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Numero do processo: 13931.000954/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de PIS/Pasep mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.637/2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 31 .0 00 95 4/ 20 08 -1 9 Fl. 443DF CARF MF Processo nº 13931.000954/200819 Resolução nº 3301000.724 S3C3T1 Fl. 444 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.520 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000024/2010 53, 12571.000025/201006, 12571.000026/201042, 12571.000027/201097, 12571.000028/201031, 12571.000029/201086, 12571.000030/201019, 12571.000031/201055, 12571.000032/201008, 12571.000033/201044, 12571.000034/201099, 12571.000035/201033, 12571.000036/201088, 12571.000037/201022, 12571.000038/201077, 12571.000039/201011, 12571.000040/201046, 12571.000041/201091, 13931.000368/200874, 13931.000948/200861, 13931.000949/200814, 13931.000950/200831, 13931.000951/200885, 13931.000952/200820, 13931.000953/200874, 13931.000954/200819, 13931.000955/200863, 13931.000956/200816 e 13931.000957/200852, que tratam da análise de créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.520, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que Fl. 444DF CARF MF Processo nº 13931.000954/200819 Resolução nº 3301000.724 S3C3T1 Fl. 445 3 tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins mercado interno e exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim, entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 445DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.903033/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO.
A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1402-003.318
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO. A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada.
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COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO. A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 30 33 /2 00 9- 38 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10725.903033/200938 Acórdão n.º 1402003.318 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, a DCOMP recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de não homologação da compensação, cujas razões da negativa se fundam no fato de que o DARF informado no PER como pago a maior ou indevido já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação com os débitos informados na DCOMP. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que o crédito pleiteado de pagamento a maior ou indevido existe e foi informado ao fisco através de DCTF retificadora, que zerou o valor de débito anteriormente declarado. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação da PER/DCOMP objeto do presente processo. Na decisão ora recorrida, informa que além da DCTF original, já houve outra retificadora anterior a ultima, em que confirmou o valor anteriormente declarado de débito, que está alocado ao DARF agora pleiteado como indevido. Anos depois, no limiar da decadência da repetição do indébito, retifica novamente a DCTF, zerando o débito, sem juntar qualquer documentação comprobatória da veracidade das informações nela contidas. Não houve DIPJ retificadora para o período em foco, e esta está em consonância com o valor declarado originalmente. A restituição/compensação de tributos no âmbito da Receita Federal do Brasil é regido pelos artigos 165 e 170 do CTN. E quanto à retificação de DCTF, para diminuir ou excluir tributo, é regido pelo artigo 147, §1º, que estipula que só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10725.903033/200938 Acórdão n.º 1402003.318 S1C4T2 Fl. 4 3 Assim, além de não haver coerência nas declarações prestadas pelo contribuinte, deveria ele provar, com a apresentação de sua escrituração contábil e fiscal, as razões da mudança do seu entendimento quanto ao valor devido. Por conseguinte, entendeu não haver certeza e liquidez do crédito alegado pelo contribuinte em seu favor. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que, em síntese, alega vícios de nulidade do despacho decisório, por conta da inexistência de fundamentação e cerceamento de sua defesa, pois no seu entender, não recebera oportunidade de comprovar o seu direito creditório. Igualmente, suscita e alega apenas na sua peça recursal, que o direito creditório pleiteado decorre de alteração no seu coeficiente de apuração do lucro presumido, pois tinha aplicado o de 32%, mas o correto seria de 8%, pois exerce prestação de serviços hospitalares. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10725.903033/200938 Acórdão n.º 1402003.318 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.291, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.903030/2009 02, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.291): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Síntese dos fatos O presente processo versa sobre um PER/DCOMP, em que a recorrente pleiteou um direito creditório baseado em um pagamento indevido ou a maior, de IRPJ referente ao 3º ou 4º trimestre de 2001, ou 1º trimestre de 2002. O Despacho Decisório atacado denegou tal pleito, pois verificou que o DARF objeto do pedido estava integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente, não havendo crédito disponível. A recorrente na sua manifestação de inconformidade alega que o pagamento a maior ou indevido existe e foi informado ao fisco, através de DCTF retificadora apresentada em 14/08/2009, após ter verificado que não apurou tributo a pagar de IRPJ no período referente ao crédito ora pleiteado. A decisão da DRJ considerou improcedente sua manifestação de inconformidade, pois, em linhas gerais, a DCTF retificadora veio desacompanhada de comprovação do erro em que se funde, nos termos do art. 147, §1º do CTN. Além do mais, a DIPJ não foi retificada, havendo incoerência entre as declarações prestadas. Por conseguinte, não haveria certeza e liquidez do direito creditório alegado pela recorrente. Em sede recursal, alega vícios de nulidade do despacho decisório, por conta da inexistência de fundamentação, Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10725.903033/200938 Acórdão n.º 1402003.318 S1C4T2 Fl. 6 5 e por conseguinte, acarretaria cerceamento de defesa. Igualmente, suscita e alega apenas neste momento, sem nada comprovar, que utilizou indevidamente o coeficiente de 32% no lucro presumido para apurar o seu IRPJ, quando o devido seria 8%, já que exerce a atividade de prestação de serviços hospitalares. Da preliminar suscitada Como já exposto anteriormente, a recorrente alega nulidade do Despacho Decisório, ao fundamento que este sofreria de inafastáveis vícios, quais sejam: a) inexistência de fundamentação; b) cerceamento de defesa, por não ter sido oportunizado a possibilidade de comprovar o seu direito creditório. Compulsando os autos, não verifico o alegado. Vejo nesta preliminar suscitado mais uma discordância com os fatos e sua respectiva capitulação legal, o que não é causa de pedir nulidade. O Despacho Decisório está devidamente fundamentado pelo motivo que denegou o pedido de compensação pleiteado, pois se baseou em informações prestadas pela própria recorrente então, quais sejam, o confronto do seu pleito via PER/DCOMP cotejado com o DARF , DCTF e DIPJ. Além do mais, a comprovação do seu crédito já surge oportunizada para a recorrente quando apresentou sua peça impugnatória, mas nada ali agregou comprovando, e pior, então, nem alegou por qual motivo entendia ter direito a repetição do indébito pleiteado como pagamento indevido ou maior. Igualmente, na sua peça recursal nada apresentou comprovando o alegado apenas se limitou a alegar neste momento. Por conseguinte, REJEITO A PRELIMINAR suscitada pela recorrente. Do mérito Em sua peça recursal, a recorrente alega que o direito creditório pleiteado é decorrente da apuração do imposto pelo regime do lucro presumido, com a aplicação do percentual, no seu entender equivocado, de 32% sobre a receita bruta, para efeitos de identificação da base de cálculo do IRPJ, enquanto o correto seria o percentual de 8%, pois se dedicaria à prestação de serviços hospitalares. Tal assunto foi suscitado apenas em sede da segunda instância administrativa, e de forma um tanto sucinta, sem nada agregar comprovando o alegado. Se resumiu a dizer que retificou sua DCTF relacionada ao presente feito pois apurou e recolheu valores maiores a título de IRPJ, pois o correto seria 8%, conforme previa o art. 15, §1º, inciso III, alínea a, da Lei nº Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10725.903033/200938 Acórdão n.º 1402003.318 S1C4T2 Fl. 7 6 9.249/95 (com redação sem as modificações introduzidas pela Lei nº 11.727/2008) combinado com o art. 25, da Lei nº 9.430/1996. Reitero não houve nenhuma comprovação desta alegação, e esta apenas agora apresentada na discussão do presente litígio. A recorrente pretende que se reforme a decisão a quo sob o mero argumento de que sua confissão de dívida prestada em DCTF foi efetuada com erro, o que lhe permitiria obter o direito creditório ora pleiteado. Todavia, inexiste nos autos qualquer prova do alegado erro, ônus que caberia à recorrente, para dar a liquidez e certeza do seu direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN1. A mera apresentação de DCTF retificadora (24/08/2009), diminuindo um débito já considerado extinto, quando já se perfez os 5 anos estabelecidos para se pleitear eventual restituição, nos termos do art. 168 do CTN2, não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do direito creditório. Entendo que no caso, é necessário, na primeira oportunidade, alegar e tentar rechaçar o despacho decisório da forma mais completa possível, já trazendo aos autos comprovações destas alegações. A recorrente não fez isso, pelo contrário omitiu detalhes importantes a serem considerados no julgamento de piso, o que suscitou agora, mas ainda assim, sem nenhuma comprovação, por mais precária que seja. A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 36, estabelece que cabe a carga probatória nestas situações: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 373 desta Lei. Logo, no processo administrativo fiscal, regido e permeado pelo princípio da busca da verdade material, um vetor válido tanto para a Fazenda Nacional quanto para os 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 2 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. 3 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10725.903033/200938 Acórdão n.º 1402003.318 S1C4T2 Fl. 8 7 contribuintes, não basta apenas alegar, quando deveria também provar o alegado. Alegar sem provar equivale a nada alegar. Repetindo o que já dito anteriormente, o direito creditório deve se revestir das características de liquidez e certeza, para que a compensação possa ser efetivada. Quem pleiteia este direito é que cabe demonstrar esta liquidez e certeza. Não cabe agora ao colegiado procurar fazer prova da mera alegação da recorrente, tomandolhe partido, quando esta se mostrou inerte. Eventuais diligências seriam cabíveis para esclarecer algum ponto porventura obscuro, sobre o qual restassem dúvidas, mas não para restabelecer a certeza e liquidez dos créditos pretendidos, o que já deveria estar demonstrado desde a primeira oportunidade ofertada à recorrente. Destarte, pelo todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001346/2010-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS FÍSICAS.
Deve ser (re)estabelecida a responsabilidade tributária quando pessoa física de NOJAN BEDROUD na medida em que tinha poder de gerência à época da dissolução irregular da sociedade, bem como à época do fato gerador.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS JURÍDICAS.
Deve ser (re)estabelecida a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas, visto que manifesto interesse comum nos termos do 124, I, do CTN.
Numero da decisão: 1402-003.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos para, com efeitos infringentes, dar-lhes provimento unicamente para restabelecer a responsabilidade solidária de NOJAN BEDROUD e das pessoas jurídicas MSI MEDIA, MSI GROUP, DEVETIA LIMITED e JUST SPORTS.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone- Presidente
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator
Participaram da sessão os conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS FÍSICAS. Deve ser (re)estabelecida a responsabilidade tributária quando pessoa física de NOJAN BEDROUD na medida em que tinha poder de gerência à época da dissolução irregular da sociedade, bem como à época do fato gerador. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS JURÍDICAS. Deve ser (re)estabelecida a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas, visto que manifesto interesse comum nos termos do 124, I, do CTN.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS FÍSICAS. Deve ser (re)estabelecida a responsabilidade tributária quando pessoa física de NOJAN BEDROUD na medida em que tinha poder de gerência à época da dissolução irregular da sociedade, bem como à época do fato gerador. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS JURÍDICAS. Deve ser (re)estabelecida a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas, visto que manifesto interesse comum nos termos do 124, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos para, com efeitos infringentes, darlhes provimento unicamente para restabelecer a responsabilidade solidária de NOJAN BEDROUD e das pessoas jurídicas MSI MEDIA, MSI GROUP, DEVETIA LIMITED e JUST SPORTS. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Participaram da sessão os conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 46 /2 01 0- 33 Fl. 3059DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração (efls. 1.061/1.066) opostos pela FAZENDA NACIONAL contra o Acórdão nº 1402002.744 (efls. 1.046/1.059), proferido em sessão de julgamento realizada em 19/9/2017, por meio do qual a 2ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF prolatou a seguinte decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. NÃO COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL. CABIMENTO. RECURSOS PROVENIENTES DE PARAÍSO FISCAL. IDENTIFICAÇÃO DOS SÓCIOS. NÃO APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO. CONTRATOS DE CÂMBIO REGISTRADOS NO SISBACEN. CONTRATOS SOCIAIS. Incabível a autuação por presunção legal de omissão de receitas quando resta comprovada a origem de depósitos bancários ainda que provenientes de empresa sediada em paraíso fiscal na medida em que devidamente respaldado em contratos de câmbio registrados no Banco Central do Brasil e demonstrada destinação para integralização de capital. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EMPRÉSTIMOS NÃO COMPROVADOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Depósitos bancários cuja alegada origem em operações de empréstimos não foi comprovada configuram omissão de receitas. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS FÍSICAS. Deve ser afastada a responsabilidade tributária imputada às pessoas físicas na medida em que não tinham poderes de gerência à época da dissolução irregular da sociedade, bem como à época do fato gerador. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS JURÍDICAS. Deve ser excluída a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas, visto que insubsistente julgado no mérito insubsistente a imputação de omissão de receitas pelos depósitos bancários por si realizados e ausente interesse comum (124, I, CTN) no empréstimo SCCP e MSI Licenciamento e Administração Ltda. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração para com fulcro no art. 65 do RICARF por: (i) entender que houve obscuridade quanto à responsabilidade das pessoas físicas (Srs. NOJAN BEDROUD e KIAVASH JOOARABCHIAN) arroladas como solidárias e (ii) entender que houve obscuridade quanto à responsabilidade das pessoas jurídicas. A presidência admitiu os embargos tão somente quanto ao item (i) obscuridade quanto à responsabilidade das pessoas físicas, por entender que “o embargante apresenta, de fato, uma discordância quanto à apreciação de prova dos autos. Contudo, os embargos de declaração são remédio processual de via estreita, aplicável apenas ao saneamento de omissão, contradição ou obscuridade no texto da decisão, não sendo apto a provocar nova apreciação de prova já avaliada na decisão embargada”. Fl. 3060DF CARF MF Processo nº 19515.001346/201033 Acórdão n.º 1402003.276 S1C4T2 Fl. 1.112 3 É o breve relatório. Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator O recurso é tempestivo e assinado por partes competentes. Alega a Embargante que não identificou elementos probatórios que levassem a crer que os Srs. NOJAN BEDROUD e KIAVASH JOOARABCHIAN saíram da direção da empresa antes de sua dissolução irregular. Ao revés, corroborando a informação fiscal, tanto na Ficha Cadastral fornecida pela Junta Comercial do Estado de São Paulo, juntada às fls. 25/43, quanto no Contrato Social de fls. 44/67 (vide cláusula 7ª) as referidas pessoas físicas constam como administradores da autuada. Importa ressaltar que a presunção de dissolução irregular somente permitira o redirecionamento para o sóciogerente, conforme dispõe a Súmula 435 do e. STF: “Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente”. O conteúdo desta Súmula é aplicado de forma ampliada pela Fiscalização em decorrência do disposto no Parecer PGFN nº 180/2011, que ampliou o disposto na Súmula aos terceiros não sócios com poderes de gerencia. Retomando as discussões daquela sessão, relembro que me alinhei ao posicionamento do STJ que a dívida só pode ser redirecionada ao sócio presente no momento da dissolução irregular, pois assim conciliamse as súmulas 430 e 435 do STJ. E admitindo a aplicação da Súmula a terceiros não sócios, ali também apontei que cabe à Fiscalização o ônus de provar a ocorrência da dissolução irregular. E adotei como premissa a presunção de que a dissolução irregular se verificou em agosto de 2008, haja vista a declaração do gerente predial que naquele período a empresa deixou o endereço em que se localizava. Isto posto, entendi que somente os sóciosgerentes que estavam no exercício do cargo naquele período poderiam sofrer o redirecionamento. Compulsando os autos, verificase que os responsáveis NOJAN BEDROUD e KIAVASH JOOARABCHIAN afirmam que saíram do cargo de gerência em 01 de setembro de 2006, ou seja, dois anos antes da presunção da dissolução irregular. É verdade que de acordo com a última alteração contratual da sociedade, eles ainda constam como representantes da MSI Licenciamento e Administração LTDA, mas também o é que eles não poderiam alterar o contrato social sem a manifestação dos sócios, conforme dispõe o art. 1.076, do Código Civil e registrado no próprio manual da JUCESP: Fl. 3061DF CARF MF 4 Ou seja, ato que não lhes competia. Ainda assim, em relação a KIAVASH JOOARABCHIAN consta dos autos que ele teria notificado extrajudicialmente os sócios e veiculado em jornais de grande circulação seu desligamento da posição de representante da MSI desde setembro de 2006, dando publicidade ao ato, ainda que em 2010 (fls. 765767), o que teria suportado a convicção deste conselheiro na formulação de seu voto. De outro lado, entretanto, verificase que tais atos não foram cumpridos pelo Sr. NOJAN BEDROUD, como outrora se pensara, não havendo outros indícios que não suas meras afirmações em seu Recurso Voluntário. No que respeita a omissão/obscuridade quanto a manutenção da TSPS das pessoas jurídicas tenho para mim que assiste razão à PGFN na medida em que as pessoas Fl. 3062DF CARF MF Processo nº 19515.001346/201033 Acórdão n.º 1402003.276 S1C4T2 Fl. 1.113 5 jurídicas MSI MEDIA, MSI GROUP, DEVETIA LIMITED e JUST SPORTS deixaram transcorrer in albis o prazo para apresentação de defesa administrativa tratandose, portanto, de matéria preclusa nos termos arts.167 do Decreto n.70235. Isto posto, é necessário acatar os presentes embargos, reconhecendo seus efeitos infringentes, mas tão somente em face de NOJAN BEDROUD, haja vista não existem outros indícios de que teria deixado de exercer cargo de gerência na MSI, e das pessoas jurídicas MSI MEDIA, MSI GROUP, DEVETIA LIMITED e JUST SPORTS. Do exposto, voto por julgar parcialmente procedentes os embargos para (re)estabelecer a reponsabilidade da pessoa física NOJAN BEDROUD e das pessoas jurídicas MSI MEDIA, MSI GROUP, DEVETIA LIMITED e JUST SPORTS. É como voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 3063DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000317/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 17 /2 00 9- 91 Fl. 317DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 2 o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 318DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido Fl. 319DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 4 dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se Fl. 320DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 5 questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; Fl. 321DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 6 c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Sobreveio Acórdão nº 10046.563, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 7 Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas Fl. 323DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 8 anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 324DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 9 b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para Fl. 325DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 10 locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 11 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água Fl. 327DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 14 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados Fl. 330DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 15 como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos Fl. 331DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 17 Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 333DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13433.000395/2005-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003
BENS ATIVÁVEIS.
O custo de aquisição de bens do ativo permanente ou das melhorias
realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser capitalizado para ser depreciado, não podendo ser deduzido como despesa operacional.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2003
BENS ATIVÁVEIS.
