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Numero do processo: 10166.728270/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
NULIDADE. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO FORMAL. ART. 6º DA PORTARIA RFB.
O Delegado da Receita Federal do Brasil é competente para emitir o Mandado de Procedimento Fiscal, uma vez que, por força do art. 2º do Decreto 3.724/2001 e do art. 6º da Portaria RFB 3.014/2011, é autoridade incumbida de instituir e dirigir os atos de procedimento de fiscalização.
RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. REPLEG.
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
GUELTAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM.
As gueltas são consideradas salário de contribuição, integrando, portanto, a remuneração dos funcionários.
Há provas deficientes nos autos, visto que não comprovam a movimentação real das remunerações em análise. Diante disso, faz-se necessário auferir a base de cálculo em conformidade com a orientação do art. 33, §§1º,2º,3ºda Lei 8.212/91. Sendo assim, como a apuração da base de cálculo são distintas, não ocorre bis in idem.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERCEIRO SETOR. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO ADMINISTRATIVO.
As contribuições devidas à Seguridade Social e as destinadas a terceiros (SESI, INCRA, SEBRAE) incidem sobre a remuneração paga tanto aos segurados empregados, quanto aos trabalhadores avulsos.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
É perfeitamente aplicável a contribuição para o SESI, tendo em vista que a Recorrente possui estabelecimento industrial.
Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
Recurso voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-002.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 448/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor quanto à multa.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Arlindo da Costa e Silva Redator Designado
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO FORMAL. ART. 6º DA PORTARIA RFB. O Delegado da Receita Federal do Brasil é competente para emitir o Mandado de Procedimento Fiscal, uma vez que, por força do art. 2º do Decreto 3.724/2001 e do art. 6º da Portaria RFB 3.014/2011, é autoridade incumbida de instituir e dirigir os atos de procedimento de fiscalização. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. REPLEG. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. GUELTAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM. As gueltas são consideradas salário de contribuição, integrando, portanto, a remuneração dos funcionários. Há provas deficientes nos autos, visto que não comprovam a movimentação real das remunerações em análise. Diante disso, fazse necessário auferir a base de cálculo em conformidade com a orientação do art. 33, §§1º,2º,3ºda Lei 8.212/91. Sendo assim, como a apuração da base de cálculo são distintas, não ocorre bis in idem. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERCEIRO SETOR. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO ADMINISTRATIVO. As contribuições devidas à Seguridade Social e as destinadas a terceiros (SESI, INCRA, SEBRAE) incidem sobre a remuneração paga tanto aos segurados empregados, quanto aos trabalhadores avulsos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 82 70 /2 01 1- 19 Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.062 2 É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. É perfeitamente aplicável a contribuição para o SESI, tendo em vista que a Recorrente possui estabelecimento industrial. Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 448/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor quanto à multa. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Arlindo da Costa e Silva – Redator Designado Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.063 3 Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.064 4 Relatório Tratase de crédito tributário, consolidado em 21/11/2011, tendo como período do lançamento as competências entre 01/2007 a 12/2008, por intermédio dos seguintes Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal: AIOP DEBCAD nº 37.322.0456, referente às contribuições previdenciárias da parte patronal devidas à Seguridade Social e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa RAT, do AIOP DEBCAD nº 37.322.0464, referente às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social pelos segurados empregados; e do AIOP DEBCAD nº 37.322.0472, referente às contribuições devidas aos terceiros, tendo como base de cálculo a verba remuneratória denominada “guelta”, paga, devida ou creditada aos seus segurados empregados.. Segundo o Relatório Fiscal, havendo indícios claros de pagamento de verba remuneratória a promotores à título de incentivo de vendas, observadas durante a realização de procedimento fiscal na AMERICEL S/A. Nesse sentido, a empresa ora Recorrente não comprovou a inclusão dos valores recebidos como gueltas, ou incentivo de vendas, ao salário de contribuição de seus empregados, nem tampouco comprovou a declaração em GFIP, com o respectivo recolhimento dos valores de contribuição previdenciária devidos incidentes sobre os mesmos. Ressalta ainda o auditor fiscal, que as folhas de pagamento apresentadas em formato digital, com dados omissos e inexatos impossibilitou a correta verificação da remuneração dos seus segurados. Em razão da apresentação de documentos pelo Recorrente ter ocorrido de maneira precária e deficiente , e que sua contabilidade não registra fidedignamente a remuneração dos seus empregados, foram consideradas como base de cálculo das contribuições previdenciárias, os valores integrais apurados como pagamento pelas empresas AMERICEL S/A e 14 BRASIL TELECOM CELULAR S/A, de valores relativos a incentivo de vendas/gueltas, constantes em notas fiscais, notas de débito, na contabilidade, sendo essa aferição indireta perfeitamente respaldada, no art. 33m parágrafos 1, 2, 3 e 6, da lei 8.212/91. Apresentadas impugnações individualizadas pelo contribuinte, o lançamento foi mantido pela decisão recorrida, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AIOP DEBCAD nº 37.322.0456 (PATRONAL) 37.322.0464 (SEGURADOS) 37.322.0472 (TERCEIROS) GUELTA. NATUREZA JURÍDICA DE COMISSÃO. INTEGRA O SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.065 5 Integram os salários não só as importâncias pagas diretamente pelo empregador, mas também aquelas que o empregado vier a receber em razão da execução do seu Contrato de Trabalho, com o fim de incrementar suas vendas. SEGURADO EMPREGADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Para o empregado a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. AFERIÇÃO INDIRETA. SALÁRIO DECONTRIBUUIÇÃO Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, pode a Administração Tributária, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. ÔNUS PROBATÓRIO O crédito previdenciário lavrado em conformidade com o art. 37 da Lei nº 8.212/91 e alterações c/c art. 142 do C.T.N, somente será elidido mediante a apresentação de provas, pelo contribuinte, que comprove a não ocorrência desses fatos. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS São devidas pela empresa e equiparadas às contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados que lhes prestem serviços. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, e recolher à Seguridade Social, as contribuições dos segurados a seu serviço, conforme previsto nas Leis nº 8.212/91 e nº 10.666/93. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA Tratandose de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária não definitivamente julgado, aplicase a lei superveniente, quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. Segundo a Portaria Conjunta PGFN/RFB n º14, de 2009, a análise do valor das multas para verificação e Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.066 6 aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada a empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese que: a) Nulidade absoluta do mandado de procedimento fiscal, já que este foi emitido por autoridade incompetente, violando o disposto no art. 6° da portaria RFB n° 3.014, de 29 de junho de 2011 e demais dispositivos legais. b) Nulidade do lançamento pela ausência de intimação dos cotitulares das contas bancárias para comprovar a origem dos depósitos recebidos, ofendendo o disposto na súmula 29 do CARF. c) A apuração dos tributos foi realizada sem a observância dos valores já pagos pela empresa, assim, tomouse como base de cálculo valores sobre os quais já houve incidência e recolhimento de contribuições previdenciárias. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.067 7 Voto Vencido Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentado os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Preliminarmente Da Nulidade Absoluta do Mandado de Procedimento Fiscal A Recorrente alega ser nula a atuação por vício formal atinente à competência para a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, uma vez que a autoridade que emitiu o MPF seria incompetente para este ato, conforme a dicção do art. 6º da Portaria da RFB 3.014/2011. Ocorre que sendo o procedimento de fiscalização instituído mediante ato da RFB, através do Delegado da RFB (artigo 2 do Decreto 3.724/2001 e artigo 6 da Portaria RFB 3.014/2011), e executada pelos AuditoresFiscais, é patente que o DRFB possui atribuições emitir o Mandado do Procedimento Fiscal , já que se trata da autoridade incumbida de determinar e dirigir os atos praticados. Logo, improcedente essa preliminar da Recorrente. Do Mérito Os três AIOP apresentam a mesma base de cálculo para incidência da contribuição previdenciária, qual seja o pagamento por terceiros de incentivos de vendas/gueltas aos seus segurados empregados. O sujeito passivo pretexta a existência de bitributação, visto que o auditor ao investigar as presentes contribuições previdenciárias, adotou como base de cálculo valores outrora incididos e recolhidos. No entanto, ao arrazoar tais fatos não produz provas suficientes para que se possa atendêlos. Analisando a origem do instituto da Guelta , concedida em via de regra, aos empregado vencedores, esse instituto é oriundo da palavra “Geld” – oriundo da língua germânica, essa palavra é precedida da prenome “wechsel” – sendo filiada ao tronco da palavra “wechselgeld”. Na Alemanha o mercado farmacêutico a fim de incentiva a venda de suas medicações, nos anos de 60, bonificava os balconistas, com uma comissão, pela quantidade de remédio vendido . Observese que essa pratica acontecia entre o laboratório farmacêutico e colaborador de uma determinada farmácia. Com a evolução do tempo e o dinamismo da sociedade contemporânea, o instituto da Guelta, até hoje utilizado é visto como quantias pagas pelos fornecedores do empregador aos empregados deste e visam fomentar a venda dos produtos de fabricação daqueles, porém essa quantia integra ou não a remuneração do trabalhador financiado? Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.068 8 Partindose do pressuposto desse instituto decorrem da prestação dos serviços realizados pelo empregado, no curso da jornada, em função da existência do próprio contrato de trabalho, devendo sob esse prisma ser analisado a sua natureza salarial. Em concisa analise, sem querer esgotar a matéria, a doutrina e a jurisprudência trabalhista, majoritariamente, entendem que essa verba por ser paga por terceiros não lhe retira a natureza jurídica salarial, vez que essa verba está ligada, diretamente, ao trabalho. Incidindo assim o art. 457 da CLT, fazendo parte da remuneração do trabalhador para quaisquer efeitos. Trazemos a baila os seguintes julgados: Gueltas Natureza jurídicaSumula 354 do TST Aplicação analógicaGueltas são valores pagos habitualmente aos empregados de determinada empresa pelos fabricantes dos produtos por ela vendidos. Conquanto se tratem de valores pagos por terceiros, assim como também os são as gorjetas, as “gueltas” revestemse de natureza salarial, pois decorrem da prestação dos serviços realizados pelo empregado, no curso da jornada, em função da existência do próprio contrato de trabalho. Assim devem integrar o acervo remuneratório do ombreiro, por aplicação análoga da Súmula 354 do TST. ( TRT17ª Região RO 5800011.2011.5.17.0001 Rel. Des. Jailson Pereira da Silva – Dje 28.05.2012 pág. 77. (grifo nosso). Gueltas Integração As gueltas são pagas pela venda de produtos e constituem um incentivo ao desempenho do empregado, o que traz, sem dúvidas, benefícios ao empregador. Possuem natureza contraprestativa, devendo refletir nas demais parcelas. (TRT – 03ª R. – RO 179981.2010.5.03.0014 Rel. Des. Rogerio Valle Ferreira – Dje 19.03.2012 pág. 296). Recurso de Revista – Gueltas Integração na Base de cálculo de parcelas salariais – O entendimento desta Corte é de que às gueltas atribuise a mesma natureza dada às gorjetas. Assim, nos termos da Súmula nº 354 do TST, as gorjetas integram a remuneração do empregado, não servido, contudo, de base de cálculo para as parcelas de aviso prévio, adicional noturno, horas extras e repouso semanal remunerado (RR 214/200713403 00.0). Recurso de Revista a que se dá provimento parcial, para excluir as gueltas da base de cálculo do avisoprévio e repouso semanal remunerado. (TST –RR 819/20050200400.2 – Rel. Min. Kátia Magalhães Arruda – Dje 19.04.2011 –pág. 984). Recurso de Revista – Gueldas Integração à remuneração – Natureza Jurídica a decisão regional está em consonância com o entendimento consolidado no âmbito desta Corte, no sentido de que a parcela gueltas, paga habitualmente, ainda que por terceiros, fornecedores da Reclamada, possui natureza Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.069 9 salarial, uma vez que conferida habitualidade à empregada como incentivo à melhoria das vendas, o que atrai de forma indiscutível, melhores ganhos ao empregador, devendo compor a remuneração da Autora para todos os efeitos legais pertinentes. Recurso de Revista não conhecido... (TST – RR 52/200702103 00.5 Rel. Min. Márcio Eurico Vitral Amaro – Dje 19.12.2011, pág 2984). Nesta senda, no tocante a integralização das gueltas à remuneração do trabalhador, compreendese que estas são consideradas salário de contribuição, conforme a dicção do art. 28, inciso I, da Lei 8.212/91, uma vez que possui natureza jurídica de comissão e a remuneração auferida pelos funcionários da MDF Móveis Ltda., durante o mês, foram destinados para retribuir o trabalho realizado. Desta forma, mantémse o posicionamento do Auditor Fiscal. Com relação a não observância do Auditor no que se refere aos documentos comprobatórios anexados aos autos (notas de débito, notas fiscais de serviços e autorizações de pagamento), percebese que o crédito em análise foi autuado devido às provas deficientes acostadas pela Recorrente, haja vista que não é devidamente registrado, pela contabilidade, o movimento real das remunerações em comento, sendo perfeitamente aplicável o instituto da aferição indireta. Posto isto, em concordância com o Relatório Fiscal, entendese como a forma mais coerente para auferir a base calculo a adoção dos valores integrais apurados como pagamento, realizados pelas empresas AMERICEL S/A e 14 BRASIL TELECOM CELULAR S/A, de valores relativos a incentivos de vendas (gueldas), segundo consta nas provas apresentadas. Ao fazer isso, a fiscalização estará agindo com afinidade ao disposto no art. 33, §§ 1º, 2º, 3º da Lei 8.212/91. Diante do exposto, não podese falar em bis in idem, pois a apuração das bases de cálculos são distintas e nítido o caráter remuneratório dessas verbas. Das Alegações de Inconstitucionalidade e Ilegalidade sobre as contribuições para o Terceiro Setor. Em relação ao AIOP DEBCAD 37.322.0472, que trata das contribuições destinadas a Terceiros, temos várias alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade dessas contribuições (INCRA, SESI e SEBRAE), reafirmo que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Desta feita, no que diz respeito à contribuição devida a Terceiros, nossa jurisprudência há muito já se posicionou acerca de sua legalidade e constitucionalidade, como facilmente se depreende nos julgados abaixo, literris: Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.070 10 CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS GERAIS SESC E SENAC SESCOOP COOPERATIVA DE TRABALHO MISTA ENQUADRAMENTO SINDICAL ART. 557 DA CLT PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE CONSTITUCIONALIDADE DAS EXAÇÕES EXIGIBILIDADE NÃO REFERIBILIDADE DECRETOS LEIS 9.853/46 E 8.621/46 MP 1.89813/99 APELAÇÃO DESPROVIDA 1 Verificado o enquadramento da Apelante, mediante a análise de seus fins, dispostos no estatuto às fls. 32/55 dos autos, nº 2º Grupo do quadro anexo ao art. 577 da Consolidação das Leis do Trabalho E que foi recepcionado pela Carta Magna de 1988 Sujeitase a mesma ao recolhimento de contribuições sociais gerais ao SESC e SENAC. Confirase a jurisprudência deste eg. Tribunal: AMS 2000.33.00.000789 8/BA, 8ª Turma, Rel.: Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 2512008, p. 319) e AMS 1999.38.00.0410304/MG, 7ª Turma, Rel.: Desembargador Federal Catão Alves, DJ de 1342007, p. 76). 2 A exigência do recolhimento das contribuições sociais para o SESC e o SENAC, de natureza jurídica social, encontrase amparada em lei, devidamente recepcionada pela Carta Magna de 1988 (cf. Lei 9504, art. 240), notadamente em face da eleição da valorização do trabalho e o progresso social do trabalhador como princípios pétreos da ordem econômica e social (cf. art. 170, CF/88). Relativamente às cooperativas, a própria Medida Provisória nº 1.89813/99, criadora do SESCOOP, faz referência, em seu art. 9º, ao fato de que as contribuições anteriormente arrecadadas pelas cooperativas e destinadas ao SESC/SENAC, passaram a ser canalizadas para a nova entidade. 3 Desnecessária a referibilidade, relação e vinculação entre a exação e o contribuinte, que prescinde ser beneficiado diretamente pelas exações em comento, porquanto contribuições de intervenção no domínio econômico, cujo objetivo é efetivar, sob todos os aspectos, o apoio e desenvolvimento das empresas, em sua generalidade e independentemente do fato de praticarem atos de comércio Ou não Ou de serem prestadoras de serviços Ou não. 4 Neste sentido: "As contribuições destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema (S) sindical (SESC/SENAC, SESI/SENAI, SEST/SENAT, SEBRAE) são definidas pela jurisprudência como contribuições sociais de intervenção no domínio econômico, inseridas no contexto da concretização da cláusula pétrea da valorização do trabalho e dignificação do trabalhador, a serem suportadas por todas as empresas, ex vi da relação jurídica direta entre o capital e o trabalho, independentemente da natureza e objeto social delas." (In AC 2000.01.00.0260118/MG, 7ª Turma do TRF/1ª Região, Rel.: Des. Federal Luciano Tolentino Amaral, eDJF1 1952008, p. 124). 5 Recurso de apelação ao qual se nega provimento. (TRF1ª R. AC 2003.38.00.0398970/MG 7ª T. Rel. Itelmar Raydan Evangelista DJe 23.01.2009 p. 202). *** CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PARA O SESC/SENAC CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE CONSTITUCIONALIDADE 1 Pacificouse no E. Superior Tribunal de Justiça o entendimento no sentido de que a contribuição para o SESC/SENAC é devida pelas empresas prestadoras de serviço (REsp nº 431.347/SC, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Seção, D.J. de 25.11.2002 e REsp nº 587.415/ SC, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.071 11 D.J. de 03.5.2004). 2 No julgamento do RE nº 396.266/SC, o E. STF concluiu pela constitucionalidade da cobrança da contribuição para o SEBRAE. 3 Apelação improvida. (TRF1ª R. AC 2005.33.00.0178953/BA 7ª T Rel. Des. Fed. Catão Alves DJe 06.03.2009 p. 140) A contribuição ao SEBRAE, prevista no artigo 8º, §3º da Lei 8.029/90, com redação dada pela Lei 8.154/90, como já explanado alhures, é constitucional, e não se restringe às micro e pequenas empresas. Assim, todas as empresas sujeitas ao pagamento das contribuições ao SESC, SENAC, SESI e SENAI, estão também obrigadas ao pagamento da contribuição ao SEBRAE. Esse é o entendimento pacífico do colendo Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO SESC E AO SENAC. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. REVISÃO DO ENTENDIMENTO PELA 1ª SEÇÃO DO STJ. PRECEDENTES. ADICIONAL. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. 1. Tratam os autos de mandado de segurança impetrado por CONSERBENS LTDA. contra ato do Coordenador da Divisão/Serviço de Arrecadação e Fiscalização do INSS em Recife/PE, objetivando desobrigarse de recolher contribuição social para SESC, SENAC e SEBRAE. O juízo monocrático denegou o segurança, sob o argumento de que é devida a exação em comento em face da natureza comercial da empresa impetrante. Inconformada, a ora recorrente apelou, tendo o TRF da 5ª Região, à unanimidade, negado provimento ao recurso. Em sede de recurso especial, aponta violação aos artigos 535, II, do CPC, 110 do CTN, 4º do Decreto lei nº 8.621/46, 3º do Decretolei 9.853/46, 8º, §§ 3º e 4º da Lei nº 8.029/90, além de divergência jurisprudencial. 2. O julgador não está obrigado a enfrentar todas as teses jurídicas deduzidas pelas partes, sendo suficiente que preste fundamentadamente a tutela jurisdicional. In casu, não obstante em sentido contrário ao pretendido pelo recorrente, constatase que a lide foi regularmente apreciada pela Corte de origem, o que afasta a alegada violação da norma inserta no art. 535, do CPC. 3. Novo posicionamento da Primeira Seção do STJ no sentido de que as empresas prestadoras de serviço, no exercício de atividade tipicamente comercial, estão sujeitas ao recolhimento da contribuição social destinada ao SESC e SENAC. 4. O art. 8º, § 3º, da Lei nº 8.209/90, com a redação da Lei nº 8.154/90, impõe que o SEBRAE (Serviço Social Autônomo) será mantido por um adicional cobrado sobre as alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986, isto é, as que são recolhidas ao SESC e SENAC, sendo exigível, portanto, o adicional ao SEBRAE. 5. Recurso especial improvido.(REsp 691056 / PE; RECURSO ESPECIAL 2004/01366999. Relator Ministro José Delgado. STJ. 1ª Turma. DJ 18.04.2005 p. 235) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AUTÔNOMA. ADICIONAL AO SEBRAE. EMPRESA DE GRANDE PORTE. EXIGIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.072 12 1. As contribuições sociais, previstas no art. 240, da Constituição Federal, têm natureza de "contribuição social geral" e não contribuição especial de interesses de categorias profissionais (STF, R n.º 138.284/CE) o que derrui o argumento de que somente estão obrigados ao pagamento de referidas exações os segmentos que recolhem os bônus dos serviços inerentes ao SEBRAE. 2. Deflui da ratio essendi da Constituição, na parte relativa ao incremento da ordem econômica e social, que esses serviços sociais devem ser mantidos "por toda a coletividade" e demandam, a fortiori, fonte de custeio. 3. Precedentes: RESP 608.101/RJ, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 24/08/2004, RESP 475.749/SC, 1ª Turma, desta Relatoria, DJ de 23/08/2004. 4. Recurso especial conhecido e provido. (REsp 662911 / RJ; RECURSO ESPECIAL 2004/00729112. Relator Ministro Luiz Fux. STJ. 1ª Turma. DJ 28.02.2005 p. 241) *** TRIBUTÁRIO ADICIONAL AO SEBRAE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO EMPRESAS DE MÉDIO E GRANDE PORTE EXIGIBILIDADE 1 A Contribuição para o SEBRAE (§ 3º, do art. 8º, da Lei nº 8.029/90) configura intervenção no domínio econômico, e, por isso, é exigível de todos aqueles que se sujeitam a Contribuições para o SESC, SESI, SENAC e SENAI, independentemente do porte econômico (micro, pequena, média ou grande empresa). Agravo regimental improvido. (STJ AgRgREsp 1.042.041 (2008/00618479) 2ª T Rel. Min. Humberto Martins DJe 25.05.2009 p. 1412) *** AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE CONSTITUCIONALIDADE DO § 3º DO ARTIGO 8º DA LEI 8.029/90 PRECEDENTE 2 A contribuição do sebrae é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a Lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais pertinentes ao SESI, SENAI, sesc e senac. Constitucionalidade do § 3º do artigo 8º da Lei 8.029/90. Precedente do Tribunal Pleno. Agravo regimental a que se nega provimento. (STF AgRgRE 520.8150 Rel. Min. Eros Grau DJe 09.05.2008 p. 154) *** PROCESSUAL CIVIL AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE SEST/SENAT CONTRIBUIÇÃO SEBRAE LEGALIDADE PRECEDENTES I Com o advento da Lei 8.706/93, não houve a criação de novo encargo a ser suportado pelos empregadores, mas tãosomente a alteração do destinatário das contribuições devidas pelas empresas de transporte ao SESI/SENAI, não alterando a sistemática de recolhimento da contribuição para o SEBRAE. II A constitucionalidade da contribuição SEBRAE foi decidida por esta Corte, no julgamento do RE 396.266/SC, Rel. Min. Carlos Velloso. III Agravo regimental improvido. (STF AIAgR 596552 MG 1ª T. Rel. Min. Ricardo Lewandowski J. 06.11.2007) *** Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.073 13 TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE DA PESSOA JURÍDICA INDEPENDENTEMENTE DA NATUREZA DE MICRO OU PEQUENA EMPRESA. 1. Ao instituir a referida contribuição como um "adicional" às contribuições ao SENAI, SENAC, SESI e SESC, o legislador indubitavelmente definiu como sujeitos ativo e passivo, fato gerador e base de cálculo, os mesmos daquelas contribuições e como alíquota, as descritas no § 3º do art. 8º da Lei nº 8.029/90. 2. Assim, a contribuição ao SEBRAE é devida por todos aqueles que recolhem as contribuições ao SESC, SESI, SENAC e SENAI, independentemente de seu porte (micro, pequena, média ou grande empresa). 3. Recurso especial provido. (REsp 608101 / RJ; RECURSO ESPECIAL 2003/02069199. Relator Ministro Castro Meira. STJ. 2ª Turma. DJ 04.10.2004 p. 254) Tendo em vista a jurisprudência acima colacionada, resta cabalmente comprovada a exigibilidade das contribuições destinadas ao SEBRAE, bem como mostrase inegável o fato da referida obrigação não restringirse apenas às micro e pequenas empresas. No que concerne às contribuições para o SESI, estas possuem natureza jurídica de contribuição social de interesse de categorias. Consignase que são contribuintes do SESI as empresas que se enquadram no seguinte dispositivo legal: DecretoLei nº 9.403, de 25/6/1946 Art. 3º Os estabelecimentos industriais enquadrados na Confederação Nacional da Indústria (artigo 577 do DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943), bem como aqueles referentes aos transportes, às comunicações e à pesca, serão obrigados ao pagamento de uma contribuição mensal ao Serviço Social da Indústria para realização de seus fins. (...) § 1º A contribuição referida neste artigo será de dois por cento (2%) sobre o montante da remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados. O montante da remuneração que servirá de base ao pagamento de contribuição será aquele sobre o qual deva ser estabelecida a contribuição de previdência devida ao Instituto de Previdência ou caixa de aposentadoria e pensões a que o contribuinte esteja filiado. Lei nº. 5.107, de 13/9/1966 Art. 24. Fica reduzida para 1,5% (um e meio por cento) a contribuição devida pelas empresas ao Serviço Social do Comércio e Serviço Social da Indústria e dispensadas estas entidades da subscrição compulsória a que alude o art. 21 da Lei nº 4.380, de 21 de agosto de 196. Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.074 14 Sendo assim, é perfeitamente aplicável a contribuição para o SESI, tendo em vista que a Recorrente possui estabelecimento industrial. Outrossim, argúise também a inconstitucionalidade da exigência da contribuição previdenciária destinada ao INCRA, sob a justificativa de que a cobrança estaria a comprometer o princípio contributivo regente do sistema previdenciário constitucional, tendo em vista a empresa matriz da Recorrente estar situadas em área de perímetro urbano. Mantidas as ressalvas já articuladas acima, em que se delineou os limites cognitivos traçados para a atuação desta instância administrativa, devese observar, a par da questão constitucional, que o E. STJ revisou a jurisprudência de suas Turmas de Direito Público a partir do julgamento do ERESP nº 770451/SC e passou a reconhecer na exação instituída pelo art. 15, II, da Lei Complementar nº 11/71, a natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico, e não mais de contribuição social, de modo que sua imposição estaria mantida mesmo após a vigência da Lei nº 8.212/91. Admitiuse, dessa forma, que a arrecadação promovida em nome do INCRA não seria destinada ao financiamento de benefícios e de serviços previdenciários destinados ao trabalhador rural, mas ao custeio das atividades institucionais cometidas constitucionalmente ao INCRA para a realização da reforma agrária. Vale trazer à colação a ementa deste julgamento: “TRIBUTÁRIO. INCRA. CONTRIBUIÇÃO. NATUREZA. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. INAPLICABILIDADE. 1. O INCRA foi criado pelo DL 1.110/70 com a missão de promover e executar a reforma agrária, a colonização e o desenvolvimento rural no País, tendolhe sido destinada, para a consecução de seus objetivos, a receita advinda da contribuição incidente sobre a folha de salários no percentual de 0,2% fixada no art. 15, II, da LC n.º 11/71. 2. Essa autarquia nunca teve a seu cargo a atribuição de serviço previdenciário, razão porque a contribuição a ele destinada não foi extinta pelas Leis 7.789/89 e 8.212/91 ambas de natureza previdenciária , permanecendo íntegra até os dias atuais como contribuição de intervenção no domínio econômico. 3. Como a contribuição não se destina a financiar a Seguridade Social, os valores recolhidos indevidamente a esse título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. 4. Nos termos do art. 66, § 1º, da Lei n. 8.383/91, somente se admite a compensação com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. 5. Embargos de divergência improvidos. (EREsp 770451/SC, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Rel. p/ Acórdão Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27.09.2006, DJ 11.06.2007 p. 258)” Reconsiderada a natureza da mencionada contribuição, também restou assentado no âmbito do E. STJ o entendimento de que as contribuições vertidas ao INCRA e ao Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.075 15 FUNRURAL são perfeitamente exigíveis de empresas urbanas, o que se colhe da leitura da seguinte ementa: “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO AO FUNRURAL E AO INCRA. EMPRESA URBANA. LEGALIDADE DA COBRANÇA. ENTENDIMENTO DO STF. PRINCÍPIO DA SOLIDARIZAÇÃO DA SEGURIDADE SOCIAL. PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. Configurada, à época, divergência entre o acórdão embargado (que entende exigível a Contribuição de empresa urbana para o FUNRURAL e o INCRA) e o acórdão paradigma (que preconiza a não exigência das Contribuições em casos análogos), aplicase o entendimento da Primeira Seção, no sentido da decisão recorrida. 2. "É legítimo o recolhimento da contribuição previdenciária para custeio do FUNRURAL e do INCRA por empresas urbanas, já que a lei não exige a vinculação da empresa a atividades rurais." (ERESP 412.923/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, DJ de 09/08/2004). 3. Embargos de Divergência não providos. (EREsp 177661/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13.12.2006, DJ 01.10.2007 p. 203)” Portanto, em obséquio à autoridade da interpretação consolidada no âmbito da Corte de pacificação da legislação infraconstitucional, devem ser afastadas as postulações da Recorrente que pleiteiam a desconstituição dos lançamentos referentes à contribuição destinada aos Terceiros. Da Aplicação das Penalidades A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do referido art. 35 (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.076 16 Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.077 17 Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.078 18 Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.079 19 Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica Da Exclusão dos Corresponsáveis Quanto à solicitada exclusão do sócio gerente, cabe esclarecer que a relação de corresponsáveis anexada aos autos pela Fiscalização, no meu particular entendimento, tem como escopo garantir a possibilidade de inclusão dos sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal, e não simplesmente listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. O prejuízo aos corresponsáveis é imediato, pois com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado será imediatamente inscrito no CADIN, em nome do autuado e também de todos os corresponsáveis listados na relação anexa ao Auto de Infração. No caso da pessoa jurídica contribuinte, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois ela, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. Contudo, a lei prevê que, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. É o que determina o comando do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – (...) II – (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Pelo referido comando, esta responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sócio administrador, para o diretor responsável ou para o representante legal capaz. Além disso, esta transferência só poderá acontecer quando houver prova de que estes praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no caput do artigo. Encerrado o processo administrativo com a confirmação da procedência da dívida e não havendo pagamento, será emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.080 20 apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos sócios diretores ou ao representante legal a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais só aceitam a citação dos corresponsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e só nessa hipótese, poderá constar o nome do corresponsável. Sim, pois partese do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do sócio administrador, do diretor ou do representante nela incluído, presumirseá, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluído. No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, até a revogação do art. 13, da Lei n. 8.620/93, o chamamento dos corresponsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art. 135 do CTN. Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça, tem farta jurisprudência determinando que se o nome do corresponsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao corresponsável apenas via embargos à execução (cuja oposição é imprescindível a penhora), fazer contraprova à sua condição de sujeito passivo. Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do corresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no polo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Logo, resta claro o prejuízo aos corresponsáveis com a sua inclusão na relação anexa ao presente Auto de Infração, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN, pois essa relação servirá de base para uma futura inscrição do débito em dívida ativa. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, em relação aos DEBCADs 37.322.0456, 322.0464, 37.322.0472 apenas para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos no período do lançamento, a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996 até a competência 11/2008, caso seja mais benéfica para o contribuinte, afastando nesse período toda e qualquer aplicação de multa de ofício, bem como para que o rol de corresponsáveis contido no auto de infração tenha finalidade meramente informativa, sem o condão de atribuir responsabilidade às pessoas nele indicadas tal qual previsão na Súmula 88 do CARF. . Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.081 21 Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. É como voto. Sala das Sessões, em 15 de outubro de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.082 22 Voto Vencedor DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Ouso discordar, data maxima venia, do entendimento esposado pelo Ilustre Relator relativo ao regime jurídico aplicável à determinação da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributaria principal formalizada mediante lançamento de ofício. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio juris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. O caso ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.083 23 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.084 24 II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.085 25 §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.322.0456, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro/2007 a dezembro/2008. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal acima indicado a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que mesmo um computador, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, consegue determinar, sem erro, qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.086 26 previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.087 27 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.088 28 §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora encontramse dispostos em separado, digase, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.089 29 critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.090 30 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Daí a divergência inaugurada por este Conselheiro. Em seu voto de relatoria, o insigne Conselheiro Relator defendeu a aplicação retroativa, para as competências anteriores a dezembro/2008, do limite de 20% para a multa de mora previsto no §2º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, por entender tratarse de hipótese de retroatividade benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. No caso, considerou o preclaro Relator que a comparação das normas deve ocorrer em institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora com multa de mora (art. 35 da Lei 8.212/91), não com multa de ofício (art. 35A da Lei nº 8.212/91), por considerar que tal penalidade era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Sendo assim, a multa de mora aplicada em face dos autos de infração relacionados às obrigações principais (AIOP) deveria ficar restrita ao percentual de 20% até novembro/2008, permanecendo o percentual de 75% a partir de dezembro/2008. Se nos antolha não proceder o argumento de que a penalidade referente à multa de ofício era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Ocorre que ao efetuar o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), promoveuse data venia a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). De tal equívoco, no entendimento deste Subscritor, resultou no voto de relatoria a aplicação retroativa de penalidade prevista para uma infração mais branda (descumprimento de obrigação principal não inclusa em lançamento de ofício) para uma infração tributária mais severa (descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.091 31 Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) prevêem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.092 32 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c" do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar,in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não houver ocorrido sonegação, fraude ou conluio. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.093 33 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação, fraude ou conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No caso dos autos, considerando não haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que, em tese, qualificase como fraude e sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II da art. Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, para as competências até novembro/2008, inclusive, e em conformidade com o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44, I da Lei no 9.430/96, para as competências a partir de dezembro/2008, inclusive, em atenção ao princípio tempus regit actum. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, observado em qualquer caso, unicamente, o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto Arlindo da Costa e Silva, Redator Designado Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 13749.001424/2009-36
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONFRONTO DE INFORMAÇÕES.
