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Numero do processo: 19515.723088/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
PRECLUSÃO PROCESSUAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
Numero da decisão: 3302-005.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinícius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. PRECLUSÃO PROCESSUAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinícius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1691; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 220 1 219 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.723088/201210 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.926 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria PIS/Pasep Recorrente TRANSKUBA TRANSPORTE GERAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. PRECLUSÃO PROCESSUAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinícius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração para constituição de créditos tributários relativos ao PIS/Pasep e Cofins, no período de janeiro a dezembro de 2009, em razão de valores declarados no campo "Contribuição para o PIS a Pagar" do DACON, mas não declarados em DCTF e nem recolhidos em DARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 30 88 /2 01 2- 10 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 19515.723088/201210 Acórdão n.º 3302005.926 S3C3T2 Fl. 221 2 Em impugnação, a recorrente aduziu que, por lapso da administração contábil, os valores declarados em DACON deixaram de ser informados em DCTF, não tendo havido o recolhimento por ausência de condições financeiras da recorrente, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS/Cofins pela Lei nº 9.718/1998, que o DACON é declaração suficiente à constituição dos créditos tributários, sendo desnecessário o lançamento de ofício, com a consequente inaplicabilidade da multa de ofício no percentual de 75%. Subsidiariamente, pede a realização de perícia contábil para que se possa apurar a base correta da contribuição. A Décima Sétima Turma da DRJ/RJ 1 proferiu o Acórdão nº 1263.884, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DIPJ. DACON. NATUREZA JURÍDICA. A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON têm caráter meramente informativo, ou seja, não têm natureza de confissão de dívida, portanto, não constituem o crédito tributário. DCTF. DCOMP. NATUREZA JURÍDICA. Atualmente, os débitos informados espontaneamente em DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e/ou em DCOMP Declaração de Compensação constituem confissão de dívida e, portanto, são instrumentos hábeis e suficientes para a exigência dos mesmos. MULTA DE OFÍCIO. NORMAS LEGAIS. A falta de recolhimento ou de confissão de dívida da contribuição apurada em procedimento de ofício sujeita a contribuinte à aplicação da multa de 75%, por força de expressa previsão legal. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, tempestivamente, abordando a necessidade de cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal, que tem direito ao crédito decorrentes da compra de óleo diesel, ainda que esteja sujeito ao regime cumulativo, em razão de o produto ser submetido ao regime monofásico, que o lançamento em presunções somente é cabível quando expressamente previsto em lei, discorre sobre o princípio da verdade Fl. 221DF CARF MF Processo nº 19515.723088/201210 Acórdão n.º 3302005.926 S3C3T2 Fl. 222 3 material, sobre a segurança jurídica, sobre outros princípios do direito tributário, sobre o ato administrativo de lançamento. Aduziu que os fatos narrados não são verdadeiros, que os valores haviam sido declarados em DCTF, que não foram apontadas as contas contábeis da escrituração, que a fiscalização não trouxe provas da ocorrência do fato gerador, que recebeu subvenções para investimento que não devem compor a base de cálculo, que a DIPJ e o DACON não têm caráter declaratório, mas meramente informativo, o que invalidaria a autuação com base exclusivamente no referido demonstrativo, que tem direito a excluir de seu faturamento os valores pertencentes a outras pessoas jurídicas participantes do Consórcio contratado pelo Município de São Paulo, juntando documentos comprobatórios da transferência de recursos relativos à subvenção. Por fim, pede a conversão do julgamento em diligência para apuração dos créditos relativos à aquisição de combustíveis. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente, é preciso delimitar a lide. A autuação foi realizada pelo confronto entre DACON x DCTF, com verificação de valores de PIS a pagar informados no DACON, sem qualquer informação em DCTF, confirmados com cópias dos Livros Diário e Razão (efls. 58/95), especialmente na conta contábil do passivo 2.1.03.01.0002 PIS. As divergências foram objeto de intimação e retintimação (efls. 3 e 50), tendo a recorrente respondido (efl. 52) que, por erro de fato, as informações não constaram em DCTF e que a recorrente possuía interesse em regularizar a situação. Lavrado o Auto de Infração, a recorrente, em impugnação, reiterou que, por lapso da administração contábil, os valores declarados em DACON deixaram de ser informados em DCTF, não tendo havido o recolhimento por ausência de condições financeiras. Além da confirmação de que os valores não estavam informados em DCTF, o que já havia sido informado à fiscalização durante a ação fiscal, a recorrente arguiu, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS/Cofins pela Lei nº 9.718/1998 e que o DACON é declaração suficiente à constituição dos créditos tributários, sendo desnecessário o lançamento de ofício, com a consequente inaplicabilidade da multa de ofício no percentual de 75%. Subsidiariamente, pede a realização de perícia contábil para que se possa apurar a base correta da contribuição Porém, em recurso voluntário, houve total inovação de argumentação, alegando questões não antes abordadas como irregularidades relativas a Mandado de Procedimento Fiscal, direito ao creditamento de óleo diesel, necessidade de exclusão de Fl. 222DF CARF MF Processo nº 19515.723088/201210 Acórdão n.º 3302005.926 S3C3T2 Fl. 223 4 subvenções da base de cálculo, direito de excluir valores transferidos a outras pessoas jurídicas participantes de consórcio, nulidade de lançamento lastreado em presunções não legais, abordagem meramente retórica sobre princípios de direito tributário, que os valores haviam sido declarados em DCTF, que não há provas da ocorrência do fato gerador e que a DIPJ e DACON não eram instrumentos de confissão de dívida e, portanto, não poderiam lastrear um lançamento tributário. Verificase, destarte, que a impugnação é completamente divergente da peça de recurso voluntário, à exceção da alegação de inconstitucionalidade de alargamento que, com boa vontade, poderia se entender conexa com o pedido de exclusão de subvenções, considerando o regime cumulativo a que se sujeitou a recorrente. Neste sentido, dispõem os artigos 16 e 17 do Decreto 70.235/1.972: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Defluise que as alegações concernentes ao direito de creditamento de óleo diesel, direito de excluir valores transferidos a outras pessoas jurídicas participantes de consórcio, nulidade de lançamento lastreado em presunções não legais estão preclusas e não serão conhecidas. No que tange à irregularidade em MPF, por se referir a eventual alegação de incompetência do auditorfiscal para lavratura do Auto de Infração, será conhecida. Neste aspecto, destacase que o procedimento fiscal foi realizado sem a emissão de MPF, por se tratar revisão de declarações, conforme disposto no artigo 10 da Portaria RFB nº 3.014/2011, abaixo transcrito: Art. 10. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: [...] IV relativo à revisão interna de declaração, inclusive na hipótese de aplicação de penalidade por falta ou atraso em sua apresentação (malhas fiscais); Assim, não que se falar em irregularidades em MPF, que sequer foi emitido para a realização do procedimento fiscal. Em relação às alegações que os fatos não são verdadeiros e que os valores foram informados em DCTF, também são improcedentes, uma vez que a própria recorrente afirmou em impugnação que os valores deixaram de ser informados em DCTF por erro da administração e deixaram de ser pagos por falta de condições financeiras. Se houve algum equívoco quanto à informação prestada em impugnação, a recorrente deveria trazer provas aos autos de eventual lapso manifesto ou erro de fato que indicasse a declaração dos valores em DCTF, de forma a infirmar o lançamento. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 19515.723088/201210 Acórdão n.º 3302005.926 S3C3T2 Fl. 224 5 No que tange à verdade material e utilização apenas do DACON como meio de prova, destacase que o lançamento foi efetuado com base não somente no DACON, mas também com lastro nos lançamentos contábeis do Diário e Razão, acostados aos autos, especialmente na conta contábil de PIS a recolher do passivo 2.1.03.01.0002 PIS, entregues pela própria recorrente em resposta à intimação fiscal. Registrase que os valores tributados referemse a receitas de vendas de bens e serviços à alíquota de 0,65%, informada pela recorrente nas linhas 01 das fichas 08A dos DACON (efls. 6/41), não havendo qualquer valor lançado a título de outras receitas, razão pela qual são inaplicáveis ao caso as alegações de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo previsto no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 e de exclusão de subvenções. Em resumo, as alegações efetuadas em recurso voluntário ou estão preclusas ou estão desacompanhadas de qualquer elemento de prova. Diante do exposto, voto para conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.723931/2013-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA
O Princípio da Retroatividade Benigna não afasta a cobrança da multa isolada ou mesmo reduz o seu valor, pois não deixou de existir no ordenamento jurídico e, no caso em tela, tampouco reduziria o valor lançado.
MULTA ISOLADA. BOA-FÉ. AUSÊNCIA DE DOLO OU CULPA
O §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 descreve a conduta infracional e a multa, a despeito da intenção do agente ou de constatação de culpa ou conduta dolosa.
MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. BIS IN IDEM
Não ocorreu o "Bis in Idem". São condutas infracionais distintas (compensação indevida e atraso no pagamento), sobre as quais incidem multas distintas
MULTA ISOLADA. IMPOSIÇÃO, ANTES DA CONCLUSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO
O dispositivo legal estabelece que a simples e isolada ocorrência de não homologação de compensação acarreta em lançamento de ofício da multa isolada. Não obstante, a cobrança da multa isolada estará subordinada à conclusão dos processos em que se discutem as legitimidades do respectivos PER/DCOMP.
MULTA ISOLADA. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE
Não cabe ao CARF afastar penalidade prevista em dispositivo legal que esteja plenamente em vigor.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA ISOLADA
Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros sobre a multa de ofício não recolhida no prazo.
Numero da decisão: 3301-004.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA O Princípio da Retroatividade Benigna não afasta a cobrança da multa isolada ou mesmo reduz o seu valor, pois não deixou de existir no ordenamento jurídico e, no caso em tela, tampouco reduziria o valor lançado. MULTA ISOLADA. BOA-FÉ. AUSÊNCIA DE DOLO OU CULPA O §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 descreve a conduta infracional e a multa, a despeito da intenção do agente ou de constatação de culpa ou conduta dolosa. MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. BIS IN IDEM Não ocorreu o "Bis in Idem". São condutas infracionais distintas (compensação indevida e atraso no pagamento), sobre as quais incidem multas distintas MULTA ISOLADA. IMPOSIÇÃO, ANTES DA CONCLUSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO O dispositivo legal estabelece que a simples e isolada ocorrência de não homologação de compensação acarreta em lançamento de ofício da multa isolada. Não obstante, a cobrança da multa isolada estará subordinada à conclusão dos processos em que se discutem as legitimidades do respectivos PER/DCOMP. MULTA ISOLADA. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE Não cabe ao CARF afastar penalidade prevista em dispositivo legal que esteja plenamente em vigor. JUROS DE MORA SOBRE MULTA ISOLADA Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros sobre a multa de ofício não recolhida no prazo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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RETROATIVIDADE BENIGNA O Princípio da Retroatividade Benigna não afasta a cobrança da multa isolada ou mesmo reduz o seu valor, pois não deixou de existir no ordenamento jurídico e, no caso em tela, tampouco reduziria o valor lançado. MULTA ISOLADA. BOAFÉ. AUSÊNCIA DE DOLO OU CULPA O §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 descreve a conduta infracional e a multa, a despeito da intenção do agente ou de constatação de culpa ou conduta dolosa. MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. BIS IN IDEM Não ocorreu o "Bis in Idem". São condutas infracionais distintas (compensação indevida e atraso no pagamento), sobre as quais incidem multas distintas MULTA ISOLADA. IMPOSIÇÃO, ANTES DA CONCLUSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO O dispositivo legal estabelece que a simples e isolada ocorrência de não homologação de compensação acarreta em lançamento de ofício da multa isolada. Não obstante, a cobrança da multa isolada estará subordinada à conclusão dos processos em que se discutem as legitimidades do respectivos PER/DCOMP. MULTA ISOLADA. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE Não cabe ao CARF afastar penalidade prevista em dispositivo legal que esteja plenamente em vigor. JUROS DE MORA SOBRE MULTA ISOLADA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 39 31 /2 01 3- 19 Fl. 585DF CARF MF Processo nº 11516.723931/201319 Acórdão n.º 3301004.910 S3C3T1 Fl. 510 2 Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros sobre a multa de ofício não recolhida no prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Auto de Infração para fins de imposição de multa isolada no valor de R$ 2.041.803,15, pela não homologação das Compensações vinculadas ao Pedido de Ressarcimento tratado no processo nº 10983.911361/201181. A penalidade aplicada corresponde a 50% (cinquenta por cento) do valor do crédito não compensado, nos termos do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, com a redação dada pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010. A penalidade aplicada corresponde a 50% (cinquenta por cento) do valor do crédito não compensado, nos termos do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, com a redação dada pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010. A impugnante contesta a autuação alegando, inicialmente, a impossibilidade da aplicação da penalidade com base na tese de que não se aplica ao caso o artigo 136 do Código Tributário Nacional. Defende que a responsabilidade por infração tributária não é objetiva, como entende a fiscalização, mas subjetiva e que, portanto, a culpa do contribuinte (ou o dolo, em alguns casos) deve ser provada pela Fiscalização. Acrescenta que, mesmo que se admitisse a objetividade da responsabilidade em matéria tributária, à Fiscalização cabia comprovar que o exercício regular do direito à compensação da Impugnante, pautado na boafé, causou qualquer dano ao Erário ou à Administração Pública. Fl. 586DF CARF MF Processo nº 11516.723931/201319 Acórdão n.º 3301004.910 S3C3T1 Fl. 511 3 Alega que a multa em questão não poderia ter sido lançada em concomitância com a multa de mora já exigida pela Fiscalização, ao não homologar a compensação, por caracterizar bis in idem. Defende que a penalidade aplicada deve ser cancelada, vez que somente poderia ser exigida depois de encerrado o processo administrativo relativo a não homologação da compensação. Com argumentos de variada ordem, aduz que a multa aplicada ofende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade. Por fim, suscita a ilegalidade da incidência de juros moratórios sobre a multa isolada, com base no argumento de que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/1996, resta evidente que somente são admitidos os acréscimos moratórios referentes aos débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não sobre as penalidades pecuniárias. Diante de todo o exposto, pede que seja dado provimento à sua impugnação e cancelado o auto de infração. Da revisão do acórdão Verificada inexatidão material devido a erro no cálculo do crédito passível de ressarcimento, o processo retornou à DRJ para prolação de acórdão revisor, em substituição do Acórdão nº 0735.255, de 30 de julho de 2014. É o relatório." A ADJ em Florianópolis (SC) julgou a impugnação procedente em parte e o Acórdão n° 0736.189, de 10/12/14, foi assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. A partir da vigência da Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, deve ser lavrado Auto de Infração para a aplicação da multa isolada no valor correspondente a 50% (cinquenta por cento) do valor do crédito objeto de compensação não homologada. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. INTENÇÃO DO CONTRIBUINTE. Os dispositivos instituidores da multa isolada aplicável nos casos de compensação não homologada não condicionam sua aplicação à intenção do contribuinte ao apresentar a declaração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos contidos na impugnação e adicionou o tópico "Da revogação da Multa Isolada Retroatividade Benigna". Fl. 587DF CARF MF Processo nº 11516.723931/201319 Acórdão n.º 3301004.910 S3C3T1 Fl. 512 4 Com este novo argumento, requer que a multa isolada seja cancelada, pois teria sido revogada, quando da alteração da redação do § 17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 na data da autuação, dispunha que a multa seria calculada sobre o valor do crédito, e, atualmente, sobre o valor do débito. Com a revogação da multa, o lançamento de ofício deve ser cancelado, por força da aplicação do Princípio da Retroatividade Benigna", esculpido no art. 106 do CTN É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recuso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de auto de infração para cobrança de multa isolada por compensação (DCOMP) considerada indevida, em razão de ter sido instruída por Pedido de Ressarcimento (PER), cujos créditos foram glosados, em sede do processo n° 10983.911361/201181, que se encontra nesta pauta para julgamento. Em preliminar,a recorrente lista processos administrativos que reputa que devem ser julgados em conjunto, pois são conexos. Está correta: todos estão nesta pauta para julgamento. Passemos à análise dos argumentos de defesa. "III 1 Da revogação da Multa Isolada Retroatividade Benigna" Aduz que a infração teria deixado de existir no ordenamento jurídico, com a alteração na redação do § 17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, onde foi capitulada a autuação: na data da autuação, dispunha que a multa seria calculada sobre o valor do crédito, e, atualmente, sobre o valor do débito. Sendo assim, aplicarseia o princípio da retroatividade benigna (art. 106 do CTN) e, por conseguinte, deverseia cancelar o lançamento de ofício. Reproduzo, com os destaques necessários, as redações do citado dispositivo legal que estavam em vigor na data da autuação e atual, bem como do art. 106 do CTN: Redação na data da autuação § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Redação atual, após a alteração promovida pela Lei n° 13.097/15 § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação Fl. 588DF CARF MF Processo nº 11516.723931/201319 Acórdão n.º 3301004.910 S3C3T1 Fl. 513 5 não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Art. 106 do CTN Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A meu ver, não assiste razão à recorrente. É cediço que deve ser adotada a legislação que se encontrava em vigor na data da ocorrência da infração. Não obstante, em se tratando de penalidade pelo cometimento de infração, recorrese ao Princípio da Retroatividade Benigna, quando a conduta compensação indevida deixa de ser tratada como infração ou ainda na hipótese de a pena (multa isolada) ser reduzida. Neste último caso, o menor valor passaria a ser o devido. Contudo, da leitura da nova redação do §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, verificase que a compensação continua sendo tipificada como infração. E, no caso em tela, o cálculo da multa sobre o valor do débito também não produz efeito no valor do lançamento de ofício, uma vez que o crédito foi integralmente utilizado para compensação com débitos (vide Termo de Verificação Fiscal, fls. 207 a 210). Isto posto, nego provimento aos argumentos da recorrente. "III . 2 Da Impossibilidade de Aplicação da Multa Isolada no Presente Caso" "III.2.1 Da Correta Interpretação do Artigo 136 do CTN Da Boafé da Recorrente Impossibilidade de Penalização da Boafé" Alega que a multa em comento somente poderia ser exigida, quando restasse comprovado que o contribuinte agira com dolo ou culpa, o que não ocorreu. Não se pode punir a boafé do contribuinte. E afirma ainda que: "23. Nesse particular, importante a análise do artigo 136 do Código Tributário Nacional ("CTN"), cuja leitura desatenta poderia levar a essa conclusão: Fl. 589DF CARF MF Processo nº 11516.723931/201319 Acórdão n.º 3301004.910 S3C3T1 Fl. 514 6 "'Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislacão tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.' 24. Uma análise acurada do dispositivo mostra que o artigo 136 do CTN não introduz a responsabilidade objetiva em matéria de infrações tributárias. Localizar nele o fundamento para a responsabilização objetiva decorre além da inobservância do sistema tributário como um todo de equívocos na interpretação das expressões 'salvo disposição de lei em contrário' e 'independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato'". O acima transcrito §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 descreve a conduta infracional e a multa, a despeito da intenção do agente ou de constatação de culpa ou conduta dolosa. E, ao contrário do que entende a recorrente, entendo que este posicionamento encontra respaldo no art. 136 do CTN. Assim, nego provimento. "III.2.2 Da Ilegalidade da Concomitância da Multa Isolada com a Multa de Mora Ocorrência de Bis in Idem" O título é autoexplicativo e dispensa maiores explicações. Nego provimento, pois entendo que não ocorreu o "Bis in Idem". São condutas infracionais distintas (compensação indevida e atraso no pagamento), sobre as quais incidem multas distintas. "III.2.3 Da Impossibilidade de Imposição da Multa Antes do Término da Discussão na Esfera Administrativa" Aduz que a multa isolada somente poderia ser lançada, após o término do processo que trata do PER (processo n° 11516.721887/201141). Antes disto, configurase como uma antecipação de aplicação de penalidade, o que não encontra respaldo legal. Nego provimento ao argumento, posto que: i) o dispositivo legal estabelece que a simples e isolada ocorrência de não homologação de compensação acarreta em lançamento de ofício da multa isolada; e ii) em se constituindo litígios administrativos, tal qual na situação em questão, a cobrança da multa isolada estará subordinada à conclusão dos processos em que se discutem as legitimidades do respectivos PER/DCOMP. "III.2.4 Da Ofensa aos Princípios da Proporcionalidade e da Razoabilidade" Invoca os princípios esculpidos no art. 2° da Lei n° 9.784/99 para obter o cancelamento da multa isolada. Não cabe ao CARF afastar penalidade prevista em dispositivo legal que esteja plenamente em vigor. Portanto, nego provimento. "III.2.5 Da Ilegalidade da Incidência de Juros sobre a Multa Isolada" Fl. 590DF CARF MF Processo nº 11516.723931/201319 Acórdão n.º 3301004.910 S3C3T1 Fl. 515 7 A Recorrente requer que seja afastada a incidência dos juros de mora sobre a multa isolada, quando da eventual cobrança do crédito lançado, sob a alegação de que não há base legal para tanto. Argumenta ainda que a multa não se presta a "repor o capital alheio, mas sim punir o não cumprimento da norma", ao contrário dos os juros que "possuem natureza essencialmente indenizatória". Tratase de matéria em relação à qual controversa já foram proferidas decisões favoráveis (Acórdãos n° 3402002.856 e 3402002.901 da 2° Turma da 4° Câmara da 3° Seção) e desfavoráveis (Acórdãos n° 1402002.065 da 2° Turma da 4° Câmara da 1° Seção e 9303003.385 da 3° Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais) aos contribuintes. Consigno que discordo da interpretação da Recorrente. Dispõe o art. 113 do CTN: " Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (. . .)" (grifo nosso) A redação do art. 113 do CTN já foi objeto de inúmeras críticas por parte de conceituados tributaristas, que repudiam o fato de o conceito de obrigação tributária compreender tributo e penalidade. Contudo, não deixar de aplicálo. Assim, o conceito de obrigação tributária abrange tributos e multa. Sobre a incidência dos juros, temos o art. 161 do CTN: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (. . .)" (grifo nosso) Portanto, é lícita a incidência de juros sobre a obrigação tributária, consistente em tributo e/ou penalidade pecuniária. Neste sentido, apresentouse o entendimento do STJ no AgRg no REsp n° 1335688/PR (DJ de 10/12/2012): "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Fl. 591DF CARF MF Processo nº 11516.723931/201319 Acórdão n.º 3301004.910 S3C3T1 Fl. 516 8 Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido." (grifo nosso) Sobre a taxa de juros a ser aplicada, reportome à Súmula CARF n° 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Nego provimento às alegações concernentes à ausência de base legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício não recolhida no prazo. Conclusão Nego provimento ao recurso voluntário. Para fins de liquidação do acórdão, deve ser observada a decisão proferida em sede do processo n° 10983.911361/201181. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 592DF CARF MF
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Numero do processo: 11075.720031/2017-80
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR.