O custo de aquisição de bens do ativo permanente ou das melhorias
realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser capitalizado para ser depreciado, não podendo ser deduzido como despesa operacional.
Numero da decisão: 1302-000.750
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2003 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2003 BENS ATIVÁVEIS. O custo de aquisição de bens do ativo permanente ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser capitalizado para ser depreciado, não podendo ser deduzido como despesa operacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2003 BENS ATIVÁVEIS. O custo de aquisição de bens do ativo permanente ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser capitalizado para ser depreciado, não podendo ser deduzido como despesa operacional.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 BENS ATIVÁVEIS. O custo de aquisição de bens do ativo permanente ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser capitalizado para ser depreciado, não podendo ser deduzido como despesa operacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 BENS ATIVÁVEIS. O custo de aquisição de bens do ativo permanente ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser capitalizado para ser depreciado, não podendo ser deduzido como despesa operacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Fl. 270DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13433.000395/200515 Acórdão n.º 130200.750 S1C3T2 Fl. 2 2 Marcos Rodrigues de Mello relator designado ad hoc e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Irineu Bianchi Relatório Fl. 271DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13433.000395/200515 Acórdão n.º 130200.750 S1C3T2 Fl. 3 3 Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os autos de infração de fls. 05/11 e 12/16, através dos quais foi constituído, respectivamente, o crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 330.945,99, incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%, e referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL no valor de R$ 134.172,09, também incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%. De acordo com os autos de infração e com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 21/26), o lançamento foi decorrente da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL não declarados nos quatro trimestres do anocalendário de 2003. Sustenta a autoridade lançadora que a empresa realizou atividades normais no período em questão, conforme o atesta sua documentação fiscal e contábil, porém apresentou a Declaração de Informações EconômicoFiscais – DIPJ com os campos zerados. Aduz a fiscalização que apurou os resultados trimestrais com base no livro Razão e que glosou valores atinentes a construções em andamento, considerados como despesas pela contribuinte, que deveria contabilizálos no ativo. Esclareceu, por fim, que apurou os resultados com base no livro Razão e que deduziu valores recolhidos pela empresa no anocalendário em questão. O enquadramento legal das infrações, bem assim os demonstrativos de apuração do crédito tributário, encontramse nos autos de infração e em seus anexos. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 160/172), alegando, em síntese, que as construções em andamento referemse à reforma da pavimentação do pátio do posto de combustíveis, que não representariam aumento do ativo da empresa. Argúi, nesse raciocínio, que não teria havido fato gerador do imposto e da contribuição e que os valores despendidos representaram efetivas despesas com reparos e conservação. Cita doutrina e jurisprudência que a seu ver lhe socorrem. Ao final, requereu a insubsistência da autuação A DRJ decidiu: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 IRPJ. CSLL. VALORES ESCRITURADOS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela interessada. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 BENS ATIVÁVEIS. O custo de aquisição de bens do ativo permanente ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser capitalizado para ser depreciado, não podendo ser deduzido como despesa operacional. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Fl. 272DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13433.000395/200515 Acórdão n.º 130200.750 S1C3T2 Fl. 4 4 Anocalendário: 2003 BENS ATIVÁVEIS. O custo de aquisição de bens do ativo permanente ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser capitalizado para ser depreciado, não podendo ser deduzido como despesa operacional. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 14/05/2008 e apresentou recurso em 16/06/2008. A contribuinte apresentou recurso, alegando, em síntese, que as construções em andamento referemse à reforma da pavimentação do pátio do posto de combustíveis, que não representariam aumento do ativo da empresa. Argúi, nesse raciocínio, que não teria havido fato gerador do imposto e da contribuição e que os valores despendidos representaram efetivas despesas com reparos e conservação. Cita doutrina e jurisprudência que a seu ver lhe socorrem. Voto Fl. 273DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13433.000395/200515 Acórdão n.º 130200.750 S1C3T2 Fl. 5 5 A lide se restringe ao fato da recorrente ter deduzido como despesas operacionais gastos em construções que, no entender da fiscalização e do acórdão recorrido deveriam ter sido ativados. Não há reparo a fazer ao decidido em 1ª instância. Afirma o acórdão recorrido: Analisandose o Razão da empresa (fls. 40/92), constatase não proceder a alegação da defesa. As despesas com reparos e conservações já constituem conta própria, de nº 42105005, na qual estão contabilizadas diversas despesas de monta e natureza compatíveis com materiais de conservação e reparos. O item “construções em andamento” está escriturado em conta distinta, de nº 43101001 (fl. 88), em parcelas mensais de vulto individualmente considerável. 12.Acresce que a própria impugnante afirma que o item “construções em andamento” diz respeito à reforma do pátio do seu estabelecimento, o que não pode ser confundido com meros reparos de manutenção. Tratase, na verdade, de melhoramentos, de benfeitorias que se incorporam ao imóvel, agregandolhe valor e estendendolhe o prazo de vida útil em mais de um ano, em face do que seus custos deveriam ser levados ao Ativo Permanente, para depreciação futura, e não ser contabilizados como despesas operacionais do exercício. É o que prescreve o vigente Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (grifos acrescidos): “(...) Art. 301 O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (Decretolei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). (...) § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, §1º). (...) Art.346. Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens e instalações destinadas a mantêlos em condições eficientes de operação (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48). Fl. 274DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13433.000395/200515 Acórdão n.º 130200.750 S1C3T2 Fl. 6 6 §1º Se dos reparos, da conservação ou da substituição de partes e peças resultar aumento da vida útil prevista no ato de aquisição do respectivo bem, as despesas correspondentes, quando aquele aumento for superior a um ano, deverão ser capitalizadas, a fim de servirem de base a depreciações futuras (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48, parágrafo único). 13.O Parecer Normativo CST nº 22, de 22 de abril de 1987, dispõe, em seu item 2, que: “2. Segundo o disposto no parágrafo único do art. 227 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 85.450, de 04 de dezembro de 1980, se dos reparos, da conservação ou da substituição de partes resultar aumento da vida útil prevista no ato de aquisição do respectivo bem, as despesas correspondentes, quando aquele aumento for superior a um ano, deverão ser capitalizadas, a fim de servirem de base a depreciações futuras. Não há dúvida, havendo aumento da vida útil por prazo superior a um ano, as despesas correspondentes devem ser registradas como acréscimo ao custo do bem.” 14.A jurisprudência administrativa é pacífica nesse sentido: “BENFEITORIAS, REPAROS E CONSERVAÇÃO – Benfeitorias e despesas de reparos e conservação de bens imóveis cuja vida útil supera um exercício deverão ser ativadas para futuras amortizações (...)” (Ac. 1º CC. 10174.012/83) “BENS ATIVÁVEIS – O custo de aquisição de bens do ativo permanente ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser capitalizado para ser depreciado, não podendo ser deduzido como despesa operacional.” (Ac. 10806.016, de 23/02/2000). 15.As argüições da contribuinte acerca do fato gerador do imposto e da contribuição não ilidem o lançamento. A autoridade fiscal apurou o IRPJ e a CSLL a partir do lucro líquido ajustado, na forma da legislação de regência: RIR/99 “(...) Art.219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV)ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 8.981, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Art.220. O imposto será determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). (...) Art.247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou Fl. 275DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13433.000395/200515 Acórdão n.º 130200.750 S1C3T2 Fl. 7 7 autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). §1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, §1º). (...) Art.249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §2º): Ios custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; (...)”Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 “(...) Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de renda das pessoas jurídicas, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. Como se pode observar no acima transcrito, a recorrente deduziu como despesas operacionais, gastos que, por disposição legal e a disciplina contábil, tem de ser ativados, estando correta a exigência fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Fl. 276DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10920.908172/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. CONTRATO DE CÂMBIO EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO COMBIAL POSITIVA. RECEITA. DCTF RETIFICADORA. ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS VALIDADAS EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA
Comprova-se a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, por meio da validação da escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração.
Numero da decisão: 1302-002.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. CONTRATO DE CÂMBIO EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO COMBIAL POSITIVA. RECEITA. DCTF RETIFICADORA. ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS VALIDADAS EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA Comprova-se a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, por meio da validação da escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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IRPJ PAGO A MAIOR. CONTRATO DE CÂMBIO. REGIME DE CAIXA. RETIFICAÇÃO DE DCTF Recorrente IMOSEST INDUSTRIA DE MOVEIS E ESTOFADOS EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. CONTRATO DE CÂMBIO EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO COMBIAL POSITIVA. RECEITA. DCTF RETIFICADORA. ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS VALIDADAS EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA Comprovase a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, por meio da validação da escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 81 72 /2 00 9- 41 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10920.908172/200941 Acórdão n.º 1302002.991 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de retorno de diligência designada para a verificação quanto à existência e disponibilidade de direito creditório, decorrente de IRPJ pago a maior, relativo a contratos de câmbio para exportação, em meses em que a recorrente teria auferido receita, em virtude de variação cambial ativa (positiva). Conforme Despacho Decisório Eletrônico (fl. 5) houve a não homologação da DCOMP nº 38763.79555.200306.1.3.049559, que indicava como tipo de crédito: Pagamento Indevido ou a Maior; Processo de Crédito (PER): 10920908.171/200905. A decisão indicou inexistência de crédito ou crédito integralmente utilizado, em relação ao período de apuração: 30/06/2005. A recorrente sustentou os motivos pelos quais teria excluído a receita de variação cambial ativa, inicialmente oferecida à tributação (fls. 185/188). Salientou que a tributação de tal receita teria ocorrido com base no regime de caixa, em conformidade com o art. 30 da MP nº 2.15835/2001. Assim, alegou a ocorrência de erro no preenchimento da DCTF e que o valor correto do IRPJ devido seria o indicado na DIPJ, ano calendário 2005. O erro referiase ao segundo trimestre de 2005 (abril, único mês em que teria havido variação cambial ativa). Houve retificação da DCTF. Todavia, posteriormente ao Despacho Decisório Eletrônico. À vista de tais razões de recurso voluntário, interposto face ao Acórdão nº 0356.225, de 17/10/2013, da 4ª Turma da DRJ em Brasília (fls. 76/80), designouse diligência, nos termos da Resolução nº 1801000.368, de 25/11/2014, da 1ª Turma Especial da 1ª Seção (extinta), assim indicada: "...a fim de reratificar os cálculos da recorrente, a autoridade fiscal verifique o valor da base de cálculo do IRPJ relativo ao 2° trimestre de 2005 junto a contabilidade completa da recorrente, bem como a correção do procedimento em expurgar a variação cambial ativa e Saldo do IRPJ apurado, explicitando os cálculos em Relatório Fiscal e juntando aos autos, em cópia, os registros contábeis pertinentes." A diligência foi realizada, registrandose a Informação Fiscal de fls. 200/204. A recorrente foi devidamente intimada (fl. 208). Não houve manifestação. A Informação Fiscal (fls. 200/204) registrou as seguintes constatações favoráveis à recorrente: 6. Consultandose os sistemas da RFB, verificase que o contribuinte apresentara duas DCTFs. 7. A retificadora (DCTF) foi apresentada após a emissão do despacho decisório, objeto do presente processo. Com relação ao IRPJ, houve alteração. O valor foi reduzido de R$ 2.888,73 (pagamento em duas cotas) para R$ 2.097,98 (pagamento em duas cotas). O contribuinte, como se relatou, alegou que houve erro no lançamento contábil das contas de variação cambial ativa e passiva. 8. A DIPJ 2006, por sua vez, não foi retificada e indicava um valor correspondente de R$02.097,99 de IRPJ para o segundo trimestre. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10920.908172/200941 Acórdão n.º 1302002.991 S1C3T2 Fl. 4 3 9. Ou seja, a DIPJ 2006 ainda que apenas informativa diferia da DCTF original. A DCTF retificadora indica, por sua vez, o valor constante na DIPJ. 10. Diante de tal situação, procurouse, junto aos elementos de prova já juntados, verificar que valor seria correto para o IRPJ do 2° trim/2005. O cerne da questão estaria na apuração de receita financeira (variação cambial) com relação a maio de 2005. 11. Os extratos bancários permitiram localizar os créditos oriundos da liquidação dos contratos de câmbio feitos pela empresa. São eles: 15/04/2005 R$ 30.639,17 (fl. 103) 31/05/2015 R$ 30.123,83 (fl. 111) 06/06/2005 R$ 37.562,46 (fl. 122) 14/06/2005 R$ 36.759,44 (fl. 123) 12. Tais créditos correspondem às notas fiscais da tabela abaixo. Na mesma tabela fica evidente que somente houve variação cambial positiva abril: 13. O contribuinte, em suas alegações, destaca: Em anexo o contribuinte demonstra através dos extratos bancários referentes aos meses de abril, maio e junho, bem como cópia da planilha de apuração de imposto de renda e contribuição social do 3º trimestre/2005, e razões contábeis das contas de variação cambial ativa e passiva, comprovando que, a única liquidação de operação de câmbio com variação cambial ativa que houve no trimestre, foi no mês de abril, e que foi devidamente tributada, no valor de R$ 4.717,22 (quatro mil, setecentos e dezessete reais, e vinte e dois centavos); no mês de maio e no mês de junho houve liquidação, mas com variação cambial passiva. 14. Observandose os extratos, há quatro valores creditados a título de operações cambiais. Interessa, no caso, a operação de maio vez que o próprio contribuinte afirma ter tido fechamento de contrato de câmbio com variação cambial positiva em abril e em junho não houve apuração de IRPJ sobre operações de câmbio. 15. No extrato do mês de maio, à fl. 111, consta: 31/05/2005 Câmbio 1760505636 30.123.83 C 16. Este crédito se refere ao pagamento referente ao contrato de câmbio de compra nr. 05/016557 (fl. 113). A taxa cambial estipulada no contrato foi de R$2,3962914. A nota fiscal (nº 1648), por sua vez, foi emitida no valor de R$37.842,16, em 22/04/2005 (fl. 114), em virtude da operação negociada com a fatura proforma 12/2005 (campo de informações complementares). Tais dados correspondem ao constante no contrato de câmbio (ver "outras especificações" fl. 119), sendo o Registro de Exportação RE feito sob nº 05/0577513001 a 002 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10920.908172/200941 Acórdão n.º 1302002.991 S1C3T2 Fl. 5 4 (Despacho de Exportação fl. 199) e O.P. 305636 (corresponde ao nº do depósito no extrato). 17. Portanto, concluise que não houve variação cambial passível de tributação em maio de 2005. Logo, a DIPJ 2006 espelha os fatos de acordo com a contabilidade apresentada pelo contribuinte, sendo o valor do IRPJ devido, no 2° trim 2005, seria de R$ 2.097,99 e não R$ 2.888,73, como constava da DCTF original. No Razão Analítico (fl. 154), consta como provisionamento, de fato, o valor de R$ 2.888,73. Também se percebe o lançamento do valor da variação cambial da fatura 12 contra a conta 0413.00002 (variação cambial ativa), o que promoveria o erro na apuração do IR devido. 18. Da contabilidade trazida aos autos, no Balancete do segundo trimestre (para apuração do IRPJ presumido) verificase que a Receita Ajustada (2.4 Total da Receita Ajustada fl. 92), consta o valor de R$ 115.866,92. Idêntico ao valor da DIPJ 2006 (ficha 14A linha 2 fl. 200). 19. Assim, conforme o requerido pelo Carf, elaborouse a planilha abaixo para apurar o IRPJ do segundo trimestre de 2005: Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 8%; 115.866,92 Resultado do Percentual sobre a Receita Bruta : 9.269,35 Variações Cambiais Ativas: 4.717,22 Base de Cálculo do IRPJ sobre Lucro Presumido: 13.986,57 Imposto Apurado: 2.097,99 20. Finalmente, o contribuinte optou por realizar o pagamento em duas cotas. O valor de cada cota seria de R$ 1.048,99, portanto. 21. No caso, o pagamento realizado foi de R$ 1.444,37 (principal) + R$ 14,44 (juros), em 31/08/2005. Houve, portanto, um pagamento a maior de R$ 395,38 (valor do principal). 22. Importante ressaltar que esta DComp está relacionada ao PER 20289.23668. Tal pedido havido sido processado pelo sistema e a restituição realizada sem considerar a Dcomp. Tal fato foi sanado, conforme o despacho de fls. 195 a 197. A cobrança foi realizada e a restituição recebida indevidamente foi resolvida (fl. 198). 23. Entendo, assim, atendida a diligência solicitada pelo Carf. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Os pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário foram analisados por ocasião da Resolução nº 1801000.368, de 25/11/2014, da 1ª Turma Especial da 1ª Seção (extinta) e o recurso foi conhecido. Ratifico o conhecimento do recurso. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10920.908172/200941 Acórdão n.º 1302002.991 S1C3T2 Fl. 6 5 O Acórdão recorrido manteve o Despacho Decisório Eletrônico (fl. 5) que não homologou a DCOMP nº 05428.18389.140306.1.3.043897, transmitida em 14/03/2006, que indicava como Tipo de Crédito: Pagamento Indevido ou a Maior; Processo de Crédito (PER): 10920908.171/200905. Valor original do crédito: R$1.458,81. A decisão indicou, inexistência de crédito ou crédito integralmente utilizado, em relação ao período de apuração: 30/06/2005. Na forma retro relatada, a DRF, em cumprimento à citada Resolução, diligenciou e concluiu que, a única liquidação de operação de câmbio com variação cambial positiva, verificada no segundo trimestre de 2005, foi a ocorrida em abril, a qual foi devidamente tributada, no valor de R$ 4.717,22. Certificouse que, em maio e junho houve liquidação, mas com variação cambial negativa. Verificouse que foi correta a retificação da DCTF (redução do IRPJ DE R$2.888,73 para R$2.097,98; a DIPJ 2006 indicava R$2.097,98 para o segundo trimestre), ainda que efetuada após o despacho decisório eletrônico. Confirmouse que, o pagamento realizado foi de R$1.444,37, em 29/07/2005, perfazendo um pagamento indevido de R$ 395,38. Assim, realmente havia a existência e disponibilidade de direito creditório, decorrente de IRPJ pago a maior, relativo a contratos de câmbio para exportação, no mês (abril) em que a recorrente teria auferido receita, em virtude de variação cambial ativa (positiva). Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para homologar a DCOMP nº 38763.79555.200306.1.3.049559, até o limite reconhecido. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 217DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.949415/2008-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE.
