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7437660 #
Numero do processo: 13931.000954/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1406; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 443          1 442  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13931.000954/2008­19  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3301­000.724  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  24 de julho de 2018  Assunto  PIS  Recorrente  DINIZ SEMENTES E DEFENSIVOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à  repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no  processo  nº  12571.000200/2010­57,  que  deverá  ser  juntada,  em  cópia  de  seu  inteiro teor, nestes autos.    (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Valcir Gassen ­ Relator    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira,  Liziane  Angelotti  Meira,  Marcelo  Costa  Marques  D  Oliveira,  Antonio  Carlos  da  Costa  Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão  Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira  Duro e Valcir Gassen.    Relatório  Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de PIS/Pasep ­ mercado  interno e exportação, apurados no  regime de incidência não­cumulativa, com base no art. 3º,  §1º da Lei nº 10.637/2002.      RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 31 .0 00 95 4/ 20 08 -1 9 Fl. 443DF CARF MF Processo nº 13931.000954/2008­19  Resolução nº  3301­000.724  S3­C3T1  Fl. 444          2 Cabe  ressaltar  a  existência  dos  Processos  nºs.  12571.000200/2010­57  e  12571.000201/2010­00,  que  tratam  dos  Autos  de  Infração  de  PIS/Pasep  e  Cofins,  respectivamente,  lançados  em  decorrência  da  análise  do  direito  creditório  promovida  nos  créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi  verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas  pelo Contribuinte, motivo pelo qual  lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo,  então, lavrados os dois Autos de Infração citados.  No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/2010­57 e 12571.000201/2010­00,  proferiu­se  as  Resoluções  nº  3301­000.520  e  3301­000.521,  respectivamente.  Nestas  resoluções  decidiu­se  por  converter  os  julgamentos  em  diligências  para  fins  de  juntada  de  processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados  os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração  constantes dos processos referidos.  No cumprimento da Resolução nº 3301­000.520 assim constou do Despacho de  Encaminhamento:  DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO  Devolvam­se os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para  prosseguimento, informando que os processos 12571.000024/2010­  53, 12571.000025/2010­06, 12571.000026/2010­42,  12571.000027/2010­97, 12571.000028/2010­31,  12571.000029/2010­86, 12571.000030/2010­19,  12571.000031/2010­55, 12571.000032/2010­08,  12571.000033/2010­44, 12571.000034/2010­99,  12571.000035/2010­33, 12571.000036/2010­88,  12571.000037/2010­22, 12571.000038/2010­77,  12571.000039/2010­11, 12571.000040/2010­46,  12571.000041/2010­91, 13931.000368/2008­74,  13931.000948/2008­61, 13931.000949/2008­14,  13931.000950/2008­31, 13931.000951/2008­85,  13931.000952/2008­20, 13931.000953/2008­74,  13931.000954/2008­19, 13931.000955/2008­63,  13931.000956/2008­16 e 13931.000957/2008­52, que tratam da  análise de créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao  auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido  Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da  Resolução 3301­000.520, de 28/9/2017.  É o relatório.    Voto  Conselheiro Valcir Gassen ­ Relator  Quando  da  análise  dos  autos  para  julgamento  dos  Processos  nºs.  12571.000200/2010­57 e 12571.000201/2010­00, distribuídos a este relator, constatou­se que  os dois processos referem­se a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS  e o  segundo diz  respeito  a Cofins,  e que  existiam outros processos vinculados  a  estes  e que  Fl. 444DF CARF MF Processo nº 13931.000954/2008­19  Resolução nº  3301­000.724  S3­C3T1  Fl. 445          3 tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins mercado  interno e exportação apurados no regime de incidência não­cumulativa.  Em  pesquisa  realizada  no  e­processo  verificou­se  que  esses  processos  vinculados  aos  autos  de  infração  encontravam­se  distribuídos  em  fases  distintas.  Por  intermédio  das  Resoluções  nº  3301­000.520  e  3301­000.521,  proferidas  nos  Processos  nºs.  12571.000200/2010­57  e  12571.000201/2010­00,  os  processos  vinculados  foram  reunidos  e  distribuídos a este Conselheiro prevento.  Assim,  entendo  que  foram  atendidas  as  Resoluções  nº  3301­000.520  e  3301­ 000.521.   Verificando os processos de PER/Dcomps, constata­se que o Auto de Infração  alcança  todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do  litígio  no  processo  do  lançamento  alcança  os  processos  de  ressarcimento/compensação  vinculados.  Assim,  voto  pela  conversão  do  julgamento  em diligência,  para  que  o  presente  processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida  a decisão definitiva no processo nº 12571.000200/2010­57, que deverá ser juntada, em cópia de  seu inteiro teor, neste processo.   (assinado digitalmente)  Valcir Gassen  Fl. 445DF CARF MF

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7464448 #
Numero do processo: 10725.903033/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO. A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1402-003.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.

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1402­003.318  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de julho de 2018  Matéria  PER/DCOMP ­ COMPENSAÇÃO  Recorrente  SONICS DIAGNOSTICO POR IMAGEM LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2001  PER/DCOMP.  COMPENSAÇÃO.  DIREITO  CREDITÓRIO.  NÃO  RECONHECIDO.  A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP  impossibilita a homologação da compensação declarada.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  rejeitar  as  preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone ­ Presidente e Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marco  Rogério  Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e  Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.           AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 30 33 /2 00 9- 38 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10725.903033/2009­38  Acórdão n.º 1402­003.318  S1­C4T2  Fl. 3          2 Relatório  Trata  o  presente  de  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  decisão  proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de  Janeiro  I  ­  RJ,  em  primeira  instância  administrativa,  que  julgou  IMPROCEDENTE,  a  manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente.  Do Despacho Decisório:  Trata  o  presente  processo  da  Declaração  de  Compensação,  na  qual  a  recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou  indevido, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que  consta no Despacho Decisório acostado aos autos.   Transmitida, a DCOMP recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de  não homologação da compensação, cujas razões da negativa se fundam no fato de que o DARF  informado  no  PER  como  pago  a maior  ou  indevido  já  ter  sido  integralmente  utilizado  para  quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação com os  débitos informados na DCOMP.  Da Manifestação de Inconformidade:  Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação  de inconformidade, na qual alega, em síntese, que o crédito pleiteado de pagamento a maior ou  indevido existe  e  foi  informado ao  fisco  através de DCTF  retificadora,  que zerou o valor de  débito anteriormente declarado.  Da decisão da DRJ:  A  DRJ,  em  seu  julgamento,  considerou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  e  não  reconheceu  o  direito  creditório  pleiteado,  e  consequente  não  homologação da compensação da PER/DCOMP objeto do presente processo.  Na decisão ora recorrida, informa que além da DCTF original, já houve outra  retificadora anterior a ultima, em que confirmou o valor anteriormente declarado de débito, que  está alocado ao DARF agora pleiteado como indevido. Anos depois, no limiar da decadência  da  repetição do  indébito,  retifica novamente  a DCTF,  zerando o débito,  sem  juntar qualquer  documentação comprobatória da veracidade das informações nela contidas.  Não  houve  DIPJ  retificadora  para  o  período  em  foco,  e  esta  está  em  consonância com o valor declarado originalmente.  A restituição/compensação de tributos no âmbito da Receita Federal do Brasil  é regido pelos artigos 165 e 170 do CTN. E quanto à retificação de DCTF, para diminuir ou  excluir  tributo,  é  regido  pelo  artigo  147,  §1º,  que  estipula  que  só  é  admissível  mediante  comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.  Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10725.903033/2009­38  Acórdão n.º 1402­003.318  S1­C4T2  Fl. 4          3 Assim,  além  de  não  haver  coerência  nas  declarações  prestadas  pelo  contribuinte,  deveria  ele  provar,  com a  apresentação  de  sua  escrituração  contábil  e  fiscal,  as  razões da mudança do seu entendimento quanto ao valor devido.  Por  conseguinte,  entendeu  não  haver  certeza  e  liquidez  do  crédito  alegado  pelo contribuinte em seu favor.  Do Recurso Voluntário:  Irresignada  com  o  a  decisão,  apresentou  recurso  voluntário  em  que,  em  síntese,  alega  vícios  de  nulidade  do  despacho  decisório,  por  conta  da  inexistência  de  fundamentação e cerceamento de sua defesa, pois no seu entender, não recebera oportunidade  de comprovar o seu direito creditório.   Igualmente,  suscita  e  alega  apenas  na  sua  peça  recursal,  que  o  direito  creditório pleiteado decorre de  alteração no seu  coeficiente de apuração do  lucro presumido,  pois  tinha  aplicado  o  de  32%, mas  o  correto  seria  de 8%,  pois  exerce  prestação  de  serviços  hospitalares.  É o relatório.    Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10725.903033/2009­38  Acórdão n.º 1402­003.318  S1­C4T2  Fl. 5          4     Voto             Conselheiro Paulo Mateus Ciccone ­ Relator   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1402­003.291,  de  26/07/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10725.903030/2009­ 02, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402­003.291):  "O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  de  admissibilidade.  Portanto,  pode­se  dele  conhecer.  Antes  de  adentrar  no  mérito,  cabe  informar  que  o  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF,  aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo  o paradigma.  Síntese dos fatos  O presente processo versa sobre um PER/DCOMP, em  que a  recorrente pleiteou um direito creditório baseado em um  pagamento  indevido ou a maior, de  IRPJ  referente ao 3º ou 4º  trimestre  de  2001,  ou  1º  trimestre  de  2002.  O  Despacho  Decisório atacado denegou tal pleito, pois verificou que o DARF  objeto do pedido estava integralmente utilizado para quitação de  débitos da recorrente, não havendo crédito disponível.  A  recorrente  na  sua  manifestação  de  inconformidade  alega  que  o  pagamento  a  maior  ou  indevido  existe  e  foi  informado  ao  fisco,  através  de DCTF  retificadora  apresentada  em  14/08/2009,  após  ter  verificado  que  não  apurou  tributo  a  pagar de IRPJ no período referente ao crédito ora pleiteado.  A  decisão  da  DRJ  considerou  improcedente  sua  manifestação de inconformidade, pois, em linhas gerais, a DCTF  retificadora veio desacompanhada de comprovação do erro  em  que se funde, nos termos do art. 147, §1º do CTN. Além do mais,  a  DIPJ  não  foi  retificada,  havendo  incoerência  entre  as  declarações  prestadas.  Por  conseguinte,  não  haveria  certeza  e  liquidez do direito creditório alegado pela recorrente.  Em  sede  recursal,  alega  vícios  de  nulidade  do  despacho decisório, por conta da inexistência de fundamentação,  Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10725.903033/2009­38  Acórdão n.º 1402­003.318  S1­C4T2  Fl. 6          5 e  por  conseguinte,  acarretaria  cerceamento  de  defesa.  Igualmente,  suscita  e  alega  apenas  neste  momento,  sem  nada  comprovar, que utilizou indevidamente o coeficiente de 32% no  lucro presumido para apurar o seu IRPJ, quando o devido seria  8%,  já  que  exerce  a  atividade  de  prestação  de  serviços  hospitalares.   Da preliminar suscitada  Como  já  exposto  anteriormente,  a  recorrente  alega  nulidade  do  Despacho  Decisório,  ao  fundamento  que  este  sofreria de inafastáveis vícios, quais sejam:  a) inexistência de fundamentação;  b)  cerceamento  de  defesa,  por  não  ter  sido  oportunizado  a  possibilidade  de  comprovar  o  seu  direito  creditório.  Compulsando  os  autos,  não  verifico  o  alegado.  Vejo  nesta preliminar suscitado mais uma discordância com os fatos e  sua  respectiva  capitulação  legal,  o  que  não  é  causa  de  pedir  nulidade.  O Despacho Decisório está devidamente fundamentado  pelo  motivo  que  denegou  o  pedido  de  compensação  pleiteado,  pois  se  baseou  em  informações  prestadas  pela  própria  recorrente  então,  quais  sejam,  o  confronto  do  seu  pleito  via  PER/DCOMP cotejado com o DARF , DCTF e DIPJ.  Além do mais, a comprovação do seu crédito já surge  oportunizada  para  a  recorrente  quando  apresentou  sua  peça  impugnatória, mas nada ali agregou comprovando, e pior, então,  nem alegou por qual motivo entendia  ter direito a repetição do  indébito  pleiteado  como  pagamento  indevido  ou  maior.  Igualmente, na sua peça recursal nada apresentou comprovando  o alegado ­ apenas se limitou a alegar neste momento.  Por conseguinte, REJEITO A PRELIMINAR suscitada  pela recorrente.  Do mérito  Em sua peça recursal, a recorrente alega que o direito  creditório  pleiteado  é  decorrente  da  apuração do  imposto  pelo  regime do  lucro presumido, com a aplicação do percentual,  no  seu  entender  equivocado,  de  32%  sobre  a  receita  bruta,  para  efeitos de identificação da base de cálculo do IRPJ, enquanto o  correto seria o percentual de 8%, pois se dedicaria à prestação  de serviços hospitalares.  Tal assunto  foi  suscitado apenas  em  sede da  segunda  instância administrativa, e de forma um tanto sucinta, sem nada  agregar  comprovando  o  alegado.  Se  resumiu  a  dizer  que  retificou sua DCTF relacionada ao presente feito pois apurou e  recolheu valores maiores a  título de  IRPJ, pois o  correto  seria  8%, conforme previa o art. 15, §1º, inciso III, alínea a, da Lei nº  Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10725.903033/2009­38  Acórdão n.º 1402­003.318  S1­C4T2  Fl. 7          6 9.249/95  (com  redação  sem  as  modificações  introduzidas  pela  Lei  nº  11.727/2008)  combinado  com  o  art.  25,  da  Lei  nº  9.430/1996.  Reitero  ­  não  houve  nenhuma  comprovação  desta  alegação,  e  esta  apenas  agora  apresentada  na  discussão  do  presente litígio.  A recorrente pretende que se reforme a decisão a quo  sob o mero argumento de que sua confissão de dívida prestada  em  DCTF  foi  efetuada  com  erro,  o  que  lhe  permitiria  obter  o  direito  creditório  ora  pleiteado.  Todavia,  inexiste  nos  autos  qualquer prova do alegado erro, ônus que caberia à recorrente,  para  dar  a  liquidez  e  certeza  do  seu  direito  creditório,  nos  termos do art. 170 do CTN1.  A  mera  apresentação  de  DCTF  retificadora  (24/08/2009),  diminuindo  um  débito  já  considerado  extinto,  quando  já  se  perfez  os  5  anos  estabelecidos  para  se  pleitear  eventual restituição, nos termos do art. 168 do CTN2, não tem o  condão de, por  si  só, comprovar a certeza e  liquidez do direito  creditório.  Entendo  que  no  caso,  é  necessário,  na  primeira  oportunidade, alegar e tentar rechaçar o despacho decisório da  forma  mais  completa  possível,  já  trazendo  aos  autos  comprovações destas alegações.   A  recorrente  não  fez  isso,  pelo  contrário  ­  omitiu  detalhes  importantes  a  serem  considerados  no  julgamento  de  piso,  o  que  suscitou  agora,  mas  ainda  assim,  sem  nenhuma  comprovação, por mais precária que seja.  A  Lei  nº  9.784/1999,  que  regula  o  processo  administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no  seu  art.  36,  estabelece  que  cabe  a  carga  probatória  nestas  situações:  Art.  36.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem  prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão competente para a instrução e do disposto no art.  373 desta Lei.  Logo,  no  processo  administrativo  fiscal,  regido  e  permeado pelo princípio da busca da verdade material, um vetor  válido  tanto  para  a  Fazenda  Nacional  quanto  para  os                                                              1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos  ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.      2 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue­se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados:  I ­ nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário;      II ­ na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar  em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória.  3 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria  Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução  proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias.  Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10725.903033/2009­38  Acórdão n.º 1402­003.318  S1­C4T2  Fl. 8          7 contribuintes, não basta apenas alegar, quando deveria também  provar o alegado.  Alegar sem provar equivale a nada alegar.  Repetindo  o  que  já  dito  anteriormente,  o  direito  creditório  deve  se  revestir  das  características  de  liquidez  e  certeza,  para  que  a  compensação  possa  ser  efetivada.  Quem  pleiteia  este  direito  é  que  cabe  demonstrar  esta  liquidez  e  certeza.  Não cabe agora ao colegiado procurar fazer prova da  mera alegação da recorrente, tomando­lhe partido, quando esta  se  mostrou  inerte.  Eventuais  diligências  seriam  cabíveis  para  esclarecer  algum  ponto  porventura  obscuro,  sobre  o  qual  restassem  dúvidas,  mas  não  para  restabelecer  a  certeza  e  liquidez  dos  créditos  pretendidos,  o  que  já  deveria  estar  demonstrado  desde  a  primeira  oportunidade  ofertada  à  recorrente.  Destarte, pelo todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao  recurso voluntário."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as  preliminares  e,  no  mérito,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  voto  acima  transcrito.  (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone                              Fl. 69DF CARF MF

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Numero do processo: 19515.001346/2010-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS FÍSICAS. Deve ser (re)estabelecida a responsabilidade tributária quando pessoa física de NOJAN BEDROUD na medida em que tinha poder de gerência à época da dissolução irregular da sociedade, bem como à época do fato gerador. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS JURÍDICAS. Deve ser (re)estabelecida a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas, visto que manifesto interesse comum nos termos do 124, I, do CTN.
Numero da decisão: 1402-003.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos para, com efeitos infringentes, dar-lhes provimento unicamente para restabelecer a responsabilidade solidária de NOJAN BEDROUD e das pessoas jurídicas MSI MEDIA, MSI GROUP, DEVETIA LIMITED e JUST SPORTS. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone- Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator Participaram da sessão os conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA

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1402­003.276  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de julho de 2018  Matéria  Imposto de Renda Pessoa Jurídica­ IRPJ  Embargante  FAZENDA NACIONAL             Interessado  MSI LICENCIAMENTOS E ADMINISTRACAO LTDA.     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2010  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS FÍSICAS.  Deve  ser  (re)estabelecida a  responsabilidade  tributária quando pessoa  física  de NOJAN BEDROUD na medida em que tinha poder de gerência à época da  dissolução irregular da sociedade, bem como à época do fato gerador.  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS JURÍDICAS.  Deve ser  (re)estabelecida a  responsabilidade solidária das pessoas  jurídicas,  visto que manifesto interesse comum nos termos do 124, I, do CTN.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos  embargos  para,  com  efeitos  infringentes,  dar­lhes  provimento  unicamente  para  restabelecer  a  responsabilidade  solidária  de  NOJAN  BEDROUD  e  das  pessoas  jurídicas  MSI  MEDIA,  MSI  GROUP, DEVETIA LIMITED e JUST SPORTS.  (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone­ Presidente  (assinado digitalmente)  Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira­ Relator    Participaram  da  sessão  os  conselheiros  Marco  Rogerio  Borges,  Caio  Cesar  Nader  Quintella,  Leonardo  Luis  Pagano  Goncalves,  Evandro  Correa  Dias,  Lucas  Bevilacqua  Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 46 /2 01 0- 33 Fl. 3059DF CARF MF     2 Relatório          Trata­se  de  embargos  de  declaração  (e­fls.  1.061/1.066)  opostos  pela  FAZENDA NACIONAL contra o Acórdão nº 1402­002.744 (e­fls. 1.046/1.059), proferido em  sessão  de  julgamento  realizada  em  19/9/2017,  por  meio  do  qual  a  2ª  Turma  Ordinária  da  Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF prolatou a seguinte decisão:     Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2010  OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. NÃO  COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL. CABIMENTO. RECURSOS  PROVENIENTES DE PARAÍSO FISCAL. IDENTIFICAÇÃO DOS SÓCIOS.  NÃO APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO. CONTRATOS DE CÂMBIO  REGISTRADOS NO SISBACEN. CONTRATOS SOCIAIS. Incabível a  autuação por presunção legal de omissão de receitas quando resta comprovada a  origem de depósitos bancários ainda que provenientes de empresa sediada em  paraíso fiscal na medida em que devidamente respaldado em contratos de  câmbio registrados no Banco Central do Brasil e demonstrada destinação para  integralização de capital.  OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EMPRÉSTIMOS  NÃO COMPROVADOS. PRESUNÇÃO LEGAL.  Depósitos bancários cuja alegada origem em operações de empréstimos não foi  comprovada configuram omissão de receitas.  AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL.  O decidido quanto ao IRPJ aplica­se à tributação dele decorrente.  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS FÍSICAS.  Deve ser afastada a responsabilidade tributária imputada às pessoas físicas na  medida em que não tinham poderes de gerência à época da dissolução irregular  da sociedade, bem como à época do fato gerador.  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS JURÍDICAS.  Deve ser excluída a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas, visto que  insubsistente julgado no mérito insubsistente a imputação de omissão de receitas  pelos depósitos bancários por si realizados e ausente interesse comum (124, I,  CTN) no empréstimo SCCP e MSI Licenciamento e Administração Ltda.    A Procuradoria da Fazenda Nacional  interpôs  embargos de declaração  para  com  fulcro  no  art.  65  do  RICARF  por:  (i)  entender  que  houve  obscuridade  quanto  à  responsabilidade  das  pessoas  físicas  (Srs.  NOJAN  BEDROUD  e  KIAVASH  JOOARABCHIAN) arroladas como solidárias e (ii) entender que houve obscuridade quanto à  responsabilidade das pessoas jurídicas.  A  presidência  admitiu  os  embargos  tão  somente  quanto  ao  item  (i)  obscuridade  quanto  à  responsabilidade  das  pessoas  físicas,  por  entender  que  “o  embargante  apresenta,  de  fato,  uma  discordância  quanto  à  apreciação  de  prova  dos  autos.  Contudo,  os  embargos de declaração são remédio processual de via estreita, aplicável apenas ao saneamento  de omissão, contradição ou obscuridade no texto da decisão, não sendo apto a provocar nova  apreciação de prova já avaliada na decisão embargada”.    Fl. 3060DF CARF MF Processo nº 19515.001346/2010­33  Acórdão n.º 1402­003.276  S1­C4T2  Fl. 1.112          3 É o breve relatório.   Voto             Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira­ Relator  O recurso é tempestivo e assinado por partes competentes.  Alega a Embargante que não identificou elementos probatórios que levassem  a  crer que os Srs. NOJAN BEDROUD e KIAVASH JOOARABCHIAN  saíram da direção da  empresa antes de sua dissolução irregular. Ao revés, corroborando a informação fiscal, tanto  na Ficha Cadastral  fornecida pela Junta Comercial do Estado de São Paulo,  juntada às  fls.  25/43, quanto no Contrato Social de fls. 44/67 (vide cláusula 7ª) as referidas pessoas  físicas  constam como administradores da autuada.  Importa ressaltar que a presunção de dissolução irregular somente permitira o  redirecionamento para o sócio­gerente, conforme dispõe a Súmula 435 do e. STF: “Presumese  dissolvida  irregularmente  a  empresa  que  deixar  de  funcionar  no  seu  domicílio  sem  comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para  o sócio­gerente”.  O conteúdo desta Súmula é aplicado de forma ampliada pela Fiscalização em  decorrência do disposto no Parecer PGFN nº 180/2011, que ampliou o disposto na Súmula aos  terceiros não sócios com poderes de gerencia.  Retomando  as  discussões  daquela  sessão,  relembro  que  me  alinhei  ao  posicionamento do STJ que a dívida só pode ser redirecionada ao sócio presente no momento  da dissolução irregular, pois assim conciliam­se as súmulas 430 e 435 do STJ.  E admitindo a aplicação da Súmula a terceiros não sócios, ali também apontei  que cabe à Fiscalização o ônus de provar a ocorrência da dissolução  irregular. E adotei  como premissa a presunção de que a dissolução irregular se verificou em agosto de 2008, haja  vista a declaração do gerente predial que naquele período a empresa deixou o endereço em que  se localizava. Isto posto, entendi que somente os sócios­gerentes que estavam no exercício do  cargo naquele período poderiam sofrer o redirecionamento.  Compulsando os autos, verifica­se que os responsáveis NOJAN BEDROUD e  KIAVASH JOOARABCHIAN afirmam que saíram do cargo de gerência em 01 de setembro de  2006, ou seja, dois anos antes da presunção da dissolução irregular.  É verdade que de acordo com a última alteração contratual da sociedade, eles  ainda  constam  como  representantes  da  MSI  Licenciamento  e  Administração  LTDA,  mas  também o  é  que  eles  não  poderiam  alterar o  contrato  social  sem  a manifestação  dos  sócios,  conforme dispõe o art. 1.076, do Código Civil e registrado no próprio manual da JUCESP:  Fl. 3061DF CARF MF     4   Ou  seja,  ato  que  não  lhes  competia.  Ainda  assim,  em  relação  a KIAVASH  JOOARABCHIAN  consta  dos  autos  que  ele  teria  notificado  extrajudicialmente  os  sócios  e  veiculado  em  jornais  de  grande  circulação  seu  desligamento  da  posição  de  representante  da  MSI desde setembro de 2006, dando publicidade ao ato, ainda que em 2010 (fls. 765­767), o  que teria suportado a convicção deste conselheiro na formulação de seu voto.  De outro lado, entretanto, verifica­se que tais atos não foram cumpridos pelo  Sr. NOJAN BEDROUD, como outrora  se pensara, não havendo outros  indícios que não suas  meras afirmações em seu Recurso Voluntário.       No que respeita a omissão/obscuridade quanto a manutenção da TSPS das  pessoas jurídicas tenho para mim que assiste razão à PGFN na medida em que as pessoas  Fl. 3062DF CARF MF Processo nº 19515.001346/2010­33  Acórdão n.º 1402­003.276  S1­C4T2  Fl. 1.113          5 jurídicas MSI MEDIA, MSI GROUP, DEVETIA LIMITED e JUST SPORTS deixaram transcorrer  in albis o prazo para apresentação de defesa administrativa tratando­se, portanto, de matéria  preclusa nos termos arts.16­7 do Decreto n.70235.  Isto  posto,  é  necessário  acatar  os  presentes  embargos,  reconhecendo  seus  efeitos infringentes, mas tão somente em face de NOJAN BEDROUD, haja vista não existem  outros  indícios  de  que  teria  deixado  de  exercer  cargo  de  gerência  na  MSI,  e  das  pessoas  jurídicas MSI MEDIA, MSI GROUP, DEVETIA LIMITED e JUST SPORTS.  Do  exposto,  voto  por  julgar  parcialmente  procedentes  os  embargos  para  (re)estabelecer a reponsabilidade da pessoa física NOJAN BEDROUD e das pessoas jurídicas  MSI MEDIA, MSI GROUP, DEVETIA LIMITED e JUST SPORTS.   É como voto.   (assinado digitalmente)  Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira                              Fl. 3063DF CARF MF

