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Numero do processo: 10680.933178/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CASOS. OUTRAS IRREGULARIDADES.
As nulidades no processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário são aquelas arroladas no artigo 59 do Decreto no 70.235/1972 (vinculadas a incompetência e a cerceamento de defesa). Fora destes casos, conforme artigo 60 do mesmo decreto, as irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade, sendo sanadas quando resultarem em prejuízo ao sujeito passivo, salvo se por este ocasionadas, ou se não influírem na solução do litígio.
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. INDÉBITO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO
Conforme estabelece a Súmula CARF nº 84 o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação..
Numero da decisão: 1301-002.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha..
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CASOS. OUTRAS IRREGULARIDADES. As nulidades no processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário são aquelas arroladas no artigo 59 do Decreto no 70.235/1972 (vinculadas a incompetência e a cerceamento de defesa). Fora destes casos, conforme artigo 60 do mesmo decreto, as irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade, sendo sanadas quando resultarem em prejuízo ao sujeito passivo, salvo se por este ocasionadas, ou se não influírem na solução do litígio. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. INDÉBITO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO Conforme estabelece a Súmula CARF nº 84 o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 31 78 /2 00 9- 27 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10680.933178/200927 Acórdão n.º 1301002.196 S1C3T1 Fl. 220 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão nº 0225.808, proferido pela 3ª Turma da DRJ/BHE, na sessão de 3 de março de 2010, que, ao apreciar a manifestação de inconformidade apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, julgála improcedente, para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, NÃO HOMOLOGAR a compensação pleiteada. Depreendese dos autos que a recorrente apresentou Declaração de Compensação, indicando como direito creditório um “Pagamento Indevido/a Maior” no valor de R$ 1.611.324,00. Ao analisar a Per/DComp apresentada pelo contribuinte, a DRF proferiu o Despacho Decisório de fl. 34, na data de 07/10/2009, nos seguintes termos: ”Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o Saldo Negativo de IRPJ ou CSLL do período" O contribuinte foi cientificado (fl. 59) e, irresignado, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 01 a 09), onde, em síntese, argumenta: que apurou a CSLL Estimativa Mensal no mês de fevereiro/2005 no montante de R$ 1.611.324,00, e que informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente; que, posteriormente, constatou erro na apuração do valor da CSLL (estimativa mensal) para o período, e “acabou por encontrar prejuízo”, “gerando o recolhimento indevido de todo o montante anteriormente recolhido no valor de R$ 1.611.324,00”. que a DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as infamações prestadas em DIPJ. O indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP. que a autoridade fiscal não homologou a compensação declarada, exigindo do contribuinte o principal, multa e juros referentes ao débito compensado. “Todavia, a Requerente demonstrará ser totalmente ilegal a cobrança do saldo devedor acima referido, pleiteando pela homologação das compensações declaradas e a anulação do despacho decisório (...)”. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10680.933178/200927 Acórdão n.º 1301002.196 S1C3T1 Fl. 221 3 que, tendo em vista a motivação apresentada pela DRF argumenta que “o entendimento da autoridade fiscal destoa do entendimento do Conselho de Contribuintes sobre o assunto, não atendendo aos ditames da Lei n° 9.430, de 1996”. Invoca os arts. 2° e 74 da Lei n° 9.430, de 1996 para alegar que “não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada”. Afirma que a única restrição existente está prevista no art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005. Ilustra com acórdãos e voto do Conselho de Contribuintes; que “efetuou recolhimento antecipado de IRPJ e, em função de ter constatado erro na apuração da base de cálculo mensal, apurou antecipação superior à que seria efetivamente devida dentro do próprio mês.” Informa a retificação da DCTF, “tornando perfeitamente identificável o mês de geração do indébito tributário”. que a Instrução Normativa n° 900, de 2008, que revogou a IN SRF n° 600, de 2005 revogou “a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria RFB. que fosse preservado o direito à restituição do indébito tributário tendo em vista que a Declaração de Compensação e a Manifestação de Inconformidade, tempestivamente apresentada, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 05 (cinco) anos previsto no artigo 168 do CTN, destacando que na hipótese de o despacho decisório em epígrafe não for reformado, considerase resguardado o seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do Código Tributário Nacional. Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº nº 0225.808, da 3ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade, com o seguinte ementário: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/03/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente do acórdão recorrido em 10/05/2010, pelos correios com aviso de recebimento AR (fls. 82), e com ele inconformado, a recorrente apresentou em 09/06/2010 (fls 84), tempestivamente, Recurso Voluntário, através de representante regularmente Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10680.933178/200927 Acórdão n.º 1301002.196 S1C3T1 Fl. 222 4 constituído (126128) pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. O julgamento do presente recurso voluntário foi iniciado em sessão realizada em 25 de setembro de 2014, ocasião em que este Colegiado, em outra composição, resolveu converter o feito em diligência para verificação quanto à existência efetiva de erro na apuração da estimativa de CSLL para o período de apuração PA 02/2005, solicitando o cumprimento desta diligência com base nos documentos contábeis a serem apresentados pelo contribuinte. Em resposta à diligência, a DRF prestou a Informação Fiscal de fls. 192193. concluindo pela existência de pagamento indevido ou a maior da estimativa de CSLL, PA Fev/2005, no valor de R$ 1.611.324,00. Devidamente cientificado em 13/05/2015 do teor da diligência, o contribuinte apresentou razões adicionais ao seu recurso, tempestivamente, pugnando pela reforma da decisão recorrida e aplicação da Súmula CARF nº84. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. Trata o presente processo de declaração de compensação, em que o crédito apontado para o referido encontro de contas está representado por suposto pagamento a maior ou indevido da estimativa de CSLL, PA Fev/2005, no valor de R$ 1.611.324,00. Antes das razões de mérito, alega o contribuinte ter ocorrido nulidade na decisão recorrida, apontando três vícios: i) equívoco na ementa no acórdão, relacionado à data de pagamento e a data de apuração do "tributo" (sic); ii) pelo fato do acórdão recorrido ter analisado eventual alegação de nulidade, sem qualquer alegação neste sentido por parte da recorrente; iii) ter ocorrido contradição, pois o acórdão recorrido elabora ampla tese favorável à compensação, mas condiciona à fruição desse direito ao transcurso integral do exercício fiscal. Sobre este tópico, é de se retomar os comandos dos artigos 59 e 60 da norma de estatura legal aplicável na seara tributária, o Decreto no 70.235/1972, que, no tema, não demanda aplicação subsidiária de outros dispositivos da lei geral do processo administrativo federal (Lei no 9.784/1999): Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10680.933178/200927 Acórdão n.º 1301002.196 S1C3T1 Fl. 223 5 § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (g.m.) Assim, vêse que as hipóteses de nulidade estão arroladas no art. 59 do diploma referido. Fora destes casos, conforme art. 60 do mesmo decreto, as irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade, sendo sanadas quando resultarem em prejuízo ao sujeito passivo, salvo se por este ocasionadas, ou se não influírem na solução do litígio. No caso vertente, os vícios apontados pela interessada não se encontram arrolados no artigo 59, devendose, então, verificar se eles resultaram prejuízos para o sujeito passivo ou influenciaram na solução da lide. Vejamos o primeiro vício: o equívoco na ementa no acórdão, que ao invés de constar como período de apuração fevereiro/2005, constou "Data Fato Gerador: 31/03/2005". Analisando o inteiro teor do julgado, verificase que o Despacho Decisório foi mantido em todos os seus termos, o que revela pequeno erro material que pode e deve ser corrigido inclusive de oficio, sendo oportuno dizer ainda que o julgador a quo, em nenhum momento, pensou tratarse de período diferente do pleiteado pela recorrente. Salientese ainda que a diligência proposta por este Colegiado, em sessão anterior, para apuração da liquidez e certeza do crédito apresentado, por si só, possui o condão de sanar o vício apontado. Com referência à alegação de nulidade pelo fato do acórdão recorrido ter analisado eventual alegação de nulidade, sem qualquer alegação neste sentido por parte da recorrente, não vejo como prosperar sua irresignação. A recorrente alega nulidade, porém não traz em suas razões menção a qualquer prejuízo que teria concretamente resultado deste fato. Assim, sem prejuízo, não há que se falar em nulidade. Ressaltese, por oportuno, no caso, a autoridade julgadora não acolheu a argüição de nulidade por ela suscitada, sendo certo que tal análise não acarretou nenhuma interferência no direito perseguido pela recorrente, o que demonstra ausência de prejuízo por parte deste sujeito passivo, em alegar a citada nulidade. O terceiro vício apontado diz respeito à argüição de contradição no acórdão recorrido, pois o votocondutor elaborou ampla tese favorável à compensação, mas condicionou à fruição desse direito ao transcurso integral do exercício fiscal. Não vejo como acolher esta alegação, pois, na verdade, o reclame da recorrente diz respeito ao mérito de seu pleito, o que não se confunde com hipóteses de nulidade. Não há como acolher a pecha de nulidade pelo simples fato da autoridade julgadora ter decidido contrariamente às razões de mérito defendidas pelo contribuinte. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10680.933178/200927 Acórdão n.º 1301002.196 S1C3T1 Fl. 224 6 Portanto, rejeito as preliminares de nulidade alegadas. Quanto ao mérito, verifico que o indeferimento do pleito está consubstanciado no entendimento de que, tratandose de antecipação obrigatória (estimativa), o eventual pagamento a maior ou indevido só pode ser aproveitado na determinação do resultado correspondente ao final do período de apuração. Este foi o entendimento da fiscalização, tanto que a DRF citou o art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005 como enquadramento legal. Confirase: os termos do citado artigo: “(...): Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Ou seja, quer o dispositivo acima que qualquer recolhimento a título de estimativa, mesmo que em valor superior ao devido, que é determinado em observância ao artigo 2º da Lei nº 9.430/96, seja utilizado para redução do IRPJ/CSLL devido no final do período, ou para composição do saldo negativo. Relevante notar que durante a vigência da referida Instrução Normativa n° 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa n° 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior. Dessa forma, o pagamento a maior ou indevido não poderia ser compensado ou restituído, via PER/DCOMP, já que tal pagamento, enquanto se caracterizar apenas como pagamento por estimativa, não tem natureza de indébito que daria direito à restituição por PER/DCOMP, sendo passível, apenas, de dedução na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Para efeitos de dedução, as antecipações recolhidas seriam confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito só seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário. Contudo, em que pese as disposições das citadas instruções normativas, no entendimento deste julgador, ainda que se trate de débito por estimativa, eventual pagamento superior ao valor devido no período, deve configurar pagamento indevido (indébito tributário), passível de restituição ou compensação de imediato. Ainda que se pudesse entender de outra maneira, a matéria tratada nestes autos foi objeto inclusive de Súmula neste Conselho, qual seja, a Súmula CARF nº 84, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 84 – Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10680.933178/200927 Acórdão n.º 1301002.196 S1C3T1 Fl. 225 7 As súmulas CARF são de observância obrigatória por este Colegiado, por força do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno em vigor, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes. Dessa forma, superado a questão de que eventual pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracterizase como indébito tributário na data de seu efetivo recolhimento, sendo, portanto, possível de restituição ou compensação, passo a analisar se o direito creditório revestese de liquidez e certeza necessárias ao seu reconhecimento. Aqui o relatório de diligência não deixa qualquer dúvida quanto a tais requisitos, (liquidez e certeza), concluindo no sentido de que ao contribuinte caberia o crédito pleiteado, e que o pagamento não se encontra alocado a débito algum. Por fim, quando ao pedido alternativo visando, em suas palavras, a preservação do seu direito a restituição do indébito tributário em questão, deixo de analisálo, exatamente por se tratar de um pedido feito acaso não fosse homologada a compensação. CONCLUSÃO Assim, diante de todo o acima exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.901289/2009-66
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180301.187, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 12 89 /2 00 9- 66 Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10940.901289/200966 Acórdão n.º 9101002.658 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10940.901289/200966 Acórdão n.º 9101002.658 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10940.901289/200966 Acórdão n.º 9101002.658 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.722459/2012-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA.
A correção monetária de rendimentos tributáveis deve ser oferecida à tributação pelo imposto sobre a renda das pessoas físicas.
