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Numero do processo: 16004.000014/2009-70
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. TRIBUTAÇÃO. SUPOSTA ILEGALIDADE DE SUA INCIDÊNCIA.
Não se pode ter por ilegal incidência tributária legitimamente prevista em lei (Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 18, caput, e Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º), e assim reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), a quem compete, constitucionalmente, dizer a última palavra em questões envolvendo legalidade de normas.
CSLL. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-002.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. TRIBUTAÇÃO. SUPOSTA ILEGALIDADE DE SUA INCIDÊNCIA. Não se pode ter por ilegal incidência tributária legitimamente prevista em lei (DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 18, caput, e Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º), e assim reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), a quem compete, constitucionalmente, dizer a última palavra em questões envolvendo legalidade de normas. CSLL. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 00 14 /2 00 9- 70 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16004.000014/200970 Acórdão n.º 1803002.217 S1TE03 Fl. 168 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16004.000014/200970 Acórdão n.º 1803002.217 S1TE03 Fl. 169 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 138 e 139): Em procedimento de revisão da declaração do imposto de renda da contribuinte acima identificada, segundo consta da descrição dos fatos, foi constatada , no 4º trimestre do anocalendário (AC) de 2005, insuficiência de recolhimento do IRPJ e CSLL devidos pelo cotejo entre os dados constantes da DIPJ (fichas 12A, item 19, fl.11, item 54, fl.12) e os recolhimentos efetuados, existentes no Sinal 08 (fls.13/18 e 19/21), ressaltandose que as DCTF não contêm débitos declarados (fls. 22/23) e não há registro de PerDcomp (fl.24). O crédito tributário exigido neste processo está composto dos seguintes montantes: TRIBUTO TRIBUTO (R$) JUROS (R$) MULTA (R$) TOTAL (R$) IRPJ 87.837,48 31.419,46 65.878,11 185.135,05 CSLL 33.781,49 12.083,63 25.336,11 71.201,23 O enquadramento legal para o lançamento dos tributos encontrase descrito nos autos de infração. Sendo notificada da autuação a contribuinte ingressou com a impugnação de fls.37 a 46, subscrita por José Ricardo F. Salomão (fls.47 a 58), alegando: Não apurou qualquer receita financeira ou operacional durante todo o exercício de 2005. Encontrase praticamente desativada não apresentando qualquer faturamento que possa gerar renda. O valor referente à depreciação cambial não ficou economicamente disponibilizado para a impugnante. Houve um equívoco na elaboração da DIPJ, uma vez que a variação cambial decorrente de financiamento de bens integrantes do ativo imobilizado deveria ser registrada em conta destacada, que evidenciasse a sua natureza e classificada no mesmo grupo do ativo que lhes deu origem. A forma como foi contabilizada a variação cambial (como ganho) ocasionou a incidência de imposto de renda sobre um valor monetário que não estava disponível para a impugnante. A impugnante possui um débito relativo a uma hipoteca para com a empresa AMI Fiduciária S/A, dívida esta contraída na moeda Euro. As parcelas da citada dívida estão sendo pagas pela sócia da impugnante, a empresa Sprib Comercial Ltda., conforme comprovam os documentos contábeis (doc. VII/XI). A queda da moeda Euro frente ao real resultará em redução da dívida contraída no exterior, ou seja, amortização do débito e jamais lucro da empresa responsável pela dívida. Portanto, a depreciação cambial de dívida contraída em moeda estrangeira não pode e nem deve ser lançada como ganho ou como renda da pessoa jurídica Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16004.000014/200970 Acórdão n.º 1803002.217 S1TE03 Fl. 170 4 devedora, de tal modo que o resultado apurado relativo a redução da dívida jamais poderia ser considerado e contabilizado como lucro. Como se sabe o lucro bruto é o resultado da atividade das vendas de bens ou serviços que constitui o objeto da pessoa jurídica e corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. No presente caso, a impugnante não teve qualquer lucro bruto e muito menos líquido durante o ano de 2005, já que não produziu qualquer atividade relativa à venda de bens ou serviços, como se pode verificar da demonstração de seus resultados durante os quatro trimestres de 2005. Não é plausível entender que a mera redução de uma dívida contraída no exterior, em razão da depreciação cambial, permita a imediata disponibilidade da renda ou lucro para a empresa devedora. Tal redução é mera amortização da divida. Empréstimos financeiros ou de particulares, hipotecas e outras dividas financeiras, não são considerados bens e, conseqüentemente, não sofrem depreciação, mas tão somente amortização decorrente de eventual variação cambial quando tais obrigações são contraídas em moeda estrangeira e estas sofrem alguma desvalorização perante a moeda nacional. Desse modo, a eventual amortização obtida em razão da desvalorização cambial não pode ser considerada como sendo renda ou proventos de qualquer natureza e, deste modo, lançada como ganho ou lucro. O Código Tributário Nacional (CTN) definiu renda como “o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, e proventos de qualquer natureza como os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda". (art. 43, incisos I e II). Adotou, portanto, o conceito de renda acréscimo. Sem acréscimo patrimonial não há, segundo o Código, nem renda, nem proventos e, consequentemente, não há incidência de impostos ou contribuições. Ora, a amortização de parte da dívida contraída em moeda estrangeira, decorrente da variação cambial flutuante que vigora em nosso País, não pode ser considerada acréscimo patrimonial e, conseqüentemente, renda ou lucro que possam ser objeto de incidência de imposto de renda. Portanto, ilegal é a incidência de tributos, particularmente o IRPJ e a CSLL, sobre o valor relativo à variação cambial. O correto é a contabilização em uma conta distinta, do valor do débito do financiamento, e o lançamento dos valores de amortização relativos à variação cambial. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 137): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. TRIBUTAÇÃO. A variação cambial positiva implica receita financeira e deve ser incluída na base de cálculo do IRPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16004.000014/200970 Acórdão n.º 1803002.217 S1TE03 Fl. 171 5 VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. TRIBUTAÇÃO. A variação cambial positiva implica receita financeira e deve ser incluída na base de cálculo da CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 06/08/2013 (fls. 146 numeração digital ND), a tempo, em 04/09/2013, apresenta a interessada Recurso de fls. 148 a 160, instruído com o documento de fls. 161, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16004.000014/200970 Acórdão n.º 1803002.217 S1TE03 Fl. 172 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Entende a Recorrente ter havido erro na elaboração de sua Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do exercício de 2006, o qual levaria à improcedência do auto de infração lavrado (Malha/PJ 2006). 5. Versa a discussão em exame, basicamente, sobre o fato de poder, ou não, ser considerada como ganho ou renda de pessoa jurídica, a variação cambial positiva de dívida contraída em moeda estrangeira, designada pela ora Recorrente como “depreciação cambial”. 6. A fundamentação básica da Recorrente é a seguinte (fls. 153 e 154 ND, destaques do original): Isto porque o valor referente à depreciação cambial jamais ficou economicamente disponibilizado para a recorrente, qual seja, não pode ela fazer qualquer uso econômico daquele montante, razão pela qual não poderia incidir o IRPJ e a CSLL. Houve um equívoco por parte da profissional de contabilidade que elaborou a DIPJ2006, uma vez que a variação cambial, decorrente de financiamento de bens integrantes do ativo imobilizado deveria ser registrada em conta destacada, que evidenciasse a sua natureza, e classificada no mesmo grupo do ativo que lhes deu origem. A forma como foi contabilizada a variação cambial como ganho ocasionou a incidência de imposto de renda sobre um valor monetário que em momento algum foi disponibilizado para a ora recorrente. Ora, se a expressão monetária não foi disponibilizada, não há se falar em incidência de imposto sobre a renda, já que não é renda, mas sim depreciação cambial. 7. Conclui, ela, por entender que seria ilegal a incidência de tributos, particularmente o IRPJ e a CSLL, sobre o valor relativo à variação cambial (fls. 159 – ND). 8. Com relação a essa questão, não se pode ter por ilegal incidência tributária legitimamente prevista em lei (DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 18, caput, e Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º), respectivamente: Art. 18 Deverão ser incluídas no lucro operacional as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16004.000014/200970 Acórdão n.º 1803002.217 S1TE03 Fl. 173 7 assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações. [...]. Art. 8º Permanecem em vigor as normas aplicáveis às contrapartidas de variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual. 9. Mencionase, a respeito, o seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a quem compete, constitucionalmente, dizer a última palavra em questões envolvendo legalidade de normas (grifouse): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. IMPOSTO DE RENDA. OPERAÇÕES FINANCEIRAS NO MERCADO EXTERIOR (BOLSA DE MERCADORIAS). APURAÇÃO DO LUCRO REAL. DECRETO LEI N. 1.418/75, ART. 5º. VARIAÇÃO MONETÁRIOCAMBIAL DOS VALORES INVESTIDOS E DO LUCRO DECORRENTE. FATO AUTÔNOMO. RIQUEZA NOVA. AQUISIÇÃO DE DISPONIBILIDADE ECONÔMICA. ART. 43 DO CTN. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. 1. Caso em que se discute a inclusão dos ganhos decorrentes da variação monetáriocambial na apuração do lucro real a ser tributado pelo imposto de renda, na hipótese do DecretoLei n. 1.418/75, que excluiu do cômputo do lucro real o resultado proveniente de investimento em bolsa de mercadorias no exterior. 2. A variação positiva no preço da moeda estrangeira é efetivo ganho de capital e, por isso, está sujeita à tributação pelo imposto de renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. 3. O fato de o montante de moeda estrangeira que gerou o lucro auferido na bolsa de mercadorias no exterior dar origem, total ou parcialmente, ao montante de moeda estrangeira que será, na internação, convertida em moeda nacional, ou que será declarada ao Fisco, não ilide o fato gerador do imposto de renda, quanto aos ganhos decorrentes da variação monetário cambial. Inteligência do art. 43 do CTN. 4. Não há como conferir interpretação ao art. 5º do DL n. 1.418/75 que exclua os ganhos com a variação monetário cambial da incidência do imposto de renda, uma vez que o consequente acréscimo financeiro, no patrimônio material do contribuinte, é fato autônomo que não guarda correlação com o lucro auferido na bolsa de mercadorias. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16004.000014/200970 Acórdão n.º 1803002.217 S1TE03 Fl. 174 8 (REsp 1041022/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe 08/10/2009) 10. Do referido aresto, extraise (destacouse): Assim, independentemente do fato de o “lucro” ter sido internado, ou reaplicado no mercado exterior, a variação monetáriocambial dá origem a riqueza nova e autônoma, que deve ser declarada regularmente ao Fisco e normalmente tributada, por caracterizar “aquisição da disponibilidade econômica” (art. 43 do CTN). CSLL 11. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005844/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2004
DECADÊNCIA. SÚMULA CARF 99.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Como a fiscalização declarou ter verificado os recolhimentos no período fiscalizado, deve ser aplicada a regra do art. 150,§4º do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano González Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS GFIP Recorrente CLARO S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2004 DECADÊNCIA. SÚMULA CARF 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Como a fiscalização declarou ter verificado os recolhimentos no período fiscalizado, deve ser aplicada a regra do art. 150,§4º do CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano González Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 58 44 /2 00 9- 11 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.005844/200911 Acórdão n.º 2301004.013 S2C3T1 Fl. 209 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com o lançamento do Auto de Infração nº 37.235.069 0, lavrado em 09/12/2009, que constituiu crédito tributário relativo a contribuição previdenciária incidente sobre remunerações, no período de 01 a 04/2004, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 375.689,76, fls. 04. Após tomar ciência pessoal da autuação em 14/12/2009, a recorrente apresentou impugnação na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 12ª Turma da DRJ/São Paulo I no Acórdão de fls. 135/142, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 15/06/2012, fls. 149. O recurso voluntário, apresentado em 17/07/2012, fls. 151/166, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. É o relatório. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.005844/200911 Acórdão n.º 2301004.013 S2C3T1 Fl. 210 3 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Decadência. Súmula CARF 99. Com fundamento no art. 72, §4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), com relação à decadência aplicamos o conteúdo do Súmula CARF 99, in verbis: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Observamos que a fiscalização declarou no Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal (TEPF), fls. 23 ter analisado comprovantes de recolhimento no período fiscalizado, logo, conforme acima explanado, é de ser aplicada a regra do art. 150, §4º do CTN. Tendo sido o lançamento cientificado em 14/12/09, o fisco poderia efetuar o lançamento para fatos geradores posteriores a 11/2004. Todos ao fatos geradores anteriores a tal competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo de caducidade. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 260DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.005844/200911 Acórdão n.º 2301004.013 S2C3T1 Fl. 211 4 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 19679.005255/2003-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/1998
PIS. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO, INDEPENDENTE DE DECLARAÇÃO PRÉVIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-002.743
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à instância a quo para julgamento do mérito.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/1998 PIS. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO, INDEPENDENTE DE DECLARAÇÃO PRÉVIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Recurso Especial do Procurador Provido.
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INDÚSTRIA DE ALIMENTOS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/1998 PIS. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO, INDEPENDENTE DE DECLARAÇÃO PRÉVIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 52 55 /2 00 3- 75 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à instância a quo para julgamento do mérito. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 221 a 232) contra o v. acórdão proferido pela Colenda 1ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF (fls. 207 a 218) que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício e, por maioria, reconheceu a decadência parcial com arrimo no § 4º do artigo 150 do CTN. A presente controvérsia diz respeito, em síntese, a auto de infração cientificado em 11/08/2003 por falta de recolhimento da PIS no período de 01/01/1998 a 30/09/1998 A Colenda Turma a quo, como já apontado, reconheceu a decadência parcial até 15/07/1998 com arrimo no § 4º do artigo 150 do CTN, na esteira do voto proferido pelo Ilustre relator, Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça. A ementa do v. acórdão recorrido é a seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 13/02/1998 a 15/10/1998 PIS. DECADÊNCIA. RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR. CTN, ART. 150, § 4°. PREVALÊNCIA. LEI N° 8.212/91. INAPLICABILIDADE. SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8/08. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm natureza tributária e estão submetidas ao princípio da reserva de lei complementar (art. 146, III, b, da CF/88), cuja competência abrange as matérias de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos, em razão do que tanto o E. STJ como o E. STF expressamente reconheceram que padece de inconstitucionalidade formal o art. 45 da Lei 8.212/91, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, em desacordo com o disposto na lei complementar. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 19679.005255/200375 Acórdão n.º 9303002.743 CSRFT3 Fl. 251 3 DECADÊNCIA. CTN, ARTS, ARTIGOS 150, § 4° E 173. APLICAÇÃO EXCLUDENTE. As normas dos arts. 150, § 4º e 173” do CTN não são de aplicação cumulativa ou concorrente, mas antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 4° aplicase exclusivamente aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; o art. 173, ao revés, aplicase tributos em que o lançamento, em principio, antecede o pagamento. MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em relação às declarações apresentadas anteriormente à vigência da Lei n. 11.051, de 2004, aplicase retroativamente a legislação posterior mais benéfica, ainda que alterada por nova lei (art. 106, inc. II alínea “c” do CTN), que previa aplicação da multa somente em “razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, inocorrente no caso. Recurso do oficio negado e voluntário provido.” A Fazenda Nacional alegou em seu recurso, em síntese, que como não houve antecipação de pagamento pelo contribuinte, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao que o tributo poderia ser lançado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN. Assim, asseverou que, verbis, para os fatos geradores ocorridos até 15/07/98, verificase que somente no dia 1° de janeiro de 1999 iniciou a contagem do prazo decadencial. Computandose cinco anos, temse que a decadência ocorreria em 01/01/2004. Como a ciência do auto se deu em 11/08/2003, os lançamentos não aconteceram a destempo. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 238. Contrarrazões do contribuinte às fls. 243 a 252 em que se propugnou, em síntese, pela aplicação do disposto no § 4º do artigo 150 do CTN, ao fundamento de que, verbis, somente pode falarse na aplicação do art. 173, I, do CTN, segundo consignado no RECURSO REPETITIVO, quando o contribuinte, mesmo não tendo agido com dolo, fraude ou simulação, esteja inadimplente na obrigação de antecipar o pagamento E não tenha realizado a prévia declaração da existência do débito ao Fisco. Não é este o caso em pauta. Mais adiante, o contribuinte ainda aponta que, verbis, segundo a orientação do Superior Tribunal de Justiça, consignada no RECURSO REPETITIVO RESP 973733/SC, a qual o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais e a Camara Superior de Recursos Fiscais estão obrigados a seguir por conta de determinação do Regimento Interno, proclama que havendo declaração o prazo para o Fisco constituir o crédito tributário mantemse regido pelo art 150, § 4°, do CTN. É o relatório. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 4 Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Com relação ao mérito, especificamente quanto ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, Fl. 285DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 19679.005255/200375 Acórdão n.º 9303002.743 CSRFT3 Fl. 252 5 iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. Aliás, a propósito do referido v. acórdão proferido em sede de recurso repetitivo, bem como da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, entendo que não basta a mera declaração para que seja aplicada à decadência os termos do § 4º do artigo 150. Conforme verifiquei no próprio REsp nº 973.733 e em outros precedentes, alguns contemporâneos a esse julgado e outros mais recentes, o fator determinante para aplicação do inciso I do artigo 173 ou o § 4º do artigo 150 é a existência ou não de pagamento. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 6 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o auto de infração, cuja ciência se deu em 11/08/2003 (fls. 76), diz respeito a créditos tributários referentes a PIS relativa aos fatos geradores de 01/01/1998 a 30/09/1998. Pelo que consta dos autos, verificase que não houve pagamento antecipado. Assim, não havendo pagamento, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase à espécie o disposto no inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Como o auto de infração diz respeito a fatos geradores de 1998, o termo inicial do prazo decadencial para esse período foi o dia 1º de janeiro de 1999, sendo o termo final o dia 31 de dezembro de 2003. Como a intimação do lançamento se deu no dia 11 de agosto de 2003, não há que se falar em ocorrência de decadência, devendo ser mantido na íntegra o crédito tributário constituído. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 19679.005255/200375 Acórdão n.º 9303002.743 CSRFT3 Fl. 253 7 Por conseguinte, em face de todo o exposto, com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, sem retorno dos autos para a instância a quo para julgamento da matéria de mérito. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 288DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Numero do processo: 13884.900893/2008-02
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999
PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado.