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Numero do processo: 16349.000317/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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3401­004.888  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de maio de 2018  Matéria  COMPENSAÇÃO ­ COFINS  Recorrente  SYNGENTA PROTECAO DE CULTIVOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008  NÃO­CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.   A não­cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais  de  uma  perspectiva  “Entrada  vs.  Saída”,  mas  de  uma  perspectiva  “Despesa/Custo  vs.  Receita”,  de  modo  que  o  legislador  permitiu  a  apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o  aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.  INSUMO. CONCEITO.   Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido  de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto,  esse  itens,  sejam  serviços,  mercadorias,  ou  intangíveis,  devem  ser  intimamente  ligados  à  atividade­fim  da  empresa  e,  principalmente,  ser  utilizados  efetivamente,  e  de  forma  identificável  na  venda  de  produtos  ou  serviços,  contribuindo  de  maneira  imprescindível  para  geração  de  receitas,  observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial,  a  de que  não  sejam  tratados  como  ativo  não­circulante,  hipótese  em que  já  previsão específica de apropriação.  REGIME NÃO­CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO  PROPORCIONAL.  Na determinação dos créditos da não­cumulatividade passíveis de utilização  na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as  receitas tributadas e não tributadas.  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  EMBALAGENS.  CONDIÇÕES  DE  CREDITAMENTO.  As embalagens que não  são  incorporadas ao produto durante o processo de  industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 17 /2 00 9- 91 Fl. 317DF CARF MF Processo nº 16349.000317/2009­91  Acórdão n.º 3401­004.888  S3­C4T1  Fl. 0          2 o  processo  produtivo  se  destinam  ao  transporte  dos  produtos  acabados  (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais  podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.  REGIME NÃO­CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO  PRODUTIVO. REQUISITOS.  Somente  materiais  de  limpeza  ou  higienização  aplicados  diretamente  no  curso do processo produtivo geram créditos da não­cumulatividade, ou seja,  não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do  parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.  REGIME NÃO­CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS  E INSUMOS IMPORTADOS  O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica­ se,  exclusivamente,  em  relação  aos  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País  e  aos  custos  e  despesas  incorridos,  pagos  ou  creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem,  material  de  limpeza,  despesas  de  energia  elétrica  registradas  erroneamente  como  aluguéis,  e  produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo  pagamento  da  contribuição  na  importação,  devendo  ainda  ser  afastado  o  critério  de  rateio  adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.     (assinado digitalmente)  ROSALDO TREVISAN ­ Presidente e Relator    Participaram  do  julgamento  os  conselheiros:  Robson  Jose  Bayerl,  Tiago  Guerra  Machado,  Mara  Cristina  Sifuentes,  André  Henrique  Lemos,  Lazaro  Antonio  Souza  Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice­Presidente) e Rosaldo  Trevisan (Presidente).  Fl. 318DF CARF MF Processo nº 16349.000317/2009­91  Acórdão n.º 3401­004.888  S3­C4T1  Fl. 0          3     Relatório  Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não­ cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB.  Foi  emitido  Despacho  Decisório  que  reconheceu  parcialmente  o  direito  creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido.  Irresignada  com  o  deferimento  apenas  parcial  de  seu  pleito,  a  contribuinte  encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte:  1)  Créditos  a  descontar  na  importação:  a  empresa  apurou  créditos  decorrentes de  suas operações de importação de  insumos e produtos para  revenda,  norteando­se  pelo  art.  15 da Lei  n°  10.865/2004. O Fisco  questionou  tais  créditos  com  base  nas  seguintes  premissas:  (a)  importação  de  bens  classificados  na  NCM  38.08  assim  como  das  matérias­primas  utilizadas  para  sua  produção  que  supostamente deveriam ser  tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito  tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que  o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa  não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no  rol  de  produtos  abarcados  pela NCM  38.08  diversas  outras mercadorias  e  não  só  defensivos  agrícolas  abarcados  pela  alíquota  zero  da  contribuição.  A  empresa  é  produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os  quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são  tributados pela  alíquota  regular. Não  foram confrontados os NCMs  indicados pela  empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que  todos  os  produtos  comercializados  estariam  classificados  no  NCM  38.08  como  defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta  planilha e folders.   2) Créditos  decorrentes  da  aquisição  de  insumos:  a  Fiscalização  glosou  créditos  da  empresa  relativos  à  aquisição  de  insumos  utilizados  em  seu  processo  produtivo. Estas glosas são refutadas porque:   a)  conceito  de  insumos:  tomando­se  como  referência  os  intentos  do  Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática  nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente  diferente  daquela  adotada  pela  legislação  do  IPI),  reputa­se  claramente  ilegal  o  conceito utilizado pela Fiscalização na definição de  insumos. A definição sugerida  pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas  do  IPI,  também  na  IN  n°247/2002,  que  trata  quase  que  de  forma  idêntica  da  conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada  para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos pré­requisitos  para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto  com  o  produto  final  que  está  sendo  elaborado.  A  intenção  do  legislador  era  a  desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber  como necessários,  para  a  conceituação de  insumos,  a  restrição contida no  referido  Fl. 319DF CARF MF Processo nº 16349.000317/2009­91  Acórdão n.º 3401­004.888  S3­C4T1  Fl. 0          4 dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com  o produto final que se está a elaborar.   A  norma  infralegal  agiu  ao  total  arrepio  de  suas  competências  ao  regular  preceito  em  total  desacordo  com  os  intentos  da  legislação  que  lhe  dá  fulcro,  sofrendo,  por  conseguinte,  de  uma  ilegalidade  contida  em  sua  gênese.  Deve  ser  afastada  a  aplicabilidade  da  possível  interpretação  restritiva  do  crédito  aqui  discutido,  pautada  pela  definição  contida  na  IN,  que  obrigue  o  contato  direto  do  insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito  de  insumos  apropriados  pela  empresa  não  pode  ser  contestado  pelos  argumentos  levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma  ilegal emitida pela  RFB  em  desacordo  com  a  legislação  que  lhe  dá  sustento,  devendo  este  ser  reconhecido em sua totalidade;   b)  contato  direto  dos  insumos  glosados  ao  produto  final:  após  análise  exaustiva  dos  diversos  produtos  enumerados  pela Fiscalização  em  sua  planilha de  exclusões,  a  empresa  houve  por  bem  elaborar  demonstrativo  (anexado),  no  qual  justifica  o  enquadramento  dos  produtos  desconsiderados  do  conceito  de  insumos  sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito  de COFINS apropriado. Assim:   1)  materiais  de  embalagem:  em  sua  totalidade,  os materiais  de  embalagem  considerados  pelo  despacho  decisório  como  de  mero  acondicionamento  para  transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas  sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção  até  o  consumo  final.  Os  produtos  elaborados  pela  empresa,  por  serem  de  cunho  tóxico,  se  sujeitam  a  diversas  normas  regulatórias  emanadas  por  Agências  Governamentais,  as  quais  lhe  obrigam  a  acondicionar  suas  mercadorias  em  embalagens padronizadas e  resistentes. As  caixas  (que  compõem grande parte dos  produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas  de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas  no  mercado,  evitando  que  o  produto  químico  produzido  sofra  alterações  em  decorrência do  contato  excessivo  com, por  exemplo,  a  luz  solar. Tal proteção não  visa  o  transporte  da mercadoria,  a  qual  seria  inutilizada  por  seu  consumidor  final  após  o  recebimento  destas, mas  sim  o  acondicionamento  de  produtos  tóxicos  que  devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim  prejuízos  ao  meio  ambiente  decorrentes  de  possíveis  contaminações.  Também  se  pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são  colocados  em  cada  uma  delas  contendo  informações  importantes  acerca  das  recomendações  para  a  utilização  dos  produtos,  assim  como  dos  perigos  que  este  pode  causar  caso  sejam manejados  de  forma  imprópria.  Se  estas  caixas  servissem  apenas para o mero  transporte não  se  fariam necessárias  explicações  atinentes aos  procedimentos  que  devem  ser  adotados  pelo  consumidor  final  para  utilização  dos  produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da  mercadoria  em  si  e  não  para  o  mero  transporte  destas.  Não  há  que  se  falar  em  ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem  (rótulos,  tinta,  etiquetas  e  etc.)  ser  reconhecidos  como  insumos  dos  produtos  comercializados, com geração de créditos;   2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para  a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários  que  visam  a  higienização  das  tubulações  por  onde  passam  os  produtos  químicos  elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho­ maria"  as  matérias  primas  colocadas  na  caldeira  de  produção.  Quanto  a  estes  últimos,  por  serem  de  aplicação  necessária  ao  processo  produtivo,  não  há  que  se  Fl. 320DF CARF MF Processo nº 16349.000317/2009­91  Acórdão n.º 3401­004.888  S3­C4T1  Fl. 0          5 questionar  que  geram  direito  ao  crédito  de  COFINS.  Os  produtos  glosados  pela  fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo  de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e  não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir  que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos;   3)  créditos  sobre  matéria  prima  ­  alíquota  zero:  esse  beneficio  é  aplicado  apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas  aquisições  regulares  destas  mercadorias  no  mercado  interno  ou  externo  ocorre  a  incidência  normal  de  COFINS.  Como  dito,  é  empresa  que,  dentre  outros,  produz  mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos  agrícolas),  as  quais  se  sujeitam  à  alíquota  regular  da  contribuição  aqui  tratada  (inseticidas,  raticidas,  fungicidas  e  etc.). Assim,  equivocada  está  a Fiscalização ao  glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data  de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas.   3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos  na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas  Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não  se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas  com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão.  Os  créditos  decorrentes  de  despesas  de  energia  elétrica  não  vislumbram  qualquer  restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua  íntegra.  A  situação  em  tela  se  caracteriza  como  sendo  mero  equivoco  formal  cometido  pela  empresa  no  preenchimento  de  seu  DACON.  Não  se  presta  como  argumento  suficiente  para  a  glosa  de  créditos  pleiteados,  eis  que  nos  processos  referentes  a  ressarcimento/restituição,  o  principio  da  verdade  material  deve  ser  aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários.   4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas  pela  empresa  para  fins  de  apuração  dos  tipos  creditórios  aferidos  no  período  em  questão, sob o argumento de que não poderiam  ter sido  incluídos no cômputo das  "Receitas  de  Vendas  Não  Tributadas  no  Mercado  Interno",  receitas  tidas  com  operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17  da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção  dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas  por normas  isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as  receitas  que  deverão  ser  incluídas  ou  não  no  computo  da  sistemática  de  cálculo  intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento  da  Fiscalização,  a  exclusão  destas  receitas  do  cálculo  do  rateio  proporcional  não  poderia  ocasionar  a  anulação  do  direito  creditório  aferido,  porquanto  o  crédito  permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não  tributadas  para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações.   5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não  resta  outra  alternativa  para  a  análise  efetiva  de  todo  material  apresentado,  assim  como para desvendar a verdade material dos fatos, que se:   a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados,  como  também  outros  que  os  sejam  entendidos  necessários  para  a  validação  do  crédito pleiteado;   b)  realize  trabalhos  periciais,  visando  a  validação  dos  argumentos  apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a  fim de que se reconheça seu direito creditório;   Fl. 321DF CARF MF Processo nº 16349.000317/2009­91  Acórdão n.º 3401­004.888  S3­C4T1  Fl. 0          6 c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16,  inciso IV, do Decreto  nº 70.235/1972).   Sobreveio Acórdão  nº  10­046.563,  exarado  pela DRJ/POA,  que  considerou  improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado.  Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio  a repetir os argumentos apresentados na impugnação.  É o relatório.          Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3401­004.871,  de  21  de  maio  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  16349.000309/2009­45, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401­004.871):  "Da Admissibilidade  O Recurso é  tempestivo, e  reunindo os demais  requisitos de  admissibilidade, dele tomo seu conhecimento.  Do Mérito  A  maior  parte  dos  créditos  glosados  pela  Fiscalização  devem­se ao  fato de que  essa autoridade descaracterizou como  insumos  as  aquisições  de  mercadorias  que  ensejaram  o  respectivo crédito de COFINS não­cumulativa.  Nessa  linha,  foram glosados  créditos  referentes  à  aquisição  de produtos de limpeza industrial e material de embalagens.  Diante  disso,  convém  discorrer  brevemente  sobre  a  não­ cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS  A  modalidade  não­cumulativa  das  contribuições  sociais  surgiu  em  decorrência  da  edição  das  Medidas  Provisórias  66/2002  e  135/2003,  posteriormente  convertidas  nas  Leis  Federais 10.637/2002 e 10.833/2003.  Fl. 322DF CARF MF Processo nº 16349.000317/2009­91  Acórdão n.º 3401­004.888  S3­C4T1  Fl. 0          7 Anteriormente, a não­cumulatividade tributária no Brasil foi  inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de  tributação  sobre  o  valor  agregado,  em  voga  em  muitos  países  europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se  desenvolveu  de  doutrina  –  e  jurisprudência  –  a  respeito  da  definição  dos  itens  que  poderiam  ser  admitidos  como  crédito;  primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens  creditáveis;  segundo,  até  o  advento  da  não­cumulatividade  do  PIS  e  da  COFINS,  os  debates  jurídicos  eram  monopolizados  pelos  conflitos  de  ordem  eminentemente  formal,  especialmente  nos  casos  em  que  o  contribuinte  leis  ordinárias  est  de  forma  conflituosa  com  os  dispositivos  constitucionais  sobre  tais  tributos nos últimos cinquenta.  Contudo, diferentemente de outros  tributos não­cumulativos,  como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou­ se  a  delegar  à  lei  ordinária  para  que  essa  estabelecesse  quais  setores  de  atividade  econômica  o  regime  não­cumulativo  seria  aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao  artigo 195, da Constituição Federal:  § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para  os quais as contribuições  incidentes na forma dos  incisos  I, b; e IV do caput, serão não­cumulativas.  Vejam  que,  em  relação  ao  ICMS  e  ao  IPI,  a  Constituição  Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites  mínimos  para  a  aplicação  do  conceito  da  não  cumulatividade  tributária:  Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:  IV ­ produtos industrializados;  II  ­  será  não­cumulativo,  compensando­se  o  que  for  devido  em  cada  operação  com  o  montante  cobrado  nas  anteriores;  (...)  Art.  155.  Compete  aos  Estados  e  ao  Distrito  Federal  instituir impostos sobre:   (...)  II  ­  operações  relativas  à  circulação  de  mercadorias  e  sobre prestações de  serviços de  transporte  interestadual e  intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações  e as prestações se iniciem no exterior;  (...)  § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte:   I ­ será não­cumulativo, compensando­se o que for devido  em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou  prestação  de  serviços  com  o  montante  cobrado  nas  Fl. 323DF CARF MF Processo nº 16349.000317/2009­91  Acórdão n.º 3401­004.888  S3­C4T1  Fl. 0          8 anteriores  pelo  mesmo  ou  outro  Estado  ou  pelo  Distrito  Federal;  De  tal  forma,  ainda  que  o  princípio  da  não­cumulatividade  guarde  um  significado  próprio  –  qual  seja  a  de  viabilizar  a  tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade  não­cumulativa  das  contribuições  sociais  deve  ser  encarada  mormente  pelos mandamentos  previstos  nas  respectivas  leis  de  sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites  objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional.  Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra  coletiva “Não Cumulatividade Tributária:  Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar  que se trata de um regime de não­cumulatividade parcial,  pois  ele  não  assegura  plena  dedução  de  créditos,  mas  apenas  dos  valores  listados  “numerus  clausulus”  e  segundo  regras  de  cálculo  prescritas  expressamente.  (Editora Dialética, 2009. Página 427)  Assim,  deve­se  ter  em  vista  que  a  não­cumulatividade  não  comporta um conceito absoluto e independente da legislação que  regra  os  tributos  com  essa  particularidade.  Isso  não  será  diferente com as contribuições sociais.  Na  miríade  de  atos  normativos  que  regem  a  contribuições  sociais  não­cumulativas,  é  muito  claro  que  nos  detemos  no  artigo  3º,  das  Leis  Federais  de  regência,  muito  embora  as  modalidades  de  direito  ao  crédito  estejam  espalhadas  na  legislação ordinária que regulam as contribuições  sociais para  setores  específicos  e  operações  específicas,  as  quais  algumas  serão objeto de análise mais adiante.  Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º:  Art.  3o  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  calculados  em  relação  a:   I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias e aos produtos  referidos nos  incisos  III e  IV  do § 3o do art. 1o;  I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela  Lei nº 10.865, de 2004)  a)  nos  incisos  III  e  IV  do  §  3o  do  art.  1o  desta  Lei;  e  (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)   a) no  inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela  Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos  a) no  inciso  III do § 3o do art. 1o desta Lei;  e  (Redação  dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos)  Fl. 324DF CARF MF Processo nº 16349.000317/2009­91  Acórdão n.º 3401­004.888  S3­C4T1  Fl. 0          9 b)  no  §  1o  do  art.  2o  desta  Lei;  (Incluído  pela  Lei  nº  10.865, de 2004)  b) nos §§ 1o e 1o­A do art. 2o desta Lei; (Redação dada  pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998)  II ­ bens e serviços utilizados como insumo na fabricação  de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços,  inclusive combustíveis e lubrificantes;  II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação  dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003)  II  ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata  o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº  10.865, de 2004)  III ­ (VETADO)  IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos  a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;  V  ­  despesas  financeiras  decorrentes  de  empréstimos  e  financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno Porte (Simples);  V  –  despesas  financeiras  decorrentes  de  empréstimos,  financiamentos  e  contraprestações  de  operações  de  arrendamento  mercantil  de  pessoas  jurídicas,  exceto  de  optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  –  SIMPLES;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.684, de 30.5.2003)  V  ­  valor  das  contraprestações  de  operações  de  arrendamento  mercantil  de  pessoa  jurídica,  exceto  de  optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  ­  SIMPLES;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.865, de 2004)  VI  ­ máquinas e equipamentos adquiridos para utilização  na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a  outros bens incorporados ao ativo imobilizado;  VI  ­ máquinas, equipamentos e outros bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  ou  fabricados  para  Fl. 325DF CARF MF Processo nº 16349.000317/2009­91  Acórdão n.º 3401­004.888  S3­C4T1  Fl. 0          10 locação a terceiros ou para utilização na produção de bens  destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação  dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  de  terceiros,  quando  o  custo,  inclusive  de  mão­de­obra,  tenha  sido  suportado pela locatária;  VIII ­ bens recebidos em devolução, cuja receita de venda  tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e  tributada conforme o disposto nesta Lei.  IX  ­  energia  elétrica  consumida  nos  estabelecimentos  da  pessoa  jurídica.  (Incluído  pela  Lei  nº  10.684,  de  30.5.2003)  IX  ­  energia  elétrica  e  energia  térmica,  inclusive  sob  a  forma  de  vapor,  consumidas  nos  estabelecimentos  da  pessoa  jurídica.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488,  de  2007)  X  ­  vale­transporte,  vale­refeição  ou  vale­alimentação,  fardamento  ou  uniforme  fornecidos  aos  empregados  por  pessoa  jurídica que explore as atividades de prestação de  serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído  pela Lei nº 11.898, de 2009)  XI  ­  bens  incorporados  ao  ativo  intangível,  adquiridos  para utilização na produção de bens destinados a venda ou  na prestação de serviços.   E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o  início  da  vigência  do  regime  não­cumulativo  é  aquele  que  se  refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda.”  Vejam  que  a  expressão  “insumo”,  na  legislação  de  referência,  não  foi  adicionada  de  uma  definição  própria  para  aplicação,  de  modo  que,  nos  termos  do  artigo  11,  da  Lei  Complementar 95/1998, que  trata da elaboração e redação das  leis,  as  palavras  devem  ser  utilizadas  no  texto  legal  em  seu  sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve  seguir tal comando como premissa.   Diante  disso,  cabe  mencionar  que,  segundo  o  Dicionário  Aurélio1,  insumo pode ser definido como o “elemento que entra  no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e  equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”.  No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o  eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira:                                                              1   Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro:  Nova Fronteira, 1999.  2   In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214.  Fl. 326DF CARF MF Processo nº 16349.000317/2009­91  Acórdão n.º 3401­004.888  S3­C4T1  Fl. 0          11 (...) é uma algaravia de origem espanhola,  inexistente em  português,  empregada  por  alguns  economistas  para  traduzir a expressão inglesa  'input',  isto é, o conjunto dos  fatores  produtivos,  como  matérias­primas,  energia,  trabalho,  amortização  do  capital,  etc.,  empregados  pelo  empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...)  De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito  acima  nos  parece  apropriado.  Para  a  ciência  econômica,  tal  definição  inclui  todos  os  elementos  necessários  à  produção  de  um bem, mercadoria ou serviço, tais como matérias­primas, bens  intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc.   Todavia,  para  fins  fiscais,  o  termo  insumo  é  utilizado  de  maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até  hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro.   Nas  raras  remissões  legislativas  encontradas,  usualmente  trata­se do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação  física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal,  mesmo  porque  constituem  impostos  sobre  a  “produção  e  circulação  de  bens  e  serviços”,  tal  como  disposto  em  nosso  Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 ­  CTN).  No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual  do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e  evidente da tríade matéria­prima/produto intermediário/material  de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama  produto intermediário.  Nas  raras  oportunidades  em  que  a  legislação  estadual  enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser  considerado  como  pioneiro  na  definição  de  insumo:  a Decisão  Normativa  CAT  01/2001,  do  Estado  de  São  Paulo,  que,  ao  exemplificar  mercadorias  que  poderiam  ser  consideradas  insumos,  deu  especial  destaque  àqueles  produtos  que  são  utilizados  no  processo  ainda  que  não  componham  o  produto  final:  Entre  outros,  têm­se  ainda,  a  título  de  exemplo,  os  seguintes  insumos  que  se  desintegram  totalmente  no  processo  produtivo  de  uma mercadoria  ou  são  utilizados  nesse  mesmo  processo  produtivo  para  limpeza,  identificação,  desbaste,  solda  etc.:  lixas;  discos  de  corte;  discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de  aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral ­  tais  como  etiquetas,  fitas  adesivas,  fitas  crepe,  papéis  de  embrulho,  sacolas,  materiais  de  amarrar  ou  colar  (barbantes,  fitas,  fitilhos,  cordões  e  congêneres),  lacres,  isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no  interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis  para  marcação  de  embalagens;  óleos  de  corte;  rebolos;  modelos/matrizes  de  isopor  utilizados  pela  indústria;  produtos  químicos  utilizados  no  tratamento  de  água  Fl. 327DF CARF MF Processo nº 16349.000317/2009­91  Acórdão n.º 3401­004.888  S3­C4T1  Fl. 0          12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de  insumos e de produtos.  Porém,  como  podemos  verificar,  o  conceito  amplificado  de  insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão  de  que  são  os  elementos  que  participam  efetivamente  do  processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente,  o  ICMS  demanda  uma  intrínseca  relação  entre  a  entrada  da  mercadoria  utilizada  no  processo  econômico  que  ensejará  a  saída do produto final.   Ademais, verifica­se que enquanto o ICMS e o IPI possuem  profunda  relação  com  a  movimentação  física  de  bens  e  mercadorias,  o  que  se  reflete  na  maneira  como  a  não­ cumulatividade se manifesta – como regra, apropria­se créditos  na  entrada  de  bens  e  mercadorias  que  venham  a  serem  movimentados posteriormente com débito do imposto ­, o PIS e  a  COFINS  possuem  relação  com  um  aspecto  absolutamente  econômico,  representado  e  controlado  graficamente  pela  contabilidade, a geração de receitas tributáveis.  Nessa linha, a não­cumulatividade das contribuições sociais  deve  se  performar  não mais  de  uma  perspectiva  “Entrada vs.  Saída”, mas  de uma perspectiva  “Despesa/Custo vs. Receita”,  expressivamente mais  complexa  e mais  alheia  aos  operadores  do  Direito  e  aos  legisladores,  que  durante  cinquenta  anos  acostumaram  com  a  “não­cumulatividade  física”  em  detrimento de uma “não­cumulatividade econômica”   De  certo,  é  possível  entender  essa  falha  conceitual  ao  se  analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se  observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir  o  crédito,  por  exemplo, desde a entrada dos bens para  estoque  (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito  intrínseco  da não­cumulatividade econômica está sobre a noção de custo e  despesa,  que  não  são  registrados  no momento da  aquisição  do  estoque,  mas  sim  quando  da  sua  realização  pela  venda,  e  consequente registro contábil da receita.  Desse  modo,  acredito  que  o  conceito  de  insumo  para  a  legislação  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  parece  ser  mais  abrangente  que  o  utilizado  para  créditos  do  IPI  e  do  ICMS  –  como  faz  crer  das  conclusões  da  decisão  ora  recorrida  –,  de  maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que  ultrapassem  a  vinculação  física  e  recaiam  sobre  o  aspecto  econômico da operação de entrada de bens e serviços.  Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto  de créditos das contribuições além dos elementos que compõem  os  custos diretos e  indiretos de produção através alocação por  atividade  (i.e.  “Sistema  de  Custeio  ABC”),  e  incluiu  componentes  que,  em  uma  análise  puramente  contábil,  seriam  classificados  como  despesas  variáveis,  estritamente  atreladas  com a geração de receitas.  Fl. 328DF CARF MF Processo nº 16349.000317/2009­91  Acórdão n.º 3401­004.888  S3­C4T1  Fl. 0          13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de  PIS/PASEP e COFINS,  temos que os custos diretos e  indiretos  constituem  base  de  cálculo  de  forma  inquestionável;  já  as  despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que  cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou  serviço.  Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com  a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao  regulamentar a  cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu  insumo de  uma maneira mais  restrita,  contrariando,  em última  análise,  o  espírito  das  Leis  Federais  nº  10.637/2002  e  nº  10.833/2003,  que  visavam  mitigar  o  efeito  cascata  das  contribuições e “estimular a eficiência econômica”3:  Art. 66. (...)  §  5º  Para  os  efeitos  da  alínea  "b"  do  inciso  I  do  caput,  entende­se como insumos:  I  ­  utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados à venda:  a)  as  matérias  primas,  os  produtos  intermediários,  o  material  de  embalagem  e  quaisquer  outros  bens  que  sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde  que não estejam incluídas no ativo imobilizado;  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no  País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação  do produto;  II ­ utilizados na prestação de serviços:  a)  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde  que  não  estejam  incluídos  no  ativo  imobilizado; e  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no  País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...)  Partindo  esse  entendimento,  a  Receita  Federal  amenizou  algumas  restrições,  criando  um  entendimento,  que  vigora  até  hoje  em  diversas  Soluções  de Consulta,  de  que  deve  haver  um  vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo  bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos.  Assim,  destacou  a  Solução  de  Consulta  que  inaugurou  esse  raciocínio:  “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal)  PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS.                                                              3   Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003.  Fl. 329DF CARF MF Processo nº 16349.000317/2009­91  Acórdão n.º 3401­004.888  S3­C4T1  Fl. 0          14 Consideram­se insumos, para fins de desconto de créditos  na  apuração  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP  não­ cumulativa,  os  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoas  jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens  destinados à venda ou na prestação de serviços.  O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e  qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para  a  atividade  da  empresa,  mas,  sim,  tão  somente,  como  aqueles,  adquiridos  de  pessoa  jurídica,  que  efetivamente  sejam  aplicados  ou  consumidos  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  do  serviço.  Dessa  forma,  somente  os  gastos  efetuados  com  a  aquisição  de  bens  e  serviços  aplicados  ou  consumidos  diretamente  na  produção de bens ou prestação de serviços geram direito a  créditos  a  serem  descontados  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP devida.  Não  dão  direito  a  crédito  os  valores  pagos  a  pessoas  jurídicas  domiciliadas  no  País,  a  título  de  despesas  administrativas,  contábeis,  de  venda,  de  propaganda,  de  advocacia,  assim  como,  a  aquisição  de  bens  e  serviços  destinados  a  essas  atividades,  efetuados por  empresa que  se  dedica  à  indústria  e  comércio  de  alimentos,  por  não  configurarem pagamento de bens  e  serviços  enquadrados  como  insumos  utilizados  na  fabricação  de  produtos  destinados à venda.  Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso  II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o.  COFINS. CRÉDITO. INSUMOS.  Consideram­se insumos, para fins de desconto de créditos  na apuração da Cofins não­cumulativa, os bens e serviços  adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos  na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação  de serviços. O  termo "insumo" não pode ser  interpretado  como  todo  e  qualquer  bem  ou  serviço  que  gera  despesa  necessária  para  a  atividade  da  empresa,  mas,  sim,  tão  somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que  efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  do  serviço.  Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição  de  bens  e  serviços  aplicados  ou  consumidos  diretamente  na  produção  de  bens  ou  prestação  de  serviços  geram  direito a créditos a serem descontados da COFINS devida.  Não  dão  direito  a  crédito  os  valores  pagos  a  pessoas  jurídicas  domiciliadas  no  País,  a  título  de  despesas  administrativas,  contábeis,  de  venda,  de  propaganda,  de  advocacia,  assim  como,  a  aquisição  de  bens  e  serviços  destinados  a  essas  atividades,  efetuados por  empresa que  se  dedica  à  indústria  e  comércio  de  alimentos,  por  não  configurarem pagamento de bens  e  serviços  enquadrados  Fl. 330DF CARF MF Processo nº 16349.000317/2009­91  Acórdão n.º 3401­004.888  S3­C4T1  Fl. 0          15 como  insumos  utilizados  na  fabricação  de  produtos  destinados à venda.  Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso  II;  IN  SRF  no  404,  de  2004,  art.8o,  §  4o.(DOU  de  08/12/2008)”  Já  a  Instrução  Normativa  SRF  nº  404/2004  manteve  a  definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs:  Artigo 8º. (...)  §  4º  Para  os  efeitos  da  alínea  "b"  do  inciso  I  do  caput,  entende­se como insumos:  I  ­  utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados à venda:  a) a matéria­prima, o produto intermediário, o material de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações,  tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam incluídas no ativo imobilizado;  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no  País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação  do produto;  II ­ utilizados na prestação de serviços:  a)  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde  que  não  estejam  incluídos  no  ativo  imobilizado; e  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no  País,  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  do  serviço.  (...)  Consideradas,  pois,  as  manifestações  acima,  podemos  afirmar  que  o  conceito  de  insumo para  fins  de  apropriação de  créditos  de  PIS  e  COFINS  deve  ser  tido  de  forma  mais  abrangente,  desde que  tais  itens  estejam  intimamente  ligados à  atividade­fim  da  empresa  e  que  principalmente  venham  a  ser  utilizados  efetivamente  e  de  forma  identificável  na  venda  de  produtos  ou  serviços,  contribuindo  para  geração  de  receitas,  devendo  ser  inquestionável  o  crédito  decorrente  dos  elementos  que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto.  Passo  a  analisar  item  a  item  que  fora  glosado  pela  fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau:  (A) MATERIAL DE EMBALAGEM  Tal  como  ficou  demonstrado  pelas  declarações  e  documentação  fornecida  pela  Recorrente,  os  materiais  de  embalagem  e  transporte  que  foram objeto  de  glosa de  créditos  Fl. 331DF CARF MF Processo nº 16349.000317/2009­91  Acórdão n.º 3401­004.888  S3­C4T1  Fl. 0          16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação  vigente  que  regula  a produção e  comercialização dos  produtos  ofertados  pela  Recorrente,  de  modo  que  não  há  como  não  considerá­los como custo operacional.   Diante  da  exposição  anterior,  sobre  a  não­cumulatividade  das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa.  (B) MATERIAL DE LIMPEZA  Da  mesma  forma,  a  atividade  da  Recorrente  requer  a  obediência  de  diversas  regras  exigidas  pelas  autoridades  sanitárias.  Tal  fato  por  si  só  já  justifica  a  apropriação  de  créditos  pela  Recorrente,  eis  que,  tais  dispêndios  são  verdadeiros  custos  indiretos  que  deve  ensejar  o  direito  ao  desconto de crédito.  Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida.  (C)  DESPESAS  DE  ENERGIA  ELÉTRICA  REGISTRADAS  COMO ALUGUÉIS  Tendo  sido  comprovado que houve apenas  erro material  na  demonstração  dos  créditos  na  DACON,  não  há  como  não  reconhecer  o  direito  ao  crédito  de  energia  elétrica  eis  que  tal  despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de  apropriação  de  crédito  não  cumulativo.  Ainda,  como  a  fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas  de  energia  elétrica,  não  cabe  somente  em  sede  de  recurso  avaliar  a  procedência  e  sua  regularidade  documental,  razão  pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência.  (D)  AQUISIÇÃO  DE  PRODUTOS  IMPORTADOS  E  VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO  Em  obediência  ao  artigo  15,  inciso  II,  da  Lei  Federal  10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na  posição  38.08,  em  que  houver  pagamento  da  COFINS,  não  há  qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese.  Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há  menor dúvida de que são garantidos os  créditos  sobre  insumos  que  implicam  em  vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS .  (E) RATEIO PROPORCIONAL  Por  fim,  não  vejo  razão  da manutenção  da  decisão  no  que  tange  ao  rateio  dos  créditos  da  não­cumulatividade  segundo  a  proporção  entre  as  receitas  obtidas  com  operações  de  exportação  e  de  mercado  interno,  haja  vista  que  somente  há  previsão  para  o  rateio  entre  receitas  cumulativas  e  não­ cumulativas,  nos  termos  do  artigo  3º,  da  Lei  Federal  10.833/2003,  mesmo  porque  não  houve  qualquer  menção  no  despacho  decisório  de  que  a  Recorrente  teria  parte  de  suas  receitas tributadas no regime cumulativo.  Fl. 332DF CARF MF Processo nº 16349.000317/2009­91  Acórdão n.º 3401­004.888  S3­C4T1  Fl. 0          17 Por  todo  o  exposto,  conheço  do  Recurso  e  dou­lhe  parcial  provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de  embalagem,  material  de  limpeza,  despesas  de  energia  elétrica  registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados  classificados  na  posição  3808  da  NCM  para  os  quais  tenha  havido  efetivo  pagamento  da  contribuição  na  importação,  devendo  ainda  ser  afastado  o  critério  de  rateio  adotado  pela  fiscalização, por carência de fundamento legal expresso."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial  provimento  ao  recurso  voluntário  para  reconhecer  os  créditos  referentes  a  material  de  embalagem, material de  limpeza, despesas de energia elétrica  registradas erroneamente como  aluguéis,  e  produtos  importados  classificados  na  posição  3808  da NCM para  os  quais  tenha  havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério  de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso    (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan                                Fl. 333DF CARF MF