Numero da decisão: 2201-003.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
DIONE JESABEL WASILEWSKI - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique De Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa Da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton Da Silva Risso, Carlos Alberto Do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. A correção monetária de rendimentos tributáveis deve ser oferecida à tributação pelo imposto sobre a renda das pessoas físicas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. DIONE JESABEL WASILEWSKI - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique De Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa Da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton Da Silva Risso, Carlos Alberto Do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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INCIDÊNCIA. A correção monetária de rendimentos tributáveis deve ser oferecida à tributação pelo imposto sobre a renda das pessoas físicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. DIONE JESABEL WASILEWSKI Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique De Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa Da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton Da Silva Risso, Carlos Alberto Do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 24 59 /2 01 2- 60 Fl. 113DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo anteriormente julgado por esta 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Sessão de Julgamento do Carf (Acórdão 2201003.167) e que aqui retorna após ter sido dado provimento a Recurso Especial da Fazenda Nacional, para análise das questões que foram então consideradas prejudicadas. Originalmente, foi lavrada notificação de lançamento decorrente da omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, recebidos da fonte pagadora Caixa Econômica Federal. A exigência foi objeto de impugnação (fls 2 24), à qual foi negado provimento pela Delegacia Regional de Julgamento em Belo Horizonte, por entender tratarse de rendimentos recebidos acumuladamente, que deveriam ser tributados nos termos do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988 (fls 38 42). Essa decisão foi desafiada por Recurso Voluntário (fls 48 61) em face do qual esta turma proferiu o acórdão 2201003.167 (fls 74 78) reconhecendo a existência de vício material no lançamento, com o conseqüente cancelamento do auto de infração. A ementa desse acórdão tem o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406/RS, com repercussão geral reconhecida. Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso especial (fls 80 86) que foi conhecido e provido pela CSRF através do Acórdão nº 9202004.518 – 2ª Turma (fls 105 109). De acordo com essa decisão, seria inequívoca a necessidade de manutenção do auto de infração, sendo retificado o montante do crédito tributário pela aplicação do regime de competência. Ainda segundo essa decisão: Por fim, cumpre referir que, no Recurso Voluntário que ensejou o acórdão 201003.167, há pedidos sucessivos: (a) cancelamento do lançamento, pela impossibilidade de incidência de imposto de renda de forma cumulativa em virtude de recebimento integral de valores e (b) não incidência do imposto de renda sobre a correção monetária. Reparase que, no referido acórdão, pelo provimento do primeiro pedido, o segundo pedido restou prejudicado e, conseqüentemente, deixou de ser apreciado. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10825.722459/201260 Acórdão n.º 2201003.427 S2C2T1 Fl. 114 3 Ou seja, cumpre a esta Turma Ordinária manifestarse acerca da incidência ou não do imposto de renda sobre correção monetária. Sobre essa questão, compulsandose o Recurso Voluntário apresentado, temse que a recorrente limitouse a afirmar o seu caráter indenizatório, o que fez nos seguintes termos: Desta forma não há que se falar em tributação de imposto de renda em virtude dos valores auferidos a título de correção monetária, INCLUSIVE POR SER DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço nos limites da matéria não superada em assentada anterior desta Turma. Alega a recorrente que os valores auferidos a título de correção monetária não devem ser tributados em função de sua natureza indenizatória. De acordo com o Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002), em seu art. 389, não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos e honorários de advogado. Enquanto o juros pode ter natureza remuneratória ou compensatória, a atualização monetária tem por finalidade preservar o valor da obrigação, mantendo seu poder aquisitivo. Resguardadas suas diferenças, ambos constituem acessórios: Art. 92. Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; acessório, aquele cuja existência supõe a do principal. (Código Civil) Embora esse artigo não tenha repetido regra expressa do código de 1916, de que o acessório segue a sorte do principal, esta máxima é tida por parte da doutrina como um princípio ainda aplicável. Daí decorreria que, sendo a verba principal tributável, também o seriam seus acessórios (correção monetária e juros). A simplicidade do argumento, entretanto, não foi suficiente para resolver a questão. Com efeito, a jurisprudência enfrentou intensos debates acerca da incidência ou não de imposto de renda sobre verbas acessórias para as quais se invocava a natureza indenizatória, tese que foi arduamente combatida pela Fazenda Nacional. A questão já se encontra bastante amadurecida e, analisandose a jurisprudência recente do Superior Tribunal de Justiça STJ, é possível identificar a consolidação do entendimento que afasta a compreensão de que a mera atribuição de natureza indenizatória a determinada verba seja suficiente para impedir que ela seja objeto de tributação pelo imposto de renda e outros tributos. Com efeito, a análise do tema evoluiu para exigir uma apuração mais sofisticada, identificando a existência ou não de acréscimo patrimonial. Fl. 115DF CARF MF 4 Exemplo disso pode ser encontrado no Recurso Especial nº 1.138.695/SC, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, onde ficou assentado o que segue: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. DISCUSSÃO SOBRE A EXCLUSÃO DOS JUROS SELIC INCIDENTES QUANDO DA DEVOLUÇÃO DE VALORES EM DEPÓSITO JUDICIAL FEITO NA FORMA DA LEI N. 9.703/98 E QUANDO DA REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO NA FORMA DO ART. 167, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada, não estando obrigada a Corte de Origem a emitir juízo de valor expresso a respeito de todas as teses e dispositivos legais invocados pelas partes. 2. Os juros incidentes na devolução dos depósitos judiciais possuem natureza remuneratória e não escapam à tributação pelo IRPJ e pela CSLL, na forma prevista no art. 17, do Decretolei n. 1.598/77, em cuja redação se espelhou o art. 373, do Decreto n. 3.000/99 RIR/99, e na forma do art. 8º, da Lei n. 8.541/92, como receitas financeiras por excelência. Precedentes da Primeira Turma: AgRg no Ag 1359761/SP, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 6/9/2011; AgRg no REsp 346.703/RJ, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 02.12.02; REsp 194.989/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 29.11.99. Precedentes da Segunda Turma: REsp. n. 1.086.875 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, Rel. p/acórdão Min. Castro Meira, julgado em 18.05.2012; REsp 464.570/SP, Segunda Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 29.06.2006; AgRg no REsp 769.483/RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 02.06.2008; REsp 514.341/RJ, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ de 31.05.2007; REsp 142.031/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ de 12.11.01; REsp. n. 395.569/RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ de 29.03.06. 3. Quanto aos juros incidentes na repetição do indébito tributário, inobstante a constatação de se tratarem de juros moratórios, se encontram dentro da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, dada a sua natureza de lucros cessantes, compondo o lucro operacional da empresa a teor art. 17, do Decretolei n. 1.598/77, em cuja redação se espelhou o art. 373, do Decreto n. 3.000/99 RIR/99, assim como o art. 9º, §2º, do DecretoLei nº 1.381/74 e art. 161, IV do RIR/99, estes últimos explícitos quanto à tributação dos juros de mora em relação às empresas individuais. 4. Por ocasião do julgamento do REsp. n. 1.089.720 RS (Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.10.2012) este Superior Tribunal Documento: 1237082 Inteiro Teor do Acórdão Site certificado DJe: 31/05/2013 Página 1 de 19 Superior Tribunal de Justiça de Justiça definiu, especificamente quanto aos juros de mora pagos em decorrência de sentenças judiciais, que, muito embora se tratem de verbas indenizatórias, possuem a natureza jurídica de lucros cessantes, consubstanciandose em evidente acréscimo patrimonial previsto no art. 43, II, do CTN (acréscimo patrimonial a título de proventos de qualquer natureza), razão pela qual é legítima sua tributação pelo Imposto de Renda, salvo a existência de norma isentiva específica ou a constatação de que a verba principal a que se referem os juros é verba isenta ou fora do campo de incidência do IR (tese em que o acessório segue o principal). Precedente: EDcl no REsp. nº 1.089.720 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 27.02.2013. 5. Conhecida a lição doutrinária de que juros de mora são lucros cessantes: "Quando o pagamento consiste em dinheiro, a estimação do dano emergente da inexecução já se acha previamente estabelecida. Não há que fazer a substituição em Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10825.722459/201260 Acórdão n.º 2201003.427 S2C2T1 Fl. 115 5 dinheiro da prestação devida. Falta avaliar os lucros cessantes. O código os determina pelos juros de mora e pelas custas " (BEVILÁQUA, Clóvis. Código Civil dos Estados Unidos do Brasil Comentado , V. 4, Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1917, p. 221). 6. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. Mais recentemente, e evidenciando o alcance dessa decisão, no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.469.995/SC, o Ministro Humberto Martins, após mencionar expressamente o REsp 1.138.695/SC e determinar que a ausência de trânsito em julgado não prejudica a aplicação de paradigma firmado por ele no rito do art. 543C do CPC, afasta as alegações pertinentes à natureza indenizatória da correção monetária e dos juros de mora: Por fim, cabe reiterar que a tese da empresa quanto a não incidência do Pis e da Cofins sobre as receitas de correção monetária e juros moratórios na repetição de indébitos tributários também não comportam conhecimento. (...) Terceiro, porque as alegações da recorrente para afastar a incidência do PIS e da COFINS sobre as rubricas de correção monetária e de juros de mora vinculamse à tese de que são verbas indenizatórias, o que já foi afastado, sendo, com efeito, pertinente citar que, "tratandose os juros de mora de lucros cessantes, adentram também a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS na forma do art. 1º, §1º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, que compreendem 'a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica' (...)" (AgRg no REsp 1.271.056/PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 5/9/2013, DJe 11/9/2013) Daí decorre que invocar a natureza indenizatória da correção monetária não é suficiente para afastar a incidência do IRPF, isto porque, como tem sido exaustivamente reconhecido pela jurisprudência, mesmo verbas dessa natureza podem implicar acréscimo patrimonial apto a ensejar a tributação. Nesse diapasão, temse que constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (art. 37, caput, do RIR/1999), devendo ser considerado ainda que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (art. 38, caput, do RIR/1999). Além dessas regras de cunho genérico, especificamente em relação ao IRPF, podem ser destacadas do RIR/1999 por sua pertinência com a matéria em questão: Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Fl. 117DF CARF MF 6 Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769 55, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): [...] § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único). [...] Art. 49. São tributáveis os rendimentos decorrentes da ocupação, uso ou exploração de bens corpóreos, tais como (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 3º, Lei nº 4.506, de 1964, art. 21, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º): [...] § 2º Serão incluídos no valor recebido a título de aluguel os juros de mora, multas por rescisão de contrato de locação, e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento, inclusive atualização monetária. [...] Art. 52. São tributáveis na declaração os rendimentos decorrentes de uso, fruição ou exploração de direitos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 22, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º): [...] Parágrafo único. Serão também considerados royalties os juros de mora e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento, inclusive atualização monetária (Lei nº 4.506, de 1964, art. 22, parágrafo único). Dada a universalidade e generalidade da tributação, e considerando ainda que a legislação expressamente prevê a tributação da correção monetária, qualquer exceção deveria ser decorrência de norma expressa nesse sentido. Não havendo tal norma, os rendimentos recebidos devem ser oferecidos à tributação. Sob esse aspecto, é necessário destacar a seguinte regra também extraída do mesmo Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999: Art. 55. São também tributáveis: (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; (grifos apostos) Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10825.722459/201260 Acórdão n.º 2201003.427 S2C2T1 Fl. 116 7 Embora o texto faça referência exclusiva aos juros compensatórios ou moratórios, com razões mais fortes a regra deve ser aplicada à correção monetária, uma vez que esta se limita a manter a integridade do valor principal, impedindo que ele seja corroído pela passagem do tempo. Ou seja, do ponto de vista de tributação pelo imposto de renda, se os juros decorrentes de rendimentos isentos ou não tributáveis, que implicam a multiplicação do valor principal, devem receber o mesmo tratamento deste, a mesma sorte deve ter a correção monetária, que se limita a preserválo. No caso concreto em análise, entretanto, embora a verba paga em atraso consista na correção monetária de rendimento anteriormente recebido, não há qualquer referência a que se trate de rendimento isento (o principal), de onde decorre a necessária tributação da correção monetária dele derivada. CONCLUSÃO Diante do exposto e pelos fundamentos esposados, voto por conhecer do recurso no que diz respeito incidência do IRPF sobre correção monetária, para lhe negar provimento. assinado digitalmente Dione Jesabel Wasilewski Relatora assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente Fl. 119DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.721412/2014-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 30/04/2013
ALEGAÇÃO DE ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. APRESENTAÇÃO DA TRIBUNA. NÃO CONHECIMENTO.
Por não representar questão de ordem pública, a alegação de erro na aplicação da norma tributária ao caso concreto, trazida da tribuna, não merece conhecimento.
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 30/04/2013
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE GESTÃO UNIFICADA E CONFUSÃO PATRIMONIAL. INEXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO. IMPROCEDÊNCIA.
A falta de comprovação de que as empresas arroladas como solidárias formavam grupo econômico, por não se vislumbrar na espécie gestão unificada e confusão patrimonial, conduz a improcedência do vínculo de solidariedade atribuído pelo fisco.
FALTA DE DECLARAÇÃO DE FATOS GERADORES NA GFIP. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA. IMPROCEDÊNCIA DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA.
Não se deve manter a qualificação da multa com base em mero relato de omissão de fatos geradores na GFIP, havendo necessidade para tal procedimento que o fisco demonstre cabalmente a existência de conduta dolosa.
MULTA. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE SEU AFASTAMENTO OU ALTERAÇÃO.
Inexiste a possibilidade dos órgãos de julgamento administrativo afastarem/alterarem a multa imposta por descumprimento de obrigação pagar o tributo, sob o fundamento de que seria confiscatória.
OBTENÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS DE SUJEITO PASSIVO SOB PROCEDIMENTO FISCAL. CONSTITUCIONALIDADE.
O Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que a obtenção pelo fisco de dados de contribuintes submetidos a procedimento fiscal não representa inconstitucionalidade.
Numero da decisão: 2402-005.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, por maioria não conhecer das alegações trazidas da tribuna, vencidos Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild, e, no mérito, por unanimidade, em dar-lhe provimento parcial no sentido de afastar do polo passivo a empresa RESIPIM COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA e reduzir a multa ao patamar de 75% do tributo não recolhido.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 30/04/2013 ALEGAÇÃO DE ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. APRESENTAÇÃO DA TRIBUNA. NÃO CONHECIMENTO. Por não representar questão de ordem pública, a alegação de erro na aplicação da norma tributária ao caso concreto, trazida da tribuna, não merece conhecimento. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 30/04/2013 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE GESTÃO UNIFICADA E CONFUSÃO PATRIMONIAL. INEXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO. IMPROCEDÊNCIA. A falta de comprovação de que as empresas arroladas como solidárias formavam grupo econômico, por não se vislumbrar na espécie gestão unificada e confusão patrimonial, conduz a improcedência do vínculo de solidariedade atribuído pelo fisco. FALTA DE DECLARAÇÃO DE FATOS GERADORES NA GFIP. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA. IMPROCEDÊNCIA DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Não se deve manter a qualificação da multa com base em mero relato de omissão de fatos geradores na GFIP, havendo necessidade para tal procedimento que o fisco demonstre cabalmente a existência de conduta dolosa. MULTA. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE SEU AFASTAMENTO OU ALTERAÇÃO. Inexiste a possibilidade dos órgãos de julgamento administrativo afastarem/alterarem a multa imposta por descumprimento de obrigação pagar o tributo, sob o fundamento de que seria confiscatória. OBTENÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS DE SUJEITO PASSIVO SOB PROCEDIMENTO FISCAL. CONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que a obtenção pelo fisco de dados de contribuintes submetidos a procedimento fiscal não representa inconstitucionalidade.