São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Documentos anexados aos Autos, como exames, atestados, podem complementar as informações do Laudo, na formação da convicção do Julgador.
Numero da decisão: 2001-000.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Documentos anexados aos Autos, como exames, atestados, podem complementar as informações do Laudo, na formação da convicção do Julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 72 00 31 /2 01 7- 80 Fl. 48DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2012, anocalendário de 2011, em que foi apurada omissão de rendimentos. Abaixo, reproduzse trecho da fundamentação do lançamento: "Contribuinte apresentou a Certidão nº 1179/2015, emitida pelo Centro de Perícias Médicas da Marinha do Brasil, com data de 22/10/2015, na qual não se encontra consignada a data do início da doença; por conseguinte, a data a ser utilizada para fins de isenção do imposto sobre a renda é a data da emissão do Laudo Médico Pericial, em 09/04/2015, como consta da Certidão referida." A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Belo Horizonte. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 44. Em síntese, alega ser portador de moléstia grave e que a data real da incapacidade retroage a 2009. Informa que recebe proventos de aposentadoria. Argumenta que para confecção de novo Laudo, é necessário deslocarse para município diverso de seu domicílio e que isso demanda tempo superior a 30 dias, razão pela qual entende deve ser dilatado o prazo para que seja possível complementar sua defesa. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, Fl. 49DF CARF MF Processo nº 11075.720031/201780 Acórdão n.º 2001000.512 S2C0T1 Fl. 3 3 esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV Fl. 50DF CARF MF 4 e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” O lançamento, assim como o faz a decisão de primeira instância, fundamenta o não reconhecimento da isenção, ao argumento de que o Laudo não indica a data em que a doença foi contraída. Embora o Laudo seja o documento essencial para o reconhecimento da isenção, nada impede que o Julgador, com base em outros elementos trazidos aos Autos, firme sua convicção no sentido de definir eventual lacuna ou incongruência do documento emitido pela perícia. É o que ocorre nos presentes Autos. A documentação acostada justifica a aceitação dos argumentos esposados pela recorrente, haja vista que por suficiente documentação (f. 6 e 11), comprovase que ela padece da doença indicada no Laudo desde o ano de 2009. Portanto, devese reconhecer o direito à isenção pleiteada pela recorrente, haja vista que foi feita prova neste processo. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 51DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.001856/2005-45
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2001
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO, REPARAÇÃO E MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS PERMANÊNCIA NO REGIME SIMPLIFICADO DE TRIBUTAÇÃO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF nº 57 A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
Numero da decisão: 1001-000.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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POSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 57 “A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 18 56 /2 00 5- 45 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10909.001856/200545 Acórdão n.º 1001000.769 S1C0T1 Fl. 74 2 Relatório A recorrente postula pela reforma da decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Florianópolis (SC), mediante o Acórdão nº 0715.640, de 09/04/2009 (efls. 33/42). Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos não constam do original) Tratase de manifestação de inconformidade contra exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, por motivo de exercício de atividade vedada (CNAE 29696/02 instalação, reparação e manutenção outras máquinas e equipamentos de uso específico), conforme Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ n° 553.911, de 02 de agosto de 2004, embasado nos arts. 9°, inciso XIII, 12, 14, inciso I, 15, inciso II, da Lei n° da Lei n° 9.316, de 5 de dezembro de 1996; art. 73 da Medida Provisória nº 2.15834, de 27 de 07 de 2001, e arts. 20, inciso XII, 21, 23, inciso I, 24, inciso II c/c parágrafo único, da Instrução Normativa SRF n° 355, de 8 de agosto de 2003. (fls. 25). O contribuinte preliminarmente apresentou Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (fls. 12), aduzindo que não encontrou lei que exige profissional habilitado para oficina mecânica, e que os serviços que faz são consertos em máquinas e equipamentos mecânicos de barcos de pesca. Não houve o acolhimento do seu pedido, ao argumento de vedação à empresa que se dedique à atividade de manutenção e reparação de equipamentos para barcos de pesca. (fls. 12v). Inconformado o sujeito passivo se manifestou às fls. 01 a 11, discordando do entendimento que levou à exclusão. Diz que a prestação dos serviços não exige habilitação profissional de engenheiro sujeita à inscrição no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA), não havendo necessidade destes em seus quadros funcionais. Junta notas fiscais para dizer que os serviços que presta não indicam atividade de estaleiro (construção de embarcações). Arrola doutrina e decisões do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, bem como cita o Ato Declaratório Executivo SRF n° 08/2005, que afastou a vedação às atividades de manutenção, com fundamento nas Leis n° 10.964/04 e 11.051/04. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade e cujo acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10909.001856/200545 Acórdão n.º 1001000.769 S1C0T1 Fl. 75 3 EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. As pessoas jurídicas cuja atividade seja a prestação de serviços de manutenção e reparos navais estão impedidas de optar pelo Simples. LEI N” 10.694/2004 C/C LEI N° 11.051/2004. INAPLICABILIDADE. A prestação de serviços de reparos navais não foi excluída da vedação ao regime simplificado com o advento da Lei n° 10.694/2004 c/c Lei n° 11.051/2004.. Solicitação Indeferida Ciente da decisão de primeira instância em 11/05/2009, conforme Aviso de Recebimento à efl. 44, a recorrente apresentou o recurso voluntário em 10/06/2009, conforme carimbo aposto à efl. 45. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado á efls. 45/67 atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal (PAF). Dele conheço. No recurso voluntário, a recorrente apresenta as seguintes alegações: que foi violado o princípio constitucional da legalidade pois a exclusão se baseou em "premissas que não conduzem à conclusão de que a recorrente, na qualidade de prestadora de serviços de manutenção e reparos de barcos de pesca, estaria sujeita a habilitação profissional de engenheiro legalmente exigida, o que na verdade, vale dizer, sujeita à inscrição no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia CREA", e não em lei ordinária. Cita doutrina e julgados do CARF e do STJ favoráveis à sua tese. que "conforme descrição dos serviços constantes nas notas fiscais da empresa recorrente, já oportunamente juntadas, em nenhum momento se verifica que os serviços prestados possam indicar a atividade..." vedada. Por fim pede o cancelamento do ADE "pois a atividade desenvolvida pela recorrente não se enquadra dentre os que impedem a adesão das empresas ao regime do SIMPLES". O cerne da questão referese à possibilidade de optar pelo SIMPLES a contribuinte que exerce a atividade de manutenção e reparação de equipamentos para barcos de pesca. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10909.001856/200545 Acórdão n.º 1001000.769 S1C0T1 Fl. 76 4 O relator do acórdão recorrido argumenta que, com base nas resoluções nº 218/1973, 278/1983 e 313/1986 todas do CREA (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) e no inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317, de 1996, que a empresa "está impedida de optar pelo Simples, tendo em vista serem atividades atinentes aos profissionais engenheiros e técnicos" e acrescenta que "não importa quem de fato está prestando os serviços, mas se estes são atinentes àquelas profissões, temse que se está diante da vedação legal de ingresso". Data vênia, discordo da conclusão do relator. Observase que nas notas fiscais apresentadas os serviços prestados são de pouca complexidade, tais como serviços de solda, usinagem, torno e furações. Outrossim, as atividades descritas tanto no contrato social quanto no CNAE não são de competência privativa da área de engenharia, nem tampouco se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. É o que se depreende da Súmula CARF nº 57, verbis: "Súmula CARF nº 57: A instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal." A questão em discussão, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, sendo de adoção obrigatória pelos membros do CARF, desta forma, entendo que a decisão recorrida merece ser reformada quanto ao ponto alegado pela recorrente. Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário cancelandose a exclusão da empresa do Simples. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000299/2009-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/10/2004 a 30/09/2005
IPI. REVENDA DE MERCADORIAS. SUSPENSÃO NA SAÍDA DE ESTABELECIMENTO EQUIPARADO À INDUSTRIAL. INAPLICABILIDADE.
Considerando-se a interpretação literal que preconiza o Código Tributário Nacional, art. 111, I, verifica-se que a suspensão do IPI na saída, autorizada pela Lei 10.637/02, art. 29, aplica-se a estabelecimento industrial apenas e não ao equiparado a industrial.
A Instrução Normativa SRF 296/03, ao dispor sobre o regime de suspensão do IPI, inclusive aquele previsto na Lei 10.637/02, art. 29, afasta da aplicabilidade da suspensão, o estabelecimento equiparado à industrial, salvo a empresa comercial atacadista que adquire produtos resultantes da industrialização por encomenda.
Recurso Voluntário Negado
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/10/2004 a 30/09/2005 IPI. REVENDA DE MERCADORIAS. SUSPENSÃO NA SAÍDA DE ESTABELECIMENTO EQUIPARADO À INDUSTRIAL. INAPLICABILIDADE. Considerando-se a interpretação literal que preconiza o Código Tributário Nacional, art. 111, I, verifica-se que a suspensão do IPI na saída, autorizada pela Lei 10.637/02, art. 29, aplica-se a estabelecimento industrial apenas e não ao equiparado a industrial. A Instrução Normativa SRF 296/03, ao dispor sobre o regime de suspensão do IPI, inclusive aquele previsto na Lei 10.637/02, art. 29, afasta da aplicabilidade da suspensão, o estabelecimento equiparado à industrial, salvo a empresa comercial atacadista que adquire produtos resultantes da industrialização por encomenda. Recurso Voluntário Negado Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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REVENDA DE MERCADORIAS. SUSPENSÃO NA SAÍDA DE ESTABELECIMENTO EQUIPARADO À INDUSTRIAL. INAPLICABILIDADE. Considerandose a interpretação literal que preconiza o Código Tributário Nacional, art. 111, I, verificase que a suspensão do IPI na saída, autorizada pela Lei 10.637/02, art. 29, aplicase a estabelecimento industrial apenas e não ao equiparado a industrial. A Instrução Normativa SRF 296/03, ao dispor sobre o regime de suspensão do IPI, inclusive aquele previsto na Lei 10.637/02, art. 29, afasta da aplicabilidade da suspensão, o estabelecimento equiparado à industrial, salvo a empresa comercial atacadista que adquire produtos resultantes da industrialização por encomenda. Recurso Voluntário Negado Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 02 99 /2 00 9- 75 Fl. 1342DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1058.101, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Porto Alegre. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Conforme Auto de Infração das fls. 4 a 14 e anexos, o estabelecimento acima qualificado foi autuado por AuditoraFiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem (MG), para exigência do IPI, no valor de [...], acrescido de juros de mora e de multa de 75%, por falta de lançamento do citado imposto nas notas fiscais de saída, totalizando, na data da autuação, [...] Segundo o Termo de Verificação Fiscal das fls. 21 a 24, a ação fiscal foi instaurada para exame dos saldos credores do IPI apurados pelo interessado no período de outubro de 2004 a setembro de 2005, oferecidos em compensações. A fiscalização constatou que o estabelecimento interessado adquire chapas de aço e as revende para Resil Minas Indústria e Comércio Ltda., sem exercer qualquer processo de industrialização sobre essas chapas, sendo equiparado a estabelecimento industrial por opção. Nesse contexto, verificouse que o estabelecimento deixou de lançar o IPI nessas saídas de chapas de aço, informando que tais operações estariam beneficiadas pela suspensão do referido imposto, autorizada pelo art. 29, § 1º, I, “a”, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. A fiscalização não concordou com esse procedimento, afirmando que tal suspensão é exclusiva para estabelecimentos industriais, que não é o caso do interessado, por ser equiparado a industrial, impondose a interpretação literal do referido art. 29, por força do disposto nº art. 111, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). O interessado tampouco faz jus ao ressarcimento autorizado pelo art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, do saldo credor do IPI acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, porquanto essa industrialização não ocorreu. Fl. 1343DF CARF MF Processo nº 10976.000299/200975 Acórdão n.º 3301004.774 S3C3T1 Fl. 1.343 3 O sujeito passivo foi cientificado da exigência em 10 de julho de 2009, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 239, e em 6 de agosto de 2009 apresentou a impugnação das fls. 243 a 251, subscrita por advogados, credenciados pelos documentos das fls. 253 a 271, alegando, em síntese, o que segue. Pretendese tributar quem, reconhecidamente, não é contribuinte do IPI, pela ausência de industrialização e, em razão disso, ausência de fato gerador desse imposto, independentemente da eventual prática de operações acessórias. Cita e transcreve jurisprudência, no sentido de que a prática de erros não legitima cobrança de imposto não devido. Para a defesa, a fiscalização interpretou equivocadamente o disposto no art. 29, § 1o, I, “a”, da Lei nº 10.637, de 2002, fazendo mau uso da diretriz existente no art. 111, I, do Código Tributário Nacional, porquanto o instituto da equiparação importa idêntico tratamento jurídico de uma pessoa em relação a outra, motivo pelo qual, ao equiparar a estabelecimentos industriais os estabelecimentos comerciais que promovem a saída de bens de produção, para estabelecimentos industriais ou revendedores, a legislação os igualou para todos os efeitos, sem que haja disposição em sentido diverso, excluindo a suspensão. Cita e transcreve excerto do Parecer Normativo CST nº 367/71 e do Acórdão nº 20311.516, de 8 de novembro de 2006, da Terceira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, hoje integrante da estrutura do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Para o impugnante, a autora do procedimento fiscal não o consideraria contribuinte do IPI, o que vai de encontro ao atendimento da estrutura legal e constitucional do referido imposto, em especial, a não cumulatividade. Pondera que adquire aço das usinas, com lançamento do IPI nas respectivas notas fiscais, o que legitima o crédito do valor correspondente, e revende o aço com suspensão do IPI, ficando credor do fisco federal, e não devedor. O adquirente do aço com ele fabrica estruturas metálicas de bancos de veículos automotores e as revende, por sua vez, ao impugnante, com suspensão do IPI, amparado no art. 5º da Lei nº 9.826, de 23 de agosto de 1999, para utilização no processo produtivo dos veículos. Nesse contexto, cabe ao impugnante o ressarcimento dos créditos acumulados do IPI, e não a cobrança do imposto pela venda do aço. Se o fabricante fornece as referidas estruturas metálicas com suspensão do IPI para o impugnante, o fornecimento do aço, pelo impugnante, na etapa anterior, com lançamento do IPI, para o referido fabricante, violaria o princípio constitucional da não cumulatividade desse imposto, violando, também, o mencionado art. 5º da Lei nº 9.826, de 1999, por onerar a cadeira produtiva, em descompasso com a pretensão do legislador, de tributar o consumo, e não a produção. Cita e transcreve trecho de acórdão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), sobre a natureza indireta do IPI. Na sequência, o impugnante alega que o auto de infração cobra, inclusive, multa tipificada no art. 80, I, da Lei nº 4.502, de 1964, explicitando Fl. 1344DF CARF MF 4 a existência de saldos credores do IPI em alguns períodos de apuração, os quais lhe devem ser ressarcidos em espécie. O impugnante encerra, pedindo o cancelamento integral da exigência. O citado acórdão decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/10/2004 a 30/09/2005 SUSPENSÃO DO IMPOSTO. SAÍDAS PROMOVIDAS POR ESTABELECIMENTO REVENDEDOR DE BENS DE PRODUÇÃO, EQUIPARADO A INDUSTRIAL POR OPÇÃO. INAPLICABILIDADE DO BENEFÍCIO. A suspensão do IPI nas saídas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos por estabelecimento industrial fabricante, preponderantemente, de componentes, chassis, carroçarias, partes e peças para industrialização dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5 e 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados não se aplica a estabelecimento equiparado a industrial por opção, nas saídas de chapas de aço que são por ele adquiridas e revendidas sem sofrer qualquer processo de industrialização. RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR ACUMULADO NO TRIMESTRECALENDÁRIO. O estabelecimento revendedor de bens de produção, equiparado a industrial por opção, tem direito ao crédito do IPI relativo aos bens recebidos, mas exclusivamente para dedução do imposto devido nas saídas, não fazendo jus ao ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado em cada trimestre calendário, decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, basicamente repetindo os argumento da impugnação. Em síntese, alega: a reconhecida ausência de fato gerador de IPI no caso presente; que a equiparação a estabelecimento industrial serve a todos os efeitos legais tributários; e o necessário atendimento ao princípio da nãocumulatividade. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 1345DF CARF MF Processo nº 10976.000299/200975 Acórdão n.º 3301004.774 S3C3T1 Fl. 1.344 5 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A recorrente assim descreve os fatos em pauta: Referido crédito originouse da seguinte operação: uma das filiais da Recorrente, já extinta, adquiria chapas de aço da CSN — Companhia Siderúrgica Nacional, compras essas cujo destaque do IPI constou das Notas Fiscais de aquisição. Posteriormente, a Recorrente que se creditou do IPI quando da aquisição, revendeu as referidas chapas de aço para a empresa Resil Minas Indústria e Comércio Ltda. com suspensão do IPI. Assim, foi apurado o saldo credor de IPI conforme previsto no art. 11, da Lei n.° 9.779/99, uma vez que as compras foram tributadas e as vendas se deram com suspensão do tributo, por força do que dispõe o art. 29, da Lei n.° 10.637/2002, cuja redação ora se transcreve: A recorrente, então, revendeu mercadorias, portanto não as submeteu à industrialização, e delas deu saída com suspensão do IPI e pleiteia ressarcimento do saldo credor do mesmo imposto, com base na Lei 10.637/02, art. 29, e Lei 9.779/99, art. 11, respectivamente: Da Lei 10.637/02: Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) [...] Da Lei 9.779/99: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 1346DF CARF MF 6 Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. Afirma a contribuinte que é equiparada à industrial por opção, nos termos do RIPI/02, art. 11, I " estabelecimentos comerciais que derem saída a bens de produção, para estabelecimentos industriais ou revendedores". Considerando que "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre" [...]"suspensão ou exclusão do crédito tributário", como determina o Código Tributário Nacional (CTN), art. 111, I, verificase tanto que a suspensão do IPI na saída, como o ressarcimento de saldo credor do IPI, nos termos dos dispositivos referidos, aplicase a estabelecimento industrial apenas e não ao equiparado a industrial. O art. 29 da Lei 10.637/02 fala em "estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos" e em ""sairão do estabelecimento industrial com suspensão", ao passo que o art. 11 da Lei 9.779/99 fala "saldo credor [...]decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização". O legislador faz menção expressa a aplicação de dada disposição ao equiparado a industrial, quando assim entende: Da Lei 4.502/64: Art. 5º Para os feitos do artigo 2º: I considerase saído do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial o produto: [...] E assim já decidia Câmara Superior deste CARF: IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DO IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não se aplica a suspensão do IPI, prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/2002, nas saídas de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, de estabelecimento equiparado a industrial. A lei prevê o benefício fiscal somente aos estabelecimentos industriais. Interpretação literal da Lei por força do que dispõe o art. 111 do CTN. (CARF, 3ª Turma, CSRF, Ac. 9303005.434, de 25/07/2017, rel. Conselheira Tatiana Midori Migiyama). Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 10976.000299/200975 Acórdão n.