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Numero do processo: 13819.906243/2012-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38.
É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999.
COMPENSAÇÃO.
Ultrapassa-se o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação.
Numero da decisão: 1301-003.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. COMPENSAÇÃO. Ultrapassase o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 62 43 /2 01 2- 22 Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13819.906243/201222 Acórdão n.º 1301003.314 S1C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/REC, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, considerá la improcedente, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada. Tratase de Dcomp que visou a compensar crédito decorrente de pagamento indevido/maior de IRPJ, no período especificado. Referida compensação não foi homologada, via Despacho Decisório eletrônico, à razão de que, dadas as características do Darf discriminado naquela Dcomp, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação do débito nela declarado. Na manifestação de inconformidade, é aduzido, em síntese, que constituiu e pagou PIS e COFINS que não eram devidos, com amparo em legislação que reduziu a zero as alíquotas do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da execução de industrialização por encomenda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal; quando percebeu o erro, já havia pago as contribuições, surgindose crédito de pagamento indevido/a maior; e, que aproveitou o crédito em Dcomp, porém olvidou a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, ratificando a decisão recorrida, vez que o contribuinte não trouxe aos autos argumentos para defender a existência do crédito pleiteado. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, acompanhado de documentos, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13819.906243/201222 Acórdão n.º 1301003.314 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.306, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13819.906236/2012 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.306): "O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da Juntada de Novos Documentos em sede de Recurso Voluntário Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram juntados quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Em que pese existir entendimento pela não admissão destes documentos com fulcro no dispositivo citado, penso que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindoo de apresentar provas em sua defesa, sob pena de ferir o princípio da verdade material, princípio da formalidade moderada, entre outros, e por isso, deve estes princípios prevalecerem sobre a aplicação do dispositivo contido no 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, pois podem revestirse de elementos suficientes para a confirmação, pelo menos em parte, do direito creditório pleiteado. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101002.781, que ocorreu na sessão de 06 de abril de 2017, onde foi reconhecida a possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa, em observância a estes princípios e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999: Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13819.906243/201222 Acórdão n.º 1301003.314 S1C3T1 Fl. 5 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por entender pertinente, colaciono trechos extraídos do voto vencedor deste mesmo acórdão, exarado pela I. Conselheira Cristiane Silva Costa, cujos argumentos evidenciam o atual posicionamento da CSRF sobre a matéria: Com a devida vênia ao Ilustre Relator, divirjo da interpretação conferida ao artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Como mencionado pelo Ilustre Relator, prescreve o artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) A interpretação isolada do artigo 16 e seu §4º poderia implicar na interpretação bastante rigorosa da impossibilidade de juntada de documentos depois da apresentação de impugnação administrativa, ressalvadas as hipóteses dos incisos do §4º, acima colacionado (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). No entanto, não me parece seja o caso de adotar interpretação tão rigorosa. A Lei nº 9.784/1999 trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, explicitando a necessidade de observância aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade proporcionalidade, ampla defesa e contraditório: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: A mesma Lei acrescenta que os processos administrativos devem atender aos critérios dos quais se destacam: Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13819.906243/201222 Acórdão n.º 1301003.314 S1C3T1 Fl. 6 5 Art. 2º: (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Especificamente sobre a possibilidade de juntada de provas, o artigo 38, da Lei nº 9.784/1999 prescreve que: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13819.906243/201222 Acórdão n.º 1301003.314 S1C3T1 Fl. 7 6 independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte. Assim, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça regra atribuindo o efeito de preclusão a respeito de prova documental, enfatizando que a prova documental seja apresentada juntamente com a impugnação do contribuinte, isso não impede, segundo meu juízo, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial princípio da verdade material e formalidade moderada, além da própria disposição contida no artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, que o julgador conheça e analise novos documentos apresentados após a defesa inaugural, sobretudo quando se prestam a corroborar com tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Dessa forma, os documentos apresentados pelo recorrente em sede de recurso devem ser admitidos e apreciados. Da Análise do Recurso Voluntário Inferese dos autos que a discussão se reporta a direito creditório proveniente de suposto recolhimento indevido ou a maior de IRPJ, efetuado no anocalendário de 2010, via DARF, apresentado através de Dcomp. Em suas razões de recurso, discorre o contribuinte que não se trata de crédito oriundo de pagamento indevido de PIS e COFINS e sim de recolhimento indevido ou a maior de IRPJ, tal como declarado em sua Dcomp. Pontua que promoveu o pagamento do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo, antes de realizar a opção pelo lucro real quando do pagamento do imposto de renda e da contribuição social, situação essa que lhe causou dúvida sobre o acerto de sua opção. Em face disso, apresentou Consulta Administrativa ao órgão competente, solucionada, nos termos a seguir transcritos: a) a entrega espontânea da DCTF onde informa que o regime de apuração é pelo lucro presumido, combinado com as informações referentes às contribuições ao Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13819.906243/201222 Acórdão n.º 1301003.314 S1C3T1 Fl. 8 7 Pis/Pasep e a Cofins bem como seus respectivos pagamentos pelo regime cumulativo, também informados na Dacon, constituem opção pelo lucro presumido sendo tal opção definitiva para todo o ano calendário. b) Eventuais diferenças dos tributos e contribuições recolhidos no regime de lucro real, caso sejam estes (IRPJ, CSLL, Pis/Pasep e Cofins) inferiores aos valores apurados pelo lucro presumido, poderão ser recolhidas até o trigésimo dia seguinte ao da ciência da Solução de Consulta, sem aplicação de multa e de juros de mora, de acordo com art. 14 da Instrução Normativa RFB nº 740, de 02 de maio de 2007. Ou seja, entendeu a RFB, através de Solução de Consulta (documento se encontra nos autos e apresentado juntamente com o recurso voluntário) que o contribuinte fez a opção pelo lucro presumido, quando da entrega da DCTF e quando realizou os pagamentos das contribuições ao PIS e a COFINS pelo regime cumulativo, sendo esta opção definitiva para todo o anocalendário, dizendo ainda que eventuais diferenças deveriam ser recolhidas até o trigésimo dia seguinte ao da ciência da referida Solução de Consulta, sem aplicação de multa e de juros de mora, nos termos da legislação vigente. Porém, de acordo com o contribuinte, não havia pagamento a menor e sim, pagamento a maior por ter efetuado o recolhimento erroneamente na forma de tributação pelo lucro real quando deveria ter sido apurado na forma presumida, o que lhe daria o direito de pleitear a compensação desse montante. Apresentada a Dcomp, a mesma foi indeferida, sob a alegação de que o recolhimento encontravase inteiramente alocado, não havendo saldo para compensação. O motivo para que o cotejo de dados não tenha resultado em favor do contribuinte, pelo que se vê, é que não houve a retificação dos valores informados como devidos ao fisco na declaração do imposto de renda do período. Como se sabe, descabe a retificação da declaração de rendimentos apresentada para tributação com base do lucro real, para substituíla por declaração optando pelo lucro presumido. Nada podendo apresentar a declaração retificadora porque o sistema eletrônico da Secretaria da Receita Federal não permite, devese, ao meu ver, ultrapassar esse obstáculo, permitindo ao contribuinte provar a existência do alegado direito creditório, através de documentos hábeis e idôneos, para análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso do contribuinte, para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda em razão do que decidido na Solução de Consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito Fl. 344DF CARF MF Processo nº 13819.906243/201222 Acórdão n.º 1301003.314 S1C3T1 Fl. 9 8 processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 345DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000696/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Exercício: 2004, 2005.
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO. INÉPCIA.
Se a peça de defesa não abriga contestação às razões de decidir do ato tido como recorrido, descabe conhecê-la.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 1302-000.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário pela inexistência de litígio. Ausente momentaneamente a conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira
Junqueira.
Nome do relator: Guilherme Pollastri Gomes da Silva
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Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. INÉPCIA. Se a peça de defesa não abriga contestação às razões de decidir do ato tido como recorrido, descabe conhecêla. Recurso Voluntário Não Conhecido Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário pela inexistência de litígio. Ausente momentaneamente a conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. (assinado digitalmente) Marcos Rodrigues Mello Presidente (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcos Rodrigues Mello. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIG UES DE MELLO Processo nº 15563000696/200831 Acórdão n.º 1302000.773 S1C3T2 Fl. 2 2 Relatório O presente processo teve origem no auto de infração de fls. 103/106, que alterou a Base de Cálculo do IRPJ, reduzindo o prejuízo apurado pela interessada nos AC 2003 e 2004, respectivamente, de R$ 105.954,83 e R$ 16.383,70, para R$ 89.651,67 e R$ 80,54. Segundo a descrição dos fatos o ajuste decorreu da falta de realização mínima do lucro Inflacionário acumulado naquele período, equivalentes à 12/120 ou 10% do saldo de Lucro Inflacionário Acumulado existente constante do Demonstrativo de Lucro Inflacionário (SAPLI). O lançamento teve como enquadramento legal os artigos 249, inciso I e 419 do RIR/1999. Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou impugnação, tempestiva, juntando os documentos de fls. 118/237, afirmando que nos anos calendários de 2003 e 2004 apurou resultados negativos, tornando indevido o IRPJ uma vez que houve prejuízos fiscais naqueles anos. Junta seu Lalur ajustado com a realização do Lucro Inflacionário, protestando que a falta da realização do lucro configuraria no máximo irregularidade formal, sendo inaplicável, qualquer infração ou penalidade com base no art. 957, inciso I, do RIR/99. Encerra pedindo a extinção do crédito tributário exigido em cada período, tanto a titulo de infração, como de penalidade. A 5ª Turma da DRJ/RJ negou provimento a impugnação alegando em síntese em síntese o seguinte: que a impugnação da interessada se restringe a protestar contra a exigência de crédito tributário de IRPJ e multa de oficio no percentual de 75%, por ter a interessada em tais períodosbase apurado prejuízos fiscais, cabendo, desta forma, no máximo a retificação de tais prejuízos, no seu Lalur, reduzindo os prejuízos apurados nos mesmos valores das realizações mínimas de lucro inflacionário. que foi exatamente com fulcro no § 10 do art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 77/98 que o auto de infração foi lavrado, para mera exigência de ajuste nos prejuízos apurados pela interessada nos períodosbase autuados. conclui inexistir qualquer pleito da interessada a ser apreciado, e nega provimento à impugnação e mantém o ajuste na base de cálculo do IRPJ reduzindo os prejuízos fiscais da interessada para os valores de R$ 89.651,67 e R$ 80,54, respectivamente nos anos calendário de 2004 e 2003. Intimado da decisão em 15/12/2010 a interessada apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, em 06/01/2011 alegando basicamente o seguinte: que o ajustamento efetuado na base de cálculo do IRPJ da Recorrente está assentado em premissa totalmente inconsistente, motivo por que o lançamento em questão é de todo insubsistente. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIG UES DE MELLO Processo nº 15563000696/200831 Acórdão n.º 1302000.773 S1C3T2 Fl. 3 3 que a decisão ora guerreada encontrase carente da devida fundamentação, o que aliás, enseja sua nulidade. Isto porque, a autoridade fiscal não demonstrou de maneira detalhada quais foram os parâmetros adotados para se chegar a este valor e esta informação é vital para o exercício do direito de defesa da Recorrente. que nos referidos períodos a Recorrente apurou resultados negativos, de R$ 281.696,51 em 2003 e R$ 309.559,60 em 2004. dessa sorte, a ausência de realização mínima do lucro inflacionário não afeta em nada o IR que, no caso, é indevido, diante dos prejuízos acumulados nos 02 (dois) períodos fiscalizados. que por isso inexistia razão para a lavratura do discutido auto de infração, uma vez que sabido que o montante daqueles é mais do que suficiente para absorver as parcelas do lucro inflacionário sem afetar o crédito do imposto. que juntou ainda com a Impugnação cópia da retificação do LALUR relativo aos 02 (dois) períodos fiscalizados, demonstrando que mesmo com a redução não foi reduzido nem afetado qualquer imposto à pagar. pela mesma razão, inaplicável ao caso qualquer penalidade. Este é o relatório. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIG UES DE MELLO Processo nº 15563000696/200831 Acórdão n.º 1302000.773 S1C3T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, razão porque dele conheço. No que diz respeito às acusações que pairam sobre o acórdão vergastado, tenhoas por totalmente despropositadas. A recorrente adjetiva o acórdão de uma decisão sem fundamentação e sem a menor legitimidade. Porém o que se vê nos autos é que em nenhum momento a turma julgadora age como mera chanceladora do lançamento fiscal, enfrenta as razões de defesa da recorrente com fundamentação pertinente, embora decida em seu desfavor. O enfrentamento das questões nas peças de defesa, denotam perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício e a decisão guerreada. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A interessada em seu recurso se restringir à protestar contra a exigência do ajuste do prejuízo em períodos posteriores em razão da não realização mínima do lucro inflacionário e da multa de oficio de 75%, por ter a interessada em tais períodos apurado prejuízo, desta forma, cabendo no máximo à retificação no seu Lalur. Ocorre que foi com fulcro no § 1º do art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 77/98 que o auto de infração, objeto do presente processo foi lavrado, para exigência, não de crédito tributário, quão menos.da multa de oficio, mas sim, do ajuste nos prejuízos apurados pela interessada nos períodosbase autuados, ajustes estes que a mesma assente, conforme expressamente transcrito em seu arrazoado e cópias do seu Lalur. IN 77/98: “Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. (Redação dada pela IN SRF nº 14/00, de 14/02/2000) § 1° Quando da alteração dos dados informados nas declarações das pessoas físicas ou jurídicas e do ITR, ou na DCTF, resultar apenas a redução do imposto a compensar ou a restituir ou de prejuízo fiscal, as irregularidades serão objeto de auto de infração, sem o acréscimo de multa. “ Portanto, agiu corretamente a fiscalização procedendo, de oficio, a recomposição do saldo negativo, com a realização da parcela mínima de 10% do saldo de lucro Fl. 282DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIG UES DE MELLO Processo nº 15563000696/200831 Acórdão n.º 1302000.773 S1C3T2 Fl. 5 5 inflacionário, fazendo o ajuste na base de cálculo do IRPJ reduzindo os prejuízos fiscais da interessada para os valores de R$ 89.651,67 e R$ 80,54, respectivamente nos anos calendário de 2004 e 2003. Consoante explicitado no relatório do aresto combatido, as infrações tributárias verificadas na revisão de malha fiscal, são simples. Parcela mínima do saldo do lucro inflacionário não realizada nos anoscalendários de 2003 e 2004 A Recorrente diz que apresentou documentos retificadores que cessariam a infração. Sobre o aspecto temporal da possibilidade jurídica da retificação de declarações , o Código Tributário Nacional (CTN) prevê: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Por seu turno o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, ordena: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; [...] § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 33, que é de adoção obrigatória e determina que “A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício”. A entrega de documento retificador depois do início da ação fiscal não ilide o lançamento de ofício face à perda da espontaneidade pelo sujeito passivo. Por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso por inexistência de litígio. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 283DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIG UES DE MELLO Processo nº 15563000696/200831 Acórdão n.º 1302000.773 S1C3T2 Fl. 6 6 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIG UES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.731500/2014-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
BASE DE CÁLCULO. BÔNUS PAGOS POR FORNECEDOR.
Os bônus e incentivos de vendas, concedidos pelas montadoras de automóveis aos seus concessionários, em função de vendas realizadas sob determinadas condições, caracterizam-se como receitas destes últimos e, como tais, estão sujeitos à incidências das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, devendo compor sua base de cálculo.
MULTA DE OFÍCIO APLICADA. EFEITO CONFISCATÓRIO.
Ocorrida a infração, correta a aplicação da multa punitiva de 75% estabelecida em lei, uma vez que o princípio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência.
PROTESTO PELA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS.
A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
CONTRIBUIÇÃO AO PIS.
