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Numero do processo: 13502.000431/2005-80
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PIS NÃO CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMO.
Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e Cofins, geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração. Para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03.
CORREIAS E HIDRÓXIDO DE SÓDIO. UTILIZADOS DIRETAMENTE E ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO.
Estão dentro do conceito de insumo as correias de reposição e o hidróxido de sódio utilizado para tratamento da água que retorna ao processo produtivo e, portanto, fazem jus ao crédito.
DESPESAS COM INTERNAÇÃO E PORTUÁRIAS EM GERAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
Na importação de bens, não se enquadram no conceito de insumo as despesas com internação e as despesas portuárias em geral, assim com também não estão contidas nas hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º da Lei nº 10.637/02.
DESPESAS DE ALUGUEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DIRETA NO PROCESSO PRODUTIVO E DE SUA ESSENCIALIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus de comprovar a utilização de máquinas e equipamentos diretamente no processo produtivo, assim como sua essencialidade. Para tanto, não bastam alegações e descrições genéricas.
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. FALTA DE PROVAS DA UTILIZAÇÃO DIRETA NO PROCESSO PRODUTIVO E DA AQUISIÇÃO NO PAÍS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Somente geram crédito as máquinas e equipamentos, incorporados ao ativo imobilizado, utilizados na fabricação dos produtos destinados à venda e, se e somente se, forem adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País. É do contribuinte o ônus de comprovar o atendimento de tais requisitos.
DEVOLUÇÕES TRIBUTADAS ANTES DA VIGÊNCIA DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. POSSIBILIDADE DE ACORDO COM AS NORMAS LEGAIS.
As mercadorias devolvidas, tributadas antes da vigência da sistemática de apuração não cumulativa da contribuição para o PIS, deverão compor o estoque de abertura e farão jus ao crédito da contribuição efetivamente paga, devendo tal crédito ser utilizado em 12 parcelas iguais e sucessivas a partir da data de devolução. Considerando-se que a devolução, no caso presente, ocorreu em 20 de setembro de 2004, a recorrente faz jus a 1/12 avos do crédito no mês de setembro.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por maioria de votos, em dar provimento parcial quanto aos bens utilizados como insumos, reconhecendo o direito ao crédito tão somente das correias e do hidróxido de sódio, vencida a Conselheira Maria Eduarda Câmara Simões que lhe deu provimento e em negar provimento quanto aos serviços utilizados como insumos e às despesas de aluguéis, vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deu provimento parcial e, por unanimidade, em negar provimento quanto aos créditos sobre depreciação e sobre outras operações.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS NÃO CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMO. Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e Cofins, geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração. Para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. CORREIAS E HIDRÓXIDO DE SÓDIO. UTILIZADOS DIRETAMENTE E ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO. Estão dentro do conceito de insumo as correias de reposição e o hidróxido de sódio utilizado para tratamento da água que retorna ao processo produtivo e, portanto, fazem jus ao crédito. DESPESAS COM INTERNAÇÃO E PORTUÁRIAS EM GERAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Na importação de bens, não se enquadram no conceito de insumo as despesas com internação e as despesas portuárias em geral, assim com também não estão contidas nas hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º da Lei nº 10.637/02. DESPESAS DE ALUGUEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DIRETA NO PROCESSO PRODUTIVO E DE SUA ESSENCIALIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a utilização de máquinas e equipamentos diretamente no processo produtivo, assim como sua essencialidade. Para tanto, não bastam alegações e descrições genéricas. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. FALTA DE PROVAS DA UTILIZAÇÃO DIRETA NO PROCESSO PRODUTIVO E DA AQUISIÇÃO NO PAÍS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Somente geram crédito as máquinas e equipamentos, incorporados ao ativo imobilizado, utilizados na fabricação dos produtos destinados à venda e, se e somente se, forem adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País. É do contribuinte o ônus de comprovar o atendimento de tais requisitos. DEVOLUÇÕES TRIBUTADAS ANTES DA VIGÊNCIA DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. POSSIBILIDADE DE ACORDO COM AS NORMAS LEGAIS. As mercadorias devolvidas, tributadas antes da vigência da sistemática de apuração não cumulativa da contribuição para o PIS, deverão compor o estoque de abertura e farão jus ao crédito da contribuição efetivamente paga, devendo tal crédito ser utilizado em 12 parcelas iguais e sucessivas a partir da data de devolução. Considerando-se que a devolução, no caso presente, ocorreu em 20 de setembro de 2004, a recorrente faz jus a 1/12 avos do crédito no mês de setembro. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrente CIBRAFERTIL CIA BRASILEIRA DE FERTILIZANTES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS NÃO CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMO. Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e Cofins, geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração. Para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. CORREIAS E HIDRÓXIDO DE SÓDIO. UTILIZADOS DIRETAMENTE E ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO. Estão dentro do conceito de insumo as correias de reposição e o hidróxido de sódio utilizado para tratamento da água que retorna ao processo produtivo e, portanto, fazem jus ao crédito. DESPESAS COM INTERNAÇÃO E PORTUÁRIAS EM GERAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Na importação de bens, não se enquadram no conceito de insumo as despesas com internação e as despesas portuárias em geral, assim com também não estão contidas nas hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º da Lei nº 10.637/02. DESPESAS DE ALUGUEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DIRETA NO PROCESSO PRODUTIVO E DE SUA ESSENCIALIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 04 31 /2 00 5- 80 Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.043 2 É do contribuinte o ônus de comprovar a utilização de máquinas e equipamentos diretamente no processo produtivo, assim como sua essencialidade. Para tanto, não bastam alegações e descrições genéricas. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. FALTA DE PROVAS DA UTILIZAÇÃO DIRETA NO PROCESSO PRODUTIVO E DA AQUISIÇÃO NO PAÍS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Somente geram crédito as máquinas e equipamentos, incorporados ao ativo imobilizado, utilizados na fabricação dos produtos destinados à venda e, se e somente se, forem adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País. É do contribuinte o ônus de comprovar o atendimento de tais requisitos. DEVOLUÇÕES TRIBUTADAS ANTES DA VIGÊNCIA DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. POSSIBILIDADE DE ACORDO COM AS NORMAS LEGAIS. As mercadorias devolvidas, tributadas antes da vigência da sistemática de apuração não cumulativa da contribuição para o PIS, deverão compor o estoque de abertura e farão jus ao crédito da contribuição efetivamente paga, devendo tal crédito ser utilizado em 12 parcelas iguais e sucessivas a partir da data de devolução. Considerandose que a devolução, no caso presente, ocorreu em 20 de setembro de 2004, a recorrente faz jus a 1/12 avos do crédito no mês de setembro. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por maioria de votos, em dar provimento parcial quanto aos bens utilizados como insumos, reconhecendo o direito ao crédito tão somente das correias e do hidróxido de sódio, vencida a Conselheira Maria Eduarda Câmara Simões que lhe deu provimento e em negar provimento quanto aos serviços utilizados como insumos e às despesas de aluguéis, vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deu provimento parcial e, por unanimidade, em negar provimento quanto aos créditos sobre depreciação e sobre outras operações. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.044 3 Relatório O processo administrativo ora em análise trata de Pedido de Ressarcimento do PIS, referente ao 3º trimestre de 2004, e de Declarações de Compensação decorrentes, lastreado em créditos que se originariam da sistemática da não cumulatividade da contribuição. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Tratase de Manifestação de Inconformidade (fls. 358/370) contra o Despacho Decisório n° 0121/2009 (fls. 343/344), que aprovou o Parecer SARAC/DRF/CCI n° 402/2009 (fls. 325/339), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camaçari (DRF/CCI). 0 direito creditório em discussão se origina de pedido de ressarcimento de crédito da Contribuição para o PIS apurado no regime nãocumulativo relativo ao 3° trimestre de 2004, no valor de R$ 67.640,75, utilizado pela interessada para compensar débitos próprios (declarações de compensação as folhas 09/54). A autoridade fiscal, após análise dos documentos entregues pela contribuinte (fls. 85/231 e 241/320) em resposta as intimações SARAC/DRF/CCI n° 617/2009 (fls. 82/84), n° 1024/2009 (fls. 232/238) e n° 1033/2009 (fls. 239/240), e após consultas às folhas 60/81, deferiu parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 54.594,56, e homologou parcialmente a compensação declarada. Cientificada do despacho decisório em 11/12/2009, conforme Aviso de Recebimento à folha 348, a interessada em 12/01/2010 apresenta Manifestação de Inconformidade (fls. 358/370), sendo esses os pontos de sua irresignação, em síntese: 1. No caso do PIS e da Cofins, a não cumulatividade se opera mediante o "Método Indireto Substrativo", que consiste em conceder crédito calculado mediante aplicação da alíquota sobre as aquisições de bens e serviços, sistemática inteiramente diversa daquela estabelecida para o ICMS e o IPI, em que a não cumulatividade se opera, por expressa previsão constitucional, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores; 2. 0 pressuposto do referido método é que o custo, despesa ou encargo que gera o direito ao crédito atual, na etapa anterior fora uma receita de pessoa jurídica domiciliada no Pais, supostamente submetida a tais contribuições, e assim o débito calculado sobre todas as receitas tributáveis pelo PIS e pela Cofins na operação atual é confrontado com o crédito calculado sobre todos os custos, despesas ou encargos necessários à obtenção daquelas receitas; Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.045 4 3. Desta forma, os créditos não guardam qualquer relação com o que foi cobrado na operação anterior, como ocorre no ICMS e no IPI, pois cada operação é vista autonomamente, tendo em vista a própria natureza dos tributos, pois enquanto o ICMS e o IPI são tributos indiretos, o PIS e a Cofins são tributos diretos; 4. Quanto aos créditos sobre "Bens utilizados como insumos", o Despacho Decisório ora guerreado utilizase de equivocado conceito de insumo esculpido na Instrução Normativa n° 404, de 2004, que analogicamente adotou conceitos relativos à não cumulatividade do IPI, restringindo, sem qualquer base legal, o direito creditório do contribuinte; 5. 0 conceito de insumo, no sentido de tratarse de bem que deve ser consumido em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, foi devidamente rechaçado pela própria COSIT, que afirmou, em mais de uma oportunidade, que basta o bem estar relacionado ao processo produtivo para ser caracterizado como insumo, conforme Soluções de Divergência e de Consulta que transcreve, firmandose o entendimento de que insumo é todo custo ou despesa aplicado direta e indiretamente no processo produtivo de determinada mercadoria ou serviço, independentemente de existir ou não o desgaste em razão do contato direto com o produto em fabricação; 6. No caso concreto dos autos, conforme comprovam a Descrição do Processo Produtivo (fl. 202) e o Laudo Técnico (fls. 373/374), os quatro itens glosados pelo despacho decisório — correias, lona agrícola, hidróxido de sódio (soda cáustica) e gás natural — são, inequivocamente, aplicados no processo produtivo da manifestante; 7. As correias são utilizadas para acionamento de equipamentos utilizados na produção ou para o transporte de produto ao longo do processo produtivo, desgastandose, inclusive, em razão do atrito com o próprio produto produzido; 8. A lona agrícola, por sua vez, é utilizada para armazenagem do produto, enquanto que o hidróxido de sódio é utilizado para neutralizar o efluente, adicionado à Água que sai do processo e a ele retorna após a filtração; 9. Quanto ao gás natural, é utilizado em substituição 6. energia elétrica para queima na caldeira e na fornalha; 10. Logo, todos os itens glosados como não sendo insumos estão intimamente ligados ao processo de produção da empresa, sendo inequívoco o direito creditório da contribuinte, requerendo desde já a realização de diligência ou perícia, indicando a sua perita e formulando quesitos que entende necessários h solução do litígio; 11. No que tange aos serviços utilizados como insumos, item 19 do Parecer SARAC/DRF/CCI n° 402/2009, equivocouse o despacho decisório ao glosar a totalidade dos créditos apropriados pela manifestante, pois a própria autoridade fiscal Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.046 5 reconhece que tais serviços, de armazenagem, pesagem e movimentação, são tomados em face da aquisição de matérias primas importadas, compondo, portanto, o custo relativo produção, assim considerado todos os gastos com a aquisição de bens e serviços para a produção daqueles bens e serviços que serão postos a venda pela companhia, devendo ser reconhecida a integralidade do crédito da contribuinte em obediência ao inciso II do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003; 12. Quanto A alegação de que parte das notas fiscais relativas aos serviços é de período anterior A edição do artigo 16 da Lei n° 11.116, de 2005, e por isso não fariam jus ao crédito do PIS, destaca a interessada que a manutenção de créditos do PIS e da Cofins é inerente ao prófeio sistema da nãocumulatividade, &Wit° assegurado desde o inicio da adoção desta sistemática, consoante expressa disposição do § 4° do artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, prevendose que os créditos não aproveitados em determinado mês poderão ser utilizados nos meses subseqüentes, sem qualquer condição para essa manutenção e utilização; 13. Neste sentido, o legislador editou o artigo 17 da Lei n° 11.033, de 2004, visando dirimir eventuais conflitos a respeito da regra de manutenção e utilização do saldo credor mensal nas hipótese mencionadas; 14. Se nem mesmo a não tributação da receita pelo PIS e Cofins impede a manutenção do crédito, é porque esta manutenção constitui regra do sistema da não cumulatividade, e o artigo 16 da Lei n° 11.116, de 2005, é meramente interpretativo e não concessivo da manutenção dos créditos, que se constituem em direito incondicional do contribuinte, conforme asseverado pelo próprio legislador na exposição de motivos; 15. Em relação aos créditos sobre despesas de alugueis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica, glosados no despacho decisório sob o argumento de que a contribuinte não apresentou comprovantes fiscais das respectivas despesas, a manifestante anexa cópia do balancete contábil do mês de agosto/2004 (fl. 376), devidamente assinada pelo contador da empresa, onde constam os valores das contas contábeis que comprovam os gastos sob tal rubrica; 16. Quanto aos créditos apropriados no mês de setembro/2004 relativos a encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, não reconhecidos sob o argumento de que a contribuinte não apresentou demonstrativo com os valores informados no DACON, a manifestante também anexa à folha 378 cópia da composição dos bens do ativo imobilizado na produção, devendo ser reformado o despacho decisório; 17. Por fim, no que concerne A glosa do crédito relativo A devolução de mercadoria, sob o argumento de que, por se tratar de negócio realizado anteriormente A incidência nãocumulativa da contribuição, deveria ser considerado como crédito do estoque de abertura, de fato tratase de equivoco cometido pela Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.047 6 contribuinte, mas que em hipótese alguma afasta seu direito creditório, pois mesmo considerando o crédito como relativo ao estoque de abertura, uma vez ocorrida a devolução da mercadoria em 20/09/2004, em setembro/2004 a contribuinte já faria jus a 8/12 do crédito litigado; 18. Assim, requer que seja reconhecido integralmente seu direito creditório com a conseqüente homologação da compensação. A despeito de no Despacho Decisório n° 0121/2009 ter sido determinada a adoção de procedimentos necessários A cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada em razão da insuficiência de crédito, às folhas 379/382 restou demonstrado que o valor do crédito seria suficiente para extinção dos débitos, razão pela qual foi suspensa a exigibilidade do crédito tributário em face da apresentação da Manifestação de Inconformidade." Em seqüência, analisando as argumentações e os documentos apresentados pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador DRJ/SDR julgou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. Somente geram créditos da contribuição para o PIS as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. CRÉDITO. SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM, PESAGEM E MOVIMENTAÇÃO DE MATÉRIAS PRIMAS IMPORTADAS. Inadmissível a apropriação de créditos da contribuição para o PIS relativamente aos pagamentos de serviços de armazenagem, pesagem e movimentação de matérias primas importadas, visto que não aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.048 7 MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. ISENÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. Somente a partir de 09 de agosto de 2004 ficou estabelecido que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da contribuição para o PIS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 812/862), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, repisando fatos e argumentos já apresentados e juntando novos documentos. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão fundamental posta em discussão na presente lide se refere ao direito de creditamento na sistemática da não cumulatividade das contribuições para o PIS e a Cofins, assim, entendo oportuno tecer alguns comentários sobre os fundamentos que irão embasar este voto. O regime de incidência não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003. Em seus arts. 3º e §§, ambas as leis tratam das possibilidades de apropriação de créditos. Da simples leitura dos dispositivos legais citados, constatase que as hipóteses de creditamento no âmbito dessas contribuições possuem uma abrangência específica e diversa das legislações que regulamentam outros tributos. Em especial, o termo "insumo" não se amolda a definição restritiva presente na legislação sobre o IPI, como também não contempla um sentido tão amplo a ponto de incluir todos os custos e despesas necessárias à atividade empresarial, como no caso do IRPJ. Necessitase, então, a construção de diretrizes particulares na análise dos elementos geradores de crédito dessas contribuições. Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.049 8 Na busca desse desiderato, a jurisprudência desta Corte foi elaborando, ao longo do tempo, premissas importantes a serem consideradas, como no Acórdão nº 9303 006.083, de 12 de dezembro de 2017, da lavra do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Possas: "O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais." (grifo nosso) Embora o entendimento principal esposado acima seja majoritário atualmente no CARF, corrente autodenominada intermediária, mesmo entre seus adeptos, a aplicação prática desse conceito não é pacífica. Assim, temos que uns vislumbram que basta o insumo ser utilizado no processo produtivo para fazer jus ao crédito, outros entendem ser necessário a utilização direta desse insumo na produção, outros, ainda, preconizam que tal insumo deve ser indispensável. A meu sentir, a exigência mais correta a ser feita para que um determinado gasto seja classificado como um insumo, para o fim de creditamento disposto na legislação do PIS e da Cofins não cumulativas, é a essencialidade, tal qual foi manifestada no voto do Exmo. Ministro Mauro Campbell Marques no julgamento do REsp nº 1.246.317/MG: "Outrossim, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante." (grifo nosso) Ademais, tal entendimento foi ratificado pelo Ministro no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR: "Daí minha divergência, pois tenho posição um pouco mais restrita, onde deve ser realizado o "teste de subtração" do Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.050 9 insumo a fim de verificar a sua essencialidade ao processo produtivo". (grifo nosso) Nesse passo, creio que o bem ou serviço para ser considerado como insumo, além da necessidade de ser utilizado especificamente no processo produtivo, mesmo que não entre em contato direto com o produto, deve ser essencial à produção do bem ou à prestação do serviço. Em outras palavras, o insumo para ser apreciado como essencial ao processo, quando submetido ao teste de subtração, deve inviabilizar a obtenção do bem ou, ao menos, retirarlhe significativamente a qualidade. Para além da corrente intermediária do conceito de insumo, temos outra que considera que a legislação criadora da não cumulatividade para as contribuições enumerou um rol taxativo dos bens e serviços passíveis de serem considerados insumos com vista ao creditamento. Dessa forma, fora das hipóteses legalmente previstas, não haveria a possibilidade da apropriação de créditos. Tal entendimento pode ser observado no excerto do voto condutor do Acórdão nº 9303006.717, de 15 de maio de 2018, da lavra do Eminente Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal: "Como já tive a oportunidade de expressar em outras ocasiões, entendo que a legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso." (grifo nosso) A princípio, tais correntes parecem antagônicas ou, ao menos, incompatíveis. Contudo, a meu ver, existe a possibilidade de reconciliação. Primeiramente, entendo oportuno transcrever o art. 3º da Lei 10.833/2003, que trata do creditamento na sistemática da Cofins não cumulativa. Repisese que a legislação referente ao PIS tem dispositivo semelhante: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.051 10 a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) ......................................................................................................... Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.052 11 (grifo nosso) A partir da leitura do dispositivo transcrito, percebese que, embora todos os incisos tratem das possibilidade de apropriação de créditos, eles podem ser divididos em duas espécies diferentes: os basilares, aqueles que determinam quais as hipóteses fundamentais para a geração de crédito (bens para revenda e insumos na prestação de serviços ou na produção) e os extravagantes, aqueles que explicitam hipóteses que, a princípio, não podem ser enquadradas na definição de insumo, logo, por isso, não dariam direito ao creditamento ou, ao menos, teriam uma aplicação mais restrita. Assim, por exemplo, os custos, encargos e despesas nas operações de venda não podem ser caracterizados como insumos, pois, por óbvio, ocorrem após a produção do bem. Com efeito, por mais essenciais que sejam à atividade empresarial, não fazem parte do processo produtivo, mas do processo de comercialização. Contudo, nesse caso, por vontade do legislador, a armazenagem e o frete nas operações de venda dão direito a crédito. Dessa forma, entendo que a legislação que instituiu a sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e para a COFINS elencou um rol taxativo, contudo, não de bens e serviços considerados como insumo, mas, justamente, daquilo que, mesmo não sendo insumo, faz jus ao creditamento. Por conseqüência do que foi dito, voltando às operações de venda, fora a armazenagem e o frete, não há possibilidade de reconhecimento de crédito de mais nenhuma despesa ou custo incorridos nessas operações, a contrario sensu., por expressa determinação legal. Então, tomemos o caso das embalagens para transporte, sobre as quais vários ilustres Conselheiros reconhecem o direito ao creditamento, data venia, penso exatamente o oposto. Considerandose que tais embalagens não são insumos para a produção do bem, pois utilizadas somente após o término de sua elaboração, logo, muito menos o são insumos essenciais, embora sejam fundamentais ao processo de comercialização, e considerandose que tais dispêndios não estão elencados no rol taxativo do art. 3º, a meu sentir, não geram direito a crédito na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições. A partir dos fundamentos assentados anteriormente, podemos resumir os requisitos necessários para que um gasto seja passível de geração de crédito da seguinte forma: a) geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; b) são considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração; c) para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Feita essa introdução, passemos a análise específica da lide no presente processo. 1) Bens utilizados como insumos Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.053 12 A recorrente se insurge contra as glosas referentes a correias, lona agrícola e hidróxido de sódio e assevera que o laudo técnico apresentado juntamente com sua Manifestação de Inconformidade atestaria a pertinência desses itens ao seu processo produtivo. De fato, o laudo técnico (fl. 748/752) informa a utilização de cada um dos tipos de correias no reparo de equipamentos ligados diretamente e essenciais ao processo produtivo da empresa, conforme a descrição apresentada (fl. 408). Dessa forma, entendo que cabível o creditamento em decorrência da aquisição desses bens. Quanto ao hidróxido de sódio, segundo as informações acostadas, é utilizado para neutralizar o PH da água que sai do processo produtivo e que, após filtração, é reutilizada no mesmo. Assim, considerando a relação direta com a produção e a sua essencialidade, o hidróxido de sódio caracterizase como insumo e, portanto, faz jus ao crédito. Em relação à lona agrícola, ao contrário, não foi comprovada a sua relação direta com o processo produtivo e, principalmente, sua essencialidade, pois, tanto no laudo técnico anexado, como em seu Recurso Voluntário, a recorrente limitouse a asseverar que "é utilizada para a armazenagem do produto em local aberto". Não há nos autos a informação sobre a qual produto a recorrente se refere, dessa forma, impossível saber se produto acabado, intermediário ou, até mesmo, outro material que pudesse, ou não, se constituir insumo. Portanto, quanto a este item, mantenho a glosa. 2) Serviços utilizados como insumos A recorrente alega que não procede a glosa realizada pela fiscalização dos créditos sobre serviços utilizados como insumo, tendo em vista que estes estão relacionados à aquisição de matéria prima utilizada na produção. Extraise do Parecer da unidade de origem: "No caso em análise, nas notas fiscais apresentadas, fls. 294 a 306, constam serviços de armazenagem de mercadoria importada ("internação" de matériaprima importada, conforme, inclusive, esclarecimentos do contribuinte à fl. 241, item 2), pesagem de mercadoria e movimentação de mercadoria (despesas portuárias em geral), incluindo refeições e horas extras." (grifo nosso) Entendo que as despesas com a internação e as despesas portuárias em geral incorridas na importação não se constituem em insumo e, por outro lado, não integram a base de cálculo das contribuições incidentes na importação, assim como também não estão contempladas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Logo, não fazem jus ao creditamento na sistemática da apuração não cumulativa das contribuições. Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.054 13 Esse mesmo entendimento tem sido manifestado nesta Corte, como no caso do Acórdão 3302.005.187, de 31 de janeiro de 2018, transcrito parcialmente: IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE LOGÍSTICA E DE OPERAÇÃO PORTUÁRIA PRESTADOS NO PAÍS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, somente em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços. 2. Os gastos com serviços de logística e operação portuária realizados no País, vinculados à operação de importação de insumos, por falta de previsão legal, não asseguram apropriação de créditos das referidas contribuições. Dessa forma, correta as glosas realizadas. Além disso, a recorrente discute a motivação complementar da fiscalização para a realização das referidas glosas, pois entende que os serviços utilizados antes de 09 de agosto de 2004 também fariam jus ao creditamento, uma vez que seu direito não teria surgido com a edição da Medida Provisória nº 2006/04. Creio ser totalmente improdutiva e irrelevante tal discussão, tendo em vista que todas as notas fiscais apresentadas se referem aos serviços analisados anteriormente e, conseqüentemente, como já dito, que não dão direito a crédito. 3) Despesas de aluguéis Quanto ao item "despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica", assim se manifestou o Parecer da DRF/Camaçari: "Conforme contas do Razão, fls. 217 a 220, que foram apresentadas pelo interessado (vide fl. 210), verificase que os valores lançados nessa linha do DACON referemse apenas A locação de veículos e a "Outros Aluguéis", que estão sem discriminação, computando, ainda assim, um valor tãosomente de R$ 7.413,61. Esta informação foi constatada por meio apenas das descrições das contas no Livro Razão, pois o interessado não apresentou os comprovantes fiscais das respectivas despesas. Além disso, "veículos" não se enquadram no conceito de máquinas e equipamentos. Com isso, devese glosar o valor total lançado..." Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.055 14 (grifo nosso) Por seu turno, a DRJ/Salvador assim analisou a questão: "Com a Manifestação de Inconformidade, a interessada anexou apenas cópia do balancete contábil do mês de agosto/2004 (fl. 376), devidamente assinada pelo contador da empresa, onde constam os valores das contas contábeis que comprovariam os gastos sob tal rubrica. Entretanto, continuou a não informar a que se referem tais valores, quais as máquinas e equipamentos locados, bem como não trouxe aos autos qualquer documento que comprovasse que tais valores a titulo de alugueis geram direito ao crédito da contribuição para o PIS. Portanto, neste particular, correto o Despacho Decisório n° 0121/2009." (grifo nosso) Em sua defesa, a recorrente argumenta em seu Recurso Voluntário: (...) a recorrente colaciona nesta oportunidade (i) as notas fiscais referentes aos equipamentos e máquinas locados— doc. 01e (ii) cópia do Livro Razão que demonstra o registro contábil dos valores atinentes à locação — doc. 02. As notas fiscais comprovam que as máquinas e equipamentos, tais como, por exemplo, compressores e cabo de solda, são essenciais ao processo produtivo da Recorrente, sendo indubitável o direito creditório da Recorrente. Realmente, a recorrente carreou aos autos cópia de notas fiscais, com o intuito de comprovar o dispêndio realizado em aluguéis de máquinas e equipamentos, contudo, diferentemente do alegado, não restou comprovado o emprego de tais máquinas e equipamentos no processo produtivo da empresa e, muito menos, sua essencialidade. Por certo, não bastam alegações e descrições genéricas para o convencimento e a correta avaliação acerca da eficácia desses gastos como geradores de crédito, mas sim fundamental a explicação pormenorizada sobre a utilização desses equipamentos na cadeia produtiva. É do contribuinte o ônus dessa comprovação. Tomando os exemplos citados pela recorrente, a mera descrição "compressores e cabo de solda" não nos permite afirmar que compuseram o processo produtivo e nem ponderar sobre sua necessária essencialidade. Assim sendo, a glosa realizada pela fiscalização não merece retoque. Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.056 15 4) Encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado Para melhor compreensão deste item, fazse necessária a transcrição de trecho relacionado do Parecer da Delegacia de origem: "22. Após análise das cópias do Livro Razão e do balancete apresentado, fls. 311 a 315, constatase que não há lançamentos no mês de setembro que respaldem os valores de depreciação registrados no DACON. No período em questão, conforme balancete (fl. 315), não constam lançamentos em ambas as Contas Contábeis n° 480102.61001 e no 480102.10000, a titulo de PIS/COFINS s/ Depreciação, sendo o saldo final igual ao inicial, R$ 45.112,28 e R$ 13.430,26, respectivamente. 23. Ademais, o interessado, mesmo depois de intimado (vide fls. 232 e 233), não apresentou demonstrativo com os valores que foram levados para o DACON referentes à depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens do ativo imobilizado, nem as notas fiscais dos respectivos bens." (grifo nosso) Com efeito, constatase que na Intimação Sarac/DRF/CCI nº 1,024/2009 (fl. 468/470 do processo digital) consta a requisição para a comprovação da base de cálculo dos créditos relativos a bens do ativo imobilizado: "Explicar e comprovar a Base de Cálculo de Créditos a Descontar Relativos a Bens do Ativo Imobilizado, no total de R$ 51.958,68, referente ao mês de setembro de 2004, conforme Linha 09, da Ficha 04, do Dacon Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais — Número de Recibo: 05.06.50.43.06.03 . Essa comprovação deve ser feita através de um Demonstrativo com a comprovação dos encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado, contendo, dentre outros, os seguintes campos: descrição do bem; valor de aquisição; data de aquisição do bem; valor do encargo de depreciação utilizado; código NCM, correspondentes aos períodos em análise, juntamente com cópia das respectivas notas fiscais de aquisição dos bens;" (grifo nosso) No julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJSalvador repisou os requisitos necessários a fim de se comprovar a regularidade dos créditos relativos aos Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.057 16 encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e Cofins: "Para definir a regularidade dos créditos relativos a este item, é necessário aferir a relação que os bens do ativo imobilizado têm com o processo produtivo da pessoa jurídica e, ainda, identificar claramente os bens do ativo imobilizado adquiridos no mercado interno e os oriundos do exterior (importados). (grifo nosso) Por oportuno, reproduzse o teor do art. 3º da Lei nº 10.637/02 vigente a época, na parte que interessa à análise: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ......................................................................................................... VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem assim a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; ......................................................................................................... §1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2º sobre o valor: ......................................................................................................... III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII, incorridos no mês; ......................................................................................................... §3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; (grifo nosso) Assim, não há como negar que a instância a quo se posicionou corretamente sobre os requisitos necessários à confirmação do adequado creditamento sobre os encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. Ou seja, a própria legislação determinou que somente geram crédito as máquinas e equipamentos, incorporados ao ativo imobilizado, utilizados na fabricação dos produtos destinados à venda e, se e somente se, forem adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País. Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.058 17 Dessa forma, tornase incompreensível a razão da recorrente não ter juntado aos autos, nem mesmo na apresentação de seu Voluntário, as notas fiscais de aquisição desses bens, limitandose a alegar que foram adquiridos no mercado interno. Nunca é demais relembrar que o art. 373 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Portanto, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por outro lado, a recorrente alega que "os bens têm intrínseca e direta relação com o processo produtivo da Recorrente, como é possível se extrair pela simples denominação dos bens." Não procede tal alegação, como dito alhures, a simples denominação dos bens ou descrições genéricas não bastam para comprovar a sua utilização direta na produção, nem sua essencialidade. Somandose a isso o dito anteriormente, isto é, a falta de prova da origem dos bens, entendo que o decidido pela instância de piso deve ser mantido. 5) Devoluções O Acórdão recorrido reconheceu o direito da contribuinte ao crédito sobre as mercadorias devolvidas em 20/09/2004 na razão de 1/12 avos, tendo em vista o negócio jurídico ter ocorrido antes da vigência da Lei nº 10.637/02 e, portanto, devendo compor o estoque de abertura. Por seu lado, a recorrente repisa, sem adentrar na motivação de sua alegação, que já faria jus a 8/12 do crédito em setembro de 2004. Não assiste razão à contribuinte. Vejamos o disposto nos arts. 12 e 16 da Lei nº 10.833/03: Art. 12. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3o, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência desta contribuição de acordo com esta Lei. ......................................................................................................... § 2o O crédito presumido calculado segundo os §§ 1o, 9o e 10 deste artigo será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) ......................................................................................................... Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.059 18 § 6o Os bens recebidos em devolução, tributados antes do início da aplicação desta Lei, ou da mudança do regime de tributação de que trata o § 5o, serão considerados como integrantes do estoque de abertura referido no caput, devendo o crédito ser utilizado na forma do § 2o a partir da data da devolução. ......................................................................................................... Art. 16. O disposto no art. 4o e no § 4o do art. 12 aplicase, a partir de 1o de janeiro de 2003, à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, com observância das alíquotas de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) em relação à apuração na forma dos referidos artigos, respectivamente. Parágrafo único. O tratamento previsto no inciso II do caput do art. 3o e nos §§ 5o e 6o do art. 12 aplicase também à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa na forma e a partir da data prevista no caput. (grifo nosso) Como se percebe dos dispositivos transcritos, as mercadorias devolvidas, tributadas antes da vigência da sistemática de apuração não cumulativa da contribuição para o PIS, deverão compor o estoque de abertura e farão jus ao crédito da contribuição efetivamente paga, devendo tal crédito ser utilizado em 12 parcelas iguais e sucessivas a partir da data de devolução. Considerandose que a devolução, no caso presente, ocorreu em 20 de setembro de 2004, a recorrente faz jus a 1/12 avos do crédito no mês de setembro. Dessa forma, correta a decisão da instância a quo. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer tão somente o direito ao crédito sobre as aquisições de correias e hidróxido de sódio. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 1059DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.721761/2016-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 63.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Numero da decisão: 2401-005.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro que negavam provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros Cleberson Alex Friess e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro que votaram por converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro que negavam provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros Cleberson Alex Friess e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro que votaram por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
