoria estrangeira no país, situação prevista no artigo 631 do Decreto n° 4.543, de 26/12/2002 (Lei n° 4.502/64, art. 83, I e DecretoLei n°400/68, art. 1°, alteração 2): Art. 631. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no Siscomex, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei no 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei no 400, de 30 de dezembro de 1968, art. 1o, alteração 2ª). Parágrafo único. A multa referida no caput não será exigida quando já tenha sido aplicada a pena de perdimento do bem, caso em que será procedida à conversão de que trata o § 1o do art. 632. A penalidade prevista, portanto, na situação descrita acima, é a de "multa igual ao valor da mercadoria". Alega a Recorrente que, sem a prova de que houve o consumo ou que se deu a consumo o produto de procedência estrangeira [Adição n° 001 da DI n° 03/03264092] que tinha entrado em seu estabelecimento, ou seja, de que efetivamente ocorreu a hipótese descrita no art. 631 do Regulamento Aduaneiro, não poderia a SAORTAlfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos ter efetuado o lançamento da multa regulamentar. A diligência solicitada pelo CARF intentou a investigação sobre a efetividade do consumo da mercadoria de procedência estrangeira, ou seja, comprovar erro material no preenchimento da declaração de importação que originou a operação de comércio exterior efetivada. Entretanto, a documentação juntada não é apta a elidir o atraso de 2 meses no pedido de retificação da DI. Em suma, o contribuinte pleiteou a vinculação de mercadorias excedentes ao despacho aduaneiro referente à DI n° 03/03264092, após aproximadamente dois meses da entrada de tais mercadorias em seus estoques. Logo, a multa recai sobre o consumo de mercadoria estrangeira com regularidade não comprovada através de registro da respectiva DI no Siscomex. Tal mercadoria de procedência estrangeira não consta de DI registrada no Siscomex e foi consumida pelo autuado. Isso porque, por quase dois meses, a empresa manteve em seu estoque (e consumiu) Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10831.005460/200356 Acórdão n.º 3301004.797 S3C3T1 Fl. 272 8 mercadoria estrangeira sem cobertura do documentação hábil para comprovar sua importação regular. Portanto, entendo que a penalidade foi corretamente aplicada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.957834/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.957834/2009-21
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5912194
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-001.401
nome_arquivo_s : Decisao_10880957834200921.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10880957834200921_5912194.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7441166
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050868179271680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 969; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.957834/200921 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.401 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de agosto de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente DIANA PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 57 83 4/ 20 09 -2 1 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.957834/200921 Resolução nº 3201001.401 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera do recolhimento indevido da Contribuição e que a Administração tributária tinha o dever de retificar de ofício a DCTF em face do princípio da verdade material. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu a declaração de nulidade da decisão de primeira instância ou sua reforma, bem como a realização de diligência, arguindo cerceamento do direito de defesa, por falta de demonstração por parte do julgador a quo do motivo para declarar a insuficiência dos documentos acostados aos autos (DARF, DIPJ, Balancete e DCTFs), e inobservância do princípio da verdade material. No mérito, requereu o Recorrente, com base nos documentos acostados aos autos, a reforma do despacho decisório em face do recolhimento indevido, justificandose que, por um lapso, não procedera à retificação tempestiva da DCTF. Junto ao recurso, o Recorrente apresentou cópia de parte do Razão Contábil. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.393, de 29/08/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.913528/200982, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.393): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.957834/200921 Resolução nº 3201001.401 S3C2T1 Fl. 4 3 A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Cerceamento do Direito de Defesa e da Inobservância do Princípio da Verdade Material Afastase a preliminar de cerceamento do direito de defesa. A recorrente teve garantido o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa nas duas instâncias administrativas. A recorrente teve assegurado, inclusive, o direito de juntar documentos, razão contábil, no presente recurso de segunda instância. Nesse sentido, observese jurisprudência do CARF. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 3301003.976 do Processo 15586.001130/200788 Data 30/08/2017 CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. NULIDADE Não há nulidade quando se constata em todas as fases processuais o exercício do direito ao contraditório e de ampla defesa, não caracterizando o cerceamento de defesa. Em referência a argumentos fundados nos princípios constitucionais, aplicase a Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Cabe ainda indeferir o pedido de diligência genérico, sem comprovação de sua necessidade e da impossibilidade da produção da prova pelo contribuinte. Preliminares indeferidas. Mérito A fundamentação do despacho decisório denegatório seria a inexistência de crédito disponível, tendo sido o DARF discriminado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, que estavam declarados em DCTF. A DCTF originária representou uma confissão de dívida. Assim, quando da manifestação de inconformidade, a documentação apresentada em primeira instância, DARF de pagamento, DIPJ, Balancete e DCTF´s foram considerada insuficientes. Citase trechos do relatório da DRJ: Ressaltese que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, 6. O documento apresentado pelo contribuinte para prestar à autoridade fazendária as informações relativas aos valores devidos dos tributos e contribuições federais, e os respectivos valores de créditos vinculados (pagamento, parcelamento, compensação, etc.), constituindose cm confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, na forma do disposto pelo § 1 0, do art. 5° do Decreto lei n° 2.124, de 8 de março de 1984. (efl. 92) (...) Deste modo, a DIPJ não se configura como documento suficiente a comprovação de erro nas informações prestadas em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, para fins de homologação da compensação efetivada pelo contribuinte. (efl. 92) No mérito, o cerne da lide consiste em verificar se a documentação contábil e/ou fiscal apresentada após o despacho decisório seria prova suficiente para a compensação. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.957834/200921 Resolução nº 3201001.401 S3C2T1 Fl. 5 4 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 3002000.234 do Processo 10880.674831/200954 Data 13/06/2018 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. PROVA INSUFICIENTE QUANDO DESACOMPANHADA DE DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não impede o reconhecimento do direito ao crédito desde que acompanhada de documentação contábil e/ou fiscal que comprove o erro cometido no preenchimento da declaração original. Em sendo apresentada isoladamente, não constitui prova suficiente. A retificação da DCTF, depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido de compensação, quando acompanhada de provas comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento está fundamentado no § 1º do art. 147 do CTN. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Existe jurisprudência do CARF sobre o assunto. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 9303006.266 do Processo 13896.902360/200818 Data: 25/01/2018 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). Na retificação, a DCTF sofreu alteração para menor, cabendo a interessada comprovar o erro. Tal comprovação pode ser feita de diversas formas, inclusive por meio de planilhas, documentos contábeis, cópias de documentos, cupons, recibos e tantos outros. O princípio da verdade material, alegado pela recorrente, exige provas que compete a mesma trazer aos autos. Agora, em segunda instância, a recorrente junta aos autos o razão contábil provisão COFINS a recolher em 31/07/2004, onde demonstra de janeiro a dezembro de 2004 a provisão de recolhimento da COFINS. De fato, verificase que o valor a recolher, relativo a COFINS, em julho de 2004, seria de R$29.775,70 e não de R$42.341,83 (doc. 09 do recurso efls. 182/183). A escrituração do razão contábil em conjunto com o balancete são documentos contábeis/fiscais oficiais que fazem prova de verdade. Os documentos deixam claro a existência de saldo creditório e são suficientes para garantir o direito. A recorrente também alega que efetuou a retificação na DCTF original. Demonstrada a composição da base de cálculo da contribuição por meio de documentos contábeis/fiscais resta demonstrado o valor devido do tributo e, Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.957834/200921 Resolução nº 3201001.401 S3C2T1 Fl. 6 5 consequentemente, o indébito decorrente do recolhimento em valor maior que o devido. Finalmente, cabe repetir que o artigo 151, III do Código Tributário Nacional determina que as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo suspendem a exigibilidade do crédito. Somente com o encerramento da fase administrativa é que se pode, se for o caso, inscrever o crédito cm dívida ativa, efetuar a cobrança judicial e incluir o contribuinte no Cadastro Informativo de Débitos não quitados de Órgãos e Entidades Federais — CADIN. Em vista da apresentação de documentos adicionais, dentro do princípio da verdade material, que possivelmente pode lastrear direito de crédito presumido, entendo que o julgamento deva ser convertido em diligência, a fim de que o Fisco se manifeste sobre a prova referida, o razão contábil. Após, deve a recorrente ser instada a manifestarse, se o desejar, com o retorno do processo ao CARF para continuidade do julgamento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que o Fisco se manifeste sobre a prova carreada aos autos em sede de recurso voluntário, a saber, o Razão Contábil. Após, deve o Recorrente ser instado a se manifestar, se assim o desejar, com o retorno do processo ao CARF para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.904896/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10840.902858/2010-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10840.904896/2009-14
