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Numero do processo: 16004.720525/2013-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
Constatada a ocorrência de dolo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, vincula-se à regra do art. 173, I do CTN, extinguindose em 05 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
SOLIDARIEDADE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ADMINISTRADORES DE FATO. INFRAÇÃO À LEI.
Os administradores de fato são solidariamente obrigados com relação aos créditos tributários lançados no caso de restar demonstrada, por parte daqueles, ação ou omissão, relacionada aos fatos que deram azo à infração à lei.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Incabível a arguição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazê-lo, e em consonância com a legislação vigente, de tal forma que permitiu à contribuinte impugná-lo em sua inteireza demonstrando conhecer plenamente a matéria que lhe deu causa.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO.
Configura-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a contabilização dos recursos utilizados nestas operações.
SONEGAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA.
Verificado pelo agente fiscal que o contribuinte incorreu em conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, visto que não informou, durante todo período fiscalizado, receitas operacionais em sua contabilidade, inclusive com o tráfego destes numerários por contas bancárias de seus administradores de fato, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada conforme previsto em lei.
AUTOS DECORRENTES CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO.
Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes.
Numero da decisão: 1402-003.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários do contribuinte e dos sujeitos passivos solidários, mantendo as infrações e a responsabilização.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 Constatada a ocorrência de dolo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, vincula-se à regra do art. 173, I do CTN, extinguindose em 05 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SOLIDARIEDADE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ADMINISTRADORES DE FATO. INFRAÇÃO À LEI. Os administradores de fato são solidariamente obrigados com relação aos créditos tributários lançados no caso de restar demonstrada, por parte daqueles, ação ou omissão, relacionada aos fatos que deram azo à infração à lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a arguição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazê-lo, e em consonância com a legislação vigente, de tal forma que permitiu à contribuinte impugná-lo em sua inteireza demonstrando conhecer plenamente a matéria que lhe deu causa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Configura-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a contabilização dos recursos utilizados nestas operações. SONEGAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Verificado pelo agente fiscal que o contribuinte incorreu em conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, visto que não informou, durante todo período fiscalizado, receitas operacionais em sua contabilidade, inclusive com o tráfego destes numerários por contas bancárias de seus administradores de fato, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada conforme previsto em lei. AUTOS DECORRENTES CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 Constatada a ocorrência de dolo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, vinculase à regra do art. 173, I do CTN, extinguindose em 05 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SOLIDARIEDADE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ADMINISTRADORES DE FATO. INFRAÇÃO À LEI. Os administradores de fato são solidariamente obrigados com relação aos créditos tributários lançados no caso de restar demonstrada, por parte daqueles, ação ou omissão, relacionada aos fatos que deram azo à infração à lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a arguição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo, e em consonância com a legislação vigente, de tal forma que permitiu à contribuinte impugnálo em sua inteireza demonstrando conhecer plenamente a matéria que lhe deu causa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Configurase omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a contabilização dos recursos utilizados nestas operações. SONEGAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Verificado pelo agente fiscal que o contribuinte incorreu em conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 05 25 /2 01 3- 98 Fl. 4565DF CARF MF 2 tributária principal, visto que não informou, durante todo período fiscalizado, receitas operacionais em sua contabilidade, inclusive com o tráfego destes numerários por contas bancárias de seus administradores de fato, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada conforme previsto em lei. AUTOS DECORRENTES CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários do contribuinte e dos sujeitos passivos solidários, mantendo as infrações e a responsabilização. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Fl. 4566DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador que por unanimidade julgou pela improcedência da Impugnação, para rejeitar a preliminar de decadência e a alegação de nulidade, e, no mérito, manter as totalidades do IRPJ, da CSLL, da COFINS, do PIS, com os acréscimos legais correspondentes inclusive a multa qualificada de 150%, mantendo a responsabilidade solidária para os srs. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues. Ante ao minucioso relatório empreendido pela DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: O presente processo trata dos autos de infração, de fls. 3887 a 3939, relativos ao Termo de verificação fiscal, de fls. 3490 a 4039, lavrados em 14/10/2013, que tiveram como fundamentos, principalmente: a omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada, sendo que os lucros tributáveis nos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010 foram apurados pela sistemática do lucro real anual segundo DIPJ de fls. 4415 a 4429. Tais lançamentos tributários foram lavrados nos seguintes montantes: IRPJ (R$ 1.673.275,22), CSLL (R$ 628.299,08), COFINS (R$ 530.563,66) e PIS (R$ 115.188,18), os quais perfazem um montante em valores originais de R$ 2.947.326,14, sendo que tal valor acrescido de juros de mora e multas qualificadas de 150%, resultam em um montante de R$ 8.435.544,21. Para o entendimento dos motivos que ensejaram os lançamentos supracitados, será transcrito abaixo, parcialmente, o já citado Termo de Verificação Fiscal, como segue: No curso do procedimento fiscal objeto do MPFF n° 08.1.07.00201015984, referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica nos Anoscalendário 2008, 2009 e 2010, junto ao contribuinte Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, constatamos o que segue descrito. Em decorrência da ação fiscal acima citada, foi também instaurado procedimento fiscal objeto do MPFF n° 08.1.07.002011013357, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física nos Anoscalendário 2008, 2009 e 2010 junto ao contribuinte Florindo Miguel Cajuela Rodrigues, portador do CPF nº. 824.792.24872, que no referido período atuava como Administrador junto a Impugnante, com poderes outorgados através de procurações, requisitadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil junto ao Primeiro Cartório de Notas de Protestos de Letras e Títulos da Comarca de VotuporangaSP, pelo qual aquele intimado e reintimado a apresentar os extratos bancários de contas correntes e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança e de TODAS as contas mantidas por ele e seus dependentes, existentes em bancos no Brasil e no exterior, relativas ao período de 01/01/2008 à 31/12/2010. No dia 25112011, apresentou os extratos solicitados os quais correspondem aos bancos: Banco do Brasil, Santander, HSBC, Bradesco e Sicoob. Foi feita a exclusão dos valores de depósitos/créditos decorrentes de outras contas do próprio fiscalizado, referentes a resgates de aplicações financeiras, transferências e estornos. No dia 25/06/2012, lavramos o TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL, do qual o contribuinte foi cientificado de forma pessoal, em 28/06/2012, para que comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos depósitos, de forma individualizada, conforme o referido Termo de Intimação Fiscal, no tocante aos recursos que ingressaram Fl. 4567DF CARF MF 4 nas contas bancárias de sua titularidade, relativos ao período de apuração de 2008 a 2010. No dia 28/06/2012, através do Termo de Devolução de Documentos nº. 1, procedemos à devolução dos extratos fornecidos pelo contribuinte, o qual tomou ciência de forma pessoal. Nos dias 18/09/2012 e 22/01/2013 o intimado apresentou justificativa, referenciando quanto a depósitos de cheques administrativos, cheques devolvidos, resgates de aplicações, empréstimos, doações, transferências e outros, bem como a existência de inúmeros lançamentos a crédito que são rendimentos das várias atividades do contribuinte, como atividade médica, empresarial, pecuarista, trabalho assalariado, locação de imóveis entre outras. Por fim, informa que os créditos que porventura não se enquadram nas condições descritas não se constituem em rendimentos do contribuinte. Em análise da documentação apresentada pelo contribuinte, foram excluídos os depósitos/créditos decorrentes de outras contas do fiscalizado, referentes a resgates de aplicações financeiras, transferências, estornos, cheques administrativos e distribuição de lucros e os decorrentes das várias atividades do contribuinte. Após compilação das informações, verificamos que restavam créditos cujas origens ainda não haviam sido comprovadas, motivo pelo qual lavramos, em 15/07/2013, o Termo de Intimação Fiscal, do qual o contribuinte tomou ciência em 18072013, dando oportunidade para o contribuinte informar se os créditos cujas origens ainda não haviam sido comprovadas pertencem a terceiros, em caso positivo informar o nome completo, CPF/CNPJ e qual o fato jurídico que ensejou a circulação de tais valores em suas contas correntes. Em caso negativo, explicar o paradoxo ou a incoerência. Da análise de todos os documentos/esclarecimentos apresentados, concluímos que os créditos relacionados não tiveram suas origens comprovadas, vez que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos destas operações. Conforme consta no histórico dos respectivos extratos, os créditos são identificados constando o nome de seus remetentes. Também foi instaurado procedimento fiscal, objeto do MPFF n° 08.1.07.00 2011013322, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física nos Anos calendário 2008, 2009 e 2010, junto ao contribuinte José Antonio Cajuela Rodrigues, portador do CPF nº. 452.585.89820, que para o referido período atuava como Administrador junto à empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, com poderes outorgados através de procurações (doc. Fls.67 à 82.) pelo o qual aquele intimado e reintimado a apresentar os extratos bancários de contas correntes e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança e de TODAS as contas mantidas por ele e seus dependentes, existentes em bancos no Brasil e no exterior, relativas ao período de 01/01/2008 à 31/12/2010. Ocorreram, em termos de intimações e justificativas, eventos e procedimentos semelhantes aos que ocorreram no caso do Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues, exceto no relativo aos extratos solicitados à este dos Bancos Bradesco S.A e HSBC. Tendo estes eventos a mesma conseqüência no PAF, ou seja, “Da análise de todos os documentos/esclarecimentos apresentados, concluímos que os créditos relacionados não tiveram suas origens comprovadas, vez que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos destas operações.”; e “Conforme consta no histórico dos respectivos extratos, os créditos são identificados constando o nome de seus remetentes.”. A Fiscalização analisou que a escrituração contábil da Impugnante e constatou que os nomes dos remetentes dos créditos nas contas bancárias dos dois Fl. 4568DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.113 5 procuradores supracitados correspondem a nomes dos clientes (pessoas físicas ou jurídicas) da Impugnante, listados a seguir: Fl. 4569DF CARF MF 6 Através de Mandados de Procedimento FiscalDiligência, foram diligenciados diversos desses remetentes, os quais foram intimados a informar com relação a tais remessas, o motivo/fato jurídico que justificou as transferências de créditos para os mesmos, bem como anexar documentos que comprovem os fatos. Os intimados informaram que referidos créditos correspondem a quitações de transações comerciais realizadas com a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda. CONCLUSÃO Face a todo o exposto, conclusivamente e de forma inequívoca, constatase que os administradores da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues, movimentaram em contas bancárias de sua titularidade, valores financeiros Fl. 4570DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.114 7 decorrentes de transações comerciais realizadas pela pessoa jurídica no desenvolvimento de sua atividade econômica, o que caracteriza omissão de receitas da empresa, em consonância com o artigo 42, parágrafos 1.º, 3.°, inc. I, e § 5.º, da lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A base de cálculo para a elaboração do Auto de Infração foi apurada tomandose por base os valores mensais creditados em contas bancárias do Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues, conforme já mencionado oriundos de transações comerciais realizadas entre os remetentes dos referidos créditos com a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, constantes nos demonstrativos extraídos dos extratos bancários apresentados. Da aplicação aplicação da multa de ofício Em decorrência dos fatos constatados, elevamos a multa de oficio para 150%, incidente sobre os valores devidos, em cumprimento ao que determina o parágrafo 1.° do artigo 44 da Lei n.9.430, de 1996, por restar configurado que a empresa fiscalizada agiu com o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da Autoridade Fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, mediante os atos praticados por seus dirigentes, visando como resultado o não pagamento de tributos incidentes sobre as receitas omitidas. Da sujeição passiva solidária No curso da ação fiscal levada a efeito junto aos contribuintes EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS RODRIGUES LTDA, FLORINDO MIGUEL CAJUELA RODRIGUES e JOSÉ ANTONIO CAJUELA RODRIGUES, constatamos que restou caracterizada a condição de sujeição passiva solidária das pessoas físicas acima especificadas, Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues, com base nos artigos 124, inciso I, e 135 da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional CTN, ficando os referidos sujeitos passivos responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias a serem apuradas junto à empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, conforme passamos a demonstrar. O inciso I, do art. 124, do CTN, prevê a responsabilidade solidária para pessoas físicas ou jurídicas que tenham interesse comum nas situações e fatos que derem azo a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária. Maria Helena Diniz, em seu Dicionário Jurídico, 2a Ed., Editora Saraiva, assim define solidariedade: SOLIDARIEDADE. 1. Na linguagem jurídica em geral: a) qualidade de solidário; b) estado em que duas ou mais pessoas assumem igualmente as responsabilidades de uma empresa ou negócio, obrigandose todas por uma ou uma por todas; c) mutualidade de interesses; d) por inteiro; e) dependência recíproca. 2. Sociologia geral, a) condição grupal que resulta na comunhão de atitudes, fazendo com que o grupo seja sólido e resistente às forças exteriores; b) dever moral de assistência entre os membros de uma mesma sociedade, enquanto considerados com um todo. Os referidos conceitos, "todas por uma ou uma por todas", "mutualidade de interesses", "ligação mútua", "comunhão de atitudes", se aplicam perfeitamente aos administradores na condução dos negócios da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, pois os mesmos se beneficiaram diretamente pelos valores dos créditos realizados em contas bancárias de suas titularidades, créditos esses remetidos por clientes da pessoa jurídica, além de visar driblar o Fisco, com propósito de ocultar informações, utilizando suas contas bancárias para movimentar receitas da pessoa jurídica que administram, qual seja, Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, realizando conjuntamente a situação a dissimular a ocorrência do fato gerador, Fl. 4571DF CARF MF 8 visando como resultado o não pagamento de tributos incidentes sobre as receitas omitidas. Rubens Gomes de Souza (Compêndio de Legislação Tributária, Edições Financeiras, 3a Edição) ensina que é solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação. E a pessoa que tira uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributário. Ou seja, a já narrada conduta dos administradores Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues pela qual utilizaram suas contas bancárias como forma de encobrir fatos geradores realizados pela pessoa jurídica caracteriza o interesse comum. A Fiscalização enquadrou as pessoas naturais supracitadas como responsáveis solidárias por serem representantes da Impugnante e por terem praticado atos em infração a Lei, como determinam o caput e o inciso III, do art. 135, do CTN. Quanto à natureza da responsabilidade do administrador, o Código Civil, no artigo 1016, a seguir transcrito preconiza: Artigo 1016. Os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções. No entendimento dos tribunais, a lei citada no art. 135 do CTN (responsabilidade pessoal pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei) poderá ser civil, comercial ou tributária. A lei referida é todo e qualquer enunciado prescritivo relacionado ao funcionamento e desenvolvimento das atividades da pessoa jurídica. Nesse contexto, notase que os administradores, responsáveis pelos negócios da pessoa jurídica, permitiram a prática de atos com infração de lei tributária, visto que não há dúvidas de que o Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e o Sr. José Antonio Cajuela Rodrigues, administradores da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, infringiram dispositivos legais, pois permitiram e movimentaram recursos financeiros pertencentes à pessoa jurídica que administram, em suas contas bancárias, revelando evidente intenção de acobertar as operações daquela pessoa jurídica, visando o beneficio tributário pelo não pagamento de tributos a cargo da empresa, incidentes sobre receitas. Ou seja, os administradores Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues utilizamse de suas contas bancárias para movimentar recursos financeiros pertencentes à empresa por eles administrada, como forma de encobrir fatos geradores por ela realizados, impedindo ou dificultando, assim, que a Fazenda Pública lhe exija a obrigação tributária. Ante todo o exposto, inferese responsabilidade solidária e pessoal pelos créditos tributários abaixo discriminados, no tocante aos administradores Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela, com fundamento no art. 124, inciso I, combinado com o art. 135, inciso III, ambos do Código Tributário Nacional. A contribuinte tomou ciência dos autos de infração em 28/10/2013 (fl. 4294) e apresentou impugnação, de fls. 4355 a 4382, em 25/11/2013, alegando, em síntese, que: 1) Da Nulidade por Quebra do sigilo fiscal e bancário O Fisco promoveu a "quebra" do sigilo de dados bancários do Sr. José Antonio Cajuela Rodrigues e do Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues, perante o Banco HSBC, sendo que estes foram denominados, incorretamente, de administradores da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, durante toda a fiscalização. Fl. 4572DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.115 9 Isso não é verdade, a administração até 2010 cabia exclusivamente ao Sr. José Rodrigues. Somente a partir de 2011, com o óbito do Sr. José é que referidos senhores passaram a fazer parte da administração da empresa. Conforme afirma o próprio Auditor, através de Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira, foi solicitado ao Banco HSBC a apresentação de relatório referente às individualizações dos recebimentos de cobranças creditadas a favor dos cedentes José Antonio e Florindo Miguel. O Banco apresentou os documentos requeridos, anexados sob fls. 630 a 1061, 1252 a 1363 e 1375 a 1486. Ocorre que não consta do presente processo que a Impugnante ou os Sr. José Antônio e Florindo Miguel tenham autorizado a autoridade fiscal a requisitar e tampouco analisar informações intrínsecas às suas operações bancárias, e tampouco existe nos autos autorização de qualquer ordem, mormente do Poder Judiciário, determinando ou autorizando a análise de dados relacionados à movimentação bancária dos contribuintes. Ressaltese que sequer encontrase nos autos a dita Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira, o que, por si só, implica na nulidade do procedimento de fiscalização. É o que se pede. Considerando que dados da movimentação financeira dos anos de 2008 a 2010, foram descortinados sem autorização judicial, toda a atividade fiscalizatória restou contaminada. De tal sorte, está contaminada a validade do procedimento fiscal, uma vez fundado em prova absolutamente ilícita. Vale dizer: a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira deve ser expedida pela autoridade competente, em regular processo administrativo, depois de o contribuinte ter sido intimado a prestar tais formações, sem que o tenha feito por justa razão, e, deverá estar baseada em relatório circunstanciado elaborado pelo Auditorfiscal ou por seu chefe imediato, com a explicitação, "com clareza e precisão", da monção. A inobservância de todas essas exigências que são cumulativas a nulidade da RMF. A Impugnante ainda afirma que é de observar que não foi anexada a escrituração contábil e nem as cópias das declarações no processo, falta que por si só implica em nulidade dos trabalhos fiscais. É o que se pede. Por conseguinte, são NULOS os Autos de Infração ora impugnados, e assim devem ser declarados. 2) Da decadência A exigência fiscal compreende os fatos geradores de janeiro a setembro do anocalendário de 2008, dos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Com relação a tais fatos geradores, todavia, o fisco não mais poderia formular a exigência do suposto crédito tributário, vez que foram atingidos pela decadência, estatuída no Código Tributário Nacional. Afirma que teria ocorrido a decadência no período supracitado, visto que a regra a ser seguida é a estatuída pelo § 4º, do art. 150, do CTN, ou seja, o prazo decadencial tem como termo inicial a ocorrência do fato gerador. E para que o lançamento fiscal seja válido, deve ser finalizado antes do decurso do prazo de cinco anos. Assim não procedendo, o ato do contribuinte que determinou a matéria tributável e calculou o montante do tributo devido é tacitamente homologado. E ocorrendo a homologação tácita nos termos do dispositivo supra, é defeso ao fisco exigir quaisquer diferenças. Afirma, ainda, que a Fiscalização desconsiderou, erroneamente, tal decadência, visto que considerou que a Contribuinte agiu com o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento por parte da Autoridade Fazendária do fato gerador da obrigação principal, considerando, desta forma, que o prazo decadencial seria deslocado para o primeiro dia do exercício Fl. 4573DF CARF MF 10 seguinte àquele que em que o lançamento poderia ser efetuado, conforme propala o inciso I, art. 173, do CTN. 3) Do mérito 3.1) A fiscalização, ao levantar suspeita sobre operações de crédito nos Bancos Bradesco e HSBC, adotou o critério de confronto entre informações prestadas por clientes adquirentes de produtos da Impugnante e valores transferidos a crédito da conta bancária dos Srs. José Antonio e Florindo. Entendeu que todos os créditos constantes das planilhas de fls. 4011 são oriundos de omissão de receitas, conforme descrito no item 10 do Termo de Verificação e Constatação. É inegável que o procedimento do AuditorFiscal não condiz com a verdade. Primeiro que diligenciou sobre quantidade ínfima de clientes da empresa, tanto que do item 7 do Termo de Verificação, às fls. 3998, afirma que "através de MPF Diligência foram intimadas diversas dessas pessoas jurídicas". Logo, dentro do universo de clientes, as tais diversas pessoas jurídicas representam um dado insignificante. Mas, partindo do confronto com esse pequeno grupo de clientes, o Fisco generalizou que a suposta irregularidade se aplica a todos os créditos identificados nas planilhas de fls. 4011/4033, como se originado dos demais clientes. O que é um absurdo. Isso não coaduna e afronta o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, que define o lançamento como "o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. Além do mais, considerando que o parágrafo único do referido artigo estabelece que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional', obviamente que a "verdade material" há de ser objeto de prova inequívoca a ser produzida pela autoridade administrativa, a quem a Constituição Federal e o CTN atribuem a função de aplicar a lei tributária. Portanto, cabe à fiscalização comprovar caso a caso (o ônus da prova é do auditor), e não por amostragem, que os créditos listados das contas dos Sr. José Antonio e Florindo, tiveram origem em operações comerciais da empresa; e que todos eles não por amostragem pelos registros fiscais e contábeis da fiscalizada. Está claro que o AuditorFiscal assim não fez, pois não demonstrou que todos os créditos naquelas contas são de operações realizadas pela empresa. Até por que, em resposta à intimação do Fisco, a fiscalizada respondeu que créditos oriundos de sua relação comercial com clientes diligenciados, citados no Termo de Intimação, foram remetidos por estes à conta do José Antonio e do Florindo; e que se tratava de entrada e ou sinal de pedidos de compra, sendo as respectivas notas fiscais emitidas na entrega efetiva dos produtos; assim os valores creditados estariam contidos nas respectivas notas fiscais emitidas pela empresa. Ressaltese que a resposta da empresa não se referiu a todos os créditos apontados nas planilhas de fls. 4011/4033, mas tão somente com relação aos clientes diligenciados, citados no Termo de Ciência e Intimação Fiscal, pelo nobre Auditor. Em suma, a fiscalização não trouxe aos autos, prova segura e incontestável de que todos os créditos daquelas contas são de operações realizadas pela empresa, e que não passaram pela sua contabilidade. Ademais, é ilegal considerar que créditos bancários constituemse em sinônimo de renda, contrariamente ao disposto no CTN (Lei 5.172/66), art. 43, e incisos. Movimentação bancária não caracteriza receita auferida, pois em princípio registra valores patrimoniais ativos, sem qualquer influência na apuração do resultado. Fl. 4574DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.116 11 Logo, a presunção de renda estabelecida por uma lei ordinária não pode afetar o conceito de renda delimitado por outra norma que têm força de lei complementar, no caso o Código Tributário Nacional, o que afrontaria, inclusive, a expressa determinação de seu artigo 110. 3.2) Da multa agravada no percentual de 150% Pelo que consta dos autos do processo, verificase que a fiscalizada não ocultou coisa alguma do conhecimento da fiscalização. Tanto que apresentou os livros Diários e Razões, Notas Fiscais de Saídas, formulando as respostas e apresentando farta documentação. Atendeu a tudo que foi solicitado pelas autoridades fiscais, nada omitindo, pelo contrário, sempre operou no sentido de facilitar o desenvolvimento dos trabalhos fiscais. Além disso, omissão de receita decorrente de declarações inexatas, que sequer foram anexadas ao processo, não caracteriza o intuito de fraude requerido pela legislação. Enquanto se baseada em créditos ou depósitos bancários como se de origem não comprovada, é configurada sob o prisma da presunção legal. Ocorre que a aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, fato este não comprovado pela fiscalização. 4) Do pedido Em face do acima exposto, as autuações aqui contestadas não têm procedência nem amparo legal, razão pela qual requer o acolhimento da presente Impugnação e que seja julgado improcedente o lançamento e extinto o crédito tributário em constituição. E se assim não for, que seja desqualificada a multa agravada e acolhida a decadência arguida, conforme plenamente justificado na presente impugnação. Os Srs. José Antonio Cajuela Rodrigues e Florindo Miguel Cajuela Rodrigues tomaram ciência dos autos de infração em 28/10/2013 (fl. 4303 e 4304) e apresentaram impugnações, de fls. 4308 a 4329, e 4330 a 4352, em 22/11/2013, alegando, em síntese, que: 5) Verificase, pelo próprio contexto transcrito acima, que o senhor auditor fiscal não aponta no "Termo de Sujeição Passiva" quais os fatos que embasaram/motivaram a imputação de responsabilidade solidária ao impugnante. O referido Termo carece de fundamentação, sendo esta, imprescindível a todos os atos da Administração Pública, cuja falta caracteriza afronta aos princípios da Constitucional Federal. Sendo assim, a anulação dos atos praticados sem motivação é inafastável, por ferir, inclusive, o direito constitucional ao devido processo legal. Ignorar a jurisprudência dominante sem nenhuma justificativa é motivo para fulminar o Termo (nulidade), extinguindo a responsabilização. 