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Numero do processo: 10675.003100/2006-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ADA EXIBIDO ATÉ O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. RESERVA LEGAL - DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO.
A falta de ADA tempestivo não consiste em elemento capaz de obstar o direito ao reconhecimento de área de utilização limitada. Para afastar a glosa de área de preservação permanente, é preciso que o ADA seja anterior ao início do procedimento fiscal. Enquanto que para área de reserva legal, esta exigência pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo.
Numero da decisão: 9202-005.124
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ADA EXIBIDO ATÉ O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. RESERVA LEGAL - DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO. A falta de ADA tempestivo não consiste em elemento capaz de obstar o direito ao reconhecimento de área de utilização limitada. Para afastar a glosa de área de preservação permanente, é preciso que o ADA seja anterior ao início do procedimento fiscal. Enquanto que para área de reserva legal, esta exigência pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo.
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ÁREA TRIBUTÁVEL. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ADA EXIBIDO ATÉ O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. RESERVA LEGAL DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO. A falta de ADA tempestivo não consiste em elemento capaz de obstar o direito ao reconhecimento de área de utilização limitada. Para afastar a glosa de área de preservação permanente, é preciso que o ADA seja anterior ao início do procedimento fiscal. Enquanto que para área de reserva legal, esta exigência pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 31 00 /2 00 6- 11 Fl. 378DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 220100.796, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração de fls. 127/132, para exigir crédito tributário sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2002, no montante de R$ 29.217,98, acrescido de multa de ofício e de juros de mora. Segundo o relatório fiscal o lançamento decorre da revisão da DITR/2002 da qual foram glosados os valores declarados a título de área de preservação permanente (71,9ha) e área de utilização limitada (458,2ha) e foi alterado o VTN de R$ 1.700.000,00 para R$ 1.750.000,00, conforme descrição dos fatos constante do Termo de Verificação Fiscal de fls. 125/126. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 135/159, na qual argumentou que a manutenção de áreas ambientais é uma exigência da Constituição e que limita a utilização do imóvel e que não é justo que ainda tenha que pagar imposto sobre estas áreas; que a lei não impõe qualquer condição acessória para o gozo da isenção sobre as áreas ambientais, referindose especificamente à obrigatoriedade da entrega do ADA. A DRJBRASILIA/DF julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que não foi cumprido um dos requisitos essenciais para a exclusão das áreas ambientais, qual seja, a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA com a indicação das áreas. Registrou a decisão de primeira instância que o ADA foi apresentado, porém após o prazo fixado na legislação. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 179/190, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 249/255, DEU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, resultando sua decisão assim ementada: Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10675.003100/200611 Acórdão n.º 9202005.124 CSRFT2 Fl. 10 3 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 Ementa: ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2o e 16 da Lei n° 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. Recurso provido. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial, fls. 309/320, arguindo a exigência da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para reconhecimento da isenção do ITR sobre as áreas de preservação permanente – APPs. Em sede de Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 352/356, DEU SEGUIMENTO ao Recurso Especial, admitindo a divergência em relação à necessidade de apresentação tempestiva do ADA, para comprovação da área de preservação permanente e de utilização limitada. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 361/372, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração de fls. 127/132, para exigir crédito tributário sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2002, no montante de R$ 29.217,98, acrescido de multa de ofício e de juros de mora. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à necessidade de apresentação tempestiva do ADA, para comprovação da área de preservação permanente e de utilização limitada. A questão controvertida diz respeito à exigência da averbação da área de reserva legal a época dos fatos geradores para fins de isenção do ITR. Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento, e para isso adoto as razões do acórdão 9202.02146, proferido Fl. 380DF CARF MF 4 pela Composição anterior da 2ª Turma da Câmara Superior, da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire. Para tanto, devemos analisar a legislação aplicável ao tema e para isso transcrevo os trechos que interessam do art. 10 da Lei nº 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluída pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Da transcrição acima, destacase que, quando da apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de reserva legal é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso reste comprovada posteriormente a falsidade das declarações. A Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro, prevê a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10675.003100/200611 Acórdão n.º 9202005.124 CSRFT2 Fl. 11 5 Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: § 2º A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989). Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região CentroOeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803, de 18.7.1989) Conforme apontado anteriormente, cingese a controvérsia acerca da necessidade de prévia averbação da reserva legal para fins de nãoincidência do Imposto Territorial Rural ITR. Bem como existência de ADA para reconhecimento da área como de preservação permanente. O acórdão recorrido assim dispôs: Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais: umas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo poder Público por meio de ato próprio. Dito isto, não me parece minimamente razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA. Mas não há dúvida de que a lei poderia criar tal exigência: A questão aqui, entretanto, é se o art. 170, em que se baseiam os que defendem esta posição, permite esta interpretação; se é este o sentido e o alcance que se deve extrair da norma que melhor a harmonize com os demais princípios e normas que regem a tributação do ITR e a preservação do meio ambiente. Assim, em conclusão, penso que o art. 170 da Lei n° 6.938/81 impõe a exigência da apresentação tempestiva do ADA apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. A entrega intempestiva do ADA, portanto, não justifica a glosa das áreas ambientais declaradas. O argumento principal da Fazenda Nacional reside no fato de que para fins de isenção de ITR, a partir do exercício 2001, inclusive este, o ADA deve ser protocolizado no IBAMA no prazo de seis meses, contado do termo final para a entrega da respectiva DITR. Saliento que a partir de 2001, para fins de redução do ITR, a previsão expressa é a de que haja comprovação de que houve a comunicação tempestiva ao órgão de fiscalização ambiental, e que isso ocorra por meio de documentação hábil. Entendo aqui Fl. 382DF CARF MF 6 que a documentação hábil engloba um conjunto de documentos possíveis e não apenas o protocolo de ADA. A meu ver não é necessário que a averbação da reserva legal seja realizada antes do fato gerador, pois se a área tinha condições de ser considerada isenta, e o foi posteriormente, é o que importa para consagração do Direito do Contribuinte, em virtude da aplicação da Verdade Material, privilegiada nos Processos Administrativos Federais por força da Lei 9784/99. A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, por isso considero equivocado o condicionamento do reconhecimento do referido benefício à prévia averbação dessa área no Registro de Imóveis, posto que a averbação na matrícula do imóvel não é ato constitutivo do direito de isenção, mas meramente declaratório ante a proteção legal que tal área recebe. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Do mesmo modo, que no tocante a comprovação da existência da área de utilização limitada para fins de APP, a meu ver não é necessária única e exclusivamente por meio de ADA, pois adoto o entendimento de que existem outros documentos hábeis a esta comprovação. Isso é quanto ao direito. Passo agora a análise das provas. No caso dos autos, observo que o contribuinte apresenta ADA datado de 20.12.2005 e Laudo Técnico de dezembro de 2005, os quais considero como documento hábil para comprovação legal exigida em lei, mesmo para o exercício de 2002. Quanto a APP, saliento que no meu entendimento pessoal para configuração da área de preservação ambiental não é obrigatório que a comprovação da natureza da área se dê por meio da exibição de ADA, podendo esta ser feita por qualquer meio de prova. Contudo saliento aqui que a maioria do colegiado entende diferente, devendo para comprovação de APP o ADA ser anterior ao inicio da ação fiscal 26.05.2006 e para comprovação da área de reserva legal, que a averbação da área antes da data do fato gerador supre a inexistência do ADA. Assim entendo deva ser mantido o acórdão recorrido, pois a averbação da área de reserva legal antes do fato gerador supre a ausência de ADA para área de reserva legal, quanto a APP o ADA anterior ao inicio da ação fiscal pode ser aceito como documento hábil, servindo como comunicação a autoridade florestal ou ambiental. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10675.003100/200611 Acórdão n.º 9202005.124 CSRFT2 Fl. 12 7 Fl. 384DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.722798/2013-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
BEM COMUM DO CASAL. RENDIMENTOS DE ALUGUEL TRIBUTADOS PELO CÔNJUGE.
Evidenciado que os rendimentos de aluguel de bem comum de casal já foram devidamente tributados na Declaração de Ajuste do cônjuge, não persiste a infração de omissão de rendimentos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 BEM COMUM DO CASAL. RENDIMENTOS DE ALUGUEL TRIBUTADOS PELO CÔNJUGE. Evidenciado que os rendimentos de aluguel de bem comum de casal já foram devidamente tributados na Declaração de Ajuste do cônjuge, não persiste a infração de omissão de rendimentos. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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RENDIMENTOS DE ALUGUEL TRIBUTADOS PELO CÔNJUGE. Evidenciado que os rendimentos de aluguel de bem comum de casal já foram devidamente tributados na Declaração de Ajuste do cônjuge, não persiste a infração de omissão de rendimentos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 27 98 /2 01 3- 39 Fl. 128DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10840.722798/201339 Acórdão n.º 2402005.571 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no montante de R$ 22.506,48, relativamente ao anocalendário 2010, tendo em vista o confronto dos rendimentos declarados como recebidos de pessoa física com total dos rendimentos dos aluguéis informados por administradoras de imóveis em Dimob, bem como constatação de compensação indevida (fls. 4/9). Em sua impugnação (fls. 2/64), o contribuinte concordou com a infração de compensação e afirmou os rendimentos de aluguel produzidos por bem comum foram oferecidos à tributação na declaração da cônjuge. A DRJ/RJ1 manteve, por maioria de votos, a exigência (fls. 89/93), motivo pelo qual foi interposto o recurso voluntário em 8/5/2014 (fls. 98/107), reiterando as razões da impugnação e juntando documentos. Em 12/5/2016, mediante a Resolução nº 2402000.554, esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem intimasse a Expandi Imóveis Ltda, administradora de imóveis, para que confirmasse o valor, discriminado por imóvel e total, dos aluguéis pagos e respectiva comissão, nos quais tivesse o contribuinte em epígrafe constado como locador. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, portanto, passo ao seu exame. À ocasião da prolação da Resolução nº 2402000.554, este relator trouxe as seguintes razões, que reproduzse de modo a que passem a fazer parte do corpo da presente fundamentação: Muito embora o notificado assevere que todos os rendimentos de aluguéis foram oferecidos à tributação na DIRPF/2011 de sua esposa Antônia Lavezzo Norberto, CPF nº 315.326.55851 (fls. 56/60), as Dimob enviadas pelas administradoras de imóveis informam, aparentemente, que tanto o contribuinte quanto o cônjuge virago receberam, cada um, um total de R$ 37.467,08 (fls. 86/88). Necessário, então, examinar os contratos de aluguel acostados aos autos, fls. 21/54, para checar sua compatibilidade com os dados da Dimob. No contrato intermediado pela Dinardi Imóveis Ltda., CNPJ nº 55.108.914/00162, com início em 1º/5/2009 (fls. 21/31), o valor do aluguel inicial mensal é de R$ 700,00, similar ao informado nas Dimob de cada um dos cônjuges, R$ 8.540,00 brutos no anocalendário 2010, levandose em conta os reajustes contratuais. Ou seja, o mesmo montante foi informado para ambos os cônjuges,traduzindose em duplicidade de informações. Se já tributado na DIRPF da esposa, não cabe ser o rendimento tributado novamente na declaração do cônjuge varão. Da mesma forma, no contrato de aluguel firmado através da Phercon Imóveis Ltda., CNPJ nº 05.448.780/000150, com início em 6/9/2007 e término em 5/3/2010, anocalendário sob exame, o valor de aluguel inicial é de 1.666,77, também compatível com o rendimento informado em cada uma das Dimob. Já para os aluguéis intermediados por meio da Expandi Imóveis Ltda., CNPJ nº 64.922.214/200106, a situação não resta clara, não sendo possível associar os valores informados na Dimob com os contratos apresentados, até mesmo porque um deles, em particular, é bastante antigo, iniciado em 25/10/1995 e não tendo sido colacionados documentos explicitando os termos de seus posteriores reajustes. Desse modo, se considerados os documentos relativos às administradoras Dinardi Imóveis Ltda e Phercon Imóveis Ltda a versão dos fatos tal como narrada pelo contribuinte se revela deveras factível, o mesmo não se pode dizer, com um mínimo de confiabilidade, no tocante aos rendimentos percebidos através da Expandi Imóveis Ltda Proponho então, a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para fins de que a unidade de origem intime a Expandi Imóveis Ltda, acima qualificada, para que confirme o valor, discriminado por imóvel e total, dos aluguéis pagos e respectiva comissão, nos quais tenha o contribuinte em epígrafe constado como locador. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10840.722798/201339 Acórdão n.º 2402005.571 S2C4T2 Fl. 103 5 Como consequência da diligência acima solicitada, sobreveio a seguinte resposta da empresa em questão: EXPANDI IMÓVEIS LTDA., inscrita no CNPJ/MF sob nº 64.922.214/0001 06, localizada na Rua Barão do Rio Branco, nº 1611, centro, na cidade de SertãozinhoSP, informamos que o contribuinte Sr. JOEL NORBERTO, CPF nº 622.543.83868 no anocalendário de 2010 não teve rendimentos de aluguéis intermediados e administrados pela imobiliária. Tal informação confirma a versão do contribuinte no sentido de que não recebeu rendimentos de aluguel dessa administradora no anocalendário 2010, a qual, segundo se conclui da leitura conjunta dos documentos acostados aos autos às fls. 103/104 e da DIRPF/2011 acostada às fls. 56/60, verteu os aluguéis recebidos à esposa do notificado. Por conseguinte, não subsistindo a omissão de rendimentos apontada pela fiscalização, deve ser cancelado o lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.725709/2010-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. CABIMENTO.