Sendo o lançamento de Contribuição ao PIS decorrente dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento de COFINS, adota-se igual orientação decisória.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 BASE DE CÁLCULO. BÔNUS PAGOS POR FORNECEDOR. Os bônus e incentivos de vendas, concedidos pelas montadoras de automóveis aos seus concessionários, em função de vendas realizadas sob determinadas condições, caracterizam-se como receitas destes últimos e, como tais, estão sujeitos à incidências das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, devendo compor sua base de cálculo. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Ocorrida a infração, correta a aplicação da multa punitiva de 75% estabelecida em lei, uma vez que o princípio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência. PROTESTO PELA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO AO PIS. Sendo o lançamento de Contribuição ao PIS decorrente dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento de COFINS, adota-se igual orientação decisória. Recurso Voluntário Negado
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BÔNUS PAGOS POR FORNECEDOR. Os bônus e incentivos de vendas, concedidos pelas montadoras de automóveis aos seus concessionários, em função de vendas realizadas sob determinadas condições, caracterizamse como receitas destes últimos e, como tais, estão sujeitos à incidências das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, devendo compor sua base de cálculo. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Ocorrida a infração, correta a aplicação da multa punitiva de 75% estabelecida em lei, uma vez que o princípio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência. PROTESTO PELA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO AO PIS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 15 00 /2 01 4- 61 Fl. 932DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 922 2 Sendo o lançamento de Contribuição ao PIS decorrente dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento de COFINS, adotase igual orientação decisória. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 878 a 913) interposto pelo Contribuinte, em 20 de dezembro de 2016, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1057.475 (fls. 849 a 865), de 29 de setembro de 2016, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação (fls. 364 a 396), mantendo a totalidade do crédito tributário lançado. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão (fls. 850 a 857): Tratase de impugnação de lançamentos de créditos tributários lavrados através de Autos de Infração (fls. 333 a 359) contra o contribuinte em epígrafe, referentes a PIS e COFINS, nos valores de, respectivamente, R$ 223.849,50 e R$ 1.031.063,97, incluídos principal, multa de ofício e juros de mora, em decorrência de insuficiência de recolhimento desses tributos no período de 01/2011 a 12/2012. A ação fiscal teve início em 18/12/2013, por meio do Termo de Início de Fiscalização (fls. 02/04), com propósito de verificar o cumprimento das obrigações tributarias de PIS e COFINS, relativos aos anoscalendários de 2011 e2012. Fl. 933DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 923 3 No procedimento de fiscalização levado a efeito no contribuinte, a fiscalização verificou registros contábeis escriturados na contabilidade referentes a bônus recebidos de montadoras de veículos. Esses registros aparecem no ativo circulante, em valores a receber da fábrica, nas contas (1.1.3.1.04.002) bônus de veículos, (1.1.3.1.04.003) chave de ouro e (1.1.3.1.04.004) bônus de peças. Juntamente às contas de custo, aparecem algumas contas de bônus, como recuperação de despesas de diversas fábricas, subcontas da conta (4.1.1.3) redução de custos fábrica. Dessa conta, em 2011 e 2012, respectivamente 3.906.926,94 e 2.761.889,38 foram levados ao resultado no encerramento do exercício. O contribuinte foi intimado (fl. 10) para explicar a movimentação contábil da conta 4.1.1.3 Redução de Custos Fábrica, apresentando a seguinte justificativa: Os valores lançados no grupo de contas 4.1.1.3.01, referese ao realinhamento de preço junto a fabricante (montadora), como os veículos já saem de fábrica com um preço de venda definido, conhecido com preço público, onde todos os impostos são calculado em cima desse preço definido (por substituição tributária), e o fabricante (montadora) durante o decorrer do mês, pode alinhar estes preços para melhorar as vendas de acordo com o mercado, este alinhamento pode ocorrer variações no decorrer de meses. Onde a fabricante faz uma composição, compensando mês a mês a diferença, se existente, até abater os valores recolhidos acima do preço inicialmente definido, conforme faz prova a documentação acostada à presente por amostragem. O Termo de Verificação Fiscal assim relatou: Na relação comercial descrita, o incentivo de venda auferido pela concessionária possui natureza jurídica de receita, denominado bônus ou bonificações, pois se trata de entrada de recurso financeiro definitivo no patrimônio da pessoa jurídica, sendo irrelevante o fato de que seu pagamento visa corrigir o custo de aquisição do veículo. Além do mais, decorre, diretamente, da atividade fim da empresa (revenda de automóveis), consistindo em receita operacional. Esse bônus ou incentivo de venda não é desconto incondicional e, portanto, não pode ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse incentivo não foi dado diretamente na nota fiscal de fábrica, como desconto incondicional, mas sim como um incentivo dado após a entrada das mercadorias em estoque. Cabe lembrar que, nos termos dos artigos 1 o das Leis 10.637/02 e 10.833/03, as contribuições para o financiamento do PIS e da Seguridade Social incidem sobre o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Ademais, nos termos do art. 97 do CTN, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão de créditos tributários, o que inocorre no presente caso, já que a legislação específica atinente à matéria (Leis 9.718/98, 10.833/03 e Fl. 934DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 924 4 10.637/02) elenca as receitas que devem ser excluídas da base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS, rol taxativo este que não inclui a situação pretendida pelas empresas autoras. Especificamente sobre a matéria tratada, julgados no Tribunal Regional Federal da 4 a Região ditam que não se podem deduzir da base de cálculo do PIS/COFINS as despesas referentes às receitas de incentivos sobre venda: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. BÔNUS SOBRE VENDAS. 'HOLD BACK'. Estão previstas nas Leis 10.637/02 e 10.833/2003, no seu art. 1.°, as hipóteses de receitas que não integram a base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS, não estando incluídos em tais dispositivos legais os bônus sobre vendas e Hold Back, não se admitindo a extensão a essas verbas em razão da determinação de interpretação restritiva e literal prevista no art. 111, I, do CTN. Mantida a sentença no que considera que os incentivos sobre vendas e os hold backs são receitas que integram a base de cálculo da COFINS e da contribuição para o PIS. (TRF da 4 a Região, Apelação Cível 501484514.2012.404.7200/SC, 1 a Turma, Julgado em 23.10.2013). TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PIS E COFINS. BÔNUS SOBRE VENDAS. FATURAMENTO. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. 1. Conforme já decidiu o egrégio STF, por ocasião do julgamento do RE n° 566.621/RS, para as ações ajuizadas após o término da vacatio legis da Lei Complementar n° 118/05, ou seja, após 08 062005, o prazo para repetição do indébito é quinquenal. Assim, tendo o mandamus sido ajuizado em 12092012, encontrase fulminada a pretensão da impetrante de discutir os recolhimentos efetuados antes de 12092007. 2. Os valores creditados pelos fabricantes de veículos em favor dos comerciantes varejistas a título de bônus ou incentivo de vendas constituem receita operacional, a qual integra a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS. (TRF4, APELAÇÃO CÍVEL N° 5008213 48.2012.404.7110, 2a. Turma, Des. Federal OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, POR UNANIMIDADE, JUNTADO AOS AUTOS EM 06/06/2013) Concluise, portanto, que os valores referentes aos incentivos de venda compõem a receita bruta, razão pela qual afigurase plenamente legal e legítima a incidência do PIS/COFINS sobre tais parcelas. Assim, após exame da escrituração contábil, em 2011 e 2012, das contas 4.1.1.3.01 Redução de Custos Veículos Novos GMB, 4.1.1.3.06 Redução de Custos Peças e Outros, com a devida exclusão dos estornos registrados nessas contas e sem o cômputo de ajustes de inventário e créditos de Icms, os valores a pagar do PIS/PASEP e COFINS foram objeto do presente lançamento de ofício, conforme Tabelas 1 e 2. (fls. 20/315). A ciência do lançamento foi dada, via postal, em 11/02/2015 (fls. 360/361). Na data de 12/03/2015, o sujeito passivo apresentou impugnação. Após breve relato dos fatos, em síntese, a impugnante faz as seguintes alegações: DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO Fl. 935DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 925 5 Alega que a autoridade fiscal, de forma equivocada ilegal e arbitrária, considerou as bonificações recebidas pela impugnante da fabricante como receita, determinando a incidência de PIS/PASEP e COFINS sobre tais rubricas. Para melhor aclarar a matéria, a impugnante pretende explicar a origem da bonificação concedida pela montadora, afirmando que as concessionárias de veículos novos nem sempre vendem os estoques pelo valor sugerido pela montadora, conhecido como preço público, por adversidades diversas de mercado, tais como: concorrência entre uma concessionária e outra, flutuação de mercado, tempo de mercadoria em estoque etc. Que, dessa maneira, visando a não paralisação de mercadorias em estoque, a montadora concede à concessionária incentivos de venda que visam reduzir o valor do veículo para aquisição do consumidor final. Que esses incentivos, distintamente do desconto incondicional vinculado à nota fiscal, são denominados de bônus ou bonificações. Que, entretanto, ainda assim esses bônus possuem caráter de desconto, ou seja, nada mais são do que um desconto a posteriori à emissão da nota fiscal de fábrica. Que esses descontos, apesar de não serem incondicionais, são redutores do preço final. Que não se trata de recurso financeiro definitivo entrando no patrimônio da concessionária. Que os valores respectivos aos bônus, dados pela montadora em cada venda, são abatidos em uma conta corrente vinculada à montadora, em que são lançados os débitos e créditos de cada revendedor da marca. Que esses valores lançados na conta corrente não são restituídos ao concessionário, ficando depositados para serem utilizados em compra de peças, pagamento de publicidades feitas pela montadora, repasse de contribuição à ABRAC (Associação Brasileira de Concessionárias Chevrolet), entre outros lançamentos. Que os valores presentes nas contas correntes junto à montadora nunca poderão ser utilizados para compra de outros veículos, que deverão ser adquiridos pela concessionária através de pagamento monetário. Que a montadora e a concessionária mantêm esse sistema de bonificação em razão de se afigurar impossível o cancelamento da nota fiscal emitida no momento da saída do veículo dos pátios da fábrica. Que os veículos que entram no estoque da concessionária não são vendidos de imediato, sendo assim, alguns modelos, ficam mais tempo em estoque do que outros, o que não é vantajoso nem para concessionária nem para montadora, pois a mercadoria não circula no mercado. Em razão disso, a montadora bonifica determinados veículos, reduzindo o seu valor final para que a concessionária possa vendêlos em menor tempo. Após a venda do veículo pelo varejista, este tem até três dias para pagar o valor do carro à montadora, sendo levado em consideração o valor da nota fiscal emitida na saída do veículo da fábrica, ou seja, o preço público (preço cheio). Que na venda do veículo por valor aquém do habitual, a concessionária sairia prejudicada nessa operação, caso pagasse o preço público, pois não estaria obtendo lucro e, portanto, sua atividade comercial seria prejudicada. Que nesse momento, do pagamento da nota fiscal pela concessionária, a montadora abate do preço cheio do veículo o bônus concedido à venda, ou seja, recebe valor inferior ao que foi impresso na nota fiscal, porém o valor sobressalente, valor Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 926 6 respectivo ao bônus, continua sobre a detenção da montadora e então é transferido para conta corrente junto à concessionária. Que, assim, os valores recebidos pela concessionária em razão dos incentivos de venda são retidos pela montadora, gerando um crédito dentro de uma conta corrente a fim de abater/compensar valores entre o varejista e a montadora, tendo natureza jurídica de receita operacional. Cita jurisprudência dministrativa que lhe entende favorável. Afirma que, no entender da Fiscalização, para que as bonificações possam ser excluídas da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS, há de serem caracterizadas como os descontos incondicionais concedidos e assim definidos na IN SRF n° 51, de 1978, isto é, atenderem a duas condições: a primeira, de que constem da nota fiscal de venda dos bens; e. a segunda, de que não dependam de evento posterior à emissão desse documento. Alega que desses entendimentos acima citados, podemse atingir as seguintes conclusões: a. Bonificações podem se caracterizar por concessões de vantagens dadas pelo vendedor ao comprador mediante diminuição do preço da coisa vendida ou entrega de quantidade maior de produtos que aquela estipulada. Ou seja, pode darse em abatimento de preço (a), em moeda enquanto "rebaixe de preço" (b), ou em mercadorias (c); b, Se a concessão da vantagem comercial do vendedor ao comprador estiver consignada no documento fiscal no próprio ato da venda, e não depender de evento futuro e incerto, estarseá diante de "desconto incondicional"; c. Se a concessão da vantagem comercial do vendedor ao comprador não estiver consignada no documento fiscal no próprio ato da venda, estarseá diante de desconto condicional"; d. Se a concessão da vantagem comercial do vendedor ao comprador, estando ou não consignado no documento fiscal no próprio ato da venda, mas depender de evento futuro ou incerto, estarse á diante de "desconto condicional". A única ressalva que a impugnante faz quanto às conclusões acima, é que se houver documento fiscal relativo apenas à bonificação, como exigem alguns Estados da Federação ou ainda por ajuste entre as partes, mas esta bonificação estiver vinculada/atrelada à uma venda específica, se poderá estar diante de um "desconto incondicional", ainda que em documentos distintos. Cita decisão do CARF nesse sentido. De todo modo, afirma que as bonificações, sejam elas veiculadas mediante abatimento de preço, em moeda com objetivo de "rebaixe de preço" ou em mercadoria, serão sempre descontos condicionais ou incondicionais. Ou seja, têm sempre natureza jurídica de desconto, e como tal deve ser tratada pelo Direito, seja Privado seja Tributário. A impugnante passa, então, a aprofundar a investigação do conceito, conteúdo e alcance do que venha a ser bonificação ou desconto, e os correspondentes tratamentos determinados pelo ordenamento pátrio, para se aquilatar os efeitos tributários que deles devam emanar. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 927 7 Cita pronunciamentos técnicos contábeis, aprovados pela Comissão de Valores Mobiliários, que lhes entende favoráveis, sobre como devem ser registradas as bonificações e os descontos comerciais por parte dos compradores. Cita também doutrina sobre o tema. A impugnante alega, baseada em tais regras contábeis, restar claro que as bonificações e descontos comerciais obtidos têm tratamento contábil de redução de custos e não podem ser reconhecidas como receita pelo vendedor, assim como não são custos pelo comprador. Cita doutrina com referência ao conceito de receita para fins tributários, concluindo a partir disse que o conteúdo e o alcance do instituto “receita”, que tipicamente é uma grandeza de natureza “econômica”, amplamente utilizada na contabilidade para organizar as demonstrações contábeis, deve ser interpretada segundo as regras que lhe são próprias, não podendo ser alteradas em sua essência para atender aos fins únicos da incidência tributária. E afirma que compete ao Direito Privado dar a definição do que venha a ser “receita” das empresas, estas quais servirão a diversos fins (societários, de crédito e também tributários). Alega que a leitura do preceito legal contido no art. 177, da Lei nº 6.404/76 permite concluir que o Direito Privado (legislação comercial ou societária), expressamente se utilizou dos “Princípios Contábeis Geralmente Aceitos” para interpretação e delineamento dos elementos das demonstrações financeiras que decorrem da “escrituração societária”. Sustenta que, na esteira dos arts. 109 e 110, do CTN, e considerando as Deliberações da CVM, as bonificações e/ou os descontos comerciais obtidos pela entidade não compõem a receita da pessoa jurídica, mas antes devem ser dela deduzidas, para fins de composição de suas demonstrações financeiras. Que, no entanto, para fins de incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, as legislações que regulam as suas bases de cálculo, elegeram a “totalidade das receitas” da pessoa jurídica, independentemente de sua classificação contábil. (Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003). Afirmam que a menção contida nos arts. 1º, das Leis no 10.637/02 e 10.833/03, que a incidência se dará sobre a receita, independentemente da “denominação ou classificação contábil” quer inibir ou coibir fraudes que pudessem ser praticadas pelos contribuintes, mas não podem permitir que haja incidência sobre uma grandeza que efetivamente não seja definida pela Lei Comercial como algo que não efetivamente “receita”. Que não se poderiam classificar como receita todos os registros contábeis lançados a crédito no resultado do exercício, como, por exemplo, as recuperações de despesa ou custo que nada mais são do que lançamentos que não representam ingresso de recursos novos para a sociedade, mas mera recomposição patrimonial. Que o importante é a análise jurídica de cada lançamento, de sorte a verificar se a mesma é ou não receita. Alega que a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF vem enfrentando o tema, e que embora seja uma questão que esteja longe de estar pacificada, cita decisão que lhe entende favorável. Afirma que, embora os precedentes citados se tratem de “bonificação em mercadorias”, o regime jurídico das bonificações e a dos descontos comerciais são rigorosamente os mesmos. Fl. 938DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 928 8 Questiona ainda, para que não haja a menor hipótese de eventualmente se interpretar que tais “descontos obtidos” seriam receitas o que destoaria da legislação comercial, e, consequentemente, tributária, se os descontos compreenderiam, para fins tributários, as receitas financeiras, e, como tal, estariam sujeitas à alíquota zero das contribuições ao PIS e à COFINS. Cita os termos do que preceitua o art. 373 do RIR/99 e o art. 9o da Lei no 9.718/98, para assim concluir o que não só os juros, mas também os descontos são considerados como sendo “receitas financeiras”, de modo que, para aqueles que entendam que os “descontos obtidos” sejam “receitas” se deveria qualificar tais abatimentos recebidos como sendo “receitas financeiras”, e, como tal, efetivamente sujeitos à alíquota zero das contribuições, por força do Decreto n° 5.146/2004. Neste sentido, cita jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e do Tribunal Regional da Primeira Região. Alega ainda que, de acordo com a Lei Complementar no 70, de 30.12.1991, que instituiu a COFINS e de acordo com a Lei Complementar no 07/70, que instituiu o PIS, as bonificações não entram no conceito de receita bruta e nem de faturamento, posto se cuidar de ingresso de mercadoria no estoque e não representar fato gerador das contribuições em análise. Que o fato gerador do PIS e da Cofins é a receita bruta da empresa, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Dessa maneira, os valores recebidos pela concessionária, ora impugnante, em caráter de incentivos concedidos pela montadora, não configuram receita auferida pelo varejista. Que o que ocorre é apenas a transferência desse valor para uso em outras finalidades, sendo um crédito para com a montadora, não podendo o valor ser sacado ou transferido pela concessionária. Que os incentivos concedidos pela montadora não geram receita à concessionária, dessa forma, não há faturamento pelo varejista, não havendo, pois, a ocorrência do fato gerador do PIS/CONFIS. Finaliza afirmando que, ausente o fato gerador da obrigação tributária, impõese o afastamento da exação questionada, razão pela qual o auto de infração deverá ser anulado, com a consequente desconstituição do respectivo crédito tributário e as multas dele decorrentes. DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE OFÍCIO A impugnante alega que merece ser afastada, ou ao menos reduzida, a multa de ofício aplicada à empresa. Que ausente o fato gerador das contribuições PIS/PASEP e COFINS, afigurandose ilegal a multa de oficio no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) do tributo a pagar. Que não se pode coadunar com a aplicação de multa cujo percentual é manifestamente excessivo e desproporcional. Cita doutrina. Que a multa não pode ter caráter confiscatório, sendo perfeitamente cabível a sua redução quando verificado seu valor excessivo como ocorre no caso ora em exame sob pena de violação ao princípio da vedação do confisco (art. 150, IV, da CF) também aplicável às infrações bem como aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Cita decisões judiciais. Fl. 939DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 929 9 Requer o afastamento da multa de oficio, em razão de seu caráter manifestamente confiscatório, ou, ao menos, a sua redução para o percentual de 20% (vinte por cento), nos termos dos precedentes jurisprudenciais colacionados. Requer, ao final, seja julgado improcedente o lançamento em todos os seus termos, desconstituindose o crédito dele originado, afastandose ou reduzindose a multa de ofício excessivamente aplicada, bem como afastandose as penalidades decorrentes dos autos de infração lavrados por alegado descumprimento de obrigação acessória, por ser da mais inteira Justiça. Por fim, em homenagem ao princípio da verdade material, requerem, desde já, a juntada posterior de documentos que comprovem os fatos ora alegados. Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformada a referida decisão e declarado improcedente o Auto de Infração, afastando a multa aplicada ou, se isso não for possível, fixala no seu patamar mínimo. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1057.475, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 BASE DE CÁLCULO. BÔNUS PAGOS POR FORNECEDOR. Os bônus e incentivos de vendas, concedidos pelas montadoras de automóveis aos seus concessionários, em função de vendas realizadas sob determinadas condições, caracterizamse como receitas destes últimos e, como tais, estão sujeitos à incidências das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, devendo compor sua base de cálculo. COFINS. RECEITA. CONCEITO. O conceito de receita, tanto no direito privado, como no direito público, é o de totalidade dos recebimentos, não importando a que título foram contabilizados, estando a universalidade deste conceito confirmada em legislação própria, fundamento para a determinação da base de cálculo da contribuição. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Fl. 940DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 930 10 Ocorrida a infração, correta a aplicação da multa punitiva de 75% estabelecida em lei, uma vez que o princípio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PROTESTO PELA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO AO PIS. Sendo o lançamento de Contribuição ao PIS decorrente dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento de COFINS, adotase igual orientação decisória. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu Recurso Voluntário o Contribuinte repisa os argumentos já expostos quando da Impugnação. Reforça que as bonificações ou incentivos de vendas recebidas dos fabricantes de automóveis não podem integrar a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, visto que esses valores não configurariam receita, afastandose assim a multa de ofício de 75%, ou subsidiariamente, que a multa seja reduzida a 20%, pois, no seu entender, a multa de ofício nesse percentual tem caráter confiscatório e violaria os princípios da vedação de confisco, razoabilidade e da proporcionalidade. Requer ainda que, em nome da verdade material, seja possibilitado a juntada de documentos após a apresentação da Impugnação. Por sua vez a autoridade fazendária entende que essas bonificações ou incentivos de vendas recebidas dos fabricantes de automóveis não são descontos incondicionais, portanto, integrariam a base de cálculo das contribuições, sendo que a aplicação da multa de ofício está prevista na legislação e que o princípio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência. Entende ainda que a prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação precluindo o direito de fazêlo em momento processual posterior. Para enfrentar a questão principal acerca se essas bonificações ou incentivos incluemse ou não na base de cálculo das contribuições, se são descontos condicionais ou incondicionais, se faz necessário por primeiro verificar a legislação pertinente à matéria. Neste sentido a Lei n° 9.718 de 27 de novembro de 1998 estabelece: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Fl. 941DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 931 11 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014). (grifouse). Já a Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002 estabelece em relação a cobrança nãocumulativa do PIS/PASEP no que tange às receitas e os descontos incondicionados: Art. 1o A Contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil(Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 2o A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme definido no caput e no § 1o. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; (grifou se). Por sua vez a Lei n° 10.833 de dezembro de 2003 trata da cobrança não cumulativa da COFINS nestes termos sobre receita e descontos incondicionados: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os seus respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 2o A base de cálculo da Cofins é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme definido no caput e no § 1o. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) Fl. 942DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 932 12 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; (grifouse). Por segundo há que se entender que as discussões acerca da base de cálculo do PIS e COFINS nãocumulativo envolve necessariamente o conceito de receitas, pois da leitura da legislação percebese claramente que a base de cálculo é o total das receitas auferidas pelo Contribuinte de direito. É um acordo semântico bastante controvertido em relação ao que se entende por receita, mas como denominador comum, a receita pode ser considerada uma entrada ou ingresso efetivo e que passa a pertencer ao sujeito da atividade econômica no sentido de uma variação positiva do seu patrimônio. Com o advento da Lei nº 11.638/2007, o Brasil passou a adotar como padrão normativo contábil as normas internacionais conhecidas como International Financial Reporting Standarts – IFRS que estabeleceu uma nova norma global para receita de aplicação obrigatória para as sociedades anônimas de empresas de grande porte. Assim “Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto as contribuições dos proprietários”1 A questão é de se saber se os descontos ou incentivos obtidos dos fabricantes de automóveis implicam ou não em um ingresso efetivo e variação positiva de seu patrimônio, e, neste contexto, se os descontos podem ou não ser considerados “descontos incondicionais concedidos” e, portanto, que estes valores integrem ou não a base de cálculo do PIS e COFINS. Se for considerado que esses descontos são incondicionais poderá o Contribuinte subtrair esses valores da base de cálculo, caso contrário, no entendimento que não são incondicionais, integrarão esses valores a base de cálculo. A Instrução Normativa n° 51, de 3 de novembro de 1978, disciplinando os procedimentos para apuração da receita de vendas e serviços para tributação das pessoas jurídicas estabeleceu o seguinte em relação aos descontos incondicionados: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) (...), (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) (...) 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. (grifouse). Entendese que para que se possa caracterizar que essas bonificações são descontos incondicionais é necessário que se atenda as duas condições. A primeira é que constem da nota fiscal de venda dos bens, e, a segunda, que não dependam de evento posterior à emissão da nota fiscal. O próprio Contribuinte admite que (fls. 883): 1Disponível em: http://www.cpc.org.br/CPC/DocumentosEmitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=61. Acesso: 22/01/2016. Fl. 943DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 933 13 Esses incentivos, distintamente do desconto incondicional vinculado à nota fiscal, são denominados de bônus ou bonificações. Entretanto, ainda assim, esses bônus possuem carácter de desconto, ou seja, nada mais são do que um desconto a posteriori a emissão da nota fiscal de fábrica. Como os descontos incondicionais são redutores do preço das mercadorias e se realizam no momento da emissão da nota fiscal (e não em momento posterior), qualquer desconto concedido pelos fornecedores de bens após a realização da operação de compra e venda significa uma despesa para o fornecedor e uma receita para o adquirente, sendo assim não podem ser consideradas no conceito de descontos incondicionais. Percebese que no caso em exame do PIS e da COFINS não cumulativos a base de cálculo é o valor da receita de venda do bem constante na nota fiscal feita pelo fornecedor do bem e adquirida pelo Contribuinte (de direito). Sobre o valor deste bem constante na nota fiscal, o Contribuinte adquirente apura os créditos do PIS e da COFINS não cumulativos, assim o contribuinte adquirente se credita do PIS e da COFINS suportado a montante, por ele considerado, “descontos incondicionais”. Assim, em síntese: se os descontos objeto da autuação fossem de fato considerados descontos incondicionais, a mesma não se creditaria visto que sobre esses descontos não incidiria o PIS e a COFINS. Portanto, como nesses descontos não incidiu essas contribuições e o Contribuinte adquirente se creditou não há que se falar que esses descontos são incondicionais. Com isso, os descontos que não deveriam integrar a receita passível de incidência do PIS e da COFINS não cumulativos, inclusive e de acordo com o conceito posto por IFRS, devem compor a receita pelo fato de que esses descontos foram objeto de creditamento por parte do Contribuinte. Com esse creditamento temse de forma contundente que é receita, pois ocorreu o ingresso de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias do Contribuinte de direito que resultaram no aumento do seu patrimônio líquido. Para reforçar os argumentos, cito trechos do voto ora recorrido que colaboram para as razões de decidir (fls. 861 e 862) (...) Como se vê, a bonificação, desde que vinculada a uma operação de venda e registrada na respectiva nota fiscal, corresponde a um desconto incondicional fornecido pelo vendedor ao comprador. No entanto, não é essa a situação trazida à colação nesse processo. Os chamados bônus são, na verdade, valores pagos pela montadora à concessionária, em virtude do atingimento de certas metas de vendas, definidas previamente pela fabricante dos veículos, de acordo com sua política comercial. Os documentos constantes nos autos (fls. 21/316) comprovam que todos esses “bônus” consistem, na realidade, de valores repassados às concessionárias, em razão do atingimento de metas de comercialização de certos tipos e modelos, em período determinado de tempo. Por conseguinte, tais valores não se traduzem como redução de custos, mas, na verdade, são estímulos dados pelas montadoras para que as concessionárias efetuem vendas aos consumidores finais, de forma mais rápida. Além disso, não cabe falar em redução de custos, ou mesmo descontos, porquanto a concessão dos citados bônus ocorre em momento posterior à operação de venda entre concessionária e montadora. Fl. 944DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 934 14 Em resumo, tais abatimentos não se confundem com descontos incondicionais, pois estes são concedidos no momento da venda e constam dos documentos fiscais. Salientese que, na sistemática nãocumulativa, as compras, notas fiscais, servem de base para a apuração de créditos a serem descontados do valor da contribuição apurado com base na receita bruta. (...) Diante disso, no presente caso, as bonificações ou incentivos obtidos pelo Contribuinte juntos aos fabricantes de automóveis, devem ser considerados receitas, e, portanto, integrar a base de cálculo para a incidência do PIS e COFINS. Visto que não são descontos incondicionais de acordo com a legislação vigente. Sendo assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. Requer também o Contribuinte que se afaste a multa de ofício de 75%, ou subsidiariamente, que a multa seja reduzida a 20%, pois, no seu entender, a multa de ofício nesse percentual tem caráter confiscatório e violaria os princípios da vedação de confisco, razoabilidade e da proporcionalidade (fls. 910). O lançamento da multa de ofício se deu de acordo com o previsto na legislação, no caso a Lei nº 9.430/1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007), que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Acerca deste ponto já se manifestou o Acórdão ora recorrido da DRJ/POA no seguinte trecho que cito como razões para decidir (fls. 862 e 863): A multa de lançamento de ofício, que tem caráter punitivo e não meramente moratório, aplicada sobre o valor das contribuições cuja falta de recolhimento se apurou, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto, não se podendo, no âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios puramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. Observado o caráter vinculado da atividade fiscal, considerações sobre a gradação da penalidade não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei. Nesse sentido, quaisquer pedidos ou alegações que ultrapassem a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes somente podem ser reconhecidos pela via competente: o Poder Judiciário. Esclareça se, também, que os princípios constitucionais têm por destinatário o legislador ordinário, que os deve considerar quando da elaboração das disposições normativas, e não o mero aplicador da lei, que a ela deve obediência. Nesse sentido, a multa de ofício é uma penalidade pecuniária aplicada em função da infração cometida, não estando amparada pelo inciso XXII do art. 5º e inciso IV do art. 150 da CF, que ao tratar das limitações ao poder de tributar, proibiram o legislador de utilizar tributo com efeito confiscatório. Desse modo, em se tratando de lançamento de oficio, deve ser mantida a multa de igual natureza, de 75%, que tem previsão expressa e especifica na legislação tributária, não podendo o julgador administrativo vinculado à lei vigente e às normas regulamentares, deixar de aplicála sob alegação de ofensa a quaisquer princípios jurídicos (vedação constitucional ao confisco, razoabilidade, etc) Fl. 945DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 935 15 Assim sendo, voto por negar provimento no tocante ao afastamento da multa ou a sua redução, mantendo a multa de ofício. Requer por fim, em nome da verdade material, seja possibilitado a juntada de documentos que comprovem o alegado após a apresentação da Impugnação. A legislação que regula a juntada de material comprobatório esta definida no Decreto nº 70.235 de 1972, e estabelece que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a Impugnação e caso não seja o direito acaba precluso. Há exceções a esta regra, mas nenhuma delas se enquadra nos fatos ocorridos neste processo. Cabe transcrever abaixo os artigos do Decreto nº 70.235/1972: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (grifouse). No entender da maioria dos Conselheiros da presente Turma existe a possibilidade, de forma excepcional, de juntada de documentos probatórios, inclusive, na fase da interposição do Recurso Voluntário, desde que se demonstre de forma contundente algum motivo relacionado a legislação acima citada. No presente processo não se verifica motivação suficiente, portanto, voto por negar provimento no presente ponto. Portanto, de acordo com a legislação aplicável ao caso e os autos do processo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte, mantendo o entendimento da decisão ora recorrida. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 946DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 936 16 Fl. 947DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.954025/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos os Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos os Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Cuida o presente processo de Pedido de Compensação referente a Pagamento Indevido ou a Maior de Cofins, solicitado através do PER/DCOMP. 2. O Interessado foi cientificado, através de Despacho Decisório de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 54 02 5/ 20 09 -0 9 Fl. 435DF CARF MF Processo nº 15374.954025/200909 Resolução nº 3401001.455 S3C4T1 Fl. 3 2 3. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde afirma que a origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo. A nova sistemática havia sido adotada pois os contratos geradores da receita operacional da empresa foram firmados antes de outubro de 2003. Feita a opção pela "cumulatividade" a empresa apurou créditos, pois ao examinar sua documentação contábil e fiscal constatou recolhimentos efetuados a maior que o devido. 4. Alega que efetuou pagamento a maior, mas que deixou de fazer, em data oportuna, a devida retificação da DCTF, o que resultou na emissão do Despacho Decisório em discussão negando o crédito. Posteriormente, no entanto, efetuou a retificação dessa DCTF, alterando, entre outros, o valor devido. Esse procedimento originou um crédito solicitado, que corresponde ao pagamento efetuado a maior que a contribuição efetivamente devida. 5. Nenhuma demonstrativo/documentação contábil foi anexada à Manifestação de Inconformidade. 6. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, entendendo que a DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. 7. Em sua decisão, afirma que no presente caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Apenas informa que a origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo, sem contudo apresentar nenhum documento contábil ou fiscal que comprove as suas afirmações. 8. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual esclarece ser sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002, celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos. 9. Esclarece ainda que, muito embora seja obrigatoriamente contribuinte da COFINS nãocumulativa, uma vez que recolhe o imposto de renda com base no lucro real, na ocasião da compensação todas as suas receitas, que eram decorrentes do contrato de concessão de transmissão de energia elétrica, eram tributadas no regime cumulativo previsto na Lei n° 9.718/98, por força do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003. 10. Informa que, muito embora o regime cumulativo fosse a regra aplicável à tributação das suas receitas, por um longo tempo (até novembro de 2005), dúvidas existiam acerca do que exatamente contemplaria a expressão "preço predeterminado", uma das condições estabelecida no citado artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, principalmente por conta do art. 2º da Instrução Normativa n° 468, de 08/11/2004, que regulamentava a questão. 11. Frente à insegurança jurídica estabelecida pela norma executiva RFB, a Recorrente se viu compelida a apurar e recolher a COFINS nãocumulativa, calculada sobre Fl. 436DF CARF MF Processo nº 15374.954025/200909 Resolução nº 3401001.455 S3C4T1 Fl. 4 3 suas receitas negociais, por um longo tempo (de 2004 até 2006). No entanto, após a edição da Lei n° 11.196/2005, foi instituído que, para efeitos do disposto nas alíneas b e c, do inciso XI, do art. 10, da Lei n° 10.833/2003, o mero reajuste de preços não descaracteriza a condição de predeterminação do preço. 12. Afirma que a RFB, em 06/07/2006, publicou a Instrução Normativa SRF n° 658/2006, a qual manteve o entendimento de "preço predeterminado", conforme a regra estabelecida no artigo 109, da Lei n° 11.196/2005. Tal ato normativo retroagiu os seus efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004, conforme dispõe o seu inciso I, do artigo 7º. Vale dizer, para os contratos que atendem todas as condições insertas nas alineas "b" e "c", do inciso XI, do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, o regime de apuração da COFINS seria o cumulativo. 13. Portanto, somente depois de restabelecida a segurança jurídica, assegurada pela Lei n° 11.196/2005 e pela Instrução Normativa SRF n° 658/2006, foi que a Recorrente recompôs a base imponível da COFINS, calculada com base no regime cumulativo. 14. Apresentou documentação que alega confirmar seu pleito. 15. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.440, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 15374.948190/200913, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.440): "A questão de fato conforme relatado, tem repercussão na dupla forma de apuração, declaração e recolhimento das Contribuições Sociais PIS/PASEP e COFINS, para o período em referência. A regra geral para a Recorrente é a do regime não cumulativo, porém, possuía contratos sujeitos ao regime cumulativo por força da Lei 9.718/98 e art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Essa realidade demonstrada pela interessada com a juntada de contratos para os quais a incidência das contribuições se daria no regime cumulativo, não deixou dúvida para o fisco. Dessa forma, a revisão dos valores apurados e declarados fora do regime não apropriado, passou a ser imprescindível, devendo ser corrigido de acordo com o permissivo legal. E foi isso que a Contribuinte fez, retificou a DCTF e o DACON, anexandoos nos autos. O DACON Retificador fez constar em suas fichas de apuração das contribuições, que a totalidade de sua receita para o período de referência se submetia à incidência cumulativa, portanto, passou a ser “zero” o valor para o regime não cumulativo. Juntou, também, no processo, planilha demonstrando as diferenças apuradas das Fl. 437DF CARF MF Processo nº 15374.954025/200909 Resolução nº 3401001.455 S3C4T1 Fl. 5 4 contribuições para o PIS e a COFINS, com impacto no mês de dezembro de 2005, mês de referencia do crédito indicado no PER/DCOMP. Por outro lado, a decisão de piso firmou entendimento na ausência de provas, que o contribuinte não provou o erro em suas declarações, que só a mudança no critério de apuração das contribuições não seria suficiente, necessitaria da juntada de documentos contábeis e fiscais como prova de suas afirmações. Diante dessa posição externada pela DRJ a Recorrente juntou contratos e esclareceu ser sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002, celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. O ponto central da controversa fisco/contribuinte está no fato de ter sido transmitida DACON e DCTF Retificadora em data posterior ao de ciência do Despacho Decisório, o que teria acarretado a perda da espontaneidade. Dessa forma, só a apresentação de DCTF retificadora não seria mais suficiente para atestar a liquidez e certeza do crédito, necessitava o interessado trazer elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF originalmente transmitida. Entendo que a documentação carreada aos autos demonstra ser suficiente para comprovar o cometimento de erro na informação do valor devido de COFINS para o mês de dezembro/2005, saneado através da transmissão de declarações retificadoras do DACON e DCTF. Dessa forma, não cabe ao CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação. Assim estabelecem os artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. ... Fl. 438DF CARF MF Processo nº 15374.954025/200909 Resolução nº 3401001.455 S3C4T1 Fl. 6 5 Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 15374.954025/200909 Resolução nº 3401001.455 S3C4T1 Fl. 7 6 Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, voto em converter o julgamento em diligência para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado. Seja cientificada a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado. Seja cientificada a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 440DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.002239/2007-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório de fls 1744/1750, que indeferiu pedido de restituição formulado à fl 2 e, por conseguinte, não homologou as compensações declaradas nos PER/DCOMPs nº 08386.30620.281008.1.3.044849 e 35381.07171.220409.1.3.040160. 2. O direito creditório pleiteado, no montante de R$ 98.040,12, referese à alegada não incidência do PIS/Pasep retido no período de fevereiro de 2004 a dezembro RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 02 23 9/ 20 07 -2 5 Fl. 2061DF CARF MF Processo nº 10380.002239/200725 Resolução nº 3301000.792 S3C3T1 Fl. 2.062 2 de 2006 sobre as receitas de exportação de serviços de praticagem prestados pelo requerente a transportador estrangeiro ou a representante deste no Brasil, cujo pagamento representou ingresso de divisas para o País (art. 6° da Lei no 10.833, de 2003, com redação da Lei n° 10.865, de 2004). 3. O despacho decisório não reconheceu a existência do alegado indébito, à luz dos fundamentos sintetizados nos seguintes excertos: 9. [Dos textos legais], depreendese que o reconhecimento da não incidência da Contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins, em quaisquer de suas formas de apuração (cumulativa ou não cumulativa), imprescinde da existência de contrato de prestação de serviços com pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, da comprovação da efetiva prestação desses serviços e do pagamento mediante ingresso de divisas no País. 10. No caso em tela, portanto, há de se verificar se a situação fática do contribuinte atende aos requisitos impostos pela legislação aplicável. 11. Tal questionamento, suscitado pelo próprio contribuinte no processo de consulta de n° 10380.014028/200735, assim foi esclarecido pela Divisão de Tributação desta Região Fiscal — SRRF/3ªRF/Disit, nos termos do Despacho Decisório n° 18, de 12/06/2008 (fls. 1695/1702): 18. Assim, não tendo a consulente suscitado dúvida quanto aos requisitos necessários para que a operação de prestação de serviços enquadrase na hipótese de não incidência das contribuições, definida de forma literal nos atos legais, e restando clara sua pretensão de ampliar o citado beneficio invocando uma interpretação sistemática e teleológica de norma que, por disposição legal, deve ser interpretada literalmente, considerase ineficaz a consulta formulada. 19. Cumpre observar que nas operações de prestação de serviços em que figurarem como contratantes a consulente e o transportador estrangeiro, participando o representante no Brasil do transportador estrangeiro na condição de mero mandatário, de posse de instrumento de procuração que atenda aos preceitos legais, persiste incólume a relação jurídica entre a interessada e o transportador estrangeiro, caracterizando, desde que comprovada a efetiva prestação de serviços, o primeiro requisito para a fruição do aludido beneficio fiscal. 20. Registrese, ainda, que as únicas formas de comprovação do ingresso de divisas aceitas, para fins de aproveitamento do beneficio da não incidência previsto no art. 5º, inciso II, da Lei n° 10.637, de 2002, e no art. 6°, inciso II, da Lei n° 10.833, de 2003, são as relacionadas no item 5 da Seção 2, do RMCCI. Não se considera válida qualquer outra forma de pagamento recebido por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, em razão de serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, que não se enquadre entre as hipóteses listadas na referida norma do Banco Central do Brasil. (...) 19. Da análise dos documentos de fls. 02/1694 constatase que a requerente, de fato, tem por objeto social a prestação dos Serviços de Praticagem no Estado do Ceará — conforme Contrato Social (fl. 11). Os comprovantes de retenção de CSLL, Cofins e Pis/Pasep (fls. 21/48) e as notas fiscais apresentadas (fls. 49/1694) caracterizam a prestação dos serviços profissionais de praticagem pela interessada, pessoa jurídica de direito privado, a empresas nacionais (identificadas como sacadas nas notas fiscais) Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 10380.002239/200725 Resolução nº 3301000.792 S3C3T1 Fl. 2.063 3 que, por sua vez, efetuaram, em nome próprio, a retenção de tais contribuições em atendimento ao disposto no art. 30 da Lei n° 10.833, de 2003, (...) 20. Ainda acerca das referidas notas fiscais, não há quaisquer evidências de que as empresas nacionais (sacadas) estivessem contratando os serviços prestados pelo requerente em nome de tomadores estrangeiros. Tampouco há nos autos comprovação de que os pagamentos por estes serviços tenham origem em divisas oriundas do exterior, internadas no País sob o controle do BACEN. 4. Cientificado do Despacho Decisório em 26.10.2009 (fl 1751), o requerente apresentou Manifestação de Inconformidade em 23.11.2009 (fls 1752/1764), solicitando a restituição do PIS/Pasep retido, bem como a homologação das compensações declaradas. Para tanto, aduz as seguintes razões: Os serviços contratados pelos armadores estrangeiros são intermediados pelos representantes no Brasil. Todavia, essa intermediação do agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços (armador), por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação, uma vez que toda atividade por ela exercida é desenvolvida exclusivamente e favor de empresa não domiciliada no País. Estando, portanto, atendida condição legal imposta. Vale ressaltar que, embora os pagamentos sejam feitos pelos representantes dos armadores, são esses últimos que arcam com os encargos, enviando, previamente ao Brasil divisas suficientes para sua quitação. Os representantes em questão atuam como meros repassadores de recursos do exterior e assim atuam por imposição das leis brasileiras, que prescrevem a utilização desse elo para a remessa dos fretes contratados. Assim, quando o pagamento é efetuado pela empresa estrangeira, por meio de seus agentes ou representantes no país ou mediante dedução das receitas auferidas pelos armadores estrangeiros no país, reputase ocorrido o ingresso de divisas. Assim, o nexo é evidenciado pela própria legislação do Bacen, que autoriza esse tipo de transação. Embora realizados pelos representantes, tais pagamentos são suportados pelos armadores, que, como exige a legislação brasileira, remetem previamente ao País divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios pelos Portos nacionais. (...) Por todo o exposto acima, restou exaustivamente demonstrado que a existência de terceira pessoa na relação negocial entre pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e prestadora de serviços nacional não afeta a relação jurídica exigível para fins de reconhecimento da nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, respectivamente, desde que a terceira pessoa aja em condições de mero mandatário, ou seja, por conta do mandante, no caso o armador estrangeiro). 5. Juntou, com a inconformidade, cópia de contratos firmados entre a requerente e o Centro Nacional de Navegação Transatlântica CNNT (associação que representa as empresas de navegação no Brasil para o desenvolvimento do setor marítimo e o comércio exterior brasileiro), a fim de comprovar a prestação de serviços para armadores estrangeiros (fls 1766/1880). 6. É o relatório." Fl. 2063DF CARF MF Processo nº 10380.002239/200725 Resolução nº 3301000.792 S3C3T1 Fl. 2.064 4 A DRJ em Fortaleza (CE) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 0825.240, de 11 de abril de 2013, foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2006 DIREITO CREDITÓRIO. RECEITAS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. EFETIVIDADE DO INGRESSO DE DIVISAS. PROVA. A imunidade das contribuições do PIS/Pasep e da Cofins, prevista no art. 5º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 6º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços pressupõe o atendimento de dois requisitos: os serviços devem ser prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e o correspondente pagamento deve representar efetivo ingresso de divisas. A falha na comprovação do cumprimento de qualquer um desses requisitos afasta a liquidez e certeza do direito de crédito e impede a homologação de compensação que dele tenha se aproveitado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que apresenta, em síntese, as seguintes alegações: i) As notas fiscais de serviços, emitidas contra os agentes de navegação, representantes dos armadores, com indicação do nome oficial da embarcação, são suficientes para comprovar que o serviço foi prestado para pessoa jurídica domiciliada no exterior e, por conseguinte, que goza da não incidência do PIS e da COFINS. Carreou documentos comprobatórios. ii) A fiscalização fez as seguintes exigências, para fins de comprovação: a) contrato direto com o armador ou procuração do agente, outorgada pelo armador; b) comprovante de pagamento, de acordo com o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais. Contudo, não são impostas por lei, além de destoar da realidade do comércio marítimo. iii) Colaciona sentença do STJ, transitada em julgado, reconhecendo que o negócio em tela (serviço de praticagem) goza da não incidência das contribuições, posto que é prestado para pessoa jurídica não residente e, ainda que indiretamente, há ingresso de divisas. Após a interposição do recurso, a recorrente trouxe ao conhecimento deste relator, por intermédio de memorial, que o STJ proferiu sentença em seu favor, já transitada em julgado, declarando que teria comprovado nos autos que presta serviço de praticagem para pessoas domiciliadas no exterior e recebe pagamento caracterizado como ingresso de divisas, enquadrandose, portanto, nas regras de não incidência do PIS e da COFINS. É o relatório. Voto Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 10380.002239/200725 Resolução nº 3301000.792 S3C3T1 Fl. 2.065 5 Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recuso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de indeferimento de Pedido de Restituição (PER) de PIS do período de fevereiro de 2004 a dezembro de 2006 e consequente não homologação das vinculadas Declarações de Compensação (DCOMP). A recorrente pleiteou créditos do PIS concernentes a valores retidos de receitas de serviços de praticagem prestados para pessoas não residentes no País, com ingresso de divisas. Esta receita não estaria sujeita à incidência da PIS, de acordo com o art. 6° da Lei n° 10.637/02, a saber: "Art. 6º. A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)" Os PER foram indeferidos, em suma, por falta de comprovação do direito creditório. No curso da fiscalização, a recorrente proveu a fiscalização de notas fiscais de serviços, alterações contratuais, PER, DCOMP, entre outros, porém não determinadas informações requeridas por meio do "Termo de Intimação Fiscal n° 806/2009" (fl. 1.716): "(. . .) 1. Cópias autenticadas do Contrato Social e das Alterações Contratuais posteriores registrados na junta comercial do Estado do Ceará; 2. Demonstrativo do crédito pleiteado nos aludidos Pedidos de Restituição (planilha), com firma reconhecida do contribuinte ou de seu representante legal, relacionando: o n° da nota fiscal do serviço prestado, a data de emissão da nota fiscal, o valor do serviço, o valor da retenção da Contribuição para o Pis/Pasep, o valor da retenção da Cofins, a empresa nacional intermediária do serviço (nome empresarial e CNPJ do agente marítimo), o armador estrangeiro contratante do serviço (nome empresarial e domicilio no exterior), a data da efetiva prestação do serviço discriminado na nota fiscal, o local da prestação desse serviço (ex: Porto do Mucuripe, Porto do Pecém), o nome, a bandeira e a origem da embarcação. Esta planilha também deverá ser fornecida em meio eletrônico (CD ou DVD); 3. Cópias autenticadas dos contratos de prestação dos serviços de praticagem (e seus anexos, se existentes) firmados entre o requerente e os armadores estrangeiros ou entre o requerente e as empresas nacionais (agentes marítimos) na condição de representantes (mandatárias) dos armadores estrangeiros; e 4. Cópias das procurações de representação emitidas pelos armadores estrangeiros As empresas nacionais mandatárias (agentes marítimos), intermediárias na contratação dos serviços de praticagem prestados pelo contribuinte. (. . .)" (g.n.) Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 10380.002239/200725 Resolução nº 3301000.792 S3C3T1 Fl. 2.066 6 Tal fato acarretou o indeferimento do PER e não homologação das DCOMP, a saber (trecho da "Informação Fiscal", fls. 1.729 a 1.734): (. . .)" 19. Da análise dos documentos de fls. 02/1690 constatase que a requerente, de fato, tem por objeto social a prestação dos Serviços de Praticagem no Estado do Ceará — conforme Contrato Social (fl. 10). Os comprovantes de retenção de CSLL, Cofins e Pis/Pasep (fls. 21/48) e as notas fiscais apresentadas (fls. 49/1690) caracterizam a prestação dos serviços profissionais de praticagem pela interessada, pessoa jurídica de direito privado, a empresas nacionais (identificadas como sacadas nas notas fiscais) que, por sua vez, efetuaram, em nome próprio, a retenção de tais contribuições em atendimento ao disposto no art. 30 da Lei n° 10.833, de 2003, a saber: (. . .) 20. Ainda acerca das referidas notas fiscais, não há quaisquer evidências de que as empresas nacionais (sacadas) estivessem contratando os serviços prestados pelo requerente em nome de tomadores estrangeiros. Tampouco há nos autos comprovação de que os pagamentos por estes serviços tenham origem em divisas oriundas do exterior, internadas no Pais sob o controle do BACEN. 21. Ante a fundamentação exposta, não atendidas as condições necessárias ao reconhecimento do beneficio fiscal pretendido, PROPONHO: 21.1. O indeferimento do Pedido de Restituição de fl. 01, no valor de R$ 98.040,12 (noventa e oito mil e quarenta reais e doze centavos); e, consequentemente 21.2. A nãohomologação das DCOMP's de n° (. . .), bem como de outras DCOMP's que porventura venham a ser transmitidas, vinculadas ao crédito tratado no presente processo, ora indeferido. (. . .)" (g.n.) Verificase que o indeferimento do crédito deuse em razão de a recorrente não ter apresentado evidência documental de que os serviços foram contratados por armadores estrangeiros e o pagamento representou ingresso de divisas. O posicionamento foi ratificado pela DRJ. Não obstante, importante destacar que restou incontroverso que o serviço de praticagem prestado para pessoa não residente no País, ainda que sendo contratado por intermédio de agente de navegação, configura exportação de serviço, para fins de não incidência do PIS e da COFINS. Para confirmar esta afirmação, reproduzo trecho do voto condutor da decisão da DRJ (fl. 1.898): "(. . .) 13. Nestes termos, como já antes se disse, não merece aqui discordância a afirmação do manifestante de que uma operação de prestação de serviços envolvendo um prestador residente e domiciliado no país e um tomador residente e domiciliado no exterior (transportador internacional), perca a condição de “operação de exportação”, pelo simples e mero fato de ter sido formalizada por meio de um representante da pessoa jurídica estrangeira residente e domiciliado no país. Com efeito, tal entendimento já está expresso em vários atos administrativos da Receita Federal. 14. O litígio se instala mesmo é no terreno das provas. Fl. 2066DF CARF MF Processo nº 10380.002239/200725 Resolução nº 3301000.792 S3C3T1 Fl. 2.067 7 (. . . )" (g.n.)(g.a.) Em síntese, a recorrente alega que: i) As notas fiscais de serviços carreadas aos autos, emitidas contra os agentes de navegação, representantes dos armadores, com indicação do nome oficial da embarcação, são suficientes para comprovar que o serviço foi prestado para pessoa jurídica domiciliada no exterior e, por conseguinte, que goza da não incidência do PIS e da COFINS. ii) As exigências de a) contrato direto com o armador ou procuração do agente, outorgada pelo armador e b) comprovante de pagamento, de acordo com o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais não são impostas por lei, além de destoar da realidade do comércio marítimo. iii) Colaciona precedente do STJ, reconhecendo que o negócio em tela (serviço de praticagem) goza da não incidência das contribuições, posto que é prestado para pessoa jurídica não residente e, ainda que indiretamente, há ingresso de divisas. Adicionalmente, a recorrente encaminhou memorial, por meio do qual noticiou FATO NOVO, ocorrido após a interposição do recurso voluntário: nos autos do processo n° 080178578.2013.4.05.8100, foi proferida sentença em seu favor, já transitada em julgado, reconhecendo que a receita derivada da aludida operação goza da não incidência do PIS e da COFINS, a partir de comprovação carreada aos autos deste processo. Com efeito, não reproduzo trechos da decisão, pois não foi possível acessar informações sobre o processo, no sítio virtual do TRF da 5° Região. Conclui a recorrente, requerendo que este colegiado aplique a decisão judicial e dê provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório. Diante do acima exposto, reputo que devemos converter este julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime o contribuinte a carrear aos autos cópia integral do citado processo judicial, mediante as quais i) certificarnosemos de que não há concomitância entre o presente processo administrativo e o processo judicial e ii) verificaremos qual comprovação foi apresentada e considerada pelo Poder Judiciário como suficiente para que a operação em tela enquadrase no dispositivo legal que dispõe sobre não incidência do PIS. Após a juntada das cópias do processo, que seja dada ciência à PGFN. Em seguida, os autos devem retornar para o CARF, para conclusão do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 2067DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000311/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 11 /2 00 9- 14 Fl. 657DF CARF MF Processo nº 16349.000311/200914 Acórdão n.º 3401004.883 S3C4T1 Fl. 0 2 o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 658DF CARF MF Processo nº 16349.000311/200914 Acórdão n.º 3401004.883 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 16349.000311/200914 Acórdão n.º 3401004.883 S3C4T1 Fl. 0 4 A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e Fl. 660DF CARF MF Processo nº 16349.000311/200914 Acórdão n.º 3401004.883 S3C4T1 Fl. 0 5 não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Fl. 661DF CARF MF Processo nº 16349.000311/200914 Acórdão n.º 3401004.883 S3C4T1 Fl. 0 6 Sobreveio Acórdão nº 10046.558, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de Fl. 662DF CARF MF Processo nº 16349.000311/200914 Acórdão n.º 3401004.883 S3C4T1 Fl. 0 7 tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; Fl. 663DF CARF MF Processo nº 16349.000311/200914 Acórdão n.º 3401004.883 S3C4T1 Fl. 0 8 De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 664DF CARF MF Processo nº 16349.000311/200914 Acórdão n.º 3401004.883 S3C4T1 Fl. 0 9 b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens Fl. 665DF CARF MF Processo nº 16349.000311/200914 Acórdão n.º 3401004.883 S3C4T1 Fl. 0 10 destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 16349.000311/200914 Acórdão n.º 3401004.883 S3C4T1 Fl. 0 11 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água Fl. 667DF CARF MF Processo nº 16349.000311/200914 Acórdão n.º 3401004.883 S3C4T1 Fl. 0 12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 668DF CARF MF Processo nº 16349.000311/200914 Acórdão n.º 3401004.883 S3C4T1 Fl. 0 13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 669DF CARF MF Processo nº 16349.000311/200914 Acórdão n.º 3401004.883 S3C4T1 Fl. 0 14 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados Fl. 670DF CARF MF Processo nº 16349.000311/200914 Acórdão n.º 3401004.883 S3C4T1 Fl. 0 15 como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos Fl. 671DF CARF MF Processo nº 16349.000311/200914 Acórdão n.º 3401004.883 S3C4T1 Fl. 0 16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 16349.000311/200914 Acórdão n.º 3401004.883 S3C4T1 Fl. 0 17 Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 673DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000006/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004
DIPJ.RETIFICAÇÃO.