6) Cumpre esclarecer que os impugnantes JOSÉ ANTONIO CAJUELA RODRIGUES e Florindo Miguel Cajuela Rodrigues não eram sócios da empresa autuada, nem gestores dos seus negócios. Os impugnantes simplesmente assinavam (por meio de procuração) alguns documentos por procuração, a pedido de seu pai José Rodrigues, sócio da empresa autuada, pois se encontrava doente, o que lhe impossibilitava de realizar algumas tarefas da empresa. E ninguém mais confiável que seus filhos para assinar os documentos da empresa, e nada mais, pois toda gestão da empresa era do Sr. José Rodrigues. Desta feita, a responsabilização tributária solidária dos impugnantes pelos débitos lançados contra a empresa autuada é absolutamente absurda. Os impugnantes somente passaram a ser sócios da empresa "Equipamentos Rodoviários, compulsoriamente, por herança após o falecimento de seu pai em 2011”. Fl. 4575DF CARF MF 12 No caso em questão, não se tem verificado nenhum fato que leve à vinculação do Impugnante com os fatos geradores do crédito tributário lançado, tampouco com relação à empresa autuante. Não há provas do "interesse comum" na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária principal, conforme determina de forma expressa o art. 124 do CTN. Resta sobremaneira demonstrado que no caso em apreço, os Impugnantes jamais tiveram qualquer relação direta com a administração da autuada nos períodos de 2008, 2009 e 2010, pois repitase, seu pai Sr. José Rodrigues que era o sócio e administrador da empresa autuada, o impugnante somente tinha procuração de seu pai para assinar, devido sua impossibilidade, como já fartamente demonstrado, inexistindo com isso qualquer hipótese que atraia aplicação do art. 124, I do CTN. Não se pode imputar ao Impugnante, terceira pessoa totalmente desvinculada aos fatos geradores supostamente ocorridos, o dever solidário de recolher tributos de empresa da qual não fazia parte, não tinha ingerência, sem qualquer comprovação de fraude, conluio ou outras práticas ilícitas, nos termos em que previstos no art. 135 e 137 do CTN. Não há qualquer fato ou ato concreto que resulte na conclusão apontada no auto de infração para sujeição passiva solidária dos Impugnantes, que sequer eram sócios da Autuada e não tinha qualquer vinculação direta com aquela empresa nos períodos de 2008, 2009 e 2010. 7) DO PEDIDO Diante dos argumentos e das provas incontestes, pedese o integral acolhimento da presente impugnação com o respectivo cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária do impugnante, e sua consequente exclusão processo. Após analisar a impugnação, a r. DRJ proferiu decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 e 2010 DECADÊNCIA. DOLO. PRAZO. Constatada a ocorrência de dolo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, vinculase à regra do art. 173, I do CTN, extinguindose em 05 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SOLIDARIEDADE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ADMINISTRADORES DE FATO. INFRAÇÃO À LEI. Os administradores de fato são solidariamente obrigados com relação aos créditos tributários lançados no caso de restar demonstrada, por parte daqueles, ação ou omissão, relacionada aos fatos que deram azo à infração à lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 e 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a arguição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo, e em consonância com a legislação vigente, de tal forma que permitiu à contribuinte impugnálo em sua inteireza demonstrando conhecer plenamente a matéria que lhe deu causa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 e 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Configurase omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a contabilização dos recursos utilizados nestas operações. Fl. 4576DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.117 13 SONEGAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Verificado pelo agente fiscal que o contribuinte incorreu em conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, visto que não informou, durante todo período fiscalizado, receitas operacionais em sua contabilidade, inclusive com o tráfego destes numerários por contas bancárias de seus administradores de fato, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada conforme previsto em lei. AUTOS DECORRENTES CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário em que sustenta preliminarmente a nulidade dos autos de infração a não inclusão do RMF e nem do relatório circunstanciado no PAF. Sustenta ainda a decadência dos fatos geradores relativos ao período de janeiro a setembro de 2008 e a ilegalidade da quebra do sigilo bancário dos sócios, sem a autorização do poder judiciário. Sustentase que os senhores Florindo e José Antonio não eram administradores da empresa até 2010, que era até então exercida pelo Sr. José Rodrigues. Que somente em 2011, quando o seu falecimento é que os dois primeiros passaram a compor a administração da empresa. Reitera que não se encontra nos autos do processo cópia da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, o que implicaria na nulidade do PAF. Alegase ainda que a ausência de autorização judicial implica na ilicitude da prova, o que contaminaria o lançamento e, portanto, acarretaria em sua nulidade. Aponta jurisprudência do e. STF em que se afirma a absoluta invalidade da prova ilícita. Afirma a impossibilidade de a Receita Federal quebrar o sigilo dos dados bancários dos contribuintes. O Decreto nº 3.724 impõe que a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira deve ser precedida da intimação do contribuinte para prestar tais informações e deve ser baseada em relatório circunstanciado, elaborado pelo auditor fiscal ou seu chefe imediato com a explicitação, “com clareza e precisão, da motivação. A ausência desses documentos, inclusive da própria requisição de informações, acarreta na nulidade do auto de infração. Fl. 4577DF CARF MF 14 Ainda em sede preliminar, indica a decadência dos fatos geradores ocorridos entre janeiro e setembro de 2008, pois não há conduta dolosa a enseja o prazo previsto no art. 173, I do CTN. No mérito, alega que depósitos bancários por si só não configuram obtenção de receitas. Que a fiscalização cotejou as informações sobre movimentações bancárias com informações prestadas por apenas uma parcela de seus clientes, tendo generalizado a ocorrência de algumas irregularidades ao total das receitas apontadas na planilha de fls. 4011/4033. Que se trata de presunção sem lastro em elementos convincentes que permitissem a tributação de referidos valores. O que consistiria ainda em violação ao art. 142 do CTN. Afirma ainda que valores que transitaram pelas contas dos Senhores Florindo Miguel e José Antonio eram sinais de operações cujas notas fiscais somente foram emitidas posteriormente com a efetiva entrega do produto. Afirma ainda que a fiscalização não demonstrou que todos aqueles créditos são de operações realizadas pela empresa, e que não passaram por sua contabilidade, até porque não teriam sido juntadas cópias de suas declarações e escrituração contábil, o que ensejaria a nulidade do processo. O fisco teria se amparado em presunção não prevista em lei, visto que o art. 42 da Lei 9.430/96 deveria ser interpretado em harmonia com os arts. 43 e 142 do CTN. A presunção de renda estabelecida por uma lei ordinária não poderia violar o conceito de renda estabelecido no CTN. Afirma ainda não existir prova de omissão de receita, pois o fisco não teria provado que os valores contidos na planilha são originários de omissão de receita. Em relação à multa de 150%, reiterando a ilegalidade do lançamento baseado em presunção e quebra de sigilo, invoca a aplicabilidade das Súmulas 14 e 25 do CARF. Afirma a decorrência dos demais tributos. Os sujeitos passivos solidários apresentaram ambos Recursos Voluntários com a pretensão de afastamento da responsabilidade (art.135, III, CTN) sob a alegação de que apenas atuaram em prol do senhor seu pai portador do "mal de parkison"; o que o impedia de firmar documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. PRELIMINARMENTE: 2.1. DA QUEBRA DE SIGILO E DA ILICITUDE DA PROVA Fl. 4578DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.118 15 O Egrégio Supremo Tribunal Federal reconheceu a constitucionalidade do art. 6 da Lei Complementar n. 105/01 nos autos do RE n. 601.314SP com repercussão geral, o que vincula este tribunal administrativo nos termos do art. 62, §2º do RICARF. E ainda que assim não o fosse, nos termos do caput do art. 62 do RICARF e da Súmula 2 do CARF, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, como muito bem fundamentado na DRJ. Por este motivo deixo de conhecer dos argumentos lançados contra a constitucionalidade do art. 6 da Lei Complementar 105/01 e do Decreto n. 3724/01, e que poderiam acarretar na ilicitude das provas juntadas aos autos. Ademais, temse que todos os argumentos suscitados pela recorrente sucumbem no mérito diante do reconhecimento da Constitucionalidade pelo E. Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 601.314, com repercussão geral, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, em acórdão que restou assim ementado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao Fl. 4579DF CARF MF 16 item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL ¬ MÉRITO DJe¬198 DIVULG 15¬09¬2016 PUBLIC 16¬09/2016) Diante do exposto não conheço dos argumentos de (in)constitucionalidade veiculados pelo recorrente, e porventura, ultrapassada tal questão julgoos improcedentes diante da posição firmada pelo STF. 2.2. DA DECADÊNCIA A questão envolvendo a decadência confundese com o mérito, motivo pelo qual tratarei da matéria junto ao mérito. 3. DO MÉRITO: 3.1. Da presunção de omissão de receitas. A partir de 01/01/1997, com a edição da Lei nº 9.430/1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários, cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita, aplicável também na sistemática do Simples Nacional. Desta forma, passou a ocorrer a inversão do ônus da prova, cabendo ao sujeito passivo da relação jurídica provar que a prática do fato que lhe está sendo imputado não corresponde à realidade. Ante as intimações fiscais, cumpriria ao contribuinte comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes, juntamente com os documentos que lhe dão suporte, com vistas a elidir a presunção de omissão de receitas. Assim correto o enquadramento legal da omissão de receitas no art. 42 da Lei n. 9.430/1996, uma vez que resta evidenciado que o contribuinte não comprovou a origem de todos os valores integrados às suas contas correntes, indício sério e veemente de que tais recursos são provenientes de uma fonte não identificada e provavelmente sujeita a tributação. Oportuna se faz a transcrição da doutrina de Maria Rita Ferragut (in Presunçõ es no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001) a lecionar que uma prova indireta conduto ra da mesma ‘probabilidade fática’ da prova direta, in verbis: “Assim, tem a Administração Pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fa tos conhecidos não expressamente previstos como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção homini de forma alguma significa que a tributação ocorrerá em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do Fl. 4580DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.119 17 jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível.” A mesma autora no artigo ‘Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação’ (in Revista Dialética de Direito Tributário n.º 67, Dialética, São Paulo) assim esclarece: “As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa”. A prova indiciária é pacificamente admitida como já decidido pelo CARF: Primeira Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Data da Sessão 25/01/2011 Relator(a) ANTONIO BEZERRA NETO Nº Acórdão 1401000.405 ASSUNTO: PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em uma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes Nessas circunstâncias cumpre ao fisco tão somente provar o indício, como, de fato, foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas, mantidas à margem da escrituração regular ou em poder dos sócios. No caso, relata a DRJ que: a) da análise dos anexos de fls. 89 a 98, 105 a 109, nos quais constam 426 depósitos bancários de origem não identificada de contas no banco Bradesco, pertencentes a Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e a José Antônio Cajuela Rodrigues, respectivamente, constatase, como demonstrado na tabela abaixo, que existem 382 depósitos que são relativos a operações efetuadas entre a Impugnante e seus clientes, sendo estes clientes citados em lançamentos contábeis existentes em sua escrituração contábil (livro razão fls. 1507 a 1995). Também há 44 ocorrências de depósitos de mesma natureza, relativas a compras de equipamentos/produtos da Impugnante por intermédio de clientes seus, como a Baucar Comércio e Representações de Equipamentos Rodoviários Ltda EPP, a Mambrini Equipamentos Rodoviários LTDA, e MAMBRA TRUCK IMPLEMENTOS LTDA. Fl. 4581DF CARF MF 18 . Sendo assim, concluise que tais depósitos bancários correspondem a quitações de operação de compras efetuadas junto à impugnante por meio de análise pormenorizada das fls. 3959 a 3988 do já citado termo de verificação fiscal em conjunto com as respostas a intimações, de fls. 2295 a 2773, 3021 a 3213, às pessoas jurídicas que se encontram sublinhadas na tabela acima, e que, em sua totalidade, informam de maneira cabal e objetiva que tais depósitos bancários presentes nas intimações são relativos a operações de compra com a Impugnante apresentando também notas fiscais, boletos bancários, etc. Fl. 4582DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.120 19 Nesta esteira, informam que nunca efetuaram nenhum negócio diretamente com os Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e a José Antônio Cajuela Rodrigues e sim com a Impugnante, porém foram orientados a efetuar os depósitos em suas contas bancárias; e b) nos anexos de fls. 99 a 103, 110 a 113, constam 456 depósitos bancários de origem não identificada efetuados em contas no banco HSBC sem o nome do sacado em seus históricos, porém todos possuem o seguinte trecho “COBRANÇA HSBC”, sendo que as contas pertencem a Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e a José Antônio Cajuela Rodrigues, respectivamente. A Fiscalização intimou o Banco HSBC a apresentar a descrição daquelas operações supracitadas e este apresentou os demonstrativos de fls. 630 a 699, 839 a 1056, 1.252 a 1363, 1375 a 1486, nos quais informou, uma a uma, as pessoas jurídicas que efetuaram tais depósitos. De posse destas informações a autoridade fiscal (fls. 2774 a 3020, 3214 a 3385 – intimações e respostas) circularizou 15 (quinze) destas empresas, intimandoas a justificarem 157 depósitos, ou seja, parte do total dos depósitos supracitados no montante de 456, sendo que estas apresentaram vasta documentação comprobatória de que seriam obrigações relativas a operações de compra realizadas junto às empresas Baucar Comércio e Representações de Equipamentos Rodoviários LTDA EPP, Mambrini Equipamentos Rodoviários LTDA e House Distribuidora de Produtos Automotivos LTDA, créditos estes negociados por estas com os Srs. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antônio Cajuela Rodrigues. As cedentes supracitadas foram intimadas pela Fiscalização (fls. 3386 a 3500 – intimações e respostas) a apresentarem a justificativa para cessão dos seus créditos aos senhores supracitados, e informaram à Fiscalização que realizaram todas as 157 operações a mando da Impugnante (Equipamentos Rodoviários Rodrigues LTDA) com o fito de quitar as operações de compra de equipamentos efetuadas junto a esta, e vendidos às tais 15 empresas intimadas. Cabe ressaltar que as cedentes informaram nas respostas a suas intimações que nunca realizaram negócios diretamente com os seus administradores de fato e sim com a Impugnante. Assim, vêse que o fiscal atuou com zelo, intimando as fiscalizadas e suas clientes para verificar se se trava de omissão de receitas de fato, depurando eventuais equívocos do lançamento. De sua parte, entretanto, a Recorrente pouco atuou para juntar documentação idônea e suficiente a afastar a presunção estabelecida pela lei no art. 42 da Lei 9.430/96. Motivo pelo qual reconheço a validade do procedimento fiscal e voto pela manutenção do auto de infração no tocante ao principal e suas decorrências. 3.2 Da multa de ofício Em relação à multa de ofício, em que pese a Recorrente invocar o teor das Súmula 14 e 25 do CARF, que transcrevo: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Fl. 4583DF CARF MF 20 Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Isto porque, no caso concreto, os administradores utilizaram de sua conta pessoal para omitir receitas da Recorrente. O que comprovaria o evidente intuito de fraude, haja vista a ausência de razões econômicas válidas para que esse dinheiro fosse depositada na conta dos administradores invés de diretamente na conta da Recorrente. Bem explicita a DRJ: Além de ter omitido receitas não as oferecendo à tributação durante os anos calendário de 2008, 2009 e 2010 e não as tendo escriturado em sua contabilidade oficial, conforme já restou comprovado neste voto, a Impugnante utilizou contas de bancárias dos Srs. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues, seus administradores de fato, e com a anuência destes foram creditados pagamentos de seus clientes relativos a compras por estes efetuadas, com o objetivo de impedir o conhecimento por parte da administração tributária do total das receitas auferidas durante o período fiscalizado, incorrendo no disposto nos artigos 71 e 73, da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, os quais trazem nos seus bojos as definições de sonegação e concluio. Ressaltase que, circularizadas, suas clientes além de informarem a Fiscalização que não tinham negócios efetuados diretamente com os senhores supracitados, mas sim com a Impugnante, também informaram que foram orientadas por esta a depositar os valores a pagar nas contas correntes daqueles senhores, como no exemplo abaixo (fl. 3138): 1. A empresa efetuou depósitos bancários em favor do Sr. José Antônio Cajuela Rodrigues para acertos de compras junto à empresa EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS RODRIGUES LTDA. (...) 2. Com um bom relacionamento comercial, os pagamentos eram feitos com depósitos em contas indicadas pelo fornecedor, mantendo uma espécie de conta corrente com o mesmo. Os depósitos questionados foram efetuados para o pagamento parcial e/ou total das aquisições de mercadorias feitas através das notas fiscais abaixo informadas. Também resta comprovada a anuência dos senhores supracitados com a utilização de suas contas bancárias por meio das aquisições de créditos a receber pertencentes à intermediários (no caso a Mabrini Equipamentos Rodoviários Ltda) que revendiam os seus produtos e equipamentos, como segue (fl. 2986): Informamos que sempre adquirimos carroceirias, baús entre outros implementos, da Mabrini Equipamentos Rodoviários Ltda, CNPJ 29.792.280/000108, e da Mbra Truck Implementos Ltda, CNPJ 04.182.403/000150, e após compra efetuada, em alguns casos, recebíamos correspondências informando que as duplicatas relativas tinham sido negociadas com o Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues, cujos boletos vinham como sacador avalista, a Mabrini ou a MBRA. Ao incorrer nas práticas de sonegação e conluio, a Contribuinte se sujeita à multa prevista no inciso I, § 1º, do artigo 44 da Lei n°. 9.430/96 (multa qualificada de 150%). Sendo assim, mantenho a aplicação da multa qualificada. Fl. 4584DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.121 21 Comprovado o intuito de fraude, entendo que não se caracterizou a decadência, uma vez que seria aplicável ao caso o art. 173, I e não o art. 150, §4, ambos do CTN. 3.2 Da atribuição de responsabilidade passiva. A análise dos fatos, faz mister a inclusão dos Senhores Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues. Transcrevo excerto do acórdão proferido pela DRJ ao qual me alinho: Não prosperará à alegada falta de motivação nos termos de sujeição passiva solidária, de fls. 4040 a 4165, 4166 a 4291, já que pela simples transcrição de trechos destes percebese que foram motivados de forma ampla e correta, como segue: Da motivação para aplicação do art. 124, Inciso I. I Os referidos conceitos, "todas por uma ou uma por todas", "mutualidade de interesses", "ligação mútua", "comunhão de atitudes", se aplicam perfeitamente aos administradores na condução dos negócios da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, pois os mesmos se beneficiaram diretamente pelos valores dos créditos realizados em contas bancárias de suas titularidades, créditos esses remetidos por clientes da pessoa jurídica, além de visar driblar o Fisco, com propósito de ocultar informações, utilizando suas contas bancárias para movimentar receitas da pessoa jurídica que administram, qual seja, Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, realizando conjuntamente a situação a dissimular a ocorrência do fato gerador, visando como resultado o não pagamento de tributos incidentes sobre as receitas omitidas. Ou seja, a, já narrada, conduta dos administradores Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues pela qual utilizaram suas contas bancárias como forma de encobrir fatos geradores realizados pela pessoa jurídica caracteriza o interesse comum. Da motivação para a aplicação do art. 135, Inciso III. Nesse contexto, notase que os administradores, responsáveis pelos negócios da pessoa jurídica, permitiram a prática de atos com infração de lei tributária, visto que não há dúvidas de que o Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e o Sr. José Antonio Cajuela Rodrigues, administradores da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, infringiram dispositivos legais, pois permitiram e movimentaram recursos financeiros pertencentes à pessoa jurídica que administram, em suas contas bancárias, revelando evidente intenção de acobertar as operações daquela pessoa jurídica, visando o beneficio tributário pelo não pagamento de tributos a cargo da empresa, incidentes sobre receitas. Ou seja, os administradores Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues utilizamse de suas contas bancárias para movimentar recursos financeiros pertencentes à empresa por eles administre da, como forma de encobrir fatos geradores por ela realizados, impedindo ou dificultando, assim, que a Fazenda Pública lhe exija a obrigação tributária. Logo, resta comprovada que houve motivação nos referidos termos de sujeição passiva solidária. Quanto à alegação de que os srs. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues não seriam administradores da empresa na época dos fatos geradores esta também não prosperará, visto que: Fl. 4585DF CARF MF 22 por meio de procurações de fls. 67 a 82 foram delegadas aos referidos senhores plenos poderes de gestão, administração, comprar e vender mercadorias do ramo de atividade da Impugnante, podendo assinar autorização para transferência de veículo, assinar recibos de compra ou transferência, fazer pagamentos e receber quitação, representar a Impugnante diante dos fiscos estadual, municipal e federal, cobrar, caucionar, etc. como já comprovado no item deste voto relativo a multa qualificada de 150%, restou comprovada a anuência e a participação direta dos referidos senhores na realização dos fatos que ensejaram a ocorrência dos fatos geradores, já que foram por suas contas bancárias que trafegaram os depósitos bancários de origem não identificada os quais configuraram a já citada omissão de receitas. Tal fato resta comprovado pela compra diretamente pelos administradores de fato supracitados de créditos pertencentes às empresas Baucar Comércio e Representações de Equipamentos Rodoviários LTDA EPP, Mambrini Equipamentos Rodoviários LTDA e House Distribuidora de Produtos Automotivos LTDA, que revenderam equipamentos oriundos da Impugnante para pessoas jurídicas circularizadas pela Fiscalização, obrigações estas quitadas por meio das contas bancárias dos tais adminstradores; a própria Impugnante reconhece os referidos senhores como seus administradores, conforme trecho de resposta (fls. 114 a 188) à intimação de fls. 85 a 113: “vimos esclarecer que de fato mantínhamos relação comercial nos períodos de 2008 à 2010, com os clientes diligenciados, citados no termo acima, e que os referidos clientes, cada um a sua maneira, mantinham pagamentos direcionados à empresa via depósitos e ou cessão de créditos, em conta de dirigentes da empresa na época dos fatos geradores”; a pessoa jurídica, Construtora Metropolitana S/A, afirma em resposta (fls. 2517 a 2518) à intimação de fls. 2513 a 2515, que duplicatas relativas a compras efetuadas junto à Manbra Truck Implementos Ltda forma negociadas diretamente pelo Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues; e resta comprovado pela resposta (fls. 3192 a 3195) à intimação de fls. 3187 a 3199, que a De Nigris Distribuidora de Veículos Ltda (compradora) foi cientificada por Termo de cessão de crédito da Bauchar Comércio Rep. Equipamentos Ltda – EPP (vendedora e cedente) para o adquirente de tal direito, o Sr. José Antônio Cajuela. A De Nigris percebeu a negociação como sendo referentes a títulos entre a Baucar e o Sr. José Antônio Cajuela, o que resta comprovado pelos boletos de pagamentos todos em nome do referido senhor (fl. 3322). Sendo assim, resta comprovado que os srs. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues, eram administradores de fato da Impugnante na época da ocorrência dos fatos geradores em lide. Quanto à responsabilização solidária atribuída pela Fiscalização aos administradores da Impugnante (pessoas físicas) com fundamento no inciso III, do art. 135, do CTN, decido pela sua correção, visto que, pela função desempenhada pelos referidos senhores na administração de fato da empresa e sua participação nos fatos acima narrados, aqueles não podem alegar o desconhecimento dos fatos que ensejaram a ocorrência do fato gerador do IRPJ, cuja análise neste voto já configurou em tese sonegação fiscal pela utilização dolosa de suas contas bancárias para encobrir do fisco o auferimento de receitas tributáveis pela Impugnante. Ademais, comprovada a sonegação fiscal, só resta a este julgador manter a sujeição passiva solidária, relativa ao o inciso III, do art. 135 supracitado, a medida que o Parecer PGFN CRJ/CAT nº 55/2009, em seu item 60, “d” assim define, in verbis: d) O administrador só é responsável por atos seus que denotem infração à lei ou excesso de poderes, como, por exemplo, a sonegação Fl. 4586DF CARF MF Processo nº 16004.720525/201398 Acórdão n.º 1402003.134 S1C4T2 Fl. 1.122 23 fiscal (que é ilícito punível inclusive penalmente) ou a dissolução irregular da sociedade. Cabe ressaltar que os administradores de fato da Impugnante, não podem alegar desconhecimento dos fatos aqui narrados, visto que é dever de um administrador de empresa inteirarse do que ocorre a sua volta e gerir a empresa inclusive no relativo aos seus aspectos fiscais. Logo, mesmo que não restasse comprovado o conhecimento dos fatos acima narrados, o que não aconteceu, estaria configurada culpa pela negligência do agente, sendo esta suficiente para o seu enquadramento no art. 135, inciso III, do CTN (responsabilidade tributária solidária), como resta esclarecido no já citado Parecer PGFN CRJ/CAT nº 55/2009, o qual confirma que não é necessário que ocorra o dolo do agente para enquadramento em tal artigo, bastando para tanto a ocorrência da culpa, entendimento este compatível com a súmula 435 do STJ, o que aumenta a abrangência da aplicação do referido artigo, visto que não pode o agente alegar desconhecimento do fato, pois a culpa restaria caracterizada pela negligência. Cabe ressaltar que a sujeição passiva, relativa ao art. 135, do CTN não é pessoal e sim solidária, conforme afirma a alínea “u” do já referido parecer o qual confirma tal entendimento: u) Sendo solidária a responsabilidade decorrente de ato ilícito praticado pelo administrador, este, uma vez atestada administrativamente sua responsabilidade, está sujeito a todos instrumentos de proteção do crédito tributário, como o arrolamento de bens e direitos, a inscrição no CADIN e a medida cautelar fiscal, estando sujeito, outrossim, à negativa de expedição de Certidão Negativa de Débito. Sendo assim, mantenho a sujeição passiva solidária dos administradores de fato supracitados com base no inciso III, do art. 135, do CTN. Mantida a sujeição passiva solidária dos administradores de fato da Impugnante, resta inócuo enfrentar a responsabilização solidária com base no inciso I, do art. 124, do CTN, visto que esta trata de solidariedade, assunto já discutido e mantido na análise do inciso III, do art. 135, do CTN, conforme alínea “u” do já citado parecer. Assim, entendo pela manutenção dos administradores no polo passivo do lançamento tributário. 3.3 Lançamentos reflexos Reconhecida a omissão de receita, devem ser mantidos os lançamentos reflexos dela decorrentes. Fl. 4587DF CARF MF 24 4. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário com a manutenção do auto de infração em sua integralidade, inclusive no que diz respeito a multa de 150%, a sujeição passiva e aos lançamentos reflexos. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 4588DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10331.000219/2003-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
IRPF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DA MULTA DE MORA.