Comprovado o descumprimento de obrigação acessória é dever da Autoridade Fiscal a aplicação da penalidade prevista em Lei, sob pena de descumprimento de dever funcional.
Numero da decisão: 2201-003.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que davam provimento ao recurso.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
EDITADO EM: 29/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. CABIMENTO. Comprovado o descumprimento de obrigação acessória é dever da Autoridade Fiscal a aplicação da penalidade prevista em Lei, sob pena de descumprimento de dever funcional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que davam provimento ao recurso. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. EDITADO EM: 29/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 57 09 /2 01 0- 69 Fl. 478DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão da 5ª Turma da DRJ Curitiba que manteve o lançamento tributário realizado em desfavor do Recorrente, relativo à multa pele empresa ter deixado de arrecadar, mediante desconto, contribuição devida pelos segurados empregados e contribuintes individuais, devidas sobre a remuneração percebida. Tal crédito foi constituído por meio do auto de infração (folhas 2 do processo digitalizado), devidamente explicitado no Relatório Fiscal (folhas 340), pelo qual foi apurado o crédito tributário de R$ 1.431,79, calculado 16 de dezembro de 2010. Na mesma ação fiscal foram constituídos os seguintes documentos de crédito: O contribuinte foi cientificado do lançamento tributário mencionado, por via postal, em 22 de dezembro de 2010, como se comprova pela cópia do AR anexado às folhas 342. A decisão da 6ª Turma da Curitiba restou assim ementada: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 RELATÓRIO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São listadas no Relatório de Vínculo todas as pessoas físicas e jurídicas de interesse da administração, em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente, não implicando automaticamente em responsabilidade solidária. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A análise da cobrança de juros sobre a multa de ofício extrapola a presente jurisdição, uma vez que a exigência não está consubstanciada no ato jurídico do lançamento tributário e se reportaria a evento futuro de cobrança. JUROS SOBRE MULTA LEGALIDADE. Correta a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, haja vista esta compor o crédito tributário, conforme legislação vigente. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. DEVER DO AGENTE FISCAL. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10980.725709/201069 Acórdão n.º 2201003.485 S2C2T1 Fl. 479 3 O agente fiscal tem, por disposição expressa no art. 66 do DecretoLei 3.688 de 1941 (Lei de Contravenções Penais), o dever de formalizar Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), sempre que, no exercício de suas funções internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de crime de ação penal pública incondicionada ou contravenção penal. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêloem outro momento processual. Impugnação Improcedente" Cientificado da decisão que contrariou seus interesses, o Contribuinte interpôs em 03 de fevereiro de 2012 o presente recurso voluntário, conforme se verifica às folhas 395. Tal recurso foi apreciado em sessão da 1ª Turma da 3ª Câmara desta Segunda Seção do dia 16 de setembro de 2012. O recurso, a decisão de primeiro grau e a imputação fiscal constam do Relatório do acórdão 2301003.046. Vejamos: 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa TRANSVALTER LIMITADA em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento de débito referente ao período de 01/01/2006 a 31/12/2008. 2. Em conformidade com o relatório fiscal, o presente lançamento referese ao fato de a empresa ter deixado de “arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais e empregado que receberam remuneração” (f. 338). 3. Ainda de acordo com a peça introdutória, a empresa teria infringido o artigo 30, inciso I, alínea a, da Lei 8.212/91, razão pela qual foi aplicada a multa cabível, “nos termos da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea ‘g’ e art. 373, combinado com a Portaria MPS/MF nr. 333, de 29/06/2010” (f. 339). 4. A decisão do colegiado de primeira instância restou ementada nos termos que seguem: (...) 5. Buscando reverter o lançamento, o contribuinte apresentou suas razões aduzindo, em síntese: a) preliminarmente, a tempestividade do recurso apresentado, sendo inexigível depósito ou arrolamento de bens para o seguimento do processo; Fl. 480DF CARF MF 4 b) pugna pela anulação do lançamento devido à falta de clareza na fundamentação da infração, o que viola o princípio da ampla defesa e do contraditório; c) no mérito, aduz que é uma empresa que possui por objeto social a exploração do ramo de transporte rodoviário de cargas secas e granel em âmbito nacional, e subcontrata, eventualmente empresas do ramo para melhor cumprir com suas atividades regulares; d) tais subcontratações se dão diretamente mediante o deslocamento de funcionários das subcontratadas até as dependências da empresa para repasse dos dados necessários ao transporte, bem como a realização de contratos de transporte rodoviário, mediante a apresentação do documento de veículo que será utilizado para a realização do seguro de carga; e) afirma ainda que “como a recorrente tem ciência que está subcontratando outras empresas de transportes, entendese por consequência lógica que os representantes encaminhados pelas mesmas são funcionários destas, e que (...) referidas transportadoras realizam a retenção das parcelas referentes à contribuição previdenciária, não havendo que se falar em falta de arrecadação das contribuições dos segurados contribuintes individuais”; f) a impossibilidade da cobrança de juros (com aplicação da taxa SELIC) sobre a multa de ofício." A decisão da 1ª TO da 3ª Câmara, representada pelo Acórdão 2301003.046 (fls. 426), restou assim ementada: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Os transportadores autônomos se enquadram na categoria de contribuintes individuais, regida pelo art. 22, III, da Lei 8.212, de 1991. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte." Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10980.725709/201069 Acórdão n.º 2201003.485 S2C2T1 Fl. 480 5 Ciente da decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional protocolizou, tempestivamente, recurso especial no dia 26/11/2013(fls. 435), que restou admitido, por despacho proferido em 20 de dezembro de 2013 (fls 447). Devidamente cientificado do Acórdão de Recurso Voluntário e do Especial proposto pela Fazenda, o contribuinte optou por não apresentar contrarrazões consoante despacho de folhas 380. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 17 de fevereiro de 2016, analisando o especial da Fazenda Nacional, por meio do Acórdão 9202003.789, decidiu que (fls 457): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ESPECÍFICA. DEIXAR DE ARRECADAR. O art. 30, inc. I, a), da Lei n° 8.212/1991 estabelece a obrigação de a empresa arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos, ficando sujeita à penalidade quando não cumpre essa norma, conduta distinta da ausência de recolhimento do tributo ou de ausência de declarações ao fisco. RETROATIVIDADE DA NORMA PENAL MAIS BENIGNA. Não há nova norma mais benigna relativamente à aplicação da penalidade isolada prevista no art. 92 da Lei n° 8.212/1991, com a regulamentação dada pelo art. 283 do Decreto n° 3.048/1999. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. O conhecimento do recurso especial de divergência depende de o acórdão recorrido e os paradigmas trazidos pelo recorrente versem sobre a mesma situação tratada no auto de infração, não tendo sido essa a situação apreciada em nenhum deles, aguarda se nova decisão da instância recorrida no tocante à penalidade aplicada. Recurso especial provido em parte." Por força da decisão proferida, o Conselheiro Relator, Dr. Luiz Eduardo de Oliveira Santos, ao final do voto condutor da decisão adotada por unanimidade, determinou: No caso concreto, a obrigação descumprida foi a de arrecadar as contribuições dos empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço. Pelo descumprimento dessa obrigação de arrecadar houve a sanção penal tributária com base em artigo distinto daquele que foi apontado tanto no acórdão recorrido quanto no próprio Recurso Especial. Observese que nem a antiga “multa de mora” do art. 35 nem as multas por falhas nas declarações Fl. 482DF CARF MF 6 dos §§ 4°, 5° e 6° do art. 32 estão dispostas na base legal do lançamento. Poderseia até buscar discutir se seria justo aplicar penalidade isolada por falta de arrecadação, cuja base legal não foi revogada, assim como acabou existindo a discussão sobre as penalidades acessórias incluídas nos §§ 4°, 5° e 6° do art. 32 (que foram revogadas. Assim, como essa questão não foi decidida pelo colegiado a quo, para evitar a supressão de instâncias, concluo pelo conhecimento do recurso especial de divergência, e a ele dou provimento parcial para reformar o acórdão recorrido, com retorno ao colegiado a quo, para apreciação do recurso voluntário quanto à multa específica aplicada, da forma estabelecida no auto de infração." (destaques do último parágrafo transcrito não constam do original) Foi dada ciência da decisão da CSRF por meio de comunicado endereçado ao domicílio tributário eletrônico. O contribuinte acessou seu endereço eletrônico em 20 de dezembro de 2016, às 10:50:26hs. Tal recurso foi distribuído por sorteio eletrônico para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Tratase de determinação da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais para que este colegiado se pronuncie sobre recurso voluntário interposto pelo Contribuinte. Como relatado, a CSRF determinou que: "Assim, como essa questão não foi decidida pelo colegiado a quo, para evitar a supressão de instâncias, concluo pelo conhecimento do recurso especial de divergência, e a ele dou provimento parcial para reformar o acórdão recorrido, com retorno ao colegiado a quo, para apreciação do recurso voluntário quanto à multa específica aplicada, da forma estabelecida no auto de infração." Recordo que a multa mencionada foi aplicada em razão do descumprimento, pelo contribuinte, do dever de reter e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, tudo nos termos do artigo 30, inciso I, "a" da Lei nº 8.212/91 e do art. 4º da Lei nº 10.666/03. Para cumprir o disposto no Acórdão de Recurso Especial, passo a apreciar a apelação do contribuinte, em seu voluntário, na ordem da apresentação de suas alegações. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10980.725709/201069 Acórdão n.º 2201003.485 S2C2T1 Fl. 481 7 DA FALTA DE CLAREZA NA FUNDAMENTAÇÃO DA INFRAÇÃO VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA Alega o Recorrente que não há clareza na fundamentação do auto de infração o que impede sua defesa. São seus argumentos (fls. 398): "Em relação à presente infração, a Recorrente persiste quanto a falta de clareza na fundamentação dos fatos que ensejaram a autuação, o que dificulta sua defesa, uma vez que não há suficiente fundamentação legal à suposta violação apontada. Com efeito, importante reconhecer que a Autuação é a exposição da norma individual e concreta formulada por autoridade competente no exercício do poder de fiscalização (poder de polícia), que verificando irregularidade ou afronta à norma quando da apuração, do pagamento ou mesmo do cumprimento dos deveres instrumentais tributários (obrigações acessórias), aplica sanção. O ato administrativo de autuação ocorre no momento em que a autoridade apura o quantum debeatur supostamente devida pelo contribuinte, formulando documento (ato norma) em razão de ofensa à legislação tributária, caracterizandose infração por ato ilícito. É essencial que neste momento o aplicador da norma (agente fiscal) faça prova daquilo que alega estar ocorrendo de forma concreta, clara e inquestionável, pois autuar o contribuinte implica na busca pela verdade lógica do fato alegado, o que só se consegue com demonstração da realidade ocorrida. Não se pode admitir que mera indicação de dispositivos de lei leve a fiscalização a uma imposição sancionatória sem respaldo fático. Neste sentido, cabe lembrar que a autoridade administrativa, ao efetuar a autuação, exerce atividade vinculada, nos termos do art. 142 do CTN, sendo que não poderá deixar de fazer a prova da materialidade identificada, o que não se verifica no caso em tela" Não se pode dar razão ao Recorrente. Não verifico a obscuridade apontada. Ao reverso, constato que o Auditor Fiscal soube, por meio de seu relatório, explicitar a conduta omissiva do contribuinte e identificar o comando legal infringido por tal inércia. Comprovase do seguinte excerto (fls 340) "Nesta Auditoria Fiscal constatamos que a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais e empregado que receberam remuneração, de acordo com o Auto de Infração debcad 37.221.7591. O presente auto de infração segue apensado ao Auto de Infração Debcad n.