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Numero do processo: 10730.001961/2011-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2016
DESPESAS MÉDICAS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA.
A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Honório Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2016 DESPESAS MÉDICAS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária.
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MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Honório Albuquerque de Brito (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 19 61 /2 01 1- 10 Fl. 71DF CARF MF 2 Tratase de processo apenso ao de número 10730.011398/200884, em que se pretende reconhecimento da isenção pelo fato de o Recorrente ser portador de cardiopatia grave, referente ano ano calendário de 2005, exercício 2006. Esta pretensão foi efetuada quando da apresentação da Impugnação referente ao processo 10730.011398/200884, onde discutiase glosa de despesas médicas por falta de endereços dos prestadores de serviço nos recibos apresentados durante a ação fiscal e por determinação da Delegacia de Julgamento foi apensado este processo aquele que cuida especificamente de suposto crédito tributário oriundo de despesas médicas não comprovadas. Na decisão do pleito formulado neste processo apenso, a Delegacia confirma que três fontes pagadoras remuneraram o Recorrente como proventos de pensão. Além disso, a decisão menciona que o Laudo Médico oficial atesta a existência da cardiopatia grave e a ocorrência de cirurgia delicada feita no Recorrente em razão de infarto agudo de miocárdio (2002). No entanto, questiona a Delegacia se a doença grave ainda existia no ano calendário em analise (2005). Posteriormente, sustenta a Delegacia que não poderia efetuar revisão de ofício do lançamento eis que o direito da fazenda estaria extinto (fulminado pela decadência). Sustenta que se o lançamento se refere ao ano base de 2005, nenhuma revisão poderia ser feita depois de janeiro de 2011. Assim sendo, maneja o Contribuinte o Recurso Voluntário dando argumentos para sustentar a existência da moléstia de forma inequívoca, para sustentar que não deverseia aplicar o racional da decadência da revisão de ofício no caso em apreço e pleiteia a revisão da decisão recorrida para que seja declarado o direito de crédito do Contribuinte em razão da isenção decorrente de cardiopatia grave desde 2002, conforme comprovado por laudos médicos oficiais. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Moléstia grave e decadência do direito de lançar Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10730.001961/201110 Acórdão n.º 2001001.242 S2C0T1 Fl. 3 3 Consoante art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713/88A, a qual altera a legislação do imposto de renda e dá outras providência, são seguintes as hipóteses de isenção do imposto sobre a renda: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(destaque nosso) Noutro giro, de acordo com os termos do art. 111 do Código Tributário Nacional – CTN, a legislação tributária que trata de isenção de imposto de renda deve ser interpretada literalmente. Senão vejamos: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Como se vê, pelos dispositivos transcritos, para o contribuinte portador de moléstia grave ter direito à isenção são necessárias duas condições concomitantes, uma é que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão ou ainda de complementação de aposentadoria e a outra é que seja portador de uma das doenças previstas no texto legal, comprovada por laudo pericial emitido por médico integrante do Serviço Médico Oficial, inclusive devendo ser identificado no laudo, o n.º de registro do profissional no órgão público. No caso em tela, verificase que o contribuinte comprova a sua condição de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda (junta diversos relatórios médicos, atestado de cirurgia em decorrência de infarto no miocárdio e laudo médico oficial confirmando ser portador de cardiopatia grave). E comprova que recebia rendimentos de pensão/aposentadoria. Fl. 73DF CARF MF 4 Ocorre que, a Delegacia da Receita Federal em Niterói questiona brevemente a manutenção da moléstia grave, eis que não teria sido feita nenhuma revisão entre 2002 e 2005. Entendo que não merece prosperar esse argumento pois não há nada na legislação que obrigue que seja feita revisão por período determinado ou exija novo laudo em determinado lapso temporal. Na seqüência, alegase na mesma decisão que não poderia efetuar revisão de ofício do lançamento eis que o direito da fazenda estaria extinto (fulminado pela decadência). Sustenta que se o lançamento se refere ao ano base de 2005, nenhuma revisão poderia ser feita depois de janeiro de 2011. Em que pese tal argumento de decadência do direito de lançar ter sustento em algumas decisões, no entender desse colegiado não deve se aplicar este racional em casos como este que estamos analisando. Vejamos. Sabese que a revisão de ofício é uma das formas de controle administrativo das atividades dos órgãos e prepostos fiscais. Ou seja, essa atividade da Administração é decorrente da necessidade de oferecer aos administrados satisfação das suas necessidades coletivas e atendimento dos seus direitos individuais. Nesse sentido, a legislação pertinente não deve conter limites que repercutam de maneira indesejável tanto para a Administração quanto para o administrado. Os limites devem ter um sentido prático, como o estabelecido na Lei nº 9.784, de 1999, que impede a Administração de proceder à anulação dos seus atos, após 05 (cinco) anos, na hipótese em que essa anulação venha em prejuízo do Administrado e não seja caracterizada máfé. O parágrafo único do art. 149 do CTN não referencia exclusivamente o prazo decadencial como limite para a revisão de ofício, salvo aquela da qual resulte a majoração do valor originalmente lançado em razão de aspectos intrínsecos à relação jurídicotributária demonstrada no primeiro lançamento. Observase, pois, que o prazo decadencial somente atinge a obrigação tributária se não tiver havido a constituição do crédito tributário correspondente, nunca podendo atingir a obrigação relativa a crédito já constituído. Nesse contexto, não há como se cogitar que o referido prazo deva servir de referência para a revisão de ofício de lançamento que resulte na diminuição ou na supressão total do valor lançado, já que, com relação a esse crédito tributário, o prazo decadencial foi afastado pelo lançamento. Vale frisar, ademais, que princípios constitucionais como o da moralidade, da legalidade e da eficiência administrativa justificam claramente a revisão de ofício, pois estão hierarquicamente superior ao § único do art. 149 do CTN (como se este dispositivo estivesse a prever a referida restrição). Assim sendo, entendemos que também não merecer prosperar o argumento sustentado na decisão a quo para negar o reconhecimento do Contribuinte à sua condição de moléstia grave e isenção do imposto de renda. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10730.001961/201110 Acórdão n.º 2001001.242 S2C0T1 Fl. 4 5 Merece trazer à baila apenas a título de reflexão jurídica, a importância do princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Fl. 75DF CARF MF 6 Acrescentese também a ponderação do princípio constitucional da razoabilidade. Na vida em sociedade, o modo de agir com razão, ou mesmo, ser razoável nas decisões cotidianas é benéfico para inibir a opressão aos mais fracos. Não sendo diferente, a Constituição acolhe a razoabilidade como princípio a ser perseguido. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação e constante boa fé do contribuinte em comprovar tudo o quanto alegado, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário, para que seja reconhecida a condição de moléstia grave do Contribuinte e seu direito a isenção do imposto de renda. Assim sendo, entendo que deve ser revisada a Declaração de pessoa física do contribuinte pelo órgão de origem para que seja devidamente levantado o seu direito creditório. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.720959/2013-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio.
A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindo-se toda a matéria não impugnada ou não recorrida.
PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125.
Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI.
Recurso Voluntário negado na parte conhecida
Numero da decisão: 3402-006.463
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindo-se toda a matéria não impugnada ou não recorrida. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Recurso Voluntário negado na parte conhecida
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1974; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.720959/201310 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402006.463 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de abril de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente COOPERATIVA RIO DO PEIXE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Recurso Voluntário negado na parte conhecida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 09 59 /2 01 3- 10 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10925.720959/201310 Acórdão n.º 3402006.463 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre Pedido de Ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa vinculada às receitas de exportação, transmitido através do PER/Dcomp, pela Cooperativa Rio do Peixe, CNPJ nº 84.590.314/000181, posteriormente incorporada pela Cooperativa de Produção de Consumo de Concórdia. A autoridade administrativa deferiu parcialmente o referido pleito, em síntese, sob os seguintes fundamentos: a) as receitas de revendas da interessada gerariam créditos passíveis apenas de abatimento do valor da contribuição a pagar, mas não de ressarcimento; b) seria vedado o aproveitamento de crédito decorrente da aquisição de insumos referentes a produtos agropecuários vendidos com suspensão das contribuições; c) houve necessidade de ajuste do percentual de rateio para o ressarcimento dos créditos, pois representa a relação proporcional entre as receitas de venda de produtos produzidos com alíquota maior que zero, isentos ou não alcançados pela tributação em relação à receita total obtida; d) as receitas de revendas de produtos adquiridos com alíquota zero, isentos ou não tributáveis não gerariam direito ao crédito, conforme art. 3º, § 2º, II, Lei nº 10.637/2002; e) não seria possível a tomada de créditos em relação a produtos farmacêuticos com tributação concentrada, em virtude da vedação contida nos arts. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. A interessada apresentou sua defesa em face da parte do despacho decisório relativa às glosas do crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do Acórdão nº 14075.912. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10925.720959/201310 Acórdão n.º 3402006.463 S3C4T2 Fl. 4 3 Cientificada dessa decisão, a interessada interpôs o recurso voluntário ora em apreço, sustentando, em síntese: i) A realocação da totalidade do crédito sobre a revenda de mercadorias exclusivamente para o mercado interno tributado está em evidente descompasso com as disposições legais que tratam dessa matéria. Em sintonia com as disposições do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 erigiu comando muito claro do sentido de que o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e do art. 15 da Lei n° 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção de crédito assegurada pelo art. 17, da Lei nº 11.033/2004, poderá ser objeto de compensação ou, então, de pedido de ressarcimento em espécie. ii) A recorrente requer o reconhecimento do direito de direito de receber o valor do seu crédito atualizado monetariamente, pela taxa Selic, desde a data do protocolo do seu pedido até a data do efetivo ressarcimento. Ademais, a atualização do crédito pela taxa Selic decorre também da aplicação do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito na parte pertinente, por se tratar de matéria julgada na sistemática do art. 543 C, do Código do Processo Civil pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp 993.164). É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.455, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10925.720279/201018, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.455): "Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último em relação à matéria contestada. Na manifestação de inconformidade, a interessada somente se insurgiu em face das glosas relativas ao crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz alegações sobre outra matéria objeto do Despacho Decisório que não constou na sua primeira defesa, qual seja, a realocação da "totalidade do crédito relativo a bens para revenda, Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10925.720959/201310 Acórdão n.º 3402006.463 S3C4T2 Fl. 5 4 informado na linha 01, das Fichas 06A e 16A, do Dacon, exclusivamente, para o mercado interno tributado". Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/721, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que a matéria contestada submetida à primeira instância que determina os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. O efeito devolutivo do recurso somente pode dizer respeito àquilo que foi decidido pelo órgão a quo que, por conseguinte, poderá ser objeto de revisão pelo órgão ad quem. Se não houve decisão pelo órgão a quo por não ter sido a matéria sequer impugnada, não se há de falar em reforma do julgado nesta parte (Acórdão nº 2402006.480, de 07/08/2018, Relatora: Renata Toratti Cassini). O entendimento acima coadunase com o que tem sido decidido neste CARF, no sentido de não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como consta nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF, Relator: Demes Brito, j. 08/12/2016 1 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10925.720959/201310 Acórdão n.º 3402006.463 S3C4T2 Fl. 6 5 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Dessa forma, em face da preclusão, não se deve conhecer de parte da matéria do recurso voluntário relativa à realocação de crédito relativo a bens para revenda. De outra parte, tomase conhecimento, por atender aos requisitos de admissibilidade, da parte restante do recurso voluntário relativa à correção monetária e às glosas de crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, ainda que contida no tópico da peça recursal relativo à realocação de crédito relativo a bens para revenda. O pedido de ressarcimento tem fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que assim dispõem: Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10925.720959/201310 Acórdão n.º 3402006.463 S3C4T2 Fl. 7 6 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação (...) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Nesse ponto, cabe reiterar o entendimento deste Colegiado, conforme consta na ementa do Acórdão nº 3402 006.223, julgado em 26 de fevereiro de 2019 no sentido de que: "O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis", sendo que tal "dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação". Dessa forma, para o ressarcimento do saldo credor da contribuição com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, deve haver um crédito preexistente na aquisição de determinado bem, a qual é vinculada à venda da contribuinte com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da contribuição PIS/Cofins. Alega a recorrente que a "lei assegura a possibilidade da compensação ou do ressarcimento para todos os créditos previstos no art. 3º, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e no art. 15, da Lei nº 10.865/2004, dentre os quais constam os créditos sobre os bens adquiridos para revenda". Embora da leitura isolada de alguns trechos do Despacho Decisório pudesse parecer que a fiscalização estaria entendendo incabível o creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 a todos bens para revenda, isso não se confirma numa análise mais aprofundada do Despacho Decisório. Em verdade, nenhuma glosa ou ajuste de crédito foi efetuada simplesmente por se tratar de revenda, mas em face de tratar de revenda de: a) produtos agropecuários que não atenderiam às condições para a fruição do crédito presumido da agroindústria, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, ou da suspensão da incidência da contribuição na venda prevista no Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10925.720959/201310 Acórdão n.º 3402006.463 S3C4T2 Fl. 8 7 art. 9º dessa Lei, vez que a revenda descaracterizaria a destinação imediata ao consumo humano ou animal; ou de b) de produtos que não dariam direito a crédito básico. Além disso, outro obstáculo ao pleito de ressarcimento da interessada quanto aos bens para revenda foi o fato de o crédito presumido da agroindústria, quando aplicável, só poderia ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração. Relativamente à correção monetária, alega a recorrente descumprimento do disposto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007 e violação do princípio constitucional da razoável duração do processo, requerendo a atualização monetária de eventual crédito que seja reconhecido em seu favor. No entanto, a pretensão da recorrente encontra obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep, por força do art. 15 dessa Lei. Além disso, a previsão legal de atualização do valor pela taxa Selic, nos termos do art. 39, §4º da Lei 9.250/1995, somente é aplicável para os casos de compensação e restituição, mas não para o ressarcimento. Ademais, como bem esclareceu o Conselheiro Relator Bernardo Motta Moreira, em seu Voto no Acórdão nº 3301 002.088, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23/10/2013, o entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC/73, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há, na lei, a vedação expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Essa matéria já está pacificada neste CARF, tendo sido objeto da Súmula abaixo, de aplicação obrigatória pelos seus membros: Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acórdãos Precedentes: 20313.354, de 07/10/2008; 3301 00.809, de 03/02/2011; 330200.872, de 01/03/2011; 310101.072, de 22/03/2012; 310101.106, de 26/04/2012; 3301002.123, de 27/11/2013; 3302002.097, de 21/05/2013; 3403001.590, de 22/05/2012; 3801001.506, de 25/09/2012; 9303005.303, de 25/07/2017; 9303 005.941, de 28/11/2017. Assim, pelo exposto, voto no sentido de: a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "realocação dos créditos sobre revendas"; Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10925.720959/201310 Acórdão n.º 3402006.463 S3C4T2 Fl. 9 8 b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por: a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "realocação dos créditos sobre revendas"; b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 227DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.723516/2013-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO POR SUPOSIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não se configura como lançamento fundado em suposições aquele cujos fatos geradores houveram-se por apurados diretamente das informações apresentadas pela empresa, elaboradas sob o domínio, comando e responsabilidade do próprio sujeito passivo, circunstância que torna despicienda a discriminação pormenorizada dos fatos jurígenos tributários no corpo do Relatório Fiscal, eis que são do inteiro conhecimento do Contribuinte, fulgurando as informações nele consignadas como bastante e suficiente para fazer prova do fato afirmado.
PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA.
O auxílio-alimentação pago em pecúnia integra o salário-de-contribuição, independentemente de empresa estar ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador - PAT.
AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Em face da natureza eminentemente não remuneratória do aviso prévio indenizado, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543-C, do CPC, não há que se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludida rubrica, impondo seja rechaçada a tributação imputada.
TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
O adicional do terço constitucional de férias possui natureza de retribuição pelo trabalho e integra a remuneração do segurado empregado para fins de incidência da contribuição previdenciária.
CRÉDITOS. APROVEITAMENTO.
Os créditos oriundos de retenções sofridas pela empresa podem ser aproveitados em favor da mesma.
COMPENSAÇÃO DE OFICIO. IMPOSSIBILIDADE.
A compensação de ofício somente é autorizada nas hipóteses de verificação de débitos do requerente em favor da Fazenda Pública quando da análise de pedido de restituição.
Numero da decisão: 2401-006.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a rubrica aviso prévio indenizado e apropriar ao lançamento do auto de infração Debcad 51.030.824-4 os valores das retenções destacadas nas notas fiscais nº 2436, 2813 e 2925. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir também as rubricas 1/3 de férias e diferença 1/3 de férias. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO POR SUPOSIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não se configura como lançamento fundado em suposições aquele cujos fatos geradores houveram-se por apurados diretamente das informações apresentadas pela empresa, elaboradas sob o domínio, comando e responsabilidade do próprio sujeito passivo, circunstância que torna despicienda a discriminação pormenorizada dos fatos jurígenos tributários no corpo do Relatório Fiscal, eis que são do inteiro conhecimento do Contribuinte, fulgurando as informações nele consignadas como bastante e suficiente para fazer prova do fato afirmado. PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. O auxílio-alimentação pago em pecúnia integra o salário-de-contribuição, independentemente de empresa estar ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador - PAT. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Em face da natureza eminentemente não remuneratória do aviso prévio indenizado, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543-C, do CPC, não há que se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludida rubrica, impondo seja rechaçada a tributação imputada. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O adicional do terço constitucional de férias possui natureza de retribuição pelo trabalho e integra a remuneração do segurado empregado para fins de incidência da contribuição previdenciária. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. Os créditos oriundos de retenções sofridas pela empresa podem ser aproveitados em favor da mesma. COMPENSAÇÃO DE OFICIO. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de ofício somente é autorizada nas hipóteses de verificação de débitos do requerente em favor da Fazenda Pública quando da análise de pedido de restituição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a rubrica aviso prévio indenizado e apropriar ao lançamento do auto de infração Debcad 51.030.824-4 os valores das retenções destacadas nas notas fiscais nº 2436, 2813 e 2925. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir também as rubricas 1/3 de férias e diferença 1/3 de férias. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO POR SUPOSIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não se configura como lançamento fundado em suposições aquele cujos fatos geradores houveramse por apurados diretamente das informações apresentadas pela empresa, elaboradas sob o domínio, comando e responsabilidade do próprio sujeito passivo, circunstância que torna despicienda a discriminação pormenorizada dos fatos jurígenos tributários no corpo do Relatório Fiscal, eis que são do inteiro conhecimento do Contribuinte, fulgurando as informações nele consignadas como bastante e suficiente para fazer prova do fato afirmado. PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. O auxílioalimentação pago em pecúnia integra o saláriodecontribuição, independentemente de empresa estar ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Em face da natureza eminentemente não remuneratória do aviso prévio indenizado, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 35 16 /2 01 3- 57 Fl. 6804DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.805 2 543C, do CPC, não há que se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludida rubrica, impondo seja rechaçada a tributação imputada. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O adicional do terço constitucional de férias possui natureza de retribuição pelo trabalho e integra a remuneração do segurado empregado para fins de incidência da contribuição previdenciária. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. Os créditos oriundos de retenções sofridas pela empresa podem ser aproveitados em favor da mesma. COMPENSAÇÃO DE OFICIO. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de ofício somente é autorizada nas hipóteses de verificação de débitos do requerente em favor da Fazenda Pública quando da análise de pedido de restituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a rubrica aviso prévio indenizado e apropriar ao lançamento do auto de infração Debcad 51.030.8244 os valores das retenções destacadas nas notas fiscais nº 2436, 2813 e 2925. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir também as rubricas 1/3 de férias e diferença 1/3 de férias. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite – Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Fl. 6805DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.806 3 Relatório Cuidase de crédito tributário de contribuições previdenciárias da empresa, dos segurados empregados e de outras entidades e fundos, apurados a partir de levantamentos de contribuições da empresa (FP) e de segurados empregados (SE), não declarados em GFIP, diferenças de RAT (DR), controladas nos AI – DEBCAD n°s 51.030.8244, 51.030.8252 e 51.030.8260 (fls. 02/50). Do Relatório Fiscal (fls. 57 e segs), é possível extrair o seguinte resumo do procedimento fiscal: 51.030.8244 contribuições dos segurados empregados destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração a eles paga, descontadas pela Autuada das remunerações pagas aos segurados e não recolhidas à Seguridade Social Levantamento "SE", descrito no item 3.2 deste Relatório. Período do Débito: 06/2010 a 10/2010 e 13/2010 (13° salário) Valor do Débito (Consolidado em 22/03/2013): R$ 120.001,87 (cento e vinte mil, um real e oitenta e sete centavos) 51.030.8252 contribuições da empresa destinadas à Seguridade Social, inclusive aquelas destinadas ao financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n° 8.213/91 e daqueles benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados Levantamentos "FP" e "DR", descritos no item 4.2 deste Relatório. Valor do Débito (Consolidado em 22/03/2013): R$ 2.001.196,59 (dois milhões, um mil, cento e noventa e seis reais e cinquenta e nove centavos) 51.030.8260 contribuições da empresa destinadas a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados Levantamento "FP", descrito no item 5.2 deste Relatório. Valor do Débito (Consolidado em 22/03/2013): R$ 788.238,65 (setecentos e oitenta e oito mil, duzentos e trinta e oito reais e sessenta e cinco centavos) [...] 2. Fatos Geradores 2.1 Pagamento de Remuneração a Segurados Empregados Apurados em Folha de Pagamento Reconhecidos pela Empresa e Não Declarados nas GFIP 2.1.1 Constituem fatos geradores das contribuições lançadas nos autos de infração 51.030.8244, 51.030.8252 e 51.030.8260 os pagamentos de remuneração aos segurados empregados, nas competências 01/2010 a 12/2010 (inclusive 13º Salário – 13/2010), cujos valores não foram informados pela empresa em suas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, observados nas folhas de pagamento mensais apresentadas, cujos resumos foram juntados ao presente processo. Fl. 6806DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.807 4 [...] 2.2 Pagamento de Remuneração a Segurados Empregados Declarados nas GFIP – Diferenças nas Contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT 2.2.1 A Lei nº 8.212/91, em seu art. 22, inciso II, estabelece a contribuição das empresas destinada ao financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT ou simplesmente RAT), incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados, às alíquotas de 1%, 2% ou 3%, conforme, na atividade preponderante da empresa, o risco de acidentes do trabalho seja considerado respectivamente leve, médio ou grave. [...] 3. Auto de Infração 51.030.8244 3.1 Contribuições Lançadas 3.1.1 Sobre os valores das remunerações pagos aos segurados empregados e não declarados nas GFIP, mencionados no subitem 2.1 incidem as contribuições dos segurados empregados para a Seguridade Social, não declaradas nas GFIP, discriminadas na planilha do Anexo II, nos termos do art. 20, caput e § 1º, combinado com o art. 28, inciso I, todos da Lei nº 8.212/91, cuja responsabilidade pela arrecadação e recolhimento era da Autuada, nos moldes do art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da mesma Lei nº 8.212/91. Apesar de haverem sido efetivados os descontos de tais contribuições pela Autuada das remunerações pagas aos segurados, como comprovam os resumos das folhas de pagamento anexados ao processo, dos meses de 01/2010 a 12/2010 (inclusive 13º Salário – 13/2010), por meio das rubricas listadas no subitem 2.1.4 deste relatório, não foi efetuado, nas competências 06/2010 a 10/2010 e 13/2010 (13º salário), o recolhimento integral das contribuições descontadas dos segurados empregados, cujas diferenças não recolhidas estão sendo lançadas no auto em questão. Tais contribuições podem ser visualizadas no “DD – Discriminativo do Débito”, anexo a este auto, no Levantamento “SE”, descrito no item 3.2 deste relatório, com a rubrica “11 Segurados”. [...] 4. Auto de Infração 51.030.8252 4.1 Contribuições Lançadas 4.1.1 Sobre os valores das remunerações pagos aos segurados empregados e não declarados nas GFIP, reconhecidos pela empresa nas folhas de pagamento como bases de cálculo das contribuições para a Seguridade Social, os quais podem ser observados nos resumos das folhas de pagamento anexados com a rubrica “BASE INSS (EMPRESA)”, mencionados no subitem 2.1 e discriminados no Anexo I, incidem as contribuições da empresa para a Seguridade Social, não declaradas em GFIP, estabelecidas no art. 22, incisos I e II, da Lei nº 8.212/91. Tais contribuições podem ser visualizadas no “DD – Discriminativo do Débito”, anexo ao auto em questão, no Levantamento “FP”, descrito no item 4.2 deste relatório, respectivamente com as rubricas “12 Empresa” e “13 Sat/rat”. Fl. 6807DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.808 5 [...] 5. Auto de Infração 51.030.8260 5.1 Contribuições Lançadas 5.1.1 Sobre os valores das remunerações pagos aos segurados empregados e não declarados nas GFIP, reconhecidos pela empresa nas folhas de pagamento como bases de cálculo das contribuições para a Seguridade Social e para outras entidades e fundos, os quais podem ser observados nos resumos das folhas de pagamento anexados com a rubrica “BASE INSS (EMPRESA)”, mencionados no subitem 2.1 e discriminados no Anexo I, incidem as contribuições da empresa destinadas ao FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE, não declaradas em GFIP, cuja competência para arrecadação, fiscalização e cobrança foi conferida à Secretaria da Receita Federal do Brasil pelos arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007. Tais contribuições podem ser visualizadas no “DD – Discriminativo do Débito”, anexo a este auto, no Levantamento “FP”, descrito no item 5.2 deste relatório, com a rubrica “15 Terceiros”. [...] 6. Bases de Cálculo e Origem dos dados 6.1 Constituem bases de cálculo das contribuições da empresa para a Seguridade Social e para outras entidades e fundos, lançadas respectivamente por meio dos autos de infração 51.030.8252 e 51.030.8260, as diferenças entre os valores das remunerações mensais dos segurados empregados reconhecidos pela empresa como bases de cálculo nas folhas de pagamento cujos resumos anexamos e os valores das remunerações dos segurados empregados declarados nas GFIP (categoria do trabalhador “01”), consoante especificado na planilha do Anexo I. Tais valores podem ser visualizados nos “RL Relatórios de Lançamentos”, anexos aos autos de Infração 51.030.8252 e 51.030.8260, no Levantamento “FP”, descrito nos subitens 4.2.1 e 5.2.1 deste relatório, em ambos com o código de lançamento “SC Salários”. Do exposto, concluise que os valores apurados como bases de cálculo das contribuições devidas, lançados no Levantamento “FP”, foram os próprios valores considerados pela empresa como bases de cálculo de suas contribuições para a Seguridade Social e para outras entidades e fundos. [...] Houve aperfeiçoamento do presente lançamento mediante a ciência do sujeito passivo, realizada por meio pessoal, em 22/03/2013 (fl. 02, 13 e 27), por intermédio de seu Procurador. O sujeito passivo apresentou a impugnação, recepcionada em 26/03/2013 (fl. 177205), com a juntada de documentos comprobatórios. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (DRJ/CGE), por meio do Acórdão nº 0433.144 (fls. 416/432), de 28/08/2013, cujo dispositivo considerou a Impugnação Improcedente, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 Fl. 6808DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.809 6 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. VALIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL A notificação fiscal de débito lavrada pela fiscalização é válida e eficaz, se lavrada com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. HORA EXTRA. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS O aviso prévio indenizado, hora extra e 1/3 de férias não se encontram no rol de verbas isentas, integrandose, pois, a base de cálculo de incidência das contribuições sociais. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO TRABALHADOR. DOENÇA. PAGAMENTO DA VERBA PELO EMPREGADOR. NATUREZA SALARIAL O afastamento do empregado, por motivo de saúde, até o décimo quinto dia, é causa de interrupção da prestação de serviços, e não de suspensão do contrato de trabalho. Assim, a remuneração desse período, a cargo do empregador, tem natureza salarial e integra a base de cálculo para fins de incidência de contribuição previdenciária. CARÁTER CONFISCATÓRIO NÃO VERIFICADO A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência integral do lançamento, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 438/475), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: a. De início, faz um breve histórico do procedimento fiscal, que resultou na lavratura de 03 (três) autos de infração, relativos aos DEBCAD nºs 51.030.8244, 51.030.8252 e 51.030.8260. Salienta os fundamentos de sua defesa apresentada à DRJ, que culminou no acórdão ora recorrido; b. Aduz preliminarmente erro na construção do lançamento, entende que a fiscalização não informou qual(is) fato(s) gerador(es) teriam sido omitidos na GFIP apresentada, tendo havido apenas descrição genérica da Fl. 6809DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.810 7 infração imputada à contribuinte, desta forma, cita os art. 