º 3301004.774 S3C3T1 Fl. 1.345 7 Alega a recorrente a reconhecida ausência de fato gerador de IPI no caso presente, posto que a fiscalização teria considerado que "não ser a Recorrente (extinta filial) contribuinte do IPI, não há que se exigir o imposto". Não tem razão a contribuinte. Não foi isso que disse a fiscalização, pelo menos, consoante trecho do Termo de Verificação Fiscal reproduzido pela recorrente: "simplesmente operando na aquisição e revenda de chapas de aço, e não submetendo esses produtos a qualquer tipo de industrialização" (grifos da recorrente). Ademais, a lei determina que o equiparado a industrial é contribuinte do imposto, nos termos da Lei 4.502/64, art. 35, inciso II, "c". A recorrente também aduz que os efeitos da equiparação à estabelecimento industrial, são de "outorga integral do tratamento jurídico de uma pessoa a outra, de modo que, ao equiparar determinados estabelecimentos a industriais, a legislação os igualou para todos os efeitos legais tributários", sendo equivocada a interpretação do referido artigo do CTN. Isto porque, defende que "não existe nada na legislação vigente que limite o alcance da equiparação industrial por opção prevista no art. 11, inciso I RIPI/02" Cita o Parecer Normativo CST n° 376/71, no trecho: "Isto porque o importador é equiparado a industrial, de forma ampla ("para todos os efeitos desta lei"); e julgado do antigo 2° Conselho de Contribuintes. Ao contrário do que argumenta a recorrente, há dispositivo expresso a impedir a suspensão do IPI nas saídas de seu estabelecimento. Como bem levantou o acórdão recorrido, o art. 66 da mesma Lei 10.637/02, determina que "A Secretaria da Receita Federal e a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional editarão, no âmbito de suas respectivas competências, as normas necessárias à aplicação do disposto nesta Lei". E assim foi feito com a edição da Instrução Normativa (IN) SRF 296/03 (alterada pela IN SRF 429/04), ao dispor sobre o regime de suspensão do IPI, inclusive aquele previsto no art. 29 da Lei 10.637/02, afasta da aplicabilidade da suspensão, o estabelecimento equiparado à industrial, salvo a empresa comercial atacadista que adquire produtos resultantes da industrialização por encomenda, o que não é o caso: Da IN SRF 296/03: Art. 23. O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica: (Redação dada pela IN SRF nº 429, de 21/06/2004) [...] II a estabelecimento equiparado a industrial, salvo quando se tratar da hipótese de equiparação prevista no art. 4º. ( Redação dada pela IN SRF 429, de 21/06/2004 ). [...] Art. 4º O disposto nos arts. 2º e 3º aplicase, também, ao estabelecimento equiparado a industrial, de que trata o § 5º do art. 17 da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela IN SRF 429, de 21/06/2004). Da Medida Provisória nº 2.18949/01: Art. 17. [...] § 5o A empresa comercial atacadista adquirente dos produtos resultantes da industrialização por encomenda equiparase a estabelecimento industrial. Fl. 1348DF CARF MF 8 Sobre o parecer e os julgados trazidos pela recorrente, aos quais este julgamento não está vinculado, esclarece o acórdão de piso: Quanto ao Parecer Normativo CST nº 367/71, citado na impugnação, com ênfase à parte em que trata da equiparação, “de forma ampla”, do importador a estabelecimento industrial, registrese que esse parecer não se aplica ao presente caso, porquanto ali se cuida do importador, obrigatoriamente equiparado a industrial, hipótese que se afasta da situação do impugnante, que é equiparado a industrial por opção. Com respeito ao Acórdão nº 20311.516, de 8 de novembro de 2006, também citado pela defesa, cumpre esclarecer que o referido aresto não trata da equiparação a industrial, mas na possibilidade de transferência de produtos entre estabelecimentos da empresa, sem suspensão do IPI. A recorrente argumenta a necessidade de atendimento ao princípio da não cumulatividade. Diz que, sendo equiparada a estabelecimento industrial, "tendo em vista que houve a incidência do IPI nas operações de aquisição de bem de produção, imperioso seja assegurado o direito ao crédito". Lembra que o IPI é tributo nãocumulativo, conforme o art. 153, § 3°, II, da Constituição Federal. Diz que compra da chapas de aço com IPI destacado, e as vende com suspensão de IPI, fazendo juz ao crédito que acumulou e ao ressarcimento com fulcro na Lei 9.779/99, art. 11. Nesse ponto, também descabe razão à contribuinte, como bem colocou o acórdão de piso: Quanto ao alegado atendimento da estrutura legal e constitucional do IPI, é preciso dizer ao impugnante que não faz sentido o acúmulo de saldos credores do IPI no caso de um estabelecimento revendedor de chapas de aço para posterior industrialização em estabelecimento de terceiro. Tais saldos credores serviriam exclusivamente para dedução de débitos do IPI na escrita fiscal, não sendo passíveis de ressarcimento em espécie, por não se enquadrarem nas disposições do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, que autoriza o ressarcimento do saldo credor do IPI acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, porquanto essa industrialização não é realizada pelo interessado, que é revendedor. O interessado tem direito, sim, ao crédito do IPI pago na aquisição das chapas de aço (art. 164, VII, do RIPI de 2002), e, partindo da premissa de que tais chapas sejam revendidas com lucro, o IPI devido nas saídas será superior ao suportado nas entradas, porque incidente sobre uma base de cálculo maior, gerando saldos devedores do imposto, e não saldos credores, como verificado no caso concreto. [...] E ao contrário do que afirma a defesa, inexiste qualquer descumprimento do princípio da não cumulatividade do IPI no presente caso. Ademais, não compete a este CARF, discutir matéria constitucional. Por fim, a recorrente diz que a multa prevista na Lei 4.502/64, art. 80, I, estaria "calcada" justamente na inexistência de parcela de pagamento e que a fiscalização teria utilizado o saldo credor em pauta "de oficio" para "compensar" parte dos supostos débitos de IPI" e que "caso o AIIM seja ao final cancelado, deverá este "saldo credor" ser ressarcido à Impugnante em espécie". Cita trecho da autuação: Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 10976.000299/200975 Acórdão n.º 3301004.774 S3C3T1 Fl. 1.346 9 "Parte dos débitos apurados não está sendo cobrada, até o último período de apuração reconstituído, em virtude dos saldos credores apresentados na escrita reconstituída" Entendo que, sendo o auto de infração mantido, não há que se falar no dito ressarcimento. Mas, ainda que a atuação fosse cancelada, não caberia a determinação de um tal ressarcimento por este Carf. Sobre a aplicabilidade da multa ao caso em pauta, bem andou o acórdão recorrido: Notese que a redação do art. 80, I, da Lei no 4.502, de 1964, com a alteração promovida pelo art. 45 da Lei no 9.430, de 1996, aplicável na época, é muito clara, no sentido da imposição de multa em situações como a de que se trata neste processo, conforme segue: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; II cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada. .................... (destacado na transcrição) A leitura atenta do referido dispositivo é suficiente para que se constate o equívoco da defesa, eis que a multa de 75% sobre o IPI, alvo da controvérsia, é devida não apenas nas hipóteses de falta de recolhimento do imposto lançado ou de recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, mas também, e principalmente, na hipótese de falta de lançamento do valor, total ou parcial, do IPI na respectiva nota fiscal, hipótese que se materializou no presente caso, em face da utilização indevida do instituto da suspensão do imposto pelo estabelecimento interessado, conforme demonstração anterior. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 1350DF CARF MF 10 Fl. 1351DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907887/2011-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de contribuição (PIS/Cofins) formulado pela recorrente. A restituição foi indeferida porque o crédito pleiteado encontravase totalmente alocado a débito declarado pelo contribuinte. Na manifestação apresentada, a interessada afirma que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 teve a sua inconstitucionalidade declarada pelo STF. Salienta que a manifestação contida no despacho decisório decorre de informação prestada em DCTF nos anos de 2000 a 2004, ou seja, consoante previsão legal então vigente. Acredita que a conclusão deve ser a de procedência do pedido, afinal, nos termos das decisões existentes as receitas não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .9 07 88 7/ 20 11 -8 2 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10930.907887/201182 Resolução nº 3402001.453 S3C4T2 Fl. 146 2 operacionais devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Salienta que as declarações prestadas anteriormente devem ser revistas e diz que para ocorrer o deferimento bastará à Autoridade Julgadora proceder à análise das DCTF apresentadas, tendo por base planilha anexada à manifestação. Aduz, adicionalmente, que a discussão principal contida no processo diz respeito à matéria de direito, “devendo o órgão julgador apreciar a procedência da tese”, intimando a contribuinte a provar o direito mediante prova documental. A impugnação acima aludida foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, que não reconheceu o direito creditório face a ausência de sua comprovação. Cientificado desta decisão o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, onde alega que a decisão proferida pela DRJ teria alterado o critério jurídico do despacho de indeferimento atacado, o que implicaria a nulidade da decisão proferida, bem como apresenta documentos fiscais que atestariam a validade do seu crédito. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.422, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907066/201146, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.422): "5. Conforme se observa dos autos, em despacho eletrônico de fls. 05/06, o crédito vindicado pelo contribuinte foi indeferido ao fundamento que: (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. (...). 6. Todavia, já em sede de julgamento de manifestação de inconformidade, o acórdão ora atacado entendeu por manter o indeferimento, mas agora sob o seguinte fundamento: (...). No caso, como a contribuinte nada apresentou no sentido de efetivamente comprovar que na composição da base de Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10930.907887/201182 Resolução nº 3402001.453 S3C4T2 Fl. 147 3 cálculo da contribuição relativa ao aludido período de apuração estavam incluídas receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo, não há como reconhecer o direito creditório buscado. Em assim sendo, dada a ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, entendese que devem ser mantidos em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado que, aliás, está fundamentado em informação prestada pela própria contribuinte em DCTF constante dos sistemas controlados pela RFB. (...) (grifos constantes no original). 7. Diante deste quadro, o contribuinte apresentou os documentos fiscais de fls. fls. 84/118, os quais compreendem guias DARF, livro razão e planilhas, que atestariam que o crédito vindicado é realmente decorrente do inconstitucional alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS veiculado pela lei n. 9.718/98 e rechaçado pelo STF no âmbito do julgamento do RE n. 585.235. 8. Percebese, portanto, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. 10. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10930.907887/201182 Resolução nº 3402001.453 S3C4T2 Fl. 148 4 que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.005832/2006-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 09/10/2001
ZETACIPERMETRINA.
À data do registro da DI, a substância de nome comercial zetacipermetrina classificava-se no código 2926.90.29 da NCM então vigente, instituída pelo Decreto 2376/1997.
NOMENCLATURA. SISTEMA HARMONIZADO. NBM. MERCOSUL. NCM.
A NBM foi substituída pela NCM em razão da assinatura do Tratado de Assunção que originou o Mercosul. O diploma que introduziu a NCM como nomenclatura única nas operações de comércio exterior no Brasil foi o Decreto nº 1.343, de 23/12/1994, com vigência desde 01/01/1995. Dessa forma, desde 1995 não há mais que se falar em NBM.
Numero da decisão: 3201-004.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o recurso voluntário e manter o credito tributário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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À data do registro da DI, a substância de nome comercial zetacipermetrina classificavase no código 2926.90.29 da NCM então vigente, instituída pelo Decreto 2376/1997. NOMENCLATURA. SISTEMA HARMONIZADO. NBM. MERCOSUL. NCM. A NBM foi substituída pela NCM em razão da assinatura do Tratado de Assunção que originou o Mercosul. O diploma que introduziu a NCM como nomenclatura única nas operações de comércio exterior no Brasil foi o Decreto nº 1.343, de 23/12/1994, com vigência desde 01/01/1995. Dessa forma, desde 1995 não há mais que se falar em NBM. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o recurso voluntário e manter o credito tributário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 58 32 /2 00 6- 04 Fl. 273DF CARF MF 2 Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 261/267, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 1675.061 21ª Turma da DRJ/SPO, efls. 244/248, que julgou procedente em parte e exonerou parte do crédito tributário relativo a Auto de Infração (AI) de classificação fiscal de mercadorias. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: Conforme relatado às fls. 0509, o interessado realizou a importação, por meio da DI 01/09921580, registrada em 09/10/2001, de cerca de 10 toneladas de uma substância descrita como (S)ALFACIANO3FENOXIBENZIL (1RS, 3RS, 1RS, 3RS)3(2,2,DICLOROVINIL)2,2DIMETILCICLOPROPANO CARBOXILATO (IUPAC), NOME COMERCIAL: ZETACYPERMETHRIN (FURY TECHNICAL FMC) classificandoa no código NCM 2926.90.99 – OUTROS COMPOSTOS DE FUNÇÃO NITRILA. Contudo, com base no Laudo de Análise nº 2291.01, emitido em 19/09/2001 pelo Laboratório Nacional de Análises (fls. 5153), a fiscalização entendeu que a mercadoria submetida a despacho foi a seguinte: ZETACIPERMETRINA, CONSTITUÍDA DE MISTURA DOS 4 ISÔMEROS SALFACIANO3FENOXIBENZIL+/ (CIS/TRANS)3(2,2DICLOROVINIL) CLICLOPROPANOCARBOXILATO, DA CIPERMETRINA, COMPOSTO ORGÂNICO DE CONSTITUIÇÃO QUÍMICA DEFINIDA, UM ÉSTER DO ÁLCOOL ALFACIANO3 FENOXIBENZÍLICO, UMA CIPERMETRINA, OUTRO COMPOSTO DE FUNÇÃO NITRILA. A fiscalização também entende que a mercadoria deveria ser classificada no código NCM 2926.90.29, e não no código 2926.90.99, adotado pelo interessado. Apoiouse nas Regras Gerais de Interpretação nº 1 e nº 6, na Nota 1.a. do Cap. 29 da NCM e citou a seu favor a Solução de Consulta Coana nº 10/2003. A partir de tais entendimentos, a autoridade fiscal concluiu pela ocorrência das seguintes infrações: *** Infração nº 1: Importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente. Base legal: Dec.lei nº 37/1966, art. 169, I, “b” e §6º, com redação do art. 2º da Lei nº 6562/1978. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 11128.005832/200604 Acórdão n.º 3201004.063 S3C2T1 Fl. 274 3 Multa: R$ 468.425,58 Motivo: mercadoria importada não corresponde àquela para a qual o interessado obteve Licença de Importação (via licenciamento automático), pois a licença fôra concedida para a mercadoria referente à primeira descrição acima. Infração nº 2: Mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul Base legal: Medida Provisória nº 215835/2001, art. 84, I. Multa: R$ 15.614,18 Motivo: o código NCM cabível é 2926.90.29, e não 2926.90.99. Infração nº 3: Pagamento a menor do Imposto de Importação devido por declaração inexata Base legal: Regulamento Aduaneiro – RA então vigente, Dec. nº 91.030/85, arts. 1º; 77, I; 80, I, “a”; 83; 86; 87, I; 89, II; 99; 100, caput e §ún; 103; 111; 112; 411; 412; 413; 416;418; 444; 499; 500, I e IV; 501, III; 542. Principal: R$ 70.263,83; multa (75%): R$ 52.697,87; juros: R$ 59.211,32; Total: R$ 182.173,02 Motivo: apuração do imposto deveria ter sido feita com a alíquota de 4,5%, vigente à data do registro da DI. Foram lançados tributo, multa de ofício e juros de mora. *** Ainda conforme o relato, o mesmo citado desacordo quanto à descrição da mercadoria já havia sida objeto de autuação – processo 11128.005759/200158 –, cujo auto de infração foi julgado improcedente na 1ª instância, com recurso de ofício improvido na 2ª instância (cópias do auto de infração e dos acórdãos às fls. 1925, 105113 e 123131, respectivamente). O presente lançamento resultou do entendimento de que não ocorrera a decadência referida no art. 173, I, do Código Tributário Nacional – CTN. Cientificado em 20/09/2006 (fls. 145146), o interessado apresentou impugnação tempestiva (fls. 147154) alegando o seguinte: a) Inexiste divergência entre o interessado e a fiscalização quanto à real e efetiva natureza química do produto importado: tratase de ZETACIPERMETRINA; b) O código NCM pretendido pela fiscalização somente foi introduzido na NCM em janeiro/2002, ou seja, posteriormente ao registro da DI, quando passou a vigorar a Resolução CAMEX nº Fl. 275DF CARF MF 4 42/2001. Até então, o código assumido pelo interessado era o correto. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, exonerando o valor de R$ 468.425,58 referente à multa por ausência de guia de importação. O Acórdão n.º 1675.061 21ª Turma da DRJ/SPO, está assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 09/10/2001 ZETACIPERMETRINA. À data do registro da DI, a substância de nome comercial zetacipermetrina classificavase no código 2926.90.29 da NCM então vigente, instituída pelo Decreto 2376/1997. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/10/2001 FALTA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. A mesma questão litigiosa (mesma situação fática e mesmo enquadramento normativo), uma vez definitivamente julgada em âmbito administrativo, não pode ser objeto de novo lançamento. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, a fim de anular o auto por inteiro, alegando, em síntese: A correta classificação no código NCM 2926.90.99 A recorrente alega que classificou de forma correta a mercadoria importada no código NCM 2926.90.99. Para a D. Fiscalização, o produto deveria ser classificado no código 2926.90.29 – OUTROS COMPOSTOS DE FUNÇÃO NITRILA. Já para a Recorrente, a classificação correta seria a do código 2926.90.99 –OUTROS COMPOSTOS DE FUNÇÃO NITRILA. Afirma que a época do registro da declaração de importação (DI) o código NCM 2926.90.99 era o único código correto para definir OUTROS COMPOSTOS DE FUNÇÃO NITRILA. Explica que em momento posterior a sua importação, no decorrer da evolução da consolidação dos códigos relativos à classificação fiscal dos compostos de função nitrila, veio o código NCM 2926.90.29. Apresenta tabela de correlação entre os antigos códigos da NBM – Nomenclatura Brasileira de Mercadorias – e a NCM – Nomenclatura Comum do Mercosul, com destaque para os códigos dos compostos de função nitrila. Esclarece que a Resolução CAMEX 42/2001 com o novo código NCM passou a vigorar apenas em 26 de dezembro de 2001, ou seja, em momento posterior a importação da lide. RESOLUÇÃO Nº 42, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2001 Fl. 276DF CARF MF Processo nº 11128.005832/200604 Acórdão n.º 3201004.063 S3C2T1 Fl. 275 5 Altera toda a NCM e a TEC (Res. GMC 11/00, 12/01, 29/01, 30/01, 32/01, 45/01, 46/01, 48/01 e 65/01), acrescenta 1,5 pontos percentuais à TEC e republica a Lista de Exceções, a lista de convergência de BIT e a lista de medicamentos com tarifa reduzida a zero até 31/08/02 (ajuste da modificações do Sistema Harmonizado 2002) Expõe que o código NCM 2926.90.99 utilizado à época dos fatos (a DI autorizadora da importação foi registrada perante as autoridades fazendárias em 09/10/2001) estava correto, uma vez que a Resolução CAMEX 42/2001 entrou em vigência após essa data. Pede o cancelamento do Auto de Infração. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Data do Fato Gerador e NCM vigente A lide está restrita ao argumento da recorrente de que há época do registro da DI em 09/10/2001, o código vigente seria o da NCM 2926.90.99. O elemento temporal do fato gerador do Imposto de Importação (II) é o registro da DI e no entender da recorrente o código indicado pela fiscalização da NCM 2926.90.29 passou a vigorar apenas com a entrada em vigor da Resolução CAMEX 42/2001, em 26/12/2001, portanto em data posterior ao fato gerador. Em síntese, a questão da lide consiste em saber se a época do fato gerador 09/10/2001 existia ato do poder executivo para o código da NCM 2926.90.29. A resposta é afirmativa quanto a existência de Decreto do Poder Executivo com o código indicado pela fiscalização, não cabendo razão a recorrente. Tratase do Decreto nº 2.376 de 12/11/1997 que altera a Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) e as alíquotas do Imposto de Importação e que estava vigente a época do fato gerador. O Decreto nº 2.376 de 12/11/1997 vigorou de 13/11/1997 até 31/12/2001, portanto em plena vigência há época do fato gerador, já possuía em seu teor o código da NCM 2926.90.29. 29.26 Compostos de função nitrila. 2926.90 Outros 2926.90.29 Outros Fl. 277DF CARF MF 6 Quanto a Resolução CAMEX 42/2001, de 26/12/2001 citada pela recorrente, cabe esclarecer que a mesma teve sua vigência a partir de 1/01/2002 até 31/12/2006, portanto, em período posterior ao fato gerador ocorrido em 09/10/2001. A recorrente apresenta tabela de correlação da NBM para a NCM. Cabe esclarecer que a NBM foi substituída pela NCM em razão da assinatura do Tratado de Assunção que originou o Mercosul. O diploma que introduziu a NCM como nomenclatura única nas operações de comércio exterior no Brasil foi o Decreto nº 1.343, de 23/12/1994, com vigência desde 01/01/1995. Dessa forma, desde 1995 não há mais que se falar em NBM. Em conclusão, o fato é que o Decreto nº 2.376 de 12/11/1997 com o código da NCM 2926.90.29 utilizado pela fiscalização estava em plena vigência há época do fato gerador quando do registro da DI em 09/10/2001. Tendo em vista a reclassificação tarifária está correta a cobrança do II com aplicação da multa de ofício de 75% prevista no art. 44, inciso I, da Lei n°9.430/96, tendo em vista que o mesmo foi pago a menor quando do registro da DI. Também acertada a cobrança da multa administrativa por erro na classificação fiscal conforme consta no artigo 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter na íntegra o acórdão da DRJ. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720407/2012-56
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008
RECURSO CONTRA MATÉRIA SUMULADA. NÃO CABIMENTO.
Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
INVESTIMENTO NÃO EXTINTO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO INDEVIDA.
A possibilidade excepcional de amortização do ágio pago, veiculada pelo caput do art. 386 e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida ou vice-versa (§ 6º, II, do citado dispositivo).
Quando não ocorre a extinção do investimento nem tampouco a confusão patrimonial entre a investidora e a investida originais o ágio é indedutível e não permite sua transferência a terceiros estranhos à operação que o ensejou.
INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO.
A utilização de empresa veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade desta sociedade e das operações em que tomou parte, notadamente quando há transferência do ágio a terceiros. Não produzem o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo as operações que envolvam a transferência do ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, quando praticadas sem finalidade negocial ou societária.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Por compartilharem o mesmo suporte fático e matéria tributável, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO.
Com o advento da Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007, tornou-se juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional ao imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo ano-calendário.
Numero da decisão: 9101-003.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas em relação ao ágio, não conhecendo das matérias da preclusão ou decadência e da ilegalidade da cobrança. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Acordam, ainda, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rego (Presidente).
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008 RECURSO CONTRA MATÉRIA SUMULADA. NÃO CABIMENTO. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 INVESTIMENTO NÃO EXTINTO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO INDEVIDA. A possibilidade excepcional de amortização do ágio pago, veiculada pelo caput do art. 386 e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida ou vice-versa (§ 6º, II, do citado dispositivo). Quando não ocorre a extinção do investimento nem tampouco a confusão patrimonial entre a investidora e a investida originais o ágio é indedutível e não permite sua transferência a terceiros estranhos à operação que o ensejou. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. A utilização de empresa veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade desta sociedade e das operações em que tomou parte, notadamente quando há transferência do ágio a terceiros. Não produzem o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo as operações que envolvam a transferência do ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, quando praticadas sem finalidade negocial ou societária. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Por compartilharem o mesmo suporte fático e matéria tributável, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008 FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Com o advento da Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007, tornou-se juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional ao imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo ano-calendário.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 RECURSO CONTRA MATÉRIA SUMULADA. NÃO CABIMENTO. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 INVESTIMENTO NÃO EXTINTO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO INDEVIDA. A possibilidade excepcional de amortização do ágio pago, veiculada pelo caput do art. 386 e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida ou viceversa (§ 6º, II, do citado dispositivo). Quando não ocorre a extinção do investimento nem tampouco a confusão patrimonial entre a investidora e a investida originais o ágio é indedutível e não permite sua transferência a terceiros estranhos à operação que o ensejou. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. A utilização de empresa veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade desta sociedade e das operações em que tomou parte, notadamente quando há transferência do ágio a terceiros. Não produzem o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo as operações que envolvam a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 04 07 /2 01 2- 56 Fl. 2438DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.439 2 transferência do ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, quando praticadas sem finalidade negocial ou societária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Por compartilharem o mesmo suporte fático e matéria tributável, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Com o advento da Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007, tornouse juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional ao imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas em relação ao ágio, não conhecendo das matérias da preclusão ou decadência e da ilegalidade da cobrança. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Acordam, ainda, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Fl. 2439DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.440 3 Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rego (Presidente). Relatório Tratase de recursos especiais do contribuinte em epígrafe e da Fazenda Nacional interpostos em face da decisão proferida no Acórdão nº 1402001.772 (fls. 937 e segs.), pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 26 de agosto de 2014, que decidiu, por maioria de votos, em votação final, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada. O processo cuida de autos de infração para a constituição de créditos tributários de IRPJ e de CSLL, cumulados com juros, multa de ofício e multa isolada, referentes aos anoscalendário de 2007 e 2008, apurados em decorrência da glosa de despesas de amortização de ágio gerado na aquisição do Banco do Estado do Ceará S/A (“Banco BEC”), pelo Banco Bradesco S/A, e posteriormente transferido para a Contribuinte autuada. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, em leilão realizado em 21/12/2005, o Banco Bradesco adquiriu da União o controle acionário do Banco BEC, mediante a compra de 82.459.053 ações, representativas de 89,71% do seu capital social, pelo valor total de R$ 700.000.000,00. Posteriormente, em 31/01/2006, adquiriu mais 44.982 ações pelo preço de R$ 381.854,98 e, em 22/05/2006, por meio de Oferta Pública de Ações, adquiriu 9.433.507 ações ON e 109.721 ações PN, pelo valor total de R$ 75.866.737,17. Relata a fiscalização que ao final dessas aquisições o Banco Bradesco possuía 99,54% das ações do Banco BEC. Acrescenta que o Banco Bradesco desembolsou um valor total de R$ 787.066.762,23 com as compras das ações, cujo valor patrimonial era de R$ 85.385.961,27, de modo que foi apurado ágio no valor de R$ 668.034.512,70. Os detalhes da operação foram assim descritos pela decisão recorrida: Em 14/09/2006, o Banco Bradesco adquiriu cotas da empresa Oregon Holding Ltda. (“Oregon” CNPJ 65.691.818/000143) detidas pela União Participações, que se retirou da sociedade. Nesta mesma data, foi deliberado o aumento do capital social da Oregon de R$ 6.000,00 para R$ 2.985.387.129,00, mediante a emissão de 2.985.381.129 cotas de valor nominal de R$ 1,00 cada uma, subscritas e integralizadas pelo sócio Banco Bradesco, mediante a conferência (i) de 92.469.496 ações nominativas escriturais, sem valor nominal, de emissão do Banco BEC, avaliadas pelo valor contábil em 31/08/2006 ao preço de R$ 896.317.064,00, e (ii) de 11.248.493.707 ações ordinárias nominativas escriturais, sem valor nominal, de emissão do Banco Mercantil de São Paulo S/A, avaliadas pelo valor contábil em 31/08/2006, ao preço de R$ 2.089.064.065,00. Assim, o investimento no Banco BEC passou a ser detido pela Oregon. Fl. 2440DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.441 4 Ressalta a fiscalização que, embora a Oregon tivesse sido constituída em fevereiro de 1993, as informações constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil não demonstram que a empresa tivesse qualquer atividade operacional expressiva ou funcionários contratados até a data do referido aumento de capital. Em 22/09/2006, a Contribuinte autuada incorporou a totalidade das ações da Oregon, que passou a ser sua subsidiária integral. Em 29/09/2006, incorporou a Oregon, passando a ser a detentora do investimento no Banco BEC com o respectivo ágio. Em 30/11/2006, a Contribuinte autuada incorporou o Banco BEC, passando a amortizar o ágio com base nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, tendo deduzido o montante de R$ 107.937.672,43 durante o anocalendário de 2007. Sustenta a fiscalização que as condições estipuladas nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 não estavam presentes no processo de reorganização societária em análise. Argumenta que a operação negocial que deu ensejo ao surgimento do ágio foi a aquisição do Banco BEC pelo Banco Bradesco e que a regra especial somente poderia ter sido aplicada se a absorção patrimonial tivesse ocorrido entre eles. Acrescenta que, não há previsão legal que autorize o aproveitamento desse benefício fiscal por pessoas jurídicas outras que não tenham sido agentes do negócio jurídico de aquisição da participação societária. Aduz também, que não há previsão legal para amortização de ágio relativo a um investimento adquirido apenas indiretamente ao final de um processo de planejamento tributário. Assim, conclui a fiscalização que a dedução de despesas relativas a amortização de ágio efetuada pela Contribuinte não atende aos requisitos previstos nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, devendo tais despesas, no total de R$ 107.937.672,43 em 2007, serem adicionadas de ofício ao lucro líquido para a determinação das bases tributáveis de IRPJ e de CSLL. Ao apurar a matéria tributável relativa ao anocalendário de 2007, a fiscalização utilizou os saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL, não restando valores a serem compensados no anocalendário de 2008. Dessa forma, lavra autos de infração por excesso de compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL, relativamente ao ano calendário de 2008. A fiscalização relata, ainda, que a Contribuinte declarou, na DIPJ 2009, compensação de prejuízos de períodos anteriores no montante de R$ 27.229.433,95 e compensação de bases negativas de CSLL de períodos anteriores no valor de R$ 27.176.947,75. Diante disso, efetua o lançamento de IRPJ, no valor de R$ 6.807.358,49, e de CSLL, no montante de R$ 3.576.424,06, relativamente ao anocalendário de 2008. Fl. 2441DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.442 5 Por fim, a fiscalização informa que a Contribuinte, durante o anocalendário de 2007, apurou as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL com base em balancetes de suspensão/redução, tendo deduzido as despesas relativas à amortização de ágio, consideradas indedutíveis na ação fiscal em comento. Com isso, efetua o lançamento das multas isoladas calculadas sobre as estimativas mensais não recolhidas, conforme previsto no art. 44, II, “b”, da Lei nº. 9.430/96. Com a ciência dos autos de infração o contribuinte apresentou impugnação, alegando em síntese que: Já teria ocorrido a preclusão da possibilidade de o Fisco questionar a origem do ágio, visto que sua origem foi em 2005 e 2006, mais de cinco anos antes da ciência dos autos de infração, que ocorreu em 25/04/2012; A forma jurídica utilizada pelo Grupo Bradesco para a aquisição do Banco BEC foi a mais direta, correta e adequada para atingir seu objetivo final; O valor de R$ 668.034.512,70 de ágio pago pelo Banco Bradesco na aquisição de ações do Banco BEC, com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, não foi discutido pela fiscalização, pois o que se questionou foi apenas a amortização do ágio por outra empresa; Não seria viável a incorporação do Banco BEC pelo Banco Bradesco, por força de riscos regulatórios, administrativos e fiscais. Se realizada, tal incorporação colocaria em risco a própria operação do Banco Bradesco, face à dificuldade de obtenção de certidões negativas, além de riscos decorrentes de contingências existentes na empresa adquirida; Para o aproveitamento fiscal do ágio pago na aquisição do Banco BEC foi realizada sua transferência para a Autuada, que o adquiriu pelo mesmo valor pago pelo Banco Bradesco, líquido das amortizações realizadas até aquele momento; As operações foram realizadas de acordo com a legislação vigente e tiveram verdadeiro propósito negocial; O Grupo Bradesco não poderia ter participado do leilão do Banco BEC por meio da Autuada, visto que ela não possuía as condições patrimoniais exigidas pelo edital; A participação da Oregon foi necessária para recepcionar as ações do Banco BEC adquiridas pelo Banco Bradesco dentro dos ditames legais. O aumento de capital em uma instituição financeira somente pode ser feito em moeda corrente ou por meio de incorporação de reservas e de reavaliação de parcela dos bens do ativo imobilizado, não havendo previsão legal para a integralização de capital mediante a conferência de ações; A Autuada ressalta que agiu de forma legítima, cumprindo todos os requisitos legais na aquisição do Banco BEC, com o Fl. 2442DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.443 6 consequente aproveitamento fiscal do ágio. As transferências de ágio realizadas no presente caso foram legítimas, estando amparadas pela legislação de regência e pela jurisprudência administrativa; O ágio pago com base em expectativa de rentabilidade futura está intrinsecamente associado à expectativa de lucros futuros gerados por determinado investimento, devendo acompanhar o investimento que lhe é subjacente, pois só assim será possível a amortização desse ágio contra os lucros futuros que o justificaram. A transferência de ágio é admitida na jurisprudência do CARF; Não houve qualquer economia tributária indevida. O ágio poderia ser amortizado pelo Banco Bradesco, caso o mesmo tivesse incorporado o Banco BEC. A amortização do ágio atendeu plenamente ao disposto nos artigos 7º e 8º da Lei nº. 9.532/97. A reorganização societária em comento sequer pode ser considerada como planejamento tributário, pois se trata de mera fruição de um tratamento fiscal previsto em lei. Ad argumentandum, deve ser cancelado o auto de infração relativo à CSLL por absoluta ausência de previsão legal para a adição das despesas em comento à base de cálculo da CSLL; As autuações relativas ao anocalendário de 2008 são mera decorrência dos lançamentos relativos ao anocalendário de 2007. Assim, caso sejam canceladas as autuações referentes à glosa de despesas com amortização de ágio, devem ser restabelecidos os saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL utilizados pela fiscalização e, consequentemente, canceladas as autuações relativas ao anocalendário de 2008; Não pode prosperar a exigência das multas isoladas, haja vista a (i) impossibilidade de cobrança da multa isolada após o encerramento do anobase; (ii) impossibilidade de cumulação de multa isolada com multa de ofício; (iii) a decadência da multa isolada referente a períodos até 31/03/2007; e (iv) equívoco na apuração da base de cálculo da multa isolada. Deve ser cancelada a exigência de juros de mora sobre as multas de ofício por falta de previsão legal. A 10ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1 indeferiu a preliminar de decadência do ágio e, no mérito, deu parcial provimento à impugnação, em função do equívoco cometido pela fiscalização na apuração da base de cálculo da multa isolada, que deveria ter considerado as compensações de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL de períodos anteriores. Inconformado com a parte da decisão que lhe foi desfavorável, o contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos da impugnação, e a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. Fl. 2443DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.444 7 O processo foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, que, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário para excluir a multa isolada, mantendo as demais autuações, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal, para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial, no caso, voltase apenas à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que se deu o fato. O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 IRPJ/CSLL. INEXISTÊNCIA DE EXTINÇÃO DO INVESTIMENTO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO INDEVIDA. O direito à contabilização do ágio não pode ser confundido com o direito à sua amortização. Em regra, o ágio efetivamente pago em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do RIR/99). A exceção trazida pelo caput do art. 386, e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida, ou vice versa (§6º, II). Inexistindo extinção do investimento mediante reestruturação societária entre investida e investidora não há que se falar em amortização do ágio, não se admitindo sua transferência para terceiros para que usufruam de tais despesas. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente a transferência do ágio. Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.445 8 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. REDUÇÃO DO LUCRO LÍQUIDO. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Considerandose que a amortização de ágio realizada em descompasso com a lei acaba por reduzir o lucro líquido do período de apuração, ponto de partida para apuração da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, tais valores devem ser adicionados à base de cálculo da CSLL. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. IRPJ. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. A Fazenda Nacional tomou ciência da decisão e apresentou recurso especial (fls. 1.003), no qual defende a incidência da multa isolada, por entender, entre outros argumentos, que a nova redação dada pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, não deixa margem para dúvidas quanto à existência de motivações jurídicas diversas e bases diferenciadas para esta exação em relação à multa de ofício. O recurso especial fazendário foi admitido pelo despacho de fls. 1.025, do Presidente da 4a Câmara, que deu seguimento à matéria recorrida: possibilidade de aplicação simultânea das multas isoladas e de ofício. O contribuinte, com a ciência do acórdão, opôs embargos (fls. 1.054), sob o argumento de que a decisão padeceria de contradições e omissões, que foram parcialmente admitidos, conforme despacho de fls. 1.152: Desse modo, entendo que os embargos devem ser parcialmente admitidos, nos seguintes termos: a) inexistentes as omissões e as contradições apontadas, não admitir os embargos, uma vez que improcedentes as alegações da embargante, em relação: a1) às pretensas contradições referentes: Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.446 9 ao resultado de julgamento e o relatado no voto vencedor do acórdão embargado; ao relatório adotado pelo voto vencedor e seu fundamento; à inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com amortização de ágio considerada indedutível pela Fiscalização; a2) às supostas omissões referentes: à fundamentação adotada no acórdão embargado; à análise de situações específicas pertinentes ao caso presente; à legislação específica relativa à CSLL para as adições à base de cálculo; b) admitir os embargos, uma vez que procedentes as alegações da embargante, em relação à omissão quanto à análise do mérito do Recurso de Ofício. O contribuinte também apresentou contrarrazões ao recurso fazendário (fls. 1.154), para defender a exclusão da multa isolada, nos termos já decididos pela turma a quo. Os embargos opostos pelo contribuinte foram julgados pelo acórdão 1402 002.211, de 08 de junho de 2016, que acolheu uma das alegações de omissão e proferiu decisão suplementar, para apreciar o recurso de ofício e negarlhe provimento, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NOVO PRONUNCIAMENTO PARA SUPRIR OMISSÃO. Constatado que o acórdão foi omisso, prolatase nova decisão a fim de suprir a lacuna apontada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA MENSAL. BASE DE CÁLCULO. BALANCETES DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. Na apuração da estimativa mensal, com base em balancetes de suspensão/redução, sobre a qual incide multa isolada, devem ser compensados, nos limites previstos em lei, os saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL apurados em períodos anteriores. Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.447 10 Cientificado da decisão em sede de embargos o contribuinte apresentou recurso especial (fls. 1.346 e seguintes), no qual formula diversos argumentos para o cancelamento das autuações. O recurso especial do contribuinte foi objeto de exame de admissibilidade (fls. 2.253 e seguintes), que analisou as 13 (treze) divergências suscitadas, a saber: I. Nulidade parcial do acórdão recorrido; II. Indevida alteração do critério jurídico no acórdão recorrido; III. Preclusão/Decadência da possibilidade do fisco questionar a origem do ágio; IV. Validade da transferência do ágio; V. "Extinção do Investimento" nos casos de transferência do ágio; VI. Legalidade das operações nos termos da legislação/opção legal; VII. Impossibilidade de se aplicar a teoria do propósito negocial; VIII. Validade do propósito negocial em decorrência da motivação Fiscal; IX. Existência de propósito negocial em face da demonstração de motivo extrafiscal; X. Existência de propósito negocial em face das diversas estruturas possíveis para o aproveitamento fiscal do ágio; XI. Validade da suposta "empresa veículo"; XII. Inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização; XIII. Ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Da análise empreendida e confirmada pelo Presidente da 4a Câmara conclui se que foi dado seguimento parcial ao recurso especial, no que tange às seguintes matérias: Preclusão ou decadência da possibilidade do fisco questionar a origem do ágio (item iii); Extinção do investimento nos casos de transferência do ágio (item v); Impossibilidade de se aplicar a teoria do propósito negocial (item vii); Validade do propósito negocial em decorrência da motivação fiscal (item viii); Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.448 11 Validade da suposta "empresa veículo" (item xi); Ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa (item xiii). Contra o referido despacho o contribuinte apresentou agravo (fls. 2.294), com o intuito de obter seguimento para as matérias em que não se constatou o dissídio jurisprudencial. O pedido formulado em sede de agravo foi apreciado e parcialmente acolhido pelo despacho de fls. 2.370 e seguintes, da Presidência do CARF, que entendeu pelo seguimento da matéria "Validade da transferência do ágio", mas apenas em face do paradigma nº 1201001.364. Para as demais matérias suscitadas, o referido despacho rejeitou o agravo e manteve a posição anteriormente adotada, no sentido de negarlhes seguimento. Por fim, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 2.402) ao recurso especial admitido, para rebater alguns dos argumentos formulados pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Recurso especial apresentado pelo Contribuinte Conhecimento O recurso especial do contribuinte, inicialmente, foi admitido de forma parcial, por meio do despacho de fls. 2.253 e seguintes, que reconheceu divergência jurisprudencial apenas quanto a 6 (seis) das matérias indicadas: Preclusão ou decadência da possibilidade do fisco questionar a origem do ágio; Extinção do investimento nos casos de transferência do ágio; Impossibilidade de se aplicar a teoria do propósito negocial; Validade do propósito negocial em decorrência da motivação fiscal; Validade da suposta "empresa veículo"; Ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Irresignado com a decisão, o contribuinte apresentou agravo, com o objetivo de que também fosse dado seguimento às demais matérias questionadas no recurso especial. Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.449 12 A presidência do CARF rejeitou em grande parte o pedido formulado em sede de agravo e manteve, neste ponto, a posição do despacho de admissibilidade, mas reconheceu divergência de entendimento em relação ao acórdão paradigma nº 1201001.364, no que tange à matéria "validade da transferência do ágio". Verificase que a Fazenda Nacional, em contrarrazões, não questiona o seguimento das matérias admitidas, mas apenas o mérito das alegações formuladas, razão pela voto pelo seu conhecimento, por entender que foram preenchidos os requisitos de admissibilidade previstos no art. 67 do RICARF. Nesse contexto, ratifico o teor do despacho de admissibilidade de fls. 2.253 e também a decisão prolatada em sede de agravo, para conhecer do recurso especial apresentado pelo contribuinte quanto às seguintes matérias: Extinção do investimento nos casos de transferência do ágio; Impossibilidade de se aplicar a teoria do propósito negocial; Validade do propósito negocial em decorrência da motivação fiscal; Validade da transferência do ágio; Validade da suposta "empresa veículo"; Ocorre que o mesmo não se aplica em relação às matérias "preclusão ou decadência da possibilidade do fisco questionar a origem do ágio" e "ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa", que restaram assim consignadas na decisão recorrida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal, para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial, no caso, voltase apenas à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que se deu o fato. O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. [...] JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, Fl. 2449DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.450 13 incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Em relação a essas matérias foram aprovadas súmulas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, na reunião de 3 de setembro de 2018, com textos que traduzem os mesmos fundamentos da decisão recorrida, respectivamente: Súmula CARF nº 116 Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Para fins de conhecimento recursal, deve ser observado o disposto no art. 67 do Anexo II do RICARF, que, dentre outros requisitos, dispõe: § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. (grifouse) Diante disso, conheço parcialmente do recurso especial do contribuinte, exceto quanto às matérias "preclusão ou decadência da possibilidade do fisco questionar a origem do ágio" e "ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa", ora sumuladas. Mérito A apreciação das matérias relacionadas ao mérito questão da amortização do ágio refletirá a estruturação adotada no recurso do contribuinte e no despacho de admissibilidade do recurso, com registro de observações pertinentes em cada tópico. a) Validade da transferência do ágio Neste ponto, aduz a Recorrente que as operações discutidas nos autos foram implementadas nos exatos termos da legislação de regência. Contudo, teria prevalecido no acórdão questionado a equivocada interpretação de que a transferência do ágio não encontra abrigo no ordenamento, razão pela qual o correspondente efeito fiscal não foi admitido. Defende a interessada, com base nos paradigmas indicados, que inexiste óbice para que um grupo econômico transfira o ágio efetivamente pago para outra de suas empresas, com o correspondente aproveitamento do benefício fiscal em outra entidade de sua estrutura societária. Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.451 14 No caso dos autos, o debate trata da amortização do ágio originalmente gerado na aquisição do BEC pelo Banco Bradesco, com posterior transferência para a Recorrente. Embora não se discuta nos autos a natureza e a existência desse ágio, a decisão recorrida entendeu pela sua indedutibilidade, nos seguintes termos: De fato, não se discute nos autos a existência do ágio registrado pelo Bradesco em razão da aquisição de participação societária no Banco BEC e posteriormente transferido à Recorrente, via empresa veículo, que passou a amortizálo. A questão controvertida reside no direito à amortização do ágio pela Recorrente, pois se o próprio Banco Bradesco tivesse incorporado o Banco BEC não haveria dúvida quanto ao enquadramento da operação no art. 7º da Lei nº 9.532/97. (...) Desde o julgamento do processo nº 16561.720026/201113 (“Caso Bunge” – acórdão nº 1402001.460), no qual fui designado redator do voto vencedor, esta turma, ainda que por voto de qualidade, alterou seu posicionamento. Fixouse o entendimento de que, em regra, o ágio efetivamente pago em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação/extinção de tal investimento (inteligência do art. 426 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99). Por decorrência, incluiuse nova premissa para que a amortização do ágio por rentabilidade futura fosse possível, qual seja, a extinção do investimento em razão da absorção do patrimônio da investidora pela investida, ou viceversa, conforme prevê o art. 386, e seu inciso III, do RIR/99. Naquele caso a hipótese ainda tratava da utilização de empresa veículo cujo único objetivo foi possibilitar, mediante reestruturação societária meramente artificial e formal, a amortização do ágio. No presente caso, para seu deslinde, bastaria analisar o elemento fundamental para que o ágio pudesse ser amortizado: investida e investidora passaram a ser uma única pessoa jurídica? Não há dúvidas que tal reestruturação jamais ocorreu. De acordo com o racional desenvolvido pelo voto condutor, o fato de investidora e investida jamais terem se tornado uma única entidade afasta, de plano, a possibilidade de amortização do ágio e, por via de consequência, qualquer aproveitamento mediante transferência a terceiros. Com efeito, a matéria em debate encontrase disciplinada nos arts. 7o e 8o da Lei nº 9.532/97, que dispõem sobre o registro e a amortização do ágio gerado em investimentos avaliados pelo patrimônio líquido: Fl. 2451DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.452 15 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.453 16 § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Já a sistemática de apuração do ágio deve seguir o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1° O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2° O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3° O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2° deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. À luz da legislação de regência, percebese que o ágio corresponde à diferença entre o custo de aquisição de um investimento e o seu valor patrimonial. Isso significa que a figura do ágio decorre do fato de uma das partes se comprometer a pagar à outra, pela aquisição do investimento, um valor superior àquele registrado no patrimônio Fl. 2453DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.454 17 líquido. A expressão “pagar” pode ser entendida em sentido amplo, contemplando diversas modalidades, desde que todas impliquem algum tipo de desembolso ou ônus para o adquirente. No caso dos autos constatase, na esteira da decisão recorrida, que não houve a extinção do investimento em razão da absorção do patrimônio da investidora pela investida, como estabelece o caput do art. 386, e seu inciso III, do RIR/99: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior. (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. A matéria tem sido objeto de diversos julgados nesta Câmara Superior, com entendimento contrário à tese da Recorrente, a exemplo de recente decisão, formalizada pelo acórdão nº 9101003.466, de 7 de março de 2018, que analisou caso semelhante ao do presente processo e cuja ementa, na parte que nos interessa, consignou: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. APROVEITAMENTO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Ainda que o ágio tenha sido criado em operação envolvendo terceiros independentes, se houver a transferência do ágio registrado na investidora originária para outra empresa, pertencente ao mesmo grupo econômico, por meio de operações meramente contábeis e sem circulação de riqueza, não mais se torna possível o pretendido aproveitamento tributário do ágio. No mesmo sentido decidiu a turma no também recente acórdão nº 9101 003.468, de 7 de março de 2018, no qual foi negada a possibilidade de transferência do ágio, conforme se depreende da ementa a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 Fl. 2454DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.455 18 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. PLANEJAMENTO FISCAL. O caput do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997 remete a dedutibilidade da amortização do ágio, fundado em expectativa de rentabilidade futura, para fins de cálculo do lucro real, à exigência de que a participação societária na pessoa jurídica incorporada tenha sido adquirida com esse ágio pela incorporadora. Já o artigo 8º da Lei nº 9.532/1997 permite a dedução da despesa de amortização do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, nos casos em que a pessoa jurídica incorporadora adquirir a participação societária na incorporada com a referida mais valia. Ademais, sobrelevase dos citados dispositivos legais que a influência do ágio no resultado tributável pelo IRPJ só tem amparo legal se houver a confusão patrimonial entre a investidora e a investida, momento em que o investimento adquirido com ágio tornase extinto. Do mesmo modo, no presente caso, na medida em que não houve a necessária reorganização necessária, nem tampouco a confusão patrimonial e a correspondente extinção do investimento, inexiste qualquer reparo a fazer na decisão recorrida, que é convergente com a jurisprudência firmada no âmbito desta Câmara Superior, razão pela qual não há como acolher a pretensão da recorrente. b) Extinção do investimento nos casos de transferência do ágio Embora o despacho de admissibilidade tenha reconhecido este e os demais argumentos como "matéria divergente", pareceme claro que aqui há relação direta e intrínseca com o tópico anterior, posto que a análise das operações não deve ficar restrita a apenas um dos aspectos jurídicos suscitados. Por força da natural interconexão e relação de causa e efeito entre os argumentos (até porque transferência do ágio/extinção do investimento/confusão patrimonial/ utilização de empresa veículo são conceitos indissociáveis no presente caso) devo acrescentar algumas ideias às considerações já efetuadas no tópico anterior. Como visto, a decisão recorrida entendeu, entre outros motivos, que a inocorrência de extinção do investimento em razão da absorção do patrimônio da investidora pela investida (ou viceversa), ofende a previsão do art. 386, III do RIR e impossibilita o aproveitamento do ágio por terceiros estranhos à operação original. Nesse contexto, o voto condutor, reproduzindo jurisprudência assentada na turma a quo, assinalou que: Constatase, assim, que, em regra geral, o ágio deverá ser ativado e utilizado como custo somente no momento da alienação do investimento, obviamente se essa vier a ocorrer, o que, frisese, não há qualquer notícia de que tais alienações tenham ocorrido no caso concreto. Nesse sentido, compulsando os autos, percebese claramente que os investimentos realizados, e adquiridos com ágio, comporiam o Fl. 2455DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.456 19 ativo da Recorrente, provavelmente, por tempo indeterminado, haja vista a continuidade das operações antes realizadas pelas investidas em novas empresas, segregadas de acordo com o ramo de atividade a que se dedicavam e, ao que tudo indica, ainda se dedicam, com exceção da hipótese de fechamento de capital. A artificialidade da operação foi justamente buscar o contorno de tais normas imperativas, que impunham a ativação do ágio, buscando posicionar a Recorrente diante de normas de contorno, quais sejam, o art. 386, III, e seu § 6º, II, do RIR/99, transcritas a seguir, mediante operações societárias meramente com fins fiscais: (...) Isso porque o fato de a formação do ágio ter cumprido os requisitos legais estabelecidos, em especial aqueles em que essa turma firmou entendimento serem necessários (o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; a realização das operações originais entre partes não ligadas; seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura), não possui o condão de permitir que a regra geral seja desrespeitada, qual seja, a de que o ágio deverá compor o custo do investimento para fins de apuração de ganho de capital em eventual alienação (inteligência do art. 391 c/c art. 426, II, ambos do RIR/99). Nessa senda, para que o ágio com fundamento em rentabilidade futura possa compor o resultado do período, o regulamento do imposto de renda impõe ou a alienação do investimento – nesse caso, na forma de custo de aquisição , ou mediante amortização, desde que haja incorporação, fusão ou cisão entre investidora e investida (art. 386, caput e inciso III), ainda que de forma reversa (art. 386, § 6º, II). Assim sendo, com base em tal entendimento, entendo que já seria possível negarse provimento ao recurso em tal ponto, haja vista jamais ter existido a extinção do investimento via incorporação, ainda que reversa, entre Banco Bradesco e Banco BEC. (grifouse) O entendimento esposado encontra ressonância na melhor doutrina acerca da matéria. Ricardo Mariz de Oliveira, por exemplo, apresenta a racionalidade e os requisitos das normas relativas ao ágio nas passagens seguintes, extraídas das p. 763 e ss. da obra “Fundamentos do Imposto de Renda”: A norma legal contida no artigo 7º e 8º foi promulgada com vistas a facilitar as privatizações levadas a cabo pelo Governo Federal, pois passou a permitir a dedução fiscal de certos ágios antes indedutíveis. Todavia a norma não se restringiu ao programa de privatização, tendo se estendido a toda e qualquer situação que se subsuma às suas hipóteses fáticas de incidência. Fl. 2456DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.457 20 (...) Uma primeira observação é no sentido de que os art. 7º e 8º não revogaram o disposto no art. 25 do Decretolei n. 1.598, que continua a vigir e a declarar indedutíveis as amortizações de quaisquer ágios, quaisquer que sejam seus fundamentos econômicos, assim como declara não tributáveis as amortizações de quaisquer deságios, enquanto o respectivo investimento permanecer no ativo permanente da pessoa jurídica adquirente do mesmo. Destarte, os efeitos fiscais dependem da realização das condições inseridas nos art. 7º e 8º da Lei nº 9.532, que são pressupostos para a dedução dos ágios, nos casos e circunstâncias em que admitida, assim como a tributação dos ágios. (...) Voltando ao primeiro e principal requisito para que a amortização seja dedutível , haver absorção de patrimônio por meio de incorporação, fusão ou cisão , devese ter presente que, a despeito da largueza de opções dadas pela Lei n. 9532 para a consecução do seu desiderato, tratase de condição a ser cumprida em sua substância, e não apenas formalmente, até tendo em vista a continuidade da vigência da norma de proibição de dedução da amortização se não houver um desses atos, prevista no art. 25 do Decretolei n. 1598. Com razão, a dedução fiscal da amortização é admitida a partir do momento em que “a pessoa jurídica [...] absorver patrimônio de outra”, segundo o “caput” do art. 7º, o que deve representar uma ocorrência efetiva. Outrossim, não se trata de absorção de patrimônio de qualquer pessoa jurídica, pois o mesmo dispositivo acrescenta que deve ser a pessoa jurídica “na qual detenha participação societária adquirida com ágio”. E, ademais, o dispositivo ainda restringe a forma de absorção, dizendo que ela deve ocorrer “em virtude de incorporação, fusão ou cisão”. Essa disposição legal evidencia acima de qualquer dúvida que a exigência é de reunião total (por incorporação ou fusão) ou parcial (por cisão) da pessoa jurídica investidora e da pessoa jurídica investida. O art. 8º, letra “b”, dá a alternativa de se inverter a ordem, ou seja, trata a absorção da investidora pela investida (a chamada “incorporação para baixo” ou “down stream merger”) do mesmo modo que a absorção da investida pela investidora (a “incorporação para cima” ou “up stream merger”), que está prevista no art. 7º. Seja como for, o relevante para a lei é a substância da reunião das duas (ou mais de duas pessoas jurídicas), por um dos atos jurídicos nos dois artigos. Fl. 2457DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.458 21 Esta exigência decorre não apenas da literalidade dos art. 7º e 8º, mas também, e principalmente, do espírito (a “mens legis” ou “ratio legis”) da norma por eles veiculada. Realmente, a racionalidade da norma está em que, por ter havido a reunião da pessoa jurídica a que se refira a expectativa da rentabilidade com a pessoa jurídica pagadora do ágio, este seja deduzido daqueles mesmos lucros esperados ou o mesmo se dê quando o ágio for referente ao valor de mercado dos bens do patrimônio da pessoa jurídica a que se refere a participação adquirida. O objetivo da norma legal é permitir que o ágio fundado em expectativa de rentabilidade, pago na aquisição de um negócio através da aquisição de participação societária na pessoa jurídica que explore esse negócio, seja lançado contra os lucros desse negócio, de modo a que os tributos devidos sobre tais lucros sejam calculados após a dedução da amortização do ágio. O espírito dessa norma é inequívoco, pois a lei permite a amortização do ágio quando ele tenha por fundamento econômico a expectativa de lucros futuros daquele negócio, o que bem justifica a consideração do ágio como dedutível na proporção da realização desses lucros, estabelecida na demonstração desse fundamento, e observado o limite máximo anual previsto na leis, embora, como dito, não haja absoluta e mandatória correlação entre as quotas de amortização de cada períodobase fiscal e o lucro nele apurado efetivamente (correlação de resto impossível de ser matematicamente determinada). Por isso mesmo, para que esse objetivo seja atingido, é necessário trazer o lucro para dentro da pessoa jurídica que tenha adquirido a participação societária com a expectativa de rentabilidade do mesmo (situação descrita no art. 7º) ou levar o ágio para dentro da pessoa jurídica produtora do lucro esperado (situação descrita no art. 8º), o que se faz por incorporação ou cisão de uma delas e absorção pela outra. Ou, ainda, o mesmo objetivo pode ser alcançado levandose o ágio e o lucro para dentro de uma nova pessoa jurídica, o que se faz por fusão das duas pessoas jurídicas. (...) Realmente, os art. 7º e 8º da Lei n. 9532 têm um objetivo – a concessão do benefício de uma dedução especial do ágio – um requisito para tanto, que é a absorção do patrimônio onde esteja o ágio, ou do patrimônio que vai gerar o lucro ao o ágio se refira. Isso inobstante, após a junção das pessoas jurídicas com os recursos financeiros relativos ao ágio participando do ativo da mesma pessoa jurídica (quando for o caso) poderem eles ser empregados para o pagamento de custo e despesas, o que não se confunde com a natureza do ágio mantido em ativo diferido e com a sua amortização, tanto quanto o capital social e os Fl. 2458DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.459 22 recursos derivados da sua integralização podem ser usados para pagar custos e despesas, mas não se transformam em custos e despesas. Portanto, essa norma de concessão do direito à dedução fiscal da amortização é uma norma excepcional, baseada em motivações extratributárias de (1)conveniência da política fiscal no sentido de favorecer as privatizações, à época da promulgação da Lei n. 9532, e também de (2) justiça econômica contida na amortização do ágio pago na aquisição do negócio, paulatinamente à geração dos lucros que tenham dado lastro a ele, eis que estes são sujeitos à tributação quando surgidos. Este último dado é que justifica a extensão da norma a quaisquer aquisições, mesmo às feitas fora do programa de privatizações que estava em andamento na data da Lei n. 9532. O segundo aspecto apresentase exatamente a partir do primeiro e da condição legal para a dedução fiscal da amortização (que é a absorção de patrimônio através da incorporação, fusão ou cisão), consistindo na exigência de que a amortização se processe contra os próprios lucros cuja expectativa tenha dado fundamento econômico ao ágio, exigência esta não expressa na lei, mas decorrente de um imperativo lógico que se pode dizer estar implícito na lei. Realmente, a exigência de incorporação, fusão ou cisão não é uma condição vazia de sentido, que possa ser cumprida apenas formalmente, como, por exemplo, deixar o ágio na investidora e incorporar a ela, por cisão parcial da cindida, uma atividade que não é a geradora de lucro cuja expectativa tenha gerado o lucro. (grifouse) Destarte, o escopo implícito na lei, ao estabelecer a condição de realização de incorporação, fusão ou cisão, é unir o ágio e os lucros a que ele se refira, numa mesma pessoa jurídica e, portanto, num mesmo lucro tributável. Isso representa o cerne da exigência condicional da dedução do ágio e se manifesta através do requisito da absorção de um patrimônio pelo outro, o que não se verifica no caso dos autos. Assim, firme na premissa supra mencionada e na interpretação conferida aos dispositivos legais entendo que, diante da não extinção do investimento por incorporação não há como acolher o argumento da interessada, razão pela qual deve ser mantida a decisão recorrida. c) Validade da suposta "empresa veículo" De acordo com os dispositivos legais já citados nos tópicos anteriores temos que a necessidade de incorporação da investida pela investidora (ou mesmo quando isso ocorre de maneira inversa) exige que a investidora seja aquela que participou da operação original, vale dizer, deve ser a pessoa jurídica que efetivamente desembolsou o valor do ágio e assumiu os riscos do negócio com base na expectativa de rentabilidade futura. Daí decorre a impropriedade no uso das chamadas "empresasveículo", notadamente quanto não se comprova sua absoluta necessidade na operação (por força, por exemplo, de normas regulatórias específicas e incontornáveis). Fl. 2459DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.460 23 O voto condutor do acórdão recorrido descreveu as operações praticadas e entendeu pela impossibilidade de utilização de empresa veículo na espécie, nos seguintes termos: Outro ponto merece ainda análise: a utilização de empresa veículo para transferência de tal ágio. No presente caso, Banco Bradesco adquiriu ações do Banco BEC em duas situações distintas (no período próximo a cinco meses entre as duas aquisições). Cerca de quatro meses depois, adquiriu quotas da Oregon, pessoa jurídica sem qualquer atividade operacional, conforme bem retratado pela autoridade fiscal autuante. Ato contínuo, deliberouse o aumento de capital em Oregon, subscrito pelo próprio Banco Bradesco e integralizado mediante conferência das ações do Banco BEC avaliadas a valor contábil. Nesse passo, transferiuse o ágio de Bradesco para Oregon. Após 08 (oito) dias, deuse o passo final para transferência do ágio: (i) a Recorrente realizou a incorporação de ações de Oregon, que, a partir de então, passou a ser sua subsidiária integral; (ii) uma semana depois, a Recorrente incorporou Oregon, tornandose detentora do investimento no Banco BEC com o respectivo ágio, passando a amortizálo. A meu ver, resta evidente a utilização de empresa veículo para transferência do ágio. (...) A respeito dos demais argumentos entabulados pela Recorrente sobre o sigilo da proposta e sua falta de capacidade financeira para participar do leilão, sobre a impossibilidade de conferência de bens em instituições financeiras, a necessidade de segregação do investimento em Oregon a fim de afastar riscos administrativos e, por fim, que os mesmos efeitos tributários seriam verificados em diversas outras operações, não me sensibilizam, porque o negócio levado a efeito, efetivamente, foi a aquisição do investimento realizado por Bradesco em Banco BEC. E, como não houve extinção do investimento por meio incorporação, fusão e cisão entre tais empresas, não lhe socorre o direito de amortização do ágio, devendo o mesmo compor o custo do investimento para eventual apuração de ganho de capital em eventual futura alienação do investimento. A amortização somente seria possível se houvesse a efetiva incorporação do Banco BEC por Bradesco (ou, por hipótese, viceversa). Em resumo: inexistindo extinção do investimento mediante real reestruturação societária entre investida e investidora não há que se falar em amortização do ágio, não se admitindo sua transferência para terceiros para que usufruam de tais despesas. À luz dos fatos narrados nos autos, a amortização promovida pela Recorrente não atendeu ao disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 nem tampouco aos critérios Fl. 2460DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.461 24 fixados pelos arts. 385 e 386 do RIR/1999, posto que o investimento realizado pelo Bradesco no BEC não foi extinto mediante reorganização societária (incorporação, fusão ou cisão) entre estas pessoas. O entendimento aqui esposado é consistente com a jurisprudência desta Câmara, razão pela qual também não há como acolher a pretensão da Recorrente quanto a este tópico. Citese, a título de exemplo, a decisão proferida no acórdão nº 9101003.371, de 17 de janeiro de 2017: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 ÁGIO ORIUNDO DE AQUISIÇÃO COM USO DE RECURSOS FINANCEIROS DE OUTREM. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Não é possível o aproveitamento tributário do ágio se a investidora real transferiu recursos a uma "empresaveículo" com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outra empresa e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve a pessoa jurídica que efetivamente desembolsou os valores que propiciaram o surgimento do ágio, ainda que a operação que o originou tenha sido celebrada entre terceiros independentes e com efetivo pagamento do preço. d) Impossibilidade de se aplicar a teoria do propósito negocial Neste ponto, aduz a Recorrente que a posição adotada pelo acórdão combatido contraria jurisprudência deste CARF, no sentido de que podem ser admitidas para fins fiscais operações societárias baseadas em motivação extratributária (propósito negocial). Defende que não há previsão legal no ordenamento que respalde tal exigência, o que a tornaria "apenas uma teoria sem amparo no direito positivo". O voto condutor do acórdão recorrido fez uma profunda análise da questão, que pela robustez dos argumentos merece ser reproduzida, ainda que parcialmente: A artificialidade da operação está, justamente, no passo intermediário utilizado pela Recorrente a fim de que o ágio, que deveria compor o custo do investimento, talvez nunca alienado, pudesse ser amortizado: a criação de empresas veículos, a fim de que pudesse ser realizada uma operação de reestruturação com incorporação reversa permitindo, no entender da Recorrente, o início da amortização dos valores de ágio. Não há dúvida que a pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, absorver patrimônio de outra pessoa jurídica que Fl. 2461DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.462 25 dela detenha participação societária adquirida com ágio, cujo fundamento seja a rentabilidade futura, poderá amortizálo nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração, pois assim possibilita o art. 386 do RIR/99. De igual forma, não se pode olvidar que o contribuinte tem o direito de estruturar o seu negócio de maneira que melhor lhe convém, com vistas à redução de custos e despesas, inclusive à redução dos tributos, sem que isso implique, necessariamente, qualquer ilegalidade. Entretanto, o que não se admite atualmente é que os atos e negócios praticados se baseiem numa aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial, para disfarçar o real objetivo da operação, quando unicamente almeje reduzir o pagamento de tributos. (...) Notase, assim, que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, há que haver uma conformação entre a existência do direito e o modo como se exerceu esse direito, sob pena de incorrerse em abuso de direito. Ricardo Lobo Torres, a esse respeito, esclarece que “a proibição da elisão abusiva no campo tributário nada mais é que a especificação do princípio geral, jurídico e moral, da vedação do abuso de direito”. (...) O pagamento de tributos é a contrapartida à proteção estatal que cada cidadão aspira. Ele tem muita importância para a coletividade e, por isso, pode ser exigido. Não se pode ter uma fixação por direitos, sob o aspecto individualista, esquecendose dos deveres, que também são importantes e que cada cidadão deve cumprir em função da posição que ocupa na sociedade. Cabível assentar, também, que a orientação constitucional e jurisprudencial antes referida não representa novidade em termos internacionais. Nos Estados Unidos da América, meca do capitalismo e do liberalismo, a Suprema Corte, ao apreciar o caso Gregory v. Helvering, já em 1935, reconheceu o direito de planejamento do contribuinte, mas afastou a licitude de operações societárias nas quais presente choque entre a realidade e o artifício formal. Daquele julgado, que tratou de pretensa operação societária isenta do imposto de renda, colhe se o seguinte excerto da decisão (“Interpretação Econômica do Direito Tributário: o caso Gregory v. Helvering e as doutrinas do propósito negocial (business purpose) e da substância sobre a forma (substance over form)”, Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy, Revista Fórum de Direito Tributário, Belo Horizonte, nº 43, págs. 55 a 62): Fl. 2462DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.463 26 (...) Portanto, o procedimento adotado pela autoridade fiscal encontrase em total sintonia com os princípios da legalidade e da livre iniciativa, encontrando eco não só na doutrina, mas também na jurisprudência, inclusive do Pretório Excelso. Também não há que se falar em desconsideração da personalidade jurídica ou de atos jurídicos. O que houve, na prática, foi uma requalificação dos atos realizados pelo contribuinte, prática adotada como regra de calibração do sistema (conforme Tércio Sampaio Ferraz Júnior), ou de “neutralização de esperteza”, nas palavras de Marco Aurélio Greco. No caso concreto, ressaltam aos olhos o posicionamento artificial da Recorrente em face das leis de regência de cunhos societário e fiscal. A estrutura negocial montada pela Recorrente caracteriza o que a doutrina denomina de “operação estruturada em sequência”. (...) Salientase que sem a utilização das denominadas “empresas veículo” não haveria amortização do ágio, pois tais valores deveriam compor o custo do investimento, conforme já abordado. Nesse contexto, é de pouco relevo se as “empresas veículos” efetivamente operavam, ou se suas existências foram efêmeras. O importante para a caracterização como conduit company foi a efemeridade de suas participações no negócio, em si. Em curto lapso, simplesmente por sua interposição em negócio jurídico, foi capaz de causar efeitos tributários, não em si mesma, mas na pessoa jurídica que efetivamente ocupava um dos polos da operação negocial perpetrada. Nos termos do racional e da doutrina propostos pelo voto condutor concluise que o intérprete deve atentar para as circunstâncias fáticas e jurídicas da operação, que incluem, entre outras, o propósito negocial, o efetivo pagamento ou desembolso pela aquisição, a sequência cronológica das operações, a adequada avaliação da rentabilidade futura e, sobretudo, a análise entre as posições inicial e final de cada interveniente. O cotejo entre a operação inicial que ensejou o ágio, entre o Bradesco e o BEC, e as operações posteriores, que permitiram a transferência deste para a Recorrente, permite concluir pela sua indedutibilidade. Entendo que, no caso dos autos, a partir da decisão inicial sobre a aquisição dos ativos, procedeuse de forma a evitar ou mitigar os efeitos tributários decorrentes da operação. Vislumbro, na espécie, a figura do abuso de direito veiculada pelo artigo 187 do Código Civil: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Fl. 2463DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.464 27 Entendo que a figura realmente se enquadra na hipótese dos autos, de sorte que a reorganização societária, mediante o emprego de empresaveículo, teve como único propósito a obtenção de vantagem fiscal. Ressaltese que Marco Aurélio Greco, na já clássica obra Planejamento Tributário, 3a edição, fls. 210 e 211, cuida especificamente da figura do abuso de direito em relação às possibilidades de autoorganização: Nesse contexto é que vejo a inserção da temática do abuso do direito de autoorganização no âmbito tributário. Ou seja, a possibilidade de serem identificadas situações concretas em que os atos realizados pelos particulares, embora juridicamente válidos, não serão oponíveis ao Fisco quando forem fruto de um uso abusivo do direito de autoorganização que, por isso, compromete a eficácia do princípio da capacidade contributiva e da isonomia fiscal. Aqui reside um ponto importante. Independente da validade jurídica do ato e do direito de organização das sociedades, a questão diz respeito, essencialmente, à oponibilidade das condutas em relação ao Fisco, notadamente quando o seu único objetivo é o de obter vantagens tributárias. Recordese que em relação ao ágio a regra geral é de indedutibilidade e que as situações em que a amortização como despesas é possível exigem perfeita subsunção dos fatos às normas tributárias, o que efetivamente não ocorreu no caso sob análise. Aliás, o próprio Marco Aurélio reconhece, na sequência do parágrafo acima reproduzido, que depois do Código Civil de 2002 o abuso de direito não é apenas caso de inoponibilidade perante o Fisco, mas hipótese de ato ilícito que destrói um dos requisitos indispensáveis para que se tenha um efetivo planejamento tributário. Não cabe, portanto, acolher os argumentos da Recorrente. e) Validade do propósito negocial em decorrência da motivação fiscal Neste tópico, que é mero desdobramento do anterior (logo, não configura "matéria divergente", mas apenas argumento de reforço formulado pela Recorrente), a interessada repisa que no caso dos autos havia propósito negocial, consubstanciado na aquisição de uma importante instituição financeira no Estado do Ceará, como forma de expandir as atividades do Grupo Bradesco na região. Ressaltese que, como já demonstrado, adoto a posição do voto condutor recorrido no sentido de que descabe à fiscalização decidir quais os caminhos que devem ser seguidos pelos empresários, que possuem larga margem de manobra na condução lícita dos seus negócios. O que não se admite é a oponibilidade dessas operações contra o interesse fazendário, que tem por expectativa o recolhimento dos tributos decorrentes da atividade econômica dos contribuintes. Já restou comprovado, ao longo deste voto, que a artificialidade da operação decorreu da transferência do ágio para terceiro não envolvido no negócio original. Tal fato, por Fl. 2464DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.465 28 si só, fulmina o argumento da Recorrente, posto que não foram atendidos os preceitos legais previstos para a espécie (confusão patrimonial, identidade entre as partes e extinção do investimento, entre outros já mencionados). Assim, além de não ter sido efetivamente indicado pela Recorrente nenhum óbice regulatório à incorporação direta ou reversa entre as partes originais, os supostos motivos alegados não me parecem conferir propósito negocial à operação. De acordo com o entendimento esposado pela decisão recorrida e também neste voto, penso que o propósito negocial efetivamente integra o rol de requisitos para a admissibilidade, com efeitos tributários, das operações promovidas pelo contribuinte. E, na esteira desse raciocínio, os argumentos formulados pela interessada (quebra do sigilo da proposta, falta de capacidade financeira para participar do leilão e impossibilidade de conferência de bens em instituições financeiras) são questões empresariais, que dizem respeito unicamente à forma de concretizar o negócio, do modo desejado pelo contribuinte. Embora tenha liberdade de planejar suas atividades da maneira que julgar conveniente, o resultado artificialmente produzido pelas operações não é oponível ao interesse público nem atende aos preceitos legais. Na medida em que livremente optou por entabular seus negócios da forma demonstrada nos autos, simplesmente não há como admitir a dedutibilidade do ágio, cabendo lhe apenas, como bem destacado pelo acórdão recorrido, compor o custo do investimento para eventual apuração de ganho de capital numa futura alienação. Por fim, aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. Recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional Conhecimento Aduz a Fazenda Nacional que o acórdão recorrido adotou o princípio da consunção para afastar a incidência da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas em conjunto com a multa de ofício. No intuito de demonstrar a divergência desse entendimento em relação à posição adotada em outros julgados do CARF a Fazenda Nacional indicou dois paradigmas. A matéria foi objeto do despacho de admissibilidade de fls. 1.025, que deu seguimento ao recurso. O contribuinte, em contrarrazões (fls. 1.154), formula duas alegações: a) que o despacho de admissibilidade é nulo, por afronta ao disposto no artigo 68, § 1º, do RICARF; b) pelo não cabimento do recurso especial, por tratar de matéria objeto de súmula. Fl. 2465DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.466 29 Em relação à preliminar, aduz o contribuinte que o despacho de admissibilidade seria nulo pelo fato de a análise ter sido empreendida por conselheiro e não pelo presidente da câmara, que apenas anuiu. A análise do referido despacho nos leva a concluir que inexiste qualquer vício de competência quanto ao ato praticado. Sem prejuízo do disposto no mencionado artigo 68, § 1º, do RICARF, que atribui ao presidente de câmara a competência para a admissibilidade de recurso especial, verificase que este encargo foi plenamente exercido pela citada autoridade, como evidencia a simples transcrição do seguinte excerto: Do exame dos requisitos de admissibilidade estabelecidos nos arts. 67 e 68 do Anexo II do RICARF, verificase que o recurso especial deve ser admitido, haja vista que restou demonstrada a divergência jurisprudencial. Em assim sucedendo, proponho que seja dado seguimento ao recurso especial interposto. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva De acordo. Com fundamento nas razões acima expendidas, dou seguimento ao recurso especial da PGFN. A Secretaria da 4ª Câmara/1ª Sejul deverá encaminhar o presente processo para a Unidade de origem para ciência ao sujeito passivo do Acórdão, do recurso especial da PGFN, e deste despacho assegurandolhe o prazo de 15 (quinze) dias para oferecer contrarrazões e, se for o caso, apresentar recurso especial relativa à parte do acórdão que lhe foi desfavorável. Ressaltese que esse despacho é definitivo, em conformidade com o art. 69 do Anexo II do RICARF. Ao final, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente 4ª Câmara/1ª Sejul (grifouse) A leitura do trecho transcrito evidencia que não há qualquer vício de competência na decisão exarada, até porque a colaboradora do CARF, designada por Portaria Conjunta do Presidente do CARF e do Secretário da Receita Federal, analisou os fatos e propôs seguimento ao recurso fazendário. Por seu turno, o presidente da 4a Câmara acolheu os fundamentos da análise empreendida e decidiu pelo seguimento, no pleno exercício de sua competência regimental. Fl. 2466DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.467 30 É da natureza dos atos administrativos que um servidor promova a análise dos fatos e da matéria jurídica e proponha ao seu superior hierárquico a adoção de determinada posição. Isso ocorre em todos os órgãos da administração pública. Ressaltese que não se cuida, na espécie, sequer de delegação de competência (que efetivamente não existe), posto que a decisão do ato administrativo foi exarada exclusivamente pela autoridade prevista no RICARF, sendo manifestamente improcedente a argumentação do contribuinte. Assim, resta evidente que existe qualquer nulidade no despacho questionado. Superada a preliminar, cabenos apreciar o conhecimento do recurso especial. Como visto, a Fazenda Nacional apontou divergência jurisprudencial em relação à matéria "concomitância da multa isolada com a multa de ofício" e indicou dois paradigmas. O primeiro acórdão (nº 1101001.057 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) trata de questão semelhante à do presente caso, assim ementada: Ano calendário: 2007, 2008 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O nãorecolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o anocalendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do anocalendário, por caracterizarem penalidades distintas. No caso do paradigma, que cuida dos mesmos anoscalendário aqui discutidos, o voto condutor analisou as alterações legislativas promovidas pela Lei nº 11.488/2007 e conclui pela possibilidade de cumulação entre as multas isoladas e a multa de ofício (verbis): Concluise daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o ano calendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. Evidenciase assim, pela disposição legal, a possibilidade da imposição das duas multas: a multa de ofício de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata e a de 50%, isolada, sobre a falta de recolhimento mensais por estimativa. (destaques do recorrente) Fl. 2467DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.468 31 O segundo paradigma, da lavra da Segunda Turma Especial da Primeira Seção do CARF (acórdão nº 1802001.592) e também relativo ao anocalendário de 2007, foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. 1. A não observância no recolhimento de estimativa mensal enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, II, “b”, da Lei 9.430/96 (redação dada pela Lei 11.488/2007), dispositivo legal que não impõe qualquer limite temporal para o lançamento da multa isolada, no sentido de que sua aplicação só caberia no ano em curso, tanto que o próprio texto prevê a multa ainda que a PJ “tenha sido apurado” prejuízo fiscal no final do período. 2. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). A multa normal de 75% no ajuste pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. 3. Os balancetes de suspensão/redução são cumulativos. Nesse caso, havendo diminuição no resultado em períodos subseqüentes, a falta de estimativa apurada em mês posterior é mero reflexo da falta de estimativa apurada até o mês anterior. A penalidade aplicada para o mês anterior afasta a penalidade para o mês subseqüente. 4. A estimativa mensal, quando apurada em balancetes de suspensão/redução, também pode ser reduzida pela compensação de prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL de período anterior. Na oportunidade, o voto condutor analisou a legislação em face do princípio da consunção e concluiu que este não se aplica em matéria tributária, sem prejuízo de, no caso concreto, as multas serem totalmente distintas: Vejo com bastante clareza que a multa normal de 75% no ajuste pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. Com efeito, estamos diante de penalidades distintas previstas para diferentes situações/fatos, e com a finalidade de compensar Fl. 2468DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.469 32 prejuízos financeiros também distintos, não havendo, portanto, que se falar em concomitância de multas. Nestes termos, havendo falta ou insuficiência no recolhimento de estimativas, é perfeitamente cabível a aplicação da multa isolada em pauta. Pelo exposto, constato que os dois paradigmas indicados demonstram efetivo dissídio jurisprudencial, razão pela qual voto por ratificar o despacho de admissibilidade para conhecer do recurso fazendário. Mérito No que respeita ao mérito, a questão é bastante conhecida e tem sido apreciada reiteradas vezes neste Colegiado. Este Colegiado tem decidido, a exemplo de outras turmas do CARF, no sentido de que a multa isolada, na anterior redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, deve ser afastada em observância ao princípio da consunção. Nesse sentido extraise a inteligência da Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Contudo, o papel precípuo do julgador é o de analisar o conjunto normativo vigente e aplicável ao tempo dos fatos. Assim, na hipótese dos autos, convém destacar que houve alteração no comando original do art. 44, oriunda da redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.488, 15 de junho de 2007, fruto da conversão da Medida Provisória nº 351, de 2007. Penso que a alteração buscou afastar a dubiedade e a imprecisão do comando anterior, circunstâncias que levaram à elaboração da Súmula CARF nº 105, que conferiu, à luz do art. 112, I, do CTN, interpretação jurídica mais favorável ao contribuinte. Ocorre que a partir da nova redação inexiste dúvida, vale dizer, não se vislumbra mais qualquer impedimento jurídico para a aplicação concomitante das multas previstas nos incisos I e II, "b", do art. 44: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) Fl. 2469DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.470 33 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Como no caso dos autos as multas isoladas se referem à falta de pagamento de estimativas mensais posteriores à vigência da nova redação do art. 44, posto que relativas aos anoscalendário de 2007 e 2008, entendo como jurídica e obrigatória a aplicação concomitante das infrações nele previstas, vez que as multas são completamente distintas e autônomas. Sobre o recurso de ofício, cabe registrar que houve decisão em embargos através do acórdão 1402002211, em sessão de 8 de junho de 2016, em que acordaram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para suprir omissão no acórdão 1402001.772, e proferir decisão complementar com apreciação do recurso de ofício negandolhe provimento. Nesse contexto, voto por dar provimento ao recurso fazendário. Conclusão Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso especial do contribuinte, exceto quanto às matérias "preclusão ou decadência da possibilidade do fisco questionar a origem do ágio" e "ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa", e, quanto ao mérito, voto por negarlhe provimento, e, ainda, conheço do recurso fazendário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 2470DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.002541/2009-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