° 37.221.7591 onde constam os elementos de prova da infração. E, os nomes e as remunerações pagas aos contribuintes individuais estão discriminados no Auto de Infração Debcad n.D37.221.7591, conforme demonstrados nos ANEXOS 01, 02, 03 e 04 do citado Auto de Infração Debcad n.° 37.221.7591. Fl. 484DF CARF MF 8 Desta forma, o dispositivo legal infringido foi: Lei nr. 8.212, de 24/07/1991, art. 30, I, "a", e alterações posteriores, e Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art. 4o, "caput" e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 216, I, "a", motivo pelo qual lavramos o presente Auto de Infração aplicandolhe a penalidade pecuniária correspondente." Claríssima a imputação fiscal e os motivos que a ensejaram. Deixou o contribuinte de reter e recolher parcela referente a contribuição dos segurados da remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Tal obrigação surge em função de expressa determinação das Leis nº 8.212/91 e 10.666/03. Não há falta de clareza. Recurso voluntário negado nesta parte. DO NÃO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Nesse tópico, alega a recorrente às folhas 403: "Cumpre destacar que o Agente Fiscal impôs a referida infração sob o argumento de que a Recorrente não teria apresentado recibos ou notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas que prestaram o serviço de transporte, somente recibos assinados por pessoas físicas." Não se observa, nem no Relatório Fiscal, nem no próprio Auto de Infração, qualquer menção a questão apontada pelo Apelante. A imputação fiscal é clara em asseverar que não houve o desconto nem o devido recolhimento da contribuição devida pelos segurados incidente sobre a remuneração por eles recebida do Recorrente. Não há nenhuma menção neste auto de infração à falta de apresentação de recibos ou notas fiscais de pessoas jurídicas que prestaram serviços de transporte à Apelante. Logo, não se pode considerar tais argumentos. Provimento ao recurso voluntário negado nessa parte. DO AFASTAMENTO DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Se insurge a Recorrente contra a incidência da taxa SELIC sobre a multa de ofício. Argumenta que (fls 404): "Sabese que após o prazo legal para apresentação da Impugnação, a SRFB passa a aplicar a taxa de juros Selic inclusive sobre a multa de ofício. Diante disto, a Recorrente insurgese contra tal aplicação, tendo em vista que penalidades, tanto multa de ofício como taxa de juros Selic, embora previstas em lei, não são autorizadas a incidirem uma sobre a outra. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10980.725709/201069 Acórdão n.º 2201003.485 S2C2T1 Fl. 482 9 Corroborando esse entendimento, assim dispõe o parágrafo único do art. 43 da Lei 9.430/96: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora. calculados à taxa a que se refere o § 30 do art. 5o, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Dessa forma, a previsão legal da incidência dos juros de mora é apenas sobre tributos e contribuições, não havendo competência para autorizar a incidência sobre qualquer outra espécie que não possua a mesma natureza jurídica." A incidência dos juros nos créditos tributários inadimplidos decorre de Lei. Não obstante, tal tema se encontra devidamente pacificado no âmbito deste colegiado. Tanto assim o é que a Súmula CARF nº 4, expressamente dispõe: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Como bem assentado pelo Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes no voto condutor da decisão, proferida pela 1ª TO da 3ª Câmara no presente processo e objeto do Recurso Especial da Procuradoria (fls 431): "Ocorre que, no caso concreto, houve a aplicação de uma multa de ofício em decorrência do não recolhimento de contribuição previdenciária, assim, a multa de ofício constitui, ao lado do tributo propriamente devido, a obrigação tributária principal, conforme dispõe o artigo 113, do Código Tributário Nacional (CTN): “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” (g.n.) 14. Dessa forma, verificase que a obrigação principal é formada tanto pelo tributo cobrado quanto pela penalidade pecuniária aplicada (multa). Portanto, o crédito tributário, o qual decorre da obrigação tributária, é composto pelo tributo a ser recolhido e pela correspondente multa de ofício, sendo que ambos estão sujeitos à incidência de juros de mora quando não pagos no vencimento estipulado pela lei, conforme assevera o art. 161, do CTN: Fl. 486DF CARF MF 10 “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” Corroborando tal entendimento, a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no voto condutor do Acórdão 9202002003.765, de 16/02/16, explicitou: "Ao contrário do que entende o recorrente, a aplicação de juros sobre multa de ofício é devida, na medida em que a penalidade compõe o crédito apurado. De acordo com o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN é autorizada a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fazendo parte do crédito juntamente com o tributo, devem ser aplicados à multa os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Nesse sentido, já se manifestou esta Câmara, em outras oportunidades, como no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10980.725709/201069 Acórdão n.º 2201003.485 S2C2T1 Fl. 483 11 da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Fl. 488DF CARF MF 12 Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN 2. Improvida a apelação.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Conforme descrito acima, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do § 3º do art. 113 do CTN, pois tanto a multa quanto o tributo compõe o crédito tributário. Esse entendimento encontra precedentes da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806 e Acórdão nº 920201.991. Destacase ainda que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG)." Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário também nesta parte. CONCLUSÃO Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10980.725709/201069 Acórdão n.º 2201003.485 S2C2T1 Fl. 484 13 Não tendo o contribuinte atacado a essência da multa aplicada, e considerando que constato que houve por parte do Fisco a comprovação da conduta omissiva do sujeito passivo, além da exata determinação da disposição legal infringida e da correta mensuração da sanção cabível multa prevista no artigo 283, I ,'g', do RPS voto por conhecer do recurso e negarlhe provimento. assinado digitalmente CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator Fl. 490DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.001278/2007-14
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário: 2002
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DIPJ.
Tendo o contribuinte entregue em tempo hábil Declaração de Imposto de Renda especial de cisão parcial relativa ao período de 01/01/2002 à 31/12/2002, sendo esta posteriormente retificada para correção de saldo negativo, não há o que se falar em multa por atraso na entrega de DIPJ.
Numero da decisão: 1803-000.827
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
PROVIMENTO AO RECURSO, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Marcelo Fonseca Vicentini
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DIPJ. Tendo o contribuinte entregue em tempo hábil Declaração de Imposto de Renda especial de cisão parcial relativa ao período de 01/01/2002 à 31/12/2002, sendo esta posteriormente retificada para correção de saldo negativo, não há o que se falar em multa por atraso na entrega de DIPJ.
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Tendo o contribuinte entregue em tempo hábil Declaração de Imposto de Renda especial de cisão parcial relativa ao período de 01/01/2002 à 31/12/2002, sendo esta posteriormente retificada para correção de saldo negativo, não há o que se falar em multa por atraso na entrega de DIPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Selene Ferreira de Moraes Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Fonseca Vicentini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo Fonseca Vicentini Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 13982.001278/200714 Acórdão n.º 180300.827 S1TE03 Fl. 43 2 IRMÃOS SPERANDIO COMERCIO DE VEICULOS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO em Florianópolis SC interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O Relatório da DRJ é bastante conciso, mas entendo suficiente para o julgamento do recurso voluntário, portanto, adoto o mesmo: “Contra a contribuinte acima identificada foi emitido, em 24 de outubro de 2007, o Auto de Infração de f. 03, de Multa por Atraso na Entrega da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ — 2003, anocalendário de 2002, número de rastreamento 721324244, no valor de R$ 1.414.07, (R$ 14.140,71 x 2% por mês de atraso/fração limitado a 20%. = R$ 2.828,14 x 50% = R$ 1.414,07) O prazo para entrega da DIPJ correspondente ao ano calendário de 2002 encerrouse no dia 30 de junho de 2003, mas sua entrega apenas ocorreu em 25 de setembro de 2007 A contribuinte tomou ciência do auto de infração em 06 de novembro de 2007 ( despacho de fls.14 e 17) Em 03 de dezembro de 2007 (f. 1 e 2), foi interposta a petição impugnatória em que a contribuinte alega, em síntese: Preliminarmente, cumpre esclarecer que a recorrente é contribuinte de impostos e contribuições e cumpre rigorosamente, com suas atividades fiscais, tanto principais como acessórias; Entregou, sim, a declaração referente ao Exercício de 2003, anocalendário de 2002, conforme recibo de entrega n° 2796083228 (doc. 03) (grifo da impugnante); O que ocorreu, de fato, por um mero lapso, foi a transmissão indevida de declaração correspondente a Exercício e Ano calendário (sic) já entregue; Requer seja anulado o referido auto de infração.” A DRJ julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, por unanimidade de votos. A DRJ verificou nos sistemas internos da RFB, que a DIPJ correspondente ao Exercício de 2003, anocalendário de 2002 foi entregue no dia 25 de setembro de 2007, portanto em atraso. O auto de infração de fls. 03 indica que a DIPJ do referido exercício recebeu o n° 1276811, o mesmo indicado na consulta efetuada, fl. 18. O documento apresentado pela impugnante a fl. 05, com o número de recibo de entrega n° 2796083228, trata da DIPJ/2002 e referese a uma cisão parcial cuja declaração recebeu o n° 1261372, também entregue no dia 25 de setembro de 2007. Inconformado com a decisão da DRJ, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde esclarece que entregou em 25/09/2007 a DIPJ Retificadora, de Evento: Cisão Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 13982.001278/200714 Acórdão n.º 180300.827 S1TE03 Fl. 44 3 Parcial, que recebeu o número 1031092355 (Doc. 03), cujo períodobase de 01/01/2002 a 31/12/2002, ou seja, correspondente a todo o anocalendário de 2002. E que, no entanto, a fiscalização entendeu que a entrega da referida DIPJRetificadora, em 25/09/2007, correspondente ao anocalendário de 2002, é intempestiva, e, portanto, sujeita à multa por entrega fora do prazo Esclarece que de fato, o que ocorreu em 25 de setembro de 2007 foi a entrega de uma DIPJRetificadora, com a única finalidade de declarar "saldo negativo de imposto de renda pessoa jurídica passível de restituição". Dessa forma, não há que se falar em entrega de DIPJ fora do prazo, visto que a primeira declaração entregue relativa a cisão parcial, foi entregue no prazo adequado. Por fim, requer seja acolhido este RECURSO, desconsiderando a decisão recorrida que manteve, injustamente, a multa por atraso na entrega de DIPJ, e,considerando tratarse de entrega de DIPJ Original e posterior entrega de DIPJ Retificadora, seja anulado o referido Auto de Infração e em seguida arquivado. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Fonseca Vicentini O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade. Dele conheço. Conforme se observa no relatório, o contribuinte contesta a aplicação de multa por atraso na entrega de DIPJ relativa ao anocalendário de 2002 sob o argumento que entregou no prazo legal estabelecido DIPJ de evento de cisão parcial, relativa ao período de 01/01/2002 à 31/12/2002 e que entregou DIPJ retificadora em 25/09/2007 apenas para declarar saldo negativo de imposto de renda passível de restituição. Constou no Manual da DIPJ 2002 a seguinte observação: “Atenção: Caso tenha ocorrido situação especial no anocalendário a que se refere a DIPJ, em relação a este anocalendário devem ser apresentadas duas declarações: 1) a primeira correspondente ao período compreendido entre 1º de janeiro e a data do evento; e 2) a segunda correspondente ao período compreendido entre o dia seguinte à data do evento e 31 de dezembro do ano calendário. Na hipótese em que a data do evento seja 31 de dezembro, somente será exigida do contribuinte a apresentação de uma DIPJ, compreendendo os fatos geradores ocorridos entre 1º de janeiro e 31 de dezembro do anocalendário, a ser entregue até o Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 13982.001278/200714 Acórdão n.º 180300.827 S1TE03 Fl. 45 4 último dia útil do mês de janeiro do anocalendário subsequente.” Neste sentido, conforme orientação do próprio Manual da DIPJ, o contribuinte estava obrigado a entregar apenas uma declaração referente ao período de 01/01/2002 à 31/12/2002, sendo que o fez no prazo correto conforme consta prova nos autos, não sendo cabível, portanto, a aplicação de multa por atraso na entrega de DIPJ. Ante todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Fonseca Vicentini Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 02/03/2011 por MARCELO FONSECA VI CENTINI