Numero da decisão: 3803-005.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. FALTA DE REGULAMENTAÇÃO. INEFICÁCIA. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 08 93 /2 00 8- 02 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP, através do qual Loja do Pintor Tintas e Materiais para Construção Ltda. busca compensar crédito de COFINS referente ao período de apuração agosto de 1999, no valor original de R$ 1.684,33, com débitos de COFINS que totalizam o mesmo valor. A DRF em São José dos Campos/SP através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo sob o argumento de que localizou o pagamento indicado, contudo, o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos do contribuinte, não restando saldo suficiente para a compensação requerida. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, por meio da qual alega que: a) realizou pagamento indevido a maior, pois não considerou os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da Lei 9.718/98 (inferese tratar do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98) quando apurou a base de cálculo das contribuições; b) o crédito foi devidamente apurado e compensado na forma da legislação em vigor; c) o único fundamento para a glosa das compensações efetuadas pela recorrente é uma pretensa inexistência de créditos d) sequer foi solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito; e) a autoridade fiscal teria acesso às planilhas de apuração e poderia verificar a regularidade do encontro de contas efetuado se tivesse solicitado ao contribuinte a prova dos créditos; f) o despacho decisório deve ser anulado, determinando que a autoridade efetue as diligências para comprovar a origem e existência do crédito utilizado; ou, que seja logo homologada a compensação declarada. Ao final pede deferimento da manifestação de inconformidade. A 3ª Turma da DRJ/CPS julgou improcedente a manifestação de inconformidade e afirmou que: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900893/200802 Acórdão n.º 3803005.726 S3TE03 Fl. 11 3 a) a não homologação revelouse procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pelo contribuinte à Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente; b) por força de sua vinculação aos atos legais e aos atos emanados por autoridades hierarquicamente superiores, está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá à legislação tributária; c) o Ato Declaratório SRF nº 56, de 2000 estabelece que o disposto no inciso III do §2º do art. 3º da Lei nº 9718/1998 não produz eficácia para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para PIS/COFINS, uma vez que foi revogado e careceu de regulamentação durante sua vigência; d) não se deve examinar as provas dos alegados créditos, pois o crédito calcado no referido dispositivo é inexistente. Inconformado, o contribuinte protocolou Recurso Voluntário, alegando que obtémse a base de cálculo de PIS/COFINS ao seguir os passos artigo 3º da Lei 9.718 que resumemse para fins didáticos em dois momentos: 1º Apurar a totalidade das receitas auferidas pela empresa (art. 3º, § 1º) 2º Efetuar as deduções previstas nos incisos I, II, III e IV do parágrafo 2°, onde se destacam as exclusões de todas as receitas tidas como próprias e transferidas para outras pessoas jurídicas (inciso III). O recorrente também afirma que: a) a Administração Federal pretende aplicar o texto legal apenas nos pontos que lhe é favorável, afirmando que a aplicação do inciso III é impossível, visto que não foram editadas as normas regulamentadoras previstas no texto legal; b) nenhuma norma regulamentadora pode dispor sobre a base de cálculo das contribuições, visto que esta matéria é reservada à lei, não podendo ser tratada por regulamentos; c) qualquer interpretação da Lei que não permita as exclusões previstas no §2º do art. 3º da Lei 9.718/1998, tornando sem efeito ou utilidade os termos do inciso III desse dispositivo, contraria princípio elementar de direito segundo o qual a norma não possui palavras ou termos inúteis. d) é impossível norma do poder executivo dispor sobre a base de cálculo de contribuições; e) o comando legal inserido no inciso III, do parágrafo 2°, do artigo 3° da Lei 9.718/98 prescinde de qualquer regulamentação a ser expedida pelo Poder Executivo em face do Princípio de Estrita Legalidade em Matéria Tributária; f) no período em que esteve em vigor a redação originária do artigo 3° da Lei 9.718/98 o Recorrente tem direito líquido e certo de excluir da base de cálculo de PIS/COFINS Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 todas as receitas que tenham ingressado na empresa e, posteriormente, sido transferidas para outras pessoas jurídicas; g) o direito ao abatimento das receitas transferidas para outras pessoas jurídicas da base de cálculo do PIS e COFINS, permaneceu íntegro até o momento em que foi instituído o sistema nãocumulativo para o recolhimento das contribuições em questão. Complementa suas alegações com vários excertos de doutrina, jurisprudência e legislação. Ao final requer o recebimento e provimento do recurso a fim de reformar a decisão recorrida para fins de reconhecer o direito creditório perseguido pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Das receitas transferidas para outra pessoa jurídica. O contribuinte afirma que tem crédito em decorrência do disposto no inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98, citase: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Grifo Nosso) A interpretação literal da norma acima transcrita revela que é necessária norma regulamentadora, expedida pelo Poder Executivo, para que se possa excluir da base de cálculo as receitas transferidas para outra pessoa jurídica. Para o julgamento da lide é interessante observar que nunca houve norma regulamentadora de tal dispositivo, o qual, vale dizer, foi revogado por medida provisória. Tal entendimento baseou o Ato Declaratório SRF nº 56, de 2000, que foi adotado pela decisão de 1ª instância em virtude de sua vinculação. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900893/200802 Acórdão n.º 3803005.726 S3TE03 Fl. 12 5 Por outro lado o contribuinte alega que a base de cálculo de contribuições é matéria reservada à lei, não podendo ser tratada por regulamentos, muito menos por regulamentos do poder executivo. Porém tal entendimento não deve prevalecer. O legislador tem a possibilidade de outorgar o poder condicionando a eficácia das normas a atos do Poder Executivo. Nesse caso o chefe do Poder Executivo estava no direito, inclusive, de negar eficácia à norma e assim o fez por meio de medida provisória. O Princípio da Estrita Legalidade em Matéria Tributária e o princípio segundo o qual a norma não possui palavras ou termos inúteis, não contribuem em nada com o recorrente, pois ao negar que o dispositivo submete sua eficácia ao Poder Executivo esses dois princípios acabam por ser ofendidos. O Superior Tribunal de Justiça tem o seguinte entendimento sobre a matéria: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS TRANSFERIDAS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI 9.718/91, ART. 3º, § 2º, III. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. 1. É de sabença que na dicotomia das normas jurídico tributárias, há as cognominadas leis de eficácia limitada ou condicionada. Consoante a doutrina do tema, "as normas de eficácia limitada são de aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, porque somente incidem totalmente sobre esses interesses após uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a eficácia.". Isto porque, "não revestem dos meios de ação essenciais ao seu exercício os direitos, que outorgam, ou os encargos, que impõem: estabelecem competências, atribuições, poderes, cujo uso tem de aguardar que a Legislatura, segundo o seu critério, os habilite a se exercerem". 2. A lei 9.718/91, art. 3º, § 2º, III, optou por delegar ao Poder Executivo a missão de regulamentar a aplicabilidade desta norma. Destarte, o Poder Executivo, competente para a expedição do respectivo decreto, quedouse inerte, sendo certo que, exercendo sua atividade legislativa constitucional, houve por bem retirar a referida disposição do universo jurídico, através da Medida Provisória 199118/2000, numa manifestação inequívoca de aferição de sua inconveniência tributária. 3. Conquanto o art. 3º, § 2º, III, da Lei supracitada tenha ostentado vigência, careceu de eficácia, ante a ausência de sua imprescindível regulamentação. Assim, é cediço na Turma que "se o comando legal inserto no artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP 199118/2000". Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 4. Deveras, é lícito ao legislador, ao outorgar qualquer benefício tributário, condicionar o seu gozo. Tendo o legislador optado por delegar ao Poder Executivo a tarefa de estabelecer os contornos da isenção concedida, também essa decisão encontra amparo na sua autonomia legislativa. 5. Conseqüentemente, "não comete violação ao artigo 97, IV, do Código Tributário Nacional o decisório que em decorrência deste fato, não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. "In casu", o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei, sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência." 6. Precedentes das Primeira e Segunda Turmas:RESP 644969 / SC ; Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 27.09.2004; RESP 507876 / RS; deste relator, DJ de 15.03.2004; REsp 445.452, Rel. Min. José Delgado, DJ de 10/03/2003. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 641.512/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/09/2005, DJ 26/09/2005, p. 193) O CARF tem acompanhado esse entendimento, inclusive em relação ao mesmo contribuinte no Acórdão nº 340301.086 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF que foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 COFINS. LEI Nº 9.718/98. RECEITAS TRANSFERIDAS PARA TERCEIROS.INEFICÁCIA. O inciso III do § 2º do art. 3º, da Lei nº 9.718 ao prever que os “valores que, computados como receita tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentares expedidas pelo Poder Executivo", embora vigente temporariamente, não logrou eficácia no ordenamento em face de sua revogação pelo art. 47, inciso IV, da MP nº 199118 antes de qualquer iniciativa regulamentar. Recurso Voluntário Negado Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900893/200802 Acórdão n.º 3803005.726 S3TE03 Fl. 13 7 Concluise que o crédito é inexistente por falta de eficácia da norma alegada que permitiria a exclusão de receitas que computadas em sua receita foram transferidas para terceiros. Da comprovação do crédito e apresentação das provas. Ainda que fosse superada a questão de direito, o que não é o caso, observase que não se encontra nos autos qualquer documentação comprobatória da liquidez e certeza dos direitos creditórios alegados, o que já seria suficiente para frustrar a pretensão creditória do contribuinte conforme determina o artigo 170 do CTN: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. O contribuinte também deveria observar o momento de apresentar as provas conforme o determinado pelo artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 8 Conclusão O crédito pleiteado é inexistente, uma vez que a norma que lhe teria creditado jamais foi regulamentada e, conseqüentemente, nunca foi eficaz. Ainda que houvesse base legal para acolher as alegações do contribuinte, o pleito carece de provas suficientes à comprovação da redução da base de cálculo e, consequentemente, do imposto inicialmente declarado em DCTF. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e por NÃO RECONHECER o direito creditório pretendido. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10660.905854/2011-25
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 54 /2 01 1- 25 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905854/201125 Acórdão n.º 3803006.016 S3TE03 Fl. 165 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$ 10.412,19. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 23 de dezembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de janeiro de 2014, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905854/201125 Acórdão n.º 3803006.016 S3TE03 Fl. 166 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905854/201125 Acórdão n.º 3803006.016 S3TE03 Fl. 167 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905854/201125 Acórdão n.º 3803006.016 S3TE03 Fl. 168 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 168DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 35366.001448/2005-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/10/2004
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA.
O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO COMO UM TODO E NÃO POR RUBRICA ISOLADA.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Para contribuições previdenciárias apura-se a ocorrência de antecipação referida no caput do art. 150 do CTN se houve pagamento no período de competência, ainda que não especificamente sobre a rubrica lançada ou a lançar.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). PAGAMENTO EM CONFORMIDADE COM A LEI DE REGÊNCIA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA.
Apenas a parcela paga ou creditada aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados em acordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente não integra o salário de contribuição.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). ANTERIORIDADE DE CONVENÇÃO COLETIVA, ACORDO COLETIVO OU NEGOCIAÇÃO COLETIVA. NECESSIDADE. INEXISTENCIA DE PRAZO FIXADO EM LEI. ACORDO FIRMADO DURANTE O PERÍODO DE AFERIÇÃO DAS METAS ATENDE AOS REQUISITOS LEGAIS.
A Lei 10.101/2000 exige que o fechamento do acordo para o pagamento da PLR ocorra antes do pagamento e ao menos durante o período de aferição dos critérios adotados para fixação do direito subjetivo dos trabalhadores. Referida lei não estabelece, contudo, prazo mínimo necessário entre o fechamento do acordo e o pagamento da PLR, não cabendo ao interprete fazê-lo.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). PERIODICIDADE PREVISTA NA LEI 10.101/2000. DESCARACTERIZAÇÃO DAS PARCELAS PAGAS EM DESACORDO E NÃO DO PROGRAMA DE PLR COMO UM TODO.
A Lei 10.101/2000, antes da alteração pela Lei 12.832/2013, vedava o pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil ou em mais de duas vezes no mesmo ano civil. Não se pode deixar de aplicar a lei a pagamentos feitos em acordo com as suas disposições, devendo ser computados na base de cálculo das contribuições previdenciárias apenas as parcelas pagas em periodicidade inferior à permitida ou acima de duas vezes por ano.
Recurso conhecido em parte, na parte conhecida, negado.