O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 94 15 /2 00 8- 34 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.949415/200834 Acórdão n.º 3402005.446 S3C4T2 Fl. 3 2 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata o presente processo de análise de PER/DCOMP apresentado pela interessada, através da qual requer o ressarcimento de crédito de IPI. A autoridade administrativa prolatou Despacho Decisório eletrônico, por meio do qual indeferiu o pedido de ressarcimento apresentado no PER/DCOMP, com a seguinte fundamentação: Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. O sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, requerendo a reforma da decisão, pelas seguintes razões, em síntese: · Preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por ter sido emitido por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e não pela autoridade competente prevista no art. 43 da IN SRF no 600/2005; · nulidade do despacho decisório pela falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.949415/200834 Acórdão n.º 3402005.446 S3C4T2 Fl. 4 3 · nulidade do despacho decisório pela inexistência de motivação demonstrando as razões do indeferimento do pedido, resultando em cerceamento do direito de defesa. · No mérito, alega possuir o direito ao ressarcimento; · requer a correção do ressarcimento pela SELIC; · requer a realização de perícia e diligência, informando que não juntou os documentos comprobatórios do direito creditório por serem em grande quantidade. Por meio do acórdão nº 14035.085,a DRJ em Ribeirão Preto não acolheu as razões de defesa da manifestante, e manteve o Despacho Decisório da DERAT/SP. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando as alegações de sua manifestação de inconformidade, em síntese: (i) preliminarmente, a nulidade da decisão recorrida pelo indeferimento do pedido de perícia e diligência e pela falta de apreciação de relevante questão; (ii) incompetência do AFRFB; (iii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; (iv) inexistência de motivação; (v) cerceamento do direito de defesa. No mérito, alega (vi) o seu direito ao ressarcimento; e (vii) a correção pela SELIC. Requer (viii) a realização de diligência e perícia. Requer o acolhimento e provimento do recurso, para reconhecimento do direito creditório pleiteado; subsidiariamente, requer o cancelamento do Despacho Decisório e a emissão de nova decisão; cancelamento do Acórdão recorrido por ter negado seu direito à realização de perícia e diligência; e reconhecimento da incidência da Taxa SELIC sobre o valor dos créditos do IPI pleiteados, bem como a homologação das compensações realizadas até o montante do crédito cujo ressarcimento for reconhecido administrativamente. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.440 de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.933860/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.440): Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.949415/200834 Acórdão n.º 3402005.446 S3C4T2 Fl. 5 4 "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Em sede de preliminar a recorrente alegou nulidade da decisão recorrida e do Despacho Decisório. Preliminar de nulidade da decisão recorrida A recorrente alega nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa, baseada em dois argumentos: (i) indeferimento dos pedidos de perícia e diligência formulados; e (ii) não apreciação de parte dos argumentos de defesa. Referente ao primeiro argumento, a recorrente alegou que a negativa de seu pedido de perícia e diligência formulado na impugnação cerceou seu direito de defesa, especialmente pela quantidade de documentos envolvidos que inviabilizou a anexação dos mesmos nos autos. Alega que tais documentos dariam suporte documental para o reconhecimento de seu direito creditório. A turma julgadora a quo entendeu que não se encontrava presente as condições para o deferimento dos pedidos de diligência e produção pericial formulados, com fundamento nos artigos 18 e 28 do Decreto 70.235/72, a seguir transcritos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado também o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93) Perfeitamente fundamentada a decisão, não há que se considerar qualquer nulidade na decisão. O julgador a quo entendeu que seria desnecessária a perícia solicitada pela impugnante, por entendêla Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.949415/200834 Acórdão n.º 3402005.446 S3C4T2 Fl. 6 5 dispensável para o deslinde do julgamento. Recordese que a realização de perícia somente se justifica se a análise do acervo probatório exige conhecimento técnico especializado. E essa condição, inequivocamente, não se vislumbra no caso em tela, uma vez que as provas necessárias à comprovação do direito creditório pleiteado cingemse a documentos fiscais e contábeis, cuja análise prescinde do parecer de especialista. Quanto ao segundo argumento, de nulidade da decisão pela falta de apreciação de questões levantadas na Manifestação de Inconformidade (item II.1.1 A Incompetência do AFRFB e item II.1.3 A Inexistente Motivação), também não assiste razão à recorrente. Consta expressamente do voto condutor do acórdão recorrido, no subtítulo “preliminares” a expressa manifestação da turma julgadora sobre a autoridade competente para a assinatura do Despacho Decisório e sobre a motivação para a glosa do crédito, conforme constatase pela simples leitura dos seguintes excertos da decisão: “A manifestante requer a nulidade do despacho decisório que indeferiu totalmente o pedido, alegando cerceamento do direito de defesa, pois não haveria a motivação para a glosa dos créditos. Improcedente a alegação da contribuinte, pois não houve ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária. [...] Também não procede a alegação de que o Despacho Decisório é nulo porque não foi assinado por autoridade competente. Como se verifica à fl. 40, o Despacho foi assinado pelo titular da DERAT/São Paulo. O que confundiu a manifestante é que os cargos de Delegado são ocupados por auditores da Receita Federal. Assim, além de auditor, o signatário do Despacho é também o titular da DERAT.” Portanto, rejeitase as preliminares de nulidade da decisão recorrida. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A recorrente alega nulidade do Despacho Decisório com base em dois argumentos: (i) incompetência do AFRFB; (ii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; e (iii) inexistência de motivação e cerceamento do direito de defesa. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.949415/200834 Acórdão n.º 3402005.446 S3C4T2 Fl. 7 6 Quanto ao primeiro argumento, de incompetência do AFRFB, a recorrente demonstra seu total desconhecimento da estrutura funcional da Secretaria da Receita Federal do Brasil, visto que a autoridade administrativa titular da unidade (DERAT/SP) é um AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e, por isso, consta tal cargo no Despacho Decisório emitido pela unidade. Ou seja, o documento foi assinado pela autoridade competente (Delegado da DERAT), cujo cargo era AFRFB. A recorrente alega também a nulidade pela falta de intimação para sua manifestação sobre o fim da instrução, fato que teria descumprida uma formalidade essencial prevista no artigo 44 da Lei n° 9.784/99, verbis: Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente, visto que a norma específica que rege o Processo Administrativo Fiscal é o Decreto 70.235/72, aplicandose apenas subsidiariamente as regras da Lei n° 9.784/99. No caso em questão, inexiste tal determinação no PAF, que dispõe sobre a intimação em seu artigo 23, e sobre o prazo para a impugnação em seu artigo 15. Quanto à alegação de nulidade do Despacho Decisório pela inexistência de motivação, a decisão a quo já destacou sua total improcedência, e nenhuma outra razão foi trazida à lide. Expressamente o Despacho Decisório informa o fundamento da negativa do direito creditório pleiteado: “Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP”. Também foi trazido aos autos pela autoridade fiscal o "Demonstrativo da apuração após o período do ressarcimento", detalhando como ocorreu a utilização do saldo credor do trimestre no abatimento de débitos em períodos subsequentes. Dessa forma, nenhum vício de motivação ou mesmo qualquer cerceamento de direito de defesa pode ser imputado ao Despacho Decisório, que trouxe as informações necessárias para o pleno conhecimento das razões do fisco no indeferimento do pleito. Portanto, rejeitase as preliminares de nulidade do Despacho Decisório. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.949415/200834 Acórdão n.º 3402005.446 S3C4T2 Fl. 8 7 Mérito No mérito, a recorrente alega seu direito ao ressarcimento do crédito do IPI pleiteado no Pedido de Ressarcimento e a devida correção pela SELIC. Entretanto, não apresenta nenhuma prova de seu direito. Conforme já exposto, a glosa ocorreu pela constatação de utilização integral saldo credor passível de ressarcimento entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior à data de transmissão da PER/DCOMP, conforme demonstrativo de apuração emitido juntamente com o Despacho Decisório. Transcrevo excerto do voto condutor do acórdão recorrido, que traz a apreciação do julgador acerca da questão, fundamentos que adoto no presente voto: “A verificação eletrônica da legitimidade do valor pleiteado pelo contribuinte consiste no cálculo do saldo credor de IPI passível de ressarcimento apurado ao fim do trimestre calendário a que se refere o pedido. Outra verificação consiste em analisar se esse saldo se mantem na escrita até o período imediatamente anterior ao da transmissão do PER/DCOMP. Constatada a utilização integral ou parcial do saldo credor existente no final do trimestre, glosase a diferença encontrada. O fundamento para tal procedimento está baseado no sistema de apuração e utilização dos créditos do imposto, em conformidade com o artigo 195, do RIPI/2002: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, §3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). §1º. Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no §2º. (Lei n°5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei n°9779, de 1999, art. 11). §2º. O saldo credor de que trata o §1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.949415/200834 Acórdão n.º 3402005.446 S3C4T2 Fl. 9 8 MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei n2 9.779, de 1999, art. 11). Certo é que o saldo credor de IPI apurado em um determinado trimestre e utilizado para abatimento de débitos de trimestres posteriores exaurese e, por conseguinte, não pode ser ressarcido. Caso contrário, a contribuinte deveria recolher aqueles débitos que foram compensados com referidos créditos. Conforme se verifica no "DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DO RESSARCIMENTO" (fls. 09/10), a totalidade do saldo credor existente no final do trimestre em referência, e que foi objeto do presente PER/DCOMP, foi consumido no abatimento de débitos e não poderia ser incluído no pedido de ressarcimento, estando corretos a glosa e o indeferimento realizados pela delegacia de origem.” Não foi trazido aos autos nenhum elemento que poderia modificar a decisão, que permanece válida em todos os seus fundamentos. Quanto ao direito à correção dos créditos pela SELIC, nada há que ser decidido pela inexistência de qualquer direito creditório passível de ser ressarcido e corrigido. Dessa forma, rejeitase as alegações da recorrente, também no mérito. Por fim, rejeitase também os pedidos de perícia e diligência apresentados na peça recursal, cujas razões foram as mesmas suscitadas na fase processual anterior e já rechaçada pela DRJ, sob o fundamento que seria desnecessária e dispensável para o deslinde do julgamento. Destacase o disposto no artigo 29 do PAF, que dispõe que as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias. Entretanto, destacase que a recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.949415/200834 Acórdão n.º 3402005.446 S3C4T2 Fl. 10 9 determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Não procede qualquer alegação que poderia justificar a total ausência de provas por parte daquele que requer o direito, mesmo aquela que aponta a quantidade de documentos envolvidos que inviabilizaria sua anexação aos autos. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Portanto, indeferese os pedidos de diligência e perícia, rejeitase os pedidos de cancelamento do Despacho Decisório e do acórdão recorrido, pelas razões acima expostas Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 99DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720621/2016-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2011 a 30/11/2012
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EMPREGADOS. ACORDO PRÉVIO.
As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Os juros de mora são aplicáveis sobre a multa de ofício, na medida em que ela é integrante do crédito tributário não integralmente pago no vencimento.
Numero da decisão: 2402-006.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento parcial ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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PLR. Recorrente BANCO VOTORANTIM SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2011 a 30/11/2012 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EMPREGADOS. ACORDO PRÉVIO. As regras para percepção da PLR devem constituirse em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Os juros de mora são aplicáveis sobre a multa de ofício, na medida em que ela é integrante do crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento parcial ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 21 /2 01 6- 36 Fl. 730DF CARF MF 2 Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A DRJ/JFA fez um relato preciso do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até a prolatação do acórdão de impugnação, que passa a integrar, em parte, o presente relatório: Das autuações Tratase de autos de infração de contribuições previdenciárias patronais, incluindo GILRAT, no valor total, com juros e multa, de R$61.062.490,62, e devidas a outras entidades e fundos (Salário Educação e INCRA), no valor total de R$6.638.196,72 (fls. 285/300). Conforme Relatório Fiscal (fls. 301/331), as contribuições lançadas foram apuradas sobre os valores de "Participação nos Lucros e Resultados" (PLR) da empresa, pagos aos empregados nas competências 10/2011, 11/2011, 12/2011, 02/2012, 10/2012 e 11/2012, não informados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). Os valores apurados pela fiscalização foram obtidos de planilhas de dados, fornecidas pela empresa, e confirmados em folhas de pagamento e na contabilidade. São citados, como fundamentos das autuações, os seguintes dispositivos: art. 7º, XI, da Constituição de 1988 (CRFB); art. 28, §9º, "j" da Lei nº 8.212, de 1991; art. 214, §9º, X, do Decreto nº 3.048, de 1999; art. 150, §6º, e art. 111, I, ambos do Código Tributário Nacional (CTN); e a Lei nº 10.101, de 2000, a qual regula a participação dos trabalhadores nos lucros e resultados da empresa, como instrumento de integração entre o capital e o trabalho, e como incentivo à produtividade. Consta do Relatório Fiscal o que vem abaixo transcrito: 5. Da Participação nos Lucros ou Resultados... 5.11. Verificase, portanto, a necessidade de serem analisadas as condições em que essa verba é ajustada e paga, para que se possa concluir se a mesma corresponde ou não à disciplina da Lei n° 10.101/2000 e assim possa ser excluída ou não da tributação. Vejamos então a situação em concreto. ... Fl. 731DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 3 3 5.13. Foram encontrados na contabilidade da empresa em epígrafe (...), pagamentos de verbas a título de PLR aos seus empregados. 5.14. Esses pagamentos, cujos montantes por beneficiário e rubrica são apontados na planilha de PLR apresentada pelo contribuinte em 10/08/2016, foram realizados com base nos subsequentes instrumentos de negociação conforme informação prestada pela empresa em 18/02/2016 por meio de planilhas com dados das rubricas: a) Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados do Banco Votorantim S/A, datado de 25/04/2011, com vigência retroativa no período de 01/01/2011 a 31/12/2011; b) Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados do Banco Votorantim S/A, datado de 02/05/2011, com vigência retroativa no período de 01/01/2011 a 31/12/2011; c) Acordo Coletivo de Trabalho Programa Próprio de Participação nos Resultados Banco Votorantim S/A, datado de 25/10/2012, com vigência retroativa no período de 01/01/2012 a 31/12/2012; d) Acordo Coletivo de Trabalho Programa Próprio de Participação nos Resultados Banco Votorantim S/A, datado de 29/10/2012, com vigência retroativa no período de 01/01/2012 a 31/12/2012; e) Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2011, datada de 21/10/2011, com vigência retroativa no período de 01/09/2011 a 31/08/2012; e f) Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2012, datada de 02/10/2012, com vigência retroativa no período de 01/09/2012 a 31/08/2013. 5.15. Em virtude da existência de mais de um instrumento de negociação tratando sobre PLR para o mesmo período, foi necessário verificar quais instrumentos foram utilizados pelo contribuinte no pagamento da PLR aos seus empregados, bem como averiguar se houve compensação dos valores pagos com base em tais instrumentos. ... 5.19. Da leitura dos dispositivos transcritos acima, resta evidente que há valores pagos com base nas Convenções Coletivas (CCT) de PLR que não são compensados com quaisquer outros instrumentos, uma vez que a parcela adicional de PLR e sua antecipação são nãocompensáveis conforme estabelece a própria CCT. 5.20. Mesmo assim, o contribuinte foi intimado (Termo de Intimação Fiscal n° 03) para esclarecer se, na prática, ocorreu a Fl. 732DF CARF MF 4 compensação entre a Participação nos Lucros ou Resultados relativa às Convenções Coletivas e àquelas decorrentes dos Acordos Coletivos, tendo respondido, por intermédio de Carta, datada de 20/04/2016, entregue nessa mesma data, que: ... 5.21. Dessa forma, conforme esclarecimento prestado pela empresa, os valores de PLR pagos com base nos Acordos Coletivos não foram compensados com os valores pagos com base nas Convenções Coletivas. 5.22. Claro está, portanto, que a empresa utiliza dois instrumentos contemplando os mesmos empregados, Convenção Coletiva e Acordo Coletivo. Todavia, sabese que somente uma das formas especificadas deve ser escolhida em comum acordo. Ou se distribui lucros/resultados por intermédio de um Plano Próprio pactuado entre comissão de empregados e empresa ou através de Convenção Coletiva ou através de Acordo Coletivo. Havendo pagamentos de PLR com base em instrumentos distintos, referentes aos mesmos período, deve haver compensação entre eles. 5.23. A própria Lei n° 10.101/2000 prevê a existência de dois instrumentos e a compensação entre eles, in verbis (art. 3º): § 3° Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (grifos nossos) 5.24. Este também é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme Acórdão n° 240102.250 4a Câmara/1a Turma Ordinária, ipsis litteris: ... 5.25. A desobediência a esse quesito, por si só, é suficiente para que seja desconsiderado o comando constitucional de desvinculação da verba de PLR da remuneração. A Lei n° 10.101/2000 é clara e o pagamento de PLR com base em dois acordos concomitantemente encontrase em desacordo com seus preceitos, devendo incidir contribuição previdenciária sobre a totalidade dos pagamentos realizados. No entanto, como veremos, não foi apenas nesse quesito que a empresa contrariou a lei. 5.26. Continuando a análise dos instrumentos de negociação, verificase que as duas Convenções Coletivas de Trabalho que tratam da PLR, arroladas nas alíneas "e" e "f" do item 5.14, possuem vigência retroativa e que, portanto, não foram elaboradas antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados, como exige a lei. 5.27. O mesmo raciocínio vale para os Acordos Coletivos de Trabalho que tratam da PLR, cujo conhecimento das regras por parte dos empregados só ocorreu já transcorridos quatro meses Fl. 733DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 4 5 do ano de 2011, com relação aos Acordos celebrados em 25/04/2011 e 02/05/2011. E pior, durante quase todo o ano de 2012, os empregados desconheciam completamente os requisitos a que deveriam atender para fazer jus ao recebimento da verba referente à PLR, uma vez que os critérios e condições para o recebimento de tal verba só foram estabelecidos posteriormente, em 25/10/2012 e 29/10/2012, próximo do final do período a que se referiam, demonstrando a ausência de prévia negociação, o que fere diretamente os ditames legais. 