É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte.
DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. AUSÊNCIA DE REQUISITO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO.
A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONFRONTO DE INFORMAÇÕES. É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. AUSÊNCIA DE REQUISITO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Recurso Voluntário Negado
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CONFRONTO DE INFORMAÇÕES. É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. AUSÊNCIA DE REQUISITO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 00 14 24 /2 00 9- 36 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13749.001424/200936 Acórdão n.º 2801003.467 S2TE01 Fl. 61 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4a.Turma da DRJ/CGE. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada através notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física n. 2009/665599449425920. fl.23, resultante de lançamento de revisão de declaração de ajuste do exercício 2009, anocalendário 2008, por meio do qual se exige o crédito tributário de R$ 12,183,88, assim discriminado: DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CÓD DARF VALOR EM REAIS Imposto de renda pessoa física – suplementar – sujeito a multa de ofício 2904 6.754,19 Multa de ofício – passível de redução 5.065,64 Juros de Mora – calculados a´t 31.07.2009 364,05 Imposto de renda pessoa física 0211 Multa de Mora – não passível de redução Juros de Mora – calculados ate´30.11.2009 Valor do crédito tributário apurado 12.183,88 Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal, o lançamento de ofício decorre das seguintes infrações: Omissão de Rendimentos (.....) Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 23.309,34, recebido (s) pelo Fl. 61DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13749.001424/200936 Acórdão n.º 2801003.467 S2TE01 Fl. 62 3 titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s), relacionada (s) abaixo: CNPJ/CPF NOME DA FONTE PAGADORA RENDIMENTO DECLARADO RENDIMENTO OMITIDO IRRF RETIDO IRRF DECLARADO IRRF S/OMISSO 86717469000161 04421884715 DOGRARIA BARRAFARMA LTDA 54.407,98 23.309,34 OO OO OO Dedução Indevida de Despesas Médicas Glosa do valor de R$ 3.696,00 indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação,ou por falta de previsão legal para sua dedução, conforme abaixo discriminado: Seq CPF/CNPJ NOME/NOME EMPRESARIAL CÓD. DECLARADO REEMBOLSADO ALTERA 01 01205558756 ANA PAULA PELLICCIONE REIS 010 2.591,00 02 19122462449 LUIZ GONZAGA FERNANDES DA SILVA 010 530,00 03 37007696791 MAURICIO CHVEID 010 300,00 04 60922168001077 ASSOCIAÇÃO CONGREGAÇÃO DESANTA 020 275,00 OS RECIBOS EMITIDOS POR ANA PAULA P REIS E MAURICIO CHVEID NÃO IDENTIFICAM O USUÁRIO DOS SERVIÇOS. OS RECIBOS EMITIDOS POR LUIZ GONZAGA NÃO IDENTIFICAM O USUÁRIO DOS SERVIÇOS NEM O BENEFICIÁRIO DO PAGAMENTO DOS SERVIÇOS PRESTADOS. NÃO APRESENTOU NOTA FISCAL DE SERVIÇOS EM NOME DO HOSPITAL SÃO JOSE NO VALOR DE R$ 275,00. O contribuinte foi cientificado do lançamento por aviso de recebimento por edtal em 03/12/2009, conforme consta da f.35. IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação, em 23/12/2009, através da qual o interessado, após qualificarse e resumir os fatos, apresentou sua defesa cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: i) alega que, do aluguel recebido de Drogaria Barrafarma Ltda recebeu o valor líquido de R$ 54.407,98, após desdcontado o valor de R$ Fl. 62DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13749.001424/200936 Acórdão n.º 2801003.467 S2TE01 Fl. 63 4 13.419,77 de Imposto de Renda Retido na Fonte e de R$ 4.834,03 pagos a título de pagamento à administradora de imóveis, conforme contratos de administração que junta; ii) apresenta os documentos necessários para comprovar as despesas médicas glosadas, exceto a nota fiscal para substituir o recibo de R$ 275,00, do Hospital São José Ltda, visto que este não se dispôs a emitir a referida nota, por se referir a exercício anterior. Por fim requer o cancelamento de débito reclamado. A impugnação apresentada foi julgada improcedente em parte, conforme acórdão de (fls.43/50), assim ementado a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa F ísica IRPF Exercício: 2009 RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS As despesas no recebimento de aluguéis podem ser deduzidas do valor destes, para fins dc tributação, quando correspondentes à previsão legal e adequadamente comprovadas. Despesas médicas Podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto as despesas médicas comprovadas por documentos idôneos. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Os valores correspondentes sujeitamse à imediata cobrança posto que não suspensa a exigibilidade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de 1a instância em 09.08.2011(fl.53), a contribuinte, representado por seu advogado, apresentou recurso em 31.08.2011, às (fls.54). Em sua defesa, argumentou em síntese o seguinte: ● Alega que declarou os rendimentos líquidos recebidos da Drogaria Barrafarma Ltda no valor de R$ 54.407,98. ● Apresentou os documentos necessário para comprovar as despesas médicas, com exceção do recibo do Hospital São José Ltda. ● Ao final pede o cancelamento do débito reclamado. É o Relatório Fl. 63DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13749.001424/200936 Acórdão n.º 2801003.467 S2TE01 Fl. 64 5 Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A controvérsia cingese omissão de rendimentos no valor de R$ 23.309,34 e na glosa da dedução de despesas médicas referente ao profissional Luiz Gonzaga Fernandes da Silva no valor de R$ 530,00, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. O Recorrente declarou na Declaração Anual de Ajuste/2009 os rendimentos recebidos da fonte pagadora Drogaria Barrafarma Ltda, no valor de R$ 54.407,98. Na DIMOB apresentada pela fonte pagadora (fl.47numeração digital) o rendimento recebido líquido foi de R$ 67.827,75, deduzido a taxa de Administração no valor de R$ 4.834,03, portanto, comprovado a omissão de rendimentos no valor de R$ 13.419,77. O recorrente alega em sede de recurso que a fonte pagadora lhe induziu ao erro ao informar os rendimentos recebidos na sua DIPF, entretanto, não trouxe aos autos prova do alegado. Com relação à despesa médica referente ao profissional Luiz Gonzaga Fernandes da Silva no valor de R$ 530,00, o recibo apresentado de (fl.32), não atende os requisitos formais do art. Art.8º, Lei 9.250/95. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 64DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 10835.002687/2002-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2000
PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE.
A base de cálculo do PIS/Pasep, prevista no artigo 6°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 07, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Aplicação da Súmula CARF n° 15 e do entendimento do STJ, contido no REsp n° 1.127.713/SP (Rel. Min. Hermann Benjamin), julgado no rito dos recursos repetitivos. Observância do art. 62-A, do RI-CARF.
PIS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA. SUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. CANCELAMENTO.
Estando o lançamento de ofício calcado na insuficiência de direito creditório utilizado em compensação, e, restando atestado em diligência solicitada pelo órgão de julgamento que haviam os créditos utilizados, em face da aplicabilidade da semestralidade do PIS, deve ser cancelada a exigência nos termos da diligência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-002.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, JOãO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2000 PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS/Pasep, prevista no artigo 6°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 07, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Aplicação da Súmula CARF n° 15 e do entendimento do STJ, contido no REsp n° 1.127.713/SP (Rel. Min. Hermann Benjamin), julgado no rito dos recursos repetitivos. Observância do art. 62A, do RI CARF. PIS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA. SUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. CANCELAMENTO. Estando o lançamento de ofício calcado na insuficiência de direito creditório utilizado em compensação, e, restando atestado em diligência solicitada pelo órgão de julgamento que haviam os créditos utilizados, em face da aplicabilidade da semestralidade do PIS, deve ser cancelada a exigência nos termos da diligência. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 26 87 /2 00 2- 29 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, JOãO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10835.002687/200229 Acórdão n.º 3402002.365 S3C4T2 Fl. 446 3 Relatório Por bem relatar os fatos, transcrevo o relatório já efetuado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento: “A empresa autuada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) no período de janeiro de 1998 a dezembro de 2000, exigindolhe contribuição de R$ 16.996,46, multa de ofício de R$ 12.747,20 e juros de mora de R$ 8.931,30, perfazendo o total de R$ 38.674,96. O enquadramento legal encontrase a fls. 197 e 198. Segundo a fiscalização, a contribuinte, autorizada por sentença judicial, compensou créditos da contribuição ao PIS, referentes à diferença entre os valores pagos com base nos DecretosLei nºs 2.445 e 2.449, de 1998, declarados inconstitucionais, e os calculados de acordo com a Lei Complementar (LC) nº 7, de 1970, com débitos do próprio PIS no período acima. Entretanto, como a fiscalização não considerou a base de cálculo do sexto mês anterior, e sim a do próprio mês, apurou saldo devedor para o período, glosando a compensação efetuada e lançando de ofício a contribuição. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, em síntese, que obteve judicialmente o direito de utilizar a LC nº 7, de 1970, bem assim de compensar os valores pagos a maior com a própria contribuição ao PIS, e que, de acordo com essa lei, a base de cálculo da contribuição é o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, conforme decisões administrativas e judiciais que cita. Requereu também perícia técnica para comprovar as alegações.” DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na manifestação de conformidade apresentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, proferiu o Acórdão de nº. 10.240, de 9 de dezembro de 2005, julgando procedente o lançamento, nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 447DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2000 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO A falta ou insuficiência de recolhimento do PIS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. SEMESTRALIDADE. PRAZO DE RECOLHIMENTO. ALTERAÇÕES. Normas legais supervenientes alteraram o prazo de recolhimento da contribuição para o PIS, previsto originariamente em seis meses. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Lançamento Procedente.” Aduz de que há a determinação de que a contribuição seja calculada pela Lei Complementar nº 7/70, mas que devem ser atendidas as legislações que alteraram o prazo de recolhimento do PIS. Assim sendo, entendeu a DRJ que a Fiscalização deve considerar, em seus cálculos, o faturamento do próprio mês do fato gerador, e não o referente ao sexto mês anterior. Considera, ainda, desnecessária a diligência proposta e que uma perícia não se faz necessária, pois que esta somente se justifica quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. Por fim, votou pela procedência do lançamento. DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em 12/04/2006, conforme AR de fl. 346 – n.e., o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 347/362) em 28/04/2006, requerendo, em breve síntese, que seja reconhecida a semestralidade do PIS, ou seja, que a base de cálculo seja baseada no faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, nos termos do art. 6º, parágrafo único, da LC 7/70, para que decida pela improcedência do lançamento discutido. DA DILIGÊNCIA Em apertada síntese, aduz que a Fiscalização não observou a semestralidade da contribuição, ao proceder a glosa dos créditos que ensejaram o lançamento em discussão. Assim, entendeu por bem baixar o processo em diligência, para que a autoridade preparadora refizesse as planilhas da contribuição devida. Pede, ainda, que a Fiscalização elabore um Fl. 448DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10835.002687/200229 Acórdão n.º 3402002.365 S3C4T2 Fl. 447 5 relatório de diligência, consignando eventuais discrepâncias entre valores e, se for o caso, elaborando planilha de cálculo. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes, numerado até a folha 444 (quatrocentos e quarenta e quatro), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e tempestividade, pelo que dele tomo conhecimento. A análise dos autos dá conta de que o lançamento objetivou constituir crédito tributário em face de entender como indevida a compensação levada a efeito pelo contribuinte, do que gerou insuficiência de recolhimentos, ante à conclusão da Fiscalização de que a sentença judicial, ao reconhecer a inconstitucionalidade das contribuições ao PIS, conforme os Decretos n°s. 2.445 e 2.449/88, levaria à aplicabilidade da Lei Complementar n° 07/70 mas que deveria ser observado o faturamento do próprio mês do fato gerador, em face do que, constituiu o crédito tributário por entender não haver créditos suficientes. No entanto, a questão da semestralidade restou definitivamente pacificada após a edição da Súmula nº 11, aprovada na Sessão Plenária de 18/09/2007 do então denominado Segundo Conselho de Contribuintes, tendo sido consolidada pela Portaria Carf nº 106, de 21/12/2009, como a Súmula CARF nº 15, cujo enunciado é, in verbis: “A base de cálculo do PIS/Pasep, prevista no artigo 6° da Lei complementar nº 07, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária”. Do mesmo modo, demonstrando ser de direito calcular o crédito do contribuinte levandose em conta a “Semestralidade do PIS”, convém ressaltar que a matéria foi pacificada inclusive em sede de Recurso Repetitivo no STJ, do que torna obrigatória sua observância pelos julgadores deste Conselho, nos termos do art. 62A, do Regimento Interno desta Casa. Vejamos a Ementa do repetitivo, assim vasada: “TRIBUTÁRIO. PIS. SEMESTRALIDADE. ART. 6º, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LC 7/70. NORMA QUE SE REFERE À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. 1. O art. 6º, parágrafo único, da Lei Complementar 7/70 não se refere ao prazo para recolhimento do PIS, mas à base de cálculo do tributo, que, sob o regime da mencionada norma, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.” (STJ – 1ª Seção – REsp n° 1.127.713/SP – Rel. Min. Herman Benjamin, j. 09/10/2010 – Dje 13/09/2010) No que se refere à diferença entre os valores recolhidos com base nos inconstitucionais Decretos n°s. 2.445 e 2.449/88, e os devidos nos termos da Lei Fl. 450DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10835.002687/200229 Acórdão n.º 3402002.365 S3C4T2 Fl. 448 7 Complementar n° 07/70, para que se possa concluir pela existência ou não dos créditos utilizados pela Recorrente, no caso em análise esse cotejo e cálculos já foi realizado, em atenção à Diligência designada pela então 4ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos da Resolução confeccionada pelo Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, então relator destes autos. A referida Diligência chegou às seguintes conclusões: “a) conforme planilha de fl. 137, a pretensão da interessada recai sobre valores recolhidos a maior/indevidamente de PIS correspondentes aos períodos de apuração novembro/1992 a dezembro/1995; b) adotamos como base de cálculo o faturamento apurado pela fiscalização na planilha de fls. 141/142, correspondendo ao faturamento do sexto mês imediatamente anterior ao período de apuração, conforme planilhas de fls. 375/378; c) os pagamento correspondentes aos períodos de apuração novembro/1992 a dezembro/1995, recolhidos entre 01/12/1992 a 10/01/1996, constam do extrato de fls. 365/367 e 379/380; d) após as alocações/vinculações dos pagamentos ao débitos apurados com base na semestralidade (fls. 381/404), apurouse os saldos de pagamentos de fls. 405/406; e) utilizando referidos saldos para compensação dos débitos apurados no auto de infração tratado neste processo, verificase que são suficientes para sua extinção (fls. 407/425)” Assim, a Autoridade Preparadora expressamente afirmou que ao se aplicar a semestralidade do PIS, não mais remanescem os valores objeto do lançamento tributário, de modo que, com embasamento na diligência efetuada, deve ser exonerada a exigência consubstanciada no lançamento sob análise. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a exigência fiscal, nos termos da conclusão da diligência. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Fl. 452DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722473/2008-05
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, nos termos do voto da Conselheira Relatora.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente
(assinado digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, nos termos do voto da Conselheira Relatora. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). RELATÓRIO Contra o contribuinte EMILIO SALOMAO PINTO RESEDA, foi lavrado Auto de Infração para exigir crédito tributário de IRPF, referente aos exercícios de 2005, 2006 e 2007, no valor de R$175.177,46, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, originado da constatação de classificação indevida na Declaração de Ajuste Anual, de rendimentos tributáveis recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. O procedimento fiscal encontrase resumido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, na qual o autuante esclarece que o contribuinte classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 22 47 3/ 20 08 -0 5 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.722473/200805 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.126 S2C2T1 Fl. 130 2 pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, do Estado da Bahia. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação, cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Antes do julgamento, foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº Fl. 134DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.722473/200805 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.126 S2C2T1 Fl. 131 3 287/2009, para que fossem levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Não obstante, essa diligência fiscal ficou prejudicada com a edição do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.331/2010, que concluiu pela suspensão das medidas propostas pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 até que a questão fosse apreciada pelo Supremo Tribunal Federal. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente o lançamento, nos termos da ementa a seguir: “DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte.” Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs, em 13/04/2011, Recurso Voluntário Tempestivo de fls. 85/123, utilizandose dos mesmos fatos e fundamentos legais da peça impugnatória. VOTO O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Antes da apreciação do presente recurso, é cediço que se registre que a exigência em questão versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente – RRA, por pessoa física, em períodos diversos daquele de sua competência, calculado de forma anual, considerando as tabelas e alíquotas do período do recebimento. Essa é matéria reconhecida de repercussão geral, que aguarda julgamento dos Recursos Especiais nº 614.232/RS e 614.406/RS, pelo Supremo Tribunal Federal, no tocante a constitucionalidade do art. 12 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, in verbis: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Vejase a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do Fl. 135DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.722473/200805 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.126 S2C2T1 Fl. 132 4 imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (RE 614406 AgRQORG, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03032011 PUBLIC 04032011 EMENT VOL0247601 PP 00258 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 395414 ).(Grifei.) Conforme se vê, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral do tema em questão, qual seja, incidência de imposto de renda sobre rendimentos da pessoa física pagos acumuladamente e determinou o sobrestamento na origem dos recursos extraordinários sobre a matéria. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF determina que os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas Supremo Tribunal Federal STF na sistemática prevista pelo art. 543B do Código de Processo Civil – CPC, nos seguintes termos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifei) Para regulamentar referido dispositivo foi editada em 03 de janeiro de 2012, a Portaria CARF n° 001/2012, que determina os procedimentos a serem adotados para o Fl. 136DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.722473/200805 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.126 S2C2T1 Fl. 133 5 sobrestamento de processos de que trata o §1o do art. 62A do anexo II do Regimento Interno do CARF, nos seguintes termos: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Art. 2º. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, devendo o processo ser novamente incluído em pauta, após o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal, de acordo com o disposto no art. 543B, §1o, do Código de Processo Civil, ou que haja alteração na legislação vigente, referente a sobrestamento dos feitos. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 137DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.722473/200805 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.126 S2C2T1 Fl. 134 6 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 19515.720236/2013-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
Ementa:
DCTF RETIFICADORA. VALORES DEVIDOS ZERADOS. CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A apresentação de DCTF retificadora zerando os valores que são devidos, de forma reiterada e com caracterização de pleno conhecimento da conduta e suas conseqüências, enquadra-se na hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, e conseqüentemente, na hipótese de qualificação da multa de ofício prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-002.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède..
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Ementa: DCTF RETIFICADORA. VALORES DEVIDOS ZERADOS. CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A apresentação de DCTF retificadora zerando os valores que são devidos, de forma reiterada e com caracterização de pleno conhecimento da conduta e suas conseqüências, enquadra-se na hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, e conseqüentemente, na hipótese de qualificação da multa de ofício prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Ementa: DCTF RETIFICADORA. VALORES DEVIDOS ZERADOS. CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A apresentação de DCTF retificadora zerando os valores que são devidos, de forma reiterada e com caracterização de pleno conhecimento da conduta e suas conseqüências, enquadrase na hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, e conseqüentemente, na hipótese de qualificação da multa de ofício prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 02 36 /2 01 3- 17 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 293 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente); Fabíola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède. . Relatório Tratase de Auto de Infração decorrente de revisão interna de Dacon, relativo aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2009, resultando na constituição de crédito tributário da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese o relatório do acórdão ora recorrido: “Tratase de auto de infração lavrado contra a contribuinte em epígrafe, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 209/216), no montante total de R$ 3.679.980,36, referente aos períodos de apuração janeiro/2009 a dezembro/2009. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 205/208), o auditor fiscal fundamentou a lavratura do auto de infração no fato de a contribuinte ter entregado, em 17/11/2011, DCTFs retificadoras dos 1º e 2º semestres do anocalendário 2009 zerando os valores declarados de Cofins. O autuante disse ainda que os valores informados nas outras retificadoras entregues em 22/11/2012, no curso da ação fiscal, não seriam considerados como declarados e lançados, de acordo com o art. 7º, § 2º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, mas que essas informações seriam utilizadas na ação fiscal, para o cálculo do valor devido, no qual foram considerados os maiores valores informados de débitos da Cofins nos Dacons e nas DCTFs entregues sob ação fiscal. O auditor fiscal qualificou a multa de ofício aplicada, em conformidade com o disposto no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com o seguinte fundamento: O contribuinte em 17/11/2011 apresentou DCTF’s retificadoras zerando todos os débitos anteriormente declarados. Intimado o contribuinte informou que tais declarações, SEM CONHECIMENTO DA EMPRESA, haviam sido substituídas por outras sem declararse os créditos tributários (débitos do contribuinte). O contribuinte alega que terceiros retificou as suas DCTF’s. A transmissão da DCTF só é possível mediante o uso de certificado emitido por Autoridade Certificadora integrante da Infraestrutura de chaves Pública Brasileira – ICP Brasil, que não tenha sido revogado e que ainda esteja dentro de seu prazo de validade. Para a transmissão da DCTF, o contribuinte poderá optar pela utilização do Certificado Digital emitido em nome da Fl. 293DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 294 3 pessoa jurídica, em nome do responsável pela pessoa jurídica ou em nome de procurador habilitado no Cadastro de Procurações da RFB, que está disponível na página da RFB na Internet. Além disso é necessário fornecer o número de recibo da DCTF a ser retificada. Portanto, a referida alegação não é plausível, porque retificação das referidas DCTF’s só é possível com o consentimento do contribuinte. A guarda do certificado e da DCTF a ser retificada é responsabilidade do contribuinte. As DCTF’s entregues em 22/11/2012, no curso da presente ação fiscal, não terão os valores informados como declarados e lançados, de acordo com art. 7º, § 2º, do Decreto nº 70.235/72. Entretanto estas informações serão utilizadas na presente ação fiscal. As DCTF’s retificadoras entregues em 17/11/2011 com os débitos da COFINS zerados caracteriza a ação dolosa do contribuinte de retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária dos valores devidos de COFINS nos meses do ano calendário 2009. Ao final, o autuante informa que, diante dos fatos relatados que configuram crime contra a ordem tributária, definido pelo art. 1º, inciso I, da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, foi feita a representação fiscal para fins penais por meio do processo administrativo nº 19515.720237/201361. Cientificada do auto de infração em 28/02/2013 (fl. 218), a contribuinte apresentou impugnação em 27/03/2013 (fls. 222/235), na qual alega que: * na época própria, havia cumprido todas as obrigações acessórias da Cofins, o que incluía a entrega de Dacons e DCTFs em absoluta conformidade umas com as outras. Tal como manifestado na resposta ao Termo de Intimação nº 001, até então não tinha ciência de que DCTFs retificadoras haviam sido indevidamente transmitidas em seu nome, contrariando as informações anteriores e corretamente lançadas em Dacons. Percebendo tal incongruência, cuidou de imediatamente gerar novas DCTFs retificadoras em 22/11/2012, a fim de sanar o problema; * a multa imposta resulta da duplicação do percentual previsto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, não é o caso de aplicação dessa multa, mesmo que não fosse duplicada. Com efeito, esse dispositivo é destinado apenas para as situações em que ocorra lançamento de ofício e, não obstante estarmos diante de auto de infração, o fato é que não houve lançamento de ofício, pois, segundo confissão do próprio agente público, considerouse para a ação fiscal os débitos da Cofins lançados nos Dacons e nas DCTFs entregues durante a ação fiscal. Ou seja, não foi a autoridade administrativa que, observando os critérios trazidos pelo art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, procedeu à constituição Fl. 294DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 295 4 do crédito tributário. A fiscalização cuidou simplesmente de aceitar a apuração do tributo informada pela própria contribuinte em Dacons e DCTFs, consistindo a atividade administrativa em mera homologação expressa do lançamento, nos termos do art. 150 do CTN; * a pretensão de encarar o ato administrativo em questão como lançamento de ofício não encontra guarida em nenhuma das hipóteses previstas pelo art. 149 do CTN; * mesmo que a fiscalização queira entender que já havia se perdido o benefício da espontaneidade quando da entrega das DCTFs retificadoras, não pode entender que houve falta de declaração do valor do tributo devido. A perda da espontaneidade neste caso pode, quando muito, ocasionar as sanções impostas pelo art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002; * a irregularidade na entrega da DCTF é passível de punição com outra penalidade, isto é, a multa moratória, consoante o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, devendo também ser trazido à baila o art. 112 do CTN; * qualquer DCTF retificadora deve ser acompanhada da retificação do respectivo Dacon ou da respectiva DIPJ, inclusive por expressa disposição do art. 9º, § 6º, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 2010. E a teor do art. 9ºA desse mesmo normativo, as DCTFs retificadoras que zeraram indevidamente as operações não poderiam produzir efeitos. Assim, as que sempre valeram foram as precedentes, entregues em absoluta conformidade com os Dacons, não procedendo, pois, a aplicação da multa de 150%; * as indigitadas DCTFs zeradas não podem ser tidas como ação dolosa para retardar o conhecimento da autoridade fazendária, já que tal meio seria absolutamente imprestável para tal fim. Isso porque haveria divergência entre elas e os respectivos Dacons, que permitiam à autoridade fiscal não só que tivesse conhecimento da ocorrência do fato gerador, da base de cálculo e da efetiva apuração do tributo, como também notasse, como de fato notou, a incongruência com as DCTFs que indevidamente zeraram tais informações. Vale dizer que o termo de verificação fiscal originouse de procedimento de revisão interna do Dacon; * fosse o intento de sonegar, a retificação deveria ter se operado em todas as obrigações acessórias; * o contexto fático implica em necessária descaracterização do propósito de sonegar, tendo em vista que houve apresentação de DCTFs corretas antes e depois em consonância com os Dacons, que sempre espelharam a realidade contábil, não havendo razão para se duplicar o percentual da multa. No final, a contribuinte requer a reparação do auto de infração para que a multa seja apenas a moratória e aquela prevista no art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, ou, caso não seja esse o Fl. 295DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 296 5 entendimento, que a multa prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, não seja qualificada, ou que, mantendo o auto de infração como lançado, a manifestação seja expressa sobre cada um dos pontos tratados em sua impugnação, como forma de viabilizar a ampla defesa de seus direitos perante o Poder Judiciário.” A Sexta Turma da DRJ/SP1 proferiu o Acórdão nº 1652.465, no qual decidiuse pela improcedência da impugnação e pela manutenção integral do lançamento, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Lançamento de Ofício. Divergência entre DCTF e Dacon/ Recolhimentos. Constatadas diferenças entre os valores informados em Dacon e os confessados em DCTF ou recolhidos, devem ser formalizados de ofício os correspondentes créditos tributários. DCTF retificadora. Valores devidos zerados. Multa qualificada. A apresentação de DCTF retificadora zerando os valores que são devidos enquadrase na hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, e consequentemente na hipótese de qualificação da multa de ofício prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: 1. Descaracterização do pretenso lançamento de ofício: o auto de infração em comento não caracteriza lançamento de ofício nos termos do art. 149, pelo fato de o auditor ter se valido das informações prestadas na DCTF retificadora e que isto configuraria homologação expressa do lançamento, nos termos do art. 150 do CTN; 2. Perda da espontaneidade na entrega da DCTF: a perda acarretaria apenas a aplicação da multa prevista no art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 ou a multa moratória prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Não seria caso de aplicação da multa prevista no art. 44 do mesmo diploma legal, pois não haveria falta de declaração ou declaração inexata, já que a fiscalização utilizouse das próprias declarações da recorrente; 3. Aplicação do artigo 112 do CTN; 4. Desconsideração das DCTF´s retificadoras, apresentadas zeradas em 17/11/2011; 5. Inocorrência da sonegação fiscal. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 297 6 Ao final, pede que a multa a ser aplicada seja apenas a moratória e a prevista no art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, ou, eventualmente, a não duplicação da multa prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O auto de infração foi lavrado em virtude da falta de recolhimento/declaração de Cofins, tendo como indício a diferença verificada entre os Dacon´s entregues e as DCTF/DARF´s conhecidos. A recorrente se insurge apenas contra a multa de ofício aplicada no percentual de cento e cinqüenta por cento (150%), não havendo lide sobre o tributo lançado, nem sobre os juros de mora. A multa foi fundamentada no §1º do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, entendendo a fiscalização ter ocorrido a conduta de sonegação definida no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964. Inicialmente, a recorrente argumenta que a multa aplicada não deveria ser a do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pois o ato administrativo em julgamento não seria lançamento de ofício, em razão de ter a autoridade fiscal utilizado os valores informados em DCTF, considerando a atividade exercida pela autoridade fiscal como homologação expressa do lançamento, nos termos do artigo 150 do CTN e que o ato realizado não encontraria guarida no art. 149 do CTN. Sem razão a recorrente. A autoridade fiscal considerou como incontroversos o maior dentre os valores informados pela própria recorrente no Dacon e na retificação das DCTF efetuada em 22/11/2012, no curso da ação fiscal iniciada em 12/11/2012, nas quais são informados valores muito próximos dos Dacon´s outrora entregues. O fato de utilizar os valores informados como verdadeiros é apenas um reflexo da convicção do auditor acerca da veracidade das informações prestadas pela recorrente. A utilização destes valores no auto de infração não caracteriza homologação expressa do lançamento. De fato, o procedimento de fiscalização não se confunde com a homologação expressa do lançamento previsto no art. 150 do CTN, que se opera em relação aos pagamentos antecipados dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, que, no presente caso, simplesmente nunca ocorreria, pois que não foram identificados quaisquer pagamentos referentes aos períodos lançados. Frisese que o lançamento aqui efetuado foi, justamente, o de ofício, de acordo com as disposições do art. 149, incisos V e VII do CTN. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 298 7 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ... V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; ... VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação A inexistência de pagamentos, bem como a ausência de débitos declarados, acarretam a omissão e inexatidão a que se refere o inciso V do art. 149. Quanto ao dolo ou fraude, verseá adiante. Seguindo em seus argumentos, a recorrente alega que a perda da espontaneidade não acarretaria a desconsideração das DCTF retificadoras, não havendo a falta de declaração dos tributos, mas ocasionaria as multas previstas no art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002. Salientase que não há dúvidas quanto à perda da espontaneidade, nos termos do art. 7º1 do Decreto 70.235, de 1972. O início da ação fiscal ocorreu em 12/11/2012 e as DCTF´s retificadoras, com valores corretos, foram entregues em 22/11/2012. Voltando ao art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; 1 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas Fl. 298DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 299 8 II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas A multa a que se refere o art. 7º acima transcrito resulta da inobservância das regras para cumprimento da obrigação acessória consistente na entrega de DCTF. São penalidades resultantes da inobservância das condições estipuladas pela administração tributária para cumprimento da obrigação acessória. Visam coibir o descumprimento da obrigação acessória, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, conforme preceito do artigo 113, §2º do CTN. Pontuese que estas penalidades não foram exigidas no presente auto de infração. Por sua vez, a multa referida no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, vinculase à inobservância da obrigação principal, relativa à falta de pagamento ou recolhimento. Vincula se ao tributo exigido no lançamento de ofício, sendo, portanto, a situação verificada nos presentes autos e expressamente definida no art. 44: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Também não é caso de aplicação da multa moratória prevista no caput do art. 612 da Lei nº 9430, pois que incidente sobre os débitos decorrentes de tributos não pagos nos 2 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 299DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 300 9 prazos de vencimento estabelecidos na legislação, mas apurado espontaneamente pelo contribuinte e não em lançamento de ofício, exceto na hipótese estabelecida no art. 473 do mesmo diploma. O fato em comento subsumese exatamente na hipótese o artigo 44 acima, não sendo aplicável , outrossim, o artigo 112 do CTN. Ainda relativamente às DCTF´s retificadoras entregues em 17/11/2011, a recorrente afirma que devem ser obrigatoriamente desconsideradas, em razão da não retificação dos Dacon´s, conforme previsão do art. 9º e 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, abaixo transcritos: Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. ... § 6 º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) 3 Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida a ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 300DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 301 10 I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Art. 9ºA As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012 ) § 1º A pessoa jurídica ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentos sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o art. 7º. ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012 ) § 2º A intimação para o sujeito passivo prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012 ) § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012 ) § 4º Não produzirão efeitos as informações retificadas: ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012 ) I enquanto pendentes de análise; e ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012 ) II não homologadas. ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012) A DCTF retificadora possui a mesma natureza da original e não produzirá efeitos nas hipóteses previstas no §2º, incisos I e II e a partir de 14/03/2012, também na hipótese prevista no §4º do art. 9ºA, incluído pela IN RFB nº 1.258, de 2012. Não há qualquer prova nos autos de que as retificadoras entregues em 17/11/2011 se enquadrariam nas situações elencadas nos incisos I ou II do §2º do art. 9 ou do §4º do art. 9ºA, o qual nem havia sido instituído quando apresentadas. Portanto, as retificadoras entregues em 17/11/2011 devem produzir efeitos, possuindo a mesma natureza das originais. Por fim, alega que estas retificadoras “zerando” os débitos não podem ser tidas como dolosa para retardar o conhecimento da autoridade fazendária, pois a entrega dos Dacon´s possibilitaria o conhecimento da ocorrência do fato gerador, ciência da base de cálculo e efetiva apuração do tributo, como, de fato, ocorreu, já que a fiscalização originouse de procedimento interno de revisão do Dacon. O intuito de sonegar deveria ter se operado em todas as obrigações acessórias. Alega, ainda, que a apresentação das DCTF originais e as retificadoras em 22/11/2012, em consonância com os Dacon´s, espelhando a realidade contábil, descaracterizam o propósito de sonegar. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 302 11 O auditor fundamentou a aplicação da multa qualificada no §1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Por seu turno, o art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, assim definiu a sonegação: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. A recorrente inicia suas razões, item IV da peça recursal, afirmando que houve entrega indevida de DCTF´s retificadoras em nome da recorrente. Constatase, entretanto, que para a entrega das retificadoras é necessária a informação do número do recibo da declaração que se quer retificar, conforme fls. 21 a 24 da numeração digital, cuja guarda é, obviamente, responsabilidade da recorrente. Tanto na impugnação quanto no recurso voluntário, a recorrente não traz qualquer indício ou prova que possa infirmar a autoria da entrega das retificadoras em 17/11/2011. Firmado isto, devese perquirir se o fato se subsume à norma do art. 71 acima referido, ou seja, se está caracterizada a ação dolosa e se houve impedimento ou retardamento do conhecimento da ocorrência do fato gerador, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais da recorrente, conforme descrito nos incisos I e II do art. 71. O dolo se refere à ao elemento subjetivo da conduta, seu elemento psicológico. No dizer de Fernando Capez4: 4 CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal, vol. 1: parte geral. 10º ed. rev e atual. São Paulo: Saraiva. 2006. p.198. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 303 12 “Conceito de dolo: é a vontade e a consciência de realizar os elementos constantes do tipo legal. Mais amplamente, é a vontade manifestada pela pessoa humana de realizar a conduta” Elementos do dolo: consciência (conhecimento do fato que constitui a ação típica) e vontade (elemento volitivo de realizar esse fato.” No caso, a constatação da ação dolosa reside no conhecimento das informações verdadeiras sobre a Cofins devida (caracterizada pela escrituração correta de seus valores e sobretudo pela entrega dos Dacon´s, o que infirma qualquer alegação de desconhecimento dos corretos valores devidos) e na conduta reiterada de alterar as informações de valores devidos para “zero”, por doze meses seguidos, afastando, assim, qualquer argumento de mero erro na retificação das declarações. A segunda parte definidora da conduta consiste em elemento finalístico, ou seja, a ação praticada deve impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária quanto à ocorrência do fato gerador. Verificase que ao retificar as DCTF´s para valores zerados, a recorrente suprime o conhecimento da existência de débitos e sua conseqüente cobrança, revelando ter pleno conhecimento que a conduta praticada atingiria seu fim. De fato, a recorrente obrigou a Administração Fazendária a agir para constituir créditos que deveriam estar constituídos pelo cumprimento da obrigação acessória, a qual foi alterada, intencionalmente, com o objetivo de retardar este conhecimento e, conseqüentemente, sua cobrança. No caso presente, a conduta se revela ainda mais grave que a simples omissão de entrega (também punível se caracterizado o dolo), pois que houve alteração para zero de valores informados anteriormente, acarretando a necessidade de refazimento de verificações internas das informações e, conseqüente, reduzindo a eficiência exigida constitucionalmente da administração pública. Salientase que a imposição da multa qualificada visa coibir as condutas dolosas, diferenciandoas do mero erro ou da interpretação divergente. Não se deve perder de vista que o Dacon é um demonstrativo que não possui a natureza de confissão de dívida e sua entrega não supre o dever de informar os débitos em DCTF, cuja cumprimento escorreito evitaria o agir desnecessário da Administração. Se o contribuinte provoca deliberadamente este agir, implicando o retardamento do conhecimento da existência do tributo devido e, conseqüente, da cobrança do tributo, deve sua conduta ser coibida pela qualificação da multa aplicada no lançamento de ofício. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 303DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 304 13 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11050.001004/2005-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/11/2003
PEREMPÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO APÓS O TRIGÉSIMO DIA. OCORRÊNCIA.
Em razão da perempção, não se toma conhecimento de recurso voluntário apresentado após o trigésimo dia, contado a partir da ciência da decisão de primeiro grau.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3202-001.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES - Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) .
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/11/2003 PEREMPÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO APÓS O TRIGÉSIMO DIA. OCORRÊNCIA. Em razão da perempção, não se toma conhecimento de recurso voluntário apresentado após o trigésimo dia, contado a partir da ciência da decisão de primeiro grau. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 10 04 /2 00 5- 59 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 10/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11050.001004/200559 Acórdão n.º 3202001.162 S3C2T2 Fl. 395 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por RENNER TEXTIL LTDA contra Acórdão nº 0717.947, de 30 de outubro de 2009 (de fls. 332 a 333), proferido pela 1ª Turma da DRJ/FNS, que julgou por unanimidade de votos, não conhecer da impugnação apresentada e declarar a definitividade do lançamento na esfera administrativa, cujo crédito tributário deverá permanecer suspenso enquanto houver medida judicial que assim determine. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário referente a operação de importação de mercadoria cujo enquadramento tarifário constitui a matéria principal do presente litígio, bem como da ação ordinária nº 2004.71.01.0000080, de cuja sentença resultou a antecipação dos efeitos da tutela requerida pela autora. Em impugnação tempestiva, a autuada sustenta a nulidade da peça acusatória frente à suspensão da exigibilidade da exação ora litigada, garantida por medida judicial; frente a insuficiência na descrição dos fatos; frente à não especificação do método de cálculo empregado no demonstrativo do imposto. Sustenta também o enquadramento tarifário da mercadoria conforme o indicado na Declaração de Importação. É o relatório.” A DRJ não conheceu da impugnação apresentada pela contribuinte, suspendendo o crédito tributário enquanto houver medida judicial que assim determine em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/11/2003 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional importa renúncia ao julgamento em instância administrativa dos lançamentos que tenham por objeto a mesma matéria levada à apreciação do Poder Judiciário. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido” Cientificado do referido acórdão em 3 de dezembro de 2009 (fl. 349), a interessada apresentou recurso voluntário em 5 de fevereiro de 2010 (fls. 357 a 369), pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Fl. 395DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 10/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11050.001004/200559 Acórdão n.º 3202001.162 S3C2T2 Fl. 396 3 Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora O presente Recurso Voluntário trata de matéria da competência deste Colegiado, porém, previamente ao seu conhecimento, devo analisar os demais requisitos de admissibilidade, dedicando especial atenção para o requisito da tempestividade da sua apresentação. Tal assunto encontrase disciplinado nos arts. 5º e 33 do PAF. O primeiro preceito legal trata da forma de contagem do prazo, enquanto que o segundo fixa o prazo de 30 (trinta) para apresentação do recurso voluntário, nos termos a seguir transcrito: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 33 – Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Logo, se vencido no julgamento de primeira instância, da parte que lhe foi desfavorável, ao Autuado é facultado, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, a oportunidade de apresentar recurso voluntário ao E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que substituiu os extintos Conselhos de Contribuintes. Expirado esse prazo, sem a apresentação ou apresentação a destempo do citado recurso, configurada estará a preclusão do direito de recorrer e, em consequência, a decisão de primeiro grau tornarseá definitiva na esfera administrativa, nos termos do inciso I do art. 42 do PAF. No presente caso, consta dos autos que, em 3 de dezembro de 2009, a interessada foi cientificada do Acórdão da DRJ, mas somente apresentou recurso voluntário em 5 de fevereiro de 2010. Assim, em consonância com os critérios de contagem do prazo recursal fixados no preceito legal anteriormente transcrito, temse que já havia decorrido o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do Recurso Voluntário. Dessa forma, fica cabalmente demonstrada a intempestividade e, por conseguinte, a perempção do presente Recurso, impedindo a sua admissibilidade e, por decorrência, o seu conhecimento. Com base no exposto, NÃO CONHEÇO do presente Recurso Voluntário Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 396DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 10/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11050.001004/200559 Acórdão n.º 3202001.162 S3C2T2 Fl. 397 4 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 10/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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Numero do processo: 19515.004312/2009-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.447
Decisão: Visto, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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decisao_txt : Visto, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 31 2/ 20 09 -6 7 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004312/200967 Resolução nº 2402000.447 S2C4T2 Fl. 171 2 RELATÓRIO Tratase de recurso de voluntário interposto por START SERVIÇOS TEMPORÁRIOS, em face do acórdão de fls. 83, por meio do qual foi mantida parcialmente a multa lançada no Auto de Infração n. 37.235.7849, por ter a recorrente apresentado GFIP´s com a omissão de segurados empregados a seu serviço. O lançamento compreende as competências de 01/2004 a 12/2004, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 27/10/2009 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento de primeira instância, foi interposto o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento, com arrimo no art. 150, 4o do CTN; 2. que o Auto de Infração deve ser anulado pelo cerceamento de direito da recorrente em razão de não haver clareza quanto aos elementos constantes do lançamento fiscal; Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004312/200967 Resolução nº 2402000.447 S2C4T2 Fl. 172 3 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Antes mesmo de adentrar ao mérito das alegações de recurso, tenho que outra providência seja necessária antes do julgamento. É que, conforme resultado de diligência juntado às fls. 157, os lançamentos principais relativamente ao presente Auto de Infração foram incluídos no parcelamento da Lei 11.941/09. Confirase a informação trazida aos autos. ▪ Conforme observado no TEAF de fls. 30, os AIOPs foram lançados através dos processos nº 19515.004317/200990 (Debcad 37.190.913 9), nº 19515.004318/200934 (Debcad 37.235.7814) e nº 19515.004310/200978 (Debcad 37.235.7822), sendo que estes processos permaneceram na situação “em papel”; ▪ Os débitos lançados nos respectivos Autos supracitados, encontram se incluídos na sua totalidade no parcelamento instituído pela Lei 11.941/2011, vide fls.152 a 155 (numeração eprocesso). No entanto, no resultado da diligência não foi apontado se o débito objeto deste Auto de Infração também fora ou não incluído no parcelamento, até mesmo porque, a época da determinação daquela diligência, tal requerimento não fora formulado. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, para que os autos do presente processo retornem à origem, para que se informe se o débito relativo ao presente processo foi ou não incluído em programa de parcelamento de débitos. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10580.721042/2009-02
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.057
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A
do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 27/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Em proveito ao valioso trabalho consubstanciado às fls. 137 e seguintes dos autos, perfeitamente elaborado pela Douta Delegacia da Receita Federal, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais valese da respectiva transcrição do relatório apresentado naquela oportunidade, a saber: “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 142.780,78, Fl. 256DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721042/200902 Resolução n.º 2802000.057 S2TE02 Fl. 257 2 incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora.Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; Fl. 257DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721042/200902 Resolução n.º 2802000.057 S2TE02 Fl. 258 3 g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.” Ato contínuo, em sessão de 03/03/2011, a 3ª Turma da DRJ/SDR, no Acórdão 1526.383, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, fundamentando que: (a)as diferenças reconhecidas através da Lei Complementar da Bahia n.º 20, tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos membros do Ministério Público da Bahia, inclusive ressaltando a espontaneidade do contribuinte, que reconheceu a ocorrência do fato gerador do tributo; (b)o recebimento extemporâneo de referidas diferenças não altera a sua natureza, mesmo nos casos em que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer ao judiciário, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar; (c)independe a natureza do tributo conferida pelo Artigo 3º Lei Complementar da Bahia n.º 20, uma vez que prevalece a lei federal que regulamenta o imposto de renda; (d)a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, sendo que as indenizações não desfrutam de isenção indistintamente, nos termos do Artigo 150, § 6º, CF/88; (e)o Artigo 55, inciso XIV, do RIR/99, determina que as indenizações estão sujeitas à tributação; (f)a Resolução nº 245, de 2002, do STF, não pode ser aplicada aos Membros do Ministério Público Estadual, pois que não se pode conferir isenção sem lei específica e nem por analogia, nos termos do inciso II, do Artigo 111, do CTN, sendo inextensível o âmbito de aplicação de tal Resolução, não havendo em que se falar em isonomia; (g)é de competência exclusiva da União a exigência do tributo e o lançamento fiscal em comento; (h)é cabível a aplicação da multa de ofício em percentual de 75%, uma vez que esta é fixada independentemente da boafé do impugnante, com fulcro no Artigo 136 do CTN, diferentemente da sanção prevista no inciso II, do Artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996; e Fl. 258DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721042/200902 Resolução n.º 2802000.057 S2TE02 Fl. 259 4 (i)inaplicável o artigo 100 do CTN ao caso, haja vista que os informes de rendimentos fornecidos pelo Ministério Público Estadual não tem caráter normativo e nem a autoridade administrativa emitente teria competência para versar sobre a matéria em comento. Regularmente intimado (fl. 143), o Contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário (fls. 146/237), repisando os argumentos contidos na Impugnação e requerendo a reforma do Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal, a fim de que seja cancelado o débito fiscal, alegando (i) natureza indenizatória da URV; (ii) violação ao Princípio da Isonomia Tributária; (iii) reconhecimento da verba indenizatória da URV na esfera estadual, considerando ter havido tal entendimento na esfera federal, ao Membros do Ministério Público; (iv) da incorreção das alíquotas utilizadas pela Autoridade Fiscal; (v) inobservância de deduções aplicáveis; (vi) responsabilidade da fonte pagadora e não do contribuinte; (vii) exclusão da multa de ofício e dos juros de mora; É o relatório. Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Preliminarmente, observo que a hipótese do lançamento de ofício de Imposto de Renda Pessoa Física contempla rendimentos recebidos de forma acumulada, matéria que se encontra pendente de julgamento ao qual se atribuiu repercussão geral, conforme decisão nos autos do Recurso Extraordinário número 614232, cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. Voto no sentido de sobrestar o julgamento até decisão do pretório Excelso sobre o tema. É como voto. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721042/200902 Resolução n.º 2802000.057 S2TE02 Fl. 260 5 (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 260DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11050.003002/2006-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001,2002
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS.