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Numero do processo: 13433.000395/2005-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2003 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2003 BENS ATIVÁVEIS. O custo de aquisição de bens do ativo permanente ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser capitalizado para ser depreciado, não podendo ser deduzido como despesa operacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2003 BENS ATIVÁVEIS. O custo de aquisição de bens do ativo permanente ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser capitalizado para ser depreciado, não podendo ser deduzido como despesa operacional.
Numero da decisão: 1302-000.750
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO

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VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13433.000395/2005­15  Acórdão n.º 1302­00.750  S1­C3T2  Fl. 2          2 Marcos Rodrigues de Mello relator designado ad hoc e Presidente  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de  Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavínia  Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e  Irineu Bianchi                                            Relatório  Fl. 271DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13433.000395/2005­15  Acórdão n.º 1302­00.750  S1­C3T2  Fl. 3          3 Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os autos de infração  de  fls.  05/11  e 12/16,  através  dos  quais  foi  constituído,  respectivamente,  o  crédito  tributário  referente ao  Imposto de Renda Pessoa Jurídica –  IRPJ no valor de R$ 330.945,99,  incluídos  juros  de  mora  e  multa  de  ofício  de  75%,  e  referente  à  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido – CSLL no valor de R$ 134.172,09, também incluídos juros de mora e multa de ofício  de 75%.   De  acordo  com  os  autos  de  infração  e  com  o Termo  de Verificação  Fiscal  (fls.  21/26),  o  lançamento  foi  decorrente  da  falta  de  recolhimento  do  IRPJ  e  da CSLL  não  declarados nos quatro trimestres do ano­calendário de 2003.  Sustenta a autoridade lançadora que a empresa realizou atividades normais no  período em questão, conforme o atesta sua documentação fiscal e contábil, porém apresentou a  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  –  DIPJ  com  os  campos  zerados.  Aduz  a  fiscalização que apurou os resultados trimestrais com base no livro Razão e que glosou valores  atinentes  a  construções  em  andamento,  considerados  como  despesas  pela  contribuinte,  que  deveria  contabilizá­los  no  ativo. Esclareceu,  por  fim,  que  apurou  os  resultados  com base  no  livro Razão e que deduziu valores recolhidos pela empresa no ano­calendário em questão.   O  enquadramento  legal  das  infrações,  bem  assim  os  demonstrativos  de  apuração do crédito tributário, encontram­se nos autos de infração e em seus anexos.   A contribuinte  apresentou  impugnação  (fls. 160/172),  alegando,  em síntese,  que as construções em andamento referem­se à reforma da pavimentação do pátio do posto de  combustíveis, que não  representariam aumento do ativo da empresa. Argúi, nesse  raciocínio,  que não teria havido fato gerador do imposto e da contribuição e que os valores despendidos  representaram efetivas despesas com reparos e conservação. Cita doutrina e jurisprudência que  a seu ver lhe socorrem.  Ao final, requereu a insubsistência da autuação  A DRJ decidiu:  Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Ano­calendário: 2003  IRPJ.  CSLL.  VALORES  ESCRITURADOS.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.  Considera­se  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada pela interessada.  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2003  BENS ATIVÁVEIS.  O  custo  de  aquisição  de  bens  do  ativo  permanente  ou  das  melhorias  realizadas,  cuja  vida  útil  ultrapasse  o  período  de  um  ano,  deverá  ser  capitalizado  para  ser  depreciado,  não  podendo  ser  deduzido  como  despesa  operacional.  Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL  Fl. 272DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13433.000395/2005­15  Acórdão n.º 1302­00.750  S1­C3T2  Fl. 4          4 Ano­calendário: 2003  BENS ATIVÁVEIS.  O  custo  de  aquisição  de  bens  do  ativo  permanente  ou  das  melhorias  realizadas,  cuja  vida  útil  ultrapasse  o  período  de  um  ano,  deverá  ser  capitalizado  para  ser  depreciado,  não  podendo  ser  deduzido  como  despesa  operacional.  A  recorrente  tomou  ciência  do  acórdão  DRJ  em  14/05/2008  e  apresentou  recurso em 16/06/2008.  A contribuinte apresentou recurso, alegando, em síntese, que as construções  em andamento referem­se à reforma da pavimentação do pátio do posto de combustíveis, que  não representariam aumento do ativo da empresa. Argúi, nesse raciocínio, que não teria havido  fato gerador do imposto e da contribuição e que os valores despendidos representaram efetivas  despesas com reparos e conservação. Cita doutrina e jurisprudência que a seu ver lhe socorrem.                                    Voto             Fl. 273DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13433.000395/2005­15  Acórdão n.º 1302­00.750  S1­C3T2  Fl. 5          5   A  lide  se  restringe  ao  fato  da  recorrente  ter  deduzido  como  despesas  operacionais  gastos  em  construções  que,  no  entender  da  fiscalização  e  do  acórdão  recorrido  deveriam ter sido ativados.  Não há reparo a fazer ao decidido em 1ª instância.  Afirma o acórdão recorrido:  Analisando­se o Razão da empresa (fls. 40/92), constata­se não  proceder  a  alegação  da  defesa.  As  despesas  com  reparos  e  conservações  já  constituem  conta  própria,  de  nº  42105005,  na  qual estão contabilizadas diversas despesas de monta e natureza  compatíveis  com  materiais  de  conservação  e  reparos.  O  item  “construções em andamento” está escriturado em conta distinta,  de  nº  43101001  (fl.  88),  em  parcelas  mensais  de  vulto  individualmente considerável.   12.Acresce  que  a  própria  impugnante  afirma  que  o  item  “construções em andamento” diz respeito à reforma do pátio do  seu estabelecimento, o que não pode ser confundido com meros  reparos  de  manutenção.  Trata­se,  na  verdade,  de  melhoramentos,  de  benfeitorias  que  se  incorporam  ao  imóvel,  agregando­lhe  valor  e  estendendo­lhe  o  prazo  de  vida  útil  em  mais  de  um  ano,  em  face  do  que  seus  custos  deveriam  ser  levados ao Ativo Permanente, para depreciação futura, e não ser  contabilizados como despesas operacionais do exercício. É o que  prescreve o vigente Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99),  aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (grifos  acrescidos):  “(...)  Art. 301 ­ O custo de aquisição de bens do ativo permanente não  poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem  adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e  seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não  ultrapasse um ano (Decreto­lei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº  8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e  Lei nº 9.249, de 1995, art. 30).   (...)  § 2º  ­  Salvo disposições  especiais,  o  custo dos bens adquiridos  ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período  de  um  ano,  deverá  ser  ativado  para  ser  depreciado  ou  amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, §1º).   (...)  Art.346. Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as  despesas  com  reparos  e  conservação  de  bens  e  instalações  destinadas a mantê­los em condições eficientes de operação (Lei  nº 4.506, de 1964, art. 48).  Fl. 274DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13433.000395/2005­15  Acórdão n.º 1302­00.750  S1­C3T2  Fl. 6          6 §1º Se dos reparos, da conservação ou da substituição de partes  e  peças  resultar  aumento  da  vida  útil  prevista  no  ato  de  aquisição  do  respectivo  bem,  as  despesas  correspondentes,  quando  aquele  aumento  for  superior  a  um  ano,  deverão  ser  capitalizadas, a fim de servirem de base a depreciações futuras  (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48, parágrafo único).  13.O  Parecer  Normativo  CST  nº  22,  de  22  de  abril  de  1987,  dispõe, em seu item 2, que:  “2.  Segundo  o  disposto  no  parágrafo  único  do  art.  227  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  aprovado  pelo  Decreto  nº  85.450,  de  04  de  dezembro  de  1980,  se  dos  reparos,  da  conservação  ou  da  substituição  de  partes  resultar  aumento  da  vida  útil  prevista  no  ato  de  aquisição  do  respectivo  bem,  as  despesas correspondentes, quando aquele aumento  for  superior  a um ano, deverão ser capitalizadas, a fim de servirem de base a  depreciações futuras. Não há dúvida, havendo aumento da vida  útil  por prazo  superior a um ano, as despesas  correspondentes  devem ser registradas como acréscimo ao custo do bem.”  14.A jurisprudência administrativa é pacífica nesse sentido:  “BENFEITORIAS, REPAROS E CONSERVAÇÃO – Benfeitorias  e despesas de reparos e conservação de bens  imóveis cuja vida  útil  supera  um  exercício  deverão  ser  ativadas  para  futuras  amortizações (...)” (Ac. 1º CC. 101­74.012/83)  “BENS  ATIVÁVEIS  –  O  custo  de  aquisição  de  bens  do  ativo  permanente  ou  das  melhorias  realizadas,  cuja  vida  útil  ultrapasse o período de um ano, deverá ser capitalizado para ser  depreciado,  não  podendo  ser  deduzido  como  despesa  operacional.” (Ac. 108­06.016, de 23/02/2000).  15.As  argüições  da  contribuinte  acerca  do  fato  gerador  do  imposto  e  da  contribuição  não  ilidem  o  lançamento.  A  autoridade  fiscal  apurou  o  IRPJ  e  a  CSLL  a  partir  do  lucro  líquido ajustado, na forma da legislação de regência:  RIR/99 “(...)  Art.219. A base de  cálculo do  imposto,  determinada segundo a  lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real  (Subtítulo  III),  presumido  (Subtítulo  IV)ou  arbitrado  (Subtítulo  V),  correspondente  ao  período  de  apuração  (Lei  nº  5.172,  de  1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 8.981, de 1995, art. 26, e Lei nº  9.430, de 1996, art. 1º).  Art.220.  O  imposto  será  determinado  com  base  no  lucro  real,  presumido  ou  arbitrado,  por  períodos  de  apuração  trimestrais,  encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e  31 de dezembro de cada ano­calendário (Lei nº 9.430, de 1996,  art. 1º). (...)  Art.247.  Lucro  real  é  o  lucro  líquido  do  período  de  apuração  ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou  Fl. 275DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13433.000395/2005­15  Acórdão n.º 1302­00.750  S1­C3T2  Fl. 7          7 autorizadas por este Decreto (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art.  6º).  §1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do  lucro líquido de cada período de apuração com observância das  disposições das  leis  comerciais  (Lei  nº 8.981, de 1995, art.  37,  §1º).  (...)  Art.249.  Na  determinação  do  lucro  real,  serão  adicionados  ao  lucro líquido do período de apuração (Decreto­Lei nº 1.598, de  1977, art. 6º, §2º):  I­os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações  e  quaisquer  outros  valores  deduzidos  na  apuração  do  lucro  líquido  que,  de  acordo  com  este Decreto,  não  sejam dedutíveis  na determinação do lucro real;  (...)”Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 “(...)  Art. 57. Aplicam­se à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº  7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento  estabelecidas  para  o  Imposto  de  renda  das  pessoas  jurídicas,  mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação  em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei.  Como  se  pode  observar  no  acima  transcrito,  a  recorrente  deduziu  como  despesas  operacionais,  gastos  que,  por  disposição  legal  e  a  disciplina  contábil,  tem  de  ser  ativados, estando correta a exigência fiscal.    Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso.  (documento assinado digitalmente)  Marcos Rodrigues de Mello                                  Fl. 276DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO

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Numero do processo: 10920.908172/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. CONTRATO DE CÂMBIO EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO COMBIAL POSITIVA. RECEITA. DCTF RETIFICADORA. ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS VALIDADAS EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA Comprova-se a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, por meio da validação da escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração.
Numero da decisão: 1302-002.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL

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1302­002.991  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de agosto de 2018  Matéria  COMPENSAÇÃO. IRPJ PAGO A MAIOR. CONTRATO DE CÂMBIO.  REGIME DE CAIXA. RETIFICAÇÃO DE DCTF  Recorrente  IMOSEST INDUSTRIA DE MOVEIS E ESTOFADOS EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005  COMPENSAÇÃO. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. CONTRATO DE  CÂMBIO  EXPORTAÇÃO.  VARIAÇÃO  COMBIAL  POSITIVA.  RECEITA. DCTF RETIFICADORA. ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS  VALIDADAS EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA  Comprova­se  a  existência  de  crédito  decorrente  de  pagamento  a  maior,  comparativamente  com  o  valor  do  débito  devido  a  menor,  por  meio  da  validação  da  escrituração  contábil  fiscal,  baseada  em  documentos  hábeis  e  idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de  apuração.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Rogério Aparecido Gil ­ Relator  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal  Moreira  Filho,  Marcos  Antonio  Nepomuceno  Feitosa,  Paulo  Henrique  Silva  Figueiredo,  Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado  Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 81 72 /2 00 9- 41 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10920.908172/2009­41  Acórdão n.º 1302­002.991  S1­C3T2  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se  de  retorno  de  diligência  designada  para  a  verificação  quanto  à  existência e disponibilidade de direito creditório, decorrente de IRPJ pago a maior, relativo a  contratos de câmbio para exportação, em meses em que a recorrente teria auferido receita, em  virtude de variação cambial ativa (positiva).  Conforme Despacho Decisório Eletrônico  (fl.  5) houve  a não  homologação  da  DCOMP  nº  38763.79555.200306.1.3.04­9559,  que  indicava  como  tipo  de  crédito:  Pagamento  Indevido  ou  a  Maior;  Processo  de  Crédito  (PER):  10920­908.171/2009­05.  A  decisão  indicou  inexistência  de  crédito  ou  crédito  integralmente  utilizado,  em  relação  ao  período de apuração: 30/06/2005.  A  recorrente  sustentou  os  motivos  pelos  quais  teria  excluído  a  receita  de  variação  cambial  ativa,  inicialmente  oferecida  à  tributação  (fls.  185/188).  Salientou  que  a  tributação de tal receita teria ocorrido com base no regime de caixa, em conformidade com o  art. 30 da MP nº 2.158­35/2001.   Assim, alegou a ocorrência de erro no preenchimento da DCTF e que o valor  correto  do  IRPJ  devido  seria  o  indicado  na DIPJ,  ano  calendário  2005. O  erro  referia­se  ao  segundo  trimestre  de  2005  (abril,  único  mês  em  que  teria  havido  variação  cambial  ativa).  Houve retificação da DCTF. Todavia, posteriormente ao Despacho Decisório Eletrônico.  À vista  de  tais  razões  de  recurso  voluntário,  interposto  face  ao Acórdão  nº  03­56.225, de 17/10/2013, da 4ª Turma da DRJ em Brasília (fls. 76/80), designou­se diligência,  nos termos da Resolução nº 1801­000.368, de 25/11/2014, da 1ª Turma Especial da 1ª Seção  (extinta), assim indicada:  "...a fim de re­ratificar os cálculos da recorrente, a autoridade fiscal verifique o valor  da base de  cálculo do  IRPJ  relativo  ao 2°  trimestre de 2005  junto  a  contabilidade  completa  da  recorrente,  bem  como  a  correção  do  procedimento  em  expurgar  a  variação  cambial  ativa  e  Saldo  do  IRPJ  apurado,  explicitando  os  cálculos  em  Relatório Fiscal e juntando aos autos, em cópia, os registros contábeis pertinentes."  A diligência foi realizada, registrando­se a Informação Fiscal de fls. 200/204.  A recorrente foi devidamente intimada (fl. 208). Não houve manifestação.  A  Informação  Fiscal  (fls.  200/204)  registrou  as  seguintes  constatações  favoráveis à recorrente:  6.  Consultando­se  os  sistemas  da  RFB,  verifica­se  que  o  contribuinte  apresentara duas DCTFs.  7.  A  retificadora  (DCTF)  foi  apresentada  após  a  emissão  do  despacho  decisório,  objeto  do  presente  processo.  Com  relação  ao  IRPJ,  houve  alteração.  O  valor  foi  reduzido  de  R$  2.888,73  (pagamento  em  duas  cotas)  para  R$  2.097,98  (pagamento em duas cotas). O contribuinte, como se relatou, alegou que houve erro  no lançamento contábil das contas de variação cambial ativa e passiva.  8.  A  DIPJ  2006,  por  sua  vez,  não  foi  retificada  e  indicava  um  valor  correspondente de R$02.097,99 de IRPJ para o segundo trimestre.  Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10920.908172/2009­41  Acórdão n.º 1302­002.991  S1­C3T2  Fl. 4          3 9. Ou  seja,  a DIPJ  2006  ­  ainda  que  apenas  informativa  ­  diferia  da DCTF  original. A DCTF retificadora indica, por sua vez, o valor constante na DIPJ.  10.  Diante  de  tal  situação,  procurou­se,  junto  aos  elementos  de  prova  já  juntados, verificar que valor seria correto para o IRPJ do 2° trim/2005. O cerne da  questão  estaria  na  apuração  de  receita  financeira  (variação  cambial)  com  relação a maio de 2005.  11.  Os  extratos  bancários  permitiram  localizar  os  créditos  oriundos  da  liquidação dos contratos de câmbio feitos pela empresa. São eles:  15/04/2005 ­ R$ 30.639,17 (fl. 103)  31/05/2015 ­ R$ 30.123,83 (fl. 111)  06/06/2005 ­ R$ 37.562,46 (fl. 122)  14/06/2005 ­ R$ 36.759,44 (fl. 123)  12. Tais créditos correspondem às notas  fiscais da  tabela abaixo. Na mesma  tabela fica evidente que somente houve variação cambial positiva abril:    13. O contribuinte, em suas alegações, destaca:  Em anexo o contribuinte demonstra através dos extratos bancários referentes  aos  meses  de  abril,  maio  e  junho,  bem  como  cópia  da  planilha  de  apuração  de  imposto de renda e contribuição social do 3º trimestre/2005, e razões contábeis das  contas de variação cambial ativa e passiva, comprovando que, a única liquidação  de operação de câmbio com variação cambial ativa que houve no trimestre, foi  no  mês  de  abril,  e  que  foi  devidamente  tributada,  no  valor  de  R$  4.717,22  (quatro mil, setecentos e dezessete reais, e vinte e dois centavos); no mês de maio e  no mês de junho houve liquidação, mas com variação cambial passiva.  14.  Observando­se  os  extratos,  há  quatro  valores  creditados  a  título  de  operações  cambiais.  Interessa,  no  caso,  a  operação  de  maio  ­  vez  que  o  próprio  contribuinte afirma ter tido fechamento de contrato de câmbio com variação cambial  positiva  em  abril  e  em  junho  não  houve  apuração  de  IRPJ  sobre  operações  de  câmbio.  15.  No extrato do mês de maio, à fl. 111, consta:  31/05/2005 Câmbio 1760505636 30.123.83 C  16. Este  crédito  se  refere  ao  pagamento  referente  ao  contrato  de  câmbio  de  compra  nr.  05/016557  (fl.  113).  A  taxa  cambial  estipulada  no  contrato  foi  de  R$2,3962914.  A  nota  fiscal  (nº  1648),  por  sua  vez,  foi  emitida  no  valor  de  R$37.842,16,  em  22/04/2005  (fl.  114),  em  virtude  da  operação  negociada  com  a  fatura  proforma  12/2005  (campo  de  informações  complementares).  Tais  dados  correspondem ao constante no contrato de câmbio (ver "outras especificações" ­ fl.  119),  sendo  o  Registro  de  Exportação  ­  RE  ­  feito  sob  nº  05/0577513­001  a  002  Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10920.908172/2009­41  Acórdão n.º 1302­002.991  S1­C3T2  Fl. 5          4 (Despacho de Exportação ­fl. 199) e O.P. 305636 (corresponde ao nº do depósito no  extrato).  17.  Portanto,  conclui­se  que  não  houve  variação  cambial  passível  de  tributação em maio de 2005. Logo, a DIPJ 2006 espelha os fatos de acordo com a  contabilidade apresentada pelo contribuinte, sendo o valor do IRPJ devido, no 2°  trim  2005,  seria  de  R$  2.097,99  e  não  R$  2.888,73,  como  constava  da  DCTF  original.  No  Razão  Analítico  (fl.  154),  consta  como  provisionamento,  de  fato,  o  valor  de  R$  2.888,73.  Também  se  percebe  o  lançamento  do  valor  da  variação  cambial  da  fatura  12  contra  a  conta  0413.00002  (variação  cambial  ativa),  o  que  promoveria o erro na apuração do IR devido.  18.  Da  contabilidade  trazida  aos  autos,  no  Balancete  do  segundo  trimestre  (para apuração do IRPJ presumido) verifica­se que a Receita Ajustada (2.4 Total da  Receita Ajustada  ­  fl.  92),  consta  o  valor  de R$  115.866,92.  Idêntico  ao  valor  da  DIPJ 2006 (ficha 14A­ linha 2 ­ fl. 200).  19. Assim, conforme o requerido pelo Carf, elaborou­se a planilha abaixo para  apurar o IRPJ do segundo trimestre de 2005:  Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 8%; 115.866,92  Resultado do Percentual sobre a Receita Bruta : 9.269,35  Variações Cambiais Ativas: 4.717,22  Base de Cálculo do IRPJ sobre Lucro Presumido: 13.986,57  Imposto Apurado: 2.097,99  20. Finalmente, o contribuinte optou por realizar o pagamento em duas cotas.  O valor de cada cota seria de R$ 1.048,99, portanto.  21. No caso, o pagamento realizado foi de R$ 1.444,37 (principal) + R$ 14,44  (juros),  em  31/08/2005.  Houve,  portanto,  um  pagamento  a  maior  de  R$  395,38  (valor do principal).  22.  Importante  ressaltar  que  esta  DComp  está  relacionada  ao  PER  20289.23668.  Tal  pedido  havido  sido  processado  pelo  sistema  e  a  restituição  realizada sem considerar a Dcomp. Tal fato foi sanado, conforme o despacho de fls.  195  a  197.  A  cobrança  foi  realizada  e  a  restituição  recebida  indevidamente  foi  resolvida (fl. 198).  23. Entendo, assim, atendida a diligência solicitada pelo Carf.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Rogério Aparecido Gil ­ Relator  Os  pressupostos  de  admissibilidade  do  recurso  voluntário  foram  analisados  por ocasião da Resolução nº 1801­000.368, de 25/11/2014, da 1ª Turma Especial da 1ª Seção  (extinta) e o recurso foi conhecido. Ratifico o conhecimento do recurso.  Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10920.908172/2009­41  Acórdão n.º 1302­002.991  S1­C3T2  Fl. 6          5 O Acórdão  recorrido manteve  o Despacho Decisório  Eletrônico  (fl.  5)  que  não  homologou  a DCOMP nº  05428.18389.140306.1.3.04­3897,  transmitida  em  14/03/2006,  que  indicava  como  Tipo  de  Crédito:  Pagamento  Indevido  ou  a Maior;  Processo  de  Crédito  (PER):  10920­908.171/2009­05.  Valor  original  do  crédito:  R$1.458,81.  A  decisão  indicou,  inexistência de crédito ou crédito integralmente utilizado, em relação ao período de apuração:  30/06/2005.  Na  forma  retro  relatada,  a  DRF,  em  cumprimento  à  citada  Resolução,  diligenciou e concluiu que, a única  liquidação de operação de  câmbio com variação cambial  positiva,  verificada  no  segundo  trimestre  de  2005,  foi  a  ocorrida  em  abril,  a  qual  foi  devidamente  tributada,  no  valor  de R$  4.717,22.  Certificou­se  que,  em maio  e  junho  houve  liquidação, mas com variação cambial negativa.  Verificou­se  que  foi  correta  a  retificação  da  DCTF  (redução  do  IRPJ  DE  R$2.888,73  para  R$2.097,98;  a  DIPJ  2006  indicava  R$2.097,98  para  o  segundo  trimestre),  ainda  que  efetuada  após  o  despacho  decisório  eletrônico.  Confirmou­se  que,  o  pagamento  realizado  foi  de  R$1.444,37,  em  29/07/2005,  perfazendo  um  pagamento  indevido  de  R$  395,38. Assim, realmente havia a existência e disponibilidade de direito creditório, decorrente  de IRPJ pago a maior, relativo a contratos de câmbio para exportação, no mês (abril) em que a  recorrente teria auferido receita, em virtude de variação cambial ativa (positiva).  Por  todo  o  exposto,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  para  homologar a DCOMP nº 38763.79555.200306.1.3.04­9559, até o limite reconhecido.  (assinado digitalmente)  Rogério Aparecido Gil                              Fl. 217DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.949415/2008-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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3402­005.446  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de julho de 2018  Matéria  RESSARCIMENTO IPI  Recorrente  BRACOL HOLDING LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003  NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.  Não há  ofensa  à  garantia  constitucional  do  contraditório  e  da  ampla  defesa  quando  todos  os  fatos  estão  descritos  e  juridicamente  embasados,  possibilitando  à  contribuinte  contestar  todas  razões  de  fato  e  de  direito  elencadas no despacho decisório.  PEDIDO  DE  PERÍCIA/DILIGÊNCIA.  PRESCINDIBILIDADE.  INDEFERIMENTO.  Estando  presentes  nos  autos  todos  os  elementos  de  convicção  necessários  adequada  solução  da  lide,  indefere­se,  por  prescindível,  o  pedido  de  diligência ou perícia.  PEDIDO  DE  PERÍCIA  E  DILIGÊNCIA.  INDEFERIMENTO  PELA  AUTORIDADE  JULGADORA.  MOTIVAÇÃO  SUFICIENTE  E  ADEQUADA.  INEXISTÊNCIA  DE  CERCEAMENTO  AO  DIREITO  DE  DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.  O  indeferimento  de  pedido  de  diligência  ou  perícia  não  configura  vício  de  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância,  por  cerceamento  ao  direito  de  defesa,  nos  casos  em  que  a  autoridade  julgadora,  fundamentadamente,  demonstra que a produção da prova pericial e  realização da diligência eram  desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  ÔNUS  DA  PROVA  DO  CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.  No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de  ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte  autor pedido.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 94 15 /2 00 8- 34 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.949415/2008­34  Acórdão n.º 3402­005.446  S3­C4T2  Fl. 3          2 RESSARCIMENTO  DE  CRÉDITOS  DE  IPI.  SALDO  CREDOR  RESSARCÍVEL  DO  PERÍODO  TOTALMENTE  ABSORVIDO  POR  DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE.  O  valor  do  ressarcimento  limita­se  ao menor  saldo  credor  apurado  entre  o  encerramento  do  trimestre  e  o  período  de  apuração  anterior  ao  da  protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento  totalmente absorvido por débitos de  trimestres  subsequentes, o menor saldo  credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Maria  Aparecida  Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz,  Rodrigo  Mineiro  Fernandes,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne,  Rodolfo  Tsuboi  (Suplente  Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).      Relatório  Trata  o  presente  processo  de  análise  de  PER/DCOMP  apresentado  pela  interessada, através da qual requer o ressarcimento de crédito de IPI.   A  autoridade  administrativa  prolatou  Despacho  Decisório  eletrônico,  por  meio  do  qual  indeferiu  o  pedido  de  ressarcimento  apresentado  no  PER/DCOMP,  com  a  seguinte fundamentação:  Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo  credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre  em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP.  O sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, requerendo a  reforma da decisão, pelas seguintes razões, em síntese:  · Preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por ter sido emitido por  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil  e  não  pela  autoridade  competente prevista no art. 43 da IN SRF no 600/2005;  · nulidade do despacho decisório pela falta da intimação para a recorrente se  manifestar sobre o fim da instrução;  Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.949415/2008­34  Acórdão n.º 3402­005.446  S3­C4T2  Fl. 4          3 · nulidade  do  despacho  decisório  pela  inexistência  de  motivação  demonstrando  as  razões  do  indeferimento  do  pedido,  resultando  em  cerceamento do direito de defesa.  · No mérito, alega possuir o direito ao ressarcimento;  · requer a correção do ressarcimento pela SELIC;  · requer  a  realização  de  perícia  e  diligência,  informando  que  não  juntou  os  documentos  comprobatórios  do  direito  creditório  por  serem  em  grande  quantidade.  Por meio do acórdão nº 14­035.085,a DRJ em Ribeirão Preto não acolheu as  razões de defesa da manifestante, e manteve o Despacho Decisório da DERAT/SP.   Regularmente  cientificado,  o  contribuinte  tempestivamente  apresentou  seu  Recurso  Voluntário,  repisando  as  alegações  de  sua  manifestação  de  inconformidade,  em  síntese: (i) preliminarmente, a nulidade da decisão recorrida pelo indeferimento do pedido de  perícia  e  diligência  e  pela  falta  de  apreciação  de  relevante  questão;  (ii)  incompetência  do  AFRFB; (iii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; (iv)  inexistência de motivação;  (v) cerceamento do direito de defesa. No mérito,  alega  (vi) o  seu  direito ao ressarcimento; e (vii) a correção pela SELIC. Requer (viii) a realização de diligência  e perícia.   Requer  o  acolhimento  e  provimento  do  recurso,  para  reconhecimento  do  direito creditório pleiteado; subsidiariamente, requer o cancelamento do Despacho Decisório e  a  emissão de nova decisão;  cancelamento do Acórdão  recorrido por  ter  negado  seu direito  à  realização de perícia e diligência; e reconhecimento da incidência da Taxa SELIC sobre o valor  dos créditos do  IPI pleiteados, bem como a homologação das compensações  realizadas até o  montante do crédito cujo ressarcimento for reconhecido administrativamente.  O  processo  foi  encaminhado  a  este  Conselho  para  julgamento  e  posteriormente distribuído a este Relator.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo  art.  47,  §§ 1º  e 2º,  do  anexo  II  do RICARF,  aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3402­005.440  de  24  de  julho  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  10880.933860/2009­63, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402­005.440):  Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.949415/2008­34  Acórdão n.º 3402­005.446  S3­C4T2  Fl. 5          4 "O Recurso Voluntário  é  tempestivo e  atende aos  demais  requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido.   A questão  trazida a este colegiado cinge­se sobre direito  creditório  não  reconhecido  pela  constatação  de  utilização  integral do saldo credor passível de ressarcimento em períodos  subsequentes  ao  trimestre  em  referência,  até  a  data  da  apresentação do PER/DCOMP.  Em sede de preliminar a recorrente alegou nulidade  da decisão recorrida e do Despacho Decisório.  Preliminar de nulidade da decisão recorrida  A  recorrente  alega  nulidade  do  acórdão  recorrido  por  cerceamento  do  direito  de  defesa,  baseada  em  dois  argumentos:  (i)  indeferimento  dos  pedidos  de  perícia  e  diligência  formulados;  e  (ii)  não  apreciação  de  parte  dos  argumentos de defesa.  Referente  ao  primeiro  argumento,  a  recorrente  alegou que a negativa de seu pedido de perícia e diligência  formulado  na  impugnação  cerceou  seu  direito  de  defesa,  especialmente  pela  quantidade  de  documentos  envolvidos  que  inviabilizou a anexação dos mesmos nos autos. Alega  que  tais  documentos  dariam  suporte  documental  para  o  reconhecimento de seu direito creditório.  A  turma  julgadora  a  quo  entendeu  que  não  se  encontrava  presente  as  condições  para  o  deferimento  dos  pedidos de diligência e produção pericial formulados, com  fundamento  nos  artigos  18  e  28  do  Decreto  70.235/72,  a  seguir transcritos:  Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância  determinará,  de  oficio  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observado  o disposto no art. 28,  in fine. (redação dada pelo art.  1° da Lei n° 8.748/93).  Art.  28.  Na  decisão  em  que  for  julgada  questão  preliminar  será  também  julgado  também  o  mérito,  salvo  quando  incompatíveis,  e  dela  constará  o  indeferimento  fundamentado do pedido de diligência  ou perícia, se for o caso. (redação dada pelo art. 1° da  Lei n° 8.748/93)  Perfeitamente  fundamentada  a  decisão,  não  há  que  se considerar qualquer nulidade na decisão.  O julgador a quo entendeu que seria desnecessária a  perícia  solicitada  pela  impugnante,  por  entendê­la  Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.949415/2008­34  Acórdão n.º 3402­005.446  S3­C4T2  Fl. 6          5 dispensável para o deslinde do julgamento. Recorde­se que  a realização de perícia somente se justifica se a análise do  acervo  probatório  exige  conhecimento  técnico  especializado.  E  essa  condição,  inequivocamente,  não  se  vislumbra  no  caso  em  tela,  uma  vez  que  as  provas  necessárias à comprovação do direito creditório pleiteado  cingem­se  a  documentos  fiscais  e  contábeis,  cuja  análise  prescinde do parecer de especialista.  Quanto  ao  segundo  argumento,  de  nulidade  da  decisão pela falta de apreciação de questões levantadas na  Manifestação  de  Inconformidade  (item  II.1.1  ­  A  Incompetência  do  AFRFB  e  item  II.1.3  ­  A  Inexistente  Motivação), também não assiste razão à recorrente. Consta  expressamente do voto condutor do acórdão recorrido, no  subtítulo “preliminares” a expressa manifestação da turma  julgadora sobre a autoridade competente para a assinatura  do Despacho Decisório e sobre a motivação para a glosa  do  crédito,  conforme  constata­se  pela  simples  leitura  dos  seguintes excertos da decisão:  “A  manifestante  requer  a  nulidade  do  despacho  decisório que indeferiu totalmente o pedido, alegando  cerceamento do direito de defesa, pois não haveria a  motivação para a glosa dos créditos.  Improcedente  a  alegação  da  contribuinte,  pois  não  houve  ofensa  ao  princípio  constitucional  da  ampla  defesa. O cerceamento do direito de defesa se dá pela  criação  de  embaraços  ao  conhecimento  dos  fatos  e  das razões de direito à parte contrária. [...]  Também não procede a alegação de que o Despacho  Decisório  é  nulo  porque  não  foi  assinado  por  autoridade  competente.  Como  se  verifica  à  fl.  40,  o  Despacho  foi  assinado  pelo  titular  da  DERAT/São  Paulo.  O  que  confundiu  a  manifestante  é  que  os  cargos  de  Delegado  são  ocupados  por  auditores  da  Receita Federal. Assim, além de auditor, o signatário  do Despacho é também o titular da DERAT.”  Portanto,  rejeita­se  as  preliminares  de nulidade  da  decisão recorrida.  Preliminar de nulidade do Despacho Decisório  A recorrente alega nulidade do Despacho Decisório  com  base  em  dois  argumentos:  (i)  incompetência  do  AFRFB;  (ii)  falta  da  intimação  para  a  recorrente  se  manifestar sobre o fim da instrução; e (iii)  inexistência de  motivação e cerceamento do direito de defesa.  Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.949415/2008­34  Acórdão n.º 3402­005.446  S3­C4T2  Fl. 7          6 Quanto ao primeiro argumento, de incompetência do  AFRFB, a recorrente demonstra seu total desconhecimento  da estrutura funcional da Secretaria da Receita Federal do  Brasil,  visto  que  a  autoridade  administrativa  titular  da  unidade  (DERAT/SP)  é  um  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  e,  por  isso,  consta  tal  cargo  no  Despacho  Decisório  emitido  pela  unidade.  Ou  seja,  o  documento  foi  assinado  pela  autoridade  competente  (Delegado da DERAT), cujo cargo era AFRFB.   A recorrente alega  também a nulidade pela  falta de  intimação para sua manifestação sobre o fim da instrução,  fato  que  teria  descumprida  uma  formalidade  essencial  prevista no artigo 44 da Lei n° 9.784/99, verbis:  Art.  44.  Encerrada  a  instrução,  o  interessado  terá  o  direito de manifestar­se no prazo máximo de dez dias,  salvo  se  outro prazo for legalmente fixado.  Também neste ponto não assiste razão à recorrente,  visto  que  a  norma  específica  que  rege  o  Processo  Administrativo Fiscal é o Decreto 70.235/72, aplicando­se  apenas subsidiariamente as regras da Lei n° 9.784/99. No  caso  em  questão,  inexiste  tal  determinação  no  PAF,  que  dispõe sobre a intimação em seu artigo 23, e sobre o prazo  para a impugnação em seu artigo 15.  Quanto  à  alegação  de  nulidade  do  Despacho  Decisório pela  inexistência de motivação, a decisão a quo  já  destacou  sua  total  improcedência,  e  nenhuma  outra  razão foi trazida à lide.  Expressamente  o  Despacho  Decisório  informa  o  fundamento  da  negativa  do  direito  creditório  pleiteado:  “Constatação  de  utilização  integral  ou  parcial,  na  escrita  fiscal,  do  saldo  credor  passível  de  ressarcimento  em  períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data  da apresentação do PER/DCOMP”. Também foi trazido aos  autos pela autoridade fiscal o "Demonstrativo da apuração  após  o  período  do  ressarcimento",  detalhando  como  ocorreu  a  utilização  do  saldo  credor  do  trimestre  no  abatimento de débitos em períodos subsequentes.   Dessa  forma, nenhum vício de motivação ou mesmo  qualquer  cerceamento  de  direito  de  defesa  pode  ser  imputado  ao  Despacho  Decisório,  que  trouxe  as  informações  necessárias  para  o  pleno  conhecimento  das  razões do fisco no indeferimento do pleito.  Portanto,  rejeita­se  as  preliminares  de nulidade  do  Despacho Decisório.  Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.949415/2008­34  Acórdão n.º 3402­005.446  S3­C4T2  Fl. 8          7 Mérito  No  mérito,  a  recorrente  alega  seu  direito  ao  ressarcimento  do  crédito  do  IPI  pleiteado  no  Pedido  de  Ressarcimento e a devida correção pela SELIC.  Entretanto,  não  apresenta  nenhuma  prova  de  seu  direito.  Conforme  já  exposto,  a  glosa  ocorreu  pela  constatação de utilização integral saldo credor passível de  ressarcimento  entre  o  encerramento  do  trimestre  e  o  período  de  apuração  anterior  à  data  de  transmissão  da  PER/DCOMP,  conforme  demonstrativo  de  apuração  emitido juntamente com o Despacho Decisório.  Transcrevo  excerto  do  voto  condutor  do  acórdão  recorrido,  que  traz  a  apreciação  do  julgador  acerca  da  questão, fundamentos que adoto no presente voto:  “A  verificação  eletrônica  da  legitimidade  do  valor  pleiteado  pelo  contribuinte  consiste  no  cálculo  do  saldo  credor  de  IPI  passível  de  ressarcimento  apurado  ao  fim  do  trimestre­ calendário  a  que  se  refere  o  pedido.  Outra  verificação consiste em analisar se esse saldo se  mantem  na  escrita  até  o  período  imediatamente  anterior  ao  da  transmissão  do  PER/DCOMP.  Constatada  a  utilização  integral  ou  parcial  do  saldo  credor  existente  no  final  do  trimestre,  glosa­se a diferença encontrada.  O  fundamento  para  tal  procedimento  está  baseado no sistema de apuração e utilização dos  créditos  do  imposto,  em  conformidade  com  o  artigo 195, do RIPI/2002:  Art.  195.  Os  créditos  do  imposto  escriturados  pelos  estabelecimentos  industriais,  ou  equiparados  a  industrial,  serão  utilizados  mediante  dedução  do  imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos  estabelecimentos  (Constituição,  art.  153,  §3º,  inciso  II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49).   §1º.  Quando,  do  confronto  dos  débitos  e  créditos,  num  período  de  apuração  do  imposto,  resultar  saldo  credor,  será este  transferido para o período  seguinte,  observado o disposto no §2º.  (Lei n°5.172, de 1996,  art.  49,  parágrafo  único,  e Lei  n°9779,  de  1999,  art.  11).  §2º. O saldo credor de que trata o §1º, acumulado em  cada trimestre­calendário, decorrente de aquisição de  Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.949415/2008­34  Acórdão n.º 3402­005.446  S3­C4T2  Fl. 9          8 MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive  de  produto  isento  ou  tributado  à  alíquota  zero  ou  imunes,  que  o  contribuinte  não  puder  deduzir  do  imposto  devido  na  saída  de  outros  produtos,  poderá  ser  utilizado  de  conformidade  com  o  disposto  nos  arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela  SRF (Lei n2 9.779, de 1999, art. 11).  Certo é que o saldo credor de IPI apurado em um  determinado trimestre e utilizado para abatimento  de  débitos  de  trimestres  posteriores  exaure­se  e,  por  conseguinte,  não  pode  ser  ressarcido.  Caso  contrário, a contribuinte deveria recolher aqueles  débitos  que  foram  compensados  com  referidos  créditos.  Conforme  se  verifica  no  "DEMONSTRATIVO  DA  APURAÇÃO  APÓS  O  PERÍODO  DO  RESSARCIMENTO" (fls. 09/10), a totalidade do  saldo  credor  existente  no  final  do  trimestre  em  referência,  e  que  foi  objeto  do  presente  PER/DCOMP,  foi  consumido  no  abatimento  de  débitos  e  não  poderia  ser  incluído  no  pedido  de  ressarcimento,  estando  corretos  a  glosa  e  o  indeferimento  realizados  pela  delegacia  de  origem.”  Não  foi  trazido  aos  autos  nenhum  elemento  que  poderia  modificar  a  decisão,  que  permanece  válida  em  todos os seus fundamentos.  Quanto  ao  direito  à  correção  dos  créditos  pela  SELIC,  nada  há  que  ser  decidido  pela  inexistência  de  qualquer  direito  creditório  passível  de  ser  ressarcido  e  corrigido.   Dessa  forma,  rejeita­se as alegações da  recorrente,  também no mérito.  Por  fim,  rejeita­se  também  os  pedidos  de  perícia  e  diligência  apresentados  na  peça  recursal,  cujas  razões  foram as mesmas suscitadas na  fase processual anterior e  já  rechaçada  pela  DRJ,  sob  o  fundamento  que  seria  desnecessária e dispensável para o deslinde do julgamento.  Destaca­se  o  disposto  no  artigo  29  do  PAF,  que  dispõe que as diligências são determinadas pela autoridade  julgadora,  na  apreciação  da  prova,  caso  entenda  necessárias.  Entretanto,  destaca­se  que  a  recorrente  não  apresentou qualquer documento  comprobatório do  crédito  pleiteado,  nem  na  fase  de  impugnação,  nem  nesta  fase  recursal,  em  descumprimento  do  artigo  15  do  PAF  que  Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.949415/2008­34  Acórdão n.º 3402­005.446  S3­C4T2  Fl. 10          9 determina  a  instrução  dos  documentos  comprobatórios  juntamente com a impugnação.   Não  procede  qualquer  alegação  que  poderia  justificar a total ausência de provas por parte daquele que  requer o direito, mesmo aquela que aponta a quantidade de  documentos envolvidos que inviabilizaria sua anexação aos  autos. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no  momento oportuno.  Portanto,  indefere­se  os  pedidos  de  diligência  e  perícia,  rejeita­se  os  pedidos  de  cancelamento  do  Despacho Decisório  e do acórdão  recorrido, pelas  razões  acima expostas  Ante  o  exposto,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário do sujeito passivo."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  anexo  II  do  RICARF,  o  colegiado  negou  provimento ao recurso voluntário.  (assinado com certificado digital)  Waldir Navarro Bezerra                              Fl. 99DF CARF MF