5.28. Isso nos leva a questionar como é possível o comprometimento dos funcionários com metas que só vão conhecer no quinto mês do ano ou no final do ano? No momento em que a participação foi pactuada, já haviam ocorrido diversos fatores que poderiam ou não contribuir para o atingimento das metas, sem que ficasse constatada, expressamente, a participação dos empregados na obtenção do resultado positivo alcançado pela empresa, ou que sequer poderiam ser modificados por mais que se esforçassem os empregados. 5.29. Extraise da legislação pertinente que o pagamento de participação nos lucros ou resultados tem como essência uma retribuição pela colaboração do empregado na obtenção de um lucro ou realização de um resultado previamente pactuado. Deve haver negociação entre as partes e a empresa concederá o pagamento a esse título se os trabalhadores atingirem a meta pré estabelecida. Obviamente, esses objetivos ou metas devem ser pactuados previamente, com um tempo razoável entre o acordo, o conhecimento das regras e o pagamento. 5.30. Assim, cada um dos instrumentos de negociação deve ser prévio, ou seja, deve ser elaborado antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados, pois é relativo exatamente a esse período pactuado. 5.31. Desta feita, os instrumentos decorrentes das negociações devem ser formalizados antes do período/anobase de referência, devendo deles constar, de forma clara e objetiva, as metas, os resultados, prazos, critérios e condições que, se implementados, darão aos empregados o direito de receber a verba desvinculada da remuneração. Afinal, se assim não fosse, indagarseia sobre a utilidade e eficácia das regras contidas na legislação, não bastando, tão somente, a existência de um acordo/programa. 5.32. Admitir que o pagamento não estivesse sujeito a condição estipulada, de forma clara e objetiva, em instrumentos de negociação celebrados previamente, seria admitir o desvirtuamento da rubrica e o ensejo à fraude, pois o empregador poderia instituir pagamentos mascarados com o rótulo de "participação nos lucros ou resultados", apenas para não ter natureza salarial e não pagar encargos sociais sobre tais pagamentos. ... Fl. 734DF CARF MF 6 5.34. Destarte, os pagamentos a título de PLR realizados por intermédio dos instrumentos arrolados no item 5.14, que por sua vez não atendem à exigência legal de prévia negociação entre as partes, foram considerados como integrantes do salário de contribuição por terem sido efetuados em desacordo com a lei específica. 5.35. Corroborando tal entendimento, cabe destacar alguns posicionamentos da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I (SP) ao apreciar situações análogas. ... 5.36. Este também é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF Segunda Seção de Julgamento, conforme Acórdão n° 2401 02.250, da 4a Câmara, 1a Turma Ordinária, de 20 de janeiro de 2012, ipsis litteris... 5.37. A Lei n° 10.101/2000 determina, como já visto, que dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Tais regras dizem respeito à possibilidade dos empregados conhecerem previamente, ou seja, por intermédio do acordo, os requisitos que devem ser por eles atendidos para se habilitarem ao recebimento da PLR, bem como o montante que receberão a depender do lucro auferido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos. Claro está que o intuito aqui é que, por intermédio de vantagens fiscais, as empresas sejam motivadas a atrair e incentivar seus empregados com ganhos extras pelo cumprimento de metas ou resultados individuais ou coletivos. Nesse quesito também foi desrespeitada a lei. Vejamos. 5.38. Os Acordos de Participação nos Lucros ou Resultados do Banco Votorantim S/A de 25/04/2011 e de 02/05/2011 dispõem, em suas Cláusulas Terceiras, que as regras para pagamento da PLR bem como os respectivos critérios de aferição e cálculo encontramse dispostos nos Anexos I, II e III, que fazem parte dos respectivos Termos. Sendo a redação dos Anexos de tais acordos basicamente idênticos, transcrevemos aqui excertos dos Anexos I e III do Acordo datado de 25/04/2011. 5.39. O Anexo I do Acordo de PLR de 25/04/2011 dispõe, ipsis litteris: ... 5.40 Por sua vez, o Anexo III do Acordo de PLR trata da Avaliação de Desempenho. ... 5.41. Iniciando nossa análise pelo Anexo I, verificamos que sua Cláusula Terceira determina que o valor da PLR dos empregados elegíveis será obtido por meio de uma fórmula (VDF = (VRI / VRT) x VD). Um dos componentes dessa fórmula é o VRI Fl. 735DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 5 7 Valor Referencial Individual, o qual é obtido pela fórmula (VBIS x FGA), sendo VBIS o Valor Base Individual Semestral que corresponde a um valor referencial, de base semestral, atribuído a cada empregado. Estamos aqui, portanto, diante de um valor atribuído pela empresa a seus empregados de forma totalmente subjetiva e, assim, em desacordo com a legislação que proíbe a subjetividade de critérios. Não temos metas estabelecidas, mas sim um valor previamente definido pela empresa para cada empregado e desconhecido no acordo firmado. Não se sabe que parâmetros são utilizados na obtenção desse VBIS nem sequer como se apura e/ou calcula o mesmo, tratandose na verdade de um critério totalmente discricionário. 5.42. Ademais, constatamos também que da leitura do Anexo III é impossível identificar quais são as competências avaliadas dos empregados e de que forma ocorre tal avaliação. Quase tudo referente à avaliação de desempenho consta somente da intranet da empresa, não tendo sido comprovado que o processo de avaliação de desempenho foi realmente objeto de negociação entre a empresa e seus empregados. 5.43. A empresa apresentou o Dicionário de Competências segundo o qual, o modelo de competências "traduz os valores, cultura e princípios da organização, considerando os comportamentos e as atitudes desejáveis para todos os colaboradores", no qual estão divididas em competências transversais, funcionais e de gestão, estas últimas só aplicáveis aos gestores. Da leitura do Dicionário em comento, observase que muitas das competências avaliadas são compostas de parâmetros subjetivos e outras nada mais são do que encargos regulares, rotineiros e ordinários dos empregados, ou seja, tarefas decorrentes do próprio contrato de trabalho, tais como: a) Conhecimento do Negócio Capacidade de compreender a Cadeia de Valor do negócio no qual está inserido e entender como a sua função pode gerar impacto e contribuir para o desenvolvimento organizacional, buscando a sustentabilidade do negócio; b) Atitude Empreendedora Capacidade de atuar de maneira pró ativa e positiva, transformando idéias em ações, desenvolvendo soluções criativas e agregando valor dentro dos princípios da organização; c) Relacionamento Interpessoal Capacidade de construir relacionamentos baseados em respeito mútuo e reciprocidade, levando em consideração objetivos e interesses do negócio; d) Capacidade Analítica Capacidade de explorar fatos, idéias e opiniões necessárias para analisar situações, resolver problemas ou tomar decisões; e) Eficácia Capacidade de cumprir as atividades de acordo com os padrões de qualidade exigidos, respeitando os prazos estabelecidos; Fl. 736DF CARF MF 8 f) Flexibilidade Capacidade de adaptarse e interagir com diferentes indivíduos ou grupos em situações variadas; g) Inovação Capacidade de expressar idéias inovadoras e tomar ações que gerem soluções de sucesso; h) Gestão de Riscos Capacidade de identificar e avaliar riscos (ganhos e perdas potenciais) para a área/ organização, analisando as oportunidades com foco na preservação do negócio e; i) Gestão de pessoas Capacidade de coordenar a equipe, liderando pelo exemplo de suas ações, emanando inspiração, energia e persistência e incentivando o aprendizado contínuo. 5.44. Não é possível determinar como serão aferidas tais competências, distanciandose, dessa forma, dos preceitos legais sobre a matéria. Há inclusive uma competência Atitude Empreendedora relacionada à agregação de valor dentro dos princípios da organização, sem que haja qualquer definição de um valor de referência a partir do qual será considerada tal agregação. 5.45. Diante disso, novamente temos configurado o desrespeito pela empresa às normas que regem a distribuição de PLR, uma vez que não se pode falar aqui da existência de regras claras e objetivas. 5.46. Trataremos agora dos dois Acordos Coletivos de Trabalho Programa Próprio de Participação nos Resultados celebrados em 2012. Por terem redação bastante semelhante e, em sua maioria, idêntica, serão transcritos abaixo apenas trechos do Acordo celebrado em 25/10/2012, in verbis: ... 5.50. O corpo do Acordo celebrado em 2012 trata apenas de questões gerais tais como, empregados elegíveis ao recebimento da participação, periodicidade do pagamento, antecipação e seu valor mínimo, entre outras. As metas estabelecidas individual ou coletivamente para os empregados constam apenas do Anexo I do Acordo em tela. 5.51. Vale destacar a Cláusula Sétima do texto em comento, que assegura, independentemente de qualquer fator e sem nenhuma relação com metas ou objetivos, o pagamento de um valor mínimo de R$ 800,00 (oitocentos reais) de PLR. Isso significa que o empregado elegível jamais deixa de receber valor referente à PLR, mesmo que conforme as regras do acordo (que não são claras nem objetivas como veremos posteriormente) não faça jus ao seu recebimento, comprovando não existir qualquer nexo entre o valor ganho a título de participação nos resultados e os resultados da empresa, o que afasta qualquer possibilidade de se vislumbrar na parcela paga a qualificação que lhe outorgou a autuada. 5.52 Se o empregado jamais deixa de receber valor referente à participação nos resultados, uma vez que existe um valor fixo mínimo, tratase tal verba na verdade de uma gratificação, bonificação ou outro nome que se queira, menos de PLR. Fl. 737DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 6 9 5.53. Passando agora à análise do Anexo I do Acordo celebrado em 25/10/2012, verificase que sua Cláusula Primeira fala em indicadores mas não os define nem indica quais indicadores serão considerados. A leitura é muito confusa, há um trecho que diz: "(ii) os resultados aferidos de forma coletiva..., sendo que para as áreas corporativas não se aplica o parâmetro "resultado da unidade de negócios", conforme critérios da tabela n° 01..."; no entanto, a tabela n° 01 sequer possui informação referente a "resultado da unidade de negócios". 5.54. Tampouco são compreensíveis as tabelas apresentadas, não sendo possível saber quando são aplicáveis e em que condições. Não restam claras e de forma objetiva quais são as metas estabelecidas para os empregados. 5.55. Podemos aqui nos questionar, diante do texto acordado, qual o resultado esperado da empresa como um todo, de suas áreas específicas e de seus negócios, necessário para que sejam distribuídos os resultados? Qual o desempenho individual esperado para que esse mesmo benefício seja recebido por cada empregado? 5.56. Diante da inexistência de respostas às indagações acima, vemos que não é possível identificar no instrumento decorrente da negociação as citadas regras pertinentes à fixação e cumprimento do acordado. Não é possível entender de que maneira é obtido o valor final pago de participação ao empregado, desobedecendo por consequência o estabelecido na Lei n° 10.101/2000. 5.57. Consta ainda do Anexo I que o processo da Avaliação de Desempenho é obtido da apuração de critérios quantitativos e qualitativos. No entanto, não explica em nenhum momento como serão aferidos e medidos tais critérios, nem de que forma os resultados obtidos se convertem em valor para o pagamento da participação aos empregados. 5.58. No caso dos critérios quantitativos sequer são mencionados quais parâmetros serão utilizados, não é possível avaliar se se tratam de critérios objetivos ou subjetivos, estes últimos vedados pela lei. Já no que se refere aos critérios qualitativos, da leitura das definições de cada competência avaliada, observamos que algumas possuem caráter subjetivo, como por exemplo "Espírito de Equipe" e outras nada mais são do que encargos regulares, rotineiros e ordinários dos empregados, ou seja, tarefas decorrentes do próprio contrato de trabalho, como "Foco no Cliente" e "Gestão de Pessoas". 5.59. Ora, a escolha de critérios subjetivos aplicados na determinação do cumprimento das metas, impossíveis de aferição a posteriori por critérios objetivos, conforme preconiza o § 1°, do art. 2° da Lei n° 10.101/2000, também descaracteriza a natureza não remuneratória das verbas pagas a título de participação nos lucros ou resultados. O quantum a ser distribuído a cada empregado deve comportar a possibilidade de aferição objetiva, Fl. 738DF CARF MF 10 sem depender de critérios subjetivos de avaliação e, ainda que existam critérios objetivos, estes devem necessariamente constar expressamente do instrumento de negociação, para garantir a segurança jurídica, principalmente para os empregados. 5.60. Lembramos que as decisões da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I (SP), ao apreciar situações semelhantes ao presente feito, têm sido no mesmo sentido. Vejamos uma delas. ... 5.61. Sabemos que a legislação exige que dos instrumentos competentes para a negociação entre a empresa e seus empregados constem regras claras e objetivas, tanto substantivas, quanto adjetivas, as quais contenham critérios e condições. Claro está que o intuito aqui é que, por intermédio de vantagens fiscais, as empresas sejam motivadas a atrair e incentivar seus empregados com ganhos extras pelo cumprimento de metas ou resultados individuais ou coletivos. 5.62. Em suma, os pagamentos em estudo afastaramse do objetivo da lei, qual seja, o de integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade, mediante um ajuste prévio entre empresa e empregados, para definir os resultados a serem alcançados, a forma de participação, os direitos substantivos e demais regras adjetivas. Afastouse, portanto, o contribuinte dos requisitos legais que fazem com que a PLR não integre o salário de contribuição. 5.63. Em continuidade ao expendido, discorreremos acerca de um dos dispositivos legais mais importantes nesse tema que é aquele que determina que a participação nos lucros ou resultados não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. Essa disposição legal, que se aplica a todos os instrumentos de negociação da PLR adotados pela empresa, quais sejam, as Convenções Coletivas e os Acordos Coletivos de Trabalho, uma vez que a PLR é um instituto único, demonstra claramente a preocupação do legislador em não permitir que a PLR fosse utilizada em substituição de parcela salarial, o que não foi respeitado pela empresa ora autuada, como será explanado. 5.64. Além de todos os problemas até aqui relatados, pagamento de PLR com base em mais de um instrumento de negociação, retroatividade da vigência do acordo, metas não terem sido pactuadas previamente, ausência de regras claras e objetivas, dentre outros, há ainda aquele relacionado ao fato de ter a empresa efetuado pagamento de remunerações por meio de PLR. 5.65. Do exame das folhas de pagamento, há diversos casos em que a verba paga a título de PLR aos empregados, excedia em dezenas de vezes o valor do saláriobase mensal do próprio empregado, como pode ser observado na coluna "Relação entre PLR e SalárioBase" do Demonstrativo PLR Paga por Beneficiário. Há situações em que o valor da PLR excede em mais de quarenta vezes o salário base do funcionário. Cabe ressaltar que da leitura das convenções e dos acordos e dos seus Fl. 739DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 7 11 anexos, não foi verificada a possibilidade da verba paga a título de PLR alcançar valores tão vultosos. 5.66. Percebese claramente que, na realidade, as verbas pagas pela empresa a título de PLR, nada mais são do que instrumento de premiação/ gratificação/ bonificação ou qualquer que seja a sua nomenclatura, travestido de PLR, com nítido caráter retributivo e em substituição salarial. Além disso, vimos que muitos empregados receberam valor superior à sua remuneração anual, na forma de PLR, sem incidência de contribuição social alguma. É evidente que tais pessoas não estão prestando serviços à empresa por conta do salário "oficial" pelo qual foram contratadas. A verdadeira remuneração dessas pessoas não é o salário "oficial" que recebem e sim os valores exorbitantes travestidos de "participações nos resultados". 5.67. É consenso que os profissionais do mercado financeiro, principalmente os de níveis gerenciais e acima, são remunerados pelo sucesso nas operações que realizam. Nesse sentido, muitas vezes a remuneração variável passa a ser muito mais relevante do que o salário contratual. Ocorre que, quando a suposta "participação nos lucros ou resultados" paga pela empresa aos seus funcionários sobrepuja e é tão ou mais relevante do que o próprio salário base contratado com a empresa, resta evidenciada a existência de substituição de remuneração. Esse fato contraria claramente o caput do art. 3° da Lei n° 10.101/2000, que prevê que a participação não substitui ou complementa a remuneração, visto que, como evidenciado acima, para muitos empregados beneficiários, a PLR passa a ser a remuneração principal e, como tal, integra o salário de contribuição. Mais um motivo que demonstra que as verbas a título de PLR foram pagas aos empregados da empresa em desacordo com a Lei n° 10.101/2000. 5.68. A própria Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo manifestouse dessa forma ao analisar igual tema, por meio do Acórdão 1616.051 12a turma da DRJ/SPOI, de 11 de janeiro de 2008, in verbis: ... 5.69. Importa registrar que a PLR é verba aleatória: é variável, não é fixa, não é garantida. O seu caráter condicional está relacionado ao cumprimento de metas, resultados ou limites diretamente ligados à ação dos empregados com vistas à integração destes na empresa por meio da divisão dos resultados obtidos pelo empregador com a colaboração do empregado. É instituída para que o empregado se anime a produzir mais. É paga sempre que o trabalhador coletivamente atingir um limite fixado pelo empregador, limite este que demonstra o reconhecimento de que, não só o empregador, mas que também o empregado colaborou para que se alcançasse o lucro ou resultado almejados. Fl. 740DF CARF MF 12 Este é o sentido da regra do § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/2000, o qual exige que, dos instrumentos de negociação, constem claras, não só as regras substantivas, como também as regras adjetivas. São nessas regras que encontraremos definidas as condições que, se implementadas, darão aos empregados o direito de participarem dos lucros ou resultados da empresa, bem como a forma como o processo se desenvolverá. 