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Numero do processo: 10880.907647/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/12/1999
DCOMP. CRÉDITO INEXISTENTE. DARF ALOCADO A DÉBITO REGULARMENTE DECLARADO.
Estando o pagamento devidamente alocado a débito regularmente declarado em DCTF, cujo valor não é contestado, improcedente é a utilização desse pagamento em compensação, cuja declaração de compensação não deve pode homologada pela Administração.
COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação.
COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR.
A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/12/1999 DCOMP. CRÉDITO INEXISTENTE. DARF ALOCADO A DÉBITO REGULARMENTE DECLARADO. Estando o pagamento devidamente alocado a débito regularmente declarado em DCTF, cujo valor não é contestado, improcedente é a utilização desse pagamento em compensação, cuja declaração de compensação não deve pode homologada pela Administração. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado.
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CRÉDITO INEXISTENTE. DARF ALOCADO A DÉBITO REGULARMENTE DECLARADO. Estando o pagamento devidamente alocado a débito regularmente declarado em DCTF, cujo valor não é contestado, improcedente é a utilização desse pagamento em compensação, cuja declaração de compensação não deve pode homologada pela Administração. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da “Declaração de Compensação” instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 76 47 /2 00 8- 15 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907647/200815 Acórdão n.º 3302002.611 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarouse impedido. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 12/12/2004 a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Original (final nº 040060), pleiteando a restituição/compensação no valor original de R$ 1.028.300,60, relativo ao PIS tido como pago indevidamente no dia 15/12/1999, através de DARF de mesmo valor, relativo ao PA 11/1999. Processado o pedido, o DARF informado no PER/DCOMP não foi localizado pela RFB. Em conseqüência, no dia 31/08/2006 a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO foi intimada a sanar a irregularidade, conforme TERMO DE INTIMAÇÃO nº 621798940. No dia 16/09/2006, após receber o Termo de Intimação nº 621798940, a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Retificador (final nº 043254), para alterar o valor do DARF objeto do pedido, de R$ 1.028.300,60 para R$ 3.762.860,46, mantendo o valor do crédito objeto do pedido de restituição/compensação. Na DCTF Original entregue à RFB, a Empresa Recorrente vinculou ao débito da PIS do PA 11/1999 um DARF de mesmo valor (R$ 3.462.860,42), pago no dia 15/12/1999. Processada a DCTF Original, a RFB confirmou o pagamento e sua alocação ao débito declarado pela Recorrente. No dia 05/12/2003 a Empresa Recorrente apresentou DCTF Retificadora, do 4º Trimestre de 2001, para alterar a forma de extinção do referido débito da PIS do PA de 11/1999, no valor de R$ 3.462.860,46. Na DCTF Retificadora a extinção desse débito passou a ser parte por compensação e parte por pagamento, nos seguintes valores: (1) R$ 1.028.300,60 por compensação com parte do pagamento da PIS de PA de 04/96, que a Recorrente alega indevido; e (2) R$ 2.434.559,86 com a utilização parcial do pagamento de R$ 3.462.860,46, efetuado no dia 15/12/1999. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907647/200815 Acórdão n.º 3302002.611 S3C3T2 Fl. 4 3 Com a utilização parcial do referido DARF, na DCTF Retificadora, a Empresa Recorrente entende possuir R$ 1.028.300,60 passível de restituição ou compensação, e é exatamente esse o valor que está sendo pleiteado neste processo. Por meio do Despacho Decisório nº 781218733, a DERAT São Paulo indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou a compensação declarada, sob a alegação de que o DARF indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade cujas alegações foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos, que ratifico e adoto: Relata que a compensação declarada por meio do PER/DCOMP não foi homologada pelo despacho decisório, e que, por essa razão, estaria sendo cobrada dela o débito aí informado, no valor principal de R$ 1.755.514,78, mais multa e juros. Sustenta, no entanto, que tal valor teria sido devidamente compensado com créditos de PIS, recolhidos em montante maior que o devido no período de apuração 30/11/1999, conforme DCTF do período em questão e DARF anexa, não podendo prosperar, assim, no seu entendimento, referida exigência. Destaca que, em novembro de 1999, teria apresentado sua DCTF, apurando, para extinção por pagamento, o valor de PIS, no montante de R$ 2.434.559,86, e que teria efetuado o recolhimento deste tributo, mediante DARF, em valor maior que o devido e declarado para pagamento em espécie. Afirma, então, que o inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional concederia, ao sujeito passivo, o direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, e que, assim sendo, considerando a existência de saldo em seu favor, teria procedido à compensação deste valor pago em excesso, proveniente da guia DARF com valor principal de R$ 3.462.860,46, com o débito tributário ora exigido, mediante entrega de PER/DCOMP. Menciona, ainda: I) que, a fim de operacionalizar tal compensação, procedeu à entrega da PER/DCOMP 09495.44819.121203.1.3.040060; II) que foi intimada acerca da PER/DCOMP em questão, sob o argumento de que o DARF indicado não teria sido localizado no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil; III) que, em atenção a esta intimação, apresentou a PER/DCOMP retificadora 28899.95404.160906.1.7.043254. Informa, em seguida, que foi proferido despacho decisório não homologando a compensação desta PER/DCOMP, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado, teriam sido localizados um ou mais pagamentos, mas que estes teriam sido integralmente utilizados para quitação de seus débitos, não restando créditos disponíveis para a compensação do débito informado na PER/DCOMP. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907647/200815 Acórdão n.º 3302002.611 S3C3T2 Fl. 5 4 Segundo ela, referida decisão não deveria prevalecer, visto que, por meio desta manifestação de inconformidade, não só apresentaria o DARF discriminado na PER/DCOMP, como demonstraria tratarse de recolhimento em valor superior ao devido para pagamento em espécie, e que seu procedimento de compensação teria sido efetuado como estabelece a legislação vigente, transcrevendo o artigo 74, caput e parágrafo 1º da Lei n.º 9.430/96. Ressalta, por outro lado, que a Administração deveria agir de acordo com a lei, com subordinação a dispositivos legais, não podendo sujeitar o particular à exação tributária, sem qualquer finalidade específica, afrontando as previsões constitucionais, e que, neste contexto, os preceitos do artigo 37, caput da Carta Magna estabeleceriam que o administrador público estaria, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei, deles não podendo se afastar, sob pena de infringir ao princípio da legalidade. E conclui que, considerando suas alegações e os documentos acostados, a legitimidade do seu crédito seria inconteste, tendo sido este demonstrado pelo recolhimento em valor superior ao efetivamente devido e declarado, por ela, para pagamento em espécie, devendo a decisão ser reformada para homologar a compensação procedida, extinguindo o crédito tributário exigido, nos termos do artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional. A 11a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1635.987, de 02/02/2012, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/12/1999 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF INEXISTENTE. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Diante da confirmação da inexistência do DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) informado na declaração de compensação, impõese ratificar os termos da decisão administrativa que não reconheceu direito creditório tipificado na qualidade de pagamento indevido ou a maior, bem como manter os efeitos legais decorrentes da nãohomologação da compensação declarada. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 03/05/2013, conforme AR, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 03/06/2013, com recurso voluntário, no qual renova os argumentos da manifestação de inconformidade, acrescentando que restou demonstrado, pela DCTF Retificadora do PA 11/1999, o recolhimento a maior que o devido e o conseqüente direito ao crédito no valor de R$ 1.028.300,60. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907647/200815 Acórdão n.º 3302002.611 S3C3T2 Fl. 6 5 Alega, ainda, a Recorrente “que o mero erro na forma, qual seja: retificação da DCTF para efetivar a compensação do PIS de novembro/1999, com créditos pretéritos e legítimos, não tem o condão de desconstituir a compensação realizada”, citando decisões do Conselho de contribuintes que tratam de erro de fato no preenchimento de declaração e sustentando que a compensação realizada e declarada da DCTF retificadora foi efetuada tal como estabelece a legislação vigente, ou seja, o art. 74 da Lei nº 9.430/96. Cita doutrina. Concluindo que a decisão recorrida “entende como um empecilho ao reconhecimento do crédito, o fato de a DCTF retificadora, com a finalidade de desvincular parte o DARF recolhido, ter sido transmitida tão somente em 05/12/2003”, passa a discorrer sobre o prazo para pleitear a restituição do crédito da Cofins do PA 04/96, informado na DCTF Retificadora de 05/12/2003, que entende ser de 10 anos, a contar do fato gerador, e que as disposições da Lei Complementar nº 118/2005 atinge apenas os fatos geradores posteriores à sua vigência. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e regimentais. Dele se conhece. Como relatado, a Empresa Recorrente está pleiteando a compensação de débitos seus com suposto crédito de COFINS, decorrente de pagamento por ela tido como a maior, relativo ao período de apuração de novembro de 1999. O pagamento informado no PER/DCOMP original ocorreu no dia 15/12/1999, no valor original de R$ 1.028.300,60. Pelas alegações da Recorrente, o crédito objeto deste processo decorre da utilização parcial, no dia 05/12/2003 (data da apresentação da DCTF Retificadora), de pagamento feito no dia 15/12/1999, no valor de R$ 3.462.860,46, liberando R$ 1.028.300,60 para compensação ou restituição. Ocorre que o DARF informado no PER/DCOMP retificador também não foi localizado pela RFB, sendo este o motivo de indeferimento do pleito. A decisão recorrida enfrentou a questão nos seguintes termos, que ratifico e adoto: Cumpre esclarecer, aqui, que o despacho decisório apontou como causa da não homologação da compensação declarada: a não confirmação da existência do crédito informado, tendo em vista a não localização, nos sistemas da Receita Federal, do DARF discriminado na DCOMP. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907647/200815 Acórdão n.º 3302002.611 S3C3T2 Fl. 7 6 Ressaltese que o sucesso da empresa em ver homologada a compensação declarada, nesta instância administrativa, se condiciona à comprovação da liquidez e certeza do crédito, nos termos do artigo 170, caput do Código Tributário Nacional (CTN), a seguir transcrito, devendo estar demonstrado que este tem apoio não só legal como documental. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifos nossos) Cabe observar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevém a homologação e a conseqüente extinção dos débitos vinculados. E, invalidadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso em tela, temse que o contribuinte declarou débitos de COFINS e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pelo contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão, que aponta como causa da não homologação da compensação o fato de não ter sido localizado o pagamento indicado na DCOMP como origem do crédito. É de se destacar, ainda, que, em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), se verificou que, antes da emissão do referido Despacho Decisório, de 12/08/2008, o contribuinte, por meio do Termo de Intimação com n.º de rastreamento 621798940, foi informado da não localização do DARF discriminado na DCOMP 09495.44819.121203.1.3.040060 e intimado, em 02/09/2006, a verificar e conferir os dados da ficha DARF informados na DCOMP com os dados do DARF original, bem como a sanar as irregularidades apontadas, tendolhe sido informado, na mesma oportunidade, que a conseqüência da falta de saneamento no prazo concedido poderia acarretar o indeferimento/não homologação da DCOMP. A empresa, então, transmitiu, em 16/09/2006, a DCOMP retificadora 28899.95404.160906.1.7.043254, sendo que o DARF aí discriminado, por ela, também não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cabe salientar, também, que a cópia do DARF que a empresa anexa, em sua manifestação de inconformidade, no valor total de R$ 3.462.860,46, não corresponde àquele informado na DCOMP objeto do Despacho Decisório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907647/200815 Acórdão n.º 3302002.611 S3C3T2 Fl. 8 7 Ressaltese, assim, que a empresa não trouxe aos autos nada que conseguisse demonstrar a existência do DARF indicado em sua DCOMP. Deste modo, temse que o contribuinte não conseguiu comprovar, aqui, a existência de indébito tributário, sendo que o DARF informado na DCOMP, que poderia, eventualmente, demonstrar a ocorrência do pagamento indevido ou a maior, gerandolhe crédito, não foi localizado, e ele, quando intimado a sanar tal irregularidade, não o fez, daí decorrendo a não homologação da compensação declarada. Pelo modus operandi constante dos outros processos em julgamento nesta Sessão de Julgamento (P. ex. 10880.915845/200852), também de interesse da Recorrente, vê se que ela quis informar no PER/DCOMP o pagamento efetuado no dia 15/12/1999, no valor de R$ 3.462.860,46, igualmente fez nos outros processos. Mesmo que este Colegiado admita a existência de erro material, passível de retificação, ainda assim não merece prosperar o recurso do contribuinte. Isto porque, ao contrário do argüido pela Recorrente, aqui não se trata somente de mero erro formal. Há erro no procedimento de efetuar a compensação, posto que a partir da vigência da IN SRF nº 210/2003, a compensação deveria ser feita pelo Contribuinte e informada à Receita Federal exclusivamente por meio de “Declaração de Compensação”, como bem disse a decisão Recorrida. Definitivamente, a Recorrente desobedeceu a legislação sobre compensação, vigente na data em que informou à Receita Federal a compensação que diz ter realizado 05/12/2003 (MP nº 66/2002, Lei nº 10.637/2002, MP nº 135/03, Lei nº 10.833/03, IN’s SRF nºs 210/2002, 320/2003 e 323/2003), não somente por ter utilizado a DCTF para isso, mas também por não ter efetuado os lançamentos contábeis que demonstrariam toda a operação em dezembro de 1999. Argumenta a Recorrente que a compensação de fato foi efetuada quando da extinção do débito declarado na DCTF Original, ou seja, até o dia 15/12/1999 (data do vencimento da COFINS do PA 11/1999), e que naquela data era possível efetuar a compensação de crédito com débito do mesmo tributo e declarar em DCTF. Desse modo, o que ocorreu aqui também foi mero erro de forma. É verdade que compensação feita em 1999, entre crédito e débito do mesmo tributo, poderia ser declarada em DCTF. Observese que por essa sistemática o Contribuinte estava obrigado a provar que de fato efetuou os lançamentos contábeis da operação de compensação que realizou, ou seja, estava obrigado a provar que em sua escrita contábil foi reconhecido e escriturado o crédito do pagamento a maior da COFINS do PA 04/96 e a compensação desse crédito com o débito da COFINS do PA 11/1999. Para isso, bastaria juntar aos autos cópia do Livro Diário de dezembro de 1999, onde conta os lançamentos contábeis da compensação que a Recorrente alega ter realizado. De posse dessa informação, Auditores Fiscais da RFB confirmariam os lançamentos contábeis, à vista da documentação que lhe deu suporte. Tivesse a Recorrente trazido aos autos os elementos de prova acima referidos, poderseia discutir nos autos a existência ou não de erro de forma e a possível e eventual existência de crédito. Sem isso, o que fica claro é que a Recorrente usou de artifício ilegal para gerar crédito fictício, especialmente porque não prova sequer que ocorreu Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907647/200815 Acórdão n.º 3302002.611 S3C3T2 Fl. 9 8 pagamento indevido da COFINS do PA 04/96, devidamente reconhecido em sua contabilidade por meio de lançamento feito em data anterior à extinção do débito de PIS do PA 11/1999. Fica claro, como bem disse a decisão recorrida, que até a data da apresentação da DCTF Retificadora o débito da COFINS do PA 11/1999 estava extinto por pagamento, somente. A extinção, em parte, por compensação somente passou a existir com a transmissão da referida DCTF Retificadora. E naquela data, a comunicação de compensação realizada pelo contribuinte somente poderia ser feita por meio de “Declaração de Compensação”. Portanto, o DARF informado no PER/DCOMP estava, de fato e legalmente, alocado ao débito declarado pela Recorrente na DCTF Original, não podendo ser objeto de compensação. Tendo a compensação sido realizada na data da apresentação da DCTF Retificadora, aplicase a legislação sobre compensação vigente nessa data, conforme decidiu o STJ no Recurso Especial nº 1.137.738 – SP, julgado no rito do art. 543C do CPC e de aplicação obrigatória por parte do CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF), cuja ementa abaixo se transcreve, naquilo que interessa à lide: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART. 170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇÃO. MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN). [...] 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp 488992/MG). [...] Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907647/200815 Acórdão n.º 3302002.611 S3C3T2 Fl. 10 9 Diante da inexistência do direito material ao crédito, desnecessário abordar e discutir aqui a questão relativa ao prazo para pleitear a restituição, até porque esta matéria já está pacificada no âmbito do CARF, em face da decisão do STF proferida no RE 566.621, que é de aplicação obrigatória por parte deste Colegiado. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11060.723755/2012-30
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2008, 2009
CSLL. PIS. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Tratando-se da mesma matéria fática e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aplica-se a mesma decisão a todos os tributos atingidos pelo fato analisado.