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912310/2012-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.976
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 31 0/ 20 12 -0 0 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10830.912310/201200 Resolução nº 3402000.976 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10830.912310/201200 Resolução nº 3402000.976 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10830.912310/201200 Resolução nº 3402000.976 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720615/2011-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 9202-005.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, para reformar o Acórdão nº 9202-003.875, de 09/03/2016, para dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e declarar a definitividade do lançamento no âmbito do processo administrativo fiscal, por concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, para reformar o Acórdão nº 9202-003.875, de 09/03/2016, para dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e declarar a definitividade do lançamento no âmbito do processo administrativo fiscal, por concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, para reformar o Acórdão nº 9202003.875, de 09/03/2016, para dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e declarar a definitividade do lançamento no âmbito do processo administrativo fiscal, por concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 06 15 /2 01 1- 17 Fl. 894DF CARF MF Processo nº 16004.720615/201117 Acórdão n.º 9202005.133 CSRFT2 Fl. 895 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte contra acórdão nº 9202003.875 que, reformando decisão da Câmara Ordinária, entendeu pela manutenção do lançamento cujo objeto é a cobrança de Contribuição Previdenciária, na condição de responsável tributário, incidente sobre a comercialização de produtos rurais adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, nos termos do art. 25, incisos I e II c/c art. 30 da Lei nº 8.212/91. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE PESSOA JURÍDICA Inconstitucionalidade da Lei nº 10.256/2001 não reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. Aplicação do art. 62 do Regimento Interno e Súmula 02 do CARF. Segundo o Embargante a decisão seria contraditória, obscura e omissa em relação aos seguinte pontos: 1) Contradição entre a fundamentação do acórdão e a tipificação constante do Relatório Fiscal no que tange a responsabilidade tributária do autuado; 2) Contradição entre a fundamentação do acórdão que adotou como legais as alterações trazidas pela Lei nº 10.256/2001, entretanto 'validou' lançamento baseado nos incisos I e II do art. 25 da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 9.528/97; e 3) Omissão em relação aos documentos protocolizados em 07 de março de 2016 antes da sessão de julgamento e os quais comunicam acerca de decisão judicial que supostamente levaria a suspensão do julgado. Em despacho de fls. 887/890 os embargos foram recebidos apenas em relação ao terceiro ponto, pois de fato este colegiado não se manifestou sobre a petição apresentada pelo Contribuinte (fls. 850/858) e por meio da qual comunica a existência decisão judicial determinando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até a decisão definitiva no RE 718.874. Fl. 895DF CARF MF Processo nº 16004.720615/201117 Acórdão n.º 9202005.133 CSRFT2 Fl. 896 3 Embora tais documentos tenham sido juntados após a realização do julgamento, que se deu em 09/03/2016, os mesmos já constavam como "pendente de juntada" no sistema do 'eprocesso', haja vista que o protocolo se deu em 07/03/2016. Assim, tratandose de fato novo/superveniente que poderia interferir no julgamento da lide acolhi parcialmente os embargos apresentados pelo Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Comunica o Contribuinte que há em seu favor decisão proferida em Ação Cautelar em Mandado de Segurança a qual suspendeu a exigibilidade da contribuição prevista no art. 25, I e II da Lei nº 8.212/81. Esclarece o Embargante: Já no campo judicial, é de se informar que o contribuinte impetrou mandado de segurança 2010.61.06.0032371 (numeração CNJ 000323786.2010.4.03.6106), perante a 01ª Vara Federal da Subseção de São José do Rio Preto/SP, por meio do qual se discute a inconstitucionalidade das contribuições ao FUNRURAL, previstas no art. 25, I e II, 30, III, IV, da Lei 8.212/91, na sua atual redação. Este processo judicial encontrase com recurso extraordinário interposto pelo contribuinte e em processamento. De forma vinculada a tal MS o contribuinte apresentou ação cautelar inominada, requerendo ao MM. Desembargador Federal VicePresidente do competente e. Tribunal, que fosse atribuído efeito suspensivo ao recurso extraordinário interposto, através do processo nº 002187834.2015.4.03.0000/SP (2015.03.00.0218780/SP). O efeito suspensivo ao recurso extraordinário foi provido na cautelar, determinandose a suspensão da exigibilidade da contribuição discutida até o julgamento definitivo do recurso extraordinário, conforme se observa da inclusa cópia da decisão prolatada em 17 de novembro de 2015 (doc. anexo), da qual se ressalta: (...) Depreendese que a tese defendida pelo contribuinte, que não quer se sujeitar à retenção e ao pagamento da contribuição social prevista no art. 25, incisos I e II, c.c. art. 30, incisos III e IV, da Lei nº 8.212/91 e suas alterações posteriores, na qualidade de adquirente de produtos rurais junto ao produtor – pessoa física, com o auxílio de empregados ou por intermédio de prepostos de que trata o art. 12, inciso V, alínea a, também da Lei nº Fl. 896DF CARF MF Processo nº 16004.720615/201117 Acórdão n.º 9202005.133 CSRFT2 Fl. 897 4 8.212/91 – é factível e pode ser acolhida pelos Tribunais Superiores. Pelo exposto, defiro o pedido de liminar para atribuir efeito suspensivo ao recurso extraordinário interposto nos autos do Mandado de Segurança nº 2010.61.06.0032371 e, por conseguinte, a exigibilidade da contribuição discutida, nos moldes em que pleiteado na inicial, até o julgamento definitivo do recurso extraordinário.” Inquestionável que há decisão judicial favorável ao Contribuinte determinando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário discutido naquele processo. Assim, devemos analisar quais os efeitos dessa decisão sobre esse procedimento administrativo. Ora, ao caso aplicase o parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 o qual prevê que a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o propósito de discutir os termos da relação tributária importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Esse mandamento já foi internalizado por este Conselho por meio da Súmula CARF nº 01, a qual dispõe: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Os autores Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martinez López, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado (Editora Dialética. São Paulo 2010, p. 299) explicam que a súmula reflete o fundamento de que o ordenamento jurídico brasileiro adota o princípio da jurisdição una, estabelecido no artigo 5º, inciso XXXV, da Carta Política de 1988. A todo rigor, inexiste dispositivo legal que permita a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam elas administrativas ou judiciais ou uma de cada natureza. Consultando no sítio da Justiça Federal do estado de São Paulo o andamento processual do Mandado de Segurança nº 2010.61.06.0032371 (numeração CNJ 0003237 86.2010.4.03.6106), é possível acessar o inteiro teor da sentença (cujos efeitos estão suspensos) que deixa claro qual é o objetivo perseguido pelo contribuinte: Consulta da Movimentação Número : 30 PROCESSO: 000323786.2010.4.03.6106 *** Sentença/Despacho/Decisão/Ato Ordinátorio Tipo : B Com mérito/Sentença homologatória/repetitiva Livro : 12 Reg.: 1222/2010 Folha(s) : 66 Frigoestrela S/A. em recuperação judicial, qualificado na inicial, ingressou com o presente mandado de segurança, com Fl. 897DF CARF MF Processo nº 16004.720615/201117 Acórdão n.º 9202005.133 CSRFT2 Fl. 898 5 requerimento de liminar, contra o Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, visando livrarse da retenção da contribuição prevista no artigo 25, I e II, da Lei 8.212/91, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural (compra de bovinos e suínos). Consta da inicial que a impetrante é empresa agroindustrial, que dentre outras atividades, adquire produção rural de empregadores rurais, e que, na qualidade de responsável ou substituto tributário, por força do artigo 30, III e IV, da Lei 8.212/91, é obrigada a reter e recolher o percentual referente à contribuição previdenciária incidente sobre o resultado da comercialização da produção rural que adquire, nos termos do artigo 25, I e II, da mesma Lei.Sustentase que a contribuição é inconstitucional, em razão de ter sido instituída por lei ordinária, quando o correto seria por lei complementar, por acarretar bitributação e por ferir os princípios da igualdade e da nãocumulatividade. Por fim, pedese a declaração de inexigibilidade das contribuições sociais previstas no 25, I e II, de modo a desobrigála da retenção e recolhimento da contribuição incidente sobre as aquisições de empregadores rurais. Juntou a procuração e os documentos de folhas 15/51.Às folhas 57/58, concedeuse a liminar para o fim de suspender a exigibilidade das contribuições previstas nos artigos artigo 25, I e II, da Lei 8.212/91, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural (compra de bovinos e suínos). Notificada, a autoridade coatora prestou suas informações, alegando, preliminarmente, a ausência de comprovação de direito líquido e certo, ao argumento de que o impetrante não demonstrou qualquer indício de que estaria por sofrer coação por parte da autoridade coatora, pois o receio decorre da autoaplicabilidade da lei. No mérito, sustentou que: a) é constitucional a contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, prevista no art. 25, I e II da Lei 8.212/91, devida pelos empregadores rurais pessoas físicas, referidos no artigo 12, V, alínea "a" da Lei 8.212/91; b) a receita bruta auferida em decorrência da comercialização da produção rural, sobre a qual incide a contribuição prevista no artigo 25, I e II da Lei 8.212/91, devida pelos empregadores rurais pessoas físicas, amoldase ao conceito de faturamento; c) o STF decidiu que os conceitos de receita bruta e de faturamento se equivalem, para fins de tributação, quando decorrentes da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, conforme o RE 390.840 (Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, DJ 15082006). Do mesmo modo, na ADC 1, ao reconhecer que o art. 2º da LC 70/91 estava em consonância com o disposto no art. 195, I, da CF/88, ao definir "faturamento" como a "receita bruta das vendas de mercadorias, mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza; d) o fundamento constitucional de validade da contribuição prevista no art. 25, I e II da Lei 8.212/91, devida pelos empregadores rurais pessoas físicas, é encontrado no inciso I do art. 195 da CF/88, e não, no parágrafo 8º do referido artigo 195; e) os efeitos da decisão e STF proferida no recurso extraordinário nº 363.852MG, são apenas inter partes, não Fl. 898DF CARF MF Processo nº 16004.720615/201117 Acórdão n.