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5920690
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-000.949
nome_arquivo_s : Decisao_10840904896200914.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10840904896200914_5920690.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10840.902858/2010-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7483382
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050868229603328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1593; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.904896/200914 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.949 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de setembro de 2018 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ESCANDINÁVIA VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10840.902858/201052, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, tendo por base as constatações seguintes: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 04 89 6/ 20 09 -1 4 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10840.904896/200914 Resolução nº 3301000.949 S3C3T1 Fl. 3 2 a) a empresa foi intimada a esclarecer os valores mensais consignados a título de Faturamento/Receita Bruta em sua DIPJ retificadora, tendo em vista que o valor dessa rubrica foi sistematicamente reduzido nas suas DIPJ retificadoras dos anoscalendário de 2001 e 2002. Em resposta, a empresa esclarece a redução de seu Faturamento/Receita Bruta como sendo decorrente da exclusão de receitas financeiras, as quais teriam sido indevidamente incluídas na base de cálculo da contribuição; b) para o anocalendário a que se refere o presente processo não há previsão legal para exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS das receitas financeiras informadas na resposta à intimação, sendo certo, portanto, que elas devem compor a base de cálculo da COFINS. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade postulando, em suma, para julgála integralmente procedente, com vistas à reforma do despacho decisório exarado nos autos, reconhecendose a existência do aludido crédito da empresa ora manifestante e, ato contínuo, homologandose a compensação outrora requerida, tendo em vista que é inadmissível a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS, haja vista que, por força da Interpretação estabelecida tanto pelo Supremo Tribunal Federal como pelo Superior Tribunal de Justiça á Lei Federal n° 9.718, de 1998, apenas o faturamento (resultado da venda de mercadorias e serviços) poderá ser objeto de incidência daquela exação. excluídas, assim, as receitas financeiras, que não se encaixam nesse conceito: A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adiciona os seguintes: a) deve ser aplicada o entendimento pacificado nos tribunais superiores de que é inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS promovido pelo §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98; e b) as cópias autenticadas dos livros contábeis carreadas aos autos devem ser aceitas como prova, pois foram consideradas idôneas pelo SEORT (Serviço de Orientação e Análise Tributária). É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10840.904896/200914 Resolução nº 3301000.949 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.941, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.902858/201052, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.941): "O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reproduzo trecho do Despacho Decisório (fls. 37) que sumaria a demanda: "O presente processo trata do PerDcomp nº 13426.84222.120107.1.3.040093, de fls. 02/06, referente a suposto pagamento indevido ou a maior de Cofins – código 2172, do período de apuração – PA de dezembro de 2001, recolhido em 15/01/2002, cujo valor do crédito original na data da transmissão é R$ 3.845,02, com o qual se pretende compensar débito do IRPJ – código 2362, vencido em 28/02/2005. É o relatório. Da análise das suas DIPJ – do exercício 2002 – anocalendário 2001, original (004369110) e retificadora (126303512), juntadas às fls. 11/16, verificamos que a contribuinte retificou os valores consignados a título de “Faturamento/Receita Bruta”, no mês de dezembro de 2001, que foram alterados de R$ 3.063.856,82, para R$ 2.935.689,13, reduzindo a Cofins a pagar de R$ 87.536,02, para R$ 83.690,99. Visando verificar a regularidade do crédito ora pleiteado, através da intimação fiscal nº 481/2011/DRF/RPO/Seort, de fls.22/23, a empresa foi intimada a esclarecer os valores mensais consignados a título de Faturamento/Receita Bruta em sua DIPJ retificadora, tendo em vista que os valores dessas rubricas foram sistematicamente reduzidos nas suas DIPJ dos