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Numero do processo: 15983.000967/2008-16
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM. OMISSÃO DE RECEITAS. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 SIGILO BANCÁRIO. OBRIGAÇÃO LEGAL DE REGISTRO. Não são oponíveis à legítima competência fiscalizadora, alegações de sigilo bancário mormente tratar-se de pessoa jurídica que tem obrigação legal de registrar e apresentar todos os elementos de suas operações e apresentou sem resistência a maior parte dos extratos bancários da atividade. AUDITOR FISCAL. COMPETÊNCIA. NULIDADES. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 08, o Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. De acordo com a Súmula CARF n° 2: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.381
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Relator.
Matéria: IRPJ - auto eletrônico (exceto glosa de comp.prej./LI)
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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OMISSÃO DE RECEITAS. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 SIGILO BANCÁRIO. OBRIGAÇÃO LEGAL DE REGISTRO. Não são oponíveis à legítima competência fiscalizadora, alegações de sigilo bancário mormente tratarse de pessoa jurídica que tem obrigação legal de registrar e apresentar todos os elementos de suas operações e apresentou sem resistência a maior parte dos extratos bancários da atividade. AUDITOR FISCAL. COMPETÊNCIA. NULIDADES. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 08, o Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. De acordo com a Súmula CARF n° 2: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000967/200816 Acórdão n.º 180301.381 S1TE03 Fl. 325 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Viviani Aparecida Bacchmi e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório CARGO JAGUAR TRANSPORTES E SERVIÇOS RODOVIÁRIOS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SÃO PAULO/SP I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Trata o presente processo de autos de infração lavrados em decorrência de ação fiscal direta, exigindo da contribuinte o crédito tributário no valor de R$ 916.015,34 (novecentos e dezesseis mil, quinze reais e trinta e quatro centavos), referentes ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ, contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Real CSLL e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS. No TERMO DE CONSTATAÇÃO estão relatados os fatos apurados, assim resumidos (fls. 57 a 65): Das informações obtidas sob o amparo do art. 11, § 2º da Lei n° 9.311, de 1996, foi constatado que a empresa fiscalizada movimentou recursos financeiros durante o ano de 2004 oriundos de créditos efetuados em suas contas correntes bancárias mantidas nas seguintes instituições: Banco Rural S/A, conta corrente 060001877; Banco Bradesco S/A, conta corrente 3891; HSBC Bank Brasil S/A, conta corrente 19021991090; União de Bancos Brasileiros S/A, contas correntes 2032676 e 2085070. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000967/200816 Acórdão n.º 180301.381 S1TE03 Fl. 326 3 Por meio do Termo de Início de Fiscalização, lavrado em 18/02/2008, a empresa foi intimada a apresentar os extratos das contas bancárias e, tendo em vista o não atendimento, a intimação foi reiterada em 23/03/2008. Diante da apresentação de parte, somente, dos extratos referentes às contas correntes mantidas no Banco Rural e no Unibanco, houve requisição de tais documentos junto às instituições bancárias, nos termos do inciso I do art. 33, da Lei n° 9.430, de 1996, com base nos arts. 2° e 3% inciso VII, do Decreto n° 3.724, de 2001. A fiscalizada recebeu cópia dos documentos, que integram o volume Anexo I. A empresa foi também intimada a apresentar sua escrituração contábil ou livro Caixa, em 18/02/2008 e 17/03/2008, mas não atendeu à intimação. Intimada, ainda, a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas correntes durante, o ano de 2004 (fls. 43 a 54), recursos esses que totalizaram R$ 4.541.398,85, não houve resposta. A fiscalizada informou, para o ano de 2004, receitas no montante de R$ 70.853,12, na DIPJ, e nas DCTF constam apenas informações relativas aos 3° e 4° trimestres. Os recolhimentos efetuados para o período referemse às receitas informadas na DIPJ, mas não há recolhimentos de IRPJ e CSLL referentes aos 1° e 2° trimestres. Não comprovada a origem dos créditos verificados em suas contas incompatíveis com as receitas declaradas na DIPJ e nas DCTF, caracterizase a omissão de receitas, em virtude da disponibilidade de recursos não declarados. Os valores declarados não podem ser considerados contidos nos valores apurados pelas movimentações bancárias, tendo em vista que a fiscalizada não comprovou a origem dos recursos creditados em suas contas correntes e não apresentou sua escrituração contábil, inviabilizando a correlação entre tais valores. Os valores mensais extraídos dos documentos de fls. 43 a 54, creditados: • Janeiro R$ 70.837,78 • Fevereiro R$102.357,31 • Março R$159.261,48 • Abril R$203.882,48 • Maio R$219.428,10 • Junho R$255.083,03 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000967/200816 Acórdão n.º 180301.381 S1TE03 Fl. 327 4 • Julho R$ 345.623,53 • Agosto R$ 485.174,02 • Setembro R$ 516.511,40 • Outubro R$ 657.505,14 • Novembro R$ 610.083,15 • Dezembro R$ 915.651,43 Embora tenha optado pela sistemática do Lucro Presumido, a fiscalizada não atendeu ao preconizado no art. 527 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR, de 1999 (Decreto n ° 3.000, de 1999), ficando sujeita à apuração do lucro pelo arbitramento, nos termos do art. 530 do RIR, em especial o inciso III. A multa aplicada é majorada tendo em vista que a fiscalizada não declarou em DCTF os valores devidos, retardando o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964). A acentuada diferença entre os créditos bancários de origem não comprovada e as receitas declaradas caracteriza, em tese, omissão intencional de receitas. A existência de créditos bancários sem que haja a respectiva apresentação à tributação caracteriza, em tese, crime contra a ordem tributária, definido no art. 1° da Lei nª 8.137, de 1990, razão pela qual foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, protocolizada sob o n° 15983.000968/200852. Foram lavrados autos de infração exigindo os seguintes créditos tributários (em R$): IRPJ (fls. 02 a 08): (…); PIS (fls. 09 a 16): (...); COFINS (fls. 17 a 24): (...); CSLL (fls. 25 a 31): (…). Tendo tomado ciência dos autos de infração em 29/09/2008, a contribuinte protocolizou, em 28/10/2008 (processo n° 12670.001821/200815, anexado) a impugnação, anexada às fls. 192 a 207, subscrita por seu procurador (fls. 210 a 217), com as alegações resumidas a seguir. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000967/200816 Acórdão n.º 180301.381 S1TE03 Fl. 328 5 Preliminarmente: Afirma que o ato exarado pelo agente fiscal, que não é contador habilitado regularmente inscrito no CRC, não pode subsistir, cabendo sua anulação. Como evidência da incapacidade jurídica do agente, seu trabalho não teria eficácia administrativafiscal nem validade jurídica, entendimento já adotado pelo Supremo Tribunal Federal (RTJ 75/524 e 105/1.118). Entende que o auto de infração baseouse em documentação obtida por meios ilegítimos, por não ter havido autorização judicial para a quebra do sigilo bancário da contribuinte, a teor do disposto no art. 1% caput, da Lei n° 9.296, de 1996. Transcreve ementas e trechos de decisões judiciais. grifamos Acrescenta que nem teve oportunidade de acesso a tal documentação, caracterizando, novamente, cerceamento de defesa. Não pôde verificar os documentos bancários e, portanto, não os reconhece como válidos. Alega que o lançamento chocase com o princípio constitucional da legalidade estrita, ou tipicidade fechada, que a suposta omissão de rendimentos não poderia ser considerada renda, tributável pelo imposto previsto no art. 153 da Constituição Federal, cujo fato gerador é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, mormente se for considerado que a receita líquida tributável tem de considerar as deduções e abatimentos a que faz jus. A impugnante diz que não se pode erigir em fato gerador do imposto o mero desatendimento a intimações para apresentação de extratos bancários, nem lançar tributo com base em sinais exteriores de riqueza, cuja aferição depende de critérios subjetivos, não descritos tipicamente em lugar algum. Afirma que o próprio Auto remete ao § 2° do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, que prevê aumento em 50% da multa no caso de sujeito passivo que desatende a intimações para prestar informações, e não, arbitramento unilateral sobre valores que não representam a renda líquida. Complementa que não se pode erigir em fato gerador o mero trânsito de valores por contas de titularidade do contribuinte, com base em desatendimento a intimação. Menciona que o Mandado de Procedimento Fiscal havia expirado quando da lavratura do auto de infração, porquanto, emitido em 18/02/2008, teria validade de 120 dias, e a autuação ocorreu em 29/09/2008, o que seria mais um motivo para a anulação pretendida. No mérito: Por iniciativa própria, tendo em vista erros e descontroles na contabilidade, denunciou o estouro de suas receitas, requereu a sua exclusão do SIMPLES e o arbitramento dos valores devidos. Houve, assim denúncia espontânea, não havendo que se falar em cobrança de multa e configuração de dolo. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000967/200816 Acórdão n.º 180301.381 S1TE03 Fl. 329 6 O arbitramento fiscal com base nos extratos bancários não é fato gerador de imposto de renda; depósito não é sinônimo de renda, que seria, de forma simplista, receitas menos despesas. O lançamento não considerou os débitos havidos nas contas correntes cujos créditos pretende tributar. Transcreve Resolução sumulada no IX Simpósio Nacional de Direito Tributário sobre Presunções no Direito Tributário e ementa de decisão do Superior Tribunal de Justiça proferida no Recurso Especial n° 71.974/SP, a Súmula 182 do extinto TFR, e observa que o próprio Poder Executivo promulgou o Decretolei n° 2.471, de 01/09/1988, que em seu art. 9º prevê o cancelamento e arquivamento de procedimentos administrativos que se basearam valores constantes de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários. Ao final requer que o inteiro teor da decisão seja comunicado à impugnante, no endereço de seu advogado subscritor da impugnação. Encontrase apensado ao presente o processo de Representação Fiscal para Fins Penais, n° 15983.000968/200852. A DRJ SÃO PAULO/SP I, através do acórdão nº 1620.472, de 18 de fevereiro de 2009 (fls. 263/277), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta corrente mantida junto á instituição financeira, se a contribuinte, regularmente intimada, não comprova a origem dos recursos utilizados nessas operações. A falta de escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ou do livro Caixa, para os optantes pela tributação pelo lucro presumido, enseja o arbitramento do lucro. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O auto de infração lavrado por servidor competente, com preenchimento dos requisitos exigidos nas normas do Processo Administrativo Tributário, não é nulo. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao lançamento principal aplicase, naquilo em que for cabível, aos lançamentos decorrentes, de Fl. 335DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000967/200816 Acórdão n.º 180301.381 S1TE03 Fl. 330 7 contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Ciente da decisão em 09/03/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 282), apresentou o recurso voluntário em 25/03/2009 fls. 283, onde reitera os argumentos da inicial. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de lançamento de ofício em virtude do qual foram lavrados os autos de infração IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, pela constatação de omissão de receitas por depósitos bancários sem origem e arbitramento do lucro do ano calendário 2004. Alega o recorrente em síntese: a) inabilitação técnica do agente fiscal; b) ausência de suporte procedimental ao auto de infração – “não houve a indispensável e necessária autorização judicial para quebra do sigilo bancário a teor do disposto no art. 1º, caput, da Lei 9.296/96”, sendo ilegal e ilegítima a requisição dos extratos bancários por parte da autoridade administrativa; c) ilegalidade e inconstitucionalidade do lucro arbitrado, pois o lançamento chocase com o principio constitucional da legalidade estrita, ou tipicidade fechada (CF 88, art. 150, I) e ausência de disponibilidade econômica e jurídica de renda cfe. art. 153 da CF; d) O prazo do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF; e) Que não houve dolo pois a própria contribuinte denunciou sua exclusão do SIMPLES e houve denúncia espontânea, não havendo que se falar em cobrança de multa; f) Ilegalidade de presumirse depósito bancário como renda para fins, de enriquecimento ilícito; A decisão de primeira instância não merece reforma. Com efeito, as diversas alegações da recorrente foram devidamente rebatidas na bem lançada decisão de primeira instância, ao qual deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000967/200816 Acórdão n.º 180301.381 S1TE03 Fl. 331 8 Com relação a incompetência do Auditor Fiscal da Receita Federal para proceder ao exame da escrituração e efetuar o lançamento dos tributos devidos, incide a Súmula CARF nº 08: Súmula CARF n° 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. No que tange a supostas irregularidades no Mandado do Procedimento Fiscal (MPF) já deixou patente a decisão de primeira instância que o mesmo representa mero documento de controle da atividade administrativa, não tendo o condão de inquinar de nulidade o procedimento fiscal. No que se refere a suposta falta de suporte procedimental é de se ver que ao contrário do que afirma a recorrente, houve concordância e entrega parcial dos extratos bancários, evidenciando não ter havido resistência ou discordância no acesso da autoridade fiscal a movimentação bancária. O fato de que a autoridade fiscal tenha complementado as informações fornecidas mediante requisição de outros extratos (HSBC e Bradesco) não desnatura o fato de que a própria contribuinte forneceu os extratos e não opôs qualquer óbice a sua utilização pela autoridade fiscal. Por outro lado, considerando que as pessoas jurídicas devem obrigatoriamente registrar todas as suas operações e também corroborar a sua escrituração com todos os documentos que podem ser examinados pela autoridade fiscal competente, não tem sentido invocar supostos direitos e garantias em detrimento da legítima competência das autoridades fiscais. Em resumo, as pessoas jurídicas não podem licitamente rejeitar o exame de sua escrituração e a apresentação de todos os documentos que obrigatoriamente devem compor a sua escrituração contábil e fiscal. Por derradeiro, totalmente inaplicáveis as disposições da Lei nº 9.296/96, que trata do sigilo das comunicações telefônicas não tendo relação com o sigilo bancário que é regulado nos termos da Lei Complementar nº 105/2001. Por outro turno, após o advento do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não há nenhum óbice em quantificar a omissão de receitas com base nos depósitos/créditos bancários não sendo necessária qualquer comprovação de gastos ou dispêndios, conforme dicção da Súmula CARF nº 26: Súmula CARF n° 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Com relação a supostas inconstitucionalidades acerca da requisição dos extratos bancários por parte da autoridade administrativa competente, esta seguiu rigorosamente os ditames prescritos pelas normas processuais tributárias contidas na Lei Fl. 337DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000967/200816 Acórdão n.º 180301.381 S1TE03 Fl. 332 9 Complementar nº 105/2001, sendo incompetente o CARF apreciar quaisquer alegações neste sentido, conforme preconiza a Súmula CARF nº 02: Súmula CARF n° 2: 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por derradeiro, verificase verdadeiro devaneio afirmar que houve qualquer denúncia espontânea, sendo correta a multa qualificada de 150%, aplicada com base no art. 71 da Lei 4.502/64, onde a magnitude da omissão (R$ 4.541.398,85) ante as receitas declaradas (R$ 70.813,12) e a absoluta ausência de registro das operações, acompanhada da habitualidade ao longo do ano calendário 2004, retiram o caráter de eventualidade ou acidentalidade no procedimento da contribuinte. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso em relação ao IRPJ e pela íntima relação de causa e efeito, também em relação aos lançamentos reflexos de CSLL, PIS e COFINS. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 338DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001413/2003-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. ERRO MATERIAL.
Quando há erro material, que leve a contradição na interpretação do acórdão, os embargos devem ser acolhidos.
Numero da decisão: 3302-003.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão a fim de que o período reconhecido da decadência seja de janeiro a março de 1998.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Orlando Rutigliani Berri, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ACOLHIMENTO. ERRO MATERIAL. Quando há erro material, que leve a contradição na interpretação do acórdão, os embargos devem ser acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão a fim de que o período reconhecido da decadência seja de janeiro a março de 1998. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Orlando Rutigliani Berri, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 13 /2 00 3- 10 Fl. 1198DF CARF MF 2 Tratase de embargos de declaração, opostos pela Fazenda Nacional, que afirma haver contradição no acórdão embargado com fundamento na existência de erro material. Do despacho de admissibilidade, fls. 1195/1196, extraise síntese que aclara os fatos: A embargante acusa a decisão recorrida de ser contraditória, por haver erro material no acórdão, e o referido erro tornar contraditória a proclamação do resultado. Para melhor visualizar a extensão do provimento transcrevo abaixo excertos do Embargo de Declaração: 1. Temse acórdão da r. Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 583), em sede de recurso voluntário, em que foi reconhecida a decadência do lançamento de PIS/Pasep na forma do artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional. 2. A ementa do julgamento, seguida do dispositivo, proclamam: " PIS. DECADÊNCIA. O prazo para constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a homologação finda 5 (cinco) anos após a ocorrência do fato gerador." (...) ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em I) dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência com relação aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a março de 1996. 3. O período apurado é de janeiro a dezembro de 1998. 4. Examinando o teor do acórdão, observase que o voto vencido é no sentido de reconhecer a decadência de janeiro a abril de 1998. A decisão foi tomada por maioria de votos porque os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, José Antonio Francisco e Adriana Gomes Rego entenderam que não houve decadência. 5. O voto vencedor acompanhou a mesma orientação do voto vencido no que diz respeito à decadência (jan/abr 1998). Entretanto, e possivelmente por mero equivoco da ilustre Conselheira designada para redigir o voto vencedor, consta ali a orientação de reconhecer a decadência relativa "aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a marco de 1996". 6. Com a devida vênia, entende a Fazenda Nacional que o acórdão ora recorrido padece, na parte da proclamação do resultado do julgamento, de erro material. 7. Notem, d. julgadores, que o referido erro material, torna contraditória a proclamação do resultado. (...) É o relatório. Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 16327.001413/200310 Acórdão n.º 3302003.714 S3C3T2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Da admissibilidade dos embargos de declaração Houve admissibilidade dos embargos de declaração, fls. 1194, pelo Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, com fundamento no art. 65, § 2º, anexo II, do Regimento Interno do Carf. 2. Contradição Erro material A Fazenda Pública aponta erro material, o que leva a contradição entre a fundamentação do acórdão e a proclamação do resultado no que concerne à decadência. Ao analisar o referido acórdão, assiste razão a Embargante. Às fls. 1176, relator Antonio Mario de Abreu Pinto, vencido no que concerne ao juros de mora, mas vencedor no que atine à decadência, decidiu, in verbis: Diante do exposto, dou parcial provimento ao recurso para determinar: a) a exclusão do credito tributário relativo aos meses de apuração de janeiro a abril de 1998, ante a decadência operada; e Do voto vencedor em relação aos juros de mora, relatora Josefa Maria Coelho Marques, fls. 1178, extraise que: No mais, acompanho o ilustre ConselheiroRelator. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a março de 1996. E da proclamação do resultado, temse que, fls. 1170: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos: I) em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência com relação as fatos geradores ocorridos no período de janeiro a março de 1996, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo Galvão, Antonio Carlos Atulim e Jose Antonio Francisco, que não reconheciam a decadência; e II) em negar provimento ao recurso quanto aos juros de mora. Vencidos os Conselheiros Antonio Mario de Abreu Pinto (Relator), Sérgio Gomes Velloso e Gustavo Vieira de Melo Monteiro, que excluiam os juros de mora. Designada a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques para redigir o voto vencedor nesta parte. Fl. 1200DF CARF MF 4 Diante do visível erro material, devese retificar tanto o voto da conselheira Josefa Maria Coelho Marques, quanto a proclamação do resultado. Nesse sentido, onde se lê: reconhecer a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a março de 1996. Devese ler: reconhecer a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a março de 1998. Tanto em relação ao voto da conselheira, quanto na proclamação do resultado. 3. Conclusão Por todo o exposto, acolhemse os presentes embargos de declaração para retificar o acórdão a fim de que o período reconhecido da decadência seja de janeiro a março de 1998. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Fl. 1201DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001717/2005-10
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2001
DECADÊNCIA. PRECEITO DE ORDEM PÚBLICA.
A decadência é um preceito de ordem pública, que independe, para sua constatação, de a parte interessada apontála na Impugnação ou no Recurso.
IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA. RECURSO. MATÉRIA PRECLUSA.
O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal.
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2001
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. TERMO INICIAL.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do
contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Recurso Repetitivo).