º 9202005.133 CSRFT2 Fl. 899 6 obstante existir, sob apreciação do STF, o RE nº 596.177, com repercussão geral reconhecida, tratando a mesma matéria e aguardando decisão final (folhas 65/107).O Ministério Público Federal opinou pela concessão da segurança para o fim de, ao final, reconhecer indevida a exigência de retenção de recolhimento das contribuições sociais previstas no artigo 25, incisos I e II, da Lei 8.212/91.É o relatório. 2. Fundamentação. As contribuições questionadas pela empresa impetrante estão assim dispostas:Artigo 25, da Lei 8.212/91:"Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001).I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).(...)".A autora, nas operações de compra de produtos rurais, por força do disposto no artigo 30, III e IV da Lei 8.212/91, é obrigada a descontar dos valores pagos aos produtores o valor da contribuição e posteriormente a recolher o mesmo para a Previdência Social.O Supremo Tribunal Federal acaba de decidir que a contribuição é inconstitucional, conforme se pode ver do julgamento proferido no Recurso Extraordinário nº 363.852, cujo acórdão ainda não foi publicado no Diário Oficial, mas já é de conhecimento da classe jurídica e possui o seguinte conteúdo:"O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010".Extraise do mencionado Recurso Extraordinário que, de acordo com o artigo 195, parágrafo 8º, da Constituição Federal, o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão Fl. 899DF CARF MF Processo nº 16004.720615/201117 Acórdão n.º 9202005.133 CSRFT2 Fl. 900 7 para a seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da produção, pois, não tendo empregados, inexiste a base de incidência da contribuição a folha de salários. Por outro lado, em relação ao produtor rural pessoa natural que tenha empregados, o regime tributário é diverso. Nestes casos, o STF decidiu que a incidência da contribuição sobre o resultado da comercialização da produção revelase inconstitucional, uma vez que tal contribuinte já está obrigado ao recolhimento da contribuição sobre a folha de salários, como também da Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social COFINS (CF, art. 195, I).Embora já tenha decidido em sentido diverso, convenço me da impossibilidade de atendimento do pleito da impetrante. Com efeito, ela adquire produtos de pessoas físicas empregadoras e também de agricultores familiares, os quais se enquadram na categoria de segurados especiais, ou seja, ela também adquire produtos de produtores que estão obrigados a contribuir na forma combatida. Portanto, a impetrante só estará desobrigada de reter as contribuições se o produtor rural vendedor for beneficiado com decisão judicial desobrigando o mesmo da exação. 3. Dispositivo.Diante do exposto, denego a segurança e revogo os efeitos da liminar anteriormente concedida. Sem honorários advocatícios (Súmulas 512 do STF e 105 do STJ).Custas pela impetrante. P.R.I.São José do Rio Preto/SP, 20/10/2010. Disponibilização D.Eletrônico de sentença em 04/11/2010 ,pag 484/610 Percebese, e como foi afirmado pelo próprio contribuinte em sua petição de fls. 875/878, que referido mandado de segurança possui o mesmo objeto do presente processo administrativo isso porque o processo judicial objetiva o afastamento da obrigação de retenção da contribuição prevista no artigo 25, I e II, da Lei 8.212/91, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural (compra de bovinos e suínos), ou seja, buscase a declaração da inexistência de relação jurídicotributária para exigência do tributo, inclusive daquele constituído pelo lançamento de ofício ora discutido. Assim, eventual decisão definitiva de mérito no processo judicial produzirá efeitos diretos sobre este processo administrativo. Diante do exposto conheço e acolho os Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, para sanado a omissão apontada, reformar o Acórdão nº 9202003.875, de 09/03/2016, para dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e declarar a definitividade do lançamento no âmbito do processo administrativo fiscal, por concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 900DF CARF MF Processo nº 16004.720615/201117 Acórdão n.º 9202005.133 CSRFT2 Fl. 901 8 Fl. 901DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.695823/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP
No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.420
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 58 23 /2 00 9- 41 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.695823/200941 Acórdão n.º 3301003.420 S3C3T1 Fl. 3 2 d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de COFINS (código de receita 2172), decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio do Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada foi homologada parcialmente, sob o fundamento de que constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. Entretanto, o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, alegando, em síntese, que: a) O valor original utilizado para a compensação, foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados; b) Assim, não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados no PER/DCOMP, e não imputou multa e juros sobre os créditos tributários compensados, pois são do mesmo período de apuração; c) Faz planilha para comparação dos períodos de apuração e datas de vencimento. d) Tratase de evidente cobrança equivocada, e apresenta como provas as cópia dos documentos relativos aos lançamentos contestados e a procuração de nomeação do representante legal que assina a manifestação de inconformidade; e) Demonstrada a insubsistência e improcedência do processo, requer seja cancelado o processo reclamado. A DRJ/SP1 indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 16038.197. O fundamento adotado foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos são acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. A recorrente repetiu os argumentos da impugnação no recurso voluntário. É o relatório. Voto Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.695823/200941 Acórdão n.º 3301003.420 S3C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.231, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.667966/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.231): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Constatase que a controvérsia do processo permanece a mesma desde a 1ª instância, com a contribuinte alegando que o DARF utilizado como pagamento a maior para a compensação foi pago dentro do prazo de vencimento do tributo e por isso, não se conformando com a cobrança de acréscimos legais no momento da efetiva compensação. Entretanto, como veremos adiante, o valor do crédito foi insuficiente para quitar o débito, em função dos acréscimos legais ao débito compensado, atualizados até a data da apresentação do PER/DCOMP, em virtude do atraso entre seu vencimento e a formalização da compensação. A DCOMP em tela, foi formalizada pela interessada para compensar débito de COFINS – não cumulativa (código de receita 5856), vencido em 15/06/2004, com créditos de COFINS (código de receita 2172), cuja data de arrecadação foi 15/06/2004. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela DERAT/SP, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. No entanto, o mesmo foi insuficiente para quitar os débitos informados em consequência da data de apresentação da DCOMP, e por este motivo a compensação foi homologada parcialmente. A recorrente alega que o valor original utilizado para a compensação foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados, e sendo assim, não poderia haver multa e juros sobre os referidos créditos, pois são do mesmo período de apuração. Como bem dito no acórdão recorrido, a contribuinte equivocouse em relação à forma de valoração do crédito e do débito que informou em sua declaração de compensação, ao não efetuar os cálculos relativos aos acréscimos legais, o que gerou um saldo devedor, e consequentemente, a homologação parcial da compensação. Constatase que a data do envio do PER/DCOMP é quando se formaliza a extinção do débito por compensação, de acordo com o que dispõe a Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrita: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10880.695823/200941 Acórdão n.º 3301003.420 S3C3T1 Fl. 5 4 administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Portanto, a extinção do débito por compensação ocorre na data de envio do PER/DCOMP. No caso concreto, a interessada enviou a PER/DCOMP em 21/01/2007 para compensar débito cujo vencimento se deu em 15/06/2004, portanto, é fato que o débito já estava vencido quando foi extinto pela compensação. Assim, partir da data do vencimento passaram a incidir sobre o débito os acréscimos legais, quais sejam, multa de mora e juros, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/1996, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No recurso voluntário, a recorrente repete o argumento de que o pagamento utilizado para a compensação foi realizado no mesmo prazo de vencimento do débito compensado, mas tal fato não a socorre, pois a utilização do crédito tributário ocorre apenas com a apresentação do PER/DCOMP, que ocorreu após o vencimento do débito compensado. Assim, cumpre transcrever o artigo 28 da IN SRF nº 600/2005, em vigor à época da transmissão do PER/DCOMP: Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10880.695823/200941 Acórdão n.º 3301003.420 S3C3T1 Fl. 6 5 Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) Logo, os débitos vencidos, vinculados a PER/DCOMP, serão acrescidos de multa de mora, calculada a partir do primeiro dia subsequente à data de vencimento até a data da entrega do PER/DCOMP, quando se formaliza a compensação; bem como sofrerão a incidência de juros referentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação aos créditos utilizados na compensação, as regras para valoração vigentes à época da transmissão do PER/DCOMP estão contidas no artigo 52 da IN SRF nº 600/2005, também transcrita: Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: (...) II – houver a entrega da Declaração de Compensação; (...) § 1º No cálculo dos juros Selic de que trata o caput, observarseá, como termo inicial de incidência: (...) III – na hipótese de pagamento indevido ou a maior: a) o mês de janeiro de 1996, se o pagamento tiver sido efetuado antes de 1º de janeiro de 1996; b) a data da efetivação do pagamento, se este tiver sido efetuado entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 1997; ou c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; Por isso, foi apurado o saldo devedor indicado no Despacho Decisório e a compensação foi parcialmente homologada. Portanto, não se está desprezando o princípio da verdade material e nem está havendo enriquecimento sem causa do Fisco, como alega a recorrente. Simplesmente, está sendo cobrado o atraso entre a Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.695823/200941 Acórdão n.º 3301003.420 S3C3T1 Fl. 7 6 data do vencimento do tributo e o seu necessário pagamento, que, no caso em tela, deuse no momento da apresentação da DCOMP. Assim, tendo em vista tudo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a DCOMP foi transmitida em data posterior à do vencimento do(s) débito(s) compensado(s). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912279/2012-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.948
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 27 9/ 20 12 -0 7 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912279/201207 Resolução nº 3402000.948 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912279/201207 Resolução nº 3402000.948 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.912279/201207 Resolução nº 3402000.948 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13748.720063/2014-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. 1989 À 1995. RENDIMENTO ISENTO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado através de documentação hábil e idônea que os valores declarados como isentos decorrem de contribuições à previdência complementar vertidas pelo próprio participante no período de 01/1989 a 12/1995 e que este desistiu da ação judicial na qual pleiteava a restituição do imposto de renda relativo a essas contribuições, resta demonstrada a inexistência de omissão de rendimentos.
COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DA FONTE PAGADORA.
Tendo restado demonstrado que o contribuinte preencheu sua declaração em conformidade com o comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, nela incluindo a totalidade dos rendimentos recebidos, descaracteriza-se a suposta omissão de rendimentos.
Numero da decisão: 2201-003.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
assinado digitalmente
DIONE JESABEL WASILEWSKI - Relatora.