Numero da decisão: 9303-007.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras (GLP e manutenção), vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RASIP ALIMENTOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras (GLP e manutenção), vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 25 41 /2 00 9- 05 Fl. 496DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 3 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 380302.987, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 23 e maio de 2012, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 INSUMOS. ALCANCE DO TERMO. São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços que viabilizam ou que são pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. Somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente foi consumido no processo produtivo darão direito ao creditamento da contribuição. CREDITAMENTO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. CUSTO DE VENDA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e geram direito a crédito. CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 4 3 O crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para dedução dos débitos apurados na sistemática da não cumulatividade aplicável na apuração das contribuições sociais, não sendo passível de utilização em procedimentos de compensação ou ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 ART. 62A DO RICARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS QUANDO DO JULGAMENTO DE RECURSOS NO ÂMBITO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. [...] O Colegiado a quo entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito e autorizar o ressarcimento tão somente quanto aos seguintes itens: (a) despesas com empilhadeiras (custos de aquisição de GLP e manutenção de empilhadeiras); (b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovada pela Contribuinte sua participação no processo produtivo e feita a segregação do lançamento de combustível/lubrificante que foi contabilizado no ativo imobilizado da empresa (conta contábil 11701009); (c) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores quanto às máquinas que comprovadamente foram essenciais ao processo de produção; e (d) despesas com embalagem de transporte (material de transporte). Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito de insumos para fins de utilização de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS na sistemática da não cumulatividade. Insurgiuse especificamente quanto aos seguintes itens: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Visando à comprovação do dissenso interpretativo indicou, dentre outros, o Acórdão n.º 20312.448, segundo o qual apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito do PIS nãocumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI. A Recorrente aduz, em síntese, que os insumos aptos a serem considerados como créditos de PIS/Pasep e COFINS no regime nãocumulativo foram tratados de foram taxativa no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Portanto, para efeitos de crédito do tributo, incluemse no conceito de insumo, além de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, os itens que sejam incorporados ao bem produzido, e os bens que, mesmo não se integrando à mercadoria, sejam consumidos e/ou alterados no processo de industrialização em função da ação exercida diretamente sobre o produto, com exceção daqueles compreendidos no ativo permanente. Segundo a Fazenda Fl. 498DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 5 4 Nacional, tais requisitos não são atendidos pelos itens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido, merecendo o mesmo ser reformado. Nos termos do despacho de exame de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial, com base no Acórdão paradigma n.º 20312.448. Cientificada a Contribuinte, não foram apresentadas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.318, de 15/08/2018, proferido no julgamento do processo 11020.002522/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.318): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos – Conceito de insumos No mérito, adentrase à análise do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes de: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. De início, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de Fl. 499DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 6 5 créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 500DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 7 6 Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 8 7 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Fl. 502DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 9 8 Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. No caso dos autos, conforme já afirmado, a Contribuinte RASIP AGROPASTORIL S/A é pessoa jurídica que desenvolve a atividade econômica principal do cultivo de maçãs. No seu Estatuto Social (fl. 213), art. 3º, como objeto social são listadas as seguintes atividades: "(a) a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; (b) a criação de rebanhos de diversas espécies; (c) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; (d) a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; (e) a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e (f) a prestação de serviços inerentes a essas atividades." Fl. 503DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 10 9 Importa ter em perspectiva referida atividade econômica desenvolvida pela Recorrida, pois ao se adotar o critério da pertinência, relevância e essencialidade para a definição do conceito de insumos, tais parâmetros devem ser analisados frente ao processo produtivo do Sujeito Passivo em referência. A Fazenda Nacional, por meio de recurso especial, confronta o acórdão do recurso voluntário no que tange à possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS não cumulativos pela Contribuinte decorrentes dos seguintes itens, divididos em dois grupos: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, entendese não assistir razão à Recorrente quanto ao pedido de restabelecimento das glosas, pois as despesas em testilha têm relação direta com a atividade econômica principal da empresa contribuinte – o cultivo de maçãs. Para elucidar a assertiva, passase à análise individual dos bens e serviços: (a) despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): no Relatório de Verificação Fiscal (fl.96), após visitas da Fiscalização à sede da empresa, foi consignado que as empilhadeiras são utilizadas para diversos fins: “descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento”. Entendeu a Autoridade Fiscal que, ante a falta de segregação dos custos, despesas e respectivos créditos vinculados às empilhadeiras pela Contribuinte, não haveria direito ao crédito, por inexistência de previsão legal, já que as mesmas seriam utilizadas para “mero transporte da fruta dentro do processo produtivo (não há transformação ou ação direta sobre a maçã)” e, ainda, “após a finalização do processo produtivo, em suma, no início da operação de venda – carregamento da fruta na saída do estabelecimento (expedição)”. O entendimento da Fiscalização – que também é defendido pela Fazenda Nacional – é pautado pelo critério do conceito de insumos da legislação do IPI, exigindo o contato, desgaste, modificação do bem ou serviço no processo produtivo, bem como que o mesmo entre em contato com a mercadoria a ser produzida. No entanto, à luz da posição intermediária para definição do conceito de insumos, a utilização das empilhadeiras para o transporte das frutas nos pomares e para o seu carregamento na saída do estabelecimento, denota pertinência, relevância e essencialidade, com o processo produtivo do cultivo de maçãs. As empilhadeiras foram utilizadas pela Contribuinte na produção, ainda que de forma indireta, e se mostram indispensáveis à consecução do seu objeto social de produção e venda das maçãs. Além disso, não se pode imaginar que não conte a empresa com o auxílio de máquinas para o transporte do seu produto, em grandes quantidades, ao longo da produção e na saída para a venda, pois hipótese contrária inviabilizaria o próprio cultivo e escoamento da produção. Portanto, deve ser mantido o reconhecimento do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos com relação às despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção). " Fl. 504DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 11 10 (...)3 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso da Fazenda Nacional, como bem relatado, referese ao aproveitamento de créditos assim separados: 1) Despesas com empilhadeiras 2) combustíveis e lubrificantes; 3) Bens diversos; 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte; e 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento do PIS e da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; 3 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que analisou o direito de crédito de insumos cujos entendimentos foram vencidos na votação, e que, portanto, não se aplicam à solução do presente litígio. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.318. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 12 11 V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não Fl. 506DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 13 12 necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando esse conceito de que os insumos devem ser utilizados diretamente na fabricação do produto destinado a venda, passemos à análise de cada item objeto do recurso especial. 1) Despesas com empilhadeiras (combustíveis e peças de manutenção) Nesse ponto só vou justificar as razões porque acompanhei a relatora pela possibilidade de tal creditamento. Verificase pelo relatório fiscal que essas empilhadeiras são usadas dentro do processo fabril de beneficiamento das maças, produto final do contribuinte. Ou seja, os combustíveis e as peças de manutenção, não ativáveis, são consumidas diretamente no processamento das maças, que são efetivamente os produtos destinados à venda. 2) Combustíveis e lubrificantes Na análise do direito ao crédito efetuada pela autoridade fiscal, foi negado o crédito nas aquisições de combustíveis não utilizados diretamente no processo produtivo. De acordo com a fiscalização a maior parte dos créditos pleiteados eram referentes a combustíveis e lubrificantes utilizados em tratores agrícolas. Em seu recurso voluntário, o contribuinte sustenta que o processo produtivo de maçãs é amplo e iniciase desde o cultivo da terra. Ou seja, um retorno ao conceito de essencialidade, não em relação à sua atividade produtiva direta, mas em relação à sua atividade econômica como um todo. Inclusive, como esclarecido no relatório da fiscalização, boa parte desses combustíveis eram levados ao ativo imobilizado pela própria empresa, em razão da vida útil dos pomares. Porém, como já frizado, as leis da não cumultatividade não trazem essa ampliação toda como pretende o contribuinte e como entende a ilustre relatora do presente voto. Como abordo no item seguinte, não há possibilidade legal do aproveitamento de créditos de insumos de insumos. 3) Materiais utilizados para embalagens de transporte Tomo da transcrição de trecho do voto da decisão recorrida, sobre que elementos está se discutindo tal creditamento. Constam na glosa itens como Cantoneiras – utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; Pallets e seus acessórios – pregos e etiquetas – utilizados para o empilhamento de caixas para armazenamento e transporte; Fitas/Amarras – usadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Observe que são todos itens utilizados após o encerramento do processo produtivo. São utilizados para acondicionamento de transporte da produção. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, Fl. 507DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 14 13 que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei) ou alguém seria capaz de dizer que o frete na operação de venda, suportado pelo contribuinte, não é um item essencial à sua atividade econômica. Se bastasse isso não seria necessária a excepcionadade constante da Lei. 4) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Pela característica dos bens, evidente que sua utilização é feita na etapa pré industrial. Na manutenção das lavouras que faz parte da etapa agrícola. Importante relembrar que a legislação não prevê possibilidade de creditamento de insumos de insumos e esse colegiado tem tido o entendimento de que não é possível o creditamento de insumos utilizados na fase agrícola, ou préindustrial. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) combustíveis e lubrificantes (ii) embalagem de transporte, e (iii) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial para restabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) combustíveis e lubrificantes (ii) embalagem de transporte, e (iii) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 508DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.724501/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência no sentido de encaminhar os autos à PFN para se pronunciar quanto aos efeitos do art.24 da Lei nº 13.655/2018, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Eva Maria Los.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente)
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1196; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.724501/201091 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.606 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 18 de setembro de 2018 Assunto CSLL Recorrente J.MACEDO S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência no sentido de encaminhar os autos à PFN para se pronunciar quanto aos efeitos do art.24 da Lei nº 13.655/2018, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Eva Maria Los. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 24 50 1/ 20 10 -9 1 Fl. 2940DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório O processo versa sobre lançamento tributário consubstanciado em auto de infração de CSLL (fls. 02/12), no valor global de R$8.436.367,24. A infração designada pelo auditor fiscal foi de exclusão indevida ao lucro líquido antes da CSLL sobre o lucro, nas seguintes modalidades: (i) exclusão indevida de provisões não dedutíveis; (ii) exclusão indevida de pagamento do PAES; (iii) inobservância do limite de 30% na compensação de prejuízos; e (iv) insuficiência de saldo de bases negativas. Segundo o auditor fiscal: “Com efeito, a empresa que protagonizou as exclusões, em 31/12/2006, foi J MACÊDO S/A, CNPJ 72.027.014/000100, localizada na Rua Benedito Macêdo, n° 79, Cais do Porto, CEP 60.180000, na cidade de Fortaleza CE, incorporada, naquele mesmo dia, por ÁGUIA S/A, CNPJ 14.998.371/000119, com sede social na Via Centro, n° 374, BR 324, Km 20, Centro Industrial de Aratu, na cidade de Simões Filho, Estado da Bahia, que, digase de passagem, é pertencente ao mesmo grupo econômico e tem patrimônio liquido menor do que o da incorporada (a menor incorporou a maior) e vultosos prejuízo fiscal (da ordem de R$ 100.000.000.00) e base de cálculo negativa de contribuição social (cerca de R$ 83.000.000.00). Por relevante, note se que a incorporadora, Águia S/A, CNPJ 14.998.371/000119,No evento da incorporação, assumiu o nome empresarial e o endereço social de J MACÊDO S/A, CNPJ 72.027.014/000100.Assim, agora, temos duas J MACÊDO, uma, a incorporadora (antiga Águia S/A, CNPJ 14.998.771/000119), e a outra, a incorporada, de CNPJ 72.027.014/000100, que fez a exclusão indevida na DIPJ apresentada por motivo da incorporação, na data já citada. Por essa razão, o lançamento está sendo efetuado contra a sucessora, J MACÊDO S/A, CNPJ 14.998.371/000119.” Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação em face do lançamento, em 23/11/2010, com espeque nas seguintes argumentações: ILEGALIDADE DA GLOSA DA EXCLUSÃO DE PROVISÕES Caso, porém, o evento que a provisão garantia não venha ou não mais possa se concretizar, a provisão deverá ser revertida, sendo excluído o valor provisionado na apuração do lucro real e, simultaneamente, reconhecido no resultado do exercício. Nesse exato sentido é a didática lição da Conselheira SANDRA MARIA FARONI no voto proferido no Acórdão n.° 10195.899, de 6 de dezembro de 2006: ‘É inquestionável que a pessoa jurídica pode constituir as provisões consideradas necessárias para refletir sua real situação econômico financeira, devendo, todavia, adicionar ao lucro líquido as provisões consideradas indedutíveis, para efeito de apuração do Lucro Real. Nesse caso, no período em que ocorrer a reversão contábil da provisão previamente adicionada, o valor revertido pode ser excluído do lucro líquido para apuração do lucro real. Fl. 2941DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 4 3 Para justificar a exclusão são necessários dois pressupostos: (1) que quando da constituição da provisão o respectivo valor tenha sido adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real; (2) que tenha ocorrido a reversão contábil da parcela excluída, isto é, que o referido valor tenha sido contabilizado como receita do exercício, o que justifica a exclusão, dado que já ocorrera a tributação quando da constituição da provisão’. Os procedimentos acima indicados, quais sejam, adição das provisões não dedutíveis no momento da sua constituição e a sua exclusão, seja por ocasião do pagamento da obrigação provisionada, seja em razão de sua reversão (motivada pela não verificação do evento), com a contabilização do valor provisionado como receita do exercício, foram rigorosamente observados pela IMPUGNANTE. Sucede, no entanto, que a produção da prova documental de todos os eventos em questão é um processo complexo, que demanda uma verificação analítica de todos e cada um dos lançamentos contábeis dos valores provisionados de modo a poder identificar com precisão a sua respectiva adição na apuração do lucro real no ano de formação da provisão. Ocorre que para comprovar a adição de cada um dos valores referentes às provisões excluídas, a IMPUGNANTE necessitava fazer um levantamento dos registros contábeis dos anos anteriores, de modo a identificar com precisão e clareza o ano em que as provisões a que respeitam foram constituídas. E, nesse particular, enquanto foi mais simples comprovar provisões individuais de valores relevantes, como, por exemplo, a provisão "Vr. Ref IPI Dinel incorporado no PAEX" no valor de R$ 4.797.838,63, adicionada ao lucro real no ano de 2003 (doc. n.° 2), já não é tão fácil vincular as provisões de obrigações trabalhistas, eis que o valor adicionado por ocasião da constituição das provisões corresponde ao somatório dos valores estimados dos pedidos formulados em todas as reclamações trabalhistas ajuizadas contra a IMPUGNANTE, ao passo que os valores efetivamente pagos são, na maioria das vezes, distintos por refletirem os termos de acordos entabulados entre as partes. Essa peculiaridade faz com que as provisões para reclamações trabalhistas acabem tendo um caráter global e genérico, sendo adicionados os valores das contingências estimados com base nos pedidos formulados nas ações numa única conta que constitui um conjunto uno e indivisível, por outro lado, as exclusões, quando realizadas, observam rigorosamente os termos dos acordos celebrados, em valores, via de regra, inferiores aos inicialmente pedidos pelos reclamantes, o que, aliás, aponta para a adição de uma provisão maior do que a obrigação efetivamente materializada. Todas essas considerações servem para justificar as razões pelas quais a IMPUGNANTE não conseguiu, no prazo assinalado pela Fiscalização, realizar a vinculação entre a prévia adição dos valores provisionados e sua posterior exclusão. Na verdade este trabalho vinha sendo realizado pela IMPUGNANTE quando foi surpreendida com a notificação da lavratura dos autos de infração. Fl. 2942DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 5 4 A parte do trabalho que já se encontra concluída comprova, como se pode ver da documentação anexada (doc. n.° 3), que valores provisionados, excluídos em 2006, foram adicionados em períodos anteriores, ou mesmo no próprio ano base de 2006, e correspondem a obrigações pagas naquele mesmo ano. No que concerne às provisões objeto de reversão em 2006, a IMPUGNANTE esclarece que os lançamentos contábeis que comprovam referida reversão, cuja localização os autos de infração alegam não ter sido possível efetuar, foram devidamente apresentados à fiscalização, em atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, em meio magnético, como determina o Ato Declaratório Executivo COFIS n.° 15, de 23 de outubro de 2001. Em relação às mesmas, a IMPUGNANTE também comprova através da documentação anexa (doc. n.°4) os anos de sua formação, bem como o lançamento a crédito de resultado do exercício do seu respectivo valor. No que respeita aos demais itens, notadamente as provisões trabalhistas, a IMPUGNANTE considera imprescindível a realização ou de diligência ou de perícia contábil para que seja esclarecido se as exclusões de provisões não dedutíveis levadas a cabo no exercício de 2006 e glosadas pelos autos de infração, teriam sido objeto de adição na apuração do lucro real em exercícios anteriores, em valor compatível com o de sua posterior exclusão. Assim, em obediência ao disposto no art. 16, IV, do Decreto n.° 70.235/72, a IMPUGNANTE requer, desde já, a realização das providências em questão e indica em separado, em documento anexo à presente impugnação (doc. n.° 5), para facilidade de identificação, o perito e respectiva qualificação, bem como formula os quesitos que deverão ser respondidos pela perícia contábil, norteando os respectivos trabalhos. ILEGALIDADE DA GLOSA DA EXCLUSÃO DO PAES No que respeita à glosa da exclusão no valor de R$ 4.169.101,14, referente a pagamentos ao parcelamento especial instituído pela Lei n.° 10.684, de 30 de maio de 2003 (PAES), a IMPUGNANTE esclarece que se trata de valores correspondentes a créditos de IPI sobre operações não tributadas, apropriados no passado pela IMPUGNANTE e tratados como créditos a compensar. Com a glosa pelo Fisco das compensações levadas a efeito com utilização de referidos créditos de IPI pela IMPUGNANTE, esta procedeu à provisão dos respectivos valores (R$ 17.895.063,92), adicionando os ao lucro real, como determina a legislação fiscal, como se verifica da documentação anexa (lançamentos contábeis e Lalur doc. n.° 6). Com a criação do PAES, a IMPUGNANTE optou, em 2005, pela inclusão do valor da dívida em referido programa (cfr. doc. n.° 7), dando baixa na provisão anteriormente constituída, e registrando os valores no "contas a pagar". Muito embora pelo regime de competência já pudesse a IMPUGNANTE ter procedido à exclusão do valor da provisão anteriormente constituída e adicionada ao lucro real a esse título, atendendo a orientação de seus auditores fiscais optou por somente proceder a referida exclusão pelo regime de caixa, por ocasião do Fl. 2943DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 6 5 efetivo pagamento das parcelas em que a dívida havia sido dividida no PAES, o que somente veio a ocorrer em 2006 (doc. n.