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EXLCUSÃO DO SIMPLES. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Recorrente S. R. DOS SANTOS SOINSKI ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 30/04/2013 ALEGAÇÃO DE ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. APRESENTAÇÃO DA TRIBUNA. NÃO CONHECIMENTO. Por não representar questão de ordem pública, a alegação de erro na aplicação da norma tributária ao caso concreto, trazida da tribuna, não merece conhecimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 30/04/2013 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE GESTÃO UNIFICADA E CONFUSÃO PATRIMONIAL. INEXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO. IMPROCEDÊNCIA. A falta de comprovação de que as empresas arroladas como solidárias formavam grupo econômico, por não se vislumbrar na espécie gestão unificada e confusão patrimonial, conduz a improcedência do vínculo de solidariedade atribuído pelo fisco. FALTA DE DECLARAÇÃO DE FATOS GERADORES NA GFIP. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA. IMPROCEDÊNCIA DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Não se deve manter a qualificação da multa com base em mero relato de omissão de fatos geradores na GFIP, havendo necessidade para tal procedimento que o fisco demonstre cabalmente a existência de conduta dolosa. MULTA. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE SEU AFASTAMENTO OU ALTERAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 14 12 /2 01 4- 40 Fl. 556DF CARF MF 2 Inexiste a possibilidade dos órgãos de julgamento administrativo afastarem/alterarem a multa imposta por descumprimento de obrigação pagar o tributo, sob o fundamento de que seria confiscatória. OBTENÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS DE SUJEITO PASSIVO SOB PROCEDIMENTO FISCAL. CONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que a obtenção pelo fisco de dados de contribuintes submetidos a procedimento fiscal não representa inconstitucionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, por maioria não conhecer das alegações trazidas da tribuna, vencidos Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild, e, no mérito, por unanimidade, em darlhe provimento parcial no sentido de afastar do polo passivo a empresa RESIPIM COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA e reduzir a multa ao patamar de 75% do tributo não recolhido. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10140.721412/201440 Acórdão n.º 2402005.788 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recursos voluntários apresentados pelo sujeito passivo acima e corresponsável contra decisão de primeira instância que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir os autos de infração que integram o presente processo. Os lançamentos dizem respeito à: a) AIOP DEBCAD 51.062.8117, no valor principal de R$1.705.584,32, referese às contribuições sociais da parte da empresa (FPAS – Fundo de Previdência e Assistência Social e RAT contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, ambas incidentes sobre a remuneração de segurados empregados), não declaradas em GFIP, no período de 01/2010 a 04/2013. b) AIOP DEBCAD 51.062.8125, no valor principal de R$302.973,65, refere se às contribuições sociais da parte de segurados empregados, incidentes sobre sua remuneração, não declaradas em GFIP, no período de 01/2012 a 04/2013. Essas contribuições foram descontadas pela empresa. c) AIOP DEBCAD 51.062.8150, no valor principal de R$230.947,69 refere se às contribuições sociais da parte de segurados empregados, incidentes sobre sua remuneração, não declaradas em GFIP, no período de 01/2010 a 13/2011. Segundo o relatório fiscal de fls. 56/70, o contribuinte em questão foi excluído da sistemática de tributação simplificada SIMPLES Nacional, a partir de 01/2010, através do Ato Declaratório Executivo – ADE nº 03, de 10/04/2014. Foi arrolada como devedora solidária a empresa RESIPIM COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA – CNPJ: 02.261.180/000190, em razão de supostamente formar com a autuada grupo econômico de fato. A multa foi imposta no patamar de 150% em razão do fisco haver entendido que se configurou a hipótese do § 1.º do art. 44 da Lei n.º 9.430/1996. As empresas apresentaram defesas rechaçando o lançamento, todavia, as razões apresentadas não foram acolhidas pelo órgão de primeira instância, que as declarou improcedentes, mantendo o crédito na íntegra. Inconformadas as empresas interpuseram recursos contra a decisão, conforme a seguir. Em 21/05/2015, fls. 424/465, a RESIPIM protocolizou seu apelo, acompanhado dos documentos de fls. 466/519. Ali foram lançadas, em resumo, as seguintes alegações: Fl. 558DF CARF MF 4 a) para atribuir à RESIPIM a responsabilidade solidária, a autoridade fiscal deveria comprovar objetivamente e não presumir que esta e a empresa SOINSKI estavam sob direção, controle ou administração única no período fiscalizado; b) os elementos colhidos pelo fisco representam meros indícios da existência de grupo econômico de fato, contudo, isoladamente não se mostram suficientemente capazes de comprovar o que pretendeu o agente tributário; c) a própria doutrina e a jurisprudência colacionadas no acórdão recorrido confirmam a indispensável necessidade de se comprovar a existência de unidade de comando, administração e gestão; d) inexiste nos autos provas contundentes de vinculação gerencial entre as empresas, tampouco de possível confusão societária, contábil ou patrimonial entre elas, ou mesmo a ocorrência de gestão unificada; e) embora o fisco tenha enumerado quatro empresas que teriam arcado com o arrendamento firmado pela SOINSKI para exploração vegetal, apenas a recorrente foi chamada a responder pelo crédito tributário; f) nem mesmo a empresa Capital Brasil Comércio Importação e Exportação foi instada a justificar por que assumiu a integralidade do custo do arrendamento, mediante pagamento aos arrendadores da área; g) havendo indícios de existência de grupo econômico com as outras empresas, independentemente do volume financeiro das operações realizadas, o fisco obrigatoriamente teria que aprofundar as investigações em relação a cada uma delas; h) apresenta textos doutrinários e jurisprudenciais que evidenciam a necessidade do fisco de esgotar o campo probatório, antes de lançar mão da presunção simples; i) a recorrente não arcou com custos do arrendamento formalizado pela SOINSKI, posto que os pagamentos a ela atribuídos se referem na verdade a compras de goma de resina de pinus diretamente do Sr. Joares Antônio Santin, conforme comprova mediante a juntada de cópias de notas fiscais; j) o fato do arrendamento ter sido pago pela SOINSKI com goma de resina e este material ter sido vendido pelo arrendante à RESIPIM não autoriza a presunção de que os valores relativos à esta transação mercantil sejam tratados como quitação do mencionado arrendamento; k) a atividade da SOINSKI não se resume basicamente ao fornecimento de mãodeobra, conforme comprova o documento de inscrição no CNPJ, além de que não há uma linha no relato fiscal que comprove a cessão de mãodeobra; l) a procuração outorgada pela SOINSKI ao Sr. André da Cunha Ribeiro não tem o alcance que lhe pretendeu dar a autoridade lançadora, eis que se restringe exclusivamente a resolver assuntos do FGTS, não havendo o que se falar em poderes de gestão; m) além de que esta pessoa é profissional vinculado ao setor extrativista e florestal desde os idos de 2006, antes mesmo da constituição da SOINSKI, o que demonstra ser infundada a pretensão fiscal de vincular o parentesco dos dois sócios da RESIPIM com o Sr. André da Cunha, com vistas a materializar uma unidade de gestão formada por esta e pela SOINSKI; Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10140.721412/201440 Acórdão n.º 2402005.788 S2C4T2 Fl. 4 5 n) o fato do fisco haver detectado omissão de receitas por parte da SOINSKI, ao comparar o repasse financeiro da recorrente para aquela e as notas fiscais emitidas para acobertar as operações de venda de resina, não autoriza que de pronto se conclua que os valores envolvidos se caracterizaram como despesas operacionais da RESIPIM; o) apresenta vários julgados administrativos que serviriam para amparar a sua tese de que, sem estar ancorado em um lastro probatório razoável que comprove a existência de unidade de comando entre as empresas, não poderia o fisco concluir pela existência de grupo econômico; p) para tentar salvar o lançamento, a decisão recorrida inovou nos fundamentos apresentados pelo fisco, ao inserir dentre as normas aplicáveis à espécie o inciso I do art. 124 do CTN; q) o mencionado dispositivo, na interpretação do STF, somente é aplicável aos casos em as empresas realizem conjuntamente a situação que configura o fato gerador, o que não se faz presente no caso dos autos; r) a recorrente não pode ser alcançada pela multa exasperada de 150% do tributo não recolhido, posto que nos autos não há individualização de sua conduta, para demonstração de ocorrência de dolo; s) o procedimento encontrase maculado em razão da falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários da SOINSKI. Ao final, pede pela reforma da decisão atacada. A autuada juntou recurso de fls. 400/422, onde apresenta, com outras palavras, as mesmas alegações, adicionando apenas o argumento de que a multa aplicada no patamar de 150% é inconstitucional em razão de seu caráter confiscatório. Sem contrarrazões, os autos vieram a julgamento. É o relatório. Fl. 560DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade As ciências da decisão da DRJ ocorreram em 23/04/2015, fl. 397, e 23/04/2015, fl. 398, para RESIPIM e SOINSKI, respectivamente, sendo que a primeira interpôs recurso em 21/05/2015, fl. 424, e a outra em 23/04/2015, fl. 400. Verificase, portanto, que os recursos foram protocolizados dentro do prazo legal. Assim, merecem conhecimento, uma vez que atendem aos demais requisitos de admissibilidade. Erro na fundamentação legal. Foi apresentada da tribuna o argumento de que o lançamento seria nulo em razão de erro na fundamentação legal do lançamento. Em razão de se aplicar a produtor rural as normas tributárias próprias das empresas em geral. Nos termos do art. 16 do Decreto n. 70.235, o momento de o sujeito passivo apresentar as suas razões é a impugnação. Neste sentido, entendo não ser cabível conhecer deste argumento. Não desconheço que as questões de ordem pública podem ser suscitadas em qualquer fase do processo administrativo fiscal, todavia, a alegação relativa à erro na fundamentação legal do lançamento não me parece se enquadrar nessa hipótese. O conceito de "ordem pública" não é tão simples de ser apreendido, mas grosso podemos dizer que se refere àquelas questões que ultrapassa o interesse das partes e transborda consequências para toda a sociedade, reflexo do interesse público. A meu sentir, a verificação se os fatos narrados na peça de acusação se subsumem à norma invocada pelo fisco é uma questão que se limita ao interesse das partes, fisco e contribuinte, não podendo ser considerada questão de ordem pública. Nessa toada, encaminho pelo não conhecimento da questão relativa ao erro na citação da fundamentação legal, apresentada em memoriais. Limites da lide Observase que as recorrentes não se contrapõem ao lançamento ou a exclusão da autuada do Simples. As alegações de ambas focam em atacar a vinculação da RESIPIM como devedora solidária e a multa, que foi aplicada no patamar de 150% do tributo não recolhido, além da ilegalidade na obtenção dos dados bancários da empresa autuada. Da responsabilidade solidária da RESIPIM O fisco, em seu relatório de fls. 56/70, inicia apresentando tabela para demonstrar que praticamente toda a produção de resina pinus extraída pela SOINSKI era vendida para a RESIPIM (100% em 2010; 98% em 2011e 94% em 2012). Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10140.721412/201440 Acórdão n.º 2402005.788 S2C4T2 Fl. 5 7 Acrescenta que obteve, mediante Requisição de Movimentação Financeira à instituição bancária, informações que possibilitaram aferir que no período de 01/2010 a 04/2013 dos R$ 16.370.865,95 que transitaram pela conta da SOINSKI, R$ 15.396.452,54 foram depositados pela RESIPIM. Concluiu, então, que foi este suporte financeiro que possibilitou ao sujeito passivo autuado custear suas despesas operacionais. Menciona ainda que a RESIPIM pagou parte do arrendamento de terras para a produção da resina diretamente ao arrendante Joares Antônio Santin. Chama atenção que os valores das notas fiscais de vendas emitidas em nome da RESIPIM pela SOINSKI são bem inferiores aos depósitos efetuados em sua conta bancária. Segundo a autoridade lançadora, a RESIPIM apresentou livros contábeis que comprovam que os valores transferidos a SOINSKI eram contabilizados na conta “112090005 – S. R. dos Santos Soinski” como adiantamento a fornecedores. Mostra que a contabilidade da RESIPIM apresenta divergência entre os valores repassado à SOINSKI e o valor da compras efetuadas, sendo que no final de abril de 2013, esta diferença acumulada ao longo dos anos entre os valores adiantados e as compras de resina atingia a cifra de R$ 11.391.929,72, ou seja, os adiantamentos eram sempre maiores que o valor das entregas da matériaprima. Afirma também que no ano de 2010 a empresa RESIPIM registrou em sua contabilidade compras do sujeito passivo no valor de R$ 527.970,00, no entanto, este informou ao fisco receita bruta no valor de R$ 39.300,00, incorrendo, portanto, em omissão de rendimentos tributáveis. O fisco registrou ainda a existência de laços familiares entre gestor da SOINSKI e os sócios da RESIPIM. Afirma que o responsável pelo setor de recursos humanos da autuada e que detém procuração da empresa é sobrinho de dois dos sócios da empresa apontada como responsável solidária. Com base nesses fatos, a autoridade lançadora concluiu: "4.15. As evidências aqui delineadas mostram que a empresa RESIPIM, além de adquirir praticamente a totalidade da produção de goma de resina, provê financeiramente o sujeito passivo, repassandolhe recursos financeiros muito acima dos valores devidos em decorrência das aquisições de goma de resina. Não pode ser crível e merecedora de fé a situação que se apresenta, pois, há de se convir, não existe no mundo real dos negócios atos de tão notável benevolência entre cliente e fornecedor. Em uma relação natural de mercado entre cliente e fornecedor não ocorrem adiantamentos tão exorbitantes e que extrapolam em muito os montantes dos produtos fornecidos. Os “adiantamentos” apresentam valores elevadíssimos e se sucedem em frequência excessivamente incomum. Embora escriturados como “adiantamentos”, a forma como esses valores acumulamse no decorrer dos anos denotam manifestamente que jamais serão recuperados, consistindo por sua real natureza em autênticas despesas operacionais da empresa RESIPIM. Inferese que não há entre o sujeito passivo e a empresa RESIPIM uma relação tipicamente comercial, mas de dependência financeira e operacional. (...) Fl. 562DF CARF MF 8 4.17. Resta, pois, claro que o sujeito passivo S. R. dos Santos Soinski e a empresa RESIPIM Comércio e Exportação Ltda. têm apenas aparência de unidades autônomas, porquanto, conforme denotam os fatos, apresentam atuação complementar. O liame existente entre estas é inequívoco e vai muito além de uma natural relação comercial clientefornecedor. Deduzse que esta estratégia tem por fim concentrar a atividade que requer o uso intensivo de mão de obra em um estabelecimento aparentemente autônomo, represando neste a carga tributária incidente sobre a Folha de Pagamento." As recorrentes apresentam vários argumentos para afastar o vínculo de solidariedade atribuído pelo fisco. Primeiramente argumentam que não há comprovação nos autos de que existia unidade de comando entre as empresas. Depois afirmam que a RESIPIM não era a única que adquiria a resina pinus da autuada, além de que o pagamento do arrendamento foi feito por outra empresa, jamais pela esta. Argumentam ainda que o sobrinho dos sócios desta empresa que atuava no setor de recursos humanos da SOINSKI era um profissional que atuava no ramo extrativista desde 2006, além de que este não possuía procuração com poderes gerais, mas era mandatário apenas para atuar junto a CEF. Asseveram ainda que o fato de haver omissão de receitas tributáveis por parte da autuada não autoriza a conclusão de que as empresas formavam grupo econômico de fato, ao contrário, apenas demonstra que havia uma relação comercial entre a RESIPIM e a SOINSKI e que esta não declarava ao fisco a totalidade dos valores envolvidos. Para a DRJ, o fisco teve razão em vincular por solidariedade apenas a RESIPIM, haja vista que eram os valores por esta repassados a título de "adiantamento a fornecedores" que permitiam à empresa autuada fazer frente as suas despesas operacionais. Acrescenta que somente a partir de dezembro de 2013 é que a empresa Capital Brasil Comércio Importação e Exportação Ltda passou a assumir os custos do arrendamento firmado entre a autuada e a empresa MASEAL, portanto, esse fato não tem relevância para solução da lide, posto que está fora do período fiscalizado. Concluiu o órgão de primeira instância que, como o pagamento do arrendamento era feito com resina extraída pelos trabalhadores da SOINSKI, a venda dessa matéria prima pelo arrendante a terceira empresa deveria ser considerada como pagamento pelo arrendamento diretamente pela terceira compradora, posto que o arrendante não dispunha de empregados para extrair a resina do pinheiral. Assim concluiu que o arrendamento das matas feitos pela MASEAL à SOINSKI era pago pela RESIPIM. Diante dessas constatações, a DRJ concluiu haver a solidariedade entre as empresas em razão da existência de grupo econômico e, mesmo que este não tivesse sido configurado, caberia a atribuição de responsabilidade solidária com base no interesse comum das empresas na realização do fato gerador. Passo, então, as minhas considerações. A motivação baseada no parentesco entre o chefe do setor de recursos humanos da SOINSKI e os sócios da RESIPIM sequer foi enfrentada pela DRJ, o que me leva à conclusão de que esse fato alegado pelo fisco não foi considerado relevante no julgamento de primeira instância. De fato, vejo que esse fundamento não deve ser mantido para fins sustentar a responsabilidade solidária imputada à empresa RESIPIM. Os argumentos lançados no recurso são hábeis a afastar esse fundamento, eis que comprovase que o Sr. André da Cunha Ribeiro, Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10140.721412/201440 Acórdão n.