Numero da decisão: 1803-001.026
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para: 1) reconhecer a decadência do IRPJ e da CSLL, relativos ao primeiro trimestre do anocalendário
de 2000; e do PIS e da COFINS, referentes aos meses de fevereiro a maio de 2000; 2) excluir da tributação do IRPJ e da CSLL os valores de R$ 32.153,85, no segundo trimestre, e R$ 159.053,75 no quarto trimestre; 3) excluir da tributação do PIS e da COFINS o montante de R$ 159.053,75, no mês de outubro de 2000, nos termos do
relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 DECADÊNCIA. PRECEITO DE ORDEM PÚBLICA. A decadência é um preceito de ordem pública, que independe, para sua constatação, de a parte interessada apontála na Impugnação ou no Recurso. IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA. RECURSO. MATÉRIA PRECLUSA. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Recurso Repetitivo).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 DECADÊNCIA. PRECEITO DE ORDEM PÚBLICA. A decadência é um preceito de ordem pública, que independe, para sua constatação, de a parte interessada apontála na Impugnação ou no Recurso. IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA. RECURSO. MATÉRIA PRECLUSA. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Recurso Repetitivo). Fl. 259DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001717/200510 Acórdão n.º 180301.026 S1TE03 Fl. 227 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: 1) reconhecer a decadência do IRPJ e da CSLL, relativos ao primeiro trimestre do anocalendário de 2000; e do PIS e da COFINS, referentes aos meses de fevereiro a maio de 2000; 2) excluir da tributação do IRPJ e da CSLL os valores de R$ 32.153,85, no segundo trimestre, e R$ 159.053,75 no quarto trimestre; 3) excluir da tributação do PIS e da COFINS o montante de R$ 159.053,75, no mês de outubro de 2000, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 260DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001717/200510 Acórdão n.º 180301.026 S1TE03 Fl. 228 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 155): Trata o presente processo de Autos de Infração relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS e Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 124.120,30, em virtude da constatação de omissão de receitas, caracterizada pela apuração de saldo credor de caixa no anocalendário 2000. Cientificada da exigência em 06/06/2005 (AR à fl. 82), a empresa autuada, por seu procurador, apresentou a impugnação de fls. 84/115 em 01/07/2005, na qual alega, em síntese, o que segue: “Preliminarmente, cabe repudiar a aplicação da penalidade baseada em valores levantados por amostragem, o que evidencia ‘presunção’, que não pode embasar a autuação fiscal”. Nesse sentido, colaciona jurisprudência do 1º Conselho de Contribuintes que corrobora a sua tese. No mérito, inicialmente discorre sobre a legislação que trata da incidência da Cofins, alegando a sua inconstitucionalidade, por ferir diversos dispositivos e princípios inseridos na Carta Maior de 1988, entre os quais destaca: ofensa ao art. 246, que trata das limitações à edição de medidas provisórias; extensão indevida do conceito de receita bruta, ao instituir a contribuição sobre o faturamento; violação ao art. 150, IV, que veda o confisco; e ofensa ao princípio da isonomia, ao prever tratamento diferenciado para contribuintes em situações idênticas, como é o caso da Cofins nãocumulativa. No que tange à multa de ofício, alega que o percentual é abusivo e destoa dos valores normalmente cobrados a título de mora, o que caracteriza o confisco. Alega, também, que a cobrança de juros pela taxa Selic é ilegal e inconstitucional, pois foi criada por circulares do Bacen, embute correção monetária, juros remuneratórios e compensatórios, e já foi condenada pelo Superior Tribunal de Justiça. Colaciona jurisprudência judicial e excertos doutrinários que iriam ao encontro de sua tese. Ao final, aduz que os tribunais administrativos não podem se furtar a reconhecer a ilegalidade ou inconstitucionalidade de normas que não se coadunam com a Constituição Federal, solicitando sejam considerados improcedentes os lançamentos. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada, na parte ainda objeto de litígio (fls. 153 e 154): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 261DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001717/200510 Acórdão n.º 180301.026 S1TE03 Fl. 229 4 Anocalendário: 2000 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Regular é a presunção de omissão de receitas a partir de indícios que denotam a manutenção de recursos à margem da contabilidade, inexistindo qualquer prejuízo à exigência se os fatos foram claramente expostos e as consequências tributárias estão regularmente previstas na legislação. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Incidem juros de mora equivalentes à Selic, em relação aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional. MULTA DE OFÍCIO. A multa de oficio é devida no lançamento ex officio, em face de infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal, não constituindo tributo, mas tratandose de penalidade pecuniária prevista em lei; o percentual de aplicação é previsto na legislação de regência, e é incabível a alegação de inconstitucionalidade baseada na noção de confisco, por não se aplicar o dispositivo constitucional à espécie dos autos. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados à ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2000 CONTRIBUIÇÃO AO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PIS). CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL). DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, os lançamentos reflexivos colhem a sorte daquele que lhes deu origem, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Lançamento Procedente. 3. Cientificada da referida decisão em 13/10/2008 (fls. 165verso), a tempo, em 12/11/2008, apresenta a interessada Recurso de fls. 206 a 220, instruído com os documentos de fls. 221 e 222, nele argumentando, em síntese: a) que, preliminarmente, houve lançamentos relativos a fatos geradores de janeiro de 2000 a junho do mesmo ano; Fl. 262DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001717/200510 Acórdão n.º 180301.026 S1TE03 Fl. 230 5 b) que, no entanto, o Auto de Infração somente foi lavrado em 06/06/2005, como consta no aviso de recebimento em fls. 82 do presente processo; c) que, assim, operouse, quanto a esses fatos geradores, o fenômeno da homologação tácita; d) que isso se opera não só em relação à Cofins e ao Pis, cuja apuração é mensal, mas também relativamente ao IRPJ e à CSLL, tendo em vista a antecipação do imposto operada no ano de 2000; e) que, assim, quanto a todos os créditos derivados de fatos geradores ocorridos até 6 de junho de 2000 (5 anos antes da lavratura do Auto de Infração), é de se reconhecer a homologação tácita e a consequente decadência do direito do Fisco de lançálos, o que desde já se requer; f) que, no mérito, se outros elementos comprovarem que a empresa tinha recursos evidentemente disponíveis para os gastos suportados, incluindo a diferença de caixa, a presunção de omissão de receitas é ilidida; g) que a documentação constante dos autos (fluxo financeiro) faz prova irrefutável da disponibilidade de recursos em caixa para as aplicações feitas; h) que a sobra de recursos disponíveis para aplicação supera em muito os saldos credores indicados na conta caixa, tornando estes últimos quase que irrelevantes; i) que a documentação constante dos próprios autos ilide a presunção de omissão de receita, pois comprova cabalmente que a Recorrente declarou ter disponível muito mais recursos que aqueles aplicados, ainda que se somem os saldos credores da conta “caixa”; j) que, ao lado da conta contábil “caixa”, existe também a conta “bancos”, que deve ser considerada em conjunto; k) que a existência de um saldo bancário superior ao saldo negativo em caixa denota a existência de recursos suficientes para justificar a utilização daqueles valores; l) que, comprovado que a conta “bancos” suporta o suposto estouro de caixa, é necessário que isso seja levado em consideração; m) que a fiscalização, em vez de considerar somente o maior valor lançado como saldo credor de caixa no ano, fez operações matemáticas que resultaram no lançamento de um saldo credor maior que o ápice apontado no ano de 2000 (R$ 529.358,37, em outubro); n) que, assim, a rigor, apenas outubro de 2000 poderia ser considerado; o) que, no entanto, tendo em vista a decadência dos saldos existentes até junho do mesmo ano, a fiscalização deveria apenas diminuir de outubro o Fl. 263DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001717/200510 Acórdão n.º 180301.026 S1TE03 Fl. 231 6 saldo credor de R$ 153.385,00 (cento e cinquenta e três mil, trezentos e oitenta e cinco reais) ocorrido em junho, lançando apenas a diferença encontrada; e p) que, se no decorrer do julgamento do presente Recurso Voluntário, for proferida ou emitida Resolução do Senado Federal ou qualquer outro ato que venha a reconhecer, erga omnes, a inconstitucionalidade da exigência de Pis e Cofins sobre receitas não operacionais, requerse, desde já, que sejam excluídos do lançamento efetivado pela fiscalização os valores correspondentes, incidentes sobre receitas da Recorrente que não resultem do comércio de artefatos de vidro, já que este constitui o objeto social da Recorrente. Em mesa para julgamento. Fl. 264DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001717/200510 Acórdão n.º 180301.026 S1TE03 Fl. 232 7 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminar de decadência 4. A decadência é um preceito de ordem pública, que independe, para sua constatação, de a parte interessada apontála na Impugnação ou no Recurso. 5. Observase, de início, que, para o exercício de 2001, a opção de forma de tributação da Recorrente foi pelo Lucro Presumido (fls. 7), o qual possui fatos geradores trimestrais. Também se verifica, na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) respectiva, a apuração de impostos e contribuições a pagar (fls. 9 a 24), exceto no tocante ao Pis e à Cofins do mês de janeiro de 2000 (fls. 13 e 19). 6. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICarf), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 7. Relativamente à questão da decadência do lançamento do crédito tributário, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento Fl. 265DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001717/200510 Acórdão n.º 180301.026 S1TE03 Fl. 233 8 antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...]. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) 8. Por conseguinte, devem ser considerados decadentes o primeiro trimestre do anocalendário de 2000, para o IRPJ e a CSLL, e os meses de fevereiro a maio de 2000, para o Pis e a Cofins. Mérito 9. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. Fl. 266DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001717/200510 Acórdão n.º 180301.026 S1TE03 Fl. 234 9 10. Na Impugnação apresentada (fls. 84 a 115), tratouse exclusivamente dos seguintes tópicos: “MULTA, TAXA SELIC, INCONSTITUCIONALIDADE DA COFINS e A POSSIBILIDADE DE SE ANALISAR INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO” (fls. 85) e, ainda, a “aplicação da penalidade baseada em valores levantados por AMOSTRAGEM” (fls. 86). 11. Nesse sentido, o seguinte trecho do acórdão recorrido (fls. 156): Observese, de pronto, que, mais uma vez, o impugnante não traz qualquer prova da origem dos recursos que suportariam os pagamentos contabilizados no anocalendário 2000, subsistindo a conclusão de que eles, na parte em que superam os recursos de caixa disponíveis, provêm de receitas omitidas, o que gerou os saldos credores de caixa apurados pela fiscalização. Aliás, o contribuinte acaba por, indiretamente, admitir a existência de omissão de receitas, na medida em que se limita a questionar, timidamente, a presunção utilizada, sem nada opor quanto aos fatos indiciários apontados pela Fiscalização. 12. De todo modo, o alegado fato de a sobra de recursos disponíveis para aplicação (fluxo financeiro) superar, em muito, os saldos credores indicados na conta caixa, não tem qualquer relevância, já que, lá, se trabalha com saldos de contas a receber, saldos bancários, valores de empréstimos e de aplicações financeiras, entre outros itens, e, aqui, apenas com a movimentação do caixa. 13. Não obstante o acima exposto, constatase a existência de erro na apuração do saldo credor de caixa (fls. 60), como segue: Mês Saldo Credor Mat. tribut. mensal Mat. tribut. trimestral janeiro 17.670,78 17.670,78 fevereiro 31.261,00 13.590,22 março 43.964,11 12.703,11 43.964,11 abril 11.810,26 maio 124.475,83 112.665,57 junho 153.803,00 29.327,17 141.992,74 julho 158.385,87 4.582,87 agosto 488.697,27 330.311,40 setembro 329.643,52 334.894,27 outubro 529.358,37 199.714,85 novembro 319.354,44 dezembro 199.714,85 720.565,97 720.565,97 14. Conforme se verifica acima, o total tributado (R$ 720.565,97) supera, em muito, o valor do maior saldo credor de caixa do período (R$ 529.358,37), o qual seria um método alternativo de apuração dessa omissão de receita. 15. Retificandose referido levantamento, temse a seguinte planilha (as diferenças estão em negrito): Fl. 267DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001717/200510 Acórdão n.º 180301.026 S1TE03 Fl. 235 10 Mês Saldo Credor Mat. tribut. mensal Mat. tribut. trimestral janeiro 17.670,78 17.670,78 fevereiro 31.261,00 13.590,22 março 43.964,11 12.703,11 43.964,11 abril 11.810,26 maio 124.475,83 80.511,72 junho 153.803,00 29.327,17 109.838,89 julho 158.385,87 4.582,87 agosto 488.697,27 330.311,40 setembro 329.643,52 334.894,27 outubro 529.358,37 40.661,10 novembro 319.354,44 dezembro 40.661,10 529.358,37 529.358,37 Demais exigências 16. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para: 1) reconhecer a decadência do IRPJ e da CSLL, relativos ao primeiro trimestre do anocalendário de 2000; e do PIS e da COFINS, referentes aos meses de fevereiro a maio de 2000; 2) excluir da tributação do IRPJ e da CSLL os valores de R$ 32.153,85, no segundo trimestre, e R$ 159.053,75 no quarto trimestre; 3) excluir da tributação do PIS e da COFINS o montante de R$ 159.053,75, no mês de outubro de 2000. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 268DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 19515.002641/2004-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
DILIGÊNCIA. RETORNO.DESNECESSIDADE.
Considerando que a Auditora Fiscal já proveu os autos de informações suficientes para a análise do caso e tomada de decisão, desnecessária nova conversão do julgamento em diligência.
PEDIDO DE PERÍCIA.
Não cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, deve ser desconsiderado o pedido de perícia eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72.
DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS.
A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir.
SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão-somente sua transferência para o Fisco.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS DE VALORES EM CONTAS DE MESMA TITULARIDADE.
Se comprovado pelo contribuinte que houve transferência de mesma titularidade, deve o valor do depósito bancário decorrente desta transferência ser excluído da relação de depósitos de origem não comprovada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RETORNO DE VALOR A TÍTULO DE EMPRÉSTIMO.
Se comprovado pelo contribuinte que houve retorno de valor a titulo de empréstimo, sem ônus, deve o valor do depósito bancário ser excluído da relação de depósitos de origem não comprovada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AVISO DE CRÉDITO NÃO CARACTERIZA DE DEPÓSITO.
A informação constante em extrato bancário denominada "aviso de crédito" não pode ser compreendida como depósito bancário, devendo este valor ser excluído da relação de depósitos de origem não comprovada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PARCERIA AGRÍCOLA. RECLASSIFICAÇÃO. ATIVIDADE RURAL.
Comprovado que os depósitos bancários são decorrentes de contrato de parceria agrícola, devem ser considerados estes como rendimentos provenientes de atividade rural, reduzindo-se a base de cálculo do IRPF para 20%, em relação aos rendimentos omitidos.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. PREVISÃO LEGAL.
A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4.
Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-003.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, suscitada pelo Conselheiro Martin da Silva Gesto (Relator), vencidos também os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado). No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos os depósitos identificados como "transferência de mesma titularidade", "Recebimento de pró-labore", "Recebimento de Empréstimo pago" e "aviso de crédito", conforme tabela que consta do voto; e b) reclassificar os valores identificados como "parceria agrícola", para tributá-los como provenientes da atividade rural, à razão de 20% da receita bruta. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencido o Relator. O Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) não votou no mérito, por não estar presente a esta sessão, tendo proferido seu voto, quanto à preliminar, na sessão de 20/01/2017.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dilson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado, na sessão de 20/01/2017).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 DILIGÊNCIA. RETORNO.DESNECESSIDADE. Considerando que a Auditora Fiscal já proveu os autos de informações suficientes para a análise do caso e tomada de decisão, desnecessária nova conversão do julgamento em diligência. PEDIDO DE PERÍCIA. Não cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, deve ser desconsiderado o pedido de perícia eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão-somente sua transferência para o Fisco. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS DE VALORES EM CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Se comprovado pelo contribuinte que houve transferência de mesma titularidade, deve o valor do depósito bancário decorrente desta transferência ser excluído da relação de depósitos de origem não comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RETORNO DE VALOR A TÍTULO DE EMPRÉSTIMO. Se comprovado pelo contribuinte que houve retorno de valor a titulo de empréstimo, sem ônus, deve o valor do depósito bancário ser excluído da relação de depósitos de origem não comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AVISO DE CRÉDITO NÃO CARACTERIZA DE DEPÓSITO. A informação constante em extrato bancário denominada "aviso de crédito" não pode ser compreendida como depósito bancário, devendo este valor ser excluído da relação de depósitos de origem não comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PARCERIA AGRÍCOLA. RECLASSIFICAÇÃO. ATIVIDADE RURAL. Comprovado que os depósitos bancários são decorrentes de contrato de parceria agrícola, devem ser considerados estes como rendimentos provenientes de atividade rural, reduzindo-se a base de cálculo do IRPF para 20%, em relação aos rendimentos omitidos. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. PREVISÃO LEGAL. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte
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RETORNO.DESNECESSIDADE. Considerando que a Auditora Fiscal já proveu os autos de informações suficientes para a análise do caso e tomada de decisão, desnecessária nova conversão do julgamento em diligência. PEDIDO DE PERÍCIA. Não cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, deve ser desconsiderado o pedido de perícia eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tãosomente sua transferência para o Fisco. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 41 /2 00 4- 69 Fl. 3876DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.877 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS DE VALORES EM CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Se comprovado pelo contribuinte que houve transferência de mesma titularidade, deve o valor do depósito bancário decorrente desta transferência ser excluído da relação de depósitos de origem não comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RETORNO DE VALOR A TÍTULO DE EMPRÉSTIMO. Se comprovado pelo contribuinte que houve retorno de valor a titulo de empréstimo, sem ônus, deve o valor do depósito bancário ser excluído da relação de depósitos de origem não comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AVISO DE CRÉDITO NÃO CARACTERIZA DE DEPÓSITO. A informação constante em extrato bancário denominada "aviso de crédito" não pode ser compreendida como depósito bancário, devendo este valor ser excluído da relação de depósitos de origem não comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PARCERIA AGRÍCOLA. RECLASSIFICAÇÃO. ATIVIDADE RURAL. Comprovado que os depósitos bancários são decorrentes de contrato de parceria agrícola, devem ser considerados estes como rendimentos provenientes de atividade rural, reduzindose a base de cálculo do IRPF para 20%, em relação aos rendimentos omitidos. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. PREVISÃO LEGAL. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 3877DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.878 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, suscitada pelo Conselheiro Martin da Silva Gesto (Relator), vencidos também os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado). No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos os depósitos identificados como "transferência de mesma titularidade", "Recebimento de prólabore", "Recebimento de Empréstimo pago" e "aviso de crédito", conforme tabela que consta do voto; e b) reclassificar os valores identificados como "parceria agrícola", para tributálos como provenientes da atividade rural, à razão de 20% da receita bruta. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencido o Relator. O Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) não votou no mérito, por não estar presente a esta sessão, tendo proferido seu voto, quanto à preliminar, na sessão de 20/01/2017. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dilson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado, na sessão de 20/01/2017). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 19515.002641/200469, em face do acórdão da DRJ de origem, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Cons. Antonio Lopo Martinez, quando da Resolução nº 2202000.584, de 16 de julho de 2014, que assim os relatou: "Em desfavor da contribuinte, WILSON DISSENHA, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física dos anos calendário 1999 a 2001 que resultou num crédito tributário no montante de R$ 49.094.154,78, sendo R$ 20.720.832,40 de Fl. 3878DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.879 4 imposto, R$ 15.540.624,28 de multa de ofício, R$ 12.832.698,10 de juros de mora calculados até 29/10/2004, fls. 1116/1124. A fiscalização teve início em 09/02/04, fl. 07, com o Termo de Início de Fiscalização de fls. 04/05 no qual o fiscalizado foi intimado a apresentar diversos documentos comprobatórios relativos às suas declarações dos anoscalendário 1999 a 2001 no prazo de vinte dias. A autoridade fiscalizadora encerrou os trabalhos em 30/11/2004, após várias intimações ao contribuinte e às instituições financeiras, com o Termo de Verificação e Ação Fiscal de fls. 1102/1115. No mesmo dia, foi lavrado o auto de infração de fls. 1116/1124 do qual o contribuinte foi cientificado em 30/11/2004, fls. 1128. O Auto de Infração apurou omissão de rendimento caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada com os fatos geradores de fls 1121/1123, todos com aplicação da multa de ofício de 75%. O contribuinte apresentou sua impugnação, em 17/12/2004, fls. 1131/1160, com os argumentos que passamos a relatar, em síntese, na ordem na qual foram insertos no documento de defesa. Inicia referindose ao princípio da legalidade tributária e concluindo que o contribuinte está vinculado à obediência da lei e nunca da força como é o caso de apurar tributo por meio de mera presunção, sendo que esta seria incapaz de ensejar a exigência de qualquer crédito tributário. Teria empenhado todos os esforços no sentido de obter cópias dos extratos bancários e de aferir toda a movimentação financeira neles constantes antes de submetêlos à apreciação fiscal. Com isso, pretendia expurgar as meras transferências de numerário entre as diferentes contas em seu nome. Nesse sentido, junta planilhas que demonstrariam que o montante da movimentação financeira seria de R$ 26.928.000,71 e não de R$ 75.348.481,44 como alegou a autoridade fiscal. Ressalta que mesmo quanto a esse valor não concorda com o lançamento pelos argumentos que seguem. Os depósitos bancários indicam uma movimentação financeira inflada, uma vez que valores depositados e depois sacados poderão, posteriormente, retornar para o mesmo contribuinte. Exatamente isso teria ocorrido quando da devolução de empréstimos para as empresas das quais o impugnante é acionista. Argumenta que o fisco, ao exigir comprovação dos depósitos, ignora o fato de as pessoas físicas não estarem obrigadas a manter contabilidade regular como no caso das pessoas jurídicas. A utilização de mera presunção para embasar o lançamento, estaria ferindo a lei, conforme doutrina e jurisprudência que colaciona. Fl. 3879DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.880 5 Seria, no seu entender, vedada presunção de tão desabusado te/or/quanto o que foi utilizado pela fiscalização. Estaria sendo exigido do contribuinte a produção de prova negativa que é, como se sabe, extremamente tormentosa. Junta jurisprudência sobre o ônus da prova do poder tributante e conclui, baseado nessas premissas, que o fisco deve valerse de autorização judicial para utilizar informações obtidas das instituições financeiras. Segue, então, com jurisprudência sobre o sigilo bancário para afirmar que nem mesmo sob a égide da LC 105/2001 podese admitir a quebra do sigilo bancário pelo fisco. Destaca que os atos autorizados ao Fisco pela LC 105/2001 não são atos administrativos discricionários constitucionalmente admissíveis por ofenderem direitos e garantias individuais. Depois de argumentar com a inafastabilidade do controle jurisdicional para os atos relativos à quebra de sigilo bancário, conclui que os extratos bancários são inócuos para a aferição da renda não declarada e que contrariam a lei. O lançamento estaria em desacordo com o art. 43 do CTN, uma vez que depósitos bancários não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. Multa de ofício A multa de ofício aplicada não seria razoável e proporcional conforme já vem decidindo o STF e o STJ. Taxa Selic Insurgese contra a aplicação da Taxa Selic para o cálculo dos juros de mora. No seu entendimento, o art. 161 do CTN não ampara a aplicação de tal taxa como juros de mora devido ao fato da Taxa Selic ter caráter remuneratório. 12%. mora. Cita, também, o art. 192, §3° da Constituição que limita a cobrança de juros em Assim, protesta pela aplicação do percentual máximo de 1% como juros de Prova pericial e novos documentos; Requer, ao final, a produção de prova pericial e juntada de novos documentos. A DRJ julga a impugnação procedente a impugnação, nos termos da ementa a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física Anocalendário: 1999, 2000, 2001 Ementa: Fl. 3880DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.881 6 PEDIDO DE PERÍCIA Não cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, deve ser desconsiderado o pedido de perícia eventualmente feito, conforme art. 16, § 1o do Decreto 70.235/72. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1 o da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. SIGILO BANCÁRIO. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A partir de 01/01/1997, a Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titulada conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil/e/idônea, a origem dos recursos creditados em surf conta de depósito ou de investimento. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. PREVISÃO LEGAL. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Lançamento Procedente Fl. 3881DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.882 7 Intimado em 06/09/2006, o sujeito passivo irresignado interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, para cujo seguimento foi apresentado o arrolamento de bens exigidos pelo artigo 33, §§ 2o e 3o , do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, com as alterações da Lei n° 10.522, de 19/07/2002. Na petição o recorrente apresenta considerações de defesa que, em apertada síntese, são a seguir expendidas: I nulidade da decisão de primeira instância que, ao invés de simplesmente indeferir as provas requeridas deveria ter permitido a ampla instrução probatória e a realização de perícia, e por não ter analisado todas as razões de defesa, deixando de se manifestar quanto à inconstitucionalidade da Lei Complementar n° 105, de 2001; II nulidade do auto de infração, por ter sido quebrado o sigilo sem prévia autorização do Poder Judiciário; III impropriedade do auto de infração, vez que, a movimentação bancária jamais se traduziria em receita para justificar o lançamento; IV considerados os valores declarados como tributáveis acrescidos/diminuídos das variações patrimoniais ocorridas ano a ano, justificam a origem dos depósitos pelos respectivos montantes aferidos, bem como os valores efetivamente transferidos entre contas do mesmo titular, indicariam valores muito menores que os levantados pelo fisco; V ademais, em se tratando de depósitos efetuados em contas bancárias, se for ignorado o destino dado aos recursos retirados através de cheques, estarseá esquecendo que esses valores, depois de colocados em circulação, para as mais diversas finalidades, podem retomar à disponibilidade do titular da conta e, assim, serem novamente depositados, o que deixa claro que o caminho adotado pelo fisco é equivocado, por ensejar a repetição de valores de uma única origem, mas em momentos distintos; VI as declarações de rendimentos por ele apresentadas demonstram a absoluta regularidade da sua situação econômica, onde as variações patrimoniais se mostram compatíveis com a receita aferida, não revelando qualquer sinal exterior de riqueza que justifique a presunção da renda; VII a multa aplicada ao lançamento não é razoável e não guarda proporcionalidade com a infração; VIII a utilização da taxa de juros remuneratórios como sendo taxa de juros moratórios viola o disposto no artigo 161, § 1º do Código Tributário Nacional. Os membros da sexta câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes resolveram, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a autoridade autuante Fl. 3882DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.883 8 aprecie a documentação extemporaneamente juntada ao recurso voluntário (fls. 1.267 a 3.122) e identifique: 1) os depósitos bancários oriundos de transferências entre contas de mesma titularidade; 2) os rendimentos provenientes de pro labore que transitaram pelas contas de depósitos, informando se estes foram ofertados à tributação; 3) as receitas da atividade rural que transitaram pelas contas depósitos, informando se estas foram ofertadas à tributação; 4) os rendimentos decorrentes de empréstimos efetuados pelo recorrente (acionista) à empresa Madepar, informando se os juros foram ofertados à tributação. A autoridade autuante deve apreciar a eventual documentação remanescente, tomando todas as diligências necessárias para a identificação da matéria tributável constante nestes autos. Por fim, deve produzir relatório circunstanciado dos trabalhos aqui determinados, assinando prazo de 30 dias para que o recorrente se manifeste sobre o resultado da diligência. A autoridade fiscalizadora realiza a diligência e apresenta as fls.3214 a 3227, o relatório de diligência onde entende que o lançamento formalizado deve ser considerado procedente. O recorrente apresenta suas contrarazões às fls. 3228 a 3238, aos argumentos esboçados no termo de verificação fiscal. Alerta principalmente que a autoridade fiscal não teria realizado a diligência solicitada, e teria se limitado a emitir a sua opinião sobre os pontos abordados." A Resolução nº 2202000.584, de 16 de julho de 2014, contou com o seguinte voto: " O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O recorrente com o seu recurso apresentou mais de 2000 folhas nas quais almeja demonstrar uma parte dos depósitos bancário, entende que estaria demonstrando aquilo que foi requisitado para autoridade fiscalizadora. A Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em decisão por maioria de votos solicitou a realização de diligência buscando que a autoridade lançadora aprecie o documentos anexados e emita parecer circunstanciado e conclusivo, formulando alguma questões específicas. A diligência foi realizada e o relatório de referido procedimento é apresentado às fls. 3214 a 3227, onde a autoridade responde, no seu entender, a cada uma das questões formuladas pela autoridade fiscal. Fl. 3883DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.884 9 O recorrente entende que as questões formuladas pela sexta câmara não foram respondidas a contento pois o recorrente não teria identificado precisamente os itens solicitados pela resolução proposta pela Sexta Câmara. A partir daí através de sua argumentação das fls. 3230 a 3238, faz a sua leitura da provas e como os elementos presentes nos autos seriam suficientes para demonstrar a origem dos depósitos bancários. Entretanto, a sua argumentação não faz referência individualizada aos documentos (e suas folhas) presentes nos autos, indica que os mesmo estariam presente entre a vasta documentação acostada mas não os explicita, o que dificulta de maneira certa e incontestável a sua apreciação, dado o montante de documentos presentes nos autos, trazidos pelo próprio recorrente. Não há como se negar que em se tratando de lançamento baseado em depósitos bancários, é função do contribuinte demonstrar a origem, não cabendo ao fisco o dever de produzir prova ao favor do deste. Cabe ao recorrente, produzir a prova convincente e idônea, individualizada de cada depósito. Em suma, para evitar argumentos de cerceamento de direito de defesa, entendo que o recorrente poderá ter seus argumentos reapreciados, entretanto cabe a ele provar o que alega, com documentos que respaldem de modo individualizado cada um dos depósitos que foram objeto do lançamento. Diante dos fatos, e tendo em vista a documentação acostada quando da interposição do recurso (quase 2000 folhas), bem como para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido mais uma vez em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providências: 1) Intimar o contribuinte a elaborar uma planilha/quadros no prazo de 20 (dias) explicativa que correlacione os documentos que anexou aos autos, e os argumentos suscitados no recurso, com os depósitos bancários que estão sendo objeto do lançamento, discriminando argumentos com folhas e razões para exclusão. A origem dos depósitos bancários devem ser demonstrados individualizadamente, sendo essa uma competência do recorrente. O prazo poderá ser prorrogado pela autoridade fiscal, caso se justifique. 2) Que a autoridade fiscal se manifeste, em parecer conclusivo, sobre a planilha/quadros elaborados, documentos relacionados e esclarecimentos prestados, sobre a possível comprovação dos depósitos questionados, dandose vista a recorrente, com prazo de 10 (dez) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto." (grifos originais) Fl. 3884DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.885 10 O Relatório Fiscal, às fls. 3.364/3.366, é no seguinte sentido: É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Fl. 3885DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.886 11 O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Consoante se verifica, o julgamento foi convertido em diligência, para que seja procedido o seguinte: "1) Intimar o contribuinte a elaborar uma planilha/quadros no prazo de 20 (dias) explicativa que correlacione os documentos que anexou aos autos, e os argumentos suscitados no recurso, com os depósitos bancários que estão sendo objeto do lançamento, discriminando argumentos com folhas e razões para exclusão. A origem dos depósitos bancários devem ser demonstrados individualizadamente, sendo essa uma competência do recorrente. O prazo poderá ser prorrogado pela autoridade fiscal, caso se justifique. 2) Que a autoridade fiscal se manifeste, em parecer conclusivo, sobre a planilha/quadros elaborados, documentos relacionados e esclarecimentos prestados, sobre a possível comprovação dos depósitos questionados, dandose vista a recorrente, com prazo de 10 (dez) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento." (grifouse) Contudo, a AuditoraFiscal, no Relatório Fiscal, entendeu por: "(...) nesta fase processual impõese somente examinar as cópias dos documentos anexados pelo recorrente aos autos em 23/04/2007 (após a decisão de primeira instância) juntamente com os argumentos constantes da planilha apresentada e, esclarecese que o presente trabalho atevese ao exame individual da argumentação, com base nas planilhas elaboradas pelo Autor do Feito, inclusive, com relação aos cheques devolvidos e estornos de valores, que integram o Auto de Infração (Processo físico fls. 936 a 1.124). Ressaltando que a análise conclusiva não será objeto deste procedimento fiscal de diligência a teor da definição estabelecida no art. 3ºII da Portaria RFB nº 1.687/2014". Portanto, temos que a diligência não foi realizada, pois, além de não terem sido analisados todos os documentos relacionados e prestados, deixouse de ser apresentado pela autoridade preparadora o parecer conclusivo requisitado. Ante o exposto, voto no sentido de ser convertido novamente em diligência para que a repartição de origem tome a seguinte providência: 1. Que a autoridade fiscal se manifeste, em parecer conclusivo, sobre a planilha/quadros elaborados, documentos relacionados e esclarecimentos prestados, sobre a possível comprovação dos depósitos questionados, dandose vista a recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para se pronunciar, querendo. 2. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. Fl. 3886DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.887 12 Sendo vencido quanto a conversão de diligência, passo a análise das preliminares suscitadas pelo contribuinte, bem como dos pedidos quanto ao mérito do recurso voluntário (fls. 1233/1266 do arquivo PDF). 1 Preliminares 1.1 Das provas, perícia e da falta de análise de razões de defesa A perícia e as diligências requeridas são indeferidas, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratarem de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Além disso, não foram cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, o que resulta na desconsideração do pedido eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72. Portanto, improcedente tal pedido. Por sua vez, a solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Portanto, improcedente tal pedido. Por fim, quanto a preliminar de que houve falta de análise de razões de defesa, verifico que também não procede. Há na verdade inconformismo do recorrente com o julgamento de sua impugnação, que foi contrária aos seus pedidos. Ante o exposto, rejeito as preliminares suscitadas pelo contribuinte. 2 Mérito Primeiramente, quanto aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário e anexados aos autos em diligências posteriores determinadas por este Conselho, entendo que devem ser recebidos como prova do alegado, por força do princípio da verdade material e formalismo moderado. 1. Sigilo bancário Alega o Recorrente que a Fiscalização violou a sua garantia constitucional de inviolabilidade da vida privada, no curso da ação fiscal, ao providenciar a quebra do sigilo bancário do Impugnante, haja vista que somente o Poder Judiciário teria competência para determinar a quebra do sigilo bancário. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu na sessão de 24.02.2016 o julgamento conjunto de cinco processos (ADIs 2397 2386, 2389, 2390, 2397 e 2406) que questionavam dispositivos da Lei Complementar nº 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. No referido julgado, por maioria de votos prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de Fl. 3887DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.888 13 informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Além disso, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por tais razões, não merece provimento o recurso da contribuinte quanto a este ponto. 2. Alegações de inconstitucionalidade Conforme acima mencionado, nos termos da Súmula CARF nº 02, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada pela contribuinte. 3. Depósitos bancários A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Estabelece o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 que: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano Fl. 3888DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.889 14 calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Entendo que o contribuinte demonstrou, de forma individualizada, a origem de parte de seus depósitos, consoante quadro abaixo: Ano 1999: Banco Data Valor Fls. planilha Fls. comprovação Motivo Banco do Brasil, ag. 2077, conta 50911 03/08/1999 R$ 59.443,92 3275 189 Crédito para pagamento de empréstimo Banco do Brasil, ag. 2077, conta 50911 29/10/1999 R$ 42.600,00 3275 192 Crédito para pagamento de empréstimo Unibanco, ag. 0393, Conta 115.7873 04/01/1999 R$ 1.000.000,00 3275 1306/1309 Transferência mesma titularidade Itaú, ag. 0668, conta 000029 10/05/1999 R$ 7.000,00 3283 1327/1330 Transferência mesma titularidade Itaú, ag. 0668, conta 00002 20/09/1999 R$ 5.000,00 3284 1331/1336 Transferência mesma titularidade Itaú, ag. 0668, conta 00002 23/09/1999 R$ 5.000,00 3284 1331/1336 Transferência mesma titularidade Itaú, ag. 0668, conta 00002 16/11/1999 R$ 60.000,00 3284 1337/1339 Transferência mesma titularidade Itaú, ag. 0668, conta 00002 10/12/1999 R$ 30.000,00 3285 1340/1343 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 04/01/1999 R$ 800.000,00 3285 1356/1361 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 08/01/1999 R$ 150.000,00 3285 1362/1364 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 21/01/1999 R$ 50.000,00 3286 1365/1367 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 17/02/1999 R$ 130.000,00 3287 1368/1370 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 10/03/1999 R$ 40.000,00 3288 1371/1373 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 12/03/1999 R$ 100.000,00 3288 1374/1376 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 16/03/1999 R$ 50.000,00 3288 1377/1380 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 22/03/1999 R$ 50.000,00 3289 1380/1381 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 12/04/1999 R$ 30.000,00 3290 1382/1384 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 14/04/1999 R$ 50.000,00 3290 1385/1388 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 15/04/1999 R$ 20.000,00 3290 1385/1388 Transferência mesma titularidade Fl. 3889DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.890 15 Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 05/05/1999 R$ 40.000,00 3291 1369/1392 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 06/05/1999 R$ 25.000,00 3291 1392/1395 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 06/05/1999 R$ 50.000,00 3291 2901/2902 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 01/06/1999 R$ 25.000,00 3292 1396/1399 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 02/06/1999 R$ 30.000,00 3292 1396/1399 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 07/07/1999 R$ 2.800,00 3294 2818 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 27/06/1999 R$ 50.000,00 3297 1400/1403 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 31/08/1999 R$ 200.000,00 3297 1400/1403 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 08/09/1999 R$ 50.000,00 3297 1404/1406 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 15/09/1999 R$ 100.000,00 3298 1406/1409 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 19/10/1999 R$510.000,00 3299 1410/1414 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 29/10/1999 R$ 230.000,00 3300 1415/1419 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 04/11/1999 R$ 125.000,00 3300 1420/1428 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 04/11/1999 R$ 50.000,00 3300 1425/1429 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 10/11/1999 R$ 100.000,00 3301 2901/2902 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 12/11/1999 R$ 87.000,00 3301 1429/1434 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 16/11/1999 R$ 270.000,00 3301 1434/1438 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 17/11/1999 R$ 60.000,00 3301 1429/1441 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 18/11/1999 R$ 10.000,00 3301 1442/1445 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 24/11/1999 R$ 205.000,00 3301 2820 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 26/11/1999 R$ 120.000,00 3302 1445/1448 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 26/11/1999 R$ 18.500,00 3302 2821 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 30/11/1999 R$ 148.500,00 3302 1448/1453 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 01/12/1999 R$ 17.000,00 3302 2822 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 03/12/1999 R$ 65.000,00 3302 1453/1458 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 06/12/1999 R$ 25.000,00 3302 1458/1461 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 07/12/1999 R$ 60.000,00 3303 2924 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 08/12/1999 R$ 12.500,00 3303 2825 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 09/12/1999 R$ 25.500,00 3303 2826 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 10/12/1999 R$ 15.000,00 3303 1462/1465 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 10/12/1999 R$ 60.000,00 3303 2901/2902 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 10/12/1999 R$ 30.000,00 3303 2901/2902 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, 13/12/1999 R$ 68.500,00 3303 2827 Recebimento de Empréstimo pago por Fl. 3890DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.891 16 conta 32.5112. Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 14/12/1999 R$ 119.000,00 3303 1466/1470 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 15/12/1999 R$ 8.000,00 3303 2829 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 16/12/1999 R$ 90.500,00 3303 1470/1476 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 04/01/1999 R$ 10.047,59 3304 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 01/02/1999 R$ 10.052,80 3304 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 01/03/1999 R$ 10.052,80 3304 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 05/04/1999 R$ 10.052,80 3304 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 03/05/1999 R$ 10.052,80 3304 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 01/06/1999 R$ 10.052,80 3304 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 01/07/1999 R$ 10.055,23 3304 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 02/08/1999 R$ 10.055,23 3304 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 01/09/1999 R$ 10.055,23 3304 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 01/10/1999 R$ 10.055,23 3304 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 03/11/1999 R$ 10.055,23 3304 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 24/11/1999 R$ 10.000,00 3304 1350/1353 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 01/12/1999 R$ 10.055,23 3305 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 22/12/1999 R$ 15.000,00 3305 691 Transferência mesma titularidade Ano 2000: Banco Data Valor Fls. planilha Fls. comprovação Motivo Banco do Brasil, ag. 2077, conta 50911 01/08/2000 R$ 62.000,00 3306 204 Não é depósito. É "aviso de crédito". Banco do Brasil, ag. 2077, conta 50911 02/08/2000 R$ 62.000,00 3306 1898/1901 Transferência mesma titularidade Banco do Brasil, ag. 2077, conta 50911 31/10/2000 R$ 40.000,00 3306 1902/1904 Transferência mesma titularidade Unibanco, ag. 0393, conta 115.7873 05/01/2000 R$ 585.000,00 3306 1907/1910 Transferência mesma titularidade Unibanco, ag. 0393, conta 115.7873 16/02/2000 R$ 400.000,00 3306 1911/1912 Transferência mesma titularidade Safra, ag. 03000, conta 018.7173 05/01/2000 R$ 850.000,00 3310 1914/1915 Transferência mesma titularidade Itaú, ag. 0668, conta 000029 06/01/2000 R$ 10.000,00 3315 1922/1924 Transferência mesma titularidade Itaú, ag. 0668, conta 000029 10/01/2000 R$ 10.000,00 3315 1925/1927 Transferência mesma titularidade Itaú, ag. 0668, conta 000029 11/01/2000 R$ 30.000,00 3315 1928/1929 Transferência mesma titularidade Itaú, ag. 0668, conta 000029 10/11/2000 R$ 13.000,00 3316 1930/1932 Transferência mesma titularidade Itaú, ag. 0668, conta 000029 06/12/2000 R$ 18.000,00 3316 1933/1935 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, 03/01/2000 R$ 15.000,00 3316 1478/1482 Transferência mesma titularidade Fl. 3891DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.892 17 conta 32.5112 Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 05/01/2000 R$ 67.500,00 3316 1483/1487 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 05/01/2000 R$ 38.000,00 3316 1969/1971 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 10/01/2000 R$ 23.000,00 3316 1488/1490 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 11/01/2000 R$ 44.000,00 3316 1972/1974 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 12/01/2000 R$ 34.000,00 3316 1975/1977 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 14/01/2000 R$ 15.000,00 3317 1978/1980 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 21/01/2000 R$ 30.000,00 3317 1981/1983 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 24/01/2000 R$ 87.000,00 3317 1491/1495 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 24/01/2000 R$ 10.000,00 3317 1984/1986 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 26/01/2000 R$ 9.000,00 3317 1987/1989 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/01/2000 R$ 120.000,00 3317 1498/1500 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 01.02.2000 R$ 12.000,00 3317 1990/1992 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 03/02/2000 R$ 79.000,00 3317 e 3318 1993/1995 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 04/02/2000 R$ 135.000,00 3318 1501/1505 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 08/02/2000 R$ 147.000,00 3318 1506/1510 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 11/02/2000 R$ 40.000,00 3318 1996/1998 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 15/02/2000 R$ 36.000,00 3318 1999/2001 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 16/02/2000 R$ 130.000,00 3318 1511/1515 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 18/02/2000 R$ 28.000,00 3318 2002/2004 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 22/02/2000 R$ 118.500,00 3319 1516/1520 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 23/02/2000 R$ 11.000,00 3319 2005/2008 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 24/02/2000 R$ 15.000,00 3319 2005/2008 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/02/2000 R$ 75.000,00 3319 1521/1525 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 01/02/2000 R$ 12.000,00 3319 2009/2011 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 03/03/2000 R$ 30.000,00 3319 1526/1527 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 03/03/2000 R$ 54.000,00 3319 2012/2013 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 08/03/2000 R$ 40.000,00 3319 1528/1530 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 08/03/2000 R$ 15.000,00 3319 2014/2016 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 09/03/2000 R$ 112.000,00 3319 1531/1535 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 10/03/2000 R$ 46.000,00 3320 1536/1540 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 14/03/2000 R$ 67.000,000 3320 1541/1554 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 15/03/2000 R$ 73.000,00 3320 2017/2019 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Fl. 3892DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.893 18 Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 16/03/2000 R$ 79.000,00 3320 1547/1551 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 20/03/2000 R$ 44.000,00 3320 2020/2022 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 22/03/2000 R$ 84.000,00 3320 1552/1558 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 23/03/2000 R$ 28.000,00 3320 2023/2025 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 24/03/2000 R$ 69.000,00 3320 1559/1563 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 27/03/2000 R$ 30.000,00 3321 1564/1566 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/03/2000 R$ 71.000,00 3321 1567/1569 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/03/2000 R$ 30.000,00 3321 2028/2030 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 29/03/2000 R$ 50.000,00 3321 1570/1575 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 31/03/2000 R$ 285.000,00 3321 1576/1580 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 04/04/2000 R$ 60.000,00 3321 2031/2033 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 05/04/2000 R$ 128.000,00 3321 1581/1585 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 07/04/2000 R$ 43.000,00 3322 1588/1590 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 11/04/2000 R$ 133.000,00 3322 1591/1595 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 17/04/2000 R$ 88.000,00 3322 1596/1600 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 20/04/2000 R$ 140.000,00 3323 1600/1604 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/04/2000 R$ 113.000,00 3323 1605/1608 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 04/05/2000 R$ 50.000,00 3323 1609/1610 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 10/05/2000 R$ 406.000,00 3324 1611/1615 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 19/05/2000 R$ 285.000,00 3324 1616/1620 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 31/05/2000 R$ 360.000,00 3325 1621/1626 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 08/06/2000 R$ 126.000,00 3326 1627/1629 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 08/06/2000 R$ 81.000,00 3326 1630/1632 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 12/06/2000 R$ 97.000,00 3326 1633/1637 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 14/06/2000 R$ 30.000,00 3326 1638/1640 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 12/06/2000 R$ 230.000,00 3326 1641/1643 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 16/06/2000 R$ 83.000,00 3326 1644/1648 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 21/06/2000 R$ 101.000,00 3326 1649/1653 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 26/06/2000 R$ 12.750,00 3327 2034/2036 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 27/06/2000 R$ 141.000,00 3327 1654/1658 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 04/07/2000 R$ 116.000,00 3327 1659/1663 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 10/07/2000 R$ 40.000,00 3328 1663/1666 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, 10/07/2000 R$ 45.000,00 3328 1667/1671 Transferência mesma titularidade Fl. 3893DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.894 19 conta 32.5112 Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 11/07/2000 R$ 345.000,00 3328 1672/1673 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 12/07/2000 R$ 50.000,00 3328 1674/1678 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 12/07/2000 R$ 50.000,00 3328 1948/1950 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 13/07/2000 R$ 21.000,00 3328 1679/1683 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 14/07/2000 R$ 8.000,00 3328 1684/1687 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 17/07/2000 R$ 10.000,00 3328 1684/1687 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 17/07/2000 R$ 13.000,00 3328 1689/1691 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 21/07/2000 R$ 100.000,00 3328 1692/1694 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 25/07/2000 R$ 22.000,00 3329 1695/1697 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 25/07/2000 R$ 59.000,00 3329 1698/1700 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 27/07/2000 R$ 41.000,00 3329 1701/1705 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 04/08/2000 R$ 153.000,00 3329 1706/1710 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 10/08/2000 R$ 91.000,00 3329 1711/1713 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 14/08/2000 R$ 31.000,00 3330 1715/1716 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 14/08/2000 R$ 31.000,00 3330 1717/1719 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 14/08/2000 R$ 200.000,00 3330 1951/1953 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 16/08/2000 R$ 19.000,00 3330 1720/1722 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 16/08/2000 R$ 84.000,00 3330 1723/1725 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 21/08/2000 R$ 42.000,00 3330 1726/1728 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 21/08/2000 R$ 27.000,00 3330 1729/1731 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 24/08/2000 R$ 123.000,00 3330 1732/1735 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 29/08/2000 R$ 76.000,00 3331 1736/1738 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 29/08/2000 R$ 30.000,00 3331 1739/1741 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 05/09/2000 R$ 38.000,00 3331 1742/1744 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 05/09/2000 R$ 68.000,00 3331 1745/1747 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 11/09/2000 R$ 69.000,00 3331 1748/1750 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 11/09/2000 R$ 58.000,00 3331 1751/1753 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 12/09/2000 R$ 115.000,00 3331 e 3332 1754/1758 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 19/09/2000 R$ 63.700,00 3332 1761/1763 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 19/09/2000 R$ 46.500,00 3332 1764/1766 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 22/09/2000 R$ 80.600,00 3332 1767/1769 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 26/09/2000 R$ 87.000,00 3332 1770/1772 Transferência mesma titularidade Fl. 3894DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.895 20 Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 03/10/2000 R$ 85.700,00 3333 1773/1775 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 05/10/2000 R$ 140.000,00 3333 1776/1778 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 10/10/2000 R$ 61.000,00 3334 1778/1781 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 10/10/2000 R$ 38.000,00 3334 1782/1784 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 17/10/2000 R$ 223.800,00 3334 1786/1789 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 24/10/2000 R$ 111.700,00 3334 1790/1794 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 26/10/2000 R$ 45.500,00 3334 1795/1797 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 30/10/2000 R$ 50.200,00 3335 1798/1800 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 31/10/2000 R$ 10.000,00 3335 1801/1803 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 31/10/2000 R$ 97.000,00 3335 1804/1808 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 08/11/2000 R$ 184.200,00 3335 1908/1813 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 13/11/2000 R$ 71.700,00 3335 1814/1818 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 16/11/2000 R$ 73.20000 3336 1819/1823 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 22/11/2000 R$ 199.000,00 3336 1824/1830 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/11/2000 R$ 227.900,00 3336 1831/1835 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 01/12/2000 R$ 48.000,00 3336 1836/1840 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 04/12/2000 R$ 39.300,00 3337 1841/1846 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 04/12/2000 R$ 200.000,00 3337 3076 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 04/12/2000 R$ 200.000,00 3337 3076 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 06/12/2000 R$ 75.500,00 3337 1847/1849 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 11/12/2000 R$ 30.000,00 3337 1850/1855 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 11/12/2000 R$ 50.000,00 3337 1954/1956 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 12/12/2000 R$ 295.000,00 3337 1856/1862 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 13/12/2000 R$ 10.000,00 3337 1663/1865 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 13/12/2000 R$ 100.000,00 3337 3077 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 14/12/2000 R$ 20.000,00 3337 1866/1870 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 14/12/2000 R$ 50.000,00 3337 1957/1959 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 15/12/2000 R$ 16.000,00 3338 1871/1873 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 15/12/2000 R$ 30.000,00 3338 1960/1962 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 18/12/2000 R$ 17.500,00 3338 1874/1878 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 18/12/2000 R$ 150.000,00 3338 3078 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 19/12/2000 R$ 70.100,00 3338 1879/1882 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, 20/12/2000 R$ 150.000,00 3338 3079 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Fl. 3895DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.896 21 conta 32.5112 Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 20/12/2000 R$ 21.200,00 3337 1883/1886 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 26/12/2000 R$ 80.000,00 3337 1887/1891 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/12/2000 R$ 205.000,00 3337 1892/1896 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/12/2000 R$ 145.000,00 3337 1963/1965 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/12/2000 R$ 400.000,00 3337 3080 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 03/01/2000 R$ 10.055,24 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 01/02/2000 R$ 10.062,14 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 01/03/2000 R$ 10.062,14 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 03/04/2000 R$ 10.062,14 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 10/04/2000 R$ 10.000,00 3339 1937/1940 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 02/05/2000 R$ 10.062,14 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 01/06/2000 R$ 12.382.14 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 16/06/2000 R$ 10.000,00 3339 2506/2546 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 03/07/2000 R$ 12.382.14 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 01/08/2000 R$ 4.772,14 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 02/08/2000 R$ 7.610,00 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 01/09/2000 R$ 12.382,14 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 02/10/2000 R$ 12.382,14 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 01/11/2000 R$ 12.382,14 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 01/12/2000 R$ 12.382,14 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore SP conta 70038519 42004 05/07/2000 R$ 300.000,00 3340 3035/3038 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982 SP conta 70038519 42004 06/07/2000 R$ 465.000,00 3340 3039/3042 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) SP conta 70038519 42004 18/07/2000 R$ 400.000,00 3340 3043/3045 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) SP conta 70038519 42004 02/08/2000 R$ 200.000,00 3340 3046/3049 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) SP conta 70038519 42004 07/08/2000 R$ 20.000,00 3340 3050/3053 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) SP conta 70038519 42004 23/08/2000 R$ 300.000,00 3340 3054/3057 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) SP conta 70038519 42004 13/09/2000 R$ 50.000,00 3340 3058/3061 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) SP conta 70038519 42004 21/09/2000 R$ 600.000,00 3340 3062/3064 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) SP conta 70038519 42004 28/09/2000 R$ 200.000,00 3340 3065/3068 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) SP conta 70038519 42004 02/10/2000 R$ 50.000,00 3340 3069/3072 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) SP conta 70038519 42004 30/10/2000 R$ 40.000,00 3340 3073/3075 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Fl. 3896DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.897 22 Ano 2001: Banco Data Valor Fls. planilha Fls. comprovação Motivo Banco do Brasil, ag. 2077, conta 50911 01/08/2001 R$ 61.000,00 3341 3000 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Banco do Brasil, ag. 2077, conta 50911 30/10/2001 R$ 78.500,00 3341 3005 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Itaú, ag. 0668, conta 000029 09/01/2001 R$ 10.000,00 3347 2494/2496 Transferência mesma titularidade Itaú, ag. 0668, conta 000029 08/03/2001 R$ 7.000,00 3347 2497/2497 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 02/01/2001 R$ 15.900,00 3348 2039/2041 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 02/01/2001 R$ 1.000.000,00 3348 2042/2043 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 09/01/2001 R$ 220.000,00 3348 2044/2048 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 15/01/2001 R$ 43.000,00 3349 2049/2051 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 09/01/2001 R$ 198.000,00 3349 2052/2056 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 23/01/2001 R$ 161.400,00 3349 2057/2061 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 26/01/2001 R$ 92.700,00 3349 2062/2056 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 31/01/2001 R$ 83.900,00 3350 2067/2069 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 09/02/2001 R$ 24.000,00 3350 2503/2505 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/05/2001 R$ 128.400,00 3355 2208/2212 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 08/06/2001 R$ 234.300,00 3356 2213/2219 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 13/06/2001 R$ 54.200,00 3356 2220/2222 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 20/06/2001 R$ 307.900,00 3356 2223/2225 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 22/06/2001 R$ 43.900,00 3356 2226/2228 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 26/06/2001 R$ 86.200,00 3356 2229/2232 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/06/2001 R$ 65.000,00 3356 2233/2239 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/06/2001 R$ 300.000,00 3356 2998 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 29/06/2001 R$ 90.200,00 3356 e 3357 2240/2244 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 03/07/2001 R$ 38.000,00 3357 2245/2249 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 06/07/2001 R$ 11400,00 3357 2250/2252 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 10/07/2001 R$ 55.600,00 3357 2253/2255 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 16/07/2001 R$ 77.400,00 3357 2256/2260 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 17/07/2001 R$ 70.000,00 3357 2261/2263 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 18/07/2001 R$ 32.700,00 3357 2263/2266 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 20/07/2001 R$ 68.000,00 3357 2267/2269 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 25/07/2001 R$ 58.500,00 3357 2270/2272 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, 27/07/2001 R$ 90.800,00 3358 2273/2277 Transferência mesma titularidade Fl. 3897DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.898 23 conta 32.5112 Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 31/07/2001 R$ 68.200,00 3358 2278/2282 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 02/08/2001 R$ 76.400,00 3358 2283/2285 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 08/08/2001 R$ 38.500,00 3358 2286/2288 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 13/08/2001 R$ 104.100,00 3358 2289/2293 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 16/08/2001 R$ 48.500,00 3358 2294/2296 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 02/10/2001 R$ 50.000,00 3359 3003 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 26/10/2001 R$ 80.000,00 3360 667 CPMF Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 06/11/2001 R$ 40.500,00 3360 2370/2372 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 02/01/2001 R$ 12.382,14 3361 2452/2454 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 01/02/2001 R$ 12.385,75 3361 2455/2457 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 07/02/2001 R$ 23.520,19 3332 2458/2459 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 01/03/2001 R$ 12.385,75 3362 2459/2461 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 02/04/2001 R$ 12.385,75 3362 2462/2464 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 02/05/2001 R$ 12.385,75 3362 2465/2467 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 01/06/2001 R$ 12.385,75 3362 2468/2470 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 02/07/2001 R$ 13.260,78 3362 2471/2473 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 01/08/2001 R$ 13.260,78 3362 2474/2476 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 03/09/2001 R$ 13.260,78 3362 2477/2479 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 01/10/2001 R$ 13.260,78 3362 2480/2482 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 01/11/2001 R$ 13.260,78 3362 2483/2485 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 01/08/2001 R$ 10.000,00 3362 2486/2487 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 03/12/2001 R$ 13.260,78 3362 2488/2490 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 07/12/2001 R$ 40.000,00 3362 2491/2492 Transferência mesma titularidade Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 03/01/2001 R$ 400.000,00 3362 2420/2423 Transferência mesma titularidade Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 11/01/2001 R$ 1740.000,00 3362 2424/2425 Transferência mesma titularidade Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 12/01/2001 R$ 400.000,00 3362 2426/2431 Transferência mesma titularidade Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 16/01/2001 R$ 80.000,00 3362 2986 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 16/01/2001 R$ 110.000,00 3362 2432/2433 Transferência mesma titularidade Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 01/02/2001 R$ 60.000,00 3362 2987 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Fl. 3898DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.899 24 Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 07/02/2001 R$ 300.000,00 3362 2989 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 14/02/2001 R$ 140.000,00 3362 2434/2437 Transferência mesma titularidade Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 21/02/2001 R$ 150.000,00 3362 2989 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 13/03/2001 R$ 150.000,00 3362 2990 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 16/03/2001 R$ 150.000,00 3362 2991 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 23/03/2001 R$ 10.000,00 3362 2992 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 10/04/2001 R$ 50.000,00 3363 2993 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 20/04/2001 R$ 270.000,00 3363 2994 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 27/04/2001 R$ 100.000,00 3363 2995 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 14/05/2001 R$ 200.000,00 3363 2996 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 17/05/2001 R$ 40380,75 3363 2438/2439 Transferência mesma titularidade Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 28/05/2001 R$ 200.000,00 3363 2997 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 16/07/2001 R$ 20.000,00 3363 2999 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 14/08/2001 R$ 180.000,00 3363 3001 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 03/09/2001 R$ 30.000,00 3363 3002 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 05/10/2001 R$ 164.575,00 3363 2440/2443 Transferência mesma titularidade Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 10/10/2001 R$ 200.000,00 3363 3004 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 30/10/2001 R$ 80.000,00 3363 2444/2447 Transferência mesma titularidade Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 01/11/2001 R$ 430.000,00 3363 3006 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 07/12/2001 R$ 88.160,00 3363 2448/2450 Transferência mesma titularidade Deste modo, verificase que foram relacionados depósitos pelos seguintes motivos: Fl. 3899DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.900 25 a) "Transferência de mesma titularidade". Por se tratar de transferência entre contas bancárias de mesmo titular, ou ainda, quando há comprovação de que houve resgate e posterior depósito pelo próprio contribuinte, não se verifica que há acréscimo patrimonial, logo, não há incidência de imposto de renda. Portanto, os depósitos acima relacionados que estão identificados como "transferência de mesma titularidade" devem ser excluídos da relação de omissão rendimentos. b) "Crédito para pagamento de empréstimo". O referido crédito não possui origem comprovada, somente a sua finalidade que foi (pagamento de empréstimo), logo há incidência de imposto de renda. Portanto, os depósitos acima relacionados que estão identificados como "Crédito para pagamento de empréstimo" devem ser mantidos da relação de omissão rendimentos. c) "Recebimento de Empréstimo pago". O recebimento de valor, a título de devolução de empréstimo, não caracteriza hipótese de incidência de imposto de renda. Portanto, os depósitos acima relacionados que estão identificados como "recebimento de Empréstimo pago" devem ser excluídos da relação de omissão rendimentos. d) "Recebimento de prólabore". O valor recebido a título de prólabore foram já oferecidos à tributação. Logo, os depósitos acima relacionados que estão identificados como "Recebimento de prólabore" devem ser excluídos da relação de omissão rendimentos. e) "CPMF". Não verifiquei fundamento para excluir da relação de omissão rendimentos o valor de R$ 80.000,00, depositados na conta bancária nº 32.5112, agência 32638, banco Bradesco, identificado como "CPMF". Portanto, o depósito acima relacionado que está identificado como "CPMF" deve ser mantido da relação de omissão rendimentos. f) "aviso de crédito". O valor creditado na conta corrente nº 50911, agência 2077, do Banco do Brasil, no valor de R$ 62.000,00, em 01/08/2000 não é deposito bancário, mas tão somente "aviso de crédito". Ainda, destaco que o valor foi efetivamente creditado na conta bancária do contribuinte no dia seguinte (02/08/2000). Logo, não pode ser mantido na relação de omissão rendimentos, devendo ser excluído desta, portanto. g) "Parceria Agrícola". Nos termos do art 4º do Estatuto da Terra, parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso especifico de imóvel rural, de parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, benfeitorias, outros bens e ou facilidades, com o objetivo de nele ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa vegetal ou mista; e ou lhe entrega animais para cria, recria, invernagem, engorda ou extração de matérias primas de origem animal, mediante partilha de riscos do caso fortuito e da força maior do empreendimento rural, e dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais da lei (artigo 96, VI do Estatuto da Terra). É o caso dos autos, consoante se verifica pelo contrato de fls. fls. 2979/2982. Deste modo, entendo por necessário reclassificar estes rendimentos como advindos da parceria agrícola em questão, ou seja, como provenientes da atividade rural, a qual possui uma tributação mais benéfica ao contribuinte. Assim, tendo o contribuinte demonstrado parcialmente o seu direito, merece acolhimento em parte o seu pedido. 