Para configuração da denúncia espontânea e o consequente afastamento da multa de mora, o contribuinte deve apresentar a declaração retificadora, emitir o DARF e simultaneamente quitar o tributo devido.
Numero da decisão: 2002-000.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. PAGAMENTO A DESTEMPO Recorrente ELIANE MARIA MELO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 IRPF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DA MULTA DE MORA. Para configuração da denúncia espontânea e o consequente afastamento da multa de mora, o contribuinte deve apresentar a declaração retificadora, emitir o DARF e simultaneamente quitar o tributo devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 33 1. 00 02 19 /2 00 3- 71 Fl. 81DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Pedido de Restituição Trata o presente processo de pedido de restituição, efls. 01 a 20, referente a multa de mora arcada pela contribuinte quando do pagamento de IRPF, sob alegação que a denúncia espontânea afasta as penalidades previstas no artigo 138 do CTN. Decisão DRJ O pedido de restituição foi apreciado na 1ª Turma da DRJ/FOR que por unanimidade, em 20/10/2008, no acórdão 0814.275, às efls. 46 a 55, indeferiu o pleito. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, apresentou recurso voluntário, às efls. 59 a 77, no qual reitera a possibilidade de restituição dos valores relativos a multa de mora pela aplicação do artigo 138 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 10/11/2008, efls. 58, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 01/12/2008, efls. 59, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A questão posta no presente processo é se o instituto da denúncia espontânea é capaz de afastar a incidência da multa de mora. Conforme artigo 138 do CTN, temos: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Logo, necessário definir se a multa de mora possui natureza jurídica de infração ou não. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10331.000219/200371 Acórdão n.º 2002000.234 S2C0T2 Fl. 82 3 De acordo com Hugo de Brito Machado, "a denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional, exclui qualquer penalidade, inclusive a multa de mora." (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 161) Continua o autor, "assim, se alguém faz sua declaração de rendimentos fora do prazo legal, mas o faz espontaneamente, porque antes de qualquer procedimento fiscal, nenhuma penalidade é cabível." (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 161) Já José Eduardo Soares de Melo é mais contido quanto ao afastamento da multa de mora na denúncia espontânea. Para o autor: (...) se a violação cometida tiver patente a implicação como fato gerador do tributo, acarretando a falta de seu pagamento, não basta a simples confissão. Nesse caso, além de retratar o ilícito cometido, impõemse o prévio recolhimento do tributo (não lançado, ou sonegado), e dos juros de mora (atraso na sua liquidação), sendo questionável a exigibilidade de multa de mora, salvo se não tiver condição de apurar com exatidão o débito tributário, caso em que competirá ao Fisco proceder ao regular arbitramento de seu montante,q ue deverá ser objeto de depósito (MELO, José Eduardo Soares de. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Dialética, 2001, pg. 210). Para Paulo de Barros Carvalho: A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de multas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário, 21ª edição. Saraiva, 2009, p.597) Logo, como se vê, não há consenso na doutrina pátria quanto a incidência da multa de mora na denúncia espontânea. Instado a se manifestar, o Poder Judiciário também oscilou de entendimento em diversos julgados, ora no sentido de afastar a multa de mora, ora no sentido de aplicála. Para dirimir as jurisprudências conflitantes o Superior Tribunal de Justiça exarou a seguinte decisão, submetida ao regime dos artigos 1.036 e 1.037 do Novo CPC (antigo artigo 543C), cuja aplicação deve ser observada por este CARF: Fl. 83DF CARF MF 4 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO E CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, O CPC. TRIBUTÁRIO. RPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR OMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência e diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10331.000219/200371 Acórdão n.º 2002000.234 S2C0T2 Fl. 83 5 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Logo, a contribuinte apresentou a retificação de sua DAA em 12/03/03, efls. 65, porém não quitou prontamente o valor devido, conforme comprovantes de pagamento de e fls. 16 a 18, não sendo cabível o afastamento da multa de mora. Conforme decisão colacionada, para que se configure a denúncia espontânea e o consequente afastamento da multa de mora, o contribuinte deve apresentar a retificação e pagar o tributo prontamente, o que não é o caso dos autos. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento, sendo devida a multa de mora, já que não houve pagamento do tributo simultaneamente a retificação de sua DAA. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 85DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.003565/2010-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/02/2010
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Numero da decisão: 9303-007.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 35 65 /2 01 0- 66 Fl. 184DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67, e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3301001.692, proferido pela 3º Câmara/1º Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, no sentido de que é aplicável o instituto da denúncia espontânea para excluir a citada multa administrativa, prescrita no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei nº 37/66, em razão do advento da Lei nº 12.350/2010. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/02/2010 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVAADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Recurso Voluntário Provido Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, aduz divergência de interpretação referente ao instituto da instituto da denúncia espontânea é aplicável às penalidades administrativas aduaneiras. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, aponta como paradigmas os acórdãos nºs 3802000.556 e 3802001.128. Em seguida, o Presidente da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 124/138. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões, às fls. 1698/1709. No essencial é o Relatório. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10711.003565/201066 Acórdão n.º 9303007.339 CSRFT3 Fl. 184 3 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito especialmente quanto aplicação ou não do instituto da denúncia espontânea para excluir a multa administrativa, prescrita no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei nº 37/66, em razão do advento da Lei nº 12.350/2010. Quanto esta matéria, não tenho maiores reflexões, ou mudança de entendimento, continuo pensando do mesmo modo, ou seja, a condição necessária para aplicação do efeito excludente do instituto da denúncia espontânea da infração tributária formal ou aduaneira de natureza administrativa, o ato infracional deve ser passível de denunciação espontânea, sem esta condição, não se cogita o atendimento dos requisitos temporal e formal concernentes à comunicação espontânea do ato infracional, condição suficiente. Portanto, enquadrase como impossível de denunciação espontânea, a qual tem em sua tipificação o elemento ao descumprimento do prazo para prestação de informação ou de entrega de documentos. Neste caso, por impossibilidade material, tais infrações não são passíveis de comunicação espontânea idônea e, por via reflexa, não são contempladas com o efeito excludente da denuncia espontânea da infração1. Neste sentido, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303003.676, de 26 de abril de 2016, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, do Ilustre Presidente do CARF, Dr. Carlos Alberto Freitas Barreto, versando sobre a mesma matéria, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicar se à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. 1 Entendimento adotado pelo Dr. José Fernandes do Nascimento, o qual corroboro da mesma tese. Referências: "A Denúncia Espontânea da Infração Aduaneira de Natureza Administrativa à Luz da Jurisprudência do CARF, pg. 547, in: "Questões Controvertidas do Direito Aduaneiro", Coordenador Demes Brito, São Paulo, 2014, Editora IOB. Fl. 186DF CARF MF 4 Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' . 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' . 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10711.003565/201066 Acórdão n.º 9303007.339 CSRFT3 Fl. 185 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: 40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a conseqüente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, Fl. 188DF CARF MF 6 no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa auto avaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está vinculado a um fazer ou não fazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do Decreto Lei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10711.003565/201066 Acórdão n.º 9303007.339 CSRFT3 Fl. 186 7 O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera Fl. 190DF CARF MF 8 prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em conseqüência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contra senso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10711.003565/201066 Acórdão n.º 9303007.339 CSRFT3 Fl. 187 9 O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09). No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. Fl. 192DF CARF MF 10 [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributário financeira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10711.003565/201066 Acórdão n.º 9303007.339 CSRFT3 Fl. 188 11 de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada". Dispositivo Ex positis, dou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, com retorno dos autos ao colegiado a quo para analise do mérito do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 194DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.000095/2006-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES – NULIDADE – NÃO APLICÁVEL.
O ato foi assinado por autoridade competente e foi devidamente citado ao contribuinte, esclareceu as razões de fato e direito da exclusão do Simples, dando pleno direito de defesa ao contribuinte, não havendo qualquer causa de nulidade que o desabone.
ENSINO MÉDIO – SIMPLES – ÔNUS DA PROVA. A autoridade fiscal
verificou que o recorrente desempenhava atividade de ensino médio vedada para o regime Simples desde 2003. Embora o contribuinte alegue que só exerce atividade de ensino fundamental, não logrou comprovar esse fato.
Numero da decisão: 1302-000.497
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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O ato foi assinado por autoridade competente e foi devidamente citado ao contribuinte, esclareceu as razões de fato e direito da exclusão do Simples, dando pleno direito de defesa ao contribuinte, não havendo qualquer causa de nulidade que o desabone. ENSINO MÉDIO – SIMPLES – ÔNUS DA PROVA. A autoridade fiscal verificou que o recorrente desempenhava atividade de ensino médio vedada para o regime Simples desde 2003. Embora o contribuinte alegue que só exerce atividade de ensino fundamental, não logrou comprovar esse fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. “documento assinado digitalmente” MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Relatora. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello(presidente), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade, por parte do contribuinte CENTRO EDUCACIONAL DE PRESIDENTE PRUDENTE, visando sua inclusão no regime do Simples Federal. O Ato Declaratório Executivo que determinou a exclusão fundamentase na constatação do exercício da atividade de professor, vedada na sistemática de tributação do Simples, conforme art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96. O processo administrativo originouse em representação da Secretaria da Receita Previdenciária, na qual se infere ao contribuinte o desenvolvimento de atividade de ensino médio desde 15/04/2003. Observado que os documentos anexados aos autos faziam referência ao anocalendário de 2005, apenas, foi realizada diligência a fim de determinar precisamente quando o contribuinte iniciou as atividades de ensino médio. Concluiu a autoridade, com base no relatório de diligência fiscal de fls. 206/210, que operavam, no mesmo endereço, os colégios Centro Educacional de Presidente Prudente e Colégio Meta, sem que fosse possível fazer distinção entre os dois, visto que tinham o mesmo dirigente e operavam no mesmo endereço, não raro faturando os serviços em conjunto indistintamente entre os estudantes de ensino médio e fundamental. Assim, não foi possível, da análise de documentos anexados ao relatório de diligência, separar a atividade desenvolvida pelos dois colégios, inferindose então o inicio das atividades de ensino médio ao Centro Educacional de Presidente Prudente a 2003, durando até 2005. Inconformado, o contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 229/236, com as seguintes alegações, em apertada síntese. I. O CNPJ e o nome do interessado no presente processo não correspondem aos verdadeiros, ficando impossível determinar qual dos dois foi excluído do Simples, erro material que vicia o processo e é causa de nulidade. II. Nos termos do Decreto 70.235/72, assiste ao servidor publico o prazo de 8 dias para execução dos atos processuais, prazo este desrespeitado devendo abrirse novo processo para averiguação dos fatos alegados. III. Os indícios de envolvimento do contribuinte com as atividades de ensino médio datam de 2005 (fls. 45/51), de forma que, se mantida a exclusão, esta deve referirse apenas do ano 2005 em diante. IV. O contribuinte desenvolve atividade de ensino fundamental, não se enquadrando na hipótese vedada pela sistemática do Simples, consideradas as alterações promovidas no art. 9º da Lei nº 9.317/96, pela Lei nº 10.034/2000 e pela Lei nº 10.684/2003. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 10835.000095/200604 Acórdão n.º 1302000.497 S1C3T2 Fl. 151 3 V. A exclusão do contribuinte do regime do Simples, conforme art. 15, VI, da Lei nº 9.317/96, só pode gerar efeitos a partir do ano calendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório da exclusão. VI. Tendo a notificação da exclusão ocorrido em 2006, apenas em 2007 tal exclusão poderia gerar efeitos. VII. Por fim, requer o contribuinte que seja admitida sua permanência no Simples. A Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto, reconhecida a tempestividade da manifestação, acordou, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido do contribuinte, conforme consta na fundamentação do voto do relator aqui reproduzida de maneira sintetizada. VIII. Não procede a alegação de que há divergência entre o CNPJ e o nome do contribuinte excluído do Simples, direcionado ao CENTRO EDUCACIONAL DE PRESIDENTE PRUDENTE, havendo apenas menções ao Colégio Meta por conta de documentos identificados durante o curso da diligência fiscal. IX. Quanto à alegação do contribuinte de que decaiu o direito de prosseguir com os atos processuais, ultrapassado o prazo de 8 dias, a norma legal invocada pelo contribuinte, art. 4º do Decreto 70.235/72, descreve em seu corpo prazo impróprio, sendo assim destinado à autoridade local, para a prática de atos de condução do processo, e não as partes envolvidas. X. Com relação às demais alegações aduzidas pelo contribuinte, resta esclarecido, por conta da diligência fiscal realizada, o desenvolvimento de atividade de ensino médio por parte do interessado, haja visto a operação no mesmo endereço, o fato de possuírem o mesmo endereço e a confusão na identificação do sujeito passivo, entre as 2 entidades educacionais, nos contratos de prestação de serviço de ensino médio analisados pela fiscalização. XI. Por último, com relação à alegação do contribuinte de que sua exclusão do regime do Simples apenas poderia produzir efeitos a partir do ano de 2007, a regra aplicada é a do art. 15 da Lei nº 9.317/96, que enquadra exatamente a situação do interessado, não cabendo à autoridade administrativa apreciar alegações de validade de lei, pois tem sua atividade vinculada. Cientificado em 15/05/2009, o contribuinte, através do recurso voluntário de fls. 313 e seguintes, com o protocolo datado de 17/06/2009, apresentou, a este conselho, reforço aos argumentos despendidos em sua Manifestação de Inconformidade, objetivando o arquivamento do presente processo e o reconhecimento do interessado como contribuinte optante pelo regime do simples. É o relatório. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 4 Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade sendo que dele tomo conhecimento. O contribuinte alega erro na identificação do CNPJ e no nome do interessado bem como nulidade pelo descumprimento do prazo de 8 dias para execução de atos processuais. Indefiro a preliminar de nulidade. O Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples é formalmente válido, foi executado por autoridade competente, contém a descrição do contribuinte, dos fatos e do direito aplicável, e no mais atende a todos os requisitos do artigo 10 e 59 do Decreto 70.235/72. O contribuinte demonstra pleno conhecimento das razões de sua exclusão do Simples e efetuou sua defesa ao longo deste processo, não havendo qualquer outra causa de nulidade. Não entendo que o fato de dois contribuintes dividirem o mesmo endereço e terem o mesmo sócio seja em si suficiente para descaracterizar suas personalidades jurídicas ou para considerar ambos um único e mesmo contribuinte para fins tributários. Tanto mais se estivéssemos falando de dois colégios, cada um com sua folha de pagamentos, sua diretoria e seus alunos, seus controles administrativos, gerenciais e contábeis distintos. Mais do que isso, o respeito à individualidade fiscal dos colégios ficaria preservado na medida em que cada um desempenhasse uma especialidade de ensino, como por exemplo, um atuasse comprovadamente no ensino fundamental e o outro no ensino médio, o que poderia ser demonstrado pela relação de clientes alunos, presença, relatórios de programa de aulas, relação de professores e currículos, relatórios de aulas, registros ou fiscalizações de órgãos de educação, etc. Por outro lado, neste caso, essa divisão entre os colégios não restou nada clara. Os indícios levantados vão além da divisão do endereço e do sócio. A autoridade fiscal identificou contratos de prestação de serviços em que ambos os colégios receberam valores sem segregação e decorrentes de Ensino Médio. As provas montam do ano de 2003 em diante. Nesse sentido, embora o contribuinte alegue que desenvolve unicamente atividade de ensino fundamental e que no máximo teria se envolvido na atividade de ensino médio a partir de 2005, não comprova o quanto alega, nos termos do artigo 333 do Código de Processo Civil. A atividade de ensino médio apurada pelo fisco, por sua vez, exige professor bastante qualificado, logo, está vedada para opção de Simples. Nos termos do art. 15, II, da Lei nº 9.317/96, o ADE de Exclusão do Simples gera efeitos na a partir do ano em que se verificou o exercício da atividade vedada. Neste caso, o contribuinte exerceu atividade de ensino médio desde o ano de 2003, logo, a exclusão do Simples dáse a partir desse ano. Não há qualquer respaldo jurídico ou legal para protelar a eficácia do ADE para o ano de 2005 ou 2007, nos termos em que pretende o contribuinte interessado. Nessa medida, concluo que está correta a exclusão do Simples ora combatida e nego provimento ao recurso voluntário. “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Fl. 341DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 10835.000095/200604 Acórdão n.º 1302000.497 S1C3T2 Fl. 152 5 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI
score : 1.0
Numero do processo: 13005.902335/2008-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1002-000.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem:
1) Informe se houve apresentação de DCTFs retificadoras do ano-calendário de 2003 pelo Recorrente e quais constam como aceitas ou rejeitadas na base de dados da RFB, juntando ao processo a DCTF que prevaleceu no 4º trimestre de 2003;
2) Junte ao processo cópia integral da DIPJ e do DACON que prevaleceram no ano-calendário de 2003, ou intime o Recorrente a apresentá-los, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB;
3) Intime o Recorrente à apresentação de cópia da escrituração contábil-fiscal na qual conste a origem aos créditos postulados referentes aos meses de outubro a dezembro de 2003, juntamente com a elaboração de quadro analítico discriminando os valores e períodos correspondentes.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem: 1) Informe se houve apresentação de DCTFs retificadoras do ano-calendário de 2003 pelo Recorrente e quais constam como aceitas ou rejeitadas na base de dados da RFB, juntando ao processo a DCTF que prevaleceu no 4º trimestre de 2003; 2) Junte ao processo cópia integral da DIPJ e do DACON que prevaleceram no ano-calendário de 2003, ou intime o Recorrente a apresentá-los, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB; 3) Intime o Recorrente à apresentação de cópia da escrituração contábil-fiscal na qual conste a origem aos créditos postulados referentes aos meses de outubro a dezembro de 2003, juntamente com a elaboração de quadro analítico discriminando os valores e períodos correspondentes. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem: 1) Informe se houve apresentação de DCTFs retificadoras do anocalendário de 2003 pelo Recorrente e quais constam como aceitas ou rejeitadas na base de dados da RFB, juntando ao processo a DCTF que prevaleceu no 4º trimestre de 2003; 2) Junte ao processo cópia integral da DIPJ e do DACON que prevaleceram no anocalendário de 2003, ou intime o Recorrente a apresentálos, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB; 3) Intime o Recorrente à apresentação de cópia da escrituração contábilfiscal na qual conste a origem aos créditos postulados referentes aos meses de outubro a dezembro de 2003, juntamente com a elaboração de quadro analítico discriminando os valores e períodos correspondentes. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 05 .9 02 33 5/ 20 08 -2 1 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13005.902335/200821 Resolução nº 1002000.021 S1C0T2 Fl. 93 2 Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RJ1: Trata o presente processo de declaração de compensação no 22231.86096.160704.1.3.042770 (fls. 23/28) em que o interessado aponta crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL código 23721 referente ao mês de dezembro de 2003, no valor de R$ 4.184,07. O pagamento foi efetuado em 30/01/2004 (fls. 26). Com o referido crédito o interessado compensou débito CSLL do código 2372 1 PA 2º trim/2004, com vencimento em 30/07/2004, no valor de R$ 495,72 (fl. 27). A declaração de compensação foi entregue em 16/07/2004. O Despacho Decisório n° 790540439, de 09/09/2008 (fl. 02), não reconheceu o crédito em questão, uma vez que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, constatouse que o pagamento informado já foi utilizado para pagamentos de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP, e não homologou a compensação declarada. Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 19/09/2008 (doc. fls. 19), o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 29/09/2008 (fl. 01), alegando em síntese que: • a origem inicial do crédito utilizado nas PER/DCOMP esta caracterizada na DCTF do 4° trimestre de 2003, juntada aos autos, tendo o valor pago R$ 9.319,68, valor do débito de R$ 3.494,88, valor pago indevidamente a maior de R$ 5.824,80; • a partir da disponibilidade deste crédito, foi o mesmo utilizado na geração do PER/DCOMP nº 3330.09985.160404.1.3.048522, em 16/04/2004, para compensar com o débito no valor de R$ 1.701,93, restando um saldo de R$ 4.184,07; • foi gerada nova compensação a partir da disponibilidade original através do PER/DCOMP nº 22231.86096.160704.1.3.040770, com valor original do crédito de R$ 4.184,07, para compensar débitos no valor de R$ 495,72, restando um saldo credor de R$ 3.772,00. • Portanto, conforme evolução das compensações entendese ter demonstrado a disponibilidade dos créditos citados, conforme a documentação juntada; • solicitase o cancelamento do despacho decisório. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/RJ1, conforme acórdão n. 1236.829, de 19 de abril de 2011 (efl. 45), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13005.902335/200821 Resolução nº 1002000.021 S1C0T2 Fl. 94 3 DIREITO CREDITÓRIO. MATÉRIA JÁ EXAMINADA EM OUTRO PROCESSO. A decisão de primeira instância que examina, em determinado processo, o direito creditório pleiteado pelo interessado, aplicase, também, a todos os demais processos que estejam vinculados ao mesmo crédito. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não comprovada a liquidez e a certeza do crédito pleiteado, deixase de homologar a compensação declarada. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 53), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados. Registra que "A origem inicial do crédito objeto das PER/DCOP anexa se deu através da Instrução Normativa nr. 390 no inciso I do Artigo 89, que determina o percentual da Receita Bruta a ser considerado para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL seria de 12% e não de 32% a partir de 01 de Setembro de 2003 para: 'Prestação de serviços em geral, exceto serviços hospitalares e de transporte'." Destaca que "o cálculo da CSLL do período de Outubro de 2003 a Dezembro de 2003 foi realizado com a aplicação da base de cálculo de 32% e não de 12% conforme determina a citada IN nr. 390 e demonstração dos valores pagos a maior cfe. Anexo 1." Sustenta que "A partir da origem inicial do crédito caracterizada na DCTF Retificadora do 4 trimestre de 2003 e respectiva DIPJ do período , utilizamos o saldos na PER/DCOMP anexa". Apresenta demonstrativo de cálculo, DARF e DCTF retificadora relativos ao crédito pleiteado. Ao final, conclui que as compensações foram realizadas na forma da lei, solicitando o cancelamento do acórdão de Manifestação de Inconformidade. É o relatório do necessário. Voto Embora seja tempestivo e atenda aos demais requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento parcial do Recurso Voluntário, eis que não se encontra em condições de julgamento, conforme se explica a seguir. Constato que o ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP de nº 22231.86096.160704.1.3.042770, sob a alegação de que o crédito de R$ 4.184,07, nele informado, já havia sido utilizado integralmente no pagamento do débito do tributo de código de receita 2372 (CSLL de Pessoa Jurídica optante pelo lucro presumido), do período de apuração de 31/12/2003, conforme mostra o excerto do Despacho Decisório Eletrônico abaixo: Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13005.902335/200821 Resolução nº 1002000.021 S1C0T2 Fl. 95 4 A decisão a quo pontuou que o Recorrente não teve reconhecido no processo nº 13005.9005351200840 o crédito de origem no PERD/COMP 3330.09985.1604.1.3.048522 e que, por isso, não haveria que se falar em disponibilidade de crédito para o pleito ora em análise, conforme excerto abaixo: O interessado em sua Manifestação de Inconformidade, constante do processo n° 13005.9005351200840, solicita a retificação do débito informado em DCTF para o 4º trim/2003, com o código receita 23721 (CRI PJ optantes pela apuração com base no lucro presumido ou arbitrado), do valor de R$ 9.319,68, para o valor de R$ 3.494,88, conforme DCTF retificadora juntada às fls. 08/18, resultando, desse modo, em pagamento a maior no valor de R$ 5.824,80. Na Manifestação de Inconformidade constante do processo em tela, alega o interessado, que o crédito utilizado no PER/DCOMP constante dos autos, tem origem no citado valor. Porém, conforme o Acórdão DRJ/RJ1 n° 12036.82812011 (doc. fls. 43/47), o pleito não foi homologado, pois a retificação da DCTF ocorreu em data posterior ao início do procedimento administrativo, fato não permitido pela legislação que trata da matéria. Sendo assim, como o interessado no processo n° 13005.90053512008 40 não teve o crédito reconhecido, não há que se falar em disponibilidade de crédito com origem no PER/DCOMP n° 3330.09985.1604.1.3.048522, para o pleito ora em análise. Analisando o Recurso Voluntário vejo que o pedido de reconhecimento do crédito pelo Recorrente fundamentase em uma DCTF retificadora recepcionada em 27/05/2008 (efls. 32), e que o crédito de origem no PER/DCOMP n° 3330.09985.1604.1.3.04 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13005.902335/200821 Resolução nº 1002000.021 S1C0T2 Fl. 96 5 8522, constante do processo n° 13005.9005351200840, não foi reconhecido por conta da DCTF retificadora do 4º trimestre de 2003 ter sido apresentada em data posterior à de emissão do despacho decisório eletrônico de não homologação constante daquele processo, ocorrida em 24/04/2008. Naquela oportunidade, a decisão a quo pontuou que a retificação da declaração de compensação só poderia ser admitida enquanto o pedido estivesse pendente de decisão administrativa à data do envio do documento de retificação, lastreandose na legislação de regência. Em que pese a existência do óbice normativo apontado para apuração do crédito postulado pelo Recorrente, constato haver verossimilhança nas suas alegações, fundada no fato de que apresentou DCTF retificadora dos créditos que compuseram o PERD/COMP não homologado no processo n° 13005.9005351200840, a qual, em sendo deferida, faria cair por terra o motivo da não homologação, eis que a totalidade dos créditos postulados pelo Recorrente estariam confirmados, o que permitiria a verificação da suficiência (ou não) dos créditos constantes do PERD/COMP do processo ora em análise. Assim, ancorado nos princípios da verdade material e do formalismo moderado, entendo que o deslinde do caso depende, primeiramente, da confirmação (ou não) da aceitação na base de dados da Receita Federal do Brasil da DCTF retificadora do 4º trimestre de 2003 recepcionada em 27/05/2008, bem como do batimento das informações nela colhidas com a escrituração contábilfiscal do Recorrente e com outras declarações do mesmo período apresentadas pelo Recorrente, mormente a DIPJ e o DACON. No presente caso alguns desses documentos e declarações não foram juntados aos autos e não se tem certeza de que as declarações juntadas prevaleceram nos sistemas de controle da RFB ou se foram retificadas, motivo porque voto por baixar o processo em diligência junto à Unidade de Origem para que: 1) Informe se houve apresentação de DCTFs retificadoras do anocalendário de 2003 pelo Recorrente e quais constam como aceitas ou rejeitadas na base de dados da RFB, juntando ao processo a DCTF que prevaleceu no 4º trimestre de 2003; 2) Junte ao processo cópia integral da DIPJ e do DACON que prevaleceram no anocalendário de 2003, ou intime o Recorrente a apresentálos, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB; 3) Intime o Recorrente à apresentação da escrituração contábilfiscal na qual conste a origem aos créditos postulados referentes aos meses de outubro a dezembro de 2003, juntamente com a elaboração de quadro analítico discriminando os valores e períodos correspondentes. Após, cientificar o Recorrente sobre o resultado da diligência e retornar os autos ao Relator para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13786.720036/2014-79
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO - REQUISITOS LEGAIS - AUSÊNCIA
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO - REQUISITOS LEGAIS - AUSÊNCIA As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1587; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 84 1 83 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13786.720036/201479 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.289 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 29 de agosto de 2018 Matéria IRPF: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente MIRA BELL DE SOUZA MALAFAIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 DEDUÇÃO INDEVIDA DESPESA MÉDICA DOCUMENTAÇÃO REQUISITOS LEGAIS AUSÊNCIA As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 6. 72 00 36 /2 01 4- 79 Fl. 84DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 05 a 09), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 1.388,75, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 16 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: Após ciência do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02/03, na qual contesta a glosa das despesas médicas com os seguintes argumentos: “... desejo CONTESTAR a glosa ... anexando os comprovantes de pagamentos (xeroxs), da profissional Patrícia de Souza Barcelos, juntamente com a Declaração de Ratificação e Retificação da profissional em referência, atendendo às exigências da presente Notificação de Lançamento, para a devida comprovação, portanto solicito que esta dedução seja restabelecida.” A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/JFA que por unanimidade, em 31/07/2015, no acórdão 0958.167, às efls. 59 a 62, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, a contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 67 a 82, no qual reitera as razões da impugnação. É o relatório. Voto Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13786.720036/201479 Acórdão n.º 2002000.289 S2C0T2 Fl. 85 3 Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 08/08/2015, efls. 66, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 24/08/2015, efls. 67, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional Fl. 86DF CARF MF 4 da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13786.720036/201479 Acórdão n.º 2002000.289 S2C0T2 Fl. 86 5 informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Fl. 88DF CARF MF 6 Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Feitas estas considerações, os documentos juntados pela contribuinte não são hábeis para afastar a glosa das despesas médias efetuada pela Fiscalização, já que os recibos carecem de diversos requisitos legais. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13786.720036/201479 Acórdão n.º 2002000.289 S2C0T2 Fl. 87 7 Em sede de Recurso Voluntário a contribuinte trouxe documento, às efls. 78, reconhecendo a firma da profissional Patrícia de Souza Barcelos, e sanando o vício apontado pela DRJ, motivo pelo qual afasto a glosa da despesa médica. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 90DF CARF MF
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Numero do processo: 10240.720274/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. VTN. NÃO COMPROVAÇÃO.
Constatada - pelo Fisco - a flagrante subavaliação do VTN utilizado pelo contribuinte, a este cabe a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica - ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT.
ITR. RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. AVERBAÇÃO JUNTO AO RGI. OBRIGATORIEDADE.
Quanto às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da respectiva DITR.
ITR. IMÓVEL INVADIDO. PERDA DA POSSE. INOCORRÊNCIA.
Não se verificando a perda da posse em função da não cessação do poder sobre o bem, dentre eles, o direito de reavê-lo de quem quer que injustamente o possua ou detenha ou dele ser mantido na posse, presente a aptidão legal para figurar no pólo passivo da obrigação tributária atinente ao ITR.
Numero da decisão: 2402-006.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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VTN. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatada pelo Fisco a flagrante subavaliação do VTN utilizado pelo contribuinte, a este cabe a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT. ITR. RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. AVERBAÇÃO JUNTO AO RGI. OBRIGATORIEDADE. Quanto às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da respectiva DITR. ITR. IMÓVEL INVADIDO. PERDA DA POSSE. INOCORRÊNCIA. 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Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrada Notificação de Lançamento para constituição do ITR, exercício 2005, no valor principal de R$ 85.766,62, acrescido de multa de ofício (75%) e juros legais (Selic), relativo ao NIRF 5.319.1161 SERINGAL CABECEIRA. Foram apuradas as seguintes infrações: 1 Área de Preservação Permanente não comprovada; 2 Área de Reserva Legal não comprovada; e 3 VTN declarado não comprovado. Regulamente intimado do lançamento, apresentou Impugnação, que foi julgada procedente em parte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ fls. 112/130, para restabelecer a APP de 100 ha. Em seu Recurso Voluntário de fls. 141/162 aduz, em resumo: 1 O Imóvel objeto do Auto de Infração está encravado em área de interesse ecológico, onde se pode constatar que 100,0 % da área do imóvel ficou inserida na Zona 4 do Zoneamento sócio econômico e ecológico do estado de Rondônia. Reserva Florestal criada através da Lei Complementar nº 52/1991. Que o § 7º do artigo 10 da Lei 9.393/96 o dispensaria de fazer a prévia comprovação das APPs, das ARL e das áreas sob regime de servidão florestal. 2 Que a reserva legal corresponderia a 80% da área do imóvel, por se situar na Amazônia Legal; 3 Que está averbada junto à matrícula do imóvel, a responsabilidade da empresa em preservar todas a áreas manejadas num período de 20 anos. E isso seria o suficiente. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10240.720274/200813 Acórdão n.º 2402006.568 S2C4T2 Fl. 3 3 Ademais, as áreas onde foram exploradas com projeto de manejo florestal sustentado, são consideradas pela legislação como áreas produtoras de madeiras, e são isentas de imposto. 4 Que a alíquota aplicada pela Fiscalização, de 12%, configuraria confisco da propriedade privada; e 5 Que o imóvel sofreu invasão pelo movimento denominado "LIGA CAMPONESA POBRE LCP"; que devido ao esbulho possessório sofrido não pode explorar economicamente o imóvel; que a recorrente perdeu a posse do imóvel; e 6 Que com a criação de novos municípios, o imóvel passou a pertencer aos Municipios de Cujubim e Machadinho D´oesteRO; que o Município de Cujubim está muito distante do Município de Ariquemes, e as terras daquela localidade valem muito menos das localizadas no município de Ariquemes, por ser localizado fora da Br 364, local de difícil acesso. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 27.02.2012 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 16.03.2012. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Da ilegitimidade passiva: Quanto à alegação de que não deveria incidir o imposto sobre o imóvel que foi invadido, em função de não poder mais dele se utilizar, tenho que não merece prosperar. De acordo com o artigo 4° da Lei n° 9.393/96, contribuinte do ITR pode ser o proprietário do imóvel rural, o titular do seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, sem ordem de preferência. A certidão de RGI acostada às fls. 183/189, lavrada em 15.09.2008, informa a propriedade do imóvel como sendo da Sra Eunice Picinato. Tanto o DIAT/DITR/2005, quanto os ADA/1997, protocolizado em 11.11.2002 e ADA/2003, protocolizado em 17.06.2004, foram apresentados em nome do recorrente. A questão sob análise resumese a avaliar se o fato de imóvel ter sido supostamente invadido afastaria, do recorrente, sua condição de possuidor para fins de sujeição passiva para o ITR. Inicialmente, cumpre destacar que não consta dos autos comprovação, sequer evidência, de que tal condição (invasão) tenha se dado/mantida à data do fato gerador em Fl. 196DF CARF MF 4 questão (01.01.2005), tampouco qual o tamanho da área suposta e efetivamente invadida. Vejamos: A cópia da Assentada da Audiência de Justificação Prévia de fls. 33, lavrada em 27.03.2002 nos autos do PJ 002.02.0019370, noticia a decisão de manutenção do recorrente na posse de imóvel que lá não especifica. Já às fls. 32, há um extrato da Sentença, supostamente publicado no DOE em 19.09.2002, que determinou que a autora (aqui recorrente) fosse definitivamente mantida na posse do imóvel lá em litígio. A certidão de fls. 37, nos autos do processo 10240.720273/200871, também de minha relatoria, além de certificar a intimação do representado legal da LCP LIGA CAMPONESA POBRE da decisão encimada, registrou a presença no local em 23.03.2002 de várias pessoas, estando algumas com capuz e outras armadas, contudo, sem que fossem regularmente identificadas. Frisese, não se identificou nada mais nos autos que demonstrassem o esbulho, sequer turbação da posse, à época do fato gerador. (01.01.2005) O Código Civil de 2002 estabelece a perda da posse quando cessar a poder sobre o bem ao qual se refere o artigo 1.196 1 do mesmo diploma. Por sua vez, aquele artigo 1.196 estabelece que o possuidor é aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade. Prosseguindo, o artigo 1.228 dispõe que o proprietário tem o direito de, quanto à coisa, i) Usar, ii) Gozar, iii) Dispor; e iv) Reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Na mesma linha, especificamente no que se refere à posse, o art 1.210 prevê que "o possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado." No mesmo sentido, o artigo 926 do CPC/73 estabelecia que o possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação e reintegrado no de esbulho. Da dicção acima, notase que ainda que não esteja na imediata posse do bem, ao Possuidor de Direito é assegurada a Manutenção ou Reintegração efetiva na posse, além do quê, o possuidor de máfé responderá, junto ao possuidor de direito, por todos os frutos colhidos e percebidos, bem como pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em que se constituiu de máfé. Não há, assim, a perda definitiva da posse se o possuidor, frisase, ainda na condição de possuidor, tomou as providências em tempo hábil, diligenciou, de forma a reaver a coisa de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Em outras palavras: exercido a tempo o direito de reaver a posse do bem, ou nela ser definitivamente mantido, tenho que o recorrente detém legitimidade para figurar no pólo passivo da obrigação tributária do ITR, na condição de possuidor a qualquer título, consoante preceitua o artigo 4º da Lei 9.393/96. Interpretação diversa conduziria ao entendimento de que ou o imposto poderia ser cobrado dos "invasores", o que não se afigura 1 Art. 1.223. Perdese a posse quando cessa, embora contra a vontade do possuidor, o poder sobre o bem, ao qual se refere o art. 1.196. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10240.720274/200813 Acórdão n.º 2402006.568 S2C4T2 Fl. 4 5 razoável, sob o ponto de vista de sua identificação; ou terseia uma isenção não prevista em lei para o imóvel envolvido. VTN: No que toca ao VTN atribuído pela Fiscalização, o recorrente alega, en passant, que o VTN seria menor em função da então localização do imóvel, que teria se alterada em decorrência da criação de novos município. Todavia, no curso da ação fiscal, o autuado foi intimado a apresentar o "laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados.". E mais, foi feito constar na intimação que a falta de apresentação do laudo de avaliação ensejaria o arbitramento do VTN, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT, da RFB. Não obstante, o contribuinte não atendeu a intimação fiscal com vistas a infirmar o valor eleito pela Fiscalização. Ora, O VTN médio, por hectare, utilizado pelo autuado, correspondeu a apenas e aproximadamente, 17% daquele verificado no SIPT para os imóveis no município de Ariquemes/RO, consoante atesta a autoridade julgadora de piso, não deixando a menor dúvida quanto à sua subavaliação. A alegação de que, com a criação de novos municípios, o imóvel teria passado a pertencer a outro e a não mais ao de Ariquemes, desacompanhada do laudo de avaliação acima mencionado, não merece melhor sorte, na medida em que tanto no RGI, quando no CAFIR, cuja atualização é de responsabilidade do recorrente, a localização do imóvel permanece inalterada, ou seja, em Ariquemes/RO. Na própria DIAT/DITR/05 apresentada pelo recorrente constou este município como o de localização do imóvel. Impõese destacar, que por meio de consulta aos sites oficiais dos municípios de Machadinho D´ Oeste e Cujubim, pôdese verificar que os mesmos foram criados, respectivamente, em 11.05.1988 e 22.06.1994. A seu turno, a Escritura Pública de Compra e Venda de 27.03.2000, (em data bem posterior à criação do município mais novo) onde figuraram como outorgante vendedora a Sra Eunice Picinato e outorgante comprador o recorrente, qualificou os imóveis lá negociados da seguinte forma: Seringal Cabeceira: lote de terras rural denominado "Cabeceira", situado no município de Ariquemes/RO, com área total de 90.783.357 m2. NIRF 5.319.1161 Seringal Novo Mundo: lote de terras rural denominado "Seringal Novo Mundo", situado nos municípios de Ariquemes e Machadinho D´Oeste/RO, com área no município de Ariquemes de 19.938,99 ha e e área no município de Machadinho de 7.400,00 ha, perfazendo a área total de 27.338,99 ha. NIRF 5.316.6078 Fl. 198DF CARF MF 6 O fato acima, por si só, conduz ao entendimento de que não houve erro de fato no preenchimento do DIAT/DITR, tampouco na informação constante do CAFIR, que atestam o município de Ariquemes como o de localização do imóvel de NIRF 5.319.1161. Ademais, como esse valor médio por hectare corresponde ao valor médio apurado no universo das DITR/2005 referentes aos imóveis rurais localizados no município de Ariquemes/RO, a alegação do recorrente poderia denunciar algum prejuízo em função do VTN utilizado pela Fiscalização, apenas se demonstrado que a alteração da municipalidade tivesse se dado de fato já àquela época e que os demais contribuintes do ITR a observaram para fins de atualização do CAFIR e da apresentação das correspondentes DITR, de forma a promover significativa alteração na base sistêmica de consultas utilizada para a obtenção daquele valor médio por hectare. Não é o que se verifica nos autos. E lembrese, trata de valor estimado, utilizado pelo Fisco ao amparo do artigo 14 da Lei 9.393/96, ante à falta de comprovação, pelo contribuinte regularmente intimado, de um valor que melhor espelhe a realidade do imóvel. Aproveitamento de área não declarada na DITR, objeto do procedimento fiscal: Consoante se denota do demonstrativo de apuração do ITR devido, às fls. 41, a Fiscalização promoveu alterações na DITR do contribuinte no que toca à APP, à ARL e ao VTN declarado e sobre tais assuntos se desenvolverá a análise a seguir. Vejamos: As alterações promovidas de ofício pelo lançamento trazem repercussão direta na base imponível do tributo. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10240.720274/200813 Acórdão n.º 2402006.568 S2C4T2 Fl. 5 7 É de se notar, que autuado não declarou, em sua DITR, qualquer área de interesse ecológico. Entretanto, o ADA supostamente apresentado em 11.11.2002 (fls. 22), continha as seguintes informações: Diferentemente, no ADA de 2003 (fls. 80), supostamente apresentado em 17.06.2004 e do qual se valeu a DRJ para restabelecer a APP de 100 ha, não consta Área de Interesse Ecológico declarada. Confirase: Ou seja, toda a discussão calcada no aproveitamento dessas áreas, tais como, ARL de 80% do imóvel, segundo sua localização, e sua integral inserção em área de Reserva Florestal criada através da Lei Complementar nº 52/1991 do Estado de Rondônia, não deveriam, a rigor, ser aqui apreciadas, na medida em que não integraram o litígio original pelo fato de não ter sido declarada, em sua DITR, área de interesse ecológico. Fl. 200DF CARF MF 8 O não acatamento das informações que constaram essas sim em seu DIAT/DITR será, caso regularmente questionado em recurso, objeto do contencioso administrativo. Esse é, a meu ver e como regra, o limite da lide e sobre o quê se pronunciará as instâncias julgadoras. Contudo, caso efetivamente demonstrado o patente erro de fato no preenchimento da respectiva DITR, em função do equívoco na informação, seja por sua omissão, seja por sua incorreção, entendo admissível, em sede de contencioso administrativo e à luz do princípio da verdade material, a retificação das informações originalmente prestadas naquela declaração, bem como a alteração do lançamento naquilo que dele decorreu. Vale destacar, que são áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, aquelas que, destacase: ampliem as restrições de uso previstas para as APP e ARL. Em outras palavras: ainda que haja ato do poder público que declare determinada área como de interesse ecológico, caso não haja a imposição de efetivas restrições de uso que ampliem aquelas previstas para as APP e ARL, ou seja, restrições além do manejo sustentável, tenho que sua dedução, da área tributável pelo ITR, não possui suporte legal. Confirase. ITR ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. Acórdão nº 9202003.051 – Sessão de 12 de fevereiro de 2014 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. O fato de o imóvel rural encontrarse inserido em zoneamento ecológico, por si só, não gera direito à isenção ora tratada. Acórdão nº 9202004.576 – Sessão de 24 de novembro de 2016 Reforçase: para efeito de exclusão do ITR, a Área de Interesse Ecológico deve ser assim declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Quer dizer com isso, que a área declarada em caráter geral não satisfaz, por si só, a condição legal para sua dedutibilidade. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. O reconhecimento dessas áreas depende de ato específico, por imóvel, expedido pelo Ibama (Ato Declaratório Ambiental – ADA). Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10240.720274/200813 Acórdão n.º 2402006.568 S2C4T2 Fl. 6 9 Trago à colação as constatações promovidas pelo acórdão vergastado, que me fazem concluir, em função do acima exposto, pela impossibilidade do aproveitamento de tal área, como pretende o recorrente. Não obstante constar dos autos a referida Certidão da SEDAM, constatase da Descrição da área pertencente à Zona 4 que o imóvel nela situado pode ser realizado o aproveitamento extrativo com manejo dos recursos florestais. Tanto isso é verdade que a própria contribuinte declarou em sua DITR/2005, uma área de exploração extrativa de 1.200,0 ha, que não foi glosada pela fiscalização. Ademais, na Certidão de Inteiro Teor do imóvel, às fls. 65/67, constam averbações de que no imóvel estavam previstas explorações de madeira, confirmando que as áreas integrantes da referida Zona 4, foram objeto de Plano de Manejo Sustentado, aprovado pelo IBAMA, para exploração extrativa (madeira). Constatase, ainda, que existe a intenção de utilizar ou manter essa área na atividade rural, posto que nessa Certidão, não obstante o fato de a impugnante não ter juntado aos autos os documentos hábeis comprobatórios da exploração extrativa, como consta em item específico da matéria, além das averbações sobre o plano de manejo feitas no ano de 1998, existem averbações do ano de 2006 para essa finalidade. Nesse diapasão, faz parte, também, dos autos, o ADA referente a 2003, às fls. 71, no qual consta a declaração de uma área de reserva legal de 4.450,0 ha e a declaração de uma área com plano de manejo florestal de 4.000,5 ha, corroborando que essa área do imóvel estaria, de fato, destinada à exploração extrativa. Glosa da ARL: Como já dito no relatório deste voto, a DRJ restabeleceu a dedução da APP então declarada pelo recorrente. Já no que concerne à glosa da ARL, mantida pelo acórdão de piso, tenho que o procedimento e conclusão adotados não merecem reparos. Vejamos. Prosseguindo na análise, o § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, que deve ser aplicado em sua literalidade por força do artigo 111 do CTN2, elenca as áreas que podem ser deduzidas da área tributável para fins de apuração do ITR. Vejamos: 2 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (...) Fl. 202DF CARF MF 10 Assim sendo, o artigo 10 da Lei 9.393/96 disciplina os contornos da apuração do ITR, verbis. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) As áreas de preservação permanente APP, consoante definidas na Lei 4.771/65, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas, podem ser classificadas como legais (art. 2º) e administrativas (art. 3º). Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10240.720274/200813 Acórdão n.º 2402006.568 S2C4T2 Fl. 7 11 Quanto às primeiras, as legais, temos as florestas e demais formas de vegetação natural situadas próximas a fontes de recursos hídricos e a relevos com importância a preservação dos eco sistemas, tais como: i) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal; ii) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; iii) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; iv) no topo de morros, montes, montanhas e serras; v) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; e vi) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues. Por sua vez, as APP administrativas, declaradas por ato do poder público, são as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Percebese que há uma evidente diferença entre as duas espécies de APP. Enquanto que para as legais, já determinadas no diploma legal, a finalidade é intrínseca ao que se propõe a lei; para as administrativas, a finalidade a ser alcançada pelo administrador público está textualmente prevista nas alíneas daquele artigo 3º. Assim, indubitavelmente, a ação do poder público tornase imprescindível para a constituição dessas APP administrativas. Frisese que a supressão total ou parcial dessas áreas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Por seu turno, ainda de acordo com o diploma encimado, as reservas legais são áreas localizadas no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessárias ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas, cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos. Devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, após aprovada sua localização pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada (§ § 4º e 8º do artigo 16 da Lei 4.771/65). A Fl. 204DF CARF MF 12 obrigatoriedade da aprovação acima citada foi introduzida na lei de regência, por conta da MP 2.16667/2001. Veja, a obrigatoriedade de se ter aprovada a localização da ARL pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada está diretamente relacionada à vedação a que se constitua reserva legal sobre área de preservação permanente, já dedutível, observadas as exigências legais, na apuração do imposto. Com isso, tendese a evitar a utilização da mesma área, por mais de uma vez, como dedução do ITR. Assim, podese resumir: APP Pode haver a supressão, quando assim determinar o interesse público; ARL Não pode haver a supressão, mas somente sua utilização em regime de manejo florestal sustentável. E, por fim, naquilo que interessa ao caso, temos as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que, destacase: ampliem as restrições de uso previstas para as APP e ARL. Em outras palavras: ainda que haja ato do poder público que declare determinada área como de interesse ecológico, caso não haja a imposição de efetivas restrições de uso que ampliem aquelas previstas para as APP e ARL, ou seja, restrições além do manejo sustentável, tenho que sua dedução, da área tributável pelo ITR, não possui suporte legal. Confirase. ITR ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. Acórdão nº 9202003.051 – Sessão de 12 de fevereiro de 2014 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. O fato de o imóvel rural encontrarse inserido em zoneamento ecológico, por si só, não gera direito à isenção ora tratada. Acórdão nº 9202004.576 – Sessão de 24 de novembro de 2016 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10240.720274/200813 Acórdão n.º 2402006.568 S2C4T2 Fl. 8 13 Reforçase: para efeito de exclusão do ITR, a Área de Interesse Ecológico deve ser assim declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Quer dizer com isso, que a área declarada em caráter geral não satisfaz, por si só, a condição legal para sua dedutibilidade. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. O reconhecimento dessas áreas depende de ato específico, por imóvel, expedido pelo Ibama (Ato Declaratório Ambiental – ADA). Prosseguindo, a alínea "e" do inciso II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, com a redação dada pela lei 11.428/2006, autorizou a dedução, a partir de 01.01.2007, das áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Notese que áreas cobertas por florestas nativas secundárias em estágio inicial de regeneração não foram contempladas pelo dispositivo.3 Malgrada a digressão acima, seja qual for a área que, ao amparo do inciso II, do § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, se pretenda expurgar daquela tributável pelo ITR, o fato é que ela deve constar consignada no competente Ato Declaratório Ambiental ADA, conforme preconiza o artigo 17O da Lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei 10.165/2000. Confirase. Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Por sua vez, o Ato Declaratório Ambiental – ADA é um instrumento legal que possibilita ao Proprietário Rural uma redução do Imposto Territorial Rural – ITR, em até 100%, sobre a área efetivamente protegida, quando declarar no Documento de Informação e Apuração DIAT/ITR, Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural, Interesse Ecológico, Servidão Florestal ou Ambiental, áreas cobertas por Floresta Nativa e áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas. É documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto Sobre a 3 http://www.fundacaofia.com.br/gdusm/florestas_estagios.htm Fl. 206DF CARF MF 14 Propriedade Territorial Rural ITR, sobre estas últimas. Deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. O texto legal encimado evidencia uma atuação conjunta de órgãos autônomos no sentido de manter o controle em relação à desoneração tributária. Ademais, prevê a necessidade de pagamento de uma taxa de vistoria, a qual, em sendo realizada, e não se confirmando a existência das áreas excluídas de tributação, poderá ensejar o lançamento de ofício do tributo, sendo inequívoco que o ADA é obrigatório para aqueles que desejam se beneficiar da redução do tributo devido a título de ITR. É dizer: é instrumento eleito pelo legislador para controle, integração de órgãos e fonte de custeio da atividade de vistoria, questões absolutamente indispensáveis ao acompanhamento do cumprimento dos preceitos da legislação relativos à limitação da utilização de tais áreas, bem assim da correção no gozo da benesse fiscal. Nesse contexto, o legislador estabeleceu a forma que entendeu adequada para promover tal controle e fiscalização, não sendo possível a este Conselho deixar de aplicar comando legal válido e vigente apenas pela eventual convicção de que tal atividade poderia ser levada a termo de outra forma. Reprisese. Não há esforço interpretativo que, a partir da literalidade da frase "a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória", possa ser capaz de concluir pela desnecessidade da obrigação imposta pelo legislador. É entendimento corrente neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, com o advento da lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/00, é obrigatória a apresentação do ADA protocolado junto ao IBAMA. Situação diversa da verificada em períodos anteriores ao ano de 2001, como se depreende da Súmula Carf. nº 41, segundo a qual, “a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No caso em tela, o que se vê é a utilização da função extrafiscal do tributo, mediante sua aplicação como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em contrapartida a uma redução do valor devido a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Voltando às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir, após aprovação do local pelo órgão ambiental e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA, no prazo estabelecido em norma regulamentar. 4 Em suma: a existência das ARL, APP, áreas cobertas por floresta nativa ou qualquer outra especificada naquele inciso II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, por si só não assegura ao contribuinte a não tributação das áreas s que se refere. Há de se cumprir as exigências legais. 4 Artigo 9º, § 3º, I da IN SRF 256/2002. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10240.720274/200813 Acórdão n.º 2402006.568 S2C4T2 Fl. 9 15 Notem por sua vez, que os prazos acima destacados não se tratam de mera formalidade ou desprovidos de propósito razoável. Vejamos: Se por um lado é indubitável que as ARL devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, por outro, o que se questiona é se tal providência pode ser efetivada a qualquer tempo. Tenho que não. Tal averbação é condição legal para que o sujeito passivo possa, a rigor, se valer de tal isenção e não ter contra si constituído o crédito tributário a ela relacionada. Logo, todas as circunstâncias constitutivas 5 e fatos devem estar perfeitamente configurados à data do fato gerador da obrigação principal. E mais, a averbação em registro próprio possibilita a determinação dos limites e localização das ARL, viabiliza o efetivo controle de sua manutenção pelo poder público, além de dar publicidade de seus contornos à eventuais adquirentes da propriedade. Seria, a grosso modo, uma via de mão dupla. Assim dispõe o § 1º do artigo 12 do Decreto 4.382/2002, de obediência obrigatória por este colegiado: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal; § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Já no que toca ao prazo para o protocolo do ADA, da mesma forma de evidente obrigatoriedade legal, veja que está relacionado á viabilidade do exercício do poder de polícia a cargo do IBAMA. Admitir o protocolo a qualquer tempo conduzira, por óbvio, ao inegável prejuízo no exercício da atividade estatal, já que poderia não mais dispor de tempo hábil à tomada de eventuais providências no âmbito do lançamento de oficio do ITR. Esvaziaria, assim entendido, o propósito legal. Na mesma linha, o inciso I do § 3º do artigo 10 daquele Decreto 4.382/2002 estabelece: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de reserva legal; III de reserva particular do patrimônio natural; IV de servidão florestal; 5 o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Fl. 208DF CARF MF 16 V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo; VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual.. § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo; E II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis. Nesse diapasão, em atenção à parte final daquele inciso I do parágrafo 3º acima, a Instrução Normativa SRF nº 256/2002, que é, na forma do artigo 100 do CTN, norma complementar das leis e, portando, de observância obrigatória por todos os contribuintes, estabelece em seu artigo 9º, o prazo para a apresentação do referido ADA, para fins do seu aproveitamento em matéria tributária. Reforçase: não se trata de criar tributo ou mesmo restringir/limitar o exercício do direito do contribuinte, que se deu por força da lei 9.393/96 e artigo 17O da Lei 6.938/81, mas sim de regulamentar seu exercício. Em outras palavras: para se valer dessa isenção condicionada, seu cumprimento deve se dar de forma a efetivamente assegurar ao Estado, por meio de seu órgão ambiental, a possibilidade de se aferir o escorreito enquadramento da área a ele declarada e que pretende ver excluída da apuração do ITR. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10240.720274/200813 Acórdão n.º 2402006.568 S2C4T2 Fl. 10 17 Assim, não resta dúvida que para fins de exclusão da área tributável, aquelas áreas deverão ser obrigatoriamente informadas em ADA, protocolado pelo sujeito passivo no IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo. É o que exige o Decreto 4.382/2002, de observância obrigatória por este colegiado, a teor do artigo 62 do RICARF. Conforme se extrai do excerto abaixo, que constou do voto vencedor no acórdão 9202005753, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a jurisprudência neste Conselho consolidouse no sentido de aceitar o ADA protocolizado até o início da ação fiscal. Confirase: É certo que, no caso da Área de Preservação Permanente (APP), tratase de acidentes geográficos já existentes na natureza, porém a exclusão da tributação desta área ambiental não está condicionada à criação da área e sim da sua preservação, como a própria denominação está a indicar. Como o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, no que tange ao ITR, este foi fixado em 1º de janeiro (art. 1º da Lei nº. 9.393, de 1996), é claro que a fruição do benefício está condicionada à preservação à época do fato gerador. Nesse passo, a Receita Federal, utilizandose da prerrogativa de regulamentar a forma e os prazos para cumprimento de obrigações acessórias, estabeleceu o prazo de seis meses após a data de entrega da DITR, para que o Contribuinte providencie o protocolo do ADA. E tratandose de declarar algo que a priori já existiria na natureza, este Colegiado consolidou a jurisprudência no sentido de aceitarse o ADA protocolado antes do início da ação fiscal, em respeito à espontaneidade do Contribuinte. Não retrata, com a devida venia, o entendimento deste relator. Não seria razoável imaginar que tal informação pudesse ser prestada em data, por exemplo, próxima a da ação fiscal, porquanto a potencial vistoria pelo órgão ambiental não observaria, decerto, o lustro legal para a constituição do imposto, fosse o caso. Da mesma forma, supor que a atividade de polícia, legalmente exigida e que traria certa segurança ao considerar isentas aquelas áreas, possa ser substituída pela exclusiva atuação privada (por meio de laudos técnicos), não me parece atender ao interesse público. No mesmo sentido, como bem destacado no voto acima parcialmente colacionado, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas, conforme estabelece a lei, em determinados locais do imóvel, são de PRESERVAÇÃO PERMANENTE existentes a época do fato gerador do tributo, consoante preceitua o inciso II do § 3º do artigo 10 do Decreto 4.382/2002. Vale dizer: as florestas e demais formas de vegetação natural devem estar em permanente preservação, sobretudo na data do fato gerador. Dito isso, como se aferir tal circunstância pelo órgão de controle ambiental, admitindose a apresentação do ADA em data significativamente distante da do fato gerador do tributo ? Fl. 210DF CARF MF 18 Em outras palavras, haveria como o IBAMA empreender alguma vistoria eficaz a partir de um ADA apresentado após 4 anos do exercício a que se referem as informações nele prestadas, ainda que tenha sido entregue antes de o início da ação fiscal ? Não basta que no imóvel existam rios ou qualquer outro curso d´água, lagoas ou reservatórios de d´ água naturais ou artificiais, topo de morros, montes ou serra, fazse necessário, aí sim, que nesses locais efetivamente haja floresta ou demais formas de vegetação natural permanentemente preservadas. Da mesma forma, não se pode imaginar que a dispensa à prévia comprovação, por parte do declarante, no que toca às APP e ARL declaradas para fins de isenção do ITR, consoante estabelece o § 7º do artigo 10 da L. 9.393/96, o estaria desincumbindo da obrigação legal imposta pelo § 1º do artigo 17O da Lei 6.938/81. Longe disso. Uma coisa é a desnecessidade da prévia apresentação da comprovação das áreas quando da entrega da DITR; outra, a obrigatoriedade de que tais informações sejam prestadas tempestivamente ao IBAMA, por meio do competente ADA e ao Fisco, quando intimado por autoridade competente no exercício de seu dever funcional. E veja, o parágrafo 7º encimado foi originalmente introduzido ao artigo 10 da Lei 9.393/96 por meio da Medida Provisória 1.95650/2000, de 26.05.2000, ao passo que aquele que impõe a obrigatoriedade do ADA, por meio da posterior Lei 10.165/2000 de 27.12.2000. Com isso, considerando o período em que ambos vigeram não há, a meu ver, como entender que aquele primeiro desobrigou a apresentação do ADA. Não há, no meu entender, qualquer antinomia entre os dispositivos, na medida em que tratam de circunstâncias diferentes. Voltando ao prazo para apresentação do ADA, a IN SRF 256/2002, em sua redação original, o estabelecia como sendo "de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR". Com a entrada em vigor da obrigatoriedade de sua apresentação anual, o órgão ambiental o estabeleceu como sendo de 1º de janeiro a 30 de setembro. .6 Daí a alteração naquela IN SRF 256/2002, que passou a estabelecer, a partir da IN RFB 861, de 17 de julho de 2008, ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), observada a legislação pertinente." Em resumo, podese dizer, no que toca à dedução das áreas elencadas nos inciso I ao VI do artigo 10 do Decreto nº 4.382/2002, que além dos requisitos de ordem formal previstos na legislação, há de se comprovar, quando intimado, sua efetiva existência, a teor do inciso II do parágrafo 3º retro citado, por meio de laudo técnico que deve, de forma clara, especificar, detalhar, dimensionar e localizar cada uma das áreas eventualmente existente à época do fato gerador. Voltando ao caso sob análise, notase que da área de 7.262,6 ha utilizada pelo recorrente, a Fiscalização validou a de 4.539,1 ha, que se refere exatamente àquela informada no ADA de 11.11.2002 (fls. 22) e averbada, quando do fato gerador, à margem do registro do imóvel. Destaquese que no ADA de 2004, constou a informação de ARL ainda menor (4.450,0 ha). Junto à matrícula do imóvel, há, apenas em junho de 2006, retificação da ARL averbada para os 7.262,6 ha de que pretendeu se valer o autuado. 6 http://www.ibama.gov.br/imovelrural/atodeclaratorioambientalada/oqueeoada Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10240.720274/200813 Acórdão n.º 2402006.568 S2C4T2 Fl. 11 19 Assim procedendo, agiu acertadamente a autoridade autuante, quando aceitou a ARL que constou no ADA de 2002 e que se encontrava averbada junto à matrícula do imóvel à dada do fato gerador. Da alíquota: Por fim, quanto à alegação de que a Fiscalização utilizouse de uma alíquota de 12% para o cálculo do imposto, em flagrante ofensa ao princípio constitucional do não confisco, cumpre tecer algumas considerações. Conforme se percebe do quadro "Cálculo do Imposto", do DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO acima colado, a autoridade autuante utilizouse, diferentemente do imaginado pelo recorrente, da alíquota de 20%, a teor do artigo 11 da Lei 9.393/96. Nesse rumo, uma vez observadas as disposições legais, não cabe a este colegiado afastar sua aplicação (art. 62 do RICARF), tampouco pronunciarse acerca de sua constitucionalidade (art. 72 do RICARF c/c Súmula CARF nº 2). Frente ao exposto, voto por CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 212DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.903337/2012-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO
Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação - Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, comprovação esta que é ônus do contribuinte, sendo incabível a transferência da responsabilidade ao Fisco.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.636
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 33 37 /2 01 2- 09 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada ante a ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma vez que o pagamento indicado foi encontrado, encontrandose, todavia, totalmente alocado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando em sede de preliminar sua nulidade. No mérito, insurgiuse contra o caráter confiscatório da multa exigida, bem como contra a taxa Selic. A Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 10 049.317. Cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, a impugnante ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando, em síntese, que: ü A Decisão ora atacada deve ser de plano anulada por esta Colenda Câmara, uma vez que não respeitou os mais basilares princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos, pois ainda que levantados tais pontos na manifestação, os mesmos não foram devidamente apreciados, razão pela qual se impõe sejam eles devidamente analisados nesta instância de julgamento; ü A decisão elaborada não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que, como visto, carente de fundamentação; ü Não houve qualquer diligência por parte da Fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado, sendo seu proceder tão somente na injustificada negativa do crédito pretendido e na retórica imposição do ônus da prova do crédito à Contribuinte; ü Pelo exposto, resta claro o prejuízo aos direitos da Contribuinte ao exercício de sua defesa, vez que impossibilitada de defenderse da forma apregoada no Texto Magno. Neste contexto, não pairam quaisquer dúvidas quanto ao direito dos administrados à ampla defesa Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 4 3 no processo administrativo, sendo este verdadeiro critério de validação dos atos e processos administrativos; ü A decisão recorrida, como visto, teve como fundamento a inexistência de crédito, porquanto o ônus da prova, quanto ao crédito, seria da Contribuinte. Nada mais equivocado, uma vez que, como veremos, o processo administrativo pautase pela verdade material ou verdade real, não havendo espaço para presunções legais ou mesmo de ‘verdades’ processuais decorrentes de eventual distribuição do ônus da prova; ü O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei ou melhor, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte; ü A inaplicabilidade da TAXA SELIC aos supostos débitos como juros de mora e a limitação dos juros de mora dada pelo código tributário nacional; ü A possibilidade do enfrentamento pelo tribunal administrativo do argumento de inconstitucionalidade de norma legal. DO PEDIDO Pelo exposto, requer a Recorrente seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário, a fim de que sejam homologadas as compensações declaradas, reconhecendose a relevância dos fundamentos de fato e de direito ora encaminhados ao seu elevado crivo, com a consequente reforma do Acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.615, de 23 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.903279/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.615): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a empresa MECÂNICA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA foi cientificada Acórdão n° 1049.299, em 15/04/2014, via Aviso de Recebimento, às folhas 76 do processo digital. A empresa MECÂNICA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA apresentou o seu Recurso Voluntário em 09/05/2014, às folhas 78 do processo digital. O recurso é tempestivo. Da controvérsia. Não respeito aos princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos; A decisão elaborada é carente de fundamentação; Ausência der diligência por parte da Fiscalização; A inexistência de crédito e o ônus da prova; O valor lançado a título de multa fere o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade; A inaplicabilidade da TAXA SELIC; O enfrentamento do argumento de inconstitucionalidade. Das preliminares. Não respeito aos princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos É alegado às folhas 03 do Recurso Voluntário: Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 6 5 A Decisão ora atacada deve ser de plano anulada por esta Colenda Câmara, uma vez que não respeitou os mais basilares princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos, pois ainda que levantados tais pontos na manifestação, os mesmos não foram devidamente apreciados, razão pela qual se impõe sejam eles devidamente analisados nesta instância de julgamento. Assim, de forma mais pormenorizada, passaremos em seguida a expor que a decisão que não homologou as compensações pretendidas pela ora Recorrente deixou de atender o requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios também constitucionais da ampla defesa, contraditório e do devido processo legal. Sem razão a Recorrente. O Acórdão n° 1049.299, ora guerreado, de pronto explicita o motivo pelo qual a Administração não homologou a compensação: os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp”. Portanto, a fiscalização aponta um fato preciso, certo e determinado que fulmina as pretensões da então impugnante. Reafirmando a própria argumentação do Voto exarado no Acórdão n° 1049.299, a fundamentação fática a pouco transcrita explicita o indeferimento do pleito, não necessitando de esclarecimento adicional, uma vez que os controles de conta corrente exercido pela autoridade administrativa indicavam a alocação para outro débito do suposto crédito oponível pela interessada. De outra sorte, a Recorrente não explicita o porquê que os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e do devido processo legal foram desrespeitados. Assim sendo, por ora, tomase essa argumentação como mera retórica. A decisão elaborada é carente de fundamentação. É alegado às folhas 04 do Recurso Voluntário: Ora, Nobres Julgadores, como pode afirmar a Fiscalização que é inexistente o crédito que a Contribuinte pretende compensar se sequer possui meios de determinar qual seria a natureza deste crédito e sua origem??? Ademais, em atenção ao princípio processual administrativo da verdade material, o procedimento correto da Fiscalização, no caso em tela, seria intimar a Contribuinte para que prestasse informações sobre qual a origem do crédito postulado, bem como seu fundamento de validade. Isto porque não pode a Administração ‘presumir’ a inexistência de crédito e de plano não homologar as compensações declaradas pela Contribuinte. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 7 6 Todavia, este foi o nefasto procedimento da Administração que, desta maneira, emitiu decisão desprovida da necessária fundamentação que deve conter o Ato Administrativo. Digase ainda que a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos é obrigatória para o exame de sua legalidade, finalidade e da moralidade administrativa. A argumentação esposada não guarda sintonia com o texto do Acórdão n° 1049.299, a começar pela motivação presente no Voto do Acórdão n° 10 49.299: os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp”. Portanto, o Acórdão n° 1049.299 contém uma fundamentação explicita que inaugura o próprio voto. No mais, depreendese da própria fundamentação transcrita que os créditos apontados pela empresa MECÂNICA COMERCIAL existem! Tanto é que já se encontram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, e por esse motivo não se prestam a atender a pretensão pleiteada. Quanto à alegação de que o procedimento correto da Fiscalização, no caso em tela, seria intimar a Contribuinte para que prestasse informações sobre qual a origem do crédito postulado, digase, em tempo, que esse é o propósito tanto da Manifestação de Inconformidade como do próprio Recurso Voluntário e em ambos os casos a empresa MECÂNICA COMERCIAL se limitou a se valer de retórica, sem trazer fatos concretos que suportassem sua argumentação e/ou desabonassem a fundamentação trazida no Voto do Acórdão n° 1049.299. Em tempo, há que se diga, que o Voto do Acórdão n° 1049.299 já faz essa advertência ao então impugnante, empresa MECÂNICA COMERCIAL, ao citar e transcrever os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. Ausência de diligência por parte da Fiscalização. É alegado às folhas 11 do Recurso Voluntário: Frisase novamente que não houve qualquer diligência por parte da Fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado, sendo seu proceder tão somente na injustificada negativa do crédito pretendido e na retórica imposição do ônus da prova do crédito à Contribuinte. Desta maneira, resta prejudicado o contraditório administrativo e, consequentemente, o devido processo legal e, ainda, a ampla e irrestrita defesa da Contribuinte. A decisão da DRJ deveria exprimir o entendimento Fiscal quanto ao crédito postulado pelo Contribuinte, deixando claro qual o Juízo de Valor utilizado para sua não aceitação. Não houve qualquer diligência nesse sentido, porque a Delegacia Regional de Julgamento se convenceu da existência de fato preciso, certo e determinado que fulmina as pretensões da então impugnante. E como o Recurso Voluntário é árido em trazer elementos de prova que desabonem esse entendimento, não se percebe a necessidade de qualquer Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 8 7 diligência, tomando essa demanda como uma tentativa de procrastinar o presente processo. Do mérito. A inexistência de crédito e o ônus da prova É alegado às folhas 11 do Recurso Voluntário: A decisão recorrida, como visto, teve como fundamento a inexistência de crédito, porquanto o ônus da prova, quanto ao crédito, seria da Contribuinte. Nada mais equivocado, uma vez que, como veremos, o processo administrativo pautase pela verdade material ou verdade real, não havendo espaço para presunções legais ou mesmo de ‘verdades’ processuais decorrentes de eventual distribuição do ônus da prova. Neste sentido, o artigo 333 do Código de Processo Civil, invocado pelo Juízo administrativo a quo, é manifestamente inaplicável ao procedimento administrativo. A comprovação dos fatos é o próprio objeto do processo administrativo, não havendo que se distribuir o ônus probatório entre as partes. (Negrito próprio) Como já mencionado em questão enfrentada alhures: os créditos apontados pela empresa MECÂNICA COMERCIAL existem! Tanto é que já se encontram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, e por esse motivo não se prestam a atender a pretensão pleiteada. Por esse motivo, não paira para a fiscalização qualquer dúvida quanto à existência, qualidade, valor e destinação do crédito, não havendo motivos para a realização de diligência. Quanto à solicitação de perícia, o artigo 36 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, assim explicita: Art. 36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 1o Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder, e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 9 8 § 2o Indeferido o pedido de diligência ou de perícia, por terem sido consideradas prescindíveis ou impraticáveis, deverá o indeferimento, devidamente fundamentado, constar da decisão (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 18 e 28, com as redações dadas pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 3o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumprilas. A Lei 9.874 que se aplica subsidiariamente ao Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, assim dispõe: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. A relevância do fato é caracterizada por haver correspondência entre este e a situação enfocada no processo, bem como por seu reconhecimento desencadear efeitos jurídicos peculiares. A pertinência, por sua, vez, diz respeito ao relacionamento entre o fato e a lide instalada. O mesmo se pode dizer da concludência, entendida como a possibilidade de conduzir o julgador à conclusão acerca dos fatos discorridos no processo. Fato concludente, nessa concepção, não significa o enunciado que, por si só, seja suficiente para formar a convicção do julgador, mas todo fato que, ao lado de outros, possa atuar como argumento para a procedência ou improcedência da demanda, em nada se distinguindo do chamado fato pertinente. Considerado fato inconcludente aquele que leva ao convencimento da ocorrência ou inocorrência de situações não envolvidas na discussão processual (fato impertinente), sua prova seria totalmente inócua. Nesse ponto, notase o intrínseco relacionamento entre os requisitos do fato susceptível de ser objeto de prova e a função que a prova assume no sistema jurídico: sendo destinada ao convencimento do julgador, só tem cabimento a realização de enunciação probatória relativa a fatos que possam levar a essa persuasão. Não foi apresentado qualquer fato, motivo ou justificativa relevante que propiciasse a realização da perícia, a luz do que já foi exposto, mesmo porque toda perícia tem por objetivo auxiliar o julgador na formação de sua melhor convicção racional e na busca da verdade material, ação que já se processou. Das penalidades. Da arguição de confisco e desrespeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Quanto ao princípio do nãoconfisco, e por conseguinte o princípio da razoabilidade – proporcionalidade, agasalhase o entendimento o de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se podendo dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 10 9 A inaplicabilidade da TAXA SELIC Sobre o assunto, o art. 161, § 1º, do CTN, abaixo reproduzido, outorga à lei a faculdade de estabelecer os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, fixando o percentual de 1% na hipótese de a lei não dispor de forma diversa. Art. 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária”. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Em atenção a tal dispositivo, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 61, § 3º, estabeleceu expressamente, para o cálculo dos juros de mora, a aplicação da taxa Selic. Oportuno registrar, conforme reconhecido pela interessada, que, sobre o assunto, já existe Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antiga súmula do Conselho de Contribuintes, renumerada pela Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009), como segue: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, estando a exigência devidamente fundamentada, conforme já anteriormente mencionado, não cabe a este órgão administrativo perquirir da legalidade ou inconstitucionalidade dessa norma, uma vez que, enquanto esta não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Portanto, é defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade de disposições que fundamentam o lançamento, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicálas ao caso concreto. Nesse mesmo sentido, está, como já citado, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Confirmando este posicionamento, já foi editada Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antiga súmula do Conselho de Contribuintes, renumerada pela Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009), dispondo, in verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Todavia, ainda que nos fosse possível enveredar por tais caminhos, cumpririanos lembrar que a jurisprudência do STJ já há muito se consolidou no sentido da legitimidade da aplicação da SELIC nos créditos tributários, como é possível depreender dos julgados abaixo: AgRg no Ag 932732 PRIMEIRA TURMA – Julgado em 18/12/2008: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 11 10 “1. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade.(...)” REsp 1028724 PRIMEIRA TURMA – Julgado em 06/05/2008: “(...) 10. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários.(...)” REsp 1086308 SEGUNDA TURMA – Julgado em 09/12/2008: “(...) 2. É legítima a utilização da taxa Selic como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(...)” Diante da mais recente jurisprudência, não haveria como considerar de outra forma. E, como argumento de reforço no sentido da aplicação justa, vale observar que o STJ posicionase no sentido da aplicação da SELIC tanto a favor da Fazenda Pública, quanto a favor dos contribuintes, como se depreende do julgado abaixo: AgRg no Ag 599960 – SEGUNDA TURMA – Julgado em 07/12/2004: “(...)A Primeira Seção deste egrégio Superior Tribunal de Justiça, na assentada de 14.05.2003, consolidou o entendimento no sentido da aplicação da Taxa SELIC, na restituição/compensação de tributos, a partir da data da entrada em vigor da lei que determinou sua incidência no campo tributário, conforme dispõe o artigo 39 da Lei n. 9.250/95.(...)” Também não merece prosperar a alegação de que o CTN, no art. 161 §1o, estabelece taxa de 1% e que uma norma com força de lei complementar não poderia ser contrariada ou modificada por uma lei ordinária, pois que o próprio texto do código já excepciona sua aplicabilidade: CTN Art. 161 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (grifo nosso) Passando à questão da revogação dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/91 pela MP 449/08, temos que, inicialmente, estabelecer a natureza dos juros de mora ora revogados. Há de se explicitar que os juros de mora não têm caráter punitivo, mas sim, de compensação pela falta de disponibilidade dos recursos por parte da Fazenda. Destarte, no que tange a retroatividade, as regras de aplicação da legislação tributária previstas art. 106 inciso II do CTN não alcançam os juros de mora, fazendo valer a regra geral de aplicação temporal das leis tributárias prevista no art. 144 do mesmo diploma legal: Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 12 11 CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Inobstante o fato de a mudança trazida pela nova legislação ser muito pouco significante (diferença de apenas 1% aplicável no mês do recolhimento) tal mudança não se opera retroativamente, continuando a valer a metodologia vigente à época do fato gerador. Não há, portanto, como acatar o afastamento da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. O enfrentamento do argumento de inconstitucionalidade. A presente questão relacionase com as hipóteses de aplicação, pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, de norma declarada inconstitucional pelo STF em controle difuso, quando não há resolução do Senado Federal ou ato do Secretário da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RF), dispensando a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional. No Brasil, em regra, o controle de constitucionalidade de leis e atos normativos compete ao Poder Judiciário e pode realizarse por duas vias distintas: a concentrada (controle abstrato) e a difusa (controle concreto). Na via concentrada, a constitucionalidade da norma é examinada em tese e o que se busca é expelir do sistema jurídico o ato inconstitucional. Não se cuida do julgamento de uma relação concreta, mas sim da validade de uma norma em abstrato frente à Constituição. É por isso que, nesse âmbito, a declaração de inconstitucionalidade tem eficácia objetiva (erga omnes), o que impossibilita a aplicação da norma viciada pelos órgãos de julgamento administrativo. Por outro lado, no controle difuso, o autor da ação não procura a tutela do Poder Judiciário preocupado com a inconstitucionalidade da lei em tese. Seu objetivo é a efetivação de determinado direito subjetivo concreto, exigível em face de alguém. A questão constitucional é apreciada apenas de forma acessória, incidental, a fim de que o Poder Judiciário possa decidir o mérito da causa, reconhecendo ou não o direito subjetivo do autor. Disso se extrai que, na via difusa, a declaração de inconstitucionalidade de ato normativo proferida no bojo de decisão judicial definitiva só alcança as partes do processo (eficácia inter partes) e, por consequência, não vincula objetivamente os órgãos de julgamento administrativo – a não ser na hipótese prevista no art. 52, inciso X, da Constituição Federal (resolução do Senado Federal), ou, no caso das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil, na hipótese prevista no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Essa última exceção merece maior detalhamento, pois se relaciona diretamente com a questão apresentada. O art. 77 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, autorizou o Poder Executivo a disciplinar as hipóteses em que a Administração Tributária federal pode afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional por decisão definitiva do STF: Art. 77. Fica o Poder Executivo autorizado a disciplinar as hipóteses em que a administração tributária federal, relativamente aos créditos tributários baseados em dispositivo Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 13 12 declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, possa: I absterse de constituílos; II retificar o seu valor ou declarálos extintos, de ofício, quando houverem sido constituídos anteriormente, ainda que inscritos em dívida ativa; III formular desistência de ações de execução fiscal já ajuizadas, bem como deixar de interpor recursos de decisões judiciais. A regulamentação de tal dispositivo legal veio com o referido Decreto nº 2.346/1997, que, em seu art. 4º, estabeleceu o seguinte: Art. 4º Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Ou seja, na hipótese de o Secretário da Receita Federal do Brasil determinar o afastamento da aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso, os julgadores das DRJs ficam vinculados a essa determinação. Tratase aqui de interpretação do parágrafo único do dispositivo à vista do caput. No entanto, a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, alterou o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, retirando a vedação antes existente de afastamento de aplicação de acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade, somente para os casos em que a norma já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Tal alteração gerou divergência de entendimento acerca da possibilidade de extensão dos efeitos subjetivos de declaração de inconstitucionalidade aos processos administrativos em curso na RFB nas hipóteses em que não se verificam as mencionadas vinculações objetivas, ou Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 14 13 seja, fora dos casos previstos no art. 52, inciso X, da Constituição Federal, e no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/1997. De um lado, estão os que defendem que sim, que, em determinados casos, os julgadores das DRJs podem afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. Fundamentamse, para tanto, na interpretação do §6º, inciso I, do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (redação dada pela Lei nº 11.941/2009): Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; Entendem, portanto, que tal dispositivo, por ser posterior ao Decreto nº 2.346/1997, tacitamente revogou o seu art. 4º, que exigia a edição de ato do Secretário da RFB que autorizasse a não aplicação de norma declarada inconstitucional, com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Argumentam também que persistir na aplicação de dispositivos legais cuja inconstitucionalidade vem sendo reiteradamente declarada incidentalmente pelo STF traria prejuízos futuros à Fazenda Pública, em razão de eventuais ônus sucumbenciais. A rigor, o caput do artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 veda aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de ato normativo sob fundamento de inconstitucionalidade. No entanto, o inciso I do §6º desse mesmo artigo, dispõe que tal vedação não se aplica a ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF”. A par disso, para a primeira corrente temse que é perfeitamente cabível o entendimento de que o inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 estaria circunscrito às decisões tomadas em controle concreto ou difuso de constitucionalidade. Não se vislumbra possível interpretar a vedação de que trata o caput do artigo 26A no sentido de que estaria se referindo às decisões proferidas em controle abstrato ou concentrado de constitucionalidade, porquanto isso significaria esvaziálo de conteúdo, em afronta ao postulado hermenêutico de que não se deve interpretar uma norma de modo a negarlhe aplicabilidade. Afinal, não se pode perder de vista que as declarações de inconstitucionalidade em abstrato excluem a norma viciada do mundo jurídico (em regra, com efeitos ex tunc). Nesse sentido, referida norma não poderia mais ser aplicada pelos órgãos de julgamento administrativo, independentemente do disposto no inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 Ademais, importa salientar que não se quer dizer que o inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 determina que os órgãos de julgamento administrativo neguem aplicação a ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF” em controle difuso. O que ele faz é afastar a vedação prevista no caput do artigo. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 15 14 Assim, concluindo, para esta corrente o inciso I do §6º permite que os órgãos de julgamento administrativo deixem de aplicar ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF” em controle difuso. Por outro lado, tem os que são contrários à possibilidade de os julgadores das DRJs afastarem a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. Defendem que, em face do princípio da legalidade, nenhuma autoridade administrativa pode negar aplicação a norma vigente; que, para tal negativa, fazse necessário que referida norma seja devidamente excluída do ordenamento jurídico – quer por sua revogação, quer por declaração de inconstitucionalidade na via concentrada, quer ainda na hipótes2e do art. 52, inciso X, da Constituição Federal –, ou que seja ela objeto do ato do Secretário da RFB previsto no art. 4º do Decreto nº 2.346/1997. Em reforço, os adeptos dessa segunda corrente mencionam a Solução de Consulta Interna nº 5 Cosit, de 03 de março de 2009, que consigna em seu parágrafo 17 e 18: 17. Diante desse fato, a Administração Tributária Federal deve reconhecer que, uma vez declarada a inconstitucionalidade das disposições contidas no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mesmo que em decisão de controle difuso pelo STF, também está prejudicado o comando previsto no art. 10 do Decreto nº 4.524, de 2002, na parte em que define o faturamento (receita bruta) como sendo a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, em relação às pessoas jurídicas detentoras de declaração de inconstitucionalidade prolatada pelo Poder Judiciário, por ser o mencionado Decreto norma de caráter apenas regulamentar. 18. Entretanto, as pessoas jurídicas enquadradas no regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, que não possuam quaisquer medidas judiciais declaratórias da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, continuam obrigadas aos recolhimentos mensais das referidas contribuições, tendo como base de cálculo o montante do faturamento (receita bruta) entendido como a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade por elas exercida e a classificação contábil adota para as receitas. (o grifo é do original) É de se registrar que, recentemente, foram aprovados pelo Ministro da Fazenda os Pareceres PGFN/CRJ nº 492/2010, de 22 de março de 2010, e o Parecer PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011. O primeiro concluiu no sentido de que a PGFN: (i) não mais apresente recursos, ordinários ou extremos, contra as decisões judiciais, desfavoráveis à Fazenda Nacional, que se mostrarem consentâneas com precedente judicial formado sob a nova sistemática de julgamento prevista nos arts. 543B e 543C do CPC; (ii) não mais interponha RESP/RE contra acórdãos proferidos em consonância com jurisprudência reiterada e pacífica do STF/STJ (indicada em lista elaborada e divulgada, periodicamente, pela CASTF/CRJ); (iii) não mais interponha agravo regimental contra decisões monocráticas de Relator (dos TRF´s, do STJ ou do STF) que, com respaldo em jurisprudência reiterada e pacífica daqueles Tribunais Superiores (indicada em lista elaborada e divulgada, periodicamente, pela CASTF/CRJ), também adotada pela respectiva Turma, neguem seguimento Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 16 15 a recursos, nos termos do art. 557 do CPC; (iv) não mais apresente impugnação/contestação contra pedido(s) formulado(s) com respaldo em precedente judicial oriundo de julgamento submetido à sistemática prevista nos arts. 543B e 543C do CPC. Por seu turno, o Parecer PGFN/CDA nº 2.025/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda, estabeleceu orientações a serem observadas pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pelos demais órgãos do Ministério da Fazenda, quando caracterizada hipótese de dispensa de contestação e recursos, bem como desistência dos já interpostos, de que trata a Portaria PGFN nº 294/ 2010. Em resumo, como conseqüência da aprovação dos referidos Pareceres pelo MF, a Receita Federal do Brasil passa a estar vinculada às decisões do STJ e STF nas causas repetitivas julgadas na forma dos arts. 543B e 543C do CPC, quando não houver ressalvas por parte da PGFN. No entanto, discutese, ainda, se essa vinculação ocorre para as atividades de julgamento, considerandose que o Parecer PGFN/CDA nº 2.025/2011 trata de aplicação às atividades de constituição e cobrança de créditos no âmbito da RFB, nada mencionando sobre a hipótese de julgamento administrativo. Observase que, até a edição da Lei nº 11.941/2009, que introduziu o § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, a posição majoritária na Primeira Instância do contencioso administrativo era no sentido de não afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. A partir dessa alteração legal, essa tendência já não se confirma, uma vez que são identificadas várias decisões que defendem o afastamento da aplicação de ato normativo quando o caso se subsume ao disposto no § 6º, I, do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Decisões favoráveis ao não afastamento aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso: Trecho de ementa: CONTROLE INCIDENTAL DE CONSTITUCIONALIDADE. MODO DIFUSO. EFICÁCIA ENTRE AS PARTES. A decisão do STF em sede de controle difuso de constitucionalidade tem efeito apenas entre as partes, ou seja, não beneficia terceiros não integrantes da lide; para que essa decisão tenha efeitos erga omnes deve haver edição de Resolução do Senado suspendendo a execução do dispositivo declarado inconstitucional, ou, em outra hipótese, para que decisões da espécie obriguem a administração pública ao seu cumprimento, carece que a inconstitucionalidade seja declarada em controle concentrado ou que o STF edite súmula vinculante, nos termos da Lei nº 11.417, de 2006. (Acórdão DRJ/CTA nº 06 34.502, 24/11/2011) Trecho de ementa: EFEITOS DE DECISÕES JUDICIAIS. INCONSTITUCIONALIDADE INCIDENTAL. SÚMULA VINCULANTE. As decisões judiciais produzem efeitos somente às partes envolvidas. A declaração incidental de inconstitucionalidade possui efeito erga omnes quando advinda de Resolução do Senado Federal ou mediante Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal. (Acórdão DRJ/FNS nº 0726.431, de 27/10/2011) Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 17 16 Trecho de ementa: ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. (Acórdão DRJ/FNS n° 07 19.634, de 23/04/2010) Trecho de ementa: COISA JULGADA MATERIAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO SENADO. SEGURANÇA JURÍDICA. INAFASTABILIDADE. A segurança jurídica, como direito fundamental, é limite que não permite a anulação do julgado, sobretudo na esfera administrativa, ainda que a norma legal que serviu de pressuposto à decisão judicial tenha sido posteriormente acoimada de inconstitucionalidade, em decisão do STF. (Acórdão DRJ/CTA nº 0615.022, 15/08/2007) Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 161DF CARF MF
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Numero do processo: 10970.720154/2013-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Data do fato gerador: 01/01/2010
Ementa:
PROCESSUAL - NULIDADE - OMISSÃO - INOCORRÊNCIA
Ainda que a decisão recorrida não, neste feito, se pronunciado sobre todos os argumentos deduzidos pela parte, uma vez tendo-os enfrentados no processo em apenso, cujo julgamento foi realizado conjuntamente com este processo, incorre nulidade, seja por não restar tipificadas as hipóteses do art. 59 do Decreto 70.235, seja por não se observar qualquer prejuízo ao recorrente.
SIMPLES NACIONAL - EXCLUSÃO - ADE - NULIDADE - QUEBRA DE SIGILO FISCAL - INOCORRÊNCIA
O ADE não fundamenta na quebra de sigilo fiscal, mas, isto sim, no processo em apenso em que, por meio da obtenção de informações bancárias, identificou-se a ocorrência de depósitos de origem duvidosa; ainda assim, a LC 105 teve a sua constitucionalidade reconhecida pelo STF por ocasião do julgamento do RE 601.314/SP, com repercussão geral reconhecida.
SIMPLES NACIONAL - EXCESSO DE RECEITAS - EXCLUSÃO
Ultrapassado o limite imposto pela LC 123 para se optar pelo regime tratado por seu art. 12, impõe-se a exclusão do contribuinte já para o exercício imediatamente subsequente.
VALORES PAGOS APÓS A EXCLUSÃO - COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS TRIBUTÁRIO EVENTUALMENTE APURADOS
O julgamento a ser proferido pelo CARF deve ser ater aos limites da lide e do contencioso instaurado, falecendo-lhe competência para analisar eventuais créditos apurados em períodos posteriores ao tratado nos autos.