Numero da decisão: 1801-002.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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GLOSA. NOTA FISCAL INIDÔNEA. As despesas suportadas por notas fiscais de conteúdo falso e obtidas de forma irregular pela empresa autuada não devem ser consideradas na apuração do lucro real. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2008, 2009 CSLL. PIS. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aplicase a mesma decisão a todos os tributos atingidos pelo fato analisado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 37 55 /2 01 2- 30 Fl. 900DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11060.723755/201230 Acórdão n.º 1801002.021 S1TE01 Fl. 901 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório RICASUL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1041.989 (fl. 885), pela DRJ Porto Alegra, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de quatro autos de infração realizados para exigir créditos tributários relativos aos anos 2008 e 2009, conforme os valores contidos na tabela seguinte: TRIBUTO PRINCIPAL JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO (150%) TOTAL FLS. IRPJ 27.465,87 7.473,35 41.198,21 76.137,03 800 CSLL 19.842,92 5.780,51 29.764,38 55.387,81 813 COFINS 28.644,42 9.499,00 42.966,67 81.110,09 826 PIS/PASEP 6.218,87 2.062,29 9.328,33 17.609,49 833 Conforme o relato contido no Relatório de Fiscalização (fl. 840), os autos de infração foram lavrados em razão de terem sido glosadas despesas, deduzidas na apuração do lucro real e creditadas na apuração do PIS e da Cofins, cujos documentos comprobatórios foram considerados inidôneos. Transcrevese parte do relatório do acórdão recorrido, que bem descreve os fatos apurados: De acordo com o Relatório de Trabalho Fiscal (fls. 840/861), nos anoscalendário de 2008 e 2009 o contribuinte contabilizou pagamentos a título de serviços de representação comercial para C.R.O. Alves Representações, nos montantes de R$ 52.801,02 e R$ 129.852,00, e para Suzana O. Alves, nos montantes de R$ 74.841,13 e R$ 107.163,05. A C.R.O., cuja titularidade é de Carlos Roberto Oliveira Alves, declarouse inativa no ano calendário de 2008 e omissa no anocalendário de 2009, mesma situação de Suzana O. Alves, cuja titular é Suzana Oliveira Alves. Não há registro de movimentação financeira, operações imobiliárias ou veículos registrados em nome das referidas pessoas jurídicas e pessoas físicas. O Sr. Carlos Roberto Oliveira Alves, tendo como testemunha o Sr. Edson Oliveira Alves, profissional de contabilidade responsável pelo preenchimento da última Declaração da CRO Alves Representações, declarou (fls. 729): 1) que forneceu notas fiscais em branco a Ricardo Santana Machado (nome assim sugerido pelo declarante), sob a alegação de que seriam usadas, Fl. 901DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11060.723755/201230 Acórdão n.º 1801002.021 S1TE01 Fl. 902 3 quando necessário, no fechamento de caixa da Ricasul; 2) que as notas fiscais em branco fornecidas à Ricasul referiamse às pessoas jurídicas CRO Alves Representações e Suzana O Alves; 3) que sua irmã, Suzana, não tem conhecimentos desses fatos e do uso indevido de documentos fiscais que seriam de sua responsabilidade; 4) ao fornecer notas fiscais em branco, eventualmente recebia pequenos valores, em torno de R$ 50,00 e R$ 60,00; 5) que não assinou nenhum documento a pedido de Ricardo ou da Ricasul, nem mesmo recibos; 6) que a pessoa jurídica Suzana O Alves fora constituída em razão de seu exclusivo interesse, posto que a CRO Alves Representações, de sua titularidade, encontravase com títulos protestados, passando, então, a valerse da empresa que leva o nome de sua irmã no exercício da atividade de montagem e instalação de divisórias; 7) que reside no endereço cadastrado na base de dados da RFB, cujo imóvel teria sido doado pelo seu sogro aos seus filhos; 8) que não possui automóveis e que sua renda anual gira em torno de R$ 10.000,00, e 9) que sua irmã Suzana também não possui patrimônio, sendo casada e que reside com sua mãe. Quando do início do procedimento fiscal de diligência na Ricasul (09/05/2012), este foi intimado a apresentar, dentre outros elementos, as primeiras vias originais das notas fiscais da CRO Alves Representações e Suzana O Alves e todos os comprovantes dos pagamentos às referidas pessoas jurídicas pelos serviços prestados. O contribuinte apresentou cópia das notas fiscais, cópia de livros e demonstrativos contábeis e cópia dos atos constitutivos e de suas alterações. Não apresentou os comprovantes dos pagamentos, entretanto, faz alusão somente às notas fiscais que deram origem aos pagamentos à vista. Posteriormente, em 03/06/2012, o contribuinte apresentou as primeiras vias das notas fiscais de serviços solicitadas, com exceção de duas das notas fiscais contabilizadas. No corpo das notas fiscais consta a discriminação dos serviços prestados como sendo relativa a venda de aparelhos celulares, habilitações de linhas de telefonia móvel, vendas de acessórios, habilitação de serviços de transmissão de dados, internet, modens, “sva”, “chips”, “ts” e afins, mas absolutamente nada relacionado às atividades desenvolvidas pelo Sr. Carlos Roberto Oliveira Alves, que é a atividade de montagem e/ou instalação de divisórias. Em 27/06/2012 o contribuinte foi cientificado da conversão do procedimento fiscal de diligência em procedimento de fiscalização, oportunidade em que foi novamente intimado a apresentar, dentre outros elementos, os comprovantes dos pagamentos efetuados à CRO Alves Representações e Suzana O. Alves, no montante de R$ 381.801,20, e, caso não possuísse os referidos comprovantes, que expressamente declarasse tal fato. Foi intimado também a apresentar relatórios, ou documentos equivalentes, dos seus clientes que adquiriram mercadorias e serviços por intermédio da CRO Alves Representações e Suzana O. Alves, memórias de cálculos que demonstrassem a formação Fl. 902DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11060.723755/201230 Acórdão n.º 1801002.021 S1TE01 Fl. 903 4 dos valores pagos a título de comissão às referidas pessoas jurídicas. Em resposta, o contribuinte afirma: 1) ter como norma a seleção de pessoas, tanto físicas como jurídicas, para a realização de vendas externas a experiência e aptidão para a consecução desses serviços; 2) aos pagamentos apontados na diligência eram efetuados no recinto da empresa mediante adiantamentos em dinheiro e o saldo ao final de cada mês (no pagamento devolviamse os valores adiantados e pagavase o saldo devedor) com a correspondente emissão da nota fiscal do terceirizado/contratado; 3) as notas fiscais referentes ao mês de dezembro de 2008 não foram localizadas; 4) os vendedores, funcionários ou terceirizados, efetuam as vendas, enquanto o contato posterior com o cliente é efetuado por uma equipe de pósvenda; 5) os valores pagos aos terceirizados não eram calculados em razão dos clientes por eles visitados, mas pela quantidade de serviços prestados, pelas viagens realizadas, alimentação e transporte; 6) os clientes visitados pelos terceirizados eram cadastrados para as equipes de pósvendas, já que posteriormente seriam atendidos por estas; 7) os pagamentos realizados aos terceirizados incluíam, além dos valores dos serviços prestados, ajudas de custo e despesas de viagens; 8) o valor devido aos terceirizados dependia do produto que fosse vendido, já que variáveis, pois a operadora muda constantemente de produtos com incentivos aos revendedores, o que era repassado aos seus vendedores e terceirizados, sempre na razão de 15 a 20% do ganho com serviços e 5% na venda de aparelhos celulares, e 9) a contratação de terceirizados foi abandonada em meados de 2010, passando a operar com funcionários contratados para esse fim. Em contraponto, o autuante afirma que a condição de Carlos Roberto Oliveira Alves como prestador de serviços de montagem e instalação de divisórias não atenderia aos requisitos estabelecidos pela Ricasul, face à notória inexperiência e inaptidão de Carlos para a consecução das atividades supostamente terceirizadas pela Ricasul. A Ricasul, embora enumere seu modus operandi na liquidação dos valores que deveria à CRO Alves Representações e à Suzana O Alves, não apresentou um documento sequer que sustente a sua versão. Não apresentou os supostos vales dos adiantamentos, que teriam sido devolvidos quando da liquidação da fatura no encerramento de cada mês. Não apresentou nenhum comprovante de despesas supostamente incorridas pelos pretensos terceirizados (transporte, alimentação, viagens, ajudas de custo, etc.) que teriam sido ressarcidos pelo contribuinte. Também não apresentou nenhum relatório, ou documento similar, que indicasse a razão e de que forma calculou e pagou pelos serviços prestados por CRO Alves Representações e Suzana O Alves. Fl. 903DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11060.723755/201230 Acórdão n.º 1801002.021 S1TE01 Fl. 904 5 Em 23/07/2012 o contribuinte foi intimado novamente a apresentar documentos relacionados às operações com a CRO Alves Representações e Suzana O Alves, tendo respondido: 1) que os vales são destruídos mediante a apresentação da nota fiscal de serviços, que equivale, sempre, ao valor dos serviços prestados; 2) quem se encontra de posse das despesas de viagem, alimentação, ajuda de custo em geral, é o fornecedor dos serviços, não a Ricasul, uma vez que a nota fiscal já engloba o valor total desses gastos e os serviços prestados; 3) quanto aos clientes visitados por CRO Alves Representações e Suzana O Alves, afirma não ser possível relacionálos; 4) os vales, planilhas, tabelas e relatórios são de uso interno para o acerto com o prestador dos serviços, sendo que são destruídos depois da emissão das notas fiscais. Em 25/09/2012 o contribuinte foi intimado a apresentar cópia dos contratos firmados com a VIVO S/A e para que apontasse o responsável pelo preenchimento de um dos anexos ao contrato de distribuição firmados com essa pessoa jurídica, tendo o contribuinte apresentado somente cópia do contrato firmado em 2012, além de indicar a funcionária responsável pelo preenchimento do anexo. Foram obtidos junto ao Sr. Carlos Roberto Oliveira Alves os talonários de notas fiscais referente a CRO Alves Representações e Suzana O. Alves. Confrontandose as segundas vias com as primeiras vias das notas fiscais, percebese que em nenhuma delas as informações são parecidas, sendo que a maioria se apresenta em branco, enquanto as outras se referem a “colocação de porta”, “troca de presilha”, “lavagem de persiana”, “conserto”, “persiana”, “forro”, “divisória”, com valores variando entre R$ 15,00 e R$ 60,00. Há também a anotação “Motorama” no verso de várias segundas vias, que é o indicativo de Motorama Comércio de automóveis Ltda., da qual o Sr. Ricardo Santanna Machado é sócio. Em razão desses fatos, a fiscalização entendeu que o contribuinte utilizouse de documentos inidôneos para gerar custos/despesas fictícios que reduziram as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, além de originarem créditos de Cofins e de PIS/Pasep, que foram deduzidos mensalmente dos valores devidos. A fiscalização considerou que a conduta do contribuinte de fazer uso de documento sabidamente inidôneo denota o evidente intuito de fraude, conceituada no art. 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o que ensejou a aplicação da multa de 150% prevista no art. 44, inc. I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996. O contribuinte apresentou a impugnação de folhas 868 a 875, alegando que, para ser considerado inidôneo um documento fiscal há de se ter certeza de sua invalidade, qual seja, p. ex: clonagem, emissão não autorizada ou falsidade de impressão, de cujos fatos não existem provas que lhe tenham sido cientificadas. E mesmo que houvesse, tal fato não lhe diz respeito, pois não é Fl. 904DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11060.723755/201230 Acórdão n.º 1801002.021 S1TE01 Fl. 905 6 sua função a fiscalização de empresas, ou até mesmo, saber dos procedimentos adotados por terceiros em suas empresas, mas sim, cumprir sua obrigação de exigir documento hábil e idôneo quando dos efetivos pagamentos realizados. Alega que a responsabilidade pelas notas fiscais é única e exclusivamente de seus emitentes, que já se apresentavam irregulares perante o fisco, e que tal fato, por si só, demonstra onde se originou a prática da fraude apontada, já que informavam à Receita Federal que se encontravam inativas e foram omissas na entrega da DIPJ. Alega que quem vinha fraudando o fisco era o próprio emitente do documento fiscal, que indica que as notas fiscais eram calçadas. O emitente desses documentos tentou e conseguiu ludibriar o fisco, passando a falsa impressão que estava agindo corretamente, quando é o verdadeiro implicado direto da sonegação fiscal. Os documento e fatos atentam contra a conclusão dos auditores, entretanto confirmam que o emitente desses documentos prestava serviços para várias empresas, o que por si só, confirma que o emitente sonegava receitas em suas empresas, pouco importando se era sua ou de sua irmã. Alega que manteve e mantém registro do Livro Caixa, que sequer foi alvo de revisão pelos auditores, dando conta que o procedimento fiscal foi simples e incorreto, pois do contrário, ao tomar conhecimento dos movimentos de entrada e saída de valores da empresa fiscalizada, com certeza, não teriam procedido nas autuações das supostas infrações. Alega que a legislação que lhe é aplicável foi devidamente observada, eis que detentor de todos os documentos, balancetes, livros razões, diários, livro caixa, entre outras obrigações acessórias, não servindo para endossar o MPF e sua conclusão precipitada. Ao contrário, não existem nos autos qualquer informação sobre a inexistência de livros ou documentos obrigatórios, o que lhe empresta a certeza da boa fé. Alega que os artigos capitulados nos autos não dizem respeito ou guardam relação com a autuação fiscal, mas sim, devidamente ajustada, aos emitentes dos documentos fiscais, demonstrando que houve inversão dos atos e das provas, o que torna os autos de infrações eivados de nulidade absoluta, pois estão desalinhados e órfãos de embasamento legal e lógico, já que as irregularidades foram praticadas por outro contribuinte. A Delegacia de Julgamento considerou a impugnação improcedente, ementando assim a sua decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 2008, 2009 Fl. 905DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11060.723755/201230 Acórdão n.º 1801002.021 S1TE01 Fl. 906 7 IRPJ/CSLL CUSTOS/DESPESAS. COMPROVAÇÃO. A contabilização de notas fiscais, cujo teor das primeiras vias diverge das vias constantes do bloco em poder do emitente, sem elementos de provas subsidiários da prestação dos serviços determina a glosa das despesas correspondentes. PIS/COFINS GLOSA DE CUSTOS A contabilização de notas fiscais, cujo teor das primeiras vias diverge das vias constantes do bloco em poder do emitente, sem elementos de provas subsidiários da prestação dos serviços determina a glosa dos créditos apropriados no regime da não cumulatividade. Cientificado dessa decisão em 18/02/2013, por meio de remessa postal (fl. 893), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 895), em 11/03/2013, em que alega, em síntese, que: i) Não poderia ter sido negada a idoneidade dos documentos fiscais pois estão revestidos de todas as obrigação intrínsecas e extrínsecas necessárias a sua emissão. ii) O lançamento ocorreu a mais de quatro anos da emissão dos documentos. iii) Não há provas da inidoneidade dos documentos. iv) Os verdadeiros sonegadores são os emissores das notas fiscais. v) A fiscalização não intimou os responsáveis diretos pela sonegação. vi) Os documentos foram emitidos em razão de prestação de serviços realizada pelos emitentes ao recorrente. vii) A fiscalização tentou exigir da empresa outros controles de pagamentos internos que não o caixa, demonstrando sua intenção de “consolidar posição impositiva em desfavor do contribuinte. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. Os lançamentos foram realizados em razão de terem sido glosadas despesas declaradas e não comprovadas. Nos anos de 2008 e 2009, o contribuinte contabilizou pagamentos a título de serviços de representação comercial para C.R.O. Alves Representações, nos montantes de R$ 52.801,02 e R$ 129.852,00, e para Suzana O. Alves, nos montantes de R$ 74.841,13 e R$ 107.163,05, respectivamente. Esses pagamentos foram considerados despesas para reduzir o lucro real apurado e para gerar crédito de PIS e Cofins nãocumulativos. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11060.723755/201230 Acórdão n.º 1801002.021 S1TE01 Fl. 907 8 A empresa C.R.O. declarouse inativa no anocalendário de 2008 e omissa no anocalendário de 2009 (fl. 7), mesma situação de Suzana O. Alves (fl. 8). O responsável pela empresa C.R.O. é Carlos Roberto Oliveira Alves. Este foi intimado e compareceu perante a fiscalização em 02/05/2012 (fl.726), quando afirmou ter prestado serviços de montagem e de instalação de divisórias ao autuado, em valores consideravelmente inferiores aos dispostos no Termo que recebeu. Alguns dias depois, em 10/05/2012, compareceu novamente perante à fiscalização (fl. 729), dessa vez para trazer os seguintes esclarecimentos: Declara que forneceu notas fiscais em branco ao "Sr. RICARDO SANTANA MACHADO", que, segundo atesta, seriam usadas, na medida do necessário, no "fechamento de caixa" da RICASUL. Declara que as notas por ele fornecidas à RICASUL, por intermédio de RICARDO, referemse às pessoas jurídicas C R O ALVES REPRESENTAÇÕES e SUZANA O. ALVES. Declara que sua irmã, SUZANA OLIVEIRA ALVES, não tem conhecimento desses fatos e do uso indevido de documentos fiscais que seriam de sua responsabilidade. Declara que ao fornecer notas fiscais em branco eventualmente recebia pequenos valores (em tomo de RS 50,00 ou RS 60,00). Declara que nunca assinou nenhum documento a pedido do RICARDO, ou da RICASUL, inclusive recibos, mesmo em se tratando dos serviços de instalação de divisórias no estabelecimento da RICASUL localizado em Santana do Livramento/RS, cujos valores, inexpressivos, eram recebidos em dinheiro. Declara que a pessoa jurídica SUZANA O ALVES foi constituída em razão de seu exclusive interesse, posto que a CRO ALVES REPRESENTAÇÕES, de sua titularidade, encontravase com títulos protestados. Passou então a utilizar a pessoa jurídica SUZANA O ALVES quando da prestação de serviços de instalações de divisórias. Entendo que tais declarações demonstram que as notas fiscais glosadas não correspondem à realidade e não podem ser consideradas idôneas, mesmo atendendo aos requisitos formais. As duas empresas emitentes das notas fiscais glosadas são administradas pela mesma pessoa que, após intimado, declarou que forneceu notas fiscais em branco para o autuado e que não prestou os serviços apontados naquelas notas. Portanto, está perfeitamente configurada a infração à legislação tributária, por meio de utilização de notas fiscais de conteúdo falso e obtidas de forma irregular pelo responsável pela empresa autuada. A circunstância em que as notas fiscais foram obtidas e sua reiterada utilização por dois anos seguidos demonstram a intenção do contribuinte em obter o resultado injusto de seus atos antijurídicos, qual seja, o pagamento a menor de tributos devidos, o que dá ensejo à qualificação da multa de ofício, para atingir o patamar de 150%. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11060.723755/201230 Acórdão n.º 1801002.021 S1TE01 Fl. 908 9 Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 908DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10580.720985/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.034
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos sobrestar o julgamento com fundamento no §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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Assunto Sobrestamento Recorrente ROSA FERREIRA DE CASTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos sobrestar o julgamento com fundamento no §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 29 de junho de 2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls.02 a 11, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, 2006, 2007, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$60.826,50, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de omissão de rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual n° 8.730, de 08 de setembro de 2003 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720985/200918 Resolução n.º 2802000.034 S2TE02 Fl. 2 2 Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 15 a 68), acatada como tempestiva. Em razão de sua pertinência, peço vênia para adotar e transcrever o relatório da decisão recorrida (verbis): a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº. 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº. 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o Fl. 130DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720985/200918 Resolução n.º 2802000.034 S2TE02 Fl. 3 3 autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº. 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo Advogado Geral da União, através da Nota AGU/AV. 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. A 3ª Turma DRJ/Salvador/BA, conforme Acórdão de fls. 79 a 84, julgou impugnação improcedente, mantendo o lançamento. A ciência de tal julgado se deu por via postal em 18/04/2011, consoante o AR – Aviso de Recebimento – de fls.127. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/04/2011 (fls. 89), representada por advogados, no qual repisa as alegações da peça impugnatória e ressaltando os seguintes pontos:a) inexistência de conduta hábil à aplicação de multa de ofício, face à responsabilidade exclusiva da fonte pagadora e diante do efeito vinculante de Consulta Administrativa realizada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia; b) nulidade do lançamento, motivada pela forma inadequada de apuração da base de calculo do tributo lançado; c) não incidência do Imposto de Renda sobre os juros moratórios e/ou compensatórios; d) natureza indenizatória dos valores (diferenças de URV) pagos em atraso; e)da ilegitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado; e f) violação ao princípio constitucional da isonomia (art. 150, inciso II, da Constituição Federal). É o relatório. Voto: Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Antes de adentrar nos argumentos do recurso, há que se enfrentar questão preliminar que diz respeito à possibilidade de apreciação do feito neste momento. Isso porque o processo sob análise versa a respeito de rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, em decorrência dos arts. art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº. 8.730, de 2003, que possuem a seguinte redação: Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nos. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Fl. 131DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720985/200918 Resolução n.º 2802000.034 S2TE02 Fl. 4 4 Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Assim, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador(BA), baixou o processo em diligência (fls. 76 a 77), determinando o ajuste do lançamento fiscal para, ao invés de lançar os rendimentos recebidos acumuladamente com base nas tabelas e alíquotas vigentes nos anos de recebimento, o fizesse levando em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global, de acordo com o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009. Referida orientação, conflitante com o texto legal do art. 12 da Lei n.º 7.713/88, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do egrégio Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a repercussão geral do tema, nos seguintes termos, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG/RS, Relator(a): Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03032011) Observese que essa decisão foi tomada na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, que obriga o sobrestamento dos demais recursos sobre a mesma matéria até o pronunciamento definitivo da Corte. Devido à repercussão geral do tema, o Parecer PGFN/CRJ/Nº. 287/2009 teve a sua eficácia suspensa pelo Parecer PGFN n.º 2.331/10, enquanto perdurar a discussão judicial a respeito do tema. Destarte, em função do Parecer PGFN n.º 2.331/10, a diligência fiscal ficou prejudicada (Despacho SEFISDRFSALVADORBA, fls. 78). Fl. 132DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720985/200918 Resolução n.º 2802000.034 S2TE02 Fl. 5 5 Assim, a Turma Julgadora considerou que, especialmente em razão do caráter vinculado no lançamento tributário, na forma preconizada pelo art. 142 do CTN, para evitar possível violação aos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, seria necessário suspender o julgamento do presente recurso voluntário. Nesse sentido, o art. 62A do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, determina o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que for reconhecida a repercussão geral do tema pelo egrégio Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante do exposto, voto no sentido de determinar o sobrestamento do presente recurso, até ulterior decisão definitiva do egrégio Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406/RS, nos termos do disposto pelos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Brasília/DF, Sala de Sessões, 19 de junho de 2012. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720985/200918 Resolução n.º 2802000.034 S2TE02 Fl. 6 6 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10865.002812/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
CRÉDITO BÁSICO DE IPI. LEI Nº 9.779/99.
INSUMOS COM SAÍDA COM ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO, NÃO TRIBUTADOS OU SAÍDOS COM SUSPENSÃO DO IPI. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
De acordo com o entendimento firmado pela jurisprudência do E. STF, o disposto no art. 11, da Lei nº 9.779, de 1999, os insumos não tributados, saídos com alíquota zero, com isenção ou com suspensão do imposto, não geram crédito de IPI. Em conformidade com o art. 5º da Lei nº 9.493, de 10 de setembro de 1997 (conversão da MPv nº 1.508-20, de 1996), o crédito do IPI decorrente das aquisições de insumos beneficiados com a suspensão do IPI, deve ser anulado mediante estorno na escrita fiscal do estabelecimento industrial, sendo vedada sua utilização.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-002.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Acompanhou o julgamento, pela Recorrente, o advogado Eduardo Rocca OAB/SP nº 237.805.
Rodrigo da Costa Pôssas
Presidente
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Fabia Regina Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente)..