A retificação da DIPJ/2005, destinada a retificar erro, efetuada mediante decisão da autoridade monetária, não está condicionada à aceitação da autoridade para ter validade.
JUROS PRODUZIDOS POR NTNA3.
DEDUTIBILIDADE.
Não são dedutíveis do IRPJ os juros produzidos por NTNA3
destinados a troca por Par Bonds.
COMPENSAÇÃO. PREJUÍZO FISCAL. BASE NEGATIVA DE CSLL.
PERCENTUAL DE 30%. Não havendo exceções previstas em lei, a exclusão de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL fica limitada a 30% do lucro líquido ajustado do período de apuração.
LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. o art. 60 da Lei nº 9.430/96 estende às
entidades em situação de liquidação extrajudicial as normas gerais sobre tributos e contribuições, no período em que perdurarem os procedimentos para realização do ativo e pagamento do passivo.
Numero da decisão: 1302-000.596
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, e por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, que dava provimento ao recurso em relação à dedutibilidade dos juros das NTN, e sobrestava o julgamento em função de matéria submetida à repercussão geral.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2000; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 251 1 250 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19740.000006/200815 Recurso nº 174.816 De Ofício e Voluntário Acórdão nº 130200.596 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2011 Matéria IRPJ GLOSA DE EXCLUSÃO INDEVIDA Recorrentes BANCO NACIONAL S/A EM INTERVENÇÃO EXTRAJUDICIAL FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DIPJ.RETIFICAÇÃO. A retificação da DIPJ/2005, destinada a retificar erro, efetuada mediante decisão da autoridade monetária, não está condicionada à aceitação da autoridade para ter validade. JUROS PRODUZIDOS POR NTNA3. DEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis do IRPJ os juros produzidos por NTNA3 destinados a troca por Par Bonds. COMPENSAÇÃO. PREJUÍZO FISCAL. BASE NEGATIVA DE CSLL. PERCENTUAL DE 30%. Não havendo exceções previstas em lei, a exclusão de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL fica limitada a 30% do lucro líquido ajustado do período de apuração. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. o art. 60 da Lei nº 9.430/96 estende às entidades em situação de liquidação extrajudicial as normas gerais sobre tributos e contribuições, no período em que perdurarem os procedimentos para realização do ativo e pagamento do passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, que dava provimento ao recurso em relação à dedutibilidade dos juros das NTN, e sobrestava o julgamento em função de matéria submetida à repercussão geral. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 252 2 (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade e Daniel Salgueiro da Silva. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos, adoto o relatório da DRJ/RJO, relativamente aos fatos até aquele momento ocorridos. Trata o presente processo de Auto de Infração, relativo ao anocalendário de 2004, lavrado no âmbito da Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro Deinf/RJ, por meio do qual está sendo exigido do interessado, acima identificado, o Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 90/94), no valor de R$ 65.084.433,24, acrescidos da multa de ofício de 75% e demais encargos moratórios. A descrição dos fatos e o enquadramento legal encontramse narrados no auto de infração, bem como no Termo de Verificação Fiscal de fls. 78/89, dos quais o interessado recebeu cópias e tomou ciência. Em suma, a fiscalização procedeu sua atividade na instituição financeira em tela, que se encontra em regime de Liquidação Extrajudicial determinada pelo Banco Central do Brasil Bacen, e constatando a inobservância do limite de compensação de prejuízos fiscais, determinado na lei, em 30% dos saldos anteriores, apurou a compensação indevida e lavrou o auto de infração correspondente. A fiscalização relata ter verificado que o interessado havia feito uma consulta à SRF, questionando se estaria dispensada de obedecer ao limite legal de 30% na compensação do prejuízo fiscal acumulado, pelo fato de se encontrar em Liquidação Extrajudicial. Mesmo obtendo resposta negativa à sua consulta, o interessado procedeu à compensação integral dos seus prejuízos fiscais de períodos anteriores, com o lucro líquido do anocalendário de 2004, em desobediência à legislação tributária. A fiscalização constatou, ainda, que o interessado efetuou exclusão do lucro líquido decorrente de juros produzidos Notas do Tesouro Nacional NTN do tipo A3, de que é detentor, devido a sua interpretação de que a isenção legal aplicarseia aos juros correspondentes a estes títulos, não se restringindo aos juros do tipo NTN Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 253 3 A1. A fiscalização considerou que o interessado aproveitouse de exclusão indevida e procedeu à glosa do respectivo valor. Além disso, a fiscalização verificou divergências entre os valores declarados na sua DIPJ/2005 e no Lalur, tendo em vista o interessado ter apresentado uma retificação naquela declaração, na qual levou em conta uma alteração de entendimento determinada pelo Bacen quanto à forma de remuneração dos empréstimos do Proer de que era detentor. Como conseqüência deste ajuste, houve uma exclusão indevida da base de cálculo do lucro real do anocalendário de 2004. Neste caso, a fiscalização negou a possibilidade de o interessado retificar a sua declaração para aumentar o seu prejuízo fiscal acumulado, tornandoo maior que o declarado originalmente, pois considerou que não houve erro no preenchimento da declaração original, que na época em que foi feita obedeceu aos critérios então vigentes, não sendo permitida a retificação para aumentar prejuízos fiscais compensáveis. O interessado inconformado com o auto de infração apresentou em 13 de fevereiro de 2008, a impugnação de fis. 110/136, na qual alega, em síntese, o seguinte: A fiscalização afastou a possibilidade de excluir do lucro real, mediante declaração retificadora do anocalendário de 2004, os valores referentes aos juros advindos das Notas do Tesouro Nacional NTNA3, entendendo que a isenção outorgada pela MP n° 2.096/1988, convertida na Lei n° 10.179/2001, seria aplicável somente aos juros produzidos pelas NTN Al. O regulamento do Imposto de Renda autoriza a exclusão do lucro líquido, na apuração do lucro real, dos juros produzidos pela Notas do Tesouro Nacional NTN, emitidas para a troca voluntária por Bônus da Dívida Externa Brasileira, objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, artigo 250, parágrafo único, alínea "c". A fiscalização sustenta a exclusão dos juros das NTN A3, invocando a aplicação do artigo 777, do RIR/1999 e do parágrafo 1o, do artigo 7o do Decreto n° 3.540/2000, de que somente as NTN, registradas no Bacen, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement” teriam direito à isenção prevista pela MP n° 2.096/1998, convertida na Lei n° 10.179/2001. A fiscalização se omitiu em aplicar ao caso o disposto no artigo 250 do RIR/1999, o qual reconhece a exclusão, da base de cálculo do IRPJ, dos juros advindos das NTN A3, já que esta modalidade de título público é utilizada em operações de troca por título da dívida pública externa ("Par Bonds"), atendendo ao comando normativo do artigo 250 do RIR/1999. A fiscalização desconsiderou também "outras exclusões" decorrentes de ajustes dos créditos Proer, os quais têm natureza de encargos sobre empréstimos efetuados em função de taxas pactuadas originalmente nos contratos (empréstimos Proer), quando a empresa ainda estava sob o Regime de Administração Temporária (RAET) e adotou a aplicação da Taxa Referencial TR como indexador, por entender aplicável ao seu caso. Todavia, o Bacen na qualidade de gestor entendeu que este procedimento não estaria em conformidade com o artigo 26 do DecretoLei n° 7.661/1945 (antiga Lei de Falências e Concordatas) e com o artigo 24 da Lei n° 11.101/2005 (nova Lei de Falências e Concordatas) e enviou um comunicado Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 254 4 determinando a implementação dos ajustes dos créditos Proer com base em novo índice por ele estabelecido. Seguindo a orientação do Bacen e visando a providenciar a adequação das informações prestadas à SRFB de modo a refletir a real situação patrimonial, procedeu a retificação de suas DIPJ, nos correspondentes anoscalendário a que se referiam, buscando prestar a real informação da renda em cada períodobase de apuração dos tributos. A fiscalização entendeu que a motivação apresentada não seria suficiente para justificar a retificação da declaração, já que não se qualificaria como erro passível de retificação, em atenção ao artigo 147 do CTN. Ocorre que tal entendimento é equivocado, já que a própria fiscalização reconheceu que as alterações promovidas foram motivadas por mudança de entendimento por conta do órgão regulador, o Bacen, da contabilização dos créditos contra as instituições em liquidação. Importante ressaltar que a Lei n° 6.404/1976 trata do assunto no seu artigo 186, § 1o e dá amparo ao seu procedimento; e que as informações prestadas à SRFB observaram o artigo 150 do CTN, o qual permite ao contribuinte a apuração do tributo e informar ao fisco o procedimento realizado de forma antecipada (fl. 117). Mas, tendo em vista mudanças de procedimento contábil determinada pelo Bacen, verificouse a necessidade de retificar as informações prestadas ao fisco, o que fez corretamente, modificando a apuração originária das bases de cálculo dos tributos. O fiscal ao impor a aplicação do artigo 147 do CTN, esquecese que a possibilidade de modificação de critério de lançamento é aplicável somente ao Fisco, já que este não pode fundamentar eventual modificação em erro de direito (mudança na interpretação da norma legal), mas no caso a questão é diversa, já que o contribuinte tem o direito de proceder à retificação de suas informações quando estas não se amoldam com a realidade fática e jurídica. A jurisprudência administrativa em torno do assunto é favorável à retificação da declaração de rendimento, antes do lançamento de ofício (cita diversas ementas fls. 118/119). No caso em tela estamos tratando de critério de apuração aplicado de forma errada, gerando saldo menor de prejuízo fiscal e ferindo a regra dos artigos 43 e 44 do CTN conceito legal de renda/lucro. A fiscalização em nenhum momento questionou o aspecto material da exclusão do lucro, mas apenas o aspecto formal a impossibilidade de retificação das informações. O fiscal não contesta o direito à exclusão das despesas com obrigações dos contratos de empréstimos Proer, mas inviabiliza o acerto do valor do tributo, questionando a forma aplicada declaração retificadora. O lançamento tributário deve se submeter ao princípio da verdade material, o qual determina que a fiscalização busque a verdade dos fatos e a correta aplicação do direito. Por força deste princípio a fiscalização deverá reconhecer até mesmo de ofício como legítima a forma de retificação por ele implementada. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 255 5 A questão em tela não envolve a discussão da existência de erro de fato ou de direito, mas a possibilidade de ele poder ajustar suas bases fiscais, por meio de declaração retificadora, para que haja uma incidência fiscal justa e uniforme, em respeito à lei societária e à legislação tributária (artigo 832, do RIR/1999; c/c artigos 43 e 44 do CTN). O limite legal à compensação integral de seus prejuízos fiscais violaria preceitos constitucionais e da legislação complementar, dentre os quais o conceito de lucro da pessoa jurídica como acréscimo patrimonial, o conceito de prejuízo como perda patrimonial e o conceito de lucro consagrado no direito privado, em desconformidade ainda com o art, 110 do CTN. Com o advento da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, as entidades submetidas ao regime de Liquidação Extrajudicial e de Falência passaram a sujeitar se às mesmas normas de incidência tributária aplicáveis àquelas pessoas jurídicas em situação regular, ficando, portanto, sujeitas ao recolhimento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, caso venham a apurar base de cálculo positiva desses tributos. Todavia, as empresas em fase de Liquidação que tiverem que observar o limite de compensação de 30% do prejuízo fiscal, por força da Lei n° 8.981/1995, tais empresas estarão gravadas pelo IRPJ e pela CSLL, em virtude de uma base de cálculo que não representa efetivamente um acréscimo patrimonial. Desta forma, estarão sendo violados preceitos constitucionais e da legislação complementar em clara afronta ao conceito de lucro como acréscimo patrimonial e de prejuízo com perda patrimonial; o conceito de renda e lucro, constantes do CTN e da Constituição de 1988 e consagrado na doutrina. A compensação integral dos prejuízos não é um favor fiscal do legislador, não pode ser manipulado, condicionado, restringido, como na hipótese em tela, em que não se permite a compensação integral dos seus prejuízos com lucros futuros, no seu caso impossível, já que as suas atividades estão encerradas e sem nenhuma perspectiva de obtenção de lucro. O presente regime jurídico consagra uma restrição injustificável, por desnaturar o conceito de acréscimo patrimonial, por alterar a natureza jurídica do prejuízo e por ignorar os conceitos de direito privado utilizados pela Constituição, para delimitar o poder de tributar. Apesar de a lei n° 8.981/1995 não contemplar situaçõeslimite, como é o caso das empresas em extinção, o seu caso, o objetivo do legislador é limitar a compensação de prejuízos para as empresas em atividade normal, para as quais presumese a capacidade de absorver prejuízos com a continuidade de seus negócios. Uma empresa em Liquidação Extrajudicial não tem perspectiva de continuidade e ao se aplicar pura e simplesmente o artigo 42 da lei n° 8.981/1995, sem levar em conta sua situação especial, o obriga a pagar tributo indevidamente, pois se esta tributando uma "nãorenda", eis que os prejuízos gerados no passado, por não poderem ser compensados no decorrer do processo de liquidação serão "jogados fora". Este fato, por si só, nos levaria a concluir que o dispositivo legal mencionado não deveria ser interpretado de forma restrita, pois nos casos de situaçãolimite, a compensação de prejuízos pode e deve ser feita integralmente Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 256 6 (100%), sob pena de se descapitalizar ainda mais a empresa e fraudar a ordem de preferência dos credores (em especial os credores trabalhistas) da massa falida. Neste caso, cabe uma interpretação mais ampla da norma, ou seja, nas situações especiais estaria implícita a autorização, já que não houve proibição expressa, buscandose atingir o objetivo da norma, a vontade do legislador. O limite de compensação de 30% dos prejuízos fiscais, para as empresas que se encontram em processo de extinção, viola os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da progressividade. Para ilustrar a sua alegação cita doutrina e jurisprudência, das quais transcreve excertos. A cobrança de juros de mora e multa de ofício é indevida, pois a lei n° 6.024/1974, que rege os atos de intervenção e Liquidação Extrajudicial de instituições financeiras, resguardou a igualdade entre os credores para a satisfação dos seus créditos. Caso sejam aplicados a multa de ofício e os juros de mora, os credores vão suportar o ônus, o que afronta o princípio basilar da execução coletiva, aplicável ao presente caso. O artigo 18 da lei n° 6.024/1974 prevê, com a decretação da Liquidação Extrajudicial, a fluência de juros, mesmo que estipulados, contra a massa, enquanto não integralmente pago o passivo, não reclamação de correção monetária de quaisquer dívidas passivas, nem de penas pecuniárias por infração de leis penais ou administrativas. O processo de Liquidação Extrajudicial destinase a operacionalizar o pagamento e a distribuição dos créditos aos credores. Todavia, a quitação do suposto débito ocorre no momento da intervenção e decretação da Liquidação Extrajudicial e, em conseqüência, deixa de existir a mora que incidia sobre o débito, já o crédito vencido ou vincendo extinguese com o oferecimento do patrimônio do devedor aos credores, tomandose uma massa liquidanda. Diante deste dispositivo legal, não poderão ser cobrados, no curso da Liquidação Extrajudicial, quaisquer valores a título de juros de mora e penas pecuniárias. Por todo o exposto, requer que seja conhecida e julgada procedente a presente impugnação, a fim de reconhecer a inexistência de crédito fiscal reclamado, determinandose o cancelamento do auto de infração. A 1ª Turma da DRJ/RJO, em sessão de julgamento, decidiu, por unanimidade, julgar o lançamento procedente em parte, para considerar devida a exigência de crédito tributário de IRPJ (fls.9094) no valor de R$ 888.194,83, acrescido de multa de 75% e demais encargos moratórios, e considerar também devida e obrigatória a aplicação do limite de 30% do lucro líquido ajustado para calcular a compensação da base negativa de CSLL acumulada. O voto condutor do acórdão prolatado, em estreito resumo, se fundamenta nas seguintes conclusões: • A retificação promovida pelo recorrente, que motivou o lançamento, é correta. Não é mais necessária manifestação prévia da RFB à entrega da declaração, porque a declaração foi processada e aceita, porque foi prestada antes de procedimento fiscal, e porque foi motivada com base em decisão prolatada pelo órgão regulador federal das instituições financeiras. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 257 7 • Relativamente aos juros produzidos pela NTNA3, considerouos tributáveis, porque destinadas a troca por “Par Bond”, nos termos do Decreto nº 3.540/2.000, diferentemente dos juros produzidos pelas NTNA1, destinadas a troca por “BIB – Brazil Investment Bonds”. Tal diferenciação, combinada com o art. 111, II, do CTN que determina que a legislação tributária que preveja outorga de isenção deva ser interpretada literalmente, determina que as NTNA3 sejam consideradas tributáveis. • A aplicação do limite de 30% do lucro líquido ajustado à compensação de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL está prescrita pelo art. 42 da Lei nº 8.981/95 e pelo Art. 15 da Lei nº 9.065/95. A extensão dos efeitos de tal norma às entidades em liquidação extrajudicial é realizada pelo art.60 da Lei nº 9.430/96. Assim, deixa de analisar argüição de ilegalidade ou inconstitucionalidade de tais leis, matéria reservada ao Poder Judiciário. Impossível, também, aplicar interpretação mais benéfica a pessoa jurídica em liquidação extrajudicial, permitindo compensação integral, por inexistência de previsão legal. • Não se aplica ao caso o art. 18 da Lei nº 6024/74, que dispõe sobre os efeitos da decretação da liquidação extrajudicial. A aplicação de juros Selic é determinada pelos art. 5º e 61 da Lei nº 9.430/96. O presidente da 1ª Turma recorreu de ofício, tendo em vista a exoneração ser superior a R$ 1.000.000,00 conforme art. 1º da Portaria MF nº 3, de 04 de janeiro de 2008. Irresignado, o recorrente também interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, em síntese, que: • O art. 250 do RIR/99 expressamente determina exclusão dos juros produzidos por NTN emitidas para troca voluntária por Bônus da Dívida Externa Brasileira, objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no BCB. As NTN A3 são títulos públicos emitidos nos termos do §2º do art. 7º do Decreto nº 3.540/2000 para troca por títulos da dívida externa denominados Par Bonds, devendo ser aplicado, ao contrário do enquadramento da questão no art. 777 do RIR/99, feito pela fiscalização. Há violação ao art. 142 do CTN pela inobservância da estrita vinculação à lei. • A limitação dos 30% à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL viola o conceito de prejuízo e lucro do direito privado (art. 110 do CTN), o conceito de lucro como acréscimo patrimonial previsto no art. 153, III, da CF/88 e no art. 43 do CTN, e retira a legalidade do ato administrativo (no sentido amplo) de lançamento. Viola, também, o §1º do art. 145 da CF/88 (princípio da capacidade contributiva), porque a situação de liquidação extrajudicial implica tributação do patrimônio e não do lucro. • A Nota PGFN/PAG/722/2006, aprovada pelo Ministro da Fazenda, veicula entendimento de que descabe multa punitiva após a decretação da liquidação extrajudicial de instituição financeira, nos termos da Lei nº 6.024/74. Junta acórdão da DRJ/RJO que a aplicou. Também não cabe cobrança de juros moratórios contra a massa (art. 18, Lei nº 6.024/74). Além disso, restou definido que os juros são aplicados nos termos da Lei nº 8.212/91 (que aplica a TRD), enquanto que se verifica que foram aplicados juros SELIC. Requer, por fim, o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 258 8 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso de ofício satisfaz os requisitos de admissibilidade, e portanto, dele conheço. O recurso voluntário foi recebido como tempestivo, e, portanto, dele também conheço. Inicialmente, passo a analisar a matéria objeto do recurso de ofício. (a) Retificação da declaração com base em determinação do Bacen que implicou valorização dos créditos do Proer A fiscalização concluiu indevida a retificação da declaração do recorrente porque, segundo entendeu, não ficou demonstrado o erro necessário para legitimála, nos termos do art. 147 do CTN. Entende que o erro deva ser algo grosseiro, não bastando para caracterizálo a produção de valores incorretos devido à falta de informação que sobrevenha ulteriormente, para garantir a precisão do recálculo. A retificação de que se trata resultou no aumento da parcela a ser excluída do lucro real, ocasionada por ulterior determinação do BACEN que resultou na valorização dos créditos do PROER. Notase que o litígio se restringe à admissibilidade do envio de declaração retificadora, vez que a autoridade fiscal não questionou o mérito da retificação que levou à exclusão procedida naquela declaração retificadora. O acórdão da DRJ considerou improcedente a exação porquanto entendeu que a retificação promovida pelo recorrente, que motivou o lançamento, é acertada, já que não é mais necessária manifestação prévia da RFB à entrega da declaração, porque a declaração foi processada e aceita, porque foi prestada antes de procedimento fiscal, e porque foi motivada com base em decisão prolatada pelo órgão regulador federal das instituições financeiras. Adiciono a tais argumentos, com os quais concordo, que a autuação baseada no art. 147 é anacrônica, e não se aplica ao caso, considerandose que o referido artigo se destina aos lançamentos por declaração, situação que não se verifica no caso do IRPJ e da CSLL, em que a contribuição do contribuinte é máxima, devendo apurar referidos tributos, lançálos devidamente na contabilidade, efetuar e prestar a declaração de rendimentos e a DCTF, e os recolher no prazo legal, aguardando mera homologação, tácita ou expressa. Tais nuances são facilmente detectáveis na simples leitura do referido dispositivo (art. 147), senão vejamos: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 259 9 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Verificase de pronto que tais dispositivos não são aplicáveis ao caso, porquanto o lançamento não é efetuado pela autoridade administrativa, que se limita a, no máximo, homologálo, e nem essa retifica de ofício a declaração prestada pelo sujeito passivo, como o fazia nos tempos em que o lançamento se dava por declaração, quando a declaração era submetida ao seu exame antes do seu protocolo. Assim, descabe cogitar do direito do sujeito passivo de retificar sua declaração na hipótese de lançamento por homologação, especialmente aquela ocorrida antes do início de procedimento fiscal, ou da homologação expressa, caso esta venha a existir. Passo à análise das matérias levantadas no recurso voluntário. (b) Dedutibilidade dos juros produzidos por NTNA3. Entende a recorrente que sua situação de exclusão é tratada de forma cristalina no art. 250 do RIR/99, e não do art. 777 do mesmo diploma, como o fez a fiscalização. Alega, ainda, que a decisão recorrida tão somente se prestou a repetir a fundamentação legal trazida na autuação fiscal, furtandose à análise sistemática de apuração do lucro real, especificamente no que tange à possibilidade de exclusão dos juros originados a partir dos títulos NTNA3, que se encontra disciplinada no art. 250 do RIR/99. Segundo assevera, a redação do art.250 autoriza expressamente a exclusão do lucro líquido para a formação do lucro real dos juros produzidos pelas NTN, emitidos para troca voluntária por Bônus da Dívida Externa Brasileira, objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil. Vejamos o que dizem os citados art. 250 e 777 do RIR, então invocados, respectivamente, pela recorrente e fiscalização. Art. 250, parágrafo único, “c”, RIR/99 Art.777, V, RIR/99 Art. 250. Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 3º): Art. 777. Não estão sujeitos ao imposto de que trata este Título (Lei nº 8.313, de 1991, art.14, Lei nº 8.668, de 25 de junho de 1993, art. 16, e Lei nº 8.981, de 1995, arts. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 260 10 Parágrafo único. Também poderão ser excluídos: 68, 72, § 8º, e 73, § 2º): c) os juros produzidos pelos Bônus do Tesouro Nacional BTN e pelas Notas do Tesouro Nacional NTN, emitidos para troca voluntária por Bônus da Dívida Externa Brasileira, objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, bem assim os referentes aos Bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil, para os fins previstos no art. 8º do DecretoLei nº 1.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo Decreto Lei nº 2.105, de 24 de janeiro de 1984 (Lei nº 7.777, de 19 de junho de 1989, arts. 7º e 8º, e Medida Provisória nº 1.76364, de 11 de março de 1999, art. 4º); V os juros produzidos pelos Bônus da Dívida Externa Brasileira e pelas Notas do Tesouro Nacional NTN, de emissão do Tesouro Nacional, que foram objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 22 de setembro de 1998, bem assim os referentes aos Bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil, para os fins previstos no art. 8º do DecretoLei nº 1.312, de 25 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.105, de 24 de janeiro de 1984 (Lei nº 7.777, de 1989, arts. 7º e 8º, e Medida Provisória nº 1.76364, de 1999, art. 4º); Então vejamos: a questão versa sobre exclusão de juros da base de cálculo do IRPJ. Os juros de que se trata são aqueles produzidos, no caso presente, pelos títulos da recorrente, denominados Notas do Tesouro Nacional do tipo NTNA3, cuja dedução foi glosada pela fiscalização por ter entendido que tais notas se destinam a troca por “Par Bonds” e não por “Brazil Investment Bonds”, aos quais entende restrita a isenção. Uma vez que a razão exposta pela fiscalização para não acolher a exclusão dos juros dos títulos foi o destino das notas (as NTNA3 se destinam a troca por “Par Bonds” e não por “Brazil Investment Bonds”) mereceu o ataque da recorrente porque o texto do art. 250, parágrafo único, “c”, não reproduz expressamente aquele do art.777,V, especialmente, porque não menciona que a permuta tenha sido feita pelo "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 22 de setembro de 1998, exatamente no ponto tocado pela fiscalização para efetuar a glosa. Todavia, verificase ao final dos dispositivos que fazem menção à mesma base legal (Lei nº 7.777, de 1989, arts. 7º e 8º, e Medida Provisória nº 1.76364, de 1999, art. 4º). Cabe aqui ressaltar que a Medida Provisória nº 1.76364, de 1999 foi diversas vezes reeditada, e, por fim, convertida na Lei nº10.179/2001, em vigor à época dos fatos. O referido art. 4º não experimentou qualquer modificação na conversão. Para clarificar ainda mais o ponto em que reside a divergência, vejamolos: Lei nº 7.777/89 Art. 7º Os BTN poderão ser emitidos, ainda, para troca voluntária por Bônus da Dívida Externa Brasileira, objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, assegurado ao possuidor o direito de optar pelo resgate na forma do § 3º do art. 5º. Art. 8º Ficam isentos do Imposto de Renda os juros produzidos pelos BTN, emitidos na forma do artigo anterior, bem assim os referentes aos Bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil, para os fins previstos no art. 8º do DecretoLei nº 1.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.105, de 24 de janeiro de 1984. Lei nº 10.179/2001 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 261 11 Art. 1o Fica o Poder Executivo autorizado a emitir títulos da dívida pública, de responsabilidade do Tesouro Nacional, com a finalidade de: III troca por Bônus da Dívida Externa Brasileira, de emissão do Tesouro Nacional, que foram objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 22 de setembro de 1988; Art. 4o São isentos do Imposto sobre a Renda os juros produzidos pelas NTN emitidas na forma do inciso III do art. 1o desta Lei, bem como os referentes aos bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil para os fins previstos no art. 8o do DecretoLei no 1.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.105, de 24 de janeiro de 1984. Ora, bem se vê, da análise da base legal dos artigos do RIR precitados, que embora não esteja expressamente escrito no art. 250, parágrafo único, “c”, é óbvio que a permuta a que alude o dispositivo é aquela feita por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 22 de setembro de 1998, como se verifica da análise do art.4º da Lei nº 10.179/2001, porque, de acordo com o dispositivo legal, os juros isentos são aqueles produzidos pelas NTN emitidas na forma do inciso III de seu art. 1º, que trata exatamente das NTN emitidas para troca por Bônus da Dívida Externa Brasileira, de emissão do Tesouro Nacional, que foram objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 22 de setembro de 1988. Assim, embora postule a recorrente que a matéria não está devidamente fundamentada, nos termos do art. 142 do CTN, porque seu direito é garantido pelo art.250, parágrafo único, “c”, que disciplina de forma diversa do art.777, V (adotado pela fiscalização), vêse claramente que ambos disciplinam a mesma matéria de forma harmônica, ao contrário do que alega. Não há, portanto, fundamento na alegação de que ao fundamentar no art.777, V, tratou – no que tange ao direito à exclusão dos juros produzidos pelas tais NTNA3 do IR – a autoridade fiscal diferentemente o tema da forma que seria feita por meio do emprego do art.250, parágrafo único, “c”. A fiscalização glosou a exclusão dos juros produzidos por Notas do Tesouro Nacional do tipo NTNA3 porque entendeu que tais notas se destinam a troca por “Par Bonds” e não por “Brazil Investment Bonds”, aos quais é concedida a isenção. A defesa da recorrente argúi que o art. 250, parágrafo único, “c”, garantelhe o direito à exclusão dos juros do lucro real. Demais disso, aduz que as NTNA3 são títulos públicos emitidos nos termos do §2º do art. 7º do Decreto nº 3.540/2000 para troca por títulos da dívida externa denominados “Par Bonds”. Quanto à dedutibilidade dos títulos NTNA3, ressalto, a princípio, que de acordo com o art. 1º, III, e 4º da Lei nº 10.179/2001, a isenção se restringe às NTN emitidas para troca por Bônus da Dívida Externa Brasileira, que foram objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 22 de setembro de 1988. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 262 12 Art. 1o Fica o Poder Executivo autorizado a emitir títulos da dívida pública, de responsabilidade do Tesouro Nacional, com a finalidade de: III troca por Bônus da Dívida Externa Brasileira, de emissão do Tesouro Nacional, que foram objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 22 de setembro de 1988; Art. 4o São isentos do Imposto sobre a Renda os juros produzidos pelas NTN emitidas na forma do inciso III do art. 1o desta Lei, bem como os referentes aos bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil para os fins previstos no art. 8o do DecretoLei no 1.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.105, de 24 de janeiro de 1984. Contudo, conforme analisado pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, os títulos NTN (definidos no art. 6º do Decreto nº 3.540/2001) foram divididos em dez classes (dentre elas a classe “A”). Resta saber se as NTNA3 de posse da recorrente foram: a) emitidas para troca por Bônus da Dívida Externa Brasileira; b) emitidos pelo Tesouro Nacional; c) que os Bônus da Dívida Externa a serem substituídos tenha sido objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 22 de setembro de 1988. Isto porque, no mesmo diploma legal, que consolida a legislação em vigor sobre a matéria, são definidos diversos outros títulos, sendo que o que caracteriza um título como NTN, nos termos do art.2º, III, da Lei, é o fato de ser destinada a, preferencialmente, financiamento de médio e longo prazo, senão se veja: Art. 2o Os títulos de que trata o caput do artigo anterior terão as seguintes denominações: I Letras do Tesouro Nacional LTN, emitidas preferencialmente para financiamento de curto e médio prazos; II Letras Financeiras do Tesouro LFT, emitidas preferencialmente para financiamento de curto e médio prazos; III Notas do Tesouro Nacional NTN, emitidas preferencialmente para financiamento de médio e longo prazos.