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235/72, para concluir que os autos de infração são nulos. Cita jurisprudência do CARF; c. Cita o item 2 do Relatório Fiscal para informar que a base de cálculo das contribuições tomada pela auditoria fiscal foi o valor indicado na rubrica BASE INSS (EMPRESA), entendo que nela podem está incluídas verbas de natureza indenizatória e verbas isentas, como é o caso do auxílio alimentação, pago in natura e através de ticket alimentação; d. Transcreve dispositivos da Convenção Coletiva de Trabalho dos anos 2009 e 2010, firmada pelo Sindicato Patronal, que obrigava a conceder alimentação aos seus empregados, nos termos do art. 3º da Lei nº 6.321/76 c/c arts 4º e 6º do Decreto nº 5/91; e. Diz que para melhor interesse de seus funcionários, objetivando cumprir os termos da Convenção, celebrou contrato de Prestação de Serviços de Fornecimento de Cartão Alimentação com a SODEXHO PASS DO BRASIL SERVIÇOS E COMÉRCIO LTDA. Desse modo, cita jurisprudência do STJ e STF e o Ato Declaratório nº 03/2001 da Procuradoria da Fazenda Nacional; f. Afirma na composição da base de cálculo das contribuições ora exigidas, foram também incluídas verbas indenizatórias, quais sejam: aviso prévio indenizado; auxíliodoença e auxílioacidente; adicional de horas extras e terço constitucional de férias; Discorre sobre o caráter indenizatória de tais verbas, citando doutrinas e jurisprudências: g. Diz que a auditoria fiscal não cumpriu o comando normativo dos arts. 456 e 457 da IN/RFB nº 971/2009, e que houve ausência de consideração de créditos decorrentes de retenções realizadas por clientes. Também que os créditos decorrentes de pagamentos a maior não foram considerados pela autoridade lançadora; h. Ao final, requer o acolhimento da preliminar de nulidade dos autos de infração, em razão da inexistência da identificação da matéria tributável. No mérito, que seja reconhecida a improcedência de verbas de caráter indenizatório, que seja cancelada a exigência do pagamento da contribuição previdenciária sobre auxílio alimentação, que seja cancelada a exigência por descumprimento dos arts. 456 e 457 da IN/RFB nº 971/2009, que seja cancelada a exigência por não aproveitamento de créditos decorrentes de notas fiscais e seja cancelada a exigência em virtude do não aproveitamento de créditos de pagamentos a maior. Em 16 de julho de 2014, os membros da 2ª TO da 3ª Câmara, por meio da Resolução nº 2302000.310 (fls. 543/554), resolveram converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade lançadora se manifestasse sobre os seguintes pontos: 1) Quanto ao auxílio alimentação (ticket), a recorrente afirma que, na própria folha, há indicação de que a recorrente realizava descontos a título de alimentação (rubrica “0505 Fl. 6810DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.811 8 DESC ALIMENTAÇÃO”), mas não resta claro dos autos se (i) se os descontos foram considerados na apuração da base de cálculo; (ii) se a recorrente estava inscrita no PAT; 2) No que se refere às verbas denominadas de indenizatórias pela recorrente, em razão do quanto decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1.230.957, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), deve a autoridade fiscal indicar os valores incidentes sobre (i) os 15 dias anteriores à concessão de auxílio doença, (ii) o terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) o aviso prévio indenizado, a fim de que a Turma julgadora possa deliberar sobre eventual exclusão. No que tange ao adicional de horas extras, não há que se cogitar de retificação, pois, há pouco tempo e igualmente sob regime jurídico dos recursos repetitivos, o mesmo Tribunal, no julgamento do REsp 1.358.281, assentou a compreensão de que incide contribuição previdenciária sobre horas extras, razão pela qual dispensase a necessidade de identificação em separado; 3) Quanto à ausência de consideração de créditos decorrentes de retenções realizadas por clientes, conforme notas indicadas pela recorrente, deve igualmente manifestarse a autoridade fiscal; 4) O mesmo se diga quanto à argumentação de que haveria créditos de pagamentos a maior realizados pela recorrente nas competências de março e dezembro de 2010. Em atendimento aos termos da Resolução nº 2302000.310 (fls. 543/554), a unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu a Informação Fiscal de fls. 560/563. Entretanto, em relação ao item 2 da Resolução, prestou os seguintes esclarecimentos: 2) No que diz respeito às verbas apontadas pela Recorrente como de natureza indenizatória, objeto de decisão do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Resp 1.230.957, cumpre enfatizar que as bases de cálculo consideradas no lançamento foram os valores constantes dos resumos das folhas de pagamento (fls. 109 a 133) na rubrica “BASE INSS (EMPRESA)”. Ou seja, não apuramos as bases de cálculo das contribuições lançadas por meio da análise individualizada das diversas rubricas que figuram nas folhas de pagamento, mas apenas extraímos das folhas os valores considerados pela própria empresa como bases de cálculo das contribuições para a Seguridade Social, materializados em uma única rubrica de seu sistema de folha de pagamento: “BASE INSS (EMPRESA)”. Desta forma, apenas a própria Recorrente, reconhecendo as rotinas informatizadas de seu sistema de folha de pagamento, pode informar aos julgadores a composição dos valores integrantes da rubrica “BASE INSS (EMPRESA)”, permitindo se, assim, efetuar qualquer retificação no lançamento que venha a se entender cabível. Fl. 6811DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.812 9 O sujeito passivo foi cientificado da referida Informação Fiscal (fls. 560/563) em 10/09/2014, tendo se limitado a reforçar a linha de defesa apresentada na peça recursal, e ainda que: 20. Novamente, a autoridade fiscal não cumpriu o solicitado pelo CARF e, além disso, afirmou que utilizou base de cálculo consolidada, sem demonstrar a origem dessa rubrica. Deseja a autoridade fiscal atribuir à CONTRIBUINTE o ônus do lançamento que é próprio da Administração Pública em razão da nulidade que macula o lançamento. 20.1. É a autoridade fiscal, no exercício poder de lançar, quem deve apontar quais as rubricas de compõe a base de cálculo do tributo e não o contribuinte. Se não existe essa indicação no lançamento, como é o caso, clara é a sua nulidade. 21. Como dito, os Autos de Infração impugnados (DEBCADs 51.030.8244, 51.030.8252 e 51.030.8260) são nulos, pois, no relato da infração, houve descrição genérica da omissão atribuída à CONTRIBUINTE, sem a clara indicação dos fatos geradores omitidos ou detalhamento da base de cálculo e em relação a quais empregados ou contribuintes individuais as supostas remunerações não indicadas em GFIP teriam sido pagas, prejudicando sobremaneira a defesa da Contribuinte. (...) 38. Na composição da base de cálculo das contribuintes ora exigidas, foram também incluídas verbas indenizatórias, quais sejam, (a) aviso prévio indenizado; (b) auxíliodoença; (c) adicional de horas extras; e (d) terço constitucional de férias, que, por sua vez, não compõem o salário de contribuição. Em 10 de maio de 2018, os membros da 1ª TO da 4ª Câmara, por meio da Resolução nº 2401000.670 (fls. 608/615), resolveram, novamente, converter o julgamento em diligência, sob o entendimento de que não foram atendidas as informações solicitadas no item 2 da Resolução nº 2302000.310 (fls. 543/554), tendo sido determinada a devolução do processo ao órgão de origem para a adoção das seguintes providências: a) Intimar o sujeito passivo, em relação às bases de cálculo das contribuições previdenciárias apuradas na ação fiscal, a comprovar que as verbas de alimentação “auxílioalimentação”, pago in natura e através de ticket de alimentação, fazem parte das bases levantadas, conforme indicado no item IV.1 da peça recursal; b) Intimar o sujeito passivo, em relação às bases de cálculo das contribuições previdenciárias apuradas na ação fiscal, a comprovar que as verbas denominadas de indenizatórias foram incluídas nas referidas bases levantadas, conforme indicado no item IV.2 da peça recursal; Fl. 6812DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.813 10 c) Entendendo a autoridade lançadora, manifestarse sobre os documentos e/ou esclarecimentos apresentados pelo sujeito passivo. Em atendimento aos termos da Resolução nº 2401000.670 (fls. 608/615), a unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu a Informação Fiscal de fls. 629/632, cabendo destacar os seguintes excertos: [...] 3.1 Conforme já bem delineado no Relatório Fiscal dos autos de infração, as bases de cálculo das contribuições para a Seguridade Social e para outras entidades lançadas nos autos de infração integrantes do presente processo foram os valores das remunerações dos segurados empregados, não declarados em GFIP, extraídos das próprias bases de cálculo reconhecidas pela empresa nas folhas de pagamento, as quais podem ser observadas nos resumos das folhas de pagamento anexados às fls. 109 a 133, na rubrica “BASE INSS (EMPRESA)”. (...) 3.5 Desde o momento do oferecimento de sua Impugnação (fls. 177 a 205) aos autos de infração, em 24/04/2013, a empresa já se insurgia contra a utilização pela fiscalização da rubrica da folha de pagamento “BASE INSS (EMPRESA)” como fonte para apuração das bases de cálculo das contribuições devidas, alegando que tais bases de cálculo conteriam verbas de cunho indenizatório e não tributáveis. O conteúdo dos retromencionados dispositivos legais deixa claro que, assim sendo, caberia à autuada, naquele momento, demonstrar tal alegação e fundamentála documentalmente, sob pena de preclusão, de ficar impossibilitada de fazêlo posteriormente, sobremaneira quando pretende desconstituir uma informação por ela própria produzida e fornecida à fiscalização, que é a base de cálculo por ela apurada em seu sistema de folha de pagamento. 3.6. Ao invés disso, o sujeito passivo alegou sem provar em sua impugnação. E, não fosse bastante, novamente abstevese de provar sua alegação por ocasião do Recurso Voluntário (fls. 438 a 508), ora em julgamento, interposto contra a decisão administrativa de 1ª instância (fls. 416 a 432), a qual manteve na sua integralidade o crédito tributário constituído. Por fim, a autuada teve ainda uma terceira oportunidade de manifestarse no processo e proceder à discriminação das verbas componentes da rubrica da folha de pagamento “BASE INSS (EMPRESA)”, quando elaborou sua manifestação (fls. 575 a 602) acerca da Informação Fiscal (fls. 560 a 563) emitida em atendimento à Resolução n° 2302000.310 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do CARF (fls. 543 a 554), mas novamente não o fez. 3.7. Pelo exposto, franquear uma quarta oportunidade ao sujeito passivo de provar suas alegações, além de atentar contra as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, anteriormente citadas, implicaria um retardamento injustificado no andamento do processo, laborando contra o encaminhamento Fl. 6813DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.814 11 para o seu desfecho e o cumprimento dos seus objetivos. É forçoso realçar que, desde que a autuada tomou ciência dos autos de infração, em 26/03/2013, já transcorreram mais de 5 (cinco) anos, tendo chegado o processo ao CARF em 24/10/2013, portanto há quase 5 (cinco) anos. 3.8 Em que pesem todas as considerações formuladas nos subitens 3.3 a 3.7, tendo em vista o objetivo de propiciar às autoridades julgadoras todas as informações que possam considerar necessárias para formarem suas convicções e proferirem seus votos no julgamento do Recurso Voluntário sob apreciação, estamos juntando a planilha que constitui o Anexo I desta Informação Fiscal, elaborada durante o Procedimento Fiscal, na qual discriminamos as rubricas das folhas de pagamento mensais apresentadas (fls. 109 a 133), detalhando códigos e nomes das rubricas, os respectivos valores pagos mensalmente aos empregados em cada uma delas e a classificação que efetuamos de cada rubrica em função da nossa interpretação da legislação vigente à época, de acordo com os seguintes códigos: SC Rubrica Integrante da Remuneração de Segurados Empregados N Rubrica não Integrante da Remuneração dos Segurados Empregados DES Descontos/Devoluções Deduzidos da Remuneração de Segurados Empregados () 3.9 Efetuamos, no mesmo Anexo I, o comparativo mensal dos valores das bases de cálculos, apurados de acordo com a classificação que efetuamos de cada uma das rubricas, com os valores da rubrica “BASE INSS (EMPRESA)” contidos nas folhas de pagamento, e constatamos que, em 9 (nove) das 13 (treze) competências inclusas no lançamento, os valores coincidem integralmente e, nas outras 4 (quatro) competências, as diferenças são percentualmente insignificantes (da ordem de 0,00518%, no total). Assim sendo, podese, a partir da classificação das rubricas descrita no Anexo I, chegar à composição dos valores consignados na rubrica “BASE INSS (EMPRESA)”, utilizada no lançamento, composição essa que não foi fornecida pela autuada nas 3 (três) oportunidades que teve para fazêlo durante o trâmite do presente processo, tornandose, portanto, desnecessária uma nova intimação à autuada com tal finalidade. 3.10 Por ocasião do procedimento fiscal, objetivando conferir maior liquidez e certeza ao lançamento e buscando exatamente prevenir possíveis contestações da autuada quanto à classificação das rubricas da folha em “tributáveis” ou “não tributáveis”, decidimos apurar as bases de cálculo a partir dos valores assim reconhecidos pela própria empresa em suas folhas de pagamento rubrica “BASE INSS (EMPRESA)”. Como demonstrado, tais valores apresentam, em apenas 4 (quatro) competências, diferenças infinitesimais em relação aos valores Fl. 6814DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.815 12 que obtivemos apurando as bases de cálculo a partir de nossa classificação de cada uma das rubricas como “tributável” ou “nãotributável”. 3.11 Uma vez munidos das informações acerca das verbas que integraram mensalmente a rubrica da folha “BASE INSS (EMPRESA)”, adotada pela fiscalização como base de cálculo das contribuições devidas, ficam as autoridades julgadoras aptas a formar seu convencimento quanto à correção ou à eventual necessidade de serem procedidas retificações nos valores lançados. O sujeito passivo foi cientificado da referida Informação Fiscal (fls. 629/632) em 06/08/2018, e apresentou Resposta de fls. 639/642, afirmando, resumidamente, o que segue: [...] 5. Encaminhado o processo para a DRF/REC, e apesar de a Resolução do CARF determinar a intimação do sujeito passivo a comprovar suas alegações, para, só depois, ser intimada a autoridade lançadora, foi aberto procedimento fiscal específico que culminou na Informação Fiscal em questão, na qual o Auditor Fiscal competente pormenorizou as rubricas incluídas na base de cálculo do tributo lançado, comprovando e confirmando que as verbas indenizatórias foram tributadas no lançamento. 6. A CONTRIBUINTE, então, apresenta, na tabela anexa como DOC. 01, os valores que entende que devem ser excluídos da base de cálculo por representarem verbas que, por sua natureza, não compõem o salário de contribuição. Todos os valores estão indicados na Folha de Salários (DOC. 02), documento este que embasou o lançamento, conforme repetido muitas vezes pela autoridade fiscal. 7. Dessa forma, entende a CONTRIBUINTE ter cumprido com o determinado pelo CARF na Resolução nº 2401000.670, ao passo em que (i) as informações prestadas em Folha de Salários serviram de base para o lançamento; e (ii) as rubricas das verbas indenizatórias estão lá indicadas, de forma segregada. IV – DO AUXÍLIOALIMENTAÇÃO 8. Quanto à comprovação das verbas de alimentação “auxílio alimentação”, a CONTRIBUINTE informa, por boafé processual, que, apesar de ter convicção de que os pagamentos ocorreram via ticket de alimentação, conforme alegado nesse processo desde a defesa, os comprovantes de repasse dos valores para a SODEXHO foram extraviados dos arquivos da empresa. V – DOS PEDIDOS 9. Em virtude do exposto, a CONTRIBUINTE, em face das respostas da Autoridade Fiscal em sede de diligência, vem, respeitosamente requer que seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, para que seja reconhecida a improcedência Fl. 6815DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.816 13 da autuação, haja vista a inclusão, na base de cálculo das contribuições apuradas, de verbas de caráter indenizatório. 10. Além disso, requer que sejam aproveitados (i) os créditos decorrentes de notas fiscais de prestação de serviços, cuja retenção de contribuição previdenciária não foi utilizada pela autoridade fiscal na apuração; e (ii) créditos decorrentes de pagamentos a maior realizados nos meses de março e dezembro de 2010, ambos abrangidos pelo lançamento e comprovados nos autos. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho, e redistribuídos a este Relator, para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Considerações iniciais. O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por Fl. 6816DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.817 14 elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Por fim, cumpre assentar que falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da legalidade das normas legais regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário, podendo apenas reconhecer inconstitucionalidades já declaradas pelo Supremo Tribunal Federal, e nos estritos termos do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. 