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Numero do processo: 16327.720621/2016-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2011 a 30/11/2012 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EMPREGADOS. ACORDO PRÉVIO. As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Os juros de mora são aplicáveis sobre a multa de ofício, na medida em que ela é integrante do crédito tributário não integralmente pago no vencimento.
Numero da decisão: 2402-006.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento parcial ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI

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2402­006.525  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de agosto de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR.   Recorrente  BANCO VOTORANTIM SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/10/2011 a 30/11/2012  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS.  EMPREGADOS.  ACORDO PRÉVIO.   As  regras  para  percepção  da  PLR  devem  constituir­se  em  incentivo  à  produtividade,  devendo  assim  ser  estabelecidas  previamente  ao  período  de  aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição  não estimulam esforço adicional.  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.   Os juros de mora são aplicáveis sobre a multa de ofício, na medida em que  ela é integrante do crédito tributário não integralmente pago no vencimento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  Vencidos  os  conselheiros  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci  (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que  deram  provimento  parcial  ao  recurso. Designado para  redigir  o  voto  vencedor  o  conselheiro  Mauricio Nogueira Righetti.   (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho ­ Presidente   (assinado digitalmente)  João Victor Ribeiro Aldinucci ­ Relator  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 21 /2 01 6- 36 Fl. 730DF CARF MF     2 Mauricio Nogueira Righetti ­ Redator Designado  Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho  Filho,  Denny  Medeiros  da  Silveira,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci,  Mauricio  Nogueira  Righetti,  Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza,  Luis  Henrique  Dias  Lima,  Renata  Toratti  Cassini  e  Gregorio Rechmann Junior.   Relatório  A  DRJ/JFA  fez  um  relato  preciso  do  lançamento,  da  impugnação  e  dos  incidentes ocorridos até a prolatação do acórdão de impugnação, que passa a integrar, em parte,  o presente relatório:  Das autuações   Trata­se  de  autos  de  infração  de  contribuições  previdenciárias  patronais, incluindo GILRAT, no valor total, com juros e multa,  de  R$61.062.490,62,  e  devidas  a  outras  entidades  e  fundos  (Salário Educação e  INCRA), no valor  total de R$6.638.196,72  (fls. 285/300).  Conforme  Relatório  Fiscal  (fls.  301/331),  as  contribuições  lançadas  foram  apuradas  sobre  os  valores  de  "Participação  nos  Lucros e Resultados" (PLR) da empresa, pagos aos empregados  nas competências 10/2011, 11/2011, 12/2011, 02/2012, 10/2012  e 11/2012, não informados em Guias de Recolhimento do Fundo  de Garantia  do Tempo de  Serviço  e  Informações  à Previdência  Social (GFIP).  Os valores apurados pela fiscalização foram obtidos de planilhas  de dados,  fornecidas pela empresa,  e confirmados  em  folhas de  pagamento e na contabilidade.  São  citados,  como  fundamentos  das  autuações,  os  seguintes  dispositivos:  art. 7º, XI, da Constituição de 1988 (CRFB); art. 28, §9º, "j" da  Lei nº 8.212, de 1991; art. 214, §9º, X, do Decreto nº 3.048, de  1999;  art.  150,  §6º,  e  art.  111,  I,  ambos  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN);  e  a  Lei  nº  10.101,  de  2000,  a  qual  regula  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  e  resultados  da  empresa,  como  instrumento  de  integração  entre  o  capital  e  o  trabalho, e como incentivo à produtividade.  Consta do Relatório Fiscal o que vem abaixo transcrito:  5. Da Participação nos Lucros ou Resultados...  5.11. Verifica­se, portanto, a necessidade de serem analisadas as  condições em que essa verba é ajustada e paga, para que se possa  concluir  se a mesma corresponde ou não à disciplina da Lei n°  10.101/2000  e  assim  possa  ser  excluída  ou  não  da  tributação.  Vejamos então a situação em concreto.  ...  Fl. 731DF CARF MF Processo nº 16327.720621/2016­36  Acórdão n.º 2402­006.525  S2­C4T2  Fl. 3          3 5.13.  Foram  encontrados  na  contabilidade  da  empresa  em  epígrafe  (...),  pagamentos  de  verbas  a  título  de  PLR  aos  seus  empregados.  5.14.  Esses  pagamentos,  cujos  montantes  por  beneficiário  e  rubrica  são  apontados  na  planilha  de  PLR  apresentada  pelo  contribuinte  em  10/08/2016,  foram  realizados  com  base  nos  subsequentes  instrumentos  de  negociação  conforme  informação  prestada pela empresa em 18/02/2016 por meio de planilhas com  dados das rubricas:  a) Acordo  de  Participação  nos Lucros  ou Resultados  do Banco  Votorantim S/A, datado de 25/04/2011, com vigência  retroativa  no período de 01/01/2011 a 31/12/2011;  b) Acordo  de Participação  nos Lucros  ou Resultados  do Banco  Votorantim S/A, datado de 02/05/2011, com vigência  retroativa  no período de 01/01/2011 a 31/12/2011;  c)  Acordo  Coletivo  de  Trabalho  Programa  Próprio  de  Participação  nos  Resultados  Banco Votorantim  S/A,  datado  de  25/10/2012, com vigência retroativa no período de 01/01/2012 a  31/12/2012;  d)  Acordo  Coletivo  de  Trabalho  Programa  Próprio  de  Participação  nos  Resultados  Banco Votorantim  S/A,  datado  de  29/10/2012, com vigência retroativa no período de 01/01/2012 a  31/12/2012;  e)  Convenção  Coletiva  de  Trabalho  sobre  Participação  dos  Empregados  nos  Lucros  ou  Resultados  dos  Bancos  em  2011,  datada  de  21/10/2011,  com  vigência  retroativa  no  período  de  01/09/2011 a 31/08/2012; e   f)  Convenção  Coletiva  de  Trabalho  sobre  Participação  dos  Empregados  nos  Lucros  ou  Resultados  dos  Bancos  em  2012,  datada  de  02/10/2012,  com  vigência  retroativa  no  período  de  01/09/2012 a 31/08/2013.  5.15.  Em  virtude  da  existência  de  mais  de  um  instrumento  de  negociação  tratando  sobre  PLR  para  o  mesmo  período,  foi  necessário  verificar  quais  instrumentos  foram  utilizados  pelo  contribuinte  no  pagamento  da  PLR  aos  seus  empregados,  bem  como  averiguar  se  houve  compensação  dos  valores  pagos  com  base em tais instrumentos.  ...  5.19. Da leitura dos dispositivos transcritos acima, resta evidente  que há valores pagos com base nas Convenções Coletivas (CCT)  de  PLR  que  não  são  compensados  com  quaisquer  outros  instrumentos,  uma  vez  que  a  parcela  adicional  de  PLR  e  sua  antecipação são não­compensáveis conforme estabelece a própria  CCT.  5.20.  Mesmo  assim,  o  contribuinte  foi  intimado  (Termo  de  Intimação Fiscal n° 03) para esclarecer se, na prática, ocorreu a  Fl. 732DF CARF MF     4 compensação  entre  a  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  relativa  às  Convenções  Coletivas  e  àquelas  decorrentes  dos  Acordos  Coletivos,  tendo  respondido,  por  intermédio  de  Carta,  datada de 20/04/2016, entregue nessa mesma data, que:  ...  5.21.  Dessa  forma,  conforme  esclarecimento  prestado  pela  empresa,  os  valores  de  PLR  pagos  com  base  nos  Acordos  Coletivos  não  foram  compensados  com  os  valores  pagos  com  base nas Convenções Coletivas.  5.22.  Claro  está,  portanto,  que  a  empresa  utiliza  dois  instrumentos contemplando os mesmos empregados, Convenção  Coletiva e Acordo Coletivo. Todavia, sabe­se que somente uma  das formas especificadas deve ser escolhida em comum acordo.  Ou  se  distribui  lucros/resultados  por  intermédio  de  um  Plano  Próprio  pactuado  entre  comissão  de  empregados  e  empresa  ou  através  de Convenção Coletiva  ou  através  de Acordo Coletivo.  Havendo  pagamentos  de  PLR  com  base  em  instrumentos  distintos,  referentes  aos  mesmos  período,  deve  haver  compensação entre eles.  5.23.  A  própria  Lei  n°  10.101/2000  prevê  a  existência  de  dois  instrumentos e a compensação entre eles, in verbis (art. 3º):  § 3° Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de  participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente  pela  empresa,  poderão  ser  compensados  com  as  obrigações  decorrentes  de  acordos  ou  convenções  coletivas  de  trabalho  atinentes à participação nos lucros ou resultados. (grifos nossos)  5.24. Este também é o entendimento do Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais ­ CARF, conforme Acórdão n° 2401­02.250  ­ 4a Câmara/1a Turma Ordinária, ipsis litteris:  ...  5.25.  A  desobediência  a  esse  quesito,  por  si  só,  é  suficiente  para  que  seja  desconsiderado  o  comando  constitucional  de  desvinculação  da  verba  de  PLR  da  remuneração.  A  Lei  n°  10.101/2000 é clara e o pagamento de PLR com base em dois  acordos  concomitantemente  encontra­se  em  desacordo  com  seus  preceitos,  devendo  incidir  contribuição  previdenciária  sobre  a  totalidade  dos  pagamentos  realizados.  No  entanto,  como  veremos,  não  foi  apenas  nesse  quesito  que  a  empresa  contrariou a lei.  5.26.  Continuando  a  análise  dos  instrumentos  de  negociação,  verifica­se  que  as  duas  Convenções  Coletivas  de  Trabalho  que  tratam  da  PLR,  arroladas  nas  alíneas  "e"  e  "f"  do  item  5.14,  possuem  vigência  retroativa  e  que,  portanto,  não  foram  elaboradas antes do início do período a que se referem os lucros  ou resultados, como exige a lei.  5.27.  O  mesmo  raciocínio  vale  para  os  Acordos  Coletivos  de  Trabalho que  tratam da PLR, cujo conhecimento das  regras por  parte  dos  empregados  só  ocorreu  já  transcorridos  quatro meses  Fl. 733DF CARF MF Processo nº 16327.720621/2016­36  Acórdão n.º 2402­006.525  S2­C4T2  Fl. 4          5 do  ano  de  2011,  com  relação  aos  Acordos  celebrados  em  25/04/2011  e  02/05/2011.  E  pior,  durante  quase  todo  o  ano  de  2012, os empregados desconheciam completamente os requisitos  a  que  deveriam  atender  para  fazer  jus  ao  recebimento  da  verba  referente  à  PLR,  uma  vez  que  os  critérios  e  condições  para  o  recebimento de tal verba só foram estabelecidos posteriormente,  em 25/10/2012 e 29/10/2012, próximo do final do período a que  se  referiam,  demonstrando  a  ausência  de  prévia  negociação,  o  que fere diretamente os ditames legais.  5.28.  Isso  nos  leva  a  questionar  como  é  possível  o  comprometimento  dos  funcionários  com  metas  que  só  vão  conhecer no quinto mês do ano ou no final do ano? No momento  em que a participação foi pactuada, já haviam ocorrido diversos  fatores  que  poderiam  ou  não  contribuir  para  o  atingimento  das  metas, sem que ficasse constatada, expressamente, a participação  dos  empregados  na  obtenção  do  resultado  positivo  alcançado  pela empresa, ou que sequer poderiam ser modificados por mais  que se esforçassem os empregados.  5.29.  Extrai­se  da  legislação  pertinente  que  o  pagamento  de  participação  nos  lucros  ou  resultados  tem  como  essência  uma  retribuição  pela  colaboração  do  empregado  na  obtenção  de  um  lucro ou realização de um resultado previamente pactuado. Deve  haver  negociação  entre  as  partes  e  a  empresa  concederá  o  pagamento a esse título se os trabalhadores atingirem a meta pré­ estabelecida.  Obviamente,  esses  objetivos  ou  metas  devem  ser  pactuados  previamente,  com  um  tempo  razoável  entre  o  acordo,  o  conhecimento das regras e o pagamento.  5.30. Assim,  cada um dos  instrumentos de negociação deve  ser  prévio, ou seja, deve ser elaborado antes do início do período a  que se referem os lucros ou resultados, pois é relativo exatamente  a esse período pactuado.  5.31.  Desta  feita,  os  instrumentos  decorrentes  das  negociações  devem ser formalizados antes do período/ano­base de referência,  devendo  deles  constar,  de  forma  clara  e  objetiva,  as  metas,  os  resultados, prazos, critérios e condições que, se  implementados,  darão aos empregados o direito de receber a verba desvinculada  da remuneração. Afinal, se assim não fosse, indagar­se­ia sobre a  utilidade  e  eficácia  das  regras  contidas  na  legislação,  não  bastando, tão somente, a existência de um acordo/programa.  5.32. Admitir que o pagamento não estivesse sujeito a condição  estipulada,  de  forma  clara  e  objetiva,  em  instrumentos  de  negociação  celebrados  previamente,  seria  admitir  o  desvirtuamento da rubrica e o ensejo à fraude, pois o empregador  poderia  instituir  pagamentos  mascarados  com  o  rótulo  de  "participação  nos  lucros  ou  resultados",  apenas  para  não  ter  natureza  salarial  e  não  pagar  encargos  sociais  sobre  tais  pagamentos.  ...  Fl. 734DF CARF MF     6 5.34. Destarte, os pagamentos a título de PLR realizados por  intermédio dos instrumentos arrolados no item 5.14, que por  sua  vez não atendem à exigência  legal de prévia negociação  entre  as  partes,  foram  considerados  como  integrantes  do  salário  de  contribuição  por  terem  sido  efetuados  em  desacordo com a lei específica.  5.35.  Corroborando  tal  entendimento,  cabe  destacar  alguns  posicionamentos  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento São Paulo I (SP) ao apreciar situações análogas.  ...  5.36. Este também é o entendimento do Conselho Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF  ­  Segunda  Seção  de  Julgamento,  conforme  Acórdão  n°  2401­  02.250,  da  4a  Câmara,  1a  Turma  Ordinária, de 20 de janeiro de 2012, ipsis litteris...  5.37. A  Lei  n°  10.101/2000  determina,  como  já  visto,  que  dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação  dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado.  Tais  regras  dizem  respeito  à  possibilidade  dos  empregados conhecerem previamente, ou seja, por intermédio do  acordo,  os  requisitos  que  devem  ser  por  eles  atendidos  para  se  habilitarem ao recebimento da PLR, bem como o montante que  receberão  a  depender  do  lucro  auferido  pelo  empregador  se  os  objetivos forem cumpridos. Claro está que o  intuito aqui é que,  por  intermédio  de  vantagens  fiscais,  as  empresas  sejam  motivadas  a  atrair  e  incentivar  seus  empregados  com  ganhos  extras  pelo  cumprimento  de metas  ou  resultados  individuais  ou  coletivos. Nesse quesito também foi desrespeitada a lei.  Vejamos.  5.38. Os Acordos de Participação nos Lucros ou Resultados do  Banco Votorantim S/A de 25/04/2011 e de 02/05/2011 dispõem,  em  suas  Cláusulas  Terceiras,  que  as  regras  para  pagamento  da  PLR  bem  como  os  respectivos  critérios  de  aferição  e  cálculo  encontram­se  dispostos  nos Anexos  I,  II  e  III,  que  fazem  parte  dos  respectivos  Termos.  Sendo  a  redação  dos  Anexos  de  tais  acordos basicamente  idênticos,  transcrevemos aqui excertos dos  Anexos I e III do Acordo datado de 25/04/2011.  5.39. O Anexo I do Acordo de PLR de 25/04/2011 dispõe, ipsis  litteris:  ...  5.40  Por  sua  vez,  o  Anexo  III  do  Acordo  de  PLR  trata  da  Avaliação de Desempenho.  ...  5.41. Iniciando nossa análise pelo Anexo I, verificamos que sua  Cláusula Terceira determina que o valor da PLR dos empregados  elegíveis  será  obtido  por meio  de  uma  fórmula  (VDF =  (VRI  /  VRT)  x  VD).  Um  dos  componentes  dessa  fórmula  é  o  VRI  ­  Fl. 735DF CARF MF Processo nº 16327.720621/2016­36  Acórdão n.º 2402­006.525  S2­C4T2  Fl. 5          7 Valor Referencial Individual, o qual é obtido pela fórmula (VBIS  x  FGA),  sendo  VBIS  o  Valor  Base  Individual  Semestral  que  corresponde a um valor referencial, de base semestral, atribuído a  cada  empregado.  Estamos  aqui,  portanto,  diante  de  um  valor  atribuído  pela  empresa  a  seus  empregados  de  forma  totalmente  subjetiva e,  assim, em desacordo com a  legislação que proíbe a  subjetividade  de  critérios.  Não  temos  metas  estabelecidas,  mas  sim  um  valor  previamente  definido  pela  empresa  para  cada  empregado e desconhecido no acordo firmado. Não se sabe que  parâmetros  são  utilizados  na  obtenção  desse  VBIS  nem  sequer  como se apura e/ou calcula o mesmo, tratando­se na verdade de  um critério totalmente discricionário.  5.42. Ademais, constatamos também que da leitura do Anexo III  é impossível identificar quais são as competências avaliadas dos  empregados  e  de  que  forma  ocorre  tal  avaliação.  Quase  tudo  referente à avaliação de desempenho consta somente da intranet  da  empresa,  não  tendo  sido  comprovado  que  o  processo  de  avaliação  de  desempenho  foi  realmente  objeto  de  negociação  entre a empresa e seus empregados.  5.43.  A  empresa  apresentou  o  Dicionário  de  Competências  segundo  o  qual,  o modelo  de  competências  "traduz  os  valores,  cultura  e  princípios  da  organização,  considerando  os  comportamentos  e  as  atitudes  desejáveis  para  todos  os  colaboradores",  no  qual  estão  divididas  em  competências  transversais,  funcionais  e  de  gestão,  estas  últimas  só  aplicáveis  aos  gestores. Da  leitura  do Dicionário  em  comento,  observa­se  que  muitas  das  competências  avaliadas  são  compostas  de  parâmetros  subjetivos  e  outras  nada  mais  são  do  que  encargos  regulares, rotineiros e ordinários dos empregados, ou seja, tarefas  decorrentes do próprio contrato de trabalho, tais como:  a)  Conhecimento  do  Negócio  ­  Capacidade  de  compreender  a  Cadeia  de  Valor  do  negócio  no  qual  está  inserido  e  entender  como  a  sua  função  pode  gerar  impacto  e  contribuir  para  o  desenvolvimento organizacional, buscando a sustentabilidade do  negócio;  b) Atitude Empreendedora ­ Capacidade de atuar de maneira pró­ ativa  e positiva,  transformando  idéias  em ações,  desenvolvendo  soluções  criativas  e  agregando  valor  dentro  dos  princípios  da  organização;  c)  Relacionamento  Interpessoal  ­  Capacidade  de  construir  relacionamentos  baseados  em  respeito  mútuo  e  reciprocidade,  levando em consideração objetivos e interesses do negócio;  d) Capacidade Analítica ­ Capacidade de explorar fatos, idéias e  opiniões  necessárias  para  analisar  situações,  resolver problemas  ou tomar decisões;  e) Eficácia ­ Capacidade de cumprir as atividades de acordo com  os  padrões  de  qualidade  exigidos,  respeitando  os  prazos  estabelecidos;  Fl. 736DF CARF MF     8 f)  Flexibilidade  ­  Capacidade  de  adaptar­se  e  interagir  com  diferentes indivíduos ou grupos em situações variadas;  g) Inovação ­ Capacidade de expressar idéias inovadoras e tomar  ações que gerem soluções de sucesso;  h) Gestão de Riscos ­ Capacidade de identificar e avaliar  riscos  (ganhos e perdas potenciais) para a área/ organização, analisando  as oportunidades com foco na preservação do negócio e;  i)  Gestão  de  pessoas  ­  Capacidade  de  coordenar  a  equipe,  liderando  pelo  exemplo  de  suas  ações,  emanando  inspiração,  energia e persistência e incentivando o aprendizado contínuo.  5.44.  Não  é  possível  determinar  como  serão  aferidas  tais  competências, distanciando­se, dessa forma, dos preceitos legais  sobre  a  matéria.  Há  inclusive  uma  competência  ­  Atitude  Empreendedora  ­  relacionada  à  agregação  de  valor  dentro  dos  princípios  da  organização,  sem  que  haja  qualquer  definição  de  um  valor  de  referência  a  partir  do  qual  será  considerada  tal  agregação.  5.45.  Diante  disso,  novamente  temos  configurado  o  desrespeito pela empresa às normas que regem a distribuição  de PLR, uma vez que não se pode falar aqui da existência de  regras claras e objetivas.  5.46. Trataremos agora dos dois Acordos Coletivos de Trabalho  Programa Próprio de Participação nos Resultados celebrados em  2012. Por terem redação bastante semelhante e, em sua maioria,  idêntica,  serão  transcritos  abaixo  apenas  trechos  do  Acordo  celebrado em 25/10/2012, in verbis:  ...  5.50.  O  corpo  do  Acordo  celebrado  em  2012  trata  apenas  de  questões gerais tais como, empregados elegíveis ao recebimento  da  participação,  periodicidade  do  pagamento,  antecipação  e  seu  valor mínimo, entre outras. As metas estabelecidas individual ou  coletivamente  para  os  empregados  constam  apenas  do Anexo  I  do Acordo em tela.  5.51. Vale destacar a Cláusula Sétima do texto em comento, que  assegura,  independentemente  de  qualquer  fator  e  sem  nenhuma  relação  com  metas  ou  objetivos,  o  pagamento  de  um  valor  mínimo  de R$  800,00  (oitocentos  reais)  de  PLR.  Isso  significa  que o empregado elegível jamais deixa de receber valor referente  à PLR, mesmo que  conforme as  regras do  acordo  (que não  são  claras nem objetivas como veremos posteriormente) não faça jus  ao  seu  recebimento,  comprovando  não  existir  qualquer  nexo  entre o valor ganho a  título de participação nos  resultados  e os  resultados da empresa, o que afasta qualquer possibilidade de se  vislumbrar  na  parcela  paga  a  qualificação  que  lhe  outorgou  a  autuada.  5.52  Se  o  empregado  jamais  deixa  de  receber  valor  referente  à  participação  nos  resultados,  uma  vez  que  existe  um  valor  fixo  mínimo,  trata­se  tal  verba  na  verdade  de  uma  gratificação,  bonificação ou outro nome que se queira, menos de PLR.  Fl. 737DF CARF MF Processo nº 16327.720621/2016­36  Acórdão n.º 2402­006.525  S2­C4T2  Fl. 6          9 5.53. Passando agora à análise do Anexo I do Acordo celebrado  em  25/10/2012,  verifica­se  que  sua  Cláusula  Primeira  fala  em  indicadores  mas  não  os  define  nem  indica  quais  indicadores  serão considerados. A leitura é muito confusa, há um trecho que  diz: "(ii) os resultados aferidos de forma coletiva...,  sendo que para  as  áreas  corporativas não  se  aplica o parâmetro  "resultado da unidade de negócios", conforme critérios da tabela  n°  01...";  no  entanto,  a  tabela  n°  01  sequer  possui  informação  referente a "resultado da unidade de negócios".  5.54. Tampouco são compreensíveis as tabelas apresentadas, não  sendo possível saber quando são aplicáveis e em que condições.  Não  restam  claras  e  de  forma  objetiva  quais  são  as  metas  estabelecidas para os empregados.  5.55.  Podemos  aqui  nos  questionar,  diante  do  texto  acordado,  qual  o  resultado  esperado  da  empresa  como  um  todo,  de  suas  áreas específicas e de  seus negócios, necessário para que sejam  distribuídos  os  resultados?  Qual  o  desempenho  individual  esperado para que esse mesmo benefício seja  recebido por cada  empregado?  5.56.  Diante  da  inexistência  de  respostas  às  indagações  acima,  vemos que não é possível  identificar no  instrumento decorrente  da  negociação  as  citadas  regras  pertinentes  à  fixação  e  cumprimento  do  acordado.  Não  é  possível  entender  de  que  maneira  é  obtido  o  valor  final  pago  de  participação  ao  empregado,  desobedecendo  por  consequência  o  estabelecido  na  Lei n° 10.101/2000.  5.57. Consta ainda do Anexo I que o processo da Avaliação de  Desempenho  é  obtido  da  apuração  de  critérios  quantitativos  e  qualitativos. No entanto, não explica em nenhum momento como  serão  aferidos  e  medidos  tais  critérios,  nem  de  que  forma  os  resultados  obtidos  se  convertem  em  valor  para  o  pagamento  da  participação aos empregados.  5.58. No caso dos critérios quantitativos sequer são mencionados  quais  parâmetros  serão  utilizados,  não  é  possível  avaliar  se  se  tratam de critérios objetivos ou subjetivos, estes últimos vedados  pela  lei.  Já no que se refere aos critérios qualitativos, da  leitura  das  definições  de  cada  competência  avaliada,  observamos  que  algumas possuem caráter subjetivo, como por exemplo "Espírito  de  Equipe"  e  outras  nada mais  são  do  que  encargos  regulares,  rotineiros  e  ordinários  dos  empregados,  ou  seja,  tarefas  decorrentes  do  próprio  contrato  de  trabalho,  como  "Foco  no  Cliente" e "Gestão de Pessoas".  5.59.  Ora,  a  escolha  de  critérios  subjetivos  aplicados  na  determinação do cumprimento das metas, impossíveis de aferição  a posteriori por critérios objetivos, conforme preconiza o § 1°, do  art. 2° da Lei n° 10.101/2000, também descaracteriza a natureza  não remuneratória das verbas pagas a  título de participação nos  lucros  ou  resultados.  O  quantum  a  ser  distribuído  a  cada  empregado deve comportar a possibilidade de aferição objetiva,  Fl. 738DF CARF MF     10 sem  depender  de  critérios  subjetivos  de  avaliação  e,  ainda  que  existam critérios objetivos, estes devem necessariamente constar  expressamente  do  instrumento  de  negociação,  para  garantir  a  segurança jurídica, principalmente para os empregados.  5.60.  Lembramos  que  as  decisões  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  São  Paulo  I  (SP),  ao  apreciar  situações  semelhantes  ao  presente  feito,  têm  sido  no  mesmo  sentido. Vejamos uma delas.  ...  5.61.  Sabemos  que  a  legislação  exige  que  dos  instrumentos  competentes  para  a  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados constem regras claras e objetivas, tanto substantivas,  quanto adjetivas, as quais contenham critérios e condições. Claro  está que o intuito aqui é que, por intermédio de vantagens fiscais,  as  empresas  sejam  motivadas  a  atrair  e  incentivar  seus  empregados  com  ganhos  extras  pelo  cumprimento  de metas  ou  resultados individuais ou coletivos.  5.62.  Em  suma,  os  pagamentos  em  estudo  afastaram­se  do  objetivo  da  lei,  qual  seja,  o  de  integrar  capital  e  trabalho  e  incentivar  a  produtividade,  mediante  um  ajuste  prévio  entre  empresa  e  empregados,  para  definir  os  resultados  a  serem  alcançados,  a  forma  de  participação,  os  direitos  substantivos  e  demais regras adjetivas. Afastou­se, portanto, o contribuinte dos  requisitos legais que fazem com que a PLR não integre o salário  de contribuição.  5.63.  Em  continuidade  ao  expendido,  discorreremos  acerca  de  um  dos  dispositivos  legais  mais  importantes  nesse  tema  que  é  aquele que determina que a participação nos lucros ou resultados  não substitui ou complementa a  remuneração devida a qualquer  empregado.  Essa  disposição  legal,  que  se  aplica  a  todos  os  instrumentos  de  negociação  da  PLR  adotados  pela  empresa,  quais sejam, as Convenções Coletivas e os Acordos Coletivos de  Trabalho,  uma  vez  que  a  PLR  é  um  instituto  único,  demonstra  claramente  a  preocupação  do  legislador  em  não  permitir  que  a  PLR fosse utilizada em substituição de parcela salarial, o que não  foi respeitado pela empresa ora autuada, como será explanado.  5.64.  Além  de  todos  os  problemas  até  aqui  relatados,  pagamento de PLR com base em mais de um instrumento de  negociação, retroatividade da vigência do acordo, metas não  terem sido pactuadas previamente, ausência de regras claras  e  objetivas,  dentre  outros,  há  ainda  aquele  relacionado  ao  fato de  ter a empresa efetuado pagamento de remunerações  por meio de PLR.  5.65. Do exame das folhas de pagamento, há diversos casos em  que  a  verba  paga  a  título  de  PLR  aos  empregados,  excedia  em  dezenas  de  vezes  o  valor  do  salário­base  mensal  do  próprio  empregado, como pode ser observado na coluna "Relação entre  PLR  e  Salário­Base"  do  Demonstrativo  ­  PLR  Paga  por  Beneficiário.  Há  situações  em  que  o  valor  da  PLR  excede  em  mais  de  quarenta  vezes  o  salário  base  do  funcionário.  Cabe  ressaltar que da leitura das convenções e dos acordos e dos seus  Fl. 739DF CARF MF Processo nº 16327.720621/2016­36  Acórdão n.º 2402­006.525  S2­C4T2  Fl. 7          11 anexos, não foi verificada a possibilidade da verba paga a título  de PLR alcançar valores tão vultosos.  5.66.  Percebe­se  claramente  que,  na  realidade,  as  verbas  pagas  pela  empresa  a  título  de PLR,  nada mais  são  do  que  instrumento  de  premiação/  gratificação/  bonificação  ou  qualquer  que  seja  a  sua  nomenclatura,  travestido  de  PLR,  com  nítido  caráter  retributivo  e  em  substituição  salarial.  Além disso,  vimos  que muitos  empregados  receberam valor  superior  à  sua  remuneração  anual,  na  forma  de  PLR,  sem  incidência de contribuição social alguma. É evidente que tais  pessoas não estão prestando serviços à empresa por conta do  salário  "oficial"  pelo  qual  foram contratadas. A  verdadeira  remuneração  dessas  pessoas  não  é  o  salário  "oficial"  que  recebem  e  sim  os  valores  exorbitantes  travestidos  de  "participações nos resultados".  5.67.  É  consenso  que  os  profissionais  do  mercado  financeiro,  principalmente os de níveis gerenciais e acima, são remunerados  pelo sucesso nas operações que realizam. Nesse  sentido, muitas  vezes a remuneração variável passa a ser muito mais relevante do  que  o  salário  contratual.  Ocorre  que,  quando  a  suposta  "participação  nos  lucros  ou  resultados"  paga  pela  empresa  aos  seus  funcionários  sobrepuja  e  é  tão ou mais  relevante do que o  próprio salário base contratado com a empresa, resta evidenciada  a existência de substituição de remuneração.  Esse  fato  contraria  claramente  o  caput  do  art.  3°  da  Lei  n°  10.101/2000,  que  prevê  que  a  participação  não  substitui  ou  complementa  a  remuneração,  visto  que,  como  evidenciado  acima, para muitos empregados beneficiários, a PLR passa a ser  a  remuneração  principal  e,  como  tal,  integra  o  salário  de  contribuição.  Mais  um  motivo  que  demonstra  que  as  verbas  a  título  de  PLR  foram  pagas  aos  empregados  da  empresa  em  desacordo com a Lei n° 10.101/2000.  5.68.  A  própria  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento de São Paulo manifestou­se dessa forma ao analisar  igual  tema,  por  meio  do  Acórdão  1616.051  ­  12a  turma  da  DRJ/SPOI, de 11 de janeiro de 2008, in verbis:  ...  5.69.  Importa  registrar  que  a PLR é  verba  aleatória:  é  variável,  não  é  fixa,  não  é  garantida.  O  seu  caráter  condicional  está  relacionado  ao  cumprimento  de  metas,  resultados  ou  limites  diretamente  ligados  à  ação  dos  empregados  com  vistas  à  integração destes na empresa por meio da divisão dos resultados  obtidos  pelo  empregador  com  a  colaboração  do  empregado.  É  instituída  para  que  o  empregado  se  anime  a  produzir  mais.  É  paga  sempre  que  o  trabalhador  coletivamente  atingir  um  limite  fixado  pelo  empregador,  limite  este  que  demonstra  o  reconhecimento de que, não só o empregador, mas que também o  empregado colaborou para que se alcançasse o lucro ou resultado  almejados.  Fl. 740DF CARF MF     12 Este  é  o  sentido  da  regra  do  §  1°  do  art.  2°  da  Lei  n°  10.101/2000, o qual exige que, dos instrumentos de negociação,  constem claras,  não  só as  regras  substantivas,  como  também as  regras adjetivas. São nessas  regras que encontraremos definidas  as  condições  que,  se  implementadas,  darão  aos  empregados  o  direito de participarem dos lucros ou resultados da empresa, bem  como a forma como o processo se desenvolverá.  5.70. A participação nos  lucros ou  resultados é uma  importante  estratégia  para  garantir  motivação  e  produtividade  e,  por  conseguinte,  lucro  e  melhoria  das  condições  sociais.  Daí  a  importância do cumprimento de todas as formalidades prescritas  na  lei.  