Não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem.
DECADÊNCIA. PRAZO INICIAL. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Inicia-se a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
DENÚNCIA DE TERCEIROS.
O art. 908 do RIR/99 prevê expressamente a admissibilidade da denúncia apresentada por terceiros, no contexto da fiscalização do Imposto de Renda. No parágrafo único do referido artigo, encontram-se os requisitos formais a serem observados pelo denunciante, de maneira a garantir que o instrumento da denúncia seja reconhecido pela autoridade fazendária. Não consta da norma que a identificação do denunciante deva ser franqueada ao denunciado.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Está sujeito ao arbitramento do lucro o contribuinte optante pelo lucro real ou presumido que deixar de apresentar a escrituração comercial e fiscal ou livro caixa, conforme o caso.
OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA.
A existência de controles paralelos - cuja autenticidade e veracidade de informações restou comprovada - demonstrando que a receita efetiva era significativamente maior do que a declarada ao Fisco, autoriza o lançamento por omissão de receitas.
IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO. APROVEITAMENTO DO IMPOSTO APURADO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO PRESUMIDO. O imposto apurado pelo fisco através do arbitramento do lucro deve ser compensado com o imposto apurado pelo contribuinte na sistemática do lucro presumido.
MULTA DE 150%. DOLO. SONEGAÇÃO.
Cabível a aplicação de multa de 150% quando restar caracterizada a omissão sistemática e intencional de informações relevantes à administração tributária.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
A teor da Súmula nº 11, do Primeiro Conselho de Contribuintes, não se reconhece no âmbito do processo administrativo fiscal, o instituto da prescrição intercorrente.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1401-001.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em a preliminar de nulidade, AFASTAR a decadência e, no mérito, pelo voto de qualidade, EM NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkimim Teixeira, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Maurício Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001,2002 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. DECADÊNCIA. PRAZO INICIAL. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Inicia-se a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DENÚNCIA DE TERCEIROS. O art. 908 do RIR/99 prevê expressamente a admissibilidade da denúncia apresentada por terceiros, no contexto da fiscalização do Imposto de Renda. No parágrafo único do referido artigo, encontram-se os requisitos formais a serem observados pelo denunciante, de maneira a garantir que o instrumento da denúncia seja reconhecido pela autoridade fazendária. Não consta da norma que a identificação do denunciante deva ser franqueada ao denunciado. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Está sujeito ao arbitramento do lucro o contribuinte optante pelo lucro real ou presumido que deixar de apresentar a escrituração comercial e fiscal ou livro caixa, conforme o caso. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. A existência de controles paralelos - cuja autenticidade e veracidade de informações restou comprovada - demonstrando que a receita efetiva era significativamente maior do que a declarada ao Fisco, autoriza o lançamento por omissão de receitas. IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO. APROVEITAMENTO DO IMPOSTO APURADO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO PRESUMIDO. O imposto apurado pelo fisco através do arbitramento do lucro deve ser compensado com o imposto apurado pelo contribuinte na sistemática do lucro presumido. MULTA DE 150%. DOLO. SONEGAÇÃO. Cabível a aplicação de multa de 150% quando restar caracterizada a omissão sistemática e intencional de informações relevantes à administração tributária. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. A teor da Súmula nº 11, do Primeiro Conselho de Contribuintes, não se reconhece no âmbito do processo administrativo fiscal, o instituto da prescrição intercorrente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em a preliminar de nulidade, AFASTAR a decadência e, no mérito, pelo voto de qualidade, EM NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkimim Teixeira, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Maurício Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva.
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REQUISITOS ESSENCIAIS. Não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. DECADÊNCIA. PRAZO INICIAL. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Iniciase a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DENÚNCIA DE TERCEIROS. O art. 908 do RIR/99 prevê expressamente a admissibilidade da denúncia apresentada por terceiros, no contexto da fiscalização do Imposto de Renda. No parágrafo único do referido artigo, encontramse os requisitos formais a serem observados pelo denunciante, de maneira a garantir que o instrumento da denúncia seja reconhecido pela autoridade fazendária. Não consta da norma que a identificação do denunciante deva ser franqueada ao denunciado. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Está sujeito ao arbitramento do lucro o contribuinte optante pelo lucro real ou presumido que deixar de apresentar a escrituração comercial e fiscal ou livro caixa, conforme o caso. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. A existência de controles paralelos cuja autenticidade e veracidade de informações restou comprovada demonstrando que a receita efetiva era AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 30 02 /2 00 6- 85 Fl. 3194DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11050.003002/200685 Acórdão n.º 1401001.117 S1C4T1 Fl. 3.195 2 significativamente maior do que a declarada ao Fisco, autoriza o lançamento por omissão de receitas. IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO. APROVEITAMENTO DO IMPOSTO APURADO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO PRESUMIDO. O imposto apurado pelo fisco através do arbitramento do lucro deve ser compensado com o imposto apurado pelo contribuinte na sistemática do lucro presumido. MULTA DE 150%. DOLO. SONEGAÇÃO. Cabível a aplicação de multa de 150% quando restar caracterizada a omissão sistemática e intencional de informações relevantes à administração tributária. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. A teor da Súmula nº 11, do Primeiro Conselho de Contribuintes, não se reconhece no âmbito do processo administrativo fiscal, o instituto da prescrição intercorrente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em a preliminar de nulidade, AFASTAR a decadência e, no mérito, pelo voto de qualidade, EM NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkimim Teixeira, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Maurício Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 3195DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11050.003002/200685 Acórdão n.º 1401001.117 S1C4T1 Fl. 3.196 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Porto AlegreRS. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Este processo foi formado originalmente em papel e depois digitalizado. Com isso, a numeração das páginas feitas no papel não coincidem necessariamente com a numeração digital. Nas referências que faço à numeração de páginas utilizarei a numeração do documento digitalizado. Em ação fiscal foram lavrados contra a empresa acima, autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 30), Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 42), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 49) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 56). O total do crédito tributário apurado foi de R$ 492.816,11, calculado até 30/11/2006. A contribuinte impugnou tempestivamente as exigências, através do arrazoado de fls. 1728 a 1749. Da autuação A contribuinte teve seu lucro arbitrado em todos os trimestres dos anos calendário 2001 e 2002, em virtude da não apresentação de escrituração ou livro caixa. Houve apuração de omissão de receitas no decorrer do anocalendário de 2001 e no primeiro trimestre de 2002. A ação fiscal foi motivada por recebimento de denúncia de terceiro, em que foram entregues à fiscalização livros e documentos fiscais da sociedade Abrão Despachos Internacionais Ltda. Contra a contribuinte também foram lavradas exigências relativas ao ano calendário 2000, que foram objeto do processo administrativo n° 11050.003204/200546. Os autuantes transcrevem, no relatório do trabalho fiscal do presente processo, parte do relatório que elaboraram quando da lavratura das exigências relativas ao anocalendário 2000. A transcrição, segundo os autuantes, tem o intuito de demonstrar as práticas dolosas da empresa para omitir receitas. Adiante resumimos os argumentos que constaram daquele relatório e que foram reproduzidos no trabalho fiscal ora em análise. A autuação abrangeu os períodos de apuração trimestrais (IRPJ e CSLL) e mensais (PIS e COFINS) ocorridos de junho a dezembro de 2000. Houve arbitramento do lucro em virtude de que o contribuinte, estando autorizado a optar pela tributação com base no Lucro Presumido, deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas a escrituração mínima necessária. A base de cálculo tomada para fins de arbitramento foi a receita bruta conhecida. Fl. 3196DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11050.003002/200685 Acórdão n.º 1401001.117 S1C4T1 Fl. 3.197 4 A ação fiscal foi motivada por recebimento de denúncia de terceiro, em que foram entregues à fiscalização os documentos de fls. 234/691, correspondentes a livros e documentos fiscais da sociedade ABRÃO DESPACHOS INTERNACIONAIS LTDA., quais sejam: (a) demonstrativos mensais de receitas e despesas, denominados "balancetes mensais", pertinentes aos meses de junho a dezembro de 2000, emitidos em papel timbrado da fiscalizada; (b) cópias de faturas emitidas pela autuada;(c) cópia do livro Registro Especial do ISSQN; (d) cópias de notas fiscais de serviços. Houve então, preliminarmente, a comparação desses registros com os valores declarados à SRF pela própria contribuinte, por meio de DIPJ e DCTF. A análise evidenciou divergências entre as receitas indicadas nos balancetes mensais e as receitas mensais declaradas à SRF: ês B alancetes DIPJ e Livros do ISSQN Junho/2000 103.807,57 26.967,40 Julho/2000 118.952,08 29.493,51 Agosto/2000 119.357,27 30.094,95 Setembro/2000 85.857,57 29.354,54 Outubro/2000 101.675,84 29.248,78 Novembro/2000 106.813,29 29.288,01 Dezembro/2000 86.654,94 28,383,24 Os trabalhos de auditoria foram então direcionados para verificar qual seria, afinal, o verdadeiro faturamento da contribuinte. Para tanto, a fiscalização tomou as informações contidas nos sistemas da SRF que gerenciam as atividades aduaneiras (SIGADW), em especial a listagem dos despachos de importação desembaraçados em junho e julho de 2000, e comparouas com: as cópias de faturas entregues pela denunciante; as notas fiscais oferecidas à tributação pela contribuinte em junho e julho de 2000, conforme informações extraídas do livro de registro do ISSQN. A análise realizada pelos fiscais certificou como confiáveis os dados contidos nos documentos entregues pela denunciante e evidenciou a insubsistência das informações declaradas pela contribuinte na DIPJ, como se vê a seguir: a) Os dados contidos nas faturas, relativas ao mês de junho de 2000, foram comparados com as listagens de despachos de importação registradas no sistema SIGADW da SRF. A análise comparativa certificou que os documentos apresentados pela denunciante efetivamente encontram total correspondência com as operações realizadas pela fiscalizada no referido mês. Refere a fiscalização que "praticamente a totalidade das operações de importação realizadas e registradas no sistema aduaneiro foram abrangidas pelas faturas". b) Tomando mais uma vez os dados contidos nas faturas, a fiscalização totalizou os valores registrados a título de honorários. O somatório apresentou correspondência com o total de receitas do mês de junho indicado no balancete, convalidando a confiabilidade desse último demonstrativo. c) De outro lado, verificouse que a contribuinte realizou mais de 300 despachos de importação e exportação em junho e julho de 2000, tendo oferecido à tributação a receita correspondente a apenas 16 despachos no mesmo período. Fl. 3197DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11050.003002/200685 Acórdão n.º 1401001.117 S1C4T1 Fl. 3.198 5 Diante das evidências de omissão de receitas, a fiscalização deu início ao procedimento fiscal, mediante a expedição do termo de intimação, onde a contribuinte fora intimada a apresentar: a discriminação do faturamento mensal; os documentos fiscais correspondentes; os livros fiscais. Na resposta, a contribuinte logrou apresentar: cópia de notas fiscais de numeração 434 a 514, que correspondem exatamente às receitas declaradas à SRF; cópia do livro Registro Especial do ISSQN, idêntica à fornecida pelo denunciante; informou que não procedeu à escrituração contábil. Com vistas a reforçar o conjunto probatório confirmador da existência de omissão de receitas, a fiscalização procedeu à circularização dos maiores clientes da autuada. Os documentos apresentados pelas empresas intimadas ratificaram a idoneidade das faturas trazidas pela denunciante. Dizem os autuantes que "as mesmas ilações relativas ao não oferecimento à tributação de boa parte dos resultados auferidos com a atividade empresarial podem ser tiradas para parte do período sob verificação" (fls. 15). A planilha de fls. 15/26 confronta as importações desembaraçadas nos meses de janeiro de 2001 e 2002 e julho/2001 pelo sóciogerente, com os documentos fiscais emitidos. Foram 526 desembaraços no período mencionado, mas para somente 28 deles foram emitidas notas fiscais e, portanto, reconhecida a receita. Os autuantes também elaboraram a planilha de fls. 26/27, comparando os valores de receita que constaram da denúncia com aqueles declarados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica e constantes do livro de registro do ISSQN, para mostrar que "os faturamentos declarados a partir do mês de junho/02, além do fato de aumentarem significativamente em relação aos meses anteriores sem nenhuma razão aparente para tanto e ficarem na faixa dos valores denunciados, são, em sua quase totalidade, idênticos aqueles constantes das peças apresentadas na denúncia". Isso daria credibilidade aos valores apresentados na denúncia. Dizem, adiante, que por o contribuinte não ter infirmado a documentação recebida pela SAFIS, foi constituído de ofício o crédito tributário, "com base nos dados obtidos via denúncia". Diante do exposto, a fiscalização: a) concluiu ser aplicável ao caso concreto o arbitramento do lucro, previsto no art. 530, III, do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda), haja vista a ausência de escrituração; b) tomou como base de cálculo do arbitramento a receita bruta conhecida; c) apurou a receita bruta conhecida com base nos documentos apresentados pela denunciante, em particular o faturamento mensal indicado em Fl. 3198DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11050.003002/200685 Acórdão n.