EDITADO EM: 08/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (presidente da turma), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. 1989 À 1995. RENDIMENTO ISENTO. COMPROVAÇÃO. Comprovado através de documentação hábil e idônea que os valores declarados como isentos decorrem de contribuições à previdência complementar vertidas pelo próprio participante no período de 01/1989 a 12/1995 e que este desistiu da ação judicial na qual pleiteava a restituição do imposto de renda relativo a essas contribuições, resta demonstrada a inexistência de omissão de rendimentos. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Tendo restado demonstrado que o contribuinte preencheu sua declaração em conformidade com o comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, nela incluindo a totalidade dos rendimentos recebidos, descaracteriza-se a suposta omissão de rendimentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. assinado digitalmente DIONE JESABEL WASILEWSKI - Relatora. EDITADO EM: 08/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (presidente da turma), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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RENDIMENTO ISENTO. COMPROVAÇÃO. Comprovado através de documentação hábil e idônea que os valores declarados como isentos decorrem de contribuições à previdência complementar vertidas pelo próprio participante no período de 01/1989 a 12/1995 e que este desistiu da ação judicial na qual pleiteava a restituição do imposto de renda relativo a essas contribuições, resta demonstrada a inexistência de omissão de rendimentos. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Tendo restado demonstrado que o contribuinte preencheu sua declaração em conformidade com o comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, nela incluindo a totalidade dos rendimentos recebidos, descaracterizase a suposta omissão de rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 00 63 /2 01 4- 06 Fl. 399DF CARF MF 2 DIONE JESABEL WASILEWSKI Relatora. EDITADO EM: 08/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (presidente da turma), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata o presente processo de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF e acréscimos legais totalizando R$ 48.424,01, em decorrência de suposta omissão de rendimentos ocorrida no anocalendário 2009, cujo procedimento teve início com a Notificação de Lançamento 2010/961277631598946 (fls 61 a 65). A omissão teria sido detectada pela discrepância de R$ 99.386,85 entre o valor declarado pelo contribuinte em sua declaração retificadora e a informação prestada pela fonte pagadora Fundação dos Economiários Federais Funcef em sua Dirf. Pela documentação acostada ao processo, vêse que, em um primeiro momento, o contribuinte apresentou a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF (fls 22 e ss) com um total de rendimentos tributáveis de R$ 199.986,63, sendo que, desse total, R$ 145.238,80 corresponderiam à fonte pagadora Funcef (embora parte tenha identificado como fonte o INSS, tal como no comprovante de rendimentos apresentado). Posteriormente, em 2013, apresentou DIRPF retificadora (fls 5156), excluindo desse total tributável e incluindo como rendimento isento R$ 72.187,60. Esse valor corresponde a extrato fornecido pela Funcef (fls 4042) relativo às contribuições vertidas por ele ao plano de previdência complementar no período de 01/1989 a 12/1995. Com a mesma data de expedição do extrato, 05/08/2013, há uma comunicação (fls 48) orientando os beneficiários quanto aos efeitos da Instrução Normativa RFB nº 1.343, de 2013, pela qual o valor correspondente a essas contribuições deveria ser considerado como rendimento isento/não tributável. A diferença restante entre a quantia excluída dos rendimentos tributáveis pelo contribuinte (R$ 72.187,60) e a suposta omissão detectada (R$ 99.386,85) corresponde exatamente ao que foi declarado tendo como fonte o INSS. O contribuinte apresentou impugnação (fls 2 a 49), na qual traz como matéria de defesa relato que condiz com o que foi descrito nos parágrafos anteriores, contudo seus argumentos não foram acatados pela 18ª Turma da DRJ/RJ1 (fls 74 a 78), que considerou improcedente a impugnação pelos motivos resumidos abaixo: · os valores declarados pelo contribuinte não correspondem ao que foi declarado pela fonte pagadora Funcef; Fl. 400DF CARF MF Processo nº 13748.720063/201406 Acórdão n.º 2201003.434 S2C2T1 Fl. 392 3 · o contribuinte não juntou ao processo nenhum documento que demonstrasse ter desistido da ação judicial, como é exigido pelo art. 4º da IN RFB nº 1.343, de 2013; · na DIRF da Funcef não foi informada qualquer parcela como isenta. Regularmente intimado dessa decisão em 09/04/2014 (fls 82), o contribuinte protocolou em 07/05/2014 seu Recurso Voluntário (fls 84 a 95), no qual volta a relatar os fatos, alegando ter declarado todo o valor recebido, inclusive a parcela que foi identificada como do INSS; que desistiu da ação judicial que discutia a matéria em petição de 30/08/2013; que o valor excluído dos rendimentos tributáveis forem declarados como isentos; que o valor inicialmente pago a título de IRPF sobre essa parcela foi objeto de pedido de restituição já deferido pela RFB. Chegando a este Conselho, em uma primeira análise, o julgamento do processo foi convertido em diligência através da Resolução nº 2201000.221 desta 1ª TO (fls 102 a 104), para que o contribuinte tivesse a oportunidade de comprovar: i a homologação judicial da desistência da ação; ii que não se beneficiou da citada ação; iii declaração da fonte pagadora informando as contribuições pagas exclusivamente pelo beneficiário no período de 01/01/1989 a 31/21/1995, em razão de divergência na DIRF. Em resposta, o contribuinte juntou os documentos de fls 108 a 138, com o que entendeu ter feito as comprovações solicitadas. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheiro Relatora Dione Jesabel Wasilewski Preenchidos os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. Não havendo qualquer alegação de natureza preliminar, passo à análise do mérito. A questão controvertida nesse processo consiste em determinar se houve ou não omissão de rendimentos tributáveis totalizando R$ 99.386,85 na DIRPF/2010 do recorrente. Segundo sua alegação, parte desse valor, R$ 72.187,60, consiste em rendimentos que foram declarados como isentos por corresponderem às contribuições vertidas por ele no período de 01/1989 a 12/1995 à previdência complementar; e o restante, R$ 27.199,25, foi declarado tendo como fonte pagadora o Instituto Nacional do Seguro Social INSS. Inicio pelo valor declarado tendo como fonte o INSS. Fl. 401DF CARF MF 4 Já em sua primeira manifestação no curso do procedimento fiscal, o contribuinte apresentou um comprovante de rendimentos da Funcef (fls 20) com a seguinte discriminação dos rendimentos: Tanto em sua declaração original, como na retificadora, reproduziu essa informação relativa ao INSS. Em nenhum momento no curso desse processo foram questionadas a veracidade e autenticidade desse documento, de modo que reputoo hábil a sustentar as alegações do contribuinte de que declarou adequadamente essa parcela, seguindo a discriminação feita pela fonte pagadora. E o faço também porque não há qualquer notícia de que ele tenha auferido algum rendimento do INSS, que não esse declarado pela Funcef. Assim, pode ter havido erro no preenchimento da declaração, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, mas não restou caracterizada a omissão alegada pela autoridade fiscal. Melhor sorte não merece a exigência no que diz respeito aos valores que foram objeto de retificação na declaração, excluídos dos rendimentos tributáveis e incluídos como rendimentos isentos. Ambas as declarações são compatíveis com a documentação juntada ao processo, em especial os extratos fornecidos pela Funcef que demonstram as contribuições vertidas pelo beneficiário à previdência complementar. Os extratos que foram juntados inicialmente, com data de emissão 05/08/2013 (fls 41/42), foram posteriormente ratificados na diligência requerida por este Conselho (fls 110 112). Além disso, compreendo que a falta de identificação do contribuinte como destinatário da carta com orientações emitida pela fundação (fls 48) não é suficiente para descaracterizar a aplicabilidade de seu conteúdo ao recorrente, uma vez que essas orientações foram de cunho geral e não personalizadas. Nesse aspecto, sua força probatória decorre de sua associação com o extrato de mesma data, que identifica suficientemente o beneficiário. Também como resultado da diligência requerida por este Conselho, foi juntada cópia do processo judicial, demonstrando ter o contribuinte obtido sentença favorável, iniciado sua execução e, posteriormente, desistido dela, reconhecendo que seu pleito de restituição havia sido deferido administrativamente. Cumpre mencionar que, em um primeiro olhar, pode gerar certa perplexidade a discrepância entre os valores totalizados nos extratos apresentados neste processo administrativo e aqueles constantes do extrato apresentado no processo judicial (fls 331 a 333). Ocorre que este último tem por objeto somar os valores de "imposto de renda" e os extratos apresentados em sede administrativa totalizavam as "contribuições" vertidas ao plano. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 13748.720063/201406 Acórdão n.º 2201003.434 S2C2T1 Fl. 393 5 Isto posto, analisando a documentação que foi trazida a esse processo, penso que as informações nela contida convergem para ratificar as alegações do contribuinte, fazendo prova a seu favor de que não houve a omissão de rendimentos apontada pela autoridade fiscal. Assim sendo, divirjo respeitosamente do entendimento esposado pela autoridade julgadora de primeira instância, que atribuiu, a meu ver de maneira desproporcional, um grande peso à Dirf apresentada pela fonte pagadora. Nesse aspecto, penso conveniente lembrar que a Instrução Normativa RFB nº 1.343, de 2013, regulamentou os procedimentos a serem adotados pelo contribuinte para dar efetividade a seu direito na matéria ora em questão. Segundo essa IN: Art. 4º O beneficiário que recebeu os rendimentos de que trata o art. 1º com a retenção do imposto sobre a renda na fonte e que tenha ação judicial em curso que vise ao afastamento de tributação da complementação de aposentadoria, poderá optar por receber os valores na forma do art. 3º, desde que, antes da apresentação das declarações ali previstas, desista expressamente e de forma irrevogável da ação judicial proposta, renunciando a quaisquer alegações de direito sobre as quais se funda a referida ação judicial. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o beneficiário deverá apresentar, quando solicitado, a comprovação de que protocolou tempestivamente o requerimento de extinção do processo, mediante apresentação da via da correspondente petição de desistência ou de certidão do cartório que ateste a situação das respectivas ações. De acordo com esse artigo, o procedimento a ser adotado pelo contribuinte, após ter desistido da ação judicial proposta, seria o descrito em seu art. 3º, que está assim redigido: Art. 3º Os beneficiários que se aposentaram no período de 1º de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2012, que receberam rendimentos de que trata o art. 1º submetidos à incidência do imposto sobre a renda, e que não tenham ação judicial em curso, versando sobre a matéria de que trata esta Instrução Normativa, poderão pleitear o montante do imposto retido indevidamente da seguinte forma: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) I na Declaração de Ajuste Anual (DAA) do anocalendário de 2012, exercício de 2013, deverão informar o montante, limitado ao valor das contribuições de que trata o caput, recebido a título de aposentadoria, na linha “outros (especifique)” da ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, com especificação da natureza do rendimento; II observado o prazo decadencial, contado do dia 31 de dezembro do respectivo anocalendário, poderão retificar as DAA dos anoscalendário de 2008 a 2011, exercícios de 2009 a 2012, respectivamente, seguindose ordem cronológica, nas Fl. 403DF CARF MF 6 quais tenham sido incluídos os rendimentos de que trata o caput como tributáveis, procedendo da seguinte forma: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) a) excluir o montante, limitado ao valor das contribuições de que trata o caput, recebido a título de aposentadoria, da ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ pelo Titular” ou da ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ pelos Dependentes”, se for o caso; b) informar o montante de que trata a alínea “a” na linha “outros (especifique)” da ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, com especificação da natureza do rendimento; e c) manter, na declaração retificadora, as demais informações constantes da declaração original que não sofreram alterações. § 1º A entidade de previdência complementar privada deverá informar ao beneficiário da complementação, o valor das contribuições de que trata o art. 1º, devidamente atualizado, na forma prevista no art. 5º. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) § 2º Adotados os procedimentos previstos nos incisos I e II do caput e restando saldo a exaurir, este poderá ser aplicado nas DAA dos exercícios futuros, até o seu exaurimento. § 3º Para o cálculo do montante a ser excluído de tributação, a RFB disponibilizará planilha de cálculo em seu sítio na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br. § 4º Para elaboração e transmissão da declaração retificadora deverão ser utilizados os Programas Geradores da Declaração (PGD), na mesma forma de tributação utilizada e demais orientações, relativos aos exercícios de que trata o inciso II do caput. § 5º Se da declaração retificadora resultar saldo de imposto a restituir superior ao da declaração original, a diferença entre o saldo a restituir referente à declaração retificadora e o valor eventualmente já restituído será objeto de restituição automática, por meio dos lotes mensais de restituição do IRPF, a serem disponibilizados na rede bancária. § 6º Se a retificação resultar em redução de imposto já pago na declaração original, a restituição ou a compensação do imposto pago indevidamente deverá ser requerida mediante a utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), disponível no sítio da RFB na Internet, no endereço mencionado no § 3º. § 7º O pagamento da restituição ou do imposto pago indevidamente será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulada mensalmente a partir do Fl. 404DF CARF MF Processo nº 13748.720063/201406 Acórdão n.º 2201003.434 S2C2T1 Fl. 394 7 mês de maio do exercício correspondente ao da declaração, ou a partir do mês subsequente ao do pagamento, até o mês anterior ao da restituição, e de 1% (um por cento) no mês em que o crédito for disponibilizado ao contribuinte na rede bancária. § 8º A restituição relativa ao abono anual pago a título de décimo terceiro salário e ao regime de que trata a Lei nº 11.053, de 29 de dezembro de 2004, no período a que se refere o caput, deverão ser pleiteadas por meio de apresentação do formulário Pedido de Restituição ou Ressarcimento, constante do Anexo I da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, a ser protocolado na unidade do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) (grifos acrescidos) Não há aqui nenhuma palavra que indique a necessidade de retificação da Dirf anteriormente apresentada. Pelo contrário, exigese da entidade de previdência complementar que fornece ao beneficiário informações quanto aos valores pagos nas condições descritas no art. 1º da norma, exigência que foi cumprida. Conclusão: Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe integral provimento. assinado digitalmente Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 405DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.911829/2009-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2006
CIDE ROYALTIES (REMESSA). LICENÇA DE USO E DISTRIBUIÇÃO. PROGRAMA DE COMPUTADOR (SOFTWARE). AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA (CÓDIGO FONTE). NÃO INCIDÊNCIA. Nos moldes do artigo 1º-A da Lei nº 10.168/2000, trazido pela Lei n. 11.452/2007, somente ocorrerá a incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE-royalties ou CIDE-remessas) sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (software) quando tal negócio envolver a transferência de tecnologia. Esse é o teor do artigo 20 da Lei n. 11.452/2007, cuja vigência iniciou-se em 1º de janeiro de 2006, por expressa determinação do artigo 21 da mesma Lei.