A  empresa  é  livre  para  determinar  sua  política  de  pagamentos,  ficando  obrigada,  no  entanto,  a  se  submeter  às  conseqüências legais que tal política possa vir a ter. E, caso não  obedeça  aos  critérios  legais,  os  pagamentos  de  PLR  efetuados  perdem  as  características  de  desoneração  e,  assim,  entram  no  conceito  de  salário  de  contribuição,  não  estando  dentre  as  exceções previstas no § 9°, do art. 28, da Lei n° 8.212/1991.  Da ciência das autuações e da impugnação   A  ciência  das  autuações  se  deu  em  12/09/16  (fls.  30/31).  Em  11/10/2016,  foi  juntada  a  impugnação  de  fls.  334/380,  abaixo  relatada, em síntese.  Inicialmente, o impugnante sintetiza os motivos das autuações:  i. A existência de mais de um plano concomitantemente violaria  o art. 3o, § 3o da Lei n° 10.101/00, o que implicaria a glosa de  todos os valores pagos a título de PLR;  ii. Os planos  foram  firmados  após o  início do período a que se  refeririam  os  lucros  distribuídos,  o  que  implicaria  a  glosa  de  todos  os  valores  pagos  a  título  de  PLR;  e  iii.  Os  planos  não  contêm  metas  claras  e  objetivas,  o  que  desnaturaria  os  pagamentos  a  título  de  PLR,  que,  portanto,  deveriam  ser  considerados  como  remuneração  tributável  pelas  contribuições  em questão.  Discorre,  em  seguida,  acerca  de  diversos  tópicos,  abaixo  relatados, em síntese.  O impugnante apresenta doutrina e decisões judiciais que tratam  de  "imunidade",  afirmando  que  "as  normas  constitucionais  que  veiculam regras de imunidade devem ser sempre compreendidas  com  boa  dose  de  elasticidade,  de  modo  a  lhes  ser  dada  a  interpretação mais ampla".  Em relação à PLR, cita o art. 7º, XI, da CRFB, afirmando "tratar­ se de norma constitucional de  eficácia plena,  que  independe de  lei ordinária" e que "a desvinculação da prestação paga a título de  participação  à  remuneração  é  preceito  constitucional,  que  não  pode  ser  aviltado  ou  limitado  pela  lei,  sendo  inteiramente  despicienda  sua  regulamentação",  citando  doutrina  e  decisões  judiciais.  Conclui  que,  considerando  o  referido  mandamento  constitucional,  há  que  se  cancelarem  as  exigências  de  Fl. 741DF CARF MF Processo nº 16327.720621/2016­36  Acórdão n.º 2402­006.525  S2­C4T2  Fl. 8          13 contribuições  previdenciárias  sobre  os  valores pagos  a  título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados,  "sob  o  fundamento  de  suposto não cumprimento de legislação infraconstitucional".  Entende  que  os  acordos  e  convenções  celebrados  atendem  ao  desígnio  constitucional,  de  melhoria  das  condições  socioeconômicas  dos  empregados,  pelo  que,  ao  pagamento  de  PLR, deve ser estendida a imunidade.  Ressalta  que  a  fiscalização  não  conseguiu  demonstrar  que  os  valores  de  PLR  se  referem  a  salário  indireto,  sobre  o  qual  deveriam incidir as contribuições previdenciárias.  Argui  que  a  auditoria  partiu  de  uma  premissa  jurídica  distinta  daquela  do  impugnante,  a de  que  o  dispositivo  constitucional  é  norma de eficácia limitada, sem mencionar o fundamento de tal  entendimento.  Discorre, em seguida, acerca "da regularidade quanto à existência  de mais de um plano concomitantemente".  Afirma  que,  pelo  entendimento  da  fiscalização  do  disposto  no  §3º  do  art.  3º  da  Lei  nº  10.101,  de  20001,  a  existência  de  pagamentos  com  base  em  diferentes  acordos  desnatura  a  PLR,  caso os referidos pagamentos não sejam compensados entre si.  Diz que  este entendimento não encontra  respaldo na  legislação,  visto  que  a  compensação  de  pagamentos  realizados  de  acordo  com  planos  próprios  e  aqueles  oriundos  de  acordos  ou  convenções coletivas, prevista no citado dispositivo, é  facultada  ao contribuinte.  Aduz  que,  "havendo  previsão  legal  de  possibilidade  de  compensação, é certo que a legislação assume a premissa de que  é juridicamente possível a existência concomitante de um plano  próprio  e  um  plano  fixado  em  negociação  coletiva"  e  que  "a  existência  de  um  plano  próprio  da  empresa  se  coaduna  com  a  finalidade  de  existência  da  PLR  (...),  para  estimular  seus  empregados  através  de  plano  com  regras mais próximas  de  sua  realidade".  Cita  decisão  do  CARF,  sobre  a  inexistência  de  óbice  legal  ao  pagamento  concomitante de PLR com base  em plano  próprio  e  convenção coletiva.  Ressalta que este ponto da acusação somente pode se referir aos  pagamentos  efetuados  em  2012,  já  que  havia  previsão  de  compensação nos planos próprios de PLR para 2011, segundo a  própria  fiscalização.  Ainda  assim,  de  acordo  com  a  premissa  fiscal,  apenas  os  pagamentos  menos  benéficos  poderiam  ser  objeto  de  lançamento,  pois  deveriam  ser  compensados  com  os  mais benéficos.  Quanto à data de assinatura dos planos, o impugnante afirma que  o relatório fiscal não apresentou dispositivo específico da Lei nº  10.101, de 2000, que tenha sido violado e entende ser relevante  Fl. 742DF CARF MF     14 que os instrumentos sejam celebrados, como o foram, antes dos  pagamentos de PLR, e não antes do início do período ao qual os  lucros se referem. Nesse sentido, cita decisões do CARF.  Ainda,  diz  que  a  fiscalização  parte  da  premissa  de  má­fé,  em  relação aos casos em que a assinatura do instrumento não se dá  antes do início do período de apuração.  Nesse sentido, argui que essa premissa não pode ser alegada sem  demonstração,  pela  fiscalização,  de  que  o  contribuinte  se  valeu  de  subterfúgios para afastar  a  incidência de  contribuições  sobre  valores de remuneração.  Afirma  não  proceder  a  alegação  de  que,  em  razão  da  data  da  assinatura dos planos de PLR, os empregados desconheceriam as  metas e não se sentiriam motivados a melhorar seu desempenho,  já que os referidos planos, de 2011 e 2012, repetem as redações e  os critérios dos planos de 2010 e anteriores.  Aponta  também  que  os  instrumentos  estabelecidos  para  pagamento de PLR são amplamente discutidos e negociados com  os  trabalhadores,  de  forma  que  estes  já  têm,  ao  menos,  uma  noção do que será estipulado como critério.  Destaca  que  a  assinatura  é  um  mero  ato  formal  e  cita  decisão  administrativa.  Ressalta que, caso fosse correto o entendimento fiscal, ao menos  as parcelas pagas após a assinatura dos planos estariam regulares,  pelo que não deveriam ter sido consideradas no lançamento.  Em  seguida,  o  impugnante  discorre  acerca  da  "regularidade  quanto  às  metas  contidas  nos  planos",  explicitando  a  "correta  interpretação da Lei nº 10.101, de 2000."  Afirma que o requisito essencial para a realização de pagamentos  a  título  de  PLR  "reside  na  simples  existência  de  lucros  e  resultados, mas não na aferição de específicas performances, de  acordo com supostas metas, resultados e objetivos."  Aduz que a Lei nº 10.101, de 2000, deixou grande liberdade de  negociação  das  partes  envolvidas,  quanto  às  condições  de  existência  dos  pagamentos  de  PLR,  conforme  se  depreende  do  seu  art.  2º,  restando  claro  a  inexistência  de  obrigatoriedade  do  empregador  para  efetuar  os  referidos  pagamentos,  não  havendo  ainda  determinação  legal  para  a  apresentação  de  metas,  resultados e objetivos.  Alega que a fiscalização poderia exigir tão somente a existência  de regras claras e objetivas, o que foi atendido pelo contribuinte,  e  não  metas  e  resultados  específicos,  conforme  decisão  do  CARF, que cita.  A  seguir,  o  impugnante  trata  especificamente  das  regras  estipuladas nos Acordos de PLR celebrados.  Nesse  sentido,  afirma  que  grande  parte  dos  pagamentos  efetuados  se  referem  a  antecipações  de  PLR,  pelo  que  não  poderiam  ser  tributados.  Assim,  os  pagamentos  realizados  de  10/2011  a  12/2011  se  referem  a  antecipações  da  Convenção  Fl. 743DF CARF MF Processo nº 16327.720621/2016­36  Acórdão n.º 2402­006.525  S2­C4T2  Fl. 9          15 Coletiva,  firmada  em  2011,  e  os  pagamentos  efetuados  em  10/2012  e  11/2012  se  referem  a  antecipações  da  Convenção  Coletiva e Acordo de PLR, firmados em 2012. Exemplifica essa  situação com a regra prevista em Convenção Coletiva de 2010.  Argui  que  a  fiscalização  não  pode  exigir  as  contribuições  previdenciárias em tela sem verificar se, ao final do ano, as metas  foram  alcançadas,  o  que  demonstra  a  precariedade  do  lançamento.  Cita  decisão  do CARF  e  pede  o  cancelamento  das  autuações.  Por  outro  lado,  para  demonstrar  "a  legitimidade  dos  planos  quanto  à  clareza  e  objetividade  das  metas"  estabelecidas,  o  impugnante apresenta um exemplo de 2011 e um de 2012.  Afirma, em seguida, que o fato de serem complexos os cálculos  de  PLR  do  impugnante  não  é  motivo  para  se  afirmar  que  os  critérios estabelecidos não estão de acordo com a legislação em  vigor.  Diz ter havido, por parte da fiscalização, tão somente uma análise  superficial de metas e a apresentação de uma relação de cláusulas  que, pelo seu entendimento, levariam à desconsideração da PLR.  Em relação à existência de previsão de pagamento de um valor  mínimo aos empregados, afirma que tal não retira a natureza de  PLR dos pagamentos, "até porque houve a distribuição de lucros  e resultados nos períodos em discussão".  Quanto  à  alegada  violação  de  preceitos  legais  em  razão  da  desproporcionalidade  observada  entre  os  valores  de  PLR  e  os  salários  pagos  aos  funcionários,  frisa  que,  em primeiro  lugar,  a  Lei  nº  10.101,  de  2000,  não  estabelece  um  teto  para  a  PLR,  podendo os pagamentos  estarem à  altura dos  resultados obtidos  pela empresa.  Afirma  ainda  não  haver  concretude  nas  alegações  fiscais,  visto  que foi citada uma hipótese genérica, em que o funcionário teria  recebido valores desproporcionais.  Nesse  sentido,  destaca  ainda  que  a  planilha  utilizada  pela  fiscalização  (fls.  180  a  284  dos  autos)  para  proporcionalizar  o  salário  e  o  PLR,  considera  apenas  o  "salário  base",  sem  a  gratificação de 55%, que  integra  a  remuneração mensal  fixa do  bancário, nos termos da cláusula 11a da Convenção Coletiva de  Trabalho 2011/2012 e da Consolidação das Leis do Trabalho.  Apresenta,  então,  outra  planilha  com  a  remuneração  dos  colaboradores  (Doc.  10),  na  qual  observa  não  haver  a  desproporcionalidade alegada.  O impugnante alega, em seguida, a  ilegalidade da  incidência de  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício  e  cita  decisões  administrativas.  Ao  fim,  requer  o  cancelamento  dos  autos  de  infração  e  seu  arquivamento.  Fl. 744DF CARF MF     16 A  5ª  Turma  da  DRJ/JFA  julgou  a  impugnação  improcedente,  conforme  decisão assim ementada:  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS  EM  DESACORDO  COM  LEI  ESPECÍFICA.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INCIDÊNCIA.  O  pagamento  de  valores,  a  título de participação nos  lucros ou resultados da empresa, em  desacordo  com  a  lei  específica,  enseja  a  incidência  da  contribuição previdenciária.  O sujeito passivo foi  intimado da decisão em 23/02/2017, pela abertura dos  arquivos  digitais  correspondentes  no  link  Processo Digital,  e  interpôs  recurso  voluntário  em  22/03/2017, no qual basicamente reiterou os fundamentos de sua impugnação.   Sem contrarrazões ou manifestação pela PGFN.   É o relatório.   Voto Vencido  Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci ­ Relator  1  Conhecimento  O recurso voluntário é  tempestivo e estão presentes os demais  requisitos de  admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido.  2  Da norma de eficácia limitada  Muito  embora,  em  seu  recurso  voluntário,  o  sujeito  passivo  não  tenha  insistido na tese segundo a qual a norma constitucional seria auto­aplicável, cabe ponderar que  a não incidência das contribuições sobre a PLR é uma imunidade, vez que é uma norma de não  tributação prevista na Constituição Federal. Ao estabelecer que tal verba está desvinculada da  remuneração,  a  Lei Maior  criou  uma  norma  negativa  de  competência,  impedindo  o  próprio  exercício de atividade legislativa para criar imposição fiscal a ela atinente:  Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de  outros que visem à melhoria de sua condição social:  XI  ­  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação  na  gestão  da  empresa, conforme definido em lei;  Como se conclui  pela  leitura do  texto,  a norma constitucional  é de eficácia  limitada,  pois  expressamente  atribuiu  à  lei  a  competência  para  estabelecer  os  pressupostos  dessa  não  vinculação.  A  própria  execução  da  norma  constitucional  e  o  estabelecimento  dos  requisitos  necessários  para  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa, e a sua consequente desvinculação da remuneração, indubitavelmente dependiam da  regulamentação  mediante  lei.  O  STF  e  o  STJ,  a  propósito,  compartilham  de  igual  entendimento, como se pode ver,  respectivamente, no RE 505.597/RS e no AgRg no AREsp  95.339/PA.   Fl. 745DF CARF MF Processo nº 16327.720621/2016­36  Acórdão n.º 2402­006.525  S2­C4T2  Fl. 10          17 No  plano  infraconstitucional,  a  regulamentação  atual  está  na  Lei  nº  10.101/2000, que  “dispõe sobre  a participação dos  trabalhadores nos  lucros ou  resultados da  empresa  e  dá  outras  providências”.  Em  seu  art.  2º,  a  lei  prevê  que  a  PLR  será  objeto  de  negociação entre a empresa e seus empregados, através, conforme o caso, de comissão paritária  escolhida pelas partes, convenção coletiva ou acordo coletivo.  É  inquestionável,  pois,  que  a  lei  prevê  que  essa  partipação  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  devendo  sim  ser  objeto  de  acordo mediante  comissão paritária, acordo coletivo ou convenção coletiva.   3  Da data de assinatura dos planos  Acusação comum aos programas próprios, aos acordos coletivos (ACTs) e às  convenções coletivas de trabalho (CCTs) é que as suas assinaturas ocorreram no transcorrer do  próprio período aquisitivo.   Pois  bem. Como  já  dito,  a  não  incidência  das  contribuições  sobre  a PLR  é  uma imunidade, vez que é uma norma de não tributação prevista na Constituição Federal. Ao  estabelecer  que  tal  verba  está  desvinculada  da  remuneração,  a  Lei Maior  criou  uma  norma  negativa  de  competência,  impedindo  o  próprio  exercício  de  atividade  legislativa  para  criar  imposição fiscal a ela atinente.  Diferentemente do que costumeiramente se afirma, a PLR não é apenas um  instrumento de integração entre o capital e o trabalho, visando a incrementar a produtividade,  mas sobretudo um direito social do trabalhador. Tanto o caput do artigo, como o capítulo no  qual  ele  está  inserido,  não  deixam  margem  para  dúvidas.  Essa  circunstância  tem  passado  despercebida, mormente porque a lei regulamentadora parece tê­la deixado em segundo plano,  nem mesmo fazendo menção à expressão direitos sociais.   Por outro lado, a norma constitucional é de eficácia limitada, pois atribuiu à  lei  a  competência  para  estabelecer  os  pressupostos  dessa  não  vinculação.  No  plano  infraconstitucional,  a  regulamentação  foi  feita pela Lei nº 10.101/2000, que “dispõe sobre a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa  e  dá  outras  providências”.  Em  seu  art.  2º,  a  lei  prevê  que  a  PLR  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  através,  conforme o  caso, de comissão paritária  escolhida pelas  partes, convenção coletiva ou acordo coletivo. É inquestionável, assim, que a lei prevê que essa  partipação será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados:  Art.2º.  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  Todavia, a lei realmente não estabeleceu uma data limite para a formalização  dessa  negociação.  É  compreensível  que  não  o  tenha  feito,  pois  as  normas  de  experiência  comum demonstram que tais negociações não raramente levam meses para serem concluídas,  sendo  por  vezes  acirradas  e  conflituosas  e  envolvendo  diversos  sindicatos  de  diversas  categorias.  Fl. 746DF CARF MF     18 É  óbvio,  contudo,  que  os  trabalhadores  têm  conhecimento  das  diretrizes  gerais  dos  planos,  pois  participam  direta  ou  indiretamente  das  negociações  via  comissão  paritária ou sindicatos. A data de assinatura corresponde, apenas, ao momento da formalização  e de conveniência das várias partes envolvidas, tais como o banco, as entidades sindicais dos  trabalhadores, as entidades sindicais dos empregadores, etc.   Ademais,  as  metas  e  critérios  para  a  concessão  da  participação  nos  lucros  estabelecidas nas sucessivas convenções coletivas de trabalho são conhecidas previamente por  todos  os  trabalhadores,  sobretudo  porque  foram  se  repetindo  ao  longo  dos  anos.  A  própria  autoridade  fiscal  fez  essa  afirmação  no  relatório  da  autuação,  ao  tratar  da  alegada  falta  de  clareza e objetividade das metas.   Não  compete  ao  aplicador da  lei  criar  pré­requisito  não  previsto  na  norma,  sobretudo para reduzir a eficácia de regra jurídica constitucional. A lei prevê que a participação  será objeto de negociação, e não que a formalização tenha que ocorrer previamente ao período  de aquisição. A interpretação criativa é vedada pela tripartição dos poderes­deveres prevista no  art. 2º da Lei Maior, que se constitui em um verdadeiro princípio fundamental da República.  Uma  interpretação  restritiva,  com  a  criação  de  exigências  não  previstas  legalmente,  apenas  tem  o  condão  de  dificultar  a  efetiva  concretização  do  direito  social  do  trabalhador  à  participação  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa,  inibindo  a  concessão  dos  planos, em conflito com as finalidades constitucionais.  Muito embora a lei regulamentadora pareça ter negligenciado a participação  nos lucros ou resultados como um direito social, pois nem mesmo faz qualquer menção a esse  respeito, fato é que a Constituição a outorgou como um efetivo direito daquela natureza, o que  deve ser levado em consideração pelo aplicador da lei, na busca da máxima eficácia da norma  constitucional.  Os direitos sociais visam a criar as condições materiais necessárias ao alcance  da igualdade real entre o dono do capital e o trabalhador. Segundo José Afonso da Silva, "são  prestações  positivas  proporcionadas  pelo  Estado  direta  ou  indiretamente,  enunciadas  em  normas constitucionais, que possibilitam melhores condições de vida aos mais fracos, direitos  que  tendem  a  realizar  a  igualização  de  situações  sociais  desiguais"  (Curso  de  Direito  Constitucional Positivo, 12ª ed., rev., Malheiros Editores, 1996, p. 277).  Buscando igualar o empregador e o trabalhador, a Constituição lhe outorgou  o direito à participação nos lucros ou resultados e na própria gestão da empresa. Não fosse a  Constituição e a consequente regra imunizante, o trabalhador não teria as condições materiais  necessárias para participar dos lucros ou resultados, os quais, por consectário lógico, decorrem  do capital do qual ele não é dono.   Toda interpretação, portanto, deve ter como norte os direitos sociais. E diante  de  interpretações plausíveis e alternativas, o exegeta deve adotar aquela que se amolda à Lei  Maior. O ministro  Luís  Roberto Barroso  decompõe o  princípio  da  interpretação  conforme  a  Constituição nos seguintes termos:  1) Trata­se da escolha de uma interpretação da norma legal que  a mantenha em harmonia com a Constituição, em meio a outra  ou outras possibilidades interpretativas que o preceito admita.  2) Tal interpretação busca encontrar um sentido possível para a  norma, que não é o que mais evidentemente resulta da leitura de  seu texto.  Fl. 747DF CARF MF Processo nº 16327.720621/2016­36  Acórdão n.º 2402­006.525  S2­C4T2  Fl. 11          19 3) Além da eleição de uma linha de interpretação, procede­se à  exclusão  expressa  de  outra  ou  outras  interpretações  possíveis,  que conduziriam a resultado contrastante com a Constituição.  4)  Por  via  de  conseqüência,  a  interpretação  conforme  a  Constituição  não  é  mero  preceito  hermenêutico,  mas,  também,  um mecanismo  de  controle  de  constitucionalidade  pelo  qual  se  declara ilegítima uma determinada leitura da norma legal."  (Interpretação e aplicação da constituição : fundamentos de uma  dogmática constitucional transformadora. 3. ed. Saraiva, p. 181­ 182)  Deve  ser  abandonado,  pois,  o  eventual  rigor  interpretativo,  para  compatibilizar a leitura da Lei nº 10.101/2000 com a Constituição, a qual,  lembre­se, visou a  igualar  materialmente  o  trabalhador  e  o  empregador.  Ainda  que  a  primeira  e  rápida  compreensão  da  lei  infraconstitucional  pudesse  sugerir  que  o  plano  devesse  ser  formalizado  antes  do  início  do  período  aquisitivo,  como  forma  de  incentivar  a  produtividade  e  o  comprometimento  dos  trabalhadores,  fato  é  que  a  Constituição  trouxe  como  critério  preponderante o direito social do lado mais fraco da relação empregatícia, e não o incremento  da produtividade e o seu comprometimento.  A  interpretação  de  que  o  acordo  deve  ser  formalizado  antes  do  início  do  período aquisitivo, cria, no entender deste relator, um requisito formal não previsto (pois a lei  menciona apenas a necessidade de negociação – “será objeto de negociação”) e que está em  descompasso com a realidade negocial, podendo até mesmo desestimular a concessão da PLR  e, por conseguinte, a realização dos direitos sociais.  Como se vê, não se está declarando qualquer inconstitucionalidade de lei ou  ato  normativo,  mas  sim,  dentre  as  várias  interpretações  possíveis,  elegendo­se  aquela  mais  adequada  ao  texto  constitucional. A Câmara  Superior  de Recursos  Fiscais  (CSRF),  antes  da  atual composição, vinha adotando entendimento semelhante, conforme se infere do acórdão nº  9202­003.370:  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS  DA  EMPRESA  ­  PLR.  IMUNIDADE.  OBSERVÂNCIA  À  LEGISLAÇÃO  DE  REGÊNCIA.  ACORDO  PRÉVIO  AO  ANO  BASE.  DESNECESSIDADE.  A  Participação  nos  Lucros  e  Resultados ­ PLR concedida pela empresa aos seus funcionários,  como  forma de  integração  entre  capital  e  trabalho  e  ganho de  produtividade, não  integra a base de  cálculo das  contribuições  previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da  CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando  ausentes  os  requisitos  da  habitualidade  e  contraprestação  pelo  trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba  intitulada de PLR não observar os  requisitos  legais  insculpidos  na  legislação  específica,  notadamente  artigo  28,  §  9º,  alínea  j,  da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c  Lei  nº  10.101/2000,  é  que  incidirão  contribuições  previdenciárias  sobre  tais  importâncias,  em  face  de  sua  descaracterização  como Participação nos Lucros  e Resultados.  A  exigência  de  outros  pressupostos,  não  inscritos  objetivamente/literalmente  na  legislação  de  regência,  como  a  Fl. 748DF CARF MF     20 necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de  cunho  subjetivo do  aplicador/intérprete  da  lei,  extrapolando os  limites  das  normas  específicas  em  total  afronta  à  própria  essência  do  benefício,  o  qual,  na  condição  de  verdadeira  imunidade,  deve  ser  interpretado  de  maneira  ampla  e  não  restritiva. Recurso especial negado. (CSRF, 2ª Turma, Relator(a)  RYCARDO  HENRIQUE  MAGALHAES  DE  OLIVEIRA,  sessão  de 17 de setembro de 2014)  Esta  2ª  Turma/4ª  Câmara/2ª  Seção  do  CARF  também  vinha  trilhando  esse  mesmo caminho, conforme se vê no acórdão nº 2402­005.262, de minha relatoria.  Não pode passar despercebido, ainda, que as CCTs são firmadas por centenas  de  entidades,  entre  sindicatos,  federações  e  confederações,  sendo  obviamente  precedidas  de  acirradas  e  acaloradas  negociações,  como  demonstram  (i)  as  regras  de  experiência  comum  subministradas  pela  observação  do  que  ordinariamente  acontece  e  (ii)  os  fatos  públicos  e  notórios anualmente noticiados na imprensa nacional.   Outro  ponto  relevante  a  ser  destacado  é  que,  enquanto  a  remuneração  é  devida pela mera execução do contrato de trabalho, aí pouco ou nada importando os lucros ou  resultados da empresa, a PLR deve ser considerada como um pacto acessório, por meio do qual  se  negociam,  a  par  daquele  contrato,  questões  relativas  à  produtividade,  qualidade,  lucratividade, metas,  resultados, etc. Ou seja, a  remuneração é devida em função do contrato  laboral,  enquanto  que  a  participação  é  devida  em decorrência  de um  contrato  acessório,  que  não  se  constitui,  por  expressa  disposição  legal,  em pagamento  de  remuneração. Tal  contrato  acessório, ademais, viabiliza a partipação do trabalhador em rubricas a que ele não teria direito,  por serem decorrentes do capital do qual ele não é dono.    Diante  do  exposto,  conclui­se  que  o  fato  isolado  de  a  formalização  ter  ocorrido  no  próprio  período  aquisitivo  da  PLR  não  desnatura  os  planos,  devendo  serem  sopesados e analisados os demais requisitos legais e as circunstâncias e peculiaridades de cada  plano.  4  Da concomitância entre os planos  A primeira acusação fiscal é que havendo pagamentos de PLR com base em  instrumentos distintos, referentes aos mesmos períodos, deveria haver compensação entre eles.  O  descumprimento  desse  requisito,  por  si  só,  ensejaria  a  autuação.  A  DRJ  teve  o  mesmo  entendimento, como se pode ver no seguinte excerto extraído do voto condutor do acórdão:  Ainda, cabe destacar que não houve compensação de valores de  PLR pagos com base nos Acordos Coletivos com aqueles pagos  com base nas Convenções Coletivas, facultada pelo §3º do art. 3º  da  Lei  nº  10.101,  de  2000,  conforme  explicitado  no  Relatório  Fiscal,  de  forma que  o  pagamento  de PLR  foi mesmo  efetuado  pela  empresa  aos  seus  empregados  com  base  em  dois  instrumentos distintos.  Desatendido,  portanto,  o  comando  legal,  o  que  enseja  a  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  todos  os  valores  pagos  aos  empregados  a  título  de  participação  nos  lucros ou resultados.  Fl. 749DF CARF MF Processo nº 16327.720621/2016­36  Acórdão n.º 2402­006.525  S2­C4T2  Fl. 12          21 Como  se  vê,  ao  contrário  do  que  alega  o  recorrente,  a  DRJ  não  chegou  a  inovar  neste  ponto,  pois  a  sua  interpretação  convergiu  com  a  interpretação  da  autoridade  administrativa.   O  próprio  recorrente manifestou­se  pela  necessidade  de  compensação  entre  os valores pagos com base em planos concomitantes.   Realmente,  o  §  3º  do  art.  3º  da  Lei  10.101  preleciona  que  os  pagamentos  efetuados  em  decorrência  de  planos  mantidos  espontaneamente  pela  empresa  poderão  ser  compensados  com  as  obrigações  decorrentes  de  acordos  ou  convenções  (vide  abaixo). Quer  dizer,  a  lei  não  somente  não  veda  a  concomitância  entre  os  planos,  como  também  a  regulamenta:  Art.3o  A  participação  de  que  trata  o  art.  2onão  substitui  ou  complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem  constitui  base  de  incidência  de  qualquer  encargo  trabalhista,  não se lhe aplicando o princípio da habitualidade.  [...]  §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de  participação  nos  lucros  ou  resultados,  mantidos  espontaneamente  pela  empresa,  poderão  ser  compensados  com  as  obrigações  decorrentes  de  acordos  ou  convenções  coletivas  de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados.  A autoridade lançadora manifestou entendimento semelhante, como se pode  ver abaixo ­ com destaques:  5.22.  Claro  está,  portanto,  que  a  empresa  utiliza  dois  instrumentos contemplando os mesmos empregados, Convenção  Coletiva e Acordo Coletivo. Todavia,  sabe­se que somente uma  das formas especificadas deve ser escolhida em comum acordo.  Ou  se  distribui  lucros/resultados  por  intermédio  de  um  Plano  Próprio pactuado entre comissão de  empregados  e empresa ou  através  de Convenção Coletiva  ou através  de Acordo Coletivo.  Havendo  pagamentos  de  PLR  com  base  em  instrumentos  distintos,  referentes  aos  mesmos  período,  deve  haver  compensação entre eles.  Ao  contrário  do  que  entende  a  autoridade  autuante,  entretanto,  o  descumprimento da  regra de compensação não enseja a  tributação de  todos os valores pagos  pela empresa com base nos planos concomitantes, mas apenas dos valores excedentes que não  foram compensados. Também não se pode admitir, como quer o recorrente, que seja cancelada  toda a autuação, pois ao não compensar os valores, o banco realmente descumpriu a legislação.   5  Da inexistência de regras claras e objetivas  A  fiscalização  entendeu  que  os  seguintes  instrumentos  não  teriam  regras  claras e objetivas. Neste tocante, a fiscalização não tratou das CCTs:  a) Acordo  de  Participação  nos  Lucros  ou Resultados  do Banco Votorantim  S/A, datado de 25/04/2011;  Fl. 750DF CARF MF     22 b) Acordo  de Participação  nos Lucros  ou Resultados  do Banco Votorantim  S/A, datado de 02/05/2011;  c)  Acordo  Coletivo  de  Trabalho  de  Participação  nos  Resultados  Banco  Votorantim S/A, datado de 25/10/2012;  d)  Acordo  Coletivo  de  Trabalho  de  Participação  nos  Resultados  Banco  Votorantim S/A, datado de 29/10/2012.  Primeiramente, vê­se no Anexo I dos acordos de participação que o valor a  ser distribuído aos empregados toma por parâmetro uma fórmula matemática bastante precisa,  a qual leva em consideração determinadas variáveis de possível e objetiva mensuração. Veja­ se:    O  valor  distribuído  efetivamente  ao  funcionário,  por  sua  vez,  considera  o  valor global da distribuição, bem como as avaliações de desempenho individual do empregado.  Veja­se:   Fl. 751DF CARF MF Processo nº 16327.720621/2016­36  Acórdão n.º 2402­006.525  S2­C4T2  Fl. 13          23    Em  nenhuma  dessas  fórmulas  observa­se  qualquer  cláusula,  condição  ou  estipulação que retire a clareza e objetividade do plano. Pelo contrário, o plano é definido por  fórmulas  objetivas  e  mensuráveis,  e  as  avaliações  individuais  dos  funcionários,  como  demonstrado no recurso, foi devidamente empreendida com base em pesos e notas atribuídas a  cada beneficiário.   É  importante  observar,  nesse  tocante,  que  comportamentos  podem  sim  ser  aferidos  de  forma  objetiva.  Qualidades  como  eficácia,  conhecimento  do  negócio,  atitude,  relacionamento interpessoal, etc, são mensuráveis para fins de avaliação de desempenho.   Os  famosos  testes de avaliação do quoeficiente de  inteligência,  tais  como a  Escala de Inteligência Wechsler para Adultos (WAIS ­ Wechsler Adult Intelligence Scale) e a  Escala  de  Inteligência  Wechsler  para  Crianças  (WISC  ­  Wechsler  Intelligence  Scale  for  Children),  consistem  justamente  numa bateria  pré­determinadas  de  testes  e  sub­testes  para  a  avaliação  clínica  da  capacidade  intelectual  dos  indivíduos,  dentro  de  parâmetros  objetivos  anteriormente definidos nas escalas.   A  par  das  escalas  de  avaliações  cognitivas,  também  existem,  exemplificativamente, escalas de avaliações comportamentais para identificação de habilidades  sociais,  de  dificuldades  comportamentais,  de  sintomas  de  transtornos  psiquiátricos  e  psicológicos, de competências acadêmicas, etc, que igualmente fornecem dados quantitativos,  qualitativos e objetivos a respeito das competências comportamentais das pessoas1.   