º 1401001.117 S1C4T1 Fl. 3.199 6 cada um dos balancetes;relativamente aos valores de receita que ultrapassaram o faturamento declarado, aplicou a multa qualificada capitulada no art. 44, II, da Lei n° 9.430/1996, por entender caracterizado o evidente intuito de fraude; d) relativamente aos valores de receita declarados para fins de apuração do lucro presumido, foi aplicada multa de oficio de 75%, após compensado o imposto originalmente apurado. DA IMPUGNAÇÃO W ^ As razões de impugnação são as que seguem: 1. Em preliminar, alega que haveria cerceamento do direito de defesa, implicando a nulidade dos lançamentos. Diz a impugnante que, apesar das 1.700 folhas do processo, não está minimamente comprovada a omissão de receitas. Diz que, "aparentemente, a suposta omissão decorre de denúncia, não juntada aos autos. Estariam desatendidas as disposições do art. 908 do RIR/99. Também, não foram juntados aos autos os documentos que estariam a assoalhar a denúncia. Sequer foi juntada aos autos a planilha que estaria a informar os valores das pretensas omissões de receitas". A origem dos valores referidos como omitidos deveria estar demonstrada de modo a possibilitar uma total compreensão dos fatos pela impugnante. Não pode prevalecer a pretensão do fisco de validar a denúncia através de estudos comparativos. 2. Também preliminarmente, é arguida a decadência parcial do lançamento, em vista do disposto no art. 150, §4°, do CTN; no caso seria inaplicável o art. 173 do CTN, por incomprovados fraude, sonegação ou conluio, conforme arguido do item 3.3 da impugnação; 3. Ainda, em preliminar, diz que deve ser refutado o arbitramento do lucro por desconhecida a receita bruta, que não estaria comprovada no processo. A planilha de fls. 13 a 24 não permite inferir possíveis omissões de receitas, mesmo porque sequer informa valores. Tal planilha descreve operações nos meses de janeiro/2001, julho de 2001 e janeiro de 2002. Se a intenção era inferir omissões de receitas, há contradição, pois em janeiro/2002, incluso na relação, não apresentou qualquer receita passível de tributação. Ainda, descaberia o arbitramento relativo aos três últimos trimestres de 2002, pois não foi identificada nenhuma infração nesses períodos. A respeito das "circularizações" efetuadas junto a alguns clientes. diz: "há nos autos aproximadamente um milhar de folhas que aparentemente dizem respeito às mencionadas circularizações. Todavia, nenhum inferência conclusiva foi extraída dessa documentação". 4. Reclama de inconsistências na compensação do IRPJ declarado com o autuado. Os autuantes, quando da apuração do IRPJ a lançar, teriam compensado o IRPJ pago e declarado em DCTF. Todavia, a DCTF não seria fonte de pesquisa apropriada para informar os valores a compensar, pois estes já estão líquidos do imposto na fonte, retido sobre a receita bruta concernente. 5. No mérito, haveriam "ilegalidades e inconsistências na quantificação da pretensa omissão de receitas, por não terem sido comprovados os valores da suposta omissão, pretensamente baseada em denúncia, cuja teria sido [sic] validada por outros meios de prova não claramente expostos e/ou demonstrados"; não está demonstrada a quantificação da receita; Fl. 3199DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11050.003002/200685 Acórdão n.º 1401001.117 S1C4T1 Fl. 3.200 7 6. por fim, no mérito, admitindo, para desenvolver o raciocínio, persistir exigência principal, mostrase inaplicável a multa qualificada, por incomprovadas infrações aos artigos 71, 72 ou 73, da Lei n°4.502/64, pois não há amparo legal para presumir sonegação, fraude ou conluio a partir de meros indícios de omissão de receitas (...)". A O processo foi convertido em diligência (fls. 1756/1758) para que se identificasse e especificasse as folhas em que se encontravam os documentos juntados para prova, referisse a prova que se pretendeu efetuar com as circularizações realizadas e juntasse cópia de outro processo administrativo referido no relatório de trabalho fiscal. A diligência foi cumprida, gerando o relatório de fls. 3127/3128. A impugnante foi cientificada das conclusões da diligência e voltou ao processo com a manifestação de fls. 3132/3137, dizendo em suma: 1. O relatório de diligência foi cientificado à contribuinte mais de 5 anos após a interposição da impugnação, razão pela qual teria ocorrido a prescrição intercorrente do crédito tributário. 2. Os vícios existentes no lançamento não teriam sido sanados pela relatório de diligência. Em relação a este segundo item a impugnante repisa argumentos já utilizados na impugnação, quais sejam: (a) a pretensa omissão de receita não está minimamente comprovada; (b) a denúncia não foi juntada nem está comprovada; (c) a denúncia não teria seguido os ditames legais; (d) a impugnante permanece sem entender a origem dos valores tidos como omitidos. Conclui dizendo (fl. 3137): Portanto, por incomprovada a pretensa omissão de receita e por ausentes demonstrativos ou documentos que permitam avaliar a origem da alegada omissão, a decretação da nulidade dos lançamentos fiscais é medida que se impõe. É o relatório. A DRJ Manteve os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 DECADÊNCIA. PRAZO INICIAL. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Iniciase a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DENÚNCIA DE TERCEIROS. O art. 908 do RIR/99 prevê expressamente a admissibilidade da denúncia apresentada por terceiros, no contexto da fiscalização do Imposto de Renda. No parágrafo único do referido artigo, encontramse os requisitos formais a serem observados pelo denunciante, de maneira a garantir que o instrumento da denúncia seja reconhecido pela Fl. 3200DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11050.003002/200685 Acórdão n.º 1401001.117 S1C4T1 Fl. 3.201 8 autoridade fazendária. Não consta da norma que a identificação do denunciante deva ser franqueada ao denunciado. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INEXISTÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Por absoluta falta de previsão legal, não há que se falar em prescrição intercorrente no processo administrativo tributário. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Está sujeito ao arbitramento do lucro o contribuinte optante pelo lucro real ou presumido que deixar de apresentar a escrituração comercial e fiscal ou livro caixa, conforme o caso. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. A existência de controles paralelos cuja autenticidade e veracidade de informações restou comprovada demonstrando que a receita efetiva era significativamente maior do que a declarada ao Fisco, autoriza o lançamento por omissão de receitas. IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO. APROVEITAMENTO DO IMPOSTO APURADO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO PRESUMIDO. O imposto apurado pelo fisco através do arbitramento do lucro deve ser compensado com o imposto apurado pelo contribuinte na sistemática do lucro presumido. MULTA DE 150%. DOLO. SONEGAÇÃO. Cabível a aplicação de multa de 150% quando restar caracterizada a omissão sistemática e intencional de informações relevantes à administração tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. COFINS. PIS. Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estendese, no que couber, aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 3201DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11050.003002/200685 Acórdão n.º 1401001.117 S1C4T1 Fl. 3.202 9 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Tratase de lançamento relativo ao IRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS e COFINS dos anoscalendário de 2001 e 2002. O lucro foi arbitrado, uma vez que a contribuinte, estando autorizada a optar pela tributação pelo lucro presumido, deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à escrituração mínima necessária. A base de cálculo tomada para fins de arbitramento foi a receita bruta conhecida, que é composta pela receita omitida e por valores declarados. Foi aplicada a multa de ofício de 150% em relação à infração de omissão de receitas decorrente da prestação de serviços de despachos aduaneiros e de 75% em relação aos valores declarados. Preliminar de Nulidade Preliminarmente, a Recorrente requer a nulidade do autos de infração por ter ocorrido cerceamento do direito de defesa, basicamente por falhas formais mais adiante especificadas . Como se verá, ao enfrentar tais preliminares terminará se enfrentando o mérito, pois se confundem. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal , com o respectivo detalhamento do cálculo dos tributos devidos e levados ao conhecimento da autuada e tendo a interessada se defendido através da peça impugnatória e recurso voluntário acostados aos autos. A Recorrente alega dificuldade para identificar a base de cálculo da receita omitida e isso foi ratificado pelo fato de a DRJ ter baixado o feito em diligência com esse propósito. Ora, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235/72, é cediço que a presença de omissões sanáveis no curso do processo e que não obstem a plena defesa do contribuinte Fl. 3202DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11050.003002/200685 Acórdão n.º 1401001.117 S1C4T1 Fl. 3.203 10 podem ser sanadas pela autoridade julgadora, em respeito ao princípio maior que rege o processo administrativo, isto é, a verdade material. O Auto de Infração contém todos os requisitos elencados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e não restou comprovada a ocorrência de quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto, para declarar a nulidade do lançamento, muito menos qualquer tipo de cerceamento de direito de defesa. Está claro nos autos que a omissão da receita foi quantificada tomandose os valores constantes dos balancetes apresentados com a denúncia e que tiveram seus dados confirmados pelo trabalho fiscal. Os valores apurados em confronto com os valores declarados constam da planilha de fls. 26/27, no relatório do trabalho fiscal. O processo foi naquela ocasião convertido em diligência basicamente para que se referisse as folhas em que se situavam os documentos comprobatórios e a consequente abertura de prazo para que a contribuinte se manifestasse. A Recorrente por sua vez teve ciência de todos os elementos probatórios que consubstanciaram a exigência fiscal, não vejo como caracterizar o cerceamento de defesa reclamado. Dessa forma não socorre à Recorrente os argumentos de dificuldade para identificar a base de cálculo da receita omitida. Ainda a esse mesmo respeito, vejase os esclarecimentos trazidos pelo fiscal no retorno de diligência: 1. Identificação dos documentos que acompanham a denúncia: Os documentos referentes a denúncia encontramse às folhas 1030 a 1051 (balancetes mensais) e 1052 a 1098 (cópia do Registro do ISSQN, anos 2001 e 2002) constantes do volume VI do processo papel. 2. Folhas do processo de onde foram extraídas as bases de cálculo para lançamentos: As bases de cálculo lançadas constam da coluna 4 da planilha de folhas 26 e 27 (processo papel). Tendo sido calculadas pela diferença entre os valores de "faturamento apurado" (coluna 2 da planilha) e "faturamento declarado" (coluna 3) . Os valores constantes da coluna 2 "faturamento apurado" foram extraídos dos balancetes mensais (documentos da denúncia) de folhas 1030 a 1051 (processo papel). 3. Prova que se pretende realizar e/ou conclusões da circularização dos clientes: Conforme constam nos relatórios de verificação fiscal (folhas 13 do processo papel 11050.003002/200685 e folhas 50 do processo papel 11050.003204/2005 46), as circularizações de clientes foram realizadas com objetivo apurar os valores dos serviços prestados por Abrão Despachos Internacionais Ltda. Nas respostas obtidas foram enviadas cópias de faturas idênticas àquelas fornecidas à fiscalização quando da denúncia, o que serviu para a concretização desta. Concluindose, portanto, que o indício materializouse em uma prova. A Recorrente tenta provar a carência de descrição fática por parte do autuante apelando para assertivas proferidas pela DRJ tomadas de forma descontextualizadas, como é o caso desta assertiva referida no tópico "Imposto a Compensar":"os autuantes não teceram comentários acerca as retenções na fonte, nem elas foram objeto de glosa no trabalho fiscal. Assim, está correto o Fl. 3203DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11050.003002/200685 Acórdão n.º 1401001.117 S1C4T1 Fl. 3.204 11 entendimento da contribuinte: há que ser deduzido da exigência também o imposto retido na fonte” Ora, tratase de lacuna relevante apenas para decidir a questão da falta da compensação do IRRF. O tópico é específico não maculando o auto como um todo e ademais foi resolvido favoravelmente à Recorrente. A Recorrente ainda aduz como motivo para nulidade do feito a falta da identificação do autor, em caso de denúncia, o que causou cerceamento de defesa. A princípio, a Recorrente deveria ter demonstrado que prejuízo foi lhe causado com a falta de identificação do autor, quando todas as provas carreadas aos autos foram apresentadas no processo e devidamente auditadas, bem assim foi concedido à interessada prazo para o exercício do contraditório. É de se ressaltar que a impugnante, inclusive, requereu e obteve cópia integral do processo, conforme se vê nos documentos de fls. 1725. Os documentos balancetes trazidos com a denúncia e que serviram para a quantificação da base de cálculo estão às fls. 1035/1064. Ainda acrescentese o que bem pontuou a decisão de piso: “(...) Especificamente em relação aos documentos de fls. 1035/1064, que a litigante alega desconhecer, cumpre destacar que se tratam de balancetes mensais, produzidos, quase todos, em papel timbrado da empresa, e cuja fidedignidade fora confirmada por meio de procedimentos de auditoria fiscal, conforme descrito no trabalho fiscal e analisado adiante, no próximo tópico. Além do mais, os balancetes, em sua maioria, têm assinatura ou rubrica de "Valdir Souza", identificado como "Financeiro" e visados por "José Abrão", sócio gerente da autuada. A circularização junto aos clientes está com a documentação juntada aos autos (fls. 1104/1718).” O que importa é que o art. 908 do RIR/99 prevê expressamente a admissibilidade da denúncia apresentada por terceiros, no contexto da fiscalização do Imposto de Renda. Nesse preceptivo legal, encontramse também os requisitos formais a serem observados pelo denunciante, de maneira a garantir que o instrumento da denúncia seja reconhecido pela autoridade fazendária. Não consta da norma que a identificação do denunciante deva ser franqueada ao denunciado. RIR99: Art. 908. O disposto neste Capítulo não exclui a admissibilidade de denúncia apresentada por terceiros (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 93, parágrafo único). Parágrafo único. A denúncia será formulada por escrito e conterá, além da identificação do seu autor pelo nome, endereço e profissão, a descrição minuciosa do fato e dos elementos identificadores do responsável por ele, de modo a determinar, com segurança, a infração e o infrator. Rejeito, portanto, as preliminares de nulidade. Decadência Em face da subsistência da imputação de dolo e fraude, como se verá em tópico mais adiante, é inaplicável ao caso o prazo decadencial previsto no art. 150, §4° do CTN devendo ser observada a regra prevista no art. 173, I, do CTN, tanto para o IRPJ quanto para as contribuições sociais. Como a ciência dos lançamentos foi efetivada em 12/12/2006 (fls.28), não se reconhece a decadência em relação aos tributos constituídos exofficio e relativo ao fato gerador ocorrido no primeiro trimestre de 2001 (período mais antigo), haja vista que o Fl. 3204DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11050.003002/200685 Acórdão n.