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ISENÇÃO. Recorrente VILMA BRANCO GANDOLFO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro que negavam provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros Cleberson Alex Friess e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro que votaram por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 17 61 /2 01 6- 66 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 19985.721761/201666 Acórdão n.º 2401005.754 S2C4T1 Fl. 72 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 11/17, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) anocalendário 2011, que apurou imposto suplementar de R$ 13.808,05, acrescido de juros de mora e multa de ofício, em virtude de omissão de: 1. omissão de rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, relativos a São Paulo Previdência, tendo em vista que "não há previsão legal para isenção da patologia G30 (Alzheimer) descrita no Laudo da SPPREV. Falta no Laudo todos os requisitos do art. 6º, parágrafo 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.500/2014 (descrição da moléstia, elementos que fundamentaram a emissão do Laudo e o nº da matrícula do médico no órgão público); 2. omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais (A contribuinte recebe pensão de mais de uma fonte pagadora e deve tributar no ajuste anual o valor que ultrapassar o limite mensal de isenção. Consideramos a parcela isenta do São Paulo Previdência e tributamos o valor recebido do INSS.); 3. dedução indevida de despesas médicas, no valor total de R$ 30.115,00, relativo à Associação Paulista de Magistrados, por não ter sido comprovada a despesa com o plano de saúde, quem seriam os beneficiários e o valor correspondente a cada beneficiário. Em sua impugnação, fls. 2/5, a interessada, por meio de seu procurador, requer em síntese o cancelamento da notificação, alegando que os rendimentos auferidos são isentos por ser pensionista e portadora de moléstia grave e que foi efetuado pagamento de plano de saúde, sendo a única beneficiária. Foram anexados os documentos de fls. 6/20. A DRJ/JFA, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme acórdão 0960.777 de fls. 45/51, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 RENDIMENTOS ISENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. Somente pode ser acatada a isenção do IRPF sobre rendimentos de pensão quando ficar comprovado ser o contribuinte portador de moléstia grave, por meio de laudo médico oficial. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Somente se acata como despesa médica dedutível da base de cálculo do imposto de renda o valor comprovadamente pago a Fl. 72DF CARF MF Processo nº 19985.721761/201666 Acórdão n.º 2401005.754 S2C4T1 Fl. 73 3 título de plano de saúde do contribuinte ou de seus dependentes para fins de imposto de renda. RESTITUIÇAO RECEBIDA INDEVIDAMENTE. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Deve ser excluída a multa de ofício lançada sobre a devolução da restituição resgatada ou compensada indevidamente, incidindo, porém, juros de mora sobre tal devolução. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Consta do acórdão de impugnação que: A impugnante apresentou, objetivando comprovar a moléstia grave, um laudo emitido pela Secretaria da Fazenda São Paulo Previdência, atestando ser a interessada portadora de moléstia grave – CID 10 G30, desde 27 de setembro de 2008. A fiscalização desconsiderou o documento apresentado, afirmando que não continha todos os requisitos exigidos pela legislação, como descrição da moléstia, elementos que fundamentaram o laudo e número de registro do profissional médico no órgão público. Realmente cabe razão à autoridade lançadora. Ainda que se possa concluir, apesar da não formação na área médica, que a moléstia grave G30 tratase de um tipo de demência, podendo se enquadrar como alienação mental, tal fato deveria estar expressamente descrito no laudo, o que não ocorreu. Também, e de suma relevância, é imprescindível que o laudo tenha sido emitido por médico do serviço médico oficial, o que absolutamente não ocorreu. O laudo apresentado foi assinado por três médicos, com carimbos onde consta serem vinculados à empresa Ambiental Qualidade de Vida do Trabalho. Destaquese que a publicação de folha 18, que informa que as perícias médicas seriam realizadas pela empresa acima citada não tem o condão de alterar a exigência da legislação que rege a isenção ora pretendida. (grifo nosso) Deveria a litigante ter apresentado laudo médico oficial, que preenchesse todos os requisitos da legislação, o que não ocorreu. [...] O segundo requisito relevante, qual seja, serem os rendimentos oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão, não foi comprovado para os valores auferidos do Instituto Nacional do Seguro Social e de São Paulo Previdência nesse processo. No entanto, tal requisito encontrase comprovado no processo nº 19985.725039/201510, já analisado por esta julgadora. (grifo nosso) Fl. 73DF CARF MF Processo nº 19985.721761/201666 Acórdão n.º 2401005.754 S2C4T1 Fl. 74 4 Cientificado do Acórdão em 8/11/16 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 57), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 7/12/16, fls. 59/64, que contém, em síntese: Diz estar demonstrado que a recorrente tem direito à isenção, pois desde 2008 é portadora de alienação mental Doença de Alzheimer (CID 10 G30), doença degenerativa que não possui cura até o momento. Afirma que a alienação mental está incluída no rol de doenças que conferem o direito à isenção, conforme Lei 7.713/88, art. 6º, XIV. Acrescenta que comprovou a existência da doença, por meio do laudo médico emitido pela São Paulo Previdência. Apresentou também atestado fornecido pela sua médica particular que declarou que a contribuinte, desde 22/7/08, apresenta quadro clínico compatível com demência (Alzheirmer fase grave). Cita decisões do STJ no sentido de ser direito do contribuinte acometido por alienação mental (Alzheimer) a isenção do imposto sobre a renda. Quanto à dedução de despesas médicas, diz apresentar declaração do convênio médico com informações corretas relativa ao ano de 2011. Requer seja dado provimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. ISENÇÃO Quanto a isenção, assim dispõe o CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; [...] Sobre o gozo da isenção do imposto sobre a renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, a Lei 7.713/88 determina que: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] Fl. 74DF CARF MF Processo nº 19985.721761/201666 Acórdão n.º 2401005.754 S2C4T1 Fl. 75 5 XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; No mesmo sentido, o Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), Decreto 3.000/99, assim dispõe: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); [...] XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); [...] § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). Fl. 75DF CARF MF Processo nº 19985.721761/201666 Acórdão n.º 2401005.754 S2C4T1 Fl. 76 6 § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Sendo assim, verificase que para a fruição da isenção, exigese o preenchimento cumulativo de três requisitos: a) que o rendimento seja proveniente de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que o rendimento seja recebido por portador de moléstia grave relacionada em lei; e c) que a moléstia seja comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No presente caso, conforme ressaltado no acórdão recorrido, a condição de pensionista foi acatada, contudo afirmouse que a contribuinte deixou de apresentar laudo médico oficial que comprovasse a moléstia apontada. Conforme laudo de fl. 20 a contribuinte é portadora de patologia CID 10 G30, desde 27/9/08, que está prevista na Lei 7.713/88, art. 6º, inciso XIV e XXI. A fiscalização e a DRJ desconsideraram o laudo em razão da ausência da descrição nominal da doença, bem como em razão da inexistência de comprovação da sua natureza oficial. Conforme relatado, a própria DRJ afirma ser possível concluir que a moléstia grave G30 tratase de um tipo de demência, podendo se enquadrar como alienação mental. O documento de fl. 20 é um laudo médico pericial, com o timbre do Governo do Estado de São Paulo e com o Selo de autenticidade da SPPREV, no qual consta a CID 10 G30 (que corresponde à Doença de Alzheimer), emitido em 31 de outubro de 2014, no qual consta a data de início da doença em 27 de setembro de 2008. Logo, a despeito de constar nominalmente a doença da contribuinte no laudo e o fundamento apresentado pela DRJ que os três médicos que assinaram o laudo são oriundos da Ambiental Qualidade de Vida do trabalho (a recorrente comprova que a mencionada empresa foi contratada pela SPPREV, conforme notícia publicada no jornal anexo aos autos, fl. 18), não há como afastar referido laudo. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 19985.721761/201666 Acórdão n.º 2401005.754 S2C4T1 Fl. 77 7 Sendo assim, preenchidos os requisitos previstos em lei, aplicase o disposto na Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.900016/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DECLARAÇÕES. INTIMAÇÃO. OCORRÊNCIA
O não atendimento pelo contribuinte de intimação visando esclarecer inconsistências e concedendo oportunidade para retificar declarações, gera a não homologação da compensação declarada.
CRÉDITO PLEITEADO. SALDO NEGATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Não há comprovação da origem do crédito pleiteado, pois compulsando a DIPJ acostada aos autos, não há notícia de que foi apurado saldo negativo, e sim, imposto a pagar.
Numero da decisão: 1301-003.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1998 ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DECLARAÇÕES. INTIMAÇÃO. OCORRÊNCIA O não atendimento pelo contribuinte de intimação visando esclarecer inconsistências e concedendo oportunidade para retificar declarações, gera a não homologação da compensação declarada. CRÉDITO PLEITEADO. SALDO NEGATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não há comprovação da origem do crédito pleiteado, pois compulsando a DIPJ acostada aos autos, não há notícia de que foi apurado saldo negativo, e sim, imposto a pagar.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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INTIMAÇÃO. OCORRÊNCIA O não atendimento pelo contribuinte de intimação visando esclarecer inconsistências e concedendo oportunidade para retificar declarações, gera a não homologação da compensação declarada. CRÉDITO PLEITEADO. SALDO NEGATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não há comprovação da origem do crédito pleiteado, pois compulsando a DIPJ acostada aos autos, não há notícia de que foi apurado saldo negativo, e sim, imposto a pagar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 00 16 /2 00 8- 03 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13984.900016/200803 Acórdão n.º 1301003.263 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra acórdão proferido pela DRJ, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada, por unanimidade de votos, entendeu julgála improcedente. Inferese dos autos, que o contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (PER/DCOMP), alegando direito creditório oriundo de saldo negativo de IRPJ. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório pleiteado e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada, ao fundamento de inexistir apuração de saldo negativo, uma vez que, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), correspondente ao período e apuração do crédito informado no PERD/DCOMP, consta imposto a pagar. Cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, cujos argumentos foram apreciados pela DRJ, que decidiu julgála improcedente, ratificando as razões de decidir do despacho decisório, acrescentando que eventuais inconsistências existentes em suas declarações, deveriam ser corrigidas após sua regular intimação, que ocorreu antes do Despacho Decisório, porém, ao invés de corrigir qualquer de suas declarações, quedouse inerte. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13984.900016/200803 Acórdão n.º 1301003.263 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.262, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13984.900024/2008 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma tem como origem saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, relativo ao anocalendário de 1998. No presente processo, o crédito pleiteado tem origem em saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referente ao anocalendário de 1998. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.262): "O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. Suscita a interessada, em seu recuso, que é equivocado o entendimento do acórdão recorrido, no sentido de negar o crédito pleiteado oriundo de saldo negativo de IRPJ por irregularidade no preenchimento da DCOMP, aduzindo ainda que o valor do crédito pleiteado é menor do que valor do saldo negativo apurado na DIPJ, sendo que o fato de o referido saldo negativo se referir ao mesmo anocalendário não prejudica seu direito ao crédito, podendo eventual dúvida ter sido sanada através de diligência. Primeiramente, vale o registro de que tenho adotado o entendimento de que no caso de divergência entre a DIPJ, DCTF e DCOMP, deve a autoridade prolatora do despacho decisório, anteriormente a esta decisão, proceder a intimação do contribuinte para que ele possa eventualmente retificar uma das declarações. Penso que a fiscalização não pode limitar sua análise apenas nas informações prestadas em Dcomp, já que existem informações em seu banco de dados provenientes de outras declarações que permitem a análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto é, cabe à fiscalização, ao menos, questionar a divergência existente entre as declarações transmitidas e proceder a intimação do contribuinte para retificar uma delas. Inexistindo regular intimação e verificando nos autos que as provas carreadas demonstram a existência de mero erro de preenchimento de declarações, ainda que seja na identificação do crédito pleiteado, tenho proposto a conversão Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13984.900016/200803 Acórdão n.º 1301003.263 S1C3T1 Fl. 5 4 do processo em diligência, a fim de oportunizar ao contribuinte esclarecimentos e eventuais retificações em suas declarações. No caso vertente, o contribuinte foi regularmente intimado, antes do Despacho Decisório, para eventualmente retificar uma de suas declarações, porém permaneceu inerte. Assim, eventual erro na identificação do crédito do contribuinte não deve ser aceito como tal, por absoluta perda de prazo e por inexistir nos autos provas de que se trata mesmo de erro de preenchimento de uma de suas declarações. Por outro lado, também não há comprovação da origem do crédito pleiteado, pois compulsando a DIPJ acostada aos autos, não há notícia de que foi apurado saldo negativo. Deste modo, não é possível reconhecer a existência de crédito passível de ser compensado. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito, negarlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 95DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.720366/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
REEXAME PERÍODO FISCALIZADO E REVISÃO DE LANÇAMENTO. PROCEDIMENTOS DISTINTOS.
O Reexame de período já fiscalizado, na circunstância em que cuida tão somente de complementação de constituição de crédito tributário em relação a matérias diversas das alcançadas pelo procedimento fiscal anterior, não se confunde com REVISÃO DE LANÇAMENTO, não se submetendo, assim, às disposições do art. 149 do CTN.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando a autoridade fiscal demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
NULIDADE DA DECISÃO DE 1a. INSTÂNCIA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE.
O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida (STJ, EDcl no MS 21315 / DF, S1 - DJe 15/06/2016).
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE.
Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. No caso concreto, porém, percebe-se que não se trata de uma situação isolada de omissão de receitas, de valor de pequena monta, não reincidente, que se poderia interpretar como mero erro material, ou seja, situada dentro do campo da inadimplência; trata-se de fatos que se enquadram de forma inequívoca na definição de sonegação e fraude fiscais, pois demonstram o desígnio deliberado, por parte da empresa recorrente, de impedir a ocorrência do fato gerador, assim como de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária de sua ocorrência, hipóteses suscetíveis à qualificação da multa de ofício.
MULTA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade.Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA E TAXA SELIC.
Súmula CARF 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais.Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS.
Uma vez comprovado que as condutas dolosas não foram adstritas apenas a alguns fatos isolados, mas sim ao próprio modo de operação da empresa, é legal a atribuição de responsabilidade tributária a todos os sócios administradores.