Numero da decisão: 9202-003.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e na parte conhecida, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Elias Sampaio Freire que davam provimento em parte
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 26/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 30/10/2004 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO COMO UM TODO E NÃO POR RUBRICA ISOLADA. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 36 6. 00 14 48 /2 00 5- 07 Fl. 3231DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Para contribuições previdenciárias apurase a ocorrência de antecipação referida no caput do art. 150 do CTN se houve pagamento no período de competência, ainda que não especificamente sobre a rubrica lançada ou a lançar. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). PAGAMENTO EM CONFORMIDADE COM A LEI DE REGÊNCIA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA. Apenas a parcela paga ou creditada aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados em acordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente não integra o salário de contribuição. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). ANTERIORIDADE DE CONVENÇÃO COLETIVA, ACORDO COLETIVO OU NEGOCIAÇÃO COLETIVA. NECESSIDADE. INEXISTENCIA DE PRAZO FIXADO EM LEI. ACORDO FIRMADO DURANTE O PERÍODO DE AFERIÇÃO DAS METAS ATENDE AOS REQUISITOS LEGAIS. A Lei 10.101/2000 exige que o fechamento do acordo para o pagamento da PLR ocorra antes do pagamento e ao menos durante o período de aferição dos critérios adotados para fixação do direito subjetivo dos trabalhadores. Referida lei não estabelece, contudo, prazo mínimo necessário entre o fechamento do acordo e o pagamento da PLR, não cabendo ao interprete fazêlo. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). PERIODICIDADE PREVISTA NA LEI 10.101/2000. DESCARACTERIZAÇÃO DAS PARCELAS PAGAS EM DESACORDO E NÃO DO PROGRAMA DE PLR COMO UM TODO. A Lei 10.101/2000, antes da alteração pela Lei 12.832/2013, vedava o pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil ou em mais de duas vezes no mesmo ano civil. Não se pode deixar de aplicar a lei a pagamentos feitos em acordo com as suas disposições, devendo ser computados na base de cálculo das contribuições previdenciárias apenas as parcelas pagas em periodicidade inferior à permitida ou acima de duas vezes por ano. Recurso conhecido em parte, na parte conhecida, negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 3232DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 9202003.192 CSRFT2 Fl. 22 3 Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e na parte conhecida, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Elias Sampaio Freire que davam provimento em parte (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 26/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de notificação fiscal de lançamento de débito – NFLD de fls. 01/429 lavrada para cobrança de supostos de débitos de contribuições previdenciárias calculados sobre pagamentos a título de participação nos lucros e resultados – PLR. De acordo com a fiscalização, os pagamentos a título de PLR estariam em desacordo com a legislação de regência (i.e. Lei 10.101/2000) e, assim, sujeitos a incidência das contribuições previdenciárias a cargo da empresa (nos termos do art. 28 c/c § 9º, alínea “j”, da Lei 8.212/91). Especificamente, referidos pagamentos teriam, na opinião da fiscalização, desrespeitado: a necessidade de negociação coletiva prévia anterior ao pagamento (art. 2º da Lei 10.101/2000), a vedação ao pagamento de antecipações e a periodicidade mínima para pagamento (art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000). A Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 2301002.056, que se encontra às fls. 1.495/1.514 e cuja ementa é a seguinte: “DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, Fl. 3233DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN. SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Ocorre a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados quando a empresa observa a legislação específica sobre a matéria. As parcelas de PLR pagas em desacordo com a Lei 10.101/2000 integra o salário de contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por voto de qualidade, deu provimento parcial ao recurso interposto pela Notificada para declarar a decadência do crédito tributário até a competência de 03/2000 (inclusive) e, no mérito, cancelar em parte o lançamento sobre algumas parcelas pagas a título de PLR. Em relação aos segurados submetidos apenas aos acordos coletivos de trabalho decidiuse: (i) para a PLR de 2000, manter o lançamento sobre a primeira parcela, porque paga antes do fechamento do acordo coletivo, manter o lançamento sobre a segunda parcela, porque expressamente paga em substituição a parte da remuneração prevista em convenção ou acordo coletivo de trabalho anterior, e cancelar o lançamento com relação à terceira parcela, por não vislumbrar violação à Lei 10.101/2000 que justificasse a manutenção da cobrança (paga dentro da periodicidade admitida pela lei, após a negociação coletiva e o fim do exercício, não substituiu remuneração dos segurados e decorreu do atingimento de metas preestabelecidas no acordo); (ii) para a PLR de 2001, cancelar o lançamento sobre a primeira parcela, porque paga depois do fechamento do acordo coletivo, uma vez que a lei não estabelece um prazo mínimo entre o fechamento e o pagamento, manter o lançamento sobre a segunda parcela, porque expressamente paga em substituição a parte da remuneração prevista em convenção ou acordo coletivo de trabalho anterior; em 2001 não houve terceira parcela; (iii) para a PLR de 2002, cancelar o lançamento sobre a primeira parcela, porque paga depois do fechamento do acordo coletivo, uma vez que a lei não estabelece um prazo mínimo entre o fechamento e o pagamento, manter o lançamento sobre a segunda parcela, porque expressamente paga em substituição a parte da remuneração prevista em convenção ou acordo coletivo de trabalho anterior e também em periodicidade inferior à mínima legal; e cancelar o lançamento com relação à terceira parcela, por não vislumbrar violação à Lei 10.101/2000 que justificasse a manutenção da cobrança (paga dentro da periodicidade admitida pela lei, após a negociação coletiva e o fim do exercício, não substituiu remuneração dos segurados e decorreu do atingimento de metas preestabelecidas no acordo); Fl. 3234DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 9202003.192 CSRFT2 Fl. 23 5 (iv) para a PLR de 2003, cancelar o lançamento sobre a primeira parcela, porque paga depois do fechamento do acordo coletivo, uma vez que a lei não estabelece um prazo mínimo entre o fechamento e o pagamento, manter o lançamento sobre a segunda parcela, porque expressamente paga em substituição a parte da remuneração prevista em convenção ou acordo coletivo de trabalho anterior e também em periodicidade inferior à mínima legal; e cancelar o lançamento com relação à terceira parcela, por não vislumbrar violação à Lei 10.101/2000 que justificasse a manutenção da cobrança (paga dentro da periodicidade admitida pela lei, após a negociação coletiva e o fim do exercício, não substituiu remuneração dos segurados e decorreu do atingimento de metas preestabelecidas no acordo); (v) para a PLR de 2004, cancelar o lançamento sobre a primeira parcela, porque paga depois do fechamento do acordo coletivo, uma vez que a lei não estabelece um prazo mínimo entre o fechamento e o pagamento, manter o lançamento sobre a segunda parcela, porque expressamente paga em substituição de parte da remuneração prevista em convenção ou acordo coletivo de trabalho anterior; em 2004 não houve terceira parcela. Quanto aos segurados integrantes da Divisão de Vendas e do Grupo Executivo da Notificada, os acordos coletivos de trabalho referentes ao programa de PLR previam expressamente a sua inclusão nas segundas parcelas (salvo em 2004, quando foram excluídos da segunda parcela) e sua exclusão dos pagamentos das primeiras e terceiras parcelas (quando havia), que seriam substituídas por parcelas a serem pagas em conformidade com acordos celebrados em separado. A Turma a quo entendeu que os pagamentos feitos em razão de acordos apartados do acordo coletivo de trabalho não desrespeita a Lei 10.101/2000 se aqueles estiverem expressamente previstos e admitidos por este, como ocorre no caso dos autos. Com base neste entendimento, para os segurados da Divisão de Vendas e Grupo Executivo a Turma recorrida manteve o lançamento sobre as segundas parcelas pagas a título de PLR nos anos de 2000 a 2003 (porquanto pagas em substituição à remuneração prevista em convenção ou acordo coletivo de trabalho anterior e/ou por despeitar a periodicidade mínima permitida em lei) e exclui do lançamento as primeiras e terceiras parcelas pagas nos anos de 2000 a 2003, bem como as duas parcelas pagas a título de PLR no ano de 2004, as quais entendeu pagas dentro da periodicidade admitida pela lei, após a negociação coletiva e/ou o fim do exercício, não substituíram remuneração dos segurados e decorreram do atingimento de metas preestabelecidas nos acordos apartados. Intimada do v. acórdão em 22/02/2013 (fls. 1.515) a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 1.518/1.530), fundamentada na divergência entre o acórdão recorrido e: (i) quanto à decadência, os acórdãos 230200.359 e 240200.362, nos quais se adotou entendimento segundo o qual a ocorrência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias para fins de determinação do regime jurídico da decadência (art. 150, § 4º, ou art. 173, I, ambos do CTN) deve ser verificada com relação à rubrica especifica; (ii) quanto ao prazo de anterioridade do fechamento do acordo para pagamento da PLR, o acórdão 240100.545, no qual se adotou entendimento de necessidade de que os acordos sejam celebrados no exercício anterior ao pagamento da PLR; Fl. 3235DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 (iii) quanto à periodicidade mínima para pagamento da PLR, o acórdão 2401 01.619, segundo o qual o desrespeito à cláusula de periodicidade mínima implica a irregularidade de todo o programa de PLR, não apenas das parcelas pagas em desacordo com a disposição legal; e (iv) quanto à previsão de pagamento de PLR em acordos apartados mas expressamente previstos pela negociação coletiva, os acórdãos 2402002.458, segundo o qual não atendem a legislação de regência da PLR acordos coletivos que não estabeleçam metas ou resultados, mas prevejam valores percentuais sobre o salário ou em razão do tempo de serviço, e 9202002.079, segundo o qual o acordo coletivo de trabalho tem validade apenas para segurados que trabalham em estabelecimentos localizados dentro da circunscrição territorial do sindicato com o qual o acordo foi assinado. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2300 132/2013, de 01/04/2013 (fls. 1.531/1.539). Regularmente intimada em 18/05/2013 (AR de fls. 1641) do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional a contribuinte apresentou suas contrarrazões em 29/05/2013 (fls. 1.543/1.559). É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Inicialmente analiso a admissibilidade do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. No tocante à tese da verificação da ocorrência de antecipação de pagamento para determinar a regime de decadência a ser aplicado às contribuições previdenciárias, a Recorrente suscita divergência com base nos acórdãos paradigmas 230200.359 e 240200.362, cujas ementas estão transcritas no corpo do recurso especial, verbis: Acórdão 230200.359 “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, I, DO CTN. (.) Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, I do CTN (...)” Acórdão 240200.362 “DECADÊNCIA – ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 – INCONSTITUNALIDADE – STF – SÚMULA VINCULANTE. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispões o § 4º do art. 150 ou o art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não (...)” Fl. 3236DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 9202003.192 CSRFT2 Fl. 24 7 Especificamente quanto ao acórdão 240200.362, a Recorrente transcreve o seguinte trecho do voto proferido pela I. Relatora do caso: “No caso em tela, tratase do lanc amento de contribuic ões, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relac ão aos mesmos, a recorrente não efetuou qualquer antecipac ão. Nesse sentido, aplicase o art. 173, inciso I do CTN para considerar que estão abrangidos pela decade ncia os créditos correspondentes aos fatos geradores ocorridos ate ́11/2001, inclusive.” Assim, em situações semelhantes e comparáveis à dos presentes autos, os acórdãos paradigmas entenderam que o prazo decadencial para a contribuição do respectivo crédito tributário regese pelo art. 173, I, do CTN se não houver recolhimento antecipado referente às rubricas lançadas, individualmente consideradas. Uma vez que no caso dos autos não houve pagamento de contribuição previdenciária sobre PLR, nada obstante tenha havido sobre outras rubricas, a aplicação do entendimento adotado nos acórdãos paradigmas ao caso dos autos resultaria no reforma da decisão recorrida, para deslocar o termo inicial da decadência da data prevista no art. 150, § 4º, do CTN (data de ocorrência do fato gerador), para o previsto no art. 173, I, também do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Entendo, portanto, comprovada a divergência quanto a esta tese. No que diz respeito à tese da necessidade que o acordo estivesse fechado antes do início do exercício em que ocorreu o pagamento, a Recorrente suscita divergência com o acórdão paradigma 240100.545, cuja ementa segue transcrita, na parte que interessa: “... PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS DA LEI 10.101/2000. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91. ...” Em situação semelhante e comparável à dos autos, o acórdão paradigma entendeu que seria necessário para respeitar a anterioridade determinada pela Lei 10.101/2000 que o acordo de pagamento de PLR estivesse fechado no exercício anterior àquele em que ocorreram os pagamentos. Uma vez que no caso dos autos o acórdão recorrido adotou entendimento de que a Lei 10.101/2000 não fixou prazo específico, mas apenas que o acordo para o pagamento Fl. 3237DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 da PLR fosse anterior ao pagamento e, com base nesse entendimento cancelou o lançamento sobre determinadas parcelas pagas no exercício em que o acordo foi fechado, a aplicação do entendimento do acórdão paradigma seria suficiente para a reforma do acórdão recorrido. Entendo, portanto, comprovada a divergência quanto a esta tese. Em relação à tese de que a inobservância da periodicidade mínima estabelecida pela Lei 10.101/2000 afeta todo o programa de pagamento de PLR e não apenas as parcelas pagas além da permissão legal, a Recorrente suscita divergência com o acórdão nº 240101.619, cuja ementa se transcreve na parte que interessa: “... PLR. PAGAMENTO EM PERIODICIDADE INFERIOR À FIXADA LEGALMENTE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento de PLR em periodicidade inferior àquela prevista na lei específica conduz a incidência de contribuição previdenciária sobre a citada verba. ...” Consta do voto condutor de citado acórdão paradigma: “... Verificase, assim, que, ao repassar a verba aos trabalhadores em seis parcelas, a recorrente atropelou o § 2. acima transcrito. A Lei n. 8.212/1991, na que a alínea "j" do § 9. do art. 28, que regula a isenção previdenciária sobre a participação nos lucros, prevê que não haverá a incidência de contribuições previdenciárias sobre a citada verba, mas condiciona o beneficio fiscal ao pagamento da parcela dos resultados em conformidade com a lei específica, no caso a Lei n. 10.101/2000. Eis o dispositivo: ... A única conclusão possível é a de que, tendo havido o pagamento em desrespeito à Lei 10.101/2000, a verba deve ser considerada saláriodecontribuição, tendo o Fisco demonstrado acerto em seu proceder. ..." O acórdão paradigma manteve, em situação semelhante e comparável à dos presentes autos, o lançamento de contribuições previdenciárias sobre todas as parcelas pagas a título de PLR em função do descumprimento da periodicidade prevista na norma legal. A aplicação de referido entendimento ao presente caso seria suficiente para a reforma do acórdão recorrido, pois, ao contrário do decidido nestes autos, não apenas as parcelas pagas além da periodicidade admitida, mas todas elas teriam que ser consideradas irregulares em razão do pagamento em periodicidade acima da permitida. Entendo, portanto, comprovada a divergência quanto a esta tese. No que tange à tese de irregularidade dos valores pagos a título de PLR conforme acordos apartados e expressamente previstos no acordo coletivo de trabalho que aprovou o programa de PLR da empresa, a Recorrente apresenta como paradigmas da divergência apontada os acórdãos 2402002.458 e 9202002.079. No que interessa à tese, o acórdão 2402002.458 foi assim ementado: Acórdão nº 2402002.458 Fl. 3238DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 9202003.192 CSRFT2 Fl. 25 9 “... PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição. Recurso Voluntário Negado.” A Recorrente transcreve trecho do voto condutor de referido acórdão para esclarecer o ponto divergente: “Por sua vez, nos Acordos apresentados nos autos não constam regras claras, eis que eles fixam percentuais sobre salário ou do piso salarial dos empregados. Isso comprova que, efetivamente, o pagamento de verbas a título de PLR não atendeu os requisitos formais exigidos pela legislação, e mais, as Atas com que a Recorrente tenta provar a fixação de metas são simples acordos, celebrados entre a GRANOL (Recorrente) e a Comissão de Fábrica da Unidade de Osvaldo Cruz, que não constam dos Acordos Coletivos ou da Convenção.” Neste acórdão paradigma enfrentouse situação na qual o acordo coletivo de trabalho assinado para pagamento da PLR estabelecia valores fixos em percentual dos salários dos empregados e sem relação com cumprimento de metas. Ainda que houvesse atas em que metas teriam sido estabelecidas, estas não teriam relação com o valor do pagamento da PLR (fixo em percentual do salário) e não haviam sido previstas ou incluídas no acordo coletivo. Tendo em vista que os valores pagos a título de PLR eram fixos e não correspondiam ao atingimento de metas, tal como determina a Lei 10.101/2000, o acórdão paradigma manteve o lançamento das contribuições previdenciárias. A situação apreciada pelo acórdão paradigma não é similar e comparável com a situação dos autos, nos quais, para a Divisão de Vendas e o Grupo Executivo o próprio acordo coletivo de trabalho previa a estipulação de acordos apartados e estabelecia quais tipos de metas deveriam ser estabelecidos. A aplicação do resultado do julgamento do acórdão paradigma ao caso dos autos não é suficiente para alterar o decidido no acórdão recorrido, uma vez que no caso destes autos os valores não eram fixos e os acordos coletivos de trabalho previam expressamente a estipulação de acordos apartados e os tipos de metas que deveriam ser estabelecidas nestes acordos em separado. Já o acórdão 9202002.079 foi assim ementado, no que interessa ao caso: “... PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. Para que não haja incidência de contribuições previdenciárias, a PLR paga a empregados deve resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo. O enquadramento sindical deve levar em consideração a base territorial do local da prestação dos serviços. Esta regra deve ser ressalvada quando se tornar necessária a observância dos princípios Fl. 3239DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 10 constitucionais que prescrevem a irredutibilidade de salários e do direito adquirido e, ainda, na hipótese de transferência temporária do empregado. A extensão da PLR pactuada em acordo coletivo de trabalho para trabalhadores da empresa que prestam serviço em locais distintos daqueles da base territorial do sindicato, não é por si só, fato que altere a natureza do pagamento efetuado. (...)” Neste acórdão paradigma adotouse entendimento de que o acordo coletivo de trabalho somente pode abranger os segurados que trabalham nos estabelecimentos da empresa localizados dentro da base territorial do sindicato que participou da negociação coletiva e assinou o respectivo acordo. Em outras palavras, devese entender não abrangido pelo acordo de pagamento de PLR o empregado que está lotado em estabelecimento fora da circunscrição territorial do sindicato que assinou o respectivo acordo. Também a situação apreciada por este segundo paradigma não é comparável à situação dos autos, nos quais não há qualquer prequestionamento acerca da base territorial dos sindicatos signatários dos acordos coletivos de trabalho juntados aos autos pela própria fiscalização. A aplicação do entendimento adotado no acórdão paradigma no caso dos autos não é suficiente para alterar o resultado do julgamento pelo acórdão recorrido, uma vez que a matéria não é sequer discutida nestes autos. O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido. Nos termos do acima exposto não é o que se verifica com relação à tese da irregularidade dos valores pagos a título de PLR conforme acordos apartados e expressamente previstos no acordo coletivo de trabalho que aprovou o programa de PLR da empresa. Não conheço do recurso especial da Fazenda Nacional quanto a esta última tese. Passo à análise do mérito do recurso especial. Decadência Em diversas oportunidades manifestei entendimento segundo o qual para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para efetuar o lançamento seria, em regra, regido pelos termos art.150, §4º, do CTN, independentemente da existência de pagamento antecipado. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, a partir de alteração promovida pela Portaria MF n.º 586, de 22 de dezembro de 2010, introduziu no artigo 62A do Anexo II dispositivo que determina, in verbis: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” Fl. 3240DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 9202003.192 CSRFT2 Fl. 26 11 O E. Superior Tribunal de Justiça, ao julgar em 18/09/2009 o RESP nº 973.733 na sistemática de recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C do CPC, consolidou entendimento diverso no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, considerando relevante a existência de antecipação do pagamento para a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. O acórdão em questão encontrase assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. Fl. 3241DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 12 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento deve este Colegiado aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, considerar o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado como termo inicial do prazo decadencial, sendo este entendido, segundo a ementa acima, como o primeiro dia seguinte à ocorrência do fato imponível. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. Para contribuições previdenciárias calculadas sobre base que corresponde a um universo de remunerações e verbas mensalmente pagas aos empregados e contribuintes individuais, apurase a ocorrência de antecipação referida no caput do art. 150 do CTN se houve pagamento no período de competência, ainda que não especificamente sobre a rubrica lançada ou a lançar. Em outras palavras, o deslocamento da regra de contagem do prazo de decadência do art. 150, §4º, para o art.173, I, ambos do CTN, requer a total ausência de recolhimento de contribuições previdenciárias pelo contribuinte nas competências relativas aos fatos geradores questionados. Neste sentido já decidiu esta C. 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, verbis: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2008 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. Fl. 3242DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 9202003.192 CSRFT2 Fl. 27 13 DECADÊNCIA. REGRA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. TOTALIDADE DA REMUNERAÇÃO. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, possui como base de cálculo o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. No presente caso, ficou demonstrado que houve recolhimento parcial da contribuição calculada sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, motivo da aplicação da regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150, do Código Tributário Nacional (CTN).” (Acórdão 9202003.060, sessão de julgamento de 13.02.2014) No presente caso, da análise das planilhas acostadas à NFLD é possível inferir que houve o recolhimento, ainda que parcial, das contribuições devidas pelo sujeito passivo (fls. 208/289). Com base no referido raciocínio aplicase ao presente caso o disposto no art. 150, §4º, do CTN, sendo que o início da contagem do prazo de decadência se dá com a ocorrência do fato gerador. No caso dos autos, considerando que a contribuinte foi cientificada do lançamento em 20/04/2005, correta a declaração da extinção pela decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 03/2000 (inclusive), nos termos consignados no v. acórdão recorrido, que neste ponto não merece reforma. Participação dos trabalhadores nos lucros e resultados da empresa A Constituição Federal, em seu art. 7º, XI, estabelece como direito fundamental dos trabalhadores a participação nos lucros ou resultados – PLR da empresa, de forma desvinculada de seu salário. Este direito fundamental está sujeito, nos termos da própria constituição, a regulamentação por lei, verbis: “Art. 7º. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: ... Fl. 3243DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 14 XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. ...” Além de estabelecer direito fundamental dos trabalhadores, o dispositivo constitucional acima transcrito, ainda que de modo indireto ou implícito, estabelece limite ao poder de tributar, particularmente ao poder da União de instituir fontes para custeio da seguridade social sobre valores pagos a título de PLR nos limites definidos em lei. Observando os limites estabelecidos pelo Constituinte, o legislador incluiu no art. 28, § 9º, da Lei 8.212/91 a alínea "j", que determinou a exclusão dos pagamentos a título de PLR feitos em conformidade com a lei da base de cálculo das contribuições previdenciárias: “Art. 28. ... § 9º. Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; ...” Para a regulamentação da participação dos trabalhadores nos lucros e resultados da empresa foi editada a Medida Provisória 794/94, sucessivamente reeditada até a sua conversão na Lei 10.101/2000. Respeitados os critérios estabelecidos pela Lei 10.101/2000, a PLR paga aos trabalhadores deve ser entendida como desvinculada do salário e, por conseguinte, não integrante da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Sustenta a recorrente, nos limites da matéria ora conhecida, que os pagamentos a título de PLR analisados nestes autos desrespeitaram dois requisitos estabelecidos pela Lei 10.101/2000: a necessidade que o acordo estivesse fechado antes do início do exercício em que ocorreu o pagamento e a periodicidade mínima estabelecida pela Lei 10.101/2000, vício que afeta todo o programa de pagamento de PLR e não apenas as parcelas pagas além da permissão legal. Acordo prévio ao exercício em que ocorreu o pagamento Como já referido, no caso dos autos o acórdão recorrido determinou a exclusão da base de cálculo da NFLD de certas parcelas de PLR pagas poucos dias após o fechamento dos acordos coletivos de trabalho. Isto porque, no entendimento da maioria da Turma a quo a Lei 10.101/2000 não prevê prazo específico a ser respeitado entre a data da conclusão das negociações e o pagamento, determinando apenas que aquela seja anterior a este e vedando quaisquer antecipações. Sustenta a Recorrente que o curto espaço de tempo entre a conclusão das negociações e o pagamento das primeiras parcelas descaracterizaria a natureza da verba paga a título de PLR, na medida em que os trabalhadores não teriam conhecimento prévio dos critérios e metas a serem cumpridos para obtenção do benefício. São relevantes para a solução da controvérsia o arts. 2º, caput, e § 2º do art. 3º da Lei 10.101/2000, abaixo transcritos com a redação vigente à época dos fatos: Fl. 3244DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 9202003.192 CSRFT2 Fl. 28 15 “... Art. 2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. ... Art. 3º. ... § 2º. É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. ...” O caput do art. 2º vincula o pagamento da PLR aos termos de negociação entre trabalhadores e empresa, com intervenção do sindicato. De referido artigo extraise que o pagamento da PLR depende dos termos negociados entre trabalhadores e empresa, o que significa dizer que tal pagamento depende de estarem concluídas tais negociações. Esta conclusão é corroborada pela primeira parte do disposto no § 2º do art. 3º da Lei 10.101/2000, acima transcrito, isto é, pela vedação expressa ao pagamento de antecipações da participação nos lucros ou resultados da empresa, assim entendidas quaisquer pagamentos feitos antes do fechamento das negociações. Nada obstante, nem os referidos dispositivos nem qualquer outro da citada lei estabelecem prazo mínimo a ser respeitado entre a data da conclusão da negociação e o pagamento da PLR. Ante a inexistência de previsão explícita de prazo na Lei 10.101/2000, não se pode dizer que pagamento de PLR no mesmo exercício em que concluídas as negociações do respectivo acordo violam diretamente a legislação de regência. Cumpre analisar se, apesar de não estabelecido de forma explícita, por algum motivo deveria a anterioridade requerida pela Recorrente estaria implícita na Lei 10.101/2000. Arguiuse, em termos gerais, que uma análise sistemática e teleológica da legislação de regência da participação dos trabalhadores nos lucros e resultados da empresa levaria à conclusão da necessidade do estabelecimento de tal anterioridade mínima. Isto porque, levando em conta que o pagamento da PLR deve ter como premissa o atingimento de metas preestabelecidas em negociação coletiva, apenas depois de concluídas as negociações é que os trabalhadores teriam conhecimento das tais metas a serem atingidas. As negociações deveriam assim ser concluídas no exercício anterior àquele em que os trabalhadores buscarão atingir as metas combinadas e no qual eles serão avaliados pelo cumprimento delas. Com a vênia dos que assim entendem, penso que estas considerações não são suficientes para afirmar que exista um prazo ou requisito de anterioridade implícito na Lei 10.101/2000 e que, para atender a tal requisito, seja necessário que as negociações estejam concluídas no ano anterior ao pagamento da PLR. Fl. 3245DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 16 Uma das premissas da Lei 10.101/2000 é a de que o plano PLR deva ser fruto de negociações entre empresa e trabalhadores, estes representados diretamente pelo sindicato ou ao menos apoiados pela intervenção dele. Desta necessária participação dos trabalhadores na negociação do plano de PLR advém que eles têm ciência do que se negocia e também têm o poder de influir no resultado das negociações. Se os trabalhadores têm ciência do que é negociado e têm poder de influir no resultado do acordo, despiciendo que precisem aguardar até o exercício seguinte à data da conclusão das negociações para receber a PLR. Não refuto a ideia de que tal anterioridade seja necessária apenas em razão de não haver tal previsão explícita na Lei 10.101/2000. Em verdade não vislumbro razoabilidade ou proporcionalidade na interpretação que leva a tal entendimento. Pretendese com tal interpretação proteger o direito dos trabalhadores de estarem cientes das metas que terão de cumprir para fazer jus a PLR. Contudo, este direito já é garantido pela Lei 10.101/2000, na medida em que determina como necessária a participação dos trabalhadores e a intervenção dos sindicatos na negociação do plano de PLR. Não atende aos critérios de razoabilidade de proporcionalidade estabelecer uma condição adicional àquelas já estabelecidas expressamente pela Lei 10.101/2000 se o direito a que se pretende dar proteção já está garantido por outros meios, estes também expressamente previstos na legislação em análise. Por outro lado, é necessário ressalvar que as negociações devem ter por fundamento metas ou critérios ainda a apurar. Isto é, não se exige que estejam concluídas antes do exercício em que ocorra o pagamento, mas devem ser concluídas antes do fim do período base eleito para a apuração dos critérios que servirão de base para a fixação dos direitos subjetivos dos trabalhadores, dos valores de PLR a pagar. Adotando as mesmas conclusões acima, transcrevo a ementa do acórdão 2301003.422, proferido pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF em sessão de 14/03/2013, verbis: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. METAS E PLANOS DIFERENCIADOS POR CARGO. VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRÊMIO PAGO A TERCEIRO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. ENQUADRAMENTO. IMPROCEDENTE. Acordo para pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) que preveja plano e metas diferenciadas de acordo com o cargo do segurado não está em desacordo com a legislação, motivo da não incidência da contribuição previdenciária sobre essa parcela. No caso concreto as regras do Acordo foram conhecidas previamente pelos empregados da recorrente. Ficou comprovado a participação do sindicato no estabelecimento das normas da PLR, sendo assim, não se pode ignorar os termos que restaram Fl. 3246DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 9202003.192 CSRFT2 Fl. 29 17 afixados por ambas as partes e corroborados pela entidade sindical. Os valores pagos a título de vale transporte pagos em pecúnia não estão na base de incidência de contribuição previdenciária, conforme Súmula Carf nº 89. Exigese a comprovação da efetiva prestação de serviços por parte do segurado contribuinte individual, como condição para a incidência de contribuição social previdenciária.” (original sem grifos) Aplicando as considerações acima aos fatos do caso, entendo que o acórdão recorrido não merece reforma nesse ponto. A tabela elaborada pela fiscalização às fls. 490/491 dos autos e transcrita abaixo sumariza as datas em que foram assinados os acordos de pagamento, as datas de pagamento de cada parcela e os anos base de apuração dos critérios eleitos como base para fixação dos direitos subjetivos dos trabalhadores: Ano Base Pagamento das parcelas Acordo firmado em 1ª 2ª 3ª 2000 Em 19/05/2000: R$ 1.400,00 Em novembro de 2000: 70 h do sal nominal Em janeiro de 2001: R$1.000,00 23/05/2000 2001 Em 06/2001: R$1.400,00 +70h Em 02/2002: R$1.000,00 8/06/2001 2002 Em 15/05/2002: R$1.400,00 Em novembro de 2002: 70 h do sal nominal Em janeiro de 2003: R$1.000,00 01/04/2002 2003 Em 15/05/2003: R$1.400,00 Em novembro de 2003: 70 h do sal nominal Em janeiro de 2004: R$1.000,00 01/04/2002 2004 Em 16/06/2004: R$2.000,00 Em 17/12/2004: R$750,00 + 80 h sal nominal 08/06/2004 Verificase da tabela acima que os períodos base eleitos para a apuração dos critérios de fixação dos valores de PLR a pagar correspondiam aos anos civis (i.e. janeiro a dezembro) e que os acordos, em regra, estavam concluídos já no primeiro semestre de cada ano. Neste ponto, pois, a violação à anterioridade requerida pela lei aconteceu apenas no pagamento da primeira parcela do ano de 2000, que ocorreu em 19/05/2000, antes da finalização das negociações em 23/05/2000. Tal parcela foi mantida no lançamento pela decisão recorrida. Assim, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso especial em relação à necessidade de existência de acordo ou convenção coletiva em exercício anterior ao do pagamento da PLR. Efeitos da inobservância da periodicidade mínima Fl. 3247DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 18 Analisando os fatos demonstrados nos autos, o acórdão recorrido entendeu por manter o lançamento das contribuições previdenciárias sobre as parcelas pagas em espaço de tempo menor que o mínimo permitido pela Lei 10.101/2000, excluindo do lançamento as pagas dentro dos limites legais. Sustenta a Recorrente que a irregularidade do pagamento de parcelas em periodicidade inferior à mínima permitida por lei atinge não apenas as parcelas pagas em desrespeito à lei, mas também àquelas pagas dentro dos limites permitidos pela legislação. A restrição ao pagamento da PLR em periodicidade inferior a um semestre civil ou em mais de duas vezes ao ano está prevista na segunda parte do § 2º do art. 3º da Lei 10.101/2000, transcrito abaixo com a redação vigente na época dos fatos: “Art. 3º. ... § 2º. É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. ...” Cumpre analisar se a violação a referido dispositivo macula todo o programa de pagamento de PLR ou apenas as parcelas pagas em periodicidade inferior ao mínimo admitido em lei. Novamente se verifica situação em que não há comando explícito previsto na lei para que todo o programa de PLR seja desconsiderado em virtude do vício em análise ou para que sejam preservadas as parcelas pagas em acordo com o dispositivo. Pareceme, contudo, que a preservação das parcelas pagas em acordo com a limitação em análise é a medida que melhor atende à finalidade da lei e aos pressupostos do ordenamento jurídico. Como já referido acima, a participação nos lucros ou resultados da empresa é direito fundamental do trabalhador. As potenciais restrições a este direito, sobretudo aquelas tidas como implícitas à lei de regência, devem ser submetidas ao crivo da análise de razoabilidade e proporcionalidade. Argumentase a favor da desconsideração de todo o programa de PLR que tal medida visaria a impedir a utilização destes programas como forma de substituição indevida da remuneração do trabalhador. Entendo, contudo, que solução mais razoável e proporcional seria a preservação da natureza de pagamento a título de participação nos lucros e resultados da empresa para aquelas parcelas que foram pagas dentro dos limites de periodicidade previstos na Lei 10.101/2000 e a desqualificação das parcelas pagas fora de tais limites, que assim deveriam ser consideradas como remuneração do trabalhador. Enquanto a interpretação que entende que todo o programa de PLR deve ser desconsiderado tem como efeito a supressão total do direito à participação nos lucros e resultados da empresa, a interpretação segundo a qual somente as parcelas pagas fora do limite legal devem ser desqualificadas preserva tal direito nos limites em que estabelecido em lei, e também protege o trabalhador (e, por consequência, o custeio da seguridade social) quanto à substituição indevida de sua remuneração, uma vez que as parcelas pagas além dos limites legais são tratadas como tal e não como PLR. Fl. 3248DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 9202003.192 CSRFT2 Fl. 30 19 Ao passo em que ambas interpretações visam à proteção do devido tratamento à remuneração do trabalhador, aquela adotada pelo acórdão recorrido implica sacrifício menor ao direito social do trabalhador à participação nos lucros e resultados. A interpretação adotada pelo acórdão recorrido também é mais condizente com o princípio da conservação dos negócios jurídicos, que é estudado pelo direito privado, mas também se verifica aplicável ao caso. Em suma, pelo princípio da conservação dos negócios jurídicos (ou dos contratos), ao enfrentar a nulidade de uma determinada cláusula deve o intérprete envidar o máximo de esforço para preservar o vínculo negocial subjacente. Um exemplo prático de aplicação do princípio, no direito privado, é a determinação contida nos arts. 478 e 479 do Código Civil. O art. 478 permite a resolução do contrato de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis. Nada obstante, estabelece o art. 479, com vistas à preservação do vínculo negocial, que “a resolução poderá ser evitada, oferecendose ao réu modificar equitativamente as condições do contrato”. Como já mencionado acima, o programa de PLR decorre de negociação entre a empresa e os trabalhadores, da qual resulta um acordo para pautar os pagamentos a serem feitos a este título. Aplicandose o raciocínio da conservação dos negócios jurídicos à hipótese, a medida de preservação do vínculo constituído pelo acordo de PLR é aquela que preserva a natureza das parcelas pagas dentro dos limites legais, desqualificando apenas as parcelas pagas fora de tais limites. Por estes motivos, entendo correta a interpretação dada do § 2º do art. 3º da Lei 10.101/2000 pelo acórdão recorrido. Este posicionamento vem sendo manifestado tanto em precedentes administrativos quanto judiciais: Acórdão 2401003.138 do CARF (13/08/2013), trecho da ementa: “ ... PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. EMPREGADOS. LEI Nº 10.101/2000. ARBITRAMENTO. PERIODICIDADE. Na ausência de apresentação de documentos comprobatórios do cumprimento do programa de metas estabelecido, compete à autoridade competente efetuar o lançamento por arbitramento. Não o fazendo, deve ser afastada a autuação motivada pela falta de apresentação de memória de cálculo da participação nos lucros ou resultados paga. Apenas devem ser tributados os pagamentos a título de PLR que excederem as regras de periodicidade previstas na Lei n. 10.101/2000. ...” Fl. 3249DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 20 Acórdão 20601.025 do CARF (02/07/2008), trecho do voto condutor do acórdão: “... Quanto ao pagamento de PLR efetuado aos empregados nas localidades em que a recorrente firmou acordo coletivo com o sindicato da categoria, entendo que a recorrente deixou de cumprir os requisitos legais apenas no exercício de 2000, quando efetuou pagamento de PLR três vezes no exercício, sendo duas delas dentro do mesmo semestre civil. A recorrente efetuou pagamentos em 05/2000, 06/2000 e 12/2000. A meu ver, a parcela que representou o descumprimento do requisito legal corresponde àquela efetuada em 06/2000 e sobre esta devem incidir as devidas contribuições.” REsp 496.949/PR do STJ (28/08/2009), trecho da ementa “TRIBUTÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÍNIMA DE SEIS MESES. ART. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (CONVERSÃO DA MP 860/1995) C/C O ART. 28, § 9º, "j", DA LEI 8.212/1991. REDUÇÃO DA MULTA MORATÓRIA. ART. 27, § 2º, DA LEI 9.711/1998. EXIGÊNCIA DE PAGAMENTO INTEGRAL. ART. 35 DA LEI 8.212/1991. REDAÇÃO DADA PELA LEI 9.528/1997. DISCUSSÃO ACERCA DA CONSTITUCIONALIDADE. .... 4. O art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995) fixou critério básico para a nãoincidência da contribuição previdenciária, qual seja a impossibilidade de distribuição de lucros ou resultados em periodicidade inferior a seis meses. 5. Caso realizada ao arrepio da legislação federal, a distribuição de lucros e resultados submetese à tributação. Precedentes do STJ. 6. A norma do art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995), que veda a distribuição de lucros ou resultados em periodicidade inferior a seis meses, tem finalidade evidente: impedir aumento salarial disfarçado cujo intuito tenha sido afastar ilegitimamente a tributação previdenciária. 7. O Banco realizou pagamentos aos empregados de modo absolutamente contínuo durante nove meses, de outubro de 1995 a junho de 1996, o que implica submissão à contribuição previdenciária, nos termos do art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995) c/c o art. 28, § 9º, "j", da Lei 8.212/1991. 8. Irrelevante o argumento de que as parcelas de outubro e novembro de 1995 referemse à participação nos lucros, e as demais, nos resultados. 9. As expressões "lucros" e "resultados", ainda que não indiquem realidades idênticas na técnica contábil, referemse igualmente a ganhos – percebidos pelo empregador em sua Fl. 3250DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 35366.001448/200507 Acórdão n.º 9202003.192 CSRFT2 Fl. 31 21 atividade empresarial – que, na forma da lei, são compartilhados com seus empregados. 10. Para fins tributários e previdenciários, importa o percebimento de parcela do ganho empresarial pelos funcionários, seja ela contabilizada como lucro ou como resultado. 11. Ademais, in casu, ainda que houvesse distinção entre a participação nos lucros (outubro e novembro de 1995) e a participação nos resultados (dezembro de 1995 a junho de 1996), ocorreram múltiplos pagamentos em periodicidade inferior a seis meses em ambos os casos, o que afasta o argumento recursal. 12. Escapam da tributação apenas os pagamentos que guardem, entre si, pelo menos seis meses de distância. Vale dizer, apenas os valores recebidos pelos empregados em outubro de 1995 e abril de 1996 não sofrem a incidência da contribuição previdenciária, já que somente esses observaram a periodicidade mínima prevista no art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995). ...” (REsp 496949/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/08/2009, DJe 31/08/2009, grifei) Com base no exposto deve ser negado provimento ao recurso especial em relação à descaracterização do PLR como um todo em decorrência de irregularidade em relação a alguns pagamentos. Destarte, conheço parcialmente do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 3251DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 11080.918340/2012-12
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 40 /2 01 2- 12 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918340/201212 Acórdão n.º 3801003.487 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918340/201212 Acórdão n.º 3801003.487 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918340/201212 Acórdão n.º 3801003.487 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918340/201212 Acórdão n.º 3801003.487 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da COFINS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918340/201212 Acórdão n.º 3801003.487 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012141/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
RECEITAS DE VENDA A PRAZO NÃO TRIBUTADAS IRREGULARIDADE NÃO CONFIRMADA POR DILIGÊNCIA.