5.70. A participação nos lucros ou resultados é uma importante estratégia para garantir motivação e produtividade e, por conseguinte, lucro e melhoria das condições sociais. Daí a importância do cumprimento de todas as formalidades prescritas na lei. A empresa é livre para determinar sua política de pagamentos, ficando obrigada, no entanto, a se submeter às conseqüências legais que tal política possa vir a ter. E, caso não obedeça aos critérios legais, os pagamentos de PLR efetuados perdem as características de desoneração e, assim, entram no conceito de salário de contribuição, não estando dentre as exceções previstas no § 9°, do art. 28, da Lei n° 8.212/1991. Da ciência das autuações e da impugnação A ciência das autuações se deu em 12/09/16 (fls. 30/31). Em 11/10/2016, foi juntada a impugnação de fls. 334/380, abaixo relatada, em síntese. Inicialmente, o impugnante sintetiza os motivos das autuações: i. A existência de mais de um plano concomitantemente violaria o art. 3o, § 3o da Lei n° 10.101/00, o que implicaria a glosa de todos os valores pagos a título de PLR; ii. Os planos foram firmados após o início do período a que se refeririam os lucros distribuídos, o que implicaria a glosa de todos os valores pagos a título de PLR; e iii. Os planos não contêm metas claras e objetivas, o que desnaturaria os pagamentos a título de PLR, que, portanto, deveriam ser considerados como remuneração tributável pelas contribuições em questão. Discorre, em seguida, acerca de diversos tópicos, abaixo relatados, em síntese. O impugnante apresenta doutrina e decisões judiciais que tratam de "imunidade", afirmando que "as normas constitucionais que veiculam regras de imunidade devem ser sempre compreendidas com boa dose de elasticidade, de modo a lhes ser dada a interpretação mais ampla". Em relação à PLR, cita o art. 7º, XI, da CRFB, afirmando "tratar se de norma constitucional de eficácia plena, que independe de lei ordinária" e que "a desvinculação da prestação paga a título de participação à remuneração é preceito constitucional, que não pode ser aviltado ou limitado pela lei, sendo inteiramente despicienda sua regulamentação", citando doutrina e decisões judiciais. Conclui que, considerando o referido mandamento constitucional, há que se cancelarem as exigências de Fl. 741DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 8 13 contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados, "sob o fundamento de suposto não cumprimento de legislação infraconstitucional". Entende que os acordos e convenções celebrados atendem ao desígnio constitucional, de melhoria das condições socioeconômicas dos empregados, pelo que, ao pagamento de PLR, deve ser estendida a imunidade. Ressalta que a fiscalização não conseguiu demonstrar que os valores de PLR se referem a salário indireto, sobre o qual deveriam incidir as contribuições previdenciárias. Argui que a auditoria partiu de uma premissa jurídica distinta daquela do impugnante, a de que o dispositivo constitucional é norma de eficácia limitada, sem mencionar o fundamento de tal entendimento. Discorre, em seguida, acerca "da regularidade quanto à existência de mais de um plano concomitantemente". Afirma que, pelo entendimento da fiscalização do disposto no §3º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 20001, a existência de pagamentos com base em diferentes acordos desnatura a PLR, caso os referidos pagamentos não sejam compensados entre si. Diz que este entendimento não encontra respaldo na legislação, visto que a compensação de pagamentos realizados de acordo com planos próprios e aqueles oriundos de acordos ou convenções coletivas, prevista no citado dispositivo, é facultada ao contribuinte. Aduz que, "havendo previsão legal de possibilidade de compensação, é certo que a legislação assume a premissa de que é juridicamente possível a existência concomitante de um plano próprio e um plano fixado em negociação coletiva" e que "a existência de um plano próprio da empresa se coaduna com a finalidade de existência da PLR (...), para estimular seus empregados através de plano com regras mais próximas de sua realidade". Cita decisão do CARF, sobre a inexistência de óbice legal ao pagamento concomitante de PLR com base em plano próprio e convenção coletiva. Ressalta que este ponto da acusação somente pode se referir aos pagamentos efetuados em 2012, já que havia previsão de compensação nos planos próprios de PLR para 2011, segundo a própria fiscalização. Ainda assim, de acordo com a premissa fiscal, apenas os pagamentos menos benéficos poderiam ser objeto de lançamento, pois deveriam ser compensados com os mais benéficos. Quanto à data de assinatura dos planos, o impugnante afirma que o relatório fiscal não apresentou dispositivo específico da Lei nº 10.101, de 2000, que tenha sido violado e entende ser relevante Fl. 742DF CARF MF 14 que os instrumentos sejam celebrados, como o foram, antes dos pagamentos de PLR, e não antes do início do período ao qual os lucros se referem. Nesse sentido, cita decisões do CARF. Ainda, diz que a fiscalização parte da premissa de máfé, em relação aos casos em que a assinatura do instrumento não se dá antes do início do período de apuração. Nesse sentido, argui que essa premissa não pode ser alegada sem demonstração, pela fiscalização, de que o contribuinte se valeu de subterfúgios para afastar a incidência de contribuições sobre valores de remuneração. Afirma não proceder a alegação de que, em razão da data da assinatura dos planos de PLR, os empregados desconheceriam as metas e não se sentiriam motivados a melhorar seu desempenho, já que os referidos planos, de 2011 e 2012, repetem as redações e os critérios dos planos de 2010 e anteriores. Aponta também que os instrumentos estabelecidos para pagamento de PLR são amplamente discutidos e negociados com os trabalhadores, de forma que estes já têm, ao menos, uma noção do que será estipulado como critério. Destaca que a assinatura é um mero ato formal e cita decisão administrativa. Ressalta que, caso fosse correto o entendimento fiscal, ao menos as parcelas pagas após a assinatura dos planos estariam regulares, pelo que não deveriam ter sido consideradas no lançamento. Em seguida, o impugnante discorre acerca da "regularidade quanto às metas contidas nos planos", explicitando a "correta interpretação da Lei nº 10.101, de 2000." Afirma que o requisito essencial para a realização de pagamentos a título de PLR "reside na simples existência de lucros e resultados, mas não na aferição de específicas performances, de acordo com supostas metas, resultados e objetivos." Aduz que a Lei nº 10.101, de 2000, deixou grande liberdade de negociação das partes envolvidas, quanto às condições de existência dos pagamentos de PLR, conforme se depreende do seu art. 2º, restando claro a inexistência de obrigatoriedade do empregador para efetuar os referidos pagamentos, não havendo ainda determinação legal para a apresentação de metas, resultados e objetivos. Alega que a fiscalização poderia exigir tão somente a existência de regras claras e objetivas, o que foi atendido pelo contribuinte, e não metas e resultados específicos, conforme decisão do CARF, que cita. A seguir, o impugnante trata especificamente das regras estipuladas nos Acordos de PLR celebrados. Nesse sentido, afirma que grande parte dos pagamentos efetuados se referem a antecipações de PLR, pelo que não poderiam ser tributados. Assim, os pagamentos realizados de 10/2011 a 12/2011 se referem a antecipações da Convenção Fl. 743DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 9 15 Coletiva, firmada em 2011, e os pagamentos efetuados em 10/2012 e 11/2012 se referem a antecipações da Convenção Coletiva e Acordo de PLR, firmados em 2012. Exemplifica essa situação com a regra prevista em Convenção Coletiva de 2010. Argui que a fiscalização não pode exigir as contribuições previdenciárias em tela sem verificar se, ao final do ano, as metas foram alcançadas, o que demonstra a precariedade do lançamento. Cita decisão do CARF e pede o cancelamento das autuações. Por outro lado, para demonstrar "a legitimidade dos planos quanto à clareza e objetividade das metas" estabelecidas, o impugnante apresenta um exemplo de 2011 e um de 2012. Afirma, em seguida, que o fato de serem complexos os cálculos de PLR do impugnante não é motivo para se afirmar que os critérios estabelecidos não estão de acordo com a legislação em vigor. Diz ter havido, por parte da fiscalização, tão somente uma análise superficial de metas e a apresentação de uma relação de cláusulas que, pelo seu entendimento, levariam à desconsideração da PLR. Em relação à existência de previsão de pagamento de um valor mínimo aos empregados, afirma que tal não retira a natureza de PLR dos pagamentos, "até porque houve a distribuição de lucros e resultados nos períodos em discussão". Quanto à alegada violação de preceitos legais em razão da desproporcionalidade observada entre os valores de PLR e os salários pagos aos funcionários, frisa que, em primeiro lugar, a Lei nº 10.101, de 2000, não estabelece um teto para a PLR, podendo os pagamentos estarem à altura dos resultados obtidos pela empresa. Afirma ainda não haver concretude nas alegações fiscais, visto que foi citada uma hipótese genérica, em que o funcionário teria recebido valores desproporcionais. Nesse sentido, destaca ainda que a planilha utilizada pela fiscalização (fls. 180 a 284 dos autos) para proporcionalizar o salário e o PLR, considera apenas o "salário base", sem a gratificação de 55%, que integra a remuneração mensal fixa do bancário, nos termos da cláusula 11a da Convenção Coletiva de Trabalho 2011/2012 e da Consolidação das Leis do Trabalho. Apresenta, então, outra planilha com a remuneração dos colaboradores (Doc. 10), na qual observa não haver a desproporcionalidade alegada. O impugnante alega, em seguida, a ilegalidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e cita decisões administrativas. Ao fim, requer o cancelamento dos autos de infração e seu arquivamento. Fl. 744DF CARF MF 16 A 5ª Turma da DRJ/JFA julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS EM DESACORDO COM LEI ESPECÍFICA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. O pagamento de valores, a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, enseja a incidência da contribuição previdenciária. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 23/02/2017, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital, e interpôs recurso voluntário em 22/03/2017, no qual basicamente reiterou os fundamentos de sua impugnação. Sem contrarrazões ou manifestação pela PGFN. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da norma de eficácia limitada Muito embora, em seu recurso voluntário, o sujeito passivo não tenha insistido na tese segundo a qual a norma constitucional seria autoaplicável, cabe ponderar que a não incidência das contribuições sobre a PLR é uma imunidade, vez que é uma norma de não tributação prevista na Constituição Federal. Ao estabelecer que tal verba está desvinculada da remuneração, a Lei Maior criou uma norma negativa de competência, impedindo o próprio exercício de atividade legislativa para criar imposição fiscal a ela atinente: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Como se conclui pela leitura do texto, a norma constitucional é de eficácia limitada, pois expressamente atribuiu à lei a competência para estabelecer os pressupostos dessa não vinculação. A própria execução da norma constitucional e o estabelecimento dos requisitos necessários para a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, e a sua consequente desvinculação da remuneração, indubitavelmente dependiam da regulamentação mediante lei. O STF e o STJ, a propósito, compartilham de igual entendimento, como se pode ver, respectivamente, no RE 505.597/RS e no AgRg no AREsp 95.339/PA. Fl. 745DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 10 17 No plano infraconstitucional, a regulamentação atual está na Lei nº 10.101/2000, que “dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências”. Em seu art. 2º, a lei prevê que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, através, conforme o caso, de comissão paritária escolhida pelas partes, convenção coletiva ou acordo coletivo. É inquestionável, pois, que a lei prevê que essa partipação será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, devendo sim ser objeto de acordo mediante comissão paritária, acordo coletivo ou convenção coletiva. 3 Da data de assinatura dos planos Acusação comum aos programas próprios, aos acordos coletivos (ACTs) e às convenções coletivas de trabalho (CCTs) é que as suas assinaturas ocorreram no transcorrer do próprio período aquisitivo. Pois bem. Como já dito, a não incidência das contribuições sobre a PLR é uma imunidade, vez que é uma norma de não tributação prevista na Constituição Federal. Ao estabelecer que tal verba está desvinculada da remuneração, a Lei Maior criou uma norma negativa de competência, impedindo o próprio exercício de atividade legislativa para criar imposição fiscal a ela atinente. Diferentemente do que costumeiramente se afirma, a PLR não é apenas um instrumento de integração entre o capital e o trabalho, visando a incrementar a produtividade, mas sobretudo um direito social do trabalhador. Tanto o caput do artigo, como o capítulo no qual ele está inserido, não deixam margem para dúvidas. Essa circunstância tem passado despercebida, mormente porque a lei regulamentadora parece têla deixado em segundo plano, nem mesmo fazendo menção à expressão direitos sociais. Por outro lado, a norma constitucional é de eficácia limitada, pois atribuiu à lei a competência para estabelecer os pressupostos dessa não vinculação. No plano infraconstitucional, a regulamentação foi feita pela Lei nº 10.101/2000, que “dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências”. Em seu art. 2º, a lei prevê que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, através, conforme o caso, de comissão paritária escolhida pelas partes, convenção coletiva ou acordo coletivo. É inquestionável, assim, que a lei prevê que essa partipação será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados: Art.2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Todavia, a lei realmente não estabeleceu uma data limite para a formalização dessa negociação. É compreensível que não o tenha feito, pois as normas de experiência comum demonstram que tais negociações não raramente levam meses para serem concluídas, sendo por vezes acirradas e conflituosas e envolvendo diversos sindicatos de diversas categorias. Fl. 746DF CARF MF 18 É óbvio, contudo, que os trabalhadores têm conhecimento das diretrizes gerais dos planos, pois participam direta ou indiretamente das negociações via comissão paritária ou sindicatos. A data de assinatura corresponde, apenas, ao momento da formalização e de conveniência das várias partes envolvidas, tais como o banco, as entidades sindicais dos trabalhadores, as entidades sindicais dos empregadores, etc. Ademais, as metas e critérios para a concessão da participação nos lucros estabelecidas nas sucessivas convenções coletivas de trabalho são conhecidas previamente por todos os trabalhadores, sobretudo porque foram se repetindo ao longo dos anos. A própria autoridade fiscal fez essa afirmação no relatório da autuação, ao tratar da alegada falta de clareza e objetividade das metas. Não compete ao aplicador da lei criar prérequisito não previsto na norma, sobretudo para reduzir a eficácia de regra jurídica constitucional. A lei prevê que a participação será objeto de negociação, e não que a formalização tenha que ocorrer previamente ao período de aquisição. A interpretação criativa é vedada pela tripartição dos poderesdeveres prevista no art. 2º da Lei Maior, que se constitui em um verdadeiro princípio fundamental da República. Uma interpretação restritiva, com a criação de exigências não previstas legalmente, apenas tem o condão de dificultar a efetiva concretização do direito social do trabalhador à participação nos lucros ou resultados da empresa, inibindo a concessão dos planos, em conflito com as finalidades constitucionais. Muito embora a lei regulamentadora pareça ter negligenciado a participação nos lucros ou resultados como um direito social, pois nem mesmo faz qualquer menção a esse respeito, fato é que a Constituição a outorgou como um efetivo direito daquela natureza, o que deve ser levado em consideração pelo aplicador da lei, na busca da máxima eficácia da norma constitucional. Os direitos sociais visam a criar as condições materiais necessárias ao alcance da igualdade real entre o dono do capital e o trabalhador. Segundo José Afonso da Silva, "são prestações positivas proporcionadas pelo Estado direta ou indiretamente, enunciadas em normas constitucionais, que possibilitam melhores condições de vida aos mais fracos, direitos que tendem a realizar a igualização de situações sociais desiguais" (Curso de Direito Constitucional Positivo, 12ª ed., rev., Malheiros Editores, 1996, p. 277). Buscando igualar o empregador e o trabalhador, a Constituição lhe outorgou o direito à participação nos lucros ou resultados e na própria gestão da empresa. Não fosse a Constituição e a consequente regra imunizante, o trabalhador não teria as condições materiais necessárias para participar dos lucros ou resultados, os quais, por consectário lógico, decorrem do capital do qual ele não é dono. Toda interpretação, portanto, deve ter como norte os direitos sociais. E diante de interpretações plausíveis e alternativas, o exegeta deve adotar aquela que se amolda à Lei Maior. O ministro Luís Roberto Barroso decompõe o princípio da interpretação conforme a Constituição nos seguintes termos: 1) Tratase da escolha de uma interpretação da norma legal que a mantenha em harmonia com a Constituição, em meio a outra ou outras possibilidades interpretativas que o preceito admita. 2) Tal interpretação busca encontrar um sentido possível para a norma, que não é o que mais evidentemente resulta da leitura de seu texto. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 11 19 3) Além da eleição de uma linha de interpretação, procedese à exclusão expressa de outra ou outras interpretações possíveis, que conduziriam a resultado contrastante com a Constituição. 4) Por via de conseqüência, a interpretação conforme a Constituição não é mero preceito hermenêutico, mas, também, um mecanismo de controle de constitucionalidade pelo qual se declara ilegítima uma determinada leitura da norma legal." (Interpretação e aplicação da constituição : fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 3. ed. Saraiva, p. 181 182) Deve ser abandonado, pois, o eventual rigor interpretativo, para compatibilizar a leitura da Lei nº 10.101/2000 com a Constituição, a qual, lembrese, visou a igualar materialmente o trabalhador e o empregador. Ainda que a primeira e rápida compreensão da lei infraconstitucional pudesse sugerir que o plano devesse ser formalizado antes do início do período aquisitivo, como forma de incentivar a produtividade e o comprometimento dos trabalhadores, fato é que a Constituição trouxe como critério preponderante o direito social do lado mais fraco da relação empregatícia, e não o incremento da produtividade e o seu comprometimento. A interpretação de que o acordo deve ser formalizado antes do início do período aquisitivo, cria, no entender deste relator, um requisito formal não previsto (pois a lei menciona apenas a necessidade de negociação – “será objeto de negociação”) e que está em descompasso com a realidade negocial, podendo até mesmo desestimular a concessão da PLR e, por conseguinte, a realização dos direitos sociais. Como se vê, não se está declarando qualquer inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, mas sim, dentre as várias interpretações possíveis, elegendose aquela mais adequada ao texto constitucional. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), antes da atual composição, vinha adotando entendimento semelhante, conforme se infere do acórdão nº 9202003.370: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a Fl. 748DF CARF MF 20 necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. Recurso especial negado. (CSRF, 2ª Turma, Relator(a) RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, sessão de 17 de setembro de 2014) Esta 2ª Turma/4ª Câmara/2ª Seção do CARF também vinha trilhando esse mesmo caminho, conforme se vê no acórdão nº 2402005.262, de minha relatoria. Não pode passar despercebido, ainda, que as CCTs são firmadas por centenas de entidades, entre sindicatos, federações e confederações, sendo obviamente precedidas de acirradas e acaloradas negociações, como demonstram (i) as regras de experiência comum subministradas pela observação do que ordinariamente acontece e (ii) os fatos públicos e notórios anualmente noticiados na imprensa nacional. Outro ponto relevante a ser destacado é que, enquanto a remuneração é devida pela mera execução do contrato de trabalho, aí pouco ou nada importando os lucros ou resultados da empresa, a PLR deve ser considerada como um pacto acessório, por meio do qual se negociam, a par daquele contrato, questões relativas à produtividade, qualidade, lucratividade, metas, resultados, etc. Ou seja, a remuneração é devida em função do contrato laboral, enquanto que a participação é devida em decorrência de um contrato acessório, que não se constitui, por expressa disposição legal, em pagamento de remuneração. Tal contrato acessório, ademais, viabiliza a partipação do trabalhador em rubricas a que ele não teria direito, por serem decorrentes do capital do qual ele não é dono. Diante do exposto, concluise que o fato isolado de a formalização ter ocorrido no próprio período aquisitivo da PLR não desnatura os planos, devendo serem sopesados e analisados os demais requisitos legais e as circunstâncias e peculiaridades de cada plano. 