Numero da decisão: 1401-002.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos afastar as arguições de nulidade e no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário do Sr. He Xing.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto Souza Gonçalves- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 REEXAME PERÍODO FISCALIZADO E REVISÃO DE LANÇAMENTO. PROCEDIMENTOS DISTINTOS. O Reexame de período já fiscalizado, na circunstância em que cuida tão somente de complementação de constituição de crédito tributário em relação a matérias diversas das alcançadas pelo procedimento fiscal anterior, não se confunde com REVISÃO DE LANÇAMENTO, não se submetendo, assim, às disposições do art. 149 do CTN. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando a autoridade fiscal demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. NULIDADE DA DECISÃO DE 1a. INSTÂNCIA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida (STJ, EDcl no MS 21315 / DF, S1 DJe 15/06/2016). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. No AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 03 66 /2 01 3- 21 Fl. 8789DF CARF MF 2 caso concreto, porém, percebese que não se trata de uma situação isolada de omissão de receitas, de valor de pequena monta, não reincidente, que se poderia interpretar como mero erro material, ou seja, situada dentro do campo da inadimplência; tratase de fatos que se enquadram de forma inequívoca na definição de sonegação e fraude fiscais, pois demonstram o desígnio deliberado, por parte da empresa recorrente, de impedir a ocorrência do fato gerador, assim como de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária de sua ocorrência, hipóteses suscetíveis à qualificação da multa de ofício. MULTA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 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RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS. Uma vez comprovado que as condutas dolosas não foram adstritas apenas a alguns fatos isolados, mas sim ao próprio modo de operação da empresa, é legal a atribuição de responsabilidade tributária a todos os sócios administradores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos afastar as arguições de nulidade e no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário do Sr. He Xing. (assinado digitalmente) Luiz Augusto Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. 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Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso: Tratase de ação fiscal com lançamentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 6.139.200,77 (fls. 8251), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$ 2.811.842,23 (fls. 8269); da Contribuição para o Programa de Integração Social e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pis/Pasep), no valor de R$ 1.217.972,23 (fls. 8295); e, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$ 5.604.615,42 (fls. 8287), incluídos neste valor a multa de ofício e os juros de mora devidos até setembro/2013. O lucro da contribuinte foi arbitrado com suporte no art. 530, incisos II, b e III, do RIR/1999. Os enquadramentos legais das infrações, penalidades e os juros moratórios encontramse apontados nos respectivos campos de preenchimento dos autos de infração de fls. 8251/8302 [...] A multa de ofício foi fixada em 150% do valor do tributo exigido, com suporte no Art. 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07 e, os juros de mora, com fundamento no Art. 61, § 3°, da lei n° 9.430/96. As exigências fiscais vêm consubstanciadas nos campos próprios dos autos de infração, bem como no Termo de Verificação Fiscal de fls. 8318/8343, em que os Auditores Fiscaisd a Receita Federal do Brasil designados a proceder à fiscalização relatam, em síntese, que: (a) A contribuinte, apesar de regularmente intimada, não apresentou os livros auxiliares de sua escrituração; (b) A partir de informações obtidas junto a seus clientes, constatouse que a contribuinte escriturou, nos Livros Registro de Saídas de sua filial, valores inferiores àqueles constantes nas notas fiscais de saída emitidas por esse mesmo estabelecimento; Fl. 8791DF CARF MF 4 (c) Há evidentes indícios de que a contribuinte praticou fraude contábil, como o fato de sua filial não ter se manifestado em relação à intimação para apresentar suas notas fiscais; pela constatação de que os valores escriturados em sua contabilidade, em especial os relativos a receitas, estavam de acordo com os valores dos Livros de Registro de Saídas e na DIPJ, mas não representavam os valores reais das operações realizadas, na tentativa de ludibriar a fiscalização; (d) O lucro da contribuinte foi arbitrado uma vez que foram constatados indícios de fraude em sua escrituração, bem como pelo fato de a fiscalizada ter deixado de apresentar seus livros auxiliares; (e) A base de cálculo do IRPJ foi determinada a partir da soma dos valores da receita bruta escriturada em seus Livros Registro de Saídas e o valor omitido correspondente à diferença entre os valores escriturados nesses livros e aqueles constantes nas notas fiscais de sua emissão, obtidos de seus clientes, sobre o qual foi aplicado o percentual de 9,6% sobre a receita bruta conhecida, ao passo que a da CSLL, foi aplicado o percentual de 12%; (f) A base de cálculo do PIS e da Cofins foi obtida a partir da receita bruta conhecida apurada mensalmente pelo regime cumulativo, uma vez que ocorreu o arbitramento. (g) Dos valores apurados de ofício, foram deduzidos aqueles confessados em Dctf; (h) A aplicação da multa qualificada decorreu da constatação de que a fiscalizada atuou com evidente intuito de fraude, conforme descrição dos fatos; (i) Os Senhores HE XING, na qualidade de administrador e representante da HB BR e LUIZ CARLOS MONACCI, na condição de preposto, intencionalmente, apresentaram à Receita Federal informações inexatas com a finalidade de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza e circunstâncias materiais, reduzindo o pagamento dos tributos devidos à Fazenda Nacional, configurando atos praticados com infração de lei, sendo responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, nos termos dos artigos 124, inciso I, e 135, inciso II e III do CTN, seguindose os respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária às fls. 8344/8347. Apreciadas as impugnações, foi reconhecida a inexistência de cerceamento de defesa, pois há nos autos prova de que foi disponibilizado aos contribuinte acesso aos autos pra promoção de sua defesa; afastada a decadência em razão do reconhecimento da existência de fraude, o lançamento foi julgado procedente mantida a glosa das receitas omitidas, o arbitramento, mantida a multa qualificada e a responsabilidade dos solidários. A ciência do resultado do julgamento pela DRJ deuse em 26/03/2014 (fl. 8.536), 13/08/2014 (fl. 8.554) e 14/08/2014 (fl. 8.557) respectivamente para a empresa, He Xing e Luiz Carlos Monacci, sendo o Recurso Voluntário protocolado respectivamente em 04/09/2014 (fl. 8.651), 04/09/2014 (fl. 8.611) e 17/09/2014 (fl. 8.562), conforme certificado pela DRF antes de encaminhar o processo ao CARF para julgamento. Ha ainda Termo de Perempção em relação à empresa (fl. 8547), considerando que a intimação dela se deu por meio eletrônico. Por ocasião do julgamento dos Recursos Voluntários interpostos, eles não foram conhecidos, conforme Termo de Perempção certificado pela AFRF de origem fls. 8547. Fl. 8792DF CARF MF Processo nº 16004.720366/201321 Acórdão n.º 1401002.879 S1C4T1 Fl. 8.791 5 Intimada sobre o Resultado do julgamento, o responsável solidário He Xing, propôs Ação Anulatória judicial a fim de ter reconhecida a tempestividade de seu Recurso Voluntário demonstrando que o seu protocolo havia sido tempestivo, o pleito foi atendido e por determinação judicial foi deferida tutela de urgência para determinar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário apurado no processo administrativo nº 16004.720366/2013 21, em face do autor He Xing até julgamento definitivo do recurso voluntário pelo CARF. Assim os autos retornaram para análise por esse colegiado. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Conforme relatado, está sob julgamento apenas o recurso do solidário He Xing de fls. 8618/8651, encaminhado via postal no dia 04/09/2014 (fls. 8651), após intimado em 13/08/2014 (fl. 8.554), haja vista que o não conhecimento dos recursos da empresa e do contador incluído como solidário Luiz Carlos Monacci, foram certificados intempestivos, sem que houvesse qualquer contestação sobre isso. Feitas essas considerações, temos que a acusação fiscal versa sobre omissão de receitas na atividade de venda de produtos de fabricação própria e na revenda de mercadorias durante o ano de 2008, tendo a apuração de dado pelo arbitramento do lucro com base na receita conhecida mensalmente, houve aplicação de multa qualificada. O Recurso voluntário em análise reclama nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, decadência parcial em relação aos fatos geradores até agosto de 2008, por conta da aplicação da regra do art. 150, parágrafo 4o. do CTN; nulidade do lançamento por ofensa aos art. 145 e 149 do CTN, afastamento de sua responsabilidade baseada no art. 135, III do CTN e inexistência de motivação para reexame do período fiscalizado que tornaria o lançamento nulo nos termos dos artigos 145 e 149 do CTN. Preliminares: Alega a Recorrente que o período autuado já tinha sido fiscalizado e, uma vez que esse reexame não teria sido motivado, estarseia ofendendo aos artigos 145 e 149 do CTN. Isto porque, logo na introdução do Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal admite que aqui tratamos de reexame de período já fiscalizado com relação ao ano de 2008. A fiscalização primitiva teria sido realizada com base no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) 08.1.1.13.002010000615, sendo que este supostamente envolveria os tributos IPI, PIS e COFINS. No entanto, como não juntou cópia do referido MPF original, a fiscalização impediu que o recorrente apresentasse argumentos sobre a veracidade de tais informações, causando cerceamento de defesa. Fl. 8793DF CARF MF 6 Segue argumentando que caso a nulidade suscitada não seja declarada, o lançamento baseado em reexame de período já fiscalizado foi realizado em ofensa aos arts. 145 e 149 do CTN e ao art. 50, inciso VI da Lei 9.784/99, pois a autoridade fiscal consignou a existência de autorização para reexame de período já fiscalizado conforme documento que consta dos autos. Porém, tal documento não apontou qualquer motivação para justificar o reexame autorizado, limitandose a citar dispositivos da legislação que exigem a autorização. Tratandose de ato administrativo sem motivação, tal autorização segundo ela seria nula. Neste seguir, reconheço que por ocasião da análise do processo 16004.720375/201312, originado do mesmo MPF, votei no sentido de assistir razão à recorrente, contudo reavaliando a situação, confrontando os fatos dos autos e as considerações feitas pelo Conselheiro Guilherme Mendes em seu voto vencedor naquele processo, verifico realmente ser o caso de não reconhecer a nulidade arguida. De acordo com as considerações do Conselheiro em seu voto vencedor: Com relação à não apresentação pela autoridade do MPF anterior, não havia tal ônus. Afinal, não podemos perder de vista que a autoridade fiscal tem competência para lançar inclusive sem a emissão de MPF, como já assentado na jurisprudência administrativa. A título exemplificativo, transcrevo a ementa do Acórdão 1201001.574, de 02/03/2017: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, não podendo dar causa à nulidade do lançamento eventual irregularidade na sua emissão ou prorrogação. Se a autoridade tivesse simplesmente realizado o lançamento, sem qualquer menção a um MPF anterior, cuja emissão nem sequer é essencial para a validade da constituição do crédito tributário, caberia ao recorrente provar que já havia sido fiscalizado anteriormente no período e que o requisito da autorização para o reexame não havia sido cumprida. Em segundo lugar, deve ficar caracterizado um efetivo prejuízo para o administrado, o que não se caracterizou no presente feito pela razão que apontamos acima e porque o reexame é ato discricionário do Delegado da Receita Federal de forma similar ao ato de início de uma fiscalização. Aliás, é por isso que também não deve prosperar a alegação de ausência de motivação do ato de reexame. Da mesma forma que a autoridade fiscal não precisa explicitar as razões que a levaram a fiscalizar uma empresa, o delegado não é obrigado a tornar público os motivos que o levaram a autorizar uma nova fiscalização. Apontar tais motivos implicaria revelar quais são os critérios adotados pelas autoridades para selecionar os contribuintes a serem fiscalizados e, com base nessas informações, poderiam os contribuinte burlar os critérios de seleção e a própria fiscalização. É por essa razão que o Código Tributário Nacional, em seu art. 3º, estabelece como vinculada apenas a atividade de cobrar, pois a fiscalização é tipicamente discricionária. Por fim, não houve violação dos artigos 145 e 149 do CTN pelo simples fato de que tais dispositivos se aplicam a situação diversa, qual seja, à retificação do lançamento. Retificar corresponde a alterar um lançamento anterior. Já reexame corresponde a uma nova verificação de um determinado período com a realização de Fl. 8794DF CARF MF Processo nº 16004.720366/201321 Acórdão n.º 1401002.879 S1C4T1 Fl. 8.792 7 um ou mais lançamentos diversos de eventuais outros que possam ter sido realizados no exame anterior. A defesa confunde ato com procedimento. Retificação é a alteração de um ato, no caso, o lançamento; reexame é a repetição de um procedimento, qual seja, o de auditoria das atividades do contribuinte num determinado período de tempo. Os art. 145 e 149 do CTN estabelecem requisitos para a retificação do lançamento, não para o reexame de período já fiscalizado. Neste seguir, revejo meu posicionamento e voto no sentido de reconhecer a inexistência da nulidade arguida. DECADÊNCIA. O Recorrente se insurge em relação à regra para contagem do prazo decadencial, arguindo em seu favor a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o. do CTN, segundo a qual ele chegariase a conclusão de que o lançamento cientificado em 09/2013 não poderia alcançar fatos geradores anteriores a 09/08, o que tornaria o lançamento parcialmente improcedente, posto que conforme essa regra, os fatos geradores ocorridos até 08/2008 estariam todos atingidos pelo prazo decadencial. Contudo, milita em desfavor da tese aventada pelo Recorrente o conteúdo da Súmula CARF nº 72, pela qual: "Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regesea pelo art. 173, inciso I, do CTN". Verificase nos autos a presença de multa qualificada em razão de fraude, apontado conduta do contribuinte no sentido de não apresentar livros auxiliares e documentos de sua escrituração com o objetivo de esconder da fiscalização tributária a omissão tributária, demonstrando sua consciência da utilização do artifício doloso de registrar contábil e fiscalmente receitas de vendas em valores menores àqueles constantes das respectivas notas fiscais emitidas, caracterizando a circunstância qualificadora do ilícito tributário a merecer a duplicação da multa básica. Nesse seguir, mantenho a decisão recorrida em relação ao não reconhecimento da decadência, ainda que parcial do período autuado. CERCEAMENTO DE DEFESA A recorrente alega cerceamento de defesa por não ter tido acesso aos documentos que instruíram a autuação, posto que todas as vezes que compareceu a repartição fiscal foi informada que os autos estavam indisponíveis por conta de providencias a serem implementadas pelo fiscal lançador. Observo que para reconhecimento da nulidade, era imperioso o apontamento preciso, com comprovação do prejuízo sofrido por esse motivo, não a mera alegação genérica quando à dificuldade de elaboração da defesa em razão de dificuldades em relação ao acesso aos autos. Ademais não consta dos autos qualquer documento que ateste que a impugnante teria comparecido “por diversas vezes” à repartição fiscal e que, em todos esses Fl. 8795DF CARF MF 8 momentos, o acesso aos autos do processo lhe fora negado, motivo pelo qual não é possível se aceitar tal alegação por falta de provas. De toda forma, o autuante consignou em seu relatório fiscal e nos formulários próprios do auto de infração, os fundamentos fáticos e legais que o levaram a concluir pela ocorrência da infração fiscal, tendo a contribuinte tomado regular ciência de tais documentos. Além disso, no relatório, os autuantes explicaram detalhadamente a maneira como apuraram a base de cálculo que, associados aos demonstrativos de cálculos dos formulários do auto de infração, permitiram a contribuinte ter ciência da maneira pela qual os tributos exigidos foram determinados. Portanto, os documentos essenciais para que a fiscalizada tivesse exercido sua ampla defesa em relação â acusação fiscal lhe foram entregues, devendo ser também rejeitada esta alegação de nulidade. NULIDADE DA DECISÃO DE 1A INSTÂNCIA. A Recorrente reclama nulidade da Decisão de 1a Instancia pela falta de análise de todos os argumentos apostos na impugnação. Contudo na decisão recorrida se vê que a turma não foi omissa na análise do que era relevante para a questão, ao concluir pela legitimidade do lançamento uma vez que foram apreciados os pontos necessários à formação do livre convencimento do julgador. Ademais, conforme jurisprudência pacífica, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos suscitados pelas partes quando já tenha encontrado motivo suficiente para sustentar sua decisão. É nessa linha que o STJ vem mantendo seu entendimento, reiterado recentemente, já na vigência do novo CPC: (...) O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida (STJ, EDcl no MS 21315 / DF, S1 – DJe 15/06/2016). Assim, ainda que a Turma tenha se exaurido na análise de todas as questões veiculadas, não há no julgado nenhuma nulidade que implique em seu cancelamento. DA MULTA QUALIFICADA Argui a Recorrente que inexiste conjunto probatório suficiente à ocorrência de fraude. Na decisão de piso, restou suficientemente demonstrado que ficou evidenciado e provado nos autos, conforme a descrição da ação fiscal relatada no TVF. A conclusão de que haveria fraude contábil e fiscal decorre, em síntese, do fato de o contribuinte ter registrado nos livros fiscais que foram apresentados à fiscalização, valores inferiores aos constantes nas notas fiscais de saída emitidas, informando em DIPJ os mesmos valores registrados na contabilidade, fato evidenciado na circularização efetuada pelos autuantes, descrita no item VI do TVF e que resultou na apuração dos valores consolidados no Demonstrativo das Diferenças Mensais (fls. 8425 a 8433). Com tal conduta HBUSTER teve por Fl. 8796DF CARF MF Processo nº 16004.720366/201321 Acórdão n.