Numero da decisão: 1302-002.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Data do fato gerador: 01/01/2010 Ementa: PROCESSUAL - NULIDADE - OMISSÃO - INOCORRÊNCIA Ainda que a decisão recorrida não, neste feito, se pronunciado sobre todos os argumentos deduzidos pela parte, uma vez tendo-os enfrentados no processo em apenso, cujo julgamento foi realizado conjuntamente com este processo, incorre nulidade, seja por não restar tipificadas as hipóteses do art. 59 do Decreto 70.235, seja por não se observar qualquer prejuízo ao recorrente. SIMPLES NACIONAL - EXCLUSÃO - ADE - NULIDADE - QUEBRA DE SIGILO FISCAL - INOCORRÊNCIA O ADE não fundamenta na quebra de sigilo fiscal, mas, isto sim, no processo em apenso em que, por meio da obtenção de informações bancárias, identificou-se a ocorrência de depósitos de origem duvidosa; ainda assim, a LC 105 teve a sua constitucionalidade reconhecida pelo STF por ocasião do julgamento do RE 601.314/SP, com repercussão geral reconhecida. SIMPLES NACIONAL - EXCESSO DE RECEITAS - EXCLUSÃO Ultrapassado o limite imposto pela LC 123 para se optar pelo regime tratado por seu art. 12, impõe-se a exclusão do contribuinte já para o exercício imediatamente subsequente. VALORES PAGOS APÓS A EXCLUSÃO - COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS TRIBUTÁRIO EVENTUALMENTE APURADOS O julgamento a ser proferido pelo CARF deve ser ater aos limites da lide e do contencioso instaurado, falecendo-lhe competência para analisar eventuais créditos apurados em períodos posteriores ao tratado nos autos.
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SIMPLES NACIONAL EXCLUSÃO ADE NULIDADE QUEBRA DE SIGILO FISCAL INOCORRÊNCIA O ADE não fundamenta na quebra de sigilo fiscal, mas, isto sim, no processo em apenso em que, por meio da obtenção de informações bancárias, identificouse a ocorrência de depósitos de origem duvidosa; ainda assim, a LC 105 teve a sua constitucionalidade reconhecida pelo STF por ocasião do julgamento do RE 601.314/SP, com repercussão geral reconhecida. SIMPLES NACIONAL EXCESSO DE RECEITAS EXCLUSÃO Ultrapassado o limite imposto pela LC 123 para se optar pelo regime tratado por seu art. 12, impõese a exclusão do contribuinte já para o exercício imediatamente subsequente. VALORES PAGOS APÓS A EXCLUSÃO COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS TRIBUTÁRIO EVENTUALMENTE APURADOS O julgamento a ser proferido pelo CARF deve ser ater aos limites da lide e do contencioso instaurado, falecendolhe competência para analisar eventuais créditos apurados em períodos posteriores ao tratado nos autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 01 54 /2 01 3- 21 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10970.720154/201321 Acórdão n.º 1302002.988 S1C3T2 Fl. 190 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o feito de procedimento de exclusão do recorrente da sistemática diferenciada de recolhimento de tributos tratada pela Lei Complementar 123/06, intentado através do Ato Declaratório de Exclusão ADE de nº 0025/2013, de 22 de maio de 2013. O citado ADE, digase, foi motivado pelo fato de ter a empresa extrapolado os limites preconizados tanto pela retro mencionada Lei Complementar, como pelo art. 12 da Resolução/CGSN de nº 15/2007. Em linhas gerais, este processo se encontra apensado aos autos de nº 10970.720148/201373, em que a fiscalização federal teria identificado a omissão de receitas incorridas pelo contribuinte, caracterizada pela constatação de depósitos bancários de origem duvidosa, mantidos à margem da sua escrituração contábil. No caso, vale destacar, o montante de receitas omitidas teria alcançado o valor, no anocalendário de 2009, de R$ 8.152.819,88, fato que, ao fim e ao cabo, motivou a lavratura de Termo de Representação Fiscal para Exclusão do Simples, juntado à efls. 2, e, consequentemente, à prolação do ADE de n. 0025/2013 (efls. 40). O recorrente opôs a sua manifestação de inconformidade nestes autos, num primeiro momento, premendo pela reunião deste processo ao já mencionado PA de nº 10970.720148/201373. Em seguida questionou a validade do ADE uma vez que calcado em quebra de sigilo bancário; demais disso, sustentou a impossibilidade de uso de presunção para justificar lançamentos tributários, mormente para se inferir a natureza dos depósitos bancários (como receitas tributáveis). Por fim, afirmou que os citados depósitos seriam mero ingressos de valores pertencentes à terceiros. A DRJ de Porto Alegre indeferiu a citada manifestação, tendo julgado conjuntamente este processo e também o PA de nº 10970.720148/201373 razão pela qual, Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10970.720154/201321 Acórdão n.º 1302002.988 S1C3T2 Fl. 191 3 aqui, a única fundamentação utilizada no acórdão de piso foi, de fato, a extrapolação do limite de receita admitido pela LC 123 e, também, a validade do uso de informações financeiras prestadas por instituições bancárias a partir das requisições tratadas pela LC 104. As demais questões, digase, foram todas enfrentadas no processo em apenso. Após regular intimação, ocorrida em 20 de maio de 2014 (termo de intimação pessoal efls. 112), a empresa interpôs seu recurso voluntário em 18 de junho daquele mesmo ano, arguindo, preliminarmente, a nulidade do acórdão recorrido por vício de fundamentação (em verdade, seria por omissão, já que a DRJ teria se pronunciado, como já dito, apenas sobre o excesso de receita e sobre a quebra de sigilo bancário). Quanto ao mais, repetiu os argumentos lançados em sua manifestação de inconformidade acrescentando, contudo, pedido para decotar, dos valores eventualmente apurados a partir de janeiro de 2010, pelo regime geral de tributação, dos montantes pagos pela empresa a título de SIMPLES Nacional. É importantíssimo, aqui, destacar que todas as questões afeitas à presunção de omissão de receitas já se encontram definitivamente dirimidas; isto porque no PA de nº 10970.720154/201321 já foi proferido acórdão, inclusive, por este CARF, validando, integralmente, os atos de lançamento que identificaram a citada omissão, inclusive quanto a mencionada inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário. Curiosamente, todavia, por ocasião daquele julgamento não se procedeu à analise e, por certo, à solução da lide quanto ao recurso voluntário em análise... Semelhante lapso, frisese, motivou o requerimento apresentado pelo contribuinte à efls. 174/188 em que pede, inclusive, a nulidade do processo principal notadamente pelo fato da respectiva pauta de julgamento ter sido publicada apenas em nome da parte, e não dos seus patronos; mais que isso e, especificamente quanto a este processo, sustenta, nenhuma pauta teria sido publicada... Como dito alhures, provavelmente por um equívoco do então relator, este processo, especificamente, não foi incluído na pauta de julgamentos, não tendo ocorrido, quanto a ele, qualquer decisão, motivo pelo qual, os autos me foram redistribuídos. Ainda que entenda não ser necessária uma manifestação explicita sobre o requerimento tratado acima, abordarei a questão apenas por uma excesso de zelo. Dito isto, a matéria que nos resta apreciar, aqui, cingerseá, além da análise do requerimento de fls. 174 e ss, à preliminar de nulidade do acórdão da DRJ e, também, à alegação de nulidade do ADE por restar calcado em informações bancárias sigilosas. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e, portanto, dele conheço. I Do requerimento de efls. 174 e ss. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10970.720154/201321 Acórdão n.º 1302002.988 S1C3T2 Fl. 192 4 Primeiramente, não houve cerceamento de defesa, tal como sustentado pelo requerente... este processo não constou da pauta publicada para a sessão realizada em 04 de fevereiro de 2015 porque, nesta ocasião, foi julgado, apenas, o PA de nº 10970.720148/2013 73, processo principal, não tendo sido solucionado o feito em análise... como dito no relatório, acima, esse é, de fato, e inclusive, o motivo pelo qual o processo me foi redistribuído. Quanto a alegação de nulidade do acórdão proferido no citado PA de nº 10970.720148/201373, por falta de intimação dos patronos do recorrente, vale destacar que, além de inexistir previsão regimental ou mesmo no Decreto 70.235 que imponha ao CARF tal mister (intimação dos procuradores), semelhante discussão tem que ser travada por meios próprios; isto é, falece à esta turma inclusive competência para analisar semelhante requerimento, sendo impossível, até mesmo, em obediência à instrumentalidade, convolar o pedido de efls. 174 em embargos, tendo em vista o decurso do prazo normativo prescrito para este tipo de remédio processual. Dito isto, nada há que se fazer quanto a este requerimento. II Da preliminar de nulidade da decisão recorrida. A interdependência deste processo em relação ao PA de nº 10970.720148/201373 é patente e inclusive reconhecida pelo próprio recorrente (que requereu, e teve deferida, a reunião dos feitos para julgamento conjunto). E, de fato, o que se observa do acórdão recorrido proferido naquele processo é que todas as questões, aqui inclusive reprisadas, foram satisfatoriamente resolvidas. Atentem, neste particular, para ementa do acórdão de nº 1049.627 6ª Turma da DRJ/POA, juntado à efls. 588/599 daquele feito: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É lícito à autoridade fiscal examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos, poupança e aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. REGRA GERAL E ESPECIAL. VINCULAÇÃO. Só em casos especiais, devidamente expressos na Constituição Federal ou na legislação infraconstitucional, os julgados administrativos e judiciais têm efeitos erga omnes e em razão disso vinculam o julgador administrativo no seu ofício de julgar. A regra geral é que as decisões administrativas e judiciais tenham eficácia interpartes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissão legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10970.720154/201321 Acórdão n.º 1302002.988 S1C3T2 Fl. 193 5 Discussões acerca da constitucionalidade de lei ou legalidade de atos normativos exorbitam da esfera de competência das autoridades administrativas, às quais cabe apenas cumprir o que determina a legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. NULIDADE. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. O lançamento que observa as disposições da legislação para a espécie não incorre em vício de nulidade. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála amparada em demonstração com base em oferta de provas hábeis e idôneas, descabendo solicitar ao fisco que supra aquilo que deixou de juntar à peça de defesa. Ainda que fosse de prudente alvitre a juntada do acórdão acima mencionado neste feito, o fato é que os processos estão, realmente, reunidos, de sorte que todas as peças, seja do PA de nº 10970.720148/201373, sejam as constantes destes autos, foram disponibilizadas ao contribuinte. Em linhas gerais, quando a empresa manejou os seus recursos voluntários já tinha conhecimento do teor da decisão proferida no PA de nº 10970.720148/201373 que tratou, objetivamente, de todas as questões afeitas ao problema da omissão de receitas, questões, que se encontram, até mesmo por conta do acórdão de recurso voluntário lá proferido (efls. 714 daqueles autos), definitivamente resolvidas. Seja como for, mesmo que o acórdão recorrido não tenha se manifestado, neste feito, sobre os demais argumentos deduzidos pelo recorrente, concernentes, insistase, ao problema da omissão de receitas, no processo apensado tais questionamentos foram analisados e resolvidos, não havendo, na espécie, cerceamento de defesa ou qualquer outro prejuízo identificável à parte (pas de nulitté sans grief). Diante disto, voto por afastar a preliminar aventada. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10970.720154/201321 Acórdão n.º 1302002.988 S1C3T2 Fl. 194 6 III Da alegada nulidade do ADE uma vez que calcado na quebra do sigilo bancário do recorrente. Primeiramente, cumpre anotar que o ADE não restou calcado em qualquer procedimento tendente à quebra do sigilo bancário do recorrente, tendo, outrossim, sido fundamentado em procedimento fiscal iniciado e concluído nos autos do PA de nº 10970.720148/201373, cujas apurações, estas sim, tiveram por base informações bancárias da empresa. E, ainda que se queira, apenas por um excesso de zelo, se reportar ao problema em testilha, além já ter sido dirimido pelo acórdão de recurso voluntário proferido nos autos do PA de nº 10970.720154/201321, a jurisprudência do Supremo já está pacificada quanto a validade dos preceitos da LC 105, mormente com advento do julgamento do Recurso Extraordinário de nº 601.314/SP, relatado pelo Min. Edson Fachin, entendendo, então, pela plena constitucionalidade da Lei Complementar supra. E aqui, inclusive para atender ao comando inserto no art. 62, §2º, do RICARF, transcrevo a seguir a respectiva ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10970.720154/201321 Acórdão n.º 1302002.988 S1C3T2 Fl. 195 7 Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento (RE 601.314/SP, Relator Min. Edson Fachin, sessão de 24/02/2016, Tribunal Pleno, publicado no DJe198, divulgado em 1509 2016 e Publicado em 16092016). Em suma, não há mais o que se discutir acerca das disposições da Lei Complementar em análise, muito menos neste Conselho, em especial a vista dos preceitos do já citado art. 62, § 1º, II, "b", do RICARF. III Das demais questões deduzidas no recurso voluntário. Como já dito e reprisado, todos os demais argumentos deduzidos pela parte recorrente já foram objeto de julgamento por este CARF (acórdão de nº 1301001.763 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária), tendo, quanto a tais temas, se exaurido a atividade judicante... como os processos devem ser apreciados conjuntamente, a decisão proferida nos autos do PA de nº 10970.720148/201373, deve prevalecer, também, para este feito. Uma vez que lá restou assentada a correção de todo procedimento fiscal, bem como a inexistência de provas sobre a origem dos depósitos bancários realizados em conta bancária de titularidade do recorrente, tais questões se encontram, portanto, totalmente superadas: PRELIMINAR DE NULIDADE. OMISSÃO DE RECEITAS. REGULARIDADE DA APLICAÇÃO DA PRESUNÇÃO LEGAL. Nos termos do Art. 42 da Lei 9.430/96, caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A apresentação, pela contribuinte, de "qualquer documento", não se mostra suficiente para afastar a presunção legal, sendo, para tanto, exigível que deles se extraia a efetiva comprovação da impossibilidade da consideração do montante como receita efetivamente auferida pela contribuinte. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105. REGULARIDADE. SÚMULA CARF N. 02. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10970.720154/201321 Acórdão n.º 1302002.988 S1C3T2 Fl. 196 8 A prestação de informações bancárias às respectivas autoridades fazendárias não constitui, por si só, qualquer quebra ao sigilo bancário, nos termos especificamente apontados pelas disposições da Lei Complementar n. 105. No que tange à eventual discussão a respeito de inconstitucionalidade daquela norma, relevante observar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n. 02). SIMPLES NACIONAL. CONCEITO DE RECEITA BRUTA. INAPLICABILIDADE DE DEDUÇÕES Nos termos do Art. 3o, par. 1o., da Lei Complementar n. 123, considerase receita bruta, para fins do disposto no caput deste artigo, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Inexistindo qualquer previsão legal para a efetivação de dedução de custos nas operações de comercialização de mercadorias ou na prestação de serviços, descabem as considerações da contribuinte de que parte dos montantes identificados em sua conta bancária pertenceria a seus fornecedores, e, por isso, efetivamente válida a consideração do total dos créditos como de efetiva receita omitida. E, como as receitas omitidas alçaram a monta de aproximadamente R$ 8.000.000,00 (valor que não encontra, mais, em disputa), a exclusão do recorrente do sistema contemplado pela LC 123 é medida que se impõe. IV Do pedido de "compensação" dos valores pagos pela empresa a título de Simples Nacional no ano de 2010, com valores relativos aos tributos federais a serem apurados com base em regime ordinário de tributação. Este pedido pode ser resumido, e melhor compreendido, a partir das próprias palavras do contribuinte, constantes de seu recurso voluntário: Desse modo, ainda que seja mantido o Ato Declaratório Executivo DRF, nº 0025/2013, de 22 de maio de 2013 (...), a autoridade fazendária, forçosamente, deverá considerar os valores pagos durante o período de exclusão do Simples Nacional (a partir do 1º de janeiro de 2010), deduzindoos do montante a ser devido no novo regime (Lucro Presumido), sob pena de indevida bitributção e de enriquecimento ilícito por parte do erário. Por óbvio, semelhante pretensão não deve ser dirigida à este Conselho, seja porque eventuais lançamentos porventura ocorridos nos anos de 2010 e seguintes não são objetos deste processo, seja porque a compensação de tributos, ou mesmo a liquidação de créditos tributários eventualmente apurados, é matéria de exclusiva competência das DRF. Por isto, não há como acolher o pedido em análise. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10970.720154/201321 Acórdão n.º 1302002.988 S1C3T2 Fl. 197 9 V Conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca. Fl. 198DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.720162/2014-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA.
Caracterizam-se como prova direta da omissão de receitas, os valores escriturados pelo sujeito passivo em sua contabilidade e que não foram levados à tributação.
OMISSÃO DE RECEITAS CORRETORA DE SEGUROS
Constatados pagamentos efetuados pelas empresas seguradoras por serviços prestados a título de comissões e corretagens, seja por meio de prova direta nos livros da fiscalizada, seja por circularização junto às fontes pagadoras, seja por informação em DIRF e não sendo tais valores ofertados à tributação pela contribuinte, lícito o lançamento dos valores correspondentes como receitas omitidas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL. PIS. COFINS
Anos-calendário:2009,2010,2011
Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão do auto de infração da CSLL decorrente.