Verificado, por meio de diligência fiscal, que a falta de cômputo, na determinação do resultado, de receitas auferidas com vendas a prazo, em realidade, não ocorreu, deve-se exonerar o sujeito passivo do crédito tributário exigido. Matéria de prova.
Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido - CSLL
MESMO TRATAMENTO DO IRPJ. REFLEXOS DA DILIGÊNCIA.
Verificado, por meio de diligência fiscal, que a falta de cômputo, na determinação do resultado, de receitas auferidas com vendas a prazo, em realidade, não ocorreu, deve-se exonerar o sujeito passivo do crédito tributário exigido.
Decisão da DRJ mantida. Recurso de Ofício não provido.
Numero da decisão: 1201-000.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. Ausente momentaneamente o conselheiro João Carlos de Lima Junior. Ausente justificadamente, por motivo de saúde, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), sendo substituído pela conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat, tendo autuado como presidente o conselheiro Marcelo Cuba Netto.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Rafael Correia Fuso, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 RECEITAS DE VENDA A PRAZO NÃO TRIBUTADAS IRREGULARIDADE NÃO CONFIRMADA POR DILIGÊNCIA. Verificado, por meio de diligência fiscal, que a falta de cômputo, na determinação do resultado, de receitas auferidas com vendas a prazo, em realidade, não ocorreu, deve-se exonerar o sujeito passivo do crédito tributário exigido. Matéria de prova. Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido - CSLL MESMO TRATAMENTO DO IRPJ. REFLEXOS DA DILIGÊNCIA. Verificado, por meio de diligência fiscal, que a falta de cômputo, na determinação do resultado, de receitas auferidas com vendas a prazo, em realidade, não ocorreu, deve-se exonerar o sujeito passivo do crédito tributário exigido. Decisão da DRJ mantida. Recurso de Ofício não provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. Ausente momentaneamente o conselheiro João Carlos de Lima Junior. Ausente justificadamente, por motivo de saúde, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), sendo substituído pela conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat, tendo autuado como presidente o conselheiro Marcelo Cuba Netto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto. (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Rafael Correia Fuso, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Luis Fabiano Alves Penteado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2139; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.012141/200611 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1201000.890 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de outubro de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO DE IRPJ E CSLL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RICARDO ELETRO DIVINÓPOLIS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 RECEITAS DE VENDA A PRAZO NÃO TRIBUTADAS IRREGULARIDADE NÃO CONFIRMADA POR DILIGÊNCIA. Verificado, por meio de diligência fiscal, que a falta de cômputo, na determinação do resultado, de receitas auferidas com vendas a prazo, em realidade, não ocorreu, devese exonerar o sujeito passivo do crédito tributário exigido. Matéria de prova. Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL MESMO TRATAMENTO DO IRPJ. REFLEXOS DA DILIGÊNCIA. Verificado, por meio de diligência fiscal, que a falta de cômputo, na determinação do resultado, de receitas auferidas com vendas a prazo, em realidade, não ocorreu, devese exonerar o sujeito passivo do crédito tributário exigido. Decisão da DRJ mantida. Recurso de Ofício não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. Ausente momentaneamente o conselheiro João Carlos de Lima Junior. Ausente justificadamente, por motivo de saúde, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), sendo substituído pela conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat, tendo autuado como presidente o conselheiro Marcelo Cuba Netto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 21 41 /2 00 6- 11 Fl. 8219DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO 2 (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Rafael Correia Fuso, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Auto de Infração que cobra da contribuinte IRPJ e CSLL dos anos calendários de 2001, 2002 e 2003, sob o seguinte fundamento: RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS – O contribuinte não contabilizava como receita de venda os recebimentos das vendas efetuadas por meio de cartão de crédito; os respectivos valores eram contabilizados apenas como controle de créditos para com as administradoras de cartão de crédito e recebimentos destas. Intimado a justificar as diferenças apontadas, o contribuinte não trouxe nenhuma resposta convincente. Dessa forma, o faturamento real da empresa ficou subestimado, o que confirma como receita escriturada e não declarada os valores apurados por meio dos livros contábeis, consolidados nas planilhas anexas ao termo de intimação nº 8, e utilizados como base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Datas dos fatos geradores: 31.12.2001, 31.12.2002 e 31.12.2003. Foi aplicada multa agravada de 112,5%. Enquadramento legal para o IRPJ: artigos 224, 249, 250, artigo 841, incisos II e III, e artigo 926, todos do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda 1999 – RIR 1999; artigos 1º, 2º e 4º da Lei nº 9.430, de 1996; artigo 31 da Lei nº 8.981, de 1995; artigo 15 da Lei nº 9.249, de 1995; artigo 40 da Lei nº 8.541, de 1992; artigo 149 da Lei nº 5.172, de 1966. Enquadramento legal para a CSLL: artigo 2º, e seus parágrafos, da Lei nº 7.689, de 1988; artigo 19 da Lei nº 9.249, de 1995; artigo 1º da Lei nº 9.316, de 1996; artigo 28 da Lei nº 9.430, de 1996; artigo 6º da Medida Provisória nº 1.858, de 1999, e reedições; artigo 37 da Lei nº 10.637, de 2002. Vejamos o que constou do Termo de Verificação Fiscal elaborado pela fiscalização: Apuração do crédito tributário • Em todo o período fiscalizado o contribuinte entregou DIPJ em que opta pelo regime do lucro real anual, com apuração da estimativa mensal com base em balancetes de suspensão ou redução. No mesmo período o contribuinte apresenta prejuízo Fl. 8220DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10680.012141/200611 Acórdão n.º 1201000.890 S1C2T1 Fl. 3 3 contábil e fiscal, conforme cópia das DIPJ, cópia do Lalur e balancetes de apuração anual escriturados no livro diário. • Entretanto, foi apurado que o contribuinte não contabilizava os recebimentos das vendas efetuadas mediante cartão de crédito, como receita de vendas, conforme resposta dada aos termos de intimação que lhe foram dirigidos. Foi subestimado o faturamento da empresa nos montantes indicados abaixo. Período DIPJ Diário e Razão Diferença apurada 2001 86.805.919,07 101.148.462,12 14.342.543,05 2002 136.312.732,30 171.227.917,46 34.915.543,05 2003 201.441.397,86 266.637.292,72 65.195.894,86 • Intimado a justificar estas diferenças, conforme termo de intimação nº 8, o contribuinte não apresentou justificativa consistente, alegando apenas erros da fiscalização, sem esclarecer a forma correta nem apresentar elementos comprobatórios da versão apresentada. • Alegou ainda que as diferenças encontradas na apuração do IRPJ e da CSLL devese ao regime adotado pela fiscalização, uma vez que a empresa adota o sistema de balancete de suspensão ou redução, enquanto à fiscalização fez os cálculos nos termos do lucro presumido. Cabe razão parcial ao contribuinte, uma vez que foram apresentadas planilhas de cálculo da estimativa com base na receita bruta e acréscimos, não se falando em lucro presumido. Em relação ao faturamento real da empresa, apontado nas planilhas que compõem o citado termo o contribuinte nada esclareceu. • São exigidos de ofício os tributos devidos em relação às diferenças apuradas, conforme demonstrado na tabela adiante. Período Diferença apurada Prejuízo apurado Lucro ajustado 2001 14.342.543,05 8.444.898,20 5.897.644,85 2002 34.915.543,05 19.323.442,37 15.591.742,79 2003 65.195.894,86 16.640.812,05 48.555.082,81 • Aplicase a multa agravada de 112,5%, com base no artigo 959 do RIR 1999, tendo em vista a falta de respostas e intimações, ou a apresentação de respostas insatisfatórias, insuficientes e protelatórias, apenas para constar que havia respondido, configurando desta forma o embaraço à fiscalização, conforme pode ser visto na descrição do andamento da fiscalização e nos documentos juntados aos autos. A contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, alegando que: Fl. 8221DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO 4 Os fatos • A fiscalização exige da autuada um total de R$ 62.379.122,45. Contudo, tais exigências são manifestamente improcedentes e insubsistentes, nada sendo devido pela impugnante. Preliminar: nulidade pela violação do princípio do contraditório e da ampla defesa • É imperioso argüir a nulidade processual em face da nítida violação do princípio do contraditório e da ampla defesa, previsto no inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal, o que ocasionou cerceamento de defesa. • Após a lavratura do auto de infração, em 31.10.2006, começou a correr o prazo de 30 para apresentar a impugnação. Até a presente data, porém, a impugnante não conseguiu ter acesso aos autos do processo administrativo. • Se o processo de fiscalização durou mais de 3 anos, é porque se trata de um caso de alto grau de complexidade. Não é crível e nem justo exigir que se apresente uma defesa plena de um processo a que não se teve acesso e, portanto, sem a exata noção das razões e fundamentos que levaram à lavratura do auto de infração. • Durante o prazo de impugnação, conforme se comprova pelos documentos anexados e extraídos do “site” da Receita Federal, o processo esteve em trânsito entre a cidade de Belo Horizonte e São Paulo. Em conseqüência, foi impossível ter acesso aos autos e proceder a uma defesa completa. • Para minimizar os efeitos da situação, a impugnante apresentou à Delegacia da Receita Federal de São Paulo (DERAT) um pedido de dilação de prazo, todavia ainda não obteve resposta. • Farta é a jurisprudência sobre o tema. Dúvidas não sobejam de que a falta de acesso aos autos ocasiona a violação ao princípio referido e cerceamento de defesa, visto que a parte não tem conhecimento de todas as razões e fundamentos do auto de infração. • Dessa forma, é requerida a nulidade do processo administrativo, ou alternativamente, que seja dilatado o prazo para que a impugnante apresente sua defesa. Mérito: a bitributação • Caso seja ultrapassada a preliminar, os valores exigidos não seriam devidos, uma vez que já foram devidamente tributados. • O auto de infração é inteiramente baseado no entendimento equivocado de que as receitas oriundas das vendas com cartão de crédito e cheque prédatado foram contabilizados internamente e não foram levados à tributação. • A impugnante é uma grande e respeitada rede de lojas de eletrodomésticos e móveis que oferece aos seus clientes diversas formas de pagamento, nomeadamente, pagamento à vista, Fl. 8222DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10680.012141/200611 Acórdão n.º 1201000.890 S1C2T1 Fl. 4 5 crédito direto ao consumidor, cartão de crédito e cheque pré datado. Por decisão administrativa, e inexistência de lei que exigisse o contrário, todas as receitas de venda de mercadorias eram contabilizadas em uma única conta. • Toda a receita da autuada foi oferecida à tributação pelo IRPJ e pela CSLL, razão pela qual uma nova tributação nas receitas oriunda de cartão de crédito caracterizará uma bitributação, o que é rechaçado pelo ordenamento jurídico. • Relativamente ao período verificado pela fiscalização, conforme consta das DIPJ entregues, a impugnante apurou, com base em seus balancetes de suspensão ou redução, para efeito de estimativa mensal, prejuízos contábeis e fiscais, conforme cópias do Lalur bem como dos balancetes de apuração anual escriturados no diário, que também foram fornecidos à fiscalização. Entendeu a fiscalização, contudo, que a impugnante não contabilizava os recebimentos das vendas efetuadas mediante cartão de crédito e cheques prédatados. Entretanto, não houve em nenhum período, fiscalizado ou não, nenhuma receita de venda escriturada que não tenha sido declarada. • O mais importante é que, pelo princípio contábil do regime de competência, observado também pela legislação do IRPJ e da CSLL, a base de cálculo do tributo corresponde ao lucro real apurado a partir do resultado contábil, e o registro contábil da receita de vendas se faz observandose o momento da transferência da propriedade do bem, e não o momento em que há o recebimento do valor relativo à venda realizada antes. É o que determina o artigo 9º, §§ 1º e 2º da Resolução nº 750, de 29 de dezembro de 1993, do Conselho Federal de Contabilidade. • Não é necessariamente o momento do recebimento que obriga o contribuinte a oferecer a receita à tributação. No caso das vendas à vista, há uma correspondência entre tais fatos. No caso das vendas a prazo, o registro da receita da venda acontece primeiro e somente com o pagamento no momento pactuada é que há a efetiva entrada de recursos. Nesse sentido, há uma impropriedade no termo de verificação fiscal ao determinar que às receitas de vendas deveriam ser somados os recebimentos das vendas com cartão de crédito e cheques prédatados. Não há como estabelecer uma base tributável com valores registrados por competência, por ocasião em que as operações ocorreram, e ao mesmo tempo com valores representativos dos recebimentos dessas mesmas operações – regime de caixa. Pretender que a empresa proceda da forma indicada no termo de verificação fiscal é mesmo que a obrigar a pagar em dobro pelos valores relativos àqueles recebimentos. • No momento em que as vendas foram realizadas e a propriedade dos bens transferidas aos adquirentes das Fl. 8223DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO 6 mercadorias, tais receitas já foram reconhecidas no resultado contábil que serviu de base para a apuração do lucro real. Esse sistema corresponde a outro princípio contábil que deve ser observado na boa prática contábil, o da realização da receita, que determina a sua forma de reconhecimento e registro. No Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, um trecho do qual se transcreve na impugnação, Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke são exaustivos ao tratar do princípio da realização da receita. • É inaceitável a exigência fiscal de que se tributem valores recebidos, o que vai de encontro aos princípios contábeis bem como afronta a própria legislação, uma vez que esta adota como regra geral o reconhecimento das receitas pelo regime de competência, o que implica também a adoção do princípio do reconhecimento da receita. • Também não procede a alegação da existência de diferenças apuradas em virtude de receitas escrituradas e não declaradas. Todas as receitas são levadas a registro no momento em que as vendas acontecem, e são reconhecidas em contas contábeis de receitas, constantes do grupo do resultado, como é facilmente identificável nos balanços ou balancetes contábeis. • Sanaria quaisquer dúvidas um simples confronto das contas de resultado dos balanços ou balancetes nos quais se registram as receitas de vendas com os livros fiscais de saídas, no que se refere aos códigos fiscais de operações e prestações (CFOP) relativos às operações de vendas de mercadorias, bem como com o os livros fiscais de apuração do ICMS. • Podese ainda proceder a uma análise do quadro demonstrativo das divergências apuradas, anexo ao termo de intimação nº 8, através do outro quadro comparativo – anexo XX – no qual se percebe claramente que as diferenças apuradas se referem, única e exclusivamente, aos valores registrados em conta patrimonial do ativo, e não se refere a receita de vendas. Não sendo receitas, não há falar em reconstituição das bases do IRPJ e da CSLL. Tais tributos têm como base o resultado contábil ajustado e não valores registrados como ativos. • A contabilização das receitas da impugnante fazse observandose o método das partidas dobradas, por meio dum lançamento simples em que se reconhece a saída das mercadorias, creditandose a conta de resultados – receita com vendas, debitandose um ativo, que neste momento corresponde à conta caixa. São também registrados neste os impostos diretos. • Como a impugnante realiza também vendas a prazo, procede à transferência entre contas patrimoniais do ativo, oferecendo uma melhor classificação dos valores em conformidade com o grau de liquidez de cada valor a receber. Verificase nas contas que envolvem tais lançamentos uma transferência de valores entre as contas que registram seus ativos, ou seja, creditase a conta caixa e debitamse as contas de clientes – cartões de crédito e de clientes cheques prédatados. Reduzemse os valores registrados em caixa e aumentamse os registrados nas contas de clientes. Fl. 8224DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10680.012141/200611 Acórdão n.