º 1401002.879 S1C4T1 Fl. 8.793 9 objetivo elidir o fisco, pois embora de acordo com a contabilidade, referidos valores, que não representam os valores reais das operações, foram adotados para apuração e recolhimento do IPI, exceto no mês de dezembro de 2008, resultando, na prática, em falta de recolhimento do imposto efetivamente devido nessas operações. Tal constatação pode também ser sintetizada nas seguintes afirmações, colhidas do item VIII– DA FRAUDE CONSTATADA, do TVF: “Ou seja, a contabilidade foi feita de modo a apresentar apenas os valores escriturados em seus livros fiscais, os quais estão de acordo com os valores informados na DIPJ. ... Não há como afastar o evidente intuito de fraude contábil e fiscal de um contribuinte que emite diversas notas fiscais de saída por um determinado valor e que registra em seus livros valores inferiores aos verdadeiros.” A propósito ressaltase que é no livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8 o qual não foi apresentado que deverão ser registrados os totais dos valores contábeis e dos valores fiscais das operações de entrada e saída, extraídos dos livros próprios, atendido o CFOP, os débitos e os créditos do imposto, os saldos apurados e outros elementos que venham a ser exigidos, de acordo com o art. 399 do RIPI/2002. O art. 312 do mesmo Regulamento também prevê a necessidade de conservação do documentário fiscal para fins de exibição aos agentes do Fisco, até que cesse o direito de constituir o crédito tributário. A falta de apresentação dos livros e documentos fiscais comprobatórios que foram solicitados no decorrer da auditoria corrobora a intenção, apontada no TVF, de dificultar o conhecimento, de forma individualizada, das pessoas e dos valores envolvidos, em especial, na atividade de venda de suas mercadorias e na comprovação dos créditos utilizados para abater dos débitos declarados, evidenciando conduta dolosa. O conjunto dos fatos verificados no caso sob exame colocam em evidência o propósito de construção de uma pretensa realidade formal destinada a reduzir recolhimentos do IPI, seja mascarando, senão ocultando, a sua base de cálculo, e também reduzindo o saldo devedor a ser recolhido, pela utilização de créditos não comprovados. Residem aí os fundamentos para a qualificação da multa de ofício, cujos fundamentos legais foram antes referidos. No Demonstrativo das Diferenças Mensais (fls. 8425 a 8433) realmente é possível constatar a escrituração a menor efetivada pela contribuinte, que culminou nas infrações em julgamento, que sequer foram impugnadas quanto ao seu mérito. Razão pela qual, mantenho a qualificação da multa. DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. Em relação as outras arguições de natureza constitucional, destacase o conteúdo da súmula CARF nº 2, segundo a qual: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Fl. 8797DF CARF MF 10 INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC COMO JUROS DE MORA Os juros de mora, incidentes sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, são equivalentes à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo, até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês do pagamento. Ressaltese que esse entendimento consta, inclusive, da Súmula nº 3, segundo a qual: Súmula CARF 03: "É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais.” Juízo esse que veio a ser mantido pelo atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”, RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO SÓCIO DIRETOR. Contra He Xing, administrador da HBuster foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 8452/8453, pelo imposto não recolhido em virtude dos fatos relatados no TVF, com base nos arts. 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional, Como mencionado no item anterior, a fraude à lei esta presente quando se verifica a presença de notas fiscais escrituradas a menor com vistas a obtenção de vantagem tributária, independentemente do volume de notas escriturado. Costumeiramente, nos casos em que a apuração se dá por arbitramento sou bastante sensibilizada pela aplicação da Súmula CARF 96, segundo a qual: Sum. 96: "A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros". Contudo, no caso em apreço, considero não se tratar de mera não apresentação de livros e documentos da escrituração, mas sim há presença de conduta dolosa do contribuinte no sentido de ocultas os registro de movimentação. Em seu recurso voluntário ele chega até a confessar a existência do que denominou "escrituração divergente" em 388 notas fiscais de um volume de 38.725, o que segundo ele teria o condão de classificar seu erro como escusável para elidir a qualificação da multa e descaracterizar a acusação de fraude. Do próprio argumento da Recorrente, verificase que de fato houve a escrituração a menor que confirma a omissão de receitas constatada. Fl. 8798DF CARF MF Processo nº 16004.720366/201321 Acórdão n.º 1401002.879 S1C4T1 Fl. 8.794 11 Por esse motivo, tomo de empréstimo as considerações do Conselheiro Luiz Rodrigo no Acórdão 1104002.498, bastante pertinentes a este caso, quando menciona que: "Pela dicção da redação da Lei nº 4.502/1964, devese comprovar a ação ou omissão dolosa tendente a ocultar, do conhecimento do fisco, a ocorrência do fato gerador. O elemento dolo não é representado pelos atos praticados, pela exteriorização destes; característica marcante dos elementos objetivos do tipo penal. O dolo é representado pelo elemento subjetivo do tipo, que se perfaz pela intenção do agente em praticar tal conduta, descrita na norma como ilícita. Para a sua configuração, deverseia buscar internarse na mente do praticante da conduta para perceber qual era a sua intenção, se lícita ou ilícita. Entretanto, como isso não é possível, buscase interpretar a exteriorização dos atos e, assim, constatar se houve, ou não, máfé na prática da conduta". No caso em concreto, verificase a presença da figura da omissão dolosa tendente a ocultar, do conhecimento do fisco, a ocorrência do fato gerador, principalmente diante da análise do Demonstrativo de Diferenças Mensais (fls. 8425 a 8433) que é composto por um relatório de várias laudas apontando que apontam a escrituração a menor identificada pela autoridade autuante, que demonstram a prática de ato doloso em infração à lei. Anoto que tal demonstrativo só foi possível após a circularização feita aos fornecedores para que a autoridade fiscal pudesse ter acesso às notas fiscais para confrontálas com os registros contábeis lançados nos Livros de Entrada e Saída de IPI, quando ficou demonstrada a escrituração a menor. Ante o exposto, afasto as preliminares e nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Fl. 8799DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.732031/2013-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AUTUAÇÃO PELO REGIME DE CAIXA. RECÁLCULO PARA APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. POSSIBILIDADE.
Consoante decidido pelo STF na sistemática estabelecida pelo art. 543-B, do CPC, no âmbito do RE 614.406/RS, o Imposto de Renda Pessoa Física sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência, sem qualquer óbice ao recálculo do valor devido, para adaptá-lo às determinações do RE.
Numero da decisão: 9202-007.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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AUTUAÇÃO PELO REGIME DE CAIXA. RECÁLCULO PARA APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. POSSIBILIDADE. Consoante decidido pelo STF na sistemática estabelecida pelo art. 543B, do CPC, no âmbito do RE 614.406/RS, o Imposto de Renda Pessoa Física sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência, sem qualquer óbice ao recálculo do valor devido, para adaptálo às determinações do RE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 20 31 /2 01 3- 85 Fl. 130DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária de 10/08/2017, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2402005.966 (fls. 87 a 96), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE ANTES DE 2010. O lançamento realizado sobre rendimentos recebidos acumuladamente antes de 2010, não observe a sistemática própria de cálculo da espécie de rendimento, será nulo e deverá ser cancelado.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. Vencido o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luis Henrique Dias Lima e Mauricio Nogueira Righetti.” O processo foi encaminhado à PGFN em 28/09/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 97) e, em 24/10/2017, foi interposto o Recurso Especial de fls. 98 a 105 (Despacho de Encaminhamento de fls. 113). O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e visa rediscutir a manutenção do lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, determinandose tão somente o recálculo do imposto de renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 08/12/2017 (fls. 116 a 119). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: segundo resulta da disciplina dos arts. 59 c/c 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; no caso, não se verifica hipótese legal de nulidade, pois a autuação foi lavrada por autoridade competente, sem preterição do direito de defesa; cabe salientar que, até mesmo em relação a erro no enquadramento legal, vício mais relevante que a inconsistência ora discutida, é pacífico o entendimento no sentido de que o mero erro no enquadramento legal não é suficiente para inquinar o auto de infração Fl. 131DF CARF MF Processo nº 18470.732031/201385 Acórdão n.º 9202007.241 CSRFT2 Fl. 131 3 quando os fatos estão suficientemente bem descritos, permitindo plenamente o livre exercício do direito de defesa, como efetivamente aconteceu; em suma, sobre a matéria, a jurisprudência desta CSRF, de longa data, firmou orientação no sentido de que “Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo” (Recurso: 203112290, Segunda Turma, Sessão: 25/04/2006, Relator: Henrique Pinheiro Torres, Acórdão: CSRF/0202.301); não houve qualquer preterição ao direito de defesa, visto que em todos os momentos processuais, foi dada oportunidade ao autuado para se manifestar, mostrandose cumprida a garantia do exercício da ampla defesa e do contraditório, não havendo razão para anular o lançamento; no caso, deve prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; por outro lado, vale frisar, à exaustão, que o autuado se defende dos fatos, pelo que a falta de indicação de dispositivo legal ou mesmo sua indicação errônea não invalida a autuação, se, de todo o conjunto probatório, se extrai a imputação; afastadas as hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, as incorreções verificadas devem ser sanadas na forma do art. 60 do mesmo diploma legal; a doutrina ensina que os princípios em foco são inclusive aplicados nos casos de atos processuais absolutamente nulos, v.g. citação nula, quando não há prejuízo às partes; logo, diante de simples incorreção no lançamento, não há necessidade de nova autuação, bastando o ajuste que se fizer necessário, em privilégio do aproveitamento dos atos, cuja repetição deve ser evitada, quando claramente se mostra prescindível, como é o caso dos autos; considerando a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em 23 de outubro de 2014, nos autos do RE 614.406/RS, restou sedimentado o entendimento quanto à aplicação do regime de competência à matéria objeto dos autos; nessa ótica, a autuação deve ser mantida, mediante a retificação contábil relativa à alíquota incidente sobre os rendimentos recebidos a destempo; tal alteração não acarreta qualquer mácula ao lançamento, na medida em que impõe tão somente o recálculo do montante devido. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja admitido e provido o Recurso Especial, determinandose a retificação do montante do crédito tributário. Cientificado, o Contribuinte quedouse silente (fls. 123 a 128). Voto Fl. 132DF CARF MF 4 Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2008, acrescido de juros de mora e multa de ofício, tendo em vista a omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente do Instituto Nacional do Seguro Social, no total de R$ 67.031,33. O apelo visa rediscutir a manutenção do lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, determinandose tão somente o recálculo do Imposto de Renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos. No acórdão recorrido, entendeuse pelo cancelamento da exigência. Registrese que, relativamente à aplicação do regime de competência aos rendimentos recebidos acumuladamente, no acórdão recorrido mencionase o julgado do Superior Tribunal de Justiça, com efeito repetitivo (Recurso Especial 1.118.429∕SP), e do Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral (Recurso Extraordinário 614.406). Entretanto, na segunda parte do voto, em que se conclui pelo cancelamento do lançamento, o relator especifica apenas o julgado do STJ, de sorte que o paradigma indicado pela Fazenda Nacional, focado nesse REsp, é perfeitamente apto a demonstrar a divergência suscitada. A matéria não é nova neste Colegiado e já foi objeto de inúmeros julgamentos, com provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Dentre esses julgados, destacase o Acórdão nº 9202006.000, de 27/09/2017, da lavra do Ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, cujos fundamentos ora adoto e colaciono como minhas razões de decidir: "Sem dúvida, reconhecese aqui, em linha com o recorrido, que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto, porém, que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do TRF4 acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer, na forma ali determinada, a 'incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)', afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita Fl. 133DF CARF MF Processo nº 18470.732031/201385 Acórdão n.º 9202007.241 CSRFT2 Fl. 132 5 obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, não se estando destarte, diante de utilização de critério jurídico equivocado ou vício material no lançamento efetuado. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento, constantes de efl. 38, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, note se, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas 'em dia' e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à Fl. 134DF CARF MF 6 época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência." Assim, não há que se falar em impossibilidade de recálculo do montante devido pelo Contribuinte pelo regime de competência, de sorte que o Recurso Especial da Fazenda Nacional deve ser provido. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, determinando o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do Recurso Voluntário, não abordadas no acórdão recorrido em virtude da desconstituição do lançamento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12269.000300/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 03 00 /2 00 8- 92 Fl. 365DF CARF MF Processo nº 12269.000300/200892 Acórdão n.º 2402006.379 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 12269.000300/200892 Acórdão n.º 2402006.379 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 12269.000300/200892 Acórdão n.º 2402006.379 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 368DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721635/2013-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
REVERSÃO DE PROVISÕES DE IRPJ DIFERIDO. GANHO FUTURO NÃO OCORRIDO.
A reversão de provisão de IRPJ Diferido sobre ganho futuro que não ocorreu não deve ser objeto de incidência de tributo, haja vista não ter havido qualquer acréscimo patrimonial.
MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada é cabível nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, mas não pode ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício, aplicável aos casos de falta de pagamento do imposto, apurado de forma incorreta pelo contribuinte, no final do período base de incidência.
MULTA DE OFÍCIO - NATUREZA CONFISCATÓRIA
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
CSLL REFLEXO DE IRPJ.
Aplica-se à CSLL o mesmo que foi decidido em relação ao IRPJ, por se tratar de lançamento reflexo.