Muitas empresas adotam um sistema de avaliação por competências, havendo  inúmeros artigos acadêmicos a esse respeito disponíveis na internet2. A psicologia revela que  comportamentos  podem  sim  ser mensurados  de  acordo  com  critérios  objetivos  de  análise,  a                                                              1 http://www.scielo.br/pdf/ptp/v25n2/a16v25n2, acesso em 16 de outubro de 2017.  2  https://scholar.google.com.br/scholar?q=avalia%C3%A7%C3%A3o+por+competencias&hl=pt­ BR&as_sdt=0&as_vis=1&oi=scholart&sa=X&ved=0ahUKEwj64­CEifXWAhULIZAKHeZrArcQgQMILjAA,  acesso em 16 de outubro de 2017.   Fl. 752DF CARF MF     24 exemplo  das  escalas  acima  mencionadas  e  da  avaliação  por  competências.  A  eventual  subjetividade  do  comportamento  não  exclui  a  objetividade  de  sua  mensuração  e  avaliação,  inclusive  para  efeito  de  fixação  das  regras  da  PLR.  Isso  equivaleria  a  ignorar  a  ampla  experiência da psicologia comportamental e da neuropsicologia sobre o assunto, bem como a  gestão de recursos humanos no cotidiano das empresas.  Da mesma  forma,  as  regras  dos  planos  de  2012  são  claras  e  objetivas,  as  quais, segundo se depreende do recurso, tomaram em consideração inúmeros indicadores, entre  os quais os resultados do banco e o desempenho individual do empregado. Veja­se o exemplo  trazido em sede de recurso:    Como se vê, os planos eram complexos, mas nem por  isso deixaram de ser  compreensíveis,  objetivos  e  mensuráveis.  A  recorrente,  ademais,  demonstrou  como  os  montantes  foram  calculados,  derruindo,  pois,  a  acusação  fiscal.  Em  nenhum momento  ficou  Fl. 753DF CARF MF Processo nº 16327.720621/2016­36  Acórdão n.º 2402­006.525  S2­C4T2  Fl. 14          25 comprovado, neste particular, que as regras e as avaliações eram arbitrárias a ponto de permitir  a distribuição de valores outros, que não da participação nos lucros ou resultados. Inclusive, e a  propósito,  o  pagamento  de  um  valor  fixo,  mormente  em  montante  de  baixo  valor,  não  desnatura o pagamento da participação, de  forma que a  fiscalização deveria  ter demonstrado  que teria havido o pagamento de parcela fixa, independentemente do auferimento de lucros ou  resultados pela empresa, o que não ocorreu.   6  Da desproporcionalidade entre a PLR e os salários  O  agente  autuante  entendeu  que  montante  dos  valores  pagos  seriam  desproporcionais  em  relação  aos  salários,  o  que  implicaria  o  pagamento  de  premiação/gratificação/bonificação.   Neste tocante, sem razão a autoridade administrativa.   A grande  lucratividade das  instituições  financeiras  faz  com que o montante  dos  lucros ou  resultados a  serem distribuídos  seja  igualmente grande, de  forma a  representar  uma quantia considerável quando comparada com a remuneração normal do trabalhador. Sendo  estabelecida  em percentual,  quanto maior  a  lucratividade da  empresa, maior  a participação  a  ser paga ao empregado, o que de forma alguma descaracteriza o benefício. A contrario sensu,  nessa hipótese, maior é a concretização do direito social e maior é a realização do princípio da  isonomia, pois o empregado participa em maior medida da rubrica a que ele não teria direito  por não ser o dono do capital.   O  que  a  legislação  determina  é  que  a  participação  não  pode  substituir  ou  complementar  a  remuneração  (art.  3º),  mas  a  autoridade  autuante  não  demonstrou  que  a  recorrente estivesse pagando salários inferiores à média de mercado e complementando­os ou  substituindo­os  por  intermédio  de  lucros  ou  resultados.  Quer  dizer,  não  há  qualquer  demonstração nos autos de efetiva substituição de remuneração por participação.   7  Da ilegalidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício  A tese da recorrente, neste ponto, está equivocada.   Conforme preleciona o art. 161 do CTN, o crédito não integralmente pago no  vencimento é acrescido de juros de mora. Logo, os juros incidem sobre o crédito, fazendo­se  necessário extrair o sentido e o alcance da referida expressão.   Em  seu  art.  139,  o  Código  preleciona  que  o  crédito  tributário  decorre  da  obrigação principal, ao passo que no § 1º do art. 113 preceitua que a obrigação principal tem  por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.   Portanto,  sendo o crédito decorrente da obrigação principal,  a qual  também  tem por objeto a penalidade pecuniária, e não apenas o tributo propriamente dito, é induvidoso  que os juros também incidem sobre a multa de ofício.   Essa  interpretação, a par de sistemática, é  igualmente lógica, na medida em  que,  a  partir  de  um  determinado momento,  o  contribuinte  também  está  em mora  quanto  ao  pagamento da sanção pecuniária, não se vislumbrando o porquê de não sofrer a incidência dos  Fl. 754DF CARF MF     26 encargos  moratórios  sobre  a  referida  rubrica.  Pela  pertinência,  cumpre  transcrever  os  dispositivos legais, na ordem suscitada neste voto:  Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.  Art. 139. O crédito  tributário decorre da obrigação principal e  tem a mesma natureza desta.  Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §  1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.   Não  é  por  acaso  que  as  Súmulas CARF nºs  4  e 5  aludem à  incidência  dos  juros sobre débitos tributários e crédito tributário, respectivamente:  Súmula  CARF  n°  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Súmula CARF nº 5: São devidos  juros de mora sobre o crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo  quando  existir  depósito  no  montante integral.   Destarte, os juros de mora são aplicáveis sobre a multa de ofício, na medida  em que ela é integrante do crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Ambas as  Turmas da Primeira Seção do STJ vêm decidindo dessa mesma forma. Veja­se:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA.  INCIDÊNCIA.  PRECEDENTES  DE  AMBAS  AS  TURMA  QUE  COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ.  1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira  Seção  do  STJ  no  sentido  de  que:  "É  legítima  a  incidência  de  juros  de  mora  sobre  multa  fiscal  punitiva,  a  qual  integra  o  crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira,  DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.  Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010.  2. Agravo regimental não provido.  (AgRg  no  REsp  1335688/PR,  Rel.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe  10/12/2012) (destacou­se)  Fl. 755DF CARF MF Processo nº 16327.720621/2016­36  Acórdão n.º 2402­006.525  S2­C4T2  Fl. 15          27 8  Conclusão  Diante do exposto, vota­se no sentido de conhecer e dar parcial provimento  ao  recurso  voluntário,  para  excluir  do  lançamento  os  pagamentos  efetuados  com  base  nos  planos de participação nos lucros ou resultados, determinando­se, contudo, a compensação de  valores pagos com base nos Acordos Coletivos de Trabalho com aqueles pagos com base nas  Convenções Coletivas de Trabalho.   (assinado digitalmente)  João Victor Ribeiro Aldinucci   Voto Vencedor  Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti ­ Redator Designado.  A divergência  com  relação  ao  posicionamento  do Relator, naquilo que  foi  apreciado pelo colegiado e consubstanciado no tópico "da data da assinatura dos planos",  reside  na  possibilidade,  ou  não,  em  se  pactuar  acordos  para  o  pagamento  de  PLR  em  data  anterior  ao  período  aquisitivo  ou  período  de  apuração  do  resultado/lucro  sobre  os  quais  se  darão os pagamentos.  O tema não é novo neste colegiado, já tendo este Redator votado, em outros  julgamentos,  no  sentido  de  acompanhar  o  entendimento  adotado  pelo  Conselheiro  Ronnie  Soares Anderson, que pode ser resumido pela ementa a seguir:  PLR.  AUSÊNCIA  DE  PREVISÃO  DE  CONDUTAS  INDIVIDUALIZADAS.  Os  programas  de  participação  nos  lucros  ou  resultados  não  se  sujeitam  necessariamente à condição de ajuste prévio ao período de aferição, nos casos  em  que  não  estão  vinculados  à  condutas  individualizadas  previstas  e  pré  estabelecidas, a serem realizadas por parte dos beneficiários. Acórdão 2402­ 006.068, de 03.04.2018.  Ocorre  que  posteriormente  aos  julgamentos  acima  citados,  tive  a  oportunidade de,  pela primeira vez,  analisar o  tema em voga na condição de Relator,  com a  expectativa  de  sua  inclusão  (a  do  processo)  em  pauta  já  para  as  próximas  sessões  deste  colegiado.  Nessa  oportunidade,  analisando  de  forma  detida  a  legislação,  aliada  à  circunstância  evidenciada  naquele  outro  caso,  vi­me  impelido  a  rever  meu  posicionamento,  como será a seguir colocado.   Nossa  Lei  Maior  de  1946,  já  previa  em  seu  artigo  157,  inciso  IV,  a  participação do trabalhador nos lucros da empresa.  Art. 157. A legislação do trabalho e a da previdência social  obedecerão  nos  seguintes  preceitos,  além  de  outros  que  visem à melhoria da condição dos trabalhadores:   (...)  Fl. 756DF CARF MF     28  IV ­ participação obrigatória e direta do trabalhador nos  lucros  da  empresa,  nos  têrmos  e  pela  forma  que  a  lei  determinar;   O mesmo ocorreu com a EC 1/1969, que deu nova redação à CF/1967.  Art.  165.  A  Constituição  assegura  aos  trabalhadores  os  seguintes  direitos,  além  de  outros  que,  nos  têrmos  da  lei,  visem à melhoria de sua condição social:  (...)  V  ­  integração na vida  e no desenvolvimento da  emprêsa,  com  participação  nos  lucros  e,  excepcionalmente,  na  gestão, segundo fôr estabelecido em lei;  A atual Carta Política parece ter inovado ao trazer em seu texto a garantia de  participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração. Confira­se:  Art.  7º  São  direitos  dos  trabalhadores  urbanos  e  rurais,  além  de  outros  que  visem  à  melhoria  de  sua  condição  social:   (...)  XI  ­ participação nos  lucros, ou resultados, desvinculada  da  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação  na  gestão da empresa, conforme definido em lei;  Note­se  da  redação,  que  a  expressão  "ou  resultados"  encontra­se  grafada  entre vírgulas e não posta de forma direta, tal como "....participação nos lucros ou resultados,  desvinculada ....", o que me faz inferir que referida expressão tenha sido empregada como algo,  de certa forma, similar ao lucro, mas não como um mero "resultado" qualquer.   Por sua vez, a Exposição de Motivos da MP 794/943, que deu origem à Lei  10.101/2000, apresentou importante consideração sobre o valor a ser distribuído ao empregado.  Confira­se:    Perceba­se que a intenção do legislador, é o que se deflui do texto encimado,  foi  a  retribuição  ao  trabalhador  pelo  seu  esforço  que  produziu  a  riqueza  da  sociedade.  São  repasses de ganhos de produtividade.   Assim sendo, imagino ser justamente essa riqueza produzida que lastreará o  pagamento ao trabalhador a esse título.                                                               3 Diário do Congresso Nacional ­ 19/1/1995, Página 295  http://legis.senado.leg.br/diarios/PublicacoesOficiais  Fl. 757DF CARF MF Processo nº 16327.720621/2016­36  Acórdão n.º 2402­006.525  S2­C4T2  Fl. 16          29 Por  sua  vez,  a  possibilidade  de  exclusão  desses  valores  do  conceito  de  salário­de­contribuição,  tem  assento  legal  na  alínea  "j"  do  §  9º  do  artigo  28  da  Lei  8.212/91.Confira­se:  § 9º Não  integram  o  salário­de­contribuição  para  os  fins  desta Lei, exclusivamente:   (...)  j)  a  participação  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa,  quando paga ou creditada de acordo com lei específica;  E com vistas a dar efetividade à previsão legal, editou­se o que hoje se tem na  Lei 10.101/2000, que traz em seu artigo 1º, o objetivo que se espera do instrumento, que aqui  ouso a qualificar de "mediato". É dizer,  tem­se por expectativa que haja a efetiva integração  entre capital e o trabalho, bem como o incentivo à produtividade que, em última análise, tem o  interesse público como beneficiário indireto, na forma do pretenso crescimento econômico do  país. E visando esse desejo do legislador é que deve ser interpretada a norma.  Vejamos, novamente, o que diz a parte final daquela Exposição de Motivos:    Assim  posto,  penso  que  a  participação  nos  LUCROS  e/ou  nos  RESULTADOS deve  estar  associada  necessariamente  à  apuração  econômica  e/ou  financeira  da  empresa  como  um  todo.  O  objetivo,  esse  aqui  "imediato",  seria  sempre  sua  saúde  financeira e/ou econômica, seja por meio do lucro (resultado econômico ­ DRE e DVA), seja  por meio do resultado (resultado financeiro ­ DFC, por ex.), que será(serão) compartilhado(s)  com o empregado em função de sua participação diferenciada. Com isso, faz­se com que recaia  sobre  o  empregado,  de  certa  forma,  parcela  do  risco  da  atividade  empresarial;  o  que  não  se  observa,  por  exemplo,  quando  lhe  é  pago  o  salário  em  função  de  seu  contrato  de  trabalho.  Havendo ou não lucro, havendo ou não resultado, o salário contratado é, a rigor, devido.     A  rigor,  até  mesmo  em  função  do  conflito  histórico  que  se  instalou  entre  aqueles que detém o capital e os que comparecem com o labor, o empregado, por vezes, sente­ se indiferente com a obtenção do lucro por parte do empregador ou mesmo com a melhoria em  seus  resultados,  em  que  pese  sua  permanência  no  emprego  depender  diretamente  desses  fatores, quanto mais esforçar­se para que haja um aumento desse lucro ou resultado.  Com a possibilidade de ver compartilhada parcela desse  lucro ou  resultado,  surge a expectativa de que os interesses, outrora díspares, passem a convergir, de forma que os  empregados comecem a enxergar o lucro ou determinado resultado da empresa não mais como  uma mera fonte para o pagamento do seu salário, mas como uma chance de experimentar uma  das vertentes da verdadeira distribuição da renda; por sua vez, o empregador passaria a ver o  trabalhador como um real parceiro em sua empreitada e não mais como um simples empregado  que trabalha para sobreviver.  Com  isso,  na  essência,  estariam  contemplados,  penso  eu,  o  incentivo  à  produtividade e a integração entre o capital e o trabalho, objetivos mediatos da norma.  Fl. 758DF CARF MF     30 Prosseguindo  então,  nos  artigos  2º  e  3º  da  Lei  10.101/2000  são  postas  as  condições para que os pagamentos a titulo de PLR possam ser excluídos da base tributável das  contribuições previdenciárias. Note­se que enquanto o artigo 2º  trata preponderantemente das  negociações, aí incluídos os indispensáveis requisitos de ordem formal e os de ordem subjetiva,  o 3º demonstra a preocupação do legislador de que tal  instituto não seja utilizado de maneira  desvirtuada pelo empregador e pelo trabalhador para, indevidamente, amparar pagamentos sem  a incidência do tributo, estipulando, com isso, requisitos a serem observados.   Vamos a elas:   1 ­ Devem decorrer de uma negociação entre os envolvidos, por meio de um  dos procedimentos a seguir, nos quais estejam garantidos o incentivo à produtividade e a  integração entre o capital e o trabalho:  1.1  ­  Comissão  escolhida  pelas  partes,  com  a  participação  de  um  representante sindical de parte dos empregados; ou  1.2 ­ Convenção (CCT) ou Acordo Coletivo (ACT).    Perceba que o legislador, ao trazer para o processo negocial, representante do  sindicato da categoria do empregado e determinar o arquivamento do instrumento de acordo na  respectiva entidade sindical, procurou garantir que a negociação se desse, ao menos em tese,  sob o regime da paridade de armas ou da igualdade material.  Com  o mesmo  desiderato  acima,  ainda  reconhecendo  a  hipossuficiência  de  uma das partes, cuidou de fazer constar que as regras deveriam ser claras e objetivas, tanto no  que toca à fixação dos direitos substantivos, quanto às regras adjetivas.  Disso decorre, por lógica e sob pena de sua inaplicabilidade, que deva haver,  com relação a tais regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período  de  vigência  e  prazos  para  revisão  do  acordo,  podendo  ser  considerados,  entre outros,  os  critérios  e  condições  exemplificados  nos  incisos I e II do § 1º do artigo 2º da precitada lei.  Posto  de outra  forma,  independentemente  do  instrumento  de  acordo  que  se  tenha, há que se contar, minimamente, com as seguintes disposições:   1 ­ como chegar nas informações relativas ao cumprimento do acordado;  2 ­ quando será paga a PLR (periodicidade da distribuição);  3 ­ qual o período a que se refere (período de vigência);  4 ­ quando será revisto, caso haja tal previsão; e  5 ­ qual o valor a ser pago.  Quanto a esses elementos, não se deve perder de vista, em especial quando se  fala de "cumprimento do acordado", que se, por um lado, há o compartilhamento do lucro ou  do resultado por quem detém o capital, por outro, há o plus que deve ser dado pelo trabalhador  (ou a ele oportunizado/incentivado) para que dele se valha. É, reforça­se, a idéia de incentivo à  produtividade preconizada na lei.    Fl. 759DF CARF MF Processo nº 16327.720621/2016­36  Acórdão n.º 2402­006.525  S2­C4T2  Fl. 17          31 Ressalta­se aqui, que se o objetivo  imediato  será  sempre a  saúde financeira  e/ou econômica da empresa; as regras e os critérios para alcançá­lo devem ser definidos pela  gestão empresarial.  Não  importa o meio,  se por metas corporativas  (índices de produtividade,  qualidade  ou  lucratividade.  Ou  por  que  não  o  próprio  lucro  em  determinados  casos,  por  exemplo ?), ou se por metas  individuais/coletivas  (quantidade de vendas de produtos, nº de  atendimentos  conclusivos,  quantidade  e  valor  de  captação  de  investimentos,  por  exemplo),  desde que se alinhem aos objetivos imediato e mediato da norma.  Reforçando,  os  meios  eleitos  pelas  partes  precisam,  ainda  que  de  forma  indireta,  visar  a  saúde  financeira/econômica  da  empresa,  além de, minimamente,  propiciar o  estímulo à produtividade ­ potencial ou efetivo. É dizer, é de se esperar da força de trabalhado  uma  participação  diferenciada  (mesmo  potencial)  ­  seja  individualmente  falando,  seja  no  conjunto  com  os  demais  trabalhadores  ­  que  justifique  esse  pagamento  desvinculado  de  sua  remuneração.  Nada obstante, há de se reconhecer que a depender do instrumento escolhido,  a definição ou estabelecimento daquele algo a mais, sobretudo a nível individual, torna­se cada  vez  mais  impraticável,  como  por  exemplo  no  caso  das  CCT,  que  reúnem  por  vezes  uma  quantidade  expressiva  de  sindicatos,  em  determinada  data  base  a  depender  da  categoria  envolvida, diferentemente do que se tem no caso dos ACT e dos acordos a partir de comissão,  quando  a  possibilidade  de  estabelecimento  de  exigências  a  nível  individual  e/ou  setorial/departamental se mostra, por vezes, bem mais viável sob o ponto de vista operacional  e, ainda assim, a depender do porte da empresa.  Não é por outra razão que aqueles dois incisos do § 1º acima citados, postos  de maneira exemplificativa na lei, procuraram abordar situações em que o plus do empregado  pudesse ser evidenciado de forma presumida (metas corporativas, v.g, índice de lucratividade)  ou de forma coletiva ou individualizada (metas individuais ou coletivas).  Se  é  bem  verdade  que  aqueles  índices  afetos  à  empresa  não  dependem,  exclusivamente, de um algo a mais por parte dos  trabalhadores, mesmo que  tomado em seu  conjunto, do mesmo modo há de se reconhecer que tal participação revela­se substancialmente  importante na consecução do objetivo empresarial, sobretudo quando o empregado vislumbra  que  há  a  possibilidade  de vir  a  receber  parcela  do  lucro  do  empregador  tão  financeiramente  expressiva, quanto maior for o seu lucro, a depender do que for acordado.   Pondo  dessa  forma,  parece­me  evidente  que  o  ânimo,  comportamento,  interesse, pró­atividade, o "correr atrás" do empregado deva ser outro, quando lhe oportunizado  o compartilhamento de um valor, originalmente a ele não pertencente, mas que ­ em alguma  medida  ­  conta  com  seu  esforço  para  sua  obtenção; mais  de  uns, menos  ou  bem menos  de  outros  é  verdade,  mas  que  inevitavelmente  conta.  Penso  assim,  que  o  incentivo  à  produtividade,  ao  menos  presumidamente,  estaria  aí  contemplado,  ainda  que,  frise­se,  em  função da inexistência de um liame concreto entre a conduta e resultado, referido esforço não  possa ser especificamente dimensionado.   Nessa  linha,  acordos  que  não  contenham  metas  individuais  ou  mesmo  coletivas, mas que  suas  regras/metas  corporativas permitam ao  empregado o  recebimento de  determinada  parcela  do  lucro  da  empresa  ­  distribuído  linear  ou  proporcionalmente  ao  seu  salário  ­  alcançam,  penso  eu,  o  objetivo  de,  mesmo  que  presumidamente,  incentivar  a  Fl. 760DF CARF MF     32 produtividade.  Veja­se,  a  "meta",  nesse  caso  corporativa,  seria  a  obtenção  de  lucro  em  determinada escala pela empresa, que seria distribuído, em termos absolutos e/ou relativos, a  depender do seu atingimento e na forma do acordado.   Com todo o respeito aos que disso divergem, o fato é que ao imaginar que a  possibilidade de receber parte de um valor, que pode ser maior ou menor a depender de como  se  comportará o  lucro ou  resultado, não  tem o  condão de  influenciar  sequer minimamente o  comportamento  do  trabalhador  e,  por  isso,  não  haveria  a  necessidade  de  seu  prévio  conhecimento acerca do acordo, equivaleria, penso eu, a conceder­lhe aumento de remuneração  a título de mera recomposição salarial.  Cumpre ressaltar que se há a preocupação de o empregador, pressionado por  reajuste  salarial,  pactuar  acordos  com  a  inserção  de  regras  e  metas/condições  inatingíveis,  prejudicando, de início, o trabalhador; há, pelo menos de se imaginar, a possibilidade de que tal  instrumento seja utilizado como complementação da remuneração, prejudicando, de início, os  cofres públicos e, reflexamente e mais a frente, o próprio trabalhador.    Nesse  rumo  e  admitindo  como  regra,  para  que  se  tenha,  justificadamente  satisfeita  a  conjugação  "EXPECTATIVA  DE  ALGO  A  MAIS  DO  TRABALHADOR"  x  "PERCEPÇÃO DA PLR",  tomando­a  como causa  e efeito,  imperioso que  o  conhecimento das  regras  e  metas  (definitivamente  postas)  por  aqueles  que  empreenderão  esforços  para  sua  consecução deva se dar previamente ao início do período de apuração do resultado, vale dizer,  até  à  "linha  de  largada"  ou  antes  do  "início  do  jogo",  sob  pena  de  ter­se  por  desvirtuado  o  instituto.  Perceba­se  que  a  questão  de  fundo,  no  tema  até  aqui  abordado,  seria  o  alcance  da  expressão  "pactuados  previamente"  utilizados  pelo  legislador  quando  se  referiu  textualmente ao "programa de metas, resultados e prazo".  Teríamos, a partir daí, os seguintes questionamentos:   1 ­ pactuados previamente a quê ? ao pagamento, à apuração do resultado, ao  início do período de apuração ?   2 ­ apenas quando as regras envolverem cumprimento de metas ­ individuais  ou coletivas ­ é que se deve haver o pacto prévio ?  3 ­ e quando não envolver o cumprimento de metas ­ individuais ou coletivas  ­ o acordo pode ser pactuado após o período de apuração ? Pode ser celebrado após o início do  período ?  Para conduzir a uma definição, penso que devamos considerar, pode­se assim  dizer,  duas  linhas  temporais:  uma  representando  a  data  de  início  e  término  do  período  de  apuração,  findo  o  qual  o  lucro  ou  resultado,  caso  houver,  será  compartilhado  com  os  trabalhadores;  outra  representando  o  programa  de  metas,  caso  conste  do  acordo,  aferíveis  individual ou coletivamente (por equipe/departamento/setor, etc).  Assim visualizado, impõe­se determinar em qual momento o posicionamento  da data de celebração do acordo atenderia aos ditames  legais,  aí  considerado o  tão  almejado  incentivo à produtividade.  O  voto  vencedor  do  acórdão  2402­006.068,  traz  importante  consideração  sobre o tema, em especial ao abordar planos que em função do porte da empresa, data base da  categoria e quantidade de partes revelam­se produtos de uma complexa negociação. Confira­se:  Fl. 761DF CARF MF Processo nº 16327.720621/2016­36  Acórdão n.º 2402­006.525  S2­C4T2  Fl. 18          33 Diversamente, nos planos em que o PLR é mensurado com  base em critérios em grande medida independentes da uma  pré­determinada  atuação  dos  trabalhadores,  ou  seja,  revestindo­se  de  feição  mais  propriamente  corporativa,  deve ser relativizada a exigência mais acima frisada.   Vale  dizer  que  nesses  casos,  em  geral,  são  conduzidas  negociações  ao  nível  de  convenção  ou  acordo  coletiva,  muitas  vezes  adentrando  no  ano­calendário  de  sua  vigência,  tendo  em  vista  a  amplitude  dos  agentes  envolvidos e potenciais beneficiários. Em outras palavras,  não  assoma  como  requisito  imprescindível  que  os  termos  negociados sejam estabelecidos previamente ao período de  aferição.  Não obstante ter convergido com o redator à época e votado naquela linha em  outras oportunidades, as considerações aqui tecidas fazem­me dele divergir.  Explico, em grande medida revisitando o acima fundamentado:  Não vejo que, pelo fato de não haver um "liame minimamente concreto entre  a  prestação  de  serviço  realizada  pelo  trabalhador  e  a  lucratividade  alcançada  pela  pessoa  jurídica,  tanto  mais  quando  se  trata  de  uma  instituição  financeira  com  milhares  de  funcionários", os  termos do negociado possam ser estabelecidos após o  início do período de  aferição.  Compartilho com aquele I. Redator acerca da complexidade da elaboração de  tais planos na forma como colocada e, em especial, quando envolvidas as circunstancias já aqui  e  lá reconhecidas. Da mesma forma, convirjo quanto à dificuldade, quiçá impossibilidade, de  se  relacionar  diretamente  a  participação  do  empregado  à  percepção  da  verba,  sobretudo  naqueles  planos  onde  o  "ser  funcionário"  e  a  "obtenção  de  lucros"  são  as  únicas  condicionantes.  Contudo,  tenho que a  inexistência de um  liame minimamente concreto não  seria motivo o suficiente para fosse afastado do empregado, o conhecimento das regras postas.   Se há a impossibilidade ­ ressalva­se, nos planos com essa feição ­ de atribuir  ao empregado qualquer conduta concreta que possa ter diretamente influenciado no resultado  do  exercício,  com maior  propriedade não  há  como  afirmar  em qual mês  teria  havido  aquela  participação  "decisiva".  Se  no  primeiro,  se  no  segundo  ou  no  último  mês  do  período  de  apuração. Daí entender que, nesses casos, com maior propriedade, o acordo deva ser ajustado  antes do início do período de aferição.  Nesse  mesmo  sentido,  o  pior  cenário  seria  aquele  em  que  os  termos  do  acordado  tivessem  sido  assentados  após  o  período  de  apuração,  quando  então  retiraria  do  empregado,  ou melhor,  não  o  oportunizaria  o  "algo  a mais"  em  seu  desempenho  funcional,  ainda que potencialmente falando, ainda que indeterminado quando isso se daria.   Sobre esse aspecto, após algumas pesquisas, chamou a atenção deste Redator  afirmativa posta em recurso de determinado recorrente, no sentido de que, em outra palavras,  Fl. 762DF CARF MF     34 seria tradicional no diálogo com os sindicatos, que não se iniciam conversas sobre PLR antes  de haver a previsão mais realista de um índice de reajuste da categoria.  Ora, infere­se, da assertiva acima, que a não celebração do acordo antes de o  início  do  período  de  apuração  não  se  dá,  decisivamente,  pela  complexidade do  assunto  e/ou  pela quantidade de agentes e interesses envolvidos (a rigor, não haveria impedimento a que se  celebrasse o acordo em setembro, outubro, novembro ou dezembro de determinado ano, para  recebimento de parcelas relativas aos  lucros/resultados auferidos do ano seguinte), mas sim  pela desvirtuada utilização do  instrumento da PLR (que se dá, em regra, em  instrumento em  apartado) para viabilizar a complementação da remuneração do trabalhador, em descompasso  com o que preceitua o caput do artigo 3º da Lei 10.101/2000.  Exatamente neste ponto, impõe­se destacar que, diferentemente do sustentado  por  alguns,  no  sentido  de  que  o  recrudescimento  na  análise  dos  acordos  no  que  toca  à  observância dos requisitos  legais  tente a  inviabilizar o direito constitucional do  trabalhador à  percepção da PLR, penso que não deve ser esse o viés empregado, mas sim o da proteção do  interesse público ao custeio da previdência.  Perceba­se que esse direito constitucional já era levado à efeito antes mesmo  da edição da MP 794/94, que deu origem à Lei 10.101/2000. Consigne­se sobre o tema, que o  STF,  no  julgamento  do  RE  569.441,  consolidou  o  entendimento  de  que  há  incidência  de  contribuições previdenciárias nas verbas pagas a título de participação nos lucros e resultados,  antes de dezembro 1994.  Assim concluindo, as indagações encimadas poderiam ser respondidas como  seguem:  Acordos que estipulam metas individuais ou em grupo:   1  ­  pactuados  previamente  ao  início  do  período  de  apuração,  por  força  da  literalidade do inciso II do § 1º do artigo 2º da Lei 10.101/2000.   Acordos que não estipulam metas individuais ou em grupo  1 ­ igualmente pactuados previamente ao início do período de apuração, pela  inteligência do artigo 1º da Lei 10.101/200.  Essa é a  linha que vem sendo recentemente adotada na CSRF, consoante se  extrai da ementa a seguir colacionada, com a qual passo a me alinhar:  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS  REQUISITOS  DA  LEI Nº  10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O  INÍCIO DO  PERÍODO DE APURAÇÃO.   As  regras  para  percepção  da  PLR  devem  constituirse  em  incentivo  à  produtividade,  devendo  assim  ser  estabelecidas  previamente  ao  período  de   aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição  não estimulam esforço adicional. Acórdão 9202­005.718, de 30.08.2017.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS  PLR.  REQUISITOS  DA  LEI  Nº  10.101/2000.  AUSÊNCIA  DE  FIXAÇÃO  PRÉVIA  DE  CRITÉRIOS  PARA  RECEBIMENTO  DO  BENEFÍCIO.  DESCONFORMIDADE  COM  A  LEI  REGULAMENTADORA.  INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.  Fl. 763DF CARF MF Processo nº 16327.720621/2016­36  Acórdão n.º 2402­006.525  S2­C4T2  Fl. 19          35   Os  valores  auferidos  por  segurados  obrigatórios  do  RGPS  a  título  de  participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados  em  desconformidade  com  a  lei  específica,  integram  o  conceito  jurídico  de  Salário  de  Contribuição  para  todos  os  fins  previstos  na  Lei  de  Custeio  da  Seguridade Social.  A ausência da estipulação entre as partes trabalhadora e patronal, de metas e  objetivos  previamente  ao  início  do  período  aquisitivo  do  direito  ao  recebimento de participação nos  lucros e  resultados da empresa,  caracteriza  descumprimento  da  lei  que  rege  a  matéria.  Decorre  disso,  a  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  a  verba.  Acórdão  9202­006.218,  de  28.11.2017.  Ante  o  exposto  e  a  considerar,  como  se  extrai  do  voto  condutor,  que  os  acordos  foram  todos  pactuados  após  o  início  do  período  de  apuração/aferição  do  resultado,  voto por NEGAR provimento ao recurso do sujeito passivo.  (assinado digitalmente)  Mauricio Nogueira Righetti                   Fl. 764DF CARF MF