º 1401001.117 S1C4T1 Fl. 3.205 12 lançamento correspondente somente poderia ter sido efetuado em 2002, iniciandose a contagem do prazo decadencial, em 01/01/2002, tendo por termo final o dia 31/12/2006. Afasto, portanto a decadência Prescrição Intercorrente A recorrente alega a ocorrência da denominada prescrição intercorrente. Com efeito, a matéria não admite maiores digressões pois já foi sumulada pelo CARF, conforme abaixo: Súmula nº 10: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Portaria nº 106, de 21 /12 /2009 publicado no DOU na pág,070 em 22 /12 /2009) As súmulas editadas no âmbito Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CAR), são de observância obrigatória pelos seus membros, nos termos do § 4° do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, sendo defeso lhe negar cumprimento sob qualquer pretexto ou motivo. Omissão de Receitas Conforme relatado, a omissão de receitas foi detectada a partir de documentos obtidos com a denúncia, vale dizer balancetes emitidos em papel timbrado e assinados por representantes da empresa, mas que foram auditados através de circularização de clientes que ofertaram outros documentos (notas fiscais, faturas) que correspondem aos documentos fornecidos pela empresa. Outrossim, as cópias do livro de registro especial do ISSQN obtidos na denúncia também correspondem aos documentos fornecidos pela empresa. Não há dúvidas que o manancial probatório trazido aos autos pela fiscalização comprova a existência de receitas mantidas à margem da tributação. A extensão e da gravidade das infrações praticadas pela contribuinte podem ser vistas na comparação entre as receitas declaradas no mês de janeiro de 2001 a receita informada pelos 21 clientes submetidos ao procedimento de circularização, conforme bem demonstrado pela decisão de piso. Ademais, não se pode alegar que a prova é frágil e está construída apenas sobre elementos oferecidos pela denúncia. A fiscalização tomou aquele corpo de indícios apenas como ponto de partida para sua investigação. Como já se disse, foi feito inclusive procedimento de circularização de clientes para validar aqueles indícios.Todos os documentos relativos à circularização (intimações às empresas e respostas) constam do processo e deles foi fornecido cópia à autuada. O livro de registro do ISSQN foi entregue pela empresa, sob intimação (fl. 312). Sobre a alegada falta de fundamento legal que permita projetar receitas com base em amostragens colhidas junto a restrito número de clientes, ressalto que o fisco pode utilizarse de prova indiciária. Fl. 3205DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11050.003002/200685 Acórdão n.º 1401001.117 S1C4T1 Fl. 3.206 13 A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, quando a sua formação está apoiada num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levam ao convencimento do julgador, como é o caso. Arbitramento Em relação ao arbitramento do lucro, a recorrente apesar de ter sido intimada a apresentar os livros contábeis e fiscais, deixou de apresentálos. Eis os termos do TVF: Ressaltese que, em virtude da empresa não possuir escrituração para os anos de 2001 e 2002, conforme resposta à Intimação n° 016/2005, nos quais optou por tributar seus resultados pelo Lucro Presumido, foi feito o arbitramento do lucro para tais períodos, conforme o preconizado nos artigos 530, 531 e 532 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, lançandose os valores declarados nas DIPJ's destes anos (colima 3) pelo regime do Lucro Arbitrado, compensandose o imposto declarado nestas. Já para o ano de 2003, não houve razões para o arbitramento. A não apresentação dos livros comerciais obrigatórios e auxiliares e os livros fiscais, onde se acham transcritas as operações da empresa, implica na impossibilidade do conhecimento e da apuração da receita e/ou despesa da empresa sob fiscalização, impedindo, portanto, a apuração do lucro real ou presumido. Devidamente intimada, a contribuinte, optante pelo lucro presumido, não apresentou ao fisco contabilidade regular ou livro caixa, informando expressamente (fl. 312) "Nos períodos de 2000 a 2002, sujeitamonos a tributação pela sistemática do Lucro Presumido, não possuindo escrituração contábil de qualquer espécie ". A autoridade fiscal, então, acertadamente, arbitrou o lucro, com fundamento no artigo 530, III combinado com o art. 527 do RIR/1999: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Em função desse contexto, cabe enfatizar novamente, não restou ao fisco outra opção senão proceder a apuração do imposto com base no lucro arbitrado, tomandose por base a receita conhecida. da DIPJ acrescida das Receitas omitidas. A jurisprudência já sinalizou também que a desclassificação da escrita fiscal para fins de arbitramento de lucro não tem o condão de afastar a eficácia das receitas declaradas, para fins de enquadramento no art. 532 do RIR/99, conforme ementa abaixo reproduzida: IRPJ ARBITRAMENTO DE LUCROS A desclassificação da escrita para fins de arbitramento de lucros não significa que devam ser desconsideradas as receitas Fl. 3206DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11050.003002/200685 Acórdão n.º 1401001.117 S1C4T1 Fl. 3.207 14 escrituradas e declaradas pelo sujeito passivo. (1ºCC Ac. 107 06845, 7ª C., Rel. Francisco de Assis Vaz Guimarães, data da sessão 17/10/2002). O comando do art. 535 do RIR/99, de outra banda, destina se à situação em que não se conhece a receita bruta. Quanto a esse aspecto, a recorrente aduziu críticas ao fato de o autuante ter considerado conhecida a receita omitida. Ora, a partir do momento que se torna conhecida a omissão de receitas e não infirmada pela Recorrente, ela prontamente se presta a ser considerada receita conhecida para fins de aplicação do arbitramento. Outrossim, a falta de apresentação da documentação solicitada dá causa ao arbitramento do lucro, que, em si, não é uma penalidade, mas sim uma apuração da base de cálculo do imposto. Dessa forma cai por terra também a sua argumentação no sentido de inconsistência entre a ocorrência de omissões de receitas e arbitramento. Aduziu em seu recurso o seguinte: A primeira infração pretensa infração, não comprovada nos Autos, teria se verificado nos 12 meses do ano de 2001 e em fevereiro de 2002. Nos restantes 11 meses de 2002 e nos 12 meses de 2003, nenhuma omissão foi constatada. A segunda infração, decorrente do arbitramento, produziu efeitos apenas no IRPJ, em vista da diferença entre o percentual de presunção do lucro (32%) e o de arbitramento do lucro (38,4%). Ora, como já se disse, o arbitramento se deu em razão da não apresentação de escrituração ou livro caixa. A existência de omissão de receitas não é condição para que se arbitre o lucro. São coisas distintas e independentes. Dessa forma, o arbitramento deve ser mantido. .MULTA QUALIFICADA – 150% Segundo descrição dos fatos no auto de infração, constado do Relatório Fiscal (fls.27): (...)Pelos motivos expostos, entendemos que restou evidenciada a intenção do contribuinte em subtrair, dos valores a serem submetidos à tributação, uma parcela dos rendimentos auferidos em suas atividades, com a prática da não emissão de notas fiscais e a não declaração de sua totalidade nos livros e declarações fiscais a que está sujeito, ficando caracterizado o disposto no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96. Então, procedemos ao lançamento de ofício das diferenças a maior apuradas no confronto entre apurado e declarado (coluna 4) com a multa qualificada no valor de 150%..(...) Assoma claro nos autos que a empresa, de forma intencional e reiterada, buscou ocultar receitas com o fim de eximirse do devido recolhimento dos tributos, o que, por si só, caracterizaria ação dolosa visando a impedir ou retardar o conhecimento da obrigação tributária por parte da Fazenda Pública, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, adiante reproduzido: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 3207DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11050.003002/200685 Acórdão n.º 1401001.117 S1C4T1 Fl. 3.208 15 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” Tenho pautado os meus votos no sentido de que a “prática reiterada” de omissão de receitas constitui condição suficiente para a caracterização do evidente intuito de fraude, não porque o intuito de fraude apenas se concretize com a repetição, mas porque com a repetição é que se exterioriza objetivamente o evidente intuito de fraude. Nestes termos, como nos autos está devidamente evidenciado que o contribuinte, ao longo de vários períodos de apuração (dois anos) ocultou do Fisco Federal o efetivo valor dos tributos e contribuições a recolher, deixando de declarar boa parte de suas receitas (declarou apenas 36% do seu faturamento em 2001 v. Planilha de fl.25). Dessa forma, a prática de omitir receitas de forma reiterada (elemento objetiva) denota concretamente o “evidente intuito de fraude”. Nesse contexto, de fato não se pode imaginar que o agente que pratica “erros” de forma contínua por um longo tempo não possua a intenção de retardar/impedir ou afetar as características essenciais da ocorrência do fato gerador. Alega ainda no intuito de cancelar a multa qualificada que no processo n° 10925.720916/201172, a contribuinte demonstra que houve equívoco do fisco na lavratura do Auto de Infração de IPI. Este fato, segundo ela, auxiliaria na compreensão de que os depósitos bancários não podem ser presumidos como omissão de receitas, mas apenas como movimentação financeira inerente às pessoas jurídicas. Em primeiro lugar, a Recorrente foi bastante evasiva quanto à conexão com o referido processo. O processo foi julgado em primeira instância tendo sido mantido o lançamento e foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 BEBIDAS. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO DE CLASSES DE VALORES INCORRETAS E/OU DE ALÍQUOTAS MENORES DO QUE AS PREVISTAS. É devido, com os respectivos acréscimos legais, o imposto não lançado ou lançado a menor nas saídas de bebidas alcoólicas do estabelecimento industrial por conta da adoção de classes de valores incorretas e/ou de alíquotas inferiores àquelas previstas na legislação tributária. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. É infligida a multa de ofício exasperada (150%) se for observada a sonegação na conduta do sujeito passivo, tratandose de prática sistemática e reiterada. Em pesquisa que fiz ao eprocesso observo que o mesmo se encontra atualmente distribuído a membro da 2ªTO/2ªCÂMARA/3ªSEJUL/CARF para análise do Recurso Voluntário. Não vejo ligação alguma entre o referido processo de IPI, que inclusive esta turma não tem competência para analisar, uma vez que não é decorrente do IRPJ. Fl. 3208DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11050.003002/200685 Acórdão n.º 1401001.117 S1C4T1 Fl. 3.209 16 Assim, não vislumbro como os fatos desse processo poderia interferir ou não na qualificação da multa do presente processo, onde a qualificação se deveu a fatos provados e que são bastante o suficiente para sustentar esse agravamento. Diante desse contexto, deve ser mantida a multa qualificada de 150%. Lançamentos Decorrentes Quanto ao lançamentos relativos a Contribuição para o PIS, COFINS e ao lançamento da CSLL, cumpre que se dê aqui, o mesmo tratamento dado ao lançamento principal referente ao IRPJ. Por todo o exposto, REJEITO a preliminar de nulidade, AFASTO a decadência e, no mérito, NEGO provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 3209DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10930.006324/2008-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.171
Decisão: RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1740; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930006324/200870 Recurso nº 913.236 Resolução nº 220200.171 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 12/03/2012 Assunto Sobrestamento Recorrente JOSÉ ANTONIO BURIOLLA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOSÉ ANTONIO BURIOLLA. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10930006324/200870 Resolução n.º 220200.171 S2C2T2 Fl. 2 2 RELATÓRIO Em desfavor da contribuinte, JOSÉ ANTONIO BURIOLLA, processo de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, de fls. 05/08 e 11/15, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA correspondente ao exercício de 2005, anocalendário de 2004, exigindose o crédito tributário de R$ 17.948,50, incluídos juros e multa, em virtude de omissão de rendimentos e de imposto de renda retido. A descrição dos fatos e o enquadramento legal constam do relatório de fls. 06 e 12. Cientificado do indeferimento de Solicitação de Retificação de Lançamento em 04/11/2008 (fls. 26/27), o interessado apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 01/02 em 27/11/2008 (fl. 01), acompanhada dos documentos de fls. 03/09, alegando, em síntese, que apenas a fonte pagadora pode fornecer os documentos comprobatórios dos pagamentos por ela informados, tendo em vista que o impugnante nada recebeu no exercício de 2004, devendo ser determinado à fonte pagadora a comprovação do depósito bancário datado de outubro A DRJ ao apreciar os argumentos do contribuinte, entendeu que o lançamento está correto, julgando a impugnação improcedente. Insatisfeita, a interessada interpõe recurso tempestivo, reiterando os mesmo argumentos da impugnação. Esclarece o contribuinte que, o referido crédito tributário ocorreu em data de 12.03.2001, através do depósito bancário no valor de R$ 56.275,41, junto aos Autos de Reclamatória Trabalhista sob o n° 2639 1991, sendo a fonte pagadora na época o BANCO BOZANO SIMONSEN S/A., conforme comprovante anexo (doc. n° 1 ); Em data de 13.03.2001, a importancia em questão foi levantada, e o contribuinte recebeu apenas a importancia de R$ 44.878,89 (Quarenta e quatro mil, oitocentos e setenta e oito reais e oitenta e nove centavos), sendo que ao advogado Dr. Vanilton de Freitas Scoponi, foi paga a importancia de R$ 11.253,49 (onze mil, duzentos e cinquenta e três reais e quarenta e nove centavos) a título de honorários advocatícios. Entende o contribuinte que a obrigação de retenção do Imposto de Rendo seria na fonte pagadora, no caso em questão o BANCO BOZANO SIMONSEN S/A. Enfim, depois de decorridos um pouco mais de 3 (três) anos, o sucessor d o Banco Bozano Simonsen S/A., o BANCO SANTANDER S/A., em data de 23/10/2004, efetuou o pagamento da importância de R$ 7.275,44 referente a retenção de imposto de renda na fonte, c om relação aos Autos de Reclamatória Trabalhista de n° 2.639/91 que tramitou pela 2a Vara do Trabalho de Londrina, Estado do Paraná, informando a Receita Federal, que em outubro de 2004, havia pago ao contribuinte a importância de R$ 66.907,84. Também, na ocasião, o Banco Santander S/A, pagou a importância de R$ 7.642,34 (Sete mil, seiscentos e quarenta e dois reais e trinta e quatro centavos), referente a INSS d e responsabilidade do empregador. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10930006324/200870 Resolução n.º 220200.171 S2C2T2 Fl. 3 3 A notificação em questão se baseia na informação da fonte pagadora de que no ano de 2004, o contribuinte havia recebido do Banco Santander S/A, a importância de R$ 66.907,84 (Sessenta e seis mil, novecentos e sete reais e oitenta e quatro centavos), e que, em sua declaração do ano de 2005 foi omitida essa informação. Entretanto, no ano de 2004, o Contribuinte não recebeu da fonte pagadora (Banco Santander S/A.), a importância de R$ 66.907,84, referente aos Autos de Reclamação Trabalhista de n° 2.639/91 que tramitou pela 2a Vara do Trabalho da Comarca de Londrina, tendo em vista que todos os seus direitos trabalhistas foram quitados em 12.03.2001. Portanto, em momento algum houve omissão por parte do contribuinte com relação a sua declaração de imposto de renda apresentada em 2005. É o relatório. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10930006324/200870 Resolução n.º 220200.171 S2C2T2 Fl. 4 4 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No conteúdo da acusação fiscal resta claro, nos autos de que a exigência referese a rendimentos recebidos acumuladamente – RRA. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 343DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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