3. Preliminar. Preliminarmente, a recorrente suscita a nulidade dos lançamentos, em face da existência de vício material insanável, decorrente de erro na construção do lançamento, tendo em vista que a constituição do crédito tributário foi realizada de forma consolidada, sem a clara delimitação da matéria tributável, especialmente dos fatos geradores supostamente omitidos. Argumenta, ainda, que as contribuições exigidas, calculadas sobre os valores apurados segundo o Anexo I do Relatório Fiscal (Levantamento FP, fl. 75), foram apresentadas de forma consolidada, por competência mensal, sem a indicação do número (e o nome) de funcionários que a contribuinte teria deixado de indicar em GFIP e o respectivo salário de contribuição, base de cálculo das contribuições objeto do presente processo. É certo que a constituição do crédito tributário, por meio do lançamento de ofício, como atividade administrativa vinculada, exige do Fisco a observância da legislação de regência, a fim de constatar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível (art. 142 do CTN). A não observância da legislação que rege o lançamento fiscal ou a falta de seus requisitos, tem como consequência a nulidade do ato administrativo, sob pena de perpetuar indevidamente cerceamento do direito de defesa. Contudo, entendo que não assiste razão à recorrente, estando hígida a exigência em epígrafe, não havendo que se falar em prejuízo à ampla defesa. Pois bem. Cabe ressaltar que, conforme delineado no Relatório Fiscal dos autos de infração (fls. 57/74), e bem lembrado pela Informação Fiscal de fls. 560/563, as bases de cálculo das contribuições para a Seguridade Social e para outras entidades lançadas nos autos de infração integrantes do presente processo, foram os valores das remunerações dos segurados empregados, não declarados em GFIP, extraídos das próprias bases de cálculo reconhecidas pela empresa nas folhas de pagamento, as quais podem ser observadas nos resumos das folhas de pagamento anexados às fls. 109 a 133, na rubrica “BASE INSS (EMPRESA)”. Tratase de informação produzida pela própria empresa e fornecida à Fiscalização, que a utilizou como base de cálculo das contribuições lançadas, eis que tais valores estavam materializados em uma única rubrica do sistema de folha de pagamento da contribuinte, a título de “BASE INSS (EMPRESA”). Fl. 6817DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.818 15 Ora, tendo sido os fatos geradores apurados diretamente a partir do sistema de folha de pagamento da contribuinte, elaborados sob o seu domínio e responsabilidade, e confeccionados sob seu comando e orientação, não procede a alegação recursal de que não existiriam provas, mas apenas suposições, no que diz respeito à ocorrência dos fatos geradores apurados. Portanto, o contribuinte confessou que deve à Previdência Social e não comprovou o pagamento da totalidade do valor que reconheceu como devido. Ao alegar que cabe ao fisco a demonstração irrefutável da ocorrência do fato, buscar transferir, o ônus de provar que o valor por ela confessado está equivocado, para a Fiscalização da Previdência Social, o que não se sustenta. Decerto, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Caberia à recorrente, por exemplo, comprovar que teria se equivocado no preenchimento do seu sistema de folha de pagamento, e proceder à sua retificação, ônus esse que não se desincumbiu, não sendo possível afastar a fidedignidade do conteúdo dos autos de infração em debate. No presente caso, autoridade agiu em conformidade com os dispositivos legais que disciplinam o lançamento, discriminando no Anexo “Fundamentos Legais do Débito – FLD” os dispositivos legais aplicáveis ao caso, além de descrever no “Relatório Fiscal” os fatos geradores das contribuições, bem como os documentos que serviram de base e para a apuração das contribuições devidas, cujos valores estão demonstrados no “Discriminativo do Débito – DD”, além de mencionar os valores dos acréscimos legais a título de juros e multa, com a correspondente fundamentação legal. Assim, entendo que não há que se falar em prejuízo ao exercício da ampla defesa, pois os valores lançados, com base em documento elaborado pela própria contribuinte, estão devidamente demonstrados, sendo que o “Discriminativo do Débito – DD”, indica por competência o quanto foi apurado, a alíquota aplicada, os créditos e deduções considerados e os valores devidos. Para além do exposto, cabe destacar que inexiste a necessidade de a fiscalização listar os trabalhadores de forma individual, pois a folha de pagamento é global e o lançamento da contribuição se dá pela sua totalização. Ademais, o artigo 195, I, “a”, da Constituição Federal de 1988 é claro ao afirmar que a contribuição incide sobre “folha de salários”, que compreende o conjunto global da remuneração paga pela empresa e não a remuneração individual de um trabalhador. Constatado que não foi procedido o recolhimento das contribuições devidas, e considerando as disposições legais que atribuem prerrogativa de arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas na Legislação Previdenciária, e à fiscalização a obrigação legal de verificar se as contribuições devidas estão sendo realizadas em conformidade com o ali estabelecido, não pode o agente fiscal se furtar ao cumprimento do legalmente estabelecido, sob pena de responsabilidade, de conformidade com o art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Fl. 6818DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.819 16 Como bem assentado pela decisão de piso, o lançamento em comento seguiu todos os passos para sua correta formação, conforme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional, quais sejam: (a) constatação do fato gerador cominado na lei; (b) caracterização da obrigação; (c) apuração do montante da base de cálculo; (d) fixação da alíquota aplicável à espécie; (e) determinação da exação devida – valor original da obrigação; (f) definição do sujeito passivo da obrigação; e (g) lavratura do termo correspondente, acompanhado de relatório discriminativo das parcelas mensais, tudo conforme a legislçaão. Dessa forma, não procede o argumento de que a fiscalização não demonstrou a origem da infração e a existência do débito, já que os valores devidos à Previdência Social foram apurados diretamente a partir do sistema de folha de pagamento da contribuinte, materializados em uma única rubrica, a título de “BASE INSS (EMPRESA”). Assim, rejeito a preliminar levantada pela recorrente, passando a analisar o mérito da questão posta. 4. Mérito. Quanto ao mérito, a recorrente requer seja julgado totalmente improcedente a acusação de omissão de informações em GFIP e sonegação de contribuições previdenciárias e de terceiros, por entender que a exigência fiscal recaiu sobre verbas de natureza indenizatória, deixando, ainda, de apropriar créditos de retenção e contribuições previdenciárias e de terceiros pagos a maior pela contribuinte, devendo, por isso, ser cancelada a respectiva exigência tributária. Em resumo, a recorrente se manifesta, notadamente, sobre os seguintes pontos: 1. Competências 01/2010 a 13/2010: não incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas de alimentação decorrente de convenção coletiva de trabalho e contrato de empresa conveniada ao Programa de Alimentação do Trabalhador do Ministério do Trabalho e do Emprego – PAT; 2. Competência 01/2010 a 13/2010: inclusão indevida de verbas indenizatórias na base de cálculo das contribuições apuradas de ofício, quais sejam: (a) aviso prévio indenizado; (b) auxíliodoença; (c) adicional de horas extras e (d) terço constitucional de férias; 3. Descumprimento do que determinam os artigos 456 e 457 (§1°) da IN/RFB n° 971/2009, especificamente no tocante ao DEBCAD n° 51.030.8244; 4. Ausência de consideração de créditos decorrentes de retenções realizadas por clientes; 5. Créditos decorrentes de pagamentos a maior não considerados pela autoridade lançadora. Dessa forma, passa ao exame das questões postas. Fl. 6819DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.820 17 4.1. Da alegação de não incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas de alimentação decorrente de convenção coletiva de trabalho e contrato de empresa conveniada ao Programa de Alimentação do Trabalhador do Ministério do Trabalho e do Emprego – PAT (Competências 01/2010 a 13/2010). Conforme reiteradas decisões emanadas do Superior Tribunal de Justiça, e reconhecidas, inclusive, no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, independentemente de a empresa comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, não incidem contribuições sociais sobre a alimentação fornecida in natura aos seus empregados, por não possuir natureza salarial. Contudo, no caso em questão, conforme destacado pela autoridade fiscal (fls. 560/563), não integraram a base de cálculo das contribuições lançadas os valores concedidos in natura pela empresa sob a forma de ticket de alimentação. Os valores constantes na rubrica “0505 DEC. ALIMENTAÇÃO” dizem respeito à contrapartida dos empregados na aquisição dos tickets de alimentação por parte da autuada junto à empresa fornecedora. Sobre a questão, a própria recorrente aduz, em resposta à informação fiscal (fls. 639/642), que, no tocante à comprovação das verbas de alimentação “auxílio alimentação”, apesar de ter convicção de que os pagamentos ocorreram via ticket de alimentação, os comprovantes de repasse dos valores para a SODEXHO foram extraviados dos arquivos da empresa. Assim, tendo em vista que a recorrente não comprovou ser objeto do lançamento a alimentação fornecida in natura aos empregados, não há qualquer reparo a ser feito na decisão de piso, sobre este ponto. 4.2. Da alegação de inclusão indevida de verbas indenizatórias na base de cálculo das contribuições apuradas de ofício, quais sejam: (a) aviso prévio indenizado; (b) auxílio doença; (c) adicional de horas extras e (d) terço constitucional de férias (Competências 01/2010 a 13/2010). Sobre a matéria de direito posta em debate, destaco que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp n° 1.230.957/RS, julgado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973, firmou entendimento no sentido de que não incide contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, sobre o aviso prévio indenizado ou sobre os primeiros 15 dias de afastamento que antecedem o auxíliodoença. É ver a ementa daquele julgado e que traz, didaticamente, a fundamentação utilizada pelos julgadores: PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. [...] Fl. 6820DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.821 18 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas". 1.3 Salário maternidade. O salário maternidade tem natureza salarial e a transferência do encargo à Previdência Social (pela Lei 6.136/74) não tem o condão de mudar sua natureza. Nos termos do art. 3º da Lei 8.212/91, "a Previdência Social tem por fim assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, por motivo de incapacidade, idade avançada, tempo de serviço, desemprego involuntário, encargos de família e reclusão ou morte daqueles de quem dependiam economicamente". O fato de não haver prestação de trabalho durante o período de afastamento da segurada empregada, associado à circunstância de a maternidade ser amparada por um benefício previdenciário, não autoriza conclusão no sentido de que o valor recebido tenha natureza indenizatória ou compensatória, ou seja, em razão de uma contingência (maternidade), pagase à segurada empregada benefício previdenciário correspondente ao seu salário, possuindo a verba evidente natureza salarial. Não é por outra razão que, atualmente, o art. 28, § 2º, da Lei 8.212/91 dispõe expressamente que o salário maternidade é considerado salário de contribuição. Nesse contexto, a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário maternidade, no Regime Geral da Previdência Social, decorre de expressa previsão legal. Sem embargo das posições em sentido contrário, não há indício de incompatibilidade entre a incidência da contribuição previdenciária sobre o salário maternidade e a Constituição Federal. A Constituição Federal, em seus termos, assegura a igualdade entre homens e mulheres em direitos e obrigações (art. 5º, I). O art. 7º, XX, da CF/88 assegura proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei. No que se refere ao salário maternidade, por opção do legislador infraconstitucional, a transferência do ônus referente ao pagamento dos salários, durante o período de afastamento, constitui incentivo suficiente para assegurar a Fl. 6821DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.822 19 proteção ao mercado de trabalho da mulher. Não é dado ao Poder Judiciário, a título de interpretação, atuar como legislador positivo, a fim estabelecer política protetiva mais ampla e, desse modo, desincumbir o empregador do ônus referente à contribuição previdenciária incidente sobre o salário maternidade, quando não foi esta a política legislativa. A incidência de contribuição previdenciária sobre salário maternidade encontra sólido amparo na jurisprudência deste Tribunal, sendo oportuna a citação dos seguintes precedentes: REsp 572.626/BA, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 20.9.2004; REsp 641.227/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 29.11.2004; REsp 803.708/CE, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 2.10.2007; REsp 886.954/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 29.6.2007; AgRg no REsp 901.398/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 19.12.2008; REsp 891.602/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 21.8.2008; AgRg no REsp 1.115.172/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 25.9.2009; AgRg no Ag 1.424.039/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 21.10.2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.040.653/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe de 15.9.2011; AgRg no REsp 1.107.898/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 17.3.2010. 1.4 Salário paternidade. O salário paternidade referese ao valor recebido pelo empregado durante os cinco dias de afastamento em razão do nascimento de filho (art. 7º, XIX, da CF/88, c/c o art. 473, III, da CLT e o art. 10, § 1º, do ADCT). Ao contrário do que ocorre com o salário maternidade, o salário paternidade constitui ônus da empresa, ou seja, não se trata de benefício previdenciário. Desse modo, em se tratando de verba de natureza salarial, é legítima a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário paternidade. Ressaltese que "o saláriopaternidade deve ser tributado, por se tratar de licença remunerada prevista constitucionalmente, não se incluindo no rol dos benefícios previdenciários" (AgRg nos EDcl no REsp 1.098.218/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 9.11.2009). 2. Recurso especial da Fazenda Nacional. 2.1 Preliminar de ofensa ao art. 535 do CPC. Não havendo no acórdão recorrido omissão, obscuridade ou contradição, não fica caracterizada ofensa ao art. 535 do CPC. 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à Fl. 6822DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.823 20 disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. 2.3 Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio doença. No que se refere ao segurado empregado, durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbe ao empregador efetuar o pagamento do seu salário integral (art. 60, § 3º, da Lei 8.213/91 com redação dada pela Lei 9.876/99). Não obstante nesse período haja o pagamento efetuado pelo empregador, a importância paga não é destinada a retribuir o trabalho, sobretudo porque no intervalo dos quinze dias consecutivos ocorre a interrupção do contrato de trabalho, ou seja, nenhum serviço é prestado pelo empregado. Nesse contexto, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ firmouse no sentido de que sobre a importância paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de Fl. 6823DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.824 21 doença não incide a contribuição previdenciária, por não se enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige verba de natureza remuneratória. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.100.424/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 18.3.2010; AgRg no REsp 1074103/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe 16.4.2009; AgRg no REsp 957.719/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 2.12.2009; REsp 836.531/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 17.8.2006. 2.4 Terço constitucional de férias. O tema foi exaustivamente enfrentado no recurso especial da empresa (contribuinte), levando em consideração os argumentos apresentados pela Fazenda Nacional em todas as suas manifestações. Por tal razão, no ponto, fica prejudicado o recurso especial da Fazenda Nacional. 