4 Da concomitância entre os planos A primeira acusação fiscal é que havendo pagamentos de PLR com base em instrumentos distintos, referentes aos mesmos períodos, deveria haver compensação entre eles. O descumprimento desse requisito, por si só, ensejaria a autuação. A DRJ teve o mesmo entendimento, como se pode ver no seguinte excerto extraído do voto condutor do acórdão: Ainda, cabe destacar que não houve compensação de valores de PLR pagos com base nos Acordos Coletivos com aqueles pagos com base nas Convenções Coletivas, facultada pelo §3º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, conforme explicitado no Relatório Fiscal, de forma que o pagamento de PLR foi mesmo efetuado pela empresa aos seus empregados com base em dois instrumentos distintos. Desatendido, portanto, o comando legal, o que enseja a incidência de contribuições previdenciárias sobre todos os valores pagos aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados. Fl. 749DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 12 21 Como se vê, ao contrário do que alega o recorrente, a DRJ não chegou a inovar neste ponto, pois a sua interpretação convergiu com a interpretação da autoridade administrativa. O próprio recorrente manifestouse pela necessidade de compensação entre os valores pagos com base em planos concomitantes. Realmente, o § 3º do art. 3º da Lei 10.101 preleciona que os pagamentos efetuados em decorrência de planos mantidos espontaneamente pela empresa poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções (vide abaixo). Quer dizer, a lei não somente não veda a concomitância entre os planos, como também a regulamenta: Art.3o A participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. [...] §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. A autoridade lançadora manifestou entendimento semelhante, como se pode ver abaixo com destaques: 5.22. Claro está, portanto, que a empresa utiliza dois instrumentos contemplando os mesmos empregados, Convenção Coletiva e Acordo Coletivo. Todavia, sabese que somente uma das formas especificadas deve ser escolhida em comum acordo. Ou se distribui lucros/resultados por intermédio de um Plano Próprio pactuado entre comissão de empregados e empresa ou através de Convenção Coletiva ou através de Acordo Coletivo. Havendo pagamentos de PLR com base em instrumentos distintos, referentes aos mesmos período, deve haver compensação entre eles. Ao contrário do que entende a autoridade autuante, entretanto, o descumprimento da regra de compensação não enseja a tributação de todos os valores pagos pela empresa com base nos planos concomitantes, mas apenas dos valores excedentes que não foram compensados. Também não se pode admitir, como quer o recorrente, que seja cancelada toda a autuação, pois ao não compensar os valores, o banco realmente descumpriu a legislação. 5 Da inexistência de regras claras e objetivas A fiscalização entendeu que os seguintes instrumentos não teriam regras claras e objetivas. Neste tocante, a fiscalização não tratou das CCTs: a) Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados do Banco Votorantim S/A, datado de 25/04/2011; Fl. 750DF CARF MF 22 b) Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados do Banco Votorantim S/A, datado de 02/05/2011; c) Acordo Coletivo de Trabalho de Participação nos Resultados Banco Votorantim S/A, datado de 25/10/2012; d) Acordo Coletivo de Trabalho de Participação nos Resultados Banco Votorantim S/A, datado de 29/10/2012. Primeiramente, vêse no Anexo I dos acordos de participação que o valor a ser distribuído aos empregados toma por parâmetro uma fórmula matemática bastante precisa, a qual leva em consideração determinadas variáveis de possível e objetiva mensuração. Veja se: O valor distribuído efetivamente ao funcionário, por sua vez, considera o valor global da distribuição, bem como as avaliações de desempenho individual do empregado. Vejase: Fl. 751DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 13 23 Em nenhuma dessas fórmulas observase qualquer cláusula, condição ou estipulação que retire a clareza e objetividade do plano. Pelo contrário, o plano é definido por fórmulas objetivas e mensuráveis, e as avaliações individuais dos funcionários, como demonstrado no recurso, foi devidamente empreendida com base em pesos e notas atribuídas a cada beneficiário. É importante observar, nesse tocante, que comportamentos podem sim ser aferidos de forma objetiva. Qualidades como eficácia, conhecimento do negócio, atitude, relacionamento interpessoal, etc, são mensuráveis para fins de avaliação de desempenho. Os famosos testes de avaliação do quoeficiente de inteligência, tais como a Escala de Inteligência Wechsler para Adultos (WAIS Wechsler Adult Intelligence Scale) e a Escala de Inteligência Wechsler para Crianças (WISC Wechsler Intelligence Scale for Children), consistem justamente numa bateria prédeterminadas de testes e subtestes para a avaliação clínica da capacidade intelectual dos indivíduos, dentro de parâmetros objetivos anteriormente definidos nas escalas. A par das escalas de avaliações cognitivas, também existem, exemplificativamente, escalas de avaliações comportamentais para identificação de habilidades sociais, de dificuldades comportamentais, de sintomas de transtornos psiquiátricos e psicológicos, de competências acadêmicas, etc, que igualmente fornecem dados quantitativos, qualitativos e objetivos a respeito das competências comportamentais das pessoas1. Muitas empresas adotam um sistema de avaliação por competências, havendo inúmeros artigos acadêmicos a esse respeito disponíveis na internet2. A psicologia revela que comportamentos podem sim ser mensurados de acordo com critérios objetivos de análise, a 1 http://www.scielo.br/pdf/ptp/v25n2/a16v25n2, acesso em 16 de outubro de 2017. 2 https://scholar.google.com.br/scholar?q=avalia%C3%A7%C3%A3o+por+competencias&hl=pt BR&as_sdt=0&as_vis=1&oi=scholart&sa=X&ved=0ahUKEwj64CEifXWAhULIZAKHeZrArcQgQMILjAA, acesso em 16 de outubro de 2017. Fl. 752DF CARF MF 24 exemplo das escalas acima mencionadas e da avaliação por competências. A eventual subjetividade do comportamento não exclui a objetividade de sua mensuração e avaliação, inclusive para efeito de fixação das regras da PLR. Isso equivaleria a ignorar a ampla experiência da psicologia comportamental e da neuropsicologia sobre o assunto, bem como a gestão de recursos humanos no cotidiano das empresas. Da mesma forma, as regras dos planos de 2012 são claras e objetivas, as quais, segundo se depreende do recurso, tomaram em consideração inúmeros indicadores, entre os quais os resultados do banco e o desempenho individual do empregado. Vejase o exemplo trazido em sede de recurso: Como se vê, os planos eram complexos, mas nem por isso deixaram de ser compreensíveis, objetivos e mensuráveis. A recorrente, ademais, demonstrou como os montantes foram calculados, derruindo, pois, a acusação fiscal. Em nenhum momento ficou Fl. 753DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 14 25 comprovado, neste particular, que as regras e as avaliações eram arbitrárias a ponto de permitir a distribuição de valores outros, que não da participação nos lucros ou resultados. Inclusive, e a propósito, o pagamento de um valor fixo, mormente em montante de baixo valor, não desnatura o pagamento da participação, de forma que a fiscalização deveria ter demonstrado que teria havido o pagamento de parcela fixa, independentemente do auferimento de lucros ou resultados pela empresa, o que não ocorreu. 6 Da desproporcionalidade entre a PLR e os salários O agente autuante entendeu que montante dos valores pagos seriam desproporcionais em relação aos salários, o que implicaria o pagamento de premiação/gratificação/bonificação. Neste tocante, sem razão a autoridade administrativa. A grande lucratividade das instituições financeiras faz com que o montante dos lucros ou resultados a serem distribuídos seja igualmente grande, de forma a representar uma quantia considerável quando comparada com a remuneração normal do trabalhador. Sendo estabelecida em percentual, quanto maior a lucratividade da empresa, maior a participação a ser paga ao empregado, o que de forma alguma descaracteriza o benefício. A contrario sensu, nessa hipótese, maior é a concretização do direito social e maior é a realização do princípio da isonomia, pois o empregado participa em maior medida da rubrica a que ele não teria direito por não ser o dono do capital. O que a legislação determina é que a participação não pode substituir ou complementar a remuneração (art. 3º), mas a autoridade autuante não demonstrou que a recorrente estivesse pagando salários inferiores à média de mercado e complementandoos ou substituindoos por intermédio de lucros ou resultados. Quer dizer, não há qualquer demonstração nos autos de efetiva substituição de remuneração por participação. 7 Da ilegalidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício A tese da recorrente, neste ponto, está equivocada. Conforme preleciona o art. 161 do CTN, o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora. Logo, os juros incidem sobre o crédito, fazendose necessário extrair o sentido e o alcance da referida expressão. Em seu art. 139, o Código preleciona que o crédito tributário decorre da obrigação principal, ao passo que no § 1º do art. 113 preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Portanto, sendo o crédito decorrente da obrigação principal, a qual também tem por objeto a penalidade pecuniária, e não apenas o tributo propriamente dito, é induvidoso que os juros também incidem sobre a multa de ofício. Essa interpretação, a par de sistemática, é igualmente lógica, na medida em que, a partir de um determinado momento, o contribuinte também está em mora quanto ao pagamento da sanção pecuniária, não se vislumbrando o porquê de não sofrer a incidência dos Fl. 754DF CARF MF 26 encargos moratórios sobre a referida rubrica. Pela pertinência, cumpre transcrever os dispositivos legais, na ordem suscitada neste voto: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Não é por acaso que as Súmulas CARF nºs 4 e 5 aludem à incidência dos juros sobre débitos tributários e crédito tributário, respectivamente: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Destarte, os juros de mora são aplicáveis sobre a multa de ofício, na medida em que ela é integrante do crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Ambas as Turmas da Primeira Seção do STJ vêm decidindo dessa mesma forma. Vejase: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012) (destacouse) Fl. 755DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 15 27 8 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir do lançamento os pagamentos efetuados com base nos planos de participação nos lucros ou resultados, determinandose, contudo, a compensação de valores pagos com base nos Acordos Coletivos de Trabalho com aqueles pagos com base nas Convenções Coletivas de Trabalho. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado. A divergência com relação ao posicionamento do Relator, naquilo que foi apreciado pelo colegiado e consubstanciado no tópico "da data da assinatura dos planos", reside na possibilidade, ou não, em se pactuar acordos para o pagamento de PLR em data anterior ao período aquisitivo ou período de apuração do resultado/lucro sobre os quais se darão os pagamentos. O tema não é novo neste colegiado, já tendo este Redator votado, em outros julgamentos, no sentido de acompanhar o entendimento adotado pelo Conselheiro Ronnie Soares Anderson, que pode ser resumido pela ementa a seguir: PLR. AUSÊNCIA DE PREVISÃO DE CONDUTAS INDIVIDUALIZADAS. Os programas de participação nos lucros ou resultados não se sujeitam necessariamente à condição de ajuste prévio ao período de aferição, nos casos em que não estão vinculados à condutas individualizadas previstas e pré estabelecidas, a serem realizadas por parte dos beneficiários. Acórdão 2402 006.068, de 03.04.2018. Ocorre que posteriormente aos julgamentos acima citados, tive a oportunidade de, pela primeira vez, analisar o tema em voga na condição de Relator, com a expectativa de sua inclusão (a do processo) em pauta já para as próximas sessões deste colegiado. Nessa oportunidade, analisando de forma detida a legislação, aliada à circunstância evidenciada naquele outro caso, vime impelido a rever meu posicionamento, como será a seguir colocado. Nossa Lei Maior de 1946, já previa em seu artigo 157, inciso IV, a participação do trabalhador nos lucros da empresa. Art. 157. A legislação do trabalho e a da previdência social obedecerão nos seguintes preceitos, além de outros que visem à melhoria da condição dos trabalhadores: (...) Fl. 756DF CARF MF 28 IV participação obrigatória e direta do trabalhador nos lucros da empresa, nos têrmos e pela forma que a lei determinar; O mesmo ocorreu com a EC 1/1969, que deu nova redação à CF/1967. Art. 165. A Constituição assegura aos trabalhadores os seguintes direitos, além de outros que, nos têrmos da lei, visem à melhoria de sua condição social: (...) V integração na vida e no desenvolvimento da emprêsa, com participação nos lucros e, excepcionalmente, na gestão, segundo fôr estabelecido em lei; A atual Carta Política parece ter inovado ao trazer em seu texto a garantia de participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração. Confirase: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Notese da redação, que a expressão "ou resultados" encontrase grafada entre vírgulas e não posta de forma direta, tal como "....participação nos lucros ou resultados, desvinculada ....", o que me faz inferir que referida expressão tenha sido empregada como algo, de certa forma, similar ao lucro, mas não como um mero "resultado" qualquer. Por sua vez, a Exposição de Motivos da MP 794/943, que deu origem à Lei 10.101/2000, apresentou importante consideração sobre o valor a ser distribuído ao empregado. Confirase: Percebase que a intenção do legislador, é o que se deflui do texto encimado, foi a retribuição ao trabalhador pelo seu esforço que produziu a riqueza da sociedade. São repasses de ganhos de produtividade. Assim sendo, imagino ser justamente essa riqueza produzida que lastreará o pagamento ao trabalhador a esse título. 3 Diário do Congresso Nacional 19/1/1995, Página 295 http://legis.senado.leg.br/diarios/PublicacoesOficiais Fl. 757DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 16 29 Por sua vez, a possibilidade de exclusão desses valores do conceito de saláriodecontribuição, tem assento legal na alínea "j" do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91.Confirase: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; E com vistas a dar efetividade à previsão legal, editouse o que hoje se tem na Lei 10.101/2000, que traz em seu artigo 1º, o objetivo que se espera do instrumento, que aqui ouso a qualificar de "mediato". É dizer, temse por expectativa que haja a efetiva integração entre capital e o trabalho, bem como o incentivo à produtividade que, em última análise, tem o interesse público como beneficiário indireto, na forma do pretenso crescimento econômico do país. E visando esse desejo do legislador é que deve ser interpretada a norma. Vejamos, novamente, o que diz a parte final daquela Exposição de Motivos: Assim posto, penso que a participação nos LUCROS e/ou nos RESULTADOS deve estar associada necessariamente à apuração econômica e/ou financeira da empresa como um todo. O objetivo, esse aqui "imediato", seria sempre sua saúde financeira e/ou econômica, seja por meio do lucro (resultado econômico DRE e DVA), seja por meio do resultado (resultado financeiro DFC, por ex.), que será(serão) compartilhado(s) com o empregado em função de sua participação diferenciada. Com isso, fazse com que recaia sobre o empregado, de certa forma, parcela do risco da atividade empresarial; o que não se observa, por exemplo, quando lhe é pago o salário em função de seu contrato de trabalho. Havendo ou não lucro, havendo ou não resultado, o salário contratado é, a rigor, devido. A rigor, até mesmo em função do conflito histórico que se instalou entre aqueles que detém o capital e os que comparecem com o labor, o empregado, por vezes, sente se indiferente com a obtenção do lucro por parte do empregador ou mesmo com a melhoria em seus resultados, em que pese sua permanência no emprego depender diretamente desses fatores, quanto mais esforçarse para que haja um aumento desse lucro ou resultado. Com a possibilidade de ver compartilhada parcela desse lucro ou resultado, surge a expectativa de que os interesses, outrora díspares, passem a convergir, de forma que os empregados comecem a enxergar o lucro ou determinado resultado da empresa não mais como uma mera fonte para o pagamento do seu salário, mas como uma chance de experimentar uma das vertentes da verdadeira distribuição da renda; por sua vez, o empregador passaria a ver o trabalhador como um real parceiro em sua empreitada e não mais como um simples empregado que trabalha para sobreviver. Com isso, na essência, estariam contemplados, penso eu, o incentivo à produtividade e a integração entre o capital e o trabalho, objetivos mediatos da norma. Fl. 758DF CARF MF 30 Prosseguindo então, nos artigos 2º e 3º da Lei 10.101/2000 são postas as condições para que os pagamentos a titulo de PLR possam ser excluídos da base tributável das contribuições previdenciárias. Notese que enquanto o artigo 2º trata preponderantemente das negociações, aí incluídos os indispensáveis requisitos de ordem formal e os de ordem subjetiva, o 3º demonstra a preocupação do legislador de que tal instituto não seja utilizado de maneira desvirtuada pelo empregador e pelo trabalhador para, indevidamente, amparar pagamentos sem a incidência do tributo, estipulando, com isso, requisitos a serem observados. Vamos a elas: 1 Devem decorrer de uma negociação entre os envolvidos, por meio de um dos procedimentos a seguir, nos quais estejam garantidos o incentivo à produtividade e a integração entre o capital e o trabalho: 1.1 Comissão escolhida pelas partes, com a participação de um representante sindical de parte dos empregados; ou 1.2 Convenção (CCT) ou Acordo Coletivo (ACT). Perceba que o legislador, ao trazer para o processo negocial, representante do sindicato da categoria do empregado e determinar o arquivamento do instrumento de acordo na respectiva entidade sindical, procurou garantir que a negociação se desse, ao menos em tese, sob o regime da paridade de armas ou da igualdade material. Com o mesmo desiderato acima, ainda reconhecendo a hipossuficiência de uma das partes, cuidou de fazer constar que as regras deveriam ser claras e objetivas, tanto no que toca à fixação dos direitos substantivos, quanto às regras adjetivas. Disso decorre, por lógica e sob pena de sua inaplicabilidade, que deva haver, com relação a tais regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os critérios e condições exemplificados nos incisos I e II do § 1º do artigo 2º da precitada lei. Posto de outra forma, independentemente do instrumento de acordo que se tenha, há que se contar, minimamente, com as seguintes disposições: 1 como chegar nas informações relativas ao cumprimento do acordado; 2 quando será paga a PLR (periodicidade da distribuição); 3 qual o período a que se refere (período de vigência); 4 quando será revisto, caso haja tal previsão; e 5 qual o valor a ser pago. Quanto a esses elementos, não se deve perder de vista, em especial quando se fala de "cumprimento do acordado", que se, por um lado, há o compartilhamento do lucro ou do resultado por quem detém o capital, por outro, há o plus que deve ser dado pelo trabalhador (ou a ele oportunizado/incentivado) para que dele se valha. É, reforçase, a idéia de incentivo à produtividade preconizada na lei. Fl. 759DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 17 31 Ressaltase aqui, que se o objetivo imediato