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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LEI Nº 9.779/99. INSUMOS COM SAÍDA COM ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO, NÃO TRIBUTADOS OU SAÍDOS COM SUSPENSÃO DO IPI. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. De acordo com o entendimento firmado pela jurisprudência do E. STF, o disposto no art. 11, da Lei nº 9.779, de 1999, os insumos não tributados, saídos com alíquota zero, com isenção ou com suspensão do imposto, não geram crédito de IPI. Em conformidade com o art. 5º da Lei nº 9.493, de 10 de setembro de 1997 (conversão da MPv nº 1.50820, de 1996), o crédito do IPI decorrente das aquisições de insumos beneficiados com a suspensão do IPI, deve ser anulado mediante estorno na escrita fiscal do estabelecimento industrial, sendo vedada sua utilização. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Acompanhou o julgamento, pela Recorrente, o advogado Eduardo Rocca OAB/SP nº 237.805. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 28 12 /2 00 9- 10 Fl. 748DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10865.002812/200910 Acórdão n.º 3301002.175 S3C3T1 Fl. 749 2 Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Fabia Regina Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).. Relatório Em razão da clareza e objetividade adoto o relatório da DRJ/Ribeirão Preto SP, de fls. 481, in verbis: Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 02/11, lavrado em 28/10/2009, com ciência da contribuinte na mesma data, totalizando o crédito tributário de R$ 40.759.948,73. Segundo a descrição dos fatos de fl. 04, houve falta de recolhimento de IPI, no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2008, por ter a contribuinte se creditado indevidamente nas aquisições de aguardente de cana, produto esse recebido cm suspensão do IPI, e, portanto, desonerada do imposto. O valor do crédito fictício escriturado foi calculado pela mesma alíquota dos produtos vendidos. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou impugnação de fls. 456/471, aduzindo em sua defesa as seguintes razões: 1. O autuante confirma a efetiva ocorrência das operações que geraram os créditos; 2. O creditamento foi amparado no princípio constitucional da nãocumulatividade; 3. Tem que suportar o IPI relativo apenas ao valor agregado ao seu produto final, o que já está pacificado pela jurisprudência; 4. O Poder Executivo reconheceu o sagrado direito dos participantes da cadeia produtiva à nãocumulatividade do IPI e editou a MP n° 1.788/98, convertida na Lei n° 9.779/99. Por fim, requer que se julgue totalmente improcedente o auto de infração, e que as notificações sejam encaminhadas ao endereço dos advogados. O Acórdão recorrido foi no sentido de julgar improcedente a impugnação e manter o auto de infração, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10865.002812/200910 Acórdão n.º 3301002.175 S3C3T1 Fl. 750 3 É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos não onerados pelo IPI, inclusive aqueles recebidos com a suspensão do imposto, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. De acordo com o comprovante dos Correios, a Recorrente obteve ciência da v. decisão em 05/03/2010 (fl. 493), manejando o recurso voluntário em 01/04/2010 (fls. 494/510), aduzindo, em síntese, que a Constituição Federal consagrou o princípio da não cumulatividade do IPI, nos termos do art. 153, inciso IV e § 3º, inciso II, visando tornar os produtos sujeitos à sua incidência, potencialmente mais competitivos no mercado interno e externo, combatendose a irracionalidade, ilogicidade e injustiça da incidência tributária em cascata. Diante deste cenário, não há como negar a existência de importantes distorções na condição de contribuinte da empresa. Vale dizer que parte significativa dos custos de produção da recorrente compõese de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem e outros insumos que se dividem em: tributados pelo IPI à alíquota positiva (diferente de 'O'); tributados pelo IPI à alíquota 'O' (zero), não tributados (NT), isentos e imunes. Na hipótese da ora recorrente, é cediço que os produtos por ela industrializados são tributados com alíquotas altíssimas de IPI. Acresçase a isso o fato de existirem, concomitantemente vários insumos, matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, utilizados no processo industrial da empresa não são tributados pelo IPI (NT), ou são tributados à alíquota zero. Na hipótese vertente, a cachaça adquirida de produtores vem com suspensão do IPI, o que equivale a dizer que não foi ali tributada. Inferese, portanto, que pagar IPI sobre o valor dos ingressos de insumos fere frontalmente a nãocumulatividade constitucional, haja vista que, assim tributando, ocorre precisamente o fato contrário, acumulando o valor das compras com o valor decorrente da industrialização. Na hipótese vertente, os fornecedores da recorrente não estão sujeitos à cobrança do IPI, ou, melhor dizendo, esse IPI encontrase suspenso. Estando suspenso, de qualquer sorte, o tributo não incidiu naquela etapa da produção, na qual se verificam a produção agrícola, mais a fabricação da aguardente. Entretanto, após esses fornecedores terem vendido seu produto pronto para a empresa que engarrafa e padroniza a aguardente (a autuada), esta última vem sendo erroneamente tributada pelo todo e não apenas pelo valor que ela agregou ao produto final. Portanto, o fato motivador da autuação, ou seja, o argumento de que a ora recorrente teria se creditado na sua escrita de "valores inexistentes nas notas fiscais de seus fornecedores" não deve de modo algum conduzir a uma conclusão equivocada. Isto porque não Fl. 750DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10865.002812/200910 Acórdão n.º 3301002.175 S3C3T1 Fl. 751 4 se pode olvidar que a empresa assim o fez porque o imposto suspenso existe e seu não creditamento implicaria na cumulatividade! Em resumo, a tese da Recorrente encontrase estribada no Acórdão do RE nº 212.4842/RS, de relatoria do Min. Nelson Jobim, do STF. Em 09/02/2011, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso pugnando pela improcedência do recurso voluntário, sustentando que aduzindo que decorre do artigo 153, §3º, inciso II, da Constituição Federal, que do montante do IPI devido nas operações de saída deve ser deduzido o valor do IPI que incidiu nas operações de entrada. Em nenhum momento a Lei Maior define que a base de cálculo do referido imposto deve ser o valor agregado por determinada fase produtiva. Em relação à questão do direito creditório em face de operações não oneradas pelo IPI, diz que com o julgamento dos RE’s nº 353.657/PR e 370.682/SC, o Supremo Tribunal Federal alterou seu entendimento exposto no julgamento no RE nº 212.4842/RS. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais pertinentes, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, tratase de auto de infração de IPI em razão da Recorrente ter utilizado créditos relativos a insumos “saídos com isenção do IPI”. O mencionado benefício fiscal foi instituído pela Lei nº 9.493, de 10 de setembro de 1997 I(conversão da MPv nº 1.50820, de 1996), nos seguintes termos: Art. 3º Ficam equiparados a estabelecimento industrial, independentemente de opção, os estabelecimentos atacadistas e cooperativa de produtores que derem saída a bebidas alcóolicas e demais produtos, de produção nacional, classificadas nas posições 2204, 2205, 2206 e 2208 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), e acondicionados em recipientes de capacidade superior ao limite máximo permitido para venda a varejo, com destino aos seguintes estabelecimentos: I industriais que utilizem os produtos mencionados como insumo na fabricação de bebidas; II atacadistas e cooperativas de produtores; III engarrafadores dos mesmos produtos. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10865.002812/200910 Acórdão n.º 3301002.175 S3C3T1 Fl. 752 5 Art. 4º Os produtos referidos no artigo sairão com suspensão do IPI dos respectivos estabelecimentos produtores para os estabelecimentos citados nos incisos I, Il e III do mesmo artigo. Parágrafo único. A suspensão de que trata este artigo aplicase também às remessas, dos produtos mencionados, dos estabelecimentos atacadistas e cooperativas de produtores para os estabelecimentos indicados nos incisos I, II e Ill do artigo anterior. Art. 5º Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do IPI concernente às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, que tenham sido empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos saídos do estabelecimento produtor com a suspensão do imposto determinada no artigo anterior. Art. 6º Nas notas fiscais relativas às remessas previstas no art. 4º, deverá constar a expressão “Saído com suspensão do IPI”, com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do IPI nas referidas notas, sob pena de se considerar o imposto como indevidamente destacado, sujeitando o infrator às disposições legais estabelecidas para a hipótese. Art. 7º O estabelecimento destinatário da nota fiscal emitida em desacordo com o disposto no artigo anterior, que receber, registrar ou utilizar, em proveito próprio ou alheio, ficará sujeito à multa igual ao valor da mercadoria constante do mencionado documento, sem prejuízo da obrigatoriedade de recolher o valor do imposto indevidamente aproveitado. Assim, claro está que o objetivo do legislador era de fato vedar a utilização dos créditos, ainda que a nota fiscal tivesse sido emitida sem a expressa menção de tratarse de produto “saído com suspensão do IPI”. Vejamos então se tal vedação contrariou o princípio da nãocumulatividade do IPI, cuja sistemática, conforme ressaltou a douta Procuradoria da Fazenda Nacional, sem suas contrarrazões, se processa através do montante do IPI devido nas operações de saída dever ser deduzido o valor do IPI que incidiu nas operações de entrada, visto que em nenhum momento a Lei Maior define que a base de cálculo do referido imposto deve ser o valor agregado por determinada fase produtiva. Relativamente ao IPI, conforme ressaltou o acórdão recorrido, a nova ordem constitucional recepcionou a legislação que trata da espécie tributária em debate, em especial sobre o sistema de créditos e débitos. É o caso da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal dos sucessivos regulamentos de IPI, vigendo atualmente aquele aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002). O Código Tributário Nacional (CTN) — Lei n° 5.172, de 1966, em seu artigo 49, assim dispõe sobre a nãocumulatividade do imposto: "Art. 49 O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos Fl. 752DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10865.002812/200910 Acórdão n.º 3301002.175 S3C3T1 Fl. 753 6 saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes." O Regulamento do IPI (RIPI/98), aprovado pelo Decreto n° 2.637, de 25 de junho de 1998, com a alteração introduzida pela Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 11, dispõe igualmente nos artigos 146 e 146, I (correspondentes aos arts. 163 e 164, I, do Decreto n° 4.544 (RIPI/2002), de 2002), in verbis: "Art. 146. A nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento , para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (Lei n° 5.172, de 1966, art. 49). Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei n°4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;" Também é possível esse entendimento através das disposições do art. 11, da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ao disciplinar a utilização de saldo credor do IPI, decorrente da aquisição de insumos (tributados), ainda que aplicados na industrialização de produto com saída isento, não tributado ou alíquota zero: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Na órbita do julgamento administrativo este Colendo CARF pacificou o entendimento quanto a impossibilidade de aproveitamento de crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos, alíquota zero ou não tributados por qualquer motivo, aí abrangido o caso de saída de produto com suspensão do IPI, especialmente após o assunto ter sido definido pelo Supremo Tribunal Federal, que passou a vedar o aproveitamento pelo sujeito passivo de créditos fictos concernentes à aquisição de insumos desonerados, na mesma esteira de outros acórdãos, cito as seguintes decisões: Fl. 753DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10865.002812/200910 Acórdão n.º 3301002.175 S3C3T1 Fl. 754 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO. IPI. INSUMOS ISENTOS. STF. ENTENDIMENTO PACIFICADO. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que não há direito à utilização de créditos do IPI na aquisição de insumos nãotributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. (Ac. 3201001.215, julgado na sessão de 26/02/103, Rel. Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes). Igualmente o Acórdão nº 3302001.954, de 26/02/2013, de redatoria do Conselheiro José Antonio Francisco, cuja ementa é a seguir parcialmente reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2002 a 30/09/2004 [...] CRÉDITOS RELATIVOS A INSUMOS ISENTOS. O Princípio da não cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Não havendo exação de IPI nas aquisições desses insumos, em razão dos mesmos serem isentos, não há valor algum a ser creditado. [...] Idem: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 16/09/1997 a 07/05/2002 [...] RESSARCIMENTO. INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Aplicação da Súmula CARF n° 18. INSUMOS ISENTOS. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10865.002812/200910 Acórdão n.º 3301002.175 S3C3T1 Fl. 755 8 A nãocumulatividade do IPI é implementada por meio da compensação do débito decorrente da saída do estabelecimento com o crédito decorrentes do imposto pago quando da aquisição de insumos. Tratandose de insumos não onerados, em razão de isenção, não há valor algum a ser creditado. [...] (Ac. 3102001.440, sessão de 25 de abril de 2012, relator Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator). Por último, devese ressaltar que o Supremo Tribunal Federal já pacificou o entendimento de que não é admissível o crédito nas entradas de insumos desoneradas do IPI como se segue: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS FAVORECIDOS PELA ALÍQUOTAZERO, NÃOTRIBUTAÇÃO E ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que não há direito à utilização de créditos do IPI na aquisição de insumos nãotributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 2. Agravo regimental desprovido. (RE 508708 AgR, Relator(a): Min. AYRES BRITTO, Segunda Turma, julgado em 04/10/2011, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe230 DIVULG 02122011 PUBLIC 05122011) Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO IPI. INSUMOS ISENTOS, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. PRECEDENTES. AGRAVO IMPROVIDO. I Na sistemática que rege o princípio constitucional da não cumulatividade, a operação desonerada de IPI impede o reconhecimento do imposto pago na operação anterior e não gera crédito para a seguinte, raciocínio que deve ser aplicado de forma indistinta aos casos de alíquota zero, isenção, não incidência e de imunidade. II Agravo regimental improvido. (AI 736994 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Primeira Turma, julgado em 28/06/2011, DJe156 DIVULG 15082011 PUBLIC 16082011 EMENT VOL0256602 PP00217) Fl. 755DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10865.002812/200910 Acórdão n.º 3301002.175 S3C3T1 Fl. 756 9 EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. INSUMOS ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. PRODUTO FINAL TRIBUTADO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. O artigo 153, § 3º, II, da Constituição dispõe que o IPI “será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. 2. O princípio da nãocumulatividade é alicerçado especialmente sobre o direito à compensação, o que significa que o valor a ser pago na operação posterior sofre a diminuição do que pago anteriormente, pressupondo, portanto, dupla incidência tributária. Assim, se nada foi pago na entrada do produto, nada há a ser compensado. 3. O aproveitamento dos créditos do IPI não se caracteriza quando a matériaprima utilizada na fabricação de produtos tributados reste desonerada, sejam os insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. Isso porque a compensação com o montante devido na operação subsequente pressupõe, necessariamente, a existência de crédito gerado na operação anterior, o que não ocorre nas hipóteses exoneratórias. 4. A jurisprudência do egrégio STF, à luz de entendimento hodierno retratado por recentes julgados, inclui os insumos isentos no rol de hipóteses exoneratórias que não geram créditos a serem compensados, verbis: “Embargos de declaração em recurso extraordinário. 2. Não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. 3. Ausência de contradição, obscuridade ou omissão da decisão recorrida. 4. Tese que objetiva a concessão de efeitos infringentes para simples rediscussão da matéria. Inviabilidade. Precedentes. 5. Embargos de declaração rejeitados. ... Frisese que, como bem esclareceu o voto condutor, 'a nãoexigência do IPI se dá sempre que essa é adquirida sob os regimes, indistintamente, de isenção (exclusão do imposto incidente), alíquota zero (redução da alíquota ao fator zero) ou de não incidência (produto não compreendido na esfera material de incidência do tributo)” ( RE 370.682 – ED, relator o Ministro Gilmar Mendes, Plenário, DJe 17.11.10). “TRIBUTÁRIO. IPI. INSUMOS ISENTOS, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AOS CRÉDITOS. DECISÃO COM FUNDAMENTO EM PRECEDENTES DO PLENÁRIO. 1. A decisão recorrida está em consonância com a jurisprudência do Plenário desta Corte (RE 370.682/SC e RE 353.657/RS), no sentido de que não há direito à utilização dos créditos do IPI no que tange às aquisições insumos isentos, nãotributados ou sujeitos à alíquota zero. 2. Agravo regimental improvido.” (RE 566.551 – AgR, Relatora a Ministra Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe 30.04.10). 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (RE 592917 AgR, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, Fl. 756DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10865.002812/200910 Acórdão n.º 3301002.175 S3C3T1 Fl. 757 10 julgado em 31/05/2011, DJe116 DIVULG 16062011 PUBLIC 17062011 EMENT VOL0254601 PP00191) Por fim, como é cediço, de acordo com as regras do art. 111, do CTN, que dispõe sobre a suspensão, exclusão ou isenção do crédito tributário, estas devem ser interpretadas literalmente, sendo vedada a extensão do benefício fiscal sem expressa determinação da lei, em conformidade, inclusive com a jurisprudência do STJ, in verbis: TRIBUTARIO E PROCESSUAL CIVIL. LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA QUE CONCEDE BENEFICIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO. RECURSO ESPECIAL. LEI PAULISTA N. 8.198/92. EMPRESA DE FORNECIMENTO DE REFEIÇÕES COLETIVAS ("COZINHAS INDUSTRIAIS"). RECURSO NÃO CONHECIDO. I O ART. 111 DO CTN ESTABELECE QUE AS REGRAS QUE DISPÕEM SOBRE SUSPENSÃO, EXCLUSÃO, ISENÇÃO E DISPENSA DO CREDITO TRIBUTARIO DEVEM SER INTERPRETADAS LITERALMENTE, SENDO VEDADA A EXTENSÃO DO BENEFICIO FISCAL. II DE NADA ADIANTA ALEGAR, NA ANGUSTA VIA DO RECURSO ESPECIAL, QUE O TRIBUNAL ESTADUAL DEU A LEGISLAÇÃO LOCAL INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. APLICAÇÃO DA ORIENTAÇÃO CONSUBSTANCIADA NA SUMULA N. 280 DO STF. PRECEDENTE DO STJ: RESP N. 96.697/SP. III RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. (REsp 117.650/SP, Rel. Ministro ADHEMAR MACIEL, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/1997, DJ 04/08/1997, p. 34713) Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 29 de janeiro de 2014 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 757DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10865.002812/200910 Acórdão n.º 3301002.175 S3C3T1 Fl. 758 11 Fl. 758DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10882.902517/2008-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.746
Decisão: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: Por maioria, converteu-se o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl (relator) e Júlio César Alves Ramos, que negavam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte.