Numero da decisão: 1402-003.347
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar parte dos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme definido no voto do Relator, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente)
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA. Caracterizam-se como prova direta da omissão de receitas, os valores escriturados pelo sujeito passivo em sua contabilidade e que não foram levados à tributação. OMISSÃO DE RECEITAS CORRETORA DE SEGUROS Constatados pagamentos efetuados pelas empresas seguradoras por serviços prestados a título de comissões e corretagens, seja por meio de prova direta nos livros da fiscalizada, seja por circularização junto às fontes pagadoras, seja por informação em DIRF e não sendo tais valores ofertados à tributação pela contribuinte, lícito o lançamento dos valores correspondentes como receitas omitidas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL. PIS. COFINS Anos-calendário:2009,2010,2011 Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão do auto de infração da CSLL decorrente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA. Caracterizamse como prova direta da omissão de receitas, os valores escriturados pelo sujeito passivo em sua contabilidade e que não foram levados à tributação. OMISSÃO DE RECEITAS CORRETORA DE SEGUROS Constatados pagamentos efetuados pelas empresas seguradoras por serviços prestados a título de comissões e corretagens, seja por meio de prova direta nos livros da fiscalizada, seja por circularização junto às fontes pagadoras, seja por informação em DIRF e não sendo tais valores ofertados à tributação pela contribuinte, lícito o lançamento dos valores correspondentes como receitas omitidas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. PIS. COFINS Anoscalendário:2009,2010,2011 Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão do auto de infração da CSLL decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar parte dos lançamentos de IRPJ, CSLL, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 01 62 /2 01 4- 28 Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 409 2 PIS e COFINS, conforme definido no voto do Relator, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente) Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 410 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ/RJO em sessão de 16 de junho de 2015 (fls. 357/364)1, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada perante aquela Turma Julgadora e manteve parte dos lançamentos de IRPJ e Reflexos, em Acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011 LANÇAMENTO. NULIDADE. FUNDAMENTO. Carece de objetividade a nulidade de lançamento à alegação de eivado de vício formal quando aquele se lastreia na legalidade objetiva e estrita atinente ao fato gerador. APURAÇÃO DE OFÍCIO. IMPOSTO PAGO NÃO CONSTANTE DE DCTF. EFEITOS. Na apuração de ofício de tributo devido deve ser excluído o tributo pago, ainda que não constante de DCTF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 Ementa:LUCRO PRESUMIDO. PRESTADOR DE SERVIÇOS A INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. Prestadores de serviço a instituição financeira, mesmo de intermediação na captação de seguros, que optem pelo lucro presumido, se sujeitam às normas aplicáveis à opção. PENALIDADE DE OFÍCIO. ENCARGOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Inquestionável a incidência de encargos moratórios sobre penalidade de ofício. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2009, 2010, 2011 PIS e COFINS. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO Sob lucro presumido a base imponível das contribuições para o PIS e a COFINS é a receita bruta, conforme definida em lei, inadmitidas quaisquer deduções de custos/despesas, mesmo de prestadores de serviços a instituições financeiras. CSLL. REFLEXIVIDADE MATERIAL. EFEITOS. Em matéria de reflexividade factual à falência de elemento relevante aplicase a mesma decisão do feito que lhe deu origem. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Segundo o TVF (fls. 298), as infrações constatadas foram as seguintes: 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 411 4 Com a seguinte discriminação relativamente ao IRPJ (TVF fls. 300): Referidos valores, com suas respectivas especificidades, estão refletidos nos demais tributos (CSLL, PIS e COFINS) e estampados nos autos de infração (IRPJ e reflexos – fls. 187/272). Inconformada com a autuação, a contribuinte acostou Impugnação (fls, 308/348) assentando: Ø que, entre 2009 e 2011, devolveu à instituição financeira R$ 500.000,00, em virtude cancelamento de vendas, dado que referente a operações em desacordo com as normas previstas pela instituição, conforme confissão de dívida de fls. 334/339; Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 412 5 Ø com fundamento no princípio da capacidade contributiva, na forma dos arts. 27 e 31 da Lei n° 8981/95 e arts. 2º e 3º da Lei n° 9718/98, e jurisprudência administrativa reproduzida às fls. 312, devem ser excluídas das bases de cálculo das vendas canceladas; Ø conforme Resoluções BACEN n° 3013/03 e 3.156/03, art. 17 da Lei n° 4595/64, art. 1º da Lei n° 7492/86 e acórdão CARF N°20176.946, ementa reproduzida às fls.320, a impugnante se equipara a instituição financeira; Ø nessas condições teria regramento próprio para apuração de resultados, conforme art. 223, II, b, do RIR/99: 16% da receita bruta; não 32%, lançados pela auditoria; Ø para efeitos do PIS e da COFINS, os percentuais de 0,65% e de 3,00% devem incidir sobre o lucro bruto da instituição financeira, conforme arts. 8º, I da Lei n° 10.637/02, 10, I, da Lei n° 10833/03 e art. 3º, §§ 4º a 6º, da Lei n° 9.716/98; Ø ante erros de direito das autuações, estas estariam eivadas de vício insanável, devendo ser anuladas, conforme jurisprudência administrativa, ementas reproduzidas às fls. 325/326, Súmula 227 do extinto TFR e manifestação do STF acerca da imutabilidade do lançamento, ementa às fls. 327; Ø inexigibilidade de juros moratórios sobre penalidade de ofício conforme jurisprudência administrativa, fls. 328, devendo ser afastados na forma do art. 953, § 2º, do RIR/99. Apreciando a lide em 1ª Instância, a Turma Julgadora deu parcial provimento à impugnação no sentido de afastar parte dos lançamentos de IRPJ e de CSLL, conforme dispositivo do acórdão (fls. 358): “Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM, por unanimidade de votos, os membros desta Turma em dar provimento parcial à impugnação para reduzir o IRPJ devido para, R$ 2.527.942,47; a CSLL para R$ 1.078.360,86; e ratificar o PIS de R$ 1.674,14 e a COFINS de 7.747,53, acrescidas todas as exigências de penalidade de 75% e encargos moratórios, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado”. Excertos do voto condutor mostram o posicionamento da Turma a quo (fls. 360/364): “5. Quanto à devolução de valores à instituição financeira, objeto da confissões de dívida de fls. 334/339 e 343/347, equivocase o sujeito passivo: 5.1. o valor das dívidas reconhecidas não tem relação com qualquer mês de competência tributária a que se refiram aquelas confissões; mesmo na identificação dos beneficiários, fls. 340/342; Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 413 6 5.2. não há provas de cancelamento dos contratos, apenas que foram prospectados fora das obrigações assumidas com a instituição financeira; 5.3. aludidos documentos foram assinados em 19/10/2010, fls. 339 e 09/12/2008, fls. 347, com efeitos futuros sobre valores de receitas a receber da mesma instituição financeira; não interferem nas apropriações de receitas pretéritas tomadas sobre regime de Caixa, conforme livro Caixa de fls. 42/106; 5.4. o fato de reconhecer dívidas por prospecção de operações em desacordo com as obrigações assumidas em contrato, fls. 334 e 343, conforme considerando III das aludidas confissões de dividas, não implica que a impugnante, necessariamente, não tenha apropriado as receitas respectivas às épocas de seus recebimentos. 6. Ao contrário do alegado, independentemente de se equiparar, ou não, a instituição financeira, importa observar que: 6.1. não podem optar pelo lucro presumido as mesmas instituições, conforme vedação do art. 14, II, da Lei n° 9.718/98: (...) 6.1. Assim prestadores de serviços a instituições financeiras, como serviços de captação de seguros, que optem pelo lucro presumido, não podem usufruir benefícios/privilégios atinentes àqueles obrigados ao lucro real. 6.2. No contexto, ao contrário da alegação impugnatória, a proposição regulamentar do art. 223, § 1º, II, b, do RIR/99, diz respeito ao pagamento de estimativa mensal por parte das instituições nele identificadas, sujeitas ao lucro real. O dispositivo em questão não pode ser tomado desconectado do artigo que o precede, fundamentado no art. 2º da Lei n° 9430/96: (...) 6.2.1. Atentese que, exatamente por se tratarem de pessoas jurídicas tributadas, obrigatoriamente, com base no lucro real, apenas para efeitos de pagamento de estimativas mensais de tributos a serem apurados anualmente, autoriza o art. 226, do mesmo RIR/99: (...) 6.3. Em contrapartida, para a apuração do lucro presumido, o art. 15,§ 1º, III, b, da Lei n° 9249/95 é de indiscutível clareza: (...) 7. Igualmente, ao contrário das alegações impugnatórias, tanto quanto ao PIS como a COFINS, os dispositivos legais formalizam: (...) 7.3. Exatamente por serem as instituições financeiras obrigadas à apuração do lucro real (art. 14, II, da Lei n° 9.718/98, antes reproduzido), dispõe o diploma legal ora reportado, em seu art. 3º, §§ 4º e 6º (redação da Medida Provisória n° 2.15835/01: Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 414 7 (...) 8. De todo o exposto fácil concluir que, pretendesse a impugnante, ainda que, sob a alegação de equiparação a entidade financeira, condicionarse às mesmas regras legais àquelas aplicáveis e deveria apurar o lucro real. 8.1. Ora, em se tratando de lucro presumido, insustentável qualquer alegação de custo/despesa em sua apuração. Exatamente pelo conceito de presunção de resultado tributável. 9. As disposições legais antes reproduzidas igualmente afastam a alegação de nulidade dos lançamentos por vício formal, visto fundados na legalidade estrita e objetiva, como demonstrado”. No mais, manteve a incidência de juros sobre a multa de ofício e definiu que, relativamente à CSLL, o decidido quanto ao IRPJ a ela se aplica. Cientificada do R. decisum em 24/06/2015 (fls. 370), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 14/07/2015 (fls. 373/400) no qual, depois de rebater o decidido na decisão de 1º Grau, basicamente repisa os argumentos expendidos na defesa inaugural. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 415 8 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 24/06/2015 – fls. 370 – RV protocolizado em 14/07/2015 – fls. 401), a recorrente está corretamente representada (fls. 397/399), e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. Antes do voto, destaco, por relevante, que estão juntados nestes autos, AI de PIS e de COFINS e que serão julgados no Processo nº 10469.720164/2001417, motivo pelo qual deixam de ser aqui apreciados e não integram a decisão a ser exarada. Os valores lá exigidos somam PIS R$ 221.052,80 (fls. 273) e COFINS R$ 1.020.243,57 (fls. 285). Feitas estas observações passo ao voto. Não há preliminares. Ao mérito. Independente de alguns tópicos sobre os quais a defesa se apóia para elidir o trabalho fiscal e que serão vistos à frente, é preciso destacar de plano que, em momento algum, a recorrente conseguiu contrapor, com provas, alegações ou documentos hábeis, a apuração dos valores colhidos pelo Fisco, i) junto aos próprios apontamentos da contribuinte (livros contábeis) ou, ii) mediante circularização/informação obtida em declarações prestadas à Receita Federal em DIRF por tomadores de serviços (fontes pagadoras) da recorrente e que se encontram tabeladas em planilha juntada ao TVF, já reproduzidas parcialmente no relatório e que acabaram por servir de suporte para a alimentação dos autos de infração. Ou seja, quanto aos valores, base de cálculo inicial dos lançamentos, nenhuma ressalva, portanto, confirmados. Todavia, em que pese a confirmação dos valores omitidos, a recorrente aduz longamente os seguintes tópicos em sua peça recursal que poderiam afetar referidos montantes e levar ao cancelamento dos autos de infração, total ou parcialmente. Passo à análise de cada um deles. DA EQUIPARAÇÃO DA RECORRENTE A INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DO ERRO DE DIREITO Aduz a contribuinte (RV – fls. 380/389) que seria equiparada a instituição financeira. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 416 9 Vejase o sumário de seus argumentos: O assunto nem necessita maiores digressões, posto que decidido pelo Supremo em várias oportunidades, valendo ver uma decisão recente: 21/10/2014 PRIMEIRA TURMA SEGUNDO A G .REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 240.736 RIO GRANDE DO SUL RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI AGTE.( S ) : UNIÃO PROC.( A / S)(ES ) : PROCURADOR GERAL DA FAZENDA NACIONAL AGDO.( A / S ) : PROTEÇÃO CORRETORA DE SEGUROS LTDA ADV.( A / S ) : ALFREDO PEREIRA MACEDO E OUTRO ( A / S ) EMENTA Segundo agravo regimental no recurso extraordinário. Alegada violação do art. 97 da CF/88. Inexistência. Súmula nº 279/STF. Inaplicável. Prequestionamento. Existência. Artigo 2º da LC nº 84/96. Contribuição social. Majoração de alíquota quanto às instituições financeiras e equiparadas. Corretoras de seguro. Equiparação com instituições financeiras. Impossibilidade. Precedentes. 1. Não há falar em ofensa ao art. 97 da CF/88, uma vez que a decisão agravada não declarou a inconstitucionalidade do art. 2º da Lei Complementar nº 84/96, nem afastou sua aplicação sob fundamento de contrariedade à Constituição Federal. 2. Na decisão agravada, não se reexaminaram fatos e provas, o que afasta a incidência da Súmula nº 279/STF. 3. Os temas objeto do recurso extraordinário foram submetidos a efetivo debate perante o Tribunal de origem. Preenchido o requisito do prequestionamento. 4. A solução mais adequada recomenda reconhecer a distinção entre empresas corretoras de seguro e sociedades corretoras, admitindo que o predicado de instituição financeira deve ser atribuído tão somente a essa última. Isso porque a empresa corretora limitase a intermediar a captação de clientes (corretagem propriamente dita), enquanto a sociedade, indo além do agenciamento, ocupase da gestão e distribuição de títulos e valores mobiliários. 5. Agravo regimental não provido. (destacouse) Com a seguinte posição final do I. Ministro Relator: Em síntese, não se pode atribuir o caráter de sociedade corretora ou de sociedade seguradora às corretoras de seguro. A decisão agravada está Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 417 10 de acordo com a jurisprudência mais atual sobre o tema. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. Portanto, a leitura que se deve fazer do artigo 22, § 1º, da Lei nº 8.212/19912 é a de que a equiparação atinge as sociedades corretoras e não as empresas corretoras de seguro. Melhor sorte não cabe à recorrente se for tomada sua atividade como de prestação de serviços de intermediação bancária, oportunidade em que a contratada recebe comissões pelos serviços prestados, ou seja, não realiza qualquer operação exclusiva de Bancos e assemelhados, como receber depósitos, disponibilizar talões de cheques, assumir aplicações de clientes, etc. Com isso, afasto as alegações presentes neste tópico. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS VENDAS CANCELADAS Aduz a recorrente (RV – fls.376/380) que “desenvolve serviços de correspondente bancário, atuando na captação de empréstimos e financiamentos, recebendo em contraprestação valores a título de comissão”; que, ocorreram operações efetivadas em “desacordo com as normas e condições previstas pela instituição financeira, as quais terminaram por ser devidamente canceladas, obrigandose a recorrente a devolver a remuneração/comissão anteriormente já recebida em função de tais negócios”; e, que, conforme documentos juntados, teria devolvido, “no lapso temporal compreendido entre 2009 e 2011, em virtude do cancelamento de vendas, montante que supera a ordem de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais)”. Para dar suporte ao alegado, juntou documentos (fls. 334/348) nominados de “Instrumento Particular de Reconhecimento, Confissão de Dívida e Pagamento com Sub rogação de Direitos” e “Instrumento Particular de Reconhecimento e Confissão de Dívida”, firmados respectivamente com o Bradesco e BMC e nos quais, efetivamente, é compelida a devolver valores que teria recebido anteriormente de citadas instituições financeiras por intermediação na captação de negócios. Tal obrigação financeira, ainda no dizer dos instrumentos pactuados, teria a seguinte conformação: Ø Bradesco (fls. 334): 2 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: § 1o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 418 11 Ø BMC ( fls. 343): Nesse sentir, a recorrente teve – realmente um ônus financeiro assumido, em valores originais, de R$ 349.112,86 (Bradesco) e R$ 201.430,04 (BMC), ou seja, mais de 500 mil reais, como sustentou no seu recurso voluntário, exigíveis parceladamente de 2009 a 2012 e que constam de planilhas inseridas nos referidos instrumentos contratuais, sendo, em ambos os casos, convencionados juros remuneratórios à razão de “CDI + 0,25%” e de “CDI + 0,5%”, respectivamente. Com o Bradesco, pactuaramse 96 prestações já atualizadas na forma acima citada, gerando compromissos fixos de R$ 4.105,79 cada parcela, a primeira com data de vencimento para 01/11/2010 e a última para 27/08/2012, somando R$ 394.115,84. Para o BMC, o instrumento firmado previu 120 pagamentos reajustáveis, a primeira parcela com vencimento para 12/01/2009 fixada em R$ 1.705,05 e a última, vencível em 25/04/2011, no importe de R$ 2.755,08, totalizando R$ 262.724,94. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 419 12 Referidas planilhas com os montantes individualizadamente considerados estão juntadas nos autos (fls. 335/337 – Bradesco e 340/342 – BMC). Analisando os instrumentos referidos e suas planilhas, a decisão recorrida pontuou por desconsiderálos para deferir a redução da base de cálculo dos tributos lançados entendendo que, “Quanto à devolução de valores à instituição financeira, objeto das confissões de dívida de fls. 334/339 e 343/347, equivocase o sujeito passivo; o valor das dívidas reconhecidas não tem relação com qualquer mês de competência tributária a que se refiram aquelas confissões; mesmo na identificação dos beneficiários, fls. 340/342; não há provas de cancelamento dos contratos, apenas que foram prospectados fora das obrigações assumidas com a instituição financeira; aludidos documentos foram assinados em 19/10/2010, fls. 339 e 09/12/2008, fls. 347, com efeitos futuros sobre valores de receitas a receber da mesma instituição financeira; não interferem nas apropriações de receitas pretéritas tomadas sobre regime de Caixa, conforme livro Caixa de fls. 42/106; o fato de reconhecer dívidas por prospecção de operações em desacordo com as obrigações assumidas em contrato, fls. 334 e 343, conforme considerando III das aludidas confissões de dividas, não implica que a impugnante, necessariamente, não tenha apropriado as receitas respectivas às épocas de seus recebimentos”. De fato, a leitura inicial dos contratos mencionados não permite afirmar categoricamente que os valores que a recorrente foi compelida a devolver aos dois estabelecimentos de crédito tivessem relação direta com o anterior faturamento ou com os valores lançados como imissão de receitas. Mais claramente, caberia à recorrente o ônus de cotejar, conjugar e vincular temporal e materialmente , os valores anteriormente por ela recebidos das fontes pagadoras, com as devoluções que se comprometeu a fazer. Vale dizer, a redução dos valores anteriormente registrados como receita parametrizamse com esta vinculação. Ainda que assim seja, não consigo visualizar que um sujeito passivo possa ser obrigado a recolher tributos incidentes sobre “receita bruta” (caso do Lucro Presumido a que se submete a recorrente) se esta “receita”, no mesmo mês ou período subsequente, se desfez. Vejase, a propósito, um singelo exemplo: uma empresa tem uma receita no mês “x” de 100; no mês “x+1” de 150; e no mês “x+2” de 200. neste mês “x+2” recebe devoluções de vendas (ou serviços) relativos ao mês “x” de 30; do mês “x+1” de 70 e do próprio mês “x+2” de 50, totalizando 150; seguindo com o raciocínio, seria correto exigir deste contribuinte que calculasse e recolhesse os tributos do mês “x+2” sobre 200 (vendas do período) sabendo que houve “devoluções”, portanto, cancelamento de vendas, desfazimento da operação, no importe de 150 (mesmo que parte destes estornos de vendas seja de período pretérito)? A resposta, não me parece difícil, ao contrário, é óbvia. Pensarse o oposto, ou seja, impedir que as devoluções e cancelamentos, ainda que de períodos anteriores sejam subtraídas da base de cálculo, além de exigir tributos sobre uma receita bruta que se desfez Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 420 13 parcialmente, feriria, de morte, o preceito dos artigos 519 e 224, parágrafo único do RIR/1999, verbis: Art.519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. Art.224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). Na verdade o termo “vendas canceladas” é gênero da qual a devolução é espécie, posto que seus efeitos econômicos, financeiros e patrimoniais são os mesmos, mudando apenas o modus procedendi dos registros contábeis e fiscais. Em outro dizer, devolução nada mais é que anular, cancelar, todos os efeitos de uma operação anteriormente praticada, inclusive os contábeis e tributários. Na forma do Pronunciamento Técnico CPC nº 30, “Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto as contribuições dos proprietários”. Exprimase, só é receita aquilo que efetivamente adentra ao patrimônio da entidade. Venda que se cancela, serviço que não se recebe ou, se recebido, deve ser devolvido, não acresce o patrimônio da empresa. Logo, não é receita, portanto, não pode ser base de cálculo de tributo que se assenta justamente sobre esta premissa. Posição homologada pelo próprio Órgão Tributário (Solução de Consulta nº 114 – Cosit, de 22 de abril de 2014) que, mesmo tratando de PIS e COFINS (e até por isso mesmo), tem plena aplicação ao Lucro Presumido, regime que se apóia na “receita”: “No regime de competência, o cancelamento de notas fiscais, seja no mês da prestação de serviço ou em outro mês qualquer, por si só, não afeta a ocorrência do fato gerador ou a apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Todavia, se as causas que motivarem tal cancelamento, configurarem vendas canceladas, o correspondente valor, registrado como receita de serviços, é passível de exclusão da base de cálculo dessa Contribuição no mês da devolução”. Neste contexto, mesmo que as devoluções possam se referir a períodos anteriores ou mesmo não haver uma vinculação individualizada de cada devolução com a receita anteriormente recebida (reconheçase, procedimento nem sempre fácil de ser feito), penso que exigir tributos sobre receita que foi cancelada não pode ser aceito. Claro que os valores estão inflados pelos juros remuneratórios impostos pelo Bradesco e BMC e, por isso, não poderiam ser tomados na forma em que se encontram Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 421 14 planilhados nos contratos e servir como redutores das receitas posto que, por óbvio, quando das vendas/prestações de serviços não continham tal plus. Assim, impraticável se tomar, exemplificativamente, o montante devolvido da 1ª parcela de ambos os instrumentos, R$ 4.105,79 – Bradesco – vencimento em 01/11/2010 e R$ 1.705,06 – BMC – vencimento em 12/01/2009 posto que tais números, como visto, apresentam acréscimos de CDI (+) 0,25% e (+) 0,5%, respectivamente. De outro giro, como está perfeitamente definido, em registros e contratos juntados aos autos, o valor original das devoluções (fls. 334 e 343), basta simples operação matemática de forma a determinar cada parcela pelos seus valores primários, como abaixo demonstrado: Ø Bradesco 1. – Valor Original – R$ 349.112,86 2. – Quantidade de parcelas – 96 3. – Cálculo do valor original de cada parcela: (R$ 349.112,86 / 96) 4. – Valor unitário de cada parcela – R$ 3.636,59 Ø BMC 1. Valor Original – R$ 201.430,04 2. Quantidade de parcelas – 120 3. Cálculo do valor original de cada parcela: (R$ 201.430,04 / 120) 4. – Valor unitário de cada parcela – R$ 1.678,58 A partir destes cálculos, com os valores depurados, é possível contrapor os valores devolvidos à receita imputada nos autos de infração, evidentemente observando unicamente os períodos em que realizados os lançamentos de ofício, o que leva a desconsiderar o anocalendário de 2012. Nessa linha, temse a seguinte posição: a) Bradesco – 9 parcelas incorridas em 2010 e 52 em 2011, portanto, R$ 3.636,59 (*) 61 parcelas = R$ 221.831,99 (valor a reduzir como devolução). b) BMC – 51 parcelas incorridas em 2009, 52 em 2010 e 17 em 2011, portanto, R$ 1.678,58 (*) 120 = R$ 201.430,04 (valor a reduzir como devolução). Desse modo, entendo que cabe razão à recorrente e deve ser afastada parte dos lançamentos de IRPJ e de CSLL presentes nos autos, no total de R$ 423.262,03 Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 422 15 (valor tributável), conforme demonstrativo analítico a ser a ser exibido no final deste voto, separadamente por período e tributo. Destaco, por oportuno, que a exoneração acima somente se aplica ao IRPJ e à CSLL, posto que as receitas originárias não serviram de base para os lançamentos de PIS e de COFINS aqui apreciados. DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Rebelase a recorrente contra a possibilidade da imposição de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada no lançamento. Pois bem, ressalvando, de plano, que a incidência de juros de mora à taxa Selic sobre a Multa de Ofício é questão superveniente ao presente lançamento, passase à sua apreciação, já que, inexoravelmente, tal acréscimo virá integrar o crédito tributário objeto de discussão. Consoante dizer do art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, entendida esta como decorrente de obrigação tributária principal. E se referido crédito tributário (penalidade) não for pago integralmente no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, aplicandose a taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º, do CTN): “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(negrejouse e grifouse) Assim, a cobrança de juros de mora sobre a penalidade pecuniária cabível encontra fundamento de validade no próprio CTN. Por outro lado, só é plausível se falar na incidência de juros de mora pelo atraso no recolhimento quando o crédito tributário inadimplido sujeitase a prazo de vencimento, o que ocorre com relação ao tributo, à contribuição e à multa de ofício, e não com a multa de mora, a menos que esta última seja exigida isoladamente, mediante lançamento de ofício. Valendose da exceção legal contida no art. 161, § 1º, do CTN, a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, dispôs que, a partir de 1º de abril de 1995, sobre os tributos e contribuições sociais não recolhidos no prazo de vencimento incidem juros de mora calculados à taxa Selic (art. 13): Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 423 16 Lei nº 9.065, de 1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995: “Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...).” Seguindoa, a Lei nº 9.430, de 1996, foi mais genérica, dispondo que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61): “Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 424 17 que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Consistindo a multa de lançamento de ofício em débito para com a União, de natureza de obrigação tributária principal, correta a interpretação de que, sobre referida penalidade incidem juros à taxa Selic, a partir do seu vencimento. Corroboram, ainda, a conclusão acima, as razões abaixo dispostas. De fato, a mesma Lei nº 9.430, de 1996, reportandose especificamente à multa de mora inadimplida, dispôs que sobre ela incidem juros de mora à taxa Selic, quando exigida de ofício, isolada ou conjuntamente (art. 43): “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Com efeito, como já ressaltado anteriormente, sobre a multa de mora não há de se cogitar na incidência de juros, pois referida penalidade pecuniária é desprovida de vencimento, exceto quando exigida mediante lançamento de ofício, como regula o dispositivo supra, momento o qual se impõe um prazo legal para o seu adimplemento. Da mesma forma ocorre com relação aos juros. Estes não têm vencimento legal para o seu cumprimento, a menos que exigidos por meio de lançamento de ofício. Resta claro, pelo dispositivo acima transcrito, que sobre a penalidade exigida de ofício incidem juros de mora à taxa Selic. No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça, em recente decisão, já legitimou a incidência dos juros sobre a totalidade do crédito tributário, aí incluída a multa de ofício. Vejase: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 425 18 crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012 DJe 10/12/2012 Acresçase que a matéria já está amplamente consolidada nesta Corte no âmbito das três turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Assim, neste item, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício lançada. Concluindo, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para exonerar parte dos lançamentos nos períodos e valores abaixo discriminados: É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone DEMONSTRATIVO DOS VALORES LANÇADOS, EXONERADOS E MANTIDOS Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 426 19 TRIBUTO IRPJ CÓDIGO 2917 VALORES MANTIDOS – BASE DE CÁLCULO – VALORES TRIBUTÁVEIS 1 2 3 4 = (2+ 3) Período LANÇADO EXONERADO MANTIDO 1º Trim.2009 917.374,26 20.143,40 897.230,86 2º Trim.2009 4.849.732,70 21.821,54 4.827.911,16 3º Trim.2009 4.956.592,96 21.821,54 4.934.771,42 4º Trim.2009 4.732.287,23 21.821,54 4.710.465,69 1º Trim.2010 3.030.167,70 21.821,54 3.008.346,16 2º Trim.2010 2.609.514,54 21.821,54 2.587.693,00 3º Trim.2010 2.969.527,45 21.821,54 2.947.705,91 4º Trim.2010 2.665.260,03 54.550,85 2.610.709,18 1º Trim.2011 2.539.306,59 69.097,21 2.470.209,38 2º Trim.2011 6.235.688,96 53.989,99 6.181.698,97 3º Trim.2011 3.699.505,35 47.275,67 3.652.229,68 4º Trim.2011 1.379.534,95 47.275,67 1.332.259,28 TOTAIS 40.584.492,72 423.262,03 40.161.230,69 (*) VALORES SUJEITOS À INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA NA LIQUIDAÇÃO TRIBUTO CSLL CÓDIGO 2973 VALORES MANTIDOS – BASE DE CÁLCULO – VALORES TRIBUTÁVEIS 1 2 3 4 = (2+ 3) Período LANÇADO EXONERADO MANTIDO 1º Trim.2009 917.374,26 20.143,40 897.230,86 2º Trim.2009 4.849.732,70 21.821,54 4.827.911,16 3º Trim.2009 4.956.592,96 21.821,54 4.934.771,42 4º Trim.2009 4.732.287,23 21.821,54 4.710.465,69 1º Trim.2010 3.030.167,70 21.821,54 3.008.346,16 2º Trim.2010 2.609.514,54 21.821,54 2.587.693,00 3º Trim.2010 2.969.527,45 21.821,54 2.947.705,91 4º Trim.2010 2.665.260,03 54.550,85 2.610.709,18 1º Trim.2011 2.539.306,59 69.097,21 2.470.209,38 2º Trim.2011 6.235.688,96 53.989,99 6.181.698,97 3º Trim.2011 3.699.505,35 47.275,67 3.652.229,68 4º Trim.2011 1.379.534,95 47.275,67 1.332.259,28 TOTAIS 40.584.492,72 423.262,03 40.161.230,69 (*) VALORES SUJEITOS À INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA NA LIQUIDAÇÃO Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 427 20 Fl. 427DF CARF MF
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