será sempre a saúde financeira e/ou econômica da empresa; as regras e os critérios para alcançálo devem ser definidos pela gestão empresarial. Não importa o meio, se por metas corporativas (índices de produtividade, qualidade ou lucratividade. Ou por que não o próprio lucro em determinados casos, por exemplo ?), ou se por metas individuais/coletivas (quantidade de vendas de produtos, nº de atendimentos conclusivos, quantidade e valor de captação de investimentos, por exemplo), desde que se alinhem aos objetivos imediato e mediato da norma. Reforçando, os meios eleitos pelas partes precisam, ainda que de forma indireta, visar a saúde financeira/econômica da empresa, além de, minimamente, propiciar o estímulo à produtividade potencial ou efetivo. É dizer, é de se esperar da força de trabalhado uma participação diferenciada (mesmo potencial) seja individualmente falando, seja no conjunto com os demais trabalhadores que justifique esse pagamento desvinculado de sua remuneração. Nada obstante, há de se reconhecer que a depender do instrumento escolhido, a definição ou estabelecimento daquele algo a mais, sobretudo a nível individual, tornase cada vez mais impraticável, como por exemplo no caso das CCT, que reúnem por vezes uma quantidade expressiva de sindicatos, em determinada data base a depender da categoria envolvida, diferentemente do que se tem no caso dos ACT e dos acordos a partir de comissão, quando a possibilidade de estabelecimento de exigências a nível individual e/ou setorial/departamental se mostra, por vezes, bem mais viável sob o ponto de vista operacional e, ainda assim, a depender do porte da empresa. Não é por outra razão que aqueles dois incisos do § 1º acima citados, postos de maneira exemplificativa na lei, procuraram abordar situações em que o plus do empregado pudesse ser evidenciado de forma presumida (metas corporativas, v.g, índice de lucratividade) ou de forma coletiva ou individualizada (metas individuais ou coletivas). Se é bem verdade que aqueles índices afetos à empresa não dependem, exclusivamente, de um algo a mais por parte dos trabalhadores, mesmo que tomado em seu conjunto, do mesmo modo há de se reconhecer que tal participação revelase substancialmente importante na consecução do objetivo empresarial, sobretudo quando o empregado vislumbra que há a possibilidade de vir a receber parcela do lucro do empregador tão financeiramente expressiva, quanto maior for o seu lucro, a depender do que for acordado. Pondo dessa forma, pareceme evidente que o ânimo, comportamento, interesse, próatividade, o "correr atrás" do empregado deva ser outro, quando lhe oportunizado o compartilhamento de um valor, originalmente a ele não pertencente, mas que em alguma medida conta com seu esforço para sua obtenção; mais de uns, menos ou bem menos de outros é verdade, mas que inevitavelmente conta. Penso assim, que o incentivo à produtividade, ao menos presumidamente, estaria aí contemplado, ainda que, frisese, em função da inexistência de um liame concreto entre a conduta e resultado, referido esforço não possa ser especificamente dimensionado. Nessa linha, acordos que não contenham metas individuais ou mesmo coletivas, mas que suas regras/metas corporativas permitam ao empregado o recebimento de determinada parcela do lucro da empresa distribuído linear ou proporcionalmente ao seu salário alcançam, penso eu, o objetivo de, mesmo que presumidamente, incentivar a Fl. 760DF CARF MF 32 produtividade. Vejase, a "meta", nesse caso corporativa, seria a obtenção de lucro em determinada escala pela empresa, que seria distribuído, em termos absolutos e/ou relativos, a depender do seu atingimento e na forma do acordado. Com todo o respeito aos que disso divergem, o fato é que ao imaginar que a possibilidade de receber parte de um valor, que pode ser maior ou menor a depender de como se comportará o lucro ou resultado, não tem o condão de influenciar sequer minimamente o comportamento do trabalhador e, por isso, não haveria a necessidade de seu prévio conhecimento acerca do acordo, equivaleria, penso eu, a concederlhe aumento de remuneração a título de mera recomposição salarial. Cumpre ressaltar que se há a preocupação de o empregador, pressionado por reajuste salarial, pactuar acordos com a inserção de regras e metas/condições inatingíveis, prejudicando, de início, o trabalhador; há, pelo menos de se imaginar, a possibilidade de que tal instrumento seja utilizado como complementação da remuneração, prejudicando, de início, os cofres públicos e, reflexamente e mais a frente, o próprio trabalhador. Nesse rumo e admitindo como regra, para que se tenha, justificadamente satisfeita a conjugação "EXPECTATIVA DE ALGO A MAIS DO TRABALHADOR" x "PERCEPÇÃO DA PLR", tomandoa como causa e efeito, imperioso que o conhecimento das regras e metas (definitivamente postas) por aqueles que empreenderão esforços para sua consecução deva se dar previamente ao início do período de apuração do resultado, vale dizer, até à "linha de largada" ou antes do "início do jogo", sob pena de terse por desvirtuado o instituto. Percebase que a questão de fundo, no tema até aqui abordado, seria o alcance da expressão "pactuados previamente" utilizados pelo legislador quando se referiu textualmente ao "programa de metas, resultados e prazo". Teríamos, a partir daí, os seguintes questionamentos: 1 pactuados previamente a quê ? ao pagamento, à apuração do resultado, ao início do período de apuração ? 2 apenas quando as regras envolverem cumprimento de metas individuais ou coletivas é que se deve haver o pacto prévio ? 3 e quando não envolver o cumprimento de metas individuais ou coletivas o acordo pode ser pactuado após o período de apuração ? Pode ser celebrado após o início do período ? Para conduzir a uma definição, penso que devamos considerar, podese assim dizer, duas linhas temporais: uma representando a data de início e término do período de apuração, findo o qual o lucro ou resultado, caso houver, será compartilhado com os trabalhadores; outra representando o programa de metas, caso conste do acordo, aferíveis individual ou coletivamente (por equipe/departamento/setor, etc). Assim visualizado, impõese determinar em qual momento o posicionamento da data de celebração do acordo atenderia aos ditames legais, aí considerado o tão almejado incentivo à produtividade. O voto vencedor do acórdão 2402006.068, traz importante consideração sobre o tema, em especial ao abordar planos que em função do porte da empresa, data base da categoria e quantidade de partes revelamse produtos de uma complexa negociação. Confirase: Fl. 761DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 18 33 Diversamente, nos planos em que o PLR é mensurado com base em critérios em grande medida independentes da uma prédeterminada atuação dos trabalhadores, ou seja, revestindose de feição mais propriamente corporativa, deve ser relativizada a exigência mais acima frisada. Vale dizer que nesses casos, em geral, são conduzidas negociações ao nível de convenção ou acordo coletiva, muitas vezes adentrando no anocalendário de sua vigência, tendo em vista a amplitude dos agentes envolvidos e potenciais beneficiários. Em outras palavras, não assoma como requisito imprescindível que os termos negociados sejam estabelecidos previamente ao período de aferição. Não obstante ter convergido com o redator à época e votado naquela linha em outras oportunidades, as considerações aqui tecidas fazemme dele divergir. Explico, em grande medida revisitando o acima fundamentado: Não vejo que, pelo fato de não haver um "liame minimamente concreto entre a prestação de serviço realizada pelo trabalhador e a lucratividade alcançada pela pessoa jurídica, tanto mais quando se trata de uma instituição financeira com milhares de funcionários", os termos do negociado possam ser estabelecidos após o início do período de aferição. Compartilho com aquele I. Redator acerca da complexidade da elaboração de tais planos na forma como colocada e, em especial, quando envolvidas as circunstancias já aqui e lá reconhecidas. Da mesma forma, convirjo quanto à dificuldade, quiçá impossibilidade, de se relacionar diretamente a participação do empregado à percepção da verba, sobretudo naqueles planos onde o "ser funcionário" e a "obtenção de lucros" são as únicas condicionantes. Contudo, tenho que a inexistência de um liame minimamente concreto não seria motivo o suficiente para fosse afastado do empregado, o conhecimento das regras postas. Se há a impossibilidade ressalvase, nos planos com essa feição de atribuir ao empregado qualquer conduta concreta que possa ter diretamente influenciado no resultado do exercício, com maior propriedade não há como afirmar em qual mês teria havido aquela participação "decisiva". Se no primeiro, se no segundo ou no último mês do período de apuração. Daí entender que, nesses casos, com maior propriedade, o acordo deva ser ajustado antes do início do período de aferição. Nesse mesmo sentido, o pior cenário seria aquele em que os termos do acordado tivessem sido assentados após o período de apuração, quando então retiraria do empregado, ou melhor, não o oportunizaria o "algo a mais" em seu desempenho funcional, ainda que potencialmente falando, ainda que indeterminado quando isso se daria. Sobre esse aspecto, após algumas pesquisas, chamou a atenção deste Redator afirmativa posta em recurso de determinado recorrente, no sentido de que, em outra palavras, Fl. 762DF CARF MF 34 seria tradicional no diálogo com os sindicatos, que não se iniciam conversas sobre PLR antes de haver a previsão mais realista de um índice de reajuste da categoria. Ora, inferese, da assertiva acima, que a não celebração do acordo antes de o início do período de apuração não se dá, decisivamente, pela complexidade do assunto e/ou pela quantidade de agentes e interesses envolvidos (a rigor, não haveria impedimento a que se celebrasse o acordo em setembro, outubro, novembro ou dezembro de determinado ano, para recebimento de parcelas relativas aos lucros/resultados auferidos do ano seguinte), mas sim pela desvirtuada utilização do instrumento da PLR (que se dá, em regra, em instrumento em apartado) para viabilizar a complementação da remuneração do trabalhador, em descompasso com o que preceitua o caput do artigo 3º da Lei 10.101/2000. Exatamente neste ponto, impõese destacar que, diferentemente do sustentado por alguns, no sentido de que o recrudescimento na análise dos acordos no que toca à observância dos requisitos legais tente a inviabilizar o direito constitucional do trabalhador à percepção da PLR, penso que não deve ser esse o viés empregado, mas sim o da proteção do interesse público ao custeio da previdência. Percebase que esse direito constitucional já era levado à efeito antes mesmo da edição da MP 794/94, que deu origem à Lei 10.101/2000. Consignese sobre o tema, que o STF, no julgamento do RE 569.441, consolidou o entendimento de que há incidência de contribuições previdenciárias nas verbas pagas a título de participação nos lucros e resultados, antes de dezembro 1994. Assim concluindo, as indagações encimadas poderiam ser respondidas como seguem: Acordos que estipulam metas individuais ou em grupo: 1 pactuados previamente ao início do período de apuração, por força da literalidade do inciso II do § 1º do artigo 2º da Lei 10.101/2000. Acordos que não estipulam metas individuais ou em grupo 1 igualmente pactuados previamente ao início do período de apuração, pela inteligência do artigo 1º da Lei 10.101/200. Essa é a linha que vem sendo recentemente adotada na CSRF, consoante se extrai da ementa a seguir colacionada, com a qual passo a me alinhar: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituirse em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. Acórdão 9202005.718, de 30.08.2017. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 19 35 Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. A ausência da estipulação entre as partes trabalhadora e patronal, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso, a incidência de contribuição previdenciária sobre a verba. Acórdão 9202006.218, de 28.11.2017. Ante o exposto e a considerar, como se extrai do voto condutor, que os acordos foram todos pactuados após o início do período de apuração/aferição do resultado, voto por NEGAR provimento ao recurso do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 764DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.723109/2016-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
SUPOSTA OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
Numero da decisão: 2001-000.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 31 09 /2 01 6- 01 Fl. 127DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2013, anocalendário de 2012, por meio da qual foi constatada suposta omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial, no valor de R$30.287,77. O interessado foi cientificado da notificação, apresentou impugnação e alega, em síntese, que tratase de rendimentos recebidos acumuladamente e sujeitos a tributação exclusivamente na fonte conforme optou em sua Declaração de Ajuste Anual. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte deixa claro e comprova que declarou corretamente os rendimentos recebidos acumuladamente da fonte pagadora INSS com precatório pago pelo Banco do Brasil em julho de 2012. No entanto, sustenta a DRJ que o objeto do lançamento foi os rendimentos pagos pela Caixa Econômica Federal em janeiro de 2012, com retenção de imposto na fonte e informados em DIRF. Alega a DRJ que a notificação de lançamento deixa claro que estava lançando outros rendimentos, diversos do que o contribuinte ofereceu a tributação. Em sede de Recurso Voluntário, mais uma vez o contribuinte apresenta documentação clara e sustenta de forma objetiva que recebeu e ofereceu corretamente à tributação os rendimentos recebidos através do Banco do Brasil, oriundos de ação judicial contra o INSS. Desconhece o contribuinte o lançamento e o suposto recebimento pela Caixa, alegado pela fiscalização. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Omissão de rendimentos RRA Conforme mencionado no relatório acima, o lançamento foi efetuado com base no fato de supostamente ter o contribuinte omitido rendimentos decorrentes da ação judicial federal informados em DIRF pela Caixa Econômica Federal, no valor de R$30.287,77, com IRRF no valor de R$908,63, recebidos em janeiro de 2012. O recorrente afirma e demonstra que recebeu rendimentos decorrentes de ação trabalhista totalizando R$36.151,07, sem retenção de imposto na fonte, e que teria pago honorários advocatícios no importe de R$10.845,31, e que esses rendimentos teriam sido corretamente informados como Rendimentos Recebidos Acumuladamente, e a fonte pagadora seria o INSS com precatório pago pelo Banco do Brasil em julho de 2012. A defesa traz aos autos documentos comprovando que esses valores estão corretos. Entretanto, esses rendimentos não foram contestados pela fiscalização. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10730.723109/201601 Acórdão n.º 2001000.702 S2C0T1 Fl. 3 3 O lançamento foi lavrado com base em rendimentos que teriam sido pagos pela Caixa Econômica Federal em janeiro de 2012, com retenção de imposto na fonte e informados em DIRF. A fiscalização teve acesso aos documentos apresentados pelo impugnante e deixou claro na notificação de lançamento que estava lançando outros rendimentos, diversos dos que o interessado ofereceu a tributação. A defesa não se manifestou acerca desses rendimentos. Através da análise minuciosa dos documentos acostados ao processo, entendo que não houve, por parte da fiscalização, uma comprovação clara de que o contribuinte teria recebido esse valor imputado a ele. Não apresentou a mencionada DIRF, muito menos qualquer extrato bancário ou ordem de pagamento em favor do contribuinte, para comprovar de que o mesmo omitiu de fato algum rendimento recebido. Pela análise dos autos, o que se verifica é que o contribuinte declarou corretamente todos os seus rendimentos recebidos. Apresenta provas claras para tal. No entanto, para que pudesse se defender de uma imputação de omissão, esta teria que ser evidenciada de forma fundamentada . Apenas vejo alegação pelas autoridades fiscais de que houve uma omissão, com base na DIRF apresentada pela Caixa, a qual nem consta nos autos. É dever da fiscalização fundamentas seus atos, notificar de forma clara e com base em elementos fáticos inequívocos. Não foi isso que ocorreu nos autos em análise. Não há nenhuma evidência de verificação mais detalhada ou minuciosa acerca do suposto rendimento recebido pela Caixa. Isso inviabiliza completamente a defesa por parte do contribuinte. Tivesse, ao menos, o fiscal solicitado ao contribuinte que apresentasse todos os seus extratos bancários, para que evidenciasse algum recebimento ou não, pela Caixa, já teria sido um pouco mais claro. Mas nem isso ocorreu. Apenas uma suposta alegação. Nesta senda entendo que deve ser trazido à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham Fl. 129DF CARF MF 4 daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com base em tudo o quando exposto, tendo em vista a rasa demonstração e fundamentação das autoridades fiscais acerca do lançamento e suposto recebimento do valor pelo contribuinte, pago pela Caixa, entendo que deve ser dado provimento ao recurso voluntário para, assim, descartar o lançamento fiscal efetuado pela autoridade competente. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para exonerar o crédito tributário oriundo do lançamento fiscal em apreço. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003169/2010-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
ERRO NO PREENCHIMENTO DA DAA. INFORMAÇÕES EQUIVOCADAS DA FONTE PAGADORA. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF Nº 73.
Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
DEDUÇÃO INDEVIDA COM DEPENDENTE.
O sogro ou sogra não pode ser informados como dependentes, na DIRPF do declarante, quando o cônjuge tenha apresentado declaração em separado.
DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS.
A comprovação de parte das despesas médicas glosadas, mediante apresentação de documentação idônea, impõe o restabelecimento das correspectivas glosas. Todas as deduções da base de cálculo do imposto estão sujeitas à comprovação, a critério da autoridade lançadora.
DEDUÇÕES DO IMPOSTO APURADO.
As deduções com contribuição de incentivo à cultura; bem como contribuição patronal paga à previdência social pelo empregador doméstico, estão sujeitas à comprovação, observados os requisitos e limites previstos na legislação tributária.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL.
A Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu, para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
Numero da decisão: 2402-006.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício incidente sobre os rendimentos declarados como ajuda de custo.
(Assinado Digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente).
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ERRO NO PREENCHIMENTO DA DAA. INFORMAÇÕES EQUIVOCADAS DA FONTE PAGADORA. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF Nº 73. Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. DEDUÇÃO INDEVIDA COM DEPENDENTE. O sogro ou sogra não pode ser informados como dependentes, na DIRPF do declarante, quando o cônjuge tenha apresentado declaração em separado. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. A comprovação de parte das despesas médicas glosadas, mediante apresentação de documentação idônea, impõe o restabelecimento das correspectivas glosas. Todas as deduções da base de cálculo do imposto estão sujeitas à comprovação, a critério da autoridade lançadora. DEDUÇÕES DO IMPOSTO APURADO. As deduções com contribuição de incentivo à cultura; bem como contribuição patronal paga à previdência social pelo empregador doméstico, estão sujeitas à comprovação, observados os requisitos e limites previstos na legislação tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu, para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício incidente sobre os rendimentos declarados como ajuda de custo. (Assinado Digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente. (Assinado Digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente).