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos Presidente
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Relator
(assinado digitalmente)
Fernando Marques Cleto Duarte Redator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: Por maioria, converteu-se o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl (relator) e Júlio César Alves Ramos, que negavam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Relator (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: Por maioria, converteuse o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl (relator) e Júlio César Alves Ramos, que negavam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos – Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Relator (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte – Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 02 51 7/ 20 08 -7 6 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 158 ___________ Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão que julgou improcedente a homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 30645.12875.310304.1.3.044594, em virtude do alegado direito de crédito encontrarse integralmente alocado a outro débito. Em manifestação de inconformidade a contribuinte salientou que efetuou recolhimento em valor maior que o devido e aproveitou o indébito para compensação com outros tributos administrados pela RFB, porém, de fato, não providenciou a retificação da DCTF, mas que a DIPJ apresentada refletiria o valor efetivamente devido, o que, em nome da verdade material, deveria ser considerado no exame da questão. Na oportunidade foram juntadas ao processo cópias do DARF, DCTF, PERDCOMP, DACON e DIPJ. A DRJ Campinas/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade ao argumento que, para homologação da compensação declarada, fazse necessária a demonstração da liquidez e certeza do direito de crédito vindicado. Em recurso voluntário o contribuinte reafirma que a DCTF está incorreta, sendo que o valor efetivamente devido está perfeitamente indicado na DIPJ e no DACON, asseverando que tais declarações nunca foram questionadas pelas autoridades administrativas, pelo que, estariam homologadas pela Administração Tributária. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. O ponto fulcral a ser enfrentado por este colegiado reside exclusivamente na possibilidade de se admitir o reconhecimento de indébito tributário a partir de declarações apresentadas pelo sujeito passivo, não havendo discussões acerca de nulidade de ato administrativo ou cerceamento de defesa, como é comum nestas situações. No caso vertente, o contribuinte não trouxe cópia de documentos contábeis que pudessem confirmar o acerto de suas declarações, cuja exatidão baseiase tão somente em sua afirmação em sede recursal. É certo que as declarações prestadas pelo contribuinte gozam de presunção de idoneidade e veracidade, porém, dita presunção não é absoluta, mas relativa, de maneira que havendo incongruência entre os dados delas constantes, apontados pelo próprio contribuinte, caberia a demonstração, a partir de elementos contábeis, de qual destas informações é a verídica. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Processo nº 10882.902517/200876 Resolução nº 3401000.746 S3C4T1 Fl. 159 3 O próprio contribuinte reconhece que há uma discrepância entre os dados da DCTF e da DIPJ/DACON. Neste passo, não há como afirmar que a DIPJ e a DACON deveriam prevalecer sobre a DCTF, eis que não há esta “hierarquia” entre as declarações prestadas pelo sujeito passivo à RFB, mas sim uma natureza específica a cada uma, cumprindo a esta última o status de instrumento de confissão de dívida e às primeiras a função meramente informativa da apuração do tributo. Outrossim, não procede a afirmação que os dados indicados nas DACON/DIPJ estariam homologados por ausência de questionamento por parte das autoridades fiscais, aliado ao decurso do prazo, o que as tornaria suficiente para comprovação do crédito vindicado. O instituto da homologação em matéria tributária, mormente a modalidade tácita, por representar a aquiescência da autoridade administrativa em relação a procedimentos adotados pelo sujeito passivo ou terceiros submetidos à legislação específica, exige previsão legal para sua ocorrência, não sendo decorrência natural dos atos administrativos ou simplesmente abstraída por presunção. Assim, por exemplo, sua incidência nas hipóteses previstas no art. 150 do CTN e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Tocante à homologação de informações prestadas em declarações à RFB, desconheço a existência de previsão legal que a ampare, de maneira que, enquanto não extinto o direito de exigir o crédito tributário, as autoridades administrativas podem sim desprezálas e, no caso deste autos, o despacho decisório de não homologação da compensação foi expedido no prazo legal. Em hipóteses como esta – divergência entre declarações –, tenho que apenas a contabilidade do contribuinte se sobrepõe às declarações firmadas, porquanto a legislação comercial e civil (e. g. art. 226 do Código Civil, art. 195 do Código Tributário Nacional e arts. 56 e ss da Lei nº 4.502/64) lhe confere expressamente esta força probante, de modo que caberia sua apresentação para contraposição às declarações para checagem do que é realmente devido. Ou seja, a questão diz respeito a prova ou, melhor dizendo, à distribuição do ônus probatório, isto é, a quem caberia fazer a prova do direito em jogo. O contribuinte, na primeira oportunidade em que se manifestou, pugnou pela observância da verdade material, porém, há de se ter em conta, inicialmente, a quem competiria demonstrar o direito vindicado, o que, nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, seria atribuição sua. Destarte, consoante aludido dispositivo, cabe ao autor o ônus de provar o fato constituvio de seu direito, o que, nas hipóteses de pedido de restituição e/ou ressarcimento, atribuise ao sujeito passivo, que é o titular do direito, enquanto nos lançamentos para exigência de crédito tributário este encargo pertence ao sujeito ativo, o Estado, representado pela Fazenda Nacional. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Processo nº 10882.902517/200876 Resolução nº 3401000.746 S3C4T1 Fl. 160 4 Nestes autos, a incumbência da prova então caberia ao contribuinte, que não se desvencilhou de produzila, sendo insuficiente a remissão às declarações, justamente porque as informações são díspares. Aliás, esta observação foi pontualmente feita pela decisão de primeira instância, porém, ainda assim o recorrente não atentou para o ponto. Pelo exposto, entendo que a decisão recorrida deve ser integralmente mantida pelos seus próprios e jurídicos fundamentos, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Voto Vencedor Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA O julgador ao prolatar suas decisões deve atentarse para a função social do processo administrativo, para que ele não se torne apenas um “amontoado de papeis”, que não reflete a verdade real dos fatos. É pacífico o entendimento que a verdade material ou real é princípio que informa o processo administrativo tributário, que se vincula ao princípio da oficialidade, sendo um direito dever da administração perseguir as informações, para que possa prolatar uma decisão equitativa. O abordar o tema em tela, o autor Celso Antônio Bandeira de Mello assim dispôs: “Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrarem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado...” Sendo assim, tendo em vista que as declarações juntadas pela contribuinte apresentam discrepância entre os dados da DCTF e da DIPJ/DACON, é imperioso que os documentos sejam explicados, sob pena de se prolatar uma decisão socialmente ilegítima. CONCLUSÃO Observando a função social do processo, à luz do princípio da verdade material ou real, baixemse os autos à origem, com a finalidade de que sejam refeitos os cálculos e retificadas as informações. Depois de cumprida a diligência, abrase vista à contribuinte, em honra aos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Fl. 160DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Processo nº 10882.902517/200876 Resolução nº 3401000.746 S3C4T1 Fl. 161 5 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 10073.902048/2009-09
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-003.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 48 /2 00 9- 09 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902048/200909 Acórdão n.º 3802003.106 S3TE02 Fl. 123 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902048/200909 Acórdão n.º 3802003.106 S3TE02 Fl. 124 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11070.002400/2007-27
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
CSLL. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO OU DECLARAÇÃO PRÉVIA DE DÉBITO.
São dois os aspectos determinantes e autônomos para verificar se cabe a contagem do prazo decadencial do art. 150, §4º ou do art. 173, inciso I, ambos do CTN.
Primeiro, constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo, sendo que, caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme art. 62-A, Anexo II do Regimento Interno do CARF.
Segundo, verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN.
Situação no qual o lançamento de ofício de CSLL foi efetuado em razão de ajuste na base de cálculo apurada com resultado negativo, e não se constata ocorrência de pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo, amolda-se ao primeiro aspecto, ensejando a aplicação da contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN.
ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS DO ATIVO IMOBILIZADO E DO ATIVO INTANGÍVEL. ATOS NÃO COOPERATIVOS.
A venda de bens do ativo imobilizado e do ativo intangível, ainda que permitida, não se qualifica como ato cooperativo tal qual definido no art. 79 da Lei 5764/71. Constitui-se em ato negocial, de mercancia, com a participação de terceiro não cooperado, escapando da moldura delineada para as atividades inerentes ao cooperativismo.
ATIVO IMOBILIZADO. DISPÊNDIOS A SEREM CONSIDERADOS NA APURAÇÃO DO RESULTADO DECORRENTE DE ATOS NÃO COOPERATIVOS. RESULTADO TRIBUTÁVEL.
O custo do bem alienado, referente ao ativo imobilizado, deve ser considerado integralmente na apuração do ganho de capital, pois este ganho não se caracteriza como ato cooperativo.
ATIVO INTANGÍVEL. DISPÊNDIOS A SEREM CONSIDERADOS NA APURAÇÃO DO RESULTADO DECORRENTE DE ATOS NÃO COOPERATIVOS. RESULTADO TRIBUTÁVEL.
Ativo intangível referente à bacia leiteira, correspondente à coleta efetuada pela cooperativa da produção de leite das fazendas dos cooperados, por meio de caminhões tanque e posteriormente encaminhados para central de processamento, teve dois momentos de auferimento de receitas.
Primeiro, no decorrer de sua operação, foram consideradas como receitas de atos cooperados. Assim, não há que se falar em aproveitar os correspondentes dispêndios incorridos para o seu funcionamento, como fretes como transporte e manutenção de tanques, vez que foram direcionados para a produção de ativos cujas receitas decorreram de atos cooperados, isentos de tributação.
Segundo, no momento de sua alienação, as receitas auferidas foram consideradas decorrentes de atos não cooperativos. E, não estando demonstrada a ocorrência de nenhum dispêndio incorrido no custo de aquisição, o resultado tributável corresponde exatamente á receita advinda da venda do ativo intangível.
CSLL. DEPÓSITOS JUDICIAIS DE PIS E COFINS. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA.
Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151, do Código Tributário Nacional CTN, são indedutíveis para efeito da determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, por traduzir-se em nítido caráter de provisão.
Numero da decisão: 1103-001.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, rejeitar as preliminares, por unanimidade, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, por unanimidade, com exceção da parte do recurso relativa à dedução dos depósitos judiciais de PIS e Cofins, provida pelo Conselheiro Marcos Shigueo Takata.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva..
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 CSLL. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO OU DECLARAÇÃO PRÉVIA DE DÉBITO. São dois os aspectos determinantes e autônomos para verificar se cabe a contagem do prazo decadencial do art. 150, §4º ou do art. 173, inciso I, ambos do CTN. Primeiro, constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo, sendo que, caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme art. 62-A, Anexo II do Regimento Interno do CARF. Segundo, verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN. Situação no qual o lançamento de ofício de CSLL foi efetuado em razão de ajuste na base de cálculo apurada com resultado negativo, e não se constata ocorrência de pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo, amolda-se ao primeiro aspecto, ensejando a aplicação da contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS DO ATIVO IMOBILIZADO E DO ATIVO INTANGÍVEL. ATOS NÃO COOPERATIVOS. A venda de bens do ativo imobilizado e do ativo intangível, ainda que permitida, não se qualifica como ato cooperativo tal qual definido no art. 79 da Lei 5764/71. Constitui-se em ato negocial, de mercancia, com a participação de terceiro não cooperado, escapando da moldura delineada para as atividades inerentes ao cooperativismo. ATIVO IMOBILIZADO. DISPÊNDIOS A SEREM CONSIDERADOS NA APURAÇÃO DO RESULTADO DECORRENTE DE ATOS NÃO COOPERATIVOS. RESULTADO TRIBUTÁVEL. O custo do bem alienado, referente ao ativo imobilizado, deve ser considerado integralmente na apuração do ganho de capital, pois este ganho não se caracteriza como ato cooperativo. ATIVO INTANGÍVEL. DISPÊNDIOS A SEREM CONSIDERADOS NA APURAÇÃO DO RESULTADO DECORRENTE DE ATOS NÃO COOPERATIVOS. RESULTADO TRIBUTÁVEL. Ativo intangível referente à bacia leiteira, correspondente à coleta efetuada pela cooperativa da produção de leite das fazendas dos cooperados, por meio de caminhões tanque e posteriormente encaminhados para central de processamento, teve dois momentos de auferimento de receitas. Primeiro, no decorrer de sua operação, foram consideradas como receitas de atos cooperados. Assim, não há que se falar em aproveitar os correspondentes dispêndios incorridos para o seu funcionamento, como fretes como transporte e manutenção de tanques, vez que foram direcionados para a produção de ativos cujas receitas decorreram de atos cooperados, isentos de tributação. Segundo, no momento de sua alienação, as receitas auferidas foram consideradas decorrentes de atos não cooperativos. E, não estando demonstrada a ocorrência de nenhum dispêndio incorrido no custo de aquisição, o resultado tributável corresponde exatamente á receita advinda da venda do ativo intangível. CSLL. DEPÓSITOS JUDICIAIS DE PIS E COFINS. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151, do Código Tributário Nacional CTN, são indedutíveis para efeito da determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, por traduzir-se em nítido caráter de provisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, rejeitar as preliminares, por unanimidade, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, por unanimidade, com exceção da parte do recurso relativa à dedução dos depósitos judiciais de PIS e Cofins, provida pelo Conselheiro Marcos Shigueo Takata. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva - Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva..
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2566; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 869 1 868 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.002400/200727 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103001.050 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 06 de maio de 2014 Matéria IRPJ COOPERATIVA Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA ALTO URUGUAI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 CSLL. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO OU DECLARAÇÃO PRÉVIA DE DÉBITO. São dois os aspectos determinantes e autônomos para verificar se cabe a contagem do prazo decadencial do art. 150, §4º ou do art. 173, inciso I, ambos do CTN. Primeiro, constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo, sendo que, caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543 C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme art. 62A, Anexo II do Regimento Interno do CARF. Segundo, verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN. Situação no qual o lançamento de ofício de CSLL foi efetuado em razão de ajuste na base de cálculo apurada com resultado negativo, e não se constata ocorrência de pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo, amoldase ao primeiro aspecto, ensejando a aplicação da contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS DO ATIVO IMOBILIZADO E DO ATIVO INTANGÍVEL. ATOS NÃO COOPERATIVOS. A venda de bens do ativo imobilizado e do ativo intangível, ainda que permitida, não se qualifica como ato cooperativo tal qual definido no art. 79 da Lei 5764/71. Constituise em ato negocial, de mercancia, com a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 24 00 /2 00 7- 27 Fl. 805DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 870 2 participação de terceiro não cooperado, escapando da moldura delineada para as atividades inerentes ao cooperativismo. ATIVO IMOBILIZADO. DISPÊNDIOS A SEREM CONSIDERADOS NA APURAÇÃO DO RESULTADO DECORRENTE DE ATOS NÃO COOPERATIVOS. RESULTADO TRIBUTÁVEL. O custo do bem alienado, referente ao ativo imobilizado, deve ser considerado integralmente na apuração do ganho de capital, pois este ganho não se caracteriza como ato cooperativo. ATIVO INTANGÍVEL. DISPÊNDIOS A SEREM CONSIDERADOS NA APURAÇÃO DO RESULTADO DECORRENTE DE ATOS NÃO COOPERATIVOS. RESULTADO TRIBUTÁVEL. Ativo intangível referente à “bacia leiteira”, correspondente à coleta efetuada pela cooperativa da produção de leite das fazendas dos cooperados, por meio de caminhões tanque e posteriormente encaminhados para central de processamento, teve dois momentos de auferimento de receitas. Primeiro, no decorrer de sua operação, foram consideradas como receitas de atos cooperados. Assim, não há que se falar em aproveitar os correspondentes dispêndios incorridos para o seu funcionamento, como fretes como transporte e manutenção de tanques, vez que foram direcionados para a produção de ativos cujas receitas decorreram de atos cooperados, isentos de tributação. Segundo, no momento de sua alienação, as receitas auferidas foram consideradas decorrentes de atos não cooperativos. E, não estando demonstrada a ocorrência de nenhum dispêndio incorrido no custo de aquisição, o resultado tributável corresponde exatamente á receita advinda da venda do ativo intangível. CSLL. DEPÓSITOS JUDICIAIS DE PIS E COFINS. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151, do Código Tributário Nacional CTN, são indedutíveis para efeito da determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, rejeitar as preliminares, por unanimidade, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, por unanimidade, com exceção da parte do recurso relativa à dedução dos depósitos judiciais de PIS e Cofins, provida pelo Conselheiro Marcos Shigueo Takata. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 871 3 Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 670/698 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Santa Maria (fls. 651/665), que apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do art. 142 do Código Tributário Nacional e do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, e não ocorrerem as hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto. PEDIDO DE PERÍCIA Considerase não formulado o pedido de perícia que não indica os quesitos referentes ao exame desejado, o perito, seu endereço e qualificação profissional. PROVA. APRESENTAÇÃO A prova deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de apresentála em outro momento processual. MATÉRIA NÃO CONTESTADA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 Fl. 807DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 872 4 SALDO NEGATIVO DE CSLL. DECADÊNCIA A decadência do direito de o Fisco revisar o lançamento, nos casos de apuração de bases de cálculo negativa, por trazerem reflexos em exercícios subsequentes, só ocorre pelo transcurso do prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador em que for compensada a última parcela da base de cálculo negativa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 ALIENAÇÃO DE IMÓVEL DO ATIVO PERMANENTE. ALIENAÇÃO DE BEM INTANGÍVEL. ATO NÃO COOPERATIVO As operações de alienação de imóvel do ativo permanente e de bens intangíveis não são atividades inerentes às sociedades cooperativas, revestindose das características de ato não cooperativo não abrangidos pela "nãoincidência" prevista em lei para os atos cooperativos. BENS DO IMOBILIZADO. DEPRECIAÇÃO A depreciação de bens do ativo imobilizado é encargo comum dos atos cooperativo e dos atos não cooperativos, pois ambas atividades contribuem para o desgaste dos bens. BENS DO IMOBILIZADO. CUSTO NA ALIENAÇÃO O custo do bem alienado deve ser considerado integralmente na apuração do ganho de capital, pois este ganho não se caracteriza como ato cooperativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 ALIENAÇÃO DE IMÓVEL DO ATIVO PERMANENTE. ALIENAÇÃO DE BEM INTANGÍVEL. ATO NÃO COOPERATIVO As operações de alienação de imóvel do ativo permanente e de bens intangíveis não são atividades inerentes às sociedades cooperativas, revestindose das características de ato não cooperativo não abrangidos pela "nãoincidência" prevista em lei para os atos cooperativos. BENS DO IMOBILIZADO. DEPRECIAÇÃO A depreciação de bens do. ativo imobilizado é encargo comum dos atos cooperativo e dos atos não cooperativos, pois ambas atividades contribuem para o desgaste dos bens. BENS DO IMOBILIZADO. CUSTO NA ALIENAÇÃO Fl. 808DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 873 5 O custo do bem alienado deve ser considerado integralmente na apuração do ganho de capital, pois este ganho não se caracteriza como ato cooperativo. CSLL. BASE DE CÁLCULO. DEPÓSITOS JUDICIAIS DE PIS E COFINS É vedada a dedução da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido das provisões para pagamento do PIS e da Cofins discutidos judicialmente, pois podem resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INAFASTABILIDADE No procedimento de lançamento de ofício são aplicáveis as multas previstas no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, sendo inafastável a sua aplicação em face da vinculação legal do agente administrativo. I. Dos fatos da Autuação Fiscal. Como resultado da ação fiscal iniciada em 20/08/2007 (Termo de Início de Fiscalização de fl. 07), referente aos anoscalendário de 2001, 2002, 2003 e 2004, constatou a autoridade autuante que a fiscalizada, sociedade cooperativa de produção agropecuária, cuja atividade principal é a comercialização dos produtos entregues pelos associados em suas unidades, assim como o fornecimento para os cooperados dos insumos utilizados em suas atividades, industrialização de parte da produção recebida a atuação no ramo de supermercados e combustíveis, incorreu nas seguintes situações descritas: 1) Ano Calendário de 2001: 1.1) Tanto para os custos e despesas diretas quanto indiretas, adotou como critério de segregação o rateio proporcional ao percentual das receitas auferidas com associados e não associados, em procedimento dissonante com o Parecer Normativo CST nº 73/75. Nesse sentido, a autoridade autuante manteve o critério de segregação adotado pela fiscalizada apenas para as despesas e custos indiretos. Por outro lado, as despesas e custos diretos foram apropriados ás receitas correspondentes, nos termos da orientação da norma da Receita Federal. 1.2) Quanto às receitas não operacionais, (1.2.1) a apropriação da receita da reserva de reavaliação de investimentos (R$3.503.481,99), (1.2.2) o ganho de alienação de ações junto à CCGL Cooperativa Central Gaúcha de Leite (R$1.837.817,31) e (1.2.3) a receita de alienação de bens do ativo imobilizado (R$74.430,94) foram apropriadas de forma proporcional ao percentual das receitas auferidas com associados e não associados. Por sua vez, a Fiscalização considerou as receitas como de natureza atípica, não enquadradas no conceito de ato cooperativo, razão pela qual foram tributadas como receitas decorrentes de operações de terceiros, assim como as receitas correspondentes foram classificadas como não operacionais. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 874 6 1.3) Não foi adicionado no LALUR, na base de cálculo da CSLL, o valor dos depósitos judiciais para o PIS e a Cofins (R$507.803,09). Nesse sentido, a autoridade autuante inclui tais valores na base tributável da CSLL. 1.4) Para o IRPJ, que apresentou na base de cálculo com resultado positivo, não foi efetuado lançamento, vez que atingido pela decadência prevista no art. 150, § 4º do CTN. Para a CSLL, em razão da base de cálculo apurada com resultado negativo, foi ajustada pela autoridade autuante, tendo em vista o reflexo nos exercícios seguintes. 