º 1201000.890 S1C2T1 Fl. 5 7 • No momento em que há a quitação, seja pelas operadoras de cartão de crédito, seja pelo pagamento das faturas pelos clientes, há o lançamento de baixa desses valores nas contas de clientes e o registro da entrada de recursos na conta bancos. Para tanto, procedese à escrituração de lançamentos contábeis simples credores nas contas de clientes e devedores na conta bancos. • Por se tratar de operações que dão origem a um grande volume de registros contábeis, podemse constatar tais operações verificando o livro diário (anexo XX). Os balanços ou balancetes não são suficientes para demonstrar tais operações, pois refletem posições estáticas no momento em que são levantados. • Não existe nenhum valor a ser acrescido às bases dos tributos em análise, tendo em vista serem corretas as utilizadas para fins de apuração da suspensão ou redução do pagamento, conforme determina a legislação do IRPJ e da CSLL. • Para facilitar a compreensão, a impugnante elaborou a planilha anexa, em que a visualização do exposto é simplificada. • Por meio do livro razão anexo, atestase que as receitas a prazo foram lançadas e contabilizadas. • Pelo exposto requer a anulação do auto de infração. Inaplicabilidade da multa • Não merece prosperar a multa de 112,5% aplicada em razão de o autuante ter interpretado erroneamente que a impugnante não cumpriu satisfatoriamente as intimações recebidas para prestar esclarecimentos ou entregar documentos. Toda a documentação, porém, foi entregue dentro dos prazos concedidos pelo fisco e as informações foram prestadas da melhor maneira possível. • O autuante por diversas vezes até afirma que a impugnante não cumpriu as solicitações requeridas dentro da data especificada. De posse de todas as petições protocolizadas (anexas), demonstrase que essa afirmação não passa duma falácia. • A autuação da receita auferida com as vendas com cartão de crédito e cheque prédatado devese, segundo o próprio autuante, ao não entendimento do local (leiase: conta) onde eram contabilizadas essas receitas. Foram feitas diversas intimações e reintimações solicitando a citada informação e todas elas foram respondidas de maneira simples e direta para que não houvesse dúvida. Inexplicavelmente o fisco considerou todas elas insatisfatórias. • Em 07.05.2004, a impugnante recebeu termo de constatação e intimação. Em mais uma atitude de colaboração com a fiscalização (já que não possui nada a esconder), protocolou em 14.05.2004 a resposta anexa e explicou claramente a conta onde estavam contabilizadas as receitas em causa, nestes termos: Fl. 8225DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO 8 “Quanto ao item 2, as vendas a prazo e com cartão de crédito são contabilizadas na conta código 311.01.00001, sendo as vendas a prazo realizadas através de Financeiras, o recolhimento da Receita se dá no ato da emissão da Nota Fiscal.” • É impossível prestar informação mais clara e precisa que essa. Mesmo assim, o fisco não encontrou o local onde eram contabilizadas as receitas a prazo e considerou a resposta insatisfatória. • Em relação à entrega de documentos, por se tratar de empresa com muitas filiais e vendas pulverizadas, foi requerida por diversas vezes dilação nos prazos para cumprimento do solicitado. Por saber da complexidade das operações envolvidas, em todos os requerimentos, o fisco concedeu um prazo maior e por conseqüência foi atendido em seu pleito. • Tendo em vista a impugnante ter entregado todos os documentos solicitados e prestado todas as informações devidas, a multa qualificada não tem razão de prosperar. Isso posto, requer a anulação da multa aplicada. Ilegalidade da taxa Selic anulação • É absurda e ilegal a exigência de juros moratórios equivalentes à taxa Selic, porque o artigo 161, § 1º, do CTN estabelece que aos tributos não pagos no vencimento serão acrescidos juros de mora e que, não dispondo a lei de modo diverso, serão estes fixados em 1% ao mês, e é este o limite para a imposição do encargo. • A taxa Selic é aplicada como juros moratórios com vistas a indenizar o credor pelo descumprimento da obrigação tributária no prazo estabelecido pela legislação. O Banco Central, mediante a Circular nº 466, de 1979, definiu que a taxa Selic possui natureza remuneratória. O índice é calculado diariamente pelo Banco Central como resultado das negociações dos títulos públicos e da variação dos seus valores no mercado. • Assim, é curial a ilegalidade da utilização da Selic na atualização dos débitos tributários estaduais. Logo, não poderia essa taxa ser aplicada aos débitos tributários, sob pena de ofensa ao instituto dos juros moratórios consagrado no CTN. • Os juros de mora são devidos pelo não cumprimento de obrigação tributária. A recomposição do patrimônio lesado pela mora do devedor é função dos juros moratórios. Destarte, não se pode utilizar índices de natureza remuneratória para a recomposição monetária de tributos em atraso. Sobretudo em relação aos impostos, os quais não implicam nenhuma contraprestação direta por parte do Estado, não pe possível admitir que o contribuinte tenha usufruído capital público antes do vencimento da obrigação. Nenhum capital pertence ao Estado antes do vencimento da obrigação tributária. Daí que não há viabilidade jurídica na estipulação de juros remuneratórios. O CTN nem sequer aventou a hipótese de incidência de juros remuneratórios, as apenas de juros moratórios. Fl. 8226DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10680.012141/200611 Acórdão n.º 1201000.890 S1C2T1 Fl. 6 9 • O Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento acerca de ser imprestável a Selic como juros moratórios. • Dessa forma, inferese, extreme de dúvidas, a ilegalidade da cobrança da taxa Selic como juros moratórios, pelo que é inexigível e deve ser cancelada a exigência nesse ponto. Pedido • É requerida a improcedência do auto de infração, decretando se: a) preliminarmente a nulidade do processo administrativo, em face da flagrante violação do princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa; b) a anulação do auto de infração em razão da comprovada bitributação, ou pelo menos a redução da penalidade proposta em face da total colaboração da empresa com a fiscalização; c) que os juros moratórios sejam calculados conforme o artigo 161, § 1º, do CTN. Por meio de despacho de fls. 1689 a 1693, datado de 12/09/2008, a DRJ decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de que, mediante análise da escrituração da autuada, e da respectiva documentação comprobatória, fossem tomadas as seguintes providências: 1. averiguar se os valores lançados a débito das contas contábeis “operações c/ cartões de crédito” e “cheques a receber” estão ou não efetivamente incluídos na conta de resultado “Vendas de Mercadorias” e foram computados na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, tendo em mente a alegação da impugnante de que inicialmente tais valores foram registrados a débito da conta caixa e a crédito da conta de mercadorias e que posteriormente foram transferidos da conta caixa para as outras duas mencionadas no início deste item; 2. caso seja total ou parcialmente confirmada a alegação do impugnante, elaborar novas planilhas que substituam as juntadas a folhas 202 a 204, ajustadas à nova realidade; 3. prestar quaisquer outras informações e juntar documentos que se julguem necessários; 4. após a realização da diligência, se houver aumento das exigências fiscais ou se alterarem os fundamentos legais e probatórios das exigências atuais, especialmente a juntada de novos documentos e provas, cientificar a autuada do seu resultado e reabrirlhe prazo para se manifestar. A diligência solicitada foi executada pelo mesmo Auditor Fiscal que lavrou o auto de infração. No termo de diligência fiscal a folhas 1.696 a 1.699, auditor relata os trabalhos executados, os dados obtidos e as conclusões a que chegou. Vejamos: • Em 15.02.2011 foi dada ciência do termo de constatação e intimação à empresa, no qual foram apontados os questionamentos da DRJ/BHE e informado que esses em essência coincidem com as mesmas dúvidas suscitadas no Fl. 8227DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO 10 julgamento do processo nº10680.012140/200676, relativo à contribuição para o PIS e à Cofins. Como na diligência relativa a este último processo foram apresentados documentos que permitiram o esclarecimento por amostragem das questões levantadas, o contribuinte foi intimado a se pronunciar a respeito das respostas prestadas na diligência anterior e, caso entendesse necessário, a apresentar elementos complementares. • O contribuinte apresentou resposta em que transcreve parte do termo de intimação e a conclusão do termo de diligência fiscal lavrado naquele processo e tece algumas considerações. Em que pese à conclusão manifestada na resposta do contribuinte, o convencimento da fiscalização ocorreu por meio de amostragem, sem que se afirmasse, em momento algum, que todos os valores da receita bruta, ou que todas as vendas de mercadorias se encontram regularmente escrituradas. • Após a resposta do contribuinte, que não continha nenhuma novidade nem novo elemento de prova em relação às respostas apresentadas durante a realização da primeira diligência, relativa ao PIS e à Cofins, foram anexados ao processo os anexos IV a X, que contêm os seguintes itens apresentados pelo contribuinte: planos de contas usados pela empresa nos anoscalendários de 1999 a 2003; a conta contábil 00675Vendas à Vista constante do razão dos anoscalendários de 2000 a 2003; a conta contábil 00060Operações c/Cartões de Crédito constante do razão dos anoscalendários de 2000 a 2003; relatório analítico de lançamentos diversos / ordem de filial – cartão de crédito – diário. • São ainda anexadas as planilhas apresentadas pelo contribuinte que se intitulam “Demonstrativo das vendas com cartão de crédito 1999 a 2003” e “Relação dos valores das vendas diárias dos estabelecimentos segundo NF registradas nos LRS nas datas”. • Uma vez que o objeto das diligências determinadas pela DRJ/BHE em ambos os processos tratam de questionamento similar, a conclusão desta diligência não poderia ser diferente da outra. Dessa forma, concluise que, em relação ao item 1 da diligência, o contribuinte tem razão ao afirmar que as vendas de mercadorias, independentemente da forma de pagamento, foram contabilizadas na conta intitulada “Vendas à vista” (a crédito), com contrapartida na conta “Caixa” (a débito), e que o seu valor era posteriormente levado a crédito da conta caixa e a débito das contas Operações c/cartões de crédito ou Cheques a receber. A conta caixa era utilizada como auxiliar e transitória, sem que fosse observada uma nomenclatura adequada. • Em relação ao item 2 da diligência, são refeitas as planilhas constantes a fls. 202 a 204, as quais são substituídas pelas novas. Conforme se vê nessas planilhas, após a exclusão dos valores originalmente constante das linhas referentes às operações com cartões de crédito e com os cheques a receber, os totais da base de cálculo do IRPJ para os anoscalendários de 2001, 2002 e 2003 passaram a ser respectivamente de R$ 86.773.398,55, R$132.646.111,92 e R$198.981.967,95. Fl. 8228DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10680.012141/200611 Acórdão n.º 1201000.890 S1C2T1 Fl. 7 11 • Uma vez que os valores constantes das planilhas originais foram apurados mediante levantamentos manuais com base nos livros contábeis apresentados pelo contribuinte, após a exclusão referida eles passaram a apresentar um total para cada anocalendário ligeiramente inferior ao declarado em DIPJ, o que leva à conclusão de que não restou matéria tributável a ser objeto de lançamento. A decisão da DRJ cancelou integralmente o lançamento, conforme a íntegra do voto abaixo transcrita: Argüição de nulidades De acordo com § 3º do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlheá falta. Na apreciação do mérito que se segue é dada razão ao sujeito passivo, exonerandoo integralmente das exigências fiscais. Logo, consideramse prejudicadas as argüições de nulidade, e cumpre à autoridade julgadora não se pronunciar sobre elas nem determinar a repetição de nenhum ato para suprir eventuais falhas processuais. Apreciação do mérito À imputação fiscal de que deixava de contabilizar como receita de vendas o valor das operações pagas pelos compradores por meio de cartão de crédito ou de cheque prédatado, a impugnante contrapõe dois argumentos, a saber: a) a exigência fiscal violaria as regras de contabilização segundo o regime de competência; b) a exigência fiscal implicaria bitributação, uma vez que o valor das vendas em causa já havia sido computado na base de cálculo da CSLL e do IRPJ. No tocante ao primeiro argumento, ele é facilmente refutado pelos elementos dos autos. O plano de contas a folhas 887 a 889 revela que no balanço patrimonial da autuada se acha uma conta pertencente ao ativo chamada “operações com cartão de crédito” (código 1.1.3001.00001.00060) e outra chamada “cheques a receber” (código 1.1.1.005.00001.00016). As páginas do razão a folhas 930 a 999, referentes aos anoscalendários de 2001 a 2003, por sua vez, demonstram que em ambas as contas os valores nelas debitados e que aumentam o seu saldo correspondem ao montante das vendas quitadas pelos compradores mediante cheque prédatado ou cartão de crédito, enquanto os valores nelas creditados e que reduzem o seu saldo correspondem aos valores efetivamente recebidos pela autuada, seja das administradoras de cartão de crédito, seja dos bancos em que foram depositados os cheques. Confrontandose os registros dessas páginas do razão com as planilhas a folhas 202 a 205 (em que o autuante demonstra as diferenças por ele apuradas), verificase que o que o autuante considerou como Fl. 8229DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO 12 receita de vendas com cartão e cheque prédatado foi o total mensal dos valores debitados nas contas referidas, isto é, aqueles que correspondem a operações de vendas, nas datas em que foram realizadas. Seria acertada a argüição da impugnante se, em vez disso, o autuante tivesse tomado os totais mensais dos valores creditados nessas contas, porque esses efetivamente correspondem ao recebimento das administradoras de cartão de crédito ou dos bancos em que os cheques foram descontados. A fiscalização, assim, não impôs à autuada o regime de caixa, mas preservou as regras da contabilização segundo o regime de competência. No tocante ao segundo argumento, as alegações da impugnante não estavam suficientemente comprovadas. A fiscalização intimou a autuada repetidas vezes para que informasse em qual conta e de que maneira eram registradas as receitas correspondentes às vendas a prazo, ou seja, aquelas pagas pelos compradores por meio de cartão de crédito, cheque prédatado ou financiamento. A esse respeito, a única manifestação da autuada constava a folhas 112, na qual se limita a dizer que as vendas em causa são registradas na conta de código 311.01.00001. Ocorre que, de acordo com o plano de contas a folhas 887 a 890, essa conta, que pertence ao grupo das contas de resultado, se destina ao registro das vendas à vista de mercadorias. Compreendese, pois, que a fiscalização tenha considerado não comprovado que as receitas em questão tenham sido computadas na base tributável. Sendo as vendas a prazo, não faz sentido que sejam registradas numa conta destinadas ao registro de vendas à vista. Por ocasião da impugnação, a defesa acrescentou novas alegações à lacônica informação fornecida à fiscalização. A impugnante argumenta que num primeiro momento, todas as vendas, não importa a forma de pagamento, são registradas a débito da conta caixa (conta patrimonial) e a crédito de vendas de mercadorias (conta de resultado); posteriormente, num registro de natureza apenas patrimonial e permutativo, e com o fim apenas de aperfeiçoar sua classificação contábil, os valores correspondentes a operações de venda a prazo seriam transferidos para contas que representam créditos a receber. Mas aí, prossegue a impugnante, não haveria necessidade de tributar novamente esses valores, uma vez que já no primeiro lançamento (débito de caixa com contrapartida em vendas de mercadorias), a receita já havia sido integralmente reconhecida. A impugnante afirmou ter juntado à defesa uma planilha em que demonstra a forma de contabilização alegada. Todavia, na documentação presente aos autos não se acha semelhante planilha. De qualquer forma, a explicação é suficiente clara e a falta da planilha pode ser relevada. Não obstante, a alegação não foi comprovada pela documentação juntada pela impugnante aos autos. Elemento crucial para atestar a versão dos fatos apresentada pela impugnante são as páginas do diário e do razão em que constam os registros efetuados na conta caixa Fl. 8230DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10680.012141/200611 Acórdão n.º 1201000.890 S1C2T1 Fl. 8 13 e na conta vendas de mercadorias, bem como na documentação respectiva. No entanto, a impugnante trouxe aos autos apenas páginas em que constam registros efetuados na conta “créditos diversos – operações com cartões de crédito” e na conta “cheques a receber”. O que importa é verificar a origem ou a contrapartida dos valores debitados nessas duas últimas contas, uma vez que a impugnante afirma que eles correspondem às quantias que originalmente haviam sido registrados a débito de caixa e a crédito de vendas de mercadorias. Por isso, com base no artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e de acordo com o art. 15, §8º, e o art. 22, §2º, ambos da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, o Presidente da 3ª Turma da DRJ/BHE, anuindo à proposta do relator, determinou a conversão do julgamento em diligência com a finalidade de efetuar as averiguações apontadas no parágrafo precedente. Solicitouse, também, que, ao término da diligência, o Auditor Fiscal, caso concluísse que a base de cálculo dos lançamentos devesse ser alterada, elaborasse nova planilha para indicar tais alterações. A diligência solicitada foi executada pelo mesmo Auditor Fiscal que lavrou o auto de infração. No termo de diligência fiscal a folhas 1.696 a 1.699 ele relata os trabalhos executados, os dados obtidos e as conclusões a que chegou. Ele é categórico ao afirmar que, após as verificações efetuadas, concluiu que as alegações da impugnante são verdadeiras, isto é, que de fato não houve omissão de receita alguma e que as vendas a prazo recebidas por meio de cartão de crédito e de cheques foram efetivamente computadas na determinação do lucro real. Confirmou, assim, a versão da impugnante segundo a qual na conta nominalmente destinada a registrar as vendas à vista eram, em verdade, registradas todas as vendas da empresa, incluindo as recebidas por meio de cartão de crédito e cheques. O que houve, portanto, foi uma simples impropriedade na nomenclatura contábil da autuada. Embora no termo de diligência fiscal esteja ressalvado que as verificações se fizeram por amostragem, o autuante considerou as amostras significativas o bastante para formar sua convicção, tanto que nas novas planilhas que elaborou para a demonstração da base de cálculo dos lançamentos, juntadas a folhas 1.700 a 1.702, excluiu inteiramente as importâncias que havia adicionado a título de omissão de receita. A idêntica conclusão o autuante já havia chegado ao encerrar diligência similar solicitada no âmbito do processo nº 10680.012140/200676, em que a imputação das mesmas omissões de receita deu ensejo a exigências fiscais relativas à contribuição para o PIS e à Cofins. Em verdade, graças à identidade de provas e fundamentos materiais de ambos os processos, o autuante aproveitou neste o fruto das averiguações da diligência naquele executada e julgou desnecessário reiterar os trabalhos. Por isso, juntou a este processo os documentos então colhidos e também o termo em que relata os trabalhos Fl. 8231DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO 14 efetuados e os resultados obtidos. Esse termo, juntado a folhas 1.705 a 1.711, é mais minucioso e abrangente que o referente expressamente a este processo. Nele o autuante descreve as amostras de que se valeu e as verificações efetuadas. Segundo sua exposição, quanto a cada amostra, foi rastreado o registro da operação na escrituração fiscal e comercial da autuada, desde a emissão da nota fiscal em virtude da venda com cartão de crédito até o recebimento da quantia respectiva paga pelo banco emissor do cartão. Observouse, dessa forma, que as vendas com cartão e cheques eram escrituradas a crédito da conta de resultados denominada “Vendas à vista”, em contrapartida da conta “Caixa”. Em seguida, o valor dessas mesmas vendas era lançado a crédito da conta “Caixa” e a débito de contas patrimoniais. No caso das vendas com cartões, as mais significativas, a conta em causa se intitula “Operações c/ cartões de crédito”, a crédito da qual eram também lançados os pagamentos efetuados pelas instituições financeiras correspondentes às vendas com cartão. Assim, devem ser restabelecidos os valores informados pela autuada em suas declarações de rendimentos. Uma vez que se havia apurado resultado tributável negativo em todos os períodos de apuração abrangidos pelo lançamento, tanto com respeito ao IRPJ quanto com respeito à CSLL, não subsiste nenhuma base de cálculo para os lançamentos de ofício. Seguese também que o sujeito passivo deve ser inteiramente exonerado das exigências fiscais. Em razão da decisão proferida pela DRJ, os autos foram encaminhados a esse E. Tribunal diante da interposição de Recurso de Ofício. Este é o relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Entendo que a decisão da DRJ não merece reparos. Isso porque, como bem procedido pela Delegacia de Julgamento, os autos baixaram em diligência para se analisar a escrituração da autuada, e da respectiva documentação probatória, haja vista que a defesa apresentada pela contribuinte foi muito convincente e bem elaborada, apontando falhas graves no trabalho fiscal, que não se sustentam do ponto de vista contábil e jurídico. Como narrado, a fiscalização deveria nessa diligência: 1. averiguar se os valores lançados a débito das contas contábeis “operações c/ cartões de crédito” e “cheques a receber” estão ou não efetivamente incluídos na conta de resultado “Vendas de Mercadorias” e foram computados na Fl. 8232DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10680.012141/200611 Acórdão n.