4. Multa de 75% Fl. 3900DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.901 26 A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Além disso, conforme já referido nos termos da Súmula CARF nº 02, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho. Por tais razões, não merece provimento o recurso do contribuinte quanto a este ponto. 5. Taxa Selic Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Além disso, estabelece a Súmula CARF nº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Deste modo, não há como acolher a tese do recorrente, não merecendo provimento o recurso do contribuinte também quanto a esta matéria. 6. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, para rejeitar as preliminares e, no mérito, DAR parcial provimento ao recurso para: a) excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos os depósitos identificados como "transferência de mesma titularidade", "Recebimento de prólabore", "Recebimento de Empréstimo pago" e "aviso de crédito", conforme tabelas que constam no voto; e b) reclassificar os valores identificados como "parceria agrícola", para tributálos como provenientes da atividade rural, à razão de 20% da receita bruta. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, redator designado. Peço vênia ao ilustre Relator, Conselheiro Martin da Silva Gesto, para divergir de sua proposta inicial de nova conversão do julgamento em diligência. Fl. 3901DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.902 27 Disse o Voto do Relator que: Portanto, temos que a diligência não foi realizada, pois, além de não terem sido analisados todos os documentos relacionados e prestados, deixouse de ser apresentado pela autoridade preparadora o parecer conclusivo requisitado. Ante o exposto, voto no sentido de ser convertido novamente em diligência para que a repartição de origem tome a seguinte providência (...) Observo que o Relatório Fiscal que consta das fls. 3364 e ss. menciona que este processo já fora convertido em diligência em duas ocasiões anteriores: na Resolução nº 10601.453, onde foram prestadas informações pela Autoridade Fiscal, e na Resolução nº 2202000.584, que seria o objeto dessa nova discussão que aqui se desenvolve acerca da necessidade ou não de retorno, para complemento. Pareceme que a divergência surge muito mais em razão dos termos utilizados pela Auditora Fiscal em seu relatório que, propriamente, sobre a real falta de informações necessárias ao julgamento da lide. Isso porque, conforme está lá descrito, o Recorrente fora intimado a apresentar planilha ou quadro explicativo correlacionando documentos e depósitos (item 1 da diligência) e após a apresentação de tal documentação (fls. 3275 a 3363), a Auditora realizou um "exame preliminar" e percebeu "operações pouco comuns a pessoas físicas". Foi sobre essa constatação que ela se referiu ao dizer que: "no entanto, nessa fase processual impõese somente examinar as cópias dos documentos anexadas pelo recorrente aos autos em 23/04/2008, após a decisão de primeira instância...". Entendo que a Auditora não estava se recusando a cumprir a diligência ou cerceandoa, mas exatamente limitandose a ela, ou seja, aos documentos que foram anexados pelo contribuinte após o julgamento de primeira instância, porque aqueles que já constavam dos autos naquela ocasião já haviam sido considerados pela autoridade julgadora competente. Um segundo ponto é sobre a afirmação de que "ressaltando que a análise conclusiva não será objeto deste procedimento fiscal de diligência a teor da definição estabelecida no artigo 3º, II da Portaria RFB nº 1.687/2014". O dispositivo citado esclarece que por "procedimento de diligência" entendese "as ações que tenham por objeto a coleta de informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual." Assim, a dita "análise conclusiva" caberia ao Julgador e não ao executor da diligência. No caso, entretanto, tratouse de mero dissenso literal, porque o que se observa de fato é que foram elaboradas "Planilhas de Verificação documentação x argumentação" (fl. 3543), por ano calendário, onde, individualizadamente, a Auditora Fiscal indica o depósito bancário, a folha dos autos, os documentos que foram apresentados pelo contribuinte e as suas "verificações", ou seja, a sua manifestação sobre a pertinência entre o depósito e a justificativa apresentada pelo contribuinte. À guisa de exemplo, a Auditora diz, na folha 3545 que: "Não existe coincidência de datas entre o saque e o depósito, ou seja, o saque para a "suposta" transferência foi em 30/12/99 e o depósito efetuado em 05/01/2000" . Fl. 3902DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.903 28 Assim, manifestouse "conclusivamente" sobre cada depósito. O que não fez, de fato, foi dizer qual o montante deveria ser excluído da autuação e qual montante deveria ser mantido, o que deve ser feito aqui neste julgamento. Sendo assim, VOTO por rejeitar a proposta de conversão do julgamento em nova diligência e para que se prossiga na análise dos autos, com as informações disponíveis. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 3903DF CARF MF
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Numero do processo: 16024.000286/2007-70
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 02 86 /2 00 7- 70 Fl. 307DF CARF MF Processo nº 16024.000286/200770 Acórdão n.º 9202004.741 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 16024.000286/200770 Acórdão n.º 9202004.741 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 16024.000286/200770 Acórdão n.º 9202004.741 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 310DF CARF MF Processo nº 16024.000286/200770 Acórdão n.º 9202004.741 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 16024.000286/200770 Acórdão n.º 9202004.741 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 312DF CARF MF Processo nº 16024.000286/200770 Acórdão n.º 9202004.741 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 16024.000286/200770 Acórdão n.º 9202004.741 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 314DF CARF MF Processo nº 16024.000286/200770 Acórdão n.º 9202004.741 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 16024.000286/200770 Acórdão n.º 9202004.741 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 316DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.695796/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP
No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.400
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 57 96 /2 00 9- 15 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.695796/200915 Acórdão n.º 3301003.400 S3C3T1 Fl. 3 2 d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de PIS (código de receita 8109), decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio do Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada foi homologada parcialmente, sob o fundamento de que constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. Entretanto, o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, alegando, em síntese, que: a) O valor original utilizado para a compensação, foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados; b) Assim, não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados no PER/DCOMP, e não imputou multa e juros sobre os créditos tributários compensados, pois são do mesmo período de apuração; c) Faz planilha para comparação dos períodos de apuração e datas de vencimento. d) Tratase de evidente cobrança equivocada, e apresenta como provas as cópia dos documentos relativos aos lançamentos contestados e a procuração de nomeação do representante legal que assina a manifestação de inconformidade; e) Demonstrada a insubsistência e improcedência do processo, requer seja cancelado o processo reclamado. A DRJ/SP1 indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 16036.864. O fundamento adotado foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos são acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. A recorrente repetiu os argumentos da impugnação no recurso voluntário. É o relatório. Voto Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.695796/200915 Acórdão n.º 3301003.400 S3C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.231, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.667966/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.231): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Constatase que a controvérsia do processo permanece a mesma desde a 1ª instância, com a contribuinte alegando que o DARF utilizado como pagamento a maior para a compensação foi pago dentro do prazo de vencimento do tributo e por isso, não se conformando com a cobrança de acréscimos legais no momento da efetiva compensação. Entretanto, como veremos adiante, o valor do crédito foi insuficiente para quitar o débito, em função dos acréscimos legais ao débito compensado, atualizados até a data da apresentação do PER/DCOMP, em virtude do atraso entre seu vencimento e a formalização da compensação. A DCOMP em tela, foi formalizada pela interessada para compensar débito de COFINS – não cumulativa (código de receita 5856), vencido em 15/06/2004, com créditos de COFINS (código de receita 2172), cuja data de arrecadação foi 15/06/2004. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela DERAT/SP, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. No entanto, o mesmo foi insuficiente para quitar os débitos informados em consequência da data de apresentação da DCOMP, e por este motivo a compensação foi homologada parcialmente. A recorrente alega que o valor original utilizado para a compensação foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados, e sendo assim, não poderia haver multa e juros sobre os referidos créditos, pois são do mesmo período de apuração. Como bem dito no acórdão recorrido, a contribuinte equivocouse em relação à forma de valoração do crédito e do débito que informou em sua declaração de compensação, ao não efetuar os cálculos relativos aos acréscimos legais, o que gerou um saldo devedor, e consequentemente, a homologação parcial da compensação. Constatase que a data do envio do PER/DCOMP é quando se formaliza a extinção do débito por compensação, de acordo com o que dispõe a Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrita: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.695796/200915 Acórdão n.º 3301003.400 S3C3T1 Fl. 5 4 administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Portanto, a extinção do débito por compensação ocorre na data de envio do PER/DCOMP. No caso concreto, a interessada enviou a PER/DCOMP em 21/01/2007 para compensar débito cujo vencimento se deu em 15/06/2004, portanto, é fato que o débito já estava vencido quando foi extinto pela compensação. Assim, partir da data do vencimento passaram a incidir sobre o débito os acréscimos legais, quais sejam, multa de mora e juros, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/1996, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No recurso voluntário, a recorrente repete o argumento de que o pagamento utilizado para a compensação foi realizado no mesmo prazo de vencimento do débito compensado, mas tal fato não a socorre, pois a utilização do crédito tributário ocorre apenas com a apresentação do PER/DCOMP, que ocorreu após o vencimento do débito compensado. Assim, cumpre transcrever o artigo 28 da IN SRF nº 600/2005, em vigor à época da transmissão do PER/DCOMP: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.695796/200915 Acórdão n.º 3301003.400 S3C3T1 Fl. 6 5 Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) Logo, os débitos vencidos, vinculados a PER/DCOMP, serão acrescidos de multa de mora, calculada a partir do primeiro dia subsequente à data de vencimento até a data da entrega do PER/DCOMP, quando se formaliza a compensação; bem como sofrerão a incidência de juros referentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação aos créditos utilizados na compensação, as regras para valoração vigentes à época da transmissão do PER/DCOMP estão contidas no artigo 52 da IN SRF nº 600/2005, também transcrita: Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: (...) II – houver a entrega da Declaração de Compensação; (...) § 1º No cálculo dos juros Selic de que trata o caput, observarseá, como termo inicial de incidência: (...) III – na hipótese de pagamento indevido ou a maior: a) o mês de janeiro de 1996, se o pagamento tiver sido efetuado antes de 1º de janeiro de 1996; b) a data da efetivação do pagamento, se este tiver sido efetuado entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 1997; ou c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; Por isso, foi apurado o saldo devedor indicado no Despacho Decisório e a compensação foi parcialmente homologada. Portanto, não se está desprezando o princípio da verdade material e nem está havendo enriquecimento sem causa do Fisco, como alega a recorrente. Simplesmente, está sendo cobrado o atraso entre a Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.695796/200915 Acórdão n.º 3301003.400 S3C3T1 Fl. 7 6 data do vencimento do tributo e o seu necessário pagamento, que, no caso em tela, deuse no momento da apresentação da DCOMP. Assim, tendo em vista tudo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a DCOMP foi transmitida em data posterior à do vencimento do(s) débito(s) compensado(s). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.721329/2013-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2008
DESÁGIO. REALIZAÇÃO. GANHO DE CAPITAL.
O deságio na aquisição de um investimento será controlado no LALUR, até a realização do investimento, quando será determinado do ganho ou perda de capital que integrará o lucro real.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/12/2008
GANHO DE CAPITAL. BASE DE CÁLCULO
Os ganhos de capital auferidos no período compõem a base de cálculo da contribuição
Numero da decisão: 1201-001.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Fizeram sustentação oral o Dr. Ian Muniz, OAB 33.973/RJ, pela Recorrente e o Dr. Rodrigo Burgos, pela Fazenda Nacional.
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EVA MARIA LOS- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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REALIZAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. O deságio na aquisição de um investimento será controlado no LALUR, até a realização do investimento, quando será determinado do ganho ou perda de capital que integrará o lucro real. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2008 GANHO DE CAPITAL. BASE DE CÁLCULO Os ganhos de capital auferidos no período compõem a base de cálculo da contribuição Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Fizeram sustentação oral o Dr. Ian Muniz, OAB 33.973/RJ, pela Recorrente e o Dr. Rodrigo Burgos, pela Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (documento assinado digitalmente) EVA MARIA LOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 13 29 /2 01 3- 87 Fl. 853DF CARF MF Processo nº 10540.721329/201387 Acórdão n.º 1201001.596 S1C2T1 Fl. 3 2 Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Trata o processo dos autos de infração que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$6.075.816,90, devido à infração 001 Exclusões/Compensações Não Autorizadas na Apuração do Lucro Real. Exclusões Indevidas, com fato gerador em 31/12/2008; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$2.195.934,08, relativa às mesmas infrações; ambas exigências apenadas com multa de 75%, págs. 3/17; às págs. 375/701, Demonstrativos de Compensação de Prejuízos Fiscais e de Bases de Cálculo Negativas da CSLL. Termo de Verificação de Infração Fiscal de págs. 18/26. 2. O contribuinte apresentou impugnação que, em sessão no dia 22 de maio de 2014. a DRJ em Ribeirão Preto/SP, no Acórdão 1450.385, por unanimidade de votos, julgou improcedente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 GANHO DE CAPITAL. DEVOLUÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. É incabível a exclusão, na apuração do lucro real, do ganho de capital que não foi computado no resultado do período. 3. Cientificado em 20/11/2014, pág. 790, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário de págs. 791/800, em 19/12/2014, tempestivo, acompanhado dos documentos de págs. 801/827, resumido a seguir. 4. Relata que adquiriu, em 20/09/1994, a totalidade das ações do capital social da Floryl Florestadora YPE S/A (doravante Floryl), por R$6.155.198,66. Entretanto, o patrimônio líquido da Floryl à época da aquisição era de R$44.404.676,6; e nos termos do art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, a Recorrente, na qualidade de investidora, contabilizou um deságio no montante de R$38.249.478,02; tal deságio foi objeto de correção monetária e outros ajustes, conforme legislação vigente à época, resultando no valor de R$50.527.202,00 em 31/12/1999; e nos anos seguintes amortizou o referido deságio conforme o art. 25 deste Decreto, tratando a receita como não tributável; e conforme art. 391 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), lançou os valores amortizados na Parte B do LALUR, que se encerraram em 2008. 5. Decreto Lei n° 1.598/77, tratou a receita decorrente como não tributável. Em consequência, nos termos do art. 391 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), lançou os valores amortizados na Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). O Termo de Verificação Fiscal contém tabela que registra com exatidão as amortizações do referido deságio ao longo dos anos, processo esse que se encerrou em 2008 (ano objeto de fiscalização que resultou no auto de infração ora impugnado). Fl. 854DF CARF MF Processo nº 10540.721329/201387 Acórdão n.º 1201001.596 S1C2T1 Fl. 4 3 6. Em 29 de fevereiro de 2008, a Recorrente, na condição de titular de praticamente 100% das ações de emissão da Floryl, deliberou em assembléia geral extraordinária uma redução do capital social da Floryl no valor de R$ 43.000.000,00, por julgálo excessivo (art. 173 da Lei n°6.404/76 LSA). A redução de capital representou o cancelamento de 69,4% das ações representativas do capital social da Floryl. 7. Em 29/02/2008, a Recorrente, na condição de titular de praticamente 100% das ações de emissão da Floryl, deliberou em assembléia geral extraordinária uma redução do capital social da Floryl no valor de R$43.000.000,00, por julgálo excessivo (art. 173 da Lei n° 6.404/76 LSA). A redução de capital representou o cancelamento de 69,4% das ações representativas do capital social da Floryl. 8. Em razão da referida redução de capital, a Floryl transferiu para a ora Recorrente, a título de restituição de capital, os seguintes ativos: Descrição R$ Investimento na Jatobá Administração de Imóveis Ltda JAI 18.871.919,54 Investimento na Big River Melons Ltda. Big River 17.408.406,45 Dinheiro 6.719.674,01 Total 43.000.000,00 9. Os ativos acima descritos, objeto da restituição de capital, foram avaliados pela Floryl pelo seu valor de mercado, nos termos do art. 22 da Lei n° 9.249, de 1995, conforme Laudo de Avaliação elaborado pela Apsis Consultoria Empresarial Ltda. 10. Em razão de a redução de capital representar uma realização do seu investimento na Floryl, a Recorrente apurou o ganho de capital de R$ 35.065.878, nos termos do art. 418 e seguintes do RIR/99, que foi excluído na Parte A do LALUR, em razão do disposto no art. 22, § 4o, da Lei n° 9.249, de 1995, que dispõe que a diferença entre o valor de mercado e o contábil do investimento na investidora não será computada na base de cálculo do imposto de renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. 11. Discorda da autuação fiscal e sustenta que a exclusão do seu lucro real em 2008 se corresponde à hipótese de exclusão prevista no art. 22, § 4o, da Lei n° 9.249, de 1995. 12. Diz que, em resumo o voto da Decisão DRJ sustenta que como "a contribuinte não incluiu o ganho de capital na apuração do lucro líquido", nos termos do art. 250 do RIR/99, a exclusão tomada em consonância com o § 4o do art. 22 da Lei n° 9.249, de 1995 seria indevida e argumenta que o ganho de capital foi computado no resultado do período. 13. Que a DIPJ 2009 (período base de 2008) contém dois lançamentos na Ficha 06A (Demonstração do Resultado PJ em Geral) que merecem relevo: Linha na DIPJ R$ 25. Amortização de Deságio nas Aquisições de Investimentos Avaliados pelo PL 15.558.522,65 51. Receitas Alien. Bens Direitos Invest., Imob. e Intangível 26.474.738,12 Total 42.033.260,77 14. Destaca que o valor de R$ 42.033.260,77 constitui basicamente ágio amortizado em 2008, referente ao seu investimento na Floril, reconhecido na Demonstração de Resultados nas Fl. 855DF CARF MF Processo nº 10540.721329/201387 Acórdão n.