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INFORMAÇÕES EQUIVOCADAS DA FONTE PAGADORA. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF Nº 73. Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. DEDUÇÃO INDEVIDA COM DEPENDENTE. O sogro ou sogra não pode ser informados como dependentes, na DIRPF do declarante, quando o cônjuge tenha apresentado declaração em separado. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. A comprovação de parte das despesas médicas glosadas, mediante apresentação de documentação idônea, impõe o restabelecimento das correspectivas glosas. Todas as deduções da base de cálculo do imposto estão sujeitas à comprovação, a critério da autoridade lançadora. DEDUÇÕES DO IMPOSTO APURADO. As deduções com contribuição de incentivo à cultura; bem como contribuição patronal paga à previdência social pelo empregador doméstico, estão sujeitas à comprovação, observados os requisitos e limites previstos na legislação tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu, para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 31 69 /2 01 0- 63 Fl. 2472DF CARF MF 2 hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício incidente sobre os rendimentos declarados como ajuda de custo. (Assinado Digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente. (Assinado Digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente). Fl. 2473DF CARF MF Processo nº 11065.003169/201063 Acórdão n.º 2402006.499 S2C4T2 Fl. 2.473 3 Relatório Temse Recurso Voluntário, fls. 2455/2468, voltado contra Acórdão de fls. 2438/2450, emanado da 19ª Turma da DRJ/RJ1, que, por maioria, julgou procedente em parte a impugnação, mantendo o imposto suplementar de R$ 300.581,64. Vale que se transcreva o relatório da r. Decisão guerreada, eis que muito bem delineia a causa até então. Confirase: "Tratase de ação fiscal levada a efeito no(a) contribuinte acima qualificado(a), que implicou a lavratura do Auto de Infração de fls. 228/241, acompanhado dos demonstrativos de fls. 242/246; relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendários 2005, 2006, 2007 e 2008, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 650.483,27, sendo R$ 310.951,69, referentes ao imposto; R$ 233.213,75, à multa proporcional; e R$ 106.317,83, aos juros de mora (calculados até 11/2010). 2. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 230/241), o procedimento apurou crédito tributário decorrente das seguintes infrações: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, relativo a fatos geradores descriminados abaixo: Fato Gerador Valor R$ Multa (%) 31/12/2005 49.893,60 75 31/12/2006 52.440,67 75 31/12/2007 54.372,94 75 31/12/2008 52.619,60 75 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL), DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE, relativos a fatos geradores discriminados abaixo: Fato Gerador Valor R$ Multa (%) 31/12/2005 1.404,00 75 31/12/2006 1.516,32 75 31/12/2007 1.584,60 75 31/12/2008 1.655,88 75 Fl. 2474DF CARF MF 4 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL), DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS, relativos a fatos geradores discriminados abaixo: Fato Gerador Valor R$ Multa (%) 31/12/2005 26.082,00 75 31/12/2006 23.137,70 75 31/12/2007 27.324,07 75 31/12/2008 11.461,45 75 DEDUÇÃO INDEVIDA DO IMPOSTO COM CONTRIBUIÇÃO DE INCENTIVO A CULTURA, relativos a fatos geradores discriminados abaixo: Fato Gerador Valor R$ Multa (%) 31/12/2005 600,00 75 31/12/2006 1.080,00 75 31/12/2007 120,00 75 31/12/2008 600,00 75 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA, relativos a fatos geradores, consolidados mensalmente, seguem discriminados abaixo: [...] DEDUÇÃO INDEVIDA DEDUÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÃO PATRONAL PAGA À PREVIDÊNCIA SOCIAL PELO EMPREGADOR DOMÉSTICO, relativos a fatos geradores discriminados abaixo: Fato Gerador Valor R$ Multa (%) 31/12/2006 534,00 75 31/12/2007 593,60 75 31/12/2008 634,80 75 O procedimento fiscal que resultou na constituição do crédito tributário acima referido encontrase relatado no Relatório de Ação Fiscal às fls. 247/256, acompanhado das planilhas de fls. 146/435, documentos integrantes do auto de infração, relevando destacar o que se segue: Fl. 2475DF CARF MF Processo nº 11065.003169/201063 Acórdão n.º 2402006.499 S2C4T2 Fl. 2.474 5 · A ação fiscal teve origem no MPF nº 0.1.07.002009 013431, tendo por objeto verificar as obrigações tributárias do sujeito passivo, no período de 2004 a 2008; · A infração de OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, trata de verbas indevidamente classificadas como ajuda de custo, originárias da fonte pagadora COMUNIDADE EVANGÉLICA LUTERANA SAO PAULO, CNPJ 88.332.580/000165, nos montantes de R$ 49.893,60, R$ 52.440,67, R$ 54.372,94 e R$ 52.619,60 durante os anoscalendário 2005, 2006, 2007 e 2008, respectivamente. Verificouse que a fonte pagadora, após ser intimada pela fiscalização a comprovar o pagamento de ajuda de custo, retificou as DIRFs originalmente apresentadas, de modo a reclassificar tais rendimentos como tributáveis. Observese que a interessada, embora intimada, não comprovou que as verbas recebidas decorreriam de ajudada de custo. Observese que houve emissão de Notificação de Lançamento automática, em vista das DIRFs retificadoras, que foram canceladas em face da matéria estar sendo apurada na presente ação fiscal. · Foram glosadas as deduções com a dependente SOELLY IGNES PUPERI GOMES, nos anos calendários de 2005 a 2008, por se tratar de sogra da contribuinte; e o cônjuge ter apresentado DIRPF em separado, o que impede a dedução pleiteada; · Foram glosadas todas as despesas médicas informadas nas DIRPFs revisadas, no período de 2005 a 2008, pela omissão do sujeito passivo em atender à intimação que lhe fora dirigida, no curso da ação fiscal, com vistas à comprovação. Em acréscimo a fiscalização aduz que “Independente de intimação, alguns pagamentos informados pela contribuinte em suas DAA como deduções médicas já seriam retiradas de oficio, pela falta de previsão legal para sua utilização. São eles: Os valores informados como havendo sido pagos a JAMIL FRANCISCO MARQUES, CPF 528.943.98034, nos montantes de R$ 9.300,00 (no anocalendário 2005, A fl. 06), R$ 14.900,00 (no ano calendário 2006, 6 fl. 08) e R$ 10.000,00 (em 2007, A fl. 10), e MARCIO ADRIANO XAVIER COELHO, CPF 528.760.63034, nos totais de R$ 9.300,00 (no anocalendário 2005, à fl. 06) e R$ 12.000,00 (no anocalendário 2007, à fl. 10). Ambos os profissionais são técnicos em enfermagem, segundo informação da Assessoria Jurídica do CorenRS (fl. 150) e cópia da lista de classificados no concurso público n° 01/2009 da Prefeitura Munic. de Esteio (fl. 151v), foram funcionários da ULBRA, no período fiscalizado, e nem sequer declaram terem recebido Fl. 2476DF CARF MF 6 quaisquer valores provenientes de pessoas físicas (o que poderia, em tese, indicar que os pagamentos teriam sido efetuados pela fiscalizada)”. · Quanto à infração de DEDUÇÃO INDEVIDA DO IMPOSTO COM CONTRIBUIÇÃO DE INCENTIVO À CULTURA, o sujeito passivo foi intimado a comprovar os pagamentos informados nas DIRPFs revisadas, limitandose a afirmar que não teriam pleiteado dedução alguma a esse título, conforme corroboraria copias de DIRPFs entregues à fiscalização. · Quanto à infração de OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA, aduz que o sujeito passivo, em atendimento à intimação que lhe foi dirigida no curso da ação fiscal, apresentou extratos bancários incompletos, do Banco do Brasil, Santander, me Banrisul, bem como algumas faturas de cartões de crédito. Em conseqüência, foram expedidas Requisições de Informações Financeiras, implicando a obtenção dos documentos constantes doas Anexos III ao VI, de cuja análise implicou a identificação de créditos bancários, cuja comprovação de origem foi requerida ao sujeito passivo, consoante Termo de Intimação de fls. 148/173. Por ter sido constatado que algumas das contas bancárias possuíam cotitular, estes também foram intimados a comprovar a origem, conforme se segue: · Considerando que a interessada, e demais cotitulares das contas bancárias, omitiramse em justificar a origem dos depóstios, estes deram ensejo à formação válida da presunção de omissão de rendimentos, ao teor do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, observandose os seguintes critérios: “Observado o §6° do art. 42, foram, portanto, considerados RENDIMENTOS OMITIDOS os depósitos em contas bancárias constantes no ANEXO DO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N° F855 (fls. 114/125), os quais, à exceção dos efetuados nas contas mantidas no Banrisul e Santander (titulados unicamente pela contribuinte), foram imputados à fiscalizada na proporção de 1/3 para a conta n° 008350 (agência 2626 do Banco do Brasil), e 1/2 para as conta n° 080184 (agência 2626 do Banco do Brasil), n° 082940 (agência 2626 do Banco do Brasil) e n° 10787043 (agência Moinhos de Vento do extinto BankBoston)”. · Quanto à infração de DEDUÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÃO PATRONAL PAGA À PREVIDÊNCIA SOCIAL PELO EMPREGADOR DOMÉSTICO, o sujeito passivo foi intimado a comprovar os pagamentos informados nas DIRPFs revisadas, limitandose a afirmar que teriam transitado por suas contas bancárias, não apresentando documento algum. Cientificado(a) da autuação em 08/12/2010 (vide despacho de fls. 262), a defesa protocolizou impugnação, às fls. 263 e Fl. 2477DF CARF MF Processo nº 11065.003169/201063 Acórdão n.º 2402006.499 S2C4T2 Fl. 2.475 7 seguintes, por intermédio de procuradores, mandato às fls. 276, recepcionada em 06/01/2011. Em síntese, aduz o que se segue: · Quanto à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, aduz que a responsabilidade pela suposta classificação indevida como ajuda de custo é da fonte pagadora; e tinha suporte em supostos ressarcimentos de despesas realizadas pela impugnante na representação da entidade, também nas despesas de locomoção, as quais eram comprovadas com documentos entregues por ocasião do ressarcimento. Aduz que, embora intimada a apresentar tais documentos, a fonte pagadora permanece silente, limitandose a retificar as DIRFs apresentadas, de modo a não corresponder à verdade dos fatos. Aduz não ser devida a multa de ofício, vez que a conduta omissiva não poderia ser imputada à impugnante. · Quanto às glosas de deduções indevidas, apresenta documentos a título de comprovação. · Quanto à infração de OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA, aduz que a presunção legal seria insuficiente para consubstanciar a identificação de riqueza tributável; referese à doutrina acerca das presunções e capacidade contribuitiva, para concluir que “em que pese não haver, como entendeu a auditoria fiscal, “a apresentação de documentação hábil e idônea”, de cada um dos créditos ocorridos na conta corrente, a comprovar a origem desses créditos, tal indicio não fundamenta a indicação "com razoável grau de certeza" da riqueza tributável, e isso por uma razão muito simples: os valores constatados pela auditoria fiscal como presumivelmente omissão de receita estão contemplados pelos valores declarados pela Impugnante como rendimentos nos respectivos anos calendários”. Aduz que, em 2005, o total do rendimento declarado foi de R$ 731.600,61, enquanto os rendimentos reputados omitidos foram de R$ 278.015,87, o que teria se sucedido nos demais períodos. Aduz que não se verificou, no período fiscalizado, variação patrimonial a justificar a omissão de receitas, o que estaria corroborado pelo fato de que os rendimentos declarados, no período de 2005 a 2008, foram superiores a R$ 1.600.000,00, enquanto a movimentação bancária supostamente omitida foi de cerca de R$ 800.000,00. Assim, conclui que a presunção milita em favor da impugnante, vez que a movimentação bancária é compatível com os rendimentos declarados." Em seu apelo, reprisa a recorrente os mesmos argumentos lançados em sua Impugnação (fls. 263/275), alterando apenas, ás fls. 2463, em que, face à parte não acatada pela r. decisão recorrida, permanecem as razões de inconformismo, alegando, portanto, que foram juntados os comprovantes de despesas médicas referentes aos anoscalendário 2005, Fl. 2478DF CARF MF 8 2006, 2007 e 2008, o que comprovariam o direito de não tributação da recorrente quanto a tais despesas, conforme art. 80 do Decreto 3000/99 RIR/99. No mais, foram revistos todos os pontos, requerendo, ao final, que seja acolhido o presente recurso para reforma do acórdão recorrido e devido cancelamento do débito fiscal perseguido. É o relatório. Fl. 2479DF CARF MF Processo nº 11065.003169/201063 Acórdão n.º 2402006.499 S2C4T2 Fl. 2.476 9 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Presentes os pressupostos intrínsecos (legitimidade, interesse, cabimento e inexistência de fato impeditivo ou extintivo) e extrínsecos (tempestividade e regularidade formal) de admissibilidade recursal, votamos por conhecer do recurso e passando à análise de suas razões. 2. DO LANÇAMENTO REFERENTE A OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VINCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDO DE PESSOA JURÍDICA. Neste tópico a Recorrente se insurge contra o lançamento realizado com base em divergências decorrentes de retificação das DIRFs 2006 e 2009, bem como aquele realizado sobre valores declarados como "ajuda de custo". Sustenta não haver omissão de rendimentos uma vez que apresentou suas declarações em conformidade com os informes de rendimento e contracheques recebidos, sendo induzida à erro pela finta pagadora, o que se comprova pelo fato da mesma, após o i. Agente fiscal ter requisitado informações quanto as operações, ter admitido o erro e apresentado DIRFs retificadoras, portanto, incabível a aplicação de multa de ofício. Analisando a questão, verificamos que restou incontroverso o fato de que, apesar de erroneamente classificado como não tributável, o rendimento foi integralmente declarado. Restou ainda incontroverso o fato de que a fonte pagadora prestou informações equivocadas, tanto o é que procedeu a retificação das DIRFs. Tais fatos contam do próprio Relatório Fiscal, decisão recorrida e são corroborados pelos documentos acostados aos autos pela fiscalização e para Recorrente. A Recorrente, na condição de empregada da COMUNIDADE EVANGÉLICA LUTERANA SÃO PAULO, CNPJ 88.332.580/000165, não tinha domínio ou ingerência sobre a forma com que as DIRFs eram apresentadas e, ainda que seja exigível saber que tais valores recebidos a título de ajuda de custo não preenchiam os requisitos legais para tal, é plausível a hipótese de ter prestado tais informações errôneas sob indução da fonte pagadora. Ante ao principio da boa fé objetiva negar a Recorrente o reconhecimento de tratarse de erro escusável demandaria, por parte da fiscalização, maior desenvolvimento investigativo no sentido de demonstrar que a mesma tinha algum domínio do fato ou má fé, o que não é o caso. Fl. 2480DF CARF MF 10 Nesse sentido, verificamos que o caso se amolda ao entendimento vinculante proferido pelo Conselho por meio da Súmula CARF nº 73. 1 Ante ao exposto voto por dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto para afastar a imposição de multa de ofício. 3. DO LANÇAMENTO REFERENTE A DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA (DEDUÇÃO DEPENDENTE, DESPESAS MÉDICAS E INCENTIVO A CULTURA). A Recorrente apresenta pleito no sentido de afastar totalmente as glosas promovidas pelo i. Agente fiscal sobre as despesas médicas, dedução de dependente e incentivo a cultura. Basicamente renova os mesmos argumentos já adotados na impugnação, pleiteando revisão daquilo que não fora acatado pelo julgado recorrido. No que se refere glosa de deduções com a dependente SOELLY IGNES PUPERI GOMES, nos anos calendários de 2005 a 2008, declarada como pessoa incapaz, mas que, em realidade, é sogra da Recorrente não há o que se corrigir. O cônjuge da Recorrente apresentou sua DAA em separado, neste caso, por falta de previsão legal, não é possível manter a dedução em pleito. De acordo com a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 35, o sogro ou a sogra não podem ser dependentes, salvo se seu filho ou filha estiver declarando em conjunto com o genro ou a nora, e desde que o sogro ou a sogra não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual (R$ 19.645,32), nem estejam declarando em separado. Com relação aos comprovantes de incentivo a cultura constantes dos autos, todos aqueles considerados válidos foram aceitos pela DRJ. No que se refere as deduções relativas as despesas com empregados domésticos não merece qualquer ajuste o decisório, eis que somente é dedutível o valor, dentro dos limites legais, efetivamente recolhido à titulo de contribuição previdenciária de custeio (empregador), conforme o disposto na Lei nº 11.324/2006 c/c do inciso VII e § 3º do art. 12 da Lei nº 9.250, de 1995. O Recurso em realidade, centra maior atenção no restabelecimento das deduções relativas as despesas com hidroterapia prestados pelo estabelecimento Acquáticos, sustentando tratase de fisioterapia. Em consulta aos comprovantes de tal despesas [Fl. 325], embora seja factível tal alegação, eis que a fisioterapia adota tratamentos realizados na água, o comprovante em questão não se presta a tal prova. Nos termos da Resolução COFFITO 8/78, art. 54 e 119, é obrigatório o uso do número de inscrição pelo fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional nos seguintes casos: em carimbo, datilógrafo, impresso ou manuscrito imediatamente abaixo da assinatura, em todo documento firmado em razão do exercício profissional, e, em impresso, anúncio e placas ligados ao exercício profissional, como cartões de vista e receituários. 1 Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Fl. 2481DF CARF MF Processo nº 11065.003169/201063 Acórdão n.º 2402006.499 S2C4T2 Fl. 2.477 11 Não consta no referido recibo qualquer referência a profissional fisioterapeuta, tão pouco a Recorrente apresentou qualquer prova complementar apta a sustentar tal pretensão. Isto posto voto por negar provimento ao recurso neste ponto. 4. DO LANÇAMENTO REFERENTE A ALEGADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. Quanto aos depósitos de origem não comprovada a DRJ votou por manter a integralidade do lançamento sendo essa a razão de insurreição da Recorrente. Neste tópico alega não haver omissão de rendimentos, pois os valores indicados como omitidos estariam contidos em suas declarações de rendimento. Analisando as DAAs dos exercícios 2005 a 2008 temos os seguintes valores declarados como rendimentos tributáveis: 2005 2006 2007 2008 Rend. Trabalho R$ 174.183,31 R$ 187.095,20 R$ 197.803,33 R$ 204.332,81 Rend. Isentos e não tributáveis R$ 451.064,15 R$ 517.948,03 R$ 151.383,58 R$ 64.024,05 Tributação Definitiva na fonte R$ 10.879,81 R$ 12.449,75 R$ 13.264,38 R$ 17.913,38 Em levantamento realizado por meio de requisições das informações bancárias da recorrente o i. agente fiscal apurou: 2005 2006 2007 2008 R$ 278.015,87 R$ 192.285,64 R$ 202.191,87 R$ 139.611,17 Ao contrario do alegado pela Recorrente os valores tido por omitidos são resultantes de analise promovida pelo i. Agente fiscal que, para realizar o lançamento, excluiu os seguintes valores: Valores depositados em conta relativos as distribuições de lucros e dividendos, conforme batimento com a contabilidade da empresa VINTE COMUNICAÇÃO E MARKETING LTDA, CNPJ 05.374.396/000150, extinta em 17/08/2006, da qual a fiscalizada foi sócia (fl. 154); Registros cujo histórico continha as expressões "FOLHA PAGAMENTO", "PROVENTOS", "CHEQUE DEVOLVIDO" (e suas variações, TAIS COMO "DEVOLUÇÃO CHEQUES"), "CRED FGTS", "CRED INSS", "ESTORNO", "PGTO. FORNECEDOR", "CD13/RDB", "CDC", "EMPRÉSTIMO' (e assemelhados, tais COMO "OPER.CR."), "DEV.DOC.ELETRON.", "RESGATE", "SAQUE EM POUPANÇA"; Fl. 2482DF CARF MF 12 Assim, foram tomados por base de calculo apenas aquilo que excedeu ao declarado, sendo mantido pela DRJ aquilo que não restou comprovado, portanto, não merece prosperar a tese recursal. CONCLUSÃO Por todo exposto voto por conhecer do recurso para, no mérito, darlhe parcial provimento apenas quanto a exclusão da multa de ofício sobre rendimentos declarados como ajuda de custos, nos termos da súmula CARF nº 73. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 2483DF CARF MF
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