(grifo meu) O Decreto nº 3.540/2000 veio estabelecer as características dos títulos brasileiros. Nos art.6º e 7º define como podem ser emitidas, respectivamente as NTN, e as NTNA. Art. 6o As Notas do Tesouro Nacional NTN poderão ser emitidas em dez séries distintas: NTN Série A NTNA; NTN Série C NTNC; NTN Série D NTND; NTN Série F – NTNF; Fl. 12DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 263 13 NTN Série H NTNH; NTN Série I NTNI; NTN Série M NTNM; NTN Série P NTNP; NTN Série R NTNR; e NTN Série U NTNU. Art. 7o A NTNA, a ser utilizada nas operações de troca por "Brazil Investment Bonds BIB", de acordo com o inciso III do art. 1o da Medida Provisória no 1.97480/2000, e pelos demais títulos emitidos em decorrência de acordos de reestruturação da dívida externa brasileira, e para fins de substituição das Notas do Tesouro Nacional Série L – NTNL, existentes junto ao Banco Central do Brasil, até o limite da obrigação decorrente do "MultiYear Deposit Facility Agreement – MYDFA", conforme disposto no art. 6o da Medida Provisória no 1.98019, de 1º de junho de 2000, será emitida em dez subséries distintas: NTNA1, NTNA2, NTNA3, NTNA4, NTNA5, NTNA6, NTNA7, NTNA8, NTNA9 e NTNA10.(grifos meus) Da redação do art. 7º notase que a NTNA, destinase a ser utilizada em três situações: nas operações de troca por Brazil Investment Bonds BIB, de acordo com o inciso III do art. 1º da Lei no 10.179, de 2001; pelos demais títulos emitidos em decorrência de acordos de reestruturação da dívida externa brasileira; para fins de substituição das Notas do Tesouro Nacional Série L NTNL, existentes junto ao Banco Central do Brasil, até o limite da obrigação decorrente do "Multi Year Deposit Facility Agreement MYDFA", conforme disposto no art. 6º da Medida Provisória nº 1.980/2000 (que foi reeditada várias vezes, estando em vigor a MP 2.17936, de 28 de agosto de 2001). Os parágrafos do art. 7º do Decreto regulam, a seguir, as diversas espécies de NTNA criadas pelo art. 7º, começando pelas NTNA1 (§1º), destinadas a operações de troca por Brazil Investment Bonds BIB. Vejamolo. § 1o A NTNA1, a ser utilizada nas operações de troca por "Brazil Investment Bonds BIB", terá as seguintes características: I prazo: até dezesseis anos, observado o cronograma remanescente de vencimento do BIB utilizado na operação de troca; II taxa de juros: seis por cento ao ano, calculada sobre o valor nominal atualizado; III forma de colocação: direta, em favor do interessado, podendo ser ao par, com ágio ou deságio; IV modalidade: nominativa e negociável; V valor nominal: múltiplo de R$ 1.000,00 (mil reais); Fl. 13DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 264 14 VI atualização do valor nominal: pela variação da cotação de venda do dólar dos Estados Unidos da América no mercado de câmbio de taxas livres, divulgada pelo Banco Central do Brasil, sendo consideradas as taxas médias do dia útil imediatamente anterior às datas da emissão e do vencimento do título; VII pagamento de juros: todo dia quinze dos meses de março e setembro, com ajuste no primeiro período de fluência, quando couber; VIII resgate do principal: nas mesmas condições observadas para o pagamento do BIB que originou a operação de troca, com ajuste no primeiro período de fluência, quando couber. Ora, por exclusão, os demais parágrafos, ao não se referirem aos Brazil Investment Bonds BIB, obviamente traçam os contornos das demais modalidades de NTNA que não se destinam a operações de troca por Brazil Investment Bonds BIB, como é o caso do §2º, que trata das NTNA3 – objeto do caso presente destinadas a serem utilizadas em operações de troca por Par Bonds.Vejamolo, para bem efetuar o cotejo. § 3o A NTNA3, a ser utilizada nas operações de troca por "Par Bond", terá as seguintes características: I prazo: até vinte e sete anos, observado o cronograma remanescente de vencimento do "Par Bond" utilizado na operação de troca; II taxa de juros, calculada sobre o valor nominal atualizado, da seguinte forma: a) até 14 de abril de 1998: cinco inteiros e vinte e cinco centésimos por cento ao ano; b) de 15 de abril de 1998 a 14 de abril de 1999: cinco inteiros e cinco décimos por cento ao ano; c) de 15 de abril de 1999 a 14 de abril de 2000: cinco inteiros e setenta e cinco centésimos por cento ao ano; d) de 15 de abril de 2000 até o vencimento: seis por cento ao ano; III forma de colocação: direta, em favor do interessado, podendo ser ao par, com ágio ou deságio; IV modalidade: nominativa e negociável; V valor nominal: múltiplo de R$ 1.000,00 (mil reais); VI atualização do valor nominal: pela variação da cotação de venda do dólar dos Estados Unidos da América no mercado de câmbio de taxas livres, divulgada pelo Banco Central do Brasil, sendo consideradas as taxas médias do dia útil imediatamente anterior às datas da emissão e do vencimento do título; Fl. 14DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 265 15 VII pagamento de juros: todo dia quinze dos meses de abril e outubro, com ajuste no primeiro período de fluência, quando couber; VIII resgate do principal: nas mesmas condições observadas para o pagamento do "Par Bond" que originou a operação de troca, com ajuste no primeiro período de fluência, quando couber. O mesmo raciocínio vale também para o §3º, que trata das NTNA4, destinadas a serem utilizadas em operações de troca por Discount Bonds, com ainda do §4º, que trata das NTNA5, destinadas a serem utilizadas em operações de troca por Front Loaded Interest Reduction Bond FLIRB, etc. Para melhor elucidação de que sejam os Bônus da Dívida Externa Brasileira denominados Brazil Investment Bonds – BIB, trago à colação o texto abaixo, obtido no sítio do Tesouro Nacional (nacionalhttp://www.tesouro.fazenda.gov.br/divida_publica/downloads/div_r_bib.pdf): Diante da crise que se instalou no mercado financeiro internacional a partir de 1982, o Brasil passou a renegociar sua dívida externa com os credores privados. Neste sentido, ao logo dos anos 80, diversas etapas de renegociação foram realizados com os credores, que resultaram em acordos temporários buscando solução para a escassez de dívisas e equacionamento das linhas de crédito, de forma a assegurar a recuperação da capacidade de pagamento do País. Pela primeira vez, desde o início do processo de renegociação da dívida externa, introduziuse, a partir de 1987, a idéia de securitização, que envolveu a troca de dívida contratual por bônus com prazos longos de vencimento e taxas de juros de acordo com a capacidade de pagamento do país. O Plano Brasileiro de Financiamento de 1988 (de estrutura mais complexa e maior abrangência em relação aos acordos anteriores), cuja vigência teve início em outubro do mesmo ano, apresentou as seguintes características: • ingresso de recursos a título de "dinheiro novo"; • reescalonamento das obrigações de médio e longo prazos; • manutenção das linhas de crédito comercial e interbancário; e • conversão voluntária de dívida contratual em bônus, denominado Brazil Investment Bond (BIB ou Exit Bond). grifo meu Posteriormente, com a posse do Presidente Fernando Collor de Mello o Brasil retomou, em outubro de 1990, as negociações com os credores externos, das quais resultou o acordo para regularização de juros devidos e não pagos entre 1989/90, que culminou na emissão do título denominado IDU (Interest Due Fl. 15DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 266 16 and Unpaid). Pelos termos do acordo, os bônus seriam emitidos após o cumprimento de algumas condições prévias, entre as quais a assinatura do acordo de reestruturação do total da dívida de médio e longo prazos do setor público brasileiro (efetivado em julho de 1992). Desta forma, numa segunda etapa de negociações, iniciada em 1991, o Brasil e os credores privados formalizaram em julho de 1992 o acordo de princípios sobre a reestruturação da dívida externa de médio e longo prazos, enquadrandose com algumas inovações importantes nas linhas gerais do chamado Plano Brady. O referido acordo promoveu a troca, em abril de 1994, de praticamente toda a dívida de responsabilidade do setor público por uma combinação de sete bônus de emissão da República, que constituiram os chamados Brady Bonds Brasileiros (Discount Bond, Par Bond, FrontLoaded Interest Reduction Bond FLIRB, FrontLoaded Interest Reduction with Capitalization Bond "C" Bond, Debt Conversion Bond, New Money Bond e Eligible Bond EI). As principais características que marcaram o referido acordo foram: (grifos meus) • a União passou a ser devedora de todos os novos instrumentos emitidos em troca da dívida antiga, em substituição ao Banco Central do Brasil; • possibilidade de realização de operações diversas com intuito de atribuir flexibilidade à administração do passivo, como recompra de títulos no mercado (debt buyback), pré pagamentos e operações de troca dos títulos emitidos por novos títulos distintos (debtfordebt exchanges); • garantia de principal e/ou parcelas dos cupons de juros para três dos sete bônus emitidos: Par Bond, Discount Bond e FLIRB; • mecanismo de entrega escalonada das garantias, a partir da emissão de títulos transitórios (Phasein Bonds), com a constituição de uma garantia de principal e o restante em até quatro prestações sucessivas, o que foi cumprido pelo Brasil em 15.10.95, antecipando a entrega da última prestação em seis meses. Da análise do texto se constata que os Brazil Investment Bonds foram criados no Plano Brasileiro de Financiamento de 1988 e se destinavam a conversão voluntária de dívida contratual em bônus, de forma a securitizar a dívida brasileira. Por outro lado, os Par Bonds foram criados no Plano Brady, em 1994, com a finalidade de promover a troca, em abril de 1994, de praticamente toda a dívida de responsabilidade do setor público por uma combinação de sete bônus de emissão da República. Neste ponto, verificase que as NTNA3, ao se destinarem a troca por Par Bonds, não podem ser equiparadas às NTNA1, destinadas a troca por Brazil Investment Bonds, exatamente porque o Par Bond integra a relação dos Brady Bonds Brasileiros, criados no Plano Brady para da dívida de responsabilidade do setor público. Não há como confundilos. Não há, Fl. 16DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 267 17 ademais, dispositivo posterior que tenha estendido às NTN emitidas para troca por Brady Bonds os benefícios garantidos àquelas emitidas para troca por Brazil Investment Bonds. Desta forma, é correta a glosa da exclusão, porque as NTNA3 não estão alcançadas pela isenção. (c) A limitação dos 30% à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL Alegação de violação ao conceito de prejuízo e lucro do direito privado (art. 110 do CTN), e o previsto no art. 43 do CTN, e retira a legalidade do ato administrativo (no sentido amplo) de lançamento. O direito a compensar prejuízos passados (lançados nas rubricas de prejuízo fiscal e bases negativas de CSLL) implica, a meu ver, ingerência de períodos anteriores de apuração no corrente período. Tal ingerência, concedida pelo legislador, e amparada pelo princípio contábil da continuidade, deve ser interpretada de forma restrita, na forma e nos casos expressamente contemplados. A regra geral, estampada no art. 43 do CTN, ao determinar que o fato gerador seja constituído pela aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, nada diz sobre o período a ser considerado para averiguação do acréscimo patrimonial. Esta tarefa coube à legislação específica do imposto, que o concebe, na atualidade, como anual ou trimestral, para as pessoas jurídicas, recebendo a influência de parcela do prejuízo de períodos anteriores, limitada a 30% do resultado atual. Por outro lado, o conceito de lucro e prejuízo utilizados no direito privado não foram maculados pela legislação do IR, posto que esta tomou o cuidado de qualificar o lucro que constitui a base de cálculo do IR, denominandoo Lucro Real, daquele que melhor serve para informar os acionistas sobre a saúde financeira da empresa, denominado lucro líquido do exercício, nos termos da Lei nº 6.404/76. O Poder Judiciário já decidiu sobre a questão, havendo, primeiramente decisões favoráveis à limitação no STJ EREsp nº 429.730 (1ª Seção, 04/2005), AgRg no REsp nº 776.036 (1ª Turma, 04/2007), REsp nº 576.286 (2ª Turma, 10/2006), REsp nº 462.204 (2ª Turma, 08/2006), entre outros, e posteriormente, o STF pacificou a questão no julgado do RE nº 344.994, cujo julgamento estava suspenso desde 11/11/04, em virtude de pedido de vista da Ministra Ellen Gracie. O RE foi interposto contra acórdão do TRF da 4ª Região, que reconhecera a validade da limitação estabelecida nos artigos 42 e 58 da Medida Provisória nº 812/94, posteriormente convertida na Lei nº 8.981/95. Ao retomar o julgamento, o plenário decidiu que a compensação de prejuízos apurados em exercícios anteriores, prevista na lei mencionada, traduzse em benefício fiscal, e, por esse motivo, restringese às condições fixadas em lei, e, além disso, considerou constitucionais os artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95. Assim, não vejo qualquer afronta ao art. 43 do CTN e ao conceito de lucro e prejuízo, conforme utilizados no direito privado, a limitação de 30% à compensação de prejuízos passados. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 268 18 O fato de estar a recorrente em situação de liquidação extrajudicial não altera tal análise, posto que após a vigência do art.60 da Lei nº 9.430/96, tais entidades passaram a submeterse expressamente às normas gerais sobre tributos e contribuições das demais pessoas jurídicas, no período em que perdurarem os procedimentos para realização do ativo e pagamento do passivo. (d) A limitação dos 30% à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL viola o conceito de prejuízo e lucro como acréscimo patrimonial previsto no art. 153, III, da cf/88, violando, também, o §1º do art. 145 da CF/88 (princípio da capacidade contributiva), porque a situação de liquidação extrajudicial implica tributação do patrimônio e não do lucro Relativamente às alegações sobre violação à Constituição, especialmente aos art. 153, III, e 145, §1º, da CF/88, vale dizer que o art. 26A do Decreto nº 70.235/72 veda aos órgãos de julgamento administrativo de qualquer instância afastar aplicação de lei por motivo de inconstitucionalidade. A Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória pelos membros do CARF, também veda a apreciação de inconstitucionalidade de lei tributária no âmbito deste Órgão, senão se veja: Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, deixo de apreciar tais questões, dado o limite de cognição que limita o julgamento administrativo. (e) Aplicação de juros de mora e multa de ofício após decretação de liquidação extrajudicial de instituição financeira – Lei nº 6.024/74 Nota PGFN/PAG/722/2006, aprovada pelo Ministro da Fazenda O art. 18, “d”, da Lei nº 6.024/76 determina, como efeito da decretação de liquidação extrajudicial, que não fluem juros contra a massa, enquanto não integralmente pago o passivo. Tal norma, de alcance geral, passou a encontrar limite a partir de 1997, em face do art. 60 da Lei nº 9.430/96, que expressamente estende às entidades em situação de liquidação extrajudicial as normas gerais sobre tributos e contribuições, no período em que perdurarem os procedimentos para realização do ativo e pagamento do passivo. Assim, é correta a aplicação da multa de ofício de 75% e a fluência de juros Selic sobre o crédito constituído. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 269 19 Isto posto, voto para negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. Sala das Sessões, 29 de junho de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 19DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.929439/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. .
A estimativa recolhida,. afastado eventual pagamento a maior ou indevido, forma o saldo negativo do contribuinte, devendo respeitar a sua metodologia própria para o pleito do direito creditório correspondente via PER/Dcomp.
Numero da decisão: 1402-003.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Participaram do julgamento os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados).