2) AnoCalendário de 2002 2.1) Ajustes nos mesmos termos do item 1.1. 2.2) Quanto às receitas não operacionais, a receita de alienação de bem do ativo imobilizado (R$328.566,00) foi apropriada de forma proporcional ao percentual das receitas auferidas com associados e não associados. Por sua vez, a Fiscalização considerou as receitas como de natureza atípica, não enquadradas no conceito de ato cooperativo, razão pela qual foram tributadas como receitas decorrentes de operações de terceiros, assim como as receitas correspondentes foram classificadas como não operacionais. 2.3) Foram efetuados ajustes nos mesmos termos do item 1.3, referentes a depósitos judiciais de PIS e Cofins (R$671.973,37). 3) AnoCalendário de 2003 3.1) Ajustes nos mesmos termos do item 1.1. 3.2) Quanto às receitas não operacionais, a receita de alienação de bem do ativo imobilizado, referente à alienação da bacia leiteira para a CCGL (R$2.000.000,00) foi apropriada integralmente como operação para associados. Por sua vez, a Fiscalização considerou as receitas como de natureza atípica, não enquadradas no conceito de ato cooperativo, razão pela qual foram tributadas como receitas decorrentes de operações de terceiros, assim como as receitas correspondentes foram classificadas como não operacionais. 3.3) Foram efetuados ajustes nos mesmos termos do item 1.3, referentes a depósitos judiciais de PIS e Cofins (R$979.798,28). 4) AnoCalendário de 2004. 4.1) Foram efetuados ajustes nos mesmos termos do item 1.3, referentes a depósitos judiciais de PIS e Cofins (R$235.651,98). Foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, de fls. 476/497, cuja ciência à contribuinte deuse em 28/09/2007. II. Da Fase Contenciosa. A contribuinte apresentou impugnação de fls. 507/533 no qual discorreu sobre os seguintes pontos: A venda da denominada "Bacia Leiteira", que se constitui em uma operação de transpasse das atividades de fomento, transporte, recebimento e compra da produção de leite Fl. 810DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 875 7 in natura dos produtores rurais de sua área de atuação, caracterizase como uma operação de venda de ativo intangível de propriedade dos seus associados, pois passível de valoração econômica. Cooperados que, representados negocialmente pela cooperativa, transferiram o seu direito para um terceiro. A classificação entre os ingressos não operacionais foi meramente para fins de atendimento da norma contábil, não significando em absoluto tratarse de operação que não esteja diretamente relacionada com os associados. A bacia leiteira não foi adquirida para ser revendida e com isso realizar um ganho, tratase de um bem intangível de propriedade de seus associados que teve um custo de formação ao longo dos anos, muitas vezes superior ao valor da venda, e que não foi registrado no imobilizado por impedimento legal, fazendo com que se apurasse resultado positivo com o registro do ingresso dos recursos. Tal ganho deve ser creditado integralmente aos associados, por ser deles e não como procedeu o fiscal. Se ocorrer alguma tributação, ela deve ocorrer sobre as sobras que eventualmente o associado venha receber por deliberação da assembléia geral, a exemplo das demais atividades do leite. A tributação não pode incidir sobre o valor bruto da operação, pois o custo de formação da referida bacia leiteira nunca reduziu a base de cálculo para a tributação, pois sempre foi considerado integralmente como de associados, considerando que, em relação ao leite, a cooperativa operava somente com associados. Os depósitos judiciais de PIS e Cofins não foram adicionados na base de cálculo da CSLL porque não há previsão legal nesse sentido. O princípio da legalidade insculpido na Constituição Federal veda a exigência ou aumento de tributo quando não previsto em lei. Por outro lado, os depósitos judiciais não podem ser tratados como provisão, pois foram declarados como devidos nas DIPJs e DCTFs, e portanto, se constituem em confissão de dívida, conforme texto do recibo de entrega em anexo. O Conselho Federal de Contabilidade, por meio da Resolução n° 1.066, define que os tributos e contribuições previstos na legislação federal, reconhecidos na contabilidade com base nessa legislação, não constituem provisões, mas reconhecimento de obrigação. A Receita Federal do Brasil, quando se refere em provisão contábil, não pode criar conceito próprio e diverso do que as normas contábeis estabelecem, que é de competência daquele Conselho. O fato de se valer do direito de questionar a legalidade de um tributo não pode lhe retirar o direito de dedutibilidade, pois, enquanto não tiver uma decisão transitada em julgado em seu favor, os valores apurados e declarados constituem obrigação fiscal e não uma mera provisão, constituída a critério do contribuinte para reduzir a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social. No que se refere ao resultado com a venda de bens do imobilizado, o auto de infração está equivocado, pois os bens foram adquiridos para atendimento dos objetivos sociais, ou seja, por interesse do quadro social. Os resultados positivos decorrem de ter sido o valor contábil (residual) reduzido pelo registro das depreciações que se constituíram em despesas, desde. a compra do bem, proporcionais às operações com cooperados e não cooperados, não podem por isso ser tributados integralmente. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 876 8 O próprio Auditor, ao ajustar os demonstrativos de resultados elaborados pela cooperativa, atribuiu parcela das despesas com depreciação dos bens às operações com cooperados, o que se constitui uma contradição em relação a pretensão de tributar a totalidade do resultado, pois este deve ser apurado com confrontação entre as receitas e as respectivas despesas. Nesse caso, foi considerada a totalidade da receita como operações com não cooperados e as despesas somente na proporcionalidade. O ajuste da base de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2001 importa em ato de constituição de crédito, pois traz reflexos para os anoscalendário posteriores, foi alcançada pela decadência, conforme previsto no art. 173 do Código Tributário Nacional. A multa de oficio, no percentual de 75%, afronta o disposto no art. 150, inc. V, da Constituição Federal, por ter caráter confiscatório, devendo ser reduzida para o percentual de 30%. Requer a declaração de nulidade e inconstitucionalidade dos autos de infração, pelas razões expostas, e possibilidade da juntada de todas as informações necessárias a comprovação do seu direito e perícia contábil para apuração dos valores devidos, em face da demonstrada presença de anatocismo nos cálculos, no parcelamento, na imposição de multas acumuladas e taxa Selic acumulada. A defesa na primeira instância administrativa foi apreciada pela 1ª Turma da DRJ/Santa Maria, em sessão realizada no dia 02/07/2009, que julgou o lançamento procedente, no Acórdão nº 1810.976, de fls. 651/665. Inconformada com a decisão a quo, da qual tomou ciência em 19/08/2009 (fl. 666), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 14/09/2009 de fls. 670/698, no qual repisou os pontos apresentados na impugnação, e acrescentou as seguintes observações: quanto à inclusão dos depósitos judiciais de PIS e Cofins á base de cálculo da CSLL, aduz que se trata de procedimento sem base legal, e que o art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995 não se aplicaria ao caso concreto, conforme se pode observar, inclusive, nas instruções de preenchimento da DIPJ do anocalendário de 2003; a respeito da decadência para o ajuste da base de cálculo negativa da CSLL, discorre que se trata de entendimento que foi ratificado pelo relator da DRJ; como pedido alternativo, pugna pela redução de multa de ofício imputada. Em 28/03/2014, foi solicitada juntada de petição, que discorre sobre os seguintes pontos: não teria sido juntada aos autos petição protocolada em 06/08/2010, que visava complementar o recurso voluntário interposto em 14/09/2009; aduz sobre ocorrência de erro na base de cálculo, na medida em que não teria sido deduzido o valor de R$240.000,00 ao se aplicar a alíquota de 10% referente ao adicional de imposto de renda, o que eivaria de nulidade o lançamento fiscal; Fl. 812DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 877 9 devem ser considerados, no cálculo do valor supostamente devido referente á venda da bacia leiteira, caso mantido o entendimento de que seria receita decorrente de atos não cooperativos, todos os custos incorridos, a título de dedução, conforme os DRE acostados e que devem ser juntados aos presentes autos em respeito ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura O recurso voluntário de fls. 670/698 foi interposto em 14/09/2009, ou seja, tempestivamente, e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Contudo, há mais uma peça apresentada pela recorrente, qual seja, a petição juntada em 28/03/2014 como um complemento ao recurso voluntário. Aduz a contribuinte que teria protocolado a petição na unidade da Receita Federal em 06/08/2010 e constatou que tal peça não constava os autos do processo. Sob qualquer data que se analise, tanto 06/08/2010 quanto 28/03/2014, entendo que não deve ser admitida, por estar intempestiva, vez que a ciência da decisão de primeira instância deuse em 19/08/2009. O Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o PAF (Processo Administrativo Fiscal), não deixa dúvidas sobre o prazo: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) § 2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. (grifei) Mesmo a juntada de prova documental em data posterior ao prazo legal previsto para apresentação de defesa submetese a condições específicas: Fl. 813DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 878 10 Art. 57 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: I fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; II refirase a fato ou a direito superveniente; ou III destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. A única situação em que poderia ensejar a admissibilidade de petição “complementar” fora do prazo seria no caso de se argüir matéria de ordem pública, como nulidade ou decadência. O teor da petição trata de dois aspectos, primeiro, de um possível erro na apuração do IRPJ, referente à aplicação do percentual de 10% referente ao adicional do imposto (o que não ocorreu, vez que a base de cálculo sobre o qual recaiu o lançamento de ofício foi sobre valor excedente a R$240.000,00), e segundo, da dedução de custos e despesas decorrentes da utilização da bacia leiteira, que é matéria de mérito, ou seja, não suscetível de apreciação por meio de peça extemporânea. Ainda, há que se registrar que o argumento já foi apresentado no recurso voluntário, à fl. 688. Nesse sentido, não conheço da petição acostada aos autos em 28/03/2014, por ser intempestiva. Prejudicial de Mérito. A recorrente protesta pela decadência do ajuste efetuado na base de cálculo negativa da CSLL relativa ao anocalendário de 2001, vez que tomou ciência do lançamento fiscal em 28/09/2007. Entendo que não assiste razão à recorrente. Isso porque, para a devida contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, há que se observar entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62A, Anexo II do Regimento Interno do CARF. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 879 11 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 880 12 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(grifei) Ou seja, são dois os aspectos determinantes para verificar se cabe a contagem do prazo decadencial do art. 150, §4º ou do art. 173, inciso I, ambos do CTN: 1º) constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo, sendo que, caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62A, Anexo II do Regimento Interno do CARF; 2º) verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN. Quanto ao conceito de declaração prévia de débito, entendo, numa acepção geral, que se caracteriza por ato que implique em confissão da dívida por parte do sujeito passivo. Assim, podem também ser considerados, além do pagamento espontâneo, por exemplo, o debito confessado em DCTF, em compensação tributária ou parcelamento. Contudo, há que se fazer uma ressalta no caso de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Isso porque a Procuradoria da Fazenda Nacional já se pronunciou, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 1.658, de 2011, no sentido de que, não constituindo crédito tributário, o valor apurado por estimativa a título de antecipação do tributo não pode ser inscrito em Dívida Ativa da União, que pressupõe a existência de crédito tributário regularmente constituído e cingido dos atributos da certeza e liquidez, como se pode observar na ementa: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líqüido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Impossibilidade de inscrição das estimativas em Dívida Ativa da União. Inexistência de crédito tributário. Ausência de certeza e liquidez. São esclarecedores os fragmentos do parecer: 18. Daí que o valor apurado mensalmente por estimativa, a título de antecipação do tributo devido, não assume a natureza de obrigação e crédito tributários. (...) 22. É patente, assim, que, não constituindo crédito tributário, o valor apurado por estimativa a título de antecipação do tributo não pode ser inscrito em Dívida Ativa da União, que pressupõe a existência de crédito tributário regularmente constituído e cingido dos atributos da certeza e liqüidez. (grifos originais) Fl. 816DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 881 13 Assim, em se tratando de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, não basta que estejam confessadas por meio de DCTF, parcelamento ou declaração de compensação. Como não podem ser inscritas em Dívida Ativa, devem estar efetivamente extintas, o que ocorre por ocasião de, por exemplo, pagamento espontâneo ou compensação homologada, situação que autoriza a contagem do prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN. Iniciando a análise do caso concreto, verificase que tomou ciência dos autos de infração a recorrente em 28/09/2007. Por sua vez, o fato gerador da CSLL, no caso de empresa optante pelo lucro real anual, aperfeiçoouse em 31/12/2001. Como o lançamento de ofício de CSLL foi efetuado em razão de ajuste na base de cálculo apurada com resultado negativo, e não se constatou a ocorrência de pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo, aplicase a contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN. Nesse sentido, como o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado a partir de 01/01/2002, o termo inicial da contagem da decadência deuse em 01/01/2003 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Assim, consumouse o prazo decadencial em 31/12/2007. Tendo a ciência dos lançamentos de ofício ocorrido em 28/09/2007, não há que se falar em decadência no caso em análise. Nesse sentido, afasto a prejudicial de mérito argüida pela recorrente. Mérito. Matéria Devolvida. A partir da análise do lançamento fiscal, da impugnação apresentada, da decisão de primeira instância e do recurso voluntário interposto, considero relevante apresentar o quadro a seguir, para delimitar a matéria referente ao mérito devolvida para este Tribunal. Ano Calendário Item Mérito infrações tributárias Impugnado (S/N) Matéria Devolvida (S/N) 1 Apropriação de Custos e Despesas Diretas N N 2 Reserva de Reavaliação de Investimentos N N 3 Ganho de Alienação de Ações junto à CCGL N N 4 Receita de Alienação de Bens do Ativo Imobilizado S S 2001 5 Dedução dos depósitos judiciais de PIS e Cofins S S 6 Apropriação de Custos e Despesas Diretas N N 7 Receita de Alienação de Bens do Ativo Imobilizado S S 2002 8 Dedução dos depósitos judiciais de PIS e Cofins S S 9 Apropriação de Custos e Despesas Diretas N N 10 Receita de Alienação de Bens do Ativo Imobilizado Bacia Leiteira S S 2003 11 Dedução dos depósitos judiciais de PIS e Cofins S S 2004 12 Dedução dos depósitos judiciais de PIS e Cofins S S Os itens 1, 2, 3, 6 e 9 já foram considerados, pela decisão da 1ª Turma da DRJ/Santa Maria como matérias não impugnadas. São matérias devolvidas, portanto, os itens 4, 5, 7, 8, 10, 11 e 12. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 882 14 Receita de Alienação de Bens do Ativo Imobilizado. Receita de Alienação de Bens do Ativo Imobilizado Bacia Leiteira (Itens 4, 7, 10). Dispêndios Incorridos Referentes aos Ativos. Protesta a recorrente que, sob a venda dos bens de ativo imobilizado, a Fiscalização apurou a receita integral como decorrente de atos não cooperados, sem considerar o custo deduzido do valor contábil por conta da depreciação. Ainda, que no se refere à venda de “bacia leiteira”, tratase de transferência de um ativo intangível de propriedade dos cooperados para um terceiro. Ou seja, o bem seria de propriedade do associado, e, no caso de incidir tributação, deveria ter ocorrido sobre a pessoa física dos associados, e não sobre a cooperativa. Ambas as situações tratam de venda de bens de ativo da cooperativa a um terceiro, não cooperado. Nesse contexto, a princípio, vale observar como a legislação trata da dissociação entre os atos cooperativos e não cooperativos das sociedades cooperativas. A Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, ao definir a Política Nacional de Cooperativismo e instituir o regime jurídico das sociedades cooperativas, dentre outras providências, veio definir o que seria o ato cooperativo no artigo 79: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (grifei) Contudo, o mencionado diploma legal admitiu que as sociedades cooperativas poderiam praticar outros atos, denominados como não cooperativos, desde que necessários para que seus objetivos e finalidades pudessem ser atingidos, como as operações previstas nos artigos 85, 86 e 88: Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Parágrafo único. No caso das cooperativas de crédito e das seções de crédito das cooperativas agrícolas mistas, o disposto neste artigo só se aplicará com base em regras a serem estabelecidas pelo órgão normativo. (Revogado pela Lei Complementar nº 130, de 2009) Art. 88. Mediante prévia e expressa autorização concedida pelo respectivo órgão executivo federal, consoante as normas e Fl. 818DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 883 15 limites instituídos pelo Conselho Nacional de Cooperativismo, poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas públicas ou privadas, em caráter excepcional, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.16840, de 24 de agosto de 2001) Parágrafo único. As inversões decorrentes dessa participação serão contabilizadas em títulos específicos e seus eventuais resultados positivos levados ao "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" (Revogado pela Medida Provisória nº 2.16840, de 24 de agosto de 2001) Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16840, de 24 de agosto de 2001) (grifei) Por sua vez, os rendimentos auferidos em tais operações devem ser submetidos à tributação regular, conforme disposto no art. 111 da lei em referência: Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. (grifei) Observase que a cooperativa pode desenvolver diversas atividades visando à consecução dos seus objetivos sociais. Contudo, a legislação estabelece uma diferenciação, que toma como parâmetro a destinação das receitas decorrentes de cada ato praticado. Não por acaso, o art. 79 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, delimita como atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre os associados e as cooperativas e os praticados entre cooperativas quando associadas, sempre visando cumprir os objetivos sociais. A cooperativa auxilia o cooperado tanto no processo de produção, fornecendo insumos e assistência técnica, quanto no processo, distribuição e comercialização do produto final, caracterizando o ato cooperado, cujas receitas não são tributáveis. São atividades viabilizando o proveito comum, permitindo a colocação do cooperado, muitas vezes de pequeno porte, no mercado em condições mais favoráveis diante de uma concorrência com agentes com maior poder econômico. Tal sistemática não impede a cooperativa de atuar em outros segmentos visando a consecução dos seus objetivos sociais e a sua própria sobrevivência. Contudo, tais atividades são consideradas atos não cooperados, vez que nesse caso a cooperativa é colocada em igualdade de condições com os demais agentes de mercado. Tratase de situação prevista no parágrafo único do art. 79 do ato normativo que trata do cooperativismo, ao predicar que o ato cooperativo não implica operação de mercado e nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Tratase precisamente da situação colocada nos autos. A alienação de bens, seja do ativo permanente, ou de ativo intangível, para terceiro, escapa da moldura Fl. 819DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 884 16 delineada para os atos cooperativos. Constituise em ato negocial, de mercancia, com a participação de terceiro. No CARF, há precedente na Câmara Superior de Recursos Fiscais endossando esse entendimento. IRPJ/CSL — COOPERATIVAS — GANHO NA VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO — ATO NÃOCOOPERATIVO — A venda de ativo imobilizado, ainda que permitida, não se qualifica como ato cooperativo tal qual definido no art. 79 da Lei 5764/71. Portanto, o ganho de tal operação está sujeita à tributação pelo IRPJ e CSL (art. 111, Lei 5764). (Câmara Superior de Recursos Fiscais. Primeira Turma. Acórdão CSRF/0105.139. Sessão 29/11/2004. Relator José Henrique Longo) Por sua vez, no STJ, a matéria já foi amplamente debatida, com vários precedentes, inclusive objeto de julgamento em sede de recurso especial representativo de controvérsia, submetido ao regime do art. 543C, do CPC. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RESULTADO POSITIVO DECORRENTE DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS PELAS COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. ATOS NÃOCOOPERATIVOS. SÚMULA 262/STJ. APLICAÇÃO. 1. O imposto de renda incide sobre o resultado positivo das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas, por não caracterizarem "atos cooperativos típicos" (Súmula 262/STJ). 2. A base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas (critério quantitativo da regra matriz de incidência tributária) compreende o lucro real, o lucro presumido ou o lucro arbitrado, correspondente ao período de apuração do tributo. 3. O lucro real é definido como o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária (artigo 6º, do DecretoLei 1.598/77, repetido pelos artigos 154, do RIR/80, e 247, do RIR/99). 4. As sociedades cooperativas, quando da determinação do lucro real, apenas podem excluir do lucro líquido os resultados positivos decorrente da prática de "atos cooperativos típicos", assim considerados aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais (artigo 79, caput, da Lei 5.764/71). 5. O artigo 111, da Lei das Cooperativas (Lei 5.764/71), preceitua que são consideradas rendas tributáveis os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de aquisição de produtos ou de fornecimento de bens e serviços a não associados (artigos 85 e 86) e de participação em sociedades Fl. 820DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 885 17 não cooperativas (artigo 88), assim dispondo os artigos 87 e 88, parágrafo único, do aludido diploma legal (em sua redação original): "Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social' e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Mediante prévia e expressa autorização concedida pelo respectivo órgão executivo federal, consoante as normas e limites instituídos pelo Conselho Nacional de Cooperativismo, poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas públicas ou privadas, em caráter excepcional, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares. Parágrafo único. As inversões decorrentes dessa participação serão contabilizadas em títulos específicos e seus eventuais resultados positivos levados ao 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social'." 6. Outrossim, o Decreto 85.450/80 (Regulamento do Imposto de Renda vigente à época) preceituava que: "Art. 129 As sociedades cooperativas, que obedecerem ao disposto na legislação específica, pagarão o imposto calculado unicamente sobre os resultados positivos das operações ou atividades: I de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais (Lei n. 5.764/71, artigos 85 e 111); II de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais (Lei n. 5.764/71, artigos 86 e 111). III de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares, desde que prévia e expressamente autorizadas pelo órgão executivo federal competente (Lei n. 5.764/71, artigos 88 e 111). § 1º É vedado às cooperativas distribuir qualquer espécie de benefício às quotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei n. 5.764/71, art. 24, § 3º, e DecretoLei n. 1.598/77, art. 39, I, b). Fl. 821DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 886 18 § 2º A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Regulamento." 