3. Conclusão. Recurso especial de HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA parcialmente provido, apenas para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre o adicional de férias (terço constitucional) concernente às férias gozadas. Recurso especial da Fazenda Nacional não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (STJ, 1ª Seção, REsp 1230957/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, julgado em 26/02/2014, DJe 18/03/2014) Embora se reconheça o sobrestamento dos efeitos de parte da decisão, devido ao reconhecimento de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cujo paradigma é o Recurso Extraordinário (RE) n° 593.068/SC, o qual trata da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, a gratificação natalina, os serviços extraordinários, o adicional noturno e o adicional de insalubridade, entendo que a orientação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), encampada no Recurso Especial (REsp) nº 1.230.957/RS, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, está em perfeita consonância com a legislação sobre o tema. A respeito do adicional de horas extras, destaco que também já houve pronunciamento decisório do Superior Tribunal de Justiça (STJ), notadamente nos autos do REsp nº 1.358.281, também julgado sob a indumentária do artigo 543C, do CPC/1973, tendo sido fixada a tese no sentido de que “as horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária” (Tema n° 687). Pois bem. Ultrapassado o exame da questão de direito acerca da incidência ou não das contribuições previdenciárias sobre as parcelas (a) aviso prévio indenizado; (b) importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença; (c) adicional de horas Fl. 6824DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.825 22 extras e (d) terço constitucional de férias, cabe enfrentar mais um ponto controvertido na presente demanda, qual seja, a prova de que rubricas que não integram o salário de contribuição foram efetivamente objeto do auto de infração, tendo sido lançadas pela autoridade fiscal. Este foi o motivo, inclusive, para a conversão do julgamento em diligência, em duas oportunidades. Assim, cabe analisar as seguintes parcelas: (a) aviso prévio indenizado; (b) importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença; e (c) terço constitucional de férias. Em atendimento aos termos da Resolução nº 2401000.670 (fls. 608/615), a unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu a Informação Fiscal de fls. 629/632, tendo sido elaborado no Anexo I de fls. 633/634, o comparativo mensal dos valores integrantes das bases de cálculo, de acordo com a classificação que a fiscalização efetuou de cada uma das rubricas, permitindo chegar à composição dos valores consignados na rubrica “BASE INSS (EMPRESA)”, utilizada no lançamento. O sujeito passivo, por sua vez, apresentou a Resposta de fls. 639/642, apresentando, ainda, na tabela anexa como doc. 01 (fl. 642), os valores que entende que deveriam ser excluídos da base de cálculo por representarem verbas que, por sua natureza, não compõem o salário de contribuição. Ademais, anexou o doc. 02, Folha de Salários, documento que embasou o lançamento. Analisando a tabela elaborada pela recorrente (fl. 642), percebese que sua insurgência contra o lançamento diz respeito às seguintes rubricas: (1) atestados médicos; (2) aviso prévio indenizado; (3) 1/3 de férias; (4) diferença 1/3 férias; (5) indenização art. 479 CLT. Inicialmente, cabe destacar que a rubrica “indenização art. 479 CLT”, não integrou a remuneração dos segurados empregados, não tendo sido objeto do presente lançamento, conforme se destaca do comparativo mensal dos valores integrantes das bases de cálculo, elaborado no Anexo I de fls. 633/634, da Informação Fiscal de fls. 629/632. Notase, a propósito, que a rubrica, com código 0350, está classificada como “N”, e não como “SC”. Em relação à rubrica "atestado médico", por ser demasiadamente genérica, ressalto que não há maiores esclarecimentos que possam firmar a convicção deste julgador no sentido de que se referem às importâncias pagas nos quinze dias que antecedem o auxílio doença. Em relação às demais rubricas, com exceção da rubrica “aviso prévio ind” que apresenta uma diferença a maior de R$ 43,06 (ref. mês de abril de 2010), na tabela elaborada pela fiscalização, os valores apresentados pelo contribuinte são idênticos aos que constam no Anexo I de fls. 633/634, da Informação Fiscal de fls. 629/632. Assim, entendo que as rubricas abaixo, constantes no Anexo I de fls. 633/634, da Informação Fiscal de fls. 629/632, devem ser excluídas do lançamento fiscal: Cód. Rubrica Tipo (*) Classif. (**) 0177 DIFERENÇA 1/3 FÉRIAS P SC 0260 1/3 DE FÉRIAS P SC 0340 AVISO PRÉVIO IND P SC Fl. 6825DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.826 23 Por fim, cabe destacar que o § 11, do artigo 201, da CF/88, expressamente dispõe que a hipótese de incidência da contribuição previdenciária são os ganhos habituais incorporados ao salário, e, da mesma forma, seguem os arts. 22, I, e 28, I, da Lei n° 8.212/91. Ademais, conforme visto, o próprio Superior Tribunal de Justiça, no RESP 1.230.957/RS, em sede de repetitivo, já se manifestou no sentido de que, no que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97), e, no tocante ao adicional de férias concernente às férias gozadas, a natureza da verba seria indenizatória/compensatória, não constituindo ganho habitual ao empregado, motivo pelo qual não se enquadra no art. 22, I, da Lei n° 8.212/91. É de se destacar, novamente: 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas". (STJ, 1ª Seção, REsp 1230957/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, julgado em 26/02/2014, DJe 18/03/2014) Dessa forma, o art. 214, § 4°, do RPS, veiculado pelo Decreto n° 3.048/99, vai na contramão da interpretação sistemática do ordenamento jurídico, eis que, não constitui ganho habitual do empregado e possui natureza indenizatória/compensatória, razão pela qual sobre o adicional de férias não é possível a incidência da contribuição previdenciária. 4.3. Da alegação de descumprimento do que determinam os artigos 456 e 457 (§1°) da IN/RFB n° 971/2009, especificamente no tocante ao DEBCAD n° 51.030.8244. Alega a recorrente, que, aplicandose o disposto no § 1°, do art. 457, da IN/RFB n° 971/2009, todos os créditos deveriam primeiro ser utilizados para abater o montante devido a título de contribuição previdenciária do empregado, independentemente desse valor estar ou não declarado em GFIP. Nesse sentido, alega que o DEBCAD n° 51.030.8244 é totalmente improcedente, pois a autoridade fiscal, assumindo se tratar de lançamento por pagamento Fl. 6826DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.827 24 parcial, teria deixado de cumprir o comando normativo do art. 457, § 1°, da IN/RFB n° 971/2009. Contudo, entendo que não assiste razão à recorrente. Conforme destacado pela decisão de piso (fls. 416/432), e da análise dos autos (fl. 62 e 75/76), entendo que agiu com acerto a apuração fiscal, visto que foram obedecidos os critérios de apropriação estabelecidos no art. 457, ou seja, primeiro valores declarados em GFIP, depois lançamentos com base na folha de pagamento. E, em cada caso (GFIP e folha, separadamente), foi priorizado a apropriação da contribuição descontadas de segurados ou retidas. A propósito, cabe destacar que, no Relatório Fiscal (fls. 57/74), a fiscalização esclarece que “foram deduzidos, na apuração dos valores das contribuições dos segurados empregados devidos, os valores dos benefícios previdenciários de saláriofamília e salário maternidade pagos pelo sujeito passivo a seus empregados, identificados nas folhas de pagamento e não declarados nas GFIP, descritos no Anexo II. Os valores mensais de tais benefícios podem ser visualizados no “DD – Discriminativo do Débito”, anexo ao auto, no Levantamento “SE”, descrito no item 3.2 do relatório, na coluna ‘DEDUÇÕES’”. Ademais, o mesmo Relatório Fiscal (fls. 57/74), também pontua que as guias e retenções “foram utilizadas preferencialmente para abater, nessa ordem, as contribuições declaradas pela Autuada em suas GFIP antes do início da ação fiscal (Levantamento "GF") e as contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais sócios (Levantamentos "CC" e "CI"), que não estão sendo objeto de constituição de crédito nesta ação fiscal (Documento EXCL 09.500.4992) e, em seguida, para abater as contribuições descontadas dos segurados empregados”. 4.4. Da alegação de ausência de consideração de créditos decorrentes de retenções realizadas por clientes. Sobre a alegação da recorrente, no sentido de que o lançamento não considerou créditos de retenções na fonte realizados por seus clientes, cabe transcrever os seguintes excertos da Informação Fiscal de fls. 560/563: 3) Quanto às notas fiscais de serviços juntadas pela Recorrente (fls. 494 a 502) contendo destaques de retenções para a Seguridade Social por ela sofridas, temos a efetuar as seguintes considerações: a) no que diz respeito às notas fiscais de serviços n° 2143, 2144, 2145, 2146 e 2147, observase que foram todas emitidas no mês de 03/2010. Consultando os relatórios “DD – Discriminativo do Débito” dos autos de infração 51.030.8244 e 51.030.8252, nos quais houve lançamento de contribuições dos segurados e da empresa para a Seguridade Social, constatase que não houve qualquer lançamento na competência 03/2010, logo abstemo nos de nos pronunciarmos acerca das retenções destacadas nas referidas notas fiscais. b) Com alusão às notas fiscais n° 2436, 2813 e 2925, constatamos que, de fato, as mesmas não se encontram relacionadas no Anexo IV (fls. 78 a 94), logo os valores das Fl. 6827DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.828 25 retenções nela destacados não foram considerados no lançamento. Comprovamos a autenticidade das mencionadas notas fiscais eletrônicas na página da Prefeitura do Recife na internet (https:nfse.recife.pe.gov.br/Documentos/verificaca.aspx). Desta forma, opinamos pela retificação dos lançamentos efetuados no auto de infração 51.030.8244 nos termos abaixo descritos: Competência N° Nota Fiscal Valor Retenção Seg. Social Destacada Auto de Infração Valor Lançado Rubrica “11 Segurados” Valor Retificado Rubrica “11 Segurados” 06/2010 2436 762,75 51.030.8244 51,40 0,00 09/2010 2813 2.275,11 51.030.8244 6.498,99 4.223,88 10/2010 2925 1.950,26 51.030.8244 6.167,38 4.217,12 c) O auto de infração 51.030.8260 versa apenas sobre contribuições para outras entidades (terceiros), portanto as retenções para a Seguridade Social contidas nas notas fiscais apresentadas não têm repercussão sobre as aludidas contribuições. Dessa forma, e por estar de acordo com o exame dos documentos feitos pela Informação Fiscal de fls. 560/563, havendo nos autos, prova da autenticidade das notas fiscais eletrônicas, entendo que deve ser apropriado ao lançamento do auto de infração n° 51.030.824 4, os valores das retenções destacadas nas notas fiscais n° 2436, 2813 e 2925, conforme Tabela de fls. 562, integrante da Informação Fiscal de fls. 560/563. 4.5. Da alegação de existência de créditos decorrentes de pagamentos a maior não considerados pela autoridade lançadora. A recorrente alega, ainda, que a autoridade fiscal teria deixado de apropriar créditos decorrentes de pagamento a maior realizados pela contribuinte, no período fiscalizado, relativamente às competências março e dezembro de 2010, conforme o seguinte demonstrativo: bcfp Bc + pro lab Contr.seg – fp Contr. Seg – pro lab Contr. Empresa Total a recolher Sf Sm Gps Retenção nfs Total pagtos Vr pago a maior Mar/10 1.031.990,83 1.910,00 84.197,98 210,10 249.758,44 334.366,48 10.119,98 574,16 10.602,02 366.495,11 387.791,27 53.624,79 Dez/10 1.238.940,37 1.910,00 101.287,60 210,10 299.766,99 401.264,69 4.225,25 607,29 0,00 409.548,47 414.381,01 13.116,32 Contudo, entendo que o pleito da recorrente escapa à competência deste colegiado, eis que, caso a contribuinte entenda haver realizado pagamento a maior em determinada competência, deve ingressar com pedido de restituição à unidade jurisdicionante da RFB ou efetivar a compensação de tais valores mediante informação em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP de competência posterior ao pagamento efetuado a maior, nos moldes preconizados no art. 89, da Lei n° 8.212/91. A observância deste procedimento tem como objetivo evitar que o contribuinte seja ressarcido, indevidamente, em duplicidade. Fl. 6828DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.829 26 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, afastar a preliminar e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de: (i) excluir do lançamento fiscal as rubricas, constantes no Anexo I de fls. 633/634, da Informação Fiscal de fls. 629/632: DIFERENÇA 1/3 FÉRIAS (0177); 1/3 DE FÉRIAS (0260); AVISO PRÉVIO IND (0340); e (ii) apropriar ao lançamento do auto de infração n° 51.030.8244, os valores das retenções destacadas nas notas fiscais n° 2436, 2813 e 2925, conforme Tabela de fls. 562, integrante da Informação Fiscal de fls. 560/563. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para divergir do seu voto, especificamente quanto ao adicional do terço constitucional de férias. Assim como o pagamento do período de férias usufruídas pelo trabalhador, o respectivo acréscimo de um terço no montante devido, com base no inciso XVII do art. 7º da Carta Política de 1988, é destinado a retribuir o trabalho, integrando a remuneração e o salário decontribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária. A respeito da base de cálculo da contribuição previdenciária do segurado empregado, prescreve a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) Fl. 6829DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.830 27 § 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28. (...) Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) Sem dúvidas a definição da base imponível pela lei ordinária é abrangente, não ficando limitada aos valores pagos em decorrência do trabalho efetivamente prestado (contraprestação). Em outras palavras, o conceito de remuneração como retribuição pelo trabalho justifica a inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária de parcelas recebidas quando do afastamento por férias, descanso semanal, enfim, nas hipóteses de interrupção do contrato do trabalho. De mais a mais, o § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, não incluiu no rol das exclusões do saláriodecontribuição a parcela recebida pelo trabalhador a título do adicional do terço de férias. Tanto é assim que o § 4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social (RPS), veiculado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, faz expressa alusão à incidência da contribuição previdenciária. Confirase: Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 4º A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o saláriode contribuição. (...) É certo, por outro lado, que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui jurisprudência consolidada no sentido da não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração do terço constitucional de férias gozadas, dada a sua natureza indenizatória/compensatória, segundo decidido no Recurso Especial (REsp) nº 1.230.957/RS, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. Fl. 6830DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.831 28 Ocorre que houve o sobrestamento dos efeitos da decisão devido ao reconhecimento de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na matéria discutida no Tema 163/STF, cujo paradigma é o Recurso Extraordinário (RE) nº 593.068/SC, o qual trata da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, a gratificação natalina, os serviços extraordinários, o adicional noturno e o adicional de insalubridade do servidor público federal. Em 11/10/2018, foi julgado o mérito do RE nº 593.068/SC, oportunidade que foi fixada a tese de repercussão geral no sentido de que não incide contribuição previdenciária sobre verbas não incorporáveis aos proventos de aposentadoria do servidor público, tais como o terço de férias. No entanto, até a data desta sessão de julgamento, o acórdão não tinha sido publicado, tampouco houve o trânsito em julgado. De qualquer modo, a consulta à página do STJ na Internet, em 12/03/2019, revela que o REsp nº 1.230.957/RS continua sobrestado pelo Tema 163/STF, conforme decisão da VicePresidência do STJ, em 25/07/2015 (Tema/Repetitivo 479). Verifico, ainda, que no RE nº 565.160/SC, julgado na sistemática da repercussão geral, com trânsito em julgado em 31/08/2017, o STF decidiu pela incidência da contribuição previdenciária a cargo do empregador sobre os ganhos habituais percebidos pelo empregado, o que implica considerar a possibilidade que o terço constitucional de férias compõe a base de cálculo da contribuição previdenciária como ganho habitual, pago em retribuição à atividade laboral (Tema 20/STF). Além disso, a natureza jurídica do terço constitucional de férias, indenizadas e gozadas, para fins de incidência da contribuição previdenciária patronal, foi reputada constitucional, reconhecida a existência de repercussão geral no RE nº 1.072.485/PR, que está pendente de julgamento (Tema 985/STF). Como se observa, a questão em apreço foi elevada ao nível constitucional, não havendo decisão definitiva, devendose aguardar a deliberação da mais alta Corte deste país, de maneira tal que não se impõe a vinculação dos conselheiros ao decidido no REsp nº 1.230.957/RS, tendo em conta a redação do § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e suas alterações posteriores: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (destaquei) Fl. 6831DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.832 29 Dessa feita, ao integrar o conceito de remuneração, o pagamento efetuado a título de adicional do terço constitucional de férias, ou suas diferenças, deve ser mantido na base de cálculo da contribuição previdenciária do lançamento fiscal. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial em menor extensão ao recurso voluntário, para apenas excluir do lançamento a rubrica aviso prévio indenizado e apropriar os valores das retenções destacadas nas notas fiscais. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 6832DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.002996/2007-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2005
DIREITO PREVIDENCIÁRIO. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Constitui infração ao artigo 32, inciso IV, §§ 3o e 5o, da Lei 8212/1991, acrescentado pela Lei 9.528, de 10/12/97, combinado com o artigo 225, inciso IV, § 4º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3,048/1999, a empresa apresentar a GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias.