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Numero do processo: 10730.723109/2016-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 SUPOSTA OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
Numero da decisão: 2001-000.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL

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2001­000.702  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  25 de setembro de 2018  Matéria  IRPF: OMISSÃO DE RENDIMENTOS ­ RRA  Recorrente  NELIO GONCALVES SODRE  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2013  SUPOSTA  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  DE  PESSOA  JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.   Só  se  mantém  o  lançamento  fiscal  referente  a  omissão  de  rendimentos  quando  demonstrado  de  forma  inequívoca  nos  autos  que  se  trata  de  rendimentos  tributáveis  auferidos  pelo  sujeito  passivo,  que  não  foram  oferecidos a tributação.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Jorge Henrique Backes ­ Presidente   (assinado digitalmente)  Fernanda Melo Leal ­ Relatora.  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Fernanda Melo  Leal,  Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.      Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 31 09 /2 01 6- 01 Fl. 127DF CARF MF     2 Contra  o  contribuinte  acima  identificado  foi  emitida  Notificação  de  Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2013, ano­calendário de  2012, por meio da qual  foi  constatada  suposta omissão de  rendimentos  tributáveis  recebidos  acumuladamente em virtude de ação judicial, no valor de R$30.287,77.     O  interessado  foi  cientificado  da  notificação,  apresentou  impugnação  e  alega,  em  síntese,  que  trata­se  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente  e  sujeitos  a  tributação exclusivamente na fonte conforme optou em sua Declaração de Ajuste Anual.     A  DRJ  Brasília,  na  análise  da  peça  impugnatória,  manifestou  seu  entendimento  no  sentido  de  que  o  contribuinte  deixa  claro  e  comprova  que  declarou  corretamente  os  rendimentos  recebidos  acumuladamente  da  fonte  pagadora  INSS  com  precatório  pago  pelo Banco do Brasil  em  julho  de  2012. No  entanto,  sustenta  a DRJ que o  objeto do lançamento foi os rendimentos pagos pela Caixa Econômica Federal em janeiro de  2012, com retenção de imposto na fonte e informados em DIRF. Alega a DRJ que a notificação  de  lançamento  deixa  claro  que  estava  lançando  outros  rendimentos,  diversos  do  que  o  contribuinte ofereceu a tributação.     Em  sede  de  Recurso  Voluntário,  mais  uma  vez  o  contribuinte  apresenta  documentação  clara  e  sustenta  de  forma  objetiva  que  recebeu  e  ofereceu  corretamente   à  tributação os  rendimentos  recebidos  através do Banco do Brasil,  oriundos de  ação  judicial  contra o  INSS. Desconhece o contribuinte o lançamento e o suposto recebimento pela Caixa,  alegado pela fiscalização.     É o relatório.    Voto             Conselheira Fernanda Melo Leal ­ Relatora.  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade.  Portanto, merece ser conhecido.  Mérito ­ Omissão de rendimentos ­ RRA     Conforme  mencionado  no  relatório  acima,  o  lançamento  foi  efetuado  com  base  no  fato  de  supostamente  ter  o  contribuinte  omitido  rendimentos  decorrentes  da  ação  judicial federal informados em DIRF pela Caixa Econômica Federal, no valor de R$30.287,77,  com IRRF no valor de R$908,63, recebidos em janeiro de 2012.    O recorrente afirma e demonstra que recebeu rendimentos decorrentes de ação  trabalhista  totalizando  R$36.151,07,  sem  retenção  de  imposto  na  fonte,  e  que  teria  pago  honorários  advocatícios  no  importe  de  R$10.845,31,  e  que  esses  rendimentos  teriam  sido  corretamente informados como Rendimentos Recebidos Acumuladamente, e a fonte pagadora  seria o INSS com precatório pago pelo Banco do Brasil em julho de 2012. A defesa traz aos  autos documentos comprovando que esses valores estão corretos. Entretanto, esses rendimentos  não foram contestados pela fiscalização.    Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10730.723109/2016­01  Acórdão n.º 2001­000.702  S2­C0T1  Fl. 3          3 O  lançamento  foi  lavrado  com  base  em  rendimentos  que  teriam  sido  pagos  pela Caixa  Econômica  Federal  em  janeiro  de  2012,  com  retenção  de  imposto  na  fonte  e  informados  em  DIRF.  A  fiscalização  teve  acesso  aos  documentos  apresentados  pelo  impugnante  e  deixou  claro  na  notificação  de  lançamento  que  estava  lançando  outros  rendimentos, diversos dos que o interessado ofereceu a tributação.    A  defesa  não  se  manifestou  acerca  desses  rendimentos.  Através  da  análise  minuciosa  dos  documentos  acostados  ao  processo,  entendo  que  não  houve,  por  parte  da  fiscalização, uma comprovação clara de que o contribuinte teria recebido esse valor imputado a  ele. Não apresentou a mencionada DIRF, muito menos qualquer extrato bancário ou ordem de  pagamento em favor do  contribuinte, para  comprovar de que o mesmo omitiu de  fato algum  rendimento recebido.     Pela  análise  dos  autos,  o  que  se  verifica  é  que  o  contribuinte  declarou  corretamente  todos  os  seus  rendimentos  recebidos.  Apresenta  provas  claras  para  tal.  No  entanto,  para  que  pudesse  se  defender  de  uma  imputação  de  omissão,  esta  teria  que  ser  evidenciada de  forma  fundamentada  . Apenas vejo  alegação pelas  autoridades  fiscais de que  houve uma omissão, com base na DIRF apresentada pela Caixa, a qual nem consta nos autos.     É dever da fiscalização fundamentas seus atos, notificar de forma clara e com  base em elementos fáticos inequívocos. Não foi isso que ocorreu nos autos em análise. Não há  nenhuma evidência de verificação mais detalhada ou minuciosa acerca do suposto rendimento  recebido  pela  Caixa.  Isso  inviabiliza  completamente  a  defesa  por  parte  do  contribuinte.  Tivesse, ao menos, o fiscal solicitado ao contribuinte que apresentasse todos os seus extratos  bancários, para que evidenciasse algum recebimento ou não, pela Caixa, já teria sido um pouco  mais claro. Mas nem isso ocorreu. Apenas uma suposta alegação.     Nesta  senda  entendo que deve ser  trazido  à baila o princípio pela busca da  verdade  material.  Sabemos  que  o  processo  administrativo  sempre  busca  a  descoberta  da  verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade  e,  também,  do  princípio  da  igualdade. Busca,  incessantemente,  o  convencimento  da verdade  que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos.   De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e  lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados.  Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos,  oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através  das provas, busca­se a realidade dos fatos, desprezando­se as presunções tributárias ou outros  procedimentos  que  atentem  apenas  à  verdade  formal  dos  fatos.  Neste  sentido,  deve  a  administração  promover  de  oficio  as  investigações  necessárias  à  elucidação  da  verdade  material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa.   A  verdade  material  é  fundamentada  no  interesse  público,  logo,  precisa  respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e  análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo  porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa.   A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade  material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material  apresentará  a  versão  legítima  dos  fatos,  independente  da  impressão  que  as  partes  tenham  Fl. 129DF CARF MF     4 daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias  e  prerrogativas  constitucionais  possíveis  do  contribuinte  no  Brasil,  sempre  observando  os  termos especificados pela lei tributária.   A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do  Poder  Judiciário,  portanto,  quando  nos  depararmos  com  um  Processo  Administrativo  Tributário, não se deve deixar de analisá­lo sob a égide do princípio da verdade material e da  informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade  material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir  o um julgamento justo, desprovido de parcialidades.  Soma­se  ao  mencionado  princípio  também  o  festejado  princípio  constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso  LXXVIII  da Constituição Federal,  o  qual  determina que  os  processos  devem desenvolver­se  em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda.   Ratifico,  ademais,  a necessidade de  fundamento pela  autoridade  fiscal,  dos  fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos  atos administrativos, encontra­se tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999,  como  talvez  de  maneira  mais  importante  em  disposições  gerais  em  respeito  ao  Estado  Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle  jurisdicional.     Assim  sendo,  com base  em  tudo  o  quando  exposto,  tendo  em vista  a  rasa  demonstração  e  fundamentação  das  autoridades  fiscais  acerca  do  lançamento  e  suposto  recebimento  do  valor  pelo  contribuinte,  pago  pela  Caixa,  entendo  que  deve  ser  dado  provimento  ao  recurso  voluntário  para,  assim,  descartar  o  lançamento  fiscal  efetuado  pela  autoridade competente.    CONCLUSÃO:  Diante  tudo  o  quanto  exposto,  voto  no  sentido  de, CONHECER  e DAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário,  para  exonerar  o  crédito  tributário  oriundo  do  lançamento fiscal em apreço.   (assinado digitalmente)  Fernanda Melo Leal.                               Fl. 130DF CARF MF