Numero da decisão: 1301-003.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: (i) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na matéria já julgada no acórdão 1402-002.149; (ii) na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: (a) por unanimidade de votos, excluir os valores de R$ 6.976.000,00 da base de cálculo do IRPJ, e de R$ 2.520.000,00 da base de cálculo da CSLL; e (b) por maioria de votos, afastar a cobrança da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por manter essa exigência.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 REVERSÃO DE PROVISÕES DE IRPJ DIFERIDO. GANHO FUTURO NÃO OCORRIDO. A reversão de provisão de IRPJ Diferido sobre ganho futuro que não ocorreu não deve ser objeto de incidência de tributo, haja vista não ter havido qualquer acréscimo patrimonial. MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada é cabível nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, mas não pode ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício, aplicável aos casos de falta de pagamento do imposto, apurado de forma incorreta pelo contribuinte, no final do período base de incidência. MULTA DE OFÍCIO - NATUREZA CONFISCATÓRIA Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 CSLL REFLEXO DE IRPJ. Aplica-se à CSLL o mesmo que foi decidido em relação ao IRPJ, por se tratar de lançamento reflexo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 REVERSÃO DE PROVISÕES DE IRPJ DIFERIDO. GANHO FUTURO NÃO OCORRIDO. A reversão de provisão de IRPJ Diferido sobre ganho futuro que não ocorreu não deve ser objeto de incidência de tributo, haja vista não ter havido qualquer acréscimo patrimonial. MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada é cabível nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, mas não pode ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício, aplicável aos casos de falta de pagamento do imposto, apurado de forma incorreta pelo contribuinte, no final do período base de incidência. MULTA DE OFÍCIO NATUREZA CONFISCATÓRIA Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 CSLL REFLEXO DE IRPJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 16 35 /2 01 3- 03 Fl. 555DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 3 2 Aplicase à CSLL o mesmo que foi decidido em relação ao IRPJ, por se tratar de lançamento reflexo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: (i) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na matéria já julgada no acórdão 1402002.149; (ii) na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: (a) por unanimidade de votos, excluir os valores de R$ 6.976.000,00 da base de cálculo do IRPJ, e de R$ 2.520.000,00 da base de cálculo da CSLL; e (b) por maioria de votos, afastar a cobrança da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por manter essa exigência. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 167 e ss.) lavrado para lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, acrescidos de juros de mora e de multa de ofício, determinada à razão de 75%. Lançou se também multa isolada referente a ambos os tributos, decorrente do recolhimento ou recolhimento a menor de IRPJ/CSLL sobre base de cálculo estimada. Fora consignado no termo de verificação de infração fiscal (TVF) de fls. 157 e ss. que a interessada incorreu nas seguintes infrações: (i) adições não computadas na apuração do lucro real / falta de recolhimento de CSLL e (ii) falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre base de cálculo estimada. Sobre as adições não computadas na apuração do lucro real e a falta de recolhimento de CSLL, a autoridade autuante informou ter apurado, com base nas respostas da interessada no curso da ação fiscal: Que o valor de R$ 18.625.056,78, informado na ficha 06A linha 67 (CSLL) da DIPJ, "é constituído de contrapartida de crédito da base negativa da CSLL no valor de R$ 16.105.056,78 e de reversão dos valores provisionados no ano calendário de 2008, por conta de ganhos sobre futuros parcelamento de impostos no valor de R$ 2.520.000,00" (sic); Fl. 556DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 4 3 Que o valor de R$ 51.712.268,86, informado na ficha 06A linha 69 (provisão para IRPJ), "é constituído de crédito de prejuízo fiscal de IRPJ no valor de R$ 44.736.268,86 e de reversão dos valores provisionados no ano calendário de 2008, por conta de ganhos sobre futuros parcelamento de impostos no valor de R$ 6.976.000,00" (sic); Que a interessada esclareceu que ambos os valores acima não foram oferecidos à tributação, razão pela qual o seu somatório R$ 70.337.325,64 foi objeto do auto de infração. Quanto às multas isoladas de IRPJ e CSLL, disse a fiscalização que, na apuração das estimativas desses tributos em dezembro, a interessada não adicionou os valores da contrapartida do lançamento contábil de créditos de prejuízos fiscais e bases negativas e as reversões de provisões por conta de ganhos sobre futuros parcelamentos. Diante de tal fato, apurou as estimativas devidas e, sobre elas, lançou as penalidades em questão à razão de 50%. Notificada, o Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 191 e ss,, alegando em síntese: que "aderiu ao parcelamento da Lei n° 11.941/09, a qual prevê a não inclusão na base de cálculo do IRPJ e da CSLL da parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargos legais, redução esta que deve ser entendida no seu sentido amplo, bem como o prejuízo fiscal/base negativa de CSLL utilizados para liquidar as multas e os juros, não se configuram como receitas e, por isso, não devem ser oferecidos à tributação". Discorreu que, "considerando que as multas e os juros são despesas, a princípio os mesmos deveriam ser adicionados ao lucro líquido [art. 249 do RIR/99]. No entanto, as despesas somente são adicionadas ao lucro líquido, quando estas estão atreladas a uma receita. Em outras palavras, significa dizer, que as despesas somente são consideradas para apuração do lucro real, pois para o pagamento das mesmas, há uma contrapartida, qual seja, o desembolso por parte do contribuinte de uma determinada quantia (receita). Esta receita é tributável e não as multas e os juros. No caso em questão, ao utilizar de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL para 'liquidar' as multas e os juros, a Recorrente não desembolsou quantia alguma (receita). (...) não precisou efetuar 'retirada de caixa', ou seja, não realizou desembolso efetivo, esse sim, tributável. (...) Não obstante tal conclusão, cumpre salientar que o prejuízo fiscal e a base negativa de CSLL, na regra geral, ou seja, na utilização dos mesmos para compensação com o lucro real, não são receitas e, portanto, não são adicionados ao lucro líquido para a apuração do lucro real"; · que "a reversão da provisão por conta de ganhos sobre futuro parcelamento não devem sofrer tributação do IRPJ e da CSLL, uma vez que só foi realizada para ajustar equívoco contábil, dado que o parcelamento que ensejou os referidos ganhos não foi efetivado, ou seja, não gerou efeitos patrimoniais e, portanto, não causou nenhum dano ao erário."; · que "é vedada a exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas depois de encerrado o respectivo anocalendário e realizado os fatos geradores do IRPJ e da CSLL; bem como a cumulação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL com a multa de ofício pelo não recolhimento dos tributos em comento"; que "as multas aplicadas foram definidas em patamares desproporcionais e confiscatórios, em total descompasso com as orientações legais e constitucionais aplicáveis"; que "é ilegal a incidência dos juros de mora sobre a multa punitiva aplicada, uma vez que inexiste permissivo legal para tanto, nos termos dos artigos 3° e 161, do Código Tributário NAcional, e 84, I da Lei nº 8981/95. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 5 4 A DRJ/RJO, através do Acórdão nº 1268.698, julgou inteiramente procedente o pleito do Contribuinte, com o fundamento exposto na ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 CRÉDITO DE PREJUÍZO FISCAL E DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. UTILIZAÇÃO NA REDUÇÃO DE MULTAS, JUROS E ENCARGOS LEGAIS. VALOR NÃO TRIBUTÁVEL. Não será computada na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1o, 2o e 3o da Lei nº.11.941, de 2009. (Parágrafo único do artigo 4º., da Lei nº.11.941, de 2009. Os demais argumentos relativo às multas aplicadas e a cobrança de juros sobre multa de ofício foram prejudicados pelo provimento do mérito. Em razão do valor afastado, foi interposto Recurso de Ofício da decisão, o qual foi julgado no CARF através do Acórdão nº 1402002.149, com integral provimento do Recurso de Ofício, cujo dispositivo transcrevo abaixo: Por todo o exposto, Voto por dar provimento ao recurso de ofício e, com o restabelecimento da exigência, determinar o retorno dos autos ao Órgão julgador de primeira instância para que seja prolatada decisão complementar com análise das demais razões de defesa apresentadas na impugnação e não analisadas no acórdão recorrido. O acórdão proferido reformou a decisão a quo, e determinou o retorno para que fossem analisados os demais argumentos, relacionados às multas aplicadas e à cobrança de juros, para que não houvesse supressão de instância. A DRJ/RJO julgou os demais pontos, através do Acórdão nº 12086.242 (fls. 439 e ss.), negando provimento aos demais pontos da impugnação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 LUCRO LÍQUIDO. EXCLUSÃO INDEVIDA. RESULTADOS NEGATIVOS UTILIZADOS NA LIQUIDAÇÃO DE MULTAS E JUROS. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 6 5 São tributáveis as receitas correspondentes à liquidação de multas e juros com utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, benefício fiscal concedido no âmbito do parcelamento especial definido pela Lei n. º 11.941/09. ATIVIDADE VINCULADA. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A exigência de juros de mora em percentual equivalente à taxa Selic encontra respaldo no art . 61, § 3º , da Lei nº 9.430, de 1996, falecendo competência à autoridade fiscal para negar validade ao comando legal. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO.CABIMENTO. Cabível a multa exigida isoladamente, quando a pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do IRPJ, determinada sobre a base de cálculo estimada, deixar de efetuar o seu recolhimento dentro do prazo legal de vencimento, por expressa previsão legal. A referida multa é aplicável quando a falta é detectada após o encerramento do exercício de apuração da base de cálculo destes tributos, por interpretação lógica do disposto no artigo 44, II, b da Lei 9.430/1996. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as razões de sua Impugnação. É o relatório. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende a todos os requisitos de validade, devendo ser, a priori, conhecido por este Colegiado. O Recurso apresentado pelo Contribuinte possui os seguintes argumentos: a) Da não configuração do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL como receita passível de tributação, através da utilização dele para redução de multas e juros no Parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09, com base no seu art. 4º, parágrafo único. b) Do equívoco contábil no ajuste do lucro líquido no ano calendário 2008 que não ensejou prejuízo ao Erário após o seu saneamento no ano calendário 2009; c) Da impossibilidade de exigência da multa isolada por ausência do recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL concomitante à multa de ofício de 75%; d) Do caráter confiscatório e desproporcional das multas aplicadas; e) Não incidência de juros sobre multa de ofício; Em relação ao primeiro item do Recurso Voluntário, se verifica que é exatamente a matéria que foi objeto de julgamento no Acórdão CARF nº 1402002.149, no sentido contrário ao pleito do contribuinte. A despeito da minha discordância pessoal acerca do resultado do julgamento, fato é que a matéria foi decidida no âmbito desse CARF, através do efeito devolutivo do Recurso de Ofício, do qual o contribuinte foi regularmente notificado (fl.399) e optou por não apresentar quaisquer contrarrazões. Desse modo, entendo que o Recurso Voluntário não deve sequer ser conhecido neste ponto, visto que o teor da decisão a quo se limitou apenas às demais questões pendentes de julgamento sem prejuízo, entretanto, do direito do Recorrente de, após a prolação do acórdão decorrente do presente julgamento, interponha Recurso Especial versando sobre a totalidade da matéria tratada no Acórdão nº 1402002.149 e neste. Passo aos demais pontos. I) Do equívoco contábil no ajuste do lucro líquido no ano calendário 2008 que não ensejou prejuízo ao Erário após o seu saneamento no ano calendário 2009. A Fiscalização cobrou do contribuinte os valores de R$ 2.520.000,00 a título de CSLL e R$ 6.976.000,00 de IRPJ em razão da reversão, no anocalendário de 2009, das provisões de IRPJ e CSLL Diferidos estabelecidas em 2008, decorrentes de ganhos futuros advindos da adesão a parcelamento, no montante de R$ 30.000.000,00. Aduziu a fiscalização Fl. 560DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 8 7 que "não há previsão de isenção para a reversão de provisões por conta de ganhos sobre futuro parcelamento de impostos". Com a devida vênia ao entendimento da fiscalização, entendo que o contribuinte tem razão neste ponto. Explica o Recorrente que efetuou lançamento contábil de desconto parcial de impostos a pagar no montante de R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais) por conta de pedido de parcelamento, com débito no seu passivo não circulante, e crédito na conta de resultados (Descontos obtidos) fl.251. Em razão do diferimento dos ganhos, excluiu esse valor na Parte A do LALUR. Em 2008 ainda, houve o pagamento de parcela destes débitos por parte do Contribuinte, no valor de R$ 2.000.000,00, que foram processados através de quatro adições no LALUR. Ao final do exercício de 2008, portanto, foi lançado o valor de R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais) na coluna de exclusões, R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) na coluna de adições, permanecendo, assim, o ganho diferido de R$ 28.000.000,00 (vinte e oito milhões de reais), como é possível verificar, respectivamente, nas páginas 35 e 37, do Livro LALUR nº 12 (fls. 264265). Sobre o ganho diferido indicado acima, a Recorrente calculou o IRPJ diferido no valor de R$ 6.976.000,00 (seis milhões, novecentos e setenta e seis mil reais) e a CSLL diferida no valor de R$ 2.520.000,00 (dois milhões, quinhentos e vinte mil reais), lançando as provisões respectivas em sua contabilidade. Em 2009, a Recorrente verificou de forma definitiva que não haveria o parcelamento dos débitos almejados, com o desconto que fora considerado no ano anterior, efetuando assim o estorno dos lançamentos de 30/09/2008, em 31/12/2009 (fl. 286). Para regularizar a situação, a Recorrente fez adições no Livro LALUR nº 13, no valor de R$ 28.000.000,00 (fls. 292 e ss.). Por consequência, diante do estorno dos ganhos contabilizados em 2008, a Recorrente também realizou o estorno do IRPJ e CSLL diferidos – Livro Razão n° 129, pg. 43 e Livro Diário n° 107, pg. 63 e 64 –, uma vez que, conforme relatado, o parcelamento não se efetivou, o benefício não se concretizou e, portanto, não ensejou efeitos patrimoniais passíveis de tributação. Via de regra, o raciocínio da fiscal estaria correto: havendo a reversão de uma provisão, há que se reconhecer uma receita correspondente, submetendoa à tributação no exercício do seu reconhecimento contábil. Entretanto, no presente caso, houve um reconhecimento contábil equivocado de um ganho futuro, com a correspondente provisão dos tributos sobre esse ganho, e no exercício seguinte, verificando que a receita não se concretizaria, o Recorrente efetuou o estorno no mesmo exercício, e não no exercício em que foi reconhecido inicialmente, revertendo as provisões. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 9 8 A despeito do erro contábil, podese verificar que não houve qualquer impacto ao Erário, em razão do Recorrente ter apurado bases negativas de IRPJ e CSLL, e que as provas juntadas à impugnação demonstraram cabalmente o equívoco nesse ponto. Além disso, é preciso frisar que não houve acréscimo patrimonial que justifique a tributação, haja vista que foi realizado ainda que incorretamente o estorno do ganho futuro que não ocorreu, o que afetaria a validade das provisões feitas. Desse modo, voto por afastar os valores de R$ 6.976.000,00 da base de cálculo do IRPJ, e R$ 2.520.000,00 da base de cálculo da CSLL. II) Da impossibilidade de exigência da multa isolada por ausência do recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL concomitante à multa de ofício de 75%; Sobre esta matéria, adianto que já me manifestei no Acórdão CARF nº 1301 003.227, julgado em Julho de 2018, no qual este Colegiado, por maioria, o entendimento abaixo reproduzido. Havendo cobrança simultânea de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas (em razão da glosa do ágio amortizado) e multa de ofício por falta de pagamento do IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual, deve ser mantida apenas a multa de ofício. Este é o teor literal da Súmula CARF nº 105, verbis: Súmula CARF nº 105 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Adianto que entendo ainda ser aplicável a Súmula CARF nº 105, a despeito do dispositivo mencionado em seu texto ter sido alterado pela Lei nº 11.488/2007, cuja validade abarca os fatos geradores do presente feito. Por razões de clareza e transparência na motivação, explano meus fundamentos. A aplicação de qualquer súmula, mormente à luz do novel CPC/2015, deve se dar em atenção à racionalidade tópicoproblemática que orienta a sua adequada compreensão, tanto que os dispositivos relativos à motivação das decisões dá um tratamento peculiar a elas: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de Fl. 562DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 10 9 distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. É dizer, a súmula tem seu conteúdo normativo determinado não pelo seu texto sumular, mas pelas fundamentos determinantes que lhe são subjacentes, que deverão ser, efetivamente, o "fiel da balança" de sua aplicação. Assim, compulsando os precedentes que deram origem à Súmula CARF nº 105, entendeu a jurisprudência dominante que não poderiam ser exigidas concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício, em razão da absorção daquela por esta princípio da consunção ou absorção, típico do Direito Penal, para os casos em que condutas que lesem determinado bem são punidas por tipos penais distintos. Senão vejamos o Acórdão CSRF nº 9101001.261: É dizer, o fundamento da súmula é o fato da infração que dá causa à multa isolada ser menos gravosa que o fato que justifica a multa de ofício, razão pela qual esta absorve aquela. O que define a conduta lesiva ao bem tutelado pela regra penal é exatamente a hipótese de incidência dela (lembrando que uma regra jurídica possui hipótese e consequência jurídica), estando sujeita a uma penalidade, estabelecida em sua prescrição. Pois bem, a lei nº 11.488/2007 alterou a Lei nº 9.430/96, em relação aos dispositivos sucessivamente apresentados: Lei nº 9.430/96 art. 44 (...) §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda Fl. 563DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 11 10 que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Lei nº 11.488/2007 Art. 44. (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela leitura do dispositivo, podemos verificar que a Lei nº 11.488/07 trouxe algumas inovação: I) estendeu a hipótese de multa pros casos de rendimentos auferidos por pessoa física, de fonte pagadora no exterior, que não tenham sido tributados no país da fonte; II) em relação à hipótese existente, reduziu o valor da multa para 50%. Como se vê, em relação à hipótese de falta de recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL, não houve alteração da fattispecie punitiva é dizer, a conduta típica permaneceu a mesma, apenas com alteração da sanção aplicada. Ou seja, os fundamentos para a aplicação do princípio da consunção motivo determinante da Súmula CARF nº 105 permanecem presente, haja vista que as condutas ofensivas continuam as mesmas (com a ressalva do acréscimo do art. 44, II, "a" da Lei nº 9.430/96), com alteração apenas na prescrição penal estabelecida pela legislação. As condutas indicadas nas duas normas infracionais continuam sendo uma meio de execução da outra, sem que qualquer alteração nesse ponto tenha decorrido da nova redação legal. Isso decorre da diferença entre texto legal e norma jurídica, evidenciada no Direito Positivo pelo art. 13, §2º da Lei Complementar nº 95/98, que autoriza o reconhecimento de que a norma infracional pré e póslei 11.488/2007 possuem hipóteses de incidência que se superpõem, a despeito da alteração da numeração e posição dos dispositivos. Em razão disso, não entendo ter havido modificação de circunstâncias fáticas ou jurídicas que se afastem dos motivos determinantes da Súmula CARF nº 105, de modo que ela permanece aplicável a casos após a edição da Lei nº 11.488/2007. Entretanto, durante o julgamento, fui acompanhado pela maioria dos julgadores pelas conclusões, razão pela qual deve constar expressamente o fundamento prevalecente na Turma, conforme art. 63, §8º do RICARF. O entendimento prevalecente está conforme o voto vencedor no Acórdão CARF nº 1301002.736, proferido pelo Ilustre Conselheiro José Eduardo Dornelas, reproduzido abaixo: Fl. 564DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 12 11 A multa isolada aplicada tem como origem as diferenças entre as base de cálculo mensais apuradas pela recorrente e pela fiscalização, e decorre das glosas efetuadas em procedimento de fiscalização, que constatou entre outras infrações, deduções indevidas de despesas/custos na apuração do lucro real do período. Não decorre do não recolhimento de estimativas mensais apuradas e declaradas pelo contribuinte optante do lucro real anual. Penso que as discussões relacionadas à aplicação da multa isolada devem levar em conta o motivo que levou a autoridade fiscal a aplicála, pois ela não se destina a punir casos de omissão de receita, deduções indevidas de despesas, exclusões não autorizadas ou falta de adição ao lucro líquido. Nessas infrações, deve ser aplicada apenas a multa de ofício, ao contrário do que ocorre na hipótese do não recolhimento (total ou parcial) de estimativas mensais apuradas e declaradas pelo contribuinte optante do lucro real anual, onde se aplica a denominada multa isolada. Isso porque, no meu sentir, a multa isolada foi instituída para punir apenas os contribuintes que, tendo optado pelo lucro real anual para cálculo do IRPJ e da CSLL, deixavam de recolher as estimativas mensais. É que encerrado o ano base, já não é juridicamente possível exigir as estimativas, vez que elas possuem natureza de antecipação do tributo a ser apurado no final do período. Assim, encerrado o período, o Fisco só pode exigir o valor devido e não as antecipações. Vale dizer, as estimativas só podem ser exigidas no curso do respectivo período de apuração. Assim, para que a norma que determina o recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa seja imperativa, e não reduzida a mera recomendação, instituiuse a multa isolada, com o propósito específico de punir o descumprimento da norma que impõe a estes contribuintes o recolhimento mensal por estimativa. Por isso, a aplicação da referida multa isolada deve limitarse apenas ao caso em que foi concebida. Aplicála a casos de glosas de despesas efetuadas em procedimento de fiscalização, como é a hipótese dos presentes autos, é uma forma de exacerbar a penalidade sem previsão legal. Ademais, existe entendimento de que a aplicação da multa de ofício afastaria, pelo princípio da consunção, a multa isolada. O E STJ tem decisões nesse sentido, das quais é exemplo a decisão proferida no REsp nº 1.496.354/PR. (...) Assim, ao abrigo do princípio da consunção, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é, sem dúvida, a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Logo, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa do que o ilícito principal. É o que os penalistas, à propósito, denominam de "princípio da consunção". Desse modo, voto por afastar a cobrança da multa isolada por falta de recolhimento ou recolhimento a menor do IRPJ e CSLL sobre estimativas. III) Confiscatoriedade e desproporcionalidade da multa Fl. 565DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 13 12 A multa foi aplicada nos percentuais previsto pelo lei nº 9.430/96, de forma adequada à descrição dos fatos. Para que se adentrasse nesse mérito, teríamos de adentrar na análise constitucional da norma legal que a veiculou, o que refoge à competência de órgãos julgadores administrativo, sendo de exclusiva competência do Judiciário. Nesse sentido, o enunciado da Súmula 02 do CARF. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não procede a alegação do contribuinte. IV) Juros sobre multa de ofício Sobre essa matéria, há muito me manifesto no sentido de reconhecer a não incidência de juros sobre multa de ofício. Entretanto, a matéria se encontra hoje sumulada pelo CARF, através da Súmula nº 108: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Desse modo, em observância à determinação regimental, aplico a súmula CARF para negar provimento ao pleito do contribuinte. V) Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria julgada no Acórdão CARF nº 1402002.149, e na parte conhecida, dando provimento parcial para: a) afastar os valores de R$ 6.976.000,00 da base de cálculo do IRPJ, e R$ 2.520.000,00 da base de cálculo da CSLL. b) afastar a cobrança da multa isolada por falta de recolhimento por estimativas de IRPJ e CSLL; É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 566DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 14 13 Fl. 567DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.909578/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO ACUMULADO DE IPI. IMPROCEDÊNCIA.