A transferência de tecnologia implica necessariamente na transferência de conhecimento, da técnica envolvida no produto. No caso dos softwares, são considerados como contratos de transferência de tecnologia aqueles que disponibilizam o código fonte, conforme determinação do artigo 11 da Lei n. 9.609/1998. Inexistindo a disponibilização do código fonte do software principal, objeto do contrato misto de licenciamento de sistema e que vincula o pagamento da empresa estrangeira, não há que se falar em transferência de tecnologia e, portanto, na incidência da CIDE-royalties.
PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO. PER/DCOMP.
Demonstrado que os pagamentos efetuados a título de CIDE-royalties são indevidos, uma vez que pautados em remessas para o exterior de valores relativos à licença de uso de software, sem transferência de tecnologia, depois do início da vigência da regra constante do artigo 1º-A da Lei nº 10.168/2000 (1º de janeiro de 2006), cumpre reconhecer o indébito tributário e, por conseguinte, o direito ao crédito de tais valores, passível de compensação pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.718
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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LICENÇA DE USO E DISTRIBUIÇÃO. PROGRAMA DE COMPUTADOR (SOFTWARE). AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA (CÓDIGO FONTE). NÃO INCIDÊNCIA. Nos moldes do artigo 1ºA da Lei nº 10.168/2000, trazido pela Lei n. 11.452/2007, somente ocorrerá a incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDEroyalties ou CIDEremessas) sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (software) quando tal negócio envolver a transferência de tecnologia. Esse é o teor do artigo 20 da Lei n. 11.452/2007, cuja vigência iniciouse em 1º de janeiro de 2006, por expressa determinação do artigo 21 da mesma Lei. A transferência de tecnologia implica necessariamente na transferência de conhecimento, da técnica envolvida no produto. No caso dos softwares, são considerados como contratos de transferência de tecnologia aqueles que disponibilizam o código fonte, conforme determinação do artigo 11 da Lei n. 9.609/1998. Inexistindo a disponibilização do código fonte do software principal, objeto do contrato misto de licenciamento de sistema e que vincula o pagamento da empresa estrangeira, não há que se falar em transferência de tecnologia e, portanto, na incidência da CIDEroyalties. PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO. PER/DCOMP. Demonstrado que os pagamentos efetuados a título de CIDEroyalties são indevidos, uma vez que pautados em remessas para o exterior de valores relativos à licença de uso de software, sem transferência de tecnologia, depois do início da vigência da regra constante do artigo 1ºA da Lei nº 10.168/2000 (1º de janeiro de 2006), cumpre reconhecer o indébito tributário e, por conseguinte, o direito ao crédito de tais valores, passível de compensação pelo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 18 29 /2 00 9- 47 Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10166.911829/200947 Acórdão n.º 3402003.718 S3C4T2 Fl. 0 2 Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3801 000.844, cujo relatório, por economia processual, será a seguir transcrito no que for relevante: Trata o presente processo de compensação declarada que, conforme apontado pela Recorrente, tem origem em crédito referente a valor indevidamente recolhido a título de CIDE, apurada no período de janeiro de 2006 a janeiro de 2007 sobre remessas ao exterior para pagamento de licença de uso ou de direitos de comercialização de programas de computador. A compensação não foi homologada, sob a alegação de inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da contribuinte. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade apontando os aspectos legais estabelecidos em conformidade com o artigo 21 da Lei 11.452, de 27 de fevereiro de 2007, que contemplou a nãoincidência da referida contribuição a partir de janeiro de 2006 e informou que feito o pagamento tem direito à devolução dos mesmos. A DRJ, em seu julgamento, não reconheceu o direito creditório da contribuinte, entendendo improcedente sua Manifestação de Inconformidade. Baseou seu entendimento no fato de a contribuinte não ter juntado aos autos documentos fiscais e contábeis imprescindíveis à constatação da existência do crédito solicitado, fazendose o conjunto probatório incapaz de aferir certeza e liquidez do crédito pretendido, bem assim, entende que a DCTF retificadora apresentada o foi em data posterior à ciência do despacho decisório. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10166.911829/200947 Acórdão n.º 3402003.718 S3C4T2 Fl. 0 3 O acórdão da DRJ restou assim ementado: APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a inexistência do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente." Irresignada com a decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário fundamentandose no princípio da verdade material, juntou aos autos documentos relativos às compensações com o fito de demonstrar que foram devidamente registradas na contabilidade do sujeito passivo, ponderando serem suficientes para constatação da certeza e liquidez do crédito ora pretendido, quais sejam: a) DARF comprobatória do recolhimento indevido, comprovando o pagamento indevido no período de junho de 2006, instruído na PER/DCOMP; b) Cópia do Livro Razão Analítico do exercício de 2007, em que se verifica o estorno do montante recolhido na subconta CIDE – Remessas Exterior, também instruído na PER/DCOMP; c) Cópia do Livro Razão Consolidado do exercício de 2006, em que se verifica o lançamento referente ao mês de junho de 2006; d) Cópias das DCTFs original e retificadora. Em julgamento datado de 17 de setembro de 2014 (Resolução n. 3801 000.844), a 1ª Turma Especial dessa 3ª Seção determinou a conversão do julgamento em diligência para a DRF de origem, nos seguintes termos: Conforme relatado, o ponto crucial da lide consiste na ausência de elementos probatórios capazes de aferir o direito ao crédito solicitado decorrente do suposto pagamento indevido a título de CIDE incidente sobre remessas ao exterior de remunerações pagas pela licença de uso ou de direitos de comercialização de softwares, com base nos artigos 20 e 21 da Lei 11.452/2007 que delimitou expressamente o campo de abrangência da Lei 10.168/2000 ao instituir a nãoincidência da CIDE a partir de janeiro de 2006, assim expresso: (...) Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10166.911829/200947 Acórdão n.º 3402003.718 S3C4T2 Fl. 0 4 Certo é que a supracitada norma contempla a nãoincidência da CIDE para remunerações pagas ao exterior vinculadas a contratos de licenciamento de uso de programas de computador e, nesta esteira, faz se necessário averiguar o objeto da relação contratual, ou seja, é certo que os pagamentos dos contratos relativos ao licenciamento de uso ou direito de software, não obrigam ao pagamento da CIDE, desde 1º de janeiro de 2006, sendo que, tendo havido tal pagamento a Recorrente possui indébito possível de creditamento. Entretanto, apesar da Recorrente ter juntado documentos e comprovantes de pagamento tenho que os mesmos são insuficientes para se apurar se realmente se relacionam a remunerações pagas ao exterior vinculadas a contratos de licenciamento de uso de programas de computador, de modo que apenas mediante o confronto dos documentos contábeis com o contrato de licenciamento, licença de uso de software ou documento semelhante é que essa Turma poderá evidenciar se o pagamento efetivamente se deu por esse motivo. Nesse sentido, voto para baixar em diligência à Delegacia de origem para determinar ao contribuinte que apresente: 1. A cópia autenticada do Contrato referente de Licença de Uso ou de Direito de Programas de Computador ou documento que ateste o efetivo motivo do pagamento e cópia das notas fiscais (ou invoices, devidamente traduzidas) correspondentes; 2. Retorne o processo a este CARF para julgamento. Foram juntados aos autos esclarecimentos da Recorrente, bem como os documentos solicitados pela Resolução supratranscrita. É o relatório. Voto Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.711, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10166.911821/200981, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.711): "Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário já foram anteriormente analisados e acatados por este Conselho, de modo que passo à apreciação do mérito. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10166.911829/200947 Acórdão n.º 3402003.718 S3C4T2 Fl. 0 5 Como bem pontuado na Resolução n. 3801000.837, posteriormente ao advento da Lei n. 11.452/2007, não há dúvidas de que somente ocorrerá a incidência da conhecida CIDEroyalties (ou CIDE remessas, instituída pela Lei n. 10.168/2000) sobre a remuneração pela licença de uso de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador quando tal negócio envolver a transferência de tecnologia. Esse é o teor do artigo 20 da Lei n. 11.452/2007, cuja vigência iniciouse em 1º de janeiro de 2006, por expressa determinação do artigo 21 da mesma Lei. Portanto, como no presente caso a Recorrente clama pela restituição de valores a título de CIDEroyalties de período posterior a janeiro de 2006, a discussão cingese à comprovação de que: a) os valores foram efetivamente pagos; b) tais remessas tinham como base contratos sem a transferência de tecnologia. Quanto ao item a descrito no parágrafo anterior, a Recorrente já apresentou cópia do livro razão consolidado (fls 134), no qual se verifica o lançamento contábil dos valores indevidamente recolhidos a título da CIDEroyalties (R$ 173.207,28); cópia do DARF referente ao mesmo pagamento (código da Receita 8741, conforme fls 136), além de cópias das DCTFs original (fls 138) e retificadora (fls 140), nas quais constata se a posterior exclusão dos valores referentes à CIDEroyalties da declaração, por força do advento da Lei n. 11.452/2007. Assim, restou devidamente comprovado o pagamento da CIDEroyalties, que a Recorrente reputa como indevido e passível de restituição/compensação. Cumpre então verificar o atendimento ao item b. Para tanto, é necessário, em primeiro lugar, ter em mente que a transferência de tecnologia implica necessariamente na transferência de conhecimento, da técnica envolvida no produto. Especificamente para o caso dos programas de computador (softwares) são considerados como contratos de transferência de tecnologia aqueles que disponibilizam o código fonte, ainda que parcialmente. O código fonte, numa síntese, é entendido como as instruções do programa de computador, as quais servem para operar o hardware. Em outros termos, o código fonte pode ser entendido como o “segredo” do software para operar a máquina e conferir utilidades ao usuário. Nesse sentido, o artigo 11 da Lei n. 9.609/1998, que dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual de programas de computador, sua comercialização no País, e dá outras providências, determina que: Art. 11. Nos casos de transferência de tecnologia de programa de computador, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial fará o registro dos respectivos contratos, para que produzam efeitos em relação a terceiros. Parágrafo único. Para o registro de que trata este artigo, é obrigatória a entrega, por parte do fornecedor ao receptor de tecnologia, da documentação completa, em especial do código fonte comentado, memorial descritivo, especificações funcionais internas, diagramas, fluxogramas e outros dados técnicos necessários à absorção da tecnologia. (grifei) Também a Receita Federal apresenta entendimento sobre ser indispensável a entrega do código fonte para que reste configurada a transferência de tecnologia no âmbito dos contratos envolvendo Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10166.911829/200947 Acórdão n.º 3402003.718 S3C4T2 Fl. 0 6 softwares, conforme se depreende da Solução de Consulta nº 67 SRRF10/Disit, de 14 de julho de 2010, cuja ementa e o item 9.1. possuem o seguinte teor: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Não estão sujeitos à incidência de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico os valores remetidos ao exterior pela aquisição de “software de prateleira” (cópias múltiplas) para revenda por pessoa jurídica detentora de licença de comercialização outorgada por fabricante estrangeiro. É irrelevante a forma de movimentação do programa do fabricante ao distribuidor ou revendedor, se por remessa de suporte físico, via internet (download) ou por reprodução a partir de matriz. Caso, ao invés de revenda, caracterizarse licenciamento temporário do uso de software, os valores remetidos ao exterior em pagamento constituem remuneração de cessão de direito. Ainda assim, não há incidência da Cide, em razão da edição da Lei nº 11.452, de 2007, que acresceu o § 1ºA ao art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000, e, assim, estabeleceu isenção no caso de remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Esse dispositivo tem eficácia a partir de 1º de janeiro de 2006. Dispositivos Legais: Lei nº 4.506, de 1964, art. 22; Lei nº 9.609, de 1998, art. 11, caput e parágrafo único; Lei nº 9.610, de 1998, art. 7º, XII e § 1º e art. 49; Lei nº 10.168, de 2000, art. 2º; Lei nº 11.452, de 2007, arts. 20 e 21. (...) 