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Numero do processo: 11065.003169/2010-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ERRO NO PREENCHIMENTO DA DAA. INFORMAÇÕES EQUIVOCADAS DA FONTE PAGADORA. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF Nº 73. Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. DEDUÇÃO INDEVIDA COM DEPENDENTE. O sogro ou sogra não pode ser informados como dependentes, na DIRPF do declarante, quando o cônjuge tenha apresentado declaração em separado. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. A comprovação de parte das despesas médicas glosadas, mediante apresentação de documentação idônea, impõe o restabelecimento das correspectivas glosas. Todas as deduções da base de cálculo do imposto estão sujeitas à comprovação, a critério da autoridade lançadora. DEDUÇÕES DO IMPOSTO APURADO. As deduções com contribuição de incentivo à cultura; bem como contribuição patronal paga à previdência social pelo empregador doméstico, estão sujeitas à comprovação, observados os requisitos e limites previstos na legislação tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu, para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
Numero da decisão: 2402-006.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício incidente sobre os rendimentos declarados como ajuda de custo. (Assinado Digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente. (Assinado Digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente).
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA

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2402­006.499  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  08 de agosto de 2018  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Recorrente  SIRLEI DIAS GOMES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Ano­calendário: 2005, 2006, 2007, 2008  ERRO  NO  PREENCHIMENTO  DA  DAA.  INFORMAÇÕES  EQUIVOCADAS DA FONTE PAGADORA. APLICAÇÃO DA SUMULA  CARF Nº 73.  Súmula  CARF  nº  73:  Erro  no  preenchimento  da  declaração  de  ajuste  do  imposto  de  renda,  causado  por  informações  erradas,  prestadas  pela  fonte  pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.  DEDUÇÃO INDEVIDA COM DEPENDENTE.  O sogro ou sogra não pode ser informados como dependentes, na DIRPF do  declarante, quando o cônjuge tenha apresentado declaração em separado.  DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS.  A  comprovação  de  parte  das  despesas  médicas  glosadas,  mediante  apresentação  de  documentação  idônea,  impõe  o  restabelecimento  das  correspectivas glosas. Todas as deduções da base de cálculo do imposto estão  sujeitas à comprovação, a critério da autoridade lançadora.  DEDUÇÕES DO IMPOSTO APURADO.  As deduções com contribuição de incentivo à cultura; bem como contribuição  patronal paga à previdência social pelo empregador doméstico, estão sujeitas  à  comprovação,  observados  os  requisitos  e  limites  previstos  na  legislação  tributária.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  ORIGEM.  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO.  OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL.  A Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu, para fatos ocorridos a partir  de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza  o  lançamento  do  imposto  correspondente,  sempre  que  o  titular  da  conta  bancária,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 31 69 /2 01 0- 63 Fl. 2472DF CARF MF     2 hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou  de investimento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  excluir  do  lançamento  a  multa  de  ofício  incidente sobre os rendimentos declarados como ajuda de custo.    (Assinado Digitalmente)  Mario Pereira de Pinho Filho ­ Presidente.     (Assinado Digitalmente)  Jamed Abdul Nasser Feitoza ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Mauricio  Nogueira  Righetti,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci,  Denny  Medeiros  da  Silveira,  Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário  Pereira de Pinho Filho (Presidente).    Fl. 2473DF CARF MF Processo nº 11065.003169/2010­63  Acórdão n.º 2402­006.499  S2­C4T2  Fl. 2.473          3 Relatório  Tem­se Recurso Voluntário,  fls.  2455/2468,  voltado  contra Acórdão  de  fls.  2438/2450,  emanado  da  19ª  Turma  da  DRJ/RJ1,  que,  por  maioria,  julgou  procedente  em  parte a impugnação, mantendo o imposto suplementar de R$ 300.581,64.  Vale que se transcreva o relatório da r. Decisão guerreada, eis que muito bem  delineia a causa até então. Confira­se:  "Trata­se de ação fiscal levada a efeito no(a) contribuinte acima  qualificado(a),  que  implicou  a  lavratura  do  Auto  de  Infração  de  fls.  228/241,  acompanhado  dos  demonstrativos  de  fls.  242/246;  relativo  ao  Imposto de Renda Pessoa Física, anos­calendários 2005, 2006,  2007 e 2008, por meio do qual foi apurado crédito tributário no  montante de R$ 650.483,27, sendo R$ 310.951,69, referentes ao  imposto; R$ 233.213,75, à multa proporcional;  e R$ 106.317,83, aos juros de mora (calculados até 11/2010).  2. Conforme Descrição  dos Fatos  e Enquadramento Legal  (fls.  230/241),  o  procedimento  apurou  crédito  tributário  decorrente  das seguintes infrações:  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  DO  TRABALHO  COM  VÍNCULO  EMPREGATÍCIO  RECEBIDOS  DE  PESSOA  JURÍDICA, relativo a fatos geradores descriminados abaixo:    Fato Gerador  Valor R$  Multa (%)  31/12/2005  49.893,60  75  31/12/2006  52.440,67  75  31/12/2007  54.372,94  75  31/12/2008  52.619,60  75    DEDUÇÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  PLEITEADA  INDEVIDAMENTE  (AJUSTE ANUAL),  DEDUÇÃO  INDEVIDA  DE  DEPENDENTE,  relativos  a  fatos  geradores  discriminados  abaixo:    Fato Gerador  Valor R$  Multa (%)  31/12/2005  1.404,00  75  31/12/2006  1.516,32  75  31/12/2007  1.584,60  75  31/12/2008  1.655,88  75  Fl. 2474DF CARF MF     4 DEDUÇÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  PLEITEADA  INDEVIDAMENTE  (AJUSTE ANUAL),  DEDUÇÃO  INDEVIDA  DE  DESPESAS  MÉDICAS,  relativos  a  fatos  geradores  discriminados abaixo:    Fato Gerador  Valor R$  Multa (%)  31/12/2005  26.082,00  75  31/12/2006  23.137,70  75  31/12/2007  27.324,07  75  31/12/2008  11.461,45  75    DEDUÇÃO  INDEVIDA DO  IMPOSTO COM CONTRIBUIÇÃO  DE  INCENTIVO  A  CULTURA,  relativos  a  fatos  geradores  discriminados abaixo:    Fato Gerador  Valor R$  Multa (%)  31/12/2005  600,00  75  31/12/2006  1.080,00  75  31/12/2007  120,00  75  31/12/2008  600,00  75    OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  CARACTERIZADA  POR  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  COM  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA,  relativos  a  fatos  geradores,  consolidados  mensalmente, seguem discriminados abaixo:    [...]    DEDUÇÃO  INDEVIDA  DEDUÇÃO  INDEVIDA  DE  CONTRIBUIÇÃO  PATRONAL  PAGA  À  PREVIDÊNCIA  SOCIAL PELO EMPREGADOR DOMÉSTICO, relativos a fatos  geradores discriminados abaixo:    Fato Gerador  Valor R$  Multa (%)  31/12/2006  534,00  75  31/12/2007  593,60  75  31/12/2008  634,80  75    O  procedimento  fiscal  que  resultou  na  constituição  do  crédito  tributário  acima  referido  encontra­se  relatado  no  Relatório  de  Ação Fiscal às  fls. 247/256, acompanhado das planilhas de  fls.  146/435, documentos integrantes do auto de infração, relevando  destacar o que se segue:  Fl. 2475DF CARF MF Processo nº 11065.003169/2010­63  Acórdão n.º 2402­006.499  S2­C4T2  Fl. 2.474          5 · A  ação  fiscal  teve  origem  no  MPF  nº  0.1.07.00­2009­ 01343­1,  tendo  por  objeto  verificar  as  obrigações  tributárias  do  sujeito  passivo,  no  período  de  2004  a  2008;  · A  infração  de  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  DO  TRABALHO  COM  VÍNCULO  EMPREGATÍCIO  RECEBIDOS DE  PESSOA  JURÍDICA,  trata  de  verbas  indevidamente  classificadas  como  ajuda  de  custo,  originárias  da  fonte  pagadora  COMUNIDADE  EVANGÉLICA  LUTERANA  SAO  PAULO,  CNPJ  88.332.580/0001­65, nos montantes de R$ 49.893,60, R$  52.440,67,  R$  54.372,94  e  R$  52.619,60  durante  os  anos­calendário  2005,  2006,  2007  e  2008,  respectivamente.  Verificou­se  que  a  fonte  pagadora,  após  ser  intimada  pela  fiscalização  a  comprovar  o  pagamento  de  ajuda  de  custo,  retificou  as  DIRFs  originalmente apresentadas, de modo a reclassificar tais  rendimentos  como  tributáveis.  Observe­se  que  a  interessada,  embora  intimada,  não  comprovou  que  as  verbas  recebidas  decorreriam  de  ajudada  de  custo.  Observe­se  que  houve  emissão  de  Notificação  de  Lançamento  automática,  em  vista  das  DIRFs  retificadoras, que foram canceladas em face da matéria  estar sendo apurada na presente ação fiscal.  · Foram glosadas as deduções com a dependente SOELLY  IGNES PUPERI GOMES, nos anos calendários de 2005  a  2008,  por  se  tratar  de  sogra  da  contribuinte;  e  o  cônjuge  ter  apresentado  DIRPF  em  separado,  o  que  impede a dedução pleiteada;  · Foram glosadas  todas  as despesas médicas  informadas  nas DIRPFs revisadas, no período de 2005 a 2008, pela  omissão do sujeito passivo em atender à  intimação que  lhe  fora dirigida, no curso da ação  fiscal,  com vistas à  comprovação.  Em  acréscimo  a  fiscalização  aduz  que  “Independente  de  intimação,  alguns  pagamentos  informados  pela  contribuinte  em  suas  DAA  como  deduções médicas já seriam retiradas de oficio, pela falta  de  previsão  legal  para  sua  utilização.  São  eles:  Os  valores  informados como havendo  sido pagos  a JAMIL  FRANCISCO  MARQUES,  CPF  528.943.980­34,  nos  montantes de R$ 9.300,00 (no ano­calendário 2005, A fl.  06), R$ 14.900,00  (no ano­ calendário 2006, 6  fl. 08) e  R$  10.000,00  (em  2007,  A  fl.  10),  e  MARCIO  ADRIANO  XAVIER  COELHO,  CPF  528.760.630­34,  nos totais de R$ 9.300,00 (no ano­calendário 2005, à fl.  06)  e  R$  12.000,00  (no  ano­calendário  2007,  à  fl.  10).  Ambos  os  profissionais  são  técnicos  em  enfermagem,  segundo informação da Assessoria Jurídica do Coren­RS  (fl.  150)  e  cópia  da  lista  de  classificados  no  concurso  público  n°  01/2009  da  Prefeitura Munic.  de  Esteio  (fl.  151v),  foram  funcionários  da  ULBRA,  no  período  fiscalizado,  e  nem  sequer  declaram  terem  recebido  Fl. 2476DF CARF MF     6 quaisquer valores provenientes de pessoas físicas (o que  poderia, em tese, indicar que os pagamentos teriam sido  efetuados pela fiscalizada)”.  · Quanto  à  infração  de  DEDUÇÃO  INDEVIDA  DO  IMPOSTO  COM  CONTRIBUIÇÃO  DE  INCENTIVO  À  CULTURA,  o  sujeito  passivo  foi  intimado a  comprovar  os  pagamentos  informados  nas  DIRPFs  revisadas,  limitando­se a afirmar que não teriam pleiteado dedução  alguma  a  esse  título,  conforme  corroboraria  copias  de  DIRPFs entregues à fiscalização.  · Quanto  à  infração  de  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  CARACTERIZADA  POR  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  COM  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA,  aduz  que  o  sujeito passivo, em atendimento à  intimação que lhe  foi  dirigida  no  curso  da  ação  fiscal,  apresentou  extratos  bancários  incompletos,  do  Banco  do Brasil,  Santander,  me  Banrisul,  bem  como  algumas  faturas  de  cartões  de  crédito. Em conseqüência,  foram expedidas Requisições  de Informações Financeiras, implicando a obtenção dos  documentos  constantes  doas  Anexos  III  ao  VI,  de  cuja  análise  implicou  a  identificação  de  créditos  bancários,  cuja  comprovação  de  origem  foi  requerida  ao  sujeito  passivo, consoante Termo de Intimação de fls. 148/173.  Por  ter  sido  constatado  que  algumas  das  contas  bancárias  possuíam  co­titular,  estes  também  foram  intimados a comprovar a origem, conforme se segue:  · Considerando  que  a  interessada,  e  demais  co­titulares  das contas bancárias, omitiram­se em justificar a origem  dos depóstios, estes deram ensejo à formação válida da  presunção de omissão de rendimentos, ao teor do art. 42  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  observando­se  os  seguintes  critérios: “Observado o §6° do art. 42, foram, portanto,  considerados RENDIMENTOS OMITIDOS os depósitos  em contas bancárias constantes no ANEXO DO TERMO  DE  INTIMAÇÃO  FISCAL N°  F855  (fls.  114/125),  os  quais,  à  exceção  dos  efetuados  nas  contas mantidas  no  Banrisul  e  Santander  (titulados  unicamente  pela  contribuinte),  foram  imputados  à  fiscalizada  na  proporção de 1/3 para a conta n° 008350 (agência 2626  do  Banco  do  Brasil),  e  1/2  para  as  conta  n°  080184  (agência 2626 do Banco do Brasil), n° 082940 (agência  2626  do  Banco  do  Brasil)  e  n°  10787043  (agência  Moinhos de Vento do extinto BankBoston)”.  · Quanto  à  infração  de  DEDUÇÃO  INDEVIDA  DE  CONTRIBUIÇÃO PATRONAL PAGA À PREVIDÊNCIA  SOCIAL PELO EMPREGADOR DOMÉSTICO, o sujeito  passivo  foi  intimado  a  comprovar  os  pagamentos  informados  nas  DIRPFs  revisadas,  limitando­se  a  afirmar que teriam transitado por suas contas bancárias,  não apresentando documento algum.  Cientificado(a)  da  autuação  em  08/12/2010  (vide  despacho  de  fls.  262),  a  defesa  protocolizou  impugnação,  às  fls.  263  e  Fl. 2477DF CARF MF Processo nº 11065.003169/2010­63  Acórdão n.º 2402­006.499  S2­C4T2  Fl. 2.475          7 seguintes, por intermédio de procuradores, mandato às fls. 276,  recepcionada em 06/01/2011. Em síntese, aduz o que se segue:  · Quanto à infração de omissão de rendimentos recebidos  de  pessoa  jurídica,  aduz  que  a  responsabilidade  pela  suposta classificação indevida como ajuda de custo é da  fonte  pagadora;  e  tinha  suporte  em  supostos  ressarcimentos de despesas  realizadas pela  impugnante  na representação da entidade,  também nas despesas de  locomoção,  as  quais  eram  comprovadas  com  documentos  entregues  por  ocasião  do  ressarcimento.  Aduz  que,  embora  intimada  a  apresentar  tais  documentos,  a  fonte  pagadora  permanece  silente,  limitando­se a retificar  as DIRFs apresentadas, de modo  a  não  corresponder  à  verdade  dos  fatos.  Aduz  não  ser  devida a multa de ofício, vez que a conduta omissiva não  poderia ser imputada à impugnante. · Quanto  às  glosas  de  deduções  indevidas,  apresenta  documentos a título de comprovação. · Quanto  à  infração  de  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  CARACTERIZADA  POR  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  COM  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA,  aduz  que  a  presunção legal seria insuficiente para consubstanciar a  identificação de riqueza  tributável;  refere­se à doutrina  acerca das presunções e  capacidade contribuitiva, para  concluir que “em que pese não haver, como entendeu a  auditoria fiscal, “a apresentação de documentação hábil  e  idônea”, de cada um dos créditos ocorridos na conta  corrente,  a  comprovar  a  origem  desses  créditos,  tal  indicio não fundamenta a indicação "com razoável grau  de certeza" da riqueza  tributável,  e  isso por uma razão  muito  simples:  os  valores  constatados  pela  auditoria  fiscal  como  presumivelmente  omissão  de  receita  estão  contemplados pelos valores declarados pela Impugnante  como  rendimentos  nos  respectivos  anos  calendários”.  Aduz que, em 2005, o total do rendimento declarado foi  de  R$  731.600,61,  enquanto  os  rendimentos  reputados  omitidos  foram  de  R$  278.015,87,  o  que  teria  se  sucedido  nos  demais  períodos.  Aduz  que  não  se  verificou, no período fiscalizado, variação patrimonial a  justificar  a  omissão  de  receitas,  o  que  estaria  corroborado  pelo  fato  de  que  os  rendimentos  declarados,  no  período  de  2005  a  2008,  foram  superiores a R$ 1.600.000,00, enquanto a movimentação  bancária  supostamente  omitida  foi  de  cerca  de  R$  800.000,00.  Assim,  conclui  que  a  presunção  milita  em  favor da impugnante, vez que a movimentação bancária  é compatível com os rendimentos declarados."  Em seu apelo,  reprisa a  recorrente os mesmos argumentos  lançados  em sua  Impugnação  (fls.  263/275),  alterando  apenas,  ás  fls.  2463,  em  que,  face  à  parte  não  acatada  pela  r.  decisão  recorrida,  permanecem  as  razões  de  inconformismo,  alegando,  portanto,  que  foram  juntados  os  comprovantes  de  despesas  médicas  referentes  aos  anos­calendário  2005,  Fl. 2478DF CARF MF     8 2006, 2007 e 2008, o que comprovariam o direito de não tributação da recorrente quanto a tais  despesas, conforme art. 80 do Decreto 3000/99 ­RIR/99.  No  mais,  foram  revistos  todos  os  pontos,  requerendo,  ao  final,  que  seja  acolhido  o  presente  recurso  para  reforma  do  acórdão  recorrido  e  devido  cancelamento  do  débito fiscal perseguido.  É o relatório.  Fl. 2479DF CARF MF Processo nº 11065.003169/2010­63  Acórdão n.º 2402­006.499  S2­C4T2  Fl. 2.476          9 Voto             Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza ­ Relator  1. ADMISSIBILIDADE.  Presentes  os  pressupostos  intrínsecos  (legitimidade,  interesse,  cabimento  e  inexistência  de  fato  impeditivo  ou  extintivo)  e  extrínsecos  (tempestividade  e  regularidade  formal) de admissibilidade recursal, votamos por conhecer do recurso e passando à análise de  suas razões.  2.  DO  LANÇAMENTO  REFERENTE  A  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  DO  TRABALHO  COM  VINCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDO DE PESSOA JURÍDICA.  Neste tópico a Recorrente se insurge contra o lançamento realizado com base  em divergências decorrentes de retificação das DIRFs 2006 e 2009, bem como aquele realizado  sobre valores declarados como "ajuda de custo".  Sustenta  não  haver  omissão  de  rendimentos  uma  vez  que  apresentou  suas  declarações  em  conformidade  com  os  informes  de  rendimento  e  contra­cheques  recebidos,  sendo  induzida à erro pela  finta pagadora, o que  se comprova pelo  fato da mesma, após o  i.  Agente  fiscal  ter  requisitado  informações  quanto  as  operações,  ter  admitido  o  erro  e  apresentado DIRFs retificadoras, portanto, incabível a aplicação de multa de ofício.  Analisando  a  questão,  verificamos  que  restou  incontroverso  o  fato  de  que,  apesar  de  erroneamente  classificado  como  não  tributável,  o  rendimento  foi  integralmente  declarado.  Restou  ainda  incontroverso  o  fato  de  que  a  fonte  pagadora  prestou  informações  equivocadas,  tanto  o  é  que  procedeu  a  retificação  das DIRFs.  Tais  fatos  contam  do  próprio  Relatório Fiscal, decisão  recorrida  e são  corroborados pelos documentos  acostados aos  autos  pela fiscalização e para Recorrente.   A  Recorrente,  na  condição  de  empregada  da  COMUNIDADE  EVANGÉLICA LUTERANA SÃO PAULO, CNPJ 88.332.580/0001­65, não tinha domínio ou  ingerência sobre a forma com que as DIRFs eram apresentadas e, ainda que seja exigível saber  que tais valores recebidos a título de ajuda de custo não preenchiam os requisitos  legais para  tal,  é  plausível  a  hipótese  de  ter  prestado  tais  informações  errôneas  sob  indução  da  fonte  pagadora.  Ante ao principio da boa fé objetiva negar a Recorrente o reconhecimento de  tratar­se  de  erro  escusável  demandaria,  por  parte  da  fiscalização,  maior  desenvolvimento  investigativo no sentido de demonstrar que a mesma tinha algum domínio do fato ou má fé, o  que não é o caso.  Fl. 2480DF CARF MF     10 Nesse sentido, verificamos que o caso se amolda ao entendimento vinculante  proferido pelo Conselho por meio da Súmula CARF nº 73. 1      Ante ao exposto voto por dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto  para afastar a imposição de multa de ofício.  3. DO  LANÇAMENTO REFERENTE  A  DEDUÇÃO DA  BASE  DE  CÁLCULO  PLEITEADA  (DEDUÇÃO  DEPENDENTE, DESPESAS MÉDICAS E INCENTIVO A CULTURA).  A  Recorrente  apresenta  pleito  no  sentido  de  afastar  totalmente  as  glosas  promovidas  pelo  i.  Agente  fiscal  sobre  as  despesas  médicas,  dedução  de  dependente  e  incentivo  a cultura. Basicamente  renova os mesmos argumentos  já adotados na  impugnação,  pleiteando revisão daquilo que não fora acatado pelo julgado recorrido.  No  que  se  refere  glosa  de  deduções  com  a  dependente  SOELLY  IGNES  PUPERI GOMES, nos anos calendários de 2005 a 2008, declarada como pessoa incapaz, mas  que,  em  realidade,  é  sogra da Recorrente não há o que  se  corrigir. O  cônjuge da Recorrente  apresentou sua DAA em separado, neste caso, por falta de previsão legal, não é possível manter  a dedução em pleito.    De acordo com a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 35, o sogro  ou  a  sogra  não  podem  ser  dependentes,  salvo  se  seu  filho  ou  filha  estiver  declarando  em  conjunto  com  o  genro  ou  a  nora,  e  desde  que  o  sogro  ou  a  sogra  não  aufiram  rendimentos,  tributáveis  ou  não,  superiores  ao  limite  de  isenção  anual  (R$  19.645,32),  nem  estejam  declarando em separado.  Com  relação aos  comprovantes de  incentivo a cultura constantes dos autos,  todos aqueles considerados válidos foram aceitos pela DRJ.   No  que  se  refere  as  deduções  relativas  as  despesas  com  empregados  domésticos não merece qualquer ajuste o decisório, eis que somente é dedutível o valor, dentro  dos  limites  legais,  efetivamente  recolhido  à  titulo  de  contribuição  previdenciária  de  custeio  (empregador), conforme o disposto na Lei nº 11.324/2006 c/c do inciso VII e § 3º do art. 12 da  Lei nº 9.250, de 1995.  O  Recurso  em  realidade,  centra  maior  atenção  no  restabelecimento  das  deduções  relativas  as  despesas  com  hidroterapia  prestados  pelo  estabelecimento Acquáticos,  sustentando trata­se de fisioterapia.   Em consulta aos comprovantes de tal despesas [Fl. 325], embora seja factível  tal  alegação,  eis  que  a  fisioterapia  adota  tratamentos  realizados  na  água,  o  comprovante  em  questão não se presta a tal prova.  Nos termos da Resolução COFFITO 8/78, art. 54 e 119, é obrigatório o uso  do número de  inscrição pelo fisioterapeuta ou  terapeuta ocupacional nos  seguintes casos:  em  carimbo,  datilógrafo,  impresso  ou manuscrito  imediatamente  abaixo  da  assinatura,  em  todo  documento  firmado  em razão do  exercício profissional,  e,  em  impresso,  anúncio  e placas  ligados ao exercício profissional, como cartões de vista e receituários.                                                              1  Súmula  CARF  nº  73:  Erro  no  preenchimento  da  declaração  de  ajuste  do  imposto  de  renda,  causado  por  informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.  Fl. 2481DF CARF MF Processo nº 11065.003169/2010­63  Acórdão n.º 2402­006.499  S2­C4T2  Fl. 2.477          11 Não  consta  no  referido  recibo  qualquer  referência  a  profissional  fisioterapeuta,  tão  pouco  a  Recorrente  apresentou  qualquer  prova  complementar  apta  a  sustentar tal pretensão.  Isto posto voto por negar provimento ao recurso neste ponto.  4.  DO  LANÇAMENTO  REFERENTE  A  ALEGADA  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  POR  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA.  Quanto aos depósitos de origem não comprovada a DRJ votou por manter a  integralidade  do  lançamento  sendo  essa  a  razão  de  insurreição  da  Recorrente.  Neste  tópico  alega  não  haver  omissão  de  rendimentos,  pois  os  valores  indicados  como  omitidos  estariam  contidos em suas declarações de rendimento.  Analisando as DAAs dos exercícios 2005 a 2008 temos os seguintes valores  declarados como rendimentos tributáveis:    2005  2006  2007  2008  Rend. Trabalho  R$ 174.183,31  R$ 187.095,20  R$ 197.803,33  R$ 204.332,81  Rend. Isentos e não tributáveis  R$ 451.064,15  R$ 517.948,03  R$ 151.383,58  R$ 64.024,05  Tributação Definitiva na fonte  R$ 10.879,81  R$ 12.449,75  R$ 13.264,38  R$ 17.913,38   Em  levantamento  realizado  por  meio  de  requisições  das  informações  bancárias da recorrente o i. agente fiscal apurou:   2005  2006  2007  2008  R$ 278.015,87  R$ 192.285,64  R$ 202.191,87  R$ 139.611,17  Ao  contrario  do  alegado  pela  Recorrente  os  valores  tido  por  omitidos  são  resultantes de analise promovida pelo i. Agente fiscal que, para realizar o lançamento, excluiu  os seguintes valores:  ­  Valores  depositados  em  conta  relativos  as  distribuições  de  lucros e dividendos, conforme batimento com a contabilidade  da  empresa  VINTE  COMUNICAÇÃO  E  MARKETING  LTDA, CNPJ 05.374.396/0001­50, extinta em 17/08/2006, da  qual a fiscalizada foi sócia (fl. 154);  ­  Registros  cujo  histórico  continha  as  expressões  "FOLHA  PAGAMENTO",  "PROVENTOS",  "CHEQUE  DEVOLVIDO"  (e  suas  variações,  TAIS  COMO  "DEVOLUÇÃO  CHEQUES"),  "CRED  FGTS",  "CRED  INSS",  "ESTORNO",  "PGTO.  FORNECEDOR",  "CD13/RDB", "CDC", "EMPRÉSTIMO' (e assemelhados, tais  COMO  "OPER.CR."),  "DEV.DOC.ELETRON.",  "RESGATE", "SAQUE EM POUPANÇA";  Fl. 2482DF CARF MF     12 Assim,  foram  tomados  por  base  de  calculo  apenas  aquilo  que  excedeu  ao  declarado, sendo mantido pela DRJ aquilo que não restou comprovado, portanto, não merece  prosperar a tese recursal.  CONCLUSÃO  Por  todo  exposto  voto  por  conhecer  do  recurso  para,  no  mérito,  dar­lhe  parcial provimento apenas quanto a exclusão da multa de ofício sobre rendimentos declarados  como ajuda de custos, nos termos da súmula CARF nº 73.   (assinado digitalmente)  Jamed Abdul Nasser Feitoza                                Fl. 2483DF CARF MF

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