º 1201001.596 S1C2T1 Fl. 5 4 Demonstrações Financeiras deste ano (Doc. 02), cuja nota explicativa 04C demonstra o que segue: Descrição R$ Deságio Amortizado Floryl (Nota 5 "b") 38.148.037,64 Deságio Amortizado Jatobá Administração de Imóveis (Nota 5 "c") 2.709.468,05 Deságio Amortizado Big River Melons (Nota 5 "c") 1.175.755,08 Total 42.033.260,77 15. E demonstra que o ganho de capital foi devidamente computado e depois ajustado conforme art. 22, § 4º da Lei nº 9.249, de 1995: Descrição R$ Receita Computada na DRE (Amortização de Deságio da Floryl) 38.148.037,64 Exclusão (cfe. art. 391 do RIR/99, do deságio da Floryl (38.148.037,64) Adição (Ganho de capital efe. redução de capital da Floryl em 69,4%, computado conforme Art. 426 do RIR/99, demonstrativo abaixo) 35.065.878,19 Exclusão (conforme art. 22, § 4o, da Lei n° 9.249/95) (35.065.878,19) Impacto na base de cálculo do IRPJ/CSLL 0,00 16. Explica que o deságio total de R$50.527.202,00 apurado em 31/12/1999, foi amortizado no total de R$12.379.165,12 nos anos seguintes, o que resultou na receita de amortização do deságio de R$38.148.037,64, em 2008, valor este que, nos termos do art. 381 do RIR de 1999, deveria ser excluído; mas, devido à redução a 69,4% do capital na investida Floryl, foi apurado o ganho de capital: Descrição R$ 1 Investimento na Floryl (PL) 61.987.507,97 II Deságio amortizado em 2008 (38.148.037,64) III Deságio amortizado em anos anteriores (12.379.164,36) IV Valor Contábil (art. 426 do RIR/99) 11.460.305,97 V Percentual realizado do Investimento 69,4% VI Custo de Investimento Realizado 7.934.121,81 VII Valor realizado do investimento (redução de capital) 43.000.000,00 VIII Custo do investimento realizado (efe. art. 33 do DL 1.598) (7.934.121,81) IX Ganho de Capital realizado 35.065.878,19 X Valor excluído nos termos do § 4: do art. 22 da Lei 9.249 (*) (35.065.878,19) XI Resultado tributável 0 (*) Cfe. Linha 68 da Ficha 09 A da DIPJ 17. A Recorrente, nos termos do art. 22, §4, da Lei n. 9.249, de 1995, excluiu a quantia de R$35.065.878,19, que por coincidência contábil, equivale exatamente ao valor do ganho de capital tributado mediante uma adição. 18. O voto do relator afirma que inexiste previsão legal no art. 250 do RIR, de 1999 para proceder a tal exclusão e tem razão, eis que a exclusão se deu não em função do referido dispositivo legal, mas do próprio art. 22, §4, da Lei n. 9.249 95, que expressamente a autoriza. Em suma, o único raciocínio que suportou a decisão, no sentido de que o ganho de capital deveria ter sido graficamente registrado na DRE na sua totalidade, para que pudesse prevalecer o que disposto no art. 250 do RIR 99, não procede, eis que é contabilmente impossível registrar o ganho de capital graficamente na conta de Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10540.721329/201387 Acórdão n.º 1201001.596 S1C2T1 Fl. 6 5 resultado do próprio período, quando a própria legislação do imposto de renda prevê que o custo contábil leve em consideração o ágio ou deságio já amortizado em exercícios anteriores. Segundo, a exclusão levada a efeito pela Recorrente tem sim suporte legal, que é o próprio § 4o do art. 22 da Lei n. 9.249. 19. Requer o cancelamento da autuação e alternativamente, caso a autuação venha a ser julgada procedente quanto ao mérito, o que a ora Recorrente admite apenas por amor ao argumento, a decisão deverá ser aplicável tão somente no que tange ao IRPJ, devendo o auto de infração ser considerado improcedente no que diz respeito à CSLL; requer sustentação oral, quando do julgamento. 20. A União, por meio da Procuradoria da Fazenda Nacional, apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, págs. 833/842, na qual descreve a autuação, decisão DRJ e argumentos da litigante que resume: Verificase, na impugnação, que a impugnante não contesta a adição do deságio realizado em razão da redução de capital da FLORYL. Apenas contesta a glosa feita pelo autuante, do valor de R$ 35.065.878,19, que havia sido excluído na apuração do lucro real. Afirma que a autuação deixa de aplicar o disposto na Lei n° 9.249/95, art. 22, § 4o. 21. E aponta que a contribuinte, conforme DIPJ anocalendário 2008, não tributou o referido ganho de capital e, segundo o art. 250 do RIR, de 1999, somente poderão ser excluídos do lucro líquido, na determinação do lucro real, os valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com aquele Decreto, não sejam computados no lucro real. Como a contribuinte não incluiu o ganho de capital na apuração do lucro líquido, não se pode excluílo na apuração do lucro real. Não se discute que as receitas provenientes da amortização do deságio não foram como não devem ser computadas na apuração do lucro real quando de seus registros, com fundamento no art. 391 do RIR/99. Ambas as partes também concordam que, com a redução de capital da ordem de 69,4%, houve a realização parcial do investimento, tornando, assim, devida a apuração do ganho de capital correspondente, considerando a aquisição do investimento realizada com deságio, nos termos do que determina o art. 426 do RIR/99. O objeto de discórdia é apenas e tão somente a exclusão desse mesmo ganho de capital apurado na redução de capital quando da apuração do lucro real do anocalendário 2008. (...) Ocorre que, ao tempo em que ofereceu à tributação o ganho de capital incidente sobre a realização do investimento, a recorrente entendeu fazer jus a uma exclusão correspondente à diferença entre o valor contábil da FLORYL e seu valor de mercado, supostamente amparada pelo § 4o do art. 22 da Lei 9.249/95. E tal exclusão é que se configura completamente descabida, fruto de confusão feita pela recorrente. (...) (...) o dispositivo em comento trata da devolução de bens da investida que, registrados nesta pelo valor contábil, sejam devolvidos ao sócio ou titular pelo valor de mercado. Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10540.721329/201387 Acórdão n.º 1201001.596 S1C2T1 Fl. 7 6 Nesta hipótese, conforme o § 1o supra, a diferença será considerada ganho de capital da investida, sendo nela tributado como tal. Por esta razão, o § 4o diz que esse valor não deverá ser novamente computado na base de cálculo do IRPJ e CSLL do investidor, sócio ou titular. Tratase de hipótese de tributação completamente distinta e autônoma daquela de que cuidam os artigos 385, 391 e 426 do RIR/99. Como bem observado pela decisão de piso, a recorrente ofereceu à tributação, conforme mencionado acima, apenas o ganho de capital auferido em 1994 correspondente ao deságio amortizado e excluído da apuração do lucro real, o qual foi diferido com base no artigo 385, do RIR/99 e cuja tributação passou a ser devida com a realização do investimento, conforme artigos 391 e 426 do RIR/99. Todavia, ela jamais ofereceu à tributação o ganho de capital a que se refere o artigo 22 acima transcrito, referente à diferença entre o valor contábil do investimento e o valor de mercado da participação devolvida, cujo fato gerador ocorre em 2008, o qual não se confunde com o ganho de capital consistente no deságio, cujo fato gerador ocorreu em 1994. Assim, uma vez que a contribuinte já deixou de computar na base do IRPJ e da CSLL a diferença de que trata o artigo 22, não há que se falar na exclusão desse valor na apuração do lucro real. A exclusão seria devida se a recorrente, além de ter realizado a adição referente à realização do investimento adquirido com deságio (a qual é devida em razão dos artigos 391 e 426), tivesse feito nova adição correspondente à diferença entre o valor de mercado dos bens devolvidos na redução de capital e seu valor contábil, o que não aconteceu. Percebese que, segundo o raciocínio da recorrente, a adição ao lucro real fundada no art. 426 do RIR/99 ensejaria como "contrapartida" a exclusão levada a efeito com suposto esteio no art. 22 da Lei 9.249/95. Equivocase redondamente. A adição com base no art. 426 tem função de reverter os efeitos do diferimento do ganho de capital fundado no art. 385, cujo fato gerador ocorreu em 1994 quando da aquisição do investimento com deságio. Tal ganho de capital diferido passou a ser efetivamente devido com a liquidação parcial do investimento e não tem qualquer relação com o artigo 22. Com relação ao pedido subsidiário, de que eventual decisão pela manutenção do crédito tributário seja aplicada apenas em relação ao IRPJ, mas não em relação à CSLL, cumpre afirmar que o mesmo não se encontra fundamentado e nem tampouco consta da impugnação, tendo sido ventilado de maneira inaugural em sede de recurso voluntário, razão pela qual não deve ser conhecido. Voto Conselheiro Relator Eva Maria Los Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10540.721329/201387 Acórdão n.º 1201001.596 S1C2T1 Fl. 8 7 22. A Recorrente adquiriu em 20/09/1994, 100% da Floryl Florestadora Ype S/A, por valor inferior ao que o Patrimônio Líquido da Ype estava contabilizado, caracterizandose a diferença como deságio, cujo valor atualizado pela UFIR em 31/12/1995, valia R$50.527.202,00 (o art. 6º da Lei nº 9.249, de 1995, determinou que: Art. 6º Os valores controlados na parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real, existentes em 31 de dezembro de 1995, somente serão corrigidos monetariamente até essa data, observada a legislação então vigente, ainda que venham a ser adicionados, excluídos ou compensados em períodosbase posteriores. Parágrafo único. A correção dos valores referidos neste artigo será efetuada tomandose por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996.) 23. A amortização deste deságio foi contabilizada como Receita Não Operacional, Amortização Deságio, e excluída na apuração do Lucro Real, no LALUR, não incidindo tributação pelo IRPJ, nem CSLL, o que é autorizado pelo art. 391 do RIR de 1999: Amortização do Ágio ou Deságio Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). 24. A amortização assim contabilizada montou R$38.148.036,88 em 31/12/2008 (quadro pág. 22). 25. A tributação incidirá na alienação, liquidação, baixa do ativo, conforme art. 425 do RIR de 1999: Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; 26. Em 29/02/2008, a investida Floryl reduziu o capital social em 69,4% e devolveu este valor do investimento à Recorrente R$43.000.000,00, pág. 23. Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10540.721329/201387 Acórdão n.º 1201001.596 S1C2T1 Fl. 9 8 27. Este momento caracterizou a realização do deságio, no valor de R$35.065.878,19 e a apuração do ganho de capital tributável, conforme o art. 426 do RIR R$50.527.202,00 (Valor do deságio em 31/12/1995) x 69,4% (proporção realizada) = R$35.065.878,20 28. A Recorrente argumenta que o art. 22, §4, da Lei n. 9.249, de 1995, a autorizou a excluir no LALUR, este valor de ganho de capital: Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista. a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. § 1º No caso de a devolução realizarse pelo valor de mercado, a diferença entre este e o valor contábil dos bens ou direitos entregues será considerada ganho de capital, que será computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base no lucro real ou na base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido devidos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. § 2º Para o titular, sócio ou acionista, pessoa jurídica, os bens ou direitos recebidos em devolução de sua participação no capital serão registrados pelo valor contábil da participação ou pelo valor de mercado, conforme avaliado pela pessoa jurídica que esteja devolvendo capital. § 3º Para o titular, sócio ou acionista, pessoa física, os bens ou direitos recebidos em devolução de sua participação no capital serão informados, na declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do respectivo anobase, pelo valor contábil ou de mercado, conforme avaliado pela pessoa jurídica. § 4º A diferença entre o valor de mercado e o valor constante da declaração de bens, no caso de pessoa física, ou o valor contábil, no caso de pessoa jurídica, não será computada, pelo titular, sócio ou acionista, na base de cálculo do imposto de renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. 29. No caso, o valor de R$35.065.878,19 é o valor contábil da parcela do deságio realizada, deságio este que se originou da aquisição em 1994, da participação na Floryl, por valor inferior ao de mercado, não se aplicando o § 4º supra. 30. Em síntese, o valor contábil era superior ao valor pelo qual adquiriu (certamente devido à avaliação de mercado), portanto, adquiriu por valor abaixo do mercado; ao receber de volta a parcela de 69,4%, ocorreu a realização do investimento adquirido com deságio, e sobre a proporção realizada deste se aplica a tributação por ganho de capital. 31. A PFN, conforme consta do relatório, caracterizou bem que a Recorrente confunde os dispositivos. 32. A contabilização da amortização do deságio como receita não operacional tem finalidades gerenciais; a exclusão desta amortização no LALUR ocorre porque a tributação é Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10540.721329/201387 Acórdão n.º 1201001.596 S1C2T1 Fl. 10 9 diferida até o momento da realização desta receita; ocorrida a realização da receita de deságio em 2008, caracterizase o fato gerador. 33. No que tange ao pleito para que não ocorra a incidência da CSLL, descabe, pois a legislação é clara, conforme art. 225 do RIR de 1999, e Lei nº 7.689, de 1988, art. 2º; Lei nº 9.430, de 1996, art. 28. Art. 225. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior, serão acrescidos à base de cálculo de que trata esta Subseção, para efeito de incidência do imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). 34. fonte: http://idg.receita.fazenda.gov.br/acessorapido/tributos/CSLL: Apuração Anual da CSLL, com Recolhimentos Mensais sobre a Base de Cálculo Estimada A pessoa jurídica que apurar anualmente o imposto sobre a renda com base no lucro real também deve apurar a CSLL anualmente com base no resultado ajustado, em 31 de dezembro de cada ano. (...) Base de Cálculo Pessoas Jurídicas de Natureza Comercial, Industrial ou de Prestação de Serviços A base de cálculo da CSLL, em cada mês, será determinada pela soma: (...) 3) dos ganhos de capital, das demais receitas e dos resultados positivos decorrentes de receitas não compreendidas na atividade, no mês em que forem auferidos, inclusive: 35. Lei no 7.689, de 15 de dezembro de 1988: Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. 36. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. 37. Pelo exposto, o ganho de capital deve compor a base de cálculo do IRPJ e CSLL. Conclusão. Voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Relator Conselheira Eva Maria Los Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10540.721329/201387 Acórdão n.º 1201001.596 S1C2T1 Fl. 11 10 Fl. 862DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.000847/2007-42
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário: 2002
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa independentemente de prévia intimação da Administração Tributária.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA DE DECLARAÇÕES.
Conforme dispõe a Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 1803-001.051
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2002 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa independentemente de prévia intimação da Administração Tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA DE DECLARAÇÕES. Conforme dispõe a Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa independentemente de prévia intimação da Administração Tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA DE DECLARAÇÕES. Conforme dispõe a Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Fl. 27DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/10/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11080.000847/200742 Acórdão n.º 180301.051 S1TE03 Fl. 24 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório CANAL LIVRE SISTEMA DE TELECOMUNICAÇÕES LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ PORTO ALEGRE (RS), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Trata o presente processo de auto(s) de infração relativo(s) à multas por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF's — lavrado(s) contra o contribuinte acima identificado, tendo em vista a entrega a destempo (11/08/2006) das DCTF's em questão. O crédito tributário lançado perfaz o montante de R$ 1.500,00. A autuada impugna o lançamento alegando ter entregado as referidas declarações em atraso por fator alheio a sua vontade, uma vez que na época contratara profissional para adotar as providências pertinentes, não tendo o mesmo respondido por tal obrigação. Argumenta ter diligenciado para a regularidade da situação tão logo verificou constar nos arquivos da Receita Federal que não havia entregado tais declarações, independentemente de qualquer solicitação, sendo, destarte, amparada pelo art. 138 do CTN. Isso posto, requer seja acolhida a presente impugnação e cancelado o auto de infração. A DRJ PORTO ALEGRE/RS, através do acórdão 1026.551, de 30 de julho de 2010 (fls. 12/13), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/08/2006 Ementa: Incabível a argüição de denúncia espontânea com o intuito de eximirse de penalidade em caso de atraso na entrega de obrigação acessória (DCTF). Lançamento Procedente Ciente da decisão em 18/10/2010, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 17), apresentou o recurso voluntário em 17/11/2010 fls. 18/20, onde reitera os argumentos da inicial de que efetuou a entrega das DCTF’s sob o abrigo do instituto da denúncia espontânea eximindo em conseqüência qualquer penalidade. É o relatório. Fl. 28DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/10/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11080.000847/200742 Acórdão n.º 180301.051 S1TE03 Fl. 25 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega das DCTF’s relativas ao 2º, 3º e 4º Trimestres de 2002, entregues em 10 e 11/08/2006, quando o vencimento ocorreu em 15/08/2002, 14/11/2002 e 14/02/2003, respectivamente. Não assiste razão à interessada. Com efeito, conforme já restou assentado em diversos julgados desta turma e do CARF, o descumprimento de obrigação acessória formal relativa ao prazo de entrega de declarações, não está ao abrigo do instituto da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do Código Tributário Nacional, estando o entendimento consolidado através de súmula administrativa, com a seguinte ementa: Súmula CARF nº 49. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. O entendimento externado através de súmula do CARF é de observância obrigatória por parte deste colegiado julgador administrativo, conforme dispõe o art. 72 do Regimento Interno do CARF: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 29DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/10/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11080.000847/200742 Acórdão n.º 180301.051 S1TE03 Fl. 26 4 Fl. 30DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/10/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10980.013136/2002-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 13/12/2002 a 15/04/2003
IPI. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. ART. 170-A, DO CTN. AÇÃO JUDICIAL AJUIZADA ANTES DE SUA VIGÊNCIA. INAPLICABILIDADE. MATÉRIA PACIFICADA PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. ARTS. 1.036 a 1041 DA LEI 13.105/2015. ART. 62, § 2º, DO RICARF/2015.
A vedação para se pleitear a compensação de tributos baseada em crédito objeto de ação judicial, veiculada pelo art. 170-A, do CTN, introduzido pela LC 104/01, não se aplica às demandas ajuizadas em data anterior à vigência desse dispositivo.
Aplicação do entendimento do STJ, em sede de Recursos Repetitivos no Recurso Especial nº 1.167.039/DF (Rel. Min. Teori Albino Zavascki). Aplicação do art. 62, § 2º, do RICARF/2015.
Numero da decisão: 9303-004.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer integralmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen (suplente convocado) que conheceram parcialmente. E, no mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Júlio César Alves Ramos, que lhe deu provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor, em relação ao conhecimento, o conselheiro Júlio César Alves Ramos. Os conselheiros Andrada Marcio Canuto Natal e Demes Brito votaram apenas quanto ao mérito.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(Assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 13/12/2002 a 15/04/2003 IPI. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. ART. 170-A, DO CTN. AÇÃO JUDICIAL AJUIZADA ANTES DE SUA VIGÊNCIA. INAPLICABILIDADE. MATÉRIA PACIFICADA PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. ARTS. 1.036 a 1041 DA LEI 13.105/2015. ART. 62, § 2º, DO RICARF/2015. A vedação para se pleitear a compensação de tributos baseada em crédito objeto de ação judicial, veiculada pelo art. 170-A, do CTN, introduzido pela LC 104/01, não se aplica às demandas ajuizadas em data anterior à vigência desse dispositivo. Aplicação do entendimento do STJ, em sede de Recursos Repetitivos no Recurso Especial nº 1.167.039/DF (Rel. Min. Teori Albino Zavascki). Aplicação do art. 62, § 2º, do RICARF/2015.
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DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. ART. 170A, DO CTN. AÇÃO JUDICIAL AJUIZADA ANTES DE SUA VIGÊNCIA. INAPLICABILIDADE. MATÉRIA PACIFICADA PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. ARTS. 1.036 a 1041 DA LEI 13.105/2015. ART. 62, § 2º, DO RICARF/2015. A vedação para se pleitear a compensação de tributos baseada em crédito objeto de ação judicial, veiculada pelo art. 170A, do CTN, introduzido pela LC 104/01, não se aplica às demandas ajuizadas em data anterior à vigência desse dispositivo. Aplicação do entendimento do STJ, em sede de Recursos Repetitivos no Recurso Especial nº 1.167.039/DF (Rel. Min. Teori Albino Zavascki). Aplicação do art. 62, § 2º, do RICARF/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer integralmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 31 36 /2 00 2- 17 Fl. 852DF CARF MF 2 Valcir Gassen (suplente convocado) que conheceram parcialmente. E, no mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Júlio César Alves Ramos, que lhe deu provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor, em relação ao conhecimento, o conselheiro Júlio César Alves Ramos. Os conselheiros Andrada Marcio Canuto Natal e Demes Brito votaram apenas quanto ao mérito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3402002.085, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que deu parcial provimento ao recurso para: · Por unanimidade de votos, cancelar a multa isolada; e · Por maioria de voto, afastar a incidência do art. 170A do CTN e determinar o retorno dos autos à instância recorrida para que sejam verificados os demais requisitos para a homologação da compensação O Colegiado, então, consignou acórdão com a seguinte ementa: Fl. 853DF CARF MF Processo nº 10980.013136/200217 Acórdão n.º 9303004.389 CSRFT3 Fl. 565 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 13/12/2002 a 15/04/2003 IPI. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. ART. 170A, DO CTN. AÇÃO JUDICIAL AJUIZADA ANTES DE SUA VIGÊNCIA. INAPLICABILIDADE. MATÉRIA PACIFICADA PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO (ART. 543C, DO CPC). ART. 62A, DO RICARF. A vedação para se pleitear a compensação de tributos baseada em crédito objeto de ação judicial, veiculada pelo art. 170A, do CTN, somente se aplica às demandas ajuizadas em data posterior a 10 de janeiro de 2001, quando entrou em vigor o referido dispositivo. Aplicação do entendimento do STJ, em sede de Recursos Repetitivos no Recurso Especial nº 1.167.039/DF (Rel. Min. Teori Albino Zavascki). Aplicação do art. 62, do RICARF. ART. 170A DO CTN. NATUREZA DE PRESSUPOSTO PROCESSUAL. PREJUDICIAL DE MÉRITO. AFASTAMENTO, RETORNO À INSTÂNCIA DE ORIGEM PARA ANÁLISE DA COMPENSAÇÃO. Tratandose o art. 170A, do CTN, de pressuposto ao processo administrativo tributário relativo à compensação, afastada essa prejudicial de mérito, deve o processo ser devolvido à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, a fim de que analise os demais pressupostos do pleito de compensação. MULTA ISOLADA DE OFÍCIO COMPENSAÇÃO INDEVIDA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em relação às declarações apresentadas anteriormente à vigência da Lei n. 11.051, de 2004, aplicase retroativamente a legislação posterior mais benéfica, ainda que alterada por nova lei (art.106, inc. II alínea “c” do CTN), que previa aplicação da multa somente em “razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, inocorrente no caso.” Fl. 854DF CARF MF 4 Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o Acórdão 3402002.085, requerendo a reforma do acórdão recorrido para se restabelecer a decisão de primeira instância. Ressurgindo, assim, com: · A aplicação do art. 170A, por ser de cunho processual, procedimental da compensação, por entender ter incidência imediata em todos os processos administrativos iniciados; · A exigência da multa isolada de 75% no caso de compensação não declarada em que não reste caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, tendo como parâmetro a nova redação conferida pela Lei 11.051/04 ao art. 18 da Lei 10.833/03. O apelo da Fazenda Nacional foi admitido integralmente, nos termos do Despacho de fls. 644/646, apreciada pelo Presidente da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em exercício à época. Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo apresentou ainda Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, requerendo: · A inadmissibilidade do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, por sua absoluta impossibilidade jurídica, decorrente da não observância de seus pressupostos formais necessários; · No mérito, caso o recurso seja admitido, que lhe seja negado provimento, mantendose íntegro o acórdão recorrido, o qual deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a aplicação do art. 170A do Código Tributário Nacional e cancelar a aplicação da multa isolada, determinando o retorno dos autos à Delegacia de origem para análise dos demais requisitos das compensações efetuadas. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 855DF CARF MF Processo nº 10980.013136/200217 Acórdão n.º 9303004.389 CSRFT3 Fl. 566 5 Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que não deva ser conhecido em relação à parte que trata da discussão acerca da aplicabilidade do art. 170A do CTN, vez que não houve a comprovação de divergência de entendimento entre as Câmaras desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais quanto à aplicação do art. 170A do CTN. Ora, o acórdão indicado como paradigma traz posicionamento genérico de que “é vedada a compensação de crédito tributário antes do trânsito em julgado da decisão judicial”. Enquanto, resta claro, pelo voto condutor do acórdão recorrido, que houve debate acerca da aplicabilidade ou não do art. 170A do CTN às ações ajuizadas antes de sua promulgação. O que, por óbvio, depreendendose da leitura do acórdão indicado como paradigma, tal discussão não foi enfrentada por aquele Colegiado. Para melhor elucidar a matéria que deveria ser enfrentada, importante trazer trechos do voto vencedor do acórdão recorrido – que bem enfrentou essa discussão (Grifos meus): “[...] Compulsando os autos, constatase que a Recorrente afirma que seu direito de crédito teria sido reconhecido judicialmente, conforme processo judicial da Ação Ordinária n° 97.01017978, proposta perante a 16ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que lhe teria permitido inclusive por ordem liminar em antecipação de tutela, que procedesse à manutenção de créditos de IPI mesmo antes da vigência do art. 11, da Lei nº 9.779/99, e também os utilizasse para compensação. Ou seja, a ação foi proposta no ano de 1997, antes, portanto, da entrada em vigor do art. 170A, do CTN, introduzido pela Lei Complementar nº 104, vigente a partir de 10 de janeiro de 2001. Fl. 856DF CARF MF 6 Nessas hipóteses, tenho entendimento já exarado nesta Turma, no sentido de que o art. 170A, do CTN é inaplicável ao caso, tendo em vista que ação foi proposta anteriormente sua vigência do referido dispositivo legal, sendo impossível, portanto, a sua aplicação para demandas já ajuizadas. A controvérsia aqui travada diz respeito à incidência intertemporal do disposto no art. 170A do Código Tributário Nacional, que veio dar tratamento especial à espécie de compensação bastante peculiar: aquela em que o crédito do contribuinte, a ser compensado, é objeto de controvérsia judicial. O citado art. 170A, do CTN, norma que determina que é necessário o trânsito em julgado da sentença que concedeu o direito à compensação ao sujeito passivo, acrescentou um elemento qualificador ao crédito que tem o contribuinte contra a Fazenda Pública. E como elemento qualificador que é do crédito pretendido, somente pode ser exigido em sede de compensação, a partir da norma legal que lhe introduziu, de modo que este “elemento”, se não préexistir à época do ajuizamento da ação que o tem como objeto, não pode ser alterado de modo retroativo, atendendo, ao princípio da irretroatividade das leis, e concedendo Segurança Jurídica ao sistema normativo. [...] De se deixar claro, no entanto, que para essas compensações baseadas em crédito objeto de ação judicial proposta antes da vigência do Art. 170A, do CTN, realizadas antes do trânsito em julgado, traz implícita a condição resolutória da sentença final favorável ao contribuinte e de que haja, efetivamente, os créditos reconhecidos, condições essas que, se não ocorrerem no caso em concreto, acarretará a “ineficácia” da operação, com as consequências daí decorrentes. No caso destes autos, a ação foi distribuída em 1997, razão pela qual, não se aplica, em relação ao crédito nela controvertido, a exigência do art. 170A do Código Tributário Nacional, cuja vigência se deu posteriormente. Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10980.013136/200217 Acórdão n.º 9303004.389 CSRFT3 Fl. 567 7 [...] Consequentemente, em se afastando a aplicabilidade do art. 170A, do CTN, para as ações ajuizadas anteriormente à sua vigência, não significa dizer que necessariamente há o direito de crédito. Importa apenas que o “pedido” do sujeito passivo não se submete a esse “pressuposto processual”, devendo o pedido ou declaração de compensação ser apreciada pela Administração, tal e qual faria com qualquer direito a crédito. [...]” Vêse que a decisão recorrida afastou a aplicação do art. 170A do CTN, pois considerou que a ação judicial objetivando o reconhecimento e a compensação dos créditos de IPI foi proposta pelo sujeito passivo em 24.10.97 – ou seja, antes da promulgação do art. 170A do CTN. Sendo esse o fundamento utilizado na decisão para afastar a aplicação do mencionado dispositivo. O que se comprova que a matéria debatida no acórdão era específica, devendo ter sido tratada no acórdão indicado como paradigma. No entanto, o acórdão indicado como paradigma não enfrentou e nem analisou a questão da não aplicação do art. 170A do CTN para ações ajuizadas antes de sua promulgação. O que, por conseguinte, resta claro que o Recurso interposto pela Fazenda Nacional não cumpriu nessa parte a demonstrar a divergência de entendimentos necessária para a admissibilidade do Recurso Especial, conforme preceitua o art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015. Eis o que traz o art. 67 do RICARF/2015: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Fl. 858DF CARF MF 8 [...] § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido.” Em vista do exposto, nessa parte, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. No que tange à exoneração da multa isolada sobre as compensações não homologadas, tenho, a princípio, que o acórdão indicado como paradigma comprova a divergência de entendimento, não obstante entender que essa questão teria sua análise prejudicada, vez que, ao meu sentir, na parte trazida pelo Recurso relativa à discussão acerca aplicabilidade do art. 170A do CTN – essa não deve ser conhecida. O que, por conseguinte, levome a concluir pelo não conhecimento integral do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Passadas tais considerações, passo a discorrer sobre as duas matérias, caso essa Conselheira seja “vencida”, prevalecendo o entendimento do Colegiado pelo conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. No que tange à discussão acerca da aplicabilidade ou não do art. 170A do CTN ao caso em comento – quando o crédito ora discutido é objeto de ação judicial ajuizada antes da vigência do Art. 170A do CTN, entendo que assiste razão ao sujeito passivo ao se manifestar pela manutenção da decisão consignada no acórdão recorrido. Para melhor elucidar as razões, transcrevo o entendimento exarado pelo ilustre exconselheiro João Carlos Cassuli Junior – redator designado para consolidar o voto vencedor daquele Colegiado (Grifos Meus): “[...] Conforme se extrai da análise dos autos, tratase, em síntese, de Declarações de Compensação com créditos de IPI decorrentes de ação judicial, formuladas em 16/12/02 (fls.60 despacho decisório de fls. 73), 14/01/03 (fls.01), 14/02/03, 14/03/03 e 15/04/03 (fls. 61 a 63 – despacho decisório de fls. 254), tudo Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10980.013136/200217 Acórdão n.º 9303004.389 CSRFT3 Fl. 568 9 conforme voto do Relator, quando já se aplicaria, no entendimento da decisão recorrida, a restrição prevista na LC nº 104, que introduziu no CTN o art. 170A. Compulsando os autos, constatase que a Recorrente afirma que seu direito de crédito teria sido reconhecido judicialmente, conforme processo judicial da Ação Ordinária n° 97.01017978, proposta perante a 16ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que lhe teria permitido inclusive por ordem liminar em antecipação de tutela, que procedesse à manutenção de créditos de IPI mesmo antes da vigência do art. 11, da Lei nº 9.779/99, e também os utilizasse para compensação. Ou seja, a ação foi proposta no ano de 1997, antes, portanto, da entrada em vigor do art. 170A, do CTN, introduzido pela Lei Complementar nº 104, vigente a partir de 10 de janeiro de 2001. Nessas hipóteses, tenho entendimento já exarado nesta Turma, no sentido de que o art. 170A, do CTN é inaplicável ao caso, tendo em vista que ação foi proposta anteriormente sua vigência do referido dispositivo legal, sendo impossível, portanto, a sua aplicação para demandas já ajuizadas. [...]. Desta forma, correto é o entendimento expresso pelo STJ no sentido de que o disposto no art. 170A, do CTN (digase: seu elemento qualificador), somente deve ser aplicado às ações propostas após a sua vigência, como vemos pelos julgados a seguir transcritos: “TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICABILIDADE. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial 1.167.039/DF, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil (recursos repetitivos), firmou o entendimento segundo o qual o art. 170A do CTN que veda a compensação de créditos tributários antes do trânsito em julgado Fl. 860DF CARF MF 10 da ação aplicase às demandas ajuizadas após 10.1.2001, mesmo na hipótese de tributo declarado inconstitucional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no REsp 1299470/MT, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2012, DJe 23/03/2012) “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE ÀS AÇÕES AJUIZADAS NO PERÍODO ANTERIOR À LC 104/2001. APLICAÇÃO DO ARTIGO 543C DO CPC. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1.164.452/MG. 1. Hipótese em que se discute a compensação dos créditos reconhecidos judicialmente antes do trânsito em julgado da decisão. 2. A Primeira Seção desta Corte, no julgamento do REsp 1164452/MG, submetido ao rito do art. 543C do CPC, sedimentou o entendimento de que a limitação imposta pelo art. 170A, do CTN deve ser aplicada às causas iniciadas posteriormente à sua vigência. 3. Agravo regimental não provido.” (AgRg nº Ag 1360730/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/03/2012, DJe 06/03/2012) De se deixar claro, no entanto, que para essas compensações baseadas em crédito objeto de ação judicial proposta antes da vigência do Art. 170A, do CTN, realizadas antes do trânsito em julgado, traz implícita a condição resolutória da sentença final favorável ao contribuinte e de que haja, efetivamente, os créditos reconhecidos, condições essas que, se não ocorrerem no caso em concreto, acarretará a “ineficácia” da operação, com as consequências daí decorrentes. No caso destes autos, a ação foi distribuída em 1997, razão pela qual, não se aplica, em relação ao crédito nela controvertido, Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10980.013136/200217 Acórdão n.º 9303004.389 CSRFT3 Fl. 569 11 a exigência do art. 170A do Código Tributário Nacional, cuja vigência se deu posteriormente. Ainda, por ser temática já decidida em sede de Recursos Repetitivos no STJ, não poderia ser outra a minha resolução, por força do art. 543C, do CPC, senão declarar a inaplicabilidade do art. 170A do CTN ao caso apresentado nos autos. Desta forma, cumprese ao previsto no art. 62A, do RICARF. [...] Consequentemente, em se afastando a aplicabilidade do art. 170A, do CTN, para as ações ajuizadas anteriormente à sua vigência, não significa dizer que necessariamente há o direito de crédito. Importa apenas que o “pedido” do sujeito passivo não se submete a esse “pressuposto processual”, devendo o pedido ou declaração de compensação ser apreciada pela Administração, tal e qual faria com qualquer direito a crédito. Portanto, considerando que não houve apreciação dos pressupostos da compensação, ou seja, a existência, suficiência, liquidez, certeza e exigibilidade do crédito tributário objeto dos autos, deve se proceder ao retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que proceda a esta análise dos pressupostos da compensação, afastandose apenas a aplicabilidade do art. 170A, do CTN. Esse procedimento, aliás, visa também evitar supressão de instância e, consequentemente, o cerceamento do direito de ampla defesa e contraditório do sujeito passivo, que possui o direito subjetivo de ter todos os fatos analisados em duas instâncias de julgamento administrativo. Assim, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a prejudicial de análise do mérito (aplicabilidade do art. 170A, do CTN) e determinar o retorno dos autos à Instância a quo, a fim de que profira novo julgamento, contemplando a análise do pleito de compensação em todos os seus pressupostos. Fl. 862DF CARF MF 12 [...]” Conforme se depreende da leitura do voto vencedor do acórdão recorrido, observase que aquele ilustre julgador trouxe à baila o decidido pelo STJ quando da apreciação do REsp 1164452/MG. Naquele julgamento houve debate acerca da incidência do comando inserto no art. 170A do CTN, introduzido pela LC 104/01, relativamente à compensação de tributo objeto de ações já em curso quando da entrada em vigor desse dispositivo. Segundo o sítio do STJ, fora firmada a seguinte tese (Grifos meus): “Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização “antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”, conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001.” O que, para melhor elucidar o alcance daquela decisão, transcrevo sua ementa (Grifos meus): “EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. Fl. 863DF CARF MF Processo nº 10980.013136/200217 Acórdão n.º 9303004.389 CSRFT3 Fl. 570 13 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Arnaldo Esteves Lima, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Hamilton Carvalhido, Eliana Calmon e Luiz Fux votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Castro Meira. Brasília, 25 de agosto de 2010 MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI Relator” Sendo assim, considerando que a decisão emanada pelo STJ observou o regime do art. 543C do CPC antigo (Lei 5.869/73) – atualmente arts. 1.036 a 1041 da Lei 13.105/2015 (Novo CPC), tenho que, nos termos do art. 62, § 2º do RICARF/2015 (já alterada pela Portaria MF 151/2016), deve essa Conselheira reproduzir tal decisão para fins de aplicação aos casos discutidos nesse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, “in verbis”: “Art. 62............ [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." (NR)” Fl. 864DF CARF MF 14 Em vista de todo o exposto, no mérito, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda. No que tange à discussão acerca da multa, não caberia transparecer minha manifestação, considerando a apreciação de tal matéria estar prejudicada, em vista das razões expostas acima quanto ao mérito. Não obstante estar prejudicada, apenas deixo breve reflexão dessa discussão. Em respeito à hipótese trazida pelo art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 e art. 90 da MP 2.15835/01: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...]” “Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.” Resta esclarecer se no lançamento de ofício seria aplicável a multa disposta no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, quando ocorrer a não homologação da compensação – sem comprovação de falsidade da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo, considerando o preceito trazido no art. 18 da Lei 10.833/03. O art. 18 da MP n° 135/2003, que foi convertida na Lei 10.833/03, previu, a priori, que o lançamento de ofício decorrente de diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de compensação, seria cabível na hipótese em que as diferenças apuradas forem decorrentes de compensação indevida quando o crédito ou o débito não for passível de compensação por expressa Fl. 865DF CARF MF Processo nº 10980.013136/200217 Acórdão n.º 9303004.389 CSRFT3 Fl. 571 15 disposição legal; o crédito for de natureza nãotributária e às demais hipóteses em que ficar caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio – infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/64. Tal como explicitou a exposição de motivos dessa MP: “15. O art. 18 limita a aplicação do lançamento de ofício, de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, à cobrança de multa isolada sobre o débito indevidamente compensado nas hipóteses em que as diferenças apuradas forem decorrentes de compensação indevida quando o crédito ou o débito não for passível de compensação por expressa disposição legal; o crédito for de natureza nãotributária e às demais hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964.” Sendo assim, com o advento da MP 135/03, a não homologação da compensação decorrente de crédito ou débito não passível de compensação por expressa disposição legal, ou com crédito de natureza não tributária (compensação não declarada), estava sujeita à multa prevista no art. 18 da MP, independentemente de ser ou não decorrente de prática de fraude ou conluio do sujeito passivo. Posteriormente, com o advento da Lei 11.488/07, que alterou o art. 18 da Lei 10.833/03 de conversão da MP 135/03, vêse que tal dispositivo sofreu alteração em sua redação – passando a estabelecer: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.” Foi suprimida, conforme exposto, da redação original as hipóteses em que as diferenças apuradas forem decorrentes de compensação indevida quando Fl. 866DF CARF MF 16 o crédito ou o débito não for passível de compensação por expressa disposição legal e o crédito for de natureza nãotributária – para a imputação da multa no lançamento de ofício. Dessa forma, a hipótese de lançamento de ofício e de aplicação da respectiva multa para autuações decorrentes de compensações indevidas, passou a ter aplicação ainda mais restrita, qual seja, apenas para os casos em que se comprovasse a falsidade da declaração do sujeito passivo, além das hipóteses de compensações "não declaradas". A restrição das hipóteses para a aplicação da multa nos lançamentos de ofício não as conduziu automaticamente à aplicação da multa tratada no art. 44 da Lei 9.430/96 – eis que esse dispositivo traz a regra geral – que não seria aplicável aos casos de compensação – como nunca foi. Com o advento da Lei 11.488/07, que alterou o art. 18 da Lei 10.833/03, houve apenas a restrição da aplicação da multa no lançamento de ofício para aqueles casos de não homologação de compensação sem comprovação de falsidade da declaração. Continuando, importante lembrar que a MP 135/03 convertida na Lei 10.833/03, que trouxe novo regramento legal para as compensações, também, dispôs sobre a operacionalização a ser observada mediante entrega da "DComp", estabelecendo, inclusive em seu art. 17 – que, por sua vez, alterou o art. 74 da Lei 9.430/96 que tal declaração constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Dessa forma, vêse que com a constituição da DCOMP em confissão de dívida, perdeuse o sentido a aplicação da multa por descumprimento da obrigação tributária – por exemplo, entrega da DCTF com inexatidão quando identificada irregularidade na compensação sem comprovação de falsidade nas informações. O que afastaria a aplicação da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Fl. 867DF CARF MF Processo nº 10980.013136/200217 Acórdão n.º 9303004.389 CSRFT3 Fl. 572 17 Com efeito, é de se clarificar que o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 trata do lançamento de ofício – como regra geral, não alcançando as hipóteses de compensação referendadas no caput do art. 18 da Lei 10.833/03 que faz referência aos lançamentos de ofício de que trata o art. 90 da MP 2.15835/01. Ora, o art. 90 da MP trata especificamente do lançamento de ofício das "diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal". Entendo ser plenamente aplicável o instituto da retroatividade benigna, nesse caso – tal como estabelece o art. 106 do Código Tributário Nacional: "Art. 106 . A lei aplica se a ato o u fato pretérito: 1 em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática ". Com a aplicação do instituto da retroatividade benigna, há de ser afastada a aplicação da multa de ofício, para se adotar a multa de mora – considerando a redação do art. 18 da Lei 10.833/03 com a redação dada pela Lei 11.488/07. Fl. 868DF CARF MF 18 Em vista de todo o exposto, voto, no mérito, em negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, mantendo o decidido no acórdão recorrido. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator designado Fui incumbido de explicitar as razões do colegiado para conhecer do recurso também quanto à aplicabilidade do art. 170A a processos envolvendo compensação iniciados antes de sua edição, cuja divergência aa relatora entendeu não comprovada. Para tanto, constatamos que ambas as decisões, recorrido e paradigma, discutiase pedido de compensação protocolado após a entrada em vigor da Lei Complementar 104 mas referentes a ações judiciais propostas em data anterior; enquanto o paradigma entendeuo aplicável, a decisão recorrida o afastou com base na decisão do STJ já indicada. Observamos que, igualmente, ambas foram proferidas após aquela decisão e mesmo após a existência do art. 62A do RICARF. Ora, isso é o que basta ao conhecimento do recurso: mesmos fatos, decisões opostas, prequestionamento evidente. Não nos pareceu, por isso, que a objeção levantada pela relator, qual seja, a existência de discussão, no recorrido, da aplicabilidade ou não do art. 170A, enquanto o paradigma não a tenha encetado seja motivo para o não conhecimento do recurso. A divergência que se tem de comprovar é na aplicação da legilsação tributária e não entre os argumentos desenvolvidos em cada caso. Por óbvio, o requisito do prequestionamento exige que a matéria que se quer ver reexaminada pela CSRF tenha sido enfrentada na decisão recorrida. E isso, claramente, ocorreu. Com essas considerações, o colegiado conheceu integralmente do recurso da Fazenda Nacional, sendo essa a parte do acórdão que me coube redigir. (Assinado digitalmente) Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 869DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.722291/2012-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o prequestionamento das matérias recorridas.
REMUNERAÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. ABRANGÊNCIA CONCEITUAL E LEGISLATIVA.
O conceito de remuneração permite à legislação abarcar rubricas como vencimento, soldo, subsídios, pro-labore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição que remunere, de sorte a englobar, nos exatos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado) e a disponibilidade (tempo à disposição), como também quaisquer outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais, ressalvadas as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. Quanto ao conceito de salário-de-contribuição para empregados e avulsos, a Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindo-o como a remuneração auferida,assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho (art. 28 da Lei n° 8.212/91), ressalvadas,igualmente,as regras de inclusão,exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91.
SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. AVISO PRÉVIO.
Considerando-se que o aviso prévio faz parte da retribuição que remunera o contrato de trabalho e que inexiste previsão de sua exclusão na norma tributária previdenciária impõe-se a exigência do tributo sobre essa rubrica da folha de pagamento quando o empregador não efetua seu recolhimento.
SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. PRIMEIROS 15 DIAS DE AUXÍLIO-DOENÇA.