Constatada a utilização de crédito acima do permitido, correta a não homologação da parte excedente, com repercussão na Declaração de Compensação vinculada.
EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA SOBRE O DÉBITO NÃO COMPENSADO.
Incide multa de mora nos casos de quitação do débito após a data de vencimento, de conformidade com o art. 61 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 3401-005.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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IMPROCEDÊNCIA. Constatada a utilização de crédito acima do permitido, correta a não homologação da parte excedente, com repercussão na Declaração de Compensação vinculada. EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA SOBRE O DÉBITO NÃO COMPENSADO. Incide multa de mora nos casos de quitação do débito após a data de vencimento, de conformidade com o art. 61 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 90 95 78 /2 01 1- 13 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 18470.909578/201113 Acórdão n.º 3401005.193 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 14/09/2009, transmitiu PER/DCOMP nº 38718.86410.140909.1.1.013150 com pedido de ressarcimento de IPI referente crédito acumulado no 3º Trimestre de 2006 no valor de R$ 9.886,71 tendo por base o registro fiscal de entradas e apuração do IPI (efls.2 a 30), vinculado a Declaração de Compensação nº 17022.78763.130710.1.3.015115. Do Despacho Decisório A DRF Rio de Janeiro II, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório na data de 09/09/2011 (eFls.31), reconhecendo parte do crédito no valor de R$ 1.740,25 pela ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, resultando insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP 17022.78763.130710.1.3.015115. Foi intimada a interessada a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, atualizados para pagamento até 30/09/2011: Principal Multa Juros 13.715,13 2.743,02 1.747,30 Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.37), fazendo os seguintes comentários: a) primeiro sobre a inovação e peculiaridades do programa eletrônico de transmissão de PER/DCOMP, que por sua evolução ultrapassou a capacidade técnica da contribuinte, necessária ao atendimento das exigências do programa; b) que não cometeu, em momento algum, irregularidades fiscais, eventuais erros podem ser atribuídos ao programa do PER/DCOMP, que acumulou os saldos credores de cada trimestre; c) que as multas de ofício não são devidas, visto que o contribuinte não provocou esta situação, sendo de total responsabilidade da própria RFB; d) cita decisão proferida em mandado de segurança da Justiça Federal do RN, que em nada lhe auxilia na presente lide; e) ao final reconhece os valores relativos à compensação indevida, com o acréscimo da Taxa SELIC, mas repugna a cobrança de Multa de Mora. Do Julgamento de Primeiro Grau Fl. 110DF CARF MF Processo nº 18470.909578/201113 Acórdão n.º 3401005.193 S3C4T1 Fl. 4 3 Encaminhado os autos à 2ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: De plano constato que a manifestante não contesta a redução do direto creditório, limitandose a impugnar a multa moratória. Portanto, tal matéria reputase incontroversa, ao teor do disposto no Decreto nº 70.235 (PAF), de 1972, art. 17: Art. 17 Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Com relação à multa moratória, sua cobrança encontra amparo legal no art. 61 da Lei nº 9.430/96... Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (fls.92) contra a decisão de primeira instância administrativa, com alegações de que: a) incorreu em falha no preenchimento do formulário eletrônico do Programa PER/DCOMP, pois quando se abria um novo trimestre, às vezes o próprio sistema, por si só, trazia o saldo anterior do trimestre anterior, duplicando, por conseguinte, o valor da compensação; b) que quitou os valores referentes à esta duplicação mediante parcelamento voluntário de débitos; c) que a manifesta inconformidade foi tão somente sobre a cobrança descabida da multa exofício, no que resulta, também, o pedido recursal. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De início declarase que não assiste razão a Recorrente. No Recurso Voluntário se repete a justificava de atribuir a responsabilidade pelos erros cometidos quando do preenchimento do PER/DCOMP, para o programa eletrônico disponibilizado pela SRF, o qual teria contribuindo para a utilização de crédito de IPI além do permitido para o trimestre em referência. Além de se restringir a mera alegação, dispensa qualquer comentário pela sua inconveniência. O segundo item do Recurso de que teria havido a quitação de parte do débito através de parcelamento voluntário, também, se restringe ao campo das alegações, pois nenhum documento juntou aos autos. Caso isso tenha ocorrido, ampara o contribuinte o art. 156 do CTN por ser o pagamento uma das modalidades de quitação do débito, que nesse caso seria parcial. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 18470.909578/201113 Acórdão n.º 3401005.193 S3C4T1 Fl. 5 4 Quanto a multa de mora incidente na cobrança do débito, nada tem a haver com a glosa do crédito indevidamente utilizado, cujo erro já foi reconhecido e não foi objeto de contestação, mas sim, com o não pagamento do débito devido no seu vencimento. A incidência da multa moratória encontra amparo no art. 61 da Lei 9.430/96, cujo texto já fez parte da decisão recorrida. Portando, é dever de ofício da autoridade administrativa exigila juntamente com o tributo devido quando quitado fora do prazo legalmente estabelecido. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660222/2011-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/04/2000
RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO.
A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001.
Numero da decisão: 3201-004.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 14/04/2000 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1679; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 190 1 189 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.660222/201132 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.013 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO. COFINS. Recorrente DOW BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/04/2000 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 22 /2 01 1- 32 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 191 2 Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, apurado em março de 2003. A unidade de origem indeferiu o pleito. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente, de Pedido de Restituição transmitida pelo Sistema PER/DCOMP sob nº 35921.69668.240305.1.2.047406, data da transmissão 24/03/2005, com a utilização de créditos oriundos de Pagamento Indevido ou a Maior do tributo Cofins, código da receita 2172, referente ao período de apuração 31/03/2000, no valor de R$ 10.015,81, contida em pagamento efetuado em 14/04/2000, no valor de R$ 2.014.877,98. Despacho Decisório eletrônico da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SÃO PAULO, doc. de fl. 6, com data da ciência em 19/12/2011, doc. de fl. 8, indeferiu o Pedido de Restituição sob o argumento de que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O Interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando em síntese: I Quantos aos fatos. Que efetuou o recolhimento da contribuição por meio de DARF, sendo atestado a correspondente DCTF; Que, por equívoco, o Interessado apurou incorretamente a contribuição sobre específicas e determinadas receitas. Esse cálculo errôneo derivou da inclusão, na base e cálculo das citadas contribuições, de receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manual – ZFM, que em hipótese alguma devem ser tributadas e que resultou indevido o pagamento; Que não elaborou retificações em suas declarações tributárias (DIPJ e DCTF), a fim de que restasse evidenciado o pagamento indevido. Diante desse fato, o sistema da Receita Federal não computou corretamente os valores efetivamente pagos e não constatou o indevido recolhimento realizado. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 192 3 Que não obstante os erros cometidos, o Despacho Decisório de indeferimento não deve prosperar, pelas razões a serem demonstradas. II – Das razões de reforma da decisão recorrida. II a) – Da relatividade da suposta confissão de dívida em DIPJ e DCTF necessária persecução pela verdade material. Que em que pese a discussão existente a respeito do assunto, a confissão da dívida não possui um caráter absoluto, devendo ser relativizada diante de situações específicas; Que a apresentação da DCTF e DIPJ não consiste num ato de vontade do contribuinte, mas sim num dever diante da força impositiva do Estado e em assim sendo inexiste uma das características essenciais para a configuração da confissão de dívida; Que a ausência de retificação da DCTF e DIPJ não possui por si só o efeito de comprovar a inexistência de pagamento indevido e uma vez constatado a existência de erro de fato é um dever da Administração Pública proceder à revisão de ofício em observância ao principio da verdade material para apurar o crédito tributário do contribuinte. Nesse sentido reproduz Acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF bem como fazendo citação; II b) Do erro meramente de fato e da persecução pela verdade material. Que o erro de fato consiste na incorreção de dados e situações que porventura influenciaram o sujeito passivo a cometer um equívoco no momento da apuração do tributo ou do mero preenchimento da declaração; Que o equivoco derivou da inclusão, na base de cálculo das contribuições, de receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manaus – ZFM, que em hipótese alguma devem ser tributadas. Reproduz trecho do Livro Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial – Editora Dialética; Que o fisco deve analisar as provas ora apresentadas, ou, ao menos, ser realizada diligência fiscal específica para tanto, por meio de conversão do julgamento em diligência. II c) Da existência do crédito tributário em pauta – Operações de venda à Zona Franca de Manaus. Que é indubitável o direito do Interessado ao crédito das contribuições, haja vista, que o artigo 4º do Decreto nº 288/1967, equiparou as vendas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus – ZFM àquelas destinadas à exportação; Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 193 4 Que da mesma forma, o artigo 149 da Constituição Federal de 1988 conferiu imunidade das contribuições sobre as receitas de exportação; Que diante deste quadro normativo, resta por inarredável o entendimento de que as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus não devem sofrer a incidência do PIS e COFINS; Que nossas Cortes judiciais e administrativas superiores tem esse posicionamento, reproduzindo vários Acórdãos; Assim, na questão de direito, resta cabalmente demonstrado o direito de não ser tributado pelas contribuições do PIS e COFINS decorrente das operações de venda de suas mercadorias à Zona Franca de Manaus, por conta da vedação constitucional e majoritário entendimento jurisprudencial nesse sentido. II d) Pagamento indevido e restituição – Documentação comprobatória do direito alegado. Que no caso concreto juntou ao presente o DARF recolhido e a correspondente DCTF; A fim de que seja evidenciado o pagamento indevido efetuado pelo interessado, elaborou demonstrativo analítico da origem dos valores discriminando as Notas Fiscais de Vendas emitidas referente ao período de apuração e que correspondem ao valor do crédito pleiteado; Nesses termos, junta ao presente processo os demonstrativos e a documentação contábil/fiscal hábeis à comprovação de que efetivamente efetuou vendas para a Zona Franca de Manaus; III ) Considerações adicionais. Que pela presente Manifestação de Inconformidade restou comprovado a existência de seu crédito, sob pena de afronta ao princípio da moralidade e diante da vedação ao enriquecimento ilícito por parte do Fisco e grave afronta ao principio da moralidade administrativa; Que seu crédito foi informado no PER/DCOMP conforme o estabelecido no artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 e que faltou ao Fisco a postura pela busca da verdade material, afetando o direito de defesa do interessado; E que no caso de ainda persistirem dúvidas por parte desse órgão administrativo deve ser realizada diligência fiscal em atendimento à verdade material. IV ) Dos Pedidos. Pelo exposto, requer seja anulado o Despacho Decisório, em virtude da violação ao princípio da verdade material e à garantia constitucional da ampla defesa. Requer subsidiariamente, seja convertido o presente julgamento em Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 194 5 diligência, bem como a juntada posterior dos documentos eventualmente faltantes, a fim de provar o alegado por todas as provas em direito admitidas. Foram juntados ainda os seguintes documentos: 1. Cópia do DARF; 2. Cópia da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ; 3. Cópia da Declaração de Débitos e Créditos Tributários – DCTF original; 4. Cópia de Demonstrativo de vendas; 5. Cópia do Livro Registro de Saídas de Mercadorias; 6. Cópia da Declaração de Ingresso, emitido pela Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA É o relatório A 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 1453.203, de 25/08/2014 (fls. 74 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/04/2000 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. As argüições de nulidade do despacho decisório só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 195 6 Não provada violação às disposições do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, rejeitase a alegação de nulidade do Despacho Decisório Eletrônico. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. São isentas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, a partir de 18 de dezembro de 2000, exclusivamente as receitas de vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei nº 1.248, de 1972, destinadas ao fim específico de exportação e para as empresas comerciais exportadoras, registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, estabelecidas na Zona Franca de Manaus. As vendas efetuadas às demais pessoas jurídicas, mesmo que localizadas na Zona Franca de Manaus, são tributadas normalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 96 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, basicamente tece os mesmos argumentos já delineados em sua impugnação. Ao final, requer o reconhecimento do direito ao crédito, a realização de diligência (caso necessária) e a intimação de seus advogados no endereço profissional deles. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 196 7 O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em março de 2003. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou ter incluído, na base de cálculo da contribuição, receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manaus – ZFM, que, no seu entendimento, não deviam ter sido tributadas. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório, DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos (sequer no recurso voluntário a apresentou). Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que fundamenta o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação do tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 197 8 implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 198 9 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitá lo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Por fim, o pedido para que Recorrente seja intimada no endereço profissional de seus advogados deve ser indeferido, uma vez que as intimações, por via postal, devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, em conformidade com o disposto no art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Cabe registrar, no entanto, que o entendimento que vimos de expor e consideramos suficiente para o deslinde do litígio não foi o mesmo adotado pelos demais integrantes da Turma, para os quais o indeferimento do pleito deve assentarse unicamente no fato de que as receitas de vendas à ZFM que estão isentas da exigência do PIS/Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Daí que passamos a reproduzir e adotar como razão de decidir, porque sobre o tema nada inovou o recurso voluntário, os fundamentos utilizados no acórdão recorrido: Quanto ao mérito verificase que a contestação do interessado se resume em alegar que o crédito existe e é oriundo de receitas de vendas destinadas à Zona Franca de SP Manaus e as mesmas são isentas ou não tributadas do PIS e COFINS, por força do artigo 4º do Decretolei nº 228, de 28 de fevereiro de 1967, nos seguintes termos: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. As normas dispondo sobre matéria de isenção das contribuições sociais –PIS/Pasep e Cofins – na época do fato gerador, estavam sintetizadas no art. 14 e seus parágrafos, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Todavia, a evolução Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 199 10 histórica dos dispositivos legais e regulamentares anteriores, em relação à matéria de isenção das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento, pode ser observada, conforme apresentado a seguir. Inicialmente, em relação à contribuição para o PIS/Pasep, verificase que com a edição da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1988 (art.5º), ficou autorizada a exclusão de receitas de exportação de produtos manufaturados nacionais da base de cálculo do PIS/Pasep, como segue: “Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP e para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o Decretolei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta” A Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, resultante da conversão da Medida Provisória nº 622, de 22 de setembro de 1994, e reedições, deu nova redação ao art. 5º da Lei nº 7.714, de 1988, adotandose restrições quanto às vendas efetuadas às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, e em outras localidades, assim dispondo: “Art. 1º O art. 5º da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1986, acrescido dos §§ 1º e 2º, passa a vigorar com a seguinte alteração: Art. 5º Para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), instituídas pelas Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, e 8, de 3 de dezembro de 1970, respectivamente, o valor da receita de exportação de mercadorias nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. § 1º Serão consideradas exportadas, para efeito do disposto no caput deste artigo, as mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora, de que trata o art. 1º do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. § 2º A exclusão prevista neste artigo não alcança as vendas efetuadas: (Grifouse) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Grifouse) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação.” Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 200 11 A Medida Provisória nº 1.212, de 29 de novembro de 1995, e reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, dispondo sobre a contribuição para o PIS/Pasep, de forma mais ampla, manteve o tratamento restritivo previsto na Lei nº 9.004, de 1995, ao tratar da matéria em seu art. 4o: “Art. 4º Observado o disposto na Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, na determinação da base de calculo da contribuição serão também excluídas as receitas correspondentes: (Grifouse) I aos serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior, desde que não autorizada a funcionar no Brasil, cujo pagamento represente ingresso de divisas; II ao fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em trafego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; III ao transporte internacional de cargas ou passageiros.” No que se refere à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação às receitas de exportação, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu em seu art. 7º: “Art. 7º É ainda isenta da contribuição a venda de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” O Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, restringiu o tratamento isentivo para as empresas estabelecidas nas referidas localidades, assim disciplinando: “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 201 12 internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: (Grifouse) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Grifouse) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação. (Grifouse) (...).”Por sua vez, a Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, alterando a redação do art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, não tratou da restrição: “Art. 1º O art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo." Art. 2º Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, retroagindo seus efeitos a 1º de abril de 1992.” (Grifouse) A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que teve por finalidade ampliar a base de cálculo das contribuições para o Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 202 13 PIS/Pasep e Cofins, também não fez qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. Daí a necessidade de editarse novo dispositivo legal contemplando com isenção as receitas de exportação. Diante da lacuna existente na Lei nº 9.718, de 1998, a Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, em seu art. 14 e seus parágrafos, adiante transcritos, redefiniu as regras de desoneração das contribuições em tela nas hipóteses especificadas e revogou todos os dispositivos legais relativos a exclusão de base de cálculo e isenção, existentes em 30 de junho de 1999: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (Grifou se) I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; (Grifouse) III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; (Grifouse) IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; (grifouse) Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 203 14 (...) § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: (Grifouse) I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992.” Entretanto, cabe esclarecer que, somente, a partir da publicação no Diário Oficial da União da Medida Provisória nº 2.03725, em 22 de dezembro de 2000, ficou suprimida a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14, acima citado. Pela legislação mencionada nos itens 3, 4 e 5 acima, fica evidente que a intenção do legislador ao longo do tempo sempre foi a de não contemplar com isenção do PIS/Pasep e da Cofins, as receitas decorrentes das vendas realizadas para consumo, industrialização ou comercialização no mercado interno às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, bem assim as receitas provenientes das vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras localizadas na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental, em área de livre comércio, zona de processamento de exportação, como também para estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação. O argumento no sentido de se admitir, para fins de isenção do PIS/Pasep e da Cofins, que o art. 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, "equiparou a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à exportação brasileira para o exterior", não deve prosperar, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo. Sobre essa questão a CoordenaçãoGeral de do Sistema de Tributação (Cosit) já se posicionou por meio da Solução de Divergência Cosit no 22, de 19 de agosto de 2002, publicada no Diário Oficial da União em 22/08/2002, da qual abaixo se transcreve trechos de sua fundamentação e conclusão final: 15. A argumentação no sentido de que, para fins de isenção do PIS/Pasep e da Cofins, teria o art. 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, equiparado a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 204 15 exportação brasileira para o exterior, não prospera, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo, como pode ser observado de sua transcrição a seguir: “Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) 16. Ressaltese que a expressão "constante da legislação em vigor" contida no texto do art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, pela sua incontestável clareza, já é suficiente para afastar qualquer dúvida quanto ao seu alcance no sentido temporal. Não se pode afirmar, portanto, que o referido dispositivo teria o condão de modificar a legislação superveniente que tenha instituído qualquer tributo ou contribuição social. Ao contrário, não resiste à menor análise, a afirmação de que as contribuições sociais – PIS/Pasep e Cofins instituídas em 1970 e 1991, teriam sido alcançadas pelos efeitos da citada equiparação. 16.1. Por outro lado, se o legislador pretendesse contemplar, indistintamente, com a isenção dessas contribuições, todas as receitas de vendas efetuadas para quaisquer empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, teria feito constar expressamente na legislação específica do PIS/Pasep e da Cofins. 16.2. Logo, é correto concluir que o próprio dispositivo legal (art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967) restringiu a aplicabilidade da equiparação mencionada, para os efeitos dos impostos e contribuições constantes da legislação vigente em 28 de fevereiro de 1967. Até porque não poderia projetar os efeitos da legislação isencional para o futuro indiscriminadamente. 16.3. A propósito das conclusões mencionadas nos itens anteriores sobre o alcance do dispositivo referido, deve ser ressaltada a restrição procedida pelo legislador ordinário, ao tratar inclusive de impostos já existentes à data de edição daquele Decretolei, evidenciando a intenção, no sentido de evitar que se acumulasse outras formas de incentivos, além da nele efetivamente prevista, nos termos constantes do art. 7º do Decretolei nº 1.435, de 17 de dezembro de 1975, in verbis: “Art. 7o A equiparação de que trata o artigo 4o do Decretolei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, não compreende os incentivos fiscais previstos nos Decretosleis no s 491, de 5 de março de 1969; 1.158, de 16 de março de 1971; 1.189, de 24 de setembro de 1971; 1.219, de 15 de maio de 1972, e 1.248, de 29 de novembro de 1972, nem os decorrentes do regime de “draw back”.” 17. Por meio da Nota/Cosit/Cotex nº151, de 14 de maio de 2002, a Secretaria da Receita Federal (SRF) submeteu ao exame da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), o seu entendimento sobre essa matéria, para que fosse ratificado ou retificado. A PGFN, por intermédio do PARECER/PGFN/CAT/Nº 1.769, de 23 de maio de 2002, Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 205 16 ratificou o entendimento da SRF referente ao assunto, inclusive quanto à manutenção da proibição das isenções para as receitas de vendas efetuadas a empresas estabelecidas nas localidades e estabelecimentos listados nos incisos I, II e III do § 2º do art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, mesmo que as receitas de vendas se enquadrem nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14, da citada Medida Provisória. Neste particular, a PGFN diz que é sabido que as pessoas jurídicas situadas nas áreas mencionadas, tradicionalmente, vêm sendo contempladas com toda a sorte de benefícios de natureza fiscal, há algumas décadas, o que faz crer ter sido a vontade do legislador deixálas de fora de mais esse benefício fiscal. CONCLUSÃO 18. Diante do exposto, solucionase a presente divergência respondendo à recorrente que a isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e considerada a medida liminar deferida pelo STF, na ADIn nº 2.3489, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, para as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo 14, ou seja: a) receitas do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; b) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; c) receitas de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei no 1.248, de 1972, destinada ao fim específico de exportação; e d) receitas de vendas efetuadas com fim específico de exportação para o exterior, às empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. (realcei) 18.1. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. 19. Somente a partir de 18 de dezembro de 2000, estão isentas do PIS/Pasep , as receitas de vendas relacionadas nas alíneas “a”, “b”, “c” e “d” do item 18, tendo em vista a medida liminar concedida pelo STF, na ADI no 2.3489, publicada no Diário da Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 206 17 Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, e edição da Medida Provisória no2.03725, de 2000, e reedições, atual Medida Provisória n o2.15835, de 2001. 20. Ressalvadas as hipóteses previstas nos itens 18 e 19, sujeitamse à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, sem o benefício da isenção, todas as demais receitas de vendas efetuadas às pessoas jurídicas, mesmo que estabelecidas na Zona Franca de Manaus, independentemente de sua destinação ou finalidade. (destaques do original) Pela leitura dessa Solução de Divergência, concluise que, a partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus estão isentas da exigência do PIS e da Cofins, mas apenas em relação às receitas discriminadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Como nos autos não há evidências de que as receitas lançadas correspondem àquelas citadas no ato, forçoso reconhecer que a pretensão da impugnante não pode prosperar,(...) Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.720047/2015-42
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63.
Numero da decisão: 2002-000.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a isenção para os rendimentos recebidos pelo recorrente do INSS e da Previdência Usiminas a partir de março de 2012.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente GUILHERME CAMILO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a isenção para os rendimentos recebidos pelo recorrente do INSS e da Previdência Usiminas a partir de março de 2012. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 00 47 /2 01 5- 42 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13629.720047/201542 Acórdão n.º 2002000.338 S2C0T2 Fl. 80 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 31/34), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2013. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo inexistente de imposto a pagar ou a restituir para saldo de imposto a pagar de R$5.951,77. A notificação consigna a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$47.215,94 (IRRF correspondente de R$173,23). Impugnação Cientificada ao contribuinte em 12/1/2015, a NL foi objeto de impugnação, em 15/1/2015, à fl. 2/19 dos autos, na qual o contribuinte afirmou que os rendimentos eram provenientes de aposentadoria de portador de moléstia grave e que naquela ocasião juntava laudo pericial que o comprovaria. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/JFA que, por maioria, julgou a impugnação improcedente, por deficiência da comprovação apresentada (fls. 45/49). Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 9/4/2015 (fl. 53), o contribuinte, em 24/4/2015 (fl. 55), apresentou recurso voluntário, às fls. 55/72, no qual alega estar juntando documentação hábil a corrigir as falhas apontadas na decisão do colegiado de primeira instância. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre rendimentos recebidos pelo recorrente das fontes pagadoras INSS e Previdência Usiminas, os quais ele alega serem isentos por serem decorrentes de aposentadoria e por ser ele portador de moléstia grave. Na apreciação da impugnação, a decisão de piso consigna: Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13629.720047/201542 Acórdão n.º 2002000.338 S2C0T2 Fl. 81 3 Pelos dispositivos legais transcritos, para o contribuinte, no presente caso, ter direito à isenção em comento são necessárias duas condições concomitantes. A primeira é que os rendimentos em apreço sejam oriundos de aposentadoria e a segunda é que ele seja portador de uma das doenças previstas no texto legal. Segundo consta na Carta de Concessão expedida em 30/05/2007 pelo Instituto Nacional da Previdência Social (INSS), cópia anexada a fls.18, foi concedida ao notificado a Aposentadoria por Tempo de Contribuição, com início de vigência a partir de 05/02/2007. Portanto, comprovada, para o anocalendário de 2012, sua condição de aposentado. Passo à análise do Laudo Médico Pericial apensado a fls.10, emitido em 23/08/2013 pela Dra. Sônia Batista da Silva. No campo “carimbo de identificação” foi aposto “Unidade Saúde e Família Bom Retiro / Rua Gaspar Lemos nº 390 – Ipatinga – MG / Prefeitura Municipal de Ipatinga”, estando demonstrado tratarse de documento emitido por serviço médico oficial. Observo porém que no referido documento não há a identificação de vínculo entre a médica que assinou o referido documento e a Prefeitura Municipal de Ipatinga. A Receita Federal não pode aceitar, como documento probante para fins de isenção de imposto de renda, o Laudo Médico emitido com a falha acima apontada. Os dados negligenciados são necessários ao deslinde da questão em foco. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio da COSIT (CoordenaçãoGeral de Tributação), emitiu a Solução de Consulta Interna (SCI) nº 11 de 28/06/2012, cuja conclusão, depois de reiterar esclarecimentos e orientações de SCI anteriores, foi a seguinte: ... 15.3. O laudo deve conter, no mínimo, as seguintes informações: ... V o nome completo, a assinatura, o nº. de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o nº. de registro no órgão público e a qualificação do(s) profissional(is) do serviço médico oficial responsável(is) pela emissão do laudo pericial. ... Considero, portanto, que a condição de ser portador de moléstia grave não restou comprovada pelo notificado, na forma exigida pela legislação tributária vigente, devendo ser recusada sua pretensão de classificar como “rendimentos isentos e não Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13629.720047/201542 Acórdão n.º 2002000.338 S2C0T2 Fl. 82 4 tributáveis” os seus proventos de aposentadoria e complementação de aposentadoria recebidos no anocalendário de 2012. Em seu recurso, o recorrente junta relatório médico de fl. 58, emitido em 15/4/2015. Em sede de recurso voluntário o contribuinte juntou novos documentos aos autos. O art. 16, § 4º, alínea c, do Decreto 70.235/72, prevê que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que a nova prova se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Verificase que os documentos apresentados pela parte encaixamse nesta previsão, visto que destinamse a contrapor razões trazidas aos autos pela DRJ que fundamentou sua decisão de improcedência da impugnação na falta de alguns elementos no laudo médico oficial apresentado. Diante disso, a nova documentação será analisada. O relatório médico juntado à fl.58 foi emitido pela profissional emitente do laudo médico de fl. 57 e ela aponta que é médica do posto médico desde julho de 2002. Esse relatório traz também a assinatura da coordenadora do posto de saúde. Entendo que as falhas apontadas na decisão de piso foram saneadas pelo novo documento apresentado. Em seguida, passando ao exame da Declaração de Ajuste apresentada (fl.22), constatase que o recorrente não informou qualquer rendimento tributável recebido do INSS e da Previdência Usiminas. Entretanto, o laudo médico oficial atesta a existência da moléstia grave somente a partir de março de 2012. Nesse sentido, cabe transcrever o §5º do artigo 39, do Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda): Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII – os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º); ... §5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13629.720047/201542 Acórdão n.º 2002000.338 S2C0T2 Fl. 83 5 II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Logo, é de se reconhecer a isenção para os rendimentos auferidos pelo recorrente somente a partir de março de 2012, sendo de se manter a inclusão dos rendimentos auferidos por ele nos meses de janeiro e fevereiro de 2012. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento parcial, para reconhecer a isenção para os rendimentos recebidos pelo recorrente do INSS e da Previdência Usiminas a partir de março de 2012, mantendo o crédito tributário correspondente à inclusão dos rendimentos auferidos nos meses de janeiro e fevereiro de 2012. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 83DF CARF MF
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