º 1201000.890 S1C2T1 Fl. 9 15 base de cálculo do IRPJ e da CSLL, tendo em mente a alegação da impugnante de que inicialmente tais valores foram registrados a débito da conta caixa e a crédito da conta de mercadorias e que posteriormente foram transferidos da conta caixa para as outras duas mencionadas no início deste item; 2. caso seja total ou parcialmente confirmada a alegação do impugnante, elaborar novas planilhas que substituam as juntadas a folhas 202 a 204, ajustadas à nova realidade; 3. prestar quaisquer outras informações e juntar documentos que se julguem necessários; 4. após a realização da diligência, se houver aumento das exigências fiscais ou se alterarem os fundamentos legais e probatórios das exigências atuais, especialmente a juntada de novos documentos e provas, cientificar a autuada do seu resultado e reabrirlhe prazo para se manifestar. O mesmo auditor fiscal que lavrou o Auto de Infração, de forma louvável, reconheceu a procedência dos argumentos trazidos pela contribuinte, atestando que: • Em 15.02.2011 foi dada ciência do termo de constatação e intimação à empresa, no qual foram apontados os questionamentos da DRJ/BHE e informado que esses em essência coincidem com as mesmas dúvidas suscitadas no julgamento do processo nº10680.012140/200676, relativo à contribuição para o PIS e à Cofins. Como na diligência relativa a este último processo foram apresentados documentos que permitiram o esclarecimento por amostragem das questões levantadas, o contribuinte foi intimado a se pronunciar a respeito das respostas prestadas na diligência anterior e, caso entendesse necessário, a apresentar elementos complementares. • O contribuinte apresentou resposta em que transcreve parte do termo de intimação e a conclusão do termo de diligência fiscal lavrado naquele processo e tece algumas considerações. Em que pese à conclusão manifestada na resposta do contribuinte, o convencimento da fiscalização ocorreu por meio de amostragem, sem que se afirmasse, em momento algum, que todos os valores da receita bruta, ou que todas as vendas de mercadorias se encontram regularmente escrituradas. • Após a resposta do contribuinte, que não continha nenhuma novidade nem novo elemento de prova em relação às respostas apresentadas durante a realização da primeira diligência, relativa ao PIS e à Cofins, foram anexados ao processo os anexos IV a X, que contêm os seguintes itens apresentados pelo contribuinte: planos de contas usados pela empresa nos anoscalendários de 1999 a 2003; a conta contábil 00675 Vendas à Vista constante do razão dos anoscalendários de 2000 a 2003; a conta contábil 00060Operações c/Cartões de Crédito constante do razão dos anoscalendários de 2000 a 2003; relatório analítico de lançamentos diversos / ordem de filial – cartão de crédito – diário. Fl. 8233DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO 16 • São ainda anexadas as planilhas apresentadas pelo contribuinte que se intitulam “Demonstrativo das vendas com cartão de crédito 1999 a 2003” e “Relação dos valores das vendas diárias dos estabelecimentos segundo NF registradas nos LRS nas datas”. • Uma vez que o objeto das diligências determinadas pela DRJ/BHE em ambos os processos tratam de questionamento similar, a conclusão desta diligência não poderia ser diferente da outra. Dessa forma, concluise que, em relação ao item 1 da diligência, o contribuinte tem razão ao afirmar que as vendas de mercadorias, independentemente da forma de pagamento, foram contabilizadas na conta intitulada “Vendas à vista” (a crédito), com contrapartida na conta “Caixa” (a débito), e que o seu valor era posteriormente levado a crédito da conta caixa e a débito das contas Operações c/cartões de crédito ou Cheques a receber. A conta caixa era utilizada como auxiliar e transitória, sem que fosse observada uma nomenclatura adequada. • Em relação ao item 2 da diligência, são refeitas as planilhas constantes a fls. 202 a 204, as quais são substituídas pelas novas. Conforme se vê nessas planilhas, após a exclusão dos valores originalmente constante das linhas referentes às operações com cartões de crédito e com os cheques a receber, os totais da base de cálculo do IRPJ para os anoscalendários de 2001, 2002 e 2003 passaram a ser respectivamente de R$ 86.773.398,55, R$132.646.111,92 e R$198.981.967,95. • Uma vez que os valores constantes das planilhas originais foram apurados mediante levantamentos manuais com base nos livros contábeis apresentados pelo contribuinte, após a exclusão referida eles passaram a apresentar um total para cada anocalendário ligeiramente inferior ao declarado em DIPJ, o que leva à conclusão de que não restou matéria tributável a ser objeto de lançamento. Diante disso, podemos concluir, como bem apontado pelo contribuinte, que houve uma impropriedade no termo de verificação fiscal ao determinar que às receitas de vendas deveriam ser somados os recebimentos das vendas com cartão de crédito e cheques pré datados. Tomando como elemento de decisão os apontamentos trazidos pela fiscalização em razão da baixa em diligência dos autos antes do julgamento da defesa pela DRJ, entendo pela manutenção integral da decisão recorrida. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, e no mérito NEGOLHE provimento, mantendo a decisão da DRJ. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 8234DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10680.012141/200611 Acórdão n.º 1201000.890 S1C2T1 Fl. 10 17 Fl. 8235DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO
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Numero do processo: 13502.720320/2011-31
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO. A AFERIÇÃO INDIRETA NÃO PODE CONSTITUIR UMA CARTA EM BRANCO PARA A FISCALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE SUA UTILIZAÇÃO IN CASU. FATO GERADOR. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO FISCO. MERA ALEGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE O CONTRIBUINTE PRUDUZIR PROVA NEGATIVA.
O lançamento foi realizado em bases frágeis, utilizando-se o instituto da aferição indireta, sustentado pelas regras contidas no art. 33 da Lei nº 8.212/91, sob a alegação de que o contribuinte não fez a identificação individualizada dos segurados envolvidos no trabalho, com a respectiva remuneração, considerando que tais segurados não constavam das folhas de pagamento apresentadas, tidas pela fiscalização como insuficientes.
Caberá à autoridade fiscal aprofundar sua investigação para verificar o local e momento exato da ocorrência do fato gerador, tendo em vista que assim, ela estaria dando plena efetividade ao lançamento, e respeitando o princípio basilar do processo administrativo fiscal que é a verdade material.
Se a autoridade fiscalizadora admitiu tratar-se de relação envolvendo atividades operacionais no âmbito de um grupo econômico, onde a empresa controladora contratava equipe de venda e as controladas participavam do rateio proporcional relativamente aos custos de tal contratação, sem o devido aprofundamento na investigação dos fatos, a presunção de legitimidade do lançamento (aferição indireta) não pode constituir uma carta em branco na mão do Fisco.
Cabe ao Fisco, portanto, o ônus de provar a existência de fatos impeditivos ou extintivos da pretensão do particular lastreada em suas declarações, documentos fiscais e contábeis, situação não vislumbrada nestes autos.
A presunção de legitimidade do lançamento não é uma carta em branco para a fiscalização atuar imotivadamente, sob pena de o tributo passar a ser exigido, não em face da efetiva ocorrência do fato gerador, mas com base em mera alegação do Fisco de sua ocorrência, diante da impossibilidade material de o contribuinte produzir prova negativa.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.307
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros, Eduardo de Oliveira e Helton Carlos Praia de Lima votaram pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Carlos Cornet Scharfstein.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO. A AFERIÇÃO INDIRETA NÃO PODE CONSTITUIR UMA CARTA EM BRANCO PARA A FISCALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE SUA UTILIZAÇÃO IN CASU. FATO GERADOR. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO FISCO. MERA ALEGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE O CONTRIBUINTE PRUDUZIR PROVA NEGATIVA. 1. O lançamento foi realizado em bases frágeis, utilizandose o instituto da aferição indireta, sustentado pelas regras contidas no art. 33 da Lei nº 8.212/91, sob a alegação de que o contribuinte não fez a identificação individualizada dos segurados envolvidos no trabalho, com a respectiva remuneração, considerando que tais segurados não constavam das folhas de pagamento apresentadas, tidas pela fiscalização como insuficientes. 2. Caberá à autoridade fiscal aprofundar sua investigação para verificar o local e momento exato da ocorrência do fato gerador, tendo em vista que assim, ela estaria dando plena efetividade ao lançamento, e respeitando o princípio basilar do processo administrativo fiscal que é a verdade material. 3. Se a autoridade fiscalizadora admitiu tratarse de relação envolvendo atividades operacionais no âmbito de um grupo econômico, onde a empresa controladora contratava equipe de venda e as controladas participavam do rateio proporcional relativamente aos custos de tal contratação, sem o devido aprofundamento na investigação dos fatos, a presunção de legitimidade do lançamento (aferição indireta) não pode constituir uma carta em branco na mão do Fisco. 4. Cabe ao Fisco, portanto, o ônus de provar a existência de fatos impeditivos ou extintivos da pretensão do particular lastreada em suas declarações, documentos fiscais e contábeis, situação não vislumbrada nestes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 03 20 /2 01 1- 31 Fl. 2864DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13502.720320/201131 Acórdão n.º 2803003.307 S2TE03 Fl. 3 2 5. A presunção de legitimidade do lançamento não é uma carta em branco para a fiscalização atuar imotivadamente, sob pena de o tributo passar a ser exigido, não em face da efetiva ocorrência do fato gerador, mas com base em mera alegação do Fisco de sua ocorrência, diante da impossibilidade material de o contribuinte produzir prova negativa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros, Eduardo de Oliveira e Helton Carlos Praia de Lima votaram pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Carlos Cornet Scharfstein. Fl. 2865DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13502.720320/201131 Acórdão n.º 2803003.307 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições previdenciárias patronal, dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, cujo desconto e recolhimento é de responsabilidade da empresa, bem como as contribuições devidas aos Terceiros (Salário Educação, INCRA e SEBRAE, incluindo o 13º salário. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 25 de abril de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que prestam serviços à empresa, conforme prevê o art. 22, I, II e III, da Lei nº 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA. Relato fiscal caracteriza a hipótese prevista no parágrafo terceiro do artigo 33 da Lei nº 8.212/1991. Viabilidade da utilização do instrumento legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: O respeitável acórdão recorrido merece ser reformado, porquanto não apreendeu corretamente a matéria em discussão, objeto do AI elidido pela impugnação apresentada, na qual se deixa claro que a recorrente não possui equipe de vendas e, portanto, não paga salários, comissões, repouso semanal remunerado etc., que estariam registradas na contabilidade. É importante repetir parte das razões postas na impugnação, no sentido de que na folha de pagamento apresentada à fiscalização, esta não identificou qualquer empregado da equipe de vendas que trabalhasse na recorrente, quando era dever do fisco identificar nominalmente quem efetivamente trabalhava ou trabalhou na CERAMUS BAHIA S.A., e percebeu salário ou outra verba remuneratória, formando a equivocada equipe de vendas, tomada como certa pela autoridade autuante e mantida pelo acórdão impugnado. Fl. 2866DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13502.720320/201131 Acórdão n.º 2803003.307 S2TE03 Fl. 5 4 Conforme exposto na defesa/impugnação, a recorrente deixa claro que não possui equipe de vendas, ou seja, não possui vendedor algum. O acórdão impugnado além de agasalhar os equívocos cometidos pela fiscalização, também comete outros que merecem ser desfeitos. A verificação procedida não tem sustentação, eis que, na hipótese vertente, deveria ter sido verificado a empresa ELIANE S.A., como um todo e não parcialmente, para, daí, concluir erroneamente que a fiscalização estava correta por gozar de presunção de veracidade. No caso, tratase de tributo e, como tal, não cabe a presunção onde há elementos suficientes para se aprofundar a fiscalização e se chegar à verdade material, que deve sempre prevalecer sobre qualquer presunção. Os documentos anexos vêm corroborar aqueles já juntados aos autos, demonstrando o equívoco cometido pela fiscalização e mantido pelo acórdão recorrido. No caso concreto, a recorrente está sendo tributada com base em elementos incertos e inseguros, com verdadeira desconsideração da personalidade jurídica, vez que não houve interesse do fisco em entender o procedimento, nem em aprofundar a fiscalização, limitandose a solicitar explicações, sem a verificação ou compreensão efetiva da realidade material. Com isso está ser impondo tributação onde nada há a ser tributado. Destacase que não há no auto de infração, nem mesmo no Relatório Fiscal, a demonstração concreta, material, de elementos que comprove a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, pois a fiscalização não identifica nenhum empregado que tenha recebido valores a título de remuneração pelo trabalho – com ou sem vínculo empregatício – condição sine qua non para dar ensejo à exigência de tributo ou para materializar a ocorrência do fato gerador. Consta também incluso uma demonstração, por amostragem, demonstrando que os valores integrais percebidos por vendedores estão lançados na GFIP da ELIANE S.A. As contas contábeis referidas no item 1.9.1., são contas de PROVISÃO, ou seja, não são contas em que são lançadas despesas verdadeiramente ocorridas, como foi devidamente explicado ao agente fiscal. Os valores são provisionados mensalmente para serem pagos no final do ano. Também aqui a fiscalização não se preocupou em buscar a verdade material. Diante do exposto, requer o recebimento do presente recurso, para, na forma das razões acima sustentadas, seja lhe dado provimento, a fim de ser declarado nulo o auto de infração, pelas razões acima sustentadas; ou, então, julgado totalmente improcedente o AI, por ser de direito e de justiça. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 2867DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13502.720320/201131 Acórdão n.