CORREÇÃO DA INFRAÇÃO (GFIP)
Conforme dispõe o art. 291, §1° do Decreto 3.048/99, a multa, por ter entregue GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 2202-005.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da autuação as infrações que foram corrigidas, conforme Informação Fiscal prestada na diligência de efls. 936/1075 e para que nas faltas remanescentes a multa aplicada, seja feito o cálculo da multa mais benéfica, consoante disciplinado na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009. Vencido o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que deu provimento parcial em menor extensão.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração ao artigo 32, inciso IV, §§ 3o e 5o, da Lei 8212/1991, acrescentado pela Lei 9.528, de 10/12/97, combinado com o artigo 225, inciso IV, § 4º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3,048/1999, a empresa apresentar a GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. CORREÇÃO DA INFRAÇÃO (GFIP) Conforme dispõe o art. 291, §1° do Decreto 3.048/99, a multa, por ter entregue GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 29 96 /2 00 7- 44 Fl. 1115DF CARF MF 2 O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da autuação as infrações que foram corrigidas, conforme Informação Fiscal prestada na diligência de efls. 936/1075 e para que nas faltas remanescentes a multa aplicada, seja feito o cálculo da multa mais benéfica, consoante disciplinado na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009. Vencido o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que deu provimento parcial em menor extensão. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra DecisãoNotificação nº 4520302500/0218/2007 (efls. 239 e ss.), proferida pela Delegacia da Receita Previdenciária em Blumenau SC que julgou autuação procedente. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária em sua Resolução (efls. 930 e ss.), 08 de julho de 2009, assim os relatou: Tratase de Auto de Infração, lavrado em 31.10.06, em desfavor da Cia Latino Americana de Medicamentos, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, §3°, da Lei 8.212/91, combinado com o art.. 225, IV, §4°, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, referente ao período de 11/2003 a 12/2005. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 09/225, a empresa deixou de informar em GFIP o período compreendido entre 11/2003 a 12/2005, os fatos geradores representados pelos valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais por meio dos cartões de premiação. Inconformada, a ora Recorrente apresentou Defesa tempestiva (fls. 228), alegando que apresentou as retificações das GFIPs dentro do prazo legal, razão pela qual requer a relevação da multa. Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 10920.002996/200744 Acórdão n.º 2202005.211 S2C2T2 Fl. 1.112 3 Em seguida, a DecisãoNotificação de fls. 236/238, julgou procedente o lançamento, afirmando que não houve a comprovação da correção da falta ate o presente momento, conforme alegado pela Recorrente. Por fim, fora interposto Recurso Voluntário tempestivo de fls. 245/248, alegando, em síntese, que procedeu a correção da falta dentro do prazo de defesa, requerendo a relevação da penalidade aplicada, posto que ausente qualquer circunstância agravante. Sem Contrarazões. Da Solicitação de Diligência A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgametno do CARF, em sua Resolução, converteu o julgamento em diligência, para que a fiscalização informe se os documentos acostados trazem pertinência com o presente lançamento e se as GFIPs foram devidamente retificadas no prazo legal, ou seja até a decisão da autoridade julgadora. Em 10 de fevereiro de 2012, a Equipe de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC analisou as GFIPs apresentadas pelo Contribuinte (efls. 936 e ss), tendo concluído que em sua grande maioria as GFIPs foram devidamente retificadas dentro do prazo de defesa. Concluiu a diligência fiscal (efls. 1075) que deixaram de ser corrigidas, isto é, deixaram de ser informadas nas GFIPs apresentadas pelo Contribuinte, a remuneração do segurado empregado e os valores pagos aos segurados contribuintes individuais demonstrados na tabela abaixo: Do Acórdão Em 11 de fevereiro de 2015, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Acórdão n. 2302003.644 (efls. 1084 e ss), decidiu "por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir da autuação as infrações que foram corrigidas, conforme Informação Fiscal prestada na diligência de fls. 635/706 e para que nas faltas remanescentes a multa aplicada seja recalculada considerando as disposições do art 32A, inciso I, da Lei n.° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009". Contudo, ficou constante a seguinte informação do Relatório do Acórdão . 2302003.644, in verbis: Fl. 1117DF CARF MF 4 Relatório Tratase de recurso voluntário, de autoria da contribuinte. Esclareço e registro que fui designado, conforme consta nos autos, relator AD HOC, para formalização do acórdão proferido. A designação ocorreu pelo motivo do relator responsável original ter deixado o CARF antes da formalização do acórdão, não possuindo mais competência para tanto. Ocorre que o relator responsável original pelo processo não deixou registrado, arquivado, nos sistemas do CARF, o relatório, histórico, análise que fez dos autos, que levaram o colegiado a decidir pelo que consta em ata. Conseqüentemente, por não possuir competência para tanto, registro o ocorrido, a fim de que as partes interessadas tenham ciência dos fatos. É o relatório. Da Nulidade do Acórdão Em 11 de setembro de 2018, 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Acórdão n. 2202004.763 (efls. 1099 e ss), decidiu , por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração como Embargos Inominados, acolhendoos para fins de declarar a nulidade do acórdão embargado, qual seja: Acórdão n. 2302003.644. É o relatório Voto Marcelo de Sousa Sáteles, Conselheiro Relator O recurso foi apresentada tempestivamente, atendendo também aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme Relatório Fiscal e anexos deste processo, a lide discutida é o DEBCAD n° 35.544.3856, no valor de R$ 216.168,05, relativo multa administrativa por infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafo 5o da Lei 8.212, de 24/07/1991, combinado com o artigo 225, inciso IV e parágrafo 4o do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999, pelo fato do sujeito passivo em epígrafe ter entregue GFIP, das competências entre novembro/2003 a dezembro/2005, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (valores pagos por meio de cartões de premiação). O relatório Instrução para o Contribuinte (IPC efls. 05) em seu item 2.7 traz de forma expressa que: 2.7. A multa poderá ser atenuada ou relevada: Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 10920.002996/200744 Acórdão n.º 2202005.211 S2C2T2 Fl. 1.113 5 (...) b) a multa aplicada será relevada desde que os requisitos seguintes estejam presentes, cumulativamente: * correção da falta até a data da ciência da DecisãoNotificação pelo interessado; * pedido do autuado dentro do prazo de defesa, impugnada ou não a infração; * ser o contribuinte infrator primário; * inexistência de circunstancies agravantes Nesse sentido, conforme dispõe o art. 291, §1° do Decreto 3.048/99, a multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante, norma vigente à época da infração, in verbis: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1oA multa serei relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. No caso em apreço, a ora Recorrente alega que corrigiu a falta dentro o prazo estipulado, é primaria e não houve nenhuma circunstancia agravante. De fato, não consta Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (efls. 14 e ss) nenhuma das circunstância agravantes prevista nos incisos I, II, III, IV e V do art. 290 do Decreto 3.048/99 e nem a informação de que o Contribuinte não fosse primário. Em 10 de fevereiro de2012, a Equipe de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC analisou as GFIPs apresentadas pelo Contribuinte (efls. 936 e ss), tendo concluído que em sua grande maioria as GFIPs foram devidamente retificadas dentro do prazo de defesa. Concluiu a diligência fiscal (efls. 1075) que deixaram de ser corrigidas, isto é, deixaram de ser informadas nas GFIPs apresentadas pelo Contribuinte, a remuneração do segurado empregado e os valores pagos aos segurados contribuintes individuais demonstrados na tabela abaixo: Fl. 1119DF CARF MF 6 Constatase então que grande parte das GFIPs foram corrigidas dentro do prazo de defesa, conforme consta da Informação Fiscal, prestada por meio de diligência solicitada pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, sendo ainda o Contribuinte primário e não tendo nenhuma circunstância agravante. Com isso, devem ser excluídas da autuação as infrações que foram corrigidas, conforme Informação Fiscal prestada na diligência de efls. 936/1075.] No que se refere às faltas remanescentes a multa aplicada, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência da 2ª Turma da CSRF (Acórdão ns. 9202006.632 e 9202 006.512) sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 10920.002996/200744 Acórdão n.º 2202005.211 S2C2T2 Fl. 1.114 7 I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3ºA análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4 O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1121DF CARF MF 8 Isto posto, entendo que deve prevalecer o encaminhamento consolidado na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009, no sentido de, se for o caso, procederse ao recalculo da multa mais benéfica à Recorrente, no que se refere às faltas remanescentes a multa aplicada. CONCLUSÃO Devido ao exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir da autuação as infrações que foram corrigidas, conforme Informação Fiscal prestada na diligência de efls. 936/1075 e para que nas faltas remanescentes a multa aplicada, seja feito o cálculo da multa mais benéfica, consoante disciplinado na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator Fl. 1122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.901664/2008-82
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 16 64 /2 00 8- 82 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 15374.901664/200882 Acórdão n.º 1003000.633 S1C0T3 Fl. 80 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 23755.87297.091203.1.3.042701, em 09.12.2003, fls. 0108, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior efetuado pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, código 6106, do mês de julho do anocalendário de 2002 no valor de R$5.815,91 arrecadado em 10.07.2002, para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, fl. 11, que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 5.815,91 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172. de 25 de outubro de 1956 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 2ª Turma/DRJ/RJ1/RJ nº 1230.749, de 27.05.2010, efls. 3940: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO APÓS CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 77 da IN RFB n° 900, de 30/12/2008, inadmitese a retificação da declaração de compensação após a ciência da decisão administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 14.09.2010, fl. 42, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 30.09.2010, fls. 4344, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: O pedido de reconsideração foi feito com base na retificação da PER/DCOMP inicial por ter sido verificado a não identificação do Imposto pago indevidamente, não tendo sido a acatada pela Receita Federal, mesmo tendo sido comprovado o pagamento indevido do Imposto objeto do pedido de compensação. Considerando que a empresa tem o legítimo direito de compensar crédito tributário apurado, conforme art. 34 da Instrução Normativa RFB n° 900 de 30/12/2008 que diz " O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada, em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 15374.901664/200882 Acórdão n.º 1003000.633 S1C0T3 Fl. 81 3 débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias , cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos", vem mui respeitosamente demonstrar a V.Srs de conformidade com o § 1º do art 74 da Instrução Normativa RFB 900 de 30/12/2008 alterado pela Instrução Normativa RFB n° 1.067 de 24/08/2010, o pagamento do imposto indevido objeto do pedido de compensação em questão tendo o mesmo sido valorado de acordo com o § 1° inciso III letra c do art 72, solicitando que o referido crédito cujo pagamento é comprovado pela guia cópia anexa (doc 06) e comprovante de arrecadação emitido pela Receita Federal anexo (doc 07), abaixo demonstrado seja compensado com os tributos descritos na folha 02/02. No que concerne ao pedido conclui que: Por tudo o que acima foi exposto, comprovado e confiante na imparcialidade e competência que norteia o julgamento deste Conselho, requere a V. Sas. Julgue procedente o pedido de compensação do crédito e impostos acima mencionados. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente Fl. 81DF CARF MF Processo nº 15374.901664/200882 Acórdão n.º 1003000.633 S1C0T3 Fl. 82 4 da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Instaurado o contencioso e estabilizada a lide, não se admite que a Recorrente altere o pedido mediante a modificação dos elementos do direito creditório aduzido Per/DComp, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto. A regra é de que o Per/Dcomp somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, em conformidade com o art. 56 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004, o art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, o art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012 e o art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, todas editadas com fundamento no poder disciplinar da RFB previsto no § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A pretensão de retificação do Per/DComp para fins de constar direito creditório diverso do originalmente identificado, apenas trazida em sede de impugnação, constitui inovação da matéria tratada nos autos, não podendo ser objeto de análise neste processo. Ainda, a manifestação de inconformidade não é meio adequado para retificação dos dados declarados pela incompatibilidade dos instrumentos e pela preclusão da possibilidade de referida retificação após instaurada a fase litigiosa no procedimento. Ademais, como a alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, houve a estabilização da lide. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde Fl. 82DF CARF MF Processo nº 15374.901664/200882 Acórdão n.º 1003000.633 S1C0T3 Fl. 83 5 o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 170 do Código Tributário Nacional). Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." Verificase que todos os documentos constantes nos autos foram analisados. No presente caso, a partir das características do DARF discriminado no Per/DComp foi não foi confirmada a sua existência e o documento de fls. 6970 não confirma a tese recursal. As informações constantes na peça de defesa não podem ser consideradas, pois não foram produzidos no processo elementos de prova mediante assentos contábeis e fiscais que evidenciem as alegações ali constantes, nos termos do art. 145 e art. 147 do Código Tributário Nacional, bem como art. 15, art. 16 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que estabelecem critérios de adoção do princípio da verdade material. Observese que não foram carreados aos autos pela Recorrente os dados essenciais a produzir um conjunto probatório robusto da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 15374.901664/200882 Acórdão n.º 1003000.633 S1C0T3 Fl. 84 6 Consta no Acórdão da 2ª Turma/DRJ/RJ1/RJ nº 1230.749, de 27.05.2010, e fls. 3940, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): 5 A manifestação de inconformidade é tempestiva e estão reunidos os demais requisitos de admissibilidade, portanto dela conheço. 6 Depois de proferida a decisão administrativa não se admite a retificação da declaração de compensação, conforme disposto no art. 77 da IN RFB nº 900, de 30/12/2008, in verbis: Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere Declaração de Compensação. 7 Portanto, é de se negar provimento à manifestação de inconformidade. Temse que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.903464/2013-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 34 64 /2 01 3- 72 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10580.903464/201372 Acórdão n.º 3401005.900 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de PIS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10580.903464/201372 Acórdão n.º 3401005.900 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.574. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10580.903464/201372 Acórdão n.º 3401005.900 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10580.903464/201372 Acórdão n.º 3401005.900 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10580.903464/201372 Acórdão n.º 3401005.900 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10580.903464/201372 Acórdão n.º 3401005.900 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10580.903464/201372 Acórdão n.º 3401005.900 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10580.903464/201372 Acórdão n.º 3401005.900 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.902444/2014-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 24 44 /2 01 4- 65 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10580.902444/201465 Acórdão n.º 3401005.878 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de COFINS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10580.902444/201465 Acórdão n.º 3401005.878 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.552. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10580.902444/201465 Acórdão n.º 3401005.878 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10580.902444/201465 Acórdão n.º 3401005.878 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10580.902444/201465 Acórdão n.º 3401005.878 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10580.902444/201465 Acórdão n.º 3401005.878 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10580.902444/201465 Acórdão n.º 3401005.878 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10580.902444/201465 Acórdão n.º 3401005.878 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 193DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.903432/2009-51
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. PROVAS APRESENTADAS EM FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE
O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade. Admites-se, no entanto a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas e argumentos já oportunamente apresentadas.