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. . A estimativa recolhida,. afastado eventual pagamento a maior ou indevido, forma o saldo negativo do contribuinte, devendo respeitar a sua metodologia própria para o pleito do direito creditório correspondente via PER/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Participaram do julgamento os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados). (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 94 39 /2 00 9- 58 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.929439/200958 Acórdão n.º 1402003.470 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I SP, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido de antecipações por estimativa, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, o PER/Dcomp recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de "não homologação’ da compensação", cujas razões de negação se fundam na utilização integral do pagamento discriminado para a quitação de outro débito. Portanto, não haveria crédito disponível para a compensação em análise. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que por ocasião do ajuste do exercício, a recorrente apurou prejuízo, sendo que deste modo todas as antecipações efetuadas se transformaram em crédito passível de restituição, e até a vigência da Medida Provisória nº 449/2008, não haveria vedação da compensação das estimativas com quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Da decisão da DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento: A DRJ, em seu julgamento, por unanimidade considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação do PER/Dcomp objeto do presente processo. Na decisão ora recorrida, entendeuse que os valores pagos a título de estimativa de IRPJ e CSLL não poderiam ser considerados crédito em favor da recorrente, sob a qualificação de "pagamento indevido ou a maior". Tais valores deveriam compor o saldo negativo, o que demandaria uma comprovação própria. Eventual pagamento indevido ou a maior de estimativa, mesmo que comprovado, à época dos fatos, na regência da IN SRF nº 460/2004, deveria reduzir o tributo a pagar ou para compor o seu saldo negativo, não podendo ser aproveitado diretamente e por si só pelo contribuinte. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe que as estimativas poderão, em caso de saldo negativo, a partir da entrega da declaração de Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.929439/200958 Acórdão n.º 1402003.470 S1C4T2 Fl. 4 3 rendimentos, compensados com tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil SRF, nos termos do art. 6º da Lei nº 9.430/1996. No seu entender, as antecipações ocorridas ao longo do anocalendário de 2003, às quais não se confirmaram por conta do prejuízo apurado no ajuste, podem ser objeto de restituição, e compensação com qualquer tributo administrado pela SRF, ao menos até a vigência da MP 449/2008, que vedou a compensação de estimativas. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.458, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.909357/2009 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.458): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Síntese dos fatos Primeiramente, fica bem claro nos autos que o direito creditório que está sendo pleiteado pela recorrente, e com seu conhecimento, é saldo negativo de IRPJ ou base de cálculo negativa de CSLL. A recorrente ao preencher o PER/Dcomp, informou que houve um pagamento indevido ou a maior de estimativa para justificar o direito creditório pelo qual objetivava extinguir o débito, conforme consta no pedido de compensação. Contudo, foi denegado pela autoridade fiscal conforme Despacho Decisório, pois o crédito pleiteado estava alocado, quitando o débito correspondente da antecipação do IRPJ (ou da CSLL). Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.929439/200958 Acórdão n.º 1402003.470 S1C4T2 Fl. 5 4 Sua manifestação de inconformidade vai ao encontro do informado acima, entendendo, contudo, que seria cabível a compensação, independente da designação dada. A decisão a quo considerou improcedente sua manifestação de inconformidade, pois, em linhas gerais, tal forma de compensar o saldo negativo do IRPJ (ou CSLL) não seria a correta, de acordo com as normas aplicáveis. Em sede recursal, reitera, o seu entendimento que tem o direito, pois apesar de ser sido pagos como estimativas, não se confirmaram quando apurou prejuízo, o que lha dá o direito à restituição. Adiciona que tal posicionamento de não homologação seria equivocado, pois há regência legal para sua postura. Do mérito O presente caso envolve uma questão recorrente neste CARF, que seria de qual a natureza jurídica do recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL, em que a recorrente entende que o recolhido antecipadamente a maior foi indevido, querendo que seja tratado como uma repetição de indébito, apesar de não explicitar tal situação nos autos. Conforme entendimento consolidado deste CARF e através de matéria já sumulada1, para ser caracterizada uma estimativa recolhida como indébito, é necessário que tenha ocorrido realmente um pagamento indevido ou maior, o que exigiria demonstração de erro na apuração. Ou seja, se fosse o caso, o valor pago de estimativas foi superior ao devido, com base na receita bruta, ou em balanço de suspensão/redução, e a repetição do indébito poderia ser até, inclusive, no curso do ano calendário da período que se refere o pagamento indevido. Compulsando os autos, em nenhum momento é mencionado, e muito menos demonstrado, pela recorrente que foi um pagamento indevido ou a maior de estimativa. Pelo contrário, demonstra que o caso é de pagamentos de estimativas recolhidos devidamente e, que no final do ano apurou excesso de recolhimentos, além do necessário, pois apurou prejuízos fiscais, o que se configura saldo negativo (tanto de IRPJ quanto de CSLL). Aqui, cabe destacar a importância da distinção material entre o direito creditório se basear em pagamento indevido de estimativa ou saldo negativo. Aquele, sendo um indébito, geraria o direito a atualização monetária a partir do mês seguinte da sua ocorrência. Este, só haveria sua apuração do encerramento do exercício, e sua atualização monetária no mês seguinte. No caso da recorrente, ao ser optante do lucro real anual no ano calendário de 2003, e há valores recolhidos em vários meses ao longo de ano, poderia haver alguma repercussão financeira, em 1 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.929439/200958 Acórdão n.º 1402003.470 S1C4T2 Fl. 6 5 seu favor (e por consequência em prejuízo ao erário) se seguisse com a visão de eventuais estimativas recolhidas a maior seriam indébitos, e não saldo negativo, como tenta imputar na apresentação do seu PER/Dcomp. Não se quer aqui negar o direito da recorrente de tratar como indébito eventual estimativa recolhida a maior ou erroneamente, devidos a erro na sua apuração da base de cálculo, pois nestes casos tratável como repetição de indébito. Contudo, não resta alegado, e por consequência, nem comprovado em nenhum momento que houve um erro no pagamento da estimativa da sua parte, e como já dito anteriormente, muito pelo contrário, há sua afirmação que foram pagamentos de estimativas corretas que geraram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL. Portanto, muito mais que um problema formal no preenchimento do PER/Dcomp, de qualificação como pagamento indevido ou saldo negativo, estáse diante de um problema atinente à própria metodologia de apuração do IRPJ/CSLL, e suas consequências advindas, de acordo com a opção eleita pela recorrente. Nestas circunstâncias, corretas as negativas, tanto no despacho decisório quanto no acórdão a quo, do pleito da recorrente, pois se valeu erradamente do seu direito, não logrando demonstrar diferente. Pelo todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.909837/2011-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 15/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.202
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 15/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 98 37 /2 01 1- 49 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10840.909837/201149 Acórdão n.º 9303007.202 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.490, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/12/2005 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10840.909837/201149 Acórdão n.º 9303007.202 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.909837/201149 Acórdão n.º 9303007.202 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10840.909837/201149 Acórdão n.º 9303007.202 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10840.909837/201149 Acórdão n.º 9303007.202 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 158DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.906257/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1802-000.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, determinar a juntada dos presentes autos ao processo nº 19647.006048/2006-58 por se tratar de matéria que depende do julgamento do mencionado processo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão que convertia o julgamento em diligência para verificar o saldo negativo do IRPJ em relação ao ano calendário de 2005.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, determinar a juntada dos presentes autos ao processo nº 19647.006048/200658 por se tratar de matéria que depende do julgamento do mencionado processo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão que convertia o julgamento em diligência para verificar o saldo negativo do IRPJ em relação ao ano calendário de 2005. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório. Por economia processual e considerar pertinente adoto o relatório da decisão recorrida, que a seguir transcrevo: Em 31/03/2005, a empresa efetuou o pagamento do DARF no valor de R$ 7.330.112,65 – Principal Código de receita – 2362 – IRPJ – OB L RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 06 25 7/ 20 09 -1 1 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10480.906257/200911 Resolução nº 1802000.569 S1TE02 Fl. 3 2 REAL DEMAIS EST MENSAL, período de apuração 28/02/2005, fls. 39 e 62. Em 18/04/2006, a empresa transmitiu DCTF MENSAL RETIFICADORA FEV/2005 – com Débito Apurado IRPJ – 236201 no valor de R$ 7.086.215,03, com créditos vinculados (pagamento) no mesmo valor, fls. 66 e 67. Em 10/11/2006, a empresa transmitiu a PER/DCOMP de nº 16336.79645.101106.1.3.040673,objeto da lide do presente processo, utilizando o valor original de R$ 243.897,61 do pagamento Código de Receita Código de receita – 2362 – IRPJ – valor R$ 7.330.112,65, citado acima, para compensação do débito no valor original de R$ 308.652,43, correspondente ao Códigos de Receita 583601 – COFINS – Não cumulativa, período de apuração out/2006 , fls. 04 a 07. Em 10/12/2007, a empresa transmitiu DCTF MENSAL RETIFICADORA JAN/2005 – com Débito Apurado IRPJ – 236201no valor de R$ 2.546.578,55, com créditos vinculados (outras compensações) no mesmo valor, fls. 63 e 64. Em 25/03/2009, a DRF/RecifePE emitiu Despacho Decisório eletrônico,com ciência em 02/04/2009, fls. 08, 09 e 12, não homologando a compensação declarada na PER/DCOMP, citada acima, com os enquadramentos legais “ Art. 165 e 170 da Lei 5.172 de 25 de outubro de 1966 (CTN), Art. 74 da Lei 9.430 de 27 de dezembro de1996 e o Art. 10 da IN SRF nº 600 de 2005.”. Em 18/12/2008, foi exarado Acórdão nº 1124.933 – 4ª Turma da DRJ/Recife,onde foi mantida a decisão de Homologar Parcialmente a compensação, contida no Processo nº19647.006048/200658, até o limite reconhecido no valor original de R$1.120.665,93 ( valor corrigido até a data da compensação – 01/02/2007 – R$ 1.147.337,78 ) , fls. 69 a 73. 2. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/05/2009, fls. 16 a 33, alegando, em síntese, que : 2.1. “No caso concreto, a Inconformada pagou no período de fevereiro de 2005, IRPJ Estimativa no valor de R$ 7.330.112,65 (doc. 03). Todavia, naquele período isolado a Inconformada apurou IRPJ de estimativa (calculado de acordo com balancetes de suspensão ou redução) no valor de R$ 7.086.215,03 (doc. 04). Houve, portanto, um pagamento a maior do tributo devido, o que nasce o direito da Inconformada em ser restituída da parcela paga indevidamente no valor de R$ 243.897,62. Diante desse quadro, e considerando o teor da legislação aplicável restituição, a Inconformada enviou, por meio eletrônico, a declaração de compensação, aproveitando parte daquele crédito para quitar parcelas vincendas de COFINS (doc. 05). Não obstante para sua surpresa, a compensação referida não foi homologada tendo em vista que, no entender das autoridades fiscais, o valor recolhido indevidamente de IRPJ Estimativa deveria ser Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10480.906257/200911 Resolução nº 1802000.569 S1TE02 Fl. 4 3 considerado como fazendo parte da estimativa mensal para dedução na apuração da IRPJ a pagar no ajuste anual. A Inconformada tratou o valor pago de R$ 7.330.112,65 de duas formas: a primeira, R$ 7.086.215,03 como sendo o valor da estimativa mensal de fevereiro de 2005 e que compôs o saldo negativo de IRPJ daquele ano; e, segundo, os R$ 243.897,62 como pagamento indevido ou a maior que o devido.” DO PEDIDO: 2.2. “Ante o exposto, pede a Inconformada seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade para o fim de reformar o Despacho Decisório DRF RECIFE, proferido pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal em Recife, para o fim de reconhecer integralmente os créditos (pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ, do período de apuração de fevereiro de 2005) havidos pela Inconformada no valor de R$ 243.897,62; e, homologar a compensação enviada eletronicamente através da DCOMP n°. 16336.79645.101106.1.3.040673.” “Requer ainda que, na dúvida, seja conferida a interpretação mais favorável Suplicante, na forma do art. 112 do CTN. Em tempo, protesta e requer a juntada posterior de provas, bem como sejam realizadas eventuais perícias ou diligências que esse órgão julgador entender necessárias, tudo para se formar o convencimento e proferir a decisão que mais se adequar a verdade material dos fatos. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Recife /PE) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1138.707, de 12 de novembro de 2012. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA –IRPJ Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PER/DCOMP. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. No tocante à compensação, a competência das DRJ limitase ao julgamento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligências ou perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as quais considerar prescindíveis ou impraticáveis. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10480.906257/200911 Resolução nº 1802000.569 S1TE02 Fl. 5 4 COMPENSAÇÃO. REQUISITO. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Cientificada da mencionada decisão em 09/09/2011, conforme o Aviso de Recebimento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 18/12/2012, no qual alega a nulidade do Acórdão n°. 1138.707 ora combatido, pois alegou fatos novos na fundamentação e motivação para justificar a não homologação, implicando no cerceamento do direito de defesa da Recorrente. Reitera que em 31/03/2005, pagou DARF de R$ 7.330.112,65 relativo ao IRPJ estimativa do período de apuração fevereiro do ano calendário 2005, e, posteriormente, enviou DCTF mensal retificadora informando que em verdade o débito apurado foi R$ 7.086.215,03, portanto, a diferença de R$ 243.897,62 (entre os valores acima) representa imposto pago indevidamente, podendo ser compensado como o fez mediante o PERDCOMP nº 16336.79645.101106.1.3.040673. Lembra que a DRF/Recife decidiu pela não homologação com fundamento no art. 10 da Instrução Normativa n°. 600, de 2005, que limitava a compensação do IRPJ ou CSLL ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Porém, a IN 600/2005 foi revogada pela IN n°. 900, de 30 de dezembro de 2008, cujos efeitos produzidos foram extunc. Aduz que a DRJ, inovando na lide, julga improcedente a Manifestação de Inconformidade porque, segundo ela, para a estimativa de IRPJ de janeiro de 2005, esta foi recolhida a menor por conta da homologação parcial da compensação efetuada pela Recorrente e que está sendo discutida em outro processo administrativo (19647.006048/200658). Ressalta que nada disso constava do Despacho Decisório da Receita Federal do Brasil, razão pela qual REQUER a nulidade da decisão da DRJ. Argúi que no anocalendário de 2005 a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ de R$ 8.623.481,79 e o débito que a DRJ afirma que a Recorrente possui de IRPJ de janeiro de 2005 monta R$ 1.568.333,65. Dessa forma, nestes casos, as estimativas não recolhidas, não são cobradas, pois, a Lei 9.430/96 determina que seja cobrado multa isolada de 50% do valor da estimativa não recolhida. A Recorrente reitera as alegações contidas também na Manifestação de Inconformidade, e, finalmente requer provimento ao Recurso Voluntário, para que seja determinada a homologação do direito creditório a favor da Recorrente nos termos do pedido de compensação, “posto que da maneira como foi proferido, o Despacho Decisório contraria Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10480.906257/200911 Resolução nº 1802000.569 S1TE02 Fl. 6 5 as provas carreadas aos autos, a legislação fiscal e, principalmente, a súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF”. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 16336.79645.101106.1.3.040673 (fls. 01/05), transmitido em 10/11/2006, com objetivo de ver reconhecida a compensação de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, de IRPJ, código 2362, no valor de R$ 243.897,62 (DARF: R$ 7.330.112,65, período de apuração: 28/02/2005, Arrecadação: 31/03/2005), com débito de Cofins Não cumulativa (PERÍODO DE APURAÇÃO: Out/ 2006 e VENCIMENTO: 14/11/2006, valor: R$ 308.652,43). Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fl.07, emitido em 25/03/2009 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período, pelo que não homologou o PER/DCOMP mencionado e determinou a cobrança do débito especificado (COFINS, cód. 5856, per. apur. 10/2006, vr. R$ 308.652,43). O litígio decorre do Acórdão nº 1138.707, de 12 de novembro de 2012 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Recife/RS) que mesmo não se pronunciando expressamente sobre o artigo 10 da IN SRF nº 600 de 2005 para afastar os fundamentos expendidos no Despacho Decisório, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do interessado, restringindo o julgamento ao fato de haver ou não o crédito pleiteado e se esse crédito é passível de compensação, conforme indicação efetuada pelo contribuinte no PER/DCOMP e em respeito ao artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN. A DRJ concluiu pelo não reconhecimento do direito creditório, com a consequente não homologação da compensação indicada no PER/DCOMP nº 16336.79645.101106.1.3.040673, em virtude de o crédito não ser líquido e certo, pois, considerou que em 18/12/2008, foi exarado Acórdão nº 1124.933 – 4ª Turma da DRJ/Recife, onde foi mantida a decisão de Homologar Parcialmente a compensação, contida no Processo nº 19647.006048/200658, até o limite reconhecido no valor original de R$1.120.665,93 ( valor corrigido até a data da compensação – 01/02/2007 – R$ 1.147.337,78 ) , fls. 69 a 73. Disse que, a Decisão proferida no referido Acórdão 1124.933, só poderia ter sido utilizado como outras compensações para o Débito Apurado IRPJ – 236201 no valor de R$ 2.546.578,55, período de apuração 31/01/2005, informado na DCTF do mesmo período, o Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10480.906257/200911 Resolução nº 1802000.569 S1TE02 Fl. 7 6 valor atualizado de R$ 1.147.337,78 até a data do pedido de compensação (01/02/07) e não o crédito vinculado no mesmo valor do débito, restando saldo devedor original de R$ 1.787.606,78 a ser pago no referido mês. A conclusão do Acórdão recorrido é a seguinte: Alocandose o Direito Creditório Reconhecido no valor de R$ 1.147.337,78 e a diferença no valor de R$ 243.897,62 ( R$ 7.330.112,65 – R$ 7.086.215,03 ) referente ao IRPJ pago por estimativa referente ao período de apuração fev/05, ao débito apurado de R$ 2.546.578,55 citado acima, restaria um saldo a pagar no valor original de R$ 1.568.333,65, período de apuração jan/2005, data vencimento 28/02/05, conforme Demonstrativos do Sistema Sicalc da Receita Federal do Brasil às fls. 74 a 77. Assim, procede o Despacho Decisório, pois, o pagamento efetuado pela contribuinte a título do IRPJ estimativa, devendo ser utilizado para amortização do débito do mês que deveria ser composto adicionando se o saldo devedor do mês anterior R$ 1.787.606,78 = R$ 1.568.333,65 (valor após amortizações do Direito Creditório Reconhecido atualizado R$ 1.147.337,78) + R$ 219.273,15 ( valor do principal amortizado pelo saldo do pagamento referente ao período de apuração mês de fev/05 – R$ 243.897,62 ), não mais se encontrava disponível para ser utilizado em compensação, pois, para ser objeto de compensação o pagamento deve ser indevido ou em valor maior que o devido. ... Diante da inexistência de crédito líquido e certo, nos termos do art. 170 citado acima, não há como acatar a compensação pleiteada na PER/DCOMP em lide. Como cediço, o artigo 35 da Lei nº 8981/95, com a nova redação dada pela Lei nº 9.065/95, dispõe que a pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. No presente caso, o balanço ou balancete de suspensão ou redução do imposto terá que compreender o período entre 1º de janeiro e a data de apuração do lucro: 28/02/2005, razão pela qual para se verificar o suposto pagamento indevido relativo ao IRPJ por estimativa de fevereiro de 2005, deve ser verificado o valor acumulado do IRPJ de 01/01/2005 28/02/2005. Eis a razão de a DRJ atrelar o crédito do IRPJ por estimativa (Fevereiro/2005) do presente processo, ao IRPJ pago por compensação relativo ao mês de Janeiro de 2005, tratado no Processo nº 19647.006048/200658 que se encontra com Recurso Voluntário pendente de julgamento nesse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Como visto, a estimativa de janeiro/2005 que supostamente compõe o IRPJ apurado de Fevereiro/2005 do qual resulta suposto pagamento indevido, usado como crédito Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10480.906257/200911 Resolução nº 1802000.569 S1TE02 Fl. 8 7 nos presentes autos para compensar débito de COFINSNão cumulativo de outubro/2006, depende do resultado do julgamento do processo administrativo nº 19647.006048/200658. De sorte que, acaso julgado procedente o Recurso Voluntário no mencionado processo influirá substancialmente o julgamento do presente processo. Ou seja, a decisão do presente processo depende da decisão daquele outro. É certo que não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal mas a administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam juntados ao processo nº 19647.006048/200658 para a análise subseqüente por se tratar de matéria que depende do julgamento do mencionado processo. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 151DF CARF MF
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