anoscalendário de 2001 e 2002. Em resposta apresentada em 24/05/2011, juntada às fls. 28/32, a empresa informa que a redução de seu Faturamento/Receita Bruta, no PA de dezembro de 2001, é decorrente da exclusão das receitas abaixo discriminadas e valoradas, as quais, segundo ela, teriam sido indevidamente incluídas na base de cálculo da Cofins. Rubrica R$ Comissões CDCI 11.370,29 Descontos obtidos 15.649,57 Juros recebidos 70.968,11 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10840.904896/200914 Resolução nº 3301000.949 S3C3T1 Fl. 5 4 Receita Aplicação Financeira 5,62 Variação monetária ativa 1.169,35 Comissões de intermediação de financiamentos 29.004,44 Total 128.167,69 No entanto, para o anocalendário de 2001, não há previsão legal para exclusão da base de cálculo da Cofins das receitas acima relacionadas, sendo certo, portanto, que elas devem compor sua base de cálculo. (. . .)" Nas peças de defesa, a recorrente sustenta que são receitas financeiras, não componentes da base de cálculo da COFINS, nos termos do caput do art. 3° da Lei n° 9.718/98. A tributação de tais receitas pela COFINS foi afastada pelos tribunais superiores, notadamente pelo STF, em sede do RE 390.840/MG. E carreou cópias autenticadas do livro razão, em que figuram as contas contábeis apresentadas no quadro acima. A DRJ ratificou o posicionamento da unidade de origem, sob o argumento de que, de acordo com o art. 21 da Lei nº 12.844/13, as decisões do STF, em sede de repercussão geral, e do STJ, de recursos repetitivos, somente vinculam aquele órgão, após pronunciamento formal da PGFN. Examino a contenda. Conforme entendimento assentado, em sede de repercussão geral, pelo Supremo Tribunal Federal (Recurso Extraordinário nº 585.235), o conflagrado alargamento da base de cálculo promovido pela Lei 9.718/98 foi considerado inconstitucional. À luz do entendimento manifesto pela Suprema Corte, apenas o faturamento decorrente das atividades típicas da pessoa jurídica estão sujeitos à incidência da Cofins no sistema cumulativo de apuração da Contribuição. E o §2º do artigo 62 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015 e alterações, determina que as matérias de Repercussão Geral sejam reproduzidas nos julgamentos dos recursos. Isto posto, resta apenas examinar a natureza das contas contábeis indicadas pelo contribuinte. O faturamento do mês foi declarado na DIPJ do anocalendário de 2002 entregue à RFB. Da leitura das cópias autenticadas dos razões contábeis, verifica se que os históricos dos lançamentos se coadunam com os títulos das contas. E alguns valores selecionados aleatoriamente para averiguação conferem com os indicados na tabela acima. Contudo, isto é não suficiente para reconhecermos o direito creditório. De acordo com o § 1° do art. 9° do Decretolei n° 1.598/77 "§ 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10840.904896/200914 Resolução nº 3301000.949 S3C3T1 Fl. 6 5 Em sua defesa, a recorrente alegou que as cópias dos razões das contas seriam suficientes para comprovar a natureza das contas contábeis, pois o SEORT (Serviço de Orientação e Análise Tributária) teria "considerado idôneas as receitas financeiras alocadas ao livro razão". Entretanto, não há evidência alguma desta afirmação. Ademais, apesar de não ter negado provimento à manifestação de inconformidade por este motivo, a insuficiência das provas apresentadas também foi destacada pela DRJ. A meu ver, há indícios fortes de que a recorrente é detentora de créditos da COFINS paga a maior, mas ainda há carência de informação. Assim sendo, em respeito ao Princípio da Verdade Material, e com o objetivo de assegurar o possível direito do contribuinte à compensação de tributos pagos a maior, porém salvaguardando os interesses da Fazenda Pública, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o contribuinte seja intimado a apresentar à unidade de origem para validação: i) as vias originais de sua escrituração contábil; ii) a documentação suporte dos lançamentos contábeis das receitas financeiras indevidamente incluídas na base de cálculo da COFINS; iii) conciliação dos lançamentos contábeis com as bases de cálculo da COFINS, original e ajustada pela exclusão das receitas financeiras; e iv) demonstração do cálculo dos valor pago a maior, a partir da comparação entre o valor devido inicialmente apurado e o calculado após a exclusão das receitas financeiras. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que o contribuinte seja intimado a apresentar à unidade de origem para validação: i) as vias originais de sua escrituração contábil; ii) a documentação suporte dos lançamentos contábeis das receitas financeiras indevidamente incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS; iii) conciliação dos lançamentos contábeis com as bases de cálculo do PIS e da COFINS, original e ajustada pela exclusão das receitas financeiras; e Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10840.904896/200914 Resolução nº 3301000.949 S3C3T1 Fl. 7 6 iv) demonstração do cálculo dos valor pago a maior, a partir da comparação entre o valor devido inicialmente apurado e o calculado após a exclusão das receitas financeiras. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