Numero da decisão: 1003-000.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o início de prova capaz de corroborar as alegações da Recorrente, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF a fim de que seja emitido um novo despacho decisório, levando-se em consideração as provas e informações constantes neste processo.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. PROVAS APRESENTADAS EM FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade. Admites-se, no entanto a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas e argumentos já oportunamente apresentadas.
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MUCHIUTT VEÍCULOS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. PROVAS APRESENTADAS EM FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade. Admitesse, no entanto a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas e argumentos já oportunamente apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o início de prova capaz de corroborar as alegações da Recorrente, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF a fim de que seja emitido um novo despacho decisório, levandose em consideração as provas e informações constantes neste processo. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 34 32 /2 00 9- 51 Fl. 102DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente) Relatório Tratase de recurso voluntário em face do acórdão 14.40.599, de 28 de fevereiro de 2013, da 5ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. A contribuinte, ora Recorrente, formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 08875.81235.310708.1.3.046060, em 31/07/2008, efls. 26, decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal (código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração encerrado em 30/04/2008, para compensação dos débitos de sua responsabilidade. A compensação não foi homologada pela DRFPresidente Prudente pelo seguinte motivo: " Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 20.444,59 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em que alega o seguinte: "A empresa V. MUCHIUTT VEÍCULOS E PEÇAS LTDA no prazo legal vem requerer " o cancelamento da intimação" n° de rastreamento 848696750 de 07/10/2009, processo de credito 10835903.432/200951, em razão da DCTF n° do recibo 22.70.54.93.8826, entrega incorretamente, substituída pela DCTF RETIFICADORA n° do recibo 30.08.54.60.9333, como consta em copia que segue em anexo. Termos em que pede deferimento” A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, em acórdão assim ementado: DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10835.903432/200951 Acórdão n.º 1003000.674 S1C0T3 Fl. 103 3 Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do acórdão em 17/05/2013 (efl. 35), irresignada a Recorrente apresentou recurso voluntário em 12/06/2013 (efls. 3739), no qual alega o seguinte: Que no mês de Abril a empresa apurou e declarou em DCTF n° 22.70.54.93.8826 a parcela de estimativa no valor de R$ 29.879,22 que foi pago através de DARF em 30/05/2008, conforme anexo1; Que equivocouse, pois a empresa havia recolhido parcelas de estimativa referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2008, no valor de R$ 33.264,80, conforme cópias de DARFs (doc. 2 e 3); Que após correção, chegou a seguinte apuração do IRPJ, relativo a Abril de 2008: Errado Correto Lucro Antes do IRPJ 184.542,26 184.542,26 (+) Provisão CSLL 18.251,43 18.251,43 () Exclusões 0,00 0,00 Lucro Antes da Comp. Prejuízo 202.793,69 202.793,69 IRPJ 15% 42.698,42 42.698,42 () Estimativa 2008 12.658,73 33.264,80 IRPJ devido 30.039,69 9.433,62 Fl. 104DF CARF MF 4 () IRRF 160,47 0,00 IRPJ Adicional 10% 12.279,37 12.279,37 IRPJ a recolher cod. 236201 29.879,22 9.433,62 Que pós verificar o recolhimento a maior foi entregue a PER/DCOMP n° 08875.81235.310708.1.3.046060 em 31/07/2008 para compensação do imposto recolhido a maior, e foi transmitida a DCTF retificadora n° 30.08.54.60.9333 em 26/10/2009, conforme cópias (doc 4 e 5); Que além dos documentos citados acima, juntou cópia de parte da DIPJ que demonstra a apuração correta referente ao anocalendário de 2008 (doc. 6), cópia do livro diário onde constam os pagamentos e lançamentos de estimativa (doc. 7) e cópia do razão contendo os mesmos lançamentos (doc. 8) Requer, ao final, a reforma do despacho decisório e homologação da compensação informada no PER/DCOMP n° 08875.81235.310708.1.3.046060. É o Relatório. Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama Relator O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. A Recorrente alegou que houve erro no preenchimento na DCTF original que foram sanados na DCTF retificadora. Tal justificativa, por si só, não tem o condão de convencer o julgador da veracidade dos fatos, como aliás entendeu a 1ª instância de julgamento ao afirmar que cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. Pois bem. Verificase que a Recorrente juntou aos autos nesta fase recursal, documentos e informações para comprovação do seu direito a repetição do indébito. São novos no processo e não foram analisados e discutidos pela DRF e DRJ e complementam aquelas já constantes nos autos. A jurisprudência deste Conselho entende que em casos específicos como o ora analisado, o art. 29 do Decreto 70.235/72, possibilita a apresentação de provas fora do prazo previsto no art. 16, do Decreto 70.235/72, em homenagem a verdade material e a livre convicção do julgador. Deveras, o instituto da preclusão visa estabelecer uma ordem no sistema processual com a finalidade de atingir um desempenho satisfatoriamente célere e ordenado. Contudo, se utilizado por puro formalismo, acaba sendo aplicado de forma exagerada. Em algumas situações a ausência de um ato no limite temporal aprazado pode levar o julgador a Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10835.903432/200951 Acórdão n.º 1003000.674 S1C0T3 Fl. 104 5 proferir uma decisão de forma definitiva, ocasionando a perda de direito a um julgamento justo na esfera administrativa. A autoridade julgadora deve orientarse pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, formando livremente sua convicção mediante a persuasão racional, decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O princípio da ampla defesa, por outro lado, garante ao contribuinte o direito de defenderse plenamente de todos os fatos e fundamentos dentro do processo administrativo. Portanto, entendo que para uma correta e adequada decisão no contencioso administrativo fiscal o julgador deve se utilizar de todos os meios de provas disponíveis ou colocadas a disposição, não deixando de recebêlas em razão de não terem sido apresentadas no momento da instrução do processo, posto que a baliza temporal não deve impedir ou dificultar o exercício do direito no que se refere aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. Assim, tomo conhecimento das provas ora apresentadas, por entender que são imprescindíveis para o deslinde do processo e tem relação direta com os fatos aqui narrados e, no meu entendimento, não tem mero objetivo protelatório. Em que pese ter a Recorrente juntado os documentos apenas em grau de recurso, em obediência à verdade material que deve pautar os processos administrativos e da formalidade moderada e na permissão concedida pelo art. 38 da Lei 9.784/99, o contribuinte tem a possibilidade de juntar documentos indispensáveis para sua defesa mesmo após a manifestação de inconformidade.. Por essa razão, entendo não ter havido a preclusão para a juntada de provas nesse caso específico e, para evitar prejuízo à defesa ou evitar supressão de instância de julgamento, haja vista que as questões trazidas no recurso voluntário não foram enfrentadas nas instâncias anteriores, deve o processo retornar à DRF para que seja possível analisar as declarações da Recorrente quanto à demonstração da liquidez e certeza do crédito, através da análise dos documentos juntados nesta oportunidade. Isto posto, voto para dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reconhecer o início de prova capaz de corroborar as alegações da Recorrente, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o conseqüente retorno dos autos à DRF a fim de seja emitido um novo despacho decisório, levandose em consideração as provas e informações constantes neste processo. É como voto. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 106DF CARF MF 6 Fl. 107DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.904532/2009-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARADO E NÃO RECOLHIDO.
A denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados e não recolhidos pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.561
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARADO E NÃO RECOLHIDO. A denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados e não recolhidos pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 45 32 /2 00 9- 30 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10882.904532/200930 Acórdão n.º 3402006.561 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de Pedido de Compensação formulado para o aproveitamento de crédito de contribuição não cumulativa decorrente de pagamento indevido ou a maior, que restou não homologado, conforme Despacho Decisório carreado aos autos. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, oportunidade na qual anexou aos autos a DCTF retificadora transmitida após a prolação do despacho decisório, para indicar que o valor correto de COFINS devido no período. Acostou aos autos, ainda, o DACON retificador com o mesmo valor. A defesa interposta foi julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 05039.433. Intimada desta decisão, a empresa apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, alegando "a existência líquida e certa do crédito". Traz a legislação tributária referente à compensação e sustenta adiante que o recolhimento a maior teria ocorrido por um lapso, por ter deixado de retificar as DCTFs da época, retificação realizada após o despacho decisório em conformidade com a Instrução Normativa n. 903/2008. Sustenta, ainda, a impossibilidade de cobrança de multa na compensação pela aplicação do instituto da denúncia espontânea. Pleiteia, ainda, a realização de novas diligências para confirmar a validade dos valores indicados no DACON e na DCTF retificadores. Em seguida, os autos foram direcionados a esse Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10882.904532/200930 Acórdão n.º 3402006.561 S3C4T2 Fl. 4 3 Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.556, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10882.904527/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.556): "O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Contudo, atentandose para o presente caso, observase que a Recorrente se preocupa em evidenciar, apenas, a retificação do DACON e da DCTF realizada após o recebimento do despacho decisório, sem buscar demonstrar a origem e validade do crédito pleiteado, sequer mencionando qual o erro cometido em sua apuração da COFINS de janeiro/2006. Primeiramente, essencial novamente1 firmar o contribuinte figura como titular da pretensão nas Declarações de ressarcimento e de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19722. Com efeito, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho. A título de exemplo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a 1 Como já consigando por esta Turma em outras oportunidade como, por exemplo, no Acórdão n.º 3402004.763, de 25/10/2017, de minha relatoria. 2 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10882.904532/200930 Acórdão n.º 3402006.561 S3C4T2 Fl. 5 4 aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Atentandose para o presente caso, observase que os únicos elementos de prova trazidos pelo Recorrente para respaldar seu crédito foram a DCTF e o DACON retificadores referentes à competência de janeiro/2006, que passaram a indicar o valor devido de COFINS de R$ 32.777,61. Uma vez que a empresa procedeu com o recolhimento em DARF do valor de R$ 35.500,58, haveria exatamente a diferença de R$ 2.722,97, pleiteada no pedido de compensação. Contudo, observase que a Recorrente não anexou aos autos qualquer documento fiscal ou contábil suscetível à demonstrar qual o equívoco que foi cometido na sua apuração, de forma a evidenciar a razão pela qual procedeu com a retificação de seus documentos fiscais. Ordinariamente, em casos como esses, esta relatora propõe a conversão do processo em diligência para que seja oportunizada a apresentação, pelo sujeito passivo, dos documentos. Contudo, no presente caso, observase que a r. decisão recorrida expressamente indicou a deficiência na instrução probatória, apontando quais os documentos que deveriam ser apresentados para demonstrar os valores retificados na DACON e na DCTF: "Deveria a manifestante ter juntado aos autos documentos que demonstrassem que as declarações inicialmente transmitidas estavam erradas. Esta prova se dá mediante a apresentação dos registros contábeis e demais documentos fiscais que efetivamente comprovem quais os fatos geradores ocorridos no período de apuração e qual a base de cálculo apurada. O erro deve ser evidenciado, não bastando a simples alegação de sua existência." (efl. 141 grifei). Observase, portanto, que no presente caso a r. decisão recorrida não desconsiderou a retificação realizada pelo sujeito passivo, evidenciando a necessidade da empresa demonstrar as razões pelas quais procedeu com a retificação das declarações para indicar valor devido à menor de COFINS. Este entendimento, frisese, está em conformidade com as manifestações deste Conselho, consoante bem explanado pela Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz no Acórdão 3402 005.034: Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10882.904532/200930 Acórdão n.º 3402006.561 S3C4T2 Fl. 6 5 "Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DCTF, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos [redação semelhante ao do art. 11, da Instrução Normativa n.º 590/2005, vigente à época dos fatos do presente processo3], estabelece que: Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. 3 Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins: I que já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desses débitos; II em relação aos quais já tenham sido apuradas diferenças em procedimento de ofício, relativas às informações, indevidas ou não comprovadas, prestadas no Dacon original e que tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; ou III em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados no Dacon, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada, pela Secretaria da Receita Federal, nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento do demonstrativo. § 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. § 5º A retificação de Dacon não será admitida com o objetivo de alterar a periodicidade, mensal ou semestral, de demonstrativo anteriormente apresentado. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10882.904532/200930 Acórdão n.º 3402006.561 S3C4T2 Fl. 7 6 § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Quanto à DCTF, cuja retificação foi feita posteriormente à prolação do despacho decisório, tampouco salvaguarda o pleito da Recorrente. Explico. Este Conselho possui pacífica jurisprudência, tanto nas turmas ordinárias (e.g. Acórdãos 3801004.289, 3801004.079, 3803003.964) como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303005.519), no sentido de que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do crédito quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento fundase na letra do artigo 147, § 1º do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10882.904532/200930 Acórdão n.º 3402006.561 S3C4T2 Fl. 8 7 administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Portanto, a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não é suficiente para a demonstração do crédito pleiteado em PER/DCOMP, sendo imprescindível que a Contribuinte faça prova do erro em que se fundou a retificação. Nesse sentido, destaco a ementa do Acórdão nº 9303005.708, cujo julgamento na CSRF, por unanimidade, ocorreu em 19 de setembro de 2017: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado.) Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10882.904532/200930 Acórdão n.º 3402006.561 S3C4T2 Fl. 9 8 de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. No caso em análise, a Contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS, contudo, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado nas declarações (DCTF e DACON) é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração." (grifei) E, diferentemente dos casos anteriores nos quais entendeu se pela conversão do processo em diligência, foi com fulcro nesse entendimento que a r. decisão recorrida expressamente apontou a necessidade de serem trazidos aos autos novos elementos de prova além da retificação da DCTF e do DACON. Contudo, a Recorrente não apresentou quaisquer documentos adicionais no Recurso Voluntário. Com efeito, na peça recursal, a empresa se pautou a anexar os mesmos documentos já apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Ademais, observase que a Recorrente em qualquer momento sequer menciona qual o erro que supostamente teria sido cometido na apuração. Neste aspecto, importante inclusive apontar a inconsistência da peça recursal da empresa, que ora afirma que o crédito seria decorrente de ressarcimento de IRPJ, ora afirma que seria crédito de PIS, sendo que, como trazido no pedido de compensação, o presente processo se refere à crédito de COFINS. Assim, no presente caso, entendo ser prescindível a diligência, vez que a Recorrente não trouxe qualquer elemento de prova diferente do DACON e da DCTF retificadores, não obstante essa falta probatória já tivesse sido apontada pela r. decisão recorrida. Face a ausência de provas da liquidez e certeza do crédito, entendo que deve ser negado provimento ao recurso. Por fim, insta mencionar que o argumento da denúncia espontânea somente seria passível de ser analisado nessa seara caso o crédito pleiteado tivesse sido reconhecido. Isso porque, a denúncia espontânea do art. 138, do Código Tributário Nacional Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10882.904532/200930 Acórdão n.º 3402006.561 S3C4T2 Fl. 10 9 ocorre quando o contribuinte "após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente" (Recurso Especial 1.149.022/SP4 grifei). No presente caso, ainda que se entenda pelo cabimento do instituto da denúncia espontânea por meio de compensação (entendimento desta Relatora, com fulcro, dentre outros, no acórdão n. 3402.003.486, de 29/11/20165 e no Acórdão nº 4 "1 A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). (…) 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010 grifei) 5 "COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PER/DCOMP. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXONERAÇÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. A compensação tributária, efetivada pelo contribuinte por meio de PER/DCOMP, constitui sistemática que acarreta num encontro de contas, tendo como resultado a extinção de duas obrigações contrapostas: relação jurídica tributária, em que o contribuinte tem débito perante o Fisco; e relação jurídica de restituição de indébito ou ressarcimento, na qual o contribuinte tem direito a crédito a ser pago pelo Fisco (artigo 170, CTN e artigo 74 da Lei n. 9.430/96). Há, portanto, concomitante pagamento de tributo e restituição do indébito ou Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10882.904532/200930 Acórdão n.º 3402006.561 S3C4T2 Fl. 11 10 9101003.689, de 07/08/20186), o débito declarado na compensação de IRPJ estimativa não foi extinto, vez que o crédito declarado não foi reconhecido e a compensação pleiteada não foi homologada. Assim, o débito declarado na compensação não foi quitado, inexistindo os elementos necessários para atrair o instituto da denúncia espontânea. Nesse sentido, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra ressarcimento do tributo. Ou seja, na compensação tributária há sim pagamento, de modo que é figura passível de ser abrangida pelo benefício da denúncia espontânea, com a consequente exclusão da multa moratória, nos termos do artigo 138 do CTN." (Processo 10675.003602/200391 Sessão 29/11/2016 Redatora desiganda Thais de Laurentiis Galkowicz Nº Acórdão 3402003.486 grifei) 6 "COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. A regular compensação realizada pelo contribuinte é meio hábil para a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja eficácia normativa não se restringe ao adimplemento em dinheiro do débito tributário." (Processo 10380.721163/201036 Sessão 07/08/2018 Relator Luís Flávio Neto Nº Acórdão 9101003.689 grifei) Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10882.904532/200930 Acórdão n.º 3402006.561 S3C4T2 Fl. 12 11 Fl. 144DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.908633/2012-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. AQUISIÇÃO DE MATERIAL DE USO E CONSUMO. POSSIBILIDADE.