7. Destarte, a interpretação conjunta dos artigos 111, da Lei das Cooperativas, e do artigo 129, do RIR/80, evidencia a mens legislatoris de que sejam tributados os resultados positivos decorrentes de atos não cooperativos, ou seja, aqueles praticados entre a cooperativa e não associados, ainda que para atender a seus objetivos sociais. 8. Deveras, a caracterização de atos como cooperativos deflui do atendimento ao binômio consecução do objeto social da cooperativa e realização de atos com seus associados ou com outras cooperativas, não se revelando suficiente o preenchimento de apenas um dos aludidos requisitos. 9. Ademais, o ato cooperativo típico não implica operação de mercado, ex vi do disposto no parágrafo único, do artigo 79, da Lei 5.764/71. 10. Conseqüentemente, as aplicações financeiras, por constituírem operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam "atos nãocooperativos", cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda. 11. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 (REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009). Registrese que, mesmo tendo o referido julgamento tratado do “resultado positivo das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas”, as razões de decidir não deixam dúvidas, no sentido de que “(...) as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam 'atos nãocooperativos', cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda”. No que concerne à base de cálculo adotada pela autoridade autuante a título de receitas decorrentes de atos não cooperativos nas operações em debate, ou seja, aos dispêndios considerados na apuração dos resultados tributáveis, cabem as seguintes considerações. Quanto á alienação dos bens do ativo imobilizado, observase no demonstrativo de fls. 455/457 que a Fiscalização considerou o custo/aquisição do patrimônio. Já a aplicação dos encargos de depreciação são decorrentes da legislação contábil e fiscal, decorrente do fato de que o bem imobilizado tem um período de vida útil limitado sob a ótica econômica. O acórdão da DRJ tratou com precisão do ponto. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 887 19 O custo do bem (valor de aquisição menos a depreciação) foi considerado integralmente na apuração do ganho de capital, pois, conforme tratado acima, esse ganho não se caracteriza como ato cooperativo, por incrementar o patrimônio da cooperativa, que, em outras palavras, é o incremento do patrimônio do próprio cooperado. As duas coisas não se confundem. A depreciação é encargo comum dos atos cooperativos e dos atos não cooperativos, pois ambas as atividades contribuem para o desgaste dos bens. A parcela da depreciação atribuída aos atos cooperativos reduziu a tributação dos resultados tributáveis do cooperado, uma vez que reduziu o valor das "sobras". A parcela da depreciação atribuída aos atos não cooperativos reduziu a tributação dos resultados tributáveis na cooperativa. O ganho de capital não distribuído aos associados, capitaliza a sociedade e incrementa o patrimônio do associado na cooperativa, por isso todo o custo do bem deve ser atribuído à operação de apuração do ganho tributável. O resultado final será sempre o mesmo. Exemplificando. A cooperativa aliena um bem, já integralmente depreciado, que somente foi utilizado nas operações com associados. Toda a depreciação lançada a efeito como custo nas operações com associados reduziu o valor tributável desses associados, já que reduziu o valor das "sobras". Nesse caso, o valor do ganho de capital, que corresponde ao valor da venda, não sendo distribuído ao associado, será tributado na cooperativa. Caso fosse distribuído aos associados, a tributação se daria pelos associados. Por sua vez, o ativo intangível, representado pela denominada “bacia leiteira”, trata da coleta que era efetuada pela cooperativa, da produção de leite das fazendas dos cooperados, por meio de caminhões tanque, e posteriormente encaminhados à Central Gaúcha de Leite Ltda – CCGL (que alterou a razão social para ELEGÊ ALIMENTOS S/A) para comercialização. Por meio da “Cessão e Venda de Bacia Leiteira Com Atividade de Fomento, de Produção de Leite In Natura e Outras Avencas”, a cooperativa cessionou as atividades de fomento, transporte, recebimento, compra e venda da produção de leite in natura dos cooperados para a Elegê Alimentos. E, antes de se falar em dispêndios relativos ao custo de aquisição, há que se analisar, antes, aqueles incorridos no decorrer da operação da bacia leiteira. São situações diferentes, que devem ser devidamente dissociadas. Uma trata de operação referente a ato não cooperado (alienação da bacia leiteira), e outra de atividades decorrentes de atos cooperados (funcionamento da bacia leiteira). As despesas decorrentes de frete com transporte, manutenção de tanques, dentre outros, geradas no decorrer da operação da bacia leiteira, foram direcionadas para a produção de ativos cujas receitas decorreram de atos cooperados, não sujeitos à tributação. Tratamse de dispêndios que representaram esforços no sentido de auferir rendimentos isentos de tributação. Assim, no mesmo sentido em que tais receitas não foram tributadas, por serem decorrentes de atividades cooperativas, não há que se falar no aproveitamento das Fl. 823DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 888 20 correspondentes despesas. Portanto, não devem ser consideradas como custo de aquisição a ser deduzido em eventual alienação do ativo intangível. Por outro lado, ao se analisar a ocorrência de dispêndios que pudessem ser considerados como custo de aquisição do ativo intangível, constatase, pelo teor do contrato de cessão da bacia leiteira, que a ELEGÊ, em comodato, repassou à recorrente quarenta e dois tanques de inox, que, por sua vez, cedeu os tanques para empresas de transporte terceirizadas. Por sua vez, com a alienação da “bacia leiteira”, foi convencionado o distrato do contrato de comodato, sem ônus para as partes. Verificase que os documentos acostados aos autos não demonstram a ocorrência de nenhum dispêndio referente á aquisição do ativo intangível, que pudesse ser considerado na apuração das receitas não cooperativas decorrentes da alienação da bacia leiteira. E, ainda que pudesse se falar em algum custo, há que se recordar que foi advertida a recorrente sobre a necessidade de comprovação desde a decisão de primeira instância, do qual tomou ciência em 19/08/2009 (mais de quatro anos do presente julgamento) e não tomou nenhuma providência. O art. 57 do Decreto nº 7.574, de 2011 determina que a defesa de estar instruída com os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Nesse sentido, mostrouse correta a autuação fiscal. Dedução dos depósitos judiciais de PIS e Cofins (Itens 5, 8, 11 e 12) Aduz a recorrente que possui ações judiciais contra a cobrança do PIS e Cofins, tendo efetuado depósitos judiciais para suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Em relação ao IRPJ, a contribuinte adicionou ao lucro líquido os valores relativos aos depósitos, por entender que se tratam de provisão, e não despesas. Contudo, não adotou o mesmo procedimento para a CSLL, sob a alegação de não haveria previsão legal para tanto, que os débitos foram declarados em DCTF e DIPJ constituindose em confissão de dívida e que o Conselho Federal de Contabilidade, por meio da Resolução n° 1.066, define que os tributos e contribuições não constituem provisões, mas reconhecimento de obrigação. Por sua vez, a autoridade fiscal incluiu as provisões na base de cálculo da CSLL, com base no art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, com redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990, e o art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995: (Lei nº 7.689, de1988) Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: (...) c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) (Lei nº 9.249, de 1995) Fl. 824DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 889 21 Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (Vide Lei 9.430, de 1996) Tratase de matéria já discutida nessa Turma, no Acórdão nº 1103000.822, da sessão de 06/03/2013. Apesar de não ter participado do debate, posicionome favoravelmente aos argumentos apresentado pelo Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, que peço vênia para transcrever a seguir. Ao tratar do tema “provisões”, Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins, Ernesto Rubens Gelbcke e Ariovaldo dos Santos (in Manual de contabilidade societária. São Paulo: Atlas, 2010, p.335) lecionam: “(...) As provisões podem ser distinguidas de outros passivos quando há incertezas sobre os prazos e valores que serão desembolsados ou exigidos para sua liquidação. (...) Assim, uma provisão somente deve ser reconhecida quando atender, cumulativamente, as seguintes condições: (a) a entidade tem uma obrigação legal ou não formalizada presente como consequência de um evento passado; (b) é provável a saída de recursos para liquidar a obrigação; e (c) pode ser feita estimativa confiável do montante da obrigação.” Tais autores complementam a exposição com esclarecimentos sobre o alcance das expressões “obrigação presente”, “evento passado”, “probabilidade de saída de recursos” e “estimativa confiável”. Quanto à obrigação presente, “...caracterizase por evidência disponível de que é mais provável que vai existir a obrigação do que não”. A respeito das demais: “Um evento passado é aquele que tem condições de criar obrigações. As obrigações são criadas quando a entidade não tem outra alternativa senão liquidar a obrigação gerada do evento, seja por imposição legal ou pelo fato do evento criar expectativas válidas em terceiros, de que a entidade cumprirá a obrigação, dada as práticas passadas da empresa, política de atuação ou declaração (...). Para o reconhecimento do passivo, além da obrigação presente, é condicionante a probabilidade de saída de recursos que incorporam benefícios econômicos futuros para sua liquidação, sendo que a probabilidade é maior de ocorrer do que de não ocorrer. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 890 22 As estimativas são essenciais quando se trata de provisões devido à sua característica intrínseca de incerteza. A estimativa conjunto de desfechos possíveis (...). As estimativas levam em consideração os riscos e incertezas, onde o risco representa a variabilidade dos desfechos possíveis.” Nesse contexto, não se desconhece a Norma e Procedimento de Contabilidade (NPC 22), sobre Provisões, Passivos, Contingências Passivas e Contingências Ativas, do Instituto Brasileiro dos Auditores Independentes – IBRACON (elaborada em conjunto com a Comissão de Valores Mobiliários), aprovada pela Deliberação CVM nº 489, de 3 de outubro de 2005, e considerada obrigatória para as companhias abertas. Em seu Anexo II contemplou exemplo (4a), a respeito da introdução de um novo tributo ou alteração da alíquota, inserido por dispositivo legal, em que a empresa entende ser inconstitucional. De acordo com a NPC 22, não se trataria de uma provisão, mas de uma obrigação legal. Vejamos: “A administração de uma entidade entende que uma determinada lei federal, que alterou a alíquota de um tributo ou introduziu um novo tributo, é inconstitucional. Por conta desse entendimento, ela, por intermédio de seus advogados, entrou com uma ação alegando a inconstitucionalidade da lei. Nesse caso, existe uma obrigação legal a pagar à União. Assim, a obrigação legal deve estar registrada, inclusive juros e outros encargos, se aplicável, pois estes últimos têm a característica de uma provisão derivada de apropriações por competência. Trata se de uma obrigação legal e não de uma provisão ou de uma contingência passiva, considerando os conceitos da NPC.” (...) Hiromi Higuchi, Fábio H. Higuchi e Celso H. Higuchi (in Imposto de Renda das empresas: interpretação e prática. 36ª ed. São Paulo, IR Publicações, 2011, pp.372373), ao tratarem do art.41 da Lei nº 8.981/95, afirmam: “(...) Essa lei veio dar coerência à dedutibilidade dos tributos contestados pelos contribuintes, ou seja, se alegam que a cobrança é ilegal ou inconstitucional não poderão, ao mesmo tempo, dizer que se tratam de despesas incorridas”. Não se tratando de despesas incorridas, a reserva de valores lançados na escrituração contábil nada mais representa que mera provisão. A provisão não dedutível na determinação do lucro real terá que ser adicionada também na apuração da base de cálculo da CSLL porque assim determina o art.2º da Lei nº 7.689/88, alterado pelo art.2º da Lei nº 8.034/90. O imposto ou a contribuição como ICMS, PIS, COFINS, IOF etc. com exigibilidade suspensa por impugnação ou recurso administrativo ou medida judicial favorável não constitui despesa incorrida mas mera provisão. Despesa incorrida é a Fl. 826DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 891 23 irreversível enquanto a provisão pode resultar em despesa incorrida ou não, dependendo da decisão final na esfera administrativa ou judicial.” (destaquei) Inclusive, há precedentes na Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais contemplando tal entendimento, nos acórdãos nº 910100.592, de 18 de maio de 2010, e nº 9101001.512, de 20/11/12 (cuja ementa é transcrita a seguir): CSLL. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151, do Código Tributário Nacional CTN, são indedutíveis para efeito da determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. (Processo 10680.015676/200481, Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão 20/11/2012, Relator Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz) Portanto, entendo que não cabe reparo no procedimento adotado pela autoridade tributária. Enfim, quanto aos protestos referentes à multa de ofício que, seria inconstitucional, e da cobrança de “deveres acessórios”, que suponho ser uma referência à taxa de juros moratórios, há que se esclarecer são matérias previstas em lei, não sujeitas à apreciação do CARF, tanto que já se encontram sumuladas: Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Assinatura Digital André Mendes de Moura Fl. 827DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 11070.002400/200727 Acórdão n.º 1103001.050 S1C1T3 Fl. 892 24 Fl. 828DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 35011.003749/2006-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/04/2001
CO-RESPONSÁVEIS
Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Auto de Infração, para esclarecer a composição societária da empresa no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança.
ÓRGÃO PÚBLICO CARGO EM COMISSAO. RGPS.
O servidor não efetivo, ocupante de cargo em comissão deve, obrigatoriamente, contribuir para o Regime Geral de Previdência Social - RGPS.
DIÁRIAS
O valor das diárias pagas, quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal, integra o salário de contribuição.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
NULIDADE DO LANÇAMENTO - VÍCIO MATERIAL
O lançamento deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, sob pena de nulidade por vício material.
IMUTABILIDADE DO LANÇAMENTO
O lançamento constituído pela autoridade administrativa e regularmente notificado ao sujeito passivo, somente poderá ser modificado, nos termos do art. 145, do Código Tributário Nacional, pela impugnação do sujeito passivo, por recurso de ofício ou por iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no art. 149, do mesmo diploma legal. A alteração do lançamento através da impugnação do sujeito passivo, visa o seu benefício, estando vedada a alteração do lançamento para agravar-lhe a situação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.270
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores lançados a maior do que o constante no lançamento originário, quando efetuada a retificação do crédito nas competências de 04/2000 e 04/2001, em respeito ao artigo 145, do Código Tributário Nacional e para excluir a rubrica "bolsas de estudo", por vício material, por não restar demonstrada a ocorrência dos fatos geradores.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 30/04/2001 CO-RESPONSÁVEIS Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Auto de Infração, para esclarecer a composição societária da empresa no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança. ÓRGÃO PÚBLICO CARGO EM COMISSAO. RGPS. O servidor não efetivo, ocupante de cargo em comissão deve, obrigatoriamente, contribuir para o Regime Geral de Previdência Social - RGPS. DIÁRIAS O valor das diárias pagas, quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal, integra o salário de contribuição. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. NULIDADE DO LANÇAMENTO - VÍCIO MATERIAL O lançamento deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, sob pena de nulidade por vício material. IMUTABILIDADE DO LANÇAMENTO O lançamento constituído pela autoridade administrativa e regularmente notificado ao sujeito passivo, somente poderá ser modificado, nos termos do art. 145, do Código Tributário Nacional, pela impugnação do sujeito passivo, por recurso de ofício ou por iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no art. 149, do mesmo diploma legal. A alteração do lançamento através da impugnação do sujeito passivo, visa o seu benefício, estando vedada a alteração do lançamento para agravar-lhe a situação. Recurso Voluntário Provido em Parte
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ÓRGÃO PÚBLICO CARGO EM COMISSAO. RGPS. O servidor não efetivo, ocupante de cargo em comissão deve, obrigatoriamente, contribuir para o Regime Geral de Previdência Social RGPS. DIÁRIAS O valor das diárias pagas, quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal, integra o salário de contribuição. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. NULIDADE DO LANÇAMENTO VÍCIO MATERIAL O lançamento deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, sob pena de nulidade por vício material. IMUTABILIDADE DO LANÇAMENTO O lançamento constituído pela autoridade administrativa e regularmente notificado ao sujeito passivo, somente poderá ser modificado, nos termos do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 1. 00 37 49 /2 00 6- 68 Fl. 623DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 art. 145, do Código Tributário Nacional, pela impugnação do sujeito passivo, por recurso de ofício ou por iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no art. 149, do mesmo diploma legal. A alteração do lançamento através da impugnação do sujeito passivo, visa o seu benefício, estando vedada a alteração do lançamento para agravarlhe a situação. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores lançados a maior do que o constante no lançamento originário, quando efetuada a retificação do crédito nas competências de 04/2000 e 04/2001, em respeito ao artigo 145, do Código Tributário Nacional e para excluir a rubrica "bolsas de estudo", por vício material, por não restar demonstrada a ocorrência dos fatos geradores. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35011.003749/200668 Acórdão n.º 2302003.270 S2C3T2 Fl. 624 3 Relatório Trata a notificação lavrada em 25/10/2005 e cientificada ao sujeito passivo em 26/10/2005, de crédito previdenciário referente às contribuições incidentes sobre os serviços prestados por segurados contratados, exclusivamente, para Cargos em Comissão , declarados em lei de livre nomeação e exoneração, no período de 02/2000 a 04/2001. O relatório fiscal de fls. 44/49, informa que esta notificação foi lavrada em substituição à NFLD n.º 35.546.8476, datada de 29/08/2003, tornada nula pelo Acórdão n.º 671/2005, de 20/04/2005, do Conselho de Recursos da Previdência Social, por estar incorreta a identificação do sujeito passivo. Aduz o relatório que os segurados foram reconhecidos pelo Estado do Amazonas – Assembléia Legislativa como filiados ao Regime Geral da Previdência Social, pois foi procedido ao desconto da contribuição previdenciária sobre suas remunerações, a partir da competência 02/2000, limitandose, esta notificação à cobrança da parte patronal. Traz ainda o relatório, que as Guias da Previdência Social – GPS, relativas às contribuições descontadas dos segurados contratados para ocupar Exclusivamente Cargos em Comissão declarados em lei de livre nomeação e exoneração , apresentadas pela recorrente, bem como as constantes dos sistemas de controle do INSS, foram devidamente aproveitadas e deduzidas do montante do débito apurado, conforme estão discriminadas no Relatório de Documentos Apresentados – RDA e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA, ambos anexos da notificação. A recorrente apresentou defesa e decisão de primeira instância (67/72) julgou o lançamento procedente. Inconformada a notificada interpôs recurso voluntário alegando em síntese: a) Que a notificação é nula porque não discriminou os trabalhadores tomados pelo INSS como seus contribuintes; b) o cerceamento de defesa frente a falta de caracterização precisa dos fatos geradores como estabelece o artigo 37 da Lei n. 8.212/91; c) que os servidores possuem vínculo com o Instituto Previdenciário do Estado do Amazonas – IPEAM; d) que existem dois grupos de comissionados, um com vínculo e outro sem vínculo e por falha operacional a folha de pagamento englobava os dois grupos e a NFLD não fez esta distinção, devendo ser excluídos os valores que se referem aos servidores que recolhem para o IPEAM; e) a inconstitucionalidade da Emenda Constitucional N. 20; Fl. 625DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 f) que o Procurador Geral do Estado não pode figurar como coresponsável de débitos de outro órgão e o débito tributário não pode lhe ser imputado. Por fim, requer a nulidade da NFLD e o seu cancelamento, ou que seja excluído da Relação de CoResponsáveis, o nome do Procurador Geral do Estado. Decisório da Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, fls.93/95, converteu o julgamento em diligência para que ficasse demonstrado que os valores constantes da notificação se referem apenas aos segurados contratados para ocupar Exclusivamente Cargos em Comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, uma vez que o Relatório de Lançamentos às fls. 16/23, traz que o levantamento se baseou no “QUADRO COMISSIONADOS –DESC. PARCIAL P/INSS E IPEAM”, sugerindo a existência de duas categorias de servidores no mesmo levantamento. A fiscalização informa às fls. 98/102, que solicitou ao sujeito passivo a documentação relativa aos servidores estatutários e após análise da mesma procedeu a retificações em algumas competências , conforme planilhas de fls.103 a 119 e fls.120. Do resultado da diligência foi dada ciência ao recorrente, que se manifestou pela existência de erro material na competência 04/2000, pela existência de parcelas não integrantes do salário de contribuição como bolsas de estudo e diárias e pela exclusão do Procurador Geral do Estado da relação de coresponsáveis. Exposto, o caso concreto, é de se notar que do resultado da diligência efetuada, o fisco se manifestou pela retificação do crédito lançado, mas não foi procedida a proposta retificação, apenas foi informado ao sujeito passivo que alguns valores lançados deveriam efetivamente ser excluídos da notificação. Por este motivo, este Colegiado converteu novamente o julgamento em diligência, através da Resolução de fls. 538/540, para que a decisão de primeira instância fosse reformada, acatando a retificação proposta pelo fisco e reaberto ao contribuinte o prazo recursal. Atendida a diligência, foi proferido o Acórdão de fls. 545/551, pugnando pela procedência parcial do lançamento. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou novo recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que o Relatório Complementar elaborado pelo Fisco na resposta da diligência agravou a situação do contribuinte, pois ao retificar para menor valores nas competências de 04/2000 e 04/2001, também acrescentou valores que não compunham o lançamento original; b) que a base de cálculo do lançamento deve ser recomposta para excluir valores referentes a bolsas de estudo e diárias que não integram o salário de contribuição; Fl. 626DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35011.003749/200668 Acórdão n.º 2302003.270 S2C3T2 Fl. 625 5 c) que os valores relativos a bolsas de estudo estão isentos da contribuição previdenciária, sendo pagos diretamente a instituições de ensino; d) que a CLT exclui da natureza salarial o gasto da empresa com a formação acadêmica do empregado; e) que a jurisprudência do STJ é farta no sentido da não incidência da contribuição previdenciária sobre auxílio educação; f) que o pagamento de diárias também tem natureza indenizatória, estando fora do campo de incidência previdenciária; g) que a IN RFB n.º 971/2009, exclui do salário de contribuição dos servidores federais as diárias e ofendeu o princípio da isonomia tributária ao não estender aos demais órgãos públicos igual tratamento; h) que devem ser excluídos do lançamento os valores de diárias pagas a servidores efetivos e a deputados estaduais, até porque somente vinculados ao regime próprio com a edição da Lei n.