Os valores decorrentes da obrigação legal de pagar o salário devido ao empregado nos primeiros 15 dias de afastamento por doença (também denominado de salário-enfermidade), caracteriza interrupção do contrato de trabalho, mantida sua característica de verba salarial, assim passível de sofrer a incidência das contribuições previdenciárias, patronal e a cargo do empregado.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9202-005.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte quanto (1) à tributação do aviso prévio indenizado e 13º a ele proporcional e (2) à tributação do auxílio doença nos primeiros quinze dias. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o prequestionamento das matérias recorridas. REMUNERAÇÃO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. ABRANGÊNCIA CONCEITUAL E LEGISLATIVA. O conceito de remuneração permite à legislação abarcar rubricas como vencimento, soldo, subsídios, prolabore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição que “remunere”, de sorte a englobar, nos exatos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado) e a disponibilidade (tempo à disposição”), como também quaisquer outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais, ressalvadas as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. Quanto ao conceito de saláriodecontribuição para empregados e avulsos, a Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindoo como a remuneração auferida,“assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho” (art. 28 da Lei n° 8.212/91), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 22 91 /2 01 2- 49 Fl. 720DF CARF MF 2 ressalvadas,igualmente,as regras de inclusão,exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. AVISO PRÉVIO. Considerandose que o aviso prévio faz parte da retribuição que remunera o contrato de trabalho e que inexiste previsão de sua exclusão na norma tributária previdenciária impõese a exigência do tributo sobre essa rubrica da folha de pagamento quando o empregador não efetua seu recolhimento. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PRIMEIROS 15 DIAS DE AUXÍLIO DOENÇA. Os valores decorrentes da obrigação legal de pagar o salário devido ao empregado nos primeiros 15 dias de afastamento por doença (também denominado de salárioenfermidade), caracteriza interrupção do contrato de trabalho, mantida sua característica de verba salarial, assim passível de sofrer a incidência das contribuições previdenciárias, patronal e a cargo do empregado. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte quanto (1) à tributação do aviso prévio indenizado e 13º a ele proporcional e (2) à tributação do auxílio doença nos primeiros quinze dias. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 721DF CARF MF Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 9202005.212 CSRFT2 Fl. 721 3 Relatório Do Processo, até a Decisão Recorrida Trata o presente processo de 03 autos de infração (AI), com relatórios fiscais às e fls. 36 a 40 (contribuições) e 050 a 053 (multa). Os autos de infração englobam créditos previdenciários envolvendo descumprimentos de obrigação principal (AIOP) e de obrigação acessória (AIOA), relativamente às contribuições sociais devidas à Seguridade Social, correspondente à incidência sobre a parcela patronal, contribuições destinadas a terceiros, e multa por descumprimento de obrigação acessória, conforme a seguir, resumidamente, são discriminados: AIOP DEBCAD Nº DESCRIÇÃO CIÊNCIA EFLS. VALOR 51.022.9425 Contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social,. devidas pela empresa destinadas: ao FPAS (competências 13º/2009 e 13º/2010 a 03/2011), bem como ao financiamento dos benefícios do GILRAT (competências 01/2009 a 13º/2011) 28/09/2012 5 3.713.138,25 51.022.9379 Contribuições sociais destinadas às outras entidades ou fundos, ditas ‘terceiros’: SEST, SENAT, ICRA, SEBRAE E SALÁRIO EDUCAÇÃO (competências 13º/2009 e 13º/2010 a 03/2011). 26/09/2012 19 506.901,63 TOTAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS 4.220.039,88 AIOA DEBCAD Nº DESCRIÇÃO CIÊNCIA EFLS. VALOR 51.007.8788 CFL 77 penalidade decorrente não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, relativa às competências 13º/2007, 13º/2009 e 13º/2010. 26/09/2012 25 32.119,12 TOTAL GERAL (OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS + OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS) 4.252.159,00 A contribuinte, às efls. 755 a 775, impugnou todos os lançamentos, em 25/10/2012, às efls. 65 a 73 (DEBCAD 51.007.8788), efls. 88 a 135 (DEBCAD 51.022.9425) e efls. 328 a 349 (DEBCAD 51.022.9379). A 6ª Turma da DRJ/CTA considerou improcedente as impugnações, por Fl. 722DF CARF MF 4 unanimidade de votos, conforme disposto no acórdão n° 06.46.750 de 29/04/2014, às efls. 384 a 403, para manter os créditos tributários exigidos. Inconformada, em 17/06/2014, a contribuinte apresentou recurso voluntários, à efls. 413 a 483, nos quais argumentava, em síntese (extraída do acórdão do recurso voluntário às efls. 493 a 494): § Nulidade do lançamento em razão de modificação ilegal do MPF; § Nulidade pela ausência de lançamento complementar para o período de 01/2007 a 13/2007, fiscalizado a posteriori; § Nulidade do procedimento, por cerceamento de defesa, em razão da ausência de perícia para a definição da base de cálculo controversa; ∙ § Que a denúncia espontânea restou configurada; § Nulidade por alteração irregular do Auto de Infração nº 51.022.9425; § Nulidade do Auto de Infração por erro na determinação da base de cálculo, devido à inclusão de rubricas não sujeitas à incidência de Contribuições Previdenciárias; § Nulidade do lançamento pela impossibilidade de cobrança da contribuição destinada ao INCRA; § Que deve ser aplicada nas competências de 01/2007 a 11/2008 tão somente a multa de mora, no percentual aplicável à época, de 24%, na forma do art. 35 da Lei 8.212/91, tendo em vista inexistir na ocasião previsão legal de multa de ofício; § Nulidade do lançamento pela impossibilidade de cobrança da contribuição destinada ao SAT/RAT pela sistemática instituída pelo Decreto nº 6.957/2009; ∙ § Que a multa de ofício de 75% tem caráter confiscatório. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 11/03/2015, resultando no acórdão 2302003.685, às efls. 488 a 571, que tem a seguinte ementa: PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem como destinatária final a Autoridade Julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendolhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 723DF CARF MF Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 9202005.212 CSRFT2 Fl. 722 5 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A partir da edição da Lei n.º 8.620/93, é legítima a tributação em separado da contribuição previdenciária sobre o valor bruto do 13º salário. A verba despendida pela empresa a título de décimo terceiro salário não integra o rol numerus clausus de hipóteses legais de não incidência tributária consolidado no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, configurandose como rubrica abraçada pelo conceito jurídico de Salário de Contribuição. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO MATERNIDADE. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ART. 28, §2º, DA Lei nº 8.212/91. O Salário Maternidade integra o conceito jurídico de Salário de Contribuição, sujeitandose à incidência dos encargos sociais de responsabilidade da empresa. REsp nº 1.230.957RS, julgado segundo o regime previsto no art. 543C do CPC. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. HORAS EXTRAS. ADICIONAL NOTURNO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integram o conceito jurídico do salário de contribuição, dado ao seu eminente caráter remuneratório, as importâncias pagas a segurados obrigatórios do RGPS a título de horas extras e adicional noturno. REsp nº 1.358.281 SP, julgado segundo o regime previsto no art. 543C do CPC. FÉRIAS GOZADAS. ADICIONAL CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 214, §4º, DO RPS. A remuneração de férias e seu respectivo adicional de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal possuem natureza remuneratória e, nessa condição, integram o salário decontribuição, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos expressos no §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. AUXÍLIO DOENÇA. AFASTAMENTO POR INCAPACIDADE. ÔNUS DA EMPRESA. O salário do segurado empregado correspondente aos primeiros 15 dias de afastamento por doença é custeado integralmente pela empresa, e, a partir de então, pelo INSS. Fl. 724DF CARF MF 6 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE E INSALUBRIDADE. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Consoante entendimento pacífico no âmbito do STJ e do TST, os adicionais insalubridade e de periculosidade constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADICIONAL DE TRANSFERENCIA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O adicional de transferência previsto no §3º do art. 469 da CLT configurase adicional remuneratório, pago mensalmente, com habitualidade enquanto perdurar a transferência, em percentual nunca inferior a 25% do quanto recebia o trabalhador na localidade de origem, o qual adicional, dada a sua habitualidade, passa a integrar o salário para fins de incidência de Contribuições Previdenciárias, consoante determinação constitucional prevista no §11 do art. 201 da Carta de 1988. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 60 DA AGU. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, a teor da Súmula nº 60 da Advocacia Geral da União, de 08/12/2011, em atenção às disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. CONTRIBUIÇÃO PARA SAT. FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO E DO CONCEITO DE ATIVIDADE PREPONDERANTE POR DECRETO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. A definição, por Regulamento Presidencial, dos conceitos de atividade preponderante e do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapola os limites insertos na legislação previdenciária, porquanto tenha detalhado tão somente o seu conteúdo, sem, todavia, lhe alterar os elementos essenciais da hipótese de incidência, inexistindo, portanto, qualquer ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 97 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. AIOP. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa de ofício decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias, Fl. 725DF CARF MF Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 9202005.212 CSRFT2 Fl. 723 7 aplicada em lançamento de ofício de contribuições previdenciárias. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. ATOS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. As intimações dos Atos Processuais devem ser feitas de maneira pessoal, pelo autor do procedimento, como também por via postal ou por meio eletrônico, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado, respectivamente, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, ou o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária ao Sujeito Passivo, desde que por este autorizado, a teor dos incisos I, II e III, do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, inexistindo ordem de preferência. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55. Recurso Voluntário Provido em Parte O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir do lançamento, tão somente, as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a título de valetransporte, em atenção à Súmula nº 60 da AGU, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Embargos da Fazenda O Delegado da Receita Federal em Florianópolis encaminhou embargos de declaração, em 06/07/2015, às efls. 579 a 581, em face de contradição entre o acórdão prolatado e as verbas constantes dos resumos de folhas de pagamento apresentados pela empresa, tendo em vista que aquele aresto entendeu por excluir do lançamento tão somente as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a título de valetransporte, mas inexistiam registros destes pagamentos na documentação apresentada com a impugnação. Em 14/08/2015, apreciando o despacho nº 2104086, o Presidente da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, rejeitou os embargos, entendendo que o acórdão estaria em consonância com a fundamentação do voto, inexistindo contradição a ser sanada. RE do contribuinte Fl. 726DF CARF MF 8 Intimada (efl. 595) do acórdão de recurso voluntário, dos embargos interpostos pela Fazenda Nacional e da inadmissibilidade destes, em 18/01/2016 (efl. 596), a contribuinte interpôs recurso especial de divergência em 02/01/2016, às efls. 598 a 614. A recorrente aponta divergência relacionadas a três matérias distintas: a) aviso prévio indenizado e 13º a ele proporcional, entendendo que não haja contraprestação trabalhista nesta verba, não incidindo assim contribuição previdenciária sobre eles, sendo sustentada a divergência pelo acórdão paradigma nº 2803004.204; b) auxílio doença nos primeiro quinze dias, igualmente não é pago por retribuição ao trabalho prestado, sendo indenizatório, também não devendo ser devida a contribuição previdenciária sobre estas verbas; apresenta como paradigmas os acórdãos nº 2402003.570 e nº 2803004.204; c) inaplicabilidade da multa de ofício do art. 35A da Lei nº 8.212/1991, c/c o art. 44 da Lei nº 9.430/1996, para o período de apuração entre 01/2007 e 11/2008, quando a mais benéfica seria a do art. 35, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, em atendimento ao art. 106 do CTN; utiliza como paradigmas os acórdãos nº 2403002.592 e nº 2301003.093. Requer por fim que seja admitido o seu RE para obter a reforma do acórdão recorrido, para afastar a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, de terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas e dos valores pagos nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, bem como a aplicação somente da multa de mora, no percentual aplicável a época (20%), por ser essa mais benéfica ao Contribuinte (princípio da retroatividade benigna). A Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, através do despacho de efls. 691 a 698, em 29/03/2016, deu seguimento ao RE interposto pela contribuinte para que fossem reapreciadas as três matérias, tendo em vista a similitude das situações fáticas dos acórdãos paradigmas e recorrido que geraram as decisões divergentes. Contrarrazões da Fazenda Cientificada do RE da contribuinte em 31/03/2016 (efl. 699), a Procuradoria da Fazenda, em 04/04/2016, às efls. 700 a 718, apresentou contrarrazões a ele. Naquela peça, o Procurador da Fazenda traz os seguintes argumentos para cada matéria admitida do RE: a) aviso prévio indenizado e 13º proporcional a ele: alterações decorrentes da vigência da Lei nº 9.528/1997, modificando o § 9º da Lei nº 8.212/1991 trazem corretamente o aviso para o campo de incidência, porque essa remuneração não indeniza o trabalhador se beneficia da manutenção do vinculo trabalhista naquele período, o tempo do aviso é considerado tempo de trabalho e influi na concessão dos benefícios previdenciários; b) auxílio doença nos primeiro quinze dias: considerandose a interpretação literal e restritiva da legislação tributária em matéria de isenção e sendo um rendimento pago nos moldes do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, não afastado pelo § 9º da mesma norma, correta a incidência de contribuição previdenciária sobre tais pagamentos; c) aplicação da multa mais benéfica: defende a aplicação do disposto na IN RFB nº 971 de 13/11/2009, Em conclusão, a Procuradora da Fazenda requer a que seja denegado o RE da contribuinte. É o relatório. Fl. 727DF CARF MF Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 9202005.212 CSRFT2 Fl. 724 9 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo. Antes de iniciar a análise das matérias que realmente se apresentam em divergência, entendo que a última delas, relativa às penalidades não pode ser conhecida. Ocorre que, analisando o acórdão recorrido, verificase não se tratar da discussão da correta forma de aplicação da retroatividade benigna, com relação às multas. Com efeito, a discussão foi centrada em: alegado caráter confiscatório da penalidade de 75% e sua constitucionalidade (esse o questionamento que a contribuinte levantou no item 12 do seu recurso voluntário, às efls. 477 a 483); e inexistência de lançamento de contribuições previdenciárias no período anterior à atual legislação que rege a multa. A seguir, para fins de esclarecimento, encontrase reproduzido o trecho do voto condutor que enfrenta a questão: O Recorrente alega nulidade da autuação, por não ter sido aplicada a multa moratória mais benéfica. Muito longe da razão ! O Recorrente aduz que deveria ser aplicada nas competências de 01/2007 a 11/2008 tão somente a multa de mora, no percentual aplicável à época, de 24%, na forma do art. 35 da Lei 8.212/91, tendo em vista inexistir na ocasião previsão legal de multa de ofício. Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de apreciação e julgamento por este Sodalício em razão de não possuírem referibilidade ao objeto do lançamento ora em debate. Conforme se observa dos relatórios que integram o vertente lançamento, o período de apuração dos Fatos Geradores de Contribuição Previdenciária que compõem o presente Processo Administrativo Fiscal encontrase limitado ao horizonte temporal de 01/01/2009 até 31/12/2011, ocasião em que já se encontrava vigente e eficaz a MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Inexiste no vertente Processo Administrativo Fiscal qualquer lançamento decorrente de fatos geradores que tenham ocorrido nas competências de 01/2007 a 11/2008, de onde se conclui que as alegações do Recorrente fogem ao objeto do vertente processo. Por tais razões, urge ser rejeitada ainda mais esta vez a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente. Fl. 728DF CARF MF 10 Assim, para que a recorrente pudesse discutir a retroatividade benigna em relação às multas no Recurso Especial, teria que trazer como acórdão paradigma uma decisão que a tivesse aplicado em detrimento da inexistência de lançamento em período anterior à vigência da atual legislação. Ora, os paradigmas trazidos referemse a períodos anteriores à novel legislação. Portanto, por diferença fática entre a matéria debatida nos acordãos recorrido e paradigma, fica impossibilitada a verificação de divergência jurídica. Esclareçase aqui que o único crédito tributário lançado em período anterior à vigência da MP nº 449/2008, referente ao 13º de 2007, de multa isolada por descumprimento de obrigação acessória (AI 77), apresentação intempestiva de documento. Salientese também, que o auto de infração que abrange esse único período de apuração anterior à vigência da MP nº 449/2008 está vinculado ao DEBCAD nº 51.007.878 8 e este trata de multa isolada por descumprimento de obrigação acessória. Já os autos de infração de ambos os paradigmas apresentados tratam de obrigações principais. O paradigma nº 2403002.592 se refere a auto de infração almeja o recolhimento de contribuições sociais que se referem à quota patronal com alíquota de 20% incidente sobre a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviço, não declaradas em GFIP. Já o paradigma nº 2301003.093, discutiu auto de infração de obrigação principal, correspondente à parte da empresa, inclusive o RAT (Riscos Ambientais de Trabalho) incidente sobre valor de premiação paga a empregados. Assim, resta claro que o recorrido e os paradigmas não apresentam a similitude fática necessária à admissão do recurso especial de divergência. Por esses motivos, com a devida vênia da Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento voto por não conhecer da matéria relativa a aplicação de multa mais benéfica. No meu entender, as demais matérias atendem aos requisitos de admissibilidade e por isso passo a analisálas a seguir. Iniciase perquirindo da definição normativa vigente do que seja o saláriode contribuição, que leva à base de cálculo das contribuições previdenciárias para o empregado ou trabalhador avulso, o art. 28, inc. I da Lei nº 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 729DF CARF MF Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 9202005.212 CSRFT2 Fl. 725 11 a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade;( Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT;( Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (g.n.). e) as importâncias:(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. recebidas a título da indenização de que trata oart. 9ºda Lei nº7.238, de 29 de outubro de 1984;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; Fl. 730DF CARF MF 12 i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP;( Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata oart. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 731DF CARF MF Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 9202005.212 CSRFT2 Fl. 726 13 v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no§ 8º do art. 477 da CLT.(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Além disso, é preciso investigar sobre os limites de incidência dessas contribuições e para tanto me socorro dos argumentos manifestados pelo Conselheiro André Luis Mársico Lombardi, no acórdão nº 2401003.943, abaixo transcrito: A base de cálculo das contribuições providenciarias está definida no art. 28 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, que estabelece o conceito de saláriodecontribuição e discrimina as verbas que sofrem ou não a incidência da contribuição providenciaria. Em que pese os limites estabelecidos para a análise da inconstitucionalidade de lei no âmbito administrativo (Súmula CARF n° 2 e art. 62 do RICARF), não se pode dizer que o art. 28 tenha extrapolado os lindes normativos definidos pela Constituição Federal. Com efeito, conforme já observamos em nossa dissertação de mestrado, "o art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados".1 No que se refere à contribuição dos segurados, a Constituição "não faz qualquer menção aos seus contornos básicos (art. 195, II), exceto quando estipula no § 11 do art. 201 que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. De tal referência extraise apenas o elemento da base de cálculo". Assim, podese concluir que, fora destes limites da base imponível do tributo "folha de salários", "demais rendimentos" e "ganhos habituais", sendo que este último não deixa de ser "rendimento" , "a lei não pode estabelecer a incidência, salvo mediante a instituição de nova fonte de custeio por lei complementar, conforme determinação do art. 195, §4°, da CF". E, dentro dos mencionados parâmetros constitucionais, a Lei n° 8.212/1991, em seu art. 11. delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual incide sobre a "remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço" (parágrafo único, alínea a) e dos trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre o seu "saláriodecontribuição" (parágrafo único, alínea b). Portanto, temos que adentrar na análise da lei previdenciária para definir o conceito de "remuneração" e de "saláriode contribuição". Fl. 732DF CARF MF 14 Entendemos que remuneração "pode ainda abarcar os conceitos de vencimento, soldo, subsídios, prólabore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição que "remunere, de sorte a englobar, nos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado) e a disponibilidade (tempo à disposição"), como também outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais. Quanto ao conceito de saláriodecontribuição para empregados e avulsos, a Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindoo como a remuneração auferida, "assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho" (art. 28 da Lei n° 8.212/91). Notese que a Lei não falou em "contraprestação" (uma prestação por outra), mas sim em "retribuição", ressoando a crítica da doutrina trabalhista quanto à definição de salário contida no art. 457 da CLT, que faz uso da expressão "contraprestação" ao invés de "retribuição". Dai Alice Monteiro de Barros afirmar que: preferimos conceituar o salário como a retribuição devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, de forma habitual, não só pelos serviços prestados, mas pelo fato de se encontrar à disposição daquele, por força do contrato de trabalho. Como o contrato é sinalagmático no conjunto e não prestação por prestação, essa sua característica justifica o pagamento do salário nos casos de afastamento do empregado por férias, descanso semanal, intervalos remunerados, enfim, nas hipóteses de interrupção do contrato. (Curso de direito do trabalho. 7a ed.. São Paulo: LTr, 2011. p. 591) Assim, verificase que, quanto ao segurado empregado e avulso, o conceito legal estabelecido é amplo, de forma a abarcar todo e qualquer título que sirva para retribuir a prestação de serviços. Todavia, é preciso ressaltar que a base de cálculo é apurada mediante o cotejamento dos conceitos supradescritos com as regras de inclusão, exclusão e os limites descritos nos parágrafos do mesmo artigo. Todas essas regras valem também para a formação da base de cálculo da contribuição das empresas, que é a "remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço" (parágrafo único, alínea a, do art. 11 da Lei n° 8.212/1991, bem como art. 22,1 e II, da mesma lei). Assim, tanto nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxíliodoença ou auxílioacidente (art. 60, § 3o, da Lei n° 8.213/91), como no saláriomaternidade (art. 28, § 2o, da Lei n° 8.212/91) e nas férias (art. 7o, XVII, da CF, e art. 129 da CLT), bem como sobre o avisoprévio indenizado (art. 487 e seguintes da CLT), temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. Fl. 733DF CARF MF Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 9202005.212 CSRFT2 Fl. 727 15 O caráter remuneratório dos adicionais de férias (art. 7o, XVII, da CF), de horas extras (art. 7o, XVI, da CF), noturno (art. 7°, IX, da CF), de insalubridade (art. 7o, XXIII, da CF) e de periculosidade (art. 7o, XXIII, da CF), é inequívoco, pois tratam se de conquistas sociais que nada mais representam senão uma retribuição legal pelo trabalho, de sorte que não haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório. Notese que não se desconhece a recente decisão do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1.230.957, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), que estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado. Ocorre que este relator opta por manter o seu entendimento quanto à base imponível do saláriode contribuição, tendo em vista não estar ainda vinculado ao decisório, posto que não se trata de decisão definitiva de mérito (art. 62A, do RICARF). Vejase que, também quando da presente análise, continua sem trânsito em julgado o REsp 1.230.957, conforme tela do sitio do STJ extraída em 17/02/2017: Dessarte, entendo que a interpretação acima permite concluir que as duas matérias tratadas, tanto o aviso prévio indenizado quanto o auxílio doença nos primeiros quinze dias de afastamento integram a retribuição contratual havida no conjunto dos períodos em que vige o contrato de trabalho. Para que não integrassem o saláriodecontribuição, a única solução seria serem parte das exclusões apontadas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, mas isso tampouco se verifica. Fl. 734DF CARF MF 16 Além disso, no que toca especificamente aos primeiros 15 dias de afastamento do trabalhador por auxíliodoença, me socorro dos argumentos do Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, redator do voto vencedor no acórdão nº 9202004.352, desta 2ª Turma, em 23/08/2016, quando assim se manifestou: Em linha com o acima disposto, verifico também não fazer parte do rol das exclusões constantes do referido §9°. os primeiros quinze dias de afastamento do trabalhador, quando de auxílio doença, custeados pela empresa na forma legalmente estabelecida (normalmente conhecidos como salário enfermidade). Ainda, ao analisar o artigo 60, caput e parágrafo 3°, da Lei n°. 8.213, de 24 de julho de 1991, verifico que tais dispositivos, quando interpretados conjuntamente, apontam, como bem defendido pelo voto vencedor do Acórdão sob análise, para hipótese de interrupção do contrato de trabalho durante os primeiros 15 dias de afastamento do empregado, caracterizadas aqui a manutenção da outorga de salários, do vínculo contratual, bem como o cômputo deste intervalo para fins de tempo de serviço, até que a incapacidade laboral do empregado tornese juridicamente relevante e, assim, este passe a auferir o beneficio do auxíliodoença, agora a partir do 16°. dia. A partir de então, tem o empregado seu contrato suspenso (em licença não remunerada). Reza o dispositivo (redação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores em questão): Art. 60. O auxíliodoença será devido ao segurado empregado a contar do décimo sexto dia do afastamento da atividade, e. no caso dos demais segurados, a contar da data do início da incapacidade e enquanto ele permanecer incapaz. (Redação dada pela Lei n° 9.876. de 26.11.99) (...) 3o Durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbirá à empresa pagar ao segurado empregado o seu salário integral. (Redação Dada pela Lei n° 9.876. de 26.1 í. 99)(g.n.) §4º A empresa que dispuser de serviço médico, próprio ou em convênio, terá a seu cargo o exame médico e o abono das faltas correspondentes ao período referido no § 3o. somente devendo encaminhar o segurado à perícia médica da Previdência Social quando a incapacidade ultrapassar 15 (quinze) dias. Diante de tais dispositivos legais, entendo que o melhor posicionamento é o de que se está, também aqui, ou seja, no caso da verba paga referente aos primeiros 15 dias de afastamento do trabalhador por auxíliodoença, diante de verba de natureza nitidamente remuneratória, salarial, passível de incidência das contribuições previdenciárias, sem que se possa cogitar de exclusão da rubrica da base de cálculo da contribuição devida, seja pelo empregador seja pelo empregado, visto, notese, de forma consistente, não restar mencionada no já tratado art. 28, §9°. da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 735DF CARF MF Processo nº 11516.722291/201249 Acórdão n.º 9202005.212 CSRFT2 Fl. 728 17 Com base nesses argumentos, entendo que os lançamentos devem ser mantido quanto à incidência de contribuição previdenciária sobre as rubricas contestadas pela recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso especial de divergência que trata da retroatividade benigna da multa isolada por descumprimento de obrigação acessória e conhecer das demais matérias recorridas, negandolhes provimento, contudo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 736DF CARF MF
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