Faz jús ao aproveitamento de crédito de IPI a empresa que adquiri materiais para uso e consumo no processo industrial, tais como chapas, revelador e reforçador aplicados diretamente no processo produtivo de impressão off-set, por serem consumidos no processo de industrialização (ou que não o sejam integralmente consumidos se tornam imprestáveis para quaisquer outro processo industrial), nos termos do art. 164, I, do /decreto nº 4.544/2002 e do Parecer Normativo COSIT nº 65/1999.
Numero da decisão: 3001-000.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. AQUISIÇÃO DE MATERIAL DE USO E CONSUMO. POSSIBILIDADE. Faz jús ao aproveitamento de crédito de IPI a empresa que adquiri materiais para uso e consumo no processo industrial, tais como chapas, revelador e reforçador aplicados diretamente no processo produtivo de impressão off-set, por serem consumidos no processo de industrialização (ou que não o sejam integralmente consumidos se tornam imprestáveis para quaisquer outro processo industrial), nos termos do art. 164, I, do /decreto nº 4.544/2002 e do Parecer Normativo COSIT nº 65/1999.
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CRÉDITO DE INSUMOS. RESTITUIÇÃO. Recorrente LOG & PRINT GRÁFICA E LOGÍSTICA S/A (SUCESSORA DE LOG & PRINT SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. AQUISIÇÃO DE MATERIAL DE USO E CONSUMO. POSSIBILIDADE. Faz jús ao aproveitamento de crédito de IPI a empresa que adquiri materiais para uso e consumo no processo industrial, tais como chapas, revelador e reforçador aplicados diretamente no processo produtivo de impressão offset, por serem consumidos no processo de industrialização (ou que não o sejam integralmente consumidos se tornam imprestáveis para quaisquer outro processo industrial), nos termos do art. 164, I, do /decreto nº 4.544/2002 e do Parecer Normativo COSIT nº 65/1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 86 33 /2 01 2- 91 Fl. 205DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Como se verifica da Manifestação de Inconformidade, a empresa TECNOCÓPIAS GRÁFICA E EDITORA LTDA., incorporada pela LOG & PRINT GRÁFICA E LOGÍSTICA S/A, submeteu à SRFB pedido de ressarcimento de crédito de IPI decorrentes da aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos acabados relativos ao 4º trimestre de 2009, com fundamento no art. 11, da Lei 9.779/1999, e inciso I, do art. 164, do Decreto 4.544/2002, no importe total de R$ 120.892,16 e, por intermédio das competentes Declarações de Compensação, pretendeu a compensação com débitos vincendos de sua responsabilidade. Do total solicitado o Fisco reconheceu R$ 90.899,09 e glosou o restante,, por entender que os produtos denominados CHAPA, REVELADOR e REFORÇADOR não eram insumo na dicção da legislação de regência, pelos fundamentos assim resumidos, verbis. Assim, embora consumidos no processo de industrialização, de serem insumos do ponto de vista econômico e de produção, não se subsumem na condição de matériaprima ou produto intermediário do ponto de vista jurídico (dar direito ao crédito do IPI) vez que as perdas de suas propriedades físicas ou químicas não se dá em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. Consequentemente, mantevese o Despacho Decisório e, com espeque no art. 18 do Decreto 70.125/71, negou o pedido de pericia formulado alternativamente pela empresa contribuinte., nos termos do acódão 1052.972, da 3ª Turma da DRJ/POA, proferida em 28 de novembro de 2014 (fls. 220/225), e assim ementada, verbis. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CRÉDITOS DE PRODUTOS QUE NÃO SE SUBSUMEM NO CONCEITO DE MATÉRIASPRIMAS OU PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. Somente dão direito a créditos os insumos que se consumirem em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10830.908633/201291 Acórdão n.º 3001000.766 S3C0T1 Fl. 3 3 Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de perícia. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEFINITIVIDADE. Considerase não impugnadas as glosas não expressamente contestadas, tornandose definitivas na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 05 de janeiro de 2015 o contribuinte formalizou seu Recurso Voluntário, reiterando suas razões impugnatórias, e arguindo (a) nulidade da decisão de 1ª instância por cerceamento do direito de defesa da parte; (b) insistindo que os produtos glosados (chapa, revelador e reforçador) se constituem sim como insumo, nos exatos termos do art. 164 do Decreto 4.544/2002, combinado com o art. 11 da Lei 9.779/1999, consoante reiteradas decisões dos nossos Tribunais no sentido de que o art. 164I, do Decreto 4.433/2002 (assim como o antigo 147I, do revogado Decreto 2.637/1998), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". Prosseguindo, a empresa recorrente tece análise técnica sobre os produtos objeto da glosa; reportase a jurisprudência de nossos Tribunais Superiores e deste CARF, e fez juntada de um laudo pericial constante de ação judicial da mesma empresa, que tramitou perante a 6ª Vara Federal de CampinasSP (Processo 000064045.2013.403.6105), com sentença favorável e atualmente em grau de apelação da União perante TRF da 3ª Região, tendo como objeto os mesmos produtos de que cuida o presente processo administrativo fiscal, porém referente a outros períodos, onde se concluiu que as CHAPAS, REVELADOR e REFORÇADOR são produtos considerados como insumo, nos termos a que se refere o art. 164 do Decreto nº 4.544/2002. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades, pelo que dele tomo conhecimento. Como relatado, a discussão gira em torno de se definir se os produtos denominados CHAPA, REVELADOR e REFORÇADOR são considerados insumo na dicção da legislação de regência, para fins de aproveitamento de crédito e a sua consequente restituição. Fl. 207DF CARF MF 4 De acordo com o entendimento que fundamentou o v. acórdão recorrido, tais produtos não geram direito à pretendida restituição por não serem considerados insumos do ponto de vista jurídico, haja vista que, "embora consumidos no processo de industrialização, de serem insumos do ponto de vista econômico e de produção, não se subsumem na condição de matériaprima ou produto intermediário do ponto de vista jurídico (dar direito ao crédito do IPI) vez que as perdas de suas propriedades físicas ou químicas não se dá em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida". Sustenta o contribuinte, porém, que referida interpretaçao contraria a própria disposição do art. 164I, do Decreto 4.544/2002, "eis que os referidos insumos são integralmente consumidos em seu processo de industrialização ou, ainda, que não o sejam integralmente consumidos, se tornam imprestáveis para qualquer outro processo industrial". A controvérsia, pois, resumese em se saber se as CHAPA, REVELADOR e REFORÇADOR são considerados insumo na dicção da legislação de regência, para fins de aproveitamento de crédito e a sua consequente restituição, como sustenta a empresa; ou, ao contrário, nas palavras do v Acórdão recorrido tais produtos não se enquadram nos ditames da legislação que rege os conceitos de insumo para fins de aproveitamento dos créditos de IPI.. Como dito, a alegação básica da Recorrente é que, apesar de as chapas não integrarem o novo produto industrializado, devem ser inutilizadas quando encerrado o processo produtivo de impressão de cada revista. E, por isto mesmo, no seu entender, este processo assegura o direito de crédito nos termos do art. 164, I do Dec. 4.544/2002 e art. 226, I do Dec. 7.212/2010. Neste mesmo sentido assegura que as blanquetas são um componente crítico no processo de impressão offset empregada na transferência de imagens para o papel. Por fim, infere que os produtos químicos são indispensáveis na confecção do produto final, tais como a goma fixadora, o revelador para a chapa e o limpador de chapa. A DRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade improcedente entendendo que apesar de o material (chapas, revelador e reforçador também conhecidos como placas, blanquetas, limpadores de rolos e demais produtos químicos) ser consumido no processo industrial, esse consumo deve estar associado a um desgaste pelo contato direto com o produto final industrializado de forma a se enquadrar nos termos dispostos no Parecer Normativo COSIT no 65/79. Entendo ser plenamente correta a fundamentação adotada pela DRJ quando se utiliza das previsões normativas estabelecidas pelo inciso I do art. 164 do Dec. 4.544/2002 que prevê o alargamento do conceito de Matéria Prima (MP) ou Produto Intermediário (PI) stricto sensu, para admitir o que se convencionou chamar de insumo industrial lato sensu, juntamente com os termos explicitados pelo Parecer Normativo COSIT nº 65/1979. O Parecer estabelece ser possível o enquadramento como matériaprima ou produto intermediário determinados produtos utilizados no processo industrial, mesmo que não se integrem ao novo produto, para fins de creditamento nos termos da legislação do IPI. A determinação imposta é que o consumo deste produto seja mediante o desgaste, desbaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, por ação direta sobre o produto em fabricação, ou viceversa, no curso do processo de industrialização, salvo se compreendidos no conceito de bem do ativo permanente. É incontroverso que os produtos utilizados pela Recorrente, e cujos créditos foram objeto de glosa pela fiscalização, não integram o Ativo Permanente, visto que ambas afirmam se tratar de material de consumo. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10830.908633/201291 Acórdão n.º 3001000.766 S3C0T1 Fl. 4 5 Contudo, entendo ser necessário, para fins de se concluir se tais insumos podem gerar direito a créditos de IPI, avaliar se ocorreu o seu consumo diretamente no processo produtivo e, necessariamente, em decorrência de contato direto com o produto em fabricação, nos termos do próprio Parecer Normativo COSIT no 65/79. Portanto, passemos à análise individualizada dos itens objeto da presente controvérsia. Segundo análise do processo offset de impressão de revistas, conforme utilizado e descrito pela Recorrente, apresento a seguir a reprodução do funcionamento deste processo extraído da monografia “RETROFITTING EM IMPRESSÃO ROTATIVA OFFSET”: “A impressão offset é um processo planográfico cuja essência consiste em repulsão entre água e gordura (tinta gordurosa). O nome offset (fora do lugar), vem do fato da impressão ser indireta, ou seja, a tinta passar por um cilindro intermediário antes de atingir a superfície. Basicamente o processo consiste em 3 rolos: distribuidor de tinta, de chapas e da blanqueta. O rolo de tinta é o rolo responsável por distribuir a tinta sobre o rolo da chapa. Este por sua vez está com uma chapa gravada com o formato impresso. Como explanado logo acima, a tinta somente irá aderir às regiões que não repelem a tinta (processo repulsão da gordura). E o terceiro rolo é o responsável por transferir esta tinta ao papel, dando formato impresso. Este rolo é revestido com uma espécie de borracha chamado blanqueta. N figura 2 podese ver os rolos distribuidores de tinta, os rolos distribuidores de água, o cilindro de chapas e o cilindro de blanquetas”.1 Para melhor ilustrar a descrição acima, reproduzo imagem do referido processo de impressão: 1Dados extraídos do sítio www.ct.utfpr.edu.br/deptos/ceaut/monografias/RetrofittingemImpressora RotativaOffset.pdf, acessível em: 03/10/2018 Fl. 209DF CARF MF 6 Com estas informações, podese concluir que as Chapas de Impressão e as Blanquetas, utilizadas na produção de revistas, não podem ser reaproveitadas na produção de novas revistas (impressões) caracterizandoas como material de consumo, e que estão diretamente ligadas ao seu processo industrial. Portanto, entendo que este material deve ser considerado para fins de creditamento do IPI. Do mesmo modo, entendo que faz parte deste processo de impressão o emprego dos produtos químicos consumidos, tais como a goma fixadora, o revelador para a chapa e o limpador de chapa. Por fim, requer a Recorrente a realização de perícia técnica para análise dos créditos referentes aos insumos adquiridos e consumidos no processo produtivo, especialmente aqueles constantes da segunda controvérsia debatida alhures. Todavia, considero desnecessária a realização da perícia pretendida, seja tendo em vista as informações referentes ao processo de impressão offset acima reproduzido, seja porque o contribuinte fez juntada aos autos de um laudo pericial constante de ação judicial da mesma empresa, que tramitou perante a 6ª Vara Federal de CampinasSP (Processo 000064045.2013.403.6105), com sentença favorável e atualmente em grau de apelação da União perante TRF da 3ª Região, tendo como objeto os mesmos produtos de que cuida o presente processo administrativo fiscal, apenas referente a outros períodos, onde o Perito Judicial concluiu que as CHAPAS, REVELADOR e REFORÇADOR são produtos considerados como insumo, nos termos a que se refere o art. 164 do Decreto nº 4.544/2002, posto que "são integralmente consumidos em seu processo de industrialização ou... que não o sejam integralmente consumidos se tornam imprestáveis para quaisquer outro processo industrial". Em assim sendo, entendo que a chapa só pode ser utilizada uma única vez, significando dizer que, na prática, se consome no processo industrial, pois após usála fica a Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10830.908633/201291 Acórdão n.º 3001000.766 S3C0T1 Fl. 5 7 mesma imprestável para uso industrial. Pode se concluir também que, para usar a chapa nas impressões offset é necessário o revelador, e o reforçador também se torna indispensável para consumação do processo industrial, uma vez que funciona como uma espécie de fixador para melhorar a imagem da impressão. Diante do exposto, VOTO no sentido de tomar conhecimento para dar provimento ao Recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 211DF CARF MF
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