9.1. Sendo assim, somente haveria a incidência da Cide no âmbito da presente consulta caso houvesse transferência de tecnologia entre os fabricantes estrangeiros e a consulente. Com efeito, como bem demonstra a interessada, no caso do software, a lei prevê que a entrega pelo fornecedor do códigofonte dos programas é condição indispensável para a ocorrência de transferência de tecnologia. É o que dispõe o art. 11, parágrafo único, da Lei nº 9.609, de 1998 (Lei do Software),(...). (grifei) Pois bem. Segundo o relato acima trazido, a Recorrente juntou aos autos: i) cópia autenticada do contrato de licenciamento de uso de software entre a Autotrac e a Qualcomm que fundamenta os pagamento realizados; ii) planilha elaborada e assinada pelo contador da contribuinte que demonstra a apuração do valor devido à Qualcomm conforme termos estipulados no Contrato de Licenciamento de Uso de Software, dividida por PER/DCOMP; iii) cópia das Notas Fiscais emitidas, acompanhadas dos respectivos contrato de câmbio e DARFs de IRRF recolhido na remessa por ocasião da remessa, organizadas em jogos para cada uma das PER/DCOMP. Pela análise do instrumento contratual em questão (de cessão de direitos da Qualcomm à Autotrac, denominado Contrato de Licenciamento e Distribuição), verifico que se trata de contrato que envolve uma série de obrigações relacionadas à concessão de licenciamento de softwares diversos. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10166.911829/200947 Acórdão n.º 3402003.718 S3C4T2 Fl. 0 7 A Recorrente informa que a remuneração paga à empresa Qualcomm, localizada no exterior, referese tão somente ao pagamento de licenciamento do software MCT/IMCT. A descrição desse produto no instrumento contratual é a seguinte (fls 208 e 2010): MCTs e IMCT O Terminal de Comunicações Móvel (MCT) é o componente móvel do Sistema OmniTRACS. Instalado em um veículo ou em local fixo, o MCT permite ao motorista ou operador enviar mensagens para a base de operações do cliente, assim como receber mensagens deste. (...) PROGRAMA MCT/IMCT O programa do IMCT é instalado nas interfaces da EPROM do IMCT com a Unidade de Display, a Unidade Externa e a NMF, o que permite que o motorista estabeleça uma interface com o despachante e oferece o processamento, a detecção e a codificação/decodificação de sinais que são necessários tanto para transmitir quanto para receber usando o enlace de satélite de banda C. Com efeito, no tópico dedicado às definições dos termos utilizados nas cláusulas contratuais, ao tratar do “software licenciado”, o Contrato traz à baila o Software MCT/IMCT, colocando em definições separadas outros produtos/serviços que fazem parte do acordo, dentre eles o “Sistema OminisTRACS” e o “QTRACS Web”. Vejamos: "Software Licenciado" significa os seguintes programas proprietários da QUALCOMM: (i) software MCT/IMCT, (ii) FIRMWARE SensorTRACS e TrailerTRACS, (iii) software MapEX, e (iv) quaisquer outros programas que a QUALCOMM, ao longo do tempo, licencie à AUTOTRAC. (...) "Software de IMCT" significa o software proprietário da QUALCOMM residente em cada IMCT ou MCT, incluindo a funcionalidade SensorTRACS e TrailerTRACS, tal como esse software é mais detalhadamente descrito no Documento B deste Contrato. "Sistema OmniTRACS" significa um certo serviço de mensagens de comunicações móvel, alfanumérico, proprietário, operando em dois sentidos, transmitindo por satélite, usando transmissoresreceptores de satélites da banda C (ou da Banda Ku, quando disponível), tal como descrito em maior detalhe no documento B. (...) "QTRACS Web" significa a solução proprietária da QUALCOMM, baseada na Rede Internet, residente em servidor. O serviço QTRACS/Web permite aos Usuários Finais que enviem e recebam mensagens e dados." Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10166.911829/200947 Acórdão n.º 3402003.718 S3C4T2 Fl. 0 8 Disto já é possível perceber que, de fato, o Software MCT/IMCT é o programa de computador principal que está sendo objeto do licenciamento de uso, sendo os demais programas acessórios a este, todos formando uma espécie de licenciamento de sistema, bastante comum nesse tipo de contrato. Com relação à forma de remuneração pelo uso do software, dispõe o Contrato, em sua Cláusula 4.2, que a Autotrac pagará à Qualcomm uma taxa de licenciamento mensal pelo uso do software igual a quinze por cento (15%) da receita total líquida recebida pela Autotrac por cobrança de Tráfego de mensagens (“Taxa mensal de licenciamento de Software MCT/IMCT”). Vale dizer, o pagamento está atrelado ao software principal, e não aos acessórios. Ainda, pela apreciação do texto do instrumento contratual, constato que a licença de uso do software não implica na transferência de tecnologia, mas tão somente no simples uso direito em questão. Não existe o fornecimento de qualquer conhecimento ou técnica específica, tampouco quaisquer dos requisitos estabelecidos pelo artigo 11 da Lei n. 9.609/98. Com efeito, o Software MCT/IMCT é inviolável e inalterável, por determinação expressa do Contrato (cláusula 8.2. – “Limitações quanto ao software licenciado” e cláusula 8.5 – “Aperfeiçoamento ao software licenciado”). Ou seja, a Recorrente não tem a intenção de apropriarse do conhecimento e da técnica contida nos programas de computador, mas tão somente utilizálos e distribuílos. Daí já se torna bastante nítida a ausência da transferência de tecnologia no pacto efetuado entre as partes. Finalmente, o instrumento negocial expressamente coloca que tão somente o código fonte do Software QTRACS Web será concedido (cláusula 8.6), mas não dos demais programas. Isto porque o único software licenciado de forma onerosa é o MCT/IMCT. O Software QTRACS Web, de outro lado, foi oferecido sem custo, conforme a Cláusula 8.6. do Contrato, de modo que não fez parte das remessas para o exterior e, por conseguinte, do pagamento a título de CIDEroyalties. Confirma tal conclusão a Cláusula 8.1, que estabelece que a concessão da licença diz respeito tão somente ao “software licenciado”, dentro do qual não se inclui o QTRACS web, conforme determinam as próprias disposições iniciais de “definição de termos” do contrato, supra destacadas. Também é importante repisar que a citada Cláusula 4. 2, que trata da remuneração da empresa estrangeira pela cessão da licença de uso, confirma que o pagamento diz respeito unicamente ao licenciamento do software MCT/IMCT. Assim, concluise que o Contrato firmado entre as partes tem como escopo principal tornar a Recorrente um “revendedor” dos programas de computador (vide Cláusula 2 – “Distribuidor exclusivo do Sistema OmniTRACS” e 2.2. – “Exigências mínimas de desempenho”), e, para tanto, foilhe contratualmente cedida a licença do uso desses softwares. Sobre esse ponto, destaco que o INPI (“Instituto Nacional de Propriedade Industrial”), nos moldes do artigo 211 da Lei n. 9.279/96, coloca que, por não caracterizarem transferência de tecnologia, os contratos de Licença de uso de programa de computador (software) e Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10166.911829/200947 Acórdão n.º 3402003.718 S3C4T2 Fl. 0 9 Distribuição de programa de computador (software) são dispensados de averbação pelo INPI. 1 Portanto, assim como pressupõe o artigo 1ºA da Lei n. 10.168/200, a princípio tais espécies de contratos dão acesso unicamente ao código objeto, que é aquele legível pela máquina, mas não da codificação fonte, que é a tecnologia. Poderia haver uma “desvirtuação” de tais contratos, implicando na transferência de tecnologia, caso o conteúdo do acordo trouxesse a disponibilização do código fonte do software licenciado, corroborando o intuito da empresa brasileira licenciada de ter acesso ao conhecimento tecnológico, para apropriálo e desenvolvêlo no sentido que lhe interessasse. Entretanto, no presente caso concreto, o contrato realmente não abarca a transferência de tecnologia, pelas razões expostas alhures, confirmando a natureza tradicional dessas espécies contratuais de cessão de uso e distribuição de software. Por fim, a planilha elaborada pela Contribuinte que demonstra a apuração do valor devido à Qualcomm conforme termos estipulados no Contrato , as cópias das Notas Fiscais emitidas pela Qualcomm, acompanhadas dos respectivos contrato de câmbio e DARFs de IRRF recolhido por ocasião da remessa confirmam a correlação entre os pagamentos efetuado a título de CIDEroyalties e o Contrato em questão, com as respectivas remessas ao exterior para pagamento da licença de uso de software. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte, reconhecendo a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração do quantum a ser compensado." 1 “Quais são os serviços que não são caracterizados como transferência de tecnologia? Por não caracterizarem transferência de tecnologia, nos termos do Art. 211 da Lei nº 9.279/96 alguns serviços técnicos especializados são dispensados de averbação pelo INPI. Segue lista não exaustiva desses serviços: Agenciamento de compras, incluindo serviços de logística (suporte ao embarque, tarefas administrativas relacionadas à liberação alfandegária, etc.); Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira, que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios, como por exemplo, beneficiamento de produtos; Homologação e certificação de qualidade de produtos; Consultoria na área financeira; Consultoria na área comercial; Consultoria na área jurídica; Consultoria visando participação em licitação; Serviços de marketing; Consultoria remota, sem a geração de documentos; Serviços de suporte, manutenção, instalação, implementação, integração, implantação, customização, adaptação, certificação, migração, configuração, parametrização, tradução, ou localização de programa de computador (software); Serviços de treinamento para usuário final ou outro treinamento de programa de computador (software); Licença de uso de programa de computador (software); Distribuição de programa de computador (software); Aquisição de cópia única de programa de computador (software).” Disponível em: http://www.inpi.gov.br/servicos/perguntasfrequentespaginasinternas/perguntasfrequentes transferenciadetecnologia#naocaracterizados Acesso em 12/01/2017. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10166.911829/200947 Acórdão n.º 3402003.718 S3C4T2 Fl. 0 10 Retornando ao caso deste processo, importante ressaltar que todos os documentos analisados no julgamento do paradigma encontram correspondência com os documentos juntados ao presente processo (fls. 135/141 e 200/404), a saber: a) cópia do livro razão consolidado, do DARF referente ao pagamento (código da Receita 8741) e cópias das DCTFs original e retificadora, que comprovam o pagamento da CIDEroyalties que a Recorrente reputa como indevido e passível de restituição/compensação; b) contrato de licenciamento de uso de software entre a Autotrac e a Qualcomm (mesmo contrato que o analisado no julgamento do paradigma); c) planilha elaborada pela Contribuinte que demonstra a apuração do valor devido à Qualcomm conforme termos estipulados no Contrato , cópias das Notas Fiscais emitidas pela Qualcomm, acompanhadas dos respectivos contrato de câmbio e DARFs de IRRF recolhido por ocasião da remessa, que confirmam a correlação entre os pagamentos efetuado a título de CIDEroyalties e o Contrato em questão, com as respectivas remessas ao exterior para pagamento da licença de uso de software. Portanto, constatase que neste processo a Contribuinte juntou os mesmos documentos que foram considerados hábeis à comprovação do direito creditório no caso do paradigma, variando apenas o número dos documentos e os valores envolvidos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito alegado pela Contribuinte, devendo a compensação ser analisada pela RFB apenas para fins de apuração do quantum a ser compensado. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 418DF CARF MF
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