º 10887/2004, a partir de 19/09/2004. Lista nominalmente os segurados que devem ser excluídos; i) a inexistente coresponsabilidade do Procurador Geral do Estado, como constante da notificação, e Requer a baixa do processo em diligência para que sejam excluídos os valores pagos a título de bolsa de estudos e diárias a servidores efetivos. Ou, que o recurso seja provido para excluir do lançamento os valores trazidos a maior na retificação, nas competências de 04/2000 e 04/2001, excluir os valores relativos bolsa de estudos e diárias e excluir da Relação de Vínculos o nome do Procurador Geral do Estado. É o relatório. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A recorrente requer a exclusão do nome do Procurador Geral do Estado da relação de coresponsáveis e da relação de vínculos, haja vista que o quadro de coobrigados será repetido na eventual e futura Certidão da Dívida Ativa. Cumpre esclarecer que os anexos CORESP e relação de vínculos foram claros em afirmar que o relatório trazido é apenas uma lista dos representantes legais do sujeito passivo, indicando a qualificação e o período de atuação, não estabelecendo nenhuma responsabilidade às pessoas nele relacionadas. Ademais, os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, em conformidade com disposto pelo art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005, que determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; No Mérito Quanto ao mérito é de se ver que o lançamento referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a servidores não efetivos ocupantes de cargo em comissão de recrutamento amplo na Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas. O artigo 15, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, é taxativo ao afirmar que os órgãos da administração pública são equiparados à empresa, não havendo qualquer restrição quanto a aplicação do texto legal, quanto à obrigatoriedade do recolhimento das contribuições previdenciárias para servidores não efetivos, ocupantes de cargos em comissão : Art.15. Considerase: Fl. 628DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35011.003749/200668 Acórdão n.º 2302003.270 S2C3T2 Fl. 626 7 I empresa – a firma individual ou sociedade que assume o risco da atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos ou entidades da administração pública direta, indireta e funcional( grifei); Como já mencionado os servidores, cujas remunerações constam desta notificação, após a retitificação efetuada pelo Fiscao, são aqueles não detentores de cargos efetivos, são servidores públicos estaduais ocupantes de cargos em comissão de recrutamento amplo, para os quais se aplica o Regime Geral de Previdência Social – RGPS, consoante o disposto no artigo 13 da Lei n.º 8.212/91: Art.13 O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da união, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral da Previdência Social consubstanciado nesta Lei, dedes que amparados por regime próprio de previdência social Após a promulgação da Emenda Constitucional n.º 20 de 16 de dezembro de 1998, somente os servidores titulares de cargo efetivo podem integrar os regimes próprios, conforme o caput do artigo 40 da Constituição Federal: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. Redação dada ao artigo pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98: O lançamento em questão abrange apenas período posterior à Emenda Constitucional n.º 20/98, e referese exclusivamente a servidores públicos não efetivos, ocupantes de cargo em comissão, que compulsoriamente estão vinculados ao Regime Geral de Previdência Social, eis que diligência efetuada durante o trâmite administrativo do presente processo, retirou da base de cálculo da contribuição previdenciária, as remunerações dos servidores estatutários vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social _RPPS, conforme Relatório Complementar de fls. 104/108, Planilhas de fls. 109/125 e Resumo das Diferenças Apuradas às fls. 126. A recorrente alega na peça recursal apresentada após o Acórdão de fls. 545/551, que retificou o lançamento, que em duas competências lançadas, 04/2000 e 04/2001, o Fisco ao proceder à retificação acabou por majorar a base de cálculo, oq eu é vedado pela legislação tributária. Com efeito, do exame do Relatório Fiscal Complementar de fls. 104/108, a Fiscalização afirma que na competência 04/2000, quando do lançamento originário fora efetuada uma dedução a maior e que agora estaria corrigindo o fato ao lançála: 2.5.2 Nas competências seguintes apuramos diferenças favoráveis ao Sujeito Passivo, cujos valores reduzirão a Base de Cálculo mensal apurada no Levantamento "ND2 ALEFL. COMISS. A PART. 01/99", conforme abaixo: Fl. 629DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 2.5.2.1 Competência 04/2000 R$229,67 (duzentos e vinte nove reais e sessenta e sete centavos) resultante da exclusão da LD 0287/2000, no valor de R$525,65 (quinhentos e vinte e cinco reais e sessenta e cinco centavos), referente a repasse para a Assale Associação dos Servidores da Assembléia e acrescentandose o valor de R$295,98 (duzentos e noventa e cinco reais e noventa e oito centavos), referente à dedução legal do RGPS feita a maior quando da lavratura da NFLD; E, da mesma forma, visando corrigir erro de lançamento a menor, assim se pronuncia quanto à competência 04/2001: 2.5.2.8 Competência 04/2001 R$18.910,01 (dezoito mil, novecentos e dez reais e um centavo) resultante do valor de 17.995,96 (dezessete mil, novecentos enoventa e cinco reais e noventa e seis centavos), relativo à 1/3 de férias dos servidores vinculados ao RGPS ("Quadro ComissionadoDesc. Parcial p/INSS e IPEAM") deduzido indevidamente e que ora acrescentamos, em contrapartida às LD 0440/2001, no valor de R$9.619,17 (nove mil, seiscentos e dezenove reais e dezessete centavos) e 00432/2001, no valor de R$27.286,80 (vinte e sete mil, duzentos e oitenta e seis reais e oitenta centavos), referentes à folha de pagamento de deputados aposentados e a folha de pagamento suplementar de deputados, respectivamente, lançadas indevidamente, que desta feita excluímos. Sobre o assunto é de se atentar para o princípio da imutabilidade do lançamento tributário. O Código Tributário Nacional – CTN traz que a autoridade administrativa possui a competência para a constituição do crédito tributário, que uma vez constituído através do lançamento e após regularmente notificado ao sujeito passivo, não poderá mais ser modificado, justamente por força do chamado princípio da imutabilidade do lançamento tributário, consagrado no artigo 145 do CTN: “Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I – impugnação do sujeito passivo; II – recurso de ofício; III – iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no art. 149”. O referido artigo ao trazer a possibilidade de alteração do lançamento através da impugnação do sujeito passivo, por óbvio, está se referindo à modificação do lançamento para beneficiar o sujeito passivo e vedando a alteração do lançamento, já regularmente notificado ao mesmo, para agravarlhe a situação. Ainda, podese dizer que o princípio da imutabilidade do lançamento é decorrente do que consta no artigo 5º, inciso XXXVI da Constituição Federal, pelo qual a lei não poderá prejudicar o ato jurídico perfeito. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35011.003749/200668 Acórdão n.º 2302003.270 S2C3T2 Fl. 627 9 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XXXVI a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; Pelo exposto, ao se acatar as argüições do sujeito passivo que se mostraram procedentes, mais precisamente, ao se excluir do lançamento as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de servidores estatutários vínculos à Regime Próprio de Previdência, não é permitido ao Fisco majorar os valores antes lançados e cientificados ao sujeito passivo, mesmo que decorrentes de erros no lançamento. Desta feita, os valores lançados a maior do que aqueles constantes do lançamento originário de R$ 295,98, na competência 04/2000 e de R$ 17.995,96, na competência 04/2001, devem ser excluídos desta notificação. A recorrente se insurge contra o lançamento de contribuições previdenciárias sobre valores pagos aos servidores a título de bolsa de estudos e diárias em valor excedente a 50% do salário. Primeiramente, é de se ver que tanto o primitivo Relatório Fiscal às fls. 46/51, quanto o Relatório Complementar de fls. 104/108, nada trazem sobre as rubricas citadas, limitandose a dizer que as bases de cálculo do lançamento se encontram no Relatório de Lançamentos às fls. 18/25, onde com efeito, estão discriminados por competência, os valores relativos a bolsas de estudo e diárias acima de 50%. Com referência às diárias percebidas pelos segurados em valor excedente a 50% dos salário, a obrigatoriedade de integrar a base contributiva previdenciária está contida no parágrafo 8º do artigo 28, da Lei n.º 8.212/91: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 8º Integram o saláriodecontribuição pelo seu valor total: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) o total das diárias pagas, quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Diárias são valores pagos por pessoa jurídica a pessoa física, em caráter acidental e transitório, destinados a cobrir, exclusivamente, despesas com estada, alimentação etc., em virtude de deslocamento para fora da sede profissional, no desempenho de emprego, cargo ou função, para efetuar trabalho ou participar de cursos ou seminários. Nos termos do § 2º do art. 457 da Consolidação das Leis Trabalhistas CLT, não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam 50% do salário recebido pelo empregado; Fl. 631DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Todavia, no caso em tela, a recorrente não se insurge contra o fato dos valores pagos excederem o limite legal para o pagamento da verba, mas limitase a dizer do caráter indenizatório, sem comprovar os fatos alegados. Como já referido, discriminativo Relatório de Lançamentos às fls.24/25 do processo, traz a competência, o valor lançado referente à diária excedente e o número da LD Liquidação de Despesa, sendo que a recorrente não trouxe elementos capazes de comprovar que a diária não excedeu a 50% da remuneração do segurado. A simples alegação de que os valores de diárias são indenizatórios e que devem valer para os servidores estaduais as mesmas disposições da Instrução Normativa RFB n.º 971/2009, que isenta a verba para os servidores federais, não ilidem o procedimento fiscal que está embasado na legislação vigente. Com a relação a verba paga a título de bolsas de estudo, temos que de acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A matéria de ordem tributária é de interesse público, por isso é a lei que determina as hipóteses em que valores pagos aos empregados não integram o salário de contribuição, ficando isentos da incidência de contribuições sociais. A retribuição em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais, mas existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras, redação vigente à época dos fatos geradores: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Fl. 632DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35011.003749/200668 Acórdão n.º 2302003.270 S2C3T2 Fl. 628 11 Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Fl. 633DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo Fl. 634DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35011.003749/200668 Acórdão n.º 2302003.270 S2C3T2 Fl. 629 13 com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Assim, de acordo com o previsto no art. 28, § 9º, “t” da Lei n ° 8.212/1991, o que não integra o salário de contribuição é o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que assim dispõe: Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. Entretanto, no lançamento em questão, o Fisco não demonstrou como foi paga a verba relativa a “bolsas de estudo”, não consta dos relatórios fiscais a que título os pagamentos foram efetuados, para custear quais despesas com educação. O lançamento é omisso quanto à natureza dos pagamentos efetuados sob a rubrica “bolsas de estudo”. A legislação determina requisitos a serem exigidos para a lavratura da autuação. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, traz no seu artigo 293: Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Tais requisitos são exigidos pela legislação para que se cumpra a determinação presente na Constituição Federal de observação aos Princípios da Ampla Defesa e do Contraditório. CF/88: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pais a inviolabilidade do direito à vida, a liberdade, à igualdade, a segurança e a propriedade, nos termos seguintes: Fl. 635DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; A fim de possibilitar a defesa do autuado, o auto de infração deve conter a discriminação clara e precisa da infração, cumprindo os requisitos do artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. 0 auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. Conforme já visto, os valores pagos para custear despesas de educação podem ou não integrar o salário de contribuição, dependendo da forma com que forem pagos. Caso tenham sido pagos na s formas descritas no inciso 9° do artigo 28 da Lei n.° 8.212/91, que trata das excludentes do salário de contribuição, não haverá incidência da contribuição previdenciária. Uma vez pagos em desacordo com a legislação, serão passíveis da incidência contributiva. Porém, pelos elementos constantes do processo, não foi possível aferir como foram pagas ou tratada a verba citada. Entendo que restou prejudicado o direito de defesa da recorrente, pois foi lhe imputada autuação sem a descrição clara e precisa de seu fato gerador. A ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa e o artigo 61, diz que a nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar sua legitimidade: Art. 59. Sao nulos: Fl. 636DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35011.003749/200668 Acórdão n.º 2302003.270 S2C3T2 Fl. 630 15 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Assim, por ser autoridade julgadora competente para a decretação da nulidade e por estar evidenciado que o Relatório Fiscal preteriu o direito de defesa da recorrente, decido pela nulidade do lançamento relativo à verba “bolsas de estudo”, por vício material, por não terem sido verificadas e trazidas aos autos as circunstâncias materiais do fato gerador de tributo. Cabe à autoridade lançadora motivar adequadamente suas afirmativas, possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no inciso LV, do artigo 5 da Constituição Federal/88. O Fisco tem o dever de expor os motivos pelos quais está praticando o ato de lançamento fiscal. Nesse sentido , assevera o artigo 50, caput e inciso II da Lei n. 9.784/99: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: ... II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;” A legislação em apreço insculpiu princípio paulatinamente defendido pela doutrina pátria, de que o ato administrativo, além de legalmente fundamentado, deve ser motivado. Leciona o professor Hely Lopes Meirelles em Direito Administrativo Brasileiro, Melhores Editores São Paulo, 2003, p.149: “O motivo ou causa é a situação de direito ou de fato que determina ou autoriza a realização do ato administrativo.” Fl. 637DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Ainda continua nas páginas 193/194: “A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato e por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. (...)” “Por aí se concluiu que, quer quando obrigatória, quer quando facultativa, se for feita, a motivação atua como elemento vinculante da Administração aos motivos declarados como determinantes do ato.Se tais motivos são falsos ou inexistentes, nulo é o ato praticado.” Por derradeiro, quanto à argüida inconstitucionalidade da Emenda Constitucional n.º 20, observo que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de Fl. 638DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35011.003749/200668 Acórdão n.º 2302003.270 S2C3T2 Fl. 631 17 observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para excluir do lançamento os valores lançados a maior do que o constante no lançamento originário, quando efetuada a retificação do crédito nas competências de 04/2000 e 04/2001, em respeito ao artigo 145, do Código Tributário Nacional e para excluir a rubrica “bolsas de estudo”, por vício material, por não restar demonstrada a ocorrência dos fatos geradores. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 639DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 11065.725247/2011-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
RECEITAS DIRETAMENTE DECORRENTES DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE INTERNACIONAL. ISENÇÃO.
As receitas decorrentes diretamente do transporte internacional de carga, independentemente do regime de apuração ao qual a pessoa jurídica esteja submetido (cumulativo ou não-cumulativo) não podem ser incluídas na base de cálculo d Contribuição ao PIS e da COFINS, em face da regra de isenção prescrita no art. 14 da MP 2.15835/2001.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-002.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento votou pelas conclusões. O Conselheiro José Henrique Maurí negava provimento ao recuso.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento e José Henrique Maurí.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 RECEITAS DIRETAMENTE DECORRENTES DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE INTERNACIONAL. ISENÇÃO. As receitas decorrentes diretamente do transporte internacional de carga, independentemente do regime de apuração ao qual a pessoa jurídica esteja submetido (cumulativo ou não-cumulativo) não podem ser incluídas na base de cálculo d Contribuição ao PIS e da COFINS, em face da regra de isenção prescrita no art. 14 da MP 2.15835/2001. Recurso Voluntário Provido.
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PIS. AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CAPITAL CORPORATION AG. CARGAS NAC. E INT. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 RECEITAS DIRETAMENTE DECORRENTES DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE INTERNACIONAL. ISENÇÃO. As receitas decorrentes diretamente do transporte internacional de carga, independentemente do regime de apuração ao qual a pessoa jurídica esteja submetido (cumulativo ou nãocumulativo) não podem ser incluídas na base de cálculo d Contribuição ao PIS e da COFINS, em face da regra de isenção prescrita no art. 14 da MP 2.15835/2001. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento votou pelas conclusões. O Conselheiro José Henrique Maurí negava provimento ao recuso. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento e José Henrique Maurí. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 52 47 /2 01 1- 65 Fl. 5277DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão da DRJ em Porto Alegre que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exigência fiscal, por entender que “a isenção das receitas do transporte internacional de carga, prevista no inciso V do art. 14 da MP 2.15835/2001, não é aplicável ao caso concreto”. A ora Recorrente teve contra si lavrado Auto de Infração e Imposição de Multa em face da suposta insuficiência de recolhimento de PIS e COFINS referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2007 e 2008. De acordo com a fiscalização, foi realizada verificação da correspondência entre o Dacon e os valores declarados em DCTF e o exame da base de cálculo apuradas, o que resultou na identificação das seguintes irregularidades: (i) falta de inclusão na DCTF dos valores de PIS e Cofins apurados pela própria empresa em dezembro de 2008; (ii) falta de inclusão da conta “receitas diversas” na base de cálculo das contribuições em janeiro de 2007 e janeiro de 2008; (iii) Falta de inclusão na base de cálculo das contribuições de receitas de prestação de serviços. Com relação ao item (iii), a auditoria realizada constatou que não foram incluídos a totalidade dos valores recebidos para o agenciamento de transporte de cargas de clientes nacionais importadores e exportadores, cujo valor foi recebido em moeda nacional. A empresa foi intimada e apresentou valores que poderiam ser incluídos para o cálculo de crédito relacionado a estas receitas. Tendo apresentado valores pagos por serviços de fretes e despachantes, o crédito em questão foi descontado na apuração do valor lançado. Inconformada, a ora Recorrente apresentou tempestivamente impugnação alegando, em estreita síntese, que: (i) A empresa não apenas pratica o agenciamento de cargas, mas efetua transporte internacional de cargas. Tal atividade constou de alteração contratual de 2004, não tendo sido reproduzida nas posteriores por lapso. (ii) As receitas tributadas no lançamento decorrem de transporte internacional de cargas, as quais estão isentas do PIS e Cofins em decorrência do art. 14, V, da MP 2.15835, de agosto de 2001; (iii) O fundamento legal da isenção é válido e vigente. Cita Solução de Consulta da Receita Federal em apoio ao entendimento; (iv) O fato de não possuir aviões ou navios não descaracteriza a atividade. É “transportador não proprietário”. Adquire espaços e assume o ônus do transporte. Os denominados consolidadores de cargas assumem a responsabilidade pela mercadoria até a entrega no seu destino; (v) As operações são documentadas através dos conhecimentos de embarque. No caso de transporte marítimo pelo denominado House B/L (Bill of Ladings), na qual a ora Recorrente figura como transportador perante o exportador ou importador, ou pelo Master B/L, em que aparece como contratante perante o armador. No caso do transporte aéreo, os documentos correspondentes são o HAWB (House Air Waybill) e AWB (Master Air Waybill). Apresenta os conhecimentos de embarque como comprovação e certificados do Departamento do Fundo da Marinha Mercante e da Associação Internacional do Transporte Aéreo; (vi) As definições da própria SRF, da doutrina e da jurisprudência fornecem sustentação para a consideração da operação em questão como de “transporte internacional”; Fl. 5278DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.725247/201165 Acórdão n.º 3102002.174 S3C1T2 Fl. 12 3 (vii) O lançamento é nulo, pois a fiscalização não apontou o que a empresa deixou de tributar. A natureza da infração é requisito essencial do auto de infração. Apesar de ser tarefa da fiscalização, a empresa aponta que a glosa decorre das receitas que foram excluídas no “Relatório Mensal de Apuração do PISCofins”. (viii) Todas as exclusões decorrem do transporte internacional de cargas. Nas contas do Livro Razão correspondentes, o termo “nacional” referese apenas ao cliente, e não ao transporte. (ix) Caso se entenda a atividade da empresa como exclusivamente de agenciamento, ad argumentandum tantum, a tributação só poderia incluir a remuneração pelo serviço prestado pela empresa, pois as demais receitas seriam de terceiros, apenas transitando em suas contas sem significar acréscimo patrimonial. (x) O conceito de receita ou faturamento não contempla a tributação de tal valor. Cita em especial o art. 195, I, da Constituição Federal, com redação da Emenda constitucional 20/98 como fundamento. O fato das Leis 10.637/02 e 10.833/03 não contemplarem expressamente a exclusão, não subtrai o direito de recolher o tributo em conformidade com a outorga constitucional; A DRF/NHO informa que transferiu o crédito tributário referente à infração (1) para o Processo nº. 11065720.791/201200, uma vez que não teria sido impugnada, encaminhando o processo para apreciação da DRJ apenas quanto as demais infrações. A DRJ em Porto Alegre julgou a impugnação improcedente, nos seguintes termos: NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo Decreto, não há que se falar em anulação ou cancelamento da autuação. PIS NÃO CUMULATIVO. NÃO INCIDÊNCIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TRANSPORTE INTERNACIONAL. No regime de incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, a isenção das receitas do transporte internacional de carga, prevista no inciso V do art. 14 da MP 2.15835/2001, não é aplicável. As contribuições para o PIS e a Cofins apurados no regime de incidência nãocumulativa apenas não incidirão sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte se o serviço for prestado para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e se o pagamento representar ingresso de divisas no País. PIS. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS PARA TERCEIROS. A denominação dada a uma receita ou o tratamento contábil a ela dispensado não tem o condão de descaracterizála como faturamento ou excluíla do campo de incidência do PIS. Não há previsão, na sistemática nãocumulativa, de exclusão de receitas transferidas a terceiros. Os créditos auferidos de acordo com a Fl. 5279DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA 4 legislação de regência poderão ser descontados na apuração da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo Decreto, não há que se falar em anulação ou cancelamento da autuação. COFINS NÃO CUMULATIVO. NÃO INCIDÊNCIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TRANSPORTE INTERNACIONAL. No regime de incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, a isenção das receitas do transporte internacional de carga, prevista no inciso V do art. 14 da MP 2.15835/2001, não é aplicável. As contribuições para o PIS e a Cofins apurados no regime de incidência não cumulativa apenas não incidirão sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte se o serviço for prestado para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e se o pagamento representar ingresso de divisas no País. COFINS. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS PARA TERCEIROS. A denominação dada a uma receita ou o tratamento contábil a ela dispensado não tem o condão de descaracterizála como faturamento ou excluíla do campo de incidência da Cofins. Não há previsão, na sistemática não cumulativa, de exclusão de receitas transferidas a terceiros. Os créditos auferidos de acordo com a legislação de regência poderão ser descontados na apuração da contribuição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho repetindo basicamente as razões apresentadas na sua impugnação, acrescentando, apenas, o argumento da nulidade do AI por mudança em sua motivação. AI, tendo em vista que a DRJ/POA reconheceu expressamente que a ativiade realizada pela Recorrente não é de agenciamento de cargas, mas sim de transporte internacional de cargas. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 5280DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.725247/201165 Acórdão n.º 3102002.174 S3C1T2 Fl. 13 5 Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia se resume à definição do conteúdo, alcance e vigência da regra de isenção estabelecida pelo artigo 14, V, da Medida Provisória nº 2.158/01. Afinal, restou reconhecido como incontroverso nos autos que a Recorrente está sujeita ao regime nãocumulativo de apuração dessas contribuições e que o crédito tributário em litígio se refere exclusivamente às “receitas de transporte internacional de cargas realizado pelo impugnante”, este é o único ponto que exige equacionamento para definir a procedência ou não da autuação. É bem verdade que o fato de a DRJ em Porto Alegre ter corrigido o enquadramento das receitas objeto da autuação, reconhecendoas como decorrentes apenas e tão somente do transporte internacional de cargas e não de agenciamento, por si só, poderia conduzir ao cancelamento do Auto de Infração, por nulidade. Todavia, em face do que prescreve o art. 59, § 3º do Decreto nº 70.235/72, passo à análise do mérito, voltando às preliminares apenas se este colegiado decidir contrariamente ao Recorrente. Com efeito, sustenta a decisão recorrida que, na sistemática não cumulativa, apenas não haverá incidência do PIS e da Cofins caso duas condições sejam atendidas: (i) o serviço deve ser prestado para contratante do exterior; e (ii) o pagamento deve representar ingresso de divisa, o que não seria o caso dos autos tendo em vista que a Recorrente age em nome próprio, sendo o serviço prestado à empresa domiciliada no País, e não no exterior. O Recorrente, por sua vez, alega que as receitas em questão estão isenta do PIS e da COFINS em face do que prescreve o artigo 14, inciso V, e parágrafo primeiro, da MP 2.15835/2001, que assim dispõe: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) V do transporte internacional de cargas ou passageiros; (...) § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. Como é possível perceber da simples leitura do texto legal acima transcrito, são isentas do PIS e da COFINS todas as receitas do transporte internacional de cargas e passageiros, independentemente de quem as aufira. Tratase de regra de isenção que não se dirige especificamente a uma ou algumas entidades, mas a determinada e específica receita (decorrente do transporte internacional de cargas e passageiros) auferidas por quem quer seja. Por outro lado, analisando as normas que regulam especificamente esta matéria, não se identifica qualquer disposição posterior à MP nº 2.15835 dispondo de forma diversa. Da mesma forma, não há qualquer deliberação definitiva do Congresso Nacional a respeito da continuidade da vigência da Medida Provisória nº 2.15835/2001. 1 1 Uma dúvida que poderia ser suscitada em relação à presente regra de isenção diz respeito justamente ao seu vigor, tendo em vista que, até os dias atuais a Medida Provisória nº 2.15835/2001 não foi convertida em lei ordinária. Sobre esta questão, devese lembrar que a EC nº 32/01, em seu art. 2º, prorrogou expressamente a vigência de todas as Medidas Provisórias editadas anteriormente à sua publicação até que Medida Provisória ulterior que as revogue explicitamente ou até deliberação definitiva do Congresso Nacional nesse sentido. Em face disso, não tendo sobrevindo medida provisória ulterior revogando explicitamente essas disposições, tampouco deliberação definitiva do Congresso Nacional a respeito da continuidade da sua vigência, concluise que ela permanece válida e vigente. O próprio STJ, no julgamento do AgRg no REsp 1092686/RJ (Rel. Min. Fl. 5281DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA 6 Assim, não tendo sobrevindo nenhum ato normativo revogando, anulando ou restringindo essa disposição, tampouco deliberação definitiva do Congresso Nacional a respeito da continuidade da sua vigência, a conclusão é única: permanece válida, vigente e eficaz a regras de isenção do PIS e da COFINS das receitas do transporte internacional de cargas ou passageiros. Afinal, foram somente essas as hipóteses relacionadas pelo legislador para cessar o vigor das medidas provisórias publicadas anteriormente à EC nº 32/01, como é o caso da MP nº 2.15835. Despresando essa disposição, a DRJ em Porto Alegre manteve o lançamento sob a alegação de que, para as empresas apuram o PIS/COFINS no regime não cumulativo, apenas seria legítima a aplicação da isenção do PIS e da COFINS previstas no art. 5º, II, da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, II, da Lei nº 10.833/03 e se houvesse prestação de serviços diretamente a pessoas domiciliadas no exterior, cujo pagamento representasse ingresso de divisas no país, o que não seria o caso dos autos. Nas suas palavras: Na sistemática não cumulativa, apenas não haverá incidência de PIS e Cofins no caso de ambas as condições estarem atendidas: (i) serviço prestado para contratante do exterior; e (ii) pagamento que represente o ingresso de divisas. A impugnante age em nome próprio, sendo o serviço prestado à empresa domiciliada no País, e não no exterior. Nessa hipótese, não se configura a isenção ou não incidência em relação às receitas auferidas com a prestação de serviços, pois já não se verifica preenchido o primeiro requisito apontado. (...)A questão é que, ao contrário da MP 2.15835/2001, nas leis que regulam a sistemática não cumulativa, não consta previsão específica de isenção para a atividade de transporte internacional. Por certo, contudo, que a atividade de transporte de argas caracterizasse como prestação de serviço. Neste caso, a isenção para o valor do frete dependeria do ingresso de divisas no País, requisito fundamental imposto pelas normas legais que regem a matéria. Como tal não ocorre no presente caso, a receita é tributável para o PIS e a Cofins na modalidade não cumulativa. Segundo a decisão recorrida, esta conclusão decorreria do fato de a referida isenção ter sido concedida antes da edição das leis que instituíram o regime não cumulativo dessas contribuições, o que, supostamente impediria fosse alargada a sua aplicação às empresas tributadas sob essa nova sistemática, em face do que prescreve o art. 111 do CTN. Ocorre que não se justifica a interpretação restritiva dessa regra de isenção. Com efeito, sem ter sobrevindo qualquer alteração legislativa dispondo em sentido contrário, não há como limitar seu campo de incidência apenas às pessoas sujeitas ao regime cumulativo. Afinal como vimos, estamos diante de isenção objetiva, não subjetiva. A referida interpretação está fundamentada na falsa premissa de que a simples criação de novo regime de apuração dessas contribuições seria suficiente para revogar uma isenção objetiva. Com efeito, não existe qualquer conflito entre as disposições do art. 14, V e parágrafo 1º, da MP nº 2.15835/01 e das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. Analisando as prescrições destas leis, verificase que o legislador não dedicou sequer uma linha às receitas do transporte internacional de cargas e passageiros, o que, por si só, é suficiente para concluir pela Luiz Fux, DJe 21/02/2011) reconheceu expressamente que a MP nº 2.15835/01, por ter sido publicada antes da EC nº 32/01 permanece em vigor. Fl. 5282DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.725247/201165 Acórdão n.º 3102002.174 S3C1T2 Fl. 14 7 ausência de disposições normativas conflitantes e, como consequência, pela continuidade da vigência ampla e irrestrita da norma de isenção em análise. Por outro lado, é irrelevante a circunstância de a presente isenção ter sido editada anteriormente às Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. Isso por uma razão simples, mas decisiva: estes diplomas normativos não criaram contribuições novas, apenas instituíram nova sistemática de apuração de tributos já existentes: o PIS e a COFINS. E nem poderia ser diferente, tendo em vista que o fundamento de validade é único: o art. 195, I, “b”, da CF, o que, por si só, afasta a ideia de que são tributos distintos. Assim, independentemente de o PIS e a COFINS serem cumulativos ou não, têm mesma natureza jurídica, já que encontram respaldo de validade no artigo 195, I, “b”, da CF, devendo, por esta mesma razão, se sujeitarem ao mesmo regime jurídico naquilo que não disser respeito especificamente às técnicas de sua apuração, o que não nos parece ser o caso em relação às receitas de decorrente do transporte internacional de cargas e passageiros Ainda em reforço à continuidade da vigência ampla e irrestrita da referida regra de isenção, devemos retomar a ideia de que lei especial não revoga nem é revogada por lei geral. Nesses casos, o que se tem é a necessidade de circunscrever a aplicação da norma especial às situações que efetivamente apresentam as características tomadas pelo legislador como causa para o tratamento específico. Assim, diante de ocorrências que reúnam integralmente as particularidades descritas na norma especial, prevalece a sua aplicação. É justamente isso que se verifica no caso concreto. A lei outorgou tratamento especial para as receitas decorrentes diretamente do transporte internacional de cargas e passageiros. A diferença específica da presente regra é, sem dúvidas, a fonte da receita, não a pessoa que aufere, muito menos o regime de apuração a que está submetida. Assim, independentemente de quem preste o serviço, não é possível tributar estas receitas pelo PIS e da COFINS tendo em vista que a lei prescreveu expressamente que esses valores são isentos. Neste contexto, não há como concluir que a fixação de norma posterior geral de nãocumulatividade, a qual, reafirmese, é silente no que se refere ao específico tratamento jurídico conferido às receitas decorrentes do transporte internacional de cargas e passageiros seja suficiente para revogar a referida regra de isenção. Interpretação nesse sentido implica prestigiar a falaciosa ideia de que lei geral revoga lei especial, o que não se sustenta em nosso sistema jurídico. A mesma conclusão se estende ao argumento apresentado pela DRJ, no sentido de que, relativamente às empresas submetidas ao regime não cumulativo, somente haveria que se falar em regra de isenção para as situações contempladas no art. 5º, II, da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, II, da Lei nº 10.833/03, ou seja, para os casos de prestação de serviços diretamente a pessoas domiciliadas no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas no país, o que não teria se verificado no caso concreto. Ora, tal alegação não se sustenta. Os referidos enunciados legais regulam apenas genericamente a exportação de serviços, não se referindo a qualquer situação específica, como é o caso do transporte internacional de cargas e passageiros. Por conta disso e tendo sido exaustivamente demonstrado que a regra especial prevalece sobre a geral, não é possível limitar o direito da Recorrente com base em exigências de regras gerais, que não se aplicam ao caso particular em análise. Fl. 5283DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA 8 Está certa a decisão recorrida quando afirma que a aplicação das referidas regras exigem o implemento de duas condições: (i) que o contratante dos serviços seja pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior; e (ii) que a sua remuneração implique ingresso de divisas no País. O que não se pode perder de vista é que, em se tratando do serviço realizado pela Recorrente, que é justamente o transporte internacional de cargas, há regra de isenção especial e incondicionada. De fato, a MP 2.15835/01 instituiu isenção específica de PIS e COFINS para as receitas decorrentes do transporte internacional de cargas e passageiros, não estipulando qualquer contrapartida para o seu gozo. Tratase, pois, de norma especial que não revoga nem é revogada pela norma geral, mas que deve ser necessariamente aplicada aos casos que reúnam as diferenças específicas nela previstas. Assim, enquadrandose a conduta da Recorrente nesta norma especial não há duvida que a tentativa de estender as referidas exigências à situação concreta regulada pela Medida Provisória nº 2.15835/2001 é manifestamente arbitrária e ilegal. Fazendo súmula do que acabamos de expor, o que se ver é que limitar a presente regra em face do regime de apuração das pessoas que realizam o serviço de transporte internacional de cargas ou passageiros, sem que haja qualquer restrição de lei nesse sentido, sob a frágil alegação de que a nãocumulatividade foi estabelecida posteriormente, não tem sustentação jurídica: não há qualquer conflito entre essas regras, tampouco se justifica a tentativa de circunscrever uma isenção claramente objetiva às pessoas que estão no regime cumulativo. Ao inserir o art. 14, V e parágrafo 1º, da Medida Provisória nº 2.15835, o legislador deixou a salvo da tributação do PIS e da COFINS a integralidade das receitas auferidas diretamente com a prestação serviço de transporte internacional de cargas ou passageiros, não cabendo ao intérprete ampliar, tampouco restringir esta disposição. Entendimento em sentido contrário implica aceitar que o aplicador da lei possa substituir a vontade do legislador, o que não se admite. É exatamente este o raciocínio que deve prevalecer no caso concreto, afinal, não se tem aqui interpretação extensiva. Muito pelo contrário, o que se verifica é tentativa arbitrária de exigir a observância de requisitos não previstos na lei para a isenção em tela. Em face do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a autuação, tendo em vista que as receitas objeto do lançamento são isenta do PIS e da COFINS. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 5284DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.725247/201165 Acórdão n.º 3102002.174 S3C1T2 Fl. 15 9 Fl. 5285DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10945.000545/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA.
Faltando nos autos a prova da violação às disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO FATO GERADOR.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não justificados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
MULTA DE OFÍCIO. RENDIMENTOS OMITIDOS. ALÍQUOTA DE SETENTA E CINCO POR CENTO.
A falta ou insuficiência de recolhimento dos tributos não declarados enseja o lançamento de oficio, com a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade dos tributos lançados, em consonância com o disposto no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96.
MULTA DE OFÍCIO. EFEITO DE CONFISCO. INAPLICABILIDADE.
A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos se refere aos tributos e não às multas e dirige-se ao legislador, e não ao aplicador da lei.
Numero da decisão: 2201-002.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Faltando nos autos a prova da violação às disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO FATO GERADOR. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não justificados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. MULTA DE OFÍCIO. RENDIMENTOS OMITIDOS. ALÍQUOTA DE SETENTA E CINCO POR CENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento dos tributos não declarados enseja o lançamento de oficio, com a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade dos tributos lançados, em consonância com o disposto no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO DE CONFISCO. INAPLICABILIDADE. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos se refere aos tributos e não às multas e dirige-se ao legislador, e não ao aplicador da lei.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2418; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.000545/200956 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.417 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2014 Matéria IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS Recorrente ANDRÉ OTACÍLIO SOMENZARI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Faltando nos autos a prova da violação às disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO FATO GERADOR. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não justificados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. MULTA DE OFÍCIO. RENDIMENTOS OMITIDOS. ALÍQUOTA DE SETENTA E CINCO POR CENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento dos tributos não declarados enseja o lançamento de oficio, com a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade dos tributos lançados, em consonância com o disposto no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO DE CONFISCO. INAPLICABILIDADE. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos se refere aos tributos e não às multas e dirigese ao legislador, e não ao aplicador da lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 05 45 /2 00 9- 56 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Contra o contribuinte qualificado neste processo foi lavrado o auto de infração de IRPF, exercícios 2006 a 2008, por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com base no art. 42 da Lei nº 8.430, de 1996, sendo apurados R$ 930.717,79 de imposto, sobre o qual foi aplicada a multa de ofício de 75%. Em atendimento as exigências do Fisco, o contribuinte entregou os extratos das contas n° 19.7483 e 062120 mantidas, respectivamente, no Banco do Brasil S A e no Banco Itaú S A (fls 23 a 171). Entretanto, intimado a esclarecer, deixou de comprovar mediante a apresentação documentação hábil a origem dos depósitos bancários efetuados nas contas mantidas em seu nome. O auditor fiscal frisou que, a despeito da afirmação na sua primeira manifestação, o contribuinte não faz parte do quadro societário de nenhuma empresa constante do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) da Receita Federal do Brasil; que na apuração da base de cálculo do imposto foram excluídos os depósitos em cheque posteriormente devolvidos e os lançamentos a crédito estornados (conciliação bancária); e que não foram identificadas transferências de valores entre contas do mesmo titular (fls. 204 a 209). O contribuinte tomou ciência do lançamento em 18 de maio de 2009, e, na impugnação, alega: a) que não efetuou grande parte da movimentação bancária descrita no Auto de Infração, sendo necessária, nesse aspecto, a revisão dos valores e a solicitação de informações às instituições financeiras; b) que a existência de depósitos em conta bancária não significa hipótese de incidência do imposto de renda, salientando que o simples fato de manter numerário em conta corrente não significa que sejam rendimentos do titular; Fl. 265DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10945.000545/200956 Acórdão n.º 2201002.417 S2C2T1 Fl. 3 3 c) questiona a multa aplicada e o arrolamento de bens efetuado, dizendo que agiu de modo claro e probo, sem nenhum dolo ou intenção de sonegar; e d) invoca o princípio constitucional que proíbe a tributação com efeito de confisco e afirma que a multa aplicada, com o consequente arrolamento de bens, é exorbitante e ultrapassa o razoável para dissuadir ações ilícitas. Os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade, consideraram improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário. Cientificado da decisão em 27 de janeiro de 2012, o contribuinte apresentou o recurso voluntário no dia 13 do mês seguinte, repetindo, ipsis litteris, o teor da impugnação e solicitando, por fim, a anulação do auto de infração e/ou alternativamente a redução da multa a patamares condizentes com a realidade. É o relatório. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. O contribuinte alega que não efetuou grande parte da movimentação bancária descrita no Auto de Infração, sendo necessária a revisão dos valores e a solicitação de informações às instituições financeiras; que a existência de depósitos em conta bancária não significa hipótese de incidência do imposto de renda, salientando que o simples fato de manter numerário em conta corrente não significa que sejam rendimentos do titular; questiona a multa aplicada, dizendo que agiu de modo claro e probo, sem nenhum dolo ou intenção de sonegar; e invoca o princípio constitucional que proíbe a tributação com efeito de confisco. Inicialmente, cabe salientar que não há arrolamento de bens nos autos e que os extratos bancários foram fornecidos pelo próprio contribuinte, conforme da correspondência datada de 23 de março de 2009, folha 26 dos autos, na qual anexa os extratos da conta corrente n° 062120, mantida no Banco Itaú S/A, no período de 18.07.2005 a 28.12.2007; e o informe de rendimentos financeiros, emitido também pelo Banco Itaú S/A, relativo ao anocalendário 2008. Desta forma, não cabe à União contestar os valores informados. Também, devese lembrar que a Administração Tributária se submete ao principio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o principio do nãoconfisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). No caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto pelos seus membros. Ademais, o princípio constitucional que trata da vedação ao confisco, por força de exigência tributária, deve ser observado pelo legislador no momento da criação da lei, e não na sua aplicação. A multa aplicada ao caso específico foi de 75%, conforme determina o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, não havendo qualquer majoração por qualificação ou agravamento. Assim consta do citado dispositivo: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Portanto, a multa está corretamente aplicada. Quanto à presunção por meio de depósito bancários, verificase que está devidamente fundamentado nos autos. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10945.000545/200956 Acórdão n.º 2201002.417 S2C2T1 Fl. 4 5 O imposto de renda das pessoas físicas, nos termos o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. E, nesse caso, ante a vinculação do princípio da legalidade que rege a administração pública, tem a fiscalização a obrigação de autuar a omissão no valor dos depósitos bancários recebidos. Assim está expresso no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela constatação de depósitos bancários, mas pela falta de esclarecimentos por parte do contribuinte da origem dos numerários depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei, resultando na presunção de omissão de rendimentos. As presunções legais invertem o ônus da prova, cabendo ao Fisco comprovar tão somente a ocorrência da hipótese descrita na norma como presuntiva da infração. Nos autos, o contribuinte não apresentou provas, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos valores depositados/creditados nas contas correntes, assim, a omissão de rendimentos, como definida no artigo 42, da Lei 4.930, de 1996, com os limites alterados pelo art. 40 da lei n° 9.481, de 1997, e no artigo 849 e parágrafos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). Se a lei define que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos, não são meros indícios de omissão e não há a necessidade de estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Resta observar, conforme informou a fiscalização, que foi efetuada a conciliação bancária excluindose os cheques devolvidos e os lançamentos a crédito estornados, e que não foram identificadas transferências de valores entre contas do mesmo titular Isto posto, voto em rejeitar as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 268DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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