º 2803003.307 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Na constituição do crédito tributário pelo lançamento, competirá à autoridade administrativa verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicável da penalidade cabível. Esta é, pois, a regra basilar que deve ser observada pela autoridade administrativa, tendo em vista que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN). Das premissas contidas no art. 142 do CTN para o caso em discussão, a identificação do sujeito passivo é fator primordial, tendo em conta tratarse de situação muito bem definida de formação de grupo econômico, inclusive com pleno reconhecimento pela autoridade lançadora, bem como pelas autoridades julgadoras de primeira instância administrativa. Em situações como a em discussão, não basta uma análise superficial para concluir que a empresa é devedora das contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social. Em razão de se tratar de operações envolvendo o entrelaçamento de atividades no âmbito de um grupo econômico bem determinado, a constituição do crédito tributário deveria ter sido realizada com extremo rigor, notadamente no que concerne à busca da verdade material. Esta premissa fundamental, pelo que pude denotar da análise dos autos, não ocorreu. O lançamento foi realizado em bases frágeis, utilizandose o instituto da aferição indireta, sustentado pelas regras contidas no art. 33 da Lei nº 8.212/91, sob a alegação de que o contribuinte não fez a identificação individualizada dos segurados envolvidos no trabalho, com a respectiva remuneração, considerando que tais segurados não constavam das folhas de pagamento apresentadas, tidas pela fiscalização como insuficientes. Acontece, porém, que as equipes de vendas, efetivamente, não estavam sob a tutela da empresa controlada (a recorrente), mas sim, sob o comando da empresa controladora. In casu, portanto, tendo em vista a obviedade da matéria, a empresa controlada, não poderia, em princípio, apresentar relação individualizada de membros de uma equipe de vendas contratada por outra empresa, a controladora. Fl. 2868DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13502.720320/201131 Acórdão n.º 2803003.307 S2TE03 Fl. 7 6 Em situações como a ora em discussão, caberá à autoridade fiscal aprofundar sua investigação para verificar o local e momento exato da ocorrência do fato gerador, tendo em vista que assim, ela estaria dando plena efetividade ao lançamento e, obviamente, respeitando o princípio basilar do processo administrativo fiscal que é a verdade material. A fundamentação que sustenta o lançamento, como já referido anteriormente, é frágil, não podendo o fisco se desincumbir do ônus de identificar o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária. Nesta direção, há que se considerar os abalizados ensinamentos de Sacha Calmon Navarro Coelho e Eduardo Junqueira Coelho (in CARF: questões controvertidas no processo administrativo fiscal / [coordenação Ives Gandra da Silva Martins, conferencista inaugural José Carlos Moreira Alves]. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2012. p. 84/85), verbis: A prova de eventuais inconsistências e irregularidades compete ao Fisco, como consequência de seu dever de homologar. Da mesma forma que não se exige do contribuinte a transcrição de seus lançamentos contábeis no momento da entrega das atuais declarações (DIPJ, DCTF, DACON etc.), não pode o Fisco ignorálas e nem tampouco desprezar os registros contábeis que lhes servem de fundamento ou rejeitálos, sem demonstrar os fundamentos fáticos e jurídicos, de forma individualizada, ao simplório e genérico argumento de ausência de comprovação dos fatos que suscitaram a contabilização, uma vez que cabe ao Fisco o ônus de provar a existência de fatos impeditivos ou extintivos da pretensão do particular lastreada em suas declarações, documentos fiscais e contábeis. As acusações fiscais presentes no lançamento devem necessariamente ser precedidas de clara e segura demonstração dos fatos e do direito que as sustentam. Portanto, deve previamente o contribuinte ser intimado a se manifestar para comprovar e esclarecer os fatos que poderiam obstar as acusações fiscais, sob pena de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do lançamento pro vício material (substancial) insanável. Ou seja, se a prova favorável ao contribuinte era plenamente possível e não tiver sido realizada pela fiscalização, sem que para tanto tenha concorrido o contribuinte, não pode ser posteriormente invocada a ausência de apresentação de prova pelo contribuinte, como um dos fundamentos fáticos do lançamento. Rui Barbosa Nogueira, com apoio na lição de Spitaler, afirma que o dever de investigar as situações de fato e os fatos geradores impostos pela lei às autoridades fiscais exige que não capitulem, nunca, diante da obscuridade da Fl. 2869DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13502.720320/201131 Acórdão n.º 2803003.307 S2TE03 Fl. 8 7 relação de fato, devendo ser capazes até de verificalos por avaliação. Assim, a presunção de legitimidade do lançamento não é uma carta em branco para a fiscalização atuar imotivadamente, sob pena de o tributo passar a ser exigido, não em face da efetiva ocorrência do fato gerador, mas com base em mera alegação do Fisco de sua ocorrência, diante da impossibilidade material de o contribuinte produzir prova negativa. (grifouse e destacouse) Com efeito, se a autoridade fiscalizadora admitiu tratarse de relação envolvendo atividades operacionais no âmbito de um grupo econômico, onde a empresa controladora contratava equipe de venda e as controladas participavam do rateio proporcional relativamente aos custos de tal contratação, sem o devido aprofundamento na investigação dos fatos, a presunção de legitimidade do lançamento (aferição indireta) não pode constituir uma carta em branco na mão do Fisco. Cabe ao Fisco, portanto, o ônus de provar a existência de fatos impeditivos ou extintivos da pretensão do particular lastreada em suas declarações, documentos fiscais e contábeis, situação não vislumbrada nestes autos. A presunção de legitimidade do lançamento não é uma carta em branco para a fiscalização atuar imotivadamente, sob pena de o tributo passar a ser exigido, não em face da efetiva ocorrência do fato gerador, mas com base em mera alegação do Fisco de sua ocorrência, diante da impossibilidade material de o contribuinte produzir prova negativa. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 2870DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 19515.001003/2002-69
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. ANTECIPAÇÃO. FALTA DE RETENÇÃO. LANÇAMENTO APÓS 31 DE DEZEMBRO DO ANO CALENDÁRIO. EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO.
No caso de imposto de renda retido na fonte como antecipação do devido na declaração, sendo o beneficiário obrigado a oferecer os rendimentos à tributação quando do ajuste anual, de há muito vem sendo discutido até onde vai a responsabilidade da fonte pagadora, nos casos de não retenção. Isto é, até quando se pode exigir da fonte pagadora o imposto que deixou de ser retido.
Findo o ano calendário em que se deu o pagamento e, mais ainda, transcorrido o prazo para entrega da declaração de rendimentos do beneficiário, não há que perdurar a responsabilidade atribuída à fonte pagadora. Isto porque se trata de situação em que o cumprimento da obrigação pela fonte pagadora fica afastada, ou seja, o encerramento do ano calendário afasta a responsabilidade da fonte pagadora, passando a surgir a obrigação do legítimo sujeito passivo contribuinte o beneficiário do rendimento.
Precedente da 2a Turma da CSRF, acórdão no 9202-002.858, de 10 de setembro de 2013, PAF no 10805.000494/2003-71.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Declarou-se impedido o conselheiro Alexandre Naoki Nishioka
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire - Relator
EDITADO EM: 20/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Declarou-se impedido o conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire - Relator EDITADO EM: 20/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. ANTECIPAÇÃO. FALTA DE RETENÇÃO. LANÇAMENTO APÓS 31 DE DEZEMBRO DO ANO CALENDÁRIO. EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO. No caso de imposto de renda retido na fonte como antecipação do devido na declaração, sendo o beneficiário obrigado a oferecer os rendimentos à tributação quando do ajuste anual, de há muito vem sendo discutido até onde vai a responsabilidade da fonte pagadora, nos casos de não retenção. Isto é, até quando se pode exigir da fonte pagadora o imposto que deixou de ser retido. Findo o ano calendário em que se deu o pagamento e, mais ainda, transcorrido o prazo para entrega da declaração de rendimentos do beneficiário, não há que perdurar a responsabilidade atribuída à fonte pagadora. Isto porque se trata de situação em que o cumprimento da obrigação pela fonte pagadora fica afastada, ou seja, o encerramento do ano calendário afasta a responsabilidade da fonte pagadora, passando a surgir a obrigação do legítimo sujeito passivo contribuinte — o beneficiário do rendimento. Precedente da 2a Turma da CSRF, acórdão no 9202002.858, de 10 de setembro de 2013, PAF no 10805.000494/200371. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 10 03 /2 00 2- 69 Fl. 645DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Declarouse impedido o conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 20/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº. 104 23.389, proferido pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em 07 de agosto de 2008, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Segue abaixo a sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1195, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE – ANTECIPAÇÃO – AUSÊNCIA DE RETENÇÃO – LANÇAMENTO APÓS ANO CALENDÁRIO – RESPONSABILIDADE – EXCLUSÃO. Incidência na fonte a título de antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual. Ação fiscal após anocalendário do fato gerador. Incabível a constituição do crédito tributário por meio de lançamento na fonte pagadora dos rendimentos para exigência de imposto não retido e não recolhido. Recurso Provido. A Fazenda Nacional afirma que a decisão recorrida divergiu do acórdão 102 45.782 da Segunda Câmara do Primeiro CC, assim ementado: IRF – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA FONTE PAGADORA E DO BENEFICIÁRIO DO RENDIMENTO – Fl. 646DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001003/200269 Acórdão n.º 9202003.180 CSRFT2 Fl. 8 3 Apresentada a declaração de ajuste pela pessoa física, sem a inclusão dos rendimentos cujo imposto não foi retido pela fonte pagadora, a responsabilidade pelo imposto é compartilhada por ambos, pois vedarse a exigência do imposto, bem assim das penalidades cabíveis, de um ou de outro, resultaria em considerar que tanto a falta da retenção na fonte, como a omissão de rendimentos tributáveis na declaração, são meras faculdades e não obrigações legais de cada um dos sujeitos passivos. Recurso negado. Alega que o acórdão paradigma acolhe entendimento que se mostra compatível com o disposto no art. 919 do Decreto nº 1.041/1994 e no art. 722 do Dec. 3.000/1999, in verbis: Decreto n° 1.041/1994 Art. 919. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido (DecretoLei n° 5.844/43, art. 103). Parágrafo único. No caso deste artigo, quando se tratar de imposto devido como antecipação e a fonte pagadora comprovar que o beneficiário já incluiu o rendimento em sua declaração, aplicarseá a penalidade prevista no art. 984, além dos juros e da multa de mora pelo atraso, calculados sobre o valor do imposto que deveria ter sido retido, sem obrigatoriedade do recolhimento deste. Decreto n° 3000/1999 Art. 722. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido (DecretoLei n2 5.844, de 1943, art. 103). Parágrafo único. No caso deste artigo, quando se tratar de imposto devido como antecipação e a fonte pagadora comprovar que o beneficiário já incluiu o rendimento em sua declaração, aplicarse6 a penalidade prevista no art. 957, além dos juros de mora pelo atraso, calculados sobre o valor do imposto que deveria ter sido retido, sem obrigatoriedade do recolhimento deste. Argumenta que esta norma tem plena aplicação à espécie, uma vez que a empresa autuada, fonte pagadora, não efetuou a devida retenção do imposto enquadrado no regime de antecipação. Na falta de retenção, a fonte pagadora somente se desobriga do recolhimento do aludido imposto se comprovar que o beneficiado incluiu os rendimentos pagos em sua declaração anual de ajuste. Frisa que a autuada não comprovou a inclusão da renda tributada na declaração das pessoas contempladas com o pagamento dos valores apurados pela fiscalização, e, portanto, continua responsável pelo tributo exigido, mas em solidariedade com os beneficiados, que a partir da declaração anual, também respondem pelo imposto sujeito ao regime de retenção. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Conclui que, cabe a fonte o ônus de provar a referida inclusão, que, se não for comprovada, caracterizase a responsabilidade solidária de ambas as pessoas, tanto a pagadora quanto a beneficiada pelos rendimentos pagos. Qualquer entendimento em sentido contrário significaria que tanto a retenção quanto a declaração do IRRF seriam meras faculdades, quando, na realidade, constituem obrigações legais. Ao final, requer o provimento do seu recurso especial. Nos termos do Despacho nº. 220200.262/2010, foi dado seguimento ao pedido em análise. Em quatro de setembro de 2008 foi decretada a falência da empresa autuada. Portanto, as contrarrazões foram apresentadas, tempestivamente, pelo Administrador Judicial/Síndico da Massa Falida. Como os fatos objeto do auto de infração são todos anteriores à decretação da falência da empresa, o Administrador alega não ter argumentos pormenorizados para trazer ao recurso e, portanto, ratifica as manifestações exaradas pela empresa anteriormente e solicita responder ao mesmo por negativa geral e por alguns argumentos transcritos a seguir: “Ainda que seja dado provimento ao presente recurso, o que se admite apenas por amor ao debate, deverá a Recorrente se habilitar ou impugnar o crédito na falência, nos moldes dos artigos 7º a 20 da Lei nº 11.101/2005, concorrendo inclusive com os demais credores, na qualidade que a lei lhe faculta, principalmente para respeitar a ordem de preferência de pagamento dos créditos prevista em lei (art. 83 da Lei nº 11.101/2005), já que existem credores com maior privilégio nesta ordem, principalmente os credores trabalhistas”. Ao final, requer que o recurso especial da Fazenda Nacional seja negado. É o relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Demonstrado o dissídio jurisprudencia e preenchidos os demais requisitos formais de admissibilidade, conheço do recurso especial. Conforme relatado, verificase que o acórdão recorrido concluiu que é incabível a constituição do crédito tributário, através de lançamento de imposto de renda na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos, após o decurso do ano calendário. Salientando que, no caso dos autos, tratase de rendimento sujeito à antecipação do devido na DIRPF. É necessário o esclarecimento de que, no sistema de retenção de fonte, a pessoa obrigada a satisfazer a obrigação, a princípio, é a pessoa que paga o rendimento. Tem se, pois, que a lei elegeu a fonte pagadora do rendimento para sujeito passivo da obrigação de reter o imposto, sendo que também a lei instituiu a obrigação de o beneficiário incluir o rendimento percebido durante o anocalendário na declaração de ajuste, com o fito de determinar a real base de cálculo do imposto devido durante o anocalendário. Esclarecendo, ainda, que a pessoa física beneficiária é o titular da disponibilidade econômica, ou seja, é efetivamente o contribuinte. O fato de a fonte não efetuar Fl. 648DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001003/200269 Acórdão n.º 9202003.180 CSRFT2 Fl. 9 5 a retenção a título de antecipação do devido na declaração, não exime os beneficiários, de incluir os rendimentos recebidos em sua DIRF anual. Portanto, no caso de imposto de renda retido na fonte como antecipação do devido na declaração, sendo o beneficiário obrigado a oferecer os rendimentos à tributação quando do ajuste anual, de há muito vem sendo discutido até onde vai a responsabilidade da fonte pagadora, nos casos de não retenção. Isto é, até quando se pode exigir da fonte pagadora o imposto que deixou de ser retido. No caso específico do imposto de renda retido na fonte a título de antecipação, a responsabilidade atribuída à fonte pagadora (reter o imposto a título de antecipação) não afasta a do legítimo sujeito passivo de cumprir a obrigação de oferecer os rendimentos à tributação na declaração de ajuste anual. O fato de a fonte pagadora não efetuar a retenção do imposto na fonte a título de antecipação, por mero equívoco ou mesmo omissão, não significa que o beneficiário do rendimento esteja desobrigado de incluir esses rendimentos entre aqueles sujeitos à tabela progressiva na declaração, pois, efetivamente, é ele o contribuinte. A lei, conforme previsto no art. 128 do CTN, atribuiu a terceiro (no caso a fonte pagadora) tãosomente a responsabilidade pela retenção do imposto a título de antecipação do devido na declaração. No entanto, há de se observar que esta responsabilidade não persiste "ad eternum". Portanto, findo o ano calendário em que se deu o pagamento e, mais ainda, transcorrido o prazo para entrega da declaração de rendimentos do beneficiário, não há que perdurar a responsabilidade atribuída à fonte pagadora. Isto porque se trata de situação em que o cumprimento da obrigação pela fonte pagadora fica afastada, ou seja, o encerramento do ano calendário afasta a responsabilidade da fonte pagadora, passando a surgir a obrigação do legítimo sujeito passivo contribuinte — o beneficiário do rendimento. Precedente da 2a Turma da CSRF, acórdão no 9202002.858, de 10 de setembro de 2013, PAF no 10805.000494/200371, de minha relatoria: "IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. ANTECIPAÇÃO. FALTA DE RETENÇÃO. LANÇAMENTO APÓS 31 DE DEZEMBRO DO ANO CALENDÁRIO. EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO. No caso de imposto de renda retido na fonte como antecipação do devido na declaração, sendo o beneficiário obrigado a oferecer os rendimentos à tributação quando do ajuste anual, de há muito vem sendo discutido até onde vai a responsabilidade da fonte pagadora, nos casos de não retenção. Isto é, até quando se pode exigir da fonte pagadora o imposto que deixou de ser retido. Findo o ano calendário em que se deu o pagamento e, mais ainda, transcorrido o prazo para entrega da declaração de rendimentos do beneficiário, não há que perdurar a responsabilidade atribuída à fonte pagadora. Isto porque se trata de situação em que o cumprimento da obrigação pela fonte Fl. 649DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 pagadora fica afastada, ou seja, o encerramento do ano calendário afasta a responsabilidade da fonte pagadora, passando a surgir a obrigação do legítimo sujeito passivo contribuinte — o beneficiário do rendimento. Recurso especial negado" Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 650DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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