° 8). ILEGALIDADE DA GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS Com efeito, no ano de 1999, no contexto de um amplo processo de reestruturação de negócios das empresas relacionadas (doc. n.° 9), os ativos operacionais da Águia S/A foram integralmente transferidos para a empresa J. Macedo Alimentos do Nordeste S/A, empresa que passou a concentrar as operações de alimentos. A partir daquela data, a Águia assumiu funções de holding pura, detentora de participações nas sociedades relacionadas. O novo modelo de negócios do Grupo exigiu a adoção de uma série de medidas visando melhorar as sinergias operacionais com (i) organização e concentração das atividades de produção e comercialização de farinhas de trigo, massas, biscoitos, misturas para bolos, etc; (ii) segregação das atividades que não se referiam a estes negócios; (iii) enxugamento de estruturas ociosas; (iv) eliminação de estruturas duplicadas; e (v) priorização da manutenção de empresas localizadas em regiões incentivadas. Foi precisamente no contexto de tal reestruturação que a IMPUGNANTE incorporou a J. Macedo S/A (CNPJ 72.027.014/000100), assim como também no mesmo período outras empresas relacionadas foram extintas. O fato de a IMPUGNANTE ter passado a adotar a denominação da incorporada, aliás, a sua denominação tradicional e pela qual é nacionalmente reconhecida não é suficiente para desqualificar a operação, acoimando a de artificial e com intuito puramente fiscal. Há muito se pacificou o entendimento de que, deparando se o administrador com dois caminhos igualmente legítimos para atingir um mesmo fim, um dos quais também apresenta um melhor resultado do ponto de vista econômico fiscal em comparação ao outro, não lhe é exigível optar pelo mais oneroso. O que importa ter presente é que a operação de incorporação seria realizada de qualquer forma e que a escolha do modelo levou em consideração, entre outros fatores, é inegável, a intenção de preservar o estoque de prejuízos fiscais legitimamente registrados pela Águia S/A no período em que exercia atividade industrial. Calça, aliás, como uma luva lição de MARIAM SEIF, Relatora de acórdão doutrinário sobre a matéria quando Presidente do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O direito à compensação dos prejuízos apurados em exercícios anteriores com o lucro do exercício está na base da própria sistemática da legislação do imposto de renda que incide sobre o somatório dos ganhos e perdas apurados pelas pessoas jurídicas. A ratio legis por trás desta nova sistemática estava em limitar o montante da compensação anual, assegurando ao Fisco uma tributação mínima, mas, por outro lado, reconhecendo o direito do contribuinte à compensação do montante integral dos prejuízos, conquanto diferida no tempo, como revela EDSON VIANNA DE Fl. 2944DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 7 6 BRITO, tido como mentor intelectual da norma. Como se vê tal norma jamais teve por intuito que a limitação de 30% fosse uma restrição definitiva ao direito do contribuinte à compensação de seus prejuízos fiscais. Pelo contrário, veio ela permitir a utilização dos prejuízos remanescentes em períodos posteriores por prazo indeterminado. É isso, aliás, o que se infere da exposição de motivos da Medida Provisória n.° 998/95, reedição das Medidas Provisórias n° 947/95 e 972/95, que deu origem, por conversão, à Lei n.° 9.065/95. Esse elemento histórico e finalístico da norma, por si só, já é suficiente para demonstrar que, na sistemática adotada pela lei, só há sentido em se aplicar o limite de 30% se os prejuízos fiscais puderem ser compensados por prazo indeterminado. A tais elementos soma se ainda a interpretação dada pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que apenas considera válido o limite de 30% estabelecido inicialmente na Lei n.° 8.981/95, e tornado permanente pela Lei n.° 9.065/95, em razão de ter tornado possível a compensação integral dos prejuízos, em vista da abolição do prazo prescricional. É o que se conclui do acórdão relativo ao REsp n.° 183.155, assim ementado (no mesmo sentido, confira se os acórdãos relativos aos julgamentos do AgRg no REsp 499.175/SP; e REsp n.° 168.379/PR). A lógica do sistema pretendido pelo legislador quando da instituição da limitação de 30%, que assegurou a compensação do montante integral dos prejuízos fiscais, deixa de existir quando ocorre a extinção da pessoa jurídica, tendo em vista incidir nesta hipótese a limitação especial prevista no art. 33 do Decreto Lei n.° 2.341/87. A derrogação excepcional ao princípio da sucessão universal importa, nestes casos, na perda integral dos prejuízos acumulados, uma vez que não há a possibilidade jurídica de uma compensação futura devido à intransmissibilidade do direito, que se extingue, definitivamente e em sua totalidade, com a incorporação. Ora, quando a pessoa jurídica extinta não possui lucros do exercício compensáveis com seus prejuízos fiscais não se pode falar em conflito entre os limites previstos no Decreto Lei n.° 2.341/87 e na Lei n.° 9.065/95. Mas o mesmo já não ocorre quando a pessoa jurídica a ser extinta tem resultados positivos, capazes de isoladamente absorver seus prejuízos pela compensação. A aplicação cumulativa do limite de 30% nestes casos corresponde a uma desconsideração definitiva e já não mais temporária dos prejuízos, resultando em um decréscimo patrimonial. O pressuposto de aplicação do limite de 30%, consistente em reconhecer lhe a natureza de mero diferimento do direito à compensação dos prejuízos, deixa de existir neste caso. Nesta circunstância, a limitação quantitativa não mais representa a postergação do direito à compensação dos prejuízos fiscais, como pretendeu o legislador, mas a sua efetiva perda. Por tal razão é que, na hipótese de extinção da pessoa jurídica, falta o pressuposto lógico e intrínseco do art. 15 da Lei n.° 9.065/95, consistente na garantia de compensação futura dos prejuízos, por Fl. 2945DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 8 7 prazo indeterminado, pressuposto este que torna incompatível a aplicação de tal limite com o preceito do art. 33 do Decreto Lei n° 2.341/87, que impede a sua transmissão para a sucessora. E mais, ao se admitir a hipótese de que ambas as limitações pudessem conviver, se estaria permitindo a tributação do patrimônio do contribuinte em violação ao art. 43 do CTN e em contrariedade com o espírito da Lei n.° 9.065/95. Daí é que a única interpretação conforme a finalidade da norma e que permite validamente harmonizar tais limites com o nosso sistema tributário é a de que o limite de 30% fica afastado naqueles casos em que seja aplicável a limitação contida no art. 33 do Decreto Lei n.° 2.341/87. Isto se dá porque a regra especial do art. 33 do Decreto Lei .° 2.341/87 prevalece sobre a limitação geral estabelecida pela Lei n.° 9.065/95, quando houver a extinção da pessoa jurídica em razão de fusão, cisão ou incorporação. Em matéria tributária, aplicam se, em especial, as regras de interpretação previstas nos arts. 107 e 108 do CTN. Ora, a interpretação segundo os princípios gerais de direito tributário e de direito público conduzem à conclusão inequívoca de que o limite de 30% à compensação dos prejuízos não pode se aplicar cumulativamente com a perda do direito, pois interpretação contrária conduziria à ofensa aos princípios da capacidade contributiva, do não confisco e da vedação à tributação do patrimônio. [Aduziu decisões administrativas] OS ERROS COMETIDOS PELO AUTO DE INFRAÇÃO Para além das razões atrás desenvolvidas, que conduzem à total invalidade das exigências formuladas pelos autos de infração contra a IMPUGNANTE, passase de seguida a demonstrar os erros incorridos pela fiscalização na apuração do montante de tais exigências, pelo que, ainda que as mesmas viessem a ser mantidas por este órgão julgador, o que se admite apenas a título de argumentação, deverá, o seu valor, ser necessariamente recalculado, computandose as despesas com o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT e a redução de imposto devido à incidência do lucro da exploração. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA DE SUCESSOR Por fim, a IMPUGNANTE se insurge contra a cobrança da multa de ofício formulada pelos autos de infração, tendo em vista que a mesma tem natureza punitiva, e, como tal, caráter personalíssimo, não podendo transbordar da pessoa do infrator, não sendo, assim, aplicável a eventuais sucessores, como é o caso da IMPUGNANTE em relação à J. Macedo S/A. Isso mesmo já restou pacificado na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos extintos Primeiro e Segundo Conselhos de Contribuintes, como se depreende das seguintes ementas de acórdãos proferidos por aqueles órgãos. Fl. 2946DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 9 8 Acórdão DRJ/FOR Em 14/06/2011, a 4º Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou os lançamentos procedentes, recusando o pedido de perícia contábil relativamente à glosa de exclusão de provisões. Recurso Voluntário A Recorrente interpôs o recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. As questões a serem dirimidas podem ser divididas em: (i) exclusão indevida de provisões não dedutíveis; (ii) inobservância do limite de 30% na compensação de base de cálculo negativa de CSLL; e (iii) exclusão indevida de pagamento do PAES. Questão de Ordem A Recorrente apresentou questão de ordem para fins de requerer a aplicação imediata do artigo 24, do DecretoLei nº 4.657/42, incluído pela Lei nº 13.655/2018, com o consequente cancelamento das respectivas autuações fiscais. Acerca da temática apresentada, vale trazer algumas ponderações. Da Aplicabilidade da LINDB ao CARF Inicialmente, cumpre consignar que a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) deve ser observada e aplicada por todos os Órgãos de Estado. A recente decisão da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais chamou a atenção dos operadores ao afastar a aplicação desta Lei a atividade judicante do CARF, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002 Fl. 2947DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 10 9 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. QUESTÃO DE ORDEM. CONHECIMENTO. Não se conhece de questão de ordem cujo conteúdo não tem pertinência com o objeto do Recurso Especial, tampouco é aplicável ao Processo Administrativo Fiscal.” (Processo nº 19515.003515/200774, Acórdão nº 9202006.996, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 21 de junho de 2018, Relatora Maria Helena Cotta Cardozo). Como fundamento, o voto condutor do r. Acórdão entendeu que a lei só “promoveu alterações na atuação dos órgãos de controle da Administração Pública, principalmente do Tribunal de Contas da União (TCU)”. Fez questão de consignar que “os dispositivos ora tratados basearamse na obra dos Professores Carlos Ari Sundfeld e Floriano de Azevedo Marques Neto, denominada Contratações Públicas e Seu Controle, o que não deixa margem de dúvida acerca da natureza essencialmente administrativa dos novos dispositivos”. No mais, registrou que “em nenhum momento a lei em tela sinaliza que seria dirigida à atividade judicante administrativa, como é o caso do CARF”, de modo que,“quando muito, a aplicação desta lei no CARF restringirseia às atividades essencialmente administrativas, afetas à sua SecretariaExecutiva”. Diante de tais colocações, os citados professores e coautores do anteprojeto da LINDB, manifestaramse na mídia. Vale conferir os seguintes trechos, verbis: Floriano de Azevedo Marques “A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro trata da aplicação da norma por todo o órgão que o faça no exercício de competência estatal. Me surpreende que este argumento tenha sido utilizado para gerar uma imunidade à Lei de Introdução – ou por acaso o Carf não utiliza a regra da Lei de Introdução sobre a vigência? Aplicar a LINDB na contratação ou exoneração de servidor público? Esta é uma interpretação contra legis." (...) "Se alguém achar que existe algum órgão que é imune à aplicação das Leis de Introdução”, ponderou, “este alguém está dizendo que algum órgão está imune à aplicação das regras do Direito”. Carlos Ari Sundfeld “A resposta quanto ao âmbito de incidência dos novos arts. 20 a 30 da Lei de Introdução é bem clara, a começar da ementa da lei que a alterou. Tratase de “disposições sobre segurança jurídica e eficiência na criação e aplicação do direito público”. Os dispositivos da lei 13.655 não são de direito administrativo em sentido estrito (isto é, sobre contratos administrativos, servidores públicos, serviços públicos e outros temas a cargo dos professores desse ramo), tampouco sobre controle da administração; a lei é geral de direito público. Seus dispositivos são abrangentes e serão observados nas operações jurídicas envolvendo o direito público em geral. Entendemse como tal Fl. 2948DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 11 10 as operações cuja tutela tenha como centro as autoridades administrativas, embora com fiscalização e participação de controladores externos e juízes. Em suma, os arts. 20 a 30 da Lei de Introdução tratam do direito público cuja aplicação primária seja administrativa. (...) Quanto à esfera administrativa, a lei não fez distinções nem previu tratamento especial ou imunidades para suas subdivisões. Logo, a Lei de Introdução reformada tem de ser observada por todas as autoridades administrativas, seja qual for sua atuação material específica (ativa, consultiva, controladora, licenciadora, reguladora, sancionadora, etc.), a legislação setorial a que está sujeita (contratual, concorrencial, tributária, etc.), sua vinculação organizacional (autoridades singulares, membros de colegiado, etc.) ou seu nível hierárquico (primeira instância, órgãos recursais, Chefe do Executivo, etc.). Eis então o âmbito objetivo de incidência da lei: situações de criação e aplicação do direito público sob tutela primária da administração pública como um todo. Ela impacta diretamente a aplicação dos direitos constitucional, tributário, administrativo (em sentido estrito), financeiro, ambiental, sanitário, concorrencial, previdenciário, de trânsito, enfim, os ramos do direito público. (...) Impor normas comuns a todos os administradores, controladores e juízes não significa desconhecer as especificidades de organização e funcionamento do controle externo e do Judiciário, tampouco as diferenças que existem na extensão de suas competências de aplicação das normas de direito público cuja tutela primária seja da administração. Para a sujeição de todos às mesmas normas sobre criação e aplicação do Direito, a Lei de Introdução levou em conta a necessidade de coerência normativa: nem o juiz, nem o controlador, podem invalidar, sancionar ou substituir as opções do administrador usando parâmetros de interpretação e decisão discrepantes dos que são naturais e exigíveis na função administrativa. A interpretação tributária feita pelo juiz tem de estar sujeita às mesmas diretrizes que vinculam o administrador tributário. Por identidade de razão, autoridades administrativas judicantes (como o CARF) não podem, para decidir casos, usar conjunto próprio e autônomo de referências jurídicas, diversas das que estão a vincular o administrador tributário ativo e o Poder Judiciário. Convém não esquecer que, ao menos nesse sentido, o Direito é uno, e que a autoridade judicante administrativa em matéria tributária nada mais faz do que aplicar o Direito, e não outra coisa qualquer.” (grifos nossos) Fl. 2949DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 12 11 Em vista do exposto, fica claro que a LINDB é plenamente aplicável ao CARF e, pessoalmente, não encontro qualquer sentido técnico, jurídico ou hermêutico para afastar os preceitos contidos na LINDB da atividade judicante administrativa. Não há dúvidas de que a LINDB é preceito norteador interpretativo que objetiva, em última análise, assegurar segurança jurídica e previsibilidade aos administrados e anseia pela almejada coerência normativa dada a unicidade do Direito. Nessa esteira, o primado da eficiência buscar atingir tais preceitos e garantir a satisfatividade das decisões na esfera administrativa. De acordo com Prof. Doutor Humberto Ávila " para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduzse, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. Assim sendo, a inobservância dos citados preceitos aqui descritos viola o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para o própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. Esses valores atrelados à eficiência, estabilidade e uniformidade são grandes marcos do CPC/2015 e devem liderar não só as iniciativas do Poder Judiciário, mas desafiar os órgãos do Legislativo e Executivo a cumprirem suas funções como verdadeiros guardiões da segurança jurídica. Dito isto, é fácil evidenciar que a LINDB está alinhada aos princípios que regem a Administração Pública, constantes do artigo 37 , da CF/88 e do artigo 2º , da Lei nº 9.784/99, às diretrizes processuais da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil) e, portanto, não há como afastar sua aplicação no âmbito do CARF. Da Pertinência da Questão de Ordem Suscitada É de conhecimento geral que o tema relacionado à possibilidade de prejuízo fiscal da pessoa jurídica incorporada ser compensada sem observância da chamada "trava de 30%" sempre foi muito controvertido neste Conselho e no Poder Judiciário ,tendo havido período em que claramente este Conselho formou linha majoritária no sentido de permitir o afastamento da mencionada trava nesta situação. Neste ponto, destaco o artigo 20 da LINDB: "Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão. Fl. 2950DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 13 12 Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis alternativas.” A devida motivação calcada em valores concretos, a observância prática dos efeitos da decisão proferida e a publicização de eventual mudança de posicionamento, são fundamentais para trazer coerência aos julgados, bem como asseguram que o administrado tenha ciência e previsibilidade para bem gerir suas atividades empresariais. Indo além, destaco que igualmente alinhado aos valores da segurança jurídica e da previsibilidade, está o disposto no artigo 24, da LINDB, que proíbe expressamente que a administração tributária dê aplicação retroativa a nova interpretação sobre a legislação tributária, verbis: "Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público." Notase que, o caput do citado dispositivo converge com os preceitos contidos no artigo 2º, parágrafo único, inciso XIII, da Lei nº 9.784/1999, artigo 100, incisos II, III e parágrafo único e artigo 146, do CTN. Confirase: Lei nº 9.784/1999 "Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação." CTN "Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) Fl. 2951DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 14 13 II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo." "Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." (grifos nossos) Contudo, a polêmica trazida pelos operadores com relação a aplicação do artigo 24, da LINDB gira em torno das expressões "orientações gerais da época", entendidas como "jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público". No presente caso, a ora Recorrente compensou Base de Cálculo Negativa de CSLL de empresa extinta por incorporação sem observar a chamada trava de 30%. Neste sentido, invoca a Recorrente a aplicação do artigo 24, da LINDB, por considerar que a jurisprudência administrativa que permitia tal compensação sem observância sem a trava de 30% era majoritária na época dos fatos geradores objeto do lançamento fiscal. Para comprovar o alegado, apresenta relação de casos semelhantes ao presente, onde o aproveitamento fiscal de ágio foi considerado legítimo e plenamente válido: COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DE TERCEIROS. Não são de terceiros os débitos de uma mesma pessoa jurídica apenas com estabelecimentos diversos conforme separação determinada no regulamento do IPI. IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUIZO FISCAL LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA. A lei não traz qualquer exceção à regra que limita a compensação dos prejuízos fiscais à 30% do lucro líquido ajustado. Entretanto, havendo o encerramento das atividades da pessoa jurídica em razão de incorporação, não haverá meios dos prejuízos serem utilizados em anos subseqüentes, como determina a legislação. Neste caso, temse como legítima a compensação da totalidade do prejuízo fiscal, sem a limitação de 30%. Recurso voluntário provido. (CARF, Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ReI. Cons. João Carlos de Lima Júnior, Ac. nº 10195.872, julgado em 09.11.2006) Fl. 2952DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 15 14 IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal. IRPJ APURAÇÃO DE ADICIONAL §5° DO ART. 67 DA LEI 8981/95 DEDUÇÃO DE RENDIMENTOS FINANCEIROS CÁLCULO DO CONTRIBUINTE Ao apurar o adicional no ano de 1995, devese levar em consideração a dedução prevista no 9 5º do art. 67 da Lei 8981/95. Se examinados os livros do contribuinte sem qualquer questionamento sobre a classificação dos rendimentos financeiros, os cálculos devem seguir a escrituração, em respeito ao art. 9º do Decretolei 1598/77. Recurso parcialmente provido. (CARF, Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ReI. Cons. José Henrique Longo, Ac. nº 10807.456, julgado em 02.07.2003) NORMAS PROCESSUAIS ARGÜiÇÃO DE NULIDADE Não é nula a decisão de primeira instância que não toma conhecimento de matéria submetida ao Poder Judiciário, IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJuízos. LIMITE LEGAl. BALANÇO DE CISÃO. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS O artigo 33 do Decretolei no 2.341/87 determina que a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida, dispondo seu parágrafo único que, no caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Em relação à parcela proporcional ao patrimônio líquido transferido, a limitação retiraria a possibilidade de compensação. Por essa razão, n.9 balanço da cisão, a parcela de prejuízos proporcional ao patrimônio transferido pode ser compensada independentemente da limitação de 30%. [...] Recurso provido em parte. (CARF, Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ReI. Cons. Sandra Maria Faroni, Ac. n2 10807.456, julgado em 15.03.2004) Fl. 2953DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 16 15 Diante das razões técnicas e jurídicas aqui apresentadas e em vista da relação de julgados supra, evidencio que há fortes indícios de que a jurisprudência aplicável seria majoritária. Assim, considero prudente, em consonância com o princípio do contraditório, que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) seja intimada para se manifestar acerca do pleito em questão. Conclusão Diante do exposto, VOTO por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que os presentes autos sejam remetidos à unidade preparadora com o objetivo de intimar a PGFN para se manifestar acerca da questão de ordem suscitada pela Recorrente e, em especial, sobre a relação de decisões apresentadas que, a priori, demonstram ser o entendimento majoritário da época favorável à possibilidade de compensação de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL de empresa incorporada sem observância da trava de 30% em casos semelhantes ao presente. Se for o caso, apresente rol de julgados para contrapor os apresentados pela Recorrente. Na sequência, retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 2954DF CARF MF
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