º 2402005.788 S2C4T2 Fl. 6 9 sobrinho de dois dos sócios da RESIPIM, já atuava no setor de extração de resina desde 2006, portanto, em data anterior à constituição da própria empresa autuada. Por outro lado, não se sustenta o argumento de que o mencionado funcionário possuía procuração com amplos poderes para representar a SOINSKI. Consultando o documento de fl. 75, pude verificar que o mandato ali conferido restringese à representação junto à CEF para resolver assuntos concernentes ao FGTS. Outro tema fundamental para solução da questão da comprovação da existência de grupo econômico é o suposto pagamento efetuado pela empresa RESIPIM de valores concernentes ao arrendamento firmado entre a autuada e a empresa. A meu ver as provas colacionadas nos documentos 1 e 2 da impugnação, fls. 240/256, comprovam que havia sim a venda de resina do arrendante das florestas para a empresa RESIPIM. Mas vislumbro que o entendimento da DRJ de que o fato do Sr. José Antônio Santin e sua empresa MASEAL receberem o pagamento da autuada em goma de resina e vender este material a RESIPIM seria indicativo de que esta pagaria pelo valor do arrendamento não se sustenta, por não se basear em documentos ou provas, mas em meras suposições. Ainda mais quando o contrato de arrendamento prevê o pagamento em matéria prima e há notas fiscais que comprovam a venda para a RESIPIM. Por outro lado, não dá pra tomar este suposto pagamento do arrendamento pela RESIPRIM como prova da existência de grupo econômico, uma vez que se vê, em período posterior ao lançamento, que o ônus do arrendamento passou a ser integralmente assumido pela empresa Capital Brasil Comércio Importação e Exportação. Além de que no período fiscalizado o próprio fisco aponta que outras empresa também arcavam com os custos do arrendamento. Nesse sentido, não encontramos os elementos exigidos pela legislação para caracterização do grupo econômicos, quais seja unidade de controle e administração, conforme se extrai de comando da CLT: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 1º Equiparamse ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Diante dessas constatações, encaminho por excluir a empresa RESIPIM COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO do polo passivo da lavratura. Fl. 564DF CARF MF 10 Multa qualificada Passemos a analisar os motivos que levaram ao fisco qualificar a multa, aplicandoa no patamar de 150% das contribuições não recolhidas: "11.2 APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA 11.2.1 Como restou caracterizado e demonstrado pelo conjunto de documentos probatórios e evidências expostas ao longo deste relatório, houve evidente intuito do contribuinte em sonegar as contribuições ora lançadas e em fraudar a Administração Tributária Federal com o fito específico de usufruir indevidamente das vantagens tributárias proporcionadas pelo Simples. A não declaração de inumeráveis segurados empregados na GFIP impediu o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores das contribuições ora lançadas. Esta omissão ainda dissimulou as reais condições do sujeito passivo, conduta dolosa que tornou possível a sua permanência no regime tributário do Simples. Os procedimentos adotados visavam dissimular a realidade dos fatos com o claro escopo de modificar as características essenciais da obrigação tributária principal de modo a reduzir o seu pagamento. Segundo Bernardo Ribeiro de Moraes, a fraude fiscal, que pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de subtrairse no todo ou em parte a uma obrigação tributária. 11.2.2 Desta forma, restou configurada a hipótese prevista no §1º do artigo 44 da Lei 9.430/96, acarretando aplicação de multa qualificada de 150%, incidente sobre as contribuições ora lançadas." Do texto, verificase claramente que a imposição da multa exasperada deuse em razão da omissão de fatos geradores na GFIP. Entendeu o fisco que ao não declarar parte da remuneração de segurados empregados, o contribuinte incorreu em fraude fiscal, concernente na vontade consciente de dissimular a realidade dos fatos com a intenção de reduzir o pagamento de contribuições sociais. Não me sinto seguro para concordar com o fisco quanto a este ponto do lançamento. É que o não pagamento do tributo, acompanhado da omissão de fatos geradores na GFIP é tido pela legislação como fato a ensejar a imposição da multa de 75%, penalidade esta que já é seguramente pesada. É assim que dispõe o art. 35A da Lei n. 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por sua vez o art. 44 da Lei de 1996 explicita: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Nesse sentido a penalidade por falta de pagamento da contribuição e pela declaração inexata prevista na lei é 75% para lançamento de ofício, não sendo cabível a qualificação, no caso, smj. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10140.721412/201440 Acórdão n.º 2402005.788 S2C4T2 Fl. 7 11 A multa de 150%, segundo PAULO DE BARROS CARVALHO, “é a espécie de multa que tem por conteúdo a agravação da penalidade...É aplicada quando a Administração demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco” (CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário, 21 ed. Saraiva, 2009, p 581). Nesse sentido caminha a jurisprudência do CARF, como se pode ver da súmula n.º 14, onde, malgrado tenha surgido de precedentes relacionados a infrações da legislação do imposto de renda, pode muito bem ser aproveitada para o caso que ora se julga. Vejamos os verbete: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Aplicandose esta diretriz interpretativa à omissão de fatos geradores na GFIP, concluise que não basta ao fisco mencionar a omissão de remunerações na GFIP para caracterizar o dolo que atraia a imposição da multa qualificada de 150%. Nesse sentido, encaminho que a multa seja reduzida ao seu patamar ordinário de 75%. Quanto à inconstitucionalidade da multa em razão do seu caráter confiscatório, é matéria que não nos cabe apreciar em razão do comando expresso na Súmula CARF n.º 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ilegalidade na obtenção de dados bancários As recorrente acusam o fisco de agir fora da legalidade ao utilizar dados bancários da SOINSKI sem autorização judicial. Vejamos. A celeuma acerca da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário estava contida no Tema de Repercussão Geral nº 225, da Corte Constitucional. Ocorre que a matéria já foi decidida no bojo do RE nº 601.314, citado pelos recorrentes para requerer o sobrestamento do feito, no qual se definiu que: “Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; ...” Fl. 566DF CARF MF 12 Em suma, o STF já se pronunciou em sede de Repercussão Geral (no RE nº 601.314) sobre a constitucionalidade da referida norma. Nesse sentido é obrigatória a aplicação deste entendimento pelos membros do CARF, a contrário senso do que determina o inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo do II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015 e alterações posteriores, assim redigido: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; (...)" Diante dessas considerações, não é possível dar provimento ao pleito do contribuinte no sentido de cancelar o auto de infração em razão de suposta ilegalidade na utilização de seus dados bancários pelo fisco, mormente quando se demonstra que os dados bancários referemse a empresa sob ação fiscal. Conclusão Voto por conhecer do recurso e não conhecer da nulidade suscitada da tribuna e, no mérito, darlhe provimento parcial no sentido de afastar do polo passivo a empresa RESIPIM COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA e reduzir a multa ao patamar de 75% do tributo não recolhido. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Fl. 567DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.900120/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2002
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.584
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1536; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.900120/201215 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.584 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente ATLANTA QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2002 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de Pedido de Restituição cujo direito creditório é oriundo de recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de PIS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 01 20 /2 01 2- 15 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10875.900120/201215 Acórdão n.º 3302003.584 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico indeferindo a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Após ser intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente por intermédio do Acórdão 02050.775. Em síntese, entendeu a DRJ que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.520, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/201249, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.520): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10875.900120/201215 Acórdão n.º 3302003.584 S3C3T2 Fl. 4 3 III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verificase no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citamse o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decretolei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10875.900120/201215 Acórdão n.º 3302003.584 S3C3T2 Fl. 5 4 IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matériasprimas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindoo apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10875.900120/201215 Acórdão n.º 3302003.584 S3C3T2 Fl. 6 5 DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressaltase que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10875.900120/201215 Acórdão n.º 3302003.584 S3C3T2 Fl. 7 6 Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídicotributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídicotributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10875.900120/201215 Acórdão n.º 3302003.584 S3C3T2 Fl. 8 7 pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS: ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, devese prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. Por fim, quanto ao pedido de encaminhamento das notificações ao patrono da recorrente, esclareçase que as intimações no processo administrativo fiscal de exigência de crédito tributário são regidas pelo artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, consolidado no artigo 10 do Decreto nº 7.574/2011, o qual prevê as formas pessoal, por via postal, telegráfica ou qualquer outro meio com prova de recebimento no domicílio tributário, ou por meio eletrônico, não sujeitos a ordem de preferência, e, Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10875.900120/201215 Acórdão n.º 3302003.584 S3C3T2 Fl. 9 8 ainda, por edital, caso os meios anteriores sejam improfícuos, nos termos abaixo transcritos: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10875.900120/201215 Acórdão n.º 3302003.584 S3C3T2 Fl. 10 9 II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Portanto, o pedido efetuado carece de previsão legal. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 83DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.000386/2002-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-002.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em afastar a preliminar suscitada e no mérito, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em afastar a preliminar suscitada e no mérito, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
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INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de (nova) perícia quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS BENTAZON . O produto por ser uma preparação intermediária herbicida à base de solução aquosa do sal sódico de 3isopropil (1H)2,1,3Benzotiadiazina4(3H) Ona2,2Dioxido (Bentazon sódico), a granel, deve ser classificação no código NCM 3808.30.29, conforme laudo técnico e esclarecimentos nos autos. MULTA DE OFÍCIO. O erro na classificação fiscal de mercadoria importada, declarada incorretamente, além de acarretar falta de recolhimento dos tributos devidos, autoriza o lançamento de ofício. TAXA SELIC. Aplicase Súmula CARF de n° 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em afastar a preliminar suscitada e no mérito, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 03 86 /2 00 2- 18 Fl. 459DF CARF MF Processo nº 11128.000386/200218 Acórdão n.º 3201002.587 S3C2T1 Fl. 460 2 (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: A empresa acima qualificada submeteu a despacho através das Declarações de Importação 98/04526930 de 13/05/1998 (fls. 20/22) e 98/04526948 de 13/05/1998 (fl. 64/66), o produto descrito como “BENTAZON NA TECH BENTAZON SÓDICO, nome químico 3isopropil1h2,1,3benzotiadiazin4 (3H) – (ona2,2dioxido) nome comercial bentazon na techn basf ingrediente ativo bentazon conc. do ing. Ativo 483g/kg (600 g/l) estado físico liquido qualidade produto tec. Pa/ formação de herbicida registro Maara sob o no. 0001294 de 22/03/94, com validade indeterminada herbicida de uso direto na agricultura.”, classificandoo no código 2934.90.59 OUTROS COMPOST. HETEROCICL C/3 HETEROATOM. ENXOFRE E NITR, com alíquota de 5,0% para o I.I. e de 0% (zero) para o IPI. Foi retirada amostra do produto para efeito de análise, sendo o resultado trazido aos autos através dos Laudos Técnicos nº 1416 (fls. 44/56)e 1415 (fls. 81/93) do LABANA que apresentou as seguintes informações técnicas em resposta aos quesitos apresentados: Quesito no. 01: Identificar o produto comparando com a descrição acima? “Não se trata de composto orgânico de constituição química definida. Tratase de uma preparação intermediária herbicida à base de solução aquosa do sal sódico de 3isopropil (1H)2,1,3Benzotiadiazina4(3H) Ona2,2Dioxido (Bentazon sódico), à granel” Quesito no. 02 Tratase de produto de constituição química definida e isolada? Fl. 460DF CARF MF Processo nº 11128.000386/200218 Acórdão n.º 3201002.587 S3C2T1 Fl. 461 3 “Não” Quesito no. 03 – Qual a aplicação ou finalidade do produto? “Trata de preparação intermediaria herbicida, à granel” Quesito no. 04 – Outras informações que se fizerem necessárias. “De acordo com referencia bibliográfica, CIPAC (ANEXO I), BENTAZON TÉCNICO é um pó cristalino branco, com teor de 930g/kg e a Solução Aquosa com teor de 400 g/kg é considerada formulação. Além disso, todas as referências bibliográficas consultadas indicam que as soluções aquosas de sal sódico de bentazon com concentração 480 e 600 g de ingrediente ativo/litro são formulações comerciais do tipo Concentrado Solúvel e/ou tipo Solução Aquosa Concentrada (Anexo II, III, IV e V), pronta para uso na agricultura” Conclusão: “Tratase de uma preparação intermediária herbicida à base de solução aquosa do sal sódico de 3isopropil (1H)2,1,3Benzotiadiazina 4(3H)Ona2,2Dioxido (Bentazon sódico), à granel” Em decorrência da análise laboratorial, a Fiscalização rejeitou o enquadramento tarifário adotado pela empresa, lavrandose o Auto de Infração (fls. 01/17), procedendose à reclassificação da mercadoria importada para o código NCM 3808.30.29, com alíquotas de 11% para o I.I. e 0,0% para o IPI. Assim, o contribuinte foi intimado a recolher ou a impugnar a diferença de tributo (II) que deixou de ser pago, juros de mora, multas previstas no art. 44, I da lei 9430/96 (sobre o I.I). A empresa regularmente cientificada da autuação, no dia 18/02/2002 (fl.100 – verso), apresentou tempestivamente a Impugnação, em 25/02/2002, onde alega em síntese que: o “BENTAZON NA TECH”, é um produto técnico para formulação de herbicidas, e não um herbicida em si; o BENTAZON TÉCNICO é registrado no MARA – Ministério da Agricultura sob o no. 0001294, é uma solução aquosa concentrada contendo no mínimo 600 gramas de Bentazon/litro ou 483 gramas de Bentazon/kg. ; a fiscalização está confundindo o produto técnico importado com o produto final que com ele é fabricado, no caso o herbicida Basagran, registrado junto ao MARA sob o no. 000594, este sim preparação de pronto uso; que por engano constou da Declaração de Importação que se trataria de um herbicida de uso direto na agricultura, porém na própria DI afirmase tratar de “produto técnico para formulação de herbicida”; Fl. 461DF CARF MF Processo nº 11128.000386/200218 Acórdão n.º 3201002.587 S3C2T1 Fl. 462 4 que o produto puro é um ácido insolúvel em água e por isso o Bentazon Técnico é obtido no processo de síntese na forma de um sal sódico em solução aquosa, na faixa de concentração de 600 a 630 gramas de Bentazon/litro; tratandose de um produto técnico utilizado na formulação de vários produtos (Basagran 480, Basagran 600, Basagran 605, Doble, Daxtron 605, Daxtron 60) não se pode considerálo uma preparação herbicida, como determinou os Laudos do LABANA; as Notas interpretativas do capítulo 29 são claras ao afirmar que o simples fato de se encontrar um determinado produto em solução aquosa, para fins de classificação não o exclui do capítulo 29, citando a nota 1 d do citado Capítulo; que o LABANA afirma que se trata de uma preparação, e não de um produto técnico de constituição química definida, por se tratar de uma solução aquosa concentrada, fato este que, para fins de enquadramento tarifário não exclui o produto do capítulo 29; cita, a seu favor, a decisão judicial (Ação Anulatória de Débito Fiscal no. 98.15.016830) e diversas decisões na esfera administrativa (Decisões DRJ SPO Nos. 000420/2000, 000141/2000, 000142/2000, 000143/2000, 004578/99, 004545/99) ; quanto à multa do imposto de importação deve ser aplicado o ADN COSIT 10/97 nos casos de classificação tarifária errônea, considerandose não poder atribuir máfé, ou dolo à Impugnante; os juros de mora não podem ser cobrados durante o procedimento administrativo, posto que o débito ainda está sendo discutido, conforme entendimento citado de um trecho de Acórdão do Conselho de Contribuintes; a utilização da taxa SELIC, que possui natureza remuneratória, como índice de juros é inconstitucional; requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial de prova pericial, apresentando os quesitos e os dados de seu assistente técnico; Requer seja declarado insubsistente o Auto de Infração; É o Relatório. Passo a decidir. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SPOII n° 1719.134, de 19/07/2007, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo /SP, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 13/05/1998 BENTAZON . Fl. 462DF CARF MF Processo nº 11128.000386/200218 Acórdão n.º 3201002.587 S3C2T1 Fl. 463 5 O produto identificado como sendo uma de uma preparação intermediária herbicida à base de solução aquosa do sal sódico de 3isopropil (1H)2,1,3 Benzotiadiazina4(3H)Ona2,2Dioxido (Bentazon sódico), à granel, deve ser classificação no código NCM 3808.30.29, conforme elementos de prova constantes dos autos, notadamente em Laudo Técnico emitido pelo Labana. Lançamento Procedente O julgamento considerou o lançamento procedente, com as seguintes conclusões: o produto BENTAZON NA TECH BASF deve ser classificado na posição 3808, mais precisamente na subposicao 3808.30 – “Herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas”. Assim, na falta de um código mais específico para o produto em tela, corretamente, a autoridade fiscal classificou a mercadoria no código 3808.30.29 que compreende “outros herbicidas apresentados de outro modo”; o produto importado não está declarado corretamente na respectiva Declaração de Importação, com todos os elementos necessários à sua identificação e em decorrência deste fato, foi reclassificado para outro código tarifário, assim resultando caracterizada uma "declaração inexata" hipótese tipificada no art.44 da Lei nº 9.430/96. Logo, tipificada a infração não há que se falar em exclusão da referida multa; e os juros de mora calculados e exigidos no lançamento constituído por meio do auto de infração tiveram como fundamento atos legal então vigente, ou seja, a Lei 9.430/96, conforme corretamente capitulados no Auto de Infração. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória, ratificando o pleito de perícia. Em sendo assim, foi convertido o processo em diligência, através da Resolução de n° 3201000.94, de 18/09/2009, com o seguinte teor: A decisão de primeira instância ressalta que não se pode classificar no capitulo 29 por não ser de composição química definida. O contribuinte expõe, ainda, que as notas dizem que a posição escolhida o fisco destinase às preparações próprias para o uso direto na agricultura, ainda que necessitem ser diluídas ou preparadas pelo consumidor o que não é o caso do produto importado, que necessita ser industrializado. Sugiro que baixe em diligência para que seja esclarecido junto ao Instituto Nacional de TecnologiaINT, precisamente, o que o produto necessita para ser utilizado como herbicida. Após diligência solicitada, intimese o contribuinte para, querendo, pronuncie a respeito, em homenagem ao princípio do contraditório, retornando os autos para apreciação deste Conselho. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 11128.000386/200218 Acórdão n.º 3201002.587 S3C2T1 Fl. 464 6 Sequenciarei, a partir de agora, as etapas para solução da diligência com fins de emissão de laudo do INT, conforme demanda da Resolução acima: foi encaminhada amostra ao INT, conforme efl. 320, apresentada documentação ao INT pela BASF, de acordo com solicitação, o INT responde e ratifica, posteriormente, sobre o orçamento para o feito (efl. 353), INT informa que precisa solicitação a BASF de novo padrão analítico do bentazon, por conta do tempo decorrido (efl. 360), INT responde que sem o envio do padrão analítico do bentazon, não há como realizar a análise qualitativa (efl. 363), Basf envia complemento da demanda acima (efl. 376), Finalmente, há a emissão do laudo do INT (efls. 390/401) em 09/10/2014, determinando o teor de bentazon, presente na amostra. A empresa foi cientificada e inconformada, se manifestou, à efl. 401, impugnando o ora laudo do INT, diz que a pergunta formulada foi tendenciosa e aponta questionamentos a serem encaminhados, de novo, ao INT , inclusive, responder, em confronto com o laudo judicial do perito sr. Antônio Carlos Dondé Aider proferido. Enfim, argumenta cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia no tocante à contraargumentação ao laudo do INT. O processo foi redistribuído a esta Conselheira, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relator O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. CERCEAMENTO DE DEFESA PELO INDEFERIMENTO DE PERÍCIA AOS ARGUMENTOS DO LAUDO DO INT Em sede de preliminar, não há que se falar em cerceamento de defesa pelo indeferimento aos argumentos de emissão de segundo laudo, do INT, pois, ressaltese que o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, autoriza o julgador a determinar, de ofício ou a pedido, perícias ou diligências, quando considerálas necessárias para a instrução do processo e, consequentemente, para a solução do litígio. Em face da existência nos autos de provas suficientes para o julgamento do processo tornase prescindível a realização de outra diligência ou perícia. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 11128.000386/200218 Acórdão n.º 3201002.587 S3C2T1 Fl. 465 7 Assim, os autos contêm prova documental de inquestionável valor para a elucidação dos fatos, de modo que referidos documentos, examinados à luz da legislação de regência, constituem um conjunto probatório suficiente para formar a convicção do julgador. Enfim, tenho por suficientes para o enquadramento tarifário da mercadoria, os elementos contidos nos autos, tendo esses igualmente reveladose o bastante para instruir a defesa do contribuinte. Portanto, pelos motivos acima expostos, resta indeferida perícia solicitada pela empresa, o que não repercute em cerceamento de defesa, pois à recorrente teve oportunidade de apresentar toda a documentação, como se defender em todas as etapas do devido processo legal. Passo ao mérito. MÉRITO O litígio resume em decidir se o produto importado se classifica como um produto químico de constituição química definida e isolada do Capítulo 29, como pretende a recorrente, ou como uma preparação intermediária herbicida da posição 3808, como entendeu a fiscalização. Entende a fiscalização que o produto importado classificase no código NCM 3808.30.29 e a recorrente declarou nas DIs os códigos NCM 2934.90.59. Verificase o código NCM adotado pela recorrente: 2934 ÁCIDOS NUCLÉICOS E SEUS SAIS, DE CONSTITUIÇÃO QUÍMICA DEFINIDA OU NÃO; OUTROS COMPOSTOS HETEROCÍCLICOS 2934.9 Outros 2934.99 Outros 2934.99.5 Cuja estrutura contém exclusivamente 3 heteroátomos de enxofre e nitrogênio em conjunto 2934.99.51 Tebutiuron 2934.99.52 Tetramisol 2934.99.53 Levamisol e seus sais 2934.99.54Tioconazol 2934.99.59 Outros Já o código NCM adotado pela fiscalização é o seguinte: 3808 INSETICIDAS, RODENTICIDAS, FUNGICIDAS, HERBICIDAS, INIBIDORES DE GERMINAÇÃO E REGULADORES DE CRESCIMENTO PARA PLANTAS, DESINFETANTES E PRODUTOS SEMELHANTES, APRESENTADOS EM Fl. 465DF CARF MF Processo nº 11128.000386/200218 Acórdão n.º 3201002.587 S3C2T1 Fl. 466 8 QUAISQUER FORMAS OU EMBALAGENS PARA VENDA A RETALHO OU COMO PREPARAÇÕES OU AINDA SOB A FORMA DE ARTIGOS, TAIS COMO FITAS, MECHAS E VELAS SULFURADAS E PAPEL MATAMOSCAS. 3808.30 Herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas 3808.30.2 Herbicidas apresentados de outro modo 3808.30.21 À base de 2,4D, de 2,4DB, de derivados destes produtos ou de MCPA 3808.30.22À base de atrazina, de alaclor, de diuron ou de ametrina 3808.30.23 À base de glifosato ou de seus sais, de imazaquim ou de lactofen 3808.30.24 À base de dicloreto de paraquat, de propanil ou de simazina 3808.30.25 À base de trifluralina 3808.30.26 À base de imazetapir 3808.30.29 Outros De acordo com a Nota 1“a” do Capítulo 29, in verbis: 1.Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas. Então, conforme laudo técnico do LABANA, o produto não se trata de produto de constituição química definida e isolada. Dessa forma, conforme a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1, fica afastada a classificação fiscal do produto no capítulo 29, que é específico para os compostos orgânicos de constituição química definida. Por sua vez, a Nota 1 do Cap. 38 é clara, ao estabelecer o seguinte (negritos acrescentados): 1. O presente Capítulo não compreende: a) os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, exceto os seguintes: 1) a grafita artificial (posição 38.01); 2)os inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados nas formas ou embalagens previstas na posição 38.08; Fl. 466DF CARF MF Processo nº 11128.000386/200218 Acórdão n.º 3201002.587 S3C2T1 Fl. 467 9 O texto da posição 3808, para reforçar, é o seguinte, verbis (negrito acrescentado): INSETICIDAS, RODENTICIDAS, FUNGICIDAS, HERBICIDAS, INIBIDORES DE GERMINAÇÃO E REGULADORES DE CRESCIMENTO PARA PLANTAS, DESINFETANTES E PRODUTOS SEMELHANTES, APRESENTADOS EM QUAISQUER FORMAS OU EMBALAGENS PARA VENDA A RETALHO OU COMO PREPARAÇÕES OU AINDA SOB A FORMA DE ARTIGOS, TAIS COMO FITAS, MECHAS E VELAS SULFURADAS E PAPEL MATAMOSCAS Segundo a Nota 1 acima transcrita, sendo herbicida a classificação é no Cap. 38, seja qual for a forma ou embalagem, contanto que dentre as previstas na posição 3808. E tais formas ou embalagens são as mais diversas, conforme o texto da 3808. Recorrendo as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH, ao tratarem da posição 3808, esclarecem que se incluem os produtos com características de inseticidas, fungicidas, herbicidas, etc., somente nos seguintes casos: 1) Quando são apresentados em embalagens (tais como recipientes metálicos, caixas de cartão) para venda a retalho como inseticidas, desinfetantes, etc., ou ainda quando apresentem uma forma tal (bolas, enfiadas de bolas, tabletes, plaquetas, comprimidos e semelhantes) que não suscite quaisquer dúvidas quando ao seu destino para venda a retalho.” (grifei) 2) Quando tenham características de preparações, qualquer que seja a forma como se apresentem (compreendendo os líquidos, as soluções e o pó a granel). Estas preparações consistem em suspensões do produto ativo, em água ou em qualquer outro líquido (dispersões de DDT ...em água, por exemplo), ou em misturas de outras espécies). As soluções de produto ativo em solvente que não seja água também se consideram preparações, como, por exemplo, uma solução de extrato de piretro (com exclusão do extrato de piretro de concentraçãotipo), ou de naftenato de cobre em óleo mineral. (grifei) Reproduzo trecho do voto da primeira instância que conclui dessa forma: Das Notas acima se depreende que um herbicida para se classificar na posição 3808 necessita estar acondicionado para venda a retalho ou apresentarse como preparação, qualquer que seja a forma desta. Quanto à primeira condição, não existem nos autos elementos para se afirmar que o produto se acha acondicionada para venda a retalho. Com relação à segunda condição, entendo que se aplica perfeitamente ao caso sob análise: tratase de “uma preparação intermediária herbicida à base de solução aquosa do sal sódico” Fl. 467DF CARF MF Processo nº 11128.000386/200218 Acórdão n.º 3201002.587 S3C2T1 Fl. 468 10 Assim sendo, de acordo com as provas nos autos, conforme destaque pela decisão a quo: Ademais, os seguintes elementos de prova, também, indicam o enquadramento do produto do capítulo 38, por tratarse de uma preparação intermediária de herbicida: 1º.) na própria descrição da D.I. a empresa informa que “.....bentazon Na Techn Basf Ingrediente ativo Bentazon conc. do ing. Ativo 483 g/kg estado físico liguido qualidade produto tec. p/ formação de herbicida, registro MARA sob o nr. 0001294 de 22.03.94 com validade indeterminada herbicida de uso direto na agricultura” (grifei); 2º.) o Certificado de Registro de Agrotóxicos e Afins com finalidade Fitossanitária (fls. 185), no Ministério de Agricultura, do produto Bentazon Técnico Basf informa: I. Ativo: Bentazon; Concentração do I. Ativo: 483 g/kg; Classe: Herbicida (grifei) 3º.) o documento técnico traduzido e apresentado pela Impugnante informa em sua folha 188: “2. Composição/informação sobre os componentes: Natureza Química: Agente de proteção da fábrica, contendo: bentazona, herbicida, concentrado solúvel em água (SL), líquido” (grifei) 4º.) Em consulta, efetuada em 12/07/2007, no site da Embrapa (http://www.cnpaf.embrapa.br/publicacao/circulartecnica/ct_42/h erbicidas.htm) encontramos a seguinte informação: “Herbicidas, segundo Hertwig (1977), são substâncias químicas orgânicas, ou misturas destas, destinadas a destruir ou impedir o desenvolvimento dos vegetais. Conclusão: Logo, o produto BENTAZON deve ser classificado na subposição 3808.30 – “Herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas”, na falta de um código mais específico para o produto em comento, está correta a classificação da fiscalização no código 3808.30.29 que compreende “outros herbicidas apresentados de outro modo” A corroborar para a classificação ora adotada, menciono o Acórdão nº 302 34.168, de 22/02/2000, processo nº 1128.004432/9695, cuja ementa transcrevo: Classificação Fiscal de Mercadorias. Solução aquosa de BROMETO de 1,1 ETILENO 2,2 — BIPIRIDILIO (DIQUAT) e substâncias inorgânicos à base de Fosfato e Potássio é uma Fl. 468DF CARF MF Processo nº 11128.000386/200218 Acórdão n.º 3201002.587 S3C2T1 Fl. 469 11 PREPARAÇÃO HERBICIDA e como tal, classificavase no código NBM 3808.30.0199 (NCM 3808.30.29). Rejeitada a preliminar de cerceamento do direito de defesa, argüida pelo relator. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO PROVIDO Da mesma forma, outro exemplo, de uma preparação intermediária com propriedade herbicida e à época, classificava, na TEC, na NCM 3808.3029, de acordo com acórdão 3401001.971, de 25/09/2012, processo 11128.000828/200811, que dispõe: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 20/06/2003 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E CONSECTÁRIOS LEGAIS. DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. O erro na classificação fiscal de mercadoria importada, a acarretar falta de recolhimento dos tributos devidos, autoriza o lançamento de ofício, acrescido da multa e dos juros de mora respectivos, aplicados em conjunto e nos percentuais fixados na legislação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4, DE 2009. Nos termos da Súmula CARF nº 4, de 2009, a partir de 1º de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). Para a configuração da infração administrativa ao controle das importações, por falta de Licença de Importação (LI), é condição necessária que produto esteja sujeito a licenciamento e que o produto esteja incorretamente descrito. No presente caso, o produto importado estava sujeito a licenciamento não automático, que foi providenciado, não restando configurada, por conseguinte, a infração administrativa ao controle das importações, por falta de LI. MULTA EQUIVALENTE A UM POR CENTO DO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁFÉ. Por se tratar de responsabilidade de natureza objetiva, a infração caracterizada pelo enquadramento tarifário incorreto do produto na NCM, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, independente da existência de dolo ou máfé do importador. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa do controle administrativo aduaneiro. Vencidos os Conselheiros Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça e Fernando Marques Cleto, que davam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis para redigir o voto vencedor. Fl. 469DF CARF MF Processo nº 11128.000386/200218 Acórdão n.º 3201002.587 S3C2T1 Fl. 470 12 Superada a questão da classificação fiscal propriamente dita, passase ao exame das demais alegações. MULTA DE OFÍCIO A recorrente alega que a multa aplicada sobre o Imposto de ImportaçãoI.I. não deve ser mantida, em face do disposto no Ato Declaratório NormativoADN n°10/97. Ressaltese, de pronto, que o ADN COSIT n° 10/97 se aplica desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, o que não é o caso. Ou seja, o laudo do LABANA indica que: “Tratase de uma preparação intermediária herbicida à base de solução aquosa do sal sódico.....”,que por sua vez, informação esta que não constava da descrição das respectivas D.I. Afastada a aplicação ao caso do ADN 10/97, por conta da declaração inexata; a multa de ofício de 75% está sendo exigida por ter ficado caracterizado a falta de pagamento (e a declaração inexata), infração prevista no art. 44, inciso I, e art.45 da Lei nº 9.430/96, in verbis: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;” (grifei) Diante da falta de recolhimento apurada pela fiscalização, em face da classificação fiscal errônea da mercadoria importada, restou caracterizada a infração. TAXA SELIC A taxa Selic já se encontra sumulada, de acordo com a Súmula CARF nº 4, que dispõe: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, constatada falta de recolhimento, impõese a aplicação da multa de ofício de 75% em conformidade com o art. 44, I e § 1° da Lei n° 9.430/96 e dos juros de mora com base na taxa Selic. Por todo o exposto, voto por afastar a preliminar de cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia e no mérito negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Fl. 470DF CARF MF Processo nº 11128.000386/200218 Acórdão n.º 3201002.587 S3C2T1 Fl. 471 13 Fl. 471DF CARF MF
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Numero do processo: 14337.000207/2010-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
ANDREA BROSE ADOLFO - Presidente Substituta e Relatora.
EDITADO EM: 03/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta e Relatora), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júlio César Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO Presidente Substituta e Relatora. EDITADO EM: 03/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta e Relatora), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júlio César Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada). Tratase de lançamento de contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos, denominados Terceiros, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados empregados e contribuintes individuais, inclusive transportadores rodoviários (freteiros) e sobre a comercialização da produção rural. As bases de cálculo foram apuradas na RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 43 37 .0 00 20 7/ 20 10 -7 7 Fl. 875DF CARF MF Processo nº 14337.000207/201077 Resolução nº 2301000.641 S2C3T1 Fl. 876 2 contabilidade, folhas de pagamento, notas fiscais e por arbitramento (aferição indireta), referente ao período de 07/2005 a 12/2007. Os levantamentos integrantes do presente lançamento são: AF Aferido Base Cálculo: referente contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, correspondente à aferição indireta; AR Aferição Rural: referente aquisição de produção rural de produtores rurais pessoas físicas (subrogação), conforme valores aferidos pela fiscalização nos termos do relatório fiscal; FP Segurados Empregados: referente contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, correspondente à diferença entre as bases de cálculo declaradas em GFIP e as apuradas em fiscalização (folhas de pagamento e contabilidade); FR Serviços de Fretes: referente contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas ao segurados contribuintes individuais (serviço de fretes prestados por transportador autônomo). NF Notas Fiscais de Entrada: referente aquisição de produção rural de produtores rurais pessoas físicas (subrogação), conforme valores constantes das notas fiscais de entrada. Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou impugnação, a qual foi julgada improcedente pela DRJ de Campo Grande/MS, nos termos do Acórdão nº 0429.188, de 28/06/2012, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2007 DA AFERIÇÃO INDIRETA. Constatado pela fiscalização que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a serviço da empresa, do seu faturamento e do lucro, são apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CERCEAMENTO DE DEFESA Inexiste cerceamento de defesa quando estão discriminados no Auto de Infração e em seus anexos os fatos geradores das contribuições e os dispositivos legais que amparam o débito. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 27/11/2012 a empresa foi notificada da decisão e apresentou Recurso Voluntário em 27/12/2012 (efls. 803/827) repisando as alegações da impugnação. Fl. 876DF CARF MF Processo nº 14337.000207/201077 Resolução nº 2301000.641 S2C3T1 Fl. 877 3 Também apresentou Recurso Voluntário em 27/12/2012 o Sr. Paulo Afonso Costa (efls. 834/841) alegando ilegitimidade passiva para figurar como, responsável tributário, falta de intimação de todos os responsáveis tributários, cerceamento do direito de defesa e inaplicabilidade da responsabilidade pessoal (art. 135, CTN). Em 16/09/2013 o julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 2403000.167 (efls. 848/850) : RELATÓRIO Resultado de mesma ação fiscal do lançamento em tela , o processo 14337.000211/201035 foi submetido ao julgamento desta turma e nesta mesma sessão de julho de 2013, na forma do acórdão 2403000.168, os membros deste Colegiado resolveram por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Aduz que o sobredito auto de infração, referese a obrigação principal inadimplida aiop de contribuições devidas à seguridade social, correspondente as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados (segurados, empresa e riscos ambientais do trabalho). VOTO Conselheiro Ivacir Julio de Souza Relator Muito embora se afirme às fls. 459, no item 1 do Relatório Fiscal que “ constam deste crédito apenas as importâncias devidas a outras entidades ou Fundos (terceiros ) haja vista que esses valores não se sujeitam a solidariedade”, na decisão de primeira instância registraramse outros : MAFRINORTE MAT. FRIG NORTE E PAULO A COSTA como interessados fazendo causar ruído no questionamento. CONCLUSÃO Assim, estando o presente vinculado ao supracitado processo 14337.000211/201035, que se retornem os autos em diligência para as mesmas providências daquele. É como voto. (grifei) Como resposta foi anexada a informação fiscal de e fls. 858/860 esclarecendo que não há coobrigados no processo em questão, conforme folha de rosto do Auto de Infração, apesar da decisão de 1ª instância ter mencionado Mafrinorte e Paulo Afonso como coobrigados. Salienta, ainda que o Termo de Sujeição Passiva constante dos autos referese a outros débitos constituídos e passíveis de solidariedade. A recorrente não apresentou novas alegações. Em decorrência da aposentadoria voluntária do relator originário, os autos foram a novo sorteio eletrônico. É o relatório. Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Matérias não discutidas Conforme declaração do recorrente deixam de ser discutidas as matérias constantes dos levantamentos FP, FR e NF, os quais passam a ser considerados definitivos na esfera administrativa. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 14337.000207/201077 Resolução nº 2301000.641 S2C3T1 Fl. 878 4 Ausente o contraditório, nos termos do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, a seguir transcrito, consolidase administrativamente o crédito tributário correspondente. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fatos geradores. Processos vinculados. O presente processo trata somente de contribuições destinadas a outras entidades e fundos denominados Terceiros. As contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as mesmas bases de cálculo foram apuradas e lançadas em processos distintos em decorrência da existência de responsabilidade solidária. Conforme ressaltado no relatório fiscal a base de cálculo das contribuições lançadas no presente auto de infração (Debcad nº 37.290.9388) e discutidas pelo recorrente é a mesma dos autos de infração de obrigação principal Debcad nº 37.290.9434 processo nº 14337.000211/201035 (levatamento AF Aferido Base Cálculo) e Deccad nº 37.2909396 processo nº 14337.000208/201011 (levantamento AR Aferição Rural) nos quais são cobradas as contribuições previdenciárias patronais. FATOS GERADORES 55. Constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas neste AIOP as remunerações pagas, devidas ou creditadas ao segurados obrigatórios da previdência social (segurados empregados e contribuintes individuais) e a comercialização da produção rural. 56. Este crédito referese tão somente as importâncias devidas a outras entidades ou fundos, pois tais valores não são recepcionados pela solidariedade. Este auto possui os mesmos fatos geradores das notificações 37.290.9396, 37.290.9418, 37.290.9434 e 37.290.9442. Sendo assim, são transcritas, abaixo, partes dos relatórios dessas notificações. AIOP DEBCAD 37.290.9396 FATOS GERADORES 55. Constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas neste AIOP a comercialização da produção rural. 56. A fiscalizada faz industrialização de produtos rurais, adquirindo a produção de pessoas físicas e jurídicas. Quando a aquisição ocorre junto aos produtores rurais pessoas físicas, a empresa subrogase nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso Vdo art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com os produtores ou intermediários pessoas físicas. 57. Quando a empresa efetua aquisição da produção rural de pessoas físicas, é legalmente obrigada a arrecadar (desconto da contribuição devida pelos produtores) e recolher as importâncias no prazo determinado pela Lei 8212/91 e alterações posteriores. Fl. 878DF CARF MF Processo nº 14337.000207/201077 Resolução nº 2301000.641 S2C3T1 Fl. 879 5 58. Os valores das bases de cálculos apropriados neste crédito previdenciário foram obtidos nas notas fiscais analisadas pela fiscalização e por arbitramento. No primeiro caso, as importâncias verificadas nas notas e constam do levantamento NF NOTAS FISCAIS ENTRADA e o campo observação informa os números dos documentos. No segundo caso, os valores foram obtidos por arbitramento e constam do levantamento AF[sic] AFERIÇÃO RURAL, deduzindose os valores constatados nas notas fiscais apresentadas. 59. A utilização do arbitramento esta condizente com o Art 33 da Lei 8212 e alterações posteriores, pois a empresa não apresentou todos os elementos solicitados nos termos fiscais, além de manifestar explicitamente que os abates não são contabilizados em sua totalidade, conforme se verifica nos itens seguintes. (...) 59.1. A empresa deixou de apresentar as notas fiscais de entrada e do produtor referente ao estabelecimento localizado no município de Bacabal (MA); 59.2. Ocorreu a não apresentação de todos os documentos de despesas, mesmo regularmente intimada, como ocorre no termo de intimação fiscal final complementar (anexo 06); 59.3. Constam diversos lançamentos conforme se verifica nos razões (anexo 29) sem a identificação dos beneficiários. O mesmo ocorre na escrita referente ao ano de 2007. 59.4. As notas fiscais de entrada e do produtor referente ao estabelecimento localizado no município de Água Azul do Norte (PA) também foram apresentadas de forma incompleta, fato confirmado quando se comparam os totais mensais dos abates constantes nas notas analisadas pela fiscalização e as totalizações obtidas a partir dos mapas de abate fornecidos pelo Ministério da Agricultura (anexos 12 e 13); 59.5. Outro ponto que demonstra que a escrita contábil não registra a real movimentação da empresa é que para os anos de 2005 e 2006 ela mantém apenas um vínculo empregatício, porém registra as mais diversas despesas (combustível, material de expediente, despesas com veículos, viagens, conservação e limpeza, etc..,), conforme se verifica nos razões (anexo 29). Ela, a fiscalizada, foi intimada a justificar o fato, termo de intimação fiscal final complementar (anexo 06), porém se absteve completamente de esclarecer a inconsistência. É de se perguntar: Como se justificam as despesas? Como a empresa pode estar plenamente ativa com apenas um segurado? 59.6. Além da sonegação documental, a empresa confessa literalmente que seu movimento contábil não registra toda sua movimentação, haja vista o diálogo contido no anexo 24, citado em item anterior e) Há uma correspondência de TIÃO CONTABILIDADE, CRCGO 5043 TPA, CPF 168.656.50115, datada de novembro de 2006, anexo 24, DIRIGIDA a Ativo Alimentos de Água Azul do Norte (PA), AT. Sr. José Antônio Barboza, constando o seguinte: Fl. 879DF CARF MF Processo nº 14337.000207/201077 Resolução nº 2301000.641 S2C3T1 Fl. 880 6 Meu prezado José Antônio, conforme combinamos já tenho em mãos extraídos da documentação enviada à contabilidade o levantamento fiscal, detalhado tanto das entradas quanto de saídas, da Ativo Alimentos, filial de Água Azul do Norte, correspondente ao período de setembro de 2004 a outubro de 2006. (...). Outro fator que chama muito a atenção e está nessa planilha de levantamento é a disparidade existente comparando as quantias de entradas constantes em notas fiscais série 2, de bovinos CFOP 1101 e a quantidade de bovinos enviado para ser industrializado, através das notas fiscais série 1 CFOP 5924, podemos estar na mira da Receita Estadual. Pois, é um alvo fácil e estamos sujeito em caso de fiscalização por parte do Estado, se ainda não haja nenhuma Fiscalização em Profundidade realizada pela SEFA. 60. Outro ponto destacado referese ao plano geral de contas que foi apresentado de forma sintética. A empresa foi intimada a apresentar o plano analítico, porém se absteve. 61. Desse modo, a fiscalização aferiu as bases de cálculo para aquisição de bovinos e bubalinos utilizando as planilhas fornecidas pelo Serviço de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. As planilhas anexadas a este AIOP, aferição Água Azul do Norte e Bacabal, demonstram as bases de cálculos mensais, sendo que as quantidades de animais abatidos são aqueles indicados pelo SIF e os preços unitários são os preços de pauta do ICMS, sendo que estes são os mesmos verificados nas notas fiscais de entrada analisadas. No caso de Água Azul do Norte, os valores constatados nas notas fiscais foram deduzidos das importâncias aferidas, constando lançamento retificador com observação "DEDUZIDOS VALORES CONSTATADOS NAS NOTAS FISCAIS". Mister esclarecer que o arbitramento foi adotado apenas para os estabelecimentos mencionados e no caso de Bacabal (não houve apresentação das notas de entrada), o período é condizente com a vigência do contrato de prestação de serviços mencionado em item anterior. b) Em outro contrato de prestação de serviços (anexo 18) documentação apreendida pela Polícia Federal firmado pela filial de Bacabal (MA) em fevereiro de 2007 as partes ajustam o abate de bovinos e bubalino naquela localidade, conforme se verifica nas cláusulas abaixo transcritas. Cláusula primeira A prestadora de serviço se compromete mediante remuneração, a promover o abate do gado bovino e bubalino para a tomadora de serviços, utilizando para tanto as técnicas disponíveis para abate, inclusive com acompanhamento de controle de qualidade em todas as etapas do processo. Parágrafo único: a prestadora cederá as câmaras de resfriamento, congelamento e estocagem de produtos e subprodutos conforme necessidade da tomadora de serviços. Cláusula quarta Pela realização dos serviços prestados como abate, resfriamento e separação dos quartos dianteiros e traseiros, ponta de Fl. 880DF CARF MF Processo nº 14337.000207/201077 Resolução nº 2301000.641 S2C3T1 Fl. 881 7 agulha, a tomadora de serviço pagará a prestadora de serviços o valor de R$0,10 (dez centavos) por quilo de peso morto do gado. Cláusula décima terceira O prazo do presente contrato de prestação de serviço será de 01 (um) ano, com início aos 01 de março de 2007 e término aos 28 de fevereiro 2008. Cláusula décima sétima A tomadora de serviço se compromete a recolher os impostos devidos notadamente o ICMS (...). 62. Foi constatado na análise das notas fiscais do produtor e de entradas que o contribuinte não efetua os descontos das contribuições incidentes sobre a comercialização da produção rural, elidindo o ilícito de apropriação indébita previdenciária. Porém, a legislação de custeio da previdência social diz que essas contribuições, descontadas ou não, são devidas, conforme estatuído pelo artigo 33, parágrafo 5º. 63. Como dito anteriormente, as bases de cálculos aqui apropriadas não foram declaradas nas GFIP, lavrandose auto de infração por omissão de fatos geradores, pelo fato da empresa não oferecer à tributação as importâncias consideradas pela fiscalização como bases de incidência das contribuições devidas à seguridade social, não existindo GPS a ser considerada na apuração deste crédito tributário. 64. No relatório de lançamentos, anexo do AIOP, são discriminados todos os documentos considerados na apuração deste crédito, informandose os números das notas fiscais consideradas como fatos geradores das contribuições. (...) AIOP DEBCAD 37.290.9434 FATOS GERADORES 55. Constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas neste AIOP as remunerações pagas, devidas ou creditadas ao segurados empregados. 56. As bases de cálculos apropriadas neste crédito previdenciário foram obtidas por arbitramento. A utilização do arbitramento esta condizente com o Art 33 da Lei 8212 e alterações posteriores, pois a empresa não apresentou todos os elementos solicitados nos termos fiscais, além de manifestar explicitamente que os abates não são contabilizados em sua totalidade, conforme se verifica nos subitens seguintes. (...) 56.1. A empresa deixou de apresentar as notas fiscais de entrada e do produtor referentes ao estabelecimento localizado no município de Bacabal (MA); 56.2. Houve a não apresentação de todos os documentos de despesas, mesmo a empresa regularmente intimada, como ocorre no termo de intimação fiscal final complementar (anexo 06). A fiscalizada apenas solicitou prorrogação de prazo, porém nada apresentou até o encerramento da ação fiscal. Fl. 881DF CARF MF Processo nº 14337.000207/201077 Resolução nº 2301000.641 S2C3T1 Fl. 882 8 56.3. O contribuinte deixou de justificar lançamentos verificados na sua escrita contábil, mesmo regularmente intimada, como ocorre com os valores referentes a outros custos, ano de 2007 que integram planilha do termo intimação fiscal final (anexo 05). 56.4. Alem desse fato, constam diversos lançamentos conforme se verifica nos razões (anexo 29) sem a identificação dos beneficiários. 56.5. As notas fiscais de entrada e do produtor referente ao estabelecimento localizado no município de Água Azul do Norte (PA) também foram apresentadas de forma incompleta, fato confirmado quando se comparam os totais mensais dos abates constantes nas notas analisadas pela fiscalização e as totalizações obtidas a partir dos mapas de abate fornecidos pelo Ministério da Agricultura (anexos 12 e 13); 56.6. Outro ponto que demonstra que a escrita contábil não registra a real movimentação da empresa é que para os anos de 2005 e 2006 ela mantém apenas um vínculo empregatício, porém registra as mais diversas despesas (combustível, material de expediente, despesas com veículos, viagens, conservação e limpeza, etc...), conforme se verifica nos razões (anexo 29). Essas despesas possuem valores consideráveis, como ocorre com combustíveis e manutenções de veículos. Pergunta se: quem dirige os utilitários? Nada a se falar em prestação de serviço (a empresa foi intimada a apresentar contratos e notas fiscais, disponibilizando apenas um ajuste para abate e afirmando que não há mais contratos). Então, como justificar as despesas mencionadas que totalizam milhões? Ela, a fiscalizada, foi intimada a justificar o fato, termo de intimação fiscal final complementar (anexo 06), porém se absteve completamente de esclarecer a inconsistência. É de se perguntar novamente: Como se justificam os dispêndios? De que forma a empresa pode estar plenamente ativa com faturamento de superior a cento e cinqüenta milhões de reais com apenas um segurado? Voltamos a insistir no fato que os contratos de prestações de serviços referemse ao abate de animais (industrialização) não englobando as demais etapas do processo produtivo da empresa, como faturamento, contabilidade, vigilância, distribuição, vendas, controles internos, etc... 56.7. Além da sonegação documental, a empresa confessa literalmente que seu movimento contábil não registra toda sua movimentação, haja vista o diálogo contido no anexo 24, citado em item anterior e) Há uma correspondência de TIÃO CONTABILIDADE, CRCGO 5043 TPA, CPF 168.656.50115, datada de novembro de 2006, anexo 24, DIRIGIDA a Ativo Alimentos de Água Azul do Norte (PA), AT. Sr. José Antônio Barboza, constando o seguinte: Meu prezado José Antônio, conforme combinamos já tenho em mãos extraídos da documentação enviada à contabilidade o levantamento fiscal, detalhado tanto das entradas quanto de saídas, da Ativo Alimentos, filial de Água Azul do Norte, correspondente ao período de setembro de 2004 a outubro de 2006. (...) (...). Outro fator que chama muito a atenção e está nessa planilha de levantamento é a disparidade existente comparando as quantias de Fl. 882DF CARF MF Processo nº 14337.000207/201077 Resolução nº 2301000.641 S2C3T1 Fl. 883 9 entradas constantes em notas fiscais série 2, de bovinos CFOP 1101 e a quantidade de bovinos enviado para ser industrializado, através das notas fiscais série 1 CFOP 5924, podemos estar na mira da Receita Estadual. Pois, é um alvo fácil e estamos sujeito em caso de fiscalização por parte do Estado, se ainda não haja nenhuma Fiscalização em Profundidade realizada pela SEFA. 57. Outro ponto destacado referese ao plano geral de contas que foi apresentado de forma sintética. A empresa foi intimada a apresentar o plano analítico, porém se absteve. 58. Desse modo, a fiscalização aferiu as salários de contribuições, considerando como bases de cálculos das contribuições previdenciárias os valores lançados na contabilidade e que não tem seus beneficiários identificados e as importâncias apropriadas como outros custos que não foram justificados documentalmente. 59. No relatório de lançamentos anexo do AIOP são discriminados todos os lançamentos considerados na apuração deste crédito, informandose os detalhes das importâncias consideradas como fatos geradores das contribuições. Conforme parágrafo 1º do artigo 6º do RICARF (Portaria MF nº 343/2015) os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo: Tratase na espécie de processos vinculados por reflexo (art. 6º, § 1º, III, RICARF), conforme disposição do § 8º do mesmo artigo: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: ... III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. ... § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Em consulta ao sítio do CARF na internet, verificamos que existem decisões exaradas nos processos principais relacionados às matérias discutidas neste processo, a seguir relacionadas: processo nº 14337.000211/201035 (Debcad nº 37.290.9434) aferição de contribuições previdenciárias incidentes sobre remuneração dos segurados (Levantamento AF) Acórdão nº 2403002.743, sessão de 07/10/2014; e processo nº 14337.000208/201011 (Deccad nº 37.2909396) aferição de contribuições previdenciárias sobre a comercialização de produção rural subrogação (Levantamento AR) Acórdão nº 2301003.718, sessão de 18/09/2013. Fl. 883DF CARF MF Processo nº 14337.000207/201077 Resolução nº 2301000.641 S2C3T1 Fl. 884 10 Ainda, que a resposta à Resolução nº 2403000.167 não foi integralmente cumprida, uma vez que a diligência solicitada no processo principal deveria ser reproduzida neste, por vinculação processual, conforme conclusão do relator à época: Assim, estando o presente vinculado ao supracitado processo 14337.000211/201035, que se retornem os autos em diligência para as mesmas providências daquele. (grifei) Também verifiquei, compulsando os autos, que os anexos citados no Relatório Fiscal não constam do presente processo, assim, ao analisar somente o processo em questão não há como se verificar a composição das bases de cálculo utilizadas nas aferições indiretas, limitando a cognição de todo o procedimento fiscal realizado. Portanto, entendo que o processo deva ser baixado em diligência para as seguintes providências: a) inclusão de todos os anexos ao relatório fiscal que não constam dos autos; b) inclusão do resultado da diligência efetuada no processo 14337.000211/2010 35; e c) inclusão do inteiro teor dos acórdãos exarados por este Conselho nos processos principais vinculados nº 14337.000211/201035 e nº 14337.000208/201011, bem como a situação em que se encontram. Após dêse ciência ao interessado. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 884DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001248/2006-19
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 GLOSA DE CUSTOS. CUSTOS INDEDUTÍVEIS. São indedutíveis os custos utilizados em duplicidade como despesas gerais, não logrando o contribuinte outrossim, comprovar os dispêndios com documentos hábeis e idôneos de acordo com as normas da legislação fiscal e comercial. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 NULIDADES. CERCEAMENTO DE DEFESA. EXAME POR AMOSTRAGEM. Não enseja nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, o exame por amostragem da escrituração e respectiva documentação que a embasou, mormente se a infração e respectivos documentos estão perfeitamente descritos e identificados no processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 1803-000.915
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 GLOSA DE CUSTOS. CUSTOS INDEDUTÍVEIS. São indedutíveis os custos utilizados em duplicidade como despesas gerais, não logrando o contribuinte outrossim, comprovar os dispêndios com documentos hábeis e idôneos de acordo com as normas da legislação fiscal e comercial. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 NULIDADES. CERCEAMENTO DE DEFESA. EXAME POR AMOSTRAGEM. Não enseja nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, o exame por amostragem da escrituração e respectiva documentação que a embasou, mormente se a infração e respectivos documentos estão perfeitamente descritos e identificados no processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. Fl. 1437DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 18471.001248/200619 Acórdão n.º 180300.915 S1TE03 Fl. 1.413 2 (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor da Silva Maizman. Relatório PINAMAK COML. DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. O presente processo trata de autos de infração lavrados pela Defic Rio de Janeiro (fls. 458/482), em que os períodos de apuração coincidiram com os quatro trimestres do ano calendário 2002. Conforme demonstrativos nas fls. 2, 465, 470, 475 e 482 o crédito tributário do processo compreende R$ 74.733,34 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ); R$ 2.759,10 de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS); R$ 31.941,01 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); e R$\6.796,55 de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), bem como multa de oficio de 75% e encargos moratórios. 1.1. O enquadramento legal é citado às fls. 459, 462 e 465 (IRPJ); 467 e 470 (PIS); 478 e 482 (CSLL); 473 e 475 (Cofins). 1.2. Na DIPJ 2003, fl. 4, houve tributação pelo lucro real e apuração trimestral do IRPJ e da CSLL. 2. As autuações de IRPJ e das contribuições foram motivadas por omissão de receita decorrente da não contabilização de depósitos bancários. 2.1. Conforme Termo de Intimação de fls. 104/105, após considerar as transferências entre contas, a fiscalização apurou um montante em depósitos bancários superior à receita bruta declarada para o anocalendário de 2002. Intimado a esclarecer a diferença, o interessado informou, fl. 106, que se tratava de transferências entre contas de mesma titularidade. Como as transferências já tinham sido descontadas, a alegação não foi aceita, sendo a diferença tributada como omissão de receita. Os demonstrativos encontramse às fls. 337/345. 3. Os lançamentos de Imposto de Renda e CSLL também de fundamentaram em glosa de custos nãocomprovados e de despesas operacionais não necessárias: Fl. 1438DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 18471.001248/200619 Acórdão n.º 180300.915 S1TE03 Fl. 1.414 3 3.1. Custos nãocomprovados. Conforme o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (TVCF), fls. 455/456, o contribuinte foi intimado a comprovar R$ 185.958,33 em custos escriturados no Livro de Entradas do ISS, fls. 229/231. O interessado apresentou documentos que registravam um valor total de R$ 177.651,65. Destes, R$ 90.105,55 não foram aceitos, pelos motivos registrados no último parágrafo da fl. 455: "alguns dos documentos apresentados não foram aceitos pela fiscalização, por diversas razões ou porque o documento apresentado é apenas um boleto bancário, sem a nota fiscal que esclareça a natureza do gasto, ou pelo fato de o documento já ter sido apresentado quando da análise das despesas operacionais, ou ainda porque o recibo apresentado não informa o serviço prestado pela pessoa física que o assina". 3.1.1. As razões de glosa foram especificadas por documento no demonstrativo de fls. 346/348. A apuração dos R$ 108.811,34, que foram considerados como custo não comprovados, encontra se nas planilhas da fl. 456. 3.2. Despesas nãonecessárias. Foram consideradas como não necessárias à operação da empresa, as despesas descritas nas fl. 452/453: despesas particulares dos sócios; despesas com refeições dos sócios; despesas de supermercado que não caracterizam compras para refeições de empregados, pelo tipo e quantidade de produtos adquiridos; despesas com veículos que não constavam do ativo permanente da empresa; despesas diversas na cidade de Teresópolis, como, por exemplo, diárias em hotel fazenda. 4. O interessado tomou ciência dos autos de infração em 06/11/2006, fls. 458, 466, 472 e 476, e, em 06/12/2006, apresentou impugnação, fls. 492/524, e documentos, fls. 525/1324, alegando, em síntese, que: 4.1. A fiscalização teve acesso, tempestivamente, a toda a documentação que o interessado anexa para fundamentar suas alegações (1° § dos itens II, III e IV da impugnação; fl. 513, 516 e 517; Anexos I, II e III, capeados pelas fls. 533, 612 e 1.128); 4.2. Sobre o procedimento de fiscalização: "A própria Sra. Auditora reconhece não ter tido tempo hábil para a análise, já que informa ter feito sua verificação por amostragem" (fl. 513)”; 4.3. Sobre as despesas consideradas não necessárias (Item II da impugnação): a) O CD para programa motivacional, do fornecedor Finac, foi adquirido por R$ 29,80, e não por R$ 2.980,00, como considerou a fiscalização (fl. 514); b) A despesa de R$ 811,11 no Hotel Fazenda Carrapeta refere se a hospedagem em eventos e reuniões que não devem acontecer na filial de Macaé (fls. 514 e 534; docs. fls. 537;538 e 545); Fl. 1439DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 18471.001248/200619 Acórdão n.º 180300.915 S1TE03 Fl. 1.415 4 c) Fornecedor De Plá: material fotográfico e revelações contendo registros de fatos necessários e/ou pertinentes à atividade da impugnante (fl. 514); d) Fornecedor Hotel Brasília: gastos com hospedagem de funcionários que , trabalham no diaadia da filial Macaé (fls. 514/515); e) Fornecedor Ad Lima: Bar em frente à empresa. Faturamento mensal de despesas de alimentação e fornecimento da água para a matriz, com relatórios comprobatórios (fl. 515); f) A quase totalidade das despesas com alimentação/refeição foram despendidas com clientes e com funcionários em trânsito. A fiscalização não admitiu a Nota Fiscal do Porção Rios referente a confraternização de fim de ano dos funcionários da matriz (fl. 515); g) Despesas com veículos pertencem à impugnante e/ou eram utilizados em suas atividades. Apresenta declarações e documentos que identificam os veículos e os postos de gasolina que emitiram Notas Fiscais em nome da impugnante. Apresenta também "Relatórios de Controle" (fl. 515/516 e docs. de fls. 602/605); h) A veículo Saveiro, placa LBG 2632, pertencente à impugnante, tem multas que totalizam R$ 1.254,34, e foi classificado como "não identificado" pela fiscalização (516 e docs. de fls. 606/611); 4.4. Sobre os custo que a fiscalização considerou como não comprovados (Item III da impugnação): a) Está anexando (Anexo II, fl. 612/1.127) toda a documentação que foi, apresentada à fiscalização, e que comprovam totalmente os custos. A documentação inclui planilhas e contratos de prestação de serviços, nos quais resta claro que tudo tem a ver com a atividade fim da impugnante; b) A planilha, fls. 613/615, baseiase no demonstrativo de custos não comprovados, fls. 346/348. Os documentos apresentados como comprovantes de custos incorridos em janeiro de 2002 encontramse nas fls. 702/705; os de fevereiro, nas fls. 706/715; e assim por diante até os de dezembro, que estão nas fls. 865/876. Há também copias de contratos de prestação de serviços; 4.5. Sobre os depósitos bancários (Item IV da impugnação, fls. 517/518, e Anexo III, fls. 1.128/1.313): “após análise minuciosa dos anexos constantes do Auto de Infração do IRPJ que ora estamos a defender, cruzando todos os depósitos bancários, assim como outros lançamentos, os quais, ver observações que fizemos em ‘vermelho’, apresentam valores divergentes aos constantes nos correspondentes extratos bancários. Fl. 1440DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 18471.001248/200619 Acórdão n.º 180300.915 S1TE03 Fl. 1.416 5 E, é claro, para comprovar estamos apresentando (.) PLANILHA que elaboramos e, ainda, apresentando, Caso a caso, todos os extratos e/ou comprovantes bancários pertinentes (VER ANEXO III)" (fls. 517/518); 4.5.1. O interessado apresenta, no Anexo III, fl. 1.129, uma planilha em que sintetiza quais correções devem ser feitas. 4.6. Dos pedidos (Item VII da impugnação) a) Pede o deferimento da impugnação, julgandose como improcedente, na totalidade o auto de infração; b) Pede ainda que seja declarada a nulidade e improcedência de todas as verificações fiscais contidas no Auto de Infração (fl. 523). 5. Em 08/10/2008, o julgamento foi convertido em diligência para que fosse juntado aos autos o demonstrativo das despesas operacionais glosadas, em que constassem valor, data e descrição (fl. 1.350). Tal diligência se fez necessária porque não foi localizado o demonstrativo mencionado no último parágrafo da fl. 453. 5.1. Intimado, fl. 1.352, o interessado apresentou os demonstrativos de fls. 1.362/1.380. 5.2. No relatório da fl. 1.381, consta a informação de que os demonstrativos de "despesas objeto de glosa" e das "despesas que a fiscalização classificou como não necessária encontramse às fls. 1.362/1.370 e 1.370/1.380 respectivamente. A DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, através do acórdão 1223.762, de 16 de abril de 2009 (fls. 1.383/1.390), julgou parcialmente procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. VICIO DE MOTIVO. DIVERGÊNCIA ENTRE MOTIVO DE FATO.E DE DIREITO. CUSTOS OU DESPESAS NÃO NECESSÁRIOS ENQUADRADOS COMO NÃO COMPROVADOS. É improcedente a parcela do lançamento para a qual há divergência entre o motivo de fato e o de direito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DESPESAS NÃONECESSÁRIAS. Exonerase o interessado, quando a fiscalização não apresenta demonstrativo individualizado das despesas glosadas. Fl. 1441DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 18471.001248/200619 Acórdão n.º 180300.915 S1TE03 Fl. 1.417 6 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. DIFERENÇA ENTRE O TOTAL DOS DEPÓSITOS E A RECEITA BRUTA DECLARADA. Por falta de previsão legal, exonerase o interessado que, sem ter sido intimado a comprovar a origem dos depósitos, foi autuado por omissão de receita com base na diferença entre o total dos depósitos bancários e a receita bruta declarada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 DESPESAS NÃONECESSÁRIAS. Exonerase o interessado, quando a fiscalização não apresenta demonstrativo individualizado das despesas glosadas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2002 LANÇAMENTOS REFLEXOS DE CSLL, PIS E COFINS. Pela relação de causa e efeito, os lançamentos reflexos de CSLL, PIS e Cofins devem receber o mesmo tratamento dispensado ao de IRPJ. Ciente da decisão em 03/06/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 1.395.v), apresentou o recurso voluntário em 01/07/2009 fls. 1.396/1.408, onde pugna que o lançamento deve ser cancelado por cerceamento de defesa considerando que o procedimento fiscal foi realizado por amostragem. É o relatório. Fl. 1442DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 18471.001248/200619 Acórdão n.º 180300.915 S1TE03 Fl. 1.418 7 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de autos de infração IRPJ e CSLL contendo crédito tributário remanescente de lançamento de ofício relativo aos 4 (quatro) trimestres do ano calendário 2002, tendo sido mantida pela decisão de primeira instância exclusivamente a matéria relativa a glosa de custos indedutíveis. Alega a recorrente em síntese: a) Que deve ser integralmente cancelada a exigência remanescente em virtude do notório cerceamento de defesa tendo em vista que o procedimento fiscal foi realizado por amostragem; b) Que “em virtude da análise por amostragem, impossibilitada ficou a Recorrente de comprovar, ou mesmo tirar as supostas dúvidas, havidas por parte da fiscalização em relação aos recolhimentos tributários e os gastos e despesas contabilizadas”. Não assiste razão à interessada. Com efeito, conforme se observa da bem lançada decisão de primeira instância (fls. 1.383/1.390), foram afastadas as matérias tributárias relativas a omissão de receitas por depósitos bancários e despesas não necessárias, face as notórias incompatibilidades de método e fundamentação legal. Permaneceu apenas a matéria relativa aos custos indedutíveis e mesmo com relação a esta, aperfeiçoou a primeira instância o lançamento, afastando as parcelas relativas a deficiente e incompatível fundamentação legal. Tenho que a utilização do método por amostragem para o exame da escrituração contábil e da documentação é ferramenta utilizada em todos os trabalhos de auditoria fiscal e contábil, não havendo nenhum óbice na sua utilização por parte da fiscalização. Constatase outrossim, que a infração relativa aos custos indedutíveis foi devidamente descrita no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 455/457), tendo os documentos glosados constado de forma detalhada na planilha às fls. 346/348, juntamente com os motivos de sua recusa para justificar adequadamente os custos computados para redução do lucro líquido do ano calendário 2002. Verificase de plano que grande parte dos documentos recusados o foram por terem sido computados em duplicidade – uma como despesa (apresentados à fiscalização) e outra como custo – sem qualquer razão ou justificativa. Fl. 1443DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 18471.001248/200619 Acórdão n.º 180300.915 S1TE03 Fl. 1.419 8 Os demais documentos recusados tem como principal razão a falta de descrição da natureza do serviço prestado (tratase de prestação de serviços prestados por pessoas físicas), impedindo a análise da sua necessidade, usualidade e normalidade para as operações da empresa. Tenho que o precário estado da escrituração contábil informado pela autoridade fiscal que realizou o procedimento fiscal, contribuiu sobremaneira para as dificuldades a que alude a recorrente mas que não justificam a cômoda alegação de cerceamento de defesa. Não procurou a recorrente apresentar qualquer justificativa ou contestação à acusação formulada pela fiscalização, seja em relação a utilização em duplicidade dos dispêndios seja em relação aos documentos que não evidenciam corretamente a natureza da operação e sua necessidade e normalidade para as atividades da recorrente. Sendo assim, se há alguma causa para a deficiente defesa apresentada no recurso voluntário esta não pode ser imputada ao método adotado pela fiscalização para a realização da auditoria contábil e fiscal. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 1444DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000060/2007-64
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/12/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não há no julgado omissão, contradição o u obscuridade a ser sanada nos termos do art. 65 do RICARF.
Numero da decisão: 1803-001.165
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Rejeitamse os embargos de declaração quando não há no julgado omissão, contradição ou obscuridade a ser sanada nos termos do art. 65 do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Tratase de embargos de declaração formulados pela contribuinte (fls. 130/135), apontando ter havido obscuridade no voto condutor contido no Acórdão 180300938 (fls. 118/123), de 28/06/2011, desta turma de julgamento. Sustenta a embargante que: “ Que o acórdão reconheceu como correta a alíquota aplicada no auto de infração de 12% enquanto o art. 19 da Lei nº 9.249/95 determina que a alíquota da CSLL é de 8% acrescida de mais um por cento.” O acórdão recorrido encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2002 BASE DE CÁLCULO. LUCRO PRESUMIDO. Conforme disposição expressa do art. 20 da Lei nº 9.249/95, o coeficiente de presunção para apuração da base de cálculo da CSLL é de 12% da receita bruta, exceto para as empresas prestadoras de serviços referidas no inciso III do § 1o do art. 15 do mesmo diploma legal, cujo percentual corresponde a 32%. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2002 ESPONTANEIDADE. EXCLUSÃO. DCTF RETIFICADORA. Conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 33, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme dispõe a Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000060/200764 Acórdão n.º 1803001.165 S1TE03 Fl. 140 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch Os embargos são tempestivos e preenchem os demais requisitos legais para sua admissibilidade, deles conheço. Sustenta a embargante ter havido obscuridade no acórdão quando afirma que a alíquota que deve ser aplicada é de 12% enquanto o disposto no art. 19 da Lei nº 9.249/95 preconiza a alíquota de 8%. Analisando os autos, constato que não assiste razão à embargante pelos seguintes motivos: a) O acórdão embargado consignou que a alíquota para apuração da base de cálculo da CSLL no ano calendário é de 12% conforme determina o art. 20 da Lei nº 9.249/95; b) A embargante confunde obviamente a alíquota para apuração da base de cálculo presumida da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido com a alíquota para apuração da CSLL que efetivamente no período objeto do lançamento é de 9% (nove por cento). Como o acórdão aplicou corretamente a norma aplicável e havendo evidente equívoco de entendimento por parte da embargante que confunde a alíquota para apuração da base de cálculo com a alíquota para apuração da contribuição, não ocorre qualquer obscuridade no acórdão objeto dos embargos. Ante o exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10783.916028/2009-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.896
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão.
(Assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 60 28 /2 00 9- 09 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10783.916028/200909 Acórdão n.º 3402003.896 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de compensação declarada em PER/DCOMP apresentada pelo contribuinte, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, a título de COFINS, atinente ao período de apuração indicado na folha de rosto do acórdão. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, negouse homologação à compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente pela DRJ sob os seguintes fundamentos: i) o contribuinte não indicou como apurou o crédito que alega possuir e indicado na Declaração de Compensação e ii) o contribuinte não juntou quaisquer provas do referido crédito. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual alega inauguralmente que a questão não necessitaria de produção de provas, por se tratar de incidência de COFINS sobre receitas financeiras, declarada inconstitucional pelo STF no RE nº 346.084. Ao final, solicita a realização de diligência. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.885, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10783.914970/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.885): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Despacho Decisório contestado nesse processo administrativo teve sua homologação negada sob fundamento do crédito alegado ter sido utilizado integralmente para quitar débitos da pessoa jurídica. Desde o início, o contribuinte não juntou qualquer documentação fiscal ou contábil que permita determinar o valor do crédito ou pelo menos um mínimo lastro probatório de sua existência. Menos ainda, sequer articulou argumento que sustentasse as razões para a Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10783.916028/200909 Acórdão n.º 3402003.896 S3C4T2 Fl. 4 3 manutenção do crédito pretendido, limitandose a afirmar a sua existência. O Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, é expresso no sentido de que o contribuinte deve trazer ao litígio todos os motivos de contrariedade, acompanhados dos elementos probatórios que fundamentem suas alegações. Senão vejamos: Art. 15 A impugnação, formalizado por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30(trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(inciso III com redação determinada pela Lei 8. 748/1993) §4. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razoes posteriormente trazidos aos autos. Como precisamente apontado na decisão a quo, aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Tampouco se vislumbra nos autos quaisquer das exceções previstas no art. 16, §4º do Decreto 70.235/72. Assim, operouse a preclusão acerca do direito do contribuinte de produzir quaisquer provas do seu crédito, o que nos permite seguramente corroborar as conclusões alcançadas pela DRJ. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte traz uma reconstrução da discussão que culminou na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718, para afirmar que o crédito se refere a receitas financeiras que compuseram a base de cálculo, o que causou o pagamento indevido das contribuições sociais. Quanto a este argumento, além de encontrar óbice no art. 17 do Decreto 70.235/72 (Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.), não foi corroborado por qualquer prova nos autos, sequer existindo algum indício disto. Tratase de uma afirmação tão vazia quanto à afirmação do crédito na Manifestação de Inconformidade, não merecendo qualquer guarida deste Colegiado. Por fim, alega o Recorrente: Concluindo, o recolhimento a maior de parte do darf de RS 25.045,85 é decorrente do alargamento da base de cálculo do COFINS (código de receita 2172), a qual deu fundamento para a Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10783.916028/200909 Acórdão n.º 3402003.896 S3C4T2 Fl. 5 4 compensação ora não homologada, o que poderá ser comprovado por mera diligência fiscal. O autor simplesmente alega a necessidade de uma diligência fiscal, mas sem atender aos requisitos do art. 14, IV do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. A despeito da falha do Recorrente em indicar os elementos necessários para a solicitação de uma diligência, ainda assim o Colegiado poderia propor a conversão do julgamento em diligência se entender necessária, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Todavia, a diligência não tem a função de, atuando em lugar do Contribuinte, atender a um ônus probatório que não foi observado por este, mas sim esclarecer fatos que foram aventados no processo. Desse